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A Madeira e a Ordem de Cristo

O infante D. Henrique foi o primeiro principe portugues


que assumiu a direccao do mestrado da Ordem de Cristo,
procurando neste poderoso organismo o principal ponto de
apoio para a graridiosa empresa que concebera e pretendia
realizar. Os seus membros, cheios de fé e de audacia, desejosos
do alargamento e do triunfo dos seus ideais religiosos, e atrai-
dos irresistivelniente para o misterio e para o desconhecido,
nao poderiam conter-se nos apertados limites das fronteiras
colitinentais. Foram a Ceuta, em 1415, numa primeira e fru-
tuosa tentativa, e iriani depois aos confins do universo.
Os servicos que a Ordem ia prestando davam-lhe incontes-
tavel direito ?concessao
i de muitos privilegios e regalias. D.
Duarte, por alvará régio de 26 de setembro de 1433, fez a essa
Ordem a doacao, no espiritual, do arqiiipeiago da Madeira, a
pedido do seu ilustre grao-mestre o infante D. Henrique, di-
zendo-se nesse diploma que ~doutorgarnose damos a dita hor-
dem d6ste dia para todo o sempre todo ho espiritua das nos-
/
sas ylhas da Madeira e do Porto Santo e da Ilha Deser a...n.Estas
faculdades, entao concedidas, foram posteriormente muito am-
pliadas, estendendo-se a todas as nossas terras descoberfas e
havendo os pontifices romanos, por varias bufas, confirmado e
sancionado estas concess6es com os privilegios que lhes anda-
vam anexos.
Como se sabe, a Ordem tinha a sua séde em Tomar e nos
assuntos de caracter religioso superintendia um sacerdote qua-
lificado, que usava o titulo de Vigario. Este nao sómente pos-
suia toda a jurisdicao espiritual e c?nonica, como tambem o
direito de nomeacao de todos os cargos eclesiasticos, nao es-
tando dependente de nenhiim bispado ou metropolita. Era a
Vigararia de Tomar consid-rada rtullius diocesis e constituia um
vasto padroado, que se alargava das costas americanas e africa-
nas aos extremos do oriente, como já atrás ficou referido
com respeito i diocese do Funchal. A BuIa Inter coetera do
Papa Caiixto 111, de 13 de Marco de 1455, confirmou em abso-
luto todos os privilegios já anteriormente concedidos.
Além do governo e supesitendencia de todos os servi~os
religiosos, teve a Ordem de Cristo, 112stearquipelago, urna
acc%odirecta em diversos ramos de administracao publica, nao
sendo hoje fácil avaliar com justeza a extendo e naturcsa des-
ses privilegios. No entretanto sabe-se que para as despezas ge-
rais da Ordem e para a manutenczo do culto nestas ilhas, ar-
recadava, afóra outras, as seguintes rilczitas, segundo nos in-
forma urna das anotac6:s dns Saudades da Terra: .Comenda
dos dizimos dos pescados e miuncas da capitania de Machico e
Porto Santo; Quarenta moios de pao, vinte de trigo e vinte de
cevada, que se dao com o Habito na ilha do Porto Saiito; a
Comenda dos dizimos de todas as rendas do pLIo da ilha da
Madeira; e a Comenda dosdizimos que rendem as moeridas do
pao na Madeiran.
Convém notar aqui que, apesar dSste arquipélago se tor-
nar de todo realengo pelo alvará régio de 27 de abril de 14g7
e de haver sido a Ordem de Cristo, p o u c ~tempo antes, en-
corporada na coro3 com os seus privilegios e regalias, é toda-
via indubitavel que ainda muito posteriormente a essa epoca
continuou a Ordem a arrecadas nesta ilha certas contribuic6es
e impostos, nao sendo hoje talves possivel determinar a natu-
reza dessas receitas e quando deixaram inteiramente de ser
cobradas. Nao será inverosimil admitir-se que a celebraqao dzs
(cmissas dos sabadosl~e ainda porventura outros encargos ci-
vis e religiosos constituam a verdadeira causa da arrecadacao
desses impostos. No ~~Foraln da cidadr do Filnchal e das vilas
da Ponta do Sol e da Calheta, datado de 1510, veem enuniesa-
dos alguns dos tributos pertencentes Ordem de Cristo, Além
dos que já atrás fazenios mencao (Saud pag. 494 e seg.).
No periodo preciso, que decorre de 1433 a 15'33 e em que
a Ordem exerceu mais eficazmtrite a sua ac@o scttninistrativa
e de padroado espiritual nestas ilhas, foram seus graos-mestres
e vincularam os seus nomes a alyumas importantes medidas
governativas o infante D. Henrique (1417-1460), o infante D.
Fernando (1460-1470)) o duque D. Joao (1470-1472), o duque
D. Diogo (1472-1484)) governando na sua menoridade a infanta
D. Beatriz, o duque D. Manuel, depois rei (1484-1521), e o
rei D. Joao 111.
Como já ficou referido, erarn os religiosos franciscanos
em numero muito escasso, com o rápido desenvolvimento da
populac20, para acudir convenientemente a tao multiplos e ar-
duos servicos religiosos, tendo os donatários solicitado da
Ordem de Cristo a vinda imediata de algcins sacerdotes, cuja
falta se estava já fazendo imensamente sentir. Determinou o
grao-mestre que o Vigário de Tomar enviasse os eclesiástico^
iiidispensaveis para o desempenho desses servicos, o que pa-
rece nao ter-se realizado com a prontidao que os habitaiites
bastante desejavam. Estabeleceram-se ent2o várias capela la ni as,^,
nalguiiias das ermidas já existentes, em que os sacerdotes ne-
las providos exerciam todas as funqoes do ministério paro-
cluial. A estas (icapelaiiiasll se dava tambem o iiome de viga-
rarias, sendo algumas delas a origem das futuras paroquias.
Foi o infante D. Henrique, como já ficou acentuado, o
gráo-mestre da Ordeni de Cristo, que mais assinalados servicos
prestou a este arquipélago, nao scíinetite debaixo do ponto de
vista da administracao pública, mas ainda na iiiterfcr2ncia di-
recta que teve nos asstintos de caracter estritanieiite i-cligioso.
Sucedeu-lhe no grao-mestrado seu sobrinho e lierdciro o in-
fante D. Fernando, que deixou tambem o seu nome vincuiado a
importantes medidas governativas, podendo referir-se á Madei-
ra as seguintes palavras, que a seu respeito escreveu um dis-
tinto publicista contemporaneo : .Chamar gente de varias par-
tes, distribuir-lhes terras, conceder-lhes privilégios, fundar pc-
voac6es, construir igrejas, emfim povoa-las, eis a grande poli-
tica deste mestre, que em tudo quís seguir as pasadas do seu
imortal antecesor para grandeza e glória da Ordem.. . Alguns
foram os templos fundados por este mestre nas novas terras,
sobresaindo o da Capitania de hlachico a que mandou prover
de tudo em seu testamento e nomeou seu primeiro reitor a
Joao Garcia, seu capelao, a quem fez cavaleiro de Cristo. . . J,

O infante D. Fernando teve como si:cessor seu filho, o duque


de Vizeu D. Jaao, que, nos dois curtos anos etn que exerceu
--
o grao-mestrado, nao deixou memória de qualquer facto apre-
ciavel na administraqao das cousas públicas desta ilha.
Por inorte deste, passou o mestrado da Ordem de Cristo
a seu irmao, o duque D. Diogo, tendo durante a sua menori-
dade assumido o gnverno desse organismo sua mai a infanta
D. Beatriz, que deu sempre sobejas provas, rio desempenho
desse meliiidroso cargo, dum verdadeiro tacto administrativo
e politico. Entre os actos da sua acertada adtninistracio sobre-
sai um, que deveria ter causado na época grande sensaqao,
como hoje se diria, porque em muitos lugares, tanto obras
itnpressas como manuscritos, se faz dele especial e pormeno-
rizada menqao. A narrativa de Gaspar Frutuoso nao difere es-
sencialinente das outras que conhecemos e aqui a vamos
textualmente transcrever: ~~Depois por discurso do tempo que
a terra foi mostrando os seus fructos, dando fama deles no
Reyno, e enobrecendo-se em moradores ricos, vendo o Bispo
que entao era de Tangere como esta ilha hia em crecimento, e que
nao tinha Bispo e Prelado que o governasse, impetrou do
Papa hum Breve sein licenca de El-Rey, para anexar esta ilha
a Tangere, o que sabido pela Infanta D. Beatriz (que como tu-
tora de seu filho o Duque governava a ilha) enviou huma
provisao ao capitain e moradores do Fuiichal na era de 1472,
que tal Bispo nao consentissem na ilha, nem o povo obede-
cesse a provisao sua, porquanto o Estado Eclesiástico perten-
cia á jurisdiqao das Freiras de Tomar, ao Vigário da qual Or-
dem e Convento sómente deviam obedecer, por ser a ilha de
dito Mestrado, e descoberta pelo infante D. Henrique, Mestre
da Ordem e Cavalharia de Jestis Christo: e juntamente com
esta provisao veyo outra do mesmo Vigário da Villa de Tomar
notificando ao povo a provisao que o Rispo de Tangere tinha,
e como indevidamente queria usurpar o Estado Eclesiástico
que pertencia A sua Ordem, e que a tal Kispo nao obedeces-
sem, e que se nao agastassern, porque cedo, com o favor Di-
vino, esperava El-Rey vosso Senhor criar Rispo da mesma
Ordem na Ilha; e o mesmu escreveo ao Vigário de Machico. . .
O prelado que teve esta estranha pretensao era D. Nuno
de Aguiar, que as Saudades da Terra 1120 mencionam, mas
que vem indicado em outras diversas crónicas. O yue, porém,
rienliutnas delas reiere é que 11. Nuno iiascera na Madeira e
tinha por isso inteiro coiiheciineiito da terra que desejava ane-
xar ao seu bispado de Tariger, oride apenas f6ra de visita e
iiuma rápida e desinteressada demora.
Em outubro de 1476, nomeou a infanta D. Beatriz a Frei
Nuno Goncalves capelao no Funchal, corn superintendencia
nos outros sacerdotes da capitania, e manifestou sempre o mais
devotado interesse na criacao de novas freguesias e no pro-
vimento dos diversos cargos eclesiásticos.
D. Manuel, durante o seu grao-mestrado, nao só como
duque de Beja, mas ainda depois de cingir a coroa, mostrou
tambem, em inumeras ocasi6es, o mais desvelado empenho em
concorrer largamente para as prosperidades temporais e espi-
rituais do arquipélago madeirense. Entre muitos outros, tres
factos da maíor importancia eloquentemente o comprovam:
a Madeira tornada realenga e assim absolutamente integrada
nos dominios nacionais, a construcao da suntuosa catedral e o
estabelecimento da diocese, a primeira criada nas novas terras
descobertas. Dos últimos dois, que mais próxima afinidade
teem corn o principal assunto deste estu'do, havemos de ocu-
par-nos corn alguma largueza em capitulas subsequentes.
Aiilda no periodo deste grao-m~strado,sendo já entao D.
hlaiiuel rei de Portugal, resolveu o Vigário de Tomar, depois
de porfiadas solicitac6es e instaticias, enviar á Madeira um
prelado que aqui exercesse todas as funct3es do ministério
episcopal. Foi para esse fim escolhido D. Joao Lobo, bispo
de Tanger e membro graduado da Ordem, que se demorou
nesta ilha do ano de 1508 a 1509, havendo percorrido todas
as freguesias e desempenhando-se corn verdadeiro espirito
apostólico da missao que Ihe tinha sido cometida. Ainda
nenhum prelado visitara até eritao a Madeira, sendo recebido
corn as maiores áemonstra~desde apreco e simpatia por parte
de todos os seus habitantes. A este propósito, lemos num li-
vro pubiicado no ano de 1901 : 11.. . Já em 1508 para satisfa-
zer os desejos destas reclamacdes, o Vigário de Tomar lhes
enviou o bispo de aiirl D. Joao Iaobo, que foi esperado pelo
mestre Frei Nuno Cao corn toda a cleresia e lhe fizeram mui-
tas festas. Dos actos cultuais que exerceu nesta ilha, ficou me-
mória da sagracao da lgreja de s a ~Joao, na Lombada dos
Esmeraldos, da freguesia da Ponta do Sol, que ainda actual-
mente conserva numa das suas paredes interiores urna lapide,
em que esta0 gravadas estas palavras : (&EstaIgreja fol consu-
grada por DO Ionln 1-obo Rispo de Tñlcrr! aos 27 de Agosto de
15OBr,
A Ordem de Cristo foi gradualmente perdendo a jurisdi-
cae religiosa que exercia neste arquipelago com a encorpora-
cae da rnesma Ordem na coroa, com a criacao da diocese do
Funchal em 1514 e mais ainda com a elevacao deste bispado
á categoria de metropolita, ficando reduzida a sua accao a cer-
tos privilégios e regalias, que lhe permitiam ainda a arrecada-
~ a de
o determinadas receitas, como já atrás deixamos referido.
Se todos afirmam que a Ordem de Cristo prestou os mais
assinalados servicos na empreza dos nossos descobriineiltos
maritimos e da nossa primitiva colonizacilo em terras africanas,
sendo um dos melhores auxiliares de que se serviu o infante
D. Henrique para realizar a sua vasta e grandiosa obra, 1120
podemos, de modo especial, deixar de reconhecer que o ar-
quipélago da Madeira muito ficou a dever a essa entao bene-
merita Ordem, nao sómente pela interferencia directa que teve
em varios ramos da administracao publica, inas ainda particii-
larmente pela zelosa e acertada direccao que imprimiu aos as-
suntos de caracter religioso, exercida pelos seus ilustres graos
mestres, através da jurisdicao eclesiastica de que gosavam os
Vigarios de Tomar.
A criacao das primeiras
f reguesias
No capítulo segundo, ficaram rápidamente esbocados os
tracos tnais salientes da primitiva colonisac20 madeirense, com
respeito i constituícao dos primeiros núcleos de populacao e
aos trabalhos empreendidos no incipiente amanho e cultura
das terras virgens. Tentámos tambem por em relevo o piedo-
so empenho dos antigos povoadores, em erguer diligentemente,
ao lado das suas modestas habitacoes, umas pequenas casas de
oraqao, que logo se tornaram os centros das nascentes povoa-
caes, em breve transformadas em importantes e populosas fre-
guesias.
Como igualmente deixamos dito, foram os religiosos fran-
ciscanos, trazidos na primeira frota expedicionária e os seus
irmaos em religiao encontrados na ilha do Porto Santo, os pri-
meiros sacerdotes que exerceram os actos do culto nesta ilha,
desemp~nhando com zelo e com o maior desinteresse as fun-
c6es do ministério paroquial. A estes se reunirain muitos ou-
tros, que, embora desejoios duma vida solitária e contemplati-
va, abandonavam temporáriarnente os seus ermiterios, para
acudir com presteza a quantos solicitavam os socorros espiri-
tuais.
Fundadamente se conjectura que em 1433, quando este
arquipélago foi doado Ordem de Cristo ou poucos anos mais
tarde, era já insiificiente o número de franciscanos para o des-
empenho de todos os serviqos do culto, devido & circuiistincia
de alguns déles se terem retirado para o contitieiite, por moti-
vos que desconhecemos, e outros se haverea coilstituído em
mais apertada clausura e estrcita observ2ncia das regras do seu
instituto. Essa falta de clero ia tambem tornando-se bastante
sensível, pelo rápido desenvolvimento da populacao e dissemi-
naqao dos povoados em potitos afastados uns dos outros.
Julga-se que a Ordem de Cristo, como rigorosamente Ihe
cumpria, naío satisfez com muita prontidao ás necesidades
emergentes, ao menos nos primeiros tempos da sua adminis-
t r a @ ~religiosa, a que talvez nao f6sse estranha a caréncia de
pessoal suficientemente idoneo para esse fim. Os Vigários de
Tomar 1á foram enviando para este arquipélago alguns eclesi-
ásticos, e parece que outros sacerdotes, seculares e regulares,
vieram tambem exercer aqui as funq6es d o seu ministério. Co-
mecaram entao a ser providas de capelaes as ermidas situadas
nos centros mais populosos, chaniando-se tambem vigários a
Mes capelaes e vigararias 2s áreas das respectivas jurisdiqoes.
Desta confusao de nomes e tambem da mal definida extensa0
das atribuicoes desses eclesiásticos resiiltou a arbitrariedade
havida na exacta determinacaio das épocas em qiie forain cria-
das as primeiras paróqiiias desta ilha.
Primitivamente houve apenas uma capelania ou vigararia,
que gosava de mais amplas faculdades e que tinha superinteii-
déncia nos serwicos religiosos das tres capitanias. Nas 81Me-
mdrias Seculares e Eclesiásticas. . . , l , de 1 Ienrique de
Norbnlia, ¡$-se que o infante D. I-lenrique nunca quís no-
mear rnais do que iim sapelaa, mas que o seu sucesaor iio
mestrado da Ordem atendeu as reclamacoes dos habitantes,
provendo outras capelanias com a mesma latitude de atribuí-
q6es que tinha a do Funchctl. Desta maneira se: foram criando
varias capdanias nas duas donatárias, em que a Madeira se
achava dividida para o efeito da sua administraqao pública.
Diz-nos o ilustre anotador das Saudades da Terra que em
1%30se estabeleceu a primeira freguesia deste arquipélago, na
séde da capitania do Funchal. Nao nos parece que, decorridos
apenas cinco anos depois de iniciada a primitiva colonizacao,
se tivesse já constituído uma paróquia, tomando este termo
como significado dum agrupamento autonorno de povoadores,
com vida própria e independente, debaixo do ponto de vistaso-
cial e religioso. Seria mais provávelmente uma dessas capelanias
a que acima fazemoc referéncia, algumas das quais entao se de-
n~minavam indistintamente capelanias, curatos ou vigararias e
que no decorrer do tempo se lhes daria, com mais proprieda-
de, o nome de freguesia ou paróquia, o que aliás nao tem
uma importáncia capital para 3 iiistória da formacao dessas
mtsmas freguesias.
Com o nome de capelania, curato ou vigararia, aceitemos
o ano de 1430 como o do estabelecimento d 6 primeiro núcleo
de populacao, que tivesse tido uma forma regular de adminis-
tracao social e religiosa, sob a superintendéncia dum eclesiás-
tico, legalmente nomeado peln Ordem, e a que podemos na
verdade chamar freguesia. A sua primitiva séde esteve instala-
da na capela de Sao Sebastiao, a primeira construida no Fun-
chal depois da de Santa Catarina e que ficava situada no local,
que ainda actualmente conserva o nome de Largo de Sálo Se-
bastiao, do Chafariz ou do Comércio.
O donatário Joao Goncalves Zargo, transferindo a sua mo-
radia de Santa Catarina para o lugar em que hoje se encontra
a Quinta das Cruzes, mandou construir, nestas proximidades, a
capela de Nossa Senhora da Conceicao, mais tarde de Santa
Clara, quási ao mesmo tempo qu.e, por ordem do infante D.
Henrique, fez edificar a capela de Nossa Senhora da Nativida-
de, chamada depois de Nossa Senhora da Conccicao e aitida
posteriormente Nossa Senhora do Calhau, em virtude da sua
situacao próxima da praia, na margem esquerda da ribeira e
nao distanciada da sua foz. Em vários lugares se encontra
apontado o ano de 1438 como o da sua construqao e para ela
se transferiu sem muita demora a séde da paioquia, cujos ser-
vilos religiosos continuaram a ser desempenhados pelos mem-
bros da Ordem Serifica. Estes religiosos alternavam os exercí-
cios do culto nas duas capelas, que pela sua especial situaqao
erani mais conhecidas pelos nomes de Conceic20 de Cima e
Conceicao de Kaixo, ficando na última o verdadeiro centro da
vida social e religiosa da paróquia. Como é sabido, foi na mar-
gem esqugrda da. ribeira, que depois se chamou de Jo2o Go-
mes, e nao ionge da sua foz, que primitivamente ce formou no
Funchal o inais importante núcleo de populacio, e desta cir-
cunstancia deriva a coristrucao da igreja e o estabelecimento
da paróquia naquele local.
O Vigário de Tomar, por indicacao do infante D. Henri-
que, nomeou o primeiro vigário, cujo nome ignoramos, da
nova freguesia, que gsaava da jurisdicao canánica em todas as
capitaniris, terido acljut~toalgilrts beneficiados que o auxiliavam
A C R I A ~ ~DAS
O PRII~EJRASPREG~ESIAS 25
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no munus pastoral e prestavarn servicos paroquiais em algu-
mas capelas, a medida que a populacao se ia notávelmente
alargando em diversos pontos. A este primeiro vigário sucedeu
ern 1476 Fr. Nuno Gon~alves, apresentado pela infanta D.
Beatríz, como tutora de seu filho o duque D. Diogo. Nao foi
este eclesiástico feliz na sua administracao paroquial, porque,
em virtude de desinteligéncias havidas entre ele e o capitao-
donatário e malquistando-se tambem com o pbvo, teve de
abandonar o cargo, que nao foi imediatamente preenchido.
Alguns anos decorridos, por Carta do grao-mestre da Orden
de Cristo, que era entao D. Manuel, duque de Beja, datada de 30
de marco de 1490, foi nomeado vigário de Santa Maria Maior
Fr. Nuno Cao, mernbro qualificado da mesma Ordem, que
além de vir investido da autoridade de superintender em todos
os servicos religiosos da capitania do Funchal, era tarnbem o re-
presentante daquele poderoso organismo neste arquipélago, to-
mando a direccao de certos ramos de administracgo pública, em
que a Ordem tinha directa interferencia. Erradamente se 12 em
diversos escritos, que Fr. Nuno Cao assumiu aquele cargo em
1450 e até em alguns que no ano de 1430, o que nos levaria a
admitir, que ao ser 2le nomeado de80 da Sé em 1514, teria a
provecta idade de cem anos ou ainda mais, hipótese que nao
oferece nenhuns visos de probabilidade, especialmente saben-
do-se que ao deado, naquela época, estava adstrita a obrigacao
do servico duma freguesia, cuja vasta área cornpreendia entao
as no,ve freguesias, que actualmente compoem o concelho do
Funchal. A escolha correspondeu inteiramente aos desejos da
Ordem e dos habitantes da capitania, pois que Fr. Nuno Cao
prestou . os mais assinalados servicos no desempenho do seu
cargo, tendo o senado funchalense agradecido ao grao-mestre
a acertada nomeacao que havia sido feita.
Nuno Cao que, no dizer do dr. Gaspar Frutuoso, era a Mes-
tre em Teologia e mui bom letrado,,, nao sórnente tinha uma
apreciavel cultura de espirito, mas possuia tambem as mais
acrisoladas virtudes cristas, de par corn um prudente e cri-
terios~tacto na direccao dos negocios que Ihe estavam confia-
dos, segundo se pode corn inteira verdade deduzir dos factos
conhecidos e das elogiosas referencias, que em varios lugares
temos encontrado a seu respeito.
Como acima ficou dito, foi na rnargem esquerda da ri-
beira, que se formou Q primeiro e mais importante nucleo
de populacao, mas a breve trecho alargou-se bastante o po-
voamento para as bandas do ocidente, galgando a margem di-
reita da ribeira de Sao Joao e estendendo-se rapidamente pe-
las vertentes e encostas das suas mais proximas vizinhancas.
Impunha-se a necessidade da criaeao duma nova paroquia ou
a mudanca da séde da antíga freguesia para um lugar mais
central e mais acomodado ás conveniencias dos moradores
A vasta igreja levantada no Campo do Duque e destinada a
ser a futura Sé Catedral nao estava ainda de todo concluida
no ano de 1508, mas podia já entao adaptar-se conveniente-
mente á imediata celebracao dos oficios divinos, prosseguin-
do lentamente as obras do seu final acabamento. Naquele ano
realizou-se a transferencia da séde da freguesia de Santa Ma-
ria Maior, da Capela de Nossa Serihora do Calhau para o
novo templo do Campo do Duque, conhecido pelo notne ,de
Igreja Grande. Foi entao benzida esta igreja, que sómente al-
gum tempo depois recebeu a sagracao episcopal, dada pelo
bispo D. Duarte, como adiante mais largamente se dirá.
Frei Nuno C2o continuou na direccao da paroquia, pres-
tando servico ila nova igreja e tendo coino beneficiados ou
coadjutores os mesmos eclesiasticos que ein Nossa Senhora
do Calliau se empregavam no ministerio do culto. (Suando em
1514 foi criada a diocese do Funchal e organisado o cabido
ou corpo capitular, teve o respectivo de20 o encargo do ser-
vico paroquial, disposicao esta que perdurou até o ano de
1562, etn que, por carta regia de 20 de Junho desse ario e pelo
falecimeiito do terceiro de20 Filípe Rebelo, passou esse ser-
vico a ser desempenhado por dois curas, lugares eiltao cria-
dos e que assim se manteve até há poucos anos. Fr. Nuno Clo,
que morreu por 1530, exerceu as funcoes de paroco da Sé e
ainda os seus dois imediatos sucessores o licenceado Gas-
de Carvalho e Fílipe Rebelo.
Em breve se reconheceu a necessidade da restauracao da
freguesia de Santa Maria Maior ou de Nossa Senhora do Ca-
lhau, ao alargar-se t a notavelmente
~ o pdvoamento para gran-
des distancias da margem esquerda da ribeira, tornando-se
muito dificil e até quasi impossivel a um grande numero de
moradores o exacto cumprimento dos seus deveres religiosos,
apesar das varias capelas, algumas delas servidas por sacerdo-
tes, que já entao se tinham levantado naquela vasta zona. O
alvari regio de 18 de noveinbro de 1557 dividiu a cidadc do
A C R I A ~ A O DAS PRIMEIRAS FREOUSIAS 27

Funchal e seus arredores em duas freguesias, ficando uma com


a sua séde na igreja de Nossa Senhora do Calhau, como antes
fora, e a outra continuando a ter por centro a igreja da Sé Ca-
tedral. Abrangia a primeira os terrenos que se estendiam desde
a margem direita da ribeira até a partilha da freguesia do Ca-
nico, e a segunda cornpreendia toda a área situada entre a
margem direita da tnrsma linha de Agua e a inargem da ribei-
ra dos Socorridos. Passado pouco tempo, desmembrou-se da
freguesia de Santa Maria Maior a de S20 Goncalo, e da da Sé
se formaram as paroquias de Sio Pedro, Santo Antonio, Sio Mar-
tinho, Sao Roque e Nossa Senhora do Monte, como adiante
se verá.
O alvará régio de 23 de Fevereiro de 1558 decretou a
criacao ou restauracao da freguesia de Santa Maria Maior,
tendo anexa urna colegiada com tres beneficiados além do pá-
roco, qce deviam manter o servico do coro e bem assim apli-
car-se ao exercicio do munus pastoral. O primeiro vigário,
apresentado por carta régia a 22 de Junho de 1558, foi o li-
cenciado Antonio Mourio, que teve como sucessor o bacharel
Bartolomeu Jeronimo, nomeado para este cargo, por alvará
rágio de 11 de dezembro de 1572. Os priineiros beneficiados
foram o paC!re Diogo Diac, Pedro Moreira e André de Gou-
veia, nomeados pelo bispo diocesano D. Jorge de Lemos em
fins do ano de 1558. Aumentando o serviqo paroquial e jul-
gando-se insuficiente o numero de tres beneficiados, ficou a
colegiada composta do vigário e seis beneficiados, a que o al-
vará de 27 de abril de 1589 acrescentou a criac2o dum curato.
Como já ficou referido, foi o infante D. Henrique, que no
ano de 1438 manciou edificar a capeladeNossa Senhora da Na-
tividade, mais tarde chamada da Conceicio de Baixo e ainda
posteriormente de Nossa Senhora do Calhau, onde se estabele-
ceu a sSde da primeira paróquia criada na Madeira. Pelo tempo
sofreu diversas reparacoes, mas era já muito adiantado o seu es-
tado de ruina por meados do século XVII, mandando o Con-
selho da Real Fazenda proceder a sua quasi inteira reedifica-
@o no periodo decorrido d e 1665 a 1667 e á construc2o do
respectivo campanário no ano de 1670. Aproximadamente um
século mais tarde, realizaram-se importantes trabalhos no técto
e coro desta igreja e ainda nas suas ornamentaqoes interiores,
que o tornaram um dos mais belos templos de toda a diocese.
A terrivel aluviio do dia 9 de outubro de 1803, que destruiu
uma parte consideravel da cidade e vitimou cerca de trezentas
pessoas, arrasou inteiramente aquela igreja, restando dela ape-
nas um montao informe de escombros. O Senado do Funchal
ou a Camara Municipal, como hoje se diría, ofereceu logo a
sua igreja de Sio Tiago Menor para a séde da paroquia, onde
ainda actualmente se encontra, e a ela mais de espaco nos te-
remos de referir, quando nos ocuparmos do principalopadro-
eiro da diocese, ao qual é dedicada.
Fóra da séde da Capitania do Funchal, foi o lugar de Ca-
mara de Lobos o primeiro em que se procedeu a um intenso
povoamento, favorecido pelas condicoes do meio, devendo
especializar-se a notavel fertilidade do sólo, o clima tempera-
do, um porto de desembarque e a sua proximidade da mais
importante povoacao entao existente. A respectiva vigararia
ou talvez melhor capeiania foi criada quasi pelo mesmo tempo
da do Funchal, isto é pouco depois do ano de 1430. O desen-
volvimento sempre crescente da populacao determinou a cria-
cae dum curato, por alvará régio de 5 de novembro de 1576,
e alguns anos mais tarde a da colegiada com tres beneficiados,
além do pároco e coadjutor, sabendo-se que já anteriormente
a essa época outros eclesiasticos, incluindo os religiosos do
convento de Sao Bernardino, exerciam ali as funcaes do seu
ministérío. Por motivos que ignoramos, foram os tres benefi-
ciados suprimidos em 1676 e de novo restaurados nos Últimos
anos do mesmo século.
Ao comecar-se a primitiva colonizacao e num rápido re-
conhecimento através do litoral, tracou Joao Goncalves Zar-
co e mandou depois edificar a capela do Espirito Santo, onde
se estabeleceu a séde da freguesia de Camara de Lobos. Exis-
te ainda o pequeno templo, embora nada reste da antiga cons-
trucao, que é um modesto monumento a comemorar os tra-
balhos iniciais do povoamento e a recordar a distinta perso-
nalidade do primeiro capitao donatário do Funchal. Foi reedi-
ficado no ano de 1720 e de novo restaurado em 1908. No
segundo quartel do seculo XVI se procedeu á edificas20 duma
nova igreja paroquial, com o orago de Sao Sebastiao, que foi
acrescentada e quasi inteiramente reconstruida no último quar-
te1 do século seguinte. Ha cerca de trinta anos passou este tem-
plo por uma grande restauracao na sua capacidade e nas suas
decorac6es interiores. Existiram ali o convento de franciscanos
e a igreja de Silo Bernardiiio, de que daremos mais ampla
A CRIACAO DAS PRIMEIRAS FREBUESIAS 29
- -
noticia, quando nos ocuparmos das comunidades religiosas.
Outro lugar, em que nao se fez esperar muito um comeco
de povoamento foi o que fica situado nas margens da cauda-
losa ribeira, que os mais antigos povoadores chamaram Brava.
Nao distante da sua foz, logo se ergueu uma pequena capela
da invocacao de Sao Bento, tornada centro dum nucleo de po-
pulacao, onde se estabeleceu, por 1440, uma freguesia ou an-
tes uma capelania, segundo nos informa o erudito comentador
das Saudades da Terra. Escasseiam notícias seguras acerca das
transformac6es por que passaria essa capela e da construcao
da actual Igreja Paroqual. Presume-se que tivesse sido edifi-
cada por meados do seculo XVII, encontrando-se nela um pulpito
primorosamente lavrado em pedra, e um triptico, talvez per-
tenca do antigo convento, que parece ser um trabalho de ele-
vado mérito artistico. Passou recentemente este templo por
uma profunda remodelacao com o acrescentarnento de dois
corpos laterais e outros notaveis melhoramentos. Por 1540 foi
ali estabelecida uma colegiada com quatro beneficiados, cm vir-
tude do desenvolvimento agricola e industrial e do rápido
crescimento da populacao. Por estes ponderosos motivos e airi-
da pela dispersa0 dos casais em sitios muito distanciados da
Igreja Paroquial, concedeu o alvará régio de 30 de agosto de
1594 ao Prelado Diocesano a faculdade de criar um curato,
cujo serventuário faria'parte da respectíva Colegiada. Em fins
do seculo XVII, fundou-se na freguesia da Ribeira Brava um
pequeno convento de religiosos franciscanos, sendo reconstrui-
da a primitiva capela e ampliada a casa conventual no ano de
1730. Esta paróquia abrangia todos os terrenos que consti-
tuem hoje as freguesias do Campanário, Tabúa e Serra de
Agua, que dela se desmembrarem nos seculos XVI e XVII,
como teremos ocasiao de ver.
A colonizacao da Ponta do Sol, isto é o amanho e o cul-
tivo das suas fertilissirnas terras, comecou posteriormente ao
do vizinho lugar da Ribeira Brava, mas em breve o excedeu
no rápido desenvolvimento do povoado e de modo particular
no seu movimento industrial, tornando-se um dos mais activos
e abundantes centros da producao do acucar. Conjecturamos
que a primitiva ermida de Nossa Senhora da Luz tivesse sido
construida por meados do segundo quartel do século XV e
nela criada urna capela ou paroquía pelos anos de 1450. Em
1502 era já uma povoa$Ho muito importante, que lilereceu ser
entao elevada á categoria de vila. Pouco anteriormente ao ano
de 1572, dá-se a criacao duma colegiada com quatro beneficia-
dos além do pároco, e por alvará régio a 26 de agosto de
1589 é ali estabelecido um curato. A antiga capela sofreu vá-
rias reparacoes e acrescentamentos, até que nos principios do
sCculo XVIII foi reconstruida com mais amplas proporcoes,
tendo ainda há poucos anos sido notavelmente restaurada com
importantes melhoramentos. Levantaram-se na freguesia da
Ponta do Sol inumeras capelas, quasi todas de instituiqio
vincular, algumas das quais ainda existem, sobresaindo a to-
das a do Santo Espirito, na Lombada dos Esmeraldos, nao
sómente pela beleza das suas estatuas, télas, azulejos, obra de
talha e outras decoracoes, mas tambem por ter sido o centro
dum grande movimento industrial e comercial e ainda a séde
do maior morgadio de toda a ilha. Dentro dos limites desta
paroquia formaram-se, no decurso do século XVI, as duas
novas paroquias dos Canhas e da Madalena do Mar.
O primitivo povoamento das terras da futura freguesia
da Calheta foi quasi simultaneo do do Funchal e Camara de
Lobos. Ali se instituiu, pouco depois de 1430, uma cai~elania
ou vigararia, com sua séde na ermida de Nossa Senhora da
Estrela, que Zargo (ttracou de sua r n a o ~ e~ mandada construir
por seu genro Diogo Cabral. Alguns anos mais tarde, edifi-
cou-se outra capela em sítio diferente, que passou a servir de
igreja paroquial, tendo sido inteiramente reconstruida e acres-
centada no segundo quartel do século XVII. A colegiada, de
quatro beneficiados afóra o pároco, foi criada por 1540, a que
se deu o acrescentamento dum curato, pelo alvará régio a 27
de agosto de 1589. Desta freguesia se desanexaram as paro-
quias da Faja da Ovelha, Estreito da Calheta e Arco da Calhe-
ta e ainda destas se constituiram outras, como mais adiante se
verá. No ano de 1502 elevou D. Manuel a já entao importante
localidade da Calheta á categoria de vila.
A colonizac%oda sédeda Capitania de Machico acompanhou
a do Funchal no seu desenvolvimento industrial e coniercial,
devendo admitir-se que os servicos religiosos seguissem tam-
bem a mesma evolucao e em tudo tivessem urna organizacao
semelhante. A mais antiga capela que se levantou em Machico
foi a de Nosso Senhor Jesus Cristo, hoje conhecida pelo nome
de Senhor dos Milagres, cuja história se acha estreitamente li-
gada á do primeíro desembarque que ali se efectuou e ao ini-
A CRIACXO DAS PRIMEIRAS FREQUESIAS 31

cio das primeiras exploraqoes agricolas, como já deixamos re-


ferido. Logo se teria criado uma capelania nessa ermida, apro-
ximadamente pela mesma época em que se estabeleceu a de
Sao Sebastiao do Funchal, e seria tambem, como esta, servida
pelos religiosos franciscanos.
Supi5mos que a Ordem de Cristo enviaria sacerdotes para
algumas das capelas dessa Capitania, a exemplo do que se pra-
ticou com varias ermidas da Donatária do Funchal. Nas eru-
ditas anotacoes das Saudades da Terra, tantas vezes citadas,
diz-se'que a povoacao de Machico teve a sua constituicao como
freguesia no ano de 1450 e que foi seu primeiro vigário Fr.
joao Garcia, nonieado pelo Vigário de Tomar e a instancias d o
infante D. Henrique. Estas afirmativas precisam de ser sufi-
cientemente esclarecidas e retificadas. Iniciando-se o povoa-
mento de Machico simultaneamente com o do Funchal e chegan-
do-se a sustentar que, nos primeiros tempos, a capitania de
Tristao Vaz ombreara com a de Goncalves Zargo no seu mo-
vimento colonizador, nao pode admitir-se que a paróquia de
Machico tivesse sido criada em época posterior á de Camara
de Lobos, Kibeira Brava e Calheta, segundo se faz mencao nas
referidas anotacoes, a nao ser que 110s refugiemos na confusao
primitivamente havida, quanto á designacao de capelania, cura-
to e vigararia, como já atrás fizemos notar. A antiga igreja
paroquial, de que o templo actual é uma inteira reconstrucao,
teve como fundador o infante I>. Fernando, grao-mestre da
Ordem de Cristo, fazendo-se especial referencia a este facto no
seu testamento, e deixando como legado que a dita igreja fosse
provida de todo o necessário para o exercicio do culto divino.
E"tambem devido ao mesmo infante a nomeacao de Joao Gar-
cia, seu capelao, para vigário de Machico, dentro do periodo
de tempo decorrido de 1460 a 1470, em que teve a suprema
direccao do mestrado daquela Ordem. Será, pois, forcoso ad-
mitir-se que a formacao do povoado de Machico, considerado
como simples capelania, se deve remontar aos anos de 1430, e
que a data de 1450 terá de referir-se á sua constituicao como fre-
guesia no sentido rigoroso deste termo e tambem á nomeacao
dum primeiro vigário, com jurisdicao nas diversas capelas da
capitania, anterior a Fr. Joao Garcia e cujo nome ignoramos.
A igreja, mandada edificar pelo infante D. Fernando an-
teriormente ao ano de 1470 e para onde se transferiu a séde
da freguesia, fai ampliada QU recanstruida nos fins do seculo
XV ou comeco do século seguinte, afirmando-se que as um-
breiras de marmore branco da porta lateral, em ogiva, vie-
ram de Lisboa como oferta directa do rei D. Manuel. No ano
de 1630 recebeu de novo importantes reparacoes, sendo a
capela-mór reedificada por 1689. Demolido o campanário em
1844, por ameacar iminente ruina, procedeu-se á sua recons-
truca0 no ano de 1533. Sobranceiro ao altar da capela do
Santissimo Sacramento, encontra-se um belo quadro a óleo,
representando a adoracao dos Reis Magos, que é uma primo-
rosa obra de arte, objecto de admiracao e apreco de quantos
visitam aquela igreja. Teve esta paroquia muitas capelas, al-
gumas delas vinculadas, merecendo mencao especial a de Nosso
Senhor Jesus Cristo ou dos Milagres, que foi séde da primitiva
capelania e posteriormente da Misericórdia, com a sua con-
fraria e encargos pios anexos.
Em Machico estabeleceu-se uma das mais antigas cole-
giadas, por meados do século XVI, tendo seis benefíciados
além do paroco e sendo ainda criado um curato, por alvará
régio de 5 de novembro de 1576. Esta vigararia teve como
capelanias sufraganeas, com seus capelaes privativos, as ermi-
das de Santa Cruz, Faial, Sao Jorge, Ponta Delgada, S. Vicen-
te e Porto do Moniz, que em Sreve se tornaram sédes de
outras paróquias. As do Canica1 e Agua de Pena desanexa-
ram-se da freguesia de Machico por meados do século XVI.
A povoacao de Santa Cruz, próxima da Capitania de Ma-
chico a que pertencia, logo ombreou com a sua vizinha e rival
e até a excedeu e suplantou com um grande movimento in-
dustrial e comercial e um correlativo aumento de populacao,
que determinaram a criacao duma alfandega e posteriormente
a elevacao do lugar á categoria de município. A capelania ou
vigararia de Santa Cruz deve ter sido estabelecida quasi pelo
mesmo ternpa do que a de Machico, assim como a Colegiada
com os ceus seis beneficiados, sendo-lhe tambem dado um
curato pelo alvará régio de 27 de agosto de 1589. A séde da
paróquia foi instalada numa pequena capela, que teria talvez a
invocacao de Sao Salvador e que porventura se levantaria no
mesmo local en1 que se construiu a actual igreja paroquial.
Comecou esta a ser edificada por 1533, levando alguns anos
a sua construcao. E' um templo de tres naves, tendo-se afirma-
do que as naves laterais nao sao da primitiva edificacao. Sabe-se
que no ano de 1686 se procedeu nela a notaveia trabalhos de
A CRIACAO DAS PRIMEIRAS PREQUESlAS 33

reparaqao. Esta psróquia teve bastantes capelas, na sua maioria


de instituicao víncular, e dela se formaram as freguesias de
Gaula e de Santo Antonio de Serra.
A única paroquia estabelecida na costa setentrional da
Madeira, durante o s2culo XV, foi a de Sao Vicente, cuja
criacao deve remontar-se ao último quartel do mesmo s6cul0,
dando-se como existindo ali uma capela desde os anos de
1450. A sua área teria sido entgo muito vasta, alargando-se
extensamente para as bandas de leste e oeste da actual fre-
guesia e indo-se a pouco e pouco formando os povosdos de
Ponta Delgada, Seixal, Porto Moriiz e ainda outros. Rapida-
mente cresceu ein importancia e no d:senvolvimento da pppu-
laqao, tendo sido elevada á categnria da vila no aiio de 1744.
O alvará regio de 2 de Janeiro de 1606 autorizou a criacan
dum curato na capela de Nossa Senhora do Rosário do sítio
da Vargem. A antiga ermida de Sao Vicente, em que se insta-
iou a séde da paroquia, sofreu pelo tempo varias reparacóes,
tendo sido recnnstruída e acrescentada no último quartel do
século XVII. A provisao episcopal de 14 de Janeiro de 1814
estabeleceu nesta freguehia urna vigararia da vara ou arcipres-
tado, que naio teve larga duraq20, com 'superintendencia nos
servicos religiosos das paroquias de Ponta Delgada, Silo Vi-
cente, Seixal, Ribeira da Janela c Porto do Moniz.
A povoaqao do Canico era atravesada por uma ribeira,
que estabelecia a linha divisoria entre as capitanias do Funchal
e de Machico. Nas suas margens ia-se adensando a populacao,
ao mesmo tempo que profundas rivalidades surgiam entre os
moradores das duas jurisdicGrs, a ponto de se haverem levan-
tado duas igrejas paroqtiias, a pequena distancia urna da outra,
em que alternadsmente se realizavam os diversos actos do culto.
O grupo de habitantes, que demorava na margem direita, no
sitio cliatnado ~llanicopara a cidade., tinl~aa capela do Espi-
rito Santo como igreja paroquial, e o grupo exístente na mar-
gem esquerda, no lugar conheciclo pelo nomz de ~(Canicopara
Machicov, tinha a capela de Santo Antao como séde dasua fre-
guesia. Apesar das duas igrejas e dos dois sítios pertencerem a
capitanias diferentes, a verdade é que os servicos religiosos fo-
ram sempre desetnpetihados em ambas essas igrejas pelo mes-
mo sacerdote. Primitivamente houve apenas urna capela, igrio-
rando-se hoje em qual das duas margens ficava situada, e des-
conhecendo-se tambem em que epoca teria sido construida a
capela da outra margem. As duas igrejas iam entrando em
adiantada ruina, sem que as antigas rivalidades permitissem a
reedificacao duma delas, até que em 1779 se deu comeco A
construcao da actual igreja paroquial, concluida em 1783, ten-
do como oragos o Espirito Santo e Santo Antao-Sancto Spi-
rito Paradito atque dlvo Antonio abbatl sacrum. . . como na
frontaria se le-que efam os patronos das duas velhas e já
entao desmanteladas capelas.
Foi o Canico um dos mais antigos lugares em que se pro-
eedeu ao arroteamento das glebas, assinalando-se o ano de
1440 como o do estabelecimento duma capelania ou vigararia,
em virtude do importante nucleo de populacao que se formara
nas margens da ribeira, como já fica dito. O alvará régio de
20 de outubro de 1665 criou alí um curato, e das terras que
constituiam esta freguesia se desmetnbrou a paroquia da Ca-
macha no ano de 1676.
A Donataria da ilha do Porto Santo, pelo seu isolamento,
pela distancia a que se achava das capitanias da Madeira e ain-
da por outras condicoes do meio, nao chegou a atingir nunca
um prospero desenvolvimento comparado com o das suas con-
generes do Funchal e de Machico. O seu primeiro povoamento
deveria ter sido coevo do da Madeira, e certamente que nao se
faria esperar muito a criacao duma capelania ou vigararia, es-
pecialmente em atencao ao seu isolamento, de cuja data nao
alcancámos notícia. Conjecturamos que essa criacao se daria
por meados do segundo quartel do sCculo XV. Teve colegiada,
estabelecida anteriormente ao ano de 1572, com tres beneficia-
dos, sendo-lhe mais tarde acrescentado um quarto beneficiado
e tambem um coadjutor, pe!o alvará régio de 27 de agosto de
1589.
Urna pequena capela, dedicada a Nossa Senhora da Pieda-
de e construida logo no princípio do povoamento, serviu de
séde A instalacáo da paroquia, tendo tido muitas reparacoes e
reconstrucoes através dos tempos. Sofreu esta igreja varias pro-
fanacaes e ultrajes, por parte dos mouros de Marrocos e de
corsários franceses, que frequentemente assaltavam aquela ilha
na sua fúria de pilhagem e de chacina. Foi esse templo saquea-
do e incendiado algumas vezes, nomeadamente nos anos de
1556, 1600, 1617, 1690 e 1708, cometendo os assaltantes toda a
sorte de excessos e violencias. Deu-se a sua Última reconstru-
silo nos primeiros anos do seculo XVIII, tendo sido posterior-
A CRIACAO DAS PRIMEIRAS FREGUESIAS 35

