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***BIO DIREITO***

01 / 02 / 2.010

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

• Bioética: antes do direito, princípios éticos;

• Biodireito: sob as determinações da CF;

• Direitos de personalidade;

• Direitos humanos;

• Direito de informação;

• Transfusão de sangue;

• Direito à vida;

• Aborto;

• Direito à morte: o que é morte digna;

• Reprodução assistida;

• Clonagem humana;

• Doação de órgãos;

• Sexualidade;

• Biotecnologia;

• Meio ambiente.

BIBLIOGRAFIA

Não há necessidade de livros, mas se quiser Maria Helena Diniz

METODOLOGIA DE AULAS

Expositivas, discussão de casos, onde necessita participação dos alunos, leitura de textos e seminários.

AVALIAÇÕES

Avaliação continua: chamada oral, mas com conteúdo simples. As perguntas serão baseadas nas aulas e seminários.

Avaliação semestral: três questões discursivas teóricas, não vai pedir conceitos.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A DISCIPLINA

***Por que no curso de direito existe essa disciplina?


R: Se observarmos as evoluções tecnológicas perceberemos facilmente as evoluções na medicina, as quais geram direitos.

Exs:

1- Mudança de sexo;

2- Maneiras de conceber filhos, etc.

Desta forma, evidente se faz os dilemas éticos.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


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Exs:
1- O que se pode dizer sobre manter alguém em estado vegetativo por anos;
2- O que pode se dizer sobre mudança de sexo;

Vez que surgiram essas questões, o estado precisou intervir, afinal trouxe dilemas sobre a vida, sobre a morte, etc.

HISTÓRICO

Bioético: termo que foi empregado pela primeira vez em 1.981 (autor americano), cujo autor deste termo visava utilizá-lo como proteção à
biologia, ou seja, criou esse termo pensando em conservar a terra e melhorar a qualidade de vida.

Logo, no início a bioética tinha um compromisso de conservar o planeta e melhorar a qualidade de vida, mas hoje é totalmente diferente,
eis que é muito mais amplo.

CONCEITOS

BIOÉTICA:
É o estudo sistematizado das invenções morais da ciência da vida e do cuidado com a saúde. Utilizando uma variedade de metodologias
éticas, num contexto multidisciplinado.

*** Sempre que se pensa em moral, se pensa em ética, mas afinal o que é moral? E, o que é ética?
R: moral e ética se confundem, por muitas vezes, senão vejamos:

Uma pessoa nunca nasce ética, isto se adquire através do convívio em sociedade.

MORAL:
Consiste no questionamento do que é correto ou incorreto, do que é uma virtude ou uma maldade nas condutas humanas. A moralidade é
um sistema de valores do qual resultam normas que são consideradas corretas por determinada sociedade.

Quem constrói o sistema de valores é a sociedade, de modo que, a moral é dada ao indivíduo enquanto a ética não, é interna. O indivíduo
vai passar por situações na vida que vai fazer com que perceba, o que faz a diferença é que a moral é imposta, vem de fora. A moral é
aprendida quando o indivíduo é levado às escolas, convive em grupo familiar, etc., a pessoa age de forma correta porque quer ser aceita
pelos outros, não quer infringir norma moral para não ser criticada.

Quando se fala em ética começa a pensar porque esta agindo assim, começa a se posicionar de forma crítica em relação aos valores
morais.

ÉTICA:
É a percepção, a reflexão dos conflitos da vida psíquica (emoção x razão), e na condição que podemos adquirir ou de nos posicionarmos de
forma coerente em face desses conflitos.

Três princípios básicos da ética:

1. Percepção dos conflitos: que se dá através da consciência;

2. Autonomia: condição de posicionar-se entre a emoção e a razão;

3. Coerência:

*** Então se podemos resolver os conflitos éticos através da reflexão, porque existem os conselhos regionais de medicina, odontologia,
etc.? Qual a função desses conselhos?
R: Traçar diretrizes, mas isso não significa que um conselho vai conseguir fazer com que aqueles que trabalham sejam éticos, logo quando
falamos em conselho estamos pensando em instituição, e quando falamos em ética falamos em pessoa, é óbvio que a pessoa que for
repreendida por um conselho não vai repetir o erro, mas isso não quer dizer que se tornou ético.

A bioética se encaixa dentro da filosofia, foi desenvolvida por médicos e filósofos.

Macrobioética: aborda matérias relacionadas com o meio ambiente e qualidade de vida.

Microbioética: voltada basicamente para o relacionamento entre os profissionais de saúde e os pacientes, entre instituições
governamentais e privadas, e entre as instituições e os profissionais de saúde.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


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Como já mencionado a ética faz parte da filosofia e procura um movimento de descentramento, ou seja, é a capacidade de uma pessoa
deixar de pensar como instituição e pensar individualmente. Logo, ética é um exercício de reflexão.

EXERCÍCIO

Comentar os dilemas éticos sobre o aborto entre os colegas de sala, pensando sobre a dignidade da pessoa humana e do direito à vida.
Sendo que, nesse caso, uma mulher simplesmente engravidou e não quer a criança.

Direito à vida: a ciência não sabe ao certo quando a vida em início, logo o direito adotou como marco inicial da vida o momento da
concepção.

Dignidade da pessoa humana: disponibilização do corpo.

***Assim podemos debater sobre aborto com base em princípios de direito, mas agora pensando em ética (sem lembrar-se de direito),
como fundamentar uma decisão contra o aborto?
R: Quando se depara com essa situação, e olha para o feto o que se vê é uma pessoa, sendo assim fica fácil se ver no lugar daquele feto, e
isso fere, afinal conseguimos nos visualizar sendo morto.

***Como pensar numa mãe que quer fazer aborto, se posicionando a favor dela?
R: Serve como argumento analisar as condições a que esta mãe verá o filho crescer.

***Mas, se pensarmos só na mãe, e não na criança, como defender o aborto?


R: Pode-se ressaltar o campo estético onde a mãe não quer ter seu corpo transformado; Também pode acontecer de na visão da mãe, ter a
gravidez como um prolongamento dela, porque até que nasça depende totalmente dela, de modo que, acredita que tem o direito de
interromper, afinal faz parte dela.

A ética existe muito antes do direito, e se reflete: o que é um ser humano, o que é a vida, etc., e só lá na frente com a constituição da
sociedade é que vai ser criada a legislação.

Não existe doutrina na bioética, porque os comitês são formados não só por médicos, mas também por psicólogos, cientistas sociais,
juristas, sendo assim, é multidisciplinar.

***Quando utilizarmos o termo bioética estaremos sempre falando em ética de relação entre médico x paciente?
R: Não, esse é apenas um dos assuntos de que trata a bioética, de modo que é muito mais amplo.

Exs:

1- Pesquisas que se faz em animais para trazer benefícios aos humanos;

2- Clonagem humana, etc.

PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA

Como já foi dito essa terminologia começou nos EUA, portanto, os americanos foram os primeiros a desenvolver os princípios conhecidos
como principialismos.

Neste contexto, os princípios tinham como objetivo funcionar como regras, dentro de parâmetros morais no desenvolvimento da pesquisa e
desenvolvimento biológico.

Em 1.974 o congresso americano criou uma comissão nacional para proteção dos seres humanos em pesquisas biomédicas e
comportamentais, objetivando identificar princípios básicos que norteassem a investigação envolvendo seres humanos.

Ao término desse trabalho foram formulados quatro princípios:

1- Princípio do Respeito à Pessoa e Autonomia;

2- Beneficência;

3- Não maleficência;

4- Justiça.

A idéia é fornecer um paradigma ético conceitual para orientações das decisões concretas. Esses princípios foram construídos a luz teórica
filosófica chamada UTILITARISTA.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


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E o principialismo começou a receber muitas críticas porque naquela situação não havia como respeitar todas as regras, de modo que, um
princípio precisará ser superior ao outro para que se chegue a um resultado.

Na próxima aula, estudaremos cada um dos princípios, lembrando que para analisarmos todos os casos em concreto precisaremos nos
basear nos princípios e na lei.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


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08 / 02 / 2.009

Faltei – matérias: Rosária, Lilian e Beatriz.

→Utilitarismo
Críticas;

→Princípios da Bioética:
1- Beneficência;
2- Não-maleficência;
3- Autonomia.
- Kant
- J. Stuart Mill
4- Justiça
- Aristóteles;
- Rosseau;
- Hobbes.

Princípio americano – Principialismo

UTILITARISMO:

É a filosofia básica dos princípios da Bioética, e postula que todos os homens procuram a felicidade, evitando a dor, onde a finalidade dos
atos do homem é atingir a felicidade no máximo possível.

Ética: encontrar os atos que trazem mais felicidade para o ser humano, tornando-se moralmente aceitos, ou seja, o ato moralmente bom é
aquele que produz o bem para o maior número de pessoas. O utilitarismo não atende a todas as pessoas.

CRÍTICAS

1ª. Crítica: prazer e bem não são necessariamente as mesmas coisas.

2ª. Crítica: as normas que trazem o bem para a maioria das pessoas negligenciam ou violam os interesses dos grupos minoritários;

3ª. Crítica: não há como definir felicidade por ser algo subjetivo.

PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA

O Utilitarismo foi usado como paradigma para criação dos princípios da Bioética para solução de conflitos da biomedicina.

l- BENEFICÊNCIA
Está associado ao juramento hipocrático, que todo médico faz ao exercer sua profissão, onde se compromete a ajudar quem necessita de
acordo com sua habilidade e julgamento, e, nunca para o prejuízo, ou seja, ajudar aos que necessitam, e, diante do juramento significa tão
somente fazer o bem.

Beneficência = fazer o bem.

Beneficência é a obrigação moral de agir em beneficio do outro, fornecer o melhor para o paciente do ponto de vista ético, sendo que na
tomada de decisão deve ser considerada a minimização dos riscos e maximização dos benefícios, como estabelece o Utilitarismo.

Para que o beneficio possa ser aplicado são necessárias duas ações:

a- Prevenir e remover o mal ou o dano, a doença ou a incapacidade do paciente;

b- Fazer o bem no sentido da saúde física, mental e emocional.

Bem: é uma atitude positiva, onde se pensa no cálculo dos benefícios X riscos X custos.

ll- NÃO-MALEFICÊNCIA:
De acordo com esse princípio, o profissional de saúde tem o dever de intencionalmente não causar nenhum dano ao paciente. O que se
quer é evitar a negligência médica e de profissionais de saúde em geral.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


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É um principio próximo da beneficência ficando difícil aplicar ambos, em alguns casos, isso porque ao tentar fazê-los tem-se um risco para
os pacientes, ocorrendo um choque ao aplicar os dois.

Ex: fazer exame de sangue em hipo..., que se sabe que coagula o sangue, até que ponto é bom fazer o exame?

lll- AUTONOMIA:
É a capacidade da pessoa para decidir / fazer / buscar aquilo que ela julga ser o melhor para si mesma.

Para seu exercício são necessárias duas condições:

a- Capacidade para agir intencionalmente: que pressupõe a compreensão, a razão e deliberação para decidir coerentemente
entre as alternativas apresentadas;

b- Liberdade: no sentido de estar livre de qualquer influência controladora para tomada de qualquer decisão;

Respeitar a autonomia do outro é respeitar os valores e as convicções dos outros, e o profissional de saúde deve observar essa situação
com relação aos pacientes, por determinação de princípios, vejamos:

• Constitucionalmente: temos o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana; e,

• Na filosofia:

Kant:
Acreditava que a Dignidade da Pessoa Humana vem da condição de ser moralmente autônoma, por isso merece respeito. Kant diz que se
deve tratar as pessoas como um fim em si mesmas e não como meio.

Em sua opinião, os animais não mereciam tal respeito por não serem moralmente autônomos;

Já no caso do Princípio da Não Maleficência, ninguém poderá ser obrigado a se tratar, e, ainda, quando se faz pesquisas em seres humanos
não se pode obrigar alguém a ser cobaia, mesmo que beneficie o planeta inteiro.

J. Stuart Mill:
Aos seres humanos deve ser permitido que se desenvolvam de acordo com suas convicções pessoais, desde que não interfiram na
liberdade dos outros.

Defende que deve haver consentimento prévio informal, ou seja, o profissional deve informar ao paciente todo efeito colateral, todos os
riscos, benefícios, e todas as reações adversas que possa vir a ter. E, a decisão será sempre voluntária, protagonizada por uma pessoa
autônoma e capaz, de modo que, é muito mais que um contrato ou um acordo feito com o paciente.

Com a popularização do Princípio da Autonomia o paciente deixou de ser objeto para ser consciente de vontade, como alguém capaz de
tomar decisões, isso ocorre quando se dá importância à vontade do paciente, desta forma, terá a liberdade de se submeter ou não ao
tratamento.

Vivemos numa sociedade multicultural onde esse princípio da autonomia é muito utilizado na solução de conflitos. O Princípio da Autonomia
é o que tem mais ganho específico.
Ex: Testemunha de Jeová – o caso do médico é a omissão de socorro, no caso dos menores faz a transfusão de sangue porque são
incapazes, e, portanto, não têm autonomia.

lV- PRINCÍPIO DA JUSTIÇA:


Refere-se a quem deve receber os benefícios e os riscos do tratamento que lhe for prestado, no sentido de distribuição justa ou do que é
merecido.

*** Os iguais devem ser tratados igualmente? Os desiguais devem ser tratados desigualmente?

Ex: UTI um leito, onde dele necessitam um adolescente e um idoso, o raciocínio será de que o idoso já viveu bastante e o adolescente ainda
não, é assim que funciona, de modo que, a idéia do estatuto do idoso cai por terra.

Aristóteles:
A justiça é a disposição de caráter que impele as pessoas a fazer o que é justo, e a desejar o que é justo.

Quanto à justiça, devemos observar que justo é aquele que respeita a lei e injusto é aquele que a desrespeita.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


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Thomas Hobbes:
A justiça só existe a partir da criação do Estado / Contrato Social, ou seja, antes de sua criação, na concepção de Hobbes não havia justiça,
e, nesse caso, é necessário que exista uma autoridade coercitiva, ou podia-se fazer qualquer coisa e nada seria injusto.

É necessário que haja uma autoridade coercitiva para fazer a apreciação do bem.

Quem vai definir o que é justo é o Estado, que será o arbitro e vai dar a cada um o que lhe pertence.

Rousseau:
É a passagem do estado da natureza para o estado civil, que vai inserir o instinto de justiça de forma a dar moralidade as ações humanas,
ou seja, só existe justiça e moral através do estado.

Sendo assim, neste caso, surge o Princípio da Igualdade, onde todos os membros do estado têm os mesmos direitos e obrigações.

Quando o estado viola o Princípio da Igualdade torna-se injusto.

Já para Hobbes a justiça está sobre o arbítrio do poder estatal.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
01 / 03 / 2.010

BIODIREITO

Definição
Ramo autônomo do direito
Objeto de proteção

Dignidade Humana
Direito à vida

Direitos Humanos
Direitos Fundamentais
Direitos da Personalidade

Divisão dos direitos da Personalidade


- Públicos
- Privados
- Sociais

Trataremos de muitas definições:

BIODIREITO:
É a positivação ou a tentativa de positivação das normas bioéticas. É a positivação jurídica de permissões de comportamentos médicos
científicos, e de sanções pelo descumprimento destas normas.

