Anda di halaman 1dari 217

BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Fenômenos

De

Transporte

Professor: Handerson Corrêa Gomes

2011
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Disciplina: Fenômenos de Transporte


Curso: Engenharias
Engenharia Mecânica, Elétrica e Civil
Prof .: Handerson Corrêa Gomes

Objetivos:

- Aprender os princípios básicos da Mecânica dos Fluidos e da Transferência de


Calor;
- Analisar as distribuições de pressão em fluidos em repouso;
- Analisar as distribuições de força em corpos e superfícies submersas;
- Estudar o escoamento ideal e real no interior de dutos;
- Analisar as maneiras através das quais o calor é transmitido.

Ementa:

Mecânica dos Fluidos: Propriedades Físicas; Equações Gerais da Estática, Cinemática e


Dinâmica dos Fluidos; Cálculos de Pressões Hidrostáticas, de Forças sobre Superfícies
Submersas e de Perda de Carga; Medição de Viscosidade, Pressão e Velocidade.
Transferência de Calor: Condução, Convecção, Radiação, Aplicações. Transferência de Massa:
Difusão, Coeficiente de Transferência de Massa, Teoria da Camada Limite, Aplicações.

2
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Índice

1. Introdução a Mecânica dos Fluidos................................................................. 07


1.1. Definição.................................................................................................... 07
1.2. Objetivo...................................................................................................... 07
1.3. Aplicação.................................................................................................... 07
2. Definição de um Fluido.................................................................................... 07
2.1. Introdução.................................................................................................. 07
2.2. A Hipótese do Contínuo............................................................................. 08
2.3. Princípio da Aderência............................................................................... 08
3. Métodos de Análise......................................................................................... 09
3.1. Sistema...................................................................................................... 09
3.2. Volume de Controle................................................................................... 09
4. Dimensões e Unidades................................................................................... 09
4.1. Introdução.................................................................................................. 09
4.2. Sistemas de Dimensões............................................................................ 09
4.3. Sistemas de Unidades............................................................................... 10
5. Propriedades Físicas dos Fluidos.................................................................... 11
5.1. Peso Específico.......................................................................................... 11
5.2. Volume Específico..................................................................................... 12
5.3. Densidade Relativa.................................................................................... 12
5.4. Massa Específica ou Densidade Absoluta................................................. 13
5.5. Módulo da Elasticidade Volumétrico........................................................... 13
5.5.1. Condições Isotérmicas............................................................................... 14
5.5.2. Condições Adiabáticas............................................................................... 14
5.6. Coeficiente de Compressibilidade (C) ....................................................... 14
6. Campo de Velocidade...................................................................................... 15
7. Regime Permanente e Trasiente...................................................................... 15
7.1. Regime Permanente................................................................................... 15
7.2. Regime Transiente..................................................................................... 15
7.3. Campo Uniforme de Escoamento.............................................................. 16
8. Escoamentos Uni, Bi, Tridimensional............................................................... 16
8.1. Escoamento Unidimensional...................................................................... 16
8.2. Escoamento Bidimensional......................................................................... 16

3
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

8.3. Linhas de Tempo, Trajetórias, Linhas de Emissão e Corrente.................. 17


8.4. Campos de Tensão................................................................................... 21
9. Viscosidade..................................................................................................... 22
9.1. Viscosidade Dinâmica ou Absoluta: (µ)..................................................... 22
9.2. Viscosidade Cinemática: (ν)...................................................................... 23
9.3. Número de Reynolds: (Re) ....................................................................... 23
9.4. Tipos de Escoamento................................................................................. 24
10. Pressão............................................................................................................. 26
10.1. Lei de Pascal.............................................................................................. 28
11. Fluidoestática.................................................................................................... 28
11.1. A Equação Básica da Estática dos Fluidos................................................ 29
11.2. Pressão Manométrica................................................................................. 31
11.3. Pressão Absoluta........................................................................................ 32
11.4. O Barômetro de Mercúrio............................................................................ 32
11.5. Aplicação para a Manometria...................................................................... 33
11.6. Tipos de Manômetros.................................................................................. 35
11.6.1. Manômetros de líquido................................................................................ 35
11.6.2. Manômetros Metálicos................................................................................ 36
12. Equilíbrio dos Corpos Flutuantes...................................................................... 36
12.1. Princípio de Arquimedes............................................................................. 38
13. Fluidodinâmica.................................................................................................. 42
13.1. Sistema........................................................................................................ 42
13.2. Volume de Controle..................................................................................... 42
13.3. A Relação Entre as Derivadas do Sistema e a Formulação Para Volume de
Controle........................................................................................................ 42
13.4. Equação da Continuidade (de Conservação da Massa) Para um Volume de Controle
Arbitrário....................................................................................................... 43
13.4.1. Casos Especiais........................................................................................... 44
13.4.2. Vazão Mássica e Vazão Volumétrica........................................................... 46
13.5. 1a Lei da Termodinâmica Aplicada ao Volume de Controle........................ 47
13.6. Equação de Bernoulli.................................................................................... 50
13.6.1. A Equação de Bernoulli Para Fluidos Ideais................................................ 51
13.6.1.1. Visualização Gráfica da Equação de Bernoulli....................................... 52
13.6.2. Aplicações da Equação de Bernoulli............................................................. 53
13.6.2.1. Teorema de Torricelli............................................................................... 53

4
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.6.2.2. Medidores de Vazão............................................................................... 54


13.6.2.2.1. Tubo de Venturi....................................................................................... 56
13.6.2.2.2. Tupo de Pitot.......................................................................................... 57
13.6.2.2.3. Placa de Orifício..................................................................................... 59
13.6.2.2.4. Pressão de Estagnação.......................................................................... 62
13.7. Equação de Bernoulli Para Fluidos Reais – Perda de Carga....................... 63
13.7.1. Visualização Gráfica da Equação de Bernoulli Para Fluidos
Reais............................................................................................................. 63
13.7.2. Tipos de Perda de Carga.............................................................................. 64
13.7.2.1. Perdas de Carga Contínuas.................................................................... 64
13.7.2.2. Perdas de Carga Localizadas................................................................. 69
13.8. Potência Fornecida por uma Bomba............................................................. 76
14. Transferência de Calor........................................................................................ 80
14.1. Introdução...................................................................................................... 80
14.2. Modos de Transferência de Calor................................................................. 80
14.2.1. Condução...................................................................................................... 80
14.2.2. Convecção..................................................................................................... 82
14.2.3. Radiação........................................................................................................ 82
14.3. Leis Básicas da Transferência de Calor......................................................... 83
14.3.1. Condução....................................................................................................... 84
14.3.2. Convecção..................................................................................................... 86
14.3.3. Radiação........................................................................................................ 88
15. Condução............................................................................................................. 91
15.1. Introdução à Condução.................................................................................. 91
15.2. Propriedades Térmicas da Matéria................................................................ 92
15.3. Conservação de Energia em um Volume de Controle................................... 93
15.4. Equação da Difusão de Calor......................................................................... 96
15.4.1. Coordenadas Cartesianas.............................................................................. 96
15.4.2. Coordenadas Cilíndricas................................................................................. 99
15.4.3. Coordenadas Esféricas................................................................................... 99
15.4.4. Condições de Contorno e Condição Inicial..................................................... 100
15.5. Condução Unidimensional em Regime Permanente...................................... 103
15.5.1. Parede Simples............................................................................................... 103
15.5.2. Resistência Térmica....................................................................................... 104
15.5.3. Parede Composta........................................................................................... 108

5
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

15.5.4. Parede Composta: Série-Paralelo.................................................................. 110


15.5.5. Resistência de Contato................................................................................... 111
15.6. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais –
Cilindro............................................................................................................. 114
15.6.1. Distribuição de Temperatura........................................................................... 114
15.6.2. Parede Cilíndrica Composta.......................................................................... 117
15.6.3. Espessura Crítica de Isolamento................................................................... 120
15.7. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais –
Esfera...............................................................................................................124
15.8. Condução com Geração de Energia Térmica................................................ 125
15.8.1. Condução com Geração de Energia Térmica - Parede Plana ...................... 125
15.8.2. Condução com Geração de Energia Térmica – Sistemas Radiais................. 127
16. Transferência de Calor em Superfícies Expandidas – Aletas................................ 129
16.1. Introdução....................................................................................................... 129
16.2. Tipos de Aletas............................................................................................... 131
16.3. Balanço de Energia para uma Aleta............................................................... 132
16.4. Aletas com área da seção transversal constante........................................... 133
16.5. Desempenho da Aleta.................................................................................... 138
17. Condução Transiente............................................................................................ 141
17.1. Introdução....................................................................................................... 141
17.2. Método da Capacitância Global...................................................................... 141
18. Convecção............................................................................................................. 143
18.1. Fundamentos da Convecção.......................................................................... 143
18.2. As Camadas Limites da Convecção............................................................... 145
18.2.1. A Camada Limite Hidrodinâmica.....................................................................145
18.2.2. As Camadas Limites de Concentração........................................................... 147
18.3. Escoamento Laminar e Turbulento................................................................. 148
18.4. A Camada Limite Térmica...............................................................................151
EXERCÍCIOS RECOMENDADOS............................................................................ 153
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................... 202
Apêndice A................................................................................................................. 203
Apêndice B................................................................................................................. 207

6
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

1. Introdução a Mecânica dos Fluidos

1.1. Definição: é a ciência que estuda o comportamento físico dos fluidos e as leis que regem
tal comportamento. Estudo do comportamento dos fluidos em repouso (Fluidoestática) e em
movimento (Fluidodinâmica).

1.2. Objetivo: conhecer, compreender e analisar qualquer sistema no qual um fluido é o meio
produtor de trabalho.

1.3. Aplicação: máquinas de fluxo (bombas, ventiladores, compressores e turbinas), aeronaves,


automóveis, submarinos, sistemas de aquecimento e ventilação de residências, edifícios
comerciais, sistemas de tubulações, corpos flutuantes, medicina, etc.

2. Definição de um Fluido

2.1. Introdução: É uma sustância que se deforma continuamente sob a aplicação de uma
tensão de cisalhamento (força tangencial), não importa sua intensidade (figura 1). Os fluidos
compreendem as fases líquida e gasosa (ou de vapor) das formas físicas nas quais a matéria
existe.

Figura 1 – Elemento Fluido sob a Ação de Esforço Tangencial Constante.

A distinção entre um fluido e o estado sólido fica clara ao ser comparado seu comportamento.
Ao ser aplicada uma força tangencial F (fig.2a) sobre um sólido fixado entre as duas placas, o
bloco sofre uma deformação e se estabiliza no novo formato. No regime elástico do material, ao
cessar a aplicação da força, o sólido retorna à forma original. Repetindo a experiência para um

7
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

fluido, ele se deformará continuamente, enquanto existir uma força tangencial atuando sobre ele
(fig.2b).

Figura 2 – Comportamento de (a) um Sólido e (b) um Fluido, Sob a Ação de uma Força
de Cisalhamento Constante.
1a Situação:
Figura 2a
Mantida a Ft constante o sólido deformar-se-á até alcançar uma posição de equilíbrio estático.

2a Situação:
Figura 2b
Sob a ação da Ft deforma-se continuamente, não se alcançando uma posição de equilíbrio
estático.

2.2. A Hipótese do Contínuo: Como o espaço médio entre as moléculas que compõem o fluido
é bastante inferior às dimensões físicas dos problemas estudados, considera-se o fluido como
uma substância que pode ser dividida ao infinito.

2.3. Princípio da Aderência: “Os pontos de um fluido em contato com uma superfície sólida
possuem a mesma velocidade dos pontos desta com os quais estão em contato; não há
deslizamento naquelas fronteiras”. (fig.3)

Figura 3 – O Perfil de Velocidade Linear no Líquido entre Placas Paralelas Infinitas.

8
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

3. Métodos de análise
3.1. Sistema: quantidade de massa fixa e identificável; as fronteiras do sistema separam-no do
ambiente à volta; não há transferência de massa através das mesmas, calor e trabalho poderão
cruzar as fronteiras, conforme mostrado na fig. 4 .

Figura 4 – Conjunto Pistão-Cilindro

3.2. Volume de controle: volume do espaço através do qual o fluido escoa (arbitrário), a
fronteira geométrica é chamada superfície de controle, conforme mostrado na fig. 5.

Figura 5 – Escoamento de um Fluido Através de um Tubo.

4. Dimensões e unidades
4.1. Introdução
Dimensões: são grandezas mensuráveis (quantidades físicas: podem ser primárias (básicas) e
secundárias (derivadas)).
Unidades: são nomes arbitrários dados às dimensões.

4.2. Sistemas de Dimensões


Lei da Homogeneidade dimensional: “Todos os termos de uma expressão matemática, que,
traduz um fenômeno físico, devem possuir a mesma dimensão”.
Exemplo:

9
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

4.3. Sistema de Unidades


Pode-se trabalhar com diferentes unidades para as grandezas (massa, comprimento, etc.).
Países diferentes podem utilizar sistemas de unidades diferentes. Em 1960, instituiu-se o
Sistema Internacional (SI), como uma tentativa de padronização. Foram definidas 7 grandezas
básicas (massa, comprimento, tempo, temperatura, corrente elétrica, quantidade de matéria e
intensidade luminosa) e padronizadas as suas unidades.
A partir delas, podem ser derivadas as unidades das outras grandezas (excetuando-se as
grandezas elétricas). No entanto, alguns países ainda adotam os antigos sistemas de unidades.
No Sistema Britânico, as grandezas básicas são força, comprimento, temperatura e tempo. A
massa passa a ser, portanto, uma grandeza secundária.

SI absoluto: M(massa), L(comprimento), t(tempo), T(temperatura), I(corrente elétrica),


quantidade de matéria e intensidade luminosa. Técnico inglês: F(força), L(comprimento),
t(tempo), T(temperatura).

Tabela 1 – Sistemas de Unidades.

No Apêndice B são apresentados os fatores de conversão entre os sistemas para as diferentes


grandezas.

10
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A Tab. 2 apresenta prefixos utilizados em engenharia para escrever valores muitos pequenos ou
muito grandes de uma maneira mais concisa.

Tabela 2 – Principais prefixos para unidades de Engenharia.

