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Nicola Aslan 33º

Instruções para Lojas da Perfeição II


(Graus 4º ao 14º)

Rio de Janeiro

1992

EDITORA MAÇÔNICA
Caixa Postal 3.881 20000 — Rio de Janeiro — RJ
ÍNDICE

No Santo dos Santos .................................... 3


Do mesmo Autor ......................................... 5
ADVERTÊNCIA .......................................... 6

INTERPRETAÇÃO ESOTÉRICA DO TEMPLO E


DOS SÍMBOLOS DO GRAU....................................... 7

Sentido místico dos móveis contidos no Sanctus


Sanctorum .................................................................. 12
A Arca da Aliança........................................ 14
O Propiciatório........................................... 16
A Mesa dos Pães da Proposição ................... 18
Alar dos Perfumes....................................... 19
O Candelabro de Sete Luzes .......................... 20

SÍMBOLOS DO GRAU DE "MESTRE SECRETO" .... 22

O Sinal do Silêncio ...................................... 22


Cetro ................................................... 22
Chave .................................................. 22
Coroa .................................................. 23
Jóia do Presidente da Loja de Perfeição ................. 23
O Laurel e a Oliveira..................................... 24
Painel do 4º Grau ........................................ 24
Templo de Salomão ...................................... 25

OS GRAUS DE COMUNICAÇÃO ........................... 26

5º Grau ................................................ 27
6º Grau ................................................ 32
7º Grau ................................................ 37
8º Grau................................................ 42
9º Grau ................................................ 46
10º Grau................................................ 49
11º Grau ................................................ 52
12º Grau................................................ 55
13º Grau ................................................ 58
14º Grau................................................ 61
Editora Maçônica — Forme sua biblioteca ............. 66
NO SANTO DOS SANTOS

Esta Editora no cumprimento de sua tarefa, publica o 2º volume dos


graus, do 4º ao 14º, com a finalidade de melhor esclarecimento dos chamados
graus inefáveis.
O muito ilustre Ir.: Nicola Aslan que se consagrou como pesquisador
sincero e autêntico nas lides maçônicas, vem realizando para a nossa Editora
essa constante busca no emaranhado cipoal do R.E.A.A. para facilitar aos llr.:
que sinceramente procuram as luzes maçônicas como senda de
aperfeiçoamento no difícil caminho da iniciação.
De autoria de Nicola Aslan, publicados pela Editora Maçônica,
recomendamos: "Pequenas Biografias de Grandes Maçons Brasileiros",
"Biografia de Joaquim Gonçalves Ledo", substancioso trabalho histórico em
dois volumes, salientando a modelar figura maçônica de Gonçalves Ledo,
pedra angular na história maçônica do Brasil.
Do mesmo autor, Ir.: Nicola Aslan, publicamos, também, recentemente,
livro indispensável a todo maçom — "COMENTÁRIOS AO RITUAL DE
APRENDIZ", que tem como subtítulo — "Vademecum Maçônico", obra tão útil
que muito em breve precisará de nova edição.
Depois de publicadas as Instruções para Capítulos — graus 15º ao 18º e
Instruções para Oficinas de Conselhos de Kadosch — graus 19º ao 30º. O
incansável Ir.: Nicola Aslan entregará à E. M. para publicação os originais dos
graus de Companheiro e Mestre.
Assim no campo propriamente doutrinário da Maçonaria o nosso Resp.:
Mestr.: Nicola Aslan terá prestado ao mundo maçônico inestimável trabalho de
orientação na parte filosófica e do simbolismo que na maior parte das vezes
deixa muito a desejar. Temos para nós, que a Maçonaria com seus Rituais e
Símbolos, é, antes de tudo, escola de aperfeiçoamento, conduzindo a criatura
humana às sublimes lições da fraternidade.
Não se justifica tanta luta antifraterna que se tem verificado no curso da
história da fraternidade dos pedreiros livres.
Ao ser fundada a Editora Maçônica inserimos em seus Estatutos:

"RETIRO MAÇÔNICO"

"Art. 23 — Logo que os recursos o permitirem, a Editora Maçônica


adquirirá em lugar aprazível uma propriedade agrícola para Colônia de Férias
de seus associados.
Art. 24 — O "Retiro Maçônico" se destina a estudos e a meditação,
orientando-se os associados no sentido da busca da longevidade,
proscrevendo-se o álcool e o fumo e outros tóxicos que prejudicam a saúde.
Art. 25 — No "Retiro Maçônico" não serão permitidas caçadas ou a
prática de qualquer crueldade à vida de indefesos animais ou pássaros.
Art. 26 — No "Retiro Maçônico" os membros da sociedade viverão sob a
forma de fraternidade recordando as antigas Ordens Iniciáticas e usarão nomes
simbólicos previamente registrados.”

Esse programa não tem sido descurado, dentro em breve, como


complemento do plano, levantaremos em local apropriado, um Templo
Maçônico que terá por finalidade de ao menos, uma vez por mês, abrigar LLoj.:
RReg.: respeitados os limites da Potência a que pertençam, sejam do Grande
Oriente do Brasil, Grandes Lojas ou da Ordem Maçônica Mista Internacional
"Le Droit Humam".
Pretendemos ainda, a criação de uma Loja Maçônica, que em seus
trabalhos, adote o Esperanto, língua internacional, já reconhecida na
aproximação dos povos.
Finalizamos estas rápidas palavras citando destas Instruções para LLoj.:
de Perfeição, o seguinte:
"Os intendentes dos Edifícios devem, pois, realizar trabalhos especiais,
oriundos da interpretação filosófica de seus símbolos e alegorias, contribuindo,
ao mesmo tempo, para a educação do povo, para o qual deve haver uma
legislação moral do trabalho. Combatendo sempre a ignorância, a hipocrisia e a
ambição e procurando o justo equilíbrio entre a propriedade, o capital e o
trabalho, como fonte de prosperidade.
O edifício social é, pois, a preocupação precípua deste grau. Cabe,
portanto, aos bons obreiros, o dever de procurar os meios de construir a
sociedade em bases sólidas e permanentes. Para esse fim, não tolerarão o
indiferentismo, inimigo terrível de todos os bons sentimentos humanos. Sem
preocupações individuais, serão invulneráveis ao desalento e ao desespero,
pois o lema será: UM POR TODOS E TODOS POR UM, consagrando ao zelo
e à constância de todos os trabalhos que possam dar mais solidez ao edifício
social.
O trabalho, condição social do homem, não existe a não ser pela
liberdade. A propriedade, direito que possui aquele que trabalha, como fruto de
sua dedicação, não existe senão pelo trabalho.
A propriedade e o trabalho, estas duas únicas bases da civilização, têm
por laço comum a liberdade, que não é mais a prática do Suum quique; a
cada qual o que é seu. Este triângulo: trabalho, liberdade, propriedade, símbolo
da geração da civilização social, é a síntese do verdadeiro socialismo, cuja
prática racional deve ser estimulada por este grau."

Vassouras, Natal de 1979.

BRAZ COSENZA — Da Academia Maçônica de Letras e Diretor da


Editora Maçônica
DO MESMO AUTOR

História da Maçonaria, Cronologia, Documentos (Ensaio) Editora


Espiritualista — Rio — 1959 (Esgotado).
Estudos Maçônicos sobre Simbolismo — Edições do Grande Oriente do
Brasil — Rio — 1969 (Esgotado)
Pequenas Biografias de Grandes Maçons Brasileiros — Editora Maçônica
— Rio — 1973.
O enigma de gênese da Maçonaria especulativa — Estudo publicado na
Revista Eclesiástica Brasileira (REB) — Set. 1973 — Editora Vozes Ltda. —
Petrópolis.
Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia — 4 Vol. —
Editora Artenova S. A. — Rio — 1974-1976.
Subsídios para uma BIOGRAFIA DE JOAQUIM GONÇALVES LEDO —
(Textos e Documentos) — 2 Vol. — Editora Maçônica — Rio — 1976.
O Livro do Cavaleiro Rosa-Cruz (Estudos sobre o grau 18º do Rito Escocês
Antigo e Aceito) — Artenova S. A. — Rio — 1977.
Comentário ao Ritual do Aprendiz-Maçom — Vade Mecum Iniciático —
Editora Maçônica — Rio — 1977.
Estudos Maçônicos sobre Simbolismo — II Edição — Edições Nicola Aslan
Ltda. — Cabo Frio — 1978. III Edição — Editora Aurora — 1985.
Uma Radioscopia da Maçonaria ou a Maçonaria ao alcance de todos —
Edições Nicola Aslan Ltda. — Cabo Frio — 1979.
Instruções para Lojas de Perfeição — O grau 4º — Editora Maçônica — Rio
— 1979. II vol. complemento até o grau 149 — mesma Editora — 1980.
Instruções para Capítulos — Gráfica Editora Aurora Ltda. — Rio — 1984.
A Maçonaria Operativa (Estudo crítico do Trabalho na Idade Média e nos
Tempos Modernos) — Gráfica Editora Aurora Ltda. — Rio — 1979.
HISTÓRIA GERAL DA MAÇONARIA — O período operativo — Gráfica Editora
Aurora Ltda. — Rio — 1979.
HISTÓRIA GERAL DA MAÇONARIA — A Maçonaria Brasileira.
Landmarques e outros problemas maçônicos (Estudos).
Instruções para Oficinas de Conselho de Kadosch (graus 19? ao 309)
— Gráfica Editora Aurora — Rio — 1984.
NO PRELO
HISTÓRIA GERAL DA MAÇONARIA — O período Aristocrático.
Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia — 1º e 2º
vols. — 2º edição.
ADVERTÊNCIA

Este 29 Volume das Instruções para Lojas de Perfeição" é pura e


simplesmente a continuação do 1º Volume. Foi porém dividido ao meio para
que esta Editora pudesse pôr ao alcance dos IIr.: que freqüentam os Altos
Graus do Rito Escocês Antigo a Aceito uma obra que não se tornasse onerosa,
pelo preço elevado, de um lado, e de difícil manuseio por outro.
Pensamos que, enquanto o Leitor tomasse conhecimento dos
preliminares necessários para a perfeita compreensão dos Altos Graus, o
Editor disporia de tempo suficiente para, mais rapidamente, imprimir e
apresentar a segunda parte do trabalho elaborado pelo lr.: Nicola Aslan. Este
trabalho, como todos sabem, é absolutamente inédito e, poderíamos mesmo
dizer, único na literatura maçônica universal.

O EDITOR

A missão da Maçonaria moderna consiste unicamente em dar ao Maçom


a plena consciência de si mesmo, mostrando-lhe, depois de lhe facilitar os
meios de transformar a sua Pedra Bruta em Pedra Polida, o papel
transcendente que ele poderá desempenhar dentro de um mundo que, a olhos
vistos, caminha a largos passos para um trágico impasse, por falta de
HOMENS, com letras maiúsculas, homens que tenham plena segurança no
leme do comando e que, evitando habilmente os escolhos, tenham a
capacidade de conduzir esta sofrida humanidade ao porto seguro, manso e
acolhedor da Fraternidade universal.

Instruções para Lojas de Perfeição — Vol. 1, 33-34.


INTERPRETAÇÃO ESOTÉRICA DO TEMPLO E DOS SÍMBOLOS DO
GRAU

Como todas as sociedades iniciáticas, a Maçonaria tem um sistema de


doutrinas esotéricas que transmite aos seus iniciados.
A noção de esoterismo aplicada a um ensinamento oral, comunicado a
discípulos escolhidos, existiu desde a mais alta antigüidade. Este sistema foi
inicialmente empregado nos mistérios religiosos e depois para as doutrinas dos
filósofos. Os iniciados aos mistérios — o próprio nome de mistério implica
silêncio e segredo — deviam jurar de nunca revelar a respeite dos arcanos que
os dramas litúrgicos de Elêusis lhes teriam permitido conhecer. E eles
respeitaram o segredo, pois, como diz o Sepher Hazohar, "o mundo subsiste
unicamente pelo segredo".
Entretanto, o segredo não consiste apenas no guardar o silêncio. Muitas
vezes o caráter esotérico de uma doutrina reside na desigualdade de
inteligência e de compreensão dos discípulos. A obscuridade de uma doutrina
pode, de fato, persistir apesar de uma exposição muito clara e completa.
Relativamente às várias maneiras por que deve ser encarado o
esoterismo, Luc Benoist escreve em sua obra "L'Ésotérisme":
"Uma espécie diferente acha-se ligada ao simbolismo de toda expressão
escrita ou falada, sobretudo em se tratando de um ensinamento espiritual. Na
expressão da verdade sempre há de ficar algo de inefável, a linguagem não
estando apta para traduzir as concepções sem imagens do espírito. Enfim e
sobretudo, o verdadeiro segredo é reconhecido como tal por natureza, não
estando ao alcance de ninguém poder divulgá-lo. Permanece inexprimível e
inacessível aos profanos, não sendo possível atingi-lo de outra forma a não ser
com o auxílio de símbolos.

"O que o mestre transmita ao discípulo não é o próprio segredo, mas o


símbolo e a influência espiritual que tornam possível a sua compreensão...”
(pp. 8-9)

Embora exista uma correlação lógica entre exoterismo e esoterismo, não


há entretanto entre eles, uma equivalência exata. Na verdade, o lado interior,
domina o lado exterior, mesmo quando o aspecto exterior assume aspecto
religioso. Ao definir o esoterismo, em sua obra já citada, Luc Benoist observa:
"O esoterismo portanto não é somente o aspecto interior de uma
religião, visto que o exoterismo nem sempre e obrigatoriamente possui aspecto
religioso nem a religião é sempre monopólio do segredo. O esoterismo
tampouco é uma religião especial para uso de privilegiados, como algumas
vezes o supõem, pois não se basta a si mesmo, não passando de um ponto
de vista mais profundo sobre as coisas sagradas. Não constitui outra coisa
senão o sentido real do exoterismo, seja ele religioso ou não.
"Na religião, sempre exotérica, o caráter social domina (como no
simbolismo maçônico). Ela é feita para todos, ao passo que o esoterismo é
apenas accessível a alguns. O que é secreto no esoterismo torsa-se mistério
na religião.
"A religião é uma exteriorização da doutrina sendo limitada ao que é
necessário para a salvação comum dos homens. Esta salvação é uma
libertação ajustada ao plano do ser. Pois a religião considera o ser
exclusivamente em seu estado individual e humano. Assegura-lhe as
condições psíquicas e espirituais melhores compatíveis com este estado, sem
procurar fazer que saia dele.
"Por certo o homem, enquanto homem, não se pode sobrepujar por si
mesmo. Mas se pode atingir um conhecimento e uma libertação que sejam
identificações é que já possui em si mesmo o estado universal que lhes
corresponde.
"O esoterismo que toma emprestado para revelar-se a nós, como o
veremos, o canal metódico da iniciação, tem por objetivo libertar o homem das
limitações do seu estado humano, de tornar efetiva a capacidade que recebeu
para ascender aos estados superiores, graças a ritos rigorosos e preciosos, de
maneira ativa e durável” (pp. 9-10)

***

O ritual faz uma descrição da Câmara do grau 4º e de sua decoração,


indicando a maneira pela qual a Loja dos Mestres Secretos deve ser armada.
Entretanto, poucos sabem que cada um dos objetos e paramentos
mencionados contém um simbolismo o que tanto os nomes quanto os cargos
possuem uma ou várias interpretações simbólicas, sendo isto precisamente o
que constitui o esoterismo maçônico.
Na verdade, porém, simbolistas e ritualistas se esmeraram em
apresentar nos rituais e instruções suas próprias interpretações, enriquecendo
desta forma o simbolismo maçônico. Através delas o Mestre Secreto
compreenderá melhor o significado ligado à denominação do grau que ostenta,
como também em que consiste, com precisão, o segredo que se pretende
confiar-se, exigindo-se-Ihe para que o guarde no fundo do seu coração.
Tentaremos, pois, apresentar algumas das interpretações de símbolos e
o significado dos nomes traduzidos do hebraico encontrados no decorrer das
nossas investigações. Não pretendemos, é claro, que elas se apresentem
como as únicas interpretações simbólicas ou esotéricas, pois o simbolismo
exige que cada qual formule interpretações de acordo com o seu próprio modo
de ver e de sentir. Estas servirão apenas de exemplos, menos, bem entendido
os significados de certos nomes em hebraico.
Jules Boucher(LSM), do qual reproduzimos as palavras, assim
descreveu o Templo de Salomão:
Em Maçonaria, este Templo é um Simbólico e nada mais, um símbolo
de magnífica amplidão: o do Templo ideal para todo o sempre inacabado, do
qual cada Maçom é uma Pedra, preparada sem martelo e sem machado, no
silêncio da meditação. Sobe-se nos andares por uma escadaria em parafuso,
por "espirais", indicando ao iniciado que nele mesmo, dando voltas sobre si
mesmo, é que poderá atingir a excelsitude que é sua meta.
SALOMÃO Significa, em hebraico "homem manso". O Templo de Salomão é
o da Paz, da Paz profunda para a qual tendem todos os Maçons sinceros que
se desinteressam da agitação do mundo profano
"É neste sentido, e apenas neste sentido, que é precise considerar o
Templo de Salomão. Foi construído em sete anos e sete é a idade simbólica
do Mestre Maçom, daquele que atingiu a plenitude da Iniciação.
“O Templo de Salomão foi construído em pedra, em madeira de cedro
e nele abunda o ouro. A pedra é a estabilidade, a madeira a vitalidade e o
ouro a espiritualidade em toda a sua perfeição e sua inalterabilidade.
"Para o Maçom, o Templo de Salomão não é considerado nem em sua
realidade histórica, nem em sua acepção religiosa judaica, mas somente em
sua significação esotérica tão profunda e tão bela.” (Ob. cit. pp. 132-133)
Penetramos no Templo passando por duas colunas que ficam na
entrada. Estas duas colunas representam a Sabedoria e a Estabilidade do
Conhecimento, pois aquele que pretende viver uma vida mais cheia e mais
elevada deve passar por este portal, ou melhor, adquirir conhecimento,
podendo assim experimentar os íri&iores prazeres da mente.
O Templo é dividido em duas partes. A primeira é o Lugar Santo (em
hebraico, heikal), primeira Câmara além do vestíbulo, é que em Maçonaria
chama-se Ocidente. A segunda é o Lugar Santíssimo (em hebraico, debhir), o
godech godechim ou Sanctus Sanctorum, chamado em Maçonaria Oriente.
As palavras heikhal e debhir foram muito usadas em Maçonaria, e continuam
a sê-lo, principalmente na Maçonaria francesa.
O Segundo ritualistas e simbolistas, o Templo de Salomão é o homem, o
Ocidente o seu corpo e o Oriente a sua consciência A balaustrada, que separa
o Oriente do Ocidente, está ligada, no grau de Mestre Secreto, à palavra de
passe Ziza, que é traduzida por esta forma, ao passo que outros ritualistas dão-
lhe o significado d e “resplendor”.
Ao tratar do 4º grau, em seu "Çours Complet de Maçonnerie”, o Dr.
Vassal escrevia, em meados do século passado, alguns comentários de ordem
filosófica, que reproduziremos. Dizia ele:
"O Santo dos Santos, mencionado na instrução, é figurado por um
santuário, na abóboda do qual acha-se suspenso o nome do G.: A.: D.: U.:,
cercado de todos os atributos da divindade; este símbolo, tão religioso,
aparentemente, encerra altas verdades filosóficas
"O Santuário do Templo representa a consciência do homem; é a parte
mais concentrada do seu ser; só ela pode conceber a grandeza da imensidade
de Deus.
"A balaustrada representa a Razão, que preserva: a consciência dos
funestos efeitos dos preconceitos vulgares e fanáticos.
"A Chave do santuário representa a Inteligência que, sendo a
consciência, permite ao homem chegar até a verdade, que concentra em si
mesmo, a partir do momento em que possuí a convicção ma:s íntima; resulta
disto que a consciência figurada pelo santuário é, como o Sanctus
Sanctorum, um asilo sagrado onde ninguém tem o direito de penetrar, exceto
aquele que dela é o possuidor, visto ser ele o verdadeiro amo, devendo ser
unicamente ele a deter a chave dos segredos que ela contém.
"Esta alegoria é tanto mais engenhosa que o véu religioso que a envolve
só podia ser levantado pelos iniciados desse grau, e o sacerdote de Israel ficou
de tal modo compenetrado da importância do verdadeiro sentido filosófico
desta alegoria, que ele a imprime na crença dos israelitas, e esta tarefa tornou-
se, posteriormente, tão fácil de ser cumprida, que, desde o momento em que
os israelitas deixaram de formar um corpo de nação, tiveram de se dispersar, e
então cada chefe de família exerceu, ele mesmo, as funções sacerdotais.
"Foi a transmissão constante desta doutrina, que os tornava tão firmes e
tão resolutos em sua crença religiosa; o desprezo das -várias nações, as
masmorras, as torturas, as próprias fogueiras não conseguiram demovê-los."
Achamos por bem reproduzir estes comentários do Dr. Vassal, escritos
há mais de cem anos, porque talvez expliquem de certa forma a tenaz
sobrevivência do povo de Israel e a sua resistência opiniática contra todas as
vicissitudes sofridas. Talvez respondam de certo modo aos próprios
acontecimentos, ligados a este povo, que estamos presenciando.
As paredes são decoradas de preto com lágrimas de prata. A cor preta
encontra-se também no avental, na faixa e nas luvas do Mestre Secreto que
tem bordaduras pretas nos dorsos. A Liturgy of A. A. S. R. of Freemasonry
comenta a respeito desta cor:
"A cor preta simboliza a dor dos Maçons do Templo por causa da morte
do Mestre Hiram, o Iniciado fenício, e a perda da Palavra do Mestre. É também
símbolo do litígio, no universo das coisas, e na alma de todo homem que vive
entre a luz e a escuridão, o bem e o mal, a verdade e o erro, uma luta que
começou com o tempo e é representada na Maçonaria pelos esforços e pela
ansiedade de alcançar a Luz."
Não são vistas na Loja ferramentas, visto que, devido a morte de Hiram,
os trabalhos foram suspensos. Por outro lado, os trabalhes a que se dedicam
os Mestres Secretos não são manuais ou operativos, são labores que não
precisam de martelo, nem de machado, nem de qualquer outra ferramenta de
artífice.
No sanctus Sanctorum há um estrado de três degraus. Exo-
tericamente, os três degraus representam as três etapas da vida: juventude,
maturidade e velhice, que são também os três degraus do progresso através
dos mistérios da Vida, degraus que levam o homem à noção espiritual de tudo
o que o cerca e o fazem aspirar a algo mais elevado e sublime. Os antigos
egípcios davam-lho interpretação diferente e, como diz Ralph M. Lewis, nas
escavações realizadas naquele país durante as quais foram desenterrados
novos templos, verificou-se que três escalões conduzem sempre à entrada
desses templos ou altares interiores. Em nenhum lugar destes templos onde se
encontram estes pontos sagrados deixam de ser encontrados três degraus
que a eles levam.
E em seus comentários em "Los Antiguos Símbolos Sagrados" diz
Ralph M. Lewis:
"A explicação — ou interpretação — deste símbolo encontra-se no
triângulo, o mais antigo de todos os símbolos ou emblemas. O triângulo
equilátero era um símbolo místico, porque em qualquer posição em que fosse
colocado sempre oferecia uma imagem correta. Neste sentido o quadrado e o
cubo se assemelhavam muito ao triângulo.
"O princípio encontra-se no algarismo três (3). Este número representa
os antigos princípios das divindades ou a lei da criação, a criação perfeita.
"Portanto, no momento de acercar-se do santuário, eram dados três
passos (como se fossem os últimos passos para alcançar a meta, e não como
os três passos que se dão no princípio ou no meio de um percurso) para indicar
que quem se acercava cesse ponto estava consciente ou recordava os três
princípios da natureza e de Deus que lhe dava existência terrena. Porque, de
acordo com a lei do triângulo, toda a existência consciente do homem depende
da unidade desses três princípios. Exotericamente os três princípios estavam
expressos como corpo, espírito e alma."
E continua o Ritual:
"Sobre um estrado de três degraus, dois tronos: Um destinado ao
Presidente que tem a designação de Poderosíssimo Mestre e representa o Rei
Salomão; outro deverá ser ocupado por um alto Dignatário ou um convidado
especial, representando Hiram, rei de Tiro. Não deve haver outros assentos, no
estrado.” (p. 3)
O Trono representa o poder soberano e a dignidade real, que tem
também por insígnias o Cetro e a Coroa real, e que encontraremos mais
adiante, significando a realeza que o Iniciado pretende atingir através do
domínio de seus impulsos inferiores e as suas aspirações a um ideai excelso.
O Rei Salomão representa a Sabedoria criadora, a Sabedoria que
persegue um Ideal Interior com elevadas aspirações, aquela Sabedoria
luminosa e radiante, fecunda produtora de tudo o que é belo, nobre e formoso.
Hiram, Rei de Tiro, é o emblema da Força realizadora e da heróica
Virtude. Hiram é a Vida elevada que domina e rege a Força, dirigindo-se para
a realização de empreendimentos sublimes.
SENTIDO MÍSTICO DOS MÓVEIS CONTIDOS NO SANCTUS
SANCTORUM

