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Agência Nacional de Águas

Ministério do Meio Ambiente


RODA D’ÁGUA

SATÉLITE

Brasília – DF
2012
© Agência Nacional de Águas (ANA), 2012.
Setor Policial Sul, Área 5, Quadra 3, Blocos B, L, M e T.
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Elaboração do Texto
Antonio Cardoso Neto
Colaboração
Eurides de Oliveira

Coordenação Geral
Valdemar Santos Guimarães
Eurides de Oliveira
Cláudio Henrique de Oliveira Brandão
Antonio Cardoso Neto
Bruno Pagnoccheschi

Fotografias:
Banco de Imagens ANA, Shutterstock e Stock.XCHNG

Projeto gráfico e editoração

Direção de Arte – Carlos André Cascelli


Editoração e Ilustração – Rael Lamarques
Revisão – Danúzia Queiroz
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É permitida a reprodução de dados e de informações contidos nessa publi-
cação, desde que citada a fonte.

Catalogação na fonte: CEDOC / BIBLIOTECA

A265a Agência Nacional de Águas (Brasil).


Água na medida certa: a hidrometria no Brasil / Agência Nacional de
Águas ; textos elaborados por Antonio Cardoso Neto. -- Brasília: ANA, 2012.

72 p.: il.

1. Recursos hídricos, Brasil 2. Hidrometria 3. Bacia hidrográfica


I. Agência Nacional de Águas (Brasil) II. Cardoso Neto, Antonio III. Título

CDU 556.08 (81)
Foto: Foz do Iguaçu / Banco de Imagens da ANA
SUMÁRIO

5 19 39
DO QUE É FEITO O QUE É O O QUE É
O NOSSO PLANETA? CICLO HIDROLÓGICO? BACIA HIDROGRÁFICA?

9 25 43
POR QUE O NOSSO A ÁGUA É PARA QUE MEDIR A
PLANETA SE CHAMA TERRA? FARTA OU ESCASSA? VAZÃO DE UM RIO?

13 29 47
EXISTE MUITA COMO É USADA COMO MEDIR A
ÁGUA NO MUNDO? A ÁGUA NO MUNDO? VAZÃO DE UM RIO?

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


DO QUE É FEITO
O NOSSO PLANETA?
O planeta em que vivemos, chamado Terra, tem a mantém sólida, mesmo estando
forma aproximada de uma esfera, com pouco mais de a uma temperatura de quase
12.000 quilômetros de diâmetro, e gira em torno de 6.000o C. Envolvendo o Núcleo
uma estrela que chamamos de Sol. Para os propósitos interno há o Núcleo externo,
desta cartilha, o assunto que nos interessa é a compo- constituído de uma camada visco-
sição deste planeta, que, para simplificar, dividimos em sa de quase 2.300 quilômetros
5
Núcleo (interno e externo), Manto e Crosta. de espessura, sendo composto
do mesmo material do Núcleo
O Núcleo interno é representado como uma figura interno e com aproximadamente
quase esférica, de uns 2.500 quilômetros de a mesma temperatura, porém,
diâmetro, constituída basicamente de ferro e níquel, por estar sujeita a uma pressão
submetida a uma pressão tão gigantesca que se menor, apresenta-se como uma
camada de metal derretido.

Manto
O Manto, que envolve o
Núcleo, é formado por uma
1 km
Núcleo 6.37 camada pastosa de uns 2.800
quilômetros de espessura,
3.488 km 2.833 km Crosta
composta por substâncias ricas
em ferro e magnésio.

A Crosta é uma capa que


reveste o Manto e é basica-
Composição geológica do planeta. mente composta de silicatos de

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


alumínio, cuja espessura varia subimos, a temperatura diminui mais importantes decorrentes
de 40 a 70 quilômetros. de 50 C a 70 C. É por isso que os da água na Atmosfera não
cumes das cordilheiras mais altas ocorrem nessa camada. Depois
Esta bola está envolta por uma estão eternamente cobertos por da Estratosfera há uma zona de
tênue camada de gás que vai neve. As nuvens estão confinadas transição em que a temperatura
tornando-se cada vez mais ra- à Troposfera, nela ocorrem as se mantém aproximadamente
6
refeita à medida que se afasta chuvas, os furacões e os torna- constante, chamada Estratopau-
da superfície. Essa camada dos. Quase todo o vapor d’água sa. Daí vem a Mesosfera, com
gasosa, denominada Atmosfe- está na Troposfera. No topo dessa uns 35 quilômetros de espessu-
ra, é dividida basicamente em camada, há uma estreita faixa ra, na qual a temperatura volta a
cinco subcamadas. conhecida pelo nome de Tro- diminuir com a altitude. A seguir,
popausa, em que a temperatura vem a Mesopausa, que é uma
A que fica imediatamente sobre cessa subitamente de diminuir faixa em que são encontradas
a Crosta Terrestre é chamada com a altitude. as temperaturas mais baixas do
Troposfera. Mais de 80% de planeta. Depois da Mesopausa,
toda a massa atmosférica fica A seguir, há uma camada a temperatura volta a aumentar
nessa camada, que tem de 12 de cerca de 30 quilômetros, substancialmente à medida que
a 17 quilômetros de espessura. denominada Estratosfera, cuja a altura aumenta, na camada
Uma característica importante da característica principal é o conhecida como Termosfera,
Troposfera é o fato de que a tem- aumento da temperatura com que chega a ter de 350 a 800
peratura diminui à medida que a altitude. Na Estratosfera ainda quilômetros. Por fim, há uma
a altitude aumenta. De maneira há um pouco de vapor d’água, breve faixa de transição, chama-
geral, a cada quilômetro que mas os fenômenos atmosféricos da Termopausa, a que se segue
a Exosfera, uma camada rarefeita uma bola de futebol feita de que trabalham alguns cosmo-
em que vagam solitárias algumas couro. A bola de futebol oficial nautas e a maioria dos satélites
moléculas de hidrogênio e de tem 22 centímetros de diâmetro, artificiais giram em torno da bola,
hélio, além da qual está o vazio e o couro de que é feita é uma descolados a pouco mais de 5
entre os corpos celestes, chama- capa com menos de 2 milíme- centímetros de sua capa de cou-
do Espaço Sideral. tros de espessura. A nossa bola, ro. Vivemos todos na superfície
7
em vez de estar cheia de ar, está dessa capa.
Nem todos os fenômenos cheia de uma liga metálica.
atmosféricos decorrem da Há um pequeno número de
presença de água, o que faz que Na capa de couro da bola estão artefatos em órbita, utilizados
também ocorram fenômenos os cumes de todas as mon- basicamente para telecomuni-
importantes além da troposfera, tanhas e os fundos de todos cação (denominados satélites
como, por exemplo, as auroras os mares; é nela que estão as geoestacionários) que, nessa
polares, que costumam ocorrer a nossas indústrias e as minas proporção, situam-se a uns 65
uma altura de aproximadamente mais profundas; é nela que estão centímetros da bola. A Lua, o
150 quilômetros. Em termos as cidades, as plantações, os de- lugar mais distante a que já che-
práticos, podemos considerar que sertos e as florestas; é nela que garam alguns poucos indivíduos
a atmosfera que separa a Crosta jazem os restos dos dinossauros de nossa espécie, é uma bola de
Terrestre do Espaço Sideral tem e o petróleo; deslizam rentes a tênis a pouco mais de 7 metros
uns 200 quilômetros de altura. ela nossos aviões mais possan- de distância. O Sol é uma bola
tes; a atmosfera é uma película de 25,66 metros de diâmetro,
Para que possamos conceber gasosa com 4 milímetros de es- a 2.750 metros de distância da
essas proporções, imaginemos pessura; as estações orbitais em nossa bola de futebol

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POR QUE O
NOSSO PLANETA
SE CHAMA TERRA?
Sabemos que cerca de 70% da superfície da Terra A Fossa das Marianas, situada
é coberta por mares e oceanos. O restante da área a mais de 2.500 quilôme-
é ocupado pelos continentes e pelas ilhas, ou seja, tros a leste do arquipélago
9
por aquilo que nos acostumamos a chamar de das Filipinas, é o lugar mais
terra firme. Devido a isso, há quem defenda que o profundo do oceano, com
planeta deveria chamar-se Água, e não Terra. quase 11quilômetros de

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


profundidade. No entanto, mais de 1/3 da massa do pla-
a profundidade média dos neta. Não há registro em ne-
oceanos não chega a nhum idioma de que o nome
4 quilômetros. Isso significa que do planeta em que vivemos
todos os mares e oceanos do e o do elemento ferro sejam
10 mundo podem ser representa- palavras homônimas.
dos pela fina camada de tinta
com que está pintado o couro Porém, podemos observar
da nossa bola de futebol, além que muitos nomes de lugares
disso, não se esqueça de que é referem-se à terra de algum
apenas 70% da tinta. povo: Inglaterra significa Terra
dos Anglos, antigos habitantes
Todos sabemos que uma mo- das ilhas britânicas; Suazi-
lécula de água é composta de lândia, Terra do Povo Suazi.
um átomo de oxigênio e dois Denominamos o lugar onde
de hidrogênio. Cerca de 20% nascemos de terra natal. De-
da atmosfera é composta por pois de meses no mar, o som
oxigênio, mas apenas uma ínfi- pelo qual os marinheiros mais
ma parte de seus átomos está anseiam é o grito de “terra
combinada com hidrogênio. à vista”! Por sermos animais
terrestres, presume-se que
O elemento mais abundante chamemos nosso planeta de
na Terra é o ferro, compondo Terra, no sentido de lar
Foto: Zig Koch / Banco de Imagens da ANA

