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ENGRENAGENS PARA A DRAMATURGIA

da
CASA DE MÁQUINAS de um B_ARCO

(Roteiro construído pelos alunos do módulo de "Interpretação, Dramaturgia e


Composição" do Projeto Casa de Máquinas)

Centro Cultural b_arco


abril e maio de 2010
ATO I - O Fora e o Dentro de Agora

CENA 1:
Apresentação do personagem principal: o espaço / a sala / o teatro do b_arco.

1. Espaço vazio. Os atores estão espalhados pelas paredes da sala. Cada um no seu
canto. Observação do espaço. Latência do espaço vazio. Pulsação do silêncio.

2. Descrição do espaço - nuvem sonora: todos, ao mesmo tempo, entrando em fade in,
descrevem o detalhe da sala que estão vendo. Um tempo e depois: fade out e silêncio.

3. Descrição do espaço - em pulsação: continuação da descrição do espaço como ele


é. Porém, um ator fala por vez. Entra em fade in e sai em fade out enquanto outro ator
já entra em fade in. Composição de um terceiro espaço pelo fluxo narrativo que
descreve fragmentos do espaço de agora.

CENA 2:
Medição do espaço.

1. Entradas e saídas / movimento e pausa. Regras. O jogo é sempre realizado em


duplas. Porém, podem haver mais de duas duplas em cena ao mesmo tempo. Realizar
as imagens que aparecem. Aterramento.

2. Começo da medição do espaço. Descrição da medição intercalada pela descrição do


manual de instruções do objeto que se usa para medir.

ATO II - Fragmentos Aleatórios do Cotidiano - O Fora Aqui Dentro

1. A voz do microfone é a rubrica do espaço a ser preenchido. Essa voz nunca é


imediatamente obedecida. Na primeira vez que ela indica a rubrica ninguém obedece.
Na segunda vez que a voz indica a rubrica, os atores irão realizar a rubrica anterior. E
assim por diante.

2. Espaços:

elevador / corredor do ônibus lotado / sala de espera do médico / fila de banco /


velório / festa de criança / no consultório (ponte para o começo do terceiro ato) / uma
marcenaria flutuante perdida num outro tempo.

ATO III - O Fora e o Dentro do Passado

PERSONAGENS

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Pai - o dono da marcenaria (Tatí)
Mãe - (Flor)
Dr. Menino - o filho (Jackqueine)
Albina - A filha (Steffi)
Marceneiro - pretendente de Albina (Alexandre)
Jorge - vizinho e marceneiro (Lucas)
Fofoqueira - esposa de Jorge (Mimi)
Doutor 1 - (Flor)
Doutor 2 - (Vanessa)
Um encanador - (Sofia)
Dra. Sofia - (Sofia)
Osmar - Pintor e dono do circo (Lucas)
Coro:
1. Tatí
2. Alexandre
3. Vanessa
4. Lucas
5. Mimi
6. Flor

*****

CENA 1:
No consultório. Relação paciente-estetoscópio.

1.
Marceneiro - Oi, doutor. O senhor me arranja uma torneira?
Doutor 1 - Meu amigo, isso aqui é um consultório.
Marceneiro - Eu sei.
Doutor 1 - Então porque me pede uma torneira?
Marceneiro - É pra por dentro da minha cabeça e ver se assim eu controlo os meus
pensamentos.

2.
Jorge - O senhor fala português?
Dr. Menino - Diga 33.
Jorge - 33.
Dr. Menino - Diga 33 vezes " água mole em pedra dura, tanto bate até que fura".
Jorge - Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Água mole em… (33
vezes)

3.
Pai - Não suporto mais ter idéias, elas jorram na minha cabeça feito água! Preciso
aprender a fechar a torneira.
Doutor 2 - Ou então chamar o encanador.

4.
Albina - Preciso chorar, preciso chorar! Tem muita água no meu peito! O Sr., por

3
favor, abre o meu tórax?
Dra. Sofia - Abre os olhos, deixa a água sair. Deixa a água cair, deixa água passar.
Deixa a água vazar: ela pode clarear a sua visão.

