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UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL - UFFS CAMPUS REALEZA/PR Licenciatura em Ciências: Biologia, Física e

UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL - UFFS CAMPUS REALEZA/PR Licenciatura em Ciências: Biologia, Física e Química

Andrei dos Reis Naressi, Gleisy Coser de Brito e Jacqueline Graff Reis

RELATÓRIO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO I

Realeza, junho de 2012

UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL - UFFS CAMPUS REALEZA/PR Licenciatura em Ciências: Biologia, Física e

UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL - UFFS CAMPUS REALEZA/PR Licenciatura em Ciências: Biologia, Física e Química

Andrei dos Reis Naressi, Gleisy Coser de Brito e Jacqueline Graff Reis

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I

Relatório de Estágio realizado como avaliação parcial da disciplina de Estágio Supervisionado I, do Curso de Licenciatura em Ciências: Biologia, Física e Química, da Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS – Campus Realeza/PR, sob orientação da Profª Msc. Ângela Della Flora.

Realeza, junho de 2012

AGRADECIMENTOS

A todos os professores da disciplina do Estágio I, em especial a nossa orientadora Ângela Della Flora, que sempre acreditou em nosso potencial, nos apoiou e nos incentivou. Aos nossos colegas de turma, pelo apoio, conversas e amizades.

A direção, professores e a toda equipe da Escola Estadual Cândido Portinari – Ensino Fundamental, pelos bons conselhos, instruções e esclarecimentos.

A coordenação da Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Realeza/PR.

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

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2. IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA

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2.1 ESTRUTURA FÍSICA

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2.2 DIAGNÓSTICO DA REALIDADE DO ENSINO FUNDAMENTAL

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2.3 EXIGÊNCIAS, CONSIDERAÇÕES E RESOLUÇÕES DA EQUIPE

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2.4 OBSERVAÇÕES DAS AULAS… 38

PEDAGÓGICA E DA DIREÇÃO ESCOLAR EM CONSELHOS DE CLASSE

3. EXPERIÊNCIAS DA OBSERVAÇÃO

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4. ANÁLISE

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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1. INTRODUÇÃO

O campo de pesquisa escolhido foi a escola, pelo fato de esta representar nosso futuro ambiente de trabalho. Dessa forma, a estudamos e analisamos, de maneira que não nos tornássemos um fardo para seus integrantes, pois sabemos o quanto pode ser desconfortável a presença de um ou mais indivíduos, que apenas observam e que não são comuns naquele espaço. Para a análise das informações colhidas, baseamo-nos em alguns autores estudados em sala de aula, buscando entender alguns conceitos, entre eles, apontamentos sobre o propósito da escola. Quanto a este, podemos perceber que a maioria dos autores que discutem o assunto, como Libâneo, Oliveira e Toschi (2011), consideram a forte influência do sistema capitalista nas várias esferas da sociedade, inclusive na educação. Enfatizando o grande desafio de se lutar contra algo tão abrangente e influente em nossas vidas e em nossa formação. Para Fernandes e Medeiros (apud POSTMAN 2006), a função da escola é criar um público que servirá a determinados propósitos: alimentar o ciclo econômico e político por meio do trabalho e da participação democrática, perpetuar os valores culturais por meio da linguagem e dos costumes sociais e usufruir e/ou manter os recursos naturais. Esses propósitos são possuidores de uma "história" que os justifica e dá a força de uma verdade pela qual vale a pena viver ou lutar. Para atingir esse objetivo a escola oferece a seus clientes aprendizagens específicas que moldam suas percepções de mundo e sociedade. Já de acordo com Camargo; Vieira; Brolesi et al., (2005), à escola ainda é atribuída uma visão capitalista, ao se afirmar que a mesma “tem como objetivo inconfessável fornecer às indústrias, ao comércio, às profissões especializadas e ao estado, trabalhadores, consumidores, clientes e administrados sob medida” (CAMARGO; VIEIRA; BROLESI et al., 2005 apud FREIRE, 1984, p. 2). Para Bourdieu (1998), a escola é vista como reprodutora das desigualdades sociais, uma vez que valoriza mais o capital cultural dos filhos da classe dominante. Dessa forma, os “herdeiros” como ele denomina ou os vencedores serão sempre aqueles que já estão bem posicionados nesta sociedade e que amanhã estarão ocupando os postos do poder. No entanto, os autores Bezerra; Sena; Dantas et al., (2010 apud BRASIL, 2004), confirmam a integridade da escola com a sociedade, porém, afirmam que esta t em como compromisso oportunizar condições para sua clientela construir conhecimentos, atitudes e

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valores, contribuindo na formação de cidadãos críticos, éticos e participativos nos contextos que integram. Mas, ainda reconhecem, que para isto, a escola precisa superar

obstáculos, pois: "Hoje, o desafio que se coloca diante da escola é fornecer educação e

informação para toda a vida

no seu tempo e na comunidade a qual pertence." (apud ATIÉ, 1999, p. 3). Através de estudos realizados, ainda na perspectiva destes autores, identificou-se a importância da escola para que esta pudesse ver a si mesma como parte integrante da comunidade, e, que esta, pudesse reconhecê-la como uma instituição sua, da qual pode participar e cuidar. Para a realização deste relatório utilizamo-nos ainda da observação etnográfica, que de acordo com Angrosino (2009), é especialmente útil quando os pesquisadores precisam entrar numa situação de campo na qual as questões sociais ou os comportamentais ainda não são claramente entendidas. Assim, a etnografia é um método de estudo que descreve os costumes e as tradições de uma determinada comunidade por um determinado tempo, numa perspectiva de observação participante e direta com o grupo estudado. Deste modo, através da etnografia exploramos a escola, conhecendo sua organização, relações e sua própria identidade. Além do método etnográfico também foram valorizadas as falas dos personagens da escola. Pois, além da observação, Fonseca (1999), menciona o fato de tanto a comunicação quanto a escuta, serem de igual importância na compreensão real dos fatos e da conclusão de dados. Portanto, tivemos o máximo de cuidado, para que não ocorressem possíveis artimanhas durante a aplicação do método etnográfico, como por exemplo: a utilização do particular, generalizando-o sem profundas observações dos outros sujeitos do grupo estudado. Entendendo que tanto a reflexão quanto a originalidade dos dados sem qualquer conclusão, são imprescindíveis. Somado aos recursos citados acima, tomamos uso também de algumas informações contidas no Projeto Político Pedagógico da Escola Estadual Cândido Portinari – Ensino Fundamental, que no ano de 2007 foi elaborado através de vários encontros, reuniões, debates, leituras de textos variados e questionários com a participação de toda a comunidade escolar. No próprio PPP, atualizado no segundo semestre de 2011, pode-se identificar a importância de sua existência e o propósito de sua elaboração:

ela precisa romper seus muros e estar plenamente inserida

Projeto Político Pedagógico é o retrato da escola, é a

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busca do seu autoconhecimento e de conhecimento da sua realidade e de seu contexto. Neste sentido, requer comprometimento coletivo e responsabilidades compartilhadas por todos os membros da comunidade escolar, direção, equipe pedagógica, professores, agentes educacionais, pais e alunos. Através da ação de seus membros, o Projeto Político Pedagógico, suscita que se faça previsão daquilo que se deseja transformar, tanto no que se refere às concepções teóricas como práticas, voltando-se para a operacionalização da grande meta da escola que é garantir o acesso de todos aos saberes científicos produzidos pela humanidade, preparando o aluno para ser inserido no mundo em que vive interpretando e pensando sua realidade. (p. 8).

Ainda são mencionados a consideração da necessidade de se formar homens pensantes capazes de produzirem conhecimento a partir daquilo que já havia sido produzido historicamente pela humanidade, e que este processo de aprendizagem e desenvolvimento humano é um papel característico da escola. A Filosofia desta instituição resume-se na seguinte questão:

“[…] trabalhar o conhecimento científico sistematizado em interface com a realidade social e política do aluno, mediando a interação entre conteúdo e realidade concreta, fazendo surgir uma sociedade justa e igualitária. (PPP DA ESCOLA ESTADUAL CÂNDIDO PORTINARI - EF, 2011, p. 13)

Nos objetivos gerais estão inclusos a apropriação e a compreensão dos conhecimentos científicos, filosóficos e estéticos, oriundos dos diversos fatores históricos, unidos a noção de que estes podem ser modificados pela ação humana. Portanto, podemos entender que a escola também é um ambiente de construção de valores, ao observarmos as colocações metodológicas do PPP, em referir-se à intenção se de lutar por uma escola pública, democrática e de boa qualidade, livre da seletividade, discriminação e exclusão dos estudantes. No Projeto Político Pedagógico, consta o propósito assíduo de seu estudo e avaliação, sendo alterado e concretizado sempre que o coletivo da escola julgar necessário. Em suma, todas as informações transcritas neste relatório, são oriundas de anotações feitas em visitas assíduas na escola, com carga horária mínima de 20h cada integrante do grupo composto por: Andrei dos Reis Naressi, Gleisy Coser de Brito e Jacqueline Graff Reis. O Estágio Supervisionado I possui a Portaria Nº 370/GR/UFFS/2010, sendo pré requisito obrigatório para aprovação e obtenção de certificação. Conforme ressaltado no Art. 17 do Regulamento de Estágio da Universidade

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Federal Fronteira Sul – UFFS:

Art. 17 O Estágio Obrigatório constitui-se num componente integrante da matriz curricular dos projetos dos cursos, com carga horária própria, cujo cumprimento é requisito para aprovação e obtenção do diploma. (p.

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Nós como futuros professores, entendemos que para que nossa formação seja suficientemente qualificada, as atividades propostas para o Estágio Supervisionado I deveriam ser desenvolvidas com comprometimento e responsabilidade, já que para muitos de nós discentes, este foi o primeiro contato com a escola na posição de discente observador. Portanto, baseados principalmente no método etnográfico, nossas primeiras observações na escola iniciaram-se nas duas últimas semanas do mês de maio, estendendo-se até a primeira semana de junho de 2012. Nestas, muitas das observações entre os integrantes do grupo foram alternadas, pois acreditamos que, a análise, o estranhamento e o presenciamento de diferentes fatos, pudessem gerar por fim, reflexões e compreensões conjuntas de aspectos antes despercebidos por nós individualmente.

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2. IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA A Escola Estadual Cândido Portinari – Ensino Fundamental, foi criada pelo Decreto

Estadual nº 8.268 de 29/12/1967, tendo permissão para funcionamento neste mesmo ano. Até a instituição ser denominada como tal, outros nomes lhes foram atribuídas nos

respectivos anos: 1967, 1978, 1981, 1983 e 1998. A renovação de reconhecimento se deu

através da resolução nº 2935/2008 DOE, ocorrida no dia 08/04/2008.

Atualmente situa-se no endereço: Rua Presidente Kennedy, nº 1043, na área

urbana do município de Ampére – Paraná. Possui o fone: (46) 3547-1392 e e-mail:

eecandidoportinari@hotmail.com. Esta sob jurisdição do Núcleo Regional de Francisco

Beltrão - Paraná, tendo como mantenedora o Governo do Estado do Paraná.

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2.1 ESTRUTURA FÍSICA A escola é dividida basicamente em três blocos térreos. Em um deles está a

biblioteca em conjunto com a sala de informática, além da direção geral da escola. Para se ter acesso ao bloco do meio, há uma escada com poucos degraus, devido ao nível da

construção ser um pouco mais baixo do que o bloco anterior. Neste há seis salas de aula

distribuídas lateralmente, com três salas cada lado e um corredor entre meio as mesmas,

banheiros femininos e masculinos, cozinha, área de serviço, salas para o

armazenamento de alimentos, salas para o depósito dos materiais esportivos e artísticos, além do saguão. Para se ter acesso ao terceiro bloco, há mais duas escadas com um

maior número de degraus e uma cobertura de telhas que as acompanham, este último

espaço físico situa-se em um nível de construção menor que os outros dois blocos,

contendo apenas quatro salas de aula, duas cada lado com um corredor entre meio a elas.

As séries são distribuídas aleatoriamente nos blocos conforme a necessidade dos alunos. Por exemplo, no período da manhã há um menino com dificuldades motoras,

então a turma onde ele estuda fica no bloco do meio, onde não há escadas o que facilita a

locomoção do mesmo, mas que porém acaba limitando seu acesso aos vários outros locais da escola, mesmo sob acompanhamento de um funcionário da escola, que

inclusive faz parte do nosso grupo de estágio. Nesse sentido, percebemos que as instalações prediais da escola apresentam um

grande déficit quanto a acessibilidade, pelo fato de esta não possuir rampas para

cadeirantes, corrimãos para apoio dos que possuem dificuldades motoras ou visuais (nas escadas e banheiros), além do grande número de inclinações no gramado.

