Anda di halaman 1dari 5

Ex.

ma Srª Ministra da Educação

C/C
- Ex.mo Senhor Presidente da República
- Ex.mo Senhor Director Regional de Educação do Algarve
- Ex.mo Senhor Presidente do Conselho Executivo
- Conselho Pedagógico
- Conselho Geral Transitório
- Plataforma Sindical
- Grupos Parlamentares

Os docentes do Agrupamento Vertical de Escolas D. Martinho de


Castelo Branco - Portimão, reunidos em Assembleia Geral, a 19 de
Novembro de 2008, aprovaram a seguinte Moção sobre o modelo de
avaliação do desempenho docente imposto unilateralmente pelo
Ministério da Educação:

Os docentes deste Agrupamento não contestam nem recusam ser


avaliados. Consideram mesmo que a avaliação do seu
desempenho profissional pode e deve ser encarada como uma
importante componente do seu desenvolvimento profissional,
contribuindo para a melhoria da qualidade da escola. Esta
avaliação deve assentar na dimensão do trabalho cooperativo,
perspectivado numa lógica essencialmente formativa e contínua,
cruzando a responsabilidade individual de cada docente com a
responsabilidade colectiva e organizacional.

No entanto, perante a aplicação do modelo de avaliação do


desempenho instituído pelo Decreto Regulamentar n.º 2/2008 de
10 de Janeiro, os docentes consideram que:

1. Todas as evidências apontam para a impraticabilidade do


modelo de avaliação imposto pelo Ministério da Educação. A
sua implementação nas escolas tem mostrado que ele é
inadequado, porque inexequível e injusto, em nada contribuindo
para a melhoria do desempenho profissional docente, da
qualidade da escola e das aprendizagens dos alunos.

2. O processo de implementação da avaliação tem-se revelado


bastante tortuoso, tecido num emaranhado normativo
burocrático e contraditório, que alimenta um processo
labiríntico e profundamente desgastante. Tem-se vindo a
traduzir num enorme dispêndio de tempo útil em actividades
que em nada contribuem para a desejável melhoria dos
desempenhos profissionais, desviando os docentes daquilo que
deve constituir o cerne da sua actividade: as actividades de
ensino-aprendizagem, a actualização científico-pedagógica e o
trabalho cooperativo.

3. A maioria dos itens constantes das fichas de registo da


avaliação não é passível de ser universalizada, uma vez que
não são aplicáveis a todos os docentes; muitos outros não são
ainda objectiváveis por não existirem quadros de referência
para sustentação de critérios e indicadores. Estes aspectos
põem em causa os princípios básicos da transparência e
equidade do processo administrativo.

4. A avaliação entre pares, se tem sentido numa lógica formativa,


numa lógica classificativa, tendo em vista a promoção na
carreira e consequente hierarquização, torna-se problemática e
geradora de grande conflitualidade entre pares, dividindo
artificialmente os professores e pondo em causa qualquer
construção no sentido da melhoria colectiva da escola como um
todo.

5. O estabelecimento de quotas para as classificações de Muito


Bom e Excelente, revela que o seu real objectivo é o de
institucionalizar uma relação hierárquica dentro das escolas e
dificultar, ou mesmo impedir, a progressão na carreira, numa
lógica claramente economicista, da qual se vislumbram duas
consequências igualmente nefastas: o desincentivo e
desinvestimento dos docentes na melhoria das práticas e
implicação na escola, ou a concorrência individualista no
mostrar de “obra feita”.

6. A preocupação com a implementação do modelo de avaliação


veio descentrar os docentes e as escolas do que é a sua missão
central, concebendo-se a avaliação como um fim e não como
um meio, como se a melhoria das aprendizagens e dos
resultados dos alunos dependesse exclusivamente da aplicação
de um normativo de avaliação dos docentes, relegando para
segundo plano a preocupação com as apostas genuínas e não
utilitárias de melhoria.

7. A melhoria dos resultados dos alunos, bem como o abandono


escolar, são realidades que não dependem exclusivamente da
acção dos professores e das escolas. Os contextos
socioeconómicos e culturais, a acção da família e as atitudes
dos alunos são componentes essenciais para o sucesso das
aprendizagens e a valorização da escola. Sobre este propósito,
ganha todo o sentido e pertinência a Recomendação nº 2 do
Conselho Científico da Avaliação dos Professores, que, nesta
matéria, inteiramente se subscreve. Mais ainda, é
absolutamente incontestável que os alunos não são sujeitos
passivos no acto educativo, sendo co-responsáveis pelo seu
sucesso. Ignorando este princípio, o modelo de avaliação dos
docentes só poderá ter dois efeitos indesejados: a
desresponsabilização dos alunos e o facilitismo na avaliação.

8. Um processo desta natureza, pela complexidade do que está


em causa, dos instrumentos que utiliza e dos efeitos que
provoca, exige transparência de processos e decisões,
coerência, precisão, credibilidade e fiabilidade dos dados que
irão sustentar a avaliação dos docentes. Tal facto, torna
incontornável a necessidade de um período de experimentação,
sem qualquer efeito jurídico-legal na progressão da carreira dos
docentes. Por outro lado, tendo em conta a forma arbitrária e
administrativa com que se dividiu a carreira docente em duas
categorias hierárquicas - sem que tal se fundamentasse na
evidência de experiência profissional de supervisão ou na posse
de qualificações para a função de avaliação de professores –
aconselha a um processo de formação prévia dos avaliadores,
sustentado em práticas de observação e reflexão sobre o
exercício da profissão docente, designadamente na sua
dimensão científico-didáctica e pedagógica, devidamente
enquadrado nas estruturas de orientação educativa.

9. As sucessivas simplificações, ou aberturas para que as escolas


simplifiquem, provam a referida impraticabilidade do modelo,
aumentando o risco dos seus efeitos negativos e a
responsabilidade das escolas e dos docentes nesses mesmos
efeitos, do que poderão vir a ser acusados. Colaborar nestas
adaptações aligeiradas, viabilizando a sua implementação, é
abdicar da oportunidade de se exigir um sério e justo modelo
de avaliação do desempenho, que sirva de facto para a
melhoria do sistema educativo.

Pelo exposto e neste contexto, os docentes deste Agrupamento,


abaixo-assinados, decidiram:

a) Suspender todas as iniciativas e actividades relacionadas


com o processo de Avaliação do seu Desempenho, incluindo a
definição e entrega dos seus objectivos individuais previstos
no art.º 9º, do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de
Janeiro, certos que, desta forma, contribuem para a melhoria
do trabalho dos docentes, das aprendizagens dos nossos
alunos e da qualidade do serviço público de educação.

b) Exigir a imediata suspensão do actual modelo e a


negociação de um outro modelo mais justo, exequível e
transparente, que verdadeiramente valorize a profissão
docente e contribua realmente para o fim que supostamente
visa, ou seja, a dignificação e promoção da qualidade da
Escola Pública que todos preconizamos.

Segue a lista de 105 professores e educadores (no


Agrupamento leccionam 120) subscritores com nome e identificação
presentes na Assembleia Geral. Esta tomada de posição foi aprovada
por unanimidade por todos os presentes. Tratou-se da 2ª Assembleia
Geral de Docentes realizada neste Agrupamento no espaço de 15 dias
– a 1ª propondo a suspensão do modelo de avaliação tinha sido
aprovada por 95 professores, também por unanimidade. Mais uma
vitória da democracia e da justiça contra a prepotência e a
arbitrariedade.