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CLÁUDIA DOS ANJOS

CENTRO CULTURAL E ASSISTENCIAL INFANTIL : UMA


FÁBRICA DE CRIATIVIDADE

Campo Grande
2007
CENTRO CULTURAL E ASSISTENCIAL INFANTIL : UMA
FÁBRICA DE CRIATIVIDADE

CLÁUDIA DOS ANJOS

Esta monografia constitui-se no


Trabalho Final de Graduação do
Curso de Arquitetura e Urbanismo
e trata-se de uma das exigências
para a obtenção do Título de
Arquiteta e Urbanista

Orientador: Prof. Arquiteto João


Bosco Urt Delvizio

Campo Grande
2007
Ficha Catalográfica preparada pela Biblioteca Central
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Anjos, Cláudia dos


Centro cultural e assistencial infantil: Uma fábrica de Criatividade/ Anjos, C.
– Campo Grande/MS: UFMS
2007
096 p.; 10 pranchas

Anexos: 01

Trabalho Final de Graduação apresentado ao curso de Arquitetura e


Urbanismo da
UFMS
Orientador: Prof.° Arquiteto João Bosco Urt Delvizio
Co-orientador: Prof° Arquiteto Caio Nogueira Hosannah Cordeiro
Colaboradores: Profª Arquiteta Juliana Couto Trujillo
Profª Arquiteta Andrea Naguissa Yuba
Profª Arquiteta Ana Cláudia Gimenez Mesquita
Prof° Engenheiro José Francisco de Lima
FOLHA DE APROVAÇÃO

Autor: Cláudia dos Anjos

Título: Centro Cultural e Assistencial Infantil

Monografia defendida e aprovada em 04/12/2007, pela comissão julgadora:

____________________________________________________________________
Prof. M. Sc. Arquiteto João Bosco Urt Delvizio (orientador)
Curso de Arquitetura e Urbanismo/Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

____________________________________________________________________
Prof. M. Sc. Arquiteto Caio Nogueira Hosannah Cordeiro (co-orientador)
Curso de Arquitetura e Urbanismo/Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

____________________________________________________________________
Prof. M. Sc. Arquiteto César Guilherme Jacobina Esteves
Curso de Arquitetura e Urbanismo/Universidade para o Desenvolvimento da Região do Pantanal -
UNIDERP

__________________________________
Prof. M. Sc. João Bosco Urt Delvizio
Coordenador do Curso de Arquitetura e Urbanismo
Dedico,

A todas as crianças
E pessoas que possam utilizar-se
E tirar proveito deste sistema.

Aos meus pais,


Pela forma como me educaram.

Ao arquiteto supremo: Deus,


Dedico toda a minha vida,
Assim como toda a sua produção,
Como forma de exprimir
O quanto é real o meu amor.

Sua filha para sempre


É bom poder dizer meu muito obrigada!
Ao concluir esse trabalho eu não podia deixar de agradecer algumas pessoas
especiais:

O primeiro deve ser dirigido ao meu orientador, prof. Bosco, que me


concedeu o tratamento mais gentil e solidário ao longo do período que realizei os
trabalhos.
Aos Professores, Arquitetos Caio, Juliana, Nagui, Ana Cláudia, e Prof°
Engenheiro José Francisco... Sem eles a elaboração deste trabalho estaria
comprometida.

Aos meus colegas de curso (Taty, Lílian, Reinaldo “Bóia”, Carol


“Denguinho”, Taiza, Adriana, Loyana, e Victoria), meus eternos companheiros, seja
nos momentos em que precisamos produzir, sejam nos momentos que adoramos nos
descontrair.
Aos colegas da turma de Arquiloucura e Torturismo de 2007.

Aos meus tios e tias (os mais lindos do mundo), e aos meus priminhos, que
me permitem momentos únicos de prazer.
Aos meus avós, com quem divido os melhores momentos de minha existência
e cujo amor ultrapassa os limites do racional.

Aos meus amigos e companheiros de tantos anos, com quem compartilho


mais essa vitória.
Às pessoas que sempre estão ao meu lado e me incentivam nos momentos em
que necessito.
A todos aqueles que, de uma forma ou de outra, apostam em mim.
Em especial aos meus queridos amigos, que mesmo longe estão sempre
presentes em meu coração: Aline, que sempre esteve ao meu lado quando quis
desistir... E ao Gleison, amigo sempre presente desde o primeiro ano de faculdade
até agora, me dando força nas inúmeras noites mal dormidas de projeto, me
apoiando nas dificuldades e vibrando com as conquistas adquiridas, com muito
entusiasmo e carinho... Eles são aqueles que me fizeram acreditar que seria
possível... Agradeço de coração a participação nesse trabalho e na minha vida, não
só pela força... Mas também porque a vida seria sem eles menos colorida...

Ao Túlio e Renan, meus queridos irmãos, meus pontinhos de luz.


Aos meus Pais, pela dedicação e amor incondicional...

E principalmente a Deus, O grande Arquiteto do Universo.

Mais uma vez, obrigada!


“Confia no Senhor de todo o teu coração”, assim
como uma criança confia no seu pai. “Não se
turbe o vosso coração”, disse Jesus, “credes em
Deus; crede também em mim” (João 14.1).
Descanse no Senhor, mesmo não compreendendo
a situação atual. Creia que “todas as coisas
cooperam para o bem daqueles que amam a
Deus” (Rm. 8).
“Oh! Maria, sem pecado concebida; rogai por
nós que recorremos a Vós.”
i

SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS iii
LISTA DE TABELAS iv
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS v
LISTA DE SÍMBOLOS vi
RESUMO vii
ABSTRACT viii
1. INTRODUÇÃO 16
1.1 Justificativa 17
1.2 Objetivos 18
1.2.1 Geral 18
1.2.2. Específicos 18
1.3 Metodologia 19
1.4 Considerações parciais 19
2. O PROBLEMA DO MENOR 20
2.1 Em defesa da infância 20
2.2 Assistência ao menor no Brasil 22
2.3 Assistência ao menor em Campo Grande 25
3. EDUCAÇÃO 29
3.1 Apoio à educação integral na rede pública 29
3.2 A educação que temos e a educação que queremos 30
3.3 Centro de apoio a educação integral 34
4. LAZER 36
4.1 Breve histórico do surgimento da noção de lazer 36
4.2 O conceito do Lazer 37
4.3 A importância do Brincar 39
5. CULTURA 40
5.1 Conceito 40
5.2 Cultura Marginalizada 42
6. PRINCIPIOS ARQUITETÔNICOS 44
6.1 Definição da área de Implantação 44
6.2 Contexto histórico-cultural 47
6.3 Contexto jurídico-institucional 48
6.4 Contexto socioeconômico 49
6.5 Infra-estrutura 50
6.6 O terreno 51
7. PROPOSTA ARQUITETÔNICA 54
7.1 Centro Cultural e Assistencial Infantil 54
7.2 Quantidade de crianças que serão assistidas 56
7.3 Condicionantes 57
8. PRECEDENTES 59
8.1 Funcionais 59
Centro cultural e Assistencial – Ubatuba, SP 59
Centro Assistencial – São Paulo, SP 60
8.2 Tipológico 61
Centro de ensino experimental Cícero dias, Recife, 62
8.3 Plásticos / formais 63
ii

Escola de marketing industrial 63


Escola PHD Infantil 64
8.4 Tecnológico 65
Teatro Municipal de Natal 65
Universidade Cruzeira do Sul 65
9. MEMORIAL DESCRITIVO 67
9.1 Listagem das espécies utilizadas no paisagismo 67
9.2 - Programa de Necessidades 78
9.3 – Descrição do projeto 81
9.4 – Projeto Arquitetônico 83
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 84
ANEXOS 85
Anexo A – LEI N9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996 86
Anexo B – Projeto Arquitetônico 92
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 93
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 95
iii

LISTA DE FIGURAS

Capítulo 2 Figura 2.1 – criança com fome 20


Figura 2.2 – trabalho infantil 21
Figura 2.3 – Índice de famílias necessitadas em Campo 26
Grande, MS

Capítulo 3 Figura 3.1 – arranjo tradicional de sala de aula 31


Figura 3.2 – arranjo da sala de aula pelos critérios atuais 32

Capítulo 5 Figura 5.1 - Desenho feito por criança após ver tiroteio 42
entre policia e traficantes

Capítulo 6 Figura 6.1 – Inserção de Campo Grande-MS – no mapa 44


do Brasil
Figura 6.2 – Inserção de Campo Grande no mapa do 44
Mato Grasso do Sul
Figura 6.3 – Campo Grande vista do parque das nações 45
indígenas
Figura 6.4 - Campo Grande Vista de noite da Casa da 45
Indústria
Figura 6.5 - Inserção da região de implantação do 46
projeto no município
Figura 6.6 – Inserção do bairro na região 47
Figura 6.7 - Inserção do terreno no bairro e malha viária 49
Figura 6.8 – ruas do bairro Tiradentes 49
Figura 6.9 - ruas do bairro Tiradentes 49
Figura 6.10 – foto aérea do terreno, seu entorno e malha 51
viária
Figura 6.11 – Planialtimétrico 51
Figura 6.12 – Vista oeste do terreno 52
Figura 6.13 – Vista Norte do terreno 52
Figura 6.14 – Vista do entorno do terreno, lado Norte 53
Figura 6.15 – Vista do entorno do terreno, lado Sul 53

Capítulo 7 Figura 7.1 – crianças 31


Figura 3.2 – arranjo da sala de aula pelos critérios atuais 32
iv

Capítulo 8 Figura 8.1 – Centro cultural e assistencial, Ubatuba, SP 59


Figura 8.2 – implantação do centro cultural e 60
assistencial, Ubatuba, SP
Figura 8.3 – Centro assistencial, São Paulo, SP 60
Figura 8.4 – Centro de ensino experimental Cícero Dias 61
Figura 8.5 – Pátio do Centro de ensino experimental 62
Cícero Dias
Figura 8.6 – brises e maquete do Centro de ensino 63
experimental Cícero Dias
Figura 8.7 – Jardim interno da escola de Marketing 63
Industrial
Figura 8.8 – Muros e cobogó da escola PHD infantil 64
Figura 8.9 – Grelhas de Proteção solar, Teatro municipal 65
de Natal
Figura 8.10 – Brises da fachada da Unicsul 66
Figura 8.11 – Janelas da biblioteca voltada para o pátio 66
da Unicsul

Capítulo 9 Figura 9.1 – Grama São Carlos 68


Figura 9. 2 – Flamboyant 69
Figura 9.3 – Jacarandá 69
Figura 9.4 – Pata de Vaca 71
Figura 9.5 – Chuva de ouro 72
Figura 9.6 – Clorofito 73
Figura 9.7 – Trapoeraba Roxa 73
Figura 9.8 – Palmeira de Natal 74
Figura 9.9 – Sangue de adão 75
Figura 9.10 – Maria sem vergonha 76
Figura 9.11 – Ipê-Rosa 77
Figura 9.12 – Palmeira Imperial 78
Figura 9.13 - Molecule 83
v

LISTA DE TABELAS

Capítulo 6 Tabela 6.1 – dados gerais de Campo Grande- MS 45


Tabela 6.2 – freqüência média dos ventos na região 45

Capítulo 7 Tabela 7.1 – numero de participantes das escolas vivas, 56


em Campo Grande-MS
vi

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas


CCAI Centro Cultural e Assistencial Infantil
CREA/MS Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia do Estado de Mato Grosso do Sul
MS Estado de Mato Grosso do Sul
UFMS Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
vii

RESUMO

Este estudo tem como objetivo principal, aproximar a arquitetura da


necessidade de transformar menores em risco social em cidadãos íntegros haja vista a
importância que a cultura, o esporte e o lazer possuem em favor da inclusão social e
consequentemente embasar/conceituar os termos relacionados ao projeto, verificando
as relações existentes entre lazer, a escola e o processo educativo, e de que forma
esses podem contribuir para uma alternativa pedagógica.

A arquitetura será utilizada com a intenção de ensinar a conviver, não sendo


utilizada apenas para cumprir suas necessidades funcionais, pois, através da
arquitetura, é possível socializar o jovem com a vida dos demais seres humanos e
suas diversas manifestações.

A esta fundamentação teórica consiste em revisão bibliográfica pertinente à


educação, à cultura e ao lazer direcionados para a socialização de menores em risco
social, que incentive a produção de idéias, que seja estimulado pelo lúdico e
democratize a cultura, tornando acessível a todos toda forma de arte.

PALAVRAS-CHAVE: Menores em risco social, lazer infantil, Inclusão Social,


centro cultural infantil, assistência infantil.
viii

ABSTRACT

This study has as main subject, approach the architecture of need in


transforming teenages on social risk in citizens has seen the importance that the
culture, the sport and the leisure posses in favor to the digital inclusion and
consequently establish the related terms to the project, verifing the existing relations
between the leisure, school, and the educational process, and in which way they can
contribute to one pedagogical alternative.

The architecture will be utilized with the intention in teaching to live in


society, not only being utilized to perform its functional needs, because, through the
architecture, It is possible to socialize the teenage with the other human being’s life
and their several manifestations.

This theoretical grounding consists of pertinent bibliographical revision to


the education, to the culture and the leisure directed to the socialization of the
teenage in social risks, that motivates the production of ideas, that is stimulated by
the playful and democratize the culture, turning accessible to all every art form.