No pátio há um ginásio bastante espaçoso e praticamente anexo a ele há uma quadra de esportes descoberta, ao lado desta quadra há uma casa de alvenaria de cor clara e roseada, sendo que ao redor da casa tem um pequeno pátio cercado por uma tela. Não há ninguém morando nela, segundo a diretora um policial ficou de ocupá-la, mas até então não havia comparecido, em troca de moradia o policial cuidaria da segurança

da escola durante a noite e nos fins de semana, quando não há ninguém na escola, sendo este o motivo de sua construção. Ao redor dos blocos há várias árvores antigas distribuídas aleatoriamente, além de um gramado que se estende por praticamente toda a escola (que ocupa uma quadra

inteira), o qual é cortado sempre que necessário por um funcionário que possui a função de auxiliar operacional. Apesar de a grama ser predominante, há locais onde a terra é

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coberta por pedras britas. Porém, quando chove alguns alunos vão nestes locais e depois entram nas salas de aula com os calçados sujos, mesmo sendo reivindicados. Atrás do último bloco há um espaço mais arborizado que possui algumas mesas e bancos feitos de concreto. Em uma conversa com a diretora, ela nos disse que teria vontade de mandar fazer mais algumas dessas mesas e bancos, próximos ao bloco da direção, com tabuleiros de xadrez desenhados, para que os estudantes pudessem jogar durante o intervalo. Em frente a escola, há uma extensa calçada que serve como estacionamento dos carros dos professores e funcionários, também há árvores e um telefone público. Logo na entrada, há canteiros com flores, três bastões para hastear as bandeiras e um banco de concreto extenso para os alunos sentarem. O muro que delimita a escola possui aproximadamente dois metros de altura, sendo que aos fundos do mesmo, seu tamanho é menor. Há um tempo atrás, alguns alunos pulavam o muro nesta parte onde a altura é menor, para “gasear aula” e comprar doces no mercado. Devido a isso, a direção da escola decidiu colocar graxa sobre o muro para evitar que os alunos fugissem da escola. Tanto dentro quanto fora do muro, há desenhos de autoria dos alunos em anos anteriores auxiliados pela professora de artes, que atualmente é a diretora da escola. As instalações prediais possuem diferentes tons de verdes e o nome da instituição está escrito com letras pretas logo na entrada. O espaço é bastante amplo e possui várias lixeiras espalhadas. No dia em que o pátio foi observado, havia bastante lixo jogado, inclusive talheres e utensílios da cozinha. O que pensamos no momento foi, será que estes alunos fazem o mesmo em suas casas, o que passa na cabeça deles para fazer esse tipo de coisa e quem garante que não farão o mesmo ao se tornarem adultos. Pode ser que isso esteja relacionado ao capital cultural historicamente acumulado por estes estudantes, adquirido com seus familiares e amigos e que talvez possa ter propiciado a adoção de comportamentos e ações ruins, como a de jogar lixo no chão, por exemplo. Pois, como diz Bourdieu (1996), o capital cultural de uma pessoa é formado a partir das influências externas que ela possui e pela intensidade com que essas se estabelecem. Como há várias árvores espalhadas pelo pátio, as funcionárias do setor de serviços gerais rastelam diariamente as folhas caídas no chão. Pelo fato de a escola ser consideravelmente grande, esta é dividida em duas partes, sendo que metade das mulheres ficam responsáveis por uma delas e outra

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metade por outra. E em conjunto limpam a calçada próximo a rua. Na sequência serão descritos detalhadamente a estrutura dos espaços físicos e os acontecimentos que se sucederam no momento das observações. Primeiramente foi observada a biblioteca que funciona em conjunto à sala de informática, que é um ambiente bem arejado e iluminado com janelas laterais, porém há pouco espaço para a transição das pessoas, por haver dois locais em um mesmo ambiente devido a falta de salas. Há três ventiladores fixos ao teto e três fixos às paredes, além de um cartaz referente a uma campanha “Água! Use sem desperdiçar” e uma folha A4 impresso o calendário escolar 2012. Logo na entrada há um armário fixo na parede com fitas cassetes e DVDs de diferentes assuntos relacionados as disciplinas, em seguida, a mesa da bibliotecária, carteiras e cadeiras para pesquisas, prateleiras com livros, organizados em ordem alfabética, para empréstimo, consulta local, apoio aos professores (didáticos, enciclopédias, gibis, jornais, dicionários, revistas e periódicos), mais cinco computadores para o uso dos funcionários e professores, atrás destes computadores há um mural decorado com algumas flores coloridas feitas com emborrachado, onde estava escrita a seguinte frase “Ler é entender o silêncio das palavras” sem autor. O chão é formado por tacos de madeira, talvez pelo fato de a escola ser antiga. Para a limpeza da biblioteca, fica responsável uma mulher do setor de serviços gerais. Em uma conversa com a bibliotecária, soubemos que os estudantes podem emprestar livros com um prazo de devolução de quinze dias. A biblioteca possui carteirinha para empréstimo de livros, porém os estudantes não são obrigados a fazê-las, pois estas possuem um custo de dois reais. As carteirinhas facilitam o controle da identificação, empréstimo e devolução dos livros através do computador da secretária que possui um programa específico para isso, quando os estudantes não possuem as carteirinhas, o controle é feito através de anotações em um caderno. Atualmente são feitas aulas de leitura nas próprias salas de aula, além das de português, em disciplinas alternadas para que não prejudique uma única disciplina, no sentido de que se as aulas de leitura fossem definidas com horários e datas fixas semanalmente, a matéria que haveria naquele horário, ficaria desfalcada em seus conteúdos. Antes, era ofertado aos estudantes a leitura de revistas e gibis. Porém, como havia muita reclamação do material ofertado a eles, a bibliotecária decidiu, após conversar com professores da área de português, deixar o material de leitura da biblioteca parcialmente livre para a escolha dos alunos.

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O seguinte método de leitura está sendo testado, nas caixas de leitura são postos livros que os professores escolheram de acordo com a faixa etária dos alunos, separando por ano, turma e período. Podem ser levadas apenas uma caixa para a sala e os estudantes podem pegar os livros e dar continuidade a leitura nas semanas seguintes. Esta caixa é envolvida com cartolina e recortes de revistas que enfeitam a mesma, ficando guardada na biblioteca e sendo levada para as salas apenas nas aulas específicas para leitura. Porém, ainda podemos perceber que a maioria dos alunos não possuem o hábito de ler, pois quando estes vão à biblioteca, distraem-se facilmente. Sempre que isso ocorre, a bibliotecária chama atenção dos mesmos para a importância da leitura. Essa inquietação por parte de muitos estudantes talvez seja por falta de incentivo ou de uma atividade diferenciada que desperte neles o interesse pela leitura, como Bamberger (2000) ressalta a possibilidade de se ter um tempo reservado depois da leitura para que os alunos debatam sobre o que foi lido. Já os professores, quando têm um tempo livre fazem a leitura de alguns livros, preferencialmente dos que se referem às suas áreas de ensino ou também algum periódico. A escola recebe periódicos, aos quais passam primeiramente pelas mãos dos professores e depois são encaminhados para a biblioteca. Os referidos periódicos são:

Veja, Mundo Estranho, Saúde, Nova Escola, Dinheiro Rural e gibis. Entendemos que a maioria destas não acrescentam tão significamente o aprendizado dos estudantes, porém algumas delas podem provocar o hábito da leitura, por tratarem de assuntos inusitados, utilizando-se de ilustrações chamativas, isso, levando em consideração a faixa etária dos estudantes. Os saberes valorizados na sociedade atual são canonizados, científicos e pragmáticos, ou seja, o capital cultural das classes dominantes, como denomina Bourdieu. Contundo, mesmo entendendo a importância dos mesmos, questiona-se se estes são suficientes para contribuir na criticidade dos educandos. A realidade é que são raras as ações e práticas escolares que contribuem para o desenvolvimento da capacidade crítica relacionada ao contexto social em que vivem. Em uma estante na biblioteca são guardados os microscópios, um deles é mais antigo do que o outro, enquanto que o mais atual estava com problemas no foco e iria ser mandado para concerto no Núcleo em Francisco Beltrão, que possui uma parceria com a Unipar (Universidade Paranaense) para devidas assistências. Geralmente a biblioteca não fica aberta no período noturno, mas sempre que

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necessário é utilizada com o auxílio de um técnico administrativo, pois não há bibliotecária para este período. De acordo com a mesma, isto se justifica pelo fato de no período noturno haver apenas duas turmas e a utilização do laboratório de informática ou o próprio espaço para leitura não ser tão utilizado. Por isso, a escola acredita não haver necessidade de contratar outra bibliotecária para este período, já que o técnico pode desempenhar a mesma função. Durante o momento em que um integrante do nosso grupo observava a biblioteca no período matutino, um professor trouxe um estudante, pedindo que este se sentasse em uma cadeira que ela indicou. Em seguida foi até as prateleiras com livros, escolheu um deles e uma página, entregou ao menino, pedindo que o mesmo copiasse um determinado texto e depois respondesse algumas questões.

O estudante então questionou como iria copiar, se não havia levado o caderno.

Mais que depressa, o professor lhe trouxe uma folha A4 e uma caneta, saindo em seguida.

O aluno olhou o livro, chegou a escrever algumas palavras, mas depois caminhou

até a saída da biblioteca que leva à entrada da direção da escola, voltou, sentou-se na

cadeira e se debruçou na mesa. Inquieto e desinteressado pela atividade proposta, o aluno voltou-se para bibliotecária que recortava e montava em conjunto com uma aluna, flores de papel crepom branco e rosa para enfeitar o mural do saguão da escola. Quando a bibliotecária saiu, a menina que a ajudava aproximou-se do menino que novamente andava, perguntando-lhe que tipo de leitura ele tinha que copiar e ele lhe respondeu que seria a complementar, afirmando em seguida que não iria copiar.

A bibliotecária voltou e a menina foi ajudá-la. O estudante caminhou, olhou alguns

livros da biblioteca, sentou-se e novamente continuou prestando atenção na conversa da bibliotecária. Minutos antes do intervalo, fechou o livro e avisou a bibliotecária que iria sair tomar água e ir ao banheiro, depois disso não voltou mais.

A menina que ajudava a bibliotecária na confecção das flores, era estudante do

sexto ano do período vespertino. Esta, em um momento aproximou-se e perguntou se havia escrito muito desde que havia chego la, quantas folhas, em que matéria estagiava, se iria estagiar na sala dela, depois de respondido os questionamentos, a aluna se retirou. Aparentemente as respostas dadas lhe satisfizeram, pois foi possível perceber que estava entusiasmada em receber em sua sala de aula alguém estranho ao seu cotidiano escolar. Mais tarde, quando foram feitas observações nas aulas, comprovamos o entusiasmo da

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menina ao nos ver em sua sala, pois nos deu um breve sorriso, seguido de um aceno. A funcionária responsável aos seus assuntos pertinentes à biblioteca, envolve-se também com a área de informática, deixando os computadores prontos para as turmas em pesquisa, e auxiliando todos os estudantes que a solicitarem. Neste espaço também funciona o laboratório de informática, no qual há computadores dispostos em fileiras e separados por um corredor, em cada um dos lados, há dezesseis computadores, de um lado os computadores são mais antigos oriundos de um programa do governo chamado “Paraná digital”, de outro lado, também há dezesseis computadores de um modelo mais novo doados pela Receita Federal, todos estes podem ser utilizados pelos alunos tanto em aula, quando os professores reservam um horário com a bibliotecária preferencialmente com um dia de antecedência, quanto em períodos contraturnos às suas aulas.

A bibliotecária foi muito simpática conosco, ao demonstrar disposição em responder nossas dúvidas e nos apresentar o espaço onde ela trabalha. De acordo com a mesma, sua graduação é em Letras (Português e Espanhol), gosta de ler e, por isso, normalmente indica alguns livros para os estudantes interessados em fazer boas e proveitosas leituras em relação ao conteúdo abordado nos mesmos, além de sua significância quanto a construção intelectual do aluno. No ginásio de esportes, há um portão alto na entrada, que fica trancado quando os estudantes não estão em atividade. É todo cercado com um muro, possui quatro luminárias com quatro lâmpadas cada, dispostas lateralmente em volta da quadra, porém, durante o dia é pouco iluminado e pouco ventilado, as entradas de ventilação na quadra se dão por meio de tijolos vazados, dispostos a uma altura de aproximadamente um metro e meio. Em um dos lados do ginásio há um muro pequeno. Em um canto próximo ao portão de acesso do mesmo, há um bebedouro. Este, foi instalado recentemente para que os estudantes não precisassem sair da quadra para beber água, o que contribuiria para que não houvesse a dispersão destes durante a aula. Quando chove, goteja água no piso que é de cimento bruto, liso e pintado com uma tinta especial, mas que encontra-se bem corroída. Devido às possas de água formadas, torna-se inviável o desenvolvimento das atividades físicas. Isso talvez aconteça pelo fato de carecer de investimentos por parte do governo. O professor então trabalha em sala com os alunos, ministrando aulas teóricas, além de proposições de jogos de mesa, como:

dominó, xadrez e trilha. Na maioria das turmas são três aulas de educação física por semana, sendo que

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uma é destinada a aula teórica e as outras duas para a realização de atividades físicas na quadra. Quando os alunos perdem uma dessas duas aulas, revoltam-se e ficam agitados. Para tanto, percebemos que há um certo problema observado durante muito tempo quanto ao ensino da Educação Física,

é possível perceber que uma boa parte dos alunos associam

as aulas de Educação Física há momentos livres, onde há uma quebra da rotina normal das aulas. Várias hipóteses podem ser abordadas para explicar esse fato, o motivo de estar fora da sala de aula pode significar, para esses alunos, uma idéia de liberdade por que sai da formalidade e da “prisão” da sala de aula e passa para um novo ambiente, quando a criança tem a chance de se soltar e se sentir mais livre.” (FONSECA FILHO; MARINHO; ALVES et al., 2011 p.8)

“[

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Fonseca Filho; Marinho; Alves et al., (2011 apud FREIRE, 1997), reforça essa ideia quando afirma que, no espaço fora da sala de aula realizam-se duas atividades principais, a aula de Educação Física e o recreio ou intervalo. Este último, é o espaço mais permissivo da escola. O que se observa em muitos casos, como discutem Fonseca Filho; Marinho; Alves et al., (2011), é que apesar das aparentes falhas no aspecto físicos de muitas escolas, nota-se que ainda assim os alunos têm preferência em participar das aulas da disciplina de Educação Física em relação às demais disciplinas. De acordo com o professor ouvido por nós, em cada bimestre é trabalhado uma modalidade esportiva diferente (voleibol, futsal, handebol e basquetebol). Em seu interior, o ginásio possui “tabelas” para jogos de basquetebol, traves para futebol e handebol e bastões para colocação de redes nos jogos de voleibol. Geralmente o professor de educação física divide a turma em dois grupos, comumente estes são mistos ou separados por gênero, jogando separadamente, futebol, handebol, voleibol, ou outra modalidade orientada pelo professor. As aulas de educação física são realizadas tanto no ginásio quanto na quadra descoberta ao lado do mesmo. Na quadra descoberta, há “tabelas” para os jogos de basquetebol e traves para futebol e handebol, além de um muro pequeno que a cerca com desenhos relacionadas ao esporte que foram pintados pelos estudantes, sendo que em uma parte deste muro há uma tela deteriorada, não havendo iluminação. Nesta o piso é antigo, áspero e possui rachaduras. Devido a isso, são jogados ali apenas modalidades esportivas que não tenham um grande contato com chão (voleibol,

