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A importância da conservação do solo para a sustentabilidade

humana

A conservação do solo pode ser entendida como


uma combinação de métodos de manejo e de uso do
solo, com a finalidade de protegê-lo contra as
deteriorações induzidas por fatores antropogênicos ou
naturais. Na maioria das situações práticas, procura-se
evitar a erosão e a deposição dos sedimentos nos
corpos d’água, mas as técnicas conservacionistas vão
além dessa preocupação. Busca-se também proteger o
solo dos danos causados pela atividade agropecuária,
como a compactação ou desagregação excessiva, ou
ainda de alterações deletérias das características
químicas, como a acidificação ou salinização,
freqüentemente relacionadas à irrigação inadequada.

A maioria da população global tem consciência de


que é preciso ter ar e água limpos para a preservação
da saúde, mas infelizmente constituem minoria aqueles
que têm consciência de que seu bem-estar também
depende muito da qualidade do solo. Esse meio poroso
que suporta o desenvolvimento de quase totalidade da
produção de alimentos, fibras e da bioenergia. Então é
evidente que a produtividade do solo também é de
extrema importância para o desempenho econômico do
Brasil e de vários outros países. Essas razões, per si,
constituem justificativa suficiente para que a sociedade
e seus representantes priorizem os investimentos e
adeqüem a legislação com vistas à preservação da
camada agricultável. O conjunto de funções do solo é
ainda muito mais amplo, ele atua como filtro do ar e da
água, troca gases com a atmosfera, e assim influencia o
clima do planeta. O sistema de plantio direto, hoje
utilizado em 70% da área de produção de grãos no
Brasil, entre outros benefícios, promove o seqüestro de
carbono no solo, assim contribui significativamente para
mitigar a emissão de gases do efeito estufa.

Adicionalmente, o solo recicla a matéria orgânica do


lixo e disponibiliza novamente os nutrientes para as
plantas. Todavia, é importante alertar que o solo não é
um receptáculo inesgotável de toda espécie e
quantidade de resíduos, pois sua capacidade de
reciclagem é limitada. Como a atividade agrícola é a
que mais impacta o solo, as instituições de pesquisa
agrícola têm consciência do seu protagonismo na busca
de soluções para a conservação do solo.

Dentre várias instituições que trabalham nesse


problema, a Embrapa Instrumentação Agropecuária,
localizada em São Carlos-SP, entre outras ações de
pesquisa, utiliza técnicas não convencionais para gerar
resultados que contribuem para a conservação do solo.
O Plano Diretor (2008-2011) ampliou os compromissos
dessa Unidade para geração de metodologias,
equipamentos, processos agroindustriais e softwares
que contribuem para: o manejo espacialmente variado
do solo; o reforço das bases científicas para o plantio
direto; o uso otimizado da água de irrigação; o
aproveitamento de resíduos agrícolas, industriais e
urbanos; o estudo de impactos de mudanças climáticas.
Dessa forma, a Unidade participa de redes nacionais de
pesquisa em Ciência do Solo, formadas por centenas de
cientistas de todo o País.

A base de conhecimento gerada sobre os solos


tropicais nas últimas décadas está muito à frente
daquela que norteia as políticas públicas atuais.
Portanto, a comunidade científica precisa sensibilizar a
sociedade para a gravidade da situação, ou seja, os
resultados alarmantes de perda de solo e outras
degradações não podem ficar restritos às publicações
acadêmicas.

João de Mendonça Naime

O solo é um recurso natural que deve ser utilizado como patrimônio


da coletividade. É um elemento físico de muita importância, nele se
aplica grande capital e se desenvolve imenso esforço de trabalho
técnico na busca constante da produtividade.
É imperativo preservar e conservar a sua capacidade produtiva,
evitando o desgaste pelo uso irresponsável e inadequado. Através do
planejamento do uso do solo, utilizamos um sistema conservacionista
dinâmico, que é aplicado e utilizado por todas as atividades
operacionais, que vão desde o plantio do eucalipto até a sua colheita.
Este sistema tem como objetivo corrigir todos os processos erosivos
potenciais e eliminar as voçorocas nas áreas comerciais, mantendo
uma relação custo-benefício viável.
Porém, quando estas estiverem dentro de APP ou RL, utilizam-se
técnicas manuais, com o objetivo de preservar a paisagem local -
gramíneas, banco de sementes, vegetação, etc, fator importante no
processo de estabilização da voçoroca e garantia que este tenha uma
sucessão natural e contínua.

Conservação do Solo e da Água


O solo é um recurso natural que deve ser utilizado como patrimônio da coletividade, independente
do seu uso ou posse. É um dos componentes vitais do meio ambiente e constitui o substrato natural
para o desenvolvimento das plantas.

A ciência da conservação do solo e da água preconiza um conjunto de medidas, objetivando a


manutenção ou recuperação das condições físicas, químicas e biológicas do solo, estabelecendo
critérios para o uso e manejo das terras, de forma a não comprometer sua capacidade produtiva.

Estas medidas visam proteger o solo, prevenindo-o dos efeitos danosos da erosão aumentando a
disponibilidade de água, de nutrientes e da atividade biológica do solo, criando condições
adequadas ao desenvolvimento das plantas.

Planejamento Conservacionista

A solução dos problemas decorrentes da erosão não depende da ação


isolada de um produtor. A erosão produz efeitos negativos para o conjunto dos produtores rurais e
para as comunidades urbanas. Um plano de uso, manejo e conservação do solo e da água deve
contar com o envolvimento efetivo do produtor, do técnico, dos dirigentes e da comunidade.

O Agrônomo e outros Profissionais das ciências agrárias e ambientais, devem ser consultados para
elaboração do planejamento de conservação do solo e da água.

Princípios Básicos

Dentre os princípios fundamentais do planejamento de uso das terras, destaca-se um maior


aproveitamento das águas das chuvas. Evitando-se perdas excessivas por escoamento superficial,
podem-se criar condições para que a água pluvial se infiltre no solo. Isto, além de garantir o
suprimento de água para as culturas, criações e comunidades, previne a erosão, evita inundações
e assoreamento dos rios, assim como abastece os lençóis freáticos que alimentam os cursos de
água.

Uma cobertura vegetal adequada assume importância fundamental para a diminuição do impacto
das gotas de chuva. Há redução da velocidade das águas que escorrem sobre o terreno,
possibilitando maior infiltração de água no solo e, diminuição do carreamento das suas partículas.

Práticas Vegetativas
Florestamento e reflorestamento
Plantas de cobertura
Cobertura morta
Rotação de culturas
Formação e manejo de pastagem
Cultura em faixa
Faixa de bordadura
Quebra vento e bosque sombreador
Cordão vegetativo permanente
Manejo do mato e alternância de capinas

Práticas Edáficas
Cultivo de acordo com a capacidade de uso da terra
Controle do fogo
Adubação: verde, química, orgânica
Calagem
Práticas Mecânicas
Preparo do solo e plantio em nível
Distribuição adequada dos caminhos
Sulcos e camalhões em pastagens
Enleiramento em contorno
Terraceamento
Subsolagem
Irrigação e drenagem

A escolha dos métodos / práticas de prevenção à erosão é feita em função dos aspectos ambientais
e sócio-econômicos de cada propriedade e região. Cada prática, aplicada isoladamente, previne
apenas de maneira parcial o problema. Para uma prevenção adequada da erosão, faz-se
necessária a adoção simultânea de um conjunto de práticas.

Apresentam-se, a seguir, comentários resumidos acerca de algumas destas práticas


conservacionistas:

Plantio em nível - neste método todas as operações de preparo do terreno, balizamento,


semeadura, etc, são realizadas em curva de nível. No cultivo em nível ou contorno criam-se
obstáculos à descida da enxurrada, diminuindo a velocidade de arraste, e aumentando a infiltração
d’água no solo. Este pode ser considerado um dos princípios básicos, constituindo-se em uma das
medidas mais eficientes na conservação do solo e da água. Porém, as práticas devem ser adotadas
em conjunto para a maior eficiência conservacionista.

Cultivo de acordo com a capacidade de uso - as terras devem ser utilizadas em função da sua
aptidão agrícola, que pressupõe a disposição adequada de florestas / reservas, cultivos perenes,
cultivos anuais, pastagens, etc, racionalizando, assim, o aproveitamento do potencial das áreas e
sua conservação.

Reflorestamento - áreas muito susceptíveis à erosão e de baixa capacidade de produção devem ser
mantidas recobertas com vegetação permanente. Isto permite seu uso econômico, de forma
sustentável, e proporciona sua conservação. Este cuidado deve ser adotado em locais estratégicos,
que podem estar em nascentes de rios, topos de morros e/ou margem dos cursos d’água.

Plantas de cobertura - objetivam manter o solo coberto no período chuvoso, diminuindo os riscos de
erosão e melhorando as condições físicas, químicas e biológicas do solo.

Pastagem - o manejo racional das pastagens pode representar uma grande proteção contra os
efeitos da erosão. O pasto mal conduzido, pelo contrário, torna-se uma das maiores causas de
degradação de terras agrícolas.

Cordões de vegetação permanente - são fileiras de plantas perenes de crescimento denso,


dispostas em contorno. Algumas espécies recomendadas: cana-de-açúcar, capim-vetiver, erva-
cidreira, capim-gordura, etc.
Controle do fogo - o fogo, apesar de ser uma das maneiras mais fáceis e econômicas de limpar o
terreno, quando aplicado indiscriminadamente é um dos principais fatores de degradação do solo e
do ambiente.

Correção e adubação do solo - como parte de uma agricultura racional, estas práticas proporcionam
melhoramento do sistema solo, no sentido de se dispor de uma plantação mais produtiva e protetora
das áreas agrícolas.

A conservação do solo e da água melhora o rendimento das culturas e garante um ambiente mais
saudável e produtivo, para a atual e as futuras gerações.

(*) 1. Terreno desmatado. 2. Terreno cultivado morro abaixo. 3. Assoreamento de rios e açudes. 4. Erosão com voçoroca invade terras
cultivadas. 5.Êxodo rural. 6. Lavouras cultivadas sem proteção. 7.Pastagem exposta à erosão. 8. Inundações

(*) 1. Terreno com exploração florestal. 2. Terreno cultivado em curva de nível e outras práticas conservacionistas. 3. Rios e açudes livres de
assoreamento. 4. Culturas com práticas conservacionistas. 5. Desenvolvimento de comunidades agrícolas. 6. Áreas de pastagens protegidas
contra a erosão. 7. Áreas de pastagens protegidas. 8. Inundações controladas e áreas agrícolas reaproveitadas

solo é um componente fundamental do ecossistema terrestre pois é o principal


substrato utilizado pelas plantas para o seu crescimento e disseminação. O solo
fornece às raízes fatores de crescimento como suporte, água, oxigênio e
nutrientes.A ciência do solo envolve várias áreas, tais como gênese (formação),
química, física, fertilidade, ensino, uso, manejo e conservação, biologia,
classificação, levantamento, mineralogia, e morfologia; dentre outras. Devido a
importância do solo, em muitas universidades e institutos de pesquisa, este tema
tem departamentos que se dedicam especificamente ao seu estudo.Todo o
conhecimento gerado sobre solos nos últimos cem anos, tem sido utilizado por
diversos profissionais tais como: produtor agrícola, produtor florestal, pecuarista,
técnico agropecuário, técnico florestal, engenheiro civil, engenheiro ambiental,
engenheiro agrônomo, zootecnista, geólogo, engenheiro agrícola, geógrafo,
biólogo, engenheiro florestal, dentre outros. Mas além destes profissionais, a
população em geral deve ser estimulada a conhecer o solo, para entender suas
funções e se preocupar com a sua preservação.
por esses e outros motivos nos temos que preservar o solo.E preservando o solo
nos evitamos desastres como:
Erosão

Conservação do solo

Conservação do solo, na agricultura ou pecuária , é o conjunto de práticas aplicadas


para promover o uso sustentável do solo para o plantio.

