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Revolução Russa (1905), conflito na Rússia entre o governo de Nicolau II e trabalhadores industriais, camponeses e
forças armadas. A instituição de uma pesada tributação trouxe uma revolta crescente entre os pobres e a derrota
russa na Guerra Russo-Japonesa agravou o descontentamento. Em São Petersburgo, foi realizada uma
manifestação pacífica, dispersa a tiros pelas tropas imperiais. O motim eclodiu no episódio do encouraçado
Potemkin, sendo formado em São Petersburgo um conselho soviético de delegados dos trabalhadores. O imperador
rendeu-se às reivindicações por reformas, instituindo a Duma (Assembléia Legislativa). Os social-democratas
continuaram a lutar pela derrubada total do sistema e sofreram dura represália. As liberdades democráticas foram
restringidas e o governo tornou-se mais radical

Revolução Soviética (1917), a queda do governo de Nicolau II na Rússia e sua substituição pelo governo
bolchevique, sob a liderança de Lênin. O processo foi concluído em dois estágios – revolução liberal (menchevique)
em março (fevereiro, antigo calendário), que derrubou o governo imperial, e a revolução socialista (bolchevique) em
novembro (outubro, antigo calendário). Um longo período de repressão e inquietação, em conjunto com a exigência
do povo russo de que o país se retirasse da Primeira Guerra Mundial levou a uma série de violentos confrontos, cujo
objetivo era a derrubada do governo existente. Os revolucionários dividiam-se em membros da inteligentsia liberal,
que tinha como objetivo a criação e uma república democrática ao estilo das Ocidentais, e em socialistas, que
estavam preparados para criar na Rússia um Estado proletário marxista. Na revolução de maço, greves distúrbios em
Petrogrado (São Petersburgo), apoiados por tropas imperiais, levaram à abdicação do imperador e ao fim de mais de
300 anos de governo da família Romanov. Uma comissão da Duma indicou o Governo Provisório, liberal, sob a
liderança do príncipe Lvov, que posteriormente entregou-se ao revolucionário socialista Kerensky, que enfrentou a
oposição dos representantes dos trabalhadores e soldados soviéticos de Petrogrado. A revolução de outubro foi
levada a cabo por um golpe dos bolcheviques, sob a liderança de Lênin. Os conselhos dos trabalhadores (sovietes)
assumiram o controle das principais cidades, além de conseguirem um cessar-fogo em acordo com os alemães. A
constituição soviética foi proclamada em julho de 1918 e Lênin transferiu o governo de Petrogrado para Moscou. A
guerra civil russa continuou por quase três anos, terminando com a supremacia dos bolcheviques e a criação da
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

As Revoluções Russas
Na virada do séc. XX, a Rússia ainda era um estado feudal. O czar Nicolau II governava, assim como fizeram
seus ancestrais, como um monarca autocrático, sustentando-se em uma burocracia ampla e ineficiente. Sua vontade
era imposta pela polícia do estado e pelo exército e seus oficiais controlavam a educação e censuravam a imprensa.
Dissensões eram impiedosamente abafadas. A situação era bastante favorável para uma revolução.
A maioria dos súditos russos era de camponeses pobres, controlados por latifundiários nomeados pelo
governo. Apesar da abolição da servidão (sujeição dos camponeses às classes proprietárias) em 1861, os
camponeses ligavam-se fortemente por um sistema comunal de arrendamento.
Contudo, cada vez mais camponeses migravam para as cidades, pois a Rússia iniciara um rápido processo
de industrialização na primeira década do século XX auxiliado por capital ocidental, especialmente francês. A vida
para cerca de 15 milhões de operários era dura. A moradia e as condições de trabalho nas fábricas eram ruins,
propiciando o aparecimento de partidos radicais e revolucionários. Os dois mais importantes eram o Partido Social
Revolucionário e o Partido Social Democrata. O líder deste último era Vladimir Ilitch Uliavov, mais conhecido como
Lênin.

As raízes da revolução
Em 1904-1905, a Rússia entrou em guerra com o Japão e foi derrotada. Antes disso, a inquietação social já
crescia nas áreas urbana e rural. A derrota para os japoneses precipitou a revolução no Domingo Sangrento (22 de
janeiro de 1905), tropas abriram fogo contra uma manifestação pacífica próxima ao Palácio de Inverno do czar em
São Petersburgo. Cerca de 1.000 pessoas – incluindo mulheres e crianças – morreram. Seguiram-se, então, uma
greve geral, revoltas camponesas nas áreas rurais, tumultos, assassinatos e motins do exército. Em outubro de 1905,
o czar permitiu a eleição de uma Duma, ou Parlamento, o que trouxe os reformadores políticos moderados para o
lado do governo, conseguindo suprimir a revolta.
As primeiras Dumas foram radicais demais na opinião do czar e, em 1907, uma Duma conservadora foi eleita
após mudanças eleitorais. Algumas reformas ocorreram no governo do principal ministro, Peter Arkadievich Stolypin
(1863-1911), que dificultou o poder dos latifundiários e criou uma pequena classe de camponeses proprietários de
terra. Contudo, Stolypin era mal quisto tanto pela esquerda quanto pela direita e terminou sendo assassinado.
A I Guerra Mundial colocou a sociedade russa sob enormes pressões. Após três anos de guerra, o exército
havia sofrido 8 milhões de baixas e mais de um milhão de homens havia desertado. A inflação estava galopante e os
camponeses passaram a não mandar seus produtos para as cidades, o que levou à escassez de alimentos. O
respeito pelo governo imperial – dominado pelo corrupto e libertino monge Grigori Efimovich Rasputin (c. 1872-1916)
– havia desaparecido e a propaganda política revolucionária espalhou-se entre soldados e trabalhadores.
A 8 de março de 1917, a Revolução estourou em Petrogrado (São Petersburgo até 1914). Sovietes
(conselhos) de soldados, trabalhadores e camponeses foram formados por toda a Rússia. A 15 de março, o czar
abdicou e se estabeleceu um governo provisório moderado. No verão de 1917, Aleksander Fiodorovich Kerensky
(1881-1970) tornou-se principal ministro, mas o poderoso Soviete de Petrogrado era controlado pelos bolcheviques
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de Lênin. A 7 e 8 de novembro (25 e 26 de outubro no calendário russo), Kerensky foi expulso em um golpe liderado
por Lênin.

