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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

PROF. FLÁVIO ASSIS

Caros amigos concurseiros!!!!

É um enorme prazer poder compartilhar com vocês um pouco dos conhecimentos desta vasta área dos nossos concursos que é a Administração Financeira Empresarial. Matéria assustadora para muitos já que envolve uma complexa gama de conhecimentos. Embora pareça impossível de se aprender eu digo que trata-se de algo sem mistérios. Uma estratégia ideal é você imaginar a tua vida diária. Como você administra suas finanças? Você pensa em maximizar sua riqueza? Você prefere pagar juros pelo cheque especial ou retirar os recursos que estão aplicados na poupança? Se seguir regras da tua vida diária, você entenderá que não é nenhum mistério o que será abordado neste material. Boa sorte a todos! Sucesso.

NOCÕES DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA - PROF FLÁVIO ASSIS

1. BREVE RESUMO DOS CONCEITOS DE CONTABILIDADE A SEREM UTILIZADOS

Conceito de contabilidade: é a ciência que tem por objeto o patrimônio das entidades e por objetivo o controle desse patrimônio. Possui duas funções: uma administrativa, que controla o patrimônio das entidades e uma econômica, que apura o resultado (lucro ou prejuízo) da entidade. Patrimônio: é o conjunto dos bens, direitos e obrigações. Os bens e direitos constituem a parte positiva do patrimônio (ativo), e as obrigações a parte negativa (passivo). Os bens e direitos são também chamados de PATRIMÔNIO BRUTO ou CAPITAL APLICADO ou RECURSOS APLICADOS ou, ainda, APLICAÇÃO DE RECURSOS. Já o conjunto das obrigações pode ser chamado de PASSIVO ou CAPITAL ALHEIO ou PASSIVO EXIGÍVEL ou CAPITAL DE TERCEIROS ou RECURSOS DE TERCEIROS.Os bens podem ser classificados em: bens numerários ou disponível (caixa, bancos conta movimento, aplicações financeiras de liquidez imediata e numerário em trânsito); bens de venda (estoques); e bens de uso (imobilizado), que estão divididos em tangíveis (bens materiais) e intangíveis (bens imateriais). Os bens tangíveis são aqueles que possuem existência concreta, ou seja, imóveis, terrenos, móveis e utensílios, máquinas e equipamentos, computadores, etc. Os bens intangíveis possuem existência abstrata. São considerados imateriais, como as marcas e patentes, as concessões obtidas, os fundos de comércio, etc.

Os direitos são os créditos de uma empresa contra terceiros. São caracterizados por valores a

receber. Nesse caso, é bom tomar cuidado com a terminologia utilizada. Eis alguns termos muito utilizados nesse contexto, bem como alguns esclarecimentos:

  • a) duplicata: título de crédito comercial, usado em vendas a prazo. Quem emite é o credor;

  • b) fatura: é um documento comercial que comprova a venda a prazo ao mesmo cliente, podendo

englobar mais de uma nota fiscal. Sua principal finalidade é informar ao cliente a relação das notas

fiscais;c) triplicata: é permitida sua emissão, caracterizando-se como uma segunda via da duplicata.

  • d) nota promissória: é um título de crédito representativo de uma promessa de pagamento. É

um título financeiro, e quem emite é o devedor.

  • e) empresas coligadas: são aquelas em que uma empresa participa em 10% ou mais do capital

da outra, sem controlá-la.

  • f) empresas controladas: são aquelas em que a investidora, direta ou indiretamente, possui

mais de 50% das ações com direito de voto. Nesse caso, a investidora é a controladora e a investida

é a controlada;

  • g) dividendos a receber: são direitos que uma empresa adquire relativos à participação nos

lucros das coligadas e controladas.

  • h) conta: é o nome representativo de um elemento patrimonial (bem, direito, obrigação ou PL) ou

de resultado (receitas e despesas);

  • i) Regime de Caixa X Regime de Competência: são dois critérios utilizados para

determinarmos a ocorrência ou não de despesas e receitas. No regime de caixa, as despesas e as

receitas são, respectivamente, caracterizadas pelas saídas e entradas de dinheiro. No regime de competência, as despesas e receitas são caracterizadas pelas ocorrências dos fatos geradores, independentemente da saída ou entrada do dinheiro. No Brasil, todas as Sociedades Anônimas e as Sociedades Limitadas de grande porte são obrigadas a adotar o regime de competência. Já micro e pequenas empresas e sociedades sem fins lucrativos podem utilizar o regime de caixa.

  • j) depreciação: é uma despesa que se caracteriza pela perda de valor dos bens tangíveis do

ativo permanente, decorrente do uso, tempo ou obsolescência. As taxas de depreciação são fixas no caso do método linear ou linha reta e a vida útil do bem é quem define o percentual anual de depreciação. Veículos por exemplo depreciam em 5 anos (20% a.a), imóveis em 25 anos (4% a.a), etc. Decorrente da depreciação, surge o conceito de Valor Contábil que pode ser entendido como sendo a diferença entre o custo de aquisição e a depreciação acumulada ao longo da vida útil.

  • l) as contas podem ser classificadas em patrimoniais (Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido) e contas de resultado (receitas e despesas).

    • m) ao se analisar uma conta, deve-se tomar cuidado com a terminologia: não confundir

DÉBITOS E CRÉDITOS com saldos devedores e credores. Os débitos representam as obrigações da empresa e os créditos representam os direitos. Os saldos devedores estão relacionados com as contas do ativo e os saldos credores com as contas do passivo e patrimônio líquido. Lembrar que no

ativo estão as aplicações, e no passivo e patrimônio líquido estão as origens de recursos. O ativo é o financiado, e o passivo e patrimônio líquido são os financiadores. Neles estão os credores da empresa;

  • n) os débitos aumentam o ativo e os créditos o diminuem. Contrariamente, os créditos aumentam

o passivo e o patrimônio líquido, enquanto os débitos os diminuem.

  • o) as contas retificadoras ou redutoras diminuem os saldos daquelas contas que lhes dão origem.

Dentre as principais contas redutoras do ativo, estão: duplicatas descontadas, provisão para

devedores duvidosos, provisão para ajuste ao valor de mercado, depreciação, amortização e exaustão acumuladas.

  • p) o PL também tem suas contas redutoras: capital a realizar, prejuízos acumulados, ações em

tesouraria e dividendos antecipados.

1.1 COMPOSICÇÃO DOS ATIVOS E PASSIVOS

Ativo circulante é formado por: disponível, créditos, estoques e despesas antecipadas. Realizável a Longo Prazo é formado basicamente por: adiantamentos a diretores e empréstimos a coligadas e controladas. O Ativo Permanente está dividido em três subgrupos: imobilizado, investimentos e diferido.

O PC e o ELP formam o exigível da empresa, representado por obrigações para com terceiros. Envolvem valores de curto e longo prazo. O PL é formado basicamente pelo Capital Social, Reservas e Lucros ou Prejuízos Acumulados.

  • q) não confundir VALOR CONTÁBIL com Valor Residual. O valor residual está associado ao

provável valor de venda (alienação) do ativo após totalmente depreciado;

  • r) o conceito de amortização está associado com a perda de valor de bens intangíveis do ativo

permanente, cujos prazos de utilização ou existência são limitados por determinação contratual ou legal;

  • s) no Ativo Diferido, registram-se as despesas que contribuirão para a formação do resultado de

mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período

que anteceder o início das operações sociais. Devem ser amortizadas em no mínimo 5 anos e no máximo 10 anos e devem ser tratadas no caso da amortização, como despesa de amortização.

  • t) A principal diferença entre AS DESPESAS ANTECIPADAS e as despesas diferidas está no

fato gerador. Enquanto nas despesas antecipadas o fato gerador ainda não aconteceu, nas despesas diferidas o fato gerador já ocorreu e são tratadas como bens intangíveis do ativo, devendo, por isso, ser amortizadas.

2. A ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

O que é Administração Financeira? A Administração Financeira diz respeito às responsabilidades do administrador financeiro numa empresa. Os administradores financeiros gerenciam ativamente as finanças de todos os tipos de empresas, financeiras ou não-financeiras, privadas ou públicas, grandes ou pequenas, com ou sem fins lucrativos. Eles desempenham uma variedade de tarefas, tais como orçamentos, previsões financeiras, administração do caixa, administração do crédito, análise de investimento e captação de recursos (Gitman, 1997, p. 4). Qual o principal objetivo da Administração Financeira? O principal objetivo da Administração Financeira é o de maximizar a riqueza dos sócios/acionistas. Para tanto, as atribuições do Administrador Financeiro podem ser sintetizadas em três atividades básicas:

  • a) realização de análise e planejamento financeiro;

  • b) tomada de decisões de investimentos; e

  • c) tomada de decisões de financiamento.

As atividades empresariais envolvem recursos financeiros e orientam-se para a obtenção de lucros. Os recursos investidos na empresa pelos proprietários (capital próprio – Patrimônio Líquido) e por terceiros (capital de terceiros – Passivo Exigível) encontram-se aplicados em ativos empregados na produção e/ou comercialização de bens ou na prestação de serviços.

As receitas obtidas com as operações devem ser suficientes para cobrir todos os custos e despesas incorridos e ainda gerar lucros. Paralelamente a esse fluxo econômico de resultados, ocorre uma movimentação de numerário que deve permitir a liquidação dos compromissos assumidos, o pagamento de dividendos e a reinversão da parcela remanescente dos lucros.

Nesse contexto, a função financeira compreende um conjunto de atividades relacionadas com a gestão dos recursos (tanto o numerário movimentado pelas empresas, quanto os direitos e obrigações decorrentes das transações realizadas a crédito) movimentados por todas as áreas da empresa. Tal função, que possui um papel muito importante no desenvolvimento de todas as atividades operacionais, é responsável pela obtenção dos recursos necessários e pela formulação de uma estratégia voltada para a otimização da aplicação desses recursos, contribuindo significativamente para o sucesso do empreendimento.

3. Principais Atribuições do Administrador Financeiro

As funções do administrador financeiro na empresa podem ser avaliadas em relação às demonstrações contábeis básicas da empresa. Suas três atribuições primordiais são:

  • a) análise e planejamento financeiro: esta função envolve: 1) transformação dos dados financeiros

em uma forma que possa ser utilizada para orientar a posição financeira da empresa e promover a

sua continuidade; 2) avaliação da necessidade de aumento ou redução da capacidade produtiva; e 3) determinação de que tipo de financiamento adicional deve ser realizado.

Essas três atividades são sustentadas pelas decisões de natureza estratégica, tática e operacional. Os demonstrativos contábeis, principalmente o Balanço Patrimonial e a Demonstração do resultado do Exercício, são importantes fontes de informações para elaboração de análise e planejamento financeiro. Cabe ressaltar que o enfoque do caixa é essencial para o gestor financeiro. Assim, a utilização dos Fluxos de Caixa também são imprescindíveis, destacando a principal diferença entre a ótica do contador e a do administrador. Enquanto o primeiro gera informações com base no regime de competência, o segundo precisa aplicá-las com base no regime de caixa, denotando a importância dos Fluxos de Caixa nesta atividade;

  • b) Administração da estrutura de ativo da empresa (Decisão de Investimento): o administrador

financeiro determina a combinação e os tipos de ativos que fazem parte do Balanço Patrimonial da empresa. Essa atividade está relacionada ao lado esquerdo do Balanço. A composição refere-se ao montante de recursos aplicados em Ativos Circulantes e em Ativos Permanentes (fixos). Depois que a composição estiver definida, o administrador financeiro deve fixar e tentar manter níveis ótimos para cada tipo de Ativo Circulante. Deve também decidir quais são os melhores Ativos Permanentes a adquirir e saber quando os ativos existentes se tornarão obsoletos e precisarão ser modificados, substituídos ou liquidados. A determinação da melhor estrutura de ativo para a empresa não é uma tarefa simples; requer o conhecimento das operações passadas e futuras das empresas e a compreensão dos objetivos que deverão ser alcançados a longo prazo. Existem várias técnicas para avaliação dessas decisões, como a Taxa Média de Retorno, Payback (Prazo de Retorno), VPL (Valor Presente Líquido) e TIR (Taxa Interna de Retorno).

  • c) Administração da estrutura financeira da empresa (Decisão de Financiamento): relaciona-se

com o lado direito do Balanço Patrimonial da empresa e envolve as fontes de recursos. Dois

enfoques sustentam esta atividade do administrador financeiro: 1) a decisão de qual a composição

mais apropriada entre financiamento a curto e a longo prazo a ser estabelecida, o que é bastante importante, pois afeta tanto a lucratividade da empresa como sua liquidez global; e 2) o juízo de quais as fontes individuais de financiamento, a curto ou a longo prazos, são as melhores, em dado momento. Algumas decisões dessa natureza exigem uma análise profunda das alternativas disponíveis, de seus custos e de suas implicações a longo prazo. O Custo Médio Ponderado de Capital é uma medida eficaz para este tipo de decisão.

4. As atividades Financeiras podem ser assim sintetizadas:

Levantamento e Alocação de Recursos

  • a) Levantamento de recursos: relacionado à terceira função descrita acima, envolve o suprimento

dos recursos necessários às operações normais da empresa e captação de vultosos valores para investimentos em projetos com longos períodos de maturação. As fontes de recursos à disposição de uma empresa podem ser classificadas de várias formas:

• recursos próprios (capital integralizado, reservas e lucros retidos) e recursos de terceiros (compromissos assumidos e dívidas contraídas); • recursos permanentes (recursos próprios e dívidas a longo prazo) e recursos temporários (compromissos e dívidas a curto prazo); e • recursos onerosos (provocam despesas financeiras) e recursos não onerosos.

É importante a adequação entre as fontes e as aplicações de recursos em termos de prazos e custos. A compra de um equipamento, cujo valor investido somente será recuperado em alguns anos por meio das receitas de vendas, deverá ser financiada com recursos permanentes. Se forem utilizados recursos provenientes de um empréstimo com prazo inferior ao da maturação financeira desse investimento, a empresa poderá enfrentar dificuldades para liquidar a dívida no vencimento do contrato. Os juros e demais encargos incidentes sobre os empréstimos e financiamentos oneram o resultado econômico, reduzindo a parcela de lucro que restará aos acionistas. Além disso, os emprestadores de recursos podem exigir garantias reais e impor condições contratuais que reduzam a flexibilidade de gestão da empresa. Mesmo os créditos obtidos junto aos fornecedores envolvem custo financeiro, representado pelo desconto para pagamento a vista que deixou de ser desfrutado. Observa-se a existência de custos explícitos, perfeitamente mensuráveis em termos de valor e taxa. Somente umas poucas fontes de recursos de curto prazo não provocam custos financeiros, como salários, impostos a pagar, contribuições a recolher, etc. Os recursos próprios envolvem um custo implícito que corresponde à expectativa de lucros dos acionistas que não deve ser frustrada, sob pena de haver desinteresse em se continuar participando do negócio. Assim, os recursos adicionais a serem fornecidos pelos acionistas por meio de novas integralizações de capital e os lucros reinvestidos envolvem um custo de oportunidade. Esse custo corresponde ao retorno que os acionistas obteriam com tais recursos em outras aplicações com o mesmo grau de risco suportado por seus investimentos na empresa.

  • b) Alocação de recursos: relacionada à segunda função descrita acima, envolve a constante busca

da otimização na aplicação dos recursos para que seja alcançada a rentabilidade desejada e preservada a capacidade da empresa de pagar seus compromissos nos vencimentos. Essa responsabilidade amplia bastante os limites da gestão financeira, obrigando os executivos da área a conhecer todas as fases de funcionamento da empresa e a analisar profundamente os novos projetos de investimento. Alguns ativos são essenciais para o desenvolvimento das operações, denominados ativos operacionais, constituídos por Ativos Fixos e Ativos Circulantes (estoques, duplicatas a receber e disponibilidades), enquanto outros poderão estar ou não relacionados com as atividades básicas do empreendimento, formados por ativos de natureza operacional ou não (créditos diversos a curto e longo prazos, participações societárias em outras empresas, imóveis alugados a terceiros, determinadas aplicações financeiras, etc.).

Os recursos aplicados nos ativos não são encontrados em abundância e envolvem custos financeiros e custos de oportunidade. Assim, é de se esperar que cada ativo contribua direta ou indiretamente para a geração de receitas e, conseqüentemente, de lucros.

5. Meta da Administração Financeira

Quando alguém se dispõe a investir sua poupança em uma empresa, em vez de aplicá-la em

alternativas mais seguras, está disposto a assumir certo risco em troca de um aumento no seu patrimônio ou riqueza pessoal. Assim, pode-se admitir que o objetivo principal da empresa, e, por conseguinte, de todos os administradores e empregados, é o de maximizar a riqueza de seus proprietários. A riqueza dos proprietários de uma sociedade anônima é medida pelo preço da ação, representado pelo valor de mercado da empresa, ou seja, pelo valor que seria alcançado na venda dos direitos de participação no seu capital.

Cada decisão financeira deve ter como meta o aumento do valor da ação. Nessa busca, duas variáveis conduzem as decisões: o retorno e o risco. São dois elementos diretamente proporcionais: quanto maior o RISCO maior o retorno esperado. Como exemplo, podemos citar os investimentos em Caderneta de Poupança e em Ações. Enquanto o primeiro tem menor retorno e menor risco, o segundo deve apresentar maior retorno em função do risco maior.