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basquetebol e handebol). Frequentemente, a referida quadra é utilizada pelos alunos durante o recreio para jogarem handebol improvisado com uma bola confeccionada com meia e papel envolto por fita adesiva. No período do intervalo, alguns estudantes ficam sentados lanchando por todo o pátio da escola, independente do lugar, todos devem trazer os utensílios da cozinha ao término de suas refeições, porém nem sempre é o que acontece. Alguns também dão voltas em torno dos blocos, hipoteticamente no intuito de encontrar e conversar com os colegas. Há ainda alunos que sentam-se em bancadas distribuídas nos espaços vagos da escola. O intervalo tem duração de quinze minutos e possui dois sinais de alerta, o primeiro toca aos dez minutos servindo para indicar que se deve ir ao banheiro, lavar as mãos e beber água, posteriormente o segundo sinal toca para se dirigirem às salas. A agitação durante o intervalo é grande, do sinal de início da aula até todos estarem em sala decorre algum tempo, logo em seguida, os professores chegam. No saguão, o piso é feito de grandes quadros de pedras sabão, onde há aproximadamente oito mesas retangulares e bancos, as quais são feitos de MDF com os arcos de suporte de metal pintados de verde, estas são postas para os alunos fazerem suas atividades quando os professores os levam la e também para lancharem. Em torno do saguão, estão dois murais grandes retangulares anexados ás paredes, com cartazes feitos pelos estudantes e mensagens conforme determinadas datas comemorativas. Nas paredes, estão cartazes de campanhas contra o tabaco, prevenção da dengue, divulgação das olimpíadas de matemática e língua portuguesa, além de avisos sobre os dias das entregas do leite - programa do governo denominado “Leite das Crianças” e a pesagem das que os recebem (até três anos, se não estiverem abaixo do peso). Quanto a entrega do leite na escola, podemos perceber o quanto a instituição de ensino esta intrinsecamente ligada à sociedade. Pois, na fila durante a entrega do leite, pode-se observar que além de pais, estão também alguns estudantes da própria escola que já ao término de suas aulas, pegam leite para seus irmãos. Neste local há também um bebedouro que refrigera a água, no qual as torneiras possuem um botão que deve ser pressionado para se aproveitar o jato de água, é bastante interessante, pois a quantidade desta é o suficiente para uma criança praticamente encher um copo e saciar sua sede, evitando assim o desperdício de água. Em um dos dias observados, havia uma palestra no saguão, a qual tinha como foco a orientação e prevenção de incêndios. O palestrante era o representante de uma

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fornecedora de extintores nos vários estabelecimentos da região e inclusive nesta escola. Posteriormente, foi presenciado um professor discutindo com a diretora sobre o modo como ele ministrava suas aulas. Pelo relato de alguns alunos, tal professor trabalha de maneira tradicional, e por isso não gostam de sua atuação em sala de aula. Neste acontecimento, percebe-se a existência do ensino tradicional ainda utilizado por muitos professores nas escolas públicas, conforme relata Leão (1999 apud SAVIANI, 1991), este tipo de ensino pretende apenas transmitir os conhecimentos, isto é, os conteúdos a serem ensinados por esse paradigma seriam previamente compendiados, sistematizados e incorporados ao acervo cultural da humanidade. Portanto, dessa forma, é o professor que domina os conteúdos logicamente organizados e estruturados para serem transmitidos aos alunos. A ênfase do ensino tradicional, portanto, está somente baseado na transmissão dos conhecimentos. Outro fato visto no saguão foi uma conversa entre uma funcionária da escola e uma aluna, antes do início das aulas, onde a menina respondeu com descaso um pedido que a funcionária havia feito a ela. Isso nos levou a refletir sobre a forma como a aluna respondeu à funcionária, entendemos então que esta, como inúmeros outros estudantes, frequentam a escola apenas pela obrigatoriedade imposta pelas leis governamentais ou por “n” motivos desconhecidos. O governo garante o direito a todos de frequentar uma escola e neste sentido o direito sendo preservado todas as crianças tem dever de ir à escola, porém se deixa de lado a qualidade do ensino e os embasamentos para este se tornar atrativo para que os educandos queiram participar das aulas e aprender, não somente por ordem de pais que obedecem as leis governamentais que são impostas aos mesmos.

A obrigatoriedade do ensino fundamental, em contrapartida, para além de impor que os pais ou responsáveis – pobres, na totalidade das vezes matriculem seus filhos nas escolas, exige que o Poder Público – pela 1ª vez, na história republicana! –, ao garantir o direito de todos à escola, seja responsabilizado inclusive por sua oferta irregular, imputando-se a responsabilidade à autoridade competente, seja do âmbito estadual ou municipal. Este é o significado de “direito público subjetivo” previsto na Lei Maior (§§ 1º e 2º, VII, art. 208). Não por acaso a educação passa a ter, no Ministério Público, um atento observador (em geral) do cumprimento constitucional, e que pode, caso constate relutância do Poder Público em cumpri-lo, processá- lo, por meio de ação civil, por desobediência, com poder de “mando” para exigir o cumprimento desse direito social.” (ARELARO, 2005, p. 2).

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Observamos ainda, um forte desinteresse por diversas aulas pela maioria dos alunos, para isso, algumas atitudes devem ser tomadas para mudar tal realidade, assim como comenta Santos (2000), a escola precisa valorizar o que o aluno sabe fazer e o que gosta de fazer, pois há obrigação de frequentar as aulas, como a lei acima citada, aprendendo a aceitando positivamente o que lhes é imposto pelos professores. Mas, para se ter um ensino com qualidade, deveria-se aproveitar e ocupar-lhes de atividades culturais que lhes garantam uma formação contínua, muito além das matérias do currículo escolar e das salas de aula. Só a obrigatoriedade legal de frequência à escola não basta. Para que atinjam seus objetivos as atividades escolares devem incluir e valorizar o que os alunos aprendem fora da escola em seu cotidiano. Em lugar do sentimento de inferioridade, a escola deve estimular os alunos a desenvolver a consciência da própria capacidade de aprender a transformar e construir o mundo. Mais tarde, em um outro momento, não houveram diálogos enquanto as observações no saguão, entre alunos e cozinheiras. Uma questão que achamos importante enfatizar e que deveria ser de conhecimento dos estudantes, é o fato de que todos educam em uma escola, independente do cargo que ocupam nela. Contudo, em um momento fomos abordados pelos nossos antigos professores que nos disseram estar orgulhosos por termos escolhido a mesma profissão que eles, nos alertando em seguida que esta, nos dias de hoje é bastante desafiadora. Referiam-se a nós com entusiasmo e boas lembranças sobre a educação dos estudantes de alguns anos atrás, na qual os professores não enfrentavam tantos problemas como agora. Ao mesmo tempo aparentaram impressionados com a rapidez na qual o tempo passou, pois segundo eles, a impressão que se tinha era a de que havíamos saído a tão pouco tempo da escola como estudantes, para agora já estarmos prestes a nos formar no ensino superior como professores. Para nós foi realmente gratificante encontrar aqueles que muitas vezes nos observaram, criticaram, nos inspiraram e com certeza contribuíram para a nossa formação pessoal e escolha profissional. Enquanto isso, alunos passavam de um lado pro outro, indo ao banheiro, ao bebedouro, subindo até a secretaria, parecendo estarem fugindo de aulas que não os interessavam. Neste local, o diálogo observado ocorre entre professores e funcionários da cozinha e dos serviços gerais. Em determinado momento da observação que fazíamos, estudantes em aula de

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educação física passavam pelo saguão e iam até o ginásio, falavam alto, animados, talvez por estarem participando da aula de sua preferência. Para Fonseca Filho; Marinho; Alves et al., (2011, p. 2), a disciplina de educação física é, sem dúvida, um dos componentes curriculares em que os estudantes possuem maior liberdade para expressar, interagir, socializar, brincar e se exercitar, adquirindo maior conhecimento corporal. Talvez por isso sentem-se mais entusiasmados para tal aula, provavelmente, nas outras matérias há apenas assimilação dos conteúdos e pouca dinâmica para interação entre os estudantes. No intervalo entre as aulas, os professores trocam de sala, uns com expressão afável e outros aparentemente cansados, talvez pela aula anterior ter sido exaustiva ou por pensar na aula posterior, que será mais uma vez desgastante. Na tentativa de justificar essa situação, Gasparini, Barreto e Assunção (2005), comentam que o papel do professor extrapolou a mediação do processo de conhecimento do aluno, o que era comumente esperado. Nesse sentido, ampliou-se a missão do profissional para além da sala de aula, a fim de garantir uma articulação entre a escola e a comunidade. Para estes autores, o professor, além de ensinar, deve participar da gestão e do planejamento escolar, o que significa uma dedicação mais ampla, a qual se estende às famílias e à comunidade sendo mais tempo dedicado e mais desgaste físico e psicológico. A cozinha é um espaço amplo, toda revestida de azulejos, bem arejada e iluminada. A pia esta fixa em cima de um balcão com portas de MDF, seus suportes são suas próprias divisórias, o qual é de cimento revestido por cerâmica e preso a parede. A pia e a mesa onde são servidos os lanches aos estudantes é de granito. Há duas geladeiras (uma delas é nova, de 360 litros, frost free – não faz gelo), três freezers (sendo que um é novo, outro apresenta-se em um estado de conservação ruim e há ainda um outro que foi entregue pelo governo do estado do Paraná, para conservar o leite até o momento de sua entrega para as famílias carentes da cidade de Ampére, que possuem filhos menores de 3 anos). Além destes, a escola possui outros aparelhos eletro eletrônicos, como: forno elétrico, micro-ondas, um fogão industrial a gás, triturador e processador de alimentos de caráter industrial, liquidificador, batedeira e máquina de amassar pão. Nas paredes há um relógio doado por uma empresa local, um ventilador, o calendário escolar de 2012, porta lenços de papel e um extintor de incêndio. Próximo a porta de acesso a cozinha, há balcão pequeno, onde são guardados em suas gavetas guardanapos e as chaves das portas do bloco onde a cozinha se encontra.

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Anexo a esta, há um pequeno espaço onde existem dois armários grandes, um em cada lado e encostados na parede. Nos referidos armários, são guardados relacionados à cozinha. No local também há cinco cadeiras, as quais são utilizadas pelas zeladoras da escola para se sentarem e fazerem seus lanches durante o recreio. De acordo com uma das cozinheiras, a nutricionista do Estado manda sugestões em revistas. Ainda segundo elas, os alimentos ofertados pelo governo chegam uma vez a cada dois meses. E quando isso acontece, as cozinheiras recebem uma lista com os produtos que deram entrada na escola. Em relação a estes alimentos, há uma grande reclamação quanto a carne que vem para escola, pois esta vem enlatada e com muitos conservantes e de certa forma acaba deixando um gosto não tão agradável. O que é servido e a quantidade do lanche é anotado em uma ficha chamada “Controle Diário de Refeições”, que ao final de todo mês é entregue a um secretário responsável, a relação dos produtos que irão vencer mais depressa também é feita assim que os alimentos chegam. Com isso, percebe-se que de certa forma a escola considera importante a boa alimentação dos estudantes, variando o cardápio, para que os lanches não fiquem repetitivos e acabem contribuindo para o exagero de dietas não tão saudáveis. Inclusive, ainda de acordo com uma das cozinheiras, são mandados pelo município semanalmente, verduras e legumes à escola, além de pães uma vez por mês, produzidos pelos agricultores residentes na cidade de Ampére. A utilização da ficha de controle dos lanches servidos, nos remete à organização dos produtos que chegaram, dos que foram consumidos e dos que ainda não foram, facilitando assim o manuseio dos alimentos com data de vencimento próximos armazenados no depósito, evitando ainda possíveis desperdícios. Porém, a preocupação por parte do governo não parece tão significativa, conforme relatado pelas cozinheiras, as reclamações referem-se principalmente às carnes enlatadas. Os lixos orgânicos e recicláveis são separados em diferentes recipientes. Em uma das paredes há uma janela com uma tela fina para evitar a passagem de insetos e uma cortina blackout para bloquear o sol em determinada hora. Ao lado da porta há outra janela, mas esta é mais alta e larga, sendo aberta minutos antes de tocar o sinal para o recreio e entrega do lanche. Além do lanche dos estudantes, o dos professores também é preparado na cozinha. As refeições dos professores são levadas até a direção para que estes comam e depois retornem para suas próximas aulas se for o caso. No depósito próximo a cozinha, são armazenados os alimentos, há pouco espaço,

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é pouco arejado e iluminado. Neste, os alimentos são empilhados em estantes, os que

possuem uma validade mais próxima são postos mais em cima dos outros, para um melhor controle das cozinheiras. Pelo que foi relatado pelas merendeiras, não se pode deixar caixas de papelão na sala, portanto os alimentos devem ser retirados das caixas antes de serem organizados nas prateleiras assim que chegam. A secretaria, é uma sala bem iluminada e arejada, possui um ventilador de parede

e um outro de teto, além de um ar condicionado. Para contribuir com a ventilação, as janelas estão dispostas em uma altura de um metro e meio aproximadamente do chão. Nestas janelas, na parte externa são anexadas uma grade de metal e no lado interno persianas escuras, sendo respectivas à segurança e à entrada excessiva do sol em determinados períodos do dia. Em relação a eletrônicos, a secretaria apresenta quatro computadores, duas impressoras, sensor de movimento ligado ao sistema de alarme, um bebedouro que resfria a água, além de um rádio, que no momento das observações estava ligado em uma sintonia local e um relógio de parede. Das impressoras citadas, uma delas possui conexão com a maioria dos computadores da escola, o comando de impressão então, pode ser dado a partir de qualquer computador conectado a esta. O chão é de taquinhos de madeira, o qual é encerado e lustrado uma vez por semana por uma mulher do setor de serviços gerais. Os materiais de suporte didático, como réguas, tesouras, colas, tintas e grampeadores, podem ser emprestados junto a secretaria. Desse modo, a pessoa que pega tais materiais, responsabiliza-se por entregá-los novamente assim que utilizados. Na secretaria trabalham três servidores na parte da manha, três a tarde e um a

noite. Durante as observações, uma secretária chegou a reclamar da lentidão da internet

e os secretários (as) que estavam presentes, aparentavam dispostos a colaborarem com

as observações e com os questionamentos feitos, também conversavam descontraidamente, parecendo não se importarem com as anotações. Fixado a parede, próximo a porta de entrada, há um mural de recados, que consta também o mapa das salas e o cronograma das aulas por professor e turma. Neste local ainda há quatro armários de metal, onde são arquivados documentos referentes a escola e aos alunos que estão ou estiveram matriculados na mesma. Em cima de um desses armários, há vários troféus esportivos conquistados pelos estudantes. Cada secretário possui uma caixa onde pode guardar os documentos que estão sendo trabalhados.