BIODIREITO COMO RAMO AUTÔNOMO DO DIREITO:


Biodireito se caracteriza como estudo jurídico sobre a legislação a cerca dos procedimentos e dos limites impostos as experimentações
médico científicas, tendo como base a bioética.

*** Em que se difere biodireito da bioética?


R: Bioética se refere ao estudo ético filosófico do mesmo objeto do biodireito, e o biodireito da legislação que cuida a respeito da vida e da
saúde.

Objeto de proteção do biodireito: saúde e vida humana, através das normas jurídicas.

Biodireito não é a mesma coisa de direito no sentido de ser uma disciplina dogmática, mas é um subsistema do direito, no sentido de que
estuda tudo que está relacionado com a vida e com a saúde, não é, portanto, uma doutrina.

Também não existe no biodireito e na bioética algo que os separem, por isso, não são compatibilizados, caminham lado a lado, onde a
bioética informa os acontecimentos e o biodireito vai dizer quais são as normas. Por isso não se espera encontrar no futuro um código de
biodireito.

DIGNIDADE HUMANA:
Na Constituição Federal, art. 1º, lll: é encarada por boa parte da doutrina como fundamento do estado democrático de direito, e, como base
de todo ordenamento jurídico.

Conseqüentemente não podem o biodireito e a bioética reduzir o ser humano a coisa, em vista da dignidade da pessoa humana.

Não foi a dignidade humana inserida no rol dos direitos fundamentais da CF, que se encontram no art. 5º, mas foi colocada no artigo 1º
dando a entender que é um princípio absoluto.

Definição de dignidade humana: é valor espiritual e moral inerente a pessoa que se manifesta na autodeterminação consciente e
responsável da própria vida.

O direito à vida, á intimidade, e, demais direitos fundamentais, aparecem como conseqüência imediata da consagração da dignidade da
pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil.

*** De acordo com essa definição sobre dignidade humana, quando houver um conflito o que vai prevalecer?
R: Dignidade da Pessoa Humana, eis que não faz sentido ter direito à vida, direito à liberdade, se não existir a dignidade.

*** Qual o princípio relacionado à dignidade humana da bioética?

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
R: Autonomia, na Constituição Americana a proteção à dignidade humana é vista como princípio absoluto, e não existe corrente contrária,
na Constituição Brasileira é vista como direito absoluto por parte da doutrina, eis que, muitos entendem que o princípio do direito á vida é
mais importante, é o que diz o art. 5º da CF. Para essa corrente o direito a vida é o maior bem garantido pelo estado democrático de direito.

DIREITOS HUMANOS:
São aqueles válidos para todos os povos, em todas as épocas se constituindo de cláusulas mínimas que o homem deve possuir em face da
sociedade em que está inserido.

DIREITOS FUNDAMENTAIS:
*** Qual a diferença entre direitos fundamentais e direitos humanos?
R: Direitos fundamentais são direitos humanos positivados codificados, ou seja, são aqueles que o estado escolhe para compor sua
legislação, ou seja, nem todos os direitos humanos são fundamentais, eis que, os que não estiverem positivados não são fundamentais.

DIREITOS DE PERSONALIDADE:
São aqueles que surgem dos atributos da pessoa humana sem os quais a mesma não pode existir. Os direitos de personalidade estão
inseridos no rol de direitos fundamentais agora nem todos os direitos fundamentais são direitos de personalidade.

Ex: direito fundamental que não é da personalidade: direito político.

Divisão dos direitos da personalidade:

a- Direitos públicos da personalidade:


São aqueles inerentes a pessoa humana tutelados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, tem por objetivo a defesa e proteção
do indivíduo contra os atos praticados pelo estado.

Então essa “Declaração dos Direitos Universais do Homem” foi elaborada na França depois da Revolução Francesa, onde a idéia era limitar
os direitos do estado que era monárquico, de modo que, estabelecia para o estado uma negação, ou seja, o estado deixa de fazer para
proteger o indivíduo.

b- Direitos de personalidade privados:


São aqueles inerentes a pessoa humana regulados pelos aspectos privados da personalidade, ou seja, a mesma coisa do direito público,
mas aqui a relação não é entre a pessoa e o estado e sim entre indivíduos.

c- Direitos da personalidade sociais:


São certos direitos humanos que se encontram na categoria social e econômica, por exemplo, direito ao trabalho, ao lazer, a previdência, a
saúde.

O que vai interessar para estudarmos aqui são os direitos públicos e na maioria das vezes o privado.

Uma das grandes inovações do CC de 2002 foi dedicar uma grande parte dos arts. 11 aos 21, aos Direitos da Personalidade, mas isso não
foi inovação nenhuma porque a CF já nos protegia no art. 5º.

Agora existem cinco ícones que os direitos da personalidade que protegem:

1- Direito à vida e a integridade física;

2- Direito à honra;

3- Direito à imagem;

4- Direito ao nome;

5- Direito à intimidade;

*** Quem a lei protege com o Direito à vida?


R: As pessoas.

*** E, com respeito ao nascituro, ou seja, aquele que ainda não nasceu como a lei protege? Que tipo de personalidade jurídica tem o
nascituro? A lei protege o nascituro da mesma forma que protege uma pessoa já nascida?
R: Então, o nascituro tem personalidade jurídica formal, ou seja, a lei protege a vida, lhe garante alimentação, nome, imagem e integridade
física, o que difere hoje, na doutrina é que antes essas estabeleciam que os nascituros tinham apenas uma expectativa de direito, hoje, a

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
doutrina entende que já tem esse direito, agora o nascituro não tem personalidade jurídica material, portanto, não tem direito aos bens
patrimoniais, isso só vai ser adquirido com o nascimento com vida.

Existem quatro características do Direito de Personalidade:


1- Direitos absolutos;
2- Direitos disponíveis;
3- Direitos imprescritíveis;

4- Direitos extra patrimoniais.

Art. 11 do CC: estabelece que os direitos de personalidade são irrenunciáveis e intransmissíveis, que significa dizer que a pessoa pode ter
a vontade que quiser de estar alienada desses direitos, mas de acordo com a lei isso não é possível, e isso entra em conflito com os
princípios da autonomia, onde a pessoa deixa de ter o direito de fazer o que quiser com a própria vida.

E também são absolutos no sentido de serem “erga omnes”, ou seja, toda comunidade tem o dever de respeitar os direitos de
personalidade, o que entra em conflito também com o Princípio da Dignidade Humana, não entendi o por que.

Embora o art. 11 declara que são irrenunciáveis, intransmissíveis, isso não significa que o titular não possa ceder o exercício desses
direitos, o que não pode é ceder à titularidade.

Ex: No caso do biodireito o que pode ser cedido seria, por exemplo, um órgão desde que seja duplo, por exemplo, os rins, pulmões, ou
órgão que se recompõem, por exemplo, parte do fígado, sangue, medula óssea, etc.

Os direitos de personalidade são irrenunciáveis, vejamos um exemplo bem clássico:

Aconteceu na França, onde havia um espetáculo numa balada noturna, onde anões eram colocados dentro de canhões e expelidos no ar, e,
aquele que conseguisse lançar o anão mais longe vencia a disputa. O poder judiciário vetou esse espetáculo, sendo que os próprios anões
foram contra tal decisão, afinal perderam seus empregos. Assim sendo, ingressaram com recurso através da promotoria na tentativa de
revogar a ordem, mas perderam porque a promotoria entendeu que esse trabalho feria a dignidade da pessoa humana, e, esta não pode
ser vendida ou negociada.

Art. 12 do CC: trata da imprescritibilidade dos direitos da personalidade.

*** E o direito de indenização, é imprescritível?


R: Os direitos de agir num pedido de indenização quando o direito de personalidade for violado não é, de acordo com o art. 206, § 3º, V do
CC, estabelecendo três anos para prescrição, nesse caso.

Art. 13 do CC: proíbe a disposição do próprio corpo quando houver diminuição da integridade física de forma permanente a não ser que
seja por exigência médica. Quando se fala de corpo aqui, está incluso a parte psíquica.

Então corpo é visto pelo direito como um bem jurídico e está profundamente relacionado com o Princípio da Dignidade Humana, ou seja,
não se pode fazer o que se quer com o corpo. O corpo então deve ser visto como uma totalidade que inclui partes orgânicas e inorgânicas.
Inorgânicas são próteses, por exemplo.

*** Como fazer uma cirurgia para amputar parte do corpo em que o indivíduo não quer?
R: porque o sujeito se sente indigno por não mais tê-la, isso vai depender da maneira em que o juiz entender ser mais relevante o Princípio
do Direito à Vida ou o Princípio da Dignidade Humana, na maioria das vezes no Brasil, será protegida à vida, mesmo em detrimento da
vontade do sujeito. E, quem pede autorização para fazer a referida cirurgia é o próprio hospital, eis que, aqui o que prevalece é o direito à
vida, de forma totalmente contraria dos EUA, em que prevalece a vontade do indivíduo.

Ex: na Holanda, um sujeito teria que amputar todos os membros e viver só com o tronco, caso em que pediu para morrer e foi concedido,
afinal não se sentiria digno.

Corpo não é direito real, é direito da dignidade.

Você pode transplantar um órgão se este for duplo, ou se não houver nada que prejudique a saúde do doador, sem contar que nunca
poderá ser comercializado, deverá sempre ser gratuito.

*** O que dizer sobre o sangue? Pode ser alienado?


R: Existe alienação gratuita, ou seja, pode ser doado porque é um órgão que se regenera, inclusive a medula óssea, no mesmo sentido, eis
que, é regenerável.

*** O que se pode dizer do esperma? Por que uma pessoa doa esperma, com qual finalidade?
R: Para reprodução assistida, da mesma forma, só de forma gratuita, e pode ser doado depois da morte do doador.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***

Art. 13 do CC: veda a disposição de parte do corpo a não ser que haja necessidade médica. Agora necessidade médica pode ser física ou
psíquica, e aqui vem a questão da transexualidade.

*** Como fica o juiz diante de um pedido para mudança de sexo?


R: A jurisprudência brasileira tem entendido que é possível fazer mudança de sexo e inclusive tem registrado o indivíduo com novo nome de
acordo com o sexo que escolheu, e a base disso é o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
08 / 03 / 2.010.

Faltei – matérias: Beatriz e Rosária

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Art. 14 do CC: torna possível a doação do próprio corpo após a morte, para fins de transplante.

Para tanto será necessário:


1- Que o doador seja capaz;
2- Declaração de anuência por escrito do próprio falecido, ou dos parentes mais próximos até 3º grau;
3- A doação de órgãos só pode ser feita a título gratuito.

SUBMISSÃO A TRATAMENTOS OU CIRURGIAS

Art. 15 do CC: ninguém será submetido a tratamento ou cirurgia que coloque a vida em risco, porque isso gera conflito entre os Princípios
da Dignidade da Pessoa Humana e o do Direito à vida.

Princípio da Dignidade da Pessoa Humana como princípio absoluto: o paciente poderá optar por fazer ou não referido tratamento ou
cirurgia.

Na doutrina prevalece o Princípio do Direito à Vida: ou seja, o paciente será submetido ao tratamento ou cirurgia independentemente
da sua vontade. E, o mesmo prevalece para a não realização de tratamento ou cirurgia, baseados em convicções religiosas.

O STF se posiciona favoravelmente ao Princípio do Direito à Vida em qualquer situação, seja por convicção religiosa, ou por simples
manifestação de não vontade.
O Princípio da Beneficência traz a idéia de que o médico sabe o que é melhor para o paciente.

O Direito Constitucional não atente as necessidades do Biodireito, falta legislação parar conflitos médicos.

Nota: Havendo tratamento alternativo, o paciente poderá escolher por qual quer submeter-se.

DIREITO À INFORMAÇÃO

Trata-se de Direito Fundamental, que se encontra em diversas legislações, nacionais e internacionais, vejamos:

1- Declaração Universal dos Direitos Humanos (XlX);


2- Declaração de Lisboa / Assembléia Geral;
3- Declaração da Associação Médica Mundial;

4- Código de Ética Hospitalar Brasileiro;

5- Código de Ética Médica.

1- DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS:


Estabelece no XlX, que é direito do paciente buscar informações sobre seu estado de saúde, e as possíveis intervenções para seu caso. Ou
seja, inclui ao paciente o direito de dar opiniões, receber e transmitir informações e idéias por qualquer meio independentemente de
fronteiras.

2- DECLARAÇÃO DE LISBOA / ASSEMBLÉIA GERAL:


Foi adotada por meio de assembléia geral e serviu como parâmetro para vários países.

- Estabelece que o paciente tenha o direito de ser informado integralmente sobre as anotações em qualquer registro médico, sobre seu
estado de saúde.

- Existe a possibilidade do paciente não ter conhecimento do seu estado de saúde, mas trata-se de exceção, afinal isso só será possível
quando o médico entender que a informação possa deixar o paciente em demasia, colocando sua vida em risco, nesse caso, o médico
poderá deixar de informar sua real condição de saúde.

- O paciente deve ser informado levando em consideração o seu nível de conhecimento, isso com relação a termos técnicos, afinal o médico
não pode usar expressões que fogem ao conhecimento do paciente.

- Direito ao Sigilo: o paciente tem direito ao sigilo de diagnóstico e prognóstico mesmo após sua morte.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
3- CÓDIGO DE ÉTICA HOSPITALAR
- Em âmbito nacional o paciente ou responsável tem direito irrestrito sobre as informações referentes à sua saúde.

- Ainda mais importante, é que o paciente deve ser informado de todas as alternativas de tratamento pertinentes ao seu caso.

Nota: importante na questão da transfusão de sangue, afinal é explicito em documento quem vai representar o paciente.

4- CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA


- Estabelece que o médico, além de informar o paciente de todos os tratamentos possíveis, não pode impedir que o paciente decida
livremente sobre o tratamento que deseja fazer;

- Art. 5º, XlX da CF: estabelece o Direito à Informação, como direito fundamental;

- Art. 6º, lll do CDC: estabelece o Direito à Informação como direito básico do consumidor, quando declara que o consumidor deve ter
informação clara e adequada sobre todos os tipos de produtos e serviços, sendo que nestas informações, principalmente nos casos de
medicamentos, devem estar descritos também os riscos, efeitos colaterais, etc.

CONSENTIMENTO PRÉVIO INFORMADO

Estas legislações existem para constituir o “Consentimento Prévio Informado”, visando uma comunicação direta e clara entre médico e
paciente, para então adequar tratamento. Sendo que através deste consentimento prévio informado o paciente vai declarar que tem
condições de escolher um dos tratamentos apresentados, através de uma decisão autônoma. Lembrando que o médico não está obrigado a
conhecer de todos os tratamentos, caso em que, poderá indicar outro profissional.

Não havendo o consentimento prévio informado o médico poderá responder por negligência criminalmente.

Autonomia do paciente não se refere à simples decisão, afinal sua decisão pode ficar comprometida, visto sua dificuldade para obter
informações.

Requisitos para o Consentimento Prévio Informado são três:

1- Competência ou capacidade;

2- Informação;

3- Consentimento.

Caso o paciente não queira receber tais informações, o médico deverá estabelecer essa situação formalmente, para que não seja
responsabilizado, e, em se tratando de cirurgia deverá contatar a família ou o representante legal do paciente.

