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MICHAEL MOORE

O Livro Oficial do Filme

FAHRENHEIT
- 11 de setembro -
2004
Para Elmer Bernstein
Sumário
Prefácio: A obra de um patriota, John Berger 9

Introdução 13

Parte I: Fahrenheit 11 de setembro - Roteiro 19

Parte II: Fahrenheit 11 de setembro - Provas e evidências 129


Parte III: A opinião do público sobre
Fahrenheit 11 de setembro 183

Parte IV: Ensaios e críticas sobre


Fahrenheit 11 de setembro 223

Parte V: Além de Fahrenheit 11 de setembro -


Mais escritos sobre as questões do filme 255

Parte VI: Charges e fotografias 341

Prefácio

A Obra de um Patriota
John Berger

Fahrenheit 11 de setembro é estarrecedor.


O filme de Michael Moore tocou profundamente os artistas que
integraram o júri do Festival de Cannes, e a votação que lhe deu a
Palma de Ouro foi unânime. Desde então vem comovendo milhões
e milhões de pessoas. Arrecadou mais de 100 milhões de dólares
nas seis primeiras semanas de exibição nos Estados Unidos. Essa
soma, assombrosa, é aproximadamente a metade do que Harry
Potter e a Pedra Filosofal arrecadou em período equivalente.
As pessoas nunca viram um filme como Fahrenheit 11 de
setembro. Só os chamados formadores de opinião, na imprensa e
em outros meios de comunicação, parecem ter ficado aborrecidos
com ele.
O filme, considerado como ato político, talvez seja um marco
histórico. Mas, para perceber isso, é necessário ter certa
perspectiva de futuro. Quem vive com os olhos pregados
exclusivamente nas "últimas notícias", caso da maioria dos
formadores de opinião, perde um pouco essa perspectiva: qualquer
coisa é uma complicação, nada mais. O filme, contrapondo-se a
isso, acha que pode dar uma pequena contribuição para mudar a
história do mundo. É uma obra inspirada pela esperança.
O que converte o filme em evento é o fato de ser uma intervenção
eficaz e independente na política mundial imediata. Nos dias de
hoje, é muito raro que um artista (e Moore é um artista) consiga
fazer uma intervenção desse tipo e contestar declarações pré-
fabricadas e mentirosas de políticos. Seu objetivo imediato é
reduzir a probabilidade de reeleição do presidente Bush em
novembro. Do começo ao fim, o filme propõe um debate político e
social.
A tentativa de denegrir o filme como propaganda é ingênua ou
perversa, porque esquece (deliberadamente?) o que o século
passado nos ensinou. A propaganda exige uma rede de
comunicação permanente, capaz de asfixiar de modo sistemático,
com palavras de ordem emotivas ou utópicas, toda reflexão. Seu
ritmo é em geral acelerado. A propaganda invariavelmente está a
serviço dos interesses de longo prazo de alguma elite.
Este filme único e não-conformista é freqüentemente lento,
reflexivo, e não tem medo do silêncio. Convoca os espectadores a
pensar por si mesmos e a relacionar as coisas depois de refletir. E
as pessoas com as quais se identifica, e que defende, são aquelas
cuja voz raramente é ouvida.
Defender um argumento com vigor não é a mesma coisa que
saturar com propaganda. A FOX TV faz a segunda coisa. Michael
Moore faz a primeira.
Desde a tragédia grega, artistas se perguntaram de tempos em
tempos como poderiam influir nos acontecimentos políticos de sua
época. Uma questão delicada, já que envolve dois tipos bem
distintos de poder. Numerosas teorias éticas e estéticas giram em
torno desse problema. Para os que vivem sob tiranias políticas, a
arte é com freqüência uma forma de resistência secreta, e os
tiranos habitualmente buscam maneiras de controlá-la. Tudo isso,
porém, em termos gerais e em território amplo. Fahrenheit 11 de
setembro é diferente. Conseguiu interferir em um programa político
no território específico desse programa.
Para que isso ocorresse, houve uma necessária convergência de
fatores. O prêmio em Cannes e a tentativa desastrada de impedir a
distribuição do filme foram fundamentais para a criação do
acontecimento.
Ressaltar isso não quer dizer, de modo algum, que o filme como
filme não merece toda a atenção que vem recebendo. É só um
lembrete de que, no âmbito dos meios de comunicação, uma
ruptura (a derrubada do muro cotidiano de mentiras e meias
verdades) é uma coisa muito rara. E esse caráter de raridade é o
que torna o filme exemplar. Ele é um exemplo para milhões de
pessoas - como se estivessem à espera dele.
O filme sugere que, no primeiro ano deste milênio, a Casa Branca
e o Pentágono foram tomados de assalto por uma quadrilha
violenta - e por seu Líder Cristão Renascido - para que o poder dos
Estados Unidos dali em diante estivesse a serviço, prioritariamente,
dos interesses globais das grandes empresas. Uma proposição
dura, que se aproxima mais da realidade do que muitos editoriais
cheios de sutilezas. E ainda mais importante do que a proposição é
a clareza com que o filme se expressa. Ele demonstra que, apesar
do poder de manipulação dos especialistas em comunicação, dos
discursos presidenciais mentirosos e das entrevistas coletivas
insípidas, uma única voz independente que chame a atenção para
certas verdades que incontáveis americanos já estão descobrindo
por conta própria é capaz de romper a conspiração do silêncio, a
atmosfera artificial de medo e a solidão de sentir-se politicamente
impotente.
É um filme que trata de desejos remotos e obstinados em uma
época de desilusão. Um filme que faz piada enquanto a orquestra
toca o Apocalipse. Um filme no qual milhões de americanos se
reconhecem e enxergam com precisão os métodos concretos que
são usados para enganá-los. Um filme que fala de muitas
surpresas discutidas juntas - a maioria é ruim, mas algumas são
boas. Fahrenheit 11 de setembro recorda ao espectador que, com
coragem compartilhada, é possível lutar contra tudo.
Em mais de mil salas de cinema por todo o país, Michael Moore se
converte, com este filme, em tribuno do povo. E o que vemos? Que
Bush é claramente um cretino político, tão ignorante sobre o mundo
quanto indiferente a ele. Enquanto o tribuno, educado pela
experiência popular, ganha credibilidade política não como político
profissional, mas como a voz que expressa a ira de uma multidão e
sua vontade de resistir.
Existe ainda outra coisa estarrecedora. O objetivo de Fahrenheit 11
de setembro é impedir que Bush manipule as coisas para vencer a
próxima eleição, tal como fez com a anterior. Seu foco é a guerra
totalmente injustificada contra o Iraque. Mas suas conclusões vão
além desses dois temas. O filme declara que uma economia
política que gera incessantemente uma riqueza colossal, cercada
de uma pobreza que também cresce de maneira desastrosa,
necessita - para sobreviver - de uma guerra contínua contra algum
inimigo estrangeiro inventado. Para manter sua própria ordem e
sua segurança interna, necessita de uma guerra sem fim.
Assim é que, quinze anos depois da derrocada do comunismo,
décadas depois do suposto Fim da História, uma das principais
teses da interpretação marxista da história volta a ser tema de
debate e possível explicação para as catástrofes que vivemos.
São sempre os pobres os que fazem os maiores sacrifícios, é o
que declara Fahrenheit 11 de setembro em seus minutos finais. Até
quando?
Não existe futuro para nenhuma civilização de qualquer parte do
mundo que ignore essa pergunta. É por isso que este filme foi feito
e é por isso que se converteu no que se converteu. É um filme que
deseja intensamente a sobrevivência dos Estados Unidos.

Introdução
Enquanto escrevo esta introdução, meu filme Fahrenheit 11 de
setembro continua a ser exibido em centenas de cinemas nos
Estados Unidos. "Estar no olho no furacão" é um velho clichê que
escutei muitas vezes na vida. Mas, na verdade, nunca entendi
muito bem o que queria dizer - até fazer este filme.
E ainda é muito cedo para que eu mesmo consiga entender e
explicar a febre em torno de Fahrenheit 11 de setembro. Os
recordes começaram a pipocar nas primeiras horas de lançamento:

Maior bilheteria de estréia de qualquer filme nos dois cinemas em


Nova York em que estava sendo exibido.

Primeiro documentário a ficar em primeiro lugar nas bilheterias.

Maior bilheteria para um documentário em todos os tempos,


superando o recordista anterior (Tiros em Columbine) em 600%.

Uma pesquisa Gallup mostrou que mais da metade do público


americano pretendia assistir ao filme, fosse nos cinemas, em vídeo
ou DVD. Ninguém se lembra de outro filme que tenha apresentado
tais números.
Esse extraordinário interesse por Fahrenheit 11 de setembro é fruto
de uma série de acontecimentos que teve início no fim de abril de
2004, quando nossa distribuidora foi informada pela controladora, a
Walt Disney Company, de que não poderia distribuir o filme.
Michael Eisner, o presidente da Disney, declarou que não queria
que seu estúdio lançasse um filme político partidário que poderia
ofender as famílias que freqüentam seus parques de diversão.
Lógico, ele não mencionou nenhum desconforto quanto ao fato de
a Disney distribuir o programa de rádio de Sean Hannity
[apresentador de direita] (o que eles fazem) ou apresentar Rush
Limbaugh [ultra-conservador e ultra-moralista] nas estações da
rede ABC que pertencem à Disney (o que eles fazem) ou transmitir
o programa 700 Club de Pat Robertson [pastor-apresentador,
racista e reacionário] no Disney Family Channel (o que... bom, você
entendeu. O que Eisner quis dizer é que, se meu filme fosse uma
peça de propaganda de direita cheia de ódio e de aprovação a
cada movimento da administração Bush, então não haveria
problema em distribuí-lo.).
Quando a notícia estourou, a Disney fez o melhor que pôde para
abafá-la, mas não conseguiu. Só deixou as pessoas com mais
vontade de ver o filme.
Assim, partimos para o Festival de Cinema de Cannes sem
distribuidor. Até então, só dois documentários haviam participado
da competição oficial (O mundo silencioso, de Louis Malle e
Jacques Cousteau [em 1956], e Tiros em Columbine). Fahrenheit
11 de setembro conquistou o maior prêmio do festival, a Palma de
Ouro.
Mas voltamos para casa sem distribuidor. A Casa Branca começou
a jogar pesado. Do escritório de Karl Rove [principal estrategista e
conselheiro político de Bush] partiam telefonemas incitando
jornalistas a detonar um filme que nem sequer tinham visto. Um
grupo republicano iniciou uma campanha de ameaças contra todos
os proprietários de cinemas que haviam manifestado interesse em
exibir Fahrenheit 11 de setembro. Pelo menos três redes exibidoras
e muitos outros cinemas independentes se assustaram e
anunciaram que o filme não seria exibido em nenhuma de suas
salas. Um outro grupo apresentou um recurso à comissão eleitoral
federal dos Estados Unidos (FEC) [órgão regulador independente,
encarregado da administração e do cumprimento da lei federal de
financiamento de campanhas] pedindo que fôssemos proibidos de
anunciar o filme na TV; sob o argumento de que as inserções eram
"anúncios políticos" que violavam a lei. Quando a FEC decidiu o
caso em nosso favor, nosso distribuidor já havia tirado todos do ar.
Rove soltou seus cães de guerra para atacar nosso filme - a
declaração oficial da Casa Branca foi: "Nós não precisamos ver
para saber que não presta". O pai de Bush me chamou de um
monte de coisas, e seus sábios porta-vozes na mídia apareceram
em todos os programas de entrevistas para me achincalhar e para
achincalhar o meu filme.
Mas nada disso funcionou. As pessoas só ficaram com mais
vontade de ver o filme. E, quando esses milhões de americanos
saíram das salas de exibição, saíram profundamente abalados.
Gerentes de cinemas em todo o país relataram ter visto multidões
em lágrimas, platéias em pé aplaudindo a tela vazia ao final da
exibição. Depois das sessões, tanta gente ficava nas salas
conversando com os desconhecidos sentados nas cadeiras ao lado
que os cinemas foram obrigados a se reprogramar e ampliar os
intervalos entre as exibições.
Nosso website recebeu uma enxurrada de e-mails, em média 6 mil
por dia. Houve dias em que mais de 20 milhões de pessoas
acessaram nossa página na Internet. Uma após outra, as pessoas
contavam suas experiências ao ver o filme. Uma infinidade de
mensagens começava com uma destas duas frases: "Nunca votei,
mas neste ano vou votar" ou "Sou republicano e simplesmente não
sei o que fazer".
Num ano eleitoral em que a presidência pode ser decidida por uns
poucos milhares de votos, são comentários que tocam fundo - e
assustadores para a Casa Branca. De acordo com uma pesquisa
Harris, cerca de 10% dos que viram o filme eram republicanos.
Destes, 44% disseram que recomendariam o filme a outros
republicanos. Para 30%, o tratamento que o filme dá a Bush é
"imparcial".
Outra pesquisa mostrou que mais de 13 % dos eleitores indecisos
haviam assistido ao filme. Um pesquisador republicano, depois de
fazer sua própria pesquisa informal assistindo ao filme com platéias
de três cidades diferentes, me disse o seguinte: "Uns 80% dos que
entram no cinema são eleitores de Kerry - mas 100% dos que
saem são eleitores de Kerry. Não consegui encontrar ninguém que
dissesse 'meu voto é do Bush' depois de passar duas horas
assistindo ao seu filme".
Na Pensilvânia, estado que pode ser fundamental na definição da
eleição, uma pesquisa do instituto Keystone mostrou que 4% dos
votos declarados para Kerry tinham sido influenciados por
Fahrenheit 11 de setembro (outros 2% foram creditados aos
incessantes ataques lançados contra Bush por Howard Stern
[polêmico radialista], que também defendeu vigorosamente o nosso
filme).
Enquanto escrevo, falta pouco para o dia da eleição, e ninguém
sabe em que é que tudo isso vai dar. O que sabemos é que
Fahrenheit 11 de setembro sacudiu o país de um jeito que um filme
raramente é capaz. Por esse privilégio, todos nós, os envolvidos
em sua produção, somos extremamente gratos. Cinqüenta por
cento desta nação não vota. Se esse percentual cair só uns
pontinhos e isso tiver a ver conosco, então tudo terá valido a pena.
Por fim, enquanto esperamos que Fahrenheit 11 de setembro dê
sua contribuição, nós somos, antes de tudo e sobretudo, cineastas
e artistas. Trabalhamos duro para criar uma obra cinematográfica
capaz de tocar as pessoas não só politicamente, mas também de
um modo emocional, visceral. Espero que tenhamos dado uma
contribuição a essa forma de arte que amamos tanto. Quem não
gosta de ir ao cinema e rolar de rir, se surpreender, se estarrecer,
cair no choro, se emocionar profundamente, experimentar o
extraordinário, sair do cinema com vontade de entrar lá outra vez?
Nós, que fazemos filmes, os fazemos por isso. É o que esperamos
ter feito aqui.
Como tantos de vocês nos pediram o roteiro do filme - e todas as
provas que sustentam o que dizemos nele -, decidimos publicar
este livro. A palavra "roteiro" pode soar meio estranha quando se
fala em documentário, mas a não-ficção também pode ser uma
forma de escrever para cinema, tal como a ficção (a Writers Guild
destacou isso pela primeira vez em 2002, ao conceder o prêmio de
melhor roteiro original do ano a Tiros em Columbine).
Documentários, além de geralmente não utilizar atores, também
são diferentes dos filmes de ficção porque são escritos depois que
o filme é rodado. Você entra na sala de edição com centenas de
horas de filmagem e então precisa decidir qual é a sua história e
construí-Ia – escrevê-la. Definitivamente é um sistema "carro-na-
frente-dos-bois", o que de certa maneira implica um desafio maior
que os filmes de ficção, nos quais o roteirista simplesmente diz a
todo mundo o que cada um deve fazer. Nós não podemos mandar
George W. Bush dizer uma coisa ou decidir o que John Ashcroft
[procurador-geral que, depois de 11 de setembro, resolveu inspirar
seus funcionários do Departamento de Justiça, começando cada
dia com uma música] vai cantar. Mas é preciso quebrar muito a
cabeça para decidir o que fazer com as coisas que são ditas - para
determinar como se encaixam na história básica que queremos
contar. E tudo isso vai sendo entrelaçado com a narração que eu
escrevo. É um processo trabalhoso que leva meses, às vezes
anos.
Publico o roteiro nestas páginas para que vocês possam ler o filme
e redescobrir a montanha de informações e fatos que Fahrenheit
11 de setembro apresenta. É difícil absorver tudo em uma sessão.
Espero que o roteiro os ajudem a descobrir pérolas que podem ter
passado despercebidas, "enterradas" por cenas como a da chuva
de ovos atingindo a limusine presidencial.
Para aqueles que andam sendo azucrinados pelo cunhado
conservador que repete tudo o que escuta na FOX NEWS acerca
de Fahrenheit 11 de setembro, este livro fornece toda a munição
necessária para refutar todo e qualquer comentário louco dele
sobre o filme. Os conservadores acham difícil acreditar que seu
líder possa estar na cama com os caras errados, portanto em
anexo estão todas as provas de que você precisa para ajudá-los a
curar o porre. Afinal de contas, amigo não deixa amigo votar em
republicano.
Também republico alguns dos melhores ensaios e críticas sobre o
filme, escritos por gente mais esperta que eu, que decifrou o que
eu pretendia antes que eu mesmo o fizesse. Os textos darão a
vocês algumas boas sacadas sobre o significado do filme e seu
lugar na história do cinema.
Um outro capítulo traz vários textos sobre alguns assuntos que são
abordados no filme. Eu mesmo os escolhi. Quero que a discussão
vá além do filme e passe a tratar das coisas que devemos fazer a
partir de agora. Os textos trazem visões mais aprofundadas sobre
a conexão Bush-sauditas (incluindo novas informações sobre os
vôos da família Bin Laden após o 11 de setembro), sobre os
motivos pelos quais nos enganaram para invadir o Iraque e
também sobre o fracasso da imprensa, que não conseguiu fazer
seu trabalho. Um artigo do Los Angeles Times de dez anos atrás
fornece, possivelmente, a verdadeira história por trás da decisão da
Disney de não distribuir Fahrenheit 11 de setembro.
Para terminar, quero compartilhar com vocês alguns daqueles e-
mails que recebi do público. Eles ainda me comovem, e acho que
vão comover vocês. Incluímos também algumas de nossas charges
favoritas publicadas em grandes jornais diários.
Acho que nenhum de nós, da turma que trabalhou em Fahrenheit
11 de setembro, tinha a menor noção de que o filme iria se
transformar em um acontecimento central neste ano eleitoral
histórico. A gente só queria fazer um bom filme. Acho que
conseguimos. E espero que vocês apreciem este livro que agora o
acompanha. Algum dia, depois que tudo isso passar e eu tiver
tempo de refletir sobre seu significado, dividirei a história com
vocês. Mas isso não pode ser feito neste momento. Neste
momento, embora concluído, o filme de certo modo ainda está
sendo feito. O verdadeiro final só vai ser escrito em 2 de novembro
[data oficial das eleições, embora a votação tenha começado em
18 de outubro na Flórida e em outros estados] de 2004 e nos
meses seguintes. Isso transforma todos vocês em meus co-
autores.

MICHAEL MOORE
Nova York
Agosto de 2004

PARTE I

Fahrenheit 11 de setembro
Roteiro

Narração de Michael Moore

Fogos de artifício explodem no ar enquanto um triunfante AI Gore


comemora no palanque. Ao fundo, num grande painel luminoso,
está escrito: "Vitória na Flórida". Gore está cercado de
celebridades.

NARRADOR
Será que tudo não passou de um sonho?

AL GORE
Deus abençoe a Flórida! Obrigado.

NARRADOR
Será que os quatro últimos anos não aconteceram? Olha lá, Ben
Affleck estava lá, ele sempre aparece nos meus sonhos. O cara de
Taxi Driver [o ator Robert De Niro, astro do filme dirigido por Martin
Scorsese em 1976] estava lá também. E o pequeno Stevie Wonder,
tão feliz... como se tivesse presenciado um milagre.
Será que foi tudo um sonho?
Ou aconteceu de verdade?
Era a noite da eleição de 2000, e tudo parecia sair conforme o
planejado.

Montagem: trechos de vários noticiários

TOM BROKAW (NBC NEWS)


Em Nova York, nossas projeções indicam vitória de AI Gore.

DAN RATHER (CBS NEWS)


Em Nova Jersey, vence AI Gore.
Nossas projeções indicam a vitória do Sr. Gore em Delaware. Esse
estado votou com o vencedor.
Desculpe interromper por um segundo, Mike, mas a notícia é muito
importante. AI Gore venceu na Flórida.

JUDY WOODRUFF (CNN NEWS)


A CNN anuncia vitória de AI Gore na Flórida.

NARRADOR
Foi então que uma coisa chamada FOX NEWS CHANNELL
declarou que o vencedor era o outro cara.

BRIT HUME (FOX NEWS)


Interrompendo: a FOX NEWS agora projeta vitória de Bush na
Flórida. Com isso, Bush deve ser o vencedor da eleição
presidencial americana.

NARRADOR
De repente, todas as outras redes de TV disseram: "Ei! Se a FOX
está dizendo, deve ser verdade!".

TOM BROKAW (NBC NEWS)


Todos nós, das redes de notícias, cometemos um erro ao projetar a
vitória de AI Gore na Flórida. Foi um erro nosso.

Cena: John Ellis trabalhando na FOX NEWS, entre telefones e


monitores, na noite da eleição

NARRADOR
Bem, o que a maioria das pessoas não sabe é que o homem que
tomava as decisões na FOX naquela noite - o homem que declarou
que a vitória era de Bush - era ninguém menos que John Ellis,
primo de Bush. Como é que um cara como o Bush consegue se
dar bem com uma coisa dessas?!

Cena: Bush às gargalhadas

NARRADOR
Os irmãos Bush [George e Jeb, governador da Flórida] no avião.
Para começar, ajuda muito se o seu irmão é o governador do
estado em questão.

GEORGE W. BUSH
Sabe de uma coisa? Nós vamos ganhar na Flórida. Estou dizendo.
Pode escrever aí.

NARRADOR
Cenas de Katherine Harris, da Database Technologies, e de
eleitores nas urnas

Em segundo lugar, você precisa garantir que a sua chefe de


campanha seja também a responsável pela contagem nos votos no
estado. E que o estado tenha contratado uma empresa que elimine
das listas de votação os eleitores que provavelmente não votariam
em você. Em geral, dá para saber pela cor da pele quem são esses
caras. Depois, certifique-se de que a turma do seu lado lute como
se fosse questão de vida ou morte.

JAMES BAKER (EX-SECRETÁRIO DE ESTADO, ADVOGADO


DE BUSH)
Acho que toda essa conversa sobre legitimidade é um enorme
exagero.

MULTIDÃO PROTESTA CONTRA A RECONTAGEM DE VOTOS


NA FLÓRIDA
Presidente Bush! Presidente Bush!

NARRADOR
Cena: os líderes democratas no Congresso, deputado Richard
Gephardt e senador Tom Daschle, no gabinete olhando para os
telefones.
Então, torça para que a turma do outro lado fique de braços
cruzados, aguardando o telefone tocar.
E ainda que várias investigações independentes comprovem que
Gore recebeu mais votos...

JEFF TOOBIN (CONSULTOR DA CNN NEWS)


Se houvesse uma recontagem geral de votos no estado, em
qualquer
cenário Gore seria o vencedor.

NARRADOR
... Isso não tem importância. Basta que todos os amigos do seu pai
na Suprema Corte votem direitinho.

AL GORE
No discurso em que concedeu a vitória a Bush.

Apesar de discordar "firmemente da decisão da Suprema Corte, eu


a aceito.

SENADOR TOM DASCHLE


Anuncia à imprensa a posição dos democratas diante da decisão
da Suprema Corte.

O que é preciso fazer agora é aceitar. Temos um novo presidente


eleito.

NARRADOR
De volta às cenas da comemoração da vitória de AI Gore na
Flórida. Ele e a mulher, Tipper, acenam para a multidão
Então, não foi um sonho. Foi exatamente o que aconteceu.

TELA ESCURECE GRADUALMENTE


AI Gore preside a sessão conjunta do Congresso que reconheceu
oficialmente o resultado da eleição

No dia em que a Câmara e o Senado, em sessão conjunta,


deveriam ratificar o resultado da eleição, AI Gore - no papel duplo
de presidente do Senado e vice-presidente prestes a deixar o cargo
- presidiu o evento em que George W. Bush foi oficialmente
declarado o novo presidente dos Estados Unidos.

Deputados do Congressional Black Caucus [bloco parlamentar de


defesa dos direitos dos negros] tentam contestar formalmente o
resultado das eleições na Flórida.

Caso um congressista queira formalizar uma objeção, deve ter o


apoio por escrito de pelo menos um senador. É o que diz a regra.

DEPUTADO ALCEE HASTINGS


Senhor presidente - tenho muito orgulho de tratá-lo assim -, sou
obrigado a contestar o resultado [da eleição na Flórida] em razão
da esmagadora evidência de que houve má conduta oficial, fraude
deliberada e tentativa de impedir eleitores de votar...

AL GORE
O presidente deve recordar aos membros que, de acordo com a
Seção 18 do Título 3 do Código de Leis Federais dos Estados
Unidos, não se permitem debates durante a sessão conjunta.

DEPUTADO ALCEE HASTINGS


Obrigado, senhor presidente. Respondendo à sua questão, senhor
presidente, a objeção foi feita por escrito. Foi assinada por vários
membros da Câmara, mas por nenhum senador.
Música sinistra - um a um, os deputados negros que tentam
apresentar suas petições são evitados pelos membros do Senado

DEPUTADA CORRINE BROWN


Ora, senhor presidente, a objeção é um documento por escrito
assinado por vários colegas deputados e por mim em nome dos 27
mil eleitores do condado de Duval, dos quais 16 mil são afro-
americanos que foram privados de seu direito de votar na última
eleição.

AL GORE
A objeção foi assinada por algum membro do Senado?

DEPUTADA CORRINE BROWN


Não foi assinada por nenhum membro do Senado. O Senado está
ausente.

DEPUTADA BARBARA LEE


Senhor presidente, é uma objeção por escrito e está assinada por
mim em nome de muitos eleitores de nosso país, especialmente os
eleitores do 9º. Distrito Congressional, e de todos os eleitores
americanos que compreendem que foi a Suprema Corte - e não o
povo dos Estados Unidos - quem decidiu esta eleição.

AL GORE
A objeção... A objeção tem a assinatura de algum senador?

DEPUTADA BARBARA LEE


Infelizmente, senhor presidente, não foi assinada por nenhum
senador.

DEPUTADA PATSY MINK


Infelizmente, não tenho autoridade sobre o Senado dos Estados
Unidos, e nenhum senador assinou.

DEPUTADA CARRIE MEEK


Senhor presidente, a objeção está por escrito e foi assinada por
mim e por muitos dos eleitores que eu represento. Eleitores da
Flórida, nós precisamos de um senador, mas não há nenhum.

AL GORE
A objeção está por escrito e é assinada por um membro da Câmara
e
por um senador?

DEPUTADA MAXINE WATERS


A objeção está por escrito, e não me importa se tem ou não tem a
assinatura de um membro do Senado.

AL GORE
A... a presidência adverte que as regras têm importância. E... e... a
assinatura de um senador...

NARRADOR
Nem um único senador se apresentou para apoiar os afro-
americanos no Congresso. Um após o outro, todos ouviram que
tinham de se sentar e calar a boca.

DEPUTADO JESSE JACKSON JR.


É um dia triste para a América, senhor presidente, um dia em que
não conseguimos encontrar um só senador para assinar um pedido
de objeção... não assinarás pedidos de objeção, eu contesto... .
AL GORE
O cavalheiro... O cavalheiro terá de se calar... O cavalheiro terá de
calar... O cavalheiro terá de se calar...

IMAGEM SE DISSOLVE. CENAS DO CHUVOSO DIA DA POSSE

VOZ DE PETER JENNINGS (ABC NEWS)


Estamos acompanhando a cerimônia de posse do presidente, em
2001, um dia de tempo horrível em Washington.

MULTIDÃO
Manifestantes fazem passeata com cartazes e megafones.

O que é que nós queremos? Justiça! E quando nós queremos?


Agora!

NARRADOR
Uma grande multidão marcha acompanhando o cortejo
presidencial, e a polícia tenta controlá-la.

No dia em que George W. Bush tomou posse, dezenas de milhares


de americanos tomaram as ruas de Washington D.C. em uma
derradeira tentativa de recuperar o que lhes havia sido tomado.

MULTIDÃO
Viva o ladrão! Viva o ladrão!

NARRADOR
Tomada da limusine de Bush cercada por manifestantes - e sendo
atingida por ovos

Eles lançaram uma chuva de ovos sobre a limusine de Bush...

POLICIAL
Para trás, para trás.

NARRADOR
... E interromperam o desfile de posse. O plano de Bush de deixar
a limusine para a tradicional caminhada até a Casa Branca teve de
ser abandonado.

O protesto vira tumulto - manifestantes são arrastados pela polícia.


A limusine de Bush dispara, e os agentes do Serviço Secreto
correm atrás dela, escapando da multidão enfurecida.

A limusine de Bush teve de pisar fundo no acelerador para evitar


um tumulto ainda maior. Jamais um presidente havia enfrentado
coisa parecida no dia de sua posse.

Imagens de Bush em apuros - sua taxa de aprovação cai quase


10% entre 3 de maio e 5 de setembro de 2001.

E, ao longo dos oito meses seguintes, as coisas não melhoraram


para George W Bush. Ele não conseguiu indicar os juízes que
queria, teve dificuldades para aprovar leis e perdeu o controle
republicano no Senado. Nas pesquisas, suas taxas de aprovação
começaram a despencar. Já estava começando a parecer
presidente em fim de mandato. Assim, como tudo estava dando
errado, ele fez o que qualquer um de nós faria: tirou umas férias.

MÚSICA

Vacation, all I ever want


Vacation, had to get away
Vacation, meant to be spent alone .
[Férias, tudo o que eu sempre quis / Férias, precisava me mandar /
Férias, pra ficar sozinho]
Cenas: George w: Bush jogando golfe, pescando, brincando com
os cachorros.

GEORGE W. BUSH
Jogando golfe, erra uma tacada.

Ah, não!

NARRADOR
Em seus oito meses no cargo antes do dia 11 de setembro,
segundo o Washington Post, George W. Bush passou 42% do
tempo em férias.

GEORGE W. BUSH
Diz aos jornalistas que presenciaram a tacada errada.

Se eu acertasse todas, iam dizer que eu não trabalho.

NARRADOR
Cena: Bush, com chapéu de caubói, está serrando uma árvore
caída.

Não é de estranhar que Bush precisasse de umas folgas. Ser


presidente dá muito trabalho.

REPÓRTER NÃO-IDENTIFICADA
Fora do plano
Bush dá autógrafos cercado por jornalistas e crianças, em 8 de
agosto de 2001.

E sobre essas pessoas que dizem que o senhor passa muito tempo
de folga aqui no Texas, que suas férias são muito longas?
GEORGE W. BUSH
Elas não entendem a definição de trabalho. Estou fazendo muitas
coisas. Além do mais, você não precisa estar em Washington para
trabalhar. É... é incrível... Todas as coisas que a gente pode fazer
por fax e com telefones e... [inaudível]

OUTRO REPÓRTER
Fora do plano

O que o senhor vai fazer hoje no resto do dia?

GEORGE W. BUSH
Karen Hughes [conselheira para assuntos de imprensa e
comunicação] está vindo para cá. Estamos trabalhando em
algumas coisas, ahn... Ela vem para cá e vamos trabalhar em
algumas coisas, alguns assuntos. Nós estamos, ahn... Vocês vão
ver. Estamos tomando decisões e vamos anunciar quando chegar
a hora.

NARRADOR
Michael Moore e equipe num evento de campanha "Bush para
governador"

No primeiro encontro que tivemos, ele me deu um bom conselho.

MICHAEL MOORE
Governador Bush... Sou Michael Moore.

GEORGE W. BUSH
Comporte-se, ok? Arrume um trabalho de verdade.

NARRADOR
Bush posa para fotos em evento preparado por sua assessoria -
enche um prato com "grits" [canjica com alho típica do sul dos
Estados Unidos] e sorri para as câmeras.
E trabalho era um assunto do qual ele entendia bastante.

GEORGE W. BUSH
Alguém quer canjica?

NARRADOR
Cenas de Bush em férias em diferentes lugares

Relaxando em Camp David. Passeando de iate em Kennebunkport.

GEORGE W. BUSH
Na fazenda, falando com o cachorro

Tudo bem?

NARRADOR
Ou bancando o caubói em süa fazenda no Texas.
GEORGE W. BUSH
Mais poses para a imprensa após serrar a árvore caída - a data é
25 de agosto de 2001

Eu adoro a natureza. Eu adoro entrar na picape e sair para passear


com os meus cachorros.

GEORGE W. BUSH
Falando com o cachorro dentro da picape, na fazenda.

Oi!

NARRADOR
George Bush passou o resto do mês de agosto na fazenda. Onde a
vida era menos complicada.

GEORGE W. BUSH
Durante a mesma entrevista ao lado da árvore caída, em 25 de
agosto de 2001.

Os tatus adoram cavar a terra para procurar insetos. Outro dia eu


cheguei aqui e encontrei o Barney enfiado neste buraco, tentando
pegar um tatu.

NARRADOR
Bush dá uma risadinha ao relembrar a cena.

Foi um verão inesquecível. E, quando o verão acabou, o presidente


deixou o Texas e foi para o segundo lugar do qual mais gosta.

George W. Bush encontra o irmão Jeb Bush em pista de aeroporto


na Flórida - eles posam para as câmeras, e George W. Bush vai
cumprimentar os homens que estão esperando em fila.
No dia 10 de setembro, Bush foi visitar seu irmão na Flórida. Eles
viram alguns papéis e se reuniram com gente ilustre. Naquela
noite, Bush dormiu numa cama preparada com finos lençóis
franceses.

TELA ESCURECE GRADUALMENTE

Créditos do filme - cenas de Bush e membros do gabinete sendo


maquiados antes de pronunciamentos, declarações e entrevistas
na TV.

LIONS GATES FILMS E IFC FILMS


E
THE FELLOWSHIP ADVENTURE GROUP

APRESENTAM

DONALD RUMSFELD

(A um auxiliar fora do plano)

Você acha que ele confia mesmo nesses números sobre as forças
de segurança iraquianas?

UMA PRODUÇÃO DOG EAT DOG FILMS

FAHRENHEIT 11 de setembro

MÚSICA: JEFF GIBBS - PRODUTOR DE ARQUIVO CARL DEAL -


CÂMERA: MIKE DESJARLAIS - SOM: FRANCISCO LATORRE -
EDITORES: KURT ENGFEHR / CHRISTOPHER SEWARD / T.
WOODY RICHMAN - CO-PRODUTORES: JEFF GIRRS / KURT
ENGFEHR

JOHN ASHCROFT
Eu quero parecer jovem! (dá uma gargalhada)
É, estou ouvindo um zumbido no ouvido. É, não aumente muito
isso [o volume do microfone de ouvido] ou a minha cabeça vai
explodir.

SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO: TIA LESSIN

VOZ FORA DE CENA


Bush sentado no Salão Oval, pouco antes de fazer um
pronunciamento à TV.
Tenho... Tenho um microfone aqui, se quiserem ouvir. Testando:
um, dois, este é o Salão Oval. Estamos testando: um, dois.
Testando: um, dois, este é o Salão Oval. Testando: um, dois, três,
quatro, cinco...

PRODUTORES EXECUTIVOS: HARVEY WEINSTEIN / BOB


WEINSTEIN / AGNES MENTRE - PRODUTORES: JIM
CZARNECKI / KATHLEEN GLYNN .
ESCRITO, PRODUZIDO E DIRIGIDO POR: MICHAEL MOORE

TELA NEGRA - Áudio dos aviões atingindo as torres do World


Trade Center

REPÓRTER
Só áudio - tela negra

Aconteceu alguma coisa no World Trade Center. Nós vimos um


avião e muita, muita fumaça.

MULTIDÃO
Só áudio - tela negra
Oh, meu Deus. Meu Deus. Vamos sair daqui. Vamos sair daqui.
Venha. Vamos sair daqui.
Gradualmente aparece a imagem - uma multidão aterrorizada que
olha para o alto.

MULHER NA MULTIDÃO
Oh, Deus, salve aquelas almas. Meu Deus, salve aquelas almas.

MULHER NA MULTIDÃO
Eles... Eles estão pulando do prédio!
Rostos chocados. Pessoas olham para o alto e não conseguem
acreditar no que está acontecendo. Se abraçam, rezam. Uma
nuvem de poeira avança. Em câmera lenta, pessoas fogem dos
destroços que caem do céu.

NARRADOR
Cartazes e fotos de pessoas que desapareceram no ataque;
vigílias à luz de velas.

No dia 11 de setembro de 2001, quase 3 mil pessoas - entre elas


um colega meu, Bill Weems - foram assassinadas no maior ataque
estrangeiro jamais ocorrido em solo americano. Os alvos foram os
centros financeiros e militares dos Estados Unidos.

MULHER NÃO-IDENTIFICADA
Trecho de noticiário: segurando uma foto, ela pede ajuda e chora.

Se alguém sabe de alguma coisa, se alguém o viu ou sabe onde


ele está, por favor, telefone para nós. Ele tem dois filhinhos. Dois
bebês.

NARRADOR
Limusine de Bush chega a uma escola

Enquanto os ataques aconteciam, o senhor Bush estava a caminho


de uma escola de ensino fundamental na Flórida. Ao ser informado
de que um primeiro avião atingira o World Trade Center - que
apenas oito anos antes havia sido atacado por terroristas -, o
senhor Bush decidiu seguir em frente com a programação montada
para render boas fotos.

PROFESSORA
Bush entra na sala de aula.

Bom-dia, crianças.

CRIANÇAS
Bom-dia...

GEORGE W. BUSH
Bom-dia.

PROFESSORA
Leiam esta palavra bem depressa. Atenção...

CRIANÇAS
Esteira!

PROFESSORA
Certo, esteira. Atenção...

CRIANÇAS
Gato!

GEORGE W. BUSH
Aplaudindo as crianças.

É!

PROFESSORA
OK, atenção. Vamos ler as palavras desta página sem errar.

NARRADOR
O chefe de gabinete [Andrew Card] entra na sala e sussurra no
ouvido de Bush.
Quando o segundo avião atingiu a outra torre, o chefe de gabinete
de Bush entrou na sala e disse ao presidente: "A nação está sendo
atacada". Sem saber o que fazer, sem ninguém que lhe dissesse o
que fazer, sem que ninguém do Serviço Secreto o tirasse dali às
pressas para um lugar seguro, o presidente Bush simplesmente
ficou ali, sentado, e continuou a ler um livro - Minha cabra de
estimação - com as crianças.

TEXTO NA TELA

9h05 - plano médio de Bush - olha para a frente, para um ponto


além das crianças.
9h07 - Bush baixa a cabeça e olha o livro.
9h09 - Bush olha nervosamente para assessores no canto da sala.
9h11 - assessor diz algo ao ouvido do secretário de imprensa de
Bush, Ari Fleischer.
9h12 - Bush balança a cabeça enquanto a leitura das crianças
prossegue.

NARRADOR
Bush não se move. Continua na cadeira, sentado, olhando ao
redor da sala.

Quase sete minutos se passaram sem que ninguém fizesse coisa


alguma. Sentado ali, naquela sala de aula na Flórida, em que é que
Bush estava pensando? Estaria se perguntando se talvez não
devesse ter aparecido mais vezes no trabalho? Será que não devia
ter convocado ao menos uma reunião, desde que tomara posse,
para discutir a ameaça terrorista com seu chefe de contra-
terrorismo? (imagem de Richard Clark, coordenador nacional de
segurança e contra-terrorismo, durante depoimento ao Congresso).
Também podia estar se perguntando por que cortou verbas do FBI
para o combate ao terrorismo. Ou imaginando que talvez devesse
ter lido o relatório de segurança que recebera no dia 6 de agosto
de 2001.

Fotos de Bush na fazenda, com assistentes que têm em mãos o


relatório de 6 de agosto.

Aquele relatório que dizia que Osama bin Laden planejava atacar
os Estados Unidos seqüestrando aviões. Bem, pode ser que ele
não estivesse preocupado com a ameaça terrorista porque o título
do relatório era muito vago.

CONDOLEEZZA RICE (ASSESSORA DE SEGURANÇA


NACIONAL DA CASA BRANCA)

Em depoimento à comissão independente de investigação sobre o


11 de setembro.

Eu acho que o título do relatório dizia: "Bin Laden decidido a atacar


dentro dos Estados Unidos".

NARRADOR
Cenas de Bush pescando; dose do presidente na sala de aula na
Flórida.

Um relatório daqueles podia ter feito muitos homens pularem da


cadeira. Mas, como em outras ocasiões, George W. Bush
simplesmente saiu para pescar. Os minutos iam passando e Bush
continuava ali, naquela cadeira. Talvez estivesse pensando... "Será
que me meti com os caras errados? Quem é que me ferrou?"
Será que foi o cara que recebeu um montão de armas dos amigos
do meu pai? (imagem de Donald Rumsfeld cumprimentando
Saddam Hussein em 1983)
Foi aquele grupo de fundamentalistas religiosos que me visitou no
Texas quando eu era governador? (foto de líderes talibãs no Texas)
Ou foram os sauditas? (Bush com príncipe saudita) Que diabo,
foram eles. (Osama bin Laden faz disparos com uma arma).
Mas acho que é melhor jogar a culpa neste cara. (Imagem de
Saddam Hussein dançando).

NARRADOR
Passageiros retidos em aeroportos.

Nos dias que se seguiram ao 11 de setembro, todo o tráfego de


vôos comerciais e particulares foi paralisado.

Trechos de noticiários

CHEFE DA AFA
A Administração Federal de Aviação fechou todos os aeroportos do
país.

VOZ DE REPÓRTER NÃO-IDENTIFICADO (NBC)


Nem o pai do presidente conseguiu voar.

O ex-presidente Bush em avião obrigado a pousar em Milwaukee.

VOZ DE REPÓRTER NÃO-IDENTIFICADO (ABC)


Milhares de passageiros ficaram retidos. Entre eles, Ricky Martin,
que deveria se apresentar hoje à noite na festa de premiação do
Grammy Latino.

NARRADOR
Ricky Martin entre jornalistas, no aeroporto, com expressão de
''fazer
o quê?"

Nem Ricky Martin podia voar. Mas, falando sério, quem queria
voar? Ninguém - exceto a família Bin Laden.

MÚSICA
We've got to get out of this place,
If it's the last thing we ever do
[precisamos sair deste lugar / Nem que seja a última coisa que a
gente faça].

Gabinete do senador Byron Dorgan (Democrata, Dakota do Norte),


do subcomitê de Aviação do Senado.

SENADOR BYRON DORGAN


Sabemos que alguns aviões foram autorizados pelo mais alto
escalão do governo a decolar para recolher membros da família de
Osama bin Laden e outros sauditas e levá-los para fora do país.

NARRADOR
Título do New York Times [''Casa Branca autorizou partida de
sauditas depois do 11 de setembro, diz ex-assessor", edição de 4
de setembro de 2003]; relatórios de vôo; Osama bin Laden, com
rifle, sentado à frente de um mapa.

Então ficamos sabendo que a Casa Branca deu sua autorização


para que aviões recolhessem membros da família Bin Laden e
muitos outros sauditas. Pelo menos seis aviões particulares e
quase duas dúzias de aviões comerciais tiraram os Bin Laden e
outros sauditas dos Estados Unidos depois do dia 13 de setembro.
Ao todo, 142 sauditas, incluindo 24 membros da família Bin Laden,
foram autorizados a deixar o país.

Entrevista com Craig Unger, autor do livro House of Bush, House of


Saud [no Brasil, As famílias do petróleo - As relações secretas
entre os clãs Bush e Saud, Record, 2004]; ao fundo, a Casa
Branca.

ENTREVISTA: CRAIG UNGER


Osama costuma ser retratado como a maçã podre, como a ovelha
negra da família, que teria cortado relações com ele por volta de
1994. Na realidade, a coisa é bem mais complicada.

MICHAEL MOORE
Imagens de Osama no casamento de um filho.

Você quer dizer que Osama mantém contato com outros membros
da família?

CRAIG UNGER
Exatamente. No verão de 2001, pouco antes do 11 de setembro,
um dos filhos de Osama se casou no Afeganistão, e muitos
membros da família compareceram ao casamento.

MICHAEL MOORE
Bin Laden?

CRAIG UNGER
Exatamente. Ou seja, eles não estão completamente afastados.
Dizer
isso é realmente um exagero.

Trecho do programa Larry King Live, da CNN


LARRY KING
Agora vamos receber no Larry King Live - é bom vê-lo outra vez - o
príncipe Bandar, embaixador do Reino da Arábia Saudita nos
Estados Unidos.

PRÍNCIPE BANDAR
Nós tínhamos mais ou menos 24 membros da família Bin Laden,
e...

LARRY KING
Aqui?

PRÍNCIPE BANDAR
Sim, nos Estados Unidos. Estudantes e... Sua Majestade entendeu
que não seria justo que esses inocentes ficassem expostos a
riscos. Por outro lado, nós compreendíamos todo o clima de forte
emoção. Então, trabalhando em conjunto com o FBI, nós retiramos
todos eles do país.

NARRADOR
Jack Cloonan é entrevistado por Michael Moore .
Este é Jack Cloonan, agente aposentado do FBI. Antes do dia 11
de setembro, ele era agente sênior da força-tarefa do FBI e da CIA
para assuntos relacionados à Al-Qaeda.

JACK CLOONAN
Eu, como investigador, não gostaria que essas pessoas deixassem
o país. Acho que, no caso da família Bin Laden, teria sido mais
prudente expedir intimações, trazê-los, gravar depoimentos... Sabe,
ter tudo registrado.
MICHAEL MOORE
Esse é o procedimento padrão.
JACK CLOONAN
Sim. Sim. E quantas pessoas foram tiradas de aviões depois
daquilo, gente que entrava no país e era o quê? Era gente do
Oriente Médio ou que se encaixava num espectro bem amplo.

MICHAEL MOORE
Nós detivemos centenas de pessoas.

JACK CLOONAN
Centenas, e eu...

MICHAEL MOORE
Por semanas, às vezes por meses...

De volta à entrevista com Craig Unger

MICHAEL MOORE
As autoridades fizeram alguma coisa quando os Bin Laden
tentaram sair do país?

CRAIG UNGER
Não, eles foram identificados no aeroporto. Eles tiveram os passa
portes checados... Foram identificados.

MICHAEL MOORE
Bom, isso é o que aconteceria com você ou comigo se
tentássemos sair do país.

CRAIG UNGER
Exatamente, exatamente.
MICHAEL MOORE
Então, uma pequena entrevista, uma conferida no passaporte, e o
que mais?

CRAIG UNGER
Nada.

NARRADOR
Tema de abertura e cenas da série de TV Dragnet: detetives em
ação.

Eu não sei o que vocês acham disso, mas... Me parece que,


quando a polícia não consegue encontrar um assassino, em geral
tenta falar com membros da família para descobrir se eles sabem
onde o cara está, não?

Trechos de Dragnet

Você não sabe onde o seu marido está?

HOMEM 1
Bem, se você souber de alguma coisa, avise-nos, ok? Você não
quer vir com a gente e prestar um depoimento?

HOMEM 2
Esse negócio demora muito?

HOMEM 1
Você tem tempo.

HOMEM 2
O meu tempo é dinheiro, o seu não é.
HOMEM 1
Manda a conta pra gente.

HOMEM 2
Eu te fiz uma pergunta.

HOMEM 1
Você está aqui para responder, não para perguntar.

HOMEM 2
Escuta aqui, tira, eu pago o seu salário.

HOMEM 1
Muito bem, sente-se. Vou ganhar meu salário.

NARRADOR
Mais cenas de Dragnet

É isso aí, é assim que os tiras fazem. O que houve por aqui?

ENTREVISTA: SENADOR BYRON DORGAN


Acho que precisamos saber muito mais sobre esse caso. Fazer
uma investigação detalhada. O que aconteceu? Como aconteceu?
Por que aconteceu? E quem deu a autorização?

ENTREVISTA: JACK CLOONAN


Tente imaginar o que é que aqueles pobres desgraçados estavam
sentindo... ao pular das janelas daquele prédio... para morrer...
Aqueles... Aqueles... Pessoas que eram jovens, e policiais e
bombeiros que entraram naqueles prédios sem pensar duas
vezes... Estão todos mortos. As vidas dessas famílias estão
arruinadas. E eles nunca... eles nunca vão ter paz.
MICHAEL MOORE
É verdade.

JACK CLOONAN
Se eu tivesse de incomodar um... um membro da família Bin Laden
com uma intimação ou um inquérito, você acha que eu ficar sem
dormir por causa disso? Nem por um minuto, Mike.

MICHAEL MOORE
E ninguém questionaria isso.

JACK CLOONAN
Não, ninguém.

MICHAEL MOORE
Nem o mais ardoroso defensor das liberdades civis...

JACK CLOONAN
Não, não...

MICHAEL MOORE
Ninguém questionaria...

JACK CLOONAN
Uma coisa simples, muito simples. o senhor tem um advogado?
Tem? Ótimo. Senhor Bin Laden, tenho tais e tais perguntas. Não é
porque acho que o senhor seja isso ou aquilo. Só quero perguntar
ao senhor o quer perguntaria a qualquer pessoa...

MICHAEL MOORE
Certo.
JACK CLOONAN
... E é só.

NARRADOR
Imagens da Casa Branca, do atentando em Oklahoma City, do ex-
presidente Bill Clinton, de Timothy McVeigh e de um jato particular.

Nada disso faz o menor sentido. Você consegue imaginar, nos dias
seguintes ao atentado terrorista em Oklahoma City, o presidente
Clinton dando um jeito de tirar do país a família McVeigh? O que
você acha que aconteceria com Clinton se uma coisa dessas
viesse a público?

TRECHO DE FILME EM PRETO-E-BRANCO (homens queimando


uma pessoa numa fogueira)

Queimem ele! Queimem ele!

Trecho do programa Larry King Live, da CNN

LARRY KING
Príncipe Bandar, o senhor conhece a família Bin Laden?

PRÍNCIPE BANDAR
(EMBAIXADOR SAUDITA NOS EUA)
Conheço, muito bem.

LARRY KING
Como eles são?

PRÍNCIPE BANDAR
Eles são seres humanos encantadores, de verdade. Ahn... Ele
[Osama] é o único que eu nunca... Eu não o conheço bem, só o vi
uma vez.

LARRY KING
E em que circunstância o senhor o conheceu?

PRÍNCIPE BANDAR
É uma ironia. Em meados dos anos 1980, você se lembra, nós e os
Estados Unidos apoiávamos os guerrilheiros mujahedin a... liberar
o Afeganistão dos soviéticos. Ele veio agradecer meus esforços
para conseguir que os americanos, nossos amigos, nos ajudassem
contra os ateus, como ele disse. Os comunistas.

LARRY KING
Que ironia.

PRÍNCIPE BANDAR
Não é irônico?

LARRY KING
Em outras palavras, ele agradeceu a sua ajuda para conseguir que
os Estados Unidos o ajudassem.

PRÍNCIPE BANDAR
Sim.

LARRY KING
E agora ele é provavelmente o responsável pelo ataque terrorista
contra os Estados Unidos.

PRÍNCIPE BANDAR
É isso mesmo.

LARRY KING
O que o senhor achou dele, quando o conheceu?

PRÍNCIPE BANDAR
Para falar a verdade, ele não me impressionou muito...

LARRY KING
Não o impressionou muito.

PRÍNCIPE BANDAR
Não, ele era... Me pareceu um sujeito simplório e muito quieto.

Bush na sala de aula na Flórida - continua pensando.

NARRADOR
De volta a Bush, na sala de aula na Flórida, não parece nada feliz.

Hmmm... Um sujeito simplório e muito quieto cuja família por acaso


mantém relações de negócios com a família de George W. Bush.
Será que era nisso que ele estava pensando? Claro, se a opinião
pública descobrisse, não ia ser nada bom. Talvez ele estivesse
pensando: "Sabe, acho que preciso de uma caneta preta bem
grande". (Cena de discurso em que Michael Moore acusa Bush de
ser um desertor). No início de 2004, em um discurso durante as
primárias de New Hampshire, eu chamei George W. Bush de
desertor por conta do período em que ele serviu na Guarda
Nacional Aérea do Texas. Para tentar desmentir a acusação, a
Casa Branca divulgou a ficha militar do presidente.

Imagem da ficha militar do presidente


O que Bush não sabia é que eu já tinha uma cópia de sua ficha
militar. Uma cópia não censurada, obtida em 2000. E existe uma
diferença marcante entre a ficha de 2000 e aquela apresentada em
2004. (câmera se aproxima, mostrando em detalhe trechos da
ficha militar cobertos com tinta preta) Um nome foi apagado -
coberto com tinta preta. Em 1972, dois pilotos foram suspensos por
deixar de fazer um exame médico obrigatório. Um deles era
George W. Bush. (Vinheta musical: riff de guitarra de "Cocaine') o
outro era James R. Bath. Em 2000, o documento mostrava os dois
nomes. Mas, em 2004, Bush e a Casa Branca apagaram o nome
de Bath. Por que Bush não queria que a imprensa e o público
vissem o nome de Bath em sua ficha militar? Sua preocupação
talvez fosse evitar que os americanos descobrissem que James R.
Bath foi durante certo período o administrador dos investimentos da
família Bin Laden no Texas.
Bush e Bath tornaram-se bons amigos quando serviram na Guarda
Aérea Nacional no Texas. Logo que foram dispensados, época em
que o pai de Bush era o chefe da ClA, Bath abriu seu próprio
negócio no ramo da aviação após vender um avião a um homem
chamado Salem bin Laden, herdeiro da segunda maior fortuna da
Arábia Saudita - o Saudi bin Laden Group.

JIM MOORE (REPÓRTER INVESTIGATIVO E ESCRITOR)


Naquela época, "W" estava apenas começando no mundo dos
negócios. Como é um sujeito que sempre tentou imitar o pai,
decidiu entrar no ramo do petróleo. (Cenas e fotos antigas de
George W. Bush) Ele fundou no oeste do Texas uma companhia
petrolífera chamada Arbusto, uma companhia de prospecção que
era muito, muito boa em abrir buracos que nunca davam em nada.
Mas a pergunta sempre foi: "De onde vem o dinheiro?" O pai dele...
Ora, o pai dele é um homem rico, podia ter dado o dinheiro a ele,
mas o fato é que não o fez. Não existe nenhum indício de que
papai tenha assinado o cheque para que ele abrisse a companhia.
NARRADOR
Sobre imagens antigas de George Bush

Então, de onde George W. Bush tirou o dinheiro?

GEORGE W. BUSH
Imagem antiga de Bush apertando a mão de alguém

Sou George Bush.

NARRADOR
Foto de James Bath e reprodução do contrato firmado entre Bath e
Salem bin Laden

James R. Bath foi uma das pessoas que investiram em Bush. O


bom amigo James Bath fora contratado para administrar o dinheiro
da família Bin Laden no Texas e investir em negócios. E James
Bath, por sua vez, investiu em George W. Bush. (registros
financeiros comprovam um investimento de 50 mil dólares na
empresa Arbusto, de Bush).

Bush afundou a Arbusto, assim como fez com todas as outras


empresas com as quais se envolveu. Até que, finalmente, uma
delas foi comprada pela Harken Energy - e ele ganhou um cargo no
conselho diretor.

ENTREVISTA: JIM MOORE


Ao longo dos anos, muitos de nós suspeitamos de que... havia
dinheiro de petróleo saudita envolvido em todas essas empresas -
na Harken, na Spectrum 7, na Arbusto, em todas as empresas de
Bush. Sempre que elas se metiam em encrencas, apareciam esses
anjos investidores e colocavam dinheiro nelas.
ENTREVISTA: CRAIG UNGER
Então, a pergunta é: por que será que os sauditas, donos de todo o
petróleo do mundo, resolvem atravessar o mundo inteiro para
investir numa companhia petrolífera imprestável? Ocorre que essa
companhia possuía um ativo muito valioso. A Harken tinha uma
coisa a seu favor, isto é, tinha George W. Bush entre seus diretores
quando o pai dele era o presidente dos Estados Unidos. .

GEORGE W. BUSH
Entrevista à TV, agosto de 1992

Quando você é o filho do presidente e tem acesso ilimitado, mais


algumas credenciais de uma campanha anterior, em Washington,
D.C., as pessoas respeitam isso. Acesso é poder. E eu posso
encontrar meu pai e falar com ele a qualquer momento.

NARRADOR
Fotos de George Bush na Harken Energy.

É, ser filho do presidente ajuda. Especialmente quando você está


sendo investigado pela Comissão de Valores Mobiliários dos
Estados Unidos [a SEC, Securities and Exchange Comission, é o
órgão que regula e fiscaliza o mercado de capitais nos EUA].

Trecho de noticiários

VOZ DE BILL PLANTE (REPÓRTER, CBS)


Em 1990, quando o sr. Bush era diretor da Harken Energy, recebeu
este memorando (detalhe) no qual os advogados da empresa
advertiam que os diretores estavam legalmente impedidos de
vender suas ações caso tivessem conhecimento de informações
desfavoráveis sobre ela. Urna semana depois, Bush vendeu 848
mil dólares em ações da Harken. Dois meses mais tarde, a
empresa anunciou um prejuízo de mais de 23 milhões de dólares.

NARRADOR
Foto de Robert Jordan e mapa da Arábia Saudita

O advogado e sócio de James Baker que ajudou Bush a sair ileso


da investigação da SEC é um homem chamado Robert Jordan, que
foi nomeado embaixador norte-americano na Arábia Saudita
quando George W. Bush tornou-se presidente. Com a ruína da
Harken, os amigos do pai de Bush arranjaram-lhe um outro cargo
de diretoria em uma empresa do Carlyle Group.

ENTREVISTA: DAN BRIODY (AUTOR DO LIVRO THE


HALLIBURTON AGENDA)
Nós queríamos descobrir que empresas haviam lucrado mais com
o 11 de setembro. Chegamos a esta, o Carlyle Group. (gráficos
mostram empresas controladas pelo grupo)
O Carlyle Group é um conglomerado multinacional que investe em
setores da economia fortemente regulamentados pelo governo,
corno telecomunicações, serviços de saúde e, particularmente,
defesa. Tanto George W. Bush quanto seu pai trabalharam para o
Carlyle Group, grupo que também tinha entre seus investidores
membros da família Bin Laden. (Os dois Bush, pai e filho, em um
camarote privativo durante um evento esportivo.) Na manhã do dia
11 de setembro o Carlyle Group realizava sua conferência anual de
investidores no hotel Ritz-Carlton, em Washington, D.C.. Naquela
reunião estavam todos os figurões do Carlyle: James Baker,
provavelmente John Major [ex-premiê britânico], certamente
George H. W. Bush, que entretanto deixou o encontro ainda pela
manhã. Shafiq bin Ladin, meio-irmão de Osama bin Laden, estava
na cidade para cuidar dos investimentos da família no Carlyle
Group. Todos eles, reunidos numa sala, viram... quando os aviões
atingiram as torres. O fato é que os Bin Laden tinham dinheiro
investido em fundos de defesa da companhia. O que significa,
ironicamente, que tiveram lucro, por meio do Carlyle, quando os
Estados Unidos passaram a ampliar seus gastos com defesa.

MESTRE DE CERIMÔNIAS
(Bush sendo apresentado durante um evento da empresa United
Defense, subsidiária do Carlyle Group).

Nosso comandante-em-chefe... o presidente George W. Bush.

NARRADOR
Cenas de Bush na United Defense

O Grupo Carlyle era o 11º. maior fornecedor de material bélico


militar dos Estados Unidos. Uma das muitas empresas de
armamentos que controlava era a United Defense, fabricante do
carro de combate blindado Bradley. O 11 de setembro garantiu um
ano excelente para a United Defense. [Destaque do jornal Los
Angeles Times] Apenas seis semanas após os atentados, o Carlyle
deu início ao trâmite para lançar ações da United Defense na Bolsa
- e em dezembro, num único dia, lucrou 237 milhões de dólares.
Infelizmente, com tanta atenção concentrada nos Bin Laden e em
seus investimentos, a família teve de abandonar o negócio. O pai
de Bush, porém, manteve o cargo de conselheiro sênior da divisão
asiática do Carlyle por mais dois anos.

DAN BRIODY
Para os americanos... saber que George H. W. Bush se reunia com
a família Bin Laden enquanto Osama era procurado como
terrorista, muito antes de 11 de setembro... é muito incômodo
descobrir isso.
(Cenas do ex-presidente reunido com autoridades sauditas)
George Bush evidentemente mantém uma enorme influência na
Casa Branca. Ele recebe informes diários da ClA - o que é um
direito de todo ex-presidente, só que pouquíssimos fazem isso.
Bush faz. E eu acho que eles se beneficiam muito concretamente
da confusão que se cria quando George Bush visita a Arábia
Saudita em nome do Carlyle Group e se reúne com a família real e
com a família Bin Laden.. Ele está representando os Estados
Unidos? Ou está representando uma companhia de investimentos
dos Estados Unidos? Ou está representando as duas coisas? O
negócio do Carlyle é ganhar dinheiro. Eles não estão no ramo das
conspirações para dominar o mundo, da engenharia política e
coisas do gênero. O negócio deles é ganhar dinheiro, muito
dinheiro. E se deram muito, muito bem.

Trecho de noticiário

HELEN THOMAS
(MEMBRO DA EQUIPE DE JORNALISTAS DA CASA BRANCA)
Fora do plano, jornalista questiona o porta-voz Ari Fleischer
durante entrevista coletiva na Casa Branca.

Quero registrar o que você tem a dizer sobre esta questão. Na


visão da Casa Branca, não existe um conflito ético no fato de o ex-
presidente Bush e o ex-secretário de Estado James Baker
utilizarem seus contatos com líderes mundiais para representar o
Carlyle Group, um dos maiores fornecedores de armas de todo o
mundo?

ARI FLEISCHER
O presidente tem absoluta certeza de que sua família agirá
seguindo todos os princípios éticos e todas as leis aplicadas a este
caso, e saberá conduzir suas ações da maneira correta.
Bush com membros da família real saudita e associados.

NARRADOR
Imagens de cidadãos norte-americanos comuns intercaladas com
fotos de membros da família real saudita e confidentes de Bush.

OK. Digamos então que um grupo de pessoas, por exemplo o povo


americano, pague a você 400 mil dólares por ano para ser o
presidente dos Estados Unidos. Mas aí um outro grupo de pessoas
investe em você, em seus amigos e em seus negócios, ao longo de
vários anos, 1 bilhão e 400 mil dólares (a tela mostra: US$ 1,4
bilhão). A quem você vai agradar? Quem é o seu pai? Porque essa
é a quantia que a família real saudita e seus associados deram à
família Bush, a seus amigos e a seus negócios nas últimas três
décadas.

Trecho de noticiário

GEORGE BUSH
Cumprimentando os sauditas.

Bom-dia, pessoal. Tivemos uma ótima reunião entre amigos.

NARRADOR
Seria grosseiro sugerir que todos os dias, ao acordar, a família
Bush pode estar pensando no que é melhor para os sauditas, em
vez de pensar no que é melhor para você ou para mim? Porque 1
bilhão e 400 mil dólares não só compram uma porção de vôos para
fora do país. Compram um bocado de amor.

MÚSICA
Bush e membros do gabinete com a elite saudita - de mãos dadas
e sorrindo para fotógrafos.

Shiny happy people holding hands


Shiny happy people holding hands
Shiny happy people laughing
Everyone around them, love them, love them
Put it in your hands
Take it, take it
There's no time to cry
Happy, happy
Put it in your heart
Where tomorrow shines
Gold and silver shine

[Pessoas brilhantes, felizes, de mãos dadas/ Pessoas brilhantes,


felizes dão risada/ Todo mundo em volta as ama/ Coloque em suas
mãos/ Tome, tome/ Não há tempo para chorar/ Feliz, feliz/ Coloque
em seu coração/ Onde o amanhã brilha/ Ouro e prata brilham].

NARRADOR
Cedo ou tarde, esta relação especial com um regime condenado
pela Anistia Internacional como perpetuador de violações
generalizadas contra os direitos humanos voltaria para assombrar
os Bush. (imagens de uma decapitação pública em Jiddah, na
Arábia Saudita). Agora, depois de 11 de setembro, era um
constrangimento, e eles gostariam que ninguém fizesse perguntas.

Trechos de notícias

CAROL ASHLEY (MÃE DE UMA VÍTIMA DO 11 DE SETEMBRO)


A investigação deveria ter começado no dia 12 de setembro, não
existe razão para não ter sido assim. Três mil pessoas morreram.
Foi assassinato. E a investigação devia ter começado
imediatamente.

NARRADOR
Manchete do Washington Post: "Bush Seeks to Restrict Hill Probes
of Sept 11" [Bush tenta limitar investigação do Congresso sobre o
11 de setembro].

Primeiro, Bush tentou impedir que o Congresso fizesse sua própria


investigação sobre o 11 de setembro.

TRECHO DE NOTICIÁRIO: GEORGE W. BUSH


É importante para nós, ahn, não revelar como obtemos
informações. É isso o que o inimigo quer. E nós estamos lutando
contra um inimigo.

NARRADOR
Manchete de jornal: "Bush Opposes 9/11 Panel" [Bush é contra
investigação independente do 11 de setembro].

Quando não conseguiu impedir o Congresso, tentou então impedir


a formação de uma comissão independente sobre o 11 de
setembro.

Trechos de noticiário

NORAH O'DONNELL (REPÓRTER DA NBC)


A posição do presidente rompe uma tradição histórica.
Investigações independentes foram iniciadas dias depois do ataque
a Pearl Harbour
e do assassinato do presidente Kennedy.

NARRADOR
Congressistas segurando "Relatório da investigação sobre o 11 de
setembro".

Mas quando o Congresso concluiu sua investigação, a Casa


Branca censurou 28 páginas do relatório.

Trechos de noticiário

VOZ DE ANDREA MITCHELL (REPÓRTER DA NBC)


O presidente está sendo pressionado por todos os lados a liberar a
divulgação integral do relatório. Funcionários do governo norte-
americano disseram à NBC News que a maior parte das fontes
secretas envolve a Arábia Saudita.

GEORGE W. BUSH
Entrevistado no programa Meet the Press

Nós, ahn, oferecemos, ahn, cooperação extraordinária, ahn, aos


presidentes Kean e Hamilton [Thomas Kean, presidente, e Lee
Hamilton, vice-presidente, da comissão de investigação
independente].

GOVERNADOR THOMAS KEAN (PRESIDENTE DA COMISSÃO


DO 11 DE SETEMBRO)

Nós não tivemos acesso aos materiais de que precisávamos, e


sem dúvida não os recebemos a tempo. Os prazos que havíamos
definido não foram cumpridos.

TIM RUSSERT (APRESENTADOR DO PROGRAMA MEET THE


PRESS)
O senhor vai testemunhar perante a comissão?
GEORGE W. BUSH
Esta comissão?.. Você sabe, eu não... Eu... Testemunhar? dizer,
terei prazer em visitá-los.

ENTREVISTA: ROSEMARY DILLARD (VIÚVA DE VÍTIMA DO 11


DE SETEMBRO)
Isso é o que me sustenta apesar do vazio que eu tenho no coração
desde o dia 11 de setembro. Perdi o marido com quem convivi por
quinze anos. Agora estou só, sou apenas eu, sozinha. Preciso
saber o que aconteceu com ele. Aquele homem era a minha vida,
não tenho mais planos. Eu estava fazendo um curso, e me
perguntaram o que é que vou fazer nos próximos cinco anos. Se eu
não fizer nada a respeito disso, não sei que razão terei para
continuar vivendo. Eu tenho de viver. Então, é muito importante.
Muito importante. Entendeu?

NARRADOR
Cenas de protesto de famílias do 11 de setembro em Washington.

Ignorados pela administração Bush, mais de 500 familiares de


vítimas do 11 de setembro entraram com processos contra a
família real saudita e outros. Os advogados que o ministro saudita
da Defesa contratou para a briga com as famílias do 11 de
setembro? O escritório de advocacia de James A. Baker, o
confidente da família Bush.

Michael Moore e Craig Unger caminham pelas ruas de


Washington, D.C.

MICHAEL MOORE
Estamos aqui no centro de três importantes marcos históricos
americanos, ahn, o hotel e prédio de escritórios Watergate, o
Kennedy
Center ali do outro lado. E, ahn, a embaixada da Arábia Saudita.

CRAIG UNGER
É.

MICHAEL MOORE
Quanto dinheiro, por alto, os sauditas têm investido nos Estados
Unidos?

CRAIG UNGER
Pelos números que ouvi, a cifra pode chegar a 860 bilhões de
dólares.

MICHAEL MOORE
860 bilhões.

CRAIG UNGER
Bilhões.

Michel Moore
É muito dinheiro.

Craig Unger
Muito.

MICHAEL MOORE
E... que percentual da nossa economia isso representa? Quero
dizer, parece bastante.

GRAIG UNGER
Enquanto conversam, carros do serviço secreto estacionam em
frente embaixada e se aproximam dos dois.

Bem, em termos de... de investimentos em Wall Street, patrimônio


americano, equivale mais ou menos a seis ou 6% ou 7% do país.
Eles são donos de uma fatia bem generosa dos Estados Unidos.
E a maioria desse dinheiro está investida nas grandes empresas.
Citigroup, Citibank... o maior acionista é um saudita. A AOL Time
Warner tem importantes investidores sauditas. (Agentes do Serviço
Secreto conversam entre si e observam a entrevista à distância).

MICHAEL MOORE
Bem, eu li em algum lugar que os sauditas têm um trilhão de
dólares nos nossos bancos, dinheiro deles. O que aconteceria se
um belo dia
eles simplesmente decidissem sacar esse trilhão e levá-lo embora?

Graig Unger
Um trilhão de dólares? Seria um golpe tremendo na economia.

Michael Moore
Certo, certo.

AGENTE DO SERVIÇO SECRETO


Caminha até os dois e interrompe a entrevista

Senhor Moore, posso falar com o senhor por um instante, por


favor?

MICHAEL MOORE
Sim. Claro.
AGENTE DO SERVIÇO SECRETO
Como vai, tudo bem?

MICHAEL MOORE
Comigo, tudo bem. E com você?

AGENTE DO SERVIÇO SECRETO


Steve Kimball, Serviço Secreto. Como vai, senhor?

MICHAEL MOORE
Como vai, senhor? Sim.

AGENTE DO SERVIÇO SECRETO


Ahn, só estamos averiguando informações. Vocês estão fazendo
um documentário sobre a embaixada saudita? Ou sobre a
chancelaria?

MICHAEL MOORE
Ahn, não. Eu estou fazendo um documentário e uma parte dele é
sobre a Arábia Saudita.

NARRADOR
Michael Moore e o agente do Serviço Secreto continuam a
conversar.

Embora nós não estivéssemos nem perto da Casa Branca, por


algum motivo o Serviço Secreto apareceu para nos perguntar o que
é que estávamos fazendo em frente à embaixada saudita, do outro
lado da rua.

Michael Moore
(Para o agente de serviço secreto) Nós não estamos aqui para criar
nenhum tipo de problema, sabe. É que...

AGENTE DO SERVIÇO SECRETO


Certo, ótimo. Nós só queríamos ter certeza, obter algumas
informações sobre o que de fato estava acontecendo.

MICHAEL MOORE
Sobre o que está acontecendo, claro, claro, claro. Eu não sabia
que o
Serviço Secreto fazia segurança de embaixadas estrangeiras.

AGENTE DO SERVIÇO SECRETO


Ahn, normalmente não. Não, senhor.

MICHAEL MOORE
Não, não. Eles dão trabalho para vocês? Os sauditas?
AGENTE DO SERVIÇO SECRETO
Sem comentário sobre isso, senhor.

MICHAEL MOORE
Ah, OK. Muito bem, vou tomar isso como um "sim". Certo, muito
bem.
Muito obrigado. Obrigado pelo trabalho que vocês fazem.

NARRADOR
Agentes se afastam e vão para os degraus da embaixada.

Acontece que o príncipe saudita Bandar é provavelmente o mais


bem protegido embaixador dos Estados Unidos. O Departamento
de Estado fornece a ele um destacamento de seis seguranças.
Considerando que ele e a família dele e a elite saudita são donos
de 7% dos Estados Unidos, provavelmente não é uma má idéia.
Fotos de George W. Bush com o príncipe Bandar.

O príncipe Bandar era tão próximo dos Bush que eles o


consideravam um membro da família. Tinham até um apelido para
ele: "Bandar Bush". Duas noites depois do 11 de setembro, George
Bush convidou Bandar Bush para um jantar íntimo e uma conversa
na Casa Branca. Embora Bin Laden (Osama bin Laden) fosse
saudita e dinheiro saudita tenha financiado a Al-Qaeda, e 15 dos 19
seqüestradores fossem sauditas (fotos dos seqüestradores), lá
estava o embaixador saudita casualmente jantando com o
presidente no dia 13 de setembro. Sobre o que os dois
conversaram?
(Fotos de Bush e Bandar) Será que falavam de solidariedade em
meio à dor? Ou estavam comparando informações?
(Imagens da polícia saudita e manchete do jornal Houston
Chronicle: "U.S. Reluctant to Upset Flawed, Fragile Saudi Ties"
[EUA não querem complicar os abalados laços com a Arábia
Saudita]) Por que o governo de Bandar impediria os investigadores
americanos de falar com os parentes dos 15 seqüestradores? Por
que a Arábia Saudita relutaria em congelar os bens dos
seqüestradores?
Os dois caminharam até o Truman Balcony para que Bandar
pudesse fumar um charuto e tomar um drinque. Ao longe, do outro
lado do Potomac, estava o Pentágono parcialmente em ruínas.
(pentágono em chamas) Fico pensando se Bush disse a Bandar
que não se preocupasse, porque já tinha um plano em andamento.

Trechos de noticiário

CHARLES GIBSON (APRESENTADOR DO PROGRAMA GOOD


MORNING AMERICA, DA ABC)
Entrevista com Richard Clarke, ex-coordenador do grupo de anti-
terrorismo de Bush.

No dia 12 de setembro, o senhor se apresenta para definir como


seria a resposta à Al-Qaeda. Vamos falar sobre... Sobre a resposta
que o senhor recebeu dos funcionários do primeiro escalão do
governo. Naquele dia, o que o presidente disse ao senhor?

RICHARD CLARKE
O presidente, de maneira claramente intimidatória, nos deixou, a
mim e a minha equipe, com a clara indicação de que queria que
voltássemos com a afirmação de que havia uma mão iraquiana por
trás do 11 de setembro. Isso porque já vinham planejando alguma
coisa sobre o Iraque antes mesmo de assumir o governo.

CHARLES GIBSON
Ele fez perguntas sobre outros países, além do Iraque?

RICHARD CLARKE
Não. Não, não, não. Não, de jeito nenhum. Era o lraque, era
Saddan. Descubra e me traga aqui.

CHARLES GIBSON
E as perguntas dele eram mais sobre o Iraque do que sobre a Al
Qaeda?

RICHARD CLARKE
Exatamente. Exatamente. Ele não me fez perguntas sobre a Al
Qaeda.

CHARLES GIBSON
E, o que disse naquele dia o secretário da Defesa, DonaId
Rumsfeld, e seu assistente, Paul Wolfowitz?

RICHARD CLARKE
Bem, DonaId Rumsfeld disse, quando discutimos sobre atacar a
infra-estrutura da Al-Qaeda no Afeganistão, ele disse que não havia
bons alvos no Afeganistão. Vamos bombardear o Iraque. E nós
dissemos, mas o Iraque não tem nada a ver com isso. Mas isso
aparentemente não fez muita diferença.

