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Aspectos da biologia de Scinax longilineus (Anura: Hylidae) em uma área antropizada de Belo Horizonte (Minas Gerais).

RENATA MAGALHÃES PIRANI 1 & LÍLIAN GOMES AFONSO 2 .

RESUMO

Uma população de Scinax longilineus foi analisada quanto ao comprimento rostro-cloacal (CRC) e massa corporal, microambientes preferenciais, variação sazonal e indícios de atividade reprodutiva. A coleta de dados foi realizada através de visitas quinzenais, no período de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008 na Área de Proteção Especial (APE) Manancial Cercadinho, região sul de Belo Horizonte, MG. Foi constatado que, as fêmeas são maiores e mais pesadas que os machos. Na estação chuvosa os indivíduos tiveram uma maior preferência pela vegetação herbácea e na estação seca pelo barranco. Não houve relação significativa entre o número de indivíduos registrados por mês com a pluviosidade e a temperatura mensal. Scinax longilineus apresentou um padrão reprodutivo prolongado com indícios de atividade reprodutiva em praticamente todos os meses de amostragens.

Palavras-chave: Cercadinho. Distribuição espacial. Distribuição temporal. Hylidae. Scinax longilineus.

ABSTRACT

Biological aspects of Scinax longilineus (Anura: Hylidae) at anthropic area of Belo Horizonte (Minas Gerais). The population of Scinax longilineus was analyzed regarding Snout-Vent Length (SVL) and body mass, preferential microhabitat, seasonal variation and reproductive activity. Sampling was made every two weeks from February 2007 to January 2008 at APE Manancial Cercadinho, southern region of Belo Horizonte, MG. At the Manancial Cercadinho was the females are larger and heavier than the males. During the rainy season, the species prefers to occupy habitats with shrubby vegetation, while during the dry season prefers muddy stream banks. No significant relationship was found between number of individuals and precipitation or monthly temperatures. Scinax longilineus displayed a procongated reproductive period with reproductive activities recorded throughout almost all months of observed research.

Key

longilineus.

words:

Cercadinho.

Spatial

distribution.

Temporal

distribution.

Hylidae.

Scinax

1 Acadêmica de Ciências Biológicas do Centro Universitário UNA, Campus UNA Buritis, Rua José Cláudio Resende, 80. Estoril/Buritis – CEP: 30455-590. Belo Horizonte, Minas Gerais. e-mail: renatampirani@gmail.com

2 Professora orientadora. Centro Universitário UNA. e-mail: lgafonso@gmail.com

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INTRODUÇÃO

A constante degradação que os ecossistemas naturais vêm sofrendo especialmente em

virtude de ações antrópicas implica na alteração ou eliminação completa dos microhabitats específicos explorados pelos anuros, sendo considerada o principal fator responsável pelos declínios populacionais (YOUNG et al., 2000). Para acompanhar estas modificações é de grande importância o monitoramento de espécies a longo prazo.

As espécies interagem de várias formas com o meio ambiente e por isso diferentes fatores devem ser levados em consideração quando se pretende monitorar uma determinada espécie (Pouch et al., 2003).

A coexistência de espécies em uma taxocenose é determinada, dentre outros fatores,

pela partição de recursos disponíveis no ambiente (Cardoso et al., 1989; Pombal, 1997; Eterovick & Sazima, 2000; Eterovick & Barros, 2003; Afonso & Eterovick, 2007). A segregação das espécies pode ocorrer em função da estrutura da vegetação, da durabilidade dos riachos (temporários ou permanentes) e da movimentação da água (lótico ou lêntico) (Bernarde & Anjos 1999). A partilha espacial inclui a exploração de uma grande

diversidade de microambientes como sítios reprodutivos (Toledo et al., 2003), estes são

utilizados de maneiras diferentes pelas espécies, o que pode reduzir a competição e permitir que uma maior variedade de espécies consiga coexistir (MacArthur, 1972). Fatores abióticos também podem influenciar o comportamento das espécies de anuros como, o aumento de temperatura e da umidade do ar (Duellman & Trueb, 1986). Estes fatores estão intimamente associados à reprodução das espécies de anfíbios anuros e, segundo Prado & Pombal (2005), devem ser considerados fatores relevantes influenciando

o comportamento do grupo. Embora durante essa associação possam ocorrer interações

interespecíficas, a tolerância diferenciada à temperatura e à chuva determina variações nos

períodos de atividade, segregando os anuros sazonalmente (Duellman & Trueb, 1986).

