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A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS • AGOSTO DE 2008

A Liahona
A Continuidade de um
Legado de Fé, p. 28
Conheça o Élder Christofferson, p. 8
Passar nas Provas, p. 38
Da Próxima Vez Vou Escutar!, p. A10
Agosto de 2008 Vol. 61 Nº 8
A LIAHONA 02288 059 A LIAHONA, AGOSTO DE 2008
Publicação oficial em português de A Igreja de Jesus Cristo
dos Santos dos Últimos Dias
A Primeira Presidência: Thomas S. Monson, Henry B.
Eyring, Dieter F. Uchtdorf
P A R A O S A D U LT O S
Quórum dos Doze Apóstolos: Boyd K. Packer, 2 Mensagem da Primeira Presidência: Desse Modo Vivamos
L. Tom Perry, Russell M. Nelson, Dallin H. Oaks,
M. Russell Ballard, Joseph B. Wirthlin, Richard G. Scott, Presidente Thomas S. Monson
Robert D. Hales, Jeffrey R. Holland, David A. Bednar,
Quentin L. Cook, D. Todd Christofferson 8 Élder D. Todd Christofferson: Preparado para Servir ao Senhor
Editor: Jay E. Jensen Élder Quentin L. Cook
Consultores: Gary J. Coleman, Yoshihiko Kikuchi,
Gerald N. Lund, W. Douglas Shumway 18 Recato: Reverência pelo Senhor Élder Robert D. Hales
Diretor Gerente: David L. Frischknecht
Diretor Editorial: Victor D. Cave 25 Mensagem das Professoras Visitantes: Cada Irmã É uma
Editor Sênior: Larry Hiller
Diretor Gráfico: Allan R. Loyborg Filha Amada de Pais Celestes e Tem Potencial Divino
Gerente Editorial: R. Val Johnson
Gerente Editorial Assistente: Jenifer L. Greenwood
28 A Fé Familiar Kimberly Reid
Editores Associados: Ryan Carr, Adam C. Olson
Editor(a) Adjunto: Susan Barrett
41 Dar Vida ao Estudo das Escrituras
Equipe Editorial: Christy Banz, Linda Stahle Cooper, 44 Vozes da Igreja
David A. Edwards, LaRene Porter Gaunt, Carrie Kasten, Jennifer
Maddy, Melissa Merrill, Michael R. Morris, Sally J. Odekirk, Judith O Hino na Catedral Collin Allan
M. Paller, Joshua J. Perkey, Jan U. Pinborough, Richard M.
Romney, Don L. Searle, Janet Thomas, Paul VanDenBerghe, O Contato de Ouro Que Eu Não
Julie Wardell
Secretária Sênior: Laurel Teuscher
Conseguia Recordar Perry W. Carter
Gerente Gráfico da Revista: M. M. Kawasaki Pães e Testemunhos Vida H. Liddell
Diretor de Arte: Scott Van Kampen
Gerente de Produção: Jane Ann Peters
Eu Sabia Mesmo? Justin Geracitano
Equipe de Diagramação e Produção: Cali R. Arroyo, 48 Comentários
Collette Nebeker Aune, Howard G. Brown, Julie Burdett,
Thomas S. Child, Reginald J. Christensen, Kim Fenstermaker,
Kathleen Howard, Eric P. Johnsen, Denise Kirby, Scott M.
Mooy, Ginny J. Nilson NA CAPA CAPA DE O AMIGO
Pré-impressão: Jeff L. Martin Fotografias: Kimberly Reid. Ilustrações: Roger Motzkus.
Diretor de Impressão: Craig K. Sedgwick
Diretor de Distribuição: Randy J. Benson
A Liahona:
Diretor Responsável: André B. Silveira
Produção Gráfica: Eleonora Bahia
25 Mensagem das Professoras Visitantes 18
Editor: Luiz Alberto A. Silva (Reg. 17.605) Recato:
Tradução: Edson Lopes
Assinaturas: Marco A. Vizaco Reverência
© 2008 Intellectual Reserve, Inc. Todos os direitos
reservados. Impresso no Brasil.
pelo Senhor
O texto e o material visual encontrados na revista A Liahona
podem ser copiados para uso eventual, na Igreja ou no lar,
não para uso comercial. O material visual não poderá ser
copiado se houver qualquer restrição indicada nos créditos
constantes da obra. As dúvidas sobre direitos autorais de- 41
vem ser encaminhadas para Intellectual Property Office, 50
East North Temple Street, Salt Lake City, UT 84150, USA; e- Dar Vida ao
mail: cor-intellectualproperty@ldschurch.org.
A Liahona pode ser encontrada na Internet, em vários
Estudo das
idiomas, no site www.lds.org. Para vê-la em inglês, clique Escrituras
em “Gospel Library”. Para vê-la em outro idioma, clique
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CENSURA DE DIVERSÕES PÚBLICAS, do D.P.F., sob nº IDÉIAS PARA A NOITE FAMILIAR
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“A Liahona”, © 1977 de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos
dos Últimos Dias, acha-se registrada sob o número 93 do
Livro B, nº 1, de Matrículas e Oficinas Impressoras de Estas idéias podem ser usadas ir à escola, ao trabalho ou a reuniões
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9-11-1930. Impressa no Brasil por Prol – Editora Gráfica –
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telefone 0800-130331 (ligação gratuita); pelo e-mail
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(ligação gratuita); ou correspondência para a Caixa Postal
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exemplar avulso em nossas lojas: R$ 2,00. Para Portugal – seção “O Recato no Vestuário importância de um alicerce
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cadas indicando-se o endereço antigo e o novo. peça aos membros da quena torre com domi-
Notícias do Brasil: envie para noticiaslocais@ldschurch.org.
Envie manuscritos e perguntas para: Liahona, Room 2420,
família que respondam às perguntas nós; depois, puxe um dominó da
50 East North Temple Street, Salt Lake City,
UT 84150-3220, USA; ou mande e-mail para: dois últimos parágrafos. (Durante a base. Ao falar deste artigo, peça aos
liahona@ldschurch.org.
A “Liahona”, termo do Livro de Mórmon que significa conversa, lembre seus filhos das membros de sua família que identifi-
“bússola” ou “orientador”, é publicada em albanês,
alemão, armênio, bislama, búlgaro, cambojano, cebuano, ocasiões em que se vestiram de quem as maneiras pelas quais o pai
chinês, coreano, croata, dinamarquês, esloveno, espanhol,
estoniano, fijiano, finlandês, francês, grego, haitiano, hindi, modo adequado.) Peça aos mem- do Élder De Hoyos construiu um ali-
húngaro, holandês, indonésio, inglês, islandês, italiano, ja-
ponês, letão, lituano, malgaxe, marshallês, mongol, norue-
guês, polonês, português, quiribati, romeno, russo,
bros de sua família que discutam cerce sólido para o filho. Conversem
samoano, sinhala, sueco, tagalo, tailandês, taitiano, tâmil, como poderiam vestir-se em outras sobre como vocês podem fortalecer
tcheco, télugo, tonganês, ucraniano, urdu e vietnamita.
(A periodicidade varia de um idioma para outro.)
ocasiões, como, por exemplo, para o alicerce de sua família.
Enquanto você procura pelo anel samoano
do CTR que está escondido nesta edição, pense
no que poderia fazer para escolher o que é certo
e guardar os convênios batismais.

PA R A O S J O V E N S
14 Mais que Pão e Água Ryan Carr
17 Pôster: Banqueteie-Se
24 O Que Joseph Ensinou: Consolo na Hora da Morte
26 Perguntas e Respostas: “Tenho Alguns Amigos
que não vão mais à Igreja. Como posso ajudá-los
a voltar?” A13 Página para Colorir A12 Testemunha Especial
34 Construir uma Família Eterna
Élder Benjamín De Hoyos O A M I G O : PA R A A S C R I A N Ç A S
38 A Maior Prova da Sua Vida... até Agora A2 Vinde ao Profeta Escutar: A Mais Vigorosa Força
Adam C. Olson Motivadora Presidente Dieter F. Uchtdorf
A4 Tempo de Compartilhar: O Reino do Bom
Pai Celestial Linda Christensen
34 Construir uma Família Eterna A6 Da Vida do Profeta Joseph Smith: Milagres ao
Longo da Jornada de Joseph
A8 Posso Ser Reverente Diana Eckersell Janson
A10 Da Próxima Vez Vou Escutar!
Sunny McClellan Morton
A12 Testemunha Especial: Como Posso Ser Protegido
Espiritualmente? Élder Dallin H. Oaks
A13 Página para Colorir
A14 Fazendo Amigos: Pablo Se Prepara

TÓPICOS DESTA EDIÇÃO


Os números representam a primeira página de
cada artigo.
“Da Próxima Vez Vou Escutar!”, “Pablo Se Prepara”, p. A14:
A=O Amigo Obediência, 38
p. A10: Faça a seguinte brincadeira Conte a história de Pablo. Para Amigos, 26, 34 Obra missionária, 44, 45,
para ilustrar como o Espírito Santo ajudar os membros de sua família Arrependimento, 14 47, A10, A14
pode guiar-nos. Peça a um membro a prepararem-se para a missão, Ativação, 26 Oração, 26, 46
da família que saia da sala. Esconda providencie um treinamento em Batismo, A4, A13, A14 Pai Celestial, 25, 34
Bênçãos, 46, A6 Professoras visitantes,
a gravura do Senhor em algum lu- alguma coisa que os missionários
Confirmação, A4 25, 46
gar da sala. Peça à pessoa que volte precisam aprender a fazer como, Dignidade, 14, 18 Proteção, 18, A10, A12
e procure a figura. Guie essa pessoa por exemplo, ensinar, passar rou- Educação, 38 Provas, 38
dizendo que está “quente” quando pas, planejar ou estudar as escri- Ensino, 1, 6, 28 Recato, 18
ela estiver-se aproximando da gra- turas (ver mais idéias em Pregar Escrituras, 34, 38, 41 Ressurreição, 2
Espírito Santo, 18, A4, Reverência, 14, 18, A8
vura e que está “frio” quando esti- Meu Evangelho). Para terminar,
A10 Sacerdócio Aarônico, 14
ver-se afastando. Quando contar a faça uma sessão de culinária Expiação, 14 Sacramento, 14, 17, 34
história de Manuel, procure o que em que preparem algo gostoso. Família, 28, 34, A14 Serviço, 2, 14
ele aprendeu sobre confiar no Planejem algo específico que fa- Fé, 25, 28, A13 Smith, Joseph, 47, A6
Espírito. Finalize com a leitura de rão agora com relação à obra Jesus Cristo, 2, 14 Templo, 18
Morte, 2, 24 Testemunho, 26, 46,
Doutrina e Convênios 11:12. missionária.
Música, 44 47, A2
Natureza divina, 25 Vestuário, 14, 18

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 1


MENSAGEM DA PRIMEIRA PRESIDÊNCIA

Desse Modo
Vivamos
P R E S I D E N T E T H O M A S S. M O N S O N

S
ubitamente, sem aviso, num dia claro ligações e então os vi reunidos num canto do
de setembro há quase sete anos, dois aeroporto, ajoelhados em círculo para orar.
aviões colidiram com as torres gêmeas Como gostaria de ter registrado aquele mo-
do World Trade Center em Nova York, deixan- mento para mostrar à mãe e ao pai daqueles
do um rastro de assoladora destruição e mor- gentis rapazes que sentiram a necessidade de
te. Em Washington, D.C., e na Pensilvânia, orar imediatamente”.
duas outras aeronaves caíram, também como
resultado de uma conspiração terrorista. As Trevas da Morte Foram Banidas
Essas tragédias ceifaram a vida de homens, A morte sobrevirá a toda a humanidade.
mulheres e crianças. Planos cuidadosamente Visita os idosos que caminham vacilantes. Seu
ILUSTRAÇÕES: SAM LAWLOR, EXCETO QUANDO INDICADO EM CONTRÁRIO

preparados para um futuro promissor se ex- chamado é ouvido por aqueles que mal atin-
tinguiram. Em seu lugar, ficaram lágrimas de giram a metade da jornada da vida e muitas
tristeza e o pranto doloroso de almas feridas. vezes silencia o riso de criancinhas. A morte é Quão frágil é a
Ouvimos inúmeras histórias de pessoas um fato que não se pode negar e do qual nin- vida, quão certa é a
atingidas de algum modo — direta ou indire- guém escapa. morte! Não sabemos
tamente — pelos acontecimentos daquele A morte vem não raro como intrusa. É quando teremos de
dia. Rebecca Sindar estava num vôo de Salt como uma inimiga que surge, de repente, deixar esta existên-
Lake City, Utah, para Dallas, Texas, naquela no meio da festa da vida, apagando as luzes cia mortal. Então
manhã de terça-feira, 11 de setembro de e acabando com a alegria. A morte pousa pergunto: “O que
2001. Seu vôo foi interrompido, assim como sua mão pesada sobre aqueles que nos são estamos fazendo
outros que estavam no ar no momento das caros e, por vezes, deixa-nos perplexos e com nosso hoje?”
tragédias, e o avião pousou em Amarillo, desconcertados. Em determinadas situa-
Texas. A irmã Rebecca contou: “Descemos to- ções, como as de grande sofrimento e en-
dos do avião e encontramos aparelhos de fermidade, a morte chega como um anjo de
televisão no aeroporto onde nos aglo- misericórdia. Na maioria das vezes, porém,
meramos para assistir ao ocorrido. As pensamos nela como a inimiga da felicidade
pessoas formavam filas para telefonar humana.
aos entes queridos a fim de tranqüili- Contudo, as trevas da morte poderão sem-
zá-los e informar que estavam fora de peri- pre ser banidas pela luz da verdade revelada.
go. Jamais me esquecerei dos cerca de doze “Eu sou a ressurreição e a vida”, declarou
missionários que estavam a caminho do cam- o Mestre. “Quem crê em mim, ainda que es-
po missionário em nosso vôo. Fizeram suas teja morto, viverá;

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 3


N
a estrada E todo aquele que vive, e crê em mim, Na estrada para Damasco, Saulo teve uma
para Damas- nunca morrerá.”1 visão do Cristo ressuscitado e exaltado.
co, Saulo teve Essa certeza — de fato uma confirmação Posteriormente, como Paulo, defensor da ver-
uma visão do Cristo sagrada — da vida além-túmulo bem que dade e missionário destemido a serviço do
ressuscitado e exal- pode trazer a paz prometida pelo Salvador ao Mestre, prestou testemunho do Senhor res-
tado. Posterior- declarar a Seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a surreto ao declarar aos santos de Corinto:
mente, como Paulo, minha paz vos dou; não vo-la dou como o “Cristo morreu por nossos pecados, se-
defensor da verdade mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, gundo as Escrituras,
e missionário deste- nem se atemorize”.2 (...) foi sepultado, e (...) ressuscitou ao ter-
mido a serviço do Do alto do sombrio e pavoroso Calvário se ceiro dia, segundo as Escrituras.
Mestre, prestou teste- ouviu a voz do Cordeiro, dizendo: “Pai, nas (...) foi visto por Cefas, e depois pelos
munho do Senhor tuas mãos entrego o meu espírito”.3 E a escu- doze.
ressurreto. ridão dissipou-se, pois Ele estava com Seu Depois foi visto, uma vez, por mais de qui-
Pai. Ele viera de Deus e para Ele retornara. nhentos irmãos. (...)
Assim, os que caminham com Deus nesta pe- Depois foi visto por Tiago, depois por to-
regrinação terrena sabem, por experiência sa- dos os apóstolos.
grada, que Ele não abandonará os filhos que E por derradeiro de todos me apareceu
Nele confiarem. Na noite da morte, Sua pre- também a mim.”5
sença será “melhor que a luz e mais Em nossa dispensação, esse mesmo teste-
segura do que o caminho munho foi prestado intrepidamente pelo
conhecido”.4 Profeta Joseph Smith, quando ele e Sidney
Rigdon testificaram:
“E agora, depois dos
muitos testemunhos que
se prestaram dele, este
é o testemunho, últi-
mo de todos, que
nós damos dele:
Que ele vive!

4
À DIREITA: OH, OUVE-NOS QUANDO TE INVOCARMOS, DE NATHAN PINNOCK

Porque o vimos, sim, à direita de Deus; tunidades perdidas. Lamentou-se:


e ouvimos a voz testificando que ele é o “Ignorar que para cada alma cristã, por
Unigênito do Pai — mais humilde que seja a sua trajetória, a
Que por ele e por meio dele e dele os vida é demasiado curta para todo o bem
mundos são e foram criados; e seus habitan- que pode praticar. Desconhecer que
tes são filhos e filhas gerados para Deus.”6 nem o mais profundo remorso é capaz
Esse é o conhecimento que sustém. É a Se erguermos as mãos que de reparar as oportunidades perdidas de
verdade que consola. É a certeza que guia, pendem, levarmos a paz a toda uma vida! Foi o meu caso! Oh, foi o
das trevas para a luz, aqueles que estão cur- uma alma atormentada e meu caso!”
vados pelo peso da dor. E está ao alcance doarmos de nós mesmos assim Marley acrescentou: “Por que andei
de todos. como fez o Mestre, poderemos entre meus irmãos com os olhos baixos,
— ao indicar o caminho — sem nunca os erguer para o céu, à procu-
Fazer Algo Hoje tornar-nos uma estrela-guia ra da estrela abençoada que conduziu os
Quão frágil é a vida, quão certa é a mor- para o navegante à deriva. magos à humilde morada? Acaso não ha-
te! Não sabemos quando teremos de dei- veria outras choupanas para as quais sua
xar esta existência mortal. Então pergunto: “O que luz poderia ter-me conduzido?”
estamos fazendo com nosso hoje?” Se vivermos apenas Felizmente, como sabemos, Ebenezer Scrooge mudou
para o amanhã, acabaremos tendo hoje muitos ontens va- sua vida para melhor. Adoro sua declaração: “Não sou mais
zios. Será que cometemos o erro de declarar: “Tenho pen- o homem que era!”9
sado em fazer algumas mudanças de curso na minha vida. Por que o Conto de Natal de Dickens é tão popular? Por
Amanhã darei o primeiro passo”? Com tais pensamentos, que é sempre atual? Sinto pessoalmente que foi inspirado
o amanhã é eterno. Esses amanhãs dificilmente chegarão, por Deus. Traz à tona o que há de melhor na natureza hu-
a menos que ajamos hoje. Um hino conhecido nos fala do mana, dá esperança, motiva as pessoas a mudar. Podemos
que nos compete fazer sem adiar: desviar-nos dos caminhos tortuosos e destrutivos e, com
uma canção no coração, seguir uma estrela e caminhar
Muita coisa no mundo há que fazer,
rumo à luz. Podemos apressar o passo, reforçar nossa cora-
Muita coisa que melhorar!
gem e aquecer-nos ao sol da verdade. Podemos ouvir mais
Abre teu coração e dedica atenção
claramente o riso das criancinhas e secar as lágrimas dos
Àquele que precisar.7
que choram. Podemos consolar o moribundo mencionan-
Façamos a seguinte pergunta a nós mesmos: “Neste do a promessa de vida eterna. Se erguermos as mãos que
mundo, acaso, fiz hoje eu a alguém um favor ou bem? A pendem, levarmos a paz a uma alma atormentada e doar-
carga de alguém mais leve fiz eu?” Que excelente fórmula mos de nós mesmos assim como fez o Mestre, poderemos
para a felicidade! Que receita para a satisfação e paz inte- — ao indicar o caminho — tornar-nos uma estrela-guia
rior — inspirar gratidão em outro ser humano. para o navegante à deriva.
As oportunidades que cada um tem de doar de si mes-
mo são, de fato, ilimitadas, mas também são passageiras. Alegrar o Coração Alheio
Há corações a alegrar, palavras gentis a proferir, presentes Por ser a vida frágil e a morte inevitável, cumpre apro-
a oferecer, boas ações a praticar, almas a salvar. veitar ao máximo cada dia.
Se recordarmos que, “quando [estamos] a serviço de Há muitas formas de fazer mau uso de nossas oportuni-
[nosso] próximo, [estamos] somente a serviço de [nosso] dades. Há algum tempo li uma história comovente, redigi-
Deus”8, não nos encontraremos na posição nada invejável da por Louise Dickinson Rich, que ilustra brilhantemente
do fantasma de Jacob Marley, que apareceu a Ebenezer essa verdade. Ela escreveu:
Scrooge em Conto de Natal, o clássico imortal do escritor “Minha avó tinha uma inimiga chamada Sra. Wilcox.
inglês Charles Dickens. Marley falou com tristeza de opor- Minha avó e a Sra. Wilcox tornaram-se vizinhas, desde