CENA 2:
Num banco de jardim, sempre ocupado por um trio. Vem e vai.

1. Primeiro trio
Fofoqueira - Bom dia.
Jorge - Bom dia.
Fofoqueira - Calor, não é?
Jorge - ...
Fofoqueira - E de noitinha aquele frio, aquela garoa fina...
Jorge - ...
Fofoqueira - Você não sabe o que aconteceu.
Jorge - ?
Fofoqueira - Eu estava vindo pra cá e encontrei aquela moça morena.
Jorge - ??
Fofoqueira - A mais velha do dono da venda.
Jorge - ...
Fofoqueira - Perdeu os dois, acredita?
Jorge - ?!!!!!!!!!!!!!!!
Fofoqueira - Pois é...
Jorge - ...
Fofoqueira - Até mais.
Jorge - Até.

2. Segundo trio
Marceneiro - Isso é barriga d'agua?
Albina - Claro que não, idiota, eu tô grávida! É um menino e uma menina: Osmar e
Ondina. Isso é água?
Marceneiro - Água que passarinho não bebe, amiga.
Albina - Entendi, você é amigo do copo!
Marceneiro - O copo é que é meu amigo, tá sempre matando a minha sede!

3. Primeiro trio
Mãe - Pobrezinha, morreram os dois.
Fofoqueira - Os dois??
Mãe - Os dois.
Fofoqueira - E o marido?
Mãe - Se mandou.
Fofoqueira - Mas que cachorro!
Mãe - Tomara que morra afogado.

4. Segundo trio
Albina - Comment ça va la guerre?

4
Pai - Hoje eu seria um general, e não um velho aposentado.
Albina - O que você foi fazer na França?
Fofoqueira - Ele foi fazer arte.

5. Primeiro trio
Jorge - Morreu como?
Mãe - Afogou-se.
Jorge - Que horror!
Mãe - Que nada, esse aí mereceu.

6. Segundo trio
Marceneiro - Olha o meu sapato novo. Bonito né?
Pai - Bonito é, mas não é um sapato, é um tênis né?
Marceneiro - Não é um tênis, é um sapato.
Pai - Olha, sapato com certeza não é.
Marceneiro - Lógico que é um sapato.
Pai - Não é. … Já sei! É um sapatênis.
Marceneiro - É isso. É verdade, é um sapatênis.

7. Primeiro trio
Fofoqueira - Jorge, você é feliz?
Jorge - Não.
Fofoqueira - Que fome.
Jorge - Anda. Vai fazer a janta e traz aquele vinho que seu Jundiaí me deu.

8. Entra um encanador
Encanador - Então dona, é pra por onde a sua torneira?
Fofoqueira - Põe aqui na minha boca.
Encanador - Como é?
Fofoqueira - É que eu falo demais, moço.

CENA 3:
Na marcenaria.

1. O Coro:
- O que era mesmo?
- O que foi?
- O que era?
- O que é, que era?
- Isso aqui.
- Isso era…. é….
- É…..

2. O Coro em pulsação:
(Descrição do galpão da marcenaria do passado. Como no primeiro movimento do

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primeiro ato)

3.
Pai - Trouxeram a madeira que eu pedi?
Marceneiro - Sim senhor, tá ali do lado da máquina.
Pai - Otimo, obrigado.
Marceneiro - Obrigado o senhor, com licença.

Marceneiro - Ai! Ai!


Jorge - Que foi?
Marceneiro - Entrou uma farpa no meu dedo!
Jorge - Tá vendo, quem manda não usar luvas?

Albina - Adoro esse cheiro de madeira!


Marceneiro - Gostou?
Albina - São lindas.
Marceneiro - Fui eu que fiz.
Albina - A mesa também?
Marceneiro - Tudo isso, fui eu que fiz.
Albina - Até o barco?
Marceneiro - O barco é outra história.
Albina - Depois você me conta a historia do barco?
Marceneiro - Depois eu te conto.

