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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC CENTRO DE ARTES – CEART

DANIELA ALMEIDA MOREIRA

AS PESQUISAS SOBRE ACESSIBILIDADE DOS PROGRAMAS DE AÇÃO EDUCATIVA E O PÚBLICO DE SURDOS: UM ESTUDO INTRODUTÓRIO

FLORIANÓPOLIS -SC

2011

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DANIELA ALMEIDA MOREIRA

AS PESQUISAS SOBRE ACESSIBILIDADE DOS PROGRAMAS DE AÇÃO EDUCATIVA E O PÚBLICO DE SURDOS: UM ESTUDO INTRODUTÓRIO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Artes Visuais do Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito parcial para a obtenção do grau de licenciada em Artes Visuais

Orientadora: Dr.ª Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva

FLORIANÓPOLIS-SC

2011

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AGRADECIMENTOS

Pai, por olhar por mim e dar a certeza de poder contar com sua ajuda para chegar até aqui. Por me fazer parte da família onde aprendi princípios e a língua brasileira de sinais. Universidade do Estado de Santa Catarina, por proporcionar a formação como licenciada em Artes Visuais. Meus pais, por serem assim como vocês são. Eliezer, meu marido, por toda a compreensão e incentivo. Surdos brasileiros, por partilhar o conhecimento da língua brasileira de sinais e conceder a oportunidade de ser intérprete. Sandra Regina Ramalho, por toda a contribuição para minha formação. Regina Finck, pesquisadora e Maria Helena Barbosa, educadora, que tive a oportunidade de conhecer e ter como parte da banca examinadora do TCC. Bernardo, por seu conselho em cursar Artes Visuais. Aline e Tiago, profissionais intérpretes e amigos, por toda a compreensão, colaboração e incentivo. Gisela, Patrícia e Maria, por poder chamá-las de amigas. Marshal, por me colocar em contato com seu saber de artista e o “ mundo paralelo”.

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RESUMO

MOREIRA, Daniela Almeida. As pesquisas sobre Acessibilidade dos Programas de Ação Educativa e o Público de Surdos: um estudo introdutório. 2011.70.f. (Trabalho de Conclusão de Curso na Licenciatura em Artes Visuais. Área: Artes Visuais) – Universidade do Estado de Santa Catarina. Florianópolis, 2011.

O presente trabalho se propõe a realizar um mapeamento de pesquisas sobre o tema arte e acessibilidade para públicos específicos, dentre eles o público dos surdos, com o propósito de entender e conhecer as propostas dos Programas de Ação Educativa que proporcionem o acesso das mediações realizadas nos espaços culturais e museológicos para o público de surdos. A proposta de pesquisa é orientada pelo seguinte questionamento: o que já foi pensado e desenvolvido pelos Programas de Ação Educativa para a acessibilidade dos surdos aos conteúdos de arte das instituições de bens culturais que se apresentam em artigos e produções sobre a questão? O trabalho tem como objetivo geral mapear e refletir sobre o que as pesquisas apresentam como propostas dos Programas de Ação Educativa que contemplem o público de surdos em espaços expositivos museológicos.Tem como objetivos específicos, realizar levantamento bibliográfico de bancos de dados encontrados em periódicos e anais de eventos sobre a arte, Programa de Ação Educativa, acessibilidade e público específicos, em particular os surdos, a fim de identificar os estudos que tratam do acesso aos espaços expositivos museológicos pelos surdos, analisar os textos levantados e as categorias que emergem dos referenciais e finalmente sistematização dos dados na forma de relatório. O trabalho contou com a metodologia de pesquisa qualitativa para o levantamento bibliográfico selecionado a partir de publicações em periódicos e anais de eventos que se restringiram as publicações na categoria de artigos. Teve como procedimento metodológico a consulta de 15 periódicos no total de 25 volumes, entre anais (atas, cadernos e boletins) de eventos, revistas virtuais, portais institucionais e Blogs disponíveis na web. A consulta resultou na seleção de 8 periódicos e 11 artigos. A análise dos artigos partiu da leitura dos resumos e posteriormente do texto integral. Cabe citar algumas conclusões obtidas através do estudo. Os Programas de Ação Educativa tem representado um meio de inclusão social da pessoa surda. Algumas iniciativas realizam a formação de educadores de arte surdos, contribuindo com a profissionalização, desenvolvimento lingüístico e cultural da pessoa surda. O atendimento do público de surdos transformou o museu em espaço de proposições válidas para o ensino de arte, acessibilidade, interdisciplinaridade, comunicação e educação. A mediação do público de surdo em língua de sinais no espaço do museu representa o reconhecimento do bilinguísmo da pessoa surda, tais iniciativas educativas são significativas para incentivar a educação bilíngue em outros espaços de ensino.

Palavras-chave: Acessibilidade. Surdos. Públicos Específicos. Espaços Culturais. Espaços Museológicos. Ação Educativa.

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SUMÁRIO

  • 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................7

  • 2 EDUCAÇÂO E CULTURA, DIREITOS PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA DE TODOS .......................................................................................................................13

    • 2.1 Políticas de Inclusão, acessibilidade e a pessoa surda...............................................14

    • 2.2 Museu e seu papel sócio-cultural no processo de inclusão........................................19

      • 3 ACESSO A ARTE E O PROCESSO DE INCLUSÃO ..................................................25

        • 3.1 Arte e inclusão...............................................................................................................26

        • 3.2 Arte e a acessibilidade dos Programas de Ação Educativa.......................................29

          • 4 O ESTADO DA ARTE DAS PESQUISAS SOBRE OS PROGRAMAS DE AÇÃO

EDUCATIVA E O ATENDIMENTO AO PÚBLICO DE SURDOS...........................35

  • 4.1 Pesquisas do campo da arte voltadas para a inclusão................................................36

  • 4.2 O quê as pesquisas apresentam sobre os Programas de Ação Educativa em espa- ços expositivos e museológico........................................................................................40

  • 4.3 Análise dos Resumos dos Artigos.................................................................................44

  • 4.4 O que as pesquisas apresentam sobre a acessibilidade do Programas de Ação Educativa e público de surdos......................................................................................49

    • 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................62

    • 6 REFERENCIAS .................................................................................................................66

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1 INTRODUÇÃO

O interesse pelo tema da pesquisa está relacionado ao conhecimento da língua brasileira de sinais e envolvimento com a comunidade surda como intérprete de língua brasileira de sinais por algum tempo. Ingressei no curso de licenciatura em artes visuais na Universidade do Estado de Santa Catarina, onde me foi concedida na 2ª fase do curso, a oportunidade de participar do grupo de pesquisa Educação, Arte e Inclusão sob a coordenação da doutora pesquisadora Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva. Nessa oportunidade tive os primeiros contatos e conhecimentos sobre o desenvolvimento da pesquisa acadêmica e o tema arte e inclusão o que reforçou o interesse em estabelecer pontes entre o ensino de arte e a inclusão dos surdos. Em paralelo a licenciatura na UDESC, passei a cursar o bacharelado em letras libras na Universidade Federal de Santa Catarina, sendo aluna do primeiro curso da America Latina para formação superior do tradutor e intérprete da língua brasileira de sinais, até então, os intérpretes já atuavam na mediação da comunicação entre surdos e não surdos sem possuir a formação em nível superior. Ao longo dos cursos de licenciatura e bacharelado procurei conciliar os conhecimentos, áreas de interesse e formação, até que na 5ª fase da licenciatura cursei a disciplina Ação Educativa em Espaços Culturais ministrada pela Drª Sandra Regina Ramalho de Oliveira docente do Centro de Artes da UDESC. A disciplina oportunizou aos graduandos a experiência da mediação de exposições em instituições de bens culturais. Nessa oportunidade desenvolvi a proposta de mediação para grupos mistos de surdos e não surdos, essa experiência mostrou grande potencial de reflexão sobre o acesso ao conteúdo das exposições de arte por parte dos surdos no espaço e expositivo museológico, além de representar um desafio para os programas de Ação Educativa das instituições no atendimento do público de surdos. O presente trabalho se propõe a realizar um mapeamento de pesquisas sobre o tema arte e acessibilidade para públicos específicos, dentre eles o público dos surdos. Essa pesquisa tem como entendimento que os surdos formam um grupo com particularidades sociolingüísticas, sendo estes usuários da língua brasileira de sinais com experiências e vivências compartilhadas em comunidades de centros urbanos. Como licencianda em arte tenho interesse de entender e conhecer as propostas dos Programas de Ação Educativa que proporcionem o acesso dos surdos as mediações

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realizadas nos espaços culturais museológicos, embora a pessoa surda não tenha qualquer prejuízo no sentido visual, o que permitiria presumir o livre acesso ao espaço museológico se apresenta como um desafio para a Ação Educativa, tendo em vista que acessibilidade da pessoa surda usuária da língua de sinais implica na mediação através de uma língua viso- espacial que exige readequações e conhecimentos específicos do mediador e da proposta educativa da instituição. A pesquisa leva em conta o papel sócio cultural educativo das instituições de bens culturais para com todos os seus visitantes e se propõe a analisar o que as publicações apresentam sobre os Programas de Ação Educativa dirigidos a públicos específicos, em particular aos surdos. Terá como metodologia o estudo qualitativo que contará com um levantamento bibliográfico selecionado a partir de publicações em periódicos e anais de eventos, restringindo-se as publicações na categoria de artigos, tendo em vista que o TCC se propõe ao estudo introdutório das pesquisas sobre o tema e corresponde a uma produção acadêmica sucinta. A proposta de pesquisa é orientada pelo seguinte questionamento: o que já foi pensado e desenvolvido pelos Programas de Ação Educativa para a acessibilidade dos surdos aos conteúdos de arte das instituições de bens culturais que se apresentam em artigos e produções sobre a questão? O trabalho tem como objetivo geral mapear e refletir sobre o que as pesquisas apresentam como propostas dos Programas de Ação Educativa que contemplem o público de surdos em espaços culturais museológicos. Tem como objetivos específicos, realizar levantamento bibliográfico de bancos de dados encontrados em periódicos e anais de eventos sobre a Arte, Programa de Ação Educativa, acessibilidade e público específicos, em particular os surdos, a fim de identificar os estudos que tratam do acesso aos espaços culturais museológicos pelos surdos, analisar os textos levantados e as categorias que emergem dos referenciais e finalmente sistematização dos dados na forma de relatório. Ferreira (2002) fala sobre a pesquisa realizada a partir do final da década de 80 denominada como o “estado da arte” ou “estado do conhecimento”, um gênero investigativo que surge pelo desconhecimento da totalidade da produção científica em determinado campo de estudo, que por vezes é objeto de estudo em nível de pós-graduação permanecendo apenas no circuito acadêmico tornando-se conhecida a partir do mapeamento do “estado da arte” de tal temática. A autora caracteriza a pesquisa e explica que se propõe a mapear e discutir parte da produção acadêmica em um campo do conhecimento correspondente a um

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período, lugar e formas de produção de dissertações, teses e publicações em periódicos, anais entre outros meios de divulgação, utilizando uma metodologia descritiva do conjunto das produções reunidas. Averiguar o estado da arte das pesquisas sobre determinado objeto de estudo tem a importância de identificar e sistematizar as produções de conhecimentos sobre um tema e uma problemática em questão. A proposta não se torna menos importante diante da impossibilidade do mapeamento bibliográfico pela inexistência ou incipiência das pesquisas, que de outra forma torna-se prerrogativa para o aprofundamento investigativo da temática. A pesquisa bibliográfica permite reunir dados e informações contidas em diferentes fontes, a síntese dos pensamentos a partir das leituras das publicações sobre o tema arte e acessibilidade das instituições de bens culturais com atenção para os Programas de Ação Educativa que contemplem públicos específicos, tais como os surdos. Considerando a importância da acessibilidade aos bens culturais pelos públicos específicos e a particularidade do público de surdos, esse trabalho tem sua relevância para o conhecimento do que já foi pensado, proposto e desenvolvido como Ação Educativa Cultural em promoção ao usufruto dos bens culturais pelo público de surdos. A reflexão sobre o que as pesquisas apresentam em relação ao acesso dos espaços e bens culturais por públicos específicos, tais como os surdos, permite a compreensão sobre os direitos conquistados pelo seguimento das pessoas com deficiência no acesso a educação e cultura, por vezes direitos reconhecidos mas não adquiridos devido a morosidade ou negligencia do Poder Público por ignorar ou desconhecer sobre o assunto. Também intenta contribuir teoricamente para questões relacionadas a acessibilidade, o desenvolvimento de programas de Ação Educativa das instituições de bens culturais que contemplem diferentes públicos e fortalecimento da pesquisa voltadas ao mesmo interesse. A metodologia de estudo utilizada é de caráter qualitativo, considerada como mais adequada para o trabalho. Segundo Bortoni-Ricardo (2008), a pesquisa qualitativa tem como premissa a interpretação das ações e fenômenos sociais advindos de um contexto diferentemente do paradigma orientado por variáveis explicáveis que indiquem causas e conseqüências do objeto em estudo. A abordagem qualitativa parece ampliar os horizontes investigativos em relação ao objeto em estudo, pois leva em conta elementos e fatores que o próprio contexto indica como significativos para o levantamento proposto pelo estudo sem que necessariamente sejam estabelecidas hipóteses testadas e ratificadas pela pesquisa.

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A opção pela abordagem qualitativa deve aos princípios metodológicos de atribuir importância ao contexto de onde provêm os dados, ao processo resultante dos fenômenos sociais, à interpretação dos dados como “textos” não números, ao procedimento exploratório descritivo de apresentação e conclusão da pesquisa e à análise indutiva que trata todo e qualquer dado como potencial investigativo. (BOGDAN e BIKLEN, 1994) A proposta de mapeamento das pesquisas sobre arte e acessibilidade, com atenção para os Programas de Ação Educativa em espaços culturais e museológicos para públicos específicos, tais como os surdos, é entendida como parte do cenário de promoção de políticas de inclusão, ações afirmativas em defesa de direitos, dentre eles, a educação e a cultura por todos os cidadãos brasileiros sem discriminação. O mapeamento conta com procedimentos descritivos e interpretativos dos dados que se mostrarem significativo para o trabalho. O estudo contará com dados correspondentes as pesquisas publicadas na forma de artigos. De acordo com Flick (2004) na pesquisa qualitativa os textos são à base das interpretações, meios de apresentação e comunicação das descobertas obtidas através da investigação, ou seja, aquele que lê o texto está fazendo uma interpretação e participa na construção da realidade em relação aquele texto assim como aquele que escreveu. O autor adverte para a confiança da pesquisa qualitativa na compreensão da realidade social a partir dos textos, os quais devem ser vistos como representações do objeto em estudo. Os dados para o presente estudo correspondem a interpretação das pesquisas na forma de textos, os quais, serão submetidos a leitura e análise cuidadosa, sem que se perca de vista o objeto de estudo contido nos textos permeados de subjetividade com caráter de representação e apresentação do objeto em estudo. A coleta de dados terá como instrument o de pesquisa os periódicos impressos e digitais on-line tais como: a Revista Educação, Artes e Inclusão, Revista Brasileira de Museus e Museologia, Cadernos Diálogos entre Arte e Público, Caderno Arte Sem Barreiras, o Portal do Observatórios de Museus e Centros Culturais e anais de eventos, tais como: Ciclo de Palestras do Grupo de Pesquisa Mediação /Arte/Cultura/Público, Encontro do Grupo de Pesquisa Educação, Arte e Inclusão e o Congresso Nacional da Federação dos Arte-Educadores do Brasil. A pesquisa terá como primeira etapa o levantamento bibliográfico em periódicos e anais de eventos com o objetivo de identificar produções que abordem o tema da arte e acessibilidade em centros culturais. A etapa seguinte corresponde a seleção de publicações

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que tratem dos Programas de Ação Educativa que contemplem o público de surdos. Por fim a análise das referencias levantadas com o propósito de identificar categorias percebidas nos textos para a sistematização e síntese em forma de relatório. O primeiro capítulo apresenta brevemente o movimento da sociedade organizada para erradicação da exclusão das minorias e camadas desfavorecidas da sociedade, entre as quais, estão as pessoas com deficiência. A perspectiva de inclusão e a ampliação para a idéia de acessibilidade. O movimento dos surdos e sua militância na implantação de políticas lingüísticas e o direito a acessibilidade através da língua brasileira de sinais. Os setores da sociedade e o setor da Educação, o primeiro a ser impulsionado à inclusão social por meio de transformações para a recepção da pessoa com deficiência. As Organizações Não- Governamentais e o desenvolvimento de diferentes frentes de atuação contra a exclusão inclusive na formação do cidadão através da educação não-formal e o Museu reconhecido como instituição não-formal de ensino. O museu e o compromisso social que leva ao atendimento de diferentes públicos, entre eles, o atendimento a públicos de pessoas com deficiência. O segundo capítulo aborda o interesse do campo da arte pela temática da inclusão que se dá pela aproximação entre o ensino de arte e a educação especial que terão legislações e propósitos em comum na direção da inclusão social. A arte será objeto de apropriação para fins diversos por outras áreas do conhecimento, será potencial de inclusão social para as entidades do Terceiro Setor. A educação desenvolvida pelas ONGs vai despertar o interesse das instituições museológicas para o desenvolvimento dos Programas de Ação Educativa em prol do processo de inclusão social e democratização dos bens culturais. Em relação às pesquisas, serão apontadas que as investigações e publicações que abordam arte e inclusão datam as ultimas décadas, entre as problemáticas em relação a falta de programas de pós- graduação em artes visuais voltados para a inclusão e formação professores de arte frente ao processo de inclusão na escola regular. As pesquisas voltadas para formação de professores, construção metodológica inclusiva e projetos inclusivos de arte em espaços culturais. O terceiro capítulo apresenta um panorama das pesquisas no campo da arte voltadas para a inclusão com interesse na formação de grupos de pesquisas com propostas de trabalhos, projetos e estudos. As pesquisas desenvolvidas são dedicadas à formação de professores, metodologia inclusiva do ensino de arte e projetos de inclusão da pessoa com deficiência nos espaços culturais. O mapeamentos dos trabalhos referentes ao tema com a sistematização de um conjunto de produções resultando em um estudo introdutório do

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“estado da arte” das produções dedicadas a questão da acessibilidade dos Programas de Ação Educativa que contemplem o público de surdos em um estudo introdutório.