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 5


recém-casadas, na rua principal da cidadezinha em que De fato, esse era o da minha avó. Em seguida, outras se-
passariam o restante da vida. Não sei o que iniciou o con- nhoras com o mesmo problema respondiam e indicavam
flito — e creio que, quando nasci, mais de trinta anos de- que providências tinham tomado, assinando como Alguém
pois, nem elas mesmas se lembravam do motivo inicial. Que Sabe, Xantipa ou algo do gênero. Com bastante fre-
Não era uma simples desavença, mas uma guerra declara- qüência, depois de solucionado o problema, as mulheres
da, sem trégua. (...) continuavam a escrever umas para as outras durante anos
Nada na cidade escapava aos efeitos das hostilidades. nessa coluna, falando dos filhos, das conservas ou da nova
A igreja de 300 anos, que sobrevivera à Revolução sala de jantar. Foi o caso da minha avó. Ela e uma mulher
Americana, à Guerra Civil e à Guerra Hispano-Americana chamada Gaivota corresponderam-se durante um quarto
quase veio abaixo quando a minha avó e a Sra. Wilcox tra- de século. Gaivota era a grande amiga da minha avó.
varam a Batalha da Sociedade Beneficente das Senhoras. Quando eu estava com cerca de 16 anos de idade, a Sra.
Minha avó foi a vencedora, mas foi uma vitória sem valor Wilcox faleceu. Numa cidade pequena, por mais que se
real. Na impossibilidade de ser presidente, a Sra. Wilcox odeie o vizinho ao lado, é de praxe ir à casa do falecido e
abandonou [a Sociedade], exasperada. E qual era a graça ver se os familiares precisam de ajuda. Minha avó, impecá-
de assumir o comando quando não se podia obrigar a ini- vel em seu avental de percal para indicar que seu desejo
miga a comer na sua mão? A Sra. Wilcox venceu a Batalha de pôr mãos à obra era sincero, atravessou o jardim até a
da Biblioteca Pública, ao conseguir a nomeação da sobri- casa dos Wilcox, onde as filhas da falecida pediram-lhe que
nha, Gertrude, como bibliotecária em lugar da tia Phyllis. limpasse a já imaculada sala de visitas para o velório. E, na
O dia em que Gertrude começou seu trabalho foi o último
em que minha avó leu um livro da biblioteca. Da noite
para o dia, os livros haviam-se tornado uma fonte de ‘ger- I D É I A S PA R A O S
mes imundos’. A Batalha da Escola Secundária acabou em- MESTRES FAMILIARES
Depois de se preparar em espírito de oração, dê esta men-
patada. O diretor achou um emprego melhor e foi embora
sagem, empregando um método que incentive a participação
antes que a Sra. Wilcox obtivesse sua demissão ou que mi-
daqueles a quem ensinar. Seguem-se alguns exemplos:
nha avó conseguisse que seu cargo se tornasse vitalício.
1. Discuta com a família como “as trevas da morte pode-
Ao visitarmos nossa avó quando crianças, parte de nos-
rão sempre ser banidas pela luz da verdade revelada”. Leia
sa diversão era fazer caretas para os netos da Sra. Wilcox.
as partes do artigo que ensinam sobre a Ressurreição. De
Num dia inesquecível, colocamos uma cobra no barril que
que forma essas verdades trazem paz e consolo aos
a Sra. Wilcox usava para armazenar a água da chuva. Nossa
que choram?
avó nos censurou, como seria de esperar, mas sentíamos
2. Chame atenção para a fórmula para a felicidade contida
que no fundo aprovava nossa travessura.
na seção “Fazer Algo Hoje”. Cante ou leia o hino “Neste
Não pensem que se tratava de uma campanha unilate-
Mundo”. Pergunte aos membros da família por que, a seu ver,
ral. A Sra. Wilcox também tinha netos. E nossa avó era o
essa fórmula traz felicidade. Quais são algumas coisas que
alvo deles. Nunca houve um dia de vento e chuva em que
eles podem fazer para inspirar gratidão nos outros?
o varal não arrebentasse misteriosamente, derrubando na
3. Peça aos membros da família que mencionem algu-
lama as roupas recém-lavadas.
mas lembranças agradáveis que uma pessoa pode ter no
Não sei se minha avó teria suportado essas escaramuças
fim da vida. Leia a história de Louise Dickinson Rich e o últi-
tanto tempo se não fosse pela página feminina do jornal
mo parágrafo da mensagem do Presidente Monson. Fale
diário de Boston. Essa seção, voltada às prendas domésti-
com as crianças menores sobre as coisas que consideram
cas, era uma criação maravilhosa. Além das receitas culiná-
mais importantes agora. Incentive os membros da família a
rias e conselhos de limpeza, trazia uma coluna de cartas
levarem uma vida justa e feliz, sem motivos para arrependi-
trocadas entre as leitoras. A idéia era mandar uma carta ao
mento futuro.
jornal em caso de problema ou para reclamar de algo ou
desabafar — usando um pseudônimo como Medronheiro.

6
mesa da sala, num lugar de destaque, estava
um enorme álbum de recortes. Coladas em
ordem, em colunas paralelas, estavam as car-
4. Minnie Louise Haskins, “The Gate of the Year”,
em James Dalton Morrison (org.), Masterpieces of
Religious Verse (1948), p. 92.
5. I Coríntios 15:3–8.
“N o álbum
de recortes,
coladas em
6. D&C 76:22–24.
tas enviadas pela minha avó à Gaivota ao lon- 7. Will L. Thompson, “Neste Mundo”, Hinos, 136. ordem, em colunas
go dos anos, bem como as cartas da Gaivota 8. Mosias 2:17. paralelas, estavam
9. (New York: Stewart, Tabori & Chang, 1990),
para ela. Embora nenhuma das duas soubes- pp. 34, 138. as cartas enviadas
se, a maior inimiga da minha avó fora sua 10. “Grandma and the Seagull”, em Alice Arlen, She Took pela minha avó à
to the Woods: A Biography and Selected Writings of
melhor amiga. Essa foi a única vez que me Louise Dickinson Rich (2000), Gaivota ao longo dos
lembro de ter visto minha avó chorar. Na pp. 211–213. anos, bem como as
11. Hinos, n° 136.
época não sabia exatamente o motivo das 12. II Timóteo 4:7. cartas da Gaivota
lágrimas, mas hoje sei. Ela chorou por causa para ela. Embora
de todos os anos desperdiçados e que jamais nenhuma das duas
voltariam.”10 soubesse, a maior
Exorto a todos nós, de hoje em diante, a inimiga da minha
enchermos o coração de amor. Caminhemos avó fora sua melhor
a segunda milha e convidemos para entrar amiga.”
em nossa vida os solitários e desalentados e
os que sofrem por alguma razão. Que “[faça-
mos] ser alguém mais feliz”.11 Vivamos de
modo que, ao ouvirmos a convocação final,
não sintamos remorsos lancinantes nem te-
nhamos negócios inacabados, mas que esteja-
mos em condições de dizer, como o Apóstolo
Paulo, “Combati o bom combate, acabei a car-
reira, guardei a fé”.12 ■
NOTAS
1. João 11:25–26.
2. João 14:27.
3. Lucas 23:46.
Élder D. Todd
Christofferson
PREPARADO PARA SERVIR AO SENHOR
ÉLDER QUENTIN L. COOK
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Q
uando era adolescente e morava em Somerset,
Nova Jersey, Todd Christofferson participou da
apresentação teatral ao ar livre do Monte Cumora,
perto de Palmyra, Nova York, durante dois verões. No seu
primeiro ano, o jovem Todd lembrou as palavras de um an-
tigo bispo que havia incentivado os jovens da ala a não de-
sistirem de buscar o Senhor até que sentissem “um
testemunho do evangelho ardendo no coração”.
Todd havia levado a sério as palavras de seu líder do sa-
cerdócio e orado, de tempos em tempos, sobre seu teste-
munho; mas decidiu que Palmyra, o berço da Restauração,
era o local certo para receber uma confirmação incontestá-
vel e que aquele era o momento certo para isso.
“Certa noite, depois da apresentação, fui ao Bosque
Sagrado sozinho”, recorda ele. “Era uma bela noite de ve-
rão. Tirei os sapatos, entrei no bosque e comecei a orar.
Orei diligentemente por uma hora, talvez mais... mas nada
aconteceu.”
Depois de algum tempo, desistiu e saiu do bosque.
Sentiu-se consumido pela decepção. O que havia feito de
errado? Por que o Pai Celestial não respondeu a sua oração?
Em menos tempo do que imaginara, as duas se-
manas da apresentação teatral chegaram ao fim, e
Todd voltou para Nova Jersey. Um mês depois,
quando estava lendo o Livro de Mórmon em seu
quarto, ele recebeu sua resposta.
“Sem que eu pedisse, recebi o testemunho”,
relembra ele. “Veio sem palavras, mas recebi
uma confirmação espiritual muito forte, do tipo
que não deixa dúvidas, a respeito do Livro de
Mórmon e de Joseph Smith.

8
Relembrando essa experiência, dou-me Unidos, no fim da Segunda Guerra Mundial,
conta de que não podemos determinar por isso Todd e sua mãe ficaram morando
quando, onde ou como Deus vai falar conos- com seus avós maternos, Helge e Adena Página ao lado: Todd
co. Temos apenas que ser receptivos ao que Swenson, por aproximadamente 18 meses. Christofferson quando
Ele nos conceder, no momento que Ele o fi- Esse foi o princípio de um relacionamento adolescente, na apre-
zer. Isso acontece de acordo com a vontade muito próximo entre Todd e os avós, algo que sentação teatral
Dele. teria enorme influência em toda a sua vida. ao ar livre do Monte
Fico contente pelo Pai Celestial não ter-me Todd e seus quatro irmãos mais novos fo-
AS FOTOGRAFIAS SÃO CORTESIA DA FAMÍLIA CHRISTOFFERSON, EXCETO QUANDO INDICADO; FUNDO: FOTOGRAFIA: WELDEN C. ANDERSEN E PATSY CLEMENT

Cumora, em Palmyra,
respondido naquela noite em Palmyra. Talvez ram criados em Pleasant Grove e Lindon, Nova York, em 1962.
eu tivesse achado que é preciso estar em um Utah. Tiveram uma infância que ele descreve Acima, da esquerda
lugar especial para receber resposta a uma como “idílica” e “saudável”, em que os meni- para a direita: Todd
oração ou adquirir um testemunho. Mas nos desfrutavam de tempo livre para brincar, com os pais e o irmão
não temos que fazer uma peregrinação até inventar e aprender. Greg (à direita), em
Palmyra para saber que Joseph Smith foi um “Tínhamos uma vida familiar muito segura 1948; os irmãos Tim,
profeta e que o Livro de Mórmon é verdadei- e feliz”, relembra o Élder Christofferson. “Meu Todd, Greg, Tom e
ro. Não precisamos ir até Jerusalém para sa- pai e minha mãe nos ensinavam por meio do Wade Christofferson
ber que Jesus é o Cristo. Se o Pai Celestial exemplo e nos mostravam como viver de com o avô, Helge
conseguiu encontrar-me em Somerset, Nova acordo com os padrões do evangelho.” Swenson, em 1964;
Jersey, pode responder as orações de qual- Seus pais, por sua vez, lembram que Todd Todd com aproximada-
quer pessoa, em qualquer lugar do mundo. era um filho muito obediente e feliz. “Todd mente seis anos
Ele conhece o nosso íntimo e pode respon- era um bom menino e sempre soube que de idade. O Élder
der a nossas orações em qualquer lugar ou tipo de vida queria levar”, diz o pai. “Exerceu Christofferson recorda
situação.” grande influência sobre os irmãos.” sua infância como ten-
Com esse testemunho “ardendo” no cora- Seus pais também se lembram que ele ti- do sido “saudável”
ção, Todd Christofferson preparava-se para nha muita vontade de ajudar sempre que al- e “idílica”.
uma vida de serviço no reino do Senhor. guém precisava de ajuda. Quando Todd tinha
13 anos, a mãe foi submetida a uma grande
Infância Idílica cirurgia para o tratamento de um câncer. O
David Todd Christofferson, filho de Paul pai do Élder Christofferson, que permaneceu
Vickery Christofferson e Jeanne Swenson com ela no hospital, ficou sabendo que Todd
Christofferson, nasceu em 24 de janeiro de havia reunido os irmãos para orar pela mãe.
1945, em American Fork, Utah. Seu pai estava A cirurgia foi bem-sucedida, mas restringiu
na China, servindo no exército dos Estados a capacidade da irmã Christofferson de realizar

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 9


mento exemplar”. Greg disse que, poucos
anos depois de seu irmão ter-se formado no
curso médio, um excelente colega de classe
algumas tarefas domésticas rotineiras. Todd de Todd vinha orando com a esposa para sa-
sabia que a mãe gostava muito de pão casei- ber como criar os filhos. Quando os missioná-
ro, mas que seria muito difícil para ela conti- rios da Igreja bateram à porta deles, aquele
nuar a fazê-lo; então, pediu à avó que o homem lembrou-se de como Todd, um dos
ensinasse a fazer pão, e passou a fazer pão poucos santos dos últimos dias que ele conhe-
regularmente para a família, até sair de casa cera, era bondoso e honrado. Devido àquela
para estudar na faculdade, vários anos depois. lembrança, convidou os missionários a entrar
em sua casa e acabou filiando-se à Igreja com
Acima, da esquerda Novo Lar, Novas Experiências toda a família.
para a direita: o Quando Todd tinha uns 15 anos, o pai, que O crescente testemunho do jovem Todd,
Élder Christofferson era veterinário, conseguiu um novo emprego fortalecido pela experiência que se seguiu à
(à esquerda) com um em New Brunswick, Nova Jersey. Na época em apresentação teatral do Monte Cumora, tor-
companheiro de missão, que família se mudou, a cidade de Lindon, nou-se ainda mais forte graças ao apoio e
Glen Willardson, na Utah, tinha bem poucos habitantes, de modo incentivo de um grupo de jovens santos
Argentina, em 1965; o que a transição para o ambiente mais populo- dos últimos dias da ala New Brunswick,
Élder Christofferson em so de Nova Jersey foi uma mudança drástica estaca Nova Jersey, que, segundo o Élder
um batismo, em 1966. para toda a família Christofferson. Ainda as- Christofferson, “vivia em função das quintas-
Página ao lado, da es- sim, aqueles anos — cheios de novos lugares, feiras e domingos, quando nos reuníamos”.
querda para a direita: novos conhecidos e novas oportunidades — “A Igreja era o centro da nossa vida fami-
o Élder Christofferson estariam entre os mais importantes para a for- liar”, relembra o Élder Christofferson. “Ela
e a esposa, no dia de mação de Todd. unia nossa família e também as outras pes-
seu casamento, em Sendo o único membro da Igreja em sua soas da ala.”
1968, com os pais; o turma do curso médio, Todd conviveu e fez
Élder Christofferson amizade com pessoas de várias formações cul- Missão na Argentina
com os filhos Todd e turais e religiosas, algo que continuaria a acon- Depois de formar-se no curso médio na
Brynn, em um presépio tecer durante toda a sua vida. Todd descobriu escola Franklin High School, em Somerset, o
vivo, em 1977; a que muitos de seus amigos eram tão fervoro- Élder Christofferson estudou na Universidade
família Christofferson sos em suas respectivas crenças quanto ele era Brigham Young, por um ano, e então partiu,
comemorando o bicen- em relação a sua própria, e isso o fez ponderar em setembro de 1964, para servir na Missão
tenário dos Estados profundamente e orar fervorosamente sobre Argentina Norte, um acontecimento que ele
Unidos, em 1976. as coisas que sabia. “Comecei a ver que a considera de importância fundamental em
Igreja não era apenas boa”, diz ele. “Era de sua vida. Seu amor pelo povo e cultura da
uma importância fundamental. Comecei a ser América Latina continua a ser uma parte sig-
muito grato pelo que eu tinha.” nificativa de sua vida.
Greg Christofferson, um dos irmãos do Na missão, o Élder Christofferson apren-
Élder Christofferson, que dividiu o quarto deu muito com “dois presidentes de missão
com ele por mais de 16 anos, relembra: “Todd excepcionais”, o Presidente Ronald V. Stone
sempre teve inclinação religiosa e comporta- e o Presidente Richard G. Scott, que hoje é

