Anda di halaman 1dari 103

COMO ADORAR O SENHOR JESUS CRISTO

Traduzido do original em inglês:

How to worship Jesus Christ

Copyright © Joseph S. Carrol

Terceira edição em português - 2003

s

Todos os direitos reservados. E proibida a reprodução deste livro, no todo ou em parte, sem a permissão escrita dos Editores.

Editora Fiel da Missão Evangélica Literária Caixa Postal 81 12201-970 São José dos Campos -

CAPÍTULO

ÍNDICE

 

Apresentação

Introdução

I.

A Coisa Necessária

II.

A Adoração Verdadeira

III.

O Coração Sincero

IV.

Apocalipse Quatro e Cinco

V.

O "Como" da Adoração

Apresentação

Após ter freqüentado um instituto bíblico por alguns anos, nossa filha mais velha fez uma afirmação profunda- mente perscrutadora. Ela disse mais ou menos o seguinte:

"Temos diversos bons pregadores dirigindo os cultos, que

nos ensinam muitas coisas relacionadas à vida cristã; coisas que temos de fazer. Mas, por que não nos ensinam como fazê-las?" Essa afirmação levou-me a reavaliar um aspecto importante do meu trabalho de professor, pregador e escri- tor. Fui desafiado a fortalecer o meu ministério no que toca

ao "como agir".

Ao ler o manuscrito do livro de Joseph Carroll — Como Adorar o Senhor Jesus Cristo — fiquei profundamente fas- cinado pelo verdadeiro louvor cristão que ele fez ao nosso Mestre e Senhor. De imediato comecei a sentir o desejo íntimo e a aspiração de querer adorá-Lo de uma forma nova.

A "realidade de Jesus" renovou-se em meu coração.

Fortaleceu-se em mim a consciência da presença do Senhor.

O autor aponta, de maneira bastante esclarecedora, al- gumas das barreiras à adoração, sem deixar-nos, todavia,

com informações pessimistas. Apresenta-nos algumas lições preciosas quanto a este assunto, advindas de personagens

tais

como Davi, Paulo e Maria. Assim, através de ilustrações,

ele

nos ensina alguns dos "como" da adoração verdadeira.

Joseph Carroll, de maneira profundamente bíblica e in- teligente, apresenta-nos o que seja a verdadeira adoração. Ele diz que a adoração é o reconhecimento do valor dAquele a quem adoramos. Ou seja, é "atribuir valor a". Assim, adorar o Senhor Jesus Cristo é atribuir valor a Ele. O livro do Apocalipse dá-nos algumas lindas ilustrações da adoração

que prestam os filhos de Deus e também as hostes celestes. E mais: lições sobre "um coração sincero para adorar" nos são apresentadas. Aqui, as ilustrações são tiradas da vida de Abraão e de alguns servos totalmente submissos do sé- culo passado. Numa belíssima exposição de Apocalipse 4 e 5, ele nos aponta para o auxílio fundamental à adoração verdadeira ao Senhor. Tem-se um vislumbe do céu, contemplando-se Aquele que está no trono, e o "Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo" (13.8). Então, ficamos com uma sensação de pasmo, admiração, e somos instruídos de maneira mais profunda quanto à verdadeira adoração. O capítulo final trata de como adorar. Que devemos fazer? Somos admoestados a prestar adoração com inteireza de coração. Temos de ter as mãos puras; nenhum pecado inconfesso. Não podemos andar nas trevas e ter comunhão com ou adorar Aquele que é luz. Não pode haver adoração verdadeira se não houver obediência. Grande parte da lite- ratura que trata deste assunto, não discute o aspecto do ' 'como adorar". Todavia, Joseph Carroll, de maneira bastante es- clarecedora, apresenta-nos alguns aspectos essenciais à prática da verdadeira adoração (tais como a utilização das Escrituras, de hinos e de livros devocionais). Ele também fala claramente dos empecilhos à adoração, culminando este assunto com uma linda ilustração de como alguém pode tornar-se totalmente absorvido pela adoração verdadeira quando tudo o que estiver acontecendo à sua volta perder a importância. Este livro deve ter ampla circulação. Pastores e líderes devem distribuí-lo livremente entre seus alunos e os mem- bros de suas igrejas. Pessoalmente, ele tem renovado minha abordagem e desejo de adoração, e estou convicto de que fará o mesmo por você, à medida em que você estiver lendo este livro.

vi

Theodore Epp

Introdução

Este não é um tratado completo sobre oração. Trata ape- nas de um dos seus aspectos. Os mestres que a ela se têm dedicado concordam, unanimemente, que o seu elemento mais importante e indispensável é a adoração.

Os jovens de hoje não querem acomodar-se a credos. Eles querem é conhecer o Cristo de que fala o credo. A adoração é a resposta-chave para a sua busca. CS . Lewis confirma esta convicção ao dizer que "é durante o processo

da adoração que Deus comunica a sua presença aos homens".

Mesmo assim, esta verdade vital tem sido bastante negli- genciada.

O amado A. W. Tozer, à sua maneira tão pessoalmente

única, nos diz que "o homem foi feito para adorar a Deus.

O Senhor lhe deu uma harpa, e disse: 'Eis que acima de

todas as criaturas que fiz, eu te dei a harpa maior. Nela, coloquei mais cordas e dei-lhe um alcance maior do que dei a qualquer outra criatura. Podes adorar-me como nenhuma

outra criatura pode fazê-lo!' Quando pecou, o homem tomou esse instrumento e o jogou na lama, onde tem permanecido

há séculos, enferrujado, quebrado, sem cordas. E o homem,

ao invés de tocar harpa como os anjos e procurar adorar a Deus em tudo o que faz, é egocêntrico e vive voltado para

si mesmo. Emburra e pragueja, ri e canta, mas, vive sem

alegria e sem adoração

evangelicalismo moderno. Somos organizados. Trabalha- mos. Temos nossas agendas. Temos quase tudo. Mas há uma coisa que as igrejas, mesmo as mais evangélicas, não têm: competência para adorar. Não temos cultivado a arte da adoração. Esta é a gema brilhante que a igreja moderna

A adoração é a gema ausente do

vii

perdeu. Creio que temos de procurá-la até que a encontre- mos". Este livro é publicado com oração no sentido de que seja usado para que termine a procura que muitos têm em- preendido de "como adorar". Duas adoradoras de Jesus Cristo, Barbara Haley e a sra. Dorothy King, fizeram um fiel trabalho de amor para que este livro se tornasse realidade. Aliás, não teria sido publicado, não fosse a sua dedicação.

viii

CAPITULO I A Coisa Necessária

I.

Introdução

II.

Lições Sobre Adoração

III.

A Paixão de Davi

IV.

A Paixão de Paulo

V.

A Escolha de Maria

Ó Jesus! Achei

descanso

em

É manancial

de

gozo

e

teu

terno

consolação.

coração;

cheguei

a

contemplar-Te,

Com a

se refulgente graça que ela em

E minha

alma

inundou

Ti ganhou.

Com

inteira

confiança

Eu descanso

mão

onipotente

em teu amor;

Tua

guarda-me,

Senhor.

Tu

Satisfazes

meus

anelos,

Supres o

sossegas

meus

que me é mister;

temores pelo

teu poder.

A Coisa Necessária

Adorar a Deus é indispensável para que sejamos pessoas adequadas. Se você não gasta tempo em

quando for trabalhar não somente será

inútil, como também será um tremendo estorvo para aqueles que estiverem ligados a você.

Oswald Chambers

adoração

Introdução

N o mundo das missões evangélicas, não há nome mais reverenciado do que o de Hudson Taylor. Homem no-

tável, foi o pai das missões modernas de fé. Sua biografia em dois volumes, escritos por sua nora, talvez sejam as duas melhores obras que já se escreveu sobre a atividade missio- nária: The Growth of a Soul (O Crescimento da Alma) e The Growth of a Work of God (O Crescimento de Um Trabalho de Deus). O que fez com que Hudson Taylor se tornasse o homem que foi até o fim da vida? Seu filho e nora, que o acompanharam constantemente em seus últimos anos, contam que muitas vezes viajavam durante muitas horas por estradas calçadas com pedras e em carroças sem molas. Chegando a uma hospedaria chi- nesa, tarde da noite, eles se esforçavam por obter um cantinho num quarto para o seu pai, uma vez que, geralmente, em tais estalagens havia apenas um quarto grande onde dormi- am todos juntos. Hudson Taylor já estava em idade avançada

Como Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

àquela época. Todavia, infalivelmente, todas as manhãs pouco antes do sol nascer, percebia-se o riscar de um fós- foro a o acender de uma vela. Hudson Taylor colocava-se em adoração a Deus. Este foi o segredo da sua vida. Dizia- -se que sempre antes do sol nascer sobre a China, Hudson Taylor era encontrado adorando a Deus. O que esse grande homem escreveu a respeito de mis- sões? Será que ele, que compreendeu seus princípios mais intrínsecos, legou-nos algum grande tratado sobre como realizar missões ou começar igrejas? Não, ele não o fez. Deixou-nos um livro bem pequeno: um comentário sobre Cantares de Salomão! Qual o segredo da vida de Hudson Taylor? Ele amou ao seu Senhor e cultivou esse amor. Afinal de contas, esse é o primeiro mandamento! E o amor só pode ser cultivado

de forma adequada se você mantiver intimidade privada com

aqueles a quem você ama. Isto Hudson Taylor preservou até o fim! Tenho tido o privilégio de ouvir a maioria daqueles que

seriam considerados os grandes pregadores dos nossos dias. Um deles, que já está com o Senhor, foi o Dr. A. W. Tozer.

O Dr. Tozer, que trabalhou durante muitos anos na cidade

de Chicago, era um homem diferente. Falava com um fres- cor e uma profundidade raros! Quando um meu conhecido, chamado a trabalhar em Chicago, chegou àquela cidade, A. W. Tozer o chamou e disse: "Esta cidade é um covil de satanás; um lugar muito difícil de se ministrar a Palavra de Deus, e você irá enfren- tar muita oposição do inimigo. Se algum dia desejar orar comigo, todas as manhãs às 5:30h eu fico à beira do lago. Venha, e poderemos orar juntos".

Por não querer incomodar o grande homem em sua busca ao Senhor, meu amigo não aceitou seu convite de imediato. Um dia, porém, estava tão atribulado, que foi cedo à beira do lago, por volta das seis horas. Ali, encontrou o servo de Deus com o rosto na areia, adorando a Deus. Desneces-

A

Coisa Necessária

13

sário é dizer que meu amigo não o perturbou. A. W. Tozer adorava a Deus, e foi um dos poucos homens a pregar de forma consistente sobre a necessidade que há de sermos ado- radores do Senhor, dizendo à igreja com firmeza que a adoração era a gema ausente em sua coroa.

Lições sobre Adoração

Cheguei à compreensão da necessidade de adorar a Deus "por acaso", como diria um incrédulo. Todavia, essa com- preensão veio por determinação divina. Nos primeiros dias do meu ministério na Austrália, tinha por costume, quando estava na cidade de Sidney, reunir-me com alguns irmãos em Cristo a fim de passarmos o dia orando. Começávamos por volta das oito horas da manhã. Como à tarde geralmente nos sentíamos cansados, orávamos em círculo. Numa tarde, quando chegou a minha vez, estava muito cansado, e co- mecei a citar o Salmo 19.1-3:

Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento

as Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som.

De repente, fui despertado pelo Espírito Santo de Deus, e comecei a derramar o meu coração em oração. Eu não tinha orado assim naquele dia. Tinha feito muitas orações, mas, esta era diferente. Quando terminei, e enquanto os ou- tros oravam, pensei muito e fiquei esperando no Senhor. O que é que eu fizera? Começara a adorar a Deus com esses versículos dos Salmos. Então, quando chegou novamente a minha vez de orar, fiz a mesma coisa, e a experiência se repetiu. Eu era despertado pelo Espírito de Deus, e me der- ramava em intercessão. Impulsionado pelo Espírito, percebi que me tivera sido apresentado um segredo riquíssimo. Um

anuncia

obras das

suas mãos.

14

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

segredo que me levaria doravante a alturas inimagináveis de comunhão com o meu Senhor. É certo que a melhor ocasião para se adorar é pela ma- nhã, durante aquele período que chamamos "hora silen- ciosa' '. Em que consiste a sua hora silenciosa? Como crente novo, nos meus primeiros anos, tinha minha hora silenciosa como um período que incluía tudo, menos calma e meditação. Na verdade, essa era a hora em que eu precisava fazer um determinado estudo da Palavra de Deus, e orar de acordo com a minha lista de assuntos para oração. Assim, a minha hora silenciosa não era realmente uma hora silenciosa. Era uma hora de estudo, intercessão e petição. Foi aí que conheci um livro pequeno sobre oração es- crito por A. T. Pierson, que conduzia o leitor a um estudo muito profundo dos ensinamentos de Jesus sobre a oração. Se você coletar tudo o que o Senhor falou sobre oração, descobrirá que ele ensinou dez lições. No instituto bíblico onde dou o nosso curso sobre oração, essas dez lições são a base de tudo. Você descobrirá, também, que não pode passar de uma lição para outra sem que realmente domine a lição anterior. Em outras palavras, você não pode passar para a segunda lição sem que conheça bem a primeira. E não pode passar para a lição três enquanto não dominar a lição dois. A primeira lição do Senhor sobre a oração encontra-se em Mateus 6.6:

Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e,

orarás a teu Pai

creto; e teu Pai que vê em secreto, te recompensará.

Ele está dizendo que ' 'a primeira coisa que você tem de fazer é ficar sozinho comigo". Um quarto é um local fecha- do. Qualquer compartimento pode tornar-se o seu "quarto", pois o quarto é o local onde se está a sós. Uma floresta pode vir a ser um quarto. O importante é estar a sós, em segredo, com o Pai.

fechada a porta,

que está

em se-

A

Coisa

Necessária

15

e "

, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em se-

creto; e teu Pai que vê em secreto te recompensará". O que

significaria essa instrução àqueles a quem o Senhor disse

estas palavras? Para o judeu, o local mais fechado de todos, e que lhe viria à mente de imediato era o "Santo dos San- tos", a parte mais interna do Tabernáculo e do Templo onde

o sumo sacerdote encontrava-se a sós com Deus uma vez

ao ano. Não tinha porta, ou luz do sol, ou janela. Era com- pletamente fechado.

O sumo sacerdote entrava nesse aposento e ficava na

presença de Deus, e não se dava ao luxo de "ficar à von- tade", nem se sugere que ele pronunciasse uma palavra sequer. A oração é algo do coração, antes de ser falada, expressa, pois Deus olha para o coração.

O sumo sacerdote ficava na presença de Deus e comun-

gava com Ele com base no propiciatório espargido com sangue, trazendo ao povo, dessa experiência de comunhão, uma mensagem. Qual a primeira lição a ser aprendida? Deve-

-se estar a sós, em secreto, em comunhão com Deus, com base no propiciatório espargido com sangue. Como podemos ter comunhão com Deus? O escritor

aos Hebreus diz que temos comunhão com Ele com base num propiciatório, ou seja, no Senhor Jesus Cristo, que é

o nosso propiciatório. Ele é o Cordeiro de Deus, o nosso

novo e vivo caminho. O caminho vivamente moído. Foi Martinho Lutero quem disse: "Parece que foi on- tem que Jesus morreu". Que foi que fez desse grande e destemido servo de Deus alguém tão dinâmico, tão eficiente? Ele tinha real consciência de que vivia e andava na presença do Cordeiro de Deus que havia sido morto por ele; Lutero sabia o que significava passar pelo sangue de Jesus e me- ditar no Cordeiro ferido de Deus. Entramos no santíssimo, na própria presença de Deus, pelo sangue de Jesus para termos comunhão com Ele, com base no propiciatório aspergido pelo sangue. Esse propicia- tório é o próprio Jesus, por cujo sangue temos entrada.

16

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Em que tal conhecimento alterou a minha hora silen- ciosa? Revolucionou-a! Ao invés de olhar para o relógio

e dizer: "tenho dez minutos para orar por todos os assuntos

desta lista", eu simplesmente me ajoelhava e meditava si- lenciosamente no fato de que eu estava na presença do

Cordeiro de Deus, e O adorava. Foi assim que a minha hora silenciosa tornou-se algo para Ele, e, não, para mim. E com

o adorar do meu coração — o derramá-lo para Ele em ado-

ração — veio a consciência poderosa da sua presença! Durante os anos que passamos no Japão tinha um ami- go com quem geralmente trabalhava. Ele tinha um Renault, um carro pequeno feito no Japão, que usava para andar em Tóquio. Naquele tempo, os japoneses queriam muito que se comprasse a gasolina que vendiam. Quando se entrava num posto, um verdadeiro exército de auxiliares se apro-

ximava do carro. Um limpava o parabrisa, o outro "olhava

a frente", outro ainda calibrava os pneus, enquanto que um outro varria o carro com uma vassoura pequena. A função

do motorista era "sair da frente" para que eles pudessem

trabalhar!

