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Ações psicoterápicas de grupo e grupos operacionais

1. Ações psicoterápicas de grupo

1.1 Breve histórico

A literatura proveniente dos Estados Unidos atribui a Joseph H. Pratt a


criação da psicoterapia de grupo. Pratt trabalhava como clínico geral, no
Ambulatório do Massachussetts General Hospital (Boston). Em julho de 1905
iniciou programa de assistência a doentes de tuberculose, incapazes de
arcar com os custos de internação.
Em 1920 Lazell descreve método de grupo utilizado com
esquizofrênicos internados em hospital psiquiátrico.
Entre 1909 e 1912 Marsh refere ter usado grupos com pacientes
psiconeuróticos, também em instituição psiquiátrica.
Burrow (1928), por sua vez, empregava o grupo a um nível
ambulatorial, com pacientes não psicóticos, sendo o primeiro a adotar o
termo análise de grupo.
No mesmo período (1910-1925), Moreno começava seus estudos
acerca do psicodrama e da psicoterapia de grupo.
Em 1921 Adler cria o Centro de Aconselhamento para Pais e Filhos.
Na segunda metade do século 20 Metzl desenvolve método de
aconselhamento em grupo para alcoólatras (base para o atual AA).
Wender resumiu algumas das dinâmicas que operavam na
psicoterapia: 1. intelectualização: compreensão das reações emocionais; 2.
transferência entre os pacientes, 3. catarse em família: liberação de
emoções, relacionadas a traumas precoces não solucionados, decorrentes
do relacionamento pai-filho e rivalidade entre irmãos, permitindo remover
sentimentos de culpa e de inferioridade e; 4. interação entre os
participantes.
Na época da Segunda Guerra Mundial houve uma grande demanda por
tratamento de questões emocionais. Como até esse período, necessitar de
apoio psicológico era enxergado como um fracasso, um estigma, havia
escassez de profissionais; nesse ambiente, a terapia de grupo ganhou força.
Loeser, em 1946, observou questões importantes para o bom
funcionamento da terapia de grupo: 1. a importância do preparo do
paciente antes de iniciar o grupo; 2. o nível socioeconômico, raça, religião,
idade e profissão não interferiam na composição do grupo, embora não
tenha conseguido estabelecer um critério de seleção; 3. A inclusão de
homens e mulheres no mesmo grupo oferecia vantagens definidas; 4.
número de participantes: 7 a 10; 5. duas sessões por semana e por tempo
ilimitado: 6. grupos homogêneos facilitavam a terapia e de preferência sem
a admissão de novos participantes; 7. o resultado era superior associando-
se psicoterapia de grupo e individual; 8. o terapeuta deveria atuar de forma
não crítica e com ênfase na interação entre os participantes.
A psicoterapia de grupo surgiu intuitivamente e foi adotada
empiricamente, tanto por Pratt quanto por Moreno. Enriquecida pelos
aportes das teorias freudianas, dinâmicas de grupo, entre outras,
estabeleceram-se seus fundamentos. Sua adaptação às necessidades, no
período da 2ª Grande Guerra Mundial, estimulou posteriormente, sua
utilização na população em geral.

1.2 Aspectos gerais em terapia de grupo


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Com a evolução dos estudos acerca da psicoterapia de grupo, não


