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INTRODUÇÃO

O trabalho visa analisar algumas ocorrências que o nosso idioma vem


sofrendo mediante as inserções de termos provenientes de outras línguas,
principalmente o anglicismo. Sabe-se que a Língua Portuguesa é considerada, pelos
lingüistas, um idioma complexo, amplo e com inúmeros termos lexicais, é rica em
vocabulários e formas gramaticais, linguagens e variantes, entretanto ela está
sofrendo várias transformações fonéticas e grafológicas com criações de novos
vocabulários e compostos de outros idiomas. O nosso idioma sofreu uma evolução
do Latim para o português. Desde a década de 20, alguns estudiosos já
condenavam estes termos como prejudicial ao nosso idioma, na época o alvo dos
pensadores era o uso que a burguesia fazia do Francês.

Um termo que está cada vez mais freqüente e aos poucos se inserindo no
léxico português, tendo várias palavras assimiladas e algumas dicionarizadas, que
são denominados estrangeiros, e ou empréstimos de outro idioma. Contudo o
anglicismo é moda do momento e está cada vez mais inserido em nosso Português
e, às vezes, exageradamente aplicado e substituindo o nosso idioma no cotidiano
devido à área da informática, publicidade e meios de comunicação em geral.

Mediante a este fato, o deputado Aldo Rebelo ao se deparar com várias


palavras estrangeiras na língua Portuguesa, propôs então, à Câmara dos Deputados
um projeto de lei nº. 1676/99, que declarava lesivo ao patrimônio cultural brasileiro o
uso exagerado destes termos estrangeiros. Num raciocínio simples, conclui que a
língua estava se descaracterizando e seriamente ameaçada, pondo em risco o
patrimônio cultural: a Língua Portuguesa.

Houve uma discussão contrária a este projeto, considerado por alguns


conhecedores da língua como um equívoco. Nenhum dos autores dá mérito à
intenção, que o deputado ressalta em seu projeto, já que um projeto não pode
intervir na interculturalidade dos falantes ao usar a língua.

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1 ESTRANGEIRISMOS NA LÍNGUA PORTUGUESA

O estrangeirismo é o empréstimo de outras línguas, no caso seria de


expressões estrangeiras em nosso português. Estrangeirismo é o emprego de
palavras e expressões procedentes de outras línguas em nosso português.
Chamados de Empréstimos, uma relação entre comunidades lingüísticas. Grupos
variados numa comunidade podem conceder valores diversos aos falantes de uma
outra língua. Valores que podem, algumas vezes, ter conflitos dentro dessa
comunidade, do qual se faz o empréstimo (GARCEZ e ZILLES, 2004).
A noção de estrangeirismo abrange uma disputa difícil sobre seu
comportamento lingüístico com discursos superficiais e errôneos. O propósito desse
movimento ideológico é estabelecer a língua legítima, uma discussão sobre o que é
o português correto, o português legítimo – uma diversidade lingüística idealizada.
Procurar quem fala genuinamente a língua da comunidade e quem será idôneo ao
ter este poder dentro dela e em seu nome. Conforme Bourdieu (apud GARCEZ e
ZILLES).

Para que um modo de expressão entre outros (uma língua, no caso do


bilingüismo, uma utilização na língua, no caso de uma sociedade dividida
em classes) se imponha como único legitimo, é preciso que o mercado
lingüístico seja unificado e que os diferentes dialetos (classistas, regionais
ou étnicos) estejam praticamente referidos à língua ou ao uso legítimo.
Enquanto produto da dominação política incessantemente reproduzida por
instituições capazes de impor o reconhecimento universal da língua
dominante, a integração numa mesma “comunidade lingüística” constitui a
condição da instauração de relações de dominação lingüística.
(BOURDIEU, apud GARCEZ e ZILLES, 2004, p. 17)

Uma discussão sobre o que é o português correto, o português legítimo, que


busca determinar os valores das formas lingüísticas unidas a grupos internos da
comunidade ao capital lingüístico unido a grupos externos da comunidade.
Este movimento se inicia a partir da qualificação de um empréstimo como
estrangeiro, então examinando sua definição de estrangeirismo, veremos a
possibilidade para determinar o elemento lingüístico como um empréstimo de origem
duvidosa.

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Hoje, é fácil encontrarmos exemplos evidentes, como: home banking e coffee
break, explicitamente estrangeiros. Mas daqui a algum tempo, desaparecerão como
as palavras match (do futebol) e rouge (da moça), ou então serão incorporados a
nossa língua, no caso de garçom e sutiã. Temos termos tomado do Latim, já que o
português se derivou do Latim e dos termos árabes – denominação da Península
Ibérica, cujos termos foram adicionados ao português: álcool, alqueire, alface;
estrangeiros (GARCEZ e ZILLES, 2004).

1.1 A História da Língua Portuguesa e a Evolução da língua

Analisando o contexto histórico de nossa língua, nota-se que ela sofreu


mudanças constantemente, por se tratar de uma língua flexiva. Desde seu
surgimento, foram muitas evoluções. A Língua Portuguesa proveio do latim vulgar
que os romanos introduziram na Lusitânia, região situada ao ocidente da Península
Ibérica. Pode-se afirmar que o português é o próprio latim modificado. É lícito
concluir, portanto, que o idioma falado pelo povo romano não morreu, como
erradamente se assevera, mas continua a viver, transformado, no grupo de línguas
românicas ou novilatinas. É bastante confusa a história da Península antes da
conquista romana. As investigações feitas pela arqueologia, etnologia e lingüística
levam-nos a concluir que dois povos primitivamente habitaram o solo peninsular: um
cântabro-pirenaico e o outro mediterrâneo. Destes dois povos se teriam originado
respectivamente o basco e o ibero. Coube a este último papel mais importante na
história da Península. É de seu nome que os historiadores gregos chamaram a
região Ibéria (COUTINHO, 1976).
No tempo de Augusto, a Península dividida foi em três províncias: a
Tarraconense, a Bética e a Lusitânia. A primeira manifestação que se nota, da parte
ficaria nele compreendida para separar os destinos da faixa ocidental da Europa,
onde se constituiu mais tarde Portugal, do resto da Hispânia. Mas houve um povo da
Península que não aceitou o latim como língua, antes continuou a falar o próprio
idioma: o basco. O latim levado pelos legionários, colonos, comerciantes e
funcionários públicos romanos, impôs-se pela força das próprias circunstâncias:
tinha o prestígio de língua oficial, servia de veículo a uma cultura superior, era o
idioma da escola (COUTINHO, 1976).