E o motivo pelo qual eles tiveram de lidar antes com o Afeganistão


foi o fato de que era óbvio que a Al-Qaeda havia nos atacado. E
era óbvio que a Al-Qaeda estava no Afeganistão. O povo
americano não ficaria do nosso lado se não fizéssemos nada
contra o Afeganistão.

Mapa do Afeganistão em chamas... Seqüência de abertura do


seriado Bonanza, com os rostos dos líderes sobrepostos. George
W. Bush, Donald Rumsfeld, Dick Cheney e Tony Blair.

NARRADOR
Sobre imagens da invasão do Afeganistão.
Os Estados Unidos iniciaram o bombardeio do Afeganistão apenas
quatro semanas depois do 11 de setembro. O sr. Bush disse que o
fazia porque o governo talibã do Afeganistão dava abrigo a Bin
Laden.

Trechos de noticiários.

GEORGE W. BUSH
Eu vou arrancá-lo da toca.
Vamos obrigá-lo a sair da toca.
Vamos arrancá-lo da toca.
Vamos arrancá-lo.

ATOR NÃO IDENTIFICADO


Cena de filme de faroeste da década de 1930.

Vamos atacar e obrigá-lo a sair da toca!

NARRADOR
Apesar de todo o alarde, Bush não fez lá muita coisa.

Trechos de noticiário.

RICHARD CLARKE
No programa Good Morning America.

Bem, eles fizeram pouco e devagar. Colocaram apenas 11 mil


soldados no Afeganistão. Há mais policiais aqui em Manhattan - há
mais policiais aqui em Manhattan - do que o número de soldados
que havia no Afeganistão.

Basicamente, o presidente estragou a resposta ao 11 de setembro.


Ele devia ter ido imediatamente atrás de Bin Laden. As Forças
Especiais dos Estados Unidos demoraram dois meses para chegar
à região onde ele estava.

NARRADOR
Para divulgação à imprensa: cenas de Bush caçando.

Dois meses? Um assassino em massa que atacou os Estados


Unidos teve dois meses de vantagem? Quem, em seu juízo
perfeito, faria uma coisa dessas?
GEORGE W. BUSH
Alguém disse boa foto?

FORA DO PLANO
Ótima foto, fantástica.

NARRADOR
Ou será que a Guerra do Afeganistão foi travada por outro motivo?
Talvez a resposta estivesse em Houston, no Texas.

Poços de petróleo, mapa de gasoduto, imagens de talibãs no


Texas.

Em 1997, quando George W. Bush era governador do Texas, uma


delegação de líderes talibãs do Afeganistão voou para Houston
para se reunir com executivos da Unocal e discutir a construção de
um gasoduto que atravessasse o Afeganistão, trazendo gás natural
do mar Cáspio. E quem conseguiu um contrato de perfuração no
Mar Cáspio no mesmo dia em que a Unocal assinou o acordo do
gasoduto? Uma empresa chefiada por um homem chamado Dick
Cheney. A Halliburton.

ENTREVISTA: MARTHA BRILL OLCOTT


(CONSULTORA DE PROJETO DA UNOCAL)
Do ponto de vista do governo americano, era uma espécie de
gasoduto mágico, capaz de atender a inúmeros propósitos.

NARRADOR
Fotos de Kenneth Lay e da Enron.

E quem mais ficou para se beneficiar do gasoduto? O maior


contribuinte individual para a campanha de Bush, Kenneth Lay, e a
"gente fina" da Enron. Só a imprensa britânica cobriu essa viagem.
Então, em 2001, apenas cinco meses e meio antes do 11 de
setembro, a administração Bush deu as boas-vindas a um enviado
especial talibã para que percorresse o país a fim de ajudar a
melhorar a imagem do governo talibã.

Cenas da visita do Talibã aos Estados Unidos, com Sayed


Rahmatullah Hashimi, o ministro talibã, sendo confrontado por uma
manifestante que protestava vestindo uma burca.

MANIFESTANTE
Arranca a burca da cabeça e grita para o ministro.

Vocês aprisionaram as mulheres. É um horror, tenho de dizer.

SAYED RAHMATULLAH HASHIMI (LÍDER TALlBÃ)


E eu tenho muita pena do seu marido. Ele deve passar maus
bocados com você.

NARRADOR
Trechos de noticiário de 19 de março de 2001: Hashimi saindo do
Departamento de Estado.

Aqui está o funcionário talibã visitando nosso Departamento de


Estado para se reunir com nossos funcionários. Por que diabos a
administração Bush permitiria que um líder talibã visitasse os
Estados Unidos sabendo que o Talibã dava abrigo ao homem que
bombardeou o destróier USS Cole e nossas embaixadas na África?
(fotos de Osama bin Laden, do USS Cole e de embaixada africana
em ruínas)
Concluída a invasão do Afeganistão, nós instalamos no país seu
novo presidente, Hamid Karzai. Quem era Hamid Karzai? (foto
para divulgação de Bush e Karzai) Era um ex-conselheiro da
Unocal. Bush também nomeou como nosso enviado ao Afeganistão
Zalmay Khalilzad, que também havia sido conselheiro da Unocal.
(foto de Khalilzad e Bush no Salão Oval da Casa Branca). Imagino
que vocês estejam percebendo onde é que isso vai parar.

Cenas de Karzai assinando um acordo.

Mais depressa do que você possa dizer "Ouro Negro, Chá do


Texas", o Afeganistão assinou um acordo com os países vizinhos
para construir um gasoduto através do Afeganistão para transportar
gás natural do mar Cáspio. Ah, sim, e o Talibã? A maioria escapou,
assim como Osama bin Laden e a maior parte da Al-Qaeda.

GEORGE W. BUSH
Falando à imprensa na Casa Branca, referindo-se a Osama bin
Laden.

O terror é maior que uma única pessoa. E, ahn, ele é só... Ele é...
Ele é, ahn, ele é hoje um fugitivo, então eu não sei onde ele está,
nem... vocês sabem que não perco muito tempo com ele, vou ser
honesto com vocês.

NARRADOR
Não perde muito tempo com ele? Que tipo de presidente é esse?

Trecho de entrevista no Meet de Press.

GEORGE W. BUSH
Eu sou o "Presidente da Guerra". Eu tomo decisões aqui no Salão
Oval, ahn, sobre política externa, com a guerra na cabeça.

NARRADOR
Bush caminhando com o general Tommy Franks.
Com o fim da guerra no Afeganistão e Bin Laden esquecido, o
"presidente da guerra" tinha um novo alvo - o povo americano.

Arte grande e dramática da FOX: "Guerra ao Terror".

Vários trechos de noticiários.

DAVID ASMAN (ÂNCORA DA FOX NEWS)


Recebemos dos federais um alerta extraordinário sobre a ameaça
terrorista. A FOX NEWS obteve um boletim do FBI alertando que
terroristas podem usar canetas-pistolas, exatamente como as de
James Bond, cheias de veneno, como armas.

JOHN SIEGENTHALER (ÂNCORA DA NBC)


Boa-noite a todos. Os Estados Unidos estão em grande estado de
alerta esta noite, faltando apenas quatro dias para o Natal.

WOLF BLITZER (ÂNCORA DA CNN)


... Uma possível ameaça terrorista.

JOHN ROBERTS (ÂNCORA DA CBS)


Tão grave ou pior que o 11 de setembro.

Voz de Joie Chen (Repórter da CBS)


Mas onde? Como? Não existe informação específica.

VOZ DE PIERRE THOMAS (REPÓRTER DA ABC)


Fiquem de olho em aeromodelos que podem estar lotados de
explosivos.

MIKE EMMANUEL (REPÓRTER DA FOX NEWS)


O FBI alerta que as balsas podem ser consideradas alvos em
potencial para seqüestros.

VOZ DE REPÓRTER DE NOTICIÁRIO LOCAL (CONUS


ARCHlVES)
Será que este gado pode ser alvo dos terroristas?

Entrevista: Deputado Jim McDermott (Democrata, Washington),


psiquiatra e membro do Congresso.

MICHAEL MOORE
O medo funciona.

DEPUTADO JIM MCDERMOTT


O medo funciona, sim. Você consegue com que as pessoas façam
qualquer coisa quando estão assustadas.

MICHAEL MOORE
E como é que você as assusta?

DEPUTADO JIM MCDERMOTT


Bem, você as assusta criando uma aura de ameaça sem fim. Eles
nos tocam como a um órgão (fotos dos painéis coloridos dos
alertas de terror). Eles elevam o alerta ao ... nível laranja, depois
passam para o vermelho, depois baixam outra vez ao laranja. Quer
dizer, eles dão esses sinais desencontrados que deixam todo
mundo louco.

Trechos de discursos no noticiário.

GEORGE W. BUSH
O mundo mudou depois do 11 de setembro. Mudou porque deixou
de ser seguro.

GEORGE W. BUSH
Peguem um avião r aproveitem os maravilhosos destinos dos
Estados Unidos.

DONALD RUMSFELD
Nós entramos no que muito provavelmente é o ambiente de
segurança mais perigoso que o mundo já conheceu.

GEORGE W. BUSH
Peguem suas famílias e aproveitem a vida.

DICK CHENEY
OS terroristas estão fazendo todo o possível para obter meios
ainda mais fatais de nos atacar.

GEORGE W. BUSH
Vão para a Disney, na Flórida.

ENTREVISTA: DEPUTADO JIM MCDERMOTT


É como adestrar um cachorro. Você diz "Senta!" e ao mesmo
tempo pede para ele rolar, o cachorro não sabe o que fazer. Bem, o
povo americano estava sendo tratado assim. Foi mesmo muito,
muito engenhoso e... horrível... o que eles conseguiram.

Trechos de noticiário

GEORGE W. BUSH
Sessão de fotos para divulgação: imprensa no campo de golfe.
Nós precisamos deter o terror. Eu conclamo todas as nações a
fazer tudo o que puderem para deter esses terroristas assassinos.
Obrigado. Agora vejam essa. (dá uma tacada)

ENTREVISTA: DEPUTADO JIM MCDERMOTT


Eles vão continuar, em minha opinião, enquanto durar esta
administração, a estimular o medo em todo mundo sempre que
possível. Para o caso de a gente esquecer. (mais imagens dos
painéis coloridos de alerta de terror) O nível de alerta não vai
baixar para verde ou azul. Isso nunca vai acontecer. E claramente
ninguém pode viver constantemente no limite.

VÍDEO PROMOCIONAL DA ZYTECH ENGINEERING


Apresentador fala olhando diretamente para a câmera, com tom de
voz preocupado.

A dura realidade que as famílias americanas enfrentam hoje é que


já não estão seguras como antes. Traficantes de drogas e usuários
procurando a próxima dose. Gangues que vagam pelas ruas em
busca da próxima vítima e a crescente ameaça de ataques
terroristas significam que a necessidade de proteção é cada vez
maior. Agora, a proteção está aqui. (imagem do "quarto do pânico”)
A Zytech Engineering LLC desenvolveu e testou um quarto do
pânico que finalmente cabe no bolso do cidadão americano
comum. É o tipo de proteção que antigamente só estava disponível
para os ricos e poderosos.

CEO DA ZYTECH CORPORATION


Sentado no quarto do pânico, mostra ao público o quanto é
confortável
a sua caixa de metal.
Heck, você pode ficar sentado aqui saboreando o seu mais fino
vinho Bordeaux e aproveitando a vida enquanto o caos explode lá
fora.

Anúncio de utilidade pública

TOM RIDGE CHEFE DE SEGURANÇA NACIONAL


Todas as famílias americanas devem se preparar para um ataque
terrorista.

Trechos de noticiário: programa Today

MATT LAUER (APRESENTADOR DO PROGRAMA TODAY DA


BBC)
E agora, como escapar de um arranha-céus. John Rivers é o CEO
da Executive Chute Corporation. Bom-dia, John.

JOHN RIVERS
Falando com Lauer de seu showroom em Three Rivers, Michigan.

Bom-dia, Matt.

MATT LAUER
Fale sobre o produto que vocês estão lançando no mercado.
JOHN RIVERS
É um, ahn, um pára-quedas de emergência.

MATT LAUER
Qual é a altura de que se deve pular do prédio para que esse pára-
quedas realmente funcione?

JOHN RIVERS
Você precisa estar do décimo andar para cima.
MATT LAUER
As pessoas conseguem colocar isso sozinhas?

JOHN RIVERS
Sim, é fácil, dá para uma pessoa colocar em até trinta segundos. É
realmente muito fácil... (a modelo que deve demonstrar como se
coloca o pára-quedas se complica toda ao tentar enfiar os pés nas
alças).

JOHN RIVERS
Tudo bem... É realmente fácil de colocar, mas, ahn... No começo,
quando você comprar o pára-quedas, é bom colocar algumas
vezes para experimentar... (ele se curva e tenta ajudar a modelo a
enfiar o pé nas alças - sem sucesso)

MATT LAUER
Devo dizer que a Jamie está tendo um pouquinho de dificuldade
para vestir essa coisa. Ou seja, será que... Honestamente, você
acha que num momento de pânico uma pessoa conseguirá lidar
com esse equipamento corretamente?

JOHN RIVERS
Jamie continua a brigar com o pára-quedas - o problema agora é a
fivela na cintura.

Claro, claro, claro que sim. É que... É que a Jamie provavelmente


nunca tentou colocar esse equipamento na vida, então...
ENTREVISTA: PREFEITO ROY GLADDING
Bom, no noticiário das seis falaram alguma coisa sobre um alerta
de
terror em Tappahannock.

Tudo bem. Não se preocupe com isso. Quando você comprar, vai
experimentar um monte de vezes. (Jamie olha desalentada para a
câmera)

Trechos do noticiário.

DAVE BONDY (REPÓRTER DA WNEM, DE MICHIGAN)


Apesar da elevação no nível de alerta de terror, os moradores aqui
em Saginaw continuam com seus preparativos para o Natal.
Frances Stroik faz compras de última hora com a família sabendo
que a AlQaeda planeja atacar o país. Ela diz que, apesar de estar
em Saginaw, não se sente mais segura do que se estivesse na
cidade de Nova York.

FRANCES STROIK
No noticiário da WNEM.

Midland é aqui pertinho. E fico pensando, "Detroit não é longe, não


é tão longe", e fico pensando, "eles podem tentar alguma coisa e
Flint pode ser... pode ser um problema para a gente".

MEL STROIK
No noticiário da WNEM.

Não dá para saber o que eles vão atacar. Não dá para saber o que
eles vão atacar.

Trechos de noticiário

VOZ DE JIM MIKLASZEWSKI (REPÓRTER DA NBC NEWS)


Mas um alvo em potencial mencionado especificamente pelos
terroristas estarreceu as equipes encarregadas da segurança. É a
pequena Tappahannock, na Virgínia, com população de 2.016
pessoas. Um ataque assim disseminaria o temor generalizado de
que nem mesmo aqui, nas cidadezinhas da zona rural do país,
ninguém está totalmente seguro.

Entrevista: Prefeito Roy Gladding


Bom, no noticiário das seis falaram alguma coisa sobre um alerta
de terror em Tappahannock.

MICHAEL MOORE
Ao xerife Clarke.
O que o FBI disse a vocês?

XERIFE STANLEY CLARKE


Bem, eles me ligaram, e me falaram sobre essa palavra
"Tappahannock", e foi assim que a coisa começou...

PREFEITO ROY GLADDING


Na conversa, eles não tinham certeza. Tappahannock. Existe um
condado de Rappahannock. Este é o rio Rappahannock (mapa da
região).

Entrevistas rápidas com habitantes de Tappahannock

FRANCES WILMORE
Existe Rappahannock... um lugar chamado Rappahannock, fizeram
confusão.

MORADOR
Aqui é Tappahannock, não Rappahannock.
MICHAEL MOORE
Existe algum alvo para terroristas por aqui?

PREFEITO ROY GLADDING


Não consigo imaginar nenhum.

XERIFE STANLEY CLARKE


Pode acontecer em qualquer lugar.

PREFEITO ROY GLADDING


Nós temos um Wal-Mart aqui.

FRANCES WILMORE
Vamos ter um grande festival de espaguete aqui.

MORADOR
Provavelmente o Wal-Mart.

MICHAEL MOORE
Vocês ficam mais desconfiados das pessoas de fora?

ROBERT ROYAL
Ah, todo mundo fica. Acaba acontecendo.

MORADORA
Às vezes, quando olho para certas pessoas, fico pensando: "Ah,
meu Deus! Será que essa gente pode ser terrorista?"

WILLIAM J. JACKSON
Você nunca sabe o que pode acontecer.
MORADOR
É isso aí, você nunca sabe o que pode acontecer.

WILLIAM J. JACKSON
Você nunca sabe o que pode acontecer. Pode acontecer agora,
exatamente agora, sabe.

ROBERT ROYAL
Você nunca deve confiar em gente que não conhece. E não dá
para confiar nem quando a gente conhece.

NARRADOR
Cenas de cidadãos americanos amedrontados.

De Tappahannock a Rappahannock e em todas as cidades e todos


os vilarejos dos Estados Unidos, as pessoas estavam com medo. E
elas se voltaram ao seu líder para que as protegesse. Mas
protegesse de quê?
John Ashcroft cantando no pódio "Let the Eagle Soar", letra e
música de John Ashcroft.

JOHN ASHCROFT
(cantando) Let the eagle soar,
Like she s never soared before.
From rocky coast, to golden shore,
Let the mighty eagle soar...
[Que a águia voe/ Que a águia voe mais alto do que nunca/ Da
costa rochosa ao litoral dourado/ Que a águia voe mais alto do que
nunca]

Texto na tela.

Cenas da disputa para o Senado em 2000.


NARRADOR
Cenas da disputa para o Senado no Missouri em 2000.

Este é John Ashcroft. Em 2000, ele estava disputando a reeleição


como senador pelo Missouri com um cara que morreu um mês
antes da eleição. (retrato do senador Carnahan - com sinal de luto)
Os eleitores preferiram o finado. Então, George W. Bush nomeou
Ashcroft seu procurador-geral da Justiça. (Ashcroft assume jurando
sobre três Bíblias) Ele prestou juramento sobre uma pilha de
Bíblias, porque, quando você não consegue ganhar de um cara
que já morreu, precisa de toda a ajuda possível.

Cenas das audiências da comissão de investigação do 11 de


setembro.

NARRADOR
No verão que antecedeu o 11 de setembro, Ashcroft disse a
Thomas Pickard, então diretor do FBI, que não queria mais ouvir
falar sobre ameaças terroristas.

RICHARD BEN-VENISTE, DA COMISSÃO DE INVESTIGAÇÃO


DO 11 DE SETEMBRO
Interrogando Thomas Pickard

O sr. Watson o procurou e disse que a CIA estava muito


preocupada com a possibilidade de um ataque. O senhor afirmou
que reiterou o fato repetidas vezes ao procurador-geral durante
essas reuniões. Correto?

THOMAS PICKARD (DIRETOR DO FBI NO VERÃO DE 2001)


Responde a Ben-Veniste.
Eu disse isso a ele em, ahn, pelo menos duas ocasiões.

RICHARD BEN-VENISTE
E o senhor disse à equipe, segundo esta declaração, que o sr.
Ashcroft disse ao senhor que não queria mais ouvir falar sobre o
assunto. Correto?

THOMAS PICKARD
Correto.

NARRADOR
Close-ups de documentos do FBl datados de 10 de julho de 2001
mencionando que estudantes de Osama bin Laden estavam
cursando escolas de aviação civil.

Naquele verão, o próprio FBI de Ashcroft sabia que havia


integrantes da Al-Qaeda nos Estados Unidos, e que Bin Laden
estava mandando seus agentes para escolas de aviação em todo o
país. O Departamento de Justiça de Ashcroft, porém, fechou os
olhos e tapou os ouvidos. Mas, depois de 11 de setembro, John
Ashcroft apareceu com algumas idéias brilhantes sobre como
proteger a América.

Trechos de noticiário

ELIZABETH HASHAGEN (NEWS 12, LONG ISLAND)


O U.S.A Patriot Act [Lei Patriota dos Estados Unidos] aprovado
pelo Congresso e sancionado por Bush seis semanas depois dos
ataques mudou o modo do governo de fazer as coisas. A Lei
Patriota dos Estados Unidos autoriza a realização de investigações
em registros médicos e financeiros, comunicações por computador
e por telefone e até mesmo sobre os livros que você retira da
biblioteca. Mas a maioria das pessoas com que falamos se declara
disposta a abrir mão de algumas liberdades para combater o
terrorismo.

HOMEM (NO NOTICIÁRIO)


Pode ser uma coisa boa.

MULHER (NO NOTICIÁRIO)


É realmente muito triste, mas precisa ser feito.

NARRADOR
Cenas de membros do grupo Peace Fresno, reunidos em uma sala
com aparência inofensiva.

Sim. Alguma coisa precisava ser feita. Esta é a boa gente que faz
parte do Peace Fresno, um grupo comunitário da cidade de Fresno,
na Califórnia. Ao contrário do resto de nós, eles aprenderam
depressa o sentido da Lei Patriota.
Todas as semanas o grupo se reúne para discutir questões
relativas à... paz. Eles sentam, eles contam histórias, eles comem
biscoitos. (grupo passa biscoito - uma mulher pega dois de uma
vez) Alguns pegam mais de um. Este é Aaron Stokes, membro do
Peace Fresno. (foto de Aaron Stokes durante um protesto da
Peace Fremo) Os outros membros do grupo gostavam dele.

ENTREVISTA: EUGENE BARANOFF (MEMBRO DO PEACE


FRESNO)
Ele vinha às reuniões. Ele estava com a gente. Nas noites de
sexta-feira, nós íamos até uma esquina bastante movimentada de
Fresno e ele vinha conosco, distribuía folhetos, em junho ele
participou com a gente de um protesto contra a Organização
Mundial do Comércio.

NARRADOR
Mas então, um dia, Aaron Stokes não apareceu na reunião.

ENTREVISTA: CAMILLE RUSSELL (MEMBRO DO PEACE


FRESNO)
Meu amigo Dan e eu estávamos lendo o jornal de domingo e,
quando abri a seção de notícias locais, uma foto de Aaron chamou
minha atenção. A reportagem dizia que um oficial havia sido
assassinado e eu vi que trazia um nome que não era o nome
correto. A reportagem dizia que ele fazia parte da unidade anti-
terror do xerife.

NARRADOR
Detalhe do jornal.

É isso mesmo, a foto do cara no jornal não era a do Aaron Stokes


que eles conheciam. Na verdade, ele era o oficial Aaron Kilner. E
havia se infiltrado no grupo.

CATHERINE CAMPBELL
Foto imponente do xerife Pierce.

O xerife Pierce deixou bem claro que, sim, de fato, Aaron Kilner
fora designado para se infiltrar no Peace Fresno, que ele podia se
infiltrar em organizações abertas ao público.

NARRADOR
Fotos de ativistas sorridentes durante uma reunião.

Dá para entender por que a polícia achou que devia espionar um


grupo como o Peace Fresno. Olhem só para eles. Um bando de
terroristas, se é que eu sei como eles se parecem.
NARRADOR
Homem maduro caminha no parque - e na academia de ginástica.

Este é Barry Reingold, trabalhador aposentado de uma telefônica


em Oakland, Califórnia. Barry gosta de malhar na academia. Em
algum momento entre a esteira e os pesos, Barry se tornou político.

ENTREVISTA: BARRY REINGOLD


Estávamos na academia e depois dos exercícios muitos de nós
estávamos conversando sobre o 11 de setembro, o Afeganistão e
Bin Laden e alguém disse: "Bin Laden é um cretino porque matou
toda aquela gente". E eu disse:"É, mas ele nunca vai ser tão
cretino quanto o Bush, que bombardeia o mundo inteiro para lucrar
com petróleo".

NARRADOR
Barry não precisava se preocupar com espiões da polícia. Seus
próprios colegas de levantamento de peso estavam mais que
dispostos a entregá-lo.

BARRY REINGOLD
Eu estava tirando um cochilo, acho que lá pela uma e meia, duas
da tarde, quando eles apareceram na minha casa. Eu perguntei:
"Quem é?". E eles responderam: "É o FBI". E eu disse: "FBI? O
que é que esses caras estão fazendo aqui?"

NARRADOR
É, o FBl tinha ido ver o Barry, e não era para fazer ginástica.

BARRY REINGOLD
O FBI disse: "Você anda falando por aí sobre o 11 de setembro,
sobre Bin Laden e lucros com petróleo e sobre o Afeganistão?". Eu
disse: "Um monte de gente está falando sobre tudo isso".
Eu senti que meus direitos tinham sido, sabe, pisoteados. Quer
dizer, se você quer me dizer alguma coisa na academia, ótimo,
mas não vá dizer ao FEl para que eles venham à minha casa
quando estou tirando uma soneca.

ENTREVISTA: DEPUTADO PORTER GROSS (REPUBLICANO


DA FLÓRIDA, PRESIDENTE DO COMITÊ DE INTELIGÊNCIA DA
CASA)
Não há nenhum motivo para vergonha aqui. Existe total
transparência. Não existe nada na... na Lei Patriota que seja motivo
de vergonha para mim, de nenhum jeito, de nenhuma maneira, de
modo algum. Eu tenho um número 0800 (palavras piscam na tela:
NÃO É VERDADE), telefonem para mim. Eu sou o cara para quem
vocês devem telefonar se houver violação ou abuso. (palavras
piscam na tela: MAS AÍ VAI O NÚMERO DE TELEFONE DO
ESCRITÓRIO DELE...) Se vocês sabem de alguma caso, eu quero
ver. (palavras piscam na tela: 202-225-2536). O povo dos Estados
Unidos me contratou para supervisionar isso. Eu supervisiono.

ENTREVISTA: DEPUTADO JIM MCDERMOTT (DEMOCRATA,


WASHINGTON)
Trent Lott disse, no dia em que a lei foi apresentada: "Talvez agora
a gente possa fazer as coisas que estamos querendo fazer há dez
anos".
Trechos de noticiário

GEORGE BUSH
Bom, eu sempre... Vocês sabem que com uma ditadura ia ser
muito
mais fácil, sem dúvida.

ENTREVISTA: DEPUTADO JIM MCDERMOTT


Quero dizer, eles já tinham... Eles já tinham tudo isso pensado,
guardado em algum lugar, idéias sobre o que gostariam de fazer. E
veio o 11 de setembro e eles disseram: "É a nossa oportunidade!
Vamos nessa!"

ENTREVISTA: DEPUTADO JOHN CONYERS (DEMOCRATA,


MICHIGAN), COMITÊ JUDICIÁRIO DA CÂMARA
Da parte do governo veio a conclusão instantânea de que teríamos
de alguns direitos.

ENTREVISTA: DEPUTADA TAMMY BALDWIN (DEMOCRATA,


WISCONSIN), COMITÊ JUDICIÁRIO DA CÂMARA
A lei tem várias definições que são profundamente inquietantes.
Em primeiro lugar, a definição de "terrorista"... e... é uma definição
tão ampla que pode incluir pessoas que...

MICHAEL MOORE
Pessoas como eu?

Ela ri

DEPUTADO JIM MCDERMOTT


Ninguém leu a lei. Essa é a questão. Eles esperaram até o meio da
noite, lançaram-na no meio da noite, ela foi impressa no meio da
noite, e na manhã seguinte, quando nós chegamos, ela foi
aprovada.

MICHAEL MOORE
Mas... Como é que o Congresso pôde aprovar a Lei Patriota sem
nem mesmo chegar a lê-Ia?

DEPUTADO JOHN CONYERS


Entenda uma coisa, filho. Nós não lemos a maioria das leis. Você
tem alguma noção do que aconteceria se fôssemos ler cada lei que
aprovamos? Isso iria retardar todo o processo legislativo.

NARRADOR
Michael Moore em Washington, D. C. com um enorme caminhão
de sorvete.

Eu não conseguia acreditar que virtualmente nenhum membro do


Congresso houvesse lido a Lei Patriota antes de votá-la. Então,
decidi que a única coisa patriótica a fazer era ler a lei para eles.

O caminhão circunda o Capitólio - Michael Moore lê a Lei Patriota


pelo alto-falante.

MICHAEL MOORE
Membros do Congresso, aqui fala Michael Moore. Gostaria de ler
para vocês a Lei Patriota dos Estados Unidos. Seção I, Seção 210
deste código diz o seguinte... A seção 2703 C...

Trechos de noticiário: sessão de fotos para divulgação durante


jantar.

GEORGE W. BUSH
A minha tarefa é garantir a segurança da pátria, e é exatamente
isso o que vamos fazer. Mas estou aqui para anotar pedidos. Vai
ser você, Stretch, o que você vai querer?

STRETCH (REPÓRTER)
Vou te acompanhar.

GEORGE W. BUSH
Vou pedir umas costeletas.

NARRADOR
Todo mundo sabe que não dá para garantir a segurança da pátria
com o estômago vazio. E, para manter a segurança, todo mundo
precisa fazer sacrifícios. (cenas de mamãe e bebê) Especialmente
o pequeno Patrick Hambleton. Tenho certeza de que todo mundo
tem uma história pessoal de terror envolvendo segurança em
aeroportos. Mas esta é a minha preferida: a da ameaça terrorista
contida no leite materno da mãe do Patrick.

ENTREVISTA: SUSAN HAMBLETON


Em casa

Eu pensei, bom, se eu colocar só um pouquinho nos lábios vai ser


suficiente, porque obviamente estou experimentando o leite. E ela
me olhou e eu senti como se estivesse dizendo: "Beba mais". E ela
continua: "Não, você tem de beber mais". E, de uma mamadeira de
250 ml, acabei bebendo mais da metade de leite materno. E, como
eu tinha colocado a boca na mamadeira, precisei jogar todo o leite
fora.

NARRADOR
Cenas de segurança em ação em aeroportos

Enquanto o Departamento de Segurança Nacional garantia que


não entrasse leite materno nos aviões, também fazia todo o
possível para garantir que ninguém pudesse detonar uma bomba a
bordo.

MULHER
Despeja cinco caixas de fósforos e dois isqueiros no contêiner de
segurança do aeroporto.
Posso levar isso no avião?

SEGURANÇA DO AEROPORTO
Na verdade, pode. É, tudo bem. Ooops... uma caixa de fósforos a
mais. Você pode levar quatro caixas de fósforos e dois isqueiros.

ENTREVISTA: SENADOR BYRON DORGAN (DEMOCRATA,


DAKOTA DO NORTE), SUBCOMITÊ DE AVIAÇÃO DO SENADO

Quando já tínhamos passado pela experiência de Richard Reid, o


homem do sapato-bomba, que com seu sapato-bomba poderia ter
explodido um avião se tivesse um isqueiro a gás, de acordo com o
FBI, por que a Agência de Segurança de Transportes diz que está
tudo bem, que você pode levar quatro caixas de fósforos e dois
isqueiros a gás no bolso ao embarcar em um avião?

Cenas de fabricação de cigarros - com a palavra "ALGUÉM"


piscando sobre elas

Acho que alguém pressionou os caras para dizer, você sabe,


"Quando o avião pousa, as pessoas querem acender os seus
cigarros rapidinho, então não tirem os isqueiros delas".

NARRADOR
Trechos de várias reportagens.

OK, vamos ver se entendi direito... Velhinhos na academia, mau.


Grupos pacifistas em Fresno, mau. Leite materno, muito mau. Mas
fósforos e isqueiros no avião? Ah, tudo bem, sem problemas! Tudo
isso tinha mesmo a ver com a nossa segurança? Ou havia alguma
coisa mais?
NARRADOR
Plano exibe a faixa costeira do Oregon.

É aqui que o oceano Pacífico se encontra com a costa do Oregon.


Uma linda faixa litorânea que se estende por mais de 160
quilômetros em nossa fronteira. E, graças a cortes no orçamento,
sabe qual o número total de guardas estaduais protegendo isso
tudo? Um. (imagem de patrulheiro solitário) E só por meio
expediente. Conheça o patrulheiro Brooks.

ENTREVISTA: PATRULHEIRO JOSHUA BROOKS


Às vezes eu consigo passar por este trecho da estrada durante o
expediente. Uma, talvez duas vezes por semana. Sabe, só dirigir
até aqui para dar uma olhada. Quer dizer... Até onde eu sei,
qualquer um poderia... Tem um monte de coisas que qualquer um
poderia fazer por aqui. Não gosto nem de pensar, me deixa doente.

NARRADOR
Na central da Guarda Estadual, por causa de cortes no orçamento,
o patrulheiro Kenyon teve de vir trabalhar em seu dia de folga para
colocar a papelada em dia.

ENTREVISTA: PATRULHEIRO ANDY KENYON


Na Central, que está fechada.

Na maioria das vezes, especialmente durante o verão, quando as


pessoas aparecem aqui é exatamente isso o que encontram. A
porta está fechada. Elas lêem um aviso explicando que, por causa
dos cortes, nossa central não está aberta para atendimento ao
público. Um outro aviso pequenininho aqui embaixo explica que,
quando a central está fechada, as pessoas devem usar a cabine
telefônica para entrar em contato conosco. A ironia final é que o
telefone é uma droga, não funciona bem. Quando alguém tenta
usá-lo para falar com a gente, na metade das vezes não consegue
escutar nada por causa da estática. Na terça-feira não teremos
ninguém para fazer patrulha. Na quarta-feira não haverá ninguém
na patrulha. Na quinta-feira também não haverá ninguém na
patrulha.
Recebemos ligações o tempo todo, de pessoas relatando ter visto
um carro estranho ou gente com aparência suspeita, essas
coisas... E eu praticamente já não atendo ninguém, porque
simplesmente não tenho tempo para isso.
Outro dia fiz a seguinte pergunta: quantas pessoas nós temos em
serviço aqui no estado do Oregon hoje à noite? Nós tínhamos oito
patrulheiros trabalhando... no estado inteiro.
Acho que o Oregon é um exemplo vivo de que a segurança
nacional não é lá tão eficiente quanto a população gostaria que
fosse.

PATRULHEIRO JOSHUA BROOKS


Ninguém me mandou nenhum manual explicando o que devo fazer
para apanhar um terrorista. Se eu tivesse um manual desses, leria.
Mas não tenho. Então... É isso aí.

NARRADOR
Cenas de patrulheiros em serviço.

É claro que a administração Bush não distribuiu nenhum manual


explicando como lidar com a ameaça terrorista, porque seu
problema não era a ameaça terrorista. Eles só queriam que nós
ficássemos apavorados a ponto de não perceber quais eram os
seus verdadeiros planos.

Trechos de noticiário: imagens de navio sendo carregado com


ogivas são intercaladas com imagens de Bush - o presidente é
maquiado em sua mesa momentos antes de falar à nação pela TV.
VOZ DE MULHER
Fora do plano, diz a Bush que faltam quatro minutos para o início
do discurso de 19 de março de 2003.

Quatro minutos.

MULHER
Fora do plano - com mais imagens de carregamento de ogivas.

Três minutos.

MULHER
Fora do plano com imagens de porta-aviões em preparação para
combate e de Bush fazendo caretas antes de entrar no ar ao vivo.

Trinta segundos.

MULHER
Fora do plano - Bush se mostra pouco à vontade durante a
contagem regressiva.

Quinze segundos. Dez, nove, oito, sete...

MULHER
Fora do plano

Seis... Cinco... Quatro... Três... Dois... Um...

Discurso na TV.

GEORGE W. BUSH
Meus caros compatriotas...
Corta para cenas de Bagdá em março de 2003 [pouco antes da
guerra] - crianças brincando, casamentos, pessoas rindo etc.

GEORGE W. BUSH
Enquanto são mostradas cenas [pacíficas] do Iraque no início de
2003.

Neste momento, as forças americanas e da coalizão estão nos


estágios iniciais da operação militar que tem por objetivo desarmar
o Iraque, libertar seu povo e defender o mundo de um grave perigo.
Sob meu comando, as forças de coalizão começaram a atacar
alvos militares selecionados e estratégicos para minar o poderio
bélico de Saddam Hussein. (no momento em que fortes explosões
atingem toda a extensão de Bagdá)

NARRADOR
Em meio a cenas do bombardeio maciço dos EUA contra Bagdá [a
operação denominada "choque e pavor"].

No dia 19 de março de 2003, George W. Bush e as Forças


Armadas dos Estados Unidos invadiram a nação soberana do
Iraque - uma nação que jamais havia atacado os Estados Unidos.
Uma nação que jamais havia ameaçado atacar os Estados Unidos.
Uma nação que jamais havia assassinado um único cidadão norte-
americano.

Trecho do noticiário: iraquiano segura um bebê morto à frente de


uma caminhonete cheia de cadáveres de iraquianos.

ENTREVISTA TRADUZIDA
Qual foi o crime deste bebê?
Ele ia enfrentar os soldados?
Covardes! Eu saí com um bastão e falei para o soldado me acertar.
Eu juro pelo Alcorão.
Aqueles que não temem a morte não morrem.

ENTREVISTA: JOVEM IRAQUlANO ESCAVA DESTROÇOS


Acabamos de achar este... pedaço do corpo da minha vizinha, uma
garota, tinha 20 anos, Shams. Acho que é outra parte do corpo
dela.
É só isso.

ENTREVISTA: SOLDADO AMERICANO EM RUA DO IRAQUE


Nós matamos muitos civis inocentes. Eu acho que é porque... O
Exército americano, sabe... Nós entramos aqui sabendo que não ia
ser fácil. Então, no começo, atirávamos em qualquer coisa que se
movesse.

ENTREVISTA: SOLDADO AMERICANO EM RUA DO IRAQUE


Quando há uma guerra, quando o combate começa, sabe... Você
fica ligadão, muito motivado, pronto para lutar.

ENTREVISTA:SOLDADO AMERICANO EM RUA DO IRAQUE


É o máximo. Você sabe que vai entrar em combate, põe uma
música para tocar... Aí fica em ponto de bala. Pronto para fazer o
que tem de fazer.

Dois soldados americanos em um tanque.

Dá para ligar o aparelho de CD no sistema de comunicação interna


do tanque... Assim dá para ouvir música quando colocamos o
capacete.
SOLDADO NO TANQUE
Esta é a que mais ouvimos. É com esta que viajamos e matamos o
inimigo. É [a banda] Drowning Pool, "Let the Bodies Hit the Floor"
["Deixe os corpos pelo chão”]. É perfeita para o trabalho que
estamos fazendo aqui..

Cenas: civis iraquianos mortos ou mutilados.

SOLDADO
Nós escolhemos, ahn... "The Roof is on Fire" ["O telhado está em
chamas"], porque... Basicamente porque simbolizava Bagdá em
chamas, e... Naquele momento queríamos que a cidade inteira
queimasse para tirar Saddam da toca e derrubar seu governo.

O mesmo soldado canta para a câmera.

"The roof, the roof, the roof is on fire / We don't need no water / Let
the motherfucker burn / Burn motherfucker, burn..."

["O telhado, o telhado, o telhado está em chamas / Não queremos


água / Deixe o desgraçado queimar / Queime, desgraçado,
queime" - a música é "Fire Water Burn", da banda Bloodhound
Gang]

Cenas de Bagdá em chamas.

"We don't need no water, let the motherfucker burn, burn mother-
fucker, burn..."

SOLDADO
Na rua, com aparência assustada.
O cenário aqui é totalmente diferente. Entramos na cidade, em uma
guerra urbana, de tanque, sabe... Civis...

Tanques rodam pelas ruas de Bagdá.

SOLDADO
Enquanto iraquiano é levado por soldados.

É, os civis, você...

SOLDADO
Garotinho iraquiano chora.

Você não sabe quem é amigo, quem é inimigo...


SOLDADO
Uma criança que teve o braço esquerdo destroçado é operada em
uma mesa de cirurgia.

Isso aqui é muito mais real, muito mais forte do que um videogame.
Alguns achavam que a coisa ia ser fácil, tipo... "Ah, é só fazer mira
e atirar!". De jeito nenhum. Muitas vezes o negócio é cara a cara.
E, especialmente quando você vê... Depois que as bombas
explodem, você vê toda aquela gente apodrecendo pela rua
(imagem de corpo de iraquiano apodrecendo), e tem aquele cheiro
em toda parte, sabe, o cheiro das pessoas no chão, mortas,
apodrecendo... É horripilante, muito mais do que as pessoas
imaginam. (imagem de cadáver ensangüentado sendo
transportado em uma maca)

SOLDADO
Mulheres e crianças em hospital, com os rostos desfigurados por
napalm.
Nós entramos usamos artilharia e napalm... Algumas mulheres e
crianças inocentes foram atingidas. Nós os encontramos na
estrada, havia menininhas sem nariz... Havia maridos carregando
as mulheres mortas, esse tipo de coisa. Foi extremamente difícil
lidar com isso. Porque, sabe, você fica se perguntando: "Cara, o
que é que a gente fez?".

Trechos de noticiário.

DONALD RUMSFELD
Imagem intercalada com cenas de bombardeio intenso.

Nossa eficiência no acerto de alvos e o cuidado que tomamos ao


selecionar esses alvos são notáveis, como qualquer um pode ver.
(bebê iraquiano tem a cabeça suturada sem anestesia)

Gravação noturna mostra soldado matando iraquiano na rua - só


áudio.

SOLDADO
Peguei um. Ótimo. Pega o outro, o segundo.

DONALD RUMSFELD
Tomamos todos os cuidados, agimos com senso de humanidade.

Trechos de noticiário

MULHER IRAQUlANA
Em meio a destroços – histérica.

TRADUÇÃO
Eles não têm consciência!
Eles não sabem nada!
Eles massacraram a gente!
Eles destruíram as nossas casas!
Deus vai destruir as casas deles!
Deus é grande!
Deus, destrua as casas deles!
Que vença o lraque!

REPÓRTER DA REDE DE TV AL JAZIRA


Fora do plano.

Então eles mataram civis?

MULHER IRAQUlANA
Sim, civis!
Esta é a casa de nosso tio!
Somos todos civis.
Não existe milícia aqui.
Rezo a Deus para que nos vingue!
Só posso contar com você, Deus!
Já enterramos cinco por causa dos bombardeios.
Meu Deus!
Meu Deus!
Deus, proteja-nos deles!
Onde você está, meu Deus?
Onde você está?

Entrevista: Britney Spears


Mascando chiclete, algo entediada e insolente – em trecho de
entrevista a Tucker Carlson, da CNN.

Honestamente, acho que precisamos confiar no nosso presidente e


em todas as decisões que ele toma. Precisamos apoiar tudo isso e,
sabe, ter fé no que vai acontecer.
TUCKER CARLSON
Fora do plano.

Você confia neste presidente?

BRITNEY SPEARS
Sim, confio.

NARRADOR
Cena de Bush subindo à tribuna para o discurso anual sobre o
Estado da Nação - é ovacionado.

Britney Spears não era a única. A maior parte do povo americano


acreditava no seu presidente. E por que não acreditaria? Ele
passou quase um ano inteiro oferecendo todas as justificativas
possíveis e imagináveis para a invasão ao Iraque.

Montagem: trechos de diferentes noticiários.

GEORGE W. BUSH
Saddam Hussein planejou tudo detalhadamente, gastou
montanhas de dinheiro e assumiu riscos enormes para construir e
armazenar armas de destruição em massa.

COLIN POWELL
Saddam Hussein está decidido a conseguir uma bomba nuclear.

GEORGE W. BUSH
Arma nuclear.
Arma nuclear.
Arma nuclear.
COLIN POWELL
Sobre fotos tiradas por satélite.

Depósitos subterrâneos de munição química... Fábricas móveis...

GEORGE W. BUSH
Sabemos que ele tem armas químicas.

GEORGE W. BUSH
Ele tem.
Ele tem.
Ele tem.

NARRADOR
Imagem em câmera lenta: Colin Powell falando à imprensa.

Hmm... Estranho. Porque não foi era isso o que o pessoal de Bush
dizia quando ele assumiu a presidência.

COLIN POWELL
Entrevista coletiva em fevereiro de 2001.

Saddam não conseguiu desenvolver nenhuma estrutura


significativa em termos de fabricação de armas de destruição em
massa. Ele não tem poder de fogo convencional para atacar os
países vizinhos.

Trecho de noticiário.

CONDOLEEZZA RICE
Em julho de 2001.
Nós conseguimos manter as armas longe das mãos dele. Seu
poder militar não foi reconstruído.

GEORGE W. BUSH
No discurso sobre o Estado da Nação.

Saddam Hussein auxilia e protege terroristas, inclusive membros


da Al-Qaeda.

DICK CHENEY
Entrevistado no programa Meet the Press.

Havia uma relação entre o Iraque e a Al-Qaeda.

Montagem de trechos de vários noticiários: George W. Bush repete


seu bordão.

Saddam.
Al-Qaeda.
Saddam.
Al-Qaeda.
Saddam.
A Al-Qaeda.
Saddam.
Saddam.
Saddam,
Al-Qaeda.

DONALD RUMSFELD
Em depoimento ao Congresso.
É só uma questão de tempo até que Estados terroristas
desenvolvam os meios necessários para atacar as cidades dos
Estados Unidos com suas armas de destruição em massa.
COLIN POWELL
Na ONU

O que estamos mostrando a vocês são fatos e conclusões


baseados em um rigoroso trabalho dos serviços de inteligência.

Mapas indicam suposta localização de arsenais no Iraque.

GEORGE W. BUSH
Em diversos pronunciamentos.

Ele é um homem que odeia os Estados Unidos.


É um homem que não suporta o que defendemos.
Está disposto a agir pessoalmente como terrorista.
Ele odeia, assim como a Al-Qaeda odeia, o nosso amor à
liberdade.
É o cara, afinal de contas, que já tentou matar o meu pai.

ENTREVISTA: DEPUTADO JIM MCDERMOTT


Eles simplesmente levaram as pessoas a acreditar que havia uma
ameaça real, e a verdade é que não havia.

DONALD RUMSFELD
Entrevista no Pentágono.

Todos os dias nos dizem coisas que acabam não acontecendo. As


pessoas não parecem aborrecidas com isso.

NARRADOR
Sessão no Senado.
Os democratas, naturalmente, estavam a postos para pôr um fim a
todas essas mentiras.

SENADOR TOM DASCHLE (DAKOTA DO SUL, LÍDER


DEMOCRATA NO SENADO)
Discursando durante a sessão.

Eu voto a favor da concessão de toda a autoridade necessária ao


presidente.

COLlN POWELL
Em depoimento.

Os Estados Unidos estão dispostos a liderar uma Coalizão da Boa


Vontade.

GEORGE W. BUSH
Falando a jornalistas.

REPÓRTER
Fora do plano.

Neste momento, quais são os integrantes da Coalizão da Boa


Vontade...?

GEORGE W. BUSH
Algo irritado com a pergunta.

Vocês já vão descobrir quem está na Coalizão da Boa Vontade.

LOCUTOR
Mapas e imagens de cada país mencionado.
A Coalizão da Boa Vontade... Chamada geral!

Jovens dançam a hula.

A República do Palau!

Homem conduz carro de bois.

A República da Costa Rica!

Trecho de filme em preto-e-branco: navio viking.

A República da Islândia.

NARRADOR
O problema é que nenhum desses países tem exército. Por causa
disso, claro, também não tem armamentos. Então... Parece que o
negócio da invasão vai ficar mesmo por nossa conta.
Mas também havia...
LOCUTOR
Trecho de filme em preto-e-branco: vampiro se levanta da tumba.

Quando eu digo que vamos liderar uma Coalizão da Boa Vontade


para desarmar Saddam se ele decidir manter suas armas, estou
falando sério.
A Romênia!

Apresentação de músicos típicos.

O Reino de Marrocos!

NARRADOR
Imagens de encantador de serpentes e de macacos selvagens
correndo pelo mato.

Marrocos não era oficialmente membro da coalizão. Mas, segundo


algumas informações, eles prometeram mandar dois mil macacos
para ajudar a detonar minas terrestres.

GEORGE W. BUSH
Estes são homens de visão.

LOCUTOR
Homem acende um cachimbo enorme.

Países Baixos.

GEORGE W. BUSH
Macacos em mesa de reunião.

E eu tenho orgulho... Tenho orgulho de chamá-los de meus aliados.

LOCUTOR
Afeganistão!

NARRADOR
Imagens de soldados americanos no Afeganistão.

Afeganistão? Ah, claro! Eles tinham um exército... O nosso


exército! Sem dúvida, é uma maneira de construir uma coalizão -
basta continuar invadindo países. Sim. Com nossa poderosa
coalizão formada, estávamos prontos.

DONALD RUMSFELD
Dá até para dizer que esta é a mãe de todas as coalizões.
CORO MILITAR
Na FOX NEWS

(Cantando) América, América...

NARRADOR
Felizmente, nosso país tem uma imprensa independente que ia nos
contar toda a verdade.

Montagem de trechos de diversos noticiários – jornalistas se


mostram tendenciosos.

SHEPHARD SMITH (ÂNCORA DA FOX NEWS)


A união em torno do presidente, da bandeira e dos soldados
evidentemente começou.

SOLDADO
Na FOX NEWS.

E nós vamos vencer!

LINDA VESTER (ÂNCORA DA FOX NEWS)


Realmente, você precisa estar ao lado dos soldados para sentir
toda a
adrenalina neles.

KATIE COURIC (APRESENTADORA DO PROGRAMA TODAY,


DA NBC)
Quero que vocês saibam: os SEALS [tropa de elite da Marinha dos
EUA] são demais!

REPÓRTER DA CNN
As imagens que vocês estão vendo são simplesmente fantásticas.

DAN RATHER (ÂNCORA DA CBS NEWS)


Quando o meu país está em guerra, eu quero que ele vença.

PETER JENNINGS (ÂNCORA DO ABC NEWS)


A oposição iraquiana desapareceu diante do poder americano.

REPÓRTER
O que vocês estão vendo aqui é verdadeiramente histórico para o
jornalismo e para a televisão.

REPÓRTER DA CNN
Foi eletrizante... Eles tiveram de me prender na parte traseira do
avião com a câmera...

TED KOPPEL (ÂNCORA DO PROGRAMA NIGHTLINE, ABC


NEWS)
... É uma impressionante máquina sincronizada para matar.

DAN RATHER
Existe uma tendência natural à parcialidade na cobertura da
imprensa americana...

NEIL CAVUTO (APRESENTADOR DA FOX NEWS)


Eu sou tendencioso e parcial? Pode apostar que sim!

NARRADOR
Cenas: soldados rezam por companheiros mortos; caixões;
enterros.
Mas havia uma história que a imprensa não estava cobrindo - a
história pessoal dos soldados mortos na guerra. O governo não
permitia a filmagem dos caixões sendo embarcados de volta para
casa. É o tipo de notícia que baixa o astral, especialmente quando
você se prepara para dar uma grande festa em um navio.

MÚSICA
Cenas: Bush voando em jato a caminho de um porta-aviões,
confraternização com soldados.

"Believe It or Not", tema do filme The Greatest American Hero


Look at what's happened to me
I can't believe it myself
Suddenly l'm on top of the world
Believe it or not l'm walking on air
I never thought I could feel so free
Flying away on a wing and a prayer
Who could it be?
Believe it or not it's just me.

[Veja o que me aconteceu / Mal posso acreditar / De repente, estou


por cima / Acredite ou não, estou andando nas nuvens / Nunca
pensei que pudesse me sentir tão livre / Voando com uma prece /
Quem mais podia ser? / Acredite se quiser, sou eu].

GEORGE W. BUSH
Em porta-aviões, tendo ao fundo a inscrição "Missão cumprida".

Meus caros compatriotas, os combates mais intensos no Iraque


chegaram ao fim, Na batalha do Iraque, os Estados Unidos e seus
aliados triunfaram.

Cenas gravadas no Iraque: bomba explode perto de um grupo de


soldados - vítimas americanas são colocadas em caminhões - caos
- soldados gritando.
SOLDADOS
Quase inaudíveis, ao fundo.

Saiam do caminho... Vamos... Evacuar... Evacuar... Evacuar...


Evacuar... Evacuar... Pega outro ... Vamos, cara... Vamos lá, cara...
Agüenta firme... Agüenta firme, cara.

Trechos de vários noticiários, sobre imagens do cemitério de


Arlington.

REPÓRTER
Já são 162 os soldados mortos pelo inimigo.

REPÓRTER
244 soldados americanos...

REPÓRTER
384 soldados americanos perderam a vida...

REPÓRTER
Número total de mortos: 484.
REPÓRTER
500 morreram no cumprimento do dever.

REPÓRTER
631 soldados americanos.

REPÓRTER HAROLD MOSS


Mais de 825 soldados foram mortos no Iraque.

REPÓRTER
É o maior número de soldados americanos mortos desde a guerra
do Vietnã.
GEORGE W. BUSH
Durante entrevista coletiva na Casa Branca.

Algumas pessoas acham que, se nos atacarem, vão nos obrigar a


deixar o Iraque antes da hora. Elas não sabem o que estão
dizendo. Quero concluir. Alguns acham que têm condições
favoráveis e que podem nos atacar lá. Minha resposta para essa
gente é: "Podem vir. Experimentem" .

Imagens: corpos mutilados de soldados americanos mortos em


Fallujah - agredidos com pedaços de pau, arrastados por
automóveis, pendurados em uma ponte.

ENTREVISTA: SOLDADO AMERICANO


Os Estados Unidos pensaram que entrar e andar por aqui ia ser um
passeio. Mas não é tão fácil conquistar um país. Não é? (cenas:
iraquianos marchando pelas ruas)

DAN RATHER
A nova batalha pelo controle do Iraque prosseguiu hoje
violentamente, pelo quarto dia seguido, com confrontos de rua em
quase todos os pontos do país.
O Iraque pode se transformar... em um novo Vietnã?

REPÓRTER
Imagens: homens armados em ruas iraquianas.

Segundo funcionários do governo, há sinais de que extremistas


sunitas e xiitas estão unindo suas forças no, sul do país.
GEORGE W. BUSH
Durante entrevista coletiva.

Os iraquianos não estão felizes com a ocupação. Eu também não


estaria.

MÚSICA
Combatentes iraquianos marcham carregando armas.

"FIRE BURN WATER"


Everybody here we go - ooh ooh
Come on party people - ooh ooh
Throw your hands in the air - ooh ooh
Come on party people - ooh ooh

(Pessoal, aí vamos nós/ Entrem na festa/ Mãos para o alto/ Entrem


na festa).

REPÓRTER
Sobre imagens de civis japoneses seqüestrados sendo ameaçados
com facas no pescoço.

Três civis japoneses - dois ativistas humanitários e um jornalista -


foram seqüestrados por grupo autodenominado Esquadrão
Mujahadin. Eles ameaçam queimar os reféns vivos caso o Japão
não retire suas tropas do Iraque no prazo de três dias.

Trechos de noticiário: o norte-americano Thomas Hamill é exibido


por seus seqüestradores; o comboio em que ele viajava aparece
em chamas na estrada.

REPÓRTER
O que aconteceu?
THOMAS HAMILL (EMPREGADO DA HALLIBURTON)
Eles atacaram o nosso comboio.

REPÓRTER
Você pode nos dizer o seu nome?

REFÉM
Hamill. Thomas.

REPÓRTER DA CBS
O Pentágono pode estender o tempo de permanência de até 24 mil
soldados que estão combatendo no Iraque.

ENTREVISTA: SOLDADO
Sei que o número de alistamentos caiu. Estão falando em manter a
gente aqui por mais tempo...

ENTREVISTA: SOLDADO
Nunca pensei que ia ficar tanto tempo aqui. Acho que ninguém
esperava isso.
SOLDADO
Não sei por que é que ainda estamos no Iraque. Não faço a menor
idéia.

SOLDADO
Cercado por outros soldados.

Se o Donald Rumsfeld estivesse aqui, mandava ele pedir


demissão.

NARRADOR
Combates em Bagdá.
A guerra não está saindo conforme o planejado, os militares
precisam de mais e mais tropas... Onde é que vão achar novos
recrutas?

BILL PLANTE (REPÓRTER DA CBS)


Especialistas em questões militares afirmam que, para pacificar e
reconstruir o país, será preciso triplicar o contingente de soldados
americanos no Iraque. Atualmente, há cerca de 120 mil homens no
país.

NARRADOR
Imagens de áreas miseráveis do centro de Flint, em Michigan.

Esses recrutas podiam ser encontrados por toda a América. Nos


lugares devastados pela economia. Lugares nos quais o
alistamento no Exército é um dos únicos empregos que existem.
Lugares como a minha cidade natal: Flint, no estado de Michigan.

Entrevista com um grupo de jovens negros em academia de


ginástica de Flint.

ENTREVISTA: TORIAN BILLINGS


Outro dia, na TV, mostraram alguns prédios e áreas que foram
bombardeados e coisa e tal. Eu vi aquilo e fiquei pensando que
aqui em Flint existem lugares parecidos, mas nós não passamos
por uma guerra.

Bairro semi-abandonado em Flint

ENTREVISTA: GREGORY FITCH


Este é o bairro onde eu moro. Agora está quase todo abandonado.
Quer saber? Isso não está certo, Querem falar de terrorismo?
Venham para cá, Presidente Bush, venha até aqui. Bem aqui. Ele
sabe o que está acontecendo neste pedaço. Eu mandei um e-mail
para ele.

Escritório da agência de empregos Carrer Alliance, Flint, Michigan.

LILA LIPSCOMB (ASSISTENTE EXECUTIVA DA AGÊNCIA


CAREER ALLIANCE)
No fim de janeiro de 2004, a taxa de desemprego chegava a 17%.
Mas é preciso levar em conta que, quando termina o seguro-
desemprego, você deixa de ser contado. Eu diria que a taxa está
hoje em cerca de 50%. De desempregados ou subempregados.
Estar subempregado é tão ruim quanto não ter emprego. Minha
família passou pelo sistema. Em meados dos anos 80, eu participei
de um programa de treinamento profissionalizante e estudei
secretariado. Hoje sou a assistente executiva do presidente da
agência. Interessante, não?
Minha mãe costumava me perguntar: "Por que você tem sempre de
estar do lado dos pobres-diabos?" Bom, porque são eles que
precisam de mim. Tenho de lutar é pelas pessoas que não têm
nada. E é por elas que eu tenho lutado a minha vida inteira.
Eu comecei a falar para meus filhos: "O Exército é uma boa opção.
Não tenho dinheiro para pagar faculdade para vocês". Então eu,
como mãe, comecei a explicar os benefícios que eles teriam no
Exército, que poderiam viajar e ver o mundo, coisas que eu não
teria como pagar. E o Exército pagaria os estudos deles, já que sua
mãe e seu pai não teriam como.

MICHAEL MOORE
O Exército é uma boa opção para os jovens de Flint?
LILA LIPSCOMB
O Exército é uma excelente opção para as pessoas numa cidade
como Flint.

Interior da academia de ginástica - grupo de jovens negros.

MICHAEL MOORE
Quantos de vocês têm amigos ou parentes no serviço militar?
(quase todo mundo levanta a mão). Tem alguém atualmente
servindo no exterior?

MARTRES BROWN
Tenho um irmão.

ADRIAN WALKER
Meu primo.

ESTUDANTE
Fora do plano

Meu irmão.

MICHAEL MOORE
Onde está o seu irmão?

MARTRES BROWN
No Iraque.

ADRIAN WALKER
Na Alemanha.

JORDAN POLK
Meu primo embarcou para o Iraque faz uns três dias.

TORIAN BILLINGS
Quase toda semana aparecem uns recrutadores do Exército, da
Marinha e dos fuzileiros por aqui, no refeitório... recrutando
estudantes no refeitório.

ANÚNCIO DE RECRUTAMENTO DO EXÉRCITO


Animação e música estridentes, ao estilo dos videogames.

Algumas pessoas têm uma vocação. A maioria serve um fim de


semana por mês e duas semanas por ano. Ganhe dinheiro para a
faculdade. Proteja a sua comunidade. Na Guarda Nacional do
Exército, você pode fazer tudo isso!

ENTREVISTA: RANDY SUTTON


Eu mesmo vou me alistar na Força Aérea. Vou terminar o colegial.
Vou tirar um ano quando me formar no colégio, depois vou me
alistar e fazer carreira. Quero ser técnico em manutenção de
aeronaves.

ENTREVISTA: HARRY WILLIAMS


Eu conheci um recrutador e reparei numa coisa interessante... Meio
estranha. Parecia que ele estava me contratando para um trabalho,
não para me alistar no Exército. Foi assim que ele me abordou.
Também abordou um amigo meu. Eu estava numa loja, o cara
chegou com seu cartão de visitas. Um cartão de visitas do Exército.

NARRADOR
Dupla de fuzileiros navais em busca de recrutas em Flint.

Estes são os sargentos Dale Kortman e Raymond Plouhar, do


Corpo de Fuzileiros Navais - dois dos muitos recrutadores
designados para trabalhar em Flint, Michigan. Eles andam muito
ocupados.

SARGENTO RAYMOND PLOUHAR


No carro, falando sobre uma pessoa na rua.

Olha lá, ele já saiu correndo... Ele viu a gente.

SARGENTO DALE KORTMAN


No carro, falando sobre um jovem negro que passa na frente deles.
Olha este aqui. Membro de gangue, com certeza.

SARGENTO RAYMOND PLOUHAR


Agora estamos indo para o shopping Courtland.

NARRADOR
Seguindo o carro dos fuzileiros.

Eles decidiram evitar os centros comerciais das áreas mais ricas. É


difícil encontraram jovens para recrutar por lá. Então, seguiram
para outro shopping.

SARGENTO DALE KORTMAN


Montando sua estratégia de ataque.

Vamos entrar aqui...


SARGENTO RAYMOND PLOUHAR
Por aqui..

SARGENTO DALE KORTMAN


Depois seguimos em frente...

SARGENTO RAYMOND PLOUHAR


Em frente...

SARGENTO DALE KORTMAN


... Aí damos a volta e seguimos até...

Fora do carro, eles abordam os dois primeiros candidatos.

SARGENTO DALE KORTMAN


Cavalheiros! Sabem que andamos à procura de vocês, não
sabem?
Vocês nunca pensaram em se alistar?

JOHN KINGSTON
Eu quero ir para a faculdade e jogar basquete.

SARGENTO DALE KORTMAN


Certo, certo. Você é bom?

JOHN KINGSTON
Sou. Especialmente no basquete.

SARGENTO DALE KORTMAN


Ótimo. Você também pode jogar com os fuzileiros, sabe? Viajar
pelo mundo jogando no time de basquete dos fuzileiros. E... David
Robinson [famoso jogados da NBA] também esteve nas Forças
Armadas...

JOHN KINGSTON
Ah, é?

SARGENTO DALE KORTMAN


Então, você também pode servir.
ENTREVISTA: SARGENTO RAYMOND PLOUHAR
Fala para a câmera.

Tem muita gente por aí que gostaria de entrar para os fuzileiros,


mas não sabe como.

SARGENTO DALE KORTMAN


Fala com outro candidato a recruta.

Onde você trabalha?

MONTLEY BOWLES
Trabalho no Kentucky Fried Chichen.

SARGENTO DALE KORTMAN


Legal!

MONTREY BOWLES
Na esquina das ruas Dort e Lapeer.

SARGENTO DALE KORTMAN


Você pode dar um desconto para a gente.

MONTLEY BOWLES
Ok.

ENTREVISTA: SARGENTO RAYMOND PLOUHAR


Fala para a câmera.

Eles estão loucos para se alistar.

MONTREY BOWLES
Não sei, estou pensando em fazer carreira como músico ou coisa
assim.

SARGENTO DALE KORTMAN


Você quer ser músico?
Talvez os fuzileiros possam ajudar você a seguir a carreira de
músico.
Você dever conhecer o [músico] Shaggy, não?

MONTREY BOWLES
Conheço.
SARGENTO DALE KORTMAN
Sabe alguma coisa sobre ele?

MONTREY BOWLES
Sei. Ele é... Ahn, jamaicano, coisa assim.

SARGENTO DALE KORTMAN


É.

MONTREY BOWLES
É.

SARGENTO DALE KORTMAN


E você sabia que ele foi fuzileiro? Sabia? Definitivamente, você tem
de aprender a ter disciplina para entrar no ramo da música.

MONTREY BOWLES
É, sei disso.

SARGENTO DALE KORTMAN


Precisa ter disciplina principalmente com o seu dinheiro. Se ganhar
um milhão, precisa saber administrar esse dinheiro. Então, venha
ao meu escritório. A gente pode sentar e conversar. Mostraremos a
você tudo sobre os fuzileiros. Gosta da idéia?

SARGENTO RAYMOND PLOUHAR


O que vocês vão fazer hoje à tarde?
E amanhã?
Vamos combinar amanhã às dez da manhã?

MONTREY BOWLES
Tá, para mim está ótimo.

SARGENTO RAYMOND PLOUHAR


Você quer que a gente passe para te pegar?

ENTREVISTA: SARGENTO RAYMOND PLOUHAR


Fala para a câmera.

É melhor pegá-los quando estão sozinhos ou em dupla. E


convencê-los no caminho,

SARGENTO DALE KORTMAN


Senhoritas, não gostariam de se alistar?
Olha... Tem um atrás de você. Ele é jovem.

SARGENTO RAYMOND PLOUHAR


É...

SARGENTO DALE KORTMAN


Analisando possíveis candidatos.

Tem dois ali. Bem ali ao lado da van vermelha. Você vai por esse
lado e eu vou pelo outro. A gente cerca eles.
Falando com um garoto

Você está no primeiro colegial?

GAROTO
Sim, senhor.

SARGENTO DALE KORTMAN


Rapaz, você parece mais velho, então...

GAROTO
Sim, senhor.

SARGENTO DALE KORTMAN


Tudo bem. Fique com o meu cartão.

SARGENTO RAYMOND PLOUHAR


A um jovem que está entrando no shopping com sua esposa e o
bebê.

Você alguma vez já pensou em ser fuzileiro?

CLIFFTON E. WALKER
Ahn... Já pensei nisso, Mas agora tenho mulher e filho, então...

SARGENTO RAYMOND PLOUHAR


Mais um motivo para se alistar.

SARGENTO DALE KORTMAN


A um jovem negro que disse não estar interessado em se alistar.

Garoto, eu só quero algumas informações a seu respeito, bem


rápido, antes de poder riscar você da minha lista, para lembrar que
já falei com você e que você não está interessado. Tudo bem?
Qual é o seu nome? Telefone? Qual o seu endereço, Mario?
Mais um para a lista.

Entrevista na academia.

MARTRES BROWN
Claro que qualquer um adoraria ter a chance de ir para a
faculdade. Mas muitos jovens podem fazer isso sem precisar
arriscar a vida, para falar claramente.

Iraque, véspera de Natal de 2003 - no posto de comando, soldados


se preparam para uma incursão noturna.

ENTREVISTA: SOLDADO NO COMANDO


OS feriados são um pouco mais tensos do que os dias normais.
Gostaríamos de dar ao pessoal uma folga para relaxar. Mas
estamos
em uma zona de combate, meus soldados entendem isso.

SOLDADO
Mostra nervosismo antes da incursão.

Acho que todo mundo aqui está um pouco nervoso. Mas...

SOLDADO
Soldado mais velho atrás do primeiro - ironiza o medo do outro.

Somos profissionais. Vamos cuidar de você. Prometo.

Gargalhadas fora do plano.

SOLDADO
Aqui toda casa tem o direito de possuir armas. No máximo –
perdão -
um AK-47, Nossa suposição sempre é a de que nossos alvos estão
armados.

SOLDADO
Pronto para sair - engatilha a arma.

É hora do show.

DOIS SOLDADOS
Exibem suas armas para a incursão.

Porra, ele tudo para sair arrebentando portas. Estoura essa aqui...

MÚSICA

Soldados nos tanques em patrulha noturna

"SANTA CLAUS IS COMING TO TOWN"


You better watch out, you better not cry
You better not pout, I'm telling you why. Why?
Santa Claus is coming to town. Gather round.

He's making a list, checking it twice.


Gonna find out who's naughty and nice
Santa Claus is coming to town.
He sees when you are sleeping.
He knows when you 're awake.
He knows when you've been bad or good
So be good for goodness sake
You better watch out.
[É melhor você se comportar / Não chore / Melhor não fazer cara
feia / Vou te contar por quê / Papai Noel está chegando à cidade /
Prepare-se / Ele está fazendo uma lista / Vai conferir duas vezes /
Vai descobrir quem se comportou bem e quem se comportou mal /
Papai Noel está chegando à cidade. / Ele sabe quando você está
dormindo / E sabe quando está acordado / Ele sabe se você foi
bom ou mau / Então, seja bonzinho / Para seu próprio bem / É
melhor tomar cuidado]

Soldados chutam a porta de uma casa em Bagdá.

SOLDADO
Cadê o cara? Ei, espera aí.

SOLDADO
Fala ao intérprete - quer saber aonde está indo uma mulher
iraquiana idosa.

Não, não, não... Aonde ela vai?

MULHER
Vou atrás dela?

SOLDADO
Aonde ela vai?

MULHER
Vai telefonar para ele.

SOLDADO
Caos na casa às escuras - ouvem-se vozes, confusão.
Ela vai telefonar para ele? Não, não, não, não, não... Onde é que
ele está agora? Não no telefone... Ele está na casa? Ele está na
casa? Está? Ele está na casa? Onde?

SOLDADO
Vamos! Segundo andar! Segundo andar!

SOLDADO
Cuidado, cuidado!

SOLDADO
Vai, vai, vai!

SOLDADO
Cuidado, Adele. Cuidado. Cuidado!

SOLDADO
Lá vem um!

SOLDADO
Mantém um jovem iraquiano no chão com luz de lanterna na cara.

Ele é o al Douri? Este é Suheib aI Douri? Suheib al Douri. Qual é o


seu nome?

HOMEM
Suheib. Suheib.

SOLDADO
Este é o Suheib?
MULHER IRAQUlANA
(Sua fala aparece em legendas).
O que ele fez?
É só um estudante.

SOLDADO
Calma, fique calma, por favor.

SOLDADO
Certo... Para o telhado.

SOLDADO
Nós agradecemos a colaboração.

SOLDADO
Este é o alvo.

SOLDADO
Vamos trazer ele aqui...

SOLDADO
Vai!

SOLDADO
Saia!

ENTREVISTA: SOLDADO NO POSTO DE COMANDO


Nós precisamos... Como diz o velho ditado, conquistar os corações
e as mentes das pessoas. Esse é o nosso trabalho. Nós temos
de... Trazer os ideais de democracia e de liberdade ao país e
mostrar a eles que os americanos não estão aqui para... para
governar o Iraque.

MULHER IRAQUlANA
De volta ao apartamento - incursão na noite no sofá - garotinha
está chorando de medo.
(Fala aparece em legendas)

Não tenha medo.


Ele não vai te bater.
a que ele fez?
Por que não nos dizem? Deus nos proteja, o que ele fez?

ENTREVISTA: SOLDADO
Vamos colher algumas provas aqui. Esse processo leva umas três
horas.
Por hoje, vai ser isso - e assim termina a véspera de Natal.

MÚSICA

SANTA CLAUS IS COMING TO TOWN


He's making a list, checking it twice.
Gonna find out who's naughty and nice.
Santa Claus is coming to town.

SOLDADO VESTIDO DE PAPAI NOEL


Feliz Natal, pessoal, Feliz Natal. Papai Noel veio até o Iraque só
por causa de vocês, rapazes.

SOLDADO
A gente vai manter o céu seguro para você, Papai Noel.

Entrevista: casa de Lila Lipscomb em Flint, Michigan - enquanto ela


hasteia uma bandeira americana do lado de fora da casa

MICHAEL MOORE
Você tem orgulho de ser americana?
LILA LIPSCOMB
Certamente. Tenho total orgulho de ser americana. Acho que tenho
mais orgulho que a média. Quando hasteio minha bandeira, não
deixo ela tocar no chão, porque sei que vidas são perdidas e
sangue é derramado para que eu possa estar aqui e possa ter essa
bandeira.

MICHAEL MOORE
Certo... Com que freqüência você coloca a bandeira?

LILA LIPSCOMB
Todo dia, todo santo dia. Comecei quando minha filha estava na
operação Tempestade no Deserto [na Guerra do Golfo, em 1991].
Eu colocava essa mesma bandeira na varanda, e as mesmas fitas
amarelas, rezando todos os dias para que minha filha voltasse a
salvo para casa. E para que os filhos dos outros também voltassem
a salvo para casa.

MICHAEL MOORE
E ela voltou.

LILA LIPSCOMB
E ela voltou.

MICHAEL MOORE
Você tem outros parentes que já serviram nas Forças Armadas?

LILA LIPSCOMB
Claro. Tios, tias, primos, irmãos... meu pai...

MICHAEL MOORE
A tradição militar na família é forte...
LILA LIPSCOMB
Muito forte. Minha família era... Minha família é do tipo que eu
considero como uma parte da coluna vertebral dos Estados Unidos.
São famílias como a minha, não só a minha, há centenas, milhares
de famílias assim, que sustentam este país nas costas.
As pessoas me consideram uma democrata conservadora.

MICHAEL MOORE
É como você se considera?

LILA LIPSCOMB
Hmm-hmm. É.

MICHAEL MOORE
É. Este é um grande país.

LILA LIPSCOMB
É um grande país. É um grande país.

Mostra o crucifixo no pescoço.

Esta cruz que eu uso no pescoço, não sei se notou, é uma cruz
multiculturalista, uma cruz multicolorida. É porque eu acredito que o
Deus de todas as pessoas pode assumir muitas cores. E minha
família mesmo é uma família multicultural.

MICHAEL MOORE
Você tem uma filha que entrou nas Forças Armadas?

LILA LIPSCOMB
Nas Forças Armadas.
MICHAEL MOORE
E o seu primogênito está nas Forças Armadas?

LILA LIPSCOMB
Nas Forças Armadas.

MICHAEL MOORE
Bom, realmente é um grande presente para este país...

LILA LIPSCOM
É isso aí. Exatamente.

MICHAEL MOORE
... Um grande presente da sua família.

LILA LIPSCOM
Exatamente.

MICHAEL MOORE
Hmm-hmm. É. Então, ter um filho nas Forças Armadas... uma coisa
para se ter orgulho.

LILA LIPSCOMB
Foto de Michael Pederson, fardado, em saudação militar.

Ah... Você sabe... Ele conseguiu.

MICHAEL MOORE
Qual a sua reação diante de protestos contra... A Guerra do Golfo
ou
a Guerra o Vietnã, ou...
LILA LIPSCOMB
Cenas de protestos

Eu sempre odiei os manifestantes. Sempre odiei. Eles eram como


um tapa na minha cara. Era como se estivessem desonrando o
meu filho. Eu queimava por dentro de vontade de dizer a eles:
''Vocês não entendem, eles não estão lá porque querem". Mas
depois entendi que eles não estavam protestando contra os
soldados e sim contra a guerra.

Iraque - entrevista com soldado americano

Sei que sou um soldado e que estou aqui para fazer um trabalho.
Já sou soldado há algum tempo. Quando você vai, faz seu trabalho
e vê certas coisas, fica meio desiludido.

SOLDADO AMERICANO AO LADO DE UM TANQUE


Voz trêmula.

O comandante do batalhão tem certeza de que vamos, ahn, ser


atacados de algum jeito antes de... (inaudível). Até agora tudo está
bastante calmo, não aconteceu muita coisa. Mas sabemos que
pode acontecer e provavelmente vai acontecer.

SOLDADO AMERICANO NO CAMPO DE BATALHA


Eles estão começando a se organizar nos bairros. Muitos garotos
começaram a se juntar - bom, não dá para dizer garotos, mas são
uns caras de 17, 18 anos, que estão começando a se juntar e
odeiam a gente. Por quê? Não sei bem.

NARRADOR
Cenas de prisioneiros iraquianos maltratados pelos americanos –
Soldados encapuzados tiram fotos deles.

