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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

KELLY REGINA DA SILVA

PERSONAGENS PICARESCOS DE SUASSUNA:


JOÃO GRILO E CAROBA

Itabaiana
2010
KELLY REGINA DA SILVA

PERSONAGENS PICARESCOS DE SUASSUNA:


JOÃO GRILO E CAROBA

Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso de Letras


Português da Universidade Federal de Sergipe, Campus
Prof. Alberto Carvalho, como requisito parcial à
obtenção do título de Licenciado em Letras.

Orientador: Profª. Drª. Jeane de Cássia Nascimento Santos

Itabaiana
2010
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................4
2 O CÔMICO NO TEATRO...................................................................................................6
2.1 COMICIDADE ....................................................................................................................6
2.2 DE GIL A ARIANO.............................................................................................................8
2.3 ARIANO SUASSUNA E A INFLUÊNCIA VICENTINA................................................10
3 PERSONAGEM PÍCARO..................................................................................................12
3.1 PERSONAGEM TEATRAL..............................................................................................12
3.2 O PÍCARO.........................................................................................................................14
4 ANÁLISE..............................................................................................................................16
4.1 PERSONAGEM JOÃO GRILO E SUAS AÇÕES PICARESCAS...................................16
4.2 CAROBA E SUAS PICARDIAS ......................................................................................20
4.3 SEMELHANÇAS PICARESCAS ENTRE JOÃO GRILO E CAROBA .........................24
O SANTO E A PORCA:........................................................................................................26
REFERÊNCIAS.....................................................................................................................31
4

1 INTRODUÇÃO

No Brasil, após a Segunda Guerra Mundial, começa um período de novas


ideologias políticas que influenciaram na mudança para uma nova temática do nacionalismo,
apresentando também transformações nas produções literárias. Sobre esta influência, os
escritores modernistas de 45 partem para essa nova temática na literatura, com obras de
participação social preocupadas com o homem e com o mundo. As novas produções dão
ênfase aos questionamentos sobre o homem oprimido pela sociedade brasileira, abandonando
assim, os ideais da semana de 22.

Através dos tempos, as produções literárias mostram-se preocupadas com


questões de âmbito político-social. No Brasil, vários escritores se enveredaram por esse
caminho, como é o caso de Ariano Suassuna que encontrou no teatro um novo meio de tratar
dos assuntos sertanejos, com intuito de mostrar a realidade vivida pelo homem nordestino.

O autor começou a produzir seus trabalhos e suas obras em 1957, com a peça
Uma mulher vestida de sol. Em suas criações seguintes inicia seus trabalhos com o cômico
em o Auto da Compadecida, O santo e a porca, O casamento suspeitoso, A farsa da boa
preguiça e os romances A pedra do Reino e A pena e a lei. Na elaboração de seus textos
Ariano Suassuna associa temas medievais considerados eruditos a assuntos recorrentes e
marcantes, encontradas na oralidade nordestina.
Além desse novo estilo utilizado em suas de peças teatrais, Ariano cria a arte
armorial que abrange todo o meio artístico, recorrendo a outros variados tipos de arte como
xilogravuras, música de pífanos e rabeca. Ariano defende a importância do movimento para a
formação de uma identidade coletiva regional e nacional, e, para isso, estabelece uma relação
de ideais e pontos de vista entre a arte erudita mundial e arte popular regional.
Dessa forma, Ariano constrói suas obras dentro das perspectivas do Movimento
Armorial, buscando retomar as tendências medievais, com o intuito de criar uma arte erudita a
partir da cultura popular nordestina, estabelecendo assim, um paralelo entre as tradições da
Idade Média e a literatura de oral.
De tal modo, adentrando o universo de Suassuna, o presente trabalho busca fazer
um estudo das obras, Auto da Compadecida e O santo e a porca, do teatrólogo, professor e
poeta, ao analisar os personagens pícaros e suas ações picarescas, além do conjunto de
elementos que enfatizam e ampliam a idéia do personagem pícaro. Nesse sentido, valendo-se
5

do embasamento teórico sobre gênero dramático, este trabalho procurará analisar as


características marcantes das obras mencionadas. Esse trabalho está dividido em três
capítulos. Os dois primeiros englobam questões teóricas a respeito da comicidade e
personagem, respectivamente; o terceiro constitui-se da análise objetivada.
Dessa forma, o primeiro capítulo do trabalho trata do cômico no teatro, além de
abordar a definição da comicidade, articulada à criação dos personagens principais dos dois
textos de Suassuna. Ainda neste capítulo será destacada a obra de Gil Vicente, que apresenta
características medievais populares e eruditas da época, e representa uma das principais bases
para a criação das obras de Suassuna. Em seguida será feito um pequeno relato da vida
literária de Ariano e estilo de suas criações. Toda a primeira parte concentra-se na retomada
histórica e literária para compreensão dos principais aspectos deste trabalho.
No segundo capítulo, tem-se uma abordagem específica que será utilizada no
presente trabalho, trata-se do personagem teatral, suas características e a maneira como se
apresenta na peça. Logo depois, explora-se de maneira concentrada o personagem pícaro,
destacando seus aspectos principais e as ações que o caracterizam como pícaro.
Neste trabalho são levantadas questões pertinentes à literatura brasileira regional,
especificamente a nordestina, as quais são focalizadas a partir de um elemento
predominantemente essencial – o personagem.
No último capitulo, será desenvolvida a análise dos personagens, João Grilo, de
Auto da Compadecida, e Caroba, de O santo e a porca. Nessas obras, como é comum em
Ariano Suassuna, os personagens são trabalhados a partir de traços realistas e características
populares, o que evidencia a representação social e facilita a aceitação da obra por parte do
público.
Segundo Beth Brait, haverá um personagem “tipo”, aquelas personagens que
alcançam o auge da peculiaridade sem atingir a deformação ou apenas “caricaturas”, quando a
qualidade ou idéia única é levada ao extremo, provocando uma distorção propositada,
geralmente a serviço da sátira (cf. BRAIT, p.41). A partir desse enfoque realizar-se-á uma
pesquisa analítica, observando a comicidade, a astúcia, o jogo com as palavras dentro do
discurso e as redes de dependência ao personagem principal.
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2 O CÔMICO NO TEATRO

2.1 COMICIDADE

O gênero dramático caracteriza-se pela encenação de um texto. Deste modo, ele


não apresenta narrador, sendo os atores, personagens da ação, os responsáveis por estabelecer
a comunicação com os espectadores. Para suprir a inexistência do narrador, existem alguns
elementos que marcam o texto, exemplo disso são as instruções que orientam a cena e as
marcações para a interpretação do personagem, elementos essenciais para a apresentação da
peça.
O gênero em questão se subdivide em tragédia e comédia. A tragédia é marcada
por uma narrativa comovente, dramática, representada a partir de ocorrências que expressam
as aflições, desejos e sentimentos humanos. Outras características da tragédia são a presença
de uma linguagem elevada, personagens nobres como deuses e heróis que vivenciam o drama
proposto, sob a oposição das forças impostas pelo destino.
Já, o cômico tem afinidade com a cultura popular porque utiliza fatos do dia-a-dia
como matéria na representação de algo, atraindo, conseqüentemente, a atenção do leitor ou
ouvinte para a obra. Assim, o cômico utiliza a irreverência para tratar e relatar as dificuldades,
as opiniões e as injustiças da sociedade de maneira direta e aberta, e deste modo se contrapõe
às regras sociais que exigem boas maneiras.
Os estudos sobre o cômico são norteados pelo conceito dado por Aristóteles em
sua obra “A arte poética”:

A comédia é, como dissemos, a representação de homens baixos; contudo ela não


cobre toda baixeza: o cômico é apenas uma parte do torpe; com efeito, o cômico
consiste em um defeito ou torpeza que não causa dor nem destruição; um exemplo
evidente é a máscara cômica: ela é torpe e disforme sem exprimir a dor
(ARISTOTELES apud ALBERTI, 1999, p.46).