Art. 34 do Código de Ética Médica: traz uma exceção, afinal confere ao médico o direito de não informar o paciente do seu estado de saúde,
caso essa informação possa agravar seu estado de saúde, aonde o médico chega à conclusão de que não vale à pena.

- Impossibilidade Temporal: outra exceção, afinal trata dos casos de emergências onde o paciente está inconsciente, e não dá para
esperar que acorde para obter consentimento, nesse caso, o médico não será responsabilizado. Ex: acidente.

SIGILO MÉDICO

Onde a privacidade e a confidencialidade são dois itens importantíssimos:

- Privacidade: é a limitação do acesso às informações de uma pessoa por terceiros (art. 73 do CEM, art. 229, l do CC, arts. 154, 268 e 269
do CP).

- Confidencialidade: é a garantia do resguardo às informações prestadas (art. 73 do CEM, art. 229, l do CC e arts. 154, 268 e 269 do CP).
Estabelece ao médico o direito de manter sigilo de todo conhecimento que tenha em virtude de sua profissão, respeitando esses dois
requisitos.

Exceção: por motivo justo que se justifica com o risco de vida do paciente, tem o dever legal, ou com o consentimento por escrito do
paciente.

O artigo 229, l do CC c/c arts. 154 268 e 269 do CP: garantem o direito de manter sigilo respeitando os itens de privacidade e
confidencialidade que o médico deve ao paciente, exceto quando houver justa causa, onde ocorre o dever legal de informar, devido o risco
de vida do paciente, ou por autorização por escrito do próprio paciente.

- STF: declarou ilegal a exigência de informações sobre pacientes de hospitais / clínicas;

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
- STJ: declarou a obrigação dos hospitais / clínicas fornecerem informações quando tratar-se de Ação Penal. Baseando-se no fato de que o
interesse social na elucidação do crime deve prevalecer em relação ao sigilo, mas apenas para os casos de Ação Penal Pública
Incondicionada.

MENOR DE IDADE: o menor tem direito ao sigilo, caso o menor tenha discernimento para entender seu próprio problema e se conduzir a
uma solução sozinho. Isso é muito comum em terapias / tratamentos psiquiátricos, psicológicos. Neste caso, o médico não tem obrigação de
informar os pais, caso as informações não vão alterar o quadro clínico em decorrência da informação.

Mesmo após a morte este sigilo deverá ser respeitado, por força do art. 209 do CP, isso porque se entende que violar o sigilo seria um
desrespeito ao morto, e, sendo assim, o médico não é obrigado a afirmar nada.

PESSOA PÚBLICA: quando a pessoa tem vida pública, o médico pode revelar algumas informações, que considerar pertinentes, por força
da Resolução nº. 1.701/2.003 do CFM, o médico tem autonomia para decidir quais informações vai revelar desde que a faça de modo sóbrio,
verídico e impessoal, e não precisa revelar nada detalhadamente.

A BIOTECNOLOGIA criou a “MEDICINA PREDITIVA”, através de exames genéticos podem-se prever quais doenças o indivíduo pode
desenvolver no decorrer da sua vida. O acesso a esse tipo de informação pode ser danoso ao indivíduo, deste modo, o sigilo deve ser
intensificado.

*** Quem está por traz desta informação?


R: Um laboratório.

Boletim Médico: terão acesso a este documento o médico e o próprio paciente. A autoridade policial não tem acesso, o Ministério Público
pode requisitar por via judicial, mas o hospital não tem o dever de enviar tal boletim ao magistrado, se quiser poderá enviar cópia.
O arquivo dessas informações ficam no hospital, tendo o paciente direito a uma cópia, e, ainda, o hospital deverá guardar esse documento
por 20 anos, e só após esse prazo poderá destruir o documento que armazena as informações.

CESSAÇÃO DA OBRIGATORIEDADE DO SIGILO

1- Autorização expressa do paciente;


2- Necessidade de revelar ao paciente seu diagnóstico, mesmo que contrariando a vontade dos familiares;
3- Declaração de nascimento e óbito, onde o médico tem o dever de falar;
4- Quando o médico for difamado, caluniado, injuriado pelo paciente ou por sua família;
5- Notificação de acidente de trabalho;

6- Cumprimento de testemunhar em juízo por justa causa. Ex: paciente sofre de epilepsia, e, exerce função de motorista de
máquinas pesadas. Neste caso, o médico deve avisar a empresa, crimes, doenças infecto contagiosas, etc., isso sempre que o
crime tipifica-se numa ação penal pública incondicionada. Se a ação não for desta espécie, o médico deve ir a juízo com base no
art. 144 do CC, informar que não tem o dever de informar dados, situações, diagnósticos dos seus pacientes, caso em que o juiz
poderá nomear perito.

Exercício: Caso Baby FAE

Em 1.984, uma paciente pediátrica, em estado terminal, por problemas cardíacos, recebeu um transplante de coração de babuíno (macaco)
no Loma Linda University Medical Center / EEUU. Os cientistas sabiam que o coração transplantado não poderia ajudá-la mais que alguns
poucos dias. A paciente sobreviveu apenas 20 dias.

Este caso, apesar de não ter sido o primeiro xenotransplante realizado em seres humanos, desencadeou a discussão de inúmeras questões
éticas. A utilização de um bebê em um experimento não terapêutico, pois a paciente não teria real beneficio com o transplante, foi à
primeira delas. Vários autores discutiram a validade de sacrificar um babuíno, sem que o resultado, já previsto, justificasse o ato. Com
relação ao consentimento informado, dado pelos pais do bebê, chegou a haver uma investigação por um comitê do National Institutes of
Health (NIH) sobre a validade do mesmo. Outro ponto muito discutido foi o da ampla divulgação na imprensa leiga e a possível quebra de
privacidade que ocorreu.

Bailley LL, Nehlsen C, Sandra L, Concepcion W, Jolley WB. Baboon-to-human cardiac xenotransplantation in a neonate. JAMA.
1985,254(23):3321-3329

Kushner TK, Belliotti R. Baby FAE: a beastly business. Journal of Medical Ethics 1985;11(4):178-183.

Proposta: discutir sobre as questões éticas.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
15 / 03 / 2.010
_______________________________________________________________

Transfusão de sangue

Formação e constituição do sangue

Principais componentes do sangue


- glóbulos vermelhos
- glóbulos brancos
- plaquetas
- plasma

Doação de sangue
– art. 124, § 4º da CF
- Lei nº. 1.025/01
- Portaria Ministério da Saúde nº. 1.376/93
- Resolução ANVISA nº. 343/02

Responsabilidade Civil Objetiva


- arts. 948 aos 951 do CC.

Exercício: Paciente Adolescente em Pronto Atendimento

Paciente feminina, 16 anos, solteira, comparece no pronto atendimento, acompanhada de sua mãe, com queixas de náuseas e vômitos de
difícil controle. Refere atraso menstrual. Normal ao exame físico. Feito diagnóstico de gravidez. A paciente ao saber do diagnóstico de
gravidez verbaliza o desejo de levá-la a termo (até o fim). O médico, por suspeitar que a paciente tenha comportamento de risco – uso de
drogas lV – solicita pesquisa do anti-HIV, sem conhecimento da paciente e de seu responsável. O resultado é positivo.

É feita a consulta ao Comitê de Bioética sobre as seguintes questões:


1- Qual a conduta que deve ser tomada pelo profissional que vai atendê-la no pré-natal?
R: Acredito que o obstetra deva pedir a realização de vários exames incluindo o de HIV.

2- A informação do resultado do teste HIV deve ser revelada?


R: o medico vai ter que verificar se a paciente tem condições de administrar a situação dela, sendo assim, o médico deverá contar à
paciente para que ela decida se vai ou não contar à mãe.

3- A quem esta informação deve ser revelada?


- A paciente? Segundo a lei, será a paciente, por ser considerada capaz de se cuidar.
- A mãe da paciente?

4- Qual a conduta frente ao namorado atual da paciente?


R: O médico não pode contar para o namorado, porque a lei assim determina com relação do sigilo. Se a menina tem o HIV ela é que
terá que contar, o médico vai apenas tentar induzi-la a fazer, e se não fizer responderá criminalmente.

5- Qual a conduta frente ao grupo de pessoas que compartilharam o uso de drogas com ela?
R: O médico não vai falar em respeito ao sigilo, vai tentar convencer a paciente que é possuidora do vírus.

6- Qual a conduta frente à gravidez?


R: Não cabe aborto, nos termos da lei. Levar a gravidez até o fim tomando as devidas providências para não contagiar o bebê.

7- Quando a menina descobre que o médico fez o exame de HIV, em que tipo de erro ele incorre? Pelo que será responsabilizado?
R: Violação de ética penal, descrita no tipo penal como negligência, porque não houve consentimento prévio informado.
FORMAÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO SANGUE

O sangue é formado no corpo humano por um órgão chamado medula óssea, responsável por produzir os diferentes tipos de células que
compõem o sangue.

Os principais componentes do sangue são:

1- Glóbulos vermelhos;

2- Glóbulos brancos;

3- Plaquetas;

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***

4- Plasma.

Glóbulos vermelhos: são células que dão ao sangue essa característica avermelhada que serve para o transporte de oxigênio.

Glóbulos brancos: tem como função o combate as infecções, o que significa que quando o paciente esta com infecção o número de
glóbulos brancos aumentam para destruir a infecção.

Plaquetas: tem função de combater a hemorragia, ou seja, quando um vaso sanguíneo sofre um dano, as plaquetas constroem um tampão
para parar a hemorragia. Por isso, quando estas são baixas a hemorragia não se estanca e precisa de transfusão.

Plasma: é o maior componente do sangue, atinge cerca de 55%, e, serve como veículo que corre pelos vasos sanguíneos, sendo
compostos de água, hormônios, etc.

Essa informação é importante mais para frente quando for ver a questão da transfusão de sangue.

DOAÇÃO DE SANGUE

A doação deve ser voluntária, anônima e não remunerada.

Anonimato: o doador não pode saber para quem esta doando e nem o receptor pode saber de onde vem o sangue, aqui no anonimato esta
se tratando de banco de sangue.

Se for questão de emergência poderá ocorrer à exceção ao anonimato.

Ex: aconteceu um acidente e a pessoa precisa do sangue na hora e tem uma pessoa que pode doar. É exceção o caso em que um familiar
tem o mesmo tipo de sangue e vai doar para você.

Nesse caso do anonimato, a pessoa precisa consentir gratuitamente.

Art. 124, § 4º da CF: estabelece que não pode ser oneroso.

E as outras três legislações regulamentam como se dá o procedimento.

TRANSFUSÃO DE SANGUE

DOENÇAS QUE SE TRANSMITEM COM A TRANSFUSAO DE SANGUE

Existem muitas, mas as mais conhecidas são:

1- AIDS;

2- Sífilis;

3- Hepatite B;

4- Malaria;

5- Doença de Chagas.

Isso ocorre porque o exame de sangue não é 100% seguro.


*** Qual o problema?
R: Existe uma coisa chamada JANELA IMUNOLÓGICA, que quer dizer o período em que a doença está no corpo, mas, não foi desenvolvida, e,
esse é o perigo da transfusão de sangue, afinal existe a possibilidade de o resultado dar falso negativo.

No Rio de Janeiro um hospital foi condenado por morte de indivíduos que foram infectados por transfusão de sangue, e, neste caso o
hospital era público, de modo que, a União e o Estado respondem.

O difícil é provar que a transfusão de sangue foi feita justamente na janela imunológica.

O hospital vai responder:


1- Pela transfusão do sangue contaminado;
2- Pela distribuição em condição imprópria do sangue;

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
3- Por omissão em realizar os testes;
4- Pela aceitação de doador sem condição clínica para realização do exame (o que é complicado porque o doador pode falar o que quiser na
entrevista, ou seja, não pode ter pego gripe na ultima semana, deve ter boa condição física, não pode ter tido após os 10 anos sífilis e
malarias, deve ter entre 18 e 65 anos, não pode ter feito tatuagem no último ano, deve pesar mais de 50 quilos, etc.). Pode existir doador
menor de idade, desde que, com autorização dos pais.

Existe um artigo na CF que fundamenta a responsabilidade civil objetiva da parte do estado por ter negligenciado a questão do exame, dos
testes, exame hemofílicos que contagiou os mortos.

RECUSA NA ACEITAÇÃO DA TRANSUSAO DO SANGUE

O objetivo da transfusão é salvar a vida, de modo que, algumas pessoas podem não querer a transfusão, por exemplo:
1- As que têm convicção religiosa;
2- Se fizerem pesquisa em hospitais à maioria dos pacientes que rejeitam a transfusão do sangue são os médicos, pois sabem dos riscos
pertinentes;
3- Existem também os que não são médicos, e, que não querem a transfusão porque tem conhecimentos dos riscos.

No caso dos religiosos o grupo mais conhecido são as Testemunhas de Jeová, baseando-se num texto da bíblia que proíbe a consumação de
sangue tanto via oral quanto venosa. Não aceitam o sangue ou nenhum de seus quatro componentes (glóbulos vermelhos e brancos,
plaquetas e plasma), mas embora não aceitem esses componentes, aceitam um ou outro componente que o compõe como, por exemplo, a
imunoglobina que compõe o glóbulo vermelho, e, isso abre uma possibilidade enorme de obter tratamentos alternativos.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
22 / 03 / 2.010

TRANSFUSÃO DE SANGUE
- Glóbulos vermelhos
- Glóbulos brancos
- Plaquetas
- Plasma

RECUSA DA TRANSFUSÃO
- Escolha individual
- Motivos religiosos
- Testemunhas de Jeová: Atos dos Apóstolos (15:28,29)

TRATAMENTOS ALTERNATIVOS
- Hemodiluição;
- Recuperação sanguínea intra-operatório

CORRENTES DOUTRINÁRIAS
1- Direito de Recusa
Manoel Gonçalves Teixeira
Celso Bastos
Art. 5º, caput da CF, incisos Vl, X
Menores

2- Direito à vida Princípio do Primado do Direito


Mais relevante
Art. 135 do CP.

AUTORIZAÇÕES JUDICIAIS
Conselho Regional de Medicina, SP
Art. 5, caput
Art. 196 da CF

TRANSFUSAO DE SANGUE

RECUSA DAS TRANSFUSÕES:


O objetivo desta é proteger a vida do paciente.

Como já vimos existem dois tipos de pessoas que recusam a transfusão:

1- Escolha pessoal: de modo geral, pessoas que sabem dos riscos da transfusão, profissionais da saúde ou não;

2- Motivos Religiosos: outro grupo de pessoas que recusam por motivos religiosos, sendo as Testemunhas de Jeová, o grupo mais
famoso.

- Testemunhas de Jeová: Atos dos Apóstolos (15:28, 29)

As testemunhas de Jeová fundamentam sua escolha numa passagem bíblica que se encontra nos Atos dos Apóstolos que se refere a atos do
comando de se abster de entre outras coisas de sangue, portanto, as testemunhas de Jeová com base neste texto rejeitam qualquer tipo de
sangue, seja por transfusão, ou ingerir por alimentos ou remédios.