Jorge - Andam reclamando do barulho das máquinas.


Pai - Os incomodados que se retirem.

Marceneiro - Ai! Ai ai!


Pai - Que foi??
Marceneiro - Meu dedo! Meu dedo!
Pai - Outra farpa?
Marceneiro - Não, a máquina cortou o meu dedo!
Pai - Meu Deus! Cadê o outro pedaço??
Marceneiro - Tá lá na máquina.. Ou no chão, não sei… Ai ai!
Pai - Alguém chama um médico!
Marceneiro - O moleque, chama o moleque!
Pai - Um médico! Moleque! Vem cá, menino, corre, acode aqui!

Dr. Menino - Já parou?


Marceneiro - Ainda não.
Dr. Menino - E agora, parou?
Marceneiro - Não. Faz parar.
Dr. Menino - Não dá.
Marceneiro - E agora?
Dr. Menino - Acho que não vai parar nunca mais.
Marceneiro - E o que a gente faz?
Dr. Menino - A gente aceita.

Dra. Sofia - Você é esperto, moleque. Quantos anos você tem?


Dr. Menino - Acabei de fazer 81.

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Marceneiro - As madeiras estão úmidas lá fora.
Pai - Logo, vamos nos mudar daqui.
Marceneiro - Eu gosto daqui. É úmido. O doutor disse que faz bem pro pulmão!
Pai - "O doutor”, “o doutor”... Aquele moleque nem saiu das fraldas. Ficar aqui pra
quê? Pra virem comer o que é nosso?!
Marceneiro - Seu perna-de-pau!
Pai - Seu cara-de-pau!
Marceneiro - Pau que nasce torto, morre torto mesmo.
Pai - Em casa de ferreiro, espeto é de pau, meu filho.
Marceneiro - Você não passa de um pau-mandado, isso sim!
Pai - Engano seu: eu sou é pau-pra-toda-obra!
Marceneiro - Seu perna-de-pau!
Pai - Seu cara-de-pau!

CENA 4:
O mesmo banco de jardim.

Pai - Vai chover de novo. A água não se cansa de voltar.


Mãe - Parece que a qualquer momento vamos afundar e talvez nos afogar.
Pai - Será que você pode me dar um abraço?
Mãe - Por que isso agora?
Pai - Porque hoje no supermercado eu descobri que os meus sonhos são os mesmos
de vinte anos atrás.
Mãe - Parece que vai chover.

CENA 5:
Numa loja perto dali.

Mãe - Nossa, vim correndo... Esqueci o guarda-chuva e vim correndo... Você pega o
ônibus com essa “aguaçeira” que não para de cair, as janelas fechadas e aquele cheiro
de “nhaca”. Tô suando como um porco! Parece que os poros se abriram e todo o
líquido de dentro está vazando. Sabe, quando parece que a gente tá vazando?! Sei lá,
um líquido oleoso!
Dra. Sofia - Eu já entendi! Pois não, senhora, posso ajudá-la?
Mãe - Que tipo de lençol vocês tem?
Dra. Sofia - Nós temos solteiro, casal, com e sem elástico… A senhora procura algo
em especial?
Mãe - Sim. Eu quero um lençol d'água. Vocês tem?
Dra. Sofia - Temos sim. Me acompanhe, por favor. Tem água aqui. Tem água aqui
embaixo. Tem água aqui embaixo dos meus pés, tem água aqui embaixo da minha
pele, tem água aqui embaixo no meu estômago, tem água aqui embaixo da minha
língua, ò, viu? Tem bastante água por aqui. Ela me disse que quer sair e vai sair de
qualquer jeito. Tentei fazê-la mudar de idéia, mas essa aí é uma cabeça dura pra lá de
teimosa essa água…
Mãe - Fecha essa torneira, moço.