observou-se diferença significativa entre a eficácia desse tipo de terapia em
relação à terapia individual, além do que, as duas podem ser aplicadas
concomitantemente. Ressaltando-se que as grupo-terapias podem ser
aplicadas a qualquer pessoa que deseje expandir sua “auto-consciência”, e
não só aos doentes.
É necessário aplicar critérios de seleção, uma vez que a psicoterapia
de grupo não é um tratamento apropriado a todas as pessoas e
circunstâncias. Os critérios que aumentam a probabilidade de sucesso na
terapia são:
- gravidade do transtorno mental: quanto mais grave, menores as
chances de melhora;
- motivação para a mudança: interesse, participação...
- capacidade de se relacionar: capacidade de se engajar e
desenvolver aliança terapêutica;
- força do ego: resistência à frustração;
- mentalidade psicológica: habilidade em verbalizar sua vida
psíquica (sentimentos, pensamentos...).
Existem várias teorias de grupo, chamadas de grupoterapias,
estudadas por várias correntes da psicologia. Entre elas, pode-se citar a
teoria psicanalítica, com Freud e Bion; Pichon Riviére, com os grupos
operativos; uma vertente mais sociológica, com Kurt Lewin; Moreno, com
psicodrama, entre outros. Existem, portanto, estudos voltados para a
macro-sociologia e a psicologia, que abordam os grandes grupos, e a
micropsicologia, com o estudo dos pequenos grupos (Zimerman, 1997).
Os grupos psicoterápicos, Zimerman denomina-os para "formas de
psicoterapia que se destinam prioritariamente, à aquisição de insights,
notadamente, dos aspectos inconscientes dos indivíduos e da totalidade
grupal" (1997:78); que seriam os chamados grupoterapias, com abordagens
diversas como a psicanalítica, a teoria sistêmica, a abordagem cognitivo-
comportamental e a psicodramática.
Mills define grupo como "unidades compostas de duas ou mais pessoas
que entram em contato para determinado objetivo, e que consideram
significativo o contato e representam não apenas microsistemas, mas são
também, fundamentalmente, microcosmos de sociedades mais amplas".
Dessa forma, para que seja caracterizado um grupo é preciso que:
• Os integrantes estejam reunidos em torno de um interesse comum;
• No grupo, o "todo é maior do que as partes" (como numa gestalt), ou
seja, um grupo se constitui como uma nova identidade sendo mais do que
apenas o somatório dos seus membros;
• É preciso que se mantenham discriminadas as identidades
individuais, de forma que as pessoas mantenham a sua individualidade e
não virem uma massa indiscriminada;
• É preciso que haja alguma forma de interação afetiva entre os
membros do grupo, ou seja, que seja estabelecido algum tipo de vínculo
entre os integrantes;
• É inerente à formação de um grupo a presença de um "campo grupal
dinâmico", onde transitam fantasias e ansiedades. Assim, pode-se defini-lo:
"o campo é composto por múltiplos fenômenos e
elementos do psiquismo e, resulta que todos
esses elementos, tanto os intra como os inter-
subjetivos, estão articulados entre si, de tal modo
que a alteração de cada um deles vai repercutir
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sobre os demais, em uma constante interação


entre todos" (Zimerman, 1997:29).
Seis fenômenos distintos compõem o campo grupal dinâmico:
• Ressonância: que é um fenômeno comunicacional, onde a fala
trazida por um membro do grupo vai ressoar em outro, transmitindo
um significado afetivo equivalente, e assim, sucessivamente;
• Galeria dos espelhos: onde cada um pode ser refletido nos, e pelos
outros; o que nada mais é, do que a questão da identificação, onde o
indivíduo se reconhece sendo reconhecido pelo outro, e assim vai
formando a sua identidade;
• Continente: o grupo coeso exerce a função de ser continente das
angústias e necessidades de cada um de seus integrantes;
• Pertencência: chamado por Zimerman de vínculo do
reconhecimento, que é "o quanto cada indivíduo necessita, de forma
vital, ser reconhecido pelos demais do grupo como alguém que, de
fato, pertence ao grupo. E também alude à necessidade de que cada
um reconheça o outro como alguém que tem o direito de ser
diferente e emancipado dele";
• Discriminação: que é a capacidade de fazer a diferença entre o que
pertence ao sujeito e o que é do outro; ou seja, diferenciar entre
fantasia e realidade, presente e passado, entre o desejável e o que é
possível naquele momento, etc;
• Comunicação: seja ela verbal ou não-verbal, fenômeno essencial em
qualquer grupo onde mensagens são enviadas e recebidas, podendo
haver distorção e reações da parte de todos os membros do grupo.
É importante fazer a distinção entre grupo e agrupamento. Para ser
considerado um grupo, é preciso que exista, entre as pessoas, uma
interação social e algum tipo de vínculo, “pode-se dizer que a passagem da
condição de um agrupamento para a de um grupo, consiste na
transformação de interesses comuns” para a de “interesses em comum”
(ZIMERMAN, 1997).
Complementando, segundo a teoria das necessidades pessoais, de
Schultz, afirma que as pessoas não se integrarão em um grupo, caso este
não satisfaça algumas de suas necessidades fundamentais, dentre elas:
- A "necessidade de inclusão" é definida como a necessidade de se
sentir integrado, valorizado, aceito totalmente pelos demais;
- A "necessidade de controle" pode ser entendida como a
necessidade de estabelecer, para si mesmo, quais são as suas
responsabilidades e as dos outros. O indivíduo precisa sentir-se totalmente
responsável pelo grupo, seus objetivos, estrutura, funcionamento e
progresso;
- A "necessidade de afeição", que é descrita como a necessidade
que aparece depois das duas necessidades anteriores, e que representa o
desejo de ser valorizado, de ser percebido como insubstituível pelo grupo.
Seria o desejo secreto de todos os indivíduos, como participantes de um
grupo. O indivíduo quer ser, ao mesmo tempo, valorizado por sua
competência e aceito como pessoa (Braghirolli et al.; 1999).
O trabalho em grupo propicia uma capacidade de pensar as
experiências emocionais cotidianas e aprender com elas; no grupo, o sujeito
faz inúmeras introjeções de como os outros lidam com os problemas
(ZIMERMAN et al, 1997).
Pode-se refletir sobre o grupo como espaço para a educação. A
educação transformadora é aquela que propicia ao sujeito uma apropriação
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do conhecimento. A informação só é útil e produtiva quando o sujeito se