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


EXISTE MUITA
ÁGUA NO MUNDO?
Há muito mais animais e plantas no mar do que em O Coveite é um país árabe do
terra firme. Abastecemo-nos com muitos deles. Golfo Pérsico, mais conhecido
Os portugueses, os gregos, os holandeses, os chile- entre nós pelo nome inglês
nos, os japoneses, os noruegueses e muitos outros Kuwait. A quase totalidade da
povos possuem dietas baseadas grandemente no energia elétrica consumida no
que lhes fornece o mar. Porém, por ser salgada, Coveite provém de centrais
13
essa água toda não se presta ao consumo direto movidas a gás natural. Parte
dos animais terrestres (entre os quais nos inclu- desta energia é utilizada pelas
ímos) nem à irrigação das plantas terrestres que usinas de dessalinização para
alimentam esses animais. produzir água potável. Não é
de causar surpresa o fato de os
Estima-se que 96,54% da água que existe no coveitianos pagarem mais por
mundo esteja no mar. Há também muitos lagos sal- um litro de água do que por um
gados e presume-se que mais da metade da água litro de gasolina.
subterrânea também seja salgada. No cômputo
geral, portanto, podemos dizer que 97,5% da água Entre os 2,5% do volume restan-
que existe é salgada. te, há ainda muita água que não é
salgada, mas que não é propria-
Apesar de o sal poder ser separado da água por mente doce. É a chamada água
meio de usinas de dessalinização, recorrer a tal salobra, o que significa que é “um
procedimento só se justifica em casos extremos, pouquinho” salgada. Essa água
devido, principalmente, ao dispêndio descomunal salobra pode ser encontrada
de energia no processo. em alguns lagos, lagoas, deltas,

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


pântanos e até no solo. Embora superior ao requerido pelos subterrâneos está em repouso
as técnicas de dessalinização processos de dessalinização. há milhões de anos e, uma vez
de águas salobras sejam mais utilizada, não é devolvida aos
simples que as de água salgada, Resta ainda quase 1/3 da água locais em que jazia. De maneira
continuam sendo financeiramen- doce existente. Contudo, mais similar ao que ocorre com o pe-
te dispendiosas, principalmente de 96% dessa água doce tróleo, essas águas (conhecidas
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por conta da energia requerida restante está confinada nos como águas fósseis) constituem
pelos processos. De qualquer poros ou entranhada nas fissuras um recurso não renovável. Há,
maneira, no contexto desta car- das rochas subterrâneas, em no entanto, alguns aquíferos de
tilha, podemos considerar como formações conhecidas como água doce que a própria natu-
sendo doce toda água que não é aquíferos. De acordo com reza se encarrega de recarregar
salgada. Dessa forma, podemos diversos estudos confiáveis, e, se forem bem administrados,
considerar que 2,5% da água cerca de 20% do suprimento de podem fornecer água de boa
que existe no mundo é doce. água no mundo é proveniente qualidade durante um período
de água subterrânea. O esforço teoricamente infinito.
Acontece que mais de 2/3 da utilizado para a captação da
água doce fica nas geleiras e na água subterrânea é inferior ao Ainda resta um pouco de água
cobertura permanente de neve que seria necessário para obter doce (pouco mais de 0,3%).
sobre as montanhas e as regiões a mesma quantidade de água Porém, mais de 3/4 desse
polares. O uso dessa água por meio de dessalinização volume restante são placas
pela sociedade requereria um ou de transporte de geleiras. de gelo flutuantes, estão em
esforço colossal de transporte, Infelizmente, boa parte da água pântanos ou em forma de umi-
com consumo energético talvez doce encerrada em depósitos dade do solo em grande parte
permanentemente congelado. transferimos 694 gotas e que a outra continua quase
O acesso a essa água também para um copo. cheia. A água das garrafas
exigiria um esforço considerável 3. A seguir, pingamos 304 representa a água salgada.
por parte da sociedade. gotas que estavam na
garrafa em uma caneca. A água que está no copo equi-
A outra quarta parte que restou 4. Pingamos 9 gotas em vale, em nossa escala, à água
15
está nos rios e nos lagos, na uma xícara. doce das geleiras dos polos e
atmosfera — em forma de vapor 5. Pingamos 3 gotas em um das neves eternas das monta-
e de nuvens — e na composi- pires. Se o conta-gotas ainda nhas. A água da caneca faz o
ção do corpo dos vegetais e dos tiver água dentro, recoloca- papel da água doce subterrâ-
animais da Terra. mos esse excesso de água nea. A que está na xícara é a
na garrafa e a fechamos. água dos pântanos e dos solos.
Para percebermos essas pro-
porções, podemos proceder da Coloquemos esses recipientes Restam três gotas no pires.
seguinte forma: lado a lado e imaginemos que Além da água doce dos rios e
1. Enchemos de água 2 gar- toda a água que existe no mun- dos lagos, essas gotas também
rafas de 1 litro cada. do possa ser representada por representam a água que está na
2. Abrimos uma das garrafas 2 litros. Poderemos notar que atmosfera e a que compõe os
e, com um conta-gotas1, uma garrafa nem foi tocada, corpos de todos os seres vivos.

>> 1 O volume de uma gota de água destilada a 250 C produzida por um conta-gotas padrão é de 1/ 20 de mililitro ( em outras
palavras, um litro tem cerca de 20.000 gotas).

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


Após compararmos a ocor- representariam a água doce a manutenção da vida. Visto
rência da água doce disponível dos rios e dos lagos, 17 partes por este prisma, a água é um
com toda a água existente, comporiam a água que circula recurso bem farto.
que, por sua vez, já havia sido na atmosfera e 1 parte repre-
comparada com a composição sentaria a água presente nos Chegamos a duas conclusões
geológica do planeta, chegamos corpos de todos os seres vivos. até certo ponto contraditórias
16
à conclusão de que a água que e não respondemos satisfa-
pode ser usada pela socieda- Ao focarmos nossa atenção toriamente à pergunta se a
de é, na verdade, um recurso apenas nessas três gotas, água é um recurso escasso ou
extremamente escasso. concluímos que a água doce abundante. Antes de afirmar-
dos rios e dos lagos é cerca de mos qualquer coisa de maneira
Olhemos para as três goti- 122 vezes maior que a água categórica, temos de considerar
nhas solitárias no pires. Se contida em todos os animais e outros fatores que serão esclare-
pudéssemos dividi-las em 140 vegetais da Terra. Há, portan- cidos ao respondermos a outras
partes iguais, 122 dessas partes to, água em abundância para perguntas mais adiante
Foto: Zig Koch / Banco de Imagens da ANA
17

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


O QUE É O
CICLO HIDROLÓGICO?
Ao falarmos agora há pouco da quantidade de os organismos se reproduzem
água que há no mundo, e mesmo quando falamos e morrem para dar lugar aos
sobre a água representada pelas gotas no pires, mais jovens. Em resumo, não
não fizemos qualquer referência, por exemplo, ao nos referimos ainda ao fato de
fato de que a água na Atmosfera se transforma que toda a água do mundo
em nuvens e, posteriormente, em chuva; omitimos está em constante movimento.
19
mencionar que as águas dos rios correm e que Os valores de que falamos são
as dos lagos também não ficam paradas e que valores médios.

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


O movimento da água na Ter- acabam por fazê-las se cho- bruscos permitem que as go-
ra é uma sucessão de deslo- carem entre si e se unirem tas não caiam, mas também
camentos e mudanças que se em gotas maiores, fenômeno fazem que a coalescência
denomina Ciclo Hidrológico. conhecido como coalescência, ocorra com maior frequên-
formando as nuvens. cia, acarretando aumento do
Uma minúscula parte da tamanho das gotas. Ao atingi-
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energia emanada pelo Sol Fenômenos altamente rem determinado tamanho,
chega à Terra em forma de luz complexos – em que influem as gotas, até então susten-
e calor. Ao aquecer a super- o calor do sol, a rotação da tadas pelas correntes de ar,
fície na qual há água, ocorre Terra, a conformação dos tornam-se suficientemente
a evaporação da superfície. Já continentes e a temperatura pesadas para que a atração
sabemos que a maior parte dos oceanos entre inúmeros gravitacional as faça se preci-
da superfície em que há água outros – fazem que a atmos- pitarem de volta à superfície.
é a dos oceanos e dos mares. fera se movimente. Dependendo das condições
A superfície líquida transfor- atmosféricas elas podem
ma-se em vapor d’água que Os ventos carregam as chegar à superfície em forma
inicia seu movimento de ascen- nuvens para lugares distantes de pequenas esferas de
são na atmosfera, deixando o sal de onde se originaram as gelo (granizo), flocos gela-
para trás. Ao subir na Troposfera, gotículas de vapor. As gotas dos (neve) ou simplesmente
essa água destilada, em forma são mantidas suspensas, como gotas de água (chuva).
de vapor, vai se tornando cada devido a movimentos turbu- Embora o granizo, a neve e a
vez mais fria. Os movimen- lentos no interior das nuvens. chuva sejam diferentes mani-
tos complexos das gotículas Esses movimentos caóticos e festações do que se conhece
por precipitação, chamare- gotas a tocar o solo começam e ir parar em locais de acesso
mos, nessa cartilha, de chuva, a se infiltrar nos poros da terra. difícil e dispendioso embaixo das
qualquer precipitação. Como A água que se infiltrou no solo rochas impermeáveis. Esses são
é de se esperar, a maior parte começa a se movimentar os chamados lençóis cativos ou
da chuva cai no oceano. lentamente, cada vez mais em aquíferos confinados. Muitas
direção ao fundo. Os vegetais vezes, devido à conformação
21
Em terra firme, as chuvas po- aproveitam para absorver essa topográfica ou a rachaduras nas
dem cair nas regiões urbanas água por meio de suas raízes. rochas, os lençóis freáticos e
ou nas zonas rurais. As que A água que chegou a um ponto até mesmo os cativos afloram
caem nos telhados das casas mais abaixo das raízes pode na superfície e formam os
se concentram nas calhas. Daí continuar seu movimento des- chamados olhos d’água, minas
escorrem para pavimentos e cendente até chegar a um lugar ou fontes. Alguns riachos são
vias públicas, onde são coleta- onde não há mais poros vazios. formados por essas minas.
das pelas galerias pluviais que Essa região onde todos os Parte da água subterrânea pode
as escoam para os rios. poros estão saturados de água aflorar no mar.
é chamada de lençol freático,
As chuvas que caem nos sendo a água subterrânea de Se a intensidade da chuva
campos encharcam as folhas mais fácil acesso. É aquela água for superior à capacidade
das árvores e escorrem pelos que fica no fundo daqueles do solo de absorver a água,
caules, atravessam os vãos entre poços tão comuns na zona rural. as depressões na superfí-
as folhas e chegam ao chão, Mas a água pode continuar cie do solo começam a se
preenchem as tocas dos animais descendo até encontrar uma alagar. Se a chuva continuar,
e os troncos ocos. As primeiras rocha, penetrar por suas fendas esses alagados começam

