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Sagrado Urbano

RONDINELLI, P. Doce, meiga e independente: a mulher no


movimento alternativo. In: VII Simpósio da Associação Brasileira
de História das Religiões., 2005, Belo Horizonte. Sagrado
Urbano (em CD-ROM). Belo Horizonte : PUCMG, 2005.
índice

DOCE, MEIGA E INDEPENDENTE: a mulher no


movimento alternativo.

Paula Rondinelli

"Os homens mais gentis e sonhadores se apaixonam por


uma dançarina egípcia apenas ao verem-na dançar, ela
avança com tanta leveza que não se percebe esforço
nenhum em seus gestos [...] os homens enfeitiçados
Apresentação esquecem de fumar e os bêbados ficam sóbrios".
(Ana Miranda, Amrik, p.21)
Comissões Científica e
Organizadora
Introdução

Conferências
Esta comunicação tem como tema a dimensão feminina
do movimento alternativo. Logo, nos primeiros contatos
Mesas Redondas com quaisquer das facetas deste movimento - e são
muitas - não é difícil perceber um discurso em prol de
valores femininos como a maternidade, a sensualidade e
Mini-Cursos a sensibilidade.

Textos Completos das Embora com grande visibilidade, a valorização do


Comunicações feminino é apenas mencionada por dois estudiosos
desse movimento: Soares (1989) e Magnani (1999).
Assim, tal fato se daria pela "ênfase na docilidade
amorosa e compreensiva da mulher, sendo aberta aos
motivos alheios, disponível e continente, capaz de
proporcionar a unidade através de um abrigo generoso e
múltiplo..." (SOARES, 1989, p.203). Esse processo de
feminilização está presente em várias expressões da
cultura alternativa como, por exemplo, nas imagens da
mulher associada à natureza, expressas pelo resgate da
bruxa e no simbolismo ligado à fertilidade da terra.
Porém, uma das expressões que vinham ganhando
características alternativas e que chamou a atenção
para esse estudo foi a dança do ventre.
Especificamente, previa-se que esta dança carregasse
uma imagem de mulher emergente nesse movimento
com acentuação nos traços femininos.

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Nesse sentido, pretendeu-se verificar tal concepção de


mulher na cultura alternativa através do estudo da
dança do ventre. A hipótese norteadora foi a de que a
dança, ao se aproximar do movimento alternativo, teria
contribuído para o estabelecimento de um conceito de
mulher pós-moderna, ou seja, com a finalidade de busca
de uma mulher, ao mesmo tempo moderna e pré-
moderna, ou ainda, feminina e feminista.

Os dados foram coletados através de observações


sistemática e participante em locais voltados ao ensino
da dança do ventre nos municípios de Rio Claro - SP e
São Paulo - SP, como o Espaço Madaharami, o Centro
Cultural de Rio Claro e a casa de chá Khan el Khalili, por
dois anos e meio. Além disso, também foram realizadas
entrevistas com informantes selecionadas.

Assim, pretende-se iniciar o texto fornecendo um


referencial do movimento alternativo, seguido por um
breve panorama da situação da mulher no século XX
para, posteriormente, verificar o elo entre a mulher e a
religiosidade alternativa por meio do estudo da dança do
ventre.

1. O movimento alternativo.
Esse movimento é uma forma de religiosidade que vem
ganhando forma e importância nas grandes cidades da
sociedade ocidental, desde a década de 80 do século
XX. Apesar disso, são poucos os estudiosos que se
propõe a estudá-lo: no Brasil, o primeiro estudioso a se
interessar por essa forma de religiosidade foi Luís
Eduardo Soares (1989) e a partir dele, Amaral (1996),
Magnani (1999), Tavares (1998), Albuquerque (1998),
Russo (1997) e Martins (1998) estão entre os
pesquisadores que têm se interessado pelo movimento
em questão.