5. Propriedades físicas dos fluidos

5.1. Peso especifico: (γ)


É o peso do fluido contido em uma unidade de volume.

11
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

5.2. Volume específico: (ν)


Inverso da massa específica.

5.3. Densidade relativa: (δ,d ou SG)


Razão entre a massa específica de uma substância e a massa específica de uma substância de
referência. Para líquidos, o fluido de referência é a água e, para os gases, o ar. Quando se
trabalha com densidades relativas de sólidos, é comum que a substância de referência seja a
água.

12
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

5.4. Massa específica ou densidade absoluta: (β )

Também conhecida como densidade absoluta, é a quantidade de massa do fluido contida em


uma unidade de volume.

A densidade dos gases variam bastante quando são alteradas sua pressão, e/ou sua
temperatura. Ao contrário, a densidade dos líquidos apresenta pequenas variações com
alterações de pressão e temperatura, são, em sua maioria, considerados incompressíveis. Na
Tab. A.1 (Apêndice A), são apresentados valores de massa específica para alguns fluidos, a
20°C e 1 atm. As Tab.s A.2 e A.3 apresentam, respec tivamente, a variação da massa específica
da água e do ar com a temperatura, para a pressão de 1 atm.

5.5. Módulo da Elasticidade Volumétrico: (β)


Razão entre uma variação de pressão e a correspondente variação de volume por unidade de
volume.

13
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Expressa a compressibilidade do fluido. A compressibilidade de uma substância é a medida da


variação relativa de volume decorrente de aplicação de pressão. O módulo de compressibilidade
de líquidos costuma ser obtido experimentalmente. No caso de gases, o seu valor depende do
tipo de processo que resulta da compressão.

5.5.1. Condições isotérmicas: T = constante

5.5.2. Condições adiabáticas:

5.6. Coeficiente de Compressibilidade: (C)


Inverso do módulo de elasticidade volumétrico.

14
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

6. Campo de velocidade
Entre as propriedades do escoamento, destaca-se o campo de velocidade. Seja o volume
de fluido mostrado na Fig. 6.

Figura 6 – Determinação do Campo de Velocidades em um Ponto.

A velocidade instantânea do fluido no ponto C é igual à velocidade instantânea do volume


infinitesimal que passa pelo ponto C no instante de tempo em questão.

O campo de velocidade, , é função das coordenadas x, y e z e do tempo t. A completa


representação do campo de velocidades é dada por:

= (x, y, z,t)

O vetor velocidade, , pode ser expresso em termos de suas três componentes escalares.
Chamando estas componentes nas direções x, y e z de, respectivamente, u, v e w, o campo de
velocidades pode ser escrito como:

= uiˆ + vˆj + wkˆ,


onde: u = u(x, y,z, t), v = v(x, y,z, t) e w = w(x, y,z, t)

7. Regime permanente e transiente

7.1. Regime Permanente: As propriedades do fluido, em cada ponto do escoamento, não


variam com o tempo. A definição matemática do movimento permanente é:

, onde representa uma propriedade qualquer do fluido.

7.2. Regime Transiente: As propriedades do fluido variam com o tempo.

15
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

7.3. Campo Uniforme de Escoamento: Escoamento no qual o módulo e o sentido do vetor


velocidade são constantes, ou seja, independentes de todas as coordenadas espaciais, através
de toda a extensão do campo.

8. Escoamentos uni, bi, tridimensional.


Os escoamentos podem ser classificados em uni-, bi- e tridimensionais de acordo com o número
de coordenadas necessárias para se definir seu campo de velocidades.

8.1. Escoamento unidimensional:


Exemplo:
Suponha o escoamento em regime permanente no interior de um duto de seção transversal
constante mostrado na Fig. 7.

Figura 7 – Exemplo de Escoamento Unidimensional.

A partir de uma certa distância da entrada do duto, a velocidade pode ser descrita pela equação:

Como o campo de velocidades depende apenas da distância radial r, o escoamento é


unidimensional.

8.2. Escoamento bidimensional:


Seja agora o escoamento entre placas divergentes, de largura infinita (Fig. 8). Como o canal é
considerado infinito na direção do eixo dos z, o campo das velocidades será idêntico em todos
os planos perpendiculares a este eixo. Conseqüentemente, o campo de velocidades é função
somente das coordenadas x e y. O campo do escoamento é, portanto, bidimensional.

16
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 8 – Exemplo de Escoamento Bidimensional.

8.3. Linhas de tempo, trajetórias, linhas de emissão e linhas de corrente:


Na análise de problemas de mecânica dos fluidos, freqüentemente é vantajoso obter uma
representação visual de campo de escoamento. Tal representação é provida de linhas de tempo,
de trajeto, de emissão e de corrente.
Se num campo de escoamento uma quantidade de partículas fluidas adjacentes forem
marcadas num dado instante, elas formarão uma linha no fluido naquele instante, esta linha é
chamada de linha de tempo.
Uma linha de trajeto é o caminho ou trajetória traçada por uma partícula fluida em movimento.
Para torná-la visível, temos que identificar uma partícula fluida, num dado instante, por exemplo,
pelo emprego de um corante; em seguida, tiramos uma fotografia de exposição prolongada do
seu movimento subseqüente. A linha traçada pela partícula é uma trajetória Por outro lado,
poderíamos preferir concentrar a atenção em um lugar fixo do espaço e identificar, novamente
pelo emprego do corante, todas as partículas fluidas que passam por aquele ponto. Após um
curto período, teríamos uma certa quantidade de partículas fluidas identificáveis no escoamento.
Todas elas, em algum momento, teriam passado por um local fixo no espaço. A linha em que
une as partículas fluidas, num ponto fixo no espaço, é definida como linha de emissão.
As linhas de corrente são aquelas desenhadas no campo de escoamento, de forma que, num
dado instante, são tangentes à direção do escoamento em cada ponto do campo.
Como as linhas de corrente são tangentes ao vetor velocidade em cada ponto do campo, não
pode haver escoamento através delas.
No escoamento permanente, a velocidade em cada ponto do campo permanece constante com
o tempo e, em conseqüência, as linhas de corrente não variam de um instante a outro. Isto
implica que uma partícula localizada numa determinada linha de corrente permanecerá sobre a
mesma. Além disso, partículas consecutivas passando através de um ponto fixo do espaço

17
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

estarão sobre a mesma linha de corrente e, subseqüentemente permanecerão nela. Então num
escoamento permanente, trajetórias e linhas de emissão e de corrente são linhas idênticas no
campo de escoamento.
A forma das linhas de corrente pode variar de instante a instante se o escoamento for transiente.
Neste caso, as trajetórias, as linhas de emissão e as linhas de corrente não coincidem.

Exemplo:
Considere o campo de escoamento , onde a = 0,2 s-2 e b = 3 m/s.
As coordenadas são medidas em metros. Para a partícula que passa pelo ponto (x, y) = (3,1) no
instante t = 0, trace a trajetória durante o intervalo de tempo de t = 0 a t = 3 s. Compare esta
trajetória com as linhas de corrente que passam pelo mesmo ponto nos instantes t = 0, 1 e 3
segundos.

Resolução:

18
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Exemplo:
O campo de velocidade , onde a = b = 1 s-1, pode ser interpretado como
representando o escoamento numa curva em ângulo reto. Obtenha uma equação para as linhas
de corrente do escoamento. Trace diversas linhas de corrente no primeiro quadrante, incluindo
aquela que passa pelo ponto (x,y) = (0,0).

Resolução:
A inclinação das linhas de corrente no plano xy é dado por:

19
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Para o campo de velocidade dado, as constantes a e b são fixas. As linhas de corrente são
obtidas definindo valores diferentes para a constante de integração c.

20
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

8.4. Campo de Tensão

Tanto forças de superfície quanto forças de campo são encontradas no estudo da mecânica dos
meios contínuos. As forças de superfícies atuam nas fronteiras de um meio através de um
contato direto. As forças desenvolvidas sem contato físico e distribuídas por todo o volume do
fluido são denominadas forças de campo. As forças gravitacionais e eletromagnéticas são
exemplos de forças de campo.
A força gravitacional atuando sobre um elemento de volume, dV, é dada por, onde
ρ é a massa específica (massa por unidade de volume) e é a aceleração local da
gravidade. Segue-se que a força de campo gravitacional é por unidade de volume e

por unidade de massa.


O conceito de tensão nos dá uma forma conveniente de descrever o modo pela qual as forças
atuantes na fronteiras do meio são transmitidas através deles. Então campo de tensões seria a
região através da qual as forças atuantes seriam transmitidas através de toda extensão do
material.
Como a força e a área são ambas quantidades vetoriais, podemos prever que o campo de
tensão não será vetorial. O campo de tensões normalmente é chamado de campo tensorial
devido ao campo possuir nove componentes que se comportam como um tensor de 2ª ordem.
Dividindo a magnitude de cada componente da força pela a área , δAx , e tomando o limite
quando δAx se aproxima de zero, definimos as três componentes da tensão mostradas abaixo:

Utilizamos o índice duplo para designar tensões. O primeiro índice (neste caso x) indica o plano
no qual a tensão atua (neste caso a superfície perpendicular ao eixo x). O segundo índice indica
a direção na qual a tensão atua. Também é necessário adotar uma convenção de sinais para a
tensão. Uma componente da tensão é positiva quando o seu sentido e o plano no qual atua são
ambos positivos ou ambos negativos.

21
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

9. Viscosidade

9.1. Viscosidade Dinâmica ou Absoluta: (µ)


Propriedade que determina o grau de resistência do fluido à força de cisalhamento, ou seja, a
dificuldade do fluido em escoar.
Seja o comportamento de um elemento fluido entre 2 placas infinitas. A placa superior move-se
a velocidade constante (δu), sob a influência de uma força aplicada δ Fx.

Figura 9 – Deformação de um Elemento de Fluido.

A tensão tangencial ou tensão de cisalhamento do elemento fluido é dada por:

22
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A constante de proporcionalidade é a viscosidade absoluta ou dinâmica do fluido, µ.

Os fluidos mais comuns, como a água, o ar e a gasolina, são newtonianos em condições


normais.
Se considerarmos as deformações de dois diferentes fluidos newtonianos, por exemplo, glicerina
e água, verificaremos que eles irão se deformar as taxas diferentes sob a ação da mesma
tensão de cisalhamento aplicada. A glicerina apresenta uma resistência à deformação muito
maior do que a água. Dizemos, então, que ela é muito mais viscosa.
A Tab. A.8 apresenta valores de viscosidade absoluta para alguns fluidos. O comportamento da
viscosidade para alguns fluidos Newtonianos é apresentado na Fig. A.1 e. A.2. Pode-se notar
que, para os gases, a viscosidade aumenta com a temperatura, enquanto que os líquidos
apresentam comportamento inverso.

9.2. Viscosidade Cinemática: (ν)


Razão entre a viscosidade dinâmica e a massa específica.

9.3. Número de Reynolds: (Re)


Número adimensional, obtido pela razão entre as forças de inércia e as forças viscosas.
Caracteriza o comportamento global do escoamento de um fluido.

23
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

O número de Reynolds é o adimensional mais importante da Mecânica dos Fluidos. Ele


determina a natureza do escoamento (laminar ou turbulento). Para escoamentos no interior de
tubos, o valor aceito para se caracterizar a transição do escoamento laminar para turbulento é
2300. Para escoamento sobre uma placa plana, o valor é 5x105. Deve-se ressaltar que V* e L*
correspondem, respectivamente, à velocidade e ao comprimento característico do escoamento.
Para escoamentos no interior de tubos, a velocidade V* é a velocidade média no interior do tubo
e L*, o seu diâmetro. Para escoamentos sobre placas planas, V* é a velocidade da corrente livre
e L*, o comprimento da placa.

Figura 10 – Exemplo para o Cálculo do Número de Reynolds.

Como a viscosidade absoluta da glicerina é 1500 vezes superior à viscosidade da água, para
que os fluidos, escoando no interior de tubos com o mesmo diâmetro, tenham comportamentos
semelhantes (mesmo número de Reynolds), a velocidade da glicerina deve ser 1174 vezes
maior do que a velocidade da água.

9.4. Tipos de escoamento:


- Escoamento laminar ( em tubulações Re≤ 2300 )
- Escoamento turbulento (Re > 4000)

24
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 11 – Possível Classificação da Mecânica dos Fluidos.

O escoamento compressível ou incompressível é definido a partir de um parâmetro chamado


número de Mach, que é definido como sendo a razão da velocidade do escoamento ( ) pela
velocidade do som (S) do meio.

Exemplo:
Um eixo com diâmetro externo de 18 mm gira a 20 rotações por segundo dentro de um mancal
de sustentação estacionário de 60 mm de comprimento. Uma película de óleo com espessura de
0,2 mm preenche a folga anular entre o eixo e o mancal. O torque necessário para girar o eixo é
de 0,0036 N.m. Estime a viscosidade do óleo que se encontra na folga anular, em (Pa.s)
 Resolução: Para calcular a viscosidade do óleo devemos utilizar a fórmula de tensão de
cisalhamento:

Primeiramente devemos converter a velocidade para uma unidade na qual possamos trabalhar:

25
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Assim podemos calcular o coeficiente de viscosidade dinâmico fazendo analogia à força:

10. Pressão
Força exercida em uma unidade de área.

26
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A pressão é uma variável dinâmica muito importante na Mecânica dos Fluidos. Um escoamento
só é possível se houver um gradiente de pressão. Para gases ideais, a pressão pode ser
relacionada à densidade e à temperatura através da seguinte expressão:

Onde R é a constante específica de cada gás, relacionada à constante universal dos gases
através da massa molecular do gás MM, sendo MM dada em kg/kmol no sistema Internacional.
A Tab. A.4 apresenta as massas moleculares de alguns gases comuns.

A Tab. A.9 mostra as propriedades termodinâmicas de gases comuns na condição padrão ou


“standard”.

A pressão atuando na base de um recipiente contendo um fluido em repouso pode ser calculada
da maneira mostrada a seguir:

Figura 12 – Exemplo do Cálculo da Pressão na Base de um Recipiente.

27
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

10.1. Lei de Pascal:


“No interior de um fluido em repouso, a pressão é constante em cada ponto”.

Figura 13 – Fluido em Repouso.