Lênin e os bolcheviques
Lênin estudara as idéias de Karl Marx e tentava substituir o capitalismo por um Estado operário comunista.
Decidiu que o povo russo precisava da liderança de uma elite educada e dedicada. Seus adversários do Partido
Social Democrata, que queriam um partido para as massas, foram chamados de mencheviques (ou a minoria),
embora na verdade os seguidores de Lênin, os bolcheviques (ou a maioria), formassem o menor grupo.
Quando a revolução de março começou, Lênin estava exilado na Suíça, mas, em abril de 1917, os alemães
auxiliaram sua volta à Rússia em um trem lacrado. Passou a planejar a queda do governo provisório, que decidira
continuar a guerra contra a Alemanha e estava sendo lento na introdução da reforma agrária. A promessa de Lênin
de "pão, paz e terra" conquistou muitos para a causa bolchevique. Depois de tomar o poder em novembro de 1917,
Lênin passou a atacar grupos socialistas rivais usando a Tcheka (polícia secreta) como arma e executou o czar
deposto e sua família.
Os bolcheviques foram forçados a aceitar uma dura paz com os alemães em Brest-Litovsk em março de
1918, mas isso os permitiu concentrar esforços na guerra civil que começara na Rússia. Os "Vermelhos" opunham-se
aos "Brancos" - uma coalizão de democratas, socialistas e reacionários unidos só pela oposição a Lênin – e aos
exércitos enviados pela Grã-Bretanha, França, Japão e Estados Unidos.
Contudo, as diversas facções brancas não conseguiam coordenar sua estratégia e foram paulatinamente
derrotadas pelo Exército Vermelho criado por Leon Trotski (1879-1940). Em meados dos anos 20, ficou claro que os
bolcheviques haviam triunfado. A Rússia foi, então, atacada pela Polônia, que tinha o objetivo de tomar territórios da
parte ocidental. O Exército Vermelho resistiu e conseguiu avançar até Varsóvia antes de sofrer uma derrota no Rio
Vístula. Durante a guerra civil, o Exército Vermelho reconquistou também várias áreas não-russas do ex-império
czarista que haviam formado suas próprias repúblicas em 1918. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi
formalmente criada em 1922.

Problemas econômicos e a NPE


Em novembro de 1917, o novo governo bolchevique enfrentou muitos problemas econômicos. O governo
dividiu os antigos estados dando terra aos camponeses, o que conquistou considerável apoio. Em junho de 1918,
Lênin foi forçado a introduzir o "Comunismo de Guerra", através do qual houve uma nacionalização generalizada e
controle estatal da agricultura. Isso levou ao colapso da produção industrial e grave escassez de alimentos. Em
março de 1921, após um sério motim naval em Kronstadt, a Nova Política Econômica (NPE) foi introduzida. Devolveu
pequenos negócios à propriedade privada e permitiu a fazendeiros vender suas colheitas, o que criou uma classe de
kulaks (ricos camponeses fazendeiros), pois antes o excedente era simplesmente entregue ao Estado. A NPE
melhorou tanto a produção industrial quanto a agrícola.
A morte de Lênin em 1924 iniciou uma batalha pelo poder entre seus sucessores. Em 1929, Joseph Stalin
emergia vitorioso, permanecendo líder absoluto até sua morte, em 1953. Seu maior rival, Trotski, defendera a
expansão da revolução por toda a Europa. Em meados dos anos 20, Trotski saíra do poder, sendo exilado no
México, onde foi morto em 1940 por um comunista espanhol, talvez a mando de Stalin.
A política de Stalin de "socialismo em um país" era obviamente mais realista, dada a fragilidade da URSS.
Stalin pretendia alcançar o nível das potências ocidentais através de um programa intensivo de industrialização e
coletivização agrícola. Essa política traria sofrimentos indescritíveis para o povo soviético.
Em 1928, Stalin ordenou que as terras fossem tomadas de seus proprietários camponeses e transformadas
em fazendas coletivas tidas como mais eficientes e igualitárias. Nesse processo, a classe kulak foi destruída, com
cerca de 10 milhões de mortes em 10 anos. A destruição causada pelo programa de coletivização levou à fome.
O primeiro dos Planos Qüinqüenais para a melhoria da indústria pesada soviética também começou em
1928. Geralmente, os alvos eram ambiciosos demais; contudo, a indústria soviética começou a alcançar o Ocidente.
Como nos dias pré-revolucionários, um crescimento industrial tão rápido causou muitas dificuldades. O padrão de
vida caiu e a força de trabalho industrial dobrou para 6 milhões; os oficiais soviéticos não hesitavam em punir a sub-
produção com o aprisionamento em campos de trabalho.

A URSS e a Europa
Embora os governos europeus temessem que a URSS espalhasse a revolução por seus países, os
soviéticos desempenharam um papel relativamente pequeno nos assuntos europeus neste período. O Tratado de
Rapallo de 1922 uniu a URSS à Alemanha, mas, com a ascensão de Hitler, os soviéticos começaram uma dura guer-
ra de propaganda política contra os nazistas.
A partir de 1934, Stalin se aproximou da Grã-Bretanha e da França. Contudo, desiludido pelas políticas de
apaziguamento e preocupado com a perspectiva de isolamento soviético, Stalin assinou um pacto de não-agressão
com Hitler em 1939, concordando em dividir a Polônia entre os dois países. Isso trouxe aos soviéticos certo alívio, o
qual, entretanto, duraria apenas até junho de 1941, quando Hitler invadiu a URSS.

O mundo entre guerras


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A ascensão do Comunismo ao Poder

Os antecedentes da Revolução Russa


A Rússia foi, durante o transcorrer do Século XIX, uma grande potência na Europa, tendo tomado parte ativa
em todos os eventos internacionais, desde as guerras napoleônicas até as disputas colonialistas e imperialistas.
Em pleno Século XX, não havia os mais rudimentares princípios de liberdade e participação do povo da
Rússia. O imenso país era governado pela dinastia Romanov, autocrática e absolutista. Vários povos compunham a
Rússia, que se estendia desde a Europa até os confins da Ásia. Todos os países europeus já haviam se liberalizado,
e os privilégios feudais eram coisas do passado. Na Rússia, era o presente.
Nicolau II governava a Rússia como havia aprendido com seus antepassados absolutistas. Nenhuma
participação era concedida ao povo. O Czar era apenas o escudo protetor da nobreza proprietária de terras e deten-
tora de privilégios. Cercado de uma corte corrupta e bajuladora, afogava qualquer tentativa de mudança na estrutura.

Os Liberais tentam democratizar o governo


As idéias liberais tinham chegado aos russos desde o alvorecer da Revolução Francesa, mas circulavam
apenas em grupos fechados dos intelectuais.
Com a derrota na Guerra Russo-Japonesa, os liberais tentaram uma revolução contra o Czar em 1905.
Dessa tentativa saíram muitos exilados para os campos da Sibéria. O Czar concordou em abolir alguns privilégios e
permitiu a convocação da Duma, ou Parlamento. Na verdade, os deputados não passavam de fantoches, e o poder
de Nicolau II continuava tão vigoroso e despótico como antes. A oposição era liquidada periodicamente, evitando-se
assim que alguém intentasse contra a vontade de Nicolau.
Apesar da restrita liberdade política, os partidos tomavam corpo na Rússia. Esses objetivos eram
sustentados pelos partidos políticos. Os Cadetes eram democratas constitucionais que achavam que o regime ideal
era o capitalismo, conservando o Czar sob uma monarquia constitucional, sob modelo inglês. Defendiam a
manutenção da propriedade privada e da liberdade econômica e eram compostos pela burguesia e pelos nobres
mais esclarecidos.
Os Sociais-Revolucionários, partidários do coletivismo e da socialização dos meios de produção, defendiam o
interesse dos camponeses. Os Sociais-Democratas eram radicais, defendendo não só a total proletarização da
sociedade como a extinção da propriedade privada. Esse partido separou-se diante de uma divergência na
orientação.
A maioria dissidente dos Sociais-Democratas formou os bolchevistas, que seguiam as pegadas de Lênin,
estudioso das idéias de Marx, defensor de algumas idéias divergentes do marxismo ortodoxo, mantendo, porém, os
seus princípios básicos. Propunha a socialização dos meios de produção, tomada do poder pela força, implantação
de um governo proletário. Foi preso e viveu exilado na Europa.