Essa definição evidencia que, além de representar a cultura e os costumes das


classes menos favorecidas, o cômico enfatiza exageradamente as ações do cotidiano e os
7

defeitos dos indivíduos das classes baixas, propondo, desta forma, uma visão crítica da
realidade popular, ao contrário do trágico que representa a aristocracia e os homens da alta
sociedade.

Verena Alberti, ao resumir o cômico, diz que “a comédia é uma arte poética que
representa as ações humanas baixas, ou mais especificamente os personagens em ação piores
do que nós” (ALBERTI, 1999, p.49). Sendo assim, a comédia usa ações cotidianas, que estão
fora dos padrões das classes elevadas, para apresentar uma realidade com irreverência e
ironia, causando impacto nos valores específicos das classes mais ricas.

A comédia, para expressar uma opinião ou idéia, utiliza o riso como uma das
formas de se ver o mundo. Para Bakhtin, o riso

tem um profundo valor de concepção do mundo, é uma das formas capitais pelas
quais se exprime a verdade sobre o mundo na sua totalidade, sobre a história, sobre
o homem; é um ponto de vista particular e universal sobre o mundo, que percebe de
forma diferente, embora não menos importante (talvez mais) do que sério
(BAKHTIN, 2008: p.57).

A comédia pode traduzir o sentimento de estar bem, pois se baseia no uso do


riso, que faz ultrapassar os limites da seriedade. A partir do riso, criam-se hipóteses e
questionamentos sobre a realidade em que o ser humano vive. Com isso a utilização do riso é
capaz de denunciar os vícios, erros morais e atitudes irregulares de indivíduos de uma classe,
além de servir para criticar a sociedade dos corrompidos, dos inferiores de maneira camuflada
e irreverente.
Desta forma, pode-se afirmar, segundo Bakhtin, que “o riso é ou um
divertimento ou uma espécie de castigo útil que a sociedade usa para os seres inferiores e
corrompidos” (BAKHTIN, 2008, p.58). Observa-se, assim, que o riso é a exposição ao
ridículo, e a exposição de algo ou alguém ao ridículo não será bem visto perante as regras e as
pessoas da sociedade. Portanto, o cômico tem a função importante de propagar valores a partir
da utilização do ridículo com o riso.
8

2.2 DE GIL A ARIANO

Em Portugal, as primeiras manifestações teatrais começaram no final da Idade


Média, com as obras de Gil Vicente. Elas representavam a comédia de costumes, por meio de
situações cotidianas que provocavam o riso. Gil Vicente criticava as classes sociais
construindo um perfil caricato para cada grupo. Desse modo, não criticava apenas um
indivíduo, mas sim toda a sociedade.
O teatro, nesse período, passava por um momento de transição da Idade Média
para o Renascimento. Na Idade Média, os privilegiados eram o clero e a nobreza, ou seja,
eram as classes que detinham o poder político, financeiro e religioso, e, segundo seus
interesses, repreendiam as manifestações culturais usando dogmas da religião para a
submissão das classes menos favorecidas.
As peças vicentinas, contrariando essa política, caracterizavam-se pela
valorização do ser humano e da sua cultura. Também reconhecia os valores sociais das
massas, como sua religiosidade e suas crenças, numa mistura do religioso e do profano.
Gil Vicente fez suas peças de maneira engenhosa, criando cenas nas quais os
personagens representavam grupos sociais da época. Além disso, na concepção desses
personagens, incluía o uso da figura de linguagem paradoxo para representar as contradições
existentes na sociedade, como pode ser observado no fato dos personagens utilizarem discurso
religioso, mas cotidianamente agirem de forma profana e pecaminosa.
Esse estilo de criar peças e personagens surpreendeu e marcou a cultura e o
sistema social português, pois mostrava o contraste entre do religioso e o profano a partir de
personagens simples e diretos, como afirma Saraiva:

As personagens de Gil Vicente normalmente não discursam (como fazem as de


Caldeirón) sobre temas mais ou menos objectivos: exprimem-se em ditos que são
formas de comportamento, diretos e certos (SARAIVA, 2000, p. 40).

Pode-se perceber nos personagens vicentinos a crítica social à tradição medieval,


através de diversas situações do cotidiano, marcadas pelo desmascaramento da sociedade da
época, em que os vícios da classe alta são revelados de modo realista e irônico. Nos autos de
9

Gil Vicente, os personagens vivem em conflito entre os vícios terrenos e as virtudes do


mundo espiritual. Isso confirma o momento de transição em que passava o teatro português.

O Auto da barca do inferno (VICENTE, 1996) aborda a idéia de pós-morte,


questionamento do ser humano recorrente há varias gerações. Nele, percebe-se, de maneira
mais ampla, o modo como Gil Vicente trabalha as suas personagens, que na peça,
particularmente, representam uma classe social. Após a morte, cada personagem passa por
um julgamento, acontecido à beira de um rio que representa a passagem da vida para a morte.
Na seqüência, a partir de uma lista divina prévia, os personagens, de acordo com seus atos
passados, entram em barcas, onde o anjo levará os bons para o céu e o diabo levará os maus
para o purgatório. Durante essa cena, todos são incapazes de reconhecer seus atos
pecaminosos ou injustos.
Nesse texto, as personagens representam vários tipos sociais, nas diversas
situações e atitudes da vida terrena. Após a morte, serão julgados pelos vícios e os
comportamentos que não condizem com a religião. Desta forma a obra vicentina demonstra a
sociedade e suas características e revela um homem com falhas, corrompido pelos costumes
do meio social. A fragilidade religiosa também é destacada, pois mostra o declínio do homem
aos prazeres mundanos.
Vicente valorizou a cultura das massas, desenvolveu peças teatrais contendo
várias tradições populares no enredo. Com base nesse enredo popular produziu vários gêneros
de peças como o auto, a farsa, o mistério e a comédia. Em suas composições, Gil Vicente
tinha bastante liberdade para exprimir a realidade portuguesa de maneira irônica. Seu modo
de criar peças era singular, pois Gil Vicente desmoralizava as classes sociais altas, sem
mencionar críticas a um único indivíduo.
A comédia vicentina mostrou uma nova maneira de criticar a sociedade
portuguesa, apresentando uma visão diferente das classes sociais, uma vez que denunciava o
declínio moral do homem, independentemente de sua cultura ou bens. Dessa forma, o teatro
vicentino, além de marcar sua época, influenciou na produção de diversos artistas, no decorrer
dos séculos posteriores.
10