O estudo de Soares (1989) foi o primeiro a reconhecer a


existência, no Brasil, de uma nova manifestação
religiosa que começava a atingir as camadas médias da
sociedade carioca. Seu estudo apresenta um panorama
do movimento alternativo, apresentando algumas
regularidades, dentre elas, uma definição inicial do
termo alternativo, busca de superações de dualidades
como saúde-doença, harmonia-desarmonia, mistério-
ciência, entre outros. Tal superação estaria baseada no
trinômio corpo-espírito-natureza, uma vez que
pressupõe a integralização do indivíduo com a natureza
conferindo, inclusive, uma tonalidade mística. Outra
regularidade encontrada é a noção de energia, que é um
elemento-chave no discurso dos integrantes do
movimento alternativo, segundo Soares (1989, p.193),
como um "substrato presente [...] no corpo e no

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espírito, no homem e em seu ambiente, a natureza".

A partir daí, outros estudiosos se debruçaram para a


investigação do movimento alternativo. Amaral (1996)
ao observar a forma desta manifestação de
religiosidade, observa que esta não apresenta limites
definidos e, ao mesmo tempo, que novos elementos vão
sendo inseridos em seu "corpo", formulando o conceito
de sincretismo em movimento.

Outra característica relevante é a que Albuquerque


(1999) denominou de retorno ao arcaico. Nesse caso, os
participantes desse movimento se voltam para
elementos de cunho pré-moderno, como a busca pela
vivência em comunidade.

Destaca-se, porém, para os objetivos desse trabalho, a


busca de uma religiosidade interior. O estudo de Barroso
(1998) sobre a siddha-yoga propõe que a noção de
Deus no âmbito alternativo é tida como uma força ou
energia cósmica encontrada no interior do praticante.
De modo mais amplo, pode-se cotejar a idéia de Deus
no movimento alternativo com a noção divina presente
no catolicismo: enquanto na religião católica Deus é
considerado superior e punitivo (e talvez por isso seu
lugar esteja no céu), no movimento alternativo Deus
seria encontrado no interior de cada participante, o que
favorece a idéia de igualdade e tolerância. (Rondinelli,
2001)

O contato com Deus no movimento alternativo pode ser


considerado uma tarefa árdua. Essa busca envolveria o
exercício constante de práticas corporais alternativas, de
um modo particular de alimentação enfim, de hábitos
específicos pois, seriam estes elementos, o elo entre o
praticante e o divino.

Deve-se notar que quer seja por suas características,


quer seja pelo contexto onde o movimento alternativo
tem notável crescimento, alguns autores acreditam que
ele seja um movimento religioso típico da pós-
modernidade, como é o caso de Bauman (1997).

A pós-modernidade se caracteriza principalmente, no


âmbito científico, pela tolerância das mais diversas
opiniões. Da mesma forma, o pós-modernismo se
expressa no urbanismo "sempre na tentativa de
respeitar as particularidades de cada local" (Connor,
1993, p.69). Deve-se ressaltar que a expressão pós-
modernidade, no movimento alternativo, não se refere a
um ápice da modernidade e sim, à uma oposição às
meta-narrativas que sustentam a racionalidade e a

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tecnocracia.

A religiosidade nos tempos pós-modernos é expressa


pelo movimento alternativo, uma vez que este é
constituído de partes das mais diversas culturas, além
de se expressar na metrópole como uma religiosidade
envolta pelo consumo (Bauman, 1997).

E pode-se crer que Bauman tenha razão: o movimento


alternativo não impõe "limites de crenças" para os seus
participantes. Como num supermercado, a religiosidade
pós-moderna impõe apenas um produto que deve ser
comprado: a energia. Sem energia, - voltando a Soares
- não há movimento alternativo. O restante o
consumidor compra se quiser: chackra, ufologia,
cristais, fitoterapia, vida comunitária, introdução à
magia, etc. Compra se quiser, mas, como em uma
sociedade de consumo, o consumidor vai querer, porque
ao integrar o universo alternativo ele será instigado a
todo momento a consumir mais, não importa se são as
práticas ou os produtos, nutrindo a sensação de que por
mais cursos que faça ou mais vivências que participe ou
mais livros que compre, sempre vai faltar alguma coisa.

Enfim, o fato é que imersa nesse movimento está a


mulher, que vem exercendo um papel fundamental
nesse movimento devido às suas características
femininas.