Os últimos dias da monarquia


O descontentamento da burguesia pela não participação no poder fazia coro com os camponeses que
lutavam contra os remanescentes da servidão. O operariado era pouco numeroso, mas organizado em sindicatos.
Nicolau II era manobrado pela sua mulher Alexandra que, por sua vez, era dominada pelo "monge" Rasputin,
um fanfarrão que se intitulava "santo" e único capaz de salvar o herdeiro imperial de sua hemofilia.
Apesar do caos, o Czar continuava vivendo no mundo das aventuras políticas, alimentando esperanças de
estender os domínios russos às custas do decadente império Turco, anexando os Bálcãs e se possível o estreito de
Bósforo. Mantendo acesa a chama do pan-eslavismo, acabou por atrelar a Rússia ao carro da Tríplice Entente.
Em 1914, estourou a guerra. A Rússia interveio. Sem estradas e comunicações, com um exército obsoleto e
sem moral, foi batida pelos alemães com certa facilidade. O clamor pela paz se fazia ouvir das trincheiras, onde os
soldados morriam de fome e de frio. Muitos voltavam para casa, abandonando o fronte, outros agitavam as cidades,
exigindo a paz, o pão e as reformas.

As perspectivas da Rússia Revolucionária


As privações da guerra... As derrotas do exército e a inadequação das estruturas ao novo momento histórico
levantaram os descontentes contra o Czar. Este ordenou o esmagamento de qualquer manifestação e mandou fechar
a Duma. Um levante dos operários de Petrogrado tomou forma revolucionária, saiu às ruas e enfrentou as forças do
Czar, tendo instituído o Conselho dos Trabalhadores e Soldados, ou Soviet. A dissolvida Duma uniu-se ao Soviet e
ambos lutaram pela queda de Nicolau II. Lênin, Trotski e os "soviets" tentavam o comunismo. Muliukov propunha o
liberalismo.
Derrubado o imperador, o governo foi entregue ao cadete Lvov e ao social-revolucionário Kerensky, que se
instalaram no poder.
O Czar quis salvar a monarquia, abdicando em favor do seu irmão. Contudo, o Governo Provisório não o
reconheceu, e decidiu as primeiras medidas governamentais. Lvov pretendia instalar um governo liberal e prosseguir
a guerra. Os Aliados reconheceram Lvov. O Soviet de Petrogrado não concordava. Discutia-se o objetivo da guerra.
Para os soviets era uma disputa de poderosos, onde o povo nada tinha a ganhar senão a morte. Nesse ínterim,
Lênin, voltando do exílio, favorecido pelos alemães que queriam aumentar a confusão na Rússia, assumiu a
liderança do Soviet.
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Os bolchevistas tomam o poder


O Soviet iniciou uma campanha nacional para por fim à I Grande Guerra, que lhe parecia genocida e inútil.
Propunha a imediata nacionalização de todas as propriedades e a coletivização de toda a Rússia. Os levantes
começaram a ser freqüentes nas cidades. O Soviet recomendava aos soldados que voltassem para casa. Lênin
pregava o programa "Paz, Terra e Pão". O governo não resistiu e caiu.
Só ficou Kerensky, que assumiu poderes ditatoriais, mas manteve a Rússia na guerra. Seu governo resistiu
de julho a novembro de 1917. Lênin continuava recrutando adeptos em Soviets. Trotski organizava a Guarda
Vermelha e afogava um levante monarquista do general Kornilov.
Em novembro, os bolchevistas deram um golpe e tomaram o poder. Kerensky fugiu. Reuniu-se um
Congresso de Soviets e Lênin foi escolhido chefe do Comissariado do Povo que tinha como finalidade dirigir o país.
Lênin tratou de se solidificar no poder, impondo paz imediata, suspensão das agitações internas e confisco
de todas as grandes propriedades em proveito dos comitês agrários cantonais. Lênin conseguiu evitar as eleições até
que os bolchevistas tivessem conquistado por si a maioria do povo.
Toda a papelada secreta do Czar veio à tona: tratados secretos, compromissos escusos e interesses na
guerra. Lênin tentou obter a paz a todo custo, desmobilizando o exército e negociando com as Potências Centrais.

A Rússia deixa a Grande Guerra


Foi imposto à Rússia um tratado humilhante. Através do Tratado de Brest-Litowsky, assinado por Trotski em
1918, os russos abriam mão da Lituânia, Estônia, Letônia, parte da Polônia, Finlândia, possessões turcas e uma
indenização de 6 bilhões de marcos-ouro. As mercadorias alemãs teriam liberdade de venda na Rússia.
As tentativas contra-revolucionárias avolumavam-se. Os realistas foram apoiados pelos Aliados que
bloqueavam a Rússia pelo mar. Os alemães pressionavam as fronteiras ocidentais. A França tomou Odessa; a
Inglaterra, Baku; o Japão, a Sibéria Oriental; os EUA ajudaram a tomar Wladivostok. Os brancos, liderados por
Kornilov, cercavam os bolchevistas em Petrogrado e Moscou.
A ofensiva vermelha reiniciou-se. Trotski liderava a Guarda Vermelha. A Tcheca, polícia secreta, foi
organizada, começando a liquidar os líderes contrários ao regime e implantando um verdadeiro terror.
O governo organizava a Federação das Repúblicas Socialistas Soviéticas Russas, tentando estabelecer um
comportamento econômico baseado no "comunismo puro". Entre elas:
a) Todas as terras foram nacionalizadas;
b) Os artigos de primeira necessidade foram racionados;
c) Confiscar as propriedades da Igreja Ortodoxa;
d) Queda da circulação da moeda:
e) Proibição de lucro.

Uma nova Política Econômica


Sobreveio o caos econômico. Muitos preferiram a volta ao passado. Lênin resolveu mudar. A partir de 1921,
concluiu que a passagem do capitalismo para o comunismo deveria ser gradual e que algumas práticas capitalistas
deveriam ser toleradas. Estabeleceu a Nova Política Econômica (N.E.P.), que se caracterizou como "um passo atrás
para dar dois à frente". As novas disposições consistiam:

a) Comércio de pequenos produtos;


b) Racionalização nas grandes indústrias;
c) Pagamento pelas colheitas;
d) Mais produtos livres de racionamento;
e) Introdução de um sistema bancário.