Diz o Ritual do Grau 4 ou do Mestre Secreto:


"No canto do Santo dos Santos, à direita do Poderosis.:, uma mesa
coberta com pano preto, com a Arca da Aliança, as Tábuas da Lei, a Urna do
Maná. Encostado à Arca, a Vara de Aarão, e pouco à frente, o Candelabro de 7
velas, No canto à esquerda, o Altar dos Perfumes, e na frente do Altar do Ir.:
Tes.:, a mesa doa Pães da Proposição.
Refere a Bíblia, em Êxodo, XXIV, que, depois da saída dos hebreus do
Egito, Deus celebrou uma aliança com este povo, dando-lhe estatutos para o
seu governo e, por meio de instruções à Moisés, instituiu o próprio culto,
fornecendo minuciosos detalhes para a confecção do Tabernáculo, dos móveis,
utensílios e paramentos necessários ao culto para a organização dos
sacrifícios, do cerimonial litúrgico e do sacerdócio.
O simbolismo do grau de Mestre Secreto tem íntima relação com este
episódio bíblico. A Loja é transformada em Templo de Salomão e o Oriente em
Sanctus Sanctorum, onde são vistos:
1º — A Arca da Aliança
2º — O Propiciatório
3º — A Mesa dos Pães da Proposição
4º — O Candelabro de Sete Luzes
5º—0 Altar do Incenso ou dos Perfumes e vários outros símbolos.

Vamos portanto estudá-los em seus significados e em soas várias


interpretações.
Na verdade, o grau de Mestre Secreto pretende fazer entender ao
Iniciado que Deus não pode ser abarcado pelos sentidos nem compreendido
pela inteligência, e procura libertá-lo da noção de um Deus a quem foram
atribuídos vícios, paixões e preconceitos humanos, superstições estas que o
Mestre Secreto precisa derrubar a fim de poder alcançar a Verdade.
É por esta razão que o ritual do 4º grau contém sentenças como estas:
"Jamais farás imagens talhadas na pedra, à semelhança das coisas que
estão no céu, para adorá-las.
"Não faças teus deuses de metal. Quando ergueres teus olhos para a
abóbada celeste nela vires o Sol, a Lua e as Estréias, não lhes dirijas nenhum
culto, como faziam os povos de outrora.
"Não atribuas a Deus paixões e vícios humanos. Nunca dê o seu Nome
aos fantasmas que tua imaginação engendrar." (pp. 20-21)
Mostra o ritual que tudo o que a humanidade produziu como expoentes
da inteligência, se tem preocupado em libertar os povos da prática de religiões
inferiores, lutando contra a adoração dos astros e o culto dos ídolos materiais,
para afirmar que esta é também d preocupação da Maçonaria:
"A suprema e perpétua preocupação da Maçonaria é a derrubada de
todos os ídolos que procura combater pacificamente, sejam eles preconceitos
ou superstições, mentiras ou ignorância, milagres ou tiranias, ídolos religiosos
ou ídolos políticos.” (p. 22)
E assegura que a única barreira existente entre os homens e a Verdade
é o conjunto de paixões, erros e preconceitos. Para o Mestre Secreto, porém, o
obstáculo poderá ser transposto se souber utilizar a chave da perseverança, da
energia e das intenções puras.
E como prêmio pelo esforço despendido pelo Mestre Maçom a fim de
obter êxito em seus nobres propósitos, ele é coroado com termos de oliveira e
de louro, que os antigos consideravam emblemas do triunfo e da glória.
A ARCA DA ALIANÇA

O trabalho foi executado por Besaleel e Aholiabe (ÊX. XXXI, 1-11).


construir uma Arca, de acordo com os dados minuciosos recebidos. O trabalho
foi executado por Besalel e Aholiabe (ÊX. XXXI, 1-11). Nela deviam ser
conservadas as Tábuas da Lei, uma Urna cheia de Maná e a Vara de Aarão.
Sobre as duas Tábuas da Lei estavam gravados os Dez Mandamentos.
Na primeira, estavam os três Deveres do Homem para com Deus. Na segunda,
os sete Deveres do Homem para com o J seus semelhantes.
A Arca da Aliança, que segundo Lenormand media 1,75 m de
comprimento por 0,80 de altura e outros tantos de largura, era uma reprodução
em ponto pequeno da Arca de Noé, que a inspirou, e servia como testemunho
da Aliança do Senhor por intermédio de Moisés.
A Arca de Noé é geralmente representada por baixo do Arco-íris e as
suas sete cores, ao qual ela está indissoluvelmente associada, como símbolo
das relações entre o céu e a terra. Segundo afirma Magister em seu 'Manual
del Maestro Secreto”:
"É o símbolo da aliança, ou seja, da reciprocidade construtiva entre o
Homem e Deus, que tornou possível a salvação do primeiro dos cataclismos
naturais em que perecem os que não reconhecem a Onipotência do
Princípio Divino que neles reside, estabelecendo a aliança indispensável com
este Princípio” (p. 152)
Construída em madeira de Acácia e forrada por dentro e por fora de
ouro puro, a Arca da Aliança era o cofre em que os hebreus guardavam os
seus maiores tesouros, tesouros místicos, espirituais e morais, pois as Tábuas
da Lei que ensinam a Verdade Divina, o Maná e a Vara de Arão são símbolos
da Vida eterna.
A Acácia, por sua vez, árvore sagrada entre os egípcios, dos quais os
hebreus acabavam de fugir, era, pela sua imputrescibilidade, também um
emblema da vida eterna e, conseqüentemente, da imortalidade e ao mesmo
tempo da inocência, ao passo que o ouro era o símbolo do poder e da
magnificência.
Na Arca da Aliança reside, pois, um simbolismo bastante extenso, que o
Mestre Secreto deve desenvolver no silêncio do seu coração, pois é um
segredo mu to importante que só a ele interessa.
Tratando dos símbolos contidos na Arca, em seu "Manual del Maestro
Secreto", escreve ainda Magister:
Com a branca chave, alegórica da pureza de suas intenções que o
Mestre Secreto possui, pode ele averiguar o conteúdo da Arca. Não obstante, a
fragilidade do material de que se compõe requer um cuidado extremo: a chave
pode quebrar-se facilmente — pomo o indicam alguma vez as alegorias
relativas a este grau — e o conteúdo da Arca permanecerá oculto e
impenetrável, se não concorrem para formá-lo o ouro da Fé, a prata da
Esperança e o cobre do Amor." (p. 73)
E com referência à Urna do Maná e à Vara de Arão, Magister explica:
"O Vaso de Maná e a Vara de Arão, que se conservam na Arca junto
das Duas tábuas da Lei, são os emblemas dá Graça e do Poder que manam da
perfeita observância da Lei em seus dois aspectos: os dons do Altíssimo que
se recebem na proporção da nossa Fé, Esperança e Amor, com o
reconhecimento de que Ele ó a Grande Fonte de tudo, o único Poder e a única
Realidade.”p(74)
Sobre a tampa da Arca da Aliança, ou seja sobre o Propiciatório,
também chamada o Assento da Misericórdia manifestou-se, por uma nuvem
visível, a Glória Divina, que habita no Templo e no Tabernáculo, e que os
judeus chamam a Xekiná, termo hebraico derivado da palavra Xakan, ou seja,
morar, habitar. Esta nuvem era o resultado do sangue do sacrifício que o Sumo
Sacerdote verte sobre esta tampa pelos pecados do povo.
Apareceu pela primeira vez sobre a Arca quando Moisés consagrou o
tabernáculo; e esteve depois disso na consagração do Templo por Salomão,
aonde foi transportada e onde permaneceu até a destruição do edifício. A
Xekiná desapareceu depois da destruição do primeiro Templo e não esteve
presente no segundo. A Xekiná era o Símbolo da Glória Divina.
Segundo afirma Ralph M. Lewis em Los Antiguos Símbolos
Sagrados":
“Para os místicos, a Arca é o emblema do lugar sagrado e secreto onde
estavam depositadas e conservadas as coisas sagradas de índole material ou
mundana, que pertenciam ao Templo, aos Oficiais ou aos Irmãos.
"Neste sentido, a Arca significa um depósito muito diferente do Livro.
Este continha e preservava as posses espirituais, as Leio Divinas, a outra
continha e preservava as coisas secretas que pertenciam à existência terrena e
aos trabalhos do Templo. Por isso, a Arca foi emblema do lugar oculto, selado
e vigiado, onde se preservavam secreta e sagradamente os vínculos que
uniam os Irmãos."
E mais adiante, o mesmo autor escreve:
"Na origem, um templo era um espaço ou área de terreno destinado a f
ns sagrados ou de adoração, onde homens e mulheres podiam congregar-se
para fazer as suas oferendas e para meditar. Era terra sagrada. Não era uma
construção, porém simplesmente um lugar.
"Era costume haver nessa área um ponto focai, representado por uma
pequena construção ou altar que recordava a presença de Deus. Este ponto
focai foi chamado o Sanctus Sanctorum e o Altar chamou-se a Arca ou a
Xekiná.
"Mais tarde, quando foram erigidos edifícios para encerrar e proteger o
lugar sagrado, a Arca ou Xekiná foi sempre colocada no centro. Era neste
lugar onde se acreditava que descia, na terra, a consciência de Deus. Até nós
chegou, através de quase todas as religiões, a crença de que sempre que o
homem dedica um lugar, uma coisa ou uma condição a Deus, ELE aí está
presente, santificando-o por ter-lha sido consagrado."
O PROPICIATÓRIO

De acordo com as instruções recebidas de Deus (ÊX. XXV, 17-22),


Moisés mandou construir um propiciatório de ouro puro, obra também
executada por Bezaleel, o grande artista hebreu (Êx. XXXVII, 6-9). Sobre ele
deviam ser colocados, um a cada extremidade, dois querubins de ouro batido
de asas abertas por cima do propiciatório, cobrindo-o.
O propiciatório devia ser disposto por cima da Arca, dentro da qual as
Tábuas da Lei confirmavam a proibição de render culto a imagens.
Em sua obra "Jesus e sua doutrina", A. Leterre escreve a .respeito dos
querubins:

"Os dois querubins emblemáticos, de asas estendidas, da Arca de


Moisés, cujo termo em hebraico significa Touro, símbolo da potência criadora
de Jeová, tinham a mesma analogia da estatueta de Amon com cornos
(Carneiro), por isso que Moisés é representado com esses adornos. A Bíblia
mesmo consigna que o Eterno (Jeová), ameaça seu povo com seus cornos.”
(p. 62)
E prosseguindo, este autor desenvolve estranha teoria que consignamos
aqui, sem comentários, mais a título de curiosidade:
"Ora, será admissível que Jeová tivesse ordenado a Moisés, a
construção da Arca, copando-a do culto de Amon? É mais verossímil que este
legislador tivesse recebido nos templos de Jetró, onde se iniciou, o plano dessa
Arca, construída, como era, com ouro, prata, bronze, etc., servindo, de acordo
com a formidável ciência de que era detentor, de poderoso acumulador elétrico.
"É sabido que a atmosfera, em certas regiões do globo, como no
Canadá, é carregada de fluídos elétricos de tal natureza e em tão grande
quantidade, que uma pessoa lá pode acender um bico de gás simplesmente
com a ponta do dedo.
"No Egito, então, esta propriedade ainda é mais notável, devido à secura
do ar. Não é, pois, de estranhar que sábios magos, como Moisés,
conhecessem esta força da natureza e que este tivesse sabido captá-la em seu
formidável acumulador, para aplicá-la em certas oportunidades, quando seu
povo recalcitrava ou contra inimigos em batalha.
“As extremidades das asas dos Querubins de ouro recebiam o potencial
atmosférico positivo e o condutor interior, que residia nos varais, que se
comunicavam com o solo, o negativo”.
"Segundo rezam os livros da índia, Semíramis, rainha da Babilônia,
tentou uma vez invadir este país com um exército de dois milhões de homens.
Os magos, unicamente por meio dos fluídos elétricos, derrotaram seu exército,
obrigando-a a transpor o rio Brahma-Putra, que, nesse lugar, ficou amaldiçoado
até roje, razão por que indiano algum o atravessa.
"Na história da Grécia, encontra-se o mesmo emprego dessas forças
para derrotar um exército invasor.
"Houve mesmo Pontífices fulminados pelo raio, quando, mal isolados,
invocavam o fogo celeste: Invocare fulmine, cogere fulmine, diz a frase
latina. Foi pela mesma razão que Zoroastro foi fulminado.” (pp. 62-63)
O famoso Papus trata desse mesmo assunto em seu TMSO, em que
dizia:

“Os nossos eletricistas ficariam em situação de inferioridade perante


esses sacerdotes egípcios e seus iniciados (gregos e romanos) que
manejavam o raio, como nós empregamos o calor, e o faziam descer à sua
vontade”.
"É Saint-Yves d'AIveydre que vai mostrar-nos, (em sua “Mission de
Juifs"), como era posto em prática este segredo que constituía um dos
costumes entre os mais ocultos dos santuários.
"Na História eclesiástica de Sozomeno (liv. IX, cap. VI) pode-se ver a
corporação sacerdotal dos etruscos defendendo com trovões, contra Alarico, a
cidade de Nárnia que não foi tomada.
"Tito Lívio (liv. I, cap. XXX) e Plínio (Hist, nat, liv. II, cap. Llll, e liv.
XXVIII, cap. IV) nos descrevem a morte de Túlio Hostílio querendo evocar a
força elétrica segundo os ritos de um manuscrito de Numa e morrendo
fulminado por não ter sabido prever o choque de retorno.
"Sabe-se que a maior parte dos mistérios entre os padres egípcios não
era mais que o véu com o qual encobriam as ciências e que ser iniciado em
seus mistérios era ser instruído nas ciências que eles cultivavam. Por isso
davam a Júpiter o nome de Elício ou Júpiter elétrico, considerando-o como o
raio personificado, o que se deixava atrair sobre a terra pela virtude de certas
fórmulas e práticas misteriosas; pois Júpiter Elício não significa outra coisa
senão Júpiter suscetível de atração, Elício provém de elicere, segundo Ovídio
e Varão.” (pp. 20-21)
Durante a Antigüidade e a Idade Média homens de talento consignaram
em seus escritos muitas coisas maravilhosas que foram acreditadas graças à
sua fama e pessoas de talento quiseram transportar esses contos até os
nossos dias. Existem, na verdade, coisas que escapam ainda às investigações
científicas, mas todo o cuidado é pouco, porque também existem dogmas
científicos.
Se a Fé é uma virtude, a credulidade não. É recomendado, por outra, ao
Mestre Secreto a inocência, mas não a ingenuidade.
A MESA DOS PAIS DA PROPOSIÇÃO

Em Êxodo XXV, 23-29, Deus ordena a Moisés de fazer uma mesa,


dando-lhe as instruções sobre os detalhes, e no versículo 30 determina:

30 — Porás sobre a mesa os pães da proposição diante de mim


perpetuamente.