mente restaurado nas suas ornamentacoes interiorrs. A capela


lateral chamada da Morgada, que pertencía A familia Baiao, é
de edificacao bastante antiga, sendo o resto do edificio de cons-
truca0 muito posterior Aquela.
Neste já extenso capitulo, procurámos apresentar uma su-
cinta ideia do desenvolvimento da populacao e do seu correla-
tivo movimento religioso nos pontos mais importantes do ar-
quipelago, dando especialmente rápida notícia ácerca da origem
e criacao das dez freguesias instituidas no seculo XV, seis das
quais foram os nucleos duma cidade e das cinco vilas, que em
breve se estabeleceram e largamente prosperaram.
Todos sabem e já o deixámos ligeirarnente esbocado, que
a primitiva colonizacao madeirrnse se operou com notavel ra-
pidez, se atentarmos na distáncia a que esta ilha se achava dos
centros europeus, na enorme dificuldade das comunicac6es e
nos deficientissimos meios de povoamento em gente, em di-
nheiro e em outros elementos duma eficaz accao civilizadora.
A excepcional benignidade do clima, a exuberante fertilidade
do s610, os escravos africanos e mais ainda a energia e a vita-
lidade dos sesmeiros continentais supriram vant2josamente aque-
las falhas e insuficiencias. A breve trecho tornava-se a Madeira
o mais importante empório comercial e industrial dos nossos
dominios ultramarinos e um apetecido ponto de atraccao para
nacionais e estrangeiros, que aqui encontravam condicoes fa-
voraveis para o exercício da sua actividade e das suas aptidoes.
A este progredimento colonizador ardou sempre associa-
da uma correlativa expansao social e religiosa, que logo se as-
sinalou pela edificacfio de inuitas capelas e igrejas, pela c r i a ~ a o
de varias paroquias providas com o indispensavel pessoal ecle-
siastico e ainda pela construcfio do suntuoso templo, que seria
a futura Sé Catedral. Fazia-se, porém, imensamente sentir a
falta da a c d o imediata e evangelizadora dum prelado, que nao
sbmente vizsse desempenhar as funcoes do seu alto ministério
episcopal particularmente na administracao dos sacramentos
da confirmacao, e da ordem, mas ainda irnprintir a todos os
servisos religiosos urna f e i ~ a omais eficaz e mais disciplinada
de harmonia com as leis gerais da Igreja Católica. Os habitan-
tes deste arquipelago e os respectivos capitaes-donatários ti-
nham, por mais duma vez, solicitado a satisfacao dessa urgente
necessidade, como já atrás deixámos acentuado.
No capitulo quarto deste despretencioso estudo fez-se re-
ferencia estranha pretensao do bispo de Tanger D. Nuno de
Aguiar, pedindo ao Papa a anexacao deste arquipelago ao seu
bispado e da energica oposicao oferecida pela infanta D. Bea-
triz, como tutora de seu filho o duque de Vizeu, que era ent2o
o grao-mestre da Ordem de Cristo, a que a Madeira pertencia
no espiritual. Por essa ocasifio f6ra feita a promessa da próxi-
ma criacao duma diocese com séde no Funchal, que sómente
quarenta anos mais tarde se converteu em concreta realidade. E
só tambem decorridos trinta e tantos anos depoisdessa promessa
formal, é que a Ordem de Cristo enviou a esta ilha o bispo D.
Joiío Lobo, que aqui permaneceu aproximadamente um ano,
de 1508 a 1509, regressando em seguida ao continente.
Vai finalmente ser decretada a criaqao da Diocese do Fun-
chal, a que parece nao ser estranha a circunstancia de preten-
der elevar-se dignidade de bispo o entao Vigário de Tomar,
Diogo Pinheiro, o mais qualificado membro eclesiastico da Or-
dein de Cristo e pessoa da maior consideracao e privanca do
rei venturoso D. Manuel. O respectivo diploma é do Papa Lego
X e datado de 12 de junho de 1514. Pela sua importancia e in-
teresantes informacoes que encerra, damos na integra a sua
traducao, feita pelo antigo professor do Liceu e do Seminráio,
padre Ricardo Augusto de Sequfira e publicada no ~~Correio
do Funchal~~, de 27 de novembro de 1897. Ei-lo:
Le60 Blspo, Seno dos Servos de Deus. Para perpetuar a
memórla do facto.
Atenta a supremacia da Sé Apostólica, na qual, como su-
cessor de Siío Pedro, Principe dos Apostólos, nos achamos co-
locados, se com méritos inferiores, ao menos com igual auto-
ridade, entendemos ser objecto digno da atencao do Pontífice
Romano o da criaqfio de novas sés e igrejas episcopais, no es-
pacoso campo da igreja militante, afim de que, por este rneio,
se aumente a devocao dos povos, floresca o culto divino, se
consiga a salvacao das almas, e recebam lustre os lugares que,
pelos esfor~osdos reis e principes católicos, foram arrancados
As mios de nacoes barbaras e infieis, e convertidos na parte in-
fiel 4 luz da fé, nos logares em que sabemos que, com a ben-
c2o do Senhor, os fieis se teem multiplicado, é que de melhor
grado erigimos estas igrejas, para que esses fieis, achando no
estabelecimento da nova sé e na assistencia dum venerando
prelado, rodeado de seus competentes ministros, motivo para
persistirem na sua devocao e até para procurarem o aumento
dela, possam, auxiliados por Deus no seu piedoso propósito,
conseguir mais facilmente o prémio da felicidade eterna.
Ora possuindo o nosso carissimo filho em Cristo, D. Ma-
nuel, ilustre rei de Portugal e dos Algarves, em ultramar, desde
o Cabo Bojador até a India, muitas terras, provincias e ilhas,
umas que ele mesmo arrancara do poder dos infieis, outras
que os reis de Portugal e dos Algarves, seus predecessores
adquiriram; e nao havendo nessas terras, provincias e ilhas,
bispo que desempenhe as funcoes da ordem episcopal, sendo o
vigario da vila de Tomar, nulllus diocesis, freire da milicia de
Cristo, da ordem de Cister, quem exerce a jurisdicao episcopal
nos referidos lugares, terras e ilhas, por privilegio apostólico
que em ternpo Ihe foi concedido.
E desejando, por isso, o mesmo D. Manuel que ceja para
sempre suprimida e extinta a vigararia da dita vila de Tomar,
e erigida em Sé Catedral a igreja de Nossa Senhora, templo
suntuoso,.que o referido rei D. Manuel mandou fundar e cons-
truir na cidade do Funchal da ilha da Madeira, situada no mar
oceano, cerca de quinhentas millias ao su1 da Lusitania, e cuja
descoberta se deve ás diligencias do infante D. Henrique de
preclara memoria, filho de D. Joao 1, rei de Portugal, que a
mandou povoar, igreja, diziamos, onde sabemos haver um vi-
gário, da mesma ordem de Cristo, e quinze beneficiados, todos
presbiteros seculares, que possuem beneficios eclesiasticos cha-
mados porcoes congruas, e todos os dias nela celebram os ofi-
cios, e Nós, querendo condescender com os ardentes desejos
de El-Rei D. Manuel, conformando-nos com o parecer de nos-
sos veneraveis irmaos a quem sobre este assunto consultamos,
em nome da plenitude do poder apostólico, em louvor de
Deus Omnipotente, da mesma Virgem Nossa Senhora, e de
todos os santos da cirrte celeste, em proveito do culto divino,
em honra da mesma cidade do Funchal, tao recomendave! pela
grandeza e suntuosidade de suas obras arquitectonicas, de seus
edificios eclesiasticos e seculares, e nao menos pela densidade
da sua populacao, que entre riaturais e forasteiros, cavaleiros,
homens de ciencia e de letras, doytores em teologia, direito e
medicina, fidalgos e negociantes se eleva ao numero de cinco
mil habitantes, senao mais, e em honra tambem da mesma ilha
da Madeira, que conta oito víias importantes e muitas aldeias,
em virtude da nossa autoridade apostólica e pelo teor das pre-
sentes letras, de todo suprimos e extinguimos a mencionada
vigaria de Tomar, corn assentimento expresso do nosso amado
filho Diogo Pinheiro, seu actual vigario e doutor In utroque
jure; e em virtude da mesma autoridade erigimos a supramen-
cionada igreja paroquial em igreja catedral, corn sé, e mesas
episcopal e capitular, e corn todas as outras insignias, honras e
preeminencias cateaais, e assinamos-lhe por dote todos e cada
um dos frutos; rendimentos, proventos e emolumentos que o
mesmo Diogo Pinheiro, vigario de Tomar, percebia do exerci-
cio da sua jurisdicao e da suprimida vigararia, o que tudo an-
dava orcando por duzentos e cincoenta ducados de ouro da
Camara, segundo comumente se calcula.
Outrosim aplicamos e assinamos para sempre á mesa epis-
copal, corn consentimento expresso de Ei-Rei D. Manuel, a
importancia anual de quinhentos ducados do mesmo metal,
que dos rendimentos anuais da ilha da Madeira pertencem a
este rei; e damos-lhe por cidade a mesma cidade do Funchal, e
por diocese o distrito ou territorio dessa cidade, corn a ilha da
Madeira e todas as outras ilhas e lugares sujeitas ao vigario de
Tomar, e que por direito, privilegios ou indulto apostólico Ihe
deviam ficar sujeitos, corn os castelos e aldeias existentes nes-
sas ilhas e lugares, cujas denominacoes queremos que se con-
siderem como exQressas na presente carta.
Outrosim lhe concedemos e assinamos por clero todos e
cada um dos clerigos secuiares e regulares de toda e qualquer
ordem, e por povo os habitantes e moradores da dita cidade e
diocese do Funchal. O lugar de vigario e os de quinze benefi-
ciados da referida igreja de (Santa Maria) Nossa Senhora erigi-
mo-los, em virtude da nossa autoridade e pelo teor das pre-
sentes letras, em quatro dignidades a saber : urn deado, que na
dita igreja erecta será a maior dignidade depois da pontifical,
para um só deao, que presidirá ao cabido, um arcediagado,
para um só arcediago, um chantrado para um só chantre, uma
tesouraria para um só tesoureiro, e doze canonicatos e outras
prebendas para doze conegos.
Para dote destas dignidades, canonicatos e prebendas para
sempre aplicamos e assinamos os bens que constituiam o dote
dos referidos beneficiados; e mandamos que o nosso amado
filho Nuno Cahon (Cao), professor de teologia, freire da dita
ordem de Cristo, e que actualmente representa o vigario de
Tomar na-supramencioriada igreja de Nossa Senhora (Santa
Maria) seja elevado á dignidade de deao da mesma igreja erec-
ta em catedral, e os tres beneficiados mais antigos sejam res-
pectivamente elevados pela ordem da sua antiguidade ás digni-
dades de arcediago, chantre e tesoureiro, e os outros doze be-
neficiados sejam feitos conegos, e todos constituam o cabido
dela; que a mesma igreja, seu prelado e cabido, e os que Ihes
sucederem usem, logrem e gosem todos e cada um dos privi-
legios, prerogativas, imunidades e liberdades que usam lograin
e gosam as outras igrejas catedrais daquelas paragens, e porque
o pessoal acima designado já possuia beneficios na igreja que
acaba de ser erecta em catedral, concedemos-lhes sem mais
cola~aoou carta estas dignidades canonicatos e prebendas.
E contudo, em virtude da nossa autoridade apostólica e
pelo teor da presente carta, o direito de padroado e de apre-
sentar pessoa idonea para a igreja do Funchal, assim elevada a
Catedral, de. cada vez que ela vague, reservamo-lo para sempre
a el-rei D. f i n u e l e seus sucessores. nao devendo n6s nem
nossos sucessores prover naquela igreja pessoa diversa da que
tiver sido nomeada pelo rei de Portugal e dos Algarves; e nos
mesmos termos reservamos ao bispo do Funchal a instituicao
nas dignidades, canonicatos e prebendas, que estavam a cargo
do grao-mestre da Ordem de Cristo, a quem pertenciam o di-
reito de padroado e de apresentar nos suprimidos beneficios,
sempre que vagavam.
Nao obstante as constituicoes e ordenacoes apostólicas e
quaisquer outras disposicoes em contrario, queremos que o
apresentado e colado no dito deado impetre da Sé Apostólica
dentro do praso de seis meses a contar do dia da sua coloca-
cae urna nova provisao e pague á Camara Apostólica os direi-
tos que lhe silo devidos por aquela nomeacao sob pena de fi-
carem sem efeito a sua apresentacao e instituicao, e o deado
se considerar desde entao vago por essa ornissao.
Portanto, a nenhum homem seja licito infringir ou teme-
rariamente contrariar esta nossa carta de supressao, extincao,
concessao, fundacao, instituicao, aplicacio, assinac%o, indulto,
mandado, ordenacao e vontade.
E se algucrn ousar faz&-lo, fique sabendo que incorrerá
aa indignacáo de Deus Omnipotente, e dos seus Apostolos Silo
Pedro e Sao Paulo.
Dada em Roma, na Basilica de S%oPedro, aos doze de
junho do ano da Incarnacao do Senhor, de 1514 e segundo do
nosso Pontificado.
Foram expedidos tres diplomas pontificios referentes á ins-
tituicao do Bispado do Funchal, datados de 12 de junho de
1514, sendo um deles a Bula Pro excellentl proemlnentla, cuja
traducao portuguesa fica transcrita, outro a Bula Oratlae Dlvl-
nae Premlum, e o terceiro a Bula Hodie Eccleslae Funchalensls. O
primeiro, de todos o mais importante, é o que verdadeiramente
constitui a criacao e a ereccao da Diocese e vem integralmente
publicado, que saibamos, na Hlstorla Oenealoglca da Casa
Rlal Port-tguesa por D. Antonio Caetano de Sousa (Provas
11-259) e no Corpo Dlplomatlco Portuguez, dirigido por L. A.
Rebello da Silva (1-257), dizendo-se, na primeira destas obras,
que o respectivo original se encontra no ~ArquivoNacional
da Torre do Tombort, no Livro 1 dos Breves, a pag. 151 v., e,
na segunda, no Maco 20 das Bulas, sob o numero 34. O se-
gundo diploma, que comeca pelas palavras Oratlae Di-
vlnae Premlum, é o que faz ao monarca portugues
a comunicac%o oficial da criacao do Bispado e da apre-
sentacao do doutor Diogo Pinheiro para o desempenho
desse cargo, achando-se trasladado no já citado Corp.
Dlpl. Port. (1-261), com a indicacad de que o original
está arquivado, na Torre do Tombo, no Maco 20 das Bulas,
sob o numero 28. O terceiro diploma, a Bula Hbdie Eccleslae
Funchalensls, C ainda a participacao da instituicao da Diocese
mas dirigida ao clero e aos habitantes das terras que formavam
a nova circunscricgo diocesana. Vem transcrita a pag. 568 das
eruditas anotacoes das Saudades da Terra, dizendo-se ali que
foi copiada do origina¡ existente na Camara Eclesiastica do
Funchal. Convém, porém, advertir que nao é inteiramente exac-
ta a informacao das Saudades, quando afirmam que essa Bula
6 da criacao do Bispado, pois, como acima se ve, o seu titulo
6 Pro excellentl proemlnentla.
Como já ficou dito num dos capítulos anteriores, na Viga-
raria de Tomar, que era a sédee o principal centro da Ordem
de Cristo, residia toda a jurisdícao religiosa e canonica sobre
as novas terras descobertas, tendo gosado o privilegio de
nulllus dlocesls e nao estando por isso dependente de qualquer
bispado ou metropolita e sómenk sujeilrr A Santa S&Apr~sM-
lica. A já citada Bula Pro excellentl proemlnentia suprimiu a
Vigararia de Tomar e criou a Diocese do Funchal, taansferin-
do para esta as isencoes e regalias, que usufruia aquela privib
legiada Vigararia. Como pela mesma Bula se ve, o sacerdote
que ao tempo representava e dispensrva as facuidades de que
gosava a referida Ordem, passou a exercer o efevaeto, cargo de
Bispo do Funchal, dando-se assim a transicao daqueles direitos,
sem se levantarem atritos de jurisdicao nern quaisquer reda-
macdes por parte da mesma Ordem, se porventura outtco tivcsse
sido o contemplado com aquela alta merce eclesiastica:
Foi a Diocese do Funchal a primeira criada nas novgs
terras descobertas, tornando-se desde logo a mais ampla de
todo o mundo, e talvez ainda posteriormente nenhruar a tenha
excedido na vastidao da sua &ea. Estendia-se das praias da Mgi
deira, isolada na imensidade do oceano e nao muits distamía-
das das costas marroquinas, até ás terras americanas e aofar-
quipelago japones nos mais remotos confias do extfemo orien-
te. Cabendo hoje os seus apertados limites denbo &m períme-
tro de oitocentos quilómetros quadrados, ocupou j4 a super-
ficie duma parte muito considerável do planeta ern*que habitñr
mos.
Como é faciC de prestimir, ni& poderia conservar por rnui.
Lo tempo essa tao dilatada extensao, porque as necessidades de
caracter religioso, criadas nas novas regides, expiorachs, deter-
minaram imperiosamente a criacao de outros bispados. Essa
larga jurisdicao canonica foi assin rcotavelrnente cereeacka com
respeito aos direitos episcopais, mas conservou-se integro e atré
mais ampliada corn relaca0 As faculdades de que gosow m q u e
lidade de metropolita e de sede dumt arcebispado, como mais
ao diante se verá.
Estavam satisfeito*os desejos dos povos e as instantes so-
licitacoes das pessoas mais qualificadas da terra com rospeito &
criacao da Diocese, e ainda porventura ficarim saciadas as
vaidades e as ambicdes dos que pretendiam dngir a mitra e
empunhar o baculo, mas a verdade é que a gerencia dos dlvs-
sos negocios eclesiasticos e a a ~ a evangelisadora
o dum pre-
lado se fizeram desde logo irnensamente sentir com grave pre-
juizo dos intereses espirituais e religiosos dos habitantes de todo
o arquipblago. Sómente quarenta c tantos anos depois da insU-
tuicao do Bispado é que D. Jorge de Cem~s,o se% quarb pre-
lado, veiu pessoalmente assumir as func6es do cargo, porque
os tres primeiros, ocupados em altos negocios do estado e em
varias missaes diplomaticas, npo poderam desempenhar entre
n6s as obrigacoes do ministério episcopal. Em caso perfeita-
mente idéntico, pregunta com sobrada razao um distinto escri-
tor católico-para que aceitaram esses lugares e os encargos
que lhes andavam anexos? Nesse periodo de quasi meio sé-
culo, vieram 4 Madeira dois prelados titulares, enviados pelos
bispos proprietarios, mas apenas se demoraram alguns meses
nesta ilha, mal lhes permitindo o tempo adquirirem um rápido
conhecimento das mais urgentes necessidades da diocese.
A S é Catedral
Ainda está infelizmente por fazer um estudo completo
ácerca da Sé Catedral do Funchal, em que a sua história, a sua
arquitectura e os primores artísticos que ali se encontram, se-
jam postos em saliente relevo e descritos com o brilho e com
o rigor que na verdade merece aquele suntuoso monumento
nacional. Esta falta lamentável deve principalmente atribuir-se
ao isolamento e á distancia em que a Madeira se acha do con-
tinente portugues, nao se tendo ainda despertado a atencao
dum escritor consciencioso e de provada competencia, que ten-
tasse elaborar essa tao desejada e por muitos títulos interessan-
te monografia.
No entretanto existem valiosos trabalhos sobre diversas
igrejas e capelas, que nao oferecem, debaixo daqueles aspectos,
um tao vasto campo de observacao e de estudo como o que
vantajosamente se depara no majestoso edifício da nossa Sé
Catedral. Talvez que uma condigna remuneracao, concedida
por meio dum concurso, provocasse o aparecimento dum tra-
h l h o dessa natureza, sendo pouco provável que por outro
meio o possamos satisfatóriamente alcancar.
Embora nos escasseiem os conhecimentos indispensáveis
para abordar este melindroso assunto, vemo-nos forcados, nes-
ta altura da narrativa histórica que estamos fazendo, a dedicar-
lhe umas breves páginas, aproveitando os poucos elementos
dispersos que a tal respeito se possam coligir, de par com al-
gumas nocoes colhidas pela nossa observac%odirecta nas fre-
quentes visitas feitas a esse templo,
Já ficou anteriormente referido que no ano de 1472, quan-
do D. Nuno de Aguiar, bispo de Tanger, tentou anexar á sua
diocese o territorio do arquipélago madeirense, foi pelo grao-
mestrado da Ordem de Cristo feita a promessa da criaqao dum
bispado com séde na capitania do Funchal, opondo-se energi-
camente D. Beatriz ás pretensoes daquele prelado, que nilo
conseguiram obter despacho favorável. Posteriormente a essa
época e por diversas vezes, solioitaram os povos da Madeira,
secundados pelos capitaes donatarios, o cumprimento da pro-
messa feita, que sómente se tornou uma concreta realidade no
ano de 151; E ao mesmo tempo ia surgindo e tomando corpo
a necessidade da fundacao duma igreja, que servisse de séde á
futura diocese e que digna e apropriadamente correspondesse
ao elevado fim a que se destinava, pois que na antiga vila do
Funchal nao existia qualquer templo, que para isso pudesse
sofrer uma conveniente adaptacao.
Tem-se muitas vezes afirmado, e isso representa uma ver-
dade incontestável, que se deve principalmente atribuir ao rei
venturoso D. Manuel a cscstrucao da nossa Sé Catedral, ha-
vendo, nao só como grao-mestre da Ordem de Cristo mas tam-
bem como monarca, manifestado, por diversas fórmas, o me-
lhor desejo na edificacao desse monumento, que na verdade
lhe mereceu sempre toda a proteccao e o mais desvelado inte-
resse, conforme abaixo mais largamente se veri. Por esse pon-
deroso motivo, já foi sugerida a ideia da colocacao, no vestíbu-
lo do templo, duma lápide comemorativa daquele facto, que
assim seria condignamente perpetuado e que serviria tambem
de proveitosa licao para contemporaneos e vindouros.
Com respeito ao tempo, lugar e certas condicoes do meio,
silo sem duvida motivo de justificada admiracao as amplas pro-
porcoes que desde o seu início se deram á construcao da Sé
Catedral. Pouco mais de meir: século tinha decorrido após o
coméco do povoamento, todo o arquipklago nao contaria en-
tao mais de quinze mil habitantes e o numero de moradores da
vila do Funchal mal atingiria cinco mil, segundo se pode de-
preender da propria Bula da criaqao da Diocese. A-pasar-de ser
relativamente grande o desenvolvimento da populacao e notá-
veis as prosperidades materiais que simultaneamente o acom-
panhavam, é todavia certo que nao abundavam as indispensá-
veis fontes de receita para custear urna obra daquela magnitude.
Quasi que deveria apenas contar-se com os limitados re-
cursos de caracter local, pois que que .a metrápole, asaober-
bada com as expedicoes marítimas e os empreendiritenkts da
colonisacao africana, dificilmente poderia acudir ás necessida-
des destas ilhas, nao deixando de fazer-se a cobran9 & 2 a a t k
contribuicoes e impostos, que aqui se arrecadavam aescrupulo-
samente, sobretudo os que incidiam sobre a pradu~8oc .expor-
taca0 do acucar No entretanto é forcoso reconheeer (que do
govérno central vieram valiosos auxilios, nao .só decretando ae
o lancameato de varios tributos especialmente destinados &que-
le fim e recomendando-se com muita insistencia aos tpouos a
neceskidade de prosseguirem os trabalhos iniciados, mas tam-
bem cedendo-se uma parte considerável das xeceitas públicas
aqui arrecadadas e ainda enviando-se abundantes materiais e
arquitectos e operarios especialisados, que de todo escasea-
vam entre nós.
A vastidao e o aparato arquitectonico que, com relacao As
condicoes do meio se deram ao templo da Sé e a que já aoima
fizémos ligeira referencia, tem sua suficiente explica$ío ntis
ponderosas circunstancias que entao ocorriam. (O importante
organismo da Ordem de Cristo, a que f6ra concedida a abso-
luta jurisdicao espiritual e religiosa em todas as novas terras
descobertas ou conquistadas, ao projectar a criacao do primei-
ro bispado dentro da área desses vastos dominios, quis impri-
mi-lhe um caracter de notável grandeza, que teria oertamente
de reflectir-se no templo que serviria de centro a essa mesma
criacao. Embora aquela Ordem nao mudasse de sede e desta
continuasse a partir uma valiosa coopera@o no movimento
colonisador qyle se estava operando, é todavia certo que as
suas faculdades de ordem espiritual, de que largamente gosava,
transitariam para a nova diocese a estabelecer e seria extinta a
chamada Vigararia de Tomar, que dentro da referida O rdem
era a dispensadora dessas mesmas faculdades. Nesta t & d e -
rencia de jurisdicao deveriam de algum modo reflectirdse 'as
antigas prerogativas daquela prestigiosa corporacao, dando-se 4
sua nova séde episcopal um aparato correspondente .áqueles
privilegios.
Nao seria entao difícil conjecturar que o bispado, ,a miar-
-se, estenderia a sua área até os confins do extremo oriente,
constituindo, em territorio, a mais ampla jurisdicilo religiosa
que jimais existiu. D. Manuei, antes e depois de rei, assumiu
o grao-mestraido da Ordem de Cristo e muito concorreu, como
já fícou dito, para ah construc%odessa igreja e havia tambem de
contribuir, com o seu espirito faustoso e magnanimo, para im-
primir-lhe o aspecto de aparato e suntuosidade que ela nos
qresenta. A Madeira era entao o mais importante emporio co-
rnwcieib que se formára nos novos dominios coloniais, e um
apetecido ponto de atraccao para inúmeros estrangeiros, que
aqui vinham tentar fortuna, calculando-se que em breve se
tornaria um centro largamente movimentado em todos os ra-
mos da actividade humana. Poucos anos posteriores A epoca a
que nos estamos reportando, poderia com inteira verdade di-
zer-se .que foi esta ilha a metrópole secular e eclesiástica dos
nossós domínios ultramarinos, empório da nossa navegacao e
comercio coloniaisu .
Seria absurdo admitir-se que, naquela época, num meio
t20 limitado como o Funchal e nas desfavoraveis circunstan-
cias oconentes, se projectasse o levantamento dum templo
com tilo amplas prop~rcoes,destinado apenas a uma simples
igrqa paroquial, se nao existissem já na mente dos fundadores
as i & i ~que
~ ficam acima sumariamente apresentadas, além de
outros motivos, que ainda possam, porventura, aduzir-se ácerca
destc assunto.
O enMo chamado Campo do Duque foi o local escolhido
para a constru~á[oda nova e majestosa igreja. E' certo que na
margem esquerda da ribeira de Joao Gomes e nas proximida-
des da sua foz se havia formado o mais importante de
moradores ao. iniciarem-se os primeiros trabalhos dee colonisa-
@o, mas logo o povoamento se estendeu largam nte pela
margem direita da mesma linha de agua, tornando-se o Cam-
po do Duque um dos pontos mais movimentados da ant iga po-
v o w o do Funchal. A preferencia da sua escolha deve em gran-
de parte atribuir-se A amplidao do sitio, que permitia proce der-se
ali c m largueza e desafogo As diversas edificacoes pro jecta.
das. Proiongava-se esse Campo entre as margens das duas ri-
beiraq mas. o seu principal centro limitava-se, a leste, pela ca-
pela de Silo SebastiHo, actual Largo do Comercio, e, a oeste,
pelo Convento de S20 Francisco, hoje Jardim Municipal. Era
pertewa da Ordem de Cristo, que no periodo decorrido de
141.8 a 1521 tivera como graos-mestres os infantes D. Fernan-
do, D. Joao e D. Diogo, todos duques de Vizriu, e D. Manuel,
&que de Beja, e destea tiaulos nobiliárquicos tirou aquele tra-
to de terreno a denominacao de Campo do Duque, passando
depois, em parte, a chamar-se Terreiro da St! e posteriormen-
te o Passeio Publlco, tendo em 1821 tomado o nome de Pra-
p da Constitulgdo, em 1911 o de Praga da Republica e alguns
anos rnais tarde o de Avenida do Doulor Manuel de Arriaga,
que ainda conserva.
Surgiram algumas dificuldades a respeito da escolha do
local mais apropriado para a construcao da nova igreja, opon-
do-se Joao Gonqalves da Camara, segundo capitao-donatario
do Funchal, a que ela se erigisse no Campo do Duque, por
motivo que hoje se ignora. Nesse sentido, interpos o seu va-
limento junto de Grao-mestre da Ordem de Cristo, que era D.
Manuel, mas felizmente triunfaram a raza0 e o bom senso,
porque nesse tempo nao existia na antiga vila do Funchal ou-
tro lugar que melhor se adaptasse áquela edificacao, nao ten-
do o duque de Beja atendido as pretensoes do capitao-donata-
rio, como abaixo mais largamente se verá.
A Ordem de Cristo, que tinha o padroado de todas as
igrejas e servicos religiosos nos nossos dominios ultramarinos,
dedicou especiais cuidados á ereccao do templo, que seria a
séde da primeira diocese a criar naquelas regioes, pois que al-
mas dezenas de anos, anteriormente a essa criacao, adoptara
acertadas providencias tendentes, em boa parte, a assegurar os
recursos indispensáveis para a construcao do edificio, que ha-
veria de servir de futura Sé Catedral. Dessas medidas efica-
zes, que principalmente se devem ao seu Grao-mestre D. Ma-
nuel, antes e depois de ser rei, vamos fazer aqui uma peque-
na resenha.
O documento mais antigo que se conhece acerca da pro-
jectada construcao tem a data de 1485 e dele se acha lancada
uma súmula no tomo 1 . O do Arquivo da Camara do Funchal,
dizendo-sc ali que naquele ano f6ra feita a doacao do terreno
necessario, sito no Campo do Duque, para a edificacao da
igreja, lavrando-se o auto respectivo e havendo-se para esse
fim, procedido, no ano imediato, isto é em 1486, á exacta de-
marcacao do local. Referindo-se certamente a essa doacao,
afirma-se que, num antigo documento existente no referido
Arquivo da Camara e que varias vezes temos visto citado, f6ra
aquela cessao assinada a 5 de Junho de 1485, em Sao Tiago
de Cacem, pelo duque de Beja D. Manuel, e que ela *com-
preendia o terreno destinado para uma igreja e praca e adro
e casa para o Concelhow. Essa cedencia do Grao-mestre da
Ordem de Cristo fez-se por intermedio do seu ouvidor Braz
Aponso, no dia 5 de Novembro de 1485, e no mesmo dia to-
mou .o Cenador fosse do dito chao~t.
Informa-nos Henrique Henriques de Noronha, nas suas
Memorias manuscritas do primeiro quartel do sCculo XVIII,
existentes na Biblioteca Municipal do Funchal, que uma Ordem
Regia de 21 de Marco de 1488 determinara que revertessem a fa-
vordaprojectada constru(;ao ras penas criminais~~pertencentes oa
monarca, e que no ano seguinte foi expedida uma nova Ordem
com o mesmo fim, criando se a eimposicao nos vinhos ataver-
nadas,, e proíbipdo a seus sucessores, csob pena da sua b$n-
~iíou,que nao desviassem esses impostos para diferentes destinos.
Outro documento, bastante valioso e iriteressante para o
nosso assunto, tambem registado no Arquivo da Camara, é o
alvará regio de 21 de Outubro de 1485, do qual transcrevere-
mos os seguintes trechos: 11.. .que da aqui emdiante todas las
.
penas que em essa ylha forem postay., e ao iante se posse-
rem assi para minha Camzra como chancelaria como de qual-
quer outra qualidade, que se aja di dar a metade para o faci-
mento da Jgreja que no dito Funchal prazendo a Deus espero
mandar fazer e pera se esta cousa tnelhor arrecadar vos mando
que em Camara et-ilexzis pera ysso hum ftome para ella per-
tencente e abot~cdo que tenha carrego e cuyde de has ditas
penas receber e arrecadar, ao qual se o bern fazer Ihe rnan-
darey fazer dellas aquella mercee que bem parecer ou doutra
cousa algua em maiieysu que deva csin rrazam de ser conten-
te e o escrivao da Camara escreva todo o que elle assy receber
e assente sobre elle a metade das penas ern que assy encor-
reretn para as aber de rrecadar e dar dyso csnta e ejam assi-
dados os ditos recebedores e escrivam de o fazerem fielmen-
te;bem e com diligencia porque se assy o fezerem receberam
de nos merece e fazedo-o doutra maneira ajam por certo que
tomarey a ysso como seja razam e direito e o traslado deste
alvará se assente ito dia camara.~
Do ano de 1493 exisiem um alvará regio e uma carta do
duque de Beja D. Manuel, como grao-mestre da Ordem de
Cristo, mandando aplicar a renda da imposicao do vinho ás
obras do templo e notificando com insistencia os povos a que
voluntariamente concorresscm para elas
No prosseguimento dessas obras, novas fontes de receita se
criaram para acudir 5s múltiplas despesas dessa dispendiosa
construcao. Em 1500, aproximadamente sete anos depois de
iniciados os trabalhos, foi expedido um alvará régio confir-
mando as medidas tributárias aplicadas áquele fim, que ante-
riormente tinham sido promulgadas, havendo o rei D. Manuel
dirigido uma carta aos habitantes da capitania do Funchal, em
que de novo e vivamente peda a todos que concorressem com
seus donativos para aquela obra.
De 1502 existem dois importantes diplomas: um mandando
aplicar anualmente mil arrobas de acucar para esse fim, e
outro, datado de 16 da agosto daquele ano, do qual transcre-
vemos o seguinte trecho: ~Primeiramentenos pedis que ha ym-
posicon das billas da ponta do soll e calheta fosse sempre
pera has obras da ygreja desa billa (o Funchal alnda entdo era
itlla) 8r do concelho. A esto respondemos i3 nos praz que em
quanto durarem has obras da dita ygreja se arrecade a ympo-
sicon dos sobre ditos lugares para ellas somente e mays nom.
It. que os moradores da ponta do soll 8r da calheta paguem
pera ygreja desa billa (Funchal) o que f6r taxado atee ser aca-
bada. A esto respondemos 8r nos praz que paguem o que a
cada hum f6r taxado segundo a sua faculldade..
Por informacoes colhidas em documentos que existiam no
arquivo velho da Camara do Funchal, sabe-se que o rei D. Ma-
anuel m a n d o ~a Madeira uma caravela, no ano de 1503, trazer
trinta reais de prata para as obras da Sé e que por essa epoca
enviou tambem quarenta reais a Antonio Correia, que este
dera de emprestimo para o mesmo fim. Em anos subsequen-
tes, outras medidas se promulgaram com igual destino, pros-
seguindo os trabalho com pequenas interrupcoes mas com va-
garosa lentidao.
Diz-nos ainda o referido arquivo que o mesmo monarca,
no ano de 1519 e por alvará r6gi0, fizera doacIo d Fabrica da
Sé Catedral dumas casas, que tinham sido primitivamente des-
tinadas ao edificio da Alfandega e que estavam sitas nas pro-
ximidades do Pelourinho.
Pelo indice dos antigos livros de arquivo da Camara d o
Funchal, organisado por Antonio José de Lamedo, que de
novo acabamos de compulsar, vemos que sómente naquele
arquivo se acham registados mais duma dezena de documen-
tos respeitantes á edificacao da Sé Catedral, havendo muitos
outros que ali nao foram tombados.
O edifício da Sé Catedral deve ter sido talhado nos mol-
des do estilo gótico, embora alguns dos trechos arquitectóni-
cos que o constituem nao obedecam inteiramente ao rigor e á
pureza do mesmo estilo. O ilustre anotador das Saudades da
Terra dr. Alvaro Rodrigues de Azevedo diz que a sua aarquitec-
tura é puramente manuelinan e Albretch Haupt, no seu notavel
trabalho Archltectura da Renascen~aem Portugal, inclina-se a
incluir esse templo no numero dos monumentos ecleásisticos
dos do tipo dos primordios da Renascenca. E afirmando um
distinto critico de arte que no chamado estilo manuelino é re-
sultante da fusilo do estilo .ogival florido e da renascencan,
podemos talvez assegurar que a arquitectura da nossa Sé
comparticipa de algumas das modalidades desses estilos.
Nas varias e sempre fugidias referencias com que temos
deparado a respeilo da arquictura desse edificio, vemos que
em geral 6 classificado, ora como pertencendo ao estiloqgótico
ora ao estilo manuelino, mas sem a descriminacao de porme-
nores, que nos levem a formar um juizo seguro Acerca dos ele-
mentos predominantes dos estilos que ali se possam encontrar.
Nao deverá isso causar-nos grande estranheza, se admitirmos
que o estilo manuelino .ora propende para o gótico, para as
formas mouriscas da Renascenca, ora se define numa maneira
naturalista toda arbitrária. . . , l . No entretanto podemos talvez
assentar, duma maneira generica, que a frontaria, as naves e a
torre sao pertenca do estilo gotico e que a parte exterior do
templo que olha ao sul, adjacente á capela-mór, com os seus
eirados, balaustradas e platibandas, deve encorporar-se no es-
tilo manuelino. E' claro que esta afirmativa nao exclui a possi-
bilidade de admitir-se ali a intromissao de outros elementos es-
tranhos áqueles estilos, como se nota na capela-mór e ainda em
outras partes do edificio.
O exterior da igreja sofreu no decorrer dos tenipos vá-
rios acrescentamentos e rnutilacGes, que notavelmetite Ihe desfi-
guraram a feicao caracteristica da traca primitiva. Algumas
dessas acessorias ampliacoes impuseram-se pela forca imperio-
sa das circunstancias e carencia de lugar mais apropriado,
mas outras houve, que, sem prejuizo para os servicos cultuais,
se poderiam ter facilmente evitado, contando-se nesfe numero
as pequenas casas que se levantaram entre o sopé da torre e a
chamada sacristia dos conegas, bem como alguns das depen-
dencias anexas 4 capela do Santissimo Sacramento. Sem esfor-
co se reconhece o inconveniente resultante dessas construcoes,
que, além de afearem o local e esconderem uma parte consi-
deravel do edificio, vieram tambem quebrar a bem equilibrada
harmonia do conjunto.
Ainda há pouco, permitiu-se a construcao dum quiosque,
coníiguo á parede exterior duni dos extremos do transepto,
a-pesar-dos protestos que entao se fizeram e das acres censu-
ras dirigidas ás entidades oficiais, que concederam a necesásria
licenca para essa grotesca edificacao. Os protestos e censuras
foram tomando vulto e 1á se conseguiu, passados alguns anos,
que o já famoso quiosque fosse de ali removido.
O mesmo se pode dizer, em boa parte, das construcoes
que ladeiam a capela do Santissimo Sacramento, as quals ocul-
tam alguns dos trechos arquitectónicos mais interesantes de
todo o edificio. E seja-nos licito, a tal respeito, arquivar aqui
algunb periodos dum belo artigo que há anos foi publicado no
aDiario da Madeiran, devido certamente á pena do seu ilustre
director: tdTemos que a parte mais bela, pelo que se refere á
arquictetura exterior da nossa Sé, é, a que do lado do oriente,
sobrepuja o alta-mór e a capela do Santissimo Sacramento: cor-
re sobre o primeiro urna galeria com coruchéus de estilo goti-
co; e na segunda salienta-se inferiormente a formosa guarnicao
gótico-manuelino rencada de cruzes de Cristo, onde afloram
coruchéus de forma conica em salientes torreoes helixoidais.
Sendo para notar que estes esguios remates passados do estilo
ogival á nossa renascenca afectou em a nossa Sé um aspecto
que ainda nao vimos em elementos identicos doutro qualqueir
monumento dasta época.. E' sem duvida para lamentar que
uma parte dessas preciosidades artisticas tivessem ficado ccul-
tas á vista do observador e mais ainda consideravelmente pre-
judicadas, no conjunto do seu belo aspecto, como todos os pri-
mores arquitectonicos que ali profusamente se encoiitram.
Urna mutilacao, porém, sem raza0 ponderosa que a justi-
ficasse, foi a que se praticou tia frontaria do edificio com a
abertura de duas janelas, que veiu alterar profundamente uma
das características fundamentais do estilo gótico, que ali se sa-
lientava em todos a sua pureza arquitectónica. A primitiva fa-
chada, obeciecendo á orientaqao do estilo em que o templo
f6ra moldado, compunha-se apenas da porta em arco ogival
com as suas arquivoltas e da caraterística fosacea que 1á no
alto solitarimente se destacava. Algures se diz que eia .está
transfurada em pedra dum trabalho por vezes delicado, verda-
deiramente maravithoso, cujos vasados sao livres, mas que nas
catedrais de maior vulto $20 preenchidos corn vitraisn.
Surgiu, nao sabemos como hem quando, a ideia infeliz de
iluminar-se mais abundantemente o interior do templo e de mo-
do particular o coro que sobrepuja o vestíbulo, desfazendo-se
assim a meia luz tao apropriada ao recolhimento e á oracao e
que tanto caracterisava as igrejas daquela Cpoca. E até C pos-
sível que a falsa e errada nocao de imprimir á frontaria maior
beleza e elegancia levasse á perpretac20 daquele atentado, ten-
do o conego Joao Paulo Berenguer, nos fins do século XVIII
ou princípios do século seguinte e certamente com pleno con-
sentimento do respectivo cabido, mandado abrir á sua propria
custa as duas insaraterísticas janelas, que ladeiam a bela rosa-
cea, desfiguragdo-se notavelmente o tracado do plano inicial e
tenda-se ainda adicionado um grotesco varadim com a sua
gradaria de ferro. Outro atentado ali cometido foi o da pintu-
ra das pedras de cantaria lavradas, que cobrem uma parte con-
sideravel da froritaria, tendo-se praticado igual atentado com
todos os arcos e colunss das tres naves. Há razoes para acre-
ditar que a camada de tirtta aplicada no frontespicio data dos
meados do século XVIII, após o terremoto de 1748, que cau-
sou grandes estragos nesta e em muitas igrejas e edificios de
toda a ilha. Por esse motivo, se procedeu na Sé Catedra1 a
importante reparacoes na torre, na fachada, nalgumas paredes
e no altar-mór, que bastante concorreram para mais ainda pre-
judicar a beleza de todo o edifícia.
Tem-se conjecturado que as portas fronteiras e Iaterais da
Sé, que olham ao norte e ao sul, nao pertencam á antiga cons-
trucao, ou entao qu?, por serem de limitada altura (e porven-
tura de fórma oyivai) houvessem sido substituidas pelas actuais.
Nao s podemos afirmar, mas é todavia certo que essas portas,
destoam do estilo predominante no templo e mais ainda estao
os respectivos litniares e ombreiras talhados no tlosso basalto
poroso ou idcantarja rijan, que sómente camecou a usar-se em
construcoes urbanas nos meados do século XVII.
Junto do braco do tsansepto, que olha ao norte, levanta-se
a alta e graciosa torre, que é baatante elevada com relacao aos
olrtros corpos da igreja e que, num vasto perimetro, notavel-
mente se destaca dos inumeros edifícios que a rodeiam. Tem a
fórma quadrangular e é toda construida de pedra de ~lcantaria
molett devidamenie lavrada. Terminam as suas paredes em pe-
quenas ameias e sobre o corpo principal assenta outro de me-
nor superficie e de menor altura, donde se eleva um elegante
corucheu em fórma piramidal revestido de azulejos e rematado
por nma grímpa de metal. Os melhores sinos que ali se en-
contram datam do ano de 1814.
O relógio que ali funciana foi oferecido plo súbdito bri-
tadico dr. Miguel Grabham e realisou-se a sua instalaca0 em
fevereiro de 1922. Veiu substituir o antigo relógio, mandado
construir pelo governador e capitao-general da Madeira Joao
Antonio de Sá Pereira no ano de 1775, sendo este o primeiro
que ali existiu para o servico do público.
Cometeu-se há pouco o erro, talvez justicado pela forca
das circustancias ocorrentes, da colocac20 nesta torre de al-
guns postes dstinados ao servico dos telefones, o que logo foi
considerado como um atentado contra a boa estética daquela
parte do edificio e ainda do seu conjunto, nao faltando tam-
bem quem afirmasse que a solidez e seguranca do campanário
tinham bastante a recear com a instalacao, embora provisoria,
que ali se fez. Por esse duplo motivo, muito seria para dese-
jar que se procedesse á breve remocao desses postes, sem
maior prejuizo do servico público.
O interior da igreja lqgo surpreende agradavelmente o
observador atento pela sua singela grandeza de par com uma
rara e graciosa elegancia. Essa impressionante combinacao
duma sóbria magnificencia com uma acentuada e notavel dis-
tinca0 de linhas resulta principalmente da relativa vastidao do
edificio, relacionada com a altura e esbelteza das colunas, que
sustentam as suas naves. Nao é de estranhar que o granda es-
critor D. Francisco Manuel de Melo, segundo nos informa um
artigo manuscrito, ao examinar essas colunas exclamasse #que
a circunstancia de serem tao delgadas Ihe revelava a maior
perfeicao delas e a grande temeridade do artista.. A equilibra-
da e bem proporcionada disposicao das arcarias com relacao
ás outras partes do edificio concorre tambem consideravel-
mente para esse aspecto de grandeza e de elegancia que tanto
impressiona os visitantes.
Tem esta igreja a fórma rigorosa duma , rcuz latina sendo
a haste maior constituida pela nave central e capela-mór e a
transversal pelo transepto, em cujos extremos se levantam as
capelas do Senhor Bom Jesus e de Satito Antonio. E' de tres
amplas naves, sendo a central de maior altura e tendo o seu
prolongamento no transepto e capela-mór. Fica separada das
naves laterais por dois renques de seis elegantes arcos ogivais
cada um, sustentados por quatorze esbeltas colunas fasciculadas.
As naves nao sao abobadadas, mas cobertas com um rico tecto
de madeira indigena, como mais adiante diremos. Essa delica-
deza de construcao e elegante simplicidade, como já notámos,
imprimelhe uma bela e atraente perspectiva, que logo convi-
da o visitante desprevenido a uma mais atenta e demorada ob-
s e r v a @ ~dos objectos que o rodeiam.
Parece que no primitivo tracado se incluira a construcao
dum coro junto da capela-mór, mas havendo-se ponderado ao
rei D. Manuel o inconveniente dessa construcao, ordenou o
monarca, por carta de 27 de Fevereiro de 1514, que em vista
desse coro ildanar a dita capela, que ele se fizesse sobre a por-
ta principal^^, como realmente veiu a acontecer. Mas passados
aproximadamente tres seculos surge a disparatadaideia de levan-
tar-se esse projectado coro, que na verdade chegou a cons-
truir-se e que ali permaneceu muitos anos com notavel pre-
juizo da beleza e correccao de linhas que oferecem o transepto
e a capela-mór. Numa louvavei atitude do bom gosto e de
bom senso foi de ali removida aquela desnecessaria e inesté-
tica excrescencia no ano de 1925.
Os dois elevados arcos, que ladeiam o arco central da
capela-mór, davam acesso ás capelas que hoje correspondem á
do Santissimo Sacramento e de Nossa Senhora do Amparo,
conservando esta ultima, em outro tempo, uma disposicao di-
ferente da que actualmente tem. Comunicava ela com a sacris-
tia-mór da Catedral, .que fora primitivamente instalada na pe-
quena sacristia que fica na base interior da terra, onde ha pou-
cos anos se colocou o altar da antiga capela dos Varadouros,
e ali permaneceu até o segundo quartel do século XVIII, em
que se procedeu á construcdo da casa capitular e da sacristia
chamada dos conegos, como mais adiante melhor se verá.
As edificacoes erguidas em volta do templo e a que aci-
ma fazemos referencia vieram, sem dúvida, prejudicar bastan-
te a sua beleza e harmonia exteriores, mas algumas delas cor-
responderam, ao tempo, a imperiosas necesidades, pois que a
antiga e pequena cerca, já entao muito cerceada pela rua de
Joao Gago e varias casas de moradía adjacentes, nZo tinha a
suficiente: largueza para impedir que ali se levantasse aquele
agrupamento de consirucoes. Nao será descabido acentuar
agora, que a edificacao da sacristia-mór, da casa do capitulo e
ainda dumas dependencias da capela do Santissimo Sacramen-
te obedeceu a exigencias inadiáveis do servico do culto, que
entilo, como hoje, nao podem de modo algum ser dispensa-
das. E nao será tambem fóra de proposito recordar que, em-
bora as igrejas possam ser, e muitas vezes o sao, verdadeiros
museus de arte, teem acima de tudo que acomodar-se ás ne-
cesidades do culto para que foram construidas e para cujo
fim principal se destinam. Nesta materia, o verdadeiro critério
consistiria, quanto possivel fosse, em conciliar os preceitos
impostos pela arte com as exigencias dos servicos cultuais,
como na maioria dos casos se tem procurador Observar.
As ornamentac6es1'que interiormente guarnecem e aformo-
siam o edificio da Sé Catedral, nao constituem maravilhosas
manifestacoes na arte, que deslumbrem e arrebatem os visitati-
tes cultos e viajados, ao observa-los rapidamente no seu con-
j u n t ~ .E', no entretanto, incontestavel que ao repousar-se a vis-
ta, particularmente ns seu tecto de madeira e ainda em outros
pontos de toda a decoracao interior, com facilidade se desco-
brem alguns preciosos pormenores, que pela sua grande ori-
ginalidade e rara beleza artistica sao dignos da maior admira-
cae e apreco,
Diz o autor do do Iivro ~Architecfurada Renascenca em
Portugaln que o tecto da nossa Sé é muito semelhante e em
nada inferior ao da Egreja matriz de Caminha, sendo este ge-
ralmente considerado como unico no seu género no nosso país.
Falando desse tecto, afirma o .Portugal Munumentaln, que é
uma preciosidade artística em que se admira a prodigaliáade
artística de talha em caixoes de madeira, formando combina-
caes geométricas de género alhambresco r. Pelas palavras trans-
critas, pode-se com verdade ajuisar da encantadora surpresa
que aos entendidos causa a primorosa obra do tecto da nossa
Sé Catedral, porventura despido de toda a belesa para os me-
nos familiaris'ados com os trabalhos dessa naturesa.
Foi todo construido no odorífero e incorruptivel cedro in-
digena (iuniperus oxycedrus), que entao fartamente abundava
nas opulentas matas da nossa ilha. Está fabricado em estilo
<mudejaro ou mourisco em que predominam figuras geométricas
de linhas rectas entrelacadas, sendo em boa parte marchetadas
com incrustacoes de marfim. A respeito desta obra, leem-se no
no ultimo livro de Emanuel Ribeiro, antigo profesor da nos-
sa Escola Industrial, as seguintes e entusiásticas palavras:
... admira-se no tecto que cobre as naves e o transepto
a música complicada dos entrelacadentos árabes, nos quais o
geómetra soube descobrir uma filosofia da fórma, onde resi-
diam sensacoes estranhas, ora de sentimentos calmos, serenos e
magestosos, ora impregnados duma vaga melancolia de mis-
tério. Toda essa decoracao poligonal, que souberam com tanta
mestria e maravilha combinar, revelava'aos olhos desses ledo-
res da imagem pareceres profundos e primorosos,.
Vimos que as naves e a transepto coriservam como co-
bertura um rico tecto de madcira de cedro com magníficos
lavores, sendo a capela-mór e as duas capelas laterais os Úni-
cos trechos deste edifício que teem 9s tectos abobadados, de
ucantarian indigena, artisticamente artesoados com nervuras
rematadas pela cruz de Cristo, o escudo das quínas e a esfera
armilar. O altar-mór desta capela rnereceu a Albrecht Haupt
esta interesante referencia: 11D.1 antiga decoracao é sobretu-
do valioso, a nosso ver, o altar-mór, cuja grandioso camarim
apresenta quasi completamente o estilo gótico. Encerra doze
avultados paineis da antiga escola portuguesa enquadrados por
um fino motivo arquitectónico de frisos e corucheús dourados;
o coroamento ostenta um suntuoso baldaquino, com alizares
transfurados, evocando A memoria o desaparecido cadeirado
do coro em Tomar, de cujo lavor muito se aproximam as mi-
nudencias ornamentais. Nao deixa tambem de recordar-nos as
antlgas estátuas do camarim do altar-mór de Belém, sem pre-
decessor. Andaria acaso por aqui a mao de Oliva1 de G a n d ? ~
Acérca deste altar dá-nos ainda Emanuel Ribeiro este
curioso trecho:-~~Algumas tábuas das treze que ornam o retá-
bulo da capela-mór merecem atentos minutos de estudo. Em
uma delas julgamos encontrar o soberano perfil duma perso-
nagem ilustre. Guardo, porém, para um próximo trabalho, al-
gumas detalhadas e elucidativas referencias a esse painelr. In-
felizmente nao apareceu ainda a público esse trabalho. O dis-
tinto pintor Alberto de Sousa reproduziu pela aguarela vários
trechos do apainelado desta capela, encontrando-se nesta ilha
alguns desses primorosos trabalhos,
Estando a ocupar-nos da capela-mór, é a ocasigo oportu-
na de nos referirmos ao cadeirado, que ali se encontra, desti-
nado ao servico privativo do c6ro.Para isso aproveitaremos al-
guns períodos dum excecelente artigo do distinto professur e
arquitecto E. Ribeiro já acima citado, lamentando que a falta
da reproducao, neste lugar, dos gráficos que acompanham
aquele artigo, tornem menos interesante e menos inteligivel a
sua leitura,
.O cadeirado da Sé do Funchal corn os seus assentos cus-
tosos e bem lavrados de rica marcenaria oferecem ao estudio-
so motivo de atenta análise. AIgumas figuras que nele foram
esculpidas permitem reconstituir corn toda a seguranca alguns
tipos do povo, dando-lhes assim valor arqudológico e etnográ-
Iico. Podem dividir-se em tres grandes grupos ou figuracoes,
que esse cadeirado nos revela: realista, anedótico, fabuloso. A
parte realista poder-se-ia dividir ainda em figuras corn valor
etnográfico ou nao. Assim para maior eficiencia do estudo,
apresentaremos separadamente as figuras que de facto repre-
sentam um valor elucidativo dessa época corn referen-
cias á vida rural do povo madeirensen. E a seguir o au-
tor reproduz as figuras, pela gravura, acompanhadas de breves
notas descritivas do acrobata, muito em voga no tempo e vul-
garmente encontradas em monumentos do século XIV, do
bobo, indivíduo grotesco e hilariante tilo frequentemente admi-
tido nas cortes da Europa, do galerlano corn os pés presos a
um poste por meio de correntes.
Encontram-se ali as figuras, que representam o vildo, nao
lhe faltando o barrete ainda em uso no principio do século
XIX, o borracheiro esvasiando o seu odre, o cavador corn a
sua característica enxada de fórma lanceolada, as quais pode-
mos talvez chamar de caracter regionalista. A fauna está abun-
dantemente representada pelo dromedário, burro, veado, cilo,
porco, pombo e cordeiro, Como se verifica em outros traba-
Ihos desta natureza e que corn muita frequencia se encontram
em tantos edificios religiosos, tambem na nossa Sé Catedral se
deparam corn alguns grotescos, que pela sua posicao e pelo
seu significado nao deveriam ali figurar. O curioso e elucidati-
vo artigo termina corn estas palavras: cAlgumas destas figuras
sao feitas corn muito espirito e nitida compreensao técnica do
.
material em que sao executadds . . No cadeiral de que tratamos,
ha a juntar o valor que, como documentario, nos dá para o
estudo dum povov.
Tem-se vagamente afirmado e muitas vezes repetido que
entre os paineis existentes nas paredes e altares da Sé Catedral
se encontram alguns quadros de notável valor picturai, produ-
to da paleta de distintos artistas, mas a verdade R que ainda
nao apareceu um crítico de arte, competente e consciencioso,
que realisasse nm estudo acerca dessas télas e pinturas e nos
désse uma ideia, embora rapida mas segura, dos seus presumi-
veis autores ou escolas a que pertencam, da epoca aproximada
da sua factura, dos assuntos ou acontecimentos que represen-
tam, do seu relativo estado de conservaciXo, das restauracaes
de que porventura necessitem etc. O distinto professor, já va-
rias vezes citado emite, a tal respeito, estaopini30:-.Na Sé do
Funchal ha mais de cincoenta panos e tábuas onde o pincel do
artista faz, e em alguns deles bel~rnente, vibrar as gamas iri-
descentes das cores. Dos fundos escurecidos aparece-nos, por
vezes, o recorte puro de figuras tocadas dum tal sentimento e
vida, animadas duma tal pureza e ternura, que apenas parecem
quedar-se numa estática e mística contemplacao envoltas em
aurifrigiadas mantas que, em longas pregas clássicas, caíem so-
bre os corpos emagrecidos das iongas\inédias de sacríficion.
Dum livro escrito ácerca da Madeira, vamos transcrever os
seguintes períodos, ern que nos parece haver algo de fantasia
e que deixamos inteiramente á apreciacao de melhor crítico:
~ U m adas últimas tábuas da base do retábulo do altar-mór
representa um vodo, que deve ser pintura de Lucas Granach
ou de alguns dos seus discipulos, que o imitaram no humoris-
mo e nessa realidade de reprtsentacao de costumes e de vida
pública e domestica que torna;am célebres os pintores holande-
ses do século XVII; nessa tábua dum colorido severo mas
duma inspiracao ridente, veem-se a s corpetes de sirgo, alguns
deles adamascados, policromos, sobre os quais desfralda-se o
manteu, que silo no estilo em que as camponesas da Madeira
vestem os seus corpetes de serguilha vermzlha lavrada, sobre
os quais aperta na cintura, como a vertugada senhoril da mes-
ma época da cota, saia de carda lambelada, no trajo de pou-
ca cerimonia, ou lavrada de bordados no de gala, 4s barras
ensartadas de missanga e avelórios, ou a retrós e crochet, ma-
tizadas de várias d r e s e muito vivas predominando o amare-
lo, o vermelho e o verde..
E' de limitada área a capela do Santissimo Sacramento,
mas duma rara perfeicilo e surpreendente beleza na sua elegan-
te arquitectura e ricas decoracaes que a guartiecem, embora al-
go discordantes do estilo que predúmina no resto do edifício.
A magnífica obra de talha dourada, as primorosas esculturas e
os belos mármores dfo ao seu conjunto um aspecto de uma
extraordinaria formosura e duma grande opulencia artistica. E'
um pequeno recanto do edifício, em que abundantemente se
acumulam tantas manifestacoes das artes plásticas nas suas mais
ricas e variadas modalidades. Contigua á sacristia desta Capela
encontra-se uma pequens mas formosa sala, para uso privativo
da respectiva confraria, que tem em tbrno um precioso lambris
de azulejoi da época de D. Joaa V e ao fundo um rico movel
envidracado, contendo muitas pecas de prata e outros objectos
arlisticos, destinados ao servico do culto, entre os quais se des-
taca uma antiga salva d i mais primorosa factura. Merece uma
atenta visita esta dependencia da Capela do Santissimo Sacra-
mento.
As duas capelas do Senhor Bom Jesus e do taumaturgo
portugues Santo Antoriio, que se levantam nos dois extremos
do transepto com a l t ~ se elegantes retábulos, sendo talvez o
primeiro no estilo renascenca e o segundo no barroco, estao
fabricados em bela talha de madeira dourada, notando-se neles
custosas ornamenta~oes, que, no entretanto, nao se harmoni-
sam inteiramente com o estilo predominante no templo.
Ao longo das naves laterais encontram-se seis altares ou
capelas reconstruidas nos fins do século XVIII e principios do
seguinte, que sfo de sóbria e elegante factura, mas que nfo
oferecem quaisquer primores artisticos, que detenham a atenta
observacao dos entendidos.
A sacristia-mór, comumente chamada dos conegos, é uma
das partes do edificio de mais recente construcao e nao chegou
a ser inteiramente concluida no belb apainelado, que lhe cobre
as paredes laterais. E' muito espacosa e de notavel elegancia,
tendo ao fundo um altar encirnado por urna grande téla repre-
sentando o papa Sao Sixto. Guardam-se ali em amplos vestia-
rios os principaís paramentos e alfaias destinadas ao servico do
culto.
Podemos fixar o ano de 1493 como o do comeco dos tra-
balhos de cbnstrucao da Sé do Funchal, embora se lhe tenha
atribuido uma época aproximadamente anterior ou posterior á
daquele ano. Do confronto de alguns documentos e da apre-
ciacao de varias referencias respeitantes a esse facto, julgamos
que todas as probabilidades, para nao dizer inteira certeza, mi-
litam a favor da fixacao do tempo que deixamos assi-
nalado.
Além de haver sido extremamente morosa essa constru-
cae, como em geral acontecia corn as edificacaes da época, ti-
veram esses trabalhos diversas interrupcoes até o seu final aca-
bamento, podendo corn certa aproximacao distinguirem-se qua-
tio periodos em toda a duracao das obras, nao contando corn
as' diversas reparacoes acidentais, que se fizeram no largo pe-
riodo de quatro sCculos. Seis a sete anos levou a formacao ou
estrutura do que chamaremos o esqueleto do edificio, isto 6, o
fabrico das paredes exteriores, das tres naves, da torre e res-
pectivas coberturas, corn excepcao da sacristia mór e da
casa capitular, que s%oedificacaes do século XVIII. Quan-
do, no ano de 1508, se procedeu d simples benc%oda igreja e
para ela se transferíu a séde da paroquia de Santa Maria Maior,
a unica entao existente no Funchal, estavam ainda bastante atra-
zados os trabalhos dessa construcao.
Haver-se-ia alargado o primeiro período dos trabalhos de
edificacao desde o início das obras em 1493 até a sagracao so-
lene realizada no ano de 1516; estender-se-ia o segundo perío-
do dos fins da dominacao castelhana até meados do século
XVII; e o terceiro e quarto periodos teriam respectivamente de-
corrido no segundo e terceiro quarteis do século XVIII.
Foi no primeiro período que se realizaram as obras de
maior vulto. A aplanacao da superficie do terreno, olanqamen-
to das fundacoes, a ereccao das paredes exteriores e das naves,
o levantamento da torre corn o seu coruchéu e ameias, a cape-
la-mór e a antiga capela do Santissimo Sacramento corn os
seus terracos adjacentes e alguma das capelas laterais fizeram-se
nessa primeira etapa com a vagarosa lentidao, que permitiam
os recursos e circunstancias ocorrentes. Foi posteriormente a
esta época e pelo ano de 1560 que se construiu a entao cha-
mada Cerca, em volta da capela-mór e da torre, espaco que
hoje corresponde ao local ocupado pela sacristia dos conegos
e casa do cabido.
O segundo período da construcao comecou no último de-
cénio do dominio filipino. A capela-mór, que nao tinha sido
concluida na primeira edificacao, recebeu entao o seu inteiro
acabamento, iniciando-se esses trabalhos por 1630. Fizeram-se
por esse tempo o primoroso apainelado do altar e das paredes
laterais dessa capela e bem assim o aparatoso cadeirado a que
já atrás nos referimos, sendo de época pouco posterior as bem
esculturadas figuras em madeira dourada, que servem de es-
paldar e ficam sobranceiras ás cadeiras canonicais.
A sacristia-mór e a chamada Casa do Cabido pertencem
ao terceiro periodo, realizando-se a sua construcao no episco-
pado de D. Manuel Coutinho, a quem se deve em grande par-
te esse importante melhoramento e que esteve 4 testa des!íl
diocese nos anos de 1725 a 1740, dizendo-se algures que o
custo dessas obras atingiu a quantia de sessenta mil cruzados.
No terceiro quartel do século XVIII, procedeu-se á reedi-
ficacao da actual capela do Santissimo Sacramento, que opu-
lentamente veiu substituir a antiga, constituindo essas obras o
quarto periodo da construcao da Sé Catedral.
Entre as muitas reparacoes e trabalhos de conservacao, a
que se tem procedido nesta igreja em diversas épocas, devem
destacar-se os realizados no ano de 1792, mandados fazer pela
respectiva fabrica, e os que ali se executaram há cerca de no-
venta anos, quando se achava á frente do governo deste distri-
to o benemerito e nunca esquecido conselheiro José Silvestre
Ribeiro. Nessa ocasiao, além de butros necessarios repairos,
impunha-se acudir sem demora á iminente derrocada que em
alguns ponto5 ameacava o famoso tecto de cedro indigena,
sendo para ali que convergiram as especiais e cuidadas aten-
@es dos que dirigiram esses trabalhos de urgentes reparacoes,
que áquele ilustre Governador Civil ficaram devendo a sua
pronta realizzcao.
No penultimo decénio do século XIX tambem se fizeram
apreciaveis obras de restauracao e conservacao neste templo, sen-
do o conego da mesma Sé Feliciano Joao Teixeira, entao deputa-
do pela Madeira, que obteve do governo central a necessaria
dotacao para se proceder a esse indispensavel melhoramento.
Eram para n6s inteiramente desconhecidos os nomes de
quaisquer artistas, arquitectos, mestres de obras ou operarios
que tivessem com o seu apurado engenho ou porfiado Iabor
concorrido para as obras do majestoso edificio..Num valioso
manuscrito de Henrique Henriques de Noronha, do ano de
1722, conservado na Biblioteca Municipal do Funchal, colhe-
mos a informacao de que .o architecto de toda a obra foi Ju-
lianes*, o que. a ser verdadeiro, constituia urna noticia muito
interessante. Essa ioformaca~foi recetite e posteriormente con-
firmada, em boa parte, com o aparecimento duma pedra se-
pulcral, encontrada nos escombros da capela de Nossa Senho-
ra da Conceic20, situada no lugar da Serra de Agua da fregue-
sia do Arco da Calheta e ha pouco recolhida no Museu Regio-
nal desta cidade, onde se leem os seguintes dizeres: sepultura
de 011 y Enes pedreiro mestre da Sk.. E' uma lajea tumular bas-
tante antiga, que teria sido posta sobre o coval de Gil Enes
pouco tempo depois do seu enterramento. Henrique Henri-
ques de Noronha chama-lhe .o architecto de tcda a obra. e o
epitáfio confere-lhe apenas a qualidade de upedreiro-mestre~,
podendo telvez as duas express6es, com rela~aoaos principios
do seculo XVI, ter um significado análrgo ou tnuita aproxi-
mado, segundo se pcde depreender de outros casos semelhan-
tes que se conhecem. Nao alcrincánBc quaicquer outros por-
menores ácerca do currlcu!um vitae de Gil Enes e consultando a
notável obra de Sou a Virerbo Diccionario Hlstorico e Docu-
mental dos Architectos, Engenheiros e Construrlores Portugue-
ses, que se ocupa de alguns centenares de individuos, nada
encontrámos que nos podesse esclarecer. Ao que disse Henri-
que Henriques de Noroilha e qiie fica acima trmnscrito, dá-nos
.
ele ainda esta curiosa informacao: . . nesta (na Sé) se ve
numa coluna por baixo do pulpito urna cabeca, que é tradicao
ser a sua efigie.. Aind-i hoje, na coluna de pedra lavrada em
que assenta 0 pulpito, destaca-se, em bem saliente relevo, essa
efigie, que ignoramos se será ou nao a vera efigie do arquitec-
to ou pedreiro-mestre Gil Enes. Na obra do Visconde de Con-
deixa sobre o Convento da Bztalha faz-se mencao dum artis-
ta imaginario de nome Gil Enes, conlemporineo do pedreiro
mestre sepultado na freguesia do Arco da Calheta.
Pode surgir uma duvida: o epitafio diz 011 y Enes
e Noronha escrcve Julianes. Os dois nomes, t2o eufoni-
camente semelhantes, dizem .respeito a utn s6 individuo? Es-
tamos pela afirmativa.
Tiveram as obras da Sé, por parte do monarca, um vedor
ou surperintendente, que dirigia os diversos servicos de admi-
nistra@~,providenciando ácerca da aquisicaio de materiais, pa-
gamento de salarios, fiscalisacao dos trabalhos e outras ques-
t6es de caracter economico e administrativo. Ha noticia de
que foi Pedro Frazao o primeiro que exerceu esse cargo. So-
bre o assunto, informa-nos o já citado Henrique Henriques de
Noronha que D. Manuel escreveu ao Senado da Camara do
Funchal, comunicando-lhe que para o desempenho daquele
cargo nomeara Joao Gomes, pessoa da sua casa e antigo pa-
gem do livro do infante D. Henrique. O Eltccidarlo Madelren-
se, da nossa co-autoria, informa aque ele se tornou conhe-
cid0 com o nome de Joao Gomes o Trovador, pois que culti-
vou com dístincao a poesia, encontrando-se treze composic6es
poéticas suas no Canclonelro Oeral de Garcia de Rezende. Ca-
sou no Funchal com D. Guiomar Ferreira, filha de Goncalo
Aires Ferreira, o conhecido companheiro de Jo2o Goncalves
Zargo. Teve terras de sesmaria nas margens da ribeira que
tomou e ainda hoje conserva o seu nome.. Parece que a mor-
te nao o deixou largo tempo no ezercicio daquele cargo, tendo
sido nele substituido por seu filho Barbaro Gomes, de quem
se diz algures aque correa c m toda a obra, assistindo aos pa-
gamento~dela e assim o vemos com a bolsa esculpida nas
costas da primeira cadeira do coro que pertencia 6 dignidade
do deao~.Morreu por 1544.
Segundo se deduz duma informacao encontrada no tomo
1.' do antigo Arquivo da Camara do Funchal, era Gil Fernan-
des escrivao das obras da Sé em 1508, mandando o rei pagar-
lhe nesse ano o .aposento diario. pelos serviqos que nelas
tinha prestado. No ano de 1515 foi passada carta a Braz Cor-
reia pare servir o mesmo cargo das obras da Sé, do Hospital
e da Alfandega.
A Sé Catedral

Passamos a dar uma rápida notícia dos objectos artísti-


cos e dignos de maior apreq3, pertencentes a Catedral do
Funchal, comecando por fazer m e n c 2 ~duma das grandes ma -
ravilhas da ourivesaria portuguesa do século XVI, que é urna
cruz processional ofcrecida pelo tei D. Manuel á primeira Sé
episcopal, que se fundou nos domínios das novas terras des-
cobertas A-pesar-de extensa, nao podemos subtrair-nos ao
desejo de transcrever neste lugar a descricao que dessa cruz
se encontra na Historia de Portugal, de Pinheiro Chagas, pre-
ferindo-a á do respectivo Catálogo da exposicao, em que ela
figurara, por a julgarmos mais completa.
~ F o iesta urna das maravilhas da Exposicao de Arte Or-
namental, em Lisboa, em 1882. E' de prata dourada, cercada
toda de um filigranado ou rendilhado, do mais elegante traba-
Iho. Os bracos da cruz, terminados cada urn por um retábulo
fechado por tres semicirculos no superior e por quatro nos
outros tres, apresentam em relevo Jesus Cristo no horto, o
beijo de Judas, a flagelacao e o Ecce Horno. No alto, fechando
inferiormente o retábulo superior, está a fita da inscricao. A
figura de Cristo, em alto relevo, está encostada a um ornato
elegante de folhas de carvalho, que termina lateral e inferior-
mente junto ás maos e aos pés, e superiormente vai até á ins-
cricao, formando aí como que dois vo1uteados.-Na face pos-
terior, está a imagem de Cristo em pé, sustentando na mao
um globo sobrepujado pela cruz. Quatro retábulos, nos extre-
mos da cruz, em correspondencia aos da face anterior, existem
na posterior, representando os quatro evangelistas. No rema-
te inferior, antes do nó, acham-se as armas riais de Portugal,
lavradas e sustentadas por dois anjos. Todo o moldurado da
haste é orlado interiormente por um cordao, que tambem
cérca superio e inferiormente as armas, e ela assenta sobre
uma base hexagonal, tambem ornada na aresta exterior de
um cordao.-Inferior a tudo há o pé da cruz, que serve para
encaixar em haste de rnadeira. Entre este e a base ergue-se o
belissimo nó. Do pé surgem urnas ramadas de carvalho, que
parecem sustentar o nó. Este levanta-nteem fórma de templa
gótico, em tres andares, profusame se ornamentado, cercado
de corucheus, arco-botantes ou botareus, todos armados de
estatuetas cobertas por baldaquinos do mais exquisito e gra-
cioso 1avor.-Ao centro de cada face e de cada andar do n6
há uma especie de porta ou janela, toda floreada, e cada uma
diminuindo de altura, da inferior para a superior. Todo este
corpo ou nó é rematado superiormente, de ambas as faces,
posterior e anterior, pelas armas riais de Portugal, sustenta-
das por dois anjos, como as outras de que já falámos; nas
duas faces que ladeiam as armas, resaltam em alto relevo, as
esferas armilares, conhecendo-se que faltam as da face pos-
terior.
##Esteportentoso artefacto acha-se um tanto danificado,
por mutilacoes provenientes do tempo.-A cruz é evidente-
mente do principio do século XVI e deve ter sido dada por
D. Manuel, como bem demonstram as armas e esferas, quando
em 1514, fez criar o bispado do Funcha1.-O esculturado das
figuras e uma certa suavidade nas fórmas da cruz, fazem-nos
crer que se o artefacto nao veiu de fóra e foi lavrado no país,
devem ter trabalhado nele artistas extrangeiros da vasta pleia-
de dos que se achavam estabelecidos aqui, atraidos das suas
riquezas, e que até tinham muitas questoes com os nacionais..
Acerca desta preciosa joia de ourivesaria do século XVI,
encontramos ainda as seguintes palavras, no vol. 111 da .Histo-
ria de Portugaln, de Fortunato de Almeida, que tambem quere-
mos deixar aqui arquivadas :-.Das cruzes da época manuelina
ou de desorganisacao de estilo gótico, mencionaremos em pri-
meiro lugar uma famosa cruz processional, pertencente 6 Sé
do Funchal e que data da primeira década do século XVI. Nela
há mutilacaes deploraveis, mas que nilo obstam á reconstitui-
cae do conjunto. Os elementos góticos Iá aparecem, mas sem
desempenharem papel fundamental, construtivo, antes e unica-
mente adoptados como elementos decorativos. . .
E' de inteira justica recordar que o imediato retorno da
primorosa cruz á igreja a que sempre pertenceu, depois de ha-
ver figurado na Exposicao de Arte Ornamental de Lisboa, de-
ve-se .especialmente ao conego Feliciano Joao Teixeira, que,
sendo entao capitular da Sé do Funchal e deputado por esta
ilha, empregou as mais activas diligencias para que ela voltasse
sem demora ao lugar da sua procedencia, depois de a haver
mandado convenientemente restaurar.
Essa rara preciosidade artística escapou ao terrível saque
que os huguenotes franceses deram á cidade do Funchal no
ano de 1566, em que durante dezaseis dias fizeram na popula-
cae uma horrível carnificina e carregaram onze embarcacaes de
ricos e variados despojos. As mais custosas alfaias de uso do
culto tinham sido enterradas entre duas sepulturas recentemen-
te abertas, afastando assim do espírito dos assaltantes a ideia
dali se encontrar um precioso tesouro, em que estava #escon-
dido e metido todo o ouro e prata do servico daquela Sé, ca-
lices, cruzes, lampadarios, custódias, pomas, galhetas, turíbulos,
caldeirinhas, navetas, macas e finalmente tudo o que de prata
havia-se.. . o , segundo a notícia que nos é fornecida pelo autor
das Saudades da Terra. E ali se encontraria, certamente, a rica
cruz processional oferecida por D. Manuel, pois é de presumir
que ela tivesse sido remetida para o Funchal durante a vida do
monarca, que faleceu quasi meio século antes do assalto dos
corsários franceses.
No Catalogo da Exposl~úode Arte Ornamental, realisada
em Lisboa no ano de 1882, além da descric20 da famosa cruz,
figuram os seguintes objectos, pertencentes á Sé do Funchal,
que estiveram expostos naquele certame artístico : aPíxide de
prata dourada. Ornamentacao de arabescos e algumas aves. A
tampa é encimada pcr urna cruz. Altura OIm39. Século XVII;
aGrande frontal de prata rebatido, Altura 1 metro e compri-
mento 2,m15.; 11Campainha de bronze com pé e capa de prata
de lavores relevados flores e folhagens. Século XVI..
Temos encontrado algumas referencias a uma custódia ou
ostensório de prata dourada, da mesma época e talvez do
fabrico dos mesmos artifices da cruz que ficou acima descrita,
que certamente seria outra preciosidade artistica, porventura
tambem proveniente da generosa liberalidade do Rei Venturo-
so. Cremos que esse objecto, em virtude dos estragos que o
tempo e o uso Ihe causaram, foi ha muito refundido e trans-
formado em outros objectos ornamentais, igualmente destina-
dos ao servico do culto, e entre estes se deve contar a bela e
artística *custodia,l, que ainda actualmente serve nas principais
solenidades. Tambem nos queremos referir á grande e rica
aurna) de prata, que encima o rico camarim e que guarda o
Santissimo Sacramento. durante a celebracao dos actos litúrgi-
cos da quinta e sexta-feira santas.
S2o dignas de especial rnenc%oalgumas das alfaias desti-
nadas ao uso privativo da capela do Santissimo Sacramento,
entre as quais se destacam o seu sacrário e respectiva maqui-
neta, duas grandes talhas, algumas lanternas e varas do pálío,
tudo de prata cinzelada com belos e artísticos lavores, além
de primorosos jarrdes da India e de alguns ricos paramentos.
Entre muitos objectos de valor intrinseco e de aprimora-
da factura, contava o tesouro da Sé um avultado número de
tocheiras 9 casticais, grandes lampadários, turíbulos e navetas,
um rico gomil chamado dos Bastioes, do nome dos fabrican-
tes, um frontal do altar da capela de Sao José, calices, galhe-
tas, bandejas e outras alfaias de servico cultual, tudo de prata,
e algumas delas do mais apurado bom gosto.
Sabe-se que D. Manuel ofereceu ainda para a nossa Sé
tres valiosas pegas, dignas deserem aqui mencionadas: o putpito,
a pia baptismal e a baca dum paco ou cisterna, todas de cmar-
more brecha da Arrabida, trabalhadas em monolitos de gran-
de valorw, segundo afirma uma autorfdade no assunto. As
duas primeiras existem ainda, em excelente estado de conser-
vacao, e a terceira desapareceu ao ser soterrada a cisterna de
que fazia parte. A seu respato lemos num antigo manuscrito,
que era de cinco bracas de agua e que ficava sita na nave late-
ral do lado da epistola, o que nos parece uma afirmacao algo
estranha, acrescentando-se ali, que tendo estado inutilisada
durante muitos anos foi, em 1722, restituida ao seu primitivo
USO.
Merece referencia especial o grande orgao da Sé, durante
muitos anos inutilisado, que se encontrava no caro principai e
foi mandado construir pelo bispo diocesano D. Jeronimo Fer .,
nando, que esteve á testa desta diocese no periodo decorrido de/
1624a 1641. Para a época, foi tido como uma peca de muito valor,
tendo sido delineado e tracado o seu desenho pelo padre An-
tonio Gongalves e fabricado por um artifice natural de Cordo-
va, ,por nome Joao Manuel. Foi ha poucos anos iiiteiramente
remodelado, aproveitando-se o orgtio mais pequeno, que
servia nos actos do culto e que se achava no antigo coro
anexo á capela-mór.
Outra obra, digna de todo o apreco, 6 o formoso e ele-
gante trono, vulgarmente chamado camarim, que todos os
anos de levanta por ocasiao das solenidades da Semana Santa,
ocupando toda a superficie da ampla capela do Senhor Bom
Jesus e elevando-se a urna grande altura, o que, no seu con-
junto, oferece um aspecto de supreendente beleza e notavel
aparato. E' formado por inumeras pecas abertas em excelente
talha de madeira dourada, que no tempo da sua construcao,
principios do seculo XIX, era considerado o mais grandioso de
todas as igrejas portuguesas.
A primeira paróquia criada na Madeira, e a que verdadei-
ramente se pode dar esse nome, foi a de Santa Maria Maior ou
de Nossa Senhora do Calhau, que teve seu principio, como
freguesia autónoma, pelos anos de 1440. Aproximadamente se-
tenta anos mais tarde e no ano de 1508, fez-se a transferencia
da séde dessa paroquia para a Igrrja Grande, como entao se
chamava ao novo templo, que em breve seria elevado á cate-
goria de Sé Catedral. Foi benzido nesse ano, a-pesar-das
obras de construcao se encontrarem ainda bastante atrazadas e
sómente se procedeu á sua solene sagracao no ano de 1516.
A tal respeito, deixou-nos o dr. Gaspar Frutuoso, nas Sau-
dades da Terra, a seguinte notícia, que julgamos corresponder
inteiramente á verdade: UNOano de 1516, por o primeiro bispo
do Funchal ser ~cupado no servico de el-rei como desembar-
gador do Paco e impedido em negocios de el-rei, mandou á
cidade do Funchal um bispo, que se chamava D. Duarte, o
qual, por ele nao poder vir, crismou c deu ordens e regu-
lamento na Sé e executou outros ministerios competentes a seu
oficio e cargo, e consagrou a Sé da cidade do Funchal em dia
de Sao Lucas, 18 de Outubro, com muita solenidade e benzeu
um dos sinos que puzeram na torre da mesma, e fez muitas
outras cousas necessarias..
O erudito comentador das Sarcdades, que sempic oferece
maior seguranca nas suas informacoes do que aquelas que nos
dá o autor da referida obra, equivocou-se evidentemente neste
ponto, como já em outro lugar tivemos ocasiZo de notar, es-
crevendo as seguintes linhas :
#O ilustre anotador da obra de Frutuoso dá a igreja por
concluida em 1508 e diz que foi nesse ano sagrada pelo bispo
D, Joao Lobo, emquanto que o historiador das ilhas assinala o
dia 18 de Outubro de 1516 como o da sagracao e afirma que
foi sagrante o bispo D, Duarte. Neste ponto, estamos com o
autor e nao com o comentador das Saudades. Em várias anti-
gas crónicas, temos encontrado a notícia de que a nossa Sé foi
sagrada no ano de 1516, sendo talvez o dr. Rodrigues de Aze-
vedo o unico que assevera que o foi no ano de 1508. Além
disso, em todos os escritos de caracter eclesiástico que pudé-
mos consultar se afirma que a sagracao foi feita pelo bispo D.
Duarte e náo resta dúvida que este prelado veiu a esta ilha por
mandado do primeiro bispo D. Diogo Pinheiro, nomeado no
ano de 1514, por ocasiao da criacao da Diocese..
Nao pode duvidar-se que a sagracao da Sé Catedral se
realisou a 19 de Outubro, dia em que a Igreja Católica celebra
a festa do evangelista Sao Lucas, data esta que entre nós se
conservou sempre na tradicao e que ainda hoje é confirmada
pela solenidade que anualmente se faz nesse dia no templo da
Sé em comemoracao daquele facto. Desde séculos que o res-
pectivo calendário diocesano impoe a todo o clero deste bis-
pado a celebracao da missa da Dedicacao da Santa Igreja Cate-
dral Funchalense no dia 19 de Outubro, e tambem estabelece
para o memo dia a recitacao das Horas Canonicas de harmo-
nia com o rito prescrito para a celebracao do Santo Sacrificio
da Missa.
Julgamos que a discrepancia apontada resulta dum simples
equívoco. A igreja da Sé foi benzida em 1508, quando para ela
se fez a transferencia da séde da freguesia de Santa Maria
Maior, tendo nesse ano vindo á Madeira o bispo D. Joao Lo-
bo, que aqui se demorou aproximadamente um ano. Pode,
porventura, ter acontecido que este prelado procedesse á ben-
cae da Sé, sendo, porém, o bispo D. Duarte que presidiu á sua
sagrscao solene, que S ~ Oactos litúrgicos bastante diferentes,
havendo nesta diocese poucas igrejas sagradas e sendo o maior
número delas simplesmente benzidas. E a proposiio diremos
que a igreja da Sé Catedral (l516), as paroquiais do Estreito
de Camara de Lobos (1814), de Nossa Senhora do Monte
(1818) e de Sao Martinho (1918), as capelas da Lombada dos
Esmeraldos na Ponta do Sol (1508) e a do Faial no Caminho
do Palheiro (segunda metade do stculo XVI) sao as Únicas
desta diocese de que temos conhecimento de haver recebido a
sagracao solene, que só pode ser ministrada por um prelado,
conforme o exigem os preceitos da liturgia católica.
Admitindo-se, pois, aquela provavel hipotese, poderemos
conciliar as opinioes do autor das Saudades da Terra e do seu
anotador, estabelecendo, no entretanto, como ponto incontro-
verso, que a sagractio solene da Sé Catedral do Funchal se
realisou no dia 18 de Outubro de 1516, sendo sagrante o bis-
po D. Duarte.
A propria Bula Pro excellenll Proeminentla, de 12 de Ju-
nho de 1514, que criara a Diocese do Funchal, fixou desde
lago o primitivo quadro do cabido da nova Sé, que ficou
constituido com as quatro dignidades de deao, arcediago,
chantre e tesoureiro-mór e mais doze capitulares. Ao tempo,
funcionava na igreja, entao erecta em Sé Catedral, urna cole-
giada composta de um vigaris e quinze beneficiados, que, ern
virtude das disposic6es do mesmo decreto pontificio, foram
elevados, o respectivo paroco Fr. Nuno Ctio á dignidade de
deao, os tres beneficiados mais antigos ás tres outras dignida-
des já referidas e os restantes providos em doze conezias.
Com o decorrer dos tempos, expediram-se várias cartas
regias criando novos lugares ou melhorando os já existentes,
conforme as circunstancias de ocasiao aconselhavam ou o ser-
vico do culto ia progressivamente exigindo. Nas anotacaes as
Saudades da Terra e em varios antigos manuscritos, temos
deparado com a mencao de muitos dcsses diplomas emanados
d poder rial, mas alguns deles nao se harmonisam entre si e
silo discordantes nas respectivas datas, e porisso vamos limi-
tar-nos a mencionar apenas os principais alvarás e cartas rtgias
citados no ~IndiceGeral do Reg'sto da Antiga Provedoria da
Real Fazenda desde o ano de 141b até o de 1775 da extincao
ds mesma Provedoria~, que é um índice ou resumo, de ca-
racter oficial, dos documentos expedidos pelo governo da me-
trópole ácerca do preenchimento dos diversos cargos civis,
eclesiásticos e militares, que iam sendo criados ou providos
neste arquipélago.
Nos primeiros tempos, o servico religioso, que em comum
se realizava no coro corn a recitacao das Horas Canonicas e
corn as outras funcoes do culto, era sbmente desempenha-
do pelos cónegos, como aliás aconteceu antigamente em
muitas sés catedrais, tendo sido pelo alvará régio a 5 de Maio
de 1539, que se criaram os primeiros quatro lugares de cape-
laes ou beneficiados, a que sucessivamente se acrescentaram
mais dois capelaes, por alvará de 10 de novembro de 1557,
outros dois, por alvará de 9 de fevereiro de 1558, e ainda mais
outros dois, por alvará de 18 de junho de 1578.
O cabido foi aumentado corn duas meias conezias ou co-
negos de meia prebenda, oor alvará régio de 5 de Maio de
1536, e de novo acrescentado corn outros dois meios canoni-
catos, por alvará de 5 de setembro de 1577, ficando entio
constituido corn dezasseis capitulares de prebenda inteira e
mais quatro de meia prebenda além dos doze beneficiados ou
capelaes do coro. Poy 1590, foi de novo criada a dignidade de
mestre-escola e ainda em 1607, por alvará de 9 de agosto, a
de cónego doutoral ou teologal, sendo esta provida numa das
conezias já existentes. Ficou entao o cabido da Sé do Funchal
aparatosamente composto de vinte e um capitulares, dos quais
seis investidos em dignidades, organisacao esta que perdurou
quasi até á idade contemporanea.
Nos anos de 1538, 1564, 1566, 1577 e 1612 foram respec-
tivamente criados os lugares de sacristao-mór, sub-chantle!
mestre de capela, altareiro e mestre de cerimonias, sendo quasi
todos estes cargos cumulativamente exercidos corn os de cape-
laes-cantores.
Pelas várias referencias que temos encontrado ácerca do
pessoal da Sé Catedral, sabemos que ele se manteve inaltera-
velmente, como deixamos indicado, atC o fim da primeira me-
tade do século XIX, desconhecendo as alteracoes que porven-
tura tenha sofrido posteriormente áquela época.
N%ofazemos aqui mencao dos inúmeros diplomas oficiais,
.
indicados no citado Indlce.. da Provedorla e referentes ao
aumento das respectivas cóngruas e ainda a outras particulari
dades de administracao eclesiastica, porque isso nos levaria
muito longe e por nao oferecer grande interese ao assunto
deste nos?o pequeno estudo.
O Cabido da Sé do Funchal, por ocasiao da elevacao des-
ta diocese á categoria de arcebispado em 1533, foi dotado com
algumas regalias e privilegios inerentes ás Sés metropolitas,
que foram suprimidas com a extincao da arquidiocese no ano
de 1551. Apenas se conserva Q uso, como recordacao histórica
do facto, dumas magas de prata, em certas solenidades, e tam-
bem duma cruz de dois bracos, que sao insígnias privitivas dos
arcebispados. Num escrito de meados do seculo XVIII, encon-
tramos, a tal respeito, esta informac20:-~~Depois de ficar esta
ígreja reduzida a bispado, ficou contudo conservando muitas
cousas até o dia de hoje, que pertenciam unicamente á Igreja
Metropolita. Em todas as procissoes do Cabido, leva este cruz
de dois bracos; nos dias classicos va0 á estante seis capelaes
com macas; e sendo dignidade que oficie vao dois meios c6-
negos e quatro capelaes, tanto nas procissoes e estacoes como
As Laudes e Vesperas caiitadas~.
No ano de 1818, foi o Cabido do Funchal agraciado com
o privilegio do tratamento de Senhorie, que nao somente po-
deria ser por ele usado como corpo capitular, mas ainda indi-
vidualmente por cada um dos seus membros.
Havendo-nos agora ocupado do pessoal eclesiástico da Sé
do Funchal, julgarnos ser esta a ocasiao oportuna de apresen-
tar uma breve resenha dos membros mais distintos do respec-
tivo Cabido, de que pudémos alcancar noticia e que temos por
muito incompleta.
@ primeiro deao e o mais antigo membro do corpo capi-
tular foi Nuno Cao, freire qualificado da Ordem de Cristo,
que no dizer de Gaspar Frutuoso #era mestre em teologia e
mui bom letrado*, tendo deixado do seu nome as mais honro-
sas tradicoes. Era na Madeira o representante daquela Ordem
e superintendia em todos os negocios eclesiásticos, havendo
sido escolhido para o importante cargo de deao, por ocasiao
de ser criada a diocese.
As antigas crónicas madeirenses e particularmente as Sau-
dades da Terra referem-se com o mais alto louvor ao presente
que o faustoso Simao Goncalves da Camara, terceiro capitao-
-donatario do Funchal, enviou ao Papa Le20 X, que consistiu,
.
além adum cavalo persio.. e de muitos mimos e brincos da
ilha, de conservas.. . e o Sacro Palacio todo feito de assucar e
.
os Cardiais todos de alfenim, dourados a partes.. e feitos da
estatura de hum homem.. .D. Era assessor e secretario da em-
balxada, que conduzia a oferta ao Pontífice, o conego da Sé
Vicente Martins, homem de vasta cultura e distinto humanista,
que em Roma, na presenca do grande Papa e da corte ponti,
ficia, proferiu uma alocu~aona lingua latina, apresentando os
membros da embahada e os valiosos objectos ofertados por
Simao Goncalves da Camara, que tinha na capital do orbe ca-
tólico seu filho, o bispo D. Manuel de Noronha, como secre-
tario particular de Leao X.
Jeronimo Dias Leite, segundo o testemunho de Frutuoso,
foi pessoa de grande cultura e muito dado a investigacoes his-
toricas, tendo sido ele que principalmente forneceu ao historia-
dor das ilhas os indispensaveis materiais para a elaboracao das
Saudades da Terra na parte respeitante ao arquipélago da Ma-
deira, encontrando-se em diversos passos dessa obra varias e
elogiosas referencias aos meritos daquele capitular da nossa Sé.
O Cónego Manuel Afonso Rocha, que foi um distinto
membro do Cabido, fundou em 1638 um mosteiro ou recolhi-
mento na rua que ainda hoje conserva o nome de Mosteiro
Novo, que por imperiosos motivos nao teve o destino para
que f6ra criado, sendo nele instalado o Seminario Diocesano
nos ultimo quartel do seculo XVII.
O Conego Henrique Calasa de Viveiros, natural da ilha
do Porto Santo, fizera voto de levantar um mosteiro, em hon-
ra e louvor da Virgem da Incarnacao a quem era muito de-
votado, quando o seu país se libertasse inteiramente do jugo
castelhano e retomasse a sua antiga independencia. Cumpriu
religiosamente o seu voto, fazendo erguer, no ano de 1589, o
modesto convento com sua igreja adjunta, no sitio em que
actualmente se encontra o Seminario Diocesano Dom Manuel
Agostinho Barreto.
O Conego Manuel Ribeiro Neto, que era formado em
direito canónico e desempenhou nesta diocese os lugares de
vigario geral e governador do bispado, foi um apreciado es-
critor e publicou algumas obras, que veem mencionadas na
Biblioteca Lusitana de Barbosa Machado. Era natural do Fun-
chal e faleceu a 3 de Janeiro de 1681.
Simao Goncalves Cidrao, arcediago e deao da nossa SC e
eclesiastico que gosava do maior prestigio nesta ilha, foi o
fundador do Recolhimento do Bom Jesus da Ribeira pelos
anos de 1665 e ali jaz sepultado, estando aquela instituicao
prestando ainda actualmente um bom servico de asistencia a
muitas das pessoas ali recolhidas.
O Conego Antonio Veloso de Lira (1616-1691), que 6 con-
erado um dos mais distintos madeirenses do seu tempo,
notabilisou-se como escritor e exerceu diversos cargos ecle-
síásticos (Vid. Elucld. Mad. 11. 68).
O Conego Pedro Correia B~rbosa grangeou muita rio-
meada como orador sagrado e publicou alguns dos seus ser-
8
moes, chsmando-lhe Diogo Barbosa Machado urn insigne pré-
gador. Foi vigario geral e governador do bispado e fundou a
capela de Stío Francisco, conhecida pelo nome de Silo Fran-
cisco das Furnas, no Caminho de Santo Antonio, que passou
ao morgadio Jervis de Atouguia
Manuel da Cunha Pinheiro, irmilo do prelado diocesano
D. José de Sausa Castelo Branco, %quedepois de sert~ir na
Inquisicao de Evora foi deputado, promotor e inquisidor na
de Lisboa, donde subiu a deputado do Conselho Gerall,.
Joao Francisco Lopes Rocha (1747-1818), formado em
canones, deao e governador da diocese, foi um ilustre madei-
rense da sua época (Vid Elucld. Mad. 11-75)
Antonio Joaquim Goncalves de Andrade (1795-1868) deao,
bacharel em canones e secretario de D. Amelia Imperatriz do
Brasil, possuia urna vasta iluptracilo e cultiva a distintamente
as letras, havendo sido um dos melhores colaboradores daque-
la magnanima soberana na fundacao do Hospicio da Princesa
D. Maria Amelia (El. Mad. 1-59)
Antonio Lopes de Figueiredo (1836-1898), formado em
teologia, professor de ciencias edesiasticas, distinto orador
sagrado, tendo pubíicado alguns dos seus discursos. Morreu
arcipreste da S6 de Braga.
Dom Aires de Ornelas de Vasconcelos (1837-1880), dou-
tor em teologia, deáo, bispo do Funcha: e arcebispa de üoa,
foi um dos mais ilustres filhos da Madeira, que pelas suas emi-
nentes virtudes, brilhante talento e larga cultura melhor soube
honrar o país em que nasceu (Vid. Obras de D. Aires de Or-
nclas de Vasconcelos e Elucld. Mod. 11-249)
O Conego Custadio de Morais e Brito, bacharel formado
em teologia e direito, distinto prsfessor e orador, possuia uma
larguissima cultura geral e teológica, tendo exercido no Fun-
chal varias comiss6es de servico público e eclesiastico. Morreu
na cidade do Porto.
Alfredo Cesar de Oliveira (1840-1908) distinguiu-se nota-
velmente como orador, jornalista, politico e parlamentar
(El. Mad 11-234)
Feliciano Joao Teixelra (1843-1906) desempenhou diversa
comissoes de servico público, exerceu o professorado e re-
presento~a Madeira em cortes, tendo morrido conego da Sé
Arquiespiscopal de Evora, bem como o antecedente.
Manuel Esteves Fazenda (1845-1903) foi distinto professor,
orador, politico e jornalista.
Joao Joaquim Pinto, (1851-1919) bacharel em teologia,
deao, professor e autor de diversas publicacoes.
Era a igreja do extinto convento de Sao Francisco o ver.
dadeiro panteao da maior parte das antigas e distintas familias
madeirenses, que tinham ali os seus carneiros c sepulturas, co-
bertos com pedras de belos mármores, ostentando muitas de-
las os seus epitáfios brazonados. Em quaci todas as igrejas pa-
roquiais, nas igrejas de Santa Clara, de Sao Joao Evangelista,
de Nossa Senhora do Carmo e ainda em bastantes capelas par-
ticulares, existiam tambem muitos jazigos privativos de varias
familias desta ilha. Sao ainda dignos duma visita os interessan-
tes túmulos que ladeiam as paredes da capela-mór da igreja do
Carmo e o de Joao Goncalves Zargo na igreja do antigo con-
vento de Santa Clara.
Como aconteceu com a maioria das sepulturas espalhadas
nas diversas igrejas e capelas, as pedras tumulares da Sé Cate-
dral ficaram, na sua quasi totalidade, escondidas sob os pavi-
mentos de madeira, quando os enterramentos deixaram de rea-
lisar-se dentro do recinto dos templos, tornando-se deste modo
muito dificil descobrirem-se agora os jazigos das pessoas mais
distintas que ali tiveram as suas ultimas moradas.
Sabemos que as sepulturas de alguns prelados desta dio-
cese, depostas na capela-mór, foram cobertas com lapides em
que se liam inscricoes tumulares, que hoje se acham inteira-
mente ocultas sob o madeiramento que as cobre.
Vamos dar os nomes de diversos individuos de elevada
cotacao social ou mental no meio madeirense, a comecar pe-
los prelados diocesanos, que neste templo tiveram as suas der-
radeiras jazidas, a-pesar-de co~~jecturarmos que nao fazemos
mencao da maior parte dessas pessoas, por nos escassearem os
elementos indispensaveis para isso.
O, Bispo D. Luis Figueiredo de Lemos (1586-1608). Fale-
ceu no Funchal a 26 de Novembro de 1608 e foi sepultado na
capela de Sao Luis, por ele erigda junto do antigo Paco Epis-
copa1 e que ainda se conserva de pé, tendo os restos mortais
desse prelado sido trasladados para a Sé Catedral no ano de
1893 e inumados no chao da igreja, a dentro do guarda-vento,
e cobertos com a mesma lousa sepulcral, existente iiaquela an-
tiga capela, e onde se le o seguinte epitáfio: Aqul jaz Dom Lulz
Flguelredo de Lemos, Blspo que jol do Funchal. Faleceu a
XXVI de Novembro de MDCVIII.
Bispo D. Fr. Gabriel de Almeida (1671-1674). Morreu a 13
de julho de 1674 e algures se diz que udebaixo do presbiterio
(na capela-mór) está um carneiro onde jaz sepultado..
Bispo D. Fr. Antonio Teles da Silva (1675-1682). #Tende
pedido por humildade sepultura por debaixo da pia da agua
benta na sua Sé, Iha deu o cabido dela no pavimento da cape-
la-mor, junto do primeiro degrau que sobe para o altar; na
campa se lhe pos este epitáfio: Aqul jaz o Ilustrlsslmo Senhor
D. Fr. Antonio Teles da Sllva, fllho de Jodo ffomes da Sllva,
Regedor que fol da Rela~dodo Porto e de Lisboa. Faleceu a 14
de Feverelro de 1682n.
Bispo D. Jogo do Nascimento (1741-1753). Morreu a 5 de
Novembro de 1753, tendo sido inumado no coro dacapela-mór.
Bispo D. Gaspar Afonso da Costa Brancíao (1757-1784).
Faleceu a 14 de Janeiro de 1784 e foi sepultado na capela-mór.
Bispo D. Luis Rodrigues de Vilares (1797-1810). Morreu
a 10 de Outubro de 1810 e teve sepultura junto do altar-mór.
O Arcebispo D. Aires de Ornelas de Vasconcelos. Foi bis-
po do Funchal de 1871 a 1874 e depois arcebispo de Gba, ten-
do morrido em Lisboa a 28 de Novembro de 1880 e sendo os
seus restos mortais trasladados para esta ilha no ano de 1903 e
sepultados no jazigo de familia da capela de Santo Antonio da
S6 Catedral, lendo-se na pedra tumular esta inscricao: Aqul jaz
D. Aires de Ornelas de Vasconcelos. Nasceu no Funchal a 18
de Setembro de 1837. Blspo de Oerasa uln partlbus lnfidellum~,.
Coadjutor e futuro sucessor do Funclzal. Blspo do Futzchal. Ar-
ceblspo de Ooa e Prlrnaz do Oriente a 19 de Novembro de
1874. Morreu em Lisboa a 28 de Novembro de 1880.
Alvaro de Ornelas, que foi um ilustre fidalgo e fundador
da capela de Santo Antonio da S¿ Catedral, faleceu a 11 de Ja-
neiro de 1526 e foi sepultado, como o anterior, no jazigo da
sua familia existente na referida capela.
Corregedor Francisco Rodrigues, distinto rnembro da an-
t'ga magistratura, que no desempenho do seu cargo nesta ilha
donde era natural, prestou assinalados servicos e ainda em mu
tos outros ramos da administracao publica. Faleceu em 1577.
Conego Antonio Veloso de Lira (1619.1691), distinto es-
critor, que morreu a 4 de Janeiro de 1691 e foi enterrado na
capela-m ór (E. Mad. 11-68).
CJovernador e capitao-general decte arquipélago (1701-1704),
Joao da Costa de Athaide e Azevedo, faleceu a 8 de Marco de
1704.
C o ~ e g oPedro Correia Barbosa, grande orador sagrado e
fundador da capela de Sao Francisco das Furnas, que morreu
a 3 de Fevereiro de 1709, tendo sepultura na capela-mór.
Deao Aiitonio Correia Henriques Betencourt, capelao da
Casa Real e Comissario do Santo Oficio, falecido a 25 de agos-
to de 1725.
Francisco Vieira, mais conhecido pelo nome de Vlclra Por-
tuense, ilustre pintor portugues, a quem uma morte prematura
nao deixou revelar toda a pujanca do seu grande talento, fale-
ceu no Funchal a 2 de Maio de 1805, tendo sido sepultado na
Sé Catedral, em local que hoje nao se pode determinar.
Corregedor e distinto magistrado Dr. Joao Antonio da
Silva Bacelar Alvares das Asturias, que inorreu a 21 de Abril
de 1810.
Governador e capitao-general Luis Beltrao de Gouveia e
Almeida (1813-1814) morreu a 1 de Julho de 1814 e teve sepul-
tura na capela do Santissimo Sacraniento.
Deao dr. Joao Francisco Lopes Rocha (1747-1819), um
dos mais distintos madeirenses da sua época, falecido a 8 de,
Maio de 1819 (E. Mad. 11-75),
Dr. Luis Antonio Jardim, distinto poeta e advogado, que
faleceu a 14 de Fevereiro de 1825.
Deve aqui referir-se que junto da porta lateral, que
olha ao norte, encontra-se uma sepultura, que tem despertado a
atencao de muitos visitantes e que mereceu do distinto arqueó-
logo dr. Pedro Vitorino uma referencia cspecial no seu recen-
te e bem elaborado opuscolo intitulado Lamlnas Sepulcrals
de Bronze. Tem-se afirmado, embora erradamente, que ali se
acham sepultados o fidalgo flamengo Joao Esmeralda e sua
mulher (Vid. o opusculo Lombada dos Esmeraldas), estando a
respectiva lagea sepulcral coberta com duas placas de bronze,
que a tornam singularmente original e interesante. Diz o dr.
Pedro Vitorino: .As placas tumulares de bronze existentes em
Portugal S ~ O bem raras-seis apenas. Além daquelas a que me
A SE:CATEDRAL 70