KEYWORDS: Teenages in risk, infantile leisure, social inclusion, infantile


cultural center, infantile assistence.
vii

RESUMO

Este estudo tem como objetivo principal, aproximar a arquitetura da


necessidade de transformar menores em risco social em cidadãos íntegros haja vista a
importância que a cultura, o esporte e o lazer possuem em favor da inclusão social e
consequentemente embasar/conceituar os termos relacionados ao projeto, verificando
as relações existentes entre lazer, a escola e o processo educativo, e de que forma
esses podem contribuir para uma alternativa pedagógica.

A arquitetura será utilizada com a intenção de ensinar a conviver, não sendo


utilizada apenas para cumprir suas necessidades funcionais, pois, através da
arquitetura, é possível socializar o jovem com a vida dos demais seres humanos e
suas diversas manifestações.

A esta fundamentação teórica consiste em revisão bibliográfica pertinente à


educação, à cultura e ao lazer direcionados para a socialização de menores em risco
social, que incentive a produção de idéias, que seja estimulado pelo lúdico e
democratize a cultura, tornando acessível a todos toda forma de arte.

PALAVRAS-CHAVE: Menores em risco social, lazer infantil, Inclusão Social,


centro cultural infantil, assistência infantil.
viii

ABSTRACT

This study has as main subject, approach the architecture of need in


transforming teenages on social risk in citizens has seen the importance that the
culture, the sport and the leisure posses in favor to the digital inclusion and
consequently establish the related terms to the project, verifing the existing relations
between the leisure, school, and the educational process, and in which way they can
contribute to one pedagogical alternative.

The architecture will be utilized with the intention in teaching to live in


society, not only being utilized to perform its functional needs, because, through the
architecture, It is possible to socialize the teenage with the other human being’s life
and their several manifestations.

This theoretical grounding consists of pertinent bibliographical revision to


the education, to the culture and the leisure directed to the socialization of the
teenage in social risks, that motivates the production of ideas, that is stimulated by
the playful and democratize the culture, turning accessible to all every art form.

KEYWORDS: Teenages in risk, infantile leisure, social inclusion, infantile


cultural center, infantile assistence.
16

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO

Um bom arquiteto é um bom filósofo, sociólogo e um bom ser humano. (Alain


Botton1)

A melhor forma de transformar a vida de crianças e adolescentes é transformar o


mundo onde elas vivem.
O brincar e o lúdico são as primeiras formas de nos expressarmos, e nos fazem
participar de idéias e de objetivos comuns. Esses símbolos, no cotidiano das crianças, são
elementos essenciais para o seu desenvolvimento, assim favorecendo a auto-estima e o
aprendizado de novas atividades.
A preocupação inicial é propiciar um espaço arquitetônico que possibilite afastar da
ociosidade crianças e adolescentes em risco social, para desta forma evitar o envolvimento
desses menores com drogas, marginalidade e prostituição. A intenção do trabalho visa
também aproveitar como instrumento de integração social e desenvolvimento físico e
psicológico os atrativos que o esporte, a cultura e o lazer exercem sobre os jovens,
oferecendo-lhes oportunidades de crescimento pessoal e profissional. O projeto pretende
ainda ajudá-los na conquista dos direitos da cidadania e de uma saúde melhor. Assim, o lúdico
se alia às técnicas pedagógicas para a construção de um local voltado para o aprender, e aos
poucos o simbólico vai dando lugar ao real.
Sendo assim, o presente estudo tem o propósito de criar uma estrutura arquitetônica
para auxílio cultural e assistencial infantil, voltada ao lazer de jovens ociosos e em risco
social, para que haja uma garantia aos mesmos do direito de um perfeito desenvolvimento
físico, psíquico, social e cultural.
Trata-se de um edifício dotado de equipamentos para a complementação do ensino
regular, a prática de esportes, cultura e lazer, além de cursos complementares de formação
profissional.
A exigência fundamental para que as crianças possam participar das atividades
desenvolvidas no espaço arquitetônico, é que freqüentem a escola pública em período que se
alterne ao da permanência no Centro Cultural e Assistencial Infantil, assim, estimulando as

1 Botton, Alain. Filósofo suíço, autor de “The architecture of Happiness” – (Arquitetura da Felicidade).
2006. Em entrevista para o Jornal Fantástico dia 25 de março de 2007.
17

crianças e adolescentes a estudarem, e afastá-las da rua e do ócio, motivando-as e orientando-


as ao aprendizado.

1.1 – Justificativa

[...] os arquitetos têm que pensar em projetos que deixem nossas cidades menos
tristes e tragam o melhor do ser humano. (Alain Botton)

Na sociedade moderna, muitos pais não dispõem de tempo para brincar e passear
com seus filhos. Por outro lado, algumas crianças desde muito cedo começam a trabalhar. Por
isso, em suas horas vagas, as crianças de classe média, passam a ocupar seu tempo assistindo
programas de televisão, brincando com jogos e brinquedos eletrônicos, ou ociosas e em
alguns casos nas ruas (essa última opção é a mais comum às crianças de classes menos
favorecidas). Esses jovens são submetidos a toda imprevisibilidade da vida urbana
contemporânea, e muitas vezes acabam por desinteressar-se pelo modo de brincar criativo e
por atividades culturais infantis. O problema se agrava entre jovens e crianças da periferia,
onde a violência torna-se ainda mais cruel e os recursos disponíveis são escassos. Problema
esse manifestado na música “Ensino Errado”:
[...] A diversão é limitada e o meu pai não tem tempo pra nada
E a entrada no cinema é censurada (vai pra casa pirralhada!)
A rua é perigosa então eu vejo televisão
(Tá lá mais um corpo estendido no chão)[...] (Gabriel, O Pensador).
O tema justifica-se uma vez que a população de Campo Grande, na faixa etária que
esse estudo propõe atender é grande. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), atualmente existem nesta capital aproximadamente 129.422 jovens
na faixa etária de 05 a 14 anos, e na região do Bandeira nesta mesma faixa etária a população
é de aproximadamente 28.045, segundo o perfil sócio-econômico de Campo Grande.
Portanto este projeto tem o propósito de apresentar uma estrutura arquitetônica
voltada às crianças e adolescentes, por entender a necessidade de implantar, acompanhar e
desenvolver, em organizações socialmente responsáveis, oportunidades de qualificação
profissional, desenvolvimento pessoal e cidadania para jovens em situação de
vulnerabilidade social, e uma alternativa de lazer para jovens de classe média, atendendo parte
da região urbana do Bandeira, nas proximidades dos bairros Tiradentes, Maria Aparecida
Pedrossian, Jardim Noroeste, e Arnaldo Estevão de Figueiredo.
18

1.2 - Objetivos

Os objetivos deste trabalho dividem-se em objetivos geral e específico, a saber:

1.2.1 - Objetivo Geral

Projetar O Centro Cultural e Assistencial Infantil, dotado de equipamentos de


assistência à comunidade (segurança, saúde etc.), contribuindo para o bem-estar da
comunidade e constituir marco arquitetônico de referência na região do entorno.
Atender a carência de projetos sociais voltados às crianças e adolescentes ociosos de
05 a 14 anos de ambos os sexos, ameaçados ou privados da convivência comunitária e/ou em
situação de risco social e pessoal, a mercê da marginalidade em Campo Grande-MS,
assegurando, a esta parcela da população, o amparo da Lei 8.069, de 13 de julho de 1990 do
Estatuto da Criança e do Adolescente – ao declarar em seu artigo 3º que “crianças e
adolescentes gozam de todos os direitos inerentes à pessoa humana”.

Estabelecendo assim, um espaço arquitetônico para o auxílio e atendimento à


população infanto-juvenil, que complementará o centro educacional, resgatando a qualidade
de vida de crianças, adolescentes e jovens atendidos gratuitamente o que possibilitará que a
arte e a cultura sejam elementos capazes de transformar tais vidas.

1.2.2 - Objetivos específicos

...“pensar globalmente, agir localmente” (Richardson, 2007)2.

• Projetar um espaço adequado para a prática de esportes.


• Projetar um espaço que propicie a retirada das crianças da rua no
período em que não estão na escola, motivando-as e orientando-as ao aprendizado.
• Ampliar através da edificação construída as oportunidades de
convivência social e comunitária dessas crianças e adolescentes.
• Atender a jovens ociosos através de projetos sociais e cursos.

2 Richardson, phyllis. “XS Green” – (XS Ecológico). 2007. Pagina 10.


19

• Desenvolver espaços verdes adequados para as crianças entrarem em


contato com a vegetação.
• Propor espaços para recreação, lazer e cultura para crianças e jovens da
capital.

1.3 - Metodologia

Grande parte desse trabalho consiste em considerações, conceituações e


fundamentações teóricas.
1. Pesquisa documental feita em fonte primárias em arquivos públicos ou
particulares, fontes estatísticas.
a. Pesquisa bibliográfica em livros e catálogos fotográficos em
órgãos públicos como: Prefeitura, Secretarias, IBGE e outros.
2. Pesquisa bibliográfica feita em fontes secundárias tais como livros,
revistas, publicações diversas, panfletos, revistas, etc.
3. Orientação no âmbito técnico, arquitetônico, Urbanístico e paisagístico
concedida pelo Arquiteto João Bosco Urt Delvizio.
4. Estudos de caso, Legislação e normas.
5. Visitas a entidades da rede de atendimento a crianças e adolescentes em
situação de risco pessoal e social.
6. Estudo da demanda do centro na região proposta.
7. Levantamento de dados estatísticos sobre a população em idade escolar.
8. Elaboração de ante projeto

1.4 - Considerações Parciais

O centro cultural e assistencial infantil propõe áreas verdes, construção de


equipamentos urbanos e implantação de um edifício voltado a projetos sociais. Procura
integrar as escolas da região, e procura a melhoria da qualidade de vida de seus usuários, bem
como o beneficiamento direto e indireto da comunidade do bairro, viabilizando assim um
futuro melhor mais humano e produtivo para todos.
20

Os próximos capítulos abordam a revisão bibliográfica, a fundamentação teórica,


conceitos, as propriedades e os fatores condicionantes do objeto de estudo que, possam
fornecer embasamento para a proposta arquitetônica, objeto de estudo desta monografia, que,
por sua vez são os problemas enfrentados pelos menores de baixa renda e como esses
problemas se inter-relacionam com a educação e a comunidade onde estão inseridos, e através
da arquitetura dar apoio as escolas públicas da região do bairro Tiradentes, que não está
estruturada para receber as novas metodologias de educação, a educação integral.

CAPÍTULO 2 – O PROBLEMA DO MENOR

2.1 - Em defesa da infância

“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao


adolescente, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. (Artigo 227 caput da
Constituição Federal de 1988)

Está garantido na constituição federal. “A saúde é um direito de todos e um dever do


Estado”. A legislação brasileira, por meio do Estatuto da criança e do adolescente, reforça o
compromisso pela promoção do bem-estar desses pequenos cidadãos. Responsabilidade esta
que não é apenas da família, mas do estado e da sociedade como um todo.

Figura 2.1

Fonte: charagoesquerdo.files.wordpress.com.fome
21

Numa sociedade dominada pelo progresso e por tecnologias avançadas, é


transtornante notar as péssimas condições do menor no Brasil e no mundo. Apesar de tantas
descobertas, a sociedade ainda é incapaz de superar graves problemas, como as taxas de
prostituição, desnutrição, violência, mortalidade infantil e os elevados números de crianças de
rua. Eles vivem dessa forma por necessidade, pois já nascem entre violência, miséria.
Segundo o IBGE (censo industrial), desde os anos 80 o Brasil tem índices
preocupantes de desemprego, com isso crescendo os trabalhos informais, e crianças tendo
também que trabalhar cada vez mais cedo em atividades como vendedores de sinal,
guardadores de automóveis.

E é entre os jovens que apresentam as piores taxas de desempregos e piores salários


(Folha de São Paulo - Dinheiro - 20/9/2005), e enfrentam problemas quanto à inserção no
mercado. É também uma população que vem exigindo enfoques na educação
profissionalizante, pois o mundo do trabalho está exigindo habilidades nem sempre
disponíveis na educação dos jovens de classes populares, como informática e língua
estrangeira.

Por outro lado é polêmico quando se trata sobre trabalho na juventude, pois é uma
população que, em princípio, deveria estar dedicada aos estudos, mas em grande parte da
população jovem há a necessidade de suas famílias, que do seu trabalho dependem.

Foto 2.2

Fonte: www.proec.ufg.br

Os pais enfatizam a importância do trabalhar como forma de ocupar a mente e o


tempo, o que os impediriam de estar pensando em cometer alguma infração. (CASTRO,
2002). [...] que nem se diz o outro: ‘cabeça parada, oficina do Diabo’. Portanto trabalhar é
visto para os pais como uma eficiente medida para afastar seus filhos das ruas, que é
22

considerado o lugar mais propício para o envolvimento com a criminalidade e drogas; além
disso, a falta de oportunidade de trabalho e alternativas de lazer caracteriza uma marca de
vulnerabilidade à violência.

Os menores que perambulam pelas ruas das cidades, nelas estabelecem suas relações
sociais algumas vezes recebendo uma cultura marginalizada.

Com a crescente marginalização dos centros, as chances dos jovens carentes se


transviarem também crescem. Traficantes de drogas estão cada vez mais presentes no
cotidiano de adolescentes. Atraídos pelo fascínio pelo mundo desconhecido e supostamente
livres das ruas.