A erosão, a compactação e o aumento da salinidade do solo são os maiores problemas


relacionados ao manejo inadequado e terão relação direta com a escassez de alimentos
num futuro não muito distante, resultando num profundo desequilíbrio do sistema
produtivo, se praticas corretas não forem adotadas. A população do mundo gira em
torno 6 bilhões de habitantes, obrigando a humanidade a disponibilizar pelo menos 1
bilhão de hectares de área agricultavel. As áreas com manejo inadequado reduzem
significativamente seu potencial de produção, por isso hoje trabalha-se em virtude da
renovação e aprimoramento das técnicas produtivas. Deve-se observar que os recursos
são limitados, não podendo ser desperdiçados.

O planejamento técnico e antecipado é importante para a conservação do solo. É preciso


ver todo o processo de produção, pois não adianta atacar somente uma parte do
problema. Deve-se considerar também os custos econômicos envolvidos e os preços
pagos pelo mercado, pois a falta de retorno financeiro é um dos principais motivos de
abandono das terras sem cobertura vegetal.

Análise do solo

A agricultura deu um salto evolutivo quando descobriu um modo prático de adubar as


culturas com os produtos químicos necessários. No entanto hoje o problema é o
aumento da salinidade do solo provocado pelo excesso de adubação. Uma análise prévia
em laboratório especializado, das características físico-químicas do solo em função das
culturas permite a aplicação da quantidade ótima de fertilizante, evitando o excesso.

[editar] Plantio em nível

Consiste em preparar o solo para plantio e plantar de acordo com o nível do terreno. A
erosão reduz significativamente o potencial de produção. A água que escorre leva
consigo o potencial produtivo do solo. Evita-se o problema reduzindo-se a velocidade
de escoamento com a utilização de barreiras, curvas de nível, terraços e outros artifícios
adequados, baseados em levantamentos topográficos da área e projeto feito por técnico
competente.

Rotação de culturas

Cada tipo de cultura agrícola tem sua necessidade, e muitas vezes o que falta para uma é
o que sobra da outra. Assim um manejo adequado das culturas resulta em menor
necessidade de adubos e defensivos. Como regra geral, não se deve repetir o gênero da
planta em safras consecutivas.
[editar] Adubação verde

Consiste basicamente em plantar uma cultura que não se aproveita economicamente,


apenas para manter o solo coberto e diminuir a erosão entre os periodos de plantios
comerciais, ou nas linhas de culturas permanentes. Como normalmente se empregam
culturas que aumentam a fertilidade do solo, como as leguminosas,que fixam o
nitrogênio diretamente do ar com a ajuda de bactérias, o resultado é uma melhor
produtividade no próximo plantio. Existem também plantas que reduzem a compactação
do solo com suas raizes profundas.

[editar] Plantio direto

Entende-se por plantio direto o ato de revolver o mínimo possível o solo durante o
plantio, isso é, abrir apenas um sulco para a incorporação do adubo e da semente,
dispensando os processos convencionais de aração e gradagem e mantendo os restos da
cultura anterior sobre o solo. Utilizam-se plantadeiras especiais com discos de corte
para não se enroscarem com a vegetação. O plantio direto promove o mínimo desgaste
do solo e de sua atividade microbiana. Uma das principais vantagens desse processo é
que ele diminui significativamente a compactação das camadas mais profundas do solo
em virtude da redução do uso de máquinas pesadas e da presença de cobertura do solo
sobre o terreno. Por conservar melhor a umidade e manter a temperatura mais baixa
ajuda a atividade microbiana do solo, o que se provou benéfico às culturas,
principalmente em regiões de clima mais tropical. Sua principal desvantagem é um
aumento inicial no uso de herbicidas para controle de plantas invasoras. Por isso um
competente acompanhamento por agrônomo ou técnico especializado é fundamental ao
processo. As vantagens do plantio direto vão se acumulando safra após safra, num
processo cumulativo virtuoso.

[editar] Explorar sinergias

Várias atividades agrícolas são complementares, podendo gerar economia de recursos se


bem exploradas. Associar culturas anuais com pecuária ou criação de aves ou suínos
com produção de energia e adubação só rende lucros ao agricultor e ao meio ambiente.

MANEJO DO SOLO

manejo do solo consiste num conjunto de operações realizadas com objetivos de


propiciar condições favoráveis à semeadura, ao desenvolvimento e à produção das
plantas cultivadas, por tempo ilimitado. Para que esses objetivos sejam atingidos, é
imprescindível a adoção de diversas práticas, dando-se prioridade ao uso do
Sistema Plantio Direto visto que envolve, simultaneamente, todas as boas práticas
conservacionistas. Alternativamente justificado, poderão ser utilizadas práticas
racionais de preparo do solo.

Sistema plantio direto

Trata-se de sistema de produção conservacionista, que se contrapõe ao sistema


tradicional de manejo. Envolve o uso de técnicas para produzir, preservando a
qualidade ambiental. Fundamenta-se na ausência de preparo do solo e na cobertura
permanente do terreno através de rotação de culturas.
Requisitos para a implantação

Para a implantação do Sistema Plantio Direto (SPD) é necessário que sejam


atendidos alguns requisitos relativos aos recursos humanos, técnicos e de infra-
estrutura, como os listados a seguir.

Conscientização

O sistema de produção de soja na região central do Brasil, algumas vezes ainda,


tem como forma de preparo do solo o uso continuado de grades de discos, com
várias operações anuais. Como resultado, ocorre degradação de sua estrutura, com
formação de camadas compac-tadas, encrostamento superficial e perdas por
erosão.

O SPD pode ser a melhor opção para diminuir a maioria dos problemas antes
apontados, pois, o uso contínuo das tecnologias que compõem o SPD proporcionam
efeitos significativos na conservação e na melhoria do solo, da água, no
aproveitamento dos recursos e insumos como os fertilizantes, na redução dos
custos de produção, na estabilidade de produção e nas condições de vida do
produtor rural e da sociedade.
Para que esses benefícios aconteçam, tanto os agricultores, como a assistência
técnica, devem estar predispostos a mudanças, conscientes de que o sistema é
importante para alcançar êxito e sustentabilidade na atividade agrícola.

Levantamento dos recursos

O conhecimento detalhado da propriedade agrícola é essencial para obtenção de


sucesso no SPD. Para tanto, é necessário o levantamento dos seguintes recursos:

Solos: Coletar e organizar informações referentes ao tipo de solo, à fertilidade, à


presença de camadas compactadas, à distribuição e espécies de plantas daninhas,
à topografia, à ocorrência de erosão, às práticas conservacionistas existentes, às
vias de acesso, à drenagem, aos córregos, aos açudes, etc.

Plantas daninhas: O levantamento e o mapeamento da ocorrência de plantas


daninhas será muito útil, para definir o herbicida a ser utilizado e a programação
das aplicações dos mesmos.

Máquinas e equipamentos: No SPD, é essencial a existência de pulverizador de


herbicidas devidamente equipado com bicos adequados para as diferentes
condições e controladores de pressão. O uso de equipamentos de avaliação das
condições climáticas é também muito útil nesse caso. Quanto às semeadoras,
existem disponíveis no mercado vários modelos específicos para o SPD. No entanto,
na fase inicial de implantação do sistema, podem-se utilizar semeadoras
tradicionais com adaptações, fazendo com que os agricultores reduzam as
despesas.

Humanos: Para a execução do SPD, a mão-de-obra deverá estar conscientizada


dos princípios do sistema e adequadamente informada quanto ao uso das
tecnologias que o compõem. São necessários treinamentos, especialmente para os
operadores de máquinas, quanto ao uso de semeadoras e pulverizadores e
tecnologia de aplicação (características de bicos, horário de aplicação, etc.) de
defensivos, além de conhecimentos sobre plantas daninhas e herbicidas. O
treinamento da mão-de-obra deve ser planejado de forma que, no momento de
realizar as operações, haja conhecimento suficiente para realizar as ações de forma
adequada. A participação do produtor e da assistência técnica em associações ou
grupos de troca de informações e experiências como Grupo de Plantio Direto, Clube
Amigos da Terra, etc, são importantes para facilitar e impulsionar a adoção do SPD.

O manuseio de tais informações deve gerar mapas e/ou planilhas de uso e da


situação atual da propriedade, a serem utilizados como base, para o planejamento
das atividades a serem implementadas.

Planejamento

Em qualquer atividade, o planejamento é fator importante para reduzir erros e


riscos e aumentar as chances de sucesso. São etapas do planejamento: a) análise
dos resultados e produtos do levantamento dos recursos humanos e materiais; b)
elaboração e interpretação de mapas, croquis e esquemas de trabalho; c) divisão
da fazenda em glebas e a seleção cronológica das mesmas para adoção do SPD,
tendo a rotação de culturas como tecnologia essencial. Para isso, deve-se dividir a
propriedade em glebas ou talhões, tomando como base as informações obtidas nos
levantamentos, principalmente de fertilidade, topografia, vias de acesso, etc. Não
existem padrões estabelecidos de tamanho das áreas, devendo o critério técnico
prevalecer nessa decisão. É importante, ao adotar o SPD, fazê-lo apenas em parte
da propriedade, iniciando pelas melhores glebas, para familiarizar-se com as novas
tecnologias e elevar as chances de sucesso. Incluir novas glebas de forma gradual,
até abranger o total da propriedade, mesmo que vários anos sejam necessários; e
d) elaboração de cronograma de ações, onde devem ser organizadas, para cada
gleba, as ações para correções de acidez e fertilidade, operações de incorporação
de adubos e corretivos, descom-pactação, pulverizações, manejo de coberturas
vegetais, semeadura, sucessão de culturas, etc.

O cultivo da soja em SPD, em áreas de campo bruto, com correções superficiais e


sem incorporação, embora haja alguns exemplos de sucesso no Rio Grande do Sul
e no Paraná, ainda não está indicada para as condições dos Cerrados, estando em
fase de estudos e experimentações.

Cobertura do solo

O Sistema de Plantio Direto pressupõe a cobertura permanente do solo que,


preferencialmente, deve ser de culturas comerciais ou, quando não for possível,
culturas de cobertura do solo.Tal cobertura deverá resultar do cultivo de espécies
que disponham de certos atributos, como: produzir grande quantidade de massa
seca, possuir elevada taxa de crescimento, ter certa resistência à seca e ao frio,
não infestar áreas, ser de fácil manejo, ter sistema radicular vigoroso e profundo,
ter elevada capacidade de reciclar nutrientes, ser de fácil produção de sementes,
apresentam elevada relação C/N, entre outras.

A pequena produção de palha pela soja, principal cultura dos Cerrados, aliada à
rápida decomposição dos seus resíduos, pode tornar-se grande à viabilização do
SPD, especialmente quando essa leguminosa é cultivada como monocultura. Para
contornar essa dificuldade, a soja deve compor sistemas de rotação de culturas
adequadamente planejados. Com isso haverá permanente cobertura e suficiente
reposição de palhada sobre a superfície do solo, viabilizando o SPD.