referi, encontram-se mais duas, separadas, na igreja dos Loios,


.
em Evora e outras duas, conjuntas, na Sé do Funchal.. Pode
dizer-se ignorada, visto nao lhe ter sido feita qualquer referen-
cia publica. As figuras orcam por Om,90 de altura. Uma esta
mutilada. Assentam sobre lousa, possivelmente pedra azul da
Belgica, de que há varios exemplares com incrustacdes de me-
tal 1á fóra, visto um dos centros produtores de tais obras ser
a Flandres. A reduzidissima serie de láminas sepulcrais de bron-
ze do nosso paí? oferece-nos exernplares dos dois tipos coriheci-
dos: uma pedra onde a figura se fixa recortada numa lámiua
metálica (Funchal) que é o mais frequente no estrangeiro, e
uma folha inteira de metal, na realidade formada de varias pe-
cas ligadas, menos numerosas mas que compreende os especi-
mens mais belos e mais ricos (Evora, Leca do Bailio, Penafiel).
No folheto, que fica citado, reproduz-se pela gravura a foto-
grafia da seuultura existente na nossa SE: Catedral, já hoje mui-
to danificada, que pela sua grande originalidade e raridade
deve ser cuidadosamente conservada. JA ern 1844 o dr. J. M.
Neale se referiu a esta sepultura numa comunicacao feita a uma
sociedade cientifica de Cambridge.
Do outro lado da igreja e junto da porta que olha ao sul,
encontra-se urna sepultura semelhante áquela, que tambem foi
revestida com uma cobertura de metal, de que actualníente s6
restam alguns vestigios.
Merece particular referencia a importante coleccao de do.
cumentos, exístentes no arquivo da Sé do Funchal, que ha al-
guns anos foram encorporados no Arquivo Nacional da Torre
do Tombo e que ali se encontram sem urna metódica cataloga-
coa, que facilite a sua consulta aos estudiosos. Deve-se especi.
almente ao grande prelado D. Luis Figueiredo de Lemos, que,
por decreto episcopal de 22 de Agosto de 1586, ordenou a
criacao de um cartorio, estabelecendo .que se fizessem tomos
onde, para conservacilo se lancassem os treslados e memorias
antigasn, e nomeando o conego Gaspar Nunes para assumir a
direccilo dele.
O Ilustre anotador das Saudades da Terra classificou de
rica essa colec~ao,e num desenvolvido estudo acerca do Ar-
quivo da Torre do Tombo, le-se .que ha catalogar.. ., desta-
cando-se por sua importancia o cartorio da colegiada de Gui-
maraes e o da S6 do Funchal.. .u, Do arquivo da Sé do Fun-
chal foram transferidos para a Torre do Tombo cerca de ses-
senta volumes encadernados, além de algumas dezenas de ma-
cos de documentos avulsos, existindo de uns e de outros um
catálogo incompleto e muito deficiente, que nao torna facil o
estudo e a consulta desses documentos 4s pessoas que nao
possam dispor de largo tempo para esse fastidioso trabalho.
Nao queremos esquecer a interessante galeria de retratos
dos prelados, que teem ocupado o sólio episcopal funchalense
no longo periodo de quatro séculos. Sao umas dezenas de telas
a oleo, algumas delas já bastante antigas, que talvez nao pri-
mem pelo esmerado da factura, mas que constituem urna valiosa
documentacao para a historia religiosa da diocesse. Acham-se
todas em bom estado de conservacilo e convenientemente dis-
postas numa ampla sala da casa capitular. Pode chamar-se comple-
ta essa galeria, pois que embora ali se nao encontre ainda o re-
trato do bispo D. José Xavier Cerveira e Sousa (1844-1848),
pela grande dificuldade que tem havido em obter-se uma cópia
do respectivo retrato original, vai em breve suprir-se essa defi-
ciencia com a colocacao desse retrato, copiado duma primoro-
sa téla que existe na vila de Mogofores, no proprio solar, em
que aquele prelado nasceu em 1797 e nele veiu a morrer no
ano de 1862.
Primeiro Biepo D. Diodo
Pinheiro
Embora se pretenda afirmar que a insfituicao desta Dio-
cese se dave em boa parte atribuir á circunstancia do rei 1).
Manuel querer elevar á hierarquia episcopal o doutor Diogo Pi-
nheiro, como galardao de certos servicos prestados, nao pode
todavia duvidar-se de que a promessa solene daquela criacao
havia já sido feita quarenta anos antes, e que ela varias vezes
se repetira, sempre que os habitantes do arquipélago insistiam
pela visita temporária ou vindu definitiva dum prelado. Impor-
ta tambem lembrar que haviam entao decorridos poucos anios
e logo foram criados os bispados dos Acores, Cabo Verde, S.
Tomé e Goal sabendo-se que todos esses dominios ultramari-
nos estavam num grande plano de inferioridade com relacio á
Madeira, no que respeitava ao seu movirnento colonizador. A
criacaoda Diocese do Funchal era urna grande necessidade que
se impunha e geralmente reconhecida por todos, tendo-se até co-
mecado a construcao do templo, que deveria servir-lhe de séde,
cerca de vinte anos antes daquela instituicao.
Deve igualmente recordar-se que tendo a Ordem de Cris-
to a direccao privilegiada de todos os negócios religiosos nas
novas terras descobertas, independenternente de qualqucr outra
autoridade canónica, afora a da Santa Sé, era natural e até cer-
to ponto legitimo que no mais qualificado membro eclesiástico
daquele poderoso organismo recaisse a nomeacao para o pri-
meiro bispado, que se criasse dentro dos limites daquela juris-
d i c a ~ espiritual. Além disso, era o doutor Diogo Pinhei-
ro considerado como um dos indivíduos mais categorizados
do seu tempo, pelos seus raros méritos pessoais e pelos eleva-
dos cargos que desempenhava, sem mesmo contar com o pree
tigio e com a privanca de que gozava junto do monarca, se-
gundo abaixo mais largamente veremos.
Para apresentar aqui uns ligeiros tracos biográficos de D.
Diogo Pinheiro, lamentamos que nao tivesse sido concluido
um desenvolvido estudo que o distinto escritor José Azevedo
de Menezes, autor do interessante livro Nlnharlas, preparava
para dar á estampa ácerca desse prelado e que uma cruel e
pertinaz enfermidade obrigou a interromper inteiramente. Os
códices e documentos, que nos foi possível consultar, nao for-
necem informac6es muito apreciáveis acerca da sua accao epis-
copa1 neste arquipélago, o que geralmente acontece com res-
peito aos prelados diocesanos dos séculos XVI e XVII e de
modo especial com aqueles que nao assumiram pessoalmente a
dlreccao do seu rebanho pastoral, Um incendio que se deu na
Camara Eclesiástica na primeira metade do seculo XVIII e a
incorporacao do copioso arquivo da Sé Catedral no Arquivo
Nacional da Torre do Tombo dificultam e até impedem a nar-
racao circunstanciada dos principais acontecimentos ocorridos
nesses bispados e que muito interessariam á sua historia.
Das Bulas Pro Excellentl Proemlnentla, Oratiae Dlvlnae
Prcmlum e Hodle Eccleslae Funchalensls, a que j4 nos referi-
mos no capitulo Vl desta obra e que constituem os diplomas
basilares da instituicilo do Bispado do Funchal, C especialmen-
te a segunda que faz a apresentacao do primeiro prelado desta
diacese na pessoa do doutor Diogo Pinheiro, que era entao o
vigario de Tomar ou seja o mais graduado membro eclesiástico
da Ordem de Cristo, como jB, acirna ficou dito.
Foi entao extinta a Vigararia de Tomar, transitando para o
titular da nova diocese a larga jurisdicao que ao tempo gozava
aquela Ordem e que se estendia até os confins do extremo ori-
elite. Nao deve, pois, causar estranheza que D. Diogo Pinheiro
se intitulasse u . . . Vigario Geral por autoridade da Santa Ma-
dre de Roma no espiritual e temporal de toda a Ordem e Ca-
valaria de Christo.. . Bispo da Ilha da Madeira, dos Acores e
de Cabo Verde, da Etiopia e das Indias, imediate ii dita Santa
Madre Igreja de Romai
D. Diogo Pinheiro, em doze anos de episcopado, nunca
vsitsu as tsrras da sua diocese, por ter que exercer a alto car-
D. Drooo PINHEIRO -.
83

go de desembargador do Paco e .estar ocupado em outros ser-


vi~osde el-reiv, conforme se refere em varios lugares.
Um dos actos mais importantes da sua administrac%oepis-
copa1 foi, por certo, o de ter enviado á Madeira um prelado,
que desempenhasse as diversas funcoes do seu ministério e
providenciasse satisfatoriamente ácerca de todos os negócios de
caracter eclesiástico. Havia j& oito anos que o bispo D. Joao
Lobo estivera em missao religiosa nesta ilha, sendo por isso
altamente apreciável a presenca dum prelado, que foi cabal-
mente preenchida com a vinda de D. Duarte, bispo titular de
Dume, no ano de 1516. Além de ministrar o sacramento da
confirmacao a um considerável número de pessoas e de confe-
rir a ordenaciio a alguns sacerdotes, percorreu uma grande
parte da diocese e procedeu á sagracao solene da S6 Catedral
no dia 18 de outubro de 1516, de que, no capitulo VIII, démos
já dcsenvolvida notícia. Adoptou certas medidas com respeito
á disciplina eclesiástica e a outros servicos religiosos e deixou
um regimento interno do Cabido da Sé, de que havla urgente
necessidade. Depois da permanencia aproximada dum ano nes-
ta ilha, regressou D. Duarte ao continente, ficando a gavernar
a diocese um provisor e um vigario geral, nomeados para esse
fim pelo bispo proprietário D. Diogo Pinheiro.
Promoveu este prelado a vinda ao arquipélago da Madei-
ra do licenceado Francisco Cardoso Tenreiro, como visitador
eclesiiístico e dos casos de justica, tendo o monarca recomen-
dado ao Senado Funchalense que lhe fosse dada aposentadoria
e recebido com as honras inerentes inatureza do cargo que
vinha desempenhar .
Conseguiu D. Diogo que fossem melhoradas as cót~gruas
dos membros do cabido da Sé do Funchal e de outros serven-
tuários eclesiásticos, sendo tambem por suas diligencias que se
cancederam certas facilidades e auxilios para o prosseguimento
e conclusao das obras daquele templo.
A morte do rei venturoso D. Manuel, ocorrida no ano de
1521, foi de modo particular muito sentida na Madeira, em vir-
tude das grandes provas de acrisolado interesse que aquéle
monarca sempre manifestou pelo engrandecimento e prosperi-
dades deste arquipélago, devendo-se especialmente A sua me-
mória um grato reconhecirnento pela criacao da diocese, edifi-
cacao do templo da S6 Catedral e ainde outros ~ervicosde ca-
racter religioso, de que já atrás fizemos rápida mencao.
A epidemia da peste, que por vezes salteou o continente
portugu6s, tambcm fez seu aparecimento nesta ilha, causando
bastantes vitimas e levando a muitas frenuesias todo o seu cor-
teja de horrores. Manifestou-se ela maii intensamente no ano
de 1523 e toda a ~ouulacaorecorreu fervorosamente aos auxí-
lios do céu, elegendb seu padroeiro o apóstolo Silo Tiago
Menor e fazendo em seu louvor um voto solene, que os vin-
douros souberam cumprir e observar inteiramente. E' este um
dos factos mais importantes deste episcopado, que, pelas circuns-
tancias particulares que o revestem, merece uma notícia porme-
norizada e por isso Ihe dedicaremos um dos subsequentes capí-
tulos desta obra.
Pelos fins do primeiro quartel do século XVI e no decurso
deste episcopado, deu-se um facto que no tempo teve uma cer-
ta retumbancia e de que várias antigas crónicas falam com ale-
vantado encarecimento. Era entao capitao-donatario do Funchal
o faustoso Simao Goncalves da Camara, chamado o Magnífico,
pai do bispo D. Manuel de Noronha, que em Roma gozava da
privanca do grande papa Leao X e de quem fora camareiro se-
creto. Querendo talvez tornar universalmente conhecido o seu
nome, resoiveu Simao Goncalves presentear o pontífice eom
uma aparatosa oferta, que tomou as proporcoes duma ernbai-
xada. A :comitiva era presidida pelo fidalgo Joao de Leiria e
tinha como secretário o cónego da Sé do Funchal Vicente Mar-
tins, distinto humanista, que na presenca do papa e da corte
psntíficia proferiu uma erudita alocucao na litigua latina, fa-
zendo a apresentacao da embalxada e dos valiosos objectos
ofertados pelo capitao donátario. Gaspar Frutuoso (Saud., 189)
diz-nos que calém dum cavalo pérsica de rnuito preco.. . de
muitos mimos e brincos da ilha.. . ia o Sacro Palacio todo
feito de acucar e os Cardeais todos feitos de alfenim, dourados
a partes, o que ille dava muita graca, e feitos de estatura de
11um homem. E tudo foi em caixas, ernbrulhado em algodao,
corn que foram mui seguros e sem quebrar até dentro a Roma:
cousa que, por ser a primeira que desta sorte ali se vio, a esti-
mou muito o Papa, e cada huma peca por si foi vista pelos
..
Cardeais e Senhores Romanos, sendo presente o Papa, que
lauvava muito o artifício por ser feito de acucar,.
Pertencia o doutor Diogo Pinheiro a urna das mais dis-
tintas familias do norte de Portugal, tendo nascido na vila de
Barcelos pouco antes de 1460 e sendo filho do doutor Pcdro
Esteves e de D. Isabel Pinheiro, ambos representantes de antigas
e nobres casas vinculadas.
Ternos deparado com as mais elcgiosas referencias ao dr.
Diogo Pinheiro, como homem de extraordinário talento e de
rarissima cultura, havendo por isso exercido elevados cargos
na magistratura e sido desembargador do Paco, além de su-
tras altos servicos publicos de qre f6ra encarregado pelo mo-
narca. Barbosa Machado, na sua Blbllotheca Lusitana, di-nos
notícia, nas seguintes palgvras, dos principais lugares seculares
e eclesiásticos que desempenhou: aFoi um dos mais célebres
letrados do seu tempo, assim em urna e outra jurisprudencia,
como na teologia escolástica e moral, cujas sciencias lhe adqui-
riram os honarificos lugares que possuiu, sendo prelado de
Tomar, D. Prior da Colegiada de Guimaraes, comendatario do
convento de S. Simao da Junqueira, administrador do mosteiro
de Castro de Avelas, desembargador do Paco e ultimamente
Bispo do Funchal..
Esteve ao servico da Ctisa de Brsganca na qxliditde de
advogado ou consultor jurídico, como hoje se diria, e da qual
foi tambem capelso-fldalgo, tendo tido a coragem, que no caso
se pode chamar heroica, de ser defensor no julgamento do
duque de Braganca D. Fernando. jiisticado em Evora no ano
de 1483, como chefe duma conspiracao que pretendia atentar
contra a vida de D. Joao 11. Tornou-se celebre e vem citado em
muitas partes, a-pesar-de conservar-se inédito durante largos
anos, um escrito intitulado qManifesto feito pelo dcutor Dio-
go Pinheiro, depois bispo do Funchal e Desembargador do
Paco, em que mostra a inocencia do duque de Braganca D.
Fernando 11, a falta de prova e a nulidade da sentencci por que
foi condenado,, que deve conkr um transuntn ou os princi-
pais t6picos, acrescidos de novas provas, da defesa profrrida
naquele cClebre julgarnento, que no tempo tilo profuridamenfe
emocionou o país inteiro. F6mos agora ler esse extenso mas
interesante documento. Nao pode deixar de recnnhecer-se,
como já acentuámos, a coragem do doutor Diclgo Pinheiro a
defrontar-se com as iras omnipotentes de D. J o m 11, e tambem
a sua grande dedicacao pelo infeliz duque de Braganca, D. Fer-
nando. Nao é de estranhar que esta altiva e nobre atitude do
doutor Diogo Pinheiro Ihe grangeasse as boas gracas do rei
D. Manuel, que nunca perdoou ao seu real cunhado o assassi-
nato do duque de Vizeu e a decapitacao do duque de Braganca.
Tambem deu provas de muita coragem e duma grande
isenciio de caracter, tomando ostensivamente a defesa dos ju-
deus, quando j4 se promovia contra eles uma acentuada perse-
guicao, que chegou ao ponto de decretar-se a sua completa
expulsao de todo o país. Alexandre Herculano, na sua embora
suspeita obra ácerca do estabelecimento da inquisicao em Por-
tuga1,diz o scguinte: aforam dos mais notváeis o bispo do Al-
garve D. Fernando Coutinho e D. Diogo Pinheiro, bispo d o
Funchal, anciaos que haviam servido o seu país em cargos emi-
nentes nos reinados de D. Joao 11 e D. Manuel, e que nos con-
seltios daqueles monarcas haviam sempre sustentado ácerca
dos hebreus os verdadeiros prncípios de tolerancia evangblica,
principios acordes com os da sa politicam.
Algures se 18 que D. Diogo Pinheiro era homem de génfo
muito violento e írascivel, que o levou 4 prática dos mais
lamentaveis excessos, citando Anselmo de Brencamp Freire, no
Arqulvo Hístorlco Porluguiz, alguns factos, que inkira-
mente o comprovam. Fortunato de Almeida, na sua tilo apre-
ciada Hlstorla da Igreja Catollcta em Portugal, tornou-se eco
dessa opiniao, nao contestando~a[veracidadedaquelas afirmativas.
D. Dicgo Pinheiro morreu no mes de Junho de 1526,dis-
pondo que a sua sepultura se fizesse na igreja de Santa Maria
dos Olivais, na entiio vila de Tomar. E' interessante ler-se o
que acerca do seu grandioso túmulo se encontra na notável
obra A Archldcctura da Kenascenga em Portugal, de Alberto
.
Haupt: a . . encerra ainda o mais primoroso monumento sepul-
cral da mais pura Renascenca primitiva em todo o país, supos-
.
to que de acentuado tipo frances.. Este túmulo 6 um mo-
numento mag:iífico, nao apresentando avultadas dimens6es,
disposto á feicao de nicho, emoldurado por colunas abalaus-
tradas, ccroado por um frontao liso; e a dentro do arco en-
cerrando um como que sarcófago. A data supra citada e as
minudéncias decwativas patenteiam acharmo-nos em presenca
de um dcs trabalhos dos franceses conimbricenses. O conjunto
6 um primar de composicao.. No aparatoso mausoleu, le-se o
epitáfio Aqul joz Dom Glogo Plnhelro, prlmelro blspo do Fun-
chal, com esta lcgenda latina Hétculea quondan daha fuere
manu.
A morte de D. Diogia Pitih:ir.u detcrmini~ua vacincia des-
te bispado, que, a-pesar-do seu preenchimento com a nomea-
@o de D. Martinho para arcebispo do Funchal, continuou
sem ter um prelado á testa dos seus negócios eclesiásticos até
o ano de 1558, em que, pela primeira vez, isto é 44 anos de-
pois da criacao da diocese, veiu um bispo proprietário assen-
tar-se no sólio episcopal funchalense.
Ao haver conhecimento da morte de D. Diogo D. Pinheiro, foi
cometido ao corpo capitular da Sé o governo do bispado, mas
nao soube este compenetrar-se da gravidade da sua missao e
manter-se á altura dela, suscitando-se desde Iogo no seu seio
as mais lamentiveis dissencoes, que chegaram ao extremo de
alguns dos seus membros dirigircm ao monarca acusaqoes de
uns contra os outroc, salientando-se pela sua atitude incorrecta
e atrabiliária o arcediago Amador Afonso. Com o assentimento
do Cabido, nomeou o rei o dr. Afonso Mexia, como provisor
e vigário geral, vindo de Lisboa com os pcderes de gover-
nar a diocese nos diversos ramos da sua administracao. Pouco
tempo se demorou no desempenho desse cargo e bem assim
os seus sucessores Custodi~Dias e Antonio Machado, o que
nos leva a conjecturar que a sua accao como governadores
deste bispado seria entrecortada de tilo graves dificuldades,
que os obrigassem ao abandono do lugar.
A-pesar-da atitude do Cabido nao ser de molde a captar
as boas gracas do monarca, é contudo certo que pelos alvarás
régios de 30 de setembro de 1527 e 7 de novembro dc 1529
foram concedidas Aquela corporacao eclesiástica as merces do
acrescentamento das suas cóngruas e da criacao de alguns no-
vos lugares.
Durante esta vacincia, o facto mais importante de que ha
conhecimento é o do célebre caso dos Profetas do Porto Santo,
de que daremos uma rápida notícia, socorrendo-nos especial-
mente da narrativa das Saudades da Terra. Foi urna lamentável
ocorrbncia, que alarmou extraordinariamente os espíritos, obri-
gando as autoridades a adoptar medidas de enérgica repressao
contra os desmandos que se estavam praticando. Pelos anos
de 1532, na ilha do Porto Santo, aconteceu que um individuo,
por nome Fernao Bravo e uma sobrinha deste chamada Filipa
Nunes, pessoas rudes e sem cultura alguma, se arvoraram ines-
peradamente em profetas e advinhadores de csusas ocultas,
tentando predizer os acontecimentos futuros e pondo a desco-
berto muitas faltas graves de várias pessoas, que eram de todo
ignoradas, Promoveram os dois profetas reuniaes públicas, sob
pretexto do exercicio de alguns actos do culto, e numa delas
chegou a ser morto um dos asistentes, por se mostrar pouco
crédulo nas predicaes de Fernao Bravo. Foi tiio imperioso a
poder de sugestao exercido~nosespíritos, que atc! o clero da
paróquia se deixou avassalar pelas prédicas dos profetas, con-
tribuindo desfe modo para que o mal se agravasse e logo
tomasse proporcoes alarmantes. A ida %quelailha do correge-
dor de Machico pos termo imediato aos excessos que ali se
cometiam impunemente, tendo a devassa a que entiio se pro-
cedeu evidenciado a desorientacao e a insensatez de toda aque-
la gente, que parece hnverem atingido as raias da loucura.
Efectuaram-se várias pi-i4es e os profetas foram conde-
nados a sair da arqui~éligor sofceram outros castigos, sendo
tarnbem aplicadas vár~aspen.is aos moradores do Porto Santo,
com o pagamento de certcis ímpostos, por terem dado ficil
crédito 4s prégacoes dc:s improvisados profetas. Os membros
do clero daquela ilha r ~ c ~ b e r a amimposicao canónica de se-
veras penalidades eclesiásticas pela censurável atitude que to-
maram em tao estranh:, caso, nao reprimindo, como lhes
cumgria, os excessss e abusos que se estavam praticando 4
sombra da própria religiao.
Arcebispedo
Nos anais religiosos do nosso arquipélago, figura como
um dos factos mais assinalados a elevacao desta diocese á proe-
minente categoria de Sé Metropolitana. Com essa prornocao,
dentro da jerarquia eclesiástica, conquistou novos títulos de
honras e privilkgios, mas nao alargou a sua vastissima área,
pois que ela estendia já a sua jurisdicao a todas as novas terras
descobertas e conquistadas, que iam da América e da Africa
até ás remotas ilhas do Japao. Sendo certamente a diccese de
maior extensa0 territorial, passou tambem a constituir o arce-
bispado de mais dilatada superfície que tem existido. A nova
provincia eclesiástica, que foi a primeira que se criou fóra do
continente europeu, ficou tendo quatro bispados sufragineos,
com todas as prerogativas inerentes áquela tao elevada catego-
ria. A sua ereccao nao obedeceu, porém, á satisfacfo duma ne-
cessidade imediata e urgente, a-pesar-dos motivos mais ou me-
nos especiosos, que no tempo foram largamente aduzidos.
Se nao existem razaes ponderosas para acreditar que a
criacao do bispado do Funchal houvesse apenas representado
um favor pessoal do re¡ D. Manuel, para galardoar aiguns ser-
vicos que Ihe foram prestados, como deixámos acentuado no
capítulo anterior, o mesmo nao poderá afirmar-se com respeito
á instituicao desta arquidiocese, em que parece ter predomina-
do o desejo de elevar o bisoo D. Martinho de Portugsl, ami-
go, parente e embaixador de D. Joao 111, á alta dignidade de
arcebispo, impondo-se para isso a criacao dum novo lugar de
90 DIOCESEDO FUNCHAL

metropolita, o que nao poderia facilmente realisar-se no conti-


nente portugues, sem o enérgico protesto das circunscri~6es
eclesiásticas existentes. Por muitos motivo ,que longo seria ex-
por aqui, e entre as quais avultam o quasi imediato desmem-
bramento do arcebispado e a sua curta duracao, somos levados
supor que as ambic6es de D. Martinho e os valiosos servicos
prestados na sua embaixada em Roma teriam sobretudo deter-
minado aquela dispensável e atC certo ponto inútil criacao.
Em 1532, ao ser D. Martinho de Portugal nomeado em.
baixador junto da Santa Sé, recebeu de D. Joao 111 umas largas
Instru~des ácerca dos importantes negócios de que teria de
ocupar-se em Roma e da maneira como deveria proceder com
os mais qualificados membros da corte pontifícia. E' um docu-
mento demasiadamente extenso, que se ocupa de variados as-
suntos e onde se encontram algumas páginas destinadas a de-
monstrar a urgencia da instituicao das dioceses de Angra, Cabo
Verde, S. Tomé e Goal que ficariam sendo bispados sufraga-
neos do arcebispado do Funchal, cuja criacao instantemente se
pedia no mesmo documento, apontando-se desde logo o nome
de D. Martinho de Portugal como sendo o do primeiro titular,
que deveria ocupar esse eminente cargo eclesiástico. Era ele o
portador dessas curiosas Instrugbes e seria tambem o proprio
promotor da sua elevacao á dignidade de metropolita. Desse
interesante documento ressalta evidentemente o empenho de
satisfazer os desejos do ambicioso prelado, nao se apresentan-
do argumentos ponderosos de caracter religioso, que possam
justificar a conveniencia ou necessidade do insistente pedido.
Ter-se-ia, trlvez, D. Joao 111 arrependido da grande proteccao
dispensada a D. Martinho, pois nao falta quem afirme que este
prelado nao soube corresponder á confianca, que nele deposi-
tara o p iedoso monarca.
Nas aturadas investigacoes a que temos procedido, nao lo-
grámos ainda descobrir o diploma pontifício que criou o arce-
bispado do Funchal, mas, a-pesar-dessa falta sensivel, existe a
inteira certeza ácerca da época exacta da sua instituicao. E as-
sim temos que a pag. 416 e 417 do tomo 11 do Corpo Dlplo-
matlco Portuguez, se encontra exarada, na integra, a transcricao
da cédula conistorial, datada de 31 de Janeiro de 1533 e assi-
nada pelo pursurado A Cardlnalls Sanctorum Quator, em que
se participa ao governo portugues a elevacao desta diocese 4
jerarquia de arcebispado, podendo afirmar-se que a dato referi-
da, 6 a da respectiva instituicifo, pois que a comunicacao do
facto, segundo se verifica por inúrneros casos semelhantes, era
smpre dos mesmos dia, mes e ano do que os da criacao do
proprio cargo. Em corroboracao desta afirmativa, ternos a in-
sercao, a pag. 424 do tomo acima citado, da cédula consisto-
rial de 10 de Fevereiro de 1533, que participa ao monarca a
nomeaciio de D. Martinho de Portugal para exercer o logar de
primeiro arcebispo do Funchal. Da primeira dessas duas cédu-
las extratamos as seguintes palavras, que tém uma mais intima
..
relaflo com o assunto: m . tunc per obitum mrmoriae Didaci
episcopi funchalensis, extra romanam curiam defuncti, pastoris
solatium destitutrm. de simili consilio et a~ostolicewotestatis
plenitudine in met;opolitanam cum archieprocopale dignitate,
iurisdictione et su~erioritate'accrucis delatione etaliis metrouo-
íicitis insignis, dicta auctoritate erexit et instituit ac ilIi civitates
et dioceses predictas pro provincia, et ipsarum sancti jacobi et
sancti T h ~ m eac de O la, necnon sancti Michaélis ecclesia-
rum.. .m
Estava, pois, criada a primeira iirquidiocese nos nossos
dominios ultramarinos, a que em 1534 foram dados os bispa-
dos sufraganeos de Angra, Cab3 Verde, S. Tomé e Goa, iris\-
tuidos nesse mesmo ano. Se é certo que aquela criacilo nao re-
presentava a satisfaca0 duma medida de maior alcance, nao
pode todavia duvidar-se que a ereccifo das novas dioceses foi
contribuir consideravelmente para o alargamento e consolida-
c6es dos ideais religiosos nessas regioes, que entao se encon-
travam em periodo activo de colonisacilo.
Nao obstante o que fica exposto, em muitos lugares se
afirma que a criacao de arcebispndo do Funchal data do
ano de 1539, por isso que a Bula Romanl Pontlflcls Clr-
curnspectlo, de 8 de Julho désse ano, se ocupa da ereccao
e confirmacao do mesmo arcebispado, proporcionando as-
sim motivo iquela e r r a d ~afirmativa e até conferindo-lhe
fóros duma verdad2 inc mtestável. Dzsiparece, no entre-
tanto, qualqurr dúvida, f i z :iiq-se u n exams, e m b ~ r a bu-
pcrficííl, ao texto da citaii BlIa, onds se encontrarn várias
referencias á anteriw criacI3 da aryuidiocrie e até com a por.
m:n~risaca3 d- muitas circunstancias alusivas a esse facto. E'
um documento muito extenso, que vem inserto no Corpo Di.
plomatlco Portuguee (IV-82 e SS,) e na Historia Oenealoglca..
(Provas 11-726 e SS.) e que foi publicado, numatraducao portu-
.
guesa, em rlguns números do antigo periodico Corrclo do
Funchal do mes de Marco de 1898. A-pesar-da sua importin-
cia e da intima afinidade que tem com o assunto de que agora
nos ocup~mos, nao nos permite a sua demasiada extensa0
transcreve-la neste lugar, limitando-nos por isso ao extrato de
alguns dos seus mais elucidativos trechos:
.Como o nosso carissímo filho em Cristo Dom Joao, actual
e ilustre rei de Portugal e dos Algarves, filho e sucessor de
el-rei Dom Manuel, manifestasse o piedoso desejo de que na
referida diocese do Funchal.. . . se propagassem os meios de
salvac8o das almas e se fundassem algumas igrejas catolicas e
entre elas uma metropolitana, a quem as outras por direito me-
..
tropolitico ficassem sujeitas. . .
~ClepienteVII, tambem nosso predecessor.. . erigiu e ins-
tituiu par sua autoridade apostolica a igreja do Funchal, vaga
por obito do seu bispo Diogo, em lgreja mctropolltana e prf-
macla1 das Indias e de todas e cada uma das ilhas assinaladas
.
por dioceses da mesma igreja funchalense.. deu-lhe por pre-
lado um arcebiapo prirnaz das Indias e das mencionadas ilhas
e terras e das igrejas, cidades e dioceses que nelas viessem a
.
criar-se. .
~Desmernbroue separou para sempre da igreja ou da
mesa arquiepiscopal funchalense todas e cada uma das terras e
provincias de Africa e Asia, que ficam para o su1 do rio Se-
negal perto de Cabo Verde, inclusive as ilhas a elas adjacen-
.
tes. . . e separando as supromencionadas terras, ilhas. . cir-
cunscreveu-as aos seguintes territorios que aliás jB lhe perten-
ciam:-i Madeira e Porto Santo, as ilhas Desertas e Selvagens,
aquela parte continental de Africa que entesta com a diocese
de Safi e bem assim todas as terras do Brasil, tanto as ja des-
cobertas como as que vierem a descobrir-se.. . e assinou por
diocese da mesma igreja funchalense as ilhas e os territorios
.
zfricanos e brasileiros ocima mencion~dos. .
cAlem disso para que entre a igreja metropolitana e as
suas sufraganeas se desse a mesma propor~aoque se nota en-
tre a cabeca e os membros quis que as dignidades, conegos,
beneficiados e mais pessoas de S n Salvador de Angra, de
. 8.
Silo Teago de Cabo Verde, de Sao omé e de Santa Catarina
de (aoa., fossem obrigadas, rlo tocante celebracao do culto
..
divino, ministerios, precedencia. a conform. r-se em tudo e
..
por tudo com a igreja metropolitana funchalense. , que a
isso fossem compelidos pelo arcebispo do Funchal os prela-
dos daquelas dioceses sob as penas d . interdito da entrada na
igraja e de ex-comunhao lotae sententice....
. "Determinamos e ordenamos que os limites da diocese de
.
Goa. . comecem no Cabo da B3a Esperancz, estendendo-se
al6 á India e da India até á China,nde devem terminar.. .
aE que tais limites sejam e se entendam assim constituidas
contanto que com isso nao fique prejudicada alguma outra
diocese e que o direito do padroado e de apresentar ao arce,
..
bispo e ao seu vigario , seja e se entenda reservado mas s6
a el-rei Dom Joao ou a seus sucessores mas ao mestre ou admi.
nistrador da dita ordem militar.. .
#E que os bispos de S20 Salvador, de S%oTiago, de Sao
TomC e de Santa Catarina de Ooa. . . fiquem de direito sujei-
tos ao seu metropolita do mesmo modo que os outros bispos
sufraganeos do reino de Portugal s%o aos seus respectivos
..
metropolitanos. e
A Bula Romanl Pontlflclts Clrcumspectlo, de que extrata-
mos estes periodos, confirma em absoluto a criacao do arce-
bispado e visa particularmente á limitacao da sua extensissima
área, parecendo ser o primeiro golpe vibrado para a sua pro-
xima extincao. Aiargaram-se consideravelmente os lirnitc s da
diocese de Goa, que ficou entao pertencendo á provincia ecle-
siástica de Lisboa, con tinuando 0s tres restantes bispados su-
fraganeos a fazer parte da arquidiccese do Funchsl. Depreen-
de-se deste diploma pontificio que ele tambem tivera em vista
fixar com rnaior rigor os preceitos de sujeicao das dioceses
sufraganeas aos seus metropolitas, devido talvez ti suspeita de
quaisquer abusos que porventura tivessem sido cometidos
Nao obedecendo a instituicao do arcebispado a uma
reconhecida necessidade, como já temos dito, logo sofreu um
grande cerceamento na sua área após seis anos a sua criacao,
e passado um periodo de tempo relativamente curto tratou-se
da sua completa extin~ao. Tendo morrido D. Martinho de
Portugal no ano de 1547, nao se tratou da sua substituicao
como arcebispo do Funchal, e acha-se publicsda uma carta da
nossa embaixada em Roma, de Julho de 1551, dirigida ao
monarca, em que se fala das diligencias empregadas para a
supressao do arcebispado, o que veiu a acontecer ainda no
referido ano. E parece que já outras tentativas se tinham ante-
ticrmente f ito nesse sentido.
Os factos que ficam rpontadcs nao deixam dúvidas acerca
dos verdadeiros rrotivos que determinaram a instituicao da ar-
quidiocese funchalense, embora nas Instru~desacima citadas se
pretenda engenhosamente justificar essa criac2o com uma larga
série de argumentos, que nao poderao resistir ? mais
i ligeira
critica.
Tinhamos j i perdida a esperanca, nao obstante as diligen-
aias empregadas, de alcancar noticia da Bula que extinguira o
arcebispado, quando uma aturadi pesquiza realisada no livro
do Tombo da Sé do Funchsl nos deparou o traslado desse im-
portante dipioma, que é datado do ano de 1551, mas sem a in-
dicacao do dia e mes en1 que foi expedido, devendo esta defi-
ciencia atribuír-se a um 1ap;o do copista, qu: fizera a respecti-
va transcricao. E é curioso nqtlr qur o documento exarado
no cartório da nossa Catedral é a cópia duma certidao da Bula,
extraida do registo existente nos arquivos da Santa Sé e passa-
da por um notário apostólico a 2 de setembro de 1698, isto 6 ,
quarenta e sete anas depois da promulgscao desse diploma. Po-
de presumir-se que, nao sendo conhecidoentrenós o texto dessa
Bula, fosse p~didaem Roma uma certidao autentica dela, para
ficar devidamente arquivada e registada na séde desti diocese.
Com a costumida prolixidade, alegam-se vários motivos que
justificam o pedido da extíncao do arcebispado, sobresaindo a
sua vasta área, os conhecidos perigos e dificuldades das nave-
gacoes, a enorme distancia a que uma grande parte das terris
ficava da série da arquidiocese, a extraordinária demora na re-
solucao das apelacoes e uma maior facilidade de comunicac6cs
com a cidade de Lisboa, a cujt provincia eclesiástica deveriam
pertencer os bispados sufraganeos etc. Pelo confronto da certidao
acima citada com a B ~ i a Super universas orbis eccleslas, que
suprimiu o arcebispado, ve-se que essa extincfo se deu na se-
gunda metade do ano de 1551.
E m resumo temos que em 1514 foi criado o bkpado do
Funchal, c2m o privilegio nulllus dlocesis e sbmente sujeito a
Santa Sé Apostólica, havendo sido elevado, ainda com mais
amplas regalies, á categoria de arcebispado no ano de 1533.
Decorridos seis anos, em 1539, foi a arquidiocese cerceada na
sua ampla superficie e despojada do bispado de
G&a, e em 1551 inteiramente suprimida e reduzida a urna sim-
ples diocese sufraganea do arcebispado de Lisboa e compreen-
dendo sómente as ilhas da Madeira, Porto Santo, Desertas, Sel-
vagens e Arguim. E' caso para citar-se o conhecido proloquio
latino: Slc translt gloria mundl.
A nossa Sé Catedral, por ocasiao da elevac%oda diocese A
categoria de arcebispado, foi dotada com algumas regalias e
privilegios inerentes ás sés rnetropolitas, que foram suprimidas
com a extincao da arquídiocese. Apenas se conservou o uso,
em certas solenidades, como recordacao histórica daquele facto,
dumas matas de prata conduzidas por capelaes revestidos de
pluvial, e tambem duma cruz processionai de dois bracos, que
sao insignias privativas das F ~ Sarquepi~copais. Num escri-
to de meados do séculr, XVIII, encontramos a tal respeito a
seguinte informacao: aDepois drsta igreji reduzida a bispado,
ficou contudo conservando muitas cousas atC o dia de hoje
que pertenciam unicamente á igreja Metropolita. Em todas as
procissaes do Cabido, leva este cruz de dois bracos; nos dias
clissicos vao á estante seis capelaes ccm masas; e sendo digni-
dade que oficie vao dois meios cónegos e quatro capelaes, tan-
to nas procíss6es e estecoes com ás laudes e vesperas canta-
d a s ~ .A lima do tempo vai pulverisando os antigos costumes,
e ao presente achem-se reduzidas a bijm pouco essas práticas
tradicionais usadas nas ceremonias da nossa Sé Catedral.
Como j i repetidas vezes ternos dito, possuia a Ordem de
Cristo o direito de padroado nos dominios ultramarinos com
o privilegio de nulllus dlocesls, que lhe fora concedido pela
Bula lnter cociera, de 13 de Marco de 1455, residindo na viga-
raria de Tomar, réde da mesma Ordem,toda a jurisdicáo espiri-
tual e religiosa exercida nesses domínios. Com a criacláo do
bispado do Funchal no ano 1514 foi extinta a vigararia de To-
mar, parsando para o prelado da nova diacese todos equeles
privilegios de jurisdicao espiritual. Veiu, porém, a Bula Oregls
Donrlnlci, de 25 de Agosto de 1536, que restituiu a s vigrrio de
Tomar, a que nessa ocasiáo conferiu o titulo de Prior, aqueles
antigos direitos de jurisdicao, ficando parcialmente dele priva-
dos o arcebispo do Funchal, a que pertenciam. E, finalmente,
no ano 1550, todos os direitos de padroado transitaram pira o
monarca, que assumiu esses privilegios como grao-mestre que
era da Ordem de Cristo. A diocese e arquidiocese do Funchal
gosaram-da mais ampla jurisdicao espiritual e religiosa, que
porventura tem existido, desde o ano de 1514 até 1536, com a
desanexacao do bispado de GGa.
As tres Bulas iniciadas pelas palavras Equum Reputamus,
datadas de 3 de Novembro de 1534, criiram os bispados de
Angra, Cabo Verde e S. Tomé, a Bula Reglmett Unlversalls
Eccleslae, de 10 de Abril de 1537, instituiu a diocese de Goa e
a Bula Etsl Sancta, de 4 de Fevereiro de 1558, elevou este ul-
timo bispado á categoria de arquidiocese, fazendo-se em todos
esses diplomas pontificios largas referencias ao bispado e arce-
bispado do Funchal, em que se explicam as vicissitudes por
que eles passaram dentro de tao poucos anos.
D. M a r t i n h o de
Portugal
Primeiro e única arcebisPo

Elevada a diocese do Funchal á categoria de arcebispado,


teve como seu primeiro e único arcebispo a D. Martinho de
Portugal, que foi o segundo prelado que esteve á frente da ad-
ministra@~eclesiástica deste arquipélago. Como vimos no ca-
pítulo precedénte, data de 10 de Fevereiro de 1533 a sua no-
meacao para esse alto cargo, que tem sido considerado como
um favor pessoal de D. Joao 111, querelido galardoar valiosos
servicos prestados e satisfazer as ambicoes do agraciado com
urna tao elevada merce.
D. Martinho de Portugal nas chegou a visitar a sua arqui-
diocese e talvez se possa afirmar que nunca pensou em tal, ao
ter-se conhecimento dos graves negocios em que sempre an-
dou envolvido como embaixador e das atursdas diligencias
que empregou para alcancar o cardinalato e isto pouco tempo
depois da sua nomeacao para o srcebispade. Afirma-se que to-
mou posse deste cargo no ano de 1538, isto 6, cinco anos de-
corridos após a sua apresentacao, o que nao contraria a quei-
xa formulada pelo arcebispo numa carta dirigida a D. Joao 111
em 1535, lamentando a falta havida na remessa dz dinheiro,
para as despezas com a expedicao da Bula da sua nomeacao
como prelado desta arquidiocese.
Como semelhantemente fizera o seu antecessor D. Diogo
Pinheiro, intitulava-se assim: D. Martlnho de Portugal, por dl-
vlna comlsera~do, Arceblspo do Funchal, Prlrnaz das Indias e
.
de todas as terras novas descobertas e por descubrir.. Nos
quatarze anos de arquiepiscopado, a contar-se da data da sua
nomeacao, sao escassas as noticias que chegaram até n6s ácer-
ca da sua accao como prelado desta diocese, mas vamos, no
entretanto, referir o pouco que a tal respeito pudemos alcancar.
A exemplo do seu antecesor procedeu muito louvavel-
mente, mandando a este arquipClago um prelado visitador, afim
de exercer todas as funcoes do ministério episcopal e provi-
denciar ácerca da exacta observancia da disciplina eclesiástica.
Eram já decorridos vinte e dois anos depois da vinda do ultimo
bispo enviado por D. Diogo Pinheiro, quando no ano de 1538
chegou a esta ilha D. Ambrósio Brandao, prelado titular de
Rociona, que foi recebido com os maiores testemunhos de
consideracao e grande contentamento de todo o povo. O dou-
tor Gaspar Frutuoso refere-se ao facto nos seguintes termos:
u.. . crismou e deu ordens e fez todos os ofícios competentes
eo cargo pontifical de arcebispo. E porque ainda nestc ano e
principio dele ficava a peste na cidade do Funchal, o bispo
D. Ambrosio saiu e desembarcou. , . em Machico, onde esteve
até passar o mes de Maio.. . O bispo D. Ambrósio antes de
um ano acabado, como nao teve mais qutlfazer, foi-se para o
reino.. .n
Acompanhando o bispo D. Ambrósio e por nomeacao de
D. Martinho de Portugal, vieram os visitadores eclesiásticos
Jordao Jorge e Alvaro Dias, que provocaram sérios atritos no
exercício do seu cargo, em virtude do excessivo rigor de que
usaram ou dos graves abusos que encontraram ou ainda por
ambos os motivos, sendo curioso auvir-se o que a tal respeitó
nos informam as Saudades da Terra, nesta pitoresca lingua-
gem: a , . . executaram em toda a ilha seu oficio,nao com aquele
mimo cm que o Bispado estava criado, antes com muito rigor e
aspereza; porque os calos que os vicios tínham feíto nas almas
dos delinquentes era necessario desfaze-los com a trementina e
nao com oleo de brandura e piedade, pelo que estavam mal
quistos~.
Nao tinham sido ainda decretadas na Madeira as chamadas
Constltulgdes Diocesanas, que sao as leis privativas de cada bis-
pado, destinadas particularmente a regularisar a execucao das
leis gerais da Igreja dentro dos limites das diversas circunscri-
@es eclesiásticas, sendo o arcebispo D. Martinho que as fez
elaborar e promulgar para serem observadas nesta diocese c
encarregando o prelado D. Ambrósio Brandao de dar-lhes in-
teiro cumprimento por intermédio dos mencionados visitadores.
Neste arquiepiscopado foram criados no Cabido da Sé do
Funchal os lugares de dois cónegos de mcia prebenda, de qua-
tro capelaes au beneficiados e de sacristao-mor, sendo tambem
melhoradas as cóngruas de vários empregados eclesiasticos.
D. Martinho de Portugal enviou de Roma para a nossa Sé
Catedral algumas preciosas reliquias e tambem diversos objec-
tos de valor destinados aos wrvicos do culto.
Neste arquiepiscopado e no ano de 1536, morreu o quar-
to capitao-donatario do Funchal Joao CIoncalves da Camara,
que notavelmente se distinguiu nas nossas pracas do norte de
Africa pelos seus actos de heroismo e pelos grandes socorros
em gente, armas e dinheiro, que diversas vezes enviou desta
ilha 4s mesmas pracas, para acudir ao perigo irninente de serem
sitiadas ou tomadas pelos mouros.
D. Martinho de Portugal, que pertencia á mais alta nobre-
za d? país e era irmao do primeiro conde de Vimioso, nasceu
em Evora no terceiro quartel do seculo XV. Exerceu vários
cargos eclesiásticos e era bispo de Vizeu no ano de 1525, quaii-
do partiu para Roma como embaixador de Portugal, tendo al-
guns anos mais tarde desempenhado novamente esse mesmo
lugar. Tanto prestigio alcancou na capital do orbe católico e
de tal modo se acreditou junto da corte pontifícia,que chegou a
ser nomeado núncio do Papa em Portugal, o que dificilmente
se concedia a prelados estrangeiros. A-pesar-disso e do extraor-
dinario talento de que era dotado, nao soube manter-se nessa
privilegiada situacao e veiu a descair do grande conceito em
que era tido, tanto pelo pontífice romano como pelo proprlo
monarca portugués.
Havendo D. Martinho de Portugal sido um dos represen-
tantes de D. Joao 111, especialmente encarregados do estabele-
cimento da Inquisicao em Portugal, nao é de estranhar que
Alexandre Herculano, na conhecida obra em que trata do as-
sunto com a maior largueza, se refira a esse prelado nos ter-
mos mais violentos e exagerados, chegando a dizer que .era
homem sem moral e sem crencas, para quem a religiao nao
passava de um instrumento politico, e que até nao recuaria
diante da ideia dum assassinio, quando este pudesse aproveitar-
-1he para quaisquer fins,. (1-216, ed. de 1854). Antonio Caetano
de Sousa, na sua Historia Ocnealogtca. .. ( ~ - 8 3 3 )em
, mani-
festa contraposic20 áquelas palavras, faz de D. Martinho este
alto panegiriíx: .um dos maiores prelados de aquele tempo,
digno de ser celebrado entre os mais insignes que refere a nos-
sa história, porque foi dotado do engenho sublime.. . genero-
sa piedade e inccmparavel isencao e desinteresse, magnífico no
trato, prudente na política que usava como ministro, um prela-
do vigilante e religioso, de sorte que as virtudes que exercitava
lhe adquiriram estimacao entre os principes e soberanos estran-
..
geiros .
Quem lEr desapaixonadamente os numerosos e insuspeitos
documentos, que se encontram no C6rpo Dlplomdtlco Portu-
guiz, nao pode compartilhar da opiniao de Caetano de Sousa
e antes se inclinará a aceitar sem esforco o autorisado juizo de
Fortunato de Almeida exarado na sua Hfstdrla da Igreja em
Portugal. Oucamos o seu depoimento: 11.. .em Roma nem sem-
pre correu próspera a fortuna do arcebispo do Funchrl. Am-
bicionando a púrpura cardinalicia, procura lisongear Paulo 111,
atraicoando a miss20 que el-rei lhe confiara na cúria. Chamado
por tal motivo a Lisboa, a pretexto de informar o monarca do
estado das negociacoes, nao s6 D. Martinho perdeu a esperan-
ca do cardinalato como tambem incorreu no desagrado do
pontífice. Pela sua parte procurava D. Joao 111 vingar-se do
embaixador desleal. Tentara este na cúria um processo para
provar a legitimidade do seu nascimento como meio de alcan-
car a confirmacao na dignidade de arcebispo (ou de cardiai ?).
O processo enfermava de tgdas as falsidades, que D. Martinho,
homem sem escrúpulos pode acumular a bewda sua preten-
silo, pelo que o andamento da causa se protelou em incidentes
e chicanas. Em 1536 era o proprio rei quem promovia dificul-
dades, usando da sua influencia e da accao dos seus agentes na
curia, para comprometer as pretensoes de D. Martinho, prova-
velmente com o principal intuito de obstar que ele fosse no-
meado cardial~.
Por motivos ignorados, pediu D. Martinho de Portugal a
renúncia da dignidade de arcebispo do Funchal e solicitou a
nomeacao de bispo do Algarve, o que lhe foi concedido, nao
chegando, porém, a assumir o desempenho deste cargo, porque
Ihe sobreveiu a morte, ocorrida em Lisboa a 15 de novembro
de 1547. Passados quatro anos, foi extinta a arquidiocese da Ma-
deira, como já ficou referido no capítulo antecedente.
Esteve vaga a $4 do Funchal desde o ano de 1547 ate o
ano de 1552, em que tomou posse o novo prelado D. Fr. Gas-
par do Casal. Foi entao cometida a gerencia eclesiastica da ar-
quidiocese ao arcediago Amador Afonso, cujo governo durou
dois anos, seguindo-se-lhe no mesmo cargo o tesoureiro-mór
do cabido Pedro da Cunha e a este sucedeu o conego Lopo
Barreiros, dos quais nao conhecemos quaisquer actos de admi-
nistracao diocesana que merecam ser mencionados.
XII

3." Bispo D. Fr. Gaspar


do Casal
Deste tcrceiro bispo do Funchal, nao se tornaria dificil es-
bocar aqui os mais salientes traeos da sua biografia, porque
havendo sido uma proeminente figura eclesiástica do seu tem-
po no nosso país, em muitos lugares se encontram inúmeras e
elogiosas referencias aos altos méritos e virtudes que tao nota-
velmcnte o distinguiram. O mesmo se nao pode dizer como
prelado desta diocese. Nao chegando a vir á Madeira e tendo
sido o seu episcopado de curta duraciío, nao ficaram assinala-
dos, na passagem da sua direccao episcopal, quaisquer factos
apreciaves, que merecam uma especial referencia.
D. Fr. Gaspar do Casal foi nomeado bispo desta diocese,
logo após a supressao do arcebispado, isto é na segunda me-
tade do ano de 1551, e porventura na propria ocasiao em que
se deu aquela extinciio. Estas circunstancias levaram alguns au-
tores a considerá-lo como arcebispo do Funchrl e até algures se
diz que na inscricao do seu túmulo se lia erradamente essa
designacao .
Tomou posse, por procuracao, no ano de 1552 e enviou co-
mo provisor e vigário geral o licenciado Antonio da Costa, que
durante alguns anos teve o governo do bispado, deixando boas
tradícoes da sua administracao diocesana. O doutor Gaspar
Frutuoso, seu contemporArieo e talvez do seu conhecimento
pessoal, pois que Antonio da Costa f6ra deao da Sé de Angra,
di-nos Acerca dele esta elogiosa informacao: .. .serviu sempre
de provisor ate a vinda do Bispo D.Jeronimo Barreto e faleceu
na era de 1574, no qual tempo serviu sempre mui inteiramente
o cargo de provisor, visitando por especial mandado dos pre-
lados do seu tempo todo o bispado, e castigando e emendando
os delinquentes com muita prudencia, porque era singular le-
trado cfoi mui temido c por essa razao austero de sua con-
.
diciíor
Tendo passado na Madeira, vindo das ilhas Canárias, um
bispo espanhol por nome D. Sancho, foi vivamente instado
para demorar-se nlgum tempo nesta cidade, afim de exercer as
func6es d o ministerio episcopal, visto haver mais duma dezen 1
de anos que este arquipélago nao tinha sido visitado por um
prelado. Nao foi muito curta a sua permanencia na Madeira,
desempenhando com muito zelo e grande aprazimento dos ha.
bitantes todos os actos próprios do seu elevado cargo. Para
isso percorreu urna parte consideravel da diocese e antes de
deixar esta ilha presidiu á sagracao da antiga igreja do conven-
to de Sao Francisco, que revestiu a maior solenidade. Pouca
depois teve conhecimento de que o prelado desta diocese D.
Fr. Gaspar do Casal f6ra transferido para o bispado de Leiria,
e informa-nos uma antiga crónica que D. Sancho afoi ter a
Lisboa com o propósito de pedir a el-rei o bispado do Fun-
chal, alegando para isso o que nele tinha feito, mas sua alteza
mandou-ihe satisfazer mui bem seu trabzlho, e houve escusa da
siia peticao, visto como nao era natural e no reino haver mui-
tos que o mereciam..
Após quatro anos de episcopado, foi D. Gaspar transferi-
do para a diocese de Leiria no alto de 1556, sendo quasi ime-
diatamente substituido no Funchal pelo prelado 1). Jorge de
Lemos.
O bispo D. Fr. Gaspar do Casal nascru ein 1510, na entao
viia de Santarem, e tendo ingresado, ainda em verdes anos, na
~ r d e m dos Ermitas de Santo Agostinho, nela professou rio
ano de 1526. Havendo-se doutorado na faculdade de teologia,
a cujos aprofundados estudos apaixonadamente se dedicou, foi
um dos mais distintos lentes da Uriiversidade de Coimbra, scn-
do entao considerado como urna grande autoridade nos diver-
sos ramos daquela ciencia. A par da sua vasta cultura estavam
as suas eminentes virtiides e nobres qualidades de caracter, seri-
do por isso escolhido para desempeiihar algumas miasdes da
maior responsabilidade, entre as qiiais avulta a de ser enviada
como teólogo do rei D. Jogo 111 ao Concílio de Trento e anes-
sa veneravel assembleia, diz a Blblfotcca Lusftana, deu mani-
festos argumentos da sua profunda sabedoria e eloquencia de
expressaos. Criada a celebre Mesa da Consciencia e Ordens,
foi escolhido para seu primeiro presidente, tendo ainda exerci-
do outros elevados cargos, em que notavelmcnte se distinguiu.
Depois do seu breve episcopado do Funchal, esteve mais
de vinte anos 4 testa da diocese de Leiria e em seguida ocupou
a cadeira episcopal de Coimbra, nas quais se dedicou exclusi-
vamente á pastoreacao do scu rebanho, deixando em ambas as
mais honrosas tradi~oesdo seu zelo apostólico. da sua dedica-
cae e do seu desinteresse pelo bem espiritual e temporal dos
seus diocesanos.
Deixou diversas obras impresas, quasi todas sobre maté-
rias teológicas e escritas na Iíngua latina, tendo algumas delas
vairias edicoes, como mais largamente se poder4 ver na Blblfo-
teca Lusftatra de Barbosa Machado.
Faleceu etn Coimbra a 9 de agosto de 1584 e ali foi sepul-
tado no Colegio de Santo Agostinho, lendo-se o seguinte epi-
táfio na sua sepultura: ~ H i cjacet bonae memoriae Pater Pau-
perum D. Fr. Gaspar Casalius augustinianus sanctimonia et octo
doctissimorum librorum editione conspicuus . Quidam ex pri-
mis hujus Academiae lectoribus primus Presidens Senatus
Conscientiae, Joannis 111 Lusitaniae Regis Confessarius, consi-
liarius et concinator, Archiepescopus primo Fui~chalensis,
déinde Episcopus Leyriensis (quo tempore b's interfuit Concí-
lio Tridentino), tandem episcopus Conimbricensis et Comes
Arganillensisn.
4.' Bispo D. Jorge de Lemos
Os prelados D. Joao Lobo, D. Duarte e D. Ambrósio e
ainda o bispo espanhol D. Sancho, que nos anos de 1508, 1516,
1538 e 1554, por mandado dos bispos proprietários ou por
virtude do seu zelo apostólico, visitaram e percorreram urna
parte considerável da daocese no exercicio do seu ministério
episcopal, tiveram sernpre nesta ilha urna ligeira e rdpida per-
manencia, que apenas lhes permitiria obter um conhecimento
muito superficial do estado das cousas religiosas, nao podendo
providenciar com eficaz energia ácerca dos abusos que inevi-
tavelmente se corneteram nas demoradas ausencias dos respcc-
tivos chefes eclesiásticos, alCm desses visitadores tempnrarios
nao se acharem investidos da forca e do prestigio, que sómente
o direito da verdadeira autoridade costurna legitimamente con-
ferir.
Quarenta e quatro anos haviam decorrido após a criacao
desta diocese, quando o seu quarto prelado D. Jorge de Le-
mos veiu, pela primeira vez, assumir pessoalmente a pastoreacao
do seu rebanho, tendo sido recrbido com as maiores demons-
tra~aesde apreco e regosijo por parte dos habitantes e de to-
das as autoridades do arquipélago. Nao foi de larga duracao o
seu episcopado de treze anos, que se estendeu do de 1556 a
1569, e destes apenas cinco com residencia dentro dos limites
da diacese,
F6ra confirmado bispo pelo Papa Paulo IV a O de Marco
de 1556, e partiu para a Madeira a tomar posse do seu cargo
no ano de 1558. Nesta ausencia de riois anos, teve o governo
da diocese o licenciado Antonio da Costa.
Havia mais durn século que se iniciara a coinnisacáo deste
arquipélago e a-pesar-das faculdades especiais de que gosava o
delegado da vigararia de Tomar e d l existencia duma carnbini-
dade religiosa franciscana de austera observilricia, é certo que
alguns abusos se tinham introduzido na disciplina eclesiástica e
no cumprimento das diversas l e i ~canonicas. Tendo o prelddo
que c~rrigiresses abusos e de reformar antigos e inveterados
costumes, impossivel seria deixar de incorrer no desagrado
dos delinquentes, surgindo desde logo atritos e dificulclades,
que a sua prudencia e energia souberam conjurar conveniente-
mente. No arquivo da Camara do Funchal acha-se registado
urn alvará régio, dirigido a diversas entidades oficíais, ordenan-
do que prestassem ao preladoatodo o favor e ajuda* de que ele
carecesse no exercicio do seu cargo. Dizem-nos Gaspar Fru-
tuo-o e D. Antonio Caetano de Sousa que D. Jorge de Lemos
afoi mui isento de condicao e algum tanto áspero dela, por
castigar seus subdítos com severidade, porém scmprc fez o que
devia, dando o prémio a quem o merecia e castigando os obi-
tinadosr.
Como anteriormente deixámos dito, a freguesia de Santa
Maria Maior transferiu a sua séde para a ~Igrcja Grande., a
futura Sé Catedral, no an2 de 1508, sendo em 1558 restaura-
da aquela paroquia, ficando entao o Funchai cnm duas fregue-
sias, que tinham por linha divisória a ribeira já entao conheci-
da pelo nome de Joao Ciomes. O servico paroquial da fregue-
sia da Sé, a contar da criacao da diocese, passou si ser exerci-
do pelo deao do Cabido até 1562, sendo, por alvará régio de
20 de Junho desse ano, criados dois curatos, a cujo exclusivo
mistér se anexou o desempenho do mcsmo servico. Desmem-
brada da paroquia da Sé, criou-se ainda no ano de 1568 a fre-
guesia de Sao Pedro, devendo-se aos bons oficios do prelado
a adopcao de todas essas medidas, que foram de grande alcan-
ce para o regular exercício dos servicos religiosos na cidade do
Funchal e suas mais proximas imediacoes.
Ocupou-se desveladamente das diversas funcoes do culto
na Sé Catedral, a que assistia com grande assiduidade, fazen-
do-se acompanhar, na sua vinda de Lisboa, dum músico distin-
to, que reformou o exercício do canto, caido na maior deca-
dencia em toda a diocese, ao mesmo tempo que remodelava
muitas das disposicoes do regimento interno da mesma Sé.
D. Jorge de Lemos, depnis de ter pastoreado pessoalmen-
te a seu rebanho pelo espaco de cinco anos, com a maior zelo
e arendrada dedicaqan, retirou-se para o continente no ano de
1563, continuando ali a interesar-se vivamente pelos assuntos
religiosos do seu bispado e tendo por esse modo conseguido
a solucao de muitos negocios de capital importancia para esta
diocese, entre os quais se deve cantar o da cria~iiodo Semina-
rio Diocesano, pela alvará régio de 20 de Setembro de 1566, e
de que adiante nos ocuparemos com o indispensavel desen-
volvimento.
Na ausencia de D Jorge de Lemos, ocorreu o facto mais
importante do seu episcopado e tambem um dos mais assina-
lados de todaa historia madeirense, que foi o do assalto que
uns corsarios franceses, capitaneados pelo fidalgo Pedro de
Montluc, deram á cidade do Funchal no día 3 de outubro de
1566, praticando actos da maiur ferocidade e selvageria, em
que a terrivel carnificine excrcida nos habitantes e urna desen-
freada pilhagem atingiram as tnais espantosas e horrorosas
proparcoes.
As Sondades da Terra, que constituem a principal fonte
histarica deste acontecimento, dedicaram cerca de quarenta pa-
ginas á sua pormenorisa a descricilo, mas, apesar disso, nao
nos fornecem urna i d ~ i aclara e precisa dessa tristissima ocor-
rencia, pois que as digressoes inuteis, as manifestas contradi.
cdes que entre si guardam muitos episódios e circunstancias
essenciaic, a falta de nexo e de sequencia lógica na exposicao
dos factos, prejudicam n:~tavelmente o conjunto da narrativa,
nao podendo chegar-se a conclus6es seguras e definitivas,
sobretudo ácerca da extensa0 e violencia do assalto, da resis-
tencia que Ihe foi oferecida, das causas que o provocaram e
ainda das graves conseíluencias que dele derivaram.
Embora alguns escritores franceses e ainda recentemente
Edmr~ndFalgairolle tenhazm pretendido explicar esse canibaies-
co atentado, alrihuindo-o a urna rgpresália dos piratas á ma-
neira como ft~rarnrecebidos no Funchal, nada ha que possa
justificar nena sequer atenuar a horrorosa chacina de rilguns
centenares de pessoas a destruicilo exercida nas igrejas, con-
ventos, casas de! residencia e outros edificios, e particularmente
o saque desenfreado a que durante dczasseis dias se entrega-
ram os assaltantes, abarrotando onze ernbnrcacoes com valio-
sas mercadorias e os objectos mais preciosos que puderam
encontrar. Sómente uma inaudita ferocidade provocada pelos
mais desmedidos desejos da pilhagem consegue suficientemen-
te explicar essa terrivel hecatombe.
O ilustre anotador das Saudades da Terra esforca-se por
demonstrar, ao contrario do que afirmam todos os escritores
portugueses que se ocupam deste assunto, que nao eram hu-
guenotes mas católicos os ferozes assaltantes do dia 3 de ou-
tubro de 1566. Estamos convencidos que entre eles se encon-
trariam alguns católicos, ao menos de nome, mas inclinamo-
nos a acreditar que a parte mais consideravel dos piratas se-
guia a religiao calvinista, sendo facto averiguado que entao,
uns e outros, por vezes. se mancomunavam, para essas depre-
dacoes e violencias. E' dificil supor qne, naquela época, uma
turba amotinada de católicos, embora pouco fervorosos nas
suas crencas, praticassem os actos de revoltante vandalismo
que aqui se cometeram em quasi todas as igrejas da cidade.
Quem quizer um conhecimento mais detalhado &ssa verdadei-
ra invasao dos barbaros, pode Ier as paginas que o autor das
Saudades da Terra e o seu curudito comentador consagram a
esse assunto.
O capitan-donatário do Funchal Joao Gnncalves da Ca-
mara, ao partir de Lisboa para socorrer esta ilha, por ocasiao
do assalto daaueles corsários, trouxe na sua comitiva dois,
religiosos da Companhia de Jesus, que, pelas suas eloquentes
prédicas e raro zelo apostiilico, captaram a maior consideracáo
e benevolencia por parte dos habitantes, tendo estes solicitado
insistentemente do monarca a fundacao dum Colegio daquela
ordem religiosa no Funchal, o que em breve veiu a realisar-se
pelo alvara régio de 20 de agosto de 1569. Dele nos ocupare-
mos com maior largueza num das capítulos subsequentes.
Como acima dissémos, D. Jorge de Lemos ausentou-se
para Lisboa no ano de 1563 a tratar da sua saude e de negó-
cios da diocese, tendo resolvido, depois de alguma demora na
capital, renunciar a mitra, em virtude da sua avancada idade e
particularmente pelo desgosto que sofrera com o assalto dos
piratas franceses, nao se sentindo com animo de voltar a esta
va a assumir o exercicio do seu ministério, que entao se acha-
va envolvido nas mais graves e pesadas responsabilidades.
Passou a desempenhar o cargo de esmoler do rei D. Sebastiao
e em Novembro dc 1569 foi-lhe aceita pelo papa a renuncia
do bispado do Funchal, que muito insistentemcnle pedira.
No fim deste episcopado, a 23 de Setembro de 1569, fale-
ceu na cidade de Lamego, onde era bispo diocesmo, D. Ma-
nuel de Noronha, natural da Madeira e iilho do te) criro capi-
tao donatário do Funchal Simao Gonc~lves da Lamara. Foi
um dos mais distintos prelados do seu tcmpo, tendo vivido
alguns anos em Roma e gozado ali da privanca do grande
papa Leao X, junto de quem dcsempenhou alguns cargos da
maior importancia.
D Jorge de 1,emos morreu em Lisboa no ap 3 de 1573 e
foi ali sepultado no convento da ordern a que t? Ttencia. Icri-
do-se no seu túmulo este breve epitáfio: ~ A q u i j.z D. Jorg?
de Lemos Bispo que toi do Funchal e esmoler (i: el-rei, dz
ordem de Sao Domingos,.
Este prelado, que nascera em Lisboa de nobrc: e distinta
familia, sendo filho de Francisco Velh 1 e de 11. Rrites de Le-
mos, tinha urna formatura ern leologia e prcfessou, ainda em
verdes anos, na ordem dos PrCgadores.
5.' BisPo D. Fernando
d e Távora
No Consistório de 15 de Nnvernbro de 1569, em que foi
aceita a renuncia de D. Jorgede Lemc s da bispaiao do Funchal,
fez-se também a nomeacao do S ~ Usucess(.r na pesigoa dum
confrade na ordem dominicana e filho do mcsmo convento de
Lisboa o religioso Fr. Fernando de Tavnra.
Nao chegou a vir á sua diocése, ?endo ttrmado posse dela,
por meio de procuracao, em 1570 e servido í.té o ano de 1573,
em que também renunciou os pesgdns erirar;<oc da mitra, por
medo de passar o mar e aindm por falta de v i 4 2 , segundo se 16
em alguns lugares. O insigne escritor Fr. Lt-is de >ousa, con-
ternporarieo, irmao na srdem e seu panegirista, embora cm lin-
guagem velada, nao o isenta inteiramente de culpa, em nao ter
ele assumido pessoalmente a direccao do seu bispado, dizendo
a tal respeito .que foi culpad(^ de receios de paisdr o mar, seo-
do a passagem breve e pouco arriscada e em breve veiu a re-
núncior á dignidade e passou o restu da vida recr~lhidono con-
vento de Azeitao.. Num manuscrito do século XVIII, enicontrá-
mos esta curiosa informacao: <Sagrado bispo D. Fernando de
Tavora e disposto para vir para a ilha, veiu a abálrrecer-se tan-
to dos negócios edisturbios do Bispado, que o deixou. Era ho-
mem de condicao branda e pacífica, inclinado ao estudo e ao
socego e quietacao d i cela e cum felta de vi.;ta, deu em abar
recer e fugir ao trato da gente e curn o pretexto de ser
cego renuriciou formalmetiie u Bisyndo e se retirou para urna
quinta no lugar de Azeitao onde acabouw.
Sabe-se que ca licenceodo e membrcj do Cabido António da
Costa frri governndor da diocése durante o episcopado de D.
Ferriarido dc? Tavtm, nao se tendo conh?cimerito da ocorrCncia
de qualqucr factn de ;~dmiriistracaoepiscopsl, que pocsa atri-
buir-se á a ~ ~ drr~cta
a o deste prelado.
No seu ternpn forsarn promulgados os alvarás régios de 30
de agosto de: 1570, determinando que os provimentos dos be-
nrfícins da S6 Cazedrsl e das igrejas paroquiais se fizCsse por
meio de concurso, e o de 28 de Abril de 1571,regulando a f6r-
ma d o pagamento das cóngruas dos diversos serventuários ecle-
siásticosB.
No dia 15 de Julho de 1570, nas alturas das ilhas Canárias,
sofreram o martíyio o beato Inácio de AzevCdo e seus trinta e
nove campanlieiros, ti2doc da Compaqhia de Jesus, que poucos
diac antes hai.uiam saido da Madeira em direccao ao Brasil, ten-
do permanecido alguns dias no Funchal como hóspedes dos
seus irmaos ern religiao. Ao diante, nos referiremos com mais
alguma 1.rgiiéza a este facto. '
D. Ffrnando de Távora falcceu no mes de Julho do ano
de 1577 e teve sepultura em Lisboa, na igreja do convento da
i D. Fernando de
sua ordem, onde se 12 esta inscricao: ~ A q u jaz
Távora, Bispo que foi do Funchal e Religioso de Sao Do-
mi~~gos. 11