Com esses problemas a escola deixou de ser prioritária para crianças e adolescentes,
que desde cedo buscam emprego, para contribuir com o sustento da família.

2.2 – A assistência ao menor no Brasil

No Brasil, segundo AMÉRICO (2000), os menores carentes começaram a preocupar


os ricos comerciantes a partir de 1730, quando da urbanização das cidades litorâneas
decorrente da exploração e exportação do ouro de Minas Gerais e da queda do valor do açúcar
do nordeste no mercado internacional. Desta mesma data se tem as primeiras referencias
históricas relacionadas à preocupação com os menores carentes.
Neste momento da história os atendimentos sociais eram todos feitos pelas ordens da
igreja católica, pois os menores eram abandonados nas portas de conventos e mosteiros, e
assim eles eram quase sempre bem cuidados, não representavam maiores preocupações.
De acordo com Carlos A. C. Niemeyer (2001), a palavra “menor” no final do século
XIX, já designava uma classe de indivíduos que ainda não havia atingido a maioridade penal
e civil, e possuía um forte significado ligado ao abandono e marginalidade.
A partir da virada para o século XX, as questões da infância começam a despertar a
atenção da sociedade, relacionando as origens da infância desvalida com as novas condições
sociais que o capitalismo gerava, os reformadores sociais passaram a identificar a rua como
um lugar perigoso para a infância e, conseqüentemente, o menor abandonado como um
problema para a construção de uma sociedade que se pretendia moralizada e organizada.
23

Até a segunda década do século XX, a questão da infância desamparada no Brasil


ainda era considerada “caso de polícia” a ser resolvida pela simples repressão urbana nas
ações de “limpeza” da cidade.
Iniciam-se então os primeiros debates a respeito das responsabilidades pelo amparo à
infância.
Em 1927 (Decreto n° 17.943-A, de 12 de outubro de 1927) o estado assumiu
oficialmente o menor, criando para ele o primeiro código de proteção voltada aos menores do
Brasil, criado pelo Juiz de menor Mello Mattos.
Em 1942 surge o serviço de assistência ao menor, que funcionava como uma
penitenciária para menores infratores.
Em seguida surgem outras entidades como a forma que se conhece, oferecendo
programas baseados na assistência e educação básica e estratégias de trabalho e geração de
renda.
Com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente iniciou-se um processo de
mudanças no panorama legal da infância e da juventude. A sociedade contemporânea unindo-
se ao governo através de instituições governamentais e não governamentais vem buscando
sensibilizar a todos sobre a importância da assistência aos menores, principalmente
relacionados à sua educação, pois a criança é o futuro do Brasil.
Atualmente, de acordo com UNICEF, o Brasil tem uma das melhores legislações do
mundo sobre as crianças e adolescentes, e ao mesmo tempo é um país onde as crianças são
mais injustiçadas e desprotegidas, pois as mesmas leis que garantem os direitos de cidadão às
crianças, não são aplicadas na realidade. Mesmo assim hoje os direitos dos menores são
reconhecidos como nunca antes na história.

Deixai vir a mim as criancinhas, quer dizer: deixai que sejam crianças, que cresçam
com o sorriso nos lábios e com fronte levantada para o céu, porque é estúpido que
se consiga a riqueza com o sangue das suas veias e com a medula dos seus ossos, ao
preço de sua inocência e da bondade de sua alma. (Boletim da Escola Moderna,
1919).

Segundo dados obtidos no portal Voluntário, no Brasil são dois eixos de atuação: por
meio de contato direto ou indireto com crianças e adolescentes:

O Projeto Luz, Câmera... Paz! Desde 2006, com o apoio do HSBC, recebe
adolescentes em conflito com a lei, ensinando-os a trabalhar com os jornais, buscando fazer
com que o assunto infância e adolescência saia na mídia e com melhor qualidade.
24

A Associação Brasileira Terra dos Homens é uma instituição independente e sem


fins lucrativos. Suas atividades tiveram início como um programa afiliado à Fondation Terre
des Hommes, em 1982. Em 1997, adquiriu autonomia jurídica fazendo novas parcerias e
ampliando seu campo de atuação no Brasil. Desde o começo, a Terra dos Homens objetiva o
atendimento a crianças e adolescentes separados de suas famílias. São crianças que vivem em
instituições de abrigo, nas ruas da cidade ou em contexto de violência doméstica ou quaisquer
situações de risco. O restabelecimento da convivência familiar e comunitária dessas crianças é
o foco central do trabalho desenvolvido.

A Fundação Abrinq é uma organização “amiga da criança”, sem fins lucrativos, que
nasceu em 1990, ano da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Tem a missão
de promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania da criança e do adolescente.

A Rede Globo tem um projeto de apoio à educação chamado Amigos da Escola.


É uma iniciativa destinada a fortalecer a participação comunitária no esforço de melhoria da
escola pública. Os Amigos da Escola atuam na estimulação das escolas as quais dão abertura
à comunidade na convocação da sociedade brasileira a participar de ações de voluntariado e
na ampliação de parcerias aproximando a família e a comunidade da vida escolar.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) atua em 158 países do mundo e
tem como objetivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas
necessidades básicas e contribuir para seu pleno de desenvolvimento. É a única organização
mundial que se dedica especificamente às crianças. Trabalha com os governos nacionais e
organizações locais em programas de desenvolvimento de longo prazo nos setores de saúde,
educação, nutrição, água e saneamento e também em situações emergenciais, na defesa das
crianças vítimas de guerras e outras catástrofes. O UNICEF também considera o esporte um
meio eficaz de complemento à educação e uma forma eficiente de aumentar o interesse e o
desempenho na escola. Além de fazer bem à saúde, o esporte permite trabalhar, ao mesmo
tempo, a afetividade, as percepções, a expressão, o raciocínio e a criatividade de meninos e
meninas.

Projeto Criar e Crescer. Combate a fome, promovendo a entrega de alimentos,


primeiros socorros, roupas e atendimento fraterno nas noites de sábado nas ruas de Salvador.
Promove oficinas e eventos recreativos, educativos e eventos de valorização e integração
social. Fornece cesta básica como assistência a famílias carentes.
25

As Aldeias Infantis SOS criam famílias para crianças que não podem ser mantidas
em sua família natural, ajudando-as a construir seu próprio futuro. Cada Aldeia Infantil SOS
é um condomínio formado por 10 a 12 casas-lares, onde moram famílias com até 9 crianças
com idades diferentes, que convivem sob os cuidados de uma mãe social. Além disso, através
dos Centros Sociais, participam do desenvolvimento de suas comunidades, criando programas
que tenham como meta fortalecer as famílias e prevenir o abandono infantil. Nos Centros
Sociais são desenvolvidas atividades educacionais, artísticas, culturais, esportivas, de
capacitação profissional e geração de renda para famílias de comunidade em situação de risco,
bem como de capacitação para agentes sociais e líderes comunitários.

Mudar. Movimento Unificado de Defesa da Criança e Adolescente de Rua. O


Mudar é uma Associação de interesse público, beneficente, filantrópica e ecumênica, de fins
não-econômicos, exercendo suas atividades com autonomia administrativa e financeira no
território brasileiro. O objetivo do Mudar é a proteção dos direitos de cidadão das crianças e
adolescentes que vivem na rua e da rua.

2.3 - Situação dos menores em Campo Grande

Segundo o mapa da exclusão social de Campo Grande, as famílias em


vulnerabilidade social se concentram principalmente nas áreas periféricas das capitais. Essas
famílias se caracterizam por serem desestruturadas e possuírem na maioria vários filhos, e por
não possuírem uma renda digna.
26

Foto 2.3 – Índice de Famílias Necessitadas


Fonte: Diagnóstico Social da cidade de Campo Grande – MS

A região do Bandeira é populosa, pobre, e distante do centro da cidade. Essa pode ser
a definição da região dada pelo Campo Grande News, que está na pouco confortável situação
de concentrar o maior número de ocorrências policiais em Campo Grande, que junto com a
Região Anhanduizinho, segundo o Ciops (Centro Integrado de Operações de Segurança
Pública), concentra 31% dos casos, e entre os bairros, o segundo mais violento da cidade esta
o bairro Tiradentes, com crimes muitas vezes ligados ao comércio de drogas, perdendo apenas
para o jardim Los Angeles.
Por ser uma região em que concentra muitas pessoas de baixa renda, os pais
permanecem fora de casa a maior parte do tempo e pelo baixo poder aquisitivo remete à
pouca aquisição de livros, revistas, computadores, filmes, cursos, lazer e ausência de cuidado
integral.
Na falta de local adequado para passarem a maior parte do dia, resta às crianças e
adolescentes buscarem nas ruas e terrenos baldios formas de convivência, “socialização” e de
diversão.
27

Atualmente Campo Grande dispõe de cerca de 20 órgãos públicos e particulares que


contribuem de alguma forma para suprir as necessidades dos menores, dedicando a eles tempo
integral. Infelizmente a capacidade de atendimento é restrita e a oferta de serviços é limitada:

Essas unidades descentralizadas de assistência social na cidade de Campo Grande têm


como objetivo prestar atendimento a crianças e adolescentes de 7 a 16 anos, em horário
complementar ao escolar, através de atividades sócio-educativas.

São as unidades:

• Aero Rancho - CMU - "Prof.ª Adevair da Costa Lolli Guetti"


• Barra Mansa
• Botafogo
• Canguru
• Dom Ântonio Barbosa - "Rosa Adri"
• Indubrasil
• Los Angeles
• Monte Castelo - "Luiza Paruá Peres"
• Moreninha II - "Alair Barbosa de Resende"
• Nossa Senhora Aparecida
• Novos Estados - "Hercules Mandeta"
• Popular - "Valéria Lopes da Silva"
• Tijuca II
• Vida Nova – CMU
• Vila Gaúcha
• Vila Marly

Capacidade Total: 3.010 jovens

PARCEIROS:

• A.a.b.b
• Abctran
• União recreativa
28

• O Clube do pequeno trabalhador é mantido pelo Promosul, onde cerca de 100


meninos e meninas, de 14 a 18 anos são contratados para trabalharem, com carteira de
trabalho assinada, recebendo um salário mínimo por mês, vale-transporte, alimentação
e sendo obrigatório o estudo.
O Clube mantém oficinas, os menores produzem todos os tipos de artesanato com
tecelagem, tapeçaria, bijuterias, tricô, cozinha industrial, costura e reciclagem de papel.
• O Educandário Getúlio Vargas, inaugurado em 1943, com a finalidade de cuidar dos
filhos dos doentes que tinha lepra, para salvá-los desta doença na década de 40.
Com o tempo descobriu-se a cura e o educandário perdeu sua função, e lá hoje
funciona a sociedade Eunice Weaver, tornando-se uma entidade filantrópica que ampara
os menores carentes de Campo Grande. O sistema é feito por meio de internato, e atende
às necessidades dos menores proporcionando reforço escolar, cursos profissionalizantes
em oficinas, atividades de cultura e lazer, acompanhamento psicológico, médico,
odontológico e assistência social.
Os pais podem ficar com os filhos aos finais de semana ou retirá-los de lá desde que
assinem um termo de responsabilidade.
O educandário atende crianças de ambos os sexos, de todas as idades, e possui uma
enorme lista de espera.

Ideal seria que essas instituições passassem por uma reorganização e revitalização de
maneira a contribuir e satisfazer as necessidades do local.

O Programa Escola Viva da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) é a


versão campo-grandense do programa Escola Aberta do MEC. Hoje o Programa conta com a
participação de 19 escolas municipais de Campo Grande. Elas abrem todos os sábados e
domingos, no período da manhã e da tarde, para oferecerem à comunidade cursos (informática
e línguas estrangeiras), oficinas de formação para o trabalho (cabeleireiro, manicure e
pedicure, bordados, culinária), atividades culturais e esportivas (futsal, dança, judô, xadrez,
atletismo), entre outras.
29

CAPÍTULO 3 – EDUCAÇÃO

3.1 – Apoio à educação integral na rede pública

Os ministérios da Cultura, do Desenvolvimento Social, da Educação, do Esporte e do


Combate à Fome estão promovendo um trabalho conjunto de reforço da cidadania e de
inclusão social por meio da educação em tempo integral de alunos da rede pública de ensino.

Um dos objetivos do Programa é o fortalecimento da formação cultural de jovens,


promovendo o desenvolvimento da percepção artística, com ações sociais de apoio às escolas
públicas, no período contrário do horário escolar.

Para aproximação das escolas com as famílias serão estimuladas atividades


educativas e culturais com a participação da comunidade, como integração dos alunos com o
meio onde vivem.

O programa visa principalmente à redução da evasão escolar, ao combate ao trabalho


infantil e à exploração de menores, utilizando-se de atividades esportivas e de lazer que
estimulem a solidariedade, o desenvolvimento humano e a cidadania.

A educação integral deverá ser implantada com a ajuda de instituições públicas


ligadas às áreas da educação, cultura, esporte, saúde e ação Social. Instituições privadas
também poderão participar, promovendo atividades educativas, culturais e desportivas que
estejam integradas nos projetos pedagógicos das escolas e que sejam oferecidas
gratuitamente.
A inserção dos jovens no mundo de trabalho varia entre muitos projetos, e todos eles
exigem que esses jovens estudem. Existem os projetos que conjugam com capacitação e
iniciação profissional as atividades artístico-culturais, esportivas e de educação para a
cidadania.