2.3 ARIANO SUASSUNA E A INFLUÊNCIA VICENTINA

Apesar de ter feito o curso de Direito, Ariano Suassuna se empenhou,


paralelamente, na produção de trabalhos artísticos, chegando a fundar, em parceria com
Hermílo Borba Filho, o grupo Teatro de Estudantes de Pernambuco. Muito bem sucedido no
teatro e atento aos aspectos culturais regionais, no ano de 1947 criou sua primeira peça, Uma
mulher vestida de sol sua única tragédia, partindo do trecho do livro da Bíblia, o Apocalipse.
A peça retrata o drama nordestino, sendo bem recebida pelos críticos teatrais, chegando a
ganhar prêmios.
Para produção de seus textos, Ariano procurava alargar o seu conhecimento sobre
a arte popular, conseguindo, nos anos seguintes, escrever diversos textos que abordam a
religiosidade e o cotidiano de maneira realista, como peças, romances e ensaios. Assim, com
base nos moldes teatrais de Gil Vicente, Ariano Suassuna, além de utilizar a temática das
tradições populares, adaptadas ao nosso universo, começa a inovar no teatro brasileiro
contemporâneo, ao conceber personagens simples e populares.
As peças de Ariano Suassuna mantêm aspectos intertextuais com a obra de Gil
Vicente, pois demonstram de maneira moderna e atual os tipos de peças medievais, como o
auto, a farsa, a comédia e a tragédia, encontrando no teatro um meio de retomar as tradições
populares e mostrar a realidade nordestina brasileira, de maneira bastante enfática, crítica e
realista.
Dentro das perspectivas vicentinas, Ariano une as tradições medievais e a cultura
popular nordestina, manifestada na literatura de cordel, composta por obras produzidas pelo
povo e que contém histórias da cultura popular. Com o intuito de criar uma arte erudita com
base cultural nordestina, Ariano, como já mencionado anteriormente, participou ativamente na
criação do “Movimento Armorial”, estabelecido oficialmente em 18 de outubro de 1970, em
Recife. Inicialmente os armorialistas tinham o objetivo de:

discutir a nacionalidade brasileira por meio da cultura, buscando as raízes da


brasilidade cujo conceito já havia sido re-provado por políticas estrangeiras que ao
Brasil chegavam para instalar seus produtos industrializados (CALDAS NETO,
2008, p.16).
11

O “Movimento Armorial” procura discutir novos ideais de estéticas na literatura e


no teatro, além de promover a divulgação dos trabalhos que retratam o nordeste e recriam
novas formas de ver o mundo. Com esse intuito, o movimento reuniu vários artistas, que
tinham em comum idéias e opiniões sobre o popular nos trabalhos de arte, música, dança e
outros. Essa união projetada por Ariano tem como objetivo principal:

estabelecer uma ponte entre a Tradição, que presa entre as paredes dos
Conservatórios e das Universidades tendia a se fossilizar e se tornar “peça de
museu”, e o Popular, a arte produzida em condições materiais, não-oficiais, com
finalidade lúdica, cerimonial ou de integração comunitária (TAVARES, 2007,
p.107).

Dessa forma, o movimento pretende renovar tendências e estéticas do teatro


popular brasileiro, unindo o popular com o erudito, presentes na Idade Média e no
Renascimento. Pode-se perceber que os principais trabalhos de Ariano Suassuna
influenciaram o “Movimento Armorial” e causaram grande polêmica no meio literário.
Suassuna demonstra que tem uma visão crítica com relação à sociedade com idéias que
abrangem a cultura nacional e regional, como afirma Mário Guidarini:

Ariano Suassuna questiona metaforicamente padrões de moralidade política e


católica na cultura regional e nacional nas práticas de exploração do homem pelo
homem. Contorna a censura oficial valendo-se de jogos cênicos circenses dentro
dum jogo maior do Auto, ao produzir novos significados de cidadania e cultura.
Descarta transpor para o palco luta de classes, ideologias revolucionárias urbanas e
rurais. Para o autor, pensamento radical e distanciamento crítico não se confundem
com pensamento revolucionário engajado a ideologias vigentes em tempos sombrios
da ditadura militar (GUIDARINI, 2006, p.157).
12

3 PERSONAGEM PÍCARO

3.1 PERSONAGEM TEATRAL

O teatro, gênero marcado pela arte de encenar, tem como meta dar mais emoção a
história a ser contada. O personagem ou o grupo de personagens é o principal elemento para o
desenvolvimento de uma história encenada, uma vez que representa ações humanas
freqüentes no cotidiano das pessoas, procurando exprimir questões relacionadas ao
subconsciente, ao psicológico. Dessa maneira, desperta o raciocínio, o sentimento e a emoção
do público durante as encenações de uma obra.

Segundo Antônio Cândido, “tanto romance como teatro falam do homem, mas o
teatro o faz através do próprio homem, na presença viva e carnal do ator” (CANDIDO, 1976,
p.84). Assim sendo, na peça teatral, o personagem torna-se o elemento principal da obra, pois
trabalha a ação e tenta mostrar com maior vivacidade a história e o enredo. Em toda a peça
teatral destacam-se em um eixo principal os personagens, pois mostram o enredo com
diversas ações e situações, modificadas pelas características próprias do ator, e assim os atores
dão novos rumos e novas interpretações ao enredo da história.
De acordo com Beth Brait, a teoria desenvolvida por Aristóteles em sua poética
apresenta “dois pontos essenciais dos personagens: um ponto define o personagem como
reflexo da pessoa humana, outro concebe o personagem como construção baseada em leis
particulares pré-existentes no texto” (ARISTÓTELES apud BRAIT, 1985, p.29).
O personagem de uma peça pode representar as condições humanas em uma
sociedade, favorecendo a identificação do público com a obra. O primeiro ponto da essência
do personagem expressa o essencial para a construção do personagem, já o segundo mostra os
aspectos exteriores influenciando e/ou modificando o personagem dentro da obra, como, por
exemplo, os personagens secundários e a situação social.
Pode-se observar que esses dois pontos se completam, estabelecendo bases para a
criação do personagem, que é entendido como reflexo do humano, criado a partir de leis pré-
existentes tanto na sociedade real, quanto na ficção.
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Observa-se no argumento de Beth Brait, os principais pontos para a construção de um


personagem:

Se quisermos saber alguma coisa a respeito de personagens, teremos de encarar


frente a frente a construção do texto, a maneira que o autor encontrou para dar forma
às suas criaturas, e aí pinçar a independência, a autonomia e a “vida” desses seres de
ficção (BRAIT, 1985, p.11).