A Rússia dos czares


O regime czarista semeou grandes conflitos numa Rússia a um só tempo camponesa e industrial.

O fim da servidão na Rússia imperial


Desde o século XVI até a revolução de 1917, a Rússia foi uma monarquia absolutista. O rei, chamado de
czar, tinha em suas mãos todos os poderes e o apoio da Igreja Ortodoxa Russa e da nobreza proprietária de terras.
Bastava a palavra do czar para modificar as leis e as instituições.
A partir da metade do século XIX, o czar Alexandre II deu início a um programa de reformas, procurando
transformar a Rússia numa nação moderna e industrial. Por exemplo, devido aos investimentos no exército e às
pretensões expansionistas da Rússia, os servos foram elevados à categoria de cidadãos.
Apesar do fim da servidão, os camponeses receberam apenas uma pequena parcela da terra que
pretendiam. A reação imediata dos servos emancipados foi a realização de revoltas em todo o país. Revoltas que
foram rápida e brutalmente reprimidas pelas tropas do czar.
No início do século XX, os camponeses da Rússia tinham que conviver com pequenos lotes de terra, técnicas
arcaicas, baixíssimos rendimentos, doenças, fome e analfabetismo. Além dos pequenos e médios proprietários, havia
uma massa de camponeses sem terra, que trabalhavam nas grandes propriedades da nobreza e da Igreja Ortodoxa
Russa.
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Um país de contrastes
Simultaneamente a Rússia viveu um acelerado processo de industrialização e desenvolvimento urbano, com
investimentos estrangeiros e a fundação de bancos. Estradas de ferro foram construídas e desenvolveu-se a
extração de carvão mineral e a produção de aço e petróleo.
Porém, cerca de 80% da população vivia no campo, em condições miseráveis. No início do século XX, a
Rússia era um país de contrastes, onde o que havia de mais moderno em termos industriais convivia com uma
sociedade predominantemente agrária que mantinha características que lembravam o feudalismo.

O proletariado industrial
No início do século XX, as cidades de São Petersburgo e Moscou eram as mais industrializadas da Rússia.
Nas fábricas, os operários eram submetidos a jornadas de trabalho de até 16 horas diárias, baixos salários e riscos
de acidentes. A extrema exploração do proletariado industrial provocou greves, ampliou a atuação dos sindicatos e
facilitou a influência das idéias socialistas de Karl Marx e Friedrich Engels.

O Domingo Sangrento e a revolução de 1905


A política expansionista do czar Nicolau II levou a Rússia, em 1904, à guerra contra o Japão pelo controle da
Manchúria, no nordeste da China. Com a derrota do exército russo, as tensões sociais aumentaram. Num domingo
de janeiro de 1905, operários em greve e suas famílias dirigiram-se ao palácio do czar, em São Petersburgo, com um
abaixo-assinado reivindicando direito de greve, melhores condições de vida e a convocação de uma Assembléia
Constituinte. A manifestação foi fortemente reprimida pela guarda imperial, resultando na morte de centenas de
manifestantes. Esse dia ficou conhecido como Domingo Sangrento, considerado um ensaio geral para a revolução de
1917.
O acontecimento gerou uma onda de protestos e greves por toda a Rússia. A principal reação à repressão de
1905 foi a formação dos sovietes, conselhos de representantes eleitos pelos operários, camponeses e soldados.

A Rússia na Primeira Guerra Mundial


O objetivo principal do czar ao lançar a Rússia na Primeira Guerra era dominar o acesso do Mar Negro ao
Mar Mediterrâneo e afastar a influência do Império Austro-Húngaro na Península Balcânica. No entanto, a Rússia
estava despreparada para enfrentar o exército alemão: muitos dos soldados russos eram camponeses recrutados às
pressas, as armas eram ultrapassadas e insuficientes, a produção industrial e o sistema de transportes não davam
conta das necessidades colocadas pela guerra.
Para a Rússia, a guerra trouxe conseqüências sérias: crescimento das rebeliões populares e das greves
operárias, inflação desenfreada, redução da produção agrícola, causando fome, e revoltas de soldados que
combatiam na frente de batalha.

A revolução socialista na Rússia


A revolução na Rússia pôs fim ao governo do czar e levou à criação da União Soviética, em 1922, instalando o
primeiro regime socialista da história.

Bolcheviques e mencheviques na Rússia pré-revolucionária


A crise social e política da Rússia no início do século XX levou o principal partido de oposição ao czar, o
Partido Social-Democrata Russo, a se dividir em dois grupos. Os bolcheviques (maioria), liderados por VIadimir Lênin
e inspirados nas idéias de Marx e Engels, acreditavam na aliança entre os camponeses e o proletariado para
derrubar o czarismo e implantar o socialismo. Os mencheviques (minoria) buscavam uma passagem gradual para o
socialismo por meio de uma aliança dos operários e camponeses com a burguesia. Os mencheviques eram liderados
por Plekhanov e Martov.
O rompimento definitivo entre os dois grupos ocorreu em 1912. Os bolcheviques formaram um novo partido e
passaram a defender abertamente as idéias revolucionárias de Marx e Engels e a queda do czarismo, além de
denunciar, após 1914, a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial. A luta incessante dos bolcheviques
contra o regime imperial levou muitos de seus líderes para a prisão ou para o exílio em países da Europa.

A Revolução de Fevereiro
No mês de fevereiro de 1917, rebeliões populares, greves gerais, revoltas armadas de soldados contra seus
comandantes, uma grave crise de abastecimento e a formação de sovietes no campo e na cidade criaram uma
situação revolucionária na Rússia.
A grande liderança que surgiu nesse processo foi o soviete da cidade de Petrogrado, controlado pelos
mencheviques e socialistas revolucionários, um partido reformista que tinha muita influência no meio camponês.
Nessa época, a maior parte da liderança bolchevique estava presa ou exilada.
O soviete de Petrogrado pressionou a Duma (Parlamento russo) para nomear um novo governo. Formou-se
assim um governo de coalizão, que aglutinava mencheviques e vários partidos reunidos em torno de um programa
liberal. Diante dos acontecimentos, o czar foi obrigado a renunciar.
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A monarquia czarista foi substituída por uma República liberal, dirigida pelo menchevique Kerensky, que
proclamou as liberdades fundamentais e anistiou os presos políticos. Durante o governo provisório, a crise
econômica foi se agravando com o fechamento de indústrias e o aumento generalizado de preços.
A insistência em manter a Rússia na Primeira Guerra gerou violenta oposição, liderada pelo Partido
Bolchevique. Soldados e camponeses reivindicavam paz, terra e pão. A crise social e política anunciava a eclosão de
um novo processo revolucionário.