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


a transbordar e surgem trajeto, a água da superfície
pequenos filetes d’água nos dos rios e dos lagos não
terrenos. Os filetes vão se para de se evaporar.
juntando e formando en-
xurradas que vão descendo A água absorvida pelas plantas
as colinas, se dirigindo aos participa do processo metabóli-
22
fundos dos vales e correndo co de seu crescimento corporal.
para os rios. Esse excesso Um dos processos é a trans-
de água é levado pelos rios, piração, que devolve parte da
que desembocam em ou- água absorvida para a atmosfe-
tros, e assim por diante, até ra em forma de vapor.
chegar ao mar. Durante esse
O Ciclo Hidrológico é um
processo em que intervêm
incontáveis fatores. Há pesso-
as que dedicam a vida inteira
ao aprofundamento de seus
detalhes, e existem institui-
ções de pesquisa que tratam
exclusivamente dessa sequên-
cia intrincada de fenômenos.
Mas, de maneira geral, você já
sabe do que se trata
Foto: Zig Koch / Banco de Imagens da ANA
23

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


A ÁGUA É FARTA
OU ESCASSA?
Uma das conclusões a que havíamos chegado e de Bornéu, por exemplo, há
foi que, até certo ponto, há abundância de água grande quantidade de água
disponível no mundo. e uma variedade enorme de
fauna e de flora. Por outro lado,
Porém, a abundância de água doce diz respeito nas vastidões dos desertos de
apenas a valores médios. A distribuição de água doce Atacama, de Gobi e do Saara, a
25
no mundo está longe de ser homogênea. Por um água é quase inexistente, e os
lado, nas selvas tropicais da Amazônia, do Congo vegetais e animais resumem-se a

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


pouquíssimas espécies com um a exigir, cada vez mais, grande Também tínhamos visto que a
número também muito reduzido variedade de usos da água. água se movimenta o tempo
de indivíduos. Em suma, a vida todo. Tal propriedade da água
em terra firme se concentra onde Há lugares, como a Amazônia, faz que, mesmo em lugares
há abundância de água e escas- onde há uma imensidão de água em que há normalmente água
seia nas regiões em que a água é doce e poucos habitantes e luga- em abundância, surjam às
rara. De qualquer forma, com sua res no Sertão do Nordeste em que vezes épocas prolongadas de
26 distribuição não uniforme, a água os poucos rios chegam a secar estiagem, com consequências
doce que existe é suficiente para por completo de tempos em tem- às vezes devastadoras. Outras
a manutenção da fauna e da flora pos, e concentram uma população épocas há em que o excesso
existentes na natureza. consideravelmente grande. de água pode causar graves
calamidades, como é o caso
Assim foi durante milhões de O fato de determinada água de inundações das várzeas
anos. Porém, a difusão da não ser salgada não é con- dos rios e deslizamentos de
humanidade em praticamente dição suficiente para que ela encostas de morros.
todos os quadrantes da Terra, o possa ser consumida. Na
surgimento das comunidades região Sudeste do Brasil, há Assim sendo, do ponto de vista
humanas nos mais diversos luga- problemas seriíssimos com da civilização, concluímos que
res do mundo, a diversidade de relação à má qualidade da a água, devido à sua mobili-
tarefas dos grupos da sociedade, água. Existem muitas enfer- dade e à sua distribuição não
a especialização dos inúme- midades cujo principal veículo uniforme, deve ser conside-
ros serviços dos indivíduos, o de propagação é a água. São rada como sendo um recurso
desenvolvimento tecnológico e a as chamadas doenças de limitado, cujos usos devem ser
rede cada vez mais emaranhada veiculação hídrica. Água doce planejados da maneira mais
de atividades humanas passaram não significa água limpa. eficiente possível
Foto: Zig Koch / Banco de Imagens da ANA
27

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


COMO É USADA A
ÁGUA NO MUNDO?
De acordo com dados da Organização das Nações Ainda segundo as informações
Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e oficiais das Nações Unidas, um
da Organização das Nações Unidas para a Educa- bilhão de pessoas não têm
ção, a Ciência e a Cultura (Unesco), há evidências acesso a água potável de qua-
de que atualmente cerca de 54% da água doce lidade confiável, e dois bilhões
acessível contida em rios, lagos e aquíferos já e meio vivem em condições
29
esteja sendo utilizada pela sociedade. Em termos sanitárias inadequadas.
globais, 69% dessa água destina-se à irrigação
das lavouras, 23% é usada pela indústria e 8% Os dados fornecidos pelas
destina-se aos diversos usos domésticos. agências internacionais que
tratam dos recursos hídricos não
Assim como a distribuição da água doce no são nada animadores: 70% dos
mundo não é uniforme, também não é o seu dejetos industriais nos países em
uso. Por exemplo, 88% da água captada pelos desenvolvimento são despejados
africanos destina-se à agricultura, enquanto os diretamente nos corpos d’água,
europeus utilizam para a irrigação apenas 33% sem qualquer tipo de tratamen-
da água que captam; 13% da água captada to. Estima-se que 2 milhões de
pelos europeus é gasta em usos domésticos, ao toneladas de dejetos humanos
passo que os africanos usam 7% do que captam são despejados diariamente nos
para suas necessidades básicas; enquanto rios, na forma de esgoto bruto;
a indústria europeia consome 54% da água cerca de 1/5 da humanidade
captada, o parque industrial africano emprega vive em locais nos quais o uso a
somente 5% da água obtida. água excede os níveis mínimos

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


Utilização da água relacionada com usos e funções
Utilização Usos consuntivos Usos não consuntivos
Bebida, alimentação, higiene, limpeza, saúde,
Doméstica
climatização, decoração/paisagismo
Pública Limpeza, irrigação de jardins, fontes decorativas e
Lazer
(municipal/urbana) combate a incêndio/segurança
30
Agricultura irrigada, dessedentação de animais
Agricultura/pecuária (bebida), geração de alimentação para pecuária Piscicultura, aquicultura
e higiene
Produção com uso de água no processo de
Industrial/
fabricação, reprocessamento, refrigeração, higiene, Conservação, transporte hidráulico
agroindustrial
limpeza e preparo de alimentos
Hidroeletricidade, refrigeração e
Energética
produção matriz
Navegação Transporte e suporte aos meios de transporte
Recreação/lazer Paisagismo, efeito estético e turismo Desporte e lazer
Águas minerais/
Bebida e alimentação Lazer, turismo, saúde e terapêutica
termais/terapêuticas
Diluição/destino Diluição, transportes de resíduos e recuperação dos
(1)
final (rejeição) corpos d’água
Controle de cheias, microdrenagem urbana,
drenagem agrícola, macrodrenagem, controle
Controle/ecológica
de erosão/assoreamento e conservação da
flora e da fauna (proteção de ecossistemas)
Fonte: adaptado de Frade e Alves (1991).
(1) Do ponto de vista de quantidade e qualidade da água e de sua utilização, há situações em que ela pode ser considerada como uso não consuntivo.
de recarga, o que tem levado Consumo de água no mundo
à diminuição gradual da água Mundo Am. NC Am. Sul África Ásia Europa
disponível. A continuar inalterada Doméstico 8 8 14 6 6 18
a tendência atual, 1 bilhão e
Industrial 22 41 24 4 8 34
800 milhões de pessoas estarão
Agrícola 70 51 58 90 86 52
vivendo com escassez absoluta
31
de água, e 2/3 da população
da África, nos Estados Unidos, europeias com mais de 100.000
mundial pode passar a viver sob
na Índia e na China supera em habitantes estão retirando água
condições de escassez modera-
160 trilhões de litros por ano a dos reservatórios subterrâneos
da, por volta de 2025.
capacidade de recarga natural a taxas de extração superiores à
dos corpos d’água de que se capacidade de recarga.
AGRICULTURA utilizam. Essa quantidade equi-
E SAÚDE vale à vazão de quase três rios Um estudo da FAO demonstrou
As práticas ineficientes de irriga- do porte do São Francisco. que, durante o século passado,
ção e drenagem em diversas re- enquanto a população mundial
giões têm levado à salinização e à A agricultura é a maior respon- triplicou, o consumo de água
erosão de aproximadamente 10% sável pela diminuição da água aumentou mais de seis vezes.
das terras irrigadas do mundo. armazenada nos aquíferos. O consumo global de água
Ademais, a produção de ali- tem dobrado a cada 20 anos,
Estima-se que o consumo mentos é imprescindível para a ao mesmo tempo em que a
de água pela agricultura na humanidade. Há pesquisas que extração a taxas superiores às da
Península Arábica, no Norte indicam que 60% das cidades reposição, somada ao aumento