Os jovens interessados na arte-educação estudam em um turno e em outro


freqüentam o centro de apoio a escola, e muitos deles são artistas ou aprendizes, que além de
participarem de espetáculos também se educam para serem expectadores, mas a falta de
30

equipamentos de lazer, esporte e cultura, podem inibir o livre curso do seu desejo e
habilidades.

Além da falta de equipamentos os jovens circulam em um raio restrito, limitados por


seus bairros, não exercendo continuamente a cidadania social. E com a escassez em seus
bairros é possível que quando se trata de ofertas culturais, esportivas e de lazer, a insuficiência
do equipamento social e cultural afete a população de renda mais baixa, pois em comunidades
pobres seriam escassas as oportunidades de os jovens usufruírem os bens culturais e terem
acesso ao capital cultural e artístico, e o futebol ainda seria a modalidade de esporte mais
difundida e acessível a esses jovens.

Os jovens que estão na produção artística, mesmo quando fazem esporadicamente


apresentações ou com baixa remuneração, são mais positivos com relação à vida, havendo
compensação em ganharem pouco, pois estão trabalhando no que gostam.

O estudo da arte completa – dança, música, esporte - e o direito e acesso a bens


culturais, socializam a beleza, atingem a alma e exigem equilíbrio, disciplina e muita
concentração.

3.2 - A educação que temos e a educação que queremos

“A escola finge que ensina e o aluno finge que aprende” (Darcy ribeiro)

O Conceito de Educação é um conceito difícil de definir, tendo sofrido alterações ao


longo dos tempos.

No passado, os fatos eram transmitidos por demonstrações, cativando à atenção dos


alunos. Mas com o aumento da informação, e de pessoas entusiasmadas por informação,
chegou-se ao atual ensino.

Na educação atual, cabe à escola fornecer ao aluno um conjunto de conhecimentos e


habilidades, testando periodicamente quanto foi adquirido destes conhecimentos através de
exames. Outra grande falha deste método é o fato de haver divisão no conhecimento (história,
matemática, português, geografia...) não havendo assim nenhuma possibilidade de se ver as
inter-relações entre as matérias.
31

Deste modo, o conjunto de conhecimentos transmitidos aos alunos, não é sinônimo


de conhecimento adquirido, porque este método apenas incentivava a memorização,
ignorando os estilos individuais de aprendizagem de cada aluno.

“A primeira coisa é a escola. Sou árduo defensor da escola em tempo integral. As


crianças, em vez de ficar no meio da rua, vão estar na escola o tempo todo, dando
oportunidade ao pai e a mãe de trabalhar. Com isso, talvez 50% dos meninos e
meninas saíssem da rua. Hoje ficam na rua mesmo, porque às vezes nem comida
têm em casa”. (Volmer do Nascimento)3

O movimento da escola nova teve início na segunda metade do século XIX, na


Europa. O que definia o movimento era a descoberta da psicologia infantil e as criticas as
escolas tradicionais que tratavam as crianças como adulto, cabendo à escola fornecer ao aluno
um conjunto de conhecimentos e habilidades, testando periodicamente quanto foi adquirido
destes conhecimentos através de exames. Outra grande falha deste método é o fato de haver
divisão no conhecimento (história, matemática, português, geografia...) não havendo assim
nenhuma possibilidade de se ver as inter-relações entre as matérias.

Figura 3.1

Fonte: www.fnde.gov.br

3 (Nascimento, Volmer do. Ex-coordenador do movimento nacional dos meninos e meninas de rua do rio de
janeiro. Entrevista ao jornal do Brasil, 2-12-1990).
32

Parece ter ficado de fora das escolas tradicionais, o lúdico da aprendizagem e valores
como valentia, religião, e o que é certo ou errado também não fazem parte do universo
escolar.

Deste modo, o conjunto de conhecimentos transmitidos aos alunos, não é sinônimo


de conhecimento adquirido, porque este método apenas incentivava a memorização,
ignorando os estilos individuais de aprendizagem de cada aluno.

O ponto de partida deste trabalho é a escola moderna. Trata-se de escolas, voltadas


para crianças e adolescentes onde não há obrigações impostas a elas por um grupo de adultos.
Isto significa que os alunos não são obrigados a assistir aulas, fazer lições ou passar por
exames, e todas as regras são decididas pelos próprios alunos e comunidade em assembléia,
possibilitando a formação de indivíduos autônomos, e com respeito à liberdade do aluno.

Figura 3.2

Fonte: www.fnde.gov.br

Tem-se a idéia de trabalhar uma nova concepção e uma nova maneira de pensar a
escola, em que os processos educativos não mais fiquem restritos aos muros escolares, mas
que também complementem as atividades escolares com outras atividades em um espaço
alternativo ao da escola, insistindo-se na teoria de complementação, assumindo um papel
33

fundamental na sociedade. A idéia é que se possa ser um elemento transformador dentro da


comunidade. Além do contato com a comunidade pedagógica, e do acompanhamento escolar,
estimulando a adoção de novas formas de ensinar e aprender.
Comumente os projetos têm como pré-requisito freqüencia na escola para poderem
participar de suas atividades e muitos acompanham o desempenho escolar dos jovens.
A escola deve ser um espaço privilegiado, rico em recursos à aprendizagem, num
ambiente onde os alunos possam construir os seus conhecimentos de acordo as necessidades
individuais de aprendizagem que os caracteriza, e onde a motivação para a aprendizagem
surge no aluno, cabendo apenas à escola fornecer capacidades que permitam no seu futuro
aprender qualquer assunto que lhe interesse. Concordando com Comenius o ideal é “ensinar
tudo para todos”. Neste sonho de educação, o professor deixaria de ser um mero passador de
conhecimento, e seria um companheiro do aluno na procura das informações e na busca da
realidade.

O pensamento é que a verdadeira aprendizagem é aquela que é buscada


espontaneamente.

“Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisará passar para
atravessar o rio da vida, ninguém exceto tu. Existem, por certo, inúmeras veredas,
e pontes, e semi-deuses que se oferecerão para levar-te do outro lado do rio; mas
isso te custaria tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no
mundo um único caminho, por onde só tu podes passar. Para onde leva? Não
perguntes, segue-o.” (Friedrich Nietzsche)
Na medida em que a escola ensina conteúdos conflitantes com os aprendidos na
família e na rua, gera desinteresse e a sala de aula se transforma no espaço em que se
aprendem coisas “chatas”, sem conexão com a vida lá fora.

A educação é “popular”, quando tem como ponto de partida a realidade do público


alvo, e pode se tornar um agente importante nos processos de tornar livre o indivíduo e a
sociedade.
É um trabalho humano, em que se dá pela prática da pessoa humana, enquanto habita
a natureza, provém de sua própria prática coletiva de classe.

A educação popular exprime um conteúdo que se origina na realidade, adquirindo


diferentes formas de trabalho pedagógico, pois ele está dirigido e dirigindo para os moradores
de periferias de cidades.
Então educação popular é um fenômeno de produção e apropriação dos produtos
culturais, expresso por um sistema aberto de ensino e aprendizagem, constituído de uma teoria
34

de conhecimento referenciada na realidade, orientado por desejos de justiça, liberdade,


igualdade e felicidade para todos.

3.3 – Centro de apoio a educação integral

Em seu relato sobre a educação em tempo integral, Anísio Teixeira, conceitua a


educação integral como uma educação escolar ampliada em suas tarefas sociais e culturais, e
acrescenta que o aluno teria a oportunidade de participar de forma ativa da comunidade
escolar, desenvolvendo competências importantes de cidadania e autonomia, além de
vivenciar experiências diversificadas de educação, em oficinas, atividades esportivas, teatro e
demais atividades artísticas. Nessa perspectiva a escola articula a atividade intelectual com a
atividade criadora e com a vida social e comunitária, portanto a idéia básica que sustenta este
conceito é a de educação como vida e para a vida, uma educação que vai muito além dos
conteúdos dados em sala de aula.

Normalmente confundido com a simples ampliação da carga horária, o conceito de


educação integral é muito mais amplo, a idéia, não é a simples ampliação da jornada escolar
fazendo com que as crianças fiquem os dias inteiros na escola, mas sim que ocupem seus
espaços livres com outras formas de aprendizagem que sejam enriquecedoras para o seu
desenvolvimento como cidadãos plenos.

Nas escolas de horário integral há práticas higiênicas, atendimento médico e


odontológico e são garantidas aos alunos quatro refeições diárias, atendendo principalmente
jovens de baixa renda.

3.4 - Arquitetura para a educação

As escolas públicas até 1911 se caracterizavam por uma grande simplicidade


espacial. Constituíam uma solução tectônica, pura em sua rudeza, destinada a
programas humildes que retratavam os conceitos dominantes sobre ensino.
Estruturas para aceitar qualquer forma que o enciclopédismo pedisse como
manifestação artística. Aparências que se justificam por si mesmas, nem impostas
pela estrutura tectônica, nem procura de uma forma para o universo brasileiro.
Quanto ao programa, tudo era ensino; nem ao menos um recinto para
administração. A escola desconhecia qualquer ampliação de seu significado social
além e ensinar primeiras letras e tabuada. Só muito mais tarde estes programas
foram enriquecidos. (Artigas, 1984)
35

Podemos considerar que o programa de necessidades desse período se


restringia apenas às salas de aula, pois julgava isso o suficiente. Através dessa forma de
edificação já podemos visualizar a forma limitada como era tratada a Educação nesse período.
O que é uma escola? É um lugar onde se ensina a ler e a escrever, onde se aprende
a consultar o relógio e a contar o tempo, onde se aprende sobretudo a ser orgulhoso
do próprio país, agradecendo todas as noites à Deus por nos haver em X lugar, em
lugar de Y, cujos habitantes são notoriamente muito menos inteligentes que nós.
(Bardi, 1994)
Segundo BARDI (1994) durante o processo de se fazer escola é preciso torná-la viva,
e presente no cotidiano das crianças que as freqüentarão.
O professor, condições materiais, os alunos e as instalações da escola se completam
formando um conjunto que será transmitido aos alunos seja em campo, ou seja, em sala de
aula. Assim o prédio educacional deve ser adequado às exigências educacionais e funcionais a
que se destina. Tendo sempre em mente que o centro educacional é o “segundo lar”, pois é o
segundo espaço edificado depois de sua própria casa, e é no espaço educacional que se inicia
o seu conhecimento do universo e de vida em sociedade.
São os usuários e a função a que se destina que, com suas necessidades e interesses,
ditam o programa de necessidades, e que constituía a composição do espaço arquitetônico,
tornando-se o espaço edificado muito importante, pois é através dele que a arquitetura faz
parte da vida dos seres humanos em suas diversas manifestações.
A intenção da arquitetura escolar e de apóia a escolar é absorver a idéia da
habitação dos freqüentadores, e devem ser equipados para servirem de abrigos a diversas
atividades humanas, estas presentes ou não em seus lares.
E são especificamente os espaços educacionais para crianças e jovens que
estamos tratando, e sua relação com o público- alvo e com suas novas funções que passam a
assumir na sociedade.
36

CAPÍTULO 4 – LAZER

4.1 – Breve histórico do surgimento da noção de lazer

Segundo Niemeyer (2001) Com o êxodo populacional às cidades, e ao concentrar a


população em áreas congestionadas, passou a exigir-se toda uma sorte de demandas sociais. O
espetáculo da pobreza estampava as ruas, e impõem limites às elites dirigentes. Isso levará à
crescente tematização da questão social na segunda metade do século XIX.
No decorrer das importantes transformações que marcaram o incremento da Segunda
Revolução Industrial, acentua-se a divisão social do trabalho. Essas transformações irão
corresponder a novas formas de organização política e social.
Incentivado pelo imperialismo em expansão surge a “cultura de massa”, como um
espelho da produção em larga escala, a qual irá fomentar a indústria dos lazeres, que
caracteriza o novo estilo de vida urbana.
Até então, sendo visto como atividade de classe, o lazer passa a atender cada vez
mais ao fenômeno de massa, perdendo vínculos tradicionais, amparados pelos meios de
comunicação, fugindo desta maneira ao controle das instituições formais conservadoras.
Surge um controle do espaço urbano, sugerindo medidas de proteção dos males
causados pelo industrialismo, e acrescenta-se após 1870 os conceitos de higiene humana,
tornando-se uma discussão moral e estética aplicada a diversos setores das atividades
humanas. No decorrer da segunda metade do século XIX, passa a ter ações efetivas para se
obter a melhoria das condições de saúde pública através de procedimentos higiênicos
aplicados ao “corpo” e à “mente” do trabalhador. Esses procedimentos vão considerar o
indivíduo em sua “unidade psicossomática”, sujeito às enfermidades “mentais” decorrentes de
vários fatores relacionados aos trabalhos, tornando necessária a cura do corpo de da alma
simultaneamente.
Como solução para os problemas de saúde pública – saúde do “corpo” e da “mente”
– inaugura-se o espaço a serviço do tempo livre.
Com o surgimento da pedagogia e da psicologia moderna, torna-se conseqüente a
evocação do lúdico como forma de influenciar positivamente as emoções humanas desde a
mais jovem idade.
37

Considerado o prejudicado entre as transformações urbanas, o público infantil


motivará atenção especial dos reformadores que viam nas ruas um ambiente “nocivo”, criador
de maus “hábitos” e de “tendências anti-sociais”.
O interesse pela organização do lazer dirigido à infância e à juventude objetivava
introduzir uma política social de assistência médica-pedagógica a este segmento frágil da
população.
Com a visão social de Mário de Andrade empenhado em promover assistência moral
e cultural a jovens e crianças provenientes das camadas pobres da população, os novos
processos pedagógicos irão estabelecer que a educação deveria estimular aspectos ligados à
inteligência e à solidariedade social, e que a recreação viria contribuir eficazmente para essa
finalidade.
A corte, desprestigiada pelos códigos de civilidade, incorpora novos comportamentos
ainda não apropriados pela cultura popular numa tentativa de justificar seus privilégios.
Começam a existir os passatempos coletivos que demandará o início de um novo
comportamento lúdico nesta sociedade.
Assim começa a forma-se uma cultura de lazer.