A Revolução de Outubro
Ao regressar de seu exílio na Suíça, Lênin se tornou o líder dos bolcheviques. O programa bolchevique
priorizava a distribuição de terras aos camponeses, a direção das fábricas pelos comitês operários, a autonomia para
as nacionalidades oprimidas pelo Império Russo, a saída imediata da Rússia da guerra e a entrega do poder aos
sovietes.
Em outubro de 1917 (novembro no calendário ocidental), os bolcheviques tomaram o Palácio de Inverno,
depuseram o governo de Kerensky e convocaram o II Congresso dos Sovietes. Os sovietes, sob a liderança de Lênin
e Trotsky, assumiram o poder. O Partido Bolchevique foi transformado em Partido Comunista e importantes medidas
revolucionárias foram decretadas:
a) Ainda em 1917, a Rússia retirou-se da Primeira Guerra Mundial. Em março do ano seguinte, o novo governo
assinou com a Alemanha o Tratado de Brest-Litovsk, pelo qual a Rússia perdia a Polônia, a Bessarábia e os
territórios bálticos (Letônia, Estônia, Lituânia e Finlândia).
b) Estradas de ferro e bancos foram nacionalizados, terras foram divididas e distribuídas entre os camponeses e a
produção nas indústrias passou a ser controlada pelos operários. Os bolcheviques também declararam o direito de
autodeterminação das nacionalidades que formavam o antigo Império Russo. As medidas revolucionárias do novo
governo feriram os interesses da burguesia e das grandes empresas estrangeiras que atuavam no país.
c) Foi criado o Exército Vermelho, comandado por Leon Trotsky e encarregado de combater os inimigos da revolução
(oficiais czaristas, aristocratas, burgueses, apoiados por forças francesas, norte-americanas, japonesas e inglesas),
que formaram os exércitos brancos.
Entretanto, as dificuldades geradas pela guerra contra os adversários da revolução e os rumos tomados pelo
Partido Bolchevique, entre outros fatores, em pouco tempo conduziriam a Rússia para um novo totalitarismo.

A guerra civil e o comunismo de guerra


Em 1918 começou uma guerra civil contra a Revolução Bolchevique. Do lado contra-revolucionário estava o
Exército Branco, representante da burguesia, da aristocracia e dos mencheviques, apoiado por países estrangeiros,
principalmente Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Japão. Também os anarquistas lutavam contra os bol-
cheviques e defendiam mais liberdades e o fim da centralização política do novo regime. Do lado oposto, estava o
Exército Vermelho, dos bolcheviques, comandado por Trotsky.
Em agosto de 1918, a situação dos bolcheviques era desesperadora. De um lado, as forças estrangeiras
atacavam a Rússia em várias frentes; de outro, os camponeses médios e ricos descontentes com o novo regime, se
recusavam a abastecer as cidades. A fome rondava o país.
Diante da guerra civil e das dificuldades que ela gerava, Lênin estabeleceu o comunismo de guerra.
Estabeleceu-se o confisco das colheitas no campo para abastecer os soldados e a população urbana; suspendeu-se
a liberdade de imprensa, de greve e de associação;os partidos menchevique e socialista revolucionário foram proibi-
dos; o czar e sua família, que estavam presos, foram executados, mediante a justificativa de que a família real
poderia fortalecer a luta contra-revolucionária.
A guerra terminou em 1921 com a vitória do Exército Vermelho e a sobrevivência do Estado socialista. A
Rússia soviética, porém, estava arruinada. Os canais de abastecimento das cidades e do campo haviam
desaparecido, as minas estavam abandonadas e os transportes desmantelados.

A Nova Política Econômica


Para recuperar a economia russa, o X Congresso do Partido Comunista da Rússia aprovou, em 1921, a Nova
Política Econômica, conhecida como NEP. As medidas fundamentais da NEP foram a formação de cooperativas
nacionais, a autorização para pequenas e médias empresas privadas funcionarem e a permissão para os campone-
ses venderem seus produtos no mercado livre. As grandes indústrias, o sistema financeiro, os transportes e as
comunicações continuaram controlados pelo Estado.
O objetivo não era restaurar o capitalismo na Rússia, mas tomar providências urgentes que evitassem a
falência total da economia russa e salvassem o regime socialista recém-estabelecido.

A ditadura de Stalin
Com a morte de Lênin, em 1924, iniciou-se uma disputa política entre dois dirigentes do Partido Comunista,
Trotsky e Stalin. Stalin venceu e governou a União Soviética, como um ditador, até a sua morte, em 1953. As
liberdades individuais foram suprimidas e os adversários do regime, inclusive líderes da revolução, acabaram presos
ou assassinados.
O isolamento da União Soviética obrigou o governo a financiar o desenvolvimento econômico do país. O
Estado promoveu o desenvolvimento da indústria de base, investiu na educação e na qualificação da mão-de-obra e
formou cooperativas agrícolas, os kolkhozes e sovkhozes, para ampliar a produção no campo.
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Czar
Nome pelo qual ficaram conhecidos os imperadores que governaram a Rússia até o início do século XX. A expressão
tem origem no nome César, o famoso governante romano. Originalmente os russos usavam a expressão tzar, porque
o fonema "cz" não existe na sua língua. Porém, devido à influência ocidental, a expressão se reaproximou de sua
origem latina.

Servidão
Situação social que se caracteriza pelo direito que uma pessoa tem de servir-se do trabalho da outra, obrigando-a a
prestar-lhe todo tipo de serviço.

Proletariado
No sentido comumente empregado, refere-se à classe dos trabalhadores industriais, que vende sua força de trabalho
para poder sobreviver.

Karl Marx e Friedrich Engels


O alemão Karl Marx (18181883) foi um dos mais importantes pensadores do século XIX, autor de inúmeros textos
econômicos, históricos e políticos. Junto com outro alemão, Friedrich Engels (1820-1895), escreveu o Manifesto
comunista (1848). A obra é considerada fundadora do socialismo científico, uma teoria centrada no estudo das
contradições da sociedade capitalista e na possibilidade de sua superação pela luta organizada do proletariado. A
teoria de Marx apresenta, assim, um projeto revolucionário, socialista, que atribuía aos trabalhadores a liderança nas
transformações sociais que acabariam com o capitalismo e com o poder burguês, instaurando uma sociedade sem
classes.

O calendário russo
Antes da revolução, a Rússia adotava o calendário juliano, que tinha uma diferença de cerca de quinze dias em
relação ao calendário do Ocidente. O calendário ocidental (gregoriano) só foi implantado na Rússia depois de 1917,
por decisão do governo bolchevique. No calendário juliano, a revolução aconteceu em outubro; no gregoriano, em
novembro.

Petrogrado
Nome que recebeu a cidade de São Petersburgo em 1914. Com a morte de lênin, em 1924, a cidade passou a se
chamar leningrado. Recentemente, a cidade voltou a se chamar São petersburgo.