11. Fluidoestática
É a parte da Mecânica dos Fluidos que estuda o comportamento dos fluidos em repouso.
A condição de velocidade nula do fluido é denominada condição hidrostática. Em um problema
de hidrostática, o objetivo principal é, em geral, a determinação da distribuição de forças ou
pressões em um elemento fluido.

28
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

11.1. A equação básica da estática dos fluidos:


Dois tipos genéricos de forças podem ser aplicados a um fluido: forças de corpo e forças de
superfície. As forças de corpo, também chamadas de forças de campo, são as forças
desenvolvidas sem contato físico com o fluido, distribuídas por todo o seu volume. É o caso das
forças gravitacionais e eletromagnéticas. De uma maneira geral, a única força de corpo que
deve ser considerada na maioria dos problemas de Mecânica dos Fluidos é a força gravitacional,
ou o peso. As forças de superfície são aquelas que atuam nas fronteiras de um meio, através do
contato direto. Se um fluido estiver em repouso, só poderão estar presentes forças normais à
superfície (por definição, o fluido é a substância incapaz de resistir a forças de cisalhamento
sem se deformar). A única força de superfície a ser considerada é, portanto, a força de pressão.
Seja um volume fluido infinitesimal, de dimensões dx, dy e dz, como mostrado na Fig.14.

Figura 14 – Volume de Controle Infinitesimal.

29
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A 2ª Lei de Newton estabelece que:

Para um elemento fluido em repouso, a aceleração deve ser nula e o somatório de todas as
forças deve ser zero. Assim,

Esta é uma equação vetorial, que pode ser decomposta em três equações escalares,

Para simplificar a equação, é conveniente adotar um sistema de eixos no qual o vetor


gravitacional esteja alinhado com um dos eixos. Se o sistema for escolhido com o eixo z
apontado para cima , as equações podem ser reescritas como:

Se o fluido puder ser considerado incompressível, a diferença de pressão entre dois pontos do
fluido será diretamente proporcional à diferença de altura entre eles (Fig.15).

30
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Conclusões:
1. Não há variação de pressão na direção horizontal, ou seja, dois pontos quaisquer, situados a
uma mesma altura e no mesmo fluido em repouso, estão submetidos à mesma pressão;
2. A pressão varia na direção vertical, sendo esta variação devida ao peso da coluna fluida
(Equação Fundamental da Hidrostática);
3. No limite para ∆z infinitamente pequeno (elemento tendendo a um ponto), Pz = Pn = Px, ou
seja, a pressão em um ponto de um fluido estático é independente da orientação (Lei de
Pascal).
Se o fluido puder ser considerado incompressível, a diferença de pressão entre dois pontos do
fluido será diretamente proporcional à diferença de altura entre eles - Equação Fundamental da
Hidrostática (Fig.15).

Figura 15 – Variação de Pressão em um Fluido Estático.

Os valores de pressão devem ser estabelecidos em relação a um nível de referência. As


maneiras de se expressar a pressão variam, portanto, com o nível de referência adotado.
Quando o nível de referência é zero (vácuo), as pressões são denominadas absolutas.
Quando o nível de referência é a pressão atmosférica local, as pressões são denominadas
pressões manométricas ou efetivas.

11.2. Pressão
Pressão medida tomando-se como referência o valor da pressão atmosférica (Patm).
Patm = 1atm = 101,325 kPa = 1,0332x104 kgf/m2 = 1,0332 kgf/cm2 = 10,332 m.c.a. = 760 mmHg

31
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A pressão manométrica pode assumir valores positivos, negativos ou nulos.


Se P>Patm, Pman > 0
Se P<Patm, Pman < 0
Se P=Patm, Pman = 0

11.3. Pressão Absoluta:


Pressão medida a partir do zero absoluto.
Pabs = Patm + Pman
ou
Pman = Pabs − Patm
A pressão a ser utilizada em cálculos envolvendo equações de gás ideal ou outras equações de
estado é a pressão absoluta.

Figura 16 – Exemplo do Cálculo das Pressões Absoluta e Manométrica.

11.4. O Barômetro de Mercúrio:


A aplicação mais simples da lei da hidrostática é o barômetro, que é um medidor de pressão
atmosférica. Neste dispositivo, um tubo é preenchido com um fluido de alto peso específico
(geralmente o mercúrio), invertido e mergulhado em um reservatório contendo o mesmo fluido.
No processo de inversão do tubo, o mercúrio desce, criando vácuo na parte superior do tubo,
como mostrado na Fig. 17.

32
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 17 – O Barômetro de Mercúrio.

11.5. Aplicação para a Manometria:

Uma variação na elevação é equivalente a uma variação de pressão.

Figura 18 – Variação de Pressão em uma Coluna de Múltiplos Fluidos.

33
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Exemplo:
1) Determine a pressão manométrica no ponto “a”, se o líquido A tem densidade relativa dA=
0,75, e o líquido B, dB=1,20. O líquido em volta do ponto “a” é água e o tanque à esquerda está
aberto para a atmosfera.

Figura 19 – Ilustração do exemplo acima, vasos comunicantes.

Resolução:
Para calcular a pressão no ponto´´a´´, devemos calcular a diferença de pressão do ponto em
aberto (Patm), até chegar em ´´a´´.
Primeiramente faremos algumas transformações para simplificar os cálculos:
1 pol = 25,4 mm
36 pol = 0,914 m
15 pol = 0,381 m
10 pol = 0,254 m
5 pol = 0,127 m

34
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Calculamos as diferenças de pressão:

Temos então como pressão no ponto “a”´:


Pa = 7.831,81Pa

11.6. Tipos de Manômetros:

11.6.1. Manômetros de líquido: São tubos transparentes e curvos, geralmente em forma de U,


que contêm o líquido manométrico. Para medição de altas pressões, utilizam-se fluidos com
altos pesos específicos, como o mercúrio. No caso de menores pressões, utilizam-se fluidos
com menores pesos específicos, como água ou óleo.

Figura 20 – Manômetro de Líquido.

35
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 21 – Manômetro de Líquido.

Figura 22 – Manômetro de Líquido.

36
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

11.6.2. Manômetros metálicos: São instrumentos usados para medir as pressões dos fluidos
através de um tubo metálico curvo (Tubo de Bourdon) ou de um diafragma, que cobre um
recipiente metálico. São os manômetros mais utilizados em aplicações industriais.

Figura 23 – Tubo de Bourdon. Figura 24 – Manômetro de Diafragma.

12. Equilíbrio dos Corpos Flutuantes


Um corpo flutuante ou submerso em um fluido sofre um empuxo de baixo para cima de uma
força igual ao peso do volume do fluido deslocado.
As densidades dos líquidos podem ser determinadas observando-se a profundidade de
flutuação de um densímetro.
Se um corpo está imerso ou flutua em um fluido, a força que nele atua denomina-se empuxo de
flutuação. Seja o objeto mostrado na Fig. 25, imerso em um fluido em repouso.

Figura 25 – Corpo Imerso em um Fluido Estático.

O empuxo vertical no cilindro elementar de volume é dado por:

37
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

12.1. Princípio de Arquimedes:


“Todo corpo imerso em um fluido em equilíbrio recebe, por parte do fluido, um empuxo vertical
de baixo para cima, numericamente igual ao peso do volume deslocado pelo corpo.”

O corpo pode estar, no entanto, imerso ou flutuando no fluido.

Corpo Imerso:

E = peso do volume de fluido deslocado

Corpo Flutuante:

E = peso do volume de fluido deslocado

38
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Situações Possíveis:

• Corpo Permanece Totalmente Imerso e em Equilíbrio:

• Corpo Afunda

• Corpo Fica Parcialmente Imerso

O ponto de aplicação do empuxo é chamado Centro de Flutuação ou de Carena (C).


Corresponde ao centro de gravidade do volume de fluido deslocado.

39
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

• Corpo Permanece Totalmente Imerso e em Equilíbrio:

O centro de flutuação coincide com o centro de gravidade do corpo.

• Corpo Afunda

O centro de flutuação coincide com o centro de gravidade do corpo.

• Corpo Fica Parcialmente Imerso

O centro de flutuação está localizado abaixo do centro de gravidade do corpo.

Quando o corpo está em equilíbrio, E e W possuem a mesma linha de ação. Se o corpo for
afastado da condição de equilíbrio, pode ocorrer uma das seguintes situações:

• Corpo imerso

40
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Se for aplicado um afastamento θ do equilíbrio no corpo, ele permanecerá na nova posição.


Assim, E e W estarão sempre na mesma linha de ação. Nesta situação, o corpo está em
equilíbrio indiferente.

• Corpo flutuante

Figura 26 – Cálculo do Metacentro de um Corpo Submerso.

Se o corpo for inclinado de um pequeno ângulo ∆θ (Fig. 26b), o volume da parte de fluido
deslocado irá se alterar, provocando uma mudança na posição do centro de flutuação do corpo,
que muda de B para B'. A linha vertical passando por B' irá interceptar a linha de simetria do
corpo no ponto M, chamado Metacentro.
Se o metacentro estiver localizado acima do CG do corpo, haverá um momento restaurador, que
tenderá a retornar o corpo para a sua posição de equilíbrio inicial. Neste caso, o corpo se
encontra em equilíbrio estável.
Se o metacentro estiver localizado abaixo do CG do corpo, o momento tenderá a afastar o corpo
ainda mais da posição de equilíbrio inicial. Neste caso, o corpo está em equilíbrio instável.

41
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13. Fluidodinâmica

Os fluidos podem ser analisados utilizando-se o conceito de sistema ou de volume de controle,


figuras 27 e 28.

13.1. Sistema:
Quantidade fixa e definida de massa fluida. Os limites do sistema podem ser fixos ou móveis,
mas não se verifica transporte de massa através deles.

Figura 27 – Conjunto Pistão-Cilindro.

13.2. Volume de Controle:


Volume arbitrário do espaço, através do qual o fluido escoa. O contorno geométrico do volume
de controle é denominado Superfície de Controle. A superfície de controle pode ser real ou
imaginária, e pode estar em repouso ou em movimento.

Figura 28 – Escoamento de um Fluido através de um Tubo.

13.3. A relação entre as derivadas do sistema e a formulação para volume de


controle:
As leis da Mecânica são escritas para um sistema. Elas estabelecem o que ocorre quando há
uma interação entre o sistema e suas vizinhanças. No entanto, em muitos problemas de
Mecânica dos Fluidos, é mais comum a análise dos problemas utilizando-se a formulação de
volume de controle. O teorema de Transporte de Reynolds permite que as leis da Mecânica

42
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

sejam escritas para um volume de controle. Se N for uma propriedade extensiva arbitrária
qualquer, o Teorema de Transporte de Reynolds estabelece que:

13.4. Equação da continuidade (de conservação da massa) para um volume de controle


arbitrário:
Se este teorema for aplicado à equação de conservação da massa,

43
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.4.1. Casos especiais:


Em algumas situações, é possível simplificar a equação de conservação da massa.

44
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A velocidade do escoamento varia em uma dada seção. Define-se a magnitude da velocidade


média em uma seção como sendo a razão entre a vazão volumétrica e a área da seção, ou:

45
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.4.2. Vazão Mássica e Vazão Volumétrica:


Seja um escoamento unidimensional, ou seja, um escoamento que pode ser descrito por apenas
uma coordenada espacial s, função do tempo, ou seja, por s(t).

Figura 29 – Escoamento Unidimensional.

Seja m a massa fluida ocupando a área A no instante de tempo t:

46
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A vazão mássica e a vazão volumétrica podem ser relacionadas pela expressão:

13.5. 1a Lei da Termodinâmica aplicada ao volume de controle:


A primeira lei da Termodinâmica é uma afirmação da conservação da energia. Sua formulação
para sistema é:

A fim de deduzir a formulação para volume de controle, da primeira lei da termodinâmica,


estabelecemos:
N=E

47
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

É importante ressaltar que a dedução da equação está além do escopo desta disciplina. Para
maiores informações, recomenda-se consultar os livros de Mecânica dos Fluidos sugeridos. Na
equação, é qualquer taxa de trabalho de eixo (potência) realizado sobre ou pelo
volume de controle, é qualquer taxa de trabalho não considerada, como trabalho
produzido por forças eletromagnéticas.

48
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Exemplo:
Ar entra em compressor a 14 psia, 80ºF com velocidade desprezível e é descarregado a 70 psia,
500ºF, com velocidade de 500 pés/s, se a potência fornecida ao compressor for 3200 hp e a
vazão em massa 20 lbm/s, determine a taxa de transferência de calor.
 Resolução: Para calcular a taxa de transferência de calor precisamos recorrer à seguinte
fórmula:

49
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.6. Equação de Bernoulli:


Muitas vezes, deseja-se aplicar a equação de conservação da energia para o escoamento em
regime permanente de um fluido incompressível no interior de uma tubulação, com apenas uma
entrada e uma saída de massa. Para esta situação, a equação da energia pode ser simplificada.

50
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.6.1. A Equação de Bernoulli para fluidos ideais:


Para escoamentos de fluidos incompressíveis para os quais se pode desprezar os efeitos de
atrito (fluidos ideais), têm que:

A energia em qualquer ponto da massa fluida em um escoamento incompressível em regime


permanente é constante.

51
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.6.1.1. Visualização gráfica da equação de Bernoulli:


Muitas vezes, é conveniente representar o nível de energia de um escoamento por meios
gráficos. Cada termo na equação de Bernoulli, na forma apresentada tem dimensões de
comprimento, ou carga do fluido em escoamento. Os termos individuais são:

Para um fluido ideal sem trabalho de eixo, a energia mecânica total se conserva. A energia total
por unidade de peso do fluido (ou carga total do escoamento). A linha energética representa a
altura de carga total. Conforme mostrado na equação de Bernoulli, a altura da linha energética
permanece constante para o escoamento sem atrito, quando nenhum trabalho é realizado sobre
ou pelo fluido. A linha piezométrica representa a soma das alturas de carga devidas à elevação
e à pressão estática. A diferença entre as alturas da linha energética e da linha piezométrica
representa a altura de carga dinâmica (de velocidade).

Figura 30 – Linhas Energética e Piezométrica para Escoamento Unidimensional em um


Duto.

52
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.6.2. Aplicações da Equação de Bernoulli:

13.6.2.1. Teorema de Torricelli:


Seja um recipiente de paredes delgadas com a área da superfície livre constante, contendo um
fluido ideal, escoando em regime permanente através de um orifício lateral.