10
seu colega no Quóurm dos Doze Apóstolos. O Élder A estudante era Kathy Jacob, uma jovem atraente e mui-
Christofferson relembra com muito carinho e gratidão to sociável que havia morado na Califórnia e em Utah. No
a contribuição dos dois presidentes e suas respectivas outono seguinte, quando voltou para a escola, Todd pediu
esposas. a um amigo em comum que lhe arranjasse um encontro
O Élder Scott se lembra do Élder Christofferson como com Kathy.
“um missionário excelente cuja devoção e capacidade indi- Nos meses seguintes, descobriram que se davam muito
cavam que seria alguém de importância incomum na vida”. bem. Seu amor cresceu e amadureceu, e na primavera se-
O Élder Scott comenta que aquele jovem élder era especial- guinte, em 28 de maio de 1968, casaram-se no Templo de
mente disciplinado, obediente e trabalhador e que demons- Salt Lake.
trava “um espírito de bondade que foi uma bênçãos para “Eu já sabia que Kathy era bondosa e maravilhosa quan-
cada um de seus companheiros e o tornou muito querido do nos casamos”, diz o Élder Christofferson, “mas não
de seus pesquisadores e conversos”. sabia quão profundos eram seu caráter, qualidades, sabe-
O Élder Scott se recorda de um incidente em particular doria e virtude. Foi uma agradável surpresa descobrir, ao
em que viu o Élder Christofferson sofrer um acidente de longo do tempo, que ela era muito melhor do que eu ha-
bicicleta, que lhe rasgou o terno e machucou as mãos. Ele via imaginado”.
não se deixou abalar. O Élder Scott conta que “ele se lim- A filha do casal Christofferson, Brynn Nufer, também
pou, montou na bicicleta e saiu pedalando com o compa- confirma as boas qualidades da mãe. Ela diz: “Em todos
nheiro para um compromisso”. os lugares em que moramos, as pessoas simplesmente a
adoravam. Ela é super criativa. É realmente muito, muito
Universidade e Casamento divertida.”
Depois de voltar da Argentina, em dezembro de 1966,
o Élder Christofferson matriculou-se novamente na BYU, Uma Carreira Jurídica de Destaque
onde cursou inglês e participou do grêmio estudantil e de Tanto o Élder como a irmã Christofferson se formaram
competições esportivas da universidade. na BYU em 1969. O Élder Christofferson prosseguiu os es-
No final do primeiro semestre após sua missão, uma bela tudos na Universidade Duke, a fim de formar-se em direito.
jovem que viu no campus chamou-lhe a atenção. Eles não Quando terminou os estudos, em 1972, foi
se conheciam nem se apresentaram na ocasião, mas ele não contratado como assessor jurí-
se esqueceu do rosto dela e procurou sua foto no anuário dico do juiz federal John J.
do campus, que foi publicado poucos meses depois. Sirica, que viria mais
tarde a presidir os julgamentos do caso Watergate. A revis- e Charlotte, Carolina do Norte. Segundo o Élder
ta Time elegeu o Juiz Sirica como o Homem do Ano e cha- Christofferson, o que ele mais gostou nos anos em que ele
mou o caso Watergate de “o pior escândalo político da e a família moraram no leste dos Estados Unidos foi seu
história dos Estados Unidos”.1 O escândalo e seus julga- “convívio com boas pessoas de todas as classes sociais e
mentos dominaram os noticiários nos Estados Unidos em religiões”. Além de seu serviço na Igreja, que incluiu os
1973 e 1974. chamados de presidente da missão da estaca, bispo, presi-
O Élder Christofferson havia planejado trabalhar como dente da estaca e representante regional, participou de
assessor por um ano e então passar a trabalhar para um es- vários grupos ecumênicos e de serviço comunitário.
critório jurídico de Washington D.C., que lhe fizera uma
oferta de emprego. O Élder Ralph W. Hardy, que hoje é Lembranças da Família
Setenta de Área, trabalhou naquela empresa durante toda O casal Christofferson tem cinco filhos: Todd, Brynn,
a sua vida profissional e relembra que, naqueles dias difí- Peter, Ryan e Michael. Também tem oito netos. Os filhos
ceis do caso Watergate, o Juiz Sirica telefonou para o dire- da família Christofferson descrevem sua criação como ten-
tor administrativo da empresa e disse: “Não posso liberar do sido amorosa, carinhosa e centralizada nos princípios
o Todd. Ele é valioso demais. É a única pessoa com quem do evangelho. Lembram-se de que havia um bom equilí-
posso conversar”. Sendo assim, Todd auxiliou o Juiz Sirica brio entre os momentos de lazer da família e a instrução
durante todo o processo Watergate. individual.
O Élder Hardy relembra que, muito tempo depois, em Peter lembra-se de ter servido como mestre familiar
1992, um advogado que não era membro da Igreja entrou ao lado do pai durante um período particularmente ata-
em seu escritório e exclamou: “Acabei de participar do fu- refado da vida do pai. O Élder Christofferson estava tra-
neral mais inspirador que já vi”. Era o funeral do Juiz Sirica, balhando como assessor jurídico de uma empresa e
cuja família havia pedido ao Élder Christofferson que falas- servindo como presidente de estaca, mas conseguia re-
se na cerimônia. O Élder Christofferson havia ensinado o servar um tempo para ensinar os
plano de salvação. filhos. “Fui inspirado pela dedica-
Depois de trabalhar como assessor, o Élder Christofferson ção de meu pai como excelente
cumpriu serviço militar obrigatório no exército dos Estados mestre familiar, apesar de ter
Unidos, seguido de oito anos na reserva. Concluiu suas pouco tempo livre”, relembra
obrigações militares como capitão da reserva. Peter. “Uma das irmãs que visi-
Por mais de 30 anos, o Élder Christofferson teve uma távamos estava confinada ao
carreira jurídica de destaque. Trabalhou, a princípio, no es- lar. Meu pai cuidava dela com
critório jurídico Dow Lohnes PLLC, como assessor jurídico carinho, certificando-se de
de um convênio médico e de vários bancos. Ocupava o que sempre recebesse o sa-
cargo de diretor do departamento jurídico do NationsBank cramento e que todas as
Corp. (hoje Bank of America) quando foi chamado para suas necessidades fossem
Setenta. Seu trabalho levou a família a morar em atendidas.”
Washington, D.C.; Nashville, Tennessee; Herndon, Virginia; Brynn também lembra

12
que o pai era muito atencioso. Apenas dois e é amado e admirado pelos Setentas.
dias após ter saído de casa para estudar na É conhecido por seu grande senso de humor, Página oposta, da es-
Universidade Brigham Young, recebeu flores e é uma alegria trabalhar com ele. querda para a direita:
dele em seu dormitório acompanhado de um o Élder Christofferson e
bilhete que dizia simplesmente: “Tenha um Chamado para o Quórum dos Doze a esposa com o juiz
ótimo semestre”. Apóstolos federal dos Estados
“Embora meu pai esperasse muito de nós, O Élder Christofferson disse que, quando Unidos John J. Sirica,
nunca nos pressionava. Era muito amoroso e recebeu seu novo chamado do Presidente para quem o Élder
comedido”, diz ela. “Era muito feliz e queria Thomas S. Monson, a princípio isso lhe “pare- Christofferson traba-
que fôssemos felizes.” ceu impossível”. lhou como assessor
“Os Apóstolos são pessoas que admirei e jurídico durante os
Serviço nos Setenta segui e a quem dei ouvidos durante toda a julgamentos do caso
Em 3 de abril de 1993, o Élder vida, e parecia-me impossível que viesse a me Watergate; o casal
Christofferson foi apoiado como membro do tornar um deles”, diz ele. “Ao pensar na res- Christofferson com os
Primeiro Quórum dos Setenta. Sua primeira ponsabilidade, ela parece avassaladora; mas filhos e netos; o Élder
designação levou-o com a família para a tive professores maravilhosos nestes últimos Christofferson e a espo-
Cidade do México, onde serviu durante algum 15 anos em que trabalhei com os Setentas e sa com os filhos Ryan
tempo como Presidente da Área México Sul. com os membros do Quórum dos Doze.” e Michael, no México,
Em 15 de agosto de 1993, o Élder Ele também se apressa em salientar em em 1994. Acima, da
Christofferson foi chamado para integrar quem todos devemos confiar: Naquele que esquerda para a
a Presidência dos Setenta, na qual serviu foi a fonte das respostas que recebeu quando direita: como um
até ser chamado para o Quórum dos era adolescente e que procurava fortalecer dos Presidentes dos
Doze Apóstolos. Suas responsabilidades seu testemunho. “Acredito muito no poder Setenta, em 1998;
incluíam o cargo de Diretor Executivo do da oração”, diz ele. “Sempre podemos orar. o Élder Christofferson
Departamento de História da Igreja e da Às vezes, é tudo o que nos resta, mas sempre e a esposa com o Élder
Família e a supervisão da Área América do será suficiente para nossas necessidades. Yoshihiko Kikuchi, dos
Norte Sudeste. Mais recentemente, teve sob Em toda crise, em toda transição, em toda Setenta, e a esposa,
sua responsabilidade as Áreas América do necessidade que tive, o Pai Celestial esteve a Toshiko, no local onde
Norte Noroeste e América do Norte Oeste. meu alcance por meio da oração. Confiei o Japão foi dedicado
Suas designações lhe deram a oportunidade Nele e não me decepcionei. Suas promessas, para a pregação do
de conhecer santos dos últimos dias do sem a menor dúvida, ainda são válidas. Sei evangelho.
mundo todo. que Ele também me dará a ajuda de que ne-
Sinto-me grato por meu convívio com cessito neste chamado.” ■
o Élder Christofferson, nos Setenta e na NOTA
1. “Judge John J. Sirica: Standing Firm for the Primacy
Presidência dos Setenta. Ele é muito capaz, of Law”, Time, 7 de janeiro de 1974; disponível em
está em sintonia com os sussurros do Espírito www.time.com/time/magazine.

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 13


Mais do
que Pão e Água
R YA N C A R R
Revistas da Igreja

E
mbora seja uma bênção poder tomar o tudo corretamente. Mas tento também pen-
sacramento todos os domingos, corre- sar na Expiação. Todos os domingos, temos a
mos facilmente o risco de não dar o devi- incrível oportunidade de nos arrepender dos
do valor a isso, por ser algo tão freqüente. nossos pecados, começar a semana sobre
Como podemos ser mais gratos por essa novas bases e nos empenhar para melhorar
ordenança sagrada? Alguns rapazes da Ala no que for preciso. É uma excelente ocasião
Belgrade II, Estaca Bozeman Montana, de- para nos elevarmos espiritualmente”.
ram algumas idéias. Michael, de 17 anos, também pensa no
Brek e Jake Halgren e Michael e Evan Salvador. “Uma das partes mais fortes do
Como você Romrell desejam recordar o Salvador e fazer
pode sentir com que a Expiação tenha efeito em sua
o Espírito vida. Tomar o sacramento dá a eles — e a EMBLEMAS DA
cada um de nós — essa oportunidade. É EXPIAÇÃO
com maior “Quando a mão de um
uma chance de adorar o Salvador e se aper-
intensidade feiçoar. E quando ajudam no sacramento, portador do Sacerdócio
na reunião usam o sacerdócio para servir ao próximo. Aarônico carrega a ban-
sacramental? deja sacramental, ele não
Reverência pelo Sacramento está simplesmente distribuindo o sacramento.
Como sabem que o sacramento também Está introduzindo na vida dos membros os
é importante para os membros da ala, esses emblemas da santa Expiação e elevando-os
rapazes levam muito a sério sua responsabi- rumo a esferas celestes.”
lidade do sacerdócio. Em que pensam ao ad- Bispo Keith B. McMullin, Segundo Conselheiro
no Bispado Presidente, “O Milagre do
ministrarem o sacramento na ala? Jake, de Sacerdócio”, A Liahona, abril de 2004, p. 28.
16 anos, é grato pela oportunidade de ser-
vir. “Temos consciência de representar o
Senhor”, afirma.
Seu irmão Brek, de 18 anos, diz: “Como
sacerdote, dou o melhor de mim para fazer

14
meu testemunho é a que se refere à Expiação de Jesus
Cristo. Posso pensar nos erros que cometi e sei que, caso
me arrependa, esses pecados podem ser perdoados por
causa do que Ele fez por mim. A cada vez que tomamos o
sacramento, penso na Expiação.”

Dignidade
Eles entendem a importância da dignidade para possuí-
rem e exercerem o sacerdócio. Brek ressalta que é um
privilégio ter o sacerdócio. “Considero uma grande opor-
tunidade. Isso nos obriga a ter cuidado com nossos atos
FOTOGRAFIAS TIRADAS POR RYAN CARR E CEDIDAS GENTILMENTE PELA FAMÍLIA HALGREN, EXCETO QUANDO INDICADO EM CONTRÁRIO; À ESQUERDA: FOTOGRAFIA DO SACRAMENTO: MATTHEW REIER

durante a semana. Ajuda muito.”


Evan, de 15 anos, continua na mesma linha de pensa-
mento: “Durante a semana, saber que tenho o sacerdócio
me ajuda a escolher o que é certo, para que eu possa aju-
dar a preparar o sacramento dignamente”.

Aprendizado da Reverência
Esses rapazes aprenderam ainda bem jovens a reverên-
cia pelo sacramento. Seus pais pediam que se concentras-
sem durante a distribuição do sacramento. Continuam
tendo esse sentimento na adolescência. Michael diz: “Nem
tenho palavras para dizer o quanto o sacramento é im-
portante para mim. Representa o corpo e o sangue
do Senhor. Tomamos Seu nome sobre nós.
Devemos ir avante e proclamar Seu evangelho e
ser um bom exemplo. Sem Ele, não seria possí-
vel voltarmos à presença do Pai Celestial.
O sacramento nos ajuda a nos lembrar
disso”.
Eles também aprenderam
a reverência pelo sacramento
ao verem outros portadores do
Sacerdócio Aarônico, inclusive ir-
mãos mais velhos, cumprirem seus deve-
res do sacerdócio. Evan, por exemplo, lembra-se
de ocasiões em que seu irmão mais velho, que atual-
mente serve como missionário no Brasil, conversou com
ele sobre o sacramento, o sacerdócio e outros assuntos
ligados ao evangelho.
Os irmãos mais velhos de Brek também foram um bom
exemplo para ele. “Sempre sentia admiração ao vê-los pre-
parar o sacramento”, conta Brek.

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 15


NOSSO MODO DE VESTIR PODE
DEMONSTRAR REVERÊNCIA
Por que esses rapazes usam camisa bran-
ca e gravata? Para demonstrar respeito pelo
sacramento do Senhor. “As roupas revelam
aos outros o que sentimos”, explica Evan
Romrell. “Se nos vestimos de modo desleixa-
do, isso equivale a di-
zer que não nos
importamos.”
Querem se vestir
bem para não fazerem
os membros desvia-
rem a atenção do
Salvador ao tomarem
Os irmãos da família Michael pensa no seguinte ensinamento o sacramento. Jake
Halgren (no alto) e da de sua mãe: “Ela ressalta que o sacramento é Halgren afirma: “Se os
família Romrell ajudam o principal motivo de irmos à Igreja. Temos membros da congregação virem os diáconos
e sacerdotes com a camisa para fora da calça
FOTOGRAFIA DE CAMISA E GRAVATA © GETTY IMAGES

a administrar o sacra- o sacramento para nos lembrarmos da


mento. Fazem-no com Expiação”. ou suja, isso vai desconcentrá-los. E poderão
extrema reverência de- A Expiação de Jesus Cristo foi um ato de questionar a seriedade dos rapazes em rela-
vido ao seu testemunho serviço que afeta toda a família humana. Em ção ao sacramento. Se estivermos bem vesti-
do Salvador. menor escala, os portadores do Sacerdócio dos, demonstraremos respeito por essa
Aarônico podem servir na ala ou ramo aju- ordenança”.
dando com o sacramento, mostrando reve-
rência por ele e vivendo de modo a serem
dignos de tomá-lo. ■

16
BANQUETEIE-SE
FOTOGRAFIA: MATTHEW REIER

(VER JOÃO 4:14; 6:35.)

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 17


RECATO
Reverência pelo Senhor
É L D E R R O B E R T D. H A L E S
Do Quórum dos Doze Apóstolos

A
o viajarmos por todo o mundo, nós, tradição perpetuada pela Igreja ou um com-
Autoridades Gerais e líderes das auxi- portamento conservador e puritano. Mas o
liares da Igreja, percebemos claramen- recato não é apenas cultural. É um princípio
te que o mundo está tornando-se cada vez do evangelho que se aplica a todos, seja qual
mais informal e desleixado. Isso se manifesta for a cultura ou a idade. De fato, o recato é
de várias formas, mas sobretudo no vestuário. fundamental para sermos dignos da compa-
Observamos esse fenômeno até mesmo em nhia do Espírito. Ser recatado é ser humilde,
alguns membros da Igreja. e a humildade convida o Espírito a estar
Quando souber- Essa informalidade pode resultar em parte conosco.
mos quem somos da indiferença. Pode ainda ser fruto da falta É claro que o recato não é algo recente.
— filhos de Deus — de entendimento ou da ausência de modelos Foi ensinado a Adão e Eva no Jardim do
e compreendermos de referência. Já faz duas ou três gerações Éden. “E fez o Senhor Deus a Adão e à sua
que nossa aparên- que o uso de trajes informais se generalizou, mulher túnicas de peles, e os vestiu”
cia externa afeta e talvez nem todos disponhamos em casa de (Gênesis 3:21; ver também Moisés 4:27).
nossa espirituali- um exemplo sólido de vestuário adequado e Assim como a Adão e Eva, foi-nos ensinado
dade e também recatado. A cultura popular também não tem que nosso corpo foi criado à imagem de
nosso comporta- dado, de modo geral, um bom exemplo. Essa Deus e que, portanto, é sagrado.
mento, demonstra- tendência preocupante também se deve em “Não sabeis vós que sois o templo Deus e
remos respeito por parte à dificuldade de achar roupas no merca- que o Espírito de Deus habita em vós?
Deus, por nós mes- do atual que correspondam aos padrões da (...) O templo de Deus, que sois vós, é san-
mos e pelas pes- Igreja. to” (I Coríntios 3:16–17).
soas a nossa volta É com tais observações e desafios em Nosso corpo é o templo de nosso espírito.
atentando para o mente que desejo salientar a necessidade de Além disso, é o meio pelo qual podemos tra-
recato e a conduta mostrar reverência ao Pai Celestial e de guar- zer almas da presença de Deus para seu esta-
adequados. dar os convênios que fizemos com Ele, princi- do mortal. Ao reconhecermos nosso corpo
palmente os relacionados ao recato e ao como a dádiva que de fato é e ao compreen-
vestuário adequado. dermos as missões que ele nos ajuda a cum-
prir, vamos protegê-lo e honrá-lo por meio de
O Princípio do Recato nosso comportamento e vestuário.
Alguns membros da Igreja talvez tenham Em nosso dia-a-dia, não são aceitáveis os
a impressão de que o recato é uma mera trajes indiscretos como saias ou shorts muito

18
curtos, roupas justas, camisas e blusas que não cubram a de casa, há um momento em que param para se olharem
barriga e outras roupas impróprias. Os homens e as mu- no espelho ou pedirem a opinião de alguém sobre sua
lheres — o que inclui os rapazes e as moças — devem usar aparência?
roupas que cubram os ombros e evitar rou- Mostre respeito pelo Senhor e por si
pas decotadas na frente ou atrás ou que se- mesmo vestindo-se adequadamente para
jam reveladoras de qualquer outra forma. as reuniões e atividades da Igreja, seja no
Calças ou camisas apertadas, roupas excessi- domingo seja durante a semana. Caso te-
vamente folgadas, roupas amarrotadas e ca- nha dúvidas sobre o que convém ou não
belo desgrenhado não são apropriados. usar, consulte os líderes.
Todos devem evitar os extremos no vestuá-
rio, corte de cabelo, penteado e em outros O Recato no Vestuário para Ir ao Templo
aspectos da aparência. Devemos sempre an- Visualize a si mesmo se aproximando do
dar limpos e apresentáveis, sem desleixo ou templo, prestes a entrar na casa do Senhor.
excesso de informalidade.1
O recato é um dos traços principais da
pureza e castidade, tanto em pensamento
como em atos. Assim, por guiar e influenciar
nossos pensamentos, conduta e decisões, o
recato é uma característica primordial do
nosso caráter. Nossas vestimentas servem Mostre respeito
para muito mais do que cobrir o corpo: re- pelo Senhor e por si
fletem quem somos e o que desejamos ser, mesmo vestindo-se
tanto na mortalidade quanto na eternidade adequadamente
por vir. para as reuniões e
atividades da Igreja,
O Recato no Vestuário nas Reuniões
seja no domingo seja
da Igreja
durante a semana.
Ao assistirmos a uma reunião da Igreja,
ILUSTRAÇÕES FOTOGRÁFICAS: JOHN LUKE, EXCETO QUANDO INDICADO EM CONTRÁRIO

nosso objetivo é adorar o Pai Celestial e Seu


Filho, Jesus Cristo. Nosso vestuário deve refletir nossa re-
verência por Eles. Não nos devemos vestir para chamar
atenção para nós mesmos, o que desconcentraria os ou-
tros e afastaria o Espírito.
Os pais têm a responsabilidade de ensinar os filhos a
vestir-se e a preparar-se para a adoração na casa do Senhor.
A mãe e o pai podem educar os filhos tendo o cuidado de
se vestirem de modo a demonstrar recato e reverência em
sua própria aparência e comportamento.
Quando eu era criança, minha mãe me ensinou a usar
meus “trajes domingueiros” — ou seja, minhas melhores
roupas — para ir à Igreja. O que acontece na sua casa
durante a preparação para ir à Igreja? Antes de saírem

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 19


Consegue imaginar-se descabelado e usando chinelo, calça cidade grande, a arquitetura do templo o distingue dos
jeans e camiseta? Claro que não. Mas é admissível usar rou- prédios ao redor.
pas informais de qualquer tipo para ir ao templo? Ao ir- Nossas roupas são igualmente importantes. Trata-se do
mos à casa do Senhor, não devemos usar as “paisagismo” que visa a apresentar nosso
melhores roupas domingueiras? corpo como um templo. Assim como os jar-
Na próxima vez que passar perto de um dins do templo simbolizam o caráter sagra-
templo, observe os jardins. Já parou para do e reverente do que acontece lá dentro,
pensar por que os templos são cercados as roupas que usamos deixam transparecer
de belas plantas e fontes e têm uma bela a beleza e a pureza de nossa alma. Nosso
concepção arquitetônica? Isso confere modo de vestir revela se demonstramos o
uma aura e cria uma atmosfera que prepa- devido respeito pelas ordenanças do tem-
ram o freqüentador para as ordenanças sa- plo e pelos convênios eternos e se estamos
gradas que o aguardam dentro do templo. preparados para recebê-los.
Mesmo que se situe no centro de uma Num conto de fadas clássico, Cinderela
foi a um baile na corte com um magnífico
vestido. Até mesmo seus sapatos refletiam a
importância daquela noite! Seria impensá-
vel ir ao baile com os sapatos usados no
trabalho cotidiano. De fato, ninguém com-
O modo de vestir pareceu com trajes impróprios ou infor-
revela se demonstra- mais. Todos estavam elegantemente
mos o devido respei- vestidos para a ocasião.
to pelas ordenanças Não haverá ocasião mais significativa na
do templo e pelos sua vida do que o seu casamento. Será um
convênios eternos e dos acontecimentos mais sagrados da sua
se estamos prepara- vida e espera-se que ocorrerá no santo tem-
dos para recebê-los. plo — o edifício mais sagrado do Pai
Celestial na Terra. Se você compreender
verdadeiramente a natureza dos convênios

ILUSTRAÇÃO FOTOGRÁFICA DO TEMPLO DE ACRA GANA FEITA POR MATTHEW REIER


que fará, isso se refletirá no seu modo de vestir. Assim, as
noivas escolherão um vestido branco para o templo cuja
parte superior e as mangas permitam o uso dos garments.
Agirão dessa forma por causa da cerimônia e dos convê-
nios da investidura que tomaram sobre si em preparação
para a cerimônia de selamento. O noivo também apresen-
tará vestuário e aparência recatados e asseados. Não usará
no templo camisa amarrotada ou calça mal-ajustada.
Quando esse dia chegar, você fará convênios sagrados
com o Pai Celestial. Por isso terá o desejo de ter a melhor
aparência possível ao se ajoelhar no altar perante Deus.
Pais, assim como a fada madrinha da Cinderela a ajudou
a se arrumar, vocês podem ajudar a preparar seus filhos.