apropria dela (RUIZ, 2004).

1.3 Principais autores

• FREUD – Apesar de Freud não ter trabalhado especificamente com


grupoterapia, deixa premissas inquestionáveis em seu legado,
principalmente no que se refere aos processos inconscientes que
sempre deverão ser levados em conta tanto quanto à sua existência
quanto à admissão de que, talvez, exista sempre um conflito focal de
ordem inconsciente nos grupos que nos possibilite entender muitas
das condutas advindas da interação entre seus membros, entre si e
com o próprio desenvolvimento do grupo.
• MORENO, J.L. – Para Moreno, a psicoterapia de grupo viu-se forçada
a penetrar em todas as dimensões da existência numa profundidade
e amplitude que o terapeuta de orientação verbal desconhecia. Ele
converte a Psicoterapia de Grupo em Psicoterapia de Ação e
Psicodrama. O psicodrama pode ser definido como a ciência que
explora a verdade por métodos dramáticos. O espaço cênico é uma
extensão da vida. O paciente é instruído para ser ele mesmo e não
um ator. O efeito do psicodrama é a catarse mental, e o princípio
comum é a espontaneidade.
• KURT LEWIN – Defendeu a ideia da contextualização do indivíduo no
meio em que vive e no grupo ao qual pertence para poder
compreendê-lo integralmente. Definiu inovadoramente conceitos,
como:
- Campo Psicológico – Espaço de vida considerado dinamicamente,
compreendendo tanto a pessoa como o meio.
- Espaço de vida – Todos os fatos que determinam o comportamento
de um indivíduo num dado momento.
- Forças psicológicas – o comportamento é causado por forças
dirigidas dotadas de certa intensidade. Essas forças podem ser
IMPULSORAS ou FREADORAS.
- Distinguiu GRUPO SOCIAL (definido pela interdependência de suas
partes) de CLASSE SOCIAL (pela semelhança entre seus membros.
• FOULKES, S. H. – Iniciou a prática da psicoterapia de grupo de base
analítica em 1948. Conceituava o grupo como um “todo social”, maior
do que a soma das partes. Seu modelo é de que o grupo é um
sistema aberto, gestáltico que se define em termos das informações
significativas que recebe e das forças psicológicas presentes.
Segundo Foulkes, “na psicoterapia grupal de base analítica, o grupo é
tratado com o objetivo de beneficiar seus membros de forma
individual, independentemente de se observar e tratar o grupo como
um todo, como sujeito do tratamento”.
• MELANIE KLEIN – Apesar de Melanie não estar presente no histórico
dos grupoterapeutas, não poderíamos deixar de referi-la pela sua
importante contribuição ao trabalho com grupos através de sua teoria
das relações objetais deduzida da análise das fantasias mais arcaicas.
As primeiras relações de objetos são muito importantes, uma vez que
vão determinar todas as demais, pois nos relacionamos com as
pessoas do mesmo modo que nos relacionamos com as primeiras que
aparecem em nossas vidas. Por isso entender os mecanismos que
governam as fantasias mais primitivas do ser humano especialmente
essas relações objetais, possibilita-nos compreender nossas
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peculiares formas de relação. Sua teoria das relações objetais, a


