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éAPÍTULO II i

DEFINIÇÕES QU E INTERESSAM À INVESTIGAÇÃO

 

conversa

a

ter

com

um

necessitado,

os primeiros

A primeira

contactos com a família com quem ele vive, as indagações

 

junto dos vizinhos que podem

dar

informações

seguras

ou

colaborar,

o

exame

de documentos

que tenham

importância

para

a investigação,

a relacionação

final dos elementos

dispersos, todos

estes

processos

usados

pelo

serviço

social

dos casos

individuais

 

são

passos

com

os

quais

esperamos

alcançar

um resultado

útil.

Conduzem-nos

por

meio

dum

diagnóstico

social à elaboração

 

dum

plano

de

tratamento

e

sobre

a correlação

entre

o diagnós-

tico

e

o tratamento

nunca

é demais

insistir. Antes

de

voltarmos

a

tratar

dessa

correlação

na

prática

actual

do

serviço

social,

julgamos

vantajoso,

mesmo

correnâo

o

risco de

nos

repetirmos,

prepararmos

acesso

 

à

sua

mais concreta

materialização,

estabele-

cendo

umas definições

formais.

 
 

I-C~RTOS

TERMOS USADOS

FREQUENTEMENTE

 

1.° - Diagnóstico.

-O

uso

da

palavra

diagnóstico

não

se

aplica apenas em medicina: em zoologia e botânica, por exemplo,

significa uma definição,

breve,

precisa e oportuna.

Como diagnós-

tico social ela exprime

que se procura

obter um conhecimento

(2:-»)

tanto quanto possível

exacto

da

situação

social

e personalidade

dum certo necessitado. A investigação

ou colheita dos dados reais

é

o primeiro

tempo

do trabalho,

seguindo-se-Ihe

o exame

crítico,

a comparação

das

realidades

averiquadas

e

por

fim a interpreta-

 

ção

e esclarecimento

da dificuldade

social. Na prática

comum,

as

trabalhadoras

sociais

dos casos individuais

chamam

«inquérito»

a

todas estas operações. mas como habitualmente cometem a falta de

se preocuparem muito mais com a colheita dos dados do que com

. a . sua

interpretação

e comparação,

há conveniência

educativa em

usar no conjunto do processo um termo que mais especialmente

(25) Ver a mais ampla discussão no Capítulo XVIIIsobre Comparação e Interpretação.

27

 

DIAGNÓSTICO

SOCIAL

 

designe

a

sua

finalidade.

O

inquérito

 

é

indispensável

para

o

diagnóstico;

entra

no laborioso

e

hábil

apuramento

da

verdade,

que

se chama,

com

razão,

pesquisa

social

e

faz

parte

importante

de

muitas

averiguações

sobre

condições

sociais

que,

não

sendo

tão

profundamente

dirigidas

como

a

pesquisa,

podem

denomi-

nar-se

investigações

sociais.

 
 

Embora

o termo

investigação

 

seja usado

em todas

as formas

de

inquérito

social,

alugar

que

ele

preenche

na

operação

do

diagnóstico

social

é, embora

necessário,

 

secundário.

Outra

van-

tagem

da

adopção

do

termo

diagnóstico

está

em

que o

seu

uso

na

medicina

implica

também,

de

certa

maneira,

a

ideia

do

momento

em que

ele

se

faz

e

os

efeitos que

se pretendem.

Se não

dúvida

de

que

um diagnóstico

pode

e deve

ser revisto

a todo

o tempo,

a

verdade

é

que

se

liga

a

 

esse

termo

a noção

dum

tempo

limitado

para

uma

acção

 

benéfica

a exercer

com

brevi-

dade

e

essas

caracteristicas

correspondem

inteiramente

às

que

também

se

procuram

 

com

o

diagnóstico

utilizado

no

traba-

lho social.

.

 
 

2.0-

Testemunhas.-Sempre

 

que

se

não

trate de documen-

tos, as informações

colhidas

no

trabalho

social

são

obtidas

por

meio de testemunhas.

Estas não são verdadeiramente

observadores

experimentados,

devendo-nos

lembrar

de

 

que

o termo observador

é

usado

nas

ciências

naturais

e

o

de

testemunha

pertence

à

linguagem

dos Tribunais.

O observador

 

é um indivíduo

que teve

preparação

para

observar

os

factos no sentido

de contribuir

para

a

negação

ou

confirmação

duma

hipótese;

a testemunha

conta

o

que

viu

ou

ouviu

incidentalmente

na

sua vida diária.

