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25/01/2010
25/01/2010

Prática Penal – Patrícia Vanzolini

Esqueleto da peça

1) Quem é o seu cliente?

2)

Qual o crime que ele cometeu? O crime condiciona ao rito. Qual a pena? A ação penal e aos benefícios processuais, como sursis. Preencha o crime da denuncia e o crime da condenação, pois todos os aspectos que você checou com base no crime original, tem que ser rechecados, com base no crime. Ex. Foi indiciado por furto qualificado 2 a 8, a condenação é de Furto simples é 2 a 4 anos. Ambos são do rito ordinário, ação penal publica incondicionada, mas o furto simples tem direito ao sursis. Quando você desclassifica, os aspectos do crime tem que ser rechecados. Coloque o crime da denúncia, e o crime de uma eventual desclassificação.

3)

Qual é a ação penal?

4) Identificar o rito processual . É o primeiro passo para a identificação da peça, bem como identificar a competência.

5) Saber o momento processual. Ex: minha peça acabou de ser rejeitada.

6) Peça, nada mais é q uma combinação entre o cliente, rito processual e o momento.

7) Competência. 8) Tese. 9) Pedido.

COMO ACHAR A AÇÃO PENAL, RITO PROCESSUAL E O MOMENTO PROCESSUAL.

Ação Penal pode ser Pública (Denúncia) ou Privada (Queixa).

A ação penal pública pode ser:

  • a) Incondicionada que é a regra, e

  • b) Condicionada , esta pode ser por:

a.

representação do

ofendido (não

é

uma

peça

privativa do

advogado)

 

b.

requisição do ministro da justiça.

 

A ação penal privada pode ser:

  • a) Propriamente dita

  • b) Personalíssima (art. 236 do CP)

  • c) Subsidiária da pública (queixa crime subsidiária, o oferece)

promotor não

COMO DESCOBRIR A AÇÃO PENAL DE DETERMINADO CRIME?

Ela vai estar no:

  • a) Código Penal

  • b) Próprio crime

  • c) Disposições gerais

  • d) Menção a outra legislação ou jurisprudência (remetidas no artigo)

Exemplo:

a) Perigo

de

contágio

de

doença

venérea

Condicionada representação.

(art.

130).

130§2:

APP

  • b) Dano (art. 163) Art. 167, diz que no art. 163 caput e 163 p.u. IV é ação privada (só mediante queixa). No art. 163, p.u. I, II e III, é ação penal pública incondicionada.

  • c) Crimes contra a dignidade sexual: 213, 215, 216-A, 217-A, 218, 218-A, 218-B: o art. 225 diz que a regra é de APP Condiciona a representação. Exceções, quando a vítima é menor de 18 anos ou vulnerável (o conceito de vítima vulnerável está no art. 217-A) a ação penal será incondicionada.

    • a. Obs: súmula 608 STF? Ela permanece aplicável? Tem prevalecido é que a súmula não é mais aplicável, essa é a posição majoritária. O legislador resolver disciplinar a matéria, e teve a oportunidade de introduzir isto no texto, mudou tudo e não introduziu o teor da súmula 608, é que ele não quis, ou seja, resolver partir do zero e as únicas exceções e a vítima menor de dezoito, bem como a vítima vulnerável.

  • d) Crimes contra a honra (138, 139, 140). O art. 145 diz que a regra é ação penal privada. Exceções:

    • a. Art. 140, §2 + lesão: APP Incondicionada.

b.

Art.

141,

I

(Presidente

da

República):

requisição do Ministro da Justiça.

APP

Condiciona

a

  • c. Art. 140, §3 (injúria + preconceito): APP Condicionada a representação (modificado pela Lei 12.033/2009).

d.

Art. 141,

II

(Funcionário Público): APP Condicionada a

representação ou Ação penal privada, cabe ao ofendido decidir

Súmula 714 do STF.

 
  • e) Lesão corporal (art. 129 CP e 303 CT). Tanto o Código penal e o código de transito, fazem uma remissão ao art. 88 da Lei 9099/1995:

a.

Doloso

 

i.

Leve

 

1.

Simples (caput) APP Condiciona a representação

2.

Com violência doméstica (§9)

 
 
  • a. Posição tradicional STJ: APP Incondicionada

 
  • b. Posição

atual

STJ:

APP

Condiciona

a

representação

 
 

ii.

iii.

iv.

Grave (§1) Gravíssima (§2) Seguida de morte (§3)

APP Incondicionada

 

b.

Culposa APP Condiciona a representação

 

Ritos processuais são:

 
  • a) Ordinário

 
  • b) Sumário

  • c) Sumaríssimo

  • d) Especiais:

a.

Júri

b.

Crimes praticados por funcionário público contra a

administração

 

c.

Crimes contra a honra

 

d.

Crimes contra a propriedade material

 

e.

Leis especiais (exemplo: lei de drogas)

COMO DESCOBRIR O RITO PROCESSUAL?

Deve-se perguntar:

 
  • a) Trata-se de infração de menor potencial ofensivo?

 

a.

Sim: Sumaríssimo, vai para esse rito as:

  • i. Infrações de menor potencial ofensivo (art. 61 9099/1995) = contravenção penal + crime cuja pena máxima seja

menor ou igual a 2 anos.

Obs: o concurso de crimes e as causas de aumento e

diminuição de pena

SÃO

levadas em conta.

Ex1. Calunia (138 – 6 meses a 2 anos) + difamação (139 – 3 meses a 1 ano) Concurso de crimes, você soma as penas

máximas, 2 anos + 1 ano, no que dá 3 anos e assim não é sumaríssimo. Ex2. Causas de aumento: Calunia (138 – 6 meses a 2 anos) + 141,II (1/3 a 1/2) – vai levar no mínimo 3 anos e assim não é sumaríssimo.

  • b. Não, parte para a próxima pergunta:

  • b) Há previsão de rito especial?

    • a. Sim: fico no rito especial. Prevaricação pena 3 meses a

    • b. Não. Próxima pergunta

  • c) Qual a quantidade de pena?

    • a. Se a pena for maior ou igual a 4 anos rito ordinário.

    • b. Se a pena máxima menor do que 4 anos rito sumario.

  • REGRA DE PEÇA DE ACORDO COM O MOMENTO PROCESSUAL

     

    Momento 1

       

    Momento 2

     

    Momento 3

    Momento 4

     

    Antes da ação

       

    Durante

    a

    ação

    Sentença

     

    Transito

    em

     

    penal

     

    recorrível

    julgado

    Defesa

    Pedido

    relativo

    à

     

    -

    Resposta

    a

    Apelação

     

    Revisão

    (réu):

    prisão

    acusação

       

    criminal

    -

    Memoriais

     

    Acusaçã

    Queixa crime

       

    -

    RESE

    Apelação

       

    o

     

    -

    Memoriais

       

    (vitima)

     

    :

    As

    em

    negritos foram as

    que

    mais

    caíram,

    alem

    dessas:

    Liberdade

    provisória.

    Tarefa:

    1) Responder (no caderno) para ser corrigido em sala amanha, a questão 2007.3 – questão 4. Esta na área do aluno, no arquivo “enunciados”.

    PETIÇÃO DE JUNTADA: página 240 do livro de prática

    AULA 1: 2007.3 – questão 4

    Maria, primária e com bons antecedentes, após encontrar na rua uma folha de cheque em branco pertencente à Joaquim, dirigiu-se a uma loja de eletrodomésticos onde, mediante a falsificação da assinatura do cheque, adquiriu diversos aparelhos eletrônicos no valor de R$ 3.000 (três mil reais), tendo retirado os objetos no momento da compra. Com base na situação hipotética descrita; tipifique a conduta de Maria e aponte o procedimento processual penal cabível à espécie.

    - Art. 171, apesar do cheque ser documento público (§2, o título ao portador é equiparado) por equiparação. O crime de falsificação é absorvido pelo

    estelionato quando nele se esgota, exauri, conforme diz a súmula 17 do STJ:

    Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, e por este absorvido.

    Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:

    Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. § 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, § 2º. Art. 155 § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.

    - Rito ordinário.

    26/01/2010

    – Gustavo Junqueira

    Peça

    Competência

    Teses

    • a) Falta de justa causa

      • a. Tipicidade

      • b. Antijuridicidade

      • c. Isenção de pena

      • d. Falta de prova

      • e. Pena excessiva

  • b) Nulidade

  • c) Autoridade arbitrária

  • d) Extinção da punibilidade

  • Pedido

    TIPICIDADE

    É a perfeita adequação do fato ao modelo normativo. Temos a tipicidade formal: que trata da pura letra da lei. Ex. subtrai um alfinete alheio móvel/ Bem como a tipicidade material: se aproxima da essência do crime, o que merece ou não ser crime (os princípios da insignificância e da adequação social afastam a tipicidade material). Na insignificância a intensidade da execução penal é tão grande comparada ao crime cometido que não compensa, tira a humanidade da pena. A adequação social é a que fato socialmente adequado não merece relevância penal. A tipicidade pode ser dolosa e culposa. Os tipos penais são em regra dolosos, pois o dolo está implícito em todos eles. Já a culpa não está implícita e sim EXPRESSA para que tenha relevância penal. Para ter dolo o sujeito tem que ter consciência + vontade do que faz . A culpa é a quebra do dever objetivo de cuidado + previsibilidade do resultado (exemplo: do cara fazendo ultrapassagem em autoestrada e matou um outro que vinha de bicicleta, evidente que ele não quebrou o dever de cuidado objetivo, ou seja, o comum – ele fez tudo certo). Erro de tipo:

    a) Elementar : dado essencial da figura típica sem o qual ela não persiste (as elementares sem estão no caput do artigo). Ex. matar alguém é motivo torpe não. Por uma equivocada compreensão da realidade o sujeito não sabe que realiza os elementos do tipo. Ex. matar um homem achando que era um urso, em uma caça.

    Qual é consequência desse erro de tipo? Se eu não tinha consciência, eu não tinha dolo. O erro sobre a elementar sempre exclui o dolo. Erro inevitável: é aquele que o cuidado comum não evitaria. Assim não houve descuido, não houve quebra de cuidado, e assim também não há culpa. Erro evitável: é aquele que o cuidado comum evitaria o erro. Assim havendo descuido, houve a quebra de cuidado e assim é possível punir por culpa. Porém nem todo crime é punível na

    forma culposa, apenas quando existe a

    previsão na forma

    expressa. Ex1. Tráfico de drogas – cunhado – foi buscar. Ex2. Pego o celular errado, exclui o dolo. Ex3. CNH falsa do analfabeto. Ex4. Rapaz pratica ato libidinoso com menor de 14 anos, mas não sabia que a menor tinha essa idade. Exclui o dolo. b) Descriminante : o que são as descriminantes? É um nome mais genérico que se dá as excludentes de antijuridicidade (legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular do direito, estrito cumprimento do dever legal). Descriminante putativo ( putare = errar) : é a descriminante por erro. Por equivocada compreensão da realidade o sujeito imagina estar em situação que, se fosse real tornaria sua conduta acobertada por uma excludente de antijuridicidade. Ex. caso dos exploradores de caverna:

    achei q estava em estado de necessidade, não é verdadeiro é um estado de necessidade putativo, por erro. A consequência é a mesma do erro sobre a elementar. Ou seja, sempre exclui o dolo. Se for inevitável (DESCRIMINANTE PUTATIVO SOBRE ERRO INEVITÁVEL) exclui a culpa e se for evitável pune por culpa se previsto. Ex2. Encontro uma menina na balada e o noivo dela diz que via me matar eu fico com medo Legitima defesa por erro, ou seja, legitima defesa putativa.

    Crime impossível:

    • - Impropriedade absoluta do objeto: a pessoa ou a coisa sobre que recai a conduta é absolutamente inidônea para a produção de algum resultado

    lesivo. Exemplo: matar um cadáver, ingerir substância abortiva imaginando-

    se grávida ou furtar alguém que não tem um único centavo no bolso. No delito de roubo, caso o bem não tenha valor econômico ou a vítima não esteja trazendo consigo qualquer quantia, haverá crime impossível ante a impropriedade absoluta do objeto material; no entanto, subsidiariamente, o agente responderá pelo delito de constrangimento ilegal, funcionando o tipo do art. 146 do Código Penal como soldado de reserva.

    • - a impropriedade não pode ser relativa, pois nesse caso haverá tentativa.

    Exemplo: o punguista (Ladrões furtivos, que não utilizam armas. Apenas retiram do bolso o

    que encontra) enfia a mão no bolso errado. Houve circunstância meramente

    acidental que não torna impossível o crime. No caso, responde por tentativa. Por outro lado, se a vítima não tivesse nada em nenhum de seus bolsos, a impropriedade seria absoluta, inviabilizando totalmente a consumação do delito e tornando-o impossível.

    - Inidoneidade absoluta do meio: o meio empregado ou o instrumento utilizado para a execução do crime jamais o levarão à consumação. Um palito de dente para matar um adulto, uma arma de fogo inapta a efetuar disparos ou uma falsificação grosseira, facilmente perceptível, por exemplo, são meios absolutamente ineficazes. - a ineficácia do meio, quando relativa, leva à tentativa e não ao crime impossível. Exemplo: um palito é meio relativamente eficaz para matar um recém-nascido, perfurando-lhe a moleira. Uma arma de fogo inoperante ou uma arma de brinquedo (arma finta) configuram homicídio impossível, mas são perfeitamente aptas à prática de um roubo, desde que o engenho ou sua imitação sejam passíveis de intimidar a vítima, fazendo-a sentir-se ameaçada. Uma porção de açúcar é ineficaz para matar uma pessoa normal, mas apta a eliminar um diabético.

    - Por obra do agente provocador: quando o agente interfere no mecanismo causal do fato tendo tomado providencias anteriores para impedir o risco ao bem jurídico. Ex. policial provado o crime pedindo para o jovem buscar droga. Súmula 145 STF: não a crime quando a preparação do flagrante pela policia torna impossível a sua consumação.

    A teoria adotada pelo direito pátrio é a teoria objetiva temperada ou moderada, onde exige que o meio empregado pelo agente e o objeto sobre o qual recai a conduta seja absolutamente inidôneos para produzir a finalidade e o resultado buscado.

    Antijuridicidade: (art. 23) Legitima defesa: Agressão (ato lesivo humano), injusta (não acobertada por uma excludente), atual (está acontecendo), iminente (vai acontecer no próximo instante) a bem jurídico próprio ou de terceiro, meio necessário (é o meio menos lesivo ao alcance do sujeito suficiente para afastar a agressão), uso moderado. Estado de necessidade:

    Estrito cumprimento do dever legal:

    Exercício regular do direito:

    Culpabilidade:

    Imputabilidade:

    Excludentes: menoridade, embriaguez, doença mental (art. 26) O inimputável que pratica fato típico e antijurídico recebe medida de segurança em uma sentença de absolvição imprópria.

