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MANUAL METODOLÓGk PARA ESTUDOS BOTÂNICOS NA MATA ATLÂNTICA

Organizadoras

Lana da Silva Syívestre Maria Mercedes Teixeira da Rosa

COPYRIGHT©2002

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA:

RENATO PIZARRO DRUMMOND E LEONARDO GWATTALJ OE MELLO CAMPOS INSTTTUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO Rio DE JANEIRO LANA DA SILVA SYLVESTRE

DEPARTAMENTO DE BOTÂNICA - UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO

Rio DE JANEIRO

REVISÃO DO TEXTO LANA DA SILVA SYLVESTRE - MARIA MERCEDES TEIXEIRA DA ROSA DEPARTAMENTO DE BOTÂNICA - UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO Rio DE JANEIRO

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO Rio DE JANEIRO REITOR JOSÉ ANTÓNIO DE SOUZA VEIGA VICE-REITOR MARIA DA CONCEIÇÃO ESTELUTA VIANNI DECANO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO JORGE JACOB NETO EDITOR MAURÍCIO BALLESTEIRO PEREIRA

581.0981

M294

FICHA CATALOGRÁFICA

MANUAL METODOLÓGICO PARA ESTUDOS BOTÂNICOS NA MATA ATLÂNTICA/ORGANIZADORAS; LANA DA

SILVA SYLVESTRE E MARIA MERCEDES TEIXEIRA DA

ROSA. - SEROPÉDICA,

RJ: EDUR, 2002.

123

P

..

'IL,.

MAPAS, GRÁFICOS, TABELAS.

BIBLIOGRAFIA: p. 121-122.

ISBN

85-85720-27-1

I.

BOTÂNICA

-

MATA

ATLÂNTICA

-

MANUAIS,

GUIAS, ETC.

2. ECOSSISTEMA- MANUAIS, GUIAS, ETC.

I.

SYLVESTRE,

LANA

DA SILVA.

II.

ROSA,

MARIA

MhKCHUbSThlXt-IKADA, -III. TÍTULO

RESERVADOS TOOOS os DIREITOS DE PUBLICAÇÃO À:

EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO Rio DE JANEIRO PRÉDIO PRINCIPAL, SALA 102 PI

RODOVIA BR - 465,

CEP: 23890-000

KM 7, SEROPÉDICA, RJ, BRASIL

Fone (Oxx21) ) 2682-1201 ramal 235 - Fax: (Oxx21) 2682-1201

E-maíl: edur@ufrrj.br http://www.ufnj.br/editora.htm

IMPRESSO NO BRASIL

Prefácio

Desde os tempos da Ilha de Vera Cruz, a "nova" sociedade brasileira, na sua formação essencialmente europeia, deu início a toda sorte de utilização dos recursos da Mata Atlântica. Os arraiais irradiaram-se primeiramente no litoral, tanto em direção ao sul como ao norte e, durante séculos, embora avançando também para o interior, as atividades continuaram se expandindo pelo litoral, levando à uma drástica redução da cobertura vegetal e, consequentemente, da biodiversidade. Apesar do grave processo de fragmentação, os remanescentes ao longo da distribuição original da Mata Atlântica guardam, ainda, boa representati vidade da flora original. Não é novidade a importância de estudos que visem compreender a inter- relação dos múltiplos fatores que possibilitam a ocorrência de vegetação de tamanha expressão. Até a década de 70, poucos eram os trabalhos que tratavam com o rigor de métodos as pesquisas realizadas na Mata Atlântica. Esse quadro mudou substancialmente com a implantação dos cursos de pós-graduação com ênfase em Botânica e em Ecologia. Nós, brasileiros, produzimos poucos livros didáticos. Nesse sentido, é muito bem-vinda a iniciativa da publicação do MANUAL METODOLÓGICO PARA ESTUDOS NA MATA ATLÂNTICA, cujos temas abordados oferecem uma visão conjunta de aspectos relevantes para a compreensão do funcionamento da floresta, fundamental em projetos de conservação e recuperação ambiental. O Manual, didaticamente muito bem cuidado, é escrito numa linguagem clara e objctiva, o que torna sua leitura tarefa fácil e agradável. Para os estudantes, em especial, que cada vez mais têm-se interessado por temas conservacionistas, uma lacuna está sendo preenchida.

Alexandre Francisco da Silva

Professor Adjunto Universidade Federal de Viçosa

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DE

EiOCIÊNCIAS

 
 

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Sumário

1. Introdução

........................................................................................

7

 

(7 5/7 vá Sylvestre

e Maria

Mercedes Teixeira da Rosa

 

2.

Caracterização da Mata Atlântica

..................................................

9

Ariane Lima Peixoto, Maria Mercedes

Teixeira da Rosa e lues Machline

 

Silva

3.

Inventário florístico

 

24

Rejan R. Guedes-Bruni, Marli P. Morim, Haroldo C. de Lima e Lana da

Silva Sylvestre

4.

Inventário

fítossociológico

..............................................................

51

Yara Stntffaldi

de

Vuono

5.

Diagrama de perfil

..........................................................................

66

Maria Margarida R. Fiúza de

Melo

 

6.

Ciclagem de nutrientes minerais

..................................................

72

Mansa Domingos. Márcia

l. M.

S. Lopes

e

Yara Struffaldi

de Vuono

7.

Conservação da flora da Mata Atlântica

 

104

Haroldo C. de Lima,

Ariane Lima Peixoto e Tânia Sampaio Pereira

L

Introdução

 

Lana da Silva

Sylvesíre'

Maria

Mercedes Teixeira

da Rosa1

Este livro tem como objetivo reunir uma série de experiências obtidas por diversos grupos de pesquisadores, no desenvolvimento de seus estudos em áreas de ocorrência de Mata Atlântica. Neste sentido, este livro tem, inicialmente, uma finalidade didática, servindo

de base aos estudantes de graduação e pós-graduação e aos profissionais que ora se iniciam no estudo deste ecossistema. Destina-se também ao leitor leigo, mas interessado na preservação de nossas matas nativas, professores e pesquisadores de áreas conexas, uma vez que os estudos multidisciplinares têm merecido, cada vez mais, uma atenção especial, visando o melhor uso e manejo dos recursos naturais. Este trabalho baseia-se, portanto, na coletânea de textos elaborados por equipes diversas que, por iniciativa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), integraram-se no Programa "Linhas de ação em Botânica - Ecossistema Mata Atlântica", que reuniu Instituições que desenvolviam projetos nesta área. Este Programa buscou induzir pesquisas orientadas em ecossistemas diagnosticados como carentes (Pantanal, Restinga, Mangue e Mata Atlântica), num esforço concentrado. No caso específico da

Mata Atlântica,

o Programa englobou cinco equipes multidisciplinares, que

desenvolveram estudos em áreas remanescentes em diferentes níveis de preservação, situadas em quatro Estados brasileiros (Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro c São Paulo). Como um dos resultados, é apresentado este manual, que aborda a metodologia desenvolvida por estes grupos na abrangência de suas especialidades, indicando seus possíveis resultados e de que forma estes poderão contribuir para a preservação e manejo deste ecossistema.

1 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - Departamento de Botânica.

L. S- Sylvestre

&

M. M.

T.

Rosa

O capítulo IN» i.il Haia da caracterização da Mata Atlântica, em uma ;iliimlii)'rMi Insiuiicii, geográfica, fisionômica-estrutural e conservacionista. O t .ipiiuli > M piinU1 apresenta o inventário florístico, com seus objetivos, métodos r ir-.uh.iilns, representando uma importante etapa do estudo do ecossistema, loiiii'í nulo informações básicas que subsidiarão estudos biológicos MiliM-qiirnics. O inventário fitossociológico complementa a análise florística, lomivmdo as relações quantitativas entre os táxons e sua estrutura horizontal r viTliral. Desta forma, são apresentados, neste capítulo, métodos e parâmetros i|iu- são necessários para a realização destes estudos. Análises fisionômicas- t-sliutiirais podem ser aplicadas para ilustrar detalhes da distribuição vertical ilas espécies presentes em uma determinada área de ocorrência deste ecossistema. Estas análises são representadas diagramaticamente, e são denominadas de diagrama de perfil, conforme apresentado no capítulo 5. O estudo da ciclagem de nutrientes minerais é utilizado para se conhecer o funcionamento de um ecossistema do ponto de vista de sua manutenção e estágio sucessional, sendo utilizado também para a detecção de distúrbios de origem natural ou antrópica. A metodologia de realização destes estudos, a forma de quantificação dos nutrientes, o fluxo destes nutrientes na estrutura da floresta, bem como os resultados esperados podem ser encontrados no capítulo 6.0 capítulo final trata da utilização dos dados em conservacionismo, visando o estabelecimento de uma política conservacionista para a Mata Atlântica. Esperamos que este livro forneça bases para esforços conservacionistas, através do incentivo de novos grupos no estudo da Mata Atlântica, em suas diferentes e novas áreas do conhecimento. A divulgação destas pesquisas torna- se necessária e urgente, no sentido de embasar projetos de educação ambiental, m;uu'jo e conservação, que se tornam prioritários vista a acelerada degradação drslr tvossistcma.

2. Caracterização da Mata Atlântica

A nane Luna Peixoto1

Maria Mercedes

Teixeira da Rosa'

Inês Machline Silva'

Na época do descobrimento, a Mata Atlântica estendia-se ao longo da costa oriental brasileira, numa faixa de largura variada, desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Cobria tanto a planície costeira como as encostas e planaltos, ocupando uma área de aproximadamente l milhão de km2. A forte influência oceânica associada às condições climáticas, ecológicas e principalmente uma rica fácies gco morto lógica favoreceram o desenvolvimento de uma flora exuberante, a qual por sua vez propiciou a manutenção de uma fantástica diversidade faunística.

A origem da Mata Atlântica tem seus primórdios na fragmentação do supercontinente Gondwana, no Jurássico. Com a quebra e o início da deriva continental que separou a América do Sul da África, originaram-se, na margem continental, numerosas e profundas bacias de sedimentação preenchidas com sedimentos cretáceos e cenozóicos (Bigarella, 1991).'A floresta que cobre a costa oriental brasileira é, assim, o testemunho de uma complexidade de eventos geomorfológicos, climáticos, biológicos e ecológicos, cada trecho sendo único em sua documentação histórica e em seu conjunto de formas vivas. As oscilações climáticas com alternâncias cíclicas de períodos frios e secos (condições climáticas semi-áridas) seguidos de outros, quentes e úmidos (condições climáticas úmidas), que se sucederam principalmente nos últimos dois milhões de anos, propiciaram ora a expansão, ora a retração das florestas tropicais. Nos períodos semi-áridos, a Mata Atlântica restringiu-se a ilhas, ditas refúgios, onde as condições de umidade puderam manlê-la, senil» que grande parte da área coberta por floresta cedeu lugar ã vegciacan adaptada ao clima seco. Nos períodos interglaciais, caracterizados por climas mais quentes

1 Universidade Federal Rural do Rio tle Janoin> - lV|i;iil;imi:nlo do |int;inic;<.

A.

L. Peixoto ei ul.

e úniidos, a floresta expandiu-se sobre as áreas semi-áridas predominantemente a partir dos estoques genéticos dos refúgios. A figura l (a-d) mostra as médias atuais de pluviosidade e temperatura, evidenciando as variações ocorrentes em quatro localidades ao longo da costa atlântica. Recobrindo, em enormes extensões, solos de boa qualidade para a agricultura e pecuária, além de possuir espécies vegetais de alto valor comercial, a floresta atlântica estava condenada ao desmatamento e a degeneração (Câmara, 1991/92). Cinco séculos de ocupação reduziram a floresta a pequenas manchas. O extrativismo que teve início com a exploração do pau-brasil, expandindo-se posteriormente para outras madeiras, palmito e xaxim, a expansão de culturas de cana-de-açúcar, café, cacau e banana, assim como a agricultura de subsistência e a especulação imobiliária, podem ser apontadas como as principais causas da drástica redução da mata atlântica (Joly et ai, 1991). Não existem dados efeti vãmente confiáveis da superfície total remanescente. Autores divergem quanto a este valor, que está entre 5% a 15%, sendo os resíduos florestais, muitas vezes, pequenos fragmentos disjuntos e floristicamente empobrecidos (figura 2). Embora seja considerada uma das regiões de maior biodiversidade do planeta, é paradoxalmente, uma das mais ameaçadas. A Mata Atlântica caracteriza-se principalmente pela riqueza em epífitos dos mais variados tipos, pertencentes à táxons vasculares ou avasculares e pelas árvores de folhas sempre verdes, que persistem por um tempo relativamente longo e que apresentam geralmente adaptações para clima extremamente chuvoso. As palmeiras dão às florestas tropicais sua fisionomia mais típica, tanto pelo porte ímpar como pelas formas de crescimento características e geometricamente organizadas. Entretanto, quando se analisa a biodiversidade na mata atlântica comparando-a com outras regiões tropicais, os dados mais surpreendentes são o grande número de Myrtaceae e a quantidade de fungos associados à rizosfera (Peixoto, 1991/92).