O gênero Scinax Wagler, 1830, é atualmente constituído por 94 espécies distribuídas

por toda a região Neotropical (Frost, 2008). O gênero foi atualmente reorganizado por Faivovich et al. (2005) e dividido em dois grandes clados: Scinax catharinae e o Scinax

ruber. O clado Scinax catharinae é subdividido em dois grupos: o Scinax gr. catharinae e o Scinax gr. perpusillus. Scinax longilineus (Lutz, 1968) é uma das espécies pertencentes ao grupo Scinax catharinae. A ocorrência do grupo Scinax catharinae é apontado para toda a Floresta Atlântica do sudeste do Brasil (Rico et al., 2004; Faivovich et al, 2005).

A espécie Scinax longilineus foi descrita por Bertha Lutz em 1968, cujo holótipo, uma

fêmea, foi coletado em Poços de Caldas, Minas Gerais. Sua distribuição geográfica inclui as montanhas do sudeste de Minas Gerais (Frost, 2008). Entretanto, até o presente momento, foram registradas apenas em Poços de Caldas, MG (Lutz, 1968; Andrade & Cardoso, 1991),

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no Parque das Mangabeiras em Belo Horizonte, MG (Nascimento, 1991; Carvalho, 2001), na Área de Proteção Espacial (APE) Manancial Mutuca em Nova Lima, MG (Nascimento et al, 1994), em Rio Acima, sudeste de Minas Gerais (Grandinetti & Jacobi, 2005) e em Ouro Preto, MG (Pedralli et al., 2001). O que caracteriza a espécie é uma linha longitudinal presente entre o dorso e o ventre dos indivíduos (Lutz, 1968). Os machos adultos de Scinax longilineus possuem porte robusto, saco vocal gular pouco desenvolvido e ausência de prepólex. Possuem também uma coloração dorsal marrom com tonalidades variadas e uma mancha interocular marrom- escuro bem definida, formando um triângulo cuja base está entre os olhos e o ápice voltado cranialmente (Fig. 1). Manchas não definidas são encontradas nas partes ocultas das coxas e o ventre é marrom claro (Andrade & Cardoso, 1991; Carvalho, 2001). As fêmeas adultas são bem maiores que os machos. Possuem a mancha interocular podendo haver variações, mas sempre uma figura triangular (Fig. 2). A sua coloração é igual a do macho (Lutz, 1968; Andrade & Cardoso, 1991; Carvalho, 2001). Com poucas informações sobre sua biologia e ecologia, os objetivos deste estudo foram: (1) estimar a abundância populacional de Scinax longilineus, (2) analisar morfologicamente os indivíduos quanto ao comprimento rostro-cloacal (CRC) e a massa corporal, (3) verificar os microambientes preferenciais, (4) verificar a existência de variação sazonal quanto à precipitação e a temperatura média e (5) buscar os indícios de atividade reprodutiva na APE Manancial Cercadinho.

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4 Figura 1: Macho de Scinax longilineus na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG). Foto: Renata

Figura 1: Macho de Scinax longilineus na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG). Foto: Renata M. Pirani.

Cercadinho (Belo Horizonte, MG). Foto: Renata M. Pirani. Figura 2: Fêmea de Scinax longilineus na APE

Figura 2: Fêmea de Scinax longilineus na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG). Foto: Renata M. Pirani.

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METODOLOGIA

Local de estudo

A Área de Proteção Especial (APE) Manancial Cercadinho (19º58`S, 43º57`W) localiza-se na região sul de Belo Horizonte, MG e abrange uma área de 151 hectares de propriedade da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA – MG) (Fig. 3). A área possui um único riacho, o Córrego Cercadinho que é irrigado por vários afluentes. A APE Manancial Cercadinho está inserida em uma área de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica localizada em uma região altamente urbanizada da capital (COPASA, 2002)

(Fig.4).