Espécies para a cobertura do solo

As indicações das espécies a serem cultivadas para cobertura e produção de palha


devem ser regionalizadas o máximo possível.
A estratégia agroecológica aponta um caminho concreto para promoção de uma tecnologia
ecológica e adaptada para a pequena produção. Para produzir alimentos saudáveis, em terras
sãs, a manutenção da saúde do solo e da água deve ser a meta primordial do trabalho
agrícola.
Uma importante forma de proteger o solo, sua umidade e a matéria orgânica é fazer a
cobertura morta. Com o tempo, esta cobertura se decompõe se transforma em nutrientes para
o solo e aumenta a atividade biológica do solo. Além da cobertura morta, o solo deve estar
sempre coberto com plantações ou com vegetação nativa, que pode ser chamada de cobertura
viva.
Para um bom manejo ecológico do solo, é sempre necessário haver adubação com matéria
orgânica, que veio em última instância do solo, a ele retorna transformando-se em nutriente, o
qual é assimilado pelas plantas, completando assim, o CICLO DA VIDA. A natureza
predominante, o número, as espécies e o grau de atividade dos agentes ativos da
decomposição são conseqüências da qualidade e quantidade de materiais que servem de
alimento, das condições físicas (textura, estrutura e umidade) e químicas (quantidades de sais,
nutrientes e pH) encontrados nos solos (PRIMAVESI, 1984).
Para que ocorra um equilíbrio no agroecossistema, a diversificação e a interação de espécies
animais e vegetais é de extrema importância, sendo que a ausência de qualquer um de seus
componentes pode acarretar um desequilíbrio ecológico. Uma outra vantagem da diversificação
é que ocorre a ciclagem de nutrientes entre as diferentes espécies, e o conseqüente
aproveitamento máximo dos recursos naturais. A diversificação de espécies em um
agroecossistema pode ser feita pela rotação e consórcio de culturas, barreiras vegetais,
adubação verde, integração da produção animal à vegetal e agrofloresta (DOVER, 1992). A
rotação de culturas consiste em um planejamento racional de plantações diversas, alterando a
distribuição no terreno em certa ordem e por determinado tempo.
O consórcio de culturas é o plantio de diferentes espécies vegetais, simultaneamente sobre
uma mesma área. Além da associação entre cultivos comerciais, o consórcio pode ser feito
também com leguminosas para adubo verde e cultivos comerciais.
A adubação verde, além de fazer parte da diversificação de um agroecossitema, é um
excelente adubo, pois além de proteger o solo, pode ser a ele incorporado. Quando a
adubação verde é feita com leguminosas sua associação com bactérias do gênero Rhizobium,
proporciona a fixação de nitrogênio do ar no solo, reduzindo dramaticamente o consumo de
adubo sintético nitrogenado, e por conseqüência a poluição do solo e água (LEONARDOS,
1998).
A integração da produção animal à vegetal em um agroecossistema é fundamental, pois os
restos vegetais podem alimentar os animais e seu esterco e urinas podem ser utilizadas como
adubo de alta qualidade.
Um outro manejo extremamente importante da agroecologia é a agrofloresta. Segundo Amador
(1999), os sistemas agroflorestais são formas de manejo da terra em que as espécies agrícolas
e florestais são plantadas e manejadas em associação, segundo os princípios da dinâmica
natural dos ecossistemas. Os princípios do manejo agroflorestal incluem o conhecimento das
características ecológicas e funcionais das espécies, a diversidade e a alta densidade de
plantas, a poda, a capina seletiva e a participação humana e animal na dinâmica das
agroflorestas.
Existe um caminho para reduzir a população de organismos prejudiciais, ao nível em que ela já
não representa uma preocupação, nem é capaz de causar prejuízo. Este caminho é o controle
biológico, que é o uso deliberado de organismos benéficos (agentes) contra organismos
prejudiciais (alvos).
O manejo agroecológico favorece os processos naturais e as interações biológicas positivas,
possibilitando que a biodiversidade nos agroecossistemas subsidie a fertilidade dos solos, a
proteção dos cultivos contra enfermidades e pragas. A tecnologia utilizada nos sistemas
agroecológicos é multifuncional na medida em que promove efeitos ecológicos positivos, tanto
no que se refere à manutenção de bons níveis de produtividade quanto à conservação dos
recursos naturais, de forma a garantir a sua sustentabilidade ecológica (PETERSEN, 1999 e
REIJNTES, 1994).
A tecnologia agroecológica busca alternativas energéticas que não poluam, como por exemplo,
a energia solar, a energia da força da água e do vento, pois tem um custo mais baixo (pelo
menos, a médio e longo prazo) e não polui. Desta forma, pode-se afirmar que é uma agricultura
que tem, a médio e longo prazo, a capacidade de baixar custos. Além disso, as florestas, os
rios e o lixo orgânico, no enfoque agroecológico, são encarados como úteis e necessários para
a propriedade. As florestas são fornecedoras de matéria prima (lenha, madeira e frutos),
auxiliando também na manutenção do equilíbrio ecológico e paisagístico. Os rios são fontes de
água, peixes e lazer. O lixo orgânico pode ser transformado facilmente na propriedade em
adubo de alta qualidade. Os praticantes da agroecologia buscam ainda produzir sua própria
semente agroecológica (mais conhecida como semente orgânica), já que as comerciais, em
sua larga maioria são melhoradas geneticamente para somente obter alta produtividade com o
uso de todos os itens do "Pacote da Revolução Verde". Outro importante motivo de se produzir
as próprias sementes, é a independência que o agricultor ou sua forma organizativa adquire em
relação às grandes empresas do setor (SHIVA, 1991; BERTRAND, 1991; CASADO, 1997;
ZAPATA, 1997 e SCHAFFER, s/d).
A agroecologia não só oferece produtos mais saudáveis e nutritivos, mas também não polui o
meio ambiente, preservando os recursos naturais e sendo claramente mais sustentável do que
os sistemas convencionais.

CONSIDERAÇÕES PARA MANEJO DO SOLO


Na prática da agricultura, é muito difícil evitar pequenas pressões que possam
compactar o solo; entretanto, é possível usar algumas alternativas no manejo do
solo, máquina e cultura, que minimizem o efeito da compactação. Logicamente,
não existe um pacote de medidas que possa ser adotado em todas as condições.
Existe, sim, um conjunto de medidas específicas para cada caso, identificáveis pelo
técnico ou pelo agricultor, levando em consideração uma série de fatores, como:
tipo de solo, espécies cultivadas, economia das operações, tipo de agricultura,
clima, tipos de máquinas disponíveis e as alterações que possam ser feitas. Tecem-
se, aqui, considerações sobre alguns desses fatores, com a finalidade de auxiliar na
elaboração do conjunto de medidas necessárias para aliviar os efeitos maléficos da
compactação.

O solo

Ao trabalhar intensivamente num solo, dois pontos são de fundamental


importância para evitar a compactação: o conteúdo de água no momento em que
se opera e a possibilidade de manutenção ou aumento do teor de matéria orgânica.

A) Conteúdo de água

A umidade é o mais importante atributo a ser levado em conta ao se tratar


de compactação do solo. Portanto, é melhor operar em solos com umidade
adequada (sempre mais secos do que úmidos), pois nestas condições a resistência
à compactação é maior. Caso não se disponha de curvas de compactação do solo,
como aquela da figura abaixo, é possível aplicar um teste fácil, no campo, para
determinar se um solo se encontra ou não em condições de ser trabalhado por
máquinas e implementos agrícolas, ou seja, se o conteúdo de água está ou não
adequado às operações.

Toma-se uma porção de terra e procura-se moldá-la, até se conseguir formar um


bastonete. Se o solo estiver muito seco, não será possível moldá-lo, e assim não é
indicado que se proceda o preparo do solo, principalmente se ele for argiloso, pois
haverá maior esforço tratório para penetração dos implementos e poderão ser
formados torrões durante a realização das operações. Caso seja possível formar o
bastonete ou o "corpo de prova", que é a designação técnica mais apropriada,
deve-se procurar, por várias vezes, desagregá-lo e reconstruí-lo novamente. Se
isso for possível, o solo estará no seu "estado de sazão", ou seja, no grau de
umidade adequado para entrada de máquinas e perfeito serviço dos implementos.
A umidade estará muito alta se a desagregação for difícil, ou seja, se a terra ficar
aderida entre os dedos, sendo difícil de ser retirada.

Nesse caso, recomenda-se esperar de um a três dias sem chuva para se


proceder às operações agrícolas mecanizadas. Sendo a operação profunda, como
subsolagem, por exemplo, tanto a superfície quanto a subsuperfície devem estar
relativamente mais secas. Sendo uma operação que envolva cargas leves ou baixas
pressões, pelo menos os primeiros 20-30 cm devem estar numa faixa de umidade
adequada. O trabalho de máquinas em agricultura irrigada precisa levar este item
em consideração, pois é comum trabalhar o solo em umidade ótima para
compactação, podendo acarretar sérios danos às culturas.

B) Matéria orgânica

Em trabalho conduzido em solos do Estado do Paraná, Kemper & Derpsch


(1981) tiram interessante conclusão, que pode ser extrapolada para muitos solos
brasileiros: o melhoramento no preparo mecânico dos solos, por si só, não é
condição suficiente para evitar a compactação, a menos que seja suplementada
com rotação de culturas e com o uso de plantas para cobertura do solo. A cobertura
morta, advinda de restos culturais, é considerada o fator mais importante para
explicar o maior conteúdo de água num solo sob plantio direto, quando comparado
ao sistema convencional (Derpsch et al., 1986).

As observações mostram que quando se colocam estercos, resíduos de


culturas, ou quando se cultivam leguminosas em seqüência, ocorre uma diminuição
na densidade do solo, proporcional ao aumento no teor de matéria orgânica (Larson
& Almaras, 1971). Em condições tropicais e subtropicais, essa prática às vezes é
difícil, dada a rápida oxidação da matéria orgânica. Entretanto, o uso de rotação de
culturas, a incorporação de restos vegetais decompostos, esterco e composto e a
prevenção de erosão são práticas que podem colaborar, e muito, para pelo menos
manter seu teor no solo. Mesmo aplicações pesadas de resíduos que demandem
sucessivas entradas de veículos no terreno são extremamente benéficas, pois a
melhoria obtida nos atributos físicos suplanta, e com vantagens, a eventual
compactação causada (Soane, 1990). A figura abaixo mostra que o aumento no
teor de matéria orgânica provocou decréscimo na densidade de dois inceptissolos
cultivados há vários anos (Bali et al., 1988).

Conforme a agricultura se intensifica, aumenta o uso de equipamentos que, embora


bem projetados, ainda precisam ser operados com certos cuidados, pois sempre há
uma tendência de exercer acentuada pressão no solo. Uma série de princípios
básicos deve ser seguida para minimizar a compactação:
A) Uso de veículos que causem compactação mínima

As rodas do trator ainda são as grandes causadoras da compactação.


Algumas características dos pneus devem ser levadas em conta para perfeito
entendimento de seus efeitos na compactação dos solos, destacando-se a carga
nominal, as dimensões dos pneus e a pressão de inflação (Maziero, 1993).
Trabalhando-se isolada ou conjuntamente com essas características, é possível
aumentar, diminuir ou manter constante a pressão do contato pneu-solo.

Raghavan et al. (1976) avaliaram um pulverizador de 3.624 kg, com pneus


de 28,6 cm de largura por 61,0 cm de diâmetro e pressão de inflação igual a 1,4
MPa, acoplado a um trator com 4.670 kg, pneus de dimensões 46,7 x 76,2 cm e
pressão de inflação 0,07 MPa. O pulverizador causou maior compactação do solo
que o trator, devido à maior carga sobre a área de contato. Após analisar as
isolinhas de densidade e observar que o pneu do pulverizador compactou maior
volume de solo, os autores concluíram que a utilização de pneus mais largos, como
no caso do trator, distribuiu a massa sobre uma área maior, resultando num menor
grau de compactação.

Entretanto, um aumento da largura ou do diâmetro do pneu pode não


compensar determinado aumento na carga nominal, mesmo que se mantenham
constantes as pressões de inflação do pneu e de contato pneu-solo. Assim, o
aumento do peso do veículo não pode ser simplesmente compensado pelo aumento
da área de contato, já que tem sido observada compactação na camada
subsuperficial (abaixo de 10 cm) quando há aumento acentuado no peso do
veículo, mesmo com a precaução de se manter a pressão de contato constante
(Blackweel & Soane, 1981).

B) Controle do tráfego

O planejamento do tráfego de veículos numa área é uma maneira prática de


confinar a compactação numa região específica. Estudos com tráfego controlado
intensificaram-se a partirdes anos 80 (Hadas et al., 1983; Cooper et al., 1983;
Taylor, 1983). A adoção deste sistema faz com que boa parte da área agricultável
fique livre da compactação pelos rodados, apesar de o controle do tráfego não
resultar, necessariamente, em efeitos benéficos para todos os solos, estádios de
crescimento das culturas ou sistema de produção.