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Ainda na secretaria, frequentemente, pais de alunos comparecem por diversos motivos, como: transferência de escola, providências de documentos ou na procura de informações sobre os bilhetes entregues pelos seus filhos. Comumente, estes são encaminhados à sala da pedagoga e quando necessário diretamente à sala de aula. Já na sala da equipe pedagógica, que no período diurno possui duas pedagogas, responsáveis por resolver questões de aviso aos pais quando o comportamento dos alunos é inadequado, discutir o desenvolvimento escolar, a entrega dos boletins, que ocorre somente aos pais quando a nota for inferior a seis, além de conversas com os mesmos sobre como proceder para mudar tal realidade, posteriormente são lidas aos responsáveis as anotações feitas pelos professores em sala de aula contendo os possíveis motivos pelos quais o aluno obteve nota inferior a média. Contudo, nota-se uma tentativa de fuga dos pais à responsabilidade na educação de seus filhos e com isso, as pedagogas dialogam como se poderia melhorar o método de incentivo aos estudos, caminho este importante para uma futura profissão e um comportamento que será para a vida toda. Na sala de professores, possui dois quadros de avisos, mesa longa com cadeiras entorno, com algumas dispostas pela sala, são vinte e uma cadeiras, para acomodar todos os professores. Há dois murais nas paredes e em um deles está o site da escola www.portinarischool.blogspot.com.br, também estão expostas as datas de palestras e eventos importantes que irão acontecer. Esta sala é bem iluminada, arejada, sendo um ambiente agradável para se realizar as horas atividades dos professores, no entanto, nesta poderia haver uma porta que vedasse a entrada da maioria dos sons vindos de outras salas e da rua, possibilitando um melhor desenvolvimento das atividades e discussões. Este espaço também é destinado para o lanche dos professores, o qual é trazido pelas cozinheiras da escola. Das salas de aula observadas (ao todo foram cinco, nos dois blocos), todas possuem um espaço bom, são arejadas com janelas laterais, de um lado elas são grandes, de outro são menores e altas do chão. Há dois ventiladores por sala, um quadro levemente côncavo, sendo uma parte destinada para a escrita em giz e outra para escrita com canetão autotintável. Possui televisores laranjados e seis lâmpadas fluorescentes. A maioria das salas possuem um crucifixo na parede, além do mapa que descreve os lugares de cada estudante e um cronograma das aulas de leitura. O chão das salas são de taquinhos de madeira, diferentes dos corredores que é piso, já as paredes são pintadas de branco, sendo uma parte verde escuro.

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Quanto a presença dos crucifixos nas paredes, imaginamos que estes representem a religiosidade dos personagens da escola, pois, como afirmou o professor em uma aula de religião observada por nós, “todos são cristãos” independentes de serem católitos ou evangélicos, pois acreditam em Cristo. Ao falar tais palavras, talvez o professor tenha acreditado não ser possível haver ali algum estudante cuja família seja ateia. Isso nos levou a pensar, será que se algum estudante que não fosse cristão ou que fosse ateu teria coragem de se manifestar? Pois, de acordo com Bourdieu (1970), a violência simbólica expressa-se como uma forma de imposição "legítima" e oculta. O “dominado” considera a situação natural, já que não se vê como vítima deste processo. A violência simbólica pode acontecer em diferentes instituições da sociedade que vão desde o Estado à escola. Porém, nesta os estudantes podem chegar a perceber que estão sendo vítimas desta “agressão” verbal. Aí então nos questionamos, onde está o espaço da não religião ou não crença? Os mapas que descrevem os lugares do estudantes na sala, justificam-se às conversas paralelas que atrapalhavam muito as falas dos professores e os colegas que estavam interessados. Nesse sentido, pensou-se em uma tentativa de se amenizar isso. Para tanto, algum tempo atrás foi escolhido um professor monitor para cada turma, o monitor deve dar aula para a respectiva turma, o que acaba facilitando a discussão e a tomada de decisões nos conselhos de classe, pois estes já conhecem os estudantes. Este grupo de monitores sugeriram há um tempo atrás um sistema de organização da sala de aula. A proposição de um mapa que delimitasse um lugar fixo para os estudantes. A ideia do mapeamento dos lugares visa também um melhor aprendizado. Intencionalmente busca-se separar as “panelinhas” de conversas. Os estudantes com dificuldades visuais e de aprendizagem são postos nas carteiras da frente, próximos ao professor. De acordo com Freire (1996), não devemos escrever culpando o professor, mas levando em consideração que sempre quando ocorrem falhas pedagógicas, ou quando a dimensão educativa se perde na escola tende-se a recorrer a estas medidas disciplinares e punitivas. Não menciona o professor, mas enfatiza tamanha ausência educativa que toda a sociedade está sofrendo, a escola como integrante da mesma, a situação não é diferente. Com isso, Freire também insiste na "especificidade humana" do ensino, enquanto competência profissional e generosidade pessoal, sem autoritarismos e arrogância. Relatando também que deve nascer um clima de respeito mútuo e disciplina saudável entre "a autoridade docente e as liberdades dos alunos, reinventando o ser humano na aprendizagem de sua autonomia" (FREIRE, 1996, p.105).

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O funcionamento deste esquema depende de dois fatores: da colaboração dos professores não monitores das salas e da cobrança assídua de todos os professores. Segundo a pedagoga, um tempo atrás os professores modificavam os lugares conforme queriam dificultando ainda mais a organização. Assim, foi decidido em conselho que apenas os professores monitores da sala é que poderiam fazer determinadas modificações. A cobrança contínua dos professores para com os alunos influenciam muito para que o mapa funcione, caso contrário, os grupinhos voltam a se formar e as conversas acentuadas também. Continuamente há discussões a respeito de melhoramentos para reorganização dos mapas. Além dos monitores para cada sala, há também um presidente e vice-presidente, ambos alunos representantes da turma. Sempre que o professor precisa buscar algum material didático pequeno na secretaria ou na biblioteca, o aluno presidente ou seu vice é solicitado. A pedagoga considera injusto com os outros alunos, porque isso poderia dar a impressão de que um aluno ou outro é mais preferido pelo professor, mesmo que os representantes de sala sejam escolhidos bimestralmente por seus colegas de turma.

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2.2 DIAGNÓSTICO DA REALIDADE DO ENSINO FUNDAMENTAL A Escola Estadual Cândido Portinari – Ensino Fundamental, no ano letivo atual, conta com aproximadamente 600 alunos matriculados, divididos em 22 turmas subdivididas do 6º ano ao 9º ano. O Ensino Fundamental, a partir deste ano passou a ser de 09 anos, implantado simultaneamente, conforme Parecer CEE/CEB Nº407/11. As aulas acontecem durante os períodos matutino (dez turmas), vespertino (dez turmas) e noturno (duas turmas) – Tabela 1, neste último podem frequentar apenas estudantes com faixa etária acima de 14 anos, geralmente trabalhadores, vindos das demais escolas estaduais do município e egressos de outras cidades, por ser a única escola que oferta o Ensino Fundamental Regular neste horário.

Não foi possível realizar observações nas turmas do período noturno, pelo fato de os horários das aulas coincidirem com as nossas. Porém, pelo que percebemos através das falas das pedagogas, as turmas noturnas diferenciam-se muito das turmas do diurno, motivos pelos quais resumem-se na indisciplina, faltas excessivas, sendo uma das causas o fato de maioria dos estudantes trabalharem durante o dia, desinteresse por “n” motivos, pouco incentivo dos pais, entre outros.

Conforme descrito no PPP da escola os estudantes que a frequentam pertencem a

várias classes sociais, são filhos de: empresários, comerciantes, trabalhadores liberais, agricultores que moram na área rural, operários e desempregados. Vinte e um por cento (21%) dos alunos utilizam o transporte escolar. A maioria dos pais possui o Ensino Fundamental e alguns o Ensino Médio, Superior e Especialização.

Através do contato familiar ou do responsável pelo aluno, no ato da matrícula, percebe-se, que mesmo respeitando o georreferenciamento, a escola atende alunos de praticamente todo município, em virtude da rota do transporte escolar. Os recursos humanos da Escola compõem-se dos seguintes setores: direção; direção auxiliar; três pedagogas (no PPP da escola esta quatro, mas apenas três atuam); doze Agentes Educacionais I; quarenta e quatro Professores, onde três são de Ciências. A Associação de Pais, Mestres e Funcionários, composta por presidente, vice-presidente, secretária geral, tesoureiro, suplente e conselheiros. O Conselho Escolar é representado pelo presidente - diretor do estabelecimento, um pedagogo, professores, funcionários, pais e alunos.

Conforme o PPP da instituição, todos os professores deste Estabelecimento

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possuem Formação Superior e noventa e oito por cento (98%) possuem Especialização. Agente Educacional I com Ensino Médio e algumas com Técnico em Infraestrutura e Meio Ambiente e Agente Educacional II, em sua maioria com Ensino Superior.

Os profissionais da escola participam da Formação Continuada ofertada pela SEED, como: congressos, debates, simpósios, semana pedagógica, jornada pedagógica, DEB Itinerante, encontros descentralizados, etc.

Tabela 1:

Turma

Nº de alunos

6º ano Manhã A

30

6º ano Manhã B

29

6º ano Tarde C

29

6º ano Tarde D

31

7º ano Manhã A

29

7º ano Manhã B

23

7º ano Manhã C

26

7º ano Manhã D

26

7º ano Tarde E

27

8º ano Manhã A

31

8º ano Manhã B

29

8º ano Manhã C

31

8º ano Tarde D

32

8º ano Tarde E

32

8º ano Noite F

25

9º ano Manhã A

28

9º ano Manhã B

28

9º ano Manhã C

29

9º ano Tarde D

21

9º ano Tarde E

21

9º ano Noite F

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Cada aula dura em média noventa minutos. Em um total de quatro horas cada período, há cinco aulas e um intervalo de quinze minutos. Antes do recreio há três aulas e em seguida o primeiro sinal é tocado.

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As atividades e os programas realizados na escola são os seguintes: Viva Escola, Fera Consciência, Jogos Colegiais e Grêmio Estudantil. Além de recursos disponíveis para uso em aula: textos, laboratório de informática, internet, revistas, jornais, dicionários, periódicos, mapas, livros diversos, projetor multimídia, sistema de monitoria, contraturno, recursos audiovisuais (vídeos), aparelho de som.

São disponibilizadas em períodos contraturnos algumas salas para subsidiar a aprendizagem dos estudantes, sendo estas: Salas de Apoio à Aprendizagem de Matemática e Língua Portuguesa, em contraturno escolar, de acordo com a Instrução Nº007/2011 – SUED/SEED. São destinadas para estudantes que entraram recentemente no 6º ano. Para estes, os professores fazem testes para perceberem alguns conhecimentos básicos das séries iniciais, assim os professores avaliam se há necessidade ou não de frequentarem as salas de apoio. Para estas, destinam-se também os estudantes dos 9º anos, que são acompanhados pelos professores para identificar possíveis dificuldades nas disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa. Os que frequentam estas salas não necessariamente ficam até o término do ano, mas sim, até o momento em que se percebe um melhoramento dos mesmos, dessa forma, pode ceder a vaga a outro colega que possa estar precisando de apoio. As aulas de Apoio à Aprendizagem de Língua Portuguesa e Matemática são ministradas em uma sala cedida pela Prefeitura Municipal, na Rua dos Andradas – 144, pois a escola não possui espaço físico para tal. Por este motivo, há a dificuldade no acompanhamento das aulas pela equipe pedagógica. Há também salas de recursos que tem como base a Instrução Nº 015/2008 – SUED/SEED. São destinadas aos estudantes que apresentam necessidades educacionais especiais: alunos egressos da educação especial ou de sala de recursos dos anos iniciais do ensino fundamental e ainda aqueles que apresentam problemas de aprendizagem com atraso acadêmico significativo, distúrbios de aprendizagem e/ou deficiência mental e que necessitam de apoio especializado complementar para o melhoramento do processo de aprendizagem na classe comum. Para frequentar esta,

precisa-se da avaliação de um psicólogo e de um neuro-pediatra para obtenção de um laudo atestando uma defasagem na aprendizagem. Os estudantes aqui inclusos, frequentam a sala de recurso até terminarem seu período na escola. Para deixar de participar antes disso, os pais devem assinar um termo de autorização na escola, caso o estudante queira trabalhar, por exemplo.

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A Sala de Recursos funciona nas dependências da escola. Cientes da importância

da aprendizagem, as Salas de Apoio e Recursos, necessitam de materiais didático-

pedagógicos que auxiliem na motivação e consequentemente na permanência dos estudantes nas mesmas. O espaço reservado para esta, contém duas mesas, dois computadores, uma

impressora, um aparelho de escanear, um armário de tamanho médio e um de tamanho menor. Próximo aos computadores há cadeiras com rodinhas, as quais a professora não permite que os alunos utilizem, pois segundo ela, tais cadeiras tiram a atenção dos educandos.

A sala é bem iluminada e possui uma mesa de centro retangular com cadeiras

almofadas em volta, onde os alunos se sentam. Mais no canto da sala, próximo a janela há uma mesa circular que é utilizada quando vão vários alunos. Nesta, são desenvolvidas atividades de apoio como jogos, leituras, ditados e outras atividades consideradas importantes para a evolução intelectual e psicológica dos estudantes. Além efetuar tarefas das aulas regulares, as quais os estudantes possuem dificuldade. No momento em que foram feitas as observações nesta sala, a professora realizava um reforço matemático com quatro alunos que estudam pela parte da manhã, enquanto um recebia orientações, os outros interagiam em um jogo educativo, naquele dia o pega varetas.

A professora dialoga com serenidade e se relaciona bem com os alunos. Esta

ainda comentou que há uma significativa melhora no desenvolvimento intelectual dos estudantes e na relação com professores e colegas, alguns desses alunos segundo ela, fazem acompanhamento psicológico periodicamente, o que também contribui para melhoras significativas. Outro aspecto mencionado pela mesma, é o de que alguns estudantes não se interessam e faltam com frequência à sala de recursos. Além de ministrar as aulas nesta sala, a professora leciona português em outro colégio e comenta utilizar-se dos métodos “ensinar com amor” e também do ensinar coletivo, segundo ela, inspirados em Vigotski. O sinal bate e uma outra aluna entra na sala, os alunos que ali estavam anteriormente saem. A educanda então recebeu atenção e a professora faz a correção de sua atividade em seu caderno, outra professora entra na sala para guardar seu material e comenta que a aluna ali presente tem melhorado, relatando que ela está mais hábil e seu raciocínio também.

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Podemos ver que esta sala apresenta um resultado positivo, sendo percebido pelos professores e pelos próprios alunos participantes, dito que alguns até poderão chegar ao ponto de não precisarem mais frequentar a mesma. Segundo a professora a dificuldade mais observada é em matemática, por isso comenta ajudar bastante, pois em outras áreas os estudantes entendem melhor, segundo ela, se esta é a dificuldade que mais se destaca, deve-se então dar maior atenção. A dificuldade com a disciplina citada pela professora é bastante comum em todos os níveis, resultando em um desconforto tanto para professores quanto para alunos. São inúmeros os problemas, aos quais podem ter origem desde causas familiares até escolares. Para Santos, França e Santos (2007):

Na verdade aprender matemática não é tarefa fácil, mas é preciso inovar o ensino mostrando cada vez mais a importância dessa área do conhecimento no dia-a-dia. Com isso, o aluno tende a ser um sujeito crítico e participativo para que o processo de ensino e aprendizagem possa fluir naturalmente. (p. 13)

Pois, para estes autores a Matemática é uma Ciência que constantemente evolui, sendo afetada por uma contínua expansão e revisão dos seus próprios conceitos. Ela ainda é aplicável a todas as disciplinas, desempenhando um papel dominante na ciência moderna. Contudo, ainda é salientado o fato de a Matemática não ser um processo mecânico para se chegar a determinado resultado, por isso não se deve apresentá-la como uma disciplina fechada, abstrata ou desligada da realidade.