4.2 – O conceito de lazer

"O lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre


vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou
ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua
participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou
desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais." (Dumazedier,
1976, apud Oleias) 4

Lazer – [do lat. Licere, “ser lícito”] ócio, descanso, folga, vagar. Senso de prazer e
da volúpia. Tempo de que se pode livremente dispor, uma vez cumprido os afazeres
habituais. Divertimento, entretenimento, distração, recreio. (Novo Aurélio Século
XXI)

O conceito de lazer surge em 1976, através do sociólogo francês, Joffre Dumazedier,


criador do que atualmente é chamada a sociologia do lazer. Segundo ele o uso do tempo livre
é um fator de desenvolvimento cultural, portanto seria o “terceiro setor”, a indústria do lazer.
O tempo destinado ao lazer é compensatório, pois repõe as energias para as próximas
atividades obrigatórias, descarrega as tensões do trabalho, tudo isso se deve ao fato de quebrar

4 Dumazedier, Joffre. Sociólogo Francês, apud Oleias, Valmir José. Sociólogo Brasileiro. Disponível no site
http://www.cds.ufsc.br/valmir/cl.html . Acessado Em 03/06/2007 as 05hs35min.
38

a rotina, nem que seja com uma simples caminhada em um parque, ou em uma conversa
familiar, onde encontram prazer em pequenos gestos do cotidiano, e são capazes de preencher
com isso as necessidades de exercícios físicos, de criatividade manual, de sonhos, de
informação, de sociedade.
“O lazer é como qualquer atividade que não seja profissional ou doméstica, um
conjunto de atividades gratuitas, prazerosas, voluntárias e liberatórias, centradas
em interesses culturais, físicos, manuais, intelectuais, artísticos e associativos,
realizados em um tempo livre roubado ou conquistados historicamente sobre a
jornada de trabalho profissional e doméstico e que interferem no desenvolvimento
pessoal e social dos indivíduos” (Camargo, 1989).
Poderíamos definir lazer, como uma forma de você utilizar seu tempo dedicando-se a
uma atividade prazerosa e que você goste de fazer, o que não significa que seja sempre uma
mesma atividade.
Fazendo convergir às diversas expressões, podemos considerar a ausência de
qualquer atividade concreta, ou seja, certa liberdade de não fazer coisa alguma. Surge de
forma clara uma tentativa de definir certo tempo (fora das ocupações diárias) em contraponto
com o outro tempo (o das ocupações diárias). Assim, o conceito “tempo livre” parece aquele
que melhor corresponde à necessidade de “batizar” a parte do dia em que não estamos
ocupados com atividades definidas.
É evidente constar à importância do lazer para a recuperação física e psíquica dos
desgastes que as pessoas sofrem nas relações no dia a dia, na família e nos grupos sociais de
que fazem parte.
A instituição procurara em suas ações proporcionar ao publico alvo experiências que,
além de possibilitarem a recuperação física e mental, melhorem a qualidade de vida e atendam
à necessidade de participação, solidariedade e integração sócio-cultural.
No Brasil a classificação de lazer se divide em três atividades: as esportivas, as
recreativas ou lúdicas e as culturais. O lazer é geralmente gratuito, o lazer cultural é centrado
nas artes e no conhecimento, e o lazer esportivo é relacionado a exercícios físicos.
39

4.3 - A importância do brincar

É no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou o adulto fruem sua


liberdade de criação. (Elisabeth Salgado)5

A afirmação central da valorização do brincar encontra-se em Santo Tomás de


Aquino: “O brincar é necessário para a vida humana”.

O brincar não esta restrito apenas as crianças. É mais comum vê-los brincar, mas
muitas vezes os adultos usam brincadeiras para esquecer o stress do dia-a-dia.
Todas as crianças, assim como todo ser humano, são indivíduos inseridos na
sociedade, e são portadores de cultura profundamente marcada pelo meio em que vivem.
Tendo na família um ponto de referência por onde estabelecem relações sociais.
Através do brincar a criança tem uma forma de aprendizagem, e é um instrumento
que permite que a criança atribua sentido ao mundo e as suas relações com suas necessidades,
tendo assim bagagem para desenvolver atividades mais elaboradas futuramente.
É desenvolvida durante o brincar a auto-estima das crianças, o entendimento da
colaboração, divisão, liderança, obediência às regras e competição, favorece a aprendizagem e
habilidades motoras, desenvolve habilidades visuais e auditivas, seu raciocínio criativo e
inteligência. Finalmente, o brincar pode funcionar como um espaço através do qual a criança
deixa sair sua angústia, aprende a crescer e aprende os limites.
A experiência criativa começa com o viver criativo, manifestado primeiramente na
brincadeira. A criança privada de brincadeiras é notoriamente inquieta e incapaz de brincar,
apresentando um empobrecimento da capacidade de experiências no campo cultural. Se a
criança não gosta de brincar ou não é criativa nas brincadeiras, é porque ela esta com
problemas.

A ludoterapia é a terapia adaptada para o tratamento infantil através do lúdico, "do


brincar". Essa terapia tem mostrado excelentes resultados em crianças com diversos tipos de
problemas, permitindo que a criança expresse seus medos, conflitos e ansiedades,
possibilitando, com o auxilio do terapeuta, a elaboração destes sentimentos.

5 Salgado, Elisabeth. Psicopedagoga disponível em www.elisabethsalgadoencontrandovoce.com, acesso em


04/06/2007 às 23h24min.
40

CAPÍTULO 5 – CULTURA

5.1 - Conceito

Cultura – [do lat. Cultura] ato, efeito ou modo de cultivar. Conjunto de


características humanas que não são inatas, e que se criam e se preservam ou
aprimoram através da comunicação, e cooperação entre indivíduos da sociedade.
Atividade e desenvolvimento intelectual de um indivíduo. Antrop. O conjunto com
complexo de códigos e padrões que regulam a ação humana individual e coletiva, e
se manifestam praticamente em todos os aspectos da vida.

A palavra Cultura deriva do latim “Cultura” onde o significado é cultivar o solo,


cuidar. É extremamente importante que esse solo seja cultivado por um número cada vez mais
amplo de setores da sociedade.
Os conceitos de cultura muito freqüentemente diferem do senso comum. E coube ao
antropólogo Edward Burnett Tylor oferecer pela primeira vez uma definição formal do
conceito popularmente adotado, Tylor define como sendo cultura as formas de organização de
um povo e todos os comportamentos que são aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano e
transferidos para as gerações seguintes, conferindo uma identidade para esse povo. Portanto
tudo o que nasce da alma do homem - e mais seus hábitos, costumes, tradições e crenças - é
cultura.
Não existem culturas melhores, nem culturas piores, pois é impossível julgarmos
objetivamente as diferenças, um exemplo é o Brasil que não é igual culturalmente a nenhum
outro país, diferindo nos valores, na maneira de vestir e agir, na música, teatro, artes, lendas e
contos populares, santos, milagres e crenças, comidas, artesanato. De tudo isso o Brasil tem
um pouco. E de tudo isso se faz a identidade do brasileiro.
A Cultura de um povo se aprende e pode evoluir com o tempo.
A perspectiva da cultura como “mecanismo de inclusão social” inicia-se com o
pressuposto que o homem precisa de orientação para encontrar suas bases no mundo, esses
são bens imateriais que ele tem que apreender antes de poder funcionar, considerando que ele
é um ser inacabado, completando-se por ações, e pensar, e isso consiste não somente no
mental, mas também palavras, gestos, desenhos, sons musicais, ou toda ação que acontece ao
seu redor. Esses são pré-requisitos humanos. Com isso podemos deduzir que não existe a
natureza humana sem a cultura.
41

A cultura é aperfeiçoada, desenvolvida, e modificada, continuamente, nem sempre de


maneira perceptível pelos membros do próprio grupo. É justamente isso que contribui para
seu enriquecimento constante, por meio de avanços e criações da própria sociedade e ainda
através do que é adquirido de outros grupos.
A cultura é essência de uma sociedade, não pode e nem deve ser mudada por
imposição, portanto não se deve prever a eliminação de determinados traços culturais.
Além dos hábitos e costumes que recebe de seu grupo, o homem amplia seus
horizontes, e passa a ter novos contatos com grupos diferentes em hábitos, costumes os quais
farão com que adquiram alguns desses modos de agir e pensar. Trata-se da aquisição pelo
contato.
É certo que essa transmissão pelo contato não abrange toda a cultura do outro grupo.
Somente alguns traços se transmitem e se incorporam aos seus padrões hábitos ou costumes
que até então lhe eram estranhos. Havendo uma troca recíproca de valores culturais. Dessa
forma, o homem adquire novos elementos culturais, e enriquece seu tipo cultural.
Atividades e ações culturais são indispensáveis para a produção de conhecimentos
que contribuam para a solução dos graves problemas que comprometem o desenvolvimento
do País. A cultura é também um dos fatores que possibilitam a criação de condições
favoráveis a uma efetiva transformação dos indivíduos e da sociedade.
A cultura assume sentidos múltiplos que contribuem aos processos vindo na
contramão da violência, proporcionando identidade individual e coletiva, proporcionando
ética e estética.
As atividades artísticas e lúdicas comumente integram projetos como linguagem para
a cidadania, com a intenção de estimular a criatividade e a liberdade de expressão.
Uma das formas de estimular a produção artístico-cultural é criar espaços para a
manifestação desse tipo de realizações. A instituição pretende oferecer um modo de
aperfeiçoar a cultura brasileira, e de melhorar o nível intelectual da população infanto-juvenil
dos bairros e escolas próximas ao local de implantação. Visa também ao fortalecimento da
identidade nacional – fatores essenciais para o processo de desenvolvimento.
Há intenção também de procurar atender às necessidades de lazer cultural da
população que utilizará o projeto, sensível para o fato de que as necessidades de integração
social, exposição de emoções, entretenimento e diversão são fundamentais para o
desenvolvimento do ser humano.
As atividades culturais serão realizadas através de ações que incluem teatro, cinema,
dança, música, palestras, seminários, debates e oficinas. Procurando, com estas linhas de
42

educação, permitir ao público-alvo o acesso durante seu tempo livre ao lazer cultural que
proporcione diversão e entretenimento.

5.2 - Cultura marginalizada

Apesar de contribuir para formação do ser humano, a cultura, é incapaz de orientar


nossos comportamentos ou ordenar nossas experiências sem a tendência fornecida por ações
significantes.
Para obter a informação adicional necessária no sentido de agir, somos induzidos a
depender cada vez mais de estímulos externos. Nossas idéias, nossos valores, nossos atos, até
mesmo nossas emoções são uma herança que o homem recebe ao nascer. Desde o momento
em que nasce a criança começa a receber uma série de influxos do grupo em que nasceu.

Figura 5.1 desenho feito por menino após ver tiroteio


Fonte: www.duplipensar.net/artigos/200x/esse-individ

Os pais se preocupam com a cultura recebida por seus filhos.Um exemplo é uma
entrevista feita por Zaluar, a um ladrão eventual de 29 anos, pai de família, onde ele
demonstra preocupação com seus filhos não os querendo no meio da rua. Assim se referindo
ao local (rua):

“... é igual, por exemplo, você gostar de uma moto, gostar de um carro bonito,
então eu acho que isso atrai a gente e a mesma coisa é isso, crime. Você vê um
bandido passar e que o bandido falou isso, fez aquilo, que dizer que a pessoa é
atraída por aquilo. É só o que a gente ouve hoje, sobre crime... porque no ambiente
em que a gente mora só se comenta isso, é o que mais se comenta na favela é a
respeito do crime... e isso fascina as pessoas que moram ali dentro e é atraído por
aquilo.” (ZALUAR, 1992, PAGINA 26).
“Amamentados pelos sons dos tiros” é esse o contexto onde esses jovens vivem, em
meio aos riscos e vulnerabilidades das drogas, violências e crimes, e as figuras com as quais
43

eles se identificam é o chefe do tráfico, o chefe do crime. Para esses jovens, o tráfico
representa uma possibilidade de melhoria de vida social. E o traficante é visto nos meio onde
eles vivem como uma figura de respeito que zela pelo bem-estar da comunidade à medida que
faz bem feitorias, muitas vezes substituindo o Estado. E para eles são os traficantes que os
respeitam como cidadãos.
Outro motivo para jovens se envolverem com o crime é para financiar o próprio
vício, pois as drogas é uma forma que encontraram para fugir da vida difícil, uma forma de se
sentirem mais leves, mais contentes.
À medida que a criança vai crescendo, recebe novas influências desse mesmo grupo,
de modo a fazer parte da sociedade, passando a agir como reflexo de sua sociedade fazendo
aquilo que é normal e constante para ele, agindo de acordo com padrões já pré-estabelecidos.
Como a diversão é limitada, a rua se torna a única forma de diversão para crianças de
bairros carentes, a mesma rua marginalizada, onde recebem as culturas provenientes deste
meio. Essa rua que muitas vezes é onde a criança passa a maior parte do dia, quando não estão
na escola.
A carência de atividades é explorada pelo tráfico marcando presença e ocupando
espaços deixados em aberto pelo poder público, colocando lazer, organizando festas, e uma
série de outras atividades para animar a comunidade, e assim se transformam em uma
referência para os jovens.
44

CAPÍTULO 6 – PRINCIPIOS ARQUITETÔNICOS

6.1 - Definição da área de implantação

O Projeto será implantado em Campo Grande, capital do estado do Mato Grosso do


Sul.