20
A
Ajudem-nos a compreender o significado dos convidar o Espírito a estar sempre conosco. o fazermos
convênios que assumirão. A obediência aos Há muitos anos, como pai e bispo na Igreja, e guardar-
nossos convênios, começando com o batis- eu não conseguia entender a lógica de jovens mos convê-
mo, afeta quem somos e o que fazemos, in- que usavam cores chamativas e roupas extra- nios, saímos do
clusive as palavras que usamos, a música que vagantes a fim de ostentarem agressivamente mundo e ingressa-
ouvimos e as roupas que vestimos. Ao fazer- sua rejeição das regras e tradições recatadas e mos no reino de
mos e guardarmos convênios, saímos do conservadoras. Afinal, eu observava que, ironi- Deus. Nossa apa-
mundo e ingressamos no reino de Deus. camente, a observância estrita por parte des- rência deve espe-
Nossa aparência deve espelhar isso. ses jovens a tais códigos de vestuário bizarros lhar isso.
Antes de ir ao templo — para se casar, re- exigia uma obediência e conformidade muito
ceber a investidura ou realizar ordenanças vi- maiores a modismos do que a padrões estipu-
cárias — pare por alguns instantes e faça as lados pela sociedade como um todo.
seguintes perguntas a si mesmo: “Se o Senhor Se nos vestirmos com o intuito de chamar
estivesse no templo hoje, como me vestiria? atenção, não convidaremos o Espírito Santo.
Como desejaria me apresentar a Ele?” A res- Quando nos vestimos para atrair a atenção do
posta é óbvia. Você se esforçaria para se apre- mundo, agimos de modo diferente. Além do
sentar e se sentir da melhor maneira possível. mais, o que vestimos influencia a atitude das
Faça as mesmas perguntas ao ir à Igreja pessoas para conosco.
aos domingos na sua capela. Lá, você renova- Pensem no motivo que leva os missioná-
rá seus convênios batismais ao tomar o sacra- rios a se vestirem de modo conservador —
mento. Lembre-se: você está indo a uma casa saia e blusa ou terno com camisa branca e
do Senhor que foi dedicada para adorá-Lo. gravata. Qual seria a reação das pessoas dian-
te de missionários com cabelo despenteado
Aparência Física: as Mensagens que ou usando jeans surrados, sandália de dedo e
Emitimos uma camiseta com mensagens pouco ortodo-
Imagine estar assistindo a uma peça. Um xas? As pessoas se perguntariam: “Esse é um
ator entra em cena vestido de palhaço, mas representante de Deus?” Por que alguém
começa a atuar no papel sério do protagonis- desejaria travar uma conversa séria sobre o
ta. É bem provável que você estranhe — des- propósito da vida ou da Restauração do evan-
confiando de algum erro de contra-regra ou gelho com um missionário assim?
de escalação do elenco. Claro que não precisamos vestir-nos como
Agora pense como seria inadequado sair os missionários o tempo todo. Certamente há
pela rua ou ir à Igreja usando roupas que ocasiões em que roupas informais recatadas
não correspondessem a quem você realmen- são perfeitamente aceitáveis. O que desejo
te é em espírito. Nossa aparência externa e salientar é o seguinte: nosso vestuário in-
conduta emitem mensagens às pessoas a fluencia o modo como as pessoas nos tratam.
nossa volta. Que mensagem estamos envian- Mostra também onde nosso coração e nosso
do? Ela reflete que somos filhos de Deus? espírito desejam estar.
Quando vamos à Igreja ou ao templo, é im- O que sentimos interiormente se reflete
portante que nossos trajes demonstrem que no exterior. Demonstramos amor e respeito
estamos preparados para adorar o Senhor por nós mesmos e pelos outros por meio de
e prontos mental e espiritualmente para nossa atitude, palavras e roupas. Mostramos
N
osso vestuá- amor e respeito pelos líderes da Igreja e pe- de roupas que ofereçam proteção para
rio mostra los membros da ala ou ramo ao falarmos, nós mesmos e para os outros. Ao nos vestir-
onde nosso vestirmo-nos e nos comportarmos de modo mos e agirmos com recato — demonstran-
coração e nosso espí- a não atrairmos indevidamente atenção para do misericórdia, bondade, humildade,
rito realmente dese- nós mesmos. Externamos amor e respeito paciência e caridade — convidaremos a
jam estar. por amigos e conhecidos quando nosso lin- companhia do Espírito e influenciaremos
guajar, vestuário e conduta para o bem as pessoas ao
não são provocantes ou des- nosso redor (ver
cuidados. E mostramos amor Colossenses 3:12, 14).
e respeito pelo Senhor por Será que estamos determi-
meio de um vestuário e apa- nados a ser santos no reino
rência humildes. “Nisto todos de Deus ou ficamos mais à
conhecerão que sois meus vontade adotando os padrões
discípulos, se vos amardes do mundo? Em última análi-
uns aos outros” (João 13:35). se, nosso vestuário exercerá
grande influência em nossa
Revestir-se de “Toda a obediência aos mandamentos
Armadura de Deus” e fidelidade aos convênios. O
Quando soubermos quem recato no vestir guiará nossas
somos — filhos de Deus — e atitudes e comportamento ao
compreendermos que nossa agirmos no dia-a-dia. Nosso
aparência externa afeta nossa vestuário acabará até por de-
espiritualidade e também nos- terminar quem serão nossos
so comportamento, demons- amigos e colegas, o que re-
traremos respeito por Deus, percutirá em nosso mereci-
por nós mesmos e pelas pes- mento ou não das bênçãos de
soas a nossa volta atentando Mostramos amor e felicidade neste mundo e por
para o recato e a conduta respeito pelo Senhor toda eternidade.
adequados. por meio de um ves- Desejo sinceramente que
Meu pai, que era artista, aju- tuário e aparência honremos nossos convênios
dou-me a entender esse con- humildes. e mostremos recato no vestir
ceito quando eu era criança. e agir ao freqüentarmos a
Desenhou um cavaleiro prote- Igreja, irmos ao templo e vi-
gido por uma armadura e escreveu o nome vermos no cotidiano. Se assim procedermos,
das partes principais de “toda a armadura de mostraremos respeito por nós mesmos, nos-
Deus”, conforme descritos nas escrituras (ver sos pais, nossos líderes da Igreja e as demais
Efésios 6:11–17; D&C 27:15–18). Esse dese- pessoas e demonstraremos amor ao Pai
nho ficou pendurado no meu quarto e serviu Celestial e convidaremos o Espírito a estar
para lembrar que devemos permanecer fiéis e sempre conosco. ■
leais aos princípios do evangelho. NOTA
1. Ver Para o Vigor da Juventude: Cumprir Nosso
Assim como devemos “revestir-nos” da Dever para com Deus (2001), “Vestuário e
armadura de Deus, devemos “revestir-nos” Aparência”.
Toda a
Armadura
de Deus
O “capacete da salvação”
protege nosso raciocínio,
intelecto e pensamentos.

A “couraça da retidão” nos


ajuda a ter o Espírito sempre
conosco, preservando-nos
o coração e a alma.

Ter “cingidos os lombos


com a verdade” nos
proporciona o alicerce
necessário para edificarmos
a fé e desenvolvermos o
testemunho pessoal.

A “espada do Espírito”
é a palavra de Deus para
romper a escuridão, a fim de
termos luz e verdade para
guiar nossos caminhos na
vida.

O “escudo da fé” nos ajuda


a resistir aos dardos
inflamados do adversário.

Ter “calçados os pés na


preparação do evangelho
da paz” por meio da leitura
das escrituras nos ajuda
a ser obedientes às leis,
ordenanças, mandamentos
e convênios de Deus.

— Élder Robert D. Hales

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 23


O QUE JOSEPH ENSINOU

CONSOLONA HORA DA MORTE


O Profeta Joseph sabia que o pla-
no de salvação pode-nos consolar
por ocasião do falecimento de um
ente querido.

D
urante sua vida, Joseph Smith sofreu a perda de muitos familiares e
amigos, entre eles seu pai, seis filhos e três irmãos. No entanto, teve
grande consolo graças às muitas revelações que recebeu sobre a vida
após a morte. Aqui estão alguns de seus ensinamentos sobre o assunto.

A M O R T E É U M A S E PA R A Ç Ã O T E M P O R Á R I A
“Quando falo aos que choram...o que eles perderam? Seus parentes e amigos somente es-
tão separados de seu corpo por um breve período: o espírito deles, que habitou com Deus, dei-
xou o tabernáculo de barro somente por um momento, por assim dizer; e agora se encontram
em um lugar em que conversam uns com os outros da mesma forma que fazemos aqui
na Terra.”
“A expectativa de ver meus amigos na manhã da ressurreição alegra-me a alma e faz-me
capaz de suportar os males da vida.”

A MORTE DE CRIANCINHAS
“Tenho meditado sobre esse assunto e me perguntado por que os bebês, as crianças inocen-
tes, são extraídos de nós (...). O Senhor leva muitas crianças, mesmo na tenra infância, para
que escapem da inveja dos homens e das tristezas e males do mundo atual; elas são por de-
mais puras e belas para viver na Terra; portanto, se pensarmos corretamente, ao invés de cho-
rar teremos motivos para regozijar-nos por elas terem sido libertadas do mal, e em breve as
teremos conosco novamente.”
“As crianças (...) terão que ressuscitar tal como morreram; poderemos então cuidar de nos-
sos queridos bebês com a mesma glória e o mesmo amor na glória celestial.”

A CONFIANÇA EM DEUS
“Tem sido difícil para mim continuar vivendo na Terra e ver (...)
jovens (...) serem extraídos do meio de nós na flor da juven-
ILUSTRAÇÃO FOTOGRÁFICA: ROBERT CASEY

tude. Sim, tem sido difícil nos conformar com essas coi-
sas. (...) Mas sei que devemo-nos aquietar, saber que
isso veio de Deus e nos conformar com Sua vonta-
de; tudo está bem.”
Trechos extraídos de Ensinamentos dos
Presidentes da Igreja: Joseph
Smith (2007), pp. 182–187.

24
M E N S AVGI ES M
I T IDNAGS TPERAOCFHE ISNS G
O RMAESS S
VAI SGI ET A N T E S

Como Posso Compreender e

Cada Irmã É uma Filha Amada Alcançar Meu Destino Divino?


Presidente Spencer W. Kimball

de Pais Celestes e Tem (1895–1985): “Todas vocês precisam


sorver avidamente as verdades do
Potencial Divino evangelho relativas à natureza eterna
de sua identidade individual e o ca-
ráter único de sua personalidade.
Ensine as escrituras e Vocês são as preciosas filhas da Vocês precisam, cada vez mais, sentir
citações que atendam promissão. Se guardarem os estatu- o perfeito amor que nosso Pai
às necessidades das ir- tos e mandamentos do Senhor e Celestial tem por vocês e sentir o va-
mãs a quem visitar. derem ouvidos a Sua voz, Ele pro- lor que Ele atribui a vocês individual-
Testifique da doutrina. Convide as ir- meteu que as exaltará sobre todas mente. Reflitam sobre essas
mãs visitadas a externarem o que as nações para louvor, para fama e verdades grandiosas, principalmente
sentiram e aprenderam. para glória” (“Vocês Têm um Nobre nos momentos em que, no silêncio
Legado”, A Liahona, maio de 2006, da ansiedade que vocês podem vir a
pp. 106, 107). sentir, talvez fiquem meditativas e
Presidente James E. Faust perplexas” (Ensinamentos dos
(1920–2007), Segundo Conselheiro Presidentes da Igreja: Spencer W.
na Primeira Presidência: “A convic- Kimball [2006], p. 246).
ção de que são filhas de Deus lhes Romanos 8:16–17: “O mesmo
proporcionará consolo e auto-esti- Espírito testifica com o nosso espírito
ma. Isso significa que poderão en- que somos filhos de Deus. E, se nós
contrar forças no bálsamo de Cristo, somos filhos, somos logo herdeiros
que as ajudará a enfrentar os sofri- também, herdeiros de Deus, e co-
mentos e problemas com fé e sereni- herdeiros de Cristo: se é certo que
ILUSTRAÇÃO FOTOGRÁFICA: CHRISTINA SMITH; NO CANTO: DETALHE DE JESUS CRISTO, DE HARRY ANDERSON

dade” (“O que Significa Ser uma com ele padecemos, para que tam-
Filha de Deus”, A Liahona, janeiro bém com ele sejamos glorificados”.
de 2000, p. 123). Élder Russell M. Nelson, do
Presidente Lorenzo Snow Quórum dos Doze Apóstolos:
(1814–1901): “Cremos que somos “Devemos ser criadores a nossa
filhos do nosso Pai Celestial e que própria maneira, edificando uma
O Que Significa Ser uma Filha possuímos em nossa constituição fé individual em Deus, no Senhor
Amada de Pais Celestes? espiritual as mesmas capacidades, Jesus Cristo e em Sua Igreja. Deve-
Julie B. Beck, presidente geral da poderes e faculdades que nosso Pai mos criar uma família e ser selados
Sociedade de Socorro: “Vocês (...) possui, ainda que em estado embrio- no templo sagrado. Devemos edifi-
são literalmente filhas espirituais de nário, o que exige que passemos por car a Igreja e o reino de Deus na
Deus, ‘[filhas geradas] por pais celes- determinadas etapas ou provas por Terra. Devemos preparar-nos para
tiais’ com uma natureza divina e um meio das quais esse potencial se de- nosso próprio destino divino: Glória,
destino eterno. Vocês receberam senvolverá e melhorará de acordo imortalidade e vida eterna. Essas
suas primeiras lições de seus pais com a atenção que dedicarmos aos bênçãos sublimes podem todas ser
celestiais no mundo espiritual. princípios recebidos” (“Discourse”, nossas, por meio de nossa fidelida-
Foram enviadas à Terra para serem Deseret News, 24 de janeiro de de” (“A Criação”, A Liahona, julho
‘provadas’. (...) 1872, p. 597). de 2000, pp. 104–105). ■

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 25


Perguntas e Respostas

u ns a m ig o s qu e
“ Tenh o alg om o
m ais à Ig r e ja . C
não vã o t a r? ”
lo s a vo l
posso ajudá-

T
odo membro novo precisa ter um amigo
na Igreja, receber uma responsabilidade e
ser nutrido “pela boa palavra de Deus”
(Morôni 6:4).1 Mesmo que seus amigos não sejam Aborde Assuntos do Evangelho
recém-conversos, essas três coisas podem ser de Fiquei preocupada ao perceber que uma
grande valia para eles. boa amiga não estava mais freqüentando a
Você também pode orar pedindo auxílio. No Livro Igreja. Uma amiga íntima dela falecera havia
de Mórmon, uma das histórias mais marcantes do re- pouco tempo, e ela estava começando a ter
torno de alguém ao evangelho aconteceu por causa dúvidas. Certo dia, convidei-a para uma festa com jovens
da oração (ver Mosias 27:14). da Igreja. Fiz a meta de falar da Igreja pelo menos uma vez.
Mostre a seus amigos que você se importa com Depois que as outras moças foram embora, conversamos so-
eles e seja um bom exemplo. Ajude-os a perceber bre vários assuntos ligados à Igreja que nem me teriam passa-
que a observância dos padrões do evangelho é uma do pela cabeça abordar. Aprendi que, ao fazer a minha parte,
excelente maneira de ser feliz (ver Mosias 2:41). o Senhor cuidará do restante. Tudo o que precisamos fazer é
Por fim, não desista. O Senhor respeita nosso ar- abrir a boca (ver D&C 28:16).
bítrio e permite que cada um de nós se achegue a Rebecca T., 16, Washington, EUA
Ele quando estiver pronto. Alguns levam mais tem-
po do que outros. Contudo, por mais que demo- Ore por Eles
re, seus esforços terão valido a pena. Algo que pode ser de grande proveito é visitá-
Ao ajudar seus amigos a voltarem para a Igreja, los e mostrar interesse por eles. Convide-os para
você estará seguindo o exemplo do Salvador. atividades da Igreja. Ore bastante ao Pai Celestial.
Com amor e compaixão, Ele convidou as pessoas Peça a Ele que lhe mostre qual seria a melhor
a virem a Ele, a seguirem o evangelho de modo maneira de ajudá-los a voltar e ore por eles, pedindo que pas-
mais pleno e a alcançarem todo o seu potencial. sem por uma mudança de coração que substitua qualquer dese-
jo pecaminoso pela disposição de seguir a Cristo. Dê um bom
NOTA
exemplo e mostre-lhes que o evangelho traz felicidade.
1. Ver Gordon B. Hinckley, “Um Perfeito Esplendor de
Esperança”, A Liahona, outubro de 2006, p. 4. Marilú P., 17, Nuevo León, México

As respostas são auxílios e pontos de vista, e não pronunciamentos


26 de doutrina da Igreja.
Responda às para a Igreja é simplesmente PRÓXIMA PERGUNTA
Perguntas Deles mostrar que você e a ala os amam. “Uma amiga minha começou a fumar.
É difícil fazer os Recentemente, consegui fazer uma Como posso lhe oferecer ajuda para parar
amigos voltarem para das minhas amigas menos ativas se sem a ofender?”
a Igreja. As pessoas comprometer a vir as nossas ativi- Mande a resposta até 15 de setembro
têm muitos motivos para se afasta- dades das Meninas-Moças. Deus de 2008 para:
rem. Tente conversar com eles so- lhe mostrará como tocar o coração Liahona, Questions & Answers 9/08
bre as razões pelas quais não estão deles. 50 E. North Temple St., Rm. 2420
freqüentando. Você também pode Denali L., 15, Alaska, EUA Salt Lake City, UT 84150-3220, USA
ajudá-los a achar respostas para as Ou pelo e-mail: liahona@ldschurch.org
dúvidas que talvez os impeçam de Preste Testemunho
voltar. Além disso, mostre o quanto A primeira coisa O seu e-mail ou a sua carta deve conter as
informações e a permissão a seguir:
sente falta deles. Quando forem à que procuro saber
Igreja, ajude-os a sentirem-se ama- é o motivo da ausên-
NOME COMPLETO
dos e aceitos. cia deles na Igreja.
DATA DE NASCIMENTO
Madison B., 14, Arizona, EUA Depois, convido-os para um jantar,
ALA (ou ramo)
noite familiar e também para algu-
Seja um Bom Amigo mas atividades da Igreja. Ao mes- ESTACA (ou distrito)