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O latim que se vulgarizou no território ibérico, foi o povo inculto, o sermo
vulgaris, plebeius ou rusticus, de que nos dão notícia os gramáticos latinos.
A outra modalidade, denominada sermo urbanus, eruditus ou perpolitus, em
que escreveram suas obras imortais Cícero, César, Vergílio, Horácio e Ovídio, foi aí
também conhecida, sim, mas nas escolas, o que é atestado pela existência de
alguns célebres escritores hispânicos, como Sêneca, Marcial, Lucano e Quintiliano.
Mais tarde são os conventos ou mosteiros que guardam as tradições da boa
latinidade (COUTINHO, 1976).
No século V, os bárbaros invadiram a Península, povos de origem
germânicas, localizados nas costas do Báltico, cada um com seu dialeto: vândalos,
suevos e visigodos. Depois dos vândalos surgiram os suevos e se estabeleceram na
Galécia e na Lusitânia. Habitaram nesta região, onde mais tarde se desenvolveu a
nação portuguesa. No século VIII, surgem os árabes ao norte da África, a influência
árabe não foi tão grande, os termos incorporados ao léxico peninsular são quase
todos os nomes de plantas, instrumentos, ofícios, medidas etc (COUTINHO, 1976).
A nacionalidade portuguesa começa com D. Afonso Henriques proclamado rei
de Portugal em 1143. O romance falado constituiu o dialeto galeziano ou galaico-
português, com algumas influências árabes. Com a independência de Portugal,
resultou a diferenciação entre o português e o galego. Documentos do latim bárbaro
do século IX encontraram algumas formas vernáculas do galego-português. No
século XII, textos e documentos apareceram inteiramente redigidos em português, já
que, antes era apenas falado. Dado o século XV começaram a fazer várias
traduções de obras latinas, francesas e espanholas. O século XVI, foi apresentado
como o verdadeiro século de ouro da Literatura Portuguesa, surgiram grandiosos
escritores, vários gêneros literários, surge também a gramática disciplinando a
língua (COUTINHO, 1976).
Com as descobertas marítimas, no século XVI, Portugal teve um papel
importante na História, a partir daí a Língua Portuguesa se expande pelas Ilhas do
Atlântico, as costas da Ásia e da África. Nenhum povo foi jamais tão longe através
dos mares, como o lusitano, percorriam os oceanos em todos os sentidos e cuja
bandeira tremulava em todas as partes do mundo, porque em todas elas Portugal
possuía colônias. A área territorial do português é muito dilatada. Poucas línguas do
mundo lhe levam vantagem nesse ponto conforme COUTINHO (1976).

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1.1.1 Os empréstimos do inglês

Contudo, uma reflexão do que o português não seria simplesmente puro, e


nem seria simples afirmar que tais palavras deixariam de ser estrangeirismo e
passariam a ser da língua da comunidade. Os novos empréstimos são identificáveis
por ainda não terem sido incorporados ao nosso léxico. Alguns elementos
estrangeiros que estiveram em contato lingüístico tiveram sua vida curta, assim
como as gírias, ou até mesmo foram incorporados à língua que as aceitaram, tais
processos lingüísticos que não serão percebidos como estrangeiros (GARCEZ e
ZILLES, 2004).
Alguns termos estrangeiros emprestados do árabe, das línguas germânicas,
do italiano, do espanhol, das línguas africanas e de línguas indígenas formaram o
léxico português. Dentro destes intercâmbios lingüísticos, o português também
forneceu muitos empréstimos a outras línguas (FIORIN, 2004).
Muitas vezes, uma língua toma emprestado um termo, ou até mesmo
empresta a outra língua que por fim acaba nem aparecendo com o termo original. A
palavra LÍDER até certo tempo foi LEADER e o que dizer da palavra BIFE que foi
BEAF. Esses empréstimos seriam ligados inseparavelmente, pouco impuros como
SHOPPING e HOME PAGE, isto não seria impuro para uma língua de tantos
invasores pelos cinco continentes, invadida e invasora. Uma língua de variedades,
de tantas gentes, termos vulgares, e que não tem pureza latina ou lusitana, mas
indígena e africana.
A legitimidade de um empréstimo com o seu uso merecedor passam pelo
consenso de uma comunidade, após certo tempo. Isto ocorre em quase todos os
fatos da língua e torna difícil o controle por um grupo de pessoas. Tentar regular,
impedir ou promover o uso de uma forma lingüística em dano de outra, seria,
portanto inofensivo para os propósitos lingüísticos e não que sejam para encontros
políticos, ainda que surja debate sobre o assunto (GARCEZ e ZILLES, 2004).
No entanto, os estrangeirismos não alteram a estrutura da língua, a sua
gramática, eles apenas contribuem no nível superficial da língua, no qual se deriva o
léxico (BAGNO, 2004).
Os anglicismos são discutidos atualmente contra os estrangeirismos. O inglês
é uma fonte de empréstimos para o nosso português e também a outras línguas, já

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que são freqüentes seus empréstimos hoje. Devido à presença maçante da indústria
britânica e americana, o inglês se tornou a língua de contato. Certamente, há uma
invasão de anglicismos. Os termos da tecnologia e pesquisa, o consumo dos
negócios, a mídia da informação, do entretenimento e da publicidade são fatores
fortes para o uso desses termos e palavras que predominam no português
(GARCEZ e ZILLES, 2004).
Os elementos de língua inglesa no português brasileiro estão muito
freqüentes. Evidentemente, há vários termos estrangeiros que conservam sua grafia,
mesmo sendo incorporados à fonologia da língua, como software, pronunciado
sófter ou sófiter (GARCEZ e ZILLES, 2004).
Hoje, não existe uma língua que seja falada como há cinco mil anos, isso foi
comprovado cientificamente, como por exemplo; o latim que virou português
(BAGNO, apud NUNES, 2004).
O português e outras línguas românicas derivaram de uma variedade do
latim; o latim vulgar muito diferente do latim culto. O português moderno é muito
diferente do português clássico. Línguas como o inglês, o alemão, o francês e
muitas outras apresentam variantes (FIORIN, 2004).
Entretanto, a Língua Inglesa, também, tomou muitos termos de empréstimo,
deparada com a língua indígena, da qual tais termos foram emprestados em 1620,
contribuindo para o enriquecimento vocabular e incorporando-se ao léxico inglês.
Porém são poucos os empréstimos de língua indígena que ainda existem, em
grande parte, referem-se à fauna e à flora. Os franceses contribuíram com seus
empréstimos, dando nomes referentes à culinária e à vida citadina. Em 1806, os
espanhóis se fixaram em hacienas, portanto são bastante comuns em nomes de
cidades e de lugares geográficos. Os holandeses, em 1884, se estabeleceram no
Vale do Hudson, seus empréstimos revelam o estilo de vida familiar, centrado na
cozinha da casa, portanto são poucas as palavras provenientes do holandês. Em
meados de 1830 e 1849 os alemães se estabeleceram como imigrantes, em contato
com a língua inglesa, tomaram alguns empréstimos e originariam um dialeto falado
entre eles (STEINBERG, 2003).
As línguas estão em constantes mudanças por variação ou mudanças dentro
da comunidade lingüística. Segundo Garcez e Zilles (2004), sempre houve
empréstimos e sempre haverá.