Entretanto, adverte-se que este sistema não deve ser empregado. Por
exemplo, em solos com 400 g.kg-1 ou mais de arguas 2:1, o conteúdo de água e de
nutrientes pode ficar na faixa disponível para as plantas, mesmo sob tráfego
intenso do maquinário agrícola, devido aos planos de fratura dos solos. Daí o
sistema não ser recomendado para essa condução. Dumas et al. (1973)
encontraram um desenvolvimento radicular bastante limitado para o algodoeiro, de
0 a 20 cm, em linhas onde houve tráfego sobre um solo areno-siltoso, mas
realçaram a vantagem do sistema em relação ao convencional, devido ao aumento
na mobilidade do veículo e na eficiência de tração, a despeito da dificuldade de
penetração das raízes nas faixas compactadas.

Nas áreas onde o tráfego é controlado, é de se esperar não só um aumento


na produção das culturas, mas também maiores taxas de crescimento das plantas,
principalmente naquelas onde o trânsito de máquinas e veículos é intenso dentro de
um mesmo ciclo. Na chamada "zona de produção", que corresponde à porção do
terreno onde não há tráfego de veículos após o preparo do solo, obtêm-se maiores
produções e máximas taxas de crescimento das culturas, como no caso da alfafa,
em dois anos agrícolas (Tabela abaixo) (Rechel et al., 1987).

Entretanto, é preciso estar atento para o fato de que, normalmente, há aumento


representativo na densidade do solo que concentra as operações agrícolas, podendo
gerar um desenvolvimento restrito das raízes, impedindo o perfeito
estabelecimento das plantas. Para esses casos, a literatura aponta efeitos positivos
de um cultivo superficial (0-15 cm) do solo compactado.

C) Planejamento no uso do maquinário

O correto emprego da maquinaria agrícola associa-se, intimamente, à


racionalização de trabalho de produção agropecuária. É praticamente impossível
fazer mecanização racional quando o trabalho de produção agrícola se acha
desorganizado, realizado a esmo, sem qualquer planejamento prévio.

O primeiro passo para um bom planejamento inclui o levantamento das


operações agrícolas a serem realizadas (aração, gradagem, subsolagem, aplicação
de corretivos, plantio, adubação, aplicação de defensivos, colheita etc.). O segundo
passo é quantificar a área a ser trabalhada e o tempo disponível, ou seja, estimar
os dias efetivos de trabalho dentro dos períodos recomendados para realização das
operações. É importante que se tenham anotações de controle dos serviços das
máquinas, podendo-se, assim, estimar a porcentagem de dias úteis em que elas
permanecem paradas devido a quebras e imprevistos.

É importante, ainda, considerar a estimativa do número de dias, em cada


mês, nos quais o conteúdo de água no solo não deverá apresentar restrições ao
trabalho de máquinas e implementos. Esses números variam com o mês e com a
região (Mialhe, 1974). De posse destes dados, é possível programar melhor as
operações agrícolas, diminuindo os riscos de compactação devidos à entrada de
máquinas e implementos em solo úrnido. Na próxima tabela, válida para algumas
cidades do interior do Estado de São Paulo, nota-se que o número de dias em que
não há restrições para entrada de máquinas e implementos, ou mais comumente
chamados de "agronomicamente secos", diminui bastante de novembro a março.
Neste período, marcado por chuvas intensas, aumenta bastante a possibilidade de
compactação pelo tráfego de máquinas em solo com grau de umidade inadequado,
pois muitas capinas mecânicas e aplicação de defensivos são efetuadas em culturas
anuais, sendo também feitas às operações de gradagem niveladora e o plantio de
culturas semiperenes, como a cana-de-açúcar, em cultivo de dezoito meses, na
região Centro-Sul.

D) Escolha de máquinas e implementos alternativos

Quando não há possibilidade de realizar as operações agrícolas na época


adequada, deve-se empregar operações alternativas, sempre procurando diminuir
ao máximo o contato das máquinas com o solo.

Uma das culturas em que muitas máquinas e implementos são projetados e


testados com este objetivo é a de cana-de-açúcar, na qual a mecanização chega a
representar 20% ou mais do custo total de produção. Alguns destes implementos
foram projetados para realizar as operações de preparo e sulcação do solo, a custos
menores do que os normalmente contabilizados pelas usinas e destilarias. Assim,
por exemplo, pode-se utilizar o sistema de cultivo mínimo, no qual a soqueira da
cana é eliminada quimicamente com herbicida. Em seguida, é realizada a operação
de sulcação, com vistas a um novo plantio de cana. No caso de haver problemas de
compactação, é possível incorporar um subsolador na haste do sulcador, visando
quebrar a camada subsuperficial compactada, facilitando, desse modo, a
propagação do sistema radicular em profundidade. Salata et al. (1987) obtiveram
resultados positivos e superiores aos do método convencional, com o uso do
sulcador-subsolador em solos arenosos da região de Quatá (SP).

Com o objetivo de estender o cultivo mínimo a solos argilosos, foi


desenvolvido pela Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado
de São Paulo (Copersucar) o sulcador-subsolador-destorroador, que efetua,
simultaneamente, os operações de subsolagem, sulcação e destorroamento através
da enxada rotativa, permitindo uma boa brotação da muda (Perticarrari & Ide,
1988). Existe outro implemento chamado sulcador Rossetti, semelhante ao modelo
da Copersucar, diferenciando-se deste por possuir a enxada rotativa atrás da haste
e internamente, entre as asas do sulcador. Em ensaio realizado num podzólico
vermelho amarelo endoálico de Piracicaba (SP), foi observado em áreas onde se
utilizou este sulcador, maior número de perfilhos, maior altura e maior peso de
colmos de cana-de-açúcar, (variedade IAC 64-257), quando comparado ao sulcador
convencional (Alleoni & Beauclair, 1996).

Devido ao custo do herbicida no sistema de cultivo mínimo, foi idealizado


pela mesma cooperativa o eliminador mecânico de soqueira, com objetivo de picar
a soqueira e atirá-la fortemente sobre uma grelha, separando-a da terra e evitando
sua rebrota. De acordo com Perticarrari & Ide (1988), a eliminação mecânica
apresenta vantagens em relação à eliminação convencional com grades, em função
da menor movimentação de solo, impedindo a formação da camada subsuperficial
compactada. A próxima figura mostra o sulcador-subsolador, o sulcador-
subsolador-destorroador, o sulcador Rossetti e o eliminador mecânico de soqueira.

E) Uso de implementos em perfeito estado

Os implementos de cultivo devem estar apropriados para máximo


cumprimento de sua tarefa. Por isso, é importante mantê-los em plenas condições
para realização dos trabalhos. Isso implica um rígido sistema de controle das
operações agrícolas, envolvendo manutenção preventiva e corretiva, e
acompanhamento do ritmo operacional dos conjuntos mecanizados. É necessário o
conhecimento do número efetivo de hectares que cada conjunto trator +
implemento realiza em determinada operação por hora, dia ou mês, para as
condições específicas da propriedade agrícola. Tudo isso para evitar as operações
feitas em condições de solo muito úmido, ocasionando a compactação e danificando
o sistema mecanizado.

Cultivos

O cultivo do solo é muito importante para manter o equilíbrio de sua


porosidade. O princípio do cultivo mínimo, que significa não cultivar mais que o
estritamente necessário, é básico para diminuir o tráfego e evitar maiores
movimentos com o solo. Antes de realizar qualquer cultivo, o agricultor deve-se
perguntar porque tal prática tem sido realizada. Como já foi citado, caso o cultivo
seja realmente necessário, mas a umidade do solo esteja elevada, a operação deve
ser adiada, sempre que possível, até que a umidade adequada seja alcançada.

Não se deve arar o solo em maior profundidade do que o necessário. Assim,


a profundidade de preparo do solo deve ser modificada em cada período de cultivo.
Se a camada compactada estiver a menos de 30 cm de profundidade, ela pode ser
rompida com arado de aivecas ou arado escarificador, atuando nesta profundidade
(Castro & Lombardi Neto, 1992). O arado de aiveca corta, eleva, inverte e esboroa,
parcial ou totalmente as leivas, que ficam dispostas lado a lado. Quando o serviço
de aração com aivecas é bem feito, há enterrio total dos restos de cultura. O arado
de aiveca produz uma inversão do solo melhor que a do arado de discos, mas
apresenta restrições ao uso em solos com obstáculos, tais como pedras e tocos,
caso não haja mecanismos de segurança, com desarme automático (Gadanha
Júnior et al., 1991). O arado de discos é menos vulnerável a estas obstruções, pois
o movimento giratório dos discos faz com que eles girem sobre o solo e a
vegetação, cortando-os. A figura abaixo traz esquemas de arados de discos e de
aivecas.

O arado escarificador possui de cinco a onze ferros ou braços montados em barras


paralelas (2 ou 3) sobre um quadro porta-ferramentas e espaçados entre si de 60 a
70 cm, em cada barra, de modo a dar um espaçamento efetivo entre sulcos
paralelos de 30 a 35 cm (Figura 42). Este implemento promove a desagregação do
solo de baixo para cima, atingindo profundidade maior do que a do arado de discos.
Por este motivo, é utilizado para romper camadas compactadas oriundas da ação
do arado e também de grades pesadas (Gadanha Júnior et al., 1991). O arado
escarificador é semelhante a um subsolador, mas trabalha em profundidades
menores, exigindo menor esforço tratório para execução das operações agrícolas.

Derpsch et al. (1991) avaliaram um escarificador de sete braços, com 25 cm de vão


livre entrebraços, e observaram que houve boa cobertura dos rastros deixados
pelas rodas de um trator com 180 cm de largura de trabalho. Como os braços eram
reguláveis, foi possível testar uma alternativa deixando o implemento com seis
braços e utilizando tratores com potências na faixa de 44,8 kW (60 CV).

Embora sejam muitas as vantagens do escarificador em relação à


conservação do solo, já que os restos vegetais permanecem na superfície
diminuindo o arraste superficial de água e terra, seu uso ainda restrito pode ser
atribuído ao pouco conhecimento de suas qualidades por parte dos agricultores, ao
menor controle de plantas daninhas em relação aos arados e grades (já que não há
inversão e enterrio da camada superficial do solo) e à sua capacidade operacional,
que é, em média, 10% menor que o das grades (Hoogmoed & Derpsch, 1985).

A) Subsolagem

A subsolagem é uma prática de cultivo em profundidade que tornou-se


comum em algumas regiões do país. Analogamente ao escarificador, ela serve para
tornar soltas as camadas compactadas, sem, entretanto, causar inversão das
camadas de solo, devendo somente ser recomendada quando houver uma camada
muito endurecida, em profundidades não atingidas por outros implementos. Para
otimizar a penetração no solo, alguns subsoladores permitem a regulagem de
inclinação das hastes, em cuja extremidade inferior existe uma ponteira que pode
ter diversos formatos, de acordo com o projeto do fabricante e o grau de
compactação do solo (Gadanha Júnior et al., 1991; Aloisi et al., 1992). A figura 43
mostra um tipo de subsolador.

Barbieri et al. (1997) mostram dois perfis de um latossolo vermelho-amarelo


textura média, dos quais tem-se o corte transversal do solo, após o preparo e antes
do plantio de cana-de-açúcar, abrangendo duas entrelinhas da cultura (Figura 44).
No primeiro (a), o preparo do solo constou de quatro gradagens pesadas, uma
gradagem niveladora e sulcação com sulcador convencional (sem a haste
subsoladora ou enxada rotativa anexas). No segundo (b), foi feita também a
subsolagem entre as gradagens pesadas. A área mobilizada e a área com
compactação residual foram semelhantes para ambos os tratamentos; entretanto,
observou-se que onde foi feita a subsolagem a camada compactada esteve mais
fragmentada. É de se esperar, portanto, que as raízes de cana consigam se
aprofundar mais nessa condição, podendo absorver maior quantidade de água e
nutrientes, principalmente em períodos de estiagem.
Os benefícios da subsolagem não são duradouros se houver tráfego intenso
posteriormente. Variam com a densidade, umidade e textura do solo e com o
número de operações agrícolas subseqüentes. Sene et al. (1985) observaram que a
subsolagem promoveu incremento menor que 10% na produção de milho em solos
arenosos com agregados de tamanho médio superior a 6 mm (Figura 45). Nesse
tipo de solo, as raízes conseguiram crescer nos vazios entre os agregados,
ultrapassando assim zonas de alta densidade do solo.