Enquanto o Julio, meu amigo, guiava pelas ruas de Tóquio, viu acender-se uma luzinha do painel e percebeu que faltava óleo no motor do carro. Quando entrou num posto e desceu do carro, o grande "exército de auxiliares" aproximou-se, lavando, secando, limpando, fazendo tudo. Ao sair do posto, lá estava a luzinha a piscar novamente! Os ajudantes haviam olhado a água do radiador, calibrado

os pneus, posto gasolina no tanque, varrido o carro, lavado

o parabrisa, enfim, feito tudo, menos aquilo que meu amigo

queria. Não será esta a sua experiência com o Senhor? Não estará você fazendo tudo, menos aquilo que Ele quer que você faça? Por que Ele nos procura? Ele o faz para que O adoremos. É isso o que diz a Palavra de Deus. Ele quer que estude- mos, que oremos pelos outros, que contribuamos para a obra missionária, que sigamos a sua direção. Mas, o que deve

A

Coisa

Necessária

17

preceder a tudo isso? Observemos a palavra importante de Oswald Chambers:

Adorar a Deus é o indispensável para que sejamos pessoas adequadas. Se você não gastar tempo em

quando for trabalhar não somente será

inútil, como também será um tremendo estorvo para aqueles que estiverem ligados a você.

adoração

Que responderia se lhe fizessem a seguinte pergunta:

' 'Qual é a coisa necessária, aquilo em que se deve realmente concentrar na experiência cristã, acima de tudo?" Se você for batista, poderá responder: "Ganhar almas". E isso é admirável. "Ganhar almas, testemunhar, trazer pes- soas para a igreja é primordial, é a coisa necessária. Se eu mantiver paixão pelas almas em meu testemunho, tudo o mais irá bem." Se você faz parte de um grupo pentecostal, poderá di- zer: "A plenitude do Espírito, o batismo do Espírito, é a coisa necessária". Se você for episcopal, poderá dizer: "A coisa neces- sária é a reverência para com Deus". Em vez de pensarmos na diferença de ênfase entre as denominações, consideremos a Palavra de Deus. Creio que podemos demonstrar, pela Palavra de Deus, aquilo que é mais necessário na experiência de todo discípulo de Jesus Cristo.

A Paixão de Davi

Lemos sobre a experiência de Davi no Salmo 27. Ele foi realmente um homem notável. Um esplêndido servo de Deus. Se você gosta de pregação, eis nele um grande pre-

gador. Se você se inspira em grandes líderes, ele foi o grande líder da nação de Israel. Se você se interessa por estratégia militar, ele foi um grande soldado. Foi o líder invencível

de Israel nas batalhas. Se você se interessa pela nobreza, ele

18

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

foi um grande rei, o maior que já se assentou no trono de Israel. Davi foi um homem esplêndido, "um homem", diz- -se-nos, "segundo o coração de Deus". Um homem maravilhoso, com muitos dons, que comandou o estado de

espírito de uma nação inteira e a levou à vitória vez após vez. Todavia, é claro, pensamos nele principalmente como

o salmista incomparável. Se você perguntasse a Davi: "Qual é a sua grande paixão? Qual a sua razão de viver? O que o fascina, Davi? Qual a motivação principal da sua vida, o seu grande ob- jetivo? Ser grande pregador, para converter pecadores?" Sua resposta seria: "D e jeito nenhum". "Bem, Davi, sua paixão deve ser permanecer invicto

nos campos de batalha; levar os seus soldados vez após vez

à vitória." "Não exatamente." "Será, então, governar como um grande rei; assentar- -se no trono?" "Ah! Não! De modo nenhum!"

"Então a sua grande paixão não é ser um grande rei?" "Não." Penso que ele poderia ter dito: "Isso é algo até secun- dário". "Secundário, o fato de você ser rei?" "Sim, comparativamente." "Então, Davi, qual é a sua grande paixão?" Temos a sua resposta no Salmo 27, verso 4:' ' Uma coisa

peço ao SENHOR

" Davi desejava apenas uma coisa. E

pronto. Se a tivesse, tudo o mais viria como conseqüência:

Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida para contemplar a beleza do SENHOR,

e

meditar no

seu

templo.

Eis a resposta, em apenas um versículo da Escritura. Havia só uma coisa que ele desejava. Mas, porque ele a

A

Coisa

Necessária

19

desejava, todas as demais tornaram-se possíveis. Tratava- -se da sua motivação primeira . É isso que move tudo o mais, que capacita que tudo funcione como deve, cumprindo o propósito para o qual foi criado. Se a coisa necessária for desejada e procurada, todas as demais "entrarão nos eixos"

e funcionarão adequadamente. Numa certa cidade do sul dos Estados Unidos, lembro- -me de, em certa ocasião, ter olhado para o relógio e pensado:

"Ainda é cedo". Uns dez minutos depois, novamente con- sultei o relógio. O mostrador apontava a mesma hora. Na aparência, meu relógio continuava inalterado: mesmos pon- teiros, mesmo estojo. Todavia, tornara-se inútil, pois deixara de funcionar como o seu construtor planejara. A máquina quebrara. Aquilo que era necessário para que o relógio fun- cionasse havia parado. Keil e Delitzsch em seu grande comentário assim se expressam a respeito da paixão de Davi:

um desejo

ardente que se expande desde o passado até o fu-

turo, atravessando, portanto, toda a sua vida. Aquilo

habitar para sempre

na casa de Jeová, ou seja, intimidade espiritual eis o desejo do coração de Davi. Ele almejava con- templar e alegrar-se (com olhar intensamente cativo, prolongado, agarrado) com a beleza (ou graciosi- dade) do Senhor.

Há somente uma coisa que ele quer

que ele procura se revela

Estou citando um comentário que é considerado pela maioria dos mestres conservadores como o melhor sobre

o Velho Testamento. E o que diz? Que a paixão de Davi

é um desejo ardente que corre desde o passado até o futuro.

Não se trata de algo momentâneo. Relacionamento íntimo, espiritual, é o desejo profundo de seu coração. Foi isso que monopolizou Davi em todos os dias da sua vida! Não é de surpreender-nos?! Davi é um homem por ex- celência, um grande soldado, rei de reis, e qual o seu desejo?

20

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Contemplar a amabilidade e beleza do Senhor. Tudo o mais torna-se relativamente acidental: ser um grande líder, grande rei, grande pregador, grande salmista. Só uma coisa importa realmente: ter comunhão íntima com Deus. Sua paixão foi ser um adorador genuíno do Senhor.

.a buscarei''. Sendo seu alvo primeiro,

E

acrescenta:

ele bem sabia que não poderia atingi-lo a não ser que o bus- casse de verdade. Nem você poderá atingi-lo, amigo. Nem

eu. Ao final de cada dia, pergunte-se a si mesmo o que você

fez com o seu tempo. Quanto dele foi separado para adorar Jesus? Você poderá surpreender-se!

É certo que adorá-Lo durante a sua hora silenciosa não

é tudo. Aliás, é só o começo. Nessa hora, você apenas afina o instrumento, para, então, viver o seu dia. Imaginamos estranhamente que, se tão somente fizermos a nossa hora silenciosa, tudo irá bem o dia inteiro; se não a fizermos, tudo vai dar errado. Mas, não é assim. A hora silenciosa deve ser feita logo cedo, mas ela é apenas o afinar dos ins- trumentos. Não se pode dizer: "Já fiz minha hora silenciosa. Agora estou em dia". Trata-se apenas do começo. É, por assim dizer, como engatar a primeira marcha do carro.

Precisamos andar em comunhão com o Senhor o dia

inteiro. C. H. Spurgeon dizia que nunca ficava sem um con- tato vital com Deus por mais de dez minutos! Não é de se admirar que o Senhor tenha usado tão poderosamente esse grande adorador do Senhor Jesus Cristo. Como o rei Davi,

C. H. Spurgeon propôs em seu coração procurar ser um

verdadeiro adorador do seu Senhor. Ninguém jamais poderá experimentar o que seja realmente adorar a não ser que se proponha a exercer sua vontade para fazê-lo.

A Paixão de Paulo

Qual era a paixão do apóstolo Paulo? Está revelada em Filipenses 3.10:

A

Coisa

Necessária

21

para o conhecer e o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos [comunhão íntima], conformando-me com ele na sua morte.

Que significa "para o conhecer"? Será que Paulo não conhecia Jesus como Senhor e Salvador? Sim, mas a sua

grande paixão era conhecê-Lo ainda muito mais intimamente.

O grande objetivo da vida do apóstolo era conhecê-Lo. O

seu grande objetivo é conhecê-Lo, também? O apóstolo foi capaz de dizer em Filipenses 3.8:

.por amor do qual, perdi todas as ganhar a Cristo.

coisas

para

Jesus era o seu alvo. Ganhar a Cristo, conhecer a Cristo, amar a Cristo, ter comunhão íntima com Cristo. Esta era a sua grande paixão! Quando não se tem isto como objetivo principal, o dever torna-se um fardo, um peso. Mas, quando Jesus Cristo ocupa o centro de uma vida, o dever é prazer! Em nossos dias, temo-nos tornado mestres no desen- volvimento de técnicas. Estamos em dias em que estimulamos

as pessoas a testemunharem. E o que acontece com freqüên-

cia? Testemunham durante algum tempo, e, depois, desis- tem. São, então, exortadas a voltar a testemunhar, e voltam

a fazê-lo, para desistirem logo depois. Por que desistem?

Já percebeu que em suas epístolas Paulo nunca nos incita a

testemunhar e nada fala a respeito de missões no estrangeiro?

Nada! Incrível! Se é preciso estar falando repetidamente às pessoas que devem testemunhar, é porque alguma coisa está errada em suas vidas. Se é preciso estar sempre inventando algo para que as pessoas se interessem pela obra missioná- ria, é porque algo está errado com elas. O que Paulo faz repetidamente? Ele está nos levando a Cristo de maneira consistente, e deixando-nos estar diante dEle. Quando Jesus ocupa o centro de um coração, qual o desejo dessa pessoa? Falar aos outros sobre Jesus. E o fará de forma eficaz! Deixe que Jesus Cristo ocupe o centro de um coração, e essa vida

22

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

sentir-se-á perturbada e inquieta porque milhões nunca ouvi- ram falar de Cristo. Sentir-se-á incomodada e será levada a fazer alguma coisa. Ela não precisa de mais exortações. Pre- cisa de Cristo. E o Cristo que morreu pelo mundo irá falar aos perdidos através dessa vida. Sem uma paixão real por Jesus, nada funciona consistentemente. Há perda de poder. Jesus Cristo ocupava o centro da vida do grande apóstolo.

A Escolha de Maria

Lucas 10.38-42:

Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir- -Ihe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te impor- tas de que minha irmã tivesse deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! andas inquieta e te preocupas com muitas cousas. Entretanto, pouco é necessário, ou mesmo uma só cousa; [Agora note bem isto. Estas são palavras de nosso Senhor: "Entretanto, pouco é necessário, ou mesmo uma só cousa;"] Maria, pois, escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada.

Somos aqui apresentados a duas irmãs muito ocupadas. Não pense que somente Marta estava ocupada. Maria tam- bém estava. Só que se concentrava num tipo de trabalho diferente. Observe com cuidado a atitude de Marta, quando o Se- nhor chega à sua casa. Atitude reveladora. "Senhor, não te importas de que minha irmã tivesse deixado que eu fique a servir sozinha? Não te importas? Entras em minha casa,

A

Coisa

Necessária

23

vês o que se passa, vês que estou fazendo todo o serviço

sozinha, e não te importas! A Maria não está movendo uma

palha!"

A primeira coisa que notamos em Marta é que ela tinha um espírito murmurador. Ou seja, ela era vítima da auto- -compaixão. Se, para o Senhor, ela reclamou, chegando a censurá-Lo, imagine o que não faria aos demais da família! Depois, ela deu uma ordem a Jesus. Corajosa, essa Marta! "Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. Dize-lhe que me ajude. Não te importas?" Que fez o Senhor? Ignorou completamente o que ela

disse. Não falou: "Marta, sei que você está muito ocupada,

e é uma pena que Maria não a esteja ajudando". Ah, não!

Ele não iria alimentar em Marta aquele monstro denomi- nado "ego" . Ele não irá alimentá-lo em nós, tampouco! Se não nos mantivermos pertinho do Senhor, cairemos, e teremos esse espírito murmurador e auto-compassivo.

Mas, que foi que Ele disse? "Marta! Marta! andas in-

quieta e te preocupas com muitas cousas". Observe a palavra "coisas", pois "muitas coisas" podem infiltrar-se na vida de uma preciosa mulher e transtorná-la! Devemos aceitar

o que o Senhor nos dá, e ficar alegres. As "coisas" podem

sufocar-nos. Era o caso de Marta. Esteja satisfeito com Ele, não com coisas. Não foi o que disse Paulo? — "aprendi

a viver contente em toda e qualquer situação" (Fp 4.11). Viva para o Senhor, e, não, para as coisas. Assim referiu-Se o Senhor a respeito de Maria: "En- tretanto, pouco é necessário, ou mesmo uma só cousa; Maria, pois, escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada". Qual a diferença entre Marta e Maria? Alguns dizem:

"Marta era colérica: ativista, o tipo de pessoa que trabalha com as mãos. Maria era diferente. Era melancólica: um tipo quieto, introspectivo, meditativo. Dois tipos diferentes. Marta tinha de ser ativa, enquanto Maria tinha de dar-se à medi- tação". A Escritura não faz tal afirmação. Que diz? Houve um

24

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

dia na vida de Maria em que ela fez uma escolha. Marta não fez essa opção. Eis a diferença. Maria escolheu. Aqui

está a diferença entre a pessoa satisfeita com Jesus e a pes- soa insatisfeita com a vida. Uma fez a escolha; a outra, não.

É comum virem mulheres a mim, dizendo: "Mr. Carroll,

sabe, eu sou como Marta. A cozinha é o meu lugar. O lar é o meu cantinho, onde cuido da família. Sou como Marta".

Respondo: "Não, senhora! A senhora escolheu ser como Marta. Deus quer que a senhora seja como Maria". Não se é levado por acaso a ser como Maria. Poder- -se-á sempre ser levado a ser como Marta. Basta "deixar as coisas acontecerem". Mulher alguma tornou-se igual a Maria por simples acidente. "Ah! o senhor não entende, Mr. Carroll. O senhor não conhece as minhas responsabilidades". Conheço-as muito bem. Tenho estado em centenas de

lares nestes quarenta anos de ministério. Certa vez, hospedei- -me na casa de uma senhora que tinha sete filhos e um marido bastante incompreensivo. Ela perdera dois de seus filhos ao nascerem. Apesar de ter uma casa grande para cuidar

e ajudar no comércio da família nas horas de folga, nunca

a vi perturbada. Maravilhava-me por perceber sempre o bom

perfume de Jesus em sua vida. Hospedando-me em sua casa durante uma conferência, percebi certa manhã por volta de cinco horas, raios de luz passando pela soleira da porta. Suavemente abri a porta do meu quarto e vi essa senhora ajoelhada ao lado do piano. Fechei a porta em silêncio. Na manhã seguinte, aconteceu

a mesma coisa, e na outra, também. Perguntei-lhe, então: "A que horas acorda para buscar o Senhor?" Respondeu-me: "Ah! Isso não depende de mim. Há muito tempo decidi que quando Ele quizesse ter comunhão comigo, estaria ao seu dispor. Há dias em que sinto que Ele me chama às cinco. Há dias em que sinto que me chama às seis. Ocasionalmente, sinto sua chamada as duas da ma-

A

Coisa

Necessária

25

nhã. Penso que seja tão somente para testar-me!" Ela sempre se levantava, ia para o banquinho do piano,

e adorava ao seu Senhor. Perguntei-lhe: "Por quanto tempo?" "Depende dEle. Quando percebo sua ordem de voltar para a cama, volto. Se Ele não quer que eu durma, simples- mente fico acordada."

Ela era a síntese da serenidade. Fizera uma escolha. Uma escolha que lhe fora difícil fazer, pois Deus tivera que arrancar um ídolo de sua vida antes que ela pudesse fazê-la. Todavia, quando Ele tirou o tal ídolo, ela passou a ser de Jesus. E somente de Jesus. Sim, amada irmã, não há desculpas. Com sete filhos, ela era uma mulher ocupada, sim, mas, nervosa, não. Eis

a diferença. Você pode ser ocupada e não ser nervosa. Ou

pode-se não ter o que fazer e ser muito nervosa. Tudo de- pende de Jesus ser o centro da sua vida.

Fomos criados para adorar Jesus Cristo. Fomos cria- dos para Ele. Para virmos a ser alguém em quem Ele Se

compraz. Para que isso ocorra tem de haver disciplina. Auto- -renúncia. Mortificação da carne. Tirar da nossa vida tudo

o que não contribui para que o grande objetivo seja atingido. No capítulo 11 de João, versículos 20 a 22, lemos so- bre a morte de Lázaro. O Senhor Jesus chega e é recebido por Marta.

Marta,

quando soube que vinha Jesus,

encontro;

Maria,

porém, ficou

sentada

saiu ao seu em

casa.

Temos aqui Marta, novamente. A mulher de ação. "Te- nho de fazer alguma coisa. Tenho de ir ao Senhor."

Disse, pois, Marta a Jesus; Senhor, se estiveras aqui não teria morrido meu irmão.

Esta é, com certeza, uma tremenda atitude de fé no Se- nhor. Estas palavras foram ditas por Marta, não por Maria:

"Senhor, se estiveras aqui não teria morrido meu irmão".

26

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

O que ela disse? "Se estivesses aqui, poderias ter salvo

o meu irmão dessa doença. Ele não teria morrido." Tre-

mendo! E vem de Marta! Ela continuou, galgando uma altura de fé ainda maior:

Mas também sei que, mesmo agora, tudo quanto pe- dires a Deus, Deus to concederá.

"Mesmo agora", ela diz,

"nem tudo está perdido".