A riqueza de

Myrtaceae

tem sido apontada através de

estudos

fitossociológicos realizados em diversas áreas, como característica marcante da Mata Atlântica, estando essa família listada geralmente entre aquelas com maior número de espécies. Na região neotropical, esse grande número de Myrtaceae é restrito à costa brasileira, sendo, no entanto, encontrado também em florestas paleotropicais (Peixoto e Genlry, 1990). É muito grande a quantidade de fungos que vivem em simbiose com raízes das espécies da floresta, em que as plantas verdes cedem aos fungos elementos produzidos pela fotossíntese e os microrganismos transferem ao vegetal a água a os elementos minerais absorvidos do solo por suas hifas. Estes fungos e muitos outros microrganismos que se desenvolvem em espaços inter-radiculares,

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Caracterização cia Mata Atlântica

no solo úmido e na camada de folhas que o recobre, aumentam extraordinariamente a superfície de contato da raiz com o solo. Formam redes densas, possibilitando assim, a ciclagem rápida da matéria orgânica necessária para manutenção da exuberância da vegetação em um frágil equilíbrio pouco resistente a perturbações.

O alto índice de endemismo é também uma forte característica da Mata Atlântica. Mori et ai. (1981) calculam que de cada duas espécies arbóreas, uma ocorre exclusivamente neste ecossistema. Entre as plantas herbáceas, especialmente entre os epífitos, este índice é ainda maior. Joly et ai. (1991) sugerem que entre as palmeiras e bromélias, duas em cada três espécies devam ser endémicas. Dentro deste contingente há, entretanto, aquelas plantas que são restritas a determinadas localidades, sendo daí exclusivas. As serranias do Rio de Janeiro, a região do norte do Espírito Santo/Sul da Bahia e o litoral de Pernambuco representam áreas ditas refúgios nas quais há grande diversidade biológica e o numero de endémicos restritos é muito alto. Dois aspectos morfo-estruturais estão representados na Mata Atlântica:

(1) terrenos de embasamento cristalino, geralmente nas regiões serranas, correspondendo a dissecações de antigas superfícies de erosão deformadas por arqueamentos e falhamentos; (2) terrenos constituídos pelo capeamento sedimentar podendo ser exemplificado pelos tabuleiros da Série Barreiras, de superfície plana e altitudes superiores a 100 m (Bigarella, 1991). Condicionadas predominantemente pela topografia e altitude, cinco formações florestais distintas, tanto em aspectos fisionómicos quanto florísticos podem ser reconhecidas: floresta de planície, floresta de encosta, floresta de altitude, floresta de tabuleiro e "brejo".

As Florestas de Planície ocupam predominantemente terrenos formados por aluviões provenientes das escarpas das serras, que se juntam aos cordões arenosos depositados pelo mar, sendo ricos em depósitos lagunares e fluviais, resultando assim numa região edafico-topográfica contrastando com aquela observada nas escarpas serranas. Os solos são areno-argilosos, ácidos e de pobres a ricos em nutrientes. A pluviosidade, menor que na floresta de encosta, propicia a ocorrência de floresta subcaducifólia em alguns trechos. Nas depressões de planície, especialmente nos tabuleiros, existem várzeas mais ou menos extensas nas quais o solo parcialmente encharcado propicia a instalação de uma floresta alagadiça dominada por poucas espécies e caracterizada por uma baixa biodiversidade. Na zona da mata costeira (Região Nordeste), na baixada fluminense (Rio de Janeiro), no vale do Rio Ribeira (São Paulo) e na região central do litoral paranaense e catarinense, a floresta de planície atinge maiores extensões. Além das espécies próprias a estas florestas, podem ser

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A. L. Peixoto

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enconiiailas algumas outras, características das matas de restinga e da vegetação das cnmslas, A vi-f.dação tem aspecto denso, estando o dossel florestal a 20 m ou 30 m de ia, havendo nílida superposição de copas em exlratos bem definidos. As •maivas, i|iK- em alguns locais chegam a cobrir o solo, são representadas i iiifipalmenlc por marantas, bromélías e samambaias. As epífitas vasculares uco abundantes, em contrapartida há uma riqueza notável de epífitas lares cobrindo os troncos das árvores e como cortinas pendentes nos

ramos. A presença do palmiteiro já é considerável na floresta de planície,

constituindo essa formação também o ambiente preferencial de ocorrência do pau-brasil. Estas florestas foram as primeiras a serem exploradas ou destruídas, cedendo espaço para o assentamento de vilas e cidades e à expansão de fronteiras agrícolas, restando dela hoje poucos remanescentes testemunhos.

As encostas

íngremes

apresentam-se

geralmente

com solos

de

embasamento cristalino, ora mais profundos (latossolo vermelho-amarelo), ora mais rasos e sub-rochosos (litossolo), dando sustentação a exuberante floresta

pluvial tropical de encosta. Do norte do Rio de Janeiro ao sul de Santa Catarina, a Serra do Mar estende-se paralelamente à costa e opõe-se frontalmente à direção dos ventos oriundos do mar, exercendo uma sensível influência nas precipitações, que aumentam na proporção direta da altitude. Nesta região, de modo geral, ocorrem chuvas em mais de 50% dos dias de verão, enquanto no inverno chove, em média, em 33% dos dias. As áreas mais chuvosas estão

localizadas nas bordas das escarpas

da serra,

cuja pluviosidade média anual

chega a até 4000m, e as menos chuvosas na base das encostas. Além das chuvas, a neblina contribui para a umidade elevada durante todo o ano, o que constitui

um dos principais condicionantes da mata ali existente. Na Mata de Encosta, as árvores geralmente alcançam 20 a 30 m de allura, não havendo a formação de um dossel contínuo (figura 3, tabela l). Tal falo decorre da distribuição escalonada da vegetação sobre vertentes em geral muilo íngremes, propiciando maior acesso a iluminação. Em função do espaço disponível entre as copas das árvores, permitindo uma maior entrada de luz, unta infinidade de epífitos cresce sobre troncos e ramos das árvores. É na lluirslii i U' encosta que os epífitos atingem maior abundância e diversidade. llinmcliacnu', Orchidaceae, Araceae, Polypodiaceae, Pipcraceae e < Irsnn HiiTiK' silo as famílias melhor representadas entre os epífitos vasculares, mentiu MUI |iivfiult(Mir a diversidade de tipos, tamanhos e formas. Devido à beleza 'OMjniliii ilns foi mus di- crescimento, do variegado das folhas ou ainda pela Itrlr/U iliiN llotVN qiu- piodu/.rm, são consideradas plantas ornamentais ideais

Caracterização da Mala Atlântica

para ambientes sombreados. Denominadas erroneamente de "parasitas", ao longo dos anos elas vêm sendo exploradas comercialmente, levando à degradação das populações por retirada indiscriminada de material genético. Algumas espécies são hoje conhecidas apenas em cultivo, pelo fato de suas

populações naturais já

terem

desaparecido.

Estando a floresta de encosta sujeita a chuvas copiosas no verão, a cobertura do solo se faz indispensável para amenizar a erosão, o escorregamento de massas em locais de declividade mais acentuada e o assoreamento dos cursos d'água. As perturbações causadas levam a uma exposição do solo que é facilmente erodido, dada a sua textura e topografia acidentada, que maximiza a erosão laminar.

Consequentemente, uma perturbação localizada pode se expandir rapidamente

alterando ou destruindo áreas consideráveis (Joly

et ai., 1991).

A Floresta de Altitude é a terceira fácie da Mata Atlântica, ocorrendo predomínantemente nas regiões sul e sudeste, geralmente quando a escarpa atinge altitudes em torno de l lOOm, ou mesmo abaixo desta, quando as condições edafo-climáticas são favoráveis. Nestas faixas de altitude, a presença de neblina é uma constante, razão pela qual ela recebe também a denominação de floresta nebular ou floresta pluvio-nebular. A vegetação é constituída por árvores ou arvoretas de até l O m de altura, sendo maior a frequência de espécies com folhas rijas ou com margens dentadas. Os epífitos vasculares ocorrem em

menor quantidade, estando representados predomínantemente por Bromeliaceae e Pteridófitas. Entretanto, a presença de epífitos avasculares, especialmente

liquens e musgos, é notável. No trecho austral da floresta atlântica, entre o mar e o Rio Paraná, no chamado Planalto Meridional, e em áreas nucleares geralmente acima de 1600 m de altitude (principalmente na Serra do Mar e Mantiqueira), a floresta de altitude toma aspecto muito peculiar devido à dominância da araucária ou pinheiro-do-Paraná. As florestas de araucária representam relíquias de paieoclimas mais frios e secos quando estas florestas ocuparam extensas áreas,

estando agora

em fase de retração, sendo os seus espaços paulatinamente

ocupados pela floresta pluvial atlântica. A araucária é uma espécie pioneira, heliófita, que para germinar e se estabelecer necessita de maior luminosidade

do que aquela encontrada no interior da floresta. Assim, de modo geral, os

ambientes campestres são

colonizados pela araucária, que ao se desenvolver

propicia ambiente para o estabelecimento de outras espécies como a imbuía o

cedro e a erva-mate. Prosseguindo os estágios de sucessão florestal, espécies umbrófilas se estabelecem, a comunidade adensa-sc c a araucária não encontra mais condições favoráveis para sua germinação. Com o lérmino do ciclo vilal

A. L. Peixoto et ai.

da araucária, de cerca de 300 anos, a floresta perde os elementos emergentes dominantes, ficando o dossel composto por indivíduos de diferentes espécies. A Floresta de Tabuleiros ou hiléia baiana ocorre no sul da Bahia e norte do Espírito Santo, onde se estendem vastas planícies sedimentares, os tabuleiros terciários da série Barreiras, pontilhadas de lagoas e brejos com relevo caracterizado por uma sequência de colinas tabulares, com altitude variando entre 28 m e 90 m. Condicionada principalmente por fatores geológicos e edáfico- climáticos, apresenta-se com características fisionómicas e florísticas muito particulares, apresentando fortes correlações com a floresta amazônica. O solo é argilo-arenoso pobre ou muito pobre, sendo notável, em algumas áreas, a ausência de elementos-traço, bem como a ausência quase total de rochas de qualquer natureza. O clima quente e úmido, com estação seca relativamente bem marcada, confere à vegetação o caráter de semideciduidade. A vegetação é caracterizada por árvores de grande porte que formam o dossel a 35 m ou 40 m de altura, sendo a estratificação florestal relativamente bem definida (figura 4, tabela 2). São frequentes exemplares com diâmetro do tronco superior a 80 cm, a formação de raízes tabulares ou sapopemas e a presença de espécies lactescentes. Dentre as formações florestais da Mata Atlântica, é na floresta de tabuleiros que ocorre a maior diversidade específica entre os elementos arbóreos. Muitos géneros e algumas espécies arbóreas ocorrem nesta área e na Amazónia, servindo de exemplo de distribuição geográfica disjunta que testemunha períodos geológicos e climáticos anteriores, quando as florestas amazônica e atlântica estiveram conectadas. A sinúsia de epífítos e herbáceas é menos diversificada do que nas demais formações atlânticas, embora o número de endemismos seja surpreendente. Uma característica desta formação é a riqueza e a diversidade de lianas, especialmente as fortemente lenhosas (Peixoto e Gentry, 1990). Os "Brejos" ou "Serras Úmidas" ocorrem no domínio das caatingas, em áreas com altitudes superiores a 600 m, onde a condensação de nevoeiros fornece grande parte do suprimento d'água necessário à manutenção da vegetação. A posição destas serras, geralmente perpendiculares ao sentido dos ventos dominantes, gera oásis climáticos, possibilitando a existência de microclimas úmidos, com temperaturas amenas (figura 5). Nestes brejos, a pluviosidade, embora muito superior a da caatinga circundante, não é todavia suficiente para manter a exuberante floresta que aí viceja. A chamada "precipitação oculta" dentro da mata, contribui notavelmente para conservar o suprimento hídrico suficiente para a manutenção da floresta e para alimentar os pequenos riachos que descem das encostas. Esse fenómeno é resultante da condensação que ocorre na densa folhagem da copa das árvores que, à noite,

Caracterização àa Matei Atlântica

apresenta temperatura inferior a do ar circundante, contribuindo para aumentar notavelmente a superfície de condensação do ar saturado de umidade, principalmente nos meses mais frios. A água assim condensada escorre pelos troncos, incorporando-se ao solo permeável e profundo (Lyra, 1984). A vegetação caracteriza-se por apresentar um dossel florestal mais ou menos contínuo de 15 m a 20 m de altura e árvores emergentes esparsas, de até 30 m de altura. As espécies arbóreas são, em sua maioria, as mesmas que ocorrem na mata atlântica de encosta, sendo, entretanto, distinta a frequência e a distribuição das espécies nas diferentes áreas de brejo. As árvores frequentemente têm o tronco e os ramos cobertos por briófitas e liquens, que formam comunidades muito ricas em espécies. Entre as árvores de pequeno porte, arbustos, ervas e epífitos há um contingente grande de espécies endémicas, muitas vezes restritas a apenas uma área de brejo. O conhecimento botânico dessas áreas, especialmente das plantas herbáceas e epífitas, é ainda muito pequeno, o que inviabiliza o manuseio adequado e mesmo a exploração racional da flora local. Sabe-se que um grande contingente de plantas é utilizado pelas populações locais como fonte de medicamentos, fibras, ceras, resinas e principalmente madeira, sem que haja experimentos de cultivo dessas espécies, muitas das quais com a sobrevivência seriamente ameaçada devido à redução de suas populações.