Alguns autores entendem que são raríssimos os casos em que os subsoladores


devem ser utilizados. Derpsch et al. (1991) afirmam que a grande maioria dos
oxissolos e alfissolos do Estado do Paraná apresentam camadas compactadas em
profundidades médias de 10 cm que não ultrapassam 15 cm, enquanto abaixo
desta camada encontra-se uma estrutura intacta, com alta macroporosidade.
Sendo assim, recomendam o uso de escarificadores em vez de subsoladores,
apesar de ser uma operação agrícola extremamente cara, chegando a um custo de
US$50,00/ha, a subsolagem pode ser economicamente viável, em alguns casos.
Vasquez et al. (1989) obtiveram maiores produções de soja em áreas onde o
subsolador foi utilizado e transformaram o aumento de produção em termos de
quantidade de energia. Para as condições do ensaio, foi observado que a
quantidade adicional de soja produzida equivaleria a 14.000 MJ/ ha, enquanto a
subsolagem consumiu 820 MJ/ha, trabalhando a 33 cm. Nesse caso, os autores
consideraram a operação extremamente eficiente, tanto sob o ponto de vista
agronômico, quanto no energético.

A subsolagem é, normalmente, a primeira operação de preparo do solo


realizada pelos agricultores. Em seguida, há um elevado número de passagens
subseqüentes de tratores e implementos. Por esse motivo, a resposta do solo à
subsolagem tem sido pequena, às vezes negativa. É regra geral, em mecanização
agrícola, que as operações que atinjam o solo a maiores profundidades devam ser
precedidas de operações mais leves, a fim de que o resultado, em termos técnicos
e operacionais, seja mais positivo. Salvador & Benez (1994) observaram que a
subsolagem foi significativamente melhor quando realizada depois do preparo
periódico do solo, pois resultou, em média, num aumento de 9,2% na capacidade
operacional de campo e numa economia de 21,9% na exigência de força de tração,
15,2% no deslizamento de rodas e 21,9% no requerimento de energia por hectare.

Outro aspecto importante nas operações subseqüentes à subsolagem é


evitar a passagem do rodado em distâncias inferiores a 30 cm do local onde passou
a haste do subsolador, senão os efeitos benéficos da operação serão praticamente
anulados.

B) Plantas descompactadoras

As raízes de certas plantas conseguem penetrar mais facilmente nas


camadas compactadas do que outras, criando "caminhos" no perfil para
crescimento das culturas seguintes (Henderson, 1989; Castro & Lombardi Neto,
1992). Ao contrário do que ocorre com o uso de subsoladores, estas plantas
proporcionam um rompimento mais uniforme da camada compactada, além de
contribuírem para melhoria do estado de agregação do solo. Quando as raízes
dessas plantas morrem, são criados os chamados "bioporos", que podem aumentar
o movimento de água e a difusão de gases, melhorando as condições do solo para
a cultura subseqüente.

Mesmo considerando que para a maioria das culturas, o crescimento das


raízes é drasticamente reduzido na presença de camadas compactadas, algumas
diferenças entre as espécies são observadas. Materechera et al. (1991),
observaram a penetração de raízes de diversas plântulas num solo de textura
média com e sem compactação, sendo que algumas delas aparecem na tabela
abaixo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma observação importante feita por Gerald et al. (1972) que deve sempre
nortear o comportamento do agricultor é de que o acompanhamento ou a avaliação
periódica da resistência mecânica do terreno - de modo análogo ao feito na análise
de solo para fins de fertilidade - é uma maneira excelente de se determinar, para
cada local, as necessidades de cultivo profundo e avaliar os efeitos do manejo,
como cultivo mínimo ou seqüência de culturas, sobre as condições físicas do solo.
Procedendo desta maneira, o agricultor estará conhecendo cada vez mais os efeitos
causados no solo pelo sistema de produção adotado e, acima de tudo, estará
coletando subsídios importantes para conservação de seu maior patrimônio, que é
o solo.

Importância do Manejo do Solo

Quando falamos de animais, normalmente esquecemos do


solo. Todavia, na produção orgânica - que privilegia a
criação extensiva – um dos princípios básicos é
reconhecer o solo como fonte de vida. A qualidade e o
equilíbrio da fertilidade do solo (manutenção de níveis
de matéria orgânica, promoção da atividade biológica,
reciclagem de nutrientes e intervenção controlada sem
destruição do recurso natural) são essenciais para a
sustentabilidade da propriedade. Assim, na produção
orgânica, a saúde animal também está ligada à saúde do
solo.

Outro ponto básico é a diversificação da propriedade,


que pode ser alcançada com um manejo que utilize o
policultivo, pastagens, sistemas agroflorestais,
rotações de culturas, cultivos de cobertura, cultivo
mínimo, uso de composto e esterco, adubação verde,
quebra-ventos e áreas de reserva de mato. Este tipo de
manejo potencializa a reciclagem de nutrientes, melhora
o microclima local, diminui patógenos e insetos-praga,
elimina determinados contaminantes e conserva e melhora
a fertilidade do solo e a qualidade da água. É evidente,
que as particularidades de cada sistema vão influenciar
nestes resultados. No entanto, a diversificação por si
só não é suficiente para a otimização do sistema. Faz-se
necessário analisar a compatibilidade e
complementaridade das explorações, visando a uma maior
integração. Ou seja, a diversificação deve ser planejada
de forma a integrar um conjunto produtivo (agricultura,
floresta e animais), no qual cada atividade esteja
relacionada na troca de materiais e benefícios com as
outras. Esse procedimento visa impedir que a
diversificação gere um sistema de produção
descoordenado. Por isso, o planejamento é um requisito
fundamental para um bom aproveitamento do potencial da
propriedade, fator que permitirá uma maior independência
do produtor. O objetivo de apresentar alguns
procedimentos básicos para o manejo animal é a obtenção
de uma produção orgânica satisfatória mantendo os
animais em bom estado de saúde, sobretudo por meio de
ações preventivas.
De acordo com os princípios da agricultura orgânica a
atividade animal deve estar, tanto quanto possível,
integrada à produção vegetal, visando à otimização da
reciclagem dos nutrientes (dejetos animais, biomassa
vegetal), uma menor dependência de insumos externos
(rações, volumosos) e a potencialização de todos os
benefícios diretos e indiretos advindos dessa
integração. Portanto, é importante que a criação seja
planejada de forma a se integrar nas demais atividades
da propriedade. Na prática, a produção animal ainda está
pouco integrada à produção vegetal.

No que diz respeito à alimentação dos animais, as normas


recomendam a produção própria dos alimentos orgânicos
(volumosos e concentrados) por meio da formação e manejo
das pastagens, capineiras, silagem e feno. Neste
aspecto, é importante que a maior parte da alimentação
seja orgânica e venha de dentro da propriedade. Além dos
bovinos, a alimentação de outros animais, deve ser
complementada com material verde fresco (hortaliças,
rami, guandu, gramíneas e outros). Inicialmente, os
animais deverão ser alimentados com no mínimo 50% de
produtos orgânicos. Com o passar do tempo serão
toleradas percentagens de no máximo 20% de alimentação
de origem não orgânica.

Em relação ao tratamento veterinário, o objetivo


principal das práticas de criação orgânicas é a
prevenção de doenças. Saúde não é apenas ausência de
doença, mas habilidade de resistir a infecções, ataques
de parasitas e perturbações metabólicas. Desta forma, o
tratamento veterinário é considerado um complemento e
nunca um substituto às práticas de manejo. O princípio
da prevenção sempre vem em primeiro lugar e, quando é
preciso intervir, o importante é procurar as causas e
não somente combater os efeitos. Por isso, é importante
a busca de métodos naturais para tratamento veterinário.
O tratamento homeopático já vem sendo utilizado com bons
resultados e diminuição de custos.

Em relação ao manejo do rebanho, as instalações


(estábulos) devem ser adequadas ao conforto e saúde dos
animais, o acesso a água, alimentos e pastagens também
deve ser facilitado. Além disso, as instalações devem
possuir um espaço adequado à movimentação e o número de
animais por área não deve afetar os padrões de
comportamento. De forma geral, sugere-se que o regime de
criação seja de preferência extensivo ou semi-extensivo,
com abrigos. As mutilações de animais e utilização de
substâncias destinadas à estimular o crescimento ou
modificar o ciclo reprodutivo dos animais são contrários
ao espírito da produção orgânica e, portanto, são
proibidos. O transporte dos animais deve ser efetuado de
forma a respeitar os animais, evitando qualquer tipo de
brutalidade inútil. Além disso, o abatedouro deve ser o
mais próximo possível das propriedades.

Em síntese, a qualidade de vida do animal tem profunda


relação com a possibilidade do animal adoecer. Assim, um
animal que é confinado com grande concentração de
indivíduos, espaço limitado para locomoção, sem
possibilidade de expressar seus modos naturais de
comportamento, fica profundamente perturbado, sujeito a
manifestações de estresse e sistema imunológico. Como
qualquer indivíduo nessas condições, os animais ficam
mais propensos a doenças. Além de ajudar no equilíbrio
técnico e ecológico da propriedade, a produção animal
contribuí eficazmente na geração de renda.

Para o produtor que está iniciando na pecuária orgânica


o principal entrave está relacionado à dificuldade de
cumprir todas as normas exigidas pela certificadora.
Além disso, existe o problema da comercialização de
produtos animais orgânicos pela falta de uma legislação
adequada aos alimentos orgânicos de origem animal. Para
ilustrar a necessidade urgente de uma legislação.
Para finalizar, cabe destacar que ainda existe um grande
trabalho de pesquisa e desenvolvimento a ser realizado
para que os consumidores possam desfrutar de derivados
de produtos animais orgânicos em quantidade, qualidade,
diversidade e regularidade. De qualquer forma, existem
muitas oportunidades e quem sair na frente terá um bom
mercado para explorar.

EROSÃO
Erosão é a destruição do solo e das rochas e seu transporte, em geral feito pela água da
chuva, pelo vento ou, ainda, pela ação do gelo, quando este atua expandindo o material
no qual se infiltra a água congelada. A erosão destrói as estruturas (areias, argilas,
óxidos e húmus) que compõem o solo. Estas são transportados para as partes mais
baixas dos relevos e em geral vão assorear cursos d'água.

A erosão destrói os solos e as águas e é um problema muito sério em todo o mundo.


Devem ser adaptadas práticas de conservação de solo para minimizar o problema.

Em solos cobertos por floresta a erosão é muito pequena e quase inexistente, mas é um
processo natural sempre presente e importante para a formação dos relevos. O problema
ocorre quando o homem destrói as florestas, para uso agrícola e deixa o solo exposto,
porque a erosão torna-se severa, e pode levar a desertificação.

A superfície da Terra como a conhecemos é formada tanto por processos geológicos que
formam as rochas, como por processos naturais da degradação e também de erosão.
Uma vez que a rocha é quebrada por causa da degradação, os pequenos pedaços podem
ser movidos pela água, gelo, vento, ou gravidade. Tudo o que acontece para fazer com
que as rochas sejam transportadas chama-se erosão.

A superfície do solo, não castigado, é naturalmente coberta por uma camada de terra
rica em nutrientes inorgânicos e materiais orgânicos que permitem o crescimento da
vegetação; se essa camada é retirada, esses materiais desaparecem e o solo perde a
propriedade de fazer crescer vegetação e pode-se dizer que, no caso, o terreno ficou
árido ou que houve uma desertificação.

As águas da chuva quando arrastam o solo, quer ele seja rico em nutrientes e materiais
orgânicos, quer ele seja árido, provocam o enchimento dos leitos dos rios e lagos com
esses materiais e esse fenômeno de enchimento chama-se assoreamento.

O arrastamento do solo causa no terreno a erosão.

Na superfície do terreno e no subsolo, as águas correntes são as principais causas da


erosão.