    Erro de proibição:

    Ele sabe o que está acontecendo, mas ele erra o conteúdo do ordenamento. É a realidade jurídica não a fática. a) Inevitável : não conhecia a proibição e nas suas condições de vida não poderia saber. Consequência: isenta da pena. Art. 21: o desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato (proibição do fato), se inevitável é isento de pena, se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

    b)

    Evitável : não sabia, mas nas suas condições de vida poderia saber. Consequência: diminui a pena.

    Inexigibilidade de conduta diversa:

    Coação moral irresistível: é a imposição de uma conduta em razão de invencível ameaça. Exclui a conduta. A coação resistível, não isenta de pena, mas é mera atenuante. O coator responde pelo crime praticado pelo coagido. Obediência hierárquica: ordem não manifestamente ilegal, de superior para inferior com vínculo público. O autor da ordem responde pelo crime executado pelo subordinado. Ex. funcionário rasgou uma folha do lançamento tributário por ordem do chefe sem saber. Existem causas supralegais de inexigibilidade de conduta diversa: Ex1. apropriação indébita previdenciária por parte da empresa, porém se provar que a empresa estava em grave dificuldade financeira pode ser. Ex2. discussão aborto do feto anencéfalo.

    ISENÇÃO DE PENA: causa de isenção de penas / imunidades ou escusas

    b) Evitável : não sabia, mas nas suas condições de vida poderia saber. Consequência: diminui a

    absolutórias nos crimes contra o patrimônio.

    Imunidade absoluta

    Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo:

    • I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; (mulher diz que comprou comida mas comprou sapato)

      • II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural.

    Imunidade relativa: aqui não isenta de pena. Transforma a ação penal em pública condicionada.

    Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime

    previsto neste título é cometido em prejuízo:

    • I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;

      • II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;

    III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.

    Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores:

    • I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja

    emprego de grave ameaça ou violência à pessoa;

    • II - ao estranho que participa do crime. (se eu combino com o vizinho

    de furtar meu pai, eu tenho, mas ele não. As imunidades não se

    comunicam).

    III - se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a

    60 (sessenta) anos.

    Favorecimento pessoal

    Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de

    crime a que é cominada pena de reclusão:

    Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.

    § 1º - Se ao crime não é cominada pena de reclusão:

    Pena - detenção, de quinze dias a três meses, e multa.

    § 2º - Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena * .

    Favorecimento real

    Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime:

    Pena - detenção, de um a seis meses, e multa. Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar,

    sem autorização legal, em estabelecimento prisional. (Incluído pela Lei nº 12.012, de 2009). Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. (Incluído pela Lei nº 12.012, de 2009).

    *Se você ajuda alguém a fugir da ação criminal, isso é crime de favorecimento pessoal, mas o CADI também está isento de pena.

    ESTUDO DIRIGIDO I

    a) Penal

     

    -

    O que é o principio da intervenção mínima e quais os princípios dele

     

    decorrentes?

    Procurando restringir ou impedir o arbítrio do legislador, no sentido de evitar a definição desnecessária de crimes e a imposição de penas injustas, o Estado só deve intervir, por intermédio do Direito Penal, quando os outros ramos do Direito não conseguirem prevenir a conduta ilícita. Decorre desse, o princípio da fragmentariedade, qual seja: o Direito Penal não protege todos os bens jurídicos de violação, apenas os mais importantes, e, dentre esses, não os tutela de todas as lesões, apenas as de maior gravidade, protegendo um fragmento dos interesses jurídicos, por isso é fragmentário. Deixando os fragmentos como: a falta de pagamento de um aluguel para o ilícito civil. Outro princípio decorrentes desde é o da subsidiariedade, que diz que o

    direito penal é ultima ratio. O direito penal só tutela o bem jurídico se outros ramos do direito não forem suficientes.

    Quais são os requisitos para a aplicação do principio da insignificância?

    -

    Vetores de aplicação apontados pelo STF:

     

    a)

    reduzida lesividade da conduta - RLC

    b)

    reduzida periculosidade do agente - RPA

    c)

    reduzida reprovabilidade social da ação. - RRSA

    d)

    Inexpressividade da lesão provocada. - ILP

    -

    O que se entende por principio da fragmentariedade? Já explicado.

    -

    Quais são os significados do principio da culpabilidade?

    Não existe crime sem a culpa (lato sensu). A pena só pode ser imposto a

    quem agindo com dolo ou culpa, e merecendo juízo de reprovação, cometeu um fato típico e antijurídico. O juízo de reprovabilidade (culpabilidade), elaborado pelo juiz, recai sobre o sujeito imputável que, podendo agir de maneira diversa, tinha condições de alcançar o conhecimento da ilicitude do

    fato. O juízo de culpabilidade, que serve de fundamento e medida da pena, repudia a responsabilidade penal objetiva.

    -

    Cite e explique 3 princípios relacionados à pena.

    Princípio da humanidade, na qual infere que o réu deve ser tratado como pessoa humana. Temos ainda o princípio da proibição do excesso, a pena deve ser proporcional ao fato típico e antijurídico praticado. A pena deve ser a medida de culpabilidade do autor. Outro princípio que está relacionado a pena é o estado de inocência, dele decorre a exigência de que pena não seja executada enquanto não transitar em julgado a sentença condenatória. Somente depois de a condenação tornar-se irrecorrível é que podem ser impostas medidas próprias da fase da execução. Por fim o princípio do ne

    bis in idem: ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato. No campo material ninguém pode sofrer duas penas em face do mesmo crime. E no campo processual: ninguém pode ser processado e julgado duas vezes pelo mesmo fato.

    b) Processo - Quais as formas de inicio do inquérito policial

    O início do inquérito policial vai depender da ação penal:

    • a) ação penal pública incondicionada

      • a. de ofício pela autoridade policial

      • b. por requisição do MP ou do Juiz. (requisição=ordem) (requerimento=pedido)

      • c. por requerimento do ofendido, nesse caso o delegado pode negar, e, caso isso ocorre, cabe recurso administrativo para o chefe de polícia.

  • b) ação penal pública condicionada

    • a. mediante representação do ofendido

    • b. mediante requisição do Ministro da Justiça

  • c) ação penal privada

    • a. mediante requerimento do ofendido.

  • - O sigilo do IP aplica-se também ao advogado? Qual o fundamento jurídico?

    O inquérito policial não é aplicado ao MP, ao Juiz e ao advogado. O art. 7 do estatuto da OAB diz que o advogado tem acesso aos autos do inquérito policial e acesso ao preso. Além disso o principal fundamento jurídico para isso é a sumula vinculante número 14 do STF: é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de policia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. Se o delegado descumprir tal súmula vinculante, caberá reclamação ao STF.

    - É possível o trancamento do Inquérito Policial? Em que casos é

    possível o trancamento do IP e qual a medida adequada para tanto?

    O trancamento do inquérito policial é medida anômala, excepcional, cabível

    apenas quando se verifique

    atipicidade

    do fato investigado ou a

    evidente

    impossibilidade de o indiciado ser o autor . Nesses casos a

    medida cabível é o habeas corpus.

    - O inquérito arquivado pode ser reaberto?

    Somente pode ser reaberto o procedimento arquivado por falta de provas caso surgirem novas provas.

    - Pode a vítima recorrer se o MP se manifesta pelo arquivamento do IP?

    Contra o arquivamento cabe correição parcial.

    • 27/01/2010

    – Guilherme Madeira – professormadeira.wordpress.com

    TESES
    TESES

    1.

    EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

    Art. 107 - Extingue-se a punibilidade (não é rol taxativo, mas exemplificativo):

    I - pela morte do agente;

    O juiz de posse da certidão de óbito do agente, após ouvir o Ministério

    Público, decretará a extinção punibilidade. Esta certidão deve ser expedida pelo Cartório de Registro Civil.

    II - pela anistia, graça ou indulto;

    Anistia: lei, congresso nacional. Indulto: geral, pres. da republica. Graça: individual, pres. da republica.

    III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;

    Abolitio criminis

    Súmula 611 – STF – Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna.

    IV - pela prescrição, decadência ou perempção;

    Decadência:

    6 meses a contar do conhecimento da autoria. Este prazo decadencial não se interrompe, nem se suspende, nem mesmo do inquérito policial. Prazo decadencial, incluo o do início e excluo o

    do final. Ex. 27/01 26/07

    Perempção:

    Art. 60 do CPP e 107, IV do CP - A perempção não se aplica a ação penal privada subsidiária da pública. Hipóteses:

    Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal:

    I - quando, iniciada esta,

    o

    querelante deixar de

    promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos;

    II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para

    prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; O juiz não precisa intimar o CADI depois da morte.

    III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais; IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor.

    V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada;

    Renúncia

     

    Perdão

    Pré-processual

     

    Processual

    Fase de inquérito

     

    Fase processual

    Não precisa da concordância do ofensor

     

    Precisa da concordância do ofensor

    A

    renúncia é

    para todos. Se

    eu

    sei

    que

    4

     

    pessoas me difamaram mas eu excluo voluntariamente uma delas, essa renuncia é para todos.

    Existe renúncia

    para

    o

    direito de

     

    representação? Em regra não existe renuncia para o direito de representação. Salvo duas exceções:

    1) Maria da Penha 2) Jecrim

     

    VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;

    Ex. crime de falso testemunho, você pode se retratar até a sentença.

    TAREFA - AULA 2: 2007.1 – questão 4

    Responde por crime contra a honra o servidor público que, por dever de ofício e em razão do simples exercício de suas funções, participou de processo administrativo – promovendo a sua instauração, colhendo provas, elaborando relatórios, fazendo encaminhamentos e dando pareceres técnicos – que, ao final, importou a demissão de outro servidor público, por abandono de cargo? Fundamente sua resposta.

    Resposta: Não, não responde por crime contra a honra. Isto porque o artigo 142, III do Código Penal é expresso neste sentido afirmando tratar-se de exclusão de crime. Neste sentido dispõe a legislação penal; (copiar o artigo).

    Exclusão do crime

    Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:

    I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador; II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar; III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício. Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.

    2.

     

    FALTA DE JUSTA CAUSA : é a falta de provas. Mas, o que seria justa causa? Para a

    doutrina moderna, trata-se da quarta condição genérica da ação penal, ao lado da possibilidade jurídica do pedido, da legitimidade ad causam e do interesse de agir. Entende-se que a ação somente pode ter início quando houver o mínimo de prova (materialidade e indícios de autoria).

    3.

     

    AUTORIDADE ARBITRÁRIA : sempre que houver direito subjetivo negado.

    O pedido é concessão do direito subjetivo negado (exemplo: progressão de regime, livramento condicional). Existe direito subjetivo negado, qual seja: por exemplo o direito a progressão de regime. Daí você fundamenta a progressão de regime.

    4. NULIDADE
    4.
    NULIDADE
     
    • 1. Introdução: Decreto 678/92 – Convenção Interamericana de Direito

    Humanos (Pacto de São José da Costa Rica).

    Artigo 8º – Garantias judiciais

    1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um

    prazo razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil,

    trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza. 2. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:

    • a) direito do acusado de ser assistido gratuitamente por um tradutor ou intérprete,

    caso não compreenda ou não fale a língua do juízo ou tribunal;

    • b) comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada;

    • c) concessão ao acusado do tempo e dos meios necessários à preparação de sua

    defesa;

    • d) direito do acusado de defender-se pessoalmente ou de ser assistido por um defensor

    de sua escolha e de comunicar-se, livremente e em particular, com seu defensor;

    • e) direito irrenunciável de ser assistido por um defensor proporcionado pelo Estado,

    remunerado ou não, segundo a legislação interna, se o acusado não se defender ele próprio, nem nomear defensor dentro do prazo estabelecido pela lei;

    • f) direito da defesa de inquirir as testemunhas presentes no Tribunal e de obter o

    comparecimento, como testemunhas ou peritos, de outras pessoas que possam lançar luz sobre os fatos;

    • g) direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada; e

    • h) direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior.

      • 3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de nenhuma natureza.

      • 4. O acusado absolvido por sentença transitada em julgado não poderá ser submetido

    a novo processo pelos mesmos fatos.

    • 5. O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário para preservar os

    interesses da justiça.

    2. Natureza

    jurídica:

    nulidade é

    a

    desconformidade com o modelo legal.

    sanção pela prática de

    um

    ato em

    • 3. Pedido da nulidade:

    Nulidade ab initio

    Nulidade a partir de

    Incompetência absoluta (deveria ser na Federal mas esta na Estadual, ou vice-versa)

    Incompetência relativa

    Ilegitimidade de parte (promotor promove uma ação na qual deveria ser o ofendido, ou vice-versa)

     

    Inépcia da denúncia

     

    ATENÇÃO: Primeiro você pede a nulidade, depois você pede absolvição.

    • 4. Classificação das nulidades:

    Nulidade absoluta

     

    Nulidade relativa

     

    Não precisa demonstrar um prejuízo

    Precisa demonstrar um prejuízo

    Não

    preclui,

    mesmo

    em

    sede

    de

    deve

    ser

    arguida

    no

    momento

    revisão criminal.

     

    oportuno, sob pena de

    preclusão –

     

    art. 571 CPP

     
    • 5. Quando pode ser arguida: Art. 564 do CPP

      • a) subsidiariamente pode ser usado o inciso IV

      • b) incompetência

      • c) ilegitimidade de partes.

      • d) Por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:

        • a. Ausência de denúncia ou queixa.

        • b. Falta de corpo de delito nos crimes que deixam vestígio.

        • c. Falta de nomeação de defensor ao réu presente, que não tiver, ou ao ausente. Tem que defesa técnica. A segunda parte não tem mais, não tem mais curador ao menor de 21 anos.

  • 6. Nulidades em espécies

    • a) Competência: JF x JE nulidade ab initio – 564, I

    • b) Ilegitimidade de parte, nulidade ab initio 564, II

    • c) Denuncia lacônica 564, III, a

    • d) Citação (ficar atento com a citação por edital e hora certa)

      • - Para citar alguém por edital, precisa esgotar os meios ordinários de busca do réu.

      • - Na hora certa o oficial de justiça via na casa do réu não costa que está se escondendo e faz a citação mesmo assim.

    • e) resposta a acusação, “o juiz não permitiu a apresentação de resposta a

    acusação” isso é nulidade, pois a resposta a acusação é obrigatória.