Não é maravilhoso? Será que Marta, a mulher ocupada

e com espírito murmurador, acordou, e fez a escolha de Ma- ria? Creio que não! Pois nos versos 38 e 39 lemos:

Jesus, agitando-se novamente em si mesmo, encaminhou- se para o túmulo; era este uma gruta, a cuja entrada tinham posto uma pedra. Então ordenou Jesus: Ti- rai a pedra

Ora, a atitude de fé precisa transformar-se em ato de fé! E veio o teste: "Tirai a pedra". Não deve a atitude de fé ser seguida por um ato de fé?! Não deve a profissão ser seguida de ação?! Todos estavam reunidos ao lado do túmulo. Só uma pes- soa fala. Esta pessoa é Marta. E que diz ela, no verso 39?

Senhor, já

cheira mal, porque já

é

de

quatro dias.

Onde está a fé que Marta demonstrara?! Uma coisa é falar; outra, bem diferente, é agir. O que nos revela este incidente? Ela tivera uma expe- riência espiritual com base simplesmente nas emoções por

ter uma vida devocional sem firmeza. Guarde bem isto, pois

é um traço sempre presente na vida dos que levam uma vida

devocional inconsistente. Hoje, estão nas nuvens; amanhã, nas profundezas — personalidades instáveis e indignas de confiança. "Senhor, podes todas as coisas. Podes ressuscitá- -lo dos mortos." E, a seguir: "Não, Senhor, ele cheira mal. Não é possível".

Você é igual a quem: a Marta ou a Maria? Você precisa

A

Coisa

Necessária

27

decidir quem quer ser. Já fez a escolha pela coisa necessá- ria? por aquilo que se constituiu na paixão de Davi? Qual foi essa escolha? Davi optou por ocupar-se com Aquele a quem ele amava e buscá-Lo de todo o coração. Maria, tam- bém, escolheu a boa parte, e esta não lhe foi tirada. Grande foi a sua recompensa, pois lemos em João

12.2-7:

Deram-Lhe, pois, ali, uma ceia; Marta servia, sendo Lázaro um dos que estavam com Ele à mesa. Então Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os en- xugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse: Por que não se vendeu este perfume por tre- zentos denários, e não se deu aos pobres? Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas por- que era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava. Jesus, entretanto, disse: Deixa-a! que ela guarde isto para o dia em que me embalsamarem.

Que nos revela este incidente? A pessoa que faz a es- colha, que coloca em primeiro lugar a coisa necessária,

participa dos segredos mais íntimos do coração do Senhor.

É a essa pessoa que Ele irá falar, pois o amor exige um

amor da mesma qualidade. O Senhor Jesus nos ama de todo o coração. Ele quer

que O amemos de todo o coração, também. Enquanto não

O amarmos assim, jamais provaremos a doçura do seu amor

por nós. Teremos um conceito pálido do seu amor, apenas isso. Com quantas pessoas dividimos os segredos do nosso coração e quem são elas? Teremos intimidade com a pessoa que sabemos que nos ama, que temos certeza de que nos é fiel, que sabemos ter-se entregue a nós e a mais ninguém. Assim também é com o Senhor. Tem de haver uma resposta de amor para o amor.

28

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Maria ungiu Jesus para o seu sepultamento. Como ela sabia disso? Ele lho revelara. Ninguém mais sabia. Ela, sim. Por que Ele o revelara a ela? Maria fizera a escolha. Ela sabia o que é ter comunhão íntima com o seu Senhor, por- tanto, recebeu uma grande recompensa: a honra indizível de participar dos sentimentos profundos do coração de Jesus.

CAPÍTULO II A Adoração Verdadeira

I.

A Verdade Através da Adoração

II.

Que É Adoração Verdadeira?

III.

Dificuldades na Adoração

A. Desenvolvendo os Sentidos Espirituais

B. Firmando a Vontade

C. Mantendo as Prioridades

Deus da graça, Te adoramos

Com

reverência,

nos prostramos;

Tão somente por Jesus Cristo:

Pai,

Te

adoramos.

A Adoração Verdadeira

A

adoração é a coisa suprema. A atitude na adoração

é

aquela do súdito inclinado diante do Rei

sendo

o

pensamento

fundamental

o

de

prostrar-se,

de

curvar-se.

 
 

Campbell

Morgan

A Verdade Através da Adoração

F oi nos anos cinqüenta, enquanto eu pregava numa con- ferência para missionários nas Ilhas Filipinas que a filha

adolescente de um desses missionários veio a mim. "Irmão Carroll", disse, "amo ao meu Senhor. Nunca deixo de fazer minha hora silenciosa. Tenho uma vida de oração consistente. Todavia, o Senhor Jesus não é real para mim. Quero amá-Lo com mais devoção e servi-Lo de modo mais eficiente, mas não posso a não ser que Ele Se torne uma realidade para mim. Leio sobre os grandes heróis da fé e como eles tinham consciência da presença dEle; quero ter a mesma experiência. Diga-me, que devo fazer?"

Conversamos por um bom tempo. Alguns dias mais tarde, encontrei essa adolescente novamente. "Mr. Carroll", exclamou, "pela primeira vez em mi- nha vida cristã estou experimentando de modo consciente a presença do meu Senhor!" Anos mais tarde, numa tarde de segunda-feira, voltei para casa, depois da nossa aula bíblica no Instituto Evan- gélico, bastante cansado. Sentei-me para descansar, e fui

32

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

interrompido pela minha esposa com aquela palavra fatal:

"Telefone". "Quem é? " "Não sei. A pessoa se diz um pregador em Chicago. Parece bastante agitado. Disse que você transformou a vida dele." Fui atender. "É o irmão Carroll?" "Sim." "O senhor mudou a minha vida." "Espero que o Senhor o tenha feito!" "É claro que foi Ele. Através daquelas mensagens." "Quais?" "Aquelas mensagens gravadas sobre adoração. Muda- ram a minha vida." O que mudou a vida dele? O fato de Jesus Cristo Se haver tornado uma realidade para aquele pregador. Ele é real para você? Você anda com Ele? Conhece-O? Ele é realidade? No início da década de cinqüenta fui convidado a di- rigir uma série de reuniões numa determinada cidade do

centro-oeste. Na última reunião, que era para pastores, falei

de maneira muito singela, apresentando a mesma mensagem

que compartilhara com a adolescente nas Filipinas e com aquele pastor de Chicago. Quando voltei àquela cidade, um ano depois, encontrei-me com um dos pastores.

"Lembra-se da mensagem que pregou há um ano?", ele perguntou-me.

"Sim." "Desde então a minha igreja tem tido um novo pastor.

E eu tenho tido uma nova congregação."

Qual foi a mensagem que entreguei àqueles pregadores,

ao pastor de Chicago, e à jovem das Filipinas? Foi uma men- sagem singela a respeito de adoração — adoração a Jesus Cristo.

Que você diria? Que responderia se alguém lhe pergun-

A

Adoração

Verdadeira

33

tasse: "Que bênção advém de se adorar a Deus?" A ex- periência de C. S. Lewis, um dos grandes defensores da fé, que tem dado uma contribuição incomparável ao pensa- mento evangélico neste século, ajuda-nos a responder esta pergunta. Ele nos fala da experiência que o levou a desco- brir a primazia da adoração. Assim se expressa:

Quando comecei a aproximar-me da crença em Deus, e mesmo algum tempo depois que me fora dado crer, encontrei uma pedra de tropeço na orientação dada com tanta ênfase pelos religiosos para que ' 'louvemos'' a Deus; e ainda mais na sugestão de que Deus mesmo o exigia. Todos desprezamos quem espera uma constante apreciação das suas virtudes pessoais, inteligência ou encantos; desprezamos com mais intensidade aqueles que se reúnem em torno de um ditador, ou milionário, ou celebridade, que satisfazem a uma tal exigência. Conseqüentemente; uma figura ao mesmo tempo ridícula e horrível, de ambos, Deus e seus adoradores, ameaçava formar-se em minha mente. Neste sentido, os Salmos causaram- -me problemas de forma especial — "Louvai ao SENHOR", "Oh! louvai ao SENHOR comigo",

como se fosse dito hedionda-

mente: "O que mais quero é que se diga que Eu

que a simples

quantidade de louvor era importante: "sete vezes no dia eu te louvo" (SI 119.164). Para mim isso era extremamente confrangedor. Era de levar alguém a pensar aquilo que menos desejava. Gratidão a

Deus, reverência para com Ele, obediência a Ele, isso eu pensava que podia compreender. Mas, não esse perpétuo elogio. E a situação não melhorou quando um autor moderno falou sobre o "direito" que Deus tem de ser louvado.

Era

sou bom

e

Eparecia-me

Aqui estava o dilema de C. S. Lewis, um jovem cristão

34

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

que buscava com um coração aberto e honesto, e para quem esse assunto de louvor estava a tornar-se uma grande pedra de tropeço. Por que Deus deseja ser louvado e elogiado? Por que Ele quer ser sempre o centro de afeições e atenção? Então, ele encontrou a resposta.

Eu não havia percebido que é no processo de ado-

ração que Deus

homens.

homens

darem bois e bodes a Deus, mas o fato de que, ao

a essência do

sacrifício não era

a sua presença aos

comunica

Até mesmo no judaísmo,

realmente

o fato

de

os

fazerem-no,

Deus

Se

dava

a

Si

mesmo aos ho-

mens

"

[ênfase

minha].

 

Noutras palavras, era no ato de adoração que Ele Se tornava realidade para eles. Que descoberta maravilhosa fez Lewis tão cedo em sua experiência cristã! Preste atenção a esta afirmação impor-

tante:

a sua presença aos homens. "

no processo de adoração que Deus comunica

"

é

Que é Adoração Verdadeira?

O que é, então, adoração? O termo vem do latim para o nosso falar hodierno, "adorare", significando amar ex- tremosamente. No inglês, a idéia é de "dar valor a". Assim, adorar Jesus Cristo é atribuir-Lhe valor. Como o livro do Apocalipse é, acima de todos os de- mais, a chave que nos abre a porta à adoração a Jesus Cristo, precisamos considerar o capítulo 4.10,11:

os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante da- quele que se encontra sentado no trono, adorarão ao que vive pelos séculos dos séculos, e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as cousas tu criaste,

A

Adoração

Verdadeira

sim, por causa da

foram

criadas.

tua

vontade

vieram a

existir e

35

Aqui está adoração verdadeira! E a ordem é significa-

tiva. A primeira coisa, no verso 10, é que eles prostram-se:

"os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono". Primeiro. E tem de ser sem- pre assim. O prostrar-se fala de submissão Àquele que é

adorado. Eles "

contra sentado no trono". É essencial que observemos que há, em primeiro lugar, a submissão, e, em segundo, o lan- çar as coroas diante do trono. Nos dias em que o Apocalipse foi escrito, quando um rei era vencido pelas legiões roma- nas, ou era trazido a Roma para prostrar-se aos pés do imperador ou uma grande imagem de César era colocada diante dele, e exigia-se-lhe que se prostrasse, lançando sua coroa aos pés da imagem. Este ato significava sua submisão total; sua abdicação em favor do imperador. Assim, João, em Apocalipse 4, revela-nos os primeiros dois passos es- senciais da adoração. O primeiro é o prostrar-se; a submissão Àquele a quem se adora. O segundo, é o lançar a coroa aos pés dAquele que é adorado.

Qual a finalidade da coroa? Chamar atenção para aquele que a estiver usando. Exalta o seu portador. O verdadeiro adorador de Jesus, ao lançar a sua coroa aos pés do seu Se- nhor, está dizendo: "Quero que Tu somente sejas exaltado; que Tu somente sejas glorificado". A segunda condição, portanto, é que se tenha o desejo de viver para a glória de Cristo e tão somente dEle. A primeira condição essencial para a adoração verda- deira é submissão total. A segunda condição essencial é que Jesus, e somente Jesus, seja glorificado. Temos que satis- fazer essas condições, submetendo-nos completamente, sem reservas, a Jesus Cristo como Senhor. Em Apocalipse 4.11, encontramos os adoradores atri- buindo valor ao que estava no trono, dizendo-Lhe que Ele

prostrar-se-ão

diante daquele que se en-

36

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

é digno. Isto é adoração: reconhecer o valor d Aquele a quem adoramos.

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a gló- ria, a honra e o poder, porque todas as cousas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a exis- tir e foram criadas.

Que fizeram? Abdicaram e lançaram as suas coroas diante do trono, despojando-se a si mesmos de glória e di- zendo: "Tu és digno de receber glória; só Tu". Seguem honra e poder. São estas as três coisas que os homens bus- cam: ser glorificados, exaltados, honrados. Portanto, para que adoremos Jesus Cristo é preciso que nos despojemos de toda aspiração por glória, honra e poder, uma vez que Ele, e somente Ele, é digno de tais coisas.

O capítulo cinco do Apocalipse é um dos grandes ca-

pítulos de toda a Bíblia, se não for o maior, quanto ao tema da adoração. Observe, novamente a ordem do versículo oito:

o prostrar-se vem primeiro.

e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes

e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do

Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.

E outra vez, no verso nove, estão atribuindo valor a

Jesus Cristo. Isto é adoração.

e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de to-

mar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto

que

e

com

o

teu sangue

compraste para Deus

os

procedem

de

toda

tribo,

língua,

povo

e

nação.

Obviamente, não podemos adorar a não ser que haja total submissão dos nossos corações.

Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono,

A

Adoração

Verdadeira

os anciãos e os quatro seres viventes, e, ante o trono se prostraram sobre os seus rostos e adoraram a

Deus

(Ap

7.11).

Dificuldades na Adoração

37

Adorar não é uma coisa simples. Mas, é gloriosa! Ao

longo destes muitos anos tenho descoberto que se trata da- quilo a que o inimigo fará maior oposição — maior do que

à intercessão, maior do que à petição. O que ele não quer

é que você adore ao Senhor Jesus Cristo.

Desenvolvendo

os

Sentidos

Espirituais

Adorar não é algo simples, porque as recompensas são

imensas. À medida que aprendemos a dedicar-nos à adoração ao Senhor, Ele Se fará mais próximo e real a nós do que

o nosso melhor amigo e a pessoa amada que nos seja mais

íntima. As recompensas, na verdade, são grandes, porém,

o que causa espanto é o fato de que muito poucos adoram

Jesus Cristo. Por isso, os sentidos espirituais da maioria não

conseguem despertar para a presença dEle. Sabemos que o corpo tem sentidos. O espírito também os tem. E é por meio deles que nos tornamos conscientes da presença de Jesus. ''Deus é espírito", e só pode ser adorado por aquilo que é espiritual em nós, ou seja, pelo nosso es- pírito. Para muitos, isto é difícil, uma vez que não podemos vê-Lo com os nossos olhos, ou tocá-Lo com nossas mãos. Todavia, Ele pode ser visto e tocado através dos sentidos do nosso espírito.

Firmando

a

Vontade

Não se trata de uma questão de eu dizer: "Percebo esta verdade, e pretendo ser um adorador". Não, pois não so- mos o que desejamos ser, ou carecemos ser, mas o que nos

38

Corno

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

propomos a ser. Por conseguinte, é preciso que você firme

a sua vontade para que se torne um adorador de Jesus. Você nunca será um adorador do Senhor, se isto não se tornar um ato definido da sua vontade. Quando começar a adorar, poderá ser que atribua valor

a Ele somente para chegar à seguinte conclusão: "Não sei.

Fiz tudo certinho, mas nada aconteceu". É preciso perse- verar. Houve um homem na cidade de Detroit, um crente co- rajoso, que, preso por um incêndio no hotel onde estava, queimou-se gravemente, chegando quase a morrer. Na con- valescença, ao descobrir que ficara cego, seu único lamento era que não mais poderia ler sua Bíblia. Assim, pediu que lhe ensinassem Braille. Quando as pontas dos seus dedos,

queimadas terrivelmente mas, agora, cicatrizadas, foram tes- tadas, descobriu-se que não mais tinham sensibilidade. Testou-se, então, os dedos dos pés e os lábios. Finalmente,

a língua. Com ela, aquele homem leu a Bíblia inteira três

vezes!

Os sentidos são despertados quando fazemos uso deles. Tendo experimentado a consciência da presença de Je- sus através da adoração, temos que tomar cuidado para obedecermos aos apelos do Espírito Santo em nosso íntimo, quando Ele nos chamar à adoração. Quando, por estar sob forte pressão, tenho sido tentado a deixar de lado a adoração, que é essencial, tenho sofrido perdas em muitas áreas da minha experiência cristã. E sempre foi necessário exercer determinação da vontade para voltar atrás e entregar-me à adoração ao Cordeiro que está no trono.

Mantendo

as

Prioridades

Na tentação que o Senhor sofreu no deserto, c-nos apre- sentada a tentativa sutil do inimigo para coIocá-Lo sob seu controle.

A

Adoração

Verdadeira

39

Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto,

glória

deles,

mostrou-lhe todos os

Tudo isto te darei se, prostrado,

me adorares (Mt 4.8,9).

reinos do

mundo

e

a

e lhe disse:

Observe que Satanás usa a ordem certa. Diz: "Te darei todos os reinos e a glória deles. Tudo o que quero é que Te prostres e me adores. Isso é tudo o que desejo".

pois servimos aquele a quem adoramos. Qual

a vantagem de se possuir os reinos do mundo e sua glória se você for dominado por Satanás? O Senhor seria dono dos reinos, mas Satanás seria o seu dono. A pessoa a quem você realmente adora, irá controlar a sua vida. Até mesmo o incrédulo sabe disso. Nunca ouviu dizer: "Ela adora o ma- rido", "Ele adora a esposa", ou "Eles adoram o filho"? Tais pessoas estão dizendo é que vivem para aquele a quem adoram. Você irá servir aquele a quem adorar. Você não dependerá de incentivos, e nem precisará ser forçado a fazê- -lo.