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Conforme Bagno (2004), a língua é usada para a comunicação do indivíduo, é
o veículo de pensamento. Ela tem esta qualidade de ser um fenômeno histórico
público. As relações de pensamento e linguagem despertaram.
Segundo Perini (2004), o português como toda língua precisa crescer, por
isso aceita os empréstimos para poder dar conta das novidades sociais,
tecnológicas, artísticas e culturais. Isso acontece a todo tempo com todas as línguas
sem prejudicá-las e nem extingui-las, ela está inteira e sua estrutura gramatical
continua a mesma, pois nosso vocábulo é 99% nacional, ou seja, continuamos
falando português.
Em qualquer idioma do mundo a incorporação de termos faz parte do
processo de evolução da língua, pois não há línguas puras, todas as línguas
sofreram com influências de outras. No Império Romano, a língua da cultura clássica
era o grego (CIPRO, 2000).
Segundo Steinberg (2003), uma língua reflete a sociedade que dela se faz o
uso como meio de se comunicar. Se uma estrutura social está sempre em evolução,
essa mudança é acompanhada de novidades no código de comunicação lingüística
que dele faz uso.
A compreensão de uma palavra não tem nada a ver com sua etimologia, tem
a ver com as coisas, nas quais ela designa no mundo de referências remetentes. As
palavras drive, reset, delete, insert ou downloads é mais estrangeira para muita
gente culta, no entanto um camponês saberá o que é pênalti, gol e drible, portanto
são termos de origem inglesa, no qual ficaram quase inalterados ao nosso
português, principalmente a palavra de modalidade esportiva: futebol (BAGNO,
2000).
Um esforço fracassado dos registros do Novo Estado para promover o termo
LUDOPÉDIO (do latim ludus = jogo; pés, pedis = pés) como substituto do anglicismo
football: futebol. O futebol é distintivo da natureza lingüística que se torna um
elemento que passa a ser visto como parte da identidade do grupo de que ele fez o
empréstimo. Um termo novo, no qual alguns comentaristas e narradores esportistas
estão usando é o corner, que já está no dicionário como córner, substituindo a
palavra escanteio. Com várias palavras inglesas ligadas ao esporte nacional e de
preferência do brasileiro, basta lembrar que este esporte se instituiu entre os
brasileiros há uns 100 anos (GARCEZ e ZILLES, 2004).

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Apesar de muitos acreditarem que os empréstimos possam ser coisas do
outro mundo, algo alienígena, para o caráter do raciocínio pseudolinguístico é
fundamental para o caráter progressista do discurso antiestrangeirismos. Se
associarmos o preconceito ao conservadorismo com o uso de estrangeirismo seria
um tipo de estratégia de exclusão que faz com que seu combate se justifique como
uma política crítica, progressista, de inclusão democrática. O raciocínio de quem usa
termos estrangeiros é que ao convidarmos alguém para uma happy hour,
poderíamos estar excluindo quem não fala inglês, já que a vasta população
brasileira não teve oportunidade de aprender o inglês e ainda estaria fazendo o
mesmo uma instituição financeira de um banco ao oferecer o serviço home banking,
ou até mesmo uma determinada loja que oferece produtos numa sale com 25% off
(GARCEZ e ZILLES, 2004).
Recentemente, a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e o BANCO DO BRASIL
começaram a substituir os termos em inglês, o que antes era internet banking
passou a ser internet da caixa, o federal card: cartão da caixa (GARCEZ e ZILLES,
2004).
Para distinguir o termo cheeseburguer: sanduíche de hambúrguer com queijo
em inglês, este termo, aqui no Brasil, sofreu uma alteração até chegar a ser o
popular xis-queijo ou xis-burguer do português brasileiro, já que cheese (queijo) se
transformou em xis, podendo ser de queijo ou não. Basta lembrar que a palavra de
origem inglesa hambúrguer foi devidamente assimilada, ou seja, aportuguesada
obedecendo às nossas normas ortográficas como: hambúrguer (GARCEZ e ZILLES,
2004).
Um equívoco evidente e comum é considerar que os estrangeirismos,
principalmente os de origem inglesa, seriam usados por quem conhece a língua de
onde vieram, entretanto seriam incompreensíveis para um falante de inglês as
palavras usuais como: painel de publicidade de rua é billboard e não como
chamamos de outdoor (adj. e adv.: ao ar livre). O popular e famoso verbo disk que
significa disco, um ato comercial, mas se vê muito por aí, o conhecido serviço de
disk-pizza, disk-lanches, disk-agua etc, usam sem dar importância para sua
verdadeira tradução, por ser tratar de uma palavra inglesa, cuja fonética é
semelhante ao disque; estes serviços acreditavam que a clientela aumentaria, pois,
no inglês correto, to dial não ficaria bem foneticamente, a partir disto, surge uma

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palavra estrangeira e ao mesmo tempo brasileira. Inclusive o extinto walkman e o
discman que parecem ser termos anglicistas, mas foram inventados e impostos ao
mundo pelos japoneses, sem fazer sentido na sua composição (GARCEZ e ZILLES,
2004).
Segundo Schmitz (2004), não só na publicidade, mas outro grupo profissional
que muitas vezes recebem duras críticas é o jornalismo, pois lidam a todo tempo
com a linguagem, precisam redigir uma variedade de texto e entregá-los em curto
prazo, nota-se de como os vocábulos estrangeiros estão em vários jornais de São
Paulo. Esses estrangeirismos fazem com que estas palavras comecem a ingressar
como parte do idioma, por exemplo:
“Sites organizam vidas do internauta”
“O topless, em resumo, não me interessa: é cruel e narcisista”.
“EUA vão sobretaxar ação por dumping”
“Tasso lidera ranking; Covas é o pior”.
“Trekking é utilizado para reforçar trabalho de equipe”.

