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A GLOBALIZAÇÃO A PARTIR DO MAR: REFLEXÕES SOBRE OS PIRATAS

DO VELHO MUNDO E A TERRA FIRME DA HUMANIDADE EM PETER


SLOTERDIJK.

Francisco Augusto Cruz de Araújo


Aluno Esp. do PPGCS - Mestrado
fcaugusto@gmail.com

Daniel Iberê Alves da Silva


Aluno do PPGCS - Mestrado
daniel.ibere@yahoo.com.br

Orientação: Orivaldo Pimentel Lopes Júnior e


Alexsandro Galeno Araújo Dantas

INTRODUÇÃO

A etapa do processo de globalização caracterizado pelo fim das


fronteiras nacionais, especificamente falando das “aventuras” ao exterior
promovida pelas navegações marítimas, resultou no surgimento de grupos de
sujeitos bastante singulares, aqueles que desejavam romper suas esferas, mas
que não estavam dispostos a fazer da terra dos outros os coabitantes de uma
esfera comum: os corsários, piratas e comerciantes mundiais.
A mobilidade proporcionada pelas navegações possibilitou a abertura de
novas rotas comerciais, e por conseqüência, também reorientou a dinâmica
mundial no sentido da percepção do outro. Os corsários, navegadores
autorizados pelos Estados-nações a utilizar a violência para enfraquecer os
concorrentes deram sentido e espaço para o surgimento dos piratas do mar,
aqueles que não possuíam autorização legal para se aventurarem nos mares
desconhecidos.
O processo de rompimento das esferas pelos corsários, piratas e
comerciantes foi marcado por uma fase de extrema violência física, já que o
outro era “considerado como um corpo no espaço exterior” (SLOTERDIJK,
2008) que na maioria das vezes, era mal-visto. Os piratas das esferas, que
encontraram no mar o sentido das suas vidas (muitos eram homens banidos de
suas pátrias e degredados forçadamente, já outros até de forma voluntária)
estenderam ao mar e às terras longínquas aquilo que já era habitual fazia
muitos séculos no velho mundo: o uso constante da violência como alternativa
para sobrepor-se diante do risco do poder.
Neste contexto, ressaltamos o costume de homens que se encontravam
no exterior, como estrangeiros, de se exterminarem uns aos outros sob
pretextos fugazes. Na medida em que as fronteiras eram destruídas pelo
processo de globalização, os conquistadores das novas superfícies terrestres
que chegavam a partir do enorme deserto aquático não encontravam nenhum
motivo para fazerem daquela terra a sua própria, desrespeitando a ordem já
existente.
Neste ciclo de expansão espacial e cultural, ficaram evidentes três
características principais do processo de globalização: a desintegração das
identidades nacionais, que resultaram do crescimento da homogeneização
cultural; o reforço das identidades locais, no sentido das resistências que
surgiram ao longo da história diante de um mundo globalizante; e finalmente, o
cruzamento ou hibridismo de identidades nacionais e surgimento de novas
identidades compostas de elementos provenientes de línguas, costumes e de
modo geral, culturas diferentes (HALL, 2000).
Os navegadores responsáveis pelo rompimento das fronteiras a partir
dos oceanos ainda pouco explorados a fim de criar novas rotas de
comercialização de produtos e escravos, perderam suas próprias identidades,
e, além disso, a própria visão diante do caráter ilimitado das superfícies
aquáticas, transferindo suas ações para o deserto moral na profundidade das
suas almas (SLOTERDIJK, 2008).
É também neste contexto que podemos traçar o caráter devastador e
criminoso do processo de globalização. É nesta fase em que se reforça o
desencontro do homem com um Deus que o observa. Naquele território sem
Estado, no oceano infinito, nos mares sem lei, nos espaços globais sem uma
civilidade convencionada, Deus não existiu. Foram através das navegações
que o homem pôde por em prática o extremo de atrocidade que se possa
praticar entre seres humanos. Não existiu o primado político no mar, e talvez
ainda não exista atualmente.
Nos tempos atuais, a ausência de um “direito do mar” ainda proporciona
o surgimento de grupos marítimos violentos, terroristas e que agem sem leis e
valores morais que os limitem tanto nas ações terroristas, como nas
navegações comerciais legais e ilegais. Apesar de o mar ter sido o caminho
mais favorável para o processo de expansão do mundo, referido e estudado
por muitos séculos por filósofos, poetas e outros pensadores da esfera, ele
continua sendo um espaço da esfera um tanto misterioso, descontrolado e
desconhecido pelos seres humanos.
A liberdade de movimento surgida com a globalização era uma
mercadoria sempre escassa e distribuída de forma desigual, se tornando
rapidamente o principal fator diferenciador dos grupos e sujeitos no mundo
moderno (BAUMAN, 1999). A descoberta de novas terras firmes proporcionou
ao homem do Velho Mundo a possibilidade de recomeçar a construir o seu
mundo. A América em especial recebeu inúmeros grupos de pessoas dispostas
ao recomeço em uma terra que consideravam sem dono. Por este motivo, os
sentimentos de dominação do herói-descobridor, corsário, pirata e comerciante
nas novas terras deu origem a uma nova estratificação social, o camponês que
não é servo (como praticado no regime do feudalismo na qual ele fugia ou fora
degredado), havia se tornado um proprietário fundiário, autônomo que, sob o
olhar de Deus, administra suas terras.
Aqueles que em suas terras de origens eram considerados pelo direito e
pela moral como criminosos e traficantes, por viverem além dos limites, para
além da lei e para aquém da ética, transformaram-se nos aventureiros, heróis e
missionários da civilização. Foi este descuido moral que contribuiu com a
construção no homem do direito de tomar algo para si sem dar nada em troca.