Na totalidade de uma obra, os personagens são os elementos mais importantes,


pois fazem ou sofrem as ações, centralizando o enredo, o tempo, o espaço, além de outros
elementos. Também, cabe ao personagem de uma peça dar coerência aos atos durante a obra.
O romance, por ter um aspecto descritivo, é construído a partir de narrador que
expõe ao leitor todos os elementos físicos e psicológicos da narrativa, levando-o a fazer o uso
da imaginação para compreender as ações descritas na obra. O teatro, ao contrário, coloca em
prática os acontecimentos em forma de encenação de uma peça, não necessitando da
intromissão do narrador. Assim, a peça teatral proporciona uma visão particular sobre o
enredo encenado.
“A personagem teatral, portanto, para dirigir-se ao público dispensa a mediação
do narrador. A história não nos é contada, mas mostrada como se fosse de fato a própria
realidade” (CÂNDIDO, 1976, p.85). Na peça teatral, o personagem fala diretamente ao
público e a partir dele o público conhece a história e toma consciência dos fatos sem
mediação do narrador.
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3.2 O PÍCARO

O personagem pícaro representa o herói da obra, mas sua construção e formação


se dão às avessas, uma vez que suas características, inversas a de um herói, dispõem de ser
aventureiro, materialista, desleal e de caráter duvidoso. De acordo com Flávio Kothe, os
personagens pícaros apresentam algumas características singulares: “Sempre está com fome,
nunca se sente seguro. É o mais mortal dos mortais. Aparenta não ter princípios morais.
Aparenta cortejar os poderosos, mas acaba por desnudá-los como que involuntariamente,
desmascarando-lhes as franquezas” (KOTHE, 1985, p.49). Observa-se que o personagem
pícaro se envolve em aventuras particulares que representam com fidelidade a realidade da
sua condição social. Desta forma revela sua opinião e suas idéias desafiando as regras sociais.
A partir do termo pícaro pode se perceber algumas características desse
personagem. Segundo Antônio Cândido em seu ensaio “Dialética da malandragem” “o termo
pícaro significa um tipo inferior de servo, sobretudo ajudante de cozinha, sujo e esfarrapado”
(CANDIDO, 1970). Nota-se que o personagem pícaro apresenta uma visão, de acordo com
sua realidade. Sua situação de inferioridade, servindo vários patrões, torna-o bem crítico na
caracterização de diversas classes, pois sua participação percorre os núcleos de outras classes
sociais no decorrer da obra.
A esperteza do personagem pícaro deve-se ao modo como leva a vida, pois
desenvolve habilidades para a convivência no meio social desigual em que vive. Para Flávio
Kothe: “O pícaro é um manipulador dos mil truques necessários a sobrevivência: ele é um
‘virador’, um artista da gigolagem.” (KOTHE, 1985, p.48). Parte da mesma idéia Edwin
Muir, afirmando que:

Os incidentes são cronometrados com precisão. Entram exatamente onde deveria


entrar para corresponder ao esquema do livro, mas nunca são inevitáveis. Não
vemos nele a lógica da ação mas um intelecto extraordinariamente metódico,
organizado tudo em vista de seu próprio objetivo (MUIR, 1975, p.15).

Observa-se que o personagem pícaro prevê suas ações e calcula como deve
acontecer toda a ação. Desenvolve todo o conhecimento para planejar truques e artimanhas.
Com sua esperteza é que o personagem pícaro demonstra sua maneira de enfrentar e escapar
as dificuldades da vida.
15

A obra picaresca apresenta uma função, não proporcionado, simplesmente uma


figura cômica para ser o bobo ou fazer rir pela sua situação precária, mas descreve com
detalhes a realidade da sociedade. O objetivo da obra picaresca de acordo com Edwin Muir é:

conduzir uma figura central através de uma sucessão de cenas, introduzir um grande
número de personagens e assim erigir um quadro da sociedade. Há um quase exato
paralelo seu na ficção contemporânea: a estória periódica do jovem que começa em
pobres circunstâncias e sobe verticalmente através de todas as classes sociais ate
alcançar o ápice (MUIR, 1975, p.15).

Observa-se que o personagem pícaro procura não trabalhar muito, mas conseguir
ganhar o máximo que puder com pouca atividade. Assim, o pícaro configura uma caricatura
que representa o exagero na preguiça e na vagabundagem. A fim de conseguir chegar ao ápice
social, o pícaro, no seu percurso dentro da história, torna-se engraçado pelas suas ações muito
bem planejadas, e pelo modo como aborda as situações e desenrola os fatos.
16

4 ANÁLISE

4.1 PERSONAGEM JOÃO GRILO E SUAS AÇÕES PICARESCAS

O Auto da Compadecida é uma peça escrita em 1955. As ações se dão em torno


do sertão nordestino, tendo como foco principal os acontecimentos na vida de um pobre,
esperto e mentiroso, chamado João Grilo, que tem em sua companhia o personagem, Chicó,
sempre presente em quase todas as ações conferidas a João. Mesmo com suas atrapalhadas,
João Grilo e Chico representam o sofrimento do povo nordestino, na sua luta contra a miséria
e a violência.
Os dois personagens estão sempre a armar ou entrar em confusões, “uma
embrulhada”. Em virtude disso manipularam e causam diversos problemas como a benção e o
enterro do cachorro, onde consegue fazer um qüiproquó entre os seus patrões, os religiosos e
o Major, grande fazendeiro da região.
Além disso, cria a história do gato que ‘descomia’ dinheiro para enganar a patroa
e conseguir dinheiro, bem como inventou a gaita milagrosa que enganou o cangaceiro
Severino, que almejava matar a todos da região. No entanto João Grilo não escapou do
companheiro cangaceiro de Severino que por ter matado seu chefe, tenta vingança. Sua
próxima peripécia acontece na sua vida pós-morte, no seu julgamento e dos seus colegas,
usando seu discurso e a ajuda da Compadecida consegue voltar a terra.
O Auto da Compadecida, romance teatral de Ariano Suassuna, tem como base as
tradições nordestinas com influências das medievais. Esta peça teatral é divida em três atos
que são intercalados pela entrada de um palhaço, elemento característico das cortes da Idade
Média, onde eram os bobos da corte que tinham o objetivo de divertir o público real. Na obra
de Ariano, o palhaço intercala cada ato, com falas e enunciados diretos que criticam as
personagens e a obra em si, chegando a participar das cenas.
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PALHAÇO
Grande voz
Auto da compadecida! O julgamento de alguns canalhas, entre os quais um
sacristão, um padre e um bispo, para o exercício da moralidade (SUASSUNA, 2005,
p.15).

Observa-se a eloqüência, a liberdade com as palavras para incitar o público na


abertura da peça. Além de iniciar apresentação do auto, o palhaço dá sua opinião crítica sobre
os personagens, chamando-os de “canalhas”. Além disso, o palhaço é colocado na obra como
um intermediário entre os atos para que haja uma comunicação entre a história e a platéia. Sua
presença, sempre cômica e satírica, retoma a presença medieval do bobo da corte que tinha
liberdade de conduzir e divertir o espetáculo.
Chicó, personagem secundário da obra, é comparsa de João Grilo e acaba por ser
cúmplice e elemento chave nas armações arquitetadas pela dupla. A união dos dois
personagens resulta na intensa comicidade verificada na peça, recheada de tapeações.
Percebe-se que a sabedoria de João e a tolice de Chicó proporcionam o engajamento dos dois
nos acontecimentos, sendo que ausência de esperteza de um, pode ser complementada pelo
excesso verificado no outro, resultando assim, na total influência, imposta por João sobre
Chico.
Em o Auto da Compadecida, João Grilo é o personagem principal da obra, pois a
partir das suas ações é que a trama evolui e se desenvolve. João Grilo não possui posses, mas
possui um elevado grau de esperteza. Ele vive no sertão nordestino, passa fome, enfrenta a
desigualdade social entre outros problemas, sendo obrigado a buscar mecanismos de defesa.
Mesmo assim, ele não apresenta dificuldades em lidar com esse modo de vida, pois, por
diversão, ele mente e engana aproveitando-se de diversas situações apresentadas no enredo.