Análise do efeito das águas que fazem a erosão superficial de terrenos: A erosão
depende fundamentalmente da chuva, da infiltração da água, da topografia (declive mais
acentuado ou não), do tipo de solo e da quantidade de vegetação existente. A chuva é,
sem dúvida, a principal causa para que ocorra a erosão e é evidente que quanto maior a
sua quantidade e frequência, mais irá influenciar o fenômeno. Se o terreno tem pouco
declive, a água da chuva irá "correr" menos e erodir menos.

Se o terreno tem muita vegetação, o impacto da chuva será atenuado porque a


velocidade da água escorrendo no solo será diminuída devido aos obstáculos (a própria
vegetação "em pé e caída") que agirão como pequenos degraus que evitam a erosão.

A erosão será diminuída também com as raízes darão sustentação mecânica ao solo;
além disso, as raízes mortas propiciarão existirem canais para dentro do solo onde a
água pode penetrar e com isso, sobrará menos água para correr na superfície.
Outro fator importante é que, se as chuvas são frequentes e o terreno já está saturado de
água, a tendência é que o solo nada mais absorva e com isso, toda a água da chuva que
cair, correrá pela superfície.

Se o solo é arenoso o arrastamento será maior do que se ele fosse argiloso .

Fatores que contribuem

Muitas ações devidas ao homem apressam o processo de erosão, como por exemplo:

• os desmatamentos (desflorestamentos) desprotegem os solos das chuvas.


• o avanço imobiliário em encostas que, além de desflorestar, provocam a erosão
acelerada devido ao declive do terreno.
• as técnicas agrícolas inadequadas, quando se promovem desflorestações
extensivas para dar lugar a áreas plantadas.
• a ocupação do solo, impedindo grandes áreas de terrenos de cumprirem o seu
papel de absorvedor de águas e aumentando, com isso, a potencialidade do
transporte de materiais, devido ao escoamento superficial.

] Tipos de erosão
EROSÃO GRAVIDADE

Consiste no movimento de rochas e sedimentos montanha abaixo principalmente devido


à força da gravidade.

Erosão pluvial

A erosão pluvial é provocada pela retirada de material da parte superficial do solo pelas
águas da chuva. Esta ação é acelerada quando a água encontra o solo desprotegido de
vegetação. A primeira ação da chuva se dá através do impacto das gotas d'água sobre o
solo. Este é capaz de provocar a desagregação dos torrões e agregados do solo, lançando
o material mais fino para cima e para longe, fenômeno conhecido como salpicamento. A
força do impacto também força o material mais fino para abaixo da superfície, o que
provoca a obstrução da porosidade (selagem) do solo, aumentando o fluxo superficial e
a erosão.

Necessário se faz em separar claramente as ravinas formadas somente por erosão


superficial das formadas pelo processo de erosão remontante. A ação da erosão pluvial
aumenta à medida que mais água da chuva se acumula no terreno, isto é, a retirada do
solo se dá de cima para baixo. Na erosão remontante acontece exatamente o contrário: a
retirada do material se dá de baixo para cima, como é o caso das boçorocas. Uma ravina
de origem pluvial pode progredir em direção a uma boçoroca, mas não necessariamente.
Da mesma forma podemos ter a progressão de boçorocas independente da erosão
pluvial, pois esta depende do fluxo subterrâneo e não do fluxo superficial.

Muitos autores e textos didáticos têm erroneamente confundido estes fenômenos.


Separá-los, no entanto, não é somente uma questão de rigor científico, mas uma
necessidade prática, pois as formas de se combater um processo erosivo dependerá de
que tipo de erosão estamos enfrentando. Muitos processos indicados para evitar ou
combater erosão pluvial, não funcionam quando se trata de combater erosão remontante,
principalmente nos casos em que amplas boçorocas já estão instaladas na paisagem.

As principais formas de erosão pluvial são: a) erosão laminar: quando a água corre
uniformemente pela superfície como um todo, transportando as partículas sem formar
canais definidos. Apesar de ser uma forma mais amena de erosão, é responsável por
grande prejuízo às terras agrícolas e por fornecer grande quantidade de sedimento que
vai assorear rios, lagos e represas

Erosão eólica

Ocorre quando o vento transporta partículas diminutas que se chocam contra rochas e se
dividem em mais partículas que se chocam contra outras rochas. Podem ser vistas nos
desertos na forma de dunas e de montanhas retangulares ou também em zonas
relativamente secas.

Erosão marinha

A erosão marinha é um longo processo de atrito da água do mar com as rochas que
acabam cedendo transformando-se em grãos, esse trabalho constante atua sobre o litoral
transformando os relevos em planície e deve-se praticamente à ação de dois fatores
presentes na termodinâmica : calor e frio, responsáveis pelo surgimento das ondas,
correntes e marés .

Tanto ocorre nas costas rochosas bem como nas praias arenosas. Nas primeiras a acção
erosiva do mar forma as falésias, nas segundas ocorre o recuo da praia, onde o
sedimento removido pelas ondas é transportado lateralmente pelas correntes de deriva
litoral.

Nas praias arenosas a erosão constitui um grave problema para as populações costeiras.
Os danos causados podem ir desde a destruição das habitações e infra-estruturas
humanas, até a graves problemas ambientais. Para retardar ou solucionar o problema,
podem ser tomadas diversas medidas de protecção, sendo as principais as construções
pesadas de defesa costeira (enrocamentos e esporões) e a realimentação de praias.

Em Portugal, na região de Aveiro, vive-se atualmente uma situação preocupante. A


estreita faixa costeira que separa o mar da laguna, está perigosamente perto da ruptura.
Se esta se verificar para além de várias populações serem afectadas, irá ocorrer uma
drástica mudança na salinidade da laguna, afectando todo o ecossistema.

No Brasil, no Arpoador este fenômeno tem sido responsável pela variação cíclica da
largura da faixa de areia da praia.

Erosão química

Ver artigo principal: Intemperismo


Envolve todos os processos químicos que ocorrem nas rochas. Há intervenção de fatores
como calor, frio, água, compostos biológicos e reações químicas da água nas rochas.
Este tipo de erosão depende do clima, em climas polares e secos, as rochas se destroem
pela troca de temperatura; e em climas tropicais quentes e temperados, a humidade, a
água e os dejetos orgânicos reagem com as rochas e as destroem.

[editar] Erosão glacial

As geleiras (glaciares) deslocam-se lentamente, no sentido descendente, provocando


erosão e sedimentação glacial. Ao longo dos anos, o gelo pode desaparecer das geleiras,
deixando um vale em forma de U ou um fiorde, se junto ao mar.

Pode também ocorrer devido à susceptibilidade das glaciações em locais com


predominância de rochas porosas. No verão, a água acumula-se nas cavidades dessas
rochas. No inverno, essa água congela e sofre dilatação, pressionando as paredes dos
poros. Terminado o inverno, o gelo funde, e congela novamente no inverno seguinte.
Esse processo ocorrendo sucessivamente, desagregará, aos poucos, a rocha, após um
certo tempo, causando o desmoronamento de parte da rocha, e consequentemente,
levando à formação dos grandes paredões ou fiordes.

[editar] Erosão fluvial

Erosão fluvial é o desgaste do leito e das margens dos rios pelas suas águas. Este
processo pode levar a alterações no curso do rio. O relevo resultante da sedimentação
das rochas no processo de erosão é denominado Colúvio. A erosão das rochas pode
gerar ravinas, voçorocas e deslizamentos de terra, no qual estes sedimentos são
escoados para as partes mais baixas, formando colúvios e depósitos de encosta.[1]

[editar] Consequências da erosão


[editar] Efeitos poluidores da ação de arraste

• Os arrastamentos podem encobrir porções de terrenos férteis e sepultá-los com


materiais áridos.
• Morte da fauna e flora do fundo dos rios e lagos por soterramento.
• Turbidez nas águas, dificultando a ação da luz solar na realização da
fotossíntese, importante para a purificação e oxigenação das águas.
• Arraste de biocidas e adubos até os corpos d'água e causarem, com isso,
desequilíbrio na fauna e flora nesses corpos d'água (causando eutroficação por
exemplo).

[editar] Outros danos

• Assoreamento: que preenche o volume original dos rios e lagos e como


consequência, vindas as grandes chuvas, esses corpos d’água extravasam,
causando as enchentes
• Instabilidade causada nas partes mais elevadas podem levar a deslocamentos
repentinos de grandes massas de terra e rochas que desabam talude abaixo,
causando, no geral, grandes tragédias (ver deslizamento de terra).
A erosão é um processo natural de desagregação, decomposição, transporte e
deposição de materiais de rochas e solos que vem agindo sobre a superfície
terrestre desde os seus princípios. Contudo, a ação humana sobre o meio
ambiente contribui exageradamente para a aceleração do processo, trazendo
como conseqüências, a perda de solos férteis, a poluição da água, o
assoreamento dos cursos d'água e reservatórios e a degradação e redução da
produtividade global dos ecossistemas terrestres e aquáticos.

Entende-se por erosão o processo de desagregação e remoção de partículas


do solo ou fragmentos de rocha, pela ação combinada da gravidade com a
água, vento, gelo ou organismos (IPT, 1986).

Os processos erosivos são condicionados basicamente por alterações do meio


ambiente, provocadas pelo uso do solo nas suas várias formas, desde o
desmatamento e a agricultura, até obras urbanas e viárias, que, de alguma
forma, propiciam a concentração das águas de escoamento superficial.

Segundo OLIVEIRA et al (1987), este fenômeno de erosão vem acarretando,


através da degradação dos solos e, por conseqüência, das águas, um pesado
ônus à sociedade, pois além de danos ambientais irreversíveis, produz também
prejuízos econômicos e sociais, diminuindo a produtividade agrícola,
provocando a redução da produção de energia elétrica e do volume de água
para abastecimento urbano devido ao assoreamento de reservatórios, além de
uma série de transtornos aos demais setores produtivos da economia.

A quebra do equilíbrio natural entre o solo e o ambiente (remoção da


vegetação), muitas vezes promovida e acelerada pelo homem conforme já
exposto, expõe o solo a formas menos perceptíveis de erosão, que promovem
a remoção da camada superficial deixando o subsolo (geralmente de menor
resistência) sujeito à intensa remoção de partículas, o que culmina com o
surgimento de voçorocas (SILVA, 1990).

Quando as voçorocas não são controladas ou estabilizadas, além de inutilizar


áreas aptas à agricultura, podem ameaçar obras viárias, áreas urbanas,
assorear rios, lagos e reservatórios, comprometendo por exemplo o
abastecimento das cidades, projetos de irrigação e até a geração de energia
elétrica.

Torna-se, portanto, importante a identificação das áreas cujos solos sejam


suscetíveis a esse tipo de erosão, sobretudo, em regiões onde não existem
planos de conservação (PARZANESE, G.A.C., 1991), bem como o estudo dos
fatores e processos que possam agravar este fenômeno, visando a obtenção
de uma metodologia de controle do mesmo.
VASCONCELOS SOBRINHO (1978), considera que existe uma corrida entre a
explosão demográfica e o desgaste das terras, operando em sentido oposto,
porém somando-se os efeitos, pois, como conseqüência da própria explosão
demográfica, a pressão populacional sobre as áreas já ocupadas, conduzem-
nas à deterioração cada vez mais rápida.

Os processos erosivos se iniciam pela retirada da cobertura vegetal, seguido


pela adução e concentração das águas pluviais na implantação de obras civis
(saída de coletores de drenagem em estradas, arruamento urbano, barramento
de águas pluviais pela construção de estradas forçando sua concentração nas
linhas de drenagem), estradas vicinais, ferrovias, trilhas de gado, uso e manejo
inadequado das áreas agrícolas.

A urbanização, forma mais drástica do uso do solo, impõe a adoção de


estruturas pouco permeáveis, fazendo com que ocorra diminuição da infiltração
e aumento da quantidade e da velocidade de escoamento das águas
superficiais.

A erosão acelerada (ação antrópica) pode ser laminar ou em lençol, quando


causada por escoamento difuso das águas das chuvas resultante na remoção
progressiva dos horizontes superficiais do solo; e erosão linear, quando
causada por concentração das linhas de fluxo das águas de escoamento
superficial, resultando em incisões na superfície do terreno na forma de sulcos,
ravinas e voçorocas (OLIVEIRA, 1994).