ATENÇÃO

a maximização da riqueza envolve riscos e análise dos fluxos

.... de caixa e maximização do lucro não considera riscos e nem os fluxos de caixa

OBSERVAR .. Receita de vendas (-)Custos = lucro bruto (-)despesas = lucro operacional LUCRO OPERACIONAL (-) impostos = Lucro Líquido

6. Administração Financeira e Contabilidade

Muitos consideram a função financeira e a contábil dentro de uma empresa como sendo virtualmente a mesma. Embora haja uma relação íntima entre essas funções, exatamente como há um vínculo estreito entre a Administração Financeira e Economia, a função contábil é melhor visualizada como um insumo necessário à função financeira – isto é, como uma subfunção da Administração Financeira. Esta visão está de acordo com a organização tradicional das atividades de uma empresa em três áreas básicas – produção, finanças e mercadologia. Em geral considera-se que a função contábil deve ser controlada pelo vice-presidente financeiro. Contudo, há duas diferenças básicas de perspectiva entre a Administração Financeira e a Contabilidade – uma se refere ao tratamento de fundos e a outra à tomada de decisão.

6.1 Tratamento de Fundos

O Contador, cuja função básica é desenvolver e fornecer dados para avaliar o desempenho da empresa, apurar sua situação financeira e pagar impostos, difere do Administrador Financeiro da maneira como vê os fundos da empresa. O Contador usando certos princípio padronizados e geralmente aceitos, prepara as demonstrações financeiras com base na premissa de que as receitas devem ser reconhecidas por ocasião das vendas e as despesas quando incorridas. Este método contábil é geralmente chamado de Regime de Competência dos exercícios contábeis. As receitas oriundas da venda de mercadorias a crédito, pela qual não se tem recebido ainda o pagamento efetivo de caixa, aparecem nas demonstrações financeiras da empresa como contas a receber, um ativo temporário. As despesas são tratadas de modo semelhante – isto é, certos passivos são criados para representar bens ou serviços que foram recebidos, mas ainda devem ser pagos. Esses ítens são normalmente listados no Balanço como contas a pagar.

O Administrador financeiro está mais preocupado em manter a solvência da empresa, proporcionando os fluxos de caixa necessários para honrar as suas obrigações e adquirir e financiar os ativos circulantes e fixos, necessários para atingir as metas da empresa. Ao invés de reconhecer receitas no ponto de vendas e despesas quando incorridas, reconhece receitas e despesas somente com respeito às entradas e saídas de caixa.

Uma analogia simples ajudará a esclarecer as diferenças básicas de perspectiva entre o Contador e o Administrador Financeiro. Se considerássemos o corpo humano como uma empresa cada pulsação do coração representasse uma nova venda, o Contador iria ocupar-se de cada uma dessas pulsações e daria entrada nestas vendas como receitas. O Administrador Financeiro iria verificar se o fluxo resultante de sangue através das artérias teria atingido as células certas, conservando os vários órgãos da corpo em funcionamento. É possível que o coração seja forte e, no entanto, pare de funcionar, devido ao desenvolvimento de obstruções e coágulos no sistema circulatório. Da mesma forma, uma empresa pode conservar os níveis de vendas crescentes, mas falir por causa de entradas insuficientes de caixa para saldar suas obrigações no vencimento.

Exemplo A Companhia Thomas, no ano em que findou, realizou uma venda no montante de $100.000 de mercadorias adquiridas durante o ano por $80.000. Embora a companhia tenha pago integralmente pelas mercadorias durante o ano, ainda tem a receber do cliente ao qual a venda foi feita, no fim do ano. A perspectiva contábil baseada na competência dos exercícios e a perspectiva financeira baseada no fluxo de caixa para o desempenho da empresa durante o ano são representadas pelas Demonstrações do Resultado e do Fluxo de Caixa, respectivamente.

Perspectiva Contábil

Perspectiva Financeira

   

Companhia Thomas Demonstração do Resultado para o ano findo em 31/12

Companhia Thomas Demonstração do Fluxo de Caixa para o ano findo em 31/12

(+) Receitas de Vendas

$100.000

(+) Entrada de caixa

$0.000

 

$ 80.000

 

$ 80.000

(-) Despesas (=) Lucro Líquido

$ 20.000

(-) Saída de caixa (=) Fluxo Líquido de caixa

$(80.000)

Comparando as duas demonstrações financeiras, pode-se perceber que, enquanto sob o ponto de vista contábil a empresa é bastante lucrativa, de acordo com a ótica financeira é um fracasso. Sem entradas adequadas de caixa para saldar suas obrigações, a empresa sobreviverá a dispeita do seu nível de lucros.

A lição do exemplo acima é que os dados contábeis não descrevem inteiramente as circunstâncias financeiras de uma empresa. O Administrador Financeiro precisa olhar além das demonstrações financeiras da sua companhia para perceber problemas que estão surgindo ou existem. A falta de fluxo de caixa para a Companhia Thomas originou-se da conta a receber não cobrada. O Administrador Financeiro, centrando a atenção no fluxo de caixa, deveria ser capaz de evitar a insolvência e alcançar os objetivos financeiros da empresa.

6.2 Tomada de decisão

Os deveres do executivo financeiro diferem dos do Contador, pois este dedica-se basicamente, a coleta e apresentação de dados financeiros. O executivo financeiro avalia as demonstrações do Contador, desenvolve dados adicionais e toma decisões com base em análises subsequentes. O papel do Contador é prover dados que sejam desenvolvidos e interpretados com facilidade, sobre operações passadas, presentes e futuras da empresa. O Administrador Financeiro usa estes dados, seja em sua forma bruta, seja depois de fazer certos ajustes e análises, como um importante insumo ao processo de tomada de decisão financeira. Obviamente, isto não quer dizer

que os Contadores jamais tomem decisões e que os Administradores Financeiros jamais coletem dados; a ênfase básica da Contabilidade e Administração Financeira é sobre as funções que indicamos.

7. SÍNTESE DA FUNÇÃO FINANCEIRA

Já que a maioria das decisões tomadas dentro da empresa é medida em termos financeiros, não surpreende que o administrador financeiro desempenhe um papel-chave na operação da empresa. É importante que os executivos responsáveis por decisões em todas as áreas – contabilidade, produção, mercadologia, pessoal, pesquisa, etc. – tenham uma compreensão básica da função financeira. Durante os últimos dez anos, registrou-se a tendência de um número cada vez maior de executivos de cúpula surgirem da área financeira. Em responsta a esta tendência, a maioria das universidades tem experimentado um número crescente de matrículas no programa financeiro, tanto a nível de graduação quanto de pós-graduação.

Para obter a necessária compreensão da função financeira é preciso examinar detalhadamente o seu papel dentro da empresa, as funções chaves do administrador financeiro e do seu objetivo global.

Alguns conceitos:

Custo de Capital: é representado pelo Custo Médio Ponderado do Capital Próprio e de Terceiros. Lucro Econômico: é definido como o Lucro Operacional deduzido o Imposto de Renda , quando ultrapassar os encargos financeiros do Capital. Valor Econômico Adicionado: representa o crescimento do Lucro Econômico de um período para outro. Encargos Financeiros do Capital: representa efetivamente o valor monetário do Custo do Capital aplicado e investido no negócio.

8.Maximização do Preço da Ação.

Em um mercado de capitais plenamente desenvolvido, as cotações alcançadas pelas ações nas bolsas de valores devem refletir o valor de mercado das empresas. Nos momentos de

que os Contadores jamais tomem decisões e que os Administradores Financeiros jamais coletem dados; a ênfase

desequilíbrio, tais cotações podem apresentar-se super ou subavaliadas, porém a médio prazo os preços das ações demonstram quanto o mercado está disposto a pagar pelas frações do capital de cada empresa.

O fato de uma empresa não ter ações cotadas em bolsa não constitui impedimento na determinação de seu valor de mercado. Resumidamente, pode-se dizer que o valor de mercado de uma empresa corresponde ao valor atual de seus lucros futuros. Deste modo, o valor de mercado de uma empresa

é determinado pela sua capacidade de gerar lucros mediante o uso dos ativos, pela sua tecnologia e competência gerencial e pelo seu conceito junto aos credores e clientes.

A meta da administração financeira coincide com o objetivo básico dos proprietários ou acionistas. As decisões financeiras são orientadas para o aumento do valor de mercado da empresa. A meta da administração financeira é a maximização da riqueza dos acionistas que constitui algo mais amplo e profundo do que a maximização dos lucros. A maximização da riqueza envolve os seguintes aspectos:

1º)

Retorno do capital próprio

– os acionistas esperam ser remunerados por intermédio de dividendos

e, principalmente, pela valorização de suas ações. O proprietário de uma ação possivelmente espera receber seu retorno sob a forma de pagamentos periódicos de dividendos, ou por meio de valorizações no preço da ação, ou ambos. O preço de mercado de uma ação reflete um valor de dividendos futuros esperados bem como de dividendos correntes; a riqueza do acionista (proprietário) na empresa em qualquer instante é medida pelo preço de mercado de suas ações. Se um acionista numa empresa desejar liquidar sua participação, irá vender a ação ao preço vigente no mercado ou bem próximo a este. Uma vez que o preço de mercado da ação, e não os lucros, é que reflete a riqueza do proprietário numa empresa, num dado momento, a meta do administrador financeiro deve ser maximizar essa riqueza.

EXEMPLO: Quatro anos atrás, o Sr. JK comprou uma ação da Cia Alfa e uma ação da Cia Beta, cada uma ao preço de $100. Ambas as Cias operam no mesmo ramo de negócio. Durante o período de quatro anos, cada uma das empresas pagou um dividendo anual de $1 por ação. A Alfa obteve um lucro anual de $2 por ação, ao passo que o lucro anual da Beta foi $3 por ação. Atribui-se a diferença nos lucros ao fato de que a Alfa despendeu uma grande importância para desenvolver um produto inovador, portanto baixando seus lucros. A ação da Alfa está atualmente sendo vendida por $130 enquanto a da Beta está sendo negociada por $110. Esta situação não é incomum. Reflete o fato de que, apesar dos maiores lucros da Beta, a ação da Alfa tem preço maior, que pode ser atribuído à expectativa de que a venda bem sucedida do novo produto gerará maiores lucros futuros, o que mais do que compensará os baixos lucros experimentados durante o período de desenvolvimento. A riqueza do Sr. JK na Cia Alfa é maior do que sua riqueza na Beta, apesar dos lucros da Beta serem maiores.

2º)

Perspectiva de longo prazo

– a empresa deve ser perpetuada e, para tanto, tem de realizar

investimentos em tecnologia, novos produtos etc. que poderão sacrificar a rentabilidade atual em troca de maiores benefícios futuros. A maximização do lucro é uma abordagem de curto prazo; a maximização da riqueza considera o longo prazo. Do exemplo anterior deve-se depreender que o maior preço da ação da Cia Alfa resultou do fato de que suas decisões de curto prazo relacionadas com o desenvolvimento de novo produto, embora baixando os lucros a curto prazo, produzirão maiores retornos futuros. Uma empresa que deseja maximizar lucros poderia comprar maquinaria de baixa qualidade e usar materiais também de baixa qualidade, ao mesmo tempo em que faria um tremendo esforço de vendas dos seus produtos por um preço que rendesse um elevado lucro por unidade. Esta estratégia de curto prazo poderia resultar em lucros elevados para o corrente, porém, em anos subsequentes os lucros declinariam significativamente pois os compradores constatariam a baixa qualidade do produto e o alto custo de manutenção associado à maquinaria de baixa qualidade. O impacto das vendas decrescentes e custos crescentes tenderia a reduzir os lucros a longo prazo e, se não cuidado, poderia resultar na eventual falência da empresa. As conseqüências potenciais da maximização do lucro a curto prazo provavelmente estejam refletidas no preço corrente da ação, que talvez seja menor do que se a empresa tivesse perseguindo uma estratégia de prazo

mais longo.

 

3º)

Valor do dinheiro no tempo

– os projetos de investimento envolvem fluxos de desembolsos e de

entradas de caixa. Existem diversas técnicas para avaliar tais projetos e algumas delas transformam os fluxos futuros de caixa em valores atuais, por meio da aplicação de determinada taxa de desconto. Essa taxa de desconto deve refletir um custo de oportunidade dos recursos a serem investidos. Tal custo de oportunidade corresponde as uma taxa mínima de retorno exigida do projeto para que o valor de mercado da empresa não se altere. Considerando o valor do dinheiro no tempo, a seleção dos projetos a serem implementados visará aumentar ou, pelo menos, manter o valor de mercado da empresa.

EXEMPLO: Uma Cia está tentando escolher uma máquina. Há duas máquinas que gerarão retornos durante um período de cinco anos e deverão custar $3,00 por ação. Abaixo os lucros esperados por ação diretamente atribuíveis a cada uma dessas máquinas.

Ano

Máquina A ($)

Máquina B ($)

1

  • 0 1,75

 

2

  • 0 1,75

3

  • 0 1,75

4

  • 0 1,75

5

10,00

1,75

Total

$ 10,00

$ 8,75

Embora pareça, com base apenas o objetivo da maximização do lucro, que a máquina A seria a preferida, é bem possível que, uma vez consideradas as diferenças na época de ocorrência dos benefícios, o impacto da máquina B sobre a riqueza do proprietário seria maior do que o da máquina A. O exemplo acima ilustra a superioridade da maximização da riqueza sobre a maximização do lucro. A maximização da riqueza reconhece que os empresários, mantendo todo o resto constante, preferem receber retornos mais cedo. Esta preferência está refletida no preço da ação, e não nos lucros.

4º)

Risco
Risco

– o retorno deve ser compatível com o risco assumido. Maior risco implica a expectativa de

maior retorno. A maximização do lucro não considera o risco, porém, a maximização da riqueza

considera explicitamente diferenças no risco. Uma premissa básica na administração financeira é que existe uma relação entre risco e retorno; os acionistas esperam perceber maiores retornos de investimentos de maior risco e vice-versa. Os administradores financeiros precisam, portanto, levar em conta o risco ao avaliarem investimentos potenciais.

EXEMPLO: Uma Cia está estudando a expansão de sua linha de produção em um de seus dois novos produtos, C ou D. O produto C parece ser um produto relativamente seguro para se investir, enquanto que o produto D é considerado um item de moda altamente arriscado. Após considerar todos os custos, espera-se que os dois produtos gerem os seguintes lucros por ação ao longo de suas vidas de cinco anos:

Ano

Produto C ($)

Produto D ($)

1

2,00

2,20

2

2,00

2,20

3

2,00

2,20

4

2,00

2,20

5

2,00

2,20

Total

$10,00

$11,00

Se ignorarmos quaisquer diferenças no risco e usarmos uma abordagem de maximização do lucro, parece que o produto D seria o preferido. Contudo, se considerarmos que o produto D é altamente arriscado, enquanto o produto C representa um investimento seguro, a conclusão poderá não ser tão direta. A empresa poderá apenas exigir um retorno de 10% sobre o produto C ao passo que, como compensação para o maior risco do produto D, tenha que se obter 15%. Tendo em vista que os acionistas exigem maiores retornos para maiores riscos, é importante que o administrador financeiro considere adequadamente o impacto do risco sobre os retornos deles. A abordagem da maximização da riqueza considera o risco, enquanto a maximização do lucro o ignora. A maximização da riqueza é, portanto, a abordagem preferida.

5º)

Dividendos
Dividendos

deve

ser

adotada

uma

política de distribuição regular de dividendos,

independentemente das flutuações dos lucros, minimizando os efeitos negativos que possam afetar as cotações das ações. A empresa não deve desapontar aqueles acionistas que apreciam receber dividendos periódicos. Os administradores financeiros devem reconhecer que a política de dividendos da empresa afeta a atratividade de sua ação para tipos particulares de investidores. Acredita-se que se o retorno que os acionistas esperam receber for assegurado, tal fato terá um efeito positivo sobre o preço das ações, garantindo o sucesso de futuros lançamentos de novas ações no mercado.

9.Áreas de Decisões Financeiras

De

uma

maneira

bastante

abrangente, podemos identificar

três áreas de decisões

financeiras:

decisões de investimento

– referem-se tanto à administração da estrutura do ativo quanto à

implementação de novos projetos. A grande concorrência existente nas modernas economias de mercado obriga as empresas a se manterem tecnologicamente atualizadas. Nenhuma empresa pode sentir-se segura em boa posição conquistada, pois a qualquer momento algum concorrente poderá surgir com um produto melhor e mais barato. Assim, as empresas são obrigadas a desenvolverem continuamente novos projetos e a tomarem decisões sobre a sua implantação. Normalmente isto significa a necessidade de vultosas somas adicionais de recursos e uma elevação no risco do empreendimento, uma vez que investimentos em novos tipos de ativos fixos têm efeitos prolongados sobre a vida da empresa e uma decisão inadequada poderá comprometer irremediavelmente o seu futuro.

decisões de financiamento

– enquanto as decisões de investimento envolvem importantes aspectos

de natureza não financeira, as decisões de financiamento constituem responsabilidade exclusiva do administrador financeiro. As decisões de financiamento visam montar a estrutura financeira adequada às operações normais e aos novos projetos a serem implantados na empresa. As questões envolvidas nas decisões de financiamento referem-se à composição das fontes de recursos, que exigem análises profundas das alternativas existentes e de suas implicações futuras. São questões do tipo:

Qual deveria ser a proporção entre recursos permanentes e temporários? Quanto de recursos próprios e quanto de financiamentos a longo prazo? O reinvestimento de lucros seria suficiente para atender às necessidades de recursos próprios? O mercado reagiria bem ao lançamento de novas ações? Qual seria o impacto dos custos financeiros provocados pelos financiamentos a longo prazo e pelos empréstimos a curto prazo? Em vez de comprar ativos fixos, não deveríamos arrendá-los?

decisões relativas à destinação do lucro

– o lucro obtido em cada exercício social representa a

remuneração do investimento dos proprietários da empresa. Quanto desse lucro deveria ser distribuído aos acionistas e quanto seria retido para financiar a expansão dos negócios? Tal indagação revela que a política de distribuição de dividendos está diretamente relacionada com as decisões de financiamento. Distribuindo somente uma pequena parcela dos lucros, a empresa ficará menos dependente das fontes onerosas de recursos e ampliará a participação do capital próprio na estrutura financeira.