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Caracterização da Mata Atlântica

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Figura I: Medidas de pluviosidade e temperatura ao longo cia cosia ;itlfnilk-;i. (</) Hore.sla ilc planície em Recife, Pernambuco (Mueck, 1972); (h) Floresta ile tabuleiro cm Linhares, líspíriio Santo (Peixoto & Geniry, 1990); (c) Floresta de alliliule em Ilaliaia. Rio de Janeiro (Hueck, 1972); (ci) Floresta de encosta em Ubatuha, São Paulu (Silva, I9KO).

A. L. Peixoto et u/.

Caracterização da Mata Atlântica

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FLORESTA

ATLÂNTICA

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Original

• Remanescente

Figura 2: Mapa do Brasil mostrando as áreas remanescentes de Mata Atlântica (Monteiro & Kaz, 1991).

igur a 3: Diagrama de perfil de um trecho de floresta de Paulo (Silva, 1980).

encosta no Município de Ubatuba, São

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Figura 4: Diagrama de perfil de um trecho de floresta de tabuleiro no município de Linhares,

Espírito Santo (Peixoto et ai., 1995).

A. L. Peixoto ef

ai.

Tabela 2: Lista de espécies enumeradas na figura 4

1. Duguetia lanceolata

  • 2. Hydrogaster trinervis

  • 3. Myrcia racemosa

  • 4. Astronium graveolans

  • 5. Trattinnickia sp.

  • 6. Trichilia sp.

  • 7. Couepia schottii

  • 8. oblongifolia

Schoepfia

  • 9. Sterculia spedosa

  • 10. Atrocaryum aculeatissimum

  • 11. Myrciaria amazonica

  • 12. Myrcia racemosa

  • 13. Trichilia sp.

  • 14. Ocotea aciphylla

  • 15. multiflora

Senefeldera

  • 16. Franchetella sp.

  • 35. Spondias purpúrea

  • 36. Ecclinusa ramiflora

  • 37. Alchornea triplinervia

  • 38. Dialium divaricatum

  • 39. Geissospermum laevis

  • 40. Centrolobium minus

  • 41. Mouriri glazioviana

  • 42. Attalea humilis

  • 43. Caesalpima férrea

  • 44. oblongifolia

Schoepfia

  • 45. Dialium divaricatum

  • 46. Pouleria pachycalyx

  • 41. Eugenia aff. pyrifolia

  • 48. Tapirira sp.

  • 49. Dialium divaricatum

  • 50. Dialium divaricatum

  • 17. Buchenavia hoehneana

5 \. Spondias aff. purpúrea

  • 18. Jacaratia heptaphylla

  • 52. Sorocea sp.

  • 19. Dialium divaricatum

  • 53. Spondias aff. purpúrea

  • 20. Solanum alatirameum

  • 54. Simira grazielae

2 í. Piptadenia adiantoides

  • 55. Micropholis crassipedicellata

  • 22. Eríotheca candolleana

  • 56. Ocotea divaricata

  • 23. Enterolobium glaziovii

  • 57. Caesalpima férrea

  • 24. Lecythis lanceolata

  • 58. Tachigali nndtijuga

  • 25. Trichilia sp.

  • 59. Poutería pachycalyx

  • 26. Machaerium fulvovenosum

  • 60. Dialium divaricatum

  • 27. Attalea humilis

  • 61. Marlierea gardneriana

  • 28. Hydrogaster trinervis

  • 62. Tabebuia serratifolia

  • 29. Tibouchina granulosa

  • 63. Enterolobium glaziovii

  • 30. Casearia decandra

  • 64. Cariniana legalis

  • 31. Franchetella sp.

  • 65. Ocotea divaricata

  • 32. Attalea humilis

  • 66. Tapirira sp.

  • 33. Stephanopodium blanchetianum

  • 67. Caesalpinia férrea

  • 34. Franchetella sp.

  • 68. Myrcia panicularis

22

Caracterização da Mata Ailàniira

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  • 3. Inventário florístico

da Mata Atlântica, evidenciaram a necessidade de melhor definir propostas metodológicas buscando tornar compatível o uso das mesmas numa estratégia global para a conservação de áreas remanescentes.

Rejan R. Guedes-Bruni1 Marli Pires Morim1 Haroldo C. de Lima1 Lana da Silva Sylvestre2

A necessidade de exploração dos recursos naturais, associada às exigências culturais, tem tornado o conhecimento básico sobre os diversos ecossistemas imprescindível à geração de tecnologias ambientais capazes de promover

resultados efetivos. Ao se estudar os ecossistemas estão previstas, fundamentalmente, duas abordagens: uma relativa à análise das comunidades e dos fatores abióticos associados e a outra atinente aos mecanismos reguladores do estabelecimento

das diversas populações e comunidades. O inventário florístico tem como objetivo identificar as espécies que ocorrem em uma determinada área geográfica. Ele é realizado através do estudo taxonômíco do material botânico coletado que é preparado e depositado em herbários. O inventário representa uma importante etapa no conhecimento de um ecossistema, pois fornece informações básicas que subsidiarão os estudos

biológicos subsequentes. O conhecimento florístico é atualmente reconhecido como uma das necessidades prioritárias para a conservação e uso racional dos ecossistemas. rim decorrência deste pensamento, um elevado esforço vem sendo desenvolvido para realizar inventários das espécies ocorrentes nas principais formações

vrj',iMais tropicais.

Para a Mata Atlântica, este esforço está possibilitando a ampliação dos 1'inpus e instituições envolvidas no estudo deste ecossistema e, OOnwquenternente, promovendo importantes avanços no conhecimento sobre M i llt nM. listes primeiros resultados, face à fragilidade e ao grau de destruição

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lardim Botânico do Rio de Janeiro.

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COLETA E ORGANIZAÇÃO DOS DADOS

SELEÇÃO DA ÁREA:

A seleção para estudo de uma determinada área deve ser precedida de uma avaliação acurada do ecossistema. Deve-se estabelecer os procedimentos a serem adotados de modo a atender os objetivos propostos pelo inventário.

Assim, a efeição de uma determinada área para fins de inventário deve observar critérios, tais como:

a)

o grau de representai Í vidade da vegetação no contexto regional, incluído

aqui os aspectos sócio-culturais, históricos e geográficos;

b)

o bom estado de preservação da área representando uma porção

significativa de mancha florestal na região, incluindo formações em estado primário ou pouco impactadas;

c)

o parco conhecimento florístico da área, sustentado pela ocorrência e

pela qualidade de colelas daí procedentes;

d)

a possibilidade de destruição iminente da área face às pressões

antrópicas;

e)

a ocorrência de significativas variações no relevo, clima, sofo, entre

outros;

f)

a indicação de focos de endemismos e a natureza dos mesmos;

g)

a importância da área para a compreensão global do ecossistema.

LEVANTAMENTO

DAS INFORMAÇÕES

DISPONÍVEIS:

Objetivando atender aos critérios anteriormente expostos, deve-se adotar procedimentos capazes de reunir o máximo de informações sobro a descrição, mapeamento e composição florística da área a ser inventariada.

Descrição e mapeamento da área:

A delimitação e descrição dos aspectos

fisiográficos

são de

fundamentai importância para uma análise prévia dos possíveis fatores que

R. R. Guedes-Bruni *-/ >ii.

atuam sobre a cobertura vegetal. Assim, tornam-se necessárias algumas

atividades que permitam:

  • a) reunir mapas temáticos (político,

geológico, geomorfológico, solo,

vegetação, uso da terra, recursos hídricos, entre outros);

  • b) consultar fontes bibliográficas sobre geografia do Brasil;

  • c) coligir fotografias aéreas na escala 1:25.000 ou l :50.000 que poderão ser utilizadas para o detalhamcnto da vegetação da área, assim como

imagens de satélite na escala de 1:100.000;

  • d) reunir dados climatológicos e, se possível, implantar urna estação

meteorológica na área de estudo;

  • e) coletar informações de moradores que possam retratar a história local e apontar a relação entre a comunidade e as espécies ali ocorrentes;

  • f) reconhecer os diferentes tipos de formações vegetais presentes. Para a obtenção de mapas e/ou dados sobre os principais fatores abióticos

as instituições abaixo relacionadas poderão ser consultadas:

Mapas temáticos:

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Departamento de Documentação e Informação Av. Brasil 15670 bl.3, térreo

Rio de Janeiro - RJ Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (CPRM)

Av. Pasteur, 404 - Urca

Rio de Janeiro - RJ

Departamento de Recursos Minerais

Rua Marechal Deodoro, 351

Niterói - RJ

Centro Nacional de Pesquisas

Florestais

Estrada da Ribeira km 111 Curitiba - PR

Centro de Cartografia

do

Exército

Rua Major Daemon 81

Rio de Janeiro - RJ

Fotografias aéreas:

PROSPEC S.A. - Geologia, Prospecções e

Rua das Palmeiras 52 - Botafogo Rio de Janeiro - RJ

Aerofoto

Cruzeiro

Av. Almirante Fronttm 281 Rio de Janeiro - RJ

Aerofotogrametria

26

Inventário florístico

Agrofoto

- Engenharia Agropecitária

R. Ramom Franco 99 Rio de Janeiro - RJ

Imagens de satélite:

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Caixa Postal 5 í 5

São José dos Campos - SP

Dados climáticos:

(INPE)

Departamento Nacional de Meteorologia

Eixo Monumental Cruzeiro Brasília - DF

Dados sobre solos:

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

(EMBRAPA)

Centro Nacional de Conservação de Solos Rua Jardim Botânico 1024

Rio de Janeiro - RJ

Dados sobre a flora:

A exploração botânica da Mata Atlântica teve o seu início no século XVII. As primeiras expedições percorreram grande parte da costa brasileira e uma representativa coleção botânica tem sido acumulada desde então. Informações sobre estes exploradores e suas respectivas coleções são sumarizadas em Urban (!906)eHoehnetífíí/. (1941).

Para o levantamento das coleções botânicas mais recentes os principais

herbários deverão ser consultados. A relação dos endereços dos herbários nacionais e estrangeiros poderá ser obtida em Hoímgren et ai (1981), Boletim Latinoamerícano de Botânica (1990) e Mori et ai (1989).

Revisões taxonômicas e monografias poderão fornecer, na citação do material examinado, informações adicionais.

DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE COLETA

O inventário florístico será tanto mais rico em informações quanto maior for a sua área de abrangência. Portanto, o indicado é que ele não só inclua na amostragem os mais diferentes grupos taxonômicos, como também as mais diferentes fácies do ecossistema.

Em uma primeira eíapa, deverá ser desenvolvido um trabalho exploratório inicial em uma significativa porção da área a ser inventariada. Isto permitirá

27

R. R. Guedes-Bruni e! til.

uiii.i farnillariZBÇ&OCOma região, bem como um reconhecimento preliminar das

r-,|>rt i»-, m;iis

representativas.

As vanaçors topográficas e as diferenças fisionómicas na cobertura vrj-ri.il. ilcvi-mn ser consideradas para efeito de escolha dos locais de coleta. Nf.tr i-jiso, as enleias poderão ser ajustadas às necessidades de amostrar toda .1 amplilmk' de variação observada. De modo geral, devem ser incluídos locais fimiu encostas, lopode montanhas, margens de rios, vales, entre outros. Para uma iiK-lhor comparação da composição florística, é de grande utilidade piumover coletas intensivas em locais com melhor estado de conservação, como lambem naqueles com clareiras ou margens de picadas em diferentes

estágios

sucessionais.

A composição florística ao longo de alguns gradientes, principalmente allitudinal, poderá ser avaliada através de transectos. Este método também poderá proporcionar uma comparação entre os diferentes locais de coleta. Um inventário deverá abranger a maior extensão possível, desde os locais de fácil acesso, até os supostamente inacessíveis, sem privilégio de uma ou

outra fitocenose.

PROCEDIMENTOS PARA COLETA E HERBORIZAÇÃO DE MATERIAL BOTÂNICO

Uma vez definida a área a ser inventariada, deve-se organizar um cronograma de excursões periódicas, bem como reunir equipamento apropriado às necessidades de coleta e preparação do material (sacos de papel e de plástico dr vários tamanhos, canivete, facão, desplantado!, tesoura de poda, tesoura de alia poda, folhas de jornal, papelão canelado, alumínio corrugado, papel mata- lioiiao, prensas, cordéis para amarrar as prensas, fita crepe, estufa de campo, t'i|mpamnno para escalar árvores, caderneta de campo, lápis, caneta, lupa de

ni.i"

luiinmlo, altímetro e bússola).