O obser-

vador

segue

um

método

estabelecido

experimentalmente

e

duma

maneíra

impessoal,

qualquer

método,

mas

as

ao

passo

que

suas

tendêncías

a testemunha

segue pessoais e é exacta,

não

inatas de observação

mais ou menos,

conforme

as suas qualidades

e

de

memória.

Raramente

uma

testemunha

revela os predicados

dum observador

feito, no sentido

cientifico (26).

 
 

Os

registos

dos

 

casos

exigem

por

vezes

que

se

aceitem

também

os de referências,

tomando

esta palavra como exprimindo

aqueles

que invocam

o

testemunho

de

 

outras

pessoas.

O

fraco

significado

deste

termo

corresponde

ao

pouco

valor

das

provas

de

confiança,

quase

equivalendo

aos

..

fiadores ..

das primeiras

leis

judiciais

inglesas

quando

quase

apenas

a prova

admitida

era

a

das

testemunhas,

que juravam

pela

culpa

ou

pela

inocência

dos

réus.

As

trabalhadoras

sociais

ficam

algumas

vezes satisfeitas

com

testemunhos

assim fracos,

tal como

 

com a sobriedade

e

dili-

gências

dum

indivíduo,

como

se

com

essas

referências

se

pudesse

obter

luz

que

guiasse

o caminho

das

dificuldades

reais

 

(26)

Ver o Capítulo

11sobre

Natureza

e utilização

das realidades

sociais.

2.8

j

~

.

,

'"

::

-

...

t- I

)

( "

 

DEFINiÇÕES

 

QUE

INTERESSAM

.À. INVESTIGAÇÃO

 

e

dos

meios de

as extinguir.

 

Por exemplo,

um

padre

que indica

a

necessidade

de

 

certa

família

ser auxiliada

fundado

apenas

na

observação

de

que

conhece

 

o

homem

há tempos e

pode abo-

ná-Ia,

em

vez

de

 

conhecer

 

factos da

vida

dele

que

elucidassem

seguramente

sobre

um

plano

eficaz

de

actuação

a

favor

da

familia.

A primeira

dificuldade

do trabalho

social está sempre

em

conseguir

conhecer

factos

 

suficientemente

abundantes

 

e

apro-

priados.

 
 

3.0-Factos.

 

-

Que

significado

devemos

atribuir

nós

ao

termo facto?

   
 

Não

deve

o significado

 

limitar-se

às coisas,

visíveis ou tan-

gíveis como fez notar James Bradley Thayer (27).Os pensamentos e acontecimentos são também factos.

 

A questão

de

saber

se

uma

coisa

é

ou

não

um facto

está

na

realidade

em apurar

se

pode

ou

Rão

afirmar-se

a certeza

dela.

 

As

trabalhadoras

sociais,

mesmo,

não

podem

considerar-se

ofendidas quando

 

a

si próprias

perguntem

se podem

garantir

as

afirmações

que

fazem.

Quando

apenas

se colheu

uma

ôu

maís

informações,

sem grande

valor é frequente

ver na

ficha

dum

caso

social

a

nota

«Forneci à secção

de inquérito

todos os dados

refe-

rentes

a

este caso»

ou

«Pedir à Comissão

o seu parecer

em face

dos

factos

que

estão

na

sua

 

posse».

Mostram

também

as fichas,

às

vezes,

que

se mandaram

cartas

 

para

outros

Estados da Amé-

rica

 

ou

para

outros

países

solicitando

acção

a . respeito

 

duma

família

e

apresentando

"OS seguintes

factos»,

quando

tais factos

não

passam

de

declarações

 

não

verifica das,

de mistura com opi-

niões

e conjecturas

 

de

quem

 

escreve

a carta,

como

por exemplo

a

que

se

vai

ler:

 

«Uma

instituição

de

serviço

social

dos

casos

individuais

forneceu

a uma

doutro

Estado

a seguinte

resposta:

-

«A

associação

de

beneficência

aqui

de

X,

conhece

a

família

de

y,

desde

Janeiro

de

1910;

consultamos.a

sua

ficha

e

ficamos

cientes

das

duas

referências

apontadas

na

sua

carta.

um

ano

a

Associação

pediu

referências

sobre

 

Y

em

oficinas

e todos

os

patrões

disseram

mal

dele.