A Matemática auxilia no processo de construção do conhecimento e conseqüentemente na aprendizagem, o que a torna indispensável para o aluno. Sua dinâmica relacionada com o dia-a-dia faz com que haja uma exploração maior na construção de conceitos que aperfeiçoam o desenvolvimento cognitivo do aluno. SANTOS, FRANÇA E SANTOS (2007, p. 37)

Em uma outra oportunidade, uma aula de reforço foi novamente observada, porém, dessa vez por outro integrante do nosso grupo. Ao chegar na porta da sala, junto a professora, os alunos perguntaram a este integrante se também iria ministrar a aula. A professora disse que sim e lhe deu uma piscada de olhos. Antes de a professora iniciar as atividades educativas com os alunos, eles brincavam um com o outro o tempo todo, até que ela pediu para que se acalmassem. Na sala de reforço há também um armário onde são guardados materiais didáticos

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e paradidáticos, além de jogos de mesa (xadrez, dominó e trilha). Estes são utilizados

para tornar as aulas mais prazerosas, visto que a maioria dos alunos apresentam desvio

de aprendizagem. Os alunos o perguntaram se estava anotando também sobre a estrutura da sala, ele então respondeu que sim. Nesse momento, pediram para que escrevesse sobre a falta de espaço na sala, porque geralmente esta fica cheia de alunos e ainda sugeriram que os computadores fossem retirados para aumentar o espaço físico. Enquanto anotava, os estudantes admiravam-se com o tanto que havia sido escrito, questionando-o se a bagunça também havia sido anotada. Antes que respondesse, a professora disse que sim e que cada folha do caderno, relatava um aluno específico. No entanto, eles não pareceram se assustar com isso. Na tarde desta observação, havia quatro alunos. Estes não paravam quietos e em certos momentos da aula distraiam-se para não fazerem as atividades propostas. Este reforço à tarde era sobre a disciplina de matemática. No início da aula, a professora escreveu no quadro três problemas para que os estudantes resolvessem. Ao observar esta aula, um dos integrantes do nosso grupo que trabalha na escola, percebeu que muitos dos estudantes que a frequentam, são aqueles que gostam de chamar atenção na hora do recreio. Quanto a estes presentes em sala, três eram meninos e uma menina. Esta última,

é órfã e mora na casa lar em Ampére, onde uma mulher é responsável por ela e pelas demais crianças em situações semelhantes. Esta menina, possui dificuldades de

aprendizagem, então, nas aulas de matemática ela pode utilizar calculadora, inclusive nas avaliações parciais. Um estudante ofereceu ao integrante do nosso grupo, uma bala, ele então a recusou, mas em seguida, percebeu que era uma forma de carinho, e acabou aceitando-

a.

Aparentemente, desenvolviam suas atividades não se importando com sua presença. Assim, pode perceber que não estava interferindo a rotina da aula, mesmo os alunos olhando-o e questionando-o perplexos com o tanto que escrevia. Quase no final da aula, a professora deixou os estudantes jogarem jogos de mesa até que o sinal tocasse para que todos fossem embora. Assim que os alunos saíram, a professora disse-lhe que gostava de trabalhar com os estudantes, e que estes não agiram de forma diferente com sua presença em sala de aula. Outro recurso de aprendizagem ofertado no período intermediário, tarde e noite,

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conforme a disponibilidade da escola, é o CELEM – Centro de Línguas Estrangeiras Modernas, viabilizando o Curso Básico de Língua Espanhola, de acordo com a Deliberação Nº 06/09, ensino extracurricular gratuito, com quatro aulas semanais, destinado aos alunos do 6º ao 9º ano, com turmas de vinte a trinta alunos, sendo dez por cento das vagas por turma aos professores e funcionários que estejam no efetivo exercício de suas funções em estabelecimentos de ensino na Rede Pública Estadual e 30% das vagas à comunidade, se comprovada a conclusão dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

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2.3 EXIGÊNCIAS, CONSIDERAÇÕES E RESOLUÇÕES DA EQUIPE PEDAGÓGICA E DA DIREÇÃO ESCOLAR EM CONSELHOS DE CLASSE

As pedagogas nos mostraram um cronograma anual para os Hinos, onde estão

especificados os dias das semanas em que os estudantes são reunidos antes do início

das aulas para cantarem, o Hino Nacional Brasileiro, do Paraná e do município de

Ampére.

Devido a obrigatoriedade, os Hinos são cantados semanalmente, porém os dias em

que algum deles é cantado em uma semana, não serão os mesmos nos próximos dias da

semana seguinte.

Outra exigência da escola é o uso do uniforme, mais especificamente a calça ou

bermuda e a camiseta. De acordo com uma das pedagogas, esta obrigatoriedade se

justifica pela questão da segurança dos estudantes, para que estes possam ser

identificados quando fora da escola caso aconteça algo com os mesmos.

Continuamente os estudantes são cobrados, no entanto, sempre há aqueles que

não seguem a regra.

Algum tempo atrás, os estudantes que não vinham de uniforme assinavam um livro

de registro e em seguida eram mandados para suas respectivas salas de aula. Porém,

sentiu-se a necessidade de se fazer algo diferente, então, toda vez que um aluno

comparece vestido com outra roupa que não seja caracterizada com o símbolo da

instituição, além de assinarem o “caderno de registro dos alunos que vieram sem

uniforme”, de acordo com ano, turma e período em que estuda; são mandados para a

biblioteca e lá ficam até o término de todas as aulas, saindo apenas para o recreio. As

atividades são pegas com os professores das aulas em questão e feitas por eles

sozinhos. As providências tomadas anteriormente, faziam com que os outros colegas

revidassem, questionando a direção, dizendo que se os outros podiam e não acontecia

nada de mais, eles também poderiam.

Podemos perceber em vários momentos durante as observações, que

aparentemente a biblioteca é considerada “o lugar do castigo”, pois todas as vezes em

que algum aluno não cumpre com suas obrigações e não segue alguma regra, é

mandado para esse local para fazer suas atividades. É praticamente comum apontar a

questão da “preguiça” e do “desinteresse” pela leitura dos estudantes nas escolas.

Comumente, pode-se perceber o tamanho “abismo” que há entre os jovens e o contato

com a mesma. Muitas vezes essa situação é vista por alguns personagens da escola,

inclusive pais, como um fato irraigado à educação, como se o mesmo fosse natural. Com

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isso, Neta [?] comenta ser importante estudar mais detalhadamente tal questão, pois segundo ela, a leitura é imprescindível no contexto escolar e social, já que a escola faz parte deste último, possuindo função social definidos pela própria sociedade. Ainda na perceptiva da autora:

cabe à escola promover de forma sistemática o trabalho com

a leitura e com a escrita, pois sabe-se que o espaço onde a maioria das crianças e jovens, principalmente das classes populares, têm acesso e contato com a leitura, mediante diferentes portadores, é na escola durante o período de escolarização, seja na educação fundamental ou média.” (p. 1).

“[

]

Frente a tolerância das atividades de leitura propostas pelos professores e pela escola em geral, entendemos que talvez os estudantes estejam querendo chamar atenção para as ações da escola referentes à leitura, como as maneiras que estão sendo trabalhadas ou abordadas, que podem não ser os ideais para aquele público, não correspondendo às suas realidades ou necessidades. Para Neta ([?] p. 4), é fundamental entender mais profundamente o que está acontecendo entre os jovens e a leitura, ao considerar o discurso de muitos educadores que dizem “o jovem não gosta de ler”. Para ela, é conveniente problematizarmos mais ainda a situação, utilizando-se das seguintes questões:

“[…] jovem não gosta de ler o quê? Ele não lê o quê? O que é ler para a escola e para os professores? Quem é leitor? A quem chamamos leitor?O que se “deve” ler para ser tomado um leitor na visão dos professores? Quando se fala em leitura, leitor, especialmente em um leitor jovem, o que e quem está sendo levado em consideração? E se temos a voz dos professores, não é necessário ouvir a voz do próprio jovem? “

Estas e outras questões, são apontadas pela autora para enfatizar a importância do ponto de vista dos educandos, os leitores jovens. De acordo com o trecho a seguir, pode- se perceber que a relação entre os jovens e a leitura deve ser pensada de uma forma abrangente, como um desencadeamento de diversos fatores, como: históricos, culturais, sociais, políticos, econômicos e ideológicos:

Percorrer a história da leitura no Brasil é percorrer a história de um lamento. Desde os primeiros relatos sobre a presença e a utilização de materiais impressos, feitos por viajantes estrangeiros, delineia-se uma quase incompatibilidade entre a cultura local e a vida letrada. NETA ([?] apud ABREU 2001, p. 139).

A partir do trecho acima, entendemos que não se deve atribuir culpas a alguém

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que, pode ser apenas personagem desse enredo histórico. Para autora, é importante entender em que bases os estudantes se firmam para poderem afirmar se ele realmente é desinteressado pela leitura, aparenta ser ou se essa fala baseia-se em um perfil de leitor ideal ou idealizado, ou seja, aquele que lê o que a escola pede e depois responde à perguntas referidas à leitura realizada, sem um sentido maior ou com o único objetivo de garantir a nota. Uma visão idealizada, pré-construída sobre os jovens, não os reconhecem como leitores, por exemplo, pelo fato destes irem até uma banca de jornais e revistas e comprarem para leitura uma revista que fala de esportes, música, novelas, artistas. Portanto, esta compreensão desconsidera um leitor existente, um possível leitor. Em suma, entendemos que algumas ações da escola contribuem para uma maior resistência dos estudantes em relação à leitura, um forte exemplo disso, é o fato de a biblioteca ser utilizada como o 'lugar do castigo', já que os alunos sempre são mandados à ela em várias ocasiões, nas quais os deveres e as regras escolares, de modo geral, são descumpridas. Todas as vezes que os estudantes não cumprem as regras ou atividades propostas em aula é registrado e assinado por eles. Há um livro chamado “Registro de Ocorrências”, grande e de capa preta, para cada período, neles são transcritas desavenças entre os alunos, para com os professores ou qualquer intriga que estiverem envolvidos. Quando os alunos deixam de fazer as atividades com frequência, faltam muito, são indisciplinados, há uma pasta separada por ano, turma e período, onde ficam os bilhetes destinados aos pais solicitando a presença dos mesmos na sala da “Equipe pedagógica”. Muitas vezes os bilhetes vem com a assinatura dos pais falsificada pelos próprios alunos. Estes bilhetes são entregues à direção e quando os pais aparecem na escola são mostrados a eles. Com base nas observações e análises feitas nos perguntamos, será que o olhar dos estudantes sobre o papel do pedagogo na escola é o de que são portadores da moral, da ordem e dos bons costumes? Será que não é hora da escola rever o papel e a função da pedagogia? Cada professor recebe bimestralmente algumas “fichas de acompanhamento pedagógico”, para que sejam anotadas observações sobre os alunos. Estas fichas são entregues às pedagogas, auxiliando-as no diálogo com os pais dos estudantes que vão à escola para saberem de seus filhos quando os professores não estão presentes. A entrega dos boletins cujas médias são iguais ou acima de 6,0 são entregues em sala de aula para os estudantes. Já os que não atingiram a média em todas as matérias, são solicitados a presença dos pais para que as pedagogas possam conversar e explicar

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a situação em que o aluno se encontra e o porque do baixo rendimento escolar. A falta de interesse da maioria dos pais é apontada por professores e pedagogas como um dos principais obstáculos que a escola enfrenta, diferenciando-se facilmente entre os períodos: matutino, vespertino e noturno. No primeiro período a participação dos pais e responsáveis são mais assíduas. Já no segundo período, observa-se um menor interesse, tanto que há dificuldades na entrega dos boletins. No último período, a pedagoga diz que a dificuldade é muito maior e que não há o comparecimento dos pais em nenhuma solicitação, exceto no dia da matrícula. Há também uma relação com as diferenças entre as classes sociais distribuídas entre estes períodos, que deve ser levada em consideração. Na tentativa de se explicar tal realidade, Pinto, Garcia e Letichevsky (2006, p. 527 apud “PESQUISA NACIONAL QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: A ESCOLA PÚBLICA NA OPINIÃO DOS PAIS”, 2004/2005), conclui que, os pais dos alunos da escola pública brasileira, estão satisfeitos com a educação que seus filhos recebem hoje, pois a consideram melhor do que a que tiveram na época em que estudavam. Outro importante aspecto apontado pelas autoras, é o fato de a maioria dos pais atribuírem toda a responsabilidade pela educação formal à escola, o que de fato, é um problema. Mesmo que a ideia de uma maior integração com a escola seja sabida por todos, e que para que isso aconteça precisa-se de uma presença mais frequente dos pais, os depoimentos obtidos para a Pesquisa Nacional Qualidade da Educação, mostraram uma realidade distante do esperado. Provavelmente, a tendência desta situação tende a piorar, pois de acordo com o estudo realizado, “A presença dos responsáveis na escola declina à medida que o aluno vai vencendo as séries iniciais do Ensino Fundamental e alcançando a pré-adolescência” (PINTO, GARCIA E LETICHEVSKY, 2006, p. 533), sendo talvez esta, a causa da mudança comportamental dos estudantes, devido a falta de apoio dos pais em uma faixa etária em que seus filhos possuem muitas dúvidas e poucas respostas. Para o período noturno, a entrega dos boletins que não atingiram média são também entregues a eles próprios e a pedagoga conversa individualmente. Ainda nesta semana alguns alunos do período noturno tiveram que assinar o livro de ocorrências pelo fato de os boletins do primeiro semestre terem sido entregues com atraso, devido a falta de interesse dos mesmos em não participar das aulas e de não fazerem as atividades avaliativas, dificultando o trabalho do professor em fechar as notas nos tempos certos. Tanto a diferença na participação dos pais e responsáveis quanto o comportamento

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dos estudantes nos três períodos são bastante mencionados pelas pedagogas. De acordo com a pedagoga que trabalha também no período noturno, além da indisciplina, as drogas também são uma grande preocupação. Segundo ela, comumente há comentários sobre o uso e a venda de cigarros e outras drogas no pátio da escola, porém todas as vezes que esses boatos circularam entre os estudantes e chegaram na direção, buscou- se pesquisar sobre, mas não houve a comprovação dos mesmos. O uso do celular e qualquer outro aparelho eletrônico, também é proibido na escola, principalmente nas salas de aula. Além destes, balas e chicletes são repreendidos pela instituição, porém em vários momentos da observação, foram vistos estudantes fazendo uso. Muitos fazem apenas para provocar os professores, pois quando pegos em flagra, expressam-se de maneira irônica. Já o celular é comumente visto em corredores, no saguão e no pátio e da escola, tocando músicas.