Além, de não aceitarem o sangue, não aceitam nenhum dos quatro componentes principais do sangue, contudo aceitam frações dos
componentes principais, porque essas frações não são sangue, são componentes que se juntarem a outros componentes tornam-se sangue.

Ex: as Testemunhas de Jeová aceitam a imunoglobina, mas não aceitam o sangue, e a imunoglobina é componente dos glóbulos vermelhos.

Isso que parece um detalhe insignificante, mas na hora de uma cirurgia o que falta ao paciente for à imunoglobina e se for aceita, resolve o
problema.

TRATAMENTOS ALTERNATIVOS

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
Por isso o que as Testemunhas de Jeová aceitam, é o que a medicina chama de tratamentos alternativos, que incluem remédios que
acabam estimulando a produção do sangue, que fornecem a fração do componente sanguíneo que o paciente precisa, bem como,
instrumentos cirúrgicos.

- Hemodiluição: o anestesista acrescenta fluídos como água, ou outras substâncias ao sangue, de modo que, o sangue não fica tão
espesso, mas aumenta o volume do sangue, não a quantidade, mas resolve se o problema é a falta de sangue.

- Recuperação sanguínea intra-operatório: é outra técnica cirúrgica onde o sujeito está na mesa operatória, e perdendo sangue, caso
em que se faz acoplar ao corpo dele uma máquina “Cell-Sater”, que tira os detritos as células mortas do sangue, ou seja, limpa o sangue, e
volta para o corpo, e, assim o sangue não sai do corpo. É diferente da hemodiálise porque aqui o sangue é tratado e a máquina é acoplada
ao corpo onde a idéia é fazer com que a máquina que leva o sangue para fora do corpo esteja acoplada ao corpo, ou seja, está diretamente
ligada ao corpo. Existem outras nomenclaturas para esta máquina, mas o professor não sabe.

CORRENTES DOUTRINÁRIAS

1- Direito de Recusa:
(Manoel Gonçalves Teixeira, Celso Bastos)
Art. 5º, caput, incisos Vl e X da CF.

De acordo com essa corrente doutrinária, o paciente tem fundamento na CF para recusar a transfusão de sangue, com os seguintes
fundamentos:

1º- Porque a CF é regida pelo Princípio da Dignidade Humana, donde a pessoa tem a dignidade que deve ser respeitada;

2º- Princípio da Legalidade, onde o paciente não é obrigado a aceitar tratamento que não seja da sua escolha.

3º- Existe também o Direito à Liberdade, que está estabelecido também na CF.

Sendo assim, a recusa ao tratamento médico constitui Direito Fundamental do paciente, que pode ser exercido inclusive contra o estado, ou
seja, contra o poder judiciário, porque qualquer intromissão na escolha do indivíduo fere o Direito de Liberdade.

Essa corrente ainda é minoritária no Brasil, mas tem ocorrido mudança a favor dela.

*** Quem é o titular dos direitos fundamentais?


R: é o paciente, o cidadão e não o estado.

Isso significa dizer que o estado embora tenha o dever de proteger a vida dos cidadãos, no sentido físico e psíquico, quem é o titular do
direito é o indivíduo e não o estado.

No art. 5º, caput da CF: o indivíduo tem o direito de ter sua vida inviolada.
(...)
Vl- estabelece o direito à liberdade religiosa;
(...)
X- direito à privacidade;

Então, o que esta corrente defende, é que se pensarmos que o princípio norteador dos direitos fundamentais é a dignidade humana, e
depois trataremos de todos os demais princípios, vamos chegar à conclusão que o direito de escolha não gera conflito, pois acabam todos
os princípios sendo vistos num conjunto.

A base do entendimento é que o titular do direito a vida é o ser humano e não o estado.

Além do que, se nos lembramos de direitos humanos entende-se, que esses direitos, principalmente, o da liberdade, fazem parte do que a
doutrina chama de “Liberdade Pública”, o que implica no fato de que o estado deve deixar de agir, ou seja, deve ter ações negativas a
respeito da liberdade individual, portanto, o estado não pode se intrometer na escolha do indivíduo.

O art. 5º da CF, fala em inviolabilidade, o problema é que a doutrina confunde os conceitos.

INVIOLABIILIDADE ≠ INDISPONIBILIDADE

Inviolabilidade: a CF garante ao indivíduo em relação à vida, ou seja, o estado tem o dever de proteger a vida em relação a qualquer
ameaça de terceiro, o que não significa dizer que a vida é indisponível.

Indisponibilidade: se fosse indisponível, nem o titular do direito à vida poderia dela dispor, mas isso não está determinado na CF.

Portanto, não são sinônimos, e indisponibilidade não se aplica ao indivíduo quando o estado diz que tem o dever de proteger a
inviolabilidade da vida.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***

MENORES

Essa corrente entende que os pais estarão cumprindo sua obrigação com sua responsabilidade para com seus filhos, a partir do momento
em que, procuram ajuda médica.

Portanto, os pais não devem ser responsabilizados, e deles não deve ser retirado o pátrio poder, poder de família, eis que, podem escolher o
tratamento, essa é uma escolha que os pais têm.

A doutrina faz diferenciação entre escolha e recusa:

Se os pais recusassem a qualquer tipo de tratamento médico seriam responsabilizados, mas o mesmo não pode acontecer se os pais
escolherem o tratamento para o filho.

Com base nesta doutrina a CF defende o direito que o paciente tem de recusar qualquer tipo de tratamento, não só a transfusão de sangue.

2- Direito à vida Princípio do Primado do Direito:


Mais relevante
Art. 135 do CP.

Essa corrente estabelece que o direito à vida tem sentido absoluto, ou seja, entende que o Direito à Vida é um princípio primado, mais
importante, onde quando se tem dois princípios deve-se escolher um.

No caso da transfusão de sangue temos dois Princípios o do Direito à Vida e o da Dignidade da Pessoa Humana / Autonomia, onde um dos
dois vai cair por terra, e por esta doutrina o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana perde.

A principal doutrinadora que defende esta tese é Maria Helena Diniz, para essa doutrina quando a CF fala de inviolabilidade se entende
indisponibilidade, portanto, a vida é indisponível.

O que na prática significa que se o paciente estiver correndo risco de vida, vai receber transfusão de sangue.

O perigo aqui esta relacionado a uma emergência médica onde o médico deve:

a- Espera resolver se o paciente quer ou não receber o sangue: onde o tempo que isso pode levar, poderá colocar a vida do
paciente em risco, e o médico poderá incidir em omissão de socorro. Mas, para enquadrar o médico neste tipo penal precisa ser
comprovado o dolo, o que praticamente impossibilita o médico de responder, até porque não tem como se configurar o dolo neste caso (art.
135 do CP);

b- Faz a transfusão de sangue.

Essa doutrina entende que a vida por ter direito absoluto, é anterior ao direito de liberdade, de crenças religiosas, afinal não adianta ter
nenhum desses direitos se o paciente não tiver vida.

Entende que a vida é direito absoluto, portanto, a dignidade da pessoa humana fica em segundo plano quando a vida está em risco

Essas correntes doutrinárias servem para qualquer situação médica e não só para transfusão de sangue.

AUTORIZAÇÕES JUDICIAIS

Nos EUA e no Canadá, onde o principio da autonomia é muito forte, os juízes tem negado a transfusão de sangue, mesmo que o paciente
esteja inconsciente, desde que tenha manifestado sua vontade por escrito ou por qualquer outra forma que consiga comprovar.

Conselho Regional de Medicina, SP:


Aqui no Brasil o conselho regional de medicina, que também segue o conselho federal de medicina, estabelece:

1- Que se o paciente se encontra em estado grave, inconsciente e desacompanhado, nesse caso o médico transfunde;

2- Se o paciente se encontra também em estado grave, inconsciente, e o médico entende que deve fazer a transfusão de sangue, mas o
paciente está acompanhado por representante legal que não aceita, o médico vai procurar autoridade policial para tentar chegar a um
acordo.

3- Se o paciente estiver lúcido, e se negar a receber a transfusão de sangue, deverá assinar documento se responsabilizando perante
autoridade policial, então o médico não vai transfundir.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***

Essa é a orientação do conselho regional de medicina, mas isso não significa que é aplicado em todos os casos.

Art. 5, caput c/c art. 196 da CF:


Existem no Brasil diversos julgados, eis que, são fartas por parte dos médicos e hospitais as solicitações pela necessidade de transfusão de
sangue, com fundamento na inviolabilidade à vida e no art. 196 da CF que determina que a saúde é dever do estado.

O que tem acontecido, é que a jurisprudência tem demonstrado que os juízes têm autorizado a transfusão do sangue sempre com a
necessidade do médico observar os tratamentos alternativos primeiro, ou seja, somente após esgotar os tratamentos alternativos é que
poderão transfundir.

No entanto, existem jurisprudências especialmente em SP, nos casos do Hospital das Clínicas, e no sul do país, não autorizando a transfusão
de sangue, inclusive envolvendo uma criança de quatro meses.

Não existe condenação de nenhum médico, por não ter feito a transfusão de sangue e o paciente for levado a óbito.

Ao mesmo tempo em que existe esse tipo de jurisprudência, existem aquelas que dizem que os médicos nem precisam procurar o
judiciário, que em caso de urgência deve ser feita a transfusão.

Hoje está crescendo a posição do direito a autonomia.

MENORES:

A mesma coisa acontece no caso de menores onde a jurisprudência tem autorizado a transfusão, ocorre exceção quando um menor não
recebe a transfusão, afinal em se tratando de menores prevalece o direito à vida.

O que difere dos EUA, Canadá e Europa, onde nestes países, os pais têm o direito de escolher o tratamento dos seus filhos embasados no
direito de liberdade religiosa.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
29 / 03 / 2.010.

PROTEÇÃO À VIDA HUMANA

-Legislação:
1- Inviolabilidade constitucional do direito à vida:
1.1- Art. 5º, caput da CF;
1.2- Art. 203, lV e 227, § 1º da CF;
1.3- Art. 60, § 4º da CF.

2- Tutela civil e penal da vida humana.


2.1- Art. 2º do CC;
2.2- Lei nº. 11.105/05, arts. 6º e 24 ao 27;
2.3- Arts. 542, 1.609 e 1.779 do CC – nascituro

3- Direito à existência:
3.1- Arts. 1.694 ao 1.710 e 948 ao 950 do CC;
3.2- Leis nº. 5.478/68; Lei nº. 8.791/94, art. 1º; e, Lei nº. 9.278/96, art. 7º;
3.3- Arts. 121 ao 128 do CP.

Na aula passada o professor prestigiou o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, porque estava tratando da transfusão de sangue, hoje
vai privilegiar o Princípio do Direito à Vida como Absoluto / Primado, porque vamos tratar de aborto e anencefalia, porém aqui poderemos
tratar quase tudo tomando como base o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana.

INVIOLABILIDADE CONSTITUCIONAL DO DIREITO À VIDA:


1.1- Art. 5º, caput da CF;
1.2- Art. 203, lV e 227, § 1º da CF;
1.3- Art. 60, § 4º da CF.

DIREITO À VIDA:
É um direito absoluto, ou seja, é um direito que se sobrepõe a todos os outros.

O art. 5º, caput da CF, determina que o estado garante a todos o direito à vida, assim como sua integridade física e psíquica devem ser
preservados.

Art. 5º da CF: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:”

Sendo que este direito começa com a vida, desde a concepção, e, este é num direito personalíssimo, ou seja, basta ser pessoa para que
esse direito comece a vigorar.

De acordo com a lei esse direito começa com a fecundação e vai até o óbito, e ainda produz efeitos após a morte, com respeito aos mortos.

O art. 60, § 4º da CF: estabelece que direitos individuais, onde se incluem o direito à vida, é uma clausula pétrea, por isso não há
possibilidade de ser retirado, salvo pela formação de novo poder constituinte, ou seja, poder constituinte originário.

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:


(...)
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
(...)
lV- os direitos e garantias individuais.

Art. 203 e 227 da CF: A lei dá amparo a todas as pessoas com deficiência física ou mental, e aqui se inclui a pessoa que esta em coma, de
modo que recebe proteção do estado, afinal sua vida é inviolável.

Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por
objetivos:
l- a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
ll- o amparo às crianças e adolescentes carentes;
lll- a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária;

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***

V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de
prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à
saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

De acordo com o que estamos estudando agora, a vida é inviolável inclusive perante o sujeito, portanto, a vida não é domínio da vontade
livre.

O artigo 5º, caput da CF, trata esse direito sob dois aspectos:

1- Eficácia positiva: porque tem eficácia imediata, além de não permitir que emenda procure aboli-lo;

2- Eficácia negativa: o que significa que nenhuma lei pode contrariar o direito à vida. Então, só poderia haver mudança diante do
estabelecimento de outro poder originário, hoje o direito a vida é absoluto.

A TUTELA DA LEGISLAÇÃO CIVIL E PENAL

Legislação Civil:

Além da garantia constitucional, o direito à vida recebe tutela do Código Civil em seu art. 2º, 542, 1.609 e 1.779, que resguardam os
direitos do nascituro.

Art. 2o do CC: “A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do
nascituro”.

Art. 542 do CC: “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante legal”.

Art. 1.609 do CC: “O reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito:”

Art. 1.779 do CC: “Dar-se-á curador ao nascituro, se o pai falecer estando grávida a mulher, e não tendo o poder familiar”.

Parágrafo único. Se a mulher estiver interdita, seu curador será o do nascituro.


O CC também protege o direito à existência, arts. 1694 a 1710, artigos 948 a 950.

Outras leis esparsas que também se preocupam com o direito à existência são:
1- Lei nº. 5.478/68;
2- Lei nº. 8.791/94, art. 1º; e,
3- Lei nº. 9.278/96, art. 7º;

Inclusive se impõe a responsabilidade civil por dano causado a vida, seja este dano material ou patrimonial.

Legislação Penal:

Além da legislação civil também a legislação penal se preocupa com o direito a vida nos artigos 121 aos 128 do CP, onde se encontram os
crimes de homicídio, infanticídio, aborto e instigação ao suicídio.

Essa é a legislação básica que trata do direito à vida.

E, em interpretação restrita entende-se que o direito a vida é absoluto, nesse caso, o professor adota esta corrente e segue os livros da
Maria Helena Diniz.

PRINCÍPIO DO PRIMADO DIREITO À VIDA:

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
Se a vida é direito absoluto todos os outros direitos que entrarem em conflito com este perderão sua força, portanto, nesse caso, o direito à
liberdade religiosa deve dar lugar ao direito a vida, dignidade humana deve dar lugar ao direito à vida.

Ex: se houver necessidade de alguém ser totalmente mutilada para que seja salva sua vida, essa pessoa vai passar por isso mesmo que não
queira.

Haverá ofensa a integridade física da pessoa, e o médico não será responsabilizado porque salvou a vida da pessoa.

DIREITO DE NASCER:

*** Se todos são iguais perante a lei, como se pode pensar em aborto?
R: Ou seja, todos são iguais perante a lei, portanto, todos têm o direito à vida, que deve ser resguardada, portanto, não se pode pensar em
aborto, nesta perspectiva o aborto é visto como homicídio e qualquer método então natural ou artificial para cometê-lo se enquadra neste
crime.

O direito de nascer foi estabelecido pela primeira vez na DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA, estabelecida pela ONU em 1.959,
que determinava que toda criança precisa de proteção legal antes e depois de nascer.