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


paulatino da poluição, vem a cada ano. Esse valor é aproxi- país enfrenta escassez severa.
reduzindo a cada dia que passa a madamente igual à vazão média Estima-se que 54 países estarão
capacidade natural de suprir essa da foz do rio São Francisco. Para enfrentando escassez severa, por
crescente demanda por água. classificar a “saúde hídrica” das volta de 2050. De acordo com
nações, adota-se o critério de as projeções demográficas, a
Presume-se que em 1989 cada que um país está sob estresse população desses países será de
32
pessoa dispunha de 9.000.000 hídrico se a reserva anual de 4 bilhões de pessoas, ou 40%
de litros de água doce para água for inferior a 1.700 me- da população global projetada
gastar durante o decorrer do ano. tros cúbicos per capita. Se esse para essa época. As regiões mais
Esse valor caiu para 7.800.000 parâmetro for inferior a 1.000 preocupantes são o continente
litros no ano 2000, e as previ- metros cúbicos, diz-se que o africano e o Oriente Médio.
sões indicam que deverá baixar
para 5.100.000 litros em 2025.
Disponibilidade per capita de água doce por país
Se o consumo de água continuar
a crescer nas taxas atuais, esti-
ma-se que, por volta de 2025, a
humanidade estará usando 90%
das fontes renováveis de água
doce disponíveis na Terra.
Catastroficamente baixa
A taxa incessante de aumento Muito baixa
Baixa
populacional tem feito que a Média
Alta
demanda por água doce cresça Muito alta Fontes: Agência Nacional de Águas - ANA, Embrapa e Pnuma.

em 64 trilhões de litro por ano


Relatórios da ONU sugerem crianças, vivem desprovidas das uma pessoa exige de 2.000 a
que cada pessoa necessita mais elementares condições 5.000 litros para ser produzida.
diariamente de 20 a 50 litros sanitárias. Calcula-se que a
de água doce de qualidade cada 20 segundos morre uma A título ilustrativo, podemos citar
aceitável para garantir suas criança vitimada pela falta de que a produção de 1 quilograma
necessidades básicas de saneamento. Ainda de acordo de arroz (que sabemos ser um
33
dessedentação, alimentação e com a ONU, de cada 25 dólares dos cereais mais consumidos no
higiene. Em um grupo de seis gastos pelos governos africanos mundo) consome de 1.000 a
pessoas, pelo menos uma delas ao sul do Sahara, 3 dólares são 3.000 litros de água, desde sua
não tem acesso a essa quanti- consumidos para o tratamento germinação até a colheita; a de
dade mínima de água doce de de diarreia. Mais da metade dos um quilograma de carne bovina,
qualidade aceitável. leitos hospitalares da África Sub- de 13.000 a 15.000 litros.
-sahariana estão continuamente
Em termos globais, a diarreia ocupados por pacientes em tra- Na maioria dos cultivos, a irriga-
é a principal causa de enfer- tamento de doenças causadas ção artificial duplica (chegando
midades e de morte. Aproxi- por má qualidade da água. até a quintuplicar) a produti-
madamente 88% das mortes vidade agrícola. Atualmente,
por diarreia são causadas por A Organização Mundial de a agricultura artificialmente
falta de saneamento básico, por Saúde (OMS) recomenda que irrigada é responsável por 40%
ingestão de água infectada e por cada pessoa deve beber de da produção.
escassez de água para asseio 2 a 4 litros de água diaria-
pessoal. Dois bilhões e meio de mente. Segundo cálculos da Devido ao aumento populacional
pessoas, incluindo um bilhão de FAO, a alimentação diária de contínuo, as estimativas da FAO

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Água na produção de bens industriais
Produto Unidade Litros de água
Automóvel Veículo 38.000
Cimento portland Tonelada 550 a 2.500
Revestimento cerâmico Tonelada 1.800 a 2.000
Carvão de pedra (hulha) Tonelada 1.000 a 3.000
Explosivos Tonelada 80.000 a 83.500
34 Vidro Tonelada 88.000
Lavadora T (produto lavado) 30.000 a 50.000
Tonelada 50.000 a 125.000
Couro m2 de couro 20 a 440
m2 (pela peq. animais) 110
Borracha sintética Tonelada 83.500 a 2.750.000
- butadiene Tonelada 125.000 a 2.630.000
bunas
- grade GR-S Tonelada 117.000 a 2.800.000
Polvilho/amido Tonelada 10.000 a 18.000
Fonte: WE (1990).

A água na produção de alimentos


São necessários Água necessária para produzir 1kg de alimento
Produto 1 kg Água necessária (litros)
2.000 litros de água para cultivar 1 quilograma de soja Batata 500
Trigo 900
Alfafa 900
500 litros de água para cultivar 1 quilograma de batatas
Sorgo 900
Milho 1.100
100.000 litros de água para criar 1 boi
Arroz 1.900
(manutenção, pastagens e rações)
Soja 2.000
Fonte: Bioscience pesquisadores da Universidade de Cornell / David Pimentel (1997).
são de que até 2050 a água climáticas globais, a área agrí- global entre 10% e 20% na
do mundo deverá ser capaz de cola que depende diretamente descarga de nitrogênio para os
sustentar sistemas agrícolas que da chuva deverá sofrer uma rios e daí para os ecossistemas
possam alimentar e criar con- redução de 50% até 2020. costeiros. Hoje em dia, o setor
dições de vida para 2 bilhões e O Painel também conjectura de alimentação dos países
700 milhões de pessoas a mais que, devido às mudanças ricos é responsável por 40%
do que as que existem nos dias climáticas, a neve e o gelo da produção de poluentes
35
de hoje. Não nos esqueçamos da Cordilheira do Himalaia – orgânicos de suas águas; os
de que atualmente já há muita cuja regularidade sazonal do países pobres, por 54%.
gente passando fome. degelo garante uma enorme
quantidade de água para a ENERGIA
A área artificialmente irrigada agricultura asiática – deverão A geração de energia elétrica
em todo o mundo é de 277 ter sofrido uma redução de por meio de usinas hidroe-
milhões de hectares2, que cor- 20% por volta de 2030. létricas é a fonte de energia
responde a 1/5 de toda a área renovável mais amplamente
cultivável do planeta. Os restan- O aumento do uso de fertili- usada no mundo, represen-
tes 80% da terra arável utilizam zantes na produção de alimen- tando 19% da produção mun-
água diretamente da chuva. tos e seu despejo nos corpos dial de eletricidade. Os dados
d’água durante as três últimas de diversas organizações da
O IPCC3 prevê que, em décadas dão a entender que ONU dão conta de que a
decorrência das mudanças haverá um aumento em nível maioria das áreas inundadas

>> 2 Um hectare corresponde a 10.000 metros quadrados. Em outras palavras, é um quadrado de 100 metros de lado.
3 Sigla inglesa do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (International Panel on Climatic Change).

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pelos reservatórios criados intocado fosse utilizado em decorrentes de inundações,
para a geração de energia substituição às usinas termoe- avalanches torrenciais e
elétrica e/ou irrigação são létricas, as emissões de gases deslizamentos de encostas de
terras produtivas. A propósi- de efeito estufa poderiam ser morros. De acordo com dados
to, estima-se que a irrigação reduzidas em cerca de 13% confiáveis4, 90% dos desastres
proveniente de reservatórios da atual taxa de emissão. naturais ocorridos entre o ano
36 1991 e o ano 2000 foram ca-
artificiais é responsável pela Porém, não se pode perder
produção de 16% da comi- de vista que a construção de lamidades relacionadas à água.
da do mundo. Além disso, a represas modifica as condi-
produção de energia elétrica ções biológicas preexisten- Um outro problema relacionado
por meios hidráulicos (o que tes, levando a alterações da com os recursos hídricos tem
se chama hidroeletricidade) fauna e flora aquáticas, com a ver com as relações entre as
desempenha um enorme consequências muitas vezes nações, envolvendo a diplomacia,
papel na redução de ga- dramáticas para a economia, os serviços de inteligência e até
ses de efeito estufa quando a ecologia, a sociedade e a as Forças Armadas. Três em
comparada com as usinas cultura locais. cada quatro países compartilham
termoelétricas a carvão ou bacias hidrográficas entre si.
óleo diesel. Segundo cálculos SEGURANÇA Essas bacias, chamadas bacias
de agências internacionais das Assim como há tragédias transfronteiriças, são, às vezes,
Nações Unidas, se metade do causadas pelos longos perí- o objeto principal de discórdia
potencial hidroelétrico ainda odos de estio, há também as entre dois ou mais países. Muitas

>> 4 Programa Mundial de Avaliação de Recursos Hídricos (WWAP/Unesco).


fronteiras são delineadas a partir pela sua apropriação. Uma repre- desses usos pode prejudicar
dos leitos de rios. Em consequên- sa, por exemplo, pode servir tanto os outros, pois nem sempre
cia disso, esses rios acabam por para a geração de eletricidade esses usos são compatíveis
serem submetidos a legislações quanto para o armazenamento entre si. Não são raros os
diferentes: há atividades que de água para irrigação de lavou- conflitos entre os setores de
podem ser feitas na margem di- ras ou para o abastecimento de transportes, elétrico, pes-
37
reita e são proibidas na margem uma cidade. Também pode ser queiro, agrícola e ambien-
esquerda; algumas restrições são utilizada para regularizar a vazão tal pelos usos destinados
impostas em uma margem, e ou- de um rio e atenuar os efeitos à navegação, à geração de
tras (às vezes inconciliáveis entre de enchentes. No caso de haver energia, à pesca, à irrigação
si), na outra margem. um período de estio muito pro- e à preservação natural, res-
longado, essa mesma represa pectivamente. Tal conjuntura
Por ser um recurso escasso, a pode ter de ser utilizada para leva a restrições de uso pelos
multiplicidade dos usos da água armazenamento de emergência. diversos setores, o que requer
leva frequentemente a conflitos A preponderância de um planejamento

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O QUE É BACIA
HIDROGRÁFICA?
Agora há pouco falamos em bacia hidrográfica e riachos, os córregos e quais-
não explicamos o que vem a ser. Este é um termo quer corpos d’água que sigam
que, se você ainda não ouviu falar, deve se pre- um curso na superfície da
parar para ouvir cada vez mais. Então vamos, em terra firme são chamados de
poucas palavras, explicar do que se trata. cursos d’água.