atenção primordial com a relação com objetos internos e a análise
das introjeções e projeções, estão presentes até hoje na nossa prática
da grupoterapia.
• BION, W.R. – Na Inglaterra, em 1948, inicia um trabalho com grupos
terapêuticos na conhecida clínica Tavistock. Utilizou conceitos
Kleinianos pela primeira vez na psicoterapia de grupo. Suas
contribuições mundialmente conhecidas partem da concepção de que
o homem precisa da vida em grupo para seu desenvolvimento. Bion
considerava que os fenômenos grupais estão presentes em nossos
processos mentais todo o tempo, mesmo que de forma subjacente ou
implícita. E esses processos estão ativos mesmo quando não
percebidos.
• PICHON RIVIÈRE – Psicanalista Argentino, responsável por
contribuições relevantes que ficou conhecido entre nós pelos Grupos
Operativos.

1.4 Desenvolvimento das sessões na terapia de grupo

Os clientes, sentados em círculo, na presença do terapeuta,


apresentam-se pelo nome ou apelido pelo qual preferem ser chamados e as
regras da terapia são apresentadas. A seguir, sem ser colocado
explicitamente, no decorrer do silêncio, os participantes são convidados a
expor em palavras e discutir suas preocupações. O clima criado pela
situação psicoterápica favorece a auto-revelação.
O terapeuta e os membros do grupo tomam conhecimento de muitos
fatos sobre o que se passa com cada um, sendo que pessoas que
compartilham o círculo da própria intimidade podem até desconhecer esses
acontecimentos e mesmo não vir a saber, uma vez que o paciente não
deseja revelá-los fora do contexto psicoterápico. Os integrantes do grupo
exploram o material que eles próprios, geralmente e em condições normais,
não analisam. A interação é livre e espontânea.
Os pacientes participam verbalmente ou em silêncio, sem entraves ou
censura impostos pela autoridade exterior. Desenvolvem discussão aberta,
com livre associação de idéias e sem agenda preestabelecida. O tema
desenvolvido pelo grupo tem alguma relevância para os participantes,
suscitando pensamentos e sentimentos relacionados a experiências do
presente ou do passado.
Assim que o grupo amadurece, os participantes tornam-se mais
envolvidos e comprometidos entre si.
Aspecto importante e indispensável na psicoterapia de grupo é a
igualdade de status dos membros. Todos são tratados do mesmo modo.
Durante a terapia, o paciente pode ter insights que provocarão
mudanças significativas em sua forma de se comportar.
Os feedbacks são considerados uma resposta, verbal ou não-verbal,
direta ou indireta, que pode ser utilizada como uma informação a ser
tomada para orientar uma ação futura. Corresponde a uma informação
sincera e não a uma mera opinião ou especulação; encerra um componente
emocional e, ao mesmo tempo, uma revelação pessoal.

2. Grupos Operacionais

A teoria e técnica de grupos operativos, foi desenvolvida por Enrique


Pichon-Rivière (1907-1977), médico psiquiatra e psicanalista de origem
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suíça, que viveu na Argentina desde seus 4 anos de idade. O fenômeno