    • f) audiência, problemas que pode acontecer: ex1. juiz não interrogou porque

    achou suficiente a confissão na delegacia – a interrogação é obrigatória. Ex2.

    não deixa apresentar debates orais ou memorais escritos – é obrigatória isso.

    • g) sentença: quando o juiz não motiva ou não analisa uma das teses da

    defesa, isso gera nulidade.

    ATUALIZAÇÃO DAS SÚMULAS DO DIA:

    - no desaforamento tem que ouvir a defesa, senão nulidade. “É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do Júri sem audiência da defesa.” (Súmula 712)

    “Salvo quando nula a decisão de primeiro grau, o acórdão que provê o recurso contra a

    rejeição da denúncia vale, desde logo, pelo recebimento dela.” (Súmula 709)

    - “É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da renúncia

    do único defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro.” (Súmula 708)

    “Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprimindo a nomeação de defensor dativo.” (Súmula 707) “É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por prevenção.” (Súmula 706) “No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.” (Súmula 523)

    TAREFA:

    AULA 3: 2007.3 – questão 1

    José foi preso em flagrante pela prática do crime de roubo. Concluído o prazo

    previsto em lei, o inquérito policial foi encaminhado ao juiz, que considerou a prisão em flagrante legal e remeteu-o ao Ministério Público. O representante do Ministério Público, após 10 dias de vistas, não ofereceu denúncia, tendo solicitado que os autos fossem encaminhados à delegacia de polícia para o cumprimento de mais diligências. O requerimento foi deferido pelo juiz, que manteve a prisão de José. Considerando a situação hipotética acima, redija uma texto dissertativo, avaliando a legalidade da prisão de José e indicando, justificadamente, que medida judicial seria a mais adequada para impugnar essa prisão. Resposta 1: Primeiramente, verifica-se um flagrante excesso de prazo do inquérito policial, estando José preso. O Código de Processo Penal, no seu artigo 10, determina que o prazo para conclusão do inquérito policial é de 10 dias. Ora, dessa maneira, não poderia o membro do Ministério Público solicitar a devolução dos autos para a delegacia, para continuidade das suas investigações. Isso só poderia ocorrer, se José fosse colocado em liberdade, o que não aconteceu. O juiz, ao permitir esse cenário, transformou-se em autoridade coautora. Em casos como esse, deve ser impetrado contra o magistrado Hábeas Corpus, com fulcro no artigo 5, LVIII, da Constituição, a ser impetrado perante o Tribunal de Justiça do Estado.

    Resposta 2: O prazo para o oferecimento da denúncia, quando o réu estiver preso é de 5 dias, conforme a norma insculpida no artigo 46 do Código de Processo Penal. O desrespeito a esse prazo configura constrangimento ilegal e enseja o relaxamento da prisão em flagrante mantida até o momento. É o que aconteceu no caso em questão: após 10 dias de vistas o Ministério Público ainda não havia oferecido a denúncia, o que, por si só, já constituiria constrangimento ilegal. Ademais, o entendimento pacífico na doutrina e

    jurisprudência é que a manutenção da prisão após a devolução dos autos à polícia é também claro constrangimento. Nesse sentido, ensina Guilherme de Souza Nucci:

    “Devolução dos autos à policia para outras diligências:

    somente deve ocorrer quando o indiciado estiver solto, pois do contrário haverá nítido constrangimento ilegal, postergando o Estado acusação, indevidamente, a prisão” (Código de Processo Penal Comentado. São Paulo: RT, 2009, p. 167). Portanto, no caso apresentado a prisão em flagrante de José é claramente ilegal por excesso de prazo, sendo possível a sua impugnação pela via do Habeas Corpus, impetrado com fulcro no artigo 648, II do Código de Processo Penal, uma vez que o magistrado já decidiu-se pela manutenção da prisão. Não se descarta, no entanto a possibilidade de requerimento de relaxamento de prisão em flagrante endereçado ao próprio juiz da causa.

    Estudo dirigido:

    • - Penal – fato típico

    • - Processo – ação civil ex delicto.

    ESTUDO DIRIGIDO II a) Penal

    • - Diferencie tipo penal aberto e tipo penal fechado, citando exemplos.

    Tipo penal aberto: ato obsceno. Possui elemento normativo, precisando de um juízo de valor para aplicar a norma.

    Tipo penal fechado: matar alguém. Possui apenas o elemento objetivo, descritivo e não o elemento normativo. Não abre precedentes para juízo de valor.

    • - Há alguma exceção ao principio da retroatividade da lei mais branda?

    Sim, no caso da ultra-atividade da lei excepcional e temporária. Essas leis, mesmo que exista outra lei mais benéfica, continuam se aplicando aos crimes cometidos em sua vigência. A qualquer momento o infrator da lei vai ser julgado segunda esta que estava em vigor.

    • - Se o crime permanente se inicia na vigência de lei mais branda e durante o seu cometimento, entra em vigor lei mais severa, é

    possível a aplicação desta última?

    Sim, se a permanência do crime continua até o advento de uma lei mais grave, deverá o agente ser responsabilizado nos termos dessa lei mais grave, pois senão acabaríamos privilegiando aquele que se encontra há mais tempo cometendo a infração penal de natureza permanente.

    • - Qual a teoria do tempo do crime e lugar do crime, respectivamente?

    O lugar do crime é onde ocorreu, bem como onde deveria ocorrer, usamos no Brasil a teoria da ubiquidade.

    O tempo do crime é a teoria da atividade, ou seja no momento da conduta (ação ou omissão).

    • - Qual a diferença na contagem do prazos penais e processuais penais?

    Prazo penal: conta o do começa e exclui o do final. Art. 10 CP. Prazo processual: começa no dia seguinte e inclui o do final. Art. 798 §1, CPP.

    • b) Processo

      • - Quais as espécies de ação penal quanto à titularidade ativa?

    Quanto a titularidade ativa, a ação penal pode ser pública ou privada. Na

    ação penal pública o titular é o Ministério Público e na ação penal privada o titular é o ofendido, ou seja, a vítima.

    • - Quais as características da ação pública? E da ação privada?

    Os princípios que regem a ação pública são: obrigatoriedade (o MP é obrigado a oferecer a denúncia), Indisponibilidade (não pode dispor da ação penal, não pode desistir, tem que ir até o fim nem que seja para pedir a absolvição), Oficialidade (a titularidade da ação pública cabe a um órgão oficial, qual seja:

    MP), intrancendência (só pode ser processado criminalmente o autor da infração). Os princípios que regem a ação penal privada são: oportunidade (o ofendido oferece a queixa se quiser), Disponibilidade (a vítima pode dispor da ação penal, ou seja, pode desistir), Indivisibilidade (havendo dois ou mais suspeitos a vítima deve oferecer a queixa contra todos) Intrancedencia (só pode ser processado criminalmente o autor da infração penal)

    • - O que se entende por indivisibilidade? A que tipo de ação penal ela se aplica e quais as suas conseqüências?

    Como já dito, a indivisibilidade é um princípio da ação penal privada,

    norteando o seguinte: havendo dois ou mais acusados a vítima deve oferecer a queixa contra todos, ou seja, ou oferece contra todos ou não oferece para ninguém. Como consequência disso a renúncia para um é estendida aos demais.

    • - Qual a diferença entre renúncia e perdão do ofendido?

    A renúncia acontece antes da ação penal instaurada, já o perdão acontece depois, durante o processo, e nesse ultimo caso deve ter a concordância do ofensor.

    • - Em que tipos de ação é possível a ocorrência de perempção?

    A perempção só se aplica nas ações penais que se procedem exclusivamente por queixa, como é o caso da ação penal privada. Porém, não é aplicada na ação penal privada subsidiária da pública, pois evidente esse tipo de ação não se procede exclusivamente por queixa.

    ESTUDO DIRIGIDO III

    • a) Penal

      • - Diferencie crime omissivo próprio e crime omissivo impróprio, citando um exemplo de cada situação.

    São os crimes de omissão propriamente ditos, como omissão de socorro.

    Os crimes omissivos impróprios são crimes praticados por quem tinha por lei o dever de cuidado, proteção e vigilância, ou seja é um crime comissivo, mas por omissão, aqui o sujeito não causou, mas como não impediu é equiparado ao verdadeiro causador do resultado.

    • - O que é crime material, formal e de mera conduta?

    Material: a lei prevê um resultado e exige que ele ocorra para que o crime se consuma. Formal: a lei prevê um resultado mas não exige que ele ocorra para que o crime se consuma. Nesses crimes a obtenção do resultado é mero exaurimento. Mera conduta: a lei não prevê qualquer resultado.

    • - Qual a teoria adotada pelo Brasil em relação ao nexo de causalidade e qual a sua exceção?

    Teria da condição sem a qual não ocorreria determinado fato, conhecida também como da equivalência dos antecendentes. Tem sua exceção na superveniência da causa independente.

    • - Qual a diferença entre dolo eventual e culpa consciente?

    No dolo eventual o agente assumiu o risco do resultado, na culpa consciente

    o agente esperava sinceramente que o resultado não iria ocorrer.

    • - O que é o principio da confiança?

    Esse princípio foi acolhido pelo moderno direito penal brasileiro, baseando na expectativa de que outras pessoas ajam de um modo já esperado. Ou seja, consiste na realização de uma conduta de uma determinada forma na confiança de que o comportamento do outro agente se dera conforme o que

    acontece normalmente. Exemplo: um motorista que conduzindo um veículo pela preferencial passa por um cruzamento, confia que o outro automóvel, que se encontra na via secundária, espere a sua vez, aguardando a passagem. Havendo acidente, não terá agido, o primeiro, com culpa.

    b) Processo

    • - A sentença condenatória faz coisa julgada no âmbito civil?

    Sim, até mesmo a ação cível em andamento, decorrente do mesmo fato, com

    a finalidade de reparação de danos, com o advento da sentença penal condenatória transitada em julgada, fica prejudicada, extinguindo-se.

    • - A sentença penal absolutória faz coisa julgada no âmbito civil?

    Via de regra, a sentença penal absolutória não faz coisa julgada no âmbito civil, não impedindo ação civil “ex delicto”, pois é possível ser absolvido no penal e condenado no civil.

    • - Aponte os incisos do artigo 386 em que a absolvição impede o ajuizamento da ação civil?

    Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: incisos I, IV, VI, que ditam a certeza de que o fato não correu, bem como a certeza da não autoria. Por fim, no inciso VI está previsto o reconhecimento das excludentes de ilicitude, porém apenas aos atos defensivos, em que a pessoa viola os bens jurídicos da pessoa que produzziu o perigo. No agressivo a pessoa que teve viola seus bens jurídicos e não deu causa ao perigo poderá entrar com a ação civil “ex delicto”.

    • - O juiz criminal, em caso de condenação pode arbitrar o “quantum” da indenização devida à vítima?

    Conforme o art. 387, inciso IV o juiz fixará valor mínimo para reparação dos

    danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido.

    • - E se o juiz omitir-se quanto à indenização, qual a medida cabível?

    Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido. Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1 o e 2 o ), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público.

    28/01/2010

    – Flávio Martins

    1. PRISÃO

    É a privação da liberdade.

    1.1. Espécies de Prisão

    • a) Prisão Pena ou Prisão Penal: decorre de sentença penal condenatória

    irrecorrível.

    • b) Prisão Civil (Art. 5º, LXVII, CF) - Segundo o STF, não se admite mais a

    prisão civil do depositário infiel.

    • c) Prisão Disciplinar (art. 125 §4 Justiça Estadual Militar – art. 124

    Justiça Federal – CF) – é a prisão decretada contra militar pelo seu superior

    hierárquico. Ex. é o comandante que decreta a prisão de um soldado que desrespeitou ele. Contra essa prisão, não cabe habeas corpus (art. 142, §2º, CF), pois isso quebra a disciplina, por isso não pode. Segundo o STF e o STM, caberá habeas corpus para discutir a legalidade da prisão, mas não o mérito – eles relativizaram o art. 142.

    • d) Prisão Administrativa – prisão que possui fins administrativos, embora

    seja decretada por juiz. Ex.: prisão do estrangeiro em vias de ser extraditado.

    A prisão do italiano Cessare Batisti é uma prisão administrativa, estão vendo se o cara vai ser extraditado.

    • e) Prisão Processual: é a prisão antes ou durante o processo. Temos a

    prisão em flagrante, temporária e preventiva. Não existe mais, segundo informativo do STF as prisões decorrentes de pronuncia e de condenação recorrível.

    ESPÉCIES DE PRISÕES PROCESSUAIS (não existe mais a prisão automática decorrente de pronúncia ou sentença condenatória recorrível – toda prisão processual exige cautelaridade):

    PRISÃO EM FLAGRANTE – “flagrare” queimando, acontecendo, crepitando.

    • a) Espécies de flagrante - Art. 302, CPP

      • a. Impróprio (ou quase flagrante): logo após a infração o agente é perseguido e preso, essa perseguição pode durar o tempo que for necessário, ou seja, não tem prazo, mas desde que a perseguição seja ininterrupta. Vai saindo do encalço do suspeito, evidente que não precisa ser igual aquelas perseguições dos EUA de carro, pode ir atrás de pista.

      • b. Presumido ou ficto : logo depois da infração o agente é encontrado com algum objeto comprometedor que faça presumir ser ele o autor da infração. Ex. encontrado com pertences da vítima, fotos da cena, arma do crime.

      • c. Próprio ou real : o agente está cometendo ou acaba de cometer a infração.

    Se o fato não se enquadrar no art. 302 do CPP, não haverá flagrante. Ou seja, para alguém ser preso em flagrante tem que se encaixar o artigo. Ex.:

    apresentação espontânea – o velho acabou de matar a esposa e foi na delegacia, mas o fato não se encaixa no art. 302, assim, impede a prisão em flagrante, mas não a preventiva.

    • b) Classificação do flagrante de acordo com o art. 301, CPP

      • a. Obrigatório/compulsório : deve ser feito pela autoridade policial e seus agentes, no cumprimento do dever legal.

      • b. Facultativo : pode ser feito por qualquer pessoa do povo.

  • c) Classificação doutrinária de flagrante

    • a. Esperado (regular): a autoridade aguarda a prática da infração, espera, aguarda. Fica de campana, esperando, de tocaia.

  • b. Forjado (irregular): a autoridade simula, inventa, cria uma

    situação de flagrante, ex. planta a droga no bolso do suspeito. c. Preparado (irregular, por se tratar de crime impossível – posição

    do STF):

    a

    autoridade induz o

    agente a praticar a infração.

    Colocam a armadilha para ver se cai ou não – coloca um

    chumaço enorme de dinheiro, assim está sendo induzido a praticar isso. Para a OAB o flagrante preparado é irregular, por se tratar de crime impossível, STF súmula 145. A consumação é de impossível alcance. O CRIME É IMPOSSÍVEL QUANDO A CONSUMAÇÃO É DE IMPOSSÍVEL ALCANCE.