2. Feminino e Feminismo no século XX: um recorte.

A influência do cristianismo no Ocidente medieval impôs


um modelo de mulher "santa", ou seja, que se viu
obrigada a esconder suas formas corporais, bem como
seus conhecimentos sexuais a fim de cumprir seu
modelo de pureza (Paiva, 1995). Expressando a força de
tais constrangimentos, eles podem ser encontrados no
período colonial. Era o corpo feminino, nessa época,
estudado por padres e médicos, que demarcava o papel
social da mulher no interior da família e fora dela, num
contexto social mais amplo: apenas com a maternidade
a mulher alcançava algum reconhecimento, fosse no lar
ou perante a sociedade. Assim, mulheres inférteis ou
que praticavam o ato sexual sm fins de procriação eram
mal vistas ou "endemonizadas" na sociedade (Del
Priore, 1997).

Nesse sentido, acredita-se que foi a cultura européia,


dos séculos XVIII e XIX, quem produziu discursos
tipicamente femininos "cujo sentido geral era promover
uma perfeita adequação entre as mulheres e o conjunto
dos atributos, funções, predicados e restrições

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denominado feminilidade". Daí a noção de que a


natureza feminina deveria ser voltada à função para
qual teria sido criada: a maternidade e, como
conseqüência, sua devoção ao lar e à família. (Kehl,
1998, p.58)

Todavia, a dinâmica da modernidade provocou


movimentos voltados para uma revisão dos papéis
femininos. Nesse sentido, duas faces de "libertação" da
mulher tiveram destaque no século XX: os movimentos
feminino e feminista. No Brasil, durante as décadas de
20 e 30, as mulheres iniciaram uma verdadeira
reviravolta dos padrões então vigentes: começaram a
sair de dentro de seus lares sem a companhia de pais,
irmãos ou maridos, criando polêmica em vários setores
da sociedade na época. (Maluf, Mott, 1998)

Assim, o movimento feminino pode ser considerado


como o primeiro modo de organização das mulheres no
século XX, embora estivesse intimamente relacionado
aos padrões católicos familiares. No entanto, esse
movimento restringia-se às donas-de-casa das camadas
média e alta da sociedade, com a finalidade de defesa
da ordem e da moral tradicional. Como conseqüência,
cursos profissionalizantes tipicamente femininos, como a
costura, por exemplo, eram oferecidos por meio dessas
organizações às mulheres pertencentes às camadas
sociais de baixo poder aquisitivo. (Singer, 1980)

Algumas décadas mais tarde, nos anos 60, outro modelo


de organização das mulheres surgiu, inicialmente nos
EUA e foi se difundindo, mais tarde, para outros países
ocidentais: o movimento feminista. A diferenciação
entre feminino e feminismo se encontra na organização
das mulheres em grupos, com a finalidade de
garantirem seus direitos de cidadã, no segundo
movimento. "O feminismo atual questiona precisamente
a forma tradicional de desempenho do papel de esposa
e mãe. Não se trata mais de conquistar direitos formais,
mas de mudar a forma de relacionamento entre homens
e mulheres, em primeiro lugar na família, mas também
no trabalho e na política." (Singer, 1980, p.113)

Assim, a reivindicação de igualdade de papéis entre


homens e mulheres acarretou muitas conseqüências
sociais para a mulher, como o direito ao voto e à
liberdade sexual. Isso envolve também a participação da
mulher em movimentos de camadas desprivilegiadas,
bem como a incorporação de novas visões nos âmbitos
econômico e social.

O feminismo produziu uma vasta literatura que pode ser


objeto de análise. No campo acadêmico houve

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envolvimento dos cientistas sociais com as


reivindicações feministas, expressas nos estudos de
gênero. Assim, temas como o feminismo e a igualdade
de papéis entre homens e mulheres, além da
emancipação feminina, são estudados até os dias atuais.
(Heilborn, Sorj, 1999)

Enfim, presentemente observa-se a emergência dos


valores femininos como a maternidade, a sensualidade e
a sensibilidade, tão negados pela modernidade. No que
se refere à religiosidade alternativa, o resgate desses
valores femininos pré-modernos vem se estabelecendo
como característica fundamental desta religiosidade.

A mulher, na visão alternativa, constitui-se em um ícone


de uma inter-relação ideal do ser humano com a
natureza. Isso se daria, segundo o discurso alternativo,
devido ao fato de, tanto a mulher, quanto a natureza,
gerarem novos seres. Além disso, este movimento
define a mulher como uma expressão da coletividade e
da generosidade, complementar ao homem, ícone do
individualismo.