CHICÓ
Deixe de ser vingativo que você se desgraça! Qualquer dia você inda se mete numa
embrulhada séria!

JOÃO GRILO
E o que é que tem isso? Você pensa que eu tenho medo? Só assim é que posso me
divertir. Sou louco por uma embrulhada (SUASSUNA, 2005, p.27-28).

Chicó adverte João, prevendo que ele pode se desgraçar, tornar-se mais infeliz,
devido a seus atos inconseqüentes. No entanto, o personagem quer saber apenas de diversão,
como é observado na fala “Só assim é que posso me divertir. Sou louco por uma embrulhada”
(SUASSUNA, 2005, p. 28). Nota-se que ele gosta de levar a vida à sorte, entrando em
18

confusões e tirando proveito delas. Contudo João Grilo sabe e conhece o âmbito social em
que se encontra por isso:

Tende a expressar os interesses e o espírito crítico de uma classe social ou de um


grupo social em processo de ascensão e que, astutamente, faz de conta que se
identifica com um elemento socialmente inferior para, assim, poder dar melhor uma
cacetada na classe ou grupo que ainda lhe é superior (KOTHE, 1987, p.46).

A linguagem empregada por João Grilo demonstra conhecimento das outras


classes, ao apontar seus defeitos e qualidades. Seu modo de perambular, sem preocupação,
dentro dos núcleos sociais faz com que ele aproveite para fazer críticas, e, assim, criar novas
armações, além de desmascarar o caráter do outros personagens da peça. Ele de maneira
irreverente mostra a submissão da igreja ao poder dos senhores fazendeiros da região. João
Grilo se apresenta de forma bem humilde, de uma classe inferior como funcionário do Major,
para assim demonstrar de maneira mais aberta como a igreja se comporta.

CHICÓ
Que invenção foi essa de dizer que o cachorro era do Major Antônio de Moraes?

JOÃO GRILO
Era o único jeito do padre prometer que benzia. Tem medo da riqueza do Major que
se pelá. Não viu a diferença? Antes era “Que maluquice, que besteira!”, agora “Não
vejo mal nenhum em se abençoar as criaturas de Deus!” (SUASSUNA, 2005, p.24).

Nesse primeiro momento ele julga e em seguida comprova a existência de


injustiças e adversidades na igreja. Mostra, também, de maneira objetiva, a discriminação
social existente, utilizando esse motivo para provocar críticas visíveis a quem faz parte da
igreja, pois estes possuem caráter pior que o dele. A atitude de João Grilo corrobora com a
fala do palhaço, no início da peça que alude sobre o “exercício da moralidade” para estes
religiosos. Na seqüência, comprovando seu perfil picaresco, o personagem age influenciado
pela vingança, que lhe proporcionará muita diversão.
Nessa primeira confusão, da benção e do enterro do cachorro, observa-se uma
atitude bem diferente do esperado. João Grilo usa mentiras, e de maneira dissimulada causa
um qüiproquó, ou seja, uma confusão marcada por enganos, para se conseguir o que foi
pedido. Durante a ação, usa o momento para se divertir e tirar vantagens sobre a situação.
Essas ações inesperadas e exageradas causam riso na platéia.
As atitudes inesperadas e as reações diferentes do personagem podem ser
justificadas baseadas no ensaio de Antônio Cândido em “Dialética da malandragem”: “Um
19

traço básico do pícaro: o choque áspero com a realidade que leva a mentira, a dissimulação,
ao roubo, e constitui a maior desculpa das ‘picardias’” (CANDIDO, 1970).
Nota-se que o personagem João Grilo surpreende pela sua liberdade nas atitudes,
palavras e declarações com os outros personagens, com a finalidade instalar, na peça o humor
e o cômico nas cenas, que resultam em uma sátira velada aos tipos sociais, revelados pelo
personagem. Sabendo das armações de João Grilo, observamos agora a preparação para o
golpe do gato que ‘descomia’ dinheiro no qual enganou a patroa.

CHICÓ
Se a mulher do padeiro descobrir que você tirou a bexiga do cachorro antes do
enterro...

JOÃO GRILO
Que é que tem isso? Eu estava precisando dela pra um negócio que estou planejando
e a necessidade desculpa tudo. O cachorro já estava morto, não precisava mais dela,
eu tirei, porque estava precisando! Ela não tem nada a reclamar.
[...]
JOÃO GRILO
Você ainda não viu nada! Eu ter tirado a bexiga do cachorro não quer dizer coisa
nenhuma. Danado é o gato que arranjei pra tomar lugar do morto (SUASSUNA,
2005, p.70-71).

Observe a despreocupação de João Grilo para fazer sua armação, uma vez que já tinha
arquitetado e planejado nos mínimos detalhes o golpe. Nota-se a esperteza do personagem,
sua audácia, além da ausência de escrúpulos moras ao enfrentar os patrões e inventar um fato
falacioso.
20

4.2 CAROBA E SUAS PICARDIAS

A peça teatral, O santo e a porca, também voltada a temas nordestinos, foi escrita
em 1957 e publicada em 1964. No entanto, ao contrário do Auto da Compadecida, é montada
de maneira diferente por tratar de assuntos voltados à avareza e a união amorosa. A partir das
situações colocadas, o leitor é conduzido a outras observações de relevo social, como por
exemplo, a exploração trabalhista e a esperteza do explorado que darão amplitude às relações
existentes.
O enredo de O santo e a porca se passa no interior de Pernambuco, na miserável
casa de Euricão Árabe, um homem avarento, muito conhecido na região. Além dele,
participam do enredo Margarida, Dona Benona, Eudoro, Pinhão, Dodó e Caroba. O enredo
resume-se ao seguinte: Eudoro Vicente, fazendeiro rico da região, manda uma carta a Euricão
avisando que quer seu bem mais precioso. Devido sua avareza, Euricão compreende que seu
bem mais precioso é a porca cheia de dinheiro, herdada dos avôs. Assim acaba por deduzir
que Eudoro vai pedir-lhe dinheiro emprestado. No entanto, o interesse real de Eudoro era a
mão de Margarida, filha de Euricão, como se observa na passagem:

CAROBA – Ele não simpatizou com a senhora?


MARGARIDA – Simpatizou.
CAROBA – Ele não disse, na carta, que vinha roubar o tesouro mais precioso de
Seu Euricão?
PINHÃO – Disse.
CAROBA – Então o que vocês querem mais? É casamento no duro! (SUASSUNA,
2005, p.45).

Em O Santo e a porca, Caroba, articulista das principais situações, é empregada


do avarento Euricão Árabe que explora seu trabalho, trocado apenas por casa e comida. Ela,
usando de esperteza e, aproveita-se das informações sobre todos, como por exemplo, o
namoro proibido de Margarida e Dodó, filho de Eudoro, disfarçado como trabalhador de
Euricão. Na realidade Dodô havia abandonado os estudos na capital para ficar ao lado de seu
amor, Margarida. No entanto, às escondidas continua recebendo a mesada do pai.

MARGARIDA — O melhor é a gente confessar tudo, querido. Não agüento mais


essa agonia. A todo instante penso que meu pai vai reconhecer você.