Diziam

que

 

era

um

individuo

leviano,

bebendo

muito,

trabalhando

ma],

mentiroso

e

reputado

como

ladrão.

Ouvimos

dizer

que

esse

homem

tem

usado

 

de

vários

nomes,

por

diversas

ocasiões.

Supomos

que

a esposa

dele tem

muito

melhores qualidades

que

o

marido

mas

a tal respeito

apenas

temos infor-

mações

de pessoas

amigas.

 

Os

«factos»

neste

caso

consistiam

em a Associação,

embor9. conhecendo

a família

desde

1910, não

ter conhecido

o seu paradeiro

seguidamente

e apenas

quando

em

duas

ocasiões

se lhe tinha

solicitado

ajuda

para

ela.

Os

patrões

que

diziam

ma] dele

era afinal

um

só patrão

com

quem

ele trabalhara

apenas

um

ano

e

de

quem

se despediu

voluntàriamente.

Esse patrão,

único,

dizia que

ele

era

leviano.

A

infol mação

de

que

bebia

muito proveio

da dona

duma

hospeda-

ria

e

não

dum

patrão

 

e

a

acusação

 

de

roubo

,do irmão

desta, consistindo

esse

roubo

 

no

dum

fato que

ele lhe emprestara

e

que

o homem

usou

quando

deixou

a

casa

destes

parentes,

ficando

a

dever

o

dinheiro

da

hospedagem.

Y tinha

 

("7)

Tratado

preliminar

sobre tis rea/iJades,

p. 191.

29

 

DIAGNÓSTICO

SOCIÀL

 

usado durante

algum

tempo

o

último apelido

de seu padrasto

mas não

se tinha

averiguado

a razão

que ele alegava

para

ter feito isso. Esta última declaração

 

de

resto não passava

duma

simples opinião.'

 
 

A

impressão

geral

deixada

por esta

carla,

embora

aproxi-

mando-se

da

verdade,

é

de

que, visto as informações,

 

cada

uma

por

si, não poderem

ser afirmadas

com certeza,

a insliluição

para

onde

elas foram

 

mandadas

 

não

podia

basear

nelas um plano

 

de

tratamento

que atacasse

a causa

da

perturbação

verificada.

 
 

Cada

conjunto

de conhecimentos

e actividades

organizados

tem

de

caminhar

no

sentido

 

das

circunstâncias

que

interessam

ao

obje!:tivo

em

vista.

Vejamos

um

exenlPlo

de

ordem

geral:

Um

anunciante

 

escrevendo

 

no

Printer's

Ink

diz

que

 

«muitos

anúncios

contêm

trechos

inúteis,

cada

um

dos

quais

representa

um

facto desconhecido

 

por

quem

o

copiou,

suprindo

a

sua

ignorância

com

palavras

escolhidas».

Esta mesma

opinião

pode-

ria

haver

a respeito

de

muitas

fichas

de

casos

sociais

e princi-

palmente

as

elaboradas

 

mais

de

dez

anos.

A

reunião

 

de

dados

em

qualquer

campo

é dificultada em primeiro

 

lugar

por

colheita

defeituosa

 

ou

por

observação

deficiente

da

parte

das

pessoas

que fornecem

elementos;

em segundo

 

lugar,

por

via

da

confusão

entre

os

factos

e

as

deduções

que

deles

tiraram

 

as

testemunhas

ou as próprias

 

trabalhadoras

sociais.

 
 

A confusão entre o facto e as deduções, mesmo quando

os factos

foram exactamente

 

observados,

foi assim exemplificada

pelo

Dr.

S. J. Meltzer:

 

Um

médico

deu

,

por

exemplo,

5 grãos

de

fenacetina

a

um

doente

com

uma

pneumonia,

tendo

1050

F.

de

temperatura

no

7.0

dia

da

doença.

A

temperatura

caiu

e

o

doente

curou-se.

Um

médico

sem senso

crítico poderia

assentar

nas

suas

notas

que

a fenacetina

tinha

curado

o doente.

Isto porém

 

não

era

um facto

mas uma dedução

e.

..

errada;

a cura

proveio

da crise

da doença

que

coincidiu

com

o

uso

da

fenacetina

e, possivelmente,

 

o desaparecimento

 

da

febre

deu-se

por

efeito

da

crise.

