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Aula 9: SOLOS TEÓRICA

14/10/2012

ESTABILIDADE DE TALUDES

Talude pode ser definido como uma superfície inclinada que delimita um maciço terroso ou rochoso. Pode-se dizer que é composto de: Crista, Topo ou Coroamento

Talude

Declividade daade

Superfície de Ruptura

Massa Escorregada

Segundo Caputo (1988), sob o nome genérico de taludes compreendem-se quaisquer superfícies inclinadas que limitam um maciço de terra, de rocha ou de terra e rocha. Podem ser naturais, casos das encostas, ou artificiais, como os taludes de cortes e aterros. Podem-se classificar os principais tipos de movimentos de taludes em três grandes grupos. a) Desprendimento de terra ou rocha – é uma porção de um maciço terroso ou de fragmentos de rocha que se destaca do resto do maciço, caindo livre e rapidamente, acumulando-se onde estaciona

b) Escorregamento – deslocamento rápido de uma massa de solo ou de rocha que. desliza para baixo e para o lado. ao longo de uma superfície de deslizamento. c) Rastejo – deslocamento lento e contínuo de camadas superficiais sobre camadas mais profundas.. rompendo-se do maciço. . inclinação de postes e fendas no solo são algumas das indicações do rastejo. com ou sem limite definido entre a massa de terreno que se desloca e a que permanece estacionária. A curvatura dos troncos de árvores. enquanto que a velocidade média de avanço de um escorregamento é da ordem de 30 cm por hora. A velocidade de rastejo é de cerca de 30 cm por decênio.

constituídos por solos. como referência inicial) usuais indicam as inclinações associadas aos gabaritos estabelecidos nos triângulos retângulos mostrados a seguir: . podem ocorrer de forma localizada e associada a obras de drenagem (conhecidas como ravinas e voçorocas) e internas em aterros (também conhecidas como piping). Os padrões (inclinações estabelecidas empiricamente. sendo em sulcos ou diferenciadas. Escorregamento devido à inclinação: Estes escorregamentos ocorrem sempre que a inclinação do talude excede aquela imposta pela resistência ao cisalhamento do maciço e nas condições de presença de água. para taludes de corte de até 8m de altura. A prática tem indicado. também de forma longitudinal ao longo da plataforma.Principais ações instabilizadoras Erosão: Pode ocorrer em talude de corte e aterro. a inclinação de 1V: 1H como a mais generalizável.

não há uma ligação forte entre o solo com a rocha. ocasionando o escorregamento. principalmente. uma zona de transição entre esses materiais. porém. em geral. para um grande número de casos de taludes não se obtém a sua estabilidade com estas inclinações. Ou seja. com inclinação forte e. . Quando ocorre um contraste de resistência acentuado entre eles. sendo necessário a realização de uma análise da estabilidade e estudo para o uso concomitante de outra técnica. Escorregamento por descontinuidades: O contato solo-rocha constitui.Estes gabaritos são freqüentemente usados na prática da Engenharia. na presença de água. a zona de contato pode condicionar a instabilidade do talude.

devidos à percolação d’ água são ocorrências que se registram durante períodos de chuva quando há elevação do nível do lençol freático ou. eventual. constituem também planos ao longo dos quais pode haver escorregamento. Quando os taludes interceptam o lençol freático. presentes nos maciços rochosos e em solos de alteração. apenas. da erosão interna pode contribuir para a sua instabilização.As descontinuidades geológicas. . por saturação das camadas superficiais de solo. Escorregamentos por percolação de água: Os escorregamentos. a manifestação. Identificamos que essa seja a causa do imprevisto que ocorreu de um dos integrantes de nosso grupo de estudo: saturação da camada superficial do talude. desde que a orientação desses planos seja em sentido à rodovia. seguido de escorregamento na BR-381.

em geral. mas. de pequenas proporções. Quando construídos sobre rochas resistentes. o seu projeto e construção devem obedecer a técnicas adequadas. somente a má execução do maciço poderá acarretar problemas. Escorregamentos podem ocorrer nas laterais do aterro. bueiros e galerias. estáveis por longo tempo. No caso de aterros sobre solos moles. como também das condições de sua fundação. se não houver tratamento. de modo a impedir que ocorram recalques exagerados. Nos aterros bem projetados e construídos sobre solos resistentes. O material solto tende a escorregar e. como argila marinha ou argila orgânica.Escorregamento em aterro: O projeto de um aterro implica na consideração das características do material com o qual vai ser construído. geralmente. os aterros se mostram. devido à má compactação. poderá evoluir por erosão. . deixando as pistas com ondulações e provocando rompimentos ou deslizamentos de canaletas.