DODÓ — Não está vendo que é impossível, meu bem? Quando seu pai me viu pela
última vez, eu era um menino. E com esta corcova, essa roupa, essa barba... Não é
Possível de jeito nenhum!
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MARGARIDA — Mas o seu? Ele vai chegar e vai reconhecê-lo. Não seria melhor
dizer tudo?

DODÓ — Mas dizer tudo como, meu bem? Não tenho um tostão meu, meu pai é
contra a idéia de eu me casar sem estudar, seu pai só deixa você casar com um
homem rico... O que é que eu posso fazer contra este inferno?

MARGARIDA — Talvez se seu pai soubesse que a noiva sou eu, permitisse o
casamento e lhe desse terra para você trabalhar. Ele gostou tanto de mim quando
estive lá!

DODÓ — E eu mais ainda, tanto assim que abandonei meu estudo e vim me meter
nesse armazém por sua causa (SUASSUNA, 2008, p.43 – 44).

Também é relatada a antiga relação adolescente entre Eudoro e Benona, irmã de


Euricão, conseqüentemente, tia de Margarida. Na época, o namoro dos dois não deu certo e
Eudoro acabou se casando com outra pessoa. Benona, por sua vez, tornou-se uma solteirona,
dependente das vontades do irmão. Novamente, Caroba tenta arrumar o destino das
personagens ao planejar o casamento entre Dona Benona e Eudoro.

EUDORO — Boa noite, Eurico. (Sai EURICÃO.)

EUDORO — O que foi que ele quis dizer? Quando disse que começou a precisar de
Santo Antônio?

BENONA — Foi quando a mulher dele nos deixou. Você ainda se lembra dela?

EUDORO — Quando comecei a freqüentar sua casa ela já tinha fugido.

BENONA — É verdade, foi no começo do nosso namoro.


[...]
BENONA — Reconheço que a maior parte da culpa foi minha. Mas eu era tão
moça, tão sem conhecimento das coisas, Eudoro! Você se lembra da noite que passei
em sua fazenda com Eurico?

EUDORO — Como havia de não me lembrar? Foi desde aquele dia que você me
deixou. Por que foi aquilo, Benona? Eu nunca pude me conformar com aquele
silêncio, de repente, sem uma explicação!

BENONA — Eu era muito moça, Eudoro. Eurico não me deixava sair para lugar
nenhum, eu não conhecia o mundo, não conhecia você direito, nada! Bem, naquela
noite em sua casa... Você sabe o que foi, fiquei com medo de você.

EUDORO — Mas Benona, foi só por causa daquilo? E você, por tão pouco, estragar
nosso casamento! Se eu soubesse, teria vindo e falado de tal maneira, que você me
perdoaria e teria talvez casado comigo.

BENONA — Ah, Eudoro, é verdade?

EUDORO — E você não me dar uma explicação, me deixar no engano de que era
algum empecilho de sua parte, mesmo! (SUASSUNA, 2008, p.114 - 116).
22

Na seqüência a porca desaparece e um tumulto é instalado na narrativa, pois


Pinhão, empregado de Eudoro, descobre o segredo de Euricão e furta seu cofre.

Entra PINHÃO, com um grande saco de estopa, velho


e sujo, no qual carrega a porca.

PINHÃO — Ô lírio, ô lírio, ô lírio,


ô lírio como é?
Bom almoço, boa janta,
boa ceia e bom café,
da roseira eu quero o galho,
do craveiro eu quero o pé.

Agora, é assim, Santo Antônio, meu velho, "bom almoço, boa janta, boa ceia e bom
café". Mas ali onde diz "da roseira eu quero o galho, do craveiro eu quero o pé",
agora é assim: "da porquinha eu quero as tripas, quero pá, cabeça e pé". Sou o
homem mais rico do mundo, Santo Antônio, trate de me agradar de hoje em diante.
Não há como um dia atrás do outro e uma noite no meio. O velho Engole-Cobra, de
tanto engolir cobra, terminou achando uma que o engolisse. Ra, ra! Plantou o
roçadinho dele, mas quem arrancou o milho foi Pinhão.

VOZ DO DODÓ — (Fora.) Pinhão, é você?

PINHÃO — (Trancando rapidamente a porta.) Calma lá, Seu Dodó! Deve ser Seu
Dodó! Seu Dodó o quê? Deve ser Dodó, Dodó Boca-da-Noite! Agora é assim!
Espere lá, Dodó Boca-da-Noite! É melhor guardar o saco! (Beija a Porca e esconde-
a no socavão.) (SUASSUNA, 2008, p.121).

No final da peça, o personagem Caroba, desvendando antecipadamente o motivo


da carta, acaba por ajudar Margarida a desfazer o pedido de casamento e depois disso
consegue ajeitar a união de outros casais:

MARGARIDA — Não suporto mais essas agonias de jeito nenhum. Que jantar mais
angustiado! De vez em quando Tia Benona dizia uma frase perigosa, papai outra...
Eu via a hora de se descobrir tudo. Será que esta história vai dar certo, Caroba?

CAROBA — O casamento de Seu Eudoro com Dona Benona dando, o resto vem na
esteira, o seu com Seu Dodó, e até o meu com o moleque do Pinhão.

MARGARIDA — Você gosta muito dele, não, Caroba?

CAROBA — Gosto, Dona Margarida! Agora, por que, não sei, porque aquilo é
safado que fede! Mas hoje ele vai me pagar o novo e o velho. A senhora trouxe o
vestido?

MARGARIDA — Trouxe, tome. Tome e assuma a responsabilidade. Se essa


confusão toda acabar meu casamento, você me paga! Eu me vingo de você!
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CAROBA — Danou-se, Dona Margarida!

MARGARIDA — Depois não diga que não avisei, está ouvindo? Passe bem,
Caroba. Espero que tudo dê certo, tanto no meu interesse como no seu.

CAROBA — Espere, Dona Margarida! É melhor eu trancá-la. Não tenho confiança


em homem nenhum nesse mundo e muito menos em Seu Eudoro. A senhora não viu
o que ia acontecendo com Dona Benona? Entre que eu trancarei a porta.

CAROBA — O negócio começa a caminhar. Mas, meu Deus, a confusão vai ser a
maior do mundo. O vestido, aqui. (Esconde o vestido que recebeu de
MARGARIDA.) Falta alguma coisa, meu Deus! Ah, sim, a vítima! Dona Benona!
Crote, crote, crote! Dona Benona! (SUASSUNA, 2008, p.117 – 118).

Em troca da sua ajuda exige das outras personagens favorecimentos que incluíam
desde uma comissão, o casamento com Pinhão, como também “uma terrinha”, para
construção de sua casa. Suas ações são bem arquitetadas e planejadas, demonstrando assim,
sua independência para a resolução de todas as confusões existentes no enredo.
Dessa forma observa-se que Caroba também possui características pícaras, uma
vez que no enredo da peça ela é um tipo de personagem inferior que realiza suas ações
desleais, aventureiras, materialistas e apresenta caráter duvidoso, pois nas iniciativas dos seus
planos é arquiteta e planeja de maneira precisa.
24

4.3 SEMELHANÇAS PICARESCAS ENTRE JOÃO GRILO E CAROBA

A personagem Caroba contém traços mais simples do que João Grilo, mas os
artifícios utilizados por eles para a resolução dos conflitos são bastante similares. Caroba
apresenta características mais amigáveis e, aparentemente, é mais confiável do que João
Grilo, pois todos a procuram, na confiança da resolução de seus problemas.