Várias pessoas que se utilizam dos estrangeirismos para diferenciar, porém


não conhece a língua de onde foi tomado como empréstimo. Seria um equivoco
considerar inovador e são irreconhecíveis certos termos incorporados e utilizados,
como por exemplo: um profissional que trabalha com marketing e informática, uma
área, em que os anglicismos imperam e prosperam demasiadamente (GARCEZ e
ZILLES, 2004).
Conforme Luft (2000), em relação à linguagem da informática várias palavras
já foram traduzidas para o português como salvar ou formatar e algumas
permaneceram inalteradas como off-line, software e hardware, enquanto outras
foram adaptadas e até criadas como deletar (apagar), printar (imprimir), estartar
(iniciar) e atachar (anexar). São empregadas normalmente, de maneira correta ou
não, pelos usuários de computadores, apesar de não constarem nos dicionários.
Em função dos estrangeirismos, ficou compreensível ao brasileiro o
entendimento do inglês como: “Eu fiz um download de um software novo” (GARCEZ
e ZILLES, 2004).

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1.1.2 Palavras aportuguesadas e por empréstimos usadas com freqüência.

Segundo Martins (1997), as palavras ou locuções estrangeiras devem ser


destacadas nos textos em negrito, itálico ou aspas, mas evitando ao máximo usá-
las. Estas palavras estrangeiras, na sua forma geral, só poderiam ser usadas
quando não houver um equivalente em português. Caso a palavra tenha sido
aportuguesada, não se deve empregar no idioma original, do qual ela foi
emprestada, como: uísque e não whisky; recorde e não record; videopôquer e não
vídeopoker. Quando houver um equivalente em português, o ideal seria usá-lo, em
vez das palavras em estrangeirismos como, por exemplo: cardápio e não menu;
escanteio e não corner; cavalheiro e não gentleman; senhora e não lady ou
madame; encontro e não meeting; assalto e não round; padrão e não standard;
desempenho e não performance.
Palavras derivadas de nomes estrangeiros, sua estrutura original do vocábulo
se mantém e acrescenta-se o sufixo e o prefixo vernáculo, por exemplo: byroniano,
shakespeariano, behaviorista, kartódromo, surfista, windsurfista. Há algumas
exceções, pois algumas palavras foram aportuguesadas no dicionário Aurélio como:
lobista, corintiano, nova-iorquino, etc. No aportuguesamento destas palavras
estrangeiras, há uma regra para seu uso, por exemplo: palavras com o sh se
transformam em x: xampu (shampoo), gueixa (gueisha); o n das terminações torna-
se m ou ão: raiom (rayon), gim (gin), cupom (coupom), orfeão (orpheon), batom
(baton), moletom (moleton); e as consoantes fortes finais recebem o e ou eu: clipe
(clip), grogue (grog), críquete (crickett), gangue (gang), golfe (golf), lorde (lord),
ringue (ring), surfe (surf) etc. (MARTINS, 1997).
Conforme Coutinho (1976), muitas palavras inglesas introduzidas em nossa
Língua Portuguesa referem-se à indústria, viação, náutica, bebidas, arte culinária,
exercícios físicos, jogos, embora algumas destas palavras tenham entre nós sua
forma própria, ou seja, aportuguesada, já que algumas permanecem à sua forma
original: bar, basquetebol, bife, clube, córner, dólar, escoteiro, esporte, esterlino,
futebol, gim, grumete, iate, jóquei, júri, lanche, lorde, macadame, match, meeting,
panfleto, piquenique, ponche, pudim, recital, repórter, revólver, rosbife, rum,
sanduíche, tênder, teste, toste, túnel, turfe, water-polo, uísque. Estas palavras
exercem uma grande influência sobre o nosso português e manifestam-se

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comumente no vocabulário e sua circunstância pode variar conforme sua
necessidade.
Há uma variedade de palavras aportuguesadas e por empréstimos, que se
usam comumente, tendo algumas dicionárizadas.
AIDS, sigla em inglês: Acquired Immunological Deficiency Syndrome, mas
seria incompreensível ao usarmos a sigla SIDA: Síndrome de Deficiência Adquirida
(AURÉLIO, 2004).
Air Bag, empréstimo do inglês, bolsa que se infla ao ocorrer uma colisão,
acessório de segurança para carros.
Bike: chamam coloquialmente a bicicleta, mas que significa moto, já que
bicicleta em inglês é bycicle (MICHAELIS, 2002).
Disk, empréstimo do inglês; disco em inglês (MICHAELIS, 2002).
Dragqueen do inglês, que se referem os homens não necessariamente
homossexuais, que cria um personagem do sexo oposto (AURÉLIO, 2004).
Black out: empréstimo do inglês que é referido quando ocorre um “apagão”
simultâneo na energia elétrica (MICHAELIS, 2002).
Bit: sigla em inglês BInary digitT (dígito binário): menor unidade de informação
do computador (AURÉLIO, 2004).
Chip, empréstimo do inglês; componente eletrônico: circuito integrado
(AURÉLIO, 2004).
Closet, empréstimo do inglês; compartimento que serve para guardar peças
vestuário e assessórios (AURÉLIO, 2004).
Drive do inglês; num computador, periférico que movimenta o disco que para
nele gravar ou ler informações (AURÉLIO, 2004).
Drive-in e drive-thru, empréstimo do inglês; instalação comercial,no qual o
serviço é oferecido dentro próprio veículo do cliente (AURÉLIO, 2004).
E-mail, empréstimo do inglês; correio eletrônico (AURÉLIO, 2004).
Fast-food, empréstimo do inglês; comida rápida servida em restaurantes e
lanchonetes (MICHAELIS, 2002).
Freezer, empréstimo do inglês; congelador, referente a um tipo de geladeira
sem compartimentos divisórios, vertical ou horizontal (MICHAELIS, 2002).
Gay, empréstimo do inglês; homossexual (MICHAELIS, 2002).