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2 EDUCAÇÂO E CULTURA, DIREITOS PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA

O primeiro capítulo procura situar o leitor a partir de um histórico breve do movimento da sociedade organizada para erradicação da exclusão das minorias e camadas desfavorecidas da sociedade, entre as quais estão as pessoas com deficiência. Apontar para a visibilidade social conquistada pelo movimento das pessoas com deficiência em sensibilização da sociedade e do Poder Público na implementação de instrumentos legais que assegurassem os direitos básicos, dentre eles a educação e cultura para o exercício de cidadania da pessoa com deficiência. Faz-se importante mostrar a transformação da perspectiva de integração social para a inclusão social ampliada a partir da idéia de acessibilidade que propõe condições, adequações e adaptações do aparelho, serviços e bens públicos que atendam as necessidades e direitos das pessoas com deficiência. Em se tratando dos movimentos sociais, temos como foco o contexto da militância dos surdos por políticas lingüísticas e o direito a acessibilidade através da língua brasileira de sinais mostrando o bilinguísmo como uma questão conflituosa para a educação e outras instâncias da vida e formação da pessoa surda. O primeiro setor impulsionado à inclusão social e processo de transformações para recepção da pessoa com deficiência é o setor da educação. Tendo em vista o papel da formação cultural do indivíduo as escolas adotaram a proposta de educação inclusiva no atendimento de alunos com deficiência no sistema regular de ensino. O processo de inclusão social contou com diferentes agentes e iniciativas da sociedade organizada, entre elas as ONGs que desenvolveram diferentes frentes de trabalho contra a exclusão com destaque para a formação do cidadão através da educação não-formal. O Museu será reconhecido como instituição não-formal de ensino. A partir do processo de inclusão haverá um movimento de transformação das instituições museológicas de espaço excludente destinado as elites com o domínio dos códigos da cultura letrada para espaço inclusivo de recepção de públicos marginalizados, dentre eles as pessoas com deficiência, na democratização dos serviços e bens culturais a todo cidadão.

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2.1 POLÍTICAS DE INCLUSÃO, ACESSIBILIDADE E A PESSOAS

No Brasil, a reivindicação por Políticas de Inclusão Social tem sua origem entre 1970 e 1980 com a mobilização da sociedade em prol da redemocratização do país que protagonizou as ONGs em 1990 na conscientização e mobilização da população contra as condições de pobreza, exclusão e discriminação que submetiam as minorias não alcançadas pelas Políticas Públicas. (SILVA, JACCOUD e BEGHIN, 2005) Ainda nos anos 70, as debilidades físicas e psíquicas dos combatentes e civis vitimados pela II Guerra Mundial chamaram a atenção da Organização das Nações Unidas - ONU para a necessidade da reabilitação e reinserção social de tais indivíduos, o que veio ao encontro aos anseios das pessoas com deficiência, tendo como resultado a Resolução XXX/3.447 que consistiu na Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes aprovada pela ONU no ano de 1975. (MAZZALLI, 2001) A deficiência passa a ser objeto da atenção do ponto de vista da perda da aptidão julgada como invalidez para atividades antes realizadas com naturalidade pelo indivíduo. Nesse cenário a deficiência foi pensada como algo à ser corrigido ou minimizado por representar um desvio do padrão convencionado socialmente. O paradigma da invalidez das pessoas com deficiência vai influenciar a construção de Políticas Públicas voltadas para a deficiência e não para a condição político social oferecida ao indivíduo. Segundo Maior (2008) no Brasil, as Políticas de Inclusão Social para pessoas com deficiência tiveram suas prerrogativas na Constituição de 1988 que originou a Lei nº 7.853 de 1989 regulamentada pelo Decreto nº 3.298 de 1999 que dispõe sobre os princípios básicos de igualdade de tratamento e oportunidades, respeito e dignidade da pessoa com deficiência, fundamentos da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. A intervenção governamental em relação a matéria deficiência através de leis é muito recente e somente a partir de instrumentos legais foram estabelecidas condições mínimas para a inserção social e diminuição do número de excluídos da sociedade brasileira. Cabe destacar três importantes diretrizes como indicativos do processo de inclusão da pessoa com deficiência que encontram-se no Decreto nº 3.298/99, Capítulo III e Artigo nº 6:

[

...

]

III

-

incluir

a

pessoa

portadora

de

deficiência,

respeitadas

as

suas

peculiaridades, em todas as iniciativas governamentais relacionadas à educação, à saúde, ao trabalho, à edificação pública, à previdência social, à assistência social, ao transporte, à habitação, à cultura, ao esporte e ao lazer.

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IV - viabilizar a participação da pessoa portadora de deficiência em todas as fases de implementação dessa Política, por intermédio de suas entidades representativas;

[

...

]

VI - garantir o efetivo atendimento das necessidades da pessoa portadora de deficiência, sem o cunho assistencialista. 1

[

...

]

De acordo com tais pressupostos a deficiência não estaria mais resumida as necessidades de reabilitação mas seria contemplada por um conjunto de bens e serviços visando o bem estar e desenvolvimento do indivíduo. A criação dos programas voltados para as pessoas com deficiência deveriam contar com o envolvimento de representantes dos seguimentos não mais tratados como consumidores de produtos e pacotes governamentais alheios as realidades e necessidades dos usuários. As medidas governamentais em prol da pessoa com deficiência não deveriam ter a conotação de beneficio e sim o caráter de direitos adquirido como forma de erradicação da exclusão social. De acordo com Sassaki (2002) o processo de inclusão social da pessoa com deficiência foi antecedido por conceitos pré-inclusivistas, baseado no princípio da reabilitação para adequação do deficiente na vida em sociedade e integração social baseada na normatização da pessoa com deficiência através da apropriação do modelo de vida das pessoas não deficientes. Para o autor, os conceitos pré-inclusivistas incumbiu o deficiente da adequação para sua inserção na sociedade, a qual permanecia isenta de transformações sociais necessárias à inserção da pessoa com deficiência. A inserção social da pessoa com deficiência, ainda que amparada pelo conjunto de leis superiores representadas na Constituição da República, sofreu a tendência da inclusão pela assimilação do padrão da pessoa não deficiente. O beneficio do convívio entre pessoas com deficiência e pessoas não deficientes foram superestimado desconsiderando os efeitos negativos da lenta readequação em todos os setores da sociedade ao novo paradigma da inclusão. Sassaki (2002) diz que as concepções de autonomia, independência e empoderamento propiciaram as possibilidades de exercício da cidadania pelas pessoas com deficiência e tais idéias vão contribuir para o desdobramento em Normas de Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência, na forma da Resolução nº 48/96 de 1993 lançada pela ONU onde aparece o princípio da acessibilidade para a igualdade da participação em sociedade. A Resolução nº 48/96 de 1993 na Regra 5 e II Áreas Alvo da Igualdade de Participação apresenta a acessibilidade como condição de igualdade de oportunidades de responsabilidade governamental:

1 Legislação Federal Básica na área da Pessoa Portadora de Deficiência, 2007. P. 187 – 198.

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[

...

]

Os Estados devem reconhecer a importância geral da acessibilidade no

processo de equiparação de oportunidades em todas as esferas da sociedade. Para as pessoas com deficiência de qualquer tipo, os Estados devem (a) introduzir programas de ações destinadas a tornar acessível o ambiente físico; e (b) adotar medidas que ofereçam acessos à informação e comunicação.” 2

Segundo Maior, Costa e Lima (2006) a acessibilidade passa a ser objeto de discussão e deliberação do poder público muito recentemente, a partir da Constituição de 1988 no Artigo nº 5 que assegura o direito de “ir e vir” e no Artigo nº 227 que dispõe sobre o acesso à logradouros, edifícios públicos e veículos de transporte coletivo adequados às pessoas com deficiência, prerrogativas para a Lei nº 10.098 de 2000 de normas de promoção da acessibilidade para as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, regulamentadas no Decreto nº 5.296 apenas em 2004. Para as autoras, o Decreto nº 5.296 apresenta a ampliação do conceito de acessibilidade de direito de “ir e vir” para desenho universal ou desenho para todos com a seguinte definição:

desenho universal: concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente todas as pessoas, com diferentes características

[

...

]

antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade. (Cap. III. Art. 8º Par. IX do Decreto nº 5.296/2004)

O grupo das pessoas com deficiência é um seguimento que representa parte da parcela de marginalizados por não se encaixarem nos padrões do pequeno grupo dos bem favorecidos. A deficiência e suas implicações para o exercício da cidadania chamou a atenção para a acessibilidade como fator determinante para a participação social das camadas sociais discriminadas e excluídas da sociedade e também abriu espaço para a discussão sobre o direito de acesso aos bens e serviços contribuindo com o processo de democratização da sociedade brasileira. O setor da sociedade primeiramente impulsionado a adaptar-se as normas de acessibilidade será o setor da educação através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional do ano de 1996. A lei reconheceu a educação especial 3 como modalidade oferecida pela rede regular de ensino para a inserção do aluno com deficiência 4 na sala comum e também instituiu a disciplina de artes 5 como componente curricular em todos os níveis da

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Legislação

Internacional.

Resoluções.

ONU

48/96

de

dezembro

  • 3 LDBEN.Lei n. 9.394/96.Cap.V.Art.58º .

de

1993.

Disponível

em:

  • 4 Convenção e Protocolo sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Art. 1.P.445-464. Legislação Federal

Básica na área da Pessoa Portadora de Deficiência. Brasília, 2007.

  • 5 LDBEN.Lei n. 9.394/96.Cap.II.Art.26º.§2º

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educação básica com a atribuição de formação e desenvolvimento cultural do indivíduo, o que demonstra a importância do ensino de arte no processo de inclusão social. Entre os seguimentos do movimento das pessoas com deficiência, os surdos representam um seguimento que tem como causa central o uso e difusão da língua brasileira

de sinais sob o entendimento que a equiparação de oportunidades, acessibilidade e inclusão social para as pessoas surdas se dá através da língua brasileira de sinais. A fundação da Federação Nacional de Educação e Integração do Surdo no ano de 1987 pelo movimento dos surdos vai garantir a representatividade para inserção da questão de Políticas Linguísticas na pauta das discussões do Poder Público. O diagnóstico da surdez é permeado pelo conflito do status da língua oral-auditiva 6

(a língua portuguesa brasileira) e a língua viso-espacial 7

para a pessoa surda, isso exerce

influências sobre a comunicação, a interação social, o desenvolvimento e exercício da cidadania ao longo de toda a vida. A criança surda não dispõe dos estímulos da língua materna falada devido à ausência da audição, resultando no atraso da aquisição da linguagem com efeitos danosos ao seu desenvolvimento. Segundo Karnopp e Quadros (2001) apenas 5% das crianças surdas são filhos de pais surdos que têm a língua de sinais como língua materna acessível ao canal visual da criança surda, portanto um número bem reduzido tem as mesmas chances que as criança não surda tem de acesso à língua oral-auditiva, pois 95% das crianças surdas são filhos de pais não surdos que na maioria dos casos não dominam a língua de sinais. Os efeitos negativos causados pelo atraso da aquisição da linguagem da criança surda geram a suspeita de deficiência cognitiva em razão do desenvolvimento distinto das crianças não surdas, muitas das crianças surdas passam a desenvolver uma linguagem aproximadamente estruturada considerada como primeira língua apenas ao chegarem a escola. A escola tem um papel fundamental no desenvolvimento da linguagem, interação, auto-imagem positiva entre outros potenciais particulares a cada criança surda. Vygotsky (1993), trata a surdez como fator que incide sobre o desenvolvimento cultural da criança devido as restrições a comunicação e a interação que dependa da linguagem falada, adverte que não existe deficiência cognitiva inerente a surdez e sim a existência das barreiras para a inserção cultural e sociolingüística da criança surda, também

6 Utiliza-se a terminologia língua oral-auditiva correspondente a língua que tem a audição como canal receptivo e a oralidade como canal de produção e expressão. 7 Utiliza-se a terminologia língua viso-espacial correspondente a língua que tem o visual como canal de recepção e a gestualidade e produção motora como canal de expressão.

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critica o método de ensino através da comunicação falada, que considera antinatural para a criança surda, que tem na linguagem gestual como forma de comunicação. Grosjean (2000) apresenta a importância do bilinguismo para os surdos:

Um bilingüismo língua oral/língua de sinais é a única via através da qual a criança Surda poderá ser atendida nas suas necessidades, quer dizer, comunicar com os pais desde uma idade precoce, desenvolver suas capacidades cognitivas, adquirir conhecimentos sobre a realidade externa, comunicar-se plenamente com o mundo circundante e converter-se num membro do mundo Surdo e do mundo ouvinte. (GROSJEAN, 2000, p. 5)

Segundo Quadros (2005) o Brasil tem como língua majoritária o português, embora o país seja multilíngue pelo grande número remanescente das línguas de indígenas, imigrantes e surdos brasileiros, assim como, nos Estados Unidos segue políticas linguísticas de subtração das línguas no lugar da adição, pelo temor que o uso de uma língua anule a outra, ignorando os benefícios da multiplicidade linguística desestimulada no espaço escolar. O bilinguísmo defendido pelo movimento dos surdos insere o grupo entre as minorias lingüísticas em contextos onde um grupo dominante detêm a língua de prestígio submetendo e restringindo a língua minoritária aos pequenos núcleos que reúnem os pares linguísticos. A imposição de uma língua de prestígio político social sobre outra língua minoritária tem um tom autoritário, entre a língua portuguesa e a LIBRAS existe o fator da modalidade oral- auditiva que de forma natural não é acessível ao surdo. A marginalização da língua de sinais significa a marginalização do surdo usuário da mesma impedindo seu exercício da cidadania onde vive. O movimento dos surdos em luta pelos direitos de ser bilíngue, ser educado e ter acessibilidade por meio da língua brasileira de sinais conquistou a Lei n.º 10.436 de 2002 regulamentada no Decreto n.º 5.626 de 2005, que reconhece a língua brasileira de sinais como meio legal de comunicação e expressão dos surdos brasileiros. O reconhecimento da língua de sinais presumiria o fim da disputa do estatuto da língua portuguesa e da língua de sinais para o surdo, principalmente para âmbito da educação, entretanto a educação bilíngue é objeto de mobilização dos surdos em prol de melhores condições e qualidade do ensino. No momento atual o movimento surdo está em negociação com o Ministério da Educação e Cultura - MEC na elaboração do Plano Nacional de Educação – PNE que propõe a educação inclusiva resumida à inserção do surdo acompanhado pelo intérprete da língua de sinais em salas regulares com o português falado como língua de instrução e o Atendimento Educativo Especial no contra-turno. Para os surdos a proposta inclusiva encara os surdos

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como deficientes e não como minoria linguística, o PNE exclui o direito à língua de sinais como primeira língua e o português na modalidade escrita como segunda língua em uma proposta educativa bilíngue assegurado pelo Decreto n.º 5.626 de 2005. A autora Quadros (2005) explica:

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...

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as propostas bilíngües estão estruturadas muito mais no sentido de garantir que

o ensino de português mantenha-se enquanto a língua de acesso ao conhecimento. A língua de sinais brasileira parece estar sendo admitida, mas o português mantém-se como a língua mais importante dos espaços escolares. Inclusive, percebe-se que o uso “instrumental” da língua de sinais sustenta as políticas públicas de educação de surdos em nome da “inclusão”. (QUADROS, 2005, p. 5)

A inclusão social do surdo com igualdade de oportunidades está diretamente ligada a garantia do direito lingüístico através de uma formação e instrução bilíngue da pessoa surda na escola e em outros espaços educativos. Se faz necessário a criação de políticas lingüísticas e ações educativas que reconheçam e promovam a formação dos surdos através do acesso a informação e comunicação através da língua brasileira de sinais e língua portuguesa. O acesso aos bens culturais é uma forma de ampliar o universo de conhecimento do indivíduo, para os surdos, a acessibilidade dos Programas de Ação Educativa dos museus podem ser de grande contribuição para o repertório cultural, meio de acesso a informação e conhecimento não obtidos e oportunizados em outros contextos educativos. Tendo em vista, a relevância da acessibilidade do museu para o público de surdos é necessário que as instituições culturais se preparem para atender a essa demanda para uma inclusão efetiva da pessoa surda.