De acordo com essa declaração, também o direito à vida é maior do que qualquer direito da mulher ao seu corpo, já que deste não faz
parte. Então é inconcebível da parte do estado dar aos pais o direito sobre a morte de seu filho.

DIREITOS DE PERSONALIDADE: são direitos relacionados à pessoa humana e sua dignidade. Entre esses direitos estão o direito à vida e
à integridade física, sendo que o nascituro para a lei é visto como pessoa, portanto, possui esses direitos desde o momento da fecundação.
Portanto, a partir da fecundação existem direitos, e, em detrimento da lei anterior não existem expectativas de direitos, hoje a partir da
fecundação o direito já produz seus efeitos.

Tudo isso já tivemos em outras matérias, foi só um lembrete.

ABORTO

Existem seis espécies de aborto:

1- Aborto terapêutico: é feito com a finalidade de evitar que a mãe / gestante fique gravemente enferma, e, também evitar sua
morte; Então sempre que houver perigo de vida para a gestante, ou que fique gravemente enferma o aborto será terapêutico.

2- Aborto sentimental: também poderá ser chamado de aborto humanitário, ocorre quando a mulher é estuprada;

3- Aborto Eugênico: é realizado com a finalidade de impedir o nascimento de uma criança anômala, ou seja, que tem anomalia
física ou mental. Só que não fica só nisso, pode ser ampliado para seleção de sexo e característica desejada pelos pais como,
por exemplo, cor dos olhos, dos cabelos, altura, etc. Quando se fala em anomalia, não é só doença que a criança apresenta
como também as doenças que a criança tem a possibilidade de desenvolvimento congênito quando a criança nascer. Ex: mãe
portadora de HIV; Há aqui a exceção dos casos dos anencefálicos.

4- Aborto Econômico: os pais não têm condição econômica de sustentar o filho. As pessoas fazem o controle da natalidade
devido suas condições;

5- Aborto Estético: procura preservar a forma do corpo da mulher;

6- Aborto Honoris Causa: que significa dizer que a mãe quer preservar sua honra, portanto não quer ser identificar como
adultera.

Essas são as espécies de aborto, cujos foram motivos que estiveram por traz das legislações que concederam ou não o aborto, nas
sociedades da Europa, França e EUA.

*** De acordo com essas espécies de aborto que vimos, quais são as que a legislação brasileira admite?
R: Sentimental, ou terapêutico apenas quando houver risco de vida para a gestante.

No Brasil:

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
1- Aborto Terapêutico: nesse caso, do aborto terapêutico, não há necessidade de consentimento por parte da mãe. O médico poderá
fazer sem seu consentimento. Sendo que aqui, não se aplica de forma alguma o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, afinal não há
autonomia, se a mãe nem precisa ser consultada. Parte da doutrina entende que precisa de autorização judicial outra não.

2- Aborto Sentimental / humanitário: não há necessidade de autorização judicial, desde que seja comprovado que houve estupro. Neste
caso, precisa haver o consentimento da mãe, e no caso da mãe ser menor precisa haver consentimento dos responsáveis. O problema é
que como não precisa de autorização judicial fica muito vago, porque se não precisa de autorização judicial não precisa também no
inquérito policial, então o médico vai ter um poder muito grande de decisão, sendo que o Ministério Público não vai participar e o médico
não pode requerer a participação deste, afinal o médico pode simplesmente se recusar a fazer o aborto sem que a vítima produza as
respectivas provas. Aqui vai depender do convencimento do médico, pois este também não é obrigado a atender a vítima.
Existem julgamentos nos dois sentidos médicos condenados ou não por ter feito o aborto nesta situação.

3- Anencefalia: não existe a formação total do tubo cerebral, ou seja, não existe a formação completa do tubo cerebral, de modo que
existe o tubo, existe o cérebro, porém este não é totalmente fechado pelo crânio, o que impossibilita que haja vida extra-uterina que quer
dizer após o parto.

A jurisprudência tem permitido o aborto nesse caso, porque é necessário primeiro o consentimento dos pais, e a comprovação de que haja
impossibilidade de sobrevida do feto após o parto.

Agora embora a maioria da jurisprudência tem atendido esses casos, isso não é uniforme, há jurisprudência negando, e essa nega seguindo
a risca a idéia de que a vida é direito absoluto, portanto a gravidez deve prosseguir até o final.

STF: Para este o aborto no caso de anencefalia já foi permitido, com fundamento no fato de que, embora a vida seja um direito
fundamental tutelado pela Constituição Federal, não se pode proteger a vida quando ela é inviável, e, levar os pais a angústia até a morte.
Também usa como fundamento que não adianta preservar o direito à vida, sendo que existem outros direitos fundamentais como à
liberdade, à dignidade, à saúde, estão em risco.

Existe um projeto de lei, que um dia será votado, que pretende alterar o art. 128 do CP que permite duas possibilidades de aborto, inserindo
a possibilidade também nos casos de anencefalia.

Jurisprudência: também é interessante, porque se encontra autorização não só para os casos de anencefalia, como nos casos de outras
doenças. Não é difícil encontrarmos decisões que autorizam o aborto, baseando-se em pedidos de declarações de no mínimo três médicos,
atestando de que o bebê tem sérios problemas cardíacos, o que não decreta a morte da criança.

Síndrome de Down: fora do Brasil, já foi requisito, e cabia no caso de aborto eugênico.

EXERCÍCIOS:

1- ABORTO:
Lourdes, 37 anos, estava no 4º mês de sua primeira gravidez. Uma mulher muito inteligente, com sucesso profissional, ela e seu marido
tinham decidido esperar ter filhos ate que completassem dez anos de casados. O médico recomendou que fosse feita a amniocentese,
devido à história familiar de anomalias congênitas e também devido à idade da paciente.

Lourdes fez a amniocentese e voltou ao consultório de seu médico para um check-up pré-natal e saber o resultado do exame. O médico
comunicou a ela que o feto era portador da Síndrome de Down. Os dois discutiram as opções para a solução. Encorajada a estudar as
alternativas com seu marido, Lourdes parou para conversar sobre o problema com a enfermeira. Durante a conversa, Lourdes perguntou à
enfermeira o que ela faria em sua situação. A enfermeira respondeu: “Eu não posso decidir por você, mas se estivesse em sua situação
abortaria”.

Linhas para discussão:


Esse estudo de caso apresenta varias questões éticas relacionadas a aborto e amniocentese como mecanismo de seleção; experimentação
fetal e conceito de valores como componentes importantes do processo de tomada de decisão ética.

Questões:

1- O feto tem direito à vida?


R: Sim, por força do art. 5º, caput da CF, tendo como Primado o Princípio do Direito à Vida, ou seja, o Direito à Vida como direito absoluto,
aplicando também o Princípio da Beneficência da Bioética, com relação a fazer bem ao feto.
2- A mãe tem o direito de escolher?
R: Não, a legislação brasileira não prevê essa possibilidade, só permite aborto no caso de aborto sentimental ou terapêutico quando há de
risco de vida da gestante. No caso dos princípios da bioética poderia abortar de acordo com o Princípio da Beneficência alegando que seria
maléfico para o feto nascer.

3- Retardamento mental implica diminuição de qualidade de vida?


R:

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
4- Quem tem precedência: o feto ou a mãe?
R: a mãe, só que a mãe só tem precedência quando a gravidez a coloque em risco de vida, então o médico não poderá fazer o aborto
inclusive por causa da legislação penal.

*** Proposta do Professor em sala de aula: O médico pode obrigar a mãe a fazer o exame específico “amniocentese?
R: Não, a mãe é que vai escolher se quer ou não fazer o referido exame.

5- Quais são as premissas que sustentam a tese de “qualidade de vida” versus a da “sacralidade de vida”?
R:

6- Amniocentese representa uma questão ética para os profissionais da saúde?


R:

7- O julgamento da saúde tem direito de expressar seu julgamento de valor numa situação com implicações éticas?
R:

2- ANOMALIAS CONGÊNITAS:
Jorge, um recém-nascido, veio à vida com múltiplas anomalias congênitas. Seus pais, um jovem casal que mal completara um ano de
casamento, estavam totalmente desesperados por precisar lidar com decisões que abruptamente os confrontaram. O pediatra conversou
com o casal e explicou-lhe que as anomalias eram compatíveis e incompatíveis com a vida e se Jorge tivesse uma cirurgia corretiva
imediata, provavelmente viveria, mas ficaria severamente retardado.

O casal, após a conversa com o pediatra decidiu não assinar o consentimento para a cirurgia de emergência. De acordo com seus desejos, o
pediatra imediatamente pediu que se suspendessem todas as medidas extraordinárias utilizadas com Jorge, e uma ordem foi escrita para se
utilizar somente medidas de conforto.

As ordens do pediatra foram cumpridas pelas enfermeiras durante três dias e meio. No final deste período, os pais decidiram que Jorge
deveria utilizar novamente as medidas de manutenção da vida. A vida foi assegurada e a criança foi transferida a um grande centro médico,
para uma cirurgia de emergência. Após a cirurgia a criança foi enviada para uma instituição para o resto de sua vida.

Questões para estudo e discussões:

1- O que se entende por qualidade de vida?


R:

2- O que se entende por santidade de vida?


R:

3- O que se consideram “meios extraordinários” para manter a vida de um recém-nascido com múltiplas anomalias?
R:

4- O que se entende por “medidas de conforto” como aplicadas no caso do recém-nascido com múltiplas anomalias?
R:

Prova: analisar “caso” de acordo com os Princípios da Bioética, em grupo. Na próxima semana vai trazer os temas e determinar a
quantidade de participantes de cada grupo, importante será fazer a análise das questões dos Princípios da Bioética, então o grupo vai
dirigir-se à frente da sala de aula e o professor vai fazer algumas perguntas.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
05 / 04 / 2.010.

MORTE DIGNA

EUTANÁSIA
Elementos

Modalidades

- Em relação ao ato em si;


1- Eutanásia ativa;
2- Eutanásia passiva;
- de duplo efeito;
Benzodiazepínico.

- Quanto às conseqüências de ato e consentimento do paciente;


1- Eutanásia voluntária;
2- Eutanásia involuntária;

DISTANÁSIA

ORTOTANÁSIA
Resolução nº. 1.085/06 – CFM

SUICÍDIO ASSISTIDO

EUTANÁSIA – argumentos Favoráveis


Destacáveis

Tratamento legal:
Holanda, Bélgica
Portugal
Brasil

Prova:
1- Grupos de seis pessoas;

2- Estarão com a Graciele os casos;

3- Na próxima semana a prova será realizada como se fosse seminário, onde o professor vai fazer as perguntas.

No aborto não se prova nada, com relação ao estupro, a menos que o estupro tenha acabado de acontecer e o médico consiga comprovar
que houve estupro, mas sempre por prudência será necessário que se resguarde de Boletim de Ocorrência.

MORTE DIGNA

O que está no centro deste assunto é a eutanásia.

Definições:

Eutanásia:
Etimologicamente significa morte serena, sem sofrimento, ou seja, é uma morte provocada por compaixão a alguém que sofre.

Elementos (três):
1- Deve haver forte sofrimento em doença incurável;
2- A morte deve ser provocada por compaixão;
3- Precisa ser realizada por um médico.

Se estes três elementos não estiverem presentes concomitantemente, ou seja, juntos, não será considerado eutanásia e sim homicídio.

Modalidades de eutanásia:

- Em relação ao ato em si: em relação à própria eutanásia;

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***

1- Eutanásia ativa: ato deliberado de praticar a morte sem sofrimento do paciente, por fins humanitários;

Ex: Injeção Letal.

2- Eutanásia passiva: a morte ocorre por omissão em se iniciar uma ação médica que garantiria a perpetuação da sobrevida;

Ex: paciente que sofre de insuficiência respiratória e o médico deixa de acoplar um ventilador artificial.

Aqui ocorre uma omissão do médico, ou seja, o médico deixa de fazer para que o paciente venha a morrer. O médico até poderá, nesse
caso, realizar algum tratamento paliativo para que o paciente não sinta os sintomas da dor ou da doença.

3- Eutanásia de Duplo Efeito: a morte é acelerada como conseqüência das ações médicas não visando o êxito letal, mas o alívio
do sofrimento do paciente.

Ex: o paciente é moribundo, ou seja, não tem nenhuma perspectiva de vida, e esta angustiado, depressivo, e o médico aplica uma dose
maior de benzodiazepínico, que funciona como ansiolítico, ou seja, antidepressivo, o que vai gerar algum problema no paciente levando-o a
óbito.

O objetivo nesse caso não é a morte, mas sim o alívio, mas a aplicação desta dose poderá levar a óbito, portanto o duplo efeito.

- Conseqüências do ato e consentimento do paciente

Existem três modalidades:

1- Eutanásia voluntária: atende-se uma vontade expressa do paciente, equivale ao suicídio assistido.

2- Eutanásia Involuntária: o ato é praticado contra a vontade do enfermo.

3- Eutanásia Não Voluntária: a morte é levada a cabo sem que se conheça a vontade do paciente.

DISTANÁSIA:
É a morte lenta, acompanhada de sofrimento, ou seja, é o prolongamento artificial do processo de morrer, portanto, é ato contrário na
eutanásia.

É amplamente aplicada no Brasil, onde o paciente está morrendo, onde não existe na medicina tratamento eficaz, e se utiliza de
medicamentos para prolongar ao máximo a vida dele.

Ex: visitar as UTI’s.

*** Por que isso acontece no Brasil?


R: O objetivo da medicina aqui é visto como a obtenção da cura, enquanto nos países onde se permite a eutanásia, é o tratamento.

Aqui se objetiva o tratamento, a cura e a quantidade que o paciente vive, e não a qualidade de vida.

Na Europa a distanásia é chamada de “escarniçamento terapêutico” ou “obstinação terapêutica”.

Nos EUA é chamada de “medicina fútil ou inútil”;


Quem é contra a distanásia vê nessa pratica, onde tem como base uma medicina técnica cientifica e comercial.

A distanásia justificada por uma medicina técnica científica, onde se investe em tecnologia para manter o paciente vivo até seus últimos
sinais, ou seja, a medicina procura tratar a patologia e não o paciente que tem a patologia.

Ex: procura tratar o câncer no fígado, e não o paciente que tem o câncer no fígado, o médico não está preocupado com a dignidade da
pessoa, com o seu sofrimento e sim com o tratamento da doença.

Sob a perspectiva comercial, é obvio que a distanásia gera lucro, se pensarmos que hospital é uma empresa, alguém está pagando.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***

ORTOTANÁSIA:
É o não prolongamento do processo da morte além do que seria natural.

Deve ser praticada pelo médico, onde não se procura abreviar o processo de morrer, isso é o que caracteriza a eutanásia, e não se procura
prolongar desnecessariamente o processo de morrer que é a distanásia.

Os defensores da ortotanásia, dizem que esse é o processo que mais respeita a dignidade humana.

Aqui medicina tem como objetivo o tratamento da saúde, e não a cura.

Esse conceito abrange também a idéia de medicina paliativa, ou cuidado paliativo, que é o cuidado prestado ao paciente moribundo para
que não sofra e possa ter uma morte digna.