Foto 6.1 Foto 6.2


Fonte: www.inema.com.br Fonte: www.moldurarte.com.br

Campo Grande é uma cidade que se revela moderna, de vias largas e arborizadas que
harmoniza crescimento com qualidade de vida.
45

Foto 6.3 Foto 6.4


Campo Grande vista do parque das nações indígenas vista noturna do centro da cidade
Fontes: www.elitebrasil.com.br/matogrossodosul/ www.brazil4you.com/cidades/?CodCid=36

Dados Gerais da cidade de Campo Grande – MS:


Localização: Município da região centro-oeste –
capital do estado do Mato Grosso do Sul
População: 724.638 habitantes segundo o IBGE
Limites: Norte: Jaraguari e Rochedo; Sul: Nova
Alvorada do Sul e Sidrolândia; Leste:
Ribas do Rio Pardo; Oeste: Terenos.
Temperatura média anual: 23.19°C
Área: 8.118,4km²
Altitude: 532m²
Distância de Brasília: 1134km
Tabela: 6.1

Ventos predominantes: segundo a Embrapa, a direção leste é predominante com sua


freqüência superior a 30%, existindo também uma freqüência significativa nas direções norte
e nordeste.

A FREQÜÊNCIA MÉDIA É:
NW: 0-14%
NE: 5-17%
SE: 5-16%
46

N: 5-17%
E: > 36%
Tabela 6.2

A Cidade está dividida em sete regiões: Região Urbana do Centro, Região Urbana do
Segredo, Região Urbana do Anhanduizinho, Região Urbana do Bandeira e Região Urbana do
Prosa.

Figura: 6.5
Fonte: www.pmcg.ms.gov.br
47

O bairro onde será implantado o Centro Cultural e Assistencial Infantil, esta localizado
na Região Urbana do Bandeira. O lote está localizado no Bairro Tiradentes.

Figura 6.6
Fonte: www.pmcg.ms.gov.br

6.2 - Contexto histórico-cultural

6.2.1 - O Bairro Tiradentes em Campo Grande

Em meados de 1950, o médico Dr. Anísio de Barros, compra uma extensa área do
“Bandeirinha” (antigo dono de uma extensa área na cidade, situada na região hoje chamada de
Bandeira, em homenagem a ele) e forma a Fazenda Rancharia, que inicialmente serve para
receber os gados provenientes de suas fazendas no pantanal.
Com a abertura da rua Joaquim Murtinho, a cidade começa a se aproximar da Fazenda
Rancharia, fazendo com que o Dr. Anísio de Barros reveja os planos para sua propriedade.
Assim nos anos 70, o médico promove o começo do loteamento da fazenda, para
incentivar a ocupação. Doou uma área para os salesianos, área onde hoje é o Asilo São João
Bosco.
48

Posteriormente a fazenda é cortada pela estrada das Três Barras e pelo mini-anel. A
proximidade ao mini-anel, e as condições hidrológicas, suscitou uma coleção de mais de doze
piscinas naturais regadas pelas minas do Córrego Lajeado, área recentemente ocupada pelo
empreendimento imobiliário, Condomínio Dahma.

6.3 - Contexto jurídico-institucional

O terreno esta localizado entre as ruas: ao norte Joaquim Murtinho, ao sul Brasilândia
e a oeste Antônio Pinto de Barros.
A lei de uso e ocupação do solo, que dispõe sobre a área urbana do território do
município de campo grande, estabelecida por lei, para as quais são atribuídas diferencialmente
permissões e restrições de uso e ocupação do solo, visando o ordenamento geral do
assentamento.
Segundo esta, o terreno escolhido esta localizado na zona de uso Z7, que permite as
categorias residenciais, comerciais atacadistas e varejistas, industrial e serviços diversos.
O tema deste trabalho encaixa-se na categoria de prestação de serviços, S1 e S2, que
permite resumidamente:
S1: Autônomos, escolas de informática, bicicletaria, serviços para alimentação,
imobiliárias, consultórios e clinicas medicas, academia de ginástica, cursos de línguas e
profissionalizantes, bares e congêneres sem musica. Todos com porte até 720m².
S2: idem ao item S1, todos com porte acima de 720m².

Em função do permitido ao zoneamento Z7, a taxa de ocupação é 50%, a taxa de


permeabilidade é de 12,5%, o índice de elevação é dois pavimentos é livre para as laterais e
frente, e de 5 metros a frente do lote.
Localizado na Latitude 20°28'9.43"S e Longitude 54°34'43.03"O
49

Foto 6.7
Fonte: www.maps.google.com.br

6.4 - Contexto socioeconômico

Figura 6.8 Figura 6.9


Bairro Tiradentes
Fonte: a autora

A tipologia de ocupação do solo mais ocorrente é a residencial, térrea e centro de lote,


predominando as construções de baixa renda, e alguns condomínios residenciais próximos,
também de baixa renda.
50

A população residente no Bairro Tiradentes excede 15000 habitantes com densidade


habitacional de 15,71 hab/ha.

6.5 - Infra-estrutura

Abastecimento de água – a região é abastecida pela rede pública de distribuição de


água.
Pavimentação asfáltica – no Bairro Tiradentes, atualmente é em 30% do bairro, e está
em processo de pavimentação das principais ruas para a passagem da linha de ônibus.
Educação - existem oito escolas nas proximidades dos terrenos (duas municipais, e
seis estaduais)
Coleta de lixo - três vezes por semana.
Esgoto sanitário - possui esgoto em 50 % do bairro.
Iluminação pública – a iluminação pública é bastante deficiente na maior parte das
ruas do bairro.
Saúde – a região do Tiradentes conta um centro de saúde 24 horas.
Lazer – A região do Bandeira e o Bairro Tiradentes ainda não são bem providos de
locais de lazer.
Transporte Urbano – A região é provida por várias linhas de ônibus, com fluxo
suficiente nos horários de pico, e deficiente no período noturno e nos demais horários diurnos,
havendo também deficiência de linhas para terminais, e para o shopping.
51

6.6 - O terreno

Figura 6.10
Fonte: www.maps.google.com.br

Figura 6.11: Curvas em nível


Fonte: geomorena
52

O terreno possui a área aproximada de 27820.587m², e como é possível visualizar na


foto anterior, o terreno é plano.

Figura 6.12: Vista do oeste do terreno


Fonte: a autora

Figura 6.13: Vista do norte do terreno


Fonte: a autora
53

Figura 6.14: Vista do entorno do terreno ao norte


Fonte: a autora

Figura 6.15: Vista do entorno do terreno ao sul


Fonte: a autora
54

CAPÍTULO 7 – PROPOSTA ARQUITETÔNICA

O projeto a ser apresentado, “Centro Cultural e Assistencial Infantil”, irá contemplar


soluções arquitetônicas, para que esse possa eliminar ao máximo as barreiras físicas ou
sensoriais de uma edificação, proporcionando autonomia a todos que o freqüentarem.
Ele deverá ser um modelo para cidade que possui pouca preocupação com o direito
de ir e vir de todos. As pessoas devem se conscientizar da importância de um espaço
projetado para todos.
O local na verdade terá a função de auxiliar professores do ensino regular, com
cursos, palestras e principalmente oficinas, para que esses possam atender crianças carentes.

7.1 - Centro cultural e assistencial infantil

“Educai as crianças e não será preciso punir os homens” (Pitágoras)

A própria sociedade impõe barreiras para a inclusão social, começando por dar valor
de status a quem tem acesso à cultura. Sendo assim é conveniente a construção de um espaço
público, para que as crianças possam desde cedo desfrutar do verdadeiro sentido de cultura,
lazer e educação.
Qual a fórmula para um novo ensino
público de qualidade? Teoricamente: pão +
trabalho + educação = ordem. Combater a fome
e a ociosidade, esta seria a fórmula para um
ensino de qualidade e para impedir o avanço da
criminalidade.

Figura 7.1

Fonte: posto-assistencia-maria-ajudando
55

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional prevê a transformação gradativa de


um sistema educacional como conhecemos para o regime de tempo integral. Ao mesmo
tempo a lei reconhece e valoriza as iniciativas de instituições que desenvolvem experiências
extra-escolares, estas organizações, nascidas em geral por iniciativa da própria comunidade,
que trabalham por uma educação melhor e pela proteção social.

Atualmente a educação precisa atender a essas novas funções devido à dimensão


social assumida pela escola, mas dificilmente a escola tem infra-estrutura necessária para
poder oferecer determinados serviços exigidos à educação integral.

É indicada a oferta de serviços educacionais com tal abrangência através de uma rede
de apoio à escola visando o ensino integral como forma de proteção à infância.

O plano pedagógico da nova educação deve articular cultura, saúde e educação e ser
construído em toda a comunidade escolar. É o que garantirá a qualidade do ensino integral.
Isso é fundamental para os processos de igualdade social. A educação deve ser repensada
como uma forma de integração com os outros espaços.

O objetivo da instituição de apoio à nova educação pública é requerer integração à


ordem através da oferta de assistência ao menor carente em uma instituição de caráter
disciplinador e uma rede que possibilite não apenas educá-los, mas atendê-los com serviços
sociais, pois pode ser o único lugar que alguns jovens são bem-vindos. Então lá se deve cuidar
da saúde médica e odontológica. Cuidar da higiene. Alimentar e capacitá-los para o mercado
de trabalho. Em “a produção da escola pública contemporânea”, Gilberto Luiz Alves cita a
merenda como importante função da escola pública de modo a compensar o que eles não
encontram em casa. Toda a abrangência do centro cultural e assistencial infantil se trata de
ajudar a preparar e servir a “sobremesa” para uma população que pode nem sequer possuir a
refeição principal.

É importante fazer com que a educação integral tenha entre seus princípios a
interligação com a sociedade para o desenvolvimento social dos estudantes e da comunidade.

Atualmente o ensino é um fenômeno de desigualdade social, por isso é preciso


levantar uma forma de constituir uma educação com igualdade de condições para todos os
membros da sociedade em todos os sentidos. A idéia da educação hoje em dia é formar
pessoas e não só abastecê-las com conteúdo. Deve-se haver um enorme esforço para
56

aproveitar as características culturais já presentes nas crianças e jovens e promover a


educação a partir dessas características.

7.2 - Quantidade de crianças que serão assistidas:

Segundo dados obtidos no programa Escola Viva, em Campo Grande MS, em média
402 jovens freqüentam as oficinas oferecidas nas escolas aos finais de semana, portanto os
projeto pretende assistir uma média de 500 crianças diariamente.

NÚMERO DE PARTICIPANTES NAS OFICINAS /2006


ESCOLAS TOTAL DE PARTICIPANTES
Nº MÊS DE MARÇO/2006
01 EM PROF.ª ARLENE MARQUES 465
DE ALMEIDA
02 EM CARLOS VILHALVA 304
CRISTALDO
03 EM PROF.ª ELIZABEL MARIA 411
GOMES SALLES
04 EM ELIZIO RAMIREZ VIEIRA 662
05 EM EULÁLIA NETO LESSA 244
06 EM PE. HEITOR CASTOLDI 312
07 EM PROF.ª IONE CATARINA 400
GIANOTTI IGYDIO
08 EM PROF. JOÃO CÂNDIDO DE 475
SOUZA
09 EM MAESTRO JOÃO CORRÊA 408
RIBEIRO
10 EM JOÃO NEPOMUCENO 373
11 EM PROF.ª LEIRE PIMENTEL DE 443
CARVALHO
12 EM CONSULESA MARGARIDA 516
MAKOUD TRAD
13 EM PROF.ª MARIA TEREZA 606
57

RODRIGUES
14 EM PROF.ª MARINA COUTO 244
FORTES
15 EM PROF.ª ONEIDA RAMOS 316
16 EM SANTOS DUMONT 370
17 EM PE. TOMAZ GHIRARDELLI 647
18 EM PROF.ª OLIVA ENCISO 420
19 EM SULIVAN SILVESTRE 434
OLIVEIRA
20 TOTAL PARTICIPANTES 8050