Quando a empresa pertence a reduzido número de pessoas, essas decisões são tomadas por consenso ou por imposição do sócio majoritário. A dificuldade surge quando existe grande número de acionistas e as ações são negociadas nas bolsas de valores. Neste caso, a política de dividendos estará orientada para a maximização das cotações, devendo basear-se na avaliação das expectativas do mercado acionário que são influenciadas por diversos fatores conjunturais.

Se a rentabilidade da empresa for satisfatória, pode-se supor que a maioria dos proprietários prefira abrir mão dos dividendos. Porém, não deve ser desconsiderado que sempre existirão acionistas desejosos de realizar, pelo menos, parte dos lucros. Uma empresa bem sucedida sempre terá novos planos de investimentos que implicam na necessidade de recursos adicionais. Parte dessas necessidades poderá ser atendida com a retenção de lucros e o restante terá de ser financiado por meio de outras fontes. Uma política de dividendos adequada favorece a manutenção dos preços das ações em níveis elevados, e isto poderá garantir o sucesso de futuros lançamentos de novas ações no mercado.

10. ANÁLISE DAS DEMONSRAÇÕES FINANCEIRAS

10.1

-ÍNDICES DE LIQUIDEZ (ou SOLVÊNCIA)

São utilizados para avaliar a capacidade de pagamento da empresa, ou seja, constituem uma apreciação sobre a capacidade da empresa saldar seus compromissos com terceiros (Passivo Exigível). Esses índices são avaliados pelo critério de “quanto maior, melhor”, e não medem a efetiva capacidade da empresa liquidar seus compromissos nos vencimentos, mas apenas evidenciam o grau de solvência em caso de encerramento das atividades.

Um alto índice de liquidez não representa, necessariamente, boa saúde financeira. O cumprimento das obrigações nas datas previstas depende de uma adequada administração dos prazos de recebimento e de pagamento. Uma empresa que possui altos índices de liquidez, mas mantém mercadorias estocadas por períodos elevados, recebe com atraso suas vendas a prazo ou mantém duplicatas incobráveis nas Contas a Receber poderá ter problemas de liquidez , ou seja, poderá ter dificuldades para honrar seus compromissos nos vencimentos. É importante avaliar a qualidade dos ativos.

10.1.1 Liquidez Corrente (LC)

– é o mais conhecido e utilizado dentre todos os índices financeiros.

Mostra a capacidade de pagamento (solvência) da empresa a curto prazo, por meio da seguinte fórmula:

Ativo Circulante Passivo Circulante

Casa das Novidades Ltda.

2003

2004

580.000 = 1,70 para 1,00

650.000 = 2,32 para 1,00

340.000

280.000

Em 2003, existiam para cada $1,00 de obrigações exigíveis a curto prazo (PC), $1,70 de bens e direitos realizáveis a curto prazo (AC).

Em 2004, existiam para cada $1,00 de obrigações exigíveis a curto prazo (PC), $2,32 de bens e direitos realizáveis a curto prazo (AC). Apesar do crescimento do índice de Liquidez Corrente, ressalta-se que uma queda nesse índice nem sempre significa perda da capacidade de pagamento, Tal fato pode ter sido ocasionado por uma Administração Financeira mais rigorosa diante, por exemplo, da inflação, do crescimento da empresa, etc.

Alguns aspectos relativos à LC devem ser considerados:

índice de LC não revela a qualidade dos itens no AC (os estoques estão superavaliados, são

obsoletos, os títulos a receber são realmente recebíveis?) índice de LC não revela a sincronização entre recebimentos e pagamentos, ou seja, por

meio dele não identificamos se os recebimentos ocorrerão em tempo para pagar as dívidas vincendas. índice de LC pode evidenciar uma situação pessimista uma vez que o Estoque está avaliado a custos históricos, sendo o seu valor de mercado acima do evidenciado no AC, e o Estoque será realizado a valores de mercado e não de custo.

  • 10.2 Capital Circulante Líquido

A análise do Capital Circulante Líquido não é feita em termos relativos (quociente), mas, por diferença, positiva ou negativa, entre o valor global do Ativo Circulante (AC) e Passivo Circulante (PC).

Se o Ativo Circulante for maior do que o Passivo Circulante, tem-se Capital Circulante Líquido.

CCL = AC > PC
CCL = AC > PC

Caso contrário, se o Passivo Circulante apresentar-se com valor superior ao do Ativo Circulante, o Capital Circulante Líquido será negativo.

CCL = AC < PC
CCL = AC < PC

Sigla

Componentes

Ano 1

Ano 2

AC

Ativo circulante

29.500

47.000

PC

Passivo circulante

20.500

36.000

CCL

Capital circulante líquido

9.000

11.000

Aumento Capital Circulante Líquido, confrontados os anos 1 e 2 = $ 2.000 Aumento relativo do CCL no ano 2 confrontando com o período anterior = 22,2% Aumento do Ativo Circulante = $ 17.500 Aumento do Passivo Circulante - em valor monetário = $ 15.500

COMPOSIÇÃO DO CCL

A Figura abaixo evidencia o CCL (Capital Circulante Líquido) e seu papel na estrutura de

capitais.

Passivo Circulante 15.200.000 Ativo Circulante 27.200.000 Capital Circulante Exigível a Líquido Longo Prazo 12.000.000 10.000.000 Patrimônio
Passivo
Circulante
15.200.000
Ativo
Circulante
27.200.000
Capital
Circulante
Exigível a
Líquido
Longo Prazo
12.000.000
10.000.000
Patrimônio
Ativo
Líquido
Permanente
15.000.000
13.000.000
O CCL pode ser encontrado por dois caminhos:
Recursos não 25.000.000 Correntes
Recursos
não
25.000.000
Correntes
Capital Circulante Líquido = Ativo Circulante - Passivo Circulante (CCL) (AC) (PC)
Capital Circulante Líquido
=
Ativo Circulante
-
Passivo Circulante
(CCL)
(AC)
(PC)

Aqui o CCL é mostrado como o excesso do Ativo Circulante sobre o Passivo Circulante.

Capital Circulante Líquido

= (Patr. Líq. + Ex. L. Prazo)

Capital Circulante Líquido = (Patr. Líq. + Ex. L. Prazo) - (Ativo Perm. + Real. L.

-

(Ativo Perm. + Real. L. Prazo)

Capital Circulante Líquido = (Patr. Líq. + Ex. L. Prazo) - (Ativo Perm. + Real. L.

RECURSOS NÃO CORRENTES

APLICAÇÕES NÃO CORRENTES

Conforme comentado anteriormente, nesta outra fórmula mostra-se a proveniência do CCL: excesso dos recursos não correntes sobre aplicações não correntes.

Outro aspecto que merece ser ressaltado é a composição do CCL. O Patrimônio Líquido cobre todo o Ativo Permanente e tem uma parte investida no Ativo Circulante. Essa parcela é chamada Capital Circulante Próprio ou Capital de Giro Próprio e representa a parcela de capital próprio no Ativo Circulante.

O CCL é, portanto, formado por dois de tipos de recursos:

• Capital Circulante Próprio = Patrimônio Líquido - (Ativo Permanente + Realizável a Longo Prazo).

• Capital Circulante de Terceiros = Exigível a Longo Prazo.

Essa distinção é muito importante, porquanto o Capital Circulante Próprio permanecerá na empresa indeterminadamente, enquanto os Capitais de Terceiros de longo prazo têm um tempo limitado de permanência. Outro aspecto que merece ser ressaltado é o conceito de Capital Circulante Próprio (CCP) que é a denominação dada ao excesso do Patrimônio Líquido sobre o Ativo Permanente. Esse conceito, também será abordado quando da análise dos índices de Endividamento (IPL) e do estudo da composição do CCL. O CCP pode ser apurado pela fórmula:

 

CCP = PL

-

AP

 

Dados da Cia Exemplo:

Ativo Permanente

765.698

 

1.714.879

Patrimônio Líquido

1.070.861

1.407.125

IPL

765.698 = 71%

 

1.714.879 = 121%

1.070.861

 

1.407.125

Admitindo-se que a Cia não possuía ARLP, em 19x1, temos a seguinte estrutura patrimonial:

CCP = 29% do PL

   

PC

 

AC

ELP

PL

71

AP

100

Liquidez Seca (LS)

– subtraindo-se do Ativo Circulante os estoques e as despesas pagas

antecipadamente, sobram os valores de maior liquidez, como as duplicatas e outras contas a receber a curto prazo, as aplicações financeiras e as próprias disponibilidades. Ao relacionar tais valores com o Passivo Circulante tem-se uma medida mais rigorosa da capacidade de solvência que é a Liquidez Seca. Esse índice oferece a vantagem de desconsiderar os estoques que necessitam ser vendidos para se transformarem em Contas a Receber ou Caixa. É obtida pela fórmula:

Ativo Circulante - Estoques

Passivo Circulante

Casa das Novidades Ltda.

 

2003

2004

580.000

– 390.000 = 0,56

 

650.000 – 420.000 = 0,82

340.000

 

280.000

Em 2003, para cada $1,00 de obrigações exigíveis a curto prazo (PC) a empresa dispõe de $0,56 de Ativo Circulante, exceto os Estoques, indicando que se a empresa parasse de vender, conseguiria pagar somente metade de suas dívidas. Já em 2004, para cada $1,00 de obrigações exigíveis a curto prazo (PC) a empresa dispõe de $0,82 de Ativo Circulante, exceto os Estoques, evidenciando uma melhora significativa do ano de 03 para o ano de 04.

Se a LS = 1, pode-se dizer que a empresa não depende da venda de seus estoques para saldar os seus compromissos de CP; quanto mais abaixo da unidade, maior será a dependência de vendas para honrar suas dívidas. Alguns autores sugerem excluir, além dos estoques, todas as contas que não representam entrada efetiva de recursos na empresa (Despesas Antecipadas, Impostos a Compensar, Adiantamentos a Funcionários, etc.). Qualquer que seja a fórmula é importante que o analista tenha conhecimento dos valores envolvidos e da relação expressa pelo índice.

10.4 Liquidez Geral (LG)

– mede a proporção dos bens e direitos a serem realizados a curto e longo

prazos em relação às dívidas totais, indicando uma folga na capacidade de solvência global.

 

Ativo Circulante + Ativo Realizável a Longo Prazo Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo

 

Casa das Novidades Ltda.

 
 

2003

2004

580.000

+ 50.000 = 1,43 para 1

650.000 + 40.000 = 1,60 para 1

340.000

+ 100.000

 

280.000 + 150.000

Em 2003, para cada $1,00 de obrigações exigíveis a curto e longo prazo, existem $1,43 de bens e direitos a curto e longo prazo. Para 2004, observa-se um acréscimo na LG para $1,60.

Exemplo de redução na LG:

LG = 8.600 + 1400 = 1,25 (bom índice)

7.000+1.000

Se a empresa adquirir um novo financiamento de $4.000 para investimento imobiliário:

AC

8.600

PC

ARLP

1.400

ELP

Passivo Circulante Casa das Novidades Ltda. 2003 2004 580.000 – 390.000 = 0,56 650.000 – 420.000

1.000

+ 4.000

Passivo Circulante Casa das Novidades Ltda. 2003 2004 580.000 – 390.000 = 0,56 650.000 – 420.000

7.000

5.000

Nova LG = 8.600 + 1.400 = 0,83 7.000 + 5.000 Por causa do financiamento houve uma redução de 1,25 para 0,83.

Liquidez Instantânea ou Imediata (LI)

– expressa o quociente entre as disponibilidades e o Passivo

Circulante. É calculado pela seguinte fórmula:

Disponibilidades: (Caixa + Bancos + Aplicações de Curtíssimo Prazo Passivo Circulante

Casa das Novidades Ltda.

2003

40.000 = 0,11 para 1

340.000

2004

10.000 = 0,04 para 1

280.000

Em 2003, para cada $1,00 de obrigações exigíveis a curto e longo prazo, existem $0,11 de disponibilidades. Para 2004, observa-se uma redução de $0,07, passando a LI para $0,04.

Para efeito de análise, é um índice sem muito realce, pois relacionamos o disponível com valores que vencerão em datas mais variadas possível, embora a curto prazo. Assim, temos contas que vencerão daqui a cinco a dez dias, como também temos contas que vencerão daqui a 360 dias, e que não se relacionam com a disponibilidade imediata.

Apesar de a empresa manter certos limites de segurança, este índice, se muito alto, evidenciaria excesso de recursos ociosos no caixa ou em bancos ou em aplicações de liquidez imediata, que perdem o poder aquisitivo com a inflação, ou então baixo volume de dívidas a curto prazo. Nem sempre reduções sucessivas nesse índice representam situações constrangedoras; podem significar uma política mais rígida de disponível e, até mesmo, uma redução do limite de segurança. Sucessivas reduções na LI, com constantes e crescentes atrasos no pagamento a fornecedores (detectados mediante informações comerciais obtidas na praça), constituem indicadores relevantes de dificuldade financeira.

11.ÍNDICES DE ENDIVIDAMENTO

(Estrutura de Capital)

É por meio desses índices que analisamos o nível de endividamento da empresa. Esses índices são avaliados pelo critério de “quanto maior, mais cautela”. O Ativo (aplicação de recursos) é financiado por Capitais de Terceiros (Passivo Circulante e Passivo Exigível a Longo Prazo) e por Capitais Próprios (Patrimônio Líquido), portanto, Capitais de Terceiros e Capitais Próprios são fontes (origens) de recursos. São os índices de endividamento que informam se a empresa utiliza mais recursos de terceiros ou recursos dos proprietários, e se os recursos de terceiros têm seu vencimento em maior parte a Curto Prazo (Passivo Circulante) ou a Longo Prazo (Passivo Exigível a Longo Prazo).

Na análise do endividamento, há necessidade de detectar as características do seguinte indicador:

empresas que recorrem a dívidas como um complemento dos Capitais Próprios para realizar aplicações produtivas em seu Ativo (ampliação, expansão, modernização, etc.). Esse endividamento é sadio, mesmo sendo um tanto elevado, pois as aplicações produtivas deverão gerar recursos para saldar o compromisso assumido; e

empresas que recorrem a dívidas para pagar outras dívidas que estão vencendo. Por não gerarem recursos para saldar seus compromissos, elas recorrem a empréstimos sucessivos. Permanecendo esse círculo vicioso, a empresas será séria candidata à insolvência; consequentemente, à falência.

A análise da composição do endividamento também é bastante significativa:

endividamento a Curto Prazo, normalmente utilizado para financiar o Ativo Circulante;

endividamento a Longo Prazo, normalmente utilizado para financiar o Ativo Permanente.

A proporção favorável seria de maior participação de dívidas a Longo Prazo, propiciando à empresa tempo maior para gerar recursos que saldarão os compromissos. Expansão e modernização devem ser financiadas com recursos a Longo Prazo e não pelo Passivo Circulante, pois os recursos a serem gerados pela expansão e modernização virão a longo prazo.

Se a composição do endividamento apresentar significativa concentração no Passivo Circulante (Curto Prazo), a empresa poderá ter reais dificuldades num momento de reversão de mercado (o que não aconteceria se as dívidas estivessem concentradas no Longo Prazo). Na crise, ela terá poucas alternativas: vender seus estoques na base de uma "liquidação forçada" (a qualquer preço), assumir novas dívidas a Curto Prazo que, certamente, terão juros altos, o que aumentará as despesas financeiras.

Se a concentração fosse a Longo Prazo, a empresa, num momento de revés, teria mais tempo para replanejar sua situação, sem necessidade de desfazer-se dos Estoques a qualquer preço.

11.1 Endividamento Geral ou Endividamento Total

- expressa a proporção de recursos de terceiros

financiando o Ativo e, complementarmente, a fração do Ativo que está sendo financiada pelos recursos próprios.

Capital de Terceiros Capital de Terceiros + Capital Próprio

=

Exigível Total

Exigível Total + PL

=

PC + ELP

PC + ELP + PL

Casa das Novidades Ltda.

2003

2004

440.000 = 0,56

56%

430.000 = 0,52

52%

790.000

830.000

56% dos Recursos Totais originam-se de Capitais de Terceiros

idem 52%

56% do Ativo é financiado com Capital de Terceiros

idem 52%

Em 2003, dos recursos investidos no Ativo 52% provém de terceiros e o restante (48%) são próprios. Há predominância de capitais de terceiros na empresa. A empresa deve a curto/longo prazo 52% do seu Ativo. De 2003 para 2004, houve um pequeno decréscimo no endividamento.

Análise: Quantidade x Qualidade da Dívida

Faremos uma comparação da Empresa Prosperidade com a Cia. Conservadora:

 

Prosperidade

Conservadora

 

Ativo

Passivo

 

Ativo

Passivo

Circulante

4.200

Circulante

3.100

Circulante

4.200

Circulante

4.000

 

ELP

2.900

Permanente

5.800

PL

6.000

Permanente

5.800

PL

4.000

   

Total

10.000

Total

10.000

Total

10.000

Total

10.000

A Prosperidade tem um endividamento (60% = 6.000/10.000) alto para os padrões brasileiros; todavia, está no limite dos padrões internacionais. Ainda que o endividamento seja alto (quantidade), podemos dizer que é um bom perfil de endividamento (qualidade), pois praticamente a metade é de longo prazo(menos oneroso e mais tempo para pagar).