A região apresenta duas estações, uma seca entre maio e setembro, e outra chuvosa entre outubro e abril. O clima da região é tropical de altitudes sendo que a temperatura média anual no período de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008 foi de 22 ºC e a pluviosidade acumulada de 1200,6 mm (Fig.5). Os trabalhos de campo foram realizados em um transecto linear de 150 m de um riacho permanente (Córrego do Cercadinho) localizada dentro de mata ciliar com grande estratificação vegetacional e leito pedregoso (Fig.6). No final do riacho se encontra uma porção aberta que corresponde a um trecho represado por onde é controlada a vazão de água (Fig.7). Na APE Manancial Cercadinho além de Scinax longilineus, foram registradas outras cinco espécies de anfíbios anuros, pertencentes a quatro famílias: Bufonidae: (Rhinella pombali Baldissera-Jr, Caramaschi & Haddad, 2004); Hylidae (Scinax sp., e Bokermannohyla gr. circumdata); Cycloramphidae (Odontophrynus cultripes Reinhardt & Lütken, 1861) e Craugastoridae (Haddadus binotatus Spix, 1824).

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6 Figura 3: Área de delimitação da APE Manancial Cercadinho. Fonte: Barreto (2007). Figura 4: APE

Figura 3: Área de delimitação da APE Manancial Cercadinho. Fonte: Barreto (2007).

da APE Manancial Cercadinho. Fonte: Barreto (2007). Figura 4: APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG)

Figura 4: APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG) indicada pela seta vermelha. Fonte: Google earth, 2007.

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7 Figura 5: Pluviosidade mensal (barras) e temperatura média mensal (linha) na APE Manancial Cercadinho (Belo

Figura 5: Pluviosidade mensal (barras) e temperatura média mensal (linha) na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG), no período de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008.

MG), no período de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008. Figura 6: Trecho do riacho

Figura 6: Trecho do riacho permanente (Córrego do Cercadinho) na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG). Foto: Renata M. Pirani

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Figura 7: Porção aberta que corresponde a um trecho represado por onde é controlada a vazão de água na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG). Foto: Renata M. Pirani.

Material e Métodos

A coleta de dados na APE Manancial Cercadinho foi realizada através de visitas quinzenais no período de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008. Os trabalhos de campo eram iniciados as 19:00h e encerrados aproximadamente as 23:00h. Os dados de pluviosidade foram obtidos no 5°Distrito do Instituto de Meteorologia de Belo Horizonte. Os dados de temperatura foram obtidos no campo com auxílio de termômetro de mercúrio (precisão 0,5°C). A ocorrência de indivíduos de Scinax longilineus foi verificada através de visualização direta de adultos e/ou pela emissão de vocalização pelos machos, registrando, ainda, os microambientes, a distância em relação à água e a altura do solo em que eram encontrados. Cada indivíduo localizado e capturado era marcado utilizando a técnica de amputação de artelhos (Martof, 1953). O comprimento rostro-cloacal (CRC) dos machos e

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das fêmeas foi medido com paquímetro (precisão 0,1mm) e suas massas tomadas com dinamômetro manual Pesola (precisão 0,1g). O teste de Mann-Whitney foi utilizado para verificar a existência de diferenças do CRC e das massas corporais entre machos e fêmeas. O índice de correlação de Spearman foi utilizado para verificar se a altura do solo e a distância da áqua variaram de acordo com as temperaturas médias e pluviosidade mensal. Para avaliar a relação entre as temperaturas médias e pluviosidade mensal e o número de indivíduos registrados por mês utilizou-se a análise de regressão múltipla (Zar, 1999). Em todas as análises foram considerados significativos valores de P < 0.05. Todas as análises estatísticas foram conduzidas utilizando o software BioEstat (Bioestat, 2007). Indícios de atividade reprodutiva foram registrados através de casais em amplexo, fêmeas maduras identificadas através de visualização de ovócitos por transparência do abdômen, desovas, girinos e jovens recém-metamorfoseados.

RESULTADOS

Abundância populacional

Durante o período de estudo um total de 220 indivíduos foram marcados (175 não identificados, 31 fêmeas e 14 machos) e 35 recapturas (29 não identificados, 3 fêmeas e 3 machos), destes 17 indivíduos foram recapturados somente uma vez, dois recapturados três vezes e seis foram recapturados duas vezes. O número de indivíduos marcados pela primeira vez foi sempre maior que o de recapturados com exceção do mês de novembro onde o número de recapturas (N=3) foi maior que o de marcação (N=1).

Análise morfométrica

As fêmeas foram significativamente mais pesadas (U=3,7756, P=0,0002; fig. 8A) e maiores que os machos (U=3,1985, P=0,0014; fig. 8B) (Tabela 1).