Palácio de Inverno
Localizado em São Petersburgo, era a residência oficial dos czares. Depois da Revolução de Fevereiro transformou-
se na sede do governo provisório. Hoje o antigo palácio abriga o Museu Hermitage, que reúne a maior coleção de
peças do mundo.

Os camponeses e a propriedade rural


Na Rússia havia tradicionalmente três tipos de camponeses: os camponeses ricos (kulaks) detinham as melhores
terras e empregavam camponeses menos favorecidos. Os camponeses médios (seredniaks) em geral trabalhavam a
terra com a família. Os camponeses pobres (bedniaks), com uma produção sempre baixa, muitas vezes se viam
obrigados a trabalhar em outras propriedades.
Com a reforma agrária realizada pelos bolcheviques, a terra expropriada dos latifundiários foi distribuída entre os
camponeses, favorecendo principalmente os kulaks e os seredniaks. Ao redistribuir as terras, os bolcheviques
fortaleceram o vínculo dos camponeses com a propriedade, dificultando o projeto socialista de abolir a propriedade
privada. Tanto que durante a guerra civil, o boicote no abastecimento promovido pelos camponeses médios e ricos
levou o governo a se apoiar no campesinato pobre para conseguir confiscar os produtos agrícolas.

União Soviética
A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a URSS, foi formada em 1922, integrando as antigas regiões que
constituíam o Império Czarista.

A Revolução Russa (1917)


Em fins do século XIX e começo do século XX, a Rússia era ainda absolutista e feudal.
A partir de 1904 e 1905, com a derrota para o Japão, inicia-se uma série de revoltas, que culminaram na
grande Revolução de 1917.

Fases da Revolução
1ª Fase – Revolução Branca (de maço a novembro de 1917). Teve como característica a derrubada o czar Nicolau II
e a ascensão de Kerensky;
2ª Fase – Revolução Vermelha (novembro de 1917 a 1918). Caracterizada pela subida dos bolcheviques ao poder;
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3ª Fase – Guerra Civil (de 1917 a 1918)


Forças ligadas ao absolutismo entram em choque com o governo bolchevique.

A Reconstrução do País
O descontentamento popular a crise econômica levaram o governo a optar pelo NPE (Nova Política
Econômica), pela qual foram permitidas algumas práticas capitalistas.
Lênin criou também a União Soviética ou URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), reunindo a
Rússia e seus antigos domínios em países igualitários.
Após a morte de Lênin, em 1924, houve uma disputa pelo poder entre Stalin e Trotski, saindo Stalin vitorioso
dessa disputa.
Stalin substituiu o NEP pelos Planos Qüinqüenais, fixando como prioridade o desenvolvimento da indústria
pesada.
No campo realizou-se a coletivização da terra, organizando dois tipos de unidades agrárias:

a) Kolkhozes – nos quais os camponeses tinham uma certa autonomia para produzir;
b) Sovkhozes – fazendas estatais em que os camponeses trabalhavam como assalariados.

A URSS
Teve origem após a consolidação da Revolução quando várias regiões e províncias se reuniram com a
Rússia e formaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que contaria no total com 15 repúblicas.
Foi dada autonomia a cada república constituinte da nova nação, repúblicas estas que compunha o Império
Czarista. Inicialmente, a denominação dada ao novo país foi República Socialista Federativa Soviética Russa, que
passou a adotar a sigla URSS por ocasião do X Congresso Pan-Russo dos Sovietes em 1922.

As Repúblicas da URSS
Integravam a URSS, separadas por regiões histórico-geográficas, as seguintes repúblicas:
1) Estendendo-se pela Eurásia: a Rússia, compreendendo a Rússia propriamente dita (Rússia Européia) e a
Rússia Asiática (Sibéria, principalmente);
2) A oeste e sudeste da Rússia: a Bielorússia, a Ucrânia e a Moldóvia;
3) No mar Báltico: a Estônia. A Letônia e a Lituânia;
4) Na Transcaucásia: a Geórgia, a Armênia e o Azerbaijão;
5) Na Ásia Central: o Cazaquistão, o Uzbequistão, a Turcomênia, o Tadjiquistão e Quirguízia.
Destas, com adesão da Geórgia, apenas as Repúblicas Bálticas não fazem parte a CEI (Comunidade dos
Estados Independentes).

Justiça russa decide que czar foi vítima da repressão soviética (01/10/2008) – Christian Lowe
MOSCOU (Reuters) - A Suprema Corte da Rússia determinou na quarta-feira que o czar Nicolau II seja reconhecido
como vítima da repressão soviética, conferindo assim uma vitória simbólica aos monarquistas segundo os quais a
sentença ajudaria a separar o joio do trigo quanto ao sangrento passado daquele país. Saiba mais obre o assunto
lendo a notícia completa.

O assassinato dos Romanov


O fim da dinastia Romanov é um daqueles episódios da história russa que, de tanto ser encobertos pela revolução
bolchevique, em outubro de 1917, inspirou as mais fantasiosas versões. Depois de meses isolados em uma casa de
campo, o último czar, Nicolau II, e sua família foram fuzilados em julho de 1918, na cidade de Ekaterinburg, mais
tarde chamada Sverlovsk.

1° Artigo – Voltaire Schilling – Fonte EducaTerra


Em menos de um ano a dinastia Romanov, que governava há três séculos o Império Russo, foi posta abaixo e seus
os derradeiros herdeiros fuzilados por um comando revolucionário. De março de 1917 a julho de 1918, todo o
fantástico poder que Nicolau II possuía esboroou-se, desabando como se fosse um castelo de cartas. O czar e sua
família, aprisionados na cidade de Ekaterinburg, foram então sumariamente executados por ordem de Lênin.
"Assim o quero, logo assim deve ser! Esta fórmula manifestava-se em todos os atos daquele débil soberano que fez,
unicamente por fraqueza, tudo o que caracterizou seu reinado: o derramamento constante de sangue mais ou menos
inocente e, na maioria das vezes, absolutamente desnecessário.”
Conde Witte, ministro do Czar de 1892 a 1906
Mane, Mane, Tecel, Persin! Estas antigas e enigmáticas palavras, dizem, estavam rabiscadas na parede dum quarto
da casa Ipatiev, em Ekaterinburg, onde a família Romanov inteira fora fuzilada. Presumiu-se ser a letra da czarina
Alexandra, mulher devota e conhecedora da Bíblia que, um pouco antes de tombar, lembrou-se delas.
Pertencem ao Livro de Daniel (Daniel 5:4) e dizem respeito a maldição que atingiu o Rei Baltazar da Babilônia; “Deus
mediu teu reino e deu-lhe fim; tu foste pesado na balança e foste julgado deficiente; teu reino foi dividido e entregue
aos medos e persas” Alexandra morreu acreditando que a Revolução de 1917 era uma rebelião da criadagem ingrata
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e que aqueles tipos mal encarados que prenderam o casal e seus filhos, quatro belas meninas e um garoto, deviam
ser “os medos e persas”. Para Nicolau II, seu marido, eram “os judeus”.
Verdadeiro isso, se esta inscrição de fato existiu , é mais um testemunho de como a Rússia Czarista era governada:
os monarcas tinham a cabeça na Idade Média. Não se deve, pois estranhar que o monge benzedeiro Gregory
Rasputin, uma figura dostoievskiana, beberrão, devasso e semi-analfabeto, tornou-se, desde 1905 até 1916, o
primeiro-ministro informal o imenso Império Russo.