Comportamento imoral gera comportamento imoral. Quando um


presidente comete o ato imoral de enviar garotos, que em outra
situação poderiam ser bom garotos, para uma guerra baseada em
mentiras, é isso o que acontece.

SOLDADO
Soldados insultam prisioneiros; iraquiano ferido está deitado em
uma maca.

Ele tem cócegas? Ali Babá ainda está de pau duro.

SOLDADO
Por que mexeu nele?

SOLDADO
Ele pôs a mão no pau.

ENTREVISTA: SOLDADO NORTE-AMERICANO NO IRAQUE


Essa gente atira na gente, nos matam, nos explodem, são capazes
de qualquer coisa, e eu não entendo. Estamos tentando ajudar
essa gente e parece que eles não querem a nossa ajuda. "Vão
embora", dizem. Mas basta alguma coisa dar errado e eles
começam a reclamar: "Ah, mas por que vocês não estavam aqui?
Por que não fizeram isso ou aquilo?" Sabe, é... Eu odeio este país.

SOLDADO AMERICANO NO IRAQUE


Você sabe... Sabe... Quando tiro uma vida, sinto que um pedaço da
minha alma é destruído. É impossível matar sem matar uma parte
de você mesmo.
Capitólio - entrevista com o cabo Abdul Henderson US Marine
Corps, que serviu no Iraque.

MICHAEL MOORE
Se você fosse convocado, voltaria ao Iraque?

ABDUL HENDERSON
Fardado.

Não.

MICHAEL MOORE
Você não voltaria.

ABDUL HENDERSON
Não.

MICHAEL MOORE
E que conseqüências teria de enfrentar por causa disso?

ABDUL HENDERSON
Passaria um tempo na prisão. É uma das possibilidades.

MICHAEL MOORE
E você está disposto a correr esse risco?

ABDUL HENDERSON
Sim. Sim. Eu não vou... Não vou deixar ninguém me mandar de
volta para lá para matar outros pobres coitados, especialmente se
eles não representam nenhuma ameaça para mim ou para o meu
país. Não vou fazer isso.
Imagens de Bush em traje de gala, discursando em um evento
para arrecadar fundos.

GEORGE W. BUSH
É impressionante a turma que está aqui hoje. Os ricos e os mais
ricos ainda! Algumas pessoas chamam vocês de elite. Eu os
chamo de "minha base".

NARRADOR
Imagens de Bush, em várias ocasiões, posando com soldados e
veteranos de guerra.

Enquanto Bush estava ocupado tomando conta de sua "base" e


declarando seu amor por nossos soldados, propôs cortar o soldo
dos combatentes em 33% e a assistência às suas famílias em
60%. Rejeitou um aumento de 1,3 bilhão de dólares em benefícios
para os veteranos, bem como 1,3 bilhão de dólares em assistência
médica, fechando sete de seus hospitais. Tentou dobrar o preço
dos remédios receitados a veteranos e rejeitou a concessão de
benefícios plenos para os reservistas em tempo parcial.

Foto e túmulo de Brett Petriken.

E quando o sargento Brett Petriken, de Flint, Michigan, foi morto no


Iraque, no dia 26 de maio, o Exército enviou seu último pagamento
para a família. Com desconto dos últimos cinco dias do mês – os
dias em que ele não trabalhou porque tinha morrido.

ENTREVISTA: DEPUTADO JIM MCDERMOTT


Eles dizem que os veteranos não serão esquecidos, mas muita
gente
está sendo deixada para trás.
Entrevista - Walter Reed Army Medical Hospital
Entrevistas com veteranos feridos em hospital do Exército em
Washington.

SOLDADO FERIDO (PERDEU AS PERNAS)


Não vou dizer que fomos esquecidos. Não, sei que não fomos
esquecidos... Mas, se houve falhas? Sim. Sim. Muitos soldados
não receberam o tratamento adequado, não foram tratados como
mereciam.

TEXTO NA TELA

Quase 5 mil feridos nos primeiros 13 meses da guerra.

SOLDADO FERIDO (PERDEU AS PERNAS)


Eles têm uma lista de mortos. Mas não mostram quanta gente foi
ferida ou sofreu amputações por causa dos ferimentos.

SOLDADO FERIDO
Sendo preparado para cirurgia - perdeu as mãos.

Cara, eu ainda sinto as mãos...

BRIAN WILLIAMS (REPÓRTER DA NBC NEWS)


Fora do plano.

É?

SOLDADO FERIDO
... E a dor é... É como se as minhas mãos estivessem sendo
esmagadas por um torno. Mas eles fazem de tudo para ajudar,
para aliviar o pior... Assim é mais fácil agüentar.

Entrevistas: hospital do Exército no Kentucky.


SOLDADO FERIDO
Falando em meio a um grupo de soldados feridos.

Fui ferido no final de abril durante uma patrulha em Bagdá. Dois


caras emboscaram a gente. Fui ferido, tive nervos afetados, essas
coisas.

Sinto dores constantes e tomo muita morfina para ajudar a aliviar a


dor. Estou... Estou... Sabe, me readaptando, tentando recolocar a
vida nos trilhos. Entende o que estou dizendo? Não vou poder
fazer as coisas como fazia antes.
Fui republicano durante uns bons anos... Por algum motivo, os
republicanos, eles... Eles fazem as coisas de um jeito desonesto.
Quando eu sair daqui, vou ser muito atuante no Partido Democrata
lá onde eu vivo. Definitivamente, vou dar o máximo de mim para
garantir que os democratas voltam ao poder.

Entrevista - interior da casa de Lila Lipscomb - cercada pela


família.

LILA LIPSCOMB
Lila e Howard Lipscom, pais do sargento Michael Pedersen.

Iraque, Bagdá, Eu não sabia nada sobre essas coisas.

Fotos de Michael antes de embarcar para o Iraque.

E ele... Estávamos no corredor do segundo andar da casa. Ele


estava chorando, dizia que estava com muito medo e que não
queria ser obrigado a ir para o Iraque, Então nós tivemos uma
longa conversa sobre o medo, sobre o medo às vezes ser uma
coisa boa, porque nos deixa alertas, Foi quando ele me disse que
não tinha dito a ninguém, mas já sabia que teria de ir para Bagdá.
Nós ficamos, como todo mundo, grudados na TV: Grudados,
completamente grudados na esperança de vê-lo de relance.
"Será que não dá para mostrar os helicópteros? Não dá para deixar
a gente ver ele, por favor?" Então, naquela noite, eram mais ou
menos dez horas, eu subi para o quarto. Estava deitada na cama,
passando de canal em canal com o controle remoto... Só escutei:
"Um helicóptero Black Hawk caiu no centro-sul do Iraque".

Trecho de noticiário

PHIL ITTNER (REPÓRTER DA CBS)


Sendo televisionado.

Até o momento, o que sabemos é que na noite passada o Exército


de fato perdeu um helicóptero Black Hawk. Segundo informações
de oficiais em terra, havia seis tripulantes no helicóptero.

ENTREVISTA: LILA LIPSCOMB


No dia seguinte, levantei e disse: "Tire da cabeça esses
pensamentos negativos. Jesus, preciso de você, preciso de você,
me ajude a superar isso".
Então o Exército me telefonou. Eu me lembro de estar ao telefone
e esse homem falava, me perguntava se eu era Lila Lipscomb, e eu
disse "sim". E ele perguntou: "A mãe do sargento Michael
Pedersen?" E lembro-me de ter deixado o telefone cair. (Lila
começa a chorar)
Honestamente, é a única coisa de que consigo me lembrar:
"Senhora,
o Exército dos Estados Unidos, o secretário da Defesa lamentam
informar..." Só isso.
A dor foi tão forte que eu literalmente caí no chão. Estava sozinha,
não havia ninguém para me ajudar, fui rastejando até a mesa.
Estava me segurando nela e me lembro de gritar: "Por que tinha de
ser o Michael? Por que você tinha de levar meu filho? Por que justo
o meu filho é que você tinha de levar? Ele não fez nada! Ele não
era uma má pessoa, era um bom garoto, por que você tinha de
levar meu filho?"

Trecho de noticiário

GEORGE W. BUSH
Entrevistado pela jornalista Diane Sawyer na ABC.

Eu... Eu... Sou... Ahn... Não consigo imaginar como é a sensação


de quem perde um filho ou uma filha, ou um marido, uma esposa...
E isso me dói.

Casa da família Lipscomb - a entrevista prossegue.

MICHAEL MOORE
Você tem a última carta dele?

LILA LIPSCOMB
Sim. Foi postada no dia 16 de março, mas só recebi mais ou
menos uma semana antes de ele morrer.
"Olá. Mamãe, desculpe por não ter conseguido telefonar. Eles tira-
ram o telefone faz uma semana. Recebi a carta e o pacote. Que
legal, então seu primeiro neto nasceu no mesmo dia que o seu filho
mais velho." (Lila chora)
Como estão todos? Eu estou bem. Estamos no meio do deserto e
das tempestades. Por que diabos é que George quer ser igual ao
papai Bush? Ele nos trouxe até aqui para absolutamente nada.
Estou com tanta raiva neste instante, mamãe. Realmente espero
que não reelejam esse idiota, honestamente.
Eu estou bem e firme. Realmente tenho muita saudade de vocês.
Obrigado pela Bíblia... (Lila chora) e pelos livros e doces.
Realmente fico esperando cartas de vocês. Bom, diga alô para a
família toda e diga que eu estou bem. Achamos que por enquanto
não vai acontecer nada. Estou louco para voltar para casa e
retomar minha vida. Dê os parabéns ao Sputnik. Vou ver meu
primeiro sobrinho em breve, assim que chegar aos Estados Unidos.
Espero que vocês todos estejam bem. Continuem escrevendo para
mim, as cartas me ajudam a enfrentar os dias. Bom, agora vou
dormir. Volto a escrever em breve. Eu amo todos vocês e tenho
muitas saudades." (a emoção toma conta de Lila) (chorando) Eu o
quero vivo. E eu não posso ressuscitá-lo. O corpo dói. Você quer
seu filho. Não é desse jeito. O pai ou a mãe não devem enterrar o
filho.

HOWARD LIPSCOMB
Foto de Michael na igreja, como coroinha.

Eu sinto... Eu... Eu... Estou triste por minha família porque


perdemos nosso filho. Mas estou realmente triste pelas outras
famílias que estão perdendo seus filhos enquanto nós estamos
conversando aqui. E para quê? Eu não... Essa é a parte que dá
vontade de vomitar. Para quê?

Corta para anúncio da Halliburton.

DAVID LESAR (CEO DA HALLIBURTON)


Em comercial da empresa

Vocês têm ouvido falar muito sobre a Halliburton nos últimos


tempos. A crítica não é um problema para nós. Nós aceitamos a
crítica. A crítica não é uma condenação. Nossos funcionários estão
fazendo um excelente trabalho. Estamos alimentando os soldados,
reconstruindo o Iraque. Algumas coisas vão dar errado? Claro que
sim... Trata-se de uma zona de guerra, Nós servimos os nossos
soldados com nossos conhecimentos e não por causa das pessoas
que conhecemos.

Corta para Bush e Cheney falando à imprensa durante a


campanha eleitoral, em julho de 2000.
DlCK CHENEY
Bem, quero falar um pouco sobre a Halliburton, a empresa que eu
dirigi... Tenho muito orgulho do que fiz na Halliburton, e o pessoal
da Halliburton tem muito orgulho de nossas realizações. E,
francamente, não vejo nenhum motivo para pedir desculpas pelo
que fiz nos últimos anos como presidente e CEO de uma grande
companhia americana.

GEORGE W. BUSH
Interrompendo.

Essa é uma tentativa de desviar a atenção do fato de que eles [os


democratas] não têm uma política energética. O próprio secretário
de Energia declarou: "Fomos apanhados de surpresa!".

NARRADOR
Cenas de um evento sobre oportunidades de negócio - salão de
hotel
- figurões ao redor do bufê.

No meio da guerra, a Microsoft, a DHL e outras empresas


convidaram a Halliburton a participar de uma conferência para
debater quanto lucro seria possível obter no Iraque.

MICHAEL MELE (UNIDADE DE ENGENHARIA DO EXÉRCITO


DOS EUA)
Na tribuna, falando aos participantes do evento.
Depois de muita preparação e esforços, a libertação do Iraque
começou.
Vocês, da indústria, são parte vital desse esforço. Nós
agradecemos seu interesse. Nós precisamos de vocês.

YOUSSEF SLEIMAN (IRAQ INITIATIVES HARRIS


CORPORATION)
Na tribuna.

Bem, muitos de vocês são pequenos empreendedores que estão


pensando: "Como vamos conseguir uma fatia desse enorme
negócio”? Os grandes vão levar tudo. Para nós, o resto, existe a
possibilidade de fazer subcontratos, ou nada. A USTDA [Agência
de Comércio e Desenvolvimento dos EUA] é para vocês. Quando o
petróleo começar a jorrar e começar a aparecer dinheiro, vai ser
muito dinheiro. O Iraque tem a segunda maior reserva de petróleo
do mundo. Ninguém duvida, vai sair muito dinheiro dali.

ENTREVISTA: DR. SAM KUBBA


(CÂMARA DE COMÉRCIO IRAQUE - EUA)
Tenho recebido reclamações de empresas iraquianas, e de
americanas também, sobre falta de transparência, corrupção...
Acho que os lucros que as grandes empresas americanas, as
maiores, estão obtendo, são estratosféricos. Por exemplo, se você
fecha um contrato por um milhão de dólares e o repassa a outra
empresa por 50 mil ou 60 mil ou 70 mil dólares, o lucro é imenso. E
quem vai pagar por isso é o contribuinte americano.

YOUSSEF SLEIMAN
Ainda na tribuna, falando aos participantes da conferência.
E as coisas vão melhorar ainda mais! Comecem a investir em
contatos, porque as coisas vão melhorar muito quando o petróleo
jorrar e as verbas orçamentárias aumentarem. E a boa notícia é
que, não importa o custo, o governo pagará vocês.

DR. SAM KUBBA


A guerra é sempre um bom negócio para algumas empresas, quero
dizer, para aqueles que estão no negócio da guerra.

ENTREVISTA: GEORGE SIGALOS


(VICE-PRESIDENTE DA HALLIBURTON)
Nós temos muito orgulho do trabalho que estamos fazendo, repito,
que é dar apoio ao governo e às Forças Armadas dos Estados
Unidos. Os verdadeiros heróis da campanha, os verdadeiros heróis
da reconstrução são os homens e as mulheres das Forças
Armadas dos Estados Unidos. Nós temos muito orgulho de tudo o
que pudermos fazer para, ajudá-los.

LOCUTOR
Trechos de um melodramático comercial da Halliburton.

A Halliburton envia refeições quentes, suprimentos, roupas limpas


e material de comunicação para os nossos soldados. Assim eles
podem se sentir mais perto de casa.

SOLDADO NO COMERCIAL
Ao telefone, recebendo a notícia de que sua mulher deu à luz nos
Estados Unidos.

É, é, é uma menina? É uma menina!


LOCUTOR NO COMERCIAL DA HALLIBURTON
Halliburton. Temos orgulho de servir nossas tropas.

Mulheres em asilo para idosos na Flórida - conversando sobre a


Halliburton.

BERTHA OKOSKIN
Acabei de ler no jornal que a Halliburton conseguiu outro contrato.
A Halliburton conseguiu outro contrato. E ninguém diz uma palavra
contra.

EVELYN STROM
É porque ninguém sabe.

BERTHA OKOSKIN
Bom, saiu no jornal. Então, alguém sabe.

EVELYN STROM
Mas saiu depois de acontecer. Já aconteceu. É tarde demais.

Trecho de noticiário.

HAROLD MOSS
Os Estados Unidos agora têm grande participação no negócio
petrolífero do Iraque. Soldados americanos protegem os poços
para que trabalhadores vindos do Texas possam avaliar o seu
potencial de produção.

TRABALHADOR DE PETROLÍFERA
Este é um lugar seguro para trabalhar. Não nos sentimos correndo
nenhum risco. Nós nos sentimos bem protegidos, ou não
estaríamos aqui.
Entrevista com soldado americano no lraque.

SOLDADO
Não é segredo... Eu ganho entre 2 mil e 3 mil dólares por mês. Um
cara que dirige um caminhão para a Halliburton chega a ganhar de
8 mil a 10 mil dólares por mês. Pode me explicar isso? Por 40
horas semanais de trabalho. Para dirigir pelo mesmo trecho de
quatro quilômetros. Faça as contas. De onde... Como se justifica
isso?

Corta para: conferência de negócios - interior do hotel.

GORDON BOBBIT (KALMAR RT CENTER)


Não existe hoje nenhuma outra região no mundo com maior
potencial
e oportunidades de negócio do que o Iraque.

ENTREVISTA: GRANT HABER (AMERICAN INNOVATIONS,


INC.)
O presidente fez o que tinha de fazer, e todos nós apoiamos o
presidente e nossos soldados. E queremos ter a certeza de que
todo o esforço e todas as vidas perdidas e. .. não foram em vão.

ENTREVISTA: DR. SAM KUBBA


Se não fosse pelo petróleo, ninguém estaria lá. Ninguém daria a
mínima.

ENTREVISTA: BLAINE OBER (EMPRESA HIGH PROTECTION)


Infelizmente, pelo menos à curto prazo, nós achamos que a
situação vai ser favorável... Quero dizer, a situação vai ser
perigosa. Boa para os negócios, ruim para o povo.
De volta às aposentadas na Flórida.

BERTHA OKOSKIN
Hoje no noticiário Rumsfeld estava dizendo... e Wolf, Wolf,
Wolfowitz estava dizendo: O povo iraquiano está muito, muito
melhor. Nós os livramos de Saddam, e agora o povo iraquiano
pode fazer o que quer e ser realmente livre. Será que algum dia
eles vão ser livres? Não, eles não vão ser livres. E onde estão... as
armas de destruição em massa? Isso foi... Fomos tapeados.
Fomos realmente tapeados. E esses coitados, esses jovens que
estão morrendo lá... É desnecessário. Eu... Eu... Eu... É isso...
EVELYN STROM
É uma vergonha.

BERTHA OKOSKIN
Chega

EVELYN STROME
É uma vergonha.

Presidente Bush na tribuna, discursando

GEORGE W. BUSH
Eles morreram por uma causa justa, defendendo a liberdade, e
suas mortes não serão em vão.

NARRADOR
Externa: Washington, D. C. - Lila caminhando até a Casa Branca.

Lila me telefonou dizendo que viria de Flint até Washington, D.C.,


para participar de uma conferência sobre emprego. Disse que no
intervalo pretendia fazer uma visita à Casa Branca.
Lila está chorando em frente à Casa Branca. Ela se aproxima de
uma manifestante [Concepcion Picciotto] que mostra fotos e um
cartaz em que Bush é chamado de terrorista.

Bush matou crianças, crianças iraquianas, crianças iraquianas...

LlLA LlPSCOMB
Meu filho foi morto...

MANIFESTANTE NA CASA BRANCA


... Matou meu povo na Espanha ontem. As mentiras dele matam
gente, matam seus filhos também.

LILA LIPSCOMB
Sim. Meu filho.

MANIFESTANTE NA CASA BRANCA


... Agora fazem negócios no Iraque. E estão matando todos esses
jovens americanos...

LlLA LlPSCOMB
Sim.

MANIFESTANTE NA CASA BRANCA


E para quê? Pelo petróleo. Bush é um terrorista.

Uma mulher se aproxima e confronta Lila.


MULHER NA RUA
Não, ele não é. Isso aqui é encenação. Tudo encenação.

MANIFESTANTE
Sim, sim, ele é o carniceiro do Iraque. É o carniceiro do Iraque.

LlLA LlPSCOMB
Dirige-se enraivecida à mulher que se aproximou.

Meu filho.

MULHER NA RUA
Onde ele foi morto?

LlLA LlPSCOMB
Você me diz que meu filho...

MULHER NA RUA
Onde é que ele foi morto?

LlLA LlPSCOMB
... Não é uma encenação...

MULHER NA RUA
Onde ele foi morto?

LILA LIPSCOMB
Ele foi morto em Karbala. No dia 2 de abril. Não é uma encenação.
Meu filho está morto.

MULHER NA RUA
Muitas outras pessoas morreram também. Bote a culpa na Al-
Qaeda!

Lila se afasta desconsolada.


MICHAEL MOORE
O que foi que aquela mulher disse para você?

LlLA LlPSCOMB
Lila está chorando e mal consegue recuperar o fôlego.

Disse que eu devia botar a culpa na Al-Qaeda. A Al-Qaeda não


decidiu mandar o meu filho para o Iraque. Ignorância... Temos de
enfrentar isso todos os dias. É porque as pessoas não sabem. Elas
pensam que sabem, mas não sabem. Eu achei que sabia, mas não
sabia.

Lila chora descontroladamente.

Eu preciso do meu filho.


Deus, estar aqui é mais difícil do que eu pensava, mas também é
uma libertação, porque finalmente eu tenho um lugar onde
desabafar e depositar toda a minha dor e toda a minha raiva.

NARRADOR
Michael Moore e o cabo Henderson caminham pelo Capitólio.

Eu estava cansado de ver o sofrimento de gente como Lila


Lipscomb.
Especialmente porque, dos 535 membros do Congresso, só um
tem um filho lutando no Iraque.
Eu convidei o cabo Hendersen, do Corpo de Fuzileiros Navais dos
Estados Unidos, a vir comigo ao Capitólio para descobrir quantos
parlamentares nós convenceríamos a mandar seus próprios filhos
para o Iraque.

MICHAEL MOORE
Aborda John Tanner.

Deputado, eu sou Michael Moore.

DEPUTADO JOHN TANNER


Oi, Michael, como vão as coisas?

MICHAEL MOORE
Vão bem, eu vou bem.

DEPUTADO JOHN TANNER


Bom.

MICHAEL MOORE
Bom.

DEPUTADO JOHN TANNER


John Tanner.

MICHAEL MOORE
Prazer em conhecê-lo. É um prazer conhecê-lo.

DEPUTADO JOHN TANNER


O que é que vocês estão fazendo por aqui?

MICHAEL MOORE
Bom, eu estou aqui com o cabo Henderson, do Corpo de Fuzileiros
Navais dos Estados Unidos.

DEPUTADO JOHN TANNER


Muito bem, cabo. Eu também estive na Marinha anos atrás, entre
1968 e 1972. Era fuzileiro e guardava a base.
MICHAEL MOORE
O senhor tem filhos?

DEPUTADO JOHN TANNER


Sim.

MICHAEL MOORE
E será que algum deles estaria interessado em se alistar? Ir para o
Iraque e ajudar o esforço? Nós temos folhetos...

DEPUTADO JOHN TANNER


Um deles tem dois filhos...

MICHAEL MOORE
Ah, claro. Bem, veja só, não há muitos congressistas com filhos no
Iraque... Na verdade, só existe um. Então nós achamos que talvez
vocês devessem mandar seus filhos primeiro, sabe. O que o
senhor acha da idéia?

DEPUTADO JOHN TANNER


Ao mesmo tempo que Moore.

Eu sei, eu sei, eu sei.

DEPUTADO JOHN TANNER


Acho que não discordo da idéia.
MICHAEL MOORE
Ah, o senhor não discorda. Que bom. Então, leve alguns folhetos,
pelo menos um folheto dos fuzileiros... E passe adiante. Encoraje
seus colegas, caso eles apóiem a guerra, a apoiar a idéia. E a
mandar seus próprios filhos.

DEPUTADO JOHN TANNER


Obrigado, Mike.

MICHAEL MOORE
Obrigado, senhor, muito obrigado.

MICHAEL MOORE
Aproxima-se de outro deputado.

Deputado? Eu sou Michael Moore.

DEPUTADO
O que você quer?

MICHAEL MOORE
Estou tentando convencer membros do Congresso a convencer
seus filhos a se alistar no Exército e ir para o Iraque. (Deputado
olha muito surpreso para Michael Moore)

Deputado? Deputado? (tenta falar com outros parlamentares)


Deputado Castle? Deputado Castle?
Deputado? Deputado? Deputado Doolittle, é Michael Moore.

DEPUTADO DOOLITLE
Ahn.....

MICHAEL MOORE
Gostaria de saber se Se existe um jeito de...

NARRADOR
É claro que nenhum membro do Congresso estava disposto a
sacrificar seus filhos pela guerra no Iraque. E quem pode culpá-
los? Quem estaria disposto a sacrificar seus filhos? Você? Ele?
(imagem da Casa Branca, Bush com filhas) Sempre achei
assombroso o fato de serem sempre as pessoas que vivem nos
lugares mais pobres, as que freqüentam as piores escolas, as que
têm a vida mais difícil (cenas de áreas urbanas miseráveis), as
primeiras a se apresentar para defender justamente este sistema.
Elas se alistam para que nós não precisemos nos alistar. (cenas de
alistamento) Elas oferecem suas vidas para que nós possamos ser
livres. É uma dádiva notável o que nos oferecem. E tudo o que nos
pedem em troca é que não os enviemos na direção do perigo a
menos que seja absolutamente necessário. (soldados no Iraque -
sorridentes e esperançosos) Algum dia voltarão a confiar em nós?

Trechos de vários noticiários.

GEORGE BUSH
Ele usou armas.

DONALD RUMSFELD
Nós sabemos onde elas estão, estão na região ao redor de Tikrit, e
em Bagdá e... e no leste, no oeste, no norte e no sul.

CONDOLEEZZA RICE
Há uma ligação entre o Iraque e o que aconteceu em 11 de
setembro.

DlCK CHENEY
A luta só vai terminar com a sua aniquilação total e permanente.

GEORGE BUSH
Nós fizemos uma guerra para salvar a própria civilização. Nós não
buscamos a guerra. Mas vamos lutar essa guerra e vamos vencer.

Imagens de líderes saindo de cena após discursos e aparições


públicas intercaladas com imagens de áreas miseráveis - contraste
entre a elite rica que controla a guerra e a classe trabalhadora, que
morre nela.

NARRADOR
George Orwell certa vez escreveu que a questão não é saber se
uma guerra é legítima ou não. A vitória nunca é possível. A guerra
não é algo a ser vencido, é concebida para ser contínua. Uma
sociedade hierarquizada só pode existir baseada na pobreza e na
ignorância. Esta nova versão é o passado, e nunca houve passado
diferente. Em princípio, o esforço de guerra sempre é planejado
para manter a sociedade à beira da inanição. A guerra é travada
pela elite dominante contra seus próprios dominados, e seu
objetivo não é uma vitória na Eurásia ou no Leste Asiático: seu
objetivo é manter intocada a estrutura da sociedade.

GEORGE BUSH
Na tribuna - se enrola com as palavras.

Existe um velho ditado no Tennessee... Sei que ele existe no Texas,


provavelmente existe no Tennessee, que diz: "Me enganou uma
vez, que vergonha... Que vergonha... Me enganou uma vez, não
me engana nunca mais".

NARRADOR
Uma vez na vida, nós dois concordamos.

CRÉDITOS

PARTE II
Fahrenheit 11 de setembro
Provas e evidências
2 de novembro de 2000 a 11 de setembro de 2001:
Como pudemos acabar desta forma?
A FOX foi a primeira rede de televisão a nomear Bush na
Flórida. Antes disso, outras emissoras haviam nomeado Gore
na Flórida, e mudaram após a FOX ter nomeado Bush.

FONTE: "Com informações forneci das pelo Voter News Service


[Serviço de notícias do eleitor], a NBC foi a primeira rede a projetar
Gore como vencedor na Flórida às 19h48. Às 19h50, a CNN e a
CBS também anunciaram Gore como o vencedor na Flórida". Por
volta das 20h02, todas as cinco emissoras e a Associated Press
tinham nomeado Gore o vencedor na Flórida. Até mesmo a VNS
nomeou Gore como vencedor às 19h52. Às 2h16, a FOX nomeou
Bush na Flórida, a NBC seguiu-a às 2h16. A ABC foi a última rede
de televisão a anunciar Bush como o vencedor na Flórida, às 2h20,
enquanto a AP e a VNS nunca o fizeram. CNN:

http://www.cnn/2001/ALLPOLITICS/stories/02/02/cnn.report/cnn.pdf

FONTE: Dez minutos depois do grande acontecimento, a


empolgação das redes de televisão começava a aumentar
novamente. Às 2h16, o anúncio foi feito: o canal de notícias FOX,
com o primo de primeiro grau de Bush, John Ellis, que comandava
o programa sobre a eleição, foi o primeiro a anunciar a Flórida - e a
presidência - para o governador do Texas. Em alguns minutos, as
outras emissoras fizeram o mesmo. "George Bush, governador do
Texas, torna-se o 43º. Presidente dos Estados Unidos da América",
Bernard Shaw, da CNN, anunciou sobre uma montagem gráfica de
Bush sorrindo. "Às duas horas e dezoito minutos horário oficial, a
CNN declara que George Walker Bush ganhou 25 votos na Flórida
e isso deve colocá-lo em primeiro lugar." PBS:
http://www.pbs.org/newshour/media/election2000/election_night.ht
ml

O homem responsável pelo programa sobre as eleições na


FOX na noite das eleições era o primo em primeiro grau de
Bush, John Ellis.

FONTE: "John Ellis, primo em primeiro grau de George W. Bush,


comandou o programa sobre as eleições durante a eleição de
2000, e a FOX foi a primeira a anunciar Bush como vencedor.
Momentos antes, Ellis havia telefonado seis vezes para o primo
Bush durante a contagem dos votos”. William O'Rourke, "Talking
Radio Key to GOP Victory", Chicago Sun-Times, 3 de dezembro de
2002.

FONTE: Um consultor da FOX News, John Ellis, que opinou sobre


as "ligações" presidenciais na noite das eleições, admite que
esteve em contato com George W. Bush e com o governador da
Flórida Jeb Bush por telefone várias vezes durante aquela noite,
mas nega ter quebrado qualquer regra. CNN, 14 de novembro de
2000;

http://www.-
cbsnews.com/stories/2000/11/14/politics/main249357.shtml

FONTE: John Ellis, o consultor da FOX que nomeou George Bush


mais cedo na Flórida, teve que parar de escrever sobre a
campanha para o Boston Globe por motivos de "lealdade" familiar a
Bush. CBS News,

http://www.cbsnews.com/stories/2000/11/14/politics/main2493
57.shtml
14 de novembro de 2000.

"Em segundo lugar, você precisa garantir que a sua chefe de


campanha seja também a responsável pela contagem nos
votos no estado. E que o estado tenha contratado urna
empresa que elimine das listas de votação os eleitores que
provavelmente não votariam em você. Em geral, dá para saber
pela cor da pele quem são esses caras."

FONTE: "O total de votos foi confirmado pela secretária estadual


da Flórida, Katherine Harris, responsável pela campanha de Bush
na Flórida, em nome do governador Jeb Bush, irmão do candidato".
Mark Zoller Seitz, "Bush Team Conveyed an Air of Legitimacy", San
Diego Union Tribune, 16 de dezembro de 2000.

FONTE: O Departamento de Estado da Flórida recebeu um


contrato de 4 milhões de dólares para a Database Technologies
Inc. (subsidiária da ChoicePoint), com sede em Boca Raton. Eles
foram encarregados de encontrar votos registrados indevidamente
no banco de dados do estado, mas os erros foram excessivos. "Em
certo ponto, a lista incluía cerca de 8 mil ex-criminosos residentes
no Texas que haviam sido condenados por mau comportamento”.
St. Petersburg Times (Flórida), 21 de dezembro de 2003.

FONTE: Database Technologies, uma subsidiária da ChoicePoint,


"foi responsável por destruir uma revisão de arquivos de registros
de eleitores na Flórida; dessa maneira, milhares de pessoas,
desproporcionalmente negras, perderam o direito de votar nas
eleições de 2000. Se elas tivessem sido capazes de votar,
poderiam ter balançado o estado e então a presidência seria de AI
Gore, que perdeu na Flórida". Oliver Burkeman, Jo Tuckman, "Firm
in Florida Election Fiasco Earns Millions Erom Files on Foreigners",
The Guardian, 5 de maio de 2003.
http://www.guardian.co.uk/usa/story/0,12271,949709,00.html

Veja também Atlanta Journal-Constitutions, 28 de maio de 2001.

FONTE: Em 1997, Rick Rozar, o último chefe de campanha


comprado pela ChoicePoint, doou 100 mil dólares para o Comitê
nacional republicano. Melanie Eversley, "Atlanta-Based Company
Says Errors in Felon Purge Not Its Fault", Atlanta Journal-
Constitution, 28 de maio de 2001.

FONTE: Frank Borman, da Database Technologies Inc., fez


doações generosas para os republicanos do Novo México, bem
como para a campanha do presidente George W. Bush.
Opensecrets.org, "Frank Borman".
Se houvesse urna recontagem geral de votos no estado, em
qualquer cenário Gore seria o vencedor.

FONTE: "Um consórcio [Tribune Co., proprietário de Times;


Associated Press; CNN; New York Times; The Palm Beach Post;
St. Petersburg Times; Wall Street Journal; e Washington Post]
contratou o NORC (National Opinion Research Center - Centro de
pesquisa de opinião nacional, uma organização de pesquisa não-
partidária associada a Universidade de Chicago] para ver cada
cédula eleitoral não contada e obter informações de como foram
marcadas. Em seguida, as organizações da mídia usaram
computadores para classificar e tabular os votos, baseando-se em
vários cenários que tinham sido criados na luta pós-eleição na
Flórida. Sob qualquer padrão usado para tabular todos os votos
disputados no estado, Gore apagou a vantagem de Bush e emergiu
com uma liderança mínima que subiu de 42 para 171 votos".
Donald Lambro, "Recount Provides No Firm Answers", Washington
Times, 12 de novembro de 2001.
FONTE: "A revisão descobriu que o resultado teria sido diferente se
todos os locais de apuração de votos em todas os condados
tivessem examinado a totalidade dos votos, uma situação que
nenhuma autoridade eleitoral ou de justiça tinha pedido. Gore teria
solicitado tal contagem manual em todo o estado se Bush
concordasse, mas Bush rejeitou a idéia e não havia nenhum
mecanismo substituto para conduzir a recontagem". Martin Merzer,
"Review of Ballots Finds Bush's Win Would Have Endured Manual
Recount", Miami Herald, 4 de abril de 2001.

FONTE: Veja também o seguinte artigo de um dos jornalistas do


Washington Post que comandou o consórcio da recontagem. O
ponto relevante é feito na tabela I do artigo.

http://www.aei.org/docLib/20040526_KeatingPaper.pdf
Membros do Congressional Black Caucus tentaram objetar o
resultado da eleição na Casa Branca; nenhum senador
assinou a objeção.

FONTE: Enquanto o vice-presidente AI Gore parecia aceitar seu


destino contido em duas urnas de madeira, membros democratas
do Congressional Black Caucus tentavam repetidamente desafiar a
indicação de 25 votos eleitorais da Flórida para Bush.[...] Mais de
uma dezena de democratas seguiram o pedido, procurando forçar
um debate sobre a validade dos votos da Flórida sob a alegação
que nem todos os votos tinham sido contados e que alguns
eleitores tiveram seu direito de votar erroneamente negado". Susan
Milligan, "It's Really Over: Gore Bows Out Gracefully", Boston
Globe, 7 de janeiro de 2001.

FONTE: O esforço do Congressional Black Caucus fracassou


devido à "falta de assinaturas necessária de senadores". O líder da
minoria do senado Tom Daschle (Democrata, Dakota do Sul) tinha
aconselhado previamente os senadores democratas a não
cooperarem. "Eles não cooperaram." Robert Novak, "Sweeney Link
Won't Help Chaos", Chicago Sun-Times, 14 de janeiro de 2001.

"No dia em que George W. Bush tomou posse, dezenas de


milhares de americanos tomaram as ruas de Washington D.C.
em uma derradeira tentativa de recuperar o que Ihes havia sido
tomado. Eles lançaram urna chuva de ovos sobre a limusine
de Bush..."

FONTE: "Gritando slogans como 'Salve o ladrão' e 'Escolhido, não


eleito' dezenas de milhares de protestantes acompanharam, ontem,
a rota do desfile oficial de Bush para proclamar que ele e o vice-
presidente Dick Cheney tinham 'roubado' as eleições". Michael
Kranish e Sue Kirchhoff, "Thousands Protest 'Stolen' Election",
Boston Globe, 21 de janeiro de 2001.

FONTE: "Tumultos estouram entre radicais e a desorientada polícia


enquanto um ovo atinge a limusine presidencial blindada que
transportava o senhor Bush e sua esposa Laura para a Casa
Branca". Damon Johnston, "Bush Pledges Justice as Critics Throw
Eggs", The Advertisers, 22 de janeiro de 2001.
Veja também o filme.

"... E interromperam o desfile de posse. O plano de Bush de


deixar a limusine para a tradicional caminhada até a Casa
Branca teve de ser abandonado."

FONTE: Bush fez uma concessão devido ao tempo - ou a


problemas de segurança: ele ficou em sua limusine durante quase
toda a extensão do desfile oficial, acenando da janela através da
leve neblina. Ele caminhou apenas um breve trecho quando sua
carreata chegou até a arquibancada VIP em frente ao
Departamento do Tesouro e da Casa Branca. Doyle McManus et
aI., "Bush Vows to Bring Nation Together", Los Angeles Times, 21
de janeiro de 2001.

FONTE: A limusine de Bush, que percorreu a maior parte do


percurso bem lentamente, parou pouco antes de chegar na esquina
da rua 14 com a avenida Pennsylvania, onde a maioria dos
protestantes tinha se reunido. Então acelerou dramaticamente, e os
agentes do Serviço Secreto que protegiam o carro a pé tiveram que
correr. Quando chegaram no trecho do percurso onde as calçadas
eram restritas a convidados oficiais, Bush e sua esposa, Laura, que
trajava um terno turquesa pouco discreto, saíram da limusine para
andar e cumprimentar colaboradores. Helen Kennedy, "Bush
Pledges a Unites US", Daily News (Nova York), 21 de janeiro de
2001.

"Ao longo dos oito meses seguintes, as coisas não


melhoraram para George W. Bush."

FONTE: Uma pesquisa realizada entre 5 e 9 de setembro de 2001


pelo lnvestor's Business Daily e pelo Christian Science Monitor
mostrou que o índice de aprovação do presidente Bush havia caído
de 52% em maio para 45% (Pesquisa lnvestor's Business Daily /
Christian Science Monitor realizada por TIPP, de 5 set. a 9 set. de
2001). A pesquisa da Zogby registrava a queda de Bush de 57%
em fevereiro para 47% em julho de 2001 (Zogby, de 26 jul. a 29 jul.
de 2001).

FONTE: Em junho de 2001, uma pesquisa do Wall Street Journal /


NBC News mostrou que o índice de 50% de aprovação do
presidente Bush era o mais baixo dos últimos cinco anos. Richard
L. Berke, "G.O.P. Defends Bush in Face of Dip in Poll Ratings, New
York Times, 29 de junho de 2001.

FONTE: Em 26 de julho de 2001, em um artigo intitulado "Bush


Lacks the Ability to Force Action on Hill" [A falta de habilidade de
Bush para forçar uma ação em Hill], Dana Milbank do Washington
Post escreveu: Pode parecer prematuro concluir que Bush perdeu
o controle de sua agenda, mas legisladores e estrategistas de
ambos os partidos disseram que o próximo ano de Bush está muito
mais próximo do conturbado mês de julho do que da marcha
ordenada em direção ao corte de impostos de Bush na
primavera.[...] Os problemas começaram, obviamente, com a saída
do GOP do senador de Vermont James M. Jeffords, dando o
controle do senado aos democratas. No entanto, há problemas
também na Casa Branca, onde moderados que apoiavam Bush no
corte de impostos estão se mostrando relutantes com relação a
outros assuntos. Eles se rebelaram contra os líderes do GOP na
campanha de reforma financeira e obstruíram a legislação de Bush
'baseada na fé' quanto a problemas de discriminação. Na próxima
semana, eles provavelmente irão se opor a proposta de Bush de
disciplinar o refúgio nacional de vida selvagem do Ártico.

FONTE: A crise de energia da Califórnia também prejudicou os


índices de aprovação de Bush. Devido a recorrentes blackouts e ao
aumento das contas de consumo, o índice de aprovação de Bush
foi prejudicado entre os californianos. A pesquisa mostrou que a
relação entre a aprovação e a reprovação do trabalho do
presidente ficou em 42 para 40. "Calif. Governor Says He'll Sue to
Force Government Action", Houston Chronicle, 30 de maio de
2001.
"Em seus oito meses no cargo antes do dia 11 de setembro,
segundo o Washington Post, George W. Bush passou 42% do
tempo em férias."

FONTE: "Várias reportagens ressaltaram que a estadia de um mês


de W. em sua fazenda em Crawford são as mais longas férias
presidenciais em 32 anos. Os supercomputadores do Washington
Post calcularam que se somarmos todos os finais de semana do
presidente em Camp David, descansos em Kennebunkport e idas e
vindas aleatórias, W. terá gasto 42% de sua presidência 'em férias
ou a caminho delas'''. Charles Krauthammer, "A Vacation Bush
Deserves", Washington Post, 10 de agosto de 2001.

Bush descansa em Camp David, Kennebunkport e em sua


fazenda em Crawford, Texas.

FONTE: Em abril de 2004, o presidente Bush tinha feito 33 viagens


para Crawford durante sua presidência, totalizando mais de 230
dias na fazenda no decorrer de três anos. "Some suas 78 viagens a
Camp David e mais 5 para o seu complexo familiar em
Kennebunkport, Maine, e Bush terá gasto cerca de 500 dias - ou
40% de sua presidência - em um de seus três refúgios." "Bush
Retreats to a Favorite Gatewat: Crawford Ranch", Houston
Chronicle, 11 de abril de 2004.

Em 10 de setembro de 2001, Bush juntou-se a seu irmão na


Flórida, onde passou a noite "numa cama preparada com finos
lençóis franceses".

FONTE: Bush não estava empolgado em visitar a Flórida, o marco


zero na batalha de recontagem de votos que aconteceu depois da
eleição do ano passado. Nesta viagem, ele passou grande parte de
seu tempo com o irmão Jeb Bush. "President to Push Congress on
Education in Fourth Florida Visit", Associated Press, 10 de
setembro de 2001; veja também CNN Inside Politics, 10 de
setembro de 2001.

FONTE: Duas pessoas prepararam o quarto do presidente "e


fizeram a cama com finos lençóis franceses de linho da família".
Tom Bayles, "The Day Before Everything Changed, President Bush
Touched LocaIs' Lives", Sarasota Herald-Tribune, 10 de setembro
de 2002.

"Enquanto os ataques aconteciam, o senhor Bush estava a


caminho de uma escola de ensino fundamental na Flórida. Ao
ser informado de que um primeiro avião atingira o World Trade
Center - que apenas oito anos antes havia sido atacado por
terroristas -, o senhor Bush decidiu seguir em frente com a
programação montada para render boas fotos."

Nota: Deve-se enfatizar que na ocasião que Bush foi avisado do


ataque do primeiro avião, ele (diferente do restante dos Estados
Unidos) já sabia, por meio do Resumo Presidencial Diário (PDB),
de 6 de agosto de 2001, que Osama bin Laden estava planejando
atacar os EUA seqüestrando aviões. Ele também sabia,
obviamente, que o World Trade Center tinha historicamente sido
alvo de ataques terroristas. Mesmo assim seguiu em frente com a
oportunidade de ser fotografado em uma escola cheia de crianças.
FONTE: "Bush chegou na escola, um pouco antes das 9 horas,
esperando ser recebido pela diretora do maternal, Gwen Rigell. Em
vez disso, ele foi chamado de Iado rapidamente pelo conhecido e
importante Karl Rove, 51 anos, político veterano e conselheiro
confiável de ambos, Bush e o pai, Bush sênior. Rove, um
companheiro texano com modos expansivos e de tiradas alegres,
disse ao presidente que um grande avião comercial (American, vôo
11) havia colidido contra a Torre Norte do World Trade Center. Bush
cerrou os dentes, abaixou seu lábio superior e disse algo inaudível.
Então entrou na escola". William Langley, "Revealed: What Really
Went on During Bush's 'Missing Hours''', The Telegraph, 16 de
dezembro de 2001.

FONTE: "O ataque aéreo ao World Trade Center foi, no mínimo, a


segunda tentativa terrorista de derrubar os edifícios. Em 1993,
terroristas tentaram bombardear um prédio de forma que este
explodisse e caísse sobre o outro. A conspiração não obteve
sucesso, no entanto 6 pessoas morreram e mais de mil ficaram
feridas". Cragg Hines, "Terrorists Strike from Air; Jetlines Slam into
Pentagon, Trade Center", Houston Chronicle, 11 de setembro de
2001.

FONTE: Resumo Diário Presidencial (PDB), 6 de agosto de 2001


"Bin Laden determinou ataque dentro dos Estados Unidos":
"Membros da Al-Qaeda - incluindo alguns que são cidadãos
americanos - residiram ou viajaram para os Estados Unidos
durante anos, e o grupo aparentemente mantém uma estrutura de
apoio que poderia auxiliar os ataques.[...] Informações do FEl
desde aquela época indicam exemplos de atividades suspeitas no
país, consistindo em preparações para seqüestro de aviões e
outros tipos de ataques, incluindo recente vigilância de prédios
federais em Nova York". 6 de agosto de 2001, "Bin Ladin
Determined to Strike Inside US",
http://www.cnn.com/2004/images/04/10/whitehouse.pdf
"Quando o segundo avião atingiu a outra torre, o chefe de
gabinete de Bush entrou na sala e disse ao presidente: 'A
nação está sendo atacada'".

FONTE: "Às 9h05, o chefe de equipe da Casa Branca, Andrew H.


Card Jr., entrou na sala de aula e sussurrou no ouvido direito do
presidente: 'Um segundo avião bateu na outra torre, a América está
sob ataque'''. David E. Sanger e Don Van Natta Jr., "After the
Attacks: The Events; In Four Days, A National Crisis Changes
Bush's Presidency", New .York Times, 16 de setembro de 2001.

"O presidente Bush simplesmente ficou ali, sentado, e


continuou a ler um livro - Minha cabra de estimação”.

FONTE: "Foi enquanto visitava uma aula de leitura da segunda


série na escola fundamental Emma E. Booker, em Sarasota,
Flórida, para promover suas reformas educacionais, que o
presidente Bush soube que os Estados Unidos estavam sendo
atacados. Na presença de sua convidada VIP, a professora Sandra
Kay Daniels, 45 anos, ele conduziu a lição do dia que era centrada
na história de uma cabra de estimação". "9/11: A Year Later", Los
Angeles Times, 11 de setembro de 2002.

FONTE: Na terça-feira, o presidente Bush ouviu dezoito alunos da


segunda série da Escola Fundamental Booker lerem uma história
sobre a cabra de estimação de uma garota, antes de falar
brevemente e de forma sombria sobre os ataques terroristas. "Bush
Hears of Attack While Visiting Booker", Sarasota Herald-Tribune, 12
de setembro de 2001.
Veja também o filme.

"Quase sete minutos se passaram sem que ninguém fizesse


coisa alguma."

FONTE: "Ele demorou-se na sala por cerca de seis minutos (depois


de ter sido informado do segundo avião)[...] Às 9h12, retirou-se
abruptamente, falando com Cheney e oficiais de Nova York". David
E. Sanger e Don Van Natta Jr., "After the Attacks: The Events; In
Four Days, A National Crisis Changes Bush's Presidency", New
York Times, 16 de setembro de 2001.
FONTE: "Bush permaneceu na escola fundamental por quase meia
hora depois de Andy Card ter sussurrado em seu ouvido". Michael
Kranish, "Bush: US to Hunt Down Attackers", Boston Globe, 11 de
setembro de 2001.

George W. Bush deixa Osama - e muitos outros -


Fugir
"Será que não devia ter convocado ao menos uma reunião,
desde que tomara posse, para discutir a ameaça terrorista com
seu chefe de anti-terrorismo?"

FONTE: "[...] Eles não me permitiram informá-lo sobre o terrorismo.


Você sabe, agora eles estão dizendo que era minha escolha falar
com ele sobre cibersegurança. Isso não é verdade. Eu pedi para
informá-lo sobre o terrorismo em janeiro, para lhe passar a mesma
informação que havia dado ao vice-presidente Cheney, Colin
Powell e Condi Rice. E me disseram: 'Você não pode dar essa
informação, Dick, até o final do processo de política de
desenvolvimento"'. Richard Clarke em entrevista com Tim Russert
no programa da NBC "Meet the Press", 28 de março de 2004.

FONTE: "Clarke pediu reuniões com diretores de comitê sobre


esses temas [esboçado em seu memorando em 25 de janeiro de
2001] em diversas ocasiões anteriores e ficou frustrado por não
haver nenhuma reunião agendada. Ele queria que os diretores
aceitassem que a Al-Qaeda era uma 'ameaça de primeira ordem' e
não um problema rotineiro exagerado por alarmistas 'medrosos'.
Nenhuma reunião de diretores de comitê sobre a Al-Qaeda foi
realizada até 4 de setembro de 2001". Comissão nacional de
ataques terroristas nos Estados Unidos, ameaças e respostas em
2001, relatório da equipe no. 8 "National Policy Coordination", pp 9-
10.

http://www.9-11comission.gov/hearing8/staff_statement_8_pdf

FONTE: Veja o testemunho de Richard A. Clarke antes da


Comissão Nacional de Ataques Terroristas nos Estados Unidos, 24
de março de 2004:
ROEMER: OK. Vamos falar, nos meus 15 minutos, vamos falar do
governo de Bush. No dia 25 de janeiro, nós vimos um memorando
que você havia escrito para a dra. Rice, pedindo urgentemente um
estudo dos líderes da Al-Qaeda. Você incluiu ajuda da Aliança do
Noite, auxílio secreto, novo orçamento significativo de 2002 para
ajudar a combater a Al-Qaeda...
CLARKE: hum-rum.
ROEMER: ... e resposta ao U.S.S. Cole. O senhor anexou a este
documento o Plano Delenda de 1998 e um estudo de estratégia de
dezembro de 2000. O senhor recebeu resposta para esse pedido
urgente para uma reunião de cúpula, e como isso afeta sua
organização de tempo para lidar com assuntos importantes como
esses?
CLARKE: Recebi uma resposta. A resposta foi que, no governo
Bush, eu e meu comitê, o grupo secreto de anti-terrorismo,
deveríamos informar o comitê dos deputados, que é um comitê em
nível de sub-gabinete, e não de cúpula; dessa forma era
inapropriado eu estar pedindo uma reunião de cúpula. Em vez
disso, ocorreria uma reunião de deputados.
ROEMER: Então, isso de falar primeiro com os deputados, em vez
de
se dirigir à cúpula ou a um grupo pequeno, como você tinha feito
antes, retardou o processo?
CLARKE: Isso causou uma enorme lentidão, durante meses.
Primeiramente, o comitê dos deputados não se reuniu com
urgência em janeiro ou fevereiro. Então, quando o comitê se
reuniu, a questão da Al-Qaeda fez parte de um grupo de assuntos
políticos, incluindo proliferação nuclear no sul da Ásia,
democratização no Paquistão, como tratar os problemas, os vários
problemas, incluindo narcóticos e outros problemas do Afeganistão,
e organizou-se uma série de encontros de deputados que se
estendeu por vários meses para incluir a Al-Qaeda no contexto de
todos aqueles assuntos inter-relacionados. Aquele processo
provavelmente terminou, creio, em julho de 2001, e estávamos nos
preparando para uma reunião de cúpula em julho, mas o calendário
dos diretores estava cheio e então eles saíram de férias, muitos
deles em agosto; assim, não pudemos nos reunir em agosto,
conseqüentemente a cúpula se reuniu em setembro.

"Também podia estar se perguntando por que cortou verbas


do FBI para o combate ao terrorismo."

FONTE: "Esta questão de recursos também surgirá no


questionamento da comissão do advogado geral John Ashcroft,
que era novo no cargo no outono de 2001 e, em 10 de setembro,
cortou o pedido do FBI de mais verba para o anti-terrorismo em
12%". John Dimsdale, "Former FBl Director Louis Freeh and
Attorney General John Ashcroft to appear before 9/11 comission
tomorrow", Rádio NPR: Marketplace; 12 de abril de 2004. Veja
também documentos do orçamento de 2001 incluindo o pedido de
orçamento FY 2003 do advogado geral John Ashcroft para o
Escritório de Gerência e Orçamento, 10 de setembro de 2001,
mostrando o corte de 65 milhões de dólares no orçamento de
subvenção de equipamento anti-terrorismo do FBI:
http://www.americanprogress.org/atf/cf/%7BE9245FE4-9A2B-43C7-
A5215D6FF2E06E03%7D/FY03ASHCROFT.pdf
O briefing de segurança que foi dado a ele em 6 de agosto de
2001 dizia que Osama bin Laden estava planejando atacar a
América por meio do seqüestro de aviões.

FONTE: Resumo Diário Presidencial (PDB), 6 de agosto de 2001:


Membros da Al-Qaeda - incluindo alguns que são cidadãos
americanos - residiam ou viajaram para os EUA durante anos, e o
grupo aparentemente mantém uma estrutura de apoio que poderia
auxiliar os ataques. Dois membros da AI-Qaeda culpados pelo
bombardeamento de nossas embaixadas na África do Leste eram
cidadãos americanos, e um membro sênior da EIJ (Egyptian
Islamic Jihad) morou na Califórnia em meados dos anos 1990.
Uma fonte clandestina disse em 1998 que a célula de Bin Laden
em Nova York estava recrutando jovens muçulmanos-americanos
para ataques. Não fomos capazes de confirmar alguns dos
relatórios mais sensacionalistas de ameaças, tal como aquele
do...[trecho redigido]... serviço em 1998. dizendo que Bin Laden
queria seqüestrar uma aeronave americana para libertar 'Blind
Shaykh' Umar 'Abd al-Rahman' e outros extremistas presos nos
EUA. No entanto, informações do FBI desde aquela época indicam
exemplos de atividades suspeitas no país, consistindo em
preparações para seqüestro de aviões e outros tipos de ataques,
incluindo recente vigilância de prédios federais em Nova York. 6 de
agosto de 2001, "Bin Ladin Determined to Strike Inside US",

http://www.cnn.com/2004/images/04/10/whitehouse.pdf

FONTE: O documento de 6 de agosto de 2001, conhecido como


Resumo Presidencial Diário, tem sido foco de intensa apuração,
pois relatou que Bin Laden defendeu o seqüestro de aviões, que
colaboradores da Al-Qaeda estavam nos Estado Unidos e que o
grupo planejava ataques aqui. Clarke J. Scott, "Clarke Gave
Warning on Sept. 4, 2001; Testimony Includes Apology to Families
of Sept. 11 Victims", Associated Press, 25 de março de 2004.

Em 6 de agosto de 2001, George W. Bush foi pescar.

FONTE: "O presidente Bush entrou em férias segunda-feira,


pescando em sua lagoa, passeando nos 1.600 acres de sua
fazenda, fazendo corridas matinais". Associated Press, "President
Bush Vacationing in Texas", 6 de agosto de 2001.

"Será que foi o cara que recebeu um montão de armas dos


amigos do meu pai?"

FONTE: Em 1995, um membro do Conselho de Segurança


Nacional de Reagan e co-autor das Diretrizes de Segurança
Nacional, Howard Teicher, assinou um juramento de garantia
afirmando: De 1982 a 1987, servi como membro de equipe do
Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos.[...] Em
junho de 1982, o presidente Reagan decidiu que os Estados
Unidos não podiam permitir que o Iraque perdesse a guerra para o
Irã. O presidente Reagan decidiu que os Estados Unidos fariam o
que fosse necessário e legal para evitar que o Iraque perdesse a
guerra para o Irã. Como conseqüência dessas diretrizes de
segurança secretas, os Estados Unidos apoiaram ativamente o
esforço de guerra iraquiano ao fornecer bilhões de dólares de
crédito, inteligência militar e conselho aos iraquianos, além de
monitorar bem de perto a venda de armas de outros países ao
Iraque, para se certificar de que o Iraque teria o armamento
necessário.
Esta mensagem foi entregue pelo vice-presidente Bush, que
comunicou o presidente egípcio Mubarak, que, por sua vez, passou
a mensagem para Saddam Hussein. O diretor da CIA Casey e o
líder dos deputados Gates afirmaram que a CIA confirmou que
fabricantes não-americanos fabricaram e venderam ao Iraque as
armas que os iraquianos precisavam. Em certos momentos,
quando um componente-chave não estava prontamente disponível,
os níveis mais altos do governo dos Estados Unidos decidiram
disponibilizar o componente para o Iraque, direta ou indiretamente.
Eu me lembro especificamente de que a provisão de penetradores
anti-blindagem ao Iraque foi um caso a parte. Os Estados Unidos
tomaram a decisão política de fornecer tais armas ao Iraque.
Juramento do ex-membro do Conselho de Segurança Nacional,
Howard Teicher, United States of America v. Cartos Cardoen et al.,
31 de janeiro de 1995.

http://www.informationclearinghouse.info/articleI413.htm

FONTE: Surgiram questões sobre a possibilidade de os Estados


Unidos não apenas ignorarem carregamentos estrangeiros de
armas para os Iraque, mas de realmente incentivá-los ou até
providenciá-los. Um ex-membro do Conselho de Segurança
Nacional, Howard Teicher, disse em um tribunal, em 1995, que a
CIA certificou-se de que o Iraque havia recebido as armas dos
fabricantes não-americanos. Ken Guggenheim, "War Crimes Trial
for Saddam Could Reveal Details of Past U.S. Help" , Associated
Press, 24 de janeiro de 2004.

FONTE: "Há uma ampla documentação demonstrando que os


governos Reagan e Bush forneceram tecnologias militares críticas
que foram postas diretamente em prática na construção da
máquina de guerra do Iraque. Há também fortes evidências
indicando falha da seção executiva em combater traficantes ilegais
de armas ou manter o controle da transferência de armamento dos
EUA por terceiros, o que permitiu um fluxo substancial de
equipamento militar de origem americana e de componentes
militares chegando ao Iraque. William D. Hartung, "Weapons at
War; A World Policy Institute Issue Brief", maio de 1995. Veja
também, Alan Friedman, Spider's Web: The Secret History of How
the White House Illegaly Armed Iraq (Bantam Books, 1993);
Kenneth R. Timmerman, The Death Lobby: How the West Armed
Iraq (Houghton, Mifflin, 1991).

FONTE: Dante Fascell (Democrata, Flórida), responsável pelo


Comitê de Assuntos Internacionais da Casa Branca, disse [...] que
os Estados Unidos não poderiam 'clamar por pureza' na venda de
armas, já que o governo americano vendeu armas ao Irã, Iraque e
'a todos do mundo'''. Robert Shepard, "Congress Approves Aid for
Former Soviet Republics", United Press International, 3 de outubro
de 1992.

FONTE: Durante o governo Reagan, um programa secreto


americano forneceu ao Iraque assistência no planejamento de
batalhas, em uma época em que agências de inteligência
americanas sabiam que os comandantes do Iraque empregariam
armas químicas em batalhas decisivas na guerra Irã-Iraque, de
acordo com graduados oficiais militares com conhecimento direto
do programa. Tais oficiais, que concordaram em falar desde que
não fossem identificados, responderam à pergunta de um repórter
sobre a natureza da guerra de gás em ambos os lados do conflito
entre Irã e Iraque de 1981 a 1988. O uso de gás pelo Iraque no
conflito é freqüentemente citado pelo presidente Bush e, esta
semana, pela sua conselheira de segurança nacional, Condoleezza
Rice, como justificativa para a 'mudança de regime' no Iraque. O
programa secreto foi realizado em uma época que os assessores
mais importantes do presidente Reagan, incluindo o secretário de
Estado George P. Shultz, o secretário de Defesa Frank C. Carlucci
e o general Colin Powell, então conselheiro de segurança nacional,
condenaram publicamente o Iraque pelo uso de gás venenoso,
especialmente depois de ter atacado os curdos em Halabja, em
março de 1988. Patrick E. Tyler, "Officers Say U.S. Aided Iraq in
War Despite Use of Gas", New York Times, 18 de agosto de 2002.

"Foi aquele grupo de fundamentalistas religiosos que me


visitou no Texas quando eu era governador?"

FONTE: "Uma delegação sênior do movimento Talibã no


Afeganistão está nos Estados Unidos para discutir com uma
empresa de energia internacional que quer construir um gasoduto
do Turmenequistão até o Paquistão, cruzando o Afeganistão. Um
porta-voz da empresa, a Unocal, disse que o Talibã esperava
passar vários dias na matriz da empresa em Sugarland, Texas".
"Taleban in Texas for Talks on Gas Pipeline", BBC News, 4 de
dezembro de 1997. (Sugarland fica a cerca de 35 quilômetros de
Houston).

"Ou foram os sauditas? (Bush com príncipe saudita) Que


diabo, foram eles."

FONTE: "As 27 páginas classificadas do relatório do congresso


sobre o 11 de setembro retratam o governo saudita apenas
fornecendo dinheiro suficiente e ajuda aos seqüestradores
assassinos, mas também permitindo potencialmente o fluxo de
centenas de milhões de dólares para a Al-Qaeda e outros grupos
terroristas através de caridades suspeitas e outras frentes, de
acordo com fontes familiarizadas com o documento. Um dos
oficiais dos EUA que leu a seção classificada disse que ela
descreve 'ligações bem diretas, bem específicas' entre oficiais
sauditas, dois seqüestradores de San Diego e outros co-
conspiradores em potencial, que não podem ser consideradas
mentiras, fatos isolados ou coincidência. Quinze dos 19
seqüestradores eram sauditas. Josh Meyer, "Report Links Saudi
Government to 9/11 Hijackers, Sources Say", Los Angeles Times, 2
de agosto de 2003.

"Nos dias que se seguiram ao 11 de setembro, todo o tráfego


de vôos comerciais e particulares foi paralisado."

FONTE: Na manhã de 11 de setembro, havia 4.873 vôos operando


no espaço aéreo americano. Assim que soube da natureza e da
escala do ataque terrorista em Nova York e Washington - que nós
estávamos enfrentando não apenas um, mas quatro possíveis
seqüestros de aviões, e muito outros rumores de aviões
desaparecidos ou não identificados - a secretária Mineta pediu ao
sistema de tráfego aéreo para fechar todas as operações civis.
James F. Garvey na Segurança de Aviação após o ataque de 11 de
setembro, 21 de setembro de 2001.

http://www.faa.gov/newsroom/testimony/2001l
testimony_010921.htm

Veja também, "Airports to Remain Closed, Mineta Says", release de


imprensa do Departamento de transporte, 12 de setembro de 2001.

"A Casa Branca deu sua autorização para que aviões


recolhessem membros da família Bin Laden e muitos outros
sauditas."

FONTE: Temendo represálias contra os cidadãos do seu país, o


governo saudita pediu ajudar para tirar alguns cidadãos sauditas
dos Estados Unidos. Comissão nacional dos ataques terroristas
nos Estados Unidos, ameaças e repostas em 2001, relatório da
equipe no. 10, Os vôos sauditas, p. 12;
http://www.911comission.gov/hearings/hearing10/staff_statement_1
0.pdf

FONTE: "Agora, o que me lembro é de pedir relatórios, de vôo para


todos a bordo e que todos os nomes fossem direta e
individualmente investigados pelo FBI antes de receberem
permissão para deixar o país. Eu também quis que o FBI assinasse
até mesmo a permissão dos sauditas para deixar o país. E me
lembro também de que tudo aquilo foi feito. É verdade que entre
aqueles que partiram estavam membro da família Bin Laden.
Sabíamos disso na época. Não posso dizer mais nada em seção
aberta, mas foi uma decisão consciente com total revisão dos
níveis mais altos do Departamento de Estado, do FBI e da Casa
Branca". Testemunho de Richard Clarke, ex-coordenador do grupo
de anti-terrorismo, membro do Conselho Nacional de Segurança,
ex-membro do Comitê Judiciário do Senado, 3 de setembro de
2003.

FONTE: "Eu estava tomando ou coordenando várias decisões em


11/9 e nos dias seguintes. Eu adoraria ser capaz de dizer a você
quem fez isso, quem trouxe essa proposta para mim, mas não sei.
Mas como você está me pressionando, as duas possibilidades
mais prováveis são o Departamento de Estado, ou o chefe de
equipe da Casa Branca. Mas não sei". Testemunho de Richard A.
Clarke, diante da Comissão Nacional dos Ataques Terroristas nos
Estados Unidos, 24 de março de 2004.

"Pelo menos seis jatos particulares e quase duas dúzias de


aviões comerciais tiraram os Bin Laden e outros sauditas dos
Estados Unidos depois do dia 13 de setembro. Ao todo, 142
sauditas, incluindo 24 membros da família Bin Laden, foram
autorizados a deixar o país."
Nota: Deve ser observado que, apesar de o filme não fazer
alegações, fortes evidências mostraram recentemente que pelo
menos um avião particular levou cidadãos sauditas, enquanto os
vôos particulares ainda estavam proibidos. Entretanto, por quase 3
anos, a Casa Branca negou a existência desse vôo. Relatado em 9
de junho de 2004, artigo do St. Petersburg Times citado abaixo.

FONTE: Depois de o espaço aéreo ser reaberto, seis vôos


fretados, com 142 pessoas, na maioria sauditas, partiram dos
Estados Unidos entre 14 e 24 de setembro. Um vôo, o chamado
vôo de Bin Laden, partiu dos Estados Unidos em 20 de setembro
com 26 passageiros, a maioria deles parentes seus. Comissão
Nacional dos Ataques Terroristas nos Estados Unidos, ameaças e
respostas em 2001, relatório da equipe no. 10. Os vôos sauditas, p.
12;

http://www.9-
11comission.gov/hearings/hearing10/staff_statement10.pdf

FONTE: Deve ser observado que o documento de proteção de


fronteira e alfândega dos EUA liberado pelo Departamento de
Segurança da Pátria lista, em 24 de fevereiro de 2004, 162
cidadãos sauditas que voaram para fora do país entre 11 e 15 de
setembro de 2001, partindo do aeroporto Kennedy em Nova York,
Dulles de Washington e Dallas/Fort Worth.

http://www.judicialwatch.org/archive/2004/homelandsecurity.pdf

FONTE: Para uma lista oficial de portadores de passaportes


sauditas (nomes redigidos) que voaram para fora dos EUA entre 11
e 15 de setembro de 2001, veja o documento de proteção de
fronteira,e alfândega dos EUA liberado pelo Departamento de
segurança da pátria, 24 de fevereiro de 2004;
http://www.judicialwatch.org/archive/2004/homelandsecurity.pdf

FONTE: Matéria do St. Petersburg Times, de 9 de junho de 2004:


"Dois dias depois dos ataques de 11 de setembro, com a maior
parte do tráfego aéreo ainda proibido, um jato pequeno aterrissou
no aeroporto internacional de Tampa, pegou três jovens sauditas e
partiu. Os homens, um deles suposto membro da família real
saudita, foram acompanhados por um ex-agente do FBI e um ex-
policial de Tampa no vôo para Lexington, Kentucky. Então os
sauditas pegaram um outro vôo para fora do país".
Entretanto: "Por quase três anos, a Casa Branca, oficiais da lei e
da aviação insistiram que o vôo nunca ocorreu e negaram
relatórios publicados e especulações difundidas na Internet sobre
esse propósito.[...] O painel terrorista, mais conhecido como
Comissão de 11/9, disse em abril que tinha conhecimento de seis
vôos fretados com 142 pessoas a bordo, na maioria sauditas, que
deixaram os Estados Unidos entre 14 e 24 de setembro de 2001.
Mas não disseram nada a respeito do vôo de Tampa [...] A
Comissão 11/9, que disse que os vôos para fora dos Estados
Unidos foram tratados pelo FBI, parece preocupada com a
manobra do vôo de Tampa [...].
A maioria das aeronaves autorizadas a voar no espaço aéreo
americano em 13 de setembro eram jatos vazios sendo levados de
aeroportos onde haviam feito pousos forçados em 11 de setembro.
A reabertura do espaço aéreo incluiu vôos fretados pagos, mas não
particulares, vôos não comerciais. Jean Heller, "TIA now verifies
flight of Saudis; The government has long denied that two days
after the 9/11 attacks, the three were allowed to fly". St. Petersburg
Times, 9 de junho de 2004.

Em 2001, um dos filhos de Osama casou-se no Afeganistão,


vários membros da família foram ao casamento.
FONTE: "Bin Laden, bem como sua mãe, dois irmãos e uma irmã,
que vieram de avião da Arábia Saudita, foram ao casamento de um
de seus filhos, Mohammad, segunda-feira, na cidade de Kandahar,
no Afeganistão, afirmou o jornal diário árabe Al-Hayat. [...] Outro
filho de Bin Laden casou-se com uma das filhas de al-Masri's em
janeiro. O Al-Hayat afirmou que vários membros da família Bin
Laden, os quais comandam uma grande empresa de construção na
Arábia Saudita, também comparecerem ao casamento. Agência
France Presse, "Bin Laden Full of Praise for Attack on USS Cole at
Son's Wedding", quinta-feira, 1o. de março de 2001.

"Nós detivemos centenas de pessoas" imediatamente após


11/9.

FONTE: "Mais de 1200 estrangeiros foram detidos como parte da


investigação do governo nos ataques terroristas, alguns passaram
meses na prisão. Advogados de alguns civis reclamaram, mas
oficiais do governo insistiram estar simplesmente cumprindo longas
leis de imigração". "A Nation Challenged", New York Times, 25 de
novembro de 2001.
FONTE: O Departamento de Segurança Nacional anunciou ontem
novas regras destinadas a prevenir a recorrência de longas
detenções de centenas de estrangeiros, dos quais muitos foram
impedidos de telefonar ou contatar advogados durante meses após
terem sido presos na vigília dos ataques de 11 de setembro de
2001. As orientações foram anunciadas publicamente ontem
através de Asa Hutchinson, subsecretária do departamento de
fronteira e segurança de transporte, e foram bem recebidas por
grupos de direitos civis que tinham denunciado amargamente a
detenção de 762 imigrantes ilegais depois dos ataques, muitas
vezes por conta de suspeitas infundadas do FBI de que estariam
ligados com o terrorismo. As novas orientações são uma resposta a
um relatório de 198 páginas, altamente crítico do último mês de
junho, escrito por Glenn A. Fine, inspetora geral do departamento
de Justiça. Concluiu-se que entre as conseqüências caóticas dos
ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, centenas de
árabes e sul-asiáticos que haviam cometidos pequenos delitos de
imigração mofavam na cadeia sem uma revisão periódica de suas
penas por oficiais dos EUA. Alguns foram maltratados por guardas.
A média de detenção era de três meses, e a mais longa foi de 10
meses, antes que os imigrantes fossem inocentados das ligações
com o terrorismo e libertados da prisão. John Mintz, "New Rules
Shorten Holding Time for Detained Immigrants", Washington Post,
14 de abril de 2004.

FONTE: Nos dias, semanas e meses que seguiram os trágicos


acontecimentos de 11 de setembro de 2001, centenas de
imigrantes americanos foram investigados e detidos,
freqüentemente sob circunstâncias ásperas e abusivas, em nome
de uma América segura. Não devido às evidências (ou mesmo
intuição) de que estavam envolvidos em ataques terroristas que
ceifaram vidas de mais de 3.100 pessoas. Não por terem ligações -
ou mesmo conhecimento – com grupos terroristas que podiam
ameaçar a segurança dos americanos no futuro. Ao contrário,
centenas de imigrantes foram arbitrariamente pegos nesta
armadilha, e jogados (por vezes, literalmente) na cadeia. O número
exato é desconhecido, pois o governo se recusa a revelar tais
informações. Eles tinham algo em comum: quase todos eram
homens da Arábia Saudita ou do Sul Asiático, e quase todos eram
muçulmanos.[...] Uma vez presos, muitos imigrantes eram
etiquetados como 'de interesse' para as investigações de 11 de
setembro e jogados no limbo legal - detidos por semanas ou meses
em conexões com investigações criminosas, mas lhes eram
negados os devidos direitos legais que teriam se fossem de fato
processados por crimes. ACLU, "America's Disappeared: Seeking
International Justice for Immigrants Detained after September 11",
janeiro de 2004, aclu.org.

O FBI conduziu "uma pequena entrevista, uma conferida no


passaporte".

FONTE: No ano passado, a National Review relatou que o FEl


conduziu entrevistas breves com os sauditas - nas palavras de um
porta-voz do FEl, "no aeroporto, quando eles estavam prestes a
partir". Especialistas entrevistados pelo National Review chamaram
as ações do FBI de "muito incomuns", devido ao fato de que
aqueles que partiam serem realmente membros da família de
Osama bin Laden. "Ele [o FBI] não podia ter feito uma longa e
completa entrevista", disse John L. Martin, o ex-chefe de segurança
interna do departamento de Justiça. "The Great Escape: How did
assorted Bin Ladens get out of America after September 11?"
National Review, 29 de setembro de 2003.

FONTE: "Trinta das 142 pessoas desses vôos foram entrevistadas


pelo FBI, incluindo 22 das 26 pessoas (23 passageiros e 3 guarda-
costas particulares) no vôo Bin Laden. Muitos foram interrogados
com detalhes. Nenhum passageiro afirmou ter tido contato recente
com Osama bin Laden ou ter qualquer conhecimento sobre
atividades terroristas". Comissão nacional dos ataques terroristas
nos Estados Unidos, ameaças e respostas em 2001, relatório da
equipe no. 10, Os vôos sauditas, p. 12:

http://www.9-
11comission.gov/hearings/hearing10/staff_statement_10.pdf

FONTE: "Falei com várias pessoas que estavam com o FBI durante
a repatriação. E eles disseram que houve muitas idas-e-vindas
entre o FBI e a Embaixada saudita. E que a Embaixada saudita
tentou tirar as pessoas de lá sem mesmo identificá-las. O FBI
obteve sucesso na identificação das pessoas e na obtenção de
seus passaportes. Mas, em muitos casos, o FBI tomou contato com
as pessoas pela primeira vez na pista ou no próprio avião à medida
que partiam. Aquela não era hora para uma entrevista séria ou uma
interrogação séria". Entrevista com Craig Unger, CNN, 4 de
setembro de 2003.

George W. Bush e seus antigos amigos no Texas


A Casa Branca libera registros em respostas às acusações de
deserção de Moore.

FONTE: O diretor de cinema de esquerda Michael Moore começou


a discussão em janeiro, quando endossou Clark presidente e
chamou o presidente de "desertor". A Casa Branca respondeu
liberando os registros de serviço do presidente, incluindo uma
baixa com louvor. James Rainey, "Who's the Man? They Are;
George Bush and John Kerry Stand Shoulder to Shoulder in One
Respect: Macho is Good. Very Good. It's Been That Way Since
Jefferson's Day", Los Angeles Times, 18 de março de 2004.

"E existe uma diferença marcante entre a ficha de 2000 e


aquela apresentada em 2004. Um nome foi apagado - coberto
com tinta preta. Em 1972, dois pilotos foram suspensos por
deixar de fazer um exame médico obrigatório. Um deles era
George W. Bush. E o outro era James R. Bath."

FONTE: Veja o Escritório da Guarda Nacional, pedido aeronáutico


número 87, 29 de setembro de 1972,

http://www.michaelmoore.com/warroom/f911noteslindex.php?id=18
"James R. Bath foi durante certo período o administrador dos
investimentos da família Bin Laden no Texas."

FONTE: Veja o acordo registrado em cartório, Condado Harris,


Texas, assinado por Salem M. Binladen, 8 de julho de 1976
(documento original), anexo C. "Eu, Salem M. Binladen, transfiro,
por meio desta procuração, completa e total autoridade para James
Reynolds Bath, 2330 Bellefontaine, Houston, Texas, para agir em
meu nome em todos os assuntos relacionados aos negócios e
operações dos escritórios Binladen-Houston, em Houston, Texas".
Notarized Trust Agreement, Condado Harris, Texas, 8 de julho de
1976.