disparador da técnica de grupos operativos, foi um incidente vivido no
hospital psiquiátrico De Las Mercês, em Rosario, onde desempenhava
atividades clínicas e docentes. Esse incidente foi a greve do pessoal de
enfermagem desse hospital. Para superar aquela situação crítica, Pichon-
Rivière colocou os pacientes menos comprometidos para assistir aos mais
comprometidos. Observou que ambos, subgrupos, apresentaram
significativas melhoras de seus quadros clínicos. O novo processo de
comunicação estabelecido entre os pacientes e a ruptura de papéis
estereotipados - o de quem é cuidado, para o de quem cuida - foram os
elementos referenciais do processo de evolução desses enfermos. Intrigado
com esse resultado passou a estudar os fenômenos grupais a partir dos
postulados da psicanálise, da teoria de campo de Kurt Lewin e da teoria de
Comunicação e Interação. As convergências dessas teorias constituíram-se
nos fundamentos da teoria e técnica de grupos operativos de E. Pichon-
Rivière.
Em relação aos grupos operativos, a sua sistematização foi feita por
Pichon Riviére desde 1945, que definiu grupo operativo como "um conjunto
de pessoas com um objetivo em comum" (apud Bleger, 1993:55). Como diz
Bleger (1993), os grupos operativos trabalham na dialética do ensinar-
aprender; o trabalho em grupo proporciona uma interação entre as pessoas,
onde elas tanto aprendem como também são sujeitos do saber, mesmo que
seja apenas pelo fato da sua experiência de vida; dessa forma, ao mesmo
tempo que aprendem, ensinam também.
Nos grupos operativos, "o ser humano está integralmente incluído em
tudo aquilo em que intervém, de tal maneira que quando existe uma tarefa
sem resolver há, ao mesmo tempo, uma tensão ou conflito psicológico, e
quando é encontrada uma solução para um problema ou tarefa,
simultaneamente fica superada uma tensão ou um conflito psicológico"
(Bleger, 1993:62).
Os grupos operativos abrangem quatro campos:
• Ensino-aprendizagem: cuja tarefa essencial é o espaço para refletir
sobre temas e discutir questões, pode-se exemplificar com os "grupos
Balint" nos hospitais, com objetivo de trabalhar a relação médico-
paciente mais satisfatória, e os "grupos de reflexão" que serão
abordados mais adiante.
• Institucionais: grupos formados em escolas, igrejas, sindicatos,
promovendo reuniões com vistas ao debate sobre questões de seus
interesses.
• Comunitários: utilizados em programas voltados para a Promoção
da Saúde Mental, por exemplo, grupo de gestantes e de crianças, onde
profissionais não-médicos são treinados para a tarefa de integração e
incentivo a capacidades positivas.
• Terapêuticos: como o nome já diz, objetiva a melhoria da situação
patológica dos indivíduos, tanto a nível físico quanto psicológico, que seriam
os grupos de auto-ajuda, Alcoólicos Anônimos, etc.
Os grupos operativos têm como característica principal a centralização
em uma tarefa, constituindo-se como um instrumento de trabalho e um
método de investigação. Eles podem, assim, cumprir uma função
terapêutica, uma vez que estão centrados em uma tarefa que pode ser o
aprendizado, a cura, o diagnóstico de dificuldades, caracterizando-se como
educativos, terapêuticos, dentre outras finalidades (DIAS,2006).
Um grupo formado por pessoas portadoras do mesmo problema
permite a troca de experiências comuns, dando suporte a seus membros.
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É importante que haja um clima de acolhimento e apoio que lhes


permita pensar sobre a doença, expressar sentimentos ligados a ela,
conscientizando-os da relação entre a doença e sua vida.
Pichon define como princípios organizadores de um grupo operativo o
Vínculo e a Tarefa:
Vínculo: O vínculo é um processo motivado que tem direção e sentido,
isto é, tem um porquê é um para quê. Identificamos se o vínculo foi
estabelecido, quando ocorre uma mútua representação interna. Cada
pessoa se relaciona de acordo com seus modelos inaugurais de vinculação,
de acordo com suas matrizes de aprendizagem, e tende a reeditar esse
modelo em outras circunstâncias, sem levar em conta a realidade externa, o
inusitado, repetindo padrões estereotipados, resistindo que algo,
verdadeiramente, novo aconteça.
Em sua teoria do vínculo, Pichon propõe uma situação em forma de
espiral contínua, onde o que se diz ao paciente, por exemplo-interpretação,
no caso de um vínculo terapêutico- determina certa reação do paciente que
é assimilada pelo terapeuta que, por sua vez, a reintroduz em uma nova
interpretação.
A teoria do vínculo também pode ser enunciada como uma estrutura
triangular, ou seja, todo o vínculo é bi-corporal, mas como em toda a
relação humana, há um terceiro interferindo, olhando, corrigindo e vigiando
(alguns aspectos do que Freud chamou como complexo superego).
Tarefa: Tarefa é um conceito dinâmico que diz respeito ao modo pelo
qual cada integrante interage a partir de suas próprias necessidades.
Necessidades essas, que para Pichon-Rivière, constituem-se em um pólo
norteador de conduta. O processo de compartilhar necessidades em torno
de objetivos comuns constitui a tarefa grupal. Nesse processo emergem
obstáculos de várias naturezas. Diferenças e necessidades pessoais e
transferenciais, diferenças de conceitos e marcos referenciais e do
conhecimento formal propriamente dito.
Nas unidades de saúde, por exemplo, pode-se optar por realizar grupos
operativos com o intuito de tratar o tabagismo, dor nas costas ou de
orientar gestantes. Os grupos são compostos por participantes com queixas
em comum (como as citadas acima), os quais têm a oportunidade de
conversar sobre os temas propostos sob supervisão e orientação de um
coordenador (médico, enfermeiro, psicólogo, por exemplo) que elabora um
roteiro estruturado e um planejamento prévio dos encontros.
O foco de trabalho desses grupos geralmente se centra em objetivos
específicos, como esclarecer as dificuldades individuais dos participantes,
rompendo com estereótipos e possibilitando a identificação de obstáculos
que impedem o desenvolvimento desses indivíduos, auxiliando-os a
encontrar condições próprias de resolver e/ou enfrentar seus problemas.
Um grupo operativo pressupõe aprendizagem. Aprender na ótica
pichoneana é sinônimo de mudança. E nessa mesma ótica, em toda
situação de mudança são mobilizados dois medos básicos: da perda e do
ataque. Medo de perder o já estabelecido, o já conquistado e conhecido. O
de ataque é o de como ficarei numa situação não conhecida, como darei
conta "do que está por vir a ser... mas ainda não é...".
Quando o grupo aprende a problematizar, verdadeiramente, os
obstáculos que emergem na concretização de seus objetivos, dizemos que
entrou em tarefa, pois podem elaborar um projeto viável e, dessa forma,
torna-se um grupo que opera mudanças.
O grupo é composto pelos seus integrantes e facilitadores. Os
integrantes entram em tarefa por meio de um disparador temático, a partir
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do qual, o grupo passa a operar ativamente como protagonista. O grupo