Muiko haveria a esperar dos méritos pessoais e acrisoladas


virtudes deste kdistinfo prelado, se tivésse pessoalmente assumi-
do o gov&riio da sua diocese, ao cansiderarmos nas muitas e
elogiosas referencias com que temos largamente deparado a seu
respcitci.
Merecem ficar aqui registadas algumas notas biográficas,
aproveitando particularmente as que encontramos na Biblioteca
Lusitana e que ern resumo vamos reproduzir.
Nasceu em Santarem, sendo filho de Francisco Cardoso,
pertencente a urna arrtiga e ilustre familia daquela vila. Sentindo
verdadeira vocacao para a vida monástica, professou na ordem
dos Prégadores, em o cotivento de Bemfica, nas maos do reli-
gioso, que mais tarde viria a ser o insigne D. Fr. Bartolomeu
dos Mártires. FGrz dotado de raro talento e duma natural pro-
pensa~para o estudo, revelando as suas aptidazs ern várias
modalidades dos conhecimentcrs humanos. Evidenciou-se espe-
cialmente como um abalisado teologo, um notável orador e
urn distiiito cultor das artes plásticas. Ficou inédito, por moti-
vo da sua morte, um largo estudo sobre o cvangeiho de Slo
Joao, intitulado Camentdria Evangellam D. Joannls. Grangeou
muita reputacao como orador sagrado, tendo sido nomeada
prkgador do rei D. Sebastiao. Distinguiu-se no cultivo da pin-
tura, deixando várias télas, consideradas coma obras notáveis
no seu gknero. A aplicacao constante ao estudo e o amar de
urna vida afastada de todo o bulicio mundano, levaram-no para
a solidao e o isolamento do mosteiro de Azeitao, onde passou
os últimos anos da existencia, sendo os seus restos mortais
trasladados para o convento de S. Domingos da cidade de Lis-
boa.
6.' Bispo D. Jerónimo Barreto

Após a renúncla de D. Fernando de Távora, em 1573,


como bispo desta diocese, nao se fez esperar muito a nomea-
~ %doo seu sucessor. No mesmo ano, foi apresentado o pres-
bítero secular dr. Jerónimo Barreto, que, nao havendo ainda
atingido a idade canónica para cingir a mitra, somente no ano
imediato recebeu a sagraqao episcopal e assumiu o governo da
diocese.
Chegou ao Funchal no dia 31 de Outubro de 1574, tendo
uma brilhante e aparatosa recepcao. A sua vinda era ansiosa-
mente esperada, p ~ i sque havia já treze anos que o prelado
D. Jorge de Lemss saira da Madeira, ficanda durante esse
largo período de tempo a administracao diocesana entregue a
temporhrios e n e a sempre escrupulosos governadores de bis-
pado. O novo prelado consagrou-se desde logo com verdadei-
ro &lo e grande dedicacao ipastoreacao do seu rebanho. So-
bravam-lhe para isso a f6rca da idade, uma rara cultura teoló-
gica e as mais acrisoladas virtudes.
Vm dos factos mais importantes deste episcopado foi a
promulgacao dumas novas mConstituic6es Diocesanass. E' certo
que o arcebispo D. Martinho de Portugal tinha já elaborado e
decretado umas aConstitu'c6esw, como atrás deixámos dito,
mas importava harmonizar a execuqao das leis canónicas com
as recentes disposicoes do Concilio Tridentino e por isso tor-
nava-se necessário que outras .Constituicoesw corivenientemen-
te estudadas viessem substituir as antigas. Para isso fez D. Je-
114 DIOCESE
DO FUNCHAL
--

rónimo Barreto convocar em sínodo ou concílio diocesano


todo o clero disponivel do seu bispado, a que se imprimiu a
maior solenidade, e nesta assembleia eclesiástica, reunida na S6
Catedral, foram largamente apreciados os principais artigos das
novas aConstituic6es Sinodaís.. A 18 de Outubro de 1578, no
0 2 . O aniversário da sagracao da Sé Catedral, foram lidas e so-
lenemente promulgadas essas leis canónicas privativas da dio-
cese, que deveriam ser postas imedjabmente em execucao.
Por decreto episcopal de 4 de Maio de 1579, foi ordenzda
a sua impressao, feita á custa do prelado, tendo sido publicadas
nesse mesmo ano e de cuja edicao nao conseguimos ver qual-
quer exemplar. Por parte de diversas autoridades e entidades
oficiais receberam essas cConstituic6es. uma forte oposicao
com o fundamento de que algumas das suas disposicoes feriam
os direitos e privilégios de que legitimamente goznvam essas
autoridades. E' bastante para admirar que passados apenas seis
anos e no ultimo do episcopado de D. Jerónimo Barreto se
fizesse uma reimpressao dessas cConstituic6~sr,nao se sabendo se
teriam sido alteradas em algumas das suas primitivas disposi-
@es, por motivo da oposicao que sofreram Esta reimpressan
intitula-se: ~ConstltulgOes Synodaes do Blspado do Funchal.
Fdtas e ordenadas por Dom jeronyrno Barre!o Blspo do dlto
Blspado, impresas em Lisboa, de mandado do dito senhor
Bispo, e com licenca e aprovacao do Conselho geral da sancta
Inquisicáo e do Ordinario, por Antonio Ribeiro impressor
M. D. LXXXV... No ano de 1601, o bispo D. Luís Figueiredo
de Lemos promulgou e mandou imprimir umas «Constituiq6es
Estravagantes~,de que adiante se falará.
Nao nos consta que se fizesse uma nova reimpressao das
duas =Constituicdes. e tambcm nos parece que no decorrer
dos sCculos nao sofreram qualquer alteracao nas suas princi-
pais disposicoes. Ha muito que se consideram obsoletas e cai-
das em inteiro desuso, podendo hoje constituir apenas um in-
teressante objecto de estudo e uma documentacao proveitosa
para a historia dos costumes daquela época. Sao raros os
exernplares que dessas Constituic6es se encontram nesta
diocese.
A instancias do bispo D. Jorge de Lemos e em obedien-
cia as disposi~6esdo Concílio de rrento, foi criado o Seminá-
rio Diocesano, por alvará régio de 20 de Setembro de 1566,
mas deve-se a sua instalaca0 e o início do seu funcioiiamcnto
aos diligentes esforcos do prelado D. Jerónimo Barreto, sendo
este atC considerado como o verdadeiro fundador daqucla casa
de forrnacao eclesiástica. Ficou provisóriamente instalado
numas casas contíguas residencia do prelado, na antiga rua
Direita, estendendo-se entao esta via pública pela margem es-
querda da Ribeira de Santa Luzia atC As alturas da actual Ponte
do 'Torreao. D. Jerónimo Barreto dedicou especiais cuidados &
arganisacao do novo Seminário, cuja criacao era entao con-
siderada como uma das mais urgentes necesidades a que con-
vinha acudir sem perda de tempo.
Neste episcopado sofreu a circunscricao paroquial uma
grande alteracao dentro dos limites da cidade e seus arredores,
csm as disposicoes do alvará rCgio de 3 de Marco de 1579,
que extinguiu a freguesia de S. Pedro, criada havia apenas
treze anos, e estabeleceu as novas paróquias de Sao Roque e
de S20 Martinho.
D. Jorge de Lemos frequentava assiduamente o coro da
Sé Catedral, tomando parte na recitacao das horas canónicas,
e por sua diligencia foram criados no respectivo cabido mais
dois lugares de cónegos de trirtia prebenda, dois de capelaes-
cantores e o de altareiro.
Neste episcopado perdeu a Madeira tres dos seus mais
ilustres filhos: os patdrec Manuel Alvares, Luís Goncalves da
Camara e Martim Goncalves da C&?iara. Como se sabe, foi o
primeiro o grande gramático e humanista, autor de vários es-
critos e da conhecida gramática latina, que teve inúmeras edi-
c6es e mereceu ser traduzida em diversas línguas. O segundo
é o célebre mestre do rei D. Sebastiiio, membro ilustre da
Companhia de Jesus, íntimo confidente de Santo Inácio de
Loiola, lente em Coimbra e que desempenhou outros elevados
cargos. O terceiro, irmao do precedente, foi o omnipotente
ministro de D. Sebastiao, que depois de haver sido reitor da
universidade, presidente do Desembargo do Paco e da Mesa
da Consciencia e Ordens, Vkdor da Fazenda e exercido ainda
outros lugares se recolheu humildemente no Colegio dos Je-
suitas em Lisboa e ali faleceu, entregue apenas ao estudo e 4
oracao.
Dentro deste episcopado tambem faleceratu, ambos no ano
de 1580, os capitiies donatPrios do Funchal, yai e filho,
Sirnao Goncalves da Camara e Joao Goncalves da Camara, que
foram irmao e sobrinho dos padres Luis Goncalves e Martim
Goncalves da Camara.
A perda da independencia no ano de 1580, com o domínio
do poder castelhano, fez-se tambem sentir neste arquipélago
em factos muito lamentayeis, nao sbmente nos negócios de
administracao civil como ainda em assuntos de caracter ecle-
siástico, embora neste pcrticular sejam bastante escassos as
notícias que chegaram até nós. No entretanto sabe-se que a
Igreja sofreu aqui algumas perseguicots e vkxames, nas pes-
soas de vários sacerdotes, por parte das autoridades castelha-
nas, ao serem estas investidas no exercício das seus cargos.
Haviaese formado um forte partido a favor do Prior do Crato
e é possivel que alguns eclesiásticos tivessem manifestado as
suas simpatias por essa faccao política, provocando deste mo-
do as iras dos partidários de Castela. Nao temos elementos
seguros para estabelecer urna proxima correlacao entre essa
verdadeira ou suposta atitude do clero e a execucao de Fr.
Joao do Espirito Santo, mas é de presumir que uma nao fosse
inteiramente estranha á outra. Diz-nos Rebelo da Silva que
esse religioso, por andar incitando o povo a seguir o partido
do Prior do Crato, f6ra enforcado no Funchal, vestido em
trajes de leigo, pagando com a vida os seus ardentes sentimen-
tos patrióticos. Conjectura-se que este sucesso se tivesse dado
pouco depois de estabelecer-se o governo filipino na Madeira,
sendo bastante para estranhar que o dr. Gaspar Frutuoso,
contemporineo do facto, e tambem as mais conhecidas cróni-
cas madeirenses nao facam a &le a menor referencia.
Depois de onze anos de um fecundo e distinto episcopa-
do, foi D. Jerónimo Bsrreto transferido para a diocese do Al-
garve, tendo saído da Madeira para assumir o desempenho do
seu novo cargo no ano de 1585.
A'cerca deste ilustre prelado, encontrámos numa antiga
crónica as seguintes palavras, que merecrm ser aqui traslada-
das pela ínteira justica que representam: .Era homem muito
zeloso da honra e servico de Deus, contínuo e pontual nas
obrigacoes de Pastor, inseparável dos cónegos nos oficios di-
vinos.. . Visitava frequentemente o bispado, extirpou muitos
vícios e fez uma grande reforma nos costumes. De nenhum
consentiu escandalos e pecados públicos, punia severamente
os criminosos, favorecia os homeni de letras e virtudes e estes
eram os que só admitia, honrava e amava. Era muito verdadei-
ro nas suas palavras tanto nas obras, igual na justica e grande
remunerador de merecimentos, tao esmoler que depois de dar
o que tinha pedia emprestado para dar aos pobres c a um
chegou a dar uma vez a capa, a outro o c3bertor da cama.s
Na sua Hlstdrla da Igreja em Portugal, diz Fortunato de
Almeida que ufoi um bispo de notavel zelo e piedadev.
D. Jerónimo Barreto nasceu na cidade do Porto pelos
anos de 1544 e era filho de Gaspar Nunes Barreto e de D.
Isabel Cardoso, pessoas nobrec e senhores dos coutos de Frei-
ris e Penagate. Era formado em canones pela universidade de
Coimbra, que frequentou com grande brilho e aproveitamenfo,
revelando os seus especiais conhecimentcs nessa matéria com
a elaboracao das Constituicoes da Diocese do Funchal. Quatro
anos depois de deixar esta ilha e tendo apenas 45 anos de ida-
de, faleceu em 1589 na cidade de Silves, sendo sepultado na
respectiva S6 Catedral.
7OBíspo D. Luís Figuei-
redo d e Lemos

Foi D. Luís Figueiredo de Lemos um dos mais distintos


prelados desta Diocese pelas suas excelsas virtudes, grande
zelo apostólico, espírito eminentemente reforinador e rara cul-
tura intelectual, deixando da sua memória as mais honrosas
tradicoes, depois de vinte e dois anos de um brilhante e frutua-
so episcopado.
Poucos meses decorridss após a renúncia do seu anteces-
sor, foi apresentado bíspo do Fiinchal em 1585 e no ano se-
guinte confirmado pela Santa Sé, recebendo em Lisboa a sa-
gracao episcopal, na igreja do mosteiro da Trindade, na quar -
to domingo da quaresma desse ano. Passado um mes tomou
posse do Eeu cargo, por meio de procuracao, representado
pelo entao deao e govern~dor do bispado o dr. Francisco
Henriques. A 4 de Agosto de 1586, deu entrada nesta ilha,
vindo já precedido da fama dos reconhecidos méritos, que jus-
tamente grangeara no arquipélago dos Acores.
Era vasia a messe e pouco numerosos os cegadores, mar;
logo comecau a penosa ceifa pela remodelaciio dos servicos
religiosos nas freguesias, em que o abandono dos respectivos
pirocos, a ruina da maior parte das igrejas, a falta de presbi-
térios, a escasses de recursos das fábricas, a má organisacao
dos arquivos paroquiais, etc., tinham levado todos esses servi-
cos á situacao mais deplorável, estando $les a exigir urna ime-
diata e enérgica reforma, que o zelo e a vigilancia do pastor
puderam desde logo atenuar com as mais acertadas medidas e
de modo particular corn as frequentes visitas pastorais realiza-
das pessoalmente ou por intermédio de idóneos visitadores.
Essas urgentes providencias, que entao tomou e muitas
outras que posteriormente se adoptaram, tiveram sua plena
sanca0 no sínodo diocesano celebrado na Sé Catedral, no dia
29 de Junho de 1597, em que se fez a solene promulgacao de
umas navas uConstituic6es Estravagantes., como complemento
das que foram decretadas pelo bicpo D. Jerónimo Barreto,
visto que estas ceram breves e nao compreendiam tudo e so.
brevirem casos que tinham necessidade de outras novas.. a. .
O decreto episcopal de 15 de Agostó de 1597 ratificou a
aprovaciio das novas aCnnstituic6as> e ordenou a sua impres-
sao, tendo saido a lumu corn este fítulo: tConstltulgOes Syno-
daes do Blspado do Funchal, corn as extravagantes novamente
Irnpressas, por mandado de D. Luís Figuetredo de Lemog, Btspo
deste Blspado, Lisboa, por Pedro Craesbeck, 1601, de XX-188
p a g . ~No fim encontram-se as ~Extravagantes*, corn novo
rosto e nova numerac%o, assim intituladas: cConstltuigdes Ex-
travagantes do Bispado do Funrhal, feltas e ordenadas por D.
.
Luís Figuelredo de Lemos, Blspo deste Bispado.. Lisboa, im-
presso por Pedro Craesbeck, ano de 1601, de 54 pag .m.
Como dissém~sno capitulo precedente. as aConstituic6esu
promulgadas pelo bispo D. Jerónimo Barreto, que o seu su-
cessor D. Luís de Figueiredo quís manter em inteira vigenciae
bem assim as que ele próprio decretara, sofreram uma enérgi-
ca oposicao por parte de várias autoridades e outras entidades
oficiais, que se julgaram viclentamente lesadas nos seus legíti-
mos direitos por muitas das disposicoes contidas nesse códi-
go de leis canónicas privativas desta Diocese. O dr. A l v a r ~
Rodrigues de Azevedo, corn o seu conhecido sectarismo, refe-
re-se ao caso em termos muito ásperos, e como prova das
suas afirmativas transareve algtans artigos das mesmas uCons-
tituicoes~.
Nao é de estranhar que as autoridades corn o senado fun-
chalense á frente tivesse oferecido resistencia á sua execucao.
Tinham-se iritroduzido condenaveis abusos que vinham de
Ionge, sendo mister adoptar medidas de enérgica repressao
para os cxtirp~r.E' evidente que apreciadas agorg, a mais de
tres séculos de distincia e íi luzdas ideias e princípios do nosso
tempo, nos pareeem representar urna intolerável invasao de
poderes, mas aplicadas aos costumes da época e condicionadas
pelas circunstAncias ocorrentes deixam de ter o caracter de
extremada violencia que se lhes pretende atribuir. Alkm disso,
nesses tempos, era msis forte e arreigado, ao contrário do
que á priineira vista poderá julgar-se, esse apego ás regalias e
privilégiss de que gozsvam os municípios, sendo um facto
corrente a oposig.20 sistemática a quaisquer medidas que fos-
setn ferir esses privilégios, alguns deles j i seculares e etnbora
reconhecidamente abusivos.
Em vista do que fica sumariamente exposto e mais ainda
do despotismo de que usnvam as autoridades castelhanas, que-
rendo ostentar a forca do seu poder, nao é para admirar que
a Camíara dt) Futichal alcaticisse no ano de 1593 a sentenca de
que o dr. Radrigues de Azevedo faz mencao numa das suas
anotacoes das Szudades du Terru.
Convém advertir e ter na devida consideracao que aquelas
uConslituic6es~ foram elaboradas por dois dos mais ilustres
prelados desta Diucrie, nos quais concorriam, ern elevado
grau, nao sóaerite as mais acrisoladas virtudes, de que falam
com tanto encarecimento as antigas crónicas madtirenses, mas
tambem se distingtiiram pela sua rara cultura e especiais co-
nhecimentos das ieis canónicas, como eloquentemente u pro-
vam as mcsmrs nCtlnstituic6es., sendo ambos formados em
ciencias teológicas, a cwjos estudos se tinham aprofundadamente
dedicado. Além disso, eram pastores possuidos de verdadeiro
zelo apostólico e ciosos dos direitos e prerrogativas da Igrejsi,
nao sendo para estranhxr que os animasse o desejo de corri-
gir inveterados erro;; e hbusos e que antepusesseni o cumpri-
mento das leis ecle%iásticas a esses privilCgios e regalias de
que abusivamente usufruiam as autoridades locais. Nao ternos
o propósito de exduir inteiramente a possibilidade dum im-
prudente excesso de zelo p ~ parte r de tao distintos prelados,
mas apenas defender a sua memória dos rigorismos e arbitra-
riedades que o ilustre anotador das Saadades lhes quere atribuir.
Determinada ern boa parte por essa oposicao do senado
e de autras autoridades, levantou-se um confiito entre o pre-
lado e o governador gersrl do arquipélago ácerca das cerimo-
nias a observar no coro da Sé Catedral respeitante ao mesmo
Ciovernador, yuando este assístia &S solenidades religiesas ali
realizadas. Devido certamente a uma queixa apresentada ao
monarca, foi expedido o alvará régio de 30 de Jiinho de 1588,
que aprova o pracedimento do bispo diocesano e estabelece
certos princioios de doutrina a observar em casos semelhante.
O curioso documento v m integralmente transcrito na obra
Docunzentos. . . paro o estudo de dlrelto clvll-eclcsldstlco portu-
guts.. . (11-200 e SS.) da autoria do cónego dr. Joao Joaquim
Pinto.
Ainda relativamente aos excessos .ou abusos que entao se
comcteram, di-nos Fortunato de Almeida, á vista do alvará
régio de 20 de Junho de 1608, publicado na Collecgdo Chrono-
lóglca da Legislagdo Portuguesa, de Andrade e Silva, estas
pouco edificantes notícias: cNao era fasil ao clero corrigir os
abusos cometidos na procissao de Corpus Christl, além de
outras razaes, porque se lhes limitava a competencia no govCr-
no da mesma procissao, como prova um documento de 1608.
Na procissao de Corpo de Deus,que se realizou no Funchal em
1603, houve desordens e esc2ndalos, porque o vigário geral
saiii do lugar que Ihe pertencia, para andar na procissao com
seus oficiais a vigiar se nela se faziam cousas indecentes. Le-
vados os factos pelo bispo ao conhecimento de el-rei para se
adoptarem providencias no futuro, o monarca decidiu que nas
procissaes nao podiam os vigários dos prelados intender mais
que no governo das pessoas eclesiásticas; se entre leigos se co-
metesse algum excesso ou cousa de que resultasse irreve-
rencia ao Santo Sacramento, ou ás relíquias e cousas sagradas
que fossem nas prociss6es, podiam e deviam os vigários, como
juizes competentes, que eram, conforme o direito, acudir a tais
excessos e mandar sobre eles o que lhes parecesse convenien-
te; mas fóra desta ocasiio nilo deviam intrometer-se no gover-
no dos leigos nem sair do lugar em que iam os eclesiásticos,
posto que dissessem que o queriam fazer para vigiar e preve-
nir semelhantes casosr. Nilo resta dtívida que o diploma citado
nao era de molde a corrigir os abusos cometidos, mas antes
parecia favorecer os escAndalds, que em muitas terras do país
entao se praticavam, por acasiao do saimento das procissoes
do Corpo de Deus, em que os senados municipais tinham
geralmente uma interferencia muito directa e quasi sempre
abusiva.
Deu se ainda um grave conflito entre s prelado diocesano
e a Catnara do Furichal, motivado pela nomeacao do capelio
da igreja de Sao Tiago, pertenca da mesma Camara, e pelo
destino que o prelado pretendia dar Li casa de residencia desse
ctipelao, que era anexa 4 referida igreja. O senado funchalense
recalcitrou e levou recurso para o monarca, tendo saido vito-
rioso no pleito.
Emprr~rrdeuD. Luís de Figueiredo a realizacao dum im-
portante rneihor~menio: a construcao dum edifício destinado
á residencia dcs prelados diocesanos e á instalacao da cúria
episcopal. Drssa edificacao, erguida nos ultimos anos do sCcu-
lo XVI ori priílcíyi~sdo século XVII, restam ainda umas anti-
gas depeo:benciás, simelhandu üm velho claustro, com uma
capela ?iltxa da invocacao de Sao Luís de Tolosa, há já muito
profanadm,que ficam contíguzs ao edifício em que hoje se
acha insha1,do CJ Liceu Ja me Moniz. As casas construidas por
D Luís de Figueiredc scrviram de residencia oficial dos res-
pectivcs prelndcc r:é n ano de 1751, em que se deu por
terminad? e edificacan do novo Paco Episcopal, mandado Ie-
vantar ~ - 1 0 bicpo D. Joao Coutirlho e actualmente ocupado
cam os ~iversrlsservicm d c llceu.
Esta c~ge3ade S39 Luís tem merecido, em diversas obras,
niuifas e c.:pccr°ai.; r:ferencias ao seu elegante pórtico, talhado
no basa!trj paroso da ilha comumenfe chamado ccantaaia rijas
e lavradr coan b c ! ~e artísticos lavores, em que predominam
as ornamcntac6es do brazas de armas do seu ilustre fundador.
Corcluida a ~ . ~ n s t r u c adao residencia episcopal, tratou D.
Luís de Figueired:.: de Instalar, numas casas a ela contíguas, o
Seminária Diocesano, que D. Jerónimo Barreto havia estabele-
cido na rua Dirti;::, j~inti. á hrnbitacao deste prelado. Esta casa
de formacao eclesiástica, que ficou ocupando também uma
parte considerave1 do Paco Episcopal, mereceu ao bispo D.
Luís de Figueiiedt, as mlaiores atencoes e desvelos, constituin-
do semprc urna das mais sérias preocupacoes do seu espírito.
A este prc!~ds se deve especialmente a criacao definitiva
dos castoric;s pzrcquiais, cujos servicos muito deixavam a de-
cejar, e por d ~ e r e t oepiscopal de 22 de agosto de 1586 estabe-
lcccu o nrq~livo da Sé Catedral, ordenando .que se fizessem
tc~mosonde, para conserva~dosc Inncassem os traslados e me-
morias antigas., a norneou o conego Gaspar Nunes para assu-
mir a direccilo dete.
Dcseravolvt-u iiotavrltaenie a accao religiosa nas freguesias
rurais com a criacao de pequenas paróquias, curatos e capela-
nias c o n (;S C ~ U Sservent~ia;ios eclesiásticos de residencia per-
r~anel:te nos lrigar:~, estabeleceiido deste modo um regular e
eficaz servicu paroquial, completado com a nomeacao de ouvi-
dores nas freguesias de Machico, Calheta e Porto Santo e no
castelo de Arguim. Por suas diligencias se restaurou a fregue-
sia de S. Pedro, por alvará régio de 4 de agosto de 1587, e fo-
ram também criados alguns lsgares na SC Catedral.
Tendo morrido dentro do período deste episcopado, co-
meteriamos uma falta imperdoavel, se aqui nao se fizesse uma
referencia embora passageira ao ilustre acoriano padre Gaspar
Frutuoso (1522-1591), o celebre autor da canhecicla obra Sau-
dudes da Terra, que, a-pesar-dos defeitos e lacunas que possa
conter, é e será sempre um dos mais abundantes e preciosos
repositórios de elementos para a história do norso arquipéla-
go nos séculos XV e XVI, fornecendo tambem ncitíclas muito
apreciáveis para a história eclesiiistica da diocese do Funchal.
Gaspar Frutuoso nasceu na ilha de Sao Miguel, e d i faleceu,
sendo pároco da vila da Ribeira Grande, no dia 24 de Agosto
de 1591. Merece uma atenta e demorada leitura o mggistral
estudo que Acerca de Frutuoso e da suói obra se eilcontra na
monumental edicao das Saudades da Terra, comecada a pu-
blicar-se na ilha de S20 Miguel e destinada a comemorar o cen-
tenario do nascimento do grande historiador das ilhas.
Neste episcopado faleceu o ilustre madeirense D. Sebastiao
de Morais ( -1588), primeiro bispo du Jxpag. Era membro
da Companhia de Jesus e nela exerceu os mais elevados cargos,
tanto em Portugal como na Italia, aonde f6ra acompanhar a
infanta D. Maria, neta do rei D. Man?ei, tendo publicado, além
de outras obras, uma biografia dessa princesa, que foi traduzi-
da em diversas linguas. Quando í a a caminho do seu bis-
pado, faleceu em Mocambique a 19 de Agnsto de 1588.
Outro madeirense e tambem membro ilustre da Companhia
de Jesus, falecido n6ste período, foi o padre Le20 Iienriques
( -1589)' natural da vila dn Potita do Sal. Era descendente
de Joao Goncalves Zarco e próximo parente do padre Luís Gon-
calves da Camara. Além de ter desempeahadu os tslais proemi-
nentes cargos no seio da sua ordem, fui rcitor da Universidade
de Evora e confessor e conselheiro d s cardeal-rei D. Henrique,
gozando por ésse motivo de grande prestígio e infiuencia e
mais ainda pelas surs virtudes e méritos pessoais.
Segundo a legisla~aoeiitara vigente, quando n: goveriia-
dores gerais e mais tarde os governadores e capitles-gtnerais
se achavam ausentes ou legalmente impedidos de exercer o cargo
de autoridade superior do arquipéiago, eram os bispos dio-
cesanos chamados para interinamente os substituir no desem.
penho desse lugar. Foi D. Luís Figueiredo de Lemos o primei-
ro que serviu de governador geral no ano de 1600.
Dentro do periodo deste episcopado, na noite de 26 de
Julho de 1593, foi esta cidade tragicamente surpreendidi por
um pavoroso incendio, que no espaco de quatro horas destruiu
cerca de cento e cincoenta casas, entre as quais se contavam algu-
mas habitacaes das pessoas mais categorisadas do Funchal. So-
prava intensamente um vento abrazador, o conhecido vento leste,
produzindo-se entao o fenómeno da incandescencia atmosférica,
causa provavel do incendio, que com grande violencia e s maior
rapidez se alastrou numaparte consideravel da cidade. As casas
eram na sua quasi totalidade construidas de madeira, nao sendo
de estranhar que o fogo, ateado pela f6rca do vento, tomasse
logo as proporcaes niais assustadoras e causasse os mais incal-
culáveis prejuizos. Além do incendio, a lestla inutilisou inleira-
mente em toda a ilha a colheita das uvas e danificou em extre-
mo os canaviais e as outras culturas agrícolas. Diz um escrito
da Cpoca que os prejuizos causados pelo incendio e pela accao
destruidora do vento ascenderam a muitas centenas de milhares
de cruzados. Ocorreu este calamitoso sucesso vinte e sete anos
depois do asselto da desenfreada pilhagem e da inaudita carni-
ficina, que os corsarios franceses deram á cidade do Funchal no
ano de 1566.
Depois dum laborioso episcopado, em que sempre revelou
o seu ardente zelo e a mais acendrada piedads, faleceu D. Luís
Figueiredo de Lemos nesta cidade a 26 de Novembro de 1608,
sendo sepultado na capela de Sao Luís, que ele erigiu junto do
Paco Episcopal. Encontrando-se há muito profanada esta ca-
pela, mandou o saudoso bispo D. Manuel Agostinho Barreto
trasladar, no ano de 1903, os restos mortais daquele prelado
para a Sé Catedral, sendo inurnridcs a dentro do guarda-vento
e cobertos com a Iápide de marmore lavrado, que tapava a
sua sepultura na referida capela, lendo-se ali o seguinte epitá-
fio: aAqul jaz Dom Luis Flguelredo de Lemos, Blspo que fol
do Funchal. Faleceu a XXVI de Novembro de MDC VIII
O prelado D. Luís Figueiredo de Lemos, segundo nos in-
forma o seu contemporán:~ e talvez conhecido pessoal o
doutor Gaspar Frutuoso, nasceu na ilha de Santa Maria, do
arquipCIago acoriano, a 21 de Agosto de 1544, sendo oriundo
de antiga e nobre ascendencia. Feitos os primeiros estudos na
ilha de Sao Miguel e continuados em Lisboa no ColCgio dos
Jesuitas, matriculou-se na Universidade de Coimbra, obtendo a
formatura e a licenciatura nas faculdades de teologia e de
canones. Fixando residencia em Sao Miguel, exerceu ali vários
cargos e entre eles o de ouvidor eclesiástico, sendo depois no*
meado deao da Sé de Angra e governador do bíspado. No
desempenho destes lugares deu grandes provas do seu fervo-
roso zelo, virtudes e austeridad$ de caracter, que logo o
impuseram consideracao dos seus contemporaneos.
Por morte de D. Luís Figueiredo de Lemos, foi o monge
Fr. Antonio de Ceia aprcsentado bispo do Funchal, mas nao
chegou a ser sagrado nem confirmado pela Santa SC, porque
faleceu quatro dias depois de haver sido nomeado para o exer-
cicio desce cargo.
As f reguesias criadas no
século XVI

A coionizacao mrdeirense teve sempre e desde o seu iní.


cio um rápido desenvolvimento, chegando a atingir notáteis
proporci3es na segunda metade do século XVI. Embora as es-
peciais condici3es do meio, devido principalmente ao inverosí-
mil acidentado dos terrenos, tornassem bastante dificeis e
penosas as exploraci3e.s agricolas, eram estas amplamente com-
pensadasa com a exuberante fertilidade do sólo, fabricando-se
em larga escala o vinho e o acúcar, que eram no seu genero
os mais preciosos produtos que entao se conheciam. Dava-se
correlativamente o aumento ine~itável dos que se entregavam
sio cultivo das glebas, dos trabalhadores rurais e ainda de outros
misteres afins, formando-se muitos centros de populacao e
multiplicando-se as chamadas fszendas povoadas, e deste modo
se constituiram inúmeros agrupamentos de habitantes com uma
vida social e religiosa mais ou menos independente e que foram
as primeiras paróquias a organizar-se.
As dez freguesias criadas durante o século XV e outros
pequenos núcleos de populacao formados pela mesma época
foram-se a pouco e pouco desmembrando e no fim do século
XVI ascendia já a trinta e sete o número de paróquias, sem
contar com alguns curatos ou capelanias servidos com seu
pessoal eclesiástico privativo e espalhados em diversos pon-
tos da diocese. O povoamento foi-se alargando para o interior,
estendendo-se pelas lombas e vertentes e ocupando por
vezes lugares ínvios e quasi inacessiveis. Vamos apresentar um
As FREGUESIAS D O SÉCULO XVI 127

esb6co desse movimento colonizador, darado uma noticia su-


maria das freguesias que se criaram durante o século XVI,
como já o fizemos com respeito ás que se estabeleceram no
século anterior.
Santa Marla Malor (Orago: Nafividade de Nossa Senhora)-
Como atrás deixámos dito, foi esta freguesia, a que primitiva-
mente se chamou de Nossa Senhora do Calhau, a primeira que
se estabeleceu na Madeira, tendo a sua séde na igreja existente
junto á margem esquerda da ribeira de Joao Gomes e nao
muito distanciada da sua foz, no local que hoje serve de praca
de automoveis e nas imediacoes do grande fontenario, que tem
o nome de Paco do Calhau. Ainda nao estava coricluida a
construcao da Igreja Grande, a futura Sé Catedral, quando no
ano de 1508, por ocasi20 da criacao da cidade do Funchal, se
fez a transferencia da séde daquela paróquia para o novo tem-
plo, nao sómente pela larguesa e comodidades que este ofere-
cia, mas tambem pela grande densidade que a populacao ia
tomando nas margens das ribeiras de Santa Luzia e de Sao Joao.
O alvará régio de 18 de Novembro de 1557 dividiu a ci-
dade do Funchal em duas paroquias distintas, tendo como
linha divisória a ribeira de Joao Gomes, e pelo alvará de 23
de Fevereiro do ano seguinte ficaram elas definitivamente esta-
tabelecidas, sendo urna com séde na igreja de Nossa Senhora
do Calhau, e assim restaurada a antiga freguesia, e a outra
tendo como centro a igreja da S6 Catedral.
Com a restaura~aoda paróquia de Santa Maria Maior, foi
nela criada uma colegiada com vigário e tres beneficiados,
sendo este número elevado posteriormente a seis e a que se
acrescentou um curato, pelo alvará régio de 27 de Agosto
de 1589.
A antiga igreja paroquial, que se encontrava em adiantado
estado de ruina, foi reedificada no periodo decorrido de 1667
a 1672 em propurcoes mais amplas do que a primitiva. A ter-
rivel aluviao de 9 de outubro de 1803,que foi urna das maiores
calamidades que tem assolado a Madeira, destruiu completa-
mente esta igreja, havendo a séde da paróquia sido entao trans-
ferida para a igreja de Sao Tiago, onde ainda actualmente se
encontra, cedida para esse fim pela Camara do Funchal, a que
pertencia desde a sua fundaciio.
Dentro da área desta freguesia, como aconteceu em quasi
todas as paróquias da Madeira, levantaram-se muitas ermidas e
capelas, que eram na sua maioria de instituicao vincular. Foi
esta ilha a regiao do país em que, proporcionalmente ii sua
superficie e A sua populacao, houve um mais avultado núme-
ro de morgadios e prasos vinculados, que chegaram a abran-
ger dois tercos de todos os terrenos araveis. E muitos desses
morgadios tinham suas capelas privativas, constituindo a sua
posse um motivo de justificacao das prosapias avoengas dos
seus administradores. Em todas elas se celebrava frequente-
mente o santo sacrificio da missa, pois que entao era maior o
número de sacerdotes do que hoje, sendo muitos deles mem-
bros das familias a que essas mesmas crpelas pertenciam.
Das que existiram, ha noticia das seguintes: *Almas Po-
bres~,instituida por CJoncalo Dias da Silva pelos anos de
1470; a dos .Santos Reisn, anexa ao antigo hospital, na rua do
Hospital Velho, e doada pelo rei D. Manuel; a de aNossa Se-
nhora da Boa Viagem., na rua deste nome, muito antiga
e fundada por Bento da Veiga; a de aNossa Senhora dos Pra-
zeresw, no sitio da Boa Vista, de construcao pouco anterior a
1610; a de eNossa Senhora da Paz,, edificada pelo padre Je-
rónimo da Silva no ano de 1621; a de eNossa Senhora da
Estrelam,que existia em 1632; a de aSao Filipem, dentro da
Fortaleza de Sao Tiago, edificada por meado do século XVII;
8 de aNossa Senhora do Monte Olivete., construida por Pe-
dro Lopcs de Vasconcelos no ano de 1675; e a de ~Nossa
Senhora do Cartnom, cujo fundador, ano da fundacao e local
sc ignoram. Existem ainda as capelas de .Santo Antonio., na
rua do Hospital Velho, fundada por Antonio Teles de Mene-
zes no ano de 1682,, e a de cNossa Senhora da Oliveira., na
rua da Boa Viagem, que ha muito se acham profanadas e em
adiantado estado de ruina.
Abertas ao servico do culto, tem esta freguesia as capelas
de Sdo Pedro Oonplves Telmo, vulgarmente cbmada do
Corpo Santo, que 6 das mais antigas de toda a diocese; a da
Natlvidade de Nossa Scnhora, mais conhecida pelo nome de
Nossa Senhora do Faial, tomado do sitio em que se encontra,
instituida pouco posteriormente ao ano de 1544 por Zenobio
Acciaioli; a de Sdo Filippe, fundada por Filipe Gentil de Li-
moges pelos anos de 1562; a de Nossa Senhora M d e dos
Homens, na quinta deste nome, ao Caminho do Meio, cons-
truida na segunda metade do século XVII; a de Nossa Senho-
t a do Bom Sucesso, situada á margem da mesma estrada e
que C pertenca da Camara Municipal do Funchal; e a de Nossa
Senhora da Concelgdo, na Quinta do Pomar, ao sitio da Chou-
pana, mandada edifícar no ano de 1929 pelo Visconde de Ca-
congo.
Da rua ou Largo de Sao Paulo, se transferiu para esta
freguesia em 1485 o Hospital da Misericórdia, que tinha
anexa a capela dos Reis Magos e que ficava situado na rua,
que rinda hoje conserva o nome de Hospital Velho.
Desta paróquia se desmembrou a de Sao Ooncalo, pri-
meiramente como um curato dependente e depois como fre-
guesia autónoma e de que abaixo se dará mais ampla noticia.
A paróquia de Santa Maria Maior é geralmente conhecida,
sobretudo entre as classes populares, pelo nome de freguesia
do Socorro, provindo esta denominac20, que é muito antiga,
da imagem de Nossa Senhora do Socorro, existente na igreja
destruida pela aluvils de 1803, que era objecto da maior vene-
racao, havendo nessa igreja um altar em que se prestava
culto especial á referida imagem.
Sd Catedral (Orago: Assuncao de Nossa Senhora)-A pa-
róquia de Santa Maria Maior, como já se disse, mudou a sua séde
para a Igreja Grande, a futura Sé Catedral, no ano de 1508 e
compreendia entilo todo o território que se estendia desde a
ribeira dos Socorridos até a partilha da freguesia do Canico.
Aquela freguesia foi restaurada em 1557 e a da Sé Catedral fi-
cou muito cerceada na sua área, perdendo assim os terrenos
que hoje formam as freguesias de Santa Maria Maior e de Sao
Ooncalo.
O pessoal eclesiástico, composto do pároco e dos outros
mcmbros da Colegiada, que exerciam o seu múnus na igreja
de Nossa Senhora do Calhau, transitou todo para a Igreja
Grande, continuando ali no desempenho dos diversos servicos
religiosos. Com a criacao da diocese em 1514, o respectivo pá-
roco e os outros beneficiados foram elevados i categoria de
deao e de cóncgos do novo Cabido, ficando o servico estrita-
mente paroquial a cargo do mesmo deao auxiliado por alguns
dos capelaes-cantores. Por morte do deao Filipe Rebelo, o al-
vará régio de 20 de junho de 1562 desligou das obrigacoes do
deado o encargo da administracio dos sacramentos e de outras
funcdes paroquiais, criando o mesmo diploma os lugares de
dois curas encarregados de desempenhar todos esses servi-
cos. Haverá cerca de quarenta anos que o prelado D. Manuel
Agostinho Barreto promoveu a extincao dum dos dois curatos,
sendo o outro desdobrado em tres coadjutorias paroquiais, en-
tilo criadas nas freguesias da Sé Catedral, Silo Goncalo e Sao
Martinho.
Ficam dentro da área desta freguesia as igrejas de Sao
Evangelista, comumente chamada do Colégio, por fazer parte
do antigo colégio dos Jesuitas, a de Nossa Senhora do Carmo
e a do Senhor Bom Jesus, das quais se dará, ao diante,
mais desenvolvida noticia. Foi há pouco demolida a capela do
hospital de Santa Isabel, que brevemente deverá ser reedificada
junto do hospital dos Marmeleiros. Existem ainda as capelas
interiores de Nossa Senhora do Bom Despacho, no edificio do
velho Seminario do mesmo nome, e a de Nossa Senhora do
Socorro, no antigo Recolhimento das Orfas, anexo ao actual
edificio da Junta Geral deste Distrito. Tambem existem
ainda, mas profanadas e arruinadas, as capelas de Sao Luís,
junto ás dependencias duma velha residencia episcopal e de
que já atrás nos ocupámos, e a de Santo Antonio, no patio
da alfandega, fundada em 1714 pelo provedor Joao de Aguiar,
onde no alto do pórtico se le a inscricao latina Ad salem sol,
que tem sido objecto de diversas ihterpretacoes.
Como notícia histórica, faremos menclo de outras capelas,
que há muito nao existem. Sao as seguintes, afóra algumas de
que porventura nao tenhamos conhecimento: a de ~ S a oSe-
bastiao~, no largo deste nome, uma das mais antigas e logo
edificada no comeco da colonisacao, que foi demolida, recons-
truida e de novo demolida em 1827; a de uS2o Bnrtolomeur,
situada na margem esquerda da ribeira de Santa Luzia e funda-
da por Goncalo Enes Velosa nos fins do século XV; a de
cNossa Senhora do Livramento~,contígua A antiga cadeia da
cidade, na rua que ainda conserva o nome de Cadeia Velha; a
de ~NossaSenhora da Piedade., no largo conhecido pelo no-
me de Igrejinha, mandada construir em 1613 por Domingos
Rodrigues Garces; a de ~JesusMaria José., instituida pelo có-
nego Manuel Afonso, no ano de 1629; a da ~Natividadede
Nossa Senhora. ou de .Silo Lourenco~,no interior da Forta-
leza deste nome, construida em 1635; a de «Santo Antonio. da
Laranjeira, na antiga rua deste nome, hoje rua do Carmo; a de
<Nossa Senhora da Grata., fundada no ano de 1698 pelo chan-
tre da Sé Catedral do Funchal Domingos de Andrade e Atouguia,
FREOUESIAS
DO SECULO XVI 131

Ainda existiu e foi demolida no ano de 1911 uma interes-


sante capela dedicada a Nossa Seiihora do Monte e erigida
no actual Largo dos Varadouros, que era das mais antigas des-
ta ilha e havia sido reconstruida na segunda metade do século
XVII. Levantava-se ali um elegante e aparatoso arco, que du-
rante séculos fora a entrada nobre da cidade, e sobre pilastras,
nas trazeiras do mesmo arco, erguia-se a típica e original cape-
la, sendo para lamentar que o camartelo municipal a nao ti-
vesse poupado.
Dentro da área desta freguesia teve sua séde a Confraria
da Misericordia com o hospital anexo de Santa Isabel, que al¡
funcionou desde 1687 até o ano de 1931. Adjunto ao edificio
da Misericordia, foi criado no ano de 1725, por Francisco da
Costa Freire, um recolhimento para orfas, que ainda existe
com o destino com que foi instituido e que esta sob a direc-
~ a eo proteccao da referida Confraria da Misericordia.
Da paróquia da Sé desmembraram-se sucessivamente as
freguesias de Sao Pedro, Santo Antonio, Monte, Sao Martinho,
Sao Roque e Santa Luzia.
Estreito de Camara de Lobos (Nossa Senhora da Grata)-
Dentro da área da capitania do Funchal e fóra da sua séde,
fol Camara de Lobos, como já ficou dito, o primeiro lugar em
que se procedeu a um activo movimento colonizador, notavel-
mente favorecido pelas condicoes locais do clima e da grdnde
fertilidade do sólo. Em breve se criou a paroquia, se estabe-
leceu a colegiada e se fundou um convento, nao tardando
muito que se formassem importantes núcleos de populacao e
novas freguesias se fossem desmembrando da antiga igreja ma-
triz. E assim se constituiu a paróquia do Estreito de Camara
de Lobos pelos anos de 1509, ao menos co~mo capelania-cu-
rato, segundo afirma o comentador das Saudades da Terra,
havendo-se instituido a sua séde na pequena e antiga capela de
Nossa Senhora da Graca, que foi reconstruida tio terceiro
quartel do seculo XVII. O seu estado de ruina e acanhadas di-
mensoes levaram iedificacao duma nova igreja, lancando-se a
primeira pedra a 3 de Fevereiro de 1753, sendo benzida a
18 de Janeiro de 1756 e prosseguindo ainda por alguns anos
as obras do seu acabamerito e vindo a ser sagrada solenemen-
te pelo bispo D. Joaquim de Menezes e Ataide no ano de 1814.
Teve esta paroquia as capelas de rNossa Senhora do So-
132 DIOCESE
DO FuNcHAL

corrov, fundada em 1684 por disposicao testamentaria de Gon-


cal0 de Faria Lial; a de csantanan, pertencente ao morgado
dos Cardosos; e a de rNossa Senhora do Livramento., cujo insti-
tuidor e ano de construcao se ignoram.
Existem ainda as capelas de aNossa Senhora da Incarna-
cae., no sitio da Vargem, que era da casa vinculada dos Or-
nelas Cabráis; a de ~NossaSenhora da Consolacao~ no sitio
do Foro; a de cSanto Antonio., na Quinta de Santo Antonio,
construida em 1705 por Ignacio Viana do Rego, pertenca do
morgadio dos Heredias; a de ~NossaSenhora do Bom Suces-
so>,no sitio de Garachico, mandada edificar nos fins do sC-
culo XVII por Manuel Jo2o Ferreira; e a das ~Almasr,no si-
tio da Vargem, de que nao temos qualquer noticia.
Na noite de 6 de Dezembro de 1829, deu-se um horroroso
e sacrilego desacato na igreja paroquial desta freguesia, come-
tendo-se o roubo de diversos vasos do culto, incluindo a sa-
grada píxide, em que estava encerrado o Santissimo Sacra-
mento, que os profanadores consumiram. Descobertos os au-
tores deste atentado e sentenciados em Lisboa, foram cinco
condenados á pena última e ali justicados e tres degredados
perpetuamente para a província de Angola. O caso produziu a
maior sensacao, tendo sido realizados muitos actos de repara-
ciio e desagravo em todas as igrejas e capelas.
Sdo Jorge (Sao Jorge) -A existencia desta freguesia come-
cou por um curato autonomo, criado pelos anos de 1520,
compreendendo entao na sua área as futuras paróquias de
Santana e do Arco de Sao Jorge, as quais dela se desmem-
braram nos anos de 1552 e 1676. Numa pequena capela dedi-
cada a Silo Jorge e situada na margem esquerda da ribeira do
mesmo nome se instalou a séde da nova freguesia. No sitio
do Calhau e proximo da foz da ribeira, construiu-se alguns
anos mais tarde a igreja paroquial, que uma grande aluviao,
pelcis anos de 1660, deixou quasi inteiramente destruida. Pas-
sado um seculo, isto é, por meados do século XVIII, benzeu-
se um novo templo, em sitio mais seguro e com maiores pro-
porcoes, que é a actual igreja paroquial, cujo altar-mór consti-
tui uma rica peca de obra de talha em madeira, talvez a mais
bela e precíosa deste genero em toda a diocese.
O alvara regio de 11 de Fevereiro de 1746 criou um cu-
rato nesta paróquia, cujas funqoes eram, em geral, cumulati-
FREOUESIAS
DO SECULB XVI 133

vamente desempeahadas pelo pdroco da vizinha freguesia do


Arco de Sao Jorge.
Teve as capelas de ~ S a oSebastiao~,no sitio deste nome,
cojos fundadores e ano de construciio se ignoram, tendo sido
reedificada em 1765 pelo p.= Francisco Marques de Mendonca;
e a de mNossa Senhora do Rosario., no sitio da Ilha, mandada
construir pelo padre Matias Jorge Jardim nos fins do século
XVIII. Existe ainda a capela de as30 Pedro~,nas proximida-
des da igreja paroquial, de edificaciio antiga, que foi restaura-
da pelo prelado D. Manuel Agostinho Barreto no ano de
1901.
Haverá aproximadamente quarenta anos que os prelados
desta diocese possucm nesta freguesia uma excelente casa de
campo, conhecida pelo nome de Quinta de Sao Jorge, legada
por D. Maria Leopoldina de Oliveira ao bispo diocesano D.
Manuel Agostinho Barreto.
Falal (Natividade de Nossa Senhora).-Quando a antigr
colonizacio passou dos lados de Machico para a parte seten-
trional da ilha, foi o lugar do Faial um dos que mris rapida-
mente se desenvolveu e se converteu num centro populoso de
relativa importancia. Logo na margem esquerda da caudalosa
ribeira se levantou uma pequena ermida, que em 1519 jii tinha
capelao privativo e que no ano de 1550 foi elevada á catcgoria
de paróquia.
Esta capela, a-pesar-das reparacaes que sofreu no decor-
rer do tempo, tornou-se insuficiente para o servico religioso
de toda a populacao, em virtude das suas acanhadas dimensaes
e tambem por estar exposta a ser arrastada pela violencia da
corrente, que lhe passava proximo. A nova igreja, comecada a
construir em lugar mais seguro no ano de 1745, 6 um templo
elegante e espacoso, tendo o seu altar-mór fabricado em exce-
lente talha de madeira dourada e sendo um dos mais belos de
toda a ilha.
A antiga capela, dedicada á Natividade de Nossa Senhora,
foi centro duma concorrida romagem e ali afluiam inúmeros
romeiros, vindos de freguesias distantes, a-pesar-dos incómodos
da viagem e da falta de quaisquer comodidades que o local
lhes poderia oferecer. Embora em proporcoes mais limitadas,
continua a realisar-se esta romigem a actual igreja paroquial,
que tem a mcsma invocacao da velha ormida. Pelo Breve Pon-
tificio de 30 de rgosto de 1785, 15 concedida indulgencia pIená-
ria 'aos que visqarem este templo, por ocasiao da festividade
do respectivo orago, que anualmente se realiza no dia oito do
mes de setembro.
O alvará régio de 11 de fevereiro de 1746 decretou a cria-
@io dum curato nesta freguesia.
Nos seus limites encontravam-se as capelas de Sao Roque,
onde se instalou a séde da paróquia de Sao Roque do Faial; e
o de *Silo Luiz~,que já nilo existe, fundada em 1725 por Ma-
nuel de Carvalho Valdavesso, no sitio da Diferenca. Tem ainda
i capela de Nossa Senhora da Penha de Franca>, no sitio
da Fazenda, instituida por Antonio Teixeira em 1685 e restau-
rada por Joao Teodoro Figueira no ano de 1904.
Fajl da Ovclha (Silo Joao Baptista). Sao discordantes os
dados que se conhecem ácerca da época precisa da criacao des-
tr freguesia. Sabe-se que por meados do primeiro quartel do
seculo XVI se estabeleceu na ermida de Sao Lourenco urna ca-
pelania-curato, com seu capelao privativo, e que pelo ano de
1550 se instalou ali a sCde da nova paróquia. Um alvará régio
do ano de 1705 autorisou a transferencia daquela séde para o
sitio da Faja da Ovelha, mas sómente muito mais tarde é que
neste lugar se construiu a respectiva igreja paroquial, que se
deu por terminada pelo meado do seculo XVIII, realizando-se
entao a projectada mudanca. O novo templo teve Sao Joao
Baptista como titular, continuando a antiga capela com a invo-
cacao de Sao Lourenco, a qual existe ainda no sitio deste nome.
Foi estabelecido um curato nesta paróquia pelos fins do
seculo XVIII, nilo tendo encontrado notícia do alvará régio
que o criou.
Ponta Delgada (Senhor Bom Jesus)-Por 1469 tomou o
antigo povoador Manuel Afonso de Sanha terras de sesmaria
no lugar desta futura freguesia e nelas instituiu uma ermida
dedicada ao Senhor Bom Jesus, cuja construclo 6 anterior a
1507, ano dr morte do seu fundador. Foi capelania-curato e
nelr se estabeleceu a séde da paróquia,criada pelo ano de 1550.
A antiga crpela recebeu importantes reparacoes em 1637 e foi
notrvelmente ampliada no ano de 1700. No principio do secu-
lo XIX passou por uma grande restauracao, destacando-se os
trabrlhos realizados na capela-mór, na capela do Santissimo
Sacramento e na sacristia, que tornaram este templo o mais
belo e suntuoso da costa setentrional da Madeira. A 12 de Ju-
Iho de 1908 foi inteirrmente destruido por um violento incen-
dio, que o reduziu a um montao de escombros, tendo a gran-
de dedicacao e os mais diligentes esforcos do respectivo pároco
Casimiro de Freitas e Abreu procedido sem demora á sua ree-
dificacao e havendo sido solenemente sagrado no ano de 1919.
A capela do Senhor Bom Jesus foi centro duma antiga ro-
rnagem, que ainda hoje é das mais concorridas de toda a ilha,
havendo notícia de que já se realizava no ano de 1577.
Na noite de 30 de Dezembro de 1847 praticou-se nesta
igreja paroquial um roubo muito importante de grande nume-
ro de objectos de prata destinados ao servico do culto, tendo
sido descobertos os autores do roubo e restituidos quasi todos
esses objectos.
Esta paróquia compreendia os terrenos que hoje a consti-
toem e tambem os que actualmente formam a freguesia da
Boaventura. Alargando-se o povoamento para o interior, veiu
o alvará régio de 4 de Fevereiro de 1733 criar o curato da
Boaventura com sCde na capela de Santa QuitCria, qu'e ali fdra
construida alguns anos antes pelo povo, tornando-se paróquia
autonoma no ano de 1836.
Esta freguesia teve as capelas de #Santa QuitCria., já men-
cionada, e a de ~ S a oCristovao., no sitio deste nome, ambas
dentro da área da paróquia da Boaventura; a de aNossa Se-
nhora da Conceicao,, reedificada por Manuel de Freitas da
Silva no ano de 1754; e as de <Santo Antonio. e de *Santanas,
cujos instituidores e anos da sua construcao nos sao desco-
nhecidos. Ainda ali se encontra a capela dos Reis Magos, an-
tiga instituicao vincular da casa Carvalhal, que foi reconstruida
em 1778 e novamente restaurada no principio deste seculo.
Por legado de D. Julia Esmeraldo, falecida hA poucos anos,
possuem os prelados diocesanos nesta paróquia uma boa casa
de campo, conhecida pelo nome de Quinta da Palmeira, que
tem anexa uma capela de construcao muito recente.
Santana (Santana)-Esta paróquia nao teve primitivamente
um tao rápido desenvolvimento como as freguesias do Faial e
de Sao Jorge, que a limitavam pelos quadrantes de leste e
sCste, devido a circunstancias que hoje se dessonhecem. Foi
desmembrada da de S. Jorge e criada pelo alvara: régio de 4
de Junho de 1552, sendo instalada a sua séde na capela de
Santana, que ao tempo era jai servida por um capelao, o qual
continuou a exercer as funcoes paroquiais atk o ano de 1565,
em que definitivamente se fez a nomeacao do primeiro pá-
roco.
A antiga capela de Santana, F e parece ter sido acrescen-
tada nos fins do século XVI, serviu de igreja paroquial até os
primeiros anos do século XVIII, em que ficou concluido o novo
templo, cuja constrccao tinha sido iniciada no ano de 1698.
Recebeu importantes reparacoes por meados do século XVIII
e princípios do século seguinte.
Diz-nos o anotador das Saudades da Terra que houve
nesta freguesia uma capela da invocacao de S20 Joao, funda-
da em 1660 pelo chantre Domingos Cioncalves Alvarenga, e
existe ainda a de #Santo Antonio~,no sitio da Achada de San-
to Antonio, construida no segundo quartel do século XVI e
reedificada pelo povo no ano de 1730.
As criadas no
fre~uesias
-
século XVI

Selxal (Santo Antao) A benignidade do clima e a fertili-


dade do sólo convidaram a antigrs explorq8es agrícolas nesie
lugar, e o isolamento e grande distiicia a que se encontrava dos
núcleos de populacao de Sao Vicente e do Porto do Moniz de-
terminaram a construcao duma capela, que ern breve se erigíu
em igreja paroquial, com a criacao da freguesia, pelo alvará
regio de 20 de Junho de 1553, a pzsar-do número limitado dos
>eus habitantes. A antiga ermida era dedicada a Santo Antgo,
que continuou a ser o orago da iarzja paroquial, nao conse-
guindo alcancar quaisquer outras informacoes, que possam
interessar á historia desta. Alkm da igreja piroquial, nao temos
noticia de outra capcla existente neste freguesia.
Campandplo (Sao Brás)-Provem-lhe o nome, diz-se al-
gures, da existencia dum ilheu, com a fórma duma pzqueria
sineira ou camoanário, situ~dqproximo da costa maritima,
que a violencia dos ondas embravtcidas já destruiu em gran-
de parte. Dzsagrepida da píróquia da R~beiraBrava, formou-
-se a do C ~ m ~ í n á r no
i o terciiro qu~rteld 2 sCculo XVI, sen-
do constituidi freguesia autó iqmx pelo$ anos de 1553 E da.
beleceu-se a sua séde r i c~pela
~ de s a ~
B-ás e ali permarleceu
por muitos anos. Na ) s3b:mos se a actual igrejq, que foi
reedifícida n l p-riido dec~rridgde 1677 a 1633, C a am-
pliacáo ou reconstrucao da antiga capela ou se foi erigida
em sitio diferente dela. O notavel desenvolvimento da popu-
laca0 determinou a cria@o dum curato, pelo alvará régio de
7 de Maio dc 1727.
Existiram nesta freguesia as capelas de aNassa Senhora
do Carmo~,instituida em 1658 por Domingos Fernandes; a
de aSao JoiXo Baptista,, construida por Joao Bztencourt da
Camara no ano de 1728; e a de cNossa Senhora do Rosario.,
mandada edificar em 1748 por Antonio Leindro da Camara
Lomelino. Conservam.se ainda as de aNossa Senhora da Glo-
ria-, fundada por Henrique de Betencourt em 1599 e restau-
rada ha poucos anos pela condessa de Torre Bela; e a de
~NossaSenhora do Bom Despacho*, instituida por Jerónimo
de Atouguia Betencourt e reedificada pelo padre Francisco
Nicolau de Brito no ano de 1762.
O Colégio da Companhia de Jesus do Funchal possuia
nesta paróquia o seu mais vasto prédio rústico, chamado a
Quinta Orande, que mais tarde veiu a constituir urna parte
muito consideravel da freguesia que hoje tem este nome. Tam-
bem era pertenca do mesmo Colégio o sitio que aindr agora
conserva a denominacao de Faja dos Padres, tendo ali os je-
suitas uma pequena capela da invocacao de ~Nossa Senhora
da Conceicaon, que os mouros destruiram no ano de 1626.
Nasceu nesta freguesia o bispo da cidade de Sao Paulo,
Brasil, D. Manuel Joaquim Goncalves de Andrade, falecido no
ano de 1847.
Oaula (Nossa Senhora da Luz)-Teria sido desmembrada
d i freguesia de Santa Cruz pelo ano de 1558, ao menos como
curato autónomo, sendo essa a data aproximada da sua cria-
cáo. Conjecturamos que nesse tempo já ali existir a capela de
Nossa Senhora da Luz, séde do curato e posteriormente da
paróquia, que nela permaneceu cerca de dois séculos. A nova
igrejr, que é a actual, comecou a ser edificada por 1754, ha-
vendo sofrido varias reparricos através dos tempos e sendo-
-1he construido o campanário no ano de 1915.
Teve as capelas de 1iSao Joiío de Latraor, no sitio deste
nome, mandada construir por Nuno Fernandes Cardoso, como
pertenca do morgrdio por ele instituido em 1515; e a de cSao
Marcos., no sitio do Porto Novo, de que nao houvemos outra
noticia.
Possui a igreja paroquial uma primorosa cruz de prati
dourada do século XV, que é um objecto de grande valor aro
tístico, tendo figurado na Exposicao de Arte Ornamental de
Lisboa no anb de 1882.
Ponta do Pargo (Slo Pedro)-Pouco depois de estabele-
cida a freguesia da Faja da Ovelha, dela se desmembrou a da
Ponta do Pargo, cuja criacao nao deve ser muito anterior ao
ano de 1560. Instalou-se a sua séde na pequena capela de Sao
Pedro, já ali existente e que ao tempo nao seria de uma
construcao muito recente. Tendo-se esta desmoronado, foi
reedificada em ano que nao podemos precisar. Por 1690, orde-
nou-se a edificacao dum novo templo com mais largas propor-
caes, o que veio a realizir-se dentro de poucos anos. No mes-
mo sítio, mas em tres lugares diferentes, se fizeram essas di-
versas construc6es.
Na área desta fregues'a encontram-se as capelas de aNossa
Senhora do Amparo>, no sítio deste nome; e de ~NossaS e n h ~ -
ra da Boa Mortew, no sitio do Cabo, fundada em 1666 por
Custodio Nunes da Costa.
Agua de Pena (Santa Beatriz) -Pode afirmar-se com gran-
des probabilidades de certeza que alguns dos mais próximos
descendentes do donatario de Machico Tristao Vaz foram os pri-
meiros pov~adores~deste lugar e que a Cles se deve a fundacao
duma pequena ermida da invoca$ío de Santa Beatriz. Nela se
erigiu a sCde da nova paróquia, separada da de Machico, pelo
ano de 1560. No decurso do tempo foi essa capela acrescenta-
da e recebeu importantes reparscoes, havendo sido ordenada a
construcao duma nova igreja no ano de 1690, mas as respecti-
vas obras semente vieram e realizar-se por meados do século
XVIII.
No ano de 1836 o vigario capitular e governador do bis-
pado Antonio Alfredo de Santa Catarina Braga suprimiu esta
paróquia e anexou-a A de Santo Antonio da Serrs, mas foi de
novo restaurada pela carta de lei de 24 de Julho de 1848,
dando-se entao uma pequena alteracao na distribuicao dos
sítios, que compunham as duas freguesias.
Tem duas capelas e ambas de recente fundacao: a do 8Sa-
grado Coracao de Jesus., no sítio dos Cardais, instituida pelo
conego Henrique Modesto de Betencourt no ano de 1907; e a de
~NossaSenhora de PerpCtuo Socorro*. no sitio da Queimada,
mandada construir cm 1924 par Francisco de Freitas Corre'a.
Canica1 (Sao SebastilIo)-A antiga capela de Sao Sebastiao
foi fundada no primeiro quartel do século XVI por Garcia
Moniz, que possuia muitas terras de sesmarii$nSste lugar,
entao pertencente A fteguesia de Machico. O seu isolamento e
outres condicaes do meio aconselhariam a cria~aoduma paró-
quia, o que veio a acontecer no ano de 1561, ficando sempre,
até a épc ca actual, uma pobrissima povoacao de pescadores. A
capela, que Ihe servili de séde, foi ampliada por 1594, tendo-a
deixado em grande ruína o terramoto de 1748. Prc-cedku-se
sem demora a sua reconstrucio cnm maiores dimenso-S, sendo
benzida solenemente a 13 de Dezembro de 1750.
Numa eievacao montanhosa sobranceira ao oceano, encon-
tra-se uma capela dedicada a gNossa Senhora da Piedade., que
é bastante antiga, atribuindo uns a sua coristrucao ao voto feito
pela tripulacao duma caravela que naufragara no sopé da
penedia, e outros a um dos descendentes de Garcia Moniz,
vindo posteriormente a ser pertenca do morgadio dos Barretos
de Santa Cruz. Entre esta caprla e a igreja paroquial, atraves-
sando o mar em numerosos barcos vistosamente engalanados,
redliza-se todos os anos um original e pitoiesco cortejo reli-
gioso, conduzindo a imagem de Nossa Senhora da Piedade,
que é ali objecto de grande veneracao.
Estrello da Calheta (Nossa Senhora da Grata)-Urna fa-
zenda povoada, estabelecida pelo polaco André Goncalves de
Franca, qrie seu filho Jcao de F r a n c ~tornou vinculada e nela
edificou urna capela, foi a origem remota desta freguesia, que
veiu a constituir-se como paróquia autónoma pouco anterior-
mente ao ano de 1562, tendo sido uma capelania-curada com o scu
capelao privativo ali residente Essa capela, dedicada a Nossa
Senhora da Graca, serviu de séde i nova freguesia até icons-
truqao da igreja paroquial, havendo sofrido varias reparacOes e
sido tambem notavelmente acrescentada. Em vários lugares veem
citados um diploma oficial de 20 de Julho de 1690, quemanda dar
de arrematacao as obras de construcao dum novo femplo, e o
alvará régio de 27 de Julho de 1705, que autoriza a reedifica-
cae da igreja em sítio diferente do primeiro. O anotador das
Saudades da Terra diz que essa reconstrucilo se fez no perío-
do decorrido de 1690 a 1705, o que nao contraria as informa-
~ 6 e fornecidas
s por aqueles documentos. No entretanto é c a t a
que na frentaria da actual igreja se le urna inscric%o latina, em
que se diz que ela foi mandada construir por D. Maria 1 no
ano de 1791, data esta que deve corresponder inteiramente 4
verdade.
Em virtude do desenvolvimento da populacao foi criado
um curato nesta freguesia pelo alvará régio de 20 de Outubro
de 1605.
Existem nesta paróquia as capelas dos (Reis Magos*! no
sitio do Lombo dos Reis instituida em 1529 por Francisco
Homem de Gouveia; a de ~NossaSenhora da Conceicaos, no
sítio da Igreja Abaixo, edificada por Atidré de Franca Andrade
no ano de 1672; e a de ~NossaSenhora do Livramento~,no
sitio do Lombo dos Reis, fundada em 1858 por D. Inacia Be-
tencourt Perestrelo. Teve a capela de aNassa Sznhora da Pie-
dadeu, mandada construir em 1641 por Francisco Alvares Ho-
mem, e de mNossa Senhora dos Prazeres*, de que nao ternos
outra noticia.
Santo Antonio (Santo Antonio) -Diz-se numa das anota-
caes das Saudades que esta freguesia foi provavelmente criada
pelo tempo da de Sáo Pedro, isto é no ano de 1566, mas in-
clinamo-nos a acreditar, como já deiximos dito no livro Par6-
qufa de Santo Antorrlo, que a sua instituicao deve datar, ao
menos com um curato independente, do ano de 1557, pois que
a partir desta época é regular o lancamento dos termos de
baptismos e casamentos, o que evidentemente demanstra a exis-
tencia duma paróquia autónoma. Já entao havia ali uma capela
consagrada ao taumaturgo portugues Santo Antonio com seu
capelao residente, servindo ela para a instalacio da séde da
nova freguesia.
No primeiro quartel do século XVII procedeu-se á cons-
truca0 dum novo templo, que no período decorrido de 1665
a 1682 foi nptavelmente acrescentado e passou por urna gran-
de restauracao, sendo ainda consider~dode acanhadas dimen-
aaes para o movirnento sempre crescente da populacao. A edi-
ficacáo da igrcja actual realizou-se nos anos de 1783 a 1789,
prosseguindo ainda por muito tempo os trebalhos da sua defi-
nitiva conclusao. Ameacando o tecto iminente ruina e sendo
ainda reclamadas outras imediatas reparacoes, fizeram-se re-
centemente, de 1921 a 1930, largas e dispendiosas obras de
rest turacao, em que entraram a reedificacao das campariilrios
cam a instalacao dum magnifica relógio, a arlística decorP~a0
da capela-mór e de outras dependencias do templo, a constru-
cae da casa do arquivo e de muitos outros melhoramentos
considerados indispensáveis.
O alvará régio de 29 de Outubro de 1602 autorizou a
criac8o dum curato nesta freguesia, que é o mais antigo dos
curatos deste bispado, olém dos das igrejas que tinham cole-
giadas. Dos anos de 1906 a 1930 Ioi servida por um segundo
cura ou cura-coadjutor.
Existiam nesta paróquia as capelas de .Santa Maria Mada-
l e n a ~ no
, sítio deste nome, fundada no segundo quartrl do sé-
culo XVI e inteiramente reediiicada no ano de 1684 por Josk
Machado de Miranda, que tomou o encargo de padroeiro,
restando apenas dela um montan de ruinas; a de tNossa Se-
nhora das Brotas., no sítio da Quinta das Freiras, instituida
em 1678 por Manuel Martins Brgndao; a de cNossa Senhora
da Quietacao~,no sítio dos Alecrins, construida no ano de 1670
por Lourenco de Matos Coutinho; a de .Santa Quitéria.. no
sítio deste nome, mandada edificar pelo alferes Simao de No-
brega, no ano de 1727; e urna pequena ermida com a invoca-
cae de .Santa Cruz e Almas., anexa á antiga igreja paroquial
e construida nos fins do século XVII.
Aplicadas ao uso do culto possui esta paróquia as seguin-
tes capelas: a de .Santo amaro^, no sitio do mesmo nome,
que é das mais antigas da diocese e data de 1460 o ano da sua
construcao, que se atribui a Garcia Homem de Sousa, genro
de Joao Gonc%lves Z ~ r c o tendo
, sido reedificada nos fins do
século XViI ou princípios do :éculo XVIII; a de asilo Fiíipe
de Jesus., fundada em 1536 por Martim de Leme, reconstrui-
da por Inacio da Camara Leme em 1654 e de novo reedificada,
por motivo dos estragos causados pelo terramoto, por Fran-
cicco Aurélio da Camara Leme no ano de 1752; a de eNossa
Senhora do Amparo,, no sitio dos A1iamos, instituida em 1698
por Bartolomeu de Sá Machado; a de tNossa Senhora do Po-
pulov, no sitio do Pico do Cardo, conhecida pelo nome de
Capela da Quinta dos Padres, por haver pertencido 4 residen-
cia que os jesuitas ali porsuiam, cuja fundacao deve datar dos
princípios do seculo XVIII; a de mNossa Senhora das Preces.,
no sitio deste nome, mandada construir em 1768 por Rodri-
go da Costa e reedificada em 1856 pela sua entao proprie-
tária D. Joana de Albiiquerque e Franca; e a do cemiterio pa-
requial, dedicada a .Nosso Senhora da Luz. e construida por
1843, conservando-se nela o altar da antiga capela das Brotas.
No sitio do Trapiche desta freguesia fica a conhecida
Casa de Saúde destinada aos doentes do sexo masculino ata-
cados de alienaciío mental e dirigida pela benemérita ordem
religiosa de Sao Joao de Deus, que é um estabelecimento ver-
dadeiramente modelar, nao receando confrontos corn os ou-
troj hospitais similares do seu genero. No local existiu uma
antiga casa solarenga com urna capela adjunta dedicada a Sao
Joao e Santana e construida em 1814 pelo morgado Joao An-
tonio de Gouveia Rego, sendo substituidas por varios pavi-
lhoes e uma a m ~ l aigreja consagrada ao fundador da Ordem
de Silo 1020 de Deus, que foi recentemente inaugurada. Esta
casa de saúde foi fundada em 1923 e está prestando no meio
madeirense os mais assinalados servicos. O velho solar, a cape-
la anexa e uns vastos terrenos adjacentes foram legados por D.
Maria Paula Rego, representante dos antigos fundadores e
falecida no ano de 1922, ao padre Manuel Joaquim de Paiva
e destinados aos encargos gerais da Diocese do Funchal. No
ano lectivo de 1917 a 1918 funcionaram ali todos os servicos
escolares e de formncao eclesiástica do Seminario Diocesano.
No sitio da Terra-Cha, encontra-se uma modesta inititui-
c2o de assist2ncia denominada ~Dispensárioda Divina Provi-
dencia~,fundada há dois anos pelo dr. Wiiliam Clode, que
particularmente se destina ao fornecimento de leite e trata-
mente médico de muitas criancas desvalidas, tendo tambem
anexo o funcionamento duma pequena créche.
Nossa Senhora do Monte (Nossa Srnhora do Monte)-N&-
te lugar e por 1470, estabeleceu Adao Goncalves Ferreira, o
primeiro homem que nasceu nesta ilha. urna fazinda povoada
com urna pequena ermida dedicada a Nossa Senhora da Incar-
nacao, que foi a primitiva origcm deste: centro de populictIo.
Nessa capela se instalou a séde da paróquia, quando se deu a
sua criaqlo, pelo alvará régio de 7 de Marco de 1565, tendo-se
mudado o nome da sun invocaciío para Nossa Serihora do
Monte, depois do aparecimento da Virgem S~ntissima,no Ter-
reir0 da Luta, a uma pobre e ingénua pastorinha.
A actual igreja paroquial, que foi levantada com um certo
aparato e magnificencia, levou seis anos a construir no perío-
do decorrido de 1741 a 1747, coiitinuando ainda, em anos
subsequentes, os trabalhos das decoracoes interiores e da con-
clusio definitiva de outras dependencias indispensáveis ao ser-
vico do culto. O terramclto de 1748 danificou bastante a nova
igreja, que foi prontamente reparada, corrigindo-se entao alguns
erros graves, que se tinham cometido na primitiva edificacao.
Para acudir a tilo dispendiosas obra., fizeram-se vários pedi-
tórios em toda a diocese, e o bispo D. Fr. Joao do Nascimen-
to institoiu para esse fim a mconfraria dos Escravos de Nossa
Senhora do Monte>, que despertou grande devocao entre os
fieis e cujas reccitas foram totalmente aplicadas áquele destino.
Esta igreja foi sagrada pelo bispo D. Fr. Joaquim de Menezes
e Ataíde no dia 20 de Dezembro de 1818.
Acha-se sepultado neste templo o imperador Carlos de
Austria, que faleceu na Quinta do Monte a 1 de Abril de 1922.
E' centro duma das mais antigas e talvez da mais concor-
rida romagem, afluindo ali, nos dias 14 e 15 de agosto, muitos
milfares de pessoas vindas de todas as freguesias da Madeira.
Tem esta freguesia as capelas dos aReis Magos., no sitio
da Quinta dos Reis, fcndada por Duarte Mendes de Vasconce-
los no ano de 1554; a de aNossa Senhora do Desterron, no
sitio do mesmo nome, cujo instituidor e ano de construcao
ignoramos, sendo recentemente adquirida e restaurada pelo dr.
Juvenal Henriques de Araujn; a de ~NossaSenhora do Livra-
mento., no sitio deste nome, construida em 1684 por Inacio
Ferreira Pinto e reedificada um século depois, por JO&O José
Betencourt de Freitas; a de aNossa Senhora do Rosárion, na
Quinta da Paz, sitio da Quinta do Salvador; a de lasanto An-
t o n i o ~ no
, sitio da Prnha de Franc~, mandada edificar em
1718 por Manuel Ferreira Brazao; a de aNossa Senhora da
Piedade., no sitio deste nome, fundada em 1728 por D. Es-
colastica Lomelino; a de (Nossa Senhora da Conceicaott. no
sitio das Babosas ou Largo da Conceicao, erguida no ano de
1906, para ccmemorar o semi-centenário da definicao do
dogma da Imaculada Conceicao; a do asagrado Coracao de
Jesus., no sitio do Livramento, levantada pelo padre Carlos
Jorge de Faria e Castro, por 1920; a do *Sagrado Coracao de
Jesus., na Quinta do Monte, sitio do Pico, mandada construir
em 1924 por Luiz da Rocha Machado, em memórla do impe-
rador Carlos de Austria; a do «Menino Jesus., no sitio da
Quinta dos Reis, edificada em 1925 por Francisco Ferreira Ca-
seiro; a de aNossa Senhora da Paz., no Terreiro da Luta,
adjunta ao Monumento da Paz e erigida em 1928 por iniciativa
FREGUESIAS
DO SÉCULO XVI 145

do pároco José Marques Jardim; a da [~Visitacaode Nossa Se-


nhora a Santa Isabel*, no Hospital dos Marmeleiros, inaugu-
rada em 1930; a de .Nossa Senhora da Conceicao~,no sitio
da Igreja, edificada há poucos anos pelo crpitao José Sotero e
Silva e concluida e restaurada no ano de 1937 por Joao José
de Freitas Belmonte; e a de .Santa Tereza do Menino de Jesusn,
fundada recentemente pela familia do Conde de Canavial, mas
cuja construcao nao está ainda terminada.
Já nao existem as capelas de uNossa Senhora da Esperan-
caa, que era de antiga fundacao; a de ~ N o s s aSenhora da Pe-
nha de Franca, no sitio deste nome, instituida por Luiz Oon-
calves Mercader, no ano de 1620; a de santo Antonio dos
Capuchos~,no sitia da Portada de Santo Antonio; a de <Nos-
sasenhora da Penan, edificada em 1657 por Duarte Mendes Mi-
randa e reconstruida por Antcnio Joao Spinola no ano de
1789; a de mNossa Senhora dos Milagres., fundada em 1661
por Brás de Freitas da Silva; a de aNossa Senhora da Concei-
cae., instituida por Tristao de Franca Betencourt; e a de ~ S a o
Salvador., no sitio deste nome. Ainda exlstiram e existem
outras capelas em alguns sitios, que em 1676 passaram a fazer
parte da freguesia de Santa Luzia e de que ao diante se dará
breve noticia.
Depois da grande aluviao de 9 de Outubro de 1803, que foi
talvez a maior calamidade que tem assolado a Madeira, resolve-
ram o prelado diocesano, o cabido da 'Sé Catedral, todo o clero
e mais fieis, com votos solenes, colocas esta ilha e de modo es-
pecial a cidade do Funchal, sob a valiosa proteccio de Nossa
Senhora do Monte, o que tudo foi confirmado por Rescrito
Apostólico de 21 de Julho de 1804, sendo entao inslituida a
festa do Patroclnlo de Nossa Senhora do Monte? celebrada
anualmente no dia 9 de Outubro com uma solene procissao,
que da Sé Catedral se dirigia para a igreja paroquial daquela
freguesia. O dia 9 de Outubro era considerado como dia santo
de guarda e precedido de vigilia propria com o preccito de
jejum.
Empreendeu o pároco José Marques Jardim a realizacao
duma obra grandiosa: a ereccao dum monumento, no Ter-
reiro da Luta, consagrado a Nossa Seríliora da Paz, qire consta
duma grande e primorosa estátua da Santissima Vjirgem er-
guida sobre uma alta e elegante coluna, tendo no plinto un5
baixos-relevos de artística composicao, fundidos em bronze,
alusivos ao aparecimento de Nossa Senhoranaquele local a uma
simples e ingenua pastorinha. Levanta-se ao lado uma peque-
na capela dedicada a Nossa Senhora da Paz. Este monumento
foi solenemente inaugurado no ano de 1925.
Na irea desta freguesia ficam o #Hospital da Santa Casa
da Misericórdia., no sitio dos Marmeleiros, instalado no ano
de 1930, o <Hospital da Assistencia Nacional aos Tubcrculo-
s o s ~ no
, sitio de Santana, destinado r o tratamento de doen-
Gas pulmonares, que vai em estado muito adiantado de cons-
trucao, e o aPreventório~da mesma ~Assist~ncia.,no sitio da
Confeiteira, ciijos trabalhos cle edtficacilo foram há poiico ini-
ciadas.
XIX