Figura 31 – Escoamento de um Fluido Ideal em um Recipiente de Paredes Delgadas.

53
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Teorema de Torricelli: “A velocidade de um líquido jorrando por um orifício através de uma


parede delgada é igual à velocidade que teria um corpo em queda livre de uma altura h.”.

13.6.2.2. Medidores de vazão:


Freqüentemente, é necessário medir a vazão que passa por uma tubulação. Existem diferentes
dispositivos capazes de efetuar esta medição, divididos principalmente em duas classes:
instrumentos mecânicos e instrumentos de perda de carga. Os instrumentos mecânicos medem
a vazão real do fluido, retendo e medindo uma certa quantidade. Os dispositivos de perda de
carga obstruem o escoamento, causando a aceleração de uma corrente fluida, como mostra na
fig. 32 para um bocal genérico.

Figura 32 – Escoamento Interno através de um Bocal Genérico mostrando o volume de


controle usado para análise.

A separação do escoamento na borda viva da garganta do bocal provoca a formação de uma


zona de recirculação, como mostrado pelas linhas tracejadas a jusante do bocal. A corrente
principal do escoamento continua a se acelerar após a garganta, formando uma vena contracta
na seção 2 e, em seguida, desacelera-se para preencher toda a seção do tubo. Na vena
contracta, a área de escoamento é mínima e a velocidade é máxima.

A vazão teórica pode ser relacionada ao gradiente de pressão através da aplicação da equação
de Bernoulli para fluidos ideais e da equação de conservação de massa. A equação de Bernoulli
estabelece que

54
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

55
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

No entanto, diversos fatores limitam a utilidade da equação anterior para o cálculo da vazão
através do medidor. A área do escoamento real na seção 2 é desconhecida quando a vena
contracta é pronunciada. Em geral, os perfis de velocidade não podem ser considerados
uniformes na seção. Os efeitos de atrito podem se tornar importantes quando os contornos
medidos são abruptos. Finalmente, a localização das tomadas de pressão influencia a leitura da
pressão diferencial.
A equação teórica é ajustada pela definição de um coeficiente de descarga empírico tal que:

Deve ser observado que no cálculo da vazão real a área que deve ser utilizada é a área da
garganta, e não a área do escoamento na seção 2.
São apresentados na literatura valores para os coeficientes dos medidores de vazão, medidos
com distribuições de velocidades turbulentas, completamente desenvolvidas na entrada do
medidor.

13.6.2.2.1. Tubo de Venturi:


O tubo de Venturi é um dispositivo utilizado para medição da vazão ou da velocidade em uma
tubulação. Consiste em uma redução da seção do escoamento, provocando um aumento de
velocidade e uma queda na pressão. Em geral, os medidores são fundidos e usinados com
pequenas tolerâncias, de modo a reproduzir o desempenho de projeto. A perda de carga total é
baixa. Dados experimentais mostram que os coeficientes de descarga variam de 0,98 a 0,995
para altos números de Reynolds (maiores que 2.105). Por isso, C= 0,99 pode ser usado para
medir a vazão em massa com cerca de 1% de erro. Para menores números de Reynolds, a
literatura dos fabricantes deve ser consultada.
A diferença de pressão entre um ponto no escoamento e um ponto no estrangulamento é
medida através de um líquido manométrico, como mostrado na fig. 33

Figura 33 – Tubo de Venturi.

56
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.6.2.2.2. Tubo de Pitot:


Assim como o tubo de Venturi, o tubo de Pitot é um dispositivo utilizado para a medição de
vazão ou a velocidade de um escoamento. Podem ser utilizadas 2configurações. Na primeira
(Fig. 34), um tubo é inserido no escoamento. Ao entrar no tubo, a velocidade do fluido é
reduzida a zero, sem atrito. Aplicando-se a equação de Bernoulli:

Figura 34 – Medição de pressão estática – Tubo de Pitot.

57
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Na segunda configuração, é inserido um fluido manométrico, no qual será lida a diferença de


cotas (Fig. 35). Aplicando-se a equação de Bernoulli ao fluido A,

Figura 35 – Tubo de Pitot com fluido manométrico.

58
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.6.2.2.3. Placa de orifício:


A placa de orifício é uma placa fina que pode ser colocada entre flanges. Como a sua geometria
é simples, é de baixo custo e de fácil instalação e reposição. As principais desvantagens são a
sua capacidade limitada e a elevada perda de carga. As tomadas de pressão podem ser
posicionadas em diversos locais. Como a localização das tomadas influencia o coeficiente de
descarga, valores consistentes devem ser selecionados de manuais. A equação de correlação
recomendada para um orifício concêntrico com tomadas de canto (fig.36) é:

59
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 36 (a) – Geometria de orifício e localização de tomadas de pressão – Placa de


orifício.

Equações de correção similares estão disponíveis para placas de orifícios com tomadas de
flange e com tomadas de pressão D e D/2.

Figura 36 (b) – Placa de Orifício.

60
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A1 = área da seção reta do tubo.


A3 = área da seção reta à entrada do orifício (montante).
A2 = área da seção reta à saída do orifício (jusante).

Aplicando a equação de Bernoulli entre A1 e A2, temos:

Para obtermos a vazão real, devemos considerar o coeficiente de velocidade “CV” responsável
pelas perdas por atrito e choques no orifício, então:

61
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.6.2.2.4. Pressão de estagnação:


É obtida quando um fluido em movimento é desacelerado até a velocidade zero por meio de um
processo sem atrito.

Figura 37 – Medições simultâneas das pressões de estagnação e estática.

62
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

P: pressão estática (é a pressão termodinâmica, é aquela pressão que seria medida por um
instrumento movendo-se com o escoamento).

13.7. Equação de Bernoulli para fluidos reais – perda de carga:

Este último termo é denominado perda de carga, (∆HP) que é a energia por unidade de peso do
líquido, dissipada em forma de calor devido à viscosidade e ao desvio de massa pelos
acessórios e, quando turbulento o regime de escoamento, pela rugosidade.

13.7.1. Visualização gráfica da equação de Bernoulli para fluidos reais:

Figura 38 – Linhas Energética e Piezométrica para Escoamento de um Fluido Real.

63
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A perda de carga entre duas seções quaisquer do escoamento pode ser calculada através de
relações empíricas que dependem principalmente do regime de escoamento e da rugosidade
relativa do duto.

13.7.2. Tipos de perda de carga:

13.7.2.1. Perdas de carga contínuas: ocorre nos trechos retos.

64
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

O principal problema consiste então na determinação do fator de atrito. Basicamente, ele


depende da rugosidade (ε) e do diâmetro da tubulação (D), da velocidade média do

escoamento) e das propriedades do fluido (ρ e µ). Através da análise dimensional,


obtém-se que o fator de atrito é função de 2 adimensionais: a rugosidade relativa (k/D ou ε/D) e
o número de Reynolds.
O adimensional de Reynolds, ou Re é dado por:

O fator de atrito depende do regime de escoamento. Para escoamentos laminares, o fator de


atrito pode ser calculado por:

Para escoamentos turbulentos, a determinação do fator de atrito é mais complicada. A


expressão mais largamente utilizada é a de Colebrook:

No entanto, a expressão anterior é transcendental, ou seja, deve ser resolvida por um


procedimento iterativo. Miller sugere um valor inicial para o fator de atrito (f0), dado por:

65
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Substituindo-se o resultado da equação de Miller na equação de Colebrook, pode-se determinar


um valor para o fator de atrito com cerca de 1% de erro.

Os valores do fator de atrito, para escoamentos laminares e turbulentos, foram determinados


experimentalmente para uma série de valores de Re e de (k/D ou ε/D) e sumarizados em um
ábaco (Fig.38), denominado Ábaco de Moody.
Moody apresenta também uma tabela (Tab.3) para determinação da rugosidade absoluta (ε) em
tubos, para alguns materiais comuns de engenharia.

66
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 39 - Ábaco de Moody.

67
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 40 – Determinação da Rugosidade Relativa.

68
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

13.7.2.2. Perdas de carga localizadas:


Em um sistema real, muitas vezes o escoamento é obrigado a passar por uma série de
acessórios, conexões, curvas ou mudanças abruptas de seção e direção. Ao passar por estes
obstáculos, o escoamento perde energia e tem sua pressão diminuída. As perdas de carga
locais foram determinadas experimentalmente e modeladas segundo duas equações diferentes.

1o método: Método direto

k: é o coeficiente de perda local (característica do acessório – Fig. 41)

Figura 41 Valores aproximados de k.

69
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

2o método: Método dos comprimentos equivalentes

Consiste em transformar o acessório em trecho reto com o mesmo diâmetro e material.

Figura 42 – Comprimentos Equivalentes para Tubulações de Ferro fundido e Aço.

A entrada do escoamento em tubos pode causar uma perda de carga considerável, se for mal
projetada. Na Tab. 4, são apresentadas 3 geometrias básicas de entradas. Para saídas, o
coeficiente de perda local vale 1,0.

70
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Tabela 4 – Coeficiente de Perda de Carga para Entrada de Tubos.

Toda energia cinética do fluido é dissipada pela mistura quando o escoamento descarrega de
um tubo em um grande reservatório ou câmara (saída submersa). Assim, para uma saída
submersa, o coeficiente de perda é igual a α, não importando a geometria.
Um escoamento pode ainda sofrer uma expansão ou contração abrupta. Para este caso, a Tab.
5 apresenta os coeficientes de perda de carga, em função da razão de área AR (razão entre a
menor e a maior área da contração ou expansão).

Tabela 5 – Coeficientes de Perda de Carga para Contração e Expansão.

Para uma expressão abrupta, o coeficiente de perda de carga pode ser modelado pela equação:

71
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

As perdas decorrentes da variação de área podem ser reduzidas pala instalação de um bocal ou
um difusor entre as duas seções de tubo reto. Um bocal é um dispositivo utilizado para a
redução gradual da seção do escoamento (Fig.43). A Tab. 6 apresenta os coeficientes de perda
de carga para bocais, para diferentes razões de área e para diferentes ângulos θ.

Figura 43 – Redução de Área – Bocal.

Tabela 6 – Coeficientes de Perda de Carga para Redução Suave da Seção

As perdas em difusores (expansão gradual da seção do escoamento) dependem de diversas


variáveis geométricas e do escoamento. Como um difusor provoca um aumento da pressão
estática do escoamento (redução da velocidade média), o coeficiente de perda é comumente
apresentado em termo de um coeficiente de recuperação de pressão, CP:

O coeficiente de perda é dado por

Definindo-se um coeficiente ideal de recuperação de pressão, CPi, como o coeficiente de


recuperação que existiria se os efeitos de atrito fossem desprezados.

72
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A Fig. 44 apresenta os coeficientes de carga para difusores, em função do ângulo total do


difusor.

Figura 44 – Coeficiente de Perda de Carga para um Difusor.

Deve ser observado que as perdas de carga são obtidas ao se multiplicar o coeficiente de perda
por (U2/2g). No entanto, em uma redução ou aumento de seção, há duas velocidades diferentes;
a da maior e a da menor seção. Para estes casos, sempre deve ser usado o maior valor de
velocidade.
As perdas de carga em escoamentos através de válvulas e conexões também podem ser
escritas em termos de comprimentos equivalentes de tubos retos. Estes valores, para cada um
dos acessórios, são mostrados na Tab. 7.
Tabela 7 – Comprimento Equivalente Adimensional para Válvulas e Conexões.

73
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Válvulas são dispositivos destinados a estabelecer, controlar e interromper a descarga de fluidos


em tubulações. Algumas garantem a segurança da instalação e outras permitem desmontagens
para reparos ou substituições de elementos da instalação. Existe uma grande variedade de tipos
de válvulas, cuja escolha depende da natureza da operação a realizar, das propriedades físicas
e químicas do fluido considerado, da pressão e da temperatura do escoamento e da forma de
acionamento pretendida.
As válvulas de gaveta (Fig.45) são válvulas mais empregadas para escoamento de líquidos.
Possuem custo relativamente reduzido e permitem a redução da vazão do escoamento através
do volante situado na parte superior do corpo da válvula. Quando o volante é girado, a válvula
desliza para baixo na seção.

Figura 45 – Válvula de gaveta.

As válvulas de esfera são válvulas de uso geral, de fechamento rápido, muito usadas para ar
comprimido, vácuo, vapor, gases e líquidos. O controle do fluxo é feito por meio de uma esfera,
possuindo uma passagem central e localizada no corpo da válvula. O comando é, em geral,
manual, com auxílio de uma alavanca. Estas válvulas não se aplicam, a casos em que se
pretende variar a vazão, mas apenas abrir ou fechar totalmente a passagem do fluido.

74
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

As válvulas globo (Fig. 46) possuem uma haste parcialmente rosqueada em cuja extremidade
existe um alargamento, tampão ou disco para controlar a passagem do fluido por orifício.
Servem para regular a vazão, pois podem trabalhar com tampão da vedação do orifício em
qualquer posição, embora acarretem grandes perdas de carga, mesmo com abertura máxima.

Figura 46 – Válvula Globo.


As válvulas de retenção (Fig.47) permitem o escoamento em um só sentido. Quando há a
tendência de inversão no sentido do escoamento, fecham automaticamente pela diferença de
pressão provocada.

Figura 47 – Válvula de Retenção.


Existe um número muito grande de dados experimentais para as perdas da carga localizadas.
Os valores apresentados constituem uma compilação dos dados da literatura, proposta por Fox
e McDonald (2001). Eles devem ser considerados como dados representativos para algumas
situações comumente encontradas. Para válvulas, o projeto irá variar significativamente,
dependendo do fabricante. Sempre que possível, os valores fornecidos pelos fabricantes
deverão ser utilizados para a obtenção de dados mais precisos. Além disso, como as perdas de
carga introduzidas por acessórios e válvulas irão variar consideravelmente, dependendo dos

75
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

cuidados tomados durante a fabricação da tubulação. Rebarbas do corte de trechos de tubos,


por exemplo, poderão causar obstruções locais, com aumento considerável das perdas.

13.8. Potência fornecida por uma bomba


Se for necessário transportar um fluido de um ponto a outro situado em uma posição mais
elevada, pode-se utilizar uma bomba. A bomba fornecerá ao fluido uma quantidade de energia
por unidade de peso do fluido Hman.