A metodologia

adequada e os recursos necessários à coleta de material

l ."(.nu* n i i,u t Mi propiciam maior agilidade no trabalho de campo, como conduzem .1 itliirni,,iu i Ir il;idns consistentes para alcançar, satisfatoriamente, os objetivos

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amostras colctadas na

área de estudo. Neste

Inventário flartsiit o

processo, o importante é o indivíduo e não o táxon, com todas as suas variações fenotípicas, distribuição e ocorrência nos diversos ambientes. Devido às exigências dos métodos fitossociológicos, é muito frequente que apenas árvores e arbustos sejam analisados e contemplados durante a coleta. Deve-se ampliar, entretanto, o campo de trabalho de modo a abranger o máximo possível de amostras de diferentes grupos vegetais que compõem as

comunidades

locais. Portanto, na coleção botânica devem

constar exemplares de:

a) todos os indivíduos em estado fértil ou estéril que atendam às exigências pré-definidas pelo método fitossociológico adotado, isto é, aqueles inclusos na porção da área amostrai e cujo tronco atinja o diâmetro do caule a 1,30 cm do solo (DAP) pré-fixado;

  • b) os indivíduos, principalmente aqueles

em estado fértil, que a princípio

estariam excluídos da coieta por não se enquadrarem nas exigências do método fitossocioíógico;

O primeiro caso refere-se aos indivíduos que podem ser considerados como elementos imprescindíveis à análise fitossociológica. O segundo são espécimes que, independente do hábito e do grupo vegetal, são coletados aleatoriamente em diferentes locais da área, principalmente naqueles onde há mudanças ambientais, tais como solo, altitude, etc. Na realidade, estas coletas auxiliam na confirmação da representai i v idade da amostra fitossociológica,

em relação à totalidade de área. Além disso, incrementam os dados para o alcance de resultados mais abrangentes, em relação à composição florística. Por outro lado, os indivíduos férteis cofetados, independentemente da amostragem fitossociológica, são muitas vezes decisivos para a identificação taxonômica

daqueles da mesma espécie, cujos outra ocasião.

indivíduos foram coleíados estéreis em

Como Coletar

As amostras coleíadas representam, na grande maioria, partes de um indivíduo (estéreis e/ou férteis) em uma determinada fase de sua vida e serão fundamentais para a identificação taxonômica, geralmente alcançada ou confirmada em laboratório. No sentido de retratar fielmente o indivíduo, alguns procedimentos gerais devem ser adotados por ocasião da coleta:

a) anotar os dados sobre o local de coleta e sobre o indivíduo colmado, principalmente aqueles que se perdem após a prensagem e secagem do material; caso disponha de um GPS (Geographic Posilion System satilele navigator), disponibili/ar a locali/acão de fornia geo-referenciada;

29

R. R. Guedes-Bruni el aí.

b) representar, sempre que possível, as variações individuais nas

populações;
c)

amostrar as variações

das partes vegetativas, principalmente se estas

diferem das férteis; d) coletar as partes férteis evidenciando, se possível, suas diferentes fases

de desenvolvimento. O número satisfatório de amostras para cada indivíduo coletado, é aquele que representa as variações encontradas e também permita a distribuição para especialistas, bem como a permuta entre herbários. Em média coleta-se cerca de três amostras de indivíduo, quando estéril, e de cinco a sete quando fértil. Contudo, é sempre oportuno ter em mente que a coleta nunca deve colocar em

risco a existência da planta em seu habitat.

Coletando plantas avasculares

Os vegetais avasculares requerem material, procedimentos de coleta e de preparação, diferentes em alguns aspectos, daqueles utilizados para as plantas

vasculares. Na amostragem de fungos macroscópicos, liquens e briófitas de ambientes

terrestres, é essencial que seja também coletado o substrato onde habitam (solo, rocha, tronco, folha, etc), pois neste residem elementos estruturais de fundamentai importância para a identificação taxonômica. A amostra é retirada

com auxílio de uma faca ou desplantador (figura 6:

h, j), afofando-se o substrato

para evitar quebras ou danos ao material coletado. Os espécimes que compõem uma amostra devem ser coletados, sempre que possível, sem prejuízo para as populações, em diferentes estágios de desenvolvimento. Os exemplares coletados são colocados dentro de sacos de papel (figura 6: m) ou, quando muito grandes, embrulhados em jornal e amarrados com barbante. As algas são pouco representadas na Mata Atlântica, considerando-se aquelas de habitais terrestres. São basicamente espécies que crescem no solo, sobre rochas ou em troncos de árvores. A metodologia para coleta destes táxons varia de acordo com o grupo a ser estudado e o substrato onde este se desenvolve. De modo geral, as algas de ambientes lerrestres são coletadas com espátula e colocadas em um frasco de vidro com um pouco de água para, rnais tarde (máximo de 48 horas), serem fixadas em soluções específicas (Transeau, por exemplo). O material pode também ser envolvido em papel, deixando-o aberto para secar à temperatura ambiente. Maiores esclarecimentos sobre este grupo, bem como as fórmulas dos líquidos usados para preservação, podem ser obtidos

em Fidalgo & Bononi (1986).

Inventário florístico

No preparo de amostras de fungos deve-se, tão logo quanto possível, após a coteta, separar o píleo do estipe para a impressão dos esporos. Para tal, é necessário que se tenham disponíveis folhas de papel bicolores, com uma das metades branca e a outra preta (folha de coleta de esporos). O píleo é então colocado sobre o meio desta folha, de modo que metade fique sobre a parte branca e a outra sobre a parte preta. Em seguida, coloca-se em um recipiente coberto, contendo em seu interior papel de filtro ou algodão levemente umedecidos. Aguarda-se cerca de 12 horas, retira-se o fungo, ao mesmo tempo em que dobram-se e secam-se as folhas, guardando-as no saco de coleta, juntamente com o restante da amostra, que geralmente é preservada pe!a simples secagem ou em meio líquido (Fidalgo & Bononi, /. c.). Os liquens após coíetados, tendo-se o cuidado para não destruir colónias que sejam escassas, também são acondicionados em folhas de jornal ou sacos de papel. Não devem ser colocados diretameníe em sacos plásticos, para evitar que a umidade estrague o material. O processo de secagem deve ser realizado por exposição das amostras ao sol, sobre folhas de jornal. Os liquens ditos folhosos e fruticosos devem ser colocados em prensas (figuras 6: n e 7: a), que podem ficar expostas à temperatura ambiente ou à frente de uni ventilador. A estufa não é recomendável para secagem de liquens. A coleta de briófitas, em linhas gerais, segue os métodos já descritos para as demais plantas avasculares. A secagem das amostras deve ser feita à temperatura ambiente, nos próprios sacos de coleta, sem a utilização de prensas, tendo-se o cuidado de trocá-los sempre que estiverem um idos.

Coletando plantas vasculares

Este grupo inicia-se com as Pteridófitas, plantas que possuem uma grande variação morfológica, sendo representadas por elementos de poucos centímetros até vários metros de altura. Por este motivo é importante coletar partes representativas do esporófito, se possível todo ele, que são indispensáveis à identificação taxonômica. De modo geral, as técnicas para a coleta e preparação do material são similares àquelas utilizadas nas fanerógamas. As Pteridófitas, como outras plantas, devem ser coletadas férteis, isto é, com seus órgãos produtores de esporos: os esporângios. Estes são organizados de formas diferentes nos diversos grupos (soros de formas e localizações variadas, sinângios, esporocarpos, etc.) e, por este motivo, deve-se utilizar uma lupa de mão para facilitar a identificação destas estruturas. A folha, sempre que o tamanho permitir, deve ser coletada inteira e ainda presa ao caule. As escamas, que normalmente cobrem o caule ou o pecíolo, precisam ser

31

R. R. Guedes-Bruni ff iil.

uiidiulostimciilc preservadas e descritas, especialmente em sua coloração,

hevem ser observadas as possíveis variações morfológicas em um mesmo

indivíduo, principalmente se as follhas férteis diferirem das estéreis.

As IMeridólilus com esporófitos pequenos devem ser coletadas inteiras,

mesmo que vários indivíduos componham uma amostra. A coleta pode ser

feita eom o auxílio de um desplantador e, mesmo se o rizoma esteja muito

aderido ao substrato, este também deve ser coletado. Algumas espécies que

apresentam Colhas muito maiores que o tamanho de uma folha de jornal dobrada

ao meio são fragmentadas utilizando-se a tesoura de poda (figura 6: k). No

caso de folhas extremamente grandes, como a dos fetos arborescentes, as coletas

são realizadas com o auxílio de um podão e devem ser seccionadas na base de

pecíolo e nas partes basal, mediana e apical da lâmina. Não devem ser

esquecidas as medidas do comprimento da lâmina e pecíolo, bem como a altura

do esporófito, esta especialmente importante no caso dos fetos arborescentes.

As amostras são secas, preferencialmente, em estufas (algumas mais delicadas

devem ser expostas à luz solar) devidamente acondicionadas em prensas.

Informações adicionais podem ser obtidas em Windisch (1992).

O grupo predominante de plantas vasculares está constituído pelas

Fanerógamas,

as quais variam muito em relação, principalmente, ao habito e

forma de vida. Encontram-se desde delicadas ervas com poucos centímetros

de altura até árvores exuberantes que alcançam mais de 30 m. Em função

disto, os materiais utilizados para coleta variam de pequenos desplantadores

(figura 6:j) a equipamentos mais complexos, utilizados para escalar árvores

muito altas (figura 6;c-g).

Como nos outros grupos vegetais as porções férteis, aqui

representadas

pelos ramos que portam flores isoladas, inflorescências e frutos, são de

fundamental importância. Sempre que possível, deve-se adicionar à amostra

flores e frutos isolados dos ramos para serem examinados pelo identificador,

especialmente no caso de frutos e sementes, com o objetivo de inclusão em

eoleções is carpológicas. carpologicas, Esta nsia conservação v,uu^i .«^«^ r- pode ser feita em meio líquido,

-•

-

v~nnn\^ os frutos com

ulili/iuuln-sc álcool 70% ou FAA (Fidalgo e Bononi, 1989). Os frutos com

.._,

ynwdes dimensões, que não podem ser prensados, são colocados em sacos de

mlrla, dovidiniKMUc rotulados com o nome do coletor e seu respectivo número.

As civiis, e.ni geral, são coletadas inteiras com auxílio de desplantador

pui ii que scjii retirado o órgão subterrâneo. As herbáceas muito pequenas podem

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indivíduo para constituírem uma única amostra.

( KiiilnNiise árvores têm alguns de seus ramos seccionados com a tesoura

de podii c estes se eonstilueiu nus amostras que representam o indivíduo na

(oleado lirilmii/adii

Aos procedimentos gerais de coleta, mencionados

i;

Inventário florístico

anteriormente, devc-se adicionar, para os arbustos e árvores, as seguintes

recomendações:

  • a) indicar quando a amostra for procedente de indivíduos jovens e/ou

reb rotos;

  • b) mostrar a variação, se existente, entre folhas dos ramos estéreis e as

dos ramos férteis num mesmo indivíduo.

Arvores cujos ramos estão a alturas inacessíveis são coletadas por meio

de podão (figura 6: a, d), islo é, tesoura de aita poda, que pode alcançar até

aproximadamente 12 m de altura. Entretanto, há árvores que ultrapassam em

muito esta altura e, por esta razão, só podem ser coletadas se a equipe contar

com uma pessoa treinada em escalar árvores e utilizar o equipamento necessário.

São empregados nesta escalada o método de subida com "peconhas"(Oliveira

& Zaú, i 995), que utiliza equipamento de alpinismo (figura 6: b), ou o método

de subida com "esporas" (IBGE, 1992), no qual hastes de ferro adaptadas aos

pés do escalador são cravadas na árvore (figura 6: a, f)- O primeiro método é o

mais indicado por não causar injúrias no tronco, uma vez que as perfurações

feitas pelo uso das esporas podem facilitar a ação de agentes patogênicos.

Para garantir a segurança na escalada, é utilizado o cinturão de segurança

(figura

6: c) que é articulado ao talabarte (figura

ó:

e) e que por sua

vez é

passado ao redor do corpo do escalador e do tronco (figura 6: a, b). Quando

alcançada uma ramificação resistente que sirva de apoio, o coleíor processa a

coleta com auxílio do

podão (figura 6: a). Informações adicionais ou métodos

alternativos utilizados para coíeta de amostras arbóreas podem ser obtidos em

diversas obras (Perry & Willians, 1991; Whitacre, 1981; Lot & Chiang, 1986;

Fidalgo & Bononi, 1989; Dial & Tobin, 1994; Oliveira

&Zaú, 1995).

As árvores próximas, com copas sobrepostas e/ou com trepadeiras

requerem atenção para que não haja troca de material no momento da coíeta

dos ramos.

Na coleta de trepadeiras, principalmente aquelas lenhosas que atingem o

dossel da mata, é importante que sejam amostradas as folhas dos ramos basais

e apicais, pois é comum ocorrerem variações em relação ao tamanho, forma,

etc. Quando a trepadeira possui elementos específicos para a sua fixação, é

importante que estes estejam representados na amostra. Seções transversais de

seus ramos mais desenvolvidos devem ser adicionadas à colelu evitando,

contudo, qualquer prejuízo para o indivíduo. Muitas vezes, ramos leríeis ou

até mesmo estéreis das trepadeiras só são obtidos através da escalada em árvores.

Quando se tratam de coletas de epífitas, eslas são l ihcradas de seus .suportes

seccionando-se suas estruturas fixadoras, com auxílio da lesonr.t de poda ou

mesmo do facão (figura 6: g).

33

R. R. Guedes-Bruní ef ai.

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indivíduo, principalmente se as follhas férteis diferirem das estéreis. As l'U'iidolii;is com esporófitos pequenos devem ser coletadas

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adendo ao substrato, este também deve ser coletado. Algumas espécies que

.ipirsiMiiiiin folhas muito maiores que o tamanho de uma folha de jornal dobrada

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v aso de i olhas extremamente grandes, como a dos fetos arborescentes, as coletas

são realizadas com o auxílio de um podão e devem ser seccionadas na base de

pecíolo e nas partes basal, mediana e apical da lâmina. Não devem ser

esquecidas as medidas do comprimento da lâmina e pecíolo, bem como a altura

do esporófito, esta especialmente importante no caso dos fetos arborescentes.

As amostras são secas, preferencialmente, cm estufas (algumas mais delicadas

devem ser expostas à luz solar) devidamente acondicionadas em prensas.