BRASIL: tentou caminhar em direção da ortotanásia, onde o CFM – Conselho Federal de Medicina promulgou uma Resolução nº. 1.085/06,
que permitia ao médico que estivesse tratando paciente em fase terminal, pudesse deixar de aplicar tratamento que apenas prolongasse
sua vida, desde que, houvesse consentimento do paciente ou do seu responsável, porém, o Ministério Público Federal entrou com pedido e
conseguiu com que isso fosse impedido.

Agora o que mais se aplica no Brasil é a ortotanásia, afinal o médico aqui no Brasil acaba tendo que escolher entre dois pacientes, quando
não há leito vago no hospital, o que é comum não só no Brasil como em outros países onde a saúde é deficitária, o médico pratica nesse
caso a ortotanásia.

SUICIDIO ASSISTIDO:
A pessoa precisa de outra pessoa que a auxilie para morrer, é necessário que a pessoa esteja consciente.

Os defensores do suicídio assistido não vêm esse ato, como típico criminoso porque este é um ato que visa à dignidade da pessoa humana,
afinal impede que a pessoa continue sofrendo.

No Brasil a jurisprudência tem condenado aquele que pratica o suicídio assistido como auxilio ou induzimento ao suicídio (art. 122 do CP),
mas é privilegiado, porque o que esta por traz é um sentimento nobre, eis que, esta protegendo a dignidade da pessoa humana.

EUTANASIA:

Argumentos
1- Favoráveis:
1.1. Entende que é uma pratica que defende a liberdade de escolha do ser humano que esta padecendo e que decide por ser
autônomo e competente impor fim aos seus dias; Essa corrente entende que a eutanásia é um ato humanitário propiciando que
o enfermo se livre de um sofrimento insuportável. Ou seja, do ponto de vista do paciente não existe mais sentido em continuar
vivendo.

2- Desfavoráveis:
2.1. A sacralidade da vida impede que esta seja interrompida mesmo que haja vontade do seu detentor. É a mesma corrente que entende
que o direito à vida é absoluto, e que a dignidade da pessoa humana não tem a mesma força ou não tem força maior que o direito à vida.
Ex: Maria Helena Diniz. Essa corrente ainda justifica que essa pratica não tem fins altruísticos, ou seja, por de traz da eutanásia pode ter o
individuo a finalidade de obter herança ou receber seguro de vida.

Tratamento Legal:

No plano internacional:

Portugal: o direito à vida é o direito que prevalece sobre qualquer outro, portanto, a eutanásia não é permitida, mas o que é interessante é
que os órgãos que praticam a saúde são obrigados a praticar o tratamento paliativo nos pacientes que estão morrendo, ou seja, a equipe
médica deve estar preocupada em aliviar ao máximo a dor do paciente.

Holanda: a eutanásia é praticada, é permitida por lei desde 2002, mas já vinha sendo praticada desde 1.970 com tolerância da
jurisprudência. Na Holanda ocorreu em processo onde havia pratica e depois foi promulgada a lei.

Bélgica: não havia jurisprudência que acolhia a eutanásia, mas também em 2002 foi editada lei que passou a permitir a pratica da
eutanásia.

*** Quais são os critérios para que a eutanásia possa ser praticada legalmente na Holanda?
1- A solicitação para morrer deve ser uma decisão voluntária feita por um paciente informado;
2- A solicitação deve ser bem considerada por uma pessoa que tenha compreensão clara da sua condição de saúde e de outras
possibilidades;

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
3- O desejo de morrer deve ter alguma duração, ou seja, não pode querer morrer amanha e mudar de idéia na semana que vem, e
mudar de idéia novamente. Por isso na Holanda o médico consulta várias vezes o paciente, onde o processo de eutanásia pode
durar meses, e o paciente pode acabar morrendo antes do fim do processo;
4- Deve haver sofrimento físico ou mental insuportável;
5- A consultoria de um colega é obrigatória, ou seja, um médico não realiza isso sozinho, outro médico deve estar acompanhando
o caso;

Uma vez praticada a eutanásia, a certidão de óbito não vai declarar que foi morte natural e sim eutanásia, e o médico devera juntar à
certidão um questionário respondido pelo paciente contendo todos os requisitos acima, depois disso o médico devera comunicar um
promotor para verificar se foi ou não caso de eutanásia ou crime.

Até o ano de 2000, 650 casos de eutanásia ocorreram na Holanda.

Na Holanda a igreja católica não é forte, é forte a igreja protestante.

E, com essa nova lei de 2002, crianças a partir de 12 anos podem pedir que lhe seja feita a eutanásia desde que haja autorização dos pais
que não querem ver o sofrimento de seu filho.

É claro que todo esse movimento de antes ou depois da legislação não é de decisão e concordância unânime.

Nos EUA, é a única legislação que permite a eutanásia, desde 1954, onde mais de 340 pessoas já praticaram eutanásia.

No plano nacional:

Brasil: não existe nenhuma legislação que aborde o tema, portanto a eutanásia é proibida em qualquer de suas modalidades, lembrando
que a ortotanásia é uma pratica comum.
22 pesquisas efetuadas em 12 países, inclusive no Brasil, revelaram que 1/5 dos médicos praticaram a ortotanásia.

Existe um projeto do CP, onde existe a possibilidade da ortotanásia fazer parte da legislação do Brasil.

Numa entrevista o Ministro Celso Melo, defendeu essa possibilidade, porém apenas expressou sua opinião.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
19 / 04 / 2.010.

Prova: Grupos 9º ao 13º.

Grupo 12

Rosária
Késia
Beatriz
Fernanda
Lilian
Guilherme

CASO HEMOFILIA

Uma consulente vem procurar um serviço de aconselhamento genético para diagnóstico pré-natal. O levantamento da genealogia mostrou
que seu pai é hemofílico, o que significa que ela é portadora deste gene e, portanto, um feto do sexo masculino terá uma probabilidade de
50% de ser afetado. Entretanto, o estudo de DNA da consulente e de seus pais revela uma situação de falsa paternidade. O suposto pai
hemofílico não é o seu pai biológico. Do ponto de vista genético, isto significa que a consulente não é portadora do gene da hemofilia, não
existindo risco para esta ou futuras gestações.

Resposta:

Decide-se por informar a mãe da paciente, com base no art. 34 do Código de Ética Médica, que estabelece que o médico tem o direito de
não informar o paciente do seu estado de saúde, caso essa informação possa agravar seu estado de saúde , entendendo como saúde a
situação física, psíquica e mental do paciente.

TRANSFUSÃO DE SANGUE:

J. L. T., 39 anos, acometida de Lúpus Eritematoso Sistêmico. A paciente informou ao seu médico assistente, verbalmente e por escrito, que
aceitava qualquer tratamento médico, exceto hemotransfusões, invocando suas convicções religiosas. O facultativo ingressou com uma
ação cautelar requerendo a concessão de liminar que autorizasse o uso da terapia objetada pela paciente, supostamente necessária para
salvar-lhe a vida (Processo n. 00100014613-8 2 Vara Cível da Comarca de Natal, RN). A liminar foi concedida em 12 de outubro de 2000
pela juíza plantonista sob o fundamento de que “o Estado tem a obrigação de preservar a vida das pessoas, bem supremo”. Alicerçou seu
entendimento no art. 5, caput, da CF que garante a inviolabilidade do direito à vida. Cumprida a liminar a paciente veio a óbito na manhã do
dia 16 de outubro de 2000.

Instruções: os casos devem ser analisados com base nos princípios da bioética (autonomia, beneficência, não-maleficência e justiça), na
legislação nacional, em documentos internacionais e na explanação doutrinária e jurisprudencial dada em aula. Cada caso encontra-se
dentro de uma aula específica: direito à informação, aborto, eutanásia, transfusão de sangue. O aluno deverá ter domínio do caso e saber
aplicar os princípios da bioética e a legislação nacional mesmo quando o caso não ocorreu no Brasil. Mais importante é possuir opinião
própria e justificar sua posição.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
26 / 04 / 2.010.

REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA

• Planejamento familiar

Planejamento familiar é um direito fundamental concedido a um casal de planejar sua descendência, podendo soberanamente decidir se e
quando procriarão, bem como quantos filhos pretenderão gerar, quer biológicos, civis ou afetivos (art. 226, § 7º da CF c/c Lei nº. 9.263/96).

Art. 226 da CF: A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
(...)
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do
casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva
por parte de instituições oficiais ou privadas.

O casal é livre para decidir seu planejamento e não deve haver coerção alguma que os impeça ou force a procriar.

A Lei nº. 9.263/76 trata do planejamento familiar, contracepção e esterilização.

Esse direito fundamental ao planejamento familiar se baseia em dois princípios:

1- Princípio da Dignidade da Pessoa Humana (art. 226, § 7º da CF);

2- Princípio da Paternidade Responsável.

Quando se pensa em planejamento familiar com base no Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, ficam colocados limites para os pais
com respeito aos filhos presentes e dos filhos futuros.

Com respeito aos filhos futuros a doutrina entende que o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, impede:

a- Que os pais manipulem geneticamente o seu material para fins eugênicos, ou seja, para realizarem escolhas relacionadas aos
aspectos físicos, por exemplo, escolher cor do cabelo, escolher a cor dos olhos, etc.;

b- A mistura de material genético humano com animal;

c- O aborto com a finalidade de planejamento.

Esse é o entendimento da doutrina majoritária, por outro lado existe a doutrina minoritária que se utiliza do mesmo fundamento legal para
defender a possibilidade do aborto, baseando-se no fato de que se os pais podem planejar quando e como procriarão, portanto, as praticas
abortivas poderiam ter apoio da constituição.

Mas foi editada a Lei nº. 9.263/76 que deixa claro que quando se fala em planejamento familiar o máximo que se pode fazer são atos que
impedem a fecundação através da contracepção, ou seja, qualquer ato praticado com fim de impedir o desenvolvimento do embrião torna-
se prática abortiva, portanto, contracepção vai até o limite da formação do embrião, a partir disso ocorre o aborto.

E, ai aparece à polêmica com respeito às praticas contraceptivas, por exemplo, a pílula do dia seguinte, porque alguns dizem que essa
pílula impede o que é chamado de “nidação”, uma vez que o ovulo é fecundado pelo espermatozóide, ocorre à concepção, o ovo resultante
desta junção precisa ficar preso na parede do útero da mulher e isso se chama nidação, no momento que permanece no útero se
desenvolve, e a pílula impede que o ovo sobreviva no útero da mulher, portanto isso é aborto, porque já existe a concepção, ou seja, o
embrião já esta formado.
Tanto o planejamento familiar quanto o principio da paternidade responsável impedem que o feto seja destruído mesmo que seja
defeituoso.

*** O que é paternidade responsável?


R: é uma diretriz normativa que impõe a ambos os pais o dever jurídico de amar seus descendentes. Esse dever se ostenta de forma
absoluta.

*** Como se pode obrigar alguém a amar outro alguém?


R: a idéia é evitar a descriminação porque o filho é defeituoso, por isso foi desenvolvido esse principio da paternidade responsável.

Da paternidade e da maternidade

O direito civil clássico apresentou sempre duas formas de paternidade e maternidade:


1- biologia, onde existe a filiação através de laços sanguíneos;

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
2- civil, onde existe a filiação através da adoção.

O cc no artigo 1593 inovou dizendo que existem ainda outras formas de filiação, quais sejam:

1- Filiação in vitro;

2- Filiação sócio-afetiva.

Filiação: relação de parentesco que se estabelece entre duas pessoas uma das quais nascida de outra, ou adotada, ou vinculada mediante
posse de estado de filiação, ou por concepção derivada de inseminação artificial.

Filiação sócio-afetiva: é a filiação que se revela através do convívio familiar pelo efetivo cumprimento pelos pais dos deveres de guarda,
educação, sustento, pelo relacionamento afetivo que outros pais e filhos adotam na comunidade em que vivem.

Ou seja, não interessa se é de sangue ou adotado, o que interessa nesse caso, é a relação afetiva, se a criança recebe o mesmo tratamento
que os pais a sua volta, é considerado como filho, nesse caso classificado como sócio afetivo.

Essa paternidade sócio afetiva já foi reconhecida pela jurisprudência, e é aqui que entra o principio da igualdade jurídica de todos os filhos,
tanto biológico, civis ou sócio afetivos recebem o mesmo tratamento não podendo haver discriminação.

ESTERILIZAÇÃO HUMANA

Esterilização pode ser definida ou entendida como ato de impedir melhor dizendo de tornar infértil, improdutivo ou infecundo.

Ato de tornar infértil, improdutivo ou infecundo.

Nos seres humanos existem técnicas para isso ou cirurgias para tornar alguém estéril.

Existem varias espécies de esterilização:

1 – Eugênica;
2- Cosmetológica:
3- Terapêutica;
4- Limitação de natalidade.

1- EUGÊNICA: tem por finalidade impedir que genes defeituosos passem para a prole tornando a criança defeituosa ou inútil ou
inválida. Ocorre em vários países, mesmo hoje, por exemplo, em 1988 foi aprovada uma lei na província de gansu na china que
obrigava as mulheres que tinham doenças genéticas se desejassem se casar deveriam passar pelo processo de esterilização.

A esterilização eugênica também é utilizada com objetivo de prevenir a reincidência de crimes sexuais.

No Brasil houve a tentava de transformar essa esterilização em lei, que pretendia transformar a pena do crime de estupro ou de atentado
violento ao pudor a sanção ao invés de pena privativa de liberdade, o condenado deveria receber um tratamento que o tornasse estéril por
algum tempo, sendo que esse projeto não foi aprovado, mas existe em alguns países.

2- COSMETOLÓGICA: o objetivo é manter a estética da mulher.

3- TERAPÊUTICA: esta relacionada ao estado de necessidade ou de legitima defesa. Ocorre nos casos em que a mulher não pode
engravidar devido a determinadas doenças, como cardiopatia, certos tipos de câncer, tuberculose grave, etc.

Essa esterilidade embora a mulher tenha esse problema, se não quiser passar pelo processo de esterilização seu marido pode então ser
esterilizado em seu lugar, com o objetivo de não engravidar a mulher.

Esse tipo de esterilização é aceita no Brasil esta prevista na lei 9263/76 e deve ser precedida por relatório assinado por dois médicos.

4- LIMITAÇÃO DA NATALIDADE: ocorre nos casos em que os pais não têm condições sócio econômicas de criar os filhos, ou
quando os pais não têm as mesmas condições, recursos para providenciar a educação, etc. é o que ocorre como, por exemplo,
na china onde existe a lei um casal um filho.

O artigo 226, § 7º da CF: veda explicitamente qualquer tipo de esterilização coercitiva. O estado de forma alguma ou nenhuma outra
instituição pode coagir o casal a ser esterilizado.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
A esterilização humana também pode ser classificada como:

1- ACIDENTAL: aquela que ocorre por erro medico;

2- VOLUNTÁRIA: tem fins de planejamento familiar.

A CF de 88, através desse artigo abriu precedente para que haja esterilização voluntaria.

E, através da Lei nº. 9.263/76 ficou estabelecido que o planejamento familiar deve ser entendido como conjunto de ações de regulação da
fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal.

Para fins de planejamento familiar são permitidas quaisquer técnicas de contracepção legais e cientificamente aceitos desde que não
coloque em risco a vida e a saúde das pessoas.