FONTE: Segundo um acordo de 1976, feito pouco depois [George


H. W.] de Bush ser indicado diretor da ClA, o xeque saudita Salem
M. Binladen apontou Bath como seu representante comercial em
Houston. Binladen e seus irmãos são proprietários da Construtora
Irmãos Binladen, uma das maiores empresas de construção no
Oriente Médio". Jerry Urban, "Feds Investigate Entrepreneur
Allegedly Tied to Saudis", Houston Chronicle, 4 de junho de 1992.

"George W. Bush e James R. Bath tomaram-se bons amigos."

FONTE: "Bath, 55 anos, admite amizade com George W. Bush


desde a época em que serviram juntos no Texas na Guarda Aérea
Nacional". Jonathan Beaty, "A Mysterious Mover of Money and
Planes", Time, 28 de outubro de 1991.
FONTE: "Em uma cópia do registro liberado pela Guarda Nacional
em 2000, o homem em questão, James R. Bath, estava listado
como suspenso de voar pela Guarda Nacional em 1972 por não ter
passado no exame médico, próximo de uma anotação similar para
o sr. Bush. Foi amplamente relatado que os dois eram amigos e
que o sr. Bath investiu no primeiro grande negócio de risco do sr.
Bush, Arbusto Energy, no final da década "de 1970, depois de o sr.
Bath ter começado a trabalhar para Salem bin Laden". Jim
Rutenberg. "A Film to Polarize Along Party Lines", New :York
Times, 17 de maio de 2004.

"Logo que foram dispensados, época em que o pai de Bush


era o chefe da ClA, Bath abriu seu próprio negócio no ramo da
aviação após vender um avião a um homem chamado Salem
bin Laden, herdeiro da segunda maior fortuna da Arábia
Saudita - o Saudi bin Laden Group."

FONTE: "Bath abriu sua própria corretora de aeronaves em 1976".


Jonathan Beaty, "A Mysterious Mover of Money and Planes", Time,
28 de outubro de 1991. (Bush foi diretor da ClA de 1976 a 1977).

FONTE: "Por volta de 1974 [...] Bath estava tentando vender um


turbo-propulsor F-27, um avião lento de médio-porte, que não era
exatamente um bom negócio naqueles dias, quando recebeu um
telefonema

que mudou sua vida. A voz do outro lado pertencia a Salem bin
Laden. [...] Bath não somente tinha um comprador para um avião
que ninguém parecia querer, como também havia tropeçado em
uma fonte de dinheiro e poder que tinha certeza de despertar o
interesse do mais [...] impetuoso barão de petróleo do Texas. Craig
Urger, House of Bush, House of Saud (Scribner, 2004), pp. 19-20.

"Ele fundou no oeste do Texas uma companhia petrolífera


chamada Arbusto, uma companhia de prospecção que era
muito, muito boa em abrir buracos que nunca davam em
nada."
FONTE: "Depois de se formar na Escola de Administração de
Harvard, Bush organizou sua primeira empresa, Arbusto Energy
(Arbusto é a palavra em espanhol que significa Bush), em 1977, no
meio de uma candidatura para o Congresso. Segundo os registro
dos arquivos da Security and Exchange Comission [órgão que
regula e fiscaliza o mercado de capitais nos EUA], a Arbusto não
operou até março de 1979. [...] De acordo com os arquivos de 1984
dessa comissão, os sócios de Bush investiram 4,66 milhões de
dólares nos vários programas de perfuração, mas receberam de
distribuição de lucros somente 1,54 milhão de dólares. No entanto,
o CFO [Chief Finacial Office] de Bush afirmou: "Não encontramos
muito petróleo e gás" e "Não estávamos procurando dinheiro".
George Lardner Jr. e Lois Romano, "Bush Name Helps Fuel Oil
Dealings", Washington Post, 30 de julho de 1999.

FONTE: "Finalmente Bush renomeou sua empresa Bush Explora-


tion e mais tarde consolidou uma empresa chamada Spectrum 7.
Documentos arquivados na Securities and Exchange Comission
mostram que a empresa perdeu dinheiro de 1979 até 1982 e que
investidores que colocaram quase 4,7 milhões de dólares,
receberam de volta apenas 1,5 milhões. Relatórios publicados
informam que a Bush Exploration foi salva por Bill De Witt e Mercer
Reynolds, importantes homens do mundo do petróleo de
Cincinnati. No entanto, atualmente Bush diz que sua empresa
estava financeiramente forte e que o consolidador foi uma
estratégia. De qualquer forma, George W. perfurou a parte que lhe
cabe de buracos secos. Como Conaway se lamenta deste dia, a
empresa 'nunca atingiu [...] o Grande Kahuma"'. Maria La Ganga,
"Bush Finesses Texas 2.Step of Privilege, Personality", Los
Angeles Times, 2 de março de 2000.

"Não existe nenhum indício de que papai tenha assinado o


cheque para que ele abrisse a companhia."
FONTE: "A semeadura de dinheiro, mais de 4 milhões de dólares,
cresceu entre 1979 e 1982 com a ajuda do tio [de Bush], o
financiador Jonathan Bush. A lista de investidores da Arbusto é
repleta de nomes de família e amigos famosos. Sua avó, Dorothy
W. Bush, investiu 25 mil dólares. Expoentes corporativos, como
George L. Ball, chefe executivo da Prudential-Bache Securities,
investiu 100 mil dólares. Macomber e William H. Draper III, que
investiram mais de 125 mil dólares, foram mais tarde nomeados
presidentes do U.S. Export-Import Bank durante as administrações
Reagan e Bush". Maria La Ganga, "Bush Finesses Texas 2-Step of
Privilege, Personality", Los Angeles Times, 2 de março de 2000.

"O bom amigo James Bath fora contratado para administrar o


dinheiro da família Bin Laden no Texas e investir em negócios.
E James Bath, por sua vez, investiu em George W Bush."

FONTE: Veja o acordo registrado em cartório, Condado Harris,


Texas, assinado por Salem M. Binladen, em 8 de julho de 1976:
"Eu, Salem M. Binladen, transfiro, por meio desta procuração,
completa e total autoridade para James Reynolds Bath, 2330
Bellefontaine, Houston, Texas, para agir em meu nome em todos
os assuntos relacionados aos negócios e operações dos escritórios
Binladen-Houston, em Houston, Texas". Notarized Trust
Agreement, Condado Harris, Texas, 8 de julho de 1976.
FONTE: As relações comerciais de Bath com Salem bin Laden, e
outros ricos empresários sauditas, foram bem documentadas. Veja,
por exemplo, Mike Ward, "Bin Laden Relatives Have Ties to Texas",
Austin American-Stateman, 9 de novembro de 2001; Jerry Urban,
"Feds Investigate Entrepreneur Allegedly Ties to Saudis", Houston
Chronicle, 4 de junho de 1992; Thomas Petzinger Jr., et aI., "Family
Ties: How Oil Firm Linked to a Son of Bush Won Bahrain Drilling
Pact", Wall Street Journal, 6 de dezembro de 2001.
FONTE: "[...] No início dos anos 80 registros de impostos revisados
pela Time mostram que Bath investiu em negócios de risco de
energia de Bush e continuou acionista até Bush vender sua
empresa para a Harken em 1986". Jonathan Beaty, "A Mysterious
Mover of Money and Planes", Time, 28 de outubro de 1991.

"Bush afundou a Arbusto, assim como fez com todas as


outras empresas com as quais se envolveu. Até que,
finalmente, uma delas foi comprada pela Harken Energy - e ele
ganhou um cargo no conselho diretor."

FONTE: O nome de Bush [...] era para ajudar a salvá-lo, até que
tivesse atraído investidores e ajudado a recuperar sua fortuna
enfraquecida ao longo dos anos na cidade de planícies
empoeiradas de Midland. Uma grande empresa com sede em
Dallas, Harken Oil and Gas, estava à procura de empresas de
petróleo em dificuldades para comprar. Depois de encontrar a
Spectrum, os executivos da Harken vislumbraram um bônus em
seus objetivos gerenciais, apesar dos registros "manchados" da
empresa. No final de setembro de 1986, o acordo foi feito. A
Harken assumiu 3,1 milhão de dólares em dívidas e colocou 2,2
milhões de dólares de suas ações numa empresa banhada no
vermelho, embora tivesse reservas de petróleo e gás projetadas
para gerar 4 milhões de dólares futuramente. A Harken, uma
empresa que gostava de se ligar às estrelas, também contratou
Bush, que não serviu como gerente operacional, mas como
membro da alta diretoria [...] Essa foi uma das grandes
oportunidades da vida de Bush. O acordo Harken tornou-se uma
reprise decepcionante do que estava se tornando um padrão
familiar. Como homem do petróleo, Bush sempre trabalhou duro,
ganhando uma reputação de atirador certeiro e de um bom chefe,
engenhoso, caloroso e imensamente adorável. Até os investidores
que perdiam dinheiro em seus negócios de risco continuavam seus
admiradores, e alguns deles estão agora ganhando dinheiro com
sua campanha presidencial. Mas a história da carreira de Bush no
petróleo, que começou logo após sua graduação na Escola de
Administração de Harvard, no verão de 1975, e terminou com a
entrada da Harken e sua ida para Washington, é mais o seu
fracasso em obter sucesso, apesar das excelentes ligações de sua
linhagem e da educação trazida pela Ivy League". George Lardner
Jr. e Lois Romano, "Bush Name Helps Fuel Oil Dealings",
Washington Post, 30 de julho de 1999.

Bush foi investigado pela SEC. "O advogado e sócio de James


Baker que ajudou Bush a sair ileso da investigação da SEC é
um homem chamado Robert Jordan, que foi nomeado
embaixador norte-americano na Arábia Saudita quando George
W. Bush tornou-se presidente."

FONTE: "Uma semana antes da venda das ações de George W


Bush em 1990 para a Harken Energy Co., as empresas de
advocacia preveniram Bush e outros diretores contra a venda de
ações caso soubessem de fatos negativos significantes sobre as
prospecções da empresa. A venda ocorreu alguns meses antes de
a Harken relatar perdas significativas, levando a uma investigação
da Securities and Exchange Comission. Uma carta da empresa de
advocacia de Haynes e Boone, com data de 15 de junho de 1990,
não foi enviada à SEC pelo advogado de Bush, Robert W. Jordan,
até 22 de agosto de 1991, de acordo com uma carta de Jordan.
Isso foi um dia antes de os membros de equipe da SEC que
investigavam a venda de ações concluírem que não haviam provas
suficientes para recomendar uma sanção contra Bush por
informações privilegiadas". Peter Behr, "Bush Sold Stock After
Lawyers' Warning", Washington Post, 12 de novembro de 2002.
FONTE: "O presidente Bush escolheu como embaixador da Arábia
Saudita um advogado de Dallas, que o representou contra [...]
alegações levantadas da venda de ações na Harken Energy Co.
onze anos atrás". G. Robert Hillman, "Bush Taps Dallas Attorney to
Be Ambassador to Saudi Arabia", Dallas Morning News, 21 de julho
de 2001.

"Com a ruína da Harken, os amigos do pai de Bush arranjaram-


lhe um outro cargo de diretoria em uma empresa do Carlyle
Group."

FONTE: "Fred Malek, conselheiro sênior da Carlyle, que também


foi diretor da convenção republicana de 1988, sugeriu que o filho
mais velho do presidente, George W. Bush, seria um reforço
positivo no conselho da Caterair. O senhor Malek era também
diretor da Caterair e vice-presidente das linhas aéreas Northwest,
um grande cliente da Caterair. 'Achei que George W. Bush pudesse
contribuir para a Caterair', afirmou Malek. Mais tarde Malek alegou:
'Ele estaria no conselho mesmo se seu pai não fosse presidente"'.
Kenneth N. Gilpin, "Little-Known Carlyle Scores Big", New York
Times, 26 de março de 1991.

FONTE: O co-fundador do grupo Carlyle, David Rubenstein,


falando sobre o início da Caterair depois de a Carlyle tê-lo
comprado: "Quando estávamos montando o conselho", disse
Rubenstein, "alguém veio até mim e disse: 'Olha, tem um homem
que gostaria de estar no conselho, Ele está meio sem sorte.
Precisa de um emprego. Precisa de uma posição no conselho.
Você poderia aproveitá-lo? Pague um salário a ele e será um bom
colaborador, um voto leal para a gerência e assim por diante.[...]
Nós o colocamos no conselho e ele permaneceu por três anos.
Veio a todas as reuniões. [...] E depois de um tempo eu disse a ele
após quase três anos - 'Sabe, eu não tenho' certeza de que isso
seja realmente para você. Talvez você devesse fazer outra coisa.
Pois não acho que sua presença valorize o conselho. Você não
conhece a empresa tanto assim.' Rubenstein disse que o membro
do conselho disse: 'Bem, acho que vou sair desse negócio de
qualquer forma. Não gosto disso tanto assim. Então provavelmente
sairei do conselho'. Eu disse: 'Obrigado'. Não pensei que fosse vê-
lo novamente. O nome dele é George W. Bush", afirmou
Rubenstein. 'Ele se tornou presidente dos Estados Unidos. Se você
me pedisse para citar o nome de 25 milhões de pessoas que
pudessem se tornar presidente dos Estados Unidos, ele não estaria
nessa categoria. Então, nunca se sabe". Nicholas Horrok, "White
House Watch: With Friends Like These"; UPI, 16 de julho de 2003.

O Grupo Carlyle, a conexão saudita e os lucros


depois do 11 de setembro
"O Carlyle Group é um conglomerado multinacional que
investe em setores da economia fortemente regulamentados
pelo governo, como telecomunicações, serviços de saúde e,
particularmente, defesa."

FONTE: O grupo Carlyle é uma empresa com um dos maiores


patrimônios líquidos do mundo, administrando mais de 18,3 bilhões
de dólares. Com 23 tipos de fundos em cinco tipos de
investimentos (compras de empresas, imóveis, finanças
alavancadas, capital de risco e circulante), Carlyle combina visão
global com critério local, confiando em um time de
aproximadamente trezentos profissionais de investimento de alto
nível, operando em escritórios de catorze países para descobrir
grandes oportunidades na América do Norte, Europa e Ásia,
Carlyle está focada em setores onde tem demonstrado habilidade:
indústria aeroespacial e defesa, indústria automotiva e transporte,
bens de consumo, fornecimento de energia elétrica e mecânica,
convênios de saúde, indústrias, imóveis, tecnologia e prestação de
serviços, telecomunicação e mídia." Website do Grupo Carlyle,

http://thecarlylegroup.com/eng/company/index.html

As famílias Bin Laden e Bush eram ambas ligadas ao grupo


Carlyle, assim como muitos amigos e aliados da família Bush.

FONTE: No início dos anos 90, George W. Bush fez parte da


diretoria da Caterair, uma companhia de fornecimento de refeições
para aviões. A Caterair era de propriedade do grupo Carlyle.
Kenneth N. Gilpin, "Little-Known Carlyle Scores Big", New .York
Times, 26 de março de 1991. "George W. Bush deixa a companhia
em 1994, um ano depois do fim da presidência do pai." Ross
Ramsey et aI., Campaign '94 Fisher's Staff Slips Up on Spanish",
Houston Chronicle, 17 de setembro de 1994.

FONTE: Em meados dos anos 90, George H. W. Bush juntou-se ao


grupo Carlyle. "Sob a liderança de ex-oficiais como Baker e o ex-
secretário de Defesa Frank C. Carlucci, Carlyle especializou-se em
comprar empresas de defesa e dobrar ou quadruplicar seu valor. O
ex-presidente não se tornou apenas investidor da Carlyle, mas
também membro do quadro de conselheiros da companhia na Ásia
e 'um homem que faz' que ganhou os investidores." Doze ricas
famílias sauditas, incluindo os Bin Laden, estavam entre eles. Em
2002, o Washington Post informou, 'Sauditas próximos ao príncipe
sultão, o ministro da Defesa saudita [...] foram encorajados a
investir na Carlyle como um favor para o velho Bush'. Bush
aposentou-se da companhia em outubro passado, e Baker, que
influenciou os aliados dos Estados Unidos no mês passado para
que a dívida do Iraque fosse perdoada, permanece como
conselheiro sênior do Carlyle." Kevin Phillips, "The Barreling
Bushes; Four Generations of the Dynasty Have Chased Profits
Through Cozy Ties with Mideast Leaders, Spinning Webs of
Conflicts of lnterest", Los Angeles Times, 11 de janeiro de 2004.

FONTE: A família Bin Laden investiu na Carlyle pela primeira vez


em 1994. Representando o conselho. da Carlyle na Ásia, George
H. W. Bush visitou a matriz da família Bin Laden em Jiddah, na
Arábia Saudita. Kurt Eichenwald, "Bin Laden Liquidates Holdings
with Carlyle
Group". New York Times, 26 de outubro de 2001.

FONTE: James Baker era conselheiro sênior da Carlyle no início de


2003. Website do grupo Carlyle,

http://www.thecarlylegroup.com/eng/team/15-team391.html

FONTE: O chefe da OMB [Office of Management & Budget -


escritório de gerenciamento e orçamento] de Bush, Richard
Darman, estava na Carlyle em 1994. Bob Cook, Mergers &
Acquisitions Report, 12 de dezembro de 1994.

FONTE: George W. Bush estava na Carteair - de propriedade do


grupo Carlyle - até 1994, depois que Fred Malek, conselheiro
sênior da Carlyle, que também foi diretor da convenção republicana
de 1988, sugeriu ao grupo Carlyle que o filho mais velho do
presidente "seria uma contribuição positiva para o conselho da
Carlyle." Kenneth N. Gilpin, "Little- Known Carlyle Scores Big", New
York Times, 26 de março de 1991.

"Na manhã do dia 11 de setembro o Carlyle Group realizava


sua conferência anual de investidores no hotel Ritz-Carlton,
em Washington, D.C.. Naquela reunião estavam todos os
figurões do Carlyle: James Baker, provavelmente John Major
[ex-premiê britânico], certamente George H. W. Bush, que
entretanto deixou o encontro ainda pela manhã. Shafiq bin
Ladin, meio-irmão de Osama bin Laden, estava na cidade para
cuidar dos investimentos da família no Carlyle Group. Todos
eles, reunidos numa sala, viram... quando os aviões atingiram
as torres."

FONTE: Na manhã de 11 de setembro de 2001, "no ambiente


aconchegante do Hotel Ritz-Carlton em Washington D.C., o grupo
Carlyle estava em sua conferência anual de investidores. Frank
Carlucci, James Baker ID, David Rubenstein, William Conway e
Dan D'Aneillow estavam reunidos com vários ex-líderes mundiais,
ex-especialistas em defesa, ricos árabes do Oriente Médio e com
os principais investidores internacionais, ao mesmo tempo em que
a televisão mostrava o terror. Lá com eles, cuidando dos
investimentos de sua família, estava Shafiq bin Laden, o meio-
irmão afastado de Osama bin Laden. George Bush (pai) também
estava na conferência, mas o porta-voz do Carlyle diz que o ex-
presidente saiu antes dos ataques terroristas, e que estava no
avião para o Oriente Médio quando os vôos pelo país foram
proibidos na manhã de 11 de setembro. Sob qualquer
circunstância, uma confluência de pessoas de tal dimensão política
e tão globalmente conectadas seria curiosa ou chegaria até a
causar apreensão. Mas no contexto dos ataques terroristas contra
os Estados Unidos por um grupo de sauditas liderados por Osama
bin Laden, o grupo reunido no Hotel Ritz-Carlton naquele dia era
uma desconcertada e singular coincidência". Dan Briody, The Iron
Triangle (John Wiley & Sons, Inc., 2003), pp. 139-140. Veja
também, Melanie Warner, "What Do George Bush, Arthur Levitt,
Jim Baker, Dick Darman, and John Major Have in Common? (They
AlI Work for the Carlyle Group)", Fortune, 18 de março de 2002.

"O grupo Carlyle era o 11º. maior fornecedor de material bélico


militar dos Estados Unidos."
FONTE: Em virtude de suas ações em companhias como U.S
Marine Repair e United Defense Industries, a Carlyle é equivalente
ao décimo primeiro maior contratante de defesa da nação. Ele
administra 16,2 bilhões de dólares e reivindica uma média de
retorno anual de 35%". Phyllis Berman, "LuckyTwice", Forbes, 8 de
dezembro de 2003.

"Uma das muitas empresas de armamentos que controlava era


a United Defense, fabricante do carro de combate blindado
Bradley. O 11 de setembro garantiu um ano excelente para a
United Defense. Apenas seis semanas após os atentados, o
Carlyle deu início ao trâmite para lançar ações da United
Defense na Bolsa - e em dezembro, num único dia, lucrou 273
milhões de dólares."

FONTE: "Em apenas um dia do mês passado, a Carlyle lucrou 237


milhões de dólares vendendo ações das United Defense Industries,
a quinta maior contratante do exército. A renda das ações chegou
na hora certa: funcionários da Carlyle dizem que eles decidiram
abrir a 'empresa somente depois dos ataques de 11 de setembro
[...] em 26 de setembro [de 2001], o exército assinou um contrato
modificado de 665 milhões de dólares com a United Defense até o
fim de abril de 2003 para completar a fase de desenvolvimento do
Crusader, Em outubro, a companhia listou o Crusader e os ataques
terroristas como pontos de vendas para as ofertas de ações." Mark
Fineman, "Arms Buildup Is a Boon to Firm Run by Big Guns", Los
Angeles Times, 10 de janeiro de 2002.

FONTE: "Ainda no seu relatório anual de 2001, a United anunciou


que tinha sido recompensada por um contrato de três anos de 697
milhões de dólares para completar uma grande melhoria em 389
unidades Bradley, e que havia outro contrato de modificação de
655 milhões de dólares para completar o contrato 'das fases de
definições e redução de risco' do Crusader no valor de 1,7 bilhão
até o fim de 2003. Juntos, o Crusader e os programas da Barkley
contribuíram com 41 % das vendas da United em 2001, cita o
relatório. Com as melhorias do Crusader e da Barkley em mãos, foi
tomada a decisão para a venda de ações da United para o público
no fim de 2001." Walter Pincus, "Crusader a Boon to Carlyle Group
Even if Pentagon Scraps Project", Washington Post, 14 de maio de
2002.

"Infelizmente, com tanta atenção concentrada nos Bin Laden e


em seus investimentos, a família teve de abandonar o
negócio."

FONTE: "Depois dos ataques de 11 de setembro, os investimentos


da família Bin Laden no grupo Carlyle tornaram-se inoportunos
para o grupo e a família foi forçada a liquidar seus ativos com a
companhia". Kurt Eichenwald, "Bin Laden Family Liquidates
Holdings with Carlyle Group". New York Times, 26 de outubro de
2001.

"O pai de Bush, porém, manteve o cargo de conselheiro sênior


da divisão asiática do Carlyle por mais dois anos."

FONTE: "O ex-presidente Bush foi conselheiro sênior do quadro de


conselheiros do Grupo Carlyle na Ásia, mas aposentou-se do posto
em outubro de 2003. Ele não tem nenhum outro cargo na Carlyle".

http://www.thecarlylegroup.com/eng/news/14-presskit681.html#8

FONTE: "O ex-presidente não é mais conselheiro da companhia,


mas ainda tem investimentos lá, o senhor Ullman (vice-presidente
de comunicação corporativa) disse". "Michael Moore Keeps Heat
on at Premiere", Dallas Morning News, 18 de maio de 2004.

George H. W. Bush recebe informações diárias da CIA.

FONTE: "Uma das pessoas que se corresponde com [o ex-


embaixador Joseph] Wilson é George H. W. Bush, o único
presidente que foi chefe da ClA - ele ainda recebe instruções de
Langley". Vicky Ward, "Double Exposure", Vanity Fair, janeiro de
2004.

FONTE: O ex-presidente Bush esforçou-se em acompanhar as


relações exteriores, em parte por exercer seu direito de ser
informado pela CIA sobre os desenvolvimentos ao redor do mundo.
George Bush Sr. Vouches for Son's Support of Israel to the Saudis",
Há'aretz, 16 de julho de 2001.

"Eles se beneficiam muito concretamente da confusão que se


cria quando George Bush visita a Arábia Saudita em nome do
Carlyle Group e se reúne com a família real e com a família Bin
Laden. Ele está representando os Estados Unidos? Ou está
representando uma companhia de investimentos dos Estados
Unidos? Ou está representando as duas coisas?"

FONTE: Poucas empresas teriam se igualado ao Grupo Carlyle por


seu conjunto ordenado de amigos super-poderosos. A casa de
capital de risco baseada em Washington fora comparada a uma
casa de veteranos da Guerra do Golfo, e gente como George Bush
pai, James Baker e John Major 'podem ser creditados por esse
crescimento rápido'. The Observer, 15 de setembro de 2002.

FONTE: "Deve ser causa de grande preocupação o fato de uma


companhia como a Carlyle simultaneamente ter diretores e
conselheiros que façam negócios e ganhem dinheiro e também
aconselhem o presidente dos Estados Unidos', diz Peter Eisner,
diretor administrativo do Center for Public Integrity [Centro para
Integridade Pública], uma organização sem fins lucrativos em
Washington. O problema surge quando negócios pessoais
misturam-se com política pública. Que chapéu o ex-presidente
Bush usa quando ele diz ao príncipe Abdullah para não se
preocupar com a política do Oriente Médio? Que chapéu ele usa
quando lida com a Coréia do Sul, e causa mudanças políticas lá?
Ou quando James Baker discute a eleição presidencial do jovem
Bush? É uma situação informal, e a informalidade envolvida é
precisamente a marca de sucesso da Carlyle. Oliver Burkeman
Julian Borger, "The Winners: The Ex-Presidents' Club", The
Guardian, 31 de outubro de 2001.

FONTE: "A família saudita de Osama bin Laden está rompendo


seus laços financeiros com o grupo Carlyle, uma companhia de
investimentos conhecida por suas ligações com figuras políticas
influentes de Washington [...] Há poucos anos, Frank C. Carlucci,
presidente do Carlyle e ex-secretário de Defesa, visitou a sede da
família em Jiddah, na Arábia Saudita, assim como o ex-presidente
George Bush e James A. Baker III, ex-secretário de Estado. Bush
trabalha como conselheiro da Carlyle, e Baker é sócio dessa
companhia". Kurt Eichenwald, "Bin Laden Family Liquidates
Holdings with Carlyle Group". New York Time, 26 de outubro de
2001.

"Outro grupo de pessoas investe em você, em seus amigos e


em seus negócios, ao longo de vários anos, 1 bilhão e 400 mil
dólares."

FONTE: No total, pelo menos 1,46 bilhões saíram dos sauditas


para a casa dos Bush, e suas empresas e instituições aliadas".
Craig Unger, House of Bush, House of Saud (Scribner, 2004), p.
200. Para uma completa análise dos investimentos, veja o anexo C
de Unger, pp. 295-298. Este número inclui investimentos feitos e
contratos outorgados no tempo em que os amigos de Bush
estavam envolvidos como o grupo Carlyle.

FONTE: James Baker era conselheiro sênior da Carlyle no início de


1993. Website do Grupo Carlyle,

http://www.thecarlylegroup.com/eng/team/15-team391.html

FONTE: O chefe de OMB de Bush, Richard Darman, estava com o


Carlyle em 1994. Bob Cook, Mergers & Acquisitions Report, 12 de
dezembro de 1994.
FONTE: George W Bush estava na Carteair - de propriedade do
grupo Carlyle - até 1994, depois que Fred Malek, conselheiro
sênior do Carlyle, que também foi diretor da convenção republicana
de 1988, sugeriu ao grupo Carlyle que o filho mais velho do
presidente "seria uma contribuição positiva para o conselho da
Carlyle". Kenneth N. Gilpin, "Little-Known Carlyle Scores Big", New
York Times, 26 de março de 1991.

FONTE: Bush pai envolveu-se primeiro na Carlyle em meados dos


anos 90 e não passou de 1997. Kevin Phillips, "The Barreling
Bushes; Four Generations of the Dynasty Have Chased Profits
Through Cozy Ties with Mideast Leaders, Spinning Webs of
Conflicts of Interest", Los Angeles Times, 11 de janeiro de 2004;
Dan Briody, The Iron Triangle Gohn Wiley & Sons, Inc., 2003).

Mais fontes para esses números:

FONTE: Investimentos sauditas no grupo Carlyle valem 80 milhões.


Craig Unger, "Saving the Saudis", Vanity Fair, outubro de 2003. O
número foi divulgado para Unger pelo diretor do Carlyle, David
Rubenstein, em uma entrevista.

FONTE: Em 1994, a BDM, fornecedor militar do grupo Carlyle, "foi


recompensada por oferecer assistência técnica e suporte logístico
para as Força Aérea Real Saudita". Valor: 46,2 milhões de dólares.
PR Newswire, "BDM Federal Awarded $46 Million Contract to
Support
Royal Saudi Air Force", 27 de outubro de 1994.

FONTE: Durante os anos 90, a Vinnell Corporation (subsidiária da


BDM) foi contratada para treinar a Guarda Nacional da Arábia
Saudita pelo valor de 819 milhões de dólares. Robert Burns, "US
Advises Saudi Military on Range of Threats - Including Terrorism".
Associated Press, 13 de novembro de 1995.
FONTE: Em 1995, a BDM conseguiu um contrato para "discutir o
aumento de pessoal da Força Aérea Real Saudita em
desenvolvimento, implementação e logística de manutenção,
projetos e programas de engenharia". Valor: 32,5 milhões de
dólares. "Defense Contracts", Defense Daily, 23 de junho de 1995,
como citado por Craig Unger.

FONTE: Em 1996, a BDM recebeu um contrato "para realizar a


construção de 110 alojamentos no complexo MK-1, Khamis
Mushayt, na Arábia Saudita, para o pessoal do programa de
suporte técnico que estava assistindo a Força Aérea Real Saudita
[...] Essa ação ajuda a venda de material bélico para a Arábia
Saudita". Valor: 44.397.800 dólares. Release oficial do
departamento de Defesa "BDM Federal, Incorporated", 1º. de abril
de 1996.

FONTE: No fim dos anos 90, Vinnell recebeu um contrato "para o


programa de modernização da Guarda Nacional da Arábia Saudita
(SANG). O contrato de três anos, concedido numa licitação, diz que
Vinnell continuará a auxiliar a SANG nos treinamentos de operação
e atividades relacionadas". Valor: 163,3 milhões de dólares. PR
Newswire, "Vinnell Selected for Award of $163.3 Million Contract for
Saudi Arabian National Guard Modernization Program", 3 de maio
de 1995. Kashin AI-An, "Saudi Guard Gets Quiet Help From US
Firm with Connections", Associated Press, 22 de março de 1997.

FONTE: Em 1997, a BDM recebeu um contrato "para oferecer 400


empreiteiras para auxiliar a Força Aérea Real Saudita em
desenvolvimento, implementação e logística de manutenção,
fornecimento, computação, verificação, programas de inteligência e
projetos de engenharia". Valor: 18.728.682,00 dólares (nota: este é
um "valor nominal para uma companhia com valor fixado em
contrato"). “Defense Contracts", Defense Daily, 4 de fevereiro de
1997.

Nota: A Carlyle comprou a BDM e sua subsidiária Vinnell em 1992


e vendeu-as para a TRW cm dezembro de 1997.

FONTE: Em novembro de 2001, a Halliburton, antiga empresa de


Dick Cheney, recebeu “um contrato para oferecer serviços para a
companhia petrolífera da Arábia Saudita (Saudi Aramco) Qatif Field
no desenvolvimento de projetos no leste da Arábia Saudita". Valor:
140 milhões de dólares. Release oficial da Halliburton, "Halliburton
Awarded $140 Million Contract by Saudi Aramco", 14 de novembro
de 2001.

FONTE: No mesmo mês, um consórcio de três companhias


conduzido pela subsidiária KBR da Halliburton ganhou "um contrato
para engenharia, compra e construção de uma fábrica de etileno
para a Jubail United Petrochemical Company, uma empresa de
total propriedade da Saudi Basic Industries Corporation". Valor: 40
milhões de dólares. Maggie Mulvihill et aI., "Bush Advisers Cashed
in on Saudi Gravy Train". Boston Herald, 11 de dezembro de 2001.

FONTE: Release da Halliburton, "Halliburton KBR, Chiyoda and


Mitshubishi Win Saudi Arabian Ethylene Project", 19 de novembro
de 2001. (Nota: O valor de 40 milhões de dólares citado neste
contrato é muito baixo sob qualquer circunstância). Três protocolos
de indústrias de energia, distintos, estabelecem o valor de 350
milhões de dólares para o contrato. Apesar de existirem duas
outras companhias envolvidas, todos os relatórios indicam que a
Halliburton KBR conduziu o consórcio e assim, se o contrato era de
350 milhões de dólares, é provável que a parcela dela seria - como
os líderes do contrato - significativamente maior do que 40 milhões
de dólares. Veja "News in Brief", Petroleum Economist, 14 de
janeiro de 2002; "KBR, Chiyoda, Mitsubishi Win Jubail Ethylene
Contract", Chemical Week, 5 de dezembro de 2001; "Projects
Update: Petrochemicals", Middie East Economic Digest, 7 de março
de 2000.
FONTE: Logo após a Harken adquirir de George W. Bush a
empresa Spectrum 7 em 1986 e colocar Bush na sua diretoria, um
xeque saudita surgiu para salvar a conturbada Harken. Abdullah
Taha Bakhsh comprou 17% da companhia. Valor: 25 milhões de
dólares. Thomas Petzinger Jr. et aI., "Family Ties: How Oil Firm
Linked to a Son of Bush Won Bahrain Drilling Pact; Harken Energy
Had a Web of Mideast Connections; In the Backgtound: BCCI;
Entrée at the White House", Wail Street Journal, 6 de dezembro de
1991.

FONTE: Em 1989, Fahd, rei da Arábia Saudita, doou dinheiro para


a Fundação Barbara Bush pela Alfabetização da Família. Nessa
época, a senhora Bush era a primeira-dama dos Estados Unidos. A
contribuição do rei representou quase metade do montante que a
fundação foi capaz de levantar naquele ano. Valor: um milhão de
dólares. Thomas Ferraro, "Saudi King also Contributed to Barbara
Bush's Foundation", United Press International, 13 de março de
1990.

FONTE: Em seguida à saída de George H. W. Bush, o embaixador


saudita para os Estados Unidos, príncipe Bandar, doou dinheiro
para o fundo da Biblioteca Presidencial de Bush. Valor: pelo menos
um milhão de dólares. Dave Montgomery, "Hail to a Former Chief".
Fort Worth Star-Telegram, 7 de novembro de 1997.

FONTE: George H. W. Bush e George W. Bush freqüentaram a


elite de Phillips Academy-Andover em Massachusetts. No verão de
2002, a academia anunciou que tinha aberto uma bolsa de estudos
no nome de Bush pai. O príncipe saudita Alwaleed bin Talal bin
Adul Aziz Alsaud - o mesmo príncipe que financiou a EuroDisney
em meados dos anos 90 - estava entre os doadores da bolsa de
estudos. Valor: 500 mil dólares. Release da Phillips Academy-
Andover, "A Statement from Phillips Academy-Andover Regarding
the Bush Scholars Program", 31 de dezembro de 2002.

FONTE: Entre os muitos presentes que George W. Bush recebeu


de líderes estrangeiros e dignatários durante seu período na
presidência, talvez nenhum seja tão valioso quanto o do príncipe
Bandar. Bandar deu ao atual presidente "um óleo sobre tela, de
C.M. Russel, que mostra um nativo americano caçando um búfalo
[...]". Valor: um milhão de dólares. Siobhan McDonough, "Gifts to
President Are Gratefully Received, Quickly Carted into Storage",
Associated Press, 14 de julho de 2003.

A Anistia Internacional condena a Arábia Saudita por violação


de direitos humanos.
FONTE: "A Arábia Saudita viola sistematicamente os direitos
humanos internacionais mesmo depois de concordar com eles. Por
exemplo, em setembro de 1997, a Arábia Saudita associou-se à
Convenção contra a Tortura. Mas a tortura ainda é muito difundida
no sistema judicial da Arábia Saudita. (A Arábia Saudita associou-
se à Convenção contra a Tortura e à Convenção contra a
Discriminação em 23 de setembro de 1997)". Anistia Internadonal,
"Saudi Arabia: Open for Business", 8 de fevereiro de 2000.

http://web.amnesty.org/library/Index/engMDE230822000?OpenDoc
ument&of=COUNTRIES%5CSAUDI+ARABIA

FONTE: "Sharon Burke, diretora jurídica da Anistia Internacional


dos EUA para o Oriente Médio e África do Norte, disse que sua
organização confirmou com o ministério de negócios internos
saudita que três homens foram decapitados por sodomia".
Washington Blade, 4 de janeiro de 2002.

http://www.sodomylaws.org/world/saudi_arabia/saudinews15.htm

"Bush tentou impedir que o Congresso fizesse sua própria


investigação sobre o 11 de setembro. Quando não conseguiu
impedir o Congresso, tentou então impedir a formação de urna
comissão independente sobre o 11 de setembro."

FONTE: O esforço original da Casa Branca era de limitar o escopo


da investigação sobre o 11 de setembro para apenas duas
comissões parlamentares. "Ontem o presidente Bush pediu aos
líderes da Casa e ao Senado que permitissem duas comissões
parlamentares para investigar a resposta do governo aos eventos
do 11 de setembro, disseram os funcionários do governo". Mike
Allen, "Bush Seeks to Restrict Hill Probes of Sept. 11; Intelligence
Panels' Secrecy is Favored", Washington Post, 30 de janeiro de
2002.

FONTE: "Eu, evidente, quero que o Congresso veja o que


aconteceu antes do 11 de setembro. Mas desde que lidamos com
informações tão delicadas, na minha opinião é melhor para a
guerra contra o terror que está em andamento que a investigação
seja feita nos comitês de inteligência", disse o presidente Bush.
David Rosenbaum, "Bush Bucks Tradition on Investigation", New
York Times, 26 de maio de 2002.

FONTE: "Na sexta-feira, legisladores nervosos [McCain, Pelosi,


Lieberman] acusaram a Casa Branca de tentar secretamente
arruinar a criação de uma comissão independente para investigar
os ataques terroristas de 11 de setembro, embora declarem que
apóiam a idéia". Helen Dewar, "Lawmakers Accuse Bush of 9/11
Deceit", Los Angeles Times, 13 de outubro de 2002.

A Casa Branca censura 28 páginas de relatório do Congresso


sobre 11 de setembro.

FONTE: "Os principais funcionários federais dos Estados Unidos


acreditam que o governo da Arábia Saudita não só impediu
esforços para evitar o crescimento da AI-Qaeda e parar com os
ataques terroristas, como também podem ter dado apoio financeiro
e de logística para os seqüestradores sauditas do 11 de setembro,
de acordo com o relatório do Congresso emitido na quinta-feira.
Essas suspeitas instigaram muitos congressistas a exigir que o
governo Bush investigasse mais ativamente as ações da Arábia
Saudita, antes e depois de 11 de setembro de 2001 em parte
fazendo grandes seções públicas do relatório que pertence a
Riyadh, mas que permanece em sigilo. As passagens, incluindo
todas as 28 páginas, discutem em detalhes se um dos aliados mais
relutante dos americanos na guerra contra o terrorismo estava de
alguma forma envolvido nos ataques, de acordo com funcionários
federais americanos familiarizados com o relatório completo". Josh
Meyer, "Saudi Ties to Sept. 11 Hinted at in Report", Houston
Chronicle, 25 de julho de 2003.

"Mais de 500 familiares de vítimas do 11 de setembro entraram


com processos contra a família real saudita e outros. Os
advogados que o ministro saudita da Defesa contratou para a
briga com as famílias do 11 de setembro? O escritório de
advocacia de James A. Baker, o confidente da família Bush."

FONTE: ''James Baker, enviado ao exterior recentemente por Bush


para buscar ajuda para reduzir a dívida do Iraque, ainda é um
conselheiro sênior do grupo Carlyle, e o escritório de Baker
localizado em Houston, Baker Botts, está representando o
ministério de Defesa saudita no caso Motley [reunião de
demandantes num processo de ação coletiva relacionado aos
ataques de 11 de setembro]". "A Nation Unto Itself", New York
Times, 14 de março de 2004.

Sauditas investiram 860 bilhões de dólares nos EUA.

FONTE: "Pelos próximos 25 anos, cerca de 85 mil sauditas de


'altíssimo patrimônio' investiram a surpreendente quantia de 860
bilhões de dólares em companhias americanas - uma média de
mais de 10 milhões por pessoas, e uma soma que é
aproximadamente equivalente ao produto interno bruto da
Espanha". Craig Unger, House of Bush, House of Saud (Scribner,
2004).

FONTE: "Allan Gerson, advogado que representa quase 3.600


membros das famílias das vítimas dos ataques terroristas de 11 de
'Setembro (...) disse que não está processando o governo saudita,
mas está atrás de 'interesses sauditas' nos Estados Unidos,
estimados por ele em 860 bilhões de dólares". "$113 Million in
Terrorismo Funds Frozen", CNN, 20 de novembro de 2002.

Em termos de investimentos em Wall Street, 860 bilhões de


dólares é "aproximadamente 6% ou 7% dos EUA".

FONTE: "Com a capitalização total do mercado excedendo 12


trilhões de dólares, a composição da Bolsa de Nova York
representa aproximadamente 82% do total de capital de mercado
dos Estados Unidos" (860 bilhões de dólares são quase 7% de 12
trilhões de dólares). Release da Bolsa de Valores de Nova York,
"NYSE to Reintroduce Composite Index", 2 de janeiro de 2003.

Citigroup, AOL Time Warner têm grandes investidores sauditas

FONTE: "O nome dele é Alwaleed bin Talal. Seu avô foi o monarca
que fundou a Arábia Saudita. Com um imenso número de ações
em companhias do Citigroup Inc., à cadeia de hotéis de luxo Four
Seasons, ele é um dos homens mais ricos do planeta.[...] No ano
passado, a revista Forbes classificou Alwaleed como o 5º. homem
mais rico do mundo, com um patrimônio líquido de
aproximadamente 18 bilhões de dólares. Sua empresa Kingdom
Holding Co. estende-se por quatro continentes. Durante anos, ele
adquiriu grandes lotes de ações de companhias como a Apple
Computer Inc., AOL Time Wamer Inc., News Corpo e a Saks Inc.,
matriz da varejista Saks Fifth Avenue". Richard Verrier, "Disney's
Animated Investor; an Ostentatious Saudi Billionaire Prince Who
Helped Bail Out the Company's Paris Resort in the Mid-'90s Is
Being Courted to Do So Again", Los Angeles Times, 26 de janeiro
de 2004.
FONTE: "A primeira grande transação da Carlyle com os sauditas
aconteceu em 1991, quando Fred Malek guiou o príncipe Al-
Waleed bin Talal, um extravagante milionário saudita de 35 anos,
até a companhia para uma negociação que iria capacitá-lo a tornar-
se o maior acionista individual do Citicorp". Craig Unger, House of
Bush, House of Saud (Scribner, 2004).

"Eu li em algum lugar que os sauditas têm um trilhão de


dólares nos nossos bancos, dinheiro deles. O que aconteceria
se um belo dia eles simplesmente decidissem sacar esse
trilhão e levá-lo embora?"

FONTE: "Outros disseram que o investimento é ainda maior,


chegando a trilhões de dólares depositados nos bancos dos
Estados Unidos - um acordo lançado no início dos anos 80 pela
administração de Reagan, ainda numa tentativa de levar os
sauditas a equilibrar o déficit do orçamento dos Estados Unidos. Os
sauditas possuem outros trilhões de dólares ou mais nas bolsas de
valores dos Estados Unidos". Robert Baer, Sleeping with the Devil
(Crown Publishers, 2003), p. 60.

Bandar é um dos mais protegidos embaixadores nos Estados


Unidos, com seis seguranças oferecidos pelo departamento de
Estado.

FONTE: "Bandar, o decano do corpo diplomático em virtude de seu


longo trabalho em Washington, é o único embaixador que possui
seu próprio grupo de segurança do departamento de Estado -
concedido a ele por causa de 'ameaças' e de seu status de
príncipe, de acordo com o porta-voz do departamento de Estado".
Robert G. Kaiser et aI., "Saudi Leader's Anger Revealed Shaky
Ties", Washington Post, 10 de fevereiro de 2002.
FONTE: "O príncipe Bandar é considerado, politicamente, o mais
astuto de todos os embaixadores que moram em Washington.
Pode ser ou não verdade - mas ele certamente é o mais protegido.
De acordo com um oficial da segurança diplomática, o príncipe
Bandar possui um grupo de seguranças que inclui seis oficiais da
DS (segurança diplomática) em tempo integral, hábeis e altamente
treinados (Os oficiais da DS são funcionários federais
encarregados da segurança de missões diplomáticas
americanas.)". Joel Mowbray, Dangerous Diplomacy: How the
State Department Threatens American Security (Regnery, 2003).

"O príncipe Bandar era tão próximo dos Bush que eles o
consideravam um membro da família. Tinham até um apelido
para ele: 'Bandar Bush'."

FONTE: "Quando o presidente [George H.W.] Bush chegou em


Riad, ele chamou Bandar de lado e o abraçou. 'Você é uma pessoa
boa', disse o presidente. Bandar diz que Bush tinha lágrimas em
seus olhos. Visitando a casa de verão de Bush em Kennebunkport,
no Maine, o embaixador saudita foi afetuosamente apelidado de
'Bandar Bush'. Bandar retornou o favor, convidando Bush para uma
caça de faisão na sua fazenda inglesa. (Desde que deixou a Casa
Branca, Bush também lucrou atuando como um maravilhoso
'abridor de portas' para o grupo Carlyle, uma companhia de
investimentos que lida com uma considerável riqueza saudita.)".
Evan Thomas et al., "The Saudi Game", Newsweek, 19 de
novembro de 2001.

FONTE: "O embaixador saudita participou do descerramento da


foto oficial do ex-presidente George H. W. Bush quando ele
retornou à Casa Branca em 1995. Ele estava entre os convidados
na festa surpresa de aniversário de 75 anos da ex-primeira-dama
Bárbara Bush em 2000, e o ex-presidente havia passado férias na
casa de Bandar em Aspen, no Colorado. Bandar tinha sido
convidado de Bush em sua fazenda, em Crawford, no Texas. No
passado ele presenteou a primeira família com um quadro de C. M.
Russell no valor de um milhão de dólares, que será guardado na
coleção nacional juntamente com outros muitos presentes de
admiradores, destinados a uma biblioteca presidencial de [George
W.] Bush". Mike Glover, "Kerry Criticizes Bush on Saudi Meeting",
Associated Press, 23 de abril de 2004.

"Duas noites após o 11 de setembro, George Bush convidou


Bandar Bush para um jantar Último e uma conversa na Casa
Branca."

FONTE: Dois dias após os ataques, o presidente pediu a Bandar


para vir até a Casa Branca. Bush o abraçou e o escoltou até a
sacada Truman. Bandar tomou uma bebida e os dois fumaram
charutos. EIsa Walsh, "The Prince", The New Yorker, 24 de março
de 2003.

O governo de Bandar proibiu os investigadores americanos de


conversar com os parentes dos quinze seqüestradores.

FONTE: "O relatório criticou severamente os oficiais sauditas pela


'falta de cooperação' antes e depois dos ataques do 11 de
setembro, mesmo quando se tornou conhecido que 15 de 19
seqüestradores eram sauditas.[...] Um alto oficial dos Estados
Unidos contou à equipe de investigação que, desde 1996, os
sauditas não cooperavam com os assuntos relacionados a Osama
bin Laden. Robert Baer, ex-oficial da ClA., disse que os sauditas
proibiram os agentes do FBI de conversar com os parentes dos 15
seqüestradores e de seguir outras pistas no reino". Frank Davis et
aI., "Bush Rejects Call to Give More 9/11 Data", Philadelphia
Inquirer, 30 de julho de 2003.
A Arábia Saudita estava relutante em congelar os bens dos
seqüestradores.

FONTE: "Riad ainda não se juntou ao esforço internacional de


bloquear contas bancárias suspeitas de ter financiado as
operações terroristas, dizem oficiais dos Estados Unidos. Mas o
governo Bush, receoso em ofender os sauditas, ainda não levantou
nenhuma reclamação pública". Elaine Sciolino et al., "U.S. Is
Reluctant to Upset Flawed, Fragile Saudi Ties", New York Times,
25 de outubro de 2001.

"Em 1997, quando George W. Bush era governador do Texas,


uma delegação de líderes talibãs do Afeganistão voou para
Houston para se reunir com executivos da Unocal e discutir a
construção de um gasoduto que atravessasse o Afeganistão."

FONTE: "Uma delegação sênior do movimento Talibã no


Afeganistão está nos Estados Unidos para discutir com uma
companhia de energia internacional que quer construir um
gasoduto de gás do Turcomenistão, passando pelo Afeganistão,
até o Paquistão. Um porta-voz da companhia Unocal disse que se
esperava que o Talibã passasse vários dias na matriz da
companhia em Sugarland, no Texas". "Taleban in Texas for Talks on
Gas Pipeline", BBC News, 4 de dezembro de 1997. (Sugarland fica
a cerca de 35 quilômetros de Houston.)

FONTE: Os ministros do Talibã e seus conselheiros hospedaram-


se em um hotel 5 estrelas e foram levados por um motorista em um
microônibus da companhia. Suas únicas solicitações foram visitar o
zoológico de Houston, o centro espacial da NASA e a Super Target,
uma loja de descontos de Omaha, para comprar meias, creme
dental, pentes e sabonete. O Talibã, que controla dois terços do
Afeganistão e ainda luta pela terceira parte, teve uma clara
compreensão de como os outros vivem. Os homens, que estão
acostumados com vida sem aquecimento, eletricidade, água
encanada, ficaram maravilhados com as casas luxuosas dos
magnatas do petróleo texano. Convidados para um jantar na
suntuosa residência de Martin Miller, vice-presidente da Unocal,
ficaram impressionados com a sua piscina, vistas da pista de golfe
e com os seis banheiros. Depois da refeição, especialmente
preparada com carne halal, arroz e Coca-Cola, os fundamentalistas
linha-dura - que proibiram mulheres de trabalhar e garotas de irem
à escola - perguntaram a Miller sobre a sua árvore de Natal.
Caroline Lees, "Oil Baron Court Taliban in Texas", The Telegraph
(Londres), 14 de dezembro de 1997.

E quem conseguiu um contrato de perfuração no Mar Cáspio


no mesmo dia em que a Unocal assinou o acordo do
gasoduto?
Uma empresa chefiada por um homem chamado Dick Cheney.
A Halliburton.

FONTE: Em 27 de outubro de 1997, tanto a Unocal quanto a


Halliburton deram informações oficiais sobre o seu trabalho de
energia no Turcomenistão. "A Halliburton Energy Services tem
prestado uma ampla gama de serviços no Turcomenistão nos
últimos cinco anos". Release de imprensa, "Halliburton Alliance
Awarded Integrated Service Contract Offshore Caspian Sea in
Turkmenistan", 27 de outubro de 1997.

http://www.halliburton.com/news/archive/1997/hesnws_102797.jsp

"ASHGABA'T, Turcomenistão, 27 de outubro de 1997 - Seis


companhias internacionais e o governo do Turcomenistão
formaram a Central Asia Gas Pipeline, Ltd. (CentGas) em
cerimônias formais de assinaturas hoje, sábado." Release de
imprensa, "Consortium Formed to Build Central Asia Gas Pipeline",
27 de outubro de 1997.

A Eron beneficiou-se do gasoduto.

FONTE: O dr. Zaher Wahab, do Afeganistão, professor nos Estados


Unidos, falando no evento do Dia Internacional dos Direitos
Humanos, "explicou que Delta, Unocal, e também companhias de
petróleo e gás russas, paquistanesas e japonesas assinaram
acordos com o governo do Turcomenistão, ao norte do Afeganistão,
que tem a quarta maior reserva de gás do mundo. Também foram
assinados contratos com os talibãs, permitindo a esses gigantes do
petróleo e do gás transportar gás e petróleo turcomeno através do
Afeganistão ao Paquistão, de onde serão levados ao mundo todo.
O consórcio de energia Eron planeja ser um dos construtores do
gasoduto". Elaine Kelly, "Northwest Groups Discuss Mghan, Iranian
and Turkish Right Violations", Relatório de Washington sobre o
Oriente Médio, 31 de março de 1997.

Kenneth Lay, da Eron, era o contribuinte número um da


campanha de Bush.

FONTE: "Lay, também amigo do ex-presidente George Bush, era o


maior contribuinte da eleição presidencial de Bush em 2000". Jerry
Seper, "Collosal Collapse: Enron Bankruptcy Scandal Carves a
Wide Swath", Washington Times, 13 de janeiro de 2002. "Embora a
Eron seja o doador número 1 de George W. Bush, o presidente
está altamente endividado com as firmas profissionais que
ajudaram e favoreceram a maior falência e dissolução na história
dos Estados Unidos". Texans for Public Justice, "Bush Is Indebted
to Enron's Professional Abettors, Too", 17 de janeiro de 2002.
http://www.tpj.org/page_view.jsp?pageid=255

"Então, em 2001, apenas cinco meses e meio antes do 11 de


setembro, a administração Bush deu as boas-vindas a um
enviado especial talibã para que percorresse o país a fim de
ajudar a melhorar a imagem do governo Talibã."

FONTE: "Segunda-feira, o enviado do Talibã pediu ao governo


Bush para supervisionar seu grupo extremista de apoio a Os ama
bin Laden e a destruição de antigas esculturas budistas de valores
inestimáveis, e levantar sanções no Meganistão que ajudem a
aliviar uma crise humanitária que está ameaçando as vidas de
milhares de pessoas. Sayed Rahmatullah Hashemi entregou ao
presidente Bush uma carta do Talibã que clama por melhores
relações e negociações entre os Estados Unidos e o Afeganistão, a
fim de resolver a disputa pelo saudita Bin Laden". Robin Wright,
"Taliban Asks US to Lift Its Economic Sanctions", Los Angeles
Times, 20 de março de 2001.

FONTE: "O fórum da prefeitura era a última reunião de Hashemi


em uma semana de visita à Califórnia, onde ele falou em várias
universidades, incluindo a USC, UCLA e UC Berkeley. Na última
quinta-feira, ele partiu para Nova York para uma outra parada em
sua visita de relações públicas antes de seguir para Washington,
onde deve entregar uma carta de seu partido para o governo de
Bush". Teresa Watanabe, "Overture by Taliban Hits Resistence",
Los Angeles Times, 16 de março de 2001.

"O Talibã dava abrigo ao homem que bombardeou o destróier


USS Cole e nossas embaixadas na África?"

FONTE: "Osama bin Laden assumiu os ataques a soldados


americanos na Somália em outubro de 1993, com 18 mortes; os
ataques às embaixadas no Quênia e Tanzânia em agosto de 1998,
com 224 mortes e aproximadamente 5 mil feridos; e estava ligado
aos ataques ao USS Cole em 12 de outubro de 2000, quando 17
tripulantes morreram e outros 14 ficaram feridos. Eles procuraram
adquirir material nuclear e químico para usar como armas
terroristas". "Britain's BiII of Particulars", New York Times, 5 de
outubro de 2001.

FONTE: "Nos últimos anos, Osama bin Laden tem sido o suspeito
terrorista mais procurado, com uma recompensa de 5 milhões de
dólares por sua cabeça pela sua alegada participação no ataque
com caminhões-bombas a duas embaixadas americanas no Leste
da África em agosto de 1998, matando mais de 200 pessoas, bem
como muitos outros ataques terroristas.[...] Mais recentemente, o
FBl nomeou Bin Laden como o principal suspeito do bombardeio
suicida ao destróier americano Cole, que foi atacado no porto
Aden, a cerca de 564 quilômetros da estrada a sudoeste daqui, em
12 de outubro, resultando na morte de 17 marinheiros". John F.
Burns, "Where Bin Laden Has Roots, His Mystiques Grows", New
York Times, 31 de dezembro de 2000.

Hamid Karzai foi conselheiro da Unocal.

FONTE: "Tranqüilo e conhecedor do mundo, Karzai foi funcionário


da companhia americana de petróleo Unocal - uma das principais
companhias de petróleo que estava no comando do lucrativo
contrato de construir um gasoduto de petróleo do Usbequistão
passando pelo Afeganistão até o porto do Paquistão - e é o filho de
um ex-porta-voz do parlamento do Afeganistão". Ilene R. Prusher,
Scott Baldauf e Edward Girardet, "Mghan Power Brokes", Christian
Science Monitor, 10 de junho de 2002.

http://www.csmonitor.com/2002/0610/p01s03e-wosc.html
FONTE: "O presidente afegão Hamid Karzai, ex-conselheiro da
Unocal, assinou um tratado com o líder paquistanês Pervez
Musharraf e o ditador turco Saparmurat Niyazov para autorizar a
construção de um gasoduto no valor de 3,2 bilhões de dólares,
passando pelo corredor Heart-Kandahar no Afeganistão". Lutz
Kleveman, "Oil and the New 'Great Game"', The Nation, 16 de
fevereiro de 2004.

FONTE: Traduzido do francês: "Ele era consultor da companhia


americana de petróleo Unocal enquanto estudava a construção de
um gasoduto no Afeganistão". Chipaux Francoise, "Hamid Karzai:,
Une Large Connaissance Du Monde Occidental", Le Monde, 6 de
dezembro de 2001.

"Bush também nomeou como nosso enviado ao Afeganistão


Zahnay Khalilzad, que também havia sido conselheiro da
Unocal."

FONTE: "Khalilzad sabe como as coisas mudam. Em meados dos


anos 90, ele defendeu o Talibã enquanto trabalhava como consultor
da Unocal, a companhia de petróleo que estava na época tentando
construir um gasoduto pelo Afeganistão. Depois tornou-se um
crítico furioso do Talibã". Amy Waldman, "Afghan Returns Home as
American Ambassador", New York Times, 19 de abril de 2004.

"O Afeganistão assinou um acordo com os países vizinhos


para construir um gasoduto através do Afeganistão para
transportar gás natural do mar Cáspio."

FONTE: "A estrutura do contrato define mecanismos legais para


iniciar o consórcio para construir e operar o tão adiado gasoduto de
3,2 bilhões de dólares, conhecido como Trans-Afghanistan
Pipeline, que carregará gás do Turcomenistão, rico em energia, até
o Paquistão. Este será um dos maiores projetos de investimentos
no Afeganistão em décadas". Baglia Bukharbayeva, "Pakistani,
Turkmen, Afghan Leaders Sigo $3.2 Billion Pipeline Deal",
Associated Press, 27 de dezembro de 2002.

Criando medo como pretexto para a guerra - uma


guerra baseada na fraude
"Em 2000, ele estava disputando a reeleição como senador
pelo Missouri com um cara que morreu um mês antes da
eleição. Os eleitores preferiram o finado."

FONTE: "Na quarta-feira, o senador John Ashcroft admitiu a derrota


em sua campanha de reeleição contra o ex-governador Mel
Carnahan, e insistiu com os companheiros republicanos que
cancelassem qualquer disputa legal". Eric Stern, "Ashcroft Rejects
Challenge to Election; Senator Says He Hopes Carnahan's Victory
Will Be 'of Comfort' to Widow", St. Louis Post-Dispatch, 9 de
novembro de 2000.

"No verão que antecedeu o 11 de setembro, Ashcroft disse a


Thomas Pickard, então diretor do FBI, que não queria mais
ouvir falar sobre ameaças terroristas."

FONTE: "Terça-feira, o ex-chefe interino do FBI, Thomas Pickard,


testemunhou que o procurador-geral John Ashcroft não queria ser
informado sobre terrorismo quando ele tentou notificá-lo durante o
verão de 2001, visto que relatórios da inteligência sobre as
ameaças de terrorismo estavam alcançando um nível histórico".
Cam Simpson, "Ashcroft Ignored Terrorism, Panel Told: Attorney
General Denies Charges, Blames Clinton", Chicago Tribune, 4 de
abril de 2004.
Veja também o filme.

"Naquele verão, o próprio FBI de Ashcroft sabia que havia


integrantes da AI-Qaeda nos Estados Unidos, e que Bin Laden
estava mandando seus agentes para escolas de aviação em
todo o país."

FONTE: "O memorando 'Phoenix', escrito por um agente do FBl no


Arizona, em julho de 2001, alertava sobre um 'número irregular de
indivíduos de interesse investigativo' tendo aulas de pilotagem. Isso
instigou o agente a coletar dados sobre escolas de pilotagem e
alunos estrangeiros, e ele discutiu a ameaça em potencial com
outros agentes de inteligência. [...] Um dos homens mencionados
no memorando foi preso no Paquistão com um facilitador sênior da
Al-Qaeda, Abu Zubayda". R. Jeffrey Smith, "A History of Missed
Connections; U.S. Analysts Warned of Potential Attacks but Lacked
Follow-Through", Washington Post, 25 de julho de 2003.

FONTE: Trecho do "Memorando de Phoenix": "O objetivo desta


comunicação é alertar o Departamento e Nova York da
possibilidade de esforços coordenados de OSAMA BIN LADEN
(UBL) de enviar estudantes aos Estados Unidos para freqüentarem
escolas de aviação civil. Phoenix tem observado um número.
irregular de indivíduos de interesse investigativo que freqüentam
escolas de aviação no estado do Arizona". Leia o memorando de
Phoenix na íntegra:

http://www.gpoac-cess.gov/serialset/creports/911.html

"É isso mesmo, a foto do cara no jornal não era a do Aaron


Stokes que eles conheciam. Na verdade, ele era o oficial Aaron
Kilner. E havia se infiltrado no grupo."
FONTE: "Aaron Kilner, 27, que se juntou às forças em junho de
1999 e tinha sido designado nos últimos 18 meses para o grupo
anti-terrorismo sob a unidade de vice-inteligência, aparentemente
morreu instantaneamente quando sua motocicleta, uma Yamaha
azul, bateu de frente com um Buick 1999, disse o policial de
Fresno". Louis Galvan, "Crash Kills Off-Duty Detective, Victim
Joined Fresno County Force in 1999", Fresno Bee, 31 de agosto de
2003.

FONTE: "Ainda não parece claro porque o xerife do município de


Fresno infiltrou o oficial no grupo de paz ali, mas Pierce disse que
as ações do departamento dele eram legais, 'Nós podemos estar
em qualquer lugar que queiramos, isso é público', disse Pierce, em
seu escritório em Fresno, durante uma entrevista por telefone",
Sam Stanton e Emily Bazar, "More Scrutiny of Peace Groups,
Public Safety Justifies Surveillance Since 9/11, Authorities Say",
Sacramento Bee, 9 de novembro de 2003.

História de Barry Reingold

FONTE: "E há Barry Reingold, de San Francisco, que foi


despertado de seu cochilo de tarde pelo interfone em 23 de
outubro. Ele foi até a rua para ver quem era. 'O FBI', foi a resposta.
Ele falou para os dois homens entrarem, mas decidiram esperar no
corredor. 'Eu estava um pouco agitado', disse Reingold. 'Quero
dizer, por que o FBl teria interesse em mim, um trabalhador
aposentado de uma companhia telefônica, de 60 anos de idade?'
Quando foi perguntado se fazia ginástica em uma certa academia,
ele entendeu o motivo da visita. Na academia ele levanta pesos - e
expõe suas visões políticas". Kris Axtman, "Political Dissent Can
Bring Federal Agents to Door", Christian Science Monitor, 8 de
janeiro de 2002. Veja também: Sam Stanton, Emily Bazar, "Security
Collides with Civil Rights. War on Terrorism Has Unforseen
Results", Modesto Bee, 28 de setembro de 2003.

Congresso não leu o Ato Patriota antes de votá-lo.

FONTE: "Mais tarde naquela manhã [de 12 de outubro], a Casa


votou 377 a 79 para aprovar o projeto. Os divergentes reclamaram
que ninguém teria tempo para ler um complexo de lei de 342
páginas que apurava quinze diferentes estatutos federais e que só
teria sido impresso horas antes". Steven Brill, After: How America
Confronted the September 12 Era (Simon & Schuster, 2003).

FONTE: "Muitos legisladores estavam indignados pelo fato de um


projeto de lei, que havia passado pelo Comitê Judiciário por
unanimidade, ter sido deixado de lado por uma legislação
negociada no último minuto por um grupo muito pequeno.
Parlamentares levantaram-se para dizer que quase ninguém tinha
lido o novo projeto e pleitearam por mais tempo e por mais
deliberação.[...] Questionado sobre as reclamações dos
parlamentares de ter de votar um projeto de lei sem tê-lo lido, o
presidente do comitê de regras, David Dreiner, republicano da
Califórnia, respondeu, 'Não é sem precedente'''. Robin Toner e Neil
A. Lewis, "House Passes Terrorism Bill Much Like Senate's, but
with 5-Year Limit", New York Times, 13 de outubro de 2001.
Veja também a cena dos congressistas Conyers e McDermott.

"Agência de Segurança de Transportes diz que está tudo bem,


que você pode levar quatro caixas de fósforos e dois isqueiros
a gás no bolso ao embarcar em um avião."
FONTE: "Coerente com as regulamentações do Departamento de
transporte para materiais cortantes, passageiros também têm
permissão para carregar não mais do que quatro caixas de fósforos
(mas não de acender fósforos em qualquer lugar) e dois isqueiros
para uso individual, se os mesmos estiverem cheios de gás líquido
(tipo BIC ou Colibri) ou líquido absorvido (tipo Zippo)". 49 CFR
1540.

http://www.tsa.gov.interweb/assetlibrary/68_FR_9920.pdf

"Por causa de cortes no orçamento, o patrulheiro Kenyon teve


de vir trabalhar em seu dia de folga para colocar a papelada
em dia."

FONTE: "Cortes no orçamento que dispensaram temporariamente


129 oficiais de polícia do estado de Oregon no início deste ano
deixaram apenas um único oficial para cobrir o território de 2.250
quilômetros quadrados e 160 quilômetros das estradas estaduais
ao redor desta cidade, na região costeira de Oregon". "Layoffs
Leave Oregon Trooper AIone in Big Coastal Territory", Seattle
Times, 6 de outubro de 2003.

"No dia 19 de março de 2003, George W. Bush e as Forças


Armadas dos Estados Unidos invadiram a nação soberana do
Iraque uma nação que jamais havia atacado os Estados
Unidos. Uma nação que jamais havia ameaçado atacar os
Estados Unidos. Uma nação que jamais havia assassinado um
único cidadão norte-americano."

FONTE: "O Iraque nunca ameaçou ou esteve envolvido em


nenhum ataque contra o território dos Estados Unidos, e a CIA não
anunciou nenhum ataque patrocinado pelo Iraque contra os
interesses americanos desde 1991". Stephen Zunes, "An
Annotated Overview of the Foreign Policy Segments of President
George W. Bush", Foreign Policy in Focus, 29 de janeiro de 2003.
Trechos do Discurso ao Estado da União do presidente George W.
Bush, Foreign Policy in Focus, 29 de janeiro de 2003.
FONTE: "O Iraque nunca ameaçou a segurança dos Estados
Unidos. Oficiais de Bush cinicamente atacaram um país corrupto
porque sabiam que era mais fácil do que encontrar o verdadeiro
vilão de 11 de setembro, que não tinha país. E agora estão presos
no próprio blefe". Maureen Dowd, "We're Not Happy Campers",
New York Times, 11 de setembro de 2003.

FONTE: "O Iraque nunca ameaçou os Estados Unidos, sem falar


na Austrália. A consideração básica era e permanece sendo a
percepção da vasta estratégia americana de interesse no Oriente
Médio". Richard Woolcott, "Threadbare Basis to the Homespun
Yarn That Led Us into Iraq", Sydney Morning Herald, 26 de
novembro de 2003. (Woolcott era secretário do departamento de
Comércio e Relações Exteriores da Austrália durante a primeira
Guerra do Golfo.)
FONTE: Para uma definição de assassinatos de civis (o oposto de
combatentes), veja o Artigo 3 da Convenção de Genebra. ("Para
pessoas que não façam parte ativa nas hostilidades, os seguintes
atos são e deverão ser mantidos proibidos a qualquer momento [a]
Violência à vida e à pessoa, em assassinatos de qualquer tipo.")

A Coalizão da Boa Vontade incluiu Palau, Costa Rica, Islândia,


Romênia, Países Baixos e Afeganistão.

Lista da Casa Branca dos membros da Coalizão, 20 de março de


2003:

http://www.whitehouse.gov/news/releases/2003/03/print/20030320-
11.html

Marrocos, de acordo com um relatório, ofereceu enviar 2 mil


macacos para ajudar a detonar minas terrestres.
FONTE: "O governo de Bush voltou-se até para o reino dos
animais para ajudar na guerra. Primeiro vieram os golfinhos,
aqueles mamíferos muito inteligentes, recrutados para ajudar a
limpar as minas no porto iraquiano de Umm Qasr. Então aparece
Marrocos, oferecendo 2 mil macacos para ajudar a detonar minas".
AI Kamen, "They Got the 'Slov' Part Right''', Washington Post, 28
de março de 2003.

"O governo não permitia a filmagem dos caixões sendo


embarcados de volta para casa”.

FONTE: "Nos 13 últimos anos, o Pentágono proibiu repórteres de


testemunhar o transporte de soldados em caixões cobertos com a
bandeira para a Base da Força Aérea de Dover em Dalaware".
Amanda Ripley, "An Image of Grief Returns", Time, 3 de maio de
2004.
"No fim de janeiro de 2004, a taxa de desemprego chegava a
17%."

Fonte: Cidade de Flint, janeiro de 2004, taxa de Desemprego, 17%.


Escritório de informações sobre o mercado de trabalho, governo do
estado de Michigan.

http://www.michilmi.org/LMI/lmadata/laus/laus-docs/049If04.html

Bush "propôs cortar o soldo dos combatentes em 33% e a


assistência às suas famílias em 60%."

FONTE: O governo Bush anunciou que irá reduzir "modestos"


aumentos de benefícios às tropas. O Army Times informou: "a
administração anunciou que em 111 de outubro quer reduzir os
recentes modestos aumentos no adicional mensal de perigo-
iminente 225 para 150 dólares (corte de 33%) e o auxílio à
separação de famílias de 250 para 100 dólares (corte de 60%) para
tropas em zona de combate".

http://www.armytimes.com/story.php?f=I-292259-1989240.php

FONTE: "Graças a uma lei aprovada este ano, tropas no Iraque,


Afeganistão e outras áreas de risco agora recebem 225 dólares por
mês como pagamento complementar. Isso representa um aumento
de 75 dólares no montante anterior para pagamentos de combates.
De acordo com a mesma lei, soldados que tenham sido forçado a
deixar esposas e filhos recebem 250 dólares por mês extras para
ajudar nos cuidados da criança e outros gastos adicionais
causados por tarefas no exterior. Isto é um aumento de 150 dólares
em relação ao suplemento anterior.[...] Em seu pedido de
orçamento de 2004, o Pentágono pediu ao Congresso para voltar
tanto o pagamento de combate quanto o de separação para os
níveis anteriores". "Our Opinions: Proposal to Reduce Pay No Way
to Salute Military", Atlanta Journal-Constitution, 15 de agosto de
2003.

"Rejeitou um aumento de 1,3 bilhão de dólares em benefícios


para veteranos, bem como 1,3 bilhão de dólares em
assistência médica, fechando sete de seus hospitais. Tentou
dobrar o preço dos remédios receitados a veteranos e rejeitou
a concessão de benefícios plenos para os reservistas em
tempo parcial."

FONTE: "Em 12 de novembro, o Office of Management & Budget


[Escritório de gerenciamento e orçamento] se opôs à devolução de
1,3 bilhão dos fundos para os hospitais de veteranos que o Rouse
Appropriations Commitee [Comitê da Câmara de Apropriações]
tinha cortado. 'É como se eles nem estivessem sabendo [que]
existe uma guerra ao terror à caminho', diz Steve Thomas, porta-
voz da Legião Americana e veterano da marinha". Stan Crock em
Washington, com William C. Symonds em Boston, "Will the Troops
Salute Bush in '04?", Business Week, 8 de dezembro de 2003.

FONTE: "A Casa Branca expressou sua forte oposição aos


esforços do Senado para expandir os benefícios de saúde militares
para reservistas e membros da Guarda Nacional, e de aumentar a
verba com planos de saúde para 'veteranos' em 1,3 bilhão".
Jonathan Weisman, "Bush Aides Threaten Veto of Iraqi Aid
Mesure", Washington Post, 22 de outubro de 2003.

FONTE: No início de 2003, o governo Bush anunciou que iria


fechar "sete dos 163 hospitais para veteranos a fim de 'reestruturar'
o departamento de assuntos de veteranos". Suzzane Gamboa, "VA
Proposes Overhaul, 13 Facilities Would Close or See Major
Changes", Associated Press, 4 de agosto de 2003.

FONTE: Em 2003, o governo Bush propôs um aumento nos custos


de prescrições médicas para veteranos, uma proposta que iria
dobrar o custo com prescrições. "O plano de Bush incluiria uma
nova taxa de inscrição no valor de 250 dólares e um aumento no
co-pagamento de 7 para 15 dólares para veteranos que recebem
mais de 24 mil dólares." A Câmara retificou a proposta para rejeitar
o aumento das taxas do governo Bush e recuperar o custo de 264
milhões de dólares, reduzindo fundos administrativos dos
veteranos. "Panel Rejects Extra Funds for AmeriCorps", Washinton
Post, 22 de julho de 2003.

FONTE: "O governo Bush é completamente contra em oferecer à


Guarda e à Reserva acesso ao sistema de saúde do Pentágono".
Opinião, Daily News Leader (Staunton, Virgínia), 5 de outubro de
2003.
FONTE: "O senador americano Lindsey Grahamn (Republicano,
Carolina do Sul), ajudou a levar o projeto de lei para o Senado a
fim de melhorar os benefícios de saúde dos membros da Guarda e
da Reserva. Este projeto tinha o total apoio bipartidário desde que
foi introduzido em maio. Na semana passada, o plano de saúde de
Graham seguiu como um anexo a uma emenda para um projeto de
lei de apropriações suplementares no valor de 87 bilhões de
dólares que Bush estava buscando para pagar as operações em
andamento no Iraque e no Afeganistão. A Câmara deveria aprovar
a emenda na próxima semana. Estranhamente, o governo de Bush
se opôs ao novo benefício aos membros da Guarda e da Reserva,
argumentando que seria muito caro". Equipe, "Helping Our Guard
and Reserve", Greenville News, 16 de outubro de 2003.

Aproximadamente 5 mil feridos na [...] guerra.

FONTE: "Há um ano, por esta época, mais de 160 soldados


americanos foram mortos no Iraque. Esse total aumentou para
mais de 800, e na semana passado o Pentágono informou que o
número de feridos em combate está se aproximando de 4.700."
Pete Yost, "Bush Hails D.S. War Dead and Veterans", Associated
Press, 1o. de junho de 2004.

"Dos 535 membros do Congresso, só um tem um filho lutando


no Iraque."