39
Em primeiro lugar, devemos esclarecer que os Bacia hidrográfica, também
rios, os ribeirões, os igarapés, os arroios, os chamada bacia de drenagem,

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é uma área delimitada da por sua vez, vai despejar a água que, nesse contexto, são cha-
superfície da terra firme em no rio São Francisco, que vai mados de divisores de água.
que as águas decorrentes bater “no meio do mar”. Nessa
das chuvas ou do derreti- conhecida canção, do grande Ao adotarmos o conceito de
mento do gelo e da neve das compositor brasileiro Luiz Gon- bacia hidrográfica no lugar do
montanhas convergem para zaga, podemos perceber que o conceito de curso d’água, es-
um único ponto. Tipicamente, riacho do Navio é afluente do tabelecemos uma abordagem
esse ponto é a foz do rio que rio Pajeú, que é afluente do rio mais racional de planejamento
dá nome à bacia. A bacia é São Francisco, que desemboca dos recursos hídricos, pois as
como se fosse um funil que no Oceano Atlântico. Observe- regras às quais estão subme-
faz que toda a água que mos que a bacia do riacho do tidas as águas da margem di-
entra depois saia por uma Navio está dentro da bacia do reita passam a ser as mesmas
área menor que a entrada. A rio Pajeú, que é parte da bacia que regem o planejamento da
bacia é, portanto, um enorme do rio São Francisco. margem esquerda. Este foi um
coletor de água da atmosfera. dos motivos que levou a cha-
As bacias hidrográficas são mada Lei das Águas do Brasil
Por exemplo, uma chuva que separadas topograficamente a decretar a bacia hidrográfica
cai no chão e escorre até o lei- umas das outras pelos cumes como sendo a unidade de
to do riacho do Navio acaba de- dos morros, pelos espinhaços planejamento dos recursos
sembocando no rio Pajeú que, das serras e pelas montanhas, hídricos da União
As regiões hidrográficas do Brasil

41

Amazônica
Tocantins-Araguaia
Atlântico Nordeste Ocidental
Parnaíba
Atlântico Nordeste Oriental
São Francisco
Atlântico Leste
Atlântico Sudeste
Paraná
Paraguai
Uruguai
Atlântico Sul Fonte: Agência Nacional de Águas - ANA.

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PARA QUE MEDIR A
VAZÃO DE UM RIO?
Se navegarmos por um curso d’água desde as Deduzimos que deve estar
suas cabeceiras até a sua foz, notaremos que chovendo em outros lugares
às vezes passamos pelas desembocaduras de da bacia, e que os afluentes
afluentes vindos de ambas as margens. Também que vimos durante a viagem
observaremos que o rio vai se tornando mais devem estar, nesse momento,
caudaloso à medida que nos aproximamos da foz. derramando mais água pelas
43
Ao chegarmos à foz, teremos visto que a vazão suas desembocaduras do que
do rio foi mudando desde o começo da nossa quando passávamos por eles.
viagem. Concluímos que a vazão de um rio não Teremos compreendido que a
é constante, mas depende do local do rio a que vazão de um rio varia de lugar
estamos nos referindo. para lugar e de tempos em
tempos. Quando ouvir um hi-
Digamos que, assim que chegarmos ao final da drólogo dizer que a vazão varia
viagem, comece a chover. Daí também vamos continuamente no espaço e no
observar que, mesmo sem sair do lugar, a vazão tempo, você já saberá o que
do rio vai aumentando, e já sabemos o porquê. ele quer dizer com isso.

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Desde tempos imemoriais, aceitáveis, desde que estejam d’água genérico é a vazão mí-
algumas pessoas vêm se pre- disponíveis séries de vazões nima estatisticamente garantida
ocupando em saber quanto de observadas nos lugares de em 95% do tempo. Esse parâ-
água os agrupamentos huma- interesse durante um período metro, conhecido como Q95,
nos dispõem para suas tarefas adequado de tempo. é essencial para a alocação da
vitais, como beber água, regar as água. Trata-se de um índice
44
plantas, dar de beber aos animais Essas observações não se limi- estatístico extraído a partir de
domésticos, cozinhar, banhar-se tam à quantidade de água que uma curva denominada Curva
e outras atividades fundamentais. passa por determinada seção de Permanência, que é obtida
Com a evolução das atividades de um rio em certo dia, mas a partir de uma série conheci-
sociais, o conhecimento da quan- também às substâncias que da de vazões observadas. Essas
tidade de água disponível para compõem a água, a parâmetros séries que narram a cronologia
os diversos usos tem se tornado químicos, físicos e biológicos das vazões devem abranger
uma informação indispensável que dizem respeito à qualidade um período de diversos anos
para as decisões a serem toma- da água. Porém, no âmbito para que as variações sazonais
das quanto às quotas destinadas desta cartilha, discutiremos possam ser levadas em conta.
a cada setor da sociedade. apenas o conhecimento da Quando a região em estudo ti-
quantidade disponível. ver sofrido modificações muito
Fazendo uso de um instru- grandes de atividade humana,
mental matemático apropria- Um parâmetro muito utilizado o período observado deve ser,
do, é possível inferir criterio- no planejamento da distribui- a rigor, maior para que essas
samente a disponibilidade de ção dos recursos hídricos em alterações também sejam
água, com margens de erro determinado local de um curso levadas em consideração
Foto: Zig Koch / Banco de Imagens da ANA
45

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COMO MEDIR A
VAZÃO DE UM RIO?
Acabamos de ver que o conhecimento das vazões e a respectiva vazão. Um rio
durante um período adequado de tempo é essen- de grande porte, no entanto,
cial para delimitar a disponibilidade de água em não pode ser obstruído por um
determinado local de determinado curso d’água. vertedouro para simplesmente
Logo, o dado fundamental para produzir a infor- permitir que sua vazão seja
mação necessária para as tomadas de decisão no mensurada.
47
que diz respeito à partilha dos recursos hídricos de
determinado trecho de um rio é a vazão. Imagine um longo canal, com
seção transversal retangular.
Medir a vazão de determinado local de um rio não É intuitivo perceber que a
é uma tarefa trivial. Há inúmeros métodos. Para ci- quantidade de água que passa
tar apenas um deles, pode-se estrangular a seção pelo canal é tanto maior quan-
transversal5 de um riacho pouco caudaloso com to mais alta for a superfície da
uma prancha e fazer toda sua água verter por uma água (maior a profundidade
abertura conhecida pelo nome de vertedouro ou do escoamento) e maior for a
vertedor. Esses vertedouros possuem equações velocidade com que a água es-
matemáticas previamente determinadas a partir coa. Num curso d’água natural
de suposições baseadas na mecânica clássica que não é diferente. Quanto mais
relaciona a altura com que a água passa por eles largo e profundo for um rio,

>> 5 Seção transversal é o corte transversal à direção e ao sentido do escoamento de um curso d’água.

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mais altas estiverem suas águas localmente com o passar do tem- o fundo até em cima. O cálculo
e maior for sua velocidade, po. Além disso, é fácil observar da medição da vazão de um
maior será a vazão. que a velocidade da superfície da determinado local de interesse de
água nas proximidades das mar- um curso d’água deve, então,
No entanto, a seção transversal gens não é mesma que no meio levar em conta o formato da
de um curso d’água natural do rio. Menos fácil de observar, seção transversal e as veloci-
48
tem os formatos mais diversos porém não tão difícil de concluir, dades de diversos pontos da
e mudam não apenas ao longo é que as velocidades abaixo da seção no instante em que a
do percurso, como também superfície também variam desde medição foi realizada.

Sessão transversal simplificada


ME
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 25,4
0

-0,2

-0,4

-0,6
Profundidade (m)

-0,8

-1

-1,2

-1,4

-1,6

-1,8

-2
Largura (m)
Um instrumento utilizado desde a um cronômetro. Após al- as medições com moli-
há muito tempo nas medições guns minutos, o hidrometrista nete. Como as distâncias
de velocidades de escoamento interrompe a contagem do entre o barco e a margem
de cursos d’água é o molinete. conta-giros e do cronômetro e eram conhecidas por meio
Esse instrumento tem o formato anota seus valores na caderneta. de marcas previamente
de um torpedo que o possibilita Geralmente, essas operações de feitas no cabo de aço,
49
permanecer com a popa voltada medição de velocidade são feitas os dados eram anotados
para o sentido da correnteza. Na para quatro posições em cada tendo como referência
proa há uma hélice cuja veloci- vertical: a 20%, 40%, 60% e a distância a um ponto
dade de rotação é proporcional à 80% de profundidade. conhecido da margem.
velocidade da água que a faz gi- Após fazer as medições
rar. O número de voltas da hélice Durante muito tempo, os em uma vertical, o barco
é registrado por um conta-giros, procedimentos para mensurar se deslocava até a marca
que fica com um hidrometrista a vazão de um curso d’água seguinte e repetia os pro-
que está no barco, e é ligado ao seguiram as seguintes etapas: cedimentos. As operações
molinete por um cabo elétrico. 1. No caso de rios estreitos, se repetiam em intervalos
Quando o molinete se estabiliza esticava-se um cabo de regulares até o barco
em determinada posição, o hi- aço transversalmente ao chegar à outra margem.
drometrista6 “zera” o conta-giros rio e um barco se engan- 2. No caso de rios mais
e o dispara simultaneamente chava a ele enquanto fazia largos, era colocado um

>> 6 Os hidrometristas são técnicos em medição da água em diversas etapas do Ciclo Hidrológico. As medições
mais frequentemente feitas pelos hidrometristas são as de vazão dos cursos d’água.

