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VII CCNGkLSSC IN1LkNACICNAL LM CILNCIAS DA kLLIGIÂC: A kLLIGIÂC LN1kL C LSÞL1ÁCULC L A IN1IMIDADL ÞkCGkAMA

DL ÞCS-GkADUAÇÂC LM CILNCIAS DA kLLIGIÂC, ÞUC Go|ás, Go|ân|a, de 08 a 11 de abr|| de 2014 ISSN 2177-3963

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Orgs.:
ALBERTO DA SILVA MOREIRA
CAROLINA TELES LEMOS
EDUARDO GUSMÃO DE QUADROS
ROSÂNGELA DA SILVA GOMES
VII CCNGkLSSC IN1LkNACICNAL LM CILNCIAS DA kLLIGIÂC: A kLLIGIÂC LN1kL C LSÞL1ÁCULC L A IN1IMIDADL ÞkCGkAMA
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UMA RELIGIÃO MINORITÁRIA NO MERCADO RELIGIOSO BRASILEIRO:
NOTAS SOBRE A TRADIÇÃO DAOISTA NO BRASIL
Matheus Oliva da Costa (matheusskt¸hotmail.com)
Resumo
Temos como ponto de partida uma contextualização do Daoismo como uma tradição
religiosa minoritaria presente no mercado religioso brasileiro, de acordo com uma noção
critica das teorias sobre mercado religioso de P. Berger, e também de R. Stark. Com
esse pano de Iundo nosso objetivo é tecer algumas reIlexões sobre a tradição daoista no
Brasil. Assim, vamos levantar pontos de discussão relevantes a essa tradição religiosa
ainda pouco esclarecida para o universo acadêmico local. Buscaremos esclarecer: De
que maneira pode ser entendido ou conceituado o Daoismo? Qual a diIerença em
escrever Daoismo e Taoismo? De que maneira essa tradição Ioi transplantada (PYE,
1969) ao Brasil? Como ela é expressa e vivenciada por brasileiros/as? E, claro, de quais
Iormas essa t
aqui? Responderemos a essas questões principalmente com base em revisão
bibliograIica de diversas pesquisas sobre Daoismo, classicas e recentes, mas também
com dados empiricos de nossa pesquisa de campo em andamento na Sociedade Taoista
do Brasil em São Paulo-SP.
Este breve ensaio é um pequeno braço da pesquisa estamos desenvolvendo sobre
uma tradição daoista no Brasil, a Sociedade Taoista do Brasil. Inspirados pela visão
instigante dos estudos da economia da religião e pela proposta do GT Praticas
Religiosas, Tecnociência, Mercado e Midia do VII Congresso internacional em Ciências
da Religião da PUC-Go, vamos realizar a analise de uma religião minoritaria através da
leitura do mercado religioso do sociologo Peter Berger (1985) e pelos teoricos da Teoria
da Escolha Racional.
Julgamos oportuno também tecer alguns esclarecimentos e aIirmar algumas
posições quanto ao Daoismo e seu estudo acadêmico. Para entender a dinâmica cultural
que molda a situação dessa tradição minoritaria em terra estrangeira, evocamos a teoria
da transplantação religiosa do cientista da religião Michel Pye (1969), relacionando com
a analise econômica da religião.
Mercado religioso: metáfora econômica do pluralismo
Peter Berger (1985), na sua obra O dossel sagrado, propôs uma revisão e
sistematização da teoria da secularização. Entre as novidades dessa nova proposta esta a
leitura da religião por uma chave de leitura econômica. Serviremo-nos de varios pontos
levantados pelo autor, mas é importante ressaltar que aqui sua Iamosa tese da
secularização é vista com suspeita.
Numa leitura seletiva, tendo em vista o espaço modesto deste ensaio,
percebemos que sua teoria da secularização implica numa série de consequências, que
começam pela pluralidade religiosa (Berger, 1985, p.146). Contudo, concordamos com
a critica realizada pelos autores da Teoria da Escolha Racional sobre a ideia de
secularização e modernidade
9
. Assim, aqui Ialamos de pluralismo e mercado religioso,
mas não temos como pressuposto a existência de uma (suposta) secularização, muito
menos essa chave de leitura.