Simplesmente seja o melhor mo tempo, tento mostrar-lhes o


Dou permissão para a publicação da
amigo que puder. Esteja sempre quanto o Pai Celestial os ama men- resposta e da fotografia:
disponível para seus amigos. Seja cionando algumas escrituras e con-
um exemplo. Ore por eles. Peça ao vidando-os a ir à Igreja. Presto meu ASSINATURA

Senhor que lhe mostre como ajudá- testemunho a eles da veracidade ASSINATURA DOS PAIS (se você for menor de 18 anos)
los. Ele conhece e ama Seus filhos e desta Igreja, que é o único cami-
os ajudará a regressarem ao cami- nho que nos permite voltar a viver
nho correto, caso permitam. com o Pai Celestial.
Jenna K., 19, Baixa Saxônia, William V., 20, Tongatapu, Tonga
Alemanha

Ajude-os a Recordar Experiências


Espirituais
Peça-lhes que se lembrem do tes- Edificar os que Necessitam de Auxílio
temunho deles, que os conduziu ao “Sob nossa sagrada e imperiosa responsabilidade
batismo. Ajude-os a recordarem os
como membros da Igreja de Jesus Cristo, nossa obra
milagres que o Senhor realizou na
cuida da redenção, edificação e salvação dos que ne-
vida deles como resultado da fé.
cessitam de ajuda. Temos o dever de abrir os olhos da-
Ajude-os também a recordarem o
poder da oração e do sacerdócio. queles que não reconhecem o enorme potencial que
Anna R., 21, Donets’k, Ucrânia têm em si.”
Presidente Gordon B. Hinckley (1910–2008), “Em que Se Resume
Esta Obra”, A Liahona, agosto de 2005, p. 5.
Mostre que Se Importa
Pela minha experiência, a manei-
ra mais fácil de incentivá-los a voltar

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 27


A Fé
Familiar
K I M B E R LY R E I D
Revistas da Igreja

A
té hoje, várias catedrais de muitos séculos estão Os membros da Igreja de toda a Itália se interessam em
entre os edifícios mais altos da Itália. Muitas ruínas preservar muito mais do que tesouros arquitetônicos e pai-
antigas — testemunhas de grandiosas civilizações sagens. Seu objetivo é preservar a fé ao longo das gera-
— ladeiam casas medievais que se sucedem em ruas si- ções. Assim como muitos membros da Igreja em todo o
nuosas. As normas de construção proíbem arranha-céus, e mundo, os santos dos últimos dias italianos são pioneiros
a paisagem rural da Toscana conta com dispositivos jurídi- na criação de famílias unidas por convênios do evangelho
cos para protegê-la da urbanização desenfreada e da espe- a serem perpetuados ao longo de gerações. Esses mem-
culação imobiliária. Isso acontece porque os italianos estão bros da Igreja fazem frente a tradições arraigadas e a uma
comprometidos com a preservação de sua história. Se o secularização acelerada da sociedade, mas mantêm os
renomado artista da Renascença Michelangelo voltasse à olhos fitos no Salvador e se empenham para edificar uma
Terra hoje, os italianos esperam que reconhecesse sem di- fé que florescerá no coração de seus descendentes.
ficuldades seu país natal.

28
“Eu sabia que, se
criasse meus filhos no
evangelho, eles teriam
resposta para suas
perguntas.”
—Anna Ferrini

todas as bênçãos de uma família Página ao lado: Giulia,


eterna, Anna diz: “Eu sabia que Marco, Raffaella,
FOTOGRAFIAS: KIMBERLY REID

meu marido era um bom ho- Lorenzo, Alessio, Anna


mem e que tudo acabaria por e Bruno Ferrini perma-
entrar nos eixos”. Nesse meio necem firmes na fé.
tempo, ela ensinou os filhos,
Marco e Alessio, a porem o
Salvador no centro de sua vida
Respeito pela Família e a valorizarem a família.
Um dos primeiros componentes para edi- Depois de muitos anos, Bruno se batizou
ficar a fé familiar é a coragem de começar na Igreja. Hoje ele é o presidente do Ramo
uma família. Marco e Raffaella Ferrini, do Florença II. Mas durante os 29 anos em que
Ramo Florença II, Distrito Florença Itália, na- não demonstrou interesse pela Igreja, ele e
moraram antes de servirem como missioná- Anna não deixavam de se empenhar para ter
rios. Pouco depois de voltarem para casa, um casamento feliz. Sua relação cheia de
ambos se sentiram inspirados, no templo, a amor teve um impacto positivo sobre os fi-
se casarem logo. “Na Itália, o que vemos com lhos e a nora. “Ao entrar na casa deles pela
mais freqüência é o casamento depois dos 30 primeira vez, algo que percebi instantanea-
anos de idade”, explica Marco. Alguns amigos mente foi sua ótima vida em família”, lembra
e parentes perguntaram: “Por que vão casar- Raffaella. “Eles não gritavam uns com os ou-
se tão jovens?” tros. Eram sempre calmos e amáveis entre si.
O casal cita a influência dos pais de Marco, Senti o desejo de ter o mesmo em minha
Anna e Bruno, que os ajudaram a valorizar o vida.”
casamento. Quando Anna entrou para a Raffaella também desejava um casamento
Igreja em 1968, havia poucos membros na no templo. Ela afirma: “O casamento no tem-
Itália. Depois de orar a respeito de sua plo é uma boa meta”, ainda que seja mais di-
decisão, ela se casou com Bruno, um fícil atingi-la em países com um número
homem que respeitava as crenças dela reduzido de membros da Igreja.
e lhe permitiria ensinar o evangelho “Satanás tenta convencer-nos a to-
aos filhos. “Nunca tive receio de me mar decisões erradas, mas quando
casar com uma mórmon devido ao temos uma meta louvável e bem
grande respeito que Anna e eu tí- definida na mente, o Pai
nhamos um pelo outro”, conta Celestial ajuda-nos a
Bruno. sobrepujar qualquer
Embora sentisse tristeza por obstáculo a fim de
não poder oferecer aos filhos alcançarmos esse
Marco dá valor aos conselhos dos líderes da Igreja so-
bre os estudos e pretende formar-se quando seus filhos
crescerem um pouco mais. Mas por ora, “sinto o Espírito
me dizer que é importante para mim estar com a família.
E desde o nascimento dos meus dois filhos, Giulia e
Lorenzo, não lamento em absoluto essa decisão”.
“Não temos muito dinheiro”, admite Raffaella, “mas
somos felizes.” São felizes por participarem do plano de
felicidade e ensinarem suas verdades à geração seguinte
objetivo.” Ela é grata por ser mais fácil conhecer membros — a terceira geração da família a desfrutar as bênçãos do
da Igreja hoje em dia do que na época de seus pais. Sente- evangelho.
se feliz por ter sido abençoada pelo Senhor com a oportu-
nidade de se casar com alguém que, “além de membro da Unidos em Propósito
Igreja, é um portador digno do sacerdócio”. A união espiritual pode ser um ingrediente crucial para
Raffaella e Marco mostraram sua gratidão ao Senhor fa- a edificação de uma sólida fé familiar, afirma Piero
zendo sacrifícios para se casarem quando o Espírito lhes
indicou. Planejaram uma cerimônia simples e barata, e
Marco decidiu adiar a conclusão de seus estudos universi-
tários. “Tudo aqui é tão caro que é difícil fazer mais de uma
coisa por vez — estudar, trabalhar e ter uma família”, afir-
ma. A pressão financeira leva a maioria dos italianos a
terminar os estudos e começar a carreira profissional
antes do casamento, “mas nosso principal desejo era
começar nossa família”, ressalta Marco. Ele perce-
beu que, para isso, apenas três coisas eram impres-
cindíveis: emprego, moradia e fé para seguir avante.
“No início não consegui um emprego mui-
to bom, mas era o suficiente”, recorda
Marco. “Sempre que nos deparamos
com uma decisão difícil, a única saí-
da é mergulhar de cabeça. Deixamo-
nos levar pela fé e fazemos o melhor
possível”, confiando na chegada das
bênçãos necessárias. Tempos depois,
foi abençoado com um emprego de
melhor remuneração no setor turísti-
co, graças às línguas estrangeiras que
aprendeu na missão. Ele também
tem um testemunho da obediência ao
dízimo, pois sua jovem família nunca
passou necessidades.

30
Sonaglia, da Estaca Roma Itália. “Ser unidos
em propósito é uma fonte de força para todas
as famílias”, mas é uma bênção ainda maior
quando esse propósito é “buscar juntos a
Jesus Cristo”. Essa é a meta mais importante
de sua família.
As prioridades de Piero nem sempre fo-
ram essas. Aos 15 anos de idade, afastou-se
da Igreja sem olhar para trás, até se tornar
pai e lidar com o ataque cardíaco quase fatal
de seu próprio pai. Esses incidentes reaviva-
ram lembranças de ensinamentos do evan-
gelho recebidos na infância. “Eu soube com
muita clareza que tinha de me arrepender e
pôr minha vida em ordem”, conta. Soube
também que “uma mudança tão importante
e drástica” teria repercussões em sua família.
Seus pais tinham-se divorciado em parte de- à Igreja. Oramos juntos. Vamos ao templo.” A Página ao lado:
vido a diferenças religiosas, mas ele queria freqüência regular ao templo não é fácil para Andrea Rondinelli orou
que sua própria família fosse unida. Piero e Carla, pois os templos mais próximos para ter uma família
A esposa de Piero, Carla, fora criada estão na Suíça e na Espanha. eterna. Sua esposa,
numa igreja diferente e, quando criança ela “Tentamos achar, a cada momento, opor- Mariela, e seus filhos,
a freqüentava todos os domingos. “Mas vol- tunidades de ensino”, acrescenta Piero. Daniele e Valentina,
tava para casa me sentindo mais confusa “Nesta fase da vida, nossos filhos pequenos constituem a resposta
ainda”, recorda. Para ela, a religião era mais estão aprendendo principalmente a obede- as suas orações. No
uma questão de tradição do que algo para cerem aos pais.” Piero espera que isso os alto: Piero e Carla
pautar sua vida. Carla ansiava por algo mais. ajude a obedecerem ao Pai Celestial, dando- Sonaglia ensinam o
Conta: “Senti o forte desejo de orar ao Pai lhes a força e o testemunho necessários para evangelho aos dois fi-
Celestial sozinha, usando minhas próprias permanecerem fiéis ao longo da adolescên- lhos, Ilario e Mattia.
palavras” em vez de orações recitadas. Seu cia e da vida adulta. Ele sabe — e deseja que
relacionamento sincero e próximo com o os filhos também saibam — que a felicidade
Senhor a preparara para abraçar o evange- duradoura só se alcança mediante obediên-
lho restaurado quando Piero voltou à ativi- cia a Deus.
dade plena. Assim como Piero, Andrea Rondinelli, da
Como pais, agora unidos na fé, Piero e Estaca Roma Itália, entrou em contato com o
Carla tentam preparar os filhos, Ilario e evangelho após um evento que transformou
Mattia, para resistirem às tentações — come- a sua vida: a morte de seu pai. “Percebi que
çando desde já, enquanto ainda são peque- aquilo não poderia ser o fim”, conta. Sentiu
nos. “Lemos as escrituras todas as noites e que devia haver vida no além-túmulo e um
fazemos a reunião familiar”, salienta Carla. propósito para a vida e a morte. Ele conhece-
“Nossos filhos participam com alegria. Vamos ra a Igreja 15 anos antes quando suas irmãs

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 31


Lorenzo e Ilaria
Mariani fazem sacrifí-
cios para ensinar os fi-
lhos, Gioele e Davide,
a manterem uma pers-
pectiva eterna.

tinham-se batizado. Após a morte do pai, procurou os mis- preparação para o batismo e a confirmação e “estudando
sionários e foi batizado, 15 dias depois. os princípios que Daniele iria abraçar. Todos participamos
Logo em seguida, recebeu sua bênção patriarcal. Nela, o ativamente e nos sentimos muito bem preparados para a
Senhor lhe prometeu uma companheira eterna. “Ao buscá- ocasião”. Sempre que realizam a noite familiar, pedem con-
la, orei muito”, relata. Ele queria uma esposa que tivesse tribuições aos filhos. “Nossa filha, Valentina, é a regente”,
um propósito espiritual igual ao seu e terminou um noiva- diz Andrea sorrindo. “Ela é ótima.” Daniele escolhe os hi-
do porque a pretendente não queria ser selada no templo. nos e, às vezes, ajuda a preparar as aulas. “A segunda-feira
“Fiz tudo ao meu alcance para me preparar para o momen- é sempre um belo momento para toda a família”, afirma
to em que conheceria minha esposa”, garante. Em respos- Andrea. Essas experiências fortalecem o alicerce espiritual
ta as suas orações, Andrea recebeu a revelação de que um sobre o qual seus filhos e netos edificarão.
dia teria um filho. Essa experiência o ajudou a ser paciente
até conhecer Mariela. Viver com Alegria
Mariela se convertera na Colômbia, aos 11 anos de ida- Um terceiro componente na construção da fé familiar
de. Depois de servir como missionária em seu país natal, é viver com alegria, realça Lorenzo Mariani, do Ramo
foi passear na Itália. Ficou surpresa — e um pouco angus- Pisa, Distrito Florença Itália. Lorenzo é conselhei-
tiada — ao sentir o Espírito impeli-la a fixar residência lá. ro na presidência do distrito, e sua esposa,
“Tudo estava bem na Colômbia”, esclarece. “Eu tinha em- Ilaria, é dona-de-casa e serve nas Moças.
prego. Estava envolvida na Igreja. Tinha a oportunidade de Estão sempre atarefados, mas tentam
estudar. Mas sentia no coração que tinha um propósito fazer tudo com um sorriso no rosto.
aqui, que este era o meu lugar.” Crêem que sua felicidade visível pode
Andrea é grato por esses sussurros do Espírito. Ele e ajudar a moldar as atitudes dos filhos
Mariela se conheceram dois anos depois do batismo dele, em relação ao evangelho. “Ao fazermos
e hoje têm o casamento que tanto almejaram — selados algo para a Igreja, damos um
no templo e unidos na mesma fé. Continuam a fortalecer a bom exemplo quando não nos
união “fazendo coisas juntos, como por exemplo, passear”, mostramos estressados e
revela Mariela. apresentamos uma
A noite familiar também é primordial. “O batismo do
nosso filho envolveu a família inteira”, diz Andrea. Durante
meses, passaram a noite familiar aprendendo sobre a

32
atitude positiva”, diz Lorenzo. “Os filhos percebem se faze- Lorenzo e Ilaria sentem enorme gratidão pelo privilégio
mos algo com alegria ou simplesmente por obrigação.” de serem pioneiros — por estarem entre os primeiros em
“Todos os dias penso em maneiras de fortalecer a fé dos sua família a criarem os filhos na luz do evangelho. A mãe
meus filhos”, revela Ilaria. Ela espera que seu carinho e de Lorenzo foi a primeira pessoa da família a se filiar à
amor constantes mostrem aos filhos, Gioele e Davide, a Igreja, e Ilaria conheceu a Igreja por intermédio de uma
alegria que a família lhes proporciona e que os relaciona- tia. “O evangelho fortalece nosso casamento”, afirma
mentos são mais importantes que o dinheiro. Comenta: Lorenzo. “Ele ajuda-nos a ter a perspectiva eterna da nossa
“As forças que ameaçam a família na Itália incluem a falta família. Tentamos fazer as escolhas certas do ponto de vista
de desejo de casar e a decisão de ter somente um filho, a eterno, e não apenas mortal.” Essas escolhas formam a
fim de poder conceder-lhe muitos privilégios”. Ela reco- base de laços fortes que ligam uma geração fiel à seguinte.
nhece que outras crianças têm mais bens do que os filhos “Às vezes, ao ouvir histórias na conferência geral sobre
dela, “mas isso é menos importante” do que reservar um os bisavós do orador que eram pioneiros e atravessaram as
tempo para ensinar aos filhos verdades eternas. planícies norte-americanas, sinto uma pontinha de inveja”,
Ilaria às vezes se sente só ao ver tantas mulheres com admite Ilaria. É difícil para ela imaginar ter toda uma árvore
uma vida social intensa no local de trabalho, mas ora pe- genealógica de antepassados que fizeram sacrifícios pelo
dindo auxílio e o Espírito a enche de felicidade e força. evangelho. Mas ela e Lorenzo recebem novo alento ao ve-
“Sou imensamente abençoada com muitas irmãs na Igreja rem o crescimento da Igreja em seu país. São gratos pelos
que me amam”, alegra-se. Às vezes, quando ora solicitando primeiros missionários que plantaram sementes lá e sabem
ajuda, uma irmã do ramo telefona e oferece apoio. que uma colheita ainda maior está para vir.
Quanto ao apoio de outros familiares, Ilaria e Lorenzo Ilaria sorri ao vislumbrar esse dia. “Sei que futuramente
esperam com ansiedade o dia em que sua posteridade alguém lerá o diário da bisavó Ilaria.” As histórias da fé fa-
contará várias gerações de antepassados fiéis para servir de miliar estão começando com ela hoje.
inspiração e exemplo. “Oro por nossa descendência”, diz
Lorenzo. Na condição de membro da Igreja de segunda ge- Preparar a Posteridade
ração, “sinto nos ombros a grande responsabilidade de ser Enquanto os cidadãos italianos preservam monumentos
o elo forte na corrente”. antigos e o charme da Renascença, os membros italianos
da Igreja também fazem história. Criam uma história fami-
liar de significado eterno ao guardarem os mandamentos e
ensinarem os filhos a fazerem o mesmo. Aguardam ansio-
samente a volta do Salvador e esperam que seus descen-
dentes venham a estar entre os discípulos Dele.
Para isso, eles próprios estão
empenhados para serem verdadei-
ros discípulos. Provam que é possí-
vel perseverar, ser diligentes,
felizes e criar uma família fiel e uni-
da pelos convênios do templo.
Por preceito e exemplo, ensi-
nam à nova geração o que signi-
fica cultivar a fé em Jesus
Cristo. ■
Construir uma É L D E R B E N J A M Í N D E H OYO S
Dos Setenta