FONTE: "Apenas quatro dos 535 membros do Congresso têm


filhos no exército; somente um, o senador Tim Johnson
(Democrata, Dakota do Sul), tem um filho que lutou no Iraque".
Kevin Horrigan, "Hired Guns", St. Louis Post-Dispatch, 11 de maio
de 2003.
PARTE III
A opinião do público sobre Fahrenheit 11 de
setembro
DE: Susan
ENVIADO EM: Quarta-feira, 7 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: OBRIGADA

6:36am

Prezado Sr. Moore,


Como mãe solteira de três garotos adolescentes (13, 17, 19) sou
grata ao senhor do fundo do coração. Sentei-me no cinema, com
os meus dois mais velhos, totalmente preparada para receber a
mesma velha retórica sobre os males da administração Bush.
Em vez disso, recebi grandes ensinamentos e, como resultado,
chorei.
Chorei pelos homens e mulheres que morreram sem necessidade
nessa guerra ilegal. Chorei pelo meu próprio filho de 17 anos que
decidiu alistar-se na Marinha. Chorei pelo nosso país e por aqueles
que vivem na pobreza, e aparentemente sem nenhuma esperança.
E, então, tive uma inspiração.
Tomei a decisão de participar das atividades da igreja - um lugar
pequeno numa região realmente pobre da cidade... um lugar que
alcança os de renda baixa, os bairros de pessoas sem acesso à
educação e oferece esperança.
Acho que é isso que é ser norte-americano - buscar os aflitos do
mundo, oferecendo ajuda.
Portanto, novamente, obrigada... meus filhos são gratos ao senhor.
Susan
Rochester, Nova York
DE: Jennifer Layton
ENVIADO EM: Sábado, 24 de julho de 2004 4:29pm
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Estou inscrita!

Oi, senhor Moore. Mudei-me recentemente para uma casa nova e


meu título eleitoral novo chegou há umas duas semanas. Quando
recebi meu último título de eleitor, só o assinei e coloquei dentro da
bolsa, sem pensar muito nele até a hora de mostrá-lo no dia da
eleição. Mas quando recebi este novo, não sei descrever
exatamente o que senti. Havia visto o seu filme. Mesmo antes
disso, já estava zangada com o fato de George W. Bush ter
roubado na eleição anterior e estava preocupada com o que ele
poderia aprontar nesta próxima. Mas tenho um título de eleitor. E
meu lugar de votação é a escola primária do outro lado da rua. Meu
título de eleitor novo, embora possa parecer melodramático, traz
esperança e um pouquinho de poder.
No dia da eleição, mesmo se tiver um metro e meio de neve do
lado de fora, mesmo se eu estiver com as duas pernas quebradas
e se o Alerta contra o Terror estiver no nível de Pânico Rosa - vou
me arrastar de bunda até o outro lado da rua, até a escola com
meu título de eleitor novo e votarei.
Obrigada por me ajudar a perceber a importância do título de
eleitor. Vejo o senhor nas eleições.

Jennifer Layton

DE: Adam Shoup


ENVIADO EM: Quinta-feira, 29 dê julho de 2004 11:24am
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Obrigado...por me transformar num eleitor!

Senhor Moore,
Sei que o senhor é um homem ocupado, mas queria agradecer
pessoalmente por me tornar alguém mais consciente do que se
passa no governo. Tenho que votar, para fazer valer a minha
opinião. Graças ao seu filme Fahrenheit 11 de setembro estarei na
cabine na eleição deste ano.
Obrigado,

Adam Shoup

DE: Diamond, Elizabeth A.


ENVIADO EM: Quinta-feira," 1º. de julho de 2004, 4:09pm
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Obrigada

Muito obrigada pelo filme. Eu já me cadastrei para votar, tenho 27


anos e é o primeiro ano que votarei... Eu sei... eu sei!!! Já vi o que
realmente acontece se você não acreditar na força do seu voto.
Tenho insistido com meus colegas de trabalho não só para ver
Fahrenheit 11 de setembro, mas também para votar. Meu primo
estava no USS Abraham Lincoln, quando Bush esteve lá. Fiquei
triste em ver o cartaz "Missão cumprida" lá. Especialmente quando
aqueles homens e mulheres deveriam ter voltado para casa muitos
meses antes daquilo. Desde então, meu primo foi enviado
novamente. Só queria usar esta oportunidade para agradecer-lhe
por tornar as pessoas mais conscientes. Se alguma vez aparecer
por aqui perto de Connecticut, por favor, avise-nos. Meu marido e
eu gostaríamos muito de encontrá-lo. O senhor realmente fez com
que ele refletisse a respeito de Bush. Ele queria votar nele, mas eu
não deixaria, porque assim ele anularia meu voto - essa é a batalha
da hora aqui em nossa casa.
Obrigada novamente,
Liz Diamond
DE: Damian Geiss
ENVIADO EM: Segunda-feira, 05 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: O primeiro voto da minha vida :)

6:06pm

Oi, senhor Moore


Tenho certeza de que este e-mail estará perdido entre milhares de
outros, mas tenho que lhe dizer obrigado - pelo menos para que eu
saiba que tentei lhe dizer obrigado, senhor Moore.
Tenho 42 anos, sou empregado federal e ex-militar e nunca votei
em toda a vida. Entretanto, sua coragem em praticar a liberdade de
expressão e de demonstrar uma razão crítica verdadeira, fez-me
inscrever para votar pela primeira vez na minha vida.
Obrigado, e espero que possamos nos encontrar um dia, trocar um
aperto de mãos e que eu possa pagar uma xícara de café para o
senhor. Mal posso esperar por novembro!
Paz e boa vontade ao senhor. Seu Amigo dentre as Massas,
Damian Geiss

DE: Janell M. Schüller


ENVIADO EM: Quinta-feira, 12 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Obrigada pela sua coragem
1:37am

Senhor Moore,
Sei que está abarrotado de e-mails e que provavelmente nem verá
este, mas me sinto impelida a escrever do mesmo jeito.
Acabei de ver Fahrenheit 11 de setembro hoje à noite com meu
marido e devo dizer que ainda estou entorpecida. Eu me senti tão
ingênua... como se estivesse vivendo dentro de uma bolha! Graças
a Deus que meu marido me arrastou para o cinema!
Sou mãe em período integral de dois garotos pequenos, um de
quatro anos e o outro de onze meses. Somos uma família típica de
classe média que mora num subúrbio de Seattle.
Eu me envergonho de dizer que votei em George Bush. Não tenho
muita certeza do motivo, mas agora que reflito sobre isso, foi o que
aconteceu. Não vou repetir o erro. Meu marido lê notícias em sites
alternativos e me informa o que acontece de verdade nos Estados
Unidos e como o governo e a mídia enganaram o povo americano;
no entanto, mesmo assim, eu mantive meus olhos ofuscados.
Desde o 11 de setembro, eu me arrependo de ter votado em
G.W.B., não concordo com a guerra do Iraque e a confusão em que
Bush nos meteu. Apóio os soldados e quero que eles voltem para
casa a salvo, mas a guerra não atingiu a MINHA família de
verdade. Não perdi ninguém da família ou nenhum amigo na guerra
ou nos acontecimentos de 11 de setembro. Portanto, tenho levado
a vida como sempre. Vejo o noticiário e leio os jornais e lamento
por aqueles que sofreram a perda, mas mesmo assim, não
conseguia me relacionar.
Seu documentário trouxe tudo direto e me atingiu bem no
estômago. Foram os 8,50 dólares MAIS BEM gastos da minha
vida. Chorei tanto e ainda não consigo tirá-lo da cabeça. Quando vi
aquele menininho iraquiano deitado na maca, pensei no meu filho.
Acho que jamais esquecerei aquela imagem.
Seu filme despertou algo em mim. Fez-me desejar desafiar os
líderes de nosso país, levantar-me e ser útil. O senhor abriu-me os
olhos e é por isso que quero agradecer. Não quero que meus filhos
cresçam num mundo de corrupção e mentiras. Tenho que tentar
fazer valer a minha opinião para o bem do futuro deles. Vou
participar mais das coisas, encorajar as pessoas a votar e a
desempenhar um papel mais ativo na mudança deste país para
melhor. Há mais de nós, pequeninos, e, se nos agruparmos, isso
tem que valer alguma coisa. Incentivei meus pais, que apóiam
Bush, a ver o seu filme. Eles PRECISAM ver o filme. Acho que eles
vão se sentir de uma maneira diferente depois disso. É preciso ter
esperança!
Portanto, senhor Moore, obrigado pela sua coragem e por ser tão
direto. Acredito mesmo que o seu filme teve um grande impacto em
muitos norte-americanos. Eu sei que não mais oferecerei a outra
face e não me calarei mais. Você é um herói para mim!
Sinceramente,
Janell Schüller Auburn, Washington

DE: Dave
ENVIADO EM: Sexta-feira, 2 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Bárbaro
11 :40am

Vi seu filme ontem. Uau, fiquei completamente fascinado. Votei em


Bush em 2000 e, cara, eu estava errado. Nunca mais!!! Obrigado
por fazer esse filme fantástico...
Dave Kidd

DE: Faye Walker


ENVIADO EM: Quarta-feira, 7 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmooore.com
ASSUNTO: Votarei pela primeira vez!
1:23am

Sou uma afro-americana de 37 anos e nunca havia votado em


nenhuma eleição durante toda a vida. Seu filme me incentivou a
me inscrever para votar. (Não sei bem como proceder, mas tenho
certeza de que vou descobrir!)
Obrigada pelos seus filmes. Sou fã de seu trabalho desde Roger e
eu. Fahrenheit 11 de setembro é uma composição excelente de
fatos e eu o aplaudo pelo presente ao povo norte-americano.
Concordo que os "liberais falharam conosco, trabalhadores deste
país". Só posso rezar para que o democrata que substitua Bush
trabalhe melhor para os Estados Unidos do que os democratas têm
trabalhado no Congresso e no Senado. De qualquer modo, Bush e
seu bando são persona non grata.
Seria interessante se Lila Lipscomb e outros familiares de militares
entrassem com uma ação por morte injustificada contra Bush e
administração em nome dos soldados que deram suas vidas no
Iraque para que Bush e seu "bando" lucrassem.
Tenho certeza de que o senhor tem consciência de que seria uma
ótima idéia lançar Fahrenheit 11 de setembro em DVD no próximo
outubro para assegurar seu efeito nas próximas eleições.
Por favor, continue com o seu bom trabalho! A sua voz é
necessária na sociedade norte-americana.
Faye (que em breve vai tirar seu título de eleitor)
Chicago, Illinois

DE: Matthew Heffelfinger


ENVIADO EM: Sábado, 26 de junho de 2004
Para: mike@michaelmoore.com
Assunto: Lançamento em Las Vegas
11 :09am

Que noite em Vegas!


Lugares em pé somente, cinemas lotados, filas tão compridas que
parecia o lançamento de Guerra nas estrelas, em 1977. Mas
espere aí, tem mais: pessoal da televisão local, muitas palmas,
aplausos em pé e, depois que o filme terminou, as pessoas
pedindo a outras para se cadastrarem para votar. Que filme
poderoso, quando as pessoas realmente se sentem tão movidas a
votar na hora.
Heff de Las Vegas, Nevada

DE: Terry Endres


ENVIADO EM: Terça-feira, 6 de julho, 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: nenhum
7:39pm

Senhor Moore,
Meu nome é Terry Endres e sou de Seattle, Washington. Tenho 29
anos e nunca votei na minha vida. Sou ex-militar e sempre honrei
meu país. Depois de assistir a seu filme, não só votarei em alguém
ou em qualquer coisa que seja contra Bush, como também quero
mais respostas para um monte de coisas sobre as quais tenho
dúvidas. Obrigado por abrir meus olhos para o que fui ensinado a
ignorar pelas mesmas pessoas que criam os problemas. Acho que
o mundo precisa saber o que está acontecendo com as vidas e
trabalhos dos nossos funcionários do governo que foram
"ELEITOS". Isso me embrulha o estômago. Por favor me avise se
tiver algo em que eu possa ajudar.
Terry Endres

DE: Cassandra Smith


ENVIADO EM: Quinta-feira, 1° de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Acabei de ver seu filme
11:28am

Oi, Mike,
Acabei de ver seu filme ontem e gostaria de agradecer a você
pessoalmente. Eu ri, chorei e fiquei muito zangada. A coisa mais
importante: levei meus dois filhos, de 20 e 18 anos, para ver o filme
e agora há mais dois eleitores cadastrados neste país.

Eu só queria que soubesse que o que você vem fazendo é muito


importante e que sua opinião vale a pena neste canto do universo.
Continue com a sua batalha!
Cassandra Smirh

DE: Kimberley Green


ENVIADO EM: Sábado, 26 de junho de 2004
PARA: mike@michaelmooore.com
ASSUNTO: Eu vi a luz! (no Texas)
10:34am

Prezado senhor Moore,


Tenho que admitir que sou republicana, votei em Bush para
governador do Texas, trabalhei na campanha presidencial dele em
2000 e sou voluntária registrada para a sua campanha de
reeleição. Ouvi suas observações no Oscar e pensei: "Nunca vou
ver nenhum de seus filmes! Que canastrão!". Bem, não sou tão
obtusa que não possa admitir que estava errada. Recentemente fui
exposta a várias histórias sobre Bush, sua família, amigos e
ligações obscuras nos últimos dois meses (muitos fatos que foram
abordados no seu filme) e comecei a me questionar sobre o que
seria realmente a verdade. Minha opinião começou a mudar
vagarosamente, mas depois de ver seu filme às 11:30 da manhã,
no dia do lançamento em Frisco, Texas, sou oficialmente uma
mulher transformada. Sinto como se todas as peças tivessem se
agrupado e a lâmpada tivesse sido acesa! O senhor arrumou as
peças que faltavam para mim. Caminhei para fora do cinema
zangada por ter sido tão cega por tanto tempo e por ter de fato
ajudado Bush a chegar onde ele está hoje! Estarei trabalhando
numa campanha este ano...para TIRAR Bush do governo. Já
comecei a telefonar para as pessoas, a enviar mensagens etc.,
tentando fazer as pessoas assistirem a seu filme e abrirem os
olhos também.
Obrigada por se dar ao trabalho... e pelo risco em colocar a
verdade lá para que o povo visse. Espero que muito mais pessoas
se sintam do mesmo modo que eu me sinto agora.
Continue com o seu bom trabalho!
Kim
Plano, Texas

DE: Robyn Larsen


ENVIADO EM: Quinta-feira, 22 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Tiro o meu chapéu para você
3:18pm

Caro Michael,
Antes de começar, quero dizer que sei como você deve estar
atolado com os compromissos gerados pelo Fahrenheit 11 de
setembro e não preciso, nem aguardo uma resposta. Eu
simplesmente queria aproveitar o momento para agradecer e
oferecer uma palavra de incentivo para seus projetos futuros.
Sou do tipo de pessoa que é responsável por falar muito e não
fazer nada em relação à política. Aprecio uma discussão política
saudável e apaixonada com os amigos e considero essencial ler
notícias de fontes variadas além da mídia de massa da imprensa
principal, para ficar mais bem-informada e menos alienada.
Entretanto, sou culpada por votar esporadicamente no passado e,
depois de ver seu último filme, duvido que venha a negligenciar
meu dever cívico de votar novamente. Agora aguardo com
ansiedade a oportunidade de votar em novembro.
Depois de ver o filme pela primeira vez (acabei de revê-lo), meus
amigos e eu fomos a um bar local para conversar sobre ele. E
ficamos lá, conversando durante horas. O filme gerou uma
quantidade imensa de discussão EM TODA A PARTE e todos
concordamos naquela noite. que o objetivo mais poderoso que o
filme poderia produzir era a discussão generalizada pelo país.
Precisávamos desesperadamente questionar a guerra no Iraque,
bem como a versão pasteurizada das informações com que somos
bombardeados no noticiário do horário nobre. Precisamos de você,
Michael, porque você ajuda a equilibrar a natureza extrovertida do
político de extrema-direita. Você expôs opiniões que também
formei, por conta própria, e, ao fazê-lo, me sinto mais
representada, livre neste país.
Obrigada por ter tomado os passos dolorosos de checar as
informações várias vezes. Obrigada por mostrar o custo real da
guerra: em termos de sangue, membros perdidos e Iares perdidos.
Obrigada por nos forçar a olhar nos olhos as mães chorosas do
Iraque.
Obrigada por trazer à tona o assunto do engodo da eleição de 2000
de novo - talvez assim jamais vamos esquecer.
Acima de tudo, obrigada por fazer perguntas e realmente escutar
as respostas que ouve. Ao escutar alguém como Lila Lipscomb
você descreveu onde está o seu coração - com o povo, para o
povo.
Estou ansiosa para saber qual será seu próximo projeto,
Sinceramente,
Robyn Larsen

DE: Eric Sparks


ENVIADO EM: Quarta-feira, 28 de julho de 2004
PARA: mile@michaelmoore.com
ASSUNTO: Nunca votei até agora!
5 :04pm
Michael Moore,
Sou branco, tenho 26 anos e nunca votei numa eleição presidencial
antes. Você incentivou mais uma pessoa a dar esse passo e votar.
Não me importo quanto vai custar. Vou direto para a cabine e
votarei contra Bush. Gostaria de agradecer por tudo que você fez -
você é um rebelde de verdade.
Eric Sparks

DE: Tom Williamson


ENVIADO EM : Sexta-feira, 2 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Pelo menos um você convenceu
1O:27am

Oi,
Vi Fahrenheit 11 de setembro ontem à noite.
Obrigado.
Hoje, eu me cadastrei para votar.
Tom Williamson

DE: Kirk Riutta


ENVIADO EM: Sábado, 26 de junho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Fahrenheit no centrão do país
11:34am

Como moro em Indiana, tenho que confessar que fiquei um pouco


ansioso em saber que tipo de público seria levado para ver
Fahrenheit 11 de setembro. Quando cheguei ao Kerasotes
Showplace 16 no na região sul de Indianápolis, fiquei boquiaberto
ao descobrir que os ingressos estavam esgotados e que não havia
lugares nem na próxima sessão, nem na outra. De onde vinham
aquelas pessoas que encaravam as filas enormes? No começo, o
público estava bem discreto, mas depois de algumas vaias e
aplausos espontâneos, foram duas horas ininterruptas de aplausos,
vaias, bater de palmas e, no fim, muitas pessoas gritaram "VOTE!".
Honestamente, se o filme pode esgotar os ingressos aqui no centro
conservador dos Estados Unidos, talvez haja mesmo esperança
para o dia da eleição. A coisa mais estranha sobre o filme é que me
fez sentir, pela primeira vez na vida, algum senso de solidariedade
patriótica pelos meus companheiros Hoosiers [naturais do estado
de Indiana]. Espero que todas as pessoas, de todos os lugares, de
quaisquer convicções políticas venham ver o filme, pensem e
discutam o direcionamento do nosso país.
Kirk Riutta
Shelbyville, Indiana

DE: Colleen Russell


ENVIADO EM: Terça-feira, 29 de junho de 2004 7:45pm
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Reação perturbadora a Fahrenheit 11 de setembro

Sou republicana e venho de um longo histórico de família de


republicanos convictos. Vi seu filme hoje, sozinha, e chorei o tempo
todo. Nunca me emocionei com nenhum filme antes e, como norte-
americana, fiquei envergonhada de saber tão pouco a respeito de
quem está no poder em nosso país. Gostaria de participar de sua
equipe para desmascarar a verdade sobre nossa nação. Sou
enfermeira qualificada, mas gostaria de ter experiência em
filmagens. Obrigada por ter tido peito e educação em fazer valer a
sua opinião. Agora, tenho medo de morar neste país e gostaria de
poder me mudar para o Canadá.
Colleen Russell

DE: Lois
ENVIADO EM: Terça-feira, 27 de julho de 2004 9:37pm
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: O filme - a resposta de uma republicana de 84 anos de
idade

Olá,
Levei uma republicana de 84 anos de idade para ver o filme. Ela já
estava inclinada a não votar em Bush - ela odeia o
fundamentalismo dele, entre outras coisas. Ela AMOU seu filme e
agora planeja convencer outros a vê-lo...
PARABÉNS!

Lois

DE: Lourdes Luis


ENVIADO EM: Sexta-feira, 2 de julho de 2004 9:23pm
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Eleitora pela primeira vez

Oi, Mike
Só queria lhe dizer que vi você em Charlie Rose a noite passada e
o ouvi mencionar que espera que Fahrenheit 11 de setembro faça
pessoas que não votam a se cadastrarem para votar. Bem, sou
uma dessas pessoas que não votam, mas tenho pensado em votar
este ano porque não conseguiria mais suportar aquele palhaço.
Nunca fui uma pessoa politizada, mas depois de ver o que ele fez e
está tentando fazer com este país, e depois de ver Fahrenheit 11
de setembro, votarei pela primeira vez! Desta vez é pessoal! Sinto
que meu voto será importante e espero que faça diferença.
Obrigada pelos documentários maravilhosos!
Lourdes
Miami, Flórida
DE: Thomas O'Keefe
ENVIADO EM: Domingo, 11 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Obrigado

1: 18am

Mike,

Acabei de ter a oportunidade de ver seu filme hoje à noite. Nem


sempre concordo com todas as suas interpretações, mas que
documentário mais poderoso. Eu sinceramente aprecio o fato de
você ter colocado uma face humana nos acontecimentos que
transpiraram nos últimos anos passados.
Obrigado pela dedicação àqueles que perderam a vida; isso foi de
suma importância para mim. Eu perdi um amigo no 11 de
setembro, ele trabalhava num dos andares superiores do World
Trade Center...
Tudo de bom,
Tom
Seattle, Washington

DE: John Carr


ENVIADO EM: Domingo, 4 de julho de 2004 1:48pm
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Meu esforço para conseguir ingressos para Fahrenheit
11 de setembro para todos os interessados

Esta é minha pequena contribuição para espalhar a mensagem.


Enviei para todos meus conhecidos, fique à vontade para repassar:
Olá, amigos, família, amigos e família de amigos e família.
Desculpe enviar este e-mail tão grande; entretanto, é uma questão
importante e espero espalhar este recado o máximo que puder.
Há duas noites, minha mulher e eu vimos o novo filme de Michael
Moore, Fahrenheit 11 de setembro. Vou poupar ficar batendo na
mesma tecla - já que tudo está amplamente disponível em toda a
parte -, mas vou dizer que ele levantou algumas questões muito
relevantes sobre nosso processo político e para onde este país
caminha.
E acredito que fazer as pessoas se engajarem E DISCUTIREM os
assuntos que abordam nossa economia, a guerra do Iraque, o
terroismo e a mídia é essencial para o funcionamento da nossa
democracia.
Também acredito que, independente do que você pensa a respeito
do presente governo e/ou de Michael Moore, Fahrenheit 11 de
setembro é um bom começo para este tipo de discussão.
Para tanto, estou fazendo o seguinte pedido e a seguinte oferta:
1. Gostaria de pedir que cada pessoa que recebesse este e-mail
fosse ver Fahrenheit 11 de setembro nos cinemas e repassasse
este e-mail para pelo menos dez pessoas que conheça,
independente de suas opiniões políticas.
2. SEPAREI 200 DÓLARES DO MEU PRÓPRIO BOLSO A FIM DE
COMPRAR INGRESSOS PARA FAHRENHElT 11 DE SETEMBRO
PARA QUALQUER DESTINATÁRIO DESTE E-MAIL que não tenha
dinheiro para comprar seu próprio ingresso ou que de outro modo
não despenderia dinheiro para assisti-lo. Como estudante
universitário que ganha um pouco mais do que o piso de assistente
de ensino e que está sem trabalho neste verão, não disponho de
muito dinheiro. Dito isto, acho que é importante que eu invista
dinheiro onde acho relevante tentar iniciar uma discussão. POR
FAVOR ENVIE ESTE E-MAIL para qualquer pessoa que você acha
que possa se interessar por um ingresso.
Em troca do ingresso de Fahrenheit 11 de setembro, a única coisa
que peço é que me envie um breve e-mail depois de assistir ao
filme, dizendo o que achou e se discutiu sobre ele com alguém ou
com quem discutirá a respeito. (Vocês podem omitir os nomes das
pessoas devido ao direito de privacidade. Algo como "meu vizinho
Jim" é suficiente.)
Comprarei ingressos através do Fandango para qualquer pessoa
que pedir, até que os 200 dólares separados para isso acabem. É
só enviar um e-mail com o cinema e horário da sessão que
pretende ver Fahrenheit 11 de setembro.
Se você já viu o filme e concorda comigo que é um bom início para
discussões, só posso incentivar você a fazer a mesma coisa que
estou fazendo. Ofereça levar um amigo ou conhecido para ver o
filme e discuta-o em seguida. Espero ter muitos pedidos, que eu
gaste essa pequena quantia rapidamente e que outros prossigam
com a jornada de onde eu parei.
A democracia não faz sentido a menos que estejamos todos
preparados para seguir os seguintes três passos: (1) discutir os
assuntos entre si, (2) cadastrar-se para votar e (3) votar.
Obrigado pelo tempo despendido para ler a mensagem.
John Newman Carr
Seattle, Washington

DE: Andrew J. Marsico


ENVIADO EM: Sexta-feira, 2 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Pahrenheit 11 de setembro

9:20am

Michael,
Só queria lhe agradecer pela obra-prima que você criou. Eu e meu
primo acabamos de ver o filme. Moramos na cidade de Nova York e
enquanto esperávamos o filme começar, parecia que estávamos
numa reunião de família. Todos conversavam uns com os outros e
se divertiam, quase pressentindo que talvez o fim deste pesadelo
de quatro anos estivesse próximo. Sabia que ele conseguiria este
tipo de reação em Nova York. Espero que o mesmo aconteça em
outras partes do país que são conservadoras.
Perdi muitos amigos e colegas de trabalho no 11 de setembro, e os
meses após aquele dia horroroso foram surreais na cidade. Foi o
"dia da desonra" de nossa geração.
No filme, na parte em que você mostra as cenas das pessoas em
Nova York no 11 de setembro, e também a tela em branco com o
áudio, fiquei arrepiado e chorei. Era possível ouvir um alfinete
caindo no chão dentro do cinema. Acho que todos no cinema
choravam. Foi muito tocante. Como nova-iorquinos perdemos parte
de nossas almas aquele dia e ainda não nos recuperamos. Aquelas
torres e muitas pessoas dentro delas faziam parte de minha vida e
agora elas se foram.
Obrigado pelo que você fez. Você é um herói de verdade. Este é
verdadeiramente um Governo Mau de malfeitores!
Mike, estou muito preocupado com o que acontece neste país.
Como pode ser possível que esta corrida presidencial ainda possa
estar assim tão apertada? Há muitos idiotas nesse país que são
preguiçosos demais para ler e se informar sobre o que acontece
com o governo e com o mundo, porque isto pode interferir com o
The Bachelor, o Survivor (os quais admito assistir) e o American
Idol. Quando querem se atualizar, ligam a FOX News enquanto
agitam as bandeiras na frente dos aparelhos de televisão e se
animam com Hannity e Colmes (Al Franken é histérico), Bill O'Reilly
e ouvem Rush Limbaugh no rádio.
Desculpe por me estender tanto, sei que você recebe milhões de e-
mails e cartas todos os dias, mas só queria lhe agradecer por fazer
um filme como este, num tempo como este. Isto é patriotismo, isto
é liberdade de expressão, isto é a verdade! Estou fazendo tudo que
é possível nesta pequena parte do meu mundo para ter certeza de
que Bush não ficará por mais quatro anos.
Obrigado,
Andrew J. Marsico

DE: Marge McCarthy


ENVIADO EM: Quinta-feira, 12 de julho de 2004 6:39pm
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: "Mãe, seus democratas voltaram!" foi declarado com
orgulho por um republicano a menos depois de ver Fahrenheit 11
de setembro.

Fui ver F11/9 sozinha. Meu marido é republicano afiliado e ele teria
ido, mas eu queria passar por esta experiência sem a influência
dele. Pedi a ele para levar o nosso filho sabe-tudo de 19 anos para
jantar e ver F11/9. Eles saíram e ao pôr novamente os pés em casa
disseram: "Mãe, seus democratas voltaram!".
Agora não sou mais uma que vota pelas linhas do partido,
especialmente quando há poucas escolhas de vida e de morte,
mas este filme mudou a dinâmica da família. Meu filho, que tem
sido muito rebelde ultimamente, veio até mim, com lágrimas nos
olhos e disse: "Obrigado por ter feito a gente ir, mãe". Eu não os
OBRIGUEI a ir, mas incentivei muito e no fim tudo deu muito certo.
Meu marido já não se considera republicano e meu filho fica mais
em casa e está mais legal com a gente. (talvez ao perceber o que
poderia estar encarando agora tenha lhe aberto os olhos um
pouco.)
Finalmente, a filha de minha melhor amiga é neta de um homem
que não só concorreu ao cargo de governador do Colorado na
década de 1980, como também subvenciona sozinho a maior
campanha para criar um sistema de "vales" para nossas escolas
públicas. Esta linda, porém ingênua jovem de 16 anos, me disse
que queria ver F11/9 e pediria ao pai ou avô para levá-la nesta
semana. Não é preciso dizer que ela não viu o filme, mas a mãe
dela (divorciada) vai levá-la.
Obrigada a você e a todos que estão envolvidos na criação do
poderoso F11/9 . Obrigada a Lila por compartilhar e permitir que
todos nós compartilhássemos de sua dor.
Marge McCarthy
Colorado Springs, Colorado

DE: Michael H.
ENVIADO EM: Quinta-feira, 22 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Pessoa mudada

12:07am

Prezado senhor Moore,


Tenho 24 anos, sou estudante de Tulsa. Sou republicano afiliado
desde que tinha idade para votar. Sempre fui meio "de centro", mas
colocava uma fachada de conservador para evitar críticas da minha
família e amigos que, na maior parte, é extremamente
conservadora. Sabendo que teria poucas chances de convencer
quaisquer dos amigos a ir ver Fahrenheit 11 de setembro comigo,
fui sozinho numa das janelas entre as aulas nesta tarde. Acho que
agora o senhor deve estar se perguntando: "Qual o objetivo desta
carta?". Bem, aqui está: gostaria de agradecer. Seu filme abriu-me
os olhos para muitas coisas. Os Estados Unidos são um país
maravilhoso, mas não somos os únicos no mundo. Os norte-
americanos tendem a colocar uma bandeira adiante do povo. Por
mais importante que um país seja, não deve ter um valor maior do
que qualquer vida humana.
Não sou uma pessoa sentimental demais. Não consigo me lembrar
de mais do que cinco vezes em que tenha realmente chorado
depois de adulto. Uma dessas cinco vezes foi em 11 de setembro
de 2001. Uma outra foi esta tarde. Ouvir a senhora Lipscomb falar
sobre o filho no fim do filme e quase cair nas calçadas de
Washington de tanta tristeza trouxe a guerra para dentro de minha
casa. As imagens na TV realmente não fazem isso. Na TV; a
guerra é um palácio sendo derrubado pelas bombas. Na vida, é
algo mais: pessoas. Seu filme abriu-me os olhos de uma maneira
que achava impossível. Nas últimas doze horas desde que o vi,
devo ter "desabrochado" meu liberalismo para minha mãe e
exclamei com orgulho que vira um filme que me transformara mais
do que achava possível. Penso seriamente em me oferecer como
voluntário para o partido democrata, assim como o soldado no seu
filme. Nas últimas doze horas, eu me tornei um destemido defensor
seu, quando ontem mesmo, era um crítico. Os críticos sempre
estarão lá para falar contra o senhor e seu filme, mas tudo bem.
Por que tudo bem? Porque estes são os Estados Unidos, o lugar
que você obviamente ama o suficiente para questionar os líderes.
Não há nada de anti-americano nisso. Obrigado pelo tempo e
espero que esta carta o encontre bem.
Michael H.
Tulsa,Oklahoma

DE: Stefanie Mathew


ENVIADO EM: Sexta-feira, 23 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Obrigada

9:25pm

Oi,
Eu só queria acrescentar minha voz aos milhares que agradecem a
você por ter feito Fahrenheit 11 de setembro. Já faz tempo que me
juntei ao grupo, mas estou surpresa de que - depois de 56 anos
como republicana convicto - foi o seu filme que fez meu pai decidir-
se a votar nos democratas. Ele já estava muito insatisfeito com a
guerra e insatisfeito com Bush como homem, mas ao ver as
histórias que você conseguiu contar, ele superou a barreira. Nunca
pensei que isso pudesse acontecer, mas a decisão de meu pai me
deu esperança de que ainda haja um núcleo de norte-americanos
decentes, honestos, independente de suas crenças políticas, que
ainda saibam a diferença entre o que é direito e o que é inaceitável
e que votarão conscientemente em novembro.
Obrigada.
Stefanie Mathew
Washington, D.C.

DE: Pam & Rick Bennett


ENVIADO EM: Domingo, 25 de julho de 2004 12:08pm
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Um outro homem vê a luz... obrigado

Michael,
Quero relatar minha experiência de ter levado meu pai para ver seu
filme hoje. Durante os últimos dois anos, meu pai tem sido um
partidário de Bush sob todos os aspectos. Certa vez ele deixou de
falar comigo por dois meses porque eu era bastante enfática na
minha oposição a respeito do que acontecia na guerra do Iraque.
Ele acreditou de verdade que Bush era um homem de Deus. Hoje,
levei meus pais para almoçar e depois lhes disse que os levaria ao
cinema. O filme era Fahrenheit 11 de setembro. Fiquei com medo
de que meu pai ficasse bravo ou saísse no meio do filme. Mas ele
absorveu cada palavra e, quando saímos, disse que tinha sido "um
verdadeiro abridor de olhos". Um pouco mais tarde, ele disse que
escreveria uma carta ao editor do jornal da sua cidade natal para
dizer que todos os cristãos deveriam ver este filme. Se você
conhecesse meu pai, saberia que isso é testemunho do poder do
filme. Obrigado por tê-lo realizado. Você não só fez um homem
enxergar a verdade, você também o fez entender a briga da filha
nos dois últimos anos. Eu realmente temo pelo nosso país. Por
favor, continue trabalhando bem assim...
Quem sabe você possa se candidatar...
Pam Bennett
Lewis Center, Ohio

DE: Srta. Taylor Parson


ENVIADO EM: Sexta-feira, 23 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Um momento na história...

5:38pm

Michael,
Sou estudante da Universidade da Carolina do Norte em
"Wilmington, Carolina do Norte e tenho 25 anos de idade. Meu pai
é um homem de negócios, republicano convicto, mas uma das
pessoas mais racionais, honestas e de mentalidade aberta que já
conheci. Ele mora em Kinston, Carolina do Norte, e foi ver
Fahrenheit 11 de setembro na terça-feira, 20 de julho.
Depois de ouvir a respeito do filme pela mídia, por mim e meus
irmãos, ele decidiu ir ver. Achou que seria justo ver um outro
enfoque.
Como disse antes, ele é bem aberto e não tem nem a
personalidade de Bill O'Reilly ou de Rush Limbaugh. Ele investigou
as declarações contra Bush e tem consciência da carreira
desordenada de Bush como "presidente". Nem é preciso dizer que
ele é republicano por falta de opção. Mas eu fiquei surpresa com o
desejo dele de ver o filme. Acompanhei meu pai ao cinema, foi a
quarta vez que vi o filme. Depois, meu pai virou-se para mim e
disse: "Acho que terei que mudar meu registro para independente
para poder votar em John Kerry".
Meu pai, que tem 58 anos de idade, NUNCA votou em democratas
em sua vida. Esta será a PRIMEIRA VEZ. Ele declarou que os
fatos mencionados por você eram verdadeiros e, acredite quando
digo, meu pai não é ingênuo, nem idiota. É um homem brilhante
com o dobro do QI de Bush e se ele diz que você diz a verdade,
então é verdade. E ponto final.
Por causa de sua própria pesquisa independente sobre os registros
desacreditados de G(uerra) W. Bush e da confirmação de seu filme
inacreditável, meu pai deseja uma mudança rápida e votará em
Kerry em 2 de novembro.
Agora, meu pai insiste em ler e ver todo o seu trabalho excelente,
sobre o qual eu o informei cronologicamente com bastante
entusiasmo. E acredito nele quando ele diz que assistirá a todos os
seus filmes e lerá todos os livros. Ele, diferentemente de nosso
caubói, tem credibilidade, honra, força e é muito culto.
Portanto, em meu nome e de meu pai, obrigada Michael por dar
valor a tudo que já sabemos e por nos iluminar com as coisas que
ainda não sabíamos. Meu pai diz que você é um norte-americano
importante e legítimo. E, lembre-se, ele sempre está certo.
Srta. Taylor Parson
DE: Angela
ENVIADO EM: Quarta-feira, 30 de junho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Obrigada mesmo

9:27am

Caro Mike,
Muito obrigada por ter feito Fahrenheit 11 de setembro. Acho que é
impossível expressar o quanto eu sou agradecida por você ter feito
o filme.
Eu morava em Nova York no dia 11 de setembro de 2001,
trabalhava no baixo Manhattan e, da rua, vi o segundo avião bater
no World Trade Center pouco depois das 9 horas. Posso dizer, com
honestidade, que me lembro de cada minuto daquele dia. Desde
correr até o escritório, me esconder debaixo da escrivaninha,
sentindo a cidade balançar com a queda das torres.
Sempre me lembrarei do som do avião chocando contra o prédio -
é um som que está impregnado na minha memória. Assistir a seu
filme - e ouvir os sons do ataque apenas contra uma tela negra fez
meu coração disparar. Foi a primeira vez que ouvi aqueles sons
novamente depois daquele dia. Agradeço por ter sido tão
respeitoso e não ter mostrado as torres queimando e as pessoas
saltando dos prédios. Os noticiários da cidade de Nova York
mostraram as cenas dia após dia.
Os meses que se seguiram foram muito assustadores com
"advertências" de nível alto de terror e ameaças diárias. Mas a
coisa mais difícil para mim foi passar diante de uma mulher na rua,
em pé, do lado de fora do meu prédio, todos os dias, durante
meses. A filha dela trabalhava no World Trade Center e estava
desaparecida desde o 11 de setembro. Mas a mãe dela ficou em
pé do lado de fora do meu prédio todos os dias, durante meses,
perguntando se eu vira a filha dela, distribuindo a foto dela em
folhetos para os pedestres. A garota era minha vizinha e tinha
exatamente a mesma idade que eu. Ela, também, tinha acabado de
se formar na faculdade e estava começando a carreira em Nova
York. Cortava meu coração ver a mãe dela todos os dias e ter de
dizer que não, não havia visto Sarah. Eu me lembro de ter chorado
quando a mãe de Sarah parou de aparecer de manhã, em algum
momento por volta do Natal.
Meu primo foi enviado ao Iraque pouco depois de 11 de setembro.
Eu me lembro de ter pensado na época: "Por que o Iraque? Por
que não o Afeganistão?". Parecia tão estranho para mim. Quando
Bush promoveu a guerra contra o Iraque, percebi que todos nós
éramos manipulados pelo governo - que aqueles avisos de "níveis
de terror" eram aumentados, cada vez em que começávamos a nos
sentir a salvo novamente.
Provavelmente você já ouviu milhares de histórias de pessoas que
viviam em Nova York no dia 11 de setembro. Embora eu seja de
uma pequena cidade costeira em Maine, serei sempre uma nova-
iorquina de coração por causa dessa experiência. Eu me lembro de
ter colocado meu broche com a bandeira norte-americana com
orgulho, em honra daqueles heróis tombados. Parei de usá-lo
depois que invadimos o Iraque, depois de perceber que fomos
manipulados por um governo no qual queríamos tanto acreditar.
Mike,obrigada por fazer seu filme. Você me fez sentir orgulho de
ser norte-americana novamente. Acho que vou tirar meu broche de
bandeira da caixa de jóias novamente.
Sinceramente, Ângela

DE: Susan Brown


ENVIADO EM: Sexta-feira, 2 de julho de 2004 10:58am
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Você não precisa responder, sei que está ocupado,
mas

Pensei que ficaria feliz em saber. Minha mãe, que é a pessoa mais
apolítica que existe e que sempre votou nos republicanos porque o
pai dela votava e o marido vota, viu Fahrenheit 11 de setembro há
dois dias. (Mamãe tem 71 anos.) Ela me ligou no dia seguinte para
perguntar como poderia deixar de estar inscrita como republicana e
cadastrar-se novamente como "recusou-se a declarar". Ela me
ligou porque sou uma liberal fanática e lido com estatísticas,
elaborando-as, toda eleição, e ela não queria dizer ao meu pai o
que estava fazendo.
Ela não tinha certeza quanto a isso antes da eleição, mas eu lhe
disse que era importante que fizesse aquilo agora, para que o
partido visse que o filme estava fazendo efeito (minha esperança é
que muito mais pessoas tomem a mesma decisão).
Então, enviei um cartão de registro de eleitor para mamãe ontem.
Em meu nome e em nome das minhas irmãs liberais.
Obrigada! Você fez Mamãe se interessar por política!!!
Susan Brown
Davis, Califórnia

DE: A. Keith Rutherford


ENVIADO EM: Quinta-feira, 17 de junho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: 11 de setembro

4:21 pm

Prezado senhor Moore,


Acabei de ver seu filme hoje e, para dizer a verdade, estou
chocado!!! Votei em Bush e me envergonho disso!!! Gostaria que
ele tivesse sido um tipo diferente de presidente. Muito obrigado por
abrir meus olhos...
A. Keith Rutherford
Los Angeles, Califórnia

DE: Charlene Wall


ENVIADO EM: Sexta-feira, 2 de julho de 2004
PARA: mike@michaelmoore.com
ASSUNTO: Senhor Moore, fui ver seu filme

2:03pm

Oi, Mike,
Meu nome é Charlene Wall e sou republicana afiliada, noiva de um
democrata. Sou republicana de mente aberta e na minha casa
sempre há discussões acaloradas. Acredito em ser honesta e
honrar a verdade. Seu filme Fahrenheit 11 de setembro foi tocante
e bem-feito. Ficou assombrando meus pensamentos durante dias.
Eu já decidira por minha conta que o presidente George W. Bush
mentira para mim e eu não iria apoiá-lo na campanha de reeleição.
Depois de ver o filme, peguei um adesivo de pára-choques escrito
"John Kerry para presidente" e coloquei no meu carro. Eu me sinto
uma idiota por ter votado e apoiado GWB e estou incentivando
todos os amigos e colegas a se informarem mais. Na verdade, fiz
uma oferta aos meus amigos republicanos de que pagaria o
ingresso deles para ver Fahrenheit 11 de setembro, mas, até o
momento, ninguém teve coragem de aceitar minha oferta. Em vez
disso, ele ficam discutindo comigo; ameaçam e condenam a sua
pessoa. Eu admiro você por lutar pelas suas crenças e fazer algo
delas. Você é um homem corajoso.
Se algum dia passar na cidade (Camarillo, Califórnia, condado de
Ventura), Todd e eu gostaríamos de convidá-lo para jantar.
Saudações cordiais,
Charlene

Umas últimas poucas palavras sobre Fahrenheit 11


de setembro
"Acho que todos os norte-americanos devem assistir ao filme."
Ex-presidente BILL CLINTON, Rolling Stone, 13/7/04

"Independente de suas crenças políticas, será uma boa experiência


de empatia. Trata-se de algo bom para os norte-americanos
assistirem."
DALE EARNHARDT JR., campeão do Nascar (que levou sua
equipe para ver Fahrenheit 11 de setembro na noite anterior), FOX
TV, 27/6/04
"Acho que é um dos filmes mais importantes já realizados. Tem o
potencial de afetar a eleição de verdade e, se o fizer, mudará o
mundo. Poucos filmes ou trabalhos de arte produzem um impacto
profundo nas questões mundiais", ele disse, ao mencionar Uncle's
Tom Cabin e I Am a Fugitive from a Chain Gang. "Mas ele, na
verdade, tem a oportunidade de mudar o mundo."
ROB REINER, Hollywood Reporter, 10/6/04

''Ver Fahrenheit 11 de setembro me fez pensar profundamente


sobre amor ao país, como ele nos molda, dirige e incentiva e como
às vezes nos deixa tão furiosos que desejamos gritar ao mundo:
'Não, isto está errado'. Muitas coisas foram ditas sobre o filme e, é
claro, sobre o diretor Michael Moore. Mas não acho que ouvi algum
comentário sobre o amor de Moore pelos Estados Unidos. Para
mim parece claro que o filme nasceu desse amor."
PATTI DAVIS, filha de RONALD REAGAN, Newsweek, 20/7/04

"Acho que nunca chorei tanto por causa de um filme em toda minha
vida. Incentivo todos vocês a vê-lo."
MADONNA, Daily News (Nova York), 18/6/04

"No fim, se conseguirmos sair desta sem a III Guerra Mundial ou


quaisquer outros cenários que este governo preparou para nós,
será porque as pessoas continuam a fazer coisas do tipo dar
declarações, participar de abaixo-assinados. Será porque os
Michael Moore daqui não desistiram."
JOAN BAEZ, San Diego Union- Tribune, 17/6/04

"Nunca antes se ouviu de outro documentário ter superado todos


os outros filmes no Festival de Cannes, portanto ele é um gênio."
TONY BENNEIT na estréia de Fahrenheit 11 de setembro no
cinema Ziegfeld, cidade de Nova York, 14/6/04
A senhora Blige, que nunca havia votado, disse que depois de
assistir ao documentário de Michael Moore, Fahrenheit 11 de
setembro, estava ansiosa para ir às eleições em novembro.
"Tenho que votar este ano", ela declarou. "Depois de ver esse
filme, não há outra alternativa."
MARY J. BLIGE, The New York Times, 6/7/04

"Estou convencido de que ele deve ser visto pelo máximo possível
de americanos e que eles reflitam sobre o filme... especialmente os
jovens, que, em poucos anos, poderão se tornar parte de nossa
força militar. Estou comprometido pessoalmente, mais do que
somente como advogado, com a proposta de que todos devam ver
este filme."
MARIO CUOMO, depois de assistir a Fahrenheit 11 de setembro
pela terceira vez, Chicago Sun-Times, 17/6/04

"Certos âncoras conservadores de um programa de entrevistas


disseram que Michael Moore não era norte-americano devido ao
filme. Ele e todos os outros que dizem qualquer coisa a respeito da
guerra... Questionar a política de nosso país, especialmente numa
guerra que mata pessoas, definitivamente não é não ser
americano. É provavelmente a coisa mais patriótica que se pode
fazer."
JOHN FOGERTY, Scripps Howard News Service, 14/7/04

"Fiquei comovida com o filme - especialmente com a história da


mulher que perdeu o filho na guerra. Fui com um bando de amigos
e todos nós choramos. Depois do filme não consegui falar nada
durante uns trinta minutos."
EMILY SALIERS do Indigo Girls, The Denver Post, 23/7/04
"A verdade é tão irônica. A melhor informação que podemos ter
sobre esta eleição pode vir de uma combinação de The Control
Room, Fahrenheit 11 de setembro, John Sayles, o noticiário
noturno de Jon Stewart."
SEYMOUR HERSH, Conferência dos Associados do ACLU, São
Francisco, 7/7/04

"Acho que muitas pessoas vão fazer comentários sobre o filme. E


acho que mais pessoas ainda que estão em cima do muro sobre
em quem votar, depois de ver o filme, votarão com convicção."
LEONARDO DICAPRIO, The New York Observer, 21/6/04

"Não só incentivou as pessoas a tomarem parte do ato de


cidadania, mas a arrumarem tempo para ver o Fahrenheit 11 de
setembro de Michael Moore."
BIG BOI, de OutKast, Quarta Premiação Anual da BET, 15/7/04

"Michael Moore merece meus sete dólares por este filme."


TOM HANKS, USA Today, 15/6/04

"Tenho dedicado 'Desperado' todas as noites a Michael Moore


tentando fazer as pessoas assistirem a Fahrenheit 11 de
setembro."
LINDA RONSTADT, Las Vegas Review-Journal, 16/7/04

"Muitos de nós confiam que Michael Moore desvendará a verdade."


CAMRYN MANHEIM, USA Today, 10/6/04

"A noite passada tive a chance de ver o novo filme de Michael


Moore, Fahrenheit 11 de setembro. Foi absolutamente encorajador
e incrivelmente bem pensado, provocante; eu recomendo a todos".
ANNIE LENOX, www.alennox.net
9/7/04
"Acho que é importante que haja algo que provoque os jovens por
aí. Estou com trinta anos, daí pelo menos para aqueles que não
ponderam no que é importante para o país há algo para se ver e
tomar alguma decisão."
CARSON DALY, pré-estréia de Fahrenheit 11 de setembro no
Cinema Siegfeld, cidade de Nova York, 14/6/04

Acho que estamos enfrentando os tempos mais perigosos desde


que estou no planeta e cada vez em que atuo nestes dias, protesto
contra este ciclo insano de violência para o qual o governo parece
inclinado. Eles não fazem nada para detê-lo e o país está dividido
de uma maneira tão amarga agora. É pior do que durante os anos
do Vietnã.
Quando o comentário inocente de Linda Ronstadt sobre o filme de
Michael Moore causa tanta indignação, você sabe que está na hora
de tomar uma posição. Acho que se deveria exigir a exibição de
Fahrenheit 11 de setembro em todas as escolas e faculdades.
KRIs KRISTOFFERSON, The Toronto Star, 26/8/04

"Acho que Fahrenheit 11 de setembro é tão importante porque diz a


verdade sobre assuntos dos quais a verdade foi suprimida nos
últimos três anos".
MOBY, CNBC, Topic [A] with Tina Brown, 20/6/04

"[O filme] deveria ser obrigatório como parte do currículo de todas


as pessoas nas escolas de segundo grau dos Estados Unidos."
LEELEE SOBIESKI, atriz, USA Today, 10/6/04

Quando um jornalista italiano reclamou que o filme só tinha um


ponto de vista, a senhora Swinton respondeu: "Já ouvimos o que o
Bush tem a dizer. Convivemos com isso. Acho que é uma disputa
justa. Este filme ajuda a restabelecer o equilíbrio."
TILDA SWINTON, atriz, Chicago Sun-Times, 24/5/04

"Queríamos que você soubesse que a política do filme não tem


relação com esta premiação... Estamos entregando o prêmio a
você por ter feito um grande filme."
QUENTIN TARANTINO, Chicago Tribune, 30/5/04

"Um filme pode ser engraçado e nada mais. Pode me fazer chorar.
Pode me fazer rir. Pode me perturbar. Pode me elevar. Este filme
fez tudo isto."
QUENTIN TARANTINO, presidente do júri de Cannes 2004, The
Globe and Mail (Toronto), 25/04/04

PARTE IV

Ensaios e críticas sobre Fahrenheit 11 de setembro

"O recado genial de Moore foi entregue"

Daily News (Nova York)


DENIS HAMILL, 29 de junho de 2004
Dava para escutar uma lágrima caindo.
No momento em que a mãe americana chamada Lila Lipscomb se
afogava em sofrimento com a morte do filho no Iraque, o cinema do
Loews Bay Terrace no Queens, lotado, estava tão silencioso na
sessão das onze da manhã de Fahrenheit 11 de setembro da
sexta-feira, que só se conseguia ouvir o roçar dos tecidos das
roupas. Sentei lá atrás, ao lado de um operário da construção do
Brooklyn, desempregado, e, enquanto o filme passava, fiquei
observando as silhuetas de homens e mulheres, jovens e velhos,
limpando as lágrimas.
Eram as lágrimas da nação neste fim de semana, no momento em
que Fahrenheit 11 de setembro fulgurava do Atlântico ao Pacífico: o
filme número 1 dos Estados Unidos.
Uma novíssima maneira de ir ao cinema.
Desde que comecei a ir ao cinema aos quatro anos de idade no
RKO
Prospect do Brooklyn, acho que nunca sentei numa platéia tão
pessoalmente envolvida com a história que estava sendo contada
na tela. Afinal de contas, não era nenhum "filmão" cheio de bolas
de fogo explodindo.
Não, as bolas de fogo que explodem neste filme são reais. Os
mortos neste filme são reais. O diálogo é real. Soldados reais,
vítimas reais, mães reais, crianças mortas reais. Os bandidos
retratados pelo cineasta Michael Moore são muitíssimo reais.
A única coisa falsa são os motivos desta administração para entrar
em guerra, explorando as quase 3 mil mortes do 11 de setembro,
para que um garoto rico que deu um jeito de se ausentar da
Guarda Nacional durante a guerra do Vietnã conseguisse mandar
soldados americanos para morrer no Iraque e ainda chamar a si
mesmo de "war prez'din" - "prizidenti da guerra".
A razão pela qual as pessoas na platéia, americanos, se envolvem
tanto nesse filme é porque somos todos extras nessa história.
O filme - hilário e comovente ao mesmo tempo - é uma sublime
exposição do patriotismo americano, de difícil classificação por ser
uma declaração muito pessoal, assim como o Common Sense
[panfleto de 1776 que propagou idéias de liberação da Inglaterra] e
Thomas Paine foi algo novíssimo em sua época sanguinária. Paine
escreveu: "Até mesmo em sua melhor condição, o governo é um
mal necessário; na pior, é intolerável".
Michael Moore não tolera o governo Bush. Às vezes precisamos de
um cara inteligente, engraçado e comum para entender o que está
acontecendo no país dele. Se houvesse câmeras por ali naquela
época, Tom Paine poderia ter feito um documentário em vez de
escrever um panfleto exigindo a independência da Inglaterra.
Fahrenheit 11 de setembro destila patriotismo, porque é um
barulhento enaltecimento da nossa Carta de Direitos, dizendo ao
nosso comandante-em-chefe que estamos achando que essa
guerra fede em um ano eleitoral.
Vejam só, a campanha de Bush gastou 85 milhões de dólares em
três meses, tentando convencer o eleitorado de que John Kerry é
uma indecisa ameaça de esquerda à segurança nacional. Moore
gastou 6 milhões de dólares para fazer seu documentário
mostrando que Bush é um bufão arrogante, egocêntrico e perigoso,
uma ameaça à segurança nacional.
Fahrenheit 11 de setembro também é um corretivo para o
tamborilar diário das rádios da direita, que enviesam as notícias de
modo a se encaixarem numa agenda radical. Mesmo assim, os
Rush Limbaughs e os Sean Hannitys desdenham Michael Moore
por ousar expressar seu ponto de vista com cenas ao vivo. Os
americanos não gostam de hipócritas. E é por isso que estão
pagando mais de 10 dólares por cabeça para dizer isso, em
lugares como Queens, Brooklyn, nas pequenas cidades e bairros
operários pela fértil planície de onde saem os garotos que matam e
são mortos nas guerras boas e más dos Estados Unidos.
A imprensa padrão também fez picadinho de Fahrenheit 11 de
setembro - mas só porque Moore bate na mídia americana por ela
ter se deixado levar pela míope histeria patriótica pós-11 de
setembro, permitindo ser cooptada pela administração e engolindo
as notícias chauvinistas da guerra no Iraque.
Fahrenheit 11 de setembro também é um testemunho a favor do
capitalismo americano, porque em nenhum outro lugar no planeta
um cara da classe trabalhadora que vem de um lugarejo como
Flint, no Michigan, poderia emergir para espetar o presidente dos
Estados Unidos com suas próprias palavras e ações e transformá-
lo no mais indecente documentário da história, abocanhando 21,8
milhões de dólares em seu fim de semana de estréia.
Esta é uma história do grande americano Horatio AIger [autor
americano (1832-1899), que escreveu mais de 118 livros de
aventura para meninos. Seus jovens heróis venciam por causa de
um misto de coragem e sorte], que todo americano deveria
aplaudir.
Que foi exatamente o que a platéia no Queens fez na última
semana depois que George W. Bush pronunciou sua última
sentença e os créditos passaram. Eu me senti tão comovido pelo
aplauso quanto pelo filme, porque aquilo era o poderoso som do
Joe Public [Zé-povinho], como diz Bush quando se refere a We the
People [Nós, o Povo].
Aqui fora, nesses distritos teimosos, que nunca admitem estar
errados, eu esperava alguma vaia. Não escutei uma única. Em vez
disso, saí com uma multidão profundamente emocionada,
passando por uma enorme fila para a sessão seguinte.
Voltando ao Brooklyn, o operário desempregado comprou uma
cópia pirata de Fahrenheit 11 de setembro, tirada com uma câmera
de vídeo portátil num cinema.
Ele me ligou para dizer: "Até a platéia no filme pirata aplaude no
final!"

"Obrigado, Michael Moore!"

truthout / Perspective
WILLIAM RIVERS PITT, sexta-feira, 25 de junho de
2004

"A luz no fim do túnel poderia ser a lâmpada num


projetor de cinema."
JEANETIE CASTILLO
Telas em Bartlett, Chattanooga, Jackson, Knoxville e Memphis, no
Tenessee, estarão mostrando aquilo. Telas em Layton e West
Jordan, Ohio, estarão mostrando. Se você estiver em Leawood,
Merriam, Shawnee ou Wichita, Kansas, pode ver. Isso também vale
para Centerville, Fairfax e Abington, na Virgínia. Ou, se por acaso,
você estiver em Akron, Bexley, Dublin ou Elyria, em Ohio, também.
Roover, Montgomery e Mobile, no Alabama, não ficarão de fora.
Laramie, no Wyoming? Está lá. Bozeman, Montana? Claro. Se
você estiver visitando sua terra natal seja ela Grand Island, Lincoln
ou Omaha, em Nebraska, não terá sido esquecido. O maior
shopping do país, o Mall of America, em Bloomington, em
Minnesota, o terá em seu cinema. Se você é soldado em Camp
Lejune ou Fort Bragg, pronto para ser despachado para o Iraque,
poderá vê-lo em Fayetteville, na Carolina do Norte.
Essas cidades, grandes e pequenas, do Atlântico ao Pacífico,
passando pelo coração da terra americana, a partir do meio-dia e
um minuto da manhã da sexta-feira, 25 de junho de 2004,
começarão a exibir o documentário de Michael Moore, Fahrenheit
11 de setembro. Para a maioria das pessoas que assistirem a este
filme naquelas cidades, grandes e pequenas, a sensação não será
nada menos do que uma bomba mental.
O grupo The Who tinha uma canção sobre como o hipnotizado
nunca mente, mas, como vimos, pessoas hipnotizadas pela
televisão e por um medo deliberadamente imposto com certeza
podem apoiar uma guerra e um presidente, que basicamente estão
contra a essência do decoro americano. Na verdade, pessoas
hipnotizadas pela televisão e pelo medo deliberadamente imposto
se enfiarão no moedor de carne cantando alegremente "Deus salve
América".
O filme de Michael Moore quebrará essa hipnose, mas por bem. Os
americanos que acreditavam no que seu presidente lhes dizia
porque o viram na televisão, quando saírem da escuridão para a
luminosidade do dia, depois de menos de duas horas no cinema
local, olharão para a televisão e o presidente com dúvida e pavor.
Milhões de americanos que acreditaram no que lhes disseram -
sobre o 11 de setembro, sobre o Iraque, sobre o próprio George W.
Bush - entrarão nessa luz conscientes de que alguém mentiu para
eles.
Cá entre nós, nenhum dos dados desse filme me deixou surpreso.
Depois de ter passado cada dia dos últimos três anos trabalhando
para mostrar ao maior número possível de americanos a verdade
sobre o homem a quem chamam de presidente, era bastante
improvável que seja lá o que o filme contivesse me fizesse mudar
de atitude ou de opinião. As conexões entre Bush, os sauditas, o
grupo Carlyle e os ataques do 11 de setembro estavam ali. As
conexões entre Dick Cheney e a Halliburton estavam ali. As
conexões entre a Enron, a Unocal, as tubulações de gás natural, a
guerra no Afeganistão e um país quase desconhecido chamado
Turcomenistão estavam ali. Adorei o fato de Moore ter mostrado
cópias não-preparadas do registro de serviço militar de Bush,
permitindo que víssemos partes desses documentos que haviam
sido obliteradas. Não encontrei nesse filme nenhuma afirmação,
nenhum fato que possa ser questionado ou posto em dúvida. Fiz
meu dever de casa, e, como ficou dolorosamente claro, Michael
Moore fez o dele.
A maioria dos americanos não sabe nada sobre tudo isso; para
dizer o mínimo, ver essas coisas muito bem documentadas e
meticulosamente pesquisadas na tela grande será revelador. Sim,
Virgínia, há bilhões de dólares a serem lucrados para os amigos de
Bush nessa guerra do Iraque. A segunda porta à esquerda é o
escritório de recrutamento. Assine na linha pontilhada e seja o
primeiro garoto no seu quarteirão a morrer em benefício das
opções da Carlyle na Bolsa. Mas cuide para deixar algum
dinheirinho guardado de antemão, porque o exército vai passar a
mão no seu pagamento pelos dias em que você estiver morto. É a
política, sabe como é...
Michael Moore enfiou dois punhais em mim com este filme; o
primeiro tem a ver com os soldados americanos. Soldado após
soldado falaram francamente para a câmera de Moore,
condenando a guerra e as pessoas que os enfiaram nela. Muitas
cenas explicavam vividamente o que acontece com o corpo de um
soldado quando apanhado em uma explosão. O resultado é
desastroso; os gritos dos feridos e dos mortos soarão para sempre
nos meus ouvidos.
As cenas mais funestas do filme estão centralizadas na mulher
chamada Lila, que ama seu país, ama sua bandeira e, acima de
tudo, ama os filhos, a quem energicamente persuadiu a entrarem
nas forças armadas. Ficamos sabendo que Lila tem um filho no
Iraque e por isso despreza os que protestam contra a invasão.
Mais tarde, descobrimos que o filho dela foi morto em Karbala no
dia 2 de abril, quando seu helicóptero Blackhawk foi derrubado a
tiros. Nós a vemos ler a última carta que o filho escreveu para
casa, em que esbraveja contra Bush e contra a guerra. Por fim,
vemos Lila de pé nos portões da Casa Branca, os olhos vertendo
lágrimas, no momento em que ela descobre seu verdadeiro
inimigo, aquele que tirou seu filhinho de seus braços.
O outro punhal, Moore enfiou durante a montagem da cobertura
que a mídia faz da guerra. Um jornalista após o outro aparece
cantando louvores a Bush, sua administração e a guerra. Cada um
deles passou adiante o que hoje sabemos serem mentiras
descaradas: que o Iraque tinha armas de destruição de massa, que
o Iraque era uma ameaça, que tínhamos de ir e que tudo está
ótimo. Foi um espetáculo
de absurdos que os americanos tiveram de engolir por tempo
demais.
Se ainda duvida disso tudo, o verdadeiro jornalismo agressivo e
eficaz de Sidney Blumenthal, visto em sua mais recente
reportagem intitulada "Reality Is Unraveling for Bush" [A realidade
está se desvendando para Bush] poderá ajudar você. "A maior
pane da mídia estava no palanque ou sentia-se intimidada",
escreve Blumenthal. "O próprio Cheney chamou o presidente da
corporação proprietária de uma das cadeias da mídia para se
queixar de um comentarista. Assessores políticos dirigidos por Karl
Rove estavam sempre ligando para editores e produtores com
ameaças veladas sobre acessos que não seriam concedidos de
maneira alguma. A imprensa não morderia a mão que não a
alimentava."
De um só golpe Michael Moore desfez três anos de jornalismo
televisivo ruim, enviesado, distorcido, desprovido de fatos
concretos. No final das contas, esta é a grandeza de Fahrenheit 11
de setembro. Não apenas os americanos conseguirão ter uma idéia
do tamanho do logro que toleraram, mas certos "jornalistas" por
todo o país serão obrigados a agüentar a humilhação que tanto
mereceram.
Tive o privilégio de ver este filme na companhia de três grupos que
estiveram contra essa desastrosa guerra desde o primeiro dia:
Military Families Speak Out, September 11 Families for Peaceful
Tomorrows e Veterans for Peace [Famílias de militares se
expressam, Famílias do 11 de setembro por dias pacíficos e
Veteranos pela paz].
Muitos no cinema tinham família no Iraque, perderam um familiar
no Iraque ou perderam um familiar no 11 de setembro e viram seus
mortos queridos sendo usados como desculpa para uma guerra
injustificada. Não havia um olho seco na casa.
Fahrenheit 11 de setembro não é uma vitória para ninguém. Nós, o
Povo, deveríamos ter sabido melhor, Nós, o Povo deveríamos ter
sabido dos fatos antes de mandarmos 851 dos nossos filhos para a
morte. Nós, o Povo fomos traídos pelos nossos líderes e por uma
mídia que lucrou e ainda lucra com a venda diária de mentiras.
Este filme levou esse fato horrendo para casa com uma boa
marretada, e dói.
Enquanto saía nessa companhia de heróis, me lembrei de um
trecho da fala de rendição de Henrique diante de Agincourt, de
Shakespeare:

Quem sobreviver, e a salvo chegar em casa, quando seu nome


esse dia receber, bem alto erguerá um brinde a Crispim. Quem
esse dia viver e a velhice atingir, todos os anos receberá seus
vizinhos na véspera: "Amanhã é o dia de São Crispim!" e
arregaçará as mangas, mostrando as cicatrizes: "São feridas do dia
de Crispim".

Muitos de nós não foram hipnotizados. Milhões de americanos


foram às ruas neste país e pelo mundo afora para tentar deter essa
loucura antes que ela estivesse desenfreada. As pessoas naquele
cinema comigo haviam feito isso, jamais pararam de fazer isto,
embora seu presidente e sua mídia os chamassem de traidores.
Eles estavam certos. Estavam certos. Estavam certos.
Michael Moore soltou um lobo dentro das cercas de Bush. Não há
como escapar. Agora que já é tarde demais, talvez a nação
desperte. No dia em que esse despertar acontecer, aqueles dentre
nós que permaneceram de pé, que jamais deixaram de protestar,
que aprenderam a viver sem dormir, que aprenderam a viver em
uma nação que menospreza a verdade em troca da fantasia
televisiva, os patriotas com quem estive à noite naquele cinema
podem fazer uma pausa para respirar. Podemos sentar na grama
em um dia claro, arregaçar as nossas mangas e mostrar nossas
cicatrizes.

Wllliam Rivers Pitt é editor administrativo de Truthout.org e autor de


The Greatest Sedition is Silence.
"Fahrenheit 11 de setembro: ligação com uma
esquerda durona"

Fahrenheit 11 de setembro corta e pica a


presidência de Bush em mil pedaços satíricos

The Washington Post


DESSON THOMSON, 18 de maio de 2004
CANNES, França - Fahrenheit 11 de setembro, o mais forte filme
de Michael Moore desde Roger & eu, corta e pica a presidência
Bush em mil pedacinhos satíricos. É um milagre que o chefe do
executivo pelo menos o retratado neste filme - não tenha se
espalhado pelos quatro ventos, como a poeira do Texas.
A julgar pelo animado pandemônio com que foi recebido esse
documentário no Festival de Cinema de Cannes, Fahrenheit 11 de
setembro não é apenas o filme a ser superado na competição pela
Palma de Ouro, ele também tem as potencialidades de um trator
cultural - um filme para esses dias perturbados.
Com uma narrativa irônica que nos leva da confusão da Flórida que
decidiu a eleição presidencial de 2000 ao atual conflito no Iraque,
Moore se diverte quase interminavelmente às custas do presidente.
E com freqüência usa o presidente como seu próprio flagelo
tragicômico - em outras palavras, enforcando-o com suas próprias
palavras e expressões faciais.
Em um dos momentos mais dramáticos do filme, vemos o
presidente visitando uma turma do primário naquela fatídica manhã
de 11 de setembro. Um assistente sussurra em seu ouvido a
notícia do impacto do avião na torre norte do World Trade Center. A
expressão de Bush é de espanto, como aconteceria com qualquer
um. Um relógio faz tique-taque. Parece que o presidente nunca
mais se levantará da cadeira. Os minutos passam.
"Estaria se perguntando se talvez não devesse ter aparecido mais
vezes no trabalho?", diz Moore numa voz que se sobrepõe à
imagem, e esse comentário está ligado a vislumbres anteriores no
filme com as freqüentes idas de Bush ao Texas para limpar o mato
e jogar golfe.
O presidente olha para o livro infantil que tem nas mãos. Título:
Minha cabra de estimação.
Em todo caso, em Fahrenheit 11 de setembro há mais do que
ridículo faccioso. Pouco antes desta cena, deparamos com o
indizível: quando os dois aviões atingem as torres gêmeas em
Manhattan. Moore mostra apenas uma tela negra. Escutamos o
zumbido da aeronave. Sabemos o que está por vir. Escutamos o
choque e, um segundo depois; os gritos e respirações ofegantes
das testemunhas em agonia.
E aí vem o segundo impacto. Só então Moore corta para os rostos
dos que estão vendo. Uma mulher aos prantos grita para Deus
salvar as almas. do que estão pulando das janelas. Outra,
desolada, senta na calçada. Não vemos quem está pulando. Mas é
como se víssemos.
O notável aqui não é a animosidade política ou a inteligência
irritadiça de Moore. É seu poder de persuasão bem argumentado e
sincero. Embora aqui haja muitas coisas das quais já sabemos,
Moore junta tudo. É um olhar para o passado que parece um novo
olhar para o futuro. O filme aponta as conexões sociais e
financeiras entre a família Bush e os ricos sauditas, entre os quais
a família real, o príncipe Bandar (embaixador saudita em
Washington) e a família Bin Laden.
O filme mostra impressionante quantidade de filmagens por
equipes que estavam inseridas nas forças americanas no Iraque.
Passa um bom tempo com gente como Lila Lipscomb, uma mãe do
Michigan que mergulha de apoio patriótico à administração Bush
em profundo desespero depois de perder um filho na guerra.
Há muitos momentos fortes a apontar, todos por diferentes razões:
o terror visceral de um lar em Bagdá no momento em que jovens
soldados americanos irrompem para prender alguém; o
testemunho franco de soldados americanos que expressam seu
ódio pela situação ali; entrevistas em Michigan com jovens negros
americanos empobrecidos, um grupo social que tem sido uma
reserva inesgotável para o recrutamento do exército americano.
Ver esse filme é perceber com aprovação manifesta que o diretor
de Tiros em Columbine finalmente aprendeu a dizer o que queria
num filme.

"Persuasivo e emocionante. Fahrenheit 11 de


setembro é as duas coisas. Também é o melhor
filme de Michael Moore."

San Francisco Chronicle


MICK LASALLE, 24 de junho de 2004
O grande momento em Fahrenheit 11 de setembro de Michael
Moore chega pelo meio do documentário, e não há como se
equivocar: é a manhã de 11 de setembro de 2001, e o presidente
dos Estados Unidos está sentado em uma cadeirinha numa sala de
aula na Flórida. Seu chefe de equipe entra e sussurra em seu
ouvido que o país está sob ataque. E o presidente George W. Bush
simplesmente permanece ali sentado por sete longos minutos.
Em um documentário convincente que se dedica a espetar a
imagem do presidente como um líder que assumisse
responsabilidades, para muitos este será o ponto da virada. No
mínimo será a cena de que todo mundo falará. Moore não mostra
todos os sete minutos. Em vez disso, se demora na cena apenas o
tempo suficiente para a platéia pensar em Eisenhower, Reagan,
Truman, Bush pai, Clinton, Nixon ou Kennedy naquela mesma
situação, é imaginar qualquer um deles levantando-se
imediatamente, pedindo desculpas e exigindo ser posto em contato
com sua equipe de segurança nacional.
Avaliar os méritos de um filme político é uma tarefa complicada.
Evidentemente, parte de sua qualidade está em seu poder de
persuasão, mas sua capacidade persuasiva está no olho do
observador. Mas há outros aspectos a considerar: a emoção do
filme. A seriedade de seu objetivo. Seu tom. Sua mistura de
palavras e imagens, o modo como ambas se demoram na mente.
Há também a maneira como o filme dá forma a seus argumentos e
o efeito cumulativo que a experiência proporciona - o que sentimos
ao sair, o que pensaremos no dia seguinte. Por todas essas
medidas, Fahrenheit 11 de setembro é o melhor filme de Michael
Moore.
Certamente é um marco em sua carreira, um filme que assinala
sua transição de ator político a pensador político, de propagandista
a jornalista idiossincrático, de chato delirante a patriota. Se Tiros
em Columbine foi um degrau, este é um pulo, em que Moore salta
além de Will Rogers e cai em território todo seu. Nos noventa anos
de história do longa-metragem americano, nunca houve um
documentário de ano eleitoral tão popular como este.
O filme, que ganhou a Palma de Ouro nos Festival de Cannes
deste ano, tem uma única idéia unificadora que junta seus diversos
elementos. É uma idéia emocional: nos últimos anos os Estados
Unidos têm vivido uma espécie de pesadelo, um pesadelo que não
começou com os fatos do 11 de setembro de 2001, mas no
momento em que as cadeias da mídia tiraram a Flórida da coluna
de Gore na noite das eleições de 2000. Moore postula que a
principal fonte do pesadelo dos Estados Unidos tem sido a
presidência de George W. Bush. Há raiva no âmago da posição de
Moore, mas ele jamais a demonstra. E ao mesmo tempo em que
ele salpica o filme com seu humor impassível, na maior parte ele
joga direto, apresentando metodicamente os fatos, confiando
piamente no interesse e na atenção da platéia. A conexão entre a
família Bush e os interesses do petróleo da família Bin Laden
domina a primeira seção do filme. Embora Moore não desvende
nada sinistro, a simples vastidão dessa conexão pessoal e
financeira entra como elemento surpresa e alimenta a indignação
de Moore de que a família Bin Laden foi autorizada a sair dos
Estados Unidos sem interrogatório depois do 11 de setembro.
Que Moore está se tornando um artista é evidente na maneira
como ele descreve os ataques ao World Trade Center. Em vez de
recorrer a trechos de arquivo de noticiários, ele escurece a tela e
nos faz escutar os sons da baixa Manhattan naquele dia horrível.
Isso traz tudo de volta. Daí em diante, Moore questiona a
manipulação que o presidente faz do combate ao terror trazendo
especialistas para dizer que a guerra do Afeganistão foi um
trabalho malfeito, que foram enviados muito poucos soldados. Ele
mostra em detalhes as falhas da segurança no país. Para apoiar
seu argumento de que a administração promoveu a cultura do
medo, ele vai a uma cidadezinha na Virgínia e fala com cidadãos à
espreita de terroristas. Ao serem perguntados sobre o que os
terroristas poderiam querer bombardear, muitos dos habitantes
locais respondem: "O Wal-Mart!"
No Iraque, Moore tinha uma câmera, e o que filmou não se parece
com nada visto na televisão americana. Uma mulher chora e grita
que a casa de sua família foi destruída. Soldados americanos
fazem palhaçadas em volta de prisioneiros encapuzados por perto,
outros soldados expressam dúvida sobre a missão. As realizações
de Moore são manipuladoras no melhor sentido - ainda que a
platéia saiba o que ele está querendo mostrar, esses momentos
têm força. Enquanto o presidente fala sobre a necessidade da
guerra, Moore mostra crianças brincando em Bagdá. Mais tarde,
ele mostra um menino deitado na rua com o braço quase
amputado. No campo nacional, Moore mostra a mãe cujo filho foi
morto no Iraque, lendo sua última carta - em que ele diz que espera
que o presidente não seja reeleito.
Moore está jogando pra valer. Apesar do tom sombrio, o filme está
em chamas. É um tanto exaustivo, arrasador de ver, e deixa uma
sensação que perdura por dias. O que ao mesmo tempo exalta a
experiência e alicerça o filme é a convicção essencialmente
patriótica de Moore de que um argumento sincero, envolvente,
consegue ser escutado nos Estados Unidos. Ver Fahrenheit 11 de
setembro e sentir sua emoção faz com que nos perguntemos por
que nunca apareceram filmes políticos populares como este desde
o início do cinema, e de todos os pontos de vista. Parece um uso
muito racional do cinema, de indescritível excelência.