deve saber, as normas básicas do funcionamento do grupo (objetivos, local,
horários).
Compete aos facilitadores de grupos operativos, dinamizar o processo,
na medida em que cria condições para comunicação e diálogo e auxilia o
grupo a elaborar os obstáculos que emergem na realização da tarefa.
Nesse sentido, o papel do coordenador no grupo operativo é o de
"coopensor", isto é aquele que pensa junto com o grupo, ao mesmo tempo
que integra o pensamento grupal, facilitando a dinâmica da comunicação
grupal.
Os coordenadores dos grupos apresentaram atributos desejáveis e,
para certas situações, imprescindíveis, dentre eles, destacam-se: coerência,
ética, respeito, paciência, comunicação, empatia, etc (ZIMERMAN, 1997).
Os grupos podem ser vinculados por:
- Patologias (HIV, Diabetes, Hipertensão, etc.);
- Ciclo de vida, com o objetivo de promover saúde (adolescentes,
climatério, puericultura, etc.);
- Aprimoramento da qualidade de vida, em grupos heterogêneos (GVS
– Grupo de Vida Saudável).
A escolha do instrumento de trabalho variará entre os objetivos do
grupo, recursos didáticos disponíveis (TV, vídeo, som, quadros, material
esportivo, etc.) e identidade do grupo. Entre os vários instrumentos para o
trabalho estão os jogos lúdicos, muito interessantes e produtivos.
O tamanho ideal de grupos operativos preconizado pela bibliografia é
de 6 a 8 usuários por oferecem maior oportunidade para o intercâmbio
verbal entre os mesmos, mais do que 10 participantes pode resultar em
interação ampla e produtiva, mas alguns desses serão deixados de fora.
Com relação ao tempo de duração dos grupos operativos, a literatura
sugere uma duração total de 60 a 120 minutos, sendo que de 20 a 30
minutos são necessários para elaboração dos principais temas da sessão
(VINOGRADOV; YALOM, 1992).
A periodicidade e número das reuniões irão variar de acordo com os
objetivos dos grupos.
Em todos os tipos de grupo, podem entrar participantes durante o
funcionamento do mesmo, apesar de esta não ser uma conduta ideal por
dificultar a formação do campo grupal dinâmico.
Nesses grupos, um indivíduo se identifica com o outro, formando uma
identidade.
Cada integrante do grupo comparece com sua história pessoal
consciente e inconsciente, isto é, com sua verticalidade. Na medida que se
constituem em grupo, passam a compartilhar necessidades em função de
objetivos comuns e criam uma nova história, a horizontalidade do grupo,
que não é simplesmente a somatória de suas verticalidades, pois há uma
construção coletiva.
Aprender em grupo, não significa obter um conhecimento formal, mas
uma atitude mental aberta, investigatória e científica.
Os grupos operativos são ferramentas de incorporação do saber
caracterizados pela didática horizontal que torna o indivíduo um agente
ativo e responsável da mudança de hábitos. Além de serem instrumentos de
acolhimento, vínculo, integralidade, co-responsabilidade e trabalho em
equipe.