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topógrafo em cada margem praticamente impossível cronometradas e anotadas
do rio. O barco ancorava ancorar o barco em um pelos hidrometristas. O
em determinado ponto ponto fixo no meio do rio. barco se deslocava para o
do rio, esforçando-se para Nesses casos, as bandeirolas ponto seguinte e iniciava
ficar alinhado com estacas dos tripulantes informavam todo o processo, até atingir
pré-fixadas nas margens. aos topógrafos os momentos a outra margem.
50
Por meio de comunica- inicial e final de cada série
ção com bandeirolas, os de operações que deveriam As medições que eram feitas em
tripulantes informavam os ter sido feitas com o barco cada ponto previamente escolhido
topógrafos o início e o final ancorado, mas que foram do rio eram as seguintes:
das medições que estavam feitas com a proa da embar- 1. Um lastro pesado era
fazendo naquele momento. cação voltada para montante pendurado em um cabo
Os topógrafos mediam a e o motor ligado para que a de aço que, por sua vez,
posição angular do barco corrente arrastasse pouco o ficava em um carretel em
e anotavam seus valores barco durante as medições um guincho. O objeto era
de maneira sistemática em em cada vertical. Em suas lançado ao rio e atingia
suas cadernetas. O barco respectivas cadernetas, rapidamente o fundo.
se deslocava para o ponto os topógrafos anotavam Por meio de uma mani-
seguinte, e as operações as posições angulares do vela conectada por uma
se repetiam até chegar ao início e do fim de cada engrenagem ao carretel,
outro lado do rio. série de operações em era anotado o número de
3. Em se tratando de rios cada vertical. Nesse caso, as voltas da manivela para
ainda mais caudalosos, é operações de medição eram içar o lastro desde o fundo
até a superfície. Conhe- de referência conhecido como (geralmente a própria régua)
cendo o número de voltas zero da régua. ou por meio das observações
do carretel, passava-se a feitas pelos topógrafos. No
saber a profundidade do A caderneta com os dados e caso de medições feitas com
rio naquele ponto. as observações dos hidrome- barco ancorado, as posições
2. Por meio de um outro tristas, dos topógrafos e do ob- das verticais eram determina-
51
guincho, semelhante ao servador da régua eram então das mediante triangulação das
anterior, posicionava-se enviadas ao escritório, onde observações dos topógrafos. No
o molinete em pontos uma equipe se encarregava de caso de barcos em movimento,
predeterminados da ver- extrair das anotações os dados as triangulações das observa-
tical que ligava o fundo relevantes. Os primeiros dados ções topográficas forneciam
do rio à superfície. a serem registrados eram as os pontos inicial e final de cada
cotas da régua no início e no série de medições.
No início e no final das fim da medição.
operações, um observador lia O engenheiro fornecia as
as marcas da superfície da Depois, o engenheiro determi- posições das verticais a um
água em uma régua fixada ao nava as posições das verticais desenhista que, de posse dos
local. A régua era (e continua em que o barco ficou para- dados de profundidade medidos
sendo) um instrumento que do. Dependendo do método com o guincho do lastro, se
fica fixo em uma das margens utilizado, essas posições eram encarregava de desenhar a se-
do rio e serve para observar a calculadas diretamente a ção transversal do curso d’água
cota da superfície da água em partir das marcas do cabo em em papel milimetrado. A partir
relação a um plano horizontal relação a um referencial fixo desse desenho, obtinha-se a

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


área da seção transversal, cha- hélice do molinete para cada Ambos fatiavam a seção trans-
mada área molhada, por meio ponto. Bastava dividir o nú- versal em verticais e calculavam
de um instrumento chamado mero de rotações pelo tempo as velocidades médias de cada
planímetro, e o perímetro do cronometrado. Ambas as fatia. Os produtos das velocida-
fundo, chamado de perímetro informações estavam disponí- des médias e das fatias eram
molhado, mediante um outro veis na caderneta. partes da vazão que, somadas
52
aparelho, denominado curvíme- fatia a fatia, forneciam a vazão
tro. Um dado medido imediata- Como se trata de um instrumen- que passava por toda a seção
mente a partir do desenho era to mecânico, cada molinete tem transversal. A diferença entre os
a largura do rio. Ao dividir a área sua própria equação que rela- dois métodos era basicamente
molhada pela largura, obtinha- ciona a velocidade de rotação a maneira de fatiar a seção.
-se a profundidade média. de sua hélice com a velocidade
da água que a provocou. A partir Um outro procedimento usual
A posição de cada vertical das velocidades de rotação da era encarregar o desenhista de,
permitia também ao dese- hélice, o engenheiro calculava as a partir do desenho com os va-
nhista marcar no desenho da velocidades da corrente líquida lores das velocidades nos pon-
seção transversal todas as em cada ponto e as anotava no tos, desenhar curvas de igual
posições em que o molinete desenho da seção transversal. velocidade, chamadas isótacas.
foi posicionado. A partir das isótacas, o enge-
Havia diversos métodos de nheiro calculava as áreas entre
Geralmente era um estagiário calcular a vazão, sendo que os essas curvas com o planímetro,
que costumava calcular as mais populares eram o da meia multiplicava essas áreas pelas
velocidades de rotação da seção e o da seção média. velocidades correspondentes,
e as somava, obtendo a vazão. AVANÇOS tornou obsoleta a função dos
O quociente da vazão pela área topógrafos na determinação
TECNOLÓGICOS
molhada fornecia a velocidade das posições do barco.
Com o avanço tecnológico,
média da corrente.
muitos procedimentos foram
No escritório, os cálculos eram
paulatinamente mudando. Um
Se, no entanto, as cotas da régua feitos com réguas de cálculo
deles foi a troca da utilização 53
observadas no início e no final das ou calculadoras mecânicas
de bandeirolas de sinalização
operações de medição fossem e anotadas a lápis no papel.
entre a tripulação do barco
muito diferentes uma da outra (o Depois surgiram as calculado-
e os topógrafos por rádios
que acontecia com frequência no ras eletrônicas que tornaram
transmissores, walkie-talkies e,
caso de medições em grandes o trabalho mais rápido. Com o
posteriormente, por telefones
rios), era ainda necessário fazer surgimento dos grandes com-
celulares. A comercialização a
ajustes para compatibilizar as putadores, foram construídos
preços não muito altos de um programas especializados que
medições feitas com a variação
sonar chamado ecobatímetro passaram a fazer a maioria
dos níveis da superfície.
possibilitou mapear o fundo das tarefas do escritório. Por
Obtinha-se, dessa maneira, a lar- do rio sem o incômodo do meio de um método numérico
gura do rio, a profundidade mé- uso do lastro pendurado em chamado Método dos Ele-
dia, a área molhada, o perímetro um guincho. Outra alteração mentos Finitos, os desenhos
molhado, a cota da superfície, a radical na medição foi causada da seção transversal e das
velocidade média e a vazão. pelo surgimento do GPS7, que isótacas também passaram a

>> 7 Sigla inglesa para Sistema de Posicionamento Geográfico.

ÁGUA NA MEDIDA CERTA >> HIDROMETRIA NO BRASIL


54

Ecobatímetro.

ser feitos automaticamente. enorme mudança metodológi- computador portátil em que há


Quando os computadores ca com a chegada no mercado um aplicativo específico para tal
de mesa passaram a ser do Perfilador de Corrente finalidade. O barco atravessa o
instrumentos pessoais de Doppler-Acústico. rio e, ao chegar à outra margem,
cada um dos funcionários do Esse aparelho é uma sonda o programa já fornece todos os
escritório, todas as etapas de que se utiliza do chamado parâmetros essenciais: velocida-
cálculo passaram a ser feitas efeito Doppler-Fizeau para de média, área molhada, vazão,
por uma mesma pessoa. medir a velocidade de partículas largura e profundidade média.
suspensas na água. O aparelho Para medir a vazão de um rio,
Com relação à medição de é colocado na água, ao lado hoje em dia, são suficientes o
vazão propriamente dita, houve do barco, e conectado a um piloto do barco e o hidrometrista.
Para exemplificar, podemos citar é necessário conhecer uma série da manhã e às 5 da tarde.
que a medição da vazão do rio histórica de vazões que ocorre- E é aí que está o pulo do gato.
Solimões na cidade amazonen- ram durante certo período de
se de Manacapuru chegava a tempo no local em consideração. Pode-se medir a vazão de um
demorar 7 horas, sem contar o rio em qualquer lugar que se
tempo despendido no escritório A rigor, seria necessário medir a queira. Porém, ao escolher os
55
para calcular finalmente a vazão. vazão no local todos os dias du- locais mais apropriados para
Hoje em dia, a medição demora rante anos, mas, mesmo hoje, instalar uma régua limnimé-
após o surgimento do Perfilador trica8, o hidrólogo9 obedece
35 minutos, que é o tempo
de Corrente Doppler-Acústico a certas normas e respeita
necessário para cruzar o rio
isso não é viável, por motivos determinadas restrições para
Solimões em Manacapuru.
financeiros e logísticos. que seja um local em que
haja uma relação biunívoca
SÉRIE HISTÓRICA É árduo medir a vazão, mas, entre cota e vazão. Relação
DE VAZÕES em compensação, observar biunívoca entre cota e vazão
A informação sobre a vazão em o nível da água na régua e significa que cada vazão tenha
determinado dia não é suficien- anotar seu valor na caderneta sua própria cota e que cada
te para subsidiar tomadas de são tarefas bastante fáceis. cota só corresponda a uma
decisão que envolvem disponibi- Tão fáceis que são geralmente vazão. As normas e restrições
lidade hídrica, pois já vimos que feitas duas vezes por dia: às 7 para a escolha dos locais mais

>> 8 É esse o nome com que são chamadas essas réguas.


9 Hidrólogo é o nome que se dá ao profissional que trata de assuntos relacionados à hidrologia. De maneira geral e típica,
a formação profissional do hidrólogo é a engenharia civil.