2.2 MUSEU E SEU PAPEL SOCIO-CULTURAL NO PROCESSO DE INCLUSÃO

O movimento de Educação para Todos em 1990 tinha como propósito um acordo internacional de universalizar a educação básica e trouxe as crianças e adolescentes para o centro das Políticas Públicas com a garantia do direito à proteção integral. A Lei nº 8.069 de 1990 que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei nº 9.394 de 1996 de Diretrizes e Base da Educação Nacional representam uma parte do planejamento governamental na garantia de proteção integral a infância e juventude brasileira. (GOUVEIA, NILSON e FERREIRA, 2009)

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O ideal do movimento da Educação para Todos, de um lado tinha como objetivo colocar a educação ao alcance do maior número de brasileiros principalmente daqueles menos instruídos e favorecidos, mas de outro lado colocou a educação como solução para os problemas sociais. A educação foi incumbida de ser o subsídio necessário ao desenvolvimento, ascensão e inserção social do indivíduo, medida do Poder Público na erradicação da exclusão social. No entanto, o contexto da educação se caracterizava pela permanência das hierarquias entre os estratos sociais, as desigualdade e concentração de renda. Portanto a educação foi apresentada como solução para a exclusão social mas as estrutura social, o aparelho governamental e suas ideologias não sofreram mudanças significativas que compactuavam com o ideal de Educação para Todos. A proteção integral às crianças e jovens brasileiros redimensionou os direitos à saúde, alimentação, educação, lazer, moradia, profissionalização, cultura, igualdade, liberdade com segurança em família e comunidade, assim como, mobilizou diferentes setores políticos sociais para atender as expectativas e demandas de assistência integral. Nessa perspectiva, foi criada a Educação Integral baseada na formação integral que se dá em contextos formais e informais em processo de aprendizado contínuo da cultura e dos conhecimentos humanos. Sendo assim, o próprio conceito de educação se ampliou e o caráter educativo dos espaços se estendeu às praças, museus, bibliotecas, centros de saúde, estabelecimentos comerciais, parques, centros de cultura, locais de convivência, esporte, que foram reconhecidos e potencializados para fins de aprendizado. (GOUVEIA, 2009) A idéia de proteção integral é importante para se pensar nas Políticas Públicas como intervenção articuladas não de forma isolada através de atendimento à certas demandas inviabilizando o atendimento a outras. As demandas das necessidades básicas vão abranger o bem estar e outros elementos potencializados a favor do desenvolvimento do indivíduo. A perspectiva do atendimento integral também vai reconhecer que apenas um setor da sociedade não é capaz de produzir as transformações necessárias. Sendo assim, a educação sozinha não é solução para a exclusão mas precisa contar com outros setores no enfrentamento dos desafios sociais. Outros setores da sociedade vão se comprometer com o fim da exclusão, bem recebidos pelo Poder Público que lhes atribuiu a tarefa educativa para o fim da exclusão social no país, abrindo novos caminhos para outros paradigmas na educação. As Políticas Públicas passam a ser pensadas a partir da intersetorialidade dos serviços, ou seja, o âmbito da saúde aliado ao esporte na prevenção de doenças e promoção

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de sociabilidade defendida e incentivada pela cultura. Assim, a prestação de serviços passa a ser orientada pelo princípio de rede. (FERREIRA, 2009) A articulação em rede foi uma tendência seguida pelos movimentos sociais brasileiros na década de 90, a nova configuração da sociedade organizada contou com novos agentes sociais como as Organizações Não-Governamentais - ONGs e outras entidades na composição do Terceiro Setor em enfrentamento da exclusão daqueles não alcançados pelas políticas públicas. (GOHN, 2008) As entidades não-governamentais desenvolveram um trabalho de educação não- formal de caráter amplo visando a aprendizagem sobre os direitos de cidadão, a organização em benefício da comunidade, a habilidade para leitura de mundo, o desenvolvimento dos potenciais pessoais, explorando o campo da Arte, Educação e Cultura para a intervenção social. (GOHN, 2009) De acordo com Marandino (2009) no Brasil, a concepção de museu como espaço de educação não-formal surgiu juntamente com a organização civil em entidades não- governamentais articuladoras de programas e projetos para atender as demandas sociais negligenciadas pela educação formal inflexível aos desafios sociais. A autora considera que a educação formal se desenvolveu em paralelo a educação não-formal, ora se antecipou, supriu e complementou a ação-governamental. O museu assumiu papel educativo diferenciado em diferentes momentos com diferentes propósitos, ora como educação não- formal sendo uma instituição com projetos particulares a sua realidade, ora como educação formal pensando nas visitas de estudantes servindo de complementação dos conteúdos escolares e ora como educação informal pensando nas visitas em busca de entretenimento e sociabilidade. Os museus em sua constituição foram centros de produção de conhecimento através da conservação e preservação das diversas coleções úteis à pesquisas desenvolvidas em parcerias com instituições científicas para estudos dos acervos pelas diversas disciplinas do conhecimento acadêmico, exercendo influência conservadora sobre as exposições tendenciosas a legitimação das idéias científicas com roteiros de apresentação e apreciação linear e reforço da versão oficial da história. (BITTER, 2009) Reis e Pinheiro (2009) dizem que tanto a educação museológica quanto a educação escolar seguiram modelos de transmissão de conhecimentos universais. A ciência, a arte, a estética que deveriam ser acessíveis ao grande público ficaram à serviço do pensamento dominante. Se estabeleceu uma hierarquia do saber da camada média alta valorizado pelas

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escolas, museus, bibliotecas, teatros entre outras instituições da cultura letrada em relação ao saber da camada popular desvalorizado pela apropriação tardia da cultura letrada, apenas ao chegar à escola. Para as autoras, a Ação Educativa nos museus é a chave para diluir as fronteira entre a valorização do científico em detrimento do popular pensados como conhecimentos complementares que se constituem em produto da cultura humana. Araujo e Bruno (1995) apresentam a publicação com o título “Memória do pensamento museológico contemporâneo” através do qual contribuem para a compreensão do pensamento museológico a partir de quatro documentos históricos segundo o ponto de vista de autores que destacam aspectos da construção do conceito de museu ao longo do tempo. O primeiro documento corresponde as Conclusões do Seminário Regional da UNESCO no Rio de Janeiro de 1958 comentado por Hernan Crespo Toral destaca o museu atribuído da função de comunicar e exibir com a finalidade de estudo, educação e lazer com o papel de transformação e desenvolvimento da comunidade. Já a Declaração de Santiago em 1972 Hügues de Varine chama a atenção para a idéia de “museu integral” enquanto território de ação e mudanças sociais. A Declaração de Quebec de 1984 comentada por Mário Canova Moutinho apresenta a “nova museologia”, um movimento de organização de museus comunitários, ecomuseus e ateliês liderando intervenções comunitárias e a revitalização do saber popular visando a interdiciplinaridade entre o popular e científico e a superação da contemplação pela participação na construção do conhecimento. E a Declaração de Caracas de 1992 comentada por Maria de Lourdes Parreira Horta, indica a idéia de “museu integrado” que acompanha as transformações sociais, que se empenha no envolvimento com a comunidade em caráter de parceria, meio de comunicação e instrumento para compreensão das problemáticas sociais ao longo do tempo. O museu muda o foco de interesse antes voltado para as coleções em direção a comunicação e atendimento dos visitantes sob a perspectiva da “nova museologia” dedicando atenção a diversidade cultural, a interação entre os museus e realidade local, o incentivo e preservação do patrimônio cultural das minorias étnicas e populares. O museu redimensiona as atribuições educativas e as relações entre os profissionais do museu e o público, desenvolvendo uma Ação Educativa dialogada com exercícios de interpretação e participação do público (SANTOS, 2004). A Ação Educativa promovida pelos museus utilizou da mediação cultural como subsídio de aprendizagem dos conhecimentos da arte e cultura no contato com o conteúdo

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museológico, que exige a interpretação dos símbolos e códigos culturais para a construção do pensamento sobre o patrimônio, e para isso, contar com a mediação cultural com propostas para atender as expectativas do museu e do público em geral. (PANTOJA, MORAIS e PONTES, 2010) Segundo Tojal (2007) o museu tem como principal obstáculo de inclusão social a natureza simbólica do objeto museológico que implica em amplo repertório cultural e domínio de códigos para usufruto dos bens culturais, colocando em evidência a responsabilidade da Ação Educativa na democratização cultural para todos. Barbosa (2009) destaca que os primeiros serviços educativos em museus foram organizados na década de 50 na cidade do Rio de Janeiro. Na década de 80 serão organizados os departamentos educativos do Museu Lasar Segall e do MAC/SP que introduziu a leitura de imagem sistematizada na Abordagem Triangular adotada pelo sistema de ensino de arte de nível fundamental e médio que posteriormente foi integrada aos PCNs de 1996 e 1997. A partir dos anos 90 foram estruturados os setores educacionais que em virtude de grandes exposições no mesmo período visitadas por um grande número de escolares consolidando a importância do setor educativo nas instituições museológicas. A Ação Educativa surgiu como alternativa às práticas tradicionais dos museus e tinha como propósito auxiliar o ensino escolar como reforço dos conteúdos estudados em salas de aula. Mais tarde, a Ação Educativa tornou-se comprometida em atrair a atenção e despertar a curiosidade e criatividade do visitante utilizando de uma abordagem interdisciplinar. Atualmente a Ação Educativa assumiu o papel de ferramenta pedagógica mediadora entre o público e os objetos museológicos incitando o diálogo, a reflexão, a participação e a apreciação do visitante. (PANTOJA, MORAIS e PONTES, 2010) Tojal (2007) aponta a Ação Educativa com a incumbência de estabelecer e difundir princípios de políticas públicas de inclusão entre os diversos setores do museu, sendo este o setor que dispõem de conhecimento e contato direto com os diferentes tipos de públicos da instituição. A inclusão social através da Ação Educativa suscitou o compromisso com a eliminação de barreiras no museu de diferentes ordens: culturais, financeiras, territoriais, arquitetônicas, intelectuais, sensoriais entre outras que inviabilizassem o acesso aos bens culturais e agenciou o poder público na criação de programas especializados na acessibilidade dos museus. Em um processo de educação e proteção integral para todos, com ampliação dos direitos por meio de Políticas Públicas intersetoriais, o museu assumiu papel educativo

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importante na sociedade. O museu que foi interessado e dedicado ao acervo, atribuído da responsabilidade de manutenção e preservação do patrimônio cultural da humanidade voltou a atenção para o público, a partir de então, visto como razão de ser do museu. O museu entra em processo de transformação e desenvolvimento de estratégias metodológicas de comunicação e recepção dos visitantes. O público alvo do museu que compreendia um grupo seleto deu lugar a outro perfil de visitante advindos de grupos socialmente excluídos. Nesse contexto, foram criados os programas de Ação Educativa, inicialmente a serviço da escola e mais tarde comprometido em atrair e fidelizar os visitantes dos museu através de propostas sócio-educativas. A inclusão social através da Ação Educativa cobrou o compromisso na promoção de acessibilidade, que pressupôs a eliminação de barreiras de toda ordem de impedimento do acesso aos bens culturais. O público de pessoas com deficiência que encontrava muitas barreiras para ter acesso aos espaços culturais, através dos Programas de Ação Educativa que redimensionaram o atendimento aos diferentes tipos de público, foi contemplado por serviços especializados em um processo de democratização do museu e os bens culturais.

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3 ACESSO A ARTE E O PROCESSO DE INCLUSÃO

O segundo capítulo trata sobre o campo da arte e a interface com a inclusão, a partir de instrumentos legais que inserem a educação especial como modalidade no ensino regular passando a envolver todas as disciplinas curriculares no processo de inclusão e formação da pessoa com deficiência pela escola regular. A disciplina de arte no processo de inclusão foi alvo da apropriação de outras áreas do conhecimento que fizeram uso das práticas artísticas como instrumento e recurso de diagnóstico, tratamento e reabilitação do indivíduo. A arte que foi objeto da apropriação de outros saberes passa a ser vista como potencial de inclusão social nos programas educativos das entidades do Terceiro Setor que vão inspirar a arte-educação com as novas metodologias de ensino e aprendizado dos conhecimentos artísticos. A educação não-formal despertou o interesse das instituições museológicas, consideradas como espaço de educação não-formal, para essa vertente de ensino aprendizado estratégica para o desenvolvimento da Ação Educativa do museu em participação no processo de inclusão social através da democratização dos bens culturais. As instituições de bens culturais passam por mudanças do pensamento museológico sobre seu papel sociocultural, atribuições educativas e mediadoras dos bens culturais e responsabilidade na formação do cidadão e inclusão social. Os museus reestruturaram os serviços oferecidos a comunidade com o redimensionamento do atendimento de alcance ao maior e mais diversificado público e para tal propósito, estruturou o setor responsável pela Ação Educativa. A Ação Educativa em museus inicialmente estará atrelada a escola, tendo em vista que o maior público que as instituições concentravam correspondia a estudantes da comunidade onde o museu estivesse inserido. A Ação Educativa inicialmente desempenhou papel suplementar às atividades em sala de aula, no entanto, o setor educativo concentrou conhecimentos sobre o público institucional, portanto o mais indicado na produção de metodologias de mediação e recepção do público atendido pela instituição. A preocupação do museu com o compromisso social e a qualificação e ampliação do atendimento aos diferentes públicos levou a especialização dos serviços, entre eles o atendimento a públicos tais como as pessoas com deficiência. A diversidade dos públicos exigiu a atenção especial do setor educativo na criação de recurso e estratégias que atendessem as demandas específicas.

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3.1 ARTE E INCLUSÃO

De acordo com Silva e Galvão (2009) a primeira metade do século XX no Brasil, marcada pelo modernismo inspirou novas formas de compreender e fazer arte influenciada pelo pensamento de educadores e intelectuais que defendiam a presença da arte no processo educativo e reivindicavam o espaço para a produção e educação artística. O estado pernambucano teve papel significativo no movimento de promoção da arte através da sistematização do ensino, aproximação da arte com as camadas populares e fortalecimento do campo da arte. O movimento favoreceu a criação de organizações para difusão da arte, como o Movimento de Cultura Popular - MCP e o Movimento Escolinhas de Arte - MEA de tendência modernista baseada na livre-expressão para o desenvolvimento global da criança aliado aos campos da filosofia, psicologia, antropologia, história da arte, mitologia para fortalecimento do trabalho e produção artística na sociedade brasileira. Segundo Pitombo (2007) a partir de 1945 o ensino de arte seguiu a orientação tecnicista voltada para a capacidade visual e domínio da geometria visando um produto útil e a orientação dos ateliês e oficinas entre outros espaços de arte espalhados por todo o país fundamentados na livre-expressão, espontaneidade e criatividade na atividade artística. A Escolinha de Arte criada por Augusto Rodrigues, Lúcia Alencastro Valentim e Margareth Spencer preconizou a livre-expressão e também se aproximou da área clínica contando com o apoio da médica e psicopedagoga russa Helena Antipoff criadora da Associação Pestalozzi. Augusto Rodrigues foi professor de arte na Associação Pestalozzi que

desenvolveu um trabalho educativo no atendimento das pessoa com deficiência. A ligação entre a arte e a área clínica produziu frutos como o trabalho de Noêmia Varela na fundação da Escolinha de Arte em Pernambuco e a Escola de Educação Especial Ulisses que utilizou dos processos artísticos para a educação de pessoas com deficiência. A Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional – LDBEN de 1996 estabelece como diretriz curricular referente a disciplina de arte: “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o

desenvolvimento cultural dos alunos” 8

e referente as modalidades especial de ensino

“Entende-se por Educação Especial, para os efeitos desta lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de

8 LDBEN, 1996. Capítulo II. Artigo 26 § 2º. P. 23

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necessidades especiais. 9 A LDBEN/96 insere a disciplina de arte no processo de inclusão da pessoa com deficiência evidenciando o papel do ensino de arte na formação cultural do indivíduo, reconhece o estatuto da disciplina de arte e seus conteúdos em igualdade com as outras disciplinas curriculares integrantes do conjunto de conhecimentos básicos para a formação do estudante. Percebe-se no início do processo de inclusão que a arte estava atrelada a idéia de recurso não sendo propriamente o objeto de conhecimento das atividades artísticas. Ainda hoje se observa o uso da arte para diferentes fins em nome da inclusão, em alguns casos, o desenvolvimento de atividades artísticas servem como fonte de renda, habilidades manuais e auto-estima, como instrumento para diagnóstico, tratamento e ocupação de pacientes e no contexto escolar a arte ainda é utilizada como ilustração de conteúdos considerados mais difíceis, conteúdo de relaxamento entre uma disciplina e outra e ornamentação das comemorações do calendário escolar. De acordo com Reily (2010) em alguns espaços institucionais a arte foi resumida a prática manual e ocupacional pouco considerada como objeto de conhecimento:

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...

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muitos dos programas de arte desenvolvidos em contextos institucionais

sofrem de um viés terapêutico. Nessa perspectiva, o desenho e a pintura são utilizados como técnicas expressivas, como instrumentos diagnósticos, como meios de desenvolvimento de coordenação manual, voltados para trabalhar a auto- estima e a socialização. (REILY, 2010, p. 5)

Para Barbosa (2005) as artes visuais são importantes para o indivíduo torna-se apto a produzir e ler imagem, ter a compreensão, refletir e conhecer a produção humana de todos os tipos de imagem e aprender com elas. Significa a educação dos sentidos não de forma disciplinadora mas de forma a qualificar a apreciação em contínua reelaboração do olhar para a arte mesmo por aqueles que ao deixarem a escola não se tornaram produtores de arte. A arte-educação tem papel fundamental na mediação do conhecimento da arte tendo o museu como espaço mais indicado para a educação a partir do conhecimento da herança cultural de ontem, hoje e futura pertencente a todos e não a classe economicamente privilegiada que dispõe da formação necessária para a compreensão e apreciação da arte. Pitombo (2007) considera a educação especial como um ganho no conhecimento da arte pela pessoa com deficiência, pois, oportunizou atendimento a uma demanda reprimida e ofereceu serviço educativo especializado e diferenciado para esse público:

9 LDBEN, 1996. Capítulo V. Artigo 58. P. 43

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O ganho proporcionado pelo encontro da Arte com a educação especial é evidentemente qualitativo, na medida em que cria formas de possibilitar o contato de produção e apreciação pelos diferentes públicos. Cada ambiente e seus usuários, sejam museus, escolas/ateliê ou instituições especializadas, apresenta as necessidades específicas, com diferentes demandas. Às vezes não é possível transpor diretamente conhecimentos produzidos em contextos escolares para as práticas desenvolvidas em museus ou em ateliês, porque os objetivos podem ser diferentes. (PITOMBO, 2007, p. 146)

O exercício da arte na promoção da inclusão contribuiu com a ampliação dos espaços de ensino e aprendizado para além das escolas, resultando no desenvolvimento de novas práticas metodológicas pedagógicas de abordagem do conhecimento artístico. As entidades não-governamentais são um bom exemplo de arte e inclusão, essas instituições fizeram da arte um componente essencial dos programas educativos oferecidos a comunidade. Carvalho (2005) chama a atenção para a educação não-formal das ONGs como diferenciada da escola regular por sua dimensão educativa que supera a transmissão e fixação de conhecimentos visando o amplo desenvolvimento do indivíduo, com a principal diferença para os conteúdos de ensino e aprendizagem que são voltados as realidades e demandas locais atendidas pela organização. O papel ocupado pela arte no processo de inclusão social ganhou visibilidade através do trabalho de educação não-formal desenvolvido pelas organizações não-governamentais na instrução da população marginalizada e excluída dos programas educativos governamentais. Tais iniciativas inspiraram outros espaços com potencial educativo na adesão à causa da inclusão social, entre eles, as instituições museológicas tiveram grande interesse nas práticas pedagógicas não-formais para desenvolvimento dos Programas de Ação Educativa com o propósito da democratização dos bens culturais à todos os públicos sem discriminação de qualquer ordem. Pitombo (2007) destaca a importância da relação do campo da arte e a inclusão para o acesso das práticas artística as pessoas com deficiência antes impedidas pelo preconceito e desconhecimento da sociedade:

[

...

