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RESTAURO ARQUITETÔNICO A formação do arquiteto

Janaina Cristovão Kelly Daiane Pereira Borba Professor- Clério José Ribeiro

Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI Arquitetura e Urbanismo (ARQ - 14) Sistemas Estruturais II: Aço e Madeira

RESUMO

28/11/13

Hoje em dia é clara a presença da arquitetura em todas as organizações e áreas de atividades. A conservação e restauração do patrimônio cultural é uma dessas áreas, pois não só utiliza teoricamente o estudo das edificações, mas também cuida da avaliação do monumento em questão, mas principalmente aplica de forma prática em seu dia a dia os elementos atribuídos aos materiais e formas de desenvolver a restauração do projeto de um patrimônio histórico com o mínimo de danos possível com relação aos materiais utilizados em seu restauro. Mesmo havendo inúmeras situações e casos relacionados ao tombamento de muitas edificações, hoje o governo além de criar leis que comprometem o homem a preservar tais bens, atualmente também existe um maior incentivo, pois a busca de restaurar e conservar monumentos históricos, está começando a fazer parte não só da história, mas do respeito e compromisso de que deve-se preservar aquilo que nos foi deixado. Desta forma fica clara a relação entre as duas áreas, sendo que, assuntos abordados em monumentos, edificações, entre outros tipos de elementos, acabam sendo de grande importância para as cidades e as pessoas, tanto para quem vê, quanto para quem a utiliza, criando assim um símbolo, e uma referência para todos.

Palavras-chave: Arquitetura. Restauração. Patrimônio cultural.

1 INTRODUÇÃO

A arquitetura é uma área que envolve inúmeros estudos, pois o desenvolvimento de um projeto, se dá quando áreas como a de psicologia, conforto ambiental, estruturas, estudos a campo, entre outras informações são reunidas, e a partir daí com o auxílio de certas ferramentas e com a criatividade e conhecimento do arquiteto, é que será concebido, criado, organizado, e desenvolvido o projeto, seja para o desenvolvimento e lazer das atividades humanas, das quais possa abranger a edificação, o paisagismo e o urbanismo, a

acessibilidade, e a sustentabilidade, atendendo assim as necessidades dos indivíduos, grupos sociais e comunidades, promovendo também a preservação e a valorização do patrimônio natural e cultural.

No presente paper, serão feitas primeiramente algumas definições a respeito da conservação e restauro das edificações, juntamente com a restauração do patrimônio histórico e cultural, e então será tratado a respeito de suas características, e assuntos abordados na arquitetura e urbanismo, e sua abrangência direta com o profissional da mesma. Também será apresentado um relatório sobre a visita da casa enxaimel que se encontra no terreno da Uniasselvi de Timbó-SC, com o intuito de identificar quais as principais dificuldades que se encontra das condições da casa para a restauração, e a relação destas com o assunto abordado neste paper.

Sendo assim, o objetivo é mostrar a importância dessas edificações, e o que ela realmente representa para as pessoas, e esclarecer alguns itens sobre conservação e restauração que certamente são essenciais na história das cidades, e na vida e trabalho de cada arquiteto.

2 A ARQUITETURA

A arquitetura teve seu início desde as épocas mais antigas da humanidade, conforme necessidades de sobrevivência, e vem evoluindo até os dias atuais. Segundo Souza et al.

(2007),

A história da arquitetura está diretamente relacionada à evolução humana. A arquitetura passou a existir quando o homem começou a construir para se proteger de predadores e dos fenômenos naturais. Novas demandas sociais (como o crescimento das civilizações, a necessidade de interligação entre cidades, o abastecimento de água, a consolidação de crenças religiosas) ou mesmo a simples busca por formas agradáveis aos olhos forçaram a humanidade a buscar novos materiais, novas ferramentas e técnicas de construção. É assim que a arquitetura continua evoluindo até hoje.

O papel da arquitetura é projetar os ambientes e organizar espaços internos e externos, de acordo com critérios de estética, conforto e funcionalidade. Segundo COSTA (1995),

"pode-se [

]

definir arquitetura como construção concebida com a intenção de ordenar e

... organizar plasticamente o espaço, em função de uma determinada época, de um determinado

meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa".

3 PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL

"O Patrimônio Cultural de uma nação, de uma região ou de uma comunidade é composto de todas as expressões materiais e espirituais que lhe constituem, incluindo o meio ambiente natural". (Declaração de Caracas, 1992).

Entende-se que patrimônio é a união das partes que se referem aos bem materiais ou não, e que estes contam e representam a história de um povo e sua relação com o meio em que eles vivem. Pode-se dizer também que é o legado que herdamos do passado e que confiamos as gerações futuras.

  • 3.1 PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Segundo SOUSA (2011), a palavra patrimônio vem do grego pater, que significa "pai" ou "paterno", o qual relaciona as coisas passadas pela imagem do pai, e que é transmitido para seus filhos. Com isso, o pensamento e a noção de repasse foi se estendendo, e com o passar do tempo, o conjunto dos elementos e materiais que tiveram relação com as identidades da época, é que se tornaram a cultura dos povos que ali se encontram.

