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Há duas tendências muito fortes no ser humano: uma para buscar a autonomia, a auto-
suficiência, a independência; e outra para fazer parte e pertencer a uma unidade maior.

Essa unidade maior pode ser definida como a família, a nação, uma ideologia, ou seja, um
universo maior que tenha um significado importante. Dessa forma o indivíduo se desenvolve,
ultrapassa sua individualidade e busca a integração com os outros.

Para se desenvolver de forma equilibrada, a pessoa precisa se comprometer, se adaptar,


ceder. Tudo isso não é muito fácil, pois sempre haverá conflitos entre o eu e o outro, entre o
querer tudo para si e precisar fazer algo para o outro. A vida em sociedade fica mais fácil
quando entendemos que dependemos uns dos outros para viver melhor, e que juntos somos
mais fortes.

Os seres humanos não vivem juntos apenas por escolha, mas porque a vida em sociedade é
uma necessidade. Se alguém, por livre vontade, se isolasse numa ilha, com todos os recursos
para sobrevivência, em pouco tempo sentiria falta de companhia e sofreria com a solidão, por
não ter com quem compartilhar idéias, dar e receber afeto. Poderia até mesmo enlouquecer.
Portanto, as pessoas satisfazem suas próprias necessidades vivendo em sociedade.

Quando a auto-estima - a visão que a pessoa tem de si mesma - é positiva, o relacionamento


em sociedade torna-se mais fácil, mais saudável e mais satisfatório. O inverso também é
verdadeiro, isto é, um bom relacionamento social alimenta a auto-estima positiva.

Para manter um bom relacionamento com as outras pessoas são necessárias algumas
condições básicas: sermos autônomos, assertivos, confiantes e termos auto-estima elevada.
Sem essas condições, atribuiremos aos outros a causa das dúvidas, fraquezas, incertezas e
desconfianças que temos a respeito de nós mesmos.

Em sociedade o eu e o outro sempre se relacionam, e as necessidades sociais vão sendo


estabelecidas. Elogiamos e somos elogiados; compreendemos e somos compreendidos;
amamos e somos amados; vemos e somos vistos; valorizamos e somos valorizados. Até as
frustrações são mútuas: rejeitamos e somos rejeitados; causamos dor no outro e ele em nós;
discriminamos e somos discriminados. O certo é que para o bem e para o mal, querendo ou
não, o outro é parte de nossa vida e nossa vida é parte do outro.

Muitas pessoas se queixam de que a sociedade define muitas regras e que sem elas a vida
poderia ser melhor. A verdade é que cada um deve definir seu limite, respeitar a sua
individualidade e também a do outro. Aí surge a pergunta: isso também não é uma regra?

A necessidade de nos mantermos unidos a outros seres humanos não é um capricho ou um


desejo individual, é uma questão de sobrevivência orientada pelo instinto e referendada pela
razão.

Aproveite para crescer, melhorar e aperfeiçoar-se como ser humano. Assim, você estará
sempre motivado para praticar o bem e para o bem-estar de si mesmo e de todos os que
convivem com você em sociedade.

Por:
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CRP 06/68043 Psicóloga clínica, Mestre em Psicologia pela Universidade de Londres,
Inglaterra e especialista em Psicologia Hospitalar com enfoque em obesidade.