"Fahrenheit 11 de setembro põe questões reais sob


os holofotes"

The Toronto Star


LINDA MCQUAIG, 11 de julho de 2004
Num comentário na revista Time, Andrew Sullivan misturou
indiscriminadamente o intrigante Fahrenheit 11 de setembro de
Michael Moore com o bombástico A paixão de Cristo de Mel
Gibson, descartando esses dois filmes por "corroerem
profundamente a possibilidade de verdadeiro debate e inteligência
em nossa cultura".
É simplesmente uma rematada bobagem acusar Moore de corroer
o verdadeiro debate.
Ora, a mídia encerrou a verdadeira discussão há muito tempo!
É precisamente porque o debate foi tão completamente corroído
pela
mídia convencional - especialmente nos Estados Unidos, onde a
presidência extremista de George W. Bush foi tratada com luvas de
criança que o filme de Moore está sendo recebido tão gratamente
por tanta gente.
Aparentemente, há probabilidade de que Fahrenheit 11 de
setembro venha a gerar discussão entre os americanos comuns
que só tiveram a oportunidade de ver pouco mais do que
"noticiários" noturnos da TV; nos quais os Estados Unidos
combatem os maléficos pelo mundo afora.
Moore questiona a maneira como a administração Bush tem usado
o 11 de setembro para justificar a "guerra ao terror", e pergunta
para quê toda essa guerra, a começar pelo fato de que em grande
parte ela está sendo combatida por gente pobre, enquanto os ricos
interesses privados se beneficiam.
Moore segue os recruta dores do exército em zonas degradadas,
em que as perspectivas de recrutamento são quentes; quase todos
já têm um amigo ou um parente no Iraque.
Tenta depois fazer os deputados inscreverem seus filhos para a
guerra e não encontra ninguém que aceite, embora o Congresso
tenha votado a favor da guerra.
Uma cena mostra Bush discursando num jantar de ricos que o
apóiam, chamando-os de "os ricos e os mais ricos ainda".
Bush sorri com afetação: "Algumas pessoas chamam vocês de
elite. Eu os chamo de minha base".
Esse cálido relacionamento entre Bush e a multidão dos mais ricos
ainda foi amplamente ignorado pela mídia, que deixa Bush se
apresentar como um sujeito folclórico..
Moore põe essa calorosa intimidade sob os holofotes.
E também mostra um trecho comovente de congressistas negros,
em
geral mulheres, impedidas em seus esforços de protestar contra
casos de privação de direito de voto de negros durante a eleição
presidencial de 2000.
Depois há a inesquecível seqüência de Bush, depois de receber a
informação de que um segundo avião atingiu o World Trade Center,
sentado em uma sala de aula da Flórida durante sete minutos
enquanto as criancinhas lêem uma história sobre uma cabra de
estimação.
Cravado ali naquela sala de aula, com câmeras em cima dele mas
ninguém para aconselhá-lo sobre o que fazer, Bush está perdido,
confuso, e inteiramente inútil para a nação.
Aviões de combate devem ser enviados? Edifícios devem ser
evacuados? A cabritinha encontrará um lar feliz? Quem sabe o que
está pensando aquele sujeito na frente da turma? Mas com aviões
seqüestrados ainda voando pelo país, parece difícil imaginar que
esse cara seja capaz de assumir o encargo de qualquer coisa,
muito menos a defesa do mundo livre.
E isso levanta a pergunta: por que as redes de televisão jamais
mostram esse trecho? Há anos ela está disponível na Internet e no
mínimo é tão interessante quanto aquele filme da boca de Saddam
Hussein sendo examinada depois de sua prisão - que a mídia
jamais se cansam de passar.
Se o trecho da cabritinha houvesse sido amplamente veiculado
como a cena da boca de Saddam - ou o trecho do final de carreira
de Howard Dean berrando depois de perder uma primária
democrata -, seria bem mais complicado para Bush apresentar-se
como o homem durão que defende os Estados Unidos dos
terroristas.
Ele seria para sempre o cara que escutava a história da cabritinha
enquanto o país pegava fogo - comportamento que no mínimo é
tão pouco presidencial quanto dar berros exuberantes na cara do
derrotado nas primárias.
Apesar dos esforços para detê-lo, Michael Moore conseguiu tirar da
obscuridade algumas questões e imagens vitais e lançá-las na
mídia convencional.
Isso parece mais impressionante do que fez Mel Gibson: pegou
uma história bastante conhecida e a contou de novo, só que desta
vez com mais violência.
Pode-se dizer que o filme de Gibson responde a pergunta: como
ficará um homem depois de apanhar horas a fio até virar uma
pasta?
O filme de Moore faz a pergunta mais urgente: como ficará o
mundo depois de mais quatro anos de George Bush?

"Moore interessado na política nacional: o cineasta


liberal está remodelando a eleição de 2004 nos
Estados Unidos"

Financial Times (Londres)


3 de julho de 2004
Cada campanha presidencial dos Estados Unidos apresenta seus
ícones anti-establishment. Barry Goldwater, Eugene McCarthy e o
reverendo Jesse Jackson perderam o voto popular, mas todos
contribuíram para o fermento democrático. Em 2004, o insurgente a
observar é Michael Moore, esse independente diretor de cinema...
Fahrenheit 11 de setembro quebrou os recordes de bilheteria para
documentários de longa-metragem...
Se esse súbito aumento no giro da catraca se traduzirá em votos
para o partido Democrata é algo que não está nada claro. O bom
senso alega que os filmes de Moore têm pouca atração além dos
ativistas liberais já acesos para tirar Bush da Casa Branca. Seus
votos estão garantidos. O senador John Kerry, presumível indicado
pelo partido Democrata, realmente precisa de uma boa estratégia
para conquistar os republicanos descontentes, muitos dos quais
parecem estar esfriando em relação a Bush.
Kerry está fazendo o melhor possível para chegar além da linha
divisória do partido fazendo uma campanha esmeradamente de
centro. Talvez ele vá mais longe com a escolha, a ser desvendada
em breve, de seu companheiro para a vice-presidência nesta
corrida eleitoral. Kerry desejará alguém que saiba atrair bem além
de sua própria base na Massachusetts liberal, os estados
industriais do Meio-Oeste, como Ohio e Pensilvânia, e também o
Sul.
No entanto, tanto Kerry quanto Bush fariam muito bem em
examinar mais de perto o fenômeno Fahrenheit 11 de setembro. O
sucesso do filme se encaixa em outro fato - que se percebe no
notável aparecimento de best-sellers políticos, inclusive as
memórias da intimidade do poder de ex-funcionários da
administração de Bush pai: os americanos redescobriram seu
interesse pela política nacional.
A causa mais próxima é o Iraque. Bush apostou pesado na idéia de
que os americanos o apoiariam como "presidente da guerra",
capaz de defender a nação contra o fundamentalismo islâmico. O
caos no Iraque e o número crescente de baixas dos Estados
Unidos têm erodido seriamente o apoio popular ao presidente, e a
ausência das tais armas de destruição de massa acabou com as
premissas sobre as quais foi feita essa guerra.
Novas pesquisas indicam que muitos americanos acreditam que a
guerra do Iraque aumentou e não diminuiu a ameaça do terrorismo
a mensagem de Fahrenheit 11 de setembro. Além do mais, o
argumento do filme de que a guerra do Iraque foi uma guerra de
escolha e não de necessidade é cada vez mais aceita, não apenas
entre ativistas liberais, mas também pelo establishment da política
externa.
Contra Bush está a transmissão do poder esta semana para o
governo interino do Iraque em Bagdá, indicando o fim da ocupação
americana. Ele está apostando em um realinhamento de longo
prazo no Oriente Médio. No entanto, não há nenhuma garantia de
que o Iraque será sucesso completo na data da eleição em
novembro.
Um ano atrás, a diatribe contra a guerra de Moore teria sido posta
de lado como política marginal. Hoje, o grandalhão de Flint,
Michigan, apresentou a maior de todas as surpresas com um filme
que tocou num sentimento da nação.
Esta é uma versão resumida de um editorial do Financial Times
publicado em 3 de julho de 2004.

"Michael Moore traz a guerra para casa"


O tipo de coisa que a mídia convencional não
contará para você

Sojourners Magazine
DANNY DUNCAN COLLUM, setembro de 2004
No cinema em que vi Fahrenheit 11 de setembro, entre as
próximas atrações estava o trailer de Diários de motocicleta - filme
a estrear sobre a juventude do revolucionário latino-americano
Ernesto "Che"
Guevara. O trailer terminava com a marcante citação: "Se você
deixar, o mundo mudar você, você poderá mudar o mundo".
Um bom presságio, pensei. O dia foi cheio de presságios. A foto de
Michael Moore e uma história sobre seu filme me saudaram na
primeira página do Memphis Commercial Appeal já no café da
manhã. Fomos almoçar antes da sessão e lá estava ele de novo,
na entrada do barzinho, na primeira página do USA Today.
O filme de Moore não frustrou as expectativas. Ali, na imensa tela
do cinema estava em uniforme o jovem negro Abdul Henderson,
cabo da Marinha, explicando que não voltaria ao Iraque porque não
estava a fim de "matar outros pobres coitados" que não são
nenhuma ameaça para o nosso país. Ali, depois de noventa
minutos em que as falsidades por trás da guerra do Iraque foram
surgindo, está a explicação (do 1984, de George Orwell) de que, no
final do dia, a manutenção de uma sociedade hierárquica exige a
guerra. Ela mantém as pessoas da base assustadas e
economicamente inseguras. "A guerra não é algo a ser vencido",
escreveu Orwell, em palavras que definem a guerra ao terror de
Bush, "é concebida para ser contínua."
Esse recado vem junto com detalhes do incestuoso relacionamento
entre o reino saudita e os Estados Unidos empresarial,
surpreendentes (e perturba dores) trechos com mortos e feridos
civis iraquianos e as vozes normalmente não ouvidas de soldados
americanos que deram suas pernas e se sentem amargurados pela
guerra no Iraque. Tudo isso é o que a mídia convencional não
contará para você. E aí está, em Fahrenheit 11 de setembro, uma
pancadinha no sistema convencional. Eu queria me levantar e
gritar: "Viva!".
Muita gente fez analogias entre a invasão do Iraque pelos Estados
Unidos e a guerra do Vietnã; os paralelos são reais. Mas nós, os
antiguerreiros, bem faríamos em lembrar que, comparados aos
nossos predecessores nessa fase inicial do desastre do Vietnã,
estamos bem à frente na brincadeira. A opinião pública já está
inclinada contra a guerra. Durante a era do Vietnã, isto só
aconteceu lá por 1969, quatro anos já haviam passado, em pleno
conflito.
Além do mais, na década de 1960 não existia nenhum Michael
Moore. Bom, existia sim, mas ainda era um garotinho numa escola
católica em Flint, no Michigan. Hoje, é um autor de sucesso de
diatribes político-humorísticas e diretor de documentários populares
de longa-metragem, ganhador de um Oscar. Temos a sorte de tê-lo
porque, se prestarmos atenção, ele nos indicará o caminho para
longe dos erros e asneiras do último grande movimento contra a
guerra.
Ao contrário de muitos ativistas pós-Vietnã, Michael Moore
realmente ama seu país e sua gente comum. Seu patriotismo não é
ideológico, é enraizado e local. A Flint dos operários é sua pedra de
toque. Ele emergiu como um artista-celebridade contando a história
do abandono de sua cidade natal pela General Motors em Roger &
eu ("Roger" era o CEO da General Motors, Roger Smith). Ele volta
a Flint no último ato de Fahrenheit 11 de setembro.
Em seu novo filme, a solidariedade de Moore está claramente com
os soldados que são obrigados a fazer o trabalho sujo da guerra
desse cara rico, com suas famílias lá em casa, e os garotos pobres
e da classe trabalhadora que são a presa dos que fazem o
recrutamento. Ele se preocupa mais com estes do que com
qualquer político democrata ou com os pacifistas de Fresno que
encontramos em uma trama secundária sobre o Ato Patriota em
Fahrenheit 11 de setembro.
Deveríamos fazer o mesmo. Os soldados que servem sob o
alistamento econômico dos Estados Unidos - pobres brancos,
negros e mestiços, homens e mulheres - são parte da grande
massa de americanos deserdados e deixados para trás pela
economia global. Eles afluem dos centros das zonas degradadas
das metrópoles e das cidadezinhas decadentes das zonas rurais e
lançam seus corpos jovens em troca da chance de uma educação
e uma carreira. Eles não são o inimigo. A longo prazo, são eles as
únicas pessoas que podem mudar este país.
Em cima dos créditos de encerramento de Fahrenheit 11 de
setembro, escutamos "Rockin' in the Free World" [Agitando num
mundo livre]. Esta canção já foi um hino para a derrubada do
presidente Bush-pai. Sic semper tyrannis. E continuemos
agitando...
"Fahrenheit 11 de setembro - os telespectadores
são atraídos ao cinema por notícias"

Associated Press
FRAZIER MOORE, 14 de julho de 2004

Tempo houve em que se tinha de ir ao cinema para ver o noticiário.


Aí chegou a televisão, que trouxe as notícias para dentro de casa.
Hoje, meio século depois, neste ano eleitoral, um imenso número
de pessoas descobriu que obter notícias sobre a guerra no Iraque,
e sobre a política que há por trás dela, faz uma ida ao Multiplex
valer muito bem a pena.
Quem poderia prever uma recaída como essa?
Nem os fãs nem os detratores de Michael Moore, cujo Fahrenheit
11 de setembro arrancou pilhas de espectadores viciados do sofá
desde sua estréia há três semanas.
Moore, naturalmente, sabe fazer barulho. No ano passado, um
bilhão de espectadores viu-o aceitar o prêmio da Academia de
melhor documentário por seu Tiros em Columbine, denunciando a
guerra de um "presidente fictício... Que vergonha, senhor Bush!"
Mas depois ele trabalhou mais esse tema com Fahrenheit 11 de
setembro, e a resposta do público foi bem maior do que qualquer
pessoa teria imaginado, disparando ondas de choque muito além
da espetacular bilheteria recorde de 80 milhões de dólares. É o
filme dele que está despertando o público - a favor e contra - e até
mesmo gente que não viu.
E fez algo mais. A maneira como o filme enquadra a presidência de
George W. Bush ("Será que é tudo um sonho?" - devaneia Moore
em cima de imagens de AI Gore comemorando sua curta vitória),
Fahrenheit 11 de setembro conseguiu ofuscar o jornalismo
convencional da televisão.
Junto com seus documentários anteriores, um longa-metragem
satírico e best-sellers políticos, Moore se envolveu em jornalismo
para televisão - ou melhor, em sua própria versão do jornalismo
televisivo. Ele dirigiu The Awful Truth, "programa de denúncias
travessas de corrupção administrativa" no canal Bravo e, antes
dele, criou e planejou o TV Nation para a NBC, que anunciava a
série de 1994-95 como "espetáculo de revista cômico-
investigativa".
Entre as histórias do TV Nation havia uma reportagem sobre
vendedoras Avon levando maquiagem para índias na selva
amazônica e o esforço de Moore em negociar a paz na Bósnia,
com os embaixadores da Sérvia e da Croácia fazendo serenata
com a canção do Barney.
Desnecessário dizer que TV Nation não é cria do NBC News (cuja
mais importante revista eletrônica de notícias, a Dateline NBC,
havia sido abalada por escândalo um ano antes, depois de
provocar um fogoso acidente de caminhão para uma reportagem
sobre o risco de incêndio nas picapes da GM).
Moore provavelmente jamais se encaixaria no molde do noticiário
da televisão. Por exemplo, é bastante difícil imaginá-lo fazendo
algo por Stone Phillips como âncora do Dateline NBG. Moore é
uma espécie de personalidade de nicho.
Concordo, um estilo pessoal marcante não feriu o veterano
fanfarrão Geraldo Rivera do canal da FOX NEWS, ou John Stossel,
o anarquista panfletário da ABC News.
O volumoso Moore enfiado num jeans é um excêntrico muito
dedicado, com um ar mal-ajambrado e uma agenda liberal. Há
muito tempo ele baliza suas afirmações como repórter-provocador
bem distanciado do repórter jornalístico convencional bem vestido.
Ainda mais surpreendente é que a instituição do noticiário
televisivo, que transmite seu conteúdo de graça durante as 24
horas do dia, tenha sido eclipsada por um filme independente que
custa um bom dinheiro para ser visto e que até bem poucas
semanas atrás sequer havia conseguido um distribuidor.
Então, o que Fahrenheit 11 de setembro traz à sua platéia que os
noticiários até agora não trouxerem?
Para os iniciantes: o trecho do vídeo dos soldados americanos em
recuperação, baixas do Iraque, presidente Bush na sala de aula
paralisado durante sete minutos depois de saber dos ataques
terroristas. É um vídeo que você provavelmente viu em algum
lugar, e sai do cinema se perguntando: "Por que, diabos, não?".
Fahrenheit 11 de setembro, que venceu o maior prêmio do Festival
de Cinema de Cannes em maio, trata de assuntos importantes com
humor, fúria e descarado sectarismo que exige uma reação do
espectador.
E proporciona uma revigorante alternativa para a exigente
objetividade que reina nos canais de noticiários de TV (inclusive,
naturalmente, o "justo e equilibrado" canal FOX NEWS, cuja falta
de objetividade provavelmente seja seu maior patrimônio). Esses
fornecedores dos noticiários da Grande Mídia serviram como
facilitadores da administração Bush desde sua disputada eleição,
declara Moore, um sujeitinho cujo recado é inequivocamente dele
mesmo.
Moore tem estado sob os olhos do público desde que, em 1989,
seu primeiro longa Roger & eu se tornou um sucesso, emergindo
do nada.
Nesse meio tempo, as empresas que controlavam a ABC, a CBS e
a CNN foram engolidas por conglomerados ainda maiores. A NBC
News e seu canal a cabo MSNBC, lançada em 1996, permanecem
sob as asas da gigantesca General Electric, ao passo que o canal
FOX NEWS foi criado em 1996 pela gigante da mídia global News
Corpo
Inabalado com a agitação da mídia, Moore agora é bastante
conhecido, uma força da mídia que faz seu próprio caminho. Talvez
esta seja outra razão pela qual tanta gente tenha levantado de sua
poltrona para ir ver seu novo filme. E a razão pela qual até mesmo
os que não vão não conseguem deixá-lo em paz.

"Fahrenheit 11 de setembro recrutou platéia


inesperada: soldados dos EUA"

The Wall Street Journal


SHAILAG MURRAY, 12 de julho de 2004

FAYETTEVILLE, Carolina do Norte - John Atkins não é o tipo de


pessoa que se esperaria encontrar no meio da multidão que vem
ao cinema Cameo para ver Fahrenheit 11 de setembro, o filme de
Michael Moore.
O metralhador do exército americano de 26 anos, de Fort Bragg,
votou pelo presidente Bush. Formado pela Universidade de Bolder,
Colorado, ele se alistou no ano passado "para servir ao meu país"
e espera ir para o Iraque mais tarde, -em 2004.
"Aquilo me fez pensar muito", diz o soldado Atkins depois de uma
apresentação do documentário de Moore. "Acho que me sinto um
tanto decepcionado. Agora tenho muito mais perguntas do que
respostas."
Todos os dias desde a estréia de Fahrenheit 11 de setembro na
cidade, mais de duas semanas atrás, homens e mulheres militares
encheram os 125 lugares do Cameo.
"Todo mundo acha que os militares são muito firmemente
republicanos", diz o sargento Brandon Leetch, um especialista da
inteligência militar que passou algum tempo no Afeganistão. "Isto
aqui mostra que não somos todos iguais", diz ele, olhando ao redor
antes de o filme começar.
Embora um cinema multiplex dos arredores também tenha
começado a passar Fahrenheit 11 de setembro em duas telas (o
que significa que os moradores de Fayetteville têm sua dose de
dez sessões por dia), a maior parte das dezenas de milhares de
soldados que residem na área provavelmente não verá o filme. Em
todo caso, soldados e suas famílias constituem bem mais de
metade de cada platéia no Cameo, segundo a estimativa do
proprietário do cinema, Nasim Keunzel.
Isto surpreende Peter Feaver, cientista político e especialista militar
da Duke University, Carolina do Norte. Entre os militares há uma
sensação de que "a mídia está nos apunhalando pelas costas,
como fez durante o Vietnã", e o filme de Moore seria a "prova do
crime", diz ele.
A maioria dos espectadores estão vindo de Fort Bragg, logo ali
depois da estrada. Às vezes alguns fuzileiros navais de Camp
Lejeune, a cerca de duas horas de distância, juntam-se a eles. Na
noite em que o soldado Atkins assistiu ao filme, três soldados
chegaram da Carolina do Sul bem depois que os ingressos para a
sessão das 19h30 havia esgotado, como sempre. O bilheteiro
arrumou umas cadeiras num corredor lateral.
Fahrenheit 11 de setembro é um retrato cruelmente satírico e
polêmico da presidência de Bush, embora tenha cenas simpáticas
de soldados de combate e suas famílias. Os críticos dizem que ele
distorce os fatos para reforçar seu argumento.
O filme estreou em 868 cinemas durante a semana de 25 de junho,
e está sendo apresentado em mais de 2.011 cinemas pelo país
afora. Na semana passada, estreou no Reino Unido, na Bélgica,
França e Suíça.
O U.S. Army and Air Force Exchange Service [Departamento de
abastecimento do exército e aeronáutica dos Estados Unidos], que
distribui filmes em 164 cinemas de bases pelo mundo afora, está
tentando reservar o Fahrenheit 11 de setembro, diz o porta-voz
Judd Ansley.
"A nossa política é de que se um filme faz sucesso nos Estados
Unidos e conseguimos uma cópia, nós a apresentaremos", diz ele.
Atualmente, todas as cópias estão em cinemas comerciais. Ele diz
que levou cerca de um mês para conseguir outro recente sucesso
surpreendente, A paixão de Cristo de Mel Gibson.

Parada fora do comum


O Cameo não é um ponto de parada habitual para os soldados de
Fort Bragg. A sra. Keunzel e seu marido transformaram um prédio
dilapidado localizado no centro de Fayetteville num cinema com
duas telas porque adoravam filmes estrangeiros e filmes
independentes, e estavam cansados de ter de dirigir até Raleigh
para vê-los.
Ela diz que sequer teve de anunciar a estréia de Fahrenheit 11 de
setembro no jornal de Fort Bragg. O distribuidor de cinema da área
lhe dissera "os militares não vão querer ver esse filme".
Mas as duas primeiras sessões marcadas esgotaram tão depressa
que ela acrescentou uma sessão à meia-noite. No dia seguinte,
acrescentou mais sessões, chegando a cinco por dia. Todas
lotadas, ainda que as novas sessões nunca tenham sido
anunciadas na mídia.
O sargento Billy Alsobrook, 28 anos, mecânico de mísseis num
batalhão de apoio, certa tarde foi uniformizado até Cameo para
comprar as entradas para a sessão da noite, de modo a poder
trazer a mulher.
"Ouvi dizer que fizeram uma porção de entrevistas com soldados",
diz o sargento Alsobrook, cujo período de um ano no Iraque
terminou em fevereiro. Ele espera voltar em setembro. Natural da
Flórida, disse: "Quero escutar um outro ponto de vista sobre Bush.
Mal não faz...!"
"Como enquadrar Michael Moore"

In These Times
JOEL BLEIFUSS, 24 de junho de 2004
O que é que Bill Clinton, John Kerry e Michael Moore têm em
comum? Todos foram vítimas da caneta envenenada de Michael
Isikoff.
Na Newsweek de 28 de junho, Isikoff repudiou Fahrenheit 11 de
setembro como "uma miscelânea de jornalismo investigativo,
comentário parcial e teorias da conspiração". E segue em frente,
discutindo três das que ele chama de alegações mais provocativas
de Moore, levando assim o leitor desavisado a se perguntar o que
mais teria Moore inventado. Adiante me estenderei sobre isso.
Primeiro relato uma história sobre a "miscelânea de jornalismo
investigativo, comentário parcial e teorias da conspiração" do
próprio Isikoff.
Em abril de 1989, o Foreign Relations Subcommittee in Terrorism,
Narcotics and International Operations [Subcomitê sobre
Terrorismo, Drogas e Operações Internacionais das Relações
Exteriores] de John Kerry divulgou um minucioso relatório
concluindo que os Contras estavam envolvidos em tráfico de
drogas e que os funcionários da administração Reagan sabiam
desse envolvimento.
No dia 14 de abril de 1989, num artigo do Washington Post, Isikoff
minimizava as descobertas do relatório e afirmava que as
alegações de tráfico de drogas por contras de alto escalão "não
poderiam ser comprovadas". Em seguida, a matéria "Conventional
Wisdom Watch" da Newsweek chamou Kerry de "libidinoso fanático
por conspiração".
O Post não teve mais nada a dizer sobre o assunto até o outono de
1991, quando o general Manuel Noriega foi a julgamento por
acusações de tráfico de drogas em Miami. Isikoff então escreveu:
"As alegações de que o governo trabalhou com traficantes
conhecidos para armar os Contras foram levantadas durante anos,
mas investigações do Congresso no final dos anos 80 encontraram
poucas provas para fundamentar as acusações de que esta fosse
uma atividade organizada aprovada por funcionários do alto
escalão dos Estados Unidos".
Esta afirmação logo foi contradita pelas próprias testemunhas do
governo americano contra Noriega. Em outubro de 1991, Floyd
Carlton Caceres declarou que sua operação de contrabando levou,
de avião, armas dos Estados Unidos para os Contras na Nicarágua
e no retorno do vôo trouxe cocaína para o país. Contudo, o juiz
federal "William Hoeveler, apoiando todas as objeções dos
promotores dos Estados Unidos, recusou permitir que o advogado
de defesa de Noriega pressionasse Caceres mais sobre o assunto.
A certa altura, Hoeveler retrucou: "Mantenha-se longe disso!"
Em novembro de 1991, Carlos Lehder, o condenado barão da
droga na Colômbia e testemunha do governo, disse ao tribunal que
um oficial americano não identificado se oferecera para permitir
que ele contrabandeasse cocaína para os EUA em troca do uso de
uma ilha das Bahamas, de sua propriedade, como parte da rota do
abastecimento dos Contras. Lehder declarou ainda que o cartel
colombiano havia doado 10 milhões de dólares aos Contras.
A essa altura, o Post finalmente reparou na história. "As audiências
de Kerry não receberam a atenção merecida na época", concluía o
editorial. "O julgamento de Noriega traz este aspecto sórdido do
envolvimento da Nicarágua para atrair a atenção do público." O
editorialista do Post poderia ter acrescentado: "Realmente, nosso
próprio repórter Michael Isikoff nos deixou na mão".
Isikoff escreveu um artigo sobre Bill e Hillary Clinton promovendo o
escândalo Whitewater. Em uma série de histórias do Post no final
de 1993 e início de 1994, citando fontes cujos nomes não listava,
Isikoff oferecia revelações sobre manobras burocráticas que
soavam agourentas ("Funcionários do departamento de Justiça
estão dando andamento a duas investigações separadas que
foram expandidas") e especulações não-comprovadas de outras
fontes sem nome ("Bill e Hillary Clinton talvez tenham se
beneficiado do suposto plano"). A imprensa foi atrás e uma
investigação que usou 52 milhões de dólares do dinheiro público
deu em nada.
Na década de 1990, Isikoff também foi um dos principais repórteres
sensacionalistas de Washington. Estivera farejando um fumegante
pênis presidencial desde 1994, quando foi suspenso do Post
depois de uma briga com os editores a respeito de seu exagerado
zelo em repetir as duvidosas declarações de Paula Jones contra o
presidente Clinton.
Mas em 1998, empregado na Newsweek, ele deu com o grande
filão, com uma ajudinha de Linda Tripp. Naquele ano, Isikoff teve a
chance de escrever para a Newsweek sete histórias que
mencionavam o sêmen do presidente Clinton.
O ''fornigate'' teve seu início no "dia 17 de janeiro de 1998, quando
o fofoqueiro Matt Drudge informou o seguinte item da notícia no
"The Drudge Report", sua revista online: "No último minuto, às 6
horas da tarde de sábado, a revista NewS71Jeek matou uma
história [do repórter Michael Isikoff] que estava destinada a abalar a
Washington oficial até suas bases: uma estagiária da Casa Branca
teve um caso sexual com o presidente dos Estados Unidos!". Na
manhã seguinte, outro editor de direita, William Kristol, do Weekly
Standard, trouxe a matéria ao programa This Week with Sam and
Cokie, da ABC. Na quarta-feira os jornais informavam os boatos. O
impeachment estava no ar.
Agora Isikoff virou os olhos para Moore, mentindo na Newsweek e
em uma subseqüente aparição no programa "The O'Reilly Factor"
da FOX para afirmar que ninguém deve acreditar em Moore.
Isikoff alega que, ao contrário dos fatos apresentados em
Fahrenheit 11 de setembro, os seis vôos fretados que levaram os
sauditas para fora dos Estados Unidos "só começaram no dia 14
de setembro, depois que o espaço aéreo foi aberto". O filme diz o
seguinte:

A Casa Branca deu sua autorização para que aviões recolhessem


membros da família Bin Laden e muitos outros sauditas. Pelo
menos seis aviões particulares e quase duas dúzias de aviões
comerciais tiraram os Bin Laden e outros sauditas dos Estados
Unidos depois do dia 13 de setembro. Ao todo, 142 sauditas,
incluindo 24 membros da família Bin Laden, foram autorizados a
deixar o país.

Isikoff também discute a afirmação do filme de que o grupo Carlyle


- empresa em que George W. Bush e membros da família Bin
Laden estavam envolvidos - lucraram "com o 11 de setembro,
porque a empresa era dona da United Defense, uma fornecedora
militar". Isikoff aponta: "O sistema do foguete de artilharia Crusader
de 11 bilhões de dólares da United Defense, desenvolvido para o
exército americano, é um dos poucos sistemas de armas
cancelado pela administração Bush".
Mais uma vez, Isikoff está distorcendo a verdade. O contrato do
Crusader foi cancelado depois que o grupo Carlyle vendeu a United
Defense. Fahrenheit 11 de setembro diz o seguinte:

O 11 de setembro garantiu um ano excelente para a United


Defense. Apenas seis semanas após os atentados, a Carlyle deu
início ao trâmite para lançar ações da United Defense na Bolsa e
em dezembro, num único dia, lucrou 237 milhões de dólares.

A saber, no dia 10 de janeiro de 2002, Mark Fineman, do Los


Angeles Times, escrevia:

Em apenas um dia do mês passado, a Carlyle lucrou 237 milhões


de dólares vendendo ações das United Defense Industries, a quinta
maior contratante do exército. A renda das ações chegou na hora
certa: funcionários da Carlyle dizem que eles decidiram abrir a
empresa somente depois dos ataques de 11 de setembro [...] em
26 de setembro [de 2001], o exército assinou um contrato
modificado de 665 milhões de dólares com a United Defense até o
fim de abril de 2003 para completar a fase de desenvolvimento do
Crusader. Em outubro, a companhia listou o Crusader e os ataques
terroristas como pontos de venda para a oferta de ações.

Naturalmente, Isikoff sequer menciona um dos fatos mais


reveladores apresentados em Fahrenheit 11 de setembro. Em
2004, quando a Casa Branca liberou a ficha do serviço militar de
Bush, fizera desaparecer o nome do seu bom amigo, James Bath.
(Na cópia do original obtida por Moore, o nome de Bath não havia
sido revisto.) Os dois se encontraram na Guarda Aérea Nacional do
Texas e ambos foram suspensos em 1972 por deixarem de se
apresentar para o exame médico. (Em Fahrenheit 11 de setembro
a câmera passeia pelo registro enquanto ao fundo toca a canção
"Cocaine" de Eric Clapton.) Em 1976, Bath foi contratado pela
família Bin Laden para administrar seu dinheiro no Texas. Três
anos depois, Bath deu a Bush 50 mil dólares em troca de 5% de
ações de seu primeiro negócio, a Arbusto Energy. Há muito tempo
se suspeita mas jamais foi provado que o dinheiro da Arbusto veio
diretamente de Salem Bin Laden, chefe da família e irmão de
Osama bin Laden. (Veja "Questionable Ties: Tracking Bin Laden's
Money Flow Leads Back to Midland, Texas", de autoria de Wayne
Madsen, 12 de novembro de 2001.)
Fahrenheit 11 de setembro é um documentário
impressionantemente forte. Moore reúne uma série de material de
arquivo - um jovem George W. dirigindo pelo país afora, Paul
Wolfowitz alisando o cabelo para trás com cuspe enquanto se
prepara para as câmeras, Bush fazendo um discurso num jantar
para levantamento de fundos: É impressionante a turma que está
aqui hoje. Os ricos e os mais ricos ainda! Algumas pessoas
chamam vocês de elite. Eu os chamo de 'minha base’.
Moore entrelaça documentos históricos com suas vinhetas
marcantes - dois recrutadores da Força Aérea logrando jovens para
o serviço militar, a mãe enlutada cujo filho soldado foi morto no
Iraque e congressistas fugindo quando ele pede que assinem e
alistem seus filhos na guerra.
Com essas e outras, Moore constrói um hábito de penitência de
aniagem para um presidente nu e que, em novembro, se o
eleitorado quiser, estará desempregado. Significativamente, graças
a Michael Moore.
Sim, Fahrenheit 11 de setembro é propaganda, assim como o
noticiário da noite ou a primeira página de qualquer jornal diário. Só
que Moore é mais direto com o que tenta provar. Os críticos
alegam que ele está acusando em falso o presidente. Não
exatamente. Moore constrói seu argumento com as próprias
palavras do presidente, incontáveis fatos condenatórios e o
testemunho dos que foram mais afetados pela guerra.
O que deixa os críticos realmente furiosos é que Fahrenheit 11 de
setembro pode surtir efeito na eleição presidencial. Depois de
quebrar recordes em Nova York, o filme estréia na sexta-feira, 25
de junho, e na segunda-feira, dia 28, a MoveOn fará uma noite de
festas por toda a nação. Essas festas, mais de mil, culminarão com
um encontro nacional online da cidade com Moore.
Para lutar contra, alguém ou uma organização desconhecida
contratou a firma de relações públicas Russo, Marsh & Rogers, de
Sacramento, Califórnia. A empresa, que tem fortes laços com o
partido Republicano, criou um site na Internet, o
MoveAmericaForward.org, para atacar Fahrenheit 11 de setembro.
Os relações públicas responsáveis pelo site e pela publicidade
estimulavam:

Os americanos que viram no filme Fahrenheit 11 de setembro uma


tentativa de sabotar a guerra ao terror, devem fazer os operadores
do cinema saberem de suas objeções. Pense nisso... Se ao entrar
em uma loja do Wal Mart e notar que estão vendendo mercadoria
que. ataca os militares, os nossos soldados e a batalha dos
Estados Unidos contra o terrorismo islâmico, você não reclamaria
para o gerente ou escreveria uma carta pedindo que não venda
aquele produto porque ele está sabotando o nosso esforço
nacional?

Outros à direita pretendem enfrentar Moore com um filme de sua


própria lavra - Michael Moore Hates América: A Documentary That
Tells the Truth about a Great Nation. (Michael Moore detesta a
América: Um documentário que conta a verdade sobre uma grande
nação).
Será bem difícil vender esse material para qualquer pessoa que
tenha visto Fahrenheit 11 de setembro, em que está muito claro
que Michael Moore ama os Estados Unidos. É a administração
Bush que ele não agüenta.

PARTE V
Além de
Fahrenheit 11 de setembro.
Mais escritos sobre as questões do filme
"Salvando os sauditas"

Vanity Fair
CRAIG UNGER, outubro de 2003

Na manhã de 13 de setembro de 2001, um detetive particular de 49


anos chamado Dan Grossi recebeu um telefonema inesperado do
Departamento de polícia de Tampa. Grossi trabalhara durante 20
anos com a força policial de Tampa antes de se aposentar e não
era particularmente estranho que a polícia recomendasse antigos
policiais para missões especiais de segurança. Mas a nova tarefa
de Grossi era bem fora do comum.
Dois dias antes, terroristas tinham seqüestrado quatro aviões de
passageiros e praticado a pior atrocidade da história americana.
Quinze dos 19 seqüestradores eram da Arábia Saudita. "A polícia
estivera oferecendo proteção a estudantes sauditas desde 11 de
setembro", relembra Grossi. "Eles me perguntaram se eu estaria
interessando em escoltar alguns estudantes de Tampa até
Lexington, Kentucky."
Grossi recebeu instruções para ir até o aeroporto, onde um
pequeno jato fretado estaria disponível para conduzi-lo, junto com
os sauditas, ao vôo deles. "Para ser sincero, eu sabia que todos os
vôos estavam proibidos", disse ele. "Nunca imaginei que aquilo
fosse acontecer." Mesmo assim, Grossi, a quem pediram que
levasse um colega, telefonou para Manuel Perez, ex-agente do
FBl, dizendo-lhe que ficasse de prontidão. Perez mostrou-se
igualmente incrédulo. "Eu disse, 'Esqueça o assunto"', relembra
Perez. "Ninguém vai voar hoje."
Os dois homens tinham bons motivos para se mostrar cépticos.
Poucos minutos depois dos ataques do 11 de setembro, a
Administração Federal de Aviação (FAA) enviara uma nota especial
chamada notam - um aviso aos pilotos - ordenando que todos os
aviões que estivessem no espaço aéreo dos Estados Unidos
aterrissassem o quanto antes no aeroporto mais próximo e
proibindo a decolagem dos aviões que estivessem em terra. O ex-
vice-presidente AI Gore ficou detido na Áustria quando o seu vôo
para os Estados Unidos foi cancelado. Bill Clinton também adiou
uma viagem. Jogos de beisebol da primeira divisão foram
cancelados. Pela primeira vez em um século, o espaço aéreo
americano estava tão vazio quanto estivera quando os irmãos
Wright voaram pela primeira vez em Kitty Hawk.
Não obstante, mais ou menos às 13h30 ou 14h00 do dia 13, Dan
Grossi recebeu o telefonema. Ele foi informado que os sauditas
seriam conduzidos ao Raytheon Airport Services, um hangar
particular no Aeroporto Internacional de Tampa.
Quando ele e Perez se encontraram no terminal, uma mulher riu de
Grossi por ele achar que voaria naquele dia. Os vôos comerciais
tinham recomeçado pouco a pouco, mas às 10h57 a FAA divulgara
outro aviso aos pilotos, lembrando que os vôos particulares ainda
estava proibidos. Três aviões particulares violaram a interdição
naquele dia e, em cada caso, dois jatos de guerra rapidamente
obrigaram a aeronave a aterrissar. No que tangia aos aviões
particulares, a proibição ainda vigorava. "Disseram-me que o
procedimento teria a aprovação da Casa Branca", afirma Grossi.
Sem o conhecimento de Dan Grossi, o príncipe Bandar bin Sultan,
embaixador saudita nos Estados Unidos, de 52 anos de idade,
estivera em Washington coordenando a fuga de cerca de 140
sauditas espalhados pelo país, que eram membros de duas
enormes famílias ou seus amigos íntimos. Uma delas era a Casa
de Saud, a família que governa o Reino da Arábia Saudita e que,
devido às suas vastas reservas de petróleo, é a família mais rica do
mundo. A outra era formada pela família Bin Laden, cujos membros
são amigos e aliados da família dominante, os quais, além de
possuir um conglomerado de construção civil no valor de muitos
bilhões de dólares, havia gerado o notório terrorista Osama bin
Laden. Graças ao relacionamento extremamente próximo da
família Bin Laden com a Casa de Saud, a enorme empresa de
construção civil da família, o Saudi Bin Laden Group, havia obtido
contratos para restaurar as mesquitas sagradas em Meca e
Medina, dois dos maiores símbolos do Islã.
A repatriação dos sauditas é bem mais do que apenas um caso em
que a Casa Branca concede a árabes abastados um status
especial na presença de condições extraordinárias. Antes de mais
nada, nos dois anos que se seguiram ao atentado do 11 de
setembro, vários sauditas de posição elevada, inclusive a família
Bin Laden e os membros da família real, foram atacados devido à
sua suposta participação no financiamento do terrorismo. Quatro
mil parentes das vítimas do atentado do 11 de setembro deram
entrada em uma ação ordinária no valor de um trilhão de
dólares em Washington, D.C., denunciando a Casa de Saud, a
família Bin Laden e centenas de outras pessoas por mortes
criminosas, conspiração e participação no crime organizado, por
terem contribuído com dezenas de milhões de dólares para
instituições de caridade que eram fachadas para a Al-Qaeda. Além
disso, documentos do FBl marcados como "Confidenciais" indicam
que dois membros da família Bin Laden, a qual tem repetidamente
se distanciado de Osama bin Laden, estavam sendo investigados
pelo departamento devido a suspeitas de associação com uma
instituição de caridade islâmica apontada como um grupo de apoio
ao terrorismo.
Mais recentemente, em julho, o governo pediu ao Congresso que
retivesse 28 páginas do seu relatório oficial sobre o atentado de 11
de setembro. De acordo .com os noticiários, a seção confidencial
denuncia que houve vínculos entre os seqüestradores e dois
sauditas, Omar al Bayoumi e Osama Bassnan, que tinham
relacionamentos financeiros com membros do governo saudita. As
autoridades sauditas negam que o seu governo esteja de alguma
maneira relacionado com os atentados. Os sauditas solicitaram que
as páginas fossem tornadas públicas para que eles pudessem
refutá-Ias, mas o pedido foi negado pelo presidente Bush.
Os especialistas em terrorismo dizem que os sauditas presentes
nos Estados Unidos logo depois dos ataques talvez pudessem ter
sido capazes de lançar luz sobre a estrutura da Al-Qaeda e
fornecer valiosas indicações para a investigação do atentado do 11
de setembro. No entanto, segundo fontes que participaram da
repatriação, eles deixaram os Estados Unidos sem ao mesmo ser
interrogados pelo FBl.
Oficialmente, a Casa Branca recusou-se a fazer comentários e uma
fonte interna afirmou que os vôos nunca aconteceram. No entanto,
ex-representantes do governo Bush deram declarações diferentes
à revista Vanity Pairo.
Como foi possível que, assim que o presidente Bush declarou uma
guerra global irrestrita ao terrorismo que enviaria centenas de
milhares de soldados americanos ao Afeganistão e ao Iraque, e tão
logo Osama bin Laden tornou-se o Inimigo Público número um e
alvo de uma caçada humana internacional, a Casa Branca tenha
agilizado a partida de um número tão considerável de possíveis
testemunhas, inclusive de duas dúzias de parentes do homem que
estaria por trás do próprio ataque?
O incidente é particularmente importante devido ao relacionamento
especial que os sauditas há muito mantêm com os Estados Unidos
e,
em particular, com a família Bush. Durante décadas, a Arábia
Saudita tem sido um dos mais poderosos aliados dos Estados
Unidos no Oriente Médio, sem mencionar que tem sido também um
enorme manancial de petróleo. Há mais de 20 anos a família Bush
e a Casa de Saud, as duas dinastias mais poderosas do mundo,
possuem estreitos vínculos pessoais, comerciais e políticos. Na
década de 1980, quando o Bush mais velho era vice-presidente,
ele e o príncipe Bandar se tomaram amigos pessoais. Juntos,
fizeram lobby para a venda maciça de armas americanas aos sau-
ditas e participaram de empreendimentos críticos relacionados com
a política externa. Os sauditas e o Bush mais velho foram aliados
na Guerra do Golfo em 1991.
No setor privado, os sauditas ajudaram a Harken Energy, uma
companhia de petróleo em dificuldades da qual George W Bush era
um dos investidores. Mais recentemente, o ex-presidente George
H. W Bush e o ex-secretário de estado James A. Baker III, seu
antigo aliado, apresentaram-se diante dos sauditas nos eventos de
arrecadação de fundos para o grupo Carlyle, possivelmente a
maior empresa de participação acionária do mundo. Hoje, o ex-
presidente Bush continua a atuar como consultor sênior para a
empresa, que supostamente conta entre os seus investidores com
um saudita acusado de ter vínculos com grupos de apoio a
terroristas.
"Sempre esteve bem claro que existem laços profundos entre a
família Bush e os sauditas", afirma Charles Lewis, chefe do Center
for Public Integrity [Centro de Integridade Pública], uma fundação
situada em Washington, D.C., que examina questões éticas no
governo. Este fato gera um problema de credibilidade. No que diz
respeito à guerra contra o terrorismo, muitas pessoas devem estar
se perguntando por que estamos preocupados com alguns países
e com outros não. Por que a Arábia Saudita tem passe livre?"
Em um dia úmido de julho, Nail al-Jubeir, diretor de informações da
Arábia Saudita, encontra-se no seu escritório da embaixada saudita
em Washington e relembra a manhã do 11 de setembro de 2001.
Como muitas pessoas, al-Jubeir estava a caminho do trabalho
naquela manhã e tão logo ouviu dizer que um segundo avião se
chocara contra a torre sul do World Trade Center, compreendeu
que os terroristas tinham atacado.
Os dias que se seguiram presenciaram um enorme tumulto na
embaixada saudita. Cidadãos sauditas inocentes foram presos nos
Estados Unidos. "Este fato criou um problema", comenta al-Jubeir.
"Como proteger os sauditas que estão sendo detidos? A nossa
preocupação era a segurança dos sauditas que estavam aqui nos
Estados Unidos."
Inicialmente, o príncipe Bandar tivera a esperança de que os
primeiros relatos do papel dos sauditas nos atentados tivessem
sido exagerados; afinal de contas, todos sabiam que os agentes
terroristas da Al-Qaeda usavam passaportes falsos. Mas às dez
horas da noite do dia 12 de setembro, aproximadamente 36 horas
depois dos ataques, um alto funcionário da ClA - segundo a revista
Newsweek, provavelmente o diretor da entidade, George Tente -
telefonou para Bandar e deu a ele as más notícias: 15 dos 19
seqüestradores eram sauditas.
Após duas décadas no cargo de embaixador, Bandar havia muito
era a figura mais reconhecível do seu país nos Estados Unidos.
Amplamente conhecido como o "Gátsby árabe," com a sua
barbicha de bode bem aparada e temos trespassados feitos sob
medida, Bandar personificava as contradições do membro atual da
Casa real de Saud, pertencente ao jetset internacional e com
tendências ocidentais. Ele sabia que as relações públicas nunca
haviam sido tão cruciais para os sauditas.
Com a ajuda da Burson-Marsteller, a gigante das relações públicas,
Bandar lançou uma intensa campanha na mídia. Colocou anúncios
em jornais de todo o país condenando os atentados e
desvinculando a Arábia Saudita deles. Na televisão, bateu
repetidamente na mesma tecla: a Arábia Saudita apoiaria os
Estados Unidos na luta contra o terrorismo. Os seqüestradores não
podiam nem mesmo ser considerados verdadeiros sauditas,
afirmou ele, porque "nós, membros do reino, o governo e o povo da
Arábia Saudita, nos recusamos a aceitar que qualquer pessoa
associada ao terrorismo tenha alguma ligação com o nosso país".
E isto incluía Osama bin Laden, declarou Bandar, visto que o
governo havia cancelado o seu passaporte como resposta às suas
atividades terroristas.
Osama bin Laden, contudo, era saudita, e não apenas um saudita
qualquer. Bandar conhecia bem os membros da sua importante
família. "Eles são seres humanos realmente adoráveis", declarou à
CNN. "[Osama] é o único que... Só estive com ele uma vez. Os
outros são instruídos, homens de negócios bem sucedidos,
envolvidos com inúmeras obras de caridade. É muito, muito
trágico... Ele causou uma grande dor à família."
A família Bin Laden exemplifica de um modo impecável o dilema
que os Estados Unidos enfrentam nas suas relações com a Arábia
Saudita. Por um lado, a família é um produto do fundamentalismo
wahhabi, uma seita islâmica austera e moralista que ajudou a
tornar a Arábia Saudita um campo fértil para a reprodução dos
terroristas. Contrariando a crença popular, Os ama não era o único
membro da imensa família Bin Laden - são mais de cinqüenta
irmãos - que mantinha laços com os fundamentalistas islâmicos
militantes. Já em 1979, Mahrous bin Laden, meio-irmão mais velho
de Osama, 'amparara membros da Irmandade Muçulmana militante
e desempenhara, talvez de um modo inconsciente, o papel
principal na Questão de Meca, um violento levante contra a Casa
de Saud em 1979 que resultou em mais de cem mortes.
Posteriormente, o Saudi bin Laden Group tornou-se parte do que
foi conhecido como "a Cadeia de Ouro", uma lista de sauditas
abastados que promoveram os primórdios da Al-Qaeda no final da
década de 1980, algum tempo antes de ela ser considerada uma
ameaça internacional.
Por outro lado, anos atrás, a família Bin Laden se desvinculara de
Osama e dos seus terríveis atos terroristas. Estou me referindo aos
bilionários sauditas que realizavam operações bancárias com o
Citigroup, faziam investimentos com a Goldman Sachs e a Merrill
Lynch, e negociavam com ícones da cultura ocidental como a
Disney, a Snapple e a Porsche.
Os jovens da família Bin Laden e os membros da Casa de Saud
que moravam nos Estados Unidos' em setembro de 2001 eram em
sua maioria estudantes que freqüentavam o segundo grau ou a
faculdade, e jovens profissionais. Vários membros da família Bin
Laden tinham freqüentado a Tuffs University, nas imediações de
Boston. Sana bin Laden se formara pelo Wheelock College, em
Boston. Abdullah bin Laden, irmão mais novo de Osama, graduara-
se em 1994 pela Harvard Law School e tinha escritórios em
Cambridge, Massachusetts. Dois outros membros da família Bin
Laden - Mohammed e Nawaf - eram proprietários de apartamentos
no condomínio Flagship Wharf em Boston Harbor.
Wafah (que às vezes se escreve Waffa) Binladin, de 26 anos,
diplomada pela Columbia Law School, pagava 6 mil dólares por
mês por uma água-furtada no SoHo, em Nova York, e estava
pensando em se dedicar profissionalmente ao canto. Ela
freqüentava assiduamente casas noturnas e restaurantes da moda
de Manhattan como a Lotus, o Mercer Kitchen e o Pravda, e por
acaso estava em Londres em 11 de setembro e não voltou aos
Estados Unidos. Kameron bin Laden, na casa dos 30 anos, e primo
de Osama, também freqüentava as casas noturnas de Manhattan e
consta que, menos de dois meses depois do atentado de 11 de
setembro, gastou quase 30 mil dólares em um único dia na butique
Prada da Quinta Avenida. Ele optou por permanecer nos Estados
Unidos. No entanto, o meio-irmão Khalil Binladin decidiu voltar para
Jiddah. Khalil, que tem uma esposa brasileira, fora nomeado cônsul
honorário do Brasil em Jidda, embora também seja dono de uma
vasta propriedade rural de oito hectares em Winter Garden, na
Flórida, perto de Orlando.
Já os membros da família real saudita estavam espalhados pelo
território americano. Alguns tinham ido para Lexington, Kentucky,
para participar dos leilões de cavalos, suspensos em 11 de
setembro, mas reiniciados no dia seguinte. O príncipe saudita
Ahmed Salman, freqüentador habitual de Lexington, permaneceu
no local e comprou dois cavalos por 1,2 milhão de dólares no dia
12 de setembro. "Sou um homem de negócios", declarou Salman.
"Não tenho nada a ver com o que aconteceu. Estou me sentindo
tão mal quanto qualquer americano."
Outros se sentiram pessoalmente mais ameaçados. Pouco depois
dos atentados, um dos irmãos de Osama bin Laden telefonou
histérico para a embaixada saudita em Washington pedindo
proteção. Ele foi hospedado no Watergate Hotel e lhe disseram
para não abrir a porta. O idoso e enfermo monarca saudita, rei
Fahd, enviou a seguinte mensagem para seus emissários em
Washington: "Tomem medidas para proteger os inocentes".
Se algum diplomata estrangeiro teve poder para mexer os
pauzinhos na Casa Branca em meio a uma grave crise de
segurança nacional, esse diplomata foi o príncipe Bandar. Os
sauditas eram notoriamente competentes em bajular o governo dos
Estados Unidos - eles contribuíram para todas as bibliotecas
presidenciais construídas nos últimos 30 anos -, mas ninguém teve
um melhor desempenho do que Bandar. Ele jogara racquetball com
Colin Powell anos antes. Conduzira operações secretas para o
falecido diretor da ClA, Bill Casey, que foram mantidas em segredo
até do presidente Ronald Reagan. Ele foi o homem que escondeu
dezenas de pastas de couro fechadas a chave que continham
alguns dos segredos mais profundos do mundo da inteligência.
Mas foi a sua amizade íntima com a família Bush que
verdadeiramente o destacava. Quando George H. W. Bush tornou-
se vice-presidente em 1981, Bandar o enxergou pelo que ele era,
ou seja, o dono de uma companhia de petróleo no Texas que nutria
um enorme respeito pelas vastas reservas de petróleo dos sauditas
e não era um defensor automático de Israel. Os dois começaram a
almoçar regularmente e, em meados dos anos 80, em uma época
na qual a imprensa estava atacando Bush e chamando-o de
"frouxo", Bandar organizou uma festa extravagante em sua
homenagem.
Depois que Bush assumiu a presidência em 1989, Bandar atuou
como emissário entre ele e Saddam Hussein, garantindo a Bush
que os Estados Unidos poderiam estar certos de que Saddam
proporcionaria um baluarte contra o fundamentalismo islâmico
extremista. Em agosto de 1990, depois que o Iraque invadiu o
Kuwait, Bandar juntou-se a Bush no refúgio da família em
Kennebunkport, no Maine, onde os dois homens discutiram a idéia
de juntos declararam guerra a Saddam. Alguns meses depois, por
insistência de Bush, Bandar convenceu o rei Fahd da Arábia
Saudita a se tornar aliado de Bush na Guerra do Golfo. Em 1992,
Bandar considerou uma perda pessoal o fato de Bush ter sido
derrotado por Bill Clinton. E depois da eleição de 2000, decolou no
seu Airbus para ir caçar na Espanha com o ex-presidente Bush, o
general Norman Schwarzkopt e Brent Scowcroft, ex-consultor de
segurança nacional.
Agora, depois do 11 de setembro, o relacionamento entre os saudi-
tas e os Estados Unidos estava sendo testado e Bandar ficou
extremamente agitado. Nas 48 horas que se seguiram aos
atentados, ele permaneceu em contato permanente com o
secretário de Estado Colin Powell e a conselheira de segurança
nacional Condoleezza Rice.
Antes do 11 de setembro, coincidentemente, o presidente Bush
convidara Bandar para comparecer à Casa Branca em 13 de
setembro de 2001, a fim de discutir o processo de paz no Oriente
Médio. A reunião teve lugar como o programado, mas após os
ataques terroristas, o cenário político mudara dramaticamente.
Segundo a revista The New Yorker, Bush disse a Bandar na
reunião que os Estados Unidos entregariam aos sauditas qualquer
agente da Al-Qaeda que fosse capturado. e que se recusasse a
cooperar, insinuando que os sauditas poderiam usar quaisquer
métodos necessários para obrigar os suspeitos a falar. Nail al-
Jubeir afirma que não sabe se o príncipe Bandar e o presidente
discutiram a viagem da família Bin Laden e de outros sauditas de
volta à Arábia Saudita.
Mas mesmo assim, as providências começaram a ser tomadas. Em
Tampa, no mesmo dia que Bandar e Bush conversavam na Casa
Branca, diz o investigador particular Dan Grossi, ele e Manuel
Perez esperaram que três sauditas chegassem, todos
aparentemente com vinte e poucos anos. O piloto então conduziu
Grossi, Perez e os sauditas até um Learjet, bem equipado, com
capacidade para oito passageiros. Eles partiram para Lexington,
Kentucky, por volta das 16h30.
Grossi não captou o nome dos estudantes que estava escoltando.
"Tudo aconteceu muito rápido", diz ele. "Eu só sabia que eles eram
sauditas e bem relacionados. Um deles me disse que o seu pai ou
tio era um bom amigo de George Bush pai."
Tanto o Tampa Tribune quanto fontes que sabiam do vôo dizem
que um dos rapazes era filho ou sobrinho do príncipe sultão Bin
Abdul Aziz, o ministro da defesa saudita e pai do príncipe Bandar.
Dizia-se que um outro passageiro era filho de um comandante do
exército saudita, mas a embaixada saudita recusou-se a confirmar
a identidade deles. O Tribune relatou que o pedido de repatriar os
sauditas fora feito por outro membro da realeza saudita; o príncipe
sultão Bin Fahad.
Segundo Grossi, eles aterrissaram no aeroporto Blue Grass em
Lexington cerca de 45 minutos depois de decolarem. Lá, os
sauditas foram recebidos por um americano que os tomou sob a
sua custódia e os ajudou com a bagagem. Na pista de decolagem
havia um Boeing 747 com inscrições em árabe, aparentemente
esperando para levá-Ios de volta à Arábia Saudita. "No meu
entendimento, havia outros sauditas no Kentucky comprando
cavalos de corrida naquela ocasião que iam partir no mesmo
avião", declara Grossi.
O vôo de Tampa para Lexington, noticiado no Tampa Tribune em
outubro de 2001, é o único incidente documentado no qual os
sauditas receberam permissão para voar no espaço aéreo
americano quando os cidadãos americanos ainda estavam
proibidos de voar em aviões particulares, permissão esta que
precisou de uma aprovação especial do governo.
Como o vôo-fantasma de Tampa obteve permissão para decolar?
Naquela época, a Administração Federal de Aviação (FAA) negou
que o vôo tivesse acontecido. "Ele não está nos nossos registros",
Chris White, porta-voz da FAA, declarou ao Tampa Tribune. "Ele
não aconteceu." Oficialmente, o governo recusou-se a tecer
comentários, mas, de forma confidencial, uma fonte da Casa
Branca declarou que o governo estava confiante de que vôos
secretos não tinham acontecido e que não havia nada que
indicasse que a Casa Branca teria autorizado esses vôos. No
entanto, segundo Nail al-Jubeir, a repatriação fora aprovada "no
nível mais alto do governo dos Estados Unidos".
O processo começou nas entranhas da Casa Branca. Na época, o
governo Bush refugiava-se na Situation Room [Sala de prontidão e
informações estratégicas], uma pequena suíte subterrânea com
uma luxuosa sala de conferências com 5,5 metros quadrados na
ala Oeste. Os ocupantes da sala estavam em contato permanente
com o FBl, o departamento de Estado e outros órgãos importantes.
O vice-presidente Dick Cheney, a conselheira de segurança
nacional Condoleezza Rice e outros altos funcionários se
mantinham firmes e devoravam as informações, tentando
determinar se outros ataques teriam sido planejados. Os membros
mais poderosos do governo entravam e saíam, entre eles Colin
Powell, o diretor da CIA George Tenet e o secretário de governo
Donald Rumsfeld.
Nos reduzidos limites daquela sala, o czar do terrorismo, Richard
Clarke, coordenador do Counterterrorism Security Group [Grupo de
segurança antiterrorista] do Conselho de Segurança Nacional,
presidiu um grupo de crise permanente tomando centenas de
decisões relacionadas com os atentados. Clarke era uma
verdadeira raridade em Washington, pois começara como servidor
civil e ascendera aos níveis mais elevados da formulação de
diretrizes. Como é caracterizado no livro The Age of Sacred Terror,
de autoria de Daniel Benjamin e Steven Simon, Clarke era um
homem que infringia todas as regras. Ele não apoiava nem os
republicanos nem os democratas e recusava-se a comparecer às
reuniões regulares da alta direção do Conselho de Segurança
Nacional, enviava e-mails ofensivos aos seus colegas e trabalhava
regularmente fora dos canais burocráticos normais. Clarke fora um
dos dois diretores importantes do governo de George Bush pai
mantidos por Bill Clinton e, apesar da sua personalidade
desagradável, continuara a subir devido ao seu talento para saber
quando e como apertar os botões do poder.
Nos primeiros dias que se seguiram ao atentado do 11 de setembro
- ele não se lembra no dia exato -, ele foi consultado na Situation
Room sobre a rápida repatriação dos sauditas.
"Teríamos que aprovar ou não a decisão de permitir que um avião
cheio de sauditas, inclusive membros da família Bin Laden,
deixasse o país", diz Clarke. "O meu papel era responder que o
vôo não poderia acontecer sem a aprovação do FBl, de modo que
a agência foi consultada. Tínhamos uma conexão direta com o FBl
e o consultamos para ter certeza de que os dirigentes da agência
estavam convencidos de que todos os que iriam embarcar no avião
estavam limpos para partir. Eles responderam dizendo que por eles
estava tudo bem. Nós então dissemos: 'Ótimo; que aconteça
então.''' Clarke, que já deixou o governo e hoje dirige uma empresa
de consultoria na Virgínia, acrescenta que não se lembra de quem
fez inicialmente o pedido, mas que foi provavelmente o FBl ou o
departamento de Estado. Os dois órgãos negam ter
desempenhado qualquer papel no episódio. "Não surgiu daqui",
disse uma fonte do departamento de Estado. "Gente importante
como o príncipe Bandar não precisa da autorização do
departamento de Estado para esse tipo de coisa."
"Posso afirmar inequivocamente que o FBl não facilitou de nenhu-
ma maneira esses vôos", diz o agente especial John lannarelli,
porta-voz do FBl sobre atividades anti-terroristas.
Com apenas três sauditas a bordo, o vôo de Tampa dificilmente foi
a única viagem misteriosa naquele dia. Membros da família Bin
Laden estendida, da Casa de Saud e seus companheiros estavam
se reunindo em vários locais no país inteiro.
Segundo o The New York Times, membros da família Bin Laden
primeiro foram levados de carro ou de avião, sob a supervisão do
FBl, para um ponto de reunião secreto no Texas e depois para
Washington. Dali, relatou o Times, eles deixaram o país quando os
aeroportos voltaram a funcionar no dia 14 de setembro. O FBl
afirmou que a notícia do Times é "incorreta".
Nesse ínterim, os sauditas tinham pelo menos dois outros aviões
de sobreaviso. Começando em Los Angeles em uma data
indeterminada, um deles voou primeiro para Orlando, na Flórida,
onde Khalil bin Laden embarcou. De Orlando, o avião seguiu para
o Aeroporto Internacional de Dulles, nas imediações de
Washington, D.C., antes de seguir para o Aeroporto Internacional
de Logan em Boston no dia 19 de setembro, recolhendo durante o
trajeto membros da família Bin Laden. Dizem que Houston,
Cleveland e Newark estão entre outras paradas para os sauditas.
No total, cerca de 140 sauditas estiveram nos vôos, segundo uma
fonte do FBl.
A essa altura, a proibição das viagens aéreas começara a
abrandar. A FAA estava permitindo que as companhias aéreas
operassem desde que cumprissem certas regras de segurança. A
aviação particular estava sujeita a maiores restrições, mas mesmo
neste caso a FAA começara a permitir vôos fretados quando os
pilotos submetiam às autoridades os planos de vôo. A FAA
entregou todos os seus registros de viagens aéreas durante o
período em questão para o Departamento de segurança interna.
Um pedido relacionado com o Freedom of Information Act [Ato de
liberdade de informação] foi protocolado, mas os documentos ainda
não foram liberados.
A aprovação de Richard Clarke para a repatriação dos sauditas
fora condicionada a um exame cuidadoso da parte do FBl. "Pedi
[ao FBl] que se certificasse de que nenhuma pessoa inadequada
estaria deixando o país", diz ele. "Perguntei se eles teriam alguma
objeção ao evento inteiro, ao fato de os sauditas deixarem o país
num momento em que os aviões estavam proibidos de voar."
Clarke acrescenta que partiu do princípio de que o FEl examinara
escrupulosamente a famíliia Bin Laden antes do 11 de setembro.
"Não tenho a menor idéia se eles fizeram um bom trabalho", afirma
ele. "Não estou em posição de fazer críticas posteriores ao FBl."
Na verdade, o FBl andara de olho em alguns membros da família
Bin Laden. Um arquivo confidencial do FBl examinado pela revista
Vanity Fair e marcado como "Confidencial" mostra que já em 1966
a agência havia passado quase nove meses investigando Abdullah
e Omar bin Laden, que estavam envolvidos com a divisão
americana da Assembléia Mundial da Juventude lslâmica (WAMY),
uma organização beneficente que publicou muitas obras do erudito
islâmico Sayyid Qutb; um dos mentores intelectuais de Osama bin
Laden. No entanto, segundo Dale Watson, ex-chefe da divisão
antiterrorista do FEl, essas investigações de .sauditas nos Estados
Unidos eram exceção. "Se surgiam denúncias, elas eram
investigadas", diz ele. "Mas uma investigação abrangente dos
sauditas não aconteceu aqui."
Em alguns momentos os sauditas que tinham se reunido para partir
tentaram fazer os aviões decolarem antes de o FBl identificar quem
estava neles. "Lembro-me de ter tido uma grande discussão com o
escritório de Bandar sobre se eles iriam partir sem que
soubéssemos quem estava no avião", diz um agente do FBl.
"Bandar queria que o avião decolasse, e estávamos enfatizando
que o avião não partiria enquanto não soubéssemos exatamente
quem eram os passageiros."
No final, o FBl chegou à conclusão de que não era prático realizar
uma investigação completa. "Eles foram identificados", declara
Dale Watson, "mas não foram submetidos a entrevistas
aprofundadas ou interrogatórios." A agência se recusou a informar
a identidades deles.
Alguns dos que participaram da repatriação insistem em que o fato
de os sauditas não terem sido interrogados foi irrelevante, e, na
verdade, é possível apresentar uma justificativa convincente de que
nem a família Bin Laden nem a realeza saudita teria
intencionalmente ajudado os terroristas. "O objetivo de grupos
como a Al-Qaeda é derrubar o governo saudita", diz Nail al-Jubeir,
porta-voz da embaixada saudita. "Dizem que financiamos [a Al-
Qaeda], mas isso simplesmente não é verdade. Por que
ajudaríamos pessoas que querem derrubar o nosso governo?"
A maioria dos que estavam partindo eram estudantes ou jovens
homens de negócios. Além disso, a família Ein Laden tinha rompido
vigorosamente com Osama divulgando uma nota na qual
expressava a "condenação deste triste evento, que resultou na
perda de muitos homens, mulheres e crianças inocentes, e que
contradiz a nossa fé islâmica". Um agente do FEl afirma que eles
,tinham o direito de partir e que o fato de estarem relacionados com
Osama não constituía base para investigação.
No entanto, o atentado de 11 de setembro foi sem dúvida o maior
crime da história americana. Quase 3 mil pessoas tinham morrido.
Uma caçada humana de proporções sem precedentes estava em
andamento. O procurador geral John Ashcroft afirmara que o
governo tinha "a responsabilidade de usar todos os meios legais à
nossa disposição para evitar outras atividades terroristas,
prendendo pessoas que infringiram a lei e que podem representar
uma ameaça para os Estados Unidos". Os árabes estavam sendo
detidos e interrogados em todo o país. No fim de semana que se
seguiu aos atentados, Ashcroft já havia proposto que os poderes
do FEl fossem ampliados para que ele pudesse prender
estrangeiros, grampear o telefone deles e rastrear a lavagem de
dinheiro até os terroristas. Centenas de pessoas foram detidas pelo
governo enquanto os agentes americanos investigavam a fundo a
sua vida pregressa. Algumas chegaram a ficar presas por dez
meses na base naval americana de Guantánamo, em Cuba.
"Faz parte de qualquer investigação procurar pessoas que
conheçam o suposto suspeito do assassinato", declara John L.
Martin, que, na qualidade de chefe de segurança interna da divisão
criminal do departamento de justiça, supervisionou durante 18 anos
a investigação e os processos dos delitos contra a segurança
nacional. "No caso do assassinato do presidente Kennedy, a família
de Lee Harvey Oswald, inclusive à mulher e mãe dele, embora não
fossem culpadas, foram investigadas para que fossem obtidas
informações sobre os antecedentes dele. No caso de Timothy
McVeigh, a família dele se tornou o alvo. das atenções."
Como puderam as autoridades passar por cima de uma parte tão
elementar e rotineira de uma investigação durante uma catástrofe
sem precedentes de segurança nacional? Na pior das hipóteses,
não poderiam os parentes ter fornecido algumas informações sobre
as finanças, os aliados ou os partidários de Osama?
Vários investigadores experientes se mostraram surpresos com o
fato de os sauditas não terem sido interrogados. "Sem dúvida eu
esperaria que eles fizessem isso", declara Oliver "Buck" Revell, ex-
vice-diretor adjunto do FBl.
"Neste caso, temos um ataque que possui vínculos substanciais
com a Arábia Saudita", afirmaJohn Martin. "Certamente iríamos
querer conversar com membros da família real saudita e do
governo saudita, especialmente porque eles prometeram cooperar."
Uma simples declaração de repúdio aos ataques da parte da
família Bin Laden significou que nenhum membro da família tinha
qualquer tipo de contato ou informação útil? Não muito tempo
depois do atentado do 11 de setembro, Carmen bin Laden,
cunhada de Osama e que estava de relações cortadas com ele,
disse a ABC News que achava que membros da família talvez
tivessem dado dinheiro para Osama. Foi amplamente divulgado
que Mohammed Jamal Khalifa, cunhado de Osama, seria uma
importante figura da Al-Qaeda, e ele foi acusado de ter tido
ligações com a explosão no World Trade Center em 1993, com a
explosão do destróier USS Cole em outubro de 2000 e com o
financiamento de um grupo terrorista filipino. (Correu o boato de
que Khalifa estaria nas Filipinas em setembro de 2001.) Khalil bin
Laden, que embarcou em um avião em Orlando que finalmente o
levou para a Arábia Saudita, chamou a atenção de investigadores
brasileiros devido a possíveis conexões terroristas. Segundo um
jornal brasileiro, ele mantinha relações comerciais em Minas
Gerais, um estado não muito distante da região da tríplice fronteira
(sic], um suposto centro de treinamento de terroristas.
Havia também os documentos secretos do FBl que detalhavam o
envolvimento de Abdullah e Omar bin Laden com a Assembléia
Mundial da Juventude Islâmica (WAMY). Tanto as autoridades
indianas quanto as forças armadas filipinas mencionaram que a
WAMY financiava o terrorismo na Caxemira e nas Filipinas. "A
WAMY estava envolvida com atividades de apoio aos terroristas",
afirma um funcionário do setor de segurança que serviu sob as
ordens de George W. Bush. "Não existe nenhuma dúvida a esse
respeito."
As autoridades do FBI se recusaram a tecer comentários sobre a
investigação, que foi noticiada no jornal inglês The Guardian, mas
os documentos revelam que o arquivo sobre Abdullah e Omar foi
reaberto no dia 19 de setembro, enquanto a repatriação saudita
ainda estava em andamento. "Esses documentos mostram que o
FBl estava investigando esses caras na época da partida deles",
afirma David Armstrong, investigador do Public Education Center, a
fundação com sede em Washington, D.C. que obteve os
documentos.
Na década de 1980, com o apoio do governo americano, a Casa de
Saud e importantes homens de negócios sauditas haviam
contribuído entusiasticamente para a luta com os soviéticos no
Afeganistão, enviando dinheiro e armas para os rebeldes
fundamentalistas islâmicos que combatiam ao lado das forças de
resistência afegã (mujahedin]. Tanto os sauditas quanto os
americanos apoiaram esses militantes. Mas depois de ajudar a
expulsar os soviéticos do Afeganistão, esses guerrilheiros, lide-
rados por Osana bin Laden, formaram a rede terrorista conhecida
como Al-Qaeda. Perguntas complicadas continuam a ser feitas
sobre até que ponto os sauditas continuaram a apoiar o
fundamentalismo islâmico militante depois que Bin Laden e a Al-
Qaeda começaram a atacar alvos americanos na década de 1990.
Durante o governo Clinton, os sauditas repetidamente resistiram a
tentativas dos Estados Unidos de rastrear o financiamento do
terrorismo no seu reino. Segundo Richard Clarke, que dirigiu a
iniciativa, várias razões geraram a resistência dos sauditas. "Alguns
deles eram claramente simpatizantes da Al-Qaeda", diz ele.
"Outros achavam que se oferecessem um certo grau de
cooperação à Al-Qaeda, ela os deixaria em paz. E outros ainda
estavam reagindo de uma forma automática e instintiva ao que
consideravam uma interferência nos assuntos internos do país."
Repetidamente, o Departamento do Tesouro americano procurou
os diretores de várias instituições islâmicas beneficentes por terem
ajudado financeiramente os terroristas. Em outubro de 2002, o
Conselho de Relações Exteriores declarou que, transcorrido um
ano do atentado do 11 de setembro, a Al-Qaeda continuava a
arrecadar contribuições de abastados simpatizantes sauditas.
Em novembro de 2003, a revista Newsweek noticiou que milhares
de
dólares em presentes de caridade da princesa Haifa, esposa do
príncipe Bandar, tinham ido indiretamente parar nas mãos de dois
dos seqüestradores do atentado de 11 de setembro. E muitos
membros da família real, junto com vários membros da família Bin
Laden, são hoje réus na ação de classe judicial de um trilhão de
dólares movida a favor de 4 mil parentes das vítimas do atentado.
Documentos apresentados no processo alegam que o pai do prínci-
pe Bandar, o ministro da defesa príncipe sultão, contribuiu com
pelo menos 6 milhões de dólares a partir de 1994 para quatro
organizações beneficentes que financiam Osama bin Laden e a Al-
Qaeda. Os próprios advogados do sultão reconhecem que durante
16 anos consecutivos ele aprovou pagamentos anuais de cerca de
266 mil dólares para a International Islamic Relief Organization
[Organização de Auxílio Islâmico Internacional] - uma instituição
beneficente saudita cujos escritórios nos Estados Unidos sofreram
uma devassa dos agentes federais. Casey Cooper, um dos
advogados do príncipe sultão, diz o seguinte: "As alegações não
possuem mérito". Ele acrescenta que o príncipe sultão autorizou as
doações como parte das obrigações oficiais do governo e que não
financiou intencionalmente o terrorismo.
A alegação contra o príncipe sultão é apenas uma entre as
milhares incluídas no processo. Além de Osama bin Laden, a
empresa da família, o grupo saudita Binladin, foi indiciada no
processo. No cerne das alegações jaz a acusação de que os réus
tinham conhecimento de que. parte do seu dinheiro estaria indo
para a Al-Qaeda e, por conseguinte, tinham alguma
responsabilidade nos atentados de 11 de setembro.
Muitos sauditas admitem ter contribuído para as organizações
beneficentes em questão, mas declaram que não sabiam que o
dinheiro acabaria nas mãos da Al-Qaeda. "O maior problema que
temos com as instituições de caridade sauditas é a forma medíocre
e negligente como são administradas", diz Nail al-Jubeir.
Os advogados dos autores da ação não consideram essa resposta
satisfatória. Além disso, acreditam que se o governo tivesse
interrogado os membros da família Bin Laden e da família real
antes de eles deixarem o país, algumas perguntas vitais poderiam
ter sido respondidas. "Deveria lhes ter sido perguntado se eles
tinham contatos ou sabiam de quaisquer outros contatos sauditas
com Osama bin Laden", diz Allan.
Gerson, um dos advogados dos autores da ação. "O que eles
sabiam sobre o financiamento da Al-Qaeda? O que eles sabiam a
respeito da utilização de instituições de caridade nos Estados
Unidos e em outros países como canais para o financiamento do
terrorismo? Por que o governo saudita não foi receptivo aos apelos
dos Estados Unidos em 1999 e em 2000 para que parassem de
fazer vista grossa ao financiamento do terrorismo através dos
bancos e organizações beneficentes sauditas?"
Tudo que foi dito conduz à questão de quem tomou a decisão de
deixar os sauditas partirem. E por quê? Poderia o antigo
relacionamento entre os sauditas e a família Bush ter influenciado o
governo?
Especialistas em segurança nacional como Richard Clarke
consideram dúbia esta insinuação. "O príncipe Bandar
desempenhou um importante papel durante a primeira Guerra do
Golfo", assegurou Clarke. "Ele era íntimo da família Bush. Mas não
creio que seja exato afirmar que ele desempenha hoje o mesmo
papel. Percebemos que temos que trabalhar com o governo atual
da Arábia Saudita. As alternativas poderiam ser bem piores. Existe
uma elevada probabilidade de a Casa de Saud ser substituída por
um grupo que provavelmente será mais hostil - na verdade, extre-
mamente hostil - aos Estados Unidos. Esta é a provavelmente a
razão que leva o governo americano a tratar desse jeito a Casa de
Saud e não um relacionamento pessoal." Com a guerra contra o
terrorismo em andamento, os Estados Unidos desejavam a
cooperação dos sauditas, e a repatriação representava claramente
uma alta prioridade nos níveis mais elevados no reino.
Ainda assim, o relacionamento entre a família Bush e os sauditas
levanta graves questões, no mínimo porque é extraordinário que
dois presidentes compartilhem uma história pessoal tão longa e
profunda com qualquer potência estrangeira, ainda mais com uma
que é ao mesmo tempo tão vital para os interesses econômicos
dos Estados Unidos e tão problemática quanto a Arábia Saudita.
Tudo começou em meados da década de 1970 quando dois jovens
bilionários sauditas - Salem bin Laden, irmão mais velho de Osama
e chefe do Grupo Saudita Bin Laden, e Khalid bin Mahfouz,
banqueiro saudita bilionário - chegaram ao Texas, esperando
formar relacionamentos políticos. Eles escolheram um homem de
negócios de Houston chamado James R. Bath, que conhecera
George W. Bush na Texas Air National Guard, para representar os
seus interesses nos Estados Unidos. Bath investiu 50 mil dólares
na nova companhia de petróleo de Bush, a Arbusto. Ele nega,
contudo, que o seu investimento representasse interesses
sauditas.
Em 1986, George W Bush vendeu a encarnação mais recente da
sua debilitada companhia de petróleo para a Harken Energy, uma
companhia independente de petróleo do Texas, que, por sua vez,
também estava em dificuldades, e obteve um lugar no conselho
diretor da empresa. Nessa ocasião, Khalid bin Mahfouz se tornara
o maior acionista do Bank of Commerce & Credit International, ou
BCCI, um banco internacional que financiava traficantes de drogas,
terroristas e operações secretas, e que se tornou conhecido como
a mais corrupta instituição financeira da história.
Assim que Bush ocupou o cargo na Harken, teve início um cortejo-
fantasma da parte de Khalid bin Mahfouz e o BCCI. Nem George
W. Bush nem a Harken jamais tiverem um contato direto com Bin
Mahfouz ou o BCCI. Mas tão logo Bush assumiu a sua posição no
conselho diretor, coisas maravilhosas começaram a acontecer à
Harken, como novos investimentos, fontes inesperadas de
financiamento e felizes e inesperados direitos de perfuração. Entre
os que tinham laços com o BCCI e ofereceram ajuda à Harken
estavam o banco de investimentos Stephens Inc., o investidor
saudita xeque Abdullah Bakhsh e o emir de Bahrain, que
inesperadamente concedeu à Harken os direitos exclusivos de
perfuração ao largo da costa. Em 1991, uma investigação do Wall
Street
Journal sobre os laços entre a Harken e o BCCI concluíram que: "O
número de pessoas ligadas ao BCCI que tinham negócios com a
Harken - todos depois que George w: Bush entrou para a empresa
- também levanta a questão de se eles mascaram uma tentativa de
maior aproximação com o filho de um presidente".
George H. W. Bush e James Baker finalmente começaram a colher
os frutos da sua amizade com os sauditas quando retornaram ao
setor privado em 1993. Naquele ano, Baker assumiu o cargo de
consultor sênior no grupo Carlyle, a empresa privada de
participação acionária de 16 bilhões de dólares. Dois anos mais
tarde, Bush entrou para a empresa como consultor sênior. Em
1998, o ex-primeiro ministro da Inglaterra
John Major também ingressou na companhia.
Em várias ocasiões, Bush, Baker e Major voaram para a Arábia
Saudita com executivos da Carlyle para se reunir e discursar para
os membros da família real e homens de negócios abastados,
como os membros da família Bin Laden e da família Bin Mahfouz, a
família de banqueiros mais rica da Arábia Saudita.
Na condição de líderes mundiais que defenderam os sauditas
durante a Guerra do Golfo, Bush, Baker e Major tinham potencial
para fazer chover na horta da Carlyle, e a política da empresa
possibilitava que eles fizessem isso sem macular as mãos pedindo
dinheiro de uma forma direta. "Os discursos de Bush giram em
torno do que é ser ex-presidente e pai de presidente", declara o
diretor executivo da
Carlyle, David Rubenstein. "Ele não fala sobre a Carlyle e nem
alicia investidores." Depois dos discursos de Bush, Rubenstein e a
sua equipe responsável pela arrecadação de fundos se
apresentava para recolher o dinheiro. "A Carlyle queria abrir
portas", declarou um observador ao The lndependent, "e eles
apresentaram Bush e Major, que salvaram a pele dos sauditas na
Guerra do Golfo. Com esses caras na área... essas empresas vão
se dar muito bem." Rubenstein afirma que Bush e Baker não
receberam um tratamento especial na Arábia Saudita. "Eles
receberam lá o mesmo tratamento que receberam no resto do
mundo."
Uma fonte próxima do governo saudita declara que a família real
considerou o investimento do grupo Carlyle uma maneira de
demonstrar gratidão ao presidente Bush por ele ter defendido os
sauditas na Guerra do Golfo. "George Bush ou James Baker
costumavam se reunir com todos os membros mais importantes da
família real", afirma a fonte. "A mensagem indireta era: 'Eu gostaria
que você investisse algum dinheiro no Grupo Carlyle.'"
Segundo o Washington Post, o príncipe Bandar foi um dos
investidores. Em 1995, a família Bin Laden começou a investir.
Segundo o advogado da família Cherif Sedky, os filhos de Khalid
bin Mahfouz, Abdulrahman e Sultan também se tomaram
investidores. Abdulrahman bin Mahfouz foi um dos diretores da
Muwafaq Foundation, considerada pelo Departamento do Tesouro
dos Estados Unidos como "uma fachada para a Al-Qaeda". "Em
1995, Abdulrahman e Sultan fizeram um investimento em um dos
fundos da Carlyle da ordem de 30 milhões de dólares", escreveu
Sedky em um e-mail. "O investimento é administrado em benefício
deles por Sami Ba'arma", um gerente de investimentos que tem
trabalhado com freqüência com a família Mahfouz. Sedky
acrescentou que a família Bin Mahfouz condena o terrorismo e
nega que os fundos que ela doou para instituições de caridade
tenham sido usados para financiar o terrorismo. A Carlyle nega
categoricamente que os membros da família bin Mahfouz sejam
hoje investidores da sua empresa ou que o tenham sido em uma
época anterior. Contactado em Michigan durante as férias, Cherif
Sedky manteve a sua declaração original. "Suponho que a Carlyle
possua registros de investimentos de alguém relacionado com a
família bin Mahfouz, seja Sami Ba'arma o testa-de-ferro ou outra
pessoa", declarou ele, acrescentando que Ba'arma era primo irmão
dos irmãos bin Mahfouz.
No todo, os altos funcionários da Carlyle dizem que os sauditas
investiram 80 milhões de dólares na empresa. O percentual dessa
quantia que foi arrecadado depois que o ex-presidente George
Bush ou James Baker participaram de reuniões com os sauditas
não está claro. A família Bin Laden aplicou 2 milhões no Carlyle
Partners II Fund, uma quantia relativamente pequena que se dizia
ser parte de um pacote maior. Um dos membros da família, Shafig
bin Laden, participou de uma reunião de investidores no dia 11 de
setembro de 2001. Mas depois dos atentados daquele dia, a
Carlyle comprou a participação da família Bin Laden. "A princípio
achei que era injusto culpar os outros 53 meios-irmãos por causa
desse cara que eles não vêem faz dez anos", declara Rubenstein.
"Mas depois me dei conta de que a vida nem sempre é justa."
Não existem' dados que indiquem que a Carlyle tenha
desempenhado algum papel na repatriação dos sauditas, mas os
defensores públicos argumentam que os laços entre a família Bush
e os sauditas criam pela menos a aparência de um conflito de
interesses. "Qualquer pessoa se sentiria menos inclinada a tomar
uma atitude contundente ou dinâmica contra um grupo se estivesse
ligada financeiramente a ele", declara Charles Lewis, diretor do
Centro de Integridade Pública. "Trata-se apenas de bom senso."
No dia 18 de setembro de 2001, um Boeing 727 especialmente
remodelado decolou do aeroporto de Logan em direção à Arábia
Saudita, tendo a bordo pelo menos' cinco membros da família Bin
Laden.
No dia 19 de setembro, a equipe que prepara os discursos do
presidente Bush estava envolvida com um empolgante
pronunciamento que o presidente iria proferir no dia seguinte,
declarando oficialmente uma guerra global contra o terrorismo. "A
nossa guerra contra o terrorismo... não acabará enquanto cada
grupo terrorista de âmbito mundial não tiver sido encontrado,
neutralizado e derrotado", prometeria o presidente. No Pentágono,
o planejamento para levar até o Iraque essa nova guerra contra o
terrorismo já estava em andamento.
Nesse mesmo dia, o avião que partira de Los Angeles e fizera
escalas nos aeroportos de Orlando e Dulles chegou ao aeroporto
de Logan. O número de membros da família Bin Laden ou outros
sauditas que haviam embarcado no avião antes de ele chegar a
Boston não está bem claro, mas quando ele aterrissou, pelo menos
mais 11 parentes de Bin Laden embarcaram.
Na ocasião, o caos reinava no aeroporto de Logan. Ele estava
abala
do devido a críticas de que falhas na segurança teriam possibilitado
os atentados. Afinal de contas, os dois aviões seqüestrados que
haviam se chocado contra o World Trade Center tinham partido do
aeroporto de Logan. Como resultado, medidas excepcionais
estavam sendo tomadas. Vários milhares de carros foram
rebocados do estacionamento do aeroporto. "Não sabíamos se
eles estavam carregados com cargas explosivas ou alguma outra
coisa", declara Tom Kinton, diretor de aviação do aeroporto de
Logan.
A FAA havia autorizado o reinício dos vôos comerciais no dia 13 de
setembro, desde que fossem respeitadas as novas medidas de
segurança. Entretanto, o aeroporto de Logan, por causa de várias
questões de segurança, só voltou a funcionar no dia 15 de
setembro, ou seja, dois dias mais tarde. Mesmo então, o tráfego
aéreo recomeçou lentamente. Por conseguinte, quando o Centro
de Operações de Emergência do Logan recebeu um telefonema no
início da tarde de 19 de setembro dizendo que a aeronave fretada
iria apanhar membros da família Bin Laden, Kinton não conseguiu
acreditar no que tinha ouvido. "Estávamos no meio do pior ato
terrorista da história", diz ele, "e estávamos presenciando a
evacuação da família Bin Laden!"
Exatamente como Kinton, Virginia Buckingham, na época chefe da
Port Authority [Comissão coordenadora dos transportes] de
Massachusetts, que supervisiona o aeroporto de Logan, ficou
aturdida. "A minha equipe foi informada de que um jato particular
procedente da Arábia Saudita chegaria ao Logan para pegar 14
membros da família de Osama bin Laden que moravam na área de
Boston", escreveu ela mais tarde no The Boston Globe. '''O FBI tem
conhecimento disso? Por que estão deixando essas pessoas irem
embora? Elas foram interrogadas? Isso era ridículo."
Poucos dias antes, alguns aviões, como o que conduzia um
coração que seria transplantado para um paciente cardíaco em
Olympia, Washington, foram obrigado a descer na metade do vôo.
Segundo o porta-voz do FBI John lannarelli, os agentes
antiterroristas do FBI responsáveis pela investigação estavam
retidos em todo o país, impossibilitados de voar por vários dias. No
entanto, agora, essa mesma unidade antiterrorista estava atuando
efetivamente como acompanhante dos sauditas. O espantoso era
que a repatriação estava tendo lugar através de Logan e Newark,
dois dos aeroportos de onde os seqüestros tinham se originado
poucos dias antes.
Quando a família Bin Laden começou a se aproximar de Boston, as
altas patentes do aeroporto de Logan mostravam-se ansiosas
diante o que estava acontecendo. No entanto, a lei federal não lhes
concedia muita liberdade de ação para restringir vôos individuais.
"Eu queria me dirigir às autoridades supremas em Washington",
afirma Tom Kinton. "A situação era da alçada deles. Mas não se
tratava de um vôo misterioso que estivesse chegando ao aeroporto
de Logan. Ele já tinha feito escala em três aeroportos importantes e
éramos a última. Era um fato conhecido. As autoridades federais
sabiam o que ele estava fazendo. E recebemos ordens para deixá-
Io pousar."
Era um começo pouco auspicioso para a recém-declarada guerra
contra o terrorismo. "O crime que aconteceu no dia 11 de setembro
foi horrível", declara John Martin, ex-diretor do Departamento de
Justiça. "Foi um ato de guerra. E a resposta é não, esta não é a
maneira de investigá-lo."