A importância da resposta reveladora do Senhor — "Ao

Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto" — é vista

na ordem que apresenta: primeiro, adoração; depois, ser- viço. A adoração vem sempre antes do serviço.

Sabido!

E observe:

"

a Ele darás culto".

"Mas" , você poderia dizer, "eu sirvo a minha igreja". Não, você serve basicamente ao Senhor na sua igreja. Você poderá sentir-se insatisfeito com algumas coisas que aconteçam em sua igreja; mas você não pode sentir-se in- satisfeito com o Senhor. Ele o colocou na igreja onde está para servi-Lo.

Durante dez anos tive o privilégio de ministrar a gru- pos de missionários no Oriente, em campos muito difíceis. Geralmente, no início, o missionário defronta-se com obs- táculos tremendos. Por exemplo, o diabo pode dizer-lhe, se estiver servindo no Japão: "Este povo é mentiroso. Não merecem que você

40

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

os sirva. Você não deve perder a vida com gente dessa es- pécie". Ah! mas você está perdendo a vida com os japoneses como um serviço prestado para Jesus. Vê a diferença?

O apóstolo Paulo não disse: "nós mesmos como vossos

servos por amor de Jesus"? O verdadeiro missionário é sus- tentado por uma Pessoa, Jesus, que sozinho pode apoiá-lo e sustentá-lo no meio do fogo (e o obreiro, freqüentemente, está no meio do fogo). Nada além dEle será suficiente. O missionário poderá desistir, ou perder a vontade de lutar, ou voltar para casa. Mas, se conhecer o Senhor Jesus na intimidade, e o que significa adorá-Lo e servi-Lo, não será derrotado.

Quanto mais adoramos ao nosso Senhor, amando-O, servindo-O e expressando esse amor por Ele através de ser- viço prestado ao próximo, como servos seus bem dispostos, tanto mais teremos vontade de adorá-Lo e servi-Lo. Um dos segredos do serviço eficiente encontra-se em 2 Coríntios 3, versos 17 e 18, onde lemos:

Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito

do Senhor aí há liberdade. E todos nós com o rosto

desvendado, contemplando, como por espelho, a gló- ria do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor,

o Espírito.

Isto é o que Hudson Taylor chamava de "transformação pelo olhar". Transformados em quê? Transformados à mesma imagem dAquele a quem adoramos, ou seja, feitos semelhantes a Cristo. Tão simples! E, ao mesmo tempo, tão glorioso!

É o desejo do Espírito Santo que contemplemos Jesus,

que sejamos unidos a Ele, que O adoremos. E, enquanto

O adoramos, o que acontece? O Espírito de Deus vai nos

transformando à imagem dAquele a Quem adoramos. Qualquer pessoa que conheça alguma coisa sobre mis-

A

Adoração

Verdadeira

41

soes sabe que as pessoas de uma terra pagã querem ver an- tes de ouvir. Querem ver algo diferente. E não têm elas o direito de verem Jesus no missionário? Se o missionário for um adorador de Jesus Cristo, elas verão. Uma crente destacada do Japão, hoje, é uma médica que viu um missionário em cuja vida ela não poderia negar que Jesus habitava. Conhecer esse obreiro foi o início de sua sede por conhecer a Cristo. Uma das obras missionárias mais estimadas do mundo é Dohnavur, no sul da índia. Sua fundadora, Amy Carmi- chael, era admirada por todos os que a conheciam por sua determinação de sempre buscar o padrão de Deus para qual- quer coisa que fosse ser realizada em Dohnavur. Quando houve necessidade de se construir uma capela grande, depois de muita oração, ela determinou que seria edificada no centro do terreno da missão. Deveria ter duas torres. Incomum! Uma torre, sim. Mas, por que duas? O Senhor tinha uma razão muito clara para tal. A torre da frente da capela deveria representar a adoração. A torre do fundo, representaria o serviço. A qualquer hora que aquelas duas torres fossem vistas, deveriam lembrar a todos que a ado- ração vem antes do serviço. Amy Carmichael trabalhou durante quarenta anos sem voltar à sua terra em gozo de férias. Não é de admirar que Deus tenha abençoado tão singularmente a literatura de Doh- navur. Você poderá lembrar-se daquele famoso incidente que ocorreu na vida de Isaías. E-nos dito que no ano em que morreu o rei Uzias ele viu o Senhor sentado num alto e su- blime trono. Viu também serafins adorando ao Senhor. Cada um tinha seis asas: com duas cobriam a face, com duas co- briam os pés, e com duas voavam para levar avante a vontade dAquele a Quem adoravam. Fico a pensar por que não vo- avam com as seis asas? Se fossem dadas seis asas à maioria dos crentes de hoje, que fariam? Voariam o mais rápido que pudessem! Para onde?

42

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Ah! Não, quatro delas são para preparar para a adoração; somente duas para executar o serviço. A adoração Aquele que estava no trono preparava os serafins para realizarem serviço veloz e obediente. A or- dem é sempre a mesma: adorar antes de servir.

CAPÍTULO III O Coração Sincero

I.

Adoração de Coração

A. Que É o Coração?

B. Que É um Coração Sincero?

II.

A Rendição de Abraão

A. Seu Coração

B. Seu Serviço

C. Seu Altar

III.

Servos Que Renderam-se

A. D. L. Moody

B. Dr.

Graham Scroggie

C. F. B. Meyer

Cada

coração

procura

Onde

possa

descansar,

Mas

descanso

verdadeiro

Só Jesus

o pode dar.

O Coração Sincero

É preciso que haja adoração no altar do íntimo,

é

que

deve

haver serviço

eterno.

se

Maclaren

Adoração de Coração

E m minha primeira visita ao Japão fui convidado para falar numa reunião que se realizava bem próxima ao

Monte Fuji. Eu ouvira falar muito sobre ele e estava ansioso por ver essa montanha enorme que os japoneses cultuam. A caminho do local das conferências, o diretor da missão falou-me sobre o Fuji, dizendo: "Do lugar onde se reali- zam as nossas reuniões tem-se possivelmente a melhor vista da montanha em todo o país. A hora de contemplar o Fuji é o amanhecer. Levante cedo, e você terá uma visão esplên- dida".

Havia uma cerração parada quando chegamos, de forma que nem podíamos pensar em ver ao menos um pedaço do Fuji naquela tarde. Todavia, o diretor assegurou-me: "Le- vante cedo, e você verá o Fuji em todo o seu esplendor".

Assim, na manhã seguinte levantei-me bem cedo. Olhando pela janela, tudo o que pude ver foi neblina. Aquele dia inteiro foi de cerração ali onde estávamos reunidos. Não havia nem sinal do Fuji. A montanha estava bem ali, mas eu não podia contemplá-la.

Ele me respondeu:

Quem sabe amanhã

"

"Paciência, Joe, tenha paciência.

46

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Na manhã seguinte, a mesma coisa: nada, além de ne- blina! Estava quase desistindo quando, no último dia da reunião levantei-me, agora não tão cedo, e olhei pela janela. Vi, então, o Fuji: magnífico; um cone coberto de neve! Contemplando-o, imóvel, compreendi porque os japoneses cultuam-no. O Fuji estivera sempre ali, todavia, eu não pudera vê- -lo. A neblina precisava ser retirada. Deus está sempre presente quando O adoramos. Você, entretanto, poderá desejar vê-Lo em sua glória, beleza e ma- ravilha, sem consegui-lo. Por quê? Se houver uma certa

a cerração de um coração insubmisso, não ha-

verá como aproximar-se dEle de forma aceitável. Certa princesa, membro da família real, foi um dia vi- sitar sua avó, uma dama da realeza. Entrando na presença da avó como um raio, pulou em seu colo. Sua avó colocou-a imediatamente no chão e lhe disse:

"Entre, agora, como uma princesa deve fazê-lo". Assim, a princesinha disciplinada entrou, fez a corte- sia, e solicitou permissão para assentar-se no colo da vovó. Há um modo correto de alguém aproximar-se de Deus. Qual é? Lemos em Hebreus 10.22:

cerração

aproximemo-nos;

com

sincero

coração

Aproximarmo-nos com um coração sincero é a primeira condição para podermos ir a Deus em adoração aceitável. Podemos honrá-Lo com os nossos lábios; quanto a adorá- -Lo, fazemo-lo com o coração. A adoração verdadeira vem do coração. Em Mateus 15, versículos 7 e 8, o Senhor revelou de maneira bem clara porque as pessoas do tempo de Isaías eram hipócritas, ou atores. Disse:

Hipócritas!

dizendo:

o

bem profetizou

Isaías

a

com

coração está longe de mim.

Este povo

honra-me

seu

vosso

respeito,

os

lábios,

mas

O

Coração

Sincero

47

Que acusação! Que faziam? Tinham uma confissão de fé, mas não assumiam um compromisso com o Senhor. É preciso comprometer-se, comprometer-se de coração, para que haja adoração aceitável.

Que

é

o

Coração?

Quando a Escritura fala do coração, o que nos ensina? Consideremos as três primeiras referências ao coração que se pode encontrar na Bíblia:

(1) Gênesis 6.5:

Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração

Quando falamos do coração, falamos do intelecto: "os desígnios do coração". (2) Gênesis 6.6:

então se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração

Quando as Escrituras falam do coração, falam não só

do intelecto mas, também, das emoções. emoção. (3) Gênesis 8.21:

E o SENHOR aspirou o suave cheiro, e disse consigo mesmo: Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do ho- mem desde a sua mocidade: nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz.

Deus, o Senhor, disse consigo mesmo, isto é, em seu coração: "Não tornarei". Em outras palavras, o coração é aquele centro, em nosso íntimo, onde três coisas estão sendo constantemente orien- tadas: o intelecto, as emoções e a vontade.

O pesar é uma

48

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Handley Moule, o grande erudito evangélico, tem o se- guinte a dizer sobre o coração: "É o órgão da personalidade" (ou seja, do intelecto, das emoções e da vontade).

Que

é

um

Coração

Sincero?

sabemos, pela Bíblia, o que é o coração. Mas, o que é

um coração sincero? A não ser que compreendamos qual seja essa condição e a satisfaçamos, não poderemos aproximarmo- -nos de Deus de forma aceitável. E não poderemos experi-

mentar o que seja adoração verdadeira. Não estou dizendo que não poderemos ir à presença de Deus. Poderemos. To- davia, não O adoraremos da maneira como Ele quer que O adoremos. Cumpriremos um ritual. Só isso. Temos visto bem claramente, pela Palavra de Deus, que o primeiro passo na adoração é o prostrar-se, o submeter-se. Temos que ter um coração sincero quando nos aproximamos de Deus para adora-Lo. Sem isso, nossa adoração será inaceitável.

O bispo Westcott, que escreveu um comentário clássico

da epístola aos Hebreus, tem o seguinte a dizer sobre um coração sincero: É "um coração que exprime completamente a devoção à pessoa a Deus. Não há um compromisso dúbio. Não há reserva nos sentimentos". Trata-se de uma auto- -rendição completa da personalidade, ou seja, do intelecto, das emoções e da vontade.

Outro grande erudito que nos tem legado um comentá-

rio clássico de Hebreus é Adolph Saphir. Ele diz: "Que se

quer dizer ao falar-se em coração sincero?

Somente um

coração completo é sincero

O coração sincero nunca está

satisfeito consigo mesmo, mas sente-se em paz, satisfeito porque Jesus é tudo". Andrew Murray, que talvez nos tenha legado o melhor comentário devocional da epístola aos Hebreus, assim fala sobre o coração sincero:

O coração é o poder central em a natureza humana.

O

Coração

Sincero

o nosso

íntimo tem de estar verdadeiramente rendido a Ele É somente quando o desejo do coração está voltado para Deus, quando o coração inteiro está a buscá- -Lo, devotando o seu amor e encontrando nEle a sua alegria, que o homem pode aproximar-se de Deus.

Tal como é o coração, assim é o homem

49

Talvez isso o leve a pensar: "Que esperança haverá

para mim? Poderei ter um coração sincero? Poderei pren- der os desejos do meu coração ao Senhor? Será que poderei buscar a Deus com todo o coração, devotando-Lhe amor

e encontrando nEle a minha alegria?". Se você buscar de todo o coração ter um coração sin-

cero, terá! Trata-se de uma decisão inteiramente sua, pois

o Deus que chama é o mesmo que capacita. Ele habita em

você por seu Espírito exatamente para satisfazer as exigên- cias que Ele mesmo faz. Com toda a certeza, sem a capaci-

tação do Espírito, é impossível ter-se um coração sincero. Porém, sob o controle do Espírito, você será levado exata- mente a experimentá-lo.

A Rendição de Abraão

Em Gênesis, capítulo 22, lemos da grande entrega de Abraão. Vejamos, portanto, com muito cuidado, o que é que ele entrega. Gênesis 22.1,2:

Depois dessas cousas pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão. Este lhe respondeu: Eis-me aqui. Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.

Deus não falou para ele tomar Isaque e oferecê-lo como holocausto, mas:

50

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

 

Toma

teu filho,

teu

único filho,

Isaque,

a quem

amas,

e

oferece-o

ali

em

holocausto,

sobre

um

dos montes,

que eu

te mostrarei.

 

Que disse a Abraão? "Você tem de matar Isaque. Tem

de

oferecê-lo em holocausto. O seu único filho, a quem você

ama, você deve colocar no altar." Que prova! Será bom lembrarmos que quando Deus prova alguém é porque de- seja abençoar essa pessoa. Esta prova será muitíssimo severa, mas, se Abraão for aprovado, a bênção virá não somente sobre ele, mas sobre multidões.

Seu

Coração

Antes que Abraão possa obedecer, terá de entregar três coisas. A primeira é o seu intelecto. O pedido que Deus lhe fez não tem sentido. É um desafio à razão. Por quê? Isaque é o filho da promessa. É o filho-milagre. Tudo de- pende dele. E agora Deus manda que seja morto! É certo que Deus irá ressuscitá-lo. Mas, por que matá-lo, se Ele irá ressuscitá-lo? Não faz sentido. Assim, a primeira coisa que Abraão tem de entregar é o seu intelecto. Abraão tem de render-se ao imperativo de Provérbios 3.5:

Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.

Este é um mandamento de Deus. Um mandamento que devemos manter à nossa frente nestes dias em que estamos tão propensos a depender da nossa capacidade intelectual, daquilo de que o homem é capaz por causa do treinamento intelectual que recebe, propensos a tornarmo-nos vítimas

de

um humanismo sutil, totalmente centralizado no homem.

O

intelecto tem de submeter-se. Este é o primeiro passo.

Qual a próxima entrega? Abraão precisa entregar seus afetos, seus sentimentos. Ele amava Isaque, de maneira que tinha de render suas emoções.

O

Coração

Sincero

51

E, finalmente, Abraão precisa submeter sua vontade. Ele precisa querer fazer a vontade de Deus em vez de que- rer fazer a sua vontade pessoal. Resumindo, o que é que Deus está pedindo que Abraão faça? Está pedindo-lhe que submeta seu coração — o inte- lecto, as emoções e a vontade — de maneira que possa fazer a vontade de Deus. Eis a prova. Será que Abraão será apro- vado? Trata-se de uma prova para nós, também, pois nos ensina sobre a morte da nossa vontade de maneira que ve- nhamos a realizar o que Deus quer. Com toda a certeza, se havia uma coisa que Abraão desejava, era que Isaque fosse preservado. Oferecer o seu filho, o seu único filho, a quem ele amava? Tudo, menos isso! Mas, que fez Abraão? Reuniu os amigos e disse: ' 'Pre- cisamos fazer uma reunião de oração. Preciso buscar ao Senhor por causa de uma grande decisão que tenho que to- mar"? Nada disso! "Levantou-se, pois, Abraão de madru- "

Ele se levantou em obediência imediata, indiscu-

tível, e resoluta à vontade revelada de Deus. Quando Deus fala, não temos de orar. É verdade que podemos pedir graça, mas não temos de orar pedindo-Lhe orientação. Quando foi que você submeteu o seu coração ao Senhor? Submissão do intelecto e das emoções sem a submissão da vontade não é submissão. Quando foi que você rendeu-se totalmente ao Senhor? Você tem um coração sincero? É isso o que Ele deseja, e é isso o que Ele tem de receber. Trata-se de um grande imperativo.

gada

Seu

Serviço

Gênesis 22.3-5:

Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos, e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto, e foi para o lugar que Deus lhe havia

52

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

indicado. Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe. Então disse a seus servos: Es-

com o jumento; eu e o rapaz iremos até

perai aqui,

lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós.

Observe três coisas que devem caracterizar todo ser- viço para Deus. Abraão foi em obediência à vontade revelada de Deus. Não podemos escolher o nosso trabalho. Deus revela-nos, pelo seu Espírito, o que Ele quer que façamos.