O

que

o médico

verificou

foram

 

os

3 factos

seguintes:

 
 

. 1.0"':'0 doente

 

tomou

a fenacetina

que

ele prescreveu;

2.0-a

 

queda

 

da

febre

e

3.0 a

cura

do doente.

A ligação

desses

3 factos.

..

foi um facto diferente

daqueles

a

que

ele tinha

assistido

realmente.

 

Um

político

americano

 

que estava justificando

uma lei com

a

asserção

de

que

ela

assentava

em

factos,

foi criticado

num

artigo

de

fundo

 

do

«New-York

Evening

Post»,

desta

maneira:

 

«Julga-se

por

vezes

que

determinar

os

factos

e actuar

sobre

eles

é

a

coisa

mais

fácil do mundo.

Podem

os princípios

ser nebulosos

e

não

apreender-

mas

quando

se

têm

inúmeros

factos diante

dos olhos como

é

que

mos as ideias, poderemos

nos

enganar?

Todo

aquele

que

se. concentra

 

para

pensar,

sabe

que

julgar

factos

é

uma

das

mais

delicadas

operações

do espírito

humano.

em

primeiro

lugar;

a grande

dificuldade

de apurar

se

os factos

são realmente

os que

osIoutros

 

nos contam.

Depois

surge

o árduo

dever

de evitar o «raciocinio

instin-

tivo»

pelo

qual

o

facto

aparece

à

vista como

os olhos

gostam

de o ver.

E por

30

1

.

J

T

 

DEFINiÇÕES

 

QUE

INTERESSAM

À

INVESTIGAÇÃO

 

fim resta

ainda

decidir

qual

a conclusão

correcta

a

tirar

dos

factos,

desde

que

eles

estejam

claramente

estabelecidos.

Dizer

em defesa

duma

conduta

discutida

«Eu

lidei

com

factos>

não

constitui

defesa

alguma

a

não

ser

que

se

possa

demonstrar

que

se obtiveram

os factos

de

maneira

 

perfeita

e

que

se tratou

com

eles da forma mais própria>

(29).

 

Por

isso

no

limiar das

nossas

considerações

 

sobre

as reali-

dades

sociais

temos

o

dever

de

procurar

garantir

a

segurança

dos factos

respeitantes

à situação

do

necessitado.

 

Uma

realidade

que

mereça

confiança

suficiente

em extensão

e eficácia

é

o

pri-

meiro

requisito

para

conseguir

um diagnóstico

e

o

segundo

terá

de

ser

o

claro

racioc.ínio

aplicado

nas

deduções

 

que

ajudarão

o

nosso intento.

 
 

O

emprego

da

dedução,

ou

seja,

o

acto

de

passar

dum

facto,

crença

ou juizo

sobre qualquer

matéría

que contribua

para

ajuizar

das dificuldades

do necessitado,

para

o julgamento

ulterior

destas,

é

um elemento

importante

para

um diagnóstico

correcto.

Os

riscos

a

que

pode

expor-se

o serviço

 

social dos casos

indivi-

duais

e

a

sua

relação

com

pensamentos

e hipóteses

que

surjam

são discutidos

largamente

num dos próximos

Capítulos

(30).

 

4.o-Realidades.-Confundem-se

muitas vezes as palavras

realidade

e

prova;

a

realidade

é

o

último facto

ou reunião

de

factos

que

formam

a

base

da

dedução;

 

a dedução

é

um

pro-

cesso

de

raciocínio

que

leva

a passar

de factos conhecidos

outros

que

se desconhecem,

ao

passo

que

a prova

para é o resultado

do raciocínio.

 
 

No

diagnóstico

social

as espécies

de realidade

aproveitável,

provindo

em larga

escala

da

intervenção

 

de

testemunhas,

nunca

virão

a

mostrar

um

 

valor

igual

ao dos factos utilizados

nas ciên-

cias

exactas.

O

mais que

nos

é possível

é obter

provas

que equi-

valham

a

uma

certeza

lógica.

O

tratam~nto

social

ainda

falha

mais em

precisão

do

que

o tratamento

das doenças,

do qual

diz

o

DI'. Meltzer

que

cada

um

deles

é uma experiência.