Por outro lado, a Conservadora tem um endividamento baixo (40% = 4.000/10.000), porém de qualidade ruim, pois ele todo vai vencer rapidamente e, havendo financiamentos de instituições financeiras, seria mais oneroso.

A situação financeira da Prosperidade é mais folgada que a da Conservadora no Curto Prazo. Para o Longo Prazo, a Prosperidade terá tempo de gerar mais Circulante a fim de honrar seus compromissos que demorarão para vencer.

Imobilização do Patrimônio Líquido (IPL):

exprime o quanto do Ativo permanente da empresa é

financiado pelo Patrimônio Líquido, evidenciando, dessa forma, a maior ou menor dependência de

aporte de recursos financeiros para a manutenção de seus negócios.

Ativo Permanente Patrimônio Líquido

Casa das Novidades Ltda.

2003

2004

160.000 = 0,46

46%

140.000 = 0,35

35%

350.000

400.000

Indica que, em 2003, a empresa imobilizou 46% de seu Patrimônio Líquido. Sobraram, portanto, em 2003, 54% de recursos próprios para a aplicação no Ativo Circulante (Capital Circulante Próprio), no caso de inexistência de Ativo Realizável a Longo Prazo na empresa. A empresa possui dependência de aporte de capitais de terceiros para a movimentação de seus negócios. De 2003 para 2004, houve um decréscimo no grau de Imobilização do Patrimônio Líquido. Outro aspecto evidenciado por este índice é a existência ou não da dependência de capitais de terceiros para financiar o Ativo Circulante. Se todo Patrimônio Líquido for utilizado para financiar o Ativo permanente, não existindo Capital Circulante Próprio, significará que todo o Ativo Circulante mais o realizável a Longo Prazo foram financiados somente com recursos de terceiros. Em princípio este fato não indica situação favorável. Sempre que este quociente for inferior a um ou menor que 100%, indicará que a entidade não imobilizou todo o seu Patrimônio Líquido, existindo, então, o Capital Circulante Próprio. Quanto maior for a parcela do Patrimônio Líquido aplicada no Ativo Permanente menor será a participação dos Capitais Próprios para financiar o Ativo Circulante e maior será a dependência da entidade em relação ao Capital de Terceiros.

Quando houver necessidade de utilizar recursos de terceiros para financiar o Ativo Permanente, como ocorre nas ocasiões de ampliação da empresa, esses recursos devem ser captados para serem pagos a longo prazo, de modo que possam ser remunerados com os lucros obtidos com a própria movimentação dessas imobilizações. Remunerar Capitais de Terceiros investidos no Ativo Permanente com recursos gerados por outras fontes que não os lucros colocará a entidade em situação de insolvência, obrigando-a a trabalhar mais rapidamente para gerar recursos a curto prazo. Por outro lado, é mais fácil conseguir financiamento para obtenção de recursos a fim de investir no Ativo Circulante. Geralmente esses recursos decorrem da atividade normal da empresa, como contas a pagar a fornecedores, a empregados, ao governo etc.

f.

Imobilização dos Recursos Não-Correntes:

revela qual a proporção existente entre o Ativo

Permanente e os Recursos Não-Correntes, isto é, quanto a empresa investiu no Ativo Permanente

para cada real de Patrimônio Líquido mais Exigível a Longo Prazo. A interpretação deste índice deve ser direcionada a verificar se o Capital Circulante Próprio Negativo (ocorre quando o Patrimônio Líquido é inferior ao Ativo Permanente) foi compensado por empréstimos a longo prazo.

Ativo Permanente Patrimônio Líquido + Passivo Exigível a Longo Prazo

Casa das Novidades Ltda.

 

2003

2004

160.000

= 0,36

36%

140.000 = 0,25

25%

350.000

+ 100.000

400.000 + 150.000

Indica que, em 2003, a empresa imobilizou 36% de seu Patrimônio Líquido e do Passivo Exigível a Longo Prazo. Nesse ano, para cada real de Patrimônio Líquido mais Exigível a Longo prazo a empresa investiu no Ativo Permanente $ 0,36. De 2003 para 2004 essa relação baixou para R$ 0,25 de Recursos Não-Correntes aplicados imobilizados no Ativo Permanente.

Em qualquer circunstância, o ideal é que o Patrimônio Líquido seja suficiente para financiar todo o Ativo Permanente e ainda uma parte do Ativo Circulante. Esta folga garante à empresa liberdade para tomada de decisões, sendo benéfica para sua situação financeira. Quando o excesso de imobilizações sobre o Patrimônio Líquido for financiado por obrigações do Passivo Circulante, a empresa poderá enfrentar sérios problemas de solvência. Por isso, esse quociente não deve ser superior a um ou a 100%, para que não haja obrigações de curto prazo financiando o Ativo Permanente.

Quando a análise do Índice de Imobilização do Patrimônio Líquido indicar a existência de Capital Circulante Próprio Negativo, haverá forte evidência de que a situação financeira da empresa não é boa. Entretanto, não se pode concluir que a empresa atravessa momentos de desequilíbrio financeiro, pois a interpretação do Quociente de Imobilização dos recursos Não-Correntes poderá revelar a existência de um quadro mais ameno. Finalmente, mesmo quando a interpretação desses quocientes evidenciar tendência de desequilíbrio financeiro, para saber se a empresa encontra-se ou não em situação de insolvência, será preciso interpretar os Quocientes de Liquidez.

Passivo Oneroso sobre Ativo (POSA)

- este índice mostra a participação das fontes onerosa de

capital no financiamento dos investimentos totais da empresa, revelando sua dependência a instituições financeiras.

   

Passivo Circulante Financeiro + Passivo Exigível a Longo Prazo Ativo

 

Casa das Novidades Ltda.

 
 

2003

2004

100.000

= 0,13

13%

150.000 = 0,18

18%

790.000

 

830.000

Os índices calculados para o POSA indicam que houve um aumento nesses índices de 2003 para 2004. Deve-se ponderar o custo financeiro incidente sobre o valor do financiamento a longo prazo, bem como sua finalidade. Deve-se observar que quanto maior for esse índice, maiores serão as despesas financeiras incorridas, influenciando o resultado do exercício.

12.ÍNDICES DE RENTABILIDADE

Expressar a rentabilidade em termos absolutos tem utilidade informativa bastante reduzida. Afirmar que a General Motors teve lucro, digamos de $ 5 bilhões em 19X6, ou que a Empresa Descamisados Ltda., teve lucro de $ 200 mil, no mesmo período, pode impressionar no sentido de que todo mundo vai perceber que a General Motors é uma empresa muita grande e outra, muito pequena, e só; não refletirá, todavia, qual das duas deu o maior retorno.

A combinação de itens do Ativo é que gera Receita para a empresa. Na verdade, o Ativo significa investimentos realizados pela empresa a fim de obter Receita e, por conseguinte, Lucro. Assim, podemos obter a Taxa de Retorno sobre Investimentos. Isso representa o poder de ganho da empresa: quanto ela ganhou por real investido. Na situação anterior obtivemos um índice que medirá a eficiência da empresa em gerar resultados, podemos também, do ponto de vista do empresário, observar que o retorno (lucro) está remunerando satisfatoriamente o capital investido no empreendimento. Uma vez que os recursos dos empresários estão evidenciados no Patrimônio Líquido, calcularemos a Taxa de Retorno do Patrimônio Líquido, também conhecida como Return On Equity (ROE).

ASPECTOS A SEREM OBSERVADOS NO CÁLCULO DA RENTABILIDADE

Quando compararmos lucro com Ativo, ou lucro com Patrimônio Líquido, devemos considerar dois aspectos:

Muitos conceitos de lucro poderão ser utilizados: Lucro Líquido, Lucro Operacional, Lucro Bruto etc. É imprescindível que o numerador seja coerente com o denominador. Se utilizarmos o Lucro Líquido no numerador, utilizaremos o Ativo Total no denominador. Utilizando o Lucro Operacional no numerador, utilizaremos Ativo Operacional (representa o total do Ativo excluído das aplicações que não estão gerando lucro, como gastos pré-operacionais) no denominador, e assim sucessivamente.

Tanto o Ativo com o Patrimônio Líquido, utilizados no denominador para cálculo da Taxa de Retorno (TRI e TRPL), poderiam ser o médio:

Ativo Médio

Ativo Inicial

+

PLM

 

PL Inicial

+

 

2

e

 

2

A razão é que nem o Ativo Final nem o Ativo Inicial geraram o resultado, mas a média do Ativo utilizado no ano. Idem para o Patrimônio Líquido. Todavia, para fins de Análise Horizontal, o cálculo com o Ativo ou Patrimônio Líquido final é válido. Os índices de Rentabilidade são avaliados pelo critério de “quanto maior, melhor”.

a.

Taxa de Retorno sobre Investimentos (TRI) ou Rentabilidade dos Investimentos (RI) ou

Rentabilidade do Ativo Total (RA) ou Poder de Ganho da Empresa (PGE) (do ponto vista da

empresa)

- evidencia o potencial de geração de lucros por parte da empresa, isto é, quanto a

empresa obteve de lucro líquido para cada real de investimentos totais. A interpretação desse índice deve ser direcionada para verificar o tempo necessário para que haja retorno dos Capitais Totais (Próprios e de Terceiros).

O conhecimento do tempo necessário para que haja retorno dos Capitais Próprios e de Terceiros investidos na empresa pode ser obtido por intermédio dos seguintes procedimentos:

- Multiplica-se o quociente por 100 (cem), para se obter a resposta em porcentagem; - Por intermédio de regra de três, conhece-se a quantidade de anos necessários para que haja retorno do capital investido. Suponhamos, por exemplo, que em uma determinada empresa o Quociente de rentabilidade do Ativo seja igual a 0,25. Para conhecermos o tempo necessário para o retorno dos Capitais Totais investidos na empresa, faremos:

0,25 X 100 = 100%

1 ano

=

25%

x anos = 100% onde x = 1 X 100 = 4 anos

25

Com base na lucratividade de 25% ao ano, esta empresa necessitará de apenas 4 anos para dobrar

o valor dos Capitais Totais investidos, contando apenas com os lucros apurados. Vamos admitir dados da Empresa Sucesso Ltda.

TRI =

Lucro Líquido

=

185.162

= 0,20 ou 20%

Ativo Total

925.744

Poder de ganho da empresa: para cada $ 1,00 investido há um ganho de $ 0,20.

Isso significa que, em média, haverá uma demora de cinco anos para que a empresa obtenha de volta seu investimento (100%/20%), ou seja, o payback do investimento total é calculado dividindo-se 100% pelo TRI (payback = tempo médio do retorno).

b.

Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL) ou Rentabilidade do Patrimônio Líquido

(RPL) (do ponto vista dos proprietários

) - revela qual foi a taxa de rentabilidade obtida pelo Capital

Próprio investido na empresa, isto é, quanto a empresa ganhou de lucro líquido para cada real de Capital Próprio investido

A RPL mede a remuneração dos capitais próprios investidos na empresa, ou seja, quanto foi acrescentado em determinado período ao patrimônio dos sócios. Do ponto de vista de quem investe

numa empresa, este deve ser o índice mais importante. Permite além de avaliar a remuneração do capital próprio, analisar se esse rendimento é compatível com outras alternativas de aplicação, como por exemplo, caderneta de poupança, CDBs, Letras de Câmbio, Ações, Aluguéis, Fundos de

Investimentos etc

Um investidor, avaliando a RPL, poderá optar por uma aplicação no mercado

.. financeiro em vez de aplicar numa empresa que está oferecendo baixa rentabilidade. Em nosso país, deveremos ter como base para comparação o rendimento do ativo financeiro de menor risco, que no caso é a poupança.

Não se pode conceber um retorno de investimento empresarial, cujo conteúdo de risco é significativo, que seja igual ou inferior ao rendimento da poupança garantida pelo governo. Esse indicador conjuga todos os demais indicadores de rentabilidade, lucratividade e de atividades, numa expressão final: O QUANTO GANHAMOS !

A interpretação desse índice deve ser direcionada para verificar qual é o tempo necessário para se obter o retorno do Capital Próprio investido na empresa, ou seja, quantos anos serão necessários para que os proprietários obtenham de volta o valor do Capital que investiram na empresa. Esse tempo pode ser calculado da mesma maneira que se calcula o tempo de retorno do Capital Total analisado no item anterior.

TRPL =

Lucro Líquido

Patrimônio Líquido

 

185.162

=

740.644

= 0,25 ou 25%

Poder de ganho dos proprietários: para cada $ 1,00 investido pelos proprietários há um ganho de $ 0,25. Significa, em média, que demorará quatro anos para a empresa recuperar seus investimentos (payback dos proprietários).

Análise da rentabilidade da empresa x rentabilidade do empresário (ROI x ROE)

Em inglês, ROI é Return On Investiment (Retorno sobre Investimento, que é a mesma coisa que Retorno sobre o Ativo ou TRI); ROE é Return On Equity (Retorno sobre o Capital Investido pelos proprietários, que é a mesma coisa que Retorno sobre Patrimônio Líquido ou TRPL). Assim:

  • x ROI = TRI =

ROE = TRPL =
ROE = TRPL =

A rentabilidade é medida em função dos investimentos. As fontes de financiamento do Ativo são Capital Próprio e Capital de Terceiros. A administração adequada do Ativo proporciona maior retorno para a empresa. Por outro lado, os donos da empresa querem saber quanto esse retorno (LL) representa em relação ao capital que eles (donos) investiram.

É possível que essas duas formas de medir rentabilidade pareçam a mesma coisa, sem trazer grande contribuição para tomada de decisão. No entanto, o exemplo a seguir, esclarece decisivamente a importância da análise por dois ângulos (visão da empresa x visão do empresário). Admitamos que a Empresa Sucesso Ltda., no ano 1, obteve um lucro de $185.162, tendo o seguinte Balanço Patrimonial:

Ativo

Passivo

Circulante

220.000

Capital de Terceiros

185.100

Permanente

705.744

740.644

Total

925.744

Patrimônio Líquido Total

925.744

Admitamos que o gerente do Banco Oportunista ofereça um crédito de $700.000 por um ano, renovável. O Contador faz diversas simulações. Admitindo-se que a empresa aceite os $700.000 emprestados do Banco Oportunista (ele pressupõe todas as alternativas de usar os recursos emprestados tanto no Ativo Circulante como no Ativo Permanente): a melhor é um acréscimo no lucro de $ 50.000, se aplicar $400.000 no Circulante e $300.000 no Permanente.

Partindo do pressuposto de que a empresa distribuiu todo o lucro em forma de dividendos, você concordaria em aceitar esse empréstimo?

a) Se você fosse o dono?

b) Se você fosse o administrador?

Analisando-se como ficaria o Balanço Patrimonial da empresa:

Ativo

Antes

 

Depois

Passivo

Antes

Depois

Circulante

220

+ 400

620

Cap. Terceiros

185

+ 700

885

Permanente

705

+ 300

  • 1.005 Patr. Líquido

 

740

+ 0

740

Total

925

 
  • 1.625 Total

 

925

1.625

Quadro dos índices:

 

Administrador

Fórmula

 

Antes do

Depois do

Resultado

empréstimo

empréstimo

 

AC

  • 220 = 1,19

  • 620 = 0,70

Piorou

Liquidez

PC

185

885

sensivelmente

Endividamento

CT

185

= 20%

885

= 55%

Piorou

Passivo

925

1.625

 

LL

185

= 20%

185

+

50

= 14%

 

Rentabilidade

Ativo

925

1.625

Piorou

payback 5 anos

payback 7,14 anos

 

Empresário

LL

185

185

+

50

Melhorou

TRPL

PL

740

= 25%

740

 

= 32%

payback 4 anos

payback 3 anos

Observa-se que, nesse caso, para o proprietário, a aquisição do empréstimo é bom negócio, pois aumenta rentabilidade de 25% para 32%, reduzindo o payback em um ano. Todavia, do ponto de vista do administrador, cai a liquidez, aumenta o endividamento e reduz o payback da empresa em mais de dois anos. Parece que esse empréstimo faria o proprietário mais rico e a empresa mais pobre. Assim, do ponto de vista gerencial, não é interessante aceitar este empréstimo, pois os índices piorariam.

c. Margem Bruta (MB) – indica a porcentagem do remanescente da Receita Operacional Líquida após a
c.
Margem Bruta (MB) – indica a porcentagem do remanescente da Receita Operacional Líquida
após a dedução dos Custos das Vendas.
Lucro Bruto x 100
Receita Operacional Líquida
d.
MARGEM OPERACIONAL DE LUCRO (MOL) - avalia o ganho operacional da empresa em
relação ao faturamento, indicando, percentualmente, o que restou da Receita Operacional Líquida
após a dedução das despesas operacionais. A MOL corresponde ao ganho puro das operações, pois
o percentual apurado dessa margem não considera as despesas e receitas financeiras e tampouco o
imposto de renda. Representa quanto a empresa obtém de lucro operacional para cada $100
vendidos.
MOL = Lucro Operacional Líquido x 100
Receita Operacional Líquida
e.
MARGEM LÍQUIDA (ML) - revela a margem de lucratividade obtida pela empresa em função do
seu faturamento, isto é, quanto a empresa obteve de lucro líquido para cada real vendido. Indica o
percentual da Receita Operacional Líquida que restou após deduzidas todas as despesas e
computados os resultados não operacionais, a provisão para o imposto de renda e as participações
estatutárias.
ML = Lucro Líquido X 100
Receita Operacional Líquida
f.
ROTAÇÃO DO ATIVO (RA) OU GIRO DO ATIVO (GA ) - apesar de não representar um índice

essencialmente de rentabilidade, o estudo da rotação ou “giro” do Ativo constitui um aspecto importante para o entendimento da rentabilidade do investimento. Este índice indica quantas vezes, durante o período, o Ativo Total da empresa girou, Em outras palavras, comparando o faturamento do período com o investimento total, indica quantas vezes a empresa conseguiu “vender o seu Ativo”. Representa quanto a empresa vendeu para cada $ 1 de investimento total. A interpretação

desse índice deve ser direcionada para verificar se o volume de vendas realizadas no período foi adequado em relação ao Capital Total investido na empresa.