Nossa resposta deve ser obediência indiscutível e resoluta. Observamos, a seguir, que ele foi adorar. Finalmente, que ele foi em fé. Três coisas: ele foi em obediência, foi para

adorar, e foi em fé. "

vendo adorado, voltaremos para junto de vós." Ele irá oferecer Isaque. Sim, mas crê que Deus irá ressuscitá-lo dentre os mortos porque Ele é fiel à sua palavra. Que fé! Será que também cremos na Palavra de Deus dessa forma? Será que cremos que o que Ele diz é a verdade, ainda que seja necessário ocorrer um milagre para que ela se concretize?

u e o rapaz iremos até lá e, ha-

e

Seu

Altar

Gênesis 22.6-9:

Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho, ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim caminhavam ambos juntos. Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho. Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos. Che- garam ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha;

O

Coração

Sincero

53

Chegaram ao local designado por Deus e, lá, Abraão

construiu um altar. Poderá tê-lo edificado com mãos trêmulas

e lágrimas a correr-lhe pela face. Mas ele o fez. Antes que

adoremos a Deus de forma aceitável, temos de fazer a mesma coisa. Teremos de construir um altar com as nossas próprias mãos; com as mãos do nosso coração. Mas, não iremos co- locar Isaque sobre esse altar. Colocaremos a nós mesmos, como holocausto, para sermos consumidos totalmente para

a glória de Deus. Abraão construiu um altar e, quando ter-

minou, colocou ali aquele a quem amava: seu único filho.

Gênesis 22.10:

e,

estendendo a

mão,

tomou

o

cutelo para imolar

o

filho.

Chegou a hora. O altar está pronto, e a oferta prepa- rada. Ele levantou o cutelo. Que aconteceu? Gênesis 22.11-18:

Mas do céu lhe bradou o Anjo do SENHOR: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui. Então lhe disse:

Não estendas a mão sobre o rapaz, e nada lhe fa- ças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto

não me negaste o filho, o teu único filho. Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão

o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar

de seu filho. E pôs Abraão por nome àquele lugar

— o SENHOR proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do SENHOR se proverá. Então do céu bradou pela segunda vez o Anjo do SENHOR a Abraão, e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o SE- NHOR, porquanto fizeste isso, e não me negaste o

teu único filho, que deveras te abençoarei e certa- mente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar;

a tua descendência possuirá a cidade dos seus ini-

54

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

migos, nela serão benditas todas as nações da terra:

porquanto

obedeceste

à

minha

voz.

por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto " "Isso? " Que foi que ele fez? Rendeu o co-

fizeste isso

ração. Abraão fizera muitas coisas. Deixara a sua terra, a sua parentela. Tornara-se um peregrino na face da terra. Tornara-se um morador de tendas. Fizera muitas coisas. To- davia, tudo o que fizera no passado estava a encaminhá-lo para esta grande entrega. Chegara o teste. O grande teste.

Jurei "

"

Porquanto

fizeste isso

tua

descendência

serão

ben-

ditas todas as nações da terra

"

Que bênção! Eis um homem

de coração sincero! E todas as nações da terra são abenço- adas por seu intermédio!

Servos que Renderam-se

Estando na América do Sul para uma conferência, o líder de certa missão contou-me que havia conversado com o di- retor de uma escola bíblica bastante conhecida, e dissera-lhe:

"Os senhores não estão mais fornecendo-nos missionários do quilate daqueles que antigamente vinham da sua escola". O diretor deu uma resposta muito simples: "Não estou recebendo alunos da mesma qualidade dos antigos". Por quê? É porque temos enfraquecido a exigência de Deus. Somos especialistas em estatísticas (o que, aliás, é um procedimento secular), ao passo que o Senhor quer in- teireza de coração, pois ninguém pode ser cheio do Espírito ou adorar a Deus convenientemente a não ser que tenha um coração assim. Que o homem se renda ao Espírito de Deus à medida que Ele atuar em seu íntimo para formar nele um coração sincero, e Deus irá abençoar uma multidão por seu intermédio.

D.

L.

Moody

Qual foi o segredo da vida de D. L. Moody? Certa vez,

O

Coração

Sincero

55

ouviu um homem dizer:' 'O mundo está para ver o que Deus pode fazer através de um homem totalmente rendido a Ele''. Uma afirmação extremista, pois Deus tem tido muitos ho- mens totalmente submissos a Si. Mas, D. L. Moody decidiu: "Pela graça de Deus, eu serei esse homem". Todos nós sabemos quanto Deus usou D. L. Moody. Terá sido pelo fato de ele ter sido brilhante, talentoso, edu- cado, um homem com dons tremendamente grandes? Não. Foi porque ele era um homem cujo coração era totalmente do Senhor, dando provas da verdade expressa em 2 Crô- nicas 16.9:

Porque, quanto ao SENHOR,

toda a terra, para mostrar-se forte para les cujo coração é totalmente dele

seus olhos passam por

com aque-

Não se trata do que podemos fazer para Deus: trata-se do que Ele fará por nós e através de nós quando o nosso coração for totalmente seu. Ele está à espera de homens as- sim. Ele está à espera de mulheres assim. E quando encontra homens ou mulheres tais, mostra-Se forte para com eles. Nunca nos esqueçamos de que não se trata do que podemos realizar para Deus: Ele é glorificado naquilo que Ele espera fazer em nós e através de nós. Temos de tornar os nossos corações totalmente dEle. É preciso que haja aquele altar em nossas vidas sobre o qual tenhamos lançado o nosso in- telecto, sentimentos e vontade, a fim de sermos um homem de Deus, uma mulher de Deus se é que Ele poderá usar-nos como seus servos provados e aprovados.

Dr.

Graham

Scroggie

Estava presente à famosa Keswick Convention, na In- glaterra, no início da década de 50, quando as pregações bíblicas eram feitas pelo Dr. Graham Scroggie. Expositor erudito, entregava suas mensagens com grande poder. Po-

56

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

rém, mais do que a mensagem, a pessoa dele era impres- sionante: sua veemência, o amor óbvio que sentia por Jesus, sua capacidade aguda de compreender as Escrituras. O que mais me impressionava era ver que o Espírito de Deus fa- lava por meio daquele homem.

Ao concluir uma mensagem, deu uma palavra de tes- temunho pessoal. Certa ocasião, enquanto pregava, fora subitamente tomado por uma enfermidade. A doença per- sistiu, e ele consultou o médico, pedindo-lhe orientação. Feito

o diagnóstico, o médico informou-lhe que só iria sarar se

deixasse de pregar. Não havia cura, caso continuasse pre- gando. Em seu dilema, clamou ao Senhor e sentiu-se orien-

tado a pedir conselho a Gratten Guiness, um amigo chegado

e confiável que morava na Irlanda. De seu amigo recebeu uma carta incomum, orientada

pelo Espírito. "Scroggie", disse, "você já se rendeu ver- dadeiramente a Jesus Cristo?" Que pergunta para se fazer

a um pregador famoso! Todavia, trata-se de uma pergunta

importantíssima, que deve ser feita a qualquer um. Scroggie respondeu: "Sim, de modo geral". E lá veio outra carta do seu amigo: "Faça-o de maneira específica e voluntária". Scroggie foi novamente buscar ao Senhor, e, na calma da sua presença, foi tomado por uma convicção profunda. Descobriu que estivera vivendo para a arte de pregar; para tornar-se famoso como pregador, e isso entristecera ao seu Senhor. Assim, em lágrimas, rendeu-se de forma voluntá- ria e específica, para que pudesse tornar-se um homem de Deus, e não de Scroggie. Foi curado, continuando a pregar por muitos anos com grande poder.

Quando foi que você rendeu-se a Jesus Cristo? A sua res-

posta poderá ser a mesma de Scroggie: "Bem

rendi-me de

modo geral". Faça-o voluntariamente. Especificamente. De uma vez por todas. Você precisa desistir dos direitos que tem sobre si mesmo. Seu intelecto, seus sentimentos e sua vontade têm de submeter-se de forma voluntária e específica.

O

Coração

Sincero

57

F.

B.

Meyer

F. B. Meyer, outro dos grandes mestres da Bíblia em

seus dias, foi usado poderosamente não só na Inglaterra, mas pelo mundo afora. Era muito talentoso, e tinha uma inteligência brilhante. Jovem de sucesso, foi a uma reunião de despedida ofe- recida a certo número de formandos da Universidade de Cambridge que partiam para a China. Esses jovens recebe- ram a alcunha de "Os sete de Cambridge". Um deles era um rapaz chamado Charlie Studd, que era o esportista mais famoso da Inglaterra. (O capitão do time inglês de Críquete

sempre foi considerado o esportista mais importante do país.) Ele dava, agora, as costas ao mundo dos esportes para ir

à China com a Missão do Interior da China. Naquela tarde, F. B. Meyer ouviu-o com muito inte- resse, enquanto ele dava seu testemunho. Não foi tanto o que F. B. Meyer ouviu, mas, o que viu e sentiu que o impres- sionou, uma vez que ficou bem claro que C. T. Studd era um homem totalmente entregue a Jesus Cristo. Uma frase dita por C. T. Studd certa ocasião resume toda a sua pes- soa: "Se Jesus Cristo é Deus, e morreu por mim, não haverá sacrifício que seja tão grande que eu não possa fazer por Ele". Após a reunião, F. B. Meyer foi a Charlie Studd e disse- -Ihe: "Percebe-se claramente que você tem algo que eu não tenho; algo de que eu careço. O que é? " C. T. Studd, à sua maneira bem direta olhou firme- mente em seus olhos e perguntou: "Você já rendeu tudo

a Jesus Cristo?"

F. B. Meyer pensou um pouco e respondeu: "Sim, já" .

Todavia, uma pequena voz interior lhe dizia: "Não; ainda não". Sentindo-se profundamente perturbado, foi para casa, correu para o quarto, caiu de joelhos, e começou a orar. Ele conta que, enquanto orava, parecia-lhe como se o Se-

58

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

nhor viesse a ele e dissesse: "Meyer, quero todas as chaves do seu coração". F. B. Meyer começou a arrazoar um pouquinho com o Senhor: "Todas as chaves?" "Sim, Meyer, quero todas as chaves." Então, F. B. Meyer tentou enganar ao Senhor, tomando um molho de chaves e entregando-Lhe. Mas, não se pode tapear o Senhor. E faltava uma chave. F. B. Meyer conta que pareceu-lhe que o Senhor tomou o molho e começou a contar as chaves cuidadosamente. Ao terminar, olhou para ele e disse: "Falta uma chave, e, se não posso ser Senhor de tudo, simplesmente não posso ser Senhor de nada". E virou-Se, como que para deixar o quarto. Em seu dilema, F. B. Meyer clamou: "Não vá, Senhor! Por que está indo embora?" Novamente lhe veio a palavra: "Se não posso ser Se- nhor de tudo, simplesmente não posso ser Senhor de nada''. "Mas, Senhor, é apenas uma chavezinha, uma área bem pequena do meu coração." E novamente lhe veio a palavra: "Se não posso ser Se- nhor de tudo, simplesmente não posso ser Senhor de nada". Em desespero, F. B. Meyer entregou aquela última chave. E o que aconteceu? Tornou-se um homem controlado pelo Espírito, que veio a ser uma bênção para multidões incontáveis. Ainda hoje os seus ótimos hinos falam em mui- tas línguas. Esta fora a crise da sua vida. Tivera de construir um altar e colocar F. B. Meyer sobre esse altar. Todas as cha- ves tiveram de ser entregues.

Archibald

Brown

Nos dias de C. H. Spurgeon houve outros pregadores famosos, e um deles foi um homem chamado Archibald Brown. Pregador talentoso, mas que não se tornou grande enquanto o Espírito de Deus não começou a trabalhar em

O

Coração

Sincero

59

seu coração: a partir daí é que certas coisas começaram a acontecer em sua vida. Uma noite, em seu escritório, Ar- chibald Brown sentiu-se muito perturbado. Deus estava falando com ele. Sentiu-se tão perturbado que, ao chegar ao topo da escada, tropeçou e caiu. Quando conseguiu recuperar-se, ao pé da escada, percebendo que Deus lhe fa- lara, exclamou: "Qualquer coisa, Senhor!" E veio-lhe a resposta: "Não qualquer coisa, mas, tudo". Foi isto o que transformou Archibald Brown, fazendo com que deixasse de ser simplesmente mais um bom pregador, para ser um grande pregador. Nem todos somos chamados para sermos pregadores, mas todos precisamos de um coração sincero para adorar- mos a Deus, pois a adoração é a arte maior da qual o homem é capaz no reino espiritual, e é a preparação necessária para que se realize qualquer trabalho. Que é um coração sincero? É um coração quebrantado, morto para o ego, e entregue a Deus.

CAPÍTULO IV Apocalipse Quatro e Cinco

í.

Exposição de Apocalipse Quatro

A. Visão de Deus

B. Visão do Trono

C. Adoração a Deus

II.

Exposição de Apocalipse Cinco

A. Aquele que É Digno

B. Descrição dAquele que É Dig:

C. Três Grandes Coros

De

nosso

cordial

louvor,

Do

mundo

inteiro

ser

Senhor,

Da

adoração

dos

altos

céus,

És

sempre digno,

Cristo,

Deus!

Entronizado

que

com

o

alma

Pai,

Aquele

nossa

atrai,

De gozo a fonte,

luz do

céu,

Eis

o

Cordeiro

que morreu!

Apocalipse Quatro e Cinco

Revelação

e

adoração perfazem

a

base

de

tudo.

 

Griffith

Thomas

U ma compreensão clara dos capítulos 4 e 5 de Apocalipse é auxílio essencial à verdadeira adoração ao Senhor,

uma vez que nesses dois capítulos tem-se um vislumbre do céu. Inicialmente, no capítulo 4, vemos Aquele que Se as- senta no trono. A seguir, no capítulo 5, contemplamos o Cordeiro.

Exposição de Apocalipse Quatro

Apocalipse 4.1-11 :

Depois destas cousas olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, di- zendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas cousas. Imediatamente eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e no trono alguém sentado; e esse que se acha assentado é semelhante no as- pecto a pedra de jaspe e de sardônio, e ao redor do trono há um arco-íris semelhante no aspecto a es- meralda. Ao redor do trono há também vinte e quatro tronos e assentados neles vinte e quatro anciãos ves- tidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de

64

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

ouro.

e diante do trono ardem sete tochas de fogo, que

são os sete espíritos de Deus. Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal

e também no meio do trono, e à volta do trono, qua-

tro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás.

O primeiro ser vivente é semelhante a leão, o

segundo semelhante a novilho, o terceiro tem o rosto como de homem, e o quarto ser vivente é semelhante

a águia quando está voando. E os quatro seres vi-

ventes, tendo cada um deles respectivamente seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso nem de dia nem de noite, procla- mando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.

Quando esses seres viventes derem glória, honra

e ações de graça ao que se encontra sentado no

trono, ao que vive pelos séculos dos séculos, os vinte

e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que

se encontra sentado no trono, adorarão ao que vive

pelos séculos dos séculos, e depositarão as suas co- roas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra

e o poder, porque todas as cousas tu criaste, sim,

por causa da tua vontade vieram a existir e foram

Do

trono saem relâmpagos,

vozes e trovões,

criadas.

Visão

de Deus

No primeiro versículo, João recebe a ordem, de uma voz como de trombeta — a voz do próprio Senhor: "Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas cousas". Em seguida, no versículo dois: "Imediatamente eu me

Apocalipse

Quatro

e

Cinco

65

achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e no trono alguém sentado". João procura descrever, então, a glória e a majestade dAquele que se assenta no trono: o próprio Deus. Assim, diz no versículo três: "e esse que se acha assentado é se- "

melhante no aspecto a pedra de jaspe e de sardonio Podemos ter certeza de que esse jaspe era tão claro quanto um cristal: um diamante. O sardonio, ou calcedonia ver- melha, como se poderia traduzir, era, provavelmente, um rubi: uma pedra vermelha. Estas duas, juntas, falam-nos da glória e do sacrifício de Deus. E depois João diz que havia um arco-íris ao redor do trono, semelhante no aspecto a esmeralda. Neste caso, o

arco-íris fala-nos do Deus que é fiel à sua aliança. Ele é fiel, e mantém o seu concerto. O arco-íris que surgiu após

o dilúvio era um símbolo de que Deus é fiel e é um Deus

de misericórdia. É instrutivo e maravilhoso saber que esse arco-íris ao redor do trono é semelhante a esmeralda, pois

a esmeralda, ou o verde, sempre fala da misericórdia. Temos, portanto, esse Ser esplêndido, esse Personagem maravilhoso no trono, o qual é misericordioso. João, ao ten-

tar descrevê-Lo, fala da glória, do sacrifício, da misericórdia

e da fidelidade Deste que Se assenta no trono.

Visão do

Trono

No versículo quatro:

Ao redor do trono há também vinte e quatro tronos e assentados neles vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro.

Vemos o trono central, rodeado por esses vinte e qua- tro tronos ocupados por vinte e quatro anciãos. As opiniões diferem quanto a quem sejam esses anciãos, mas eu creio que podemos ter a certeza de que são representantes de to- dos os crentes.

66

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Trono fala de autoridade, de poder, de soberania ou preeminência. E os vinte e quatro anciãos não estão apenas sentados nesses tronos, mas, também, têm coroas em suas cabeças. E a coroa fala de vitória. Eles são vencedores. Assim, a figura torna-se bastante compreensível: no cen- tro, está o trono de Deus, e, ao seu redor, vinte e quatro tronos. Sentados nesses tronos, anciãos, representantes dos crentes de todas as eras. Depois no versículo cinco:

Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e diante do trono ardem sete tochas de fogo, que são os sete espíritos de Deus.

diz João. Note que,

aqui, o Espírito de Deus é descrito pelo símbolo do fogo,

o fogo do Espírito que arde contra todo pecado. Isto nos

fala da plenitude sétupla do poder do Espírito. E assim, te- mos as tochas de fogo, os relâmpagos, e as vozes exatamente no centro, rodeados por esses tronos. Este quinto versículo pode lembrar-nos, também, que Deus é o Deus fiel à sua

aliança. O arco-íris lembra da aliança feita com Noé. As tochas de fogo lembram-nos a aliança feita com Abraão. Os relâmpagos e trovões podem ser associados à aliança no Sinai. A seguir, é-nos apresentado um mar, no versículo seis:

Há diante do trono um como que mar de vidro, se- melhante ao cristal, e também no meio do trono, e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás.