.Informações adicionais podem ser obtidas em Windisch (1992),

O grupo predominante de plantas vasculares

está constituído pelas

Fanerógamas, as quais variam muito em relação, principalmente, ao habito e

forma de vida. Encontram-se desde delicadas ervas com poucos centímetros

de altura até árvores exuberantes que alcançam mais de 30 m. Em função

disto, os materiais utilizados para coleta variam de pequenos desplantádores

(figura 6:j) a equipamentos mais complexos, utilizados para escalar árvores

muito Como altas (figura nos outros 6:c-g). grupos vegetais as porções férteis, aqui representadas

pelos ramos que portam flores isoladas, inflorescências e frutos, são de

fundamental importância. Sempre que possível, deve-se adicionar à amostra

flores e frutos isolados dos ramos para serem examinados pelo identificador,

especialmente no caso de frutos e sementes, com o objetivo de inclusão em

< olrções carpológicas. Esta conservação pode ser feita em meio líquido,

nlili/inulo-se álcool 70% ou FAA (Fidalgo e Bononi, 1989). Os frutos com

l't,mdi's dimensões, que não podem ser prensados, são colocados em sacos de

• iilri.i. ilrvidiimcnic rotulados com o nome do coletor e seu respectivo número.

As ri vás, nu geral, são coletadas inteiras com auxílio de desplantador

Inventário florísiicu

anteriormente, deve-se adicionar, para os arbustos e árvores, as seguintes

recomendações:

  • a) indicar quando a amostra for procedente de indivíduos jovens e/ou

rebrotos;

  • b) mostrar a variação, se existente, entre folhas dos ramos estéreis e as

dos ramos férteis num mesmo indivíduo.

Árvores cujos ramos estão a alturas inacessíveis são coletadas por meio

de podão (figura 6: a, d), isto é, tesoura de alta poda, que pode alcançar até

aproximadamente 12 m de altura. Entretanto, há árvores que ultrapassam em

muito esta altura e, por esta razão, só podem ser coletadas se a equipe contar

com uma pessoa treinada em escalar

árvores e utilizar o equipamento necessário.

São empregados nesta escalada o método de subida com "peconhas"(Oliveira

& Zaú, 1995), que utiliza equipamento de alpinismo (figura 6: b), ou o método

de subida com "esporas" (IBGE, 1992), no qual hastes de ferro adaptadas aos

pés do escalador são cravadas na árvore (figura 6: a, f)- O primeiro método é o

mais indicado por não causar injúrias no tronco, uma vez que as perfurações

feitas peio uso das esporas podem facilitar a ação de agentes patogênicos.

Para garantir a segurança na escalada, é utilizado o cinturão de segurança

(figura 6: c) que é articulado ao talabarte (figura 6: e) e que por sua vez é

passado ao redor do corpo do escalador e do tronco (figura 6: a, b). Quando

alcançada uma ramificação resistente que sirva de apoio, o coletor processa a

coleta com auxílio do podão (figura 6: a). Informações adicionais ou métodos

alternativos utilizados para coleta de amostras arbóreas podem ser obtidos em

diversas obras (Perry & Willians, 1991; Whitacre, 1981; Lot & Chiang, 1986;

Fidalgo & Bononi, 1989; Dial & Tobin, 1994; Oliveira & Zaú, 1995).

As árvores próximas, com copas sobrepostas e/ou com trepadeiras

requerem atenção para que não haja troca de material no momento da coleta

dos ramos.

Na coleta de trepadeiras, principalmente aquelas lenhosas que atingem o

dossel da mala, é importante que sejam amostradas as folhas dos ramos basais

e apicais, pois é comum ocorrerem variações em relação ao tamanho, forma,

etc. Quando a trepadeira possui elementos específicos para a sua fixação, é

importante que estes estejam representados na amostra. Seções transversais de

seus ramos mais desenvolvidos devem ser adicionadas à coleta evitando,

contudo, qualquer prejuízo para o indivíduo. Muitas vezes, ramos férteis ou

 

p ii i i|ur

M'|,I retirado o órgão subterrâneo. As herbáceas muito pequenas podem

até mesmo estéreis das trepadeiras só são obtidos através da escalada em

árvores.

 

MI

« um

m,ir, ilr um indivíduo para constituírem uma

única

amostra.

Quando se tratam de coletas de epífitas, estas são l ihcradas de seus

suportes

*

 

1

'

nl.M.iM.i

 

,n voi es lOin alguns de seus ramos seccionados com a tesoura

seccionando-se suas estruturas fixadoras, com auxílio da tesoura de poda ou

d.

|H»I i

i

,

. oiisiilunn nas amostras

que

representam o indivíduo na

mesmo do facão (figura 6: g).

m

i

n|.

i_,i.>

In ii>

..u

i-l i

Aos procedimentos

gerais de coleta, mencionados

 

33

l

»

Dados sobre as coletas

R- R. Guedes-Bruni ei ai.

O material botânico, coletado e herborizado, perde muito do seu valor

caso não sejam fornecidas informações precisas sobre o local de coleta e sobre

o indivíduo, ainda no campo. Assim, é essencial que o coletor tenha sempre

uma caderneta de campo (figura 6: i) onde são feitas as anotações necessárias,

as quais serão repassadas para as etiquetas que ficarão permanentemente

anexadas ao material herborizado (figura 7: d). A numeração do coletor, em

relação às amostras por ele coletadas, segue a sequência crescente de números,

independente do local e data de coleta. Portanto, os dados a serem anotados,

independentes do grupo vegetal ao qual pertença, devem contemplar:

  • a) Localização da área: devem ser citados, de forma precisa, o país,

estado, município, localidade, coordenadas geográficas, de modo a

viabilizar a localização da planta por qualquer outro coletor que ali venha

a retornar;

  • b) Condições ambientais: informações sobre o ambiente geral, tais como o tipo de formação vegetal e o meio específico onde se encontra o indivíduo (altitude, solo ou substrato, luminosidade etc.);

  • c) Indivíduo: indicações sobre os elementos não representados na amostra (tamanho, DAP, fuste, dados sobre o tronco) e aqueles que, mesmo presentes, serão perdidos em consequência da herborízação (coloração, aroma, consistência etc.) são imprescindíveis. Em se tratando de um exemplar procedente de amostragem fitossociológica, deverá ser

indicada a numeração que este recebeu quando da implantação do

método. O nome pelo qual a

planta coletada é conhecida popularmente,

assim como suas possíveis utilidades, devem igualmente constar na

etiqueta. Para plantas a vasculares e vasculares de hábitos trepadores

ou epifíticos, devem ser anotados também os nomes das plantas sobre

as quais estão apoiadas ou fixadas;

  • d) Coletor: o nome do coletor e seu respectivo número de coleta estarão sempre associados à amostra, sendo ele o responsável pelo conjunto de informações fornecidas. Indicar também a data em que ocorreu a coleta.

Herborízação do material

O processo de herborízação das amostras coletadas consiste na prensagem

e secagem das mesmas.

A prensagem é basicamente

34

o acondicionamento

de cada exemplar

Inventário florímico

coletado em folhas de jornal dobradas ao meio, que são empilhadas e

posteriormente colocadas em prensas de madeira. Os procedimentos gerais

citados a seguir resumem os cuidados que devem ser tomados, visando-se obter

amostras prensadas de boa qualidade:

  • a) prensar as amostras, sempre que possível, logo após a coleta;

  • b) adequar as amostras em tamanhos que, em média, correspondam a 35

cm x 25 cm. As partes do vegetal que excedam estas medidas (folhas,

inflorescências, etc.) podem ser seccionadas ou, se possível, dobradas,

sem avolumar muito a amostra;

  • c) colocar cada exemplar coletado em uma folha de jornal, não incluindo 2

amostras em uma mesma folha;

  • d) escrever em cada folha de jornal o nome do coletor, acompanhado do seu número de coleta, e quando for o caso, os dados fitossociológicos (número do indivíduo e da parcela amostrai correspondente);

  • e) desbastar ramos com muitas folhas procurando-se sempre deixar

evidente o vestígio do pecíolo, para que a amostra represente claramente

a fiíotaxia e composição das folhas;

  • f) prensar as folhas alternando-as, isto é, algumas evidenciando a face ventral e outras a face dorsal.

As estruturas muito volumosas de algumas plantas devem receber cortes

sequenciais nos sentidos longitudinal e transversal e serem prensadas

isoladamente das partes mais sensíveis.

Plantas como cactáceas. gramíneas, bromei ias, palmeiras, entre outras,

contam com métodos específicos de prensagem empregados por seus

especialistas.

Ao término de um dia de coleta, o material botânico, já previamente

prensado, será submetido à fase da secagem.

A secagem das plantas consiste na desidratação através do calor, das

amostras recém-coletadas, objetivando-se preservar as estruturas vegetais. O

material será então reorganizado no interior da prensa e, entre cada uma das

folhas de jornal, serão colocadas duas folhas de papel chupão, com a folha de

alumínio corrugado entre elas {figuras 6; n, s; 7: a, b).

O lote de amostras, assim

organizado e devidamente amarrado por cordões,

está pronto para ser introduzido na estufa (figura 7: c).

A temperatura e o tempo ideal para a secagem serão aqueles capazes de

impedir que as amostras tornem-se rígidas e quebradiças, oscilando entre 40-

60° e de 24 a 48 horas, dependendo da consistência dos exemplares coletados.

É imprescindível contar com uma estufa de campo em viagens com duração

superior a dois dias para evitar grandes danos às amostras e, consequentemciilf,

35

l'i.'in.li. ,11 o ti.ihalho .MI

n.i totalidade.

R. R. Guedes-Bruni ei ai.

li M-nijiie bom lembrar que uma coleção botânica bem documentada,

ir|ni",riil;iiiv;t p;n;i a área e que foi adequadamente coletada e herborizada,

fumei ei.i n",nli;ulos mais consistentes ao inventário e será uma importante

lonle p.n.i liilmas pesquisas.

Apesai de só lermos nos referido à coleta de material para fins de estudos

llorísiicox c-fitOSSOCÍológicos ,val e ressaltar a importância da coleta de plantas

vivjis e semenlos. Será de grande valor que as instituições de pesquisa,

espeeiiilmenle Jardins Botânicos, possam ter representadas em seus arboretos

<• b.nií i is de sementes as diversas espécies nativas, promovendo,

desta maneira,

um melhor conhecimento sobre os elementos que constituem a flora Brasileira,

assim como sua propagação.

IDENTIFICAÇÃO TAXONOMICA

"O primeiro passo para o conhecimento sobre uma planta, suas

propriedades,

distribuição e importância, está na garantia de sua identidade.

Seu nome carreto é o acesso a muitas informações

"

...

(Forsberg

apnd

Womersley, 1981)

A identificação de plantas é a principal função do taxonomista botânico.

Identificar cientificamente consiste em chegar ao nome específico de um

delerminado indivíduo, através da análise de suas estruturas vegetativas e

reprodutivas, de acordo com um sistema de classificação existente.

A flora brasileira tem sido apontada como uma das mais ricas e

diversificadas. Na realidade, o conhecimento sobre nossas plantas pode ser

considerado incipiente em relação às 60.000 espécies estimadas e aos trabalhos

*

ainda escassos sobre floras regionais. Associado a este quadro é muito frequente,

»

nos inventários florísticos e fitossociológicos, um grande volume de material

i nl, u »|iie dificulta, sobremaneira, uma identificação acurada até mesmo no

*

 

imel dr i Hinli i

 

'

i

i ,11.11 Iries mais valiosos e decisivos para a determinação

do matéria!

  • i i.i- MI «MI p-i.il, nas estruturas reprodutoras.

Assim,

as

chaves analíticas

• i- i i • i i',ii.i identilu aç;to laxonômica baseiam-se, principalmente, nestes

  • i ill.i-

h

n

\l«

.o i Ir ilidiu. ,i identificação de um indivíduo estéril consiste em

um

MI.i

i,

h

ido

n

pesquisador obriga-se a investigar mais atentamente

l f,

Inventário

florístico

pequenos detalhes em órgãos vegetativos, que poderiam ter passado

despercebidos, e que na realidade, são muito valiosos. Algumas chaves baseadas

em estruturas

vegetativas já estão disponíveis (Manlovani et ai.,

1985;

Gentry, l993;Lima&Guedes-Buini, i994, 1996), exemplificando concretamente

o avanço da taxonomia vegetal.

A precisão e maior facilidade na determinação do material coletado implica

no acesso à(s):

  • a) literatura taxonòmica;

  • b) coleções botânicas depositadas em diversos herbários;

  • c) amostras em número suficiente que possibilitem a permuta de material por identificação;

  • d) listagens de especialistas em grupos taxonômicos.

As amostras devem ser agrupadas por morfo-espécies e em seguida

organizadas por famílias. Entende-se como morfo-espécie o material botânico

que reúne um conjunto de caracteres morfológicos, em sua amplitude de

variação, e considerando como pertencente a um único táxon específico/infra-

específico. Quando se desconhece inclusive a família, uma forma prática de

dar início a investigação é separar as morfo-espécies estéreis em grupos de

folhas simples e compostas, subdividindo-os baseando-se na filotaxia. Outros

caracteres (látex, estipulas, tipos de pelos etc.) para estes subgrupos podem

ser considerados favorecendo uma futura identificação. Procede-se então a

consulta bibliográfica e às coleções identificadas depositadas em diversos

herbários.

Muitas vezes a amostra, já examinada pelo especialista, é determinada

somente a nível genérico. Isto não deve desestimuíar a continuidade do trabalho.