OBJETIVOS
Os objetivos deste estudo são estimular a reflexão referente ao que
historicamente se denomina Globalização e se perceber as diversas
alternativas para compreensão deste processo, além de construir um novo
enredo que contemple algumas lacunas históricas que se encontram vazias por
não terem aberturas para áreas de pensamento como a filosofia, a economia e
sociologia.
Este estudo analisa o desenvolvimento da globalização a partir do
período histórico marcado pelo início das navegações a partir da segunda
metade do século XIV, dedicando-se a pensar a quebra das fronteiras dos
Estados-nações como continuidade de um processo violento e massacrante
iniciado em terra, e levado ao mar sob a justificativa da conquista de novos
mercados comerciais, riquezas e expansão geográfica.

METODOLOGIA
A metodologia utilizada inicialmente para elaboração desta análise foi a
revisão teórica baseada nos ensaios realizados por Peter Sloterdijk, mais
especificamente nas obras Esferas II e Palácio de Cristal, além de leituras
paralelas que tratam do processo de globalização por uma perspectiva
complexa e formada por uma teia de fatos históricos, sociais e políticos que
resultam no processo de globalização que acompanha a humanidade nos dias
atuais.

RESULTADOS E DISCUSSÕES
A palavra globalização tornou-se uma palavra muito comum e também
um adjetivo para se compreender diversas dimensões da vida social:
globalização econômica, globalização cultural, globalização política, etc.
Porém, a análise do processo de globalização exige uma cuidadosa atenção a
diferentes características que muitas vezes passam despercebidas aos olhares
de quem a analisa. Sua popularidade não foi capaz de diminuir sua importância
e a necessidade cada vez maior de aprofundamento das suas influências na
vida contemporânea.
A globalização exprime a idéia de que o mundo é um globo, uma esfera.
Há muito tempo o homem sabe que a terra é esférica, neste sentido, o mundo
globalizou-se e fez-se mais redondo do que já era. A idéia de que o mundo era
plano representou para a sociedade a idéia de que era infinito, impossibilitando
sua conquista, seu conhecimento. Mas a partir da aceitação de que o mundo
era esférico, sua conquista pareceu possível, transformando-se em um objeto a
ser conhecido e conquistado (HINKELAMMERT, 2007).
É este processo de conquista que destacamos neste estudo como uma
das fases mais cruéis da humanidade. Esta globalização foi possível pelo uso
da violência física e imposição de um modelo político-cultural europeu.
Destacamos nesse processo de expansão geográfica e econômica os
corsários, piratas e comerciantes que faziam parte de um grupo social sem
nenhum valor moral humanista, e que foram capazes de devastar todo o
mundo em busca do reconhecimento como heróis. Fizeram isso ao custo de
inúmeras vidas.

CONCLUSÂO
O aprofundamento nos estudos acerca do processo de globalização nos
evidencia que este processo não se deu de forma ingênua, mas pelo contrário,
por ser histórico, foi representado de diferentes maneiras pelos seres humanos,
tanto na cultura, na religião, na política e em outras dimensões da vida social e
seguiu cuidadosamente uma estratégia de pensamento. É também importante
ressaltar que o processo de globalização não se deu de forma igualitária em
todas as nações, o que resultou em realidades sócio-econômicas e culturais
distintas.
Neste trabalho pudemos nos direcionar a uma fase específica do
processo antigo da globalização e percebemos o seu caráter violento e
devastador no que se refere à expansão espacial das idéias, das economias e
culturas. Este processo que ocorreu em nome do progresso, foi marcado pelo
sangue daqueles que tentaram ou não conseguiram resistir às forças
globalizantes. Segundo Sloterdijk (2008, p. 130), “a globalização terrestre,
como a história do mundo em geral, é talvez o crime que só se pode cometer
uma vez”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAUMAN, Zygmunt. Globalização: As conseqüências humanas. Rio de Janeiro:


Jorge Zahar Editor, 1999.

HALL, Stuart. A identidade cultural da pós-modernidade. São Paulo: DP& A,


2000.

HINKELAMMER, Franz. A globalidade da terra e a estratégia da globalização.


In: Boron, A. A.; Amadeo J.; González, S.. A teoria marxista hoje: problemas e
perspectivas. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciências Sociales –
CLACSO, São Paulo: Expressão Popular, 2007.

SLOTERDIJK, Peter - Palácio de Cristal: Para Uma Teoria Filosófica da


Globalização. Lisboa: Relógio D'Água, 2008.

SLOTERDIJK, Peter. Esferas II: Globos. Macrosferología. Siruela, Madrid.


2004.