EURICÃO — Ai, ai! Ainda não tenho os vinte contos e já querem me roubar! Não
dou, não dou de jeito nenhum.

CAROBA – Então, estou fora do negócio.

EURICÃO – Não! Preciso de você, Caroba, não me abandone!

CAROBA – Então me dê uma comissão (SUASSUNA, 2008, p.52).

Diferentemente de João Grilo que não inspira confiança aos demais personagens,
em o Auto da Compadecida:

SEVERINO
Que conversa é essa? Já ouvi falar de chocalho bento que cura mordida de cobra,
mas de gaita que cura ferimento de rifle, é a primeira vez.

JOÃO GRILO
Mas cura. Essa gaita foi benzida por Padre Cícero, pouco antes de morrer.

SEVERINO
Eu só acredito vendo.

JOÃO GRILO
Pois não. Queira Vossa Excelência me ceder seu punhal.

SEVERINO
Olhe lá!

JOÃO GRILO
Não tenha cuidado. Pode apontar o rifle e se eu tentar alguma coisa para seu lado,
queime.
25

SEVERINO
ao Cangaceiro
Aponte o rifle pra esse amarelo, que é desse povo que eu tenho medo!
(SUASSUNA, 2005, p.103).

Em O santo e a porca, o desfecho das ações se centraliza nas artimanhas de


Caroba. A partir delas, o personagem tenta tirar proveito da situação. Exemplo disso é
passagem, como já foi comentado, em que Caroba pede comissão para fazer um favor ao Seu
Euricão, Da mesma forma João Grilo engana a patroa para conseguir dinheiro fácil:

CHICÓ
Não estou entendendo nada.

JOÃO GRILO
Pois vai entender daqui a pouco. Vou entrar também no testamento do cachorro.

CHICÓ
Como, João?
JOÃO GRILO
Eu não lhe disse que a fraqueza da mulher do patrão era bicho e dinheiro?

CHICÓ
Disse.
JOÃO GRILO
Pois vou vender a ela, pra tomar o lugar do cachorro, um gato maravilhoso que
descome dinheiro! (SUASSUNA, 2005, p.72 – 75).

Em o Auto da Compadecida acontecem vários episódios, engenhosamente


encaixados pelo autor, que se passam em espaço abertos, na cidade de Taperoá. Já, no O
santo e a porca, do início ao fim da obra, as armações se dão no interior da casa de Euricão.
Desta forma, a personagem Caroba percorre o ambiente onde vive e dá uma visão
mais íntima do enredo e dos personagens, uma vez que o espaço é fechado e a história
transcorre dentro da casa de seu Euricão, facilitando assim, o maior envolvimento da
empregada nas ações da peça, como é observado na crítica ao patrão avarento:

EURICÃO – ...Ah, isso aí ele tem que reconhecer, minha filha é o patrimônio que
possuo. Hei de casá-la com um homem rico e ela há de amparar a velhice do
paizinho dela. Eudoro, com todo o dinheiro que tem, não tem uma filha como a
minha!

CAROBA – E o senhor, com a filha que tem, não tem uma riqueza como a dele!

EURICÃO – Como foi?

CAROBA – Nada! (SUASSUNA, 2008, p.38 – 39).


26

Observe que ela afronta o patrão, mas não tem tanta firmeza em assumir sua fala.
Logo se recompõe, como se nada tivesse acontecido. Por ser um personagem feminino,
Caroba apresenta características mais sutis, ao contrário, de João Grilo que critica, fala o que
pensa e o que acha, sem medo das conseqüências.
Caroba e João Grilo apresentam autonomia durante suas ações nas obras, pois
suas peripécias são criadas e projetadas sem nenhuma preocupação e medo das conseqüências
que possam vir. Ambos sempre vivem pela sorte, um dos aspectos marcantes dos personagens
pícaros. Essa independência pode ser vista quando eles prometem resolver tudo, como pode
ser observado em:

O santo e a porca:

BENONA — Mas não desapareça para muito longe não, está ouvindo, Caroba?

CAROBA — Estou, Dona Benona, eu fico por perto. Se precisar, grite, que eu
venho. Entre, se embeleze, trate Seu Eudoro com carinho e deixe o resto que eu
garanto.

BENONA — Então eu vou. E que Santo Antônio nos proteja, Caroba!

CAROBA — Amém, Dona Benona (SUASSUNA, 2008, p.120).


e em:
Auto da compadecida:
CHICÓ
João, não é duvidando não, mas como é que esse gato descome dinheiro?

JOÃO GRILO
É isso que é preciso combinar com você. A mulher vem já para cá, cumprir o
testamento. Eu deixei o gato amarrado ali fora. Você vá lá e enfie essas pratas de dez
tostões no desgraçado do gato, entendeu?

CHICÓ
Entendi.

JOÃO GRILO
Quando eu gritar por você, venha, me entregue o gato e deixe o resto por minha
conta (SUASSUNA, 2005, p.73).
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Pode-se perceber que os personagens agem sem refletir sobre as conseqüências


dos seus atos. João Grilo não se preocupa com a possibilidade de suas mentiras e armações
serem descobertas. A posição de Caroba é bem similar à de João, pois ela não se importa com
o que pode acontecer se desvendarem suas armações nos casos amorosos. Ambos os
personagens estão preocupados apenas em concluir o plano, independentemente dos meios
utilizados.

João Grilo e Caroba são aventureiros e astutos, pois conhecem e sabem tirar
proveito das situações. Para conseguir seus lucros, estes pícaros reconhecem seu lugar no
enredo, e, em seguida, os espaços dos demais personagens. A partir disso avaliam as
qualidades e defeitos de todos para, assim, planejar, arquitetar e aplicar seus golpes.
Pode-se perceber a exploração do trabalho sofrida por ambas as personagens.
Caroba empregada de Euricão, não recebe nenhuma remuneração pelo seu trabalho. Ganha
apenas casa e comida. Assim, o patrão aproveita-se do empregado, revelando a realidade
nordestina para aqueles que são desfavorecidos:

DODÓ — Isso é um louco! Você não imagina até onde vai a avareza dele. Desde
que estou aqui, só se comeu à noite uma vez. E ele exige que a gente pague a
refeição, porque acha que mais de uma refeição por dia é luxo!

PINHÃO — E quem não tem para pagar, como Caroba?

DODÓ — De quem não paga, ele desconta o preço no ordenado.

PINHÃO — Aí é que quero saber como! Ela me disse que desde que chegou aqui
ainda não recebeu um tostão!

DODÓ — O golpe dele é esse! Deu o primeiro jantar, cobrou o preço. Caroba não
pôde pagar porque não tinha recebido o ordenado. Agora, quando Caroba cobra o
ordenado, ele diz que ela primeiro pague o jantar. Como Caroba não tem o dinheiro,
não paga. Assim, por conta do jantar que ele dá cada mês, economiza o salário dos
empregados (SUASSUNA, 2008, p.89).