]

as atividades artístico -culturais têm facilitado trocas simbólicas, conversas

com diferentes universos. Antes desse advento, havia pouca oportunidade para deficientes produzirem ou apreciarem arte; partia -se do princípio que quem não tem coordenação não pode fazer uso do pincel, quem não vê não pode acessar a estética visual, quem não ouve não pode musicalizar-se. Assim, essa flexibilização na Arte, juntamente com a conquista dos direitos das minorias, foi o que permitiu abrir caminhos às práticas artísticas, possibilitando os diferentes tipos de propostas para as pessoas com deficiência. (PITOMBO, 2007, p. 148)

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Segundo Pio (2011) o papel da arte como expressão cultural da identidade individual e coletiva e das diferenças dos grupos sociais conquistou seu reconhecimento pela sociedade ratificado pelos conjuntos de leis, declarações dos direitos humanos, convenções, instrumentos de leis estaduais e municipais, demonstrando o entendimento de que o acesso à cultura é um direito ligado ao exercício da cidadania, sendo um importante fator para o desenvolvimento social. Dessa forma a mediação cultural amplia sua área de atuação amparada pelas políticas públicas de incentivo a produção e conhecimento cultural.

3.2 ARTE E A ACESSIBILIDADE DOS PROGRAMAS DE AÇÃO EDUCATIVA

As transformações culturais e político-sociais implicaram em novos paradigmas para as práticas museológicas, o museu assumiu atribuição além da preservação cultural também as educacionais, turísticas e lazer, portanto, sendo necessário pensar questões relacionadas a discriminação e desigualdade social para o comprometimento com a inclusão de todos os públicos. A inclusão a partir dos museus não tange aspectos políticos governamentais de alteração direta dos estratos sociais, limites da pobreza e mesmo do crime, mas pode ter efeitos sob a auto-estima, o sentimento de identificação e pertencimento com o patrimônio nacional e influência sobre as problemáticas da desigualdade, injustiça e discriminação. (SANTOS, 2009) Uma das principais mudanças sociais do século XXI é a inclusão em respeito às diferenças humanas, que pode ser percebida no sistema educacional, nas famílias, no trabalho e em outras esferas da sociedade, mas em contrapartida algumas doenças, acidentes de trânsito, a violência entre outros fatores são a causa de inúmeras incapacidades ao indivíduo. Nesse contexto, o museu não poderia ficar alheio ao acesso do patrimônio e manifestações culturais significando ficar a margem do processo de inclusão e negar o papel da cultura como agente de desenvolvimento social. (SARRAF, 2008) A proposta de inclusão no sistema regular de ensino ampliou o entendimento de educação e estendeu a competência da educação formal às organizações não-formais, reconhecidas como complementares no desenvolvimento de ações para a educação dos diferentes públicos. Como isso, adota-se a filosofia de museu como canal comunicativo entre o objeto cultural e o público, por meio da mediação em lugar da transmissão de conhecimentos e redimensionamento da participação do visitante. A Ação Educativa vai assumir uma atitude mediadora de diálogo com o visitante e também vai se dedicar a realizar

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um trabalho de recepção dos diferentes públicos, dentre eles, as pessoas com deficiências. (TOJAL, 2007) Fonseca da Silva e Azevedo (2010) chamam a atenção para a importância da parceria entre a escola e o museu no processo de inclusão social:

Na perspectiva inclusiva, cabe não só o acesso ao espaço cultural, mas também a permanência com qualidade, significando o direito a seu processo expressivo, sua aprendizagem artística e a socialização com os demais participantes e os produtos artísticos de diferentes tempos. Defendemos também, com o suporte diferenciado necessário a cada uma das crianças do contexto regular de ensino, que a aula de arte mantenha um diálogo com a produção dos espaços culturais, ampliando o contato com a arte, o artista e o próprio espaço cultural. (FONSECA da SILVA e AZEVEDO, 2010, p. 13)

A atenção dos espaços de arte para o processo de inclusão se dá no mesmo momento em que há uma preocupação com a democratização dos bens culturais às minorias menos favorecidas, sobre as quais, presumia-se que o pobre repertório e a pouca ou inexistente prática reflexiva sobre à produção artística levavam a falta de domínio dos princípios estéticos sendo um impedimento ao acesso dos códigos necessários para a compreensão da arte. Essa problemática impulsionou a proposta de sistematização e metodologia de leitura para apreciação da imagem e criação de Programas de Ação Educativa em museu para a formação dos diferentes públicos. (BARBOSA, 1991; TOJAL e OLIVEIRA, 1999). Para Tojal (2007) a inclusão social nos espaços museológicos depende de uma política cultural que tem como pensamento a responsabilidade social abrangente à todas as áreas de atuação institucional, desde o gerenciamento de coleções, pesquisas, documentações, educação e seus aspectos referentes a concepção da exposição, recursos e comunicação, toda a prática museológica pensada a partir da interdisciplinaridade dos setores e áreas de trabalho abertos e dispostos a reconhecer e valorizar a participação dos diferentes grupos e as contribuição que oferecem ao trabalho realizado pelo museu. Para pensar uma política cultural que envolva a interdisciplinaridade nos museus cabe lembrar os diferentes tipos de acessibilidade definidas por Sassaki 10 . Acessibilidade Arquitetônica na eliminação de barreiras ambientais físicas, nas residências, nos edifícios, nos espaços urbanos, nos equipamentos urbanos, nos meios de transporte individual ou coletivo. Acessibilidade atitudinal na eliminação de barreiras causadas pelo preconceito, estigma, estereótipo e discriminação entre as pessoas. Acessibilidade comunicacional que trata sobre eliminação de barreiras na comunicação face a face, pela língua de sinais, escrita

10 Consultar terminologia “acessibilidade”. Disponível em: http://www.escoladegente.org.br/terminologia.php.

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de jornal, revista, livro, carta, apostila e indisponibilidade em braille ou uso do recurso digital. Acessibilidade instrumental na eliminação de barreiras para usufruto dos utensílios e aparelhos da estudo, trabalho, lazer, atividades turística, esportiva e etc. Acessibilidade metodológica na eliminação de barreiras nos métodos e técnicas para usufruto do estudo, trabalho e vida social, cultural, artística e familiar. Acessibilidade programática na eliminação de barreiras em leis, decretos, portarias, normas e regulamentos que por vezes são equivocados aos propósitos de sua existência. Segundo Santos (2009) existe uma tendência da associação entre acessibilidade e pessoa com deficiência mas isso reduz o conceito de acessibilidade, importante para qualquer pessoa que venha a necessitar de condições especiais de acesso, seja a pessoa com deficiência, criança, idoso, gestantes ou em condições de limitação temporários ou permanentes ocasionada por um evento na trajetória do indivíduo. A autora chama a atenção para as barreiras na concepção dos espaços, serviços, bens e aparelhos públicos que não oportunizam a qualidade de vida para todos. As barreiras não inerentes a deficiência ou as condições de restrições eventuais da pessoa, mas ligadas a falta de um Plano de Acessibilidade:

Para desenvolver uma visão global da qualidade de vida, partindo de uma reflexão sobre a acessibilidade, é necessário entender que as dificuldades de acesso são desencadeadas pela incapacidade de interacção, entre uma pessoa e o meio ambiente que a rodeia. É no ambiente que se manifestam as situações que levam à incapacidade. Neste âmbito, pode-se comprovar a importância da obtenção de um instrumento metodológico que possa ser utilizado de forma a programar, executar e avaliar. O plano de acessibilidade é, sobretudo, uma ferramenta de trabalho que visa a participação de um conjunto de autores que serão sensibilizados (através do próprio plano), para a importância da integração da acessibilidade como catalisador do desenvolvimento da qualidade de vida. (SANTOS, 2009, p. 65)

Oliveira (2006) em sua pesquisa de mestrado apresenta algumas iniciativas de inclusão social e acessibilidade em espaços culturais dentre as quais serão destacadas três mais importantes para esse estudo. A primeira delas é o programa americano Arte sem Barreiras, lançado no Brasil em 1990 pela Fundação FUNARTE, com o objetivo de desenvolvimento da criatividade e habilidades através da arte como linguagem universal de

expressão e sentimentos da pessoa com deficiência. O segundo programa foi lançado em 1991 pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, que criou o projeto permanente “Museu e Público Especial” sob a coordenação de Amanda Pinto da Fonseca Tojal, resultando na Ação Educativa e Cultural, que propiciou a elaboração e aplicação de materiais multi-sensoriais e tridimensionais na percepção dos objetos museológicos. O terceiro Programa Educativo para Públicos Especiais – PEPE foi criado no ano de 2003 pela

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Pinacoteca do Estado de São Paulo idealizado por Tojal, para o atendimento e acesso do público especial ao acervo adaptado em maquetes táteis, textos em Braille, jogos e outros recursos de mediação. As três iniciativas educativas referendadas acima envolveram o campo da arte e a pessoa com deficiência representando o início de propostas educativas sistematizadas e preocupadas com a acessibilidade à arte por meio da mediação especializada dos públicos específicos. A partir dessas experiências é possível perceber um movimento de reordenação dos espaços museológicos articulando mudanças estruturais da instituição e ações metodológicas pedagógicas tanto para recepção quanto para mediação das pessoas com deficiência. Sarraf (2008) o processo de inclusão social produziu mudanças nas concepções de comunicação, apresentação e apreciação nos espaços museológicos com benefícios para todos:

Parâmetros do movimento de inclusão social que defendem conceitos como a valorização das diferenças, a convivência dentro da diversidade humana e a equiparação de oportunidades. Conhecendo tais conceitos e seguindo a premissa de trabalhar proporcionando o protagonismo de seus beneficiários, os museus poderão de fato desenvolver uma linguagem acessível e reconhecível por meio da apresentação de conteúdos de forma multissensorial; contribuir com o desenvolvimento social, humano e crítico por meio de propostas de mediação que considerem as diferenças se seus públicos e propor novas formas de comunicação baseada na participação e na interação de diferentes vozes. Assim, a interação do museu à comunidade trará benefícios endógenos e exógenos, que se enriquecem mutuamente. (SARRAF, 2008, p. 66)

A partir da proposta de Ação Educativa para público de pessoas com deficiência, com foco do atendimento para a pessoa com deficiência visual desenvolvida pelo MAC observa- se a nova configuração da mediação especializada para pessoas com deficiência. A deficiência visual será abordada como fator de dinamização, contribuição e renovação das políticas culturais da instituição. A ausência ou limitação do sentido da visão é entendida como meio de estimulo e uso dos outros sentidos a serem interpretados pelo mediador como possibilidades de novas propostas de interação, apresentação e apreciação do objeto museológico favorecendo diferentes formas de exploração e descobertas por todos os públicos. Tojal (1999) fez alguns apontamentos sobre a pessoa surda e o entendimento do museu como lugar predominantemente visual que o tornaria atraente, receptivo e prontamente adaptado para a pessoa surda, no entanto, faz a ressalva que imagem ou objeto museológico requerem mais do que visualização, contam com informações por meio da

32

comunicação verbal e escrita que exigem um canal de recepção e uso da linguagem diretamente afetado pela surdez. Ela aponta que o museu acessível para a pessoa surda pressupõe a reelaboração da comunicação museológica seja visual ou verbal deve ser acessível ao surdo e consequentemente beneficiará o público de forma geral. A partir de alguns autores é possível refletir sobre o acesso dos surdos ao conhecimento da arte que demonstra estar ligado ao autoreconhecimento do surdo em meio à uma sociedade com maioria de ouvintes, em que conhecer e realizar produções artísticas assume função de reforçar o espírito identitário e coletivo da comunidade surda. Caldas (2006, p. 43) trata o ensino de arte para o surdo como possibilidade de desenvolvimento da auto-estima e produção pessoal comprometida com a causa da surdez “ considera-se necessário o conhecimento da arte e expressão surda por parte dos professores, que precisam conhecer a arte surda para que o aluno surdo possa desenvolver sua criatividade e não se envergonhe ou esconda sua arte”. Strobel (2008, p. 66) abordar sobre o sentimento de identificação dos surdos com um grupo social onde partilham experiência de vida através da visualidade e da língua de sinais que resultam em produções na literatura, arte, esportes e política. A produção na arte: “

surdos fazem muitas criações artísticas que sintetizam suas emoções, suas histórias, suas subjetividades e a sua cultura. O artista surdo cria a arte para que o mundo saiba o que pensa”. Anjos (2008, p. 9 e 15) defende o resgate da auto-estima do surdo a partir do conhecimento do histórico de produções artísticas para autoreconhecimento positivo da experiência da surdez, a autora mapeou a produção artística de surdos de denominou como arte surda: “ aquela que representa uma identidade cultural, assumindo uma expressão

própria conforme a história

[...]

envolve geralmente criações artísticas que mostra sua

cultura, emoções e sentimentos”. A formação do surdo é marcada por barreiras enfrentadas desde o período de aquisição da linguagem e segue influenciada pelo conflito no reconhecimento do bilinguísmo ao longo da vida estudantil. Os surdos encontram no campo da arte conhecimentos que se apresentam acessíveis a visualidade e flexíveis ao certo e errado, uma gama de linguagens a disposição da experimentação, um fazer artístico que permite o teor autobiográfico, contestação e afirmação. O conhecimento da arte entre os surdos tem como motivação primeira a expressão e manifestação em prol da causa da surdez.

33

Iniciativas educativas para o acesso do surdo a arte são significativas para que se tenha contato com conhecimentos, que já são explorados pelos surdos em exercícios artísticos. O museu se mostra como espaço propício para o acesso do surdo aos conhecimentos de arte acompanhados da reflexão e até da produção em arte. Explorar o potencial de expressão e denúncia da arte através do fazer artístico é válido mas a mediação dos princípios estéticos da arte acessível ao surdo pode resultar em grandes talentos e um legado de produções consistentes que venham somar-se a área artística.

34

4. O ESTADO DA ARTE DAS PESQUISAS SOBRE OS PROGRAMAS DE AÇÃO EDUCATIVA E O ATENDIMENTO AO PÚBLICO DE SURDOS

O terceiro capítulo conta com a análise das publicações de pesquisas do campo da arte voltado para a inclusão, sobre as quais, é possível perceber que ainda são insuficientes para suprir as necessidades do entrelaçamento das duas áreas. Contudo, as questões em comum entre arte e inclusão são profícuas para a investigações e formação de grupos de pesquisas com propostas de trabalhos diversos, portanto necessitamos dar visibilidade aos estudos dessa área. As pesquisas se desenvolveram com diferentes focos de interesse tais como a formação de professores, a construção metodológica do ensino de arte na perspectiva inclusiva, propostas experimentais de inclusão da pessoa com deficiência em escolas, ONGs e espaços culturais. O número restrito de investigações sobre a mediação em espaços culturais para público de surdos motivou mapeamentos dos trabalhos referentes ao tema, tendo em vista, a possibilidade de sistematização do pequeno número de produções que compreendem “o estado da arte” das produções dedicadas a questão. As pesquisas apresentaram dados que apontam para a reflexão sobre a oferta dos programas de pós-graduação em artes visuais voltados para a temática de inclusão e arte nas linhas de ensino, a formação de professores de arte frente ao processo de inclusão na escola regular, a educação em arte e a inclusão em espaços não-formais de ensino, entre outras questões passiveis de aprofundamento em outros estudos. A proposição é identificar “o estado da arte” das pesquisas que tratam sobre a acessibilidade dos Programas de Ação Educativa que contemplem o público de surdos em um estudo introdutório

35

4.1 PESQUISAS DO CAMPO DA ARTE VOLTADAS PARA A INCLUSÃO

Reily (2010) aponta que no Brasil a prática em arte com públicos especiais não corresponde ao número incipiente de literaturas que abordam a arte e a deficiência, tais publicações datam os últimos 25 anos, com um aumento do número de artigos e capítulos em livros, dissertações ou teses sobre a temática. A autora diz que as pesquisas antes atreladas às escolas especiais, espaços clínicos e terapêuticos atualmente mostram ser objeto de interesse dos espaços culturais, museus, centros culturais e ateliês com propostas de atender o público especial. A seguir destacamos no cenário das pesquisas sobre o tema da inclusão e arte, alguns pesquisadores que desenvolveram estudos, projetos e publicações de grande contribuição para o ensino de arte, a mediação de Programas de Ação Educativa, acessibilidade em museus e a inclusão. A primeira pesquisa em destaque é de Martins (2007 Α ) coordenadora do Grupo de Pesquisa Mediação arte/cultura/público e docente na disciplina Mediação Arte/Público oferecida pela Pós-Graduação do Instituto de Artes da UNESP/SP entre os anos de 2001, 2003, 2005 e 2006. A pesquisa resultou na publicação da revista Mediação: provocações estéticas em 2005 e Mediando [con]tatos com arte e cultura em 2007 e teve como desdobramento o evento “[con]tatos com mediação cultural: ciclo de conversações no SESC Pinheiros em São Paulo e o trabalho de análise com a publicação dos Cadernos de Alunos do Projeto São Paulo Faz Escola da Secretaria do Estado de São Paulo distribuídos na rede de Ensino Fundamental II e Ensino Médio observando os cadernos como instrumento de mediação cultural dos alunos da rede pública de ensino. Cabe destacar a importância do Seminário [con]tatos com mediação cultural realizado no SESC Pinheiros em São Paulo em quatro encontros que trataram temáticas voltadas para o visitante das exposição, a mediação, a curadoria educativa, as políticas e práticas para a formação cultural abrindo espaço para o debate sobre arte e inclusão. O seminário reservou um momento para a apresentação de projetos de acessibilidade em instituições de bens culturais à públicos específicos, como o público de pessoas com deficiência, retratados nas falas de Gabriela Aidar sobre projetos de inclusão social e Amanda Tojal sobre a Ação

Α MARTINS, Mirian Celeste. [con]tatos com mediação cultural: ressonâncias de um ciclo de conversações no SESC Pinheiros em São Paulo. In. Anais do 16° Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisadores de Artes Plásticas Dinâmicas Epistemológicas em Artes Visuais em Florianópolis.

