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Vamos fazer contas.

Co este processo de avaliação do desempenho, corremos o risco de cair numa


armadilha mortífera. São quatro categorias para avaliar (isto apenas para os
professores que não sejam também avaliadores, senão são cinco):
- planificação aulas,
- execução,
- relação pedagógica,
- avaliação dos alunos.

Cada uma das categorias tem 5 (cinco) itens para avaliar.


O que quer dizer que são 20 itens.

Em cada item é necessário:


- observar,
- reunir elementos de prova,
- enumerar,
- calcular percentagens,
- ponderar entre 3 e 4, 5 e 6, 7 e 8, p. exemplo, e decidir,
- atribuir um valor na escala de 1 a 10 e registá-lo;
- depois converter esse valor para a escala de 1 a 4 e registá-lo na
ficha do Ministério. Se, para cada item, forem precisos 10 minutos, em
média, serão necessários 200 minutos para a avaliação de 1 professor.
200 Minutos significam 3 horas e 20 minutos.

Note-se que cada avaliador tem que repetir o processo por cada aula
assistida nalguns aspectos, por cada ano no caso dos contratados;
imaginem o tempo que será necessário para avaliar 1 professor ao fim
de 2 anos? Não serão 3h e 20 minutos, mas 6horas e 40 minutos. Ou
seja, é necessário um dia de trabalho para cada avaliação.

Se somarmos as aulas assistidas: três blocos por ano teremos mais 4


horas e 30m por ano o que é igual, ao fim de 2 anos, a 9 horas o que
dá um total de 15,5h para cada avaliação de cada professor.

Se cada avaliador tiver 10 professores a avaliar, 77,5h, por ano, e


155h em 2 anos, fora as reuniões e entrevistas! Não esquecer as
obrigações como professor com o seu horário normal.
Se tiver 20 professores, serão 310 horas ao fim de 2 anos e 155h por
ano, etc.

Podem dizer que os itens se preenchem durante a aula assistida. É um


sofisma. Temos que ter em conta que a grande maioria dos itens não
pode ser preenchida durante a aula assistida. Exemplos: observação e
avaliação dos planos de aula, número de avaliações, seu rigor, auto-
avaliação dos alunos, valorização do progresso dos alunos, etc.

É necessário recolher todos estes meios de prova, arquivá-los e,


depois, analisá-los e avaliá-los com as operações acima descritas, o
que exige muito tempo.
Isto é exigir o impossível e depois, com ou s/ intenção de que por
trás disto está uma medonha artimanha de empurrar os professores mais
velhos e mais caros, os titulares, para a reforma antecipada e
penalizada, não deixa de ser indecente o que nos pretendem fazer e,
inutilmente, como é fácil demonstrar! E substitui-los por professores
novos muito mais baratos e sem redução horária? Não é intencional! Mas
quem ganha? Ganha o Estado (ou aqueles que se apropriaram,
legitimamente, do Estado em proveito próprio?!).
Quem perde? O país real e os professores.

Sinto-me indignado porque me valorizei cientificamente (mestrado e


doutoramento), às minhas custas e com um esforço inenarrável, sem
prejuízo das aulas e dos alunos; bem pelo contrário (o enriquecimento
do prof. reverte a favor dos alunos) o que me deixa perplexo quando me
dizem que "não quero ser avaliado" para ser chutado desta maneira,
para a reforma, com o chicote do trabalho burocrático impossível! Isto
é que é uma boa gestão de recursos humanos?

Zeferino Lopes, Professor de Filosofia, Esc. Sec. Penafiel, 24 de Fevereiro de 2008