Figura 48 – Elevação de um Fluido com uma Bomba.

Hman: é a energia por unidade de peso do fluido fornecida pela bomba (altura manométrica). É a
energia fornecida a cada kgf de líquido para que partindo do reservatório inferior atinja o

76
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

reservatório superior, vencendo a diferença de pressão entre os reservatórios, a altura de


desnível geométrico e a perda de carga DIM[L].
No entanto, a energia disponível para a bomba é diferente da energia transferida pela bomba
para o fluido. Uma parte da energia é perdida por fugas de massa e por dissipação por atrito no
interior da bomba. A eficiência da bomba é definida então como sendo a razão entre a energia
disponível para o fluido e a energia disponível para a bomba, ou seja, a razão entre a potência
real da bomba e a sua potência ideal.

Exemplo:
Um conjunto elevatório esquematizado na figura abaixo trabalha nas seguintes
condições:
- Vazão = 100 l.s-1
- Material = Ferro fundido
- Rendimento total = 75%
- Diâmetro da tubulação de recalque = 200 mm
- Diâmetro da tubulação de sucção = 250 mm

Determinar:

a) Perda de carga na linha de sucção em (m).


b) Perda de carga na linha de recalque em (m).
c) Altura manométrica em (m).
d) Potência da bomba de acionamento em (cv).

77
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 49 – Conjunto elevatório referente ao exemplo acima

Resolução: Para calcularmos os itens acima, iremos dividir em dois blocos: Sucção e Recalque.

78
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

* Obtenção do fator de atrito:


Pelo fato do número de Reynolds ter sido maior que 4.000 o escoamento se caracteriza
turbulento.

79
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

80
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

14. Transferência de Calor

14.1. Introdução
Sempre que existir um gradiente de temperatura no interior de um sistema ou dois sistemas a
diferentes temperaturas colocadas em contato, haverá transferência de energia por calor.
A transferência de calor é o trânsito de energia provocado por uma diferença de temperatura, no
sentido da temperatura mais alta para a mais baixa.

Figura 50 - Transferência de calor.

Os processos de transferência de calor devem obedecer às leis da Termodinâmica:


1a Lei da Termodinâmica: A energia não pode ser criada ou destruída, mas apenas
transformada de uma forma para outra.
2a Lei da Termodinâmica: É impossível existir um processo cujo único resultado seja a
transferência de calor de uma região de baixa temperatura para outra de temperatura mais alta.

14.2. Modos de Transferência de Calor:


Os diferentes processos através dos quais o calor é transmitido são chamados modos. Os
modos de transferência de calor são: condução, convecção e radiação.

14.2.1. Condução:
Transferência de calor que ocorre em um meio estacionário, que pode ser um sólido ou um
fluido. É um processo pelo qual o calor flui de uma região de temperatura mais alta para outra de
temperatura mais baixa dentro de um meio (sólido, líquido ou gasoso) ou entre meios diferentes
em contato físico direto. A energia é transferida através de comunicação molecular direta, sem
apreciável deslocamento das moléculas.

81
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 51 – Associação da transferência de calor por condução à difusão da energia provocada


pela atividade molecular.

14.2.2. Convecção:
Transferência de calor que ocorre entre uma superfície e um fluido em movimento, quando
estiverem em temperaturas diferentes. É um processo de transferência de energia através da
ação combinada de condução de calor, armazenamento de energia e movimentação da mistura.
É importante principalmente como mecanismo de transferência de energia entre uma superfície
sólida e um fluido.

Figura 52 – Processos de transferência convectiva de calor. (a) Convecção natural. (b)


Convecção forçada.
14.2.3. Radiação:
Energia emitida na forma de ondas eletromagnéticas por uma superfície a uma temperatura
finita. É a energia emitida por toda matéria que se encontra a uma temperatura não nula. O calor
radiante é emitido por um corpo na forma de impulsos, ou quantas de energia.

82
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 53 – Troca radiativa entre uma superfície e as suas vizinhanças.


A radiação térmica é a energia eletromagnética propagada na velocidade da luz, emitida pelos
corpos em virtude de sua temperatura. Os átomos, moléculas ou elétrons são excitados e
retornam espontaneamente para os estados de menor energia. Neste processo, emitem energia
na forma de radiação eletromagnética. Uma vez que a emissão resulta de variações nos estados
eletrônicos, rotacional e vibracional dos átomos e moléculas, a radiação emitida é usualmente
distribuída sobre uma faixa de comprimentos de onda. Estas faixas e os comprimentos de onda
representando os limites aproximados são mostrados na Fig. 54.

Figura 54 – Troca radiativa entre uma superfície e as suas vizinhanças.

14.3. Leis Básicas da Transferência de Calor:

Equações de Taxa

83
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Todos os processos de transferência de calor podem ser quantificados através da equação de


taxa apropriada. A equação pode ser usada para se calcular a quantidade de energia transferida
por unidade de tempo.
A taxa de energia é denotada por q, e tem unidade de (W – Watt) no sistema internacional.
Outra maneira de se quantificar a transferência de energia é através do fluxo de calor, q" , que é
a taxa de energia por unidade de área (perpendicular à direção da troca de calor). No sistema
internacional, a unidade do fluxo é (W/m2).

14.3.1. Condução
Equação de taxa: Lei de Fourier

A taxa de calor pode ser obtida multiplicando-se o fluxo de calor pela área perpendicular à
direção da transferência de calor,
qcond = −kA dT
dx
O sinal negativo aparece porque o calor está sendo transferido na direção da temperatura
decrescente. A lei de Fourier se aplica a todos os estados da matéria (sólidos, líquidos e gases),
desde que estejam em repouso.
Seja a transferência unidimensional de calor em uma parede plana (Figura 55).

Figura 55 – Transferência de Calor em uma Parede Plana.

84
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Considere que, na parede mostrada na figura 55, a superfície em x = 0 se encontra a uma


temperatura T1 e a superfície em x = L se encontra a T2. A transferência de calor é, portanto,
unidimensional (direção x). Para regime permanente sem geração interna de calor, pode-se
considerar que a distribuição de temperaturas no interior da parede é linear. Assim, o gradiente
de temperatura pode ser dado por:

Exemplo:
1) Uma parede de concreto, área superficial de 20 m2 e espessura de 0.30 m, separa uma sala
de ar condicionado do ar ambiente. A temperatura da superfície interna da parede é mantida a
25ºC, e a condutividade térmica do concreto é 1W/m.K. Determine a perda de calor através da
parede para as temperaturas ambientes internas de – 15 ºC e 38 ºC que correspondem aos
extremos atingidos no inverno e no verão.

85
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

14.3.2. Convecção
Equação de taxa: Lei de Resfriamento de Newton

Figura 56 – Transferência Convectiva de Calor.

86
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Exemplo:
1) Um circuito integrado (chip) quadrado com lado w = 5 mm opera em condições isotérmicas. O
chip está alojado no interior de um substrato de modo que suas superfícies laterais e inferior
estão bem isoladas termicamente, enquanto sua superfície superior encontra-se exposta ao
escoamento de uma substância refrigerante a T∞ = 15ºC.
A partir de testes de controle de qualidade, sabe-se que a temperatura do chip não deve
exceder a T= 85ºC. Se a substância refrigerante é o ar, com coeficiente de transferência de calor
por convecção correspondente de h= 200 W/m2.K. Determine a potência máxima que pode ser
dissipada pelo chip.

87
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

14.3.3. Radiação
Lei de Stefan-Boltzmann
A radiação com comprimento de onda de aproximadamente 0,2 µm a 1000 µm é chamada
radiação térmica e é emitida por todas as substâncias em virtude de sua temperatura.
O fluxo máximo que pode ser emitido por uma superfície é:
q“rad =σTs4

onde: q”rad: Energia emitida por unidade de área da superfície (W/m2)


Ts: Temperatura absoluta da superfície (K)
σ: Constante de Stefan-Boltzmann (5,67x10-8W/m2K4)

Uma superfície capaz de emitir esta quantidade de energia é chamada um radiador ideal ou um
corpo negro. Um corpo negro pode ser definido também como um perfeito absorvedor de
radiação. Toda a radiação incidente sobre um corpo negro (independentemente do comprimento
de onda ou da direção) será absorvida. Embora um corpo negro não exista na natureza, alguns
materiais se aproximam de um corpo negro. Por exemplo, uma camada fina de carbono preto
pode absorver aproximadamente 99% da radiação térmica incidente.
A quantidade de energia liberada de uma superfície como calor radiante depende da
temperatura absoluta e da natureza da superfície. Uma superfície capaz de emitir esta
quantidade de energia é chamada um irradiador perfeito ou “corpo negro”.
O fluxo de calor emitido por uma superfície real é menor do que aquele emitido por um corpo
negro à mesma temperatura e é dado por:
q"rad = εσTs4

88
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

onde: ε é a emissividade da superfície. Esta propriedade indica a eficiência de emissão da


superfície em relação a um corpo negro (0 ≤ε ≤1). A Tabela A.5 (Apêndice A) apresenta a
emissividade de alguns materiais comuns, a 300 K.

Outra propriedade radiativa importante é a absortividade α, que indica a eficiência de absorção


da superfície.
A taxa líquida na qual a radiação é trocada entre duas superfícies é bastante complicada,
dependendo das propriedades radiativas das superfícies e de seu formato. Um caso especial
que ocorre com freqüência envolve a troca líquida de radiação entre uma pequena superfície a
uma temperatura Tsup e uma superfície isotérmica bem maior que a primeira, que a envolve
completamente (Figura 57).

Figura 57 – Troca Radiativa Líquida entre duas Superfícies.

89
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Deve ser ressaltado que o resultado independe das propriedades da superfície maior, já que
nenhuma parcela da radiação emitida pela superfície menor seria refletida de volta para ela.
As superfícies mostradas na Fig. 57 podem também, simultaneamente, trocar calor por
convecção com um fluido adjacente. A taxa total de transferência de calor é dada, portanto, pela
soma da taxa de calor por radiação com a taxa de calor por convecção.

q = qrad + qconv

Exemplo:
1) Uma superfície com área de 0,5 m2, emissividade igual a 0,8 e temperatura de 150ºC é
colocada no interior de uma grande câmara de vácuo cujas paredes são mantidas a 25ºC.
Determine a taxa de emissão de radiação pela superfície?

 Resolução: Para calcular a taxa de emissão de radiação devemos utilizar a fórmula referente
à radiação para uma superfície:

A Tab. 9 apresenta um resumo das equações de taxa dos diferentes modos de transferência de
calor.

90
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

15. Condução

15.1. Introdução à Condução


A Lei de Fourier é uma lei fenomenológica, ou seja, desenvolvida a partir de fenômenos
observados, e não deduzida a partir de princípios fundamentais.

91
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

15.2. Propriedades térmicas da matéria:


A condutividade térmica (K) apresenta a capacidade de um corpo de transferir calor. Ela
depende da estrutura física da matéria, a níveis atômico e molecular. Conforme mostrado na
figura 58, em geral, a condutividade térmica de um sólido é maior que a de um líquido que, por
sua vez, é maior que a de um gás. No sistema internacional, a unidade de k é (W/m.K).

Para uma taxa de calor fixa, um aumento na condutividade térmica representa uma redução do
gradiente de temperatura ao longo da direção da transferência de calor. Esta tendência se deve,
em grande parte, às diferenças de espaçamento intermolecular nos estados da matéria. A
Figura 58 apresenta valores da condutividade térmica para alguns materiais, a 300 K.

Figura 58 – Faixas de Condutividade térmica para vários estados da matéria.

92
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

O produto ρcp, comumente chamado de capacidade calorífica, mede a capacidade de um


material de armazenar energia térmica. Uma vez que substâncias que possuem densidade
elevada são tipicamente caracterizados por reduzidos calores específicos, muitos sólidos e
líquidos, que são considerados meios bons para o armazenamento de energia possuem
capacidades caloríficas de magnitude apreciável. Ao contrário, devido às suas baixas
densidades, os gases são muito pouco adequados para o armazenamento de energia térmica.
No sistema internacional, a unidade de ρcp é (J/m3.K).

A difusividade térmica (α) é definida como sendo a razão entre a condutividade térmica e a
capacidade calorífica:

onde k é a condutividade térmica e ρcp é a capacidade calorífica.

Ela mede a capacidade do material de conduzir a energia térmica em relação à sua capacidade
de armazená-la. Materiais com valores elevados de α responderão rapidamente a mudanças
nas condições térmicas a eles impostas, enquanto materiais com valores reduzidos de α
responderão mais lentamente, levando mais tempo para atingir uma nova condição de equilíbrio.
No sistema internacional, a unidade de α é (m2/s).
Em geral, os sólidos metálicos têm maiores difusividades térmicas, enquanto os sólidos não
metálicos apresentam menores valores desta propriedade.

15.3. Conservação de energia em um volume de controle


Em qualquer instante, de tempo (t) e intervalo de tempo ( t), deve haver um equilíbrio entre
todas as taxas de energia.

- Num instante (t): a taxa com que as energias térmica e a energia mecânica entram num
volume de controle, mais a taxa com que a energia térmica é gerada no interior do volume de
controle, menos a taxa com que as energias térmica e a energia mecânica deixam o volume de
controle, devem ser iguais à taxa de aumento da energia armazenada no interior do volume de
controle.

93
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

- Num intervalo de tempo(∆t): a quantidade de energia térmica e a energia mecânica que entra
num volume de controle, mais a quantidade de energia térmica gerada no interior do volume de
controle, menos a quantidade de energia térmica e a energia mecânica que deixa o volume de
controle, devem ser iguais ao aumento na quantidade de energia armazenada no interior do
volume de controle.

a equação acima pode ser utilizada em qualquer instante de tempo. A forma alternativa, que se
aplica a um intervalo de tempo (∆t), é obtida pela integração da equação ao longo do tempo:

Em palavras essa relação diz que as quantidades de energia que entram e que são geradas
atuam em favor do crescimento da quantidade de energia acumulada no interior do volume de
controle, enquanto a energia que sai atua diminuindo a quantidade de energia armazenada.