As freguesias criadas no
século XVI

Sdo Pedro (Sao Pedro)-Da freguesia da Sé Catedral des-


membrou-se a de Santo Antoilio, e pouco depois, ou talvez
pela mesma época, dela se separou tambem a de S. Pedro, cuja
criacao se deu pelo alvará régio de 20 de julho de 1566, esta-
belecendo-se a sua séde na capela de S. Pedro e S, Paulo, que
fdra fundada por Joao Goncalves Zargo e junto da qual tivera a
sua segunda moradia.
Nao logrou ampla duracao, pois que o alvará régio de 3
de marco de 1579 veiu extingui-la e simultaneamente a dividiu
em duas freguesias, as de S. Roque e S. Martinho, passando
uma pequena parte do seu território para a freguesia da Sé.
Breve se reconheceu a nao oportunidade dessa extincao e Iogo
passados oito anos foi restaurada pelo alvará rCgio de 14 agos-
to de 1587 com sede na mesma capela de S. Pedro e S. Paulo
e constituida com trechos apartados das paróquias da Sé, S.Ro-
que e S. Martinho.
As exfgurs dimensoes da capelr de S. Paulo levaram á
construcao de outro templo, que é o actual, sendo dado por
terminadas as respectivas obras nos ultimos anos do século
XVI, passando entao a chamar.se a a.1greja Nova de S. Pedro..
Nos fins do segundo quartel do século XVIII passou por urna
profunda e radical transformaciío, que lhe imprimiu o as-
pecto de beleza e de elegancia que ainda conserva,
Superabundavam as capelas nesta freguesia, que eram na
sur quasi totalidade de instituicao vincular e especialmente dcs-
titiadas ao uso dos seus proprietários. Erani ainda em maior
número os uoratóriosu existentes no interior de diversas habi-
tacoes particulares, en? que se ceiebrava o santo sacrifício da
rnissa, encontrando-se na Camara Eclesiástica o registo de mui-
tos breves pontifícios, em que se concede o privilégio de ora-
tório privado e até o de altar portátil, o que nao se tornava
dificil de alcancar em outras épocas.
Existem as seguintes capelas: a de .Santa Catarinan, insti-
tuida por D. Constanca Rodrigues de Almeida, mulher de Joito
Goncalves Zargo, que foi a primeira ermida levantada nesta
ilha e que é um pequeno monumento a recordar o início da
colonizaca~ madeirense; a de «S. Pedro e S. Paulo*, hoje só-
mente conhecida por S. Paulo, fundada por Joito Goncalves
Zargo junto da sua residencia; a de #Santa Clara*, que primi-
tivamente se chamou Coiiceic30 de Cima, tambem instituida
por Joao Goncalves Zargo, que ficou anexa ao mosteiro de
Santa Clara e que foi inteiramente reconstruida na segunda me-
tade do século XVII; a de a s . Jo3o Baptistw, na margem di-
reita da ribeira do mesmo nome, cuja construcao se tem igual.
mente atribuido ao primeiro capitito-donatário do Funchal e
que é das mais antigas da diocese; a de a s , Lazaro~,no anti-
g o Hospital dos Laziros, hoje cadeia comarca, construída no
sCculo XVI c reedificada no fim do século XVII; a de aNossa
Senhora da Penha de Franca., na rua deste nome, instituida
em 1622 por Antonio Ijantas e reconstruida no ano de 1712;
a de ~ N o s s a Senhora da Saude~,nos Moinhos, erigida em
1659 por Pedro Correia Valdavesso; a de #Nossa Senhora das
Angustias., no sitio deste nome, fundada por Diogo da Costa
Quental em 1662 e de novo construida na Quinta Lambert; a
de aNossa Senhora da Piedade., na Quinta das Cruzes, man-
dada edificar por Francisco Esmeraldo Henriques no ano de
1692; a de ~NossaSenhora da Conceicaot~,na rua da Carreira,
levantada em 1770 por Luiz Betencourt de Albuquerque e Frei-
tas; a de aSantaria~,na Cruz do Carvalho, instituida pelo dr.
Antonio Dionisio da Silva Conde no ano de 1770; a das nAl-
mas Pobres*, na rua das hlerces, erigida em 1781 por Roque
José de Araujo; a de aNossa Senhora da Piedades, no Cemite-
rio das Angustias, inaugurada em 1845; a de aNossa Senhora
das Dorec., no Hospicio da Priccesa Dona Maria Amelia, edi-
ficada em 1862; e a da ~MedalhaMiraculosa~,construida em
1927, que é pertenca do Orfanato adjunto ao mesmo Hospicio
No Paco Episcopal, no Asilo de Mendicidade e Orfaos.
nas dependencias do Lactario, dirigido por membros da Or-
dem da Apresentacao, e ainda em diversas hrbitacoes encontram-
-se aoratorioss particulares, em que celebram os oficios divinos.
Já nao existem, mas há noticia das seguintes igrejas e ca-
pelas: a de (S Franciscom,demolida no ano de 1866, no sitio
do actual Jardim Municípal e que fazia parte do antigo conven-
to daquele nome e a de ~ N o s s aSenhora das Mercesa, demoli-
da em 1911 e que era contigua ao convento do mesmo nome,
no sitio em que ora se levanta o Auxilio Maternal; a capela de
mNossa Senhorlt das Maravilhas~,no Largo deste nome, funda-
da em 1657 por Diogo de Betencourt Correia e reconstruida
por D. Mariana da Silva no ano de 1736; a de ~ N o s s aSenhora
da Conceic%o., construida por Rui Dias de Aguiar em 1662; a
de (Nossa Senhora da Salvacaos, no sitio das Fontes, institui-
da por Joao Betencourt Henriques no ano de 1663; a de asan-
ta Brígida., erigida em 1668 por Antonio Maciel de Afonseca
Cerveira; a de mNossa Senhora da Vida., mandada construir
em 1679 por Manuel Valente; a de «Nossa Senhora da Con-
ceicao., na Fortaleza do Ilheu, edificada no ano de 1687;.a de
*Nossa Senhora da Piedades, nos Arrifes, instituida em 1695
por Francisco Esmeraldo Henriques; a de &S,Francisco das
Furnasa, no Caminho de Santo Antonio, fundada em 1697 pelo
cónego Pedro Correia Barbosa; a de aNossa Senhora da Boa
Hora., mandada edificar apor cima desta cidade*, no ano de
1726, pelo capitao Antonio de Carvalho Drumond; a de nos-
sa Senhora da Pieddde., proximo da Cruz do Carvalho, levan-
tada em 1767 pelo capitao Joao Francisco de Freitas Esmeral-
do; a de *S. Joao Baptistam, na Fortaleza do Pico, construida
por meados do século XVII; e ainda as ermidas de aNossa
Senhora das Necessidades., de cNocsa Senhora da Encarnacaop
e a de;Nossa Senhora do Populo., de que nao alcancámos ou-
tra noticia.
A Ordem Seráfico teve nesta paróquia os conventos de
11S. Francisco*, de *Santa Clarao e de ~ N o s s aSenhorades
Merces., de que daremos mais desenvolvida noticia, quando
nos ocuparmos das comunidades religiosas.
Na sua área se levanta o grandioso edificio do uHospicio
da Princesa Dona Maria Amelia*, fundado em 1856 pela Impe-
ratriz Dona Amélia e dirigida pela congregacao das Irmas de
Caridade de S. Vicente de Paulo, que se destina ao tratamento
da tuberculose nas classes desvalidas tendo anexo um Orfano-
to com um internato para criancas pobres e outros servicos
de assistencia, além das escolas gratuitas, em que se ministra a
instrucao primária a um numero consideravel de criancas. Jun-
to 4 capela de S. Joao da Ribeira, as religiosas diocesanas de
Nossa Senhora das Vitórias manteem tambem com muito z€lo
e aproveitamento, um servico de assistencia e educacao, digno
do maior apreco.
No antigo convento de Santa Clara, dirigem as Irmas Mis-
sionarias de Maria um colegio de formacao de pessoal missio-
nario do sexo feminino, destinado 4s colonias portuguesas, que
funciona sob a dependencia da Corporacao Missionaria do Clero
Secular Portugues. No mesmo edificio manteem essas benemé-
ritas religiosas uma créche frequentada por algumas centenas
de criancas pobres que está prestando um assinalado servi~o4s
classes desvalidas da cidade do Funchal.
A Congregacao da Apresentacao de Maria dirige e susten-
ta, na rua da Mouraria, com a maior abnegacao e desinteresse,
alguns servicos de assistencia, como sejam uma créche, um
internato para criancas, uma obra de proteccao 4s raparigas
etc. tudo destinád~ 4s classes pobres e mantido pela caridade
pública.
Tabúa (Santissima Trindade)-Os terrenos que actualmen-
te formam esta freguesia foram desmembrados da da Ribeirr
Brava por 1568, sendo entao constituida como paroquia autó-
noma. Estabeleceu-se a sua séde numa pequena ermida, talvez
da invocacao da Santissima Trindade, que uma aluviao deixou
muito arruinada, sendo a nova igreja paroquial edificada no
ultimo qurrtel do século XVII e dada por concluida no ano
de 1696.
Esta freguesia tem as capelas da .Madre de Deus. ou
aMae de Deus~,no sitio do mesmo nome ou da Corujeira,
que éra de antiga construcao, sendo totalmente destruida por
&a enchente da ribeira e reedificada em sitio mais seguro no
ano de 1767; a de aNossa Senbora da Conceicao., proxima da
praia, fundada em 1688 por Diogo Nunes de Aguiar e recons-
truida no ano de 1910 por José da Silva Novita; e a de aNossa
Senhora das Candeias~ ou da .Candelaria., no sitio deste
nome, que se afirma ter sido instituida pelos antigos povoa-
dores Medeiros.
O alvará régio de 2 de Julho de 1743 criou um curato
nesta freguesia.
Arco da Calheta (Sao Brás)-Dentro da área da freguesia
da Calheta, no lugar que chamavam o Arco da Calheta, fundou
Brás Ferreira uma fazenda povoada e nela instituiu urna capela
da invocacao de Sao Bris o antigo sesmeiro Joao Fernandes
de Andrade, que foram a primitiva origem desta paróquia. O
alvará regio de 18 de Junho de 1572 criou ali um beneficia-
do-curato com privílegios de pároco, tendo j& anteriormente
um capelao privativo de residencia permanente no lugar.
A' pequena ermida, transformada em capela-mór, se acres-
centou um novo corpo, que ficou sendo a igreja paroquial.
Nos principios do terceiro quartel do sCculo XVIII se inicia-
ram os trabalhos de construcao duma nova igreja, que 6 a
actual, sendo benzida solenemente no dia 1 de Janeiro de 1755,
O alvará regio de 29 de Dezembro de 1676 autorisou o
prelado diocesano a criar um curato nesta freguesia.
Nao teve poucas capelas e ainda ali se encontram as se-
guintes: a de =Nossa Senhora do Loreto*, de interesante ar-
quitectura, fundada por D. Joana de Eca nos princípios do
século XVI; a de ~NossaSenhora da Vida*, no sitio da Faja
do Mar, construida em 1663 por D. Ines Teixeira; a de mNossa
Senhora da Nazarém, no sitio das Paredes, instituida por Fran-
cisco Fernandes de Barros no ultimo quartel do seculo XVII
e reedificada em 1830 por Antonio Joao Barbosa de Matos e
Camara, a de mNossa Senhora da Conceicaov, no sitio das
Amoreiras, construida no ano de 1911 pelo padre José Marceli-
no de Freitas; e a do #Sagrado Coracao de Jesuss, no sitio da
Fonte do.Til, de recente fundacao.
Há noticia da existencia destas capelas: a de Nossa Senho-
ra da Concicaos, no sitio da Serra de Agua, instituida nos prin-
cipios do século XVI por Goncalo Fernandes, figura algo Ien-
daria de que se ocupam os antigos nobiliarios madeirenses; a
de 'Nossa Senhora da Consolacao~,de fundacao bastante anti-
ga, erigida por D. Isabel de Abreu e que ficava situada nas pr6-
ximidades da actual igreja paroquial; a de mNossa Senhora das
Mercesm, construida em 1650 por Gaspar Homem de El-Rei, no
sitio das Florencas; a de~NossaSenhoradoDesterro~,edificada no
sitio do Ledo por Rafael Esteves no terceiro quartel do século
XVII; a de @SantaMaria Madalenam, no sitio das Florencas, Pun-
152 DO SÉCULOXVI
FREGUESIAS

dada em 1684 por Joao Portes Homem de El-Rei; a de santo


Antonio., levantada por Antonio Espranger da Camara em
1724; a de cNossa Senhora da Boa Hora, no sitio da Faja, e
ainda as de ~NossaSenhora da Visitacao~e das almas., das
quais nao colhemos outra noticia.
Sdo Gongalo (Sao Gonca10)-A velha ermida de Nossa Sea
nhora das Neves tinha já seu capelao privativo, quando o alva-
rá rCgio de 7 de marco de 1565 estabeleceu nela a séde dum
curato dependente da igreja matriz de Santa Maria Maior, que
o alvara rCgio de 12 de marco de 1574 elevou á categoria de
paróquia autonoma, constituindo-se entao a freguesia de Sao
Goncalo com a área que presentemente conserva. Alegando-sc
as acanhadas dimensoes da capela e o aumento sempre cres-
cente da populacao, diversas diligencias se empregaram para a
ereccao dum novo templo, que sómentc surtiram efeito nos
princípios do sCculo XVII, com a construcao da actual igreja
paroquial em maiores proporcoes e em sitio mais central.
Tem as capelas de mNossa Senhora das Neves., que C de
edificacao muito antiga e tem passado por várias restauracoes,
havendo servido por largo tempo de igteja paroquial; a de
aNossa Senhora da B3a Novan, no sitio deste nome, fundada
por Euzebio da Silva Barros no ano de 1701; a de uSao Joao
Baptista*, na Quinta do Palheiro, nao aplicada ao uso do culto;
a do c Sagrado Coracao do Menino Jesusu no Manicomio Camara
Pestana. Já nao existem as capelas de ~NossaSenhora da En-
carnacao., instituida no sitio dos Louros em 1656 por Diogo
Fernandes Branco; e a de .Nossa Senhora da Piedade, cons-
truida por Joao Rodrigues Olivaano ano de 1722.
Nesta freguesia encontra-se o Manic3mio Camara Pesta-
na, fundado em 1906, tendo os alienados do sexo masculino
sido transferidos para a Casa de Saude do Trapiche no ano de
1924, e continuando naquele Manicomio os do sexo feminino
sob a direccao das Irmas de Silo Joao de Deus.
Porto da Cruz (Nossa Senhora de Guada1upe)-Teve esta
freguesia a sua primitiva orígem numa fazenda povoada com
uma pequena ermida da i vocacao de Nossa Senhora,da Pie-
!
dade, onde se instalou a s de da paroquia, ao ser criada pelo
alvará regio de 20 de Setembro de 1577. Nao tardou longo
temps a constru@o de outra capela que no segund~e terceiro
quartel do século XVII passou por importantes reparacoes. Pelo
meado do século seguinte, isto é por 1750, procedeu-se ainda A
edificacao dum novo templo, que é o actual, em condi~oespou-
co melhores do que as das anteriores, pois que no ano de 1820
se projectou a criacao duma nova igreja, o que nao chegou a
realisar-se. E' curioso notar que o padroeiro desta freguesia
ou antes o titular da respectiva ígreja, segundo Iemos algures,
passou sucessivamente a ter as invocacoes de Nossa Senhora
da Picdade, Véra Cruz, Nossa Senhora da Glória e finalmente
o de Nossr Senhora de Gaudalupe, que foi o que perdurou e
que ainda conserva.
Seis capelas teve esta paróquia, das quais existem as de
aNossa Senhora do Socorroo, tambem chamada de Belém, no
sítio da Referta, que era pertenca do morgadio Torresao e que
Foi reedificada no ano de 1713; e a de asgo Joao Nepomuceno~,
no sítio do Lombo dos Leais ou Folhadal, construida em 1776
por Joao Nepomuceno de Freitas Leal. Já nao existem a de
aNossa Senhora da Piedaden, que era de antiga fundacao, ins-
tituida por António Teixeira, prÓximo*jíescendente do donatá-
rio Tristao Vaz e reconstruida no ano de 1734; a de .Santo
António~,no sítio da Terra Baptista, fundada por urna família
de apelido Nunes Caldeira; a de Silo .Francisco de Borjar, no
sitio da Cruz da Guarda, erigida em 1760 por Francisco de
Vasconcelos; e a de aNossa Senhora da Fé*, no sítio da Terra
Baptista, mandada edificar por Diogo Dias de Ornelas no ano
de 1826.
O alvará régio de 31 de Julho de 1797 criou um curato
nesta freguesia.
Porto do Monlz (Nossa Senhora da Conceicao)-Quando
este lugar ficou constituído como paróquia autónoma, em ano
pouco posterior ao de 1572, havia já muito tempo que alí se
iniciara urna activa exploraca[o agrícola com fazendas povoadas
e uma capela servida por um cape120 de residencia permanen-
te, sendo bastante para estranhar que tilo tardiamente se desse
r criacao desta freguesia, a qual no snu princípio se chamava
da Ponto do Tristao e mais tarde teve o nome de Porto do
Moniz, que ainda conserva. A antiga capela de Nossa Senhora
da Conceicao, que foi acrescentada e restaurada, serviu de igreja
paroquial.at6 A construcao do novo templo, realisada no pe-
ríodo decorrido de 1660 a 1668, sendo a capela do Santíssimo
Sacramento edificada muito posteriormente a essa data.
O alvará régio de 28 de Dezembro de 1676 criou um
curato nesta freguesia com séde no lugar das Achadas da
Cruz, sendo esta séde transferida para a capela de Santa Ma-
tia Madalena, quaiido as Achadas passaram a constituir uma
paróquia independente. A capela de Santa Maria Madalena é
centro duma concorrida romagem e tem anexo uma casa pr6-
pria para residencia do respectivo cura, existindo tambem nas
suas imediacoes um pequeno cemitério .
Além da mencionada capela, que é de antiga construcao,
tem ainda a de 8Sao Pedro., no sitio dos Lamaceiros, restau-
rada em 1726 e quási inteiramente reconstruida depois do ter-
ramoto de 1748, que a deixara muito arruinada. Já nao existem
as capelas de .Silo Pedro., no sítio da Terra de Sao Pedro; a
de aSBo Paolo e Almas*, fundada pelo padre Paulo Vieira Jar-
dim no ano de 1757; a de cSao José*, no sítio da Vila, Lons-
truida por Clemente de Freitas da Silva há cerca de quarenta
anos; e a de eNossa Senhora ¿ia Incarnacao~, de que nao
temos outra noticia.
Canhas (N-ssa Senhora da Piedade)-Destgregou-se
da igreja matriz da vila da Ponta do Sol, pelo alvará rCgio de
30 de Janeiro de 1577, que a constituíu em paróquia autóno-
ma. Serviu-lhe de séde a capela dedicada a Sao Tiago, que o
antigo povoador Rui Pires de Canha ou um seu próximo pa-
rente fundara neste lugar. Erigiu-se um novo templo ou cape-
la nos princípios do século XVII e para ela se transferiu a
séde da paroquia. Outra igreja, que é a actuai, se construiu
nos meados do século XVIII, tendo sido Iancada a primeira pe-
dra a 22 de Julho de 1753 e benzida solénemente no mes de
Marco do ano de 1756.
Tres capelas se encontram nesta freguesia: a de ~Nossa
Senhora dos Anjos., no sítio deste nome, cuja construcao se
remonta ao terceiro quartel do século XV; a de .Santo AndrC
ave lino^, no sitio do Carvalhal, fundada em 1776 por Carlos
Nunes de Freitas da Silva e restaurada há poucos anos por
Jacinto Fernandes e José dos Reis; e a do *Sagrado C O ~ P ~
de Jesus., no sitio do Outeiro, de recente construcao. Nela
existiram as capelas de ~NossaSenhora do Socorro., insti-
tuída em 1665 por Joao Fernandes Linhares; a de ~Nossa Se-
nhora da Anunciacaos ou da Incarnacao, mandada edificar
DO SECULO XVI
FREGUESIAS 155

por Joao Rodrigues da Camara no ano de 1696; e a de UNOS-


sa Senhora do Monte e Santana~,edificada em' 1733 por Ma-
nuel Rodrigues de Canha. A capela de aNossa Senhora dos
Anjosa, que 6 das mais antigas da Diocese, foi centro duma
antiga romagem e dela se ocupa Fr. Agoslinho de Santa Maria
com alguma largueza no vol. X da conhecida obra Sanfudrlo
Marlano.
E' datado de 7 de Dezembro de 1731 o alvará régio que
criou um curato nesta freguesia.
S&o Roque (S80 Roque)-O seo território pertenceu pri-
meiramente a freguesia da Sé, passando em 1566 a fazer parte
da de S. Pedro e ficando constituída como paróquia autónoma
pelo alvrrá rCgio de 3 de Marco de 1579. Teve a sua primi-
tiva séde na pequena ermida de S. Roque, já ali existente, que
foi notavelmente acrekcentada nos princípios do século XVIII
e que se desmoronou no ano de 1790, sendo entao o servi~o
paroquial desempenhado numa das capelas da freguesia. A
construcao da actual igreja paroquial comecou no ptimeiro
quartel do século XIX e morosamente se arrastou até o meado
do mesmo século. A antiga capela de Sao Roque ficava no si-
tio que hoje k m o nome de Igreja Velha, sendo o novo edifí-
cio levantado em local diferente do da primeira igreja.
Destinadas ao servico do culto conserva ainda esta paró-
quia as capelas de asantana*, no sítio deste nome, instituida
em 1607 por Francisco Dias; a de ~NossaSenhora da Alegriaw,
no sítio do mesmo nome, fundada por Francisco de Abreu no
ano de 1609, que é hoje pertenca da casa Torre Bela; a de <N.
Senhora do Rosáriom,no sítio da Fundoa, erigida em 1668 por
Joao da Paz de Castro; e de ~NossaSenhora da Conceicao,,
no sítio do mesmo nome, mandada edificar pelo cónego Antó-
nio Lopes de Andrade. No sítio da Esperanca existiu uma ca-
pela dedicada a aNossa Senhora da Esperanca., de fundrcao
muito antiga e que foi centro duma concorrida romagem, e no
sítio da Fundoa, na residencia que ali possuíam os jesuitas,
havia urna pequena capela, cuja invocaciío ignoramos.
Sdo Martlnho (Sao Martinho)-Esta paróquia foi criada
pelo alvará régio de 3 de Marco de 1579 e desmembrada, como
a de Saa Roque e pelo tnesmo diploma, da freguesia de S%o
Pedro, tendo-se estabelecido a sua séde na capcla que: ali exis.
tia desde o século XV com a invocacao de SPo Martinho. Na
primeira metade do século XVI, procedeu-se a construcao du-
ma nova igreja, que pelos anos de 1735 passou por uma gran-
de transformacao, sendo cntao acrescentada e muito melho-
rada.
Dada a pequenez e insuficiencia dessa igreja para acudir
convenientemente as necesidades do culto, projectou-se a edi-
fica~% ~ novo templo com mais amplas proporcoes, reali-
dum
sando-se o Iancamento da primeira pedra no dia 8 de Julho de
1883e iniciando-se desde logo os respectivos trabalhos, que por
falta de recursos nao tiveram um largo prosseguimento. Passa-
do um quarto de século recomecaram as obras interrompidas,
sendo principalmente aproveitado para esse fim o importante
legado deixado pelo benemérito paroquiano José de Abreu fa-
lecido a 2 de agosto de 1907 e conseguindo se A f6rca de atu-
rados e diligentes esforcos que a vasta igreja f6sse solénemente
sagrada no dia 24 de Junho de 1918. E' de inteira justica des-
tacar aqui tres nomes: o do pároco Manuel Pinto Correia,
que projectou e iniciou a realisacao de tao grande melhora-
mento, o do piedoso legatário José de Abreu, que para ele
mais generosrmente concorreu, e o do vice-vigário Teodoro
Joao Henriques, que recomecou e deixou as obras em estado
de grande adiantamento. Os trabalhos de definitiva conclus%o
teem prosseguido sem interrupcao, devido ao zelo e dedicacao
dos últimos párocos.
A extincao dum dos dois curatos da Sé Catedral, que se
deu ha cerca de quarenta anos, determinou a criacao dum cub
rato na freguesia de Silo Martinho, cujo provimento sempre se
tem mantido, em Pitencao ao grande movimento religioso da
paróquia .
Fazemos rnencao das capelas ainda existentes: a de *Nossa
Senhora da Ajuda*, no sítio da Ajudr, instituída por Fernao
Favila na primeira metade do século XVI; a de ~NossaSenho-
ra da Vitóriam, na margem esquerda e próximo da foz da Ri-
beira dos Socorridos, fundada em 1594 por Francisco Beten-
court e reconstruída no último quartel do século XIX; a de
~NossaSenhora da Nazaréw, no sítio deste nome, edificada por
Martim Vaz, no ano de 1627; r de ~NossaSenhora das Virtu-
, sítio do mesmo nome, mandada construir em 1661
d e s ~ no
por Francisco de Vasconcelos Betencourt; a de *Nosso Senhora
do Pilar#, no sitio deste nome, erigida por Goncalo de Freitas
Drumond no ano de 1676; a de mNossa Senhora do Amparo.,
no sítio do mesmo nome, construída em 1712 por D. Luiza de
Mendonca; a de @SantaRita de Cássian, no sítio do Arieiro,
levantada no ano de 1934 por Joao Marcelo Oomes; a de
*Santano,, no sítio do Ribeiro Seco, edificada por Agostinho
Pedro de Vasconcelos Teixeira no ano de 1780; e rinda outra
capela da mesma invocacao, no sítio das Virtudes, de que nao
temos qualquer notícia.
Existiram as capelas de mNossa Senhora de Jesus~, insti-
tuída em 1656 por Joao Betencourt de Atouguia, e a de .Nos.
sa Senhora da Fé., fundada por Manuel Goncalves Lisboa no
ano de 1668.
Madalena do Mar (Santa Maria Mada1ena)-Informa-nos o
ilustre anotador de Gaspar Frutuoso, que numa fazenda po-
voada existente néste lugar fundara Henrique Alemao uma
capela da invocacito de Santa Catarina pouco depois do ano
de 1457, e que nela veiu a estabelecer-se a sede da paróquia,
quando foi desmembrada da igreja matriz da vila da Ponta do
Sol a 1 de Fevereiro de 1582. Nesta época já tinha capel%o
privativo com residencia permanente no lugar. Nao sabemos
se a primitiva ermida de Santa Catarina mudaria a sur invo-
cacao para a de Santa Maria Madalena por ocasiao da criacao
da frcguesia, o que nao seria caso único nesta diocese ou se
porventura teria sido edificada uma capela diferente daquela e
dedicada a Santa Maria Madalena. Nada conseguimos saber
Acerca da época da construcao da actual igreja paroquial ou
de qualquer restauracao por que houvesse passado através dos
tempos. Teve esta paróquia a capela de aNossa Senhora das
Maravilhas), de que nao temos outra notícia, e a de asanta
Quitériap, fundada pelo padre Diogo de Freitas.
Nasceu nesta freguesia o padre António Joao de Lessa
(1774-1858), que morreu no Brasil e álí se distinguiu como
político, sendo deputado as cortes e tendo contribuido bas-
tante para a independencia daquele país. No ano de 1929
publicou-se no Rio de Janeiro um livro com o título de
Esb8go Biográfico do Padre Anbónlo jodo de Lessa.
A S colegiadas
A' semelhanca dos corpos capitulares existentes nas sédes
das diversas dioceses, que nas respectivas igrejas catedrais exer-
ciam os actos do culto com brilho e aparato, criaram-se igual-
mente nas povoac6es mais importantes, pela sua populacao ou
por outras apreciaveis circunstancias de feicao local, pequenos
cabidos ou colegiadas, que, embora em proporc6es ntais redu-
zidas e com menor imponencia, imprimiam também as festivi-
dades religiosas um relativo esplendor, tendo sobretudo a ca-
rrcterisi-las a recitacao quotidiana e soléne das Horas Canóni-
cas, A irnitaca0 do que tradicionalmente se praticava desde épo-
ca remota num grande número de igrejas das comunidades re-
ligiosas.
Nesta diocese nao se fez esperar muito a criacao de algu-
mas colegiadas, modestamente organizadas em conformidade
com as condicoes especiais do meio e de modo particular com
respeito ao número dos seus membros e A dotacao das res-
pectivas cóngruas .
Nao conseguimos alcancar noticia segura Acerca da época
exacta da instituícao dessas colegiadas, sendo todavia certo que
se estabeleceram na segunda metade do século XVI, com ex-
cepcao da de Santa Maria Maior, cuja criacao deve remontar-
se aos primeiros anos do mesmo sbculo.
Foram elas em número de nove, estando já todas em exer-
cício das suas funcoes cultuais pelos fins do terceiro quartel do
sCculo XVI, ernb~rano decorrer do tempo lhes f8sse acrts-
centado o seu pessoal e melhorada a situacio temporal dos
seus membros. Além dos servicos próprios da sua institul$Xo,
corria aos respectivos beneficiados o dever de auxiliar os vi-
gários nas diversas funcoes paroquiais, que tinham o direito
de primazia sobre as obrigacoes da assistencia no caro.
Nos primeiros tempos, após a criacao desses cabidos, nao
temos ,conhecimento da existencia de qualquer regimento ou
estatuto que lhes assinalasse com precisa0 a maneira do seu
funcionamento, havendo encontrado sómente umas vagas refe-
rencias a certas regras e preceitos, de onde se pode inferir que
nao se mantinha uma completa uniformidade no exercício do
culto ngs diversas colegiadas deste bispado. Nas cConstituic6es
Diocesanasu, decretadas em 1578 pelo bispo D. Jerónimo Bmr-
réto, nao se encontram quaisquer determinacaes concretas sobre
este assunfo, descobrindc-se apenas várias alus¿Jes, que nao
conservam uma relacao íntima com aquele funcionamento.
Pode admitir-se que sómente no ano de 1680, isto 6, pas-
sado mais dum século depois da sua criacao, é que se proce-
deu minuciosamente e em bases sólidas regulamentacao da
vida interna desses institutos com o alvará episcopal de 8 de
Julho de 1680, em que se decretou um desenvolvido e bem ela-
borado Rcglmento, dando-se inteira e uniforme execucao aos
diversos servicos cultuais e pondo-se também cobro a muitos
e inveterados abusos, que se tinham introduzido no decurso de
tantos anos.
Nos considerandos que precedem as disposic6cs do Regi-
mento, diz o ilustre prelado D. Fr. António Teles da Silva que
.
atendendo a que . .nas igrejas colegiais há muitas vezes dú-
vidas e faltas por nao terem regimento por que se governem...
com escandalo dos pavos e perturbacao da paz e sossego com
que se devem celebrar os ofícios divinos, ordenamos que o
provisor e vigário geral Dr. Marcos de Afonseca Cerveira fi-
. .
zesse o seguinte Regimento. . .
Extraída desse Reglmento, damos a relacao completa das
colegiadas existentes nesta diocese e do número e categoria
dos seus serventuarios : as de Santa Maria Maior, Sao Pedro,
Machico e Santa Cruz tinham dez ministros, sendo um vigário,
um cura, seis beneficiados, um sacristao e um organista; as da
Calheta, Ponta do Sol e Ribeira Brava tinham um vigário, um
cura, quatro beneficiados, um sacristao e um organista; e a do
Porto Santo tinha um vigário, um cura, tres beneficiados, um
sacristlo e um organista. Nessa relaclo nao se menciona a co-
legiada de Camara de Lobos, porque f6ra extinta em 1676,
quatro anos antes da elaboraclo daquele Regimento, por mo-
tivos que desconhecemos, tendo sido restaurada por meados
do século XVIII.
A colegiada de Santa Maria Maior deve ter sido criada
nos princípios do s6culo XVI, como acima ficou dito, e quando
no ano de 1508 se fez a mudanca da séde dessa paróquia para
a dgrejr Grander, igualmente se deu para este templo a trans-
ferencia do cabido drquela colegiada, que aqui continuou o seu
exercício das funcoes do culto. Restaurada a antiga freguesia
de Santa Maria Maior em 1558, foi nela instituída uma colegia-
da no mesmo ano e com o pessoal que atrás deixamos mencio-
nado.
Causa-nos bastante estranheza que no ~egimeritode 1680
nao se faca mencao dos cargos de ldprhgadors e de atesou-
reiro., quando é certo que eles existiam nas nossas colegia-
das, pois temos deparado com inúmeros diplomas régios, que
os criaram b u lhes aumentaram as dotacoes, Além das muitrs
referencias encontradas Acerca do regular desempcnho desses
lugares, e tudo isto respeitante a época anterior ii da pro-
mulgacao daquele Regimento .
Nao podemos fixar o ano em que as colegiadas deixa-
ram de desempenhar os diversos servicos do culto e nem
rinda mencionar quaisquer circunstancias de interésse históri-
co que tivessem acompanhado a sua extinclo. No entretanto
sabemos que as colegiaias dos Acores, em número muito su-
perior As do Funchal rinda proporcionalmente & sua popula-
clo, foram suprimidas no ano de 1832, podendo conjecturar-
-se que as da Madeira teriam sido extintas em época aproxi-
mada. Foi esta a supresslo de direito, decretada por um di-
ploma legal, mas de facto jtí muitas delas se achavam anteri-
ormente extintas, tanto no nosso arquip6lago como no resto
do país.
XXI

As caravelas de Goncalves Zargo e de TristPo Vaz, csndu-


zindo os primeiros colonizadores qiie inisiaram o povsamentcñ
da Medeiro, traziam a scu bordo alguns religiosos franciscanos,
que no dizcr dum cronista da sua ordem foram os verdadeiros
descobridores do nosso arquip6lago1 considerados debaixo d a
ponto de vista estritamente espiritual e religioso. Taivea nessa
mesma viagem ou decorrids pequeno lapso de tempo, vieram
ainda autros religiosos seus confrades, encontrados na ilha do
Porto Santo, no lugar que conserva o riome de Porto dos Fra-
des, e al¡ arrojados por urna violenta tempestade, quando se-
guiam de Espanha para as ilhas Canárias, segundo o testemu-
nho do doutor Oaspar Frutuoso.
Aportada a pequena frota a baía de Machico e efectuada
o primeiro desembarque, logo na pedregosa prfiia, que entera-
tava csm um formoso vale coberto da mais luxuriante vegeta-
@o, se ergueu um improvisado altar, e um dos franciscanos
celebrou o santo sacrifício da missa, prestando a Deus retidi-
das gracas pela feliz chegada a esta ilha desconhecida e impe-
t r a n d ~os auxílios do cbu para a iab~riosaobra da ccrlenizagi80
que ís agora iniciar-se.
Tinh-m tilguns membros da ordem serifica dado cornh.cn
a PUP misaaa religiosa nn nosso aequipklsgo, que istdtetavel-
mente mantiveram até A época da extincao das ordens monás-
ticas em Portugal. Nao formaram desde logo uma comunidade
de observancia regular, que as circunstAncias ocorrentes n i o
permitiam, mas desempenhavam com o maior zelo e abnegrcao
as funqoes do seu ministério nas modestas capelas que entilo
se con~truirame acudiam prontamente com os socorros espi-
rituais quando eram solicitados para esse fim. Sabe-se que nas
pequenas ermidas de Santa Catarina, Sao Paulo, Sao Sebastigo,
Csncei~aode Cima e igreja de Nossa Senhora do Caihau exer-
ceram éles os diversos actos do culto, enquanto a Ordem de
Cristo nao enviou sacerdotes seculares que superintendessem
ern todos os servicos religiosos.
A distancia a que esta ilha se achava do continente e o iso-
lstnento que ela oferecia aos indivíduos inclinados a um mais
perfeito estado de recolhimento e de oracao, determinaram i
vilida de muitos ascetas e anacoretas, que procuravam no ermo
e tia solidao a satisfaqao das suas aspiracaes religiosas, entre-
gando-se inteiramente a uma vida da mais austera penitencia.
E a tal propósito, diz-nos Fr. Manuel da Esperanca, na sur Hlr-
.
Ilírla Seráflca dos Frades Menores de S&o Franelseo, ., que
~ f o r a mtantos os frades de Espanha, castelhanos, galegos e bis-
caínhos que bem podiam encher de conventos toda a ilha. . , #,
acrescentando a pitorésca informacao de que faltando.lhes a
vestuário ~ l o g ose lhes deparou peles de lobos marinhos ordi-
narios na ilha e com elas cobriam sua nudezw.
Nao durou largo tempo a vida de aspero isolamento e
urn tanto nómada que levavam esses ermitas, pois que tlguns
deles tentaram a organizacao duma comunidade monAstica e
muitos outros abandonaram esta ilha, por motivos que dcsco-
nhecemos, sendo quasi todos irmaos leigos da sur ordem.
E' de 28 de Abril de 1450 a licenca alcanctda para a fun-
dacao dessa comunidade de regular observancia, que alguns
anos antes se instalou em aposentos muito modestos na mar-
gem direita da ribeira de Sao Joao, sendo pelos frades edifica-
da a acanhada ermida e o pobre convento, que no decorrer do
tempo sofreu alguns apreciáveis melhoramentos. Era essn pri-
mitiva comunidade composta de dez ou d6ze confrades quási
todos leigos, entre os quais sobressaía pelas suas eminentes vir-
tudes Fr. Domingos de Sao Juliao, tendo sido seu primeiro
guardia0 Fr. Pedro das Covas, que se entregou ás maiores pe.
nitensias c veiu a perder o uso da razlo. No ano de 1459 dsi-
xrram os fradea o retirado cenóbio de S%oJoao e seguirsm
para Lisboa, afim de constituirem a comunidade do corivento
de Xabregas, que nesse tempo se fundara.
Alguns anos mais tarde chegou A Madeira o franciscario
Fr. Pedro Mourao, ehomem velho e de muita autoridade,, que
veiu acompanhado de mais quatro religiosos e se alojaram rio
antigo convento de Sao Jc a0 da Ribeira. Passado pouco tempo
foi enviado ao Funchal Fr. Rodrigo Arruda, que em virtude
do breve pontifício de 27 de Abril de 1476 constituíu em ba-
ses canónicas a organizacáo da ordem seráfica nesta ilha, tendo
prestado a este instituto os mais assinalados servicos. E, ácér-
ca deste ponto, transcrevemos da Hlstórla da Igreja em Purtu-
#al a seguinte interessante informacao: .Por esse tempo deli-
genciaram os frades da Madeira separar-se da obediencia do
vigário provincial de Portugal; e efectivamente o Papa X isto
IV, em 1476, nomeou Fr. Rodrigo, que era guardia0 do con-
vento d o Funchal para vigário provincial da Madeira e dos
Acores. O Prelado de Portugal nao levou a bem esta separa-
cae, que a pedido de el-rei D. Jo%o11 foi revogada por Ino-
ckncio VI11 em 1486..
Conv~ntode SlZo Francisco-Foi? o mais notável mosteiro
da ordem seráfica da Madeira e um dos mais importantes de
todo o nosso país. Teve uma origem humilde nos princípios
do terceiro quartel do século XV e havia já atingido um gran-
de desenvolvimento nos meados do século seguinte, em virtude
das suas amplas instaiacces, numerosa comunidade, créditos
que grangeara pelo rigor e austeridade da disciplina e ainda
pelos excelentes servicos prestados A populacao madeirense.
A-pesar-da inscricao lapidar abaixo trariscrita, deveriamos
talvez considerar Fr. Rodrigo Arruda, como o verdadeiro fun-
dador deste convento, nao sómente por ter sido &leque pro-
moveu a mudanca do pequeno convento da margem da ribeira
de Sao Joao, situado em logar ermo e apertado, para o centro
da populacao e em condicoes que de futuro permitiriam urna
mais larga rxpansao, mas também por haver dado cometo a
construcao da nova igreja, casa conventual e outras depend&n-
cias, embora socorrendo-se dos valiosos auxilios e dotacaes
que Ihe forrm facultados pelo piedoso p~droeiroLuís Alvaro
da Costa.
O convento chegou a ocupar o espaco em que hoje se en-
eontram o Jardim Municipal, com as suas ruas adjacentes e o
Teatro Dr. Manuel de Arriaga, estendendo a sua área até orla
do sceano, embora primitivamente tivesse uma superficie mais
limitada. Este terreno era pertenca dum morgadio instituído
por Clara Esteves, tendo JoPo do Porto, sucessor na adminls-
tracao d b s e vinculo, feito doacao do mesmo terreno a Fr. Ro-
drigo Arruda, com o fim de nele ser levantada uma casa ms-
nástica, mediante a entrega do cenóbio de Sao Joao da Ribeira
a favor desse praso vinculado e ainda com o encargo da cele-
b r a $ %duma
~ missa cantada anual na nova igreja que ali se eri-
gisse, o que tudo constava duma escritura celebrada a 20 de
sutubro de 1479.
Dessa circunstancia resultou que erradamente se atribuisse
a Clara Esteves a fundacao deste convento, nao podendo duvi-
dar-se que o seu fundador foi Luis Alvares da Costa, ao vBr-se
s epitafio da lousa tumular que cobria a sua sepultura, encon-
trada na capela-mór da respectiva igrcja e que hoje se acha
logo a entrada do cemitério das Angústias desta cidade. Nela
se 16 esta inscricio : Aqul jaz Luis Alvares da Costa que fun-
dou esta casa na era de 1473 c scu fflho Francisco Alvares da
Costa Pr.O Ovldor c Vedor da Fazenda ncstas llhas da Madcl-
r a . Desconhecemos quaisquer pormenores Acerca da dotacPo
feita pelo padroeiro e dos encargos pios a que esta fundacas
obrigaria, coino entao era de uso constante em casos desta na-
tiireza. A antiga cerca foi mais tarde alargada, em virtude duma
doacao de Maria de Atouguia, neta do fundador, tendo ainda
outros membros da mesma família sido desvelados protectores
deste convento.
E' ocasiao de nos reierirmos a um facto chamado mira-
euloss e ocorrido nesta igreja no dia 26 de dezembro de 1482,
etn que se afirma que várias pessoas, durante urna pregacao,
viram o braco direito da imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo
Crucificado descaído ao longo do corpo da mesma imagem,
sem que uma razao de ordem natural podesse justificar a es-
tranheza desse facto. Passados anos, o bispo diocesado D. Lou-
renco de Tavora testificou, em documento oficial, a autentici-
dade dessa extraordinaria ocorr6ncia, e ainda actualmente essa
antiga e devota imagem, existente na Sé Catedral e conhecida
pelo tiome de Senhor das Milagres, é exposta A veneracao dos
fieis no dia 26 de dezembro de cada ano. Em antigas crónicas
temos encontrado inúmeras referencias ao facto que aqui dei-
xamos apsntado e do qual valtaremos a ocupar-tios.
Na sua primitiva edificactio era a igreja de ecanhadas di-
mensdes, tendo sido melhorada e acrescentada, no decorrcr do
tempo e por m i s de uma vez, como adiante se verá. Fdra ape-
nas benzida e nao sagrada, pois havia muitos anos que nao
viera um prelado A Madeira, aproveitrndo-se a passagem por
esta ilha do bispo de Marrocos D. Sancho Truxilo, que no dia
14 de marco de 1554 procedeu corn a maior soletiidade sa-
graqao dessa igreja.
O notável acréscimo da populacao corn o seu correlativo
movimento religioso a par do desenvolvimento da comunida-
de monástlca, determinaram a ampliacao da casa coiiventual,
do claustro e trmbém da respectiva Igreja, o que tudo se reali-
zou pelos anos de 1578, devido particularmente aos esforcos
do guardia0 Fr. Diogo Nabo, que encontrou nos moradores
do Funchal os auxílios mais eficazes para levar a cabo esse
melhoramento.
Sao decorridos quási dois séculos e prujectr-se um empre-
endimento de maior envergadura: a construcao dum novo
templo arquitectado corn mais largas proporcoes e ornado
interiormente corn mais artísticas e preciosas decoracoes. A
velha igreja, que já era julgada insuficiente para os servi~osa
que estava destinada e que se ia convertendo na verdadeira
necropole da antiga e ostentosa nobreza madeirense, nao tiisha
a conveniente amplidao e magnificencia, segundo parece, para
satisfazer nao sómente as aspiracoes da numerosa comunidade,
mas ainda aos desejos de inúmeras pessoas, que voluntária-
mente queriam contribuir para a realizacao dessa grandiosa
obra.
No ano de 1780 cornecou a demolir se a antiga igrcja e
no mesmo local se ergueu um novo edifício, cuja construcas
levou dez anos, conservando-se, p ~ r é m a, forma primitiva c
um igual número de capelas interiores, embora fdsse l a n ~ a d s
corn mais larguza e mais sutituoso aparato, ccmo alias fdra
grojectado. Todas essrs capelas tiveram padroeiros privativos
e eram especialmente destinadas a servir-lhes de jazigo e de suas
familias e cujas despesas de constru~aoeles custearam, encori-
trando-se ali inúmeras sepulturas cobertas corn ricas pedras tu-
mulares e algumas delas ostentando belos e aparatosos mauso-
leus .
Para a construcao do novo templo muito concosreram a
activa diligencia e os cotihccirnentos especializados de Freire
Antótilo da Coticei~i%s,filho deste convento, que nao sórnente
superlnttndeu na direccao das obras, como tambtm angarlau
valiosos donativos para a SUP execu~áo.
Com a expulsa0 das ordens religiosas do nosso país: no
ano de 1834, ficaram as casas conventuais de Sao Francisco,
a bela igreja anexa e a vasta cerca que as rodeava expostas ao
maior abandono e sujeitas i r depredacoes que o tempo e os
homens lhes iam infligindo desapiedadamente. Com relaglo ao
destino que diversamente lhes foi dado, deixámos em outro
lugar exarada uma notícia sum8ria, da qual vamos extratar al-
guns periodos, que interessam de perto aJ assunto de que nos
vimos ocupando.
O templo, como acima ficou dito, era um edifício de bela
e sólida conctrvcao, embora as decoracoes do seu interior nao
houvessem ainda sido inteiramente acabadas. Tinha apenas tres
quartos de século de existencia, quando o camartela municipal
s lancou A terra, e achava-se em excelente estado de conserva-
cáo, A parte as danificacdes que as intempéries e o desprezo a
que foi votado Ihc haviam inevitavelmente causado.
Por muitos motivos se deveria ter mantido a sua intacta
conservacao, sendo hoje causa da maior estranheza que espe-
cialmente as antigas e nobres famílias do arquipélago, a maio-
ria das quais tinha alí os seus jazigos e mausoleus e alguns
destes construidos de belos e ricos mármores, nao houvessem,
com a forca e o prestígio de que ainda entao gozavam, obstado
iquela demolic80, que se fez sem um protesto enkrgico por
parte dos representantes dessas mesmas famílias e legítimos
proprietários dos túmulos brazonados e aparatosos, que guar-
drvam as venerandas cinzas dos seus antepassados.
As dependencias do Convento e até a própria igreja tive-
ram as mais diversas e estranhas aplicacoes, nao se assentando
definitivamente, durante muitos anos, no destino mais íitil e
apropriado a dar a essas antigas edificacoes. E, deste modo,
serviram elas, com maior ou menor duracao, de hospital, de
prisao, de quartel, de tribunal, de asilo e até de teatro !
Veio finalmente o decreto de 7 de Novembro de 1844,
que cedeu o convento de Sao Francisco com todas as suas de-
pendencias A Cimara Municipal do Funchal, afim de ser ali
levantada urna casa destinada 4 instalacao dos tribunais judi-
ciais, o que nao chegou a realizar-se. Passados vinte anos to-
mou novamente a Cimara do Funchal a deliberacao de cons-
truir um grande edificio, que nao sómente servisse de Pacos
do Concelho mas também se destinasse á acomodacao dos tri-
bunais e ainda de outras reparticaes públicas. No dia 11 de
Marco de 1866, procedeu-se com extraordinario brilhan-
tismo ao lancamento da primeira pedra, sob a presidén-
cia do bispo diocesano e comparencia de todas as auto-
ridades civis e militares. Como esse acto implicava a imediata de-
rnslicao da igreja e do convento, a presenca do prelado deu lu-
gar a justificados reparos, tanto na Madeira como fóra dela. Prs-
cedeu-se sem demora ?i completa demolicao do já desmantela-
do convento e da suntuosa igreja de Sao Francisco e a %sse
acto de verdadeiro vandalismo se limitou o grandioso projecto
da edificaciío dos Pacos do Concelho do Funchal.
Numa das dependencias da antiga cerca, no local onde
hoje se levanta o teatro Dr. Manuel de Arriaga, construíu-se,
ainda em tempo dos frades, um mercado de frutas e hortalicas, que
teve o nome de Mercado de Sao Joao e era mais conhecide
pela denominacao de Feira Velha, sendo demolido em 1883
para dar lugar ?i construclo do teatro, iniciada em 1885. O es-
paco ocupado pelo convento e pela igreja e ainda uma parte
corisideravel da cerca correspondem ao sitio em que hnje se
encontra o Jardim Municipal.
As diversas casas monásticas, que os franciscanos tinhltm na
Madeira, constituiam uma Custódia independente, com sua séde
no convento de Slo Francisco do Funchal, senáo geralmente
o guardia0 deste convento que exercia o cargo de custódio OLI
comissário. Diz-nos o padre António Cordeiro, na Hfstórla
Insulano, que esta Custódia era sujeita ao provincial de Portu-
gal, mas o autorizado anotador da mesma obra afirma que as
conventos desta ilha formavam a Custódia de Silo Tiago Me-
nor, separada da provincia portuguesa e imediatamente sujeita
A S4 Apostólica desde 9 de Marco de 1688, em que foi cele-
brado capítulo para eleicao dum custódio provincial.
Convento de Sdo Bernordlno-Foi o primeiro convento
que nata ilha se fundau fóra do Funchal. Ficava situado na
freguesia de Camara de Lobos, em lugar ermo e sslil4ria e a
certr dislhcia da igr~japaraquiil. Teve urna humilde e ubs-
cura origem, mas tornou-se célebre e afamado em todo o ar-
quipélago e parece que al6 no continente, por ter ali vivido e
morrido um varao de assinaladas virtudes, por nome Fr. Pe-
dro da Guarda, a que o povo chamou e chama ainda o Santo
Servo de Deus. Tornou-se, por isso, um centro de atragao
para muitos devotos e romeiros, que vinham dos mais distan-
tes lugares da ilha invocar a intercessao do santo e humilde
franciscano. Com a extinca0 das ordens religiosas e a estranha
atitude do vigario capitular e governador do bispado António
Alfredo de Santa Catirina Braga, esfriaram e diminuiram estes
preitos de devocao e piedade, mas nao se extinguirarn de toda,
porque ainda todos os anos um número consideravel de indi-
víduos procura a sepultura onde foram depostos os restos
mortais de Fr. Pedro da Guarda. Nada mais diremos aqui a
respeito da sua vida, virtudes e culto que se Ihe prestava, por-
que Ihe consagraremos um capitulo especial desta obra.
Fr. Gil de Carvalho, humilde frade franciscano, veiu do
continente do reino para a ~Madeira,quando os religiosos que
ocupavam O cenóbio de S2o Joao da Ribeira acabavam de sair
para Lisboa e ali foram estabelecer uma comunidade em Xa-
bregas. Desejando, diz o anotador da Hlstória Insulana, Fr.
Gil viver em logar deserto como eremita, levantou uma peque-
na cela com dois cubículos, em que hab tavam Jo2o Afonso e
Ivíartitiho Afonso, os quais esmolavam pelo ~ o v o a d o para a
susteritacgo dos tres anacoretas.
Crescendo o número de religiosos, trataram de levantar
rim pequeno convento, em terreno que lhes foi doado por
Joao Afonso Correia, escudeiro do infante D. Henriquc, e sua
mulher Ines Lopes, que nesta ilha foram o tronco da familia
Torre Bela. A nova casa erguir-se num sítio afastado da po-
vaecao, cercado dum lado pela ribeira e do ~ u t r o por alta
rocha, sendo bem própria para o genero de vida a que se de-
dlcavam. Passado algum tempo se reuniram a eles outros re-
ligiosos, que formaram uma comunidade sob a direccao de
Fr. Gil de Carvalho.
Volvidos muitos anos, entregou aquele religioso o go-
verno do seu mosteiro a Fr. Jorge de Sousa, que muifo con-
correu para o seu engrandeciments. Urna enchente da ribeira
havia destruído a pequena igreja e urna parte BQ convento,
tendo Fr. Jorge sanatruido um tiovo e mais vasto templo, aa
abrigo das torrentes caudalosas da ribeira, e dado A comuni-
dade a organizacao canónica duma verdadeira casa monástica,
depois de ter melhorado consideravelmente as condi~oesma-
teriais do mosteiro.
A capela-mór da nava igrejs foi fundada por Rui Mendes
de Vasconcelos, filho de Msrtim Mendes de Vasconcelos e de
Helena Goncalves, filht de Zarco, e por sua mulher Isabcl Cor-
reia, que era filha dos doadores do terreno em que se tintia
levantado o primitivo convento. J O ~Bettencourt
O de Vtscon-
celos, neto do fundador da mesma capela e padroeiro dela,
vinculou a torca dos seus bens para acudir As necessidadrs do
converito, por testamento aprovado a 12 de dezembro de 1607.
A seu resceito lemos num antigo ncbiliarío: a . . .chamsvsm-
-1he o Cavaleiro, de alcunha, nasceu no ano de 1535 e passou
India no ano de 1580, por capitPo da nau Silo Gregório; sucedeu
nos tercas de seus avós, por morte de seu irmao Ruy Mrndes,
e fez testamento aprovado em 12 de dezembro de 1607, no
quol deixou vinculada sua terca nas fazendas por cima de C2-
mara de Lrbos e abaixo da quinta da Torre, e a deixou aos
frades de Sao Bernardino. de cuja copela-mór fci padroeiro,
como herdtiro do morgado dos ditus seus avós maternos,
seus instituidores; fsleceu em 12 de julho de 1615. A capela-
-mór da ignja deste convento era o jazigo privativo dos des-
cendente~dos fundadores e padroeiros dela, e muitos deles
foram ali sepu'tados, sobretudo os suctssores da casa vincullda.
A igreja foi ampliada e reconstruida em 1763, mas expos-
ta ao maior abandono com a expulsa0 das ordens religiosas
entrou em ri4pida ruina, tendo sido inteiramente restaurada há
poucos anos, devido aos diligentes esforcos do pároco de
Camara de Lobos, Jc2, Joaquim de Carvalho. As dependen-
cias da antiga casa conventugl tambem foram restauradas e
nelzis funcionaram, no periodo de '1931 a 1933, as aulas dos
primeiros arios do curso de preparatórios do pequeno seminá-
rio, que foi extinto e encorporado no Seminário da Incarna-
c2-J.
Convcntn de Nossa Senhara da Plcdade-Na antiga fre-
guesia de Santa Cruz e aproximadamente pela época em qce
rla fni elevada categoria de vila, ergueu-se fóra da cidiide do
Funchal, o segundo convento da ordem seráfica, datando essa
fundnc%odo primeiro quartel dr, século XVI.
Dizem varios nobiliários madeirenses que pelos anos de
1476 chegaram Madeira os dois fidalg 3s genoveses Joao
Baptista Lomelino e Urbano Lomelino, membros da família
dos_marqueses de Lomelini, sendo estes do número dos no-
bres que hereditáriamente fxziari parte do senado da cida-
de de Genova. Vieram para esta ilha expresamente recomen-
dados pela infanta D. Beatriz, que ao tempo era a administra-
dora d i Ordem de Cristo, na menoridade de seu filho o grao-
mestre o infante D. Dicgo. Urbano Lomelino fez assentamen-
to em Santa Cruz e ali adquiriu muitas terras de sesmaria,
tendo contraído matrimónio com Joana Lopes, natural da fre-
guesia de Saritana, e vindo a falecer no ano de 1518.
Hmvia decorrido pouco tempo que iniciara a fundafao do
convento de Nossa Senhora da Piedade, que a morte nao lhe
permitira concluir. Par dispasicoes testamentárias, vinculou a
maior parte dos seus bens, ínstituindo um morgadio, que teve
como primeiro administrador seu sobrinho Jorge Lomelino,
que de futuro veiu a constiruir urna das maiores casas vincu-
ladas de todo o arquipélago. Impos Urbano Lomelino ao seu
herdeiro e sucessar o encargo de levar a bom termo a insti-
tuicao a que dera cometo e da sua conservacao, e ainda o da
sustentacao de seis religiosos, se para tanto nao chegassem as
esmolas que estes houvessem de colher.
Jorge Lomelino caimpriu as obrigacoes que lhe foram ím-
postas e fzlcceu a 9 de Dezernbro de 1548, tendo sido sepul-
tado na Cap'ela-niór da igreja do convento de que era pa-
droeiro. No decorrer do tenipo, vários membros da famiiia
Lomelino prestaram bons servicos a esta casa conventual, nao
sómente conservando e melhorando as respectivas edificacaes
como também acudindo aos encargos do culto divino e A sus-
tentacao dos religiosos. Joana Lopes, mulher de Urbano Lo-
melino, e sua mae Isabel Correia fundoram a capela de Santana
da igreja deste convento e nela foram sepultadas.
O doutor Gaspar, Frutuoso (Sond., 78), referindo-se a este
convento, no ano de 1590, diz o seguinte:-a.. . Do Porto do
Seixo a meia légua está outro engenho de acucar, que é dos
Freitas, acima do caminho e abaixo dele um mosteiro de fra-
des franciscanos, onde estilo até oito religiosos de missa, e
que tem boa igrcja com boas ofi-inas e aposentos, de que An-
tónio Lomelino, do Porto do Seixo, homem fidalgo, rico e
mui g:neroso, é prdroeiro, com quem ele reparte grandes
s molas de sua fazenda, ilém das que deixaram seus antepas-
ados nara sauela casa que fizeram~. E assim c(: sucessores.
Em 1722 era o morgado Antónin Correia Henriques Lo-
melino, por herancs. de sua mai D. Catarina Lomelino de Vas-
concelos, o padroeiro do convento de Santa Cruz, aue seguín-
do a honrosa tradicao dos seus antepacsados muito benefi-
c i o ~esta casa monástica.
Ali viveram e morreram em c h ~ i r o d~ santidade os reli-
giosos Fr. Manuel da E s ~ e r a n ~eaFr. AntónZode Santa Maria,
cuja fama perdurou Doy largos anns.
O alvará r6gio de 15 de Outubro de 1644 concedeu aos
religiosos deste convento o priviiégio da prkgacao, especial-
mente no tempo do Advent~e da Quaresma, nas colegiadas
do Porto Santo, Machico e Santa Cruz, mediante a concessao
dumrr determinada remuneracao fixada no mesmo alvará.
E' sabido que com a extincar, das ordens religiosas, as
igrejas, as casas, cercas e bens móveis e imóveis a elas perten-
centes passaram A posse do estade, desapareceíido tiido rápi-
damente no sorvedouro da maior devastacan de que há memó-
rir. Tnlvez o convento de Santa Cruz constituisse crma excep-
cdo. Diz a tal respeito o ilustre comentador das Saudades da
.
Terra:a .por meio de renhido pleito, que durou alpuns
anos, foi o convento restituido ans siIcessores do instituidor,
por este, com previsan. que talvez seja exemplo único, isso
determinava aa respectiva verba testamentária, dado o caso de
vir de futuro a ser extinto o convento..
Os administradores da casa vinculada dol; Lomelinos ti-
nham o seu so1ar.n~Funchal na quinta das Cruzeq, e ali fez
concfruir o morgado Francisco Elirneraldo Hpnriques a capela
de Nossa Senhora da Piedade, no ano de 1692, onde se encon-
tra um carneirn de mármore, que se afirma encerrar os restos
mortais de Urbano Lamelino, o fundados do convento da
freguesia de Santa Cruz.
Convento de S6o Francisco-(Cr1heta)-Inclinamo-nos a
crer que seria este o seu verdadeiro nome, a-pel;ar.de termos
encontrado algumas referencias a eqta caqa monástica com a
denominacao de c~nventode Sao Sebastiao, devido certamen-
te 2 circunstincia de havgr existido ali urna uequenz ermida
dedicada a esse santo mártir, que serviu de primitivo núcleo a
essa fundacao.
Numa das anotacoes as Saudades da Terra (1873), leem-se
.
estas linhas: m . . foi por meio de esmolas levant~do cerca do
ano de 1670, em terreno comprado pelo devoto Pedro Brten-
court de Atouguia, o qual tomou depois o hábito de leigo no
Convento de Sao B~rnardino.E' propriedade particular, por-
que fr>ivendido pela Fazenda Pública..
Esta infsrma~2.r 6 talvez contrariada pelo que dizrm al-
guns antigos nobiliários madeirenses, dando-nos os irmaas
Francicco Figueiroa e Manuel Figweiroa como os verdadeiros
fundadores desse convento, que edificaran A sur custa, com
a claúsula de lhes ser reservada a capela-mór da respectiva
igreja para seu jazigo e de seus descendentes e considerados
como seus padroeiros. Assim veiu a suceder, e no ano de 1718
foi ali sepultado Francisco Pardo de Figueiros, o administra-
dor da casa vinculada e sucessor daqueles supostos ou verda-
deiros fundadores.
Nao era raro dar-se como fundador duma igrejs a pessoa
que a tivesse reedificado au procedido nela a importantes obras
de reparacao, sendo possível que qualquer circunstiracia desta
natureza se houvesse verificado neste convento. Pode até admi-
tir-se, como mais provavel, que a casa conventual tivejse a ori-
gem indicada pelas Saudades d a Terra e a igrejs fosse funda-
da pelos irmaos Francisco e Manuel Figueiroa, conciliando-
-se désta maneira duas informacoes aparentemente contradi-
tórias.
Pedro Betencourt de Atouguia, a que acima se faz referen-
cia, passou do convento de Sao Bernardino de Camara de
Lobos para este da Calheta e al¡ viveu eemorreu, deixlndo
fama das mals acrisoladas virtudes.
No interessante livro do padre Fernando Augusto de
Pontes, intitulado Excursaes na Madelra, faz-se mencao
dum facto, que se diz ocorrido nhste convento e que ali vem
narrado nos seg~intestermos: *Janelas partidas, templo profa-
nado, passando um operário a mutilar um Crucifixo na igreja
deste convento, em 1836, caiu e faleceu logo. Nao estava só:
achavam-se presentes o vigário geral Alfredo e quantos o cer-
cavam. Triste sucesso 1.
O vigário geral e governador do Bispado do Funchal, a
que ali se alude, era o cónego António Alfredo de Santa Cata-
rina Braga (1836-1840), que a-pesar-de ser egresso, deu semgre
entre nós as provas mais manifestas da SUP m i vontade contra
as ordens religiosas, procurando apagar os vestígios que delas
restavam nesta ilha, como teremos ocasiao de ver em outro ca-
pítulo desta obra.
Convento de Nossa Senhora da Porciúncuia (Ribeirr Brava).
Escassa notícia conseguimos alcancar Acerca destr casa religio-
sa, que algures vémos mencionada com a designacito de Hos-
- ~ i c i ode frades franciscanos da freguesia da Ribeirr Brava.
Teve a mais modesta origem e foi fundada, segundo cremos,
no terceiro ou último qurrtel do século XVII. F6ra de-
dicado a Nossa Senhora da Porciúncula e erguia-w a pequena
distancia da igreja paroquial, restando rinda umas desmantela-
das ruinas. Comecou por um humilde cenóbio, que foi aumen-
tado no primeiro quartel do século XVIII, tendo sido edificada
urna igreja com maiores proporcaes no ano de 1730.
Convento cm A4achlco.-Nao é de estranhar que na séde
da capitania de Machico, que chegou a ombrear com a do
Funchal, se houvesse formado uma pequena comunidade reii-
~ i o s a , em conformidade com os ecostums e necesidades da
época. A sua existencia teria sido muito modesta e de bem
curta duracao, pois que apenas encontrámos, em um antigo
manuscrito, uma fugidia referencia a essa comunidade.
No excríente livro do sr. tenente-coronel Alberto Artur
Sarmento, Fregucslas da Madcira, deparámos, a tal respeito,
com esta interessante informacao: *Próximo A Misericórdia fi-
cava o conventlnho de Santo António, fpndado pelos francisca-
nos em 1462. Havia um pequeno cenóbio repartido em acatlha-
das cela's e sustentados por esmolas. As águas duma grande
tempestade, conjugadas de mar e terra, destruiram em 1467 a
casa dos religiosos, perecendo Frei Pedro, Fr. Filipe, Fr. Me-
te010 e um leigo, com grande consternacaa de Tristao Vaz e
da florescente colónia* .
XXI 1
A s Comunidades Religiosas
A Ordem Seráfica
(Continuriglo)