Sendo assim, este conjunto de bens acabou por ser o bem material da relação com o passado dos povos, e consequentemente, hoje são os bens que contam a história passada de geração em geração, e é através da arquitetura, que o patrimônio tornou-se ainda mais importante, pois a compreensão da identidade histórica como bem de todos, faz com que esses bens sejam mantidos, assim como os costumes da sociedade são lembrados.

  • 3.2 PATRIMÔNIO CULTURAL

Conforme SOUSA (2011), assim como o patrimônio histórico, o patrimônio cultural

também consiste na relação dos bens materiais e/ou imateriais, porém, mais especificamente a história de um povo através de seus costumes, comidas, religiões, entre outros, um exemplo disso é muito encontrado em sítios arqueológicos, dos quais revelam também a história da civilização e como era o dia-a-dia das pessoas daquela época.

Com isso, chegamos a concluir que assim como o patrimônio histórico, o patrimônio cultural estão interligados, pois ambos se referem a compreensão da história local, e a sua importância em conservá-la. Sendo assim é possível conscientizar as pessoas a conhecer e compreender melhor, o que nos foi deixado, ou seja, devemos proporcionar aos mesmos a aquisição dos conhecimentos obtidos, e começar a vê-los como sua própria história. Daí a sua importância.

Contudo, a principal característica de um patrimônio, seja ele histórico, cultural, ou até mesmo ambiental, é que a sua conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do lugar e de seu povo, ou por seu excepcional valor arqueológico, etnográfico, bibliográfico ou artístico.

4 CONSERVAÇÃO E RESTAURO

Reconhecer o valor histórico de uma construção e garantir que ela se mantenha bem preservada e íntegra, conservando suas características originais durante décadas ou séculos, sejam edificações, monumentos, esculturas, entre outros, é uma das áreas em que o arquiteto pode exercer, desenvolvendo projetos em que sempre se leva em conta as tecnologias que podem ser usadas e a situação da construção a ser preservada, sendo que é de responsabilidade do arquiteto a análise das condições físicas dos materiais e a avaliação do local onde se encontra a edificação, ou seja, o arquiteto é quem verifica se há condições para que seja restaurado e preservado a edificação.

Conforme GCOR (2010), entende-se que a busca sobre as temáticas patrimoniais, estimulam e difundem cada vez mais pesquisas acadêmicas, aplicando e promovendo no campo da arquitetura, a criação de uma base para os futuros arquitetos, explorando assim os aspectos com relação à preservação arquitetônica, e consequentemente permitir a

contribuição e ampliação dos conhecimentos sobre as edificações, as tecnologias a serem utilizadas, e principalmente a história do objeto construído, e com isso, poder inserir no projeto de restauro os critérios e sistemas adequados que serão aplicados nessa restauração, com o mínimo de dano dos elementos, materiais e características do edifício.

5 RELATÓRIO

O enxaimel, ou fachwerk, que quer dizer enchimento, é uma técnica de construção na qual sua estrutura consiste em paredes montadas com caibros de madeira encaixadas na vertical e inclinada, e seus espaços são preenchidos geralmente com taipa, barro socado, tijolos maciços ou pedras. Em Santa Catarina na maior parte são de tijolos a vista, uma construção forte, relativamente simples e barata.

O conceito do enxaimel veio para a nossa região através dos imigrantes alemães que vieram para o nosso país entre as décadas de 30 e 40 para escapar da segunda guerra mundial. Uma das características do enxaimel são suas coberturas com grande inclinação, cuja forma originalmente era para se adaptarem ao clima, que era de alta umidade e frio intenso da Alemanha, onde costuma nevar bastante; a alta inclinação permite o melhor escoamento da neve, e também por causa da umidade, as estruturas que sustentam a edificação foram feitas de pedra para evitar que a madeira se molhe.

Hoje as casas enxaimel são uma das principais atrações turísticas na nossa região e outras regiões que também foram colonizadas por alemães, alguns exemplares daqui já não existem mais na Alemanha, pois algumas cidades foram destruídas pelos bombardeiros na segunda guerra. Santa Catarina e Rio Grande do Sul, são os estados do país com o maior número de casas enxaimel originais. No Vale do Itajaí encontra-se a cidade mais alemã do Brasil (Pomerode), essa entre outras da região, possuem números consideráveis de estrutura enxaimel.

5.1 PRÁTICA

No dia 31/10/2013 foi realizada uma visita à casa enxaimel. De acordo com os dados

de notícias do site da prefeitura, o terreno foi doado pela Prefeitura de Timbó para o Campus II da Uniasselvi.

A residência possui em sua estrutura caibros de madeira encaixadas em posição vertical com certa distância entre elas, e no meio um caibro inclinado em ângulo. Para evitar a inclinação da parede e seus espaços são completados com tijolos maciços sem reboco. Esses tirantes de madeira dão beleza a construção, tornando-a esteticamente bonita e forte.