Portanto, a lei determina que a esterilização cirúrgica como método contraceptivo, só pode se dar através da laqueadura tubária nas
mulheres e nas vasectomias dos homens.

A lei proíbe o que é chamado de histeroctemia e a ooforectemia.

Histeroctemia: retirar o útero;


Ooforectemia: são os ovários.

Não pode retirar o útero nem remover os ovários para fins de esterilização.

A esterilização voluntaria só é permitida para maiores de 25 anos, capazes e que tenham mais de dois filhos.

A pessoa interessada na cirurgia deve integrar um programa de planejamento familiar e durante dois meses fazer um curso onde ira
aprender métodos naturais de contracepção, caso mesmo assim, opte pela esterilização deverá expressar sua vontade por escrito e os
médicos deverão comunicar o ministério da saúde a respeito do procedimento.
Se a pessoa for casada há necessidade da anuência do cônjuge, porque de acordo como artigo 226, § 7º da CF, o planejamento familiar não
é planejamento do individuo, mas do casal. Portanto, não pode tomar a decisão sozinho.

É direito das pessoas quando preenchidos os requisitos.

ESTERILIZAÇÃO DO INCAPAZ

Só é permitida através de autorização judicial. Houve um projeto de lei que pretendia estabelecer o direito de esterilização para qualquer
pessoa maior de idade, mas foi arquivado, portanto só é permitida a esterilização nas circunstancias estudadas acima.

10 / 05 / 2.010.

• Fertilização “in vitro” - FIV;


• Injeção intracitoplasmática de espermatozóide – ICSI;
• Transferência intratubarica de gametas – GIFT;
• Transferência intratubárica de zigotos – ZIFT.

Continuando a falar sobre reprodução assistida, hoje veremos algumas técnicas e algumas implicações éticas envolvidas.

FERTILIZAÇÃO IN VITRO – FIV

Conhecida também como bebê proveta, essas técnicas todas foram desenvolvidas para ajudar aos casais que tem problema para
reproduzir, o que não é tão simples eis que o ovulo e o esperma precisam ser saudáveis, assim como precisam ter força para penetração.

Para os parâmetros da medicina o casal que tenta engravidar por dois anos e não consegue é considerado infértil, para tanto a evolução da
medicina trouxe essas técnicas para viabilizar.

Procedimento:

1- A mulher recebe drogas através de injeções que produzem os óvulos;

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***

2- Esses óvulos são recolhidos e depois são juntados aos espermatozóides, com o intuito de formar embriões;

3- Vários embriões são formados;

4- Depois os embriões são colocados no útero da mulher, em media colocam-se quatro embriões, e existe a possibilidade de 30%,
por isso que no momento em que se retiram os óvulos, em que se prepara o ovulo ao espermatozóide procura-se fazer uma boa
quantidade de embriões porque o processo é psicologicamente desgastante;

5- Uma serie de embriões são formados, depois de formados quatro serão colocados no útero da mulher, e os demais serão
guardados / congelados, porque se desses quatro não nascer o bebe tenta-se novamente ate que consiga.

INJEÇÃO INTRACITOPLASMÁTICA DE ESPERMATOZÓIDE – ICSI

Procedimento:
1- O ovulo é retirado;
2- O médico pega uma agulha muito fina e coloca os espermatozóides no óvulo;
3- E, cada embrião se forma separadamente, um por um;
4- E, depois são congelados ou colocados no útero da mulher, a única diferença é que cada embrião é formado por atos diferentes
ao invés de deixar que se formem sozinhos.

TRANSFERÊNCIA INTRATUBÁRICA DE GAMETAS – GIFT

Procedimento:

1- Aqui também o espermatozóide é retirado, e, o ovulo é retirado, mas são preparados, ou seja, é como se recebesse tratamento
quanto à possibilidade de dar certo e são colocados separadamente na trompa e no ovulo da mulher, para que se encontrem e
desçam para o útero, então não existe formação de embrião fora do corpo da mulher, a formação do embrião se dá na trompa.

O problema dessa técnica, é que quase freqüentemente não dá certo, na verdade, se tentava no passado primeiro essa técnica às outras,
mas a chance de sucesso é baixa.

TRANSFERÊNCIA INTRATUBÁRICA DE ZIGOTOS – ZIFT.

Procedimento:

1- Igual à fertilização in vitro;

2- Mas aqui o embrião é colocado na trompa, é uma técnica de sucesso baixo porque se coloca o embrião no útero já estará no
lugar aonde vai se desenvolver, se colocar na trompa vai ter que descer ate o útero e pode morrer no caminho.

IMPLICAÇÕES ÉTICAS

1- STATUS MORAL DO EMBRIÃO

A primeira implicação diz respeito ao STATUS MORAL DO EMBRIAO, onde a questão que se levanta é:

*** Quando se começa a vida?


R: Questão essa que até agora não tem resposta.

Para aqueles que consideram o embrião como pessoa em potencial, ou seja, vida, as técnicas de reprodução assistida são antiéticas.

Para aqueles que consideram o embrião apenas como um amontoado de células, não há problema algum na realização desses
procedimentos.

*** Qual o problema então, se o embrião é vida ou pessoa em potencial? Qual o princípio ético que está envolvido?
R: se o embrião é uma pessoa impedir que nasça esta ferindo a autonomia dele, por isso, fere o principio da dignidade da pessoa humana,
afinal o problema versa sobre o que fazer com o embrião que está congelado.

Aproximadamente 1/3 das pacientes produzem embriões que não vão ser utilizados, e estes são congelados.
*** O problema é por quanto tempo será congelado?
R: Depende:
- Se a fertilização não der certo: ate que o casal faça nova tentativa;

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
- Se a fertilização der certo: ficam congelados, mas se destruir estará matando vida para quem entende que embrião é vida ou pessoa, se
guardar por muito tempo existe uma possibilidade muito grande de quando descongelado não mais sobreviver.

Alguns países têm diretrizes legais para o que fazer com os embriões, por exemplo:
- Inglaterra: o professor não sabe por qual motivo, destruíram todos.
- Brasil: determina a lei que devem ser congelados, não podendo ser descartados ou destruídos, e no momento da procriação os cônjuges
devem deixar por escrito o que se deve fazer com os embriões no caso de separação ou morte.
- Nos outros lugares do mundo: não podem ser descartados.

2- DOAÇÃO DE GAMETAS:

Também chamada de fertilização in vivo, a doação de gametas é utilizada quando há ausência de formação da parte do homem de
espermatozóide e de óvulos do lado da mulher, então se doa um desses componentes quando um dos cônjuges tem esse problema.

Outra situação em que ocorre a situação quando existe o risco de transmissão de doença genética, ocorre geralmente por parte do homem
quando portador de gene somático, então ao invés de usar o esperma do marido usa o esperma de outro para evitar que o filho tenha esse
problema de saúde.

O problema que surge é que um terceiro passa a fazer parte da procriação, o filho não é só do casal.

Para os que não vêm problema algum dizem que esse processo é igual adoção, afinal na adoção cria-se afinidade mesmo que o filho não
seja biologicamente do casal.

O problema é como esse gameta é adquirido, sendo que é completamente proibida por lei a doação pecuniária, e quanto à questão do
anonimato quando a criança quer saber da sua origem.

No Brasil, o anonimato deve ser preservado pela clinica, só o medico deve ter essa informação, os pais não podem saber quem é o doador.

Na Inglaterra e a outros países, os pais tem todo direito de saber quem são.

O problema é que se os pais contarem para o filho quem é o pai, ele poderá querer saber quem é.

No Brasil prevalece o anonimato e a gratuidade, só os médicos, as clinicas sabem quem são os doadores e as possibilidades genéticas, mas
não podem contar isso aos pais.

Com relação à doação por consangüinidade, imagine que um pai doe 100 mil espermas, e que desses 10 virem crianças, existe a
possibilidade de um irmão se casar com outro.

No Brasil um doador não pode produzir mais de dois filhos de sexo diferente numa área de 1 milhão de habitantes.

As transferências tubaricas foram as primeiras a serem desenvolvidas, mas em decorrência do pouco sucesso as duas outras são mais
utilizadas.

Parece muito simples, mas a mulher sofre muito com o processo de retirada de óvulos e inserção do embrião.

3- SELEÇÃO DE SEXO POR MOTIVOS NÃO MÉDICOS

Existem técnicas que permitem que se faça seleção de sexo, tanto por selecionar o esperma que transmitirão o gene masculino ou feminino
ou a seleção também pode ser feita na hora de implantar o embrião.

O problema é que a seleção de sexo é permitida para os casos de transmissão de genes, o que existem em mais de 200 categorias para o
sexo masculino (ex. hemofilia), aqueles que são contra a seleção querem impedir até por questão de saúde.

No Brasil a seleção de sexo é permitida apenas por motivo de transmissão de doenças, nos outros países é possível a seleção, no Brasil
esse não é muito problemático, mas imaginando num país como a China, índia, em que os homens sempre são preferidos.

4- SELEÇÕES DE EMBRIOES OU DIAGNOSTICO PRE-IMPLANTACIONAL

A seleção embrionária é realizada através da analise do material genético do embrião que é o nome que se dá a esse diagnostico.

Objetivo: é verificar as doenças genéticas possíveis, nesse caso não só doenças transmissíveis pelos homens, mas qualquer doença que
possa ser transmitida.

O problema que existe é que os embriões que tem qualquer defeito são descartáveis, e, portanto, existe uma seleção dos embriões
saudáveis para então implantá-los.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
Para quem defende argumenta que é melhor selecionar antes de implantar do que depois fazer o aborto.

E ai acontece às vezes coisas interessantes, porque se pode selecionar os embriões saudáveis, e escolher implantar os embriões saudáveis
você também pode escolher implantar um embrião defeituoso.

Ex: um casal de surdos escolheu implantar um embrião surdo. Porque viviam numa comunidade de surdos onde a criança ficaria totalmente
sem ambiente se tivesse suas funções corretamente, alem do que se falássemos que isso é um absurdo haveria um preconceito da sua
parte para com os surdos, sendo que em algumas partes do mundo tem acesso a tecnologia em que tem uma vida absolutamente normal,
então por que não?

O principio ético neste caso é o da não maleficência, mas não pense que isso não acontece, acontece exatamente por falta de legislação.

*** Muitas vezes os pais fazem esse teste descobrem a doença do filho, o filho nasce, e daí conta ou não para o filho? Ou porque fez o teste
se não vai contar?

Hoje existe a possibilidade de fazer exame para saber quais são as doenças que pode desenvolver.

*** O problema é que os pais fazem e não contam para o filho, por que fazer?
R: Não existe a obrigação o pai é que vai se sentir na obrigação, então o pai pode ter uma atitude que não vai fazer bem para a criança.

5- MATERNIDADE DE SUBSTITUIÇÃO OU BARRIGA DE ALUGUEL

Problemas:

1- Seleção da doadora;

2- Exploração comercial do útero;

3- Disputa da criança (quem vai ser a mãe?)

No Brasil o Conselho Federal de Medicina recomenda que neste caso, as doadoras temporárias do útero devem pertencer à família da
doadora genética, parentesco ate segundo grau.

Objetivo: é fazer com que essa doação temporária do útero não tenha caráter financeiro / lucrativo.

Não existe lei para isso, logo o CFM apenas recomenda.

Mas ai surge outros problemas, a tia vai ser ao mesmo tempo mãe? Afinal a tia gestou a criança.

A tia pode não querer entregar a criança a doadora.

Para não dar problema o CFM decidiu que quem são os verdadeiros pais são aqueles que quiseram ter o filho, mas isso não resolve o
problema de família, resolvendo apenas o problema médico.

O que o conselho fala não tem força de lei, são apenas recomendações sempre em que estivermos no campo ético.

Nos EUA é possível o comercio, no Brasil não é permitido, embora tenha varias mulheres oferecendo o corpo.

6- REPRODUÇÃO PÓSTUMA

O homem doa o espermatozóide para uma clinica, a mulher doa o ovulo, o homem morre. Pode a mulher pedir para a clínica que faça a
fusão do espermatozóide no ovulo para então levar a gestação? Não sabemos.

*** E, no caso, de haver embriões congelados?


R: A questão é, será que naquele momento o pai ou a mãe, queria ser pai ou mãe.
Às vezes o pai ou a mãe doa, mas não quer ter filhos naquele momento.

Além disso, temos a situação: pode ser feita a coleta de esperma depois de morto o marido.

Outro problema é que a criança nasce sem o pai e sem a mãe, já nasce órfã, às vezes o pai ou a mãe quer ter um filho só para preencher
um vazio, então vai e se utiliza do embrião, ou esta preocupado com a herança.

*** Então ate onde se pode criar pessoas para satisfazer suas necessidades / vontades?

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
Se destruir um embrião fere-se o principio da autonomia quanto ao fato de que impede o mesmo de ter a vida, e do ponto de vista jurídico
comete homicídio se considera que o embrião é uma vida.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
17 / 05 / 2.010.

CLONAGEM

O clone pode ser definido como indivíduo originário de outro por multiplicação assexuada.

Então a pessoa deseja fazer uma replica de si mesmo, uma copia de si mesmo sem a necessidade de haver relação com outra pessoa para
tanto.

Existem dois tipos de clonagem:


1- Reprodutiva:

2- Terapêutica:

CLONAGEM REPRODUTIVA:
Retira-se o núcleo de uma célula de qualquer tecido do corpo, esse núcleo é implantado no óvulo, e esse ovulo é colocado dentro do útero
para o desenvolvimento do feto. O resultado é que a pessoa de onde foi retirado o núcleo da célula vai gerar outro ser que é sua copia,
todas as características desta pessoa será reproduzida dentro daquele ovulo.

*** Esse novo ser será cópia idêntica da sua matriz? Terá a mesma altura, cor de cabelo, etc.
R: o que forma o ser humano é a combinação genética DNA com o meio ambiente em que vive. Neste caso o meio ambiente são as
experiências e relações que a pessoa possa ter, essa é a formação do ser humano, por isso não será um igual ao outro.

Existem três problemas éticos:

1- A clonagem reprodutiva acaba tratando a vida como objeto: ou seja, cria-se um clone com o objetivo de achar um
substituto, fazer uma cópia, como se fosse um bem de consumo;

2- Diz respeito às necessárias manipulações que devem ser feitas com o embrião a fim de produzir o clone: aqui
existe o risco de seres defeituosos virem a existir, porque não se acerta na primeira vez, são vários os experimentos e
tentativas ate o nascimento do clone. Ex. ovelha Doly, foram inúmeros procedimentos que geraram seres “horríveis”, assim
descreveram ate o seu nascimento:

3- A clonagem não objetiva a perpetuação da espécie humana, mas a cópia de uma determinada pessoa.

A tendência mundial com respeito à legislação é proibir a clonagem humana reprodutiva.

CLONAGEM TERAPEUTICA:
É o procedimento cujos estágios iniciais são idênticos ao da clonagem reprodutiva. Só que invés de haver a implantação do ovulo no útero
para desenvolvimento do feto, o ovulo é cultivado em laboratório para produção do embrião. Da produção do embrião podem ser feitas as
chamadas células tronco, e que neste caso, são classificadas como pluripotentes ou totipotentes.