T
ive a bênção de nascer numa maravi- penosa atividade de motorista de caminhão
lhosa família da Igreja no México. Eu em canteiros de obras. Mas sempre reserva-
adorava voltar da faculdade para casa, va tempo para mim. Quando eu estava na es-
nas férias de inverno, abrir a porta e sentir o cola secundária, meu pai sempre perguntava
cheiro de canela e das tortilhas de farinha. por mim a minhas cinco irmãs, ao voltar do
Embora fôssemos pobres no tocante aos trabalho para casa.
bens materiais, éramos ricos no evangelho e Elas vinham até mim e diziam: “Nosso pai
no testemunho. quer vê-lo”.
O que eu mais apreciava era o testemunho Eu parava de brincar com os amigos e cor-
que meus pais tinham do Livro de Mórmon. ria para perguntar: “Precisa de alguma coisa,
Meu pai era um estudante excepcional do pai?”
Ele era um excelente Livro de Mórmon. Muitas vezes, mesmo quan- Ele respondia: “Traga suas escrituras e ve-
professor das escritu- do eu já era adulto, conversávamos sobre o li- nha sentar-se comigo”.
ras. Hoje considero vro e chorávamos, devido à forte influência Duas ou três vezes por semana, líamos
que aquelas sessões do Espírito. Ele compreendia como poucos as juntos as escrituras dessa forma. Ele era um
de estudo constituí- doutrinas do livro. Converteu-se em 1917, aos excelente professor das escrituras. Naquela
ram minha classe de seis anos de idade, e não cansava de contar época, não tínhamos o seminário no México.
seminário, com meu experiências que teve quando menino ao cui- Hoje considero que aquelas sessões de estu-
pai como professor. dar de animais na fazenda. Sempre carregava do constituíram minha classe de seminário,
na bolsa o Livro de Mórmon. com meu pai como professor.
Minha mãe era uma mulher serena que Ao ler as escrituras e ouvir as explicações
estava sempre a serviço da família e do do meu pai, aprendi por mim mesmo quais
Senhor. Tornou-se um exemplo formidável são os sentimentos que o Espírito me traz à
de fé para a família ao criar seis filhos e servir mente e ao coração. Muitas vezes o Espírito
continuamente na Igreja. Serviu como mis- era fortíssimo quando ele discorria sobre as
sionária na década de 1940, quando havia escrituras.
uma única missão no país inteiro. Experiências dessa natureza com meu pai
ILUSTRAÇÕES: PAUL MANN

foram o início do meu próprio testemunho


Os Ensinamentos do Meu Pai do Pai Celestial e da Igreja. Sempre achei
Durante a minha infância e adolescência, que a Igreja era verdadeira, mas achar não
meu pai era muito ocupado, pois exercia a bastava. Meu pai me tomou pela mão e a

34
Família Eterna

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 35


C
erta vez, ao
passear de
carro com
amigos, eles dirigi-
ram em alta veloci-
dade. Um policial
nos parou, e senti
muito medo. Vieram-
me à mente as pala-
vras do meu pai
sobre a preocupação
colocou sobre a barra de ferro. Seu desvelo Escolher Amizades com Cuidado
com o futuro. Essa
para comigo foi a chave para o meu testemu- Quando eu tinha 16 anos de idade, meus
experiência me aju-
nho do evangelho e minha segurança nele. amigos da escola não eram, em sua maioria,
dou a tomar uma
Naqueles momentos, não só aprendi mui- membros da Igreja, apesar de saberem que
decisão sobre o tipo
tas coisas com ele sobre as escrituras, mas eu era. Começaram a fumar e a fazer coisas
de amigos que eu
percebi que meu pai me amava de um modo que eu não faria. Assim, as coisas começaram
gostaria de ter.
que eu era incapaz de entender plenamente a mudar entre nós; nosso tipo de conversa
na época. Em outras ocasiões, ele me convi- era muito diferente, e nossa mentalidade e
dava para ir ao cinema ou ao restaurante, e nossas atividades não eram compatíveis.
eu me sentia protegido pelos cuidados e ca- Certo dia, meu pai me perguntou: “Por
rinho dele. Agora sou pai, e sei que ele me que não pensa no efeito que seus amigos
amava de modo único. exercem sobre você?” Ele me aconselhou

36
a ter cuidado e a refletir sobre a necessidade de mudar Essas experiências com o sacramento marcaram minha
de amigos. vida para sempre. Todas as semanas, lembro-me do
Quando comecei a faculdade, fiquei muito atarefado Senhor, que morreu por nós. Recordo que, se formos dig-
e não passava mais muito tempo com os amigos, mas nos, poderemos ficar juntos como família eternamente.
certa vez, num passeio, eles decidiram fazer algo ruim.
Estávamos de carro, e eles dirigiram em alta velocidade. Consolo no Testemunho
Um policial nos parou, e senti muito medo. Vieram-me à À medida que meu pai envelhecia, conversávamos so-
mente as palavras do meu pai sobre a preocupação com o bre a possibilidade de sua morte. Ele não tinha medo,
futuro. Essa experiência me ajudou a tomar uma decisão sentia paz. Quando falava sobre a morte, sabia que estaria
sobre o tipo de amigos que eu gostaria de ter. com sua família novamente. Graças à Expiação e à
Fiquei muito envolvido nas atividades da Igreja. Foi ma- Ressurreição, nós dois sentíamos grande segurança e sere-
ravilhoso freqüentar a Mutual, pois decidi ter o tipo de nidade. Sempre fomos gratos ao Senhor pelo milagre da
amigos que lá encontrava. Aprendi que meu pai tinha toda Ressurreição.
a razão: eu deveria ter cuidado e relacionar-me com bons Por causa dos ensinamentos do meu pai, soube desde a
amigos. Precisava de amigos que me ajudariam na prepa- tenra infância que o evangelho de Jesus Cristo é verdadei-
ração para a missão. ro — não apenas na mente, mas também no coração.
Muitas vezes o Espírito me confirmou que o Livro de
Um Pai Celestial Amoroso Mórmon é verdadeiro, que Joseph Smith é um profeta e
Assim como no caso do meu pai terreno, meu Pai que temos um profeta hoje, o Presidente Thomas S.
Celestial cuida de mim pessoalmente. Sei que Ele me ama. Monson. Saber que tenho o evangelho me traz felicidade.
De muitas formas e em inúmeras circunstâncias, cuida de E sei com certeza que o Senhor Se importa conosco e nos
nós individualmente. Às vezes não estamos dispostos a ou- conhece. Assim, tenho meu próprio conhecimento pes-
vir, pois talvez nossos amigos recebam mais atenção de soal do Senhor Jesus Cristo e, em virtude de Seu sacrifício,
nossa parte do que Ele. Mas sei que o Pai Celestial nos sei que poderei estar com meu pai e o restante da minha
ama e nos dará a oportunidade de saber no coração que família novamente. ■
Ele estará a nosso lado se Lhe pedirmos ajuda.

O Privilégio de Distribuir o Sacramento


Lembro-me nitidamente de sentir o amor do Pai ELES OS AJUDARÃO
Celestial quando era jovem ao participar do sacra- “Honrem o pai e a mãe. Eles os ajudarão a to-
mento. Como havia poucos rapazes na minha ala, eu mar boas decisões. (...) Escolham amigos que
distribuía o sacramento todos os domingos. Quando tenham ideais elevados. Escolham amigos que
servi como mestre, todos os domingos eu preparava os ajudarão a ser bons.”
o pão e a água. Naquela época usávamos copos de vi- Presidente Ezra Taft Benson (1899–1994), “To
the Children of the Church”, Ensign, maio de
dro, que eu lavava um a um. 1989, p. 82.
Ao distribuir o sacramento, via o olhar das pessoas.
Idosos, jovens, crianças — cada pessoa tinha um senti-
mento único ao tomar o pão e a água. Eu conseguia
ver que todos amavam o Pai Celestial pessoalmente.

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 37


aior
AM

PROVA a . . . a té A g o ra
Sua V id ea descobriu
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cil prova, And as provas.
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Ao do para fatória n
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Q o único a univers e m prepara s ív el. “Tod


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guiu u m a d av a -se ola, ali-
á ria . Levant lt a r da esc
u n d d e v o stan-
cola sec ta rd e depois av a m alguns in
aa té b r or
estudav q u a n d o lhe so u a tro noites p
do-se q
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d is s o , ia ao s
tes. Além . “Tive
o ”, conta
seman a .
sentia d
e s â n im das ve-
, e u d i a conta
“Às ve ze s s . P e r o pos-
u ito s sacrifício ir a m d izer: ‘nã
rm me ouv
que faze s amigos a m da minh
a
m e u m b a r
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r e c is o estudar
so, p
ncia.”
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Mas ela sabia
que não pod
garantir o fu ia desistir se
turo. quisesse

Passar na
Prova
Seus sacrifíc
OND

ios valeram
a pena. No e
CRAIG DIM

temática da xame de ma-


PSU, Andrea
datos do paí foi uma entr
s a tirar a no e os 200 cand
ta máxima (8 i-
DE FUNDO:

uma das ún 50 pontos)


icas duas m e
conseguir ta eninas de esc
l proeza. ola pública
a vítima. “Para
TOGRAFIAS

Além disso, passarmos n


formou-se n ser obedien a prova da vi
outras boas o seminário te da, temos d
notas para as , tirou as s”, garante A e
NTRÁRIO; FO

nomeada pe quais tanto E n ão ndrea.


los colegas co estudara e fo só quando as co
ano devido mo a “Melh i nos momen isas vão bem
ao tempo q or Amiga” d tos difíceis. , mas també
ue dedicara o m
ADO EM CO

colegas nos para ajudar “A grande prova


estudos. os d a vi da”, disse o
No entanto, Henry B. Eyr Presidente
Andrea crê q ing, primeir
o conselheir
ANDO INDIC

nos a ver co ue seu suce Presidência, o na Primeir


m a quantid sso tem me “é ver se esc a
possui e mai ade de conh - de Deu utaremos os
s com os ato ecimentos qu s e o bedeceremo mandamento
s que sabe q e pestades da s a eles em s
EXCETO QU

car. Em outr ue deve pra vida”.1 meio às tem


as palavras, ti- -
ao seguirmo recebemos
s os conselh bênçãos
o s do Senhor, Nenhuma
C. OLSON,

confiarmos e não ao Prova É Im


em nosso p possível co
(ver 2 Néfi 9 róprio enten Muitas veze m Ele
:28–29). “De d im ento s ocorriam co
IAS: ADAM

gentes se ig n ad a adianta se p rovas. Foi en nflitos entre as d


norarmos a rmos inteli- tão que And uas
sempre pôr Deus”, afirm g re d o p re a ap ren d e
Deus em pri a. “É preciso ar a te r sucesso em u q u e o se-
FOTOGRAF

meiro lugar primeiro lug ambas é pôr


.” ar. Deus em
A Outra P Inúmeras ve
rova zes ela teve
Aprender ess d ad es da Igreja que escolhe
e princípio ao e as da esco r entre ativi-
de admissão estudar para o evangelho la, entre est
à universidad o exame e estudar as udar
tra prova en e foi essenci Conta que ap disciplinas se
frentada po al para a ou- re ndeu bem ce cu lares.
imposta a to r Andrea — lh o r ao d ar do que se se
dos nós. a prova da vi prioridade à ntia me-
da, teste Igreja. Isso fo
O próprio S munho de q rt ale ceu seu
enhor expli ue o Pai Cele
ras: “E assim ca essa prova problemas d stial a ajudar
os provarem nas escritu- ela caso se ia com os
as coisas qu os para ver com Ele. preocupasse
e o Senhor se fa rão todas p rim e iramente
(Abraão 3:2 seu Deus lh E ss as e
5). es ordenar ” xp eriências tam
portante liçã bém ensinar
“O Pai Celest o a Andrea. “E am outra im
ial nos prova n as le é ca -
mos”, diz An para ver o q p rovas que m p az de me ajudar
drea, ao lem ue fare- e confiou”,
que seguiu brar-se da d Ou como dis afirma.
e das chaco ura rotina se um de se
tas de que às o Senhor nu us heróis, N
vezes foi nca dá orde éfi: “Sei que
ns aos filhos
dos homens

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 39


sem antes preparar um cami-
nho pelo qual suas ordens pos-
sam ser cumpridas” (1 Néfi 3:7).
Andrea sabe que, embora te-
nha passado na primeira prova,
precisa fazer ainda muito mais antes
de se sentir pronta para triunfar na segunda.
OS LIVROS DIDÁTICOS DO SENHOR
Mas tem certeza de que, se puser Deus em primeiro
Durante a preparação para a importante prova, os livros de ma-
lugar, Ele a ajudará a também ter êxito nela. ■
temática e de ciências não foram os únicos que Andrea estudou.
“As escrituras são os livros didáticos do Senhor”, compara.
NOTA
1. “Preparação Espiritual: Começar Cedo e Ser Constante”, “Nas escrituras estão as coisas que Deus deseja que compreenda-
A Liahona, novembro de 2005, p. 38. mos. Temos de estudá-las.”
Quando se sentia abatida, não recorria aos livros escolares. “Eu
lia os textos do Senhor para receber uma injeção de ânimo. A leitu-
ra das escrituras ajuda muito em momentos de desalento.”
Ela aprendeu a amar principalmente o Livro de Mórmon. “Ele
mudou a minha vida”, declara. “O exemplo das pessoas descritas
nas escrituras foi de grande valia para mim.”
O modo pelo qual Néfi confiou na ajuda do Senhor em suas pro-
vações foi um exemplo e tanto para Andrea ao enfrentar suas pró-
prias dificuldades. “Néfi me ajudou imensamente”, conta.
Foi Néfi que disse: “E eis, porém, que eu, Néfi, vos mostrarei
que as ternas misericórdias do Senhor estão sobre todos aqueles
que ele escolheu por causa de sua fé, para torná-los fortes com o
poder de libertação” (1 Néfi 1:20).
Para aprender com o exemplo de fé no Senhor dado por Néfi,
leia os versículos a seguir: 1 Néfi 3:7; 4:1; 7:12; 9:6; 17:3, 50;
éns, 2 Néfi 4:19, 34.
Parab a, pela
Andre áxima!
m
nota

40
Dar Vida ao Estudo
das Escrituras
Como os membros da Igreja em todo
o mundo podem confirmar, há diversas
maneiras eficazes de estudar as
escrituras.

E
m 1830, numa revelação concedida ao Profeta
Joseph Smith, o Senhor o exortou: “Aprende de
mim e ouve minhas palavras; anda na mansidão
de meu Espírito e terás paz em mim” (D&C 19:23). O
Presidente Spencer W. Kimball (1895–1985) reafirmou essa
promessa de paz e orientação: “Percebo que, quando ne-
gligencio meu relacionamento com a Deidade e tenho a
impressão de que nenhum ouvido divino está escutando o
que digo e nenhuma voz celestial está falando comigo, pa-
rece que estou muito, muito longe. Se mergulho nas escri-
turas, a distância diminui e a espiritualidade volta”.1
Alguns membros da Igreja sugerem a seguir maneiras
de mergulharmos nas escrituras.

Estudar sobre os Profetas


Li o Livro de Mórmon várias vezes, procurando temas e
ensinamentos diferentes a cada vez. Agora meu enfoque é
saber mais sobre os profetas do Livro de Mórmon. Quando
comecei 1 Néfi, fiz anotações sobre Leí em seis categorias:
ensinamentos, características pessoais, relacionamento
com a família, relacionamento com Deus, relacionamento
de Deus com ele e maneiras pelas quais ele recebeu reve-
lação. Em seguida, estudei esses mesmos tópicos com os
profetas que vieram depois: Néfi e Jacó. Estou tentando
identificar as qualidades comuns aos homens chamados
pelo Senhor como profetas e reconhecer os principais en-
sinamentos de cada um deles.
Deb Walden, Califórnia, EUA

LEÍ E SEU POVO CHEGAM À TERRA PROMETIDA, DE ARNOLD FRIBERG

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 41


N
éfi escreveu: Fazer Perguntas um espectador. Concentro-me tanto que me
“Porque mi- Faço perguntas durante a leitura. Elas se abstraio totalmente do mundo a minha volta.
nha alma se enquadram em duas categorias. Primeiro, Juan de Dios Sánchez, República Dominicana
deleita nas escritu- tento compreender a passagem e ver como
ras e meu coração pode se aplicar a minha vida. Faço perguntas Manter um Diário de Escrituras
nelas medita e escre- do tipo: o que na minha vida se assemelha a Ao pensar nas épocas da minha vida em
ve-as para instrução essa situação? Que princípio está sendo ensi- que de fato mergulhei nas escrituras, percebo
e proveito de meus nado? Por que o autor incluiu isso? Como que foi quase sempre quando eu mantinha
filhos” (2 Néfi 4:15). posso aplicar isso a minha vida agora mes- um diário de estudo no qual anotava impres-
mo? Segundo, faço perguntas sobre coisas sões espirituais recebidas e passagens das es-
com as quais estou tendo dificuldades na crituras que me inspiravam. Assim, peguei
minha vida: situações ou problemas para os um caderno e uma caneta e guardei-os com
quais busco respostas. Pode tratar-se de as escrituras. No início, achava cansativo es-
qualquer coisa relacionada a determinada crever sobre o que lera; foi preciso muito
circunstância na família ou na vida profissio- tempo e esforço. Na verdade, em vez de um
nal. Ao fazer essas perguntas, às vezes passo banquete espiritual, eu queria apenas uma rá-
todo o meu tempo de leitura das escrituras pida merenda para depois continuar as ativi-
em alguns poucos versículos, procurando dades do dia. Mas persisti, e as escrituras
ouvir o Espírito e descobrir o que o Senhor ganharam vida. Surpreendi a mim mesma
está tentando ensinar-me. Observo que, meditando, esmiuçando passagens e aplican-
quando leio com perguntas em mente, rece- do-as a minha vida. Certas frases simples
bo respostas. trouxeram soluções para problemas descon-
Joanne Z. Johanson, Califórnia, EUA certantes com os filhos. Logo percebi que po-
deria tomar notas, e isso na verdade nem
Visualizar-se nas Escrituras levava mais tempo do que a simples leitura.
Sempre que leio as obras-padrão, faço-o Descobri também que, ao reler reflexões do
com um objetivo. passado, encontro respostas para dificulda-
Tento ter o desejo de des e preocupações do presente. É como se
COM UMA PERGUNTA buscar algo de inte- o Senhor me desse inspiração algumas sema-
NA MENTE resse ou utilidade nas antes de eu precisar dela.
“Às vezes leio as escrituras procu- para mim e para ou- Erica Miller, Utah, EUA

rando doutrina. Às vezes leio as es- tras pessoas. Procuro


crituras procurando instrução. Leio um local sem baru- Começar com uma Oração
com uma pergunta na mente, e a lho ou conversas. Foi só depois de entender a importância
pergunta geralmente é: ‘O que Deus deseja que eu Evito distrações e ex- de orar antes de começar a leitura que me
faça?’ ou ‘O que Ele quer que eu sinta?’ Sempre en- pulso pensamentos dei conta de uma melhora significativa na mi-
contro novas idéias, pensamentos que não me haviam que não estejam rela- nha compreensão das mensagens das escri-
ocorrido, e recebo inspiração, instrução e resposta a cionados às escritu- turas. Percebi que uma oração fervorosa
minhas perguntas.” ras. Para isso, antes da leitura permite ao Espírito Santo fa-
Presidente Henry B. Eyring, Primeiro Conselheiro na imagino o local físico lar a minha mente. Uma oração sincera e diri-
Primeira Presidência, “Uma Conversa a Respeito do em que ocorreram os gida com real intento ao Pai Celestial permite
Estudo das Escrituras”, A Liahona, julho de 2005, p. 8.
eventos que estou ao meu espírito entrar em comunhão com
estudando e viven- o Espírito Santo ao estudar e ponderar as es-
cio-os como se fosse crituras. Com o passar do tempo, achei nas
escrituras respostas para muitas perguntas. Ao direcionar das conferências gerais e, ao chegarmos a uma escritura, dá-
as orações para perguntas específicas relativas a minha si- vamos a referência e pedíamos a nossos filhos que a locali-
tuação no momento e pedir ao Pai Celestial que abençoe zassem. Quando achavam, todos a marcavam e depois um
a minha mente com compreensão, consigo ganhar discer- deles a lia. Com isso, nossos filhos ficaram muito atentos, a
nimento para aspectos preocupantes da minha vida. Ao postos com as escrituras e lápis na mão. Ao fim da atividade,
buscar sinceramente orientação antes de começar a ler, disseram: “Ah, por favor, não podemos achar só mais uma
identifico situações nas escrituras que posso aplicar a mi- escritura?” Depois do estudo das escrituras, decidimos can-
nha vida (ver 1 Néfi 19:23). tar um hino. Em preparação para o hino de encerramento,
Jess Rudd, Washington, EUA mostramos a nossos filhos como procurar escrituras no índi-
ce no fim do hinário. Eles acharam uma escritura que tínha-
Procurar os Ensinamentos do Salvador mos marcado, e cantamos um hino que reforçava o
Ao servir como missionário de tempo integral na Missão princípio do evangelho em questão. Foi um estudo
Chile Santiago Oeste, melhorei muito meu estudo das escri- das escrituras extremamente significativo!
turas e aprendi a torná-lo mais eficaz para meus pesquisado- Donna Macurdy Nielson, Virgínia, EUA ■
res e para mim mesmo. Certo dia, ao ensinar uma bela NOTA
família jovem, fui inspirado claramente a não só os incenti- 1. Ensinamentos dos Presidentes
da Igreja: Spencer W.
var a ler 3 Néfi 11, mas a dar-lhes um objetivo na leitura. Em Kimball (2006),
vez de simplesmente testificarmos que eles iriam aprender p. 75.
sobre a visita do Salvador às Américas, eu e meu compa-
nheiro os desafiamos a procurarem o que Cristo ensinara,
especificamente a primeira coisa que pregara. Além disso,
envolvemos as crianças, dizendo que a leitura seria
como uma caça ao tesouro; com isso, elas ficaram
muito interessadas. Com as crianças entusiasma-
das para ajudar os pais a acharem tesouros da ver-
dade ocultos no Livro de Mórmon, ficamos muito
mais confiantes em que família cumpriria.
Ao voltarmos no dia seguinte, a família não só tinha
lido e identificado o primeiro ensinamento de Cristo aos
A ASCENSÃO, DE HARRY ANDERSON; FOTOGRAFIA DE DIÁRIO TIRADA POR MATTHEW REIER

antigos habitantes das Américas, mas também era capaz


de explicar quase todos os ensinamentos Dele no capítu-
lo inteiro. A empolgação contagiou até
as crianças.
Ryan Gassin, Minnesota, EUA

Incluir a Conferência
Geral e Hinos
Estávamos tendo dificuldades
com nosso estudo das escrituras
em família. Como era difícil fazer
as crianças prestarem atenção,
tentamos um novo método. Eu e
meu marido nos revezamos
para ler em voz alta discursos
padre Gerard Thuring, um dos orga-
nizadores do evento, e em seguida

À
medida que sua Arianne, de 17 anos, cantou o hino
voz ecoava do nacional norte-americano, “The Star-
teto elevado da Spangled Banner”, e Jim, de 15 anos,
catedral, lágrimas come- ajudou a hastear a bandeira dos
çaram a brotar dos olhos Estados Unidos.
dos paroquianos, que Depois, comentei com o padre
compreenderam a men- Thuring que gostaríamos de assistir à
sagem reconfortante do missa especial de liberação, no dia se-
hino. guinte, na igreja dele em Oosterhaus.
Ele ficou satisfeito com nosso interes-
se e disse que éramos bem-vindos. Foi
então que criei coragem para dizer
O Hino na Catedral que Arianne, que eu já consultara an-
tes, estava disposta a cantar na missa.
Collin Allan Surpreso, ele perguntou: “O que
ela vai cantar?”