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Hacker, empréstimo do inglês; pessoa com conhecimento técnico para
invadir ilegalmente um sistema de computador (MICHAELIS, 2002).
HIV, sigla inglesa de Human Immunodeficiency Vírus, que se refere ao agente
causador da AIDS (AURÉLIO, 2004).
Hot dog, empréstimo do inglês; cachorro-quente: sanduíche de pão salsicha
quente e molho (AURÉLIO, 2004).
Homepage, empréstimo do inglês; página oficial de entrada em um sítio da
web (AURÉLIO, 2004).
Hobby, empréstimo do inglês; atividade de recreio ou descanso, passatempo
(AURÉLIO, 2004).
Iceberg, (inglês), aportuguesado: grande massa de gelo que se desprende de
plataforma de gelo e vaga, à deriva nos oceanos (AURÉLIO, 2004).
Internet, empréstimo do inglês; conjunto de redes de computadores ligadas
entre si (AURÉLIO, 2004).
Kart, (inglês), aportuguesado; pequeno automóvel dotado de embreagem
automática e sem carroceria (AURÉLIO, 2004).
Kit (inglês), aportuguesado: conjunto de materiais reunidos em embalagem
adequada (AURÉLIO, 2004).
Know-how, empréstimo do inglês; conjunto de conhecimentos necessários ao
desempenho ou função (AURÉLIO, 2004).
Light, empréstimo do inglês; leve, usualmente para classificar alimentos com
baixo teor calórico (MICHAELIS, 2004).
Laser (inglês), aportuguesado; radiação luminosa altamente concentrada,
sem defasagem. De uma só cor (AURÉLIO, 2004).
Marketing (inglês), aportuguesado; conjunto de estratégias e ações relativas a
desenvolvimento, apreçamento, distribuição e promoção de produtos e serviços
(AURÉLIO, 2004).
Milk-shake, empréstimo do inglês; leite batido (MICHAELIS, 2002).
Mouse, empréstimo do inglês; periférico móvel que controla a posição de um
cursor na tela do computador (AURÉLIO, 2004).
Office-boy, empréstimo do inglês; garoto que faz pequenos serviços em
escritório ou hotel (LUFT, 2000).

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Off set (inglês); ofsete: aportuguesado; método de impressão indireta em que
a imagem ou caracteres gravados são transferidos para o papel por intermédio de
um cilindro de borracha (AURÉLIO, 2004).
Pay-per-view, empréstimo do inglês; taxa cobrada por programa escolhido
individualmente na TV (MICHAELIS, 2002).
Personal trainer, empréstimo do inglês; treinador particular, comumente usado
em academias (MICHAELIS, 2002).
Pedal (inglês), aportuguesado; peça de um mecanismo que é acionado com o
pé (AURÉLIO, 2004).
Pedigree, empréstimo do inglês; raça pura (MICHAELIS, 2002).
Penalty (inglês): pênalti, aportuguesado; falta máxima cometida dentro da
área do gol e cobrado com chute direto a 11m do gol (AURÉLIO, 2004).
Pet, empréstimo do inglês; animal de estimação (MICHAELIS, 2002).
Playboy, empréstimo do inglês; homem de família rica que desfruta os
prazeres da vida (MICHAELIS, 2004).
Play-ground, empréstimo do inglês; pátio de recreio (MICHAELIS, 2004).
Ranking, empréstimo do inglês; classificação ou posição (MICHAELIS, 2002).
Replay, empréstimo do inglês; repetição de gravação em vídeo (MICHAELIS,
2002).
Short (inglês), aportuguesado; calça curta unissex, para esporte (AURÉLIO,
2004).
Show (inglês), aportuguesado; espetáculo de teatro, rádio, televisão ou ao ar
livre (AURÉLIO, 2002)
Show-room, empréstimo do inglês; sala de exposição (MICHAELIS, 2002).
Site (inglês), aportuguesado; conjunto de documentos inter-relacionados
disposto na web em endereços específicos (AURÉLIO, 2004).
Stripper, empréstimo do inglês; pessoa que faz número de striptease
(MICHAELIS, 2002).
Scanner, empréstimo do inglês; aparelho capaz de captar imagens e
convertê-las num conjunto correspondente de dado digital (AURÉLIO, 2004).
Telemarketing, empréstimo do inglês; serviço que utiliza o telefone como
recurso sistemático para relacionamento com clientes (AURÉLIO, 2004)>

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Topless, empréstimo do inglês; quando a mulher não usa roupa nenhuma da
cintura para cima (MICHAELIS, 2002).
Walkie-talkie, empréstimo do inglês; emissor e receptor portátil para
comunicação radiofônica (AURÉLIO, 2004).
Watt, empréstimo do inglês; unidade de medida de potência (AURÉLIO,
2004).
W.C, empréstimo do inglês (water closet); banheiro (AURÉLIO, 2004).
Web, empréstimo do inglês; sistema de hipermídia disponível na internet
(AURÉLIO, 2004).

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2 JUSTIFICATIVA DE ALDO REBELO AO PROJETO DE LEI Nº. 1676/99

Neste capítulo, baseiam-se as justificativas da Lei antiestrangeirismo nº.


1676/99 de Aldo Rebelo e nas críticas feitas a essa lei.
Nos dias atuais, a polêmica gira em torno do projeto de lei do deputado Aldo
Rebelo, que notadamente observou pelas ruas de nossas cidades, encontrou e
questionou a quantidade excessiva de palavras e expressões estrangeiras,
principalmente, do inglês. Concluiu que a Língua Portuguesa estava sendo
completamente descaracterizada e seriamente ameaçada. A verdadeira intenção é a
promoção e a preservação do idioma, coibindo o uso desnecessário de palavras
importadas equivalentes na Língua Portuguesa, além de estimular e reforçar o
aportuguesamento (NUNES, 2000).
O uso constante de palavras estrangeiras em nossa língua portuguesa
tornou-se tão evidente e forte, que chamou atenção de muitas pessoas, inclusive
esta invasão chegou até o plenário, surgindo a partir disto, um projeto de lei em
defesa da nossa língua portuguesa. O deputado Aldo Rebelo criou um projeto de
defesa, proteção, promoção da língua, no qual o deputado propõe uma política
lingüística, mas só existente quando há uma escolha entre diferentes variedades
lingüísticas, mesmo que seja entre diferentes línguas. (FIORIN, 2004).
O projeto de lei antiestrangeirismo nº. 1676/1999, do deputado federal Aldo
Rebelo do partido PC do B/SP, que foi apresentado à Câmara dos Deputados em
1999, junto ao projeto da deputada Jussara Cony, líder do PCdoB no Rio Grande do
Sul e apresentado à Assembléia Legislativa no dia 19 de abril de 2000, visa
promover a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa. Esta proposta,
contudo, é apresentada como matéria central dos dois projetos de lei: coibir e multar
o uso abusivo de estrangeirismos, principalmente, termos e expressões do
anglicismo, especialmente no comércio e na informática (ZILLES, 2004).
Conforme Zilles (2004), há vários questionamentos no que seria abusivo, um
problema sem solução, no entanto adota-se como critério, a arbitrariedade.
Conforme Rebelo (2004), o uso de palavras e expressões na língua
portuguesa chegam importadas e são incorporadas à língua falada e escrita sem
nenhum critério lingüístico, crítica ou valor estético, que julga grave ao nosso idioma.