RA = Receita Operacional Líquida ou Vendas Líquidas

Ativo Total Médio

Ativo Total

Como os gastos efetuados pelas empresas para o desenvolvimento normal de suas atividades variam em função do ramo de atividade por elas exercido, também o volume de vendas ideal para cada empresa dependerá de seu ramo de negócio. O ideal é que este índice seja superior a um, caso em que estará indicando que o volume das vendas superou o valor investido na entidade.

Suponhamos, por exemplo, que no exercício de x1 a empresa A tenha efetuado vendas líquidas no valor de $60.000 para um Capital Total investido no Ativo igual a $20.000. Suponhamos, ainda, que a empresa B, no mesmo período, tenha realizado vendas líquidas no valor de $300.000 para um Capital Total investido no Ativo igual a $450.000. Aparentemente, a empresa B realizou melhores negócios, pois o volume das suas vendas líquidas correspondeu a cinco vezes o volume das vendas líquidas da empresa A. Entretanto, se compararmos o volume das vendas realizadas com o valor dos investimentos totais efetuados na empresa, concluiremos que a empresa A foi a que alcançou melhores resultados, pois suas vendas corresponderam a três vezes o valor do Capital Total investido, ao passo que a empresa B não conseguiu girá-lo uma só vez. É evidente que outros aspectos precisam ser considerados, pois mesmo não conseguindo girar uma só vez o valor do Capital Total investido, a empresa B pode ter obtido maior lucratividade que a empresa A. Por isso, é importante analisar o índice da Margem Líquida.

SISTEMA DE ANÁLISE DUPONT

O Sistema Dupont por muitos anos vem sendo utilizado pelos administradores financeiros para analisar as demonstrações contábeis e o desempenho da empresa. Esse sistema reúne informações da Demonstração de Resultado do Exercício e do Balanço Patrimonial em duas medidas sínteses de lucratividade: Taxa de Retorno sobre Investimentos (TRI) e a Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL).

Inicialmente o Sistema Dupont reúne a Margem Líquida, a qual mede a lucratividade sobre as vendas com o Giro do Ativo Total, que indica o quão eficientemente a empresa utilizou seus ativos na geração das vendas. Na fórmula Dupont, o produto desses dois índices resulta na Taxa de Retorno sobre Investimentos (TRI):

TRI = Margem Líquida x Giro do Ativo

Substituindo os termos na equação e simplificando seus elementos, temos:

LUCRO LÍQUIDO

ATIVO TOTAL

=

LUCRO LÍQUIDO VENDAS LÍQUIDAS

desse índice deve ser direcionada para verificar se o volume de vendas realizadas no período foi
desse índice deve ser direcionada para verificar se o volume de vendas realizadas no período foi

X

desse índice deve ser direcionada para verificar se o volume de vendas realizadas no período foi

VENDAS LÍQUIDAS ATIVO TOTAL

A fórmula Dupont permite à empresa decompor seu retorno em dois componentes: lucro sobre vendas e eficiência no uso dos ativos. Normalmente, uma empresa com baixa Margem Líquida tem um alto Giro do Ativo, o que resulta em retornos razoavelmente bons sobre o Ativo Total. O mesmo costuma ocorrer com a situação inversa: empresa com alta Margem Líquida tem um baixo Giro do Ativo.

O segundo passo o Sistema Dupont acrescenta a fórmula Dupont Modificada ou Combinada. Essa fórmula relaciona a Taxa de Retorno sobre Investimentos (TRI) à Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL). A TRPL é obtida multiplicando-se a TRI pelo Multiplicador de Alavancagem Financeira (MAF), que é obtido pela razão do Ativo Total pelo Patrimônio Líquido:

TRPL = TRI x MAF ou TRPL = Margem Líquida x Giro do Ativo x MAF

Substituindo os correspondentes termos na equação e simplificando seus resultados

LUCRO LÍQUIDO = PL

LUCRO LÍQUIDO x VENDAS LÍQUIDAS

TRPL = TRI x MAF ou TRPL = Margem Líquida x Giro do Ativo x MAF

VENDAS LÍQUIDAS x ATIVO TOTAL

TRPL = TRI x MAF ou TRPL = Margem Líquida x Giro do Ativo x MAF
TRPL = TRI x MAF ou TRPL = Margem Líquida x Giro do Ativo x MAF

PL

ATIVO TOTAL

O uso do MAF para converter o TRI ao TRPL reflete o impacto da alavancagem (uso do capital de terceiros) sobre o retorno dos proprietários. A análise Dupont Modificada conjuga os aspectos da eficiência no uso dos ativos (Giro do Ativo), da lucratividade das vendas (Margem Líquida) e da estrutura de capitais (uso da alavancagem – MAF).

O objetivo da decomposição dos componentes que propiciam a maximização da rentabilidade do Capital Próprio é possibilitar o estudo de quais componentes ainda eventualmente carecem de adequações corretivas. Para atingirmos a maior rentabilidade do Capital Próprio (do Patrimônio Líquido) é necessário buscar, ao mesmo tempo:

maior giro do ativo possível;

a maior lucratividade líquida sobre as vendas; e

a menor participação do patrimônio líquido possível sobre o ativo total (respeitando as condições mínimas de endividamento e capacidade de pagamento).

Utilização da fórmula para maximização da rentabilidade:

Para a obtenção do maior giro possível do Ativo Total (VL/AT):

- reduzir as necessidades de recursos aplicados no ativo, buscando o mínimo de investimentos operacionais; e - aumentar ao máximo o faturamento com os recursos existentes. Para a obtenção de maior lucratividade sobre vendas (LL/VL):

- aumentar ao máximo o faturamento e o volume vendido; e reduzir os custos e as despesas aos menores níveis possíveis.

Para a obtenção de maior rendimento do Capital Próprio (AT/PL):

reduzir as necessidades de investimentos no ativo; e ter a menor participação possível de capital próprio na estrutura de passivos da empresa, ou seja, buscar a alavancagem financeira ideal.

Todo esse tipo de análise pode ser realizado simples e objetivamente, de acordo com o quadro a seguir:

Esquema completo da análise Margem x Giro (Du Pont). Exemplo de Análise Margem x Giro COMENTÁRIOS

Esquema completo da análise Margem x Giro (Du Pont). Exemplo de Análise Margem x Giro

COMENTÁRIOS FINAIS

O modelo Dupont tem o mérito de unir em uma análise única o Balanço Patrimonial (por meio de Giro Ativo) e a Demonstração do Resultado do Exercício (por meio da Margem de Lucro).

Em outras palavras, observa-se neste modelo a análise conjunta de produtividade (Giro do Ativo) com a lucratividade (Margem de Lucro), ou seja:

Lucratividade: Margem de Lucro (ganho no preço) Rentabilidade: Taxa de Retorno sobre Investimento Produtividade: Giro do
Lucratividade: Margem de
Lucro (ganho no preço)
Rentabilidade: Taxa de
Retorno sobre Investimento
Produtividade: Giro do Ativo
(ganho na quantidade)
  • 13. CICLO ECONÔMICO

É o tempo decorrido entre a entrada das compras e as vendas correspondentes, sendo

medido pelo Prazo Médio de Renovação de Estoques (PMRE).

  • 14. CICLO OPERACIONAL

Indica o tempo decorrido entre o momento em que a empresa adquire as matérias-primas ou mercadorias e o momento em que recebe o dinheiro relativo às vendas. Trata-se, portanto, de um

período (médio) em que são investidos recursos nas operações sem que ocorram as entradas de caixa correspondentes. Parte desse capital de giro é financiada pelos fornecedores que concederam prazo para pagamento. CO = PMRE + PMR

15. CICLO FINANCEIRO (CF) ou CICLO DE CAIXA

É o tempo decorrido entre o pagamento aos fornecedores pelas mercadorias adquiridas e o recebimento pelas vendas efetuadas. É o período em que a empresa necessita ou não de financiamento complementar do seu ciclo operacional. Quanto maior o ciclo financeiro, mais recursos próprios e de terceiros (exceto fornecedores) estarão temporariamente aplicados nas operações, provocando custos financeiros e afetando a rentabilidade (despesas financeiras = redução no lucro). CF = PMRE + PMR – PMPC ou CO – PMPC

O Ciclo Financeiro corresponde ao período de tempo entre o pagamento ao fornecedor e o momento em que a empresa recebe do cliente o dinheiro das vendas. Para este período (Ciclo Financeiro), a empresa precisa conseguir financiamento complementar. Normalmente o ciclo financeiro é financiado: pelo capital próprio ou por recursos de terceiros onerosos. Graficamente, tem-se:

Ciclo Operacional Compra Venda Recebimento PMRE PMR
Ciclo Operacional
Compra
Venda
Recebimento
PMRE
PMR
  • Ciclo Econômico

15. CICLO FINANCEIRO (CF) ou CICLO DE CAIXA É o tempo decorrido entre o pagamento aos

Situação A – Os fornecedores financiam totalmente os estoques e uma parte das

vendas:

Ciclo Operacional PMRE Compra Compra Venda Pagamento Recebimento PMR Ciclo Financeiro n PMPC
Ciclo Operacional
PMRE
Compra Compra
Venda
Pagamento
Recebimento
PMR
Ciclo Financeiro n
PMPC
15. CICLO FINANCEIRO (CF) ou CICLO DE CAIXA É o tempo decorrido entre o pagamento aos
15. CICLO FINANCEIRO (CF) ou CICLO DE CAIXA É o tempo decorrido entre o pagamento aos

Situação B – Os fornecedores financiam apenas parte do estoque:

Ciclo Operacional

Compra

PMRE

Pagamento

Venda

  • PMR

Recebimento

15. CICLO FINANCEIRO (CF) ou CICLO DE CAIXA É o tempo decorrido entre o pagamento aos
15. CICLO FINANCEIRO (CF) ou CICLO DE CAIXA É o tempo decorrido entre o pagamento aos
PMPC
PMPC

Ciclo Financeiro

15. CICLO FINANCEIRO (CF) ou CICLO DE CAIXA É o tempo decorrido entre o pagamento aos

No caso da situação B, a empresa deve obter financiamentos para suas vendas e ainda para uma parte do tempo em que as mercadorias permaneceram em estoque. Caso prático - uma empresa apresentou os seguintes indicadores de prazo médio:

PMRE = 63 dias; PMR = 113 dias; e PMPC = 68 dias.

Qual o CO dessa empresa?

Qual o CF dessa empresa?

CO = 63 + 113 = 176 dias.

CF = 176 – 68 = 108 dias.

O que isso significa? Significa que a empresa paga seus fornecedores 68 dias após a compra e somente 108 dias após esse pagamento receberá o valor da venda a seus clientes. Para financiar seus clientes por 108 dias a empresa poderá, então, utilizar-se de recursos próprios ou recorrer a desconto de duplicatas ou outros empréstimos para capital de giro. Quanto maior o ciclo financeiro, pior para a empresa, pois representa maior tempo de utilização de financiamento e, portanto, maior despesa financeira.

Admitamos uma empresa que gira o estoque em 30 dias e recebe as vendas em 54 dias, pagando as compras em 90 dias. A posição relativa é favorável = 0,93.

CO = 30 dias (PMRE) + 54 dias (PMR) = 84 dias

Nesse caso, a empresa

tem uma

folga financeira de seis dias, ou seja, após vender

e

receber esperará seis dias para pagar suas compras aos fornecedores.

Admitamos que a empresa tivesse que pagar suas compras em 60 dias. Nesse caso, a posição relativa seria de 84/60 = 1,40 – considerada desfavorável.

CO = 30 dias + 54 dias = 84 dias PMPC = 60 dias

O período de 24 dias que a empresa pagaria antes de receber as vendas, conhecido como Ciclo Financeiro, significa Necessidade de Capital de Giro a ser financiada.

16. NATUREZA DA RELAÇÃO ENTRE RISCO E RETORNO

Caso uma empresa queira aumentar seu retorno, é necessário também aumentar seu risco. Se quiser reduzir o risco, vai precisar diminuir o retorno. A relação entre essas variáveis é de tal natureza que, independente de como a empresa aumenta seu retorno por meio da manipulação do capital de giro, a conseqüência é um acréscimo correspondente no risco, medido pelo nível de CCL.

No caso da situação B, a empresa deve obter financiamentos para suas vendas e ainda para

Ativos Circulantes – Os efeitos do nível de ativos circulantes na relação risco-retorno podem ser

ilustrados mediante o uso de um simples índice: ativos circulantes ativos totais. Esse índice indica a porcentagem dos ativos totais representada por ativos circulantes, que pode aumentar ou diminuir.

Efeitos de um aumento – à medida que o índice de ativos circulantes ativos totais aumenta, tanto o retorno como o risco decrescem. A lucratividade é reduzida porque os ativos circulantes são menos rentáveis do que os ativos permanentes. O risco de insolvência técnica diminui porque, supondo não haver alteração nos passivos circulantes, o aumento nos ativos circulantes elevará o CCL.

Efeitos de uma diminuição – a diminuição no índice ativos circulantes ativos totais provocará um retorno maior na empresa, já que o aumento de seus ativos permanentes gera maiores retornos do que os ativos circulantes. Contudo, o risco também crescerá, pois o seu CCL diminuirá com a redução dos ativos circulantes. As conseqüências de uma redução no índice ativos circulantes ativos totais são exatamente o oposto dos resultados de um aumento neste índice.

Passivos Circulantes

– Os efeitos das variações no nível de passivos circulantes da empresa sobre

sua relação risco-retorno também podem ser demonstrados, usando-se um simples índice: passivos circulantes ativos totais. Este índice denota a porcentagem dos ativos totais da empresa financiada pelos passivos circulantes, podendo esta ser aumentada ou diminuída.

Efeitos de um aumento – à medida que se aumenta o índice de passivos circulantes ativos totais a lucratividade da empresa cresce; mas o seu risco também aumenta. A lucratividade aumenta, devido aos menores custos relacionados com a utilização de mais financiamento a curto prazo e menos a longo prazo. Posto que o financiamento a curto prazo envolvendo duplicatas, títulos e despesas provisionadas a pagar é menos dispendioso do que o financiamento a longo prazo, os custos da empresa se reduzem, elevando seus lucros. Supondo que os seus ativos circulantes fiquem inalterados, o CCL baixará, ao passo que os passivos circulantes aumentarão. Uma redução no CCL significa um aumento do risco global.

Efeitos de uma diminuição – uma redução no índice de passivos circulantes ativos totais diminuirá a lucratividade da empresa, uma vez que um montante maior de financiamento precisa ser obtido por intermédio de meios mais dispendiosos a longo prazo. Haverá uma queda correspondente no risco, devido ao menor nível de passivos circulantes, que provocará uma elevação no CCL da empresa. As conseqüências de um decréscimo no índice de passivos circulantes ativos totais são exatamente o oposto de um aumento neste índice.

16.1 – OS 6 C´s DO CRÉDITO

O tema análise de crédito é diretamente associado aos bancos comerciais. Sua importância é fundamental, pois a lucratividade e permanência dos bancos no mercado estão intimamente relacionados aos critérios de seleção de seus clientes. Isso ocorre porque o resultado do não recebimento de uma operação equivale à perda do valor emprestado e dos juros devidos. Por outro lado, restrições excessivas que limitam a concessão do crédito, podem acabar transferindo clientes a bancos mais agressivos em relação à assunção de riscos.

A literatura

sobre análise de crédito tem sido dirigida pela administração financeira,

principalmente no que diz respeito à política de crédito da conta de duplicatas a receber das

empresas. Uma adaptação dos C's do Crédito , que é útil no levantamento das informações necessárias à análise de concessão de crédito será mostrada abaixo.

CARÁTER

Trata-se da vontade do cliente de pagar suas contas, o que traduz sua índole, ética e senso moral. Mesmo sendo uma característica essencialmente subjetiva, uma forma de apurá-la é obter informações junto a bancos e cartórios de títulos e protestos. Essas informações versam sobre a conduta do cliente no que diz respeito à pontualidade e constância com que tem liquidado seus títulos e obrigações. Elas servem unicamente como parâmetro de comportamento histórico, pois a pontualidade da liquidação dos compromissos pode ser fator importante no negócio do cliente, não exprimindo sua real vontade de pagar. Por outro lado, o sujeito pode ter constantemente liquidado em dia seus compromissos por ter tido folga em seu fluxo de caixa, mas ele pode deixar de fazê-lo instantaneamente, caso a situação financeira de sua empresa se desequilibre.