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2.4 OBSERVAÇÕES DAS AULAS

A maioria das observações feitas nas salas com os estudantes em aula, foram na

disciplina de Ciências.

A primeira observação foi de uma aula de ciências, na qual a professora nos

recebeu muito bem, levando-nos até sala em que iria dar aula, 8º ano E.

Ao chegarmos, fomos apresentados à turma, nossa presença também foi

justificada pela professora e os possíveis lugares onde poderíamos nos sentar foram

indicados. Em seguida iniciou-se a aula com a chamada, enquanto isso os alunos estavam em suas carteiras com cadernos e livros abertos a espera da aula começar.

Após conferir a lista de presença, a professora marca a data da avaliação

bimestral, relembrando o conteúdo da prova que seria sobre o sistema digestório,

filtragem do sangue pelos rins e transformações físicas e químicas da matéria. Dando continuidade ao conteúdo que foi iniciado na aula anterior, “Sexo e sexualidade humana”,

a professora questionou os estudantes a respeito da forma como conceituariam sexo e sexualidade, diferenciando-os.

A participação dos alunos foi bastante ativa e eles escutavam atentamente para

poderem responder. Em um dos questionamentos, um aluno comenta que sexo esta relacionado ao gênero, feminino e masculino, a professora ainda complementa que

sexualidade e sexo são quase que sinônimos e sendo assim este também tem relação na maneira de se vestir, de andar, etc.

Posteriormente é retomado o assunto sobre sexo, a questão de onde viemos, aqui

a professora explicou ser da reprodução gerada por mãe e pai, a união de espermatozoide e óvulo que forma o zigoto. Explica que somos vencedores e por isso

temos que valorizar nosso corpo e nossa vida, esperar e pensar sobre formar uma família. Comenta que precisamos compreender as coisas da vida, amadurecermos valorizando nosso corpo e nossa sexualidade, fazer higiene para cuidar do corpo, explicando brevemente sobre a importância de fazê-la corretamente, como lavar bem as partes íntimas e também as que mais produzimos suor, a importância de tomar banho todo dia.

Em seguida, alguns estudantes relembram a tarefa da aula passada, mas antes da correção a professora dita um pequeno texto sobre o conteúdo que após o término também foi discutido. Posterior ao ditado a professora relata que a atividade sexual traz prazer e realização pessoal.

Após a leitura, a correção das seguintes questões são feitas e discutidas: atividade sexual sempre dá prazer?. Alguns alunos respondem que sim outros que não, a

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professora então diz não, explicando que deve-se considerar a questão do estupro que é crime e causa desprazeres. O sexo é perigoso?. A professora explica que pode ser sim, se a pessoa não se prevenir. Após isso a professora comenta sobre as propagandas sobre sexo, que além de falar sobre a prevenção tem o intuito de consumo. É importante ressaltar aqui, a influência que a mídia tem sobre as crianças e pré-adolescentes, de acordo com Santos e Jablonski (2003, p. 39), mesmo que os pais desejem dialogar sobre sexo com seus filhos antes que estes atinjam a maturidade sexual, ou que conversem com seus colegas, é exacerbado a quantidade de informações que os pré-adolescentes tem acesso, a mídia a que todos estamos expostos já fez o seu papel na transmissão da informação sexual recheada de clichês, estereótipos e preconceitos. Nesse sentido, os estudantes assimilam as informações na forma sensacionalista e à outros problemas citados acima, como consequência, poderão acontecer desavenças na socialização destes, frustrações em sua futura vida sexual, além de possíveis problemas com sua autoestima estritamente psicológicos. A professora fala que no início do assunto os alunos davam risadinhas, mas que agora que entendem mais sobre o assunto, levam a sério as discussões. A leitura do livro didático foi utilizado para reforçar alguns assuntos já apontados por eles, para esta leitura os estudantes são inscritos conforme suas vontades de ler. Durante um destes momentos, o nome de Freud apareceu, e a professora explicou que este foi um pesquisador das relações entre as pessoas, sobre a sexualidade que era totalmente repreendidas pela sociedade, na época de suas pesquisas. Entre meio às leituras, a professora ressalta ser interessante falar em sexo e sexualidade em três momentos: primeiro em uma conversa com os pais, em segundo, na escola e em terceiro na sociedade. Os barulhos provindos do ginásio atrapalhavam um pouco a leitura e também a aula. De maneira geral, a professora procurava sempre manter o diálogo com alunos, mantendo-os de forma participativa, ocupados com leituras, ditados, opiniões e sempre discutindo as possíveis dúvidas que surgiam no decorrer da conversa. Para aquelas perguntas nas quais os estudantes ficassem com receio em pedir em voz alta, seria feita uma dinâmica, onde uma caixinha, semelhante a uma urna, seria passada por cada um deles para que estes colocassem suas perguntas anônimas, que seriam respondidas em seguida pela professora para toda turma. Quando acabou a aula, os estudantes trocaram seus materiais, a professora

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dirigiu-se para próxima turma e nós a acompanhamos. Em seguida, a turma observada foi o 7º ano “E”, que realizaria uma prova de ciências. Nesta, também fomos apresentados aos estudantes e sentamos bem em frente a turma para que a professora pudesse organizá-los enfileirados com um espaço maior entre as fileiras. Após a entrega das provas, a professora instruiu-os para o preenchimento dos dados de identificação de cada um deles, foi feita a leitura de todas as questões da prova, além de serem orientados a não rasurarem as folhas, melhorarem a caligrafia, responderem inicialmente a lápis e somente a reposta final a caneta, ter concentração, calma e postura, pois segundo ela a coluna agradeceria. Mais que depressa avisa, que as provas seriam recolhidas apenas ao término da aula. A prova referia-se à conteúdos de botânica, sobre os seguintes grupos:

angiospermas, gimnospermas, briófitas e pteridófitas. A avaliação possuía questões básicas deste conteúdo, organizando-se em questões descritivas, com opções para relacionar conceitos, completar frases e questões descritivas. A professora caminhava atentamente entre as fileiras, enquanto que a maioria dos estudantes liam as questões, com exceção de um, que dizia não ter estudado. A este, a professora já havia se dirigido para questionar sobre o comparecimento de sua mãe na escola para resolver alguns problemas, com descaso e ironia, o aluno responde que sua mãe ainda não havia comparecido e que iria demorar. De acordo com a professora de Ciências, são realizadas em média uma prova ao término de cada assunto, isso acaba facilitando o aprendizado dos estudantes. Ainda no momento em que os estudantes realizavam a avaliação, a professora comentou com nós em voz alta para que todos escutassem, que os alunos de hoje não são mais interessados como na época em que estudávamos la, que os pais de agora não incentivam mais tanto os estudos, muitos destes são desinteressados, a maioria não comparece à escola quando solicitados e com isso ela diz “a nossa profissão está mais difícil”, comenta que só quem tem amor a ela deve segui-la, a algum tempo atrás ser professor era mais gratificante, pois percebia-se um maior empenho em relação aos alunos em querer aprender e estudar pra valer. Quando o sinal tocou, continuamos com a professora para a próxima turma no 9º ano tarde “E”. Nesta turma seriam duas aulas, uma antes do recreio e outra depois. Também fomos apresentadas e convidadas a sentar. Os estudantes estavam bastante agitados e a professora fez a chamada. Ao término da mesma, dirigiu seu olhar mais atento à sala, afirmando que o mapa da sala não estava sendo cumprido, pois

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alguns alunos estavam fora do lugar indicado a eles, ordenando a estes que se dirigissem aos lugares demarcados. Conferiu e atribuiu notas às tabelas periódicas. Em seguida, corrigiu atividades da aula anterior, frases que deveriam ser completadas com o auxílio do livro didático e o caderno, sobre assuntos que revisavam conteúdos passados desde o início do ano. Entre

meio as questões, estavam discussões sobre o sistema circulatório, respiratório e também sobre o ciclo do carbono, a maioria dos estudantes tinham dificuldades em lembrar os conteúdos, o tempo em que estes foram vistos podem ser usados para justificar o esquecimento. Após a correção, iniciou-se um novo conteúdo, “Os sons”. A seguinte pergunta foi escrita no quadro pela professora: “Por que, na cidade ou no campo os dias de vento ou de chuva são mais ruidosos que nos dias ensolarados?”

A professora propõe uma dinâmica rápida, na qual todos deveriam ficar em silêncio

durante um minuto marcado no relógio, gravando mentalmente os ruídos escutados.

Depois, todos compartilharam o que haviam escutado, inclusive a professora. Então, voltou-se a discussão sobre os diferentes sons e suas intensidades.

A aula continua com a professora contextualizando o assunto com a realidade dos

estudantes e estes também compartilham suas experiências. Tocou o sinal para o recreio,

após seu término os alunos retornaram para a continuidade da aula. Dando continuidade ao conteúdo e recapitulando alguns pontos da aula sobre “Planeta Sonoro”. Em seguida, comentou sobre um projeto interno que ela havia pensado junto com o 7º ano “E” e a direção da escola, a respeito do lixo espalhado no pátio, buscando a conscientização dos estudantes aproveitando o material reciclável. Nesta turma, a professora disse que testaria o projeto, podendo estender para os 9º anos também, e que talvez poderia-se pensar em algo para a Semana Cultural e para a Feira de Ciências na escola. Ainda segundo ela, a Geografia é uma das disciplinas que poderiam também estar inclusa no projeto, aqui achamos interessante ressaltar um importante aspecto, a interdisciplinaridade, que de acordo Fortes ([?], p.8) :

“O conceito de interdisciplinaridade fica mais claro quando se considera o fato trivial de que todo conhecimento mantém um diálogo permanente como os outros conhecimentos, que pode ser de questionamento, de confirmação, de complementação, de

negação, de ampliação, [

]”

(apud BRASIL, 1999, p.88)

A conscientização para o cuidado com o meio ambiente é bastante frisado pela

professora, informando aos estudantes que é possível reaproveitar a maioria das coisas

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jogadas fora. Em seguida, é citado pela mesma um exemplo de reutilização feita por uma indústria em Santa Catarina, que havia visitado em suas férias, na qual utiliza-se de caixas de leite revestidas interiormente por alumínio e tubos de creme dental feitos do mesmo material, para serem feitas telhas para a cobertura de casas. A professora comenta o episódio em que fez o trajeto de sua casa até a escola caminhando, contando que demorou cerca de trinta minutos. Os estudantes se surpreenderam com o tempo de caminhada, já que a professora mora consideravelmente perto da escola. Então ela responde que para podermos observar as diferentes poluições, seus autores, é preciso dispensar por um instante a correria do dia a dia e andar vagarosamente, atentando-se para o que acontece ao seu redor. Discutiu com os estudantes a respeito de alguns panfletos que haviam sido jogados por eles ou colegas no pátio da escola e pelas ruas próximas, sendo que a diretora havia passado nas salas para que os responsáveis juntassem. O exagero da panfletagem dos comércios da cidade também foi mencionado pela professora, tanto que nos sugeriu projetos relacionados para sanar este problema, pois segundo ela, sempre que nos interessamos por algum produto, vamos até a loja, pesquisamos os preços e até pegamos os panfletos na própria loja, pois além da poluição, grande parte dos panfletos são feitos com papéis de primeira qualidade, que demandam a derrubada de inúmeras árvores para sua fabricação. Também orientou os alunos a não aceitar sempre os panfletos. A professora comentou que a diretora havia pedido nas salas que a questão da conscientização e os diferentes tipos de poluição fossem mais discutidas com os estudantes. Instruiu-os a pensar nas informações que recebem principalmente na escola. Como tarefa, a professora propôs que os estudantes observassem e analisassem somente o lixo que eles próprios produziriam durante quatro dias em suas casas, atentos a que destino eles dão aos mesmos. A professora então seguiu contextualizando os diferentes tipos de poluição (do ar, água, solo, etc), enfatizando dentre elas a poluição sonora, pois é o assunto referido no livro didático. Em seguida, a professora comenta a respeito de uma reportagem sobre a limpeza da usina nuclear de Fukoshima, os estudantes ficam impressionados com o salário oferecido para tal função. Então a professora segue questionando o porque do valor ser tão alto, alguns respondem: perigo, contaminação, e a professora confirma, explicando a possibilidade de uma contaminação com materiais radioativos, mesmo estando equipados

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com os acessórios necessários para o manuseio. Outra dinâmica proposta pela professora foi a de que os estudantes colocassem as mãos na garganta e repetissem com ela as vogais para sentirem as diferentes vibrações produzidas pelas cordas vocais, em seguida liam um texto relacionado ao assunto no livro didático, mas o sinal tocou e a professora trocou de sala. Interessamo-nos muito pelas dinâmicas propostas pela professora em suas diferentes turmas, pois esta tentava quase que o tempo todo, contextualizar os assuntos trazidos também nos livros didáticos, com a realidade dos estudantes, sendo ainda possível perceber nos alunos a curiosidade e o interesse dos mesmos em seguir as orientações da professora. Observando o 6º ano D em uma aula de História. Nesta, a professora iniciou a aula com a chamada, enquanto os alunos iam abrindo seus cadernos e livros. A turma observada era bastante volumosa e agitada. A professora então solicitou que os estudantes pegassem o livro didático em determinada página, recapitulando a correção de algumas atividades da aula passada, em seguida disse para eles fazerem uma atividade do livro, onde deveriam decifrar uma frase escrita com símbolos diferentes que representavam a escrita hieroglífica ou escrita egípcia. É dito ainda aos estudantes, que eles fizessem esta atividade, respondendo da direita para esquerda como faziam os egípcios ao ler, assim os alunos iriam decifrar a frase.