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Segundo Rebelo (2004), a língua portuguesa está sofrendo uma total
descaracterização com a invasão indiscriminada e, muitas vezes desnecessária,
principalmente com o aportuguesamento duvidosos, no qual vem acontecendo
exageradamente, na comunicação escrita e oral, conforme o consumo e a
publicidade de bens, produtos e serviços, inclusive pela informática, meios de
comunicação e o modismo.
Segundo Cipro (2000), ressalta que seria uma bobagem achar que uma
língua pode se fechar para o mundo, mas usar o estrangeirismo por modismo ou só
por usar é exagero.
Segundo ele então, nota-se que o banco do Brasil comete um desrespeito ao
idioma, quando denomina de personal banking: o caixa eletrônico, e o IBGE
chamam sua página na Internet de IBGE teen. Este projeto de lei frisa que
proprietários de empresas nacionais terão que mudar seus nomes estrangeiros, já
que as empresas internacionais manterão a usar seus nomes originais respectivos
do país de que vieram. Isto foi considerado rigoroso, porém em Portugal existe uma
lista de nomes de pessoas que não poderiam ser batizadas com nomes estrangeiros
como, por exemplo: Willian ou Sheila (REBELO apud NUNES, 2000).
Em outros países como a França com a Lei de Toubon nº. 75-1349, de 1975,
substituída pela Lei nº 94-665, de 1994 (REBELO, 2004), houve também o projeto
de Lei Asís, descartado na Argentina (GARCEZ, 2004).

2.1 As Contradições ao Projeto

Segundo Nunes (2000), o deputado não questiona a influência natural de um


idioma sobre o outro. Seria um processo importante e necessário. Com este projeto,
visa estabelecer o equilíbrio entre mudança, continuidade e permanência e não seria
contra as línguas estrangeiras, no entanto seria em defesa do nosso idioma.
Sobre este projeto de lei houve uma repercussão ampla na recente
movimentação política lingüística no Brasil. Sua tramitação ocorreu em setembro de
1999 e foi aprovado no Congresso, na Câmara dos Deputados, em 28 de março de
2001, com algumas modificações no texto original. Chegou à câmara alta do
Congresso brasileiro, o Senado Federal, em junho do mesmo ano, como Projeto de
Lei da Câmara (PLC) 50/2001 (GARCEZ, 2004).

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O principal intuito da matéria legislativa em questão é combater o uso
indiscriminado de empréstimos de termos estrangeiros na língua portuguesa, em
particular, o inglês norte-americano. Com sua apresentação, a proposta brasileira
recebeu um enorme espaço de divulgação na imprensa, levado ao conhecimento
público limitou-se à proposta à idéia geral da proibição de uso de termos
estrangeiros, ditos como ameaças à língua portuguesa e à nação brasileira. Foi
recebida com simpatia e com manifestações de apoio por parte de pessoas e
entidades que aplaudiram a iniciativa do deputado em querer dar um basta à
invasão dos termos e expressões norte-americanos (GARCEZ, 2004).
Conforme Garcez (2004) o texto do PL 1676/1999, compreende o termo das
restrições lingüísticas que são impostas ao cidadão, não em termos de uso de
vocábulos de origem estrangeira, mas de línguas que não sejam o português.
A justificativa do projeto traz uma afirmação sobre o panorama lingüístico
brasileiro que concretiza boa parte da idealização do preconceito lingüístico, da
língua que necessita ser preservada da corrupção, dos ataques externos. Um breve
pensamento da justificativa neste raciocínio (GARCEZ, 2004):

Ora, um dos elementos mais marcantes da nossa identidade nacional


reside justamente no fato de termos um imenso território com uma só
língua, esta plenamente compreensível por todos os brasileiros de qualquer
rincão, independentemente do nível de instrução e das peculiaridades
regionais de fala e escrita. Esse – um autêntico milagre brasileiro – está
hoje seriamente ameaçado.

Que obrigação tem um cidadão brasileiro de entender, por exemplo, que


uma mercadoria “on sale” significa que esteja em liquidação? Ou que “50%
off” quer dizer 50% a menos no preço? Isso não é apenas abusivo; tende a
ser enganoso. E à medida que tais práticas se avolumam (atualmente de
uso corrente no comércio das grandes cidades), tornam-se também
danosas ao patrimônio cultural representado pela língua (GARCEZ, 2004, p.
192).

O deputado afirma que os estrangeirismos são usados com certo abuso, mas
isso seria abusivo, ao menos que se adote como critério certa arbitrariedade. Estes
projetos fazem uma menção à Academia Brasileira de Letras como protetora, ou
seja, classificada como guardiã da língua. Um esforço para proteger o povo das

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palavras norte-americanas, julgadas como invasoras, do qual é frisado pelo projeto.
Na ditadura Vargas houve um tipo de proibição aos descendentes de imigrantes de
usar suas línguas de origem, por este motivo, tiveram suas casas invadidas, livros
queimados e seus professores foram extremamente proibidos de lecionarem em
outra língua que não fosse o português. Entretanto, havendo tal desobediência,
eram levados à delegacia para cantar o hino nacional brasileiro (ZILLES, 2004).

A Constituição reconhece os dois projetos de lei como livre expressão a


todos, portanto estes projetos ferem esse princípio constitucional. Mas o português é
a língua oficial do Brasil, de uso obrigatório no ensino e na comunicação oficial, está
na constituição, pois este projeto redunda o que já é constitucional. Estes projetos
são exemplos de um tipo de política lingüística inadequada, em que serão evidentes
muitos equívocos. Os empréstimos de palavras ou expressões no campo das
mudanças lingüísticas estão associados às atitudes de valores de um povo que
toma em relação à língua e à cultura do povo que lhe deu origem. São reflexos de
processos culturais, políticos e econômicos amplos e complexos (ZILLES, 2004).