    Crime impossível:

    Por ineficácia absoluta do meio: quer matar a sogra e pega por engano a arma de brinquedo.

    -

    Por impropriedade absoluta do objeto: o cara tenta matar, mas a pessoa já está morta.

    -

    -

    Flagrante preparado: jamais conseguiria consumar aquela conduta.

    Exceção: crimes de ação múltipla ou conteúdo variado. Ex.: crime de tráfico de drogas – policial que se disfarça e compra a droga. A venda é flagrante preparado, portanto, crime impossível, mas o flagrante regular pode ocorrer

    porque o traficante portava a droga para a venda.

    -

    Flagrante prorrogado, retardado ou diferido: restrito aos crimes

    praticados por organizações criminosas em que os policias retardam, prorroguem, adiem, a prisão em flagrante até o momento mais oportuno do ponto de vista da coleta de provas, a espera de novos criminosos – art. 2, II 9034/95 Crime Organizado – 53, II 11343/2006. Existem duas leis no Brasil

    que admitem o flagrante prorrogado, retardado ou diferido Lei 11.343/06 (lei de drogas) e Lei 9.034/95 (lei do crime organizado).

    A prisão em flagrante distingue das demais por não depender de ordem judicial.

    Auto de Prisão em flagrante

     

    -

    24 horas para a lavratura;

    Condutor + testemunhas – na prática segundo a jurisprudência pode ser apenas 1 testemunha;

    -

    -

    Se não houver testemunhas presenciais, duas pessoas poderão assinar o

    auto de prisão em flagrante;

     

    -

    Nota de culpa – informando quem o prendou e por que ela está presa (24

    horas);

    -

    Interrogatório do preso (direito ao silêncio);

    -

    a autoridade judiciária deve ser comunicada imediatamente.

    -

    Se

    o

    preso não

    indicar o

    nome de seu advogado, será comunicada

    imediatamente a Defensoria Pública.

    -

    O delegado tem as mesmas 24 horas para lavrar o auto de prisão em

    flagrante e entregar a nota de culpa.

     

    Direitos Constitucionais do Preso (art. 5º, CF)

    -

    Direito ao silêncio;

     

    Direito de não produzir provas contra si mesmo (está implícito na CF e não expresso);

    -

    -

    Autoridade judiciária será imediatamente comunicada – juiz art. 5 LXII;

    -

    Se a prisão for irregular, o juiz deverá relaxá-la.

    Exemplos de FLAGRANTE IRREGULAR: flagrante forjado, preparado, flagrante no caso de apresentação espontânea, flagrante sem nota de culpa,

    excesso de prazo (se o indiciado está preso o IP deve durar 10 dias). Nesses

    casos, cabe o famosíssimo requerimento do

    relaxamento da prisão em

    flagrante (o fundamento é o art. 5, LXV, CF – a prisão ilegal será

    imediatamente relaxada pela autoridade judiciária) ou impetração de HC (art. 5, LXVIII).

    Se o flagrante for irregular você tem duas opções: 1) pedir o relaxamento da prisão em flagrante (mais comum na prática porque é mais rápido) ou 2) pedir o HC.

    PRISÃO PREVENTIVA (Art. 311 e ss do CPP)

    • - Durante o IP e durante o processo;

    • - Só cabe em crimes dolosos (ex. Gol x Legacy – pilotos, crime culposo não

    pode);

    • - Decretada por juiz (de ofício, mediante requerimento do MP ou querelante,

    ou ainda, por representação do delegado); só o juiz, CPI não decreta, nem

    mesmo autoridade policial.

    Diante de uma excludente da ilicitude: ex. legitima defesa, cabe prisão:

    • - Em Flagrante? Sim.

    legitima defesa.

    Pois

    não

    é

    o

    delegado que

    vai dizer

    que

    está em

    • - Preventiva? Não (por expressa previsão no CPP Art. 314, CPP).

    Quando cabe a prisão preventiva?

    • - Dois pressupostos: prova da materialidade e indícios suficientes de

    autoria; (fumus commissi delicti)

    • - 4 hipóteses de decretação - periculum libertatis – art. 312, CPP:

      • Garantia da ordem pública. (para nós advogados garantia da ordem

    pública é a liberdade perigoso, e só isso, se permanecer em liberdade causa

    um grande risco a sociedade) Atenção: o CPP não prevê o clamor público como hipótese de prisão preventiva. “liberdade perigosa” se o rapaz permanecer em liberdade causa um risco grande a sociedade. O casal

    Nardoni foi preso por isso, mas o entendimento do LFG é que não deveria.

    • Por conveniência da instrução criminal. Ex.: ameaçar testemunhas,

    destruir provas, etc. MALUF ameaçou as testemunhas.

    • Para assegurar a aplicação da lei penal. Ex. quando a pessoa ameaça

    fugir. Ex. Juiz Nicolau dos Santos Neto – Lalau.

    • Garantir a eficácia das medidas protetivas decretadas nos casos

    de violência doméstica ou familiar (Lei 11.340/06 – Lei Maria da Penha) violência doméstica (tapa na empregada domestica, bater na namorada ou na ex) ou familiar (sogra, mãe, filha) contra a mulher. O juiz pode fixar uma distancia mínima de menos de tantos metros. Ex. Dado Dolabella.

    Não há prazo fixado em lei para a prisão preventiva Prazo: pode durar todo o processo se presentes os requisitos legais.

    A prova disso é que o casal Nardoni ainda está preso. Se desaparecerem os requisitos que autorizam a prisão preventiva, o juiz deverá revoga-lá. RELAXAR É SÓ FLAGRANTE. Se o juiz decreta uma prisão preventiva por crime culposo ou sem os requisitos, contra essa decisão não cabe recurso, não existe previsão legal, mas cabe HC.

    Se desaparecerem os requisitos da preventiva: nesse caso deve ser feito um requerimento de revogação da prisão preventiva com fundamento no art. 316 do CPP.

    Contra decisão que nega o relaxamento e a revogação não cabe recurso, mas cabe HC.

    PRISÃO TEMPORÁRIA - não está no CPP e sim na Lei 7.960/89, pois a CF acabou com a prisão para averiguação, coisa da ditadura, para substituir mais ou menos essa prisão criação esta.

    • - Finalidade: garantir a investigação;

    • - Só durante o IP;

    • - Decretada pelo juiz a requerimento do MP ou representação do delegado.

    • - Não cabe de ofício.

    • - Prazo: 5 dias, prorrogáveis por mais 05, se necessária (a parte tem que

    cutucar o juiz – ex. o arbitro Edilson Pereira de Carvalho não prorrogou +5

    pois ele contou tudo como foi o esquema).

    • - Prazo para crime hediondo ou equiparado: se for crime hediondo ou

    equiparado – prazo de 30 dias prorrogáveis por mais 30 dias. (art. 2 §4 da Lei

    n. 8072/90)

    • - Cabimento: Art. 1º da lei 7.960/89

    I - quando for imprescindível para a investigação. II - não tem residência fixa ou não oferece elementos de identificação. III - pratica de um dos graves crimes previstos nesta lei: homicídio doloso, roubo, tráfico de drogas, extorsão, estupro, crimes contra o sistema financeiro, genocídio, epidemia, envenenamento de água potável, quadrilha ou bando.

    Esse incisos são cumulativos ou alternativos? A

    posição

    para

    a

    OAB

    majoritária é que

    o inciso III

    é indispensável, ou seja obrigatório, só cabe

    nesses crimes graves, + os incisos I ou o II. Posição majoritária: o inc. III do

    art. 1º é obrigatório, somado ao inc. I ou II.

    Assim: Inciso III (obrigatório) + I ou II

    Prisão

    Preventiva

    Temporária

     

    Durante

    IP

    ou

    IP

    processo

    Juiz

    Pode

    de

    Não

    pode

    de

    ofício

    ofício

    Prazo

    Não tem

    5 dias + 5

     

    Se o juiz decretar uma prisão temporária e irregular não cabe recurso e sim HC.

     

    Irregular

    Relaxamento ou HC

    Prisão em flagrante Prisão preventiva

    Irregular

    HC

    Prisão

    preventiva

    Sem requisitos

    Revogação

    regular Prisão temporária

    Irregular

    HC

    LIBERDADE PROVISÓRIA:

    É o direito de aguardar o processo em liberdade. Ou seja, é a regra, pois só

    em casos excepcionais que processual.

    uma pessoa deve

    aguardar presa o

    findo

    a)

    Com fiança:

     

    a.

    O delegado pode arbitrar fiança no seguintes casos:

     
     

    i.

    Detenção

     

    ii.

    prisão simples

     
     

    b.

    O juiz pode arbitrar fiança, salvo se elas forem inafiançáveis.

     

    Crimes Inafiançáveis:

     

    RACISMO

     

    GRUPOS ARMADOS CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

     

    CRIMES

     

    HEDIONDOS

     

    (8072/90)

    E

    EQUIPARADOS

    (TTT

    tráfico/tortura/terrorismo) CRIME CUJA PENA MÍNIMA EXCEDE 2 ANOS

     

    b)

    Sem fiança

     

    a.

    Sem vinculação – tem previsão no art. expressão “o agente se

     

    livra

    solto” –

    o

    cara vai

    pra

    casa sem pagar

    nada

    e

    sem

    vinculação. Exemplos de liberdade provisória sem fiança e sem vinculação, casos em que se livra solto, ou seja, chega na delegacia e vaza:

    Lei 9.099/95 – infrações de menor potencial ofensivo;

     

    Lei 11.343/06 – porte de drogas

    CTB - agente que presta imediato socorro à vítima;

    b.

    Com vinculação (art. 310 CPP): só o juiz concede e nos casos de

       

    flagrante regular. Na prisão preventiva ou temporária não

    peça liberdade provisória.

     

    i.

    caput: Excludente da ilicitude

     

    ii.

    parágrafo

    único:

    quando

    não

    estão

    presentes

    as

     

    condições que autorizam a prisão preventiva.

     

    - O que é fiança? No direito civil é uma garantia pessoal, o fiador garante. No penal é real o cara dá dinheiro ou bem para obter a liberdade, o cara pode pagar ou não pagar para obter a liberdade.

    - O que é vinculação? É a obrigação de comparecer a todos os atos do processo.

    01/02/2010

    – Paulo Henrique

     

    PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Começa com:

     

    Denúncia (é a PI nos crimes de AP Pública) ou Queixa (é a PI nos crimes de AP Privada).

     

    Os REQUISITOS GENÉRICOS da denúncia/queixa estão no art. 41 do CPP, são eles:

     

    a.

    Exposição precisa dos fatos.

     
     

    i.

    A acusação genérica é repudiada pela doutrina e jurisprudência, é aquela contida assim “ele furtou, ele roubou” – isso viola a garantia da ampla defesa; é uma causa famosa da inépcia da inicial.

    ii. Não pode ocorrer a imputação alternativa, imputar dois fatos criminosos de formas alternativa, ou seja, a acusação diz ele praticou ou um roubo com emprego de arma ou um furto mediante arrombamento. Isso não se admite.

    • b. Qualificação do acusado (aquela civil, ou uma descrição física que permita a identificação).

    • c. Classificação do crime – se a acusação errar apenas a classificação jurídica do fato, na tipificação, o juiz pode fazer a emendatio libeli 383 do CPP.

    • d. Rol de testemunhas: até 8. (quando for o caso, ou seja, quando

    houver testemunhas e a parte quiser ouvi-la). Ainda na Queixa: procuração com poderes especiais (tem que constar na procuração a descrição dos fatos e o nome do querelado). A queixa pode ser rejeitada se o advogado não juntou. Na peça prática tem que mencionar: por seu advogado signatário (procuração especial) – o nome do querelado (réu), ou seja quem será o réu da queixa, e ainda deverá ter uma menção do fato criminoso.

    O juiz pode:

    • a) Receber a denúncia – 396, caput: não cabe recurso algum – só HC.

    • b) Rejeitar a denúncia liminarmente: cabe recurso em sentido estrito – RESE. Exceção: se ocorrer no Jecrim caberá Apelação.

    Tanto para decisão que recebe e a que rejeita: em tribunal superior sempre será agravo. 5 dias para oferecer denuncia se preso.

    15 dias se solto

    Rejeição da denúncia ou queixa (art. 395 do CPP)

    • a) Inépcia da inicial (denúncia ou queixa), ou seja, quando não preencher os

    requisitos do art. 41, se eles não forem preenchidos a petição inicial será inepta.

    • e. testemunhas e a parte quiser ouvi-la).

    • b) Falta de pressuposto processual, ex. incompetência.

    • c) Falta de condição da ação

    c.1) Genéricas P – possibilidade jurídica do pedido (exemplo: denúncia ou queixa contra alguém que cosa de imunidade diplomática ou consular)

    I – interesse processual (prescrição antecipada/virtual) L – legitimidade ad causam (vai depender do tipo de ação) c.2) Específicas – só se exigem na ação público condicionada:

    c.2.1) representação do ofendido c.2.2) requisição do ministro da justiça

    • d) Falta de justa causa, ou seja, falta de um mínimo probatório, pois

    ninguém pode ser processado sem provas. Justa causa é a base fática para

    oferecer a denuncia ou queixa, esse mínimo de prova geralmente vem do inquérito policial.

    Depois do recebimento da denúncia temos a (a finalidade da citação é para que ele responda em 10 diaz):

    Citação: é o chamamento do réu para se defender em juízo. Temos três tipos de citação:

    • a) Pessoal : é a regra geral. Se o réu estiver em outra comarca será citado por carta precatória, ela suspende a prescrição até ser cumprida. No processo penal o prazo é contado a partir da citação e não da juntado do mandado, é diferente do processo civil. Se o réu é citado pessoalmente e não comparece, será processado a revelia, ou seja será processado sem estar presente, é claro que o juiz nomeia um defensor (pois ninguém poderá ser processado no Brasil sem defesa técnica).

    • b) Por edital : quando o réu estiver em lugar incerto e não sabido, se o réu citado por edital não comparece, deve suspender o processo e também a prescrição, art. 366 do CPP.

    • c) Com hora certa : o réu se oculta para não ser citado. Será adotado o mesmo procedimento do CPC. Procurou o réu por 3 vezes, e o cara fica com picaretagem, o oficial marca dia e hora, não o encontrado o oficial cita o réu através de um parente ou vizinho. Se o réu é citado com hora certa, será processada a revelia.

    Depois da citação o próximo ato do processo penal é a:

    Resposta à acusação – art. 396 do CPP. Isto não é defesa prévia, aquela defesa prévia não existe mais. Isso aqui equivale a uma contestação do processo civil. Tem que tentar convencer o juiz a absolvição sumária.