CAPACIDADE

Reflete a capacidade de gestão dos administradores e o próprio grau de especialização da produção e comercialização da empresa. A capacidade de gestão está intimamente relacionada ao desempenho da empresa. No entanto, seu desempenho não está ligado somente ao demonstrativo de resultados, mas a outros fatores, tais como participação relativa no mercado, níveis de qualidade

e produtividade, e grau de satisfação e lealdade dos clientes. Estes são fatores difíceis de se mensurar sem uma profunda pesquisa na empresa e a outras fontes de informações. Portanto, uma análise inicial do currículo dos administradores pode dar uma breve orientação sobre suas habilidades técnicas no setor em que atuam e em relação ao grau de especialização da produção. E, adicionalmente, uma visita às instalações da empresa pode permitir uma avaliação dos métodos de trabalho e do grau tecnológico utilizado.

CONDIÇÕES

Estão ligadas aos fatores externos à empresa que podem de alguma maneira afetar seu desempenho nos negócios, prejudicando ao mesmo tempo sua capacidade de honrar os compromissos. Mencionam-se os seguintes fatores: Legais (legislações interna e externa: nacional e internacional), Econômicos (desenvolvimento global e setorial, condições de oferta e demanda), Sócio-Culturais (mudanças nos hábitos de consumo, normas culturais, nível de satisfação dos funcionários, comportamento político), Ecológicos (reação a novos regulamentos, reação a pressão de grupos).

CAPITAL

Refere-se ao estudo do patrimônio da empresa. Ele estende-se desde a provisão de receitas e despesas, passando pelos investimentos no ativo permanente, pelo comportamento das contas no balanço patrimonial, pelo prazo das obrigações, até à análise da qualidade dos ativos. Em síntese, busca-se confrontar, por meio de índices extraídos do balanço patrimonial, os quais estabelecem sua situação econômico-financeira, todos os bens e recursos possuídos pela empresa com suas obrigações.

COLATERAL

Procura demonstrar a capacidade do cliente em oferecer garantias colaterais, espécie de segurança adicional necessária à concessão do crédito que atenua o risco da operação. As garantias são divididas em reais e pessoais. As garantias reais são o direito especial de garantia sobre móveis ou imóveis, além da promessa de contra-prestação, tais como Alienação Fiduciária, Hipoteca, Penhor Mercantil, Caução, Ações, Cédula Hipotecária, Certificado de Depósito, Debêntures, Duplicatas, Letras de Câmbio, Letra Hipotecária, Nota Promissória, Título de Dívida, etc. As garantias pessoais se resumem à promessa de contra-prestação. Neste caso, o credor se contenta com a garantia comum representada pelo patrimônio presente e futuro do devedor, avalista ou fiador. Como exemplos de garantias pessoais, tem-se: aval, carta de crédito e carta de fiança.

CONGLOMERADO

Enfatiza a necessidade de se analisar não somente a empresa, mas todo o conglomerado de empresas, ou grupo econômico, a que ela faz parte. Deve-se levantar as informações do grupo, pois há interações econômico-financeiras e de gestão com as demais controladas ou coligadas. As questões mais comuns e que requerem aprofundamento neste tipo de análise referem-se, principalmente, às famílias e acionistas, ao cruzamento de avais pelos administradores, e aos direitos e participações dos acionistas.

Os Seis C's do Crédito 17. ESTUDO DA ALAVANCAGEM A alavancagem e a estrutura de capital

Os Seis C's do Crédito

17. ESTUDO DA ALAVANCAGEM

A alavancagem e a estrutura de capital estão intimamente ligadas aos conceitos relacionados com o custo de capital e, portanto, às decisões quanto ao orçamento de capital . A alavancagem é o uso de ativos ou recursos com um custo fixo, a fim de aumentar os retornos dos proprietários da empresa. Variações na alavancagem resultam em menor risco e retorno. O nível de alavancagem na estrutura de capital de uma empresa - o mix de empréstimos a longo prazo e capital próprio mantidos pela empresa - pode afetar significativamente seu valor, devido às mudanças no risco e no retorno. Ao contrário de algumas causas de risco, os administradores têm quase que um controle completo sobre o risco introduzido por meio do uso da alavancagem. Os níveis de ativos e recursos de custo fixo que a administração seleciona afetam a variabilidade dos retornos, ou seja, o risco que, por sua vez, pode ser controlado pelos administradores. Uma vez que a alavancagem afeta o valor da empresa, o administrador financeiro deve saber como medi-la e avaliá-la, particularmente quando estiver tentando criar a melhor estrutura de capital.

17.1 ANÁLISE DO PONTO DE EQUILÍBRIO, CUSTOS E ALAVANCAGEM

A análise do Ponto de Equilíbrio (break-even point) permite compreender como o lucro pode ser afetado pelas variações nos elementos que integram as receitas de vendas e os custos e despesas totais. Do ponto de vista contábil, o ponto de equilíbrio corresponde a certo nível de atividades onde o lucro será nulo.

À medida que o volume de operações se deslocar acima do ponto de equilíbrio surgirão lucros crescentes; abaixo desse ponto ocorrerão prejuízos cada vez maiores. A análise distingue dois pontos de equilíbrio contábeis relacionados com o lucro operacional (PEO) e com o lucro líquido (PEG).

Também é possível

calcular

um ponto

de

equilíbrio econômico onde o lucro líquido

corresponderia à remuneração esperada pelos acionistas sobre o capital próprio. Complementarmente, essa análise permite determinar o valor das vendas necessárias para cobrir os desembolsos relativos aos custos operacionais e financeiros e às amortizações das dívidas.

17.2 Margem de Contribuição Total

corresponde à parcela remanescente das receitas de vendas

após serem deduzidos os custos variáveis totais. Abatendo dessa margem de contribuição os custos operacionais fixos, obtém-se o Lucro Operacional que neste tipo de análise é chamado de LAJI ou LAJIR (lucro antes dos juros e do imposto de renda).

O valor do LAJI deve ser suficiente para cobrir os custos financeiros fixos e, após o imposto de renda, restar a parcela que corresponderá ao Lucro Líquido do Período.

A margem de contribuição total e a margem de contribuição unitária constituem elementos importantes nas análise do ponto de equilíbrio e dos efeitos de alavancagem.

17.3 ALAVANCAGEM SOBRE OS RESULTADOS

A análise dos efeitos da alavancagem sobre os resultados baseia-se nas mesmas relações entre os custos, o volume e o lucro. Os custos fixos permanecem constantes dentro de intervalos de variação do volume de operações. Mantidos os preços de venda dos produtos, verificamos, que, para cada intervalo, a um acréscimo de volume corresponderão idênticas taxas de aumento de receitas de vendas, nos custos variáveis totais e na margem de contribuição. Contudo, a maior absorção dos custos fixos fará com que o lucro cresça mais do que proporcionalmente. Por outro lado, uma queda nas vendas acarretaria decréscimos muito maiores nos lucros.

A ação de uma alavanca também provoca respostas mais do que proporcionais à força empregada. Assim, os efeitos de alavancagem sobre os resultados da empresa decorrem da existência de custos fixos que figurativamente correspondem ao fulcro ou ponto de apoio da alavanca. Nesse raciocínio temos:

a)

alavancagem operacional

, a força empregada corresponderia ao acréscimo nas receitas totais de

vendas ( RTV), a posição do fulcro seriam os custos operacionais fixos (F o ) e a resultante determinaria o acréscimo no lucro operacional (LAJI).

b)

alavancagem financeira,

com a LAJI representando a força, as despesas financeiras (F f ) sendo a

posição do fulcro, e o acréscimo no lucro líquido ( LL) correspondendo à resultante.

c)

alavancagem total ou combinada,

decorre das duas alavancagens anteriores, onde teríamos: força

= RTV, posição do fulcro os custos fixos totais (F t = F o + F f ) e resultante

= LL.

+ RECEITA DE VENDAS ALAVANCAGEM

(RTV)

  • - Custos Variáveis

= Margem de Contribuição

RTV

  • - Custos Operacionais Fixos (F o )

= LUCRO OPERACIONAL

(LAJI)

  • - Despesas Financeiras (F f )

= Lucro Antes do Imposto de Renda = Prov. P/ o Imposto de Renda

= LUCRO LÍQUIDO

(LL)

ALAVANCAGEM OPERACIONAL RTV LAJI F o ALAVANCAGEM FINANCEIRA LAJI LL F f
ALAVANCAGEM
OPERACIONAL
RTV
LAJI
F o
ALAVANCAGEM
FINANCEIRA
LAJI
LL
F f

18. O VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO

COMBINADA LL Ft
COMBINADA
LL
Ft

Já que consideramos a continuidade de uma empresa, seu valor e as decisões do administrador financeiro devem ser avaliados à luz tanto dos fluxos de caixa presentes como futuros (entradas e saídas). Possuir uma visão de longo prazo requer que o administrador financeiro

reconheça o valor do dinheiro no tempo. Para tanto, é necessário o conhecimentos de alguns conceitos importantes.

Fluxo de Caixa
Fluxo de Caixa

– denomina-se fluxo de caixa (de uma empresa, de um investimento, de um

indivíduo, etc.) ao conjunto das entradas e saídas de dinheiro (caixa) ao longo do tempo. A representação do fluxo de caixa ao longo do tempo pode ser realizada por meio de quadros, ou esquematicamente por intermédio do seguinte diagrama:

No qual:

0

$

Pagamento

  • 2

(-)

3

reconheça o valor do dinheiro no tempo. Para tanto, é necessário o conhecimentos de alguns conceitos

4

reconheça o valor do dinheiro no tempo. Para tanto, é necessário o conhecimentos de alguns conceitos
  • $

$

n

Recebimento

reconheça o valor do dinheiro no tempo. Para tanto, é necessário o conhecimentos de alguns conceitos

Tempo

A escala horizontal representa o tempo que pode ser expresso em dias, semanas,

quinzenas, meses, trimestres ou anos. Os pontos 0, 1, 2, ...

n substituem datas de calendário e

, serão estipulados em função da necessidade de indicarem as posições relativas entre as diversas datas. Assim, o zero representa normalmente a data inicial, o ponto 1 indicará o final do 1º mês, caso a unidade de tempo seja meses, e assim sucessivamente;

As saídas de dinheiro, correspondentes aos pagamentos, terão sinais negativos e serão representadas por flechas apontadas para baixo; e As entradas de dinheiro, correspondentes aos recebimentos, terão sinais positivos e serão representados por flechas apontadas para cima.

18.1 SIMBOLOGIA ADOTADA

n = número de períodos em que o tempo foi dividido, podendo tomar os valores 0, 1, 2, 3, 4, por exemplo, se um contrato tiver o seu tempo medido em meses, ter-se-á:

....

Assim,

n = o indicativo da data inicial do contrato; n = 1 indicativo do final do primeiro mês do contrato. E assim por diante.

r

=

taxa

de

juros

em cada

período de capitalização, dada em percentagem (%), e sempre

mencionando a unidade de tempo considerada. Exemplo: r = 10% ao ano

i = taxa de juros em cada período de capitalização, dada em fração decimal. Guarda, portanto, com r, a seguinte relação: i = r dividido por 100

Desta forma, se r = 10% a.a., então i = 0,10. Esta taxa i é que será usada no desenvolvimento de todas fórmulas, ao passo que a taxa r será aquela utilizada na fixação dos juros.

P = Principal, ou seja, capital inicial empregado. Na escala horizontal do tempo representa sempre os valores colocados na data inicial, isto é, no ponto correspondente a n = 0.

S = Montante, ou seja, capital no fim do período n. Na escala horizontal do tempo representa sempre os valores colocados em datas futuras, isto é, nos pontos correspondentes a n = 1, 2, 3 ...

18.2

JUROS SIMPLES

Nessa hipótese os juros de cada período são calculados sempre em função do capital inicial

empregado. O crescimento do dinheiro se dá segundo uma linha reta, o que nos leva a fazer as

seguintes afirmativas:

a juros simples o dinheiro cresce linearmente ao longo do tempo.

a juros simples o dinheiro cresce em progressão aritmética ao longo do tempo.

Fórmulas: S = P(1+i . n) e

P = S dividido por (1+i . n)

  • 18.3 JUROS COMPOSTOS

Nessa hipótese, os juros de cada período são calculados sempre em função do saldo

existente no início do período correspondente. Comparativamente ao regime de juros simples, temos

que:

O dinheiro cresce mais rapidamente a juros compostos do que a juros simples;

A juros compostos, o dinheiro cresce exponencialmente ao longo do tempo;

A juros compostos, o dinheiro cresce em progressão geométrica ao longo do tempo.

No regime de juros compostos, após cada período os juros são incorporados ao saldo anterior e

passam, por sua vez, a render juros. A esse processo dá-se o nome de capitalização de juros, e o

período de tempo considerado é denominado período de capitalização. Assim, a juros simples

apenas o principal rende juros, ao passo que a juros compostos os rendimentos são calculados

sobre os montantes, havendo portanto uma incidência de juros sobre juros.

FÓRMULAS:

S = P(1 + i) n e

P = S dividido por (1 + i)

n

  • 18.4 VALOR ATUAL DE UM FLUXO DE CAIXA

O objetivo deste item é o de apresentar o conceito de valor atual ou valor presente de um

fluxo de caixa, o que pode ser alcançado por intermédio do seguinte exemplo numérico:

Um certo investidor deseja comprar títulos de uma Distribuidora, oferecidos a uma taxa de 10% a.m.

(regime de juros compostos), nas seguintes condições:

Prazo até o Resgate

Valor de Resgate

  • 2 $2.420,00

meses

 
  • 3 $3.993,00

meses

Qual o valor do cheque que o investidor deverá entregar à Distribuidora, para fechar a operação?

Solução:

 

P =

1

(1+i) n

P = 2.420,00

+ 3.993,00

(1 + 0,10) 2

(1 + 0,10) 3

P = 2.420,00 + 3.993,00 =

1,21

1,331

P = 2.000,00 + 3.000,00 = $ 5.000,00.

  • 18.5 Relação entre juros e progressões

No regime de juros simples:

M( n ) = P + n r P

No regime de juros compostos:

M( n ) = P . ( 1 + r ) n

Portanto:

num regime de capitalização a juros simples o saldo cresce em progressão aritmética

num regime de capitalização a juros compostos o saldo cresce em progressão geométrica

  • 18.6 TAXAS EQUIVALENTES

Duas taxas i 1 e i 2 são equivalentes, se aplicadas ao mesmo Capital P durante o mesmo

período de tempo, através de diferentes sistemas de capitalização, produzem o mesmo montante

final.

Seja o capital P aplicado por um ano a uma taxa anual i a .

O montante M ao final do período de 1 ano será igual a M = P(1 + i a )

Consideremos agora, o mesmo capital P aplicado por 12 meses a uma taxa mensal i m .

O montante M’ ao final do período de 12 meses será igual a M’ = P(1 + i m ) 12 .

Pela definição de taxas equivalentes vista acima, deveremos ter M = M’.

Portanto, P(1 + i a ) = P(1 + i m ) 12

Daí concluímos que 1 + i a = (1 + i m ) 12

Com esta fórmula podemos calcular a taxa anual equivalente a uma taxa mensal conhecida.

Exemplos:

  • 1 - Qual a taxa anual equivalente a 8% ao semestre?

Em um ano temos dois semestres, então teremos: 1 + i a = (1 + i s ) 2

  • 1 + i a = 1,08 2

i a = 0,1664 = 16,64% a.a.

  • 2 - Qual a taxa anual equivalente a 0,5% ao mês?

  • 1 + i a = (1 + i m ) 12

  • 1 + i a = (1,005) 12

i a = 0,0617 = 6,17% a.a.

  • 18.7 TAXAS NOMINAIS

A taxa nominal é quando o período de formação e incorporação dos juros ao Capital não

coincide com aquele a que a taxa está referida. Alguns exemplos:

  • - 340% ao semestre com capitalização mensal.

  • - 1150% ao ano com capitalização mensal.

  • - 300% ao ano com capitalização trimestral.

Exemplo:

Uma taxa de 15 % a.a., capitalização mensal, terá 16.08 % a.a. como taxa efetiva:

18.8

TAXAS EFETIVAS

A taxa Efetiva é quando o período de formação e incorporação dos juros ao Capital coincide com

aquele a que a taxa está referida. Alguns exemplos:

  • - 140% ao mês com capitalização mensal.

  • - 250% ao semestre com capitalização semestral.

  • - 1250% ao ano com capitalização anual.

Taxa Real: é a taxa efetiva corrigida pela taxa inflacionária do período da operação.

  • 18.9 FLUXO DE CAIXA

O fluxo de caixa serve para demonstrar graficamente as transações financeiras em um

período de tempo. O tempo é representado na horizontal dividido pelo número de períodos

relevantes para análise. As entradas ou recebimentos são representados por setas verticais

apontadas para cima e as saídas ou pagamentos são representados por setas verticais apontadas

para baixo. Observe o gráfico abaixo:

18.8 TAXAS EFETIVAS A taxa Efetiva é quando o período de formação e incorporação dos juros

Chamamos de VP o valor presente, que significa o valor que eu tenho na data 0; VF é o valor

futuro, que será igual ao valor que terei no final do fluxo, após juros, entradas e saídas.

VALOR PRESENTE e VALOR FUTURO

Na fórmula M = P . (1 + i) n , o principal P é também conhecido como Valor Presente (PV = present

value) e o montante M é também conhecido como Valor Futuro (FV = future value).

Então essa fórmula pode ser escrita como

FV = PV (1 + i) n

Isolando PV na fórmula temos:

PV = FV / (1+i) n

Na HP-12C, o valor presente é representado pela tecla PV.

Com esta mesma fórmula podemos calcular o valor futuro a partir do valor presente.

Exemplo:

Quanto teremos daqui a 12 meses se aplicarmos R$1.500,00 a 2% ao mês?