Assim, percebe-se à primeira vista que os elementos


tipicamente femininos vêm ganhando espaço na
sociedade ocidental, contradizendo, aparentemente, os
valores feministas tão outrora reivindicados. Entretanto,
através de uma observação mais atenta, verifica-se que
esta valorização recente do feminismo não se opõe ao
feminismo, e sim, coexiste com o mesmo. Isso se dá
uma vez que a docilidade, a maternidade e outros
componentes femininos convivem com valores
feministas como a independência e a liberdade da
mulher.

3. O feminino na dança do ventre.

A relação entre dança do ventre e o feminino logo


transparece no mito de origem da mesma. Devido à
inexistência de literatura acadêmica sobre esse tema,
tratou-se a origem da dança do ventre enquanto dado
para análise.

Há a veiculação de uma suposta gênese da dança do


ventre, dada por revistas e sites especializados, que
apresenta a mulher ligada magicamente à natureza
devido à sua capacidade de procriação. Além disso, a
união entre mulher e natureza estaria baseada em uma
religiosidade também pré-moderna e pré-cristã, onde a
mulher teria sido cultuada devido aos seus atributos
femininos (Estrela, 2000). Nesse sentido, o mito de
origem da dança do ventre está intimamente ligado ao

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mito antropológico do matriarcado. Além disso, nota-se


a dança - ou o uso do corpo - como elo entre o homem
e o divino.

Outra fonte escrita afirma que com passagem do


matriarcado para o patriarcado, a dança teria sofrido
mutações, visto que os valores da mulher conectada à
terra teria perdido suas funções sagradas para, num
segundo momento, adquirir uma nova dimensão: a de
entreter e de estimular espectadores (Khan, 2000).

Dessa forma, entende-se que, talvez pela origem


remota da dança do ventre, inexistam elementos
consistentes para a reconstituição de sua história. Ou,
ainda, pode ser que profissionais habilitados para tal
reconstituição - historiadores - ainda não tenham se
interessado por ela. Seu mito de origem incorpora
fragmentos de explicações, oriundos da Antropologia, da
História, de uma visão evolucionista dos povos e seus
contatos. Assim, mesmo se apresentando sem
fundamento, este mito de origem expressa a valorização
da mulher, principalmente em função de sua
característica fértil.

Ademais, além da fertilidade, a delicadeza, a suavidade,


a docilidade e a sedução são também considerados
elementos constituintes do feminino. Durante o estudo
verificou-se que tais características, embora essenciais
na dança, são tratadas de maneiras diferentes por dois
grupos de praticantes, classificados como
entretenimento e alternativo. Isso significa dizer que
apenas um dos grupos se insere no movimento
alternativo, ou seja, que se utiliza da dança para atingir
o feminino e, a partir daí, estabelecer o contato com o
sagrado. Essa face do alternativo na dança do ventre é
visível na fala a seguir:

"Precisa dançar... precisa dançar muito pra entrar na


música e esquecer que você tá dançando. Precisa deixar
o corpo dançar porque daí, né, o seu lado feminino vai
aparecendo."

Já o grupo entretenimento cria os traços femininos a


partir de técnicas corporais: são maneiras de olhar,
maneiras de movimentar-se, maneiras de fazer até o
cabelo ganhar expressões sensuais, como expostos a
seguir a partir dos discursos das praticantes:

"Para mim, a dança do ventre é o retrato do feminino.


Por quê? Por que o que você usa na dança do ventre? A
suavidade, que é uma ciosa feminina, os movimentos
arredondados do caminhar, de deslocamento usa muito

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o quadril, que é feminino. A dança do ventre, ela é


feminina do começo ao fim, porque se usa o cabelo para
seduzir, o olhar para seduzir. Vai fazer com que você
fique mais feminina em todos os sentidos."

"Na dança do ventre a gente vai trabalhar com duas


formas de mulher: a da Lilith, com um olhar mais
sensual e da Eva, com um olhar mais doce. Dependendo
do momento que você estiver, dos sentimentos que
quiser transmitir, é só você lembrar desta regrinha:
Para o olhar de Eva, de boazinha, é só erguer um pouco
o pescoço, deixe seu rosto numa posição normal. Para o
olhar de Lilith, é só abaixar um pouquinho do nariz: olhe
como se você estivesse olhando entre as
sombrancelhas."