Como medida lingüística, o combate aos estrangeirismos não encontra


justificativa na História da língua, já que são os falantes que decidem se esses
termos permanecem ou se desaparecem. De certa forma, é evidente que todo
empréstimo lingüístico sofre algum grau de adaptação, fônica, morfológica, sintática
ou semântica, seja na sua estrutura interna, seja nas relações com os elementos
com que ocorre (ZILLES, 2004).

Para Zilles (2004), esses projetos representam um recuo no tratamento


democrático das questões lingüística do país por tratarem de forma equivocada a
realidade lingüística brasileira. Basta questionar qual é a Língua Portuguesa que
está sendo defendida, nos documentos desses projetos, o português que está sendo
defendido não seria o português da maioria dos brasileiros. O português do Brasil se
distanciou do português de Portugal devido às alterações na língua, inclusive o
português de Portugal mudou e continua mudando, assim como costuma acontecer
com as outras línguas. Em defesa da Língua Portuguesa contra a invasão dos
estrangeirismos, este projeto de lei acaba por defender a língua guardada pela
Academia Brasileira de letras de Letras contra os próprios brasileiros, além disso o

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deputado Aldo Rebelo, tenta pedir a proteção para melhorar o ensino da Língua
Portuguesa.

Segundo Schmitz (2004), a presença destas palavras estrangeiras por parte


de alguns falantes não transmite nenhum menosprezo dos falantes brasileiros por
sua cultura erudita e popular brasileira. Os economistas e especialistas em
informática podem e empregam várias palavras e termos estrangeiros, inclusive os
anglicismos, nos textos produzidos por eles sem ao menos interferir em sua
consideração pela cultura brasileira, pois cada caso deve ser estudado
separadamente. Entretanto os indivíduos que criticam a presença de
estrangeirismos, também, poderiam condenar o português popular, regional e
informal. A presença desses termos ou palavras contribui para enriquecer qualquer
idioma, recebê-las como empréstimos não têm nada a ver com soberania político-
econômica.

Os idiomas são misturas de interculturalidade. A presença destes termos ou


palavras não apresenta nenhuma ameaça cultural à Língua Portuguesa (SCHMITZ,
2004).

“É bom lembrar que a língua portuguesa sempre foi acolhedora de palavras


novas. A presença de palavras de origem estrangeira no português
contemporâneo de nenhuma forma empobrece a língua; muito ao contrário,
as palavras emprestadas de outras línguas contribuem para enriquecer a
língua Portuguesa” (SCHMITZ, 2004, p. 106).

Segundo Machado (apud NUNES, 2000), é comum que uma língua do povo
dominador invada a outra, pois a língua que impera é o inglês, isso é fato, seria
normal o português seja invadido pelo inglês. Este projeto de lei é bem-intencionado
pelo deputado Aldo Rebelo, mas os excessos de purismo não têm fundamentos,
pois o deputado denota uma falta de cultura e terrível o uso de estrangeirismos.

Conforme Cipro (apud VICÁRIA, 2000), ressalta que a invasão de termos


estrangeiros se combate com educação mais aplicada e não com leis. Este projeto
de lei não resolve o problema, pois o mérito desse projeto coloca o assunto em
discussão, não há lei que possa combater, contudo os estrangeirismos fazem parte
da evolução da língua. É importante reafirmar, que no mundo não existam línguas

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puras e que alguns termos estrangeiros não têm um procedimento-padrão, alguns
são aportuguesados, outros não. As línguas, possivelmente, não estejam
ameaçadas. Pode acontecer que o inglês seja a segunda língua, embora o inglês
domine como língua universal.

A leitura do texto do projeto de lei 1676/99, que determina a promoção, a


defesa, e o uso da Língua Portuguesa, proposto pelo deputado Aldo Rebelo deixa
bem claro que seu grande alvo de ataque são os estrangeirismos, inclusive os
provenientes do inglês, que está cada vez mais empregado na fala e escrita do
Brasil. Embora a intenção do deputado seja considerável, no entanto é de uma
política lingüística coerente e firme que o Brasil necessita, e não de certas atitudes
bem-intencionadas que se inspira em mitos e superstições (BAGNO, 2004).

Durante quase duzentos anos, até o início do século XX, o grande invasor da
Língua Portuguesa foi o francês. No final do século XVIII, Frei Francisco de São Luiz
falava do vício de “pensar francês”. Já em 1816, foi publicado um livro com o título
de Glossário das palavras e frase da língua francesa, que por descuido, ignorância
de necessidade se têm introduzido na locução portuguesa moderna, com o título de
Cardeal Saraiva. Depois de um século e meio, Durval Noronha, em 1998, publicou
um livro chamado: Relembrando o português com um dicionário de anglicismos, no
qual são frisadas algumas inutilidades de vários anglicismos que são usados de
forma exagerada no Brasil e Portugal (BAGNO, 2004).

Segundo Bagno (2004), as línguas são sistemas auto-reguladores, pois são


faladas por seres humanos que querem entender e ser entendido e empreendem
com a língua, pela língua e sobre a língua. Sabendo disso, não há por que temer
com certas utilizações de alguns estrangeirismos possa ser “lesivo à língua com
patrimônio cultural” a ponto de ser uma “verdadeira descaracterização da língua
portuguesa”, como está no projeto do deputado Aldo Rebelo.

Conforme Bagno (2004), os realizadores desses projetos não estão


preparados para tratar de assunto tão especifico, baseiam-se num sentimento
nacionalista e mal focalizado sobre a língua, uma profecia. Pois estas profecias não
têm uma base lingüística, sociológica, antropológica, histórica e científica, do qual
pudessem se sustentar com as afirmações ressaltadas neste projeto. O projeto de

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Aldo Rebelo ressuscita estas profecias arcaicas, pois devem ser pessoas
preparadas para lidar com a questão dos estrangeirismos. O projeto tentar
convencer de que os brasileiros se deixam colonizar facilmente ao absorver os
termos e palavras de origem estrangeira, em foco o inglês. Cada palavra tem sua
própria história, contudo é fácil acusar o povo de xenofobia ou de xenofilia ao fazer
um levantamento superficial do léxico de sua língua. A análise lingüística deve evitar
o nacionalismo e o patriotismo que sempre caracterizou o discurso do purismo
lingüístico.