O "mar como de vidro", é uma tradução melhor, fala da Palavra de Deus. Mais adiante, lemos dos mártires em

pé sobre esse mar como de cristal. Trata-se de um grande mar. Esse mar imenso, vasto, estende-se diante do trono

e revela-nos, ou fala-nos, não apenas do caráter eterno e da pureza da Palavra de Deus, como também da distância

' 'Relâmpagos, vozes e trovões

",

Apocalipse

Quatro

e

Cinco

67

que há, sempre, entre o adorador e o próprio Deus. Nos dias de hoje somos propensos a ter uma familia- ridade ímpia com Deus, atitude, aliás, que jamais teremos se compreendermos bem o livro de Apocalipse. Para alguns, Deus é simplesmente uma Pessoa que vive para salvar pes- soas, todavia, de acordo com as imposições particulares dessas pessoas. E Ele deve ajudá-las a viverem da maneira que elas querem viver. E, mais: quando meterem-se em con- fusão, Ele virá em seu socorro. Este conceito de Deus não é o do Deus da Bíblia. Este é o grande Deus do universo que deu o seu Filho em sacrifício pelo nosso pecado, não para que vivamos uma vida que nos agrade a nós mesmos, mas, para que vivamos uma vida que agrade a Ele. Este grande Ser que está no trono, com o vasto mar diante de Si, Ele é o Deus da glória! A seguir, nos versículos sete e oito, lemos de quatro seres viventes (uma boa tradução: "quatro criaturas viven- tes"):

O primeiro ser vivente é semelhante a leão, o se- gundo semelhante a novilho, o terceiro tem o rosto como de homem, e o quarto ser vivente é semelhante a águia quando está voando. E os quatro seres vi- ventes, tendo cada um deles respectivamente seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso nem de dia nem de noite, procla- mando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, Aquele que era, que é e que há de vir.

Estes quatro seres viventes representam tudo o que é mais poderoso e magnífico na criação. As seis asas e os olhos falam de atividade incessante.

Adoração

a

Deus

Chegamos, então, àquela passagem a que já nos refe-

68

rimos

—Apocalipse 4.10,11:

anteriormente,

Como

Adorar

passagem

de

o

Senhor Jesus

Cristo

grande

importância

os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante da- quele que se encontra sentado no trono, adorarão ao que vive pelos séculos dos séculos, e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as cousas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e

foram

criadas.

Que reação se pode ter diante desta visão tremenda do céu? A resposta ao verdadeiro descortinar da glória e ma- jestade de Deus é sempre a submissão! Sempre! Por que as pessoas não se submetem a Deus? É porque não O co- nhecem, pois, conhecê-Lo é prostrar-se imediatamente diante dEle em admiração, amor, louvor e submissão. No próximo capítulo, Apocalipse 5, versículo 8, encon- tramos exatamente a mesma coisa:

e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.

No capítulo 4, há o prostrar-se diante dAquele que está no trono, o próprio Deus. No capítulo 5, há o prostrar-se diante do Cordeiro, o Cristo vivo. Ver a Deus em sua gló-

ria, ou seja, ter um vislumbre da sua glória, é submeter-se

a Ele. Assim como não pode haver adoração verdadeira ao

Senhor Jesus Cristo enquanto não houver submissão total

a Ele, também não haverá cristianismo verdadeiro sem que haja submissão. Adorar é dar valor a quem se adora. Observe que, aqui,

adoram-No como o Criador, pois Aquele que está no trono

é o Criador.

"Tu és digno, Senhor e Deus nosso."

Apocalipse

Quatro

e

Cinco

69

Não é à toa que este era exatamente o título reivindi- cado pelo imperador romano da época. Domiciano tinha de ser adorado e o povo tinha de submeter-se a ele como seu senhor e deus. Todavia, há somente um Senhor e Deus, e tão somente Ele é digno de receber glória e honra e poder. Temos visto que são estas as três coisas que os homens de- sejam, mas somente o Criador é digno de glória, honra e poder. Há um amado servo do Senhor, Dr. Paul White, que foi missionário na África até que a enfermidade obrigou-o a retornar ao seu país. Escreveu vários clássicos sobre o serviço missionário na África sob o título de "O Médico das Selvas". Ele é, também, um pregador muito agradável. Certa vez, trouxe uma mensagem sobre o que significa ser um cristão. Disse: "Trata-se de algo parecido com o afiliar- -se a um clube. Não se paga nada para entrar, mas as taxas anuais custam tudo o que você tem".

Exposição de Apocalipse Cinco

Aquele

que

é Digno

Apocalipse 5.1-5:

Vi na mão direita daquele que estava sentado no

trono um livro escrito por dentro e por fora, de todo selado com sete selos. Vi também um anjo forte, que proclamava em grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de lhe desatar os selos? Ora, nem no céu,

nem sobre a terra, nem debaixo da terra, ninguém podia abrir o livro, nem mesmo olhar para ele; e

eu

chorava muito, porque ninguém foi achado digno

de

abrir o livro, nem mesmo de olhar para ele. To-

davia um dos anciãos me disse: Não chores: eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu

para abrir o

livro e

os seus sete selos.

70

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Muda a cena: agora, João vê Aquele que estava sentado

no trono com um livro escrito não só por dentro, mas tam-

bém por fora, e selado com sete selos. Por que sete selos? Porque o livro contém os segredos que revelam as dispo- sições finais de Deus para as coisas deste mundo, ou seja, os seus segredos quanto ao futuro.

E o anjo forte clama: "Quem é digno de abrir o livro

e de lhe desatar os selos? Ora, nem no céu, nem sobre a

terra, nem debaixo da terra, ninguém podia abrir o livro ''

A palavra "digno", aqui, parece implicar em idoneidade

moral, pois a idoneidade moral é a verdadeira fonte de po- der no mundo celestial. Aqueles que são moralmente idôneos, recebem de Deus a revelação da sua vontade.

Por que João chorava? Porque ele queria compreender,

e não havia homem algum que pudesse abrir o livro e dar-

-lhe entendimento — nenhuma pessoa sequer em todo o universo! Há uma verdade tremenda nisto: Deus não entre-

gará a sua mensagem a quem não esteja qualificado para

recebê-la!

Por vezes perguntam-me: ' 'Por que o senhor tem alu-

nos de segundo grau e de nível superior estudando juntos no instituto bíblico onde leciona?" A resposta é muito sim- ples. Ter graduação superior não qualifica uma pessoa para

a compreensão da Bíblia. A Palavra de Deus tem de ser re-

velada pelo Espírito de Deus. É preciso que haja qualificação moral. Com um diploma superior alguém pode ter o seu intelecto instruído, todavia, é preciso que se tenha o coração preparado para que se possa servir ao Senhor eficientemente.

Um dos perigos mais palpáveis dos nossos dias é que

se permite que o conhecimento acadêmico tome o lugar da-

quilo que é espiritual, ou seja, pensa-se que a realização acadêmica qualifica alguém para compreender o espiritual. Nada poderia estar mais longe da verdade! A única coisa que qualifica alguém para a compreensão do espiritual é a idoneidade moral: uma vida santa; uma vida vivida sob o controle do Espírito de Deus, que é o único que pode revelar

Apocalipse

Quatro

e

Cinco

71

a vontade de Deus, e iluminar e aclarar a Palavra de Deus. Idoneidade moral — o fator indispensável.

Descrição

dÁquele

que

é Digno

Nos versículos 5 e 6 chegamos a uma das cenas mais esplêndidas de todo o Apocalipse:

Todavia um dos anciãos me disse: Não chores: eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, ven- ceu para abrir o livro e os seus sete selos. Então vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tinha sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos que são os sete espíritos de Deus enviados por toda a terra.

Nesta passagem, vemos o Cordeiro de Deus tomando

a frente. Que cena! Por que está tomando a frente? Porque

somente Ele é digno e, principalmente, por causa de sua vitória sobre a morte. Sua idoneidade também se revela em sua vitória sobre os poderes das trevas, em sua obediência ao Pai, e em sua vida imaculada. Sendo, portanto, idôneo, Ele é digno de conhecer e de revelar os segredos do seu Pai. Ele está, ainda, habilitado a presidir as coisas que hão de vir. Que Senhor maravilhoso Ele é!

Vimos o Cordeiro tomando a frente, do meio do trono.

Ele é conhecido por dois títulos importantes: O Leão da Tribo de Judá, e a Raiz de Davi. O leão fala de força ou poder. É o símbolo do Messias Todo-poderoso. Raiz de Davi quer dizer que Jesus Cristo é o Filho de Davi. Ele é o Messias. Ele é, portanto, o Leão da Tribo de Judá. Mas observe que

é apresentado como "um Cordeiro como tinha sido morto",

ou "um cordeiro". João vê um "cordeirinho", pois a pa- lavra está no diminutivo. Quando pensamos num leão, pensamos em seu poder, sua majestade, sua força. Todavia, eis aqui um cordeiro. Que isso quer dizer? A figura lala

7 2

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

do poder que se manifesta na fraqueza aparente: um "cor- deirinho" está no meio do trono. Incrível! Um cordeiro —

o exemplo supremo da fraqueza — sentado num trono, que

é o símbolo máximo do poder! Os vinte e quatro anciãos prostram-se diante do "Cor- deiro como tinha sido morto" e que tinha sete chifres. Eis aqui nos é dada uma figura diferente para descrever o Cor- deiro de Deus. Trata-se de uma nova concepção do Cordeiro. Uma nova figura. Sempre que lemos sobre chifre ou chifres na Bíblia, faz-se referência a poder. Os sete chifres simbo- lizam o perfeito poder, ou onipotência. Lemos, a seguir, que ele tinha sete olhos. Ele não é apenas onipotente, como também onisciente. Os sete olhos simbolizam a onisciência absoluta do Cordeiro de Deus. E assim, temos o Cordeiro de Deus tomando a frente com os sete chifres, que significam poder — poder completo — e, também, com sete olhos, o que revela-nos que o Cordeiro de Deus tem conhecimento perfeito e está presente em todo lugar — onipotente, onisciente e onipresente. A figura completa apresenta-nos o Cordeiro como o Leão da Tribo de Judá, a Raiz de Davi, o Messias prometido, Aquele que tem todo o poder e toda a ciência. Aquele cujo poder pleno ninguém pode resistir e de cuja visão perfeita ninguém pode escapar.

Três

Grandes

Coros

Nos versículos 7 a 14 temos três grandes coros ao Se- nhor:

Apocalipse 5.7,8:

Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono; e, quando tomou o li- vro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.

Apocalipse

Quatro

e

Cinco

73

Lembremo-nos de que os quatro seres viventes repre- sentam a criação, e os anciãos representam todos os crentes. Estão diante do Cordeiro, que segura o segredo do signi- ficado da vida em sua mão. O Cristo exaltado, o Cordeiro onisciente e Todo-poderoso ocupa o centro. E qual a reação diante de uma tal visão do Cordeiro? Novamente, adoração. Por que as pessoas não adoram a Deus? Por que não adoram o Cordeiro? É porque nunca tiveram uma visão real do Cordeiro, ou um conceito verdadeiro de Deus, pois, conhecê-Lo, é adorá-Lo. Descobrimos, então, que os anciãos têm harpas e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. A harpa, como se sabe, era o grande instrumento citado no Velho Testamento no qual se tocavam os louvores a Deus. Auxiliava o instrumentista a cantar os louvores de Deus. Trata-se de uma linda figura da oferenda das orações dos santos. Ao prostrarem-se diante desta revelação tremenda de poder, pujança, majestade e glória do Cordeiro de Deus, cantam um cântico novo — o primeiro dos três grandes coros.

Apocalipse

5.9,10

e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de to-

mar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto

e com o teu sangue compraste para Deus os que

procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para

o nosso Deus os contituíste reino e sacerdotes; e

reinarão

sobre

a

terra.

Este é o maior hino de louvor que o universo jamais ouvirá: o hino dos redimidos. O coro começa com os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos louvando ao Cor- deiro por sua dignidade, porque foi morto, porque foi crucificado. Redimiu para Deus com o seu sangue aqueles que O louvam, e que procedem de toda tribo, língua, povo e nação. Observe a universalidade de tudo: toda tribo, toda língua, todo povo, toda nação.

74

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Observe, ainda, o coro de louvor que se levanta, de anjos, no versículo 11:

Vi, e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era

de milhões de milhões

Os números não devem ser tomados literalmente. O se- gundo coro é cantado por uma companhia inumerável de anjos. Não se trata de um hino para crentes. Note que os anciãos não participam deste segundo coro. Ouvimos a voz de muitos anjos cantando a doxologia perfeita e sétupla no versículo 12:

e

milhares de milhares.

proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro,

que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sa-

bedoria,

e força,

e honra,

e glória,

e louvor.

Então, o coro final do universo. Não se trata apenas de adoração por parte da criação viva: trata-se de toda a criação.

Então ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o

que neles há,

estava dizendo: Àquele que está sen-

tado no trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos

séculos

A mente judaica deleitava-se em falar que cada pássaro, folha de grama, montanha e rio louvam e adoram a Deus. Aqui, temos toda a criação juntando-se neste coro magnífico, revelando a nós o propósito último de Deus na criação. Qual é? O propósito supremo de Deus é que toda criatura possa adorar Aquele que está no trono e ao Cordeiro que está ao seu lado, no trono. Será que esse propósito está sendo cumprido em nós? Podemos ser contados entre aqueles que sabem o que é lou-

(Ap

5.13)

Apocalipse

Quatro

e

Cinco

75

var O que Se assenta no trono e ao Cordeiro que está ao seu lado? Eis, portanto, o hino dos redimidos, ecoado pelos anjos e, incorporado por todos, numa palavra única. Primeiro,

os redimidos seguidos dos anjos cantam esse coro magnífico. Depois, ele vem de todos os lados e de toda forma de cria- tura. A criação toda, animada e inanimada, oferece louvor

e adoração.

Ao adorá-Lo, nunca se esqueça de que isso é para todos os povos, tribos, línguas e nações, pois, quando Ele Se re- velar a você como o Cordeiro de Deus, morto por todos,

o Espírito de Deus irá criar em você um profundo desejo

de que todos venham a conhecê-Lo. Chegamos, enfim, no versículo 14, à conclusão mara- vilhosa de todo esse louvor ao Cordeiro e Àquele que está

no trono:

E os quatro seres viventes respondiam: Amém, tam- bém os anciãos prostraram-se e adoraram.

Os dois primeiros hinos são em honra ao Cordeiro. Neste último hino, o louvor é endereçado a ambos: Àquele que está entronizado e ao Cordeiro. Essa união de ambos é co- mum em todo o Apocalipse, todavia, aqui eles são unidos em louvor. Adoração e honra iguais são dadas a ambos, pois são Um só Deus. E os quatro seres viventes permaneceram dizendo:

"Amém" . Soa um grande "Amém" depois que cada uma das onze atribuições dos versículos 12 e 13 é mencionada.

A primeira, do versículo 12: "Digno é o Cordeiro, que foi

morto, de receber o poder", é seguida de uma pausa e de

um ressonante e potente "Amém". As seguintes, que glo-

rificam ao Cordeiro — riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor — sendo cada uma seguida de uma pausa

e de outro forte "Amém" , que soa até que a adoração se complete.

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Milhares

de

milhares

ouço

Cantando

a

Deus,

com

gratidão,

A

Cristo,

o

Salvador,

louvando,

 

Que

lhes ganhou

a salvação.

"A

Deus

louvai!",

eis

como

clamam;

"A

Deus

E pelo

De

toda

louvai,

sangue

que nos amou,

do

Cordeiro

mancha

nos

lavou!"

CAPÍTULO V "Como" da Adoração

Introdução Planejando a Adoração

A. Em Secreto

B. Pecado

C. O Espírito Santo

D. Concentração

A Prática da Adoração

A. Utilizando as Escrituras

B. Utilizando Hinos

C. Utilizando Livros

Obstáculos à Adoração

A. Um Coração Insubmisso

B. Pecado Não Confessado

C. Atitude Errada

D. Oposição do Inimigo

E. Cansaço Físico

F. Incredulidade

Absorção em Adoração

Que mar imensurável é teu profundo amor!

insigne Salvador!

Em Ti nós descansamos, na tua perfeição,

Oh,

como

és deleitável,

E

a

Ti apresentamos a nossa adoração.

O "Como" da Adoração

A tarefa mais exigente da vida de um crente é

aprender como permanecer "contemplando como que

Senhor". Oswald Chambers

por

espelho

a

glória

do

Introdução

T endo lançado o alicerce, estamos, agora, preparados para examinar o "como adorar". Como devemos adorar?