Enfim, do corpo ou da alma, a feminilidade faz parte da


dança do ventre. Pode-se dizer, inclusive, que talvez
seja o seu elemento principal. Assim, as características
femininas que, outrora foram justificativa de submissão
da mulher na sociedade ocidental e, posteriormente
negadas pelo feminismo na década de 60, do século XX,
parecem estar sendo realmente resgatadas como valor
positivo pelas mulheres nesse novo momento histórico:
a pós-modernidade. É óbvio que atualmente, o resgate
dos atributos femininos não engloba a "clausura
privada" pela qual as mulheres passaram antes do
feminismo. As praticantes observadas ou eram
universitárias que pretendiam a independência
financeira, ou já eram mulheres economicamente
independentes.

É justamente a união desta independência moderna


conquistada nos anos 60 com a busca pelos traços
femininos, presentes na pré-modernidade, que
constroem a nova mulher no Ocidente, observada neste
estudo. Esta nova mulher é retratada no discurso de
diversas entrevistadas.

"A mulher tem que se aceitar, se conhecer e se gostar.


E isso é tão bonito, porque no mundo lá fora a gente
tem que ser competitiva, tem que ser competente, tem
que ser não sei o quê. Então a mulher já aprende... até
no andar ela já é durona, nem rebola mais porque tem
que ser machona mesmo pra enfrentar o mundo. Então,
com a dança, elas aprendem a ser mais femininas, são
mulheres, né, que aprendem que mesmo sendo mulher
e feminina e delicada e doce, ainda assim ela é forte.
Ela consegue conquistar o mundo que quer, sendo dessa
maneira. Não precisa ser durona, ser machona, ser
brava: não precisa de nada disso. Pode ser feminina,
bonita, simpática, doce e conquistar o mundo do mesmo

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jeito. Não precisa se caracterizar de homem para


conquistar [o mundo]."

Nesse sentido, a dança do ventre realmente se


apresenta como manifestação do feminino com fortes
traços do movimento alternativo, como se previa no
início da pesquisa. Os elementos alternativos como a
valorização do arcaico, o resgate de valores tipicamente
femininos e o uso de características míticas para a
representação da mulher na atualidade, aliados às
características modernas encontradas nas praticantes e
professoras de dança do ventre revelaram a emergência
de um novo tipo de mulher em nossa sociedade: a
mulher pós-moderna, confirmando, portanto, a hipótese
inicial desse estudo.

Considerações Finais.

O movimento alternativo, com sua característica


tolerante e com sua facilidade em dialogar com as
religiões já institucionalizadas, vem ganhando espaço
entre as camadas média e alta de nossa sociedade. Ao
lado desses aspectos, destaca-se a valorização da pré-
modernidade que estava refletindo uma nova imagem
de mulher e que foi expressa, nesse estudo, pela dança
do ventre.

A dança do ventre, desde o seu mito de origem até a


sua prática, reflete uma exaltação do feminino. Grande
parte dos gestos corporais que a compõe são suaves e
delicados. Ao mesmo tempo, outros movimentos não
tão meigos mas que são feitos com o ventre ou com o
peito ressaltando, portanto, a sensualidade feminina.

Dessa forma, a valorização de elementos tipicamente


femininos - pré-modernos - como a sensualidade, a
beleza, a maternidade, a compreensão, a tolerância,
entre outros, vem ganhando a adesão da mulher
moderna e modificando, inclusive, seu papel social.
Nesse momento, apresenta-se uma mulher que
ressignifica as características maternais contidas em seu
corpo. Claro que as conquistas sociais da mulher
moderna - como o espaço no mercado de trabalho e o
direito à cidadania - não foram rejeitadas, e sim, aliadas
aos valores femininos. Aliás, talvez por já terem
conquistado seu lugar na sociedade, as mulheres agora,
sem descartar a influência do movimento alternativo,
tenham tido a possibilidade de se voltar àquelas
características tidas como tradicionais pelas feministas.

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