Tabela 1. Comprimento rostro-cloacal (CRC) e massa dos machos e fêmeas capturados na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG). N= número de indivíduos; DP= desvio padrão

 

Machos

Fêmeas

 

N

Média±DP

amplitude

N

Média±DP

amplitude

CRC (mm)

14

28,64=±1,91

26-31

31

33,99±4,27

26-42

Massa (g)

14

2,02±0,60

1,4-3,5

31

3,59±1,49

1,4-7,5

10

10 (A) (B) Figura 8: Diferenças entre as massas corporais (A) e os comprimentos rostros-cloacais (CRC)

(A)

10 (A) (B) Figura 8: Diferenças entre as massas corporais (A) e os comprimentos rostros-cloacais (CRC)

(B)

Figura 8: Diferenças entre as massas corporais (A) e os comprimentos rostros-cloacais (CRC) (B) de fêmeas e machos na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG). Os boxes representam o primeiro e terceiro quartis, separados pela mediana. As linhas verticais, abaixo e acima, representam o menor e o maior escores, respectivamente.

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As fêmeas apresentaram forte correlação entre o CRC e massa (rs= 0.7476, P= 0.0001, n= 31; fig. 9A), mas os machos não apresentaram correlação significativa (r s = 0.3743, P=0.1873, n= 14; fig. 9B) provavelmente devido ao baixo número amostral.

(A) (B)
(A)
(B)

Figura 9: Relação entre o CRC e massa de fêmeas (A) e machos (B) encontrados na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG).

A freqüência de uso dos microambientes

Durante o período de estudo, na estação chuvosa (outubro a abril) os indivíduos de Scinax longilineus apresentaram maior preferência pela vegetação herbácea ou arbustiva (39,09%; n=43) seguido pelo substrato barranco (34,54%; n=38), galho seco (15,45%; n=17), água (6,36%; n=7), rochas (3,63%; n=4) e substratos antrópicos (barragem de cimento, sacos plásticos) (0,90%; n=1), nenhum indivíduo foi encontrado no folhiço (Tabela

2).

A freqüência de ocupação dos substratos por indivíduos de Scinax longilineus na estação de seca (maio a setembro) foi maior no barranco (40%; n=44) seguido pela vegetação herbácea ou arbustiva (34,54%; n=38), galho seco (13,63%; n=15), folhiço (8,18%; n=9) e rocha (3,63%; n=4), nenhum indivíduo foi encontrado na água e em substratos antrópicos (Tabela 3). Altura média em relação ao solo na estação chuvosa foi de 0,43m (DP=±0,22m, amplitude=0-0,68m, n=110) e a distância média em relação ao corpo d’água foi de 1,38m (DP=±1,17m, amplitude=0,11-3,73m, n=110). Altura média em relação ao solo na estação seca foi de 0,29m (DP=±0,08m, amplitude=0,2-0,44m, n=110) e a distância média em relação ao corpo d’água foi de 0,70m (DP=±0,38m, amplitude=0,39-1,13m, n=110).

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Não houve relação significativa entre as médias da altura do solo e a distância da água com as temperaturas médias mensais (r s = 0,1576, P= 0,6247 e r s = 0,5055, P= 0,0944 respectivamente) ou com a pluviosidade mensal (r s = 0,3808, P= 0,2219; r s = -0,1993, P= 0,5345 respectivamente), mas foi possível observar que durante a estação seca houve preferência por menores alturas em relação ao solo e distância do corpo d’água do que na estação chuvosa.

Tabela 2: Freqüência de ocupação do substrato (%) por indivíduos de Scinax longilineus (n=110), no período chuvoso (fevereiro a abril de 2007 e de outubro de 2007 a janeiro de 2008), na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG).

Substratos

Freqüência de ocupação do substrato (%)

Vegetação herbácea

39,09

ou arbustiva Barranco

34,54

Galho seco

15,45

Água

6,36

Rocha

3,63

Substratos antrópicos

0,90

Folhiço

0

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Tabela 3: Freqüência de ocupação do substrato (%) por indivíduos de Scinax longilineus (n=110), no período seco (maio a setembro de 2007), na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG).