O retorno ao campo favorecerá a eventual coleta de exemplares férteis que

possibilitarão a determinação e/ou a confirmação das identificações das

amostras estéreis.

Um inventário bem planejado deve prever excursões periódicas ao local

de estudo, mesmo que seus objetivos gerais já tenham sido alcançados c o

trabalho esteja, aparentemente, concluído.

LISTAGEM

DOS

TAXONS

Duas listagens devem ser elaboradas após a identificação tio um percentual

satisfatório de material coletado:

  • a) uma listagem voltada para os interesses da análise filossociológica,

37

R. R. Guedes-Bnmi e! a!.

organizada por família, espécie ou morfo-espécie de todos os indivíduos

coletados na unidade amostrai;

b) uma outra destinada à abordagem florística, igualmente organizada por

família, espécies, incluídas aqui também as amostras procedentes de

coletas aleatórias,

constando a relação do material examinado.

Ambas as listagens devem ser atualizadas à medida que as identificações,

a nível específico, o atingidas. O crédito da determinação deve sempre constar

nas listagens.

Uma vez listadas as espécies, o material botânico deverá ser preparado e

introduzido no acervo do herbário da instituição a que se destina.

ORGANIZAÇÃO DE UMA BASE DE DADOS PARA OS TÁXONS

Uma vez conhecida a identidade dos táxons, consequentemente, ter-se-á

acesso a muitos dados. As informações consideradas mais relevantes para o

estudo deverão ser selecionadas e cadastradas, visando a elaboração de um

banco de dados. Algumas sugestões destas informações são relacionadas a

seguir: família, espécie, nome popular, hábito, habitat, distribuição geográfica,

utilidades, observações ecológicas, fonte de informação e material examinado.

O objetivo deste cadastramento de informações é reunir e facilitar o acesso

ao conhecimento não só sobre as plantas mas também sobre a área inventariada

e o ecossistema. Posteriormente, o banco de dados suprirá muitas necessidades

para diferentes grupos de investigações em outras áreas de pesquisas correlatas.

INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

A partir da listagem e da base de dados dos táxons específicos

e infra-

específicos de uma determinada área amostrada, são resgatadas informações

que permitem uma análise multidisciplinar, proporcionando uma avaliação

quantitativa e qualitativa da flora local.

Esta prática torna-se mais rápida e eficaz com a ajuda de um banco de

dados informatizado, no qual tais informações são sistematizadas e prontamente

recuperadas.

Inventári

É importante ressaltar que devem ser estabelecidos

parâmetros nestas

análises, de forma a facilitar a comparação dos dados com outros inventários

florísticos, levando-se em conta as diferentes metodologias empregadas.

A QUANTIFICAÇÃO DO INVENTÁRIO

A quantificação do inventário florístico deve considerar o número total

de

indivíduos e de espécies amostradas, a relação entre o número de espécies e os

diferentes grupos vegetais e hábitos apresentados, além de considerar a

distribuição geográfica, utilidades e o interesse conservacionista de cada espécie.

O número total de indivíduos amostrados

O número de coletas de uma determinada espécie ou morfo-espécíe por

área determina sua abundância relativa, quando se trata de uma amostragem

com dimensões definidas.

Em áreas onde foram realizadas amostras aleatórias, os modelos de

abundância não são aplicáveis. Neste caso, define-se um levantamento como

representativo considerando-se: a estimativa do número de espécies coletadas

por km2 ou a análise da "curva do coletor", que será construída através de

acréscimo sucessivo de novas espécies durante o trabalho, tendendo a

estabilizar-se à medida que o número de espécies coletadas aproxima-se do

número real de espécies ocorrentes na área (que é observado pela tendência à

estabilização da curva).

A riqueza de espécies

O número total de espécies, infra-espécies e morfo-espécies inventariadas

resulta na avaliação da riqueza da flora, sendo uma das variáveis consideradas

na análise da diversidade.

A distribuição do número de espécies por grupo vegetal indica aqueles

mais representativos do ecossistema, salvo casos em que as coleías são

direcionadas para um grupo (ou grupos determinados), o que não é aconselhável

num inventário florístico. Entretanto, a maioria dos inventários realizados

enfatiza a flora fanerogâmica em detrimento da criptogâmica, a qual não deve

ser esquecida, especialmente depois de constatada sua grande diversidade no

ecossistema em questão,

sendo representada por numerosas espécies de

)9

r

R. R. Guedes-Bruni et ai

hi.is, briófitas c fungos. Como as criptógamas muitas vezes apresentam

*

*

*

%

piohlriius de identificação, suas coletas são, de um modo gerai, preteridas,

r.u.i irvniiT este processo, é indicado que sejam contactados especialistas a

l MM dr (|iir si- possa ter uma avaliação, mesmo oriunda de coletas aleatórias, da

iiqiK-/a c representati v idade desses grupos na área inventariada.

A quantificação do número total de família e géneros inventariados é

imprescindível tanto para a estimativa da diversidade florística, quanto para

estabelecer parâmetros de comparação com outros levantamentos. Para isso, é

interessante relacionar as famílias com maior riqueza específica, bem como os

géneros mais representativos na área de estudo.

Quantificação das espécies por hábito

A associação dos táxons inventariados por hábito é interessante por refletir

os grupos dominantes e sua representati vidade dentro das respectivas categorias.

É muito importante que desde início do inventário seja definida qual

classificação a ser adotada tendo-se em mente, porém, que esta deverá englobar

os tipos mais encontrados nos principais estratos da mata e permitir a

comparação entre as diferentes áreas inventariadas.

O hábito caracteriza o indivíduo quanto a altura, consistência e nível da

ramificação do caule. Entretanto, as adaptações de algumas plantas quanto a

forma de crescimento e também em relação ao substrato que habitam, devem

ser igualmente consideradas.

Sem ignorar os diversos sistemas existentes, porém objetivando o fácil

reconhecimento no campo e tornando compreensível a nomenclatura a ser

;uloiada, expomos, a título de sugestão, a que se segue:

As plantas vasculares são classificadas em lenhosas e herbáceas.

Considerando-se a formação do lenho, respectivamente, responsável pela

'.r.Inicia do caule. Aquelas que se desenvolvem e permanecem no solo

||Q

ii) árvores: plantas lenhosas com mais de 3 m de altura, tronco bem

%

%

ilrhimlo e ramificações acima da base (inclui-se fetos arborescentes e

C tini.

n

i

t

li) NrhUMlOH/Nllbarbustos: plantas também lenhosas, com menos do 3 m

 

<li

.illuiii t|iic só uimiliciim desde a base;

 

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i

»t 11 r,

 

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pequeno porte;

 

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ii i |. M!* ii

ii,

jiliinlíts fom

ramos flexíveis que possuem órgãos

de

i.

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|o i

p- * (iili/ailns, apoiam-se em

árvores ou

em

arbustos.

As

li

i

.

1

.

ItMlIutNiiN (p.ox: ONcadu-de-macaco) são também conhecidas

III

Inventário florístico

como lianas, diferenciando-as das trepadeiras herbáceas (p.ex. o

maracujá).

Alguns arbustos/subarbustos e ervas apresentam adaptações de caule que

os distingue das formas acima mencionadas. Destacam-se:

  • a) cespitosa: arbustos ou ervas cujos caules formam touceiras (p. ex.

alguns grupos de bambus);

  • b) prostrada: em geral ervas com caule rastejante que se apoia e

desenvolve-se paralelamente ao solo;

  • c) escandente: em geral são arbustos que crescem com caule ereto,

porém os ramos se inclinam apoiando-se em outra planta.

As plantas que independente de serem lenhosas ou herbáceas

desenvolvem-se no solo, entretanto não permanecem neste ou crescem sobre

outro tipo de substrato, classificam-se em:

  • a) epífitas: plantas em geral herbáceas que se desenvolvem e se mantém sobre outro vegetal, utilizando-o apenas como suporte (p.ex. bromélias, orquídeas etc.). Plantas lenhosas, arbóreas, que iniciam seu ciclo de vida como epífitas, mas emitem raízes adventícias até o solo, são conhecidas como hemiepífítas (p.ex. mata-pau);

  • b) parasitas: plantas herbáceas ou lenhosas que crescem, se mantém

sobre outro vegetal e se nutrem da seiva da planta hospedeira {p.ex.

erva-de-passarinho);

  • c) saprófítas: plantas herbáceas, heterotróficas, que crescem e nutrem sobre matéria orgânica, mesmo em decomposição.

Os vegetais avasculares são conhecidos simplesmente como talófitos,

como já mencionado anteriormente habitam diferentes substratos.

Padrões de distribuição

Os dados da distribuição geográfica das espécies, oriundo de herbário e

literatura, são organizados em categorias de acordo com o alcance geográfico

das espécies.

Assim, os dados sobre a distribuição geográfica e a ocorrência tias espécies

nos diferentes ecossistemas estabelecem os índices de cndcmismo, os padrões

de distribuição amplos, restritos ou disjunções. Tal análise tem como ohjelivo

indicar a expressividade da composição florística da área no contexto do

ecossistema estudado.

Espécies de interesse conservacionista

INSTIVJVO

BI OCItNClAS-USP

4 1

R. R. Guedes-Bruni e! ai.

A partir do inventário concluído é possível avaliar espécies de interesse

conservacionista. Estas estão, a princípio, diretamente ligadas à situação de

endemismo, as quais, mesmo ocorrendo como populações densas, tornam-se

passíveis de desaparecimento, por estarem em áreas geográficas restritas.

E aconselhável utilização da categorização de plantas ameaçadas adotada

pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza, 1994), a fim

de que os resultados sejam padronizados. Entretanto, devido à complexidade

desta tarefa, os especialistas dos grupos inventariados devem

ser consultados.

Dessa forma, poderá ser indicada a singularidade da flora local,

englobando-se espécies raras ou ameaçadas, especialmente aquelas que

sofreram ação antrópica direta e contínua, estabelecendo assim, as bases para

a elaboração de uma proposta de criação de uma unidade de conservação.

Espécies úteis

O levantamento das espécies de interesse económico ou de uso tradicional

pelas comunidades locais é de extrema importância, uma vez que poderá

subsidiar estudos de manejo integrado e orientar a exploração racional dos

recursos naturais disponíveis.

As categorias de uso devem ser listadas e quantificadas, de fornia a avaliar

o grau de potencialidade da área. Tais atributos devem ser resgatados;

preferencialmente no campo, onde entrevistas com a população local podem

apontar usos variados das essências nativas. O levantamento deve ser

complementado através de consultas bibliográficas.

O desenvolvimento de estudos etnobotânícos, com base em inventários

florísticos, podem resgatar informações sobre espécies promissoras e, ao mesmo

tempo, subsidiar técnicas de manejo que assegurem a sustentabilidade das

populações. Alguns procedimentos de coleta e análise de dados podem ser

obtidos em Pavan-Fruehauf (2000).

As categorias mais frequentemente encontradas são: ornamentais,

madeireiras, medicinais, comestíveis, aromáticas, etc.

AVALIAÇÃO

DO

INVENTÁRIO

Uma eficiente aplicação dos resultados de um inventário só poderá ser

obtida se ele, de fato, tiver sido o mais completo possível. Considerando-se a

alta diversidade florística na Mata Atlântica, é praticamente impossível fazer

42

In ventaria flurístico

um levantamento completo das espécies. É importante estimar o percentual aproximado que representa a amostra obtida na área de estudo.

Apesar da metodologia

ainda incipiente e por vezes criticada, alguns autores

têm calculado um índice de densidade de coleções botânicas para avaliarem se

o inventário foi ou não satisfatório para a representação da flora na área. Este

método quantitativo útil iza um índice calculado a partir da relação entre o número

de coleções obtidas por 100 km2 (ICB= n° de coleções botânicas / 100 km2). Um

índice com valor 100 é considerado o mínimo necessário para assegurar que o

inventário botânico tenha sido bem amostrado (Campbell & Hammond, 1989).

Mesmo que a amostragem seja representativa, é também importante avaliar

o montante de material botânico identificado até o nível específico/i n fraespecífico.

Um quadro comparativo indicando o número de amostras coletadas e o mínimo

total de táxons determinados, pode servir de parâmetro para esta avaliação.

Para as regiões neotropicais esta porcentagem parece razoável se situada em

torno de 80 a 90%, de acordo com os diversos estudos realizados.

Embora nem sempre seja possível permanecer por um longo período

inventariando uma área, a continuidade dos estudos deve ser assegurada através

da divulgação das necessidades prioritárias para a sua complementação bem

como as limitações impostas pela metodologia adoíada. No sentido de atender

ás necessidades apontadas é de praxe apresentar uma série de recomendações

indicando os pontos principais a serem enfocados, a saber: (1) os locais

insuficientemente amostrados, (2) os grupos taxonômicos com coleções

botânicas pouco satisfatórias, (3) os grupos com problemas taxonômicos ainda não resolvidos.

USO POTENCIAL DOS RESULTADOS

O que fazer com os resultados obtidos?

Os resultados obtidos, ao longo de um inventário, devem estar disponíveis,

de modo a atender às abordagens de geração de conhecimento e tecnologia,

como também aquelas de natureza conservacionista.

Inicialmente, os resultados devem ser extraídos dos relatórios e

transformados em publicações científicas, promovendo desta maneira, o

intercâmbio de informações e favorecendo a compreensão futura do ecossistema

4.