    O prazo é de 10 dias a contar da citação. Essa é obrigatória, a antiga defesa prévia era facultativa. Mas e se o réu não fizer? O juiz nomeará um defensor para fazê-la em 10 dias, portanto essa resposta à acusação é obrigatória não tem como fugir. Qual é o conteúdo desta resposta à acusação, o que o advogado pode alegar?

    • a) Matéria processual. Ex. nulidade da citação.

    • b) Rol de testemunhas – até 8 testemunhas podem ser arroladas.

    • c) É possível fazer um pedido de absolvição sumária.

    Depois da resposta à acusação:

    Absolvição sumária – art. 397 do CPP. É a maior novidade: é no processo civil comparado com o julgamento antecipado da lide. Digamos que seria uma absolvição antecipada, sem ouvir ninguém, sem ouvir nem testemunha, nem mesmo o réu.

    Hipóteses:

    • a) Excludente de ilicitude.

    • b) Excludente da culpabilidade,

    doença mental

    ,

    pois

    na

    exceto a inimputabilidade só por

    o

    sujeito é

    doente mental, o

    prática se

    processo seguirá adiante, o juiz não absolve sumariamente não, pois se o réu é inimputável o juiz vai ter que aplicar uma medida de segurança, como uma internação.

    Culpabilidade

    Excludentes

     

    Imputabilidade

    Menor de

    18

    art.

    27

    ele

    é

    parte

    ilegítima no

    polo

    passivo. Falta de

    condição da ação, falta a legitimidade

       

    passiva. E assim gera a rejeição liminar da denuncia ou queixa pois ele não pode ocupar o polo passivo.

    Doença mental –

    art. 26 caput

    Cabe

    Medida de

    Segurança só na

    sentença

    final

    e

    assim

    não

    cabe

    Absolvição

    Sumária.

     

    Embriaguez acidental + completa

    art. 28,

    §1,

    CP

    (se ela

    gera isenção de

    pena

    ela

    pode

    ser

    reconhecida na

    absolvição sumária)

    Potencial

    consciência

    da

    Erro de proibição – art. 21

     

    ilicitude

     

    Exigibilidade

    de

    conduta

    Art. 22 – coação moral irresistível, obediência

    diversa

    hierárquica

    • c) Quando o fato for atípico.

    • d) Extinção da punibilidade (prescrição, decadência, morte do agente ... art. 107). Você deve pedir ao juiz que seja declarada a extinção da punibilidade pela

    O único caso que eu devo pedir a

    ______. absolvição para a tese de extinção da punibilidade. Contra essa decisão do art. 397 cabe o recurso de Apelação.

    A B C FALTA DE JUSTA CAUSA D EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

    Se

    não for

    o

    caso, o

    próximo passo é

    a:

    AUDIÊNCIA DE

    INSTRUÇÃO E

    JULGAMENTO, art. 400. O prazo para marcar a audiência é de 60 dias, contados a partir da designação. Nessa audiência vai acontecer “tudo”:

    O – ofendido T – testemunhas acusação T – testemunhas defesa P – peritos A – acareação R – reconhecimento I – interrogatório do acusado Debates orais:

    • a. Acusação: 20m + 10m

    • b. Assistente 10m

    • c. Defesa: 20m + 10m (em caso de assistente acrescente + 10 aqui)

    • a) Vai ser ouvido o ofendido.

    • b) Vão ser ouvidos as testemunhas, nessa ordem: primeiro as testemunhas de acusação, depois as testemunhas arroladas pela defesa.

    • c) Vão ser ouvidos os peritos/assistentes técnicos.

    • d) Depois disso, se possível e necessário, poderá ser feito o reconhecimento, a acareação.

    • e) Depois de tudo isso é teremos o interrogatório (até o ano passado ele estava no começo do processo, logo após a citação, agora é o último ato da instrução).

    • f) Depois disso teremos debates orais. Assim não há mais as alegações finais, agora são debates orais, e tem prazo 20 minutos, prorrogáveis por mais 10 minutos para cada parte, tudo dentro dessa audiência. Se assistente houver ele fala depois do MP ou no máximo 10 minutos.

    • g) Sentença.

    Três hipóteses de conversão dos debates orais em memoriais escritos:

    1) Vários réus. Inviabiliza as alegações, ficaria muito tempo. (art. 403, §3, CPP) 2) Diligencias complementares - surgimento de nova prova. Art. 404 CPP. 3) Caso complexo. (art. 403, §3, CPP) Qual será o prazo desses memoriais? A acusação terá o prazo de 5 dias para fazer seus memoriais escritos, e a defesa terá o prazo de 5 dias, e o juiz vai ter o prazo de 10 dias para decidir. Não é um prazo comum para os dois e sim sucessivo. Fundamento para os memoriais, art. 403, §3 e art. 404 CPP.

    PROCEDIMENTO SUMÁRIO

    Destinados aos crimes de pena máxima maior que 2 anos e menor que 4 anos. É igualzinho ao ordinário e tem apenas 3 diferenças, são elas:

    1) O número de testemunhas: posso arrolar até 5 testemunhas. 2) Prazo para audiência: 30 dias . 3) Não há previsão de conversão dos debates orais em memorais escritos. Mas o código permite no art. 394, §5, CPP. Art. 394, § 5 o : “aplicam-se subsidiariamente aos procedimentos especial, sumário e sumaríssimo as disposições do procedimento ordinário”. Tudo isso para ser mais célere. O resto é tudo igual ao procedimento ordinário.

    ESTUDO DIRIGIDO IV

    a) Penal

    • - Qual a conseqüência do erro de tipo essencial, que recai sobre

    elemento do tipo?

    No erro de tipo elementar ou essencial o agente não persegue que estão presentes , na realidade, os elementos do tipo. A consequência é a seguinte:

    se o erro for inescusável o agente não responde nem por dolo, nem por culpa. Agora se o erro for escusável, o agente não responde por dolo, mas responde por culpa, caso haja previsão.

    • - Qual a teoria adotada pelo Brasil quanto às descriminantes putativas?

    O Brasil adota a teoria limitada da culpabilidade. Quando o erro é do tipo, exclui o dolo e a culpa quando inescusável, porém só exclui o dolo quando escusável, podendo o sujeito responder por crime culposo. Quando, entretanto, o erro do sujeito recai sobre os limites legais da causa de justificação – erro de proibição, se inevitável exclui a culpabilidade e se evitável não se exclui a culpabilidade. Tudo previsto no art. 20, §1 e 21 do CP. Teoria quanto ás discriminantes putativas: No Brasil existem duas espécies de discriminantes putativas:

    a) as discriminantes putativas por erro sobre os pressupostos fáticos da

    discriminante (erro de tipo permissivo – tem as mesmas consequencias do erro de tipo) b) as discriminantes putativas por erro quando à existência jurídica ou os limites jurídicos da discriminante (erro de proibição indireto – tem as mesma consequencias que o erro de proibição). Isso quer dizer que as discriminantes putativas em determinados casos excluem a tipicidade (erro de tipo permissivo) e em outro excluem a culpabilidade (erro de proibição indireto). Quer dizer que o Brasil adota a TEORIA LIMITADA DA CULPABILIDADE. Se fosse adotada outra teoria (teoria extremada da culpabilidade) isso significaria que as discriminantes putativas sempre deveriam excluir a culpabilidade, o que não acontece no nosso ordenamento.

    -

    O que é culpa imprópria?

    É a culpa decorrente da discriminante putativa evitável. Se distingue da culpa própria pois é a única modalidade de culpa que admite tentativa, na culpa imprópria existe um crime doloso e o legislador aplica a pena do crime

    doloso.

    -

    Qual a diferença entre o erro sobre a pessoa e a aberratio ictus?

    No erro sobre a pessoa, o agente atinge pessoa diversa do pretendido. No

    aberratio ictus o agente por erros nos meios de execução acaba atingindo pessoa diversa da pretendido. No erro sobre a pessoa o agente sofre uma confusão mental. Porém a consequência é a mesma, o agente responde como se tivesse atingindo a pessoa pretendido. O Brasil adota a teoria da ficção.

    -

    Qual a diferença entre aberratio ictus e aberratio criminis?

    Aberratio ictus: é o erro na execução. Art. 73. Aberratio criminis: é o resultado diverso do pretendido. Art. 74.

    b) Processo

    -

    Como é a ação penal nos crimes contra a dignidade sexual? (regra e

    exceções)

    A regra é a ação penal condicionada a representação, porém quando a vítima

    for menor de 18 ou se tratar de pessoa vulnerável a ação penal será pública incondicionada.

    -

    Como é a ação penal nos crimes contra a honra? (regra e exceções)

    Em regra, são crimes de persecução privada. Não serão crimes de ação penal privada somente quando ocorrer uma injúria real (via de fato) que gere lesão corporal leve ou culposa (neste caso, condicionado à representação do ofendido); injúria real acompanhada de lesões corporais graves ou gravíssimas; se a vítima for o Presidente da

    República, chefe de governo estrangeiro, funcionário público no exercício de

    sua função. E por fim se a injúria consiste na utilização de elementos

    referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

    Como á a ação penal no caso de contravenções penais? E no caso da contravenção de vias de fato?

    -

    Todas as contravenções penais são de ação penal pública incondicionada, conforme o art. 17 da lei de contravenções penais.

    Qual dos crimes contra a liberdade individual não é de ação penal pública incondicionada?

    -

    O crime de ameaça só se procede mediante representação, conforme artigo 147 parágrafo único.

    -

    Qual a ação penal do crime de furto cometido por um irmão contra

    o outro? (cite o fundamento legal).

    Nesse caso em tela

    o irmão que rouba seu co-herdeiro, qual seja: o outro

    irmão, comete o crime de furto de coisa comum, e assim a ação penal, segundo o §1 do art. 156 somente se procede mediante representação, todavia, conforme aduz o §2 do mesmo artigo, não é punível a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente.

    ESTUDO DIRIGIDO V

    • a) Penal

      • - O que se entende por exaurimento?

    Após tendo o agente supostamente alcançado o objetivo inicial do fato delituoso, este, leva o fato às últimas consequências. Podendo assim originar um indiferente penal ou até mesmo um agravante da pena. Crime consumado é diferente de crime exaurido. Ex.: O crime de extorsão mediante seqüestro estará consumado quando o agente, em poder da vítima, solicitar a vantagem

    indevida. Só ocorrerá o exaurimento do crime quando o agente receber, de fato, a vantagem pedida, pois dessa forma o crime terá alcançado os seus efeitos finais. No crime formal, a lei prevê o resultado, mas não exige que ele ocorra, assim sua ocorrência é mero exaurimento, e consequentemente irá agravar a pena do agente.

    • - Qual a diferença entre a tentativa branca e a cruenta?

    Tentativa branca: a vítima não sofre qualquer tipo de lesão.

    Tentativa cruenta ou vermelha: a vítima sofre lesão.

    • - Cite 3 espécies de infrações penais que não admitem tentativa, explicando o motivo.

    As contravenções penais. Crimes culposos e preterdolosos. Crimes unissubsistentes são os crimes que se realizam em um único ato. Crimes omissivos próprios, não tem como você tentar omitir socorro de alguém. Crime habituais. Pois necessita da habitualidade.

    • - Qual a natureza jurídica da desistência voluntária?

    Há muita controvérsia sobre a natureza jurídica da desistência voluntária e do arrependimento eficaz. Não há uniformidade de pensamento, alguns autores ora dizem que eles afastam a tipicidade, ora a culpabilidade, ora seria causa pessoal de exclusão de pena etc. Todavia, a doutrina clássica (majoritária) diz que esses institutos excluem a tipicidade, pois afasta norma de extensão do art. 14 do CP. A posição adotada pelo professor Luiz Flávio Gomes é de que ambos os institutos são causas de impunibilidade da tentativa iniciada (causas excludentes da punibilidade da tentativa

    iniciada). Afetam a pena (que desaparece), ou seja, o crime (fato típico e antijurídico) não chega a se transformar em fato punível. Quando o artigo 15 do CP diz que o agente "só responde pelos atos já praticados" isso significa que não responde ou que deixa de ser punível a tentativa iniciada. O "só responde" tem o sentido do "só são puníveis" os atos já praticados (ficando então impunível a tentativa iniciada).

    • - Quais os requisitos e conseqüências do arrependimento posterior

    Art. 16 do CP enumera os requisitos, quais sejam: o crime tem que ser sem

    violência ou grave ameaça a vítima, reparação integral do dano, por ato voluntário do agente e até o recebimento da denúncia ou queixa. Com isso a pena será reduzida de um a dois terços.

    • b) Processo

    -

    Qual a competência para processo de furto contra a caixa

    Econômica Federal? E contra o Banco do Brasil? (federal ou estadual)

    Caixa: Justiça Federal. BB: Justiça Estadual.

    -

    Qual a competência para o crime de homicídio praticado em

    aeronave pousada no solo brasileiro? (federal ou estadual)

     

    Justiça Federal

    -

    Qual a competência para o julgamento de homicídio cometido no

    Acre por juiz de direito do Estado de São Paulo contra sua esposa argentina?

     

    TJ do Acre

    -

    Qual a competência para o processo por crime de peculato

    cometido por Prefeito, cujo mandato eletivo já terminou?

    Justiça Estadual, juiz de direito primeira instancia.

    -

    Qual a competência para o processo de particular que é acusado de

    ser partícipe de Deputado Federal em suposto crime de tráfico de drogas?

    STF

    ESTUDO DIRIGIDO VI

    • a) Penal

      • - Quais os requisitos para o reconhecimento da legítima defesa?

    Injusta agressão, atual ou eminente, por meio moderado, proporcional – art.

    25 CP.

    • - Em que consiste a legítima defesa subjetiva?

    Fale-se em legítima defesa subjetiva na hipótese de excesso exculpante, que se caracteriza quando há erro invencível, posto que, qualquer pessoa, na mesma situação, e, diante das mesmas circunstâncias, agiria em excesso. Trata-se de causa supralegal de inexigibilidade de conduta diversa, que exclui, portanto, a culpabilidade. Por derradeiro, a legítima defesa sucessiva ocorre quando há repulsa ao

    excesso. Em outras palavras, é a reação contra o excesso injusto.

    • - Em que situação o excesso de legítima defesa não será punível

    Quando o excesso for inevitável ele não é punido.