Os termos relativos à entrada e saída de energia são fenômenos de superfície. Ou seja, eles
estão associados exclusivamente aos processos que ocorrem na superfície de controle e são
proporcionais a sua área. Uma situação comum envolve a entrada e a saída de energia por meio
da transferência de calor por condução, convecção e ou radiação. Em situações que envolvem o
escoamento de um fluido através da superfície de controle, os termos também incluem a energia
transportada pela matéria que entra e sai do volume de controle. Essa energia pode
compreender as formas interna, cinética e potencial. Os termos de entrada e saída podem
também incluir as interações referentes ao trabalho que ocorre nas fronteiras do sistema.

O termo da geração de energia está associado à conversão de uma outra forma de energia
qualquer (química, elétrica, eletromagnética, ou nuclear) em energia térmica.
Esse é um fenômeno volumétrico. Ou seja, ele ocorre no interior do volume de controle e é
proporcional a magnitude do seu volume. Por exemplo, uma reação química exotérmica pode
estar acontecendo, convertendo energia química em térmica. Nesse caso, o efeito a ser
computado é um aumento na energia térmica da matéria no interior do volume de controle.
Outra fonte de energia térmica é a conversão de energia elétrica que ocorre devido ao
aquecimento resistivo quando se passa uma corrente elétrica através de um material condutor.
Isto é, se uma corrente elétrica I passa através de uma resistência R no interior do volume de
controle, energia elétrica é dissipada a uma taxa igual a I².R, que corresponde à taxa na qual a
energia térmica é gerada (liberada) no interior do volume de controle. Embora esse processo

94
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

possa ser alternativamente tratado como se houvesse a realização de trabalho elétrico no


sistema (entrada de energia), o efeito líquido continua sendo a criação de energia térmica.
O armazenamento ou acúmulo de energia também é um fenômeno volumétrico, e variações no
interior do volume de controle podem ser devido a mudanças nas energias internas, cinética e
ou potencial do seu conteúdo. Portanto, para um intervalo de tempo ∆t, o termo relativo ao
armazenamento de energia, ∆ Eac, pode ser igualado a soma ∆U + ∆KE + ∆PE. A variação na
energia interna, ∆U, consiste em um componente sensível ou térmico, que leva em
consideração os movimentos de translação, rotação e ou vibração dos átomos/moléculas que
compõem a matéria; um componente latente, que está relacionado às forças intermoleculares
que influenciam as mudanças de fase entre os estados sólido, líquido e gasoso; um componente
químico, que compreende a energia armazenada nas ligações químicas entre os átomos; e um
componente nuclear, que representa as forças de coesão existentes nos núcleos dos átomos.

Exemplo:
1) Um equipamento eletrônico possui um dissipador de potência agregado à sua estrutura. Tal
dissipador está em um ambiente cuja temperatura do ar, à qual passa por suas aletas, é de T∞
=27ºC e sua área é de 0,045m2. Qual o coeficiente convectivo de calor do ar (h), cuja
temperatura da vizinhança e da superfície são, respectivamente, Tviz.= 27ºC e Tsup= 42ºC e a
emissividade è de 0,8. A potência dissipada pelo equipamento é de 20 W.

 Resolução: Para calcular o coeficiente convectivo do ar devemos utilizar a equação que rege
a lei de conservação de energia em um volume de controle:

Eaf + Eg − Eef = ∆Eac

95
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Como o equipamento não gera energia e o termo referente ao armazenamento de energia não
varia com o tempo, temos:

96
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

97
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

98
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

99
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

15.4.4. Condições de Contorno e Condição Inicial


A solução das equações que governam problema depende ainda das condições físicas que
existem nas fronteiras do meio (condições de contorno) e, quando a situação for dependente do
tempo, também das condições que existem em um certo instante inicial (condição inicial). Como
a equação da condução de calor é uma equação de Segunda ordem nas coordenadas
espaciais, são necessárias 2 condições de contorno para cada coordenada espacial que
descreve o sistema. Como a equação é de primeira ordem no tempo, basta apenas uma
condição inicial. As figuras a seguir mostram as 3 espécies de condições de contorno
comumente encontradas na transferência de calor. Elas ilustram a situação para um sistema
unidimensional, especificando a condição de contorno na superfície x = 0, com a transferência
de calor ocorrendo na direção dos x positivos.

100
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Exemplo:
1) Uma longa barra de cobre com seção reta retangular, cuja largura W é muito maior que sua
espessura L, encontra-se com a sua superfície inferior em contato com um sorvedouro de calor
de tal modo que a temperatura ao longo de toda a barra é aproximadamente igual à do
sorvedouro, Td = 30ºC. De repente uma corrente elétrica é passada através da barra, e uma
corrente de ar, com temperatura T = 15ºC e coeficiente convectivo h = 10 W/m2.K, é soprada por
sobre a sua superfície superior. A superfície inferior continua mantida a Td. Obtenha a equação
diferencial e as condições inicial e de contorno que poderiam ser usadas para determinar a
temperatura da barra em função da posição e do tempo.

Resolução: Para obtermos a equação e as condições de contorno e inicial devemos


primeiramente fazer algumas considerações:

101
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

* Uma vez que W>>L, os efeitos causados pelas superfícies laterais são desprezíveis, e a
transferência de calor no interior de barra é basicamente unidimensional na direção do eixo do x.

* Taxa volumétrica de geração de calor uniforme, q..


* Propriedades físicas constantes.

A distribuição de temperatura é governada pela equação de calor:

Para as considerações do problema de transferência de calor unidimensional com propriedades


físicas constantes, a equação se reduz a:

A condição de contorno para a superfície inferior sendo esta mantida em um valor constante em
relação ao tempo, temos:

102
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

15.5 Condução Unidimensional em Regime Permanente

15.5.1. Parede Simples


Seja uma parede plana separando dois fluidos em temperaturas diferentes (Figura 62).
Considere a condução unidimensional de calor através da parede, em regime permanente, sem
geração interna. A temperatura é função somente de uma coordenada espacial (no caso x) e o
calor é transferido unicamente nesta direção. A transferência de calor ocorre por convecção do
fluido quente a T∞1 para a superfície da parede a Ts1 em x = 0, por condução através da parede
e por convecção da superfície da parede em x = L a Ts2 para o fluido frio a T∞2 .

Figura 62 – Transferência de Calor através de uma Parede Plana .

A determinação da distribuição de temperaturas no interior da parede é feita através da solução


da equação de calor. Em coordenadas cartesianas, esta equação é dada por:
Equação da Condução de Calor em Coordenadas Cartesianas:

103
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Percebe-se, portanto, que, no interior da parede, a taxa e o fluxo de calor são constantes.

15.5.2. Resistência Térmica


Da mesma maneira que uma resistência elétrica se opõe à passagem de corrente em um
circuito, uma resistência térmica se opõe à passagem de calor. Definindo-se a resistência como
sendo a razão entre o potencial motriz e a correspondente taxa de transferência, conclui-se que
a resistência térmica assume a forma:

Assim, para a condução unidimensional através de uma parede plana :

104
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Deve-se ressaltar que as resistências térmicas à convecção e à radiação assumem a mesma


forma para qualquer sistema de coordenadas, variando-se apenas a expressão utilizada para a
área. No entanto, a resistência à condução assume diferentes expressões para os diferentes
sistemas de coordenadas.

No exemplo da parede plana, toda a energia transferida do fluido quente para a superfície é
conduzida através da parede e, por sua vez, para o fluido frio, ou seja, a taxa de calor é
constante.

Pode-se fazer um balanço de energia entre os fluidos quente e frio,

Pode-se então fazer um circuito térmico, análogo a um circuito elétrico, com a forma

105
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 63 – Circuito Térmico.

Pode-se, da mesma forma, fazer um circuito térmico equivalente, em função da diferença global
de temperatura, definindo-se a resistência térmica total Rtot.

Exemplo: 1) Uma casa possui uma parede composta com camadas de madeira, isolamento à
base de fibra de vidro e gesso, conforme indicado no desenho. Em um dia frio de inverno, os
coeficientes de transferência de calor por convecção são de he=60 W/m2.K e hi=30 W/m2.K. A
área total da superfície da parede é de 350 m2.

106
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

a) Para as condições dadas, determine uma expressão para a resistência térmica total da
parede, incluindo os efeitos da convecção térmica nas superfícies interna e externa da parede.
b) Determine a perda total de calor através da parede.

 Resolução:
a) Para calcular a expressão para a resistência térmica total da parede devemos utilizar a
seguinte fórmula que rege a resistência térmica, levando em consideração as camadas da
parede.

b) Para determinar a perda total de calor através da parede devemos utilizar uma fórmula que
relaciona a temperatura das extremidades com a resistência térmica total.

Calculando a resistência total temos:

107
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Determinando agora a perda total de calor através da parede:

15.5.3. Parede Composta


Seja a condução de calor unidimensional, em regime permanente, através de uma parede
composta, constituída por materiais de espessuras e condutividades térmicas diferentes (Figura
64).

Figura 64 – Transferência de Calor através de uma Parede Plana.

108
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

No exemplo anterior, desprezaram-se as trocas de calor por radiação entre as superfícies da


parede e os fluidos. Ao se considerar estas trocas, o fluxo total de calor entre a superfície e o
fluido seria dado como a soma dos fluxos de convecção e radiação. A resistência térmica à
radiação seria inserida no circuito térmico associada em paralelo à resistência à convecção, já o
potencial (∆T) entre a superfície e o fluido seria o mesmo.
O circuito térmico para a parede constituída por apenas um material é:

Figura 65 – Circuito térmico equivalente.

Muitas vezes, é mais conveniente trabalhar com um coeficiente global de transferência de calor
U.

Exemplo:
1) A parede composta de um forno possui três materiais, dois dos quais com condutividade
térmica conhecida, kA= 20 W/m.K e kC= 50 W/m.K, e também espessura de LA= 0,30m e LC=
0,15m. O terceiro material B que se encontra entre os materiais A e C, possui espessura LB=
0,15m, mas sua condutividade térmica é desconhecida.

109
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Em condições de regime estacionário, medidas revelam uma temperatura na superfície externa


do forno de Tsup,e= 20ºC, uma temperatura na superfície interna de Tsup,i= 600ºC e uma
temperatura do ar no interior de forno de T∞= 800ºC. O coeficiente de transferência de calor por
convecção no interior do forno é igual a 25 W/m2.K. Qual é o valor de kB?

 Resolução: Para calcular o valor de kB, devemos primeiro calcular o valor da resistência total
do circuito térmico:

15.5.4. Parede Composta: Série-Paralelo


Seja a parede composta apresentada na Figura 66.

110
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 66 – Parede Composta.

Figura 67 – Circuitos Térmicos Equivalentes numa Parede Composta.

Se for adotada a hipótese de transferência unidimensional de calor, pode-se representar o


circuito térmico de uma das maneiras mostradas na Figura 67. No caso (a), supõe-se que as
superfícies normais à direção x são isotérmicas e, no caso (b), que as superfícies paralelas a x
são adiabáticas. As taxas de calor são diferentes em cada caso, representando um intervalo
dentro do qual está a taxa real de transferência de calor.

15.5.5. Resistência de contato


É importante reconhecer que, em sistemas compostos, a queda de temperatura nas interfaces
entre os vários materiais pode ser considerável. Essa mudança de temperatura é atribuída ao
que é conhecido como resistência térmica de contato, Rt,c.
Seu efeito é mostrado na figura abaixo. Para uma área de superfície unitária, a resistência
térmica de contato é definida pela expressão:

111
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 68 - Queda de temperatura devido à resistência térmica de contato

A existência da resistência de contato se deve principalmente aos efeitos da rugosidade da


superfície. Pontos de contato se entremeiam com falhas que são, na maioria dos casos,
preenchidas com ar. A transferência de calor é, portanto, devida à condução de calor através da
área de contato real e à condução e/ou radiação através das falhas. A resistência de contato
pode ser vista como duas resistências térmicas em paralelo: aquela que se deve aos pontos de
contato e aquela que está vinculada às falhas.
Tipicamente, a área de contato é pequena e, sobretudo no caso de superfícies rugosas, a
principal contribuição para a resistência térmica de contato é fornecida pelas falhas.
Para sólidos cujas condutividades térmicas são superiores à do fluido presente nas falhas (fluido
interfacial), a resistência de contato pode ser reduzida pelo aumento da área dos pontos de
contato. Tal aumento pode ser obtido por um acréscimo na pressão de contato ou na junção
e/ou pela redução da rugosidade das superfícies de contato. A resistência de contato também
pode ser reduzida pela seleção de um fluido com elevada condutividade térmica para preencher
as falhas. Nesse sentido, a ausência de um fluido nas falhas (vácuo na interface) elimina a
condução de calor através da falha, contribuindo para a elevação da resistência de contato.
O efeito de carga ou pressão em interfaces metálicas pode ser visto na tabela 10, que apresenta
uma faixa aproximada de resistências térmicas em condições de vácuo. O efeito da presença de
um fluido nas falhas na resistência térmica de contato em uma interface de alumínio é mostrado
na tabela 11.
A contrário da tabela 10, muitas aplicações envolvem o contato entre sólidos diferentes, e/ou
uma ampla variedade de materiais intersticiais (enchimentos) tabela 11.

112
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Qualquer substância intersticial que preencha as falhas entre as superfícies em contato e cuja
condutividade térmica exceda a do ar irá causar uma redução na resistência de contato. Duas
classes de materiais são bastante adequadas para este propósito são os metais macios e as
graxas térmicas.

De forma distinta das interfaces anteriores, que não são permanentes, muitas juntas são
aderidas definitivamente. Devido às resistências interfaciais entre o material da superfície
original e o da junta de ligação, a resistência térmica real do contato excede o valor teórico,
calculado a partir da espessura L e da condutividade térmica k do material da junta. A
resistência térmica dessas juntas permanentes também é afetada de maneira adversa por
vazios e rachaduras que podem se formar durante a fabricação da peça ou como resultado de
ciclos térmicos que ocorram durante a sua operação normal.

113
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Tabela 12 – Resistência Térmica de interfaces sólido/sólido representativas

15.6. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais –


Cilindro
Com freqüência, em sistemas cilíndricos e esféricos há gradientes de temperatura somente na
direção radial, o que possibilita analisá-los como sistemas unidimensionais.
Seja um cilindro oco cuja superfície interna se encontra exposta a um fluido quente e a
superfície externa, a um fluido frio (Figura 69). Considere a transferência de calor
unidimensional, em regime permanente, sem geração interna no interior do cilindro.