T

R. K. Guedes-Bnmi el ai.

i Ir luim.i j-lobal, incluídas aqui a similaridade de floras e variações estruturais,

*

*

ruiu* ouliiis abnídajnis.

l rmlnando ainda que, dificilmente um inventário florístico atende

r\ lir,iv.iiiH-iiU' a botânicos e ecologistas, cabe dizer que ao conhecimento da vrf.riJiçai i rslau nssociados zoólogos, geólogos, químicos, geógrafos, entre outros pmlissionais, que muitas vezes precisam destes resultados para elucidar suas iiivrsiif.fiçors. lini longo prazo, esta interrelação será tanto mais profícua quanto

t

*

*

mais foi

capa/ de gerar modelos que retratem a arquitetura das unidades

tropicais, ainda hoje pouco conhecidas. Se, contudo, os resultados obtidos, ficarem restritos ao universo botânico,

ainda assim o leque de abordagens seria infinito na razão direta em que o

inventário tenha sido o mais objetívo e disciplinado durante

a coleta de dados.

ELABORAÇÃO DE FLORAS

Ao se elaborar uma flora local deve-se ter em mente que ela deverá ser um elemento que contribuirá para o entendimento sobre o ecossistema. Portanto, deverá auxiliar outros interessados com informações diferenciadas. E indiscutível, nos dias atuais, a dificuldade de se elaborar floras regionais. Ao mesmo tempo torna-se inaceitável, após o esforço de trabalho despendido, durante o levantamento florístico, que esse conjunto de dados reunidos não venham subsidiar a elaboração da flora da área em estudo. Durante a elaboração da flora é recomendável, considerando as dificuldades anteriormente expostas para a identificação do material estéril, que sejam utilizados, nas chaves analíticas, os caracteres vegetatívos como atributos diagnósticos dos táxons, sem, contudo, abdicar dos reprodutivos.

Uma Hora deve constar de:

  • a) caracterização da área em estudo, incluindo os aspectos fisionómicos, bem como, dados geológicos e climáticos da região;

  • b) histórico sobre a região contemplando aspectos relativos a coletores do

«

passado e suas respectivas coleções;

i (metodologia; <l| li'.hifi,em neral das espécies, organizadas por família e em ordem nlliilu^íea, vislo que dificilmente se reúne o conjunto dos estudos limiilOniietiMli1 Iodas as famílias, num único volume; *) t lntvt' giMiil puni iis famílias botânicas da área e a descrição diagnostica tli- i ttiln uniu diiN Inmílias, baseada apenas nas espécies locais;

Inventário florístico

f) tratamento taxonômico por família constando de:

  • - chave e descrição diagnostica para géneros (optativo);

-chave para identificação das espécies e/ou táxons infra-específicos;

  • - literatura relevante sobre cada espécie;

  • - descrição diagnostica;

-nome popular;

  • - época de floração e frutificação;

  • - utilidades, dados relativos ao potencial económico e medicinal

(procurando, sempre que possível, valer-se de informações dos

moradores da região);

  • - distribuição geográfica;

  • - comentários;

  • - citação do material examinado;

g) bibliografia. Ao colocar-se uma flora, à disposição, deve-se ter a proposta maior de transferir o conhecimento adquirido sem, contudo, íer a pretensão de que os resultados obtidos sejam capazes de encerrar todos os dados sobre a diversidade ecológica e os processos evolutivos.

INVENTÁRIOS COMO SUBSÍDIOS À CONSERVAÇÃO

Se a geração do conhecimento pode parecer infindável, o que fazer então para que nossos dados possam contribuir na conservação da natureza? De certo que se o inventário é capaz de fornecer o tamanho das populações, as suas áreas de distribuição geográfica, bem como o potencial de utilização das espécies, ele será, certamente, um importante documento na indicação do grau de conservação dos táxons, bem como da área inventariada. Se o inventário gerou, paralelamente, resultados sobre a estrutura das fitocenoses em estudo, ele poderá, igualmente, fundamentar propostas para que Unidades de Conservação sejam criadas, ampliadas e fiscalizadas. Definir o estado de conservação, o grau de diversidade e similaridade com outro complexo

vegetacional podem advir, também, deste esforço de trabalho. O ideal

c que se

crie condições que assegurem a preservação do ecossislema como um lodo, de modo que todas as plantas sejam conservadas como populações em evolução na natureza. O quadro acelerado de devastação das floreslas tropicais, cnlrclanto, sugere que sejam estimulados os cultivos c.v sittt (fora do lugar de origem) sempre que possível. Neste sentido, os Jardins Botânicos desempenham

45

R. K. Guedes-Bruni et ai.

importante papel, tornando-se instituições indispensáveis à conservação das

espécies e à divulgação da situação de nossos ecossistemas, aíuando como um

elemento formador de opinião. Assim sendo, vale lembrar as palavras de

Heywood(l990):

"Cultivar plantas é muita veies apenas

um começo, revelando a

possibilidade para pesquisa,

educação e reintroditção (

...

)"

Igualmente importante é reunir e tornar disponível o conjunto de

informações obtidas ao longo do trabalho, promovendo seu intercâmbio, agora

com um público não especializado, entretanto interessado nas questões

ambientais. Assim, nada mais apropriado que promover a divulgação deste conjunto

de resultados através de um mecanismo capaz de facilitar a comunicação com

os mais diversos segmentos da sociedade e realizar, de modo eficaz, o resgate

e intercâmbio de dados. A criação de um Centro de Difusão torna exequível

este tipo de serviço e constituí-se hoje numa das necessidades urgentes para a

Mata Atlântica, principalmente se ele estiver integrado a uma rede de

informações. Um Centro de Difusão que tenha dados frequentemente

dinamizados e, por esta razão, esteja continuamente atualizado, poderá

efetivamente influenciar ações dos grupos de dirigentes que têm o poder de

decisão sobre a política da conservação em regiões compreendidas nesta

formação vegetal.

LITERATURA CITADA E RECOMENDADA

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47

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Kllll K

Inventário florísticí

Figura 6: (á) Coleta de material arbóreo com tesoura de alta poda e equipamento específico; (h)

colctadc material arbóreo através do método das "'peçonhas"; (c - í)

equipamento paracsciiKuLr

cinto de segurança (c), tesoura de alia poda (d), talabarte (c), conjunto paia adaplar a rspoi.i ;i

bota (/), facão (g); (h - m) material paracotcta: faca

(/í), caderneta de campo ('). di-splaiiiador(/'),

tesoura de poda (k), saco plástico (/), saco de papel (m); (n - r) mak-rial para pivn.sagi-m; prcnsus (n), folha de papei chupão (o), alumínio corrugado í/)), jornal (í/), roíilas para amarar <i li Ho do

plantas após prensagem (r); (s) prensagem do maioria!.

R. R. Guedes-Bnmi et ai.

4.

Inventário

fitossociológico

Yara Stmffaldi

de

Vuono 1

Figura 7: (a) Ordenação dos materiais utilizados na prensagem; (b) lote de plantas prensadas; (r)

colocação do

lote na estufa para secagem; {</) amostra botânica (exsicata) preparada para inclusão

no herbário. Fotos: Marco Pcron.

Os estudos fi toss ócio lógicos fornecem, além da composição florística da

vegetação que se deseja estudar, as relações quantitativas entre os táxons e a

estrutura horizontal e vertical da comunidade. É útil não só para o diagnóstico

atual sobre o estado da vegetação em áreas preservadas, mas também para

detectar-se perturbações em áreas submetidas a impactos.

LEVANTAMENTO DE PLANTAS ARBÓREAS E ARBUSTIVAS

Os principais métodos usados em estudos fitossociológícos de plantas

lenhosas em Mata Atlântica resumem-se naquele em que as parcelas são fixas

(método de parcelas ou "quadrais"), onde o número de indivíduos vai variar,

enquanto a dimensão da área amostrai é fixa e naquele sem parcelas (método

dos quadrantes ou "point-centered quarter meíhod"), que leva em conta a

distância dos indivíduos amostrados em pontos distribuídos na área de estudo.

0 método de "transect", utilizado por poucos autores, necessita ainda de

verificação quanto à sua eficiência em florestas brasileiras.

Qualquer que seja o método, deve-se percorrer diversas vezes a floresta

de interesse observando a topografia, a distribuição dos indivíduos e ;i

fisionomia da vegetação, procedendo a um reconhecimento exaustivo da

mesma, o que servirá de apoio no momento de decidir em que área irabalhar.

Durante essas incursões ao campo, é aconselhável real i/ar colelus prévias de

material botânico, para se ter uma ideia da composição florística tia área de

estudo.

1 Instituto de Botânica - Secretaria do Meio Amhicnlc do lisi;idu do São 1'aulo.

Y. S.de Vuono

UM.min ,i aiea ininima de amostragem, após discussões em eventos

ii us, padronizou-se l ha como sendo suficiente para a maioria das

liMomuMi.is di- Mutii Allfmtica. Vale lembrar que, no estudo de fragmentos ou

tlr .111-,r, inipaeladas, cm que muitas vezes a dimensão do remanescente é

iiiMiln inilr, 11 ;írea amostrai é reduzida ao total disponível para investigação.

*

 

Ml

101)0 DI-: PARCELAS

*

líiu ostandes homogéneos, pode-se perfeitamente delimitar uma parcela

de l ha, passando-se à amostragem de todos os indivíduos lenhosos ali presentes,

l ím áreas heterogéneas, não é muito conveniente apenas uma grande parcela e

sim várias parcelas menores sequenciais ou distribuídas aleatoriamente, para

representar todas as variações da fitocenose.

As parcelas ou sub-parcelas devem ser divididas em porções

sequenciais

de IO x 10 m ou 10 x 5 m, para facilitar o trabalho de campo. A demarcação

pode ser feita com barbante de nyion amarrado ern estacas fincadas no chão

cm cada um dos vértices. Dentro de cada sub-área, devem ser amostrados todos

os indivíduos lenhosos que possuam fuste até pelo menos 1,30 m a partir do

solo, identificando-os através de etiquetas de alumínio numeradas. Estas são

presas por pregos galvanizados de 9 cm de comprimento, enterrando-se 1/3 do

mesmo no tronco da árvore, para permitir seu crescimento em diâmetro sem

perigo do prego ser expulso e sem maiores danos para a planta. Conforrhe o

objetivo do trabalho, árvores mortas ainda em pé podem ser incluídas na

amostragem.

De cada indivíduo marcado, tomam-se as medidas de perímetro com uma

fita métrica centímetrada e as de altura da copa (alturas máxima e mínima ou

somente a máxima) com um telémetro (clinômeíro) ou vara aferida previamente.

Quanto ao perímetro, que será utilizado no cálculo do diâmetro, deve ser medido

à altura de l ,30 m do solo, permitindo a obtenção do DAP (Diâmetro à Altura

do IVilo), medida mundialmente padronizada. No caso de troncos perfilhados,

mede se o perímetro da cepa se o perfilhamento se iniciar entre o solo e a

.ilinra tli* 1,30 m. Caso o perfilhamento parta diretamente do nível do solo,

mrilrm M* os perímetros individuais de cada tronco filho, anotando-se os valores

• tu -i p.u.idn Pi-priulendo dos objetivos do trabalho, o limite mínimo de

'li mi. nu pudr variar, porém verifica-se que o diâmetro de 5 cm oferece uma

(um ..

i

.

...

IMU ;iivas perturbadas

da floresta ou em terrenos de grande

-I. • Ir i.Uli 'iili.iiiirinKli'2,5ciii,utilizadoporalgunsautores,permiteainclusão

lio i

i

i •!" .iilMiM|iii-i'dr indivíduos jovens dos estratos superiores. Havendo

»

' l M!'

-l<

< "ii ip. n. K .iu * i MU trabalhos em

que

se adotou diâmetro mínimo

Inventário fitossoáológtco

de maior valor, basta excluir da amostragem os indivíduos com diâmetros

inferiores àquele limite, refazendo-se os cálculos com o restante dos dados.

Todas as anotações são feitas em tabelas de campo, que devem conter:

designação da área estudada, data, número da parcela, número do indivíduo,

altura, perímetro e colunas para nome científico da espécie e para observações

como nome vulgar, presença de látex ou resina, cor da casca, cheiro da casca

ou das folhas, entre outras (Figura 8). Finalmente, procede-se à coleta de

material botânico, herborizando-sc adequadamente para posterior classificação

taxonômica.

Após o preenchimento das tabelas de campo, passa-se ao tratamento dos

dados para o cálculo dos parâmetros fitossociológicos, após verificar-se a

suficiência da amostragem. Esta pode ser obtida através de um gráfico em que

são plotados, de um lado as dimensões crescentes e regulares da área amostrada

e, do outro, o número de espécies novas acrescentadas em cada incremento de

área. Chega-se assim, à "curva do coletor", que normalmente apresenta uma

fase de crescimento acentuado, passando a ter os incrementos diminuídos até

atingir um platô. Projetando-se o ponto em que se inicia o platô, encontra-se o

valor da área mínima, considerada suficiente para aquela comunidade. Caso o

total dos dados não permita que se obtenha o platô, ou seja, a curva se mantém

ascendente, deve-se voltar ao campo e novas sub-parcelas devem ser

demarcadas, continuando-se o levantamento até que a curva indique suficiência.

Em estudos de fragmentos ou de porções de floresta impactada, nem sempre é

possível obter-se tal curva.