E
m setembro de 2004, fui aos Evan, co-piloto de um bombardeiro “‘Sou um Filho de Deus’”1,
Países-Baixos com dois dos B-24, morrera em combate durante a respondi.
meus netos, Jim e Arianne, liberação, em 1944. Esse homem bom e amável pen-
para as comemorações do 60º aniver- Durante nossa estada, viajamos até sou por alguns instantes e então dis-
sário do fim da ocupação da Holanda Hommersum, do outro lado da fron- se: “Somos todos filhos de Deus.
ILUSTRAÇÕES: DANIEL LEWIS

na Segunda Guerra Mundial. Tínha- teira, já em solo alemão, para assistir Tudo bem”.
mos sido convidados pela Sociedade à cerimônia de inauguração de uma Ao chegarmos à missa de liberação
Histórica Holandesa para participar placa no local onde caíra o avião que bem cedo na manhã seguinte, a
das celebrações porque meu irmão meu irmão pilotava. Conversei com o igreja estava lotada. Na metade da

44
VOZES DA IGREJA

celebração, o padre Thuring convi- Porém, a curiosidade falou mais alto e falado com um rapaz em particular,
dou a Arianne para se levantar e can- abri a mensagem. Estava escrita em mas ele se lembrava de mim. Algumas
tar. Depois de acompanhá-la até a espanhol. semanas antes de receber seu e-mail,
frente, anunciou: “Agora vamos ouvir Ao ler, fui informado de que, eu colocara meu nome no site da
um cântico de uma menina mórmon quando Enrique Dias tinha 18 anos, Missão Argentina na Internet, onde o
de Utah”. morava em Adrogué, Argentina, onde irmão Dias o encontrara.
Sem partitura nem acompanha- eu servira como missionário de tem- Em seu e-mail, explicou que leva-
mento instrumental, a Arianne come- po integral mais de 30 anos antes. ra o folheto para casa e o mostrara a
çou a cantar. À medida que sua voz Certa manhã, ao andar pelo centro da sua mãe, que o incentivara a procurar
ecoava do teto elevado da catedral, cidade, abordei-o e dei-lhe um folhe- saber mais sobre Joseph Smith.
lágrimas começaram a brotar dos to sobre a Primeira Visão. Eu e meu Quando tentou localizar os missioná-
olhos dos paroquianos, que com- companheiro, seguindo rios, alguns meses depois,
preenderam a mensagem reconfor- as instruções do nosso eu já tinha sido transferido

M
tante do hino. presidente de missão, ais de de área.
Ao final da missa, muitos da con- passávamos muitas ma- três dé- Enrique ouviu as pales-
gregação externaram gratidão e amor nhãs distribuindo folhe- cadas tras e foi batizado e confir-
a Arianne por sua contribuição. A ex- tos nas calçadas de depois, não havia mado. Depois disso,
periência foi um lembrete marcante Adrogué. Falamos com como eu me lem- trabalhei na Argentina du-
de que todos nós — a despeito da talvez centenas de pes- brar de ter dado rante mais de 20 meses,
etnia, religião ou língua — somos fi- soas, embora raramente um folheto a um mas nunca tomei conheci-
lhos de Deus. ■ conseguíssemos o nome rapaz na rua na mento desse batismo.
NOTA delas. A maioria das nos- Argentina. A breve conversa que ti-
1. Hinos, 193. vemos na rua naquela ma-
sas conversas não durava
mais de 30 segundos. nhã tantos anos antes
Mais de três décadas transformara a vida dele e a

O Contato de depois, não havia como


eu me lembrar de ter
de muitas outras pessoas.
Dois anos após seu batismo,

Ouro Que Eu
Não Conseguia
Recordar
Perry W. Carter

A
o ler meus e-mails certa ma-
nhã, vi um nome que não re-
conheci inicialmente: Enrique
Jorge Dias. A linha de assunto dizia:
“Saludos [saudações] de um contato
de ouro”.
Eu nem fazia idéia do que se trata-
va e pensei em clicar o botão deletar.

A LIAHONA AGOSTO DE 2008 45


foi chamado para uma missão de tem- testemunho do amor que ela sentira experimentei, vi que estavam gosto-
po integral no norte da Argentina. proveniente do Pai Celestial. Ele ouvi- sos. “Pelo menos ela vai saber que eu
Depois, casou-se e continuou fiel na ra suas orações e lhe dera exatamen- estava pensando nela”, concluí.
Igreja. Serviu em vários cargos, entre te aquilo de que precisava. Ainda quentinha, embrulhei a bis-
os quais o de bispo, conselheiro de naga de formato inusitado e levei-a à
dois presidentes de estaca e sumo casa da irmã. Ao oferecer-lhe o pão,
conselheiro. Informou ainda que seu ela sorriu e agradeceu, mas recusou
filho mais velho servira como missio- minha proposta de outros tipos de
nário em La Paz, Bolívia. ajuda. Fui para casa me sentindo
Nem tenho palavras para expres- bem, mas ainda preocupada por não
sar a alegria que me veio ao coração ter sido mais útil.
ao ler esse e-mail. Minha missão foi Meses depois, quando ouvi o tes-
marcada por muitos momentos grati- temunho dela, compreendi que o
ficantes, mas essas notícias tardias de Espírito Santo me inspirara em res-
Enrique Jorge Dias tornaram ainda posta às orações dela. Essa expe-
mais doces minhas lembranças do riência me deu uma grande lição
serviço missionário. ■ sobre a importância de prestar
atenção aos sussurros do
Espírito. Se nos ocorrer
uma idéia para fazer algo
Pães e
E
Ao ouvi-la, percebi u nem fazia bom, devemos colocá-la
que eu era a profes- idéia de em prática. O Salvador en-
Testemunhos sora visitante men-
cionada. Pensei
que um pão
seria a resposta a
sinou: “E tudo quanto per-
suade os homens a fazerem
Vida H. Liddell
naquela manhã, ten- uma oração e que o bem, vem de mim; por-

C
erto domingo de jejum na tando lembrar por isso fortaleceria que o bem não vem de nin-
Sociedade de Socorro, uma que eu decidira levar um testemunho. guém, a não ser de mim”
irmã da ala se levantou para pão para ela naquela (Éter 4:12).
prestar testemunho. Depois de dizer ocasião. Eu não ouvi- Sempre que um pensa-
que aprendera o quanto o Senhor a ra nenhuma voz nem mento nos impelir a fazer
amava e Se importava com ela, con- sentira um ardor no o bem, podemos deduzir
tou a experiência a seguir. peito. Simplesmente que provém do Espírito.
Ela tivera pneumonia e, certa ma- acordara naquele dia com vontade Nunca se sabe o grau de importân-
nhã, sentia-se particularmente mal. de fazer pão. cia que podem ter esses sussurros.
Seu apetite diminuíra consideravel- Ao preparar as bisnagas, pensei Eu nem fazia idéia de que um pão
mente, e a única coisa que ela achava numa irmã da ala que estava doente. seria a resposta a uma oração e que
que poderia comer era um pouco de Eu me sentira de mãos atadas duran- isso fortaleceria um testemunho.
pão caseiro. Estava ficando desanima- te a enfermidade dela, sem saber o E, quando a irmã foi inspirada a
da e vinha orando para receber ajuda que fazer para aliviar-lhe o sofrimen- relatar sua experiência na Sociedade
para suportar as provações. to. Veio-me então à mente a idéia de Socorro, nem poderia imaginar
Na mesma manhã, sua professora de levar-lhe o pão. Quase desisti, a lição valiosa que eu aprendera so-
visitante chegou com uma bisnaga pois os pães não estavam com uma bre como reconhecer a voz do
de pão caseiro. A irmã prestou aparência muito boa. Mas, quando Espírito. ■

46
não era o caso — eu não tinha um Ao cantar, lágrimas vieram-me

Eu Sabia testemunho firme. Naquela época, era-


me natural dizer coisas dessa natureza,
aos olhos quando o Espírito me tes-
tificou da veracidade dessas palavras

Mesmo? mas eu nunca recebera uma confirma-


ção espiritual da veracidade delas.
e confirmou que o meu testemunho
era verdadeiro. Percebi então que
Justin Geracitano O percurso até minha casa durou se pode obter um testemunho
20 minutos. E esses 20 minutos muda- prestando-o.2

D
epois de uma agradável noite ram a minha vida. Ao pensar naquela Jamais me esquecerei de quando
entre amigos na Austrália, em conversa com meu amigo, comecei a o Espírito confirmou a veracidade do
1998, meu melhor amigo me refletir sobre a minha vida e o rumo meu testemunho. Sei que vive meu
pediu carona. A caminho da casa que estava tomando. Ao meditar, o Senhor, pois o Espírito testificou
dele, nossa conversa girou em torno hino “Eu Sei Que Vive Meu Senhor” para a minha alma — um testemu-
de nossas crenças básicas. Ele era entrou-me na mente e na alma. nho que prestei com alegria, pouco
ateu, e eu, membro da Igreja. Eu Comecei a cantar em voz alta: tempo depois, como missionário de
sempre soubera que havia um Deus; tempo integral. ■
Eu sei que vive meu Senhor!
ele sempre crera que não. NOTAS
O meu sublime
Naquela noite, fiz algo 1. Hinos, 70.
Salvador! 2. Ver Boyd K. Packer, “A Busca do

E
que jamais fizera antes. ra-me natu- Conhecimento Espiritual”, A Liahona,
Que vive e reina
Pouco antes de deixá-lo em ral dizer janeiro de 2007, p. 18.
sobre nós
casa, disse-lhe saber que coisas dessa
A todos chama Sua
Deus vive, que Jesus é o natureza, mas eu
voz.1
nosso Salvador e que nunca recebera
Joseph Smith recebeu a vi- uma confirmação
sita Deles. espiritual da vera-
Eu já conversara sobre cidade delas.
essas coisas com ele inú-
meras vezes, mas nunca
lhe dissera que sabia que
eram verdadeiras.
Contudo, percebi que se
quisesse deixar uma
impressão duradoura,
teria de prestar teste-
munho.
Ao abrir a porta
do carro, apertou
minha mão e co-
mentou: “Pois é, ami-
go, é isso mesmo.
Todos nós precisamos
ser firmes em nossas
convicções”.
Mas o problema é que
COMENTÁRIOS

Fortalecer o Casamento é a melhor revista que já viu na vida.


Uma amiga minha casou-se recen- Ficamos todos muito interessados
temente e ofereci-lhe uma revista pela folha de orçamento (ver “Folha
Liahona que fala do casamento e da de Orçamento” no encarte Preparar
responsabilidade maravilhosa dos Todas as Coisas Necessárias, setem-
cônjuges de amarem um aos outro e bro de 2007) e todos se compromete-
Chamada para cuidarem um do outro. Embora mi- ram a segui-la — mas em vez de
a Obra do nha amiga não seja membro da Igreja, pagarem o dízimo, meus amigos pla-
Senhor leu a revista com o marido e me agra- nejam economizar.
Sou imensa- deceu sinceramente, pois ela ajudou a Raja Salamon, Índia
mente grata pela fortalecer seu casamento. A Liahona
Liahona de março de 2007, que trata proporciona bênçãos tanto a mem- Comovido por um Hino
da preparação para o serviço missio- bros quanto a não-membros. Ao ler a edição de maio de 2007 da
nário de tempo integral. Em virtude Beatriz de Guaigua, Venezuela Liahona, fiquei profundamente toca-
dessa mensagem, tomei a firme deci- do pelo discurso “Os Hinos e Seu
são de servir numa missão. Há alguns Sinceros Agradecimentos Poder de Nutrir”. Também tenho um
meses, recebi meu chamado. Os arti- Gostaria apenas de apresentar forte testemunho do poder dos hi-
gos da Liahona me ajudaram a perce- meus sinceros agradecimentos ao Pai nos. Em fevereiro de 2000, ao ouvir
ber que agora é o momento em que o Celestial e aos redatores por cuida- um programa de rádio local, ouvi
Senhor me chamou para auxiliá-Lo rem para que a Liahona nos traga Sua uma música que nunca ouvira antes.
em Sua obra. A Liahona nos guia para mensagem nesta parte do mundo. A Gostei não só da melodia, mas tam-
tomarmos decisões corretas. Liahona me dá confiança e coragem bém da maneira de cantar do grupo
Síster Juvy Sevilla, Filipinas em todos os momentos, mesmo e da mensagem transmitida.
quando estou com meus amigos, para Posteriormente, descobri que essa
A Revista Me Tocou o Coração procurar desfazer as idéias negativas música era cantada por um grupo
A Liahona é-me muito preciosa; fi- que eles têm sobre a Igreja. Peço que chamado santos dos últimos dias. Eu
car sem ela é inimaginável para mim. continuem o bom trabalho que têm queria achar a letra inteira da canção.
De fato, ela desempenhou um papel feito. Sei que o evangelho se expandi- Resolvi fazer uma visita a essa Igreja.
determinante na minha conversão há rá nesta região do mundo. No meu primeiro domingo, minha
21 anos. Naquela época, fiquei pro- Asuquo Dominic Ekpenyong, Nigéria primeira preocupação foi conseguir

FUNDO © COMSTOCK.COM
fundamente impressionada com a um hinário. E lá estava: era “Vinde, Ó
maneira pela qual as famílias eram A Melhor Revista Santos” (Hinos, 20). Fui batizado al-
apresentadas nos artigos: orando jun- Sou membro novo da Igreja e ve- guns meses depois.
tas, indo à Igreja juntas e externando nho aprendendo muitas coisas sobre Richard S. Scotland, Libéria
amor. Tudo isso me tocou o coração e o evangelho com a Liahona. As pes-
me ajudou a compreender o evange- soas com quem divido o apartamento
lho. Obrigada pelo trabalho maravi- também se interessam pela revista.
lhoso que realizam. Esperam por ela todos os meses,
Beatrice Sunke, Suíça ainda que pertençam a outra
religião. Um dos meus
amigos disse que

48
PA R A A S C R I A N Ç A S • A I G R E J A D E J E S U S C R I S TO D O S S A N TO S D O S Ú LT I M O S D I A S • A G O S TO D E 2 0 0 8

OAmigo
VINDE AO PROFETA
ESCUTAR

A Mais Vigorosa
Força Motivadora
P R E S I D E N T E D I E T E R F. U C H T D O R F surpresa de todos, pareceu que minha boca
Segundo Conselheiro na Primeira Presidência havia mudado. Consegui aprender inglês.

N
ossa motivação e pensamentos aca- Ainda assim, foi necessário muito trabalho,
bam por influenciar nossos atos. persistência e paciência, mas consegui!
Deixem-me contar uma experiência Por quê? Por causa de um motivo forte e
pessoal que tive na juventude sobre o poder justo!
de um motivo justo. O testemunho da veracidade do evange-
Depois dos tumultos da Segunda Guerra lho restaurado de Jesus Cristo é a mais vigo-
O Presidente
Mundial, minha família acabou indo morar rosa força motivadora de nossa vida. Jesus
Uchtdorf ensina
na Alemanha Oriental, que estava sob ocupa- sobre forças motiva- ressaltou muitas vezes o poder dos bons
ção russa. Quando cursei a quarta série, tive doras justas em
pensamentos e dos motivos corretos:
que aprender russo como primeira língua nossa vida. “Buscai-me em cada pensamento; não duvi-
estrangeira na escola. Achei muito difícil por deis, não temais” (D&C 6:36).
causa do alfabeto cirílico, mas com o tempo O testemunho de Jesus Cristo e do evan-
consegui sair-me bem. gelho restaurado nos ajudará na vida, primeiro, a apren-
Quando completei onze anos, nossa família precisou der o plano específico de Deus para nós e, depois, a agir
sair às pressas da Alemanha Oriental por causa da orien- de modo condizente. Ele nos dará a certeza da realida-
tação política do meu pai. Fui matriculado numa escola de, veracidade e bondade de Deus, dos ensinamentos e
da Alemanha Ocidental, que na época era ocupada pe- Expiação de Jesus Cristo e do chamado divino dos pro-
los americanos. Nesse estabelecimento, todas as crian- fetas modernos. O testemunho impele-nos a viver em
ças tinham de aprender o inglês. Aprender russo tinha retidão, e uma vida justa tornará nosso testemunho ain-
sido difícil, mas o inglês foi impossível para mim. Achei da mais forte. ●
que minha boca não tinha sido feita para falar inglês. Adaptado de um discurso proferido na conferência geral de
outubro de 2006.
Meus professores se esforçaram. Meus pais sofreram.
Mas eu sabia que o inglês definitivamente não era o
meu idioma. COISAS EM QUE PENSAR
Foi então que algo mudou em minha vida de jovem. 1. Depois que o Presidente Uchtdorf descobriu que teria
Quase todos os dias, eu ia de bicicleta até o aeroporto de aprender inglês para ser piloto, teve facilidade com essa
para ver os aviões decolarem e aterrissarem. Li, estudei língua? O que mudou para que ele conseguisse aprender?
e aprendi tudo o que pude sobre aviação. O meu maior 2. Em sua opinião, o que torna um desejo justo ou injusto?
ILUSTRAÇÕES: DANIEL LEWIS

desejo era tornar-me piloto. Já podia ver-me sentado na De que forma o desejo do Presidente Uchtdorf de aprender
cabine de um avião comercial ou de um caça militar. inglês era justo?
Sentia no fundo do coração que esse era o meu destino! 3. O que o testemunho pode incitar-nos a fazer? Como
Descobri então que, para tornar-me piloto, teria você pode tornar seu testemunho a força motivadora mais
de aprender inglês. Da noite para o dia, para a total vigorosa da sua vida?