onde o fraturamento do maciço é desfavorável à estabilidade. cujas velocidades são ainda mais aceleradas.Escorregamentos em massas coluviais: Massas coluviais constituem corpos em condições de estabilidade tão precárias que pequenos cortes. durante anos. quando saturados. e mesmo pequenos aterros. Existem no Brasil. . são suficientes para aumentar os movimentos de rastejo. até sua completa estabilização. vários casos de obras rodoviárias implantadas nesses corpos que ocasionaram sérios problemas. Queda e rolamento de blocos: A queda e rolamento de blocos é freqüente em cortes em rocha. na época das chuvas.

dentre outros). constituindo-se em ações que vão desde a sua proteção superficial. até em obras de retaludamento ou de estrutura de contenção. que induz a desagregação superficial da rocha/solo. que resultam no desenvolvimento de processos de escorregamento. em defesa de ações externas (principalmente águas pluviais. para sua manutenção ou preservação. em taludes com camadas sedimentares de diferentes resistências à erosão e à desagregação superficial. provocando erosão interna ou piping. presença de argila expansiva. A proteção do talude utilizada depende da análise do(s) processo(s) ocorrente(s). através de revestimento e/ou drenagem superficial. ou mesmo de fenômenos intrínsecos ao seu material constituinte (composição e forma do talude. que resultam no desenvolvimento de processos erosivos). Obras mais convenientes de estabilização As obras para estabilização dos taludes visam diminuir o risco ao desastre. por descalçamento. A abaixo ilustra um corte em rocha fraturada protegida com telas de arame de alta resistência. Em qualquer situação. fluxo de água subterrânea. parcial ou totalmente. a conseqüência pode ser a obstrução da rodovia.Em taludes com matacões. Alguns exemplos de revestimentos: Revestimento vegetal (gramínea e vegetação arbórea): . podendo ser: Proteção superficial: Conjunto de cuidados dispensados a um talude à superfície do terreno.

Revestimento artificial: .

criando uma superfície plana e inclinada. com o objetivo de estabelecer uma situação mais estável em face de prováveis processos de instabilização produzidos por movimentos gravitacionais de massa (escorregamento). por meio de equipamentos e máquinas. .Revestimento com muro de alvenaria armada Cortes: Intervenção no meio físico efetuada geralmente em solo de alteração de rochas.

que recebem tratamento especial anticorrosão. Cabe lembrar aqui que estes blocos de concreto não possuem função estrutural. para que problemas. possam ser evitados. Geralmente. A compactação do material de um aterro é executada para prevenir a ocorrência de erosão e escorregamento e. faz-se o intercalamento com uma camada de elementos resistentes.Solo Reforçado: Consiste na introdução de elementos resistentes na massa de solo. para que se evite deslocamento excessivo das mesmas. com a finalidade de aumentar a resistência do maciço como um todo. o que determina o aumento de densidade (por meio de compactação) e a redução da permeabilidade. atenuar o desconforto associado ao impacto visual causado pela presença de grandes volumes de material dispostos de maneira não uniforme. a face do talude reforçado recebe um revestimento. Aterro compactado: Estrutura de disposição de solo e/ou fragmentos de rocha. Durante a execução do aterro a ser reforçado. . em aterro. À medida que o aterro vai sendo alteado. o talude reforçado vai tomando forma. como erosão. O método de execução é o chamado “Down-Top” (de baixo para cima). produzindo diminuição de volume e conseqüente redução de porosidade. a cada camada de solo compactado executada. Estas tiras são presas a blocos de concreto que protegem a face. ainda. Terra Armada: Os elementos de reforço são tiras metálicas.

Podem ser utilizados com diferentes finalidades: separação de materiais. Os mais utilizados como elementos de reforço em solo são: a)Geogrelhas. reforço de aterros.Geossintéticos: Atualmente. b)GeoNets (“geo-redes”). c)Geotêxteis – tecidos e não tecidos. drenagem e barreiras impermeáveis. filtração. estes materiais vêm sendo amplamente utilizados e novos tipos dos mesmos vem sendo desenvolvidos. .