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Dra. Sofia - Que torneira?
Mãe - Como "que torneira"?! Essa aí na sua frente, oras!
Dra. Sofia - Não tem torneira nenhuma aqui, moça.
Mãe - Você não esta vendo?? Olha aí a torneira pingando!!
Dra. Sofia - A senhora está louca.

CENA 6:
Um parêntesis para a explicação científica.

Dr. Menino - A torneira aberta, faz a água jorrar numa velocidade intensa, que às
vezes mesmo fechada sinto ela correr pelo meu corpo.Tudo isso me faz pensar no que
interessa e no que não interessa na minha vida. Se estou dentro de um ônibus às cinco
da tarde, sei que o que me interessa é chegar rápido em casa, tomar um banho e
devorar um prato de macarrão. Mas sei que não me interessa estar dentro de um
ônibus compartilhando conversas, gestos, olhares e odores. Por outro lado quando
estou num consultório de algum médico dentre tantos que eu vou, sei que não me
interessa saber o que ele vai me dizer, mas talvez me interesse flertar com alguém na
sala de espera. Ajo como se soubesse de alguma coisa, mas reservo-me o direito de
experimentar. Prefiro não fechar a torneira.

CENA 7:
Variações esparsas sobre o mesmo tema. A água invade o barco. O Coro:

1 - Abre a torneira, deixa a água sair. Por que você insiste em segurar a água? Por que
você não vem logo nadar em mim?

2 - Estava com sede, abri a torneira, mas não saiu água: saiu poeira. Poeira e silêncio.

3 - Cansei daqui. Fechei a torneira mas a água não parou de sair. O problema é meu, é
da torneira ou é da água? Quero correr que nem essa água. Pronto, virei um rio.

1 - A bolsa d'agua estourou!


2 - A bolsa d'agua estourou!
3 - A bolsa d'agua estourou!
4 - Corre, diz pra ele que a bolsa estourou!
5 - A bolsa estourou! A bolsa estourou!
6 - Que água é essa?
5 - É água da bolsa, a bolsa estourou!
4 - A bolsa estourou!
3 - A bolsa estourou!
2 - A bolsa estourou!

1 - Vai, corre, corre, corre, corre. Calma, contorna a pedra, e continua: corre, corre,
corre, corre, vira à direita, corre, corre, agora à esquerda. Isso: corre, corre, corre.
Chegou no mar. Olha! Um barco!

(Silêncio.)

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CENA 8:
No meio da água. Barco suspenso.

Albina - O que você esta fazendo?


Marceneiro - Tô boiando na água, oras.
Albina - Me ensina a boiar?
Marceneiro -Te ensino, vem cá.

Albina - Vamos nadar?


Pai - Vamos.
Albina - Olha pra mim, sou um peixinho!
Pai - E eu sou o tubarão!!
Albina - Aaaaaaaa!!!!!

Pai - Quer água, amor?


Mãe - Eu quero.
Pai - Então cai no chão.

Jorge - O que você esta fazendo?


Marceneiro - Estou pescando.
Jorge - Muito peixe?
Marceneiro - Até agora nada. Só girinos.

Dr. Menino - Olha, olha! Olha o circo!


Albina - Onde, onde?
Dr. Menino - Ali, ali!
Albina - Onde? Onde?

O Coro:
- Olha, olha o circo!
- Onde, onde?
- Ali, ali!
- Ah! Que circo lindo!

CENA 9:
O Circo

Osmar - Sonhei que aqui tinha madeira por todo lado. Tinha cedro, pinho, eucalipto,
todo tipo de madeira. De repente entrou um menino gritando " Pai! Pai, olha os
bebês!". Ao que lhe respondeu um senhor que estava sentado no canto da sala " joga
eles de volta na água, menino, que mania! E para de fazer arte!" O menino vestiu um
jaleco de médico e saiu cantando um fado. De repente o pai do menino já estava de
pé, e ao seu lado estava uma moça jovem e muito bonita. Ela estava vestida de noiva e
tinha um buquê de flores em uma das mãos. Ela disse " Vamos, papai?", então os dois
deram-se os braços e saíram. Eu olhei novamente em volta e as madeiras não estavam
ali. O que havia era uma árvore, enorme e velha, bem no meio da sala. Eu passei a
sentir ao meu lado algo muito quente. Era como se fosse um fogo, uma fogueira e

