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O Z perdeu o Tom?

Na era dos ab-surdos talvez a surdez seja mais indicada do que o desprezo de Camus diante das loucuras de um mundo dotado de sentidos mltiplos, mas todos vazios de profundidade. A propaganda de uma marca de refrigerante para a copa do mundo conseguiu perverter uma das maiores mentes da msica e da poesia nacional. O craque da poesia vendeu a sua alma ao diabo da magia negra lquida, como alguns chamam essa marca de refrigerante. O grande pensador Reich escreveu o livro Escuta, Z Ningum! onde analisou os perigos da perda do esprito criativo e crtico no mundo das ideologias e manipulaes. O Z que lutou contra as ideologias dos ninguns hoje se torna porta voz de um estupro simblico que coloca no centro da bandeira do Brasil a logomarca do esprito corrosivo do lquido negro. O Z dos tons variados est substituindo, nesta propaganda, o craque do esprito crtico que dribla as ideologias pelo crack entorpecedor das falsas utopias. A perda das utopias, grande mal do contemporneo, tambm a perda do Tom da musicalidade da conscincia e da lucidez. A logomarca que triunfa no centro da bandeira nacional tambm triunfa no centro da alma dos Zs Ninguns cujos coraes foram colonizados pelo dinheiro. O Z perdeu o Tom e o desafino fere os ouvidos dos mais sensveis.

A perda das utopias e a prostituio das almas que um dia lutaram por um mundo melhor j fazem do Brasil um perdedor da copa do mundo.