Convento de Santa Clara-A Ordem Seráfica, proporcio-


nalmente as condicties do nosso meio, teve nesta diocese urna
larga representacao em casas monásbicas para ambos os sexos,
tanto no número como na importancia dessas mesmas casas.
Deixámos j i esbocada uma notícia sumária dos conventos de
frades franciscanos, que vamos sgora completar com urna rá-
pida descric30 dos mcsteiros de religiosas que existiram nesta
cidade.
Foi de todos o mais antigo e mais importante o de Santa
Clara. Logo grangeou urna bem justificada fama pela austeri-
dade de vida, inquebrantávei disciplina e rigorosa observancia
das regras do instituto, por parte das que ali fe achavam reco-
Ihidos. Essa acreditada reputacan estenbeu-se h1Cm da Madeira,
dando-se o honrcso e significativo facto de tcrem sido chama-
das algumas religiosns deste convento para iniciar a fundacao
e a reforma de ouiros mosteiros no continente portugues, o
que sempre se verificou corn grande fruto e verdtdeiro aplau-
so de todos, como mais adiante veremos.
O primitivo fervor religioso e o amor da m i s austera dis-
ciplina nao se mantiveaam inalterávelaerite através do tempo.
Alguns escandalos se deram com graves transgress6es das re-
gras conventuais, que obrigaram a autoridode eclesiástica a
aplicar severas penas canónicas, indo estas ate o oonto do in-
terdito e da suspensao do culto religioso na igreja do conven-
to e nas diversas capelas anexas.
Joao Gon~alvesZargo, depois de ter feito moradia no lu-
gar que tomou o nomc de Santa Catarina e em seguida no
sítio em que se levantou a ermida de Sao Paulo, estabeleceu
definitivamente residencia no local em que ao presente se en-
contra a Quinta das Cruzes, havendo mandado edificar a pe-
quena dis~inciae em terreno fronteiro uma capela dedicada a
Nossa Senhora da Conceicao, destinada ao seu uso privativo e
a servir-lhe também de última jizidr e dos seus sucessores no
governo da capitania. Foi junto desta pequena igreji. que seu
filho Joao Goncalves da Carnara, segunda capitao-donatário
do Funchal, resolveu fundar um cenvento de freiras clarissas,
da ordem de Sa[o Francisco, que teve o nome de Santa Clara,
afirmando-se que no ano de 1476 alcancara urn breve pontifí-
cio autorizando essa fundacao, que nao pode realizar.se ime-
diamente em virtude de graves embaracss que entilo surgi-
ram . Essa resolucao foi ern boa parte determinada pelo ardente
desejo que muitas prssoas tinhnm de abracar a vida monástica
e entre as quais se contavatn as próprias filhas do capitao do,
natário. Sabemos que o duque de Btja, D. Manuel, depois rei-
gráo-mestre da Ordem de Cristo, a que a Madeira pertencia
no espiritual, em carta datada de 17 de julho de 1488 dirigida
aos madeirenses, fizera sentir a necessiaiide da fundzcao dum
mosteiro de freirar, prometendo auxiliar a realizacao deste em-
preendimento e procurando interesar &le o donatário, o se-
nado do Funchal e mais habitantes desta ilha. Essa carta, que é
um documento m i t o intercssante, foi pela primeira vez publi-
cada no jornal O Reclame de 26 de novetnbro de 1890. Omes-
mo D. Manuel solicitou de Roma urna nova aulrortzacao para
esse fim, que lhe foi concedida por rescrito pontíficio de 1 de
Fevereiro de 1491.
Di-se geralmei~te o ano de 1492 como o d o come40 da
construcao aeste edifício, que ficou anexo 2 capela corihecida pe-
lo nome de Conceicao de Cima, sofrendo esta, para tal destino,
a conveniente adapracao e passando a chamar-se igreja de Santa
Clara, que era a patrona do convento. Lernos em um antigo
manuscrito que, tendo o fundador necessidade de ir ao reino e
deixando a coristrucao já iniciada, encarregara sua filha D.
Constanca de Noronha do prosseguimento e conc1u:ao das
respectivas abras, o que ela fizera com prcvada proficiencia.
Ao regresar A Madeira trouxe em swa companhia, com auto-
risacao pontíficia, sua filha D. Isabel de Noronha, que era kei-
ra professa no convento da Conceicao em Btjo, e mais as reli-
giosas Maria Pessanha, Ana Travsssos, Joana de Albuquerque
e Maria de Melo, a que no Funchal se juntaram rs novicas D.
Elvira de Noronha e D. Joana de Noronha, filhas do referido
capitao-donatário, constitoindo-se deste modo a nova cozuni-
dade no princípio do mes de novembro de 1497, que teve co-
rno primeira abadessa a mencionada D. Isrbel de Noronha.
Duas filhas do terceiro capitao-donatário Simao Goncalves da
Cirnara e sinda rnuitas parentas da ilustre família dos donatá-
rios ali professaram como religiosas e exerceram os principais
cargos, sendo sempre ~xemplaresmodelos na vida austera d o
claustro.
Nao faltaram as vocacoes para o estado religioso e já nos
fins do século XVI chegara a setenta o número de freires que
ali vivlam em apertada clausura. Referindo-se a essa época, in-
forma-nos o historiador das ilhas que este convento era ....U0
magnífico na fábrica como ilustre nas muitas e virtuosas ma-
dres, que nele hoje em dia fazcm vida de santas religiosas, por-
que AIém de ser um dos grandes e famosos mosteiros do rei-
no de Portugal, é tao observante e experimentado na virtude,
que deste convento levam algumas madres para a reformacao
de outros virtuosos conventos.. Idénticas referencias temos
encontrado Acerca da exqcta observiwia da disciplina canónica
mantida no seio desta comunidade rnonástica.
No ano de 1566, passou ela por uma grande provacao,
com o assalto dos corsários franceses de que j i démos rápida
notícia no capítulo XIII deste desprc tcncioso estudo. Virzcm-se
as religiosas forcadas a abandonar o seu convento para. nao
serem vítimas daquela horda de selvagens e recolheram-se
precipitada e trabalhosamente a0 lugar do Currnl das Freiras,
que era pertenca do seu mosteiro, permanecendo ali algum
tempo no mais desconfortável e descmparado abrigo. O mos-
teiro foi saqueado pelos corsários franceses, que nele causa-
ram os mais graves prrjuízos e cometeram as maicrres profr-
na~oes.
O bom nome que esta casa adquiriu no rigoroso cumpri-
mento das regras conventuais detcrminou a escolha de algu-
mas das suas religiosas para a direccao dos mostcirss das
Merces e da Incarnacao, do Funchal, quando &es se funda-
ram, e trimbém para a formaqao das primeiras comunidades
de um convento na ilha de Sail Miguel e especialmente do da
Esperacca, em 1-isboa, Alérn dn cutros, indo para este Último
i~ovcfreirrs de Santa Clara, quatro dos quais veem menciona-
das nas crónicas franciscsnás, que delas fazem o mais alevantr-
do elogio, pelas emineptcc virtudes em que se tornaram in-
signes.
Como já dissémos, a disciplina £oí-se afaouxando e por
n;ecjdes do século XVIII nao era modelar a observancia das
regras monásticas, tcndo-se até praticado o abuso do rompi-
mento da clausura pcr parte duni numeroso grupo de religio-
sas, 0 que abrigou a autoridade eclesiástica a iinpor-lties seve-
ramctite a pena de interdito. Por esta época, permilia-se abu-
sivamente a admissao ilo cc~tivento,como recolhidas, de inú-
meras pessoas que i ? a ~se dedicavam i vida do claustro e que
levsivern para o seio do ccmtinidade hábitos e tendencias, que
contrastavam com a rigoroca sbservAncia e austera peniten-
cia das casas corrvenruais. O enfi-aquecimento da disciplina
foi-se a tal ponto, que militas fseiras professsis tinham uma
criada, com residencia no convento, para uso pri~ativode cada
religiosa, o que nao ábaentc constituia urna gravíssitna trans-
gressao das rcgras, ceno einda tnsstrsva a ausencia completa
de espírito de vzcrifício e de amor boa disciplina que anima*
va essas religioszs.
O numero prefixo de freiras professas foi de 60, mas nao
se rnailteve inaltrrávelm~nte,h-aveildo sido de 70 nos fins dn
séculc XVII e ascendendo a 130 por riaeádos do século XVIII,
e entre elas se cnntavam 70 supranumerárii?~,muitas das quais
nao seguiam a vida religiosa. No primeira quartel do século
XIX, icto é, poucos :4racls antes da axtinc%odas ordens monás-
ticas, o núnero tu!al de freiras e recolhidas estava reduzido
a 60, perdurando aicda por meio século a existencia deste
convento, que acabuu corn a morte da ú!tima religiosa, madre
Mzria Amália do Patrocinio, ocorrida no nies de Novembro
de 1890.
Corno atrás ficcu dilo, foi junto da capela de Nossa Se-
nhora da Concei~ao,qur se eigueu o rnfisfbiiro deste nome,
passando posteriormente a chaníar-se de Srnta Clara. A sua
construcaca alargou-se de 1492 a 1497, e, tendo modestas pro-
porC6es no scu início, nao t n r d ~ uque a pouco e pouco se
fossem ampliando as suas diversas instalacdes e dependencias,
chegando já, por meados do século XViI, a ser um dos mais
importantes mosteiros de Portugal. Por esta época foi notá-
velmente aeresceiitado e se procedeu á reedificacao da igreja,
que é a actual. Através dos claustros, construiram-se muitas
capelas e oratórios, devido a devocao particular de algumas
religiosas e que nao constituiam uma necessidade para os ser-
visos obrigatórios da comunidade.
O fundador Joao Goncalves da Cimara, por escritura de
11 Seternbro de 1480, comprou a Rui Teixeira a vasta proprie-
dade do Curral, que msis tarde se chamou Curral das Freiras,
pela importancia de e23500 ceitis ao rial e 50 cruzados de ou-
ro.. . estendendo-se a sua área desde o Passo da Cruz e Ribei-
ra dos Socorridos até onde ela nasce de arrife a arrife, de uma
a outra bandam, e fazendo dela doacao ao convento, quando
t?efe entraram as suas filhes e por ocasiao da sua fundacao.
Outras importantes legados e donativos foram feitos, alcancan-
do ser uma das casas monásticas mais bem dotadas e com
urna situicao económica mais desafogada.
N o ano de 1834 o canvento passou A posse do Estado, mas
em 1807 os marqueses de Castelo Melhor, como representan-
tes e sucessores do antigs fundador e dcpois dum largo pleito
judici~t!,coi~seguiram3. posse de todos os edificios e deles fi-
z:rm a ind apensave! registe na conservatória do Funchal,
sendo p;;üi:í) para estranhar que por ocasiao do falecimento
cia trl!ia*a fre re i!ao se h3uvesscm aqueles titulares apossado
d s convr!~toe s u s drpetid2ncias1 valendo-se do direito de
pcsae que lhes fbra legslmente reconhecido.
Por rnr~rkeda ultima freira, algumas dependencias do con-
venio füratri ccupadzs por muitas recolhidas, que já nelas ti-
nham residencia e pcr outras que ali deram entrada posterior-
mente, servindo ainda ao presente de moradia a varias pessoas
do sexo feminino.
Pelo decreto de 12 de Marco de 1896 foi o velho conven-
to cedido A Congregacaio das Franciscanas Missionarias de
Mzria, afim de ser sli estabelecido um instituto de preparacao
do pessoal femínino destinado as miss6es religiosas das nossas
colonias e também para a instalac%o dum colegio de ensino
elementar e secmndário para raparigas, de que havia grande
, falta no nosso rneio. Os acontecitnentos politicos ocorridos no
nosso piís em 1910, provocaram a expulsao daquelas religio-
sas, que imediatamente sairam da Madeira, ficando interrom-
pidos os excelentes servicos que aqui estavam prertando.
Os decretos de 31 de Outubro de 1912 e 22 de Seternbro
de 1913 concederam os edificios do convento A Carnara Mu-
nicipal do Funchal, A Santa Casa da Misericordia e A associa-
cae de beneficencia, auxilio Maternal, para os fins indicados
nos mesmos decretos, chegando-se a demolir uma parte ccn-
sidcravel do antigo mosteiro e praticando-se entao actos de
verdadeir8 destruicao e vandslismo em todos os edificios. Vol-
taram estes A posse do Estado, por nao se haverem realisado
as obras projectadas e nilo se ter preenchido o fim especial da
concessao .
O decreto de 25 de Janeiro de 1927 e a portaria de 12 de
Junho do mesmo ano autorisaram o Ministerio das Financas a
ceder ao Ministerio das Colonias a5 diversas dependencias do
extinto convento a favor da Associacao Auxiliar das Missoes
Ultramarinas, com o destino especial de estabelecer-se ne!e um
colegio de formacao missionaria para as religiosas que hou-
vessem de prestar servico nas missoes (13s tiosaas colonias ul-
tramarinas. A direccao desse colegio foi entregue 5s referidas
Irmas Franciscanas, que além disso criarani no mesmo con-
vento uma creche, em que cerca de 400 criaticas silo recolhi-
das, alimentadas e educadas durante o dia, prestando-se deste
modo um dos mais assinalados servicos que entre nós se está
dispensando pobreza da Madeira.
Convento de Nossa Senhora das Metc2s-Embora nao se
possa duvidar que algumas casas religiosas nem sempre pri-
maram pela rigorosa observancia das regras do seu instituto,
deve contudo afirmar-se que o convento de Nossa Senhora das
Mcrcts foi em todo o tempo um vivo e eloquente exemplo da
prática de todas as virtudes cristas levadw até A mais heroica
austeridade e A mais severa e contínua penitencia. Era o ver-
dadeiro cenáculo da oracao, do recolhimento e d~ sacrifício, a
que voluntariamente se sujeitavam as pcsaoas que ali izrn prc-
curar, como num áspero e longinquo deserto, o seu complt:to
afastamento do mundo e de todos os seus apefecidos e encan-
tadores atractivos. Desde a sua fundacao, per rnerdss do século
XVII, até o ano de 1910, em que as swas portas se fechararn,
manteve inalteravelmente essa elevada re&utacao, sem a mais
pequena. quebra no exacto cumprimento de todos os preceitos
impostos pela disciplina conventual. Fazer parte da sua comu-
nidade era o mesmo, pode dizer-se, do qu? adquirir um título
de alta e incontestada virtude. E nisso coasistiu toda a hístó-
ria deste mosteiro.
Era geralmente cotihecido pelo nome de Convento das
Capuchas e mais ainda pelo convento das Capuchinhar, ligan-
do-se sempre a essas palavrss um sentido de respeitosa venera.
~ 3 opelas religiosas que o habitavam. A designacao de Nossa
Senhora das Merces provém duma pequeiia capela dessa invo-
cacao, que existia nas imedia~ocsdn local em que f6ra levan-
tado o edificio.
Num manuscrito da autoria do virtuoso c ilustrado padre
António Gomes Neto, que a partir de 1847 foi durante largos
anos capelao deste convento, encontrámos a narrzciio, como
era frequente naquelas épocas, de várias piedosas lendas acerca
da sua fundacao, que o dr. Alvaro Rodrigues dr Azevedo re-
produziu parcialmente nas suas anota~o-sa s Suudades da Ter-
ra, prctendendo que algurnas descas len3as tcnham uma rela-
cae muito próxima com a sedicao de caracter político, que se
deu no Funchal no ano de 1668 contra o governador D. Fran-
cisco de Mascarenhas, o que nos parecd constituir uma forclda
interpretacao par parte de t2o ilustre corncntador.
A primitiva instituicao nao passou dum simples recolhi-
mento de caracter religiosr, mas sem a disciplina cbrigatória
das regras monásticas. Drvido, porém, aos grandes exemplos
de austeridade de vida das respectivas recolhidas e ainda a ou.
tras ponderosas circunstarlcias, transformou-se dentro de pou-
cos anos em um mosteiro da <primeira regra. d\: Sarlta Clara
da mais estrita observiincia.
Téve como fundadores Gaspar Betencourk de Franca Neto
e sua mulher D. Isabel de Franca, que déIe tambétrm farzm sem-
pre os mais desvelados protectores e bem assim alguns mem-
bros desta família e ainda os secs descencientes. Parece ter tido
uma parte muito activa nesta fundzic29, ccmo pessoa dcs me-
lhores relacoes dos instituidores e urn prudente e avisado con-
seiheiro, o padre Joao Ribtiro, mernbro da Companhia de JI-
sus, que entao gosava no Funchal da maior cansideracao pelas
suas eminentes virtudes e rara cultura de espírito.
A construciio do recolhimento e suas depen32ncips fni bas-
tante morosa, pcis que tendo principiado no ano de 1643, so-
mente'as recolhidas deram nele entrada a 15 de junho de 1656.
Esta fundaqio sofreu ums grande oposicao por parte do capi-
tao-general e governador do arquipélago D. Frzncisco de Mas-
carenhas e também do vigário geral e governador do bispado
dr. Pedro Moreira, que posterioralente veiu a dispensar ao
convento urna eficaz e merecida proteccao. Lutarrm os funda-
dores com grandes dificuldades de váriiz ordem para a reali-
z a @ ~da sua pledosa empreza, mas conseguiram vence-las A
fdrca da mais perseverante tenacidade.
O alvará régio de 20 de D~zernbrode 1663 permitiu a
transformrtcao do recolhimento num convent~ de regular ob-
serv8ncí@,sendo essa autorisacao confirmada por um breve
pontifício de 15 de agosto de 1665. As vinte e uma recolhidas
fizeram a sua profiss20 religiosa, tendn como primeira abades-
sa a m2dre Dona Branca, do n~osteirode Santa Clara, que ali
deu entrada a 13 de junho de 1667, iniciando-se entao a-verd~dei-
ra vida do claustro. Esta mudanca do recolhimento em mos-
teiro observante foi promovida pelos seus fundadores, partiru-
lamente impulsionados ,pelos grandes exempl~s de austerida-
de e penitencia que ali praticavam as recolhidas, como já
dissémos, estando tambéim estas desejosas de se submeterem
voluntáriamente As regras duma rigorssz disciplina csnventuol.
Floresceram nas m i s heroicas virtudes muitas das reli-
giosas deste convento, das qusis re guatdavam no respectivo
arquivo memórias da sua exemplaricsima vida e ate de fictos
miraculosos atribuidos 2 sua v;;liosa intercessan. Entre elas se
deslacou a madre Brites da Paixao, cuja fama de santidade per-
durou até os nosscls dias, tendo nascida na freguesia do Cani-
co e falecido a 25 de Setembro de 1733 e pertencendo A anti-
ga e ilustre família Ornelas desla ilhai, de que sao membros os
distintos madelrenses o arcebicpo D. Aires de Ornelas e os
conselheiros Agostitiho de Ornclas e Vasconcelos e Aires de
Ornelas e Vasconcelos.
Por meados do século XVIII reaIisarzm-se na igreja e em
outras dependencias do convento importantes cbras de repara-
qao, de que muito necessitava todo o edifício.
As religiosas deste mosteiro tiversm que abandoná-lo e
f o r m definitivamente cerrades as suas partas com as leis pro-
mulgadas Acerca dos institutos monásticas ao dar-se a implan-
taca0 da r&~úblicri.Embora com a mais recatada prudencia
e sem uma sancao legal que a isso ~bertamenteas autorisasse,
mantiveram sempre essas religiosas as práticas da vida claus-
tral, observando com rigor os preceitos da sua regra confor-
me o podiam permitir as circunstancias de ocasiao. Foi talvez
um caso único ocorrido no nosso país, que merece ficar regis-
tado ncstas páginas.
A,igreja e a casa conventual foram demolidas no ano de
1911 e no mesmo local se levantou um edifício destinado i
instalaca0 da associacao de beneficencia ~AuxílioMaternal »
que ali mantem urna créche e outras obras de assistencia.
Convento de Nossa Senhora da Incarrnagúo-Como já tivé-
mos ocssiao de dizer em outro lugar, a fundacao deste con-
vento foi ínspir~dspor um sentimento do mais puro e arden-
te patriotismo. O cónegn Henrique Calaca de Viveiros fizera o
voto de levantar um mosteiro em honra e louvor de Nossa
Senhora da Incarnacao, a qilem era muito devotado, quando o
seu país se libertasse inteiramente do jugo castelhano e reta-
masse a sua antiga irldepcndenciai. Cumpriu religiosamente a
piedosa pramessa, fazenris erguer um modesto convento no
ano de 1645. O cóilegu Henrique Calaca, que era natural da
ilha do Portg S?rils, nasceu por 1589 e faleceu no Funchal a
25 de Malo de 1662. O séu retrato, em tamanho natural, que
se encontrava no coro da igreja, cctiscrvava num dos ángulos
da tela esta inseri~iía: aRetrat~natural do cónego Henrique,
Calaca de Viveiros, fundador deste convento. Faleceu a 25 de
Maio de 1662 com a idarde: de 73 anos..
O terreno, ocupado actualmente pelo edifício do SeminB-
rlo Diocesano e sua cerca, que era pertenca do cónego Henri-
que Calaca, foi o local eseolhido para esse sacerdote dar intei-
ro cumprimento a5 patriótico voto que fizera. Comecou esta
instituicao por ser utn modesto recolhimento de pessoas de
comprovada virtude, que quinze anos mais tarde se transfor-
mou num verdadeiro convento da .segunda regras de Santa
Clara.
Cornecou a construc%odo edificio no dia 20 de Novem-
bro de 1645, anexo a urna pequena capela já ali existente, e
passadu um ano entraram n2le as cii:co primeiras recolhidas,
cuj:, número aumentou posteriormente. O cónego Henrique
Calaea impetrou de Roma licenca para fazer a mudanca, na
qualidade de fundador, do pequeno rccolhimento numa casa
conventual de regular cb;ervincia, o que lhe foi concedido por
bula de 16 de Novembro de 1651, mas a que sómente se deu in-
teira cxecucao no ano de 1660 A 4 de Fevertiro de 1657 lavrou-
se a escritura da dotacao, que assegurava a existencia da nova
instituicao monástica, com que o seu fundador Ihe doou os
importantes haveres que possuisi na ilha do Porto Santo e ain-
da outros num valor superior a vinte mil cruiados.
E' de 6 de Novembro de 1659 o alvará régio que conce-
de autorizacao para a elevacilo~dorecolhimento r mosteiro de
ordem regular, e no mes de Abril do ano seguinte de 1660 se
iniciou verdadeiramente a vida claustral cam a entrada da pri-
meira abadesa, a madre Clara de Silo Bernardo, vinda do con-
vento de Santa Clara, existinda entlo ali vlnte e nove recolhi-
das, que todas professaram no anca imediato depois dum rigo-
roso e exemplar noviciado.
Em mais dum lugar ternos deparado com a informacao de
que a autoridade eclesiástica de acorda com a autoridade civil
deste arquipélago tentaram por mais duma vez reunir, em uma
só, as duas coaiunidades de Santa Clara e da 1ncarnic.0, com
o principal fundamento de que a primeira dispunha de abun-
dantes recursos para se mantsr e a segunda pertencer a um
convento de escassos rendimentos, mas nunca se realizou essa
projectada medida, devido certsimente a valiosas influencias que
se interpuseram e de modo especial A oposicao que a isso ofere-
ciam as próprias comunidades interessadas. N0 entretanto, o
f6rca imperiosa das circunsl2ncias obrigou a essa reuniao,
quando a Madeira foi pela segunda vcz ocupada por tropas
inglesas, tendo todas as religiosas da Incarnacao deixado o seu
convento no dia 7 de joneiro de 1808 e recolhido ao de San-
ta Clara, onde permaneceram alguns anos, afim de serem aquar-
teladas as tropas britanicrs na casa monástica, fundada pelo pa-
triotismo do cónego Henrique Calaca de Viveiros.
Neste mosteiro manteve-se sempre exemplartnente a dis-
ciplina conventual, havendo-se muitas das suas religiosas dis-
tinguido como modelos na prática de todas as virtudes e ten-
do algumas delas deixado iiome aureolado pela santidade nas
crónicas manuscritas do respectivo arquivo.
Por especial concessao pontificia, esteve sempre o conven-
to da Incarnacao sob a imediata jurisdicao da autoridade ecle-
siástica local, tendo-lhe vários prelados diocesanos dispensado
especiais merces e benefícios e entre eles se destaca o bispa
D. Joao de Nascimento (1741-1753), que fez urna importante
d o a ~ a oa fábrica deste mosteiro.
Na primeira metade do século XVIII prissaram a cerca, a
igrejs, as casas e outras dependencias por Importantks repara-
@es e acrescentamentos, custeados pos donativos particulares e
bambém pela Coriseiho de Fazer~dadeste arquipélago.
Tendo falecids a última freira, a madre Vicencia Violante
do Céu, a 20 de Abril de 1890, passararn os edifícios A posse
do Estado, mas continuaram e i n d ~ali residíndo shlgumas anti-
gas recolhidais. No ano de 1895, o governo central cedeu pro-
visóriamente urna parte do velho convento para a instalaca0
duma oficina de Sao José, que nao teve larga duracao. O de-
creto de 11 de Julho dc 1903 fez cedéncia ao prelado D. Ma-
nuel Agostinhu Barrtto de tcdrs as dzpendencias do mosteiro
para á~edifjczqaodo Seminário Diocesano, como miis larga-
mente se verá no capítulo que ¡he f6r dedicado.
XXI 11

A Compenhia de Jesus

Achava-se em Lisboa o quinto capitao-donatário do Fun-


chal Sirnao Goncalves da Camara, quando nos primeiros dias
do mes de Outubro do ano de 1566 os corsários franceses as-
saltaram esta cidade e deram aqui o terrivel saque, de que fa-
lam com tanto horror as antigas crónicas madeirenses e do
qual fizemos já uma narrativa sumária num dos capítulos pre-
cedentes. Acudiu prontamente o donrti4rio com os indispensá-
veis socorros, enviando A Madeirr seu filho e sucessor no
governo da capitania Joao Goncalves da Camara, mas chegou
infelizmente tarde a armada que este comandava, pois que os
franceses haviam já saído da ilha, depois de alguns dias de
destruicao e de matanca.
Vieram nessa frota, por convite de Joao G o n ~ ~ l v edas Ca-
mara, os padres Francisco Varca, portugues, e J. Naxera, cas-
telhan0, ambos da Companhia de Jesus, que logo se entrega-
ram a um intenso apostolado, que o estado de espírito dos
habitantes prometia ser extremamente frutuoso, tendo as suas
pregacoes despertado o maior interesse e admiracao, ao ponto
do doutor Gaspar Frutuoso formular a ousada hipérbole de
#que nao sabia qual das cousas f6ra maior para esta ilha, se o
que perdeu com a chegada dos corsários, se o que ganhou
com a vinda destes religiosos~.
Os excelentes servicos prestados pelos dois jesuitas no
desempenho das func6es do seu ministCrio aliados as suas
qualidades pessoais de austeros e zelosos sacerdotes grangea-
ram-lhes uma alta consideracao e dedicada simpatia por parte
de toda a populaqao, formando-se sem demora um ambiente
favoravel A sua permanencia no Funchal e nascendo natural-
mente a ideia da criacao dum Colégio nesta cidade da ordem
a que esses religiosos pertenciam. De regresso ao reino teriam
as suas informac6es e provavelmente a valiosa interferencia
dos jesuitas madeirenses Leao Henriques,,que era o provincial,
e Luís Goncalves da Ciimaro, o célebre aio do rei D. Sebastiao
e tio de Joao Goncalves da Catnara, concorrido para a fundacao
dum Colégio nesta iiha, o que veio a realizar-se no ano de
1570.
O rlvará do rei D. Sebastiao de 20 de AgGsto de 1569 é
o verdadeiro upadrao. da fundacao do Colégio do Funchal,
tendo outro alvará régio, de 10 de Agosto de 1579, estabeleci-
do a forma de dar execucao As cláusulas contidos no primeiro
diploma. Por eles se fixa a dotacao anual de 600.000 reis para
a tnanutencao do Coilégio, vindo o alvari regio de 17 de Se-
tembro de 1607 alterar a maneira de satisfazer os encargos
dessa dotacao, que cntao ficou notavelmente acrescentada. Es-
te~ interesantes dacumentos, que por brevidade nao reprodu-
zimos, veem insertos nas aMem6rias do Estado Eclesiistico da
Ilha da Madeira.. , S , de onde o dr. Rodrigues de Azevedo os
trzlsladou para as páginas das Saudades da Terra, encontran-
do-se tarnbém transcritos no apreciado ~IndiceGeral do Re-
.
giste da Antiga Provedoria da Real Fazenda.. D. O abalisado
comentador do padre Gaspar Frutuoso, com o seu conhecido
espírito seciário em assuntos de carácter religioso, comentando
com azedume esses diplomas e o curioso Inventárlo, a que se
procedeu em 1759, dos bens que os jesuitas possuiam nesta
ilha, cnega a conclus6es muito exageradas, rinda mesmo a
admitir-se que essc tnvaniárlo seja um documento sério e im-
parcial, do que há graves razties para duvidar.
Autorisada legalmente a criacao do Colégio em 1569,
como ficou dito, vieram no ano seguinte os primeiros religio-
sos dar cometo a esta fundacao, qye foram os padres Manuel
Szqueira, investido no cargo de reitor, Pedro Quaresma, como
professor de teologia moral e Belchior de Oliveira, encarrega-
do especialmente dos servicos religiosos, hlém do diácono Vas-
co Baptista, para professor de latim e retdrica c mais dois ir-
maos coadjutores, os quais tendo partido de Lisboa a 9 de
Mar40 do ano referido chegaram ao Funchal a 18 do mesmo
mes. Grassando a peste em Lisboa, e nao lhes sendo por esse
motivo permitida a estada nesta cidade do Funchal, foram acoa
lher-se a uma casa, que generosamente lhes ofereceu o fidalgo
Fernao Favila, nas imediacoes da capela de Nossa Senhora da
Ajuda, que ainda existe no sítio deste nome, e que f6ra por
ele fundada, tendo esses religiosos ali permanecido cerca de
dois meses.
Instalaram-se proviaóriamente e em condicoes pouco con-
fortáveis numas casas que alugaram no centro da cidade, no
largo que hoje conserva o nome de Chafarlz, junto da antiga
capela de S. Sebastiao, e logo iniciaram os seus trabalhos de
apostolado e deram também corneco ao seu curso de teologia
e de humanidades. Imprimiram uhia desusada salenidade á
abertura desse curso, em que o diácono Vasco Baptista profe-
riu uma elegante oracao na língua latitia, solenidade que se rea-
lizou a 6 de Maio de 1570, dia dedicado ao apóstolo Sao Jcao
Evangelista e desta circunstancia nasceu a ideia de dar-se Lt
nova instituicao o nome do Colégio de Sao Joao Evangelista,
que perdurou através do tempo.
Foi em extremo apreciada a accao desenvolvicla por Mes
religiosos e de modo especial a arrebatadora eloquencia do
padre reitor Manuel de Sequeira, que sabia impressionar e
comover os numerosos auditórios que Avidairnente o escuta-
vam no púlpito da Sé Catedral e de outras igrejns, sendo
grandes e notórios os frutos aue essas prédicas evangélicas
Produziam no seio das popula&es. O curso de teologia e
uarticularmente o de humanidades tiveram semore oma notável
frequencia, tanto na rua de Sao Sebastiao e nohisspício de Silo
Bartolomeu e rnais tarde nas chamadas Aulas do P&G, como
adiante veremos, constituindo esses cursos urna verdadtira no-
vidade neste meio e de grande utilidade e aproveitamento para
aqueles que assiduamente os seguiam.
A austeridade de vida, o zelo apostólico, o grande espí-
rito de sacrifício e mais que tudo a accao eminentemente re-
formadora que animavam os novos religiosos, concitaram con-
tra eles a má vontade de muitos, a comecar pelo capitao-do-
natiirio Simao Goncalves da Camara e pelos próprios frades
franciscanos, que, julgando-se ofendidos e lessidos nos seus an-
tigos privilégios e regalias, lhes moveram uma tenaz oposicao,
para nao dizermos guerra declarada, tanto no exescicio das
funcoes do seu ministério .como na construcao da igreja e
188 DIOCESEDO FUNCHAL
--

colégio que pretendiam levantar. Os jesuitas souberam, porém,


conjurar a tempestade, que se erguía ameacadora, com aquela
prudente energia que os caracterisa, e conseguiram levar a cabo
a obra tao auspiciosamente iniciada .e até com o aprazimento
e auxílio dos próprios perseguidores
Tres meses depois dos jesuitas se estabelecerem nesta ilha,
aportou ao Funchal no dia 15 de Junho de 1579 uma armada
do comando de Luís de Vasconcelos, que, além das equipagens
e de vários passageiros, conduzia quarenta religiosos da Com-
panhia de Jesus, os quais tinham como superior o padre Iná-
cio de Azevedo e se destinavam as missoes evangélicas, que
aquela ordem monástica mantinha em terras brasileiras. Como
se sabe, foram estes religiosos que, passado um mes, sofreram
o martírio a vista da ilha da Palma, nas Canárias, sendo-lhes
concedida a honra dos altares e celebrando a Igreja Católica
no dia 15 de julho o aniversário desse martírio glorioso.
Nao podendo os jesuitas do Funchal, pelo acanhado das
suas moradias, alojar todos os seus irmaos em religiao que
viajavam para o Brasil, ficaram Mes acomodados a bordo dos
navios e alternadamente se revesavam nas visitas que em cada
dia faziam aos religiosos que ocupavam as casas da rua de Silo
Sebastiao. Receberam Mes os seus confrades corn efusivas de-
monstraqoes de apreqo e da mais fraternal simpatia durante os
quinze ou vinte dias que permaneceram nesta cidade, dando-se
a circunstancia de haver entre os futuros mártires muitos que
tinham sido discípulos e novicos do padre-reitor Manuel de
Sequeira, por quem nutriam a mais filial e respeitosa estima.
Inicio de Azevedo e alguns dos seus companheiros exer-
ceram no Funchal as funcoes do seu ministério, principalmente
na capela de Sao Tiago, e estiveram na freguesia de Santo An-
tónio, perrnanecendo algum tempo no sítio do Pico do Cardo
e alí se entregavam a diversos exercícios de piedade, em me-
mória do que se levantou no local urna grande cruz de madei-
r r que o tempo derribou, mas que foi conservada no Colégio
do Funchal como uma verdadeira relíquia digna da maior ve-
neracao. Aproximadamente um século mais tarde, construiram
os jesuitas naquelas vizinhas imediaqoes uma excelente casa
de recidencia e uma capela da invocacao de Nossa Senhora do
Papulo cr nesta se encontrava uma lápide de mármore, onde
se lia esta interebsante inscrigo: En' memórla dos gloriosos
mártires da Comp." de Jesus o P. Ignacio de Azevedo c seus 39
companhe¿ros que navegando p a o Brazrl no ano de 1570, aos
15 de julho d vlsta da ilha da Palma merecerdo a do martirio
pella fé de Christo langados ao mar pellos herejes e tendg esta-
do nesta quinta do Pico do Cardo vlnhdo a este 10gar~corna sua
cruz e nelle faziüo as suas devocdes, se erlglo esta p." maior
gloria de Dem. An. de 1745.. Essa Iápide, que deveria ter sido
religiosamente conservada na capela ainda ali existente, foi há
mais de trinta anos removida para o colégio dos jesuitas em
Campalide, nos arredores de Lisboa, sendo provavel que já 14
se nao encontre.
Os quarenta religiosos sairam da Madeira nos principias
do mes de julho e navegavam na nau Santiago, que no dia 15
do mesmo m8s, 4 vista da ilha da Palma, uma das do arqui-
pélago das Canárias, foi abordada por uma armada do coman-
do de Jaques Soria e tripulada por huguenotes franceses, que
por ódio A religiao católica trucidaram ferozmente os indefesos
jesuitas e lancaram os seus corpos ao mar, tendo sido beatifi-
cados pelo papa Pio IX.
Depois duma permanencia de dois anos nas casas anexas
A capela de Sao Sebastiao, transferiram os jesuitas as suas ins-
talzcoes, no ano de 1572, para a albergarin e igreja de Sao
Bartolameu, situadas na ruo Direita, que a s tenpo se prolon-
gava até As proximidades dn actual Ponte do Torreaa. Esta
igreja e albergaria tinham sido fundadas por Goncalo Anes de
Velosa e destinavam-se a recolher os clCrigos pobres e impos-
sibilitados de trabnlhar, mas nao chegaram a ser aplicadas ao
fim que tivera em vista o seu instituidor, o qual faleceu a 1 de
Agosto de 1497 e teve sepultura na referida igreja. Ali conti-
nuaram aqueles religiosos com o mesmo zelo e proficiencia o
exercício do seu ministério sacerdotal e a lecionacao días suas
aulas, sempre com um desusado concurso de fieis e notável
frequencia de alunos. Poucos snos depois adquirlram o terre-
no que é hcje ocupado pela igrcja e o quartel do regimento
de infantaria n.O 25 e que entao se estetadia desde o largo do
Município A rua dos Netos e da rua do Castanheiro A dos Fer-
reiros, e ali construiram uma pequena igreja e umas modestas
casas, em que se instalaram, devendo referir-se a estas edifica-
c6es a data de 1578, em que se dao por concluidos os traba-
lhos da erecc8o da igreja e do colégio. Iam no entretanto lan-
cando as bases do seu grande Colégio e da sua majestosa Igre-
ja, dos quais mais adjante nos ocuparemos.
Com o deccrrer do tempo alargaram os jesuitas a sua
acc%ono cxerricio do seu apostolado e na melhoria da sua si-
tuacao temporal, construindo algumas residencias com peque-
nas capelas anexas e adquirindo varios prédios rústicos, que
constituiam a base da sua manutencao nesta diocese, como or-
clem monastica regular nao mendicante. As salenidades religio-
sas e outras fiarcoes do culto, os numerosos encargos pios im-
postos pelos bemfeitores c doadores da igreja e do Colégio, a
srsstentaeao dos cursos de humanidades e de teologia, o exer-
cício da beneficencia, etc , abjorviam os proventos relativamen-
tu grandes &.que: gozavani, como fossem as rendas de pao e
vinho d3s freguesias da Tabúa, Ribeira Brava, Serra de Agua e
Camparaáris, e ainda do pescado, verduras e cmiuncasw das
mesrnzs frcguesias, Aiém das fazendas que possuiam nas paró-
quians de Silo Pedro, Santa Maria Maior, Silo Roque, Santo
Antónic, Msnte, C i m a r ~ de Lobos, Estreito, Campanário e
Ribeira Brwva. Se é certo que era muito extenso e importante
o prédio do Campanário, que é hoje quasi toda a freguesia da
Quinta Gratade, muitos outsos havia de pcquena monta e de
bern escarssos reirdimentos.
Possrrixm os jesuitas as .residencias., com casas ,de mora-
dia e capclas arrexac. do Pico do Cardo, na freguesia de Santo
AntBnfo, a BQ Pico dos Frias, no sitio deste nome da fregue-
sia de S23 Pedro, n da Nossa Senhora do Rosáeio, no sítio da
Fundoa da fzeguesia de S2o Roque, a de Nossa Senhora do
Socorro, no ritio da Azenha da freguesia do Canico, e ainda
urna peqvnena #&residencia*,sem capelr, no sitio do Lugar da
freguesika da Ribelra Brava.
os religiosos da Companhia conservaram sempre a alta
regritac3o que os acompanhara desde a sua entrada nesta ilha,
dedicando-se cxclusivimente, com o mais acendrado &lo e a
meis edificarite piedade, As funcoes do seu árduo ministério.
Surge, porkm, a injusta e cruel perseguicao que o Marques de
Pombal moveu aos jesuitas e que se estendeu a todas as co-
Iónias ~orluguesas, manifestando-se inopinadamente no Fun-
chal a 29 de Maia 1759.
O novo governador e capitao-general deste arquipélago
José Correia de Sá t o m ~ uposse do seu cargo a 27 de Maio
de 1759 e, dois dias depois, mandou cercar militarmente o
Colégio e a igreja de Sao Joao Evangelista, estobelecenda-se a
completa incomunicabilidode dos que ali residiam até a dia 16
de Julho do ano seguinte de 1760, em que .sairlatn do Funchal
com destino a Lisboa. Nesse mesmo diu, de 29 de Maio de
1759, se fez a apreensao judicial do Coiégio e suas dependencias
com todo o seu mobiliário e ailfaias do culto, procedancio-se
também atabalhoadamente a um lnventdrko de todos os txoveis
e imoveis que a comunidade possuia nesta ilha. Veiu ao nosso
porto a nau aNossa Senhora da Natividade~, do ccmando de
Joao da Costa e Brito, trazendo a seu bordo o conde de Cao
Vicente, encarregado da missas de acompanhar e fazer trans-
portar A capital os dezanove jesuitas, sendo anzc szcerdctcs e
oito irmaos coadjutores, que durante um ano iinham perrnaz
necido r>re%ose incomunicáveis dentro dss uiaredes do seu
colégio.
O b i s ~ oD. G a s ~ a rAfonso da Costa Brundae. aue deixou
nesta diocese honrbsas tradicoes dum distinto'e 'apostólico
prelado, tomou na Madeira as mesrnas atiiudes dos seus cale-
gas no episcopado do continente portugues no giocediimento
havido para com os perseguidos membros da Cueupanhia da
Jesus. Todos ou quasi todos os bispos, sob a despólicw precroao
do Marquesde Pomba1,publicaram pastorais, rlguwas belas cheias
de inflamados tropos, contra os jesuitas e as supostas doutri-
nos subversivas que eles professavam. Datado de 30 de Junho
de 1759, publicou D. Gaspar Brandao uma pastoral do mesuno
genero dlrigida aos seus diocesanos, que há pczucos anos foi
reproduzida nas colunas dum jornal desta cidade.
O colégio e a igreja dos jesuitas foram entregtntr a guarda
do bispo diocessirro e os restantes haveres ficaram sob ia viyi-
lancia do governsidor e capitao general e do corregedor. Pou-
cos anos depois, puseram-se em hasta pública as propriedades
que éles possuiim nesta ilha, sendo a da Quinta Grasade arre-
matada por 140.000 cruzados, a do Pico dos Fu31aspor 9.226 000
reis e a do Pico do Cardo por 7.000.000 reis.
Depois da nossa Sé Catedral, 6 a igrejq de Sao Jeao Evan-
gelista, vulgarmente conhecida pelo nome de Igreja do CoIkyi~,
o principal templo de toda a diocese, n%o s ó m e ~ t epela ainipla
vastidao, típica arquitectura e majestosa frontaaia, mas c,Iada
pelas belas decora~oesinteriores, que nele fácilmenle descobre
qualquer atento observador, embsra nao muito versado em
192 DIOCESEDO"FUNCHAL

assuntos tCcnicos e artísticos respeitantes a essas especialidades.


A~resentaa feicao característica das edificacoes da Com~anhia
de Jesus, a que-certamente falta a beleza e majestade do esti-
lo gótico, parecendo antes simbolizar, como já alguem obser-
v o ~ a, indomável energia de vontade e a inquebrantável intran-
sigencia de princípios, que tao notavelmente distingue os mem-
bros dessa ordem religiosa. Desta igreja disse o benemérito e
nunca esquecido governador da Madeira o conselheiro José
Silvestre Ribeiro : #A solides da sua construcao condiz com o
pensamento dos famosos fundadores, que parece edificavam
para a eternidade; e o estilo arquitectónico suposto ser muito
alheio as belezas e poesia dos admiráveis especimens da Bsta-
lha e de Belém, tem contudo um certo cunho de grandeza, que
eleva a alma e cativa profundamente a atencao..
Do ElucMdrlo Madelrcnsc, da nossa co-autoria, vamos ex-
tratar algumas das notas que ali deixámos exaradas a respeito
dessa igreja, acrescentando-lhe algum pormenor interesante,
que posteriormente tivasse vindo ao nosso conhecimento.
Escasseiam-nos notícias seguras Acerca da determinacao
exacta do tempo em que principiou a sua edificacao, devido
principalmente A confusa0 que se tem estabelecido entre a épo-
ca da construcao do primitivo colégio e capela anexa, que exis-
tiram no mesmo lccal e ali foram levantados nos anos de 1572
a 1578, e a ereccao do grande templo e do vasto colégio, que
correspandem A igreja actual e ao quartel do regimento de in-
fantaria n.O 25, sendo este§ edificados muito posteriormente.
A sua construcao deveria ter comecado pelos fins do pri-
meiro quartel do século XVII ou princípios do quartel seguin-
te, conforme parece deduzir-se dum manuscrito do século
dezoito, o que aliás se harmonisa com as seguintes palavras do
-
erudito anotador das Saudades da Terru : #Debalde temos
buscado no edifício e igreja do colégio dos jesuitas do Fun-
chal inscricao comemorativa de quando construido : tao só-
mente richámos sobre a porta exterior do Páteo das Aulas,
pertenca do mesmo colégio.. . a era de 1619, tendo a meio as
armas reais portuguesas. A abóbada da capela-mór tem visos
dearisco arquitectónico ainda manuelino. O cruzeiro, corpo do
templo e a obra da entalhadura das capelas silo no gosto bas-
tardo da renascencw.
A edificacao fez-se com alguma morosidade e s6 haveria
sido dada por terminada pelos meados do século XVII, ii par-
te quaisquer detaihes de ornarnenta~ao,que ainda mais tarda
se teriam definitivamente concluido, como sejam a colocacIo
das estátuas na front~rliada igreja, a decorsncao de algumas ca-
pelas, etc,
A igreja conserva no seu frsntes~ício as estátuas, em ta-
manho natural, de Santo Inácio de Loida, de Sao Francisco
Xavier, de S3o Francisco de Bqrja e de Santo Estanisláu Kosta,
as rnois ilustres membros da Companhia de Jesus, primorosa-
naente talhadas em máirmore, dando A fachada do edifício um
aspecto de notave1 beleza e magnificencia.
O fundo da igreja C formado pela capela-mór, dedicada ao
titular Sao Joao Evsragelista, e pelas duas pequenas capelas de
Nossi Senhora da Luz e de Nossa Senhora do Socorro, fiean-
do a dentro do cruzeiro as capelas de Jesus Crucificado e a
de Nossa Scnhora Mae dos Homens. Ao longo das paredes encan-
tram-se, do lado do evangelho, as capelas das Onze Mil Vir-
gens, de Sao Miguel e de Santa Quiiéria, e do lado da epís-
tola, as de Silo Francisco Xavier, de Santo António e de Nossa
Senhnra da Conceicao.
Silo muito apreciiiveirs as deeora~orsinteriores e entre as
suas téllas destaclim-se alguns quadros de grande valor artistieo.
A szcristin principal está guarnecida com excelentes paineis
tmcldurados em primorosa aalhn de madeira dourada e neli
se encontra um belo retrato do rei D. Sebastiao, 0 verdadeiro
furidador desta igreja e do colégio que Ihe ficava anexo.
L2:nos ailgurcls que afoi riscada e pintada por um itgiiririo
natural de Toscana e fai escultor Braz Fernandes.~
Esteve esta igreja vedada ao servico do culto desde o ano
de 1760, sendo possivel que, em 1788 e durante o limitado pe-
riodo de tempo em que 0 Scminário Diocesano funcionou no
antigo colégio dos Jesuitas, neia se recrlizassem temp~ráriamen-
te stlgumas flancoes religiosas. Cmtinuisu no mais completo
abandono até s lino de 1847, em que o ilustre gcavernador
civil deste distrito o benemérito conselheiro JosC Silvestre Ri-
beiro praccdeu A sua restauracas, reparando inteiramentc as
Bnjúrias do tempo e o dcspr8so e viandalilsmo dos homens. A
ele se deve esse assinalado servico e, pode afirniar..sc, se ele
nao fere, nao teria essr bela igreja sido restituida ao exercicio
do culto católico.
Quando as tropas inglesas oeuparam pela segunda vez estl
Ihi, permitiu-se abusivamente que elrs assistissem durante al.
guqs meses na igreja do Ccligio acs ofíclos do culto protes-
tante, ficando o templo interditado por esse motivo. O facto
causou grande consternac3o entre a populzcao ca!ólica da Ma-
deira, conseguindo o governodor e espita--general Pedro Fr-
gundes de Antas c Menezes por termo a esse abuso no mes de
Fevereiro de 1809.
O colégio de Sao Evangelista, cnde actualmcnte se acha
aquartelado o regimento de infantariz n." 23, fai o grande edi-
fício que a Companhia de Jesus fez levantar para ra instxlacao
da suo comunidade e dos seus cursos de teelogia e de huina-
nidades, que durante dais séculos rnarrtiveram nesta cidode com
grande aproveitamento dos alunos.
A época da sua construcao deve ser a mesma da da igreja
que lha estava contigua, quaai formando cotn ela urna ítnica
edificacao. Numa das suas dependencias, destinad%ao fuvlcio-
namento dediversas eii!as, Ie-se áinda a era dl: 1619, que repre-
senta, com pequena diferenca para miis ou para menos, a data
aproximada da construcao do corij~ntodc lodos os edificios
que ali se levantaram.
No antigo manuscrito, a que já atrás nos referimos, en-
contriirnos descritos esies pormenores: <Todo o edificio do CG-
légio consta de cinco corredores, e toda a obra está disporta
em uma mognlfica quadra, na qual entra também a igreja. O
ccaeedor da portgria tem de ci;mp~imenicp noventa r quafro
p~imos;o que no Cclcgio chamam grande Lrezaitos e cin-
ccemto; o da livrarin e capeia irsterior duzintos e vinle e oito;
o corredor que se chaaa o airado cento e secsenta e doir; o
do lavztórií, duzentos e qusrenta e seis; ern tcdos e!cc é a lar-
gura igual de dezaseis p z l ~ o se melo e a!:ura Ge eintc e meio.
T e a milita g a t e destz ilhl ?m divvrsos tetnpas frito merces e
doacoes grandes a esic nosso Colégio e por isso é grande s
número de seus insignes bemfeitores~.Ve-se cfarnmenle que o
edificio foi talhadr, com urna certci emplida9, dz que temos
urna pro. manifesta na parte considerave! que dele ~ i n d ahoje
resta de pé,
Era a entrado principal do Co!6gio ns ru3 dos Ferreiros,
que entao conservava, em parte, o nom- d: rua do Estoido,
por ficarem nelri os curs3s professsclos nn mesmo Colégio,
tendo também urna entrada alpendrada e de certo aparato ao
lado da igreja e que actualmente dá acesso a algumas depen-
ciencias do quartel do rcgimento de infantaria n.O 25.O A rua do
Castanheiro constituía, ao tempo, uma apertada travessa, que
foi alargada há cerca de 90 anos.
Nas nova9 casas deram s s jesuitas maior amplitude aos
seus servicos, tendo uma instslzcao especial, num pátio exte-
rior do edificio, destinado ao curso das humanidades, que
ficou cunhecido pelo nome de Aulas do Pátlo e que ali fun-
c i o n o ~ ccm tcda a rcgoloridsde e grande frequencia de
alunos até o ano de 1759. Nessa mesma dependencia, cstabe-
leceu-se em 1837 o liceu do Funchal, que ali permaneceu ate
o ano de 1881.
Continuaram os jesuitas a ocupar o Seu Colgéio, deiem-
penhando fiel e zelosamente as abrigei~oesdo seu minislério,
quando inesperadamente se viram cercados por urna forca mi-
-1itar e tornados incomunicáveis afé o dia em que, sob prisao,
sairam para Lisboa, como acima ficou supáriamente referido.
A-pesar-de confiados A guarda do biupo diocesano, a igre-
ja e o colégio ficaram ao abandono al6 o ano de 1788, O novo
prelado D. José da Costa Torres, antes de vir pessoalmente
assumir a direccao do S E U bispado, alcancuu a cedencia deste
colégio, por provisao régia de 10 de agosto de 1787, destina-
do á instalaca0 do Seminário Diocesano, o que se realisou no
ano irnediato e ali funcioneu até o ano de 1801.
Nas duas ocuphcoes violentas que as tropas inglesas fize-
ram desta ilha nos pericdos decorridos de 1801 s. 1802 e de
1807 a 1814, fci o antigo colegio e enlao semiriárlo trarrsfor-
mado em quartel duma parte consideravel dessas forcas mili-
tares, que ao sairem da hladeira deixaram o edificio e a iyreja
arexa com estragos quosi irreparaiveis.
Em ambas as ocasioes do excdo dessas troflas, pugnkram
os prelados diccessnos pela restituicaa do colégio, que um
diploma régio tinhi concedido a esta diccese, mas resultarem
infrutiferos tcdos os protestos e diligencias que nesse serbtido
se empregaram. E par este moiivo suscitcdse um gravissimo
conflito entre o bispo D. L ~ í Redrigucs
s de Vilares e o ga-
vernzdcr D. Jaté Manuel da Cimara, tendo este sido deposto
do scu cargo, o que tudo havemos de nilrrnr com o indispen-
savel desenvolvimento em outro lugor desta abra.
No intervalo havido entre a saida da primeira divisao in-
glesa e a chegada da segunda, isto 6, de 1802 a 1807, foi
aquartelado no edificio do cclegio urna forca de artilharia na-
cional, voltando em 1814, depois das tropas britinicas terem
deixado definitivamente esta ilha, a ser ccupados por diversos
co1:tingentea militares.
O Colegio dos Jesuitas esteve aplicado ro servico da res-
pectiva comunidade desde a sua fundncao até o ano de 1759
e ficou depois inteiramente ao abandono, sendo ncle instalado
o Seminário Diocesano desde 1788 a 1801 e em seguida ocu-
pado duas vezes por tropas inglesas e tambem por tropas
pacionais al6 á actualidade,
XXIV

8." Bispo D. Fr. Lourenco


de Tavoia
Seguindo apróximlidamente a ordem cronológica, na tlar-
racao sumária que vimos fazendo dos factos mais notáveis da
história d a t a diocese, cabe agora ocupar-nos do seu oitavo
prelado Dom Frei Lourenco de Tavora, que esteve na direc-
cae dela no período aecorrido de 1610 a 1617 e que sucedeu
ao bispo D. Luis Figueiredo de Lemos.
Vivia Fr. Lcurenco da Piedade no remanso do seu con-
vento, quando a instancias de seu tio, o tristemente celebre
D. Cristovao de Mourn, e do rei Filipe 2.O, foi epresentado
bispo do Funchal e confirmado pela Santa Sé a 24 de Outubro
de 1609, tendo xecebido a segracao episcoprrl a 6 de Junho do
ano segirinte, par mgos do inquisidor-gerál D. Pedro de Cas-
tilhs.
Em 1611 veiu asuumir o govérno do bispado, e por oca-
si30 da sua chcgrda a esta cidade Jcgo se si:scitou um grave
conflr'to entre tle e o s ~ n z d ofunchalen~e,pretendendo o pre-
lado fazer a rhia ei~tradascléne na diccese a cavalo, scb o pá-
lio e a cujps vsras deverizrn pegar cs vereadores da mesma
timara. Esta recalcitrcu e recorreu ao monarca, baixatido uma
provizao régia, em que se estábelecia que ela se uescusasse de
acornpanhar o bispo que quizer dar entrada a cevallo debaixo
d o palleo; porque debaixo do palleo só a El-Rey pertence~,
como se Ie nCsse curicso dccumento, regisf~dono fcmo 3.Od0
rrquivo da Cimara do Funchal.
Essa estranha pretensao, que D. Lourengo de Tavora jul.
gava devida ao seu elevado cargo, nao Invalida o bom con-
ceito a formar-se acerca deste distinto prelado, que deixou as
mais honrosas tradicoes do seu zelo apostólico e da sua auste-
ridade de caractcr nos sete anos que presidiu aos destinos des-
ta diocese.
Entre os factos mais salientes dr sua administracao epis-
copal, destaca-se a convocacgo dum sínodo diccesano. que se
realizou poucos anos depois da sur chegads, mas cuja época
nao conseguimos determinar. Nele se: zdoptaram enérgicas
provid6ncias tendentes a corrigir muitos abusos que se tinham
introduzido em diversos pontos da di~ciolinneclesiástica.
Levou os administradores das capells com encgrgos pios,
sob penas severas, a cumprirrm cs legadrs e pens6w a aue
estavarn obrigodos. segundo as disposic6es testamentárias dos
respectivos institiiidorcs, que em qraiaide parte tinham caido em
desuso, a-pesar-da existencia do Joizn dos Wesiducls e Capelas
destinado a superintender nessa matéria.
Teve o mais rigoroso ci~idadncom a crdenacao dos que
seguiam a vida eclesiástica, cxigi~do-lhes um procedimento
irrepreensivel já losgamente com~rnvodo,além dos conheci-
mentos liferários e cientificos indistserisáveis para Q born de-
sempenho das f u n ~ o e sdo seu minisfério.
Já nos referimos, no capítulo XXI deste estudo. ao fecto
~resenceadopor mvitas pesscac, n3 iprejn do convento de Sao
Francisco, a 26 de Dezfmbrn r i ~1482, e tido como miraculo-
so, em que foi visto o braco diseito da imzgem de Nocso Se-
nhor Crucificado descaida ao Iorigo da mcsma imagem, sem
que urna razao de ordena n~turalnodesse explicar a estranheza
desse caso. Passado!: 133 r ~ o es furidadc nlim doc~mentn de
investigocao coero dessa ocorrencfa, fea D. Lccrenco de Tavo-
rs uitblicar um zlvará episccpsl datado de 24 de Outubro de
1615, em que confere tcdn ri vólor e zuteriticldade ao referi-
d o documento e d á áquele facto o carccfer dum verdadciro
e inconte~tavel milagre. Ainda actualrncnte, a 26 de Deziem-
bro e a 24 de Outubro de czda ano, dizs em que se verifi-
cou o fpcto milagroso e cm qce rccebeu a resptctiva aprcvacao
da autoridade eclesiástic8, é essa sntfga e venerarda imrgem, que
se guarda na Sé Caiedral, e x ~ o s t aao culto e piedosa devacao
dos fieis nn altar que ficnu cnnhecido com o nome de Se-
nhor dos Milagres. Os dnis documentos e a a~aixon~lda crí-
tica que lhes fez o dr. Alvaro Rodrigues de Azevedo veem
insertos nas anotacoes As Ssudades da Terra do doutor Gas-
par Frutuoso.
Fez este prelado a importante doacao 4 fábrica da Sé
Catedral, duma amorada de casas. .. que estao na riheira
junto A Alfandega comprada a Simao Roiz Teixeira por nove-
centos mil reis. e ainda amais tres ,moradas de casasu, que
rendiam cerca de cem mi! reis, reservando D. Lourenco treze
mil reis .para missas anuais por sua alma A esmola de quatro
vintens .»
Por ausencia do governador geral do arquipélago Ma-
nuel Pereíra Coutinho, desempenhou esse cargo o prelado
diocesano, em que foi confirmado por alvará régio de 8 de
Abril de 1614, assumindo as respectivas funcoes a 4 do mes
de Juiho seguinte e tendo servido até 17 cit Dezembro do
mesma ano, dia e a que tomou pssse o novo guvernador Jor-
ge da Cimera.
Quási no fim da sua administracao episcopal passou Q
bispo D. Lourenco pelo grande desgosto de ver a vizinha ilha
do Porto Santo a,ssal%adapelos mouros, que ali se entregaram
a um verdadeira saque, matando .muitos dos seus habitantes e
levando um grande qúínrro deles cativos para Marrocos, entre
os quais alguns sacerdotes, depnis de haverem incendiado a
igreja paroquial e praticado as maiores barbaridades.
Néste episcopado, faleceu na cidade de Roma, a 28 de
Novembro di: 1614, o ilustre mzdeirense padre Manuel Cons-
tantino, que era formado em filosofia e em teologia pelas uni-
versidades de Coimbra e Salamanca e que na capital do orbe
católico foi distinto lente da célebre universidade da Sapien-
cia, tends ali publicado várisis obras na Iíngua latina.
Por bula de 19 de Setembso de 1617 foi D. Lourenco
de Tavora transferido para a diocese de Elvas, tendo saido
da Mndeira para o continente no dia 8 de Outubro daquele
ane .
D. Lourenco de Tavora, que pertencia as mais distintas
familias de Portugal, nnsceu em 1566 na quinta de Alcube,
séde do morgadio deste nome, de que seus pais eram admi-
nistradores, junto da vila de Azeita~,sendo filho de Alvaro,
de Sousa e de D. Francisca de Tavosa. No ano de 1587
abracou a vida monistica, tomando o habito dos frades cs-
puchos de Santo Antónis e pelos seus reconhecidos m é r i t ~ s
e virtudes exereeu na sus ordern os msis elevados cargos,
como f6ram os de professor, proviacial; visitador e delegado
a um capitulo geral realisado em Roma. Como ficou dito, foi
nameado bispo do Funchal em 1609 e em 1617 trzrisferido para
Elvas, tendo tenunciado a este bispado em 1625. Recolheu-se
a umas pequenas casas, junto do scu convento ern Lisboa, on-
de viveu quatro anos na mais recatada modestia, vindo a f s c -
lecer a 11 de Maio de 1629 com evidentes sinais de predestina-
do, segundo nos informa Jorge Cardoso no seu Aglologlo
Lusitano.
XXV

9." Btpo D. Jerónimo


Fernando
Em varios lugares se afirma que D. Jerónimo Fernando
era de estirpe realenga e que pouco tempo antes da sua apre-
sentacao para bispo do Funchal prevara em Madrid a sua no-
bilíssima ascendencia, o que bastante teria contribuido para a
sur elevacao ao episcopado.
Foi o nono bispo desta diocese e rpresentado pelo re¡ D.
Filipc 3.0 após a saída do seu antecessor D. Lourenco de Tá-
vora, e logo confirmado pela Santa Sé, recebendo a sagracao
episcopal no mes de Maio de 1618, mas sbmente assumiu pes-
soalmente a direccao do seu bispado no ano de 1621.
Teve o significativo epíteto de Apdstolo Bravo, por ser
pouco afavel no trato e de seu natural áspero e desabrido,
acrescentando um antigo manuscrito que era *irrequieto por
naturezan, o que nao obstou a que houvesse sido um distinto
e dedicado prelado nos longos anos em que pastoreou este
rebanho .
Extrcmimente zeloso pela exacta observbcia da disciplina
canónica, fez convocar sínodos diocesanos nos anos de 1622,
1629 e 1634, em que se promulgaram diversas aconstituic¿Ses.,
destinadas a regular certos serviqos eclesiisticos e entre eles
os do cabido da S6 Catedral. Foi muito assíduo nas visitas
pastorais, que realisou na maior parte das freguesias, sendo o
primeiro prelado que visitou a vizinho ilha do Porto Santo no
ano da 1632, adoptando em todas as paróquias medidas enér-
gicas pira a reprcssaa de gravas abusos, que dc longa data se
tinham introduzido. Subia muitas vezes ao púlpito da Sé Cate-
dral, onde frequentemente assistia aos ofícios e celebrava de
pontifical, e nao era raro prhgar em outras igrejas, mesmo
fóra das ocasioes em que pastoralmente visitava as diversas
freguesias.
Talvez demasiadamente severo em fazer cumprir as leis da
Igreja e muito intransigente no uso dos seus privilégios como
prelado diocesano, teve que sustentar porfiosas lutas com o
senado funchalense, com os governadores gerais do arquipé-
lago, com o provedor da Fazenda e ainda com o próprio clero,
de que por vezes saíu mai ferido, havendo por isso recebido
graves eensuras exaradas em documentos especiais baixados
das estacoes superiores.
D. Jerónimo Fernando nomeou um capelPo privativo para
a igreja de Sao Tiago, hoje paroquial de Santa Maria Maior,
contra a vontade da CAmara do Funchal, a quem a mesmr
igreja pertencia, e levando esta recurso daquela nomeacao
obteve sentenca favorável, que está registada no tomo 5 . O do
seu arquivo. Tendo o mesmo prelado lancado penas canónicas
ao Provedor da Fazenda pela falta de pagamento das congrúas
do clero, foi expedida a carta régia de 22 de Novembro de
1621, em que é acremente censurada a sua atitude .tanto por
nao pedir a matéria tal procedimento, quanto pelo cscandrlo
causado. ..P, achando-se esse documento trasladado no livro
3 . O da Provedoria da Real Fazendr.. . Fazendo várias nomex-
caes de benefícios eclesiásticos em sacerdotes do continente
~portugues,contra o disposto em várias provisoes régias que
stabeleciam preferencias aos naturais desta diocese, baixou
também uma carta rCgia determinando que se observasse esse
direito de preferencia a favor dos clérigos nascidos neste
bispado e nele ocupados no ministério eclesiástico.
No ano de 1523, em que a peste assolou esta ilha, fez-se a
eleicao de Sao Tiago Menor para padroeiro de toda a dioce-
se, como mais largamente havemos de referir em outro capítu-
lo deste estudo, comecando-se por essa ocasiao a constrsicao da
uma capela dedicada &quelesanto apóstolo, que um século mais
tarde foi notávelmente melhorada e ampliada, sendo benzida
com grande solenidade e aparato pelo prelado diocesano no
dia 25 de Julho de 1632. E ainda um século depois recebeir
novo acrescentamento e nela se procodeu a apreciáveis traba-
lhos nas decoracozs interiores, sendo nda instalada definitivr-
mente a séde da freguesia de Santa Maria Mrior no ano de 1803.
D. Jerónimo Fernando srrviu de governador geral do ar-
quipélago dPsde o mes de agosto de 1624 a abril de 1625 e
ainda nos anos de 1626 e 1628, tendo prestado relevantes ser-
vicos em vários ramos da administracao pública e especialmen-
te nos elementos de defesa da Madeira contra os corsários ar-
gelinos, chegando uma vez, diz urna antiga crónica manuscrito,
a ir em um navio, corn o seu animo denodado e cor~joso,em
perseguicao duma embarcacao mourisca, que ameacava dar um
assrlto a esta ilha. Foi no seu tempo, no mes de Janeiro de
1626, que os mouros desetnbsircando no sitio da Faja dos
Padres destruiram a capela de Nossa Senhora da Conceicilo
ali existente e saquearam a pequena povoaqao.
O anotador das Saudades da Terra faz a este prelado a
acusrcao de ter sido um acCrrimo partidário do dominio cas-
telhano e de nao se associar As manifestacoes de regosijo que
se deram no Funchal por ocasiao da aclamacilo de D. Joao
IV. E' possível que, havendo sido apresentado bispo pelo rei
de Espanha e especialmente pela situacao melindrosa do seu
elevado cargo, nao se mostrasse hostil ao governo dos domi-
nadores, mas a verdade é que abracou sem demora a restau-
racao, intervindo até directamente, com o prestigio de que
gosava, no rpaziguamento duma sublevacilo popular levantada
contra o Governador e diversas autoridades locais, quando
nesta ilha se realisaram os actos públicos da aclamacao. A car-
ta régia de 2 de Agosto de 1641, que mandou proceder enér-
gicamente contra os individuos que se mostrsram desafectos
P nova situacao política, envolveu nas suas apertrdas malhas
varias pessoas categorisadrs do Funchal, nao atingindo o pre-
lado D. Jerónimo Fernando, o que bem prova a injustificada
acusacgo do dr. Alvaro Rodrigues de Azevedo.
Serviu de pravedor da Santa Casa da Misericórdia, A qual
prestou relevantes servisas, promoveu o ~ndamento do pro-
cesso para a beatificacao do Santo Servo de Deus Fr. Pedro
da Guarda e mandou construir A sua custa o orgao grande da
Sé Catedral, que era um dos melhores do seu tempo.
Neste episcopado e pouco depois do ano de 1640, faleceu
na Catrlunha o distinto sacerdok madeirense Fr. Gregorio
Baptista, da ordem de Silo Bento, que se notabilisou como
escritor e prégador, tende publicado algumas obras em ver-
nkulo e na lingua latina, que v&m mencionadas na ~Bibliothe-
ca Lusitanaw de Diogo Barbosa Machado e no ~Elucid.Mad.8
D. Jer~nimoFernando saíu para o continente no fim do
ano de 1641 e nao mais voltou A sua. diocese, vindo a falecer
em Lisboa a 2 de Maio de 1650 e sendo ali sepultado na igre-
ja do convento da Graca, em cuja pedra sepulcrai se lia este
epitáfio: cTúmulo de D. Jerónimo Fernando Bispo do Funchal
mais de trinta anos, quarto neto de El-Rei D. Duarte de Por-
tugal pelo Serenissimo infante D. Fernando seu filho, faleceu a
2 de Maio de 1650..
Nao consta que nos oito anos de ausencia, que precedo
ram a sua morte, houvesse resignado o cargo, devido talvez
dificuldade de encontrar-se um sucessor para o bispado, em
virtude do esfriamento de relacoes existente entre a Santa Sé
e o governo portugues e determinado pela grande pressao que
a corte de Madrid exercia em Roma, nao se tendo dado du-
rante alguns anos a confirmacao de bispos para diversas dio-
ceses de Portugal.
D. Jerónimo Fernando nasceu em Lisboa e era filho de
Cristoviio Dixs de FigueirGa e de Maria de Basto, neto de Je-
rónimo Dias de FigucirGa e de Guiomar Fernandes e bisneto
de Alvaro Fernandes e de Leonor Fernandes, sendo esta filha
natural do infante D. Fernando, pai do rei D. Manuel e filho
do rei D. Duarte. A respeito desta ascendencia, encontra-se
uma curiosa notícia na nota sétima do romance O Reglclda,
de Camilo Castelo Branco, que merece ser lida e que por bre-
vidade omitimos. Abracou este prelado o instituto da Com-
panhia de Jesus, onde permaneceu alguns anos, e, tendo-o
abandonado, ordenou-se de presbítero s6cular, exercendo as
funcoes paroquiais como abode duma fréguesia. Provou em
Madrid que era quarto neto, embora por bastardia, do rei D.
Duarte e por tal motivo e pelos meritos que nele concorriam,
segundo se afirma, conseguiu ser apresentado bispo do Fun-
chal. Foi um dos cinco prelados que no ano de 1646 assistiu
As cortes gerais, em 'que se promulgou o juramento solene da
defesa do dogma da Imaculada Concei~iio,tendo tambCm to-
mado parte na reuniao das cortes, que se realisou em Tomar
no ano de lé40.
Pode dizer-se que esta diocese esteve orfa de pasthr du-
rante o lango periodo de trinta anos, pois que tendo D. J w b
nimo Fernando saido da Madeira em 1641 e morrido em
1650, sómente no ano de 1671 lhe foi dado um sucessor, fi-
cando a direccao do bispado entregue a contingencia de im-
provisados governadores e sem experimentar a accao benéfica
e previdente dum prelado, nao sómente na administracao dos
sacramentos da confirmacao e da ordem, mas rinda na sua
directa interferencia nos diversos ramos do ministerio episco-
pal. E nao ha noticia que durante essas dezenas de anos ti-
vesse vindo a Madeira qualquer prelado, ao contrario do que
sucedeu no período decorrido de 1514, ano da criacao da
diocese, até 1558, ano da chegada de D. Jorge de Lemos, em
que esta ilha foi visitada pelos bispos D. Duarte, D. Ambrósio c
D. Sancho, como jkatrás ficou referido. Este facto lamentavel
deve principalmente atribuir-se ao estado de tensa0 em que se
achavam as relacoes diplomaticas entre Portugal e a Santa S6
nos anos decorridos de 1641 a 1668.
Por morte de D. Jerónimo Fernando no ano de 1650, o
cabido procedeu eleicao do governtdor do bispado, que
recaiu no deao dr. Pedro Moreira ahomem douto e graduado
cm canones com grande inteligencia para governar a dioceses.
E' acusado de ter tomado parte na grande sublevacao popu-
lar ocorrida no Funchal no ano de 1668, em que foi deposto o
governador D. Frrncisco de Mascarenhas e obrigtdo a saír
imediatamente para Lisboa.
Nesta vacancia, que durou vinte anos, foram apresentados
bispos desta diocese o dr. Aires Correia de Baharen, concgo da
S6 de Lisboa, que faleceu antes de ser confirmado pela Santa
Sb, e Fr. Belchior da Graca, que tambem nao recebeu a con-
firmaqao pelos motivos que já acima ficaram apontados.
No ano de 1654 morreu Fr. Remigio da Assuncao, reli-
gioso beneditino, que desempenhou o elevado cargo de geral
do mosteiro de Alcoba~ae notavelmente se distinguiu pelos
seus grandes méritos e virtudes, tendo composto algumas
obras em portugues e no lingua latina, de que ftz mencao
a aBibliotheca Lusitanas. Era natural da freguesia de Santa
Cruz e pertencia 3t ilustre familia dos Freitas daquela vila.
Foi durante este periodo do ~ S e d evacante. que se orga-
nisou definitivamente o modesto ~Recolhimentodo Bom Jesus
da Ribeira~ com a admissao das primeiris recolhidas pelo
ano de 1665. N%oera um inrtituio de feiqao essencislmente
monástica e sujeita á rigorosa disciplina duma ordcm reügio-
M,mas constituia uma pequena comunidide moldada nas re-
grrs dos sordeas krceisiss e em que um servico quotidhno
do coro e out~asprdticrs de piedade Ihe imprimiam um certo
concter de vida conventual. E assim se manteve exemplarmcnte
por lauitos anos, prttendendose até transforma-lo num mos-
teir.0 de religiosas, o que nao chegou a gccintecer. Foi seu insti-
tuidor o arcediago e dcao d i nosaa Sé Catedral Simro Goncal-
vos CiBrro, \eclesiastico que pelas suas rcrisoladas virtudes
gosava do msior presligio em toda o ilha. Deu cameco a essa
funda~gono ano de 1655 cam a dbta@o de diversos bens,.que
posterio~mentefez acressentar com novas doacoes. Existe ainda
este recolhimento, onde muitrs pessoas do sexo feminino en-
contrirn jguatido, tendo de todo perdido a coracteristica de casa
religiosa, que conservou durante réculos. A sua administracZío
e diraclo estil entregue a umo comissao nomeada pelo gover-
nador civil do distrito.
XXVI