A voçoroca é a feição mais flagrante da erosão antrópica, podendo ser formada


através de uma passagem gradual da erosão laminar para erosão em sulcos e
ravinas cada vez mais profundas, ou então, diretamente a partir de um ponto
de elevada concentração de águas pluviais (IPT, 1986).

No desenvolvimento da voçoroca atuam, além da erosão superficial como nas


demais formas dos processos erosivos (laminar, sulco e ravina), outros
processos, condicionados pelo fato desta forma erosiva atingir em
profundidade o lençol freático ou nível d’água de subsuperfície. A presença do
lençol freático, interceptado pela voçoroca, induz ao aparecimento de
surgências d’água, acarretando o fenômeno conhecido como "piping" (erosão
interna que provoca a remoção de partículas do interior do solo, formando
"tubos" vazios que provocam colapsos e escorregamentos laterais do terreno,
alargando a voçoroca, ou criando novos ramos). Além deste mecanismo, as
surgências d’água nos pés dos taludes da voçoroca provocam sua
instabilização e descalçamento.

As voçorocas formam-se geralmente em locais de concentração natural de


escoamento pluvial, tais como cabeceiras de drenagem e embaciados de
encostas. A importância do estudo dos fenômenos associados à formação de
voçorocas é estabelecer medidas de prevenção e controle, como também o
estabelecimento de técnicas compatíveis ao combate do problema.
Segundo LIMA (1987), o estabelecimento de qualquer processo erosivo requer,
antes de tudo, um agente (água ou vento) e o material (solo), sobre o qual
agirá, desprendendo e desagregando as partículas e transportando-as. A
interação entre material e agente consiste na busca de um estado de maior
equilíbrio, antes desfeito de forma natural ou devido a efeitos antrópicos.

Os processos erosivos iniciam-se pelo impacto da massa aquosa com o


terreno, desagregando suas partículas. Esta primeira ação do impacto é
complementada pela ação do escoamento superficial, a partir do acúmulo de
água em volume suficiente para propiciar o arraste das partículas liberadas
(IPT, 1991).

A erosão é o processo de desprendimento e arraste acelerado das partículas


do solo causado pela água e pelo vento. A erosão do solo constitui, sem
dúvida, a principal causa da degradação acelerada das terras. As enxurradas,
provenientes das águas de chuva que não ficaram retidas sobre a superfície,
ou não se infiltraram, transportam partículas de solo e nutrientes em
suspensão. Outras vezes, esse transporte de partículas de solo se verifica,
também por ação do vento.

O efeito do vento na erosão é ocasionado pela abrasão proporcionada pela


areia e partículas mais finas em movimento. A água é o mais importante agente
de erosão; chuva, córregos, rios, todos carregam solo, as ondas erodem as
costas dos continentes e lagos, de fato, onde há água em movimento, ela está
erodindo os seus limites.

Introdução

A erosão é um processo de deslocamento de terra ou de rochas de


uma superfície. A erosão pode ocorrer por ação de fenômenos da
natureza ou do ser humano.

Causas naturais

No que se refere às ações da natureza, podemos citar as chuvas


como principal causadora da erosão. Ao atingir o solo, em grande
quantidade, provoca deslizamentos, infiltrações e mudanças na
consistência do terreno. Desta forma, provoca o deslocamento de
terra. O vento e a mudança de temperatura também são causadores
importantes da erosão.
Quando um vulcão entra em erupção quase sempre ocorre um
processo de erosão, pois a quantidade de terra e rochas deslocadas
é grande.
A mudança na composição química do solo também pode provocar
a erosão.
Causas humanas

O ser humano pode ser um importante agente provocador das


erosões. Ao retirar a cobertura vegetal de um solo, este perde sua
consistência, pois a água, que antes era absorvida pelas raízes das
árvores e plantas, passa a infiltrar no solo. Esta infiltração pode
causar a instabilidade do solo e a erosão.

Atividades de mineração, de forma desordenada, também podem


provocar erosão. Ao retirar uma grande quantidade de terra de uma
jazida de minério, os solos próximos podem perder sua estrutura de
sustentação.

Prejuízos ao ser humano

A erosão tem provocado vários problemas para o ser humano.


Constantemente, ocorrem deslizamentos de terra em regiões
habitadas, principalmente em regiões carentes, provocando o
soterramento de casas e mortes de pessoas. Os prejuízos
econômicos também são significativos, pois é comum as erosões
provocarem fechamento de rodovias, ferrovias e outras vias de
transporte.

Formas de evitar

· Não retirar coberturas vegetais de solos, principalmente de


regiões montanhosas;
· Planejar qualquer tipo de construção (rodovias, prédios,
hidrelétricas, túneis, etc) para que não ocorra, no momento ou
futuramente, o deslocamento de terra;
· Monitorar as mudanças que ocorrem no solo;
· Realizar o reflorestamento de áreas devastadas, principalmente
em regiões de encosta.

CAUSAS FÍSICAS

São as causas oriundas das forças da natureza, pela inexistência de agentes


protetores, atuam sobre o solo, prejudicando-o em suas qualidades naturais.
Entre as causas se destacam:
· Ação dos raios solares;
· Ação do impacto de chuva;
· Queima dos restos de culturas.
Fonte: NOLLA, DELVINO, Erosão do solo, o grande desafio.
Postado por EROSÃO DO SOLO às 17:28

CAUSAS MECÂNICAS

São as causas que originam pela ação das máquinas e implementos agrícolas,
comprimindo o solo ou mobilizando-o excessivamente. Entre elas se destacam:
· Compactação do solo
· Mobilização do solo

Conceitos de Algumas Práticas Conservacionistas

Adubação mineral

É o uso de fertilizantes incorporados ao solo, com a finalidade de proporcionar melhor


nutrição às culturas.

Adubação verde

É o uso de plantas (normalmente leguminosas) para serem incorporadas ao solo, com a


finalidade de melhorá-lo.

Alternância de capina

É a prática usada em fruticultura, em que linhas de plantas niveladas são capinadas


alternadamente, criando obstáculos ao escoamento superficial.

Calagem

É o uso de material calcário com a finalidade de minimizar os efeitos da acidez dos


solos.

Ceifa do mato

Prática usada em fruticultura em que capinas são substituídas por ceifa, permanecendo o
sistema radicular que aumenta a resistência à desagregação do solo.

Cobertura morta
É o uso de resíduos vegetais ou outros na cobertura do solo, com o objetivo de evitar o
impacto das gotas da chuva.

Cobertura vegetal

É o uso de plantas vivas na cobertura do solo, com o objetivo de evitar o impacto das
gotas da chuva.

Controle de pastoreio

Consiste em retirar o gado de uma pastagem quando as plantas ainda recobrem toda
área.

Corte em talhadia

É o corte de madeira com regeneração, por brotação das cepas das árvores.

Cultivo mínimo

É o uso minimizado de máquinas agrícolas sobre o solo, com a finalidade de menor


revolvimento e compactação.

Enleiramento em nível

Prática utilizada no desbravamento (mato, capoeira) de uma gleba, dispondo os resíduos


em linha de nível.

Escarificação

É o uso do escarificador no preparo reduzido do solo, quebrando a camada densa


superior e formando rugosidade superficial.

Manejo sustentado

É toda exploração florestal que objetiva a manutenção do estoque e as retiradas


periódicas do incremento.
Plantio de conversão

É o plantio de espécies nativas nobres, sob cobertura em capoeira adulta ou mata


secundária, com a técnica da eliminação gradual da vegetação matricial.

Plantio direto

É a implantação de uma cultura diretamente sobre a resteva de outra, com a finalidade


de manter o solo coberto, evitando o impacto da gota da chuva.

Plantio em faixa de retenção

É a prática que utiliza uma faixa de cultura permanente de largura específica e nivelada,
entre faixas de rotação.

Plantio em faixas de rotação

É a prática utilizada numa gleba onde culturas temporárias são dispostas em faixas
niveladas e alternadas.

Plantio de enriquecimento

É o plantio com espécies desejáveis, nas florestas naturais, acompanhado da remoção de


trepadeiras, arbustos e árvores indesejáveis.

Plantio em nível

É a prática que executa todas as operações de uma cultura em linhas exatamente


niveladas.

Ressemeio

Prática usada em pastagem para repovoar as áreas descobertas, protegendo o solo da


erosão por impacto.
Rompimento de compactação subsuperficial

É a quebra de camada profunda adensada (pé de arado ou de grade), com a finalidade de


aumentar a permeabilidade do solo.

Sulcos em nível

É o uso de pequenos canais nivelados, que tem a finalidade de diminuir o escoamento


superficial, aumentando a infiltração.

Uso de bariqueta individual

É a prática usada em fruticultura, protegendo a área de solo de cada árvore com um


pequeno patamar.

Uso de cordão (pedra ou vegetal)

É o uso de linhas niveladas de obstáculos, com a finalidade de diminuir a velocidade do


escorrimento superficial.

Uso do esterco

É o uso de dejetos animais, incorporados ao solo, com a finalidade de melhorá-lo.

Uso do patamar (pedra ou vegetal)

É a prática que objetiva formar patamares, com a finalidade de reduzir a declividade e o


escoamento superficial.

Agricultura conservacionista

Agricultura Conservacionista é entendida como um complexo tecnológico de


enfoque sistêmico que objetiva preservar, melhorar e otimizar os recursos naturais,
mediante o manejo integrado do solo, da água e da biodiversidade, devidamente
compatibilizado com o uso de insumos externos. Esse conjunto de processos
tecnológicos contempla: redução ou eliminação de mobilizações de solo;
preservação de resíduos culturais na superfície do solo; manutenção de cobertura
permanente do solo; ampliação da biodiversidade, mediante cultivo de múltiplas
espécies, em rotação e/ou consorciação de culturas e uso de adubos verdes ou de
culturas de cobertura de solo; diversificação e complexificação de sistemas
agrícolas produtivos, como sistemas agropastoris, agroflorestais e
agrossilvipastoris; manejo integrado de pragas, patógenos e plantas daninhas; uso
preciso de agroquímicos; controle de tráfego de máquinas e de equipamentos
agrícolas; emprego de práticas mecânicas para controle de erosão; e, entre outros,
abreviação do intervalo entre a colheita e a semeadura da cultura subsequente,
mediante implementação do processo colher-semear. Em outras palavras,
Agricultura Conservacionista constitui sustentação aos sistemas agrícolas
produtivos, conservando o solo, a água, o ar e a biota, bem como, prevenindo a
poluição e a degradação dos sistemas do entorno. A adoção parcial dos processos
que compõem a Agricultura Conservacionista, sem dúvida, remete a exploração
agrícola ao cenário do reducionismo, em que o imediatismo presente supera a visão
de futuro.

No Brasil, a abordagem da Agricultura Conservacionista é amplamente


contextualizada no âmbito do Sistema Plantio Direto, o qual deve ser interpretado
como ferramenta da Agricultura Conservacionista para imprimir sustentabilidade ao
desenvolvimento agrícola.

Sistema Plantio Direto

Sistema Plantio Direto, como ferramenta da Agricultura Conservacionista, é


conceituado como um complexo de processos tecnológicos destinado à exploração
de sistemas agrícolas produtivos, contemplando mobilização de solo apenas na
linha ou cova de semeadura, manutenção de cobertura permanente do solo,
diversificação de espécies, via rotação e/ou consorciação de culturas e abreviação
do intervalo entre colheita e semeadura, mediante implementação do processo
colher-semear. À semelhança dos fundamentos da Agricultura Conservacionista, o
Sistema Plantio Direto, ao contemplar esse complexo de processos tecnológicos,
submete o sistema agrícola produtivo a um menor grau de perturbação ou de
desordem, quando comparado a outras formas de manejo, por requerer menor
infra-estrutura de máquinas e equipamentos agrícolas, demandar menor força de
trabalho e menos energia fóssil, favorecer o controle biológico de pragas,
patógenos e plantas daninhas, reduzir a erosão, desenvolver a estrutura do solo,
diminuir a taxa de mineralização da matéria orgânica e desacelerar as taxas de
ciclagem e reciclagem de nutrientes, estabelecendo sincronismo com a taxa de
crescimento das formas de vida presentes no solo. Portanto, o Sistema Plantio
Direto, ao refletir esse conceito, objetiva expressar o potencial genético das
espécies cultivadas, pela maximização do fator ambiente e do fator solo, sem
degradar os recursos naturais.