Substratos

Freqüência de ocupação do substrato (%)

Vegetação herbácea

34,54

ou arbustiva Barranco

40

Galho seco

13,63

Água

0

Rocha

3,63

Substratos antrópicos

0

Folhiço

8,18

Variação sazonal

Não houve relação significativa entre o número de indivíduos registrados por mês com a temperatura média mensal ou pluviosidade mensal (r²=0,4371, F 2,9 =3,4940,

P=0,0746).

Indícios de atividade reprodutiva

Scinax longilineus apresentou período reprodutivo prolongado com indícios de atividade reprodutiva em praticamente todos os meses de amostragens. Machos vocalizando foram registrados de março a setembro de 2007. Fêmeas com ovócitos maduros só não foram observadas nos meses de setembro e novembro. No mês de junho de 2007 foram observados um casal em amplexo (Fig. 10) e uma desova (Fig. 11) que se localizava dentro da água entre as gramíneas. Girinos foram registrados em março, entre maio e agosto e em outubro de 2007. Imagos foram observados em abril, junho e entre setembro e dezembro de 2007 (Tabela 4).

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14 Figura 10: Casal de Scinax longilineus em amplexo na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG).

Figura 10: Casal de Scinax longilineus em amplexo na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG). Foto: Eduardo Nogueira Santos.

(Belo Horizonte, MG). Foto: Eduardo Nogueira Santos. Figura 11: Desova de Scinax longilineus na APE Manancial

Figura 11: Desova de Scinax longilineus na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG). Foto: Renata M. Pirani.

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Tabela: Registro de ocorrência de machos em atividade de vocalização, fêmeas ovadas, casais em amplexo, desovas, girinos e imagos de Scinax longilineus, no período de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008, na APE Manancial Cercadinho (Belo Horizonte, MG).

Meses

Machos

Fêmeas com

Casais em

Desovas

Girinos

Imagos

vocalizando

ovócitos

amplexo

Fevereiro/07

 

X

       

Março/07

X

X

   

X

 

Abril/07

X

X

     

X

Maio/07

X

X

   

X

 

Junho/07

X

X

X

X

X

X

Julho/07

X

X

   

X

 

Agosto/07

X

X

   

X

 

Setembro/07

X

       

X

Outubro/07

 

X

   

X

X

Novembro/07

         

X

Dezembro/07

 

X

     

X

Janeiro/08

 

X

       

DISCUSSÃO

O número de fêmeas marcadas foi maior que o de machos o que difere do padrão encontrado por Andrade & Cardoso (1991) para esta mesma espécie em Poços de Caldas (MG) que registraram 13 machos em um total de 15 indivíduos coletados. No presente estudo, o baixo número de machos registrados em relação ao número de fêmeas pode ter sido conseqüência do método de amostragem onde os ovócitos das fêmeas eram visualizados por transparência do abdômen e só foram considerados machos os indivíduos que estavam vocalizando ou com o saco vocal inflado. Em estudo realizado por Carvalho (2001) sobre a biologia reprodutiva de Scinax longilineus no Parque das Mangabeiras (Belo Horizonte, MG), também foi registrado o mesmo padrão: entre os 322 indivíduos marcados 96 eram fêmeas e somente 67 eram machos. Entretanto, o baixo número de machos parece não ser um fator que interfira no sucesso reprodutivo da espécie (Carvalho, 2001). Em praticamente todas as coletas o número de indivíduos marcados foi superior ao número de recapturas, o que demonstra que novos indivíduos estavam chegando ao local de coleta contribuindo para que a população esteja sempre sendo renovada. Dois prováveis fatores podem ter contribuído para o baixo número de recapturas. A APE Manancial