10." Bispo D. Fr. Gabriel


de Almeida
Fr. Pedro de Almeida, que ao seguir a vida rnonásticx tob
mou o nome de Gabriel de Almeido, era já entrado em anos
e exercia o cargo de lente da faculdade de teologia ns Univer-
sidade de Coimbra, quando cm 1570 o principe regente D.
Pedro o apresentou bispo do Funchal, tendo sido confirmado
pela bula Oratlae Dlvinae Proernium de 15 de Dezembm do
mesmo ano. Recebeu a sagracao episcopal no ano seguinte e
deu entrada na diocese a 4 de Marco de 1572.
A-pesar-da sua avancada idade e dos velhos e continuos
achaques, foi muito zcloso no cumprimento dos seus deveres
episcopais, fazendo observar severamenta r disciplina ectesi8s-
tica e mantendo com rigor os privilégios inerentes a s seu ele-
vado cargo.
Teva um curto episcopado, mas entrecortado das maiores
dificuldades, que, segundo se afirma, lhe abreviaram os dias
da existencia, Querendo D. Gabriel de Almeida par termo i s
desinteligencias havidas entre alguns conventos da ordem se-
ráfica, suscitou-se uim grave conflito entre ele e os religiosos
franciscanos, que foram suspensos de confesar e prtgar em
toda a diocese, terminando esta contenda com a mortc do
prelado.
Nao foi menos grave a luta sustentada com o governador
e capitao-general Joao de Saldanha e Albuquerque, por este
ter mandado prender o deao dr. Pedro Moreira, sem preceder
licenca da autoridade eclesiástica, dando-se a ponderosa eir.
cunstincia de haver sido feita aquela prisao em virtude de
ordens emanadas do governo da metrópole a motivada pela
culposa interferkneia do mesmo deao na sublevacao que se
levantou contra o governador D. Francisco de Mascarenhas no
ano de 1668. Por tal motivo foi cominada a pena de excomu-
nhao ao governador Joao de Albuquerque, que resis'tiu vio-
lentamente a esse facto estranho e dele levou recurso para o
principe regente, baixando uma provisao do mesmo principe,
em que é censurado o procedimente do prelado.
A-pesar-da sua doenca e da sur Idade, visitou pastoral-
mente diversas paróquias e entre elas a do Porto Santo, pro-
vendo com solicitude As suas mais instantes necesidades es-
pirituais. Foi provedor da Santa Casa da Misericórdia e ia com
frequencia tratar pessoalmente dos doentes pobres e conforta-
.los nas suas enfermidades.
Em outro lugar deixámos dito que a dar crédito ao autor
da curiosa obra Monstruosidades do Tempo e da Fortuna, es-
crita ha mais de dois séculos e publicada há poucos anos,
era D. Oabriel de Almeida de seu natural áspero e desabrido
no trato, nao captando as simpatias das pessoas que dele se
aproximavam, o que, de par com a sua avancada idade e
achaques de que sofria, explica suficientemente os atritos que
levantou no governo do seu bispado e os desgostos que lha
atribularam os últimos anos da existencia.
Depois de breve enfermidade, faleceu no Funchal a 12 de
Julho de 1574, com pouco mais de dois anos de episcopado, e
foi sepultado na capela mór da Sé Catedral, sendo o segundo
bispo que morreu na Madeira e que ali teve a sur sepultura.
D. Cjabriel da Almeida nasceu na vila de Moimenta da
Beira e era filho de distintas familias, tendo no ano de 1625
tomado o hábito da ordem de Sao Brrnardo, em que exerceu
os mais elevados cargos, como forrm o de reitor do colégio
de Coimbra e o de Dom Geral de Alcobrca. Doutorou-se na
faculdade de teolorria da Universidade de Coimbra e nela foi
um considerado professor. Gosou de nomeada como prega-
dor evangélico e publicou alguns dos seus sermoes.
11.O Bispa D. Fr. Antonio
Teles da Silva
Poucos meses mediaram entre o falecimento de D. Gabriel
de Almeida e a nomeacao do seu sucessor D. Fr. António Te-
les da Silva, undécimo bispo desta diocese. Pertencia a ordem
de Silo Bento e exercia o lugar de deputado do Tribunal da
Cruzada, quando logo após a morte daquele prelado foi apre-
sentado bispo do Funchal pelo príncipe regente D. Pedro. Con-
firmada a sua nomeacao pela Santa Sé a 16 de Dezembro de
1674, recebcu sem demora a sagracao episcopal e apressou-se
a tomar posse do seu bispado, que se realisou no dia 29 de
Abril de 1675.
Entre os factos mais salientes da sur administraclo dioce-
sana, contam-se a criacao de algumas freguesias e curatos, a
regulamentacao dos servicos das colegiadas, a ampliacao do
antigo paco episcopal e a convocacao dum sinodo diocesano.
Para melhorar os servicos paroquiais, em'pregou serias di-
ligencias para a criacilo de algurnas freguesias, tendo o alvará
régio de 28 de Dezembro de 1676 estabelecido as novas pa-
róquias de Santa Luzia, Camacha, Serra de Agua, Paúl do Mar,
Prazeres e Arco de Sao Jorge e os curatos do Estreito de Ca-
mara de Ldbos, Arco da Calheta e Porto do Moniz.
Como já dissémos no capítulo respeitante as colegiadas,
deixava muito a desejar a maneira como nelas se desempenha-
vam os actos religiosos, tendo D. AntónioTeles da Silva, por al-
vará episcopal de 8 de Julho de 1680, dado aprovacao a um
desenvelvido e bcm elaborado mRegimentom, em que estabele-
ce, nao sómente urna exacta e uniforme exccucao de todos os
servicos cultuais como também ponha cobro aos muitos e
inveterados abusos que se tinham introduzido.
O antigo paco episcopal era de acanhrdrs proporcdes e
nao se harmonisava com a elevada jerarquia dos prelados que
nele tinham residencia, e por isso D. António Teles resolvau
amplia-lo e melhorá-lo, mas ficou sempre uma casa imprópria
para os fins a que se destinava. Sómente a meado do século
XVIII é que foi construido o aparatoso edifício, em que hoje
funciona o liceu desta cidade, como adiante mais largamente
diremos.
Tendo-se suscitado dúvidas acerca do direito de nomeacao
dos diversos l ofícios e beneficios* eclesiásticos deste bispado,
foi promulgado o elvrrá régio de 4 de Marco de 1676, deter-
minando que, em virtude do disposto na bula da criacao da
diocese, era ao bispo que competir o direito do provimento
desses benefícios, como sempre se tinhr observado.
A 9 de Julho de 1680 convocou um concílio diocesano
na Sé Catedral, a que fez imprimir umr grande solenidade,
scndo desconhecidrs as mconstituic6esm, que nele foram pro-
mulgadas.
Ventilou-se entre o prelado e o senado funchrlense uma
verdadeira questao de lana-caprina, que no tempo e num meio
limitado como o Funchal tomou proporcdes de certo vulto.
Foi este o caso : r Camara nao queria permitir, nas procissdes
e outros actos públicos, que o caudatário do prelado seguisse
após este e tomasse lugar em frente da vereacao. Recorreram
ao monarca e 1á baixou a provisao régia de 10 de Dezembro
de 1680, em que se estabelece a doutrina de que o crudrtário,
em tris actos, é pessoal inseprrável do prelado e que imediatr.~
mente o deve seguir.
Com a ascencao do papa Inocencia XI ao sólio pontifício,
enviou D. António Teles da Silva a Roma o distinto sacerdote
madeirense António Lopes de Andrade, sfim de apresentrr as
suas filiais c respeitosrs saudacaes ao novo chefe da Igreja e
também de fazer a tradicional e obrigatória visita sad sacra li-
mina apostolorum~,que em tados os tempos constituiu sem-
pre um indeclinável dever para todos os bispos da cristandade.
Depois de seis anos e alguns meses de episcopado e duma
exemplaríssima vida, faleceu no Funchal a 14 de Fevereiro de
1682 e jrz sepultado na S6 Catedrai, Lemos em um antigo ma-
nuscrito : ~Tendopedido por humildade sepultura por debaixo
da pia da água benta na sua Sé, Iha deu o cabido dela no pa-
vimento da capela-mór, junto do primeiro degriu que sobe
para o altar; na carnpa se Ihe pos este epitáfio: Aqui jaz o Ilus-
trísimo Senhor D. Fr. António Teles da Silva, filho de Joao
Gomes da Silva, Regedor que foi da Relacao do Porto e de
Lisboa. Faleceu a 14 de Fevereiro de 1682.
D. Fr. António Teles da Silva pertencia as mais distintas
famílias do país, sendo filho de Joao Gomes da Silva, regedor
das Justicas e alcaide-mór e comendador de Ceia. Abtacou o
instituto de S90 Bento, onde se distinguiu pelos seus mCritos e
virtudes e nele exerceu os mais elevados cargos, tendo sido
ambem deputado do tribunal da Junta da Cruzada.
12.' Bispo D. Esteva0 Brioso
de FigueirGdo
Estrva o bispo D. Estevao Brioso de Figueiredo & test4
da sur diocese de Pernambuco, quando o rei D. Pedro 11 apre-
sentou em 1683 a sua transferencia para o bispado do Funchal,
o que foi logo confirmado pela Santa Sé, em virtude da bula
Hodle vcnerabllcm fratem de 27 de Setembro do mesmo
ano. Sbmente veiu assumir a direcqao desta diocese em 1685,
tendo pessoalmente tomado posse a 18 de Abril do referido
ano.
Teve um curto episcopado de tres anos, obrigandoso uma
pertinaz doenca talvez contraida no clima de Pernambuco,
inóspito para europeus, a abandonar esta ilha no ano de 1688,
em procura de alivios POS seus padecimentos, e vindo a fale-
cer em Lisboa a 20 de Maio de 1689 e ali foi sepultado na
igreja do Colégio de Sao Patrício.
Por esses ponderosos motivos, nao poderia ser muito
activa e frutuosa a sur a c ~ a ocomo prelado desta diocese, e na
verdade nao temos deparado com noticias de quaisquer factos
ou circustAncias da sua administracao episcopal, que merecam
ficar especialmente registadas. A-pesar disso, sabe-se no entre-
tanto, que .o senhor .bispo, de tarde e & noite de ordinário
levava também o Santissimo Sacramento a algumas pessoas....,
auxiliando deste modo o cura da Sé e socorrendo tao carita-
tivamente os doentes, quando no ano de 1688 grassou na Ma-
deira uma grande epidemia de varias doengs, segundo acaba-
mos de ler num documento publicado no vol, V do aArquivo
Histórico da Madeiram do ano proximo passado de 1937.
Por morte deste prelado foi apresentado bispo do Fun-
chal o dr. JoBo da Silva Moniz, homem douto e que tinha de-
sempenhado diversos cargos, mas nao aceitou a mitra.
O prelado D. Estevao Brioso de Figueiredo era natural
de Evora e filho de Manuel Martins e de Catarina de Figuei-
redo, pessoas distintas daquela cidade. Formara-se em canones
na Universidade de Coimbra e tinha exercido os lugares de
desembargador da relaclo eclesiástica de Evora e de vigário
geral do arcebispado de Lisboa. Criada a dioccse de Olinda,
em Pernambuco, foi nela apresentado como primeiro bispo e
aii permaneceu no desempenho do seu cargo desde 1678 até
o ano de 1683.
XXIX

13." Bispo D. Fr. José


d e Santa María
Era Fr. José de Santa Maria um modesto e virtuoso frade
capucho da província de Santo António, quando no ano de
1699 o rei D. Pedro 11 o apresentou bispo do Funchal pelo
falecimento de D. Estevao Brioso de Figueiredo. Aceitou a
mitra 2 f6rca das insfincias da sua família e foi confirmado
pelo papa Alexa'ndre VI no consistório de 6 de Marco de
1690, recebendo a respectiva sagracao episcopal na igreja do
seu convento, em Lisboa, no dia 25 dc Junho do mesmo ano
e havendo sido ministro oficiante o cardeal D. Viríssimo de
Lencastre.
Foi o décimo terceiro bispo do Funchal, tendo tomado
posse do cargo a 5 de Outubro de 1690, por meio do seu
procurador o arcediago da Sé António Valente de Sao Paio, e
deu entrada nesta diocesc no mes de Marco dc 1691.
Nos cinco anos do seu zeloso episcopado visitou pasto-
ralmente e por diversas vezes toda a diocese incluida a paró-
quia do Porto Santo, cuidando com especial empenho do
ensino da doutrina crista, e para isso fez imprimir uma instru-
cae pastoral, em que se continham as fórmulas práticas de mi.
nistrar esse ensino.
Convocou um sínodo diocesano no ano de 1695, em que
foram promulgadas nlgumas importantes .constituic6cs* sobre
diversos pontos da disciplina eclesiástica! que destinava a se-
rem impressas, mas que a sua saida da diocesc nao o permitiu
.
fazer
Prestou excelentes servicos Senta Casa da Misericórdia
na qualidade de seu provedor.
Teve algumas desinteligencias com o governador e capi-
tao general D. Rodrigo da Costa, que procurou vexar o pre-
lado com ordens arbitrárias e despóticas, tendo por esse moti-
vo baixado umas instrucoes do governo da metrópole, em
que é censurado o procedimento do referido governador. Al-
gures se afirma que D. los6 de Santa Maria deu nesse lance
provas da maior moderacao, sofrendo com toda a paciencia e
humildade as prepotencias de D. Rodrigo da Costa.
Neste episcopado faleceu no Funchal o distinto madeiren-
se dr. António Veloso de Lira (1616-1691) cónego da SC e
governrdor do bispado, que se notabilisou como escritor, dci-
xando algumas obras impressas (Vid. Elucld. Mad. 11-68),
Saiu para Lisboa a 15 de Setembro de 1696, sendo no ano
seguinte transferido para a diocese do Porto, onde faleceu a 6
de Sctembro de 1708.
Estcve vaga a di~cesedo Funchal até o ano de 1698, em
que tomou posse o bispo D. José de Sousa Castelo Branco,
sendo nessa vacancia apresentado o presbítero Maque1 de Sou-
sa, que nao aceitou a mitra, e tendo o cabido assumido o gs-
verno do bispadr.
Fr. josC de Santa Maria, que antes de abracar o estado
religioso tinha o nome de JosC de Saldanha, era filho de José
de Saldanha vedor da rginha D. Luisa e de D. Violante de
Mendonca, ambos pertencentes a antigas e distintas faqilias do
país. Exeiceu varios cargos no seu instituto e entre eles o de
professor de artes e teologia. Transferido para a Sé do Porto,
continuou ali o seu zeloso episcopado, falecendo com fama
dum verdadeiro predestinado.
XXX

14."Bispo D. Fr. José de Sou-


sa Castelo Branco

Depois de ter exercido diversos cargos, era o dr. Jos6 de


Sousa Castelo Branco presidente do tribunal da inquisicao em
Cofmbra, quando foi apresentado bispo do Funchal por D.
Pedro 11 no ano de 1697 e confirmado pelo pontífice Inocencia
XII pela bula Otatlae Dlvlne Proernlnurn de 27 de Janeiro
de 1698. A 29 de Junho do mesmo ano, na igreja do convento
de Silo Filipe Nery em Lisboa, recebeu a sagracao episcopal,
tendo sido sagrante o bispo e inquisidor-geral D. José de
de Lencastre.
Partiu sem grande demora a assumir pessoalmente a di-
reccao do seu bispado, fazendo escala pela nossa praca mar-
roquina de Mazagao, onde esteve alguns dias e foi recebido
com grandes demonstracoes de apreco, e ali desempenhou as
funcoes de seu ministério episcopal, admininistrando o sacra-
mento da confirmacio a mais de mil e quatrocentas pessoas.
Deu entrada na sua diocese a 28 de agosto de 1698.
Esteve vinte e tres anos a testa do governo deste bispado,
sendo os primeiros dezasete de administracao directa e pes-
soal e os últimos seis por meio de provisores ou governado-
res diocesanos, em que se conservou ausente por motivo de
saúde, e vindo finalmente a renunciar os pesados encargos da
mitra no ano de 1721. Em todo esse período de tempo, deu
provas de grande zelo no desempenho das múltiplas obriga-
caes do seu cargo, especialmente nas frequentes visitas pasto-
rais e no cuidado do rigoroso cumprimento das leis canónicas
respeitantes disciplina eclesiástica nas diversas freguesias do
arquipélago.
Estrénuo defensor dos privilégios e regalias de que goza-
va a Igreja, teve que sustentar lutas com o governador e capi-
tao general Joao da Costa Ataide e com o provedor da fazendr
Manuel Mexia Galvao, havendo o governo da metrópole man-
dado 2 Madeira o desembargador Diogo Saltcr de Macedo
fazer uma sindicancia Acerca do conflito que se dera entre as
autoridades civis e eclesiásticas, de que resultou uma sentenca
muito honrosa para o prelado e uma áspera censura para o
governador c o provedor da fazenda, como se pode ver nos
documentos que a tal respeito se acham exarados no arquivo
da Carnara do Funchal.
No ano de 1702 fez a mudanca do Seminario Diocesrno,
que entao se achava instalado numas dependencias adjuntas ao
antigo Paco Episcopa1, para as casas da rua do Mosteiro No-
vo, que nao chegaram a ser aplicadas ao fim da sur primitiva
instituicao, como em outro lugar mais largamente diremos,
tendo por essa ocasiao promulgado uns novos estatutos para
o melhor funcionamento desse estabelecimento de instruccaa e
educacao eclesiástica.
Lemos num artigo manuscrito que D. José de Sousa Cas-
telo Branco cfoi o prelado mais amante da nobreza que tem
vindo a esta ilha, nao havendo casa que ele nao tivesse bene-
ficiado, provendo alguns dos seus filhos em cónegos da Sé
Catedral., e com uma certa acrimónia vai-se ali fazcndo men-
@o de diversas casas nobres que foram crntempladas com no-
meacaes eclesiiisiicas em alguns dos seus membros. E no refe-
rido manuscrito e Acérca do mesmo assunto, encontri-se esta
curiosa informacao: .Gaspar Mendes de Vasconcelos, que seu
pai mandara para o reino a assentar praca, ele (o prelado) o
trouxe consigo, e a bordo o ordenou e lhe deu uma conezia
e quando saltou cm terra mandou o seu mordomo a casa do
tenente-gzneral Inácio Betencourt de Vasconcelos, que ali lhe
mandava seu filho cónego e que esperava que ele lhe perdoas-
se, o vir contra as suis ordensn. Trata-se dum caso bastante
estranho, Acerca de cuja inteira veracidade há motivos para
suspeitar.
D. José de Sousa de Cnstelo Branco saíu da Madeira, por
motivos de saúde, a 17 de Julho de 1715 e certamente anima-
do do propósito de regressar ao seio do seu rebanho, mas em
virtude do agravamento da sur doenca ou ainda por outras
razaes desconhecidas veiu a resignar o bispado em 1721, seis
anos depois de ter deixado esta ilha. Faleceu em Lisboa a 26
de Julho de 1746, em idade muito avancada, e foi sepultado
numa capela, que mandara edificar na igreja do convento da
Cartuxr de Laveiras, nos arredores de Lisboa.
Nasceu este prelado em Leiria no ano de 1654, sendo fi-
Iho de Heitor Vaz Crstelo Branco e de D. Luisa Mmria de
Sousa Arnaut, pessoas nobres e administradores de muitos
bens vinculados. Formou-se em teologir na Universidade de
Coimbra e foi cónego da Sé de Leiria e inquisidor nos tribu-
nais de Evora, Coimbra e Lisboa. Possuia urna rara cultura
intelectual e dédicara-se especialmente a estudos genealógicos,
deixando alnumas obras manuscritas. aue veem mencionadas
.
na a~ibliotecaLusitana. de Barboso ' ~ i c h a d o
Tem decorrido um século e meio ap6s a morte do ilustre
prelado e está-se procedendo a obras no velho convento da
Cartuxs de Oiiras, quando se descobriram dois ataúdes, con-
tendo os últimos despojos do bispo do Porto e patriarca elei-
to de Lisboa D. Fr. António José de Castro e do bispo do
Funchal D. José de Sousa Castelo "Branco,.que ali permanece-
ram durante muito tempo, expostos ao maior desrespeito pelos
que já morreram, havendo entao o antigo jornal .As Novida-
des. publicado um interesante artigo intitulado Sepultura oos
Mortos, chamando para o facto as atencaes dos que deveriam
interferir no assunto, parecendo que por fim foram as cinzas
dos dois prelados removidas para o cemitCrio da vila de Oei-
ras e ali lancadas no fundo da vala comum. Fizémos transcre-
ver esse artigo no ~Diárioda Madeira. de 28 de Agosto de
1917,
XXXI

15.' Bispa D. Manuel


Coutinho
Pela renúncia que em 1721 D. José de Sousa Castelo
Branco fizera do bispado do Futtchol, apresentou D. Joao V
como sucessor, a 25 de Novembro de 1722, o padre Manuel
Coutinho, freire da Ordem de Cristo, que em virtude de de-
sinteligéncias entao havidas entre a cúria romana e o govérno
portugues, sbmente recebeu a indispensavel confirmacgo do
papa Bento XIII no consistório de 19 de Fevereiro de 1725.
A 13 de Maio do mesmo ano, reslizou-se na Capela Real a
sua sagracao episcopal, sendo,.ministro"oficiante o primeiro
patriarca de Lisboa D. Tomás de Almeida.
Logo no mes de Junho seguinte partiu da capital a assu-
mir a direccao da sua diocese, tendo passado pela praca por-
tuguesa de Mazagao, como vinte e" sete' anos antesgfizera o
seu antecessor D. JosC de Sousa Castelo Branco, e ali exerceu
as funcoes do seu ministério. Depois de curta demora, seguiu
para o Funchal, onde chegou a 22 do mes de Junho do ano
de 1725.
Ao entrar nesta diocese, era D. Manuel Coutinho portador
de alguns importantes documentos emanados do govérno da
metrópole, que visavam especialmente a esclarecer as dúvidas
que em episcopados anteriores se tinham suscitado Acerca do
ctratamento~,que as autoridades locais estavam obrigadas a
dispensar aos prelados diocesanos em actos de caracter oficial,
e tambem relativamente A extensa0 das faculdades de que os
mesmos prelados poderiam usar na nomeasgo dos diversos
beneficios eclesiásticos da sua diocese. O ministro de estado
Diogo Mendonca C6rteReal enviqra entao a Francisco da Cos-
ta Freire, governador e capitao-general da Madeira, as aIns-
trucoes, dirigidas ao governador da capitania do Grao-Pará
com respeito maneira como ali deveria ser recebido o res-
pectivo prelado diocesano e do utratamento~ a prestar-lhe
inerente ao seu elevado cargo, tornando essas uInstruc6esu
aplicaveis e extensivas ao bispado do Funchal, dizendo-se nelas
que Sua Majestade aquer que inviolavelmenta se observem e
que de contrário teria nisso grande desprazer*. Outro impor-
tante documento, que vem transcrito no L.@ 15.0, fol. 82 da
#Real Provedoria da Fazenda do Funchal~,é o que se refere
As nomeac6es eclesiásticas desta diocese e que no respectivo
Indlce Oeral.. . se encontra assim mencionada: tAlvará do Se-
nhor Rei D. Joao V de 13 Junho de 1725, facultando ao dito
Bispo (D. Manuel Coutinho) a nomeacPo das dignidades, cone-
zias, e meias conezias, vigararias, capelanias, beneficiados e mais
cargos eclesiásticos do seu Bispado em pessoas que bem Ihe
parecer, exceptuada a dignidade de deao, precedendo concurso
de exames conforme o direito canónico e concílio tridentino,
afim de que as pessoas nomeadas nao sejam, em nenhnm grau
por remoto que seja, cristaos novos nem tenham disso fama,
sendo aliás de sangue limpo e com suficientes letras para bem
servir o cargo em, que foram providos..
Foi um dos mais activos e zelosos prelados desta diocese
nao somente nas cousas de caracter essencialmente religioso e
respeitante A disciplina eclesiástica, mas também nos melhora-
mentos materiais realizados na Sé Catedral e em várias igrejas
e capelas e rinda nos edifícios do Paco Episcopal e do Semi-
nário Diocesano.
Alem das visitas pastorais feitas a um grande número de
freguesias, impondo severamente a instrucao religiosa por
meio da explicacao obrigatória do evangelho e do ensino me-
tódico da doutrina crista, promoveu a ida de várias missoes
evangélicas, dirigidas pelos franciscanos madeirenses e por
uns frades capuchos de passagem por esta ilha, aos principais
centros de populacao, que foram extremamente frutuosas.
Neste episcopado foi restaurada a paróquia dos Prazeres
e foram também criadas as freguesias do Jardim do Mar e da
Ribeirr da Janela como curatos autónomos e igualmente se
estabcleceu rim curato na freguesin de Ponta Delgada com
sCde no lugar da Boaventura, que rnais tarde constituiu a fre-
guesia deste nomr.
Muito concorreu para a realizacao dos notáveis melhora-
mentos por que entio passou a nossa Sé Catedral, sendo,nes-
te episcopado que em grande parte se construiram a nova sa-
cristia-mór e a casa capitular, consideradas ao tempo como
obras da mais urgente necessidadc, havendo-se dispendido ne-
las urna quantia superior a sessenta mil cruzados. Várias igre-
jts paroquiais e algumas capelas sofreram importantes repara-
@es, sendo quási inteiramente reedificadas as de Sao Marti-
nho e Ponta Delgada. Tambem na antiga residencia episcopal,
a que depois se chamou o Paco Velho, e nas cpsas do Mos-
teiro Novo, em que funcionava o Seminário Diacesano, se
procedeu a grandes trabalhos de restaura~aoe acrescentsmen-
to, de que esses edifícios urgentemente necessitavam.
Era D. Manuel Coutinho inflexivel na observancia das leis
disciplinares da igreja e muito rigoroso no cumprimento de
todos os seus deveres episcopris, e dessa necessária intransi-
gencia surgiram graves atritos entre a autoridade eclesiástica e
algumas entidadesc oficiais e outras pessoas qualificadas, tendo
elas formulado contra o prelado largas acustcoes, que por
menos bem fundamentadas nao lograram ser atendidas nas es-
tacoes superiores, resultando delas um grande prestigio para o
acusado e uma situacao pouco invejavel para os acusadores.
Perante o govbno da metrópole, a Relasao Patriarcal, o Tri-
bunal da InquisicPo e até junto da Santa Sé, conseguiu D.
Manuel Coutinho levar de vencida os seus inimigos, sustenta-
do apenas pela justica que inteiramente Ihe assistia.
D. Manuel Coutinho ampliou sua custa o edifício do
hospital de S%oLazaro e melhorou a situa~aodos enfermos
ali internados, e tambtm estabeleceu uma botica para acudir
com medicamentos aos doentes pobres que nao podiam ser
recolhidos no hospital da Santa Casa da Misericórdia.
D. Manuel Coutinho deve ter feito o seu pedido de re-
signacio de bispo desta diocese em 1738, depais de treze anos
de episcopado, pois que nos principios do ano seguinte foi
apresentado um seu sucessor para este bispado, mas continuou
a residir no Funchal durante bastante tempo, ignorando-se a
época precisa da sua saida para o continente portugues. Al-
cancou a sua apresentacao na diocese de Lamego e foi nela
confirmada pela Santa Sé a 20 de Janeiro de 1.142, e quando
a 7 de Agasto deste ano se dirigia para o seu bispado, afim
de assumir o govérno dele, surpreendeu-o a morte na vila de
Soure e ali teve sepultura no jazigo de seu sobrinho António
Joaquim Coutinho.
Esteve vago o bispado durante trgs anos, tendo sido para
ele apresentado a 2 de Fevereiro de 1739 o oratoriano e aca-
dCmico Júlio Francisco de Oliveirr, que em marco do mesmo
ano comunicou ao senado funchalense a sur nomeacPo e pouco
tempo depois fez uma nova comunicac2o de que renunciára a
mitra, sendo no entretanto ncmeado bispo de Vizeu.
Nesta vacancia e no episcopado de D. Manuel Coutinho
exerceu o cargo de provisor, vigário geral e governador da
diocese durante bastantes anos o dr. Bernardo Rodrigues No-
gueirr, que cm 1746 foi a~resentadobispo de Sao Paulo, no
Brasil.
Nasceu D. Manuel Coutinho na freguesia de An~os,pró-
ximo da vila de Soure, e era filho de Nuno Alvares Pereira e
de D. Inés Micaela Coutinho, descendentes de antigas e nobrcs
famílias daquela regi20. Douturou-se em Leologia na Utiiversi-
dade de Coimbra e tcmou o hábito de freire da Ordem de
Cristo no convento de Tomar, onde exerceu diversos cargos.
XXXII

16." Biepo D. Fr. Joao


do Nascimento
Dirigia Fr. Joao do Nascimento a comunidade do conhe-
cido e austero convento e seminário do Varatojo, quando o
rei D. Joao V o foi surpreender com a apresentacao de bispo
do Funchal, cargo a que logo procurou escusar-se inteiramen-
te, nao podendo, porém, subtrair-se as instancias do monarca
e de modo particular aos preceitos imperiosos da obediencia.
Entre a já longa e distinta pleiade de prelados desta diocese,
destaca-se o nome de D. Joao do Nascimento, aureolado pe-
las obras natáveis que realizou e pela intensa acc2o religiosa
que brilhantemenle desenvolveu nos seus d6ze anos de fecun-
do embora nao muito longo episcopado.
A sua apresentacao tem a data de 7 de Novembro de 1740,
e a confirmacao do papa Bento XIV deu-se no consistório se-
creto de 5 de Jineiro do ano, imediato. A sagracao episcopal
realizou-se na igreja patriarcal de Lisboa, no dia 5 de Maio de
1741, sendo prelado oficiante o patriarca D. Tomás de Almeida.
Chegou ao Funchal a 5 de Setembrod tsse ano, e a sur entrada
solCne e respectiva posse efectuaram-se a 17 do referido mes.
Antes de iniciar o governo do seu bispado, recolheu-se durante
aiguns dias no convento de Sao Francisco, a cujz ordem mo-
nástica pertencia, como preparacao necessária para o cabal de-
sempenho do alto cargo em que se achava investido.
Fez sem demora publicar uma notável carta pastoral, es-
pecialmente destinada 4 reforma dos costumes, A extirpacao
da abusos, restruracao, perfeicao e esplendor do culto divino.,
e outra dirigida ao cabido da Sé Catedral, introduzindo algu-
mas importantes modificacoes nos servicos cultuais realizados
no principal templo da diocese.
D. Joao do Nascimento veiu acompanhado dos seus ir-
qgos em religiiio Fr. Lourenco de Santa Maria e Fr. Joao do
Sacramento, ambos afamados prbgadores, que durante vinte
meses se entregrram aos trabalhos duma larga missao evan-
gklica na maioria das freguesias desta ilha, que produziu os
mais abencoados frutos na reformacao dos costumes e num
grande avigoramento das crencas religiosas. A estas missoes,
outras se seguiram dirigidas pelos religiosos franciscanos dos
conventos da Madeira, que eram geralmente coroadas pelo
zeloso prelado com a sua palavra eloquente e com as provi-
dencias que ia adoptando nas frequentes visitas pastorais que
fazia As diversas paróquias do arquipélago. Afim de manter-se
a acciio frutuosa dessas missoes e visitas pastorais, enviava o
prelado periódicamente visitadores especiais As freguesias, que
nos respectivos livros de aprovimentos. deixavam exaradas as
instrucoes mais adequodas ao bom regimen dos servicos reli-
giosos das diversas igrejas.
Vinham de longe os abusos cometidos no cumprimento
dos diversos legados pios, especialmente dos que diziam res-
peito A celebracao de missas e outros sufrágios pelas pessoas
falecidas, a-pesar-de existir na Madeira desde os fins do século
XV um tribunal secular charnado aJuizo dos Residuos e Ca-
pelas., encarregado de fazer executar as obrigaqoes desses en-
cargos e de exercer urna accao represiva contra os indivíduos
que faltassem A rigorosa observancia desses piedosos deveres.
Tinham os prelados, por diversas vezes, querido interpor a sur
autoridade nesse melindroso assunto, baseados nas leis da
Igreja e nas disposicoees legais vigentes, observando assim
as graves imposicoes do seu ministério, mas lutavam sempre
com a falta de zelo ou impotencia daqqele tribunal, sendo ge-
ralmente indivíduos da classe nobre ou de qualificada posicao so-
cial os que queriam subtraír-se a satisfacao desses encargos. D.
Joao da Nascimento, a exemplo dos seus antecesores, mas certa-
mente com mais energia e maior desassombro, chrmou a aten-
cae, como constituíndo um estritíssimo dever de consciencia,
para os administradores dos prédios onerados com essas pen-
soes e pretendeu levar o juiz dos RtsMuos e Capslas a obser-
var com rigor as leis que regulavam essa matéria. Apresentou
queixas, levou recurso para as estac6es superiores e obtevc
favorável deferimento As suas reclamrcBes, mas le\tantou umr
tenaz oposicao por parte dos interessados e teve que susten-
tar com etes e seus apaniguadas uma acirrada luta, que durou
att! a morte do ilustre prelado.
Na noite de 31 de Marco de 1748, sentiu.se um violento
tremor de terra em toda a ilha, que vitlmou algumas pessoas e
causou consideráveis prejuizos materiais. Inifmeros edificios
ptiblicos e particulares sofreram danos irreparáveis, ficando
muitos d6les no mais adiantado estado de ruina. Um grande
número de igrejas e algumas das melhores casas de moradia
ficaram bastante danificrdas, contando-se entre elas a Sé Cate-
dral e outros templos, a residencio episcopal e o seminárlo
diocesano. Logo cuidou o prelado de acudir 4s reparacoes
das igrejas mais largamente atingidas pelos estragos do terra-
moto, obtendo do governo da metrópole avultadas verbas para
Csse fim. Abalrncou-se 4 realizacao duma obra notável: a cons-
truca0 dum novo paco episcopal, pois que o antigo quási fi-
cara reduzido a um grande monta0 de escombros. Foi um em-
preendimento arrojado para a Cpoca e para o nosso meio, que
representa um assinalado servico prestado a esta diocese e que
indelevelmente perpetua entre nós o nome do seu benemérito
fundador, merecendo por isso uma mais desenvolvida referen-
cia, o que faremos em capitulo especial deste despretencioso
estudo.
Durs igrejas paroquiais e das mais importantes se levanta-
ram neste episcopado, que foram as das freguesias do Monte
e do Estreito de Camara de Lobos, tendo para a edificacao da
primeira notavelmente concorrido os esforcos do prelado, nilo
sbmente com a criacgo da ~Confrariados Escravos de Nossr
Senhora do Monten, estabelecida corn grande fervor religioso
em todas as paróquias e cujas receitas forrm integralmente apli-
cadas aquela construci%o,mas tsmbém com outros auxilios ma-
teriais, que muito contribuiram para o imediato e rápido aca-
bamcnto das respectivas obras.
Conseguiu uma maior drtacao para a manutencao do Se-
minário Diocesano e por sua diligencia foram acrescentadas as
congruas de alguns benefícios eclesiásticos e também criados
vários curatos, aiguns dos quais nao chegaram a ser providos.
No mes de maio de 1747 sobracou D. Jo%oNascimento o
pesado encargo da governancr do arquipelrgo pela ausencia QQ
governador e capitao-general Francisco de Mendonca Oorjao,
nao sendo de esperar que as constantes preocupacoes do epis-
copado e o seu inteiro alheamento dos negócios públicos Ihe
permitissem uma accao muito brilhante e proveitosa nos diver-
sos ramos da administracao civil e militar, mas a verdade 6 que
exerceu com o mais atilado critério e reconhecida proficiencia
as melindrosas funcoes desse alevado cargo nele desenvolveu
uma eficaz e notável actividade, que particularmente se fez sen-
tir na construcio duma fortaleza, nas reparacaes e municiamen-
tos de muitas outras, na organizacao dum contitigente de du-
zentos soldados para auxiliar os socorros enviados iprovíncia
de Angola, na bem regulada emigracao de muitos casais ma-
deirenses para o Brasil a pedido do godrno da metrópole, na
adopcao de severos princípios de rectidao e justica em diversos
servicos de carácter oficial com a simultanea repressao de graves
abusos que nos mesmos servicos se tinham introduzido etc.,
etc. Nos quatro anos em que serviu de governador e capitao-
-general deu sempre inequívocas provas do maior zelo e da
maior isencao na gerencia dos diversos negócios públicos, nao
se havendo o governo da metrópole apressado a fazer a sua
substituicao nesse cargo, em vista dos excelentes servicos que
prestou a este arquipélago, especialmente por ocasiao do tet-
ramoto no ano de 1748.
Quando nos ocupámos do convento de freiras de Nossa
Senhora da incarnacao, fizemos umr ligeira referencia a pro-
teccao que o bispo D. Joao do Nascimento sempre dispansou
&quelacasa religiosa, devendo aqui especializar-se que entre es-
ses beneficios de ordem temporal e espiritual se destaca a doacao
da cdois contos e quatrocentos mil reis valor de seis mil cruza-
d o s ~ particularmente
, destinada A criacao e manutencao do im-
portante encargo pio da celebracao duma missa quotidiana na
igreja do referido convento, que veiu regularizar os servicos
religiosos da comunidade, satisfazendo-se deste modo a uma
antiga e reconhecida necessidade. A escritura dessa doacao,
que C um documento bastante extenso e muito curioso, acha-
se transcrita no arquivo da Chrnara Eclesiástica desta diocese.
A-pesar-da elevada jerarquia do seu cargo, como bispo da
Igreja Católica, manteve sempre a m a i o ~modéstia e simplicida-
de na sua vida privada, procurando o recolhimento e o estu-
do, fugindo de todo o aparato exterior e distribuindo pelos po-
bres e cm obras de piedade o que Ihe sobrava dos escassos
proventos da sua mitra. Desta maneira se acomodava, quanto
o permitíam as circunstancias, 2 sua passada existencia de mo-
desto e observante religioso.
Adoeceu gravemente no dia 19 de dezembro de 1751 com
um ataque de apoplexia, que parcialmente 1he paralisou os mo-
vimentos embora conservasse ileso o entendimento, nao dei-
xando por isso de entregar-se zelosamente aos cuidados da
administracao pastoral do seu estremecido rebanho. Veiu a fa-
lecer dessa enfermidade a 5 de novembro de 1753, da qual se
ocupa com certa largueza o dr. Julia0 Fernandes da Silva, no
seu curioso livro Crítica do Método Curativo dos Médicos
Funchalenses~ publicado no ano de 1761. Teve sepultura na
capeh-mór da S6 Catedral.
Nasceu D. Fr. Joao do Nascimedto em Lisboa e era filho
de Inácio de Mira e de D. Garcia Fernandes de Afonseca, am-
bos de conhecida ascendencia fidalga e administradores do
morgadio da Torre da Giesteira nas visinhancas de Monte-
-Mór-o-Novo. Cursadas as humanidades em Lisboa, matricu-
lou-se em Coimbra na faculdade de teologia, em que se douto-
rou, e era opositor a uma das suas cadeiras quando abracou
o instituto da ordem seráfica, movido pelas pregactjes do cé-
lebre missionário Fr. Paulo de Santa Tereza, tomando entso
o nome de Fr. Joao do Nascimento, que trocara pelo de
Jo%oMarques de Afonseca que usava no século. Entregou-se
ardorosamente ao trabalho das missoes durante muitos anos,
sendo em 1734 eleito guardia0 do convento e seminário do
Varatojo e seis anos mris tarde apresentrdo bisps do Funchal.
No segundo tomo da aHistória do Real Convento e Semi-
nário do Varatojo., de Fr. Manuel de María Santíssima, publi-
cado no ano de 1800, encontra-se uma notícia biográfica de
D. Fr. Jo%odo Nascimento, que ocupa vinte páginas do mes-
mo volume.
17.' Bispo D. Gaspar Afonso
da Costa Brand50

Tinham já decorrído dois anos após a morte do bispo D.


Fr. Joao do Nascimento, quando o re¡ D. José apresentou o
presbítero secular Gaspar Afonso da Costa Brandao para ocu-
par a cadeira episcopal do Funchal. Deu-se a respectiva con-
firma@~uontifícia pela bula Apostolatus Officfum de 20 de Ju-
Iho de 1756 e promulgada no consistório secreto que nesse
dia se tinha reunido. Realizou-se a sagracao do novo antístite
em 1757 e a 5 de agosto do mesmo ano fez a entrada solene
no seu bispado.
Aproximadamente quatro anos esteve vaga esta diocese,
que encontrou em D. Gaspar Brandao um apostólico prelado,
A parte as acusa~oesque porventura lhe possam ser feitas com
respeito isua atitude por ocasiao da cxpulsao dos Jesuitas,
frrqueza de que rliás enfermaram quasi todos os bispos portu-
gueses sob a despótica pressao exercida pelo governo do
marques de Pombal. O dr. Alvaro Rodrigues de Azevedo diz,
talvez hiperbolicamente e com o fim manifesto de deprimir
rlguns bispos seus antecesores, que «este prelado, que a dio-
cese madeirense deve ao marques de Pombrl, foi, sem duvidr,
o melhor que até entiio ela teve.. Parecendo um desinteressa-
do elogio, pode também envolver um censura, a que alias nao
conseguiu inteiramente subtrair-se o espírito sectário do dou-
to comentador das Saudades da Terra.
Logo mostrou o zeloso prelado o seu acrisolado interessc
pela mris eficaz pa$toreacao do sep rebanho, trazendo como
seus companheiros de trabilhos os padres J. Alasia e JosC dos
Reis, membros da Congrega~aoda Missao, que nas frequentes
missoes evangélicrs realizadas em diversas paróquias, nas mui-
tas pr&ga~oes em vários templos da cidade, nos exercicios es-
pirituais ao clero secular, nas visitas canónicas aos conventos,
no fomentar e frzer reviver as práticas de piedade, etc, exerce-
ram por toda a parte nma accao eminentemente crista e con-
seguiram despertar um extrrordinário fervor religioso, que em
rlguns lugares se manifestou eloquentemente nos modestos
mas significativos padroes que se ergueram nos adros de mui-
tas igrejrs e que al¡ perduraram por muitas dezenas de anos,
prrecendo-nos que ainda ao presente alguns deles se conser-
vam de pé.
Esses zelosos missionários sofreram muitas contradi~aese
lutarrm com grandes dificuldades, ainda por parte do clero
secular e regular, que souberam vencer e dominar inteirrmen-
te, escudados com o exacto cumprimento do dever e com o
incondicional apoio que sempre encontraram na pessoa do
ilustre prelado. Depois de dez anos dum intenso apostolado,
deram por finda r sua missao nesta ilhr e regressaram a Lis-
boa r 12 de Outubro de 1676, recolhendo-se & casa religiosa a
que pertenciam .
Poucos meses depois da chegada de D. Gaspar Brand40
a esta cidrde, teve que rssumir o governo do arquipélago,
pela ausencia do governador e capitao-general Manuel de Sal-
drnha e Albuquerque, exercendo interinamente esse cargo des-
de o mes de Fevereiro de 1758 a Maio de 1759 e voltou mais
tarde a desempenhar o mesmo cargo, havendo sempre dado
provrs da maior isencifo edo mais ponderado critério nos negó-
cios púbIicos em que interferiu, como se pode ver da súmulr
dos documentos oficiais dirigidos ao ministro de estado Tomé
Joaquim da Costa Corte-Real, que se encontram publicados
no vol. 1.O do aArquivo da Marinha e Ultramar..
Qurndo no ano de 1771 o governador e capitao-general
Joifo António de S4 Pereira, acompanhado de várias entidades
oficiais, foi A vizinha ilha do Porto Santo e ali se demorou al-
gum tempo, afim de por em execuc%oo célebre alvará de 13
de Outubro de 1770, conhecido pelo nome de .le¡ dos quin-
tos e oitavos~,oficiou ao bispo D. Grspar Brandao, confirn-
do-lhe interinamente a chefia do governo, o que fez rcompa-
vhar da arta régia de 12 de Dezcmbro de 1770, que confeflu
ros bispos desta diocece o direito de assumir o governo do
arquipélago na ausencia do respectivo governador .
Graves abusos na disciplina c na moral se tinhrm intro-
duzido em rlgumas casas monásticas, impondo-se sem demora
uma enérgica repressao a esses abusos e um salutar regresso
a exacta observancia dos saos principios do evangelho. Com
alguma extranheza mas com o mais acertado conselho, foi D.
Gasprr Brandao nomeado visitador extraordinário e apostólico
dos conventos e recolhimentos da Madeira, que todos visitou
pessoalmente e neles procedeu a um rigoroso inquérito, adop-
tando as providencias mais adequadas so fim que se propu-
sera no desempenho dessa Ardua e espinhosa missao. Como
era natural, levantrram-se rtritos e apareceram reclamacoes,
mas a prelado tornou-se inflexivel no cumprimento do seu
dever, embora usando da cautelosa prudencia que Ihe era ha-
bitual. Altm das medidas de carácter estritamente disciplinar,
outras foram tomadas acerca da administracao dos bens dos
conventos, que muito deixava a aesejar, e em particular a
admissao de novicos, que foi reduzida a menor número e feita
com umr mais cuidadosa seleccao.
De novo se ventilou a questao, que já se agitara em epis-
copados anteriores, respeitrnte ao privilégio de preferencia que
tinham os eclesiásticos naturais desta ilha no provimento dos
diversos benefícios, tendo baixado do govérno central o alvará
régio de 29 de Agosto de 1766, registado no L.O 24.' da anti-
ga Provcdorla da Fazcnda, mordenando expressa e positiva-
mente que as dignidades, conezias, benetícios e igrejas desta
ilha nao possam ser providos em outro eclesiástico que
nao seja natural dela, precedendo editais públicas e rigorosos
concursos e que de outra sorte fiquem nulos e sem efeito tal6
provimentos~.
Relacionada com esse assunto, outrr questao novamente se
rgitou acerca do direito, que competia sómente aos prelados
desta diocese de fazerem todas as nomeacoes eclesiásticas com
excepcao da dignidade de deao, vindo a carta régia de 4 de
Marco de 1776, que confirma esse direito, já consignado em
diplomas oficiais anteriores a este.
Já nos referimos a atitude tomada por D. Gasprr Afons~
da Costa Brandao com relacao ios membros da Companhia de
Jesus, quando estes religiosos foram presos no seu Colégio e
expulsos da Madeira no ano de 1759 e por isso remetemos o
leitor para o que fica dito no capítulo XXIIl deste estudo, evi-
tando deste modo desnecessirias e fastidiosas repeticaes.
AlCm das duas cartas pastorris que fez publicar acerca dos
jesuitas, outras dirigiu aos seus diocesanos, que silo verdadei-
ros modelos de zelo apostólico pelo bem espiritual do rebanho
que Ihe fdra confiado. Exige urna referencia especial a que
directamente enderecou ao seu clero e que ainda hoje merece
ser lida, constituindo um verdadeiro tratado de todos os seus
deveres e obrigacaes nas diversas circunstancias da vida ern
que os sacerdotes se possam encontrar.
Suscitaram-se grandes desinteligencias entre o prelado
diocesano e o governador e capitao-general Joao Cloncalves da
Camara, que logo tomaram a feicao dum grave conflito, r que
sómente veiu por termo a interferencia do governo da metró-
pole, apresentadas as queixas e reclamacoes das duas partes.
Temos encontrado muitas referencias a esses factos e lido al-
guns documentos que lhe dizem respeito, mas nao consegui-
mos rlcancar um conhecimento perfeito do assunto nem for-
mar um juizo seguro Acerca do direito que assistia a qualquer
dos contendores. A causa originaria do conflito proveiu do
facto do vigário geral do bispado ter mandado prender o advo-
gado dr. António Xavier Pimentel com o fundamento de que
este interviera violentamente nas atribuicoes drquela autorida-
de eclesiástica. O encarcerado reciamou da prisao, que julgou
.arbitraria e abusiva~,tendo o incondicional apoio do govkrna-
dore ainda de outras entidades oficiais,e o vigário geral estriba-
va-se na autoridade do prelado, que intransigentemente defen-
dia a atitude do seu subordinado. Desta diverg8ncia de opi-
nioes resultou esse grave conflito, que chegou a tomar propor-
caes escandalosas, trocando-se uma larga correspondencia, em
que os excessos de linguagem nao podiam conciliar-se com a
posicao mental e social daqueles que a subscreveram. O argui-
do, as autoridades judiciais, o governador, o prelado etc., fize-
ram subir as suas reciamacoes A presenca do governo de D.
Maria 1, tendo vindo finalmente uma ordem de soltura do dr.
António Xavier Pimentel, desacompanhada de qualquer censura
contra o vigário geral que mandara efectuar aquela prisao.
Foi neste episcopado e por 1760 que os subditos france-
ses Francisco de Alincourt e Bartolomeu Andrieux e o tnadei-
rense Aires de Ornelas introduziram a maconaria no Funchal,
sendo a primeira terra do país em que ela regularmente se
constituiu, Exerceu umr maior rctividade no episcoprdo ime-
dirto e foi entao objecto duma tenaz perseguicll[o, como adirn-
te mais largamente se dirá.
Teve certa retumbancia na Cpoca a prisao do cdnego Frrn*
cisco Eleutério Nogueira Tavares, numa das dependencias da
torre da Sé, ordenada pelo bispo D. Oaspar Brandao, hivendo
n6s deparado com várias rlus6es a elr mas sem descobrirmos
os motivos que r determinaram. Deu-se a agravante da cir-
cunstancia do verdrdeiro ou suposto delinquente ter sido en-
carcerado n i torre dos sinos e nao na prisao do Aljube, que
era o carcere privativo dos eclesiásticos.
Depois de 26 anos de activo e zeloso episcoprdo, faltceu
D. Oaspar Afonso da Costa Brandao no Funchal, em idide
bastante avancada, no dia 14 de Janeiro de 1784, sendo sepul-
tado no crpela-mór da Sé Catedral.
D. Gaspar Brandao nasceu em Vila Cova Sub Av6, perto
de Arganil, no ano de 1703, e era filho de Bento de Figueire-
do e de D. Angelr Josefa de Fonseca Serra, pessoas distintas
daquela regiao. Era presbitero do hábito de Sao Pedro e tinhr
exercido diversos cargos eclesiásticos quando foi apresentado
bispo do Funchal.
18.' Bispo D. José da Costa
Torres

Dez meses depois de ter ocorrido o falecimento do prela-


do D. Gaspar Afonso da Costa Brandao, fez o governo por-
tugues a apresentacao para bispo do Funchal do presbitero
doutor José da Costa Torres, que ao tempo exercia o profes-
sorado na frculdade de teologia da Universidade de Coimbra.
A apresentacao tem a data de 14 de Fevereiro de 1784, mas
sómente se deu a confirmacao pontifícia no consistório reu-
nido no mes de Novembro de 1786.
Recebida a sagracao episcopal no principio de 1787, to-
mou posse do bisprdo, por procuracao, no mes de marco do
mesmo ano, e decorridos poucos meses assumiu directamente
o governo pastoral do seu rebanho, realisando-se a sua entra-
da soltne na diocese no dio 18 do mes de Setembro do já re-
ferido ano de 1787.
Ao chegar A Madeira, notando a falta da nomeacao de
algumas dignidades no cabido da SC Catedral e principalmente
do provimento de diversos beneficios paroquiais, como o es-
tava exigindo a boa regularisacao dos servicos religiosos, cha-
mou D. JosC da Costa Torres para o facto a atencao do mi-
nistro de estado Martinho de Melo e Castro. o que leva a
supar que o alvara régio de 4 de Marco de 1776, que facul-
tava aos prelados desta diocese o direito de fazer aquelas no-
mea~ties,tinha caducado ou nao podir ser cumprido sem pré-
via autorisacao do governo da metrópole. O governador da
Madeira D. Diogo Pereira Forjaz Coutinho secundou o ins-
tinte pedido do prelado, pondo também em relevo r urgente
satisfaca0 daquela necessidade. D. José Torres enviou para
Liqbor a relacao dos eclesiásticos que deveriam ser nomeados
para os lugares vagos com as informacoes dos merecimentos
de cada um dos pretendentes, mas r <Mesa da Consciencia e
Ordens., dando uma interpretacao muito rigida As leis entao
vigentes, levantou as maiores dificuldades a essas nomercaes,
que sbmente com o andar do tempo se foram frzendo moro-
samente, embora com grave prejuizo dos interessrdos e mris
ainda dos diversos servicos eclesiásticos r que elas dizirm res-
peito.
Alguns,anos mais tarde, ainda as mesmrs dificuldrdes sur-
giram de novo, tendo D. José da Costa Torres dirigido ao
governo da rainha D. Maria 1 uma larga exposicao Acerct do
direito que assistia aos bispos da diocese do Funchal de frze-
rem as nomeacbes dos beneficios eclasiásticos, fundado so-
bretudo na bula da eriacao do bispado e nos privilégios con-
cedidos A Ordem de Cristo, os quais tinhrm frrnsitrdo inteiro-
mente para a jurisdícao dos prelados diocesanos, por ocasiao
daquela criacao, no ano de 1514, e também baseado em di-
versos diplomas régios, que haviam confirmado e sancionado
esses mesmos privilégios. E' um documento notável, que me-
recia tornar-se conhecido, mas que a sua extensa0 e o plano
que ternos adoptado nos impedem de o fazer neste lugar. Esse
interesante documento provocou a promulgacao do alvaró rt-
gio de 11 de Outubro de 1789, que transfere ou reivindica
parar cor6a o privildgio de tais nomeacoes, vendo-se nele a
acc%odo poderoso tribunal da #Mesa da Consciencia e Or-
dem* a avocar a si um direita secular concedido ros bispos
do Funchal.
Foi D. JosC da Costa Torres um dos Prelados que mris
se interessaram pelas prosperidades do Seminário Diocesrno,
consistindo um dos seus primeiros cuidados, ainda rnesmo
antes de vir tomar posse do seu bispado, em obter e cedencia
do edificio do Colegio de Silo Joao Evangelista da extinta
Companhia de Jesus, que há perto de 30 anos se ochava fe-
chado, para ali serem instaladas as diversas dependencias da-
quele estabelecimento de educacao eclesiástica, o que veiu r
conseguir com o alvará régio de 10 de agosto de 1787, como
adiante mais largamente se verá. A 13 de Marco do ano se-
guinte e depois da indispensiivei adaptaflo, realizou-se a ober-
tura do seminário diocesano no seu novo edificio, que reves-
tiu particular solenidade, tendo o poeta Francisco Manuel de
Oliveira, proferido uma notavtl ottcao alusiva ro acto, que se
acha impressa num opúsculo de quarenta páginas. O prelado,
pela esmerada escolha do pessoal director e pelo novo regula-
mento e melhores condicaes da sua existencia, elevou o semi-
nario a uma altura a que ele nunca tinha chegado. E' por isso
que rlgures se 12 que fora ele o fundador dessa casa de edu-
cacao, o que é destituido de todo o fundamento. Ainda pre-
sentemente se cncontra numa das salas do seminário uma
grande téla representando o retrato do bispo D. José da Costa
Torres.
Existiam na igreja da Sé varias irmandades com seus al-
Rares privativos, como eram as do Senhor Jesus, Sio Miguel,
1
Sao orge, Almas, Nossa Senhora do Amparo e outras, que
por alta duma regular e zelosa administracao dos bens que
lhes eram próprios, nao sómente nao cumpriam os encargos
pias dos seus estatutos mas nem ainda conservavam os res-
pectivos altares ou crpelas com o ornato e decoro conformes
o fim a que se destinavam. Por esse motivo e depois dum
rigoroso inquérito, resolveu o prelado diocesano, pela sua
provisao episcopal de 18 de Abril de 1792, que os zeladores
dcssas irmandades fizessem entrega ao cónego fabriqueiro da
Sé Catedral de todas as receitas existentes e de todos os pa-
peis e escrituras que a elas pertenciam, afim de iniciar-se uma
zelosa administraqi%oe dar-se inteiro cumprimento ás diversas
obrigacoes impostas As mesmas irmandades.
Como ficou dito no capítulo precedente, foi a Madeira a
primeira terra do país, em que a franco-moconaria tinha sido
introduzida, tomando desde logo um notave1 desenvolvimen-
to, em relaqao as acanhadas condicoes do meio. Havia sido es-
trbeiecida por 1760 e trinta anos mais tarde o sútdito frances
Juan Josset de Orquigny promoveu a criacao da ~Sociedade
patriótica e económica do comércio, agricultura, sciencias e
rrtesr, que era uma disfarcada loja macónica posta ao abrigo
duma inofensiva sociedade de Instrucao e recreio. O gover-
nador e capitao-general D. Diogo Pereira Forjaz Coutinho
denunciara ao govérno central os fins ocultos dessa sociedade,
dizendo .que ela tinha um grande número de associados, na
maior parte pertcncentes a nobreza e ao clero..
D. JosC Torres evidenciou-se na perseguiqao que moveu
as sociedades secretas, sendo um dos actos mais salientes do
seu episcopado. De combinr~Boe acordo com o governador
Forjaz Ccutinho e em virtude de ordens severas emanadas das
estacoes superiores, tomaram-se enérgicas medidas de repres-
sáo contra os individuos filiados nos lcjas, que foram até o
exagero e A violencia. Muitos dos atingidos por essas medidas
tiveram que procuror na fuga um abrigo seguro as persegui-
caes, tendo rlguns déles com suas familias saído clandestina-
mente da Madeira no dia 19 de Abril de 1792 e entre estes se
contavam tres oficiais do exército. Por esta ocasiao, diz-se em
um documento oficial .que se demitira, suspendera e prendera,
por castigo alguns eclesiásticos..
As providencias entao adoptadas causaram a maior es-
tranheza na Madeira e também no continente portugues, ha-
vendo, por essa circunstancia e ainda por outros motivos de
carácter geral, ordenado o govérno da metrópole a soltura de
muitos acusados e recomendado a maior moderacao no cas-
tigo dos delinquentes. A actividade macónica continuou na sua
propaganda oculta mas tenaz, e nao deixou de manter-se uma
situacao irredutivel entre as lojas e a pessoa do prelado, que
perdurou até o ano de 1796, como abaixo veremos. Entre os
perseguidos contavam-se o poeta Francisco Alvares de N60
brega (Vid. Elucld. Mad. 1-53) e o de20 da Sé dr. Joao Fran-
cisco Lopes Rocha, tendo este escrito ao ministro de estado
José Seabra e Silva uma extensa carta, publicada em 1820 no
Carnpedo PorluguPs, de Londres, que merece ser lida e apre-
ciada, a-pesar-da paixao política que perpassa através das suas
quarenta páginas'
A perseguiclo, embora atenuada pelo governo da rnetró-
pole, que moveu aos membros das sociedades secretas e tambem
outras lutas encarnicadas que teve que sustentar ainda com o
pr6prio clero levantaram grandes dificuldades A sua adminis-
tracao episcopal, nao sendo para estranhar que tilo pondero-
sos motivos o coagissem a pedir a sua transferencia para a
diocese de Elvas, sendo esse pedido apresentado a Santa Sé
pelo gpverno portugues a 2 de Julho de 1796.
Preparava-se D. José Torres para sair desta diocese, quan-
do na noite de 6 de Outubro daquele ano, pelas duas horas
da madrugada, encontrando-se na residencia da capela da Pe-
nha de Franca, viu a casa cercada por um grupo de indivi-
duos e foi violentado a embarcar imediatamente ssem se des-
pedir de pessoa alguma nem do Santissimo Sacramento e até
agora ignora-se o motivo deste afectado embarque de noite e
por portas travessrs., segundo se le em alguns lugares e até
num documento oficial. Ficarom até rgora desconhecidas as
causas que provocaram esta violenfa e inesperada saída, rea-
lizada em tao estranhas e condenáveis circunsfincias, mas nao
se pode duvidar que sómente urna odiosa vingancq, pcderia le-
var i pratica um tilo grande e sacrílego atentado.
Nasceu D. José da Costa Torres em Setubal a 14 de
Agosto de 1741. Doutorou-se no faculdade de teologia da
Universidoade de Coimbra e nela exerceu o magistério superior.
Apresentado bispo do Funchal ern 1784, foi transferido para a
diocese de Elvas no ano de 1796. Dez anos mais tarde obtinha
a sua transferencia para Braga, como arcebispo desta arquidio-
cese, e ali veio a falecer a 26 de agosto de 1813, tendo 73 anos
de idtde.
xxxv
As freguesias c r i a d a s nos sé-
culos XVII, XVIII e XIX
Tinham decorrido aproximadamente cem anos ap6s a
criaclo da Última freguesia no século XVI, que foi a da Mr-
drlena do Mar no ano de 1582, quando no derrrdeiro quartel
do século XVII se estrbelecerrm as paroquias de Santa Luzia,
Crmacha, Serrr de Agur, Arco de Sao Jorge, Prazeres e Paul
do Mar. Estava entlo a diocese dividida cm ttinta e seis fre-
guesias, rlém de haver alguns curatos autónomos e varias ca-
pelas com seus capelaes privativos, nas quais se exercirm di-
versas funcaes do servico paroquial. Foi a carta regia de 28
de Dezcmbro de 1676, que autorisou o prelado diocesrno D.
Fr. António Teles da Silva a organisrr as novas paróquias,
tendo o alvara cpiscopal de 2 de Fevereiro de 1680 fixado as
condicaes em que essa criacao deverir realisar-se.
Frcguesla de Santa Luzla (Santa Luzia)-Crescendo nota-
velmente o movimento da popuhicao na paróquir da Sé Cate-
dral, nasceu a necessidade do desmembramento duma novr
frcguesia, tendo como séde 8 capela de Santa Luzir, situada
em local nilo muito afrstado d i actual igrcja prroquial destr
invocaqao, e sendo entro formada por uma parte consideravel
da frcguesia da Sé o ae rlguns sitios da de Nossa Senhora do
Monte. A primitiva capela era de rntigi construclo, provr-
velmente do tlltímo quartel do século XV, e abateu-se nos pri-
meiros anos do século XVIII, havendo-se entao transferido
8 sede da freguesia para a igrejr do convento de Nossr Se-
hora da IncrraaqPo, e aii permancceu atC & construca[o da
actual igreja de Santa Luzia, que deve ter sido edificada no
decenio decorrido de 1730 a 1740.
Com o desenvolvimento da populacao, foi criado um cu-
rato nesta freguesia, pelo alvará regio de 13 de Dezembro de
1745, que nao tem sido provido nos ultimos anos.
Por ocasiao da criacao desta paroquia no ano de 1676,
ficaram existindo dentro dos seus limites as capelas de Nossa
Senhora da Incarnacao, de Nossa Senhora dos Prazeres, de
Nossa Senhora da Consola#o, de Nossa Senhora da Pena, de
Sao Francisco e a de Jegus Maria José, todas pertencentes P
freguesia do Monte, da qual entro se separaram. A primeira
era a do convento de Nossa Senhora da Incarnacao, de que já
atrás démos noticia, tendo existido no mesmo local uma pa-
quena ermida com igual invocacao e edificada por António
Malheiro por meados do sCculo XVI; a de Nossr Senhora dos
Prazeres teve como fundador a Tristlo Gomes de Castro no
ano de 1611; a de Nossa Senhora da Pena, no sitio deste
nome, foi construido em 1657 por Duarte Mendes de Miran-
da e reedificada depois do terremoto de 1748 por António
José Espinola, neto do instituidor; a de Sao Francisco levan-
da na quinta do Ti1 em 1675 por Ambrosio Vieira de An-
drade e reconstruida em outro sitio, mas dentro da mesma
quinta, por Jorge Vieira de Andrade no ano de 1741; e a de
Jesus Maria José, instituida em 1669 por Mateus da Gama
Ferreira, proximo do convento da Incarnacáo, nao existindo
14 nenhuma destas cinco capelas. Da ermida de Nossa Se-
nhora da Consolacaa foram fundadores, no ano de 1646,
Diogo Gtserreiro e sua mulher Catarina Gomes, sendo nota-
velmente acrescentada em 1861 e inteiramente remodelada no
seu interior no ano de 1936 pelo seu actual proprietario
Henrique Hinton.
Depois da criacao da nova paroquia, edificaram-se as se-
guintes capelas, que j4 nao existem: a de Nossa Senhora da
Boa Viagem, no sitio da Carne Azeda, fundada em 1711
por Manuel Pestana Teixeira e sua mnlher Francisca Xavier
da Conceiclo; a de Nossa Senhorr do Vale, no sitio do Vale
Formoso, instituida no ano de 1726 por António Vogado
Sotomaior; a de Santo António da Mouraria, na rua do Car-
mo, mandada construir em 1727 por Tristao de Franca Be
tencourt; a de Sao Oregorio, na quinta da Coiiceic~o, edifi-
cada por Rodriga da Costa e Almeida no m o de 1741; c a
de Nossa Senhora da Esperanca, no sitio do Vale, instituida
em 1744 pelo padre Manuel de Nobrega. Tambem se cons-
truiu a ermida de Nossa Senhora do Descanso, na quinta que
tomou e tem ainda este nome, cujo fundador e ano de cons-
truca0 ignoramos, sendo esta capela e a de Ncssa Senhora da
Consolacao as únicas-que nesta paroquia se conservam ainda
de pé e destinadas ao uso do culto.
Os becas cunhecidos pelos nomes de Santa Emilia e Sao
Luís parecem indicar a exisiencia de capelas nestes lugares
ou ao menos de pequenos oratórios públicos, dos quais nao
conseguimos alcancar qualquer noticia,
O prelado diocesano D. Jos6 Xavier Cerveira e Sousa,
por suas provisoes de 30 de Outubro de 1845 e 15 de Julho
de 1847, a pedido dos párocos das freguesias d i Sé Cate.
drrl e de Santa Luzia, alterou os limites confinantes destas
duas paróquias, tendn também o governador civil do distrito
dr. Jacinto António Perdigao e a Carnara Municipal do Fun-
chal introduzido nc vas alteraq6es naqueles limites no ano
de 1863.
Dentro da área desla freguesia e a pequena distancia da
actual igreja paroquial, levantava-se o convento e igreja de
Nossa Senhora da Incarnacao, e no mesmo local ergueu-se o
grandioso edifício do Seminário Diocesano, devido A iniciativa
e abnegacao do ilustre prelado D. Manuel Agostinho Barreto.
Em artigo precedente, já nos ocupámos do antigo mosteiro e
do Seminario Diocesano tambtm nos ocuparemos oportuna-
mente.
Camacha (Sao Lotirenco)-O povoamento da freguesia
do Canico f6ra-se estendendo pelos seus pontos mais elevados
do quadrante norte, que eram conhecidos pelo nome de Ca-
machr, denomina~fo esta tomada dum antigo povoador de
apelido Camacho, segundo se afirma ern vários lugares. Essc
aumento de populacao aconselhava a criacao duma nova paró-
quia de harmonia com as necessidades daqueles moradores.
Nos Últimos anos do terceiro quartel do século XVII, fun-
dara Francisco Goncalves Salgado uma pequena capela dedicada
ao mártir Sao Lourenco, no sitio que mais tarde se chamou
dos Salgados, onde no ano de 1680, se instalou a sCde da nova
fregucsia da Camacha, criada pelo alvará regio de 28 de De-
zembro de 1676.
Um século depuis, procedeu-se, em outro loca!, cons-
truca0 da actual igreja paroquial, coja primeira pedrsa foi lan-
cada P 30 de Setembro de 1783, tendo sido parcialmente reedi-
ficadr pelos anes de 1886. HA paucos anos passou toda o
templo pos importantes reparac&s, especialmente nas syas de-
corac6es interiores.
Por diligencias do bispo diecesgno, D .'Luís Rodrigues de
Vilares, foi criado um curato nesba paróquia no %node 1801,
tendo os respectivos coadjutores residido permanentemente na
freguesia durante bastante tempo, mas há muitas dezenais de
anos que nao é provido esrie beneficio eclesi4stica.
Ternos notícia de que no ano de 1686 o cónlogo Jqao de
Saldanha fundaso nesta freguesia urna modesta ermida dedicada
a Nossa Sernhora da Piedade, no sitio que entaa chamavam o
Pereirs, de que nas se conserva noticia na paróquia. No pito-
resco sitio do Achada, levanta-se urna ptquena capela consa-
grada ao patriarca Sao José, devido A iniciativa dum jovem e
piedoso filho desta freguesia, cuja inauguracao se realizou no
ano de 1924, jtl depoia da morte do seu fundador.
Serroi de Agua (Nossa Sankora d i Ajuda)-A paróquin da
Ribeira Brava foi-se alargando pelo extenso e apert~dovale
que e limitava pelo norte e ali se formou um importante núcleo
de povaadores, que solicitaratu a críacao duma nova freguésia
com séde na pequena capela de Nossa Senhora da Ajuda, que
se erguia no leito pedregoso da ribeira no sítio chamado da
Serra del Agua.
Fui o alvará régio de 28 de Dezembro da 1676 que crisu
esta freguesia, estabeiéeida definitivamente tpo ano d s 1680. A
primitiva clopeia, cujos instituidores e ano de edificacilo se nlo
conhecem, era imprópria para o fim t que ia ser destinada,
em virtude das auas acanhadas dirnenrore e do lscal e a que se
encontrava. D s d e lag2 se prajectou a c3nstruc3o dum novo
templo, que sómrnte veiu a levantar-se no perí3do decorrido
de 1695 a 1700, conservando o orago ou invocacao da bntiga
capela da Ngsssi Senhora da Ajuda.
Arco de Sdo Jorgz (Silo José)-Fazia parte integrante da
freguesia d;j Sa:, J x g e e o seu desmembramento estava indi-
cado, pela pbvoacao que ali se formara e particularmente pela
distancia e pelo isoiamento am que se cncontrrva com relacao
4s paróquias confitzantes de Si30 Jwge e d i Ponta Delgada.
Desde os fins do século XVI ou princípios do século se-
guinte, existia no lugar do Arco de S%oJorge, no sítio hoje
conhecido pelos Casais, uma modesta capela da invocacaa de
Nos:ia Senhcrra da Piedadc, que teve seus capelaes privativos
anteriormente ii criacao da freguesia. Nela se estabeleceu a
séde da nova paróquia no ano de 1680, que tinha sido criada
pelo alvará régio de 28 de Dezembro de 1676.
Já entso se achava essa capelo em adiantado estado de rui-
na, tendo-se sessenta anos depois dado comeco a construcao da
nova igrejn, que foi levantada em local diferente da primitiva
ermida e que teve como titular o patriarca Sao José, sendo
solenenlente benzida no dia 19 de Marco de 1744.
Residiu durante muitos anos nesta freguesia e nela fale-
ceu em avancada idade no ano de 1884 o distinto sacerdote An-
t67i0 Alexandrino de Vasconcelos, que foi vigário getal do
Bispado e exerceu outros cargas irnp~rtantes,tendo em 1834
ac.~rnpanhnd~ D. Francisco JocC Rodrigues de Andrade, quan-
do este prelado se viu forcado a exilar-se e a segiiir o caminho
da Itália, e regressando A Madeira após o falecimento daqueie
prelado desta diccese.
Prazeres (Nossn Senhorn dos Prezeres)-Nos princípios
do último quartel do século XVII, a freguesia do Estreito da
Calheta compreendia na sua vasta área os territórios que pre-
sentemente a constituem e mais ainda os das actuais paróquias
dos Prazeres, do Paúl do Mar e do Jardim do Mzr, onde j4
entao se enconitravam alguns centros de populacao de relativa
importancia, que estavam a exigir o desmembramento daque-
la extensa freguesia.
Veio satisfazzr essa necessidsde o alvará régio de 28 de
D:zembi-o de ,676, ciizndo as novas paróquias do PLÚI do
Mlr e de N m a Senhora dos Prazeres. Esta formou-se com o
terreno desanexido da freguesia do E.treito e com alguns ca-
sais pertencenlcs A paróquir da Fdj3 da Ovelha, havendosse
instalado a sua séde na ermida de N sssa Senhora dos Praze-
res existente no sitio da Estacada e iniciando se ali o respeca
tivo servico paroquial no ano de 1684.
Por motivos que descsnhecemos, foi extinta a freguesia
dos Prazeres no ano de 1700 e encorporada na do Estreito
da Caihetr, conservando no entretanto um capelao privativo,
FREOUESIAS XVII-XIX
DOS SÉCULOS 243