    • - O que são “ofendículos” e qual a sua natureza

    Nada mais são que os aparatos dos quais se valem as pessoas para terem

    mais segurança no âmbito social, assim como o são a cerca elétrica, os cacos de vidro postos no muro, entre outros. Tem natureza passiva. Há uma teoria mista, ministrando que, no momento em que os ofendículos são instalados, ocorre um exercício regular de direito; porém, uma vez acionado, temos a legítima defesa pré-ordenada. Esse é o entendimento do mestre Damásio.

    • - É possível estado de necessidade quando o perigo não e atual e sim iminente.

    Não se pode obrigar o agente a aguardar que o “perigo iminente” se transforme em “perigo atual”. Se o perigo está prestes a ocorrer, não parece justo que a lei exija que ele espera que se torne real para praticar o fato necessitado.

    • b) Processo

      • - Diferencie prejudicial homogênea e prejudicial heterogênea

    As questões prejudiciais são aquelas relativas à existência do crime e que condicionam a decisão da questão principal. São espécies as homogêneas que devem ser decididas no próprio juízo penal (ex. exceção de verdade no crime de calúnia) e heterogênea (que devem ser resolvidas em outro ramo do direito civil, trabalhista, administrativo).

    • - Diferencia prejudicial absoluta e prejudicial relativa

    É uma subdivisão das questões prejudiciais homogêneas. A absoluta prevista no art. 92 (versa sobre estado civil e torna imperativo a suspensão do processo) e a relativa no art. 93 (aborda outras questões, sendo permitido ao juiz suspender ou não o processo – ex. controvérsia sobre a propriedade e crime de furto)

    • - Quais as consequências da existência de prejudicial absoluta?

    Torna imperativa a suspensão do processo.

    • - O que acontece com o prazo prescricional no caso de prejudicial?

    A suspensão, tanto obrigatória – absoluta, quando a facultativa – relativa do processo penal, em virtude de questão prejudicial, suspende o curso do prazo

    de prescrição (art. 116, I, CP).

    • - Cabe recurso contra a decisão do juiz que suspende o processo em virtude de questão prejudicial?

    Segundo o art. 93, §2 não caberá recurso da decisão que suspende o processo.

    02/02/2010
    02/02/2010

    – Gustavo Junqueira (Período Noturno)

    AULA 4 : 2006.3 – questão 5

    A prática de crime hediondo, por si só, basta para que seja determinada a segregação cautelar? Fundamente sua resposta abordando o princípio da presunção de inocência e os requisitos da prisão preventiva, à luz da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.

    Resposta:

    A prisão provisória (flagrante e preventiva) é medida excepcional que só se justifica quando há absoluta necessidade. Tal necessidade é consubstanciada pelas hipóteses de prisão preventiva, quais sejam: garantia da ordem pública ou econômica, assegurar a aplicação da lei penal ou por conveniência da instrução criminal (art. 312 do CPP). Se não estiverem presentes estas hipóteses é abusiva a decretação ou manutenção da prisão preventiva. Por outro lado, no caso de prisão em flagrante, se não estiverem presentes as hipóteses citadas é de rigor a concessão da liberdade provisória independentemente da concessão da fiança (art. 310, parágrafo único). A mera gravidade do crime, ainda que integrante do rol de crimes hediondos não basta para determinar a segregação cautelar do cidadão, posto que o contrário seria antecipar a reprimenda a ser cumprida em caso de condenação, em nítida violação do princípio da inocência ou da não culpabilidade, previsto na Constituição Federal. De modo que, na ausência das hipóteses retro referidas, inadmissível a decretação de prisão preventiva, mesmo em se tratando de crime hediondo. Já se for o caso de flagrante impõe-se a concessão de liberdade provisória.

    AULA 4: 2006.3

    Maria José, indiciada por tráfico de drogas, apontou, em seu interrogatório extrajudicial, realizado em 03/11/2003, Thiago, seu ex-namorado, brasileiro, solteiro, bancário, residente na Rua Machado de Assis, nº 167, no Rio de Janeiro – RJ, como a pessoa que lhe fornecia entorpecente. No dia 04/11/2003, cientes da assertiva de Maria José, policiais foram ao local em que Thiago trabalhava e o prenderam, por suposta prática de crime de tráfico de drogas. Nessa oportunidade não foi encontrado com Thiago qualquer objeto ou

    substância que o ligasse ao tráfico de entorpecentes, mas a autoridade policial entendeu que, na hipótese, haveria flagrante impróprio, ou quase flagrante, porquanto se tratava de crime permanente. Apresentado á autoridade competente, Thiago afirmou que nunca teve qualquer envolvimento com drogar e muito menos passagem pela polícia. Disse, ainda, que sempre trabalhou, em toda a sua vida, apresentou a sua carteira de trabalho e declarou possuir residência fixa. Mesmo assim, lavrou- se o auto de prisão em flagrante, sendo dada a Thiago a nota de culpa, e, em seguida, fizeram-se as comunicações de praxe. Com base na situação hipotética descrita acima, e considerando que Thiago está sob a custódia decorrente de prisão em flagrante, redija a peça processual, privativa de advogado, pertinente à defesa de Thiago.

    Preâmbulo:

    1) Nome da parte 2) Qualificação 3) Advogado 4) Juiz 5) Verbo 6) Nome da peça 7) Fundamentação

    EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA _ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE _

    Thiago,

    brasileiro,

    solteiro,

    bancário,

    residente

    na

    Rua

    Machado de Assis, nº 167, no Rio de Janeiro – RJ, por seu advogado signatário (procuração anexa), vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, requer o

    RELAXAMENTO DE SUA PRISÃO EM FLAGRANTE com fulcro no artigo 5, LXV, CF pelos motivos de fatos e de direito que agora passamos a expor:

    I - DOS FATOS

    Thiago foi preso em flagrante, pois em 3 de novembro de 2003, Maria Jose sua namorada o apontou como aquele que lhe fornecia entorpecentes, Thiago trabalho no momento em que foi preso em flagrante, nenhum objeto foi encontrado ...

    II – DO DIREITO

    A prisão em flagrante de Thiago foi ilegal. Com efeitos, nos termos da Constituição Federal, ninguém será preso se não estiver em situação de flagrância ou mediante ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária e competente, neste sentido o artigo 5, bem como o juiz relaxará sempre que a prisão for ilegal. No caso não há prisão em flagrante, se quer na modalidade de flagrante imprópria, eis que a hipótese não se amolda a hipótese do artigo 301 do Código de Processo

    Penal. Autoridade arbitrária, não era hipótese do artigo 301, não estava em sem ordem escrito e fundamenta. Subsidiariamente, se não relaxada a prisão em flagrante, deve ser concedida a liberdade provisória com fulcro no artigo 310, parágrafo único do Código de Processo Penal.

    III – DO PEDIDO

    Ante o exposto, requer o relaxamento da prisão em flagrante ou subsidiariamente a concessão da liberdade provisória com a imediata expedição do alvará de soltura.

    Termos em que, pede deferimento.

    Local, data.

    Nome e assinatura do advogado OAB n° _____

    AULA 5: 2008.3 (adaptado à nova legislação) Alessandro, de 22 anos de idade, foi denunciado pelo Ministério Público como incurso nas penas previstas no art. 217-A do Código Penal, por crime praticado contra Geisa, de 20 anos de idade. Na peça acusatória a conduta delitiva atribuída ao acusado foi narrada nos seguintes termos: “Alessandro dirigiu-se à residência de Geisa, ora vítima, para assistir, pela televisão, a um jogo de futebol. Naquela ocasião, aproveitando-se do fato de estar a só com Geisa, o denunciado constrangeua a manter com ele conjunção carnal, fato que ocasionou a gravidez da vítima, atestada em laudo de exame de corpo de delito. Certo é que, embora não se tenha valido de violência real ou de grave ameaça para constranger a vítima a com ele manter conjunção carnal, o denunciado aproveitou-se do fato de Geisa ser incapaz de oferecer resistência aos seus propósitos libidinosos assim como de dar validamente o seu consentimento, visto que é deficiente mental, incapaz de reger a si mesma. Nos autos, havia somente a peça inicial acusatória, os depoimentos prestados na fase do inquérito e a folha de antecedentes penais do acusado. O juiz da 2ª Vara Criminal do Estado XX recebeu a denúncia e determinou a citação do réu, para se defender no prazo legal, tendo sido a citação efetivada em 18/11/2008. Alessandro procurou, no mesmo dia, a ajuda de um profissional e outorgou-lhe procuração ad juditia com a finalidade específica de ver-se defendido na ação penal em apreço. Disse, então, a seu advogado que não sabia que a vítima era deficiente mental, que já a namorava havia algum tempo, que sua avó materna, Romilda e sua mãe, Geralda, que moram com ele, sabiam do namoro e que todas as relações que manteve com a vítima eram consentidas. Disse ainda que nem a vítima e nem a família dela quiseram dar ensejo à ação penal, tendo o promotor, segundo o réu, agido por conta própria. Por fim, Alessandro informou que não havia qualquer prova da debilidade mental da vítima. Em face da situação hipotética apresentada , redija, na qualidade de advogado (a) constituído (a) pelo acusado, a peça processual, privativa de advogado, pertinente à defesa de seu cliente. Em seu texto, não crie fatos novos, inclua a fundamentação legal e jurídica, explore as teses defensivas e date o documento do ultimo dia do prazo para protocolo. Resposta:

    Cliente: Alessandro.

    Crime: 217-A 8 a 15 anos Ação: pública incondicionada (225 CP). Rito: ordinário Momento: citação Peça: resposta à acusação art. 396 Competência: juiz da 2ª vara criminal Teses:

    • a) Nulidade: falta de prova mínima para a ação (art. 395, inc. III/nulidade 564, inc. IV).

    • b) Falta de justa causa: falta de dolo (em razão de ele não saber que ela era doente mental): erro de

    tipo (art.

    20

    do

    CP)

    e, portanto,

    atipicidade. Pedido: anulação “ab initio”, ou, caso assim não se entenda, absolvição sumária com fulcro no artigo 397, inc. III, ou ainda, oitiva das testemunhas. 28 de novembro (10 dias a partir do dia da citação, excluindo o dia inicial, começando a contar no próximo dia útil).

    PROBLEMA 25

    Josafá da Silva, agricultor, casado, pai de dois filhos, é abordado ao sair de

    casa por dois meliantes, que invadem sua residência. Os bandidos, ameaçando matar a esposa e filhos do agricultor, exigem dinheiro que Josafá, homem de poucas poses, informa não possuir. Os assaltantes, mantendo como refém os familiares de Josafá, exigem que este providencie, em meia hora, R$ 2.000,00 (dois mil reais), sob pena de cumprirem a ameaça. O agricultor, desesperado, dirige-se à farmácia de seu Josué, apresentando-lhe um cheque e solicitando que trocasse o título por dinheiro. O farmacêutico prontamente atendeu ao pedido, sem maiores indagações, em face da notória honestidade de Josafá. Este último entregou o resgate aos bandidos, que ainda o ameaçaram, mandando-o ficar calado, caso contrário voltariam para matá-lo. No dia seguinte, o farmacêutico dirigiu-se à agência bancária, onde apresentou o cheque recebido, que, por estar sem provisão de fundos, teve o pagamento recusado. Sem sequer falar com Josafá, o comerciante (Josué) dirigiu-se à delegacia, onde prestou “queixa” contra Josafá. Este foi indiciado por estelionato, na modalidade fraude por meio de pagamento com cheque. Sabendo da “queixa” contra ele prestada, Josafá dirigiu-se à casa de Josué, onde quitou o débito, e, em seguida, apresentou o cheque resgatado na delegacia. Ainda assim, o Ministério Público denunciou o agricultor por estelionato. O MM. Juiz de Direito determinou a citação de Josafá. O denunciado procura auxílio profissional, constituindo o examinando como seu patrono. Questão: Na qualidade de patrono de Josafá, elabore a peça processual cabível, que melhor represente os interesses do seu constituinte.

    EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA _ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE _

    JOSAFÁ (1- NÃO PRECISA QUALIFICAR, POIS JÁ FOI QUALIFICADO NA DENÚNCIA), já qualificado nos autos do processo crime n que lhe move a Justiça Pública (2), por seu advogado que esta subscreve,

    ____ conforme procuração anexa (3), vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência (4), apresentar (5) RESPOSTA À ACUSAÇÃO (6), com fulcro no artigo 396 do Código de Processo Penal (7), pelas razoes de fato e de direito a seguir expostas.

    I - DO DIREITO 1) inexigibilidade de conduta diversa pela coação moral irresistível afasta a culpabilidade. 2) pagamento do cheque antes do recebimento da denúncia afasta a tipicidade. II - DO PEDIDO Absolvição sumária com base no artigo 397, II (tese 1) ou III (tese 2 – súmula 554 STF – o pagamento sem provisão de fundos antes do recebimento da denúncia faz presunção absoluta da inexistência do dolo de fraudar) do Código de Processo Penal. Requer, caso não seja esse o entendimento, a oitiva das testemunhas a seguir arroladas. ROL DE TESTEMUNHAS 1) Nome, endereço 2) Nome, endereço 3) Nome, endereço

    Termos em que, Pede deferimento. (local), (data).

    ADVOGADO

    OAB

    SENTEÇA

    Princípio da Identidade Física do Juiz: no processo penal aplica-se o princípio da identidade física do juiz. Até ano passado era só no CPC. O juiz que instrui é o juiz que julga. Se João da Silva ouviu as testemunhas, viu as provas, é ele que vai proferir a sentença.

    VÍCIOS DA SENTENÇA:

    1) Sentença suicida: a fundamentação não está de acordo com a decisão. Você embarga e mostra para o juiz, se ele não se corrigir a sentença é nula.

    2)

    Falta

    de

    fundamentação:

    toda

    decisão

    jurisdicional

    deve

    ser

    fundamentada. 3) Não apreciação de tese defensiva: é implícito que o juiz deve apreciar a tese.

    Ao fixar a pena o juiz deve respeitar o sistema trifásico do artigo 68 do Código Penal.

    Primeiro estudares a classificação das circunstâncias, para podermos entender melhor o sistema trifásico:

    a) Judiciais :

    artigo 59

    do

    código penal, pois

    são

    da

    cabeça do juiz:

    exemplo conduta social (culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima).

    • b) Legais : podem ser:

      • a. Agravantes (art. 61 e 62)

      • b. Atenuantes (art. 65 e 66)

      • c. Causas de aumento ou diminuição (são as que aumentam ou diminuem a pena

    em fração). Sempre quando tem fração é

    causa de aumento ou diminuição de pena. Exemplo: art. 14, tentativa é uma causa de diminuição. Ex2. Crime continuado, causas de aumento.

    • d. Qualificadoras : é o dado que traz novo limite, mínimo e máximo, expresso para a fixação da pena. Art. 155, §4, furto qualificado, a pena que era de 1 a 4 anos passa a ser de 2 a 8 anos, isso é uma qualificado, essa é a diferença, quando tem um novo limite estabelecido é a qualificadora.