Podemos verificar e documentar tudo aquilo que já sabemos em relação as características da construção enxaimel, como: coberturas e suas inclinações, estrutura, os tratamentos aplicados, os encaixes, o corte da madeira, entre outros, além de como renovar para outro século de existência.

Descobrimos também, que para um restauro de uma edificação como esta, é necessário mantermos a originalidade, partes que foram descaracterizadas ou eliminadas voltam a fazer parte da casa não sendo substituídas, mas apenas reformada, mantendo assim o seu valor, ou seja, as peças em mau estado são recuperadas, como parte do processo, e ao final, a casa deverá voltar a ter sua forma original.

No estado de Santa Catarina assim como no resto do Brasil existem pouquíssimas empresas que trabalham com restauração e conservação do patrimônio histórico e cultural. E mesmo hoje, ainda existem inúmeros tombamentos de construções históricas pelo IFAM, e com isso, perde-se tanto a parte da nossa história quanto a cultura passada.

Mas atualmente, existem leis em que o governo tenta minimizar as perdas, pois o proprietário da qual a edificação é um elemento histórico, tem por lei a obrigação de manter a estrutura em boas condições, caso contrário pode ser multado, e ainda não poderá se desfazer do imóvel a não ser que seja doado a uma entidade ou a alguém que dará continuidade aos cuidados e manutenção da obra, ou ainda um outro caso seria, se o proprietário não quiser continuar residindo na casa, ele até poderá se mudar, porém deverá manter a estrutura da edificação em boas condições físicas.

Sendo assim conclui-se que o restauro de uma edificação acaba sendo muito caro e exaustivo, pois exige muita dedicação e tempo disponível, pois cada material que será substituído como por exemplo: um tijolo, deve ser encontrado um tijolo com a medida

adequada, e muitas vezes há materiais difíceis de se encontrar a disposição, nesse caso o ideal seria utilizar alguns materiais que possam ser restaurados, como por exemplo a madeira, a qual deverá ser recortada a parte estragada do elemento e fazer um enxerto com um bom acabamento.

Podemos concluir desta forma, que os assuntos abordados no presente paper realmente possuem um papel essencial no dia a dia da profissão do arquiteto, e que por esse motivo, merecem algum destaque, principalmente durante o processo de formação do arquiteto.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A restauração e conservação do patrimônio histórico, cultural e a arquitetura estão interligadas de modo a analisar e compreender a importância de mantermos e preservarmos as edificações, que comprovam e nos ensina os costumes, passados pela população da época.

A visita a casa enxaimel, além de ser um atrativo a campo para os arquitetos em formação, também é um grande estímulo para o entendimento não só da responsabilidade que o profissional possa adquirir, mas também serve como um elemento a mais com relação aos aspectos e características conhecidas e discutidas no ambiente.

Sendo assim obteve-se o privilégio de analisar e documentar mais afundo os materiais da casa em questão, sendo que os meios que permitem esta casa sobreviver tanto tempo, e a possibilidade de acompanhar o seu restauro, preservando assim as suas características e sua originalidade, certamente contribuirá para a formação dos acadêmicos.

Com isso, não restam dúvidas da importância da inserção e prática de visitas a campo, relacionando a teoria com a prática que temos em sala de aula, pois a comunicação e compreensão por parte do arquiteto com o ambiente é que definirá as possibilidades de se atingir as expectativas tanto do arquiteto como do cliente, seja uma pessoa, uma comunidade, ou até mesmo uma cidade.

7 REFERÊNCIAS

GCOR-Arquitetura, DAC-FEC/Unicamp. Universidade Estadual de Campinas. Apresentação. 2010. Disponível em: < http://www.fec.unicamp.br/~gcor_arquitetura/>. Acesso em 24/11/2013.

SOUSA, Rainer. Patrimônio Histórico Cultural. 01/02/2011.Disponível em: < http://www.brasilescola.com/curiosidades/patrimonio-historico-cultural.htm>. Acesso em

24/11/2013.

SOUZA, Camila; MUNHOZ,César; LIMA,Ederson Santos; GOMES, Maria Eugênia; STAA, Ricardo von. História da Arquitetura. 17/09/2007. Disponível em <http://www.educacional.com.br/reportagens/arquitetura/default.asp>. Acesso em

28/10/2012.

Sites

<http://www.fec.unicamp.br/~gcor_arquitetura/>. Acesso em 22/11/2013.

<http://coral.ufsm.br/ppgppc/index.php/duvidas-e-dicas/78-patrimonio-historico-cultural-e-

ambiental-natural>. Acesso em 23/11/2013.

8 ANEXOS

ANEXO A - Fotos - Casa enxaimel UNIASSELVI, Timbó-SC.

8 ANEXOS ANEXO A - Fotos - Casa enxaimel – UNIASSELVI, Timbó-SC. 9
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8 ANEXOS ANEXO A - Fotos - Casa enxaimel – UNIASSELVI, Timbó-SC. 9
Fonte das imagens: Minha autoria. 10
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