Tabela 7.1 - Fonte: www.pmcg.ms.gov.br

7.3 - Condicionantes

• A Convenção Internacional dos Direitos da Criança, o Estatuto da Criança e


do Adolescente e a Constituição Federal Brasileira conferem direitos a
crianças e adolescentes como garantia de proteção e desenvolvimento
integral. As crianças e adolescentes são o foco principal de atendimento do
Centro Cultural e Assistencial Infantil.
• Não é intenção de a instituição substituir a família ou a comunidade, com
laços afetivos essenciais para o desenvolvimento na infância e adolescência.
Por isso, o Centro Cultural e Assistencial Infantil propõe a trabalhar para o
fortalecimento de suas famílias e comunidades e a ajudar os jovens a se
tornarem mais autônomos e emancipados.
• Toda transformação social pressupõe um trabalho sério de educação. O
Centro Cultural e Assistencial Infantil tem sua ação predominantemente
educativa, baseada na idéia que através da Educação é possível a
transformação da sociedade com melhores condições de vida para todos.
• O Protagonismo Juvenil pode ser compreendido como gerência da sua
própria vida pelos jovens em formação como sujeitos de sua vontade, de sua
imaginação, de sua criatividade e o respeito a seus valores culturais e o
estímulo à sua participação nas decisões. Tais práticas estão fundadas da
crença de que a participação ativa dos jovens na definição de sua vida e da
58

sociedade contribui para a formação de uma postura cidadã. Os jovens serão


estimulados a participar de várias decisões a respeito da entidade, convidados
a emitir suas opiniões acerca de variados temas. Isso faz com que esses
jovens se sintam privilegiados e responsáveis pelo que acontece dentro da
entidade.
• Usar da estratégia do “Ensino mútuo” – alguns alunos adolescentes,
instruídos pelo mestre, ensinam outros adolescentes, supervisionando sua
conduta e administrando, material didático, portanto se tem jovens ensinando
outros jovens e crianças da comunidade, que desenvolveriam um sentido de
orientação, tendo como ênfase a cultura e a reconstrução de valores éticos,
como os de solidariedade e responsabilidade social.
59

8 – PRECEDENTES

8.1 - Funcionais:

 Precedente 1
Obra: CENTRO CULTURAL E ASSISTENCIAL
Local: Ubatuba – SP
Ano: 2001
Autor do Projeto: Ruy Ohtake

http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura628.asp

Figura 8.1

Também conhecido como “Centro o Menino e o Mar”, teve inicio em 1999 e


conclusão em 2001.
“o projeto procura contribuir para que crianças hoje excluídas amanhã se tornem cidadãos,
com dignidade”, observa Ohtake.
Tem a forma de um peixe e elementos que lembram as ondas, destaque por seu
desenho simples e uso de materiais locais.
Possui um espaço para eventos, o “Pavilhão do Menino Pescador” voltado para uma
pequena praça, nos outros blocos está localizado o posto médico, berçário e administração,
salas de aula e ateliês, e um espaço reservado para restaurante ainda não construído.
60

http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura628.asp

Figura 8.2

 Precedente 2
Obra: CENTRO ASSISTENCIAL
Local: São Paulo – SP
Ano: 2002
Autor do Projeto: Danielle Klintowitz, Stefânia Dimitrov e Alessandra Pires.

Figura 8.3
Fonte: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura312.asp
61

Com dois edifícios, de uso educacional (Núcleo multimídia) e cultural (teatro de


arena), voltados à população carente do Jardim Ângela, bairro extremamente populoso e
adensado da periferia sul de São Paulo
Implantadas em terreno com 40 mil m2 e topografia irregular, originalmente ocupado
por centro de extensão escolar.
No núcleo multimídia possui sala de informática e estúdio de áudio e imagem.

8.2 – Tipológicos

 Precedente 3
Obra: CENTRO DE ENSINO EXPERIMENTAL CÍCERO DIAS
Local: Recife - PE
Ano: 2006
Autor do Projeto: Ana Paula Polizzo, Gustavo Martins e Marco Milazzo

Figura 8.4
Fonte: www.plataformaarquitectura.cl/.../admin/page/5/
62

Fonte: http://www.vitruvius.com.br/institucional/

Figura 8.5

Escola pública modelo, funciona em período integral. Os alunos fazem três refeições
por dia e contam com aulas especiais, como língua estrangeira e filosofia.
A escola não possui muros nem portões, partindo da idéia que o conhecimento não
deve ser concentrado e sim difundido para além das barreiras e muros da escola.
Usando técnicas tradicionais de modulação foi possível a construção mais rápida e
econômica.
O volume foi dividido em cinco blocos: de administração e professores, de salas de
aula e laboratórios, de serviço e refeitório, de biblioteca e informática, e de auditório. Esse
conjunto possui um e dois andares unidos por um conjunto de estruturas metálicas.
O projeto atende todos os requisitos de acessibilidade e conforto térmico, utilizando-se
de rampas e bom aproveitamento de ventilação e iluminação natural.
Outro fator importante é o entendimento de que a escola não poderia ter fundos, todas
as fachadas deveriam ser trabalhadas como principais.
O programa para a escola foi elaborado de forma a iniciar um novo conceito de ensino.
As nove salas de aula foram dimensionadas para um específico número de alunos e são
divididas entre si por painéis móveis, que permitem a configuração de um espaço único, se
necessário. As salas são equipadas para que possa ser informatizado, o auditório localizado no
térreo possibilita fácil acesso de visitantes em caso de eventos e o programa da escola também
inclui uma biblioteca informatizada.
A idéia é formar uma escola para ensino diferenciado, buscamos criar um projeto de
fácil execução, racionalidade construtiva, sem perder de vista a sua estética, volumetria e
importância como formadora de cidadãos.
63

Fonte: http://www.vitruvius.com.br/institucional/

Figura 8.6

8.3 – Plásticos/ Formais


 Precedente 4
Obra: ESCOLA DE MARKETING INDUSTRIAL
Local: Cotia-SP
Ano: 2003
Autor do Projeto: João Paulo Campos e Ernesto Zamboni

Foto 8.7 - Jardin interno


Fonte: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura390.asp
64

Ambientes educacionais integrados à escala da natureza


O conjunto se divide em dois módulos de salas de aulas. Separados entre si por uma
grande praça, cada um deles abriga também uma praça de convivência com cobertura vazada
na área central.
Ele foi construído em alvenaria convencional, revestido por tijolos aparentes e apresenta
fechamento com grandes extensões em vidro, detalhe que assegura vista constante para o
verde.

 Precedente 5
Obra: ESCOLA PHD INFANTIL
Local: Natal-RN
Ano: 2003
Autor do Projeto: Felipe Bezerra

Foto8.8: muro recortado que delimita o corredor


Fonte: www.arcoweb.com.br

Explorando ao máximo o potencial de materiais como a alvenaria comum, as telhas


metálicas e os cobogós, o arquiteto Felipe Bezerra desenvolveu um projeto de impacto visual.
A proposta baseou-se em formas e cores para despertar o interesse dos moradores da região.
Internamente, os cuidados com o conforto térmico definiram uma das características
mais importantes do projeto. Como a face principal está voltada para o poente, o muro
amarelo com recortes, que internamente delimita o corredor de acesso às salas de aulas, foi
projetado com a função de protegê-las contra a radiação solar direta, ao mesmo tempo em que
permite a saída do ar quente - os ventos dominantes incidem pela face oposta.
65

Por sua vez, as classes são delimitadas por cobogós. “Desse modo há ventilação
cruzada constante”.

8.4 – Tecnológicos

 Precedente 6
Obra: TEATRO MUNICIPAL DE NATAL
Local: Natal-RN
Ano: 2005
Autor do Projeto: Mario Biselli e Guilherme Motta

Foto 8.9 - Grelhas de proteção solar


Fonte: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura656.asp

Escolhido em concurso público de arquitetura, no final de 2006, o projeto do Teatro de


Natal foi criado por equipe liderada por Mario Biselli e Guilherme Motta. No desenho dos
arquitetos paulistas, o privilegiado terreno - com duas esquinas - ganhará uma grande praça
pública, de configuração triangular, voltada para a via principal. Nesse espaço livre de
construções, uma parte será pavimentada e destinada a apresentações ao ar livre, e a porção
restante será ocupada por jardim de palmeiras e jatos d’água.

 Precedente 7
Obra: UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL
Local: São Paulo – SP
Ano: 2001
66

Autor do Projeto: Kruchin Arquitetura

Figura 8.10 elementos da fachada da Unicsul Figura 8.11 janelas da biblioteca voltada para pátio
Fonte: arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura529 Fonte: arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura133

A construção, que se expressa a partir da estrutura metálica, tem suas fachadas


como elementos funcionais e estéticos.
O edifício foi concebido de modo a firma pela identidade de sua arquitetura,
uma autonomia que o desenho torna explícita.
Na cobertura, outro destaque do projeto: uma praça arborizada com pista de
cooper. Como o pavimento superior está praticamente na mesma altura da copa das árvores,
há a sensação de um jardim elevado contínuo.
67

9 – MEMORIAL DESCRITIVO

9.1 – Listagem das espécies utilizadas no paisagismo

• GRAMA SÃO CARLOS

Representação em Projeto:

Nome científico: Axonopus


Popularmente conhecida: Curitibana
Fertilidade do solo: Médios e fracos
Altura: até 15 cm
Tolerâncias: Pisoteio Seca e áreas sombreadas.
Descrição: Grama rasteira com folhas largas, lisas e sem pelos cor verde-intenso e com
estolhões ou estolhos (caules rastejantes, que emitem de espaço em espaço raízes para baixo e
folhas para cima abundantes), é também a mais resistente a sombra mas adapta-se bem a áreas
ensolaradas.
Crescimento pouco intenso para o alto, formando um gramado bastante denso. Resiste bem às
pragas e ervas daninhas.
Utilização:
jardins públicos e residenciais,
áreas industriais,
casas de campo,
segurar barragens,
evitar erosão,
regiões de clima frio também, e
evitam crescimento de matos.
68

Figura 9.1
Fonte: www.isla.com.br/img/artigos/2005-02-14.grama.jpg

• FLAMBOYANT

Representação em projeto:

Nome científico: Delonix regia


Altura: até 15 m de altura

Seu uso na arborização urbana fica recomendado apenas a parques e grandes espaços,
devido a sua altura e suas raízes muito superficiais que destroem as calçadas ao seu redor.
Suas flores são majestosas e de cor vermelha-alaranjada ou amarelas, e a época de
floração é de outubro a dezembro.
69

Figura 9.2
Fonte: http://ourworld.compuserve.com/

• JACARANDÁ
Representação em projeto:

Nome científico: Jacaranda mimosifolia


Altura: até 15 m de altura
Características: Árvore frondosa, de folhagem delicada. De porte médio, esta espécie pode
atingir até 15 metros de altura. Durante o inverno, o jacarandá-mimoso perde suas folhas, mas
no início da primavera ele se cobre de flores arroxeadas e perfumadas. A floração se prolonga
até o começo do verão e recobre praticamente toda a copa.
70

Figura 9.3
Fonte: www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=50815...

• PATA DE VACA

Representação em projeto:

Nome científico: Bauhinia variegata (flor rosa)


Nome científico: Bauhinia (flor branca)
Altura: até 10 m de altura

Características: Árvore mediana de até 10 m de altura, com copa densa. As flores de


coloração rosa ou brancas. A floração ocorre de julho a setembro.
71

Figura 9.4
http://www.arvores.brasil.nom.br/florin/bauhi.htm

• CHUVA DE OURO

Representação em projeto:

Nome cientifico: Cassia fistula

Observações: Altamente decorativa, indica-se plenamente à ornamentação de parques e


jardins.
72

Floração: Apresenta caprichosa disposição de flores perfumadas em ramos pendentes. É,


entre as espécies do gênero, a que mais se caracteriza pelo aroma. Floresce nos meses de
Outubro, Novembro e Dezembro.

Figura 9.5

Fonte: www.imagem.ufrj.br/index.php?acao=detalhar_im

• CLOROFITO

Representação em projeto:

Nome científico: Chlorophytum comosum hybrido


Nome popular: clorofito, gravatinha.
Porte: 15 a 20cm de altura.

Características: Herbácea de folhagem ornamental verde com bordas brancas ou


apresentando coloração branca ou amarelada no centro, com as bordas verdes. Utilizada como
forração em canteiros, preferencialmente a meia-sombra e em locais de clima quente e úmido.
O solo deve ser rico em matéria orgânica e mantido úmido.
73

Figura 9.6

Fonte: www.biologico.sp.gov.br

• TRAPOERABA-ROXA

Representação em projeto:

Nome científico: Tradescantia zebrina

Porte: 15 a 25cm de altura.


Características: Herbácea prostada
suculenta, folhagem ornamental. Folhas
verdes arroxeadas, com duas faixas
prateadas brilhantes na face de cima e
roxas na face de baixo. Prospera em
meia sombra, em terra fértil e com boa
drenagem.

Figura 9.7

Fonte: www.biologico.sp.gov.br/bioin_janeiro05.htm
74

• PALMEIRA-DE-NATAL

Representação em projeto:

Nome científico: Veitchia merrilli

Porte: até 8 metros


Características: De hábito solitário, com estipe delgado, levemente
anelado e de coloração cinza-claro a escuro.

Figura 9.8

Fonte: www.jardinagempaisagismo.com
75

 SANGUE DE ADÃO

Representação em projeto:

Nome científico: Salvia splendens

Foto 9.9

Fonte:
http://www.expomudas.com.br
/ornamentais017.htm

Porte: 0,80 a 1,20m de altura.


Flores: Quase o ano todo.
Características: Florescimento intenso sempre à pleno sol. Existem espécies com flores
vermelhas, brancas ou roxas. Não requer muitos cuidados.

 MARIA-SEM-VERGONHA

Representação em projeto:
76

Nome científico: Impatiens walleriana

Foto 9.10

Fonte: http://www.artevegetal.com.br/htmls

Porte: Até 60cm na espécie original e até 20cm nas variedades anãs.
Flores: Quase o ano todo, em diversas cores.
Características: À meia-sombra floresce mais intensamente. É utilizada em conjuntos,
bordaduras ou como forração nas variedades anãs. Dá sempre um toque campestre ao jardim,
com a delicadeza de suas flores. Não requer muitos cuidados.