9
Para maiores esclarecimentos sobre esse debate sociológico ver Mariano (2013) e Lu,
Johnson e Stark (2008).
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uma situação de mercado ande parte da
atividade religiosa nessa situação vem a ser dominada pela logica da economia de
pluralismo cultural-religioso, e não da modernidade propriamente dita (Lu, Johnson e
Stark, 2008, p.149), como Berger (1985) acreditava. Buscamos agora apresentar
pontualmente os elementos dessa logica de economia de mercado no que concerne as
religiões.
Burocratização: as tradições religiosas, quando em situação de diversidade e
consequente competição, buscam se estruturar e organizar. Isso ocorre devido a
da religião (Lu et al, 2008, p.140). A partir da burocratização, as tradições acabam por
anular diIerenciações tradicionais das lideranças, sendo mais importante um
administrador perspicaz do que um sacerdote com conhecimentos religiosos, mas pouco
habil organizacionalmente.
(Berger, 1985, p.153). Ou seja, outras religiões deixam de ser rivais, para se tornarem
varias instituições burocraticas religiosas Iazem acordos mutuos para sanar os
problemas de mercado, além de possiveis Iusões (mesmo que oportunas e limitadas).
(orações, meditação, totens comunitarios e pessoais, etc) estão sujeitos a
(idem, p.159), onde o que as
religiões oIerecem tem conteudos iguais, mas com embalagens diIerentes. Nesse
sentido, segundo teoricos da Teoria da Escolha Racional, acrescentam-se dois elementos
importantes: 1) nenhuma religião alcança o desejo de todo o publico, ha, então,
segmentação ou especialização da oIerta e demanda religiosa; 2) as regulações estatais
Uma vez apresentada os topicos principais da leitura mercadologica de
competição no pluralismo religioso, vamos agora aplica-la uma religião minoritaria no
Brasil, o Daoismo. Mas, antes de aplicar ou relacionar as questões da teoria exposta,
vamos entender o que é Daoismo.
Daoismo: conceito e esclarecimentos
Podemos entender o Daoismo (daojiao ) como uma tradição religiosa
originaria da China. A literatura especializada vem mostrando como é adequado
compreender o Daoismo enquanto uma tradição religiosa, ao contrario da tendência
comum no Brasil de vê-la apenas por uma dimensão, seja de escola de pensamento ou
conjunto de técnicas (Granet, 1997; Robinet, 1997; Bizerril, 2007). Seguindo essa linha
de pensamento, estes mesmos autores mostram como o Daoismo é um todo coerente:
uma tradição sintética e sincrética, mas sob uma base identitaria coesa.
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Em resumo, no Daoismo os adeptos buscam viver naturalmente de acordo com o
Dao o principio absoluto que esta em tudo e que é a Ionte de todas as coisas, e de
uma Iorma espontânea, Iluida (wu wei).
busca-se a longevidade e a imortalidade. Enquanto a longevidade esta ligada mais a
saude e preservação do corpo, a imortalidade aproxima-se mais a um estado de elevação
espiritual (Robinet, 1997, p.37-41).
Como qualquer outra religião organizada, o Daoismo é uma tradição que
contém um complexo sistema de mitos, rituais prescritos, um cânone (daozang), uma
teologia que abrange uma rede de divindades inseridas nesses ritos e mitos, assim como
estruturas de sacerdotes e monges (Poceski, 2013). Sua cosmologia é centrada na ideia
da complementaridade e alternância das Iorças yin/yang e nos cincos agentes (wu xing).
Essa visão de mundo é expressa e aplicada também na concepção de correspondência
entre o macrocosmo e o microcosmo, onde o proposito daoista seria uma união clara e
harmoniosa entre o nosso interior e mundo exterior (Robinet, 1997, p.18).