    Como funciona então o sistema trifásico?

    1) Para fixar a pena-base: primeiro ele vai verificar a existência de qualificadoras, pois se tiver qualificado vai mudar os números da pena- base. Depois ele ira analisar a circunstancias judiciais do art. 59, e fixar dentro do mínimo ou máximo da pena-base. O juiz começa o raciocínio no mínimo e dependendo vai para o máximo.

    2)

    Em

    seguida serão consideradas as circunstancias atenuantes e

    agravantes. Obs1: nas duas primeiras fases o aumento ou diminuição em razão da circunstancias judiciais das agravantes e atenuantes, depende do prudente arbítrio do juiz. Obs2: nas duas primeiras fases a pena não pode extrapolar os limites mínimo e máximo da pena-base.

    3) Por fim as causas de diminuição e de aumento. Obs: na terceira fase a pena pode ir além ou ir aquém dos limites da pena- base.

    Se o juiz errar essa sequência, se o juiz atropela essas fases, você pode pedir a nulidade da sentença. (Qualificadoras, Circunstancias judiciais – agravantes e atenuantes – causas de diminuição e de aumento).

    Cálculo da pena

    Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento. Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua.

    E agora o juiz deve definir o regime inicial, e como fazer isso:

     

    Reclusão

    Detenção

     

    Pena igual ou menor que 4 anos

    Regra: Regime aberto. Exceção: semiaberto,

    Regra: Regime aberto, Exceção: semiaberto.

    fechado.

    Não

    é

    possível fixar

    regime

    inicial

    aberto

    nos crimes punidos com

    detenção.

     

    Pena

    maior

    que

    4

    Regra: semiaberto

    Só pode ser semiaberto

    anos

    e

    menor

    ou

    Exceção: fechado

    igual a 8 anos

     

    Pena

    maior

    que

    8

    Só pode ser o fechado

    Só pode ser semiaberto

    anos

    Esse é o uso do regime REGRA.

    Quando é que vamos usar o regime EXCEÇÃO?

    • a) Reincidente : a lei diz que o reincidente merece o regime mais grave possível para a espécie. A jurisprudência, STJ súmula 269: se a pena é igual ou superior a 4 anos o reincidente pode receber o regime

    semiaberto.

    • b) Circunstâncias do fato concreto recomendam um regime mais grave.

    Não pode ser gravidade em abstrato do crime. Súmulas STF: 718 (a

    opinião do

    julgador

    sobre a

    gravidade em abstrato do

    crime não

    constitui motivação idônea) e

    719

    (a

    imposição

    do

    regime de

    cumprimento mais severo que motivação idônea).

    a

    pena

    aplicada

    permitir

    exige

    Obs: Lei dos crimes hediondos, e do crime organizado impõe regime inicial fechado.

    Requisitos para converter a pena privativa de liberdade em restritiva de direitos (art. 44):

    1) PPL que não supere 4 anos (no caso de crime doloso), se crime culposo não importa a pena. 2) Não pode ter violência ou grave ameaça a pessoa. 3) Não pode ser reincidente em crime doloso. 4) Tem que ter circunstancias pessoas favoráveis.

    Os requisitos são os mesmos para converter em multa, mas a pena não pode superar 1 ano, qualquer que seja o crime, tanto doloso ou culposo.

    Emendatio libelli

    emenda do libelo, correção do

    libelo. É

    a

    correção da

    acusação. Art. 383, CPP. O juiz pode dar ao fato descrito na denúncia uma definição jurídica diferente ainda que implique em pena mais grave. Exemplo:

    do cara colando no vestibular, juiz mudou de tentativa de estelionato para falsidade ideológica. Isso é possível, pois o réu defende dos fatos que lhe são imputados e não do direito alegado. Aqui os fatos são os mesmos.

    Mutatio libelli – mudança do libelo, modificação da acusação. Art. 384, CPP. Surgem novas provas que alteram os fatos descritos na denúncia e a definição jurídica do crime. Ex. o cara era denuncia por receptação, mas ficou provado que era roubo. O juiz vai ordenar que o promotor – MP – faça o aditamento, em um prazo de 5 dias. Se o aditamento foi feito oralmente será reduzido a termo. O defensor do acusado se manifesta em 5 dias. Tanto o MP quanto a defesa podem arrolar 3 testemunhas, exatamente para analisar esses novos fatos.

    SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO É a chamada sursis processual. Em borá prevista no art. 89 da Lei 9099/95, a suspensão condicional do processo aplica-se a qualquer procedimento, e não apenas ao sumaríssimo. Seus requisitos de admissibilidade são:

    • a) Infração penal com pena mínima cominada igual ou inferior a um ano (não confundir com o conceito de menor potencial ofensivo, que exige pena máxima igual ou inferior a dois anos)

    • b) Não estar sendo processado por outro crime.

    • c) Não ter sido condenado por outro crime.

    • d) Presença dos requisitos subjetivos do art. 77, II do CP.

    A suspensão condicional do processo é proposta pelo MP, no momento do oferecimento da denúncia, e pode ser determinada por dois a quatro anos, ao longo dos quais permanece suspenso o curso da prescrição. Expirado o prazo sem revogação o Juiz declara extinta a punibilidade do agente. Obs. Em caso de violência doméstica ou familiar contra a mulher, o art. 41 da lei 11.340/06 impede a aplicação da lei 9099/95 e, por conseguinte, a suspensão condicional do processo.

    TRF - ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA

    b) Não estar sendo processado por outro crime. c) Não ter sido condenado por outro crime.
    03/02/2010
    03/02/2010

    – Gustavo Junqueira

    APELAÇÃO É um recurso feito em duas peças: interposição + razões. A interposição eu faço para o juiz da causa, ou seja, para o juiz a quo. E as razões eu endereço para o Tribunal correspondente.

    Eu interponho a apelação pra o

    juiz

    da

    causa para

    ele fazer

    o

    juízo de

    admissibilidade, ou seja, para ele examinar os pressupostos recursais vistos acima. Se o juiz, ao fazer o juízo de admissibilidade, negar? O que cabe?

    Caberá RESE – recurso em sentido estrito.

    Legitimidade:

    • - MP/querelante

    • - Assistente: só pode apelar subsidiariamente (o prazo só começa quando

    termina o prazo do MP). Pergunta: O assistente pode apelar para aumentar a pena? Sim, ele não visa somente uma sentença condenatória, mas também uma pena justa. A defesa pode apelar? Sim. E contra uma sentença absolutória? Sim, para obter um fundamento que faça coisa julgada na esfera cível (art. 386, inc. I, IV e VI – 1ª parte).

    Competência:

    • a) Se ainda não foi interposta

      • - fazer petição de interposição para o juiz da causa.

      • - razões para TJ/TRF/TURMA RECURSAL

        • b) se já foi interposta

          • - apresentar razões para TJ/TRF/TURMA RECURSAL

    • - as razoes são acompanhadas de uma petição de juntada que vai para o juiz da causa (o mesmo que lê a interposição) c) se a peça é do apelado

    • - petição de juntada ao juiz da causa

    • - contra razões para o TJ/TRF/TURMA RECURSAL

    Sursis: art. 77 do CP

    Se não for cabível a substituição por restritiva de direitos

    Se a pena for igual ou inferior a 2 anos

    Não cometido sob violência e grave ameaça

    Não reincidente em crime doloso

    • - Prazo: 05 dias para interpor. Você é intimado para interpor, conta 5 dias,

    depois você vai ser intimado para oferecer as razões, dessa nova intimação você vai ter 8 dias para as razões, porém você pode fazer os dois de uma vez, na OAB 2ª fase tem que ser assim.

    • - Exceção: No JECRIM o prazo é 10 dias, mas deve ser feito tudo junto, a interposição + razões.

    • - Cabimento, quando cabe apelação:

      • a. Cabe contra sentença condenatória ou absolutória (própria ou

    imprópria)

    • b. Cabe absolvição sumária (art. 397 do CPP).

    • c. Júri – 1ª fase: cabe na impronúncia e absolvição sumária.

    • d. Júri – 2ª fase:

      • 1. Quando houver nulidade posterior à pronúncia (você tem que

    pedir a nulidade do julgamento, mais que seja realizado, portanto, um novo júri).

    • 2. Existindo um erro do juiz presidente (nesse caso não precisa

    de novo júri, os jurados não erraram, quem errou foi o juiz presidente, assim deve ser pedido a reforma da decisão).

    • 3. Decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos

    autos (você pode um novo júri só cabe uma vez).

    PROBLEMA 12 Saulo foi processado, pelo juiz de direito de determinada vara criminal da Capital, como incurso nas penas do art. 155, caput, c/c o art. 14, II, ambos do CP. Foi, ao final, condenado a cumprir pena de 4 meses de reclusão, sursis por 2 anos. Consta dos autos que Saulo, “punguista”, tentou subtrair para si a carteira da vítima, colocando a mão no bolso desta. Só não conseguiu consumar a subtração porque a vítima não portava a carteira, já que a esquecera em casa.

    Questão: Como advogado de Saulo, apresentar o que melhor lhe couber, justificando a medida.

    Se o problema não fala nada, como o problema 12: a primeira

    peça de interposição, vire a folha começa as razoes Se o problema fala que o recurso já foi interposto, você deve fazer uma petição de juntada das anexas razões de apelação.

    EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA _ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE _

    Autos n. Apelante: Saulo Apelado: Justiça Pública

    Saulo, já qualificado nos autos supra citados, vem, por seu advogado signatário, interpor

    RECURSO DE APELAÇAO

    com fulcro no art. 593, I, do Código de Processo Penal, requerendo seja o mesmo, recebido, regularmente processado e encaminhado ao Tribunal competente.

    Termos em que, pede deferimento

    Local, data.

    Assinatura do advogado OAB n.

    RAZÕES DE APELAÇÃO

    Autos n. Apelante: Saulo Apelada: Justiça Pública

    Egrégio Tribunal Colenda Câmara Douto Procurador de Justiça (se for justiça federal seria Douto Procurador da República) ou então você pode escrever Douto representante do Ministério Público.

    Inconformado com a r. sentença que o condenou pela prática

    do crime previsto no art. 155 caput c.c. art. 14, II do Código Penal, Saulo, já qualificado nos autos, vem pela presente apresentar suas

    RAZÕES DE APELAÇÃO

    nos termos que passa a expor:

    DOS FATOS

     

    Parafrasear o problema.

    DO DIREITO

    A condenação deve ser reformada. Com efeito, o fato praticado não pode ser considerado típico, eis que trata de caso exemplar de crime impossível. Nos termos do art. 17 do Código Penal, não se pune o crime impossível, quando praticado com impropriedade absoluta do objeto. Há impropriedade absoluta do objeto quando o objeto material não reveste o bem jurídico tutelado, e, assim, a ação praticada não coloca o bem protegido em risco. No caso em tela, sequer havia patrimônio a ser colocado em risco, eis que a vítima havia esquecido sua carteira em casa.

    DO PEDIDO

    Ante

    o

    exposto,

    requer

    seja

    conhecido

    e

    provido* o

    presente recurso para absolver o apelante nos termos do art. 386, III do

    Código de Processo Penal.

    Local, data.

    Assinatura do advogado

    OAB

    n.

    ____

    *O que é juízo de prelibação: é o juízo de admissão provisória do recurso. O juízo de primeiro grau faz um recurso provisório de conhecimento. E o juízo de segundo grau faz um juízo definitivo de conhecimento.

    PROBLEMA 28

    Thiago subtraiu para si, mediante rompimento de obstáculo, diversos bens

    descritos na denúncia. Na fase judicial, a ÍNTEGRA do termo de interrogatório é a seguinte: “O interrogado admite ter praticado os fatos narrados da denúncia, como ali postos. Nunca foi preso ou

    A condenação deve ser reformada. Com efeito, o fato praticado não pode ser considerado típico, eis

    processado e nada tem contra as testemunhas arroladas”. Thiago foi condenado à pena de dois anos de reclusão e ao pagamento de dez dias- multa, como incurso no art. 155, § 4.º, I, do Código Penal, por sentença transitada em julgado para a acusação. Questão: Intimado da sentença, como advogado(a) de Thiago, adote a medida judicial cabível, fundamentando-a.

    Peça: apelação Competência: interpõe perante o juiz singular e as razões para o tribunal de justiça. Tese: interrogatório, é o momento da autodefesa. Tem que cumprir essa pauta mínima, pode perguntar a mais que o artigo 187. A autodefesa fica seriamente tolita quando não é cumprida as perguntas do artigo 187. Ou seja é uma violação das formas procedimentais, e a tese é de nulidade, art. 564, IV, CPP. Drama: a todos é assegurado o contraditório e ampla defesa, bem como o devido processo legal. A ampla defesa: autodefesa e defesa técnico e um grito sem formo, um corpo sem alma, só a duas unidas é assim, e com isso desaba o edifício da ampla defesa. Assim o prejuízo é evidente, manifesta. Pelo que deve ser anulado.

    Pedido: requer seja conhecido e provido o presente recurso para anular o processo a partir do interrogatório.

    PROBLEMA 58

    João foi acusado de

    ter subtraído, no dia 5

    de janeiro de 2003, vinte mil

    dólares de seu pai, Fábio, com cinqüenta e

    oito anos

    de idade. Houve

    proposta de suspensão condicional do processo, não aceita pelo acusado. Ouvidas duas testemunhas de acusação, disseram que, realmente, houve a subtração, por elas presenciada. O pai, vítima, confirmou o fato e a propriedade dos dólares. Por outro lado, o acusado e duas testemunhas de defesa afirmaram que os dólares não pertenciam ao pai do acusado, mas à sua mãe, que, antes de falecer, os dera para o filho. Não foi juntada prova documental a respeito da propriedade do dinheiro. O juiz condenou João pelo crime de furto simples às penas de 1 (um) ano de reclusão e 10 dias-multa, no valor mínimo, substituindo a pena de reclusão pela restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade. Questão: Como advogado de João, verifique o que pode ser feito em sua defesa e, de forma fundamentada, postule o que for de seu interesse por meio de peça adequada.

    Peça: apelação. Competência: juiz singular, TJ. Tese:

    1) falta de justa causa, pela isenção de pena pelo art. 181, II do código penal. Como o pai tinha 58 anos na época do fato não se aplica o art. 183. 2) atipicidade, pois o dinheiro era do João, tem duas testemunhas que dizem isso. 3) falta de prova, pois não foi juntada a prova da propriedade, tendo assim uma dúvida sobre a propriedade. Pedido: requer seja conhecido e provido o presente recurso para absolver o apelante com base no artigo 386, III, VI, VII.