2° Artigo - Um governante repressor


A execução dos Romanov (17 de julho de 1918)
Jorge Luís Borges disse certa vez que “os inteligentes são bons”. Nicolau II era bruto e perverso. Quando soube da
passeata pacifica (seu líder, o padre Gapon era um agente da polícia secreta) que os trabalhadores da capital fariam
no dia 22 de janeiro de 1905, ausentou-se do Palácio determinando que a Guarda Cossaca os dissolvesse à
metralha. Esse episódio, que redundou em matança - 100 mortos e centenas de feridos - foi o célebre “Domingo
Sangrento”, estopim daquela primeira revolução que Lênin chamaria de “ensaio geral”.
León Poliakov atribui a ele, a Nicolau II, a paternidade do moderno terrorismo de extrema direita, com seu
entusiasmo pela Tchernaia Sotnia, a Centúria Negra, um agrupamento proto-fascista a quem protegia e financiava,
especializado na morte seletiva de oposicionistas. “Os protocolos dos Sábios do Sião”, um panfleto anti-semita
encomendado por um espião seu, Ratchkóvski, foi seu mais duradouro “legado intelectual”.

Grigori Rasputin
Grigoriy Yefimovich Rasputin (russo: Григо́рий Ефи́мович Распу́тин), místico russo, nasceu dia 23 de janeiro de
1864 em Pokrovskoie, Tobolsk e foi assassinado no dia 16 de dezembro de 1916 aos 52 anos em São Petersburgo.
Foi uma figura influente no final do período czarista na Rússia.
Por volta de 1905, a sua já conhecida reputação de místico introduziu-o no círculo restrito da Corte imperial russa,
onde diz-se que Rasputin chega mesmo a salvar Alexei Romanov, o filho de czar, de hemofilia.
Perante este acontecimento, a czarina Alexandra Fedorovna dedicar-lhe-á uma atenção cega e uma confiança
desmedida, denominando-o mesmo de "mensageiro de Deus". Com esta proteção Rasputin torna a influenciar
ocultamente a Corte e principalmente a família imperial russa, colocando homens como ele no topo da hierarquia da
poderosa Igreja Nacional Russa.
Todavia, o seu comportamento dissoluto, licencioso e devasso (supostas orgias e envolvimento com mulheres da alta
sociedade) justificará denúncias por parte de políticos atentos à sua trajetória poluta, entre os quais se destacam
Stolypin e Kokovtsov. O czar Nicolau II afasta então Rasputin, mas a czarina Alexandra mantém a sua confiança
absoluta no decadente monge.
A Primeira Guerra Mundial trará novos contornos à atuação de Rasputin, já odiado pelo povo, que o acusa de
espionagem ao serviço da Alemanha. Escapa a várias tentativas de aniquilamento, mas acaba por ser vítima de uma
trama de aristocratas da grande estirpe russa, entre os quais Yussupov.
Rasputin também é conhecido pela sua suposta e curiosa morte, primeiro ele foi envenenado num jantar, porém sua
úlcera crônica fê-lo expelir todo o veneno, posteriormente terá sido fuzilado levando um total de onze tiros, tendo no
entanto sobrevivido; foi castrado e continuou vivo, somente quando foi agredido e o atiraram inconsciente no rio Neva
ele morreu, não pelos hematomas, nem afogado, mas de frio.

Lênin, Vladimir
Russo, 1870-1924,
Político
O século XX começou quando Lênin, exilado, dividiu o partido socialista russo e chamou a sua facção de
“bolchevique”, que significa maioria. Alguns socialistas queriam derrubar a autocracia usando métodos democráticos
- trabalhadores comandados por sindicatos e apoiados por dirigentes pertencentes à classe média. Lênin negou-se a
utilizar essa solução burguesa: o partido deveria centralizar as informações em apenas um núcleo de revolucionários
profissionais, dedicados a conquistar o poder a qualquer custo. A hora de Lênin veio em 1917, enquanto estava no
exílio. Os alemães mandaram-no de volta à Rússia depois da queda do czar Nicolau II em fevereiro e, em outubro,
quando o país sucumbia à anarquia, os bolcheviques tomaram o poder, aumentando seu apoio popular com o slogan
"pão, paz e terra". Depois da guerra civil (1917 - 1921), Lênin tentou montar um estado comunista, sem dar paz, nem
pão, nem terra. Chegou ao poder pelo terror e deu fim a qualquer oposição em potencial. Em 1921, com o colapso
em que se encontrava a Rússia, apelou para financiamentos no Ocidente e prometeu restaurar as empresas e as
plantações privadas - a então chamada Nova Política Econômica. Ela durou mais tempo que o próprio Lênin. Antes
de morrer, deixou instruções explícitas: seu corpo não deveria ser mumificado e exposto à visitação e Stálin não
deveria sucedê-lo no poder. Não foi obedecido.

Nicolau II
Russo, 1868-1918,
czar
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Nikolay Aleksandrovich, o último czar da Rússia, não correspondia às exigências da posição que ocupava. Tímido,
caseiro, de mentalidade estreita, Nicolau II foi obrigado, por direito de nascença, a ser o governante absoluto de um
vasto império e achou que era seu dever preservar o sistema autocrático. Essa atitude o impediu de introduzir
reformas extremamente necessárias e de dar amplos poderes a ministros hábeis como Stolypin. Nicolau foi
encorajado à intransigência por sua tola esposa, que o dominava. Ela, por sua vez, era dominada (desde 1912) por
Rasputin, um homem extremamente cruel. Em 1905, durante a guerra russo-nipônica, o povo russo se revoltou. Com
extrema relutância, Nicolau permitiu a formação de um parlamento com poderes limitados, mas já era muito tarde.
Nos dez anos seguintes, os trabalhadores continuaram a fazer greves, e eram reprimidos pelos soldados. A Rússia
foi de encontro a outra revolução. Ela eclodiu em fevereiro de 1917 (novamente durante outro período de guerra) e,
nesta ocasião, terminou por derrubar a Casa de Romanov. O ex-czar e a família foram presos e mandados para
Ecaterinburgo. No ano seguinte, em meio à guerra civil, foram executados pelos bolchevistas. É discutível se Nicolau
II poderia ter feito alguma coisa para evitar o cataclismo que abalou o país e sua dinastia. Mas, permanece o fato de
que ele realmente não era feito para governar, não tinha visão, era voluntarioso e muito covarde para aproveitar as
poucas chances que foram oferecidas. O verdadeiro veredicto sobre Nicolau foi dado em 1905 por seu primo, o kai-
ser Guilherme, da Alemanha: "O czar não é desleal, mas é fraco. Fraqueza não é deslealdade, mas preenche todos
os seus propósitos."