Dessa Iorma, a despeito de preconceitos a essa tradição nascidos da antiga elite
conIuciana chinesa ou nos missionarios cristãos (Oldstone-Moore, 2010, p.12; Poceski,
2013, p.78) ou da relutância acadêmica em vê-lo como religião (Brooks, 1997, p.XI), o
Daoismo é uma tradição religiosa distinta e com um corpo proprio. Sendo um caminho
de vida (Robinet, 1997, p.20), o Daoismo também apresenta ensinamentos de alcance
universal (Murray, 2010, p.7). Ainda que tenha Ironteiras porosas e tenha Ieito
inumeros empréstimos de outras tradições (Poceski, 2013, p.79), sua identidade não Ioi
esquecida, e até mesmo esteve mais aberta a dialogos em sua historia (Robinet, 1997,
p.261).
Um ultimo esclarecimento deve ser Ieito. Optamos por utilizar a transliteração
do termo chinês daojiao como Daoismo, ao invés da tendência brasileira por
Taoismo, por dois motivos. Primeiramente para estar mais proximo do sistema de
transliteração hanyu pinyin, mais usado e oIicial da China continental. O segundo
motivo é para nos alinharmos aos muitos trabalhos e publicações internacionais
recentes, como por exemplo, a revista acadêmica Journal oI Daoist Studies que é
reIerência internacional no assunto.
Uma perspectiva sobre a entrada do Daoismo no Brasil
Acreditamos que a teoria da transplantação religiosa do cientista da religião
Michael Pye (1969) nos ajuda a compreender a dinâmica social da chegada do Daoismo
no Brasil e suas transIormações. Em sua teoria, Pye (1969) propõe que a transplantação
religiosa se da em três movimentos: 1) contatos (culturais) indiretos ou diretos; 2)
ambiguidade (de signiIicações) dos elementos da religião; e 3) restituição/resgate de
certos aspectos considerados mal interpretados, normalmente realizados por uma
-historicas.
Dessa Iorma, ha movimentos dialéticos entre ambiguidade dos elementos apos o
contato cultural e um momento de ortodoxia denominado restituição (Recoupment).
Estes movimentos também podem ser realimentados por novos contatos. Acreditamos
que esses movimentos revelam a construção do ideal de grupo e de praticante, bem
como, podem servir de modelo heuristico para a leitura da transplantação do Daoismo
ao Brasil.
Segundo o antropologo José Bizerril (2007, p.38), pioneiro no estudo empirico
do Daoismo no Brasil, podemos Ialar de certo interesse em tradições entendidas
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inIluências de circulos esotéricos como a TeosoIia, e, mais tarde, com a inIluência da
chamada onda Nova Era. Paralelamente, e em dialogo com Iontes teosoIicas e Nova
Era, inIluências literarias também divulgaram mais ou menos o Daoismo. Como
exemplos citamos Guimarães Rosa (Uteza, 1994) e autores norte-americanos da
contracultura traduzidos como Allan Watts.
Ainda que haja o mérito de ser uma Iorma inicial de divulgação indireta do
Daoismo, muitas das praticas chinesas chegaram de Iormas descontextualizadas no
Brasil, interpretadas de maneira livre e não muito criteriosa. Essa situação pode gerar
signiIicações bem diIerentes do que os ensinamentos queriam mostrar inicialmente, ja
ermo depende de sua relação com os demais termos de um
Temos então dois elementos: 1) as primeiras Iormas de contato do Daoismo com
a cultura brasileira Ioi indireta, sobretudo literariamente, com interpretações livres; e 2)
ou seja, lingua, mentalidade chinesa, exegese tradicional, liturgia tradicional houve
ambiguidade. Assim, o terceiro movimento somente tem inicio com a chegada de
mestres chineses detentores de linhagens daoistas vindos de Taiwan a partir da década
de 1970.