Pluripotente porque se retira uma célula do embrião e retira-se do embrião uma célula ate o 14º dia, sendo assim esta célula pode se tornar
qualquer outra célula. Então você pode usar uma célula do embrião para produzir tecido ósseo, do fígado, do coração, etc. essa é a
vantagem de usar esse tipo de célula do embrião.

Existe outro tipo de célula tronco que é chamada de CELULA TRONCO ADULTA, onde se retira o núcleo da célula de um tecido humano
que só poderá criar o mesmo tecido da qual ela for retirada. Então se você retira o núcleo da célula de um osso e coloca no ovulo, podem-se
criar novas células, mas que produzem tecido de osso, portanto, não são pluri ou totipotentes, então para ciência a vantagem em muito
maior com relação às CELULAS TRONCO EMBRIONARIAS.

*** Qual é o problema disso?


R: Criar embriões com esse objetivo ou utilizar os embriões que sobraram das técnicas de reprodução assistidas que não foram utilizadas.

E ai existe o conflito de que se o embrião é ou não vida, é ou não pessoa.

Para aqueles que entendem que é vida esta destruindo uma vida ou uma pessoa, afinal quando retira uma célula destrói o embrião.

Outra implicação ética que surge: é o perigo de comercialização de embriões com o objetivo de produção de células tronco.

Existem diversas posições adotadas pelos países com respeito à produção de células tronco:

- no reino unido: a clonagem humana reprodutiva é totalmente restrita, enquanto que a terapêutica é incentivada;

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
- a igreja católica, é totalmente contra a qualquer tipo de clonagem porque ambas ferem a dignidade da pessoa;

- no Brasil:
Legislação:
Art. 225, § 1º, ll da CF: estabelece que todos tenham direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, que é bem de uso comum do
povo e cabe ao poder publico preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do país, bem como fiscalizar as entidades
dedicadas à pesquisa e manipulação do material genético.

Quando o artigo fala que cabe ao estado preservar... Entende-se que ocorre a proibição da clonagem, porque nesta não existe a
diversidade, mas existe a identidade entre duas pessoas.

No entanto, o próprio artigo abre a possibilidade para que sejam feitas pesquisas com finalidade terapêuticas, desde que essas sejam
fiscalizadas pelo poder publico.

No plano infraconstitucional temos a lei de biosegurança 11.105/2005, no art. 6º fica estabelecido à proibição da clonagem humana
reprodutiva, mesmo que se faça pesquisa para esse tipo de clonagem é proibida.

Já o art. 5º da mesma lei, permite que sejam feitas pesquisas com células tronco de embriões inviáveis ou congelados a mais de três anos.
Isso significa que não se podem criar embriões para fazer pesquisa, só se pode usar os que foram descartados das reproduções assistidas,
que não deram certo ou que sobraram.

A lei ainda estabelece a necessidade de consentimento dos genitores.

TRANSPLANTE DE ORGÃOS

É a amputação ou ablação de órgão com função própria de um organismo para ser instalado em outro e exercer as mesmas funções.

Uma das maiores implicações éticas com respeito aos transplantes diz respeito à onerosidade.

A disposição de tecidos, órgãos, ou de partes do corpo humano em vida ou apos a morte tanto para transplante como para tratamento não
pode ser onerosa. Ética e legalmente a onerosidade é proibida na maioria dos países.

DOAÇÃO POS MORTEM – APÓS A MORTE


O marco para definição de retirada dos órgãos é a morte encefálica. A morte encefálica deve ser constatada e registrada por dois médicos.
Esses dois médicos não podem médicos da equipe que vão retirar os órgãos, tecidos, ou parte do corpo, ou seja, são médicos distintos,
resolução 1480/97, do Conselho federal de medicina.

Com respeito à legislação temos a Lei dos Transplantes nº. 9.434/97, o artigo 1º assegurou apenas a disposição de partes do corpo
humano, ou seja, implicitamente esta vedada o transplante em seres humanos de órgãos ou tecidos de animais que é o chamado
xenotransplante.

O objetivo é garantir ou preservar a dignidade da pessoa.

O art. 4º desta lei gerou muita polemica, porque de acordo com este a doação de órgãos após a morte era presumida, ou seja, ao não ser
que a pessoa deixasse explicitamente que não queria que seus órgãos fossem doados teria seus órgãos retirados, e isso foi valido ate 2001.

Antes disso foi editada a medida provisória nº. 1.718/98 (sendo que essa Medida Provisória só editou Lei em 2001), que alterou o artigo 4º
da Lei nº. 9.434/97. E a alteração foi no texto dizendo que o transplante após a morte só seria possível com a autorização do cônjuge ou do
parente maior de idade obedecida à linha sucessória reta ou colateral ate o segundo grau firmada em documento subscrito por duas
testemunhas presentes à verificação da morte.

Esse é o procedimento atual, não existe mais a doação presumida.

Em havendo tudo isso, antes da retirada dos órgãos deve haver uma comunicação prévia ao ministério publico.

Se não localizar nenhum parente para devida autorização a doação não será feita.

O incapaz poderá doar seus órgãos desde que tenha autorização dos seus responsáveis legais e do ministério publico.

O ministério público pode se opor à doação nos casos em que o doador é incapaz, quando a pessoa for capaz, só poderá interferir se
desconfiar de alguma irregularidade, eis que atua como fiscal da lei apenas. Ex: com relação às testemunhas.

DOAÇÃO INTER VIVOS


Quem dispõe de seus órgãos deve ser capaz e manifestar sua vontade de maneira livre e espontânea.

Todo transplante em inter vivos requer autorização judicial com exceção de transplante de medula óssea.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***

O doador deve ser obrigatoriamente informado sobre os riscos e conseqüências da sua doação.

Da mesma forma aquele que ira receber o órgão também devera ser informado dos riscos de receber órgão de outra pessoa.

Ou seja, não é porque houve rejeição que poderá ingressar com processo de indenização contra o doador do órgão.

O receptor só pode ser cônjuge ou parente consangüíneo ate o quarto grau (mãe, avos, primos, tios, irmãos).

Não se pode doar entre vivos se não for para esse tipo de parente, nem mesmo medula óssea, quando se doa em banco, doa-se para
qualquer pessoa, e não para uma pessoa especificamente.

Todo esclarecimento dos riscos do doador e do receptor deve ser lavrado em documento e assinado por ambas as partes.

O receptor, além de tudo isso, mesmo que vá receber o órgão de um parente deverá estar com seu nome na lista de espera. Existe uma
lista única que é controlada pelo governo federal onde constam todos que necessitam de um órgão, e assim que há o falecimento, este ato
é comunicado ao governo para que aceite ou não. E, mesmo que tenha transplante de parente deve estar na fila, porque se for atendido
antes pelo falecimento não será feita a retirada do órgão do familiar, por isso a necessidade desta lista única. Isso só porque é uma forma
do governo de controlar isso.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
24 / 05 / 2.010

TRANS-SEXUALISMO

Transexual é um individuo que tem um corpo e psiquicamente ocorre outra identidade (relacionada a genero).

Entao a pessoa tem todas as caracteristicas fisicas de um genero e se vê como sendo de outro.

Transexual é portador de desvio psicologico permanente, de identidade sexual com rejeição do fenótipo e tendencia a auto mutilação ou
auto extermínio.

*** Qual a diferença entre transexual e homosexual?


R: homosexual é o homem que tem atração por outro homem, e transexual é homem ou mulher que se vê como sendo de outro sexo. No
fim vai se ter atração da mesma maneira que o homosexual mas psicologicamente não é a mesma situação.

Como existe esse desvio psicologico no transexual e não existe tratamento terapeutico, a única solução para o conflito é a cirurgia para
mudança de sexo.

E, a cirurgia para mudança de sexo no caso do homem que quer se transformar em mulher é mais facil, porque ocorre a amputação do
penis que transforma-se em vagina, coloca-se silicone, retira-se o pomo de adão (gogó).

No caso da mulher a situação é mais complicada, eis que pode ser feito um penis de silicone revestido de pele, mas tera problema com
ereção. E, não existe a possibilidade de ejaculação.

Durante muito tempo o CFM entendia que a cirurgia para mudança do sexo era uma mutilação do corpo, portanto não era aconselhavel que
se fizesse esse tipo de cirugia.

Mas, a partir de 1997, foi feita a Resolução nº. 1482/97, autorizando os medicos a realizar esta cirurgia, entendendo que não possui carater
mutilante, mas sim corretivo de carater psiquico, e que poderia entao resolver esse problema de saude, ao invez de deixa-lo nesse conflito
interno.

Em 2002 o CFM editou nova resolução nº. 1652/02 estabelecendo os requisitos necessarios para realização desta cirurgia.

Havendo a procura do individuo para realização da cirurgia para mudança de sexo, inicia-se um ´processo de 2 anos. Onde uma equipe
multidisciplinar vai trabalhar com esse individuo para avaliar se esta nesta condição de transexual para entao realizar ou não a cirurgia.

Compoem essa equipe, psicologos, psiquiatricas, endocrinologistas, etc. é feito procedimento de tratamento hormonal, e ai havendo
concordancia do sujeito podera ser feita a cirurgia, desde que o individuo tenha mais de 21 anos.

Antes de 2002 era necessario autorização judicial para que se realizasse a cirurgia, a partir desta resolução não há mais essa necessidade.

Em 2007 o tribunal regional federal da quarta regiao, determinou que o SUS incluisse em sua lista de tratamentos a cirurgia transexual, mas
quando chegou ao STF essa situação mudou porque este entendeu que mudança de sexo não é problema suficientemente grave para ser
bancado pelo SUS.

No entanto, existe jurisprudencia ainda hoje estabelecendo que os hospitais publicos devem realizar esse tipo de cirurgia quando o paciente
não tem condições de pagar por ela. Isso existe mesmo após o STF ter se posicionado de maneira diversa.

PRINCIPIOS ÉTICOS

1- BENEFICÊNCIA: é um dos principios utilizados na defesa de quem quer fazer a cirurgia, porque ela promove o bem estar do
sujeito, eis que resolve o conflito de identidade do que a pessoa acha que é e a identidade do corpo.

Agora existe conflito com respeito ao


2- Principio da justiça: porque para aqueles que entendem que transexualidade não é doença, defendem que o estado não deveria
destinar recursos para esse tipo de situação e sim para doenças;

Vale lembrar que não existe nenhuma lei no nosso ordenamento juridico que proibe esse tipo de cirurgia, pelo contrario existe projeto de lei
no sentido de regulamentar esse procedimento, e uma das suas bases é o artigfo 196 da CF que trata do direito a saude.

Entao de acordo com a CF a saude é direito de todos e dever do estado.

De acordo com a OMS – organização mundial da saude, a saude é o completo estado de bem estar fisico, psiquico e social, portanto,
transexualismo é uma doença a partir do momento em que o individuo sofre psiquicamente e socialmente por não poder mudar de sexo.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


***BIO DIREITO***
E, a jurisprudencia tem confirmado este entendimento quando autoriza a cirurgia fundamentando-se que o individuo deve mudar de sexo
para conseguir resolver o conflito fisico e psiquico de sua vida.

A proibição da cirurgia para alguns é entendida como flagrante desrespeito aos direitos humanos.

O tratamento que antecede a cirurgia é feito para que possa conscientizar a pessoa de que o resultado da cirurgia pode não alcançar os
seus propositos, por isso não cabera indenização contra o medico.

Aplica-se o principio da não maleficencia quando faz a cirurgia alegando que é melhor fazer que ficar com esse conflito, mas a
consequencia deve ser assumida pelo paciente que já tem problemas psiquicos.

REPERCURÇÕES
Desta cirurgia no direito.

1- DIREITO PENAL: o artigo 129, § 2º, lll do CP, trata do crime de mutilação. Com respeito a cirurgia de mudança de sexo entendia-
se no passado que ocorria mutilação, hoje não se entende mais desta forma, eis que, por mais que de fato ocorra a mutilação
entende-se que tem por objetivo corrigir problema psiquico.

2- DIREITO CIVIL: Lei nº. 6015/73 – art. 58. De acordo com esse dispositivo, ele permite que seja modificado os nomes do que a lei
chama de apelidos publicos notorios, que é o caso dos pais criativos que colocam aqueles nomes que nenhum filho quer ter,
entao neste caso a lei permite a mudança do nome.

Ate um tempo atras, entendia-se que não podia adotar essa lei para os transexuais, hoje a doutrina e a jurisprudencia entende o contrario,
porque de nada adiantaria resolver o problema fisico e psiquico da pessoa se continuasse com o nome, entao foi ampliado o entendimento
desta lei, possibilitando a mudança do nome inclusive no registro de nascimento. Porem os direitos e obrigações continuam os mesmos.

Aqueles que dao ampliação maior ao conteudo do artigo 58, ou seja aqueles que entendem que amudança de sexo ensejam a mudança de
nome, fundamentam sua escolha em:

1- Art. 1º, lll da CF: que estabelece que toda pessoa humana tem dignidade, entao a dignidade da pessoa humana é um dos
fundamentos da CF, nesse sentido não dá para proteger a dignidade desta pessoa se tiver o corpo de um genero e nome de
outro.
2- A cirurgia não tem sentido de mutilação, mas sim de correção.
3- O transexual deve ter o seu direito a personalidade protegido, e o nome faz parte do direito a personalidade, entao não permitir
a mudança de nome é um desrespeito ao direito de personalidade.

A parte da doutrina entende que no documento você pode alterar o nome mas não o sexo, ou pode alterar o sexo mas escrever transexual,
isso para evitar o problema do erro, mas ai vem outro problema que é a descriminação, entao hoje não se encontra mais essa situação, hoje
não se coloca o termo transexual, e colocara no documento o termo do genero que escolheu e adotou após a cirurgia.

Existe parte da doutrina que entende que não se deve colocar o novo sexo e sim que é transexual.

O problema surge entao no casamento. O que é casamento?


R: casamento é o vinculo juridico entre homem e mulher legitimando-se por ele suas relações sexuais e que visa o auxilio mutuo, material e
espiritual, bem como, o comprometimento de educar e criar a prole que lhes sobrevier.

Um dos requisitos para o casamento é que seja contraido entre homem e mulher, na forma prevista em lei, e com sentimento. Entao de
acordo com a lei civil tem que existir esses tres requisitos sob pena de nulidade.

E, aqui surge o problema de nulidade, porque se não aparecer nos documentos que o cidadao mudou de sexo, como fica?

A nulidade devera ser analisada caso a caso, e os entendimentos são diversos.

Alem disso, um dos elementos do casamento é a prole, e como terao filhos, se ambos tem o mesmo sexo?

Existem jurisprudencias que reconhecem casamento homoafetivo, isso não causaria o problema, na verdade, ajudaria a tornar o casamento
transexual possivel, sem a possibilidade de torna-lo nulo, o problema ocorre em função da enganação de não declarar o sexo em que
nasceu.

Com respeito a filiação entende-se que a mudança de sexo no registro civil não acarreta modificação na relação entre pais e filhos. O
documento da criança não sofrera nenhuma alteração.

O cartorio de assentamento de registro de nascimento move todo um processo sigiloso quanto a alteração do nome, em casos judiciais isso
pode ser invocado.

Obviamente não existem problemas quanto a sucessao e herança.

Profº. Samir R. Figalli de Ângelo


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Profº. Samir R. Figalli de Ângelo