A professora orientou os estudantes durante a atividade para que transcrevessem em seus cadernos, já que não se deve escrever nos livros. Ela caminhava entre meio as carteiras tirando as dúvidas dos estudantes e chamava atenção dos mesmos sempre que possível. A professora repreende os alunos quando estes leem a resposta em voz alta e repreende também um aluno que tentava copiar do colega, este a responde faltando com respeito, falando alto e a mesma o questiona se prefere ficar quieto ou ir à pedagoga. Para esta atividade foi estipulada um tempo de dez minutos e em seguida foi corrigida em conjunto. Haviam asteriscos que não estavam inclusos nos símbolos que tinham no livro, mas a professora avisou que ao final eles descobririam as letras destes também quando encontrassem as letras correspondentes dos outros símbolos. A frase encontrada foi “O Egito é uma dádiva do Nilo”. Em seguida a professora pediu que os estudantes elaborassem uma frase curta em seus cadernos, baseados no conteúdo estudado, utilizando símbolos como os egípcios. Alguns não paravam de falar, outros se empenhavam, a sugestão era que eles

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fizessem uma frase de autoria própria ao invés de copiarem do livro. Os que tinham dificuldades, a professora dava algumas ideias e novamente passava entre meio as carteiras para tirar dúvidas, parando em cada estudante para identificar possíveis erros ortográficos. Muitos fizeram rápido. Após o término, a professora deu oportunidade para todos os que quisessem falar

a frase escrita. Em seguida foram entregues as provas e foram orientados a copiar as questões erradas, meia certas e a fazerem as que não haviam sido respondidas, para serem entregues na próxima aula. Esta seria a revisão da mesma e uma recuperação sem consulta aos materiais seria marcada em uma outra aula. Alguns alunos ao receber suas provas aparentavam estar decepcionados com a

nota, já outros satisfeitos, estes em menor número, intertem-se pedindo as notas uns dos outros, esquecendo de copiar a prova e, por isso são repreendidos pela professora. A aula então acaba e a professora segue para próxima turma. Na mesma turma, 6º ano “D”, foi observada uma aula sobre religião, que se deu após o intervalo, estando os estudantes extremamente agitados, falando alto, gritando e caminhando entre a sala. O professor espera todos ficarem quietos para continuar a chamada. Ao término da mesma, é pedido que um aluno se retire da sala por faltar com respeito, em seguida, mais dois são convidados a se retirarem da sala pelo mesmo motivo, além de estarem mascando chiclete. Posteriormente, com os estudantes mais calmos, o professor inicia a aula falando brevemente sobre a história do nascimento do cristianismo, distinguindo-o de alguns pontos já estudados sobre os judeus em aulas anteriores. Ainda foram ressaltados a importância de se estudar o cristianismo, que segundo ele, uma grande porção da população mundial é cristã, tanto católica quanto evangélicos, por acreditarem em Cristo. São citados pelo professor, o fato de que os evangélicos lerem apenas o novo testamento

e não acreditarem em santos, motivos explicitados no texto que seria entregue. Uma estudante questiona a diferença entre o primeiro e segundo Testamento, o

professor a responde, e a discussão segue aí ela questiona na opinião do professor qual

é a melhor, este responde que prefere o primeiro e relata que é este que todos estão aprendendo na disciplina de História, pois fala dos povos da antiguidade. Em seguida, são entregues aos estudantes um texto chamado “O nascimento do cristianismo” de Agenor Girardi. Como o professor não conseguia falar devido ao fato de os estudantes estarem

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muito agitados, mandando cerca de seis estudantes para fora da sala, dizendo que já iria levar atividades para eles. Depois os estudantes foram orientados a ler o texto entregue, conforme eram lidos os parágrafos, havia uma pausa para discussão de alguns conceitos e esclarecimento de dúvidas. Quando terminaram de ler, o professor pediu que os estudantes copiassem em seus cadernos o texto lido, enquanto o professor se ausentou para levar atividades e conversar com a pedagoga a respeito dos estudantes mandados para fora da sala. Mesmo com atividades a serem feitas, os estudantes ficaram muito agitados, gritavam, falavam alto que não gostavam do professor e ainda alguns saíram para o corredor. Quando o professor retorna, põe ordem e explica que os colegas deles haviam saído por mau comportamento e que isso não se deve fazer, quem não se comporta é punido e uma punição não é um privilégio, assim os estudantes se acalmam e a aula segue.

Quando o sinal bate, os estudantes que estavam fora da sala retornam e a maioria dos alunos começaram a vaiar, no entanto, não entendemos se esta foi direcionada ao professor ou aos alunos que haviam retornado. Além das aulas tradicionais em salas, foi possível observar uma aula de Artes no saguão da escola. A turma observada foi uma do 8º ano. Nesta, os estudantes pintavam cartazes com pincéis e tintas guache. O tema para a confecção dos desenhos era o Surrealismo. Alguns alunos pareciam estar empenhados no desenvolvimento da atividade e se quer conversavam sobre outros assuntos que não fossem pertinentes a aula. Tanto que nem se importavam com as anotações. Nos últimos cinco minutos da aula, os alunos foram orientados pela professora a lavarem os pincéis utilizados por eles, a juntar os lixos e a guardar as tintas, enfim foram orientados a organizar e deixar o local exatamente do jeito que estava ao chegarem, mais tarde os cartazes seriam expostos no saguão. Nesse momento percebermos que a professora tinha autoridade para com os alunos. No entanto, ao término da aula, alguns estudantes dirigiram-se para perguntar o que fazíamos com o caderno de anotações, um deles até chegou a sentar-se ao lado para questionar e dar uma olhada no que havia sido anotado. Posteriormente, foi observado em um 6º ano uma aula de História. Nesta, a

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professora iniciou com a realização da chamada. Após o término da chamada, a professora pediu aos alunos que pegassem o livro em uma determinada página, na qual havia algumas questões a serem respondidas. Visto que a maioria tinha respondido, a professora então orientou a leitura de um texto do livro, onde cada aluno teve a oportunidade de ler um trecho. Este relacionava-se à civilização egípcia, mais especificamente a vida social dos egípcios e em particular a vida do faraó. Durante a leitura, a professora fazia algumas interrupções para serem feitas algumas colocações relacionadas ao tema, questionando o tempo todo os alunos. Após a leitura, a professora pediu aos estudantes para respondessem em voz alta o que tinham respondido na pergunta feita em casa. Alguns alunos pareciam não ter respondido as questões ou estavam inseguros quanto a resolução das mesmas, ficando com receio em expressar suas ideias. A professora parecia ter domínio da turma, no sentido de que a maioria a respeitava e não conversavam paralelamente durante a aula, ou talvez a presença de alguém estranho ao cotidiano deles estivesse deixando-os com receio de fazer algo que fosse anotado e que depois os comprometessem. No entanto, a professora precisou chamar várias vezes durante a aula a atenção de um determinado aluno. Em um momento da aula, ela levantou o tom de voz com ele e pediu para que parasse com as brincadeiras, senão lhe mandaria para fora da sala, o aluno ainda retrucou e a professora reforçou dizendo que ele sempre tem de ser diferente dos outros, repetindo o que havia dito anteriormente, e disse que daria continuidade à aula para seus colegas que prestam atenção na aula. Em seguida, o menino se acalmou. Depois do acontecido a professora continuou a pedir para alguns alunos, escolhidos por ela, para prosseguirem com a leitura do texto referente agora aos povos cuxitas e verbetes do deserto. Nesse momento é possível perceber a dificuldade que muitos estudantes possuem com a leitura, pois estes leem em um tom de voz baixo e gaguejam um pouco. No entanto, quando os alunos erravam a pronúncia das palavras a professora os corrigia. Um aluno que estava sentado próximo a nós desviava olhares, enquanto escrevia, na tentativa de ver o que estava sendo escrito. Em outro momento, foi observada uma aula de Ciências em um 8º ano. Chegando na sala, a professora nos apresentou para a turma explicando que faríamos observações referentes ao estágio para futuramente sermos professores. Alguns estudantes comentaram “que legal”.

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Nos sentamos ao fim da sala. A professora então fez a chamada e orientou os alunos nas atividades que iriam ser desenvolvidas durante o bimestre. Nesse momento, ela reforçou a eles que na próxima semana o caderno seria avaliado. Seguindo com a aula a professora retomou com o tema da semana passada, “Sexo e sexualidade”. Nesse momento, ela comentou que na última aula havia pego uma caixa, onde os alunos colocaram bilhetes com suas dúvidas sobre o tema. E posteriormente, a professora teria sanado tais dúvidas. Em seguida, deu continuidade apresentando uma visão histórica de como eram os namoros em tempos atrás e como eles são hoje. De certa forma, a professora desenvolveu uma fala conscientizadora. E também falou sobre liberdade sexual e a ideia de gênero. Ela discursava sobre o tema em sala sem utilizar materiais didáticos. A professora ainda falou da conquista das mulheres no mundo do trabalho, de modo a alcançar papéis sociais considerados mais “altos”. Para comentar sobre o assunto ela utilizou como exemplo a presidente do Brasil em exercício e as concelheiras do país e do município de Ampére. Após isto, a professora pedia para que determinados alunos lessem um trecho especifico do livro e depois ela comentava sobre. Na hora da leitura percebemos que os alunos ainda tinham um pouco de dificuldade com a leitura, principalmente em palavras cuja pronúncia seja um pouco complicada. No final da aula a professora passou uma tarefa de casa. E por fim, podemos dizer que ao observar a aula percebemos que a professora possui domínio dos conteúdos trabalhados e que os alunos se comportavam bem em suas aulas.

. Também foi observada uma aula de Matemática em um 6º ano. Nesta, a

professora iniciou com a chamada e disse que iria cobrar naquela aula a tabuada. No momento em que a professora disse do que se tratava a referida aula, os alunos ficaram um tanto nervosos. A professora durante a aula ia pedindo a cada aluno individualmente que falasse em voz alta a tabuada sorteada por ela. No decorrer da atividade avaliativa notamos que alguns alunos sabiam dizer corretamente a tabuada, enquanto que muitos não sabiam ou estavam nervosos. Quando um aluno errava a tabuada os colegas riam. Talvez isso também justificasse o nervosismo de muitos. Os alunos que pareciam antes ser “bagunceiros”, neste momento aparentavam inseguros para conversarem em sala. Além, de muitos desviarem seus olhares para nós.

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Alguns alunos tinham dificuldade para falar em público e então, falavam mais baixo. Um dos alunos que era considerado o “mais bagunceiro” da sala não conseguiu dizer corretamente a tabuada e pediu para a professora nos cobrar a tabuada também. A professora então adivertiu o aluno, explicando ao mesmo o que estávamos fazendo ali. Ai o educando pediu se iríamos ser professores também e ela professora respondeu que sim. Ao ouvirem a resposta da professora, alguns estudantes falaram com entusiasmo, “que legal”. Uma menina comentou para a sala que havia escrito a tabuada umas quatro vezes, a professora então comentou com os alunos que se tivessem dificuldades para estudar, deveriam buscar formas diferentes, como esta por exemplo.

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3. EXPERIÊNCIAS DA OBSERVAÇÃO É importante destacar que fomos bem recebidos por todos os integrantes da escola, pois dispuseram-se a nos informar todos os aspectos relevantes dos locais observados e de suas funções exercidas. Sempre fomos apresentados às pessoas presentes nos lugares aos quais iriamos observar e analisar utilizando-se do método etnográfico e principalmente do estranhamento. Este último aspecto foi bastante explorado e desafiador, considerando que dois dos integrantes do nosso grupo estudaram nesta escola durante quatro anos, e portanto deveriam-se olhar diferente para aqueles já frequentados espaços, deveriam-se olhar como discentes observadores. Contudo, buscamos as percepções necessárias ao estágio de um futuro lecionador que observa através destes métodos. Das integrantes do grupo que já frequentaram durante alguns anos a escola observada, estas relataram ter tido boas recordações ao caminharem pela escola, e principalmente ao sentarem n(às) salas para assistirem as aulas de seus antigos professores, neste momento segundo elas, parecia que voltavam a ser criança, porém foram nestes momentos em que deviam se policiar e retomar a consciência do motivo de estarem ali, logo o método etnográfico e o estranhamento tomavam lugar em seus pensamentos e se detinham em relatar os acontecimentos, a fala dos personagens e o decorrer dos instantes em que se faziam presentes. No entanto, conforme o integrante do grupo que não estudou na escola onde foram feitas as observações, ao chegar, pensou inúmeras vezes na maneira como seria sua recepção na mesma, pois já trabalha nesta instituição na área dos serviços gerais há algum tempo, portanto, intencionava-se em se apresentar em uma postura de um acadêmico observador e interessado no processo de estágio como uma forma de aprendizado e integração com seu possível ambiente de trabalho. Na perspectiva de que tendo um pré contato com o ambiente escolar pudesse absorver o que de bom poderia utilizar como futuro professor. Também como uma oportunidade de se familiarizar com todos os agentes que compõem a escola. Porém, enquanto discente observador, buscou distanciar-se e estranhar o máximo possível, para posteriormente efetuar interpretações e refletir mais sobre a realidade deste ambiente. Ao chegar no portão da escola, sentiu-se um pouco nervoso quanto à maneira como a mesma o receberia, apesar de muitas pessoas desta, serem seus colegas de trabalho. Porém, ao conversar com a direção e com os outros integrantes, deixou de lado seu receio ao perceber a cordialidade dos mesmos. Contudo, ainda assim se via meio

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intruso naquele espaço, não sabendo por onde começar suas observações e anotações. Ao dar início aos registros, admirou-se com a quantia de dados que poderiam ser anotados. E confessou, que antes mesmo de iniciar as observações, pensava que as horas previstas para o estágio eram demais, e logo em seguida, percebeu que esse tempo poderia ser pouco para a análise de todas as informações colhidas por todos os integrantes do grupo. Conforme relata Pimenta e Lima (2004), o tempo que os acadêmicos dispõem para a realização do estágio é pouco se for pensar na complexidade da prática profissional que eles terão de enfrentar depois de formados. Comentou ainda que, de início sentiu-se meio que escravo das anotações, mas reconheceu que se não fossem estas, não teria conseguido lembrar de tudo o que julgou ser importante e interessante para fazer posteriores interpretações. Todos os professores foram simpáticos conosco sempre que nos dirigimos aos mesmos, ou quando observamos suas aulas também dispuseram-se interessados em apurar os dados de que precisávamos para nossas anotações e dúvidas, além de nos sugerirem ideias para futuros projetos. Quanto aos alunos de modo geral, não aparentavam se importar com nossa presença, talvez por já estarem acostumados com a frequente ida de estagiários à escola. No entanto, os que eram mais curiosos se aproximavam e nos questionavam sobre o que exatamente tanto escrevíamos! Porém, de acordo com Angrosino (2009), em situações casuais em que as pessoas estão sendo observadas elas tendem a adotar comportamentos que considera adequado para que quem está observando tenha boa impressão. Juntamente com a ansiedade de entender as ações desempenhadas pelos professores, tínhamos a preocupação de entender o funcionamento da escola como um todo, como aconteciam e que tipo de relações aconteciam entre seus membros, enfim como o cotidiano da vida escolar se desenvolvia. Em alguns momentos presenciamos cenas democráticas, o que de certa forma nos satisfez emocionalmente, outras vezes percebemos autoridade e poder. Observamos ainda diálogos entre todos os personagens da escola e destes com a comunidade em que estão inseridos. Nesse sentido, mesmo com toda pluralidade existente neste espaço, pudemos observar momentos bons e complexos de uma realidade na qual futuramente faremos parte. Em suma, apesar dos desafios que ao observar detectamos, temos a certeza de que os enfrentaríamos com sabedoria, pois entendemos que a profissão docente vale a pena, pelo fato de instigar a fazer sempre mais e melhor frente ao mundo

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traiçoeiro de hoje.