formando um bulbo. que são: o alto custo. seguido da demora para a execução. Cargas muito altas podem causar rupturas.20 e 1. . também é essencial a autorização do proprietário para a execução da obra. que deve ser protegida com argamassa ou nata de cimento a fim de evitar corrosão e consecutivo rompimento do tirante ou chumbador. pois apesar de exigirem menos cuidados. A execução é feita por etapas. é importante aprofundar os tirantes ou chumbadores até que fiquem fora da zona de movimentação. que são chumbados em nichos no fundo do orifício. A carga de protenção aumenta conforme a profundidade. Isso porque se apoiam no interior do solo que estabilizam. As placas são acondicionadas e os tirantes protendidos. O conjunto de tirantes é inserido num tubo coletivo e. são feitas a perfuração e a inserção dos tirantes. Nesses casos. Cortina Atirantada: É um dos métodos mais modernos de contenção. Além disso.d)Geocompostos (combinação de pelo menos dois geossintéticos). há no outro lado da moeda as desvantagens. Em seguida. Os tirantes se localizam a uma distância que varia entre 1. Uma das principais vantagens é a possibilidade de aplicação sem a necessidade de cortar nada além do necessário. é necessário avaliar se os tirantes estão intactos e se não há vazamentos. a estrutura é carregada em caso de deslizamento. as variações de temperatura e a eventual infiltração de água por trás do maciço. Tanto por questões legais quanto para evitar que os tirantes sejam removidos em caso de obras futuras. Caso contrário. Outro ponto fundamental é a manutenção das cortinas. já dentro do orifício. o concreto pode fissurar e provocar infiltrações e vazamentos. que penetra nos vazios do solo. Em seguida. Por utilizar o terreno vizinho para o apoio. Cada tirante é pintado com tinta epóxi anticorrosiva e envolvido em um tubo de borracha individual. Somente a primeira linha é escavada. o tirante poderá oxidar. Contudo. é feita a escavação da segunda linha. Vale-se de tirantes protendidos e chumbadores para dar sustentação ao terreno.40 m. O ponto crítico dessas estruturas é a barra de aço. é revestido com calda de cimento a alta pressão. Com as cortinas atirantadas é possível vencer qualquer altura e situação. Com a movimentação do maciço. A cortina atirantada e o solo grampeado são considerados métodos de ancoragem. e ancorando as barras metálicas.

em maciços naturais ou em aterros.Solo Grampeado (ou Pregado): É menos dispendioso que a cortina atirantada. As barras se localizam a distâncias de 80 cm a 1. com uma tela metálica e revestida com concreto projetado. A cabeça do prego pode ser protegida. revestidas ou não. Sua execução é composta das seguintes fases: perfuração do maciço. Consiste na introdução de barras metálicas. . caso contrário corre-se o risco da terra escorrer por entre os grampos. A espessura final da parede varia entre 5 e 6 cm. introdução da barra metálica no furo e preenchimento do mesmo com nata de cimento. sendo solicitados somente quando o maciço sofre pequenos deslocamentos. É aplicável apenas em solos firmes. bem como a face do talude.40m. ou argamassa de cimento . Os grampos não são protendidos.

apoiadas em uma fundação rasa ou profunda. A proteção da estrutura metálica pode ser feita com PVC ou pelo argamassamento da superfície externa.Muros de Arrimo: Muros são estruturas corridas de contenção de parede vertical ou quase vertical. Outro ponto que deve ser observado é a base. Em alguns casos. Embora possa ser executada com pedras. A proporção entre a altura e a base varia entre 0. podendo chegar a alturas maiores. Podem ser construídos em alvenaria (tijolos ou pedras) ou em concreto (simples ou armado). que conforme o terreno deve ter um preparo prévio.7. As gaiolas são preenchidas com pedra britada. sendo construída previamente. Por ser relativamente barata e não exigir mão-de-obra especializada torna-se também a mais comum. Gabiões: O muro funciona da mesma maneira que o muro de arrimo. ou ainda. Pode ser aplicada em aterros. concreto. A experiência de colegas do grupo aponta para o uso de formas no preparo do muro. atualmente utilizam-se pedras argamassadas ou solo-cimento ensacado. É indispensável o uso de dreno e as barbacãs para recolhimento da água. . As formas auxiliam para que o gabião fique montado de acordo com sua gaiola. de elementos especiais. ou em casos em que a encosta já existe. gabiões ou pneus). Solo ensacado: É a solução estrutural mais antiga. de modo que o arranjo fique denso. É indicada para alturas de até 5 ou 6 m. Durante a execução é importante a disposição das pedras. Os muros de arrimo podem ser de vários tipos: gravidade (construídos de alvenaria. usa-se o gabião tipo colchão Reno de base e o tipo caixa para execução do muro. de flexão (com ou sem contraforte) e com ou sem tirantes.4 e 0. Isso garante que a estrutura seja drenada e deformável.