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passei a sentir cheiro de mato ao lado da fogueira queimando. Aos poucos o barulho
de água de um riacho e é como se dentro dele a Mãe Terra estivesse me chamando.
Aos poucos passei a ouvir os passos de pessoas que foram rodeando a fogueira até
que foram formando uma fila. Eu era o ultimo dessa fila. Vi rostos, todos os rostos de
todos que estudavam comigo, todos pequenos. Rostos que eu nem sabia que eu ainda
poderia vir a conseguir lembrar. Até que eu percebi que eu não era o último, e sim o
penúltimo. Eu estava na minha frente e era como se eu precisasse cuidar de mim
mesmo que estava na minha frente. Ou atrás de mim.

Cena 10:
A Bailarina

Albina - Quero encomendar um barco. Que ele seja bem grande e resistente para me
proteger da chuva. Que ele nunca, nunca afunde nas águas salgadas. Que ele navegue,
simplesmente navegue sem destino e nunca olhe para trás. Eu quero ser um barco...
nada mais do que um barco. Não quero ser este ser complexo, cheio de limitações, de
angústias, de sonhos impossíveis. Um barco é um barco e ponto. Simplesmente
navega até o seu destino final. Mas não, eu não quero ter um destino. Estou cansada
dos outros me dizendo o que fazer com a minha própria vida. Meu destino não está
traçado pelos outros, o meu destino é incerto, como um pássaro a procura de abrigo.
Eu pensei que essa dor aqui dentro de mim ia passar. Mas não, ela insiste em
permanecer aqui, como um tumor sem cura... Essa dor me massacra todos os dias, e
eu só quero fugir! Por favor meu senhor prepare logo esse barco que eu estou de
partida. As minhas lágrimas por ti são infinitas, como uma torneira eterna que
transborda e me desequilibra. O meu barco está quase pronto, mas eu estou com
medo. Medo dele não ser forte o suficiente para me proteger dessa tempestade de
lágrimas que insiste em me afogar. Eu não quero me afogar... Eu quero morrer
dormindo ou com um tiro na cara que é pra não sentir dor.Todos a bordo! Eu comigo
mesma, a saudade, a solidão e só. As memórias tuas ficarão para trás e eu nunca
regressarei a essa ilha chamada desilusão.

CENA 11:
Anatomia da cena.

Dra. Sofia - Uma pessoa entra em cena e senta-se numa cadeira. Em baixo de seus
pés, muito a baixo do assoalho de madeira, passando por todas as camadas de asfalto
e terra, nas entranhas do solo, há um silencioso lençol freático. Não podemos vê-lo,
mas sabemos que ele está aqui, assim como sabemos da existência de nossos órgãos e
fluidos que banham o interior do nosso corpo. O sangue flui continuamente, durante
toda a cena, sem cessar, como se no corpo houvesse uma torneira aberta que
escorresse por toda sua existência, criando vincos, abrindo caminhos, oxigenando as
células. A pele é só a superfície, uma superfície dura de asfalto. Com força o sangue
rompe as paredes de músculo e se espalha pela superfície, incha as entranhas.
Hemorragia. As veias superficiais e as artérias subterrâneas transbordam, rompem,
alagam o espaço inexistente. Surgem crateras, buracos... Os bueiros entupidos são
como poros obstruídos. Suas vias estão entupidas, o mofo e a umidade incham e
mancham as paredes da pele, suas veias estão expostas, e as suas artérias foram
soterradas pelo tempo. Tentamos calá-las. A cidade alagada está doente. Em
decorrência da enchente de sangue. No final desta cena, um homem morre.

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