Que se deve fazer? Em primeiro lugar, é preciso que haja integridade de coração, pois a adoração verdadeira vem do coração. Se essa condição não for satisfeita, não haverá apro- ximação aceitável a Deus. É preciso que haja mãos puras. Não pode haver pecado não confessado. Não podemos andar nas trevas e ter co-

munhão, ou adorar Aquele que está na luz, pois o pecado não confessado tranca o acesso a Deus em adoração. Não pode haver adoração verdadeira sem obediência. Se você perguntar à maioria das pessoas o que é oração, dir-lhe-ão: "Orar é pedir algo a Deus"; "É petição"; "É súplica"; "É intercessão". Alguns poderão dizer que a oração inclui ações de graças. Todavia, geralmente a opi- nião da maioria é que se pede a Deus uma bênção, quando se vai a Ele em oração. Temos quase que ignorado a im- portância primordial da adoração. O seguinte estudo de palavras a respeito de oração, feito

80

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

por Griffith Thomas reforça de modo penetrante a primazia da adoração:

1. A oração é um sentimento de necessidade (deêsis edeomai, e seus cognatos). O substantivo "deêsis" ocorre dezoito vezes e o verbo ' 'deomai ' ' vinte e dois. Talvez seja esta a idéia mais elementar de oração.

2. A oração é uma expressão de desejo (aiteõ, ai terna).

ou ou-

Essas palavras gregas são encontradas,

uma

tra,

em

cerca

de setenta

e

três passagens.

3. A oração é um espírito de humildade. Este aspecto da oração é-nos apresentado numa única passagem (Hb 5.7), onde a palavra ' 'hiketêria ' ' refere-se à ora- ção do Senhor no Getsêmani e é traduzida em nossa versão por "súplicas".

4. A oração é o privilégio da comunhão. Esta idéia é sugerida por uma palavra rara: ' 'enteuxis ' ', que aparece apenas duas vezes em o Novo Testamento (1 Tm 2.1; 4.5), traduzida por "intercessões" na primeira e por ' 'oração ' ' na segunda passagem.

5. A oração é o espírito de questionamento. A palavra que sugere esta idéia é "erõtaõ" (Jo 16.23). Esta palavra é usada apenas uma vez em o Novo Testa-

mento

em

conexão

com a

oração.

6. A oração é um elo de união. Em Mateus 18.19, le- "

rem a respeito de qualquer coisa que porventura pedi-

A palavra traduzida por "concordar" é

dois dentre vós, sobre a terra, concorda-

mos:

rem

se

".

"symphõneõ", de onde nos vem a palavra "sinfonia".

7. A oração é um atitude de consagração. Em não me- nos de cento e vinte e duas passagens do Novo Testa- mento encontramos as palavras ' 'proseuchê " e ' 'pro- seuchomai ' ' usadas para expressar a idéia de oração. E, tranqüilamente, a palavra mais comum para de-

O

"Como"

da

Adoração

81

signar a oração a Deus, e o seu significado básico

é consagração. E composta de "euchê", que quer

dizer "um voto", e de "pros", que é "voltar-se",

e expressa o voltarmos a nós mesmos para Deus,

em submissão. Expressa uma atitude de adoração em oração. Quando nos lembramos do grande nú- mero de vezes em que ocorrem estas palavras, pode- mos perceber de imediato qual a atitude normal do crente em oração. E a atitude de um adorador, de alguém que se volta para Deus de todo coração e alma [minha ênfase].

O Bispo Westcott foi um dos mais preeminentes mestres da Bíblia do seu tempo. Era homem muito humilde. Quando viajava em sua carruagem à cidade de Durham, não encarava as pessoas: viajava sempre de costas para elas. Considerava- -se indigno. Todavia, foi um dos grandes mestres da língua grega do seu tempo, e um poderoso homem de Deus. Seu filho assim se expressou a seu repeito:

Em seus últimos anos, meu pai viveu claramente em dois mundos ao mesmo tempo. Enquanto seus pés estavam na terra, seu espírito estava na presença de Deus. E tudo o que lhe acontecia, era recebido nessa Presença. Nada podia demovê-lo de uma tal atitude.

Ele aprendera a arte de adorar incessantemente. O re- sultado disso era uma consciência constante da presença do seu Senhor. Sim, isso é difícil, porém, possível!

Planejando a Adoração

Em Secreto

Você entra em seu quarto. E um quarto, lembre-se, é um local fechado. Pode ser o seu quarto de dormir, seu es- critório, ou o local da sua casa que você separou para isso. Pode ser um jardim, ou o campo. Seja qual for o seu

82

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

"quarto'', é lá que você encontra o Senhor todas as manhãs.

E o seu objetivo é ter comunhão solitária com o Senhor que

está sensivelmente presente. Isto tem de acontecer primeiro,

e totalmente à parte do seu tempo de estudo da Bíblia e in-

tercessão. Lembre-se da primeira lição ensinada pelo Senhor sobre oração, conforme Mateus 6.6:

Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e,

orarás a teu pai

creto; e teu Pai que vê em secreto, te recompensará.

Um estudo deste versículo mostra-nos a ocorrência do

pronome no singular nada menos de oito vezes, reforçando

o tanto que esta primeira lição é íntima e pessoal.

fechada a porta,

que está

em se-

Pecado

A entrada no quarto exige que se tenha um coração sin- cero e que não haja pecado não confessado. Não devemos esperar a hora de fazermos nossa "hora silenciosa" para tratarmos com o pecado. Deve-se tratar com o pecado ime- diatamente. Se percebermos que entristecemos ou apagamos

o Espírito e fizemos algo que seja desagradável à sua vista,

devemos parar seja onde estivermos e confessar o nosso pe- cado. Isto não deve tomar mais do que trinta segundos. Não ousemos deixar a confissão dos pecados para aquele mo- mento de adoração no amanhecer. D. L. Moody sabia bem o que é "manter as contas em dia" com Deus, e desenvolveu um hábito excelente. Todas as noites, antes de ir dormir, repassava o dia na presença do Senhor, confiando que Ele iria revelar-lhe quaisquer coi- sas que O tivessem desagradado. Um homem assim está apto para adorar.

O

Espírito

Santo

Precisamos nos aproximar na dependência do Espírito

O

"Como"

da

Adoração

88

Santo, que deseja induzir os nossos corações à adoração,

o que somente pode ocorrer se aprendermos a depender dEle confiadamente. Filipenses 3.3 fala-nos de maneira eloqüente do minis- tério do Espírito na adoração. "Porque nós é que somos

a circuncisão", diz Paulo, "nós que adoramos a Deus no Espírito". Beck traduz assim:

Nós

que

adoramos por meio

do Espírito

de Deus

Portanto, a verdadeira adoração só é possível quando

o espírito do homem é controlado pelo Espírito de Deus,

porque, como bem disse Arthur Pink: "Podemos orar sem

o Espírito Santo tanto quanto podemos criar o mundo".

Concentração

Entramos em nosso quarto, fechamos a porta, e fica- mos a sós com o Senhor. Ajoelhamo-nos, e fechamos os nossos olhos a fim de concentrarmos toda a nossa atenção

e afeto no Cordeiro de Deus, esquecendo-nos de tudo o mais,

a fim de não nos esquecermos dEle. Já compartilhei com você a grande descoberta que fiz

em minha hora silenciosa quando comecei a concentrar toda

a minha atenção no Cordeiro de Deus que foi morto. Em

sua primeira tentativa, você poderá sentir-se confuso. Mui- tos pensamentos poderão atravessar-lhe a mente ao lado de uma lista infindável de coisas que reclamam a sua atenção.

Você terá de confiar que o Espírito de Deus irá capacitá-lo

a concentrar toda a sua atenção e afeto no Cordeiro de Deus. Não desista!

A Prática da Adoração

Diga em voz alta para o Senhor as suas palavras de re- conhecimento do valor que Ele tem. Ore em voz alta.

84

Utilizando

as

Escrituras

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Utilize as Escrituras, tornando-as mais pessoais. Por exemplo: um versículo maravilhoso: Apocalipse 5.9:

livro e de abrir-lhe os selos,

porque foste morto e com o teu sangue compraste

para

Digno és de

Deus

os

tomar o

que procedem de

toda

tribo

Como adaptar este versículo para adoração pessoal? Eleve o seu coração ao Senhor e diga-Lhe:

Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue me compraste para Deus.

A palavra deve tornar-se profundamente pessoal, adap- tada ao seu uso pessoal. Apocalipse 5.12 pode ser adaptado assim:

Tu és digno de receber o poder, e riqueza,

doria,

e força,

e honra,

e glória,

e louvor.

e sabe-

Os Salmos, naturalmente, transbordam em adoração. Por exemplo: o primeiro versículo do Salmo 8 é facilmente adaptável à adoração pessoal. Como? Diz o salmista:

Ó SENHOR,

Senhor nosso,

quão magnífico em toda

a terra

é

o

teu nome!

Adaptando-o, fica assim:

Ó SENHOR,

a terra

é

o

Senhor meu,

nome!

teu

quão

magnífico

em

toda

Na adoração não se tem de usar exatamente as mesmas palavras dos Salmos. Pode-se adorar fazendo uso do sentido geral do salmo, numa oração como esta:

Ó SENHOR, TU és o meu Senhor, pois em misericór-

dia

e

graça

maravilhosa

me

redimiste.

Tu

me

compraste.

Livraste

os

meus

pés

de

uma

rede.

O

"Como"

da

Adoração

85

Reconciliaste-me contigo. Ó SENHOR, meu Senhor, quão excelente é para mim o teu maravilhoso nome! Tu, que tens a tua glória acima dos céus, deste o teu único Filho amado numa cruz. Fizeste dEle a propiciação pelo meu pecado. Ó SENHOR, Senhor meu, quão magnífico é o teu nome em toda a terra.

Salmo 19.1:

Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento

anuncia

as

obras das

suas

mãos.

Como poderemos adaptar este versículo à adoração pes- soal?

Os céus proclamam a tua glória, anuncia as obras das tuas mãos.

Isto é adoração.

SI 36.5-9:

e

o firmamento

A tua benignidade, SENHOR, chega até aos céus, até às nuvens a tua fidelidade. A tua justiça é como as montanhas de Deus; os teus juízos, como um abismo profundo. Tu, Senhor, preservas os homens e os ani- mais.

Isto é adoração! Está-se atribuindo valor a Deus.

Como é preciosa, ó Deus, a tua benignidade! Por isso os filhos dos homens se acolhem à sombra das tuas asas. Fartam-se da abundância da tua casa, e na torrente das tuas delícias lhes dás de beber. Pois em Ti está o manancial da vida; na tua luz eu vejo a luz.

E no Salmo 29.1,2:

Tributai ao SENHOR, filhos de Deus,

NHOR

glória

e força".

tributai ao SE-

86

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Como adaptar este versículo? Este não é tão simples!

Eu tributo a força.

Ti,

SENHOR,

eu tributo a

Ti glória e

Notou como o versículo deve tornar-se pessoal? Então, vejamos o versículo 2:

Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome

Diríamos assim:

Eu

nome.

tributo a

Ti,

SENHOR,

a glória devida ao

teu

E no Salmo 90.1,2:

Senhor,

Tu tens sido o nosso refugio,

em

geração.

A

adaptação é bem fácil:

Senhor,

Tu tens sido o meu refúgio

de geração

Você dirá "de geração em geração"? Não!

Tu tens sido

o meu

refúgio,

maravilhoso Senhor,

desde aquele primeiro dia

em

que

as minhas

ca-

deias foram

soltas e meu

coração

liberto.

E no versículo 2:

Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.

Que pode observar dessas passagens das Escritoras usa- das para adoração? Elas se ocupam com Ele. E não ordena o primeiro mandamento que amemos ao SENHOR nosso Deus de todo coração? Na adoração, ficamos totalmente ocupa- dos com Aquele a quem amamos. Não nos preocupamos conosco mesmos, ou com os outros, ou com quaisquer ou- tras coisas. Isto é vital à adoração verdadeira!

O

"Como"

da

Adoração

Novamente, no Salmo 93.1:

Reina o SENHOR.

der se revestiu o SENHOR, e se cingiu

Revestiu-se de majestade;

de po-

87

Como adaptar este versículo? Lembremo-nos de que deve tornar-se marcantemente pessoal.

Tu, SENHOR, estás reinando. Tu estás revestido de majestade; Tu estás revestido de poder, e tu estás cingido

Outra vez: Salmo 104.1:

Deus

meu, como tu és magnificente! sobrevestido de gló- ria e majestade.

Bendize,

ó minha alma,

ao

SENHOR!

SENHOR,

Como adaptaríamos este versículo?

Eu Te bendigo, Senhor maravilhoso! Eu Te ben- digo. Te bendigo com toda a minha alma, pois Tu

és o meu Deus e o meu Senhor. Tu és muito grande.

Tu estás

vestido

com glória e com majestade.

Há versículos que não precisam ser adaptados, como é o caso do Salmo 139.1-4:

SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras

os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos.

Ainda

a palavra

me

não

chegou

à

língua,

e

tu,

SENHOR, já a conheces toda.

Quando você for utilizar estas passagens da Escritura, comece simplesmente lendo-as para o Senhor. É importante que você as decore. Determine para si a tarefa de decorar um versículo por semana. Quando chegar a hora de você adorar, perceberá o Espírito de Deus utilizando-Se dos ver- sículos decorados para levar o seu coração a adorar.

88

Utilizando

Hinos

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Os hinos constituem-se, também, numa ajuda preciosa. Existem vários hinários disponíveis que você pode utilizar. Consideremos alguns dos grandes hinos de adoração. Lembremo-nos de que devem ter expressões de louvor bas- tante diretas, e que devem ter um cunho bem pessoal. "Santo! Santo! Santo!" é um hino de adoração.

"Santo,

Santo,

Santo,

Deus

Onipotente!

Cantam,

de

manhã,

nossas

vozes

com ardor.

Santo,

Santo,

Santo, justo

e

compassivo

Es

Deus

Triuno,

excelso

Criador!

Isso é adoração! Decore o hino, fazendo sua, a letra que ele tem! Alguns dos momentos mais felizes da minha vida fo- ram vividos no Japão, ao lado da Elizabeth, a nossa filha mais velha. Quando ela contava cerca de três anos e meio, costumava levá-la comigo quando ia a uma cidadezinha pró- xima. Enquanto sacolejávamos juntos em nosso pequeno "Fusca" pela estrada esburacada, eu lhe ensinei esse hino. Foi o primeiro hino que aprendeu. Por quê? Porque, apesar de ser uma criança pequena, de três anos e meio, ela pre- cisava aprender uma coisa da qual nunca deveria se esquecer:

nascera para adorar a Deus. Ainda posso ouvir aquela voz terninha, cantando: "Querubins e serafins". Que melodia gostosa para os ouvidos de um pai! E quão agradável para os ouvidos do Senhor! Outro hino de adoração é "Formoso Cristo".

Formoso Cristo, Filho de Deus,

Rei

da

homem

natureza,

és

também

Eu

quero

Te

alegrar,

A

Ti desejo honrar

 

És

da

minha

alma glória

e paz!

Isto é adoração!

O

"Como"

da

Adoração

89

Lindos os prados são, muito amena a viração, Sob as delícias primaveris Mais lindo és Tu, Jesus, Mais pura é a tua luz

Que

ao

miserável faz feliz!

Adapte a segunda estrofe, e diga:

Lindos os prados são, muito amena a viração, sob as delícias primaveris Mais lindo és Tu, Jesus, Mais puro és Tu, Senhor, Pois Tu salvaste este infeliz!

Há um outro hino muito lindo:

ó Cristo".

Fala à minha alma, ó Cristo Fala-me com amor! Segreda com ternura:

"Eu sou teu Salvador!" Faze-me bem disposto Para Te obedecer, Sempre louvar teu nome

E dedicar-Te

Faze-me ouvir bem manso, Em suave murmurar:

"Na cruz verti meu sangue Para te libertar". Fala-me cada dia, Fala com terno amor, Segreda ao meu ouvido "Tu tens um Salvador!"

Fala-me

Dá-me

orientação;

o

ser.

sempre,

ó

Cristo,

concede-me

E gozo

alegria

em oração.

"Fala à minha alma,

90

Como

Adorar

o

Faze-me consagrado, Mui pronto a trabalhar, Remindo sempre o tempo, Pois logo vais voltar.

Como na antigüidade Mostravas teu querer, Revela-me hoje e sempre Qual seja o meu dever. A Ti somente eu quero Louvores entoar, Teu nome eternamente Engrandecer e honrar.

Senhor Jesus

Cristo

Há, também, outro hino belíssimo: "Será possível que eu seja beneficiado?"

Será possível que eu seja beneficiado Pelo sangue do Salvador?

Ele morreu por mim; fui a

Por mim Ele

causa

cruz?

do seu sofrer?

enfrentou

a

Quão grande amor! Como pode ser que Tu, meu Deus,

Quiseste morrer por mim?

Este é um dos mais belos hinos de todos os tempos. Como adaptá-lo? Não é tão simples, mas, é possível!

Será possível, Amado Senhor, que eu seja beneficiado Pelo teu precioso sangue?

Morreste por mim,

Por mim, que Te levei a enfrentar a cruz? Quão grande amor! Como pode ser que Tu, meu Deus, Quiseste morrer por mim?

que fui a

causa da tua dor?

Diz a terceira estrofe:

"Como"

da

Adoração

Deixou o trono do Pai, no céu, Em livre graça, infinita, Esvaziou-Se de tudo, menos do amor. E morreu pela raça impotente de Adão. É pura misericórdia! Imensa, livre Pois, Tu, meu Deus, me achaste a mim!

Adaptando-a, ficaria assim:

Tu deixaste o

Em tua livre graça, infinita,

trono do teu Pai,

no céu,

Tu te esvaziaste de tudo,

menos do amor,

E morreste pela raça impotente de Adão. Bendito Senhor, é pura misericórdia,

tão

imensa,

tão

livre,

E, ó Amado, me achaste a mim!