O mestre Liu Pai Lin (1907-2000) chegou em 1975 no Brasil vindo de Taiwan
(Bizerril, 2007, p.84). Inicialmente deu aulas de taijiquan e outros exercicios chineses, e
posteriormente de ensinamentos das tradições Longmen e Kun Lun do Daoismo,
principalmente na cidade de São Paulo. Seus ensinamentos tiveram como Ioco a
corporalidade: meditação taoista, exercicios corporais, alquimia interna (neidan). E, tal
como o proprio Pai Lin, seu movimento é constituido por leigos, não havendo
sacerdotes (Bizerril, 2011).
Wu Jyh Cherng
10
(1958- -se com
11
. No Iinal dos anos 1980
tornou-se sacerdote daoista, estabelecendo pouco depois a Sociedade Taoista do Brasil
(STB) ligada a tradição Zheng Yi (Ordem Ortodoxa Unitaria), também chamada de
Mestres Celestiais (Tianshi). Interessante notar que a STB chegou a realizar dois cursos
de Iormação de sacerdotes daoistas para brasileiros ministrados por Cherng, que
também escreveu varios livros em português sobre Daoismo. Atualmente tem dois
templos, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, ambos com atividades regulares.
Poderiamos citar também outros exemplos, como os muitos praticantes de
alquimia interna (neidan), qi gong, taiji quan ou grupos e leitores individuais de textos
daoistas. Todavia, seguimos a orientação de distinguir os adeptos daoistas de um lado, e
praticantes de técnicas (consideradas) daoistas de outro lado, e até distingui-los de
leitores de obras daoistas (Robinet, 1997, p.6; Murray, 2010, p.15). Outro grupo que
deve ser citado é a recente Associação Taoista do Brasil
12
em Goiânia-GO, Iormada por
sacerdotes daoistas brasileiros na China continental. Mas, por serem muito recentes no
Brasil, temos poucos dados disponiveis para abordar este grupo.
Voltando aos exemplos tradicionais do Daoismo no Brasil, vamos Iocar nossa
atenção na STB, grupo que estudamos e que acreditamos apresentar mais reações do
tipo que Pye (1969) categorizou de restituição. Como ja apontado, o mestre chinês

10

sistema Wade-Gales, até hoje muito comum em Taiwan, de onde estes mestres vieram.
11
http://sociedadetaoista.com.br/blog/sociedade-taoista/mestre-wu-jyh-cherng/.
12
http://www.filosofiataoista.no.comunidades.net/index.php
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desse grupo realizou diversas obras introdutorias, comentarios exegéticos e traduções
em português (Costa, 2013). Esse esIorço por oIerecer ao publico brasileiro sua versão
tradicional do Daoismo, conIorme a antiga linhagem dos Mestres Celestiais (Robinet,
1997, p.53), demonstra uma tentativa de retiIicar leituras brasileiras dessa religião,
demarcando uma identidade daoista.
Entre simpatizantes e daoistas
Dao
e Miller, 2013, p.110). Assim, mesmo que numericamente modesto, ha uma busca de
muitos/as por conhecer praticas corporais daoistas, textos como o Daodojing (Tao te
ching) ou o Yijing (I Ching), e ainda técnicas como astrologia chinesa e o Ieng shui.
na do mês de Ievereiro deste ano
(2014), como comemoração ao ano novo chinês, a STB de São Paulo promoveu uma
semana com atividades daoistas, muitas delas gratuitas.
Em minha pesquisa de campo pude presenciar algumas dessas atividades, e,
caminho daoista. Com um publico
marcadamente brasileiro e multiétnico, através de comentarios esporadicos as pessoas
revelavam seus conhecimentos, interesses e curiosidades relacionados a cultura chinesa.
Contudo, não se Iaz uma tradição somente com simpatizantes e buscadores.
Segundo o cientista da religião Mario Poceski (2013, p.79), no centro do Daoismo
bemos que as iniciações daoistas primeiro estagio
para qualquer outro aproIundamento hierarquico não são direcionados as massas
(Robinet, 1997, p.20), sendo realizado de Iorma mais particular (ainda que num ritual
publico).