MÉTODO DE QUADRANTES

Este método, em que a unidade amostrai é um ponto e não uma área,

inicia-se com a definição da distância mínima entre pontos, que varia com a

densidade de cada floresta. Percorrendo-se a área em determinada direção,

medem-se com uma trena e anotam-se, em sequência, as distâncias entre as

árvores encontradas no trajeto, num mínimo de 100 medidas. Ao final,

multiplica-se por dois o maior valor obtido da distância entre árvores, oblendo-

se o intervalo que deverá ser mantido entre os pontos.

Os pontos podem ser distribuídos em direçõcs variadas, mudando-se o

trajeto quando surgir um riacho, uma picada ou outro obstáculo, ou obedecer a

uma distribuição sistemática, formando uma ^rade regular. Neste último caso,

os pontos podem ser demarcados com estacas de madeira de l ,30 m, fincadas

no chão e numeradas, servindo de referência pura o levanlamenlo fitOSSOCÍológico

e para outros estudos feitos na mesma área. lim trabalhos de longa duração, é

Y. S.de Vuono

conveniente tratar-se as extremidades das estacas com neutro! ou outro produto preservativo de madeira, para evitar a deterioração.

Em cada ponto, aplica-se

uma cruzeta de madeira, que pode ser

simplesmente apoiada no chão ou encaixada em uma estaca de madeira fincada no chão, de maneira que possa ser girada com um impulso até que os movimentos cessem, conforme esquema da figura 9. Esta cruzeta delimita quatro quadrantes, através do prolongamento de suas extremidades. Em cada quadrante, será amostrada a árvore mais próxima ao ponto, que receberá plaqueta de alumínio numerada, conforme já descrito anteriormente. Também aqui, se houver interesse, as árvores mortas poderão ser incluídas na amostragem, caso sejam as mais próximas. Para cada árvore o medidos e anotados o diâmetro do tronco a altura da copa, e a distância da árvore ao ponto, com os mesmos cuidados referidos no método anterior. Desse modo, a tabela de campo deverá conter: número do ponto, número do indivíduo, distância ao ponto, perímetro, altura e colunas para nome científico e observações (Figura 10). Para finalizar, procede-se a coleta e identificação do material botânico. Em seguida, passa-se ao cálculo dos parâmetros fítossociológicos, desde que fique comprovada a suficiência da amostragem. Esta é verificada através da curva do coletor, em que de um lado teremos número de pontos crescentes e,

do outro, número de espécies novas adicionais.

MÉTODO DE "TRANSECT"

Inventário

fitassocinlógico

assim que se obtiver indicação da suficiência amostrai através da curva do coletor. Este método pode ser o mais adequado no caso de levantamentos expeditos em áreas impactadas ou relativamente simples do ponto de vista florísíico (manguezais, por exemplo), sobretudo quando a maior ênfase do estudo seja a estrutura.

CÁLCULO DOS PARÂMETROS FITOSSOCÍOLÓGÍCOS

Os parâmetros fitossociológicos podem ser calculados com o auxílio de máquina de calcular ou através do uso de programa de computador, como o FITOPAC, desenvolvido especificamente para este tipo de estudo pelo Prof. Dr. George Shepherd, do Departamento de Botânica do Instituto de Biologia da UNICAMP.

Qualquer que seja o

mecanismo utilizado, os parâmetros fitossociológicos

são calculados através de fórmulas, sendo posteriormente dispostos em tabelas. Apenas a densidade total por área (DTA) é calculada de forma diferente no

método de quadrantes, com base na distância média obtida (média das distâncias dos indivíduos aos respectivos pontos de amostragem).

Densidade

f

Total por Área (DTA)

Representa o número total de indivíduos de todas as espécies, por unidade de área, normalmente expressa em relação a l ha.

Em alguns estudos, foi apl içado o método de "transecf1 em Mata Atlântica, porém as áreas amostrais totais têm sido insuficientes, bem como sua eficiência

DTA = N / l ha (parcelas)

não está confirmada neste tipo de formação florestal. O método implica em

Onde:

amostrar a vegetação, demarcando-se o centro da área amostra! com um

N = número total de indivíduos amostrados.

barbante de 50 m. Toma-se uma estaca de madeira geralmente com comprimento de 2 m, cujo centro é posicionado sobre o barbante. Percorrendo- se a extensão deste último, segurando-se a estaca na horizontal, amostram-se

DTA = U / d2 (quadrantes)

as plantas que estiverem contidas à esquerda e à direita, nos limites da estaca. Desse modo, na realidade, o método resultará em parcelas estreitas, de 2 x 50

Onde:

m, que podem ser contíguas ou paralelas. Como não há demarcação de área, o método não serve para estudos longos, pois a área amostrai não é permanente. Tomadas as medidas de interesse e coletado material para identificação como

U = unidade de área; d = distância média de todas as árvores amostradas.

nos métodos anteriores,

passa-se ao cálculo dos parâmetros fitossociológicos

  • Y. S. de Vuono

Densidade Específica por Área Proporcional

(DAs)

Representa o número médio de árvores de uma determinada espécie

(espécie s) por unidade de área.

= (n

/N).DTA

Onde:

ns = número de indivíduos amostrados da espécie s; N = número total

de indivíduos amostrados; DTA = densidade total por área.

Densidade Específica Relativa (DR )

Representa a proporção percentual do número de indivíduos de uma

determinada espécie, em relação ao número total de indivíduos amostrados, de

todas as espécies.

DR

s

= (n

v

s

/ N) . 100

Onde:

ns - número de indivíduos amostrados da espécie s; N = número totái

»

>

de indivíduos amostrados.

Frequência

Absoluta (FA )

Representa em que grau a espécie ocorre nas parcelas de amostragem.

FA =(P /P) . 100

s

v

s

t'

Onde:

P = número de parcelas ou pontos com ocorrência da espécie s;

P = número total de parcelas ou pontos.

i

i « <[in NI in

Relativa (FRs)

( HMitla da relação entre a frequência absoluta de cada espécie e a soma

•l '

l" i|nrin i.r, iibsoliiuis do todas as espécies amostradas.

Inventário fi toxstx ~i< ilógico

FR

= (FA./FAT) . 100

Onde:

FA^ = Frequência absoluta da espécie s; FAT = frequência total (soma

das FAs de

todas

as espécies

amostradas.

Os dados de frequência absoluta podem ser lançados em histograma, com

intervalos de 10%, em que é representado o número de ocorrências em cada

classe, em porcentagem do número total de indivíduos amostrados.

Área Basal Individual (ABls)

Representa a área ocupada pelo tronco de cada indivíduo, assumindo-se

que o tronco tem forma cilíndrica. Desse modo, corresponde à área da secção

transversal do tronco.

Onde:

D - diâmetro de cada indivíduo da espécie s.

Área Basal Média por Espécie (ABç)

Representa a média das áreas basais dos indivíduos de uma espécie.

AB

s

= I

ABI / n

s

s

Onde:

ns - número de indivíduos amostrados da espécie s.

Dominância por área

Segundo o conceito mais usual, baseía-se no espaço ocupado pelos troncos

das árvores de cada espécie, utilizando, porlanlo, os valores da área basal.

DoA

=

DA

. Alt

Onde:

  • Y. S. de Vuono

DA^ = densidade por área da espécie s; AB = área basal média da

espécie s.

Dominância Relativa por Espécie

Representa a relação percentual entre a área basal total de uma espécie e

a área basal total de todas as espécies amostradas.

DoRs = (Z ABIs /

ABT) .

100

Onde:

ABI^ = área basal de cada indivíduo da espécie s; ABT = soma das

áreas basais de todas as espécies amostradas (= Z ABI).

Valor de Importância (VI)

Representa em que grau a espécie se encontra bem estabelecida na

comunidade e resulta de valores relativos já calculados para densidade,

frequência e dominância, atingindo portanto, valor máximo de 300.

VI = DR +FR

s

s

+DoR

s

Valor de Cobertura

(VC)

Também representa o grau em que a espécie se encontra bem estabelecida

na comunidade, porém é calculado sein a frequência, atingindo portanto, grau

máximo de 200.

s

VC = DR +Do

s

s

índice de Diversidade

Utilizado para se obter uma estimativa da heterogeneidade florística da

área estudada. Entre os diversos existente, comumente utiliza-se o de Shannon-

Weaver (H'), através das equações:

58

J = H' / Hmax

Onde: Ps = ns / N, em que n, é o número de indivíduos da espécie s e N é

o número total de indivíduos; J = equidade; Hmax = diversidade máxima (= In

S, onde S é o número de espécies).

Caso os cálculos sejam feitos manualmente, deve-se considerar, no método

de

quadrantes, corno distância ao ponto

a medida da distância entre o ponto e a

tangente do tronco somada ao raio do tronco, o que se chama de "distância

corrigida". No caso do uso do programa FITOPAC, este cálculo é feito

automaticamente.

A maior parte dos parâmetros fitossociológicos descritos acima pode

também ser calculada por família, substituindo-se, nas fórmulas, o número de

indivíduos da espécie s pelo número de indivíduos de todas as espécies da

família considerada.

Gráficos ou tabelas contendo o número de espécies por família, o número

de indivíduos por família ou por espécie, a distribuição de frequência de classes

de

VI e VC, por família ou por espécie, serão úteis na interpretação da estrutura

f i tos sócio lógica da comunidade em estudo. Na figura 11 pode-se observar um

modelo de tabela contendo os principais parâmetros fítossociológicos

registrados no levantamento de árvores em área afetada pela poluição na Reserva

Biológica de Paranapiacaba (SP), onde se aplicou o método de quadrantes.

No caso dos histogramas de distribuição de frequência de classes de VI

ou VC, recomenda-se incluir famílias ou espécies, ordenadas por ordem

decrescente de valores, que totalizem, em seu conjunto, 75% do valor total do

VI ou do VC.

Os valores de altura média por espécie podem ser lançados em histogramas

de frequência de classes de altura com intervalos de l m para melhor visuali/;icão

da estratificação da floresta.

Os dados de diâmetro podem também ser lançados em hístograimi do

frequência de classes, com intervalos de 5 cm, permitindo interpretação t|ii;inlo

à distribuição etária dos indivíduos e, consequenlcmcnd-, do jíniu do

estabelecimento da comunidade. Dependendo do aspcclo do j',j;iíir»>, pndnii

se lançar hipóteses quanto à ocorrência de perlinhncucs sofridas pela

comunidade, em

passado recente ou remoto, como geadas (brios, incêndios ou

corte seletivo de madeira.

.S» J

l . ó. ile Vuono

() iiiciotlo t k- parcelas

é bastante eficiente, porém mais demorado em suas

clapas tio campo, visto que todas as árvores devem ser registradas e resulta, em

jviitl, rm um número muito grande de dados a serem processados. Para uma área

amostrai de mesma dimensão, o método

de quadrantes envolve menor número de

árvores amostradas, é mais rápido em campo e produz resultados, em muitos

casos, equivalentes ao primeiro. O método de transect, apesar de prático, necessita

de um grande número de transects para se chegar à suficiência amostrai.

LEVANTAMENTO DAS

HERBÁCEAS

O levantamento das plantas herbáceas, incluindo as plântulas de espécimes

lenhosos, constitui informação complementar de extrema importância no estudo

da estrutura de comunidades florestais, fornecendo também dados referentes

aos mecanismos de regeneração da floresta. Pode-se aplicar um método

semelhante ao de parcelas, em que a unidade amostrai é delimitada no chão da

floresta por

um quadrado de madeira de l m x l m. Dentro de cada quadrado,

procede-se à contagem das plantas existentes, coletando-se material para

identificação e anotando-se em folha de campo o número do quadrado, o número

da planta e, posteriormente, o nome científico da espécie. Da mesma forma

que nos métodos anteriores, a curva do coletor indicará a suficiência amostrai,

confrontando-se de um lado o número crescente de quadrados (portanto

representando acréscimos de l m2) e, de

outro, o número de espécies diferente

adicionadas. Devem ser lançados tantos quadrados quantos forem necessários

para se iniciar o platô da curva.

No final, calculam-se os principais parâmetros fitossociológicos nos

moldes das fórmulas já apresentadas anteriormente, lembrando-se de que a

iíira amostrai é de l m2, devendo-se extrapolar adequadamente os resultados

paia

l

ha.

No raso de gramíneas, que constituem touceiras bem delimitadas, pode-

M

< "iiMili-t.ii i ;ida touceira como um indivíduo. Quando houver dificuldades

• «n

M 'irliimliii

um

indivíduo, estas são

melhor representadas

em termos

de

• "iit-Hiiiti. "U M'|ÍI, a porcentagem de

cada quadrado ocupada pela espécie.

Inventário

fitossociológico

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Área: Paranapiacab

 

Amostra:

 
 

:

20/08/1990

 

Observações i

 

tf

d

Parcela

indivíduo

Altur a

(m]

 

A- triplinervia A. triplinervia G- opposita triplinervia (Ápice quebrad

Eugenia sp. Pêra gl ab rat a

coberta por

 

E- edulis

Eugenia sp.

Eugenia

T- heptaphylla

 

10-1

(T. heptapnylla

7-<J

IA.

t r i pi ine r vi ,3

 

—T

 
 

-

1

IA . tríplinecvi a

 

f

 

6

'A .

Criplinervi a

Figura 8: Modelo de tabela de campo - parcelas.

62

58

estaca Figura (Inçada 9: Cruzeta no chão de madeira da íloresta. utilizada no método dos quadrantes, que é girada sobre unia

6 í