"Avião conduzia 13 membros da família "Bin


Laden; lista de passageiros de 19 de setembro de
2001, vôo dos Estados Unidos, é liberada"

The Washington Post


DANA MILBANK, 22 de julho de 2004

Pelo menos 13 parentes de Osama .bin Laden, acompanhados de


seguranças pessoais e amigos, obtiveram permissão para deixar
os Estados Unidos em um vôo fretado oito dias depois dos
atentados de 11 de setembro de 2001, de acordo com uma lista de
passageiros liberada ontem.
Um dos passageiros, Ornar Awad bin Laden, sobrinho do líder da
Al-Qaeda, fora investigado pelo FEl porque morara com Abdullah
bin Laden, um dos líderes da Assembléia Mundial da Juventude
lslâmica, organização que o FBl suspeitava ser terrorista.
A lista de passageiros foi publicada pelo senador Frank Lautenberg
(Democrata, New Jersey), que a obteve de dirigentes do Aeroporto
Internacional de Logan em Boston. O escritório de Lautenberg
recebeu" o documento nas últimas semanas e o liberou hoje antes
da emissão do relatório tinal da comissão que está investigando os
atentados de 11 de setembro.
Embora já se soubesse muitas coisas sobre o "vôo Bin Laden",
Lautenberg forneceu detalhes adicionais, inclusive a informação de
que o avião, um 727 de propriedade da DB Air e operado pela
Ryan International, iniciou o vôo em Los Angeles e fez escalas em
Orlando, no Aeroporto Internacional de Dulles e em Boston antes
de seguir para Gander, Newfoundland; Paris; Genebra e Jiddah, na
Arábia Saudita. O avião, cujo número de identificação inscrito na
cauda era N521DB, fora fretado com freqüência pela Casa Branca
para uso da equipe de imprensa que viaja com o presidente Bush.
Um relatório apresentado nesta primavera pela equipe da comissão
de 11 de setembro disse que o vôo foi um de seis vôos fretados
que conduziram 142 pessoas, a maioria de nacionalidade saudita,
para fora dos Estados Unidos entre 14 e 24 de setembro depois
que o espaço aéreo voltou a ser liberado. O governo dos Estados
Unidos autorizara, antes de os vôos comerciais serem liberados,
pelo menos um vôo doméstico para os sauditas que temiam pela
sua segurança, declarou a equipe de Lautenberg.
A comissão relatou que o vôo Bin Laden transportara 23 passagei-
ros e três guardas de segurança particular. No entanto, a lista
contém o nome de 25 passageiros, além dos três seguranças
contratados pela CDT Training Inc. de Elmwood Park, Nova Jersey.
Depois que um pedido de autorização para a partida da família Bin
Laden chegou a Richard A. Clarke no Conselho de Segurança
Nacional, o avião decolou do Aeroporto Logan em Boston às 23
horas do dia 19 de setembro de 2001.
Dale Watson, ex-chefe de antiterrorismo do FBI, declarou ontem
que agentes do FBI "interrogaram as pessoas que estavam
partindo, e fui informado de que não precisávamos deter nenhuma
delas ou impedir que fossem embora".
Em uma declaração, Lautenberg disse que Bush "precisa explicar
ao povo americano por que o seu governo deixou esse avião
decolar", Sean McCormack, porta-voz da Casa Branca, declarou
que as alegações de que o vôo não deveria ter tido permissão para
decolar foram "desmentidas pelos fatos",
Ron Ryan da Ryan International declarou ontem ter "praticamente
certeza" de que a embaixada saudita organizou o vôo através de
um sócio de Ryan chamado Sport-Hawk. Ele disse que a família
Bin Laden "estava muito preocupada com a própria segurança", o
que alarmou a tripulação. "A embaixada saudita ofereceu-se para
pagar uma quantia maior' caso a nossa tripulação estivesse
preocupada", disse ele.
Mas ele afirmou que todos se tranqüilizaram porque "o FBI e o
serviço secreto estavam intensamente envolvidos na operação.
Podíamos ver uma grande quantidade deles por toda parte".
A equipe da comissão informou que cada um dos vôos sauditas "foi
investigado pelo FEl e tratado de maneira profissional antes de
partir". A equipe afirmou que 22 pessoas no vôo Bin Laden foram
entrevistadas pelo FBI e que este examinou bases de dados em
busca de informações sobre os passageiros. A comissão informou
que nenhum dos passageiros estava na lista de alerta de
terroristas.
A lista de passageiros relaciona 13 pessoas com o sobrenome Bin
Laden e outras com passaportes brasileiros, britânicos, indonésios
e iemenitas. O passageiro Ornar Awad bin Laden morara com
Abdullah bin Laden, um sobrinho de Osama bin Laden que estava
envolvido na formação de uma divisão americana da Assembléia
Mundial da Juventude Islâmica em Alexandria. Agentes federais
fizeram uma devassa nos escritórios da entidade nesta primavera
como parte de uma investigação relacionada com o terrorismo. O
FEl descreveu o grupo como uma "possível organização terrorista".
Entre os outros passageiros estava Shafig bin Laden, um meio--
irmão de Osama bin Laden que, ao que consta, estaria
participando, no dia 11 de setembro, em Washington, da
conferência anual de investidores do grupo Carlyle, uma empresa
de investimentos com conexões políticas. Também a bordo estava
Akberali Moawalla, alto funcionário da companhia de investimentos
dirigida por Yeslam bin Laden, outro meio-irmão de Osama bin
Laden. Os registros mostram que um dos passageiros, Khloud
Kurdi, morava na região norte da Virgínia com um membro da
família Bin Laden.
O vôo Bin Laden recebeu nova publicidade porque foi um dos
temas do documentário anti-Bush de Michael Moore, Fahrenheit 11
de setembro.

A pesquisadora Margot Williams e a redatora da equipe do jornal


Susan Schmidt contribuíram para este reportagem.

"O aeroporto internacional de Tampa agora verifica


o vôo dos sauditas"

St. Petersburg Times


JEAN HELLER, 9 de junho de 2004
Dois dias depois dos atentados de 11 de setembro, com a maior
parte do tráfego aéreo do país ainda em terra, um pequeno jato
aterrissou no Aeroporto Internacional de Tampa, pegou três
rapazes sauditas e decolou.
Os três homens, um dos quais acreditava-se ser membro da família
real saudita, estavam acompanhados por um ex-agente do FBI e
um ex-oficial de polícia de Tampa no vôo para Lexington, Kentucky.
Os sauditas tomaram então outro vôo para fora do país. Os dois
exfuncionários voltaram para o Aeroporto Internacional de Tampa
algumas horas depois no mesmo avião.
Durante quase três anos, a Casa Branca, a aviação e os agentes
responsáveis pelo cumprimento da lei insistiram em afirmar que o
vôo nunca aconteceu e negaram a veracidade de relatos
publicados e de uma difundida especulação na Internet a este
respeito.
Mas agora, a pedido da Comissão Nacional sobre Ataques
Terroristas, os dirigentes do Aeroporto Internacional de Tampa
confirmaram que o vôo aconteceu e forneceram detalhes a
respeito.
A odisséia do pequeno Learjet 35 faz parte de uma controvérsia
mais ampla com relação à fuga precipitada dos Estados Unidos da
família real saudita e de parentes de Osama bin Laden nos dias
que seguiram ao atentado de 11 de setembro.
O painel do terrorismo, mais conhecido como a Comissão de 11 de
setembro, declarou em abril que tinha conhecimento de seis vôos
fretados com 142 pessoas a bordo, em sua maioria sauditas, que
deixaram os Estados Unidos entre os dias 14 e 24 de setembro de
2001. Mas a comissão não se pronunciou a respeito do vôo de
Tampa.
O advogado geral da comissão, Daniel Marcus, solicitou ao
Aeroporto Internacional de Tampa, em uma carta datada de 25 de
maio, qualquer informação a respeito de um vôo fretado com seis
pessoas, entre elas um príncipe saudita, que teria voado de Tampa,
na Flórida,
exatamente, ou aproximadamente, no dia 13 de setembro de 2001.
Ele pediu que as informações lhe fossem remetidas até o dia 8 de
junho.
Dirigentes do Aeroporto Internacional de Tampa afirmam ter
enviado a resposta na segunda-feira.
O aeroporto utilizou um equipamento para o monitoramento de
aeronaves, normalmente destinado a um programa de redução de
ruído, para determinar a identidade de todos os aviões que
entraram no espaço aéreo do Aeroporto Internacional de Tampa no
dia 13 de setembro e encontrou quatro registros do Learjet 35.
O avião penetrou inicialmente no espaço aéreo a partir do sul,
possivelmente vindo da área de Fort Lauderdale, depois das 15
horas e aterrissou pela primeira vez às 15h34. Decolou às 16h37
rumo ao norte. Voltou a Tampa às 20h23 e decolou novamente às
20h48, em direção ao sul.
O escritor Craig Unger, que foi o primeiro a divulgar a possibilidade
de um vôo conduzindo sauditas após 11 de setembro no livro
House of Bush, House of Saud, declarou em uma entrevista que
acredita que o jato voltou a Tampa para deixar dois ex-agentes de
Tampa que tinham acompanhado os três rapazes sauditas a
Lexington por motivos de segurança.
Os sauditas solicitaram que o Departamento de Policia de Tampa
escoltasse o vôo, mas o departamento transferiu a incumbência
para Dan Grossi, ex-membro do departamento, disse Unger. Grossi
recrutou Manuel Perez, agente do FBI, para acompanhá-lo. Ambos
descreveram o vôo para Unger como um tanto esquisito.
Unger cita Perez CQmo lhe tendo dito: "Eles conseguiram a
autorização em algum lugar. A ordem deve ter vindo dos escalões
mais altos do governo".
Embora não exista uma lista dos passageiros a bordo do vôo do
Lear para Kentucky, Unger afirma que os estrangeiros partiram de
Lexington para Londres em um Boeing 727. A lista de passageiros
deste último contém oito sauditas, dois sudaneses, um tunisiano,
um filipino, um egípcio e dois ingleses.
Três desses passageiros residiam no N ormandy Trace Drive em
Tampa e todos tinham carteiras de motorista da Flórida. Trata-se de
Ahmad AI Hazmi, na época com 19 anos; Fahad AI Zeid, com 20; e
Talal M. AI Mejrad, com 18, todos rapazes sauditas.
Não se sabe com certeza se um deles era um príncipe saudita.
Não foi possível encontrar Perez, o ex-agente do FBI que estava
no vôo, e Grossi recusou-se a falar sobre a experiência.
"Para mim chega", disse ele em uma entrevista por telefone. "A
Casa Branca, a FAA e o FBI afirmaram que o vôo não aconteceu.
Esses três órgãos estão muito acima de mim e por isso não vou
mais falar sobre o assunto."
Mas Grossi disse que o relato de Unger sobre a sua participação
no vôo está correto.
A FAA ainda não está falando sobre os vôos, encaminhando todas
as perguntas ao FEI, que também não está respondendo nada.
Nem a Comissão de 11 de setembro.
O livro de Unger critica o governo Bush por ter permitido que tantos
sauditas, inclusive os parentes de Bin Laden, deixassem o país
sem ser meticulosamente interrogados a respeito dos ataques
terroristas.
Quinze dos 19 homens que seqüestraram quatro aviões no dia 11
de
setembro eram sauditas", como Bin Laden.
A Comissão de 11 de setembro, que declarou que os vôos que
saíram dos Estados Unidos foram adequadamente supervisionados
pelo FBI, parece preocupado com a maneira como o vôo de Tampa
foi tratado.
"Vocês têm alguma informação sobre a filtragem realizada pelos
agentes de segurança - inclusive por aqueles ligados ao aeroporto
dos passageiros desse vôo?", perguntou a comissão ao Aeroporto
Internacional de Tampa.
O departamento de polícia do Aeroporto Internacional de Tampa
informou que uma verificação nos seus registros indicou que
nenhum membro do departamento fez uma filtragem nos
passageiros do Lear.
Apesar dos indícios de que o vôo ocorreu, surgiram várias
questões novas. A Raytheon Aircraft é o único estabelecimento no
Aeroporto
Internacional de Tampa que presta serviços de aviação em geral, o
que inclui os vôos fretados. Quando pertinente, a Raytheon cobra a
taxa de aterrissagem desses aviões para o Aeroporto Internacional
de Tampa e apresenta a este último um relatório sobre os vôos.
De acordo com os registros do aeroporto, o Raytheon só recebeu
taxas de aterrissagem de dois aviões no dia 13 de setembro, sendo
que um deles era um Lear 35. No entanto, segundo o registro, o
número de identificação na cauda do Lear é 505RP, número este
que, de acordo com os registros federais mais recentes, é atribuído
a um Cessna Citation com base em Kalamazoo, Michigan, e a
Oskar Rene Poch.
Poch confirmou na terça-feira que é de fato proprietário de um
Citation com esse número de série e que já o possuía antes dos
ataques terroristas.
"Alguém deve ter anotado errado o número de série em Tampa",
declarou ele.
Brenda Geoghagan, porta-voz do Aeroporto Internacional de
Tampa, disse que se acredita que a jornada do Lear em 13 de
setembro tenha começado em Fort Lauderdale, possivelmente em
uma empresa de fretes chamada Hop-a-Jet Inc. O fato de que as
quatro viagens de chegada e saída de Tampa traziam a
especificação de vôo "HPJ32" reforça essa idéia.
No entanto, um dos dirigentes da Hop-a-Jet, que não quis se
identificar, declarou que a companhia não possui um avião com
número de identificação 505RP. Além disso, acrescentou, se esse
número é atribuído a um Cessna Citation, a empresa tampouco
possui Citations.
Quase todas as aeronaves que tiveram permissão para voar no
espaço aéreo americano no dia 13 de setembro foram aviões de
passageiros vazios sendo transportados dos aeroportos onde
tiveram que aterrissar em 11 de setembro. A reabertura do espaço
aéreo incluiu vôos fretados pagos, mas não vôos particulares sem
fins lucrativos.
"Para que um vôo (LearJet) desse tipo tenha sido legal, alguém
tem que ter pago por ele", afirma o porta-voz da FAA William
Shumann. "Este é o ponto chave."

"Uma quantia principesca ajudará a salvar a Euro


Disney; Turismo: sobrinho do rei Fahd da Arábia
Saudita vem em auxílio do parque de diversões em
dificuldades prometendo investir até meio bilhão
de dólares."
Los Angeles Times
JESUS SANCHEZ,2 de junho de 1994

"Um dia o meu príncipe virá. . ."


BRANCA DE NEVE, 1937

Certo dia chegou uma quarta-feira para a Walt Disney Co. e seus
associados na Euro Disney, quando um príncipe da Arábia Saudita
prometeu investir até 500 milhões de dólares em um plano
destinado a salvar o parque temático em grandes dificuldades.
O príncipe Al-Waleed bin Talal Ibn Abdulaziz aI Saud, que também
possui uma grande participação na Citicorp e na Saks Fifth Avenue,
concordou em comprar de 13 % a 24% da Euro Disney através de
uma nova oferta de ações, que é o cerne do socorro financeiro de
um bilhão de dólares prestado por investidores e banqueiros que
visa recuperar o parque deficitário.
Além disso, Al-Waleed concordou em aplicar 100 milhões para
financiar um centro de convenções próximo ao parque, cuja
construção está sendo considerada, a pouco mais de trinta
quilômetros a leste de Paris. Esse centro poderia atrair mais
visitantes ao parque e aos seus hotéis, particularmente nos dias de
semana e na baixa estação, declarou a Euro Disney.
A Walt Disney Co., que é dona de 49% da Euro Disney, poderia ter
a sua participação reduzida para 36% caso a venda de ações para
AlWaleed se concretizasse.
"Este significativo investimento e compromisso de financiamento da
parte do príncipe Al-Waleed significa que existe um novo parceiro
poderoso e sofisticado que compartilha a nossa opinião sobre o
futuro da Euro Disney e cujo envolvimento acentua a importante
contribuição da Disney para o pacote de reestruturação financeira
da Euro Disney", declarou o presidente da Disney, Michael D.
Eisner.
Apesar de ter se tornado um dos destinos turísticos mais populares
da Europa, a Euro Disney acumulou quase 4 bilhões de dólares em
dívidas e apresentou crescentes prejuízos desde que foi
inaugurada há mais de dois anos. Os financiadores do parque
lançam a culpa dos seus problemas financeiros na recessão
européia e em gastos menores do que esperavam da parte dos
visitantes.
Como parte de uma reestruturação financeira anunciada no mês
passado, a Disney renunciaria até 1998 aos royalties que deveria
receber sobre a venda de ingressos e mercadorias na Euro Disney
e investiria no parque mais de 526 milhões de dólares oriundos do
dinheiro apurado com a nova venda de ações. Em troca, 61 bancos
credores perdoariam 18 meses do pagamento de juros.
A Disney se compromete a vender a Al-Waleed novas ações no
valor de até 178 milhões de dólares se o príncipe não conseguir
comprar uma quantidade suficiente de novas ações de outros
acionistas, "Tornar-me sócio do projeto da Euro Disney é coerente
com a minha estratégia de investir um grande montante de capital
ao lado de equipes internacionais de administradores de alto nível",
declarou Al-Waleed.
O príncipe de 37 anos, sobrinho do rei Fahd da Arábia Saudita,
chamou atenção no passado devido aos seus investimentos em
famosas empresas americanas. Em 1991, ele se tornou o maior
investidor individual da gigantesca Citicorp ao adquirir ações da
companhia no valor de 800 milhões de dólares. No ano passado,
ele comprou 11 % das ações da empresa varejista Saks Fifth
Avenue.
Analistas afirmaram que a participação de Al-Waleed garantirá a
conclusão da reestruturação financeira da Euro Disney, o que é
esperado mais tarde neste verão.
Ainda assim, o futuro do parque temático ainda não está
assegurado.
"Os maiores problemas se situam na parte operacional", declarou
Jeffrey Logsdon, analista da indústria de entretenimento da Seidler
Coso em Los Angeles. "O grande desafio é saber como aumentar a
freqüência e o consumo per capita."

"Bush fez uma grande besteira na manhã de 11 de


setembro

Daily News (Nova York)


BILL MAHER, 12 de agosto de 2004
John Kerry tem atacado com energia uma questão levantada por
Michael Moore no filme Fahrenheit 11 de setembro, ou seja, o fato
de o presidente Bush ter permanecido sentado durante sete
minutos em uma sala de aula da Flórida depois de receber a
notícia de que "o país está sendo atacado". É claro que os
republicanos estão ficando indignados. Mas as críticas são
amplamente merecidas.
O fato de Bush ter desperdiçado 27 minutos naquele dia - não
apenas os sete minutos que ele passou lendo para as crianças,
como também os outros vinte que gastou tirando fotos com os
jornalistas - foi, na minha opinião, a coisa mais ultrajante que um
presidente já fez desde que Franklin Roosevelt tentou reorganizar a
Suprema Corte.
Watergate foi um escândalo, mas não encerrava a possibilidade de
uma total devastação, como quando um presidente fica paralisado
no momento em que precisávamos que ele se concentrasse de
imediato no ataque que estava acontecendo contra os Estados
Unidos.
Esta é uma questão que envolve a responsabilidade suprema de
um presidente, ou seja, agir em um momento de emergência.
Mesmo que nada mais em Washington seja apartidário, esta
questão deveria sê-lo.
Mas não é. Os republicanos estão se enredando cada vez mais
tentando defender as ações de Bush naquela manhã. As desculpas
que eles apresentam são absurdas:
Ele estava "pondo as idéias em ordem". Aquele era um momento
que um presidente tinha que ter imaginado milhares de vezes. Não
há tempo na era nuclear para um presidente se sentir como Forrest
Gump "pondo as idéias em ordem" depois do ataque ter começado.
O que ele deveria ter feito era obter informações.
Do secretário de imprensa da Casa Branca: "O presidente achou
que deveria demonstrar força e calma até poder compreender
melhor o que estava acontecendo". Concordo com a idéia de que
entender melhor o que estava acontecendo deveria ter sido a meta
dele. O que eu não entendo é como essa meta poderia ser
alcançada com ele parado e sentado em vez de se levantar e falar
com as pessoas. Ele é paranormal? Estava recebendo
telepaticamente as informações?
"Ele não quis assustar as crianças." O vice-presidente Cheney fez
a seguinte declaração sobre Kerry: "O senador de Massachusetts
nos forneceu amplos motivos para duvidar da sua capacidade de
julgamento com relação a questões vitais da segurança nacional".
Então a capacidade de julgamento de Kerry é suspeita, mas em um
momento de crise nacional, a capacidade de julgamento de Bush
foi a seguinte: é melhor não assustar momentaneamente 20
crianças do que reagir de imediato a um ataque ao país!
Se ele tivesse simplesmente dito: "Ei, garotada, preciso ir embora
para tratar de coisas que só o presidente pode fazer - obedeçam à
mamãe e ao papai, tchau!", o meu palpite é que as crianças teriam
sobrevivido.
Não consigo entender como uma pessoa que se considera
conservadora é capaz de defender a inércia de George Bush. Os
conservadores se orgulham de ser perspicazes e decididos. Eles
não são chegados a nuanças e respeitam a determinação.
Mas Bush se atrapalhou no momento mais importante que um
presidente poderia ter. Tivemos sorte porque a Al-Qaeda já fizera
tudo que tinha a fazer quando ele saiu da sessão de fotos com os
jornalistas. Na próxima vez, as coisas talvez não aconteçam desta
maneira.

Maher é o apresentador de Real Time with Bill Maher da rede de


televisão HBO.
O Projeto para o Novo Século Americano (PNAC) é um poderoso
órgão de pesquisa neoconservador que defende uma política
externa agressiva. O seu presidente, William Kristol, é um
conhecido "falcão" ["hawk", pessoa que prega uma política externa
agressiva e belicosa, ao contrários dos "doves" (pombos)], tem
vínculos estreitos com o governo Bush e é analista da FOX NEWS.
Segue-se uma carta que o PNAC escreveu para o presidente Bill
Clinton em janeiro de 1998. Ela foi assinada por vários falcões
conhecidos, que posteriormente se tornaram membros importantes
do governo Bush: o secretário de defesa Donald Rumsfeld, o vice-
secretário de Defesa Paul Wolfowitz e o emissário da Casa Branca
Elliot Abrams, citando apenas alguns. A carta exigia que Saddam
Hussein fosse deposto e fornece uma pista hoje bastante óbvia a
respeito de como eles planejaram invadir o Iraque desde o início...

http://www.newamericancentury.org/iraqclintonletter.htm

26 de janeiro de 1998

Ao Excelentíssimo Presidente William J. Clinton


Presidente dos Estados Unidos
Washington, DC
Prezado Sr. Presidente:

Estamos lhe enviando esta carta porque estamos convencidos de


que a atual política americana com relação ao Iraque não está
sendo bem-sucedida e que talvez possamos enfrentar em breve
uma ameaça no Oriente Médio, mais grave do que qualquer outra
que tivemos desde o final da Guerra Fria. No seu próximo Discurso
ao Estado da União, o senhor terá a oportunidade de traçar um
rumo claro e determinado para enfrentar esta ameaça.
Recomendamos com insistência que o senhor aproveite esta
oportunidade e proclame uma nova estratégia que garanta os
interesses dos Estados Unidos e dos nossos amigos e aliados ao
redor do mundo. Essa estratégia deveria visar, acima de tudo,
derrubar o regime de Saddam Hussein. Estamos prontos para
oferecer o nosso total apoio neste difícil, porém necessário
empreendimento.
A política de "contenção" de Saddam Hussein tem se desgastado
gradualmente nos últimos meses. Como eventos recentes o
demonstraram, não mais podemos ter certeza de que os nossos
parceiros na coalizão da Guerra do Golfo continuarão a manter as
sanções ou punir Saddam quando ele se esquivar das inspeções
da ONU ou impedi-Ias. Por conseguinte, a nossa capacidade de
assegurar que Saddam Hussein não produzirá armas de destruição
em massa diminuiu substancialmente. Mesmo que as inspeções
integrais fossem finalmente reiniciadas, o que hoje parece
altamente improvável, a experiência demonstrou que é difícil, e
talvez impossível, monitorar a produção de armas químicas e
biológicas do Iraque. O longo período durante o qual os inspetores
terão sido incapazes de penetrar em muitas instalações iraquianas
tornou ainda menos provável que eles sejam capazes de descobrir
todos os segredos de Saddam~ Como resultado, em um futuro não
muito distante, seremos incapazes de determinar com um nível
razoável de confiança se o Iraque possui ou não essas armas.
Essa incerteza, por si só, exercerá um grave efeito desestabilizador
em todo o Oriente Médio. Quase não é preciso acrescentar que se
Saddam adquirir a capacidade de distribuir armas de destruição em
massa, o que é quase certo que ele fará se prosseguirmos no
curso atual, a segurança das tropas americanas no local, dos
nossos amigos e aliados como Israel e os estados árabes
moderados, bem como uma parte significativa do suprimento de
petróleo do mundo estará em risco. Como o senhor corretamente
declarou, Sr. Presidente, a segurança do mundo na primeira parte
do século XXI será determinada em grande parte pela maneira
como lidarmos com esta ameaça.
Tendo em vista a magnitude da ameaça, a política atual, que para
ser bem-sucedida depende da estabilidade dos nossos parceiros
de coalizão e da cooperação de Saddam Hussein, é perigosamente
inadequada. A única estratégia aceitável é aquela que elimina a
possibilidade de que o Iraque será capaz de usar, ou ameaçar usar,
armas de destruição em massa. A curto prazo, isso significa a
disposição de empreender uma ação militar, pois a diplomacia está
claramente fracassando. A longo prazo, significa derrubar Saddam
Hussein e o seu regime. Este precisa agora se tornar o objetivo da
política externa americana.
Recomendamos com insistência que o senhor articule este objetivo
e volte a atenção do seu governo para a implementação de uma
estratégia para derrubar o regime de Saddam Hussein. Esta
decisão exigirá um completo entrosamento entre os
empreendimentos diplomáticos, políticos e militares. Embora
estejamos conscientes dos perigos e das dificuldades da
implementação desta política, acreditamos que os perigos de
deixar de executá-Ia são ainda maiores. Acreditamos que os
Estados Unidos possuem a autoridade de acordo com as
resoluções existentes da ONU de tomar as providências neces-
sárias, inclusive medidas militares, para proteger os nossos
interesses vitais no Golfo. De qualquer modo, a política americana
não pode continuar a ser mutilada por uma insistência equivocada
ou pela unanimidade no Conselho de Segurança da ONU.
Recomendamos com insistência que o senhor aja com firmeza. Se
o senhor tomar medidas agora destinadas a eliminar a ameaça das
armas de destruição em massa contra os Estados Unidos ou os
seus aliados, o senhor estará agindo de acordo com os interesses
mais fundamentais de segurança nacional do país. Se aceitarmos
uma rota de fraqueza e instabilidade, estaremos colocando em
risco os nossos interesses e o nosso futuro.

Sinceramente,

Elliot Abrams Richard L. Armitage William J. Bennett Jeffrey


Bergner John Bolton Paula Dobrianksy Francis Fukuyama Robert
Kagan Zalmay Khalilzad William Kristol Richard Perle Peter W
Rodman Donald Rumsfeld William Schneider Jr. Vin Weber Paul
Wolfowitz R. James Woolsey Robert B. Zoellick

"Eles sabiam..."
Apesar de Whitewash, agora sabemos que
a administração Bush foi informada antes da
guerra de que suas alegações sobre o Iraque eram
fracas
In These Times
DAVID SIROTA E CHRISTY HARVEY, 3 de agosto de
2004
Se o desespero é feio, Washington D.C. hoje é pura e simplesmen-
te abominável.
Como relatou recentemente a Comissão do 11 de setembro, não
houve nenhuma "evidência confiável" de um relacionamento
cooperativo entre o Iraque e a Al-Qaeda. De modo análogo, não
foram encontradas armas de destruição em massa no Iraque. Com
as baixas americanas aumentando em um ano eleitoral, a Casa
Branca está se agarrando a qualquer coisa para não ser
responsabilizada pela sua desonestidade.
As tentativas de encobrir os fatos já começaram: em julho,
republicanos da Comissão de Inteligência do Senado liberaram um
relatório controverso culpando a CIA pela bagunça. O grupo
convenientemente se recusa a avaliar o que a Casa Branca fez
com as informações que recebeu ou como definiu e nomeou a sua
equipe especial de assessores políticos do Pentágono (chamada
de Secretaria de projetos especiais) para burlar os reconhecidos
canais do serviço de inteligência. Além disso, o vice-presidente
Dick Cheney continuar a afirmar sem nenhuma prova que existem
"indícios esmagadores" que justificam as acusações do governo
que antecederam a guerra.
No entanto, como afirmou o escritor Flannery O'Conner, "A verdade
não muda de acordo com a nossa capacidade de tolerá-Ia". Isto
significa que, independentemente da quantidade de manipulação
defensiva voltada pela Casa Branca, o governo Bush não pode
escapar do fato documentado de que foi claramente avisado antes
da guerra que os seus argumentos para invadir o Iraque eram
fracos.
Altos representantes do governo repetidamente deixaram de dar
atenção às advertências a respeito das supostas Armas de
Destruição em Massa e as conexões com a Al-Qaeda foram
exageradas. Em alguns casos, foram informados de que as suas
alegações eram totalmente desprovidas de mérito, mas eles foram
em frente e as fizeram assim mesmo. Até mesmo o relatório do
Senado admite que a Casa Branca "adulterou" informações
sigilosas eliminando referências a afirmações contraditórias.
Em resumo, eles sabiam que estavam enganando os Estados
Unidos. E não se importavam com isso.

Eles sabiam que o Iraque não representava uma ameaça


nuclear.

Não há dúvida, embora não houvesse nenhuma prova da


cumplicidade do Iraque, de que a Casa Branca se concentrou no
Iraque horas depois dos atentados de 11 de setembro. A CBS
News noticiou: "apenas cinco horas depois de o vôo 77 da
American Airlines ter arremetido contra o Pentágono, o secretário
de defesa Donald H. Rumsfeld estava ordenando aos seus
assistentes que elaborassem planos para atacar o Iraque". O ex-
czar do antiterrorismo de Bush, Richard Clarke, relatou de modo
vívido a maneira como, depois do atentado, o presidente Bush o
pressionou para descobrir uma conexão com o Iraque. De muitas
maneiras, esta atitude não era nenhuma surpresa, pois, como
confirmaram o ex-secretário do Tesouro Paul O'Neill e outro alto
funcionário do governo, a Casa Branca estava de fato procurando
uma maneira de invadir o Iraque bem antes dos ataques terroristas.
No entanto, a invasão não provocada de um país soberano
precisava de uma justificativa pública. Assim sendo, o governo
Bush instilou no coração dos americanos o medo das supostas
armas de destruição em massa de Saddam Hussein, começando
pelas armas nucleares. No seu primeiro discurso importante sobre
a "Ameaça do Iraque" em outubro de 2002, o presidente Bush
invocou imagens exaltadas de destruição e nuvens semelhantes a
cogumelos, dizendo: "O Iraque está recompondo o seu programa
de armas nucleares".
No entanto, antes desse discurso, a Casa Branca tinha
determinado que o serviço de inteligência questionasse essa
afirmação. Em 1997, a U.N.'s International Atomic Energy Agency
(IAEA) [Agência Internacional de Energia Atômica das Nações
Unidas] - a agência cuja finalidade é evitar a proliferação das
armas nucleares - apresentou um relatório declarando que não
havia nenhuma indicação de que o Iraque algum dia teria
alcançado o potencial nuclear ou que teria qualquer capacidade
física de produzir algum material nuclear na categoria de armas em
um futuro próximo.
Em fevereiro de 2001, a CIA remeteu um relatório à Casa Branca
que dizia: "Não temos indicações diretas de que o Iraque tenha
usado o período que seguiu à Operação Raposa do Deserto para
reestruturar os seus programas de armas de destruição em
massa". O relatório foi tão definitivo que o secretário de Estado
Colin Powell declarou em uma subseqüente entrevista coletiva à
imprensa que Saddam Hussein "não desenvolveu nenhum
potencial significativo no que diz respeito a armas de destruição em
massa".
Dez meses antes do discurso do presidente, uma análise crítica
sobre informações realizada pelo diretor da CIA George Tenet não
fazia uma única menção a uma ameaça ou potencial nuclear
iminente do Iraque. A ClA teve o respaldo do próprio departamento
de Estado de Bush; na época que o presidente proferiu o discurso,
a agência de inteligência do departamento declarou que os indícios
não "resultavam em um argumento irrefutável de que o Iraque
esteja atualmente envolvido com o que consideramos ser uma
abordagem ampla e integrada à aquisição de armas nucleares".
Apesar de tudo, o governo continuou no mesmo rumo. Em março
de 2003, dias antes do início da guerra, Cheney falou em cadeia
nacional na televisão afirmando que o Iraque "reconstruiu as armas
nucleares". Ele teve o apoio do porta-voz do departamento de
Estado Richard Boucher, que falou aos repórteres sobre
"preocupações a respeito dos possíveis programas nucleares do
Iraque", supostamente graves.
Mesmo depois da invasão, quando as tropas não conseguiram
encontrar nenhum indício da existência de armas nucleares, a
Casa Branca se recusou a admitir a verdade. Em julho de 2003,
Condoleezza Rice disse a Gwen Ifill do PBS [public Broadcasting
Service] que as afirmações do governo sobre armas nucleares
eram "totalmente aceitáveis". Naquele mesmo mês, o porta-voz da
Casa Branca Scott McClellan afirmou enfaticamente: "Existem
muitos indícios que demonstram que o Iraque estava
reestruturando o seu programa de armas nucleares".

Eles sabiam que os tubos de alumínio não se destinavam a annas


nucleares
Para dar respaldo às afirmações de que o Iraque estaria
ativamente tentando construir armas nucleares, o governo
mencionou o fato de o Iraque ter importado tubos de alumínio, os
quais, segundo os representantes de Bush, se destinavam ao
enriquecimento de urânio. Em dezembro de 2002, Powell disse o
seguinte: "O Iraque tentou obter tubos de alumínio de alta
resistência que podem ser usados para enriquecer o urânio em
centrífugas para um programa de armas nucleares". Analogamente,
no seu Discurso ao Estado da União de 2003, Bush declarou que o
Iraque "tentou adquirir tubos de alumínio de alta resistência
adequados à produção de armas nucleares".
No entanto, em outubro de 2002, bem antes desses e de outros
representantes do governo fazerem essa afirmação, dois
importantes departamentos informaram à Casa Branca exatamente
o oposto. O departamento de Estado ratificou relatórios de
especialistas do departamento de energia que concluíram que os
tubos não eram adequados a qualquer tipo de enriquecimento de
urânio. E segundo memorandos liberados pela Comissão de
Inteligência do Senado, o departamento de Estado também
recomendou a Powell, dias antes do seu discurso de fevereiro de
2003 na ONU, que não usasse a hipótese dos tubos de alumínio.
Ele se recusou a seguir a recomendação e mencionou assim
mesmo os referidos tubos.
As advertências do departamento de Estado foram logo
confirmadas pela IAEA. Em março de 2003, o diretor da agência
declarou: "É bem provável que a tentativa do Iraque de importar
esses tubos de alumínio não estivesse diretamente relacionada"
com a expansão de armas nucleares.
Ainda assim, esses fatos tampouco detiveram a Casa Branca.
Fingindo que o governo nunca recebera nenhuma advertência,
Rice afirmou em julho de 2003 que "a opinião consensual" na
comunidade do serviço de informações era que os tubos "eram
adequados à utilização em centrífugas destinadas à rotação de
materiais destinados à fabricação de armas nucleares".
Hoje, os especialistas concordam em que as afirmações do
governo sobre os tubos de alumínio eram totalmente desprovidas
de mérito.

Eles sabiam que as afirmações sobre o urânio do Iraque não


eram comprovadas.

Em uma das mais famosas declarações sobre os supostos


arsenais nucleares do Iraque, Bush disse o seguinte no seu
Discurso ao Estado da União de 2003: "O governo britânico teve
informações de que Saddam Hussein tentou obter da África
quantidades significativas de urânio". A maneira cuidadosa como
essa base foi formulada enfatiza a falsidade dela. Ao atribuir a
afirmação a um governo estrangeiro, a Casa Branca fez uma
poderosa acusação, ao mesmo tempo que se protegia contra
quaisquer conseqüências caso ela viesse a se revelar falsa. Na
verdade, o presidente invocou os ingleses porque os seus
especialistas na área da inteligência haviam aconselhado a Casa
Branca a não tocar no assunto.
No outono de 2002, a CIA disse aos representantes do governo
que não incluíssem a declaração sobre o urânio nos discursos
presidenciais. Especificamente, a agência enviou dois memorandos
para a Casa Branca e Tenet telefonou pessoalmente para os mais
altos funcionários da segurança nacional implorando-lhes que não
usassem a declaração. Embora as advertências tenham obrigado a
Casa Branca a retirar a referência ao urânio de um discurso
presidencial de outubro de 2002, elas não impediram que a
acusação fosse incluída no Discurso ao Estado da União de 2003.
Não é de causar surpresa o fato de logo terem surgido indícios que
forçaram a Casa Branca a admitir o engodo. Em março de 2003, o
Diretor do IAEA Mohammed EI Baradei declarou que não havia
provas de que o Iraque possuísse armas nucleares, e acrescentou
que "documentos que formaram a base das [declarações da Casa
Branca] sobre recentes transações de urânio entre o Iraque e a
Nigéria na verdade não são autênticos". Mas quando Cheney foi
questionado sobre o assunto uma semana mais tarde, ele disse: "O
Sr. EI Baradei está literalmente errado".
Tanto Bush quanto Rice tentaram culpar a ClA pelo fracasso,
asseverando que a declaração "foi aprovada pelos serviços de
inteligência". Quando a agência de inteligência apresentou os
memorandos que enviara para a Casa Branca sobre o assunto,
Rice declarou sem titubear ao programa de notícias Meet the
Press: "é bem possível que eu não tenha" lido os memorandos,
como se eles fosse uma leitura "opcional" para os mais altos
funcionários da segurança nacional do país às vésperas da guerra.
Mais ou menos naquela época, um ou alguns representantes do
governo deixaram vazar para a imprensa que a esposa do
embaixador Joseph Wuson era agente secreto da ClA - uma
medida amplamente vista como uma tentativa da parte do governo
de punir Wilson pelo artigo que escreveu no dia 6 de julho de 2003
na página op-ed [Acrônimo de "Opposite the Editorial Page".
Página de um jornal, geralmente oposta à do editorial, que publica
artigos assinados por pessoas que expressam suas opiniões
pessoais.] do New York Times, no qual ele afirmou que não
encontrara nenhum indício de que o Iraque tivesse tentado comprar
urânio da Nigéria.
Nas últimas semanas, gurus da direita apontaram para novos fatos
que revelam que a acusação sobre o urânio do Iraque pode ter
flertado com a verdade em algum ponto do passado distante.
Esses homens sem escrúpulos contratados pela Casa Branca
afirmam que o governo não manipulou nem escolheu a dedo os
membros do serviço de inteligência. Eles também apregoam que o
recente relatório britânico (também conhecido como O relatório
Butler) defende a afirmação do presidente sobre o urânio. No
entanto, se a Casa Branca não escolheu a dedo nem manipulou os
membros serviço de informações, por que o presidente fez alarde
de informações provenientes de um governo estrangeiro ao mesmo
tempo que deixava de dar atenção a advertências explícitas do seu
próprio governo no sentido de que não o fizesse? Os registros
mostram que altos funcionários do serviço de inteligência
americano claramente avisaram à Casa Branca que "os ingleses
desta vez exageraram". No entanto, o governo se recusou a
escutar. Até mesmo o próprio Relatório Butler reconhece que os
indícios são nebulosos. O especialista em não-proliferação Joseph
Cirincione da Carnegie Endowment International Place [Fundação
Carnegie para a Paz Internacional] recentemente salientou o
seguinte: "Na melhor das hipóteses, a declaração parece dúbia, ou
seja, dificilmente algo que devesse servir de base para decisões
presidenciais”.
Mas agora, em vez de se mostrar arrependidos, os republicanos
afirmam veementemente que a acusação da Casa Branca sobre o
urânio era precisa. Na verdade, a única opção desses apologistas
é tentar desviar a atenção do público da simples verdade que não
existe nenhum indício confiável que confirme esta acusação
fundamental que pressionou a guerra.

Eles sabiam que não havia nenhuma prova incontestável de


armas químicas ou biológicas.

Em setembro de 2002, o presidente Bush afirmou que o Iraque


"poderia lançar um ataque biológico ou químico em apenas 45
minutos depois que a ordem fosse dada". No mês seguinte, ele.
proferiu um importante discurso para "delinear a ameaça
iraquiana", dois dias antes de uma crítica votação da ONU. Nesse
discurso, ele afirmou sem nenhuma dúvida que o Iraque "possui e
produz armas químicas e biológicas". Ele acrescentou que "o
Iraque possui uma frota crescente de veículos aéreos tripulados e
não-tripulados (UAVs) que poderiam ser usados para espalhar
armas química ou biológicas" e que o governo estava "preocupado
com o fato de o Iraque estar explorando maneiras de usar esses
UAVs para missões cujo alvo eram os Estados Unidos".
Mas ele não disse que a Casa Branca fora explicitamente avisada
de que essas afirmações não podiam ser comprovadas.
O Washington Post mais tarde noticiou que Bush "desprezou o fato
de que o serviço de inteligência dos Estados Unidos desconfiou da
fonte" da afirmação sobre os 45 minutos para o ataque e, portanto,
a omitiu das suas avaliações. Bush desconsiderou ainda o fato de
que a Agência de Inteligência do Departamento de Defesa havia
submetido anteriormente um relatório ao governo no qual declarava
não ter encontrado "nenhuma informação confiável" que provasse
que o Iraque estava produzindo ou estocando armas nucleares.
Segundo a revista Newsweek, a conclusão foi semelhante às
constatações de uma comissão do governo de 1998 sobre armas
de destruição em massa presidida por Rumsfeld.
Bush também deixou de ressaltar que, no início de outubro de
2002, os especialistas militares do governo de mais alto nível
tinham informado à Casa Branca que "questionavam
acentuadamente a idéia de que os Veículos Aéreos Não-tripulados
do Iraque estivessem sido projetados como armas de ataque".
Especificamente, o Centro de Inteligência Nacional Aeroespacial da
Força Aérea corretamente demonstrou que as aeronaves não-
tripuladas controladas por controle remoto eram pesadas demais
para ser usadas para acionar dispositivos pulverizadores de armas
químicas e biológicas.
Mesmo assim, as declarações do governo sobre armas químicas e
biológicas continuaram a aumentar. Powell disse às Nações Unidas
em 5 de fevereiro de 2003: "Não pode haver nenhuma dúvida de
que Saddam Hussein possui armas biológicas e o potencial para
produzir rapidamente uma quantidade muito maior delas". Como
prova, ele mencionou imagens aéreas de um suposto veículo de
descontaminação circulando em um suspeito local de armamentos.
Segundo documentos recentemente tornados disponíveis no relató-
rio da Comissão de Inteligência do Senado, os mais altos
especialistas em inteligência do próprio Powelllhe disseram que
não fizesse aquelas afirmações sobre as fotografias. Eles
acrescentaram que os veículos eram provavelmente caminhões-
pipa. Ele não deu atenção aos avisos.
No dia 6 de março de 2003, semanas antes da invasão, o
presidente superou Powell afirmando: "Os agentes iraquianos
continuam a esconder agentes biológicos e químicos".
Até hoje, nenhuma arma química ou biológica foi encontrada no
Iraque.

Eles sabiam que Saddam e Bin Laden não estavam cola-


borando um com o outro.
No verão de 2002, o USA Today noticiou que advogados da Casa
Branca tinham concluído que estabelecer um vínculo entre o Iraque
e a Al-Qaeda forneceria a cobertura legal nas Nações Unidas para
que o governo atacasse o Iraque. Essa ligação, sem dúvida,
também proporcionaria capital político nos Estados Unidos. Desse
modo, no outono de 2002, teve início a violenta defesa da ligação
entre o Iraque e a Al-Qaeda.
Tudo começou no dia 25 de setembro de 2002, quando Bush
declarou: "não é possível distinguir entre a Al-Qaeda e Saddam".
Essa foi uma novidade até mesmo para os membros do próprio
partido político de Bush que tinham acesso às informações
secretas do serviço de inteligência. Apenas um mês antes, o
senador Chuck Hagel (Republicano, Nebrasca), que atua na
Comissão de Relações Exteriores do Senado, declarou: "Saddam
não tem vínculos com a Al-Qaeda. Não vi nenhuma informação
secreta que me levasse a estabelecer uma ligação entre Saddam
Hussein e a Al-Qaeda".
Não é de causar surpresa que, no dia seguinte à declaração de
Bush, o USA Today tenha noticiado que vários especialistas da
área de inteligência "se mostraram céticos" com relação à
afirmação do presidente, sendo que um alto funcionário do
Pentágono chamou a declaração do presidente de "exagerada".
Mesmo assim, Bush desconsiderou essas preocupações e
descreveu naquele dia Saddam Hussein como "um homem que
adora formar laços com a Al-Qaeda". Nesse ínterim, Rumsfeld
promoveu uma entrevista coletiva à imprensa alardeando provas
"incontestáveis" de uma ligação - sentimento que foi ecoado por
Rice e pelo porta-voz da Casa Branca Ari Fleischer. E enquanto o
New Jórk Times comentava que "as autoridades não forneceram
detalhes que confirmassem as afirmações", Rumsfeld mesmo
assim insistia em que as suas declarações eram "precisas e
incontestáveis".
Poucos dias depois, as acusações se tornaram mais do que
apenas "contestáveis"; elas foram desmascaradas. O ministro, da
Defesa da Alemanha Peter Stuch declarou, no dia seguinte à
entrevista de Rumsfeld, que o seu país "não tinha conhecimento de
nenhuma ligação" entre o Iraque e as tentativas da Al-Qaeda de
adquirir armas nucleares. O Orlando Sentinel noticiou que "um
número crescente de oficiais militares, profissionais na área da
inteligência e diplomatas do próprio governo [de Bush] possuía
particularmente profundas dúvidas" a respeito das afirmações
sobre a conexão entre o Iraque e a Al-Qaeda. Os especialistas
acusaram os falcões do governo de ter "exagerado as provas". Um
funcionário do alto escalão do governo declarou ao Philadelphia
Inquirer que analistas da área da inteligência "contestam as
afirmações do governo de que existe um importante vínculo entre o
Iraque e a Al-Qaeda".
Embora estes indícios tenham obrigado o primeiro-ministro inglês
Tony Blair e outros aliados a se abster de enfatizar uma ligação
entre o Iraque e a Al-Qaeda, o governo Bush se recusou a permitir
que os fatos o dissuadissem do seu propósito.
No dia 1º. de novembro de 2002, o presidente Bush afirmou:
"Sabemos [que o Iraque] possui laços com a Al-Qaeda". Quatro
dias depois, Jean-Louis Bruguiere, o maior investigador de
terrorismo da Europa, relatou: "Não encontramos nenhum indício
da existência de vínculos entre o Iraque e a Al-Qaeda. Se estes
vínculos existissem, nós os teríamos encontrado. No entanto, não
encontramos nenhuma ligação importante". O secretário do exterior
da Inglaterra, Jack Straw, cujo país estava ajudando os Estados
Unidos a formar um argumento a favor da guerra, admitiu: "Estão
me perguntando se eu percebi qualquer indício de [uma ligação
entre o Iraque e a Al-Qaeda]. E a resposta é: Não percebi.
Pouco depois surgiu uma avalanche de indícios que indicavam que
a Casa Branca estava deliberadamente iludindo os Estados
Unidos. Em janeiro de 2003, funcionários do serviço de inteligência
declararam ao Los Angeles Times que ficaram "perplexos com a
nova iniciativa da Casa Branca de criar a idéia de uma ligação
entre o Iraque e a Al-Qaeda e disseram que a comunidade do
serviço de inteligência desconsiderou, e até mesmo descartou,
informações que pareciam apontar para um possível vínculo entre
o Iraque e a Al-Qaeda". Um dos funcionários do serviço de
inteligência declarou: "Não existe uma base factual" para a teoria
conspiradora do governo sobre a suposta conexão.
Na manhã de 5 de fevereiro de 2003, no mesmo dia que Powell
proferiu o seu discurso nas Nações Unidas, o serviço de
inteligência britânico deixou vazar um relatório abrangente que não
encontrara laços substanciais entre o Iraque e a Al-Qaeda. A BBC
noticiou que altos funcionários do serviço de inteligência britânico
sustentavam que "qualquer relacionamento incipiente [entre o
Iraque e a Al-Qaeda] soçobrou devido à desconfiança e a
ideologias incompatíveis". Não obstante, Powell se apresentou
diante das Nações Unidas e afirmou que havia "um nexo sinistro
entre o Iraque e a Al-Qaeda". Um mês depois, Rice o apoiou,
dizendo que a Al-Qaeda "claramente manteve vínculos com os
iraquianos". E no seu discurso de 17 de março de 2003, às
vésperas da guerra, Bush justificou a invasão citando o laço
totalmente desacreditado entre o Iraque e a Al-Qaeda.
Quando a guerra começou, o castelo de cartas desmoronou. Em
junho de 2003, o presidente do grupo da ONU que monitora a Al-
Qaeda disse aos repórteres que a sua equipe não tinha encontrado
nenhum indício que ligasse o grupo terrorista ao Iraque. Em julho
de 2003, o Los Angeles Times publicou que o relatório bipartidário
do congresso que analisava o atentado de 11 de setembro
"solapou as afirmações do governo Bush anteriores à guerra de
que Hussein teria laços com a Al-Qaeda". Nesse ínterim, o New
York Times noticiou que "Forças de coalizão não descobriram
nenhum indício importante que demonstrasse o vínculo entre o
Iraque e a Al-Qaeda". Em agosto de 2003, três ex-representantes
do governo Bush se apresentaram e admitiram que os indícios
anteriores à guerra que ligavam a Al-Qaeda ao Iraque "eram frá-
geis, exagerados e, freqüentemente, estavam em conflito com as
conclusões das principais agências de inteligência".
Ainda assim, a Casa Branca insistiu em sustentar o engodo. No
outono de 2003, o presidente Bush fez a seguinte declaração: "Não
existe nenhuma dúvida de que Saddam Hussein possui laços com
a AlQaeda". E Cheney afirmou que o Iraque "possuía um
relacionamento consolidado com a Al-Qaeda". Quando a mídia
finalmente começou a exigir provas de todas as alegações, Powell
esboçou um vislumbre de arrependimento. Em janeiro de 2004, ele
admitiu que não havia indícios conclusivos que comprovassem a
afirmação. A sua confissão logo se fez acompanhar em março de
2004 por um relatório da Knight Ridder, que citava representantes
do governo que admitiam que "nunca houve nenhum indício de que
o estado policial secular de Hussein e a rede terrorista islâmica de
Osama bin Laden mantivessem uma ligação".
Mas a declaração de Powell foi a exceção e não a regra. A Casa
Branca ainda se recusa a reconhecer que agiu de má-fé e, em vez
disso, recorre ao clássico estratagema duplo, ou seja, citando
fontes, porém recusando-se convenientemente a reconhecer as
falhas críticas dessas fontes.
Por exemplo, Cheney começou indicando aos repórteres um artigo
na revista de direita Wéekly Standard como a "melhor fonte" de
indícios que amparam a afirmação que existe um vínculo entre
Saddam e a AlQaeda, embora o Pentágono tenha anteriormente
desacreditado a história. Analogamente, em junho, a máquina
republicana manipuladora da mídia veio em auxílio da Casa Branca
e promoveu um artigo no New York Times a respeito de um
documento que mostrava as tentativas fracassadas de Bin Laden
de trabalhar ao lado do Iraque em meados da década de 1990
contra a Arábia Saudita. Não é de causar surpresa que os mani-
puladores não tenham mencionado a principal constatação do
artigo, ou seja, que uma força-tarefa do Pentágono descobriu que o
documento "não descrevia nenhuma aliança formal que tivesse
sido formada entre Bin Laden e o serviço de inteligência do Iraque".
Quando a Comissão de 11 de setembro não encontrou "indícios
aceitáveis" de um relacionamento de colaboração entre o Iraque e
a Al-Qaeda, a contestação da Casa Branca não surpreendeu
ninguém. Cheney afirmou audaciosamente que havia "indícios
esmagadores" da existência de uma ligação, não forneceu nenhum
deles e a seguir repreendeu a mídia e a comissão por ter a audácia
de relatar o óbvio. Bush não sentiu necessidade de justificar as
suas distorções, limitando-se a declarar depois da publicação do
relatório: "A razão pela qual continuo a afirmar que houve um
relacionamento entre o Iraque, Saddam e a Al-Qaeda é o fato de
que existia um relacionamento entre o Iraque e a Al-Qaeda".
Esta foi a perfeita resposta de um governo que nunca permite que
os registros factuais afetem o que ele diz para o público americano.

Eles sabiam que não houve nenhum encontro em Praga.

Um dos principais sustentáculos do mito da ligação entre o Iraque e


a Al-Qaeda foi uma história secundada pela Casa Branca que
afirma que Mohammed Atta, um dos seqüestradores do atentado
de 11 de setembro, teria se encontrado com um espião iraquiano
em abril de 2001. A narrativa procede originalmente de um
informante tcheco isolado, que afirmou ter visto o terrorista em
Praga na época. Os falcões da Casa Branca que, ansiosos por
ligar a Al-Qaeda a Saddam, não esperaram para verificar a
veracidade da história, usando-a imediatamente para energizar
argumentos a favor de um ataque preventivo ao Iraque. No dia 14
de novembro de 2001, Cheney afirmou que Atta esteve "em Praga
não apenas em abril deste ano, como também anteriormente". No
dia 9 de dezembro de 2001, ele foi adiante, declarando sem ter
provas que o encontro de Atta estava "praticamente confirmado".
Nove dias depois, o governo tcheco informou que não havia
nenhum indício de que Atta tivesse se encontrado em Praga com
um agente do serviço de inteligência iraquiano. O chefe de polícia
tcheco Jiri Kolar declarou que não havia nenhum documento
provando que Atta estivera em Praga no decorrer daquele ano, e
as autoridades tchecas disseram à Newsweek que a testemunha
não confirmada que sustentou a história deveria ter sido observada
com mais ceticismo.
Na primavera de 2002, importantes publicações como os jornais
Washington Post e New York Times, e as revistas Newsweek e
Time estavam publicando histórias que chamavam a "conexão de
Praga" um erro "embaraçoso" e diziam que, segundo os dirigentes
europeus, as informações que corroboravam a afirmação se
encontravam em uma faixa que variava entre "insuficientes" e
"inexistentes". As histórias também citavam representantes do
governo e analistas da CIA e do FBI dizendo que após um exame
mais atento "não havia indícios de que Atta tenha deixado os
Estados Unidos ou voltado para lá na ocasião em que supostamen-
te estaria em Praga". Até mesmo o diretor do FBI Robert S. Mueler
m, assessor político nomeado por Bush, admitiu em abril de 2002
que "analisamos literalmente centenas de milhares de pistas e
checamos cada registro que conseguimos obter, desde reservas de
vôos e aluguel de carros a contas bancárias", mas não
encontramos nada.
Mas essas declarações não foram suficientes para o governo, que,
em vez de esquecer a história, começou a tentar manipular o
serviço de inteligência para transformar a fantasia em realidade.
Em agosto de 2002, quando os case officers [agente secreto que
também atua na equipe de um serviço de inteligência] do FEl
disseram ao vice-secretário de Defesa Paul Wolfowitz que o
encontro de Atta havia ocorrido, a Newsweek relatou que Wolfowitz
"os desafiou energicamente". Wolfowitz queria que o FBI
endossasse as declarações de que Atta e o espião iraquiano teriam
se encontrado. O chefe de anti-terrorismo do FBI Pat D'Amuro
recusou-se a fazer o que ele queria.
Em setembro de 2002, a CIA entregou a Cheney uma avaliação
sobre informações sigilosas que lança uma dúvida grave e
específica quanto ao fato de o encontro de Atta ter de fato ocorrido.
No entanto, naquele mesmo mês, Richard Pede, então presidente
da Junta da Política de Defesa de Bush declarou o seguinte:
"Muhammad Atta se encontrou com [um secreto colaborador da
Saddam Hussein] antes de 11 de setembro. Temos provas deste
fato e temos certeza de que ele não estava lá de férias". Quase
simultaneamente, Pede admitiu abertamente que "O encontro é um
dos motivos de um ataque americano ao Iraque".
No inverno de 2002, até mesmo os aliados dos Estados Unidos
estavam insistindo com o governo para que cedesse: em
novembro, Jack Straw, Secretário do Exterior inglês, declarou que
não vira nenhum indício de um encontro em Praga entre Atta e um
agente do serviço de inteligência do Iraque.
Mas as coisas não pararam por aqui. Em setembro de 2003, no
programa de notícias Meet the Press, Cheney trouxe de novo a
história à baila, dizendo: "Com relação ao atentado de 11 de
setembro, é claro, tivemos a história que se tomou pública lá fora.
Os tchecos alegaram que Mohammed Atta, o líder do ataque,
encontrou-se com um alto funcionário do serviço de inteligência
iraquiano cinco meses antes do atentado". Ele não forneceu novas
provas, optou por não mencionar que os tchecos haviam retirado
muito tempo antes as alegações e não deu atenção aos novos
indícios que demonstravam que a história não era provavelmente
verdadeira.
Mesmo hoje, com todo o serviço de inteligência contra ele, Cheney
permanece impenitente. Quando lhe perguntaram em junho se o
encontro tinha acontecido, ele admitiu: "Isto nunca foi provado",
acrescentando a seguir: "Nunca foi desmentido". Quando Gloria
Borger da rede de televisão CNBC lhe fez perguntas a respeito da
sua afirmação inicial de que o encontro estava "praticamente
confirmado", Cheney respondeu asperamente: "Eu nunca disse
isso. Eu nunca disse isso. De jeito nenhum".
Eis as palavras que ele efetivamente pronunciou em dezembro de
2001: "Está praticamente confirmado que [Atta] foi a Praga e se
encontrou com um alto funcionário do serviço de inteligência
iraquiano".
Em outras palavras, Cheney desceu ainda mais. Agora, além de
lançar mão do expediente de mentir sobre a história, ele passou
também a mentir a respeito de mentir sobre a história.

Conclusão: eles sabiam que estavam enganando os Estados


Unidos.

No discurso de 17 de março de 2003 no qual preparou os Estados


Unidos para a invasão do Iraque, o presidente Bush declarou de
forma inequívoca que existia um nexo entre o Iraque e a Al-Qaeda,
e que não havia "nenhuma dúvida de que o regime iraquiano
continua a possuir e ocultar algumas das armas mais letais já
concebidas".
No contexto do que hoje sabemos que a Casa Branca sabia na
época, Bush deliberadamente mentiu. A comunidade do serviço de
inteligência repetidamente disse à Casa Branca que o argumento
do governo em defesa da guerra encerrava profundas falhas. A
propensão do presidente de não dar atenção a esses avisos e
fazer essas declarações inequívocas demonstra que o governo
estava intencionalmente pintando uma imagem marcante e
supersimplificada, ciente de que os fatos eram na verdade bem
mais atenuados.
Essa postura gerou graves conseqüências para todos os
americanos. Sob o aspecto financeiro, os contribuintes pagaram
mais de 166 bilhões de dólares pela guerra do Iraque e em breve
terão que pagar mais. Sob o aspecto geopolítico, o nosso país está
mais do que nunca isolado dos estrangeiros, pois o anti-
americanismo está em ascensão em todo o planeta.
Além disso, a nossa segurança diminuiu. Um recente relatório do
Anny War College [Faculdade de Guerra do Exército] dos Estados
Unidos diz o seguinte: "a invasão do Iraque foi um desvio com
relação à ênfase mais restrita que é derrotar a Al-Qaeda". O
enviado da ONU Lakhdar Brahimi descreveu a situação da
seguinte maneira: "A guerra contra o Iraque foi inútil, causou mais
problemas do que solucionou e promoveu o terrorismo".
Estas declarações são confirmadas pelos fatos. O International
Institute of Strategic Studies [Instituto Internacional de Estudos
Estratégicos] de Londres informa que a Al-Qaeda conta hoje com
18 mil membros e muitos recrutas estão se .alistando em
decorrência da guerra no Iraque. Não é coincidência o fato de a
Casa Branca recentemente ter declarado que o território americano
enfrenta a ameaça iminente de um ataque terrorista da parte de
uma operação da Al-Qaeda ainda ativa no Afeganistão. No entanto,
o governo de fato retirou forças especiais daquele país em 2002
para se preparar para a invasão do Iraque. Por este motivo,
enfrentamos a situação na qual não temos mais do que 20 mil
soldados no Afeganistão perseguindo e capturando aqueles que
nos ameaçam diretamente, mas temos 140 mil soldados no Iraque,
país que não representava uma séria ameaça antes da invasão.
É claro que são esses soldados que estão passando pelo pior. Os
nossos homens e mulheres de uniforme estão atolados em uma
situação difícil e perigosa, obrigados a arriscar a vida por uma
mentira.
Sem sombra de dúvida, os gurus neo-conservadores e os falcões
do governo Bush continuarão a culpar qualquer pessoa exceto a
Casa Branca por esses engodos. Dirão também que o serviço de
inteligência conferiu bastante credibilidade a algumas das
declarações feitas antes da guerra, e isso sem dúvida é verdade.
No entanto, nada é capaz de contestar a prova cristalina de que o
presidente Bush e representantes do governo exageraram
amplamente as informações que receberam. Eles se envolveram
em uma iniciativa calculada e bem coordenada destinada a
transformar uma guerra opcional contra o Iraque em uma guerra
percebida como de necessidade iminente.
E só nos resta pagar o preço.

"Os defensores da guerra agora lucram com a


reconstrução do Iraque; lobistas, assistentes dos
altos funcionários e outras pessoas estimularam a
invasão e agora ajudam empresas a ir atrás de
contratos. Eles não vêem nenhum conflito."