Em Levítico XXIV, 5-9, Deus instrui a Moisés como deverão ser feitos
os pães e de que maneira a oferta deverá ser feita:

5 — Também tomaras a flor da farinha, e dela cozerás doze pães, cada


um dos quais será de duas dízimas de uma efa.
6 — E os porás em duas fileiras, seis em cada fileira, sobre a mesa de
ouro puro perante o Senhor.
7 — Sobre cada fileira porás incenso puro, que será, para o pão, como
porção memorial; é oferta queimada ao Senhor.
8 — Em cada sábado, Arão o porá em ordem perante o Senhor
continuamente, da parte dos filhos de Israel, por aliança perpétua
9 — E será de Arão e de seus filhos, os quais o comerão no lugar santo,
porque é coisa santíssima para ele das ofertas queimadas ao Senhor, como
direito perpétuo.
Portanto, são doze os pães e não três como o exige o Ritual do 4º grau
de G.: O.: B.:, posto que esses pães são oferecidos ao Altíssimo pelas doze
tribos de Israel, um para cada e não quatro tribos para um. Isto é confirmado
por Magister em seu "Manual del Gran Elegido", o qual assim se exprime:
"Os doze pães de proposição que as doze tribos oferecem ao Altíssimo
constituem uma referência mais direta aos doze signos zodiacais, na ordem em
que usualmente lhes é reconhecida; as doze divisões cíclicas do Ritmo
Cósmico e Terrestre da Vida, e ao mesmo tempo os doze setores que
diferenciam radialmente todo campo enérgico vital” (p. 108)
O ALTAR DOS PERFUMES

A Bíblia (ÊX. XXX, 1-10) refere-se a ordem dada por Deus a Moisés para
a confecção de um altar para nele queimar incensa O altar era de forma
quadrada, coberto de ouro e com "chifres que formarão uma só peça com ele".
Os altares dos antigos eram de duas categorias: para os sacrifícios e
para o incenso. Os primeiros eram erigidos fora e em frente ao Templo,
somente os segundos eram permitidos no interior.
Supõem alguns pesquisadores que o incenso servia para afugentar os
maus odores, sendo utilizado para corrigir o ar viciado dos templos
subterrâneos.
Segundo a "Encyclopaedía" de Mackey, o uso do incenso fazia parte
do culto à Divindade, sendo comum a todos os povos da antigüidade. Porém,
em Maçonaria, o incenso é o símbolo da prece.
Entretanto, Jules Boucher (LSM) observa que o incenso e a fumaça que
ele produz, possuem uma ação anti-séptica já comprovada, e esta ação física é
acompanhada de uma ação" psíquica; ela produz um estado de alma particular
propício à elevação espiritual".
O incenso que se emprega nas Igrejas é uma mistura de várias resinas,
mistura na qual, às vezes, não entra sequer um grão de incenso puro. A
palavra designa "tudo o que queima", sem indicar qualquer material em
particular. O verdadeiro incenso é o Olíbano (Oleum Libani) ou óleo do Líbano.
Para as fumigações maçônicas, Jules Boucher preconiza uma mistura
em três partes de Olíbano, duas de Mirra e uma de Benjoim, que tem um odor
bastante agradável e que, na sua opinião, simbolizaria os três mundos: divino,
humano e material, acrescentando:
"As velas e as fumigações são, em nossa opinião, o coadjuvante
indispensável das cerimônias maçônicas, às quais dão aquela nota "sagrada"
que deve reinar nos Templos. Dizemos bem um "coadjuvante", pois é evidente
que não modificam os ritos fundamentais da Ordem Maçônica." (pp. 122-123)
O CANDELABRO DE SETE LUZES

O candelabro de sete luzes, velas ou braços, uma das qual? devia estar
continuamente acesa para o serviço do Tabernáculo, foi confeccionado de
acordo com as instruções emanadas do Altíssimo, segundo o Êxodo, XXV, 31-
40.
Este candelabro tinha sete ramos, três de cada lado e um no centro, e
estava colocado ao lado oposto ao da mesa dos Pães de Proposição, que
pretendia iluminar obliquamente, e para tanto as lâmpadas estavam dispostas
de maneira a ter vista para o Oriente e o Sul.
No simbolismo judaico, segundo alguns comentadores, os sete ramos
indicavam os sete planetas clássicos dos antigos; outros, porém, pensam
tratar-se dos sete dias da semana. Os cristãos primitivos fizeram do
Candelabro de sete ramos um emblema alusivo ao Cristo, "A Luz do Mundo" e,
neste sentido, tornara-se um dos símbolos favoritos da arte cristã primitiva.
Existe grande analogia entre o Candelabro e a Arca da Aliança, sendo
ele mais uma testemunha da aliança mística existente entre a criatura e o
Criador e do homem com o Princípio de Vida. E explica Magister:
"Por esta razão, a Arca há de ser iluminada pelo candelabro de sete
luzes, que são ao mesmo tempo os sete Elohim ou Criadores (manifestados
nos sete raios, as sete Forças Planetárias e nos sete Anjos que se sentam
diante do Trono de Deus), as sete virtudes, as sete Artes e os sete dons do
Espírito Santo: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Juízo, Fortaleza, Ciência e
Temor a Deus (Compreensão da Lei).
''Estas sete luzes filosóficas devem iluminar e completar, no Mestre
Secreto, a Fé, a Esperança e o Amor, cujo conhecimento prático foi objeto dos
três graus simbólicos. A Devoção e o Respeito à Lei, vêm primeiro e conduzem
naturalmente à verdadeira ciência — discernimento e conhecimento da
Realidade. Es e conhecimento é a verdadeira força do Iniciado: a Força
Invencível que se torna manifesta como fortaleza de caráter.
Por sua vez, a Retidão do Juízo, que nasce da firmeza do dis-
cernimento, é a base de todo são conselho, sem o qual não pode haver
verdadeira inteligência. E a Sabedoria, que vem por último, é a primeira em
categoria, pois integra em si todos os demais dons. A ela refere-se João
Batista, personificação da Inteligência, quando diz: "Este é aquele de quem eu
dizia: Aquele que vem atrás de mim, é antes de mim".
"As sete luzes ou fogos, devem ser acesos e brilhar no Santuário de
nossa íntima consciência, ante a Arca ou receptáculo arcano, símbolo
daquela Aliança que nos converte em verdadeiros Maçons — Obreiros
Iluminados e Conscientes do Grande Arquétipo, que se dedicam com Fé,
Ardor, Liberdade e Firmeza à realização de seus planos, com um
conhecimento cada vez mais perfeito e uma observação de suas Leis cada vez
melhor.” (pp. 150-151)
Referindo-se ao Apocalipse, A. Leterre (JSD), fala do Candelabro de 7
braços dizendo:
"O sistema planetário, ali, está designado, sem nenhuma espécie de
equívoco, por um castiçal de 7 braços ou por 7 castiçais e por 7 estrelas que
empunha o gênio luminoso, semelhante ao deus princípio, Ormuzd, adorado
pelos persas.
"Este emblema simbolizava os 7 grandes corpos celestes (Sol, Lua,
Júpiter, Saturno, Marte, Vênus e Mercúrio) nos quais se distribui a luz incriada
e no centro dos quais brilha o Sol, seu principal foco. É o anjo do Sol que, sob
a forma de gênio resplandecentes de luz aparece a João e lhe descobre os
mistérios que ele deve revelar aos iniciados.
"São os próprios escritores judeus e cristãos que nos fornecem a
explicação que damos dos 7 castiçais que exprimem aqui a mesma idéia
cosmogônica, indicada pelo símbolo do castiçal de 7 braços, colocado no
templo de Jerusalém.
"Clemente, bispo de Alexandria, pretende que o castiçal de 7 braços,
colocado no meio do Altar dos perfumes, representava os 7 planetas. De cada
lado partiam três braços suportando cada um, uma lâmpada. No meio estava a
lâmpada do Sol, centralizando os 6 braços, porque este astro colocado no meio
do sistema planetário, comunica sua luz aos planetas que estão abaixe e
acima, segundo as leis de sua ação divina e harmônica.
"Josefo e Filon, dois escritores judaicos, dão a mesma explicação. O
autor do Apocalipse nada mais fez, portanto, do que empregar um emblema
aceito para exprimir os sistemas harmônicos do Universo, no santuário do qual
a iniciação introduzia o homem.”
SÍMBOLOS DO GRAU DE "MESTRE SECRETO"

O SINAL DO SILÊNCIO

O Sinal do Mestre Secreto se faz colocando-se os dedos médio e


indicador sobre os lábios, significando silêncio e segredo.
Na Introdução que ARYAN fez para o livro "La masoneria Oculta y la
Iniciación Hermética” de J. M. Ragon, ao referir-se a este símbolo este
prefaciador comentava:
"O símbolo em Maçonaria, assim como em ocultismo, é sempre
acompanhado de silêncio. Calar é uma das virtudes que deve possuir o
iniciado. Dizia Carlyle que o silêncio "é o elemento em que se plasmam as
grandes coisas para saírem com o templo à luz meridiana da vida
completamente amoldadas e majestosas".
"Falar, não é, como dizia um célebre francês, a arte de ocultar o
pensamento, mas de pará-lo e de sufocá-lo... A palavra é coisa temporal; o
silêncio, coisa eterna". O silêncio tem sido exaltado em todas as escolas
iniciáticas como eterno dever do homem. Os discípulos de Pitágoras eram
submetidos a uma grande prova de silêncio. Os iniciados de Elêusis saíam do
antro onde se encontrava o leito de Perséfone com um dedo sobre os lábios
para significar que o que tinham experimentado era inefável. Os exercícios de
concentração das escolas iogues são também provas de silêncio nos quais a
alma se isola do mundo dos sentidos, acalma suas paixões e contempla-se a si
mesma.”

CETRO

Nos Altos Graus, o Cetro é o símbolo do poder, um dos atributos de


Salomão que neles desempenha papel tão preponderante.
No grau de Mestre Secreto, como nos seguintes da série dos graus de
Perfeição, o Cetro substitui o Malhete para dar sobre a espada os golpes
simbólicos da consagração. Representa ó Poder ^e Unidade que se manifesta
na Inteligência (mão esquerda) como sabedoria, e na Vontade (mão direita)
como capacidade e efetividade de domínio. Ambos estes aspectos do símbolo
têm relação com os dois aspectos da letra lod, conhecida pelo Mestre Secreto
e que se manifestam como princípios e potencialidades ativas no homem
(MMS — pp. 86-87)

CHAVE
Em nosso GDEMS, escrevemos longo artigo sobre a chave (VEP) em
que dizíamos que nos Altos Graus maçônicos a chave é o símbolo do Segredo.
Segundo Adoum, a chave é a razão princípio da Sabedoria Infinita. É o
pensamento concentrado com o qual se abre a Arca. (p. 21)
Da mesma forma diz-se que as chaves místicas são as palavras
sagradas ou de passe que, simbolicamente, servem paia abrir o Templo.
COROA

Ornato muito usado na Antigüidade para cingir a cabeça, sendo as


primeiras consagradas às divindades segundo as plantas que fazem parte de
seus atributos (ver GDEMS). Os sacerdotes e sacrificadores portavam, durante
os sacrifícios, coroas de oliveira a de louro e assim segundo os seus cargos, os
magistrados, os embaixadores, os atletas, os militares, etc.
Tornou-se depois um atributo do poder. Assim, desde Júlio César, os
imperadores usaram a coroa triunfal que é dê louro, e assim foi também usada
na Maçonaria como emblema de majestade, poder, martírio, glória e triunfo.

JÓIA DO PRESIDENTE DA LOJA DE PERFEIÇÃO

É um Delta dourado tendo, no anverso, inscritas em forma de triângulo,


as letras I (Jota) em cima, Alpha (A) à esquerda e Omega (O), à direita em
baixo. Jota (I) significa a existência, Alpha (A), o começo, e ômega (O), por ser
a última letra do alfabeto grego, o fim.
Também dispostos em triângulo, no reverso, são vistos símbolos
alquímicos. Em cima o do ouro (um círculo); à direita o da prata (um círculo
encimado por uma meia-lua, e por baixo uma pequena linha vertical) e, à
esquerda, o do cobre (um círculo com uma pequena cruz grega em baixo).
As letras do anverso Jota, Alpha e ômega formam um antigo
hierograma IAO, usado pelos gregos, semelhante ao lod, Hê, Vau hebraico e o
AUM hindu; símbolos fonéticos da divina Triada da qual o Triângulo é o
símbolo gráfico.
Quanto aos símbolos alquímicos do reverso, sabe-se que, em
esoterismo, cada metal tem um nome astrológico e corresponde a um planeta.
Assim, o ouro está ligado ao Sol, a prata à Lua e o cobro a Vênus. Podemos
então traçar o quadro do que eles representam esotericamente:
Sol — ouro — espírito — espiritualidade — idealidade, perfeição.
Lua — prata — vida ou alma; segundo os hermetistas, objetividade,
intelectualidade, sentimento puro.
Vênus — cobre, corpo, sensibilidade, instintividade, sexualidade.

Descrevendo a jóia do Presidente de uma Loja de Perfeição, diz a


"Liturgy of A. A. S. R.":
"O triângulo, que é a jóia do Presidente, como o que está dentro de um
círculo suspenso no Oriente representa o Grande Arquiteto do Universo. Os
três lados dele são Sabedoria, Força e Beleza, ou, mais propriamente,
Sabedoria, Poder e Harmonia; três atributos divinos muito falados pelos
Maçons; Sabedoria que concebe, Poder, que cria e Harmonia, que regula e
preserva o universo.
"O universo é simbolizado por nós, como o era pelos antigos, por um
círculo. A estrela flamejante de cinco pontas representa a grande luz central,
que muitas nações adoraram no sol; e a letra IOD circundada por seus
esplendores, é a inicial hebraica do nome da grande fonte de luz, o verdadeiro
DEUS, que os Maçons reverenciam", (pp. 18-19)
Segundo escreve Papus no século XIX:
“Os hindus e sobretudo a nação chinesa, estacionaria por excelência,
pois ainda hoje emprega a datilografia primitiva, conservaram este primeiro
nome do Criador que o homem não devia pronunciar nunca, IAO, nome bíblico
e trinitário. lod, Hê, Vau. Hê, que, com as aspirações arcaicas, produziu entre o
povo de Deus Jehaho, Jehová ao passo que entre os infiéis tornou-se Jovis,
donde Jovis Pater.
"O primitivo IOA produziu por analogia a tríplice divindade egípcia Ísis,
Osíris, Anúbis. Os nomes e a forma são a obra dos homens; o espírito, o
protótipo, é a onipotência eterna.”

O LAUREL E A OLIVEIRA

Segundo Adoum, estas folhagens simbolizam a vitória sobre si mesmo e


a paz na vida espiritual e física. Significam vitória è paz, o que se consegue
pelo triunfo do Espírito sobre a Matéria.
Diz porém o "Manual del Maestro Secreto" que o Laurel e a Oliveira
que coroam o Mestre Secreto "são o emblema da Vitória alcançada sobre si
mesmo, sobrepondo os seus ideais aos seus vícios, erros e paixões, e a paz
da alma que deriva desta conquista — a Paz que sucede às tempestades
interiores, à luta obscura com os instintos e tendências negativas —
inteiramente desconhecida por aquele que não tenha triunfado alguma vez,
vitoriosamente, na luta sobre as suas tendências inferiores. Somente quando
sabemos levar intactos os nossos Ideais no Ocidente da vida material,
podemos efetivamente merecer esta coroa mística", (p. 82)
A oliveira da Paz identifica-se, simbolicamente, com o Rei Salomão; o
rei universalmente reconhecido e renomado por sua sabedoria e cujo nome
significa igualmente paz.
O laurel é o símbolo dá vitória que acompanha o homem, segundo a
elevação de suas aspirações.
Assim, enquanto o laurel é a recompensa do mérito, a oliveira o é da
fidelidade. E essa última tem como significados simbólicos: a Paz, a Caridade,
a Abundância e a Fecundidade.

PAINEL DO GRAU 4º

Segundo Vassal (CCM), o painel deste grau compõe-se do santuário do


Templo, fechado por uma balaustrada e pela palavra de passe do grau que
significa balaustrada. No interior do santuário e próximo a esta balaustrada,
acha-se figurado um túmulo que parece representar aquele destinado a conter
os despojos mortais de Hiram.
A guarda desta parte do Templo era confiada aos levitas e a chave da
balaustrada lhes era igualmente confiada, o que certamente deu a idéia aos
autores do R. E. A. A. de com estes elementos formar os Mestres Secretos,
cuja marca distintiva é uma chave semelhante a dos camareiros, que teve ser
figurada sobre o avental.
TEMPLO DE SALOMÃO

Mackey (SOFM) escreve nesta sua obra:


"Os construtores da antiga Jerusalém construíram um templo terrestre e
material que devia ser consagrado ao serviço e ao culto de Deus — uma casa
na qual Jeová devia morar visivelmente por meio de sua Xekiná (sua glória) e
de onde, por Urim e Tumim, devia fazer ouvir os seus oráculos e governar e
dirigir o seu povo escolhido.
"Mas a arte operativa (a construção de edifícios materiais) tendo;
terminado para nós, como Maçons especulativos, simbolizamos os trabalhos
dos nossos predecessores empregando-nos na construção do templo espiritual
em nossos corações, templo puro e sem máculas, digno de ser a morada
d'Aquele que é o autor de toda pureza — onde Deus será adorado em espírito
e verdade, e de onde todo mau pensamento e toda paixão desregrada estarão
banidas, como o pecador e o gentio estarão banidos do santuário tio templo
judaico,
"Esta espiritualização do templo de Salomão é a primeira de todas as
instruções da Maçonaria, a mais importante e a mais profunda de todas."
OS GRAUS POR COMUNICAÇÃO

Como já dissemos em outra parte deste livro, existem no Rito Escocês


Antigo e Aceito graus que não são mais praticados, ou seja não se exige mais
uma iniciação aos candidatos para conferi-los.

Comportam apenas uma instrução dada pelo Presidente da Oficina, sem


qualquer espécie de cerimonial iniciático. Diz-se então que tais graus foram
conferidos por comunicação.
Nas Lojas de Perfeição, no Brasil, tais graus são os seguintes: 5, 6, 7, 8,
10. 11, 12 e 13.
5º GRAU

DENOMINAÇÕES

do Grau Mestre Perfeito


da Oficina Loja de Mestre Perfeito
do Presidente Três vezes Poderoso ou Douto Mestre
dos Irmãos Veneráveis Mestres Perfeitos

OS OFICIAIS

Presidente Adonhiram
1º Vigilante Stolkin
M. de Cerim. Zerbal

Categoria e Interpretação do grau — Este grau pertence à 4º


categoria, a dos bíblicos ou israelitas. A sua interpretação, segundo certos
escritores, é "eternidade, não temporalidade", sendo consagrado "a todas as
verdades e a todos os conhecimentos úteis enumerados sobre à pedra cúbica",
segundo outros. Sendo um grau de meditação inferior, a sua finalidade e
princípio moral é “honrar a memória dos Irmãos, à qual se deve render
respeitoso culto".

Ornamentação da Loja — A Loja é armada de verde, e ornamentada


com quatro colunas brancas, levantadas em cada canto, à distância igual.
Dezesseis luzes a iluminam, quatro em cada ponto cardeal, cada grupo de
quatro formando um esquadro, símbolo da Perfeição. O altar é recoberto por
um pano preto, semeado de lágrimas. Sobre ele um rolo de pergaminho, o livro
das Constituições, o esquadro, o compasso, o malhete e a régua.

INSÍGNIAS

Fita de cor verde esmeralda, como simbolizando a Luz, e, por extensão,


a Iniciação. É posta a tiracolo da direita para a esquerda.

Jóia compasso aberto a 609 sobre um arco de círculo graduado.

Avental com abeta verde, tendo, no centro da parte branca, uma pedra
cúbica e sobre ela um J.: cercado de sete círculos a igual distância um do
outro.

COBRIDOR DO 5º GRAU

Palavra Sagrada Jehovah


Palavra de Passe Acácia
Sinais
De admiração: Levantar as mãos e os olhos para o céu, deixar cair os
braços, cruzando-se sobre a fronte, e voltar a vista sobre a terra.
De reconhecimento: Ajuntar pouco a pouco os pés e as pontas uma à
outra, tocando-se os joelhos; levar, reciprocamente, a mão direita sobre o
coração e depois sobre o lado direito, formando uma esquadria.

Toque — Levar mutuamente a mão esquerda sobre o ombro direito;


pegar na mão direita um do outro, tendo o polegar afastado.

Marcha — Formar um quadrado por quatro passos unidos: 1º, com o pé


direito para a direita e unindo o esquerdo; o 2º, com o pé esquerdo para a
frente e unindo o direito; o 39, com o pè esquerdo para a esquerda, e unindo o
direito; e o 49, com o pé direito para trás, e unindo-lhe o esquerdo, o que perfaz
o quadrado.

Bateria — Quatro pancadas iguais e espaçadas (!!!!).

Idade — Na abertura dos trabalhos um ano, e no encerramento sete,


todos juntos oitos anos.

Tempo de trabalho — Ao abrir, uma hora:


ao encerrar, sete horas.

DICIONÁRIO DAS PALAVRAS

Jehovah — É o tetragramaton inefável e impronunciável IHVH, o grande


nome de Deus. Era um dos mistérios do interior do Templo e a sua verdadeira
pronúncia não é conhecida. Somente o Sumo Sacerdote tinha a permissão de
pronunciá-lo e apenas uma vez por ano, no dia da Expiação, 109 da lua de
Thisrri, enquanto os levitas faziam grande ruído para que não fosse ouvido pela
multidão. Para evitar de pronunciar o Tetragramaton inefável, os judeus o
substituíram pela palavra Adonai.
A palavra Jehovah foi inventada pelos massoretas, doutores judeus
autores de trabalhos filológicos conhecidos pelo nome de massora.
Combinando as letras consoantes de IHVH com as vogais de Adonai,
constituíram a palavra Jehovah, verdadeiro barbarismo que os judeus jamais
admitiram e que, entre os cristãos, data apenas do século XVI.