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4. ANÁLISE Os desafios para compreender o comportamento e a cultura dos pré-adolescentes

e jovens da atualidade vem sendo crescentemente discutida, inclusive nas mídias. Para tal discussão, devemos tentar compreender o conceito de educação, já que para muitos

dos integrantes da escola ouvidos, esta tem sua origem em casa, com a família. Para

Gomes (2009), a educação implica inevitavelmente em uma relação social assimétrica:

A educação é a acção exercida pelas gerações adultas sobre aquelas que ainda não estão maduras para a vida social. Tem por objectivo suscitar e desenvolver na criança um certo número de estados físicos, intelectuais e morais que são exigências próprias da sociedade política no seu conjunto e do meio social ao qual está particularmente destinado. (apud DURKHEIM, 1984, p. 51)

A autoridade observada no ambiente escolar foi entre professores para com os alunos e entre outros agentes da escola, que desenvolvem funções solicitadas por outros com cargos considerados superiores. Principalmente nos horários de aula, muitos passam

despercebidos entre si, sem contato visual ou diálogo, entendemos então, que isso ocorre

devido a sobrecarga de trabalhos a serem desenvolvidos. De acordo com Marques (2011 apud TEIXEIRA, 2002, p. 22), a existência de padrões culturais nas organizações pode

ser entendida como fator de diferenciação das mesmas, quando se refere à ação e interação de seus membros. Desse modo, a cultura da escola observada se destaca entre

outras como democrática, uma vez que há o diálogo entre os membros dessa escola,

mesmo que não ocorra em todos os momentos, ainda contribui para a inserção de tais agentes escolares com a comunidade em que está inserido e este sendo estendido até os

estudantes que fazem parte do espaço cultural. No entanto, Dubet (2004) faz uma crítica quanto à escola democrática, ao

mencionar o sistema meritocrático que a acompanha, segundo ele, a meritocracia reproduz intrinsecamente conhecimentos históricos acumulados pela elite, criando necessariamente “vencidos”, alunos fracassados, menos bons e menos dignos,

denominações que o autor refere aos filhos da classe operária. Ainda na perspectiva de Dubet, mesmo que o nível geral dos alunos melhorasse muito, continuaria o problema, pelo fato de julgar continuamente o capital cultural da burguesia, como uma excelência. Nesse sentido, a tentativa de uma escola justa deve provocar uma outra questão, a de

como ela trataria os alunos mais fracos. Para o autor, apenas considera-se uma escola justa partindo da maneira de como ela trata os vencidos, sem humilhá-los, preservando

assim, sua dignidade e igualdade de princípio com os outros.

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Pelo que pudemos observar, muitos estudantes insistem em resistir à "uniformidade" das roupas, dos horários, das filas, da rotina, etc. Aparentemente, eles não aceitam entrar todos os dias, nos mesmos horários, com as mesmas roupas, todos ao mesmo tempo, enfileiradas e sentados sempre nos mesmos lugares. Mesmo que assuntos como estes sejam discutidos com alunos, ainda assim não há aceitação dos mesmos. Entre outros aspectos utilizados para o cumprimento das regras impostas pela instituição de ensino, destaca-se a vigilância dos membros escolares pelo poder disciplinador em que prevalecem os meios de coerção. Foucault (1987), fala da existência predominante de uma instituição como uma escola mútua em que estão integrados no interior de um ensino de três procedimentos claros: o ensino propriamente dito, a aquisição dos conhecimentos pelo próprio exercício da atividade pedagógica, enfim uma observação recíproca e hierarquizada. Uma relação de fiscalização, definida e regulada, está inserida na essência da prática do ensino: não como uma peça trazida ou adjacente, mas como um mecanismo que lhe é inerente e multiplica sua eficiência. Em relação à autoridade no meio escolar quanto aos professores para com os alunos, Gomes (2009), concluem que a mesma deve ser sobretudo baseada em termos morais. A autoridade pressupõe a junção do professor a um conjunto de valores e de códigos de conduta que devem ser passados para a relação educativa sob a forma de exemplos, de referências morais, que venham a ser interiorizadas pelos estudantes:

A autoridade é uma força que ninguém pode manifestar, se

efectivamente a não possui. Donde pode vir ela? Será do poder

material de que se arma? Do direito de punir e de recompensar? Mas o temor do castigo é coisa diversa do respeito à autoridade. Esse temor não tem valor moral senão quando o castigo seja reconhecido como justo por aquele que o recebe e isso implica que a autoridade, ao punir, já é reconhecida como legítima. E a questão é precisamente essa. Não é de fora que o mestre recebe

a autoridade: é de si mesmo. Ela não pode provir senão de fé

O que faz a autoridade de que tão facilmente se

reveste a palavra do sacerdote, é a alta ideia que tem da sua

missão porque ele fala em nome de uma divindade na qual tem fé de quem se sente mais próximo do que a multidão dos profanos.

O mestre leigo pode e deve ter alguma coisa desse sentido. Ele

também é o órgão de uma grande entidade moral: a sociedade.

interior. [

]

(apud DURKHEIM,1972, p. 55-56)

Por estes autores, ainda é destacado o fato de que, sem autoridade, o professor não encontra-se em condições de exercer sua missão educativa. Sem esta, torna-se impossível levar os alunos a respeitar certas regras morais. Conforme Gomes (2009 apud

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DURKHEIM,1972), na perspectiva pedagógica de Durkheim, respeito significa, necessariamente, o convencimento do carácter benéfico da regra. O respeito pela regra presume o respeito pelo professor. Contudo, o professor será respeitado pelos estudantes se fizer educação e não domesticação, se souber demonstrar nitidamente, a diferença entre autoridade e autoritarismo e se em resultado desta distinção, tomar uma linha de conduta intencionalmente educativa, que conduza os alunos a entender a utilidade do respeito por certos princípios morais. Porém, na escola nem todas as linhas de conduta seguidas pelo professor são capazes de gerar o respeito pela autoridade. Muito pelo contrário, certas maneiras de controle disciplinar podem levar a situações em que o professor perde a sua autoridade perante aos estudantes, prejudicando assim, a qualidade da ação educativa. Na busca de se tentar amenizar tal situação, é importante investir e apoiar a educação das crianças de hoje que serão o futuro de amanhã, formando-os não somente para trabalharem, mas também para serem capazes de pensar e agir dentro de seu contexto social. A escola, por ser considerada um espaço repleto de experiências, pensamentos, raças, credos, etc, deve tentar ao máximo exercitar o relacionamento saudável entre o coletivo dos estudantes frente à tantas diferenças, auxiliando-os no desenvolvimento dos valores humanos, do companheirismo, da igualdade, da justiça e da paz .

Por isso deve-se ficar atento à forma como os alunos são tratados na escola, pois se não são ouvidos pela mesma, são instigados à competitividade, individualismo e sujeitos à ações autoritárias e submissas, ou se os conteúdos das disciplinas são vagos e sem significância, talvez esta esteja fazendo o papel inverso na formação dos educandos. Quanto à análise da disciplina de Ciências contida no Projeto Político Pedagógico da escola, pudemos perceber que a esta matéria não é atribuída um discurso diferenciado das outras. Ainda, conforme este documento, há a existência de alguns projetos e ações relacionadas a ela. Porém, conforme informações atuais das gestoras, estes não são mais realizados. Contudo, há um projeto que envolve todas as disciplinas, que ocorrerá no mês de outubro de 2012, juntamente com uma noite cultural. Entre os projetos envolvidos estão: karaokê na escola, jogos inter-séries e projeto Leitura na Escola.

Projeto Festa julina interna.

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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Estágio Supervisionado I contribuiu significativamente para nossa formação inicial como futuros docentes, considerando a importância de passarmos por um processo gradual até a fase concluinte do curso de licenciatura, pois permitiu-nos uma maior proximidade com a realidade profissional dos educadores já atuantes na área e de todo o contexto escolar. Logo no início de nossas observações, sentimos um pouco de receio ao primeiro contato com a comunidade escolar, como discentes observantes. Toda via, pelo fato de termos sido bem recebidos pela escola, acabamos rompendo tais preocupações e abrimos espaço para uma visão mais ampla do ato de ensinar, para o acolhimento das práticas educativas dos professores e para maiores reflexões do processo de ensino- aprendizagem. Além, de nos possibilitar o exercício da observação, da reflexão, do questionamento e da interpretação contextualizada e social da escola, que representou nosso objeto de estudo. Por isso, ao observarmos algumas aulas, tomamos a liberdade de explorar as experiências profissionais, as dinâmicas e os conhecimentos em relação às aulas dos docentes já atuantes, atentos às suas atitudes, caminhos e ações adotadas, viabilizando um posicionamento em relação a estes aspectos, a fim de aproveitá-las futuramente ou não.

Durante o tempo em que estivemos em observação na escola, pudemos aprender muito com as didáticas e metologias dos professores, que com certeza levaremos para nossa futura atuação docente, aproveitando várias das atividades desenvolvidas. Nossas idas há escola foram muito importantes e serviram como um complemento do que havíamos estudado em sala de aula. Como é ressaltado no seguinte trecho a importância do estágio observacional contextualizando teoria e prática, conforme apontam as autoras Pereira e Baptista (2000):

Essa prática supervisionada faz-se necessária para a tomada de consciência por parte dos futuros professores de que as teorias estudadas por eles no curso de formação são fundamentais, mas em hipótese alguma, suficientes para o pleno exercício da docência. É imprescindível, assim, a imersão nos contextos reais de ensino, para vivenciar a pratica docente mediada por professores já habilitados, no caso, os orientadores dentro das universidades em parceria com os professores que já atuam nas salas de aula. (apud PIMENTA, 1999, p.2)

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Ao decorrer do estágio observacional houveram diálogos entre nós observadores e os membros da escola, caracterizamos essa interação como sendo enriquecedora para ambas as partes, uma vez que pudemos conhecer a realidade desta instituição, como esta se organiza, seus conflitos, dificuldades, quais ações desenvolvidas. Dessa forma, inúmeros conhecimentos foram contemplados com este contato entre a escola e a comunidade universitária, sem contar a importância das orientações tidas e os encontros e conversas entre nós e nossos colegas, que além de nos ser gratificante, servirá como um norte pelos próximos estágios. Durante o período das observações, percebemos que a construção do conhecimento nesta escola acontece de formas diversificadas, pois cada professor observado ensina de maneira diferente determinados conteúdos, apoiando-se em textos, livros, projetor multimídia, contraturno. Assim como o conhecimento, as práticas metodológicas também se distinguem de acordo com cada disciplina e professor, porém em menor número se comparadas às atividades teóricas. De acordo com as autoras Pimenta e Lima (2005/2006), o estágio sempre foi caracterizado como a parte prática dos cursos de formação de profissionais, em contraposição à teoria. Segundo elas, o exercício de qualquer profissão envolve a prática, no sentido de que se tende a aprender a fazer “algo” ou “ação”, inclusive a profissão de professor.

Essa contraposição entre teoria e prática não é meramente semântica, pois se traduz em espaços desiguais de poder na estrutura curricular, atribuindo-se menor importância à carga horária denominada de ‘prática’. Nos cursos especiais de formação de professores realizados em convênios entre secretarias de educação e universidades, observa-se essa desvalorização traduzida em contenção de despesas; aí, as decisões têm sido reduzir a carga horária destinada ao estágio, ou transformá-lo em ‘estágio à distância’, atestado burocraticamente, dando margem a burlas. No campo da pesquisa, essa desvalorização da prática se traduz em verbas menores a projetos aplicados, como no caso da educação. Também, com freqüência, se ouve que o estágio tem de ser teórico-prático, ou seja, que a teoria é indissociável da prática. (PIMENTA E LIMA, 2005/2006,

p.7)

Contudo, acreditamos que como futuros profissionais da educação, seremos capazes de refletir criticamente sobre nossas práticas, com atenção e paciência no decorrer de nosso processo de formação, assim, ao final do curso, assumiremos uma postura docente mais comprometida com a educação escolar, que não estava presente no início das atividades do estágio.

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Contudo, acreditamos que como futuros profissionais da educação, seremos capazes de refletir criticamente sobre nossas práticas, com atenção e paciência no decorrer de nosso processo de formação, assim, ao final do curso, assumiremos uma postura docente mais comprometida com a educação escolar, que não estava presente no início das atividades do estágio. Em suma, concordamos ser importante destacar que, apesar de terem sido feitas observações participantes na escola e análises no seu Projeto Político Pedagógico, não temos total conhecimento de até que ponto este plano educacional é posto em prática. Entendemos que não possuímos dados ou fatos suficientes que nos garantam isso, assim como ocorre em diferentes contextos da nossa sociedade, o que é “bonito no papel”, muitas vezes não representa na realidade uma efetiva aplicação.

Porém, acreditamos que a maneira como a Escola Estadual Cândido Portinari – E.F. foi pensada, condiz com a possibilidade de haver a apropriação de conhecimentos e

o desenvolvimento da capacidade dos educandos em intervir em suas realidades. Pois,

segundo Freire (1996), homens e mulheres, são seres históricos e inacabados da mesma forma que o mundo em que vivem, sendo que, historicamente aprenderam em sociedade

a possibilidade de ensinar e aprender. O autor ainda frisa que, embora o educando esteja

vinculado a prática “bancária”, ainda assim é possível aguçar sua curiosidade e buscar

sempre mais, pois esta, de acordo com Freire, é uma das grandes vantagens que os seres humanos possuem, indo sempre além do que se sabe, nunca estando satisfeitos. Tudo isso, supera os efeitos negativos do falso ensinar, que se refere á construção do aprender – comparação, repetição, constatação, a dúvida rebelde e a curiosidade insatisfeita.

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