A2
O AMIGO AGOSTO DE 2008 A3
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Recorte o círculo em branco e as duas meta-


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des do círculo dividido. Cole cada pedaço do


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círculo dividido no círculo em branco para


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completar o quebra-cabeça. Leia a escritura e


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pense em como o batismo e a confirmação se


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completam.
Observação: Se não quiser destacar páginas da revista,
copie esta atividade ou imprima-a da Internet em
www.lds.org. Para o inglês, clique em “Gospel Library”.
Para os demais idiomas, clique em “Languages”.

A4
TEMPO DE
COMPARTILHAR

No Reino do Bom Pai Celestial


“E seus filhos serão batizados para a re- Idéias para o Tempo de Compartilhar
missão de seus pecados quando tiverem 1. Prepare os materiais para o jogo de per-
oito anos de idade; e receberão a im- guntas e respostas que se encontra no ma-
posição das mãos” (D&C 68:27). nual Primária 3, lição 11, p. 50. Forneça as
perguntas e um objeto para lançar para cada
“Se entrardes pelo caminho e receberdes o Espírito Santo, ele

L I N DA C H R I S T E N S E N criança. Ensine às crianças que o batismo e a


vos mostrará todas as coisas que deveis fazer” (2 Néfi 32:5).

confirmação são mandamentos (ver D&C 68:27).


Jesus foi a João Batista,

§ Na Judéia o encontrou.
Batizado foi por imersão
Nas águas do Rio Jordão.
Mostre a gravura 208 do Pacote de Gravuras do
Evangelho (João Batista Batizando Jesus) e faça um resu-
mo da história do batismo de Jesus. Peça às crianças que
contem o que sabem sobre o batismo e a confirmação.
“Vou cumprir toda a justiça”, Faça uma revisão dos convênios feitos no batismo.
Diz Jesus ao bom João, Distribua o jogo para cada classe e dê tempo suficiente
“E assim entrar no reino para as crianças o terminarem. Conte a história da meni-
De meu Pai em retidão.” na que queria ser batizada (ver Primária 3, p. 53). Preste
testemunho da importância do batismo e da confirmação
Nós agora já sabemos
e cante um hino sobre o batismo ou o dom do Espírito
Que o batismo é essencial
Santo.
Para se entrar no reino
2. Escreva o verbo Recordar no quadro-negro. Peça às
Do bom Pai Celestial.
crianças que citem coisas que julguem importante lembrar.
(“Batismo”, Músicas para Crianças, pp. 54–55)
Acrescente as palavras Jesus Cristo para que apareça no
McKenzie, de oito anos de idade, foi batizada e con- quadro-negro a frase Recordar Jesus Cristo. Pergunte-lhes
firmada recentemente. Disse: “A melhor parte do batis- por que acham importante recordar a Jesus Cristo.
mo foi quando entrei na água. Eu me senti pura, Explique-lhes que você está pensando numa maneira im-
tranqüila, animada e feliz”. Matthew, de sete anos de ida- portante de recordar Jesus Cristo. Dê três ou quatro pistas
de, aguarda, ansioso, sua data de batismo e confirma- para ajudar as crianças a adivinharem que está pensando
ção. Ele disse: “Alguns portadores do sacerdócio vão no sacramento. Mostre a gravura 603 do Pacote de
impor as mãos sobre a minha cabeça”. Gravuras do Evangelho (A Bênção do Sacramento) e 604
Matthew e McKenzie entendem que ser batizado e (A Distribuição do Sacramento). Peça às crianças que
confirmado é um mandamento. Sabem que precisam digam o que sabem sobre o sacramento. Leia as orações
seguir o exemplo de Jesus a fim de poderem entrar “no sacramentais (ver D&C 20:77, 79) e peça às crianças que
reino do bom Pai Celestial” para viver com Ele e Jesus prestem atenção à palavra recordar. Discuta o que acontece
Cristo um dia (ver 2 Néfi 31:17–18). na reunião sacramental em preparação para o sacramen-
Complete o quebra-cabeça circular descrito na página to e a importância da reverência. Recapitule os convênios
ILUSTRAÇÕES: BETH M. WHITTAKER

A4 para lembrar que ser batizado por imersão, ser con- feitos no batismo e ajude as crianças a compreenderem
firmado membro d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos que, durante o sacramento, temos a oportunidade de reno-
dos Últimos Dias e receber o dom do Espírito Santo são var os convênios assumidos. Termine com a dramatização
algumas das coisas mais importantes que alguém pode- de situações em que a compreensão dos convênios batis-
rá fazer na vida. mais pode ajudar as crianças a fazerem boas escolhas. ●

O AMIGO AGOSTO DE 2008 A5


DA VIDA DO PROFETA JOSEPH SMITH

Milagres ao Longo da
Jornada de Joseph
É bom poder-nos
No primeiro semestre de 1832, Joseph regozijar com o povo
e outros líderes da Igreja foram ao de Deus.
Missouri para visitar e ensinar os mem-
bros da Igreja que lá residiam. Ao termi-
narem sua missão, Joseph Smith, Sidney
Rigdon e Newel K. Whitney embarcaram
numa carruagem para retornarem a
Ohio.

Enquanto viajavam em alta velocida-


de, os cavalos da diligência se assus-
taram. O irmão Whitney tentou saltar
da carruagem, mas seu casaco ficou
preso, e seu pé foi prensado pelos
aros da roda. Ele quebrou a perna e
o pé. Joseph conseguiu saltar da car-
ruagem sem se ferir.

O irmão Rigdon seguiu viagem, mas Joseph ficou Joseph e o irmão Whitney comiam e dormiam numa
com o irmão Whitney por quatro semanas e cuidou hospedaria. Certo dia, Joseph passou mal depois do
dele enquanto se recuperava do acidente. jantar.

ILUSTRAÇÕES: SAL VELLUTO E EUGENIO MATTOZZI

Tinha sido envenenado.

A6
O irmão Whitney deu uma Joseph foi curado imediata-
bênção em Joseph. mente, embora fosse um ve-
neno muito forte. Sabia que
o Pai Celestial o abençoara.

Agradeço
ao Pai Celestial.

Se concordar em iniciar o
Joseph disse ao irmão Whitney, trajeto, pegaremos um carroção
que estava acamado havia quase até o rio e lá haverá uma balsa nos
quatro semanas, que gostaria de aguardando para a travessia.
recomeçar a viagem com ele na
manhã seguinte. Joseph prome-
teu que tudo correria bem na
jornada.
Em seguida, outro
barco estará a nossa espera
e faremos uma viagem tran-
qüila de volta para casa.

Eu vou.

Joseph e o irmão Whitney iniciaram a via-


gem para casa.

Tudo sucedeu exatamente


como Joseph prometera.

Adaptado de History of the Church, volume 1, pp. 271–272. O AMIGO AGOSTO DE 2008 A7
POSSO SER REVERENTE Diana Eckersell Janson

rR
so Se everent
Instruções: Pinte estas duas

o s páginas e cole-as em uma cartolina.


Recorte as páginas do desenho
P

nas linhas tracejadas. Faça furos


nas laterais conforme o indicado.
Coloque as páginas com desenho
uma em cima da outra, com a pági-
na de rosto por cima. Alinhe os fu-
ros e amarre o livro com um fio ou
barbante.

à ponta dos pés.


2

everente
Ser R
so
Pos

Posso ser reverente, Quando ando, não


da cabeça faço barulho.
1 3
Observação: Se não quiser destacar páginas da
revista, copie esta atividade ou imprima-a da
Internet em www.lds.org. Para o inglês, clique em
“Gospel Library”. Para os demais idiomas, clique
em “Languages”.
A8
E ao falar, as palavras saem
com doçura, não a toda altura. Quando escuto,
4 5 6

Quando oro, a cabeça


fico de boca fechada e mantenho os braços cruzados. abaixo
7 8 9
ILUSTRAÇÕES: ELISE BLACK

Posso ser reverente,


e fecho os olhos com fé. da cabeça à ponta dos pés.
10 11 12

O A M I G O AGOSTO DE 2008 A9
Da Próxima
Vez Vou
Escutar!
“Põe tua confiança naquele
Espírito que leva a fazer o bem”
(D&C 11:12).

A10
S U N N Y M c C L E L L A N M O R TO N
Inspirado numa história verídica

“Q
uase acabou”, suspirou Manuel olhando a caixa adivinhar? Será que um dia voltaria a se sentir seguro ao
que levava debaixo do braço. Tinha vendido andar na rua? Franziu a testa e começou a se concentrar
quase todos os doces. Agora, a caixa continha na lição.
um envelope cheio de dinheiro. “O Espírito Santo é um mensageiro do Pai Celestial”,
Com o sol incidindo na cabeça, Manuel pensou em declarou a Síster Santos. “Ele pode-nos guiar e inspirar
sua casa, na mãe e na avó que o esperavam. Sorriu ao nossos pensamentos. Pode-nos ajudar a fazer boas esco-
pensar na grande felicidade que elas vinham lhas e nos avisar de perigos.”
sentindo nos últimos tempos. Manuel sentia a Manuel olhou para ela. “Como assim?”
mesma alegria e sabia o motivo: todos eles se “Alguma vez um pensamento forte lhe en-
batizariam no domingo seguinte. trou na mente?”, perguntou a Síster Santos.
“Saiam da frente!”, gritou alguém atrás “Pode ter sido um incentivo para fazer algo.
de Manuel. Quatro meninos de bicicleta Ou talvez apenas uma ótima idéia.”
passaram correndo, e Manuel se jogou Manuel arregalou os olhos ao recordar os
no asfalto. fortes sentimentos que tivera no início do
Manuel tinha visto aqueles meninos horas “O Espírito do Senhor dia impelindo-o a afastar-se dos ciclistas.
antes, andando na calçada oposta. Um pensa- pode nos guiar e nos “Acho que aconteceu comigo hoje”, disse ele
mento lhe passara pela mente: fique longe abençoar com orien- pausadamente.
deles. Mas, como tinham-se distanciado, tação, instrução e As missionárias olharam para o Manuel
proteção espiritual
Manuel nem pensara mais no assunto. Agora, com interesse, bem como a mãe e a avó.
durante nossa jorna-
o sentimento voltara com ainda mais força. Contou sobre os meninos e o roubo da
da mortal.”
Mas, como queria terminar de vender seus caixa.
Élder David A.
doces, continuou. Bednar, do Quórum “Sinto muito, Manuel”, disse a mãe com
Manuel acabara de vender o último doce dos Doze Apóstolos, doçura. “É por isso que você estava tão abati-
“Para Que Possamos
quando os meninos voltaram. Um deles agar- Ter Sempre Conosco do agora há pouco. Depois quero que me
o Seu Espírito”,
rou-o pelo ombro ao passar de bicicleta. A A Liahona, maio
fale mais desses meninos. Talvez haja um
caixa escorregou do braço de Manuel, e outro de 2006, p. 31. meio de recuperar o dinheiro.”
menino passou em alta velocidade e a pegou. “Também lamento”, prosseguiu a Síster
“Não!” , gritou Manuel. Com tristeza, viu os Santos. “Mas acho que você tem razão. É
meninos levarem a caixa com o dinheiro que bem provável que o que sentiu seja o
ganhara com tanto sacrifício. Espírito Santo.” Ela fez uma pausa. “Você vai receber o
Naquela noite, Manuel ouviu uma batida na porta do dom do Espírito Santo após o batismo, quando for con-
seu quarto. “Manuel! Saia por favor!” Sua mãe parecia firmado. Isso significa que vai poder receber e sentir es-
preocupada. sas mensagens com uma freqüência muito maior. Se
“Eu já disse, mamá, não estou me sentindo bem.” você permanecer digno, o Espírito Santo pode ser seu
“Mas as missionárias estão aqui para nos ver.” companheiro constante. Como se sente em relação a
Manuel se levantou, respirou fundo e corrigiu a isso?”
postura. Um sorriso de alívio se esboçou no rosto de Manuel.
ILUSTRAÇÃO: GREGG THORKELSON

“Hola, Manuel”, disse a Síster Santos quando Manuel “Muito melhor!”, respondeu. “Estava começando a
se juntou à família na sala de estar. achar que sempre sentiria medo ao sair à rua. Mas, se o
Em geral, Manuel ouvia as missionárias com atenção. Espírito Santo me advertir de novo, como o fez hoje,
Mas naquela noite não conseguia parar de pensar nos não vai haver problemas.” Sorriu para a mãe. “Porque
meninos e na caixa de dinheiro. Ele se arrependia de da próxima vez que o Espírito Santo falar comigo, vou
não ter fugido logo que os vira. Mas como poderia escutar!” ●

O AMIGO AGOSTO DE 2008 A11


TESTEMUNHA ESPECIAL

Como posso
ser protegido
espiritualmente?
O Élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos
Doze Apóstolos, exprime algumas idéias Guarde os mandamentos,
sobre o assunto. ore pedindo orientação, as-
sista às reuniões da Igreja e

ILUSTRAÇÕES FOTOGRÁFICAS: JOHN LUKE, CHRISTINA SMITH, MATTHEW REIER E ROBERT CASEY
tome o sacramento todos os
domingos.
Apegue-se com firmeza
às escrituras, cujos
ensinamentos nos
protegem do mal.

Arrependa-se dos
Nunca faça nada que afaste
seus pecados a cada
o Espírito.
semana e renove
seus convênios ao
tomar o sacramento
com as mãos limpas
e o coração puro.
Foi-lhe ensinada a reti-
dão e você tem certeza
de sua verdade, portan-
to permaneça nela.

Jamais ingira substân-


cias nem faça coisas com o
corpo que afastem o Espírito do Senhor e o
deixem sem proteção contra o engano.

Extraído de “Para Que Não Sejais Enganados”,


A Liahona, novembro de 2004, pp. 45–46.
PÁGINA PARA COLORIR
ILUSTRAÇÕES: APRYL STOTT

VOU MOSTRAR MINHA FÉ EM JESUS CRISTO SENDO BATIZADO E CONFIRMADO


“E seus filhos serão batizados para a remissão de seus pecados quando tiverem
oito anos de idade; e receberão a imposição das mãos” (D&C 68:27).

O A M I G O AGOSTO DE 2008 A13


FAZENDO AMIGOS

Pablo Se Prepara
As crianças do mundo inteiro oram, cantam
músicas da Primária e aprendem o evangelho
— igualzinho a você! Neste mês vamos
conhecer Pablo Chiroy, de Ciudad Vieja,
Guatemala.

P
ablo Chiroy mal pode esperar para ser missionário,
assim está preparando-se desde já. Adora ir à
Igreja e aprender sobre o Pai Celestial e Jesus
Cristo, anda de bicicleta sempre que tem a
oportunidade e já está partilhando o evange-
lho com seus amigos e vizinhos em Ciudad
Vieja.

O Batismo de Pablo
Quando fez oito anos, Pablo foi batiza-
do e confirmado membro da Igreja.

A14
Ficou grato pela presença do pai, pois não estava so-
mente animado, mas também um pouco tenso.
“Fiquei com um pouco de medo de me afogar”, con-
ta. Mas é claro que isso não aconteceu. E depois ele sen-
tiu algo novo. “Eu me senti bem — foi uma sensação
diferente.”
Foi um sentimento tão bom que ele teve vontade de
partilhá-lo com os outros.

A Obra Missionária de Pablo


Quando os missionários pe- A Guatemala de Pablo
diram à família de Pablo que aju- Pablo adora visitar novos locais e ver
FOTOGRAFIAS: ADAM C. OLSON

dasse a encontrar pessoas para coisas interessantes. E tem a sorte de vi-


ensinar, Pablo lhes pediu um fo- ver num lugar muito interessante.
lheto. Na manhã seguinte, a ca- Pablo mora na periferia de Antigua
minho da escola, deu o folheto à Guatemala, cidade cujo nome significa
mãe de um amigo no ponto de “Antiga Guatemala”. A cidade tem quase
ônibus. 500 anos. Como a população preservou
“Todas as manhãs, ele pergun- os belos edifícios de estilo colonial
ta a ela se o leu”, conta a mãe
de Pablo. “Tenho certeza
Pablo Chiroy e sua
de que não vai desistir família moram
até ela ler.” perto de Antigua
Guatemala, cida-
de com muitos
edifícios antigos.
Pablo adora can-
tar hinos e espera
tornar-se bombei-
ro voluntário como
o pai (no alto).

O AMIGO AGOSTO DE 2008 A15


espanhol, hoje turistas de nas noites familiares.
Onde no Mundo
todo o mundo visitam Pablo tem duas irmãs
Se Situa Ciudad
Antigua. mais novas: Andrea, de seis
Vieja, Guatemala?
Pablo tem a oportunida- anos, e Sofia, de dois. Ele
A Guatemala é um de de ver coisas interessan- confessa: “Às vezes, nos da-
país da América Central. tes onde mora, e seus pais mos bem, às vezes não”.
O espanhol é o idioma trabalham como guias turís- Mas ele se esforça para
oficial, mas há mais de ticos, levando pessoas para pontos pitores- ser um bom irmão mais
50 línguas diferentes fa- cos da Guatemala. Pablo adora quando seus velho e brinca com elas. Andrea gosta
ladas pelos habitantes. pais o levam com eles. “Gosto de viajar com disso. Elas o admiram assim como ele ad-
Mais de 200.000 mem- a minha família”, diz. mira o pai.
bros da Igreja vivem na O pai de Pablo serve como bombeiro
Guatemala. A Família de Pablo voluntário, e Pablo espera um dia ter a
Ciudad Vieja foi uma A família de Pablo adora estar junta. chance, depois de ajudar as pessoas como
das primeiras capitais Gostam principalmente de cantar juntos missionário, de servir também como
da Guatemala, mas bombeiro. ●
depois o governo
se instalou a 5
quilômetros de
Belize No alto: Pablo gosta
distância, em
ribe

de brincar com seus


Mar do Ca

Antigua (no alto piões. À direita: Ele


México
e embaixo). e os pais, Jorge e
Claudia, e as ir-
ALA mãs mais novas,
GUATEM
Andrea e Sofia,
moram num vale
Honduras
Cidade da
cercado de vul-
eja Guatemal
a
Ciudad Vi cões (abaixo).

El Salvador
cífico
Oceano Pa

Atividades Prediletas • Viajar com a família;


de Pablo • Jogar futebol;
• Brincar com seus piões; • Ler (principalmente as es-
• Cantar “Chamados a crituras e a Liahona);
Servir”; • Tomar sorvete de
• Andar de bicicleta; chocolate.
Quebra-se o Arco de Néfi, Jeremy Winborg
“E aconteceu que quando eu, Néfi, saí para caçar, eis que quebrei meu arco, que era feito
de aço puro; e tendo quebrado meu arco, eis que meus irmãos se zangaram comigo por causa
da perda de meu arco, porque não conseguimos alimento” (1 Néfi 16:18).
A
ssim como muitos
membros da Igreja
em todo o mundo,
na Itália, os santos dos
últimos dias são pioneiros
que formam famílias com
várias gerações unidas pelos
convênios do evangelho.
Esses membros da Igreja
enfrentam antigas tradições
e o secularismo generalizado
na cultura que os cerca, mas
concentram-se no Salvador e
esforçam-se por nutrir uma fé
que floresça no coração de sua
posteridade. Ver “A Fé Familiar”,
p. 28.