Acácia — Trata-se de um arbusto com espinhos que tira o seu nome de


akí, palavra grega que significa ponta. Por serem sempre verdes as suas folhas
e a sua madeira incorruptível, a acácia tornou-se uma árvore sagrada,
simbolizando a imortalidade. O vocábulo grego akakia significa também "sem
maldade, inocência, franqueza, sinceridade, honestidade", qualidades estas
que deveriam ser o apanágio dos Maçons, e particularmente dos deste grau
em diante, razão por quê foi dada a este grau como palavra de passe.
LENDA DO 5º GRAU

A lenda de Hiram continua no grau de Mestre Perfeito e tem como


principal finalidade a inumação do corpo de Hiram Abif, como também a
translação de seu túmulo.
Salomão excita os Mestres a procurarem os assassinos de Hiram e a
vingarem a sua morte. Segundo B. Clavel (Hist. Pittoresque de Ia F. M.), o
privilégio que esta distinção conferia aos irmãos que a obtiveram consistia em
serem os únicos a saber que o coração da vítima repousava em uma urna
colocada sobre o mausoléu levantado a Oeste do templo. Conheciam assim a
solução da quadratura do círculo que, depois, infelizmente foi perdida".
Tendo sido encontrado o corpo do Mestre Arquiteto, Salomão ordenara
a Adonhiram, que o substituíra à frente dos trabalhos, que preparasse
magníficos funerais aos quais deveriam comparecer todos os obreiros
devidamente revestidos com aventais e luvas brancas.
O coração de Hiram embalsamado, foi exposto à veneração pública, em
uma urna colocada no terceiro degrau do Sanctus Sanctorum. E o mausoléu
que Salomão mandara construir para receber os restos mortais de Hiram Abif,
era de mármore branco e preto, tendo sido terminado em apenas 9 dias.
Diz ainda a lenda que, três dias depois da cerimônia fúnebre, Salomão
visitou o Templo acompanhado de sua corte, e depois de haver examinado
tudo, em um transporte de alegria ao mesmo tempo que fazia o sinal de
admiração, exclamara "Está perfeito!".
Alguns atribuem o título do grau a essa exclamação de Salomão, outros
porém atribuem a denominação de Mestre Perfeito, como sendo um justo
prêmio aos conhecimentos de tão experimentados Mestres, que ficaram
integrados aos vários e transcendentes estudos que se faziam na sala das
reuniões ou Capítulo.
A construção do mausoléu no limitado espaço de 9 dias, pretende
lembrar ao Mestre Perfeito que a constância e uma profícua atividade
produzem resultados admiráveis.

CONTEÚDO FILOSÓFICO DO 5? GRAU

Segundo Paul Naudon (HRHGM), que se baseia no Ritual:


"O Maçom que alcançou este grau estuda a filosofia da natureza e
recebe a solução do problema da quadratura do círculo filosófico apresentado
no grau precedente.
"Ao encontrar novamente a palavra, que é Jehovah, ele alcança o
objetivo. Aprendendo que o cumprimento do Dever, ao qual é convidado na
qualidade de Mestre Secreto, é a realização "do elevado princípio que está em
nós e não fora de nós", ele descobre que a Chave do Conhecimento, enquanto
objeto e verdade absoluta: não está no conhecimento considerado de modo
mediato de apreensão desta, mas na participação direta e imediata ao Princi-
pio, o qual está imanente no iniciado.
"O conhecimento descobre esta Verdade, esta revelação em sua
consciência filosófica pela vitória sobre si mesmo. Compreende também, nos
termos do ritual, que "o homem, ser finito, não poderia roubar à Natureza os
seus mais ocultos segredos, nem criar as Ciências e as Artes se a sua
inteligência não fosse uma emanação direta da Causa Primeira", e extrai disto
''esta consideração imediata de que somos todos livres, de que somos todos
irmãos, de que somos todos iguais". Os conceitos de liberdade, de fraternidade
e de igualdade assumem assim um valor antológico".
Por sua vez, Paulo Rosen (SyC, em seu livro escrito para combater á
Maçonaria, faz os seguintes comentários:
"Os conhecimentos da inteligência humana apresentam-se sob dois
aspectos correlativos; os conhecimentos gerais, os que todos devem possuir e
que estão circunscritos no círculo da vida material e os conhecimentos
especiais ma s elevados, que absolutamente não exigem as condições
materiais da existência. Estes conhecimentos especiais constituem o mundo
intelectual reservado a um pequeno número, no qual é admitido o Mestre
Secreto que se converte em Mestre Perfeito.
Segundo a lenda judaica, os Mestres Perfeitos constroem um mausoléu
em lugar afastado, onde foram transportadas as cinzas de Hiram. É o emblema
da reserva que devem manter os Maçons relativamente às verdades que
possuem, não as revelando à multidão senão na medida que era as possa
compreender e unicamente quando tais verdades forem úteis à meta
perseguida pela Maçonaria.
"O 5º grau completa, magistralmente, os ensinamentos dos quatro graus
precedentes. Ao conhecido princípio "Geração e não Criação", acrescenta-se o
seguinte: Eternidade e não temporalidade tia existência da humanidade". As
palavras sagradas e da passo exprimem esta verdade e por sua vez o sinal
relembra que existe a consciência."
Ragon (CFIAM) diz também que o Mestre Perfeito conhece o círculo e a
quadratura e que este grau relaciona-se com o quaternário, ou seja com a
mónada unida ao ternário. De certo modo, o 5º grau constitui o complemento
do grau de Mestre, pois enquanto aquele oferece o cenário da morte, este
apresenta o da vida, completando assim o sistema, pos nenhuma dessas
modalidades pode existir sem a outra.
As características distintivas do grau são as seguintes:
1º A cor verde, emblema da vegetação e da vida, simbolizada no grau
de Mestre por meio do ramo de acácia, relembrada neste grau pela Palavra de
Passe.
2º A aplicação do quaternário ou de seus múltiplos, número que designa
o dos elementos geradores.
3º O emprego do famoso Tetragramaton Jehovah, o qual segundo se
supõe, era a Palavra Primitiva do Mestre...

De acordo com Ragon, este grau foi tirado do terceiro Livro dos Reis,
Cap. V a VIL Mas desde então, o terceiro Livro dos Reis passou a ser o
primeiro, visto que os dois primeiros passaram a ser chamados 1º e 2º Livros
de Samuel.
O circulo e o quadrado são os emblemas do grau: o primeiro
representa o G.: A.: D.: U.: que não tem princípio nem fim; o segundo simboliza
a figura que indica que o Mestre Perfeito conhece a Natureza e a si mesmo.

***
Segundo o Dr. Acosta (MMG), os trabalhos do 5º grau tendem a
demonstrar que o homem é infinito ao passo que tudo que possui é finito.
Trata-se, pois, a conseqüência de que todos somos livres e iguais.
Neste grau, investiga-se o "objetivo e o subjetivo'1, a "Psicologia
individual", a 'Alma e a sua imortalidade, alcance da Razão". O Mestre Perfeito
tem por nome "Consciência e Alma" e sustenta o princípio da "Liberdade,
Igualdade e Fraternidade da linhagem humana, estudando e aprendendo a
dominar as paixões e ensinando a destruir o fanatismo".
O tema central do 5º grau é o Conhecimento, caminho para a Liberdade
e a Perfeição. O Conhecimento pode ser definido como um ato do espírito que
procura formar uma noção sobre as coisas, seja através da imagem visual ou
tátil, seja através da elaboração do juízo e do raciocínio. O mais importante dos
conhecimentos para o homem é, naturalmente, o conhecimento de si mesmo o
qual, pela autocrítica que implica, torna-se o caminho mais certo para a
perfeição do espírito e do coração.
A perfeição, destino e meta da natureza humana, é conseguida pelo
desenvolvimento harmonioso das faculdades de que o homem se acha dotado
pela justiça e fraternidade nas relações com os seus semelhantes. É o objetivo
que o Mestre Perfeito procura atingir com o maior empenho. Isto requer,
porém, constância, perseverança e persistência. Nada se faz sem pertinácia,
principalmente quando se trata de desbastar a pedra bruta e ninguém jamais
percorreu o caminho da perfeição aos saltos: caminho demasiadamente
escabroso, só pode ser palmilhado com prudência e lentidão.
Á medida que seus conhecimentos aumentam, o homem se civiliza e vai
perdendo os seus temores perante o desconhecido, libertando-se, por
conseguinte do fanatismo. Assim o deus perturbador e inquietante do primitivo
perde aos poucos a sua ferocidade, transformando-se num Deus de Amor e de
Bondade e convertendo o homem-fera primitivo em um ser tolerante, caridoso
e fraterno, os bons sentimentos é que marcam a diferença existente entre o
homem selvagem e o homem civilizado.
6º GRAU

DENOMINAÇÕES
do Grau Secretário intimo ou Mestre por curiosidade
da Oficina Loja de Secretário Intimo
dó Presidente Três vezes Ilustre ou Sapientíssimo Mestre
dos Irmãos Guardas de Salomão

OS OFICIAIS
Presidente Representa Salomão
1? Vigilante Representa Hiram, Rei de Tiro
2? Vigilante Capitão dos Guardas
M. de Cerim. Tenente dos Guardas
Cobridor Sentinela
Demais Ofic. Ocupam os lugares vazios
Recipiendár. Representa Joaben

Categoria e Interpretação do Grau — Este grau pertence à 4º


categoria, a dos graus israelitas ou bíblicos. A sua interpretação é "possuir o
segredo do mal, é evitá-lo e vencê-lo”. O grau é consagrado “à necessidade de
aprender, que produziu as descobertas preciosas, e aos perigos de uma vã
curiosidade". O tema foi escolhido no I Livro dos Reis, Cap. IX, vers. 11-13.
O grau é baseado na idéia de aprendizagem do comando, e sua moral
resume-se no respeito que devemos aos segredos alheios, cuja descoberta e
divulgação devemos evitar. Como dedução lógica, somos induzidos a
empregar todos os nossos úteis esforços em tudo quanto concorrer para a paz,
harmonia e progresso da Humanidade, da Pátria e da Maçonaria.

Ornamentação da Loja — O templo deste grau pode ser organizado


em qualquer sala. Deve ter cortinas vermelhas. No Trono, estarão colocadas
duas cadeiras: a da direita para Salomão e a da esquerda para Hiram, Rei de
Tiro. Sobre o Trono, duas espadas e um rolo de pergaminho. Debaixo do
dossel, um quadro com o símbolo do grau. No corpo do Templo, assuntos para
o Capitão e o Tenente dos Guardas. No Altar dos Juramentos, ficará a Carla
Constitutiva da Loja, tendo, por cima, um Triângulo equilátero dourado. Na
antecâmara, iluminada por uma lâmpada, ficarão os guardas de Salomão.

INSÍGNIAS

Fita — Colar carmesim ao pescoço, do qual pende a jóia: três triângulos


de vértice para baixo: um em cima, dois em baixo, dourados.

Avental — Branco, forrado de carmesim, tendo sobre a abeta um


triângulo com a vértice para cima, bordado a ouro.
COBRIDOR DO 6? GRAU

Palavra Sagrada - Ivah

Palavra de Passe - Joaben Resposta Zerbal

Sinais - Levar a mão direita ao ombro esquerdo, e depois fazendo-a


descer até o quadril direito como se descrevesse um tiracolo.
Resposta: Cruzar as mãos sobre o peito, tendo os polegares
levantados; depois, deixá-las cair até o punho da espada, elevando os olhos ao
céu.

Toque Tomar-se mutuamente a mão direita. Um virando a mão de um


lado, diz: Berith; o segundo, fazendo o mesmo movimento do outro lado, diz:
Neder; o primeiro, fazendo voltar à posição primitiva, diz: Schelemonth.

Marcha - Não há.

Bateria - Vinte e sete pancadas ou seja nove repetidas por três vezes
(! ! ! I ! ! ! !), ou seja (8 e 1; 8 e 1; 8 e 1).

Tempo de trabalho — Da terceira até a sexta hora do dia.

DICIONÁRIO

Ivah — Ver no "Dicionário" do 4º grau.

Joaben — De acordo com a construção hebraica da palavra Yuh-abin


(lod, Vav, Me — Aleph, Beth, Nun), o seu significado é “a Divina Retidão ou
Imparcialidade".
No entanto, segundo J. Boucher (LSM), esta palavra deveria ser escrita
Jhaoben, que significaria "Filho de Deus". Porém o uso teria consagrado a
pronúncia Johaben, ao passo que a palavra Johaber seria errada.
Existem cobridores que utilizam a palavra Joabert, que é uma corruptela
francesa do hebraico Yuh-aber (lod, Vav — Aleph, Beth, Resch), que
significa "a Divina Energia, Vigor, Potência ou Grandeza", atributos de Deus. É
preciso notar-se que em francês a letra "t" fim da palavra não é pronunciada.
No entanto, A. Pike (SH'D) afirma que Yu-aber tem o sentido de Energia
ou Ereção da Divindade, com um significado fálico (que Deus tinha em todas
as religiões da antigüidade) equivalente a "Energia geradora" e que os antigos
representavam por grandes pedras verticais. Yu-aben deve possuir um sentido
semelhante: significa "Ereção" e Yu-aber "Força".
As duas palavras são válidas e se referem a atributos que os antigos
emprestavam à Divindade, mas como na lenda do grau o personagem é
Johaben, pensamos que este nome deveria ser conservado na palavra de
passe para que não seja destruído e significado esotérico do grau.
Zerbal — A palavra hebraica Zer-baal ou Tser-baal significa "um
inimigo de Baal". Para os hebreus, Baal é todo Deus que não é Jehovah e,
conseqüentemente, Zer-baal significaria "um fiel de Jehovah".
Porém, segundo J. Boucher, este nome significa "Prevalescendo com o
Senhor", o que nos parece bastante duvidoso. Zerbal era o suposto nome de
um dos guardas do Rei Salomão.
Berith, Neder, Schelemoth — A palavra "Berith" significa "uma
convenção, um pacto", e também os Mandamentos de Deus, que deviam ser
cumpridos por Israel, isto é a Lei Divina.
O vocábulo "Neder" tem o sentido de "promessa, oferenda, um
sacrifício prometido". E segundo a interpretação rabínica, "Schelemoth"
traduz-se por "Perfeição" e também por "perfeito completo", mas pode também
dar a entender "pedras toscas" (Êx. XX, 25).
Estas três palavras vão sempre juntas e exprimem "promessa de
completa ou perfeita aliança".

LENDA DO GRAU

De acordo com a lenda, Hiram, rei do Tiro, prestou a Salomão


inestimáveis auxílios, seja em operários, artistas, arquitetos e inspetores, seja
em materiais como cedros do Líbano, ouro e pedras preciosas para a
construção do Templo de Jerusalém.
Em compensação, Salomão prometeu ao rei de Tiro fornecer-lhe,
anualmente, enquanto durassem os trabalhos, 25.000 medidas de trigo, 20.000
de azeite puro, vinho e mel, e ainda, no término das obras, vinte cidades da
Galiléia que passariam para os seus domínios.
O rei de Tiro compareceu aos funerais do Mestre dos Mestres em
Jerusalém, juntando as suas homenagens às que Salomão prestava àquele
grande Mestre. Porém, logo após os funerais, e antes do seu regresso a Tiro, o
rei Hiram visitou, incógnito, as regiões da Galiléia que lhe seriam cedidas.
Verificou então que aquele território era estéril, habitado, outrossim por
populações grosseiras e ignorantes.
Julgando-se enganado, Hiram dirigiu-se ao palácio de Salomão e,
levado pela sua indignação, passou precipitadamente pelos guardas indo
diretamente à Câmara Real, sem se fazer anunciar.
Joaben, um dos mais dedicados favoritos de Salomão, ao observar o
arrebatamento do rei de Tiro, que não conhecia, seguiu-o até a porta da
Câmara e, permanecendo oculto, propôs-se prestar socorro ao seu amo se isto
se tornasse necessário.
Descoberto pelo rei de Tiro, que supôs estar sendo espionado, este,
furioso, exigiu a prisão de Joaben. Porém Salomão lhe fez ver que Joaben era
um dos mais dignos entre os seus servidores e que assim procedera sem
intuito de ofender seu ilustre hóspede, mas simplesmente levado pelo afeto
sincero que sempre manifestara ao seu rei.
Acalmado, o rei de Tiro aceitou as explicações e compreendendo o
gesto do dedicado servidor, propôs a Salomão que fosse escolhido para
secretário do Tratado da Aliança que deveriam assinar.
Assim, diz o Ritual, ao 6º grau foi dado o título de Secretário Íntimo. A
moral deste grau resume-se no respeito que devemos aos segredos alheios,
cuja descoberta e divulgação devemos evitar. Como dedução lógica, somos
induzidos a empregar todos os nossos esforços em tudo quanto concorrer para
a paz, harmonia e progresso da Humanidade, da Pátria e da Maçonaria, como
já foi dito.
Segundo Paulo Rosen (SyC), este grau puramente episódico, não tem
outro objetivo senão tornar atrativa a curiosidade, este excitante da inteligência.
Os sinais, toques e palavras resumem esta idéia. O seu simbolismo ensina que
os inimigos do mal devem possuir todos os segredos do mal a fim de poder
evitar os seus ataques. As palavras de reconhecimento, que acompanham o
toque, significam que os Maçons devem aliar-se estreitamente; a união os
defenderá contra os inimigos originados pela indiscrição dos Secretários
íntimos.

CONTEÚDO FILOSÓFICO DO 6º GRAU

De acordo com B. Acosta (MMG), os trabalhos no 6º grau pretendem


estudar as misérias sociais para que reinem a Liberdade, a Igualdade e a
Fraternidade. Investiga-se as "misérias sociais e a maneira de remediá-las, o
que afeta realmente ao Povo, estudo sobre economia política../'. Joaben é o
ilustre personagem da lenda. O Secretário Intimo tem o nome de "criação,
combinação e Regeneração"; e constitui o Conselho civilizador do Tribunal de
Justiça que estuda os fenômenos da natureza e os problemas sociais de
origem, posições e renascimento das nações.
Luis Umbert Santos (HREAA) observa que a alegoria deste grau,
confusa e obscura como é, não permite definir com clareza o seu significado;
pretende ao que parece, recompensar a fidelidade, embora esta chegue a
ultrapassar os limites da prudência ou do dever... Os trabalhos têm por objetivo
despertar a curiosidade dos irmãos para o estudo das desgraças sociais e a
investigação das causas que as originam, a fim de buscar o remédio mais
eficaz para conjurá-las, fazem imperar a Liberdade, a Igualdade e a Fra-
ternidade, estabelecendo a Harmonia geral da Humanidade.
Sendo ambos os autores ligados ao Rito Escocês Antigo e Aceito do
México, percebe-se por quê suas opiniões de certo modo coincidem.
A moral deste grau, como já foi dito, resume-se em evitar a descoberta e
a divulgação dos segredos alheios. Em si mesma, a indiscrição não passa de
uma leviandade, e a falta de reflexão, que leva a revelar os segredos alheios, é
uma imprudência que pode ser a origem de muitos males.
Entretanto, como no caso de Joaben, torna-se necessário diferenciar a
curiosidade sadia da simples indiscrição. O gesto de Joaben de nenhum modo
pode ser considerado ato censurável de mera indiscrição. Foi, ao contrário, um
gesto de dedicação, como a intenção de prevenir um mal irreparável que podia
resultar do arrebatamento do rei de Tiro, indignado por ter-se julgado enganado
por Salomão. Foi um ato de fidelidade vigilante. E está assim explicada a
interpretação dada ao grau: "Possuir o segredo do mal, é evitá-lo e vencê-lo". E
é também esta a razão por quê é denominado "Mestre por curiosidade", e foi
consagrado "a necessidade de aprender, que produziu as descobertas
preciosas".
Esta é a curiosidade que deve possuir o Maçom: a de saber, a de
aprender. Todo o conhecimento humano, toda a civilização não passa de um
resultado positivo da curiosidade. Foi a curiosidade que impediu, de fato, os
indivíduos mais destacados do gênero humano a rasgar os véus que
escondiam os conhecimentos e os segredos mais íntimos da natureza. Pela
curiosidade, o homem alcançou o saber e a ciência, cujos objetivos são a
erradicação do mal físico e moral e de suas nefastas conseqüências. Foi por
esta sadia curiosidade, que os homens excepcionais dedicaram a sua
existência na penetração de um único dos incontáveis mistérios da natureza.
Devotaram a sua existência em observações, experimentações e estudos, a
fim de trazer uma parcela de contribuição ao progresso e à felicidade da
Humanidade.
7º GRAU

DENOMINAÇÕES
do Grau Preboste e Juiz ou Mestre Irlandês
da Oficina Loja de Preboste e Juiz
do Presidente Três vezes ilustre
dos Irmãos Prebostes e Juizes

OS OFICIAIS
Presidente Representa Tito
Vigilantes Têm o título de Inspetores
Orador Procurador Fiscal
Secretário Escrivão
M. de Cerim. Capitão dos Guardas
G. da Torre Guarda do Tribunal

Categoria e Interpretação do Grau — Este grau pertence à 4ª


categoria, a dos graus israelitas e bíblicos. A sua interpretação é "nenhum
outro direito a não ser o direito natural". É consagrado "à eqüidade severa com
que devemos julgar nossas ações", e a moral que dele se depreende é "a
Justiça igual para todos", E também baseado sobre a idéia de aprendizagem
de comando.