Mobilização mínima de solo

Sistemas agrícolas produtivos baseados em intensa mobilização de solo tem


implicado no comprometimento dos recursos naturais (solo, água, ar e
biodiversidade), com consequente ameaça à sustentabilidade da exploração
agrícola. Limitar mobilizações de solo, além de implicar na preservação de resíduos
culturais na superfície do solo, constitui prática eficiente na estabilização de
agregados e no desenvolvimento da estrutura do solo, ou seja, constitui prática de
reversão ou de prevenção de degradação do solo. Portanto, mobilizar minimamente
o solo resulta em benefícios de natureza técnica, econômica e ambiental, quais
sejam: redução de perdas de solo por erosão; redução de perdas de água por
escoamento superficial; preservação e construção da estrutura do solo; aumento da
disponibilidade de água às plantas; redução da taxa de decomposição da matéria
orgânica do solo e do material orgânico adicionado ao solo; redução da incidência
de plantas daninhas; redução dos custos de produção, em decorrência de menor
demanda de mão-de-obra, menor necessidade de manutenção de máquinas e
implementos agrícolas e de menor consumo de combustíveis e lubrificantes; e
aumento do sequestro de carbono no solo.

Cobertura permanente do solo

A manutenção permanente do solo com plantas vivas e/ou com restos culturais tem
como benefícios: dissipação da energia erosiva das gotas de chuva; redução de
perdas de solo e de água por erosão; preservação da umidade no solo; redução da
amplitude de variação da temperatura do solo; redução da incidência de plantas
daninhas; promoção do equilíbrio da flora e da fauna do solo; favorecimento ao
manejo integrado de pragas, patógenos e plantas daninhas; estabilização da taxa
de reciclagem de nutrientes; e promoção da biota do solo.

Diversificação de espécies

A diversificação de espécies cultivadas pressupõe a implementação de um sistema


de rotação de culturas. A implementação de um sistema de rotação de culturas,
com ou sem consorciação de culturas, deve atender a aspectos de natureza técnica,
econômica e ambiental, buscando os seguintes benefícios: eficiência no manejo
integrado de pragas, patógenos e plantas daninhas; promoção de cobertura
permanente do solo; estabilização da produção; racionalização da mão-de-obra;
ciclagem ou reciclagem de nutrientes no solo; promoção de fertilidade biológica,
física e química do solo; e aumento de lucratividade.

Processo colher-semear

Enquanto a diversificação de espécies cultivadas prima pela quantidade e qualidade


do material orgânico adicionado ao solo, o processo colher-semear prima pelo
aumento da frequência de aporte de material orgânico ao solo. Os benefícios da
elevação da frequência de aporte de material orgânico ao solo são: otimização do
uso da terra, por viabilizar mais de duas safras por ano agrícola; otimização da
mão-de-obra e de máquinas e implementos agrícolas; redução de perdas de
nutrientes liberados pela decomposição de restos culturais; estabilização da
atividade biológica do solo, promotora de fertilidade biológica, física e química do
solo; reprodução, no sistema agrícola produtivo, de fluxos de matéria e energia
semelhantes aos observados na natureza; diversificação de épocas de semeadura,
com redução de riscos de perdas por eventos climáticos; e contribuição para a
geração de maior retorno econômico.

Práticas mecânicas

Semeadura em contorno Terraceamento em Sistema Plantio Direto


Vertical Mulching em Sistema Plantio
Direto

A cobertura permanente do solo e a consolidação e estabilização da estrutura do


solo, promovidas pelo Sistema Plantio Direto, não constituem condição suficiente e
incontestável para disciplinar a enxurrada e controlar a erosão hídrica, com ênfase
em regiões de clima tropical e subtropical.

Embora, sob Sistema Plantio Direto, a cobertura de solo exerça função primordial
na dissipação da energia erosiva da chuva, há limites críticos de comprimento de
declive em que essa eficiência é superada e, consequentemente, o processo de
erosão hídrica estabelecido. Assim, mantendo-se constantes todos os fatores
responsáveis pelo desencadeamento da erosão hídrica e incrementando-se apenas
o comprimento do declive, tanto a quantidade quanto a velocidade da enxurrada
produzida por determinada chuva irão aumentar e, em decorrência, elevar o risco
de erosão hídrica.

A cobertura do solo apresenta potencial para dissipar em até 100% a energia


erosiva das gotas de chuva, mas não manifesta essa mesma eficiência para dissipar
a energia erosiva da enxurrada. A partir de determinado comprimento de declive, o
potencial da cobertura do solo em dissipar a energia erosiva da enxurrada é
superado, permitindo a flutuação e o transporte de restos culturais, bem como o
processo erosivo sob a cobertura. Nesse contexto, toda prática conservacionista
capaz de manter o comprimento do declive dentro de limites que mantenham a
eficiência da cobertura de solo na dissipação da energia erosiva da enxurrada
contribuirá, automaticamente, para minimizar o processo de erosão hídrica.
Semeadura em contorno, terraços, faixas de retenção, canais divergentes, entre
outras técnicas, constituem práticas mecânicas eficientes para a segmentação do
comprimento do declive e, associadas à cobertura de solo contribuem para o efetivo
controle da erosão hídrica. Portanto, para o controle integral da erosão hídrica, é
fundamental dissipar a energia erosiva do impacto das gotas de chuva e a energia
erosiva da enxurrada, mediante a manutenção do solo permanentemente coberto e
a segmentação do comprimento do declive.

Semeadura em contorno

A semeadura em contorno, uma das mais antigas e efetiva prática conservacionista


empregada para o combate da erosão hídrica, caracteriza-se por ser de fácil
aplicação.

Fileiras de plantas, estabelecidas perpendicularmente ao sentido do declive, criam


pequenas barreiras que impedem o livre escoamento da enxurrada e,
consequentemente, favorecem maior infiltração de água no solo. Esse processo, ao
reduzir a velocidade e a quantidade de enxurrada que escoa na superfície do solo,
dissipa a energia erosiva da enxurrada e, em decorrência, proporciona menor
erosão hídrica. A semeadura em contorno, quando comparada à semeadura no
sentido do declive, pode reduzir em mais de 50% as perdas de solo por erosão
hídrica.

A implementação do Sistema Plantio Direto sob semeadura em contorno é, sem


dúvida, o método mais eficiente para ampliar o comprimento crítico de uma
pendente, por contribuir, de modo expressivo, para a redução da energia erosiva
da enxurrada. Porém, a prática da semeadura em contorno encontra limitações em
glebas de terra que apresentam o maior comprimento no sentido do declive e/ou
topografia excessivamente irregular. O emprego da semeadura em contorno, em
glebas caracterizadas por essas configurações, implica em inúmeras operações de
remate da área cultivada e em intensa manobra de máquinas e implementos
agrícolas, que podem resultar em problemas de compactação de solo. Nessa
condição, o combate à erosão hídrica, mediante a dissipação da energia erosiva da
enxurrada, requer práticas mecânicas alternativas, como terraços agrícolas de base
larga ou faixas de retenção de enxurrada, transponíveis por máquinas e
implementos agrícolas.

A indicação da semeadura em contorno, como prática mecânica para o controle da


erosão hídrica, passa a ser cada vez mais relevante na medida que aumenta o
comprimento do declive, a declividade do terreno e a irregularidade topográfica da
paisagem.
Terraceamento em Sistema Plantio Direto

Terraços agrícolas são estruturas hidráulicas, constituídas por um camalhão e um


canal, construídas transversalmente ao declive do terreno, de modo a secionar o
comprimento das pendentes. Essa prática mecânica tem por objetivo contribuir
para o controle da erosão hídrica do solo, em terrenos inclinados, mediante
interceptação e disciplina da enxurrada ocorrente quando a intensidade da chuva
supera a taxa de infiltração de água no solo.

No Brasil, durante muitos anos o espaçamento entre terraços foi determinado por
métodos empíricos, isto é, tabelas e equações desenvolvidas para as condições de
solo e clima dos Estados Unidos da América, como a tradicional fórmula de Bentley.
Indiscutivelmente, esse método de cálculo, ao mesmo tempo em que faculta a
determinação de espaçamentos adequados entre terraços, gera também
espaçamentos subestimados ou superestimados, com repercussões negativas,
respectivamente, na eficiência e na economicidade da obra projetada.

Estudos, desenvolvidos nos últimos anos, denotam que o terraceamento,


dimensionado com base em métodos empíricos para áreas manejadas sob preparo
convencional, é inadequado para áreas manejadas sob Sistema Plantio Direto, em
razão do reduzido espaçamento horizontal entre terraços e, consequentemente, da
elevada densidade de terraços. Áreas manejadas sob Sistema Plantio Direto,
certamente, não demandam espaçamentos entre terraços tão reduzidos quanto sob
preparo convencional.

É relevante destacar que a estrutura de terraços, atualmente preconizada para


áreas manejadas sob Sistema Plantio Direto, requer compreensão diferenciada da
estrutura praticada em áreas manejadas sob preparo convencional. Resultados de
pesquisa, aliados a observações práticas, denotam que áreas manejadas sob
Sistema Plantio Direto demandam menor estrutura hidráulica para a dissipação da
energia erosiva da enxurrada. Os fatores determinantes dessa menor densidade
são a elevação da taxa de infiltração de água no solo, em decorrência da melhoria
estrutural do solo, e a maior dissipação da energia erosiva das gotas de chuva e da
enxurrada pela cobertura permanente do solo. É possível inferir ainda, que esse
moderno enfoque de terraceamento para o Sistema Plantio Direto, mais do que
uma prática mecânica destinada ao controle de perdas de solo por erosão hídrica,
constitui obra de prevenção ao aporte de agroquímicos pela enxurrada a
mananciais de superfície.

Vertical Mulching em Sistema Plantio Direto

A segmentação de declives, por terraços, faixas de retenção, canais divergentes,


culturas em faixas etc., constitui tecnologia tradicional para amenizar problemas de
erosão hídrica. Objetivando contribuir para esse elenco de tecnologias-solução, a
prática mecânica vertical mulching foi validada para solos bem drenados da região
de clima subtropical do Brasil.

Essa prática mecânica é constituída por sulcos, locados e construídos em nível, com
7,5 a 9,5 cm de largura e 40,0 cm de profundidade, preenchidos com resíduos
vegetais. Esse sulco é preenchido manualmente com palha, preferencialmente, de
cereais de inverno, e o afastamento horizontal entre os sulcos tem sido de,
aproximadamente, 10 m, em função da razão entre as taxas de infiltração de água
no solo e no sulco. As dimensões dessa prática mecânica são decorrentes das
características dos equipamentos atualmente disponíveis para a construção dos
sulcos, quais sejam, valetadoras rotativas. Em razão da reduzida largura do sulco,
o vertical mulching, praticamente, não interfere nas operações motomecanizadas
requeridas para a condução da lavoura.

O vertical mulching, fundamentado no aumento da taxa de infiltração de água no


solo e na consequente redução do escoamento superficial, tem revelado potencial
para disciplinar a enxurrada e prevenir o desencadeamento de processos de erosão
hídrica em área manejada sob Sistema Plantio Direto. O emprego dessa prática, em
princípio, deverá ser restritivo a vertentes ou talvegues propensos à elevada
concentração de enxurrada.

Tanto o terraceamento, especialmente dimensionado para o Sistema Plantio Direto,


como o vertical mulching, constituem técnicas indutoras da semeadura em
contorno, prática que torna as linhas de plantas obstáculos eficazes ao livre
escoamento da enxurrada, complementando o conjunto de práticas
conservacionistas que contribuem para disciplinar a enxurrada e controlar a erosão
hídrica.