Solução:

FV = 1500 . (1 + 0,02) 12 = R$ 1.902,36

19. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS

Os métodos mais difundidos para avaliar propostas de investimento são:

a)

Taxa Média de Retorno;

 

b)

Prazo de Retorno (payback);

c)

Valor Atual Líquido (VPL);

d)

Taxa Interna de Retorno (TIR).

Os dois primeiros são simples e diretos, mas bastante limitados. Os outros são mais precisos

porque consideram o valor do dinheiro no tempo, embora também apresentem limitações.

 

Para a análise desses métodos, serão utilizados exemplos numéricos. Nos citados

exemplos, foram consideradas as seguintes hipóteses:

 

a)

inexistência de incertezas nas estimativas dos fluxos de caixa;

b)

mesmo grau de risco das propostas, permitindo sua comparação direta a partir das respostas

fornecidas pelos métodos;

 

c)

ocorrência de desembolsos e recebimentos no final de cada período; e

d)

revelação de moeda de mesmo poder aquisitivo, pelos valores previstos para os diferentes

períodos, permitindo operar com taxas reais de desconto e de retorno.

TAXA MÉDIA DE RETORNO

 

É determinada por intermédio do quociente entre o lucro médio anual estimado e o valor médio do

investimento durante a vida útil do projeto. O lucro líquido médio já se encontra deduzido da

depreciação e do Imposto de Renda. O investimento médio é obtido dividindo-se o investimento total

por 2, na pressuposição do uso da depreciação linear. Outra versão desse método consiste em

utilizar no denominador o investimento total. Assim, temos:

Taxa Média de

=

Lucro Líquido médio anual

Retorno (anual)

Investimento médio (ou total)

 

A virtude desse método está na facilidade da obtenção do lucro líquido estimado e na

simplicidade do cálculo. Conhecida a taxa média de retorno de uma proposta, basta compará-la com

a taxa de retorno mínima exigida para decidir pela sua aprovação ou rejeição. Entretanto, o método é

deficiente por utilizar lucros contábeis em vez de entradas líquidas de caixa e, mesmo que o fizesse,

o cálculo com médias anuais desconsidera a distribuição dos valores no tempo.

PRAZO DE RETORNO (PAYBACK PERIOD)

 

Esse método determina o tempo necessário para recuperar os recursos investidos em um projeto.

Quanto mais amplo for o horizonte de tempo considerado, maior será o grau de incerteza nas

previsões. Desse modo, propostas de investimento com menor prazo de retorno apresentam maior

liquidez e, conseqüentemente, menor risco.

 

A alta administração das empresas costuma fixar um prazo máximo de retorno para seus projetos de

investimento e, assim, as propostas que ultrapassarem esse limite serão rejeitadas.

O cálculo do prazo de retorno é simples:

 

a)

se as entradas líquidas de caixa forem uniformes, bastará dividir o investimento inicial pelas

entradas anuais de caixa;

  • b) quando as entradas anuais forem desiguais, essas deverão ser acumuladas até que o

investimento inicial seja recuperado, apurando-se o prazo de retorno.

Esse cálculo pressupõe que as entradas de caixa ocorram uniformemente ao longo de cada ano, e o

prazo de retorno poderá apresentar uma fração do último período em que será completado o valor do

investimento.

O método do prazo de retorno (Payback period) é deficiente por:

  • a) não reconhecer as entradas de caixa previstas para ocorrerem após a recuperação do

investimento; e

  • b) não avaliar adequadamente o valor do dinheiro no tempo.

Apesar disso, este método é bastante utilizado como um filtro inicial na seleção das propostas de

investimento, sendo muito valioso como complemento dos métodos do valor atual líquido e da taxa

interna de retorno.

Quando o payback é utilizado em decisões de aceitar-rejeitar, o critério de decisão é o

seguinte: se o período de payback for menor que o período de payback máximo aceitável, aceita-se

o projeto; se o período de payback for maior que o período de payback aceitável, rejeita-se o projeto.

PAYBACK ATUALIZADO

Para contornar as deficiências apontadas, alguns profissionais descontam os fluxos de caixa

das propostas, determinando os valores atuais dos investimentos líquidos e das entradas líquidas.

Eles dividem o valor do investimento líquido pelo valor atual das entradas líquidas de caixa e obtêm

um índice que já não corresponde a uma medida de tempo de recuperação do investimento.

A taxa de desconto utilizada seria aquela que melhor refletisse o valor do dinheiro no tempo

para a empresa, tal como a taxa anual de custo de capital ou a taxa mínima de rentabilidade anual

exigida em face do risco assumido.

Assim, temos:

Payback atualizado =

Valor atual do investimento líquido

Valor atual das entradas

líquidas de caixa

Quanto menor for o índice que expressa essa relação, melhor será a proposta. Um índice

menor do que 1 significa que, em valores atuais, as entradas líquidas de caixa superam o

investimento líquido. Um índice superior a 1 revela que a proposta não cobrirá o custo de capital,

devendo ser rejeitada.

VALOR ATUAL LÍQUIDO (VAL) OU VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL)

Neste método, os fluxos de caixa da proposta são convertidos ao valor presente (momento

t 0 ) por meio da aplicação de uma taxa de desconto predefinida que pode corresponder ao custo de

capital da empresa ou à rentabilidade mínima aceitável em face do risco envolvido.

O Valor Atual Líquido (VAL) é a diferença entre os valores atuais das entradas líquidas de

caixa e os das saídas de caixa relativas ao investimento líquido. Desse modo, o VAL corresponde a

uma quantificação dos benefícios adicionais provocados pela proposta. Quando o VAL > 0, pode-se

concluir que a proposta irá gerar um retorno maior do que a taxa de desconto utilizada e que o

investimento poderá ser aprovado. Para um VAL < 0, considera-se que a proposta não é

economicamente viável, pois seu retorno será inferior ao custo de capital ou à rentabilidade mínima

exigida. A implementação de uma proposta nessas condições prejudicará a rentabilidade global da

empresa, afetando negativamente o seu valor de mercado.

Constata-se, assim, que o VAL constitui uma técnica sofisticada porque considera o valor do

dinheiro no tempo, o qual está representado pela taxa de desconto aplicada.

Índice de Lucratividade

Em certas circunstâncias, o VAL não fornece uma resposta suficientemente clara para

comparar duas ou mais propostas. Nesse caso, em vez de calcular a diferença entre os valores

atuais dos fluxos de caixa, será mais apropriada calcular o quociente desses valores atuais,

conhecido como índice de lucratividade (IL) ou índice de rentabilidade da proposta. Assim, temos:

Índice de Lucratividade =

Valor atual das entradas

líquidas de caixa j

a

Valor atual das saídas

líquidas de caixa

Refletindo a razão “benefício/custo” da proposta, o índice da lucratividade fornece uma medida do

retorno esperado por unidade monetária investida. Quando o IL 1, significa que a proposta deverá

produzir benefícios monetários superiores ou iguais às saídas líquidas de caixa, expressos em

moeda do mesmo momento t 0 . Quando o IL < 1, a proposta deve ser rejeitada por não ser

economicamente viável.

O VAL e o IL constituem técnicas bastante satisfatórias porque consideram o valor do

dinheiro no tempo. A grande vantagem do método é que ele utiliza uma taxa de desconto definida

antecipadamente como sendo a mínima aceitável para aprovar o investimento.

Critério de decisão – quando o VAL ou VPL é utilizado para tomar decisões do tipo “aceitar-rejeitar”,

adota-se o seguinte critério: se o VAL for maior que zero, aceita-se o projeto; se o VAL for menor que

zero, rejeita-se o projeto.

TAXA INTERNA DE RETORNO

Apesar de ser considerada mais difícil de ser calculada do que o VAL, é possivelmente a

técnica sofisticada mais usada para avaliação de alternativas de investimentos. A Taxa Interna de

Retorno (TIR) corresponde a uma taxa de desconto que iguala o valor atual das entradas líquidas de

caixa ao valor atual dos desembolsos relativos ao investimento líquido. A TIR também pode ser

compreendida como a taxa de desconto que iguala o VAL a zero.

A TIR deve ser comparada com uma taxa de rentabilidade mínima exigida em face do risco

do projeto. Essa taxa mínima poderá também corresponder ao custo de capital da empresa.

Se a TIR for maior ou igual à taxa mínima estipulada, a proposta de investimento poderá ser

aprovada. Se a TIR for inferior à taxa mínima, a proposta deve ser rejeitada porque a sua

implementação afetaria negativamente a rentabilidade global da empresa.

TAXA MÍNIMA DE ATRATIVIDADE

A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é uma taxa de juros que representa o mínimo que um

investidor se propõe a ganhar quando faz um investimento, ou o máximo que um tomador de dinheiro

se propõe a pagar quando faz um financiamento. Esta taxa é formada a partir de 3 componentes

básicas:

Custo de Oportunidade: remuneração obtida em alternativas que não as analisadas. Exemplo:

caderneta de poupança, fundo de investimento, etc.

Risco do Negócio: o ganho tem que remunerar o risco inerente de uma nova ação. Quanto maior o

risco, maior a remuneração esperada.

Liquidez: capacidade ou velocidade em que se pode sair de uma posição no mercado para assumir

outra.

A TMA é considerada pessoal e intransferível pois a propensão ao risco varia de pessoa

para pessoa, ou ainda a TMA pode variar durante o tempo. Assim, não existe algoritmo ou fórmula

matemática para calcular a TMA.

Ao se utilizar uma TMA como taxa de juros de referência, aplica-se métodos como o Valor

Presente Líquido ou o Custo Anual Uniforme para se determinar a viabilidade financeira de um

investimento ou empréstimo. Caso o resultado seja positivo, a taxa interna de retorno supera a TMA

e o investimento é interessante. O contrário ocorre caso o resultado seja negativo.

19. O Mercado Financeiro

Em qualquer economia, há indivíduos e entidades que poupam e, portanto, dispõem de

recursos financeiros excedentes, enquanto outros demandam recursos financeiros além do que

possuem. Os mercados financeiro e de capitais consistem no conjunto de agentes e instrumentos

destinados a oferecer alternativas de aplicação e captação de recursos financeiros.

Dessa forma, os mercados podem exercer a importante função de otimizar a utilização de

recursos financeiros, por meio da transferência desses recursos dos poupadores para os tomadores,

bem como da criação de condições de liquidez e administração de riscos.

É possível encontrar diferentes classificações para o mercado financeiro nas áreas de

Finanças e de Direito. Na primeira, o mercado financeiro divide-se basicamente em duas categorias,

levando-se em conta, principalmente, os prazos das operações:

MERCADO DE CRÉDITO: é composto pelo conjunto de agentes e instrumentos financeiros

envolvidos em operações de prazo curto, médio ou aleatório. Neste último caso, há o exemplo dos

depósitos à vista, pois existe a possibilidade de resgate a qualquer momento, mediante manifestação

de vontade do credor. Destina-se basicamente ao financiamento do consumo e à disponibilização de

recursos de curto e médio prazos para as empresas.

MERCADO DE CAPITAIS: é composto pelo conjunto de agentes e instrumentos financeiros

envolvidos em operações de prazo médio, longo ou indeterminado. Neste último caso, há o exemplo

das ações, uma vez que, em regra, não são caracterizadas como exigibilidades perante a sociedade

emissora. Destina-se, principalmente, ao financiamento de capital fixo e a financiamentos especiais,

como habitação.

Para ASSAF NETO, além das duas categorias anteriormente apresentadas, o mercado

financeiro se divide, ainda, em mercado monetário, cujas operações se destinam a controlar a

liquidez monetária da economia e envolvem, basicamente, títulos públicos e CDIs (Certificados de

Depósitos Interfinanceiros), e em mercado cambial, no qual ocorrem as operações de compra e

venda de moedas internacionais conversíveis.

Quanto mais desenvolvida é uma economia, mais ativo é o seu mercado de capitais, o que

se traduz em mais oportunidades para as pessoas, empresas e instituições aplicarem suas

poupanças.

Ao abrir seu capital, uma empresa encontra uma fonte de captação de recursos financeiros

permanentes. A plena abertura de capital acontece quando a empresa lança suas ações ao público,

ou seja, emite ações e as negocia nas bolsas de valores. E você, ao adquirir ações, passa a ser

também sócio da empresa - um acionista.

O que é uma Companhia Aberta?

Uma companhia é considerada aberta quando promove a colocação de valores mobiliários

em bolsas de valores ou no mercado de balcão. São considerados valores mobiliários: ações, bônus

de subscrição, debêntures, partes beneficiárias e notas promissórias para distribuição pública.

ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS

Ações: títulos nominativos negociáveis que representam, para quem as possui, uma fração do

capital social de uma empresa.

Bônus de subscrição: títulos nominativos negociáveis que conferem ao seu proprietário o direito

de subscrever ações do capital social da companhia emissora, nas condições previamente definidas.

Debêntures: títulos nominativos negociáveis representativos de dívida de médio/longo prazos

contraída pela companhia perante o credor, neste caso chamado debenturista.

As operações de abertura de capital precisam ter autorização da Comissão de Valores

Mobiliários (CVM), o órgão fiscalizador do mercado de capitais brasileiro, o qual também registra e

autoriza a emissão dos valores mobiliários para distribuição pública.

As companhias abertas devem atender a diversos requisitos, definidos na Lei das S.As. e

nas regulamentações da CVM, com o objetivo de garantir a confiabilidade das informações e

demonstrações financeiras divulgadas. O mercado considera que a plena abertura de capital ocorre

quando há o lançamento de ações ao público, em função das transformações impostas à empresa e

pelo incremento no volume de negócios com seus títulos.

Detalhando o conceito de AÇÕES

Ações são títulos nominativos negociáveis que representam, para quem as possui, uma

fração do capital social de uma empresa. Ação é um pedacinho de uma empresa. Com um ou mais

pedacinhos da empresa, você se torna sócio dela.

Quais são os tipos de ação?

As ações podem ser:

ordinárias, que concedem àqueles que as possuem o poder de voto nas assembléias

deliberativas da companhia; ou

preferenciais, que oferecem preferência na distribuição de resultados ou no reembolso do

capital em caso de liquidação da companhia, não concedendo o direito de voto, ou

restringindo-o.

As ações, ordinárias ou preferenciais, são sempre nominativas, originando-se do fato a

notação ON ou PN depois do nome da empresa.

As ações também podem ser diferenciadas por classes: A, B, C ou alguma outra letra que

apareça após o "ON" ou o "PN". As características de cada classe são estabelecidas pela empresa

emissora da ação, em seu estatuto social. Essas diferenças variam de empresa para empresa,

portanto, não é possível fazer uma definição geral das classes de ações.

O que são dividendos?

Uma empresa deve dividir os lucros com seus acionistas. Essa parcela direcionada aos

detentores de ações é conhecida como dividendo. Ou seja, os dividendos correspondem à parcela

de lucro distribuída aos acionistas, na proporção da quantidade de ações detida, apurado ao fim de

cada exercício social. O estatuto social de uma companhia pode estabelecer o dividendo mínimo a

ser distribuído, desde que não seja inferior a 25% de seu lucro líquido ajustado. Caso não haja

previsão no estatuto social, o dividendo obrigatório deve corresponder, no mínimo, à metade do lucro

líquido ajustado. Quando uma empresa vai bem, ela divide os lucros com quem tem suas

ações. Isso são dividendos.

E bonificações? As bonificações correspondem à distribuição de novas ações para os atuais

acionistas. Excepcionalmente pode ocorrer a distribuição de bonificação em dinheiro.

Como funcionam as subscrições de novas ações?

Os acionistas têm ainda preferência na compra de novas ações emitidas ou direito de preferência na

subscrição. Além de garantir a possibilidade de manter a mesma participação no capital total, esse

direito pode significar ganho adicional, dependendo das condições do lançamento. Por fim, se não

exercido, o direito pode ser vendido a terceiros.

Os Mercados Primário e Secundário

Você sempre ouve falar em Mercado Primário e Secundário. O que significa?

O Mercado Primário compreende o lançamento de novas ações no mercado, com aporte de recursos

à companhia.

Uma vez ocorrendo o lançamento inicial ao mercado, as ações passam a ser negociadas no

Mercado Secundário, que compreende as bolsas de valores e os mercados de balcão (mercados

onde são negociadas ações e outros ativos, geralmente de empresas de menor porte e não sujeitas

aos procedimentos especiais de negociação).

Operações como a colocação inicial, junto ao público, de grande lote de ações detido por um

acionista podem caracterizar operações de abertura de capital, exigindo registro na CVM. Apesar da

semelhança com o mercado primário, os recursos captados vão para o acionista vendedor (e não

para a companhia), determinando, portanto, uma distribuição no Mercado Secundário.

O que são Bolsas de Valores?

São locais que oferecem condições e sistemas necessários para a realização de negociação

de compra e venda de títulos e valores mobiliários de forma transparente. Além disso tem atividade

de auto-regulação que visa preservar elevados padrões éticos de negociação, e divulgar as

operações executadas com rapidez, amplitude e detalhes.

O que são Corretoras de Valores?

São instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central e pela Comissão de Valores

Mobiliários (CVM). Somente as corretoras estão habilitadas a executar operações de compra e

venda de ações ou de derivativos na BOVESPA.

Corretora de Valores é a instituição que compra e vende ações para você.

Quem são os Investidores?

São indivíduos ou instituições que aplicam recursos em busca de ganhos a médio e longo prazos,

que operam nas Bolsas por meio de Corretoras e distribuidoras de valores, as quais executam suas

ordens e recebem corretagens pelo seu serviço. Investidores são os clientes das Corretoras.

