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Angela Gomes 27 de agosto de 2011. Elas chegaram, sentaram mesa do canto. Contavam um segredo, lnguido, sussurrado.

. Deixavam-se encostar as pernas. Havia uma cadncia rica, ornada, uns pianssimos indizveis. Umas batucadas na mesa de dedos nervosos. Curtos silncios de bocas trmulas. Um toque no brao seguido de um olhar ao redor. Aproximao de ouvido, de aromas, de tato, para melodias em surdina. Elas tocavam uma msica, encenavam uma pera, compunham letras, coreografavam passos, enquadravam os olhares... Havia momentos de inquietao, sem que soubssemos a causa. Uma frase ou um gesto que fugiu e que nem percebemos, mas que lhes foi caro. Uma mo tomada e acariciada enquanto olhos prolixos bordavam vastos tremolos em cordas invisveis, projetados de um corpo inclinado sobre a mesa. A isso, seguiu-se um intervalo. Corpos apartados, olhares perdidos... leves sorrisos nas faces. olhares cegos pela sala. A despeito disso, estavam ansiosas. Evitavam se olhar porque algo se avolumara,

havia perigo de transbordamento. Isso inquietava, Aparentando desprazer. Havia desejo de dizer, de sentir, de ser. De tornar pblico os carinhos das pernas e fugir do sorriso nervoso. Queriam soar forte como os outros, lanar longe a surdina, soar os tmpanos, os metais. Queriam uma msica alegre e colorida, que crescesse, esforasse. Projetar a voz para todos os cantos. Mas o regente anunciava o fim, a plateia ansiava o desfecho e o garom trazia a conta. Elas se aconchegaram nos olhares, tocaram-se como amigas e saram de olhos retos.