Ornamentação da Loja — O Templo é torrado de vermelho e iluminado


por cinco luzes principais, uma em cada ângulo e a quinta no centro do
Templo, junto ao Altar dos Juramentos, sobre o qual estarão um triângulo
eqüilátero, duas espadas cruzadas e tantas chaves douradas, presas a uma
fita quantos forem os iniciandos. Sob o dossel do trono, um quadro
representando uma urna de ébano, símbolo da que continha as atas do
Tribunal dos Prebostes e Juizes. Não são usados malhetes, pois a bateria é
dada com o punho da espada.

Lenda da grau — Logo após a morte de Hiram Abif, e paia que a


Justiça continuasse a ser distribuída aos operários que construíam o Templo,
Salomão instituiu um Tribunal, composto de sele Prebostes e Juizes, cujo chefe
era Tito, príncipe dos Harodim, ou seja os chefes em número de 3.600 que
dirigiam aqueles operários, segundo a narrativa bíblica em II Paralip. II, 18 e I
Reis V, 16.
Tito era o depositário da chave da urna onde estavam encerradas as
atas das reclamações das sentenças dos tribunais inferiores dos Harodim.
Constituídos em Tribunal, os sete Prebostes e Juizes celebravam suas
reuniões na Câmara do Meio, onde eram estudadas as reclamações dos
obreiros, assim como as apelações sobre as sentenças ditadas pelos Harodim,
e a justiça era distribuída em igualdade tanto aos hebreus, quanto aos fenícios.
Segundo uma versão, este grau tinha também o título de Mestre
Irlandês, sinônimo de sábio, cujo título procede da época do Carlos Magno, o
qual não encontrando nos centros que fundara quem pudesse ensinar a
Filosofia e as Ciências para acabar com a ignorância que reinava em seu
Império, viu-se obrigado a ir buscá-los na Irlanda, "país ao qual os Imperadores
do Oriente chamavam ESMERALDA DOS MARES, chegando a ser tão famosa
por sua instrução naqueles tempos, que era a maior glória ser chamado Mestre
Irlandês.
Segundo o autor da Franc-Maçonnerie Pratique, o desejo de saber, de
que se trata no grau precedente, transforma-se aqui na posse da ciência,
obtida por um acordo mútuo relativo à fidelidade e ao apoio recíproco, e dando
aos iniciados a aptidão de fazer justiça a seus Irmãos.
"O grau parece referir-se também à história do filho de Jacó, José
vendido por seus irmãos, e que se tornou Primeiro Ministro do Faraó, rei do
Egito. Segundo se diz, Moisés recolheu como preciosas relíquias as ossadas
de José; quando da passagem do Mar Vermelho, levou-as para o deserto na
espera da Terra Prometida onde devia constituir-se um povo novo sob os
auspícios de um Deus único."

INSÍGNIAS

Fita - Fita carmesim achamalotada a tiracolo da direita para a esquerda,


tendo na extremidade a jóia do grau.

Jóia - Uma chave de ouro, símbolo da fidelidade com a qual deve ser
guardado um segredo confiado.

Avental - De cetim branco orlado e forrado de carmesim, com uma


algibeira no meio, e sobre ela uma roseta carmesim e branca. Sobre a abeta
uma chave de ouro.

COBRIDOR DO 7º GRAU

Palavra Sagrada — Jakinal

Palavra de Passe — Tito

Grande Palavra— Jzrach-lah

Sinais — Colocar o indicador e o médio direitos na ponta do nariz


Resposta — Colocar o indicador direito na ponta do nariz

Toque — Entrelaçar mutuamente os dedos das mãos direitas e, com o


polegar, dar levemente na palma da mão do Ir.: sete pancadas por três, três, e
uma (!!! !!! !).

Marcha — Não tem

Bateria — Cinco pancadas por quatro e uma (!!!! !).

Idade — Vinte e sete anos


Tempo de Trabalho — Oito, duas e sete

DICIONÁRIO

Tito — Não se trata de um nome hebraico. É o nome fantasista


inventado pelos ritualistas franceses para designar um dos doze Príncipes
Harodim, um por tribo, eleitos por Salomão para dirigir os operários
empregados na construção do Templo e que superintendia os operários da
tribo de Neftali. Nas lendas maçônicas, Tito é considerado como o Inspetor de
trezentos harodim ou arquitetos encarregados de levantar os planos para os
operários. Os harodim das doze tribos somavam 3.600.
Neste grau, Tito é representado pelo Presidente, e segundo Jean-Pierre
Bayard (LSMHG), os Ilustres Irmãos Vigilantes são Alioraf e Ahoaah, dois
escribas.

Jakinal — Os autores franceses, como J. Boucher e J. M. Ragon, e os


Rituais que seguem os cobridores franceses, fazem desta palavra o plural de
Jakin.
Melhores hebraistas, os autores de língua inglesa afirmam, no entanto,
que Jachinai é uma corrupção francesa da palavra hebraica Xekiná, cujo
significado seria "Deus residente", aplicado à Glória Divina que residia no
Tabernáculo e no Templo. A Xekiná manifestou-se por uma nuvem visível
descansando sobre a tampa da Arca da Aliança, o Propiciatório, no Sanctus
Sanctorum, e que per isso foi chamada o Assento da Misericórdia.
A nuvem resultava do sangue do sacrifício que o Sumo Sacerdote verta
sobre aquela tampa pelos pecados do povo. Segundo Mackey, a verdadeira
glória da Divindade é a Verdade, sendo portanto a Verdade Divina a Xekiná da
Maçonaria, simbolizada pela Luz.

Jzrach-lah — A palavra hebraica Yezrakh-Yah tem o significado de


resplendor visível da Luz que se levanta ou surge como o Sol. É o próprio lod,
isto é, o Agente Gerador, a Palavra, o Logos, o Primogênito de Deus. J.
Boucher traduz esta palavra por "Senhor do Oriente", que teria um sentido
apropriado se designasse ao Sol.

Preboste — Termo medieval usado na França, para designar um


magistrado militar existente nos corpos de exército e nos navios. Superintendia
o tribunal ao qual eram submetidos os delitos cometidos pelos praças, aos
quais aplicava o castigo determinado pela lei.
Este título distribuía-se, na França, por todos os ramos da administração
pública, e sua origem era a palavra latina proepositus, significando preposto, e
designava "o preposto do rei", na polícia, na administração, no comércio, etc.
O nosso GDMES contém um artigo enumerando as várias espécies de
prebostes reais.

***
O grau de Preboste e Juiz tem por fim primordial Incutir no ânimo dos
iniciados as idéias de eqüidade e justiça, assim como o acendrado amor pela
sabedoria.
O Preboste e Juiz não tem hora fixa para trabalhar, como se viu, porque
vai e vem em toda parte, a fim de conhecer as necessidades morais e materiais
dos llr.:, corrigir seus defeitos, escutar suas queixas e organizar os trabalhos,
prometendo e dando aos Obreiros o que de justiça merecem. Diz-se por isso
que todas as horas e todos os lugares são bons quando se trata de ministrar a
justiça e para consolar aquele que sofre.
O Preboste e Juiz possui a chave de ouro da Sabedoria com a qual
pode abrir a pequena caixa de ébano onde se acham guardadas as atas do
seu Tribunal, ou seja os planos necessários para a construção do Templo. É a
urna em que foram depositadas as cinzas do Mestre Hiram Abif.
A cor vermelha carmesim da orla do avental é o emblema do sangue
vertido por este mártir do dever, representando o branco a simplicidade e
sinceridade dos Mestres.

CONTEÚDO FILOSÓFICO DO 7º GRAU

De acordo com P. Rosen (Syc), a lenda judaica referente aos 3.600


contramestres instituídos por Salomão para a administração da justiça, fundada
sobre os direitos e deveres do homem, é a base do grau e do título de Preboste
e Juiz.
Enquanto no 6? grau havia apenas o desejo de saber, no 79 grau este
desejo transforma-se na posse da ciência, posse obtida por uma fidelidade
mútua e por um mútuo apoio, graças aos quais os iniciados são capazes de
fazer justiça aos seus irmãos. Ê uma consagração do direito natural, nascido
em linha reta da consciência humana.
Assim, os graus 4º, 5º, 6º e 7º nos demonstram que, existindo a
consciência por si mesma e que o homem não terá fim, devem os Maçons se
apoderarem de todos os meios para chegar a impor aos seus inimigos o direito
natural, único ao qual o Maçom pode prestar homenagem. Os sinais, toques e
as palavras simbolizam este ensinamento, declarando a palavra sagrada que
este direito natural deve ser "plantado bem reto e bem estável" em nossa
consciência onde está imanente.
Diz por sua vez E. Acosta (MMG) que os trabalhos ao grau procuram
esclarecer que o direito de ditar leis e torná-las efetivas pertence
exclusivamente ao Povo que deve discuti-las, pô-las em vigor ou ab-rogá-las.
Os conhecimentos referem-se à "soberania dos Povos", "direto humano",
"Filosofia do direito", ''Antropologia Biológica e Psicologia geral"...
"Preboste e Juiz" é sinônimo de sábio e ensina quem deve pôr remédio
às misérias, inculcando a todo o mundo os princípios que o regem, para que
saiba apreciar seus deveres e direitos, legislando e administrando justiça com
imparcialidade e eqüidade.
Segundo Luis Umbert Santos (HREAA), o Ritual consagra a cerimônia
de recepção, neste grau, à organização judicial dos Obreiros do Templo de
Salomão. Em seu conteúdo, aparecem vislumbres de idéias de vingança e
expiação; contudo, torna-se necessário reconhecer que nele domina um
grande pensamento, na chave de ouro que abre o cofre de ébano colocado no
fundo do Santuário, fechado aos profanos. Os trabalhos têm por objetivo dar a
compreender aos homens, à luz do dia, que o direito de ditar leis e aplicá-las
corresponde ao povo, e portanto a ele corresponde discutí-las, pô-las em vigor
e derrogá-las. Ensina que o respeito da lei aceita pelo povo, deve constituir
para ele uma segunda natureza.
Neste grau, tudo gira em torno da obrigação de se fazer justiça, tanto
aos nossos irmãos, pelos laços da fraternidade que nos regem, como a todos
os homens: a denominação do grau, a sua lenda, a sua moral, o toque, a
palavra sagrada, tudo enfim.
Os ritualistas franceses deram a esse grau, como palavra sagrada, a de
Jakinai, interpretando-o como plural de Jakin. Referiam-se aos jakinitas,
descendentes de Jakin, terceiro filho de Simeão, filho de Jacó, que formaram
uma das 24 famílias sacerdotais e cujo nome traduziram por "homens justos".
O 7º grau é portanto dedicado à Justiça e à Eqüidade. A justiça é
fundada nos deveres e nos direitos do homem, nenhum outro devendo ser
reconhecido além do direito natural.
Tendo nascido livre e inteligente, possui o homem direi.os anteriores a
toda legislação; são direitos naturais e portanto inalienáveis e imprescritíveis.
Tais direitos primitivos, e que derivam da qualidade essencial e fundamental do
ser racional, são os seguintes: direito ao respeito e ao desenvolvimento da
personalidade humana, direito de igualdade, de liberdade, de propriedade, de
associação em todas as suas aplicações aos objetivos, direito de legítima
defesa e todos aqueles garantidos por contrates etc. Todos esses direitos
constituem o direito natural.
Toda pessoa que possuir tal direito tem também a faculdade de realizar
um ato ou de exigir uma coisa. Por exemplo, um homem tem o direito de
trabalhar: ninguém poderá fazer obstáculo a este direito e ninguém poderá
impedir que o filho menor obedeça aos pais que têm sobre ele o direito paterno
ou parental.
O direito é portanto uma relação entre os atos voluntários de duas
pessoas e implica coordenação e limitação recíproca. É a condição sob a qual
a liberdade de ação de um pode conciliar-se com, a liberdade do outro,
cabendo à sociedade a obrigação de garantir e conciliar a liberdade de cada
um com a liberdade de todos, para que possa realizar os objetivos individuais e
socais. Estes são: conservar e desenvolver a personalidade humana, isto é a
liberdade unida à inteligência e ao amor.
O direito natural nasce, pois, da consciência humana. Se a sociedade
profana estabeleceu regras e leis para manter e resguardar estes direitos do
homem, à mais forte razão a Maçonaria deve garanti-los aos Maçons. Esta
condição de irmãos e membros da Instituição Maçônica, impõem-lhes a
fidelidade e o apoio mútuos. Não podem, por isso, se deixarem levar a
influenciar por quaisquer considerações subalternas de interesses pessoais ou
simpatias mútuas ou outro qualquer sentimento que não seja o estrito cumpri-
mento do dever, da justiça e da eqüidade.
8.° GRAU

DENOMINAÇÕES
do Grau Intendente dos Edifícios ou Mestre em Israel
da Oficina Loja de Intendente dos edifícios
do Presidente Três vezes Poderoso, ou Sapientíssimo Mestre
dos Irmãos Ilustres Intendentes

OS OFICIAIS
Presidente Representa Salomão
1º Vigilante Representa Tito
2º Vigilante Representa Adoniram
M. de Cerim. Representa Abdá
Recipiendário Chama-se Joaben

Os outros oficiais têm os títulos usuais.

Categoria e Interpretação do Grau — Este grau pertence à 4ª


categoria, a dos israelitas e bíblicos. A sua interpretação á "a liberdade é o
único traço de união entre o trabalho e a propriedade", sendo consagrado "ao
espírito de ordem e de análise". O lema, ao que parece, foi tirado do
Deuteronômio, XVI, 18. Está baseado na Idéia de aprendizado de comando.

Ornamentação da Loja — O Templo está armado em vermelho e é


iluminado por vinte e sete luzes, distribuídas em três grupos; o primeiro,
formado por quinze luzes, é colocado diante do altar do TV.: V.: P.:; o segundo
grupo de sete luzes está colocado diante do Altar do 1º Vigilante; o terceiro
com cinco luzes é posto diante do 2º Vigilante, que preenche as funções de
introdutor.
Por cima do Presidente, sob o dossel, um Triângulo eqüilátero, com um
dos vértices para baixo e inscrito num círculo. Ao lado deste emblema, uma
Estrela de nove pontas.

Lenda da grau — A origem deste grau é atribuída ao Rei Salomão o


qual, desejoso de incrementar as ciências e as artes entre o seu povo, chamou
para seus conselheiros, obreiros dos mais experimentados, a fim de dirigirem o
ensino, dando-lhes o título de Intendente dos Edifícios.

INSÍGNIAS

Fita - Carmesim, a tiracolo, da direita para a esquerda; em baixo, segura


por uma roseta verde, a jóia, que é um triângulo; tem, sobre um dos lados, as
letras B.: A.: J.: e do outro J.: J.:.
Avental - De cetim branco orlado de verde e forrado de carmesim. Na
parte branca, no meio, uma estrela de nove pontas, bordada e, sobre a abeta,
um triângulo com as letras B.: A.: J.:, bordado com fio de ouro.

COBRIDOR DO GRAU 8º

Palavra Sagrada - Judá

Palavra de Passe - Jakinai

Sinais
De Surpresa — Colocar os polegares nas fontes, as mãos em
esquadria, como a defender os olhos da luz intensa: dar nessa posição, dois
passos para trás e depois dois para frente. Em seguida levar as mãos sobre as
pálpebras dizendo: Ben Chorim.
De Admiração — Entrelaçar os dedos das mãos em frente ao rosto e
deixá-las cair, depois, aos lados da cabeça, e olhar para o céu dizendo: Achar,
pronunciando Akhar.
De dor ou tristeza — Colocar a mão direita sobre o coração e a mão
esquerda sobre o quadril e depois balancear-se por três vezes sobre os
joelhos. O primeiro diz KHAI, o outro responde JAHL

Toque - Colocar, mutuamente, a mão direita sobre o coração. Depois


com a mesma mão segurar o meio do braço esquerdo e pôr a mão esquerda
sobre o ombro do outro. Um diz Jakinai e o outro responde: Judá.

Marcha - Cinco passos iguais partindo com o pé direito.


Bateria - Cinco pancadas seguidas (!!!!!).
Idade - Três vezes nove ou 27 anos.
Tempo de Trabalho - Começa ao romper do da e acaba às sete horas
da noite.

DICIONÁRIO
Judá — Em hebraico, esta palavra escreve-se Yehudah, e significa que
a tribo a quem deu o nome era a "Progênie da Divindade". Somente as tribos
de Judá e de Benjamim voltaram com Zorobabel para reconstruir o Templo de
Jerusalém. Por esta razão o nome foi lembrado como Palavra Sagrada dos
Intendentes dos Edifícios, grau preparatório aos que têm por base a idéia de
reconstrução. Os rituais franceses traduzem a palavra por "louvor", embora
nada tenha que o justifique.

Jakinai — Ver "dicionário" do 7º grau.

Ben Chorim — A palavra Ben khuraim é plural em hebraico. A


tradução seria "filhos de nobres" ou "filhos de pessoas nascidas livres",
expressão que se relaciona com a lenda do grau.
Achar — Esta palavra, que se pronuncia Akhar, é traduzida pelos
cobridores franceses por "perturbador" e "inquietante", por que o consideram
como um dos nomes de Deus entre os judeus, Mas é a palavra Aacar que tem
o significado de "perturbado" e "aflito", enquanto Aakar tem o significado de
"raiz, estirpe, tronco", o que poderia ficar melhor ligado a Ben Chorim.
Todavia, os ritualistas de língua inglesa não encontram nela qualquer
significado que a poderia ligar ao grau ou ao tema de que trata. Por isto acham
que a palavra Akhar foi escrita por engano, em vez de Achad ou Akhad, aliás
encontrada em vários rituais antigos com o sentido de "Nosso único Deus".
"Achad" significa "primeiro" e, possivelmente, devia acompanhar a
palavra Ben Chorim. Achad-Ben Chorim teria assim o significado de "o
primeiro dos nobres". Não obstante, os ritualistas de língua inglesa acreditam
que a palavra ligada ao grau 8? se refira, sem dúvida alguma, à "Divina
Unidade", pois Achad exprime também "Um, único, incomparável", etc.

Khai e lah — Khai significa "vida", "vivente" e é um nome da


Divindade, lah é também um nome de Deus composto pelas duas letras lod e
Hê. Para os cabalistas, Deus possui duas naturezas: Macho e Fêmea, lod é
macho, como se diz com freqüência; Hê é fêmea. Os tradutores da Bíblia
acrescentam a Khai (Vivente) a palavra Yah (Deus) para mostrar que é este o
seu verdadeiro significado. I'Khai (Yah) (Gên. XVI, 14) significaria "O Vivente
Deus", isto é, "O Existente por si mesmo".