    REVISÃO CRIMINAL:

    É a ação rescisória do processo penal, para atacar coisa julgada penal. Além da revisão criminal cabe habeas corpus. Cabimento: art. 621 CPP.

    Não é possível revisão criminal “pro societati”. É só para o réu. É uma manifestação exclusiva do direito de defesa para proclamar a supremacia do direito de liberdade. Não há prazo para ingressar. A princípio só é possível revisão criminal de decisão condenatória. Exceção: a doutrina, a lei não escreve isso, admite revisão criminal na absolvição imprópria (impõe medida de segurança ao inimputável).

    I - Revisão por afronta a lei ou evidência dos autos

    O que é uma decisão contrária a lei? É aquela que se choca frontalmente com o texto legal. Que é a afronta a evidencia dos autos? O entendimento tradicional é que poderia ser recendida apenas a decisão que se divorcia plenamente do

    conjunto probatório, ou

    seja,

    contraria

    todas

    as

    provas.

    Porém

    o

    entendimento moderno é que se ficar demonstrada a dúvida a revisão deve ser procedente, está evidente nos autos não que o cara é inocente, e sim está evidente a dúvida, assim in dubio pro reu.

    II - Revisão por prova falsa

    É necessária prova pré-constituída da falsidade. É necessário que a prova falsa tenha influído no ânimo do julgador.

    III - Revisão prova nova

    É aquela trazida aos autos sobre fato que foi ou não alegado no curso do

    processo, capaz de influir no ânimo do julgador.

    Nas hipóteses dos incisos II e III, é necessária a prova pré-constituída, pois a revisão criminal, para a doutrina majoritária, não admite dilação probatória:

    isso é a Justificação Criminal, que é a produção antecipada de provas na ceara criminal, que permite a produção de prova preparatória mediante o contraditório e culmina com a homologação da prova pelo juiz. A competência é do juiz de primeiro grau.

    Legitimação: pode se proposta pelo réu, por meio de advogado, e no caso de morte do réu pode ser pelo CADI. O MP pode propor revisão criminal, pró- réu.

    Competência:

    JAMAIS

    será

    no

    juízo

    de

    primeira

    instância

    .

    A

     

    competência será da mais alta corte que tiver examinado a questão

     

    suscitada na revisão criminal

    . Os tribunais tem que conhecer o recurso, se

    nem conhecerem o recurso não sobe revisão criminal paro o respectivo criminal. Não pode ter revisão para o juízo singular, ainda que tenha transitado em julgado em juiz singular vai para o TJ, é a chamada competência mínima da segunda instancia.

    STF

    RE

    conhecido

    EXCELENTÍSSIMO

    SENHOR

    MINISTRO

    PRESIDENTE DO COLENDO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

    STJ – Resp conhecido – EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

    TJ

    EXCELENTÍSSIMO

     

    SENHOR

    DOUTOR

    DESEMBARGADOR

    PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE _

    Juiz singular

     

    No Jecrim a revisão criminal vai para a turma recursal Tribunais de primeira instância (TJ e TRF): deve ser tratado de egrégio. Tribunais superiores (STF, STJ): devem ser tratados de colendo.

    Pedidos: art. 626. O julgamento da revisão pode julgar extra ou ultra pedida, sempre em favor do condenado. A revisão criminal tem um juízo rescindendo (é o que desconstitui a decisão atacada) e um juízo rescisório (é o que profere nova decisão). É requisito da revisão criminal o transito em julgado da sentença condenatória, tem que escrever isso na peça. Efeitos: nos termos do artigo 627 do CPP a absolvição reestabelece todos os direitos perdidos em razão da condenação.

    Caberá fixação de indenização, tratando-se de erro judiciário ou injustiça

    da decisão – art. 630. O direito a indenização será estabelecido sem a fixação do valor, o valor deve ser liquidado em ação civil. Exceções em que a indenização não é devida - §2:

    • a) Se o erro ou injusta resulta de ato do próprio condenado

    • b) Se a acusação houver sido meramente privada – a moderna doutrina entende inaplicável tal exceção, pois ainda que ação seja privada, a jurisdição é pública e o estado deve indenizar pelos danos que causa.

    A indenização será fixada a pedido do interessado, tem que pedir, não é de ofício (art. 630).

    Vale para revisão criminal o princípio da “non reformatio in pejus”.

    Tese

    Pedido

    Nulidade

    Anulação

    Extinção

    da

    Extinção da punibilidade

    punibilidade

    Falta de justa causa

    Absolvição

    Punição excessiva

    Desclassificação, ou redução da pena

    Autoridade arbitrária

    Concessão do direito subjetivo negado

    PROBLEMA 50 Mário, após violenta discussão com Antônio, agride-o com um cano, causando- lhe ferimentos, ato presenciado por duas testemunhas. Durante o inquérito policial, depois do primeiro exame em Antônio, realizado 15 (quinze) dias após o fato, foi ele intimado para comparecer após 90 (noventa) dias, tendo os peritos, com base em informes do ofendido e de registros hospitalares, pois desaparecidos os vestígios, afirmado a incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 (trinta) dias. Concluído o inquérito, Mário foi denunciado e condenado nas penas do art. 129, § 1.º, I, do Código Penal. O acusado Mário e seu advogado deixaram escoar o prazo para impugnação da sentença. Questão: Como novo advogado, o que faria em favor de Mário? Redija a peça.

    Peça: Revisão criminal

    Competência: TJ

    Tese: punição excessiva, pedindo a desclassificação para lesão corporal leve (pois não teve o laudo do art. 168 do CPP, a segunda perícia para provar a lesão grave - falta da prova necessária da lesão grave). Sempre quando for pedir a desclassificação grave pra leve, você vai pedir a nulidade “ab initio” pela falta de representação, ocorrendo a decadência.

    Pedido: é para desclassificar, anular e declarar a extinção da punibilidade.

    EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE _

    Autos

    n.

    ___

    Peticionário: Mário

    Mário, nacionalidade, estado civil, profissão, residente e domiciliado na rua – endereço completo, por seu advogado signatário, vem pela presente propor

    REVISÃO CRIMINAL

    com base no artigo 621, I do Código de Processo Penal, pelos motivos que passa a expor:

    Dos fatos

    Se fosse por prova nova ou falso, deveria ser introduzido esse detalhe aqui.

    Do direito

    A

    condenação

    não

    pode

    subsistir,

    com

    efeito

    para

    a

    comprovação do crime de lesão corporal grave, pela incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias é necessária perícia descrita no artigo 168, §2° do CPP. É a redação do artigo:

    “copia 168” E traz o artigo 129, §1, inciso I. Ora, no caso em tela, apesar de plenamente possível a realizado da perícia complementar, o Estado foi negligente na produção da prova, e se contentou, descumprindo a lei, com testemunhas e outras informações, abstendo-se de realizar a perícia após trinta dias da prática do fato.

    Descumprida a clara letra da lei, e a única prova possível nas circunstancias sobre a gravidade da lesão, deve ser a mesma desclassificada para lesão leve.

    No entanto, há que se lembrar que o crime de lesão leve é de ação penal pública condicionada nos termos do art. 88 da Lei 9.099/1995. Ora, como não houve representação, há que ser declarada a nulidade “ab initio”

    “art. 88” A representação tem prazo para ser oferecida, sob pena de decadência. O prazo é de seis meses, como determina o art. CP. Ora, como já transcorrido o lapso superior, deve ser reconhecida a decadência, arrolada no art. 107 CP como causa extintiva da punibilidade. “art. 107”

    Do pedido

    Ante o exposto, requer seja julgada procedente a presente revisão criminal, para desclassificar o fato de lesão corporal grave para lesão corporal leve e, como consequência, anulando-se o processo “ab initio” pela falta de representação, e, ainda, que seja conhecida a decadência do direito de representação, tudo com base no art. 626 CPP.

    Termos em que, pede deferimento

    Local, data.

    Assinatura OAB n. RESE ( Recurso em sentido estrito) Também é feito em duas peças. Temos uma peça de interposição + razões. Interposições para o juiz a quo – juízo singular. E as razões para o Tribunal.

    Peculiaridade: é possível o juízo de retratação.

    Prazo: 5 dias para interpor + 2 dias para oferecer as razões.

    Cabimento, quando cabe RESE:

    Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:

    • I - que não receber a denúncia ou a queixa; cabível também da decisão que rejeito o aditamente, e também da que rejeita pedido

    parcial. No Jecrim cabe a apelação do jecrim.

    • II - que concluir pela incompetência do juízo; se o juiz diz que e incompetente, seja relativa e absoluta, podendo de ofício em ambos

    os casos. A decisão que reconhece a competência é irrecorrível.

    • III - que julgar procedentes as exceções, salvo a de suspeição; exceções

    são: suspeição, incompetência, litispendência e legitimidade de parte e coisa julgada. IV – que pronunciar o réu; (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

    • V - que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança,

    indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade

    provisória ou relaxar a prisão em flagrante; (Redação dada pela Lei nº 7.780, de 22.6.1989)

    • VII - que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor;

      • VIII - que decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta a

    punibilidade; IX - que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra causa extintiva da punibilidade;

    Duas exceções:

    • 1. Peço a prescrição, contra condenação

    • 2. Da absolvição sumário do 397, IV

      • X - que conceder ou negar a ordem de habeas corpus; para trancar

    inquérito policial ou para trancar ação penal, se negar sua ordem de habeas

    corpus cabe recurso em sentido inquérito.

    • XI - que conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da pena;

      • XII - que conceder, negar ou revogar livramento condicional;

        • XIII - que anular o processo da instrução criminal, no todo ou em parte;

    XIV - que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir;

    • XV - que denegar a apelação ou a julgar deserta; fulga não

      • XVI - que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão

    prejudicial;

    XVII

    - que decidir sobre a unificação de penas;

    XVIII

    - que decidir o incidente de falsidade;

    XIX - que decretar medida de segurança, depois de transitar a sentença

    em julgado;

    XX

    - que impuser medida de segurança por transgressão de outra;

    XXI

    - que mantiver ou substituir a medida de segurança, nos casos do

    art. 774;

    • XXII - que revogar a medida de segurança;

      • XXIII - que deixar de revogar a medida de segurança, nos casos em que

    a lei admita a revogação; XXIV - que converter a multa em detenção ou em prisão simples.

    Teses e pedidos no RESE: vão depender de cada um dos incisos.

    ESTUDO DIRIGIDO VII

    • a) Penal

      • - A teoria da “actio libera in causa” é adotada no Brasil

    O Brasil adota da ação livre na causa, no caso da embriaguez preordenada ou

    voluntária (culposa). Ou seja, se em um primeiro momento o sujeito tinha a liberdade para ingerir ou não a substancia capaz de embriagar, tal liberdade contamina se transfere para o momento da conduta, presumindo-se que no instante da prática delitiva o sujeito era livre e culpável.

    • - O que é erro de proibição indireto

    Também conhecido por discriminantes putativas por erro de proibição, no caso o sujeito imagina que exista causa excludente de antijuridicidade que

    não é prevista no ordenamento, ou se equivoca quanto aos limites da jurisdição. Como exemplo o sujeito que chega em casa e vê a esposo aos beijos com o vizinho, achando que exista a discriminante de legítima defesa da honra mata o vizinho. No outro o sujeito que assistia muitos filmes americanos atira em uma rapaz que tentou invadir sua propriedade.

    • - O menor de 18 anos, civilmente emancipado, é criminalmente imputável. Porque?

    Pois o critério usado é simplesmente etário.

    • - O que é crime putativo por erro de proibição

    Aqui é um delito que está apenas na cabeça da pessoa, o sujeito imagina, por equivocada percepção do conteúdo do ordenamento jurídico penal, que determinada conduta seja criminosa, mas não é. Como as relações incestuosas entre maiores de idade.

    • - O que a doutrina reconhece como causa supralegal de exclusão da culpabilidade

    Se baseiam na teoria da normalidade das circunstâncias, ou seja, quando o

    legislador previu a reprobabilidade de certas condutas, imaginou a atitude do sujeito em circunstancias normais. Se as circunstancias forem alteradas a reprobabilidade também tem que seguir. Nossa legislação traz dois casos:

    coação moral irresistível e obediência hierárquica.

    • b) Processo

      • - Quais os meios de prova admitidos no Brasil?

    Tudo aquilo que pode servir, direta ou indiretamente, para a comprovação da verdade.

    • - A quem cabe o ônus da prova? Qual a consequência do seu

    descumprimento? A prova da alegação incumbirá a quem a fizer (156, caput, CPP). A consequência no caso de descumprimento é a absolvição do réu, pois para a condenação exige-se a certeza da autoria e da materialidade da infração penal. (Art. 5, LVII, CF)

    • - Qual o fundamento legal e constitucional da proibição das provas ilícitas? Existem exceções?

    O fundamento legal está presente no art. 157, caput do CPP. Enquanto que o fundamento constitucional está no art. 5, LVI, CP. São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas (teoria dos frutos da arvore envenenada – “fruits of the poisonus tree”) salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre uma e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independe das primeiras.

    - O que é a teoria dos frutos da árvore envenenada? É admitida no Brasil?

    Já explicado acima. Ou seja, a inadmissibilidade alcança ainda as provas derivadas das ilícitas – ilicitude por derivação.

    - Explique a teoria da fonte independente.

    Já explicado acima, 157, §2. A fonte independente é aquela que por si só,

    seguindo os tramites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.

    AULA 6: 2008.2

    Odilon Coutinho, brasileiro, com 71 anos de idade, residente e domiciliado em Rio Preto da Eva – AM, foi denunciado pelo Ministério Publico nos seguintes termos:

    “No dia 17 de setembro de 2007, por volta das 19h 30min, na cidade e comarca de Manaus – AM, o denunciado, Odilon Coutinho, juntamente com outro não identificado, imbuídos do propósito de assenhoramento definitivo, quebraram a janela do prédio onde funciona agência dos Correios e de lá subtraíram quatro computadores da marca Lunation, no valor de R$ 5.980,00, 120 caixas de encomenda do tipo 3, no valor de R$ 540,00; e 200 caixas de encomenda do tipo 4, no valor de R$ 1.240,00 (cf. auto de avaliação indireta

    às fls. ). Assim agindo incorreu o denunciado na prática do art. 155, §§1º e 4º, incs. I e IV, do Código Penal, combinado com os artigos 29 e 69, todos do CP, motivo pelo qual é oferecida a presente denúncia, requerendo-se o processamento até final julgamento.” O magistrado recebeu a exordial em 1º de outubro de 2007, acolhendo a

    imputação em seus termos.