36

Educativa envolvendo públicos especiais. (MARTINS, 2007 Β , p.12 - 40) O espaço para o debate envolvendo a arte e inclusão nos espaços culturais demonstra a importância da questão e a visibilidade dos trabalhos e pesquisas dedicadas ao tema. As pesquisas desenvolvidas por Fonseca da Silva (2007, 2008, 2009 e 2010) voltadas ao ensino de arte e a inclusão se inserem como importante trabalho em um contexto carente de estudos na área. A partir de algumas publicações, é possível dizer que as pesquisas tiveram início no ano de 2006 com a criação do Laboratório de Educação Inclusiva – LEDI. O estudo inicial investigou o contingente de alunos com deficiência no ensino fundamental e médio da rede pública de Florianópolis e ao mesmo tempo fez um levantamento do público com deficiência e as condições de acessibilidade para servidores, alunos e professores da UDESC, instituição que fomentou a pesquisa. (FONSECA da SILVA e KIRST, 2010) Em sua continuidade, a pesquisa desenvolveu um estudo piloto sobre a construção de prática pedagógica e uso de objeto pedagógico no ensino de arte em sala inclusivas da rede pública de ensino de Florianópolis do estado de Santa Catarina. É importante compreender o conceito de objeto pedagógico proposto por Bornelli e Fonseca da Silva, que segundo ela não se restringe a um tipo de material didático ou jogo educativo caracterizando-se de forma particular e ao mesmo tempo ampla:

O objeto pedagógico como conjunto de materiais, práticas, ferramentas e ações didáticas utilizadas pelo professor para mediar no processo de aprendizagem dos alunos em conjunto, objetivando ampliar a participação do estudante com deficiência e proporcionar a aproximação entre os alunos e entre aluno e professor. (BORNELLI e FONSECA da SILVA, 2007. P. 2)

Ainda sobre o estudo piloto, nos anos de 2007 e 2008 a pesquisa realizou entrevistas e observações das aulas de arte em salas com crianças com deficiência, tendo como categoria de análise, a inclusão, a formação de professores, papel da arte no processo de inclusão e políticas públicas. (FONSECA da SILVA, 2009) Outro importante trabalho investigativo se deu no programa de extensão Arte e Inclusão: Mediações Significativas com o desenvolvimento de três projetos na forma do intercâmbio via internet entre três escolas em uma proposta inclusiva a partir da arte por meio da plataforma Moodle, na forma de Oficina de Objetos Pedagógicos de Arte para Professores e na forma de Mediação Educativa para Público de Cegos com desdobramento

Β Mirian Celeste Martins publicou a Revista Mediando [con]tatos com arte e cultura pela Universidade Estadual Paulista.

37

na exposição Mundos Tangíveis. A proposta do Programa Arte e Inclusão: Mediações Significativas é apresentado pela pesquisadora da seguinte forma:

[

...

]

Intencionados a qualificar socialmente o trabalho com artes na escola e

espaços culturais, o projeto pretende democratizar o acesso informacional e a inclusão dos grupos diferenciados no ambiente educacional e cultural, integrando também as instâncias tecnológicas e culturais. (FONSECA da SILVA e AZEVEDO, 2010, p. 6)

Uma importante vertente da pesquisa de Fonseca da Silva é o trabalho voltado para a

produção acadêmica científica através da promoção dos Encontros do Grupo de Pesquisa Educação Arte e Inclusão realizados desde o ano de 2006. O evento tem como interesse incentivar a produção de conhecimento na área e propiciar espaço de troca de experiências e saberes entre professores, pesquisadores, graduando e pós-graduando envolvidos com as áreas da educação, arte e inclusão. Um importante desdobramento do grupo de pesquisa foi a

criação da Revista Educação Artes e Inclusão 11

que veio a contribuir como periódico de

referência na área reunindo artigos de autores nacionais e internacionais com estudos teóricos

e práticos para a discussão e reflexão pertinentes à área.

Outro trabalho voltado para a produção acadêmica científica é o Projeto Diálogos entre Arte e Público sob a atual coordenação de Regina Buccini Pio que apresenta o trabalho desenvolvido desde 2008 na formação de público e divulgação dos programas e ações educativas culturais realizados para toda a sociedade. O projeto realiza encontros anuais que reúnem pesquisadores nacionais e internacionais e suas produções com edições em forma de Cadernos de textos e referências sobre a área. Pio (2011) destaca a terceira edição do Caderno de 2010 referente às pesquisas sobre a acessibilidade cultural como oportunidade de debate e reflexão sobre as novas demandas na formação de públicos. Ela menciona alguns autores da terceira edição, tais como: Maria Isabel Leite que tratou sobre a criança e o museu; João Vicente Ganzarolli que abordou a cegueira e a relação com a arte; Viviane Sarraf, que destacou a reflexão sobre os desafios da mediação cultural e o potencial da sensorialidade dentro dos museus; O Programa Igual Diferente do MAM de São Paulo que apresentou o trabalho de mediação em Língua Brasileira de Sinais; o Projeto Fotolibras de Recife que relata a experiências e resultados fotográficos dos participantes do projeto, Francisco José Lima e outros autores que trataram

11 “Educação, Artes e Inclusão” é uma revista virtual anual que se encontra disponível no endereço eletrônico:

38

da áudio-descrição em museus e os estudos da tradução visual para a acessibilidade e por último o trabalho realizado pela Pinacoteca de São Paulo com públicos especiais. Nunes (2009) realiza uma pesquisa bibliográfica sobre o número de trabalhos que abordam as “artes visuais em inter-relação com a inclusão” a partir dos anais dos Congressos da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas entre as edições e volumes dos anos de 2004 e de 2008. A autora reuniu dados que totalizaram em 755 publicações selecionadas dentre as quais 182 trabalhos tratavam do tema em estudo com apenas 24% relacionadas ao campo educacional, cultural, artístico e tecnológico em interface com a inclusão indicando pouca dedicação de pesquisadores para tal problemática. A pesquisa de Simó (2009) tinha como propósito identificar o “estado da arte” das pesquisas que abordassem sobre arte e inclusão, o trabalho realizou um levantamento bibliográfico das teses de doutorado realizadas no Brasil entre o ano de 1998 ao ano de 2008. A pesquisa teve como interesse as produções que apresentassem a inclusão da pessoa com deficiência por meio do ensino de arte, que até então se mostravam inexistentes apontando a urgência e necessidade de publicações na área. Entrem os resultados do trabalho de Simó, um deles indica as pesquisas com abordagem do tema não vinculadas à programas de pós-graduação em artes sugerindo que os programas de pós-graduação em artes visuais não estejam oferecendo linhas de ensino de arte voltados para a inclusão. Outro resultado da pesquisa que vale chamar a atenção é questão da formação deficitária dos professores de arte para o ensino de pessoas com deficiência pressupondo que a inclusão efetiva depende do preparo adequado dos profissionais da educação na criação de instrumentos e metodologias de ensino favoráveis a todos os alunos. A partir do panorama das pesquisas do campo da arte voltadas para a inclusão e o interesse em conhecer as propostas de acessibilidade dos Programas de Ação Educativa que contemplem públicos de surdos, torna-se significativa a proposição de investigar o “estado da arte” das pesquisas sobre a questão a fim de compreender o que já foi pensado e desenvolvido para o acesso dos surdos aos conteúdos de arte e bens culturais registrados e relatados em produções sobre o assunto.

39

4.2 O QUÊ AS PESQUISAS APRESENTAM SOBRE OS PROGRAMAS DE AÇÃO EDUCATIVA EM ESPAÇOS CULTURAIS E MUSEOLÓGICOS

O mapeamento bibliográfico proposto no presente trabalho utilizou como fonte de dados os periódicos de divulgação das produções sobre a temática, tendo em vista que essas publicações são fontes de rápido acesso em rel ação a livros e pesquisas acadêmicas além de apresentarem um conjunto de textos recentes com questões e temática em comum. Os periódicos consultados correspon dem a Anais, Cadernos, Atas de seminários, c ongressos e eventos de divulgação de pesqu isas na área, assim como revistas virtuais e impressas contendo artigos pertinentes ao objeto do estudo proposto. A consulta dos periódicos contou com os referenciais conhecidos referentes a grupos de pesquisas, encontros, colóquios, seminários, congressos entre outros eventos que reúnem produções voltadas para o Ensino de Arte, Programas de Ação Educativa em instituições de bens culturais e a cessibilidade para Públicos Específicos, com particular interesse no público de surdos. A maior parte das informaçõe s foram obtidas por meio de textos digitais on - line encontrados em banco de dados de web sites disponíveis na internet . Através das leituras foi possível o contato com periódicos antes des conhecidos, que ampliaram o repertório de referencia is p ara a pesquisa , no entanto , a maioria das fontes de dados utilizada s contou com informações disponíveis na rede e algumas informações não foram localizadas devido à desatualização do endereço eletrônico, informações dispersas em diferentes home page s , conte údos com acesso não gratuito, edições incompletas de algumas publicações e a não divulgação das produções resultantes dos eventos acadêmicos científicos via internet ou indicação para aquisição. Por outro lado, é relevante mencionar as significativas informações disponibilizadas por portais e websites de organizações tais como: Observatórios de museus e centros culturais - OMCC e Conselho Internacional de Museus – ICOM/BR contendo seções com artigos digitais e publicações conectadas aos bancos de dados de importantes instituições de ensino superior, não consideradas para análise devido a não pertinência dos títulos para o presente estudo e pelo levantamento bibliográfico contar apenas com artigos, já que se propõe ao estudo introdutório e sucinto das pesquisas na área.

40

Contudo , no levantamento inicial dos periódicos obteve -se o resultado apresentado

na tabela 12

a seguir , em que cons tam os nomes, formatos , volumes ou número s das

edições e ano das publicações encontradas . Os seguintes dados se propõe m a situar o território de abrangência do estudo, o contingente de fontes e dados selecionados e o teor das informaç ões sobre acessibilidade dos Programas de Ação Educativa das instituições de bens culturais para público de surdos.

 

Periódicos selecionados

Nome

Tipo

Ano/ Vol. / Ed.

Artigos

Con. Nac. da Fed. Arte-Educadores Brasileiros –

Anais

2006/ XV

 

ConFAEB

2007/XVII

1

2010

/XX

Grupo de Pesquisa Mediação /Arte/Cultura/Público

Anais

2007/v. 1, nº 1

1

Encontro do Grupo de Pesquisa Educação, Arte e Inclusão

Anais

2010/VI

1

Programa Arte sem Barreiras/FUNARTE

Anais/Caderno

2000/VI

-

2003 - ano 2 n. 3

Diálogos entre Arte e Público

Caderno

2008

- v. 1

 

2009

- v. 2

3

2010

- v.3

Revista Educação, Artes e Inclusão

Revista virtual

2008 –v.1,n.1

 

2009

– v.1,n.2

-

2010

– v.1,n.3

Revista Eletrônica Jovem Museologia

Revista virtual

2006/1 – v. 1, n. 1 2006/2 – v. 1, n. 2 2007/1 – v. 1, n. 3 2007/2 – v. 2, n. 4

-

2008/1

- v. 3, n.5

Revista Brasileira de Museus e Museologia - MUSAS

Revista virtual

2004

– n. 1

-

2006

– n .2

2007

– n. 3

Revista Museologia e Patrimônio

Revista virtual

2010

-

Revista Nacional de Reabilitação Reação

Revista Impressa

2011/ 1 ano XIV,

1

12 A organização dos dados estruturados na tabela tomou como referência Simó, 2010, p. 45.

41

   

n.78

 

Museus, coleções e patrimônios

Revista de conteúdo não gratuito

-

-

Revista Museu

Portal

s/d

-

* Ensaios e Práticas em Museologia

Livro

2011 - v.1

1

* I Seminário de Investigação em Museologia dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola

Ata

2010

2

* Asociación Asturiana de Bibliotecarios, Archiveros, Documentalistas y Museólogos

Boletim

2002/ XIII

1

A partir dos periódicos encontrados o trabalho teve como sequência a seleção dos artigos com especial atenção ao conteúdo apresentado pelos resumos entendidos como parâmetro da escolha para compor o conjunto de textos pertinentes a proposta do estudo. A autora Ferreira (2002) apresenta as limitações e possibilidades do uso dos resumos de t extos acadêmicos para um inventá rio das produções de co nhecimento em uma determinada área:

[

]

pode-se estabelecer a partir de uma certa ordenação de resumos uma rede

... formada por diferentes elos ligados a partir do mesmo suporte material que os

abriga, pela opção teórica manifesta, pelo tema que anuncia, pelo objetivo explicitado da pesquisa, pelo procedimento metodológico adotado pelo

pesquisador. [

]

Ainda, podemos dizer que a História de certa produção, a partir

... dos resumos das pesquisas, não oferece uma compreensão linear, uma organização lógica, seqüencial do conjunto de resumos. Entre os textos há lacunas, ambigüidades, singularidades, que são preenchidas pela leitura que o pesquisador faz deles. Então, a História da produção acadêmica é aquela proposta pelo pesquisador que lê. Haverá tantas Histórias quanto leitores houver dispostos a lê -

las. ( FERREIRA, 2002, p. 268 - 269)

Considerando os apontamentos em relação às produções selecionadas na pesquisa bibliográfica , a leitura dos resumos foi entendida como um procedimento metodológico para a formação de um quadro geral de informações , levando em conta que o mapeamento gerado a partir d essas leitura s não implica em um resultado fechado mas uma entre tantas possíveis leitura s da produção do campo de conhecimento em investigação . Cabe lembrar que Flick (2004) adverte sobre os textos como base das pesquisas bibliográficas que devem ser entendidos como interpretações e meios de apresentação do objeto em estudo, assim como, o serão no levantamento de produções das pesquisas sobre a área em estudo.

42

Os artigos selecionados entre os periódicos estão indicados na tabela abaixo onde constam dados tais como: autor, título do artigo, o periódico de publicação e objetivo a que o texto se propõe.

 

Artigos selecionados

 

Autor

Título

 

Periódico

 

Ano

Maria C. de Souza Lima Rizzi Marina Fenício Soares Batista

“Museu da Imagem e do Som: Iniciativas de Inclusão”

Con. Nac. da Fed. Arte-Educadores Brasileiros - ConFAEB

2010

Celso Favaretto, Gabriela Aidar,

“Entre a aproximação e o estranhamento: a

Grupo

de

Pesquisa

Mediação

2007

Patricia Durães e Amanda Tojal

mediação e o público”

/Arte/Cultura/Público

Daniela Almeida

VI Encontro de Pesquisa Educação, Arte

2010

Moreira

e Inclusão

Viviane Panelli

“Acessibilidade e Comunicação Sensorial

   

Sarraf

nos Museus e Espaços Culturais: Novos desafios para a mediação”

2010

Cibele Lucena, Joana Zatz Mussi e Daina Leyton

“O projeto Aprender para ensinar: a mediação em museus por meio de Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS”

Diálogos entre Arte e Público

2010

Amanda Fonseca Tojal, Margarete de Oliveira, Maria Christina da Silva Costa e Sabrina Denise Ribeiro

“A inclusão de públicos especiais em museus: o Programa Educativo para públicos Especiais da Pinacoteca do Estado de São Paulo”

2010

Neivaldo Augusto

“Acessibilidade em museus para surdos:

Revista Nacional de Reabilitação Reação

2011

Zovico

como andam as políticas públicas e ações para atendimento de visitantes surdos”

Sónia Santos

“Museus Inclusivos: realidade ou utopia?”

Ensaios e Práticas em Museologia

2011

Regina Cohen, Cristiane Rose Duarte e Alice Brasileiro

“O acesso para toda a cultura do Rio de Janeiro”

I Seminário de Investigação em Museologia dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola

2011

Josélia Neves

“Comunicação Multi-Sensorial em contexto museológico”

2011

Pedro Lavado

“Museus sin Barreras y sin Fronteras:

Asociación Asturiana de Bibliotecarios,

2002

43

Paradinas

Integración”

Archiveros, Documentalistas y Museólogos

 

A partir da leitura dos dados apresentados na tabela é possível fazer algumas

considerações iniciais. O primeiro dado da tabela a ser analisado é o ano das publicações a partir de 2000 tendo o maior número de produções concentradas no ano de 2010. O dado permite entender que tanto as pesquisas quanto a atenção das instituições de bens culturais voltadas para a acessibilidade dos museus para o público de pessoas com deficiência é muito recente sendo objeto de estudo a ser explorado e aprofundado e outro aspecto é que somente nos últimos anos encontramos uma gama de artigos no formato digital disponível na Internet. Um dado a ser resgatado por suas implicações ao número de publicações listadas na tabela refere-se ao consi derável número de periódicos com grande concentração de artigos por edição que apresentam um ou nenhum artigo sobre a questão, levantando a hipótese da restrição das linhas editoriais dos periódicos ou pouca investigação do objeto de estudo. Também se destaca o dado relacionado ao número significativo de revistas em relação à outros periódicos resultantes de eventos acadêmicas na área, sugerindo que os eventos acadêmicos não tem prestigiado a temática enquanto existe uma abertura e interesse de outros meios de publicação e divulgação das produções voltadas ao tema. Outro aspecto a ser cogitado é a valorização maior que instituições como CAPES/CNPq tem dado nos últimos anos as publicações com avaliação qualis em peródicos, ficando em segundo plano as publicações de congresso. Feito apontamentos iniciais relativos aos dados indicados na tabela o trabalho tem como sequência a leitura dos resumos em busca da identificação das questões relacionadas a acessibilidade dos Programas de Ação Educativa e públicos específicos com particular atenção para o público de surdos. Será apresentada uma síntese das informações oferecidas

pelos resumos com ênfase para alguns dados, tais como: o autor 13

do título e sua relação

com a temática da acessibilidade dos Programas de Ação Educativa e o objetivo dos texto.