A História revela os fenômenos relativos à língua. Nos livros bíblicos que


compõem o Novo Testamento foram escritos em grego, embora seus autores
fossem judeus e que viviam em terras de domínio político de Roma. O Grego era a
grande língua de cultura, é o mesmo que acontece hoje com o inglês. É evidente
que para o mundo possa saber de uma publicação, descoberta importante ou
invenção em alguma revista ou jornal, terá que ser publicada em inglês; a língua
universal. Promover uma campanha em escala mundial por meio da Internet,
também terá que fazer o mesmo processo, fazer em inglês. Uma língua internacional
serve como instrumento auxiliar de comunicação entre pessoas de lugares, culturas
e línguas diferentes (BAGNO, 2004).

Para Bagno (2004), o aportuguesamento de uma palavra ou expressão não


se faz por decreto. Simplesmente, ele acompanha o uso que os falantes da língua
fazem desses empréstimos lexicais. No caso, para impedir a difusão dos termos
ingleses na área da informática, seria necessário proibir a entrada no país destes
equipamentos, enfim toda a tecnologia, à qual esses termos vêm aplicados.

O vocabulário de qualquer língua do mundo é resultado de séculos de


intercâmbio com outros povos, culturas e outras línguas, ou seja, não existe uma
língua pura; “lutar contra os estrangeirismos é uma luta perdida”. O uso da língua
não precisa de uma legislação, não precisa ser defendido, principalmente de seus
próprios falantes, o uso desses termos estrangeiros é uma mera conseqüência
(BAGNO, 2004).

Segundo Schmitz (2004), o deputado Aldo Rebelo considera os


estrangeirismos um exagero sem necessidade, porém há muitos vocábulos

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estrangeiros que o deputado condena constam no dicionário Aurélio Século XXI, no
Michaelis e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. O deputado frisa que
é antiestético o acúmulo de empréstimos em nossa Língua Portuguesa. Mas os
empréstimos fazem parte do cotidiano do falante, basta notar nas letras da música
“Samba do Approach” de Zeca Balero, esta letras reflete artisticamente a
interculturalidade deste momento contemporâneo de início de um novo milênio, a
relação entre as línguas, inclusive o inglês.

“Venha provar meu brunch /Saiba que eu tenho approach/ Na hora do


lunch/ Eu ando de ferryboat/ Eu tenho savoir-faire/ Meu temperamento é light/
Minha casa é hi-tech/ Toda hora rola um insight/ Já fui fã do Jethro Tull/ Hoje me
amarro no Slash / Minha vida agora é cool/ Meu passado é que foi trash”[...].

Para o povo brasileiro, todas as palavras são estrangeiras, quantos


alfabetizados seriam capazes de ler e entender o texto do projeto de lei do deputado
Aldo Rebelo ou outro tipo de projeto ou lei que se redige no Congresso Naconal, ou
então entender a maioria dos discursos. O português é uma língua estrangeira para
o povo brasileiro, pois o povo nunca aprendeu o português. No entanto o povo
aprendeu uma língua que ele inventou para aprender um português falado com
quem também estava aprendendo a falar o português (GUEDES, 2004).

Segundo Possenti (2004), seria um equívoco considerar o emprego de


palavras e termos estrangeiros como desnacionalização. A invasão destes termos e
palavras se limitam, eles não empobrece a língua, apenas a enriquece. O que
constitui uma língua é sua gramática, ou seja, seus sons, padrões silábicos, sua
morfologia, sua sintaxe. Contudo, apesar dessa invasão, o português está
absolutamente intocado, pois ela aceita adaptação e flexão segundo regras do
português.

O projeto de Aldo Rebelo poderia ser considerado ridículo. Machado de Assis,


se fosse vivo, estaria se deliciando em ironizar as supostas boas intenções do
deputado com suas maravilhosas crônicas, que foram feitas contra os
antiestrangeirismos do médico Castro Lopes, no final do século XIX. Este projeto
teve um mérito interessante, pôs os linguístas brasileiros numa completa guerra com
várias contradições ao projeto. A professora Leonor Sclair-Cabral, da Universidade

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Federal de Santa Catarina, provocou um debate interno que chegou ao ponto de ter
um documento que inclui considerações com vistas a definições do políticas
linguisticas para o Brasil. Isso foi uma passo importante dado pela Associação
Brasileira de Linguística neste sentido (FARACO, 2004).

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao finalizar este trabalho, hesita-se em apresentar conclusões definitivas,


tendo em vista caráter analítico.
Como pretensão, foi examinada a história e a evolução de nossa língua
materna. Neste estudo pode se evidenciar como a Língua Portuguesa sofrerá
alterações no decorrer de sua existência.
O debate em questão é o uso abusivo e desnecessário dos anglicismos em
nossa linguagem popular brasileira no qual muitas vezes são explicitas por meio de
veículos de comunicação, principalmente as telenovelas e comerciais publicitários, e
faz assim forte influencias sobre falantes de nosso idioma.
Levando em consideração os estudos feitos por lingüistas notou-se que
alguns discordam, enquanto outros acham um enriquecimento vocabular.
Como resulta, esse fato mobilizou a Câmara dos Deputados com o deputado
Aldo Rebelo a criar-se até uma lei (no. 1676/99) de controle contra o uso excessivo
de palavras estrangeiras em nosso Português no cotidiano. A questão não seria
erradicar os termos estrangeiros, mas evitar tais pérolas que ofendem nossa língua,
aprender um outro idioma eleva o indivíduo à capacidade cognitiva. No entanto o
ideal é que cada expressão idiomática seja falada em sua respectiva cultura e em
seu país, pois temos um país rico em culturas e uma Língua Portuguesa flexível e
ampla. Sabe-se que a adoção destes termos, em muitos casos, seria por falta de
palavras para substituí-las, no entanto evitar substituir palavras puramente
portuguesas por estrangeiras é totalmente inaceitável ao léxico português, já que a
origem é do Português do brasileiro. Cabe ainda ressaltar e refletir sobre tal
polêmica.
Compreende-se que diferentes perspectivas poderiam ser pesquisadas e
debatidas, no entanto não é o objetivo deste trabalho, mas a reflexão sobre tal tema.

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