CONTEÚDO FILOSÓFICO DO 8? GRAU

De acordo com o Ritual, a dedução moral dos ensinamentos deste grau


é o estudo das verdadeiras bases em que se deve assentar o edifício da
sociedade humana, precisando-se, rigorosamente os direitos de propriedade e
o dever de trabalho, a fim de que se intensifique a Fraternidade entre os
homens.
Os Intendentes dos Edifícios devem, pois, realizar trabalhos especiais,
oriundos da interpretação filosófica de seus símbolos e alegorias, contribuindo,
ao mesmo tempo, para a educação do povo para o qual deve haver uma
legislação moral do trabalho. Combatendo sempre a ignorância, a hipocrisia e a
ambição e procurando o justo equilíbrio entre a propriedade, o capital e o
trabalho, corno fonte de prosperidade.
O edifício social é, pois, a preocupação precípua deste grau. Cabe,
portanto, aos bons obreiros, o dever de procurar os meios de construir a
sociedade em bases sólidas e permanentes. Para esse fim, não tolerarão o
indiferentismo, inimigo terrível de todos os bons sentimentos humanos. Sem
preocupações individuais, serão invulneráveis ao desalento e ao desespero,
pois o lema será UM POR TODOS E TODOS POR UM, consagrando ao zelo e
à constância de todos os trabalhos que possam dar mais solidez ao edifício
social.
Diz, no entanto, Rosen (SyC), que a lenda judaica faz remontar seu grau
à criação por Salomão de uma escola de arquitetura, cujos alunos estavam
destinados a ocupar, posteriormente, as mais altas dignidades do reino. A
lenda refere-se ao fracasso desta tentativa de construção oficial dada aos
intendentes de construções israelitas. É também prejudicial, para os obreiros
da inteligência esta proteção oficial, esta inteligência por mandato, que o 89
grau é chamado a derrotar. A civilização humana apóia-se tão somente em
duas bases: a propriedade e o trabalho.
O trabalho, condição social do homem, não existe a não ser pela
liberdade. A propriedade, direito que possui aquele que trabalha, como fruto de
sua dedicação, não existe senão pelo trabalho.
A propriedade e o trabalho, estas duas únicas bases da civilização, têm
por laço comum a liberdade, que não é mais a prática do Suum quique; a
cada qual o que é seu. Este triângulo: trabalho, liberdade, propriedade, símbolo
da geração da civilização social, é a síntese do verdadeiro socialismo, cuja
prática racional deve ser estimulada por este grau...
Segundo o Dr. Acosta (MMDLG) as palavras, sinais e toques referem-se
à lenda bíblica e o grau de Intendente dos Edifícios ou Mestre em Israel
exprime nove condições ou virtudes para enaltecer o trabalho: Justiça, Ordem,
Vigilância, Economia, Previsão, Constância, Emulação, Intrepidez e
Verdade. O essencial é a educação do Povo. O Intendente dos Edifícios sobe
os sete degraus da exatidão e conhece os cinco da fidelidade.
9° GRAU

DENOMINAÇÕES
do Grau Mestre Eleito dos Nove
da Oficina Capítulo de Eleitos dos Nove
do Presidente Muito Poderoso Mestre
dos irmãos Cavaleiros Eleitos

OS OFICIAIS
Presidente Representa Salomão à direita do trono
1º Vigilante Representa Hiram à esquerda do trono
2º Vigilante Representa Stolkin

Categoria e Interpretação do Grau — Este grau pertence à 3ª


categoria, a dos Graus de Iluminação. A sua interpretação é “Igualdade perante
a lei", sendo consagrado "ao zelo virtuoso e ao talento esclarecido, que, por
bons exemplos e generosos esforços, vingam a verdade e a virtude do erro e
do vício". O grau tem por base a idéia de reconstrução.

Ornamentação da Loja — A Loja ou Capítulo representa a câmara


secreta de Salomão. Está armada de preto com galões de prata e semeada de
caveiras, de ossos cruzados, de chamas e de lágrimas de prata com manchas
vermelhas, dispostas por todos os lados. As duas colunas, colocadas no
Ocidente, estão pintadas com faixas alternadas, brancas e vermelhas, em
linhas perpendiculares ou oblíquas.
No centro do Templo, fica o Altar dos Juramentos, coberto de preto, com
lágrimas de prata, onde estão o Pentateuco, os Estatutos do Supr.: Cons.: e as
Constituições do Rito, e também duas espadas cruzadas e um punhal. Nove
Grandes Luzes iluminam a câmara, oito das quais formarão um octógono, em
torno do Altar dos Juramentos, e a nona, de cera amarela, ficará entre este
Altar e a entrada do Oriente. O Capítulo compõe-se, no mínimo de nove
Mestres Eleitos.

INSÍGNIAS

Fita - Larga, preta, trazida a tiracolo da esquerda para a direita. Sobre


ela estão colocadas nove rosetas vermelhas, quatro adiante, quatro do lado
das costas e uma na ponta, onde se prende a Jóia, que é um punhal de cabo
de ouro e lâmina de prata.

Avental - De pele branca de carneiro, salpicado de lágrimas vermelhas,


forrado e orlado de preto, No centro, pintado ou bordado, um braço sus-
tentando pelos cabelos uma cabeça ensangüentada; na abeta, outro braço
tendo na mão um punhal ensangüentado, também.

COBRIDOR DO 9º GRAU

Palavra Sagrada - Nekam. — Resposta: Nekah


Palavra de Passe - Begoal-Kol
Sinais - Fazer o movimento de querer ferir no rosto o Cobridor com o
punhal.
Resposta — Leva-se a mão ao rosto como para examinar se está
ferido.
Levantar o braço e bater, como se fosse com um punhal, no coração do
Cobridor, dizendo Nekah!

Toque — Fechar a mão direita com o polegar levantado, e apresentá-lo


ao Cobridor;
Resposta — Este pega no polegar, que lhe é apresentado, com a mão
direita, e levanta o seu próprio polegar (Desta forma há oito dedos fechados e
um ereto, representando assim os nove eleitos).

Marcha — Três passos de Aprendiz, três de Companheiro e três de


Mestre.
Bateria — Nove pancadas pòr oito e uma (!!!!!!!! !).
Idade — Oito anos, e mais um, completos.
Tempo de Trabalho — Começa de madrugada e acaba ao anoitecer.

DICIONÁRIO
Nekam — Significa "Vingança".
— Significa "ferido", "assassinado". Há uma grande confusão de grafias
e de significados, mas o certo é Nekah (Nun, Caph, Hê) com os significados
acima.

Begoal-Kol — Também esta palavra sofreu várias deturpações a


aparece com várias grafias. O seu significado é, segundo Mackey, "tudo está
revelado". O "SH'D" traduz a palavra,, com esta grafia, "a Voz ou a Palavra,
como foi manifestada ou revelada". Os rituais franceses escrevem "Begogal
Chol" e traduzem por "abominação de todos", o que não faz sentido.
Frau Abrines escreve "Begongal-Chol" e dá o significado de
"abominado de todos".

CONTEÚDO FILOSÓFICO DO 9º GRAU

Depois do assassinato de Hiram Abif, o rei de Tiro de quem Hiram era


favorito, mandou pedir vingança a Salomão. Este ordenou que nove mestres,
sob o comando de Joaben, seu secretário íntimo, procurassem os culpados,
deles se apoderassem e os levassem à sua presença, diz a lenda, para que
fossem castigados por aquele crime.
Os nove mestres escolhidos por Salomão partiram, então, para cumprir
as ordens do rei. Joaben distinguiu no fundo de um barranco a um cão que se
desalterava numa água corrente, indo depois refugiar-se numa caverna. :S
Joaben o seguiu, reconhecendo, na caverna iluminada por uma
lâmpada, a Abiram, um dos assassinos de Hiram, dormindo profundamente.
Joaben atravessa-lhe o coração com uma punhalada, cortando-lhe a seguir a
cabeça, levando a Salomão o testemunho sangrento do cumprimento de sua
missão.
O vingador Joaben, que representa o candidato, é admitido por Salomão
ao grau de Eleito dos Nove.
Fazendo deste grau, cujo fundo pertence ao tribunal da Santa Vehme,
um grau bíblico, Frederico Dalcho e o Conde de Grasse Tilly, seus padrinhos
para a sua admissão no R. E. A. A., sob á forma atual, tiveram de sacrificar o
simbolismo gnóstico.
Portanto, se em política o grau 9º representa a igualdade de todos
perante a lei, em religião ele indica que tudo o que é estéril deve desaparecer e
ser destruído. A sua síntese é a fórmula já empregada na iniciação deste grau:
"Fora da existência os que são Inúteis para a geração!", escreve Pablo Rosén
(SyC, pp. 93-95).
Eis, diz e'e o seu ensinamento: a procriação, a conservação da espécie
humana é um dever imperioso, ao qual não podemos nos furtar sem correr o
perigo de sermos suprimidos sem qualquer forma de processo, sem
advertência prévia, mesmo durante o nosso sono. E como os sacerdotes,
monges e monjas são inúteis, o 9º grau constituí uma das peças do terrível
juízo que os condena a desaparecer para sempre.
Tais eram as doutrinas pregadas por este ex-rabino contra a Maçonaria,
quando era interessante fazê-lo, pecuniariamente.
De acordo com o Dr. Acosta (MMDLG), os trabalhos do grau têm por
objetivo a procura dos meios práticos para a eleição dos encarregados de
executar a vontade do Povo, assim como os de limitar-lhes as faculdades.
Investiga-se as relações do Povo com os seus governantes e com os
representantes eleitos por meio do voto universal, a soberania do Povo, a
divisão dos Poderes do Estado, a História e a Política.
Neste grau o nome do recipiendário é Gabaão. O Tabernáculo
construído por Moisés no deserto foi depositado, sucessivamente, em Ghilgal,
Schilo, Nob e Gabaão. O nome do primeiro dos Nove Mestres, enviados em
busca do assassino, é Joaben, que significa "Inteligente".
Segundo Ragon (CFIAM), os mistérios maçônicos não são outra coisa
senão a representação dos fenômenos da Natureza, animada pelo gênio
simbólico, personificando a todos os seres inanimados e morais, e
apresentando em forma de narrações e acontecimentos passados os
ensinamentos que se pretende inculcar aos homens. A interpretação do grau é
muito ampla.
De acordo com Luis Umbert Santos (HREAA), este grau, tirado do
iluminismo alemão, criado pelo Dr. Weisshaupt, o célebre professor da
Universidade de Ingolstadt, consagra o ritual de recepção à vingança do
assassinato de Hiram e à morte sumária e sem formação de culpa de um dos
assassinos, pela mão de um dos Nove Eleitos.
As idéias de vingança, que apareciam vagas e indeterminadas nos graus
precedentes, manifestam-se aqui aparentemente poderosas e terríveis. O
castigo do principal assassino de Hiram é levado a cabo com solene
ostentação.
A origem deste grau remonta à Idade Média, na época em que os
peregrinos iam à Terra Santa, como tributo e comemoração da morte daquele
que também foi chamado Mestre.
Os trabalhos têm por objetivo a investigação dos meios práticos e mais
condizentes para proceder com todo acerto dos representantes do povo...
Ensina que a vingança sobre a Ignorância se faz por meio do estudo.”
10.° GRAU

DENOMINAÇÕES
do Grau Ilustre Eleito dos Quinze
da Oficina Capítulo de Eleitos dos Quinze
do Presidente Ilustríssimo Mestre
dos Irmãos Ilustres Eleitos

OS OFICIAIS
Presidente Ilustríssimo Mestre
1º Vigilante Grande Inspetor
2º Vigilante Introdutor
Irmãos Quando há uma recepção, a Loja não pode ser
composta de mais de quinze membros. Os que passarem deste número
ficam do lado de fora.

Categoria e Interpretação do Grau — Este grau pertence à 3º


categoria, a dos Graus de Iluminados. A sua interpretação e "Guerra à morte, à
imobilização do capital humano. Em outras palavras, segundo "Satã y Cia.",
guerra à morte, ao celibato religioso'', sendo consagrado "à extinção de todas
as paixões e de todas as tendências censuráveis". Tem por base idéias de
reconstrução.

Ornamentação da Loja — A Loja ou Capítulo está armada de preto e


semeada de lágrimas vermelhas e brancas; no Oriente acha-se um trono
análogo à armação. Está iluminada por quinze luzes: cinco no Oriente e cinco
diante de cada Vigilante. A Loja realiza as suas sessões na Câmara de
Audiências do Rei Salomão.

INSÍGNIAS

Fita - Preta, da esquerda para a direita, ornada como a precedente, e


mais doze lágrimas e três caveiras bordadas a fio de prata: a jóia é a mesma
da precedente.

Avental - De cetim branco orlado e forrado de preto tendo no meio,


pintada ou bordada uma cidade quadrada e sobre três de suas portas, três
cabeças empaladas.

COBRIDOR DO 10º GRAU

Palavra Sagrada — Zerbal. Resposta: — Benaiah.

Palavra de Passe — Eleham


Sinais — Fazer menção de levantar um punhal à altura do mento, ponta
para baixo, e depois, fazê-lo descer, perpendicularmente como se quisesse
abrir o próprio ventre.
Resposta — Fazer o sinal de Aprendiz, tendo o punho fechado e o
polegar levantado.

Toque — Entrelaçar mutuamente os dedos da mão direita, menos os


polegares que estarão levantados e separados; acercar-se um do outro,
apoian-do»-se, reciprocamente, nos polegares, como se cada um quisesse
metê-los no ventre do outro.

Marcha — Fazer cinco vezes três passos, de maneira a caminhar em


triângulo em cada três passos.

Bateria — Cinco pancadas iguais sem pausa (!!!!!).

Tempo de Trabalho — Começa às cinco da manhã, e acaba às da


tarde.

DICIONÁRIO

Zerbal — Ver no "dicionário" do 6º grau.

Benaiah — Significa "Filho de Deus". Esta palavra é também escrita sob


as formas de Banaias e Benlah. Benaiah era filho de Joiada e comandante do
exército do Salomão (I Reis, IV, 4), depois da morte de Joab.
Eleham — Em hebraico, Eleh-am significaria "Deus do Povo", de Eleh
(Alah ou Alha), "Deus" e Aam "Povo".
Os rituais franceses escrevem Eliam ou Eligam, dando-lhe o sentido de
"Povo de Deus".

CONTEÚDO FILOSÓFICO DO 10? GRAU

Segundo Rosen (SyC), diz a lenda maçônica do grau que os outros


assassinos de Hiram, tendo-se refugiado em uma nação estrangeira, Salomão
enviou ao soberano daquele país um pedido da extradição. Esta sol citação foi
confiada a uma deputação composta de quinze Mestres.
Meachac, rei de Geth, favoreceu a missão. Os quinze mestres
apoderaram-se dos dois assassinos, levando-os perante o Rei Salomão. Este
os condenou a serem amarrados a uns postes, permanecendo expostos ao sol
e às moscas, o corpo aberto no peito e em certas partes muito delicadas. Pôs-
se fim à sua agonia decapitando-os, indo as suas cabeças a unir-se com a
mutilada de Abiram sobre as portas de Jerusalém.
Trata-se, portanto, das sentenças do tribunal da Santa Vehme, porém
depois da audiência da causa e da decisão dos juizes.
Revestido da libré bíblica, o 10º grau representa a renovação da
natureza no equinócio da primavera, a reaparição da potência geradora do sol,
quando os seus três assassinos, os meses da inércia germinativa,
desaparecem depois de sua destruição.
Mas, de acordo com o Dr. Acosta (MMDLG), os trabalhos do grau são
dedicados ao estudo das Relações internacionais dos Povos e da Diplomacia,
embaixadores e representantes, como também a Política Internacional.
Os dois assassinos são a Hipocrisia e a Ignorância que são mais difíceis
de destruir que a Ambição. A Moral elevada, a Filosofia útil e a Política
universal são expostas e desenvolvidas da forma mais interessante e
engenhosa. Na primeira estuda-se a criação, os mistérios da vida e da morte,
na segunda estuda-se a Consciência, na terceira nos elevamos ao Criador, na
quarta usamos dos nossos direitos elegendo representantes de nossa Nação,
na quinta temos sido um embaixador nos países estrangeiros. E nos encon-
tramos no santuário da verdade, na hora dos grandes mistérios.
Este grau, segundo Luis Umbert Santos (HREAA), pertence ao sistema
do Iluminismo alemão. O argumento da recepção refere-se à vingança da
morte de Hiram e à captura e execução dos outros dois assassinos, de modo
que pode ser considerado como o complemento do grau anterior. Os trabalhos
se propõem ao estudo das relações internacionais, consideradas do tríplice
ponto de vista da liberdade, igualdade e fraternidade. O seu ensinamento enca-
minha-se para a destruição do despotismo civil.
11.° GRAU

DENOMINAÇÕES
do Grau Sublime Cavaleiro Eleito (*)
da Oficina Grande Capítulo
do Presidente Três Vezes Poderoso
dos Irmãos Sublimes Cavaleiros Eleitos

(*) — Este grau é também chamado de "Cavaleiro Eleito dos Doze". Os


nomes dos Doze Eleitos dados nos antigos rituais são os seguintes:

Joabert para a tribo de Judá


Stolkin Benjamim
Tercy Simeão
Morphy Efraim
Alquebar Manassé
Derson Zebulom
Kerem Dan
Bethemer Aser
Tito Naftali
Zerbal Ruben
Benarchard Issacar
Taber Gade

OS OFICIAIS
Presidente Três Vezes Poderoso
1º Vigilante Grande Inspetor
2º Vigilante Grande Mestre de Cerimônias

Categoria e Interpretação dos Graus — Este grau pertence à 3ª


categoria, a dos Graus de Iluminados. A sua interpretação é “vingança
completa sobre todos os traidores", sendo consagrado "à regeneração dos
costumes, às ciências e às artes". Tem por base a idéia de reconstrução.

Ornamentação da Loja — A mesma que no grau precedente, só que,


em lugar de lágrimas, etc, a armação será semeada de corações inflamados.

INSÍGNIAS

Fita — Preta da esquerda para a direita, sobre a qual há três corações


inflamados, bordados; na ponta da fita pende a jóia, que é a mesma do grau
precedente.
Avental — De cetim branco, orlado e forrado de preto, com uma
algibeira no meio, sobre a qual há uma cruz escarlate.

COBRIDOR DO GRAU 11º


Palavra Sagrada — Adonai. — Resposta: Amar-lah.
Palavra de Passe - Stolkin.
Sinais - Cruzar os braços sobre o peito, tendo as mãos fechadas e o
polegar levantado.
Toque - Apresentar-se, mutuamente, o polegar da mão direita, tendo os
outros dedos fechados; um dos irmãos pega no polegar do outro, e fazem o
punho voltear três vezes, dizendo, alternativamente, estas palavras: Berith,
Neder, Xelemot.
2º — Pegar na mão direita do Cobridor, tocar-lhe três vezes com o
polegar sobre a primeira falange do dedo médio.
Marcha — Não há.
Bateria — Doze pancadas iguais (!!!!!!!!!!!!).
Tempo de Trabalho — Das doze horas ao romper do dia.
Idade — Nove vezes três ou 27 anos.

DICIONÁRIO

Adonai - Ver "dicionário" do 4º grau.

Stolkin — O vocábulo hebraico St, significa "plantado". St tem o sentido


de "a fundação, o alicerce, nádegas, a parte do corpo em que sentamos". Stul
quer dizer "plantado" (como uma árvore); "planta ou rebento" (aplicado às
crianças). Kin, como em Jakin exprime "pedestal", "mastro", "base", "vertical",
etc. Stol-kin seria então "uma base firme e estável, uma planta ou rebento
ereto e vertical".
Mackey não vê nesta palavra qualquer derivação de raiz hebraica. Jules
Boucher e Frau Abrines traduzem por "água corrente". Ê o nome de um
personagem que figura em muitos graus da Maçonaria bíblica como um dos
Mestres que Salomão elegeu para que fossem em busca do cadáver de Hiram
e dos assassinos.
Amar-lah — Palavra hebraica composta pelas letras (Aleph, Mem,
Resch — lod, He) que se traduz por Verbum Domini ou "Palavras de Deus".

Berith, Neder, Xelemot — Ver "dicionário" do 6º grau.