Figura 69 – Transferência de Calor através de um Cilindro Oco

15.6.1. Distribuição de Temperatura


Equação da Condução de Calor em Coordenadas Cilíndricas

114
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Hipóteses:

115
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Onde: A=2πrL é a área normal à direção da transferência de calor.

A taxa de calor, portanto, é constante para qualquer posição radial (não depende do raio r), o
que não acontece com o fluxo de calor, que é função de r.

A taxa de calor é, portanto, constante no interior da parede do cilindro.


A resistência térmica à condução para sistemas radiais é dada por:

Exemplo:
1) Uma barra cilíndrica, de diâmetro 12 mm, possui um revestimento isolante de espessura 20
mm. A temperatura no interior e na superfície do cilindro são respectivamente 800 K e 490 K.
Determinar a perda de calor por unidade de comprimento do cilindro, sendo que o isolante
térmico é silicato de cálcio (k= 0,089 W/m.K).

116
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

 Resolução: Para determinar a perda de calor por unidade de comprimento do cilindro


devemos utilizar a fórmula que rege a taxa de transferência de calor:

15.6.2. Parede Cilíndrica Composta


Considere a condução unidimensional de calor, em regime permanente, sem geração interna,
através de uma parede cilíndrica composta, como mostrado na Figura 70.

Figura 70 – Transferência de Calor Através de uma Parede Cilíndrica Composta.

A taxa de calor é constante através do cilindro. Assim,

117
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Utilizando-se a definição do coeficiente global de transferência de calor,

qr =Ui Ai (T∞1 −T∞4 ) =UA∆T =UA(T∞1 −T∞4 )

U = coeficiente global de transferência de calor (W/m2.K) ∆T= diferença global de temperatura


(K)
A = área de troca de calor (m2)

Se U for definido em termos da área da superfície interna do cilindro A1 = 2πr1L, tem-se que:

Exemplo:
1) Vapor escoando em um tubo longo, com paredes delgadas, mantém a sua parede a uma
temperatura de 500 K. O tubo é coberto por uma manta de isolamento térmico composta por
dois materiais diferentes, A e B. Suponha existir entre os materiais uma resistência térmica de
contato infinito. A superfície externa está exposta ao ar onde T∞ = 3000 K e h = 25 W/m.K. Qual
é a temperatura na superfície externa TsupB?

Figura 71 – Ilustração do exemplo acima, tubo com paredes delgadas.

118
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

 Resolução: Para calcularmos a temperatura na superfície externa TsupB, devemos utilizar a


seguinte fórmula referente à taxa de calor:

119
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

15.6.3. Espessura Crítica de Isolamento

Para se aumentar ou diminuir a taxa de calor retirada do cilindro sem alterar as condições do
escoamento externo, pode-se colocar uma camada de um segundo material sobre o cilindro,
com condutividade térmica diferente do material do cilindro.

Figura 72 – Parede Cilíndrica Composta.

A taxa de transferência de calor da superfície interna para o fluido frio irá depender da
espessura de material colocado, ou seja, do raio externo do “novo” cilindro. Como a resistência à
condução aumenta com o raio e a resistência à convecção apresenta comportamento inverso,
deve existir uma espessura capaz de minimizar a resistência térmica equivalente, maximizando
a perda térmica (Fig. 72).
A possibilidade de existência de uma espessura de isolamento ótima para sistemas radiais é
sugerida pela presença de efeitos contrários associados a um aumento nessa espessura, pois
embora a resistência condutiva aumente com a adição de isolante, a resistência convectiva
diminui devido ao aumento da área superficial externa. Para esta espessura a perda de calor
seria mínima, e a resistência total à transferência de calor seria máxima. Na realidade, uma
espessura de isolamento ótima não existe, mas sim, um raio crítico de isolamento, onde o fluxo
de calor é máximo (minimiza a perda térmica graças a maximização da resistência total à
transferência de calor).
Seja um cilindro oco, com a superfície interna exposta a um fluido quente e a superfície externa,
a um fluido frio (Figura 72). A taxa de transferência de calor do fluido quente para o fluido frio irá
depender da espessura de isolamento, ou seja, do raio externo do cilindro. Como a resistência à
condução aumenta com o raio e a resistência à convecção apresenta comportamento inverso,
deve existir uma espessura capaz de maximizar a perda de calor através da parede do cilindro.

120
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

A taxa de calor é dada por:

Uma espessura ótima para o isolamento térmico está associada ao valor de r que minimiza o
valor de q’ ou que maximiza o valor de R’tot. Tal valor pode ser obtido a partir da exigência de
que:

Esta condição é satisfeita quando:

121
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

rc = Raio crítico de isolamento. Para valores de r menores que rc a taxa de transferência de calor
aumenta com o aumento da espessura de isolamento; para valores de r maiores que rc a taxa de
transferência de calor diminui com o aumento da espessura de isolamento.

→ O efeito do raio crítico é revelado pelo fato de que, mesmo para uma camada de isolamento
térmico com pouca espessura, a resistência total ainda não é tão grande quanto o valor para o
tubo sem qualquer isolamento.
→ Se r < rcr , a resistência térmica total decresce e, portanto, a taxa de transferência de calor
aumenta com a adição de isolamento.Essa tendência permanece até que o raio externo da
camada de isolamento atinja o raio crítico. De forma contrária, se r > rcr, qualquer adição de
isolamento aumenta a resistência térmica total e, portanto, diminue a perda de calor.
→ Para sistemas radiais, o problema de reduzir a resistência térmica total através da aplicação
de uma camada de isolamento térmico existe somente para o caso de tubos ou fios de pequeno
diâmetro e para coeficientes de transferência de calor por convecção pequenos, onde
usualmente r > rcr.
→ A existência de um raio crítico exige que a área de transferência de calor varie na direção da
transferência, como é o caso da condução radial em um cilindro (ou em uma esfera). Em uma
parede plana, a área normal à direção da transferência de calor é constante , não havendo uma
espessura crítica para o isolamento térmico (a resistência total sempre aumenta com o aumento
da espessura da camada de isolamento).

Como a derivada segunda de qr em relação a r2 é negativa, qr tem o seu valor máximo em r = rc.
O comportamento da resistência total é inverso, como mostrado na Fig. 73.

122
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 73 – Comportamento das Resistências Térmicas com r2.

Exemplo:
1) Um tubo delgado de cobre, com raio ri, é usado para transportar uma substância refrigerante
que está a uma temperatura Ti, menor do que a temperatura do ambiente T∞ ao redor do tubo.
Existe uma espessura ótima associada à aplicação de uma camada de isolamento térmico sobre
o tubo com h= 5 W/m2.K e k= 0,055 W/m.K?

 Resolução: A resistência à transferência de calor entre o fluido refrigerante e o ar é


denominada pela condução de calor através da camada de isolamento térmico e pela convecção
no ar. Sendo que, a resistência térmica total por unidade de comprimento do tubo è:

E a taxa de transferência de calor por unidade de comprimento do tubo será:

Uma espessura ótima para o isolamento térmico está associada ao valor de r que minimiza o
valor de q’ ou maximiza o valor de R’tot. Tal valor pode ser obtido a partir de:

123
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Uma vez que o resultado da resistência térmica total é sempre positivo, , é o


raio de isolamento para o qual a resistência térmica é mínima, e não um máximo.
Logo uma espessura ótima para a camada de isolamento térmico não existe. Porém faz sentido
pensar em raio crítico de isolamento.

Abaixo do qual q’ aumenta com o aumento de r acima do qual q’ diminue com o aumento de r.
Calculando em termos de raio crítico:

15.7. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais –


Esfera
Seja uma esfera oca cuja superfície interna se encontra a uma temperatura Ts1 e a superfície
externa a Ts2 (Figura 74), com Ts1>Ts2. Considere a transferência de calor unidimensional, em
regime permanente, sem geração interna no interior da esfera.

Figura 74 – Transferência de Calor através de uma Casca Esférica.

124
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Partindo-se da equação da condução do calor em coordenadas esféricas, pode-se obter o perfil


de temperaturas no interior da esfera. A partir daí, obtém-se a taxa de calor, dada por:

15.8. Condução com Geração de Energia Térmica


Iremos analisar agora o efeito adicional que processos, que podem ocorrer no interior do meio,
têm sobre a distribuição de temperatura nesse meio. É importante ter atenção para não
confundir geração de energia com armazenamento de energia.

15.8.1. Condução com Geração de Energia Térmica – Parede Plana


Seja a parede plana da Fig.75, onde existe geração uniforme de energia térmica por unidade de
volume (q’ é constante) e as superfícies são mantidas em Tsup,1 e Tsup,2. Para uma condutividade
térmica constante k, a forma apropriada da equação do calor:

O fluxo de calor em qualquer ponto da parede pode ser determinado pela equação acima. Note,
contudo, que com a geração interna de calor o fluxo de calor não é mais independente de x.

125
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 75 – Condução em uma parede plana com geração uniforme de calor.(a)


Condições de contorno assimétricas.(b) Condições de contorno assimétricas.(c)
Superfície adiabática no plano intermediário.

O resultado anterior é simplificado quando as duas superfícies são mantidas a uma mesma
temperatura, Tsup,1= Tsup,2= Tsup,. A temperatura máxima, neste caso, encontra-se no plano
intermediário:

126
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

h = 1000W/m2.K . Determine a temperatura To da superfície isolada e a temperatura T2 da


superfície resfriada.

 Resolução: A temperatura na superfície externa T2 pode ser obtida através de um balanço de


energia em um volume de controle ao redor da camada do material. Sendo assim obteremos T2:

Para determinar a temperatura na superfície isolada termicamente temos:

127
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

15.8.2 Condução com Geração de Energia Térmica – Sistemas Radiais


A geração de calor pode ocorrer em uma variedade de geometrias radiais. Considere um cilindro
sólido, longo, que poderia representar um fio condutor de corrente elétrica. Em condições de
regime estacionário, a taxa na qual o calor é gerado no interior do cilindro deve ser igual à taxa
de calor transferido por convecção da superfície do cilindro para o fluido em movimento. Essa
condição permite que a temperatura da superfície seja mantida a um valor fixo Ts.

Sendo assim temos a distribuição de temperatura como:

Para relacionar a temperatura da superfície Ts, com a temperatura do fluido, T∞, tanto o balanço
de energia na superfície quanto o balanço de energia total podem ser utilizados.

Exemplo:
1) Em um bastão cilíndrico e longo, com 200 mm de diâmetro e condutividade térmica de 0,5
W/m.K, há a geração de volumétrica uniforme de calor a uma taxa de 24000 W/m3. O bastão
está encapsulado por uma camada cilíndrica com diâmetro externo igual a 400 mm, de um
material com condutividade térmica de 4 W/m.K. A superfície externa desta camada está
exposta a um escoamento perpendicular de ar a 27ºC com um coeficiente de convecção de 25
W/m2.K. Determine a temperatura na interface entre o bastão e a camada cilíndrica, e na
superfície externa em contato com o ar.

 Resolução: Para determinar a temperatura da superfície externa em contato com o ar


devemos utilizar um balanço global de energia. Sendo assim obteremos:

128
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Para determinar agora a temperatura na interface entre o bastão e a camada cilíndrica devemos
utilizar a fórmula que rege a distribuição de temperatura em relação ao raio:

16. Transferência de Calor em Superfícies Expandidas – Aletas

16.1. Introdução
Aleta é um elemento sólido que transfere energia por condução dentro de suas fronteiras e por
convecção (e/ou radiação) entre suas fronteiras e o ambiente. As aletas são utilizadas para
aumentar a taxa de transferência de calor entre um corpo sólido e um fluido adjacente.

Figura 76 – Transferência de Calor em uma superfície expandida.

O aumento da taxa de transferência de calor de uma superfície a temperatura constante para


um fluido externo (Fig. 77) pode ser feito através do aumento do coeficiente de convecção h ou
através da redução da temperatura do fluido T∞.

129
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 77 – Superfície da qual se quer Aumentar a Taxa de Transferência de Calor.

Quando não é possível aumentar a taxa de calor por um destes modos, aumenta-se a área de
troca de calor, através da utilização de aletas (Figura 78), que são elementos sólidos que
transferem energia por condução dentro de suas fronteiras e por convecção (e/ou radiação)
entre suas fronteiras e o ambiente. Elas são utilizadas para aumentar a taxa de transferência de
calor entre um corpo sólido e um fluido adjacente.

Figura 78 – Colocação de Aletas para Aumentar a Taxa de Transferência de Calor.

Esquemas Típicos de Trocadores de Calor com Tubos Aletados

130
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 79 –Trocadores de Calor com tubos aletados.

16.2. Tipos de Aletas


A Figura 80 ilustra diferentes configurações de aletas.

Figura 80 – Configurações de Aletas.

131
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

16.3. Balanço de Energia para uma Aleta

Hipóteses:
• Condução unidimensional de calor
• Regime permanente
• Condutividade térmica da aleta constante
• Radiação térmica desprezível
• Sem geração de calor
• Coeficiente de convecção uniforme
Através de um balanço de energia, pode-se obter a equação da condução de calor.
Considerando-se um elemento infinitesimal de uma aleta de seção reta variável (Fig.81),

Figura 81 – Balanço de Energia em uma Superfície Expandida.

Neste caso, vale:

132
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Forma geral da equação da energia, em condições unidimensionais, em uma superfície


expandida.

16.4. Aletas com área da seção transversal constante


Quando a área da seção transversal da aleta é uniforme (Fig. 82), a equação anterior pode ser
simplificada.

133
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Cada aleta está ligada na base a uma superfície T (0) = Tb e imersa num fluido na temperatura
T∞.

Figura 82 – Aletas com Área da Seção Transversal Constante.

134
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Para resolver esta equação, falta definir as condições de contorno apropriadas. Uma destas
condições pode ser especificada em termos da temperatura na base da aleta (x = 0)

Temperatura constante na base da aleta

T(x = 0) = Tb
θ (x = 0) = Tb − T∞ =θb

A segunda condição de contorno deve ser definida na ponta da aleta (x = L). Podem ser
especificadas quatro condições diferentes, cada uma correspondendo uma situação física e
levando a uma solução diferente.