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apropriados estão fora do dá-se o nome de curva-cha- de vazões que será utilizada
escopo desta cartilha, mas é ve, que possui equações às das mais diversas maneiras,
conveniente mencionar que vezes um pouco complicadas. sendo que uma delas é a ob-
não são regras arbitrárias, tenção da curva de permanên-
sendo oriundas de estudos Uma das imposições que cia e a consequente determi-
da Hidráulica e da Mecânica fogem das regras hidráu- nação do valor do Q95.
56
dos Fluidos. licas para escolher o local
de instalação de uma de- No entanto, a vastidão do Brasil
Se o local de instalação da ré- terminada régua é que haja não permite que haja observa-
gua for estabelecido levando algum morador minimamente dores à disposição em todos os
em conta os critérios corretos, alfabetizado nas redondezas rincões do país, principalmente
a cada vazão corresponderá e que aceite ficar responsável na Amazônia em que há tantos
uma e somente uma marca pela observação, anotação e rios a serem medidos. Hoje em
na régua. A correspondência manutenção da régua. Pe- dia há diversos equipamentos
entre essas duas grandezas riodicamente, uma equipe de eletrônicos que possibilitam o
é estabelecida pela equipe hidrometria passa por lá para envio automático e periódico
de hidrologia após diversas fazer a medição de vazão, do valor da cota observada
medições nas estações secas recolher a caderneta, entregar do nível dos rios, via satélite.
e úmidas e observação contí- cadernetas virgens e pagar o Porém, o preço desse tipo
nua das marcas da linha d’água soldo do observador. de equipamento é um fator
na régua, durante vários anos. limitante para sua utilização.
A essa correspondência entre Por meio da curva-chave, a Essa limitação não é tanto com
cota da régua e vazão do rio série de cotas fornece a série relação à sua aquisição, mas
muito mais pela sua alta pro- redondezas, além de evitar chamada de hidrologia espa-
babilidade de perda por furto. furto ou qualquer ato de cial e há enorme possibilidade
O vandalismo também tem se vandalismo. Essa metodologia, de que você venha a ouvir
mostrado bastante frequente. ainda embrionária, tem sido falar dela cada vez mais

AVANÇOS RECENTES 57
Recentemente, vem surgin-
do uma nova metodologia
na medição da vazão dos
rios. Essa metodologia tem
fornecido resultados bastan-
te promissores. Trata-se da
medição da cota dos rios por
meio de radares altimétricos
instalados em satélites orbitais
que, associada a uma série de
asserções para determinar as
curvas-chave dos locais dos
quais o satélite envia dados
de cota, possibilita estimar
a vazão, sem a necessidade
de enviar equipes ao local
nem de haver observador nas

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GLOSSÁRIO

Afluente (ou Tributário) Água salobra Aquífero confinado ou


Curso d’água que deságua Água cuja concentração de Aquífero cativo
num curso mais caudaloso ou sais dissolvidos está normal- Aquífero aprisionado em
58 num lago. mente compreendida entre formações impermeáveis ou
1.000 e 10.000 miligramas semipermeáveis.
Água doce por litro. Esta proporção de
Água cuja concentração de sais sal é menor que a da água Aquífero não confinado (Aquífero livre,
é baixa o suficiente para que do mar. Aquífero freático ou Lençol freático)
possa ser consumida. Aquífero cuja superfície superior
A jusante é livre. As águas dos poços co-
(ps) O fato de a água ser doce No sentido da foz de um muns que são vistos frequente-
não é suficiente para garantir curso d’água. Sinônimo de mente na zona rural são prove-
sua potabilidade. Águas abaixo. nientes dos lençóis freáticos.

Água salgada A montante Aquífero ou Reservatório de


Água que possui concentra- No sentido das cabeceiras de água subterrânea
ção de sais superior a 10.000 um curso d’água. Sinônimo de Formação subterrânea porosa
miligramas por litro. Águas acima. permeável com capacidade de
armazenar água e possibilitar que (uma bacia, um trecho de curso Cheia (ou Enchente)
essa água escoe entre seus poros. d’água, uma região hidrográfi- Elevação do nível de um curso
ca, um corpo d’água qualquer d’água (ou de um corpo d’água
Há também aquíferos nos quais a etc.) é igual à diferença entre a qualquer) geralmente decor-
água ocupa o espaço criado por quantidade de água que entrou rente de um aumento de vazão.
fendas e rachaduras em rochas. e a quantidade de água que saiu Normalmente as cheias dos
59
dessa massa d’água durante o cursos d’água ocorrem periodi-
Avalanche período de tempo considerado. camente durante a época das
Massa de neve, de gelo ou de água, chuvas. Há, no entanto, cheias
que escoa bruscamente pelas Barragem que podem ser causadas, por
encostas dos morros e das mon- Construção elevada no leito de exemplo, pela liberação de água
tanhas, arrastando consigo terra, um curso d’água, dotada de em uma barragem a montante.
rochas, árvores e demais detritos. mecanismos de controle de libe-
ração da água armazenada, cuja Cheia repentina
Balanço hídrico finalidade é garantir a regulação Cheia súbita e de curta duração
Contabilidade baseada no da vazão, armazenar água para com uma vazão máxima consi-
princípio racional de que, durante irrigação, prover abastecimento deravelmente alta.
determinado intervalo de tempo, a comunidades urbanas e rurais,
a variação do volume de água assegurar a geração de ener- Chuva
armazenado numa certa massa gia e permitir demais usos do Precipitação de partículas de água
d’água previamente delimitada recurso hídrico. líquida, sob a forma de gotas.

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Chuvisco Clima à precipitação. É o caso de
Precipitação densa e razoa- É o padrão de tempo médio em vincos na superfície do solo
velmente uniforme de gotas um lugar durante muitos anos. Con- que formam ravinas através
de água líquida com diâmetro junto de condições meteorológicas das quais escoam enxurradas
inferior a ½ milímetro. predominantes em determinada colina abaixo durante a chuva,
região, caracterizado por estatísti- e secam pouco após cessar
60
Ciclo hidrológico cas de longo prazo dos elementos a chuva.
Sucessão cíclica das fases pelas meteorológicos nessa região.
quais passa a água ao circular Curso d’água intermitente
na atmosfera, na superfície Condensação Curso d’água no qual só
dos continentes e ilhas, nos Passagem da fase de vapor da há escoamento durante a
oceanos e mares, e no subso- água para a fase líquida. estação das chuvas, ficando
lo. O ciclo hidrológico envolve seco durante o restante do
evaporação, transpiração, Curso d’água ano. Na região semi-árida do
condensação, precipitação, infil- Canal através do qual a água Nordeste do Brasil há muitos
tração, percolação, escoamento pode escoar. Pode ser natural rios intermitentes.
superficial, escoamento subter- ou artificial.
râneo, circulação de correntes Curso d’água perene
marítimas e todas as demais Curso d’água efêmero Curso d’água que continua
maneiras em que a água ocorre Curso d’água que flui ape- fluindo mesmo durante a esta-
no nosso planeta. nas como resposta direta ção seca, e nunca fica seco.
Curva chave igualada ou superada. Em Efluente
Curva que relaciona o nível da outras palavras, é a vazão Em termos gerais, é a água que
superfície de um curso d’água mínima garantida estatistica- flui de um recipiente. O efluente
em determinado local e a mente em 95% do tempo. de uma indústria, por exemplo,
vazão que atravessa a sessão é a vazão que sai da indústria; o
transversal do curso d’água Dessalinização efluente de um lago é a vazão
61
nesse mesmo local. É o processo a partir do qual que sai do lago; o efluente de
a quantidade de sal na um rio é a vazão que sai de
Curva de permanência água é reduzida até uma dose um rio. Pode-se dizer que é o
Curva que relaciona os valo- suficientemente baixa para contrário de um afluente.
res de vazões em determina- que essa água possa
do local de um curso d’água ser consumida. Estuário
e a probabilidade desses Parte de um curso d’água, nas
valores serem igualados ou Eco-sonda proximidades da foz, em que
superados. Por meio dessa Instrumento que emite um as águas se tornam geralmente
curva, é extraído um valor sinal acústico ao fundo de rasas e largas.
muito utilizado pelos especia- um corpo d’água e utiliza o
listas em Recursos Hídricos, intervalo de tempo entre a Evaporação
chamado Q95, equivalente emissão e sua reflexão para Emissão de vapor d’água da
ao valor da vazão que tem determinar a profundidade do superfície livre de um corpo
95% de probabilidade de ser corpo d’água nesse local. d’água genérico.

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Foz ou Desembocadura Hidrogeologia A instalação de réguas limni-
É o local em que um curso Ramo da Hidrologia e/ou da métricas nas estações de me-
d’água desagua num lago, no Geologia que estuda a água dição, as medições de vazão, os
mar ou noutro curso d’água. subterrânea e sua ocorrência. eventuais reparos nos instrumen-
tos e até a pilotagem de barcos
Geada Hidrografia são tarefas muitas vezes levadas
62
Cobertura de gelo produzida Em termos gerais, refere-se à a cabo por hidrometristas.
pela sublimação do vapor ciência que trata da descrição e
d’água sobre objetos. Em suma, da medição de corpos d’água. Infiltração
a geada é orvalho congelado. Particularmente, trata-se da Movimento da água da su-
ciência que se ocupa da carto- perfície de um meio poroso
Granizo grafia de corpos d’água com o para seu interior. Na natureza,
Precipitação de partículas de intuito de navegação. quando a água da chuva pene-
gelo de forma esférica ou irre- tra no solo logo após se chocar
gular. Também conhecido por Hidrologia com sua superfície, diz-se que
Chuva de pedra. Ciência que estuda todas as houve infiltração.
fases do ciclo hidrológico.
Hidráulica Intercepção
Ramo da Mecânica dos Fluidos Hidrometria Processo por meio do qual
que estuda o escoamento da É a ciência que trata da medi- parte da precipitação é retida
água em condutos fechados ção das fases do ciclo hidroló- pela vegetação e depressões
(tubos) e canais abertos. gico e da análise da água. no terreno.
Inundação parte da água e dos sedimentos rotação de uma hélice que gira
Submersão de áreas situadas durante o período entre cheias. em torno de um eixo paralelo ao
fora dos limites normais de um escoamento que se deseja medir.
curso d’água. Logo, nem toda Linígrafo
enchente pode ser chamada de Instrumento que regista as Nascente
inundação. A acumulação de variações do nível d’água em Local de onde a água brota na-
63
água proveniente de drenagens, função do tempo. turalmente de uma rocha ou do
em zonas que normalmente não solo. Ela pode brotar tanto na
se encontram submersas, tam- Mecânica dos Fluidos superfície seca do solo quanto
bém é chamada de inundação. Área da Mecânica Clássica que em uma massa d’água.
se encarrega da estabilidade,
Irrigação do movimento e da dinâmica Neve
Aplicação artificial de água com dos corpos deformáveis, tais Precipitação de cristais de gelo,
finalidade agrícola. como os líquidos e os gases. geralmente aglomerados em flocos.