Stolypin, Peter
Russo, 1863-1911,
Político
"Dê 20 anos de paz interna e externa ao Estado e você não reconhecerá a Rússia", disse Stolypin, em 1909.
Nomeado primeiro-ministro em 1906, com a missão de modernizar a economia russa, precisou antes cuidar da
desordem civil e das atividades terroristas que se alastravam pelo país. Implantou cortes marciais com instruções
para julgar e executar os terroristas 24 horas depois da prisão. Os revolucionários responderam atirando uma bomba
em sua casa, que matou 25 pessoas, feriu outras 36 (entre elas, os filhos adolescentes de Stolypin), e conseguiu
apenas deixá-lo furioso. Como presidente do conselho de ministros, procurou cooperar com o novo Parlamento, a
Duma, para introduzir o padrão de liberdade ocidental, garantias legais e de propriedade, além de uma reforma
liberadora na agricultura. As reformas surpreendentemente deram certo e foram seguidas por uma explosão eco-
nômica. A Rússia obteve os maiores índices de crescimento econômico da Europa e se tornou a quarta potência eco-
nômica do mundo. Porém, as relações com o Parlamento se deterioraram e Stolypin fechou-o em 1907, fraudando os
resultados das eleições subseqüentes. Perdeu a popularidade junto ao czar e a nobreza e finalmente foi assassinado
na Ópera de Kiev, em 1911, bem à vista do czar, no camarote real. A Rússia czarista jamais se recuperou da perda
daquele que poderia ter sido seu homem forte.

Alexandra Fiodorovna (Darmstadt 1872 – Ekaterinburg 1918), imperatriz da Rússia (1894-1917). Nascida Alice de
Hesse, casou-se, em 1894, com o futuro Nicolau II. Teve quatro filhas, depois o czaréviche Alexis (1904), a quem
transmitiu hemofilia. Entregou-se, então, à influência de Rasputin. Foi executada, pelos bolcheviques, com toda a sua
família.

LÊNIN (VIadimir Illitch Ulianov, dito), revolucionário e estadista russo (Simbirsk, hoje Ulianovsk, 1870 - Górki,
próximo a Moscou, 1924). Em 1887, seu irmão, membro de um grupo populista, foi preso e executado. Vladimir
Illitch lançou-se, então, no movimento revolucionário e aderiu a um círculo marxista em 1888. Instalou-se em
Moscou em 1893 e escreveu Quem são os amigos do povo (1894), contra os populistas. Em 1895, desejoso de
unir os círculos marxistas, encontrou Plekãnov na Suíça e depois Liebknecht em Berlim. Ao voltar, foi detido
(dezembro de 1895) e depois condenado à deportação na Sibéria (1897-1900), onde conheceu Nadejda
Krupskaia, com quem se casou, e redigiu O desenvolvimento do capitalismo na Rússia. Libertado, partiu para a
Suíça, onde fundou o jornal Iskra (Centelha). Em março de 1902 escreveu Que fazer?, onde expôs o que deveria
ser a organização do partido revolucionário. No II Congresso do POSDR (1903), suas teses se impuseram:
formaram-se os grupos bolchevique (majoritário) e menchevique (minoritário). A derrota da Revolução de 1905
induziu Lênin a endurecer as condições de funcionamento do POSDR. De congresso em congresso, os leninistas
perderam e depois recuperaram a maioria.
Estabelecido em Paris com sua mulher, de 1908 a 1911, Lênin rebateu as tentativas filosóficas contra o materialismo
histórico, com sua obra Materialismo e empiriocriticismo. Fundou o Pravda (Verdade), em 1912. Na conferência do
partido de 1912, em Praga, os mencheviques foram excluídos. A I Guerra Mundial surpreendeu Lênin em Cracóvia,
de onde viajou para a Suíça. Organizou ali as conferências de Zimmerwald e de Kienthal, onde preparou uma nova
Internacional, após a falência da Segunda. Em março de 1917, quando explodiu a revolução democrática russa,
Lênin propôs uma política de oposição ao governo provisório (Cartas de longe), depois retornou com alguns
companheiros a Petrogrado, após haver atravessado a Alemanha em guerra. Publicou então as Teses de abril.
Perseguido pelo governo provisório, foi obrigado a refugiar-se na Finlândia. Ali escreveu O Estado e a Revolução.
Preparou a insurreição, junto com Trotsky, e retornou secretamente a Petrogrado: por sua proposta, os bolcheviques
decidiram pela insurreição. Após o sucesso da Revolução de Outubro, Lênin foi o primeiro chefe de Estado da antiga
URSS e organizou o II Congresso dos Soviete, onde foi adotada a maioria das palavras de ordem dos bolcheviques:
paz, terra aos camponeses, separação da Igreja e do Estado, igualdade entre homens e mulheres, controle operário
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sobre as empresas, nacionalização dos bancos, etc. Paralelamente Lênin criou a Tcheka, e depois, junto com
Trotsky, o Exército Vermelho (janeiro de 1918), e impôs, contra a vontade deste último, a paz de Brest-Litovsk (março
de 1918). Diante da ameaça dos exércitos estrangeiros, que apoiavam os contra~revolucionários (os "brancos"),
Lênin instituiu o período denominado de "comunismo de guerra" (1918-1921). Em face do crescimento das
dificuldades [fome, insurreição de Kronstadt (março de 1921), redução das colheitas pelos camponeses], organizou a
NEP (Nova Política Econômica), que marcou o retorno parcial à economia capitalista (1921). Paralelamente, Lênin
organizou a III Internacional (março de 1919), e assim pôs em guarda os revolucionários de todos os países contra a
colaboração de classe (A revolução proletária e o renegado Kautsky, 1918) e contra a rejeição do parlamentarismo
nos países burgueses (O esquerdismo, doença infantil do comunismo, 1920). Em maio de 1922, foi atacado por uma
crise de hemiplegia. Ditou então suas notas políticas e tentou prevenir seus companheiros contra Stálin, a quem jul-
gava "muito brutal", propondo o seu afastamento da secretaria-geral do partido. Morreu em 21 de janeiro de 1924.

LVOV (Gueorgui Ievguenievith, príncipe), político russo (perto de Tula 1861 – Paris 1925) membro do Partido
Constitucional Democrata (KD), foi eleito para a primeira Duma (1906). Durante a I Guerra Mundial, dirigiu a União
Pan-Russa dos zemstvos. Presidente e ministro do Interior do primeiro governo provisório (março de 1917) e o
primeiro governo de coalizão com os socialistas, renunciou em julho de 1917. Após a vitória do bolcheviques,
refugiou-se em Paris.