Sucede

isso também

no tratamento

social, porque

 

o trabalho

social ainda

não

conseguiu

reunir

 

mais do

que um número

limitado de expe-

riências,

em parte

porque

o tratamento

social exige,

para

ser bem

sucedido,

uma

compreensão

do

estudo

do

carácter

para

o

qual

ainda

não

existe um conjunto

satisfatório de dados

e, por maioria

de

razões,

 

porque

p~ra

a trabalhadora

social

os factos

de

inte-

resse para

o diagnóstico

e tratamento

são tão numerosos

que difícil

será

determinar

a alteração

proveniente

da deficiência

dum deles.

Pode-se

obstar,

contudo,

em parte, a este inconveniente,

tentando

distinguir

qual

a importância

tipo de realidade

que

se apure

mais característico na investigação.

do

erro

de cada

(29) New- York Evening Postode 19 de Agosto de 1911. (30) Ver o Capo v, sobre Deduções.

31

DIAGNÓSTICO

SOCIAL

  • ,,- TIPOS DE REALIDADES

 

'0

direito

estabelece

certas

distinções

que

nos

prestam

Sér-

viços nesta matéria,

embora

sem lhes atribuir

grande

valor.

 
 

A

realidade

na

lei

é

empregada

 

para

determinar

a

exis-

tência

dum

facto

que

se discute;

no trabalho

social

o problema

é muito

mais complexo.

Contudo,

desde

que

o serviço

social dos

casos

individuais

participa,

como

os tribunais,

dos

riscos

e

van-

tagens que provêm da intervenção de testemunhas, convém

lembrarmo-nos

 

sempre

das

classificações

 

legais

dos

factos

apu-

rados

(31).

 
 

As realidades

admitidas

 

nos tribunais

podem ser divididas

em

objectivas,

testemunhais

e

circunstanciais.

. As

outras

classi-

ficações

existentes

não

são

de

aplicação

geral,

referindo-se

antes

a

perigos

ou

insuficiências

especiais

das

realidades

oferecidas

ao

tribunal

e procurando-se

então

uma

regra

que

possa

ou

não

dar-lhes

garantia.

Aquelas

três espécies diferem segundo

a directriz

das

deduções

 

que

fizermos

a respeito

delas;

assim nas objectivas

não

é preciso

fazer

deduções,

nas testemunhais

é uma afirmação

humana a base da dedução, nas circunstanciais a base da dedu-

ção

poderá

 

ser

qualquer,

mas

nunca

uma

afirmação

humana.

Pode

esta

distinção

parecer

pouco

clara

mas

as explicações

que

se seguem esclarecê-Ia-ão.

 

.

 

1.°-Realidades

objectivas.-Nesta

 

espécie

o

facto

é

apre-

sentado

aos

nossos

sentidos.

O

exemplo

clássico

dela

na

lei é

o

do

alfaiate

e

do

freguês

que

não

estão

de

acordo

sobre

se

o

casaco

está ou

não

bem feito.

 

O

alfaiate

vai para

o tribunal,

o freguês

veste o casaco

 

na

audiência

e

o

juiz

vê,

ele

próprio,

se

o

casaco

lhe serve

ou

não

(32). As

realidades

objectivas

podem

tornar-se

numa

base

de

dedução

 

e

habitualmente

assim sucede.

Vê-se,

por

exemplo,

que

a

pessoa

tem

tal altura,

tal conformação

e

tal

conjunto

 

de

feições.

São

realidades

objectivas

que

se fazem

dessa

maneira

e

das

quais

podemos

logo

deduzir

que

tal

indivíduo

tem

deter-

minada

idade

 

(33).

 

Nos

casos

sociais

as

realidades'

objectivas

são

um

dos

termos

que

se obtêm

logo

na

 

primeira

observação.

A aparência

da casa

dum

 

necessitado

é manifestamente

uma realidade

objec-

tiva

em

relação

às

condições

em

que

ele

vive;

a

comida

que

(31) A autora agradece reconhecidamente ao Prof. J. H. Wigmore, decano da Faculdade de Direito da Universidade do t'\oroeste, pelas stlas suges- .tões e critica a esta parte do Capitulo.

(32)

Tratado preliminar das realidades, de Thayer, p. 263.

(33) Veja-se J. H. Wigmore: Tratado do sistema das realidades nos jul-

gamentos pelas leis comuns-vol.

11,Séc.1150, Boston.-LiUle Brown fJ Coo1~O4.

32

 

DEFINIÇÕES

QUE

INTERESSAM

À

INVESTIGAÇÃO

 

está

na

mesa

é

uma

realidade

 

objectiva

 

de

que

a

família

tem

,

que

comer

e

assim

por

diante.