Isotácas Meteorologia Órbita polar


Linhas de igual velocidade na seção Ciência que estuda a atmosfera. Órbita que passa sobre o Polo
transversal de um curso d’água. Sul e o Polo Norte.
Molinete
Leito de um curso d’água Instrumento usado para me- Orvalho
A parte mais funda de um curso dir a velocidade da água num Depósito de gotas d’água nos
d’água, por onde passa a maior ponto, por meio da velocidade de objetos próximos ao solo,

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provenientes da condensação Precipitação igual à da rotação da Ter-
do vapor d’água contido no ar. Partículas de água sob as for- ra. Como consequência, o
mas líquida e/ou sólida, decor- satélite fica parado sobre um
Percolação rente da condensação do vapor mesmo ponto da superfície
Movimento descendente da d’água, que caem sobre o solo. do planeta, como se fosse
água desde a superfície do solo uma antena com 35.900
até o lençol freático. Raio hidráulico quilômetros de altura.
64 Relação entre a área da seção
Perímetro molhado transversal líquida e o perímetro Satélite geo-síncrono
Perímetro da seção transversal molhado de um curso d’água. Satélite equatorial que se
de um curso d’água que está desloca no sentido oeste-
em contato com a água. Reservatório -leste, a uma altitude de 35
Qualquer corpo d’água, natural 900 km, o que lhe permite
Pluviógrafo ou artificial, utilizado para efetuar uma órbita completa
Instrumento que registra as armazenar, regular ou controlar em torno do equador terrestre
alturas de água precipitada em os recursos hídricos. a cada 24 horas. Sendo assim,
função do tempo. ele passa diariamente sobre o
Salmoura mesmo lugar do equador no
Pluviômetro Solução salina com concen- mesmo horário.
Dispositivo que mede a altura tração superior a 100.000
de água precipitada. Dife- miligramas por litro. Satélite helio-síncrono
rentemento do pluviógrafo, o Satélite cuja órbita é quase
pluviômetro não registra a Satélite estacionário polar e sua altitude é tal que
altura precipitada, exigindo que Satélite com órbita equatorial faz com que sua velocidade
um observador o faça. cuja velocidade angular é angular permita que cruze as
mesmas latitudes duas vezes nublado, chovendo ou até Vazão
por dia no mesmo horário. nevando em outros locais. Volume de água que passa por
determinado local por unidade
Secção transversal de Transpiração de tempo.
um curso d’água Processo pelo qual os vegetais
Seção de um curso d’água per- e animais transferem água Exemplos:
pendicular à direção principal para a atmosfera sob a forma 1) A vazão de uma torneira
do escoamento. de vapor. de jardim é de uns 40 litros 65
por minuto.
Telemetria Uso consuntivo 2) A vazão média na foz do rio
Registo remoto de dados Utilização da água de um corpo Amazonas é de aproxima-
transmitidos via satélite, tele- d’água como insumo que a damente 210.000 metros
fone celular, rádio e consome durante os processos cúbicos por segundo.
outros meios. envolvidos. Por exemplo, a
água consumida na fabricação
Tempo de cerveja.
É a combinação de eventos
meteorológicos (temperatura, Uso não consuntivo
pressão, umidade, precipitação Utilização da água de um corpo
etc.) que ocorrem a cada dia d’água como insumo que não
na atmosfera. O Tempo não é a consome durante os proces-
o mesmo em todos os luga- sos envolvidos. Por exemplo, a
res. Pode estar quente, seco água utilizada para movimentar
e ensolarado em um lugar, ao um monjolo não a consome;
mesmo tempo em que está somente utiliza sua energia.

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TABELAS DE CONVERSÃO DE UNIDADES

Há diversas maneiras de medir A milha náutica é a unidade O copo americano, o gill e o pint
uma mesma grandeza. Por mais usada na navegação. são muito utilizados na indústria
exemplo, podemos nos referir alimentícia. A unidade de volume
a um mesmo volume como O alqueire é a unidade prefe- mais utilizada no balanço hídrico
66 sendo de um metro cúbico, mil rida para medir o tamanho de anual de grandes massas d’água
litros, ou até mesmo cinco mil propriedades rurais. O m2 é a é o quilômetro cúbico.
copos americanos. Embora o unidade de área mais usada
Brasil adote o Sistema Métrico na medição de lotes urbanos. Embora a libra seja a unidade
Internacional, há diversas uni- O quilômetro quadrado é a monetária do Reino Unido, a
dades de medida muito usadas unidade usada nas medições libra desta tabela é a unidade
no comércio, na indústria e na do tamanho dos Municípios, dos de massa ainda usada em al-
vida cotidiana em geral. Por Estados e do nosso próprio país. guns países de língua inglesa.
isso, é bom conhecê-las. A arroba é muito empregada
A gota é uma unidade de volume no comércio e na produção
A polegada e as unidades que bastante usual na indústria de carne. Não se esqueça
dela derivam são muito usadas farmacêutica. O barril é a uni- de que grama é uma palavra
na indústria e no comércio de dade usada quando se trata de masculina, diferentemente
tubulações; também são usadas petróleo. O hectômetro cúbico do vegetal grama; logo, assim
na marcenaria e na indústria de é a unidade mais usada para como ninguém diz “uma qui-
móveis. O quilômetro é a unida- volumes de lagos e reservatórios. lograma”, você não deve dizer
de mais usual para se referir a O galão é uma unidade ainda “duzentas gramas”, mas sim
distâncias entre localidades. usada no comércio de gasolina. “duzentos gramas”.
No Brasil, é usual nos referir- normalmente metro por se- usada nas indústrias alimen-
mos a quilograma simples- gundo. Nos assuntos relacio- tícias e farmacêuticas, na
mente como quilo. Porém, é nados a transportes em geral, Medicina e na Biologia.
conveniente saber que quilo usa-se quilômetros por hora. O quilowatt-hora é a unidade
é um prefixo que significa mil; usada para medir o consumo
portanto um quilograma é igual Na indústria e no comércio de residencial de energia.
a mil gramas. Você também torneiras, pias, chuveiros e de- 67
ouve bastante as palavras mais equipamentos hidráuli- O Watt é a unidade de potência
megabyte e gigabyte, e está cos domésticos, usam-se mui- do Sistema Métrico Interna-
começando a ouvir cada vez to as unidades litro por hora e cional. Um watt equivale a um
mais frequentemente a palavra litro por segundo. A variação joule por segundo. O watt é a
terabyte. Mega, giga e tera de volume de reservatórios unidade usada pelo comércio
significam, respectivamente, um é muitas vezes medida em de lâmpadas. O quilowatt é
milhão, um bilhão e um trilhão. hectômetros cúbicos por dia. utilizado pelos fabricantes de
O prefixo mili significa a milési- As medições de evaporação eletrodomésticos, tais como ge-
ma parte (como em milímetro); da água de um grande lago, ladeiras e lavadouras de roupa.
micro é a milionésima parte dos mares e dos oceanos são O megawatt é a unidade usada
(como em microscópio); nano é comumente feitas em quilô- para nos referirmos à potência
a bilionésima parte (como em metros cúbicos por ano. de usinas de geração de energia
nanotecnologia). elétrica. O gigawatt é a unidade
O joule é a unidade de usada para compararmos as
O nó é a unidade de veloci- energia no Sistema Métrico maiores usinas do mundo; por
dade usada na navegação. Internacional. A quilocaloria exemplo: a potência média de
Na Hidrometria utiliza-se é a unidade de energia mais Itaipu é de 14 gigawatts.

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Comprimento
1 centímetro 10 milímetros
1 decímetro 10 centímetros
1 metro 10 decímetros
1 decâmetro 10 metros

68 1 hectômetro 10 decâmetros
1 quilômetro 10 hectômetros
1 polegada 25,4 milímetros
1 pé 12 polegadas
1 jarda 3 pés
1 estádio 220 jardas
1 milha inglesa 8 estádios
1 milha náutica 1.852 metros

Área
1 are 100 metros quadrados
1 hectare 100 ares
1 quilômetro quadrado 100 hectares
1 alqueire paulista (ou alqueirinho) 2,42 hectares
1 alqueire mineiro (ou alqueirão) 2 alqueires paulistas
1 acre 4.840 jardas quadradas
Volume
1 centímetro cúbico 1.000 milímetros cúbicos
1 mililitro 1 centímetro cúbico
1 decímetro cúbico 1.000 centímetros cúbicos
1 litro 1 decímetro cúbico
1 metro cúbico 1.000 litros
1 hectômetro cúbico 1 bilhão de litros 69
1 quilômetro cúbico 1 trilhão de litros
1 copo americano 1/5 de litro
1 gota d’água Aproximadamente 50 milímetros cúbicos
1 mililitro Aproximadamente 20 gotas d’água
1 gill 118,3 mililitros
1 pint 4 gill
1 galão inglês 8 pints
1 barril Aproximadamente 159 litros

Tempo
1 minuto 60 segundos
1 hora 60 minutos
1 dia 24 horas
1 ano 365,25 dias
1 século 100 anos
1 milênio 10 séculos

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Massa
1 grama 1.000 miligramas
1 quilograma 1.000 gramas
1 tonelada 1.000 quilogramas
1 arroba 14,688 quilogramas
1 libra inglesa 453,6 gramas
70
Velocidade
1 metro por segundo 3,6 quilômetros por hora
1 nó 1 milha náutica por hora

Vazão
1 litro por segundo 3,6 metros cúbicos por hora
1 metro cúbico por hora 1.000 litros por hora
1 quilômetro cúbico por ano Aproximadamente 31.710 litros por segundo
1 hectômetro cúbico por dia Aproximadamente 11.574 litros por segundo

Energia
1 quilocaloria 4.186,8 joules
1 quilowatt-hora Aproximadamente 860 quilocalorias

Potência
1 quilowatt 1.000 watts
1 megawatt 1.000 quilowatts
1 gigawatt 1.000 megawatts
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ANOTAÇÕES

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