Em Auto da Compadecida, João Grilo também é explorado na padaria, onde


trabalha com Chicó. Devido a isto, o personagem sente raiva e tenta se vingar da exploração
sofrida.
28

JOÃO GRILO

Ô homem sem vergonha! Você inda pergunta? Está esquecido de que ela deixou
você? Está esquecido da exploração que eles fazem conosco naquela padaria do
inferno? Pensam que são o Cão só porque enriqueceram, mas um dia hão de me
pagar. E a raiva que eu tenho é porque quando estava doente, me acabando em cima
de uma cama, via passar o prato de comida que ela mandava pr’o cachorro. Até
carne passada na manteiga tinha. Pra mim nada, João Grilo que se danasse. Um dia
eu me vingo! (SUASSUNA, 2005, p.27).

Para retratar a realidade das classes menos favorecidas, do sertão nordestino,


Ariano Suassuna usa elementos comuns no enredo das suas obras, como a pobreza e o
sofrimento. João Grilo e Caroba exprimem a perseverança e a coragem que tem o povo
sertanejo.
Apesar do sofrimento, eles apresentam grande devoção aos santos, características
típicas do povo nordestino. Os dois personagens simbolizam a condição sofredora causada
pela miséria, recorrendo à fé para amenizar o sofrimento. Caroba confia em si, porém acredita
na força divina.

CAROBA — Será que vai, meu santo? Acho que vai dar bem. Com a luz assim,
com o cabelo ajeitado, estou uma Dona Margarida bem apreciável. E agora, meu
Deus? (Destranca a porta e escuta no quarto do velho.) Até já, Santo Antônio, e
veja lá o que pode fazer por nós. Não estou metendo o senhor em molecagem não!
Assim que Seu Eudoro entrar no quarto de Dona Benona, eu dou o alarma e ele se
compromete, a simples entrada no quarto basta. De modo leve isso em conta e trate
de me ajudar (Sai.) (SUASSUNA, 2008, p.120).

A personagem sempre dialoga com o santo e pede sua ajuda. Isso também
acontece com os demais personagens, principalmente com Seu Euricão, por ser devoto de
Santo Antônio:

EURICÃO — Ai a crise, ai a carestia! E é tudo querendo me roubar! Mas Santo


Antônio me protege!

PINHÃO — O senhor pelo menos leia a carta!

EURICÃO — Eu? Deus me livre de ler essa maldita! Essa amaldiçoada! Ai a crise,
ai a carestia! Santo Antônio me proteja, meu Deus! Ai a crise, ai a carestia!
(SUASSUNA, 2008, p.34).
29

Em o Auto da compadecida não é diferente, pois os personagens exprimem


grande religiosidade, mesmo possuindo um caráter não muito confiável ou executando
atitudes pecadoras, de acordo com os dogmas da igreja.

A COMPADECIDA
E pra que foi que você me chamou, João?

JOÃO GRILO
É que esse filho de chocadeira quer levar a gente pra o inferno. Eu só podia me
pegar, mesmo com a senhora (SUASSUNA, 2005, p.146).

Percebe-se que João Grilo é persistente e não perde as esperanças. Ele clama por
Nossa Senhora para a sua defesa e salvação contra as acusações do diabo. Os demais
personagens, também mantém sua fé em seus santos católicos, mesmo apresentando vícios e
atos pecaminosos.
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5 COSIDERAÇÕES FINAIS

Ariano Suassuna une o humor e a crítica à sociedade na criação das suas obras.
Dentro delas apresenta personagem que tentam driblar os problemas e desigualdades sociais
vividas pela sociedade brasileira da região sertaneja que sofre com violência e miséria. Todas
as suas personagens foram criadas a partir da poesia popular brasileira, do cordel, unidas em
histórias populares do Nordeste.
Ariano criou peças teatrais, carregadas de humor e comicidade. Para o
desenvolvimento de suas peças tenta expor a desmoralização e os vícios da sociedade,
utilizando o cômico e o irreverente, como suas características principais. Para chegar nessa
fase de comicidade pode-se perceber que Ariano obteve influência do teatrólogo português
Gil Vicente, principalmente nas sátiras, como pode ser observado no fato dos dois
dramaturgos criticarem diversos setores da sociedade de maneira muito semelhante.
Um dos aspectos essenciais do teatro é o personagem. Os personagens teatrais
realizam um papel importante, pois, é através deles que a peça acontece, logo que são
responsáveis por dar vida ao enredo. Dentro das obras Auto da Compadecida e O santo e a
porca, os personagens utilizam a sátira para evidenciarem a exposição e as críticas feitas às
diversos grupos sociais, demonstrando que, influenciados por leis sociais pré-existentes em
um grupo, os personagens dessas obras acabam por refletir pessoas comuns. Devido a isso
apresentam valores e juízos a serem retratados nas peças, a fim de tentar socializar aspectos
éticos e morais.
Por fim, com a leitura comparativa dos textos Auto da compadecida e O santo e a
porca pode-se perceber que os dois personagens principais, João Grilo e Caroba, nessas obras,
respectivamente, possuem características semelhantes. Suas atitudes e seu modo de criar
situações trapaceiras, desleais, mentirosas se enquadram na temática picaresca. Com estes
personagens pícaros, Ariano traça um perfil dos sertanejos, que por seu sofrimento e
dificuldades, encontram no caminho picaresco uma possibilidade de sobrevivência, uma
tentativa de ascensão social, mesmo que restrita. Assim, concluímos que, na realidade,
existem diversos Joões Grilos que tentam safar-se das condições precárias e situações
incomodas que são obrigados a suportar em virtude de sua inferioridade social. Do mesmo
modo há várias Carobas que sofrem em casas alheias, exploradas pelos patrões de serviços
domésticos.
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REFERÊNCIAS

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Fora, MG, v.5, n.1, p. 87-95, jun. 2007.
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de François Rebelais. 6ª ed. – Brasília: UNB, 2008.
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Universidade UFRGS/ EDPURCS, 1996.
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Suassuna. 2008. 204f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Centro de Ciências humanas,
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CÂNDIDO, Antônio. A personagem de Ficção. 2ª ed. - São Paulo: Perspectivas, 1976.
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<http://www.unioeste.br/prppg/mestrados/letras/leitura.asp>. Acesso em:
11 mar. 2010.
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Ática, 2006.
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sagrado. 2008. 143 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Centro de Ensino Superior de Juiz
de Fora, Juiz de Fora, 2008.
DIMITROV, Eduardo. O Brasil dos espertos: Uma análise da construção social de Ariano
Suassuna como “criador e criatura”. 2006. 194f. Dissertação (Mestrado em Antropologia)
– Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências humana, Universidade de São Paulo, São Paulo.
2006.
GUIDARINI, Mário. Auto da Compadecida: Intertextualidade e interdiscursividade. Revista
Trama: Cascavel, PN, v.2, n.3, p. 149-157. 2006.
32

KAYSER, Wolfgang. Análise e interpretação da obra literária. 6ª ed. – Coimbra: Arménio


Amado, 1970.
KOTHE, Flávio R.. O herói. 2ª ed. – São Paulo: Séries princípios, 1987.
MACHADO, Irley. O Auto da compadecida e um personagem extraordinário. Revista de Estudos
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MINOIS, Georges. História do riso e do escárnio. 1ª ed. – São Paulo: UNESP, 2003.
MOISÉS, Massaud. A análise literária. 5ª ed. – São Paulo: Cultrix, 1977.
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