Um outro hino é: "Rei da glória, Te Adoramos'

Rei da glória, Te adoramos. Cristo! Soberano! Deus! Ante Ti já nos prostramos, Glorioso aí nos céus.

Tributamos-Te

louvor,

Admirável

Salvador.

Rei de toda a terra ungido,

Seu Herdeiro e seu

Senhor.

Pelos homens repelido,

Desprezado

Homenagem

o

nós

Te prestamos,

teu

aqui

Cristo,

amor!

a

Ti.

Tu,

"a

Vida",

entregue à morte!

Justo,

entregue

à

maldição!

De

teu

Pai primeiro

objeto,

Dado à cruz em oblação!

Alvo e centro,

Tu,

de amor,

Es pra nós, Jesus, Senhor.

92

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Régias glórias

Te

pertencem,

Régias

honras

Tu

terás;

Do

rebelde

mundo

o

cetro

Brevemente empunharás.

Alvo

agora,

alvo

então,

De

louvor

e

adoração!

Também este hino:

Qual mirra fragrante

Seu rico perfume, sua aura de olor,

Senhor,

que

espalha

ao

o

teu

nome,

e

no meu coração, satisfação.

Infunde

Jesus, nome terno de excelso valor!

alegria

Teu

nome

bendito,

Jesus

Salvador,

Acima de

todos,

sem par,

sem igual,

Exala

a fragrância

do

amor divinal!

E este:

redor

Jesus,

Senhor,

em

Ti pensar

Nos

traz

doçura

e paz;

Quão

deleitável

meditar

No

amor

que

satisfaz!

Que seja para Ti, Senhor,

Suprema

devoção!

És digno, nosso Salvador,

De

Utilizando

toda

a

Livros

adoração.

Cristo

Em nossos dias, ninguém compreendeu o que seja ado- rar como o Dr. A. W. Tozer. Ele soube o que é adorar a Deus. Em 1952, quando o Dr. Tozer foi convidado a dirigir uma série de reuniões no Wheaton College, fui convidado a trabalhar como conselheiro junto a alunos interessados. Hesitante em saber se deveria aceitar o convite, perguntei

O

"Como"

da

Adoração

93

por que o Dr. Tozer não poderia fazer ele mesmo o acon- selhamento. Explicaram-me que ele exigia de si mesmo duas horas e meia de oração para cada hora que tivesse que pre- gar. Como ele teria que pregar por duas horas diariamente, precisaria de cinco para orar. Aceitei o convite imediata- mente. Há um livro do Dr. A. W. Tozer que você precisa ob- ter: O Conhecimento de Deus — Um livro pequenino sobre os atributos de Deus. Há uma grande carência em nossos dias de um conhecimento verdadeiro de Deus. Como será esse Ser maravilhoso? Não podemos sequer defini-Lo! Po- rém, à medida que estudamos os seus atributos, passamos

a ver "como que por espelho" algo da maravilha d Aquele

a Quem adoramos. Não há outra obra publicada que possa

oferecer-lhe uma introdução tão vívida aos atributos de Deus. Faça um resumo de cada capítulo, até que você consiga do- minar o seu ensino. Creio que isso irá ajudá-lo, tão rápido

quanto possível, a conhecer um pouco como é Deus. Há um outro livro do Dr. A. W. Tozer, À Procura de Deus, que haverá também de inspirá-lo e ajudá-lo a ado- rar. Seus artigos. Adoração: Ocupação Normal de Seres Morais, e Adoração: Jóia Ausente na Igreja Evangélica tam- bém são de muito valor. Encontram-se no livro O Melhor de Tozer. Estes livros serão de grande valor no seu estudo pes- soal sobre adoração.

Obstáculos à Adoração

Precisamos considerar cuidadosamente os seguintes seis obstáculos à adoração. Ignorá-los será perder o direito a uma experiência consistente de adoração satisfatória.

Um

Coração

Insubmisso

O primeiro obstáculo é um coração insubmisso.

Não

94

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

há uma tal coisa como "rendição para sempre". Disse o Senhor em Lucas 9.23:

Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue,

dia

a

dia

tome

a sua

cruz

e siga-me.

Somos, aqui, confrontados com uma crise, seguida por um processo. Quando é que a crise acontece? "Se alguém "

quer vir após mim, a si mesmo se negue

siste em tirar o ego do trono, e nele colocar o Senhor Jesus Cristo. Essa crise é seguida de um processo: tomar a cruz diariamente — diariamente destronar o ego para que o Se- nhor Jesus Cristo permaneça no trono. Nunca podemos deixar de nos submeter. É preciso manter a atitude de um coração

submisso. Caso contrário, seremos carregados para longe dEle e nos submeteremos a sentimentos que Lhe são opos- tos. Perceberemos, de uma hora para outra, que não estamos conseguindo chegar ao Senhor em nosso período de adoração e correremos o perigo terrível de perdermos a vontade de adorar. Mantenha o seu coração submisso e sensível ao Se- nhor.

A crise con-

Pecado

Não

Confessado

O

segundo obstáculo, com toda a certeza, é o pecado

não confessado. Não pense que o seu pecado inconfesso irá simplesmente desaparecer. Não! Irá desaparecer tanto quanto um câncer! O pecado é um câncer. É preciso que lhe demos tratamento. Lembre-se de manter "as contas em dia", atra- vés da confissão do pecado. Confesse-o imediatamente, chamando-o pelo pior nome que tiver. Arrependa-se, e con- tinue a caminhar com o Senhor.

Atitude

Errada

O

terceiro obstáculo à adoração é uma atitude errada,

especialmente se for em relação a algum irmão ou irmã em

O

"Como"

da

Adoração

95

Cristo. Quando tomamos atitudes erradas, entristecemos o Espírito de Deus. Se houver esse tipo de situação, será im- possível adorarmos a Deus. Vigie as suas atitudes com todo o cuidado. E trate-as sem compaixão, fazendo a confissão necessária e arrependendo-se.

Oposição

do

Inimigo

Poderá haver ocasiões em que uma nuvem de opressão surja para perturbá-lo. Recuse-a em o nome de Jesus Cristo. "Sujeitai-vos, portanto, a Deus, mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós " (Tg 4.7). Uma tal opressão é bem mais co- mum nos campos missionários, mas você também poderá experimentá-la. Não se deixe enganar, pensando que o súbito pesar em seu espírito é devido a algum pecado. Invariavel- mente, será obra do inimigo.

Cansaço

Físico

O quinto obstáculo à adoração é o cansaço físico. Te-

nho descoberto que um banho frio pela manhã é de grande ajuda! É, também, primordial que se durma suficientemente. John Wesley, a cada noite assim se escusava: "São dez ho- ras. Preciso recolher-me. Tenho um compromisso às 4 da manhã com o meu Senhor". Exercício físico consistente, especialmente andar, é uma necessidade. Procure, ainda, evitar fadiga emocional, pois esta causará um cansaço mais debilitante do que qualquer outro fator.

Incredulidade

A incredulidade é o sexto obstáculo. Quando alguém

se prepara para adorar, a fé tem de estar presente, antes de mais nada. É preciso crer que se terá um período de tempo

maravilhoso na presença do Senhor. Tive o privilégio, certa ocasião, de conhecer uma ver-

96

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

dadeira adoradora do Senhor, na Escócia. Seu nome era Sra. Stewart. Uma irmã amorável, de origem humilde, que se sustentava limpando escritórios, numa região da Escócia onde as mulheres ainda esfregam o chão de joelhos. Quando visitei a Escócia com a minha esposa, disse- -lhe: "Precisamos visitar a Sra. Stewart, pois ela vem orando por mim diariamente há muitos anos". Fomos à sua casa humilde: apenas duas peças e uma cozinha pequena. Havia um espelho na parede que dividia as peças. Uma, era o seu quarto; a outra, servia de sala. Cedo, a cada manhã, ao passar do quarto para a sala, ela se olhava no espelho. Por quê? Sua resposta era reve- ladora: "Sabe, adoro ao meu Senhor na sala. Quando saio do meu quarto, passo pelo espelho e dou uma olhada final para mim mesma. É que eu quero ter a melhor aparência possível para apresentar-me ao meu Senhor maravilhoso". Essa mulher conhecia ao seu Senhor intimamente. Eu daria muito para ouvi-la adorar ao Senhor Jesus Cristo. Não havia dúvida em sua mente de que ela iria ver ao seu Se- nhor. Por isso, ela queria ter a melhor aparência possível.

Absorção

em

Adoração

Foi um privilégio para mim servir o Exército Austra- liano por seis anos, durante o longo período da guerra iniciado em setembro de 1939. Nessa época, fiquei conhecendo al- guns crentes excelentes. Não muitos. Todavia, alguns deles foram excepcionais homens de Deus. O mais excelente de- les foi um jovem chamado Tom Walton. Eu estava presente na noite em que ele foi convertido, numa barraca de acam- pamento do exército. O capelão pregara uma mensagem evangelística muito poderosa. Durante o apelo, ouviu-se o "tá, tá, tá" dos cravos do coturno de um jovem que vinha à frente. Abri os olhos e vi um rapaz corado, com grandes óculos de armação de osso, que ia à frente para render tudo a Jesus como seu Senhor.

O

"Como"

da

Adoração

97

Pensei: "será que ele vai permanecer mesmo?" O Exér-

cito Australiano não era lugar para covardes, mas

ele permaneceu. O jovem Tom foi enviado como reforço para uma das nossas divisões mais antigas, que havia lutado na África. Os soldados antigos não se sentiam dispostos a aceitar um reforço ainda "cru". Mas, o jovem Tom conquistou os seus corações quando arriscou a vida e foi condecorado por bra- vura em sua primeira tarefa com seu esquadrão.

Quando ele foi morto, seis semanas antes do armistício, aqueles veteranos embrutecidos choraram descontrolados. Haviam perdido o "Crente", a quem amavam de coração. Certa vez fui ao oficial comandante do seu esquadrão

e pedi-lhe que, uma vez que haviam estado recentemente em luta por um longo período, Tom pudesse ser liberado para passar alguns dias comigo.

o

Todavia,

O oficial respondeu:

"Walton?

Walton?

Ah!

Crente!"

"Não sei exatamente qual o nome que vocês lhe dão, mas o seu nome é Tom Walton", respondi. "Bem, nós o chamamos de 'Crente'."

Por que o chamavam de Crente? O que fazia dele al- guém tão diferente a ponto de o batalhão inteiro conhecê-lo

e respeitá-lo grandemente? A resposta é simples. O nosso

jovem soldado de Jesus havia feito da adoração a coisa pri- mordial de sua vida.

Li o seu diário, após a guerra. Não era difícil encontrar

frases como: "Atacaremos ao alvorecer. Levantar-me-ei às 4 horas para adorar ao meu Senhor".

Certa manhã ele não estava presente à revista quando

o seu nome foi chamado. O oficial perguntou ao sargento:

"Onde está o Walton?"

A resposta foi:

"Não sei, senhor".

Encontrando Tom, o sargento disse-lhe: "Walton! Wal-

ton! Estamos em revista. Corra! Que está acontecendo com

você?"

98

Como

Adorar

o

Senhor Jesus

Cristo

Tom, a toda pressa, apanhou o seu equipamento e foi

para a revista. Três ou quatro dias depois, aconteceu a mesma coisa. "Onde está o Walton, Sargento?" "Não sei."

"Vá

procurá-lo."

O sargento foi à barraca do Tom. Lá estava ele, ajo-

elhado, orando. O oficial lhe disse: "Walton, se isto acon- tecer outra vez, terei que levá-lo ao coronel".

Aconteceu outra vez, e, então, ele foi levado ao coro-

nel que o havia condecorado e, naturalmente, o conhecia.

O coronel disse-lhe: "Você esteve ausente à revista por

três vezes. Isso não é exemplo que um cabo dê. Crente, isso

é estranho. O que está havendo?" Tom, com o seu jeito bonito e suave respondeu: "Co- ronel, eu começo a adorar ao meu Senhor (ele costumava chamá-Lo de 'o meu maravilhoso Senhor Jesus"), e, então, não consigo ouvir mais nada. Não ouço a corneta. Nem o barulho dos soldados. Nada. Desculpe-me". Tom havia alcançado aquelas alturas raras de absorção na adoração ao seu Senhor. O ruído do equipamento, o re- pique agudo da corneta, o barulho da marcha — a tudo ele estava surdo. Aos dezenove anos de idade, Tom Walton estava ser- vindo em Borneo quando, de repente — já não era mais, pois Deus o tomou para Si.

Meu Jesus!

Ó

meu Jesus!

Quão precioso

é

esse

Na

miséria

nome

de

me

buscou,

"JESUS"!

Com seu sangue me

lavou,

Com seu gozo

me dotou meu Jesus!

LIVROS DA EDITORA FIEL

VIDA CRISTÃ

Chaves para o Crescimento Espiritual - John F. MacArthur, Jr. Como Adorar o Senhor Jesus Cristo - Joseph S. Carroll Como Ler a Bíblia - Charles H . Spurgeon Conforto em Tempos de Enfermidade - P. B. Power Cristo em Gênesis - Henry Law Decisão por Cristo, A - L. R. Shelton, Jr.

Deseja Deus

Educação Cristã - Francisco Solano Portela Neto Enriquecendo-se com a Bíblia - A. W. Pink Entre os Gigantes de Deus - J. I. Packer Existe o Milagre de Curas Hoje? - Brian Edwards Fé Genuína - J. C. Ryle Fé Inútil - Jim Elliff Guiado pelo Espírito - Jim Elliff Homem e Mulher - John Piper e Wayne Grudem Importância da Igreja Local, A - Daniel E. Wray Morte da Razão, A - Francis A. Schaeffer Obreiro Cristão Normal, O - Watchman Nee Onde Estão os Apóstolos e Profetas? - Brian Edwards Oração que Deus Responde, A - Guy Appérré Ouse ser Firme - Stuart Olyott

Pessoa de Cristo no Tabernáculo, A - Floyd Lee Gilbert Plena Satisfação em Deus - John Piper Pode Uma Criança ser Salva - Dennis Gundersen Procura de Algo Mais, A - John F. MacArthur, Jr. Provisão Divina para sua Saúde, A - S. I. MacMillen Psicologia da Felicidade, A - Clyde N. Narramore Que Existe de Especial no Domingo, O? - Brian Ewards

Crentes

Realizem Milagres Hoje? - John C. Whitcomb

Santidade

Santos no Mundo - Leland Ryken

Sem a Qual Ninguém Verá o Senhor - J. C. Ryle

Separados pela Verdade -

Sob o Fogo da Provação - Roger Ellsworth Tempos de Refrigério (Uma Chamada à Oração) - L. R. Shelton, Jr. Verdadeira Espiritualidade - Francis A. Schaeffer

Peter Masters

DOUTRINA

"Antigo" Evangelho, O - J. I. Packer Assembléia de Westminster, A - Guilherme Kerr Avivamento: O quê e Por quê? - John Armstrong

Batismo do Espírito Santo, O - Erroll Hulse Batistas e a Doutrina da Eleição, Os - Robert B. Selph Bebês Devem ser Batizados - T. E. Watson Carismáticos, Os - John F. MacArthur, Jr. Com Vergonha do Evangelho - John F. MacArthur, Jr.

Como Pode um Deus

Conheça as Marcas das Seitas - Dave Breese Desafio à Reforma - Thomas K. Ascol Deus é Soberano - A. W. Pink Disciplina Bíblica na Igreja - Daniel E. Wray Divindade de Cristo, A - L. R. Shelton, Jr. Dom Maior, O - Jonathan Edwards Eleição - Charles H. Spurgeon Estudos no Sermão do Monte - D. Martyn Lloyd-Jones Evangelho de Hoje: Autêntico ou Sintético?, O - Walter J. Chantry Evangelho Segundo Jesus, O - John F. MacArthur, Jr. Existe Mesmo o Crente Carnal? - Ernest Reisinger Fé para Hoje - Confissão de Fé Batista de 1689 Maior Luta do Mundo, A - Charles H. Spurgeon Manual de Teologia - John L. Dagg Nascido Escravo - Martinho Lutero Nossa Suficiência em Cristo - John F. MacArthur. Jr. Pregação e Pregadores - D. Martin Lloyd-Jones Que é ura Cristão Bíblico?, O - Albert N. Martin Que há de Errado com a Pregação de Hoje, O? - Albert N. Martin Quem me Livrará? - J. C. Philpot Regeneração por Decisão - James E. Adams Salvação Bíblica, A - W. A. Criswell

.Mandar Pessoas p/ o Inferno? - John Benton

Sincero, mas Errado - D. Martin Lloyd-Jones Triunidade de Deus no VT, A - Stanley Rosenthal Verdades que Transformam - D. James Kennedy Vocábulos de Deus - J. I. Packer

BIOGRAFIA

Ansiedades de um Padre - H. J. Hegger Christiana Tsai, A Rainha do Quarto Escuro - Christiana Tsai De Traficante de Escravos a Pregador - Brian Edwards Manuel, O índio Diplomata - Hugh Stevens Torturado por sua Fé - Haralan Popov Verdade nos Libertou, A - Várias Autoras Vida de David Brainerd, A - Jonathan Edwards

CRIAÇÃO

Criação ou Evolução - Henry Morris

Mistério dos Dinossauros, O - Norma Whitcomb No Princípio - E. H. Andrews

Terra

De Onde Veio?, A - John Whitcomb