Não obstante o Iato de ser uma religião minoritaria, estrangeira e recém-chegada
no Brasil, esse modo sutil ou discreto de aproximar adeptos reIorça a situação de
minoria em um mercado religioso plural. Entretanto, como notado por Murray (2010,
p.2 e 3), o estabelecimento de linhagens daoistas e a pratica de suas liturgias não são
algo comum Iora da Asia. Dessa Iorma, o Daoismo da STB se acomoda entre uma
escolha pessoal (diante da pluralidade) e busca por autenticidade da tradição (Murray,
2010, p.6).
Sob essa dinâmica, ha um numero pequeno, mas bem estabelecido de iniciados e
sacerdotes daoistas na STB, alguns deles iniciados pelo proprio Wu Jyh Cherng antes
do seu Ialecimento em 2004. Estes iniciados têm praticas especiIicas que são realizadas
s antigos chegam a ministrar atividades
variadas nessa instituição, como consultas de medicina tradicional chinesa, Yi jing ou
praticas regulares de artes marciais. Certamente, existem também Irequentadores que,
mesmo não sendo iniciados (e por isso, tem certas restrições) exibem uma aproximação
mais proIunda do que a de um simples visitante, mas são menos visiveis.
Daoismo no mercado religioso brasileiro: apontamentos
Sabendo do atual alargamento da diversidade religiosa no Brasil, e tendo em
mente as inIormações explicitadas anteriormente, vamos agora realizar alguns
apontamentos sobre a situação do Daoismo no mercado religioso brasileiro.
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No que concerne ao processo de burocratização, observamos uma clara estrutura
administrativa na STB tanto do Rio de Janeiro como de São Paulo, com poucas
diIerenças. Em ambas as sedes, observamos que la trabalham secretarias leigas e não
iniciadas, ha email, listas virtuais e site com atualizações Irequentes, cronograma de
atividades bem deIinido, incluindo horarios para consultas divinatorias no Yi jing e
aulas de artes marciais daoistas com preços bem deIinidos. Mas somente em São Paulo,
até onde sabemos, ha uma pequena loja dentro da secretaria/recepção com algumas
opções de produtos relacionados ao Daoismo (blusas, livros, talismãs, incensos, etc).
mesmo Ioi comentado pelo cientista da religião Daniel Murray (2010), que pesquisou
este grupo. Apesar disso também não encontramos nenhum sinal de intolerância
religiosa. Dialogos com outras religiões, sobretudo o budismo, são citados
esporadicamente nos encontros meditativos abertos nas segundas. Historicamente muito
tem a se Ialar sobre o tema, mas não é nosso Ioco aqui.
segundas citado acima. Sendo um encontro mais aberto a todos (não iniciados), o tema
meditação parece ter sido sabiamente escolhido, especialmente estando no bairro
Liberdade. Esse bairro é conhecido pela carac
Paulo (Shoji e Usarski, 2009), o que pode remeter a um imaginario de praticas
meditativas como do Zen Budismo. Nesse caso, ao invés de tentar se diIerenciar, a STB
de São Paulo busca chamar a atenção de um publico diI
interesses principais que Iazem alguém se aproximar do daoismo da STB: 1) praticas
corporais (como o taijiquan); 2) através de estudos de textos (como o Daodejing); e 3)
Pessoas que estão em busca de uma tradição religiosa adequada a elas. Neste aspecto a
STB apresenta um Iuturo promissor, ja que a demanda do publico esta bem ajustado por
as atividades oIerecidas nessa instituição.
Vemos, então, um caso bem sucedido de especialização: todas essas três
demandas podem ser encontras na STB. Isso, apesar do numero inexpressivo de
daoistas no censo do IBGE
13
, que, julgando pelo modus operandi da inserção Iormal no
Daoismo da STB, não deve crescer estatisticamente. Finalizamos este curto ensaio
esperando ter contribuido para o leitor ou leitora interessada na pesquisa sobre Daoismo
no Brasil, e sobre estudos de economia da religião.
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BIZERRIL, José. Retorno à raiz: tradição e experiência de uma linhagem taoista no
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13
ftp://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2010/Caracteristicas_Gerais_Religiao_Defici
encia/caracteristicas_religiao_deficiencia.pdf
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