que desempenhinva diversas funqoes paroquiais. Algures se 18 que


também esteve anexada A freguesia do Psúl do Mxr, nao se co-
nhecendo a época precisa c as circunstancias em que esse facto
se deu. E assim teríamos de admitir que, no período declorri-
do de 1700 a 1733, esteve o território dos Prazeres tncorpo-
rado na área daquelas duas frcguesias confinantes.
O alvara regio de 12 de Novembro de 1733, reparando
talvcz a irjustica da extinqao desta freguesia, cricu ali um cu-
rato sujeito a jurisdicao do Estreito da Calheta, mas que desde
logo pessou a ter uma relativa autoncmia e a gosar os fóros
duma paróquia independentc, recuperando assim os privilégios
da sua primitiva criacao.
Nado'se sabe ccm respcito ao ano da fundrcao da antiga
capela e dos seus instituidores, tendo neia permanecido a séde
da paróquia atC o ano de 1753, em que se fez a transferencia
para a nova igreja, cuja primeira pedra foi lancada no dia 9 de
Setembro de 1751. Sendo de acanhadas dimen~bespara o de-
senvolvimento da porulacac?, posscla por urna prcfunda tranc-
formacao, no !no de 1922. cem o slargamento do ccxpo cen-
tral e a edificacaw do campanário e s ~ c r i s t i Al&m
~ , de outras
importantes reparecoes.
No tres de Dezembro de 1827, deu-se nesta igreja um
horrivel desacato cr m o roubo do veso sagrsdo que continha
a Sagrada Eucsristia, o que csuscu r maiccr sensrc%o em tcda
a ilhr, tendo.se realizado, por esse mctivo, truitns actos de, de-
sagrrvo nas igrejas e principsis cbpelas da diocese.
NIS imediacoes da igreja porcquiel, o 2610 e a abnegacao
do pároco Anlónio Felix de Freitas Iev~ntsramhá psucas anGs
um belo edifício destinado A insto1i;cao de escolss, que oli fun-
cicnzm scb a proficiente direcc5to de alguns trembros da ot-
dem religiosa da Apresenta~ac.
P ~ d l do Mar (Santo Amaro)-Ccmo já acima ficou dilo,
foi desmembrada da freguesia do Estreito-da Calheta e criada
pelo alvará régio de 28 de Dezembro de 1676, ccmpreenden-
do enlao n i sua área a actual paróquia do Jardim do Mar. Há
muito que cxistia no Paúl uma copela dedicada a Santo Ama-
ro, cuja fundocao se atribue eo eintigo povoador jciio Anes de
Couto Cardcso e que parece remcntar aos meados do ~ é c u l o
XVI. Um fiiho deste, por nome Francisco de Ccuto Cardaso,
instiluiu ali um morgadio e foi padroeiro da igreja, onde teve
sepultura ne capela-mór, e um seu descendente tambem fun-
dou cutro morgadio no Jardim do Mar.
Curaal dos Frelras (Nossa Senhora do Livramento)-O
Curra1 das Freiras fez parta integrante da freguesia de Santo
Antónis do Fetnchrsl atC 0 ano de 1790, em que dela so des-
mernbr~ue dic~ucsnstituiadra urna nxa~óquiaautó-"~nms.A sua
séde instelau-se nw csipelr de SwraQoAnfónis, que era pertenca
do convento de freiaas de Santa Clero.
O iséalrmento deste lugar, situado no inteuicr da ilha e r
grande disthcia w que se aehava da freguesia de Santo Antó-
nio, estavsim acafzcielhando a critica0 duma paróquia, em vista
do centro de papuliacao que aIi ia fcrmando, quqndo o al-
vará regio de 17 de Marco de 1790, veis s~tiufazieressa neces-
sidada com o eskabelacimento dum curato filigl de Santo A n
tónio, mas que desde 1r.g~teve ~ Ó T O Sduma pq-6qui-i hndepttn-
den te.
Nao se conhcce a Cpaca da construcio da capela de San-
ta Antóaio, mas coaj~c~ureamos que a funidacpao data do pai-
meirs quastel do sCculs XVIII. Ali permsneceu a séde da nova
fregwesia até cs grincípios da século XIX, tim que se proce-
deu a da edificacao da templo ~ctual.Passou esie pos notáveis
repeirscoes nos anos de 1917 e 1918.
Todo o território que hoje cnnstitue a fregiaesia do Cur-
ral das Freiras pertenceu ao aaiitlgo c~nventode Santa Clara,
como mais Iargemente jfi deixiimos dito no capítulo XXII deste
estudo.
Ribetrta da /mela (Nsssa Senhsra da 1ncarnac;rci)-O pre-
lado diacesano D. Manuel Coutinho, por alvsaá de 25 de eetetn-
bro de 1726, estabeleceu provisóriamente um curato na Ribei-
ra da Jonela, que foi confirmado pela carta regia de 4 de fe-
vereiro de 1733 com a criacao dum curato, fiiial da frsguesia
do Porto do Moniz com séde naquele lugar, tendo ali o res-
pectivo cura residencia mais ou menos permanente. A psuco se
foí libertando da dependencia da igreja matrjz, como aconteceu
com outros curatos, nao sendo hoje fácil fixsr a época em que
se tornou p~roquiaautónoma,
Dao-se António Fernandes e Manuel Rodrigues como fun-
dadores, no ano de 1630, duma ermfda dedicada a Nossa Se-
nhora da Incarnaql€o, que uma grande aluviao destruiu alguns
PREGUESIAS DOS SÉCULOS XVlI-XIX 245

anos depois. Sabe-se que em 1699 se edificou urna capela da


mesma invacscan, em síni0 mais seguro, que foi gumentada no
ano de 1754. No Último quairtel do século XIX psssou por
uma camplebts. transformiqao, seods o pequeno templo conver-
tido em capela-mór e scre,sccn!airrbo-se entilo 0 corpo central
da ignj*, ern cujw frentaoiai. se 1& esta inscrlcac: cFei%apelo
p s v ~e dirigida prls P.= P ~ m b aem 1879 B Este grande melho-
ramento deve-se ao pircc.s M-nu.1 da Silva Pombo.
Santo Antó~tlo da Serrn (Santo António)-Esta paróquia,
mais comumente conhedda peia simplificacgo de freguesia dq
Santo da Scrre, fica sabranceirs, A i pa,róquiaisde Santa Cruz, Agua
de Pena e Mashico, das quaiis fili deomembrzda para a sua psimi-
tiva forrnacfio. Comecsu por Ievatltzr-se uma rngdesta ermide,
que te* seu crmitao privativo e passru deprliis a ser capelanisi,
também cilm seu capelas próprñq, haven",-se já enfao riargnni-
zado 811 um pequeno núcleo de popufac?io. Etn 1813 foi
criado urn curato, que em 1836 se eieveu categosia de
paróquia,
Tem-se afirmado que a velha ermida foi edificzda por
Gil de CarvJho pelos znos de 1521, o que nor parece uma
época muito remota para urna cilnsttucao desta nsstureza etn
lugar t%o erms e rfashdo. Flrava no sítia que z'inda hoje
conserva o nome de E~mid8.No laca1 em que se ajocontra si
actual igreja, construiu-se Lima caprla da I'nvacacao de Smto
Antóxio nos principios do sécaals XVII, que foi reedificada
pelas anos de 1738 e entao construida a crasa da ccpei20, que
Ihe ficava anexa. No rano de 1851 piccedeu-se l e sew acres-
centamento, tendo sido quasi inteiramente rectpisstruida em
1858 e ampliado e vedado 0 seu vasto adra, tudo a expensas
do súbdito americano Joao Hawrrd March. Fc.i be~zidaso-
lenemente pelo prelado di~cesanono dia 23 de agosto de
1757.
O lugar do Sknto da Srrra com ai swa antiga. ermida
pertencia A jurisdicao parsquial de Macnicaa, mas 0s vigdrios
das freguesies de Agua de Pena e de Santa Cruz tatnbém se
julgavatn ter direito o compartlcipeir dessa jurisdicao, havendo
entao o bispo D. Lourenco de Tavora, no ano de 1612, posto
a ermida ao abrigo dessas contendas e sujeitando-a imadlata-
mente A jurisdi~loda prelado diocesano. Foí por esta época
que se fez o aforamento do terreno que circunda a igreja e o
presbitério como inteira pertenca da mitra, embora tenha es-
tado sempre no usufruto do respectivo pároco.
No ano de 1813, ficou bem delimitada a área da povoa-
cae do Santo da Serra, i o criar-se ali um curato com séde
na copela de Santo António, rbrangendo vários sítios des-
membrtdos das tres freguesias confinantes e ficando conside-
rado como curato filial da freguesia de Machico. Achrndo-se
o vigário capitular e governador do bispado António Alfredo
de Santa Catarina Brsga em visita pastoral no Santo da Ser-
ra, expediu drli uma provisao, datada de 13 de Junho de
1836, em que extinguiu r freguesia de Agua de Pena e a
anexoii ao curato do Santo da Serra, fixrndo neste último a
séde da nova prróquia com o nome de freguesia do Santo
da Serra e Agua de Pena. O alvará régio de 24 de Julho de
1848 restaurou a rntiga paróquia de Agua de Pena e criou a
do Santo da Serra, como era de inieira justica que se fizesse.
Em virtude das graves desinteligencias havidas entre o
bispo diocesano D. Luís Rodrigues de Vilares e o governador
e capitao-general D. Jocé Manuel da CAmara, ordenou este a
violenta e imediata ssída do Funchal Aquele prelado, que sem
demora se recolheu a residencia do crpel%oda ermida de Santo
António da Serra, onde permaneceu rlguns meses, como
adiante mais largamente veremos. Durante a sus estada ali,
procedeu a arborisrcao do terreno, que é haje o passal do
piroco, e fez construir um excelente fontenário, que ainda
actualmente conserva o name de Fonte do Bispo.
Foi talvez nesta freguesia que o proselitismo, protestante
exercido pelo dr. Roberto Kalley na Madeira de 1838 i 1846
mais largamente se fez sentir e l a n ~ o umris fundas rrizes, cau-
sando' perturbaqoes de toda a ordem, como teremos ccasiao
de narrar em outro capitulo deste trabalho.
No sitio do Lombo da Pereira desta prróquia, cdificou
urna súbdita britanica Mrs. Arendrwp, há cerca de quarenta
anos, uma excelente casa cum uma capela adjunta para o fun-
cionimento de escolas, tendo o pároco JosB Lino da Costa le-
vantado nas suas imediacoes no ano de 1920 um orfanato des-
tinado a recolher criancas pobres, que está ali prestando os
mais relevantes servicos ii sssistencia pública drquela e de
outras freguesias.
/urd!m do Mur (NOSSI Scnhora do Rofárioj-FtWa parte
da freguesia do Paul do Mar, quando foi ali criado um cu-
rato pelo alvará rCgio de 15 de novembro de 1734, na depen-
dencia daquelr prnróquia. O respectivo cura nao tinha moradia
permanente no lugar e o alvará episcoprl de 22 de julho de
1809 estabelece a obrigacao de residencia, o que parece nao
haver.se inteiramente observado, pois que os moradores recla-
maram diversas vezes contra esse abuso. Foi sómente pela
provisao do governador do bispado de 28 de setembro de
1836 que essa residencia se tornou efectiva. O alvará rCgio de
24 de julho de 1848 elevou o curato A categoria de paróquia in-
dependente, desligando-a da jurisdicao canónica em que estava
da freguesia do Paul do Mar. O prelado diocesano D. Pdtricio
Xzvier de Moura, por provisao de 2 de outubro de 1861, ex-
tinguiu a freguesii do Jardim do Mar, devido ao estado de rui-
na e abandono em que se encontrava a igrejn, ficando entao ane-
xada a freguesia do Paul do Mar, mas foi novamente restabe-
1:cid.a no ano de 1862
Pdrece que o curato do Jardim tambCm esteve durante
alguai tempo subordinado h paróquia de Nossa Senhora dos
Prazeres, cm época que nao podemos determinar.
O autor das Saudades da Serra faz uma ligeira referencia
a esta localidade e por ela se ve que já al¡ existia uma capela
no ano de 1590, onde um século e meio mais tarde se estrbe-
leceu a séde do curato.-No ano de 1906, o pároco César Mar-
tinho Fzrnandes, a-pesnr.das restritas condicoes do meio e &
cusla dos maiores trabalh~s e ~uciificio~ conseguiu edificar
uma nova igreja paroquial no mesmo local da velha ermida,
tendo concorrido notavelmente para a realizacao deste mclho.
ramento o proprietário Francisco Joao de Vasconcelos de Cou-
to Cardoso, representante dos antigos administradores do mor-
gadio existente nesta paróquia. Foi solenemente benzida no
dia 19 de Outubro de 1907.
Nas proximidades da igreja paroquial encontra-se a capela
de Nossa Senhora da Piedade, fundada no ano de 1736 pelo
morgado Joao de Couto Cardoso, que em 1825 foi reedificada
pelo scu sucessor no morgadio Francisco Joao de Vasconcelos
de Couto Cardoso. Tem servido algumas vezcs de igreja
paroquial.
Sio Roque do Falal (Sao Roque)-Sendo desmembrada da
freguesia do Faial e estabelecendo-se a sita sede numa capeir
que &ha Silo Roque como patrono, terid naturalmente tomado
o nomc de Sao Roque do Faiial. A primitiva capela ali existen-
te era dd conserucas bastante antiga, pois se sabe que o seu
fundador Cristovao Pires si fez edificar no ano de 1551 cm ter-
ras que possuia naqueles sitios. No ano de 1664 foi acrescenta-
da e em 1776 procedru se a sus rec2nstrucao e a local diferen:
te, tendo *ambCm psiss-do p3r importantes reparacbs 'no ano
de 1889.
A-pesar-de tudo, ficou sempre urna igreja de acanhados
proporcbzs a irnpróprir para as diversas funcbrs religiosas, es-
pecirnlmente dspois do maior desenvolvimento da p0pul8ca0,
Além de estar tambéen exposta aos perigos que lhe oferccia a
catndalosa rib:i:a, em cuja margcm se achavs situad2 Por es'ses
panderosos motivos, aventurou-se o pároco Daniel Nicolsiu de
Sousa ao arriscado empreendinacnio da construcao duma nova
igreja, o qua tevel ira um grande zelo e abnegacao, em vista
dos minguados recurwo; de que podir dispBr em um meio tifo
limitado como aqwle. A igreja levantou-se e foi solenemente
benzida peto prelad? dincesano no dia 11, de Dezembro de 1927.
Q alvara ~Cgiode 11 de Fevereirs de 1746 crisu um cura-
to na freguesia do Faiel, mas nao com séde na capela de Sao
Roque, como algures se afirma, tendo esta sido apenas servida
corn alguns capelaes temporários e sem residencia permanente
no lugar.' Foi a casta régia de 24 de Julho de 1848 que estabe-
leceu esta paróquia, desmembrada da do Faial e ficou csnsti-
tuindo urna freguesia autóncma.
Boavcctu~rr (Ssnta Quit6ria)-Pertencia prlmitivamewfe 4
frcguesia da Ponta Dcslgzda e dela se desmembroii como paró-
quisi aufónoma no ano de 1839.
O alvarl régio de 4 de Fevereiro de 1733 rutorizou o pre-
lado diacesano a crix um curato no lugar da B~aventuta,de-
pendente da freguesia da Ponta Delgada, com obrigacao de
resider,cta e do cura ocudir com os socorros espiritulcis aos
moradores daquéles ritios, em virtude da distancia e das difi-
culdades de comunicacbes com a séde da parbquia. O vigário
capitular António Alfredo, por alvará de 18 de Novembro de
1836, elevcu s curato A categoría de freguesia, que ficouftendo
maior populacao e mais extensa área do que a de Ponta Del-
gada. Esta criac%ofoi confirmada pelo aviso regio de 29 de
Agosto de 1842.
No sitio do Serrito havia uma pequena capela dedicada a
Santa Quitéria e construida pelo povo no ano de 1731 e nela
se instalou o curato e serviu depois de séde a nova paróquia.
Foi notavelmente acrescentada e melhorada no ano de 1835,
tendo há poucos anos passado por outras importantes re-
paracaes.
Quando se criou esta freguesia, já ali existiam a capela de
Sao Cristovao, no sítio deste nome, edificada no principio do
s6culo XVI e demolida no ano de 1748, e a de Santana, funda-
da pelo morgado António Francisco de Csires, no sítio da
Faja do Penedo em 1768 e desmanchada pouco depois do ano
de 1840. Nbte mesmo sítio, fez D. Maria dos Anjos Ribeiro
construir oma cruela consagrada ao Imaculado Coracao de
Maria no ano de 1919.
Achadas da Cruz (Nossa Senhora do Livrament0)-No
extremo oeste da Madeira e encravada entre as freguesias da
Ponta do Pargo e do Porto do Moniz, demora a pequena pa-
róquia das Achadas da Cruz. Afirma-se que no terceiro ou
último quartel do século XVI se edificou ali uma modesta
ermida da invocacito da Vera-Cruz, onde se estabdeceu por
essa dpoca ou pouco depois um curato dependente da colegia-
da da Calhetal-que teve uma curta duracao.
No primeiro e segundo quartel do século XVI1,fizeram-se
virias tentativas para a restauracao do antigo curato, que sur.
tiram sempre infrutíferas. O alvará régio de 28 de Dezembro
de 1676 criou um curato na freguesia do Porto do Moniz com
obrigacao do cura ter residencia nas Achadas da Cruz, mas
nem sempre se cumpriu com rigor a letra desse diploma. Con-
t i n u o ~na dependencia da paróquia do Porto do Moniz até que
uma provisao do governador do bispado de 30 de Abril de
1837 a constituiu em paróquia autónoma, o que foi plenamente
confirmado pela carta régia de 24 de Julho de 1848.
Ha muito que desapareceu a antiga capela da Vera-Cruz,
tendo a actual igreja paroquial sido edificada em local diferente
daquela, mas em ano que nao podemos determinar. Foi notavel-
mente acrescentada e melhorada, haverá pouco mais de meio
s6cui0, com um importante donativo, que Ihe legou Manuel
Ponte Cariiara, distinto filho desta freguesia.
Quinta Orande (Nossa Srnhora dos Remédios)-O terri-
tório que ora constitui a superfície desta freguesia pertencia
primitivamente As paróquias de Cacnara de Lobos e Ribeira
Brava. A parte pertencentz a esta última ficou incorporada na
do Campanário, quando esta se criou no ano de 1553. Em
virtude do núcleo da populacao que rli se foi formando e au-
mentando, o bispo e vigário capitular D. Joaquim de Menezes
e Ataide, pela provisao de 8 de Fevereiro de 1820, estabeleceu
o curato da Quinta Grande com obrigacao de residencia do
respectivo cura, O que parece nem sempre se observou, mas
dependente das freguesirs da Ribeira Brava e Camara de Lobos,
a que el8 pertencia. A carta régia de 24 de Julho de 1848 é que
Ihe conferiu toda a autonomia, sendo a provisao episccpal de
28 de Setembro do mesmo ano, que deu inteira execucao
áquela carta régia.
Foi na capela de Nossa Senhora dos Remédios, cuja Cpoca
de construcao ignoramos, -que se instalou a sede da nova pr-
róquia, talvez por ser de situacao mris central, tendo sido quási
inteiramente reedificada há mais de sessenta anos.
Encontrr-se nesta fregucsia a capelr da Vera-Cruz, cuja
fundrqao se rtribui a Joao Goncalves Zarco, primeiro capitao
donatário do Funchal e que 6 uma das mais antigas de toda a
diocese. Foi reconstruida no ano de 1854 para servir de igreja
paroquial, nao tendo sido, porém, aplicada a esse destino.
Segundo se 18 rlgures, existiram nesta freguesia uma pe-
quena ermida dedicada a Nossa Senhora d i Cadeira e outra na
Porta da Quinta, cuja invocacao ignoramos, encontrando-se
trmbém ali a capela de Santo António fundada no ano de
1883 pelo padre António Silvino Goncalves de Andrade.
A freguesia da Quinta Grande pertenceu na sua quási to-
talidade ros jesuitas até o ano de 1759, em que sairam da
Mrdeira, tendo sido dez anos depois vendida em hasta pública.
Na área desta paróquia, entao pertencente A do Campa-
nario, nasceu em 1767 D. Manuel Joaquim Goacalves de An-
drade, que foi bispo de Sao Prulo e ali faleceu no ano de
1847.
Seminario Diocesano

As decisoes do concilio de Trento, exaradas no capitulo


18." da sua sessao XXIII, estabeleceram a esfritr obriga~ao
de criar-se em todas as dioceses da cristandade seminarios ou
casas especiais de educacao eclesiastica destinadas aos que se
consagravam no estado do clero secular, onde nao sómente
recebessem a indispensavel instrucao de caracter geral e sobre-
tudo o conhecimento das sciencias teologicas, mas tambem se
adestrassem no cultivo da virtude e no exercicio da mais acrió-
solada piedade. A confirmacao e aprovacfio dadas pelo Sumo
Pontifice Pio IV a essas determinaqoes datrm do ano de 1564,
e logo o rei D. Stbastiao cuidou de as fazer executar no nosso
pais, sendo de 20 de Setembro de 1566 a carta regia que criou
o seminario da diocese do Funchal.
E' um documento extenso e duma fastidiosa prolixidadc,
mas que nao deixa de oferccer bastante interesse ao nosso
assunto e que mereceria ser aqui trasladado. se no-lo permi-
tisse o espaco de que devemos dispor. Vem integralmente
transcrito 8 fols. 37 do divro grande* do tombo do rrquivo
da nossa Sé Catedral e tambem se acha registado r fols. 67 e
SS. do livro 7.O da antiga aprovedoria da Real Fazenda.
Madeiraw, hoje existente no Arquivo Nacional da Torre do
.. da
Tombo, e encontra-se absolutamente inédito.
Diz-se nesse interessante documento que a , .. para se
proverem os beneficios do dito Bispado em pessoas idóneas e
bem instruidas como eumpre ao serviso de nosso Senhor e
descanso da minha consciencia e proveito espiritual e refor-
maca0 dos costumes hei por bem e me apraz que o dito St-
minario se ordene e faca logo na dita ilha e recomendo mui-
to a D. Jorge de Lemos Bispo do dito bispado e do meu
.
conselho que assim o faca fazer . . e para o qual seminario
hei por bem e mando que se deem 4 custa da minha fazenda
no almoxarifrdo da cidade do Funchol trezentos mil reis em
cada ano.. . e isto além dos qurrentr e cinco mil reis que
até agora houveram os mestres de gramrtlca e do cinto, que
ha na dita cidade.. . e hei por bem que se deem para o dito
seminario e além de que para ele houverem de pagar as pes-
soas que teem rendas no dito bispado que conforme o decre-
.
to do sagrado concílio hajam de contribuir pira o dito se-
minario. . . .
A-pesar-da expressa recomendacao do monarca, nao teve
imediata execucao a carta regir de 20 de Setembro de 1566. O
bispo D. Jorge de Lemos encontrava-se no continente r tratar
da sur srude e de negocios do seu bispado, quando foi pro-
mulgado esse diploma, e bastante concorreu para isso com 8
sua autoridade de prelado desta diocese e com o seu presti-
gio pessoal, mas r sur demorada ausencia e a renúncia que
tres anos depois fez da mitra do Funchal obstarrm r que ini-
cirsse a fundacao do seminario. Sucedeu-lhe D. Fernando de
Tavora, bispo desta diocese no periodo decorrido de 1570 r
1573, mas que nao chegou r vir ao seu bispado, nao podendo,
portanto, ocupar-se trmbem dessa creacao.
Coube ro zeloso prelado D. Jeronimo Barreto r inicirti-
va do estrbelecimento do nosso seminario diocesano, que tres
séculos mais tarde passaria pela mais completa transforma-
cae, devido A dedicacao sem limites de outro bispo de igual
apelido de familia, que foi o eminente e apostolico prelado D.
Manuel Barreto.
Havir um século e meio que comecara a colonisacao do
arquipélago e f6ra rápido o desenvolvimento da populacao, o
que demandava um activo servico religioso nas sedes das pa-
r6quias e em algumas capelas, tornando-se ja escasso o núme-
ro de sacerdotes seculares para acudir r todas as necessidades
emergentes. A formacao do clero dentro da área da diocese
e sob as vistas e direccao do respectivo prelado constituir
urna medida urgente r adoptar, que encontrou em D. Jeróni-
mo Barreto um proficiente e dedicgdo rerlisador.
Nao se conhece corn precisa0 o ano em que o novo se-
minario iniciou o seu funcionamento, mas deveria ter sido
dentro do decenio de 1575 a 1585, em que aquele prelado di-
tigiu os destinos desta diocese. Inclinamo-nos a crer que seria
pouco tempo depois da reuniko do sínodo diocesano de 1578,
em que foram promulgadis as conhecidas Constltulgoes im-
pressas em 1579 e reempressas no ano 1585. Nao andará, pois,
muito distanciado da verdade quem afirmar que foi em volta
do ano de 1580 que se dcu a criacao do seminario e que teve
comeco o exercicio dcs seus trabalhos escolares.
D. Jeronimo Barreto é corn inteira justica ccnsiderado o
verdadeiro fundador do seminario desta diccese, que lhe me-
receu sempre os mais diligentes cuidados, nao sómente nos
trabrlhos da sur instalaca0 e no funcionxmento interno de
todos os seus servicos, como ainda em assegurar-lhe os meios
de manter a sua existencia, ao abrigo das deficuldades de
ordem economica.
Junto da resideneia episcopal, procedeu o ilustre prelado
4 adapta~aodumas casas para aquele fim, podendo deste modo
seguir com mris atenta vigilancia todo o movimento scientifi-
co e religioso do novo instituto, a que desde logo quis im-
primir uma feicao monástica, mas que no decorrer do tempo
notavelmente se modificou. Segundo nos informa o dr. Gas-
par Frutuoso, tinha D. Jerbnimo Barreto a sur moradia na
rua Direita, entáo a maior da cidtde e que se estendia pela
margem esquerda da ribeira de Santa Luzia até As alturws da
actual ponte do Torreao. Foi, pois, nessa rua e em local que
hoje nao será facil determinar com inteira exactidao, que o
seminario diocesano teve a sua primeira instalacao e ali per-
maneceu aproximadamente duas dezenas de anos.
Pouco ou nada se sabe com relacao A sua primitiva or-
ganisacao e regime interno, e especialmente o que diz res-
peito ao seu quadro de estudos, sendo para conjecturar que
os respeCtivos colegiais frequentassem os cursos de teologia e
humanidades mantidos pelos jesuitas na sur residencia adjunta
capela de Sao Bartolomeu, que, por feliz coincidencia, ficava
nas imedia~oesdo mesmo seminario.
Pelo trecho da carta régia de 20 de Setembro de 1566,
que fica acima transcrita, se ve que ao criar-se o seminario
diocesano Ihe foi arbitrada a dotaqao anual de trezentos mil
reis e de mais quarenta e cinco mil reis especialmente destt-
nadas As aulas de gromatica e cantochao, al6m das quotas6dos
pensicnistas, o que fudo seria insuficiente para a sur regular
sustentacao, se outras receitas nao tivessem sido criadas pelos
prelados e nao hcuvesse algumas importantes dorc6es lega-
das pcr diversos bemfeitores.
Primitivamente foi de doze o número de colcgiais, que
aumentcu no decorrer do tempo, sendo alguns deles pensio-
nistas.
D. Luis Figueiredo de Lemos (1586-1606), que sucedcu a
D. Jerónimo Barreto no governo desta diocese, consogrou tam-
bem ao seminario todas as atenc6es do seu zelo apostólico e
procurou mante-lo A altura do fim a que se destinava, embora
lhe escasseassem os recursos indispensaveis para realizar a
grande obra que empreendera. Abalancara-se A construcao du-
ma condigna residencia episcopal, pois que já havia mais de
oitenta anos que f6ra criado o bispado e nao existia uma ha-
bitacao apropriada $ara moradia dos respectivos prelados. E
ao tentar a realizacao desse importante melhoramento, projec-
tou reservar algumas dependencias do novo edificio para a
acomodacao do seminario diocesano, em melhores condicoes
das que até entao estivera provisoriarnerite nas acanhadas casas
da rua Direita,
A edificacao do antigo paco episcopal, do qual ainda res-
tam a desmantelada capela de Sao Luís e uma especie da velho
claustro conventual, fez-se nos Últimos anos do sCculo XVI
ou principios do século seguinte, sendo por esta época que o
prelado D. Luís de Figueiredo estrbeleceu ali a sur residencia
e se procedeu, aproximadamente pelo rnesmo tempo transfe-
rencia dos diversos servicos do seminario para as casas que
acabavam de construir-se na rus, que passou entao a ter o no-
me de Rua do Bispo. Já vimos indicado o ano de 1597 como
o dessa mudanca, mas inclinamo-nos a crer que ela se realizou
nos primeiros anos do século XVII.
Cerca de cem anos funcionou o seminario nas dependen-
cias do paco episcopal, nao tendo chegado até n6s conheci-
mento de quaisquer noticias que possam interesar ii sua histó-
ria neste relativamente extenso periodo de ternpo.
Sendo desde há muito considerada como impropria e pre-
judicial aos alunos a sua permanencia naquele local, devido so-
btetudo A estreiteza das suas diversas acomoda~oes, surgiu a
ideia de aproveitar-se urnas casas destinadas A fundacilo
dum mosteiro de religiosas e sitas na rua que mais tarde se
chamou de Mosteiro Novo, depois de ali se proceder a uma
indispensavel adrptacao.
E' ocasi20 oportuna de dar-se uma rápida noticia Acerca
dessa projcctada criacao monástica, aproveitando o que a tal
respeito já deixámos dito no 2.' vol. do aElucidario Madeiren-
se. e acrescentando-lhe outros esclarecimentos posteriormente
adquiridos.
No local onde ainda presentemente se encontram as casas
do antigo Seminario de Nossa Senhora do Bom Despacho, n i
rua Julio da Silva Carvalho, mais vuígarmente conhecida pelo
nome de Rua do Mosteiro Navo ou RUPdo Seminario, o có-
nego da Sé do Funchal Manuel Afonso Rocha instituiu no ano
de 1626 urna pequena capela com a invocacao de Jesus Maria
José, que alguns anos mais tarde ampliou, e junto dela fez le-
vantar um modesto edificio destinado a um convento de reli-
giosas, que desde lago toniou o nome de Mosteiro Novo,
porque seria a casa monástica de mais recente fundaqao exis-
tente no Fuiichol.
A 17 de Dezembro de 1638, achando-se aquele capitular
retido no leito por doenca grave, chamou á sua presenca um
tabeliao e solicitou tambem a presenca do prelndo diocesano
D. Jerónimo Fernando, declarando que tinha dado comeco 4
fundacao dum mosteiro composto de casas, oficipas, igrejr e
caro, sob a invocacao de Sao José, destinado a religiosas, com
o encargo da celebracao de algumas missas e oficios, mas que
nao o tendo acabado entregava o governo e a conclusao dele
proteccao do mesmo prelado e seus sucessores, pedindo-lhes
que sómente o rplicassem a esse fim ou a um recolhimento
para damas ou mulheres de qualidade, e que se issa nao fosse
possivel se entregasse o mosteiro a virtuosos religiosos mendi-
cantes ou a outros que melhor servico prestasaem a Deus. O
pedido e as condicoes formuladas pelo cónego Manuel Afon-
so Rocha foram aceites pelo prelado diocesano, mas escas-
seando as respectivas rendas e ainda por outros ponderosos
motivos nao chegaram a concluir-se as projectadas obras nem
aplicado o edificio ao fim para que fora primitivamente desti-
nado. O benemérito instituidor dessa casa faleceu a 12 de Fe-
vereiro de 1639 e teve sepultura na capela que ele ali fundara.
Em 1647, autorizou o governador do bispado que os so-
brinhos do fundador o cóncgo Antonio Espranger Rocha, um
irmao deste padre Inacio Espranger, e suas duas irmls, resi-
dissem no edificio, tendo depois da morte deles sido ainda
ocupado por um dos sobrinhos dos mesmos o cónego Anto-
nio Espranger, que faleceu no ano de 1691. Fez-se essa con-
cessao com o fundamento de que estes sobrinhos do institui-
dor tambem tinham concorrido notavelmente para r fundacao
desta pr~jectadacasa monástica.
Foi entao, que o prelado D. José de Sousa Castelo Bran-
co pensou na mudanea do seminario das dependencias da re-
sidencia episcopal para as casas da rua do Mosteiro Novo, o
que já constituia uma melhoria de siturcao, embora as diver-
sas instalasoes nao tivessem a largueza e as comodidades que
seria para desejar e bem assim o local nao oferecesse as in-
dispensaveis condisoes higienicas.
Este ediIlcio, afim de ser convenientemente adaptado ro
seu novo destino, sofreu importantes modificacoes, sendo de-
molida a antiga crpela e substituida por um oratorio interior,
e completara -se varias obras de construcao, que apenas ti-
"I'
nham ficado niciadas.
Dcpois de permanecer um sécu!o nos dependencias da
residencia episcopal da Rua do Bispo, foi definitivamente ins-
talado o seminario nas casas da rua do Mosteiro Novo, nos
primeiros anos do século XVIII, havendo por essa ocasiao si-
do reformado o seu regimen interno com os novos estatutos
que Ihe deu o prelado D. José de Sousa dq Castelo Branco.
D. Fr. Joao do Nascimento (1741-1753), um dos mais
ilustres bispos desta diocese, foi tamb6m um dos prelados que
mais relevantes servicos prestoulao seu seminario, nao sbmente
obtendo um importante acrescentamento a dotacao anual con-
cedida pelo Estado, mas sobretudo operando uma notavel re-
forma no regime interno desse instituto e uma mais rigorosa
selecc%ona admissao dos candidatos A vida eclesiástica, Além
das alteracocs que introduziu nos diversos cursos qne ali se
professavam.
A's suas diligentes instancias, concedeu D. Joao V, pela
carta régia de 18 de Janeiro de 1745, o aumento de 150.000
reis 4 dotaca0 arbitrada ao seminário diocesano, que passou a
ser de 500.000 reis sendo por essa é p ~ c ra mesma casa
da cducrcao contcmploda corn algumas doac6:s particulares.
Mrndou elaborar, sob a sua direccao e por pessurs competen-
tes, uns novos estatutos moldrdos em bases novas, que abran-
girm toda ,a vida do seminário, desde a escolha dos colegiais
para a sur primeira rdmissao até A inteíra conclusao dos estu-
dos, encerrando as mais salutares disposic5es acerca da disci-
plina interna, condutr moral, trabalhos praticos de aplicacao lite-
rária, duracao de cursos etc., AIém de ocupar-se ,minuciosa-
mente dos diversos ramos da parte administrativa e económica
desta casa de ensino eclesiástico.
Datrm esses estitutos de 12 de Dezembro de 1746 e esa
tabelecem que, para a sua admissao, tia0 tenha o candidato
menos de 12 nem mais de 18 anos de idade, e que saiba ler e
escrever e possua alguns rudimentos de gramática latina, dan-
do-se preferencia aos filhos de pessoas nobres ou que hajrm
prestado quaisquer servi~osA Igreja ou ao Estado. O curso
constrvr normalmente de tres anos de humanidades e de tres
de filosofir e teologia moral! que, por vezes, as circunstrncias
imperiosas de momento obrigavam a modificar. Hovia examcs
no fim de cada ano lectivo e também no regresso das férias,
em que os alunos deviam estudar certas matérias, que lhes
eram indicadas préviamente. Frequcntrvam nos cursos manti-
dos palos jesuitas as aulas que nao se lecionrvam no seminário,
tendo sofrido muito na regencia das suas cadeirrs de ensino,
quando esses religiosos sairam da Madeira no ano de 1760.
Os novos estatutos continham disposicoes especiais acerca
do cerimoniril usad3 na imposicao das abécas. por ocrsiao da
admissao, da maneira como deveriam os alunos aplicar-se ro
cstudo e dos temas e exercicios a fazer, das provas do progres-
so obtido nas diversas disciplinas, dos jogos permitidos, do-
trajo, da camaradagem, etc, descendo-se a tris particularidades,
que bcm mostra o empenho que hrvia em mrnter uma rigo-
rosa disciplina em todos os actos da vida escolar dos colegiais,
tanto scientifica e literária como moral e religiosa.
Encontrava-se o seminario diocesano num relativo grau
de prosperidadee satisfazendo regularmente o seu fim, quando
na noite de 31 de Marco de 1748 sofreu esta ilha um violento
rbalo de terra, que crusou algumas vítimas e danificou inú-
meros edificios públicos e particulrres, ficando muitos deles
em estado adirntrdo de ruina. As casas do Mosteiro-Novo,
a-pesar-de nao serem de constru~aomuito antiga, experimen~a-
ram tIo grandes estragos que obrigrram os seus moradores a
abandoni-las sem perda de tempo. Embota se nto saiba com
intein certeza onde e como funcioncu o semin8ri0, conjectu-
ra-se que durante d8ze anos andou 4 merce da sorte por di-
versas casas, tendo estada algum tempo instalado no velho
hospicio dos franciscanos, junto da capela de SBo Joao da
Ribeira.
Nessa triste conjuntura, estava servindo de governador do
irqulpélago o prelado diocesano D. Joao do Nnscimento, que
deu entZo eloquentes provas da sur rara energia e actividade
e rinda do mais atilado bom senso nas acertadas providencias
que adoptou, tendo rlcancsdo do governo d i metrópole avul-
tadrs verbas para acudir prontamente 4 restauraqBo de muitas
igrejas e de varios edificios públicos. No seminhrio da rua do
Moskiro Novo fizeram-se grandes obras de reparacao, tendo
recomeqrdo o seu regular funcionamento no ano de 1760.
A-pesar-da notavel escassez de noticias para se formar um
juizo seguro Acerca da vida do Seminario do Funchrl sob o
triplice aspecto da sur administra~aoeconómica, da organiza~ao
dos seus estudos e da sur direc~ao espiritual e religiosa no
longo periodo de tres sCculos, que decorre desde o seu estabe-
lecimento até o ano de 1877, cm que se inicia a Cpoca da sua
completa remodelrqio, pode dizer-se que teve sorte verir com
periodos de mrior ou menor prosperidrdc, segundo o permi.
tiam a idversidade dos tempos e a forca imperiosa das circuns-
tancias emergentes, havendo no entretanto merecido sempre
por parte de todos os prelados diocesanos a mais salutar pro-
teccio e o mais paternal e acrisolado interesse.
Criado pela carta regia de 20 de Setcmbro de 1566, como
acima se disse, e tendo apenas a dotaqao anual de 345.000 rtis,
logo surgiram graves dificuldades ecor.ómicas, procurando os
prelados atenuar temporariamente essas dificuldades m m a
criasao de algumas receitas transitórias, que longe estavam de
assegurar uma situaqao desafogada ao novo instituto,estabeleci-
do numa diocese que 80 tempo nao contaria mais de vinte mil
habitantes. Uma ponderosa circunstancia Ihe setviu de valioso
auxilio: o permanecer essa casa de educacao, por mris dum
sCculo, anexa A residencia episcopal, acudindo os prelados, com
manifesto prejuizo do seu relativo bem estar, 4s mais urgentes
nccessidrdes que ocorriatu de vez em quando. As rnuidades
doa rlunos pensionistas, que em geral pcrtenciam a familias re-
mediadas, e ainda varios donotrvos particulares timhem contrl-
buiam bastante para amparar as receitas escassas da casa,
A transferencia prrr um edificio próprio nr rua do Mos-
teiro Novo e a grande reforma realizrdr pelo ilustre prelado
D. Joao do Nascimento trouxertm ao seminario uma notavel
melhoria de situacao. AIdm de outros importantes donativos
que conscguiu obter entre as pessois mais qualificrdas do seu
bisprdo, alcanqou do governo da metrópole, pelo alvara rCgio
de 18 de Janeiro de 1745, o acrescentrmento de 150.000 reis
rnuris 4 dotr~iloque fbri arbitrada pelo rei D. Sebastiio.
O distinto prelado D. Josd da Costa Torres, a quem tanto
ficou devendo o seminário, nao sómente com i rquisi~ao do
dolegio de S.Joao Evangelista como trmbdm com a sur instali-
cio nesse implo edificio, cbteve aindr a concessIo de varias
scapelas~ou propriedades oneradas com certos encargos pics,
que tinham vtgado e sC"achavam encorporados nos bens ni-
cionsis. Essas ccrpelrss, segundo urna nota puMicada ha anos,
cram as seguintes, conservando-se os nomes dos scus rntigos
instituidores: capela de Afonso Pires Escudciro, de Afonso
Pires Lavrndor, Afonso Mendes Pinto (fazenda em Machica)
Afonso Rodrigues (na freguesia dos Prazeres), Constrncr Va2,
Diogo Pires Peneireiro, Estevao Enes Cintrao, Francisco Mar-
tins (nos Moinhos, Funchal) c6ncgo Oaspar Alvrres, JoBo
Areia Armeiro (casa na fua da Alfrndegc), Jcao Dias Mercrdar,
Joao Pinto, Pedro Alves Farto (na Saraiva, Camara de Lobos)
Pedro Homem (na Ponta do Sol) e cónego Salvador Pacheco.
Parece que tambem foram concedidas ao seminário atgumrs
.capelas., com encargos pios, pertencentes 6 igrejr de SBo
JO~O Evangelista, que eram pertenqa dos padres fesuitrs. An-
terior ou posteriormente a esta épcca recebeu o seminario
doncaes ou fez aquisi~ao de varias proprisdrdea rústicas em
ilgumrs frtgursias desta ikhi, que na sur qursi totrlidide
forim sujeitas As lels da desamortisr$&o, especialmente nas
paróquias d i Ponta do Sol e dos Prazeres e nis margens da
ribeiri de Sao JoBo do Funchsl.
Nos anos decorridos de 1803 a 1813 foi reitor do Semi-
nario o padre Francisco Pinto d i Silva, a quem as casas da
rur do Mosteiro Novo ficaram devendo grandes melhor~men-
tos com um notavel acrescentamento do edificio e aindr ou-
tras urgentes rtprrocbes. Tambem prestou rssimb~dosserviqrs
8 este estlrbtkcltne~tode C~UCI@O O pidra Ma nwcl Jo~euJm
socorrendo-nos de quaisquer noticias respeitrntes r outros se-
minairios, porisso que nao existia para todos uma inteirr uni-
formidad~de estudos, e errm as imperiosas circunstancias do
meio que oritntrvrm a organiza~aoe o exercicio das diversas
disciplinas. Para a primeira rdmiss~o,os candidatos deverirm
provar que sabirm Ier e escrever e que possuiam algumrs
nocaes de gramática Irtina, hrvendo n mrior prcbobilidrde de
super cu antes inteirr certeza que frequentarirm as aulas de
humanidades e de teologla, que os jesuitas tinham rberto no
Funchal, dez anos antes da criacao do seminário e em que en-
sinavam lrtim, retórica, filosofia e teologia moral, com grande
afluencia de alunos e notavel aproveitamento dos mesmos. E'
possivel que no seminário, Albm das aulas de canto, a que se
refere a carta regia de 20 de setembro de 1566, tivessem exis-
tido outras, como ampliacáo ou complemento dos cursos dos
jesuitas, mis nada se srbe concretamente a tal respeito.
Parece que no episccprdo de D. Manuel Coutinho (1725-
-1738) se introduziram algumas modificrcaes no regime interno
do seminário e no funcionamento dos srus cursos, mas nao se
conhecem os termos precisos em que essrs rlteracoes se rerli-
zarrm.
Como jai fizémos notar, muito ficou devendo o seminario
ao acendrado zelo e sabia orientacao do ilustre prelado D. Fr.
Joao do Nascimento, particularmente consignad~snos notaveis
estatutos de 12 de Dezembro de 1746, que encerram as mais
acertadas disposici3es1 tanto na parte disciplinar e administrativa
como especialmente nr organisaciio do seu quadro de estudos,
que constituem uma reforma radical, sem duvida a mais im-
portante que até entao se Iínha dado desde r crirgao deste
estrbelecimento de ensino eclesiastico. O curso completo pas-
sou a ser de sete anos, stndo quatro aplicados As disciplinas
de preparatorios e os tres restantes As de filosofia e teologii,
prelbcinrndo-se simultaneamente as aulas de canto e elementos
de liturgia, tudo em obediencia r uma orientacao mris pra-
vtitosr e definitiva, acabando-se com as constantes mudan~ase
arbitrariedades que se drvam no funcionamento dos diversos
cursos. Contniuou a ser rproveitado o ensino da mrior parte
das disciplinas, que se ministravam nos cursos do Colegio de
Sao Joao Evangelista, que gosrvam, como j4 dissCmos, da
maior reputrciio e eram lrrgamente frequentados.
Na reforma do bispo D. Fr. Joáo do Ntscimcnto ccn-
signam-se interessantes e uteis disposi~oes,que merecem refe-
rencia especial, como sejim os exames estabelecidos no fim do
ano lectivo e tambem no regresso das fCrias, para se conhecer
da aplicrcao dos alunos durante esse periodo de interrup~go
dos estudos. Tcdos os dias, no fim das refei~oesda noite, ha-
via txtrdcios de recapitula~%o drs diversas materias professa-
das, que o respectivo regulamento fixa nos seguintes termos :
.Em cada noite, algum colegial defender4 olguma cousa
do que tem estudado e Ihe argumentara0 todos os outros, fa-
zendo-lhe cada um tres preguntas, ao que sem demora, respon-
der4 prontamente, e o mesmo que fez a pregunta ou aquele
que ao reitor parecer Ihe dará por cada quintu ou erro duas
palmatoadar, e o que responder a tudo sem erro algum, Ihe
dar4 o padre reitor, á custa do colegio um premio que valha
ao menos meio tostao, contanto que responda certo a cinco
ou seis preguntas que o reitor Ihe fará sobre a mesma mate-
.
ria, etc.. .m. Sem querermos emitir juizo acerca dos e p r ó s ~
e .contras. que tcriam essa especie de sabatinas, revelam
elas no entretanto o particular interesse que existia na minis-
tn@o do ensino e na cuidadosa oplica~aoque se impunha
ros alunos.
Como já ficou dito, a expulsao dos jesuitas e o encerra-
mento do seu cclenio trouxe a imediata suuressao do curso
de humanidades e d e teoiogia, que no peri6do de duzentos
anos mantiveram ininterru~tamentecom notavel a~roveitamen-
to dos alunos e particular'apreco de todos os habitantes da
Madeira. O seminário diocesano,nao possuindo curscs privati-
vos dessas disciplinas, teria sentido bastante a interrupcao das
chamidas Aulas do Patio, ignorando-se como haveria sido
supridr essa grande frltr, mas 15 de conjecturar que o zelo-
so prelado D. Gaspar Afonso da Costa Brandao providencia-
r u no sentido de a remediar eficazmente. Os cursos que os
frades franciscrnos mrntinhrm no convento de Sao Francisco
pira uso privativo da sua ordem ou algum dos seus melho-
res professores deveriam ser entao aproveitados para t lecio-
naclo dos alunos do seminário.
E' certo que o Marques de Pombal procurara atenuar a
supressao das aulas dos jesuitas no Funchal com a criacao das
cadeiras de iatim, retórica e filosofia, sendo de supor que al-
gumas dtlrs fossem frequentrdas pelos colegiais do seminá-
r b , o que te teria dado no pericdo decorrido de 1760 a 1837,
ano este em que foi estabelecido o liceu desta cidade, no mes-
mo local dos cursos mantidos por aqueles religiosos.
E' de presumir que no periodo de 1788 a 1801, em que
o seminario diccesano funcionou no Colegio anexo igrejr
de Silo Joao Evangelista, como abaixo mris largamente se
verá, se houvesse introduzido profundas modificac6es no res-
pectivo quadro de estudos, nao sómente nas aulas de ensino
secundario mas dndr nas do curso de sciencias teologicas, se
atendermos a que D. José da Costa Torres procedeu naquela
ocasiao a uma grande reforma, que se estendeu a todos os
servicos do Seminario, nao havendo, porbm, chegado ao nos-
so conhecimento os termos cm que seria realisada a remode-
acio desses estudos.
Como j4 ficou dito, o seminario foi provisoriamente instalr-
do no ano de 1801 nas antigas dependencias da velhr rrsiden-
cia dos bispos diocesanos anexas ao Paco Eoiscopal e al¡ per-
maneceram alguns anos, transferindo-se depois para as casas
da rua do Mosteiro Novo. Com relacao a esta epoca e pouco
posteriormente a ela, parece que em 1812 apenas se prelecio.
nava a cadeira de teologia moral e que no ano seguinte fun-
cicnavam as aulas de teologir moral, teologia dogmatica e fi-
losofia racional, atribuindo-se esta deficiencia no ensino aos
tempos revoltos que entio corriam.
Sabe-se que uo ano de 1814 o vigario capitular D. Joa-
quim de Menezes de Atride com o apoio do governador e
ctpitao.genera1 do arquipelrgo propos ro governo da metró-
pole um plano de estudos para ser adoptado no seminario
diocesano e nas Aulas do Patio e que teria a seguinte organi-
sacao: história eclesiistica, teologia dogmatici, teologia moral,
musica ou canto de orgao e cantochao e as aulas de curso se-
cundario Iatim, ftancee, ingles, geografia, retorica, geomettii ,
füosofia e desenho, sendo as respectivas dcspesas costeadas
pela rdministracao do seminario e pela contribuicao chamada
do .Subsidio Literarior. Nao conseguimos averiguar se esse
plano chegaria a ser adoptado, mas se o foil nao logrou ter
larga duracao. No entretanto temos noticia que no ano de
1822 funcionava um curso composto das cadeiras preparato-
ria de gramatica latina, Iatinidade, frances, retórica e filosofh,
além de algumas aulas de teologia
Em conformidade com as disposicoes do alvará rbgio de
10 dc Maio de 1805, determinou a lei de 28 de Abril dc 1845
que se estabelecesse um seminario em cada uma das dioceses
do reino e ilhas rdjacentes, ordenando que nessrs casas de
educaqao eclesi4stlca funcionasse cum curso de estudos teoló-
gicos e canónicos acompanhrdo de instrucao prátici do crte-
cismo, de explicacao do evangelho, da forma da administracao
dos sacrrmentos, da prática dr)s ritos e cerimónias da igreja,
do canto e de todos os mais conhecimentos e exercicios eipi-
rituris e eclesiásticos necessários para formar 8 mocidrde ecle-
siasticr no espirito, virtude, scicncia e hábitos próprios do seu
estudo., e contendo outras disposici3es acerca da orgrnisacao
e rdminlstrt~aodos mesmos seminários.
Sabemos que essas salutares determinrci3zs nao tiverrm
umr proveitosa repercussao nestr diocese, a-pesar-de se encon-
trar á testa dela um distinto e zeloso prelado. Por essa época
e nos anos imediatamente mais próximos, passou a Madeira
por várhs e temerosas crises, que, r par de outros ponderosos
motivos, teriam obstado á realizacao de rprecirveis reformas,
que importam sempre um grande dispendio de capital, de ener-
gias e de crnseirrs, muitas vezes incompativeis com as circuns-
cirs ocorrentes .
No que respeitr ao curso teológico, sabe-se que por esse
tempo nao existia no nosso serninário uma regular uniformida-
de nr leccionacao das diversas materias. Em 1847 funcionrvr
apenas a cadeira de teologia moral e achava-se há muito sus-
pensa r de teologia dogmatica, tendo o bispo D. Manuel Mar-
tins Manso restabelecida esta Última e creado a de escritura
sagrada no ano de 1858. Sem revestir a farmr de cursos re-
gulares, fizeram se durante algum tempo e com frequencla
prelecci3es acerca de certos rssuntos teologicos e de carrcter
moral e religioso, a cuja assistencir eram obrigados todos os
dunos.
A lei de 26 de agosto de 1859 determinou que com r pos-
sivel brevidadc se organisassem cursos teologicos trienais,
de disciplinas eclesiasticas, que deviam ter pelo menor oito
cadeiras. No nosso seminario, com a nomeacao dos cónegos
que tinham onus de ensino, o prelado D. Patricio Xavier de
Moura, por provisao de 12 de Setembro de 1861, estabeleceu
um curso regular de disciplinas teologicrs, embora nao inteira-
mente conforme com as disposic6es daquelr lei, mas que já
correspondia a um notavel melhoramento no estudo das scien-
cias eclesiasticas e que ficou assim constituido: 1.o ano-histó-
ria eclesiástica e dogma geral; 2 .O ano-direito eclesiilstico e
dogma especial; e terceirs ano-moral e pástoral.
Esse curso sofreu algumas modificacoes nos anos de 1869,
1870 e 1871 e teve urna organisacao mais regular e proveitosa
no ano de 1874, que perdurou até há poucos anos, ficando o
curso trienal constituido da seguinte forma: 1.O ano-moral,
dogmatica geral e historia eclesiástica; 2 . O ano-moral, dogma-
tica especial e direito canónico; e 3.0 ano-moral, hermeneuti-
ca e pastoral.
No que particularmente diz respeito a frequencia das aulas
secuudarias, como prep~ratori$S para o curso das disciplinas
eclesiasticas, nao ternos conhecirnento pormenorisado como se-
ria ministrado esse ensino na epoca decorrida de 1759, ano da
expulsao dos jesuitas, até 1837, ano da criacao do Liceu do
Funchal. Desde este ano, o curso completo do liceu ficou sen-
do obrigatório para a motriculr no curso teologico até o ano
de 1877, em que foi criado um curso privativo de aulas de en-
sino secundario, que ainda ao presente funciona.
No periodo aproximado de noventa anos, isto 6, desde os
fins do século XVII ou principios do seculo seguintc atC o
ano de 1788, funcionou o seminário diocesano nas casas da rua
do Mosteiro Novo, iparte os doze anos cm que esteve pro-
visoriamente instalado em diversos lugares, devido ros grandes
estragos que o terremoto de 1748 causara em todo aquele
edificio, como já acima tivemos ocasiao de dizer.
Surge agora para este instituto de educacao eclesiástica
uma nova era de prosperidade com a sua transferencia para o
extinto colégio da Companhia de Jesus, adjunto a igreja de
Sao Joao Evangelista. O prelado D. Gnspar Afonso da Costa
Brandao empregara aturados esforcos para obter a cessao
desse colCgio, más sómente o seu sucessor D. José da Costa
Torres viu coroadas de bom exito as diligencias que tambem
fizera no mesmo sentido, sendo entgo promulgada a carta régia
de 10 de agosto de 1787, em que o rei D. Jos6 cede ao bispo
do Funchal o vasto edificio do colégio dos jesuitas com a sua
bela igrejr anexa, cerca e outras_dependencias,P,para a instala-
cae de todos os servicos do seminário desta dioccse e bem
assim o direito a posse de dczrseis p cape las., que tinham va-
gado para a coroa e que produziam o rendimento anual de
936.400 reis, A 26 de Setembro de 1787, decorridos poucos
dirs rpós r sur chegrdr r esta cidade, tomou o novo prelado
D. JosC Torres r posse legal dos edificios e das #capelas* ex-
tintas, que hrvirm sido doadas a este bispado, mintendo-se
os encargos pios que lhes estavam anexos.
Esses edifícios tinham sido confiados A guarda do bispo
diocesano, mas ficrram durante vinte e oito anos expostos ao
mrior abandono, nao se havendo dado qualquer aplicaciio Útil
80 colégio e conservando-se a igreja encerrada parr todo o
servico do culto. O prelado D. José da Costa Torres procedeu
111 as indispensrveis reparacaes e a uma conveniente adaptr-
c%o,e realizou-se a mudincr do seminário, da rua do M~steiro
Novo parr o colégio e igreji de Sao Joiio Evangelista, no ano
de 1788, fazendo-se a abertura solene, que revestiu singular
rprrrto, no dir 31 de Marco do mesmo ano, em que o distinto
poeta e prcfessor Francisco Manuel de Oliveiri proferiu um
notavel discurso alusivo ao acto, que foi publicado num opus-
culo de quarentr páginas com o titulo de ~ O r a ~ aque o pela
feliz inaugurrcao do Seminario do Funchal compoz e recitou
nr presencr do exQmO e rev."' sr. D. J ~ s da
é Costa Torres,
biepo da mesma diocese. ..
Muito deve o nosso seminario á memória deste prelrdo,
sendo um dos que mais largamente contribuirrm para elevar o
nivel moral e intelectual deste instituto, dando-lhe novos regu-
lamentos c escolhendo para ele o mais esmerado pessoal direc-
tor, e trmbém muito concorreu para melhorar as condicaes
mrteriais da sua existencia com uma mais zelosa e profícua
rdministrrcao. Certamente, por esses motivos, se le algures
que r ele se deve a fundacao do seminário diocesano, o que é
destituido de todo o fundamento. Ainda presentemente se con-
serva numa das salas deste estabelecimento de ensino, uma
grande téla, representando o retrato de D. Joséda Costa Torres.
Nao deveria ser muito duridoura a permanencia do semi-
nario nrs surs novas e rmplrs instalacaes, pois que a ocupa-
@o violenta da Madeira por tropas inglesas no ano de 1801,
levou o governrdor D. José Manuel da Camara r imp6r arbi-
trariamente ao bispo diocesano D. Luis Rodrigues de Vilares a
entrega imediata de todas as dependencias do Colégio, para
nele ser rquartelado um contingente dessas tropas, o que sem
d e m ~ r veiu
r r suceder, a-pesar-dos energicos protestos drque-
le prelrdo. Essas forcas militares demorarrm-se apenas alguns
meses ncsta ilht, e rpós r sua saidr logo o mesmo prelado
reivindicou r posse legitima do antigo ColCgio, mas 8 restitui-
@o nao se deu, sem embargo das suas instantes reclamaci3es
junto do governador da Madeirr e ainda perante as esttc6es
superiores da metrópole .
Nao eram amistosas as relacoes pessoais e rinda de carrc-
ter pessoal entre o governador e o prelado, que tomaram o
aspecto dum grave conflito com a recusa havida nr rcstitui~lo
do Colégio e igreja de Sao Jcio Evangelista, e em que o pri-
meiro, usando d i forca de que dispunhr e baseando-se o se-
gundo no legitimo direito que Ihe assistia, nao cederam um
passo na solucao da irritante questao que entre eles se levan-
tara. O governador? D. JosC Manuel da Camarr impas violen-
tamente isridr do bispa D. Luis Rodrigues de Vilares para
fóra da cidade do Funchal, recolhendo-se este, sem o menor
acto de resistencia, á modesta residencia do capelao da ermi-
do do Santo da Serra, onde permaneceu alguns meses. O frcto
causou grande escandalo na Madeirr e teve retumbincia no
continente, vindo sindicar desse tcontecimento o desembrrgr-
dor Jorquim António de Araujo, de que resultou a chamada a
Lisboa do prelado e do governador, afim de serem ouvidos e
de se justificarem das arguicoes que lhes eram feitas. O gover-
nador foi imediatamente demitido e o prelado regressou ao
exercicio das suas funcoes de bispo do Funchal.
Qutndo em 1801 as tropas inglesas se rquartelaram nas
casas do Colégio, instalou-se provisóriamente o seminilria nas
dependencias que ainda restavam do velho paco episcopal e
ali permaneceu algum tempo nas lamentaveis circunstancias do
estreiteza do lugar e de carencia de todo o conforto, sendo
para estranhar que desde logo nao tivesse sido transferido prri
o edificio da roa do Mosteiro Novo, o que só prssrdos alguns
anos veiu a realisar-se.
Voltou novamente o seminario diocesano para r sur anti-
ga casa. Lá estivera cerca de noventa anos no sCculo XVIII e
iría outri vez rli permanecer um aproximado periodo de tempo
no seculo XIX, tendo sido transferido para o novo edificio dr
IncarnacBo no ano de 1909.
Seminario Diocesano
(Confinuacao)

A mais completa e radical transformicao por que o Semi-


nario do Punchal tem passrdo nos seus tres séculos de exis-
tencia teve início, no ano de 1877, com a vinda para esta dio-
cese do eminente prelado D. Manuel Agostinho Barreto, que
mesmo ano assumira pessoalmente a dircccao do seu
bispado. E essa profunda transforma~~o, nao sómente foi a
mais notável com relrcao As que anteriormente se tinham ope-
rado, como tambem constituiu duma maneira absoluta a remo-
delacro mais perfeits que seria possivel realisar-se num meio
social e religioso das restritas proporqoes do arquipélago da
Madeira. A sua accao abrrcou a vida inteira do seminário nas
suas variadas modalidades e aspectos, indo desde a organiza-
cae dos seus estudos, r severa disciplina do seu internato e a
melhoria temporal de todos os servicos até a criacao dum am-
biente de sa e profícua religiosidade, que ali muito Iamentavel-
mente se frzia sentir.
Nas Últimas dezcnas de anos que precederam esta refor-
ma, o Seminário do Funchal estava muito longe de satisfozer o
fim da sua instituicao, a-pesar-do curso tricnal de teologia que
néle funcionava, da regular aplicacao literária dos colegiais na
frequéncia das aulas secundarias do liceu, da manutencao dum
internato e ninda duma sensata adrninistracao económica. FaI-
tavam-lhe, porkm, os requisitos.indispensaveis que devem ct-
racterisar as casas de verdadeira educicao reliniosa. existindo
apenas urna moderada disciplina de casern{ como alguem
classificou o seu regime interno no período a que nos estamos
referindo.
A formacao religiosa dos alunos, a prática dos actos de
piedade e os exercicios do culto estavrm a par da indisciplina,
da falta de vigiliincia exercida zobre os internados, da liberda-
de de que estes gosavam nas suas relacdes com o resto da so-
ciedade, sem mesmo nos referirmos ao pouco escrúpulo havido
na escolha do pessoal director, que geralmente se limitava a
um reitor e a um prefeito, quasi sempre ocupados com varios
encargos extranhos as funcdes desempenhadas no seminário.
Nao 6 para estranhar que o ardente zelo apostólico do
bispo D. Manuel Agostinho Barreto r o seu alto espirito refor-
mador se chocassem violentamente com o panorama desolador
que Ihe oferecia a situacao do seminario diocesano. Chegado á
Madeira nos fins do mes de Fevereiro de 1877, logo concebeu
o arrojado projecto de fazer funcionar no mes de Outubro ime-
diato um curso completo de preparatorios para uso privativo
dos ~eminaristas,e de proceder tambem 4 mais radical reforma
no regime interno daquele instituto conforme as circunstancias
ocorrentes o permitissem. Os recursos rnateriais nao abunda-
vam, o edificio era de acanhadas dimensoes, o pessoal docente
escasseava e outras graves contrariedades se erguiam ameasa-
doras, mas o prelado nao hesítou um momento e Iancou-se
ardorosamente na raalisacao do seu grandioso plano.
t Foi no velho e apertado edifício da rua do Mosteiro Novo,
que essa reforma de infciou, após uma ligeira adaptacao da
casa as novas condicdes entao criadas, olhando-se principal-
mente & remodelacao dos servlcos religiosos e disciplinares e
á instalacio dum curso completo de ensino secundario,que ser-
viu de preparacao para a matricula no curso trienal de teologia.
Viria posteriormente, como aliás se nao fez esperar muito, o
comeco da melhoria material do instituto, que teve seu fecho
e remate com a ínstalacao no grandioso edificio levantado na
cerca do extinto convento da Incarnacao.
A reforma moral e religiosa e o espirito de ordem e de
disciplina, que absolutamente se impunham, dependirm sobre-
tudo do funcionamento das aulas ministradas no proprio edi-
ficio do seminirio, subtraindo os alunos ás frequentes e prcju-
díciais saidas diarias do seu internato e abrigando-os a uma
mais severa e aturado aplicicao ao estudo. Considerado este
como irm dos motlvos doiidomentais da projectada reform8,
por ole comccou o ilustre prelado D. Manuel Barreto a reali-
saca0 da sua grandiosa obra, embora a muitos se afigurasse
temerario e inexequivel tal empreendimento na diocese menos
populosa e de mais Iimitrda superficie de todo o país.
Nao faltarrm as críticas aceradas e as campanhas diftma-
tórias, levantaram-se dificuldades quasi insuperaveis e até a1-
guns membros do clero moveram uma velada e acintosa guer-
ra As boas intenctics do prelado, que soube triunfantemente
vencer e levar a cabo, dentro de poucos meses, o prcjecto que
a sur lúcida inteligencia e a sur acendrada piedade tinhrm con-
cebido.
A-pesar das dificuldades que surgiram, realisou-se sob os
melhores auspicios a abertura do curso de ensino secundário
no edificio do seminario na primeira quinzena do més de Ou-
tubro de 1877, que revestiu particular solenidade, sendo pre-
cedida dum tríduo de exercícios espirituais, como indispensá-
vrl preparrcao para ri grande obra que ir iniciar-se. Esse novo
quadro de estudos foi organisrdo de modo a corresponder
aproximadamente 4s mesmas disciplinas, que os antigos semi-
naristas frequentavam nas rulas do liceu desta cidadc.
No rcgimen concordatrrio cm que entao se vivir e na
ibusiva dependencia da igreja ao poder civil, o estabelecimento
desse curso deveria ser precedido dc auctorisacio governa-
mental, que Ihe desse fóros de legalidade, mas sbmente pela
portaria de 4 de julho de 1881, referendada pelo ministxo Antc-
nio José de Barros e Sá é que teve sua sanca0 legal, havendo
o prelado solicitado do governo central em 27 de Dezembro
de 1877, 15 de Abril, 23 de Setembro e 12 de Novembro de
1878 a urgente necessidade da criacio de semelhante curso e
pondo em relevo os frutos que ele já estava produzindo no
ensino e na disciplina interna do seminario.
No entretanto iam prosseguindo os trr balhos escolores, e
ao abrigo do disposto na portrria de 15 de Maio de 1878, rea-
lisaram-se os exames no fim do ano lectivo de 1877-1878 e
bem assim nos anos imediatos, o que tudo foi sancionado pela
j4 citada portaria de 4 de Julho de 1851 e rinda pela portaria
de 27 de Outubro do mesmo ano.
Este Último diploma governativo fixou o quodro desses
estudos pela seguinte mrneirr:-lingua pcrtuguesa 1.a e 2 a
~ a r t c s(dois anos); literatura1 nacional 1.a e 2.a partes (um ano);
lingua francesa 1.a e 2.a partes (dois anos); elementos de ariti-
mCtica l.a, 2 a e 3.a partes (um ano); lingua latina 13, 2 a e 3.'
partes (tres anos); geografia e cosmografia, história universal e
pátria 1.. e 2: partes (um ano); filosofia racional, moral e prin-
cipios de direito natural (um mo).A esse quadro de estudos
foram acrescentados, no ano de 1882, mais um ano á cadeira
de filosofia e criadas as duas novas cadeiras de fisícr e qulmi-
ca e de história natural com a durac8o de dois anos, leciona-
das alternadamente em cada ano. Como elementos subsidi4rios
deste curso de preparatórios, estabeleceram-se rinda nos anos
de 1898 e 1899 as ctdeiras de oratoria sacra e de sociol~gia,
que posteriormente sofreram algumas alteracoes no seu fun-
cionamento,
O gabinete de fisica criado em 1882 e o de história natu-
ral no ano de 1884 adquiriram desde logo uma relativa impor-
tancia e até aican~aramum certo renome fóra da Madeira, e
deles abaixo nos ocuparemos com mais alguma larguesa.
Com a mudanca do seminário para o novo edificio da
Incarnac80 organizou-se um ~ O V Oquadro de estudos, em ordem
a coloca-lo a par dos cursos professados nos liceus e qua fica-
ria constituido do seguinte moda: 1." ano-portugu&s, frances
e latim; 2O . ano-portugues, frances e Latirn; 3 . O ano-latim,
grego, geografia e matemática; 4 ano-latim, grego, ingles e
matematici; 5." ano-matematici, ciencias naturais e ingles; 6.'
ano-história, ciencias natur~is e filosofia; 7.O ano-filosofia,
ciencias naturais e literatura. Este projecto nao foi adoptado
em toda a su9 extensao, sofrendo algumas modificac6es con-
forme o aconselheram as condicoes de momento. Posterior-
mente, como abaixo se verá, outras alterasoes se introduziram
no quadro dos estudos dc preprratórios e tambem no curso
de ciencias teológicas .
Se f6ra absolutsmente necessária a reforma iniciada com a
criacao dum curso de estudos secunddrios, nao se tornara me-
nos indispensavel uma eficaz e imediata remodelacao de todos
os servicos respeitantes á disciplina interna do seminário, em
que a rigorosa observilncia dos respectivos regulamentos, o
exercicio da virtude, a prática duma acendrada piedade e a fre-
qutncia dos actos religiosos tendessem proficuamente 3L mais
completa formacao dos que ali se encontravam como aspirantes
vida austera do saccrdocio.
Nisso consistiu o maior empenho do ilustre prelado, em-
bora fosse dificil descobrir no nosso meio o pessoal mais ade-
quado para o desempenho desse árduo e melindroso encargo.
O presbitero lamecense Luis Pereira da Silva Neves, que viera
em companhia de D. Manuel Barreto como seu secretário par-
ticular, foi o escolhido para dar comeco ro novo período de
severa disciplina e de sáí religiosidade em que ia entrar a comu-
nidade do semin4ri0, fazendo-se desde logo sentir a agao fru-
tuosa desse piedoso sacerdote em todas as manifestac6es da
vida espiritual, intelectual e económica desse instituto eclesiás-
tico. Como vice-reitor, director espiritual e administrador soube
desempenhar com grande acerto e o mais acrisolado zelo essea
espinhosos cargos, prestando a esta diocese um relevante ser-
vico, que merece ficar assiaalado neste lugar.
Para a reforma que empreenderr, encontrou desde logo
D. Manuel Agostinho Barreto os melhores auxiliares nos cape-
laes do Hospicio da Princesa D. Maria AmClia, membros da
Congregacao da Missao, que em conferencias semanais, na
orientaclo dos exercicios religiosos e como confessores e con-
selheiros conseguiram imprimir á vidaido seminário uma feicao
'de acentuada piedade, de rigorosa disciplina e de amor ao es-
tudo, que bastante contrastava com o regime que dli se obser-
vava anteriormente.
O padre Ernesto Schmitz, que desde 1878 desempenhava
as funcoes de cape120 do Hospicio, foi no ano imediato no-
meado director espiritual do seminário, lugar que exerceu cu-
mulativamente com aquele cargo, havendo no ano de 1881
fixado residencia nas casas da rua do Mosteiro Novo e entre-
gando-se inteiramente ao cumprimento da espinhosa missao
que Ihe f6ra confiada. Nao C facil referir em poucas palavras
o que foi a accao benCfica desse ilustre sacerdote, primeiramen-
te como director espiritual e depois como vice-reitor daquelc
estabelecimento de educacao eclesiástica. O testemunho dos
que foram seus educandos e