CONTEÚDO FILOSÓFICO DO 11º GRAU


Segundo Rosen (SyC), o candidato não poderá ser admitido neste grau
sem antes ter provado que já castigou os traidores, pois este grau e reservado
como recompensa aos executores do tribunal da Santa Vehme. Só podem
obtê-lo os que já deram castigo aos opressores condenados pelos juizes.
Debaixo da capa bíblica, diz ele, eis qual é o significado deste grau.
Entre os quinze mestres que contribuíram para vingar o assassinato de Hiram,
Salomão escolheu doze, os quais recompensou confiando-lhes o governo das
doze tribos.
Todos os inimigos do Rei Salomão são destruídos, continua este
adversário da Maçonaria. Adonai, o deus bissexual, reina sem divisão sobre as
doze tribos, imagem do povo e símbolo dos doze meses do ano, do tempo
ilimitado.
Em resumo os graus 9º, 10º e 11º, que pertenciam às escolas de
execução das sentenças do tribunal da Santa Vehme do Grande Capítulo do
grau 1º, foram desfigurados pela introdução de lendas bíblicas e israelitas.
De acordo com a sua forma atual, eles ensinam o direito que possuímos
de destruir, de matar tudo o que se opõe ao reinado da geração universal, tudo
o que pode originar estorvos à conservação da Humanidade pela geração livre
e sem entraves.
Este grande e permanente sistema de vingança remonta aos tempos
mais longínquos e pertence à teocracia, que modificou a sua aplicação
segundo as circunstâncias e o objetivo visado. À sua origem simbólica é tirada
das operações da natureza, onde não há mais do que combates, lutas
homicidas e reações entre o princípio gerador e o destruidor.
Os sinais, toques e palavras destes três graus têm um caráter comum.
Os sinais do 9º e 10º se expressam levantando a mão, como se se quisesse
dar uma punhalada a alguém. Os toques dos três graus consistem em ter o
punho direito fechado, o polegar levantado, emblema essencialmente gerador.
Fizemos constar aqui as tolices de Rosen, apenas porque continham um
ou outro ponto interessante; prevenimos, todavia, que devem ser utilizadas
com muita circunspecção, aproveitando-se apenas os elementos que a nossa
lógica não repudie.
De acordo com P. Naudon (HRHGM), porém, uma vez cumprida a
punição dos três assassinos de Hiram, Salomão quis recompensar o zelo e a
fidelidade dos Quinze Grande Eleitos. A fim de não incidir em nenhuma
preferência ou favor, resolveu escolher pela sorte doze dentre eles que
formariam um Grande Capítulo e comandariam as doze tribos de Israel.
Deu-lhes o título de Excelente Ermsch (od Emerecy, ou melhor Amar-
lah) que significa: homem verdadeiro em qualquer circunstância, mostrou-lhes
as tábuas da Lei e os objetos preciosos enterrados no tabernáculo, armando-os
depois com a espada da justiça, e dizendo-lhes que tinham por missão de fazer
justiça, dela seguindo as leis em todas as circunstâncias.
Os graus de Eleito deram lugar a muitas interpretações tendenciosas;
os adversários dos Altos Graus insistiram sobre o aspecto abominável e
sanguinário da idéia de vingança que caracteriza esses graus. É por isso que
os rituais mais recentes tomam o cuidado de destacar a natureza alegórica da
lenda de Hiram.
No grau de Mestre, ensina-se que os três maus companheiros que
mataram Hiram são a Ignorância, o Orgulho e a Ambição. A explicação dos
graus superiores, vai bem mais longe. Para atingir este objetivo, o espírito
humano encontra obstáculos, inimigos que não estão fora dele, mas dentro
dele. Estes inimigos, que não são necessariamente em número de três,
números simbólico, são as imperfeições de nossa natureza espiritual.
Diz, por sua vez, o Dr. Acosta (MMDLG), que os trabalhos do grau
caracterizam-se pelo estudo das várias formas de governo, do Município Livre,
da República Democrática sob todas as suas formas, do Comunismo, do
Nacional Socialismo e do Socialismo... Seria monstruoso que o Povo de Deus
caísse em poder da ignorância e debaixo do poder dos tiranos. É necessário,
portanto, escolher para representantes e legisladores do povo aos mais puros,
independentes e instruídos que sempre agiram com retidão. A doutrina
pitagórica descreve com clareza e amplidão o desenvolvimento dos graus com
o simbolismo específico.
Pelo caráter feroz que distingue os graus .99, 109 e 119, na recepção
dos quais tudo é questão de punhais, vinganças e mortes, que não passam de
mera alegoria simbólica, tas graus serviram aos inimigos da Maçonaria, para
apresentá-la aos olhos das pessoas simples como uma sociedade sanguinária
e altamente perigosa para a paz e a tranqüilidade dos povos.
12.° GRAU

DENOMINAÇÕES
do Grau Grão-Mestre Arquiteto
da Oficina Arqui-loja ou Capítulo
do Presidente Grão-Mestre Arquiteto
dos Irmãos Grão-Mestres Arquitetos

OS OFICIAIS
Presidente Três vezes-Poderoso Grã-Mestre
Dois Vigilantes Grande Inspetor e Inspetor
Orador
Secretário

Categoria e Interpretação do Grau — Este grau pertence à 4ª


categoria dos graus israelitas e bíblicos, e foi classificado como israelita
salomônico. A partir deste grau começam os graus israelitas superiores. A sua
interpretação é "representação do povo", sendo consagrado "à coragem
perseverante". Tem por base a idéia de reconstrução.

Ornamentação da Loja — A Loja é armada de branco e semeada de


chamas vermelhas. Há três luzes, uma no Oriente, uma no Sul e outra no
Ocidente. Ao nordeste, uma estrela luminosa ilumina a Loja. Haverá também
sete estrelas em volta do Capítulo, arrumadas em forma de Grande Ursa. No
centro da Loja, sobre uma mesa um estojo de matemáticas e as cinco ordens
de arquitetura. O Presidente chama-se Grão-Mestre e está revestido com uma
veste de Grande Pontífice, branca; traz uma larga fita azul, do ombro direito ao
quadril esquerdo e um avental branco bordado de azul; no meio um bolso preto
para colocar os planos; os vigilantes são revestidos como o G.: M.: com o nível
e a perpendicular; trazem além disso os atributos dos seus mais altos graus.

INSÍGNIAS

Fita — Azul, da direita para a esquerda.

Avental — De cetim branco forrado e orlado de azul.

Jóia — É um quadrado perfeito, sobre um de cujos lados há quatro


meios círculos cravados em frente de sete estrelas, e no centro um triângulo,
tendo no meio um G.: e um A.: Sobre o outro lado, as cinco ordens de
arquitetura, um nível em cima, em baixo um esquadro e um compasso, e no
círculo do compasso as letras R.: e M.:; debaixo das colunas as letras C.: D.:
T.: I.: C.: iniciais das cinco ordens de arquitetura.
COBRIDOR DO 12º GRAU

Palavra Sagrada — Adonai.

Palavra de Passe — Rabbanaim.

Sinais - Colocar a mão direita na palma da esquerda; depois de


pequena pausa fechar os dedos da mão direita e, com o polegar, fingir o movi-
mento de traçar um plano na palma da mão esquerda, olhando de vez em
quando para o Grão-Mestre, como se dele recebesse inspiração.

Toque - Entrelaçar os dedos da mão direita com os da esquerda do


Cobridor; e, em seguida, levar cada um a mão já livre sobre o quadril.

Marcha - Três passos em esquadra; o primeiro vagaroso e os dois


outros apressados.

Bateria - Dez pancadas por uma e dois e mais três, três e um


(! !! !!! !!! !).

Idade - Responde-se: tenho a idade da plenitude: 45 anos: cinco vezes


o quadrado de três.

Tempo de Trabalho — Desde que surge a estrela da manhã até o pôr


do sol.

DICIONÁRIO

Adonai — Ver no "dicionário" do 4° grau.

Rabbanaim — A palavra hebraica Rab Banavim é composta pelas


palavras Rab, que significa "grande, poderoso, altíssimo, chefe, perfeito" e
Banah que quer dizer "construção, construtor". Rabbanah seria "chefe
construtor" e Rab h’banim, "chefe dos construtores", isto é, "cabeça, mestre ou
chefe daqueles que constroem".

CONTEÚDO FILOSÓFICO DO 12º GRAU


Segundo Paul Naudon (HRHGM), a lenda do grau diz que ele foi criado
per Salomão a fim de construir uma grande escola de arquitetura.
O ritual insiste sobre o símbolo da construção do Templo. Relembra que
entre os Amigos "diversos Templos foram consagrados a diferentes deuses",
mas que na realidade, "esses templos de pedra eram todos consagrados ao
mesmo Deus". A razão disso é que "Deus sendo a pura concepção da Potência
Suprema, é necessariamente sempre o mesmo sob nomes diferentes" (certos
rituais americanos põem todavia em guarda contra os falsos ídolos).
Uma distinção é também feita entre o Conhecimento, que é o Absoluto,
e o conhecimento, "relação entre um objeto e um sujeito, entre alguma coisa
exterior ao homem e o espírito humano", "simples fenômeno", quer dizer
aparência.
A suprema ambição dos Grãos-Mestres Arquitetos é de "fazer viver em
si a verdade, de comer o fruto da Árvore do conhecimento, de serem Deuses".
É o eco, de certa forma, da palavra de Jesus no Evangelho de São João: "Sois
todos deuses". O iniciado, acrescenta o ritual, não chegaria a esta vitória,
conquista de todos os instantes ,a não ser por um vigoroso esforço animado
por uma constante vontade.
De acordo com Rosen (SyC), a lenda nos mostra o povo de Israel
sufocado pelos tributos, o tesouro público vazio e os trabalhos do templo
parados no primeiro pavimento por falta de fundos.
Doze arquitetos, intendentes de construção, nomeados por cada uma
das tribos e delegados para representá-las, entram em concurso a fim da ser
conseguido o melhor projeto arquitetônico, assim como o melhor plano
financeiro para ser conseguido o dinheiro necessário à conclusão do templo
sem fazer contrair dívidas ao povo.
Depois de assentar, ao 8º grau, as bases do edifício da civilização, trata-
se de construí-lo, no 12º grau. A eleição que se faz de doze arquitetos,
nomeados por cada uma das doze tribos, significa que os delegados do povo,
livremente nomeados para representá-lo podem concorrer para realizar a obra
social porque é o povo que paga.
O imposto pago pelo povo e para o povo, não poderia ser re-
gulamentado a não ser pelos diretos representantes do povo. Esta descrição
sumária das bases do parlamentarismo, faz compreender a prática deste grau
inteiramente político.
Os sinais e toques referem-se claramente à profissão de arquiteto, o
representante do povo, deve ser, para aqueles que representa, a causa de um
bem estar político e social.
Diz o Dr. Acosta (MMDLG) que os trabalhos do grau, cujo fundo é
totalmente político e religioso, se propõem de estudar os tributos como
elementos de riqueza pública, os recursos da fortuna do povo, classificando os
bens da Nação, as tributações diretas e indiretas e sua imposição justa ou
injusta. A mente, a razão, o entendimento, a sabedoria, o livre arbítrio, a virtude
e a Consciência não devem sair jamais dos justos limites que produzem o
sentimento da dignidade humana.
13.° GRAU

DENOMINAÇÕES
do Grau Cavaleiro Real Arco
da Oficina Colégio ou Loja Real
do Presidente Três vezes Poderoso Grão-Mestre
dos Irmãos Cavaleiro Real Arco

OS OFICIAIS
Presidente Representa Salomão
1º Vigilante Hiram, Rei de Tiro
2º Vigilante Adonhiram
Tesoureiro Joaben
Secretário Stolkin

Categoria e Interpretação do Grau — Este grau pertence à 4ª


categoria, a dos graus israelitas e bíblicos e foi classificado como deísta
judaico. A sua interpretação "à memória dos primeiros instituidores da Ordem
— os magos pontífices do Egito e de Jerusalém".
A suprema ambição dos Grãos-Mestres Arquitetos é de "fazer reunir o
Colégio ou Loja Real num lugar abobadado, sem portas, nem janelas,
escondido e subterrâneo, com um alçapão no alto para nele se introduzir. A
abóbada está pintada de branco e suportada por nove arcos; sobre cada um
destes arcos está inscrito um dos nomes de Deus, que são: lod, laho, lah,
Eheleh, Elohi, Eliun, Adonai, El-Khanan, Jabulom.
O Presidente está sentado, sob um rico dossel coroado, numa grande
poltrona, tendo entre as mãos uma coroa e um cetro; está revestido com uma
veste real de cor amarela e com um manto de arminho, com uma larga fita
púrpura do ombro direito ao quadril esquerdo, em baixo da qual há um triângulo
de ouro.
A esquerda de Salomão, no Oriente, está Hiram, rei de Tiro, em roupas
de viagem, chapéu na cabeça, paramentado com a mesma fita e a mesma jóia,
e o sabre na mão, nu.
O Grande Tesoureiro representa Joaben, que foi o primeiro depositário
do tesouro precioso dos Maçons, e está paramentado com uma chave de ouro
suspensa por uma pequena fita branca, com as letras J.: V.: I.: O.: L.:, iniciais
das palavras Invenies, Verbum, In, Ore, Leonis, cuja tradução é a seguinte
"Encontrarás a palavra na boca do Leão”. Está sentado no Norte. O Grande
Secretário representa Stolkin; está sentado no Ocidente. Estes três Oficiais
trazem a jóia em forma de colar e têm a cabeça e os braços nus.
No meio do Templo em abóbada há um triângulo em cujas três faces e
em cima está escrito, em hebraico, o nome de Jeová. Acha-se colocado sobre
um pedestal.
Neste grau, consagrado à procura do delta sagrado, é obrigatório
receber a três neófitos de cada vez, a lenda supõe que Enoque, influenciado
por um sonho divino, oculta por baixo de nove arcos o precioso delta assim
como duas colunas, uma das quais é de mármore e outra de bronze, nas quais
foram gravados os princípios das ciências. Estas colunas eram consagradas ao
fogo e ao vento. No discurso histórico do grau são relatadas as vicissitudes
pelas quais passou este tesouro até os tempos do Rei Salomão, quando foi
procurado, por ordem deste príncipe por Joaben, Stolkin e Jabulum. Esta lenda
foi tirada dás lendas dos Maçons operativos.

INSÍGNIAS
Fita — Colar em cor púrpura no pescoço.
Avental — De cetim branco, orlado e forrado de púrpura.
Jóia — Triângulo de ouro sobre o qual e um alçapão.

COBRIDOR DO 13º GRAU

Palavra Sagrada — Jeová.


Palavra de Passe — Não há.
Sinais — De admiração — Levantar as mãos para o céu; inclinar a
cabeça para o lado esquerdo e colocar o joelho direito em terra.
De adoração — Cair sobre os dois joelhos.

Toque — Colocar as mãos nas axilas do Cobridor, como para ajudá-lo a


levantar-se, dizendo: Taub-Banai Hamelech Ghiblem.
Resposta — O Cobridor faz o mesmo loque e diz: Jabulum.

Marcha — Não há.


Bateria — Cinco pancadas por dois e três (!! !!!).
Idade — 63 anos completos ou sete vezes o quadrado três.
Tempo de Trabalho — Do anoitecer até o alvorecer.

DICIONÁRIO

Jeová — Ver no dicionário do 5 Grau.

Taub-Banai Hamelech Ghiblem — Esta expressão hebraica é


composta de quatro palavras cujos significados são os seguintes
Taub, Tob ou Tavab, maneiras pelas quais pode ser pronunciada a
palavra composta das letras Teth, Vav, Beth, que tem muitos significados,
tanto em adjetivos: bom, meigo, alegre, etc, como em substantivos: Bondade,
Benignidade, Majestade, Glória, etc. Entre estes foi escolhido o vocábulo Glória
e usado como um nome de Deus.

Banai — Banah (Beth, Nun, Hê), ou Bonah significa "construir" e


Banai (Beth, Nun, lod) "construtores".

Malakh, Malech, Melech ou, como na Vulgata Moloch, (Mem, Lamed


Caph) significa: Rei, Governador, Chefe, Comendador, etc. Tendo como
prefixo o artigo definido hê, isto é, "o" a palavra h'Malakh, Hamelech se traduz
por "o Rei, o Chefe, etc".

Gebal (Ghimel, Beth, lamed), que também se pronuncia Gabul. Gabul


ou Gabol, era uma cidade da Fenícia, que na versão dos Setenta é traduzida
por Biblos e da qual tem origem a palavra giblitas que foi traduzida por
"talhadores de pedra".
Assim, Taub banal, h'Melech Gebulim, significa, portanto, "O Chefe
dos homens de Gebal, a Glória dos Construtores".

Jabulum — A palavra hebraica "Yabul-Om" significa, literalmente,


"Emissão, Progênie ou Emanação de Om", isto é, da Divindade, e tem o
sentido de "aquele que é engendrado, produzido ou emanado da Divindade".
Esta palavra tem sido muito corrompida, recebendo toda espécie de
traduções, sendo confundida, inclusive, com Zabuion.

CONTEÚDO FILOSÓFICO DO 13º GRAU

Este grau, de acordo com Frau Abrines (DEADLM), não passa de uma
imitação do Real Arco inglês. Segundo Paul Naudon (HRHGM), a Loja, dita
Colégio ou Loja Real, reune-se num lugar abobadado, subterrâneo se possível,
sem portas nem janelas, sendo a entrada feita através de um alçapão colocado
no topo da abóbada, que está pintada de branco.
A abóbada é sustentada por nove arcos, sobre cada um dos quais acha-
se escrito "um dos nove nomes de Deus: lod (Principium), laho (Existens), lah
(Deus), Ehien (Sum ero), Hellor ou Eliah (Fortis), laheb (Concedens); Adonai
(Domini), Elehanan (Misericors deus), Iobel (Jubilans).
Este grau liga-se diretamente ao conhecimento do Grande Arquiteto do
Universo simbolizado pelo Triângulo luminoso, portando os caracteres
sagrados e do qual Enoque e mais tarde Moisés tiveram a visão.
Quando Salomão ordenou que se fizessem escavações para a
construção do Templo que queria levantar à glória de Jeová, Jabulum, Joaben
e Stolkin descobriram as ruínas de um Templo antigo construído por Enoque e,
dentro dessas ruínas, o Triângulo sagrado brilhava com um resplendor
extraordinário.
Levaram-no a Salomão o qual, presa de admiração, disse-lhes: "Assim
se realiza a promessa que Deus fez a Noé, Moisés e ao velho rei Davi, meu
pai, que um dia o seu verdadeiro nome seria encontrado inscrito sobre uma
placa de ouro". Os três arquitetos juraram de jamais pronunciarem o nome
divino e, mais tarde, depois do término do Templo, Salomão, fundou, em
memória dessa descoberta, a Sublime Loja do Arco Real.
"Chegado a este grau, acrescenta o antigo ritual, o espírito do iniciado
desprende-se da matéria, preparando-se para revelações mais sublimes."
Segundo o Dr. Acosta (MMDLG), os trabalhos do grau tem por objetivo o
aperfeiçoamento da instrução pública e as modificações do ensinamento a fim
de torná-lo compatível com as necessidades do Progresso e da Justiça.
Dedicam-se a examinar a administração da Religião pelo Estado e as relações
da Igreja e do Estado e tratam da interpretação da Divindade, da Liberdade dos
Cultos, do Direito, da Política e da História.
A parte histórica do grau é muito ampla. Encontrou-se o meio de
sustentar o edifício social pela Representação e a Contribuição. Afirma-se que
a virtude dos homens nasce de sua crença religiosa, mas sem uma boa Moral,
e Justiça se transforma de acordo com as paixões que predominam.
Seria demasiadamente explicar como se fundam as crenças religiosas:
todas precedem da interpretação dos fenômenos natura s. Ao contemplar a
Criação, a inteligência se detém absorta diante deste conjunto de maravilhas.
14º GRAU

DENOMINAÇÕES
do Grau Grande Eleito ou Perfeito e Sublime Maçom. (O
nome completo é Grande Escocês da Abóbada Sagrada de Jaime VI, ou
Grande Escocês da Perfeição, ou Grande Eleito Antigo, ou Perfeito e Sublime
Maçom).
da Oficina Abóbada Secreta da Perfeição
do Presidente Três Vezes Poderoso
dos Irmãos Excelentíssimos Irmãos
dos Vigilantes Respeitabilíssimos
dos Oficiais Respeitáveis

OS OFICIAIS REPRESENTAM:

Presidente a Salomão
1º Vigilante a Adoniram
2º Vigilante a Moabom
Um Oficial a Hiram (senta-se ao lado do Presidente)
Gr.: Tesour. a Gallad
Gr.: G. Selos a Jabulum
Gr.: Secret. a Joaben
Gr.: Orador a Abdamão
Gr.: M. CCer. a Stolkin
C. da Guarda a Zerbal

Categoria e Interpretação do Grau — Este grau pertence à 4ª


categoria, a dos graus israelitas e bíblicos, tendo sido classificado como deísta
judaico. A sua interpretação é "supernaturalismo antimaçõnico" e é consagrado
"Ao Grande Arquiteto do Universo, sob o símbolo sagrado do Delia". Tem por
base a idéia de reconstrução.

Ornamentação da Loja — O Templo, denominado Abóbada Secreta,


representa um compartimento subterrâneo, formando um cubo perfeito. Está
armada em carmesim, estando semeada de colunas brancas e de chamas cor
de fogo. No Oriente, ao ângulo direito, fica o Candelabro Místico,
representando os sete Planetas, como os entendiam os antigos, sendo um
deles o Sol.
No Trono, duas cadeiras, uma para o Presidente e outra para Hiram.
Suspenso à frente do dossel dois triângulos entrelaçados, sendo um branco e
outro preto, sobre fundo carmesim. Em frente ao Altar do Secretário, uma
trípode branca sobre a qual ficará uma urna de prata, contendo perfumes e,
nas sessões de iniciação, mais as jóias destinadas aos Neófitos. Em frente ao
altar do Tesoureiro, a mesa dos Pães de Proposição, onde estarão doze pães,
sal e uma taça com vinho.
No centro do Templo, uma mesa quadrada, coberta de pano branco com
franjas douradas, sobre a qual estarão um rolo de pergaminho, as Grandes
Constituições, os Estatutos e Regulamentos Gerais, um Triângulo eqüilátero,
um Esquadro, um Compasso e duas Espadas cruzadas, com as pontas para o
Oriente. Em frente e um pouco à esquerda do Altar do 19 Vigilante, uma
pequena Coluna com um vaso de bronze contendo água.
Iluminação — A iluminação principal é feita por 3, 5, 7 e 9 luzes, assim
distribuídas, em frente dos principais Oficiais:

Hiram — 3 luzes, formando um triângulo eqüilátero, azuis.

2º Vigilante — 5 luzes, formando um quadrado com uma das luzes no


centro, são amarelas.