13 Informações referentes aos autores dos artigos não encontradas nos periódicos, recorreu ao currículo disponível na Plataforma Latt es no seguinte endereço eletrônico http://www.cnpq.br/.

44

4.3 ANÁLISE DOS RESUMOS DOS ARTIGOS

O texto “Museu da Imagem e do Som: iniciativas de inclusão” têm como autores, Maria Christina de Souza Lima Rizzi professora do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo docente na Graduação e Pós- Graduação da Escola de Comunicações e Artes/ USP e Marina Fenício Soares Batista graduada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O resumo do artigo aponta para a experiência interdisciplinar através da Bolsa Aprender com Cultura e Extensão da USP na atividade cotidiana do Museu da Imagem e do Som da cidade de São Paulo que desenvolveu um projeto educativo para a Acessibilidade e ampliação do atendimento aos públicos. O título “Entre a aproximação e o estranhamento: a mediação e o público 14 ” apresenta a fala de Amanda da Fonseca Tojal educadora e coordenadora do Programa Educativo para públicos especiais – PEPE e coordenadora do curso de Extensão Cultural e Ensino da Arte na Educação Especial e inclusiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, além de prestar consultoria em acessibilidade para instituições culturais. Por se tratar de uma palestra o texto não conta com um resumo mas inicia com um questionamento que vale ser citado: O quê o público com necessidades especiais sente mais necessidade ao participar de uma visita ao museu?. “A inclusão de públicos especiais em museus: o Programa Educativo para públicos Especiais da Pinacoteca do Estado de São Paulo” O texto “ Uma Experiência na Ação Educativa em Espaços Culturais de Arte Para Público de Surdos” tem autoria de Daniela Almeida Moreira, licencianda em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Santa Catarina e bacharelanda em letras libras pela Universidade Federal de Santa Catarina com experiência na atuação como intérprete da língua brasileira de sinais. O artigo apresenta a experiência de mediação de exposições para público misto de surdos e não surdos em exercício proposto pela disciplina Mediação em Espaços Culturais da 5ª fase da licenciatura em Artes Visuais na docência de Sandra Regina Ramalho de Oliveira. O artigo com o título “Acessibilidade e Comunicação Sensorial nos Museus e Espaços Culturais: Novos desafios para a mediação” de Viviane Panelli Sarraf doutoranda no Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP, diretora-fundadora da empresa social

14 O texto é resultado dos registro das palestras da primeira mesa redonda do Ciclo de Conversações realizado no SESC Pinheiros de São Paulo coordenado por Celso Fa varetto com falas de Gabriela Aidar, Patricia Durães e Amanda Tojal, para a qual esse trabalho tem maior interesse.

45

Museus Acessíveis e consultora na área de acessibilidade para projetos culturais. O texto apresenta em seu resumo a questão da acessibilidade em espaços públicos e a relação com a edificação dos museus e os espaços culturais acessíveis e suas possibilidades mudanças para na linguagem, formas de mediação e comunicação acessíveis para todos os públicos. Em “O projeto Aprender para ensinar: a mediação em museus por meio de Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS” o texto tem como autoras Cibele Lucena desenvolve o projeto Aprender para Ensinar dirigido a formação de jovens educadores surdos em arte contemporânea pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo, Joana Zatz Mussi é professora e artista no projeto “Aprender para Ensinar” que originou o grupo “Corposinalizante” como grupos de estudos e produção de arte contemporânea envolvendo jovens educadores surdos, Daina Leyton psicóloga formada pela Puc-SP é coordenadora do Programa Igual Diferente do MAM-SP. O resumo do artigo propõe uma reflexão sobre o aprendizado sobre arte por jovens surdos para ensinarem outros surdos e a prática da mediação em LIBRAS, chamando a atenção para a influência da língua de sinais e do público de surdos o contexto da arte e do museu. O artigo “A inclusão de públicos especiais em museus: o Programa Educativo para públicos Especiais da Pinacoteca do Estado de São Paulo” produzido por Amanda Fonseca Tojal, Margarete de Oliveira e Maria Christina da Silva Costa educadoras do Programa Educativo para Públicos Especiais - PEPE do Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca do Estado de São Paulo juntamente com Sabrina Denise Ribeiro que também é educadora no Museu Afro Brasil de São Paulo e aprendiz no “Aprender para Ensinar” do Programa Igual Diferente do Museu de Arte Moderna em São Paulo. O resumo fala sobre a importância do papel social dos museus e dos Programas de Ação Educativa para públicos específicos composto por pessoas com deficiências sensoriais, físicas e intelectuais tendo como referência o trabalho desenvolvido pela Pinacoteca do Estado de São Paulo na área. Em “Acessibilidade em museus para surdos: como andam as políticas públicas e ações para atendimento de visitantes surdos ? ” o autor é Neivaldo Augusto Zovico, professor de matemática em escolas de surdos, consultor em acessibilidade para surdos e deficientes auditivos, membro da Comissão de Estudos da Acessibilidade de Comunicação e Visual para pessoas surdas e deficientes auditivos – ABNT e coordenador nacional de acessibilidade para surdos da FENEIS. O artigo não dispõe de um resumo possivelmente por tratar-se de uma publicação em periódico comercial com espaço conciso para cada assunto

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da edição. De forma objetiva o pequeno artigo retrata a experiência de visitantes surdos a três museus em São Paulo que relatam a falta de acessibilidade dos museus para surdos. O texto “ O acesso para toda a cultura do Rio de Janeiro” tem como autoras Regina Cohen, pesquisadora associada no Departamento de Tecnologia da Construção, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro - FAU/UFRJ e Coordenadora do Núcleo Pro-acesso, Alice Brasileiro e Cristiane Rose Duarte que são professoras arquitetas na FAU/UFRJ e coordenadoras do Núcleo Proacesso/ PROARQ/FAU/UFRJ. O resumo do artigo aborda alguns resultados da investigação sobre acessibilidade nos museus na cidade do Rio de Janeiro através do Núcleo de Pesquisa, Ensino e Projeto em Acessibilidade e Desenho Universal, a fim de avaliar as condições de acessibilidade de pessoas com deficiência aos museus tombados pelo IPHAN e pensar nos conceitos da ambiência do museu em relação a sensorialidade, e a percepção. Os três últimos artigos descritos na continuação, são produções de autores internacionais que foram incluídos nesse levantamento bibliográfico. Os textos são significativos para conhecimento do ponto de vista de autores e pesquisadores de outros países sobre a temática abordada nesse estudo. Essa pesquisa não se propõe a análise comparativa da produção bibliográfica do Brasil e estrangeira mas considerou os artigos como contribuição para melhor compreensão do que vem sendo pensado sobre da acessibilidade dos Programas de Ação Educativa dos museus para a pessoa com deficiência, em particular a pessoa surda. O primeiro deles é o artigo “Museus Inclusivos: realidade ou utopia?” de Sónia Santos é mestre pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto com a dissertação:

“Acessibilidade em Museus” através da qual defendeu o mestrado no Curso Integrado de Estudos Pós-graduados em Museologia na Universidade do Porto em 2009. O artigo corresponde a um capítulo da dissertação, tratando sobre a conscientização para a acessibilidade museológica tendo em vista o seu papel sociocultural para a inclusão de todos os públicos. Sendo a integração e a comunicação essenciais para a programação dos museus voltados para a inclusão que não se resume ao arquitetônico mas a tudo que se relaciona, se comunica e se informa no espaço do museu. Em “Comunicação Multi-Sensorial em contexto museológico” da autoria de Josélia Neves que é mestre pela Universidade de Aveiro com a tese: Tradução Audiovisual:

Legendagem para Surdos, é professora no Instituto Politécnico de Leiria, pesquisadora da área de acessibilidades e desenvolvimento de projetos envolvendo legendagem para surdos e

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audiodescrição para cegos tendo como lançamento o “Cinema Inclusivo” em parceria com a Lusomundo. O resumo do artigo destaca a importância que os museus vem atribuindo a comunicação e interatividade, apostando em novas emoções vivenciadas pelos visitantes e nas implicações e desafios a curadores e equipes de animação museológica. Nessa perspectiva o museu passa a ter o intento de transformar as visitas em experiências memoráveis para pessoas de perfil diversificado através de técnicas e tecnologias que permitam a criação de conteúdos informativos, didáticos e lúdicos que se adaptem às necessidades de cada visitante. O ultimo artigo listado é o título “Museus sin Barreras y sin Fronteras: Integración” Pedro Lavado Paradinas tem como autor o chefe dos serviços responsáveis pela educação e ação cultural do Museu Sorolla. O artigo não apresenta um resumo, considerando que foi publicado em um Boletim, entende-se que o foco dos textos sejam questões diárias pertinentes ao contexto que envolve os museus, sendo discutidas de forma geral por alguns autores sem a exigência da estrutura acadêmica de apresentação. Partindo de uma observação geral é possível identificar no texto questões voltadas para a preocupação dos museus em ampliar o atendimento e os públicos de visitantes, a importância da modernização e otimização da arquitetura dos prédios públicos na eliminação de barreiras para pessoas com deficiência, efetivando ampliação do atendimento. O resumo dos artigos permitiu situar a discussão através dos argumentos dos autores e coloca em contato inicial com o conteúdo dos textos, também possibilitou a identificação das publicações pertinentes ao estudo proposto, no entanto, os resumos não propiciam um entendimento claro sobre o objetivo do autor do texto, a problemática em foco e o desenvolvimento da discussão ao longo do artigo. Tendo em vista que os resumos não ofereciam algumas informações importantes para a pesquisa se recorreu a leitura na integra dos textos para mais precisão do levantamento bibliográfico. A leitura dos artigos foi orientada por alguns questionamentos propostos para observação atenta dos dados apresentados pelas publicações selecionadas: Qual a visão dos Programas de Ação Educativa sobre o público de surdos? Qual o entendimento dos Programas de Ação Educativa sobre a acessibilidade para o público de surdos? Os Programas de Ação Educativa contemplam ou se especializam no atendimento do público surdo? Os Programas de Ação Educativa que contemplam público de surdos desenvolvem o atendimento através de oficinas, mediação permanente ou adaptação estratégica das mediações para demandas eventuais? Quais as propostas dos Programas de Ação Educativa

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para surdos? Tais indagações nortearam a análise do que as pesquisas apresentam como respostas ou reflexões para esse estudo.

4.4 O QUÊ AS PESQUISAS APRESENTAM SOBRE A ACESSIBILIDADE DOS PROGRMAS DE AÇÃO EDUCATIVA E O PÚBLICO DE SURDOS

De acordo com Rizzi e Batista (2010) para um espaço como o museu, é importante iniciativas de atendimento e recepção à todos os cidadãos que estejam formulada em um projeto de acessibilidade. O museu acessível é interessado em conhecer os diferentes tipos de público adaptando-se as necessidades e planejando o usufruto dos serviços e conteúdos ofertados a toda a sociedade não apenas a uma minoria intelectual. A partir da experiência na construção de um projeto de acessibilidade no Museu da Imagem e do Som Paulista, Rizzi e Batista (2010) consideram a importância de se prever adaptações, soluções e adequações de diferentes ordens:

Está incluído o processo de capacitação dos funcionários para que o atendimento ao público deficiente seja completo e integrado a fim de respeitar a singularidade de cada indivíduo e suas necessidades particulares. Desenvolver técnicas e materiais necessários para aumentar a inclusão da pessoa com deficiência à participação de igualdade no museu. Realizar as intervenções arquitetônicas de acessibilidade, a capacitação dos educadores do museu para a ampliação do trabalho de mediação, não dependendo integralmente das (os) acompanhantes do grupo, para a comunicação e troca de informações e vivencias, transformando as típicas visitas educativas em experiências sensoriais diversas, entre outros. Adequar o desejo e o direito das pessoas com deficiência se beneficiarem do acesso à cultura, à arte e ao patrimônio cultural e proporcionar condições para que diversos setores do museu encaminhem projetos específicos de acessibilidade aos grupos específicos com deficiência. (RIZZI e BATISTA, 2010, p. 2093)

O processo de construção da acessibilidade do Museu da Imagem e do Som Paulista demonstrou o objetivo de ampliação do atendimento ao público dirigido aos deficientes físicos, mentais, visuais, auditivos e múltiplas deficiências. O acesso e conhecimento da cultura e por meio dela o reconhecimento do outro como igual no que se refere aos direitos e responsabilidades na sociedade. E o desenvolvimento da proposta colaborativa entre visitantes e educadores que opinaram e ampliaram a dimensão do que implica um museu acessível:

A partir dessas experiências, para um museu se tornar acessível não basta apenas mudar sua arquitetura física do prédio, mas também, editorar planilhas, folders, programações em braille, site e programação midiática em recursos auditivos, disponibilizar filmes dublados e legendas em português, propiciar intérprete de Libras para visitas, gratuidade do ingresso, ou seja, diversos recursos que ultrapassam mudanças simples e estruturais. (RIZZI e BATISTA, 2010. p. 2096)

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Observa-se uma visão de acessibilidade preocupada com uma adequação para a inclusão da pessoa com deficiência considerada como uma parcela da população que viveu um processo histórico de não equiparação de oportunidades a cidadania. Rizzi e Batista (2010) enfatizam a importância de planejamento de metas educativas na promoção da experiência estética ao alcance de todos no contato com a cultura, arte e as mídias e mediação da linguagem simbólica das obras expostas aos visitantes através de diferentes níveis de conceituação e linguagem. Nesse contexto o setor educativo responsável pela mediação dos públicos assume papel de projetos fundamental na reestruturação inclusiva do museu para os públicos específicos. Tojal (2007) caracteriza a proposta desenvolvida pela Pinacoteca de São Paulo como “inclusão responsável” pelo entendimento da inserção de públicos socialmente excluídos no museu como uma responsabilidade da equipe museológica no atendimento qualificado e da instituição na inclusão social das pessoas com deficiência e para isso envolve recursos de apoio, acessibilidade atitudinal e equipe especializada. A proposta tem atenção para a autonomia das pessoas com deficiência julgando que estas “não querem que outras pessoas façam por elas o que elas podem fazer sozinhas”, para tanto foram elaborados catálogos em tinta e braille referente a obras do acervo do museu possibilite a leitura autônoma do cego e linguagem acessível a diferentes níveis de compreensão dos variados públicos:

Um livro, um catálogo adaptado em tinta e braille, é muito importante, em tinta e

braille junto, isto é, tinta em letras grandes mais brile. (

...

)

O texto do catálogo foi

produzido para pessoas cegas? Não, é um texto diferenciado, porque foi produzido com um vocabulário muito mais acessível, palavras mas concretas e glossário no final. Serve também para quem é alfabetizado e possui alguma deficiência mental leve ou deficiência auditiva. (TOJAL, 2007, p. 31)

Tojal (2007) aponta os recursos de apoio para atendimento do público especial como fundamentais e propícios para a apreciação do conteúdo da exposição que não pode ser tocado sendo substitutos para a experiência multisensorial e concreta da obra de arte pelo visitante. Sobre a “conscientização atitudinal”, já mencionada pela terminologia de Sazzaki para os diferentes tipos de acessibilidade entre os quais está a acessibilidade Atitudinal correspondente a eliminação da barreira do preconceito e reservas no relacionamento

interpessoal da pessoa com deficiência e não deficiente. Para a autora a acessibilidade deve começar pela orientação dos funcionários da portaria, recepção, vigias das salas, pessoal da limpeza informados sobre o comportamento e peculiaridades do visitante com deficiência mental, paralisia cerebral e pessoa surda, de forma que se desenvolva a “conscientização

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atitudinal” para a recepção e acolhimento do público especial nos espaços culturais seja mais qualificado. Tojal (2007) utiliza como exemplo a recepção do público de surdos pelo museu em que não cabe gritar para que o apreciador surdo mantenha certa distância da obra de arte pois os surdos se comunicam através da língua de sinais e para serem informados é necessário o uso de gestos que demonstre o que está sendo dito. E em relação a equipe especializada exemplifica a experiência da Pinacoteca de São Paulo que dispõe de quatro pessoas da equipe, sendo duas educadoras com necessidades especiais, uma delas surda responsável em receber e preparar a visitação especificamente para os surdos. A autora enfatiza as necessidades específicas da pessoa surda e da pessoa cega na visitação do museu:

Visita do surdo é a mesma coisa que a visita do cego? Não, é completamente diferente. As necessidades são outras, os desejos são outros. O surdo quer se comunicar, quer contar histórias, quer entender novos vocabulários, porque o vocabulário dele é muito restrito e ele compreende a limitação de vocabulários que ele tem. Então, a ampliação do vocabulário, a narrativa, são importantes para o surdo. Para o cego, é o toque, é reconhecer e compreender o mundo através do tato, é a compreensão através dos outros sentidos. (TOJA, 2007, p. 31)

Cabe fazer uma ressalva para a fala da autora sobre a necessidade de comunicação da pessoa surda e sua compreensão da restrição de vocabulários tendo como desejo a ampliação dos mesmos, que pode ser discutida de outro ponto de vista. A língua de sinais por muito tempo subordinada a língua oral auditiva garantiu o status em relação as outras línguas naturais muito recentemente. Os surdos na condição de minoria linguística conquistaram em lei o direito de cidadania e bilínguismo através do acesso a informação e a comunicação em língua de sinais e língua portuguesa e buscaram espaço em diferentes áreas do conhecimento, sendo bem acolhidos pela arte. Portanto, o campo de conhecimento da arte assumiu a dianteira em iniciativas inclusivas da pessoa surda em comparação as outras áreas de conhecimento, servindo de inspiração para o envolvimento de outras áreas no processo de inclusão social.