 IPÊ ROSA

Representação em projeto:

Nome científico: Tabebuia pentaphylla


77

Foto 9.11
Fonte: baixaki.ig.com.br/.../16949-ipe-rosa.htm

Porte: em torno de 8,0 metros


Raízes: pivotantes
Folhas: caduca
Observações: crescimento e florescimento rápido

 PALMEIRA IMPERIAL

Representação em projeto:

Nome cientifíco: Roystonea oleracea


78

foto 9.12

Fonte:
www.palmeirasholambra.com.br/fotos
.html

Características: Palmeira solitária, robusta, provida de palmito de mais de 2m de


comprimento, 18-40m de altura; estipe colunar, liso, de cor esbranquiçada; folhas pinadas, 2-
4m de comprimento.

9.2 - Programa de Necessidades

O programa de necessidades do Centro Cultural e Assistencial Infantil foi


baseado na intenção de dar apoio às escolas sem infra estrutura mínimas
necessárias a educação integral.

Programa dimensionado para cerca de 500 Crianças por período.

1. Bloco 1
A-Térreo
 Setor Administrativo
- Sala de administração
- Diretoria
79

- tesouraria/secretaria
- Almoxarifado central
 Setor de funcionários
- Banheiro de funcionários masculino e feminino
- Sala de funcionários
- Copa
- Sala de reuniões
 Setor Assistencial
- Recepção
- Salas de Assistência Médica
- Sala de Psicologia
- Sala de Enfermagem
- Sala de Assistência Social
- Sala de Psicologia
- Sala de Vacinação
-Sala de Campanhas de apoio a família (Cesta básica, campanha do leite, etc)
- Farmácia popular
- Salas de dentista
- Sala de inalação e reidratação
 Setor Cultural
- Pavilhão de exposições
- Banheiros das famílias femininos e masculinos e PNE
- Laboratório de modelagem, estilismo e costura
- Laboratório de marcenaria, marchetaria e oficina de manutenção
 Setor Esportivo
- Quadra polivalente
- vestiário masculino feminino e PNE
- Lanchonete
- Depósito

B-1°Pavimento
 Setor de apoio Pedagógico
80

- 2 salas experimental
- Laboratório químico biológico
- Laboratório de idiomas
- 2 Salas múltiplo uso
 Setor Artístico
- Sala de cerâmica
- Sala de desenho e pintura
- Sala de música
- Sala de dança
- Sala de teatro e expressão corporal
 Setor Cultural
- Vestiários, masculino e feminino
- Camarins, masculino e feminino
- Mini-auditório
- Sala de conferência

2. Bloco 2
 Setor Multimídia
- Sala de Fotografia
- Laboratório de fotografia
- Estúdio de fotografia
- Laboratório de áudio, som e TV
- Rádio comunitária
- Ilha de edição/gráfica
- Tudoteca (a biblioteca de tudo)
- Laboratório de Informática
- Internet livre
 Setor Assistencial
- Refeitório
- Cozinha
- Depósito
- Câmara fria
81

- Área de serviço
- Banheiros, masculino e feminino
- Espaço para refeições

9.3 – Descrição do projeto

A Implantação em terreno com 31.080 m² e topografia regular, possibilitou o


estabelecimento da apropriação do espaço de forma convidativa, com ampla
integração visual.
O Centro Cultural e Assistencial Infantil – C.C.A.I. - possui dois acessos
voltados para o norte e um para o sul junto ao núcleo multimídia. Tendo assim seus
espaços locados de maneira a permitir permeabilidade entre os ambientes, criando
naturalmente um pátio interno e coberto para onde convergem todas as circulações e
funções. O conjunto tem sistema de fluxos de circulação com eixos bem definidos e
espaços fluidos.

Outro fator importante é o entendimento de que o C.C.A.I não deveria ter


fundos, então todas as fachadas foram trabalhadas como principais, já que o projeto
é perceptível por todos os lados. Assim, C.C.A.I. se abre tanto para fora quanto para
dentro gerando novos espaços de convívio.
O C.C.A.I é distribuído em um conjunto de edificações com um e dois
pavimentos ligadas por uma marquise de treliça espacial, e policarbonato.
Com volumetria integrando linhas retas e curvas e com cores intensas, os
edifícios destacam-se no entorno, caracterizando-os como sedo de fácil identificação
infantil.
O edifício principal possui integração interior/exterior, com ventilação
natural por efeito chaminé e iluminação zenital, criando um micro-clima no jardim
interno onde se localiza a recepção e espera.
O clima de campo grande exigiu um sistema de ventilação natural com
grandes aberturas, varandas e brises para proteção do excesso de sol.
Voltado para a Rua Joaquim Murtinho, esta estrategicamente a sala de
exposições colocada na intenção de convidar a entrar quem passa pela. O saguão dá
82

continuidade ao jardim interno onde se localiza a recepção com balcão de


atendimento ao público e onde fica a administração, os atendimentos a saúde
preventiva e o acesso ao pavimento superior, onde está localizado o mini-auditório, e
onde são ministrados diversos cursos artísticos e culturais.
Este volume principal é independente, mas com comunicação de destaque ao
centro multimídia, por uma marquise de treliça espacial e policarbonato.
Integrado ao centro multimídia está localizado o refeitório dimensionado
para atender simultaneamente até 125 crianças. Do lado oposto ao refeitório se
localiza a “Tudoteca”, chamada assim por ter a intenção de oferecer conhecimento
em suas varias possibilidades de publicações.
O centro multimídia conta também com salas de aula de fotografia,
laboratório e mini estúdio fotográfico, esses dois últimos com paredes cegas para que
não haja influência externa de luz, prejudicando os trabalhos.
Possui também um estúdio de som, imagem e vídeo, radio comunitária e uma
ilha de edição, para os jovens produzirem e publicarem as noticia do bairro.
Solução estrutural:
Pilares de concreto colocados à mesma distância compõem uma malha que
suportam a estrutura, necessitando apenas das vigas nas paredes externas, amarrando
os principais pilares, para vencer grandes vãos foi proposto modelo de laje
protendida nervurada que trava a estrutura para receber os pisos do pavimento
superior e cobertura, e com recheios de nervura feitos com embalagens tetrapak, para
que se possa economizar na quantidade de concreto, e possibilitando conforto
térmico e acústico, os recheios das paredes internas também são feitas com
embalagens tetrapak, para que haja conforto térmico e acústico, e possibilitando uma
estrutura leve.
Nas quadras na marquise e na cobertura do jardim interno, a solução
estrutural adotada é a de “space frames” da casa “molecule”, em que peças de
alumínio se encaixam formando um desenho parecido com o de uma molécula,
podendo assim admitir qualquer forma, e de forma mais leve, que as estruturas
espaciais tradicionais.
83

Foto 9.13
Fonte: http://www.molecule.com.ar/

9.4 – Projeto Arquitetônico

O projeto Arquitetônico, disponível no anexo B, foi dividido em dez pranchas


no formato A1 (84.1cm de largura por 59.4 cm de altura).
O Conteúdo das pranchas engloba a representação gráfica da proposta,
croquis, imagens e textos explicativos.
84

CAPÍTULO 10 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo esta baseado na consideração do lazer como cultura no tempo


disponível, e não em contraposição, mas em estreita ligação com as obrigações da
vida social. Como instrumento de mudança social.

Considerando o momento de violência em que vive o país, procura-se relevar todos


os movimentos que levaram ao envolvimento infantil e a refletir o que a sociedade
pode fazer para tentar mudar, mostra-se assim a importância do Centro Cultural e
Assistencial infantil, não só para seus usuários, mas para a comunidade em geral, que
poderá ser beneficiada direta ou indiretamente.
ANEXO A
LEI N. 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO
DE 1996 (*)

Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

TÍTULO II
DOS PRINCÍPIOS E FINS DA EDUCAÇÃO NACIONAL

Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de


liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I — igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II — liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o
pensamento, a arte e o saber;
III — pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV — respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V — coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI — gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII — valorização do profissional da educação escolar;
VIII — gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da
legislação dos sistemas de ensino;
IX — garantia de padrão de qualidade;
X — valorização da experiência extra-escolar;
XI — vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

Seção II
DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como
finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus
aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e
da comunidade.
Art. 30. A educação infantil será oferecida em:
I — creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade;
II — pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade.
Art. 31. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e
registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso
ao ensino fundamental.

Seção III
DO ENSINO FUNDAMENTAL

Art. 32. O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos, obrigatório e
gratuito na escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
I — o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o
pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II — a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da
tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
III — o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a
aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV — o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade
humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em
ciclos.
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar
no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação
do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de
ensino.
§ 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa,
assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e
processos próprios de aprendizagem.
§ 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado
como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.
Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos
horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem
ônus para os cofres públicos, de acordo com as preferências manifestadas pelos
alunos ou por seus responsáveis, em caráter:
I — confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu
responsável, ministrado por professores ou orientadores religiosos preparados e
credenciados pelas respectivas igrejas ou entidades religiosas; ou
II — interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades
religiosas, que se responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa.
Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro
horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o
período de permanência na escola.
§ 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de
organização autorizadas nesta Lei.
§ 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral,
a critério dos sistemas de ensino.

Seção IV
DO ENSINO MÉDIO

Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima
de três anos, terá como finalidades:
I — a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no
ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
II — a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para
continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas
condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III — o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a
formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento
crítico;
IV — a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos
produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.
Art. 36. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste
Capítulo e as seguintes diretrizes:
I — destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da
ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e
da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao
conhecimento e exercício da cidadania;
II — adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa
dos estudantes;
III — será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina
obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo,
dentro das disponibilidades da instituição.
§ 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão organizados
de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre:
I — domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção
moderna;
II — conhecimento das formas contemporâneas de linguagem;
III — domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao
exercício da cidadania.
§ 2º O ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo
para o exercício de profissões técnicas.
§ 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao
prosseguimento de estudos.
§ 4º A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação
profissional, poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino
médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional.

Seção V
DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos,
que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais
apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de
vida e de trabalho, mediante cursos e exames.
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do
trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre si.
Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que
compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento
de estudos em caráter regular.
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:
I — no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze
anos;
II — no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos.
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios
informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames.

CAPÍTULO III
DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao


trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de
aptidões para a vida produtiva.
Parágrafo único. O aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio
e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a
possibilidade de acesso à educação profissional.
Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino
regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em instituições
especializadas ou no ambiente de trabalho.
Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional, inclusive no
trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para
prosseguimento ou conclusão de estudos.
Parágrafo único. Os diplomas de cursos de educação profissional de nível
médio, quando registrados, terão validade nacional.
Art. 42. As escolas técnicas e profissionais, além dos seus cursos regulares,
oferecerão cursos especiais, abertos à comunidade, condicionada a matrícula à
capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade.

TÍTULO IX
DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS

Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se um ano a partir da


publicação desta Lei.
§ 1º A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei, encaminhará,
ao Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação, com diretrizes e metas para
os dez anos seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para
Todos.
§ 2º O Poder Público deverá recensear os educandos no ensino fundamental,
com especial atenção para os grupos de sete a quatorze e de quinze a dezesseis anos
de idade.
§ 3º Cada Município e, supletivamente, o Estado e a União, deverá:
I — matricular todos os educandos a partir dos sete anos de idade e,
facultativamente, a partir dos seis anos, no ensino fundamental;
II — prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos
insuficientemente escolarizados;
III — realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício,
utilizando também, para isto, os recursos da educação a distância;
IV — integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território
ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar.
§ 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores
habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço.
§ 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes
escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo
integral.
§ 6º A assistência financeira da União aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios, bem como a dos Estados aos seus Municípios, ficam condicionadas ao
cumprimento do art. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes
pelos governos beneficiados.
ANEXO B
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Curso (Graduação)- Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do
Pantanal, Campo Grande, MS, 2000.
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Nobel, 1989. 93 p. (Cidade aberta). Concurso do Prof. Arq. João B. Vilanova Artigas
para professor titular da disciplina de projeto da Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo da Universidade de São Paulo realizado em junho de 1984.
BARDI, Lina Bo. Tempos de grossura: o design no impasse. [il. color]. São Paulo:
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2001. – (Coleção Saraiva de Legislação)
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CAMARGO, Luiz Otávio de Lima. O que é Lazer. São Paulo, Brsiliense, 1989
CASTRO, Mary Garcia (Coord.). Cultivando vida, desarmando violências:
experiências em educação, cultura, lazer, esporte e cidadania com jovens em situação
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CHAUI,Marilena. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. 7 ed.
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CORBELLA, Oscar; YANNAS, Simos. Em busca de uma arquitetura sustentável
para os trópicos: conforto ambiental. [il]. Rio de Janeiro: Revan, 2003.
DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e cultura popular. São Paulo, Perspectiva, 1976.
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MACHADO, Karla. Centro de integração de esporte, lazer e cultura. 2000. [15] f. -
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)- Universidade para o
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MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 8. ed. São Paulo:
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RIZZINI, Irene. O Século Perdido: Raízes Históricas das Políticas Públicas para a
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TEIXEIRA. Anísio. Educação para a democracia. Rio de Janeiro, Ed.UFRJ, 1997.
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