Los Angeles Times


WALTER F. ROCHE JR. E KEN SILVERSTEIN,
14 de julho de 2004
Nos meses e anos que conduziram à invasão do Iraque liderada
pelos Estados Unidos, eles marcharam juntos na vanguarda dos
que defendiam a guerra.
Na condição de lobistas, consultores de relações públicas e
consultores confidenciais dos mais altos funcionários federais, eles
os preveniram das armas de destruição em massa do Iraque,
elogiaram o líder exilado Ahmad Chalabi e sustentaram que
derrubar Saddam Hussein era uma questão de segurança nacional
e obrigação moral.
Agora, enquanto a luta continua no Iraque, eles estão recolhendo
muitos milhares de dólares em comissões por ajudar clientes a
obter contratos federais e outras oportunidades no Iraque. Por
exemplo, um ex-assistente de senador que ajudou a conseguir
recursos americanos para exilados anti-Hussein, que estão agora
ativos nos assuntos do Iraque, tem um acordo de 175 mil dólares
com a Romênia para aconselhá-Ia sobre negócios vantajosos no
Iraque e em outras questões.
E a facilidade com que eles deixaram de defender políticas e
aconselhar as autoridades do governo e passaram a ganhar
dinheiro em atividades ligadas às suas políticas e conselhos reflete
os limites indistintos que freqüentemente existem entre os
interesses públicos e privados em Washington. Na maioria dos
casos, as leis que regem os conflitos de interesses não atingem ex-
funcionários ou pessoas que tenham atuado apenas como
consultores.
Larry Noble, diretor executivo do Center for Responsive Politcs
[Centro para a Política Responsiva], declarou que os atos dos ex-
funcionários e de pessoas que atuam em conselhos consultivos,
apesar de não serem ilegais, podem parecer um conflito de
interesses. "Surge a dúvida de se o conselho que eles oferecem
não visaria uma vantagem pessoal em vez de o interesse público",
comentou Noble.
Michael Shires, professor de política pública na Pepperdine
University, discorda: "Não vejo no caso uma questão ética", disse
ele, "e sim pessoas cuidando dos próprios interesses".
O ex-diretor da CIA R. James Woolsey é um exemplo proeminente
do fenômeno, ao misturar os seus interesses nos negócios com o
que ele afirma serem interesses estratégicos do país. Ele deixou a
CIA em 1995, mas continua a ser um importante consultor do
governo em assuntos de inteligência e segurança nacional,
inclusive o Iraque. Ao mesmo tempo, ele trabalha para duas
empresas privadas que têm negócios no Iraque e é sócio de uma
companhia que investe em firmas que oferecem serviços de
segurança e antiterrorismo.
Woolsey declarou em uma entrevista que não estava diretamente
envolvido com os empreendimentos das empresas no Iraque. No
entanto, na qualidade de vice-presidente da Booz Allen Hamilton,
uma firma de consultoria, ele foi orador especial em maio de 2003
em uma conferência co-patrocinada pela companhia na qual cerca
de 80 executivos e outras pessoas pagaram até 1,1 mil dólares
para ouvir informações sobre o panorama econômico e as
oportunidades de negócios no Iraque.
Antes da guerra, Woolsey foi um dos membros fundadores da
Comissão para a Libertação do Iraque, uma organização criada em
2002 a pedido da Casa Branca para ajudar a conquistar o apoio do
público para a guerra no Iraque. Ele também escreveu a respeito
da necessidade de uma mudança de regime e foi membro do
conselho consultivo da CIA e do Conselho de diretivas da defesa,
cujos membros não-remunerados ofereceram conselhos sobre o
Iraque e outros assuntos para o secretário de defesa Donald H.
Rumsfeld.
Woolsey faz parte de um pequeno grupo que exibe com uma clare-
za fora do comum a natureza coordenada da forma pela qual o
sistema de informações privilegiadas pode funcionar. Freqüentando
os mesmos círculos sociais, amiúde sentando-se lado a lado nos
painéis do governo e trabalhando com órgãos da alta consultoria e
grupos que defendem os mesmos interesses, eles escreviam
cartas para a Casa Branca recomendando com insistência a ação
militar no Iraque, formavam organizações que pressionavam a
invasão e promoviam leis que autorizavam ajuda a grupos exilados.
Desde o início da guerra, apesar da violência e da instabilidade no
Iraque, eles se voltaram para os empreendimentos privados.
Além de Woolsey, fazem parte do grupo as seguintes pessoas:

. Neil Livingstone, ex-assistente do senado que atuou como consul-


tor do Pentágono e do departamento de Estado, e lançou repetidos
apelos públicos para a derrubada de Hussein. Ele dirige uma firma
com sede em Washington, a Global Options, que oferece contatos
e serviços de consultoria às empresas que têm negócios no Iraque.
. Randy Scheunemann, ex-consultor de Rumsfeld, que ajudou a
redigir o Ato' de Libertação do Iraque de 1998 autorizando 98
milhões de dólares como ajuda americana aos grupos de exilados
do Iraque. Ele foi o presidente fundador da Comissão para a
Libertação do Iraque. Hoje ele ajuda antigas nações do Bloco
Soviético a conseguir negócios naquele país.
. Margaret Bartel, que administrou recursos federais direcionados
para o grupo de exilados de Chalabi, o Congresso Nacional do
Iraque, inclusive fundos para o programa de inteligência pré-guerra
deste último sobre as supostas armas de destruição em massa de
Hussein. Ela agora dirige uma firma de consultoria em Washington
que ajuda investidores em perspectiva a encontrar parceiros no
Iraque.
. K. Riva Levinson, lobista de Washintgon e especialista em rela-
ções públicas, que recebeu recursos federais para conseguir apoio
pré-guerra para o Congresso Nacional do Iraque. Ele era muito
próximo a Bartel e agora ajuda empresas a se fixarem no Iraque
em parte devido a seus contatos com o Congresso Nacional do
Iraque.

Outros partidários da ação militar contra Hussein estão buscando


oportunidades de negócios no Iraque. Dois ardentes defensores da
ação militar, Joe Allbaugh, que administrou a campanha do
Presidente Bush para a Casa Branca e mais tarde dirigiu a Federal
Emergency Management Agency [Agência Federal de
Administração de Emergências], e Edward Rogers Jr., um dos
assistentes do primeiro presidente Bush, ajudou recentemente a
criar duas empresas para promover negócios no Iraque pós-guerra.
A firma de advocacia de Rogers assinou um contrato de 262.500
dólares para representar o Partido Democrata Curdo do Iraque.
No entanto, nem Rogers nem Allbaugh possuem o perfil ostensivo
de Woolsey.
Pouco depois dos atentados de 11 de setembro, ele escreveu um
artigo opinativo no Wall Street Journal dizendo que uma nação
estrangeira tinha ajudado a Al-Qaeda a preparar os ataques. Ele
citou o Iraque como o principal suspeito. Em outubro de 2001, o
vice-secretário de Defesa Paul D. Wolfowitz enviou Woolsey a
Londres, onde este foi atrás de indícios que ligassem Hussein aos
atentados.
Na conferência de maio de 2003 em Washington, intitulada "As
empresas no cenário da ação: o desafio para os negócios na
reconstrução do Iraque", Woolsey falou sobre questões políticas e
diplomáticas que poderiam afetar o progresso econômico. Ele
também se referiu favoravelmente à decisão do governo Bush de
tentar fazer com que os contratos de reconstrução do Iraque sejam
assinados por firmas americanas. .
Woolsey declarou em uma entrevista que não percebia nenhum
conflito entre defender a guerra e posteriormente prestar
consultoria a empresas sobre negócios no Iraque.
Booz Allen é um subcontratante em um contrato de telecomunica-
ções no Iraque no valor de 75 milhões de dólares, que também
ajudou a administrar as subvenções do governo federal. Woolsey
declarou que não estivera envolvido com esse trabalho.
Woolsey foi entrevistado no escritório do Paladin Capital Group em
Washington, empresa de capital de risco da qual é sócio. A Paladin
investe em companhias envolvidas com a segurança interna do
país e a proteção da infra-estrutura, declarou Woolsey.
Woolsey também é um consultor remunerado da Global Options de
Livingstone. Ele afirmou que o seu trabalho na firma não tem
relação com o Iraque.
Sob a direção de Livingstone, a Global Options "oferece um vasto
leque de serviços de segurança e administração de riscos", de
acordo com o site da empresa na internet.
Em um artigo de opinião de 1993 no jornal Newsday, Livingstone
escreveu que os Estados Unidos "deveriam lançar um maciço
programa secreto destinado a depor Hussein".
Em uma entrevista recente, Livingstone declarou que tinha refletido
mais a respeito da guerra, principalmente devido ao fato de não
terem sido encontradas armas de destruição em massa. No
entanto, ele tem sido um orador regular nos seminários sobre
investimentos no Iraque.
Enquanto Livingstone tem se concentrado em oportunidades para
os americanos, Scheunemann está voltado para a ajuda a antigos
países do Bloco Soviético.
Scheunemann dirige uma firma de lobby chamada Orion
Strategies, que tem o mesmo endereço do porta-voz de
Washington do Congresso Nacional do Iraque e da extinta
Comissão para a Libertação do Iraque.
Entre os clientes da Orion estão a Romênia, que assinou um
contrato de nove meses no valor de 175 mil dólares mais cedo este
ano. Entre outras coisas, o contrato prescreve que a Orion deve
promover "os interesses da Romênia na reconstrução do Iraque".
Scheunemann também viajou para a Latívia, ex-cliente da Orion, e
reuniu-se com um grupo empresarial para discutir as oportunidades
de investimento no Iraque.
Poucas pessoas defenderam a guerra com tanta intensidade
quanto Scheunemann. Uma semana depois do atentado de 11 de
setembro, ele e outros conservadores enviaram uma carta a Bush
pedindo que Hussein fosse deposto.
Em 2002, Scheunemann tornou-se o primeiro presidente da
Comissão para a Libertação do Iraque, que alcançou o seu maior
sucesso no ano passado quando dez países da Europa Oriental
apoiaram a invasão americana do Iraque. Conhecidos como o
grupo ''Vilnius 10", eles demonstraram que a "Europa está unida
pelo compromisso de acabar com o regime sanguinário de
Saddam", declarou Scheunemann na ocasião.
Ele se recusou a discutir as suas atividades empresariais
relacionadas com o Iraque, dizendo: "Não tenho nada a dizer com
relação a este assunto".
Scheunemann, Livingstone e Woolsey desempenharam o seu
papel promovendo amplamente em público. a guerra contra o
Iraque. Por outro lado, Bartel e Levinson atuaram às ocultas.
No início de 2003, Bartel tornou-se um dos diretores da Boxwood
Inc., uma firma da Virgínia criada para receber recursos
americanos para o programa de inteligência do Congresso
Nacional do Iraque.
Hoje, críticos no Congresso afirmam que o Congresso Nacional do
Iraque forneceu informações errôneas sobre a iniciativa de Hussein
de desenvolver armas de destruição em massa e sobre os laços
dele com Osama bin Laden.
Bartel começou a trabalhar para o Congresso Nacional do Iraque
em 2001. Ela foi contratada para monitorar a maneira como o
congresso estaria usando os recursos americanos após várias
auditorias críticas do governo. Após o início da guerra, Bartel
fundou uma empresa na Vlrgínia, a Global Positioning. Segundo
Bartel, o objetivo primordial da empresa é "apresentar os clientes
ao mercado iraquiano, ajudá-Ios a encontrar parceiros iraquianos
em potencial, organizar reuniões com os representantes do
governo... e proporcionar um apoio in loco para os seus interesses
empresariais".
Bartel mantém um estreito relacionamento profissional com
Levinson, diretora administrativa da firma de lobby BKSH &
Associates, com sede em Washington. Francis Brooke, assistente
de alto nível de Chalabi, afirmou que a BKSH recebeu 25 mil
dólares por mês para promover o Congresso Nacional do Iraque, e
Levinson "fez um grande trabalho para nós".
Em 1999, Levinson. foi contratada pelo Congresso Nacional do
Iraque para conduzir o setor de relações públicas. Ela disse que o
seu contrato com o congresso terminou no ano passado. Antes da
invasão e nos primeiros dias da luta no Iraque, Chalabi e o
congresso desfrutavam um estreito relacionamento com o governo
Bush, mas o relacionamento esfriou.
Levinson declarou ao Times: "Não vemos nenhum conflito de
interesses em utilizar o conhecimento e os contatos no Iraque que
desenvolvemos através do nosso trabalho anterior com o
Congresso Nacional do Iraque para apoiar o desenvolvimento
econômico no Iraque. Na verdade, consideramos esta atitude um
complemento ao objetivo comum de construir um país
democrático".

"Lucros da guerra"

The Guardian - excerto de The Halliburton Agenda


DAN BRIODY, 22 de julho de 2004
No dia 12 de janeiro de 1991, o Congresso autorizou o presidente
George H.W Bush a declarar guerra ao Iraque. Cinco dias depois,
teve início no Kuwait a Operação Tempestade no Deserto. Como
aconteceu no caso da guerra mais recente no Golfo, não demorou
muito para que os Estados Unidos se declarassem vencedores -
tudo estava terminado no final de fevereiro -, mas a limpeza duraria
mais e seria bem mais dispendiosa do que a ação militar
propriamente dita. Em um estúpido ato de desespero, as tropas
iraquianas incendiaram mais de 700 poços de petróleo do Kuwait,
provocando uma neblina permanente de fumaça negra e espessa
que transformou o dia em noite.
Imaginava-se que não menos de cinco anos seriam necessários
para que tudo ficasse limpo de novo, pois as labaredas dos lagos
de petróleo que circundavam cada poço estavam fora de controle,
o que tornava quase impossível chegar perto dos poços em
chamas, que dirá extinguir o fogo. No entanto, com o fim da guerra,
a Halliburton decidiu dedicar-se à atividade de limpeza e
reconstrução que se supunha fosse custar em torno de 200 bilhões
de dólares (163 bilhões de libras) nos dez anos seguintes.
A empresa enviou 60 homens para ajudar a combater o fogo.
Nesse Ínterim, a sua subsidiária de engenharia e construção, a
Kellogg Brown & Root (KBR) obteve um contrato adicional de 3
milhões de dólares para fazer uma avaliação dos danos causados
pela invasão à infra-estrutura do Kuwait, contrato este cujo valor se
multiplicara por sete no final da participação da KBR. Ainda mais
significativo é o fato de a KBR ter conseguido um contrato para
retirar os soldados da Arábia Saudita quando os seus serviços
deixaram de ser necessários no Golfo. Era a primeira vez, desde a
guerra do Vietnã, que a Halliburton voltava a se envolver
seriamente na atividade de logística do exército. O final da guerra
do Golfo presenciou nada menos do que o renascimento da
atividade de terceirização militar.
A terceirização militar não era novidade. Empresas privadas já
vinham auxiliando as atividades bélicas bem antes de a KBR obter
o seu primeiro contrato de construção naval. No entanto, a
natureza da terceirização militar mudou radicalmente na última
década. A tendência em direção a uma redução da estrutura das
forças armadas teve início devido ao "dividendo da paz" no final da
Guerra Fria e continuou ao longo
da década de 1990. Esta combinação de um efetivo militar
reduzido e a continuação do conflito deu origem a uma nova
indústria, sem precedentes, de empresas militares privadas. Estas
firmas ajudavam as forças armadas nas mais diversas coisas,
desde a aquisição e manutenção de armas ao treinamento de
soldados e a logística.
Na década que se seguiu à primeira Guerra do Golfo, o número de
empresas prestadoras de serviços privadas utilizadas no campo de
batalha e ao redor dele tornou-se dez vezes maior. Estima-se que
exista hoje uma empresa particular para cada dez soldados no
Iraque. Companhias como a Halliburton, que se tornou a quinta
maior prestadora de serviços do país na área da defesa na década
de 1990, desempenhou um papel crítico nesta tendência.
A história por trás dos "super contratos de prestação de serviços"
começa em 1992, quando o departamento de defesa, na época
dirigido por Dick Cheney, ficou impressionado com o trabalho da
Halliburton no Kuwait. Por sentir a necessidade de reforçar as suas
forças caso surgissem conflitos de natureza semelhante, o
Pentágono pediu a prestadores de serviços que iam apresentar
propostas para um contrato de 3,9 milhões de dólares que
redigissem um relatório sobre como uma empresa privada poderia
fornecer apoio logístico ao exército no caso de uma nova ação
militar.
O relatório deveria examinar 13 diferentes áreas de tensão no
mundo e detalhar de que maneira serviços diversos como a
construção de bases e a alimentação dos soldados poderiam ser
realizados. A empresa que iria potencialmente prestar os serviços
detalhados no relatório teria que sustentar a mobilização de 20 mil
soldados durante 180 dias. Tratava-se de um plano de
contingência, o primeiro deste tipo nas forças armas dos Estados
Unidos.
Trinta e sete empresas apresentaram propostas; a KBR ganhou a
concorrência. A companhia recebeu mais 5 milhões de dólares
ainda naquele ano para estender o projeto para outras localidades
e acrescentar detalhes.
O relatório da KBR, que permanece confidencial até hoje, conven-
ceu Cheney de que era realmente possível criar um contrato
coletivo e adjudicá-Io a uma única empresa. O contrato tomou-se
conhecido como o Logistics Civil Augmentation Programme
(Logcap) [programa de Aumento de Logística Civil] e foi chamado
de "a mãe de todos os contratos de prestação de serviços". Ele tem
sido usado em toda a mobilização de tropas dos Estados Unidos
desde que foi adjudicado em 1992 - a um custo de vários bilhões
de dólares (que continua aumentando). O afortunado signatário do
primeiro contrato Logcap de cinco anos foi a mesma empresa
contratada para elaborar inicialmente o projeto: a KBR.
O contrato Logcap arrancou a KBR da sua estagnação do final da
década de 1980 e incrementou o resultado líquido da Halliburton
durante a década de 1990. Ele é, na verdade, um cheque em
branco do governo. A remuneração da empresa prestadora de
serviços provém de uma percentagem de lucro embutida, que varia
entre um 1% e 9%, dependendo de várias cláusulas de incentivo.
Quando o nosso lucro é um percentual do custo, quanto mais
gastamos, mais ganhamos.
Tão logo o primeiro contrato Logcap acabou de ser assinado, o
exército dos Estados Unidos foi mobilizado e enviado para a
Somália em dezembro de 1992 como parte da Operação Restaurar
a Esperança. Os funcionários da KBR já estavam no local antes
mesmo de o exército chegar, e foram os últimos a partir. A empresa
lucrou 109,7 milhões de dólares na Somália. Em agosto de 1994,
ela lucrou 6,3 milhões de dólares na Operação de Apoio à
Esperança em Ruanda. Em setembro desse mesmo ano, a
Operação de Defesa da Democracia no Haiti rendeu à companhia
150 milhões de dólares. E em outubro de 1994, a Operação
Guerreiro Vigilante permitiu que eles ganhassem 5 milhões de
dólares.
No espírito de "não recusar nenhum serviço", a companhia estava
construindo os acampamentos, fornecendo água, comida,
combustível e munição para os soldados, limpando as latrinas e até
mesmo lavando a roupa deles. Os representantes da empresa
estavam comparecendo às reuniões do comando militar e eram
colocados a par de todas as atividades relacionadas com as
missões específicas. Eles estavam se tomando uma outra unidade
do exército dos Estados Unidos.
A crescente dependência do exército na empresa foi de fato
constatada quando, em 1997, a KBR perdeu o contrato Logcap
para a sua rival Dyncorp em uma nova concorrência. O exército
considerou impossível retirar a Brown & Root das suas atividades
nos Bálcãs - de longe a parte mais lucrativa do contrato -, de modo
que cavou trabalho naquele local para manter a KBR. Em 2001, a
empresa ganhou novamente o contrato Logcap, desta feita por um
período duas vezes maior do que o da cláusula normal: 10 anos.
Para os não iniciados, a indicação de Cheney para as posições de
presidente do conselho administrativo, presidente e diretor
executivo da Halliburton eni agosto de 1995 fizeram pouco sentido.
Cheney praticamente não tinha nenhuma experiência em negócios,
tendo sempre sido um político de carreira e um burocrata. Os
analistas financeiros rebaixaram as ações e a imprensa
empresarial questionou abertamente a decisão.
Cheney tem sido descrito por aqueles que o conhecem como
comedido e até mesmo totalmente insípido, mas a confiança que
ele inspirava e a lealdade que professava o tornaram uma parte
indispensável da ascensão de Donald Rumsfeld ao poder. Na
década de 1970, Rumsfeld se tornou o chefe do Estado-maior da
Casa Branca de Gerald Ford e Cheney foi o seu vice. Naquela
época, Cheney recebeu um codinome do serviço secreto que
resumia perfeitamente o seu temperamento: "Backseat" [lit-
eralmente "assento traseiro" (no avião, automóvel); no sentido
metafórico, "posição secundária, sem importância].
Mas a Halliburton percebia o valor de Cheney. Com ele na posição
de diretor executivo, a empresa conquistou uma considerável
influência em Washington. Até a indicação de Cheney no outono de
1995, os resultados dos negócios da Halliburton tinham sido
razoáveis. Após uma perda de 91 milhões de dólares em 1993, a
companhia voltara a ter lucro em 1994 com um lucro operacional
de 236 milhões de dólares. Com a nova receita proveniente do
Logcap, a Halliburton e a sua subsidiária de primeira classe, a
KBR, voltaram a progredir. Embora o Logcap só estivesse gerando
modestos rendimentos, ele conseguiu reintegrar a KBR na máquina
militar.
A grande oportunidade surgiu em dezembro de 1995, apenas dois
meses depois de Cheney ter assumido a posição de diretor
executivo, quando os Estados Unidos enviaram milhares de
soldados para os Bálcãs como uma força mantenedora da paz.
Como parte da Operação Esforço Conjunto, a KBR foi enviada para
Bósnia e Kosovo para fornecer apoio ao exército nas suas
operações na região. O alcance e a dimensão da tarefa eram
imensos.
Um exemplo do trabalho que a KBR realizou nos Bálcãs foi o
Acampamento de Bondsteel. O acampamento era tão grande que o
Departamento geral de contabilidade (GAO) o comparava a "uma
pequena cidade". A companhia providenciou a geração de energia,
construiu estradas, o sistema de abastecimento de água, a rede de
esgoto, moradia, um aeroporto para helicópteros, uma cerca de
perímetro, torres de proteção e um centro de detenção. Bondsteel
é a maior e mais dispendiosa base do exército desde o Vietnã.
Ocorre também que ela está construída no trajeto do gasoduto
transbalcânico Albanian-Macedonian-Bulgarian Oil (Ambo), o
gasoduto que liga a região do Mar Cáspio, rica em petróleo, ao
resto do mundo. O projeto inicial de viabilidade para o Ambo foi
executado pela KBR.
O fluxo de caixa da KBR proveniente do Logcap cresceu
rapidamente durante a gestão de Cheney, saltando de 144 milhões
de dólares em 1994 para mais de 423 milhões em 1996, e os
Bálcãs eram a força motriz. Já em 1999, o exército estava
gastando pouco menos de um bilhão de dólares por ano no
trabalho da KBR nos Bálcãs. O GAO publicou um relatório em
setembro de 2000 denunciando graves problemas de controle de
custos na Bósnia, mas a KBR mantém o contrato até hoje.
Nesse ínterim, Cheney estava ocupado expandindo os negócios da
Halliburton em outras partes do mundo. "O fato de que temos de
escolher entre os nossos interesses comerciais e outros interesses
é uma falsa dicotomia", disse ele ao Cato Institute [Fundação de
pesquisas de diretivas públicas] em 1998, falando abertamente
contra as sanções econômicas impostas pelo governo Clinton
contra os países suspeitos de atividade terrorista. "O nosso
governo se tornou um entusiasta das sanções", continuou ele.
Cheney se opunha em particular às sanções contra a Líbia e o Irã,
dois países com os quais a Halliburton, independentemente disso,
já estava fazendo negócios. No entanto, mais desconcertante ainda
foi o trabalho que a companhia realizou no Iraque. No intervalo
entre os períodos que exerceu o cargo de secretário de Defesa e
vice-presidente, Cheney esteve no comando da Halliburton quando
ela estava contornando as rígidas sanções da ONU, ajudando a
reconstruir o Iraque e enriquecendo Saddam Hussein.
Em setembro de 1998, a Halliburton fechou uma fusão de ações no
valor de 7,7 bilhões de dólares com a Dresser Industries (a
companhia que ofereceu a George H. W. Bush o seu primeiro
emprego). A fusão tornou a Halliburton a maior empresa de
prestação de serviços do mundo de campos petrolíferos. Ela
também trouxe consigo duas subsidiárias estrangeiras que
estavam fazendo negócios com o Iraque através do controvertido
programa Petróleo por Comida. As duas subsidiárias, a Dresser
Rand e a Ingersoll Dresser Pump Co, assinaram contratos no valor
de 73 milhões de dólares para equipamento de produção de
petróleo.
Cheney declarou à imprensa em 2000, durante a sua campanha à
vice-presidência, que adotava a "firme política" de não fazer
negócios com o Iraque. Ele admitiu ter negociado com o Irã e a
Líbia, mas "o Iraque é diferente", disse ele. Cheney fez a seguinte
declaração ao canal de televisão ABC: "Não fizemos nenhum
negócio no Iraque desde que a ONU impôs sanções àquele país
em 1990, e eu tinha uma política permanente de que não faria
isso".
Três semanas depois, Cheney foi obrigado a admitir os vínculos de
negócios existentes, mas alegou desconhecimento. Ele disse aos
repórteres que não tinha conhecimento das operações da Dresser
no Iraque e que, além disso, a Halliburton tinha se desfeito de
ambas as empresas em 2000. Nesse meio tempo, as companhias
tinham feito negócios no Iraque de mais 30 milhões de dólares
antes de serem vendidas.
A fusão com a Dresser deu a impressão de ser a realização que
coroou os anos que Cheney passou na Halliburton. Mas Cheney
deixou para a Halliburton vários outros legados. David Gribbin, ex-
chefe de Estado-maior de Cheney, tomou-se o principal lobista da
Halliburton em Washington. O almirante Joe Lopez, ex-comandante
da sexta frota, foi contratado como especialista em operações do
governo da KBR. A equipe de Cheney reunida fazia da Halliburton
uma das principais empresas que prestavam serviços ao governo.
A KBR tinha quase duplicado os seus contratos com o governo, de
1,2 bilhões de dólares nos cinco anos que antecederam.
a.participação de Cheney para 2,3 bilhões durante os cinco anos
em que foi diretor executivo da companhia. A Halliburton subiu
vertiginosamente na lista das principais prestadoras se serviços,
indo do 73º. para o 18º. lugar.
Depois dos atentados de 11 de setembro, a KBR pôs-se a trabalhar
na guerra contra o terrorismo, construindo as mil celas de detenção
na Baía de Guantánamo, Cuba, destinadas a pessoas suspeitas de
terrorismo, a um custo de 52 milhões de dólares. O
empreendimento era certamente familiar para a KBR: ela fizera
exatamente a mesma coisa 35 anos antes no Vietnã. Quantos as
tropas foram mobilizadas e enviadas para o Meganistão, a KBR as
acompanhou. Construiu bases americanas em Bagram e Kandahar
por 157 milhões de dólares. Como fizera no passado, a KBR já
tinha homens na região antes de as primeiras tropas chegarem à
maioria dos locais de destino. Os seus funcionários prepararam o
terreno, alimentaram os soldados e levaram embora o lixo. E o
fizeram como os militares teriam feito: com rapidez e eficiência. O
trabalho foi bom, os rendimentos sólidos, mas nada que se
parecesse com o golpe de sorte que a companhia experimentara
nos Bálcãs.
Além disso, a Halliburton obteve o contrato para restaurar a infra-
estrutura de petróleo do Iraque, contrato este para o qual não
houve uma concorrência. Ele foi entregue à Halliburton por
conveniência, pois ela tinha elaborado o plano para combater os
incêndios dos poços de petróleo (todos, nessa época, já extintos).
Apesar do novo negócio, a sorte da Halliburton e da sua subsidiária
não melhorou. As ações que Cheney vendeu quase na cotação
máxima, quando retomou a carreira política em 2000, despencaram
a partir de então. O culpa foi principalmente da fusão com a
Dresser em 1998, que sobrecarregou a companhia com débitos
com amianto que acabaram levando duas subsidiárias da
Halliburton - uma delas a KBR - a entrar com pedido de falência.
Quando Cheney deixou a empresa para se tomar o parceiro de
Bush na campanha, ele levou consigo uma indenização generosa,
além das ações que foi obrigado a vender por 30 milhões de
dólares. Em setembro de 2003, Cheney afirmou enfaticamente:
"Desde que deixei a Halliburton para me tomar o vice-presidente de
George Bush, rompi todos os vínculos com a companhia e me livrei
de todos os meus interesses financeiros. Há mais de três anos não
tenho nenhum tipo de participação financeira na Halliburton".
O Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS), uma agência
apartidária que investiga questões -políticas a pedido de altos
funcionários eleitos, afirma algo diferente. Cheney vem recebendo
um salário diferido da Halliburton desde que deixou a empresa. Em
2001, ele recebeu 205.298 dólares. Em 2002, retirou 162.392
dólares. Existe uma programação para que receba pagamentos
semelhantes até 2005 e ele tem uma apólice de seguro em vigor
para proteger os pagamentos caso a Halliburton venha a falir. Além
disso, Cheneyainda possui na Halliburton uma opção de compra de
433.333 ações, direito que ele ainda não exerceu. Ele concordou
em doar quaisquer lucros que venha a ter para instituições de
caridade.

"Eis O novo perfil das Forças Armadas dos


Estados Unidos: Lynndie England"

New York Observer


PHILP WEISS, 31 de maio de 2004

A condenação de Lynndie England, aquela que cometeu abuso


contra os prisioneiros, de certa maneira ecoa a exaltação de
Jessica Lynch um ano atrás. As duas moças nasceram em
pequenas cidades de West Virginia. Os privilegiados que emitem
opiniões tão violentas a respeito das moças não são colegas delas;
eles nunca tomariam a decisão de se alistar. Apesar do horror de
Abu Ghraib, as descrições das pessoas pobres, que estão travando
a guerra para ó restante de nós, soam um tanto arrogantes e pouco
convincentes.
A questão de classe obscureceu a guerra desde o início, mas tem
recebido mais atenção recentemente. Ela é o impulso que aciona
várias iniciativas no Capitólio e um dos temas do documentário
contra a guerra de Michael Moore, Fahrenheit 11 de setembro: "É
um batalhão da pobreza", declarou RickJahnkow, que faz um
recrutamento anti-militarista na Califórnia. "O vasto número de
pessoas neste país que estão fugindo do recrutamento não são
membro da elite e sim pessoas de classe média ou da classe
média alta."
A questão começou a se propagar politicamente no ano passado.
"Estávamos examinando as baixas do Texas no site do
Departamento de Defesa e nos demos conta de que 'Nossa, esses
jovens vêm de cidades do Texas de que nunca ouvimos falar"',
declarou Robert G. Cushing, professor de sociologia aposentado
de Austin que trabalha para o American-Statesman de Austin. "Não
se trata apenas de cidades pequenas e sim de cidades pequenas
que não se encontram nem mesmo nas proximidades das regiões
metropolitanas".
O jornal realizou um estudo dos números e descobriu que enquan-
to um em cada cinco americanos mora em municípios não-
metropolitanos, quase uma em cada três baixas no Iraque estavam
relacionadas com pessoas provenientes desses municípios. Alguns
lugares não possuem cidades com mais de 50 mil habitantes e a
distância a que se encontram das grandes cidades não lhes
permite trabalhar nesses centros e voltar para casa todos os dias.
As entrevistas que o jornal fez com recrutas desses lugares
revelaram que eles não conseguem encontrar bons empregos nas
suas comunidades e sentem que a educação universitária está fora
das suas possibilidades, pois não poderiam arcar com o custo de
se mudar para uma comunidade perto de uma faculdade estadual.
O deputado Ike Skelton de Missouri, o membro de mais alto nível
da minoria da Comissão das Forças Armadas da Câmara dos
Deputados, foi ainda mais enfático. No último outono ele declarou
que 43,5% dos soldados mortos no Iraque eram provenientes de
cidades e lugarejos rurais com uma população inferior a 20 mil
habitantes.
Esses jovens tendem a ser pessoas brancas da região rural. Os
negros e os de descendência latino-americana das áreas urbanas
de baixa renda também foram desproporcionalmente afetados.
"Ouvi pessoas dizendo: 'Esses garotos querem lutar, eles se
alistaram"', declarou Charles Rangel, que há muito é membro do
Congresso. "Mas eu vi esses jovens partirem para o campo de
treinamento e depois para o Iraque, e vou lhes dizer que eles
precisam do sentimento de importância que o uniforme
proporciona. E eles estão divididos. Eles dizem: 'Deputado,
continue a lutar contra esta guerra, mas não se preocupe comigo.
Vou deixá-Io orgulhoso. Vou ser um segundo-sargento bom pra
diabo"'.
O deputado Rangel se declarou a favor do recrutamento como uma
forma mais justa de dividir o risco. O Senador Ernest Hollings da
Carolina do Sul imediatamente se manifestou.
"Hollings disse o seguinte: 'Os meus caipiras estão se ferrando"',
relembrou o deputado Rangel. "Nessas pequenas cidades, a
pessoa é importante se tem algumas listras no ombro ou barras
bordadas no colarinho."
O assunto adquiriu uma comoção adicional na Carolina do Sul no
ano passado, quando três rapazes de uma escola do segundo grau
de uma pequena cidade, Orangeburg- WIlkinson, morreram no
Iraque, semeando a desordem na comunidade.
Quantas escolas de segundo grau em Westchester ou Montgomery
County, em Maryland, possuem registros semelhantes? Nunca
ouvimos falar em nenhum.
Embora a proposta do recrutamento não tenha avançado nem um
pouco no Capitólio, a questão maior da justiça obteve um grupo de
adeptos nos distritos "vermelhos", com maioria republicana,
fazendo menção à divisão entre o vermelho e o azul na última
eleição presidencial. Um republicano conservador, o senador
James Inhofe de Oklahoma, endossou o apelo para o
recrutamento, ao passo que outro, Chuck Hagel de Nebraska,
preconizou um debate nacional sobre a questão. Nesse ínterim,
Skelton pediu ao Departamento geral de contabilidade que estude
a composição socioeconômica das forças armadas.
Michael Moore também apareceu no Capitólio. Uma cena do seu
novo documentário mostra o cineasta e provocador abordando três
congressistas do lado de fora do Capitólio, tentando recrutar os
filhos deles para as forças armadas. Segundo as pessoas que
assistiram ao filme, os congressistas se afastam estupefatos ou
dizendo bobagens.
O assunto vai bem além do Congresso. Rick Jahnkow, que é contra
os recruta dores, ressalta que é possível encontrar jovens
pertencentes ao ROTC [Corpo de Treinamento de Oficiais da
Reserva] em todas as escolas de segundo grau de San Diego,
exceto nas três escolas situadas na área abastada do norte da
cidade.
A mesma regalia ocorre nas cidades do nordeste do país. A
estatística mais surpreendente apresentada ao Departamento de
Defesa por uma empresa prestadora de serviços na área de
recursos humanos (humrro.org/poprep2002) é que, no final da era
do Vietnã, o nordeste do país fornecia 22% dos membros das
forças armadas. Hoje, este número diminuiu para 14%. Ao longo do
mesmo período, o percentual de alistamento do Sul aumentou.
Entra Jessica Lynch.
"Um grande número de comunidades parece apresentar as seguin-
tes escolhas: vá trabalhar no Burger King ou entre para o exército,
onde você pode ter um plano de carreira, ganhar dinheiro para
freqüentar a faculdade e obter treinamento em uma carreira",
declarou Nancy Lessin, membro do grupo Fanu1ias çlos Militares
Contra a Guerra.
A resposta óbvia para esse desequilíbrio é que as forças armadas
sempre funcionaram dessa maneira, como uma ponte para que
grupos carentes de poder ascendessem à classe média. Ela
desempenhou este papel para as pessoas de etnia branca durante
a Segunda Guerra Mundial e para os negros nas últimas gerações.
Os pobres sempre estarão super-representados nas linhas de
frente e os instruídos quase sempre conseguirão funções
burocratas.
No entanto, a diferença no Iraque é que a seleção dos pobres está
mais absoluta do que nunca. De fato, uma grande quantidade de
pessoas abastadas conseguiu se livrar da convocação durante a
guerra do Vietnã. Desta feita, elas nem mesmo precisam se
preocupar com isso. Quando a deputada Susan Tauscher,
democrata moderada que atuava nas ricas comunidades das
colinas nas adjacências de Oakland, preconizou um aumento das
forças militares no Iraque e apresentou um projeto de lei que
buscava um recrutamento mais agressivo, ela podia se mostrar
confiante de que esse aumento de pessoal não sairia da sua parte
do eleitorado, formado pelas donas de casa dos bairros de classe
média que passam o dia levando os filhos para os jogos de futebol
e atividades esportivas em geral.
E embora a esquerda freqüentemente afirme que o Iraque é uma
repetição do Vietnã, a grande melhora a partir do ponto de vista
das forças armadas é a passividade daqueles que se opõem à
guerra. As pesquisas de opinião indicam que a oposição está
difundida. No entanto, os campus das universidades estão quietos.
Não têm havido grandes demonstrações contra a guerra.
"Todas as demonstrações são feitas por telefone", declarou Emile
Milne, uma das assistentes do congressista Rangel.
Apesar de toda a veemência que exibem contra a guerra, os ricos
não estão acordando no meio da noite com pesadelos sobre os
seus filhos. Se os jovens privilegiados fossem chamados a fazer o
maior sacrifício que a sociedade exige dos seus cidadãos, esta
guerra provavelmente acabaria bem rápido. "As decisões a respeito
desta guerra estão sendo feitas por pessoas que não correm
nenhum risco pessoal", declarou Nancy Lessin (que afirmou que
em três ocasiões a sua organização tentou falar com John Kerry
sobre a guerra e, nas três ocasiões, ele não conseguiu arranjar
tempo para o encontro).
Ou então como declarou o congressista Rangel: "É fácil tomar a
decisão de envolver-se com uma guerra quando não se espera
uma grita".
O recrutamento da pobreza reflete a grande divisão na nova
economia. As pessoas de nível superior consideram um
desperdício o fato de seus filhos se alistarem nas forças armadas,
pois devem receber um treinamento de alto nível para participar na
economia global. Nesse ínterim, o alto risco pode ser terceirizado e
entregue ao imigrante da Guatemala ou ao jovem do gueto que não
consegue arranjar emprego. E para garantir a oferta, as forças
armadas oferecem vantagens adicionais de milhares de dólares
aos que se alistarem, enquanto os editorialistas que são a favor de
um maior envolvimento dos militares preconizam "melhores incenti-
vos" e "uma melhor comercialização" para os que se alistam.
Deve haver uma maneira melhor de definir a cidadania. O deputa-
do Rangel serviu (e ficou aterrorizado) na Coréia e embora
tampouco tenha entendido a missão naquela época, ele nunca
esqueceu as lições de democracia que os militares lhe
proporcionaram: "Naquele época, tínhamos a capacidade de reunir
pessoas de classe e raças diferentes, e obrigá-Ias a se respeitarem
mutuamente".
A guerra do Iraque substituiu esse sentimento de uma comunidade
democrática pelo desrespeito por aqueles que não conseguem
participar da nova economia. E não pensem que os cidadãos das
oligarquias árabes não percebem este fato. Gostamos de pensar
que estamos exportando democracia. Até agora, estamos
exportando um capitalismo brutal.

Este espaço estava originalmente reservado para um artigo do


New York Times.

No dia 26 de maio de 2004, em uma decisão sem precedentes a


respeito -da sua cobertura do Iraque, o New York Times admitiu
que parte da sua "cobertura não fora tão rigorosa quanto deveria
ter sido". O jornal também admitiu falha nas informações que
divulgou sobre a principal fonte do programa de armas de
destruição em massa e os seus vínculos com a Al-Qaeda:

"O Times nunca verificou a veracidade dessa fonte e tampouco as


tentativas de confirmar as suas alegações."
Eu quis imprimir aqui a admissão de culpa do jornal. Era de se
esperar que, se o Times realmente estivesse arrependido do
entusiasmo com que defendeu a guerra do Iraque almejada por
Bush, ele teria permitido que eu a reeditasse aqui porque, como
George W Bush sabe muito bem, é difícil pedir desculpas.
Especialmente se estávamos errados.

"Por que a mídia deve a vocês um pedido de


desculpas com relação ao Iraque"

The Free Lance-Star (Fredericksburg, Virgínia)


RICK MERCIER, 28 de março de 2004

A mídia parou de festejar o aniversário da invasão do Iraque, mas


esqueceu-se de dizer uma coisa: sentimos muito.
Sentimos ter permitido que afirmações infundadas tenham orienta
do as nossas reportagens.
Sentimos ter menosprezado especialistas que questionaram as
acusações da Casa Branca contra o Iraque.
Sentimos ter deixado que um bando de desertores do Iraque que
agiam em causa própria nos fizessem de bobos.
Sentimos ter nos deixado seduzir pelo desempenho de Colin
Powell nas Nações Unidas.
Sentimos não ter pressionado o governo antes da guerra, quando
realmente importava.
Talvez o nosso desempenho seja melhor na próxima guerra.
É claro que é absurdo receber esse pedido de desculpas de uma
pessoa que ocupa uma posição tão baixa na hierarquia da mídia.
Na verdade, vocês o deveriam estar recebendo dos editores e
repórteres das publicações que definem as notícias, como The
New York Times e o Washington Posto Foi a elite da mídia
impressa que mais os traiu, porque é nessas instituições que vocês
têm que confiar e que lhes permite acompanhar os políticos em
Washington (os noticiários da televisão não são capazes de realizar
o tipo de reportagem profunda e detalhada dos jornais e das
revistas - quando eles estão fazendo adequadamente o seu
trabalho).
Nos últimos meses, o Times, o Post e outras publicações da mídia
impressa têm feito perguntas a respeito da qualidade das
informações pré-guerra sobre o Iraque, e sobre a possibilidade de
o governo ter usado essas informações de um modo inadequado
para convencer os americanos e o resto do mundo de que a guerra
era necessária.
No entanto, a maioria desses veículos da mídia também precisam
fazer um auto-exame. Desde a reportagem terrivelmente distorcida
do Times de autoria da repórter Judith Miller (os seus pecados, de
muitas maneiras, foram bem piores do que as do repórter plagiador
e criador de fatos Jayson Blair) à desconcertante (e tendenciosa?)
avaliação das notícias pelos editores do Post, os jornalistas das
publicações de maior influência dos Estados Unidos ajudaram a
garantir que a maioria de vocês seria mal informada sobre o Iraque
e a natureza da ameaça que ele representava para vocês.

Estenógrafos ou jornalistas?

A principal razão pela qual vocês foram mal informados é que a


maior parte da mídia impressa estava excessivamente disposta a
acreditar na Casa Branca. Uma pesquisa apresentada mais cedo
neste mês pelo Center for International Security Studies [Centro de
estudos de segurança internacional] da University of Maryland
concluiu que grande parte das reportagens a respeito do Iraque e
das armas de destruição em massa "relatavam taquigraficamente a
perspectiva do representante do governo" e ofereciam "muito
pouco exame crítico da maneira como as autoridades formulavam
os eventos, as questões, as ameaças e as opções políticas". Muito
poucas histórias, afirmou a pesquisa, incluíam perspectivas que
contestavam a linha oficial.
Um estudo publitado no mês passado no The New York Review of
Books chegou a uma conclusão semelhante. "No período que
antecedeu à guerra, os jornalistas americanos confiavam demais
em fontes simpatizantes do governo. Aqueles com opiniões
divergentes - e não eram poucos - eram simplesmente excluídos",
escreve Michael Massing, editor colaborador da Columbia
Journalism Review, autor do estudo.
Até mesmo grande parte das reportagens investigativas e de
empreendimento do período que antecedeu a guerra era moldada
pela suposição de que as fontes a favor da guerra estavam acima
de um intenso escrutínio. Este foi particularmente o caso dos
desertores do Iraque, em quem tanto o governo quanto a mídia se
apoiaram fortemente para pintar a imagem da ameaça iraquiana.
Massing observa que um vigoroso debate estava tendo lugar den-
tro dos círculos do serviço de inteligência com relação à veracidade
de muitas das afirmações dos desertores, mas uma pequena parte
do que estava acontecendo chegava aos leitores. Em vez disso, a
mídia impressa foi repetidamente ludibriada por desertores que
estavam na folha de pagamento do Pentágono e que estavam
ativamente passando para os crédulos repórteres as mesmas
desinformações que estavam espalhando para o governo.
Os jornalistas Jonathan Landay e Tish Wells da Knight Ridder rela-
taram mais cedo este mês que o principal grupo de exilados do
Iraque, o Congresso Nacional do Iraque, transmitiram ao Times, ao
Post, à Associated Press (a principal fonte de notícias mundiais e
nacionais deste jornal) e a outros veículos da mídia impressa
numerosas alegações infundadas a respeito do regime do Iraque,
que resultaram em mais de 100 artigos no mundo inteiro.
Os correspondentes da Knight Ridder descobriram que esses
artigos faziam afirmações que ainda não foram confirmadas, mas
que ajudaram a formar os argumentos do governo a favor da
invasão. Eles incluíam alegações de que o Iraque possuía
instalações móveis de armas biológicas; que tinha mísseis Scua
carregados com veneno, prontos para atacar Israel; que Saddam
estava agressivamente em busca de armas nucleares e que tinha
colaborado com a Al-Qaeda.
A diva da desinformação do Times, Judith Miller, tinha uma inclina-
ção acrítica pelo Congresso Nacional Iraquiano (INC) e o seu líder,
Ahmed Chalabi. Na primavera passada, o colunista de mídia do
Post Howard Kurtz conseguiu um e-mail interno do Times no qual
ela escrevera o seguinte: "Há mais ou menos dez anos faço a
cobertura de Chalabi. Ele forneceu a maioria das notícias
exclusivas da primeira página sobre as armas de destruição em
massa para o nosso jornal".
É difícil imaginar uma admissão mais censurável, não apenas à luz
de uma visão retrospectiva como também devido às dúvidas que
muitos analistas da área da inteligência (tanto de dentro quanto de
fora do governo) tinham antes da invasão a respeito da qualidade
das informações do INC.
O Times não pode argumentar que era impossível obter opiniões
discordantes dos que estavam dentro do serviço de inteligência dos
Estados Unidos. A Knight Ridder foi capaz de estabelecer fontes
entre funcionários de carreira do serviço de inteligência que
estavam consternados com muitas das declarações do governo.
Em uma entrevista com Massing para o seu estudo, John Walcott,
chefe do escritório de Washington da Knight Ridder, explicou a
decisão do serviço de notícias de usar essas fontes de nível mais
baixo.
Essas pessoas estavam mais bem informadas a respeito dos
detalhes do serviço de inteligência do que as que ocupam um lugar
mais elevado na hierarquia. Elas estavam profundamente
perturbadas com a atitude do governo, que percebiam como uma
adulteração deliberada das informações, de uma maneira que
variava entre exagerar o caso e inventar totalmente os fatos.
Essa abordagem levou a Knight Ridder a produzir algumas reporta-
gens precisas e equilibradas, mas os especialistas em inteligência
de nível intermediário continuaram a ser uma peça perdida do
quebra-cabeça na maior parte das reportagens da mídia impressa.

O grande show de Powell

A mídia teve acesso a outras peças importantes do quebra-cabeça,


mas minimizou a importância delas ou simplesmente não lhes deu
atenção.
Tomemos Hussein Kamel, genro de Saddam, que foi o chefe de
armas do Iraque até desertar em 1995. Ele era citado pelo vice-
presidente Dick Cheney, pelo secretário de Estado Colin Powell e
praticamente por todos os outros defensores da invasão como uma
fonte importante de informações sobre o arsenal de Saddam. No
entanto, enquanto ele descrevia todas as terríveis armas de
Saddam durante os seus interrogatórios pós-deserção, Kamel
acrescentou um pequeno detalhe que o governo e os seus porta-
vozes se esqueceram de mencionar: todas as armas proibidas do
Iraque tinha sido destruídas.
A revista Newsweek obteve a transcrição da entrevista na qual
Kamel fez esta afirmação e publicou-a cerca de duas semanas
antes do início da invasão, mas a revista não conferiu à história o
destaque que ela merecia.
Quanto aos outros veículos da mídia impressa americana, somente
o Post e o Boston Globe selecionaram a história, segundo o grupo
de cães de guarda da mídia, Fairness and Accuracy in Reporting
[Justiça e precisão nas reportagens]. Os dois jornais publicaram as
notícias sem nenhum destaque dentro da seção de notícias.
O exemplo de Kamel ilustra um problema comum que ocorreu nas
reportagens anteriores à guerra: até mesmo quando os repórteres
realizaram um bom trabalho de investigação, este com freqüência
era posto de lado. Walter Pincus, redator da equipe do Post, disse
a Massing que os editores do jornal "passaram por uma fase na
qual não publicavam na primeira página notícias que pudessem
influenciar a situação".
O artigo de Massing não deixa claro quando esta fase pode ter
ocorrido, mas pelo menos parte dela deve ter coincidido com o
período posterior ao discurso de Powell nas Nações Unidas e
anterior ao início da invasão.
No dia que se seguiu ao grande show de Powell, um editorial no
Post intitulado "Irrefutável" declarou que era "difícil imaginar que
alguém pudesse duvidar que o Iraque possuísse armas de
destruição em massa". As páginas de notícias do Post, bem como
as de outras publicações de elite, pareciam estar operando durante
meses com base nessa suposição, mas o espetáculo de Powell
fechou a questão.
No entanto, o argumento de Powell dava margem a um grande
questionamento: o depósito de munições que supostamente
armazenava armas proibidas; os supostos laboratórios móveis de
armas biológicas; os tubos de alumínio que se dizia terem sido
comprados para promover o programa de armas nucleares do
Iraque; e as afirmações da existência de uma ligação entre
Saddam e a Al-Qaeda. Até mesmo as conversas gravadas entre
militares iraquianos que Powell apresentou como prova de que o
regime estaria tentando esconder armas proibidas gerou ceticismo
entre alguns especialistas que conheciam o protocolo de
segurança do Iraque. (Ver o documentário de Robert Greenwal,
Uncovered: The Whole Truth About the Iraq War [Descoberta toda
a verdade sobre a guerra do Iraque para um exame cuidadoso da
apresentação de Powell.)
Mas a maior parte da comunicação de massa não estava
interessada em chamar muita atenção para esses pontos fracos do
argumento de Powell ou em realizar um trabalho de investigação
adicional para esmiuçar as afirmações do secretário de Estado. Em
vez disso, eles evitaram riscos e fomentaram a marcha em direção
à guerra.
"Fomos enganados"

No início deste mês, o presidente da Polônia, país que possui um


contingente de mais de 20 mil soldados no Iraque, declarou o
seguinte: "Fomos enganados" pelo governo na corrida para a
guerra. Está claro agora que a parte mais importante da mídia
ajudou a Casa Branca a navegar durante essa longa e estranha
viagem.
Mas algumas coisas devem ditas em defesa da mídia.
Em primeiro lugar, não é fácil fazer perguntas difíceis no meio de
uma histeria de guerra, e aqueles que fazem um bom trabalho
serão atacados pelos super-patriotas. (posso confirmar a partir da
minha experiência pessoal que alguns poderão até pedir a sua
cabeça.)
Em segundo lugar, alguns jornalistas convencionais de fato fizeram
as perguntas difíceis quando era importante. Mas um enorme
número de repórteres nada estavam questionando e agiam como
se fossem pouco mais do que um dente na engrenagem da
máquina de propaganda da Casa Branca.
O mais perturbador é que alguns desses jornalistas ainda não
entendem o que está acontecendo. Quando Massing perguntou a
Miller do Times - uma repórter investigativa na área da inteligência
- por que ela não incluía nas suas histórias mais comentários de
especialistas que contestavam as afirmações da Casa Branca, ela
respondeu: "A minha função não é avaliar as informações do
governo e ser uma analista independente de inteligência. A minha
função é dizer ao leitores do The New York Times o que o governo
achava do arsenal do Iraque".
Mas até uma repórter principiante deveria saber que se o governo
lhe dizer que o céu é azul; a obrigação dela é verificar se ele não é
vermelho, cinza ou preto. E é preciso exercer fortemente o
ceticismo quando o assunto em questão é se o país entrará em
guerra.
Ao deixar de empregar totalmente a faculdade de pensamento críti-
co, Miller e muitos dos seus colegas na elite da mídia impressa não
apenas traíram os seus leitores durante a contagem regressiva
para a invasão do Iraque, como também traíram a nossa
democracia.
E não há desculpa para essa falha. A única coisa que tem lugar
aqui é um pedido de desculpas.
Rick Mercier é escritor e editor do The Free Lance-Star. Ele pode
ser contactado através do endereço rmercier@freelancestar.com

"Por que a mídia nos traiu no Iraque"


ORVILLE SCHELL
No dia 26 de maio de 2004, quando os editores do New York Times
publicaram uma admissão de culpa devido às reportagens
unilaterais do jornal sobre as armas de destruição em massa e a
guerra do Iraque, eles admitiram que "em vários casos a cobertura
não fora tão rigorosa quanto deveria ter sido". Também
comentaram que a partir de então vieram a "desejar que
tivéssemos tido uma maior iniciativa no sentindo de reexaminar as
afirmações" feitas pelo governo Bush. Resta-nos no entanto querer
saber por que o Times, como muitos outros veículos da mídia deste
país, era tão pouco cético com relação às justificativas do governo
a favor da guerra? Como uma política analisada de um modo tão
ineficaz, baseada em fontes de informação espúrias no exílio, pode
ter sido tão jubilosamente aceita, até mesmo adotada, por tantos
membros da mídia? Em resumo, o que aconteceu ao tão exaltado
papel da impressa, tão cuidadosamente explicitado pelos Pais da
Pátria, de "cão de guarda" céptico do governo?
Não há nada como uma máquina bem lubrificada que pára de
repente para nos ajudar a detectar problemas. Agora que o
governo Bush está totalmente na defensiva e pessoas zangadas no
Pentágono, na ClA e em outras parte da burocracia de Washington
estão deixando vazar documentos secretos e fazendo denúncias
aos repórteres, a nossa imprensa voltou a ter um aspecto mais
reconhecivelmente jornalístico. Mas este fato não deve nos impedir
de perguntar de que maneira uma imprensa "independente" em um
país "livre" pode ter ficado paralisada por tanto tempo. Ela não
apenas deixou de fazer uma investigação séria nas justificativas do
governo a favor da guerra, como também praticamente não levou
em consideração as miríades de vozes na imprensa online,
alternativa e mundial que procuravam realizar essa investigação.
Não era certamente nenhum segredo o fato de que vários dos
nossos aliados ocidentais (além de outros países), administradores
de várias ONGs e figuras como Mohamed EI Baradei, diretor da
Agência Internacional de Energia Atômica, e Hans Blix, diretor da
Comissão de Monitoramento, Verificação e Inspeção da ONU
tinham opiniões muito diferentes sobre a "ameaça do Iraque" antes
da guerra.
Parecia que poucos na nossa mídia se lembravam da veemente
advertência de I. F. Stone: "Se vocês quiserem saber coisas sobre
os governos, basta conhecerem duas palavras: governos mentem".
As vozes discordantes dos meios convencionais estavam
amplamente enterradas nas últimas páginas dos jornais, ausentes
das páginas oped ou confinadas às margens da mídia, sendo-lhes
portanto negado o tipo de "respeitabilidade" que um importante
veículo da mídia é capaz de oferecer.
Como as reportagens sobre os antecedentes da guerra, a guerra
em si e as suas conseqüências vividamente demonstraram, o
nosso país está hoje dividido em uma estrutura de mídia de dois
níveis. O nível mais baixo, que abrange as publicações
especializadas, os veículos de mídia alternativos e os sites da
Internet, abriga o espectro mais amplo de pontos de vista. Antes
que o esforço de guerra começasse a se desenredar na primavera
de 2004, o nível superior, formado por um número relativamente
pequeno dos principais veículos de radiodifusão, jornais e revistas,
possuía uma amplitude muito mais limitada de visões críticas,
geralmente acatando a visão de mundo do governo Bush. Opiniões
divergentes vindas de baixo raramente exsudavam para cima.
Michael Massing ressaltou recentemente na New York Review of
Books que as insinuações do governo Bush de que as críticas não
eram patrióticas - o secretário de imprensa da Casa Branca Ari
Fleischer vergonhosamente advertiu os repórteres: "É melhor que
as pessoas tomem cuidado com o que dizem" - exerceu um efeito
inegavelmente arrepiante na mídia. No entanto, outras formas de
pressão também inibiam a imprensa com eficácia. O Presidente
realizou poucas entrevistas coletivas à imprensa e raramente
aceitou manter diálogos abertos. O governo sempre foi, em
primeiro lugar, reservado e disciplinado e usava com habilidade a
ameaça de ter o acesso negado como uma maneira de intimidar os
repórteres que mostravam sinais de independência. Para um
repórter, isso significava não fazer mais entrevistas individuais,
deixar de receber dicas especiais e informações que porventura
vazassem, além de ser preterido nos períodos de perguntas e
respostas das entrevistas coletivas à imprensa. Tudo isso, sem
mencionar ser excluído de eventos especiais e viagens
importantes.
Depois do início da guerra, por exemplo, dizia-se que Jim
Wilkinson, texano de 32 anos que administrava o Centro de Mídia
da Coalizão da Centcom em Qatar, repreendia os repórteres cuja
matéria fosse considerada como sendo insuficientemente
"favorável à guerra", e "advertiu um dos correspondentes em um
tom ameaçador de que o nome dele e os de outros dois repórteres
do jornal dele figuravam em uma lista". No mundo de governo
Bush, em que cooperar estava na ordem do dia, as reportagens
críticas representavam um bilhete rápido para o exílio.

Um mundo da mídia em que a verdade se baseia na fé

Dificilmente o impulso de controlar a imprensa nasceu com George


W. Bush, mas o seu governo tem estado menos inclinado do que
qualquer outro de que se tem lembrança a reproduzir a famosa
declaração de Thomas Jefferson de que "Sendo a base do nosso
governo a opinião do povo, o primeiro objetivo deve ser mantê-Ia; e
se coubesse a mim decidir se devemos ter um governo sem jornais
ou jornais sem governo, eu não hesitaria um único momento em
preferir a última opção".
O governo Bush não apreciava muito o papel de cão de guarda da
imprensa, em parte porque a sua própria busca da "verdade" se
baseara em algo diferente do empirismo. Na verdade, ela
entronizava um novo critério para a veracidade, a verdade
"baseada na fé", às vezes corroborado pela inteligência "baseada
na fé," pois para os representantes deste governo (e tampouco
apenas os religiosos), a verdade parecia cair do céu, uma espécie
de revelação divina que prescindia de qualquer escrutínio terreno.
Para o nosso presidente, este era evidente e literalmente o caso. O
jornal israelense Ha'aretz relatou que ele disse para Mahmoud
Abbas, o primeiroministro palestino na época: "Deus me mandou
atacar a Al-Qaeda e eu ataquei, e a seguir ele me ordenou que
atacasse Saddam, e foi que fiz".
Não é de causar surpresa, portanto, que esse presidente evitasse
os jornais que se mostravam a favor de notícias de "fontes mais
objetivas", a saber, da sua equipe. Ele se referiu freqüentemente a
confiar em "reações instintivas" e a agir baseado em
"pressentimentos". Tanto para ele quanto para o resto do seu
governo, a tomada de decisões tem tido a tendência de avançar
das conclusões para os indícios e não destes para as conclusões.
A leitura, os fatos, a história, a lógica e a complexa interação entre
o eleitorado, a mídia e o governo foram relegados a papéis secun-
dários no que ele chamou de formação de política
"fundamentalista".
Assim como o livre intercâmbio de informações desempenha um
papel pequeno no relacionamento entre um crente fundamentalista
e o seu Deus, ele também desempenhou um papel distintamente
'reduzido no nosso recente mundo paralelo de revelação política
divina. Afinal de contas, se já conhecemos a resposta a uma
pergunta, que outra utilidade tem mídia a não ser transmitir essa
resposta? Por conseguinte, a tarefa que temos diante de nós é
jamais ouvir e pregar o evangelho político entre os cépticos,
transformando em evangelização um processo anteriormente
interativo entre cidadão e líder.
Embora no universo político de Bush a liberdade tenha sido
interminavelmente exaltada como princípio, ela tem sido na prática
pouco útil. Que papel uma imprensa livre poderia desempenhar
quando a revelação proclama que o fato e as conclusões são
predeterminados? Uma imprensa esquadrinhadora é logicamente
encarada como sabotadora nessas condições, por se interpor entre
o governo e aqueles cuja única verdadeira salvação reside em se
tomarem parte de uma nação de verdadeiros crentes.
Como a oposição (leal ou de outro tipo) era pouco necessária e
respeitada, os circuitos de feedback de informações, nos quais a
imprensa deveria ter desempenhado um papel crucial em qualquer
democracia operante, deixaram de funcionar. As sinapses da mídia
que normalmente transmitem avisos dos cidadãos para o governo
simplesmente se fecharam.
As redes de televisão continuaram a irradiar programas e os jornais
continuam a ser publicados, porém, postos de lado e desprezados,
eles se tomaram irrelevantes, exceto talvez pelo seu valor de
entretenimento. Como a imprensa murchou, o governo, que já vive
em um universo de auto-referência e auto-engano, foi privado da
capacidade de tomar conhecimento do perigo oriundo das suas
próprias diretivas e, portanto, de fazer correções na sua linha de
ação.

Um universo no qual as notícias não terão importância

Karl Rove, o principal consultor político do presidente, declarou


diretamente ao redator Ken Auletta da revista New Yorker que os
membros da imprensa "não representam o público mais do que
outras pessoas representam. Não creio que vocês tenham uma
função controladora de equilíbrio". Aulette concluiu que, aos olhos
do governo Bush, a imprensa se transformara em pouco mais do
que outro grupo de lobby com um interesse especial. Na verdade, o
território que a mídia tradicional certa vez ocupou tem sido cada
vez mais invadido pelo lobby, pela publicidade e pela propaganda
do governo - sessões de fotos com a imprensa habilmente
preparadas, comícios de propaganda cuidadosamente produzidos,
"eventos" planejados de antemão, grandes ondas de anúncios de
campanha e coisas semelhantes. Receosos de perder ainda mais
"influência", acesso e os lucrativos rendimentos dos anúncios
provenientes dessa criação de imagens políticas favoráveis, os
principais veículos da mídia acharam que era do seu interesse
financeiro sossegadamente se submeter a que esse rebaixamento
do papel da mídia declara sobre a maneira como o nosso governo
encara os seus cidadãos, os supostos soberanos do nosso país?
Ele indica que "nós, o povo" somos vistos não como um eleitorado
político que confere legitimidade aos nossos governantes, e sim
como consumidores a quem a política é vendida, como os
anunciantes vendem os produtos. Na tempestade de venda,
manipulação, intimidação e "disciplina" que há anos tem sido a
característica inconfundível de Bush, os veículos de notícias
tradicionais se viram cada vez mais abafados, isolados e
intimidados. Atacados como "liberais" e "elitistas", desprezados
como "criadores de caso" e "excessivamente críticos" (mesmo
quando não estão criando problemas), eles foram chutados para
escanteio, cada vez mais incertos e tímidos com relação ao seu
papel cada vez menor no processo político.
Acrescentemos ainda uma outra dinâmica (a qual os intelectuais
das sociedades marxista-Ieninistas instantaneamente
reconheceriam): os grupos aos quais é negada a legitimidade e
que são desprezados pelo Estado tendem a interiorizar essa
exclusão como uma forma de culpabilidade e, com freqüência,
sentem um anseio abjeto e autônomo de recuperar a posição
anterior praticamente a qualquer preço. Não é de causar espanto,
portanto, que "a imprensa tradicional" tenha tinha dificuldades para
organizar uma contra-narrativa convincente enquanto o governo
conduzia para a guerra uma -nação aterrorizada e excessivamente
confiante.
Não apenas uma forma mutante de notícia livre de ceticismo
conseguiu - pelo menos durante algum tempo - deixar
desinformados grandes segmentos da população, como também
corrompeu a capacidade de atuação dos altos funcionários. Com
excessiva freqüência eles se viam olhando para um espelho na
casa de espelhos do parque de diversões que eles mesmo criaram,
e imaginavam estar vendo a realidade. Até mesmo a revista
conservadora National Review observou que o governo Bush
possui "a desalentadora capacidade de acreditar nos seus próprios
relações-públicas".
Neste mundo de "notícias" mutantes, os circuitos de informações
transformaram-se em estradas de mão única; e o consultor em
segurança nacional, o secretário de gabinete ou o procurador-geral
tomou-se um polemista bem administrado e programado, com
ordens para "ficar do lado do governo" e justificar o que este já fez
ou está prestes a fazer. Como essas campanhas modernas de
"dominar o ambiente da mídia", como o Pentágono gosta de dizer,
empregam toda a sofisticação e a tecnologia desenvolvidas pelos
especialistas em comunicação desde que Edward Bernays,
sobrinho de Sigmund Freud, combinou pela primeira vez o
conhecimento da psicologia com o marketing de mercadorias, as
notícias de hoje são muito mais sedutoras do que as de
antigamente. Na verdade, podemos assistir na FOX NEWS a
suprema combinação de notícias com relações públicas, em uma
fonte de propaganda habilidosa tão bem organizada que a maioria
das pessoas não consegue distingui-Ia da realidade.
Há mais de três anos temos sido governados por pessoas que não
consideram que as notícias, no sentido tradicional, desempenhem
um
papel construtivo no nosso sistema de governo. No momento, elas
recuaram por um instante, rechaçadas da linha de frente da
verdade baseada na fé pelas erros crassos que cometeram. Mas
não se enganem. A experiência assustadora delas terá seguimento
se os Estados Unidos o permitirem. Para elas, o sucesso completo
não significaria apenas a imprensa ter desistido do seu papel
fundamental de cão de guarda, e sim, o que é um pensamento bem
mais sombrio, que mesmo que ela se recusasse a fazer isso, que
possa ser desviada para um lugar onde não teria mais importância.
Quando a guerra do Iraque afundou em um atoleiro deserto, a
imprensa pareceu despertar, atrasada, e adotar uma postura mais
céptica com relação a um conjunto de diretivas do governo Bush
que já estavam desmoronando. No entanto, se é preciso um
episódio sangrento, dispendioso e catastrófico como a guerra no
Iraque para que nos lembremos do papel importante que a
imprensa desempenha na nossa democracia, algo está gravemen-
te errado na maneira como o nosso sistema político passou a
funcionar.

Orville Schell é reitor da Graduate School of Journalism [Escola de


Graduação em Jornalismo], University of California, Berkeley. Este
trecho foi adaptado do prefácio de uma coleção de artigos do New
York Review of Books sobre a cobertura da IlÚdia no Iraque, de
autoria de Michael Massing. Eles em breve serão publicados como
um pequeno livro, Now They Tell Us [Agora eles nos contam] (The
New York Review of Books, 2004).

"De novo não"


A escritora indiana Arundhati Roy defende a idéia
de que são as exigências do capitalismo global que
estão
levando o Ocidente a travar guerra com o Iraque.

Manchester Guardian Weekly


ARUNDHATI Roy, 9 de outubro de 2002
Recentemente, aqueles que têm criticado as ações do governo
americano (inclusive eu) têm sido chamados de "anti-americanos".
O anti-americanismo está em vias de ser consagrado uma
ideologia. O termo é geralmente empregado pelo sistema
americano para desacreditar e, não de um modo falso, mas
diremos impreciso, definir os seus críticos. Quando uma pessoa é
rotulada de anti-americana, é bem provável que ela será julgada
antes de ser ouvida e o seu argumento se perderá no rebuliço do
orgulho nacional ferido.
O que exatamente o termo significa? Que você é anti-jazz? Ou que
você se opõe à liberdade de expressão? Que você não adora Toni
Morrison ou John Updike? Que você briga com as sequóias
gigantes? Significa que você não admira as centenas de milhares
de cidadãos americanos que marcharam contra as armas
nucleares ou os milhares de opositores da guerra que obrigaram o
governo a se retirar do Vietnã? Significa que você odeia todos os
americanos?
Esta capciosa combinação de música, literatura, a estonteante
beleza física do território, gs"prazeres comuns das pessoas
comuns com a crítica à política externa do governo é uma
estratégia deliberada e extremamente eficaz. É como um exército
em retirada que procura proteção em uma cidade intensamente
povoada, na esperança de que a possibilidade de atingir alvos civis
desencoraje o fogo inimigo.
Chamar uma pessoa de antiamericana, aliás, ser antiamericano,
além de ser um ato racista é uma falha da imaginação. A
incapacidade de ver o mundo sob aspectos diferentes daqueles
que o sistema especificou para você. Se você não nos ama, você
nos odeia. Se você não é bom, você é mau. Se você não está do
nosso lado, é a favor dos terroristas.
Ano passado, como muitas outras pessoas, cometi o erro de
zombar da retórica que se seguiu ao atentado de 11 de setembro,
descartando-a como ridícula. Compreendi que ela não é. Ela é na
verdade um astuto esforço de recrutamento para uma guerra
equivocada e perigosa. Todos os dias me surpreendo com a
quantidade de pessoas que acredita que opor-se à guerra no
Afeganistão equivale a apoiar o terrorismo.
É claro que o horror do que se tomou conhecido como o atentado
de 11 de. setembro está em primeiro lugar na mente de todo
mundo, particularmente nos Estados Unidos. Quase 3 mil pessoas
perderam a vida naquele fatal ataque terrorista. A dor ainda é
profunda. A raiva ainda é intensa. E uma guerra estranha e
mortífera está se alastrando pelo mundo. No entanto, cada pessoa
que perdeu um ente querido sabe sem dúvida que nenhuma
guerra, nenhum ato de vingança, amenizará a sua dor ou trará de
volta os seus entes queridos. A guerra não pode vingar os que
morreram. A guerra é apenas uma profanação brutal da memória
deles.
Alimentar outra guerra, desta feita contra o Iraque, manipulando a
dor das pessoas, apresentando-a em programas especiais da
televisão patrocinados por empresas que vendem detergente ou
tênis de corrida, significa desvalorizar a dor, privá-Ia de significado.
Estamos presenciando a apropriação até mesmo dos sentimentos
humanos mais privados para finalidades políticas. Um Estado fazer
isso com o seu povo é algo terrível e violento.
O governo dos Estados Unidos afirma que Saddam Hussein é um
criminoso de guerra, um déspota militar cruel que praticou o
genocídio contra o seu próprio povo. Esta é uma descrição
relativamente precisa do homem. Em 1988, ele destruiu centenas
de lugarejos no norte do Iraque e matou milhares de curdos. Hoje
sabemos que naquele mesmo ano o governo dos Estados Unidos
forneceu a ele 500 milhões de dólares em subsídios para que
comprasse produtos americanos. No ano seguinte, depois de ele
ter concluído com sucesso a sua campanha de genocídio, o
governo americano duplicou o subsídio para um bilhão de dólares,
além de fornecer a Saddam esporos de antraz de alta qualidade,
helicópteros e material de dupla utilização que poderiam ser
usados para fabricar armas. químicas e biológicas.
Acontece que enquanto Saddam estava pondo em prática as suas
piores atrocidades, os governos dos Estados Unidos e da Inglaterra
eram seus fones aliados. O que mudou então?
Em agosto de 1990, Saddam invadiu o Kuwait. O seu pecado não
foi tanto ter praticado um ato de guerra e sim o fato de ele ter agido
de forma independente, sem a autorização dos seus senhores.
Essa demonstração de independência foi suficiente para perturbar
a equação de poder no Golfo. Foi decidido então que Saddam seria
exterminado, como um bicho de estimação que perdeu a estima do
dono.
E se o Iraque tiver uma arma nuclear? Esse fato justifica um ataque
preventivo dos Estados Unidos? Esse país possui o maior arsenal
de armas nucleares do mundo. É o único país do planeta a ter
efetivamente usado essas armas contra populações civis. Se é
justificado o fato de os Estados Unidos lançarem um ataque
preventivo contra o Iraque, também é justificado que qualquer
potência nuclear ataque qualquer outra preventivamente. A Índia
poderia atacar o Paquistão ou vice-versa.
Recentemente os Estados Unidos desempenharam um importante
papel ao obrigar a Índia e o Paquistão a recuar quando a guerra
era eminente. É tão difícil seguir o próprio conselho? Quem é
culpado de uma moralização ineficaz? De pregar a paz enquanto
trava guerra? Os Estados Unidos, que George Bush chamou de "a
nação mais pacífica do mundo", têm estado todos os anos em
guerra com um outro país nos últimos cinqüenta anos.
As guerras nunca são travadas por razões altruístas. Elas o são,
em geral, pela hegemonia, pelos negócios. E existe, é claro, o
negócio da guerra. No seu livro sobre a globalização, The Lexus
and the Olive Tree [O Lexus e a oliveira], Tom Friedman diz o
seguinte: "A mão oculta do mercado nunca funcionará sem um
punho oculto. O McDonald's não pode prosperar sem McDonnell
Douglas. E o punho oculto que mantém o mundo seguro para que
a tecnologia do vale do silício se desenvolva se chama o exército, a
aeronáutica, a marinha e o corpo de fuzileiros navais dos Estados
Unidos". Talvez esse parágrafo tenha sido escrito em um momento
de vulnerabilidade, mas é sem dúvida a descrição mais sucinta e
precisa do projeto de globalização corporativa que já li.
Após o atentado de 11 setembro e a guerra contra o terrorismo, a
mão e o punho ocultos tiveram o seu disfarce descoberto e temos
uma visão clara da outra arma dos Estados Unidos - o livre
mercado - descendo sobre o mundo em desenvolvimento, com um
sorriso trincando que não sorri. A Tarefa Que Nunca Termina é a
guerra perfeita dos Estados Unidos, o veículo perfeito para a
interminável expansão do imperialismo americano.
À medida que aumenta a disparidade entre ricos e pobres, o punho
oculto do livre mercado tem o seu trabalho delineado. Empresas
multinacionais em busca de negócios antiéticos que gerem lucros
enormes não conseguem introduzi-Ios nos países em
desenvolvimento sem a conivência ativa da máquina do Estado.
Hoje em dia, a globalização corporativa precisa de uma
confederação internacional de governos leais, corruptos e de
preferência autoritários nos países mais pobres, para forçar
reformas impopulares e reprimir as revoltas. Ela precisa de uma
imprensa que finja ser livre. Precisa de tribunais que finjam
distribuir a justiça. Precisa de bombas nucleares, exércitos
permanentes, leis de imigração mais severas e um cuidadoso
patrulhamento costeiro para garantir que apenas o dinheiro, as
mercadorias, as patentes e os serviços serão globalizados e não a
livre movimentação das pessoas, não o respeito pelos direitos
humanos, não os tratados internacionais sobre a discriminação
racial, as armas químicas e nucleares, o efeito estufa, a mudança
do clima, ou, Deus nos livre, a justiça. É como até mesmo um gesto
em direção à responsabilidade internacional fosse arruinar todo o
empreendimento.
Quase um ano depois de a guerra contra o terrorismo ter oficial-
mente começado nas ruínas do Afeganistão, a liberdade está
sendo restringida em nome da proteção à liberdade em um número
cada vez maior de países, a liberdade civil está sendo suspensa
em nome da proteção à democracia. Todos os tipos de dissensão
estão sendo definidos como "terrorismo". a secretário de Defesa
dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, declarou que a sua missão
na guerra contra o terror era convencer o mundo de que é preciso
permitir que os americanos continuem a viver o seu modo de vida.
Quando o rei enraivecido bate o pé com força no chão, os escravos
tremem no alojamento. Assim sendo, é difícil para mim dizer isto,
mas o modo de vida americano simplesmente não é sustentável,
porque ele não reconhece que existe um mundo além dos Estados
Unidos.
Por sorte, o poder tem um tempo de vida útil. Quando esse tempo
acabar, talvez esse poderoso império, como aconteceu com tantos
antes dele, vá subjugar a si mesmo e implodir a partir de dentro.
Parece que rachaduras estruturais já começaram a aparecer.
O comunismo soviético fracassou, não porque fosse intrinsecamen-
te mau, mas porque era defeituoso. Ele permitia que um número
muito pequeno de pessoas usurpassem dinheiro demais: o
capitalismo de mercado do século XXI, o estilo americano, cairá
pelas mesmas razões.

PARTE VI
Charges e Fotografias