Moreira (2010) trata sobre a experiência que resultou da proposta da disciplina Ação

Educativa em Espaços Culturais cursada na graduação em Artes Visuais, oportunidade em

que realizou mediações para turmas de alunos surdos e turmas mistas de alunos surdos e não surdos, estudantes do ensino fundamental e médio de escolas públicas dos municípios de

Florianópolis e São José do estado de SC. O relato apresentou questões de acessibilidade da pessoa surda em espaços culturais diretamente ligada ao acesso a comunicação.

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Para se pensar a acessibilidade a partir dessa experiência toma-se o exemplo de duas mediações em que se evidenciou as diferenças na participação e envolvimento do público de surdos. Uma mediação realizada para um grupo com todos os componentes surdos se evidenciou a participação de diferentes maneiras em diferentes momentos, tanto no diálogo quanto no exercício prático reflexivo, entretanto, a outra mediação para um grupo com integrantes surdos e não surdos observou-se a participação tímida dos surdos durante o diálogo no grande grupo que quase se restringiu aos seus pares e intérprete, com participação ainda que pouco expressiva, no exercício prático reflexivo. A maior participação do grupo com todos os integrantes surdos, em que a comunicação se fazia direta em língua brasileira de sinais, demonstrou o conforto e segurança do surdo em expressar idéias e interagir socialmente através de uma língua, com a qual, tem empatia. Pensar a acessibilidade do museu para os surdos passou pela reflexão de propostas educativas bilíngües, que proporcionem a comunicação na língua de sinais e também tenham efeito de positivação da surdez que insere uma língua visual-espacial entre as línguas orais-auditivas.

[

]

a mediação dos conhecimentos de arte para o surdo vai depender da

... comunicação em uma língua espacial visual, ainda que seja mínima e estratégica, para diminuir o distanciamento entre o surdo e o educador. O educador poderia ter como alternativa, obter conhecimento de língua de sinais pertinente aos conteúdos proposto em seu plano de ensino, no caso do educador de espaços culturais, teria que dispor da língua de sinais que lhe fosse útil na mediação. Uma vez que, o ensino para surdos pressupõe o bilingüismo e consequentemente a interpretação dos conteúdos em língua portuguesa para a língua de sinais pelo intérprete, isso não torna o educador isento da comunicação e mediação dos conhecimentos em artes, pois será aquele que vai considerar a forma de aprendizado desse aluno. (MOREIRA, 2010, p. 12)

Outro ponto que é significativo foi o comentário dos visitantes surdos ao espaço expositivo que até então não conheciam, pois não eram acostumados a visitarem museus e exposições, acrescentando que lembravam de ter visitado algum museu mas que não houve qualquer comunicação em língua de sinais diferente daquela experiência. O que se percebeu o desinteresse do público de surdos pelos museus e espaços culturais e consequentemente .

Isso propiciou a reflexão sobre a necessidade de iniciativas que promovam a acessibilidade dos surdos aos espaços públicos de bens culturais tendo em vista, o papel educativo de tais espaços na construção do conhecimento de arte pelo surdo. Sarraf (2010) define a acessibilidade como forma de concepção de ambientes que permitam a utilização por todos os indivíduos sem barreiras física e sensoriais prezando

ainda pelo conforto e

qualidade

de

visa

dos

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seus

usuários.

A

autora apresenta o

entendimento de acessibilidade em que está intrínseco o projeto do espaço, aparelho e serviço que contemplem e beneficiem a todo usuário, assim como deveria ser pensada nos museus:

Acessibilidade em museus significa que as exposições, espaços de convivência, serviços de informação, programas de formação e todos os demais serviços básicos e especiais oferecidos por esses espaços devem estar ao alcance de todos os indivíduos, perceptíveis a todas as formas de comunicação e com sua utilização de forma clara, permitindo a autonomia dos usuários. Os museus para serem acessíveis, portanto, precisam que seus serviços estejam adequados para serem alcançados, acionados, utilizados e vivenciados por qualquer pessoa, independentemente de sua condição física ou comunicacional. (SARRAF, 2010, p. 26)

Sobre a acessibilidade dos museus, Sarraf (2010) considera a necessidade da mudança de perspectiva na recepção e mediação da informação por meio dos sentidos da visão, muito ligada a forma de pensar da cultura ocidental que originou os museus. A orientação da linguagem dos museus que explora predominantemente o sentido da visão resulta na compreensão incipiente e a apreciação que se dá no olhar desinteressado no patrimônio cultural. O cotidiano não estimula o potencial dos sentidos para o desenvolvimento humano, ao contrário disso, produz sentidos deficientes para compreensão dos conteúdos e conceitos em diferentes linguagens. Nesse contexto o museu torna-se importante agente social e cultural que se diferencia dos meios de comunicação que exploram a visualidade propondo a mediação multissensorial no desenvolvimento da sensibilidade e comunicação acessível a todos os públicos. Sarraf (2010) chama a atenção para a arte manifestada na forma multissensorial ao longo do tempo, não conhecida apenas por imagens mas por sons, sabores, odores e sensações. Assim como as ciências se dedicaram a investigação dos fenômenos das sensações, a indústria tecnológica produzem experiências sensoriais, os museus não podem resumirem-se ao usufruto do bem patrimonial através da visualidade, ignorando os outros sentidos na apreciação dos seus visitantes. A proposta de explorar os diferentes sentidos da percepção humana em nome da acessibilidade estendeu sua importância à preservação do patrimônio e a linguagem do museu ao alcance de todos em diferentes níveis intelectuais e cognitivos. Lucena, Mussi e Leyton (2010) apresentam o projeto Aprender para Ensinar do MAM de São Paulo, um curso de formação de educadores surdos que se desdobrou no atendimento ao público de surdos e divulgação da língua de sinais e seus atributos de comunicação, ensino e aprendizado no espaço do museu. O projeto visa a formação de

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formadores surdos através da mediação entre aprendiz surdo e arte mas principalmente da mediação entre aprendiz surdo e a própria educação. A língua brasileira de sinais no projeto tem papel essencial, pois é a língua do ensino aprendizagem dos aprendizes futuros educadores que darão continuidade ao ensino e aprendizagem dos novos aprendizes e educadores de arte surdos. As autoras falam sobre o processo de influência mutua entre a língua brasileira de sinais e o projeto:

o que se produz no percurso entre as línguas e na relação desse percurso com a arte é o enriquecimento da própria Libras. Isso acontece quando apresentamos

[

...

]

palavras, noções e conceitos para os quais não existe tradução, tornando necessária a invenção de sinais para que os alunos possam compartilhar com os grupos que recebem os novos aprendizados. Com isso, não são apenas novos sinais que estão sendo criados, mas uma nova cartografia de afetos, desejos e conhecimentos que se abrem e podem ser vividos, já que esses sinais se proliferam rapidamente, enriquecendo não só a língua, mas o próprio território por onde circula e se inscreve a cultura Surda. (LUCENA, MUSSI e LEYTON, 2010, p. 62)

O projeto Aprender para Ensinar se apresenta ao espaço do museu como possibilidade de redimensionamento da mediação dos Programas de Ação Educativa na relação com os conhecimentos e o propósito em relação ao público. Observa-se o conhecimento aplicável de forma que “atuando como mediadores, os educadores-aprendizes se apropriam da dimensão criativa e significativa de sua própria experiência”. O conhecimento multiplicador em que “educador-aprendiz propõe posicionamentos e sentidos, constrói significados. Ele tem consciência de que a relação com a arte passa em primeiro lugar pela dimensão da

experiência”. O conhecimento transformador através da “ articulação entre conteúdos e estratégias de aproximação com a arte e o museu ocorre, a mediação é bem-sucedida, e a proliferação de conhecimentos em ambas as direções (do museu para a sociedade e desta para o museu) acontece”. Tojal, Oliveira, Costa e Ribeiro (2010) abordam sobre o Programa Educativo para Públicos Especiais – PEPE da Pinacoteca de São Paulo que fora implantado sob a visão contemporânea da ampliação da ação educativa para conhecimento e compreensão das obras do acervo pelo maior público possível tendo como público alvo pessoas com deficiências sensoriais (visuais e auditivas), intelectuais, físicas, transtornos emocionais, como também grupos inclusivos, compostos por pessoas com e sem essas deficiências”. Segundo Tojal, Oliveira, Costa e Ribeiro (2010) o atendimento do PEPE propõe o agendamento de visitas educativas de alunos para acompanhamento por educadores especializados da equipe do programa na exploração e conhecimento das obras de arte do acervo de forma visual e sensorial, utilizando os sentidos do tato, audição e olfato. Em

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visitas educativas do público surdo, a mediação atenta-se para o interesse e as necessidades desses participantes no universo da arte e preza pela comunicação em Língua Brasileira dos Sinais. De acordo com as autoras, percebe-se a perspectiva de acessibilidade PEPE voltada para a realização da mediação fazendo uso de recursos, tais como: esculturas de bronze adequadas ao reconhecimento tátil, fragmentos sonoros de músicas instrumentais, sons da natureza, espaço urbano e cotidiano complementares a apreciação das obras, catálogos com representações pictóricas e textos adaptados à leitura das pessoas cegas, com deficiências visuais e dificuldade de compreensão de leitura e o Guia de Visitação para o público surdo sobre o acervo planejado para a visita autônoma. Zovico (2011) traz importantes apontamentos sobre a acessibilidade de três museus paulista, por ele visitado na companhia de outros três surdos. O autor relata sobre o atendimento da equipe funcional do museu, sobre a forma de comunicação e impressões pessoais do surdo no contato inicial com o espaço museal.

O fato é que não há instruções básicas para as pessoas surdas. Por exemplo, quando cheguei à bilheteria do museu, identifiquei-me como surdo, fazendo o sinal “surd@”. O funcionário percebeu a minha condição e me entregou os bilhetes, ele falou alguma coisa rapidamente, mas não entendi muito bem. Eu e meus amigos ficamos perdidos, não sabíamos por onde começar. Procuramos as placas para seguir, visitamos diversas salas com objetos antigos, em alguns espaços havia placas escritas em língua portuguesa. Sentimos falta do intérprete de LIBRAS para nos acompanhar em todas as salas. (ZOVICO, 2011 15 )

A experiência de apreciação dos objetos em exposição descrita como “visitamos diversas salas com objetos antigos, em alguns espaços havia placas escritas em língua portuguesa.” evidencia a falta da mediação dos conteúdos em exposição em língua de sinais ao surdo e a forma superficial de apropriação dos conhecimentos que mediados poderiam ser potencializados para formação cultural. A mediação demonstra ser importante para o exercício de reflexão e significação do objeto museológico em si e desenvolvimento social, cultural, lingüístico, comunicacional e até cidadania do surdo. Zovico (2011) descreve uma situação em meio ao percurso dos surdos pelo museu em que notaram uma pessoa com roupas de agente ferroviário tocando um sino e convidando o

público a participar um passeio de trem, “ vimos o trem Maria Fumaça e como estavam

entrando, tomamos nossos lugares [

]

percebemos que o funcionário ia explicando sobre a

15 Ler artigo na integra. Disponível em:

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história do trem e da imigração. Essas informações não estavam acessíveis para nós”. Os visitantes surdos participaram da atividade educativa prevista na programação da visitação por meio de informações visuais que conseguiram captar para entender o que estava acontecendo mas todas as outras informações não acessíveis visualmente não estiveram ao alcance dos surdos. O surdo inserido em um espaço museológico em que a língua de comunicação é a língua falada, a qual, o surdo não tem acesso para responder e participar esclarecidamente das propostas educativas e dinâmicas sociais apresentadas através de forma oral auditiva. É possível dizer que os Programas de Ação Educativa vêm passando por um processo adequação das atividades e propostas educativas para atendimento do surdo mas é importante ressaltar que o conhecimento especializado para atendimento do público de surdos é fundamental. Zovico (2011) defende a importância na adequação dos espaços culturais: “é significativa a indicação das normas da ABNT para a adaptação dos espaços e da comunicação em LIBRAS para proporcionar acessibilidade aos surdos em diversos museus”. Um programa educativo do museu que contempla o público de surdo mas que não oferece a mediação em língua de sinais promove a inclusão do surdo parcialmente. Zovico (2011) destaca iniciativas de acessibilidade ao público de surdos existentes em museus:

“Alguns museus se organizaram contratando guias que sabem LIBRAS, também guia surdo para atender escolas de surdos e visitantes surdos adultos. Essa ação é um incentivo para os surdos participem desses espaços e sintam satisfação ao visitar museus”. A visitação dos surdos que não pode contar com a mediação especializada pode se resumir ao entretenimento com a apropriação de conteúdos e conhecimentos de forma incompleta ou até mesmo de forma equivocada, o que significa dizer que a inclusão social do surdo no museu não se efetiva. O público de surdo reconhece o museu como espaço para aprendizado, sociabilidade e lazer e entende que tenha direito ao acesso as informações espaço sobre os bens culturais assim como qualquer outra pessoa, com igualdade de condições para usufruir e conhecer o patrimônio cultural da sociedade da qual faz parte: “ Nós surdos, como qualquer outro ser humano, temos o direito de acesso à cultura, à educação e ao lazer. Queremos conhecer mais sobre a história, sobre a produção cultural e nos desenvolvermos” Cohen, Duarte e Brasileiro (2011) relatam sobre a pesquisa da acessibilidade em museus desenvolvidas pelo Núcleo de Pesquisa, Ensino e Projeto em Acessibilidade e

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Desenho Universal - Núcleo Pró-Acesso/PROARQ visando analisar as condições de acessibilidade de pessoas com deficiência aos museus tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Estado do Rio de Janeiro. Segundo as autoras a acessibilidade dos museus à cultura não se resumem apenas ao acesso as edificações e ambiente físico do museu, “acesso a um museu e às suas exposições envolve todos os atos e todas as percepções desejados por um visitante desde o seu ingresso na edificação até sua exploração museal.”. Torna-se essencial ao processo de implementação da acessibilidade levar em conta a lógica das sensações que envolvam o sensível e a afetividade do usuário do museu em relação ao ambiente e não apenas a logística do acesso arquitetônico.

Nosso projeto é parte deste processo que visa suprir uma carência de informações, ressaltando a importância da acessibilidade física, informacional e sensível no processo de democratização do acesso de todos à cultura. Pensar nisto significa também dizer que desfrutar prazerosamente dos bens culturais e criar vínculos emocionais positivos com os lugares dos museus significa participar de maneira mais feliz de suas atividades, estabelecendo uma relação de afeto. (COHEN, DUARTE e BRASILEIRO, 2011, p. 243)

De acordo com as autoras, o conceito cartesiano de espaço foi abandonado para a adoção de outras referências espaciais voltadas para o tátil, térmico, olfativo e auditivo seguindo a lógica das sensações como elementos que compõe a idéia de espaço. Nessa perspectiva, a acessibilidade tem mais do que o propósito de colocar as coisas ao alcance do indivíduo estabelecendo uma relação de empatia entre os usuários e o museu: “ Ressaltamos a importância da acessibilidade física, informacional e sensível no processo de democratização do acesso à cultura”. Sendo assim, o usufruto do bem patrimonial não se encerra no contato e apreciação do objeto museológico, mas compreende uma relação de prazer e vínculos emocionais, que devem ser incentivados para empatia entre os visitantes, os bens culturais e os espaços dos museus. As autoras relatam os apontamentos feitos por pessoas cega que reclamaram sobre os museus que não permitem que as obras de arte da exposição visitada sejam tateadas devido ao risco de danificação, sendo portanto necessário alternativas como réplicas das obras em maquetes táteis e acessíveis ao visitante cego. As pessoas surdas também reivindicam a presença de intérprete de língua brasileira de sinais para que possam acompanhar as informações visuais e todas as outras que circulam no espaço expositivo, que não são acessíveis ao visitante surdo.

[

...

]

a contratação de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), para

uma pessoa com deficiência auditiva, porque muitas pessoas só pensam que o

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surdo está vendo. O surdo está vendo, mas não sabe o que está acontecendo em todo o ambiente por não estar escutando. Para as deficiências sensoriais de visão, o tocar é fundamental, para que os cegos se sintam totalmente incluídos e interados com as demais pessoas. Elas revelaram se sentirem felizes e satisfeitas ao poderem realmente acompanhar todo o trajeto tranqüilamente, tendo todo o conhecimento do que está se passando. (COHEN, DUARTE e BRASILEIRO, 2011, p. 252)

Para Cohen, Duarte e Brasileiro (2011), muito mais do que a simples eliminação de barreiras físicas encontradas nos ambientes, acessibilidade significa proporcionar “ uma percepção ambiental que envolve uma intersensorialidade, o movimento do corpo e o afeto no desfrute dos bens culturais e da experiência com os espaços museais”. Nessa perspectiva, a acessibilidade ligada ao sensível e afetivo na relação entre usuário e ambiente, representa uma forma de eliminação de barreiras ocasionadas pelo preciosismo em relação ao patrimônio que coloca em segundo plano a experiência e vivência no espaço do museu. Neves (2011) é autora portuguesa que proporciona para esse trabalho o contato com outro ponto de vista de sociedades não brasileiras sobre a acessibilidade dos museus. De acordo com a autora a proposta de inclusão influenciou a comunicação museológica e propiciou a criação de estratégias de recepção e atendimento a todos o público não apenas as pessoas com deficiência. A inclusão no museu teve o efeito de potencializar o institucional, o papel social e serviços para a sociedade.