Mercados a Vista e de Derivativos

As operações na Bolsa podem ser efetuadas nos seguintes mercados:

a Vista, no qual compradores e vendedores estabelecem um preço para um lote de ações a

ser entregue e pago no prazo determinado, atualmente D+3;

a Termo, no qual as partes fixam um preço para a liquidação físico-financeira da ação em

prazo futuro determinado;

de Opções de compra ou venda, no qual as partes negociam o direito de comprar/vender a

ação a preço e prazo futuro determinados; e

Futuro, no qual ocorre a compra ou venda de ação a um preço acordado entre as partes para

liquidação em data futura específica.

Como escolher uma Ação

As

ações

com o objetivo

de

obter

resultados imediatos, podem ser divididas em:

ganho(s) a médio e longo prazos, em oposição a

"blue chips" ou de 1ª linha - são ações de grande liquidez (grande quantidade de

negócios) e procura no mercado de ações por parte dos investidores, em geral de empresas

tradicionais, de grande porte/âmbito nacional e excelente reputação;

de 2ª linha - são ações um pouco menos líquidas, de empresas de boa qualidade, em geral

de grande e médio portes;

de 3ª linha - são ações com pouca liquidez, em geral de companhias de médio e pequeno porte

(porém, não necessariamente de menor qualidade), cuja negociação caracteriza-se pela

descontinuidade;

A Dinâmica das Operações em Bolsa

Execução

O intermediário financeiro (Corretora) dispõe de profissionais especializados, capacitados a

dar orientações sobre investimentos, receber ordens dos investidores e transmiti-las aos operadores

qualificados por ele que têm acesso ao sistema de negociação das Bolsas.

Existe ainda a possibilidade do investidor dar sua ordem de compra ou venda de uma ação,

via Internet, usando o site de sua Corretora (Home Broker). Nesse caso, o investidor estará enviando

sua ordem diretamente ao sistema da Bolsa.

Liquidação

Executada a ordem de compra/venda de uma ação, ocorre a liquidação física e financeira,

processo pelo qual se dá a transferência da propriedade dos títulos e o pagamento/recebimento do

montante financeiro envolvido, dentro do calendário específico estabelecido pela Bolsa para cada

mercado.

No mercado a vista, vigora o seguinte fluxo de liquidação:

D+0 - dia da operação;

D+1 - prazo para os intermediários financeiros (Corretoras) especificarem as operações por

eles executadas junto à Bolsa;

D+2 - entrega e bloqueio dos títulos para liquidação física da operação, caso ainda não

estejam na custódia da CBLC;

D+3 - liquidação física e financeira da operação.

A liquidação é realizada por empresas de compensação e liquidação de negócios, que

podem ser ligadas à Bolsa ou independentes.

A BOVESPA utiliza a CBLC - Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia para liquidar as

operações realizadas em seus mercados.

As Corretoras da BOVESPA e outras instituições financeiras são os Agentes de

Compensação da CBLC, responsáveis pela boa liquidação das operações que executam para si ou

para seus clientes.

O MERCADO DE BALCÃO

O mercado de balcão pode ser organizado e não organizado. É dito organizado no Brasil

quando as instituições que o administram criam um ambiente informatizado e transparente de

registro ou de negociação e têm mecanismos de auto-regulamentação. Nos mercados de negociação

- onde também essas instituições são autorizadas a funcionar pela CVM e por ela são

supervisionadas - cria-se um ambiente de menor risco e transparência para os investidores se

comparado ao mercado de balcão não organizado.

O mercado de balcão não organizado é o mercado de títulos e valores mobiliários cujos

negócios não são supervisionados por entidade auto-reguladora. Os valores mobiliários são

negociados entre as instituições financeiras sem local físico definido, por meios eletrônicos ou por

telefone.

EXERCÍCIOS – CESPE

Um dos passos importantes da decisão dos administradores financeiros é avaliar projetos de

expansão ou de criação de novas unidades. Nesse contexto, julgue os itens seguintes.

01)Um negócio pode ser economicamente atrativo, mas suas exigências de recursos podem exceder

a capacidade de mobilização dos empreendedores. Para que um projeto seja financeiramente viável,

é necessário haver compatibilidade entre os usos e as fontes de recursos, dos pontos de vista de

solvência e liquidez.

02)Na elaboração e avaliação de projetos de investimento, as demonstrações contábeis projetadas

são refeitas para levar em conta critérios de natureza econômico-financeira. Inexistem diferenças

entre os conceitos de lucro contábil e lucro econômico.

03)O fluxo financeiro informa a geração ou absorção líquida de recursos pela empresa e o fluxo de c

a ixa operacional mostra a contrapartida daquele fluxo, ou seja, quais os montantes estão sendo

recuperados ou investidos pelos estruturadores do passivo de longo prazo, sócios e financiadores.(

04)Sob a ótica do empresário, interessa o fluxo de caixa operacional líquido, depois de deduzido do

fluxo de caixa destinado aos financiadores. Ao avaliar a série de valores que desembolsa e que

recebe, o empresário deve levar em conta a taxa de juros sob a qual pode emprestar seus recursos,

ou seja, seu custo de oportunidade.

05)O método do pay-back consiste simplesmente na determinação do número de períodos

necessários para recuperar o capital investido, considerando as conseqüências além do período de

recuperação e o valor do dinheiro no tempo.

06)A taxa mínima de atratividade é a taxa a partir da qual o investidor considera que está obtendo

ganhos financeiros. Existem grandes controvérsias quanto a como calcular essa taxa. Alguns autores

afirmam que a taxa de juros a ser usada pela engenharia econômica é a taxa de juros equivalente à

maior rentabilidade das aplicações correntes e de pouco risco. Uma proposta de investimento, para

ser atrativa , deve render, no mínimo, essa taxa de juros.

07)Denomina-se valor presente líquido do fluxo de caixa de um projeto de investimento à soma

algébrica de todos os recebimentos e pagamentos atualizados com base em uma taxa de descontos

que corresponda ao custo de oportunidade do capital investido.

08)Taxa interna de retorno de um investimento é a taxa de desconto que anula o valor presente

líquido do fluxo de caixa associado a esse investimento.

09)Na avaliação privada de projetos, os fatores e os produtos em geral são valorados pelo preço de

mercado.

10)A principal vantagem da análise de custo-benefício é responder se certo conjunto de projetos de

investimentos deve ser empreendido e, caso os recursos sejam limitados, que prioridades se deve da

r a esse elenco de projetos segundo este ou aquele conjunto de critérios.

11)No tocante aos programas de inversão de capital, uma taxa de desconto baixa tenderá a

favorecer as gerações futuras e uma taxa de desconto alta tenderá a prejudicá-las. Mas uma taxa de

desconto baixa aplicada à exploração dos recursos naturais tenderá a favorecer a exploração rápida,

enquanto uma taxa de desconto alta desestimulará a exploração e favorecerá a permanência dos

referidos recursos no solo.

12)O custo de oportunidade para o trabalho, que pode ser entendido como a produção que se deixa

de obter em algum setor da economia ao se empregar um conjunto de fatores no programa que se

analisa, é o principal elemento envolvido no custo social do trabalho.

Em relação a administração financeira e orçamentária, julgue os itens subseqüentes.

13) Na elaboração da demonstração de resultados do exercício, o lucro bruto é o resultado do lucro

operacional menos as despesas financeiras e o imposto de renda.

14) A alavancagem financeira é representada pela inclusão do valor referente ao ativo imobilizado

nas receitas operacionais da empresa, com o objetivo de aumentar seu lucro operacional.

15) A análise de investimentos públicos deve considerar o interesse público do investimento, sendo

dispensáveis as análises de viabilidade e o cálculo do valor presente das opções de investimento

disponíveis.

16) O orçamento de capital e os balanços patrimoniais projetados são demonstrativos relacionados

ao planejamento financeiro das empresas.

17) A capacidade de geração de caixa ao longo do tempo é utilizada pelas empresas para orientar

decisões de financiamento ou de aplicação dos excedentes gerados.

18) No Brasil, é vedado aos bancos múltiplos atuarem na concessão de financiamento de longo

prazo.

19) A obtenção de recursos externos por meio da emissão de ações representa uma forma de

financiamento de longo prazo que constitui dívida da empresa perante terceiros.

UnB / CESPE – ANCINE

Com relação aos conceitos essenciais da análise econômico-financeira de projetos, julgue os

itens que se seguem.

20) Na avaliação econômico-financeira de projetos, o método da taxa int erna de retorno (TIR), por

levar em conta a heterogeneidade nos projetos alternativos, é particularmente adequado quando se

comparam projetos que possuem investimentos iniciais diferentes.

21) Despesas com depreciação, ao reduzirem os lucros contábeis, levam à redução do imposto de

renda incidente sobre os fluxos econômicos.

22)A taxa mínima de atratividade (TMA) de um referido projeto leva em conta tanto o custo de

oportunidade dos recursos nele utilizados como a liquidez do negócio, porém exclui a existência de

um eventual risco do negócio.

Acerca dos conceitos de alavancagem e das análises de demonstrações financeiras e de

investimentos, julgue os próximos itens.

23) Quanto maior a variabilidade dos retornos possíveis de um investimento, menor o seu risco.

24) O retorno esperado de um investimento, representado pela remuneração solicitada pelos

investidores para a manutenção de suas aplicações em determinado ativo, é, em um mercado

eficiente, sempre igual ao retorno exigido.

25) As demonstrações financeiras reúnem informações de curto e de longo prazos da empresa, as

quais podem ser analisadas separadamente ou integrar um sistema de informação gerencial.

26) A estimativa do fluxo de caixa de um projeto a ser implantado é uma das etapas da análise de

investimentos.

27) A alavancagem financeira é representada pelo uso de ativos operacionais, com custos e

despesas fixas, com o objetivo de se garantir aos acionistas o retorno.

28) Para que se possa calcular o valor presente de determinada opção de investimento, deve-se

determinar a taxa de desconto a ser utilizada, a qual é definida em função do custo do capital e do

risco.

29) A análise das demonstrações financeiras é realizada a partir do balanço social da empresa, o

qual apresenta bens, direitos, obrigações e capital dos proprietários no encerramento de cada

exercício.

A respeito de planejamento financeiro, administração do capital de giro e fontes de

financiamento de longo prazo, julgue os itens que se seguem.

30) O uso de capital de terceiros, que consiste na utilização de recursos externos sob a forma de

endividamento, é uma das formas de se realizar financiamento de longo prazo.

31)

No

Brasil,

a

concessão

de

financiamento

de

longo

prazo

é

atribuída

aos

bancos

de

desenvolvimento, como o BNDES, sendo vedada a participação de bancos comerciais nesse

segmento financeiro.

32)A administração do capital de giro consiste no conjunto de tarefas relacionadas ao planejamento

financeiro de longo prazo da empresa.

33) O planejamento financeiro de longo prazo deve refletir os objetivos traçados no planejamento

estratégico da empresa.

34) A gestão e a projeção do orçamento de caixa para períodos inferiores a um ano inserem-se no

âmbito do planejamento financeiro de curto prazo.

TST – 2008 - Pedro, técnico em administração e orçamento de uma empresa de pequeno

porte — Zetamix — que fornece material de escritório para algumas instituições públicas do

Distrito Federal (DF), trabalha com fluxo de caixa dividido por oito semanas. Na quarta-feira

passada, ele tomou conhecimento de que não ocorreu a venda de um lote de material cuja

entrada no fluxo estava prevista para o dia anterior. Ele prontamente retificou o fluxo de

caixa, retirando essa previsão. Ao final do bimestre, ele fará o próximo relatório para

entregar ao administrador financeiro da empresa.

O fluxo de caixa de uma instituição é uma ferramenta que demonstra de forma antecipada

as entradas e saídas de recursos, com a finalidade de permitir ao administrador a tomada de

decisões referentes à disponibilidade de caixa.

A partir dessas informações e com base na situação hipotética descrita e nos princípios que

norteiam a administração financeira, julgue os itens seguintes.

35) Pedro não agiu corretamente ao retificar imediatamente o fluxo de caixa quando soube que a

venda do lote de material não se concretizara, pois, como o próximo relatório será elaborado ao final

do bimestre, esse procedimento fará com que o gestor perca a visão global de todo o processo de

entrada e saída de recurso.

36) A emissão do relatório de fluxo de caixa deve ser uma rotina normal da empresa; assim, visando

auxiliar a tomada de decisões pelo administrador financeiro, em vez de apresentar o relatório das oito

próximas semanas apenas ao final do bimestre, seria mais adequado que Pedro o disponibilizasse

semanalmente.

37) A falta de controle do movimento do caixa da empresa acarreta problemas como o

desconhecimento do volume correto e da origem dos recebimentos, bem como do volume e do

destino dos pagamentos.

38) Em instituições muito complexas, como, por exemplo, a prefeitura de uma cidade de grande

porte, o fluxo de caixa é uma ferramenta administrativa dispensável para o planejamento financeiro,

pois a variedade de atividades operacionais envolvidas impede o lançamento adequado das entradas

e saídas de recursos correspondentes a essas atividades.

39) A gestão financeira pode ser definida como um conjunto de ações e procedimentos

administrativos que envolvem o planejamento, a análise e o controle das atividades financeiras da

empresa, cujo objetivo é melhorar os resultados apresentados pela empresa e aumentar o valor do

patrimônio por meio da geração de lucro líquido proveniente das atividades operacionais.

40) Um plano de contas eficiente deve apresentar dados contábeis que reflitam com clareza a

natureza operacional, administrativa e legal da instituição. No plano de contas da empresa Zetamix,

contas a receber deve ser registrado no passivo, enquanto contas a pagar deve ser registrado no

ativo.

41) Nas decisões a respeito dos investimentos da empresa, o administrador financeiro deve

considerar o risco, fator que pode comprometer significativamente os resultados esperados. Nesse

sentido, e com o objetivo de maximizar os valores aplicados, o administrador financeiro deve optar

pelos investimentos que apresentam os menores riscos entre as opções disponíveis.

42)Um capital da empresa Zetamix aplicado à taxa nominal de 6% ao ano, capitalizado mensalmente

pelo regime de juros compostos, terá, ao final de 8 meses de aplicação, suas taxas nominal e efetiva

iguais.

Ainda com relação situação hipotética descrita anteriormente, julgue os próximos itens.

43) Suponha-se que a empresa Zetamix tenha de efetuar, em 90 dias, um pagamento no valor de R$

60.000,00 referente a uma dívida cuja taxa de juros empregada foi de 3% ao mês, pelo regime de

capitalização composta, e que tenha decidido antecipar o pagamento da dívida para a data atual.

Nesse caso, a empresa deverá pagar um valor superior a R$ 54.700,00.

44) Considere-se as informações da empresa Zetamix apresentadas na tabela a seguir.

39) A gestão financeira pode ser definida como um conjunto de ações e procedimentos administrativos que

Nessa situação, o índice de liquidez seca da empresa é superior a 1,7

TJDFT-2008-CARGO 1- ANALISTA

Com referência a noções de administração financeira, julgue os itens que se seguem.

45) Na aplicação dos recursos da organização, com o objetivo de obter os melhores retornos de

capital, o administrador financeiro deve procurar alternativas que ofereçam ou o menor risco ou o

maior retorno.

46) Considere que, em uma operação comercial, sejam apresentadas duas opções de pagamento da

dívida:

10 parcelas com juros compostos de 1,5% ao mês; ou 24 parcelas com juros compostos de 4,7%

ao trimestre. Nessa situação, o uso do cálculo da equivalência de taxas permite identificar a melhor

alternativa.

47) Considere que uma dívida de R$ 50.000,00 deverá ser quitada por este valor em 2 meses e que

ela foi contratada com juros de 2% ao mês sob o regime de capitalização composta. Nessa situação,

48) O tempo necessário para se recuperar um investimento efetuado é chamado de payback.

49) A análise dos valores registrados no ativo circulante e no passivo circulante permite avaliar a

capacidade de uma empresa saldar suas dívidas de curto prazo.

TJDFT-2008- TEC JUDICIÁRIO-CARGO 38

Acerca de noções de administração financeira, julgue os itens a seguir.

50) Bancos, investidores, fornecedores e capital próprio são fontes de recursos para financiar as

atividades das empresas.

51) Os valores referentes a caixa, bancos conta movimento, aplicações financeiras de liquidez

imediata e mercadorias em estoque são registrados no ativo circulante.

52) Se uma empresa tem, em seu balanço patrimonial, R$ 75.500,00 no ativo circulante, R$

58.600,00 no passivo circulante e R$ 12.000,00 em estoques, então seu índice de liquidez corrente é

de 1,08.

53) No regime de juros compostos, um capital de R$ 75.000,00, aplicado por 2 meses à taxa de 5%

ao mês, rende juros inferiores a R$ 7.600,00.

54)Compra de ativo imobilizado é classificada como atividade de investimento.

Carlos faz periodicamente seu plano de contas, registrando cuidadosamente os pagamentos e

recebimentos em ativos e passivos. Ele reside em imóvel próprio e parcelou em seis parcelas o valor

correspondente ao imposto predial e territorial urbano (IPTU) de 2008 desse imóvel. Ele é

proprietário de um apartamento que está alugado, cujo contrato de locação prevê como obrigação do

locatário o pagamento das parcelas referentes ao IPTU.

Com relação a essa situação hipotética, julgue os seguintes itens.

55) No plano de contas de Carlos, as parcelas do IPTU de sua residência e do apartamento alugado

devem ser lançadas no passivo.

56)No plano de contas de Carlos, o valor do apartamento alugado deve ser lançado no ativo.

57) Quanto mais ativos Carlos acumular, mais renda ele poderá obter, pois mais recursos ele terá

para investir em ativos que gerarão mais renda.

GABARITO 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15
GABARITO
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