 

Quando

porém.

a

trabalhadora

 

social,

após

qualquer

verificação

 

a

relata

 

a outrem,

aos

seus

chefes,

por

exemplo,

isto que

para

objectiva

11

é

para

esses

chefes

uma

realidade

ela é uma realidade testemunhal

porque

eles

 

a

recebem

através

do depoimento

 

da trabalhadora.

 

2.o-Realidade

 

testemunhal.-É

 

uma

 

afirmação

duma

pes-

soa.

Há,

para

a trabalhadora

do

serviço-social

dos

casos

indivi-

duais

uma

importante

distinção

a

fazer,

entre

a realidade

teste-

munhal

fornecida

por quem conta

um facto que

viu

ou

ouviu

e

a

daquele

que

apenas

o

afirma

porque

outros

lho

contaram.

Esta

última

realidade

é

a

dos

que

contam

seja

o

que

for por

«ouvirem

dizer»

ou

«diz-se».

Quando

uma

afirmação

 

passa

de

boca

em

boca

é muito

fácil que

tal aconteça,

espalhando-se

um erro.

No

tribunal

 

faz-se

logo

a

pergunta:

 

-

V.

viu

ou

ouviu

o

que se passou?

E se a testemunha

responde:

 

Não;

foi a Sr.a Jones

quem

mo

disse,

o

juiz

ordena

imediatamente:

-

Vão

buscar

a

Sr.a Jones,

para

ela

os juízos

sucessivos

que até se encontrar

nos

o

dizer

viu,

quem

e

assim vão

fazendo

realmente

tenha

visto

directamente.

A

trabalhadora

&ocial e

o historiador

 

não

podem

dispen-

sar

uma

noção

que

venha

do

 

«diz-se»,

como

 

fazem

os tribu-

nais;

mas

devem

ser então

muito

cautelosos

 

e, sempre

que

seja

possível,

fazerem

todas

as

tentativas

para

 

encontrar

quem

real-

mente

tenha

visto

ou

ouvido

directamente.

 

Poucas

coisas

dão

mais

força

ao

diagnóstico

social

 

como

o

hábito

de

descobrir

nas

conversas

com

 

testemunhas

 

o

valor

das

suas

afirmações

e

apreciação

das

observações

ou

dos

boatos

 

que

ouvem.

«Um

acontecimento

é

contado

por

três

cronistas,

diz

Langlois,

mas

estas

três narrações,

 

que

concordam

tão

admiràvelmente,

são

na

realidade

apenas

uma,

se

se

verificar

que

 

dois

deles

copiaram

 

do terceiro

que mesma fonte» (34).

ou

 

os

três

foram

todos

beber

a

uma

única

e

Os

exemplos

 

seguintes

de

 

risco

do

«diz-se»

são tirados

do

estudo

que

fizemos de fichas de casos

sociais:

 

-L

H.

Levin,

das

Caridades

Judias

Federadas

 

de

Baltimore

conta-nos

 

o tratamento

dum caso

em que foi necessário

consultar

 

um negociante

sobre

um

antigo

empregado.

O

negociante

respondeu

que

o

seu

gerente

dizia

que

 

o

homem

era

negligente,

 

lento

e pouco

sério

no

seu

trabalho.

 

Felizmente

foi pro-

curado

o

gerente

e informou

que

a

sua

opinião

se firmava

apenas

em

que

o

homem

vinha

tarde

para

o trabalho

e

saia

o

mais

cedo

que

podia,

acrescen-

tando

que

ele

dizia

fazer

isso

por

ter

de tomar

conta

 

da

sua casa.

A trabalha-

dora

social

verificou

que

a

sua

mulher

 

era

doente,

 

não

podendo

por

isso

cuidar

dos

filhos,

pelo

que

tinha

de

ser

ele

a

servi-Ia

a

ela

e

aos

pequenos.

 

(Nem

o negociante

nem

o

gerente

queriam

faltar

à verdade).

A informação

do

gerente, fundada

nas primeiras

impressões,

mostrava

claramente

o facto

e a dedu-

 

(34) Introdução ao estudo da História, p. 94.

 

I

3

33

 

It

lfI'

~

 

DIAGNÓSTICO

SOCIAL

 

ção

a

tirar

dele,

 

sendo

por

isso fácil ajustá-Ia

à averiguação

 

da realidade

obtida

pela trabalhadora

social.

 
 

-Os

pais