Uma abordagem inclusiva à comunicação museológica prevê múltiplas soluções, facilmente moldáveis e adaptáveis a situações diversificadas; contempla ainda visitas em grupo e individuais, dirigidas e/ou livres; e cria espaço para uma renovação constante do museu. Uma abordagem com preocupações de integração será também aquela que se socorre de estratégias de envolvimento direto dos seus visitantes, apelando a todos os sentidos, num processo de complementaridade ou mesmo de substituição. Tal atitude facilitará a experiência museológica a todos, incluindo visitantes com limitações sensoriais, nomeadamente cegos e surdos, aquelas que maior esforço precisam de despender para aceder aos espólios museológicos. Ao abrir o museu a visitantes cegos, através de soluções multisensoriais, facultar-se-á a todos os visitantes experiências únicas. Pensar bem soluções para surdos, permitirá oferecer serviços que serão igualmente úteis a visitantes sem limitações auditivas. (NEVES, 2011, p. 183)

De acordo com a autora a acessibilidade no museu pressupõe repensar a comunicação museológica regrada pela sacralização do patrimônio que reprova o toque e a interação com as obras em exposição além de impor o silêncio e a solenidade da apreciação distante ainda que pouco significativa. A comunicação museológica atualmente é orientada à desmistificar o objeto cultural e espaço museal para fazê-lo conhecido e vivenciado pelos diferentes públicos, que terão os sentidos estimulados à completar o significado, tanto do objeto quanto do espaço museológico.

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Neves (2011) propõe que a comunicação seja baseada no multi-formato e na multi- sensorialidade que propicie simultaneamente a dimensão lúdica e educativa da visitação. O visitante colocado em uma situação de interação ativa e responsiva ao museu e aos conteúdos por ele veiculados. Para a autora, o uso de produtos audiovisuais, verbais e não- verbais, tácteis, olfactivos e gustativos, que contam com todos os sentidos da percepção humana são chaves para a potencializar o museu para os desafios que a sociedade contemporânea apresenta e prepara a instituição para um cenário futuro. A autora chama a atenção para o museus inserido em uma sociedade que a indústria cultural explora os recursos sensoriais para fins lúdicos e de entretenimento fazendo com que as pessoas tornem-se cada vez mais interessadas por experiências sinestésicas, essa realidade que despertado os museus para a importância da multissensorialidade na visitação dos públicos aos espaços culturais:

As acções que se têm vindo a implementar em muitos museus nacionais e estrangeiros permitem afirmar que, aos poucos, e em nome da acessibilidade e inclusão, começa -se a recorrer a soluções multi-sensoriais para permitir uma maior aproximação ao público, oferecendo-lhe novas oportunidades de percepção e compreensão dos espólios museológicos. Inicialmente as iniciativas de interacção exploratória eram dinamizadas pelos Serviços de Acção Educativa dos museus, em sessões direccionadas para públicos específicos – escolas, grupos de pessoas com deficiência, idosos, entre outros. Hoje, procura-se transportar essas experiências para dentro do espaço de exposição para que possa ser fruído em visitas livres e por quem o quiser fazer. Desta feita, as oportunidades experienciais estão ao dispor de “todos” e a “todo o momento” para que cada um possa interagir com o museu da forma como quiser. (NEVES, 2011, p. 188)

Santos (2011) também autora portuguesa destaca a transformação da função do museu

dedicado a zelar pelo patrimônio para também dedicar-se a educação e inclusão social. As mudanças que compreenderam a reorganização dos serviços, projetos e comunicação representam a resposta do museu aos desafios e demandas da sociedade contemporânea. O

museu se insere em um contexto de promoção de políticas de inclusão social, dentro da qual o museu assumiu o compromisso de criar planos de ações estratégicas, metodológicas e

contínuas para a efetiva inclusão cultural através do espaço museológico. A autora trata sobre o novo paradigma cultural e o museu no contexto atual:

Os museus devem actuar como espaços de fruição, conhecimento, autoconhecimento e afirmação de identidade sociocultural de todos os seus frequentadores; devem proporcionar não apenas acessibilidade física e sensorial mas também permitir a convivência e a compreensão das diversidades existentes nos indivíduos, seus limites e potencialidades que podem e devem ser também explorados nestas instituições, resultando em melhoria da qualidade de vida e valorização do ser humano. Os museus têm, assim, uma importante função social a

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par do seu papel na preservação do património e identidade histórico-cultural. (SANTOS, 2011, p. 32)

Segundo Santos (2011) museu voltado para o objeto museológico vai voltar a atenção para o público, sem negligenciar a preservação do patrimônio também terá como missão ampliar o atendimento aos diversos públicos de uma sociedade cada vez mais complexa. A preocupação com os públicos exigiu o fomento de iniciativas sócio-educativas e culturais que promovesse a inclusão de grupos não frenquentadores do museu, tais como as pessoas com deficiência, para fazer valer o direito de participação na vida cultural da sociedade. Nesse processo o museu engajado na causa da inclusão se reestruturou na preparação de equipes de atendimento, novas formas de transmitir e comunicar a informação, adotando formatos acessíveis de disponibilizar conteúdos, atividades e programas educativos. A autora

chama a atenção para o discurso de promoção do patrimônio ao alcance de todos sem que a vontade política, o compromisso dos museus e as estratégias educativas estejam consolidadas nos museus que ainda não pass aram por adequações e receberem grupos de pessoas com necessidades especiais esporadicamente por não estar na condição de museus acessíveis e inclusivos.

Os museus são agentes de desenvolvimento social e não podem deixar de trabalhar para o benefício dos direitos culturais das pessoas com necessidades especiais, conhecendo e praticando os parâmetros de acessibilidade e respeito pelas diferenças. O desenvolvimento de uma nova área da museologia ligada a estes aspectos contribuirá para o desenvolvimento e sustentabilidade dos museus na

sociedade contemporânea. [

]

Eliminar obstáculos não é uma questão de

... paternalismo, piedade ou sentimentalismo e significa mais do que proceder a alterações em edifícios, é acima de tudo, uma questão de postura, respeito e cooperação na supressão das necessidades. (SANTOS, 2011, p. 324)

Paradinas (2002) autor espanhol faz apontamentos importantes para a reflexão sobre acessibilidade dos museus. O autor fala sobre o sentido de ser do museu e suas coleções, com o propósito de exibição e comunicação para seu público, fazendo do espaço museológico um centros de visitação de escolares, universitários, pesquisadores, turistas, aposentados e donas de casa interessados na cultura, no lazer, na apreciação estética e patrimônio cultural, assim como o público de pessoas com deficiência que para tal, é necessário se pleitear a eliminação de barreiras no espaço do museu. O autor descreve o espaço e serviço do museu que possa ser caracterizado por acessível:

[

]

en museos, aparte de ser un lugar que también demandan personas con algún

... tipo de discapacidad física, psíquica o motora nos hace plantear um concepto de museos que ya tenía que estar en marcha y funcionando. Se trata de museos sin barreras, com rampas, ascensores, señalizaciones, barandillas, aseos y servicios de

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todo tipo, franqueables en la medida de lo posible y en caso contrario accesibles, usables o al menos visitables en lo que compete a colecciones, exposiciones, audiovisuales, servicios y otros espacios comunes. Naturalmente donde las personas que allí trabajan estén sensibilizadas y formadas para atender a cualquier persona de estas características: acompañar, asistir, traducir al braille o AL lenguaje de signos y escuchar sus necesidades. (PARADINAS, 2002, p. 24)

O autor apresenta um entendimento de museu acessível em uma perspectiva ampla, considera que um programa de acessibilidade do museu pode servir de modelo para outros prédios e serviços públicos, sejam estes, espaços de exposição, bibliotecas, centros culturais e outras repartições de serviços de caráter cultural para o público em geral. Os espaços culturais devem ter em vista o compromisso de ser funcional para com o público sem ceder aos encantos do desenho arrojado que não garante o acesso de todos. O autor vai além, e afirma que o museu aberto ao maior número de pessoas pode representar a diluição das fronteiras político sociais em rumo a integração da sociedade que vive um momento histórico de globalização. No contexto atual, é grande o fluxo de imigração de pessoas em busca de oportunidades e qualidades de vida em outros territórios. Esse público pode ser objeto de reflexão para o museu no atendimento dos imigrantes com oportunidade de agregar novos elementos ao repertório cultural de mediação, assim como as pessoas com baixo nível cultural e instruções que também devem ser contempladas pelo atendimento acessível do museu.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da análise dos conteúdos dos artigos foi possível traçar um panorama do que as publicações apresentam sobre a acessibilidade dos Programas de Ação Educativa e o público de surdos e realizar algumas considerações. Iniciamos por algumas pontuações das falas de alguns autores, julgadas como marcantes para delinear a perspectiva de acessibilidade tratada nos textos. Na exposição de Neves (2010) a acessibilidade esta ligada a comunicação museológica que estimula todos os sentidos da percepção humana. Na explanação de Tojal (2007 e 2010) a acessibilidade relaciona-se à adaptação do espaço, do acervo e das formas de mediação. Em Santos (2011) destaca-se a importância de políticas públicas e planos de ações institucionais na adequação do espaço, da mediação e da função sócio-cultural do museu. Nas colocações de Cohen, Duarte e Brasileiro (2010) chama a atenção a dimensão do sensível e do afetivo na relação entre indivíduo, espaço e objeto museológico. Lucena, Mussi e Le yton (2010) apresentam a acessibilidade do surdo ligada ao desenvolvimento da linguagem e do autoconhecimento enquanto aprendiz e educador. A perspectiva de acessibilidade abordada nos artigos tem um caráter amplo, que supera o entendimento de medida alternativa para compensação da deficiência e limitação da habilidade e autonomia para realização de tarefas. A acessibilidade passou a ser compreendida como promoção de qualidade de vida para todos os indivíduos. A acessibilidade do museu tomou parte em planos e projetos com objetivos a serem alcançados pelos Programas de Ação Educativa ao longo do desenvolvimento das propostas e estudos das experiências. Santos (2011) defende que o Plano de Acessibilidade deve ser pleiteado pelos museus como forma de participação nas política públicas de inclusão fomentadas pelo poder governamental. O Plano de Acessibilidade dos Programas de Ação Educativa demonstra estar presente nas propostas inclusivas dos museus que vem estabelecendo um campo de intervenção e atuação significativo dentro da instituição. O plano de ações que se apresenta na abordagem dos autores tem diferentes focos de interesse. Rizzi e Batista (2010) destacam um planejamento que envolve a capacitação da equipe funcional, desenvolvimento de materiais e técnicas, adaptações arquitetônicas e ampliação do público alcançado pela mediação. Tojal (2010) trata sobre a produção de catálogos informativos em braille entre outros recursos

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educativos de mediação. Paradinas (2002) enfatiza a modernização do espaço físico, levando em conta a usabilidade do equipamento e serviço público dos museus a sociedade. Cabe fazer algumas considerações sobre os serviços especializado dos Programas de Ação Educativa no atendimento dos diferentes públicos. Como apontou Paradinas (2002), em um dado momento o museu voltou-se para o visitante como a razão de ser espaço e acervo museológico. Com isso, o museu se dispôs a conhecer mais sobre seu público, a busca por informações e formas de atendimento inclusivo. Tojal (2007) coloca que as diferentes expectativas dos públicos tornaram-se conhecidas pelos mediadores que propuseram ações educativas especificas e de interesse de cada público. Lucena, Mussi e Leyton (2010) destacam a acessibilidade da mediação dos surdos que resultou em um processo de formação de aprendiz em educador com efeitos de enriquecimento do vocabulário da língua de sinais. O atendimento especializado dos Programas de Ação Educativa dos museus assumiu caráter técnico, resultante de um conjunto de saberes sobre as especificidades dos grupos, produção de conhecimentos e metodologias da mediação educativa dos setores do museu. Em algumas propostas a acessibilidade tangenciou questões delicadas, tais como: Tojal (2007 e 2010) trata da adaptação de peças do acervo para a mediação do público cego. Neves (2010) destaca a reelaboração da comunicação museológica de forma multisensorial. Cohen, Duarte e Brasileiro (2010) aponta a reconfiguração do espaço museológico para experiências afetivas entre visitante, museu e bem cultural. E cabe reforçar que Santos (2011) chama a atenção para a museologia ligada a inclusão e a acessibilidade como uma nova área em desenvolvimento e uma ferramenta de consolidação da instituição como agente de intervenção social. No que se refere a leitura dos Programas de Ação Educativa sobre o público de surdos, percebe-se que existe o entendimento do surdo como aquele que participa de uma comunidade, usuário de uma língua própria com características viso-espaciais distinta da língua portuguesa falada e que utiliza o canal visual como recepção no processo de aprendizado e comunicação. Cabe frisar que as diferenças do público de surdos foram entendidas como fator de reelaboração de estratégias de mediação como a produção de materiais impressos úteis para surdos e outros públicos com suas particularidades. Em relação à acessibilidade pensada pelos Programas de Ação Educativa para o público de surdos observou-se esforços no planejamento da recepção preocupada com a comunicação com esse público. Os programas educativos apresentam ações de formação de

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equipes para o atendimento especializado, elaboração de materiais de apoio sobre a instituição e acervo e desenvolvimento de estratégias de interlocução entre mediador e visitante surdo através do intérprete ou mediação em língua de sinais por meio de um educador surdo. Todas as iniciativas identificadas nas produções mostram a atenção do museu para a comunicação com o público de surdos. Foi possível perceber que os Programas de Ação Educativa vêm dedicando atenção para o público de surdos prevendo seu atendimento. O museu tem maior atenção para os visitantes cegos, sendo compreensível, tendo em vista que, a apreciação do objeto museológico ainda é muito arraigada ao sentido da visão. A recepção do público de surdos também é alvo de atenção das ações educativas dos museus, através de condições para participação do surdo no grande grupo, são as iniciativas mais freqüentes. Em outros casos o atendimento é especializado através do intérprete de língua de sinais ou educador surdo que preparam mediações específicas aos interesses dos surdos. Os Programas de Ação Educativa em suas propostas tem representado um meio de inclusão social da pessoa surda através do acesso aos conhecimentos da arte com condições de aprendizado em língua de sinais. Algumas iniciativas realizam a formação de educadores de arte surdos, contribuindo com a profissionalização, desenvolvimento lingüístico e cultural da pessoa surda. As propostas educativas dos museus demonstram a compreensão do acesso aos bens culturais como exercício da cidadania, da qual o surdo não pode ficar a margem. Os Programas de Ação Educativa dos museus voltados ao atendimento dos surdos colocou a arte entre os campos de conhecimentos que contribuem com a inclusão através de pesquisas, metodologias, serviços, literatura e materiais de divulgação. A proposta educativa de atendimento do público de surdos transformou o museu em espaço de proposições válidas para o ensino de arte, acessibilidade, interdisciplinaridade, comunicação e educação. Para o ensino de arte, a Ação Educativa do museu contribui com metodologias de ensino aprendizado da arte em contextos de inclusão. As experiências e resultados do trabalho de mediação dos conteúdos de arte para a pessoa surda no espaço do museu se apresentam como estratégias didáticas que podem ser adaptadas ou diretamente aplicadas em outros espaços de ensino de arte. A mediação do público de surdo em língua de sinais no espaço do museu representa o reconhecimento do bilinguísmo da pessoa surda e o respeito ao direito de acesso dos conteúdos em língua de sinais. Tais iniciativas educativas são significativas para incentivar a educação bilíngue em outros espaços de ensino.

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Os serviços do museu que prevêem a acessibilidade para a pessoa surda servem como exemplo para repartições públicas e privadas se adequarem as necessidades de públicos como os surdos. A ampliação do atendimento e especialização dos serviços prestados ao surdo é resultado de uma nova forma de pensar uma sociedade democrática com atitude inclusiva. As propostas educativas visando a acessibilidade do museu exigiram conhecimentos variados das equipes para o atendimento adequado as particularidades de cada público. Considerando que a busca por informações colocou o setor educativo em contato com outros saberes, entende-se que o trabalho dos Programas de Ação Educativa do museu assumiu caráter interdisciplinar. Em relação ao público de surdos, o setor educativo obteve conhecimentos sobre a língua brasileira de sinais e como se comunicar por meio dela. A ação educativa por meio da língua de sinais resultou na influência do conhecimento dos bens culturais para a criação de novos vocabulários e conceitos para a língua de sinais. A acessibilidade inseriu outro paradigma de comunicação nos museus, antes centralizado na visualidade da apreciação do objeto museológico para dar lugar a apreciação através de outros sentidos. O visitante passa a ser convidado ao exercício de apreciação pela lógica de sensações. Explorar outros sentidos da percepção humana no usufruto dos bens culturais, inicialmente serviu como alternativa para o público com deficiências sensoriais, os surdos e cegos, mais tarde o estímulo a sensorialidade se mostrou atrativo e benéfico à outros visitantes do museu. A atenção dos museus para a importância dos sentidos da percepção humana resultou em propostas educativas voltadas a dimensão do sensível e sinestésico para o desenvolvimento da relação afetiva entre visitante, objeto e espaço museológico. A abertura do museu para os diferentes públicos agregou conhecimentos técnicos que envolvem a comunicação e recepção dos visitantes, conhecimentos humanos relativos as particularidades e diversidades dos públicos, conhecimentos educacionais referente as diferentes formas de apreensão dos conhecimentos dos bens culturais e conhecimentos da responsabilidade social para uma sociedade com igualdade de oportunidades para todos. A acessibilidade do museu propiciou a especialização e qualificação dos serviços. A abertura do museu adequado as condições do atendimento do público dos surdos significa novos caminhos para de desenvolvimento da pessoa surda com melhores perspectivas de desenvolvimento e exercício da cidadania.

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