1º Vigilante — 7 luzes, formando um quadrado inscrito dentro de um


triângulo. As luzes do triângulo são encarnadas e as do quadrado,
alaranjadas.

Presidente - 9 luzes, formando três triângulos concêntricos, isto é, um


dentro do outro e tendo o mesmo centro. Nos triângulos externos, duas luzes
são brancas e uma violeta e brancas no triângulo central.

INSÍGNIAS
Fita - Colar de veludo carmesim, tendo, bordado, do lado esquerdo, um
ramo de acácia e, do direito, uma estrela de cinco pontas, de prata.

Avental - De pelica branca, orlado de seda azul, com guirlanda


carmesim ao longo da orla. No centro, a jóia bordada, e na abeta, uma pedra
cúbica achatada, à qual está preso um anel, está representada.

Jóia - É um compasso aberto a 459, com uma coroa na parte superior,


cujas pontas são postas sobre um quarto de círculo graduado. Dentro do Com-
passo, um Sol radiante em forma de estrela de cinco pontas. No avesso do Sol,
uma estrela de cinco pontas, no meio da qual está um delta. No segmento de
círculo, de distância a distância os números 3, 5, 7 e 9.

Traje do Presidente: Túnica carmesim, colar e jóia do grau.


dos Membros — Avental, colar e jóia. Traje preto, com luvas
brancas e espadas presas a um cinto cor de laranja.

TÍTULOS
Presidente Três Vezes Poderoso
1º Vigilante Respeitabilíssimo
2º Vigilante Idem
Chanceler Respeitável
Secretário Idem
Tesoureiro Idem
Orador Idem
COBRI DOR DO 14º GRAU

Palavra Sagrada — Jeová


Grande Palavra de Passe - Bea-Macheh Bameharah
1º Palavra Coberta - Jabulum
1º Palavra de Passe - Xibbolet
2º Palavra Coberta - Machobin
2º Palavra de Passe - El Hhanan
3º Palavra Coberta — Adonai

Sinais — De Juramento — levar a mão direita ao lado esquerdo, retirá-


la horizontalmente com rapidez para o lado direito, como se fosse abrir o
ventre.
De Fogo e de Ordem — Levar a mão direita aberta à face esquerda
com a palma para fora, e pegar no cotovelo com a mão esquerda.
De Admiração e de Silêncio — Levantar as duas mãos abertas para o
céu, tendo a cabeça levemente inclinada para a frente e os olhos .erguidos
para o céu; colocar os dedos indicar dor e médio sobre os lábios.

Toques — 1º Tomar mutuamente a mão direita e voltá-la três vezes,


alternativamente, para a direita e para a esquerda, dizendo um Berith! o outro
Neder! e o primeiro Xelemoth!
2º Tomar-se reciprocamente a mão direita com a garra de Mestre,
dizendo "Ides vós mais longe?“
Resposta — Avançar a mão direita ao longo do cotovelo esquerdo do
Cobridor e colocar a mão esquerda sobre o seu ombro direto; balançar três
vezes, tendo a perna direita entre as pernas do outro.
3º Tomar reciprocamente a mão direita, apertando-a e avançar a mão
esquerda pelas costas do Cobridor, como para puxá-la a si.

Marcha — Nove passos, oito rápidos e um lento.


Bateria — Vinte e quatro pancadas por 3, 5, 7 e 9 (!!! !!!!! !!!!!!! !!!!!!!!!)
Idade — O quadrado de 9, ou 81 anos.
Tempo de Trabalho — Começa ao meio-dia e acaba a meia-noite.

DICIONÁRIO

Jeová — Ver no "Dicionário" do 5º grau.

Bea-Macheh Bameharah — Expressão hebraica de grafia incerta e


interpretações confusas, como resultado das corrupções sofridas na tradução.
Catalogamos dezesseis grafias diferentes da expressão, que seria ocioso
reproduzir aqui. Adotamos, por isso, a grafia de J. Boucher, que ele traduz por
"Deus seja louvado, encontramos o assassino da caverna!". A "Nova Guia
Maçônica" traduz uma das grafias aproximada por "Louvado seja Deus! nós o
achamos!", enquanto "Richardson's Monitor of Freemasonry" escreve
Mahac-Makar a-bak e traduz: "Deus seja louvado! nos ó acabamos!"
O "Sephar H'Dabarim", geralmente tão minucioso e positivo, afirma não
ter conseguido penetrar o mistério da grafia e do sentido da expressão que,
pela variação das grafias, demonstra apenas uma incerteza sobre a maneira de
escrevê-la e sobre o modo de traduzi-la. Diz o seu autor que nada encontrou,
na língua hebraica, neste particular. Adianta, todavia, mas como simples
conjecturas, que a palavra Maarah ou Marah tem o sentido de "subterrâneo,
adega", que M-aur ou M-aor tem o significado de "Luz, Lugar da Luz, aquilo
que espalha Luz", como, por exemplo, o Sol, a lâmpada, etc.
Acrescenta ainda que Barak traduz-se por "joelho, ajoelhar-se,
abençoar, louvar", isto é, "render homenagem e adoração", concluindo que
deve haver uma interpretação melhor, e se isto for possível, um dia ela será
encontrada, dizendo textualmente: "Evidentemente, as palavras estão
corrompidas e acredito que as verdadeiras não serão muito diferentes destas,
sobre as quais fizemos as conjecturas acima; e também que o verdadeiro
sentido é algo semelhante àquele que é dado nos antigos rituais".

Jabulum — Ver no "Dicionário" do 13º grau.

Xibbolet — Palavra de Passe do Companheiro ligada ao episódio


bíblico narrado em Juizes XII, t-7 da guerra entre os efraimitas e os gileaditas
"Dize, pois, Xibbolet". Quando dizia Sibolet, o efraimita era morto. Em Sibolet,
o schin é substituído pelo samech. O significado da palavra é muito variado:
"espiga de trigo", "ramos de oliveira", "ribeiro" e "corrente de água". Os rituais
modernos traduzem a palavra por "numerosos como espigas de trigo".

Machobin — ou Makhobin escreve-se de várias maneiras e tem


recebido várias interpretações. Assim, J. Boucher diz que significa "dores",
interpretando-se por "É ele, está morto!". Também assim na "Nova Guia
Maçônica".
Além de "Dores", a palavra tem também o sentido de "silêncio, respeito",
tendo sido escrita pelos vários autores e rituais sob a forma de Mahabin,
Machabin, Mahaben, Mahabon, Moabin. Esta última é a forma utilizada como
2º palavra coberta do grau no Supremo Conselho da Jurisdição Sul dos
Estados Unidos.

El-Khanan — A palavra Khanan significa "misericordioso". El-Khanan


tem o sentido de Deus de misericórdia". Esta palavra apresenta-se nos vários
rituais sob as formas de Elhanan, Elcham, que significa "o Deus Sol",
Eleanam, Elihanan. J. Boucher dá também o significado de "Graça de Deus e
Misericórdia de Deus".

Acionai — Ver no "Dicionário" do 4º grau.

Berith, Neder, Xelemot — Ver no "Dicionário" do 6º grau.

CONTEÚDO FILOSÓFICO DO 14º GRAU

A lenda deste grau diz, segundo Rosen (SyC), que a verdadeira


pronúncia do "Nome inefável" tendo s do perdida, Deus a revelou a Moisés que
a gravou numa medalha de ouro, que depositou na Arca da Aliança.
A arca caiu em poder dos sírios, após uma derrota dos israelitas.
Apareceu, porém, um leão de tamanho e ferocidade incomuns, que fez fugir o
exército sírio, presa de pânico, obrigando-o a abandonar a Arca em um
bosque. O leão dela se constituiu então em guardião e, quando o sumo
sacerdote dos judeus se aproximou, lançou-se aos seus pés, dando-lhe a
chave da Arca que segurava em seu focinho; a verdadeira pronúncia do "Nome
Inefável" voltou a ser encontrada. Esta pronúncia e HIH HOH com o "h" muito
aspirado.
Os trabalhos do grau, diz o Dr. Acosta (MMDLG), têm por objetivo
analisar o direito inalienável da liberdade de consciência, programando esta
liberdade de consciência em todos os seus aspectos, e dedicando-se ao
estudo dos fenômenos da criação e das sele ciências ou artes liberais.
O homem deve ser educado para se tornar digno de sua missão na terra
e para que saiba fundar um bom governo que lhe assegure direitos e
obrigações e obrigue a cada um a cumprir com os seus deveres. Proclama-se
a Liberdade dos Cultos.
De acordo com P. Naudon (HRHGM), a Loja representa uma abóbada
subterrânea de cor vermelha com inúmeras colunas brancas.
Este grau marca o acabamento do Templo de Salomão. Segundo o
ritual, o grande rei quis recompensar todos aqueles que tinham trabalhado na
edificação do Templo, antes que eles deixassem Jerusalém para se
espalharem pelo mundo. Os Aprendizes foram elevados ao grau de
Companheiro, os Companheiros ao de Mestre. Os Mestres e todos os que
possuíam graus indo do quarto ao nono, inclusive, foram admitidos ao décimo -
segundo grau, prometendo de jamais sair do caminho do bem e do justo.
Enfim, os Maçons investidos dos décimo, décimo-primeiro, décimo-
segundo e décimo-terceiro graus, foram iniciados ao décimo-quarto, o de
Grande Eleito da Abóbada Sagrada. Prometeram, solenemente de viverem
em paz, de serem caridosos, de não se deixarem guiar senão pelo espírito de
eqüidade e de fazer a todos boa justiça, ao mesmo tempo que se obrigavam a
manter absoluto silêncio sobre os mistérios de seu grau.
Os rituais antigos retomam neste grau o simbolismo do 5º grau, o do
acesso ao Conhecimento do Universo. O símbolo essencial é uma pedra
cúbica com ponta, coberta de inscrições e de signos, espécie de quadro
sinótico das ciências, das letras, das artes da filosofia. O topo truncado traz a
letra G ou a letra Iod numa Estrela flamejante.
Diz-se que o recipiendário está no Santo dos Santos, lugar que não
precisa para ser iluminado "nem do Sol, nem da Lua, nem de nenhuma luz
artificial; Entre os pontos do grau, figuram á imitação do sacrifício de Abraão
(Gênesis, XXII), imagem do próprio Deus sacrificando seu filho pela salvação
dos homens, a purificação pela água e pelo fogo, a procura e a descoberta do
precioso Delta, símbolo da Palavra Perdida, a consagração do sacerdote de
Jeová, a comunhão com os Irmãos, ao beberem o vinho na mesma taça e ao
romperem juntos o mesmo pão.
Estes últimos símbolos do último grau da primeira série deixam entrever
a segunda e o grau de Rosa-Cruz. Assim pode ser medido todo o elevado e
harmonioso alcance deste ensinamento iniciático segundo o qual o
cumprimento da Antiga Lei conduz á Nova e o caminho do Conhecimento
encontra o caminho do Amor.
EDITORA MAÇÔNICA
Edições próprias —
Filosofia das Antigas Sociedades Iniciáticas
ENCICLOPÉDIA HISTÓRICA DO MUNDO MAÇÔNICO
Caixa Postal, 3881 — 20.000 Rio de Janeiro — RJ

FORME SUA BIBLIOTECA


ACHEGAS PARA A HISTÓRIA DA MAÇ. PARANAENSE - Kurt Prober

A LEGITIMIDADE DE ORIGEM DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL E O


CISMA DE 1927 — Kurt Prober

ANTIGA MAÇONARIA MÍSTICA ORIENTAL — R. S. Clymer

A MAÇONARIA E AS FORÇAS SECRETAS DA REVOLUÇÃO — Gal.


Morivalde C. Fagundes

A IGREJA CATÓLICA E A MAÇONARIA — A. Campos Porto

ACHEGAS PARA A HISTÓRIA DA MAÇONARIA — Isa Cham

A MAÇONARIA — Paulo Naudon

A CONVERSÃO — Renato de Alencar — Romance maçônico

BIOGRAFIA MAÇÔNICA DO DUQUE DE CAXIAS — Kurt Prober

COMENTÁRIOS AO RITUAL DE APRENDIZ — Nicola Aslan

CADASTRO DAS LOJAS MAÇÔNICAS C/ÍNDICE DAS CIDADES — Kurt


Prober

CADEIA DE UNIÃO — Rizzardo da Camino

CONTOS E POEMAS — Gibran. Prefácio maçônico de Renato de Alencar

COMO FALOU UM CAVALEIRO ROSA-CRUZ — A. Barreto

CURSO DE MAÇONARIA SIMBÓLICA — Theobaldo Varoil Filho

DELTA LUMINOSO (O) — Rizzardo da Camino

DICIONÁRIO DA BÍBLIA — Anselmo Chaves

DICIONÁRIO DE MAÇONARIA — Gervásio de Figueiredo

DO APRENDIZ AO MESTRE MAÇOM — Sebastião Dodel


EM BUSCA DE DEUS — Renato de Alencar — Romance maçônico na
Amazônia

ENCICLOPÉDIA HISTÓRICA DO MUNDO MAÇÔNICO — Planificada,


organizada e dirigida pelo Ir.: Renato de Alencar, 3 grossos volumes
encadernados

ENTRE COLUNAS — Roberto das Neves

ESTA É A MAÇONARIA — Grau 1 ao 9 — 7 volumes — Jorge Adoum

ESTUDO SOBRE SIMBOLISMO — Nicola Aslan

EU VI BRILHAR A LUZ — Ernani de Carvalho

GRANDE DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE SIMBOLOGIA E MAÇONARIA


— 4 volumes — Nicola Aslan

IGREJA DO PADRE ATEU (A) — Renato de Alencar, romance maçônico

INFALIBILIDADE PONTIFÍCIA (A) — Jorge Buarque Lyra

INSTRUÇÕES PARA LOJAS DE PERFEIÇÃO — 2 vols. — Nicola Aslan

INTRODUÇÃO A MAÇONARIA — Rizzardo da Camino — 3 volumes

JOSÉ BONIFÁCIO — A. Tenório de Albuquerque

LIBERTADORES DA AMÉRICA — A. Tenório de Albuquerque

LIVRO DO BEM E DO MAL — Sátira Maçônica

LIVRO DO CAVALEIRO ROSA-CRUZ — Nicola Aslan

MAÇONARIA E CRISTIANISMO — Jorge Buarque Lyra

MAÇONARIA E A INCONFIDÊNCIA MINEIRA (A) A. Tenório de Albuquerque

MAÇONARIA E A GRANDEZA DO BRASIL (A) - A. Tenório de Albuquerque

MAÇONARIA E A LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS (A) — A. Tenório de


Albuquerque

MAÇONARIA E AS REVOLUÇÕES PERNAMBUCANAS (A) — A. Tenório de


Albuquerque

MAÇONARIA NA INDEPENDÊNCIA BRASILEIRA (A) — Tito Lívio

MAÇONARIA SIMBÓLICA — Raul Silva


MAÇONARIA E RELIGIÃO — Jorge Buarque Lyra

MANUAL DO MESTRE MAÇOM — Manoel Gomes

MEDALHAS MAÇÔNICAS — Kurt Prober

MINHA JANGADA DE BAMBU — Renato de Alencar, romance maçônico

NO EITO — Renato de Alencar, romance maçônico

NOS BASTIDORES DA MAÇONARIA — Hans Bachi

NOS BASTIDORES DO MISTÉRIO — Adelino Figueiredo Lima

O APRENDIZ MAÇOM DE CAYRÚ — Henrique Valadares

O COMPASSO VISITA O ESQUADRO — Gal. José Lopes Bragança

O GRANDE ORIENTE DO BRASIL E AS CONFEDERAÇÕES — Kurt Prober

O LIVRO DE MIRDAD — Mikael Namy

O PAPA NEGRO — Ernesto Mezzabotta

O QUE DEVE SABER UM MESTRE MAÇOM — Papus

O QUE É A MAÇONARIA — A. Tenório de Albuquerque

ORIGENS DO RITUAL NA IGREJA E NA MAÇONARIA (AS) — Blavtsky

OS MAÇON&QÜE FIZERAM A HISTÓRIA DO BRASIL — José Castelani

OS TEMPLÁRIOS — Adelino de Figueiredo Lima

PEDREIRO LIVRE (O) — Demostenes N. Vieira de Aguiar, 3 volumes

PEQUENAS BIOGRAFIAS DE GRANDES MAÇONS BRASILEIROS — Nicola


Aslan

PEQUENA HISTÓRIA DA MAÇONARIA — Bispo W. Leadbeater

PITÁGORAS (sua vida, filosofia e sua obra, escola iniciática)

PRÍNCIPE ROSA-CRUZ — Rizzardo da Camino

RITUAL DA MAÇONARIA EGÍPCIA — trad. de Gervásio de Figueiredo

RADIOSCOPIA DA MAÇONARIA — Nicola Aslan

VIDA OCULTA NA MAÇONARIA (A) — W. Leadbeater


VIGAS MESTRAS DA MAÇONARIA (AS) — Jorge Buarque Lyra.

RECORTES MAÇÔNICOS — Oswaldo Bernardes de Souza 33.:

SIMBOLISMO DO 1º, 2º E 3º GRAUS — Rizzardo da Camino

SIMBOLISMO DOS NÚMEROS NA MAÇONARIA — Boanerges Castro

SUBSÍDIOS PARA UMA BIOGRAFIA DE GONÇALVES LEDO - Nicola Aslan, 2


volumes primorosamente encadernados
SIMBOLOGIA MAÇÔNICA — 2 vols. — F. Magalhães

SOCIEDADES SECRETAS — A. Tenório de Albuquerque

TRIÂNGULO MÍSTICO ROSA-CRUZ — Figueredo

TEMPLO MAÇÔNICO E SEU SIMBOLISMO — Boanerges Castro

TEMPLO MAÇÔNICO — Dario Veloso

ROSACRUZ, BIBLIOTECA
Diversos Volumes

I — A VIDA MÍSTICA DE JESUS — H. Spencer Lewis

II - ENCONTRO COM O INSÓLITO — Raymond Bernard

III - O SANTUÁRIO DO EU — Ralph M. Lewis

IV - AS MANSÕES SECRETAS DA ROSACRUZ — Raymond Bernard

V - A PROFECIA SIMBÓLICA DA GRANDE PIRÂMIDE — H. Spencer Lewis

VI - FRAGMENTOS DA SABEDORIA ROSA-CRUZ — Raymond Bernard

VII - AS DOUTRINAS SECRETAS DE JESUS — H. Spencer Lewis

VIII - A TÉCNICA DO MESTRE — Raymond Andréa

IX - MENSAGENS DO SANCTUM CELESTIAL — Ralph. M. Lewis

X - O INTERLÚDIO CONSCIENTE - Ralph M. Lewis

XI — ENSAIOS DE UM MÍSTICO MODERNO — H. Spencer Lewis

XII - AUTODOMÍNIO E O DESTINO COM OS CICLOS DA VIDA — H. Spencer


Lewis
XIII — MISSÃO CÓSMICA CUMPRIDA - Ralph M. Lewis XIV

XIV - NOVAS MENSAGENS DO SANCTUM CELESTIAL — Raymond Bernard

XV — A TI CONCEDO ("Em vós Confio") — Revisado por Sri Ramatherio

XVI — A TÉCNICA DO DISCÍPULO — Raymond Andréa

XVII — LEMÚRIA — O Continente Perdido do Pacífico — W. S. Cervé

XVIII — MIL ANOS PASSADOS — H. Spencer Lewis

XIX — ENVENENAMENTO MENTAL — H. Spencer Lewis

XX — ALQUIMIA MENTAL — Ralph M. Lewis

XXI — PRINCÍPIOS ROSACRUZES PARA O LAR E OS NEGÓCIOS — H.


Spencer Lewis

XXII — O PASSADO TEM MUITO A REVELAR — Ralph M. Lewis

XXIII — SÍMBOLOS ANTIGOS E SAGRADOS — Ralph M. Lewis

XXIV — OS ETERNOS FRUTOS DO CONHECIMENTO — Cecil A. Poole

XXV — ANSIEDADE — Um Obstáculo Entre o Homem e a Felicidade — Cecil


A. Poole

XXVI — SUSSURROS DO EU INTERIOR — Validivar

Especial — MANUAL ROSACRUZ — Supervisão de H. Spencer Lewis

Especial — SÍMBOLOS SECRETOS DOS ROSA-CRUZES DOS SÉCULOS


XVI E XVII — a cores

EXERCÍCIOS — Método Isométrico e Isotônico — O'ReiIy

SÍMBOLOS, O LIVRO DOS — Kock

SONHOS, O PODER DOS — Assuramaya

TESTE DAS CORES DE LUSCHER

TECNOLOGIA E RECURSOS HUMANOS — Paulo Novaes

TÓXICOS — Jaime Ribeiro da Graça

ZOOLOGIA EM TRANSFORMAÇÃO — Fritz de Lauro