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Cercadinho apresenta uma barragem por onde é controlada a vazão de água, principalmente na época de chuva por onde os indivíduos de S. longilineus poderiam ter sido levados juntamente com a água com a abertura das comportas. Outro fator poderia ser a técnica utilizada na marcação dos indivíduos, pois segundo Liner & Smith (2007), a amputação de artelhos pode prejudicar a sobrevivência dos indivíduos, causando inflamação e podendo levar o indivíduo a morte. Na maior parte das espécies de anuros, as fêmeas são significativamente maiores e mais pesadas que os machos (Duellman & Trueb, 1986). Neste trabalho o mesmo padrão foi observado o que está de acordo também com as observações de Andrade & Cardoso (1991) e Carvalho (2001) sobre a espécie estudada, demonstrando as fêmeas possuem mais energia e gordura para poder carregar os ovos. A heterogeneidade espacial é importante na determinação do número de espécies que podem explorar um determinado ambiente (Cardoso et al., 1989). A distribuição espacial está relacionada, dentre outros fatores, com a variação morfológica das espécies. A presença de discos adesivos nas pontas dos dedos das espécies de hilídeos os tornam adaptados a exploração do ambiente arborícola o que aumenta o número deste grupo em áreas de mata (Cardoso et al., 1989; Pombal, 1997). Scinax longilineus apresentou grande plasticidade em relação a distribuição espacial ocupando sete tipos de substrato. Esta amplitude também foi observada por Carvalho, (2001) que registrou oito diferentes tipos (vegetação herbácea, rocha, barranco(chão), folha vegetação arbustiva, tronco vegetação arbustiva, ramo de pteridófita, raiz e outros). Na época de chuva o substrato mais utilizado foi a vegetação herbácea. De acordo com Carvalho (2001) os indivíduos de S. longilineus utilizam substratos mais protegidos durante as chuvas, pois está atrapalha sensivelmente a atividade acústica dos machos que teriam um esforço maior não recompensado. Já no período mais seco o barranco foi o mais utilizado, apontando que os indivíduos ficaram mais expostos para a reprodução. Mesmo não havendo uma relação significativa entre a altura do solo e a distância da água durante a estação seca e chuvosa, uma maior preferência dos indivíduos pelas menores alturas e distância pode ser observada na estação seca, concordando com os dados de Carvalho (2001). Não houve relação significativa entre o número de indivíduos por mês com os fatores climáticos temperatura e pluviosidade. De acordo com Rossa-Feres & Jim (1994), espécies que ocorrem em corpos de água permanentes não sofrem muita variação quantitativa, com isso a pluviosidade e precipitação não influenciam na abundância destes indivíduos. Apesar da falta de relação foi possível observar a diminuição da atividade de vocalização na época de chuva e um maior número de indivíduos encontrado no período mais seco. Algumas

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espécies limitam sua estação reprodutiva à época seca, pois evitam que chuvas fortes e o aumento da velocidade da água impeçam sua reprodução (Rossa-Feres & Jim,1994).

Analisando todos os indícios reprodutivos encontrados na APE Manancial Cercadinho a espécie S. longilineus apresentou padrão reprodutivo prolongado com um pico na estação seca. No trabalho realizado na região de Botucatu (SP) por Rossa-Feres & Jim (1994), foi verificado que espécies que ocorrem em corpos d`água permanentes e sombreados, com elevado teor de umidade durante a maior parte do ano, possuem reprodução prolongada. Não foi considerado somente machos vocalizando como indício de atividade reprodutiva, uma vez que a vocalização não significa necessariamente que a espécie esteja reproduzindo (Cardoso & Haddad, 1992). Grandinetti & Jacobi (2005) encontraram indícios reprodutivos desta espécie em Rio Acima (MG) entre os meses de junho a setembro, o que poderia ser interpretado como uma estratégia reprodutiva para coincidir o amadurecimento da prole com a época de maior disponibilidade de alimentos, a estação chuvosa, o que confere em parte com os nossos resultados. Já Andrade & Cardoso (1991) verificaram que o desenvolvimento da atividade reprodutiva esteve restrita aos meses de chuva, o que não confere com o padrão encontrado no presente estudo. Com o crescimento da região sul de Belo Horizonte, a APE Manancial Cercadinho é uma das poucas áreas verdes presentes no local, se tornando uma área ilhada. Com o passar do tempo, a população de anuros local pode vir a sofrer as conseqüências deste isolamento, ocasionando uma perda de diversidade. É de grande importância o conhecimento da ecologia e biologia de uma determinada espécie para que medidas de conservação mais eficientes possam ser elaboradas.

AGRADECIMENTOS

Ao Centro Universitário UNA pela oportunidade do Projeto de Iniciação Científica e pelo auxílio financeiro. Ao IBAMA pela licença n°282/06- NUFAS-MG; à COPASA e a Maria Aparecida, bióloga responsável pela APE Manancial Cercadinho pelo apoio a pesquisa. À Paula P. de França pela ajuda nas coletas de campo e a Elaine Linhares pela revisão do trabalho.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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