135
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Exemplo:
1) Uma barra cilíndrica de diâmetro 25mm e comprimento 0,25m, tem uma extremidade mantida
a 100ºC. A superfície da base está exposta ao ar ambiente a 25ºC, com um coeficiente
convectivo de 10 W/m2.K. Se a barra é construída em aço inoxidável, com condutividade térmica
k = 14 W/m.K, determine a temperatura da barra em x=L e a sua perda térmica para a condição
de transferência convectiva de calor.

136
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

137
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

16.5. Desempenho da Aleta


As aletas são utilizadas para se aumentar a taxa de transferência de calor de uma superfície
devido ao aumento da área. No entanto, a aleta impõe uma resistência térmica à condução na
superfície original. Deve ser feita uma análise sobre o desempenho da aleta.
Efetividade: Razão entre a taxa de transferência de calor pela aleta e a taxa de transferência de
calor que existiria sem a presença da aleta. A utilização de aletas somente se justifica se εf ≥ 2.
A efetividade de uma aleta aumenta com a escolha de um material de condutividade térmica
elevada. Aumenta quando aumenta a razão entre o perímetro e a área da seção reta.

Eficiência: Razão entre a taxa de transferência de calor pela aleta e a taxa máxima de
transferência de calor que existiria pela aleta, se toda a aleta estivesse na temperatura da base.

onde: Af = área superficial da aleta


Para uma aleta com a extremidade adiabática (caso B):

138
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 83 – Eficiência de aletas.

139
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Eficiência Global da Superfície: A eficiência da aleta ηf caracteriza o desempenho de uma única


aleta. A eficiência global da superfície ηg caracteriza o desempenho de um conjunto de aletas e
da superfície da base sobre a qual este conjunto está montado.

onde:
qt = taxa total de transferência de calor
At = área total exposta

At = NAf + Ab

Ab = área da superfície exposta – área das aletas


Af = área superficial de cada aleta

N = número total de aletas

A taxa de transferência de calor máxima ocorreria se toda a superfície da aleta, assim com a
base exposta, fosse mantida a Tb .
A taxa total de transferência de calor por convecção das aletas e da superfície exposta (sem
aletas) para o fluido é dada por:

140
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Figura 84 – Montagem Representativa das Aletas – a) Retangulares b) Anulares.


Nas superfícies aletadas, S representa o passo das aletas.

17. Condução Transiente

17.1. Introdução
Condução transiente ocorre em várias aplicações da engenharia e pode ser tratada por
diferentes métodos. De início, deve ser calculado o número de Biot, que relaciona a resistência à
condução no sólido e a resistência à convecção na superfície sólido-líquido.
Se o número de Biot for muito menor que a unidade, o método da capacitância global pode ser
aplicado. Caso contrário, efeitos espaciais ocorrem, e outros métodos são usados.

17.2. Método da Capacitância Global


Considere um metal com temperatura inicial uniforme Ti, que é resfriado por imersão em um
líquido de temperatura T∞ < Ti. Se o resfriamento se inicia no tempo t = 0, a temperatura do
sólido decrescerá até que eventualmente atinja T∞. A essência deste método é a consideração
de que a temperatura do sólido é espacialmente uniforme em qualquer instante durante o
processo transiente. Esta hipótese é satisfatória quando a resistência à condução dentro do
material for muito menor que a resistência à convecção na interface sólido-líquido. Neste caso, a
equação de condução de calor não pode ser empregada, e a temperatura transiente é
determinada por um balanço global de energia no sólido.

141
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Aplicando o balanço de energia ao sólido:

Figura 85 – Resfriamento de uma peça metálica quente.

142
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Se Bi << 1, a resistência à condução dentro do sólido é muito menor que a resistência à


convecção através da camada limite do fluido, e o erro associado à utilização do método da
capacitância global é pequeno.

Figura 86 – Distribuição transiente de temperatura correspondente a diferentes números de Biot,


numa parede plana resfriada simetricamente por convecção.

18. Convecção

18.1. Fundamentos da Convecção


Considere um fluido qualquer, escoando com velocidade V e temperatura T∞ sobre uma
superfície de forma arbitrária e área superficial A, como mostrado na Fig. 87.

Figura 87 - Transferência convectiva de Calor.

Se a temperatura da superfície for superior à temperatura do fluido, haverá uma transferência de


calor por convecção da superfície para o fluido. O fluido térmico local é dado pela lei de
resfriamento de Newton.

onde h é o coeficiente local de transferência de calor por convecção.

143
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Como as condições variam de ponto para ponto, q” e h irão variar ao longo da superfície. A taxa
total de transferência de calor é obtida integrando-se o fluxo ao longo da superfície.

Pode-se definir um coeficiente médio de transferência de calor por convecção ħ para toda a
superfície, de maneira a representar toda a transferência de calor

Igualando-se as expressões para a taxa de calor, os coeficientes local e médio podem ser
relacionados por:

Para uma placa plana de comprimento L e largura b (Fig. 88)

Figura 88 – Escoamento sobre uma Placa Plana.

144
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

h = coeficiente local de transferência de calor por convecção (W/m2. K).

De maneira análoga, se um fluido com concentração molar de um componente A igual a CA,∞


escoa sobre uma superfície cuja concentração molar de A é mantida em um valor uniforme CA,s
≠ CA,∞, haverá transferência deste componente por convecção. A taxa de transferência de
massa pode ser calculada através de um coeficiente local hm.

Se CA,s > CA,∞


N”A = hm(CA,s - CA,∞)

onde:
N”A: fluxo molar da espécie A (Kmol/s.m²)
Hm: coeficiente local de transferência de massa por convecção (m/s)
CA,s: concentração molar de A na superfície (Kmol/m³)
CA,∞: concentração molar de A no fluido (Kmol/m³)

A taxa total de transferência de massa pode ser escrita na forma

18.2. As Camadas Limites da Convecção

145
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

18.2.1. A Camada Limite Hidrodinâmica


Seja o escoamento sobre uma placa plana mostrada na Fig. 89.

Figura 89 - A camada limite fluidodinâmica.

Quando as partículas do fluido entram em contato com a superfície, elas passam a ter
velocidade nula (condição de não deslizamento). Estas partículas atuam no retardamento do
movimento das partículas da camada de fluido adjacente que, por sua vez, atuam no
retardamento do movimento das partículas da próxima camada e assim sucessivamente, até
uma distância y = δ, onde o efeito de retardamento se torna desprezível. A velocidade u
aumenta até atingir o valor da corrente livre, u∞.
1) A espessura da camada limite, δ, é definida como o valor de y para o qual u = 0,99 u∞;
2) O perfil de velocidade na camada limite é a maneira com que u varia com y através da
camada limite;
3) Na camada limite, os gradientes de velocidade e as tensões de cisalhamento são elevados;
fora da camada limite, são desprezíveis;
4) Para escoamentos externos, define-se o coeficiente de atrito local (Cf) a partir do conceito de
camada limite:

146
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

5) Para uma fluido Newtoniano

Com µ = viscosidade dinâmica do fluido (kg/m. s).

18.2.2. As Camadas Limites de Concentração


A camada limite de concentração determina a transferência de massa por convecção em uma
parede. Se uma mistura de duas espécies químicas A e B escoa sobre uma superfície e a
concentração da espécie A na superfície é diferente da concentração na corrente livre, uma
camada limite de concentração irá se desenvolver. Ela é a região do fluido onde existem
gradientes de concentração, sendo sua espessura definida como o valor de y no qual

O perfil de concentração na camada limite é similar ao perfil de temperatura na camada limite


térmica (Fig. 90).

Figura 90 - Perfil de concentração na camada limite.

Em um escoamento sobre uma superfície com diferença de temperatura e concentração entre


ambos, em geral, as camadas limite fluidodinâmica, térmica e de concentração não se
desenvolvem simultaneamente, ou seja, não possuem a mesma espessura
(δ ≠δt ≠δc).
O objetivo da definição das camadas limite é a simplificação das equações que governam o
escoamento. No interior da camada limite fluidodinâmica,

147
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Desta maneira, as equações podem ser simplificadas e a solução do problema se torna


mais fácil.

18.3. Escoamento Laminar e Turbulento


Os problemas de convecção consistem, basicamente, na determinação dos coeficientes de
convecção. Com eles, pode-se então determinar as taxas de transferência de calor.
Em geral, são obtidas equações empíricas para o cálculo dos adimensionais e, através de sua
definição, calculam-se os coeficientes convectivos. Estas correlações dependem da geometria
do escoamento (escoamento interno ou externo, sobre placa plana, no interior de um tubo, etc.),
do regime do escoamento, se a convecção é natural ou forçada, etc.
Para o tratamento de qualquer problema de convecção é relevante determinar se a camada
limite é laminar ou turbulenta, já que tanto o atrito superficial como as taxas de transferência de
calor por convecção dependem das condições da camada.

Figura 91 – Camada Limite.

Para o escoamento sobre uma placa plana, o comprimento característico para o qual são
definidos os adimensionais é a distância x a partir da origem.

148
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

149
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Para o escoamento sobre uma placa plana, o comprimento característico para o qual são
definidos os adimensionais é a distância x a partir da origem.
A transição para a turbulência, no interior de tubos, acontecia para números de Reynolds de
aproximadamente 2300. Para o escoamento sobre uma placa plana, esta transição ocorre para
Re=5x105, ou seja, o numero do Reynolds crítico (ou de transição) é dado por:

150
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Uma outra expressão para o número de Nusselt local, válida para qualquer valor de Prandtl, é
dada por

Quando as camadas limite laminar e turbulenta são comparadas, percebe-se que a turbulenta
cresce muito mais rápido, já que sua espessura varia com x4/5, enquanto no escoamento
laminar, a espessura varia com x½ .
Para escoamentos turbulentos,
δ ≈δt
O número d Nusselt local é dado por
Nux = 0,029Rex4/5Pr1/3, válida para 0,6<Pr<60

18.4. A Camada Limite Térmica


Da mesma forma que há a formação de uma camada limite fluidodinâmica no escoamento de
um fluido sobre uma superfície, uma camada limite térmica deve se desenvolver se houver uma
diferença entre as temperaturas do fluido na corrente livre e na superfície. Considere o
escoamento sobre uma placa plana isotérmica mostrada na Fig. 92.

Figura 92 – Camada Limite Térmica.

No início da placa (x = 0), o perfil de temperaturas no fluido é uniforme, com T(y) = T∞.
No entanto, as partículas do fluido que entram em contato com a placa atingem o equilíbrio
térmico na temperatura superficial da placa, ou seja, T (x,0) = T∞ . Por sua vez estas partículas

151
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

do fluido em contato com a superfície atingem o equilíbrio térmico com essa superfície, e trocam
energia com partículas fluidas em camadas adjacentes, criando um gradiente de temperatura.
1) A espessura da camada limite térmica, δt, é definida como o valor y para o qual:
(Ts − T ) (Ts − T∞ ) = 0,99
2) Na superfície não existe movimentação do fluido e a transferência de calor ocorre unicamente
por condução. Com isso,

onde
kf = condutividade térmica do fluido (W/m.K)

152
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

153
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

154
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

155
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

156
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

157
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

158
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

159
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

160
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

161
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

162
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

163
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

164
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

165
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

166
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

167
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

168
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

169
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

170
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

171
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

172
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

173
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

174
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

175
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

176
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

177
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

178
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

179
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

180
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

181
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

182
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

183
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

184
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

185
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

186
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

187
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

188
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

189
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

190
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

191
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

192
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

193
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

194
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

195
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

196
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

197
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

198
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

199
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

200
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

201
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

* BASTOS, Francisco de Assis A., Problemas de Mecânica dos Fluidos, Editora Guanabara
Koogan S.A., 1983.
* CARVALHO, Djalma Francisco, Instalações Elevatórias, Bombas, Fumarc, Belo Horizonte,
1984.
* FOX, Robert W. e Alan T. McDonald, Introdução à Mecânica dos Fluidos, Livros Técnicos e
Científicos Editora S.A., Rio de Janeiro, 2001.
* HOLMAN, J.P., Transferência de Calor, McGraw-Hill do Brasil Ltda, São Paulo, 1983.
* INCROPERA, Frank P., Fundamentos de Transferência de Calor e Massa, Livros Técnicos e
Científicos Editora S.A., Rio de Janeiro, 1998.
* MACINTYRE, Archibald Joseph, Bombas e Instalações de Bombeamento, Editora Guanabara
S.A., Rio de Janeiro, 1987.
* MYERS, J.E. e C.O. Bennett, Fenômenos de Transporte, Quantidade de Movimento, Calor e
Massa, McGraw-Hill do Brasil Ltda, São Paulo, 1978.
* OZISIK, M. Necati, Transferência de calor: um texto básico, Editora Guanabara Koogan S.A.,
c1990.
* SCHIOZER, Dayr, Mecânica dos Fluidos, Editora Guanabara Koogan S.A. Rio de Janeiro,
1996.
* SISSOM, Leighton E. E Donald r. Pitts, Fenômenos de Transporte, Editora Guanabara Koogan
S.A. Rio de Janeiro, 1988.
* SHAMES, Irving H., Mecânica dos Fluidos, Volume I e II, Editora Edgard Blucher Ltda., 1977.
* STREET, Robert L. e John K. Vennard, Elementos de Mecânica dos Fluidos, Editora
Guanabara Koogan S.A., 1978.
* TELLES, Pedro Silva, Tubulações Industriais - Cálculo, Livros Técnicos e Científicos Editora
S.A., 1994.
* TELLES, Pedro Silva, Tubulações Industriais - Materiais, Projeto e Desenho, Livros Técnicos e
Científicos Editora S.A., 1994.
* THOMAS, Lindon C., Fundamentos da Transferência de calor, Prentice-Hall do Brasil, 1985.
* WHITE, Frank M., Mecânica dos Fluidos, McGraw-Hill Interamericana do Brasil Ltda., Rio de
Janeiro, 2002.

202
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Apêndice A

203
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

204
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

205
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

206
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

Apêndice B

207
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

208
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

209
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

210
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

RESPOSTA DOS EXERCÍCIOS RECOMENDADOS

211
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

212
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

213
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

214
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

215
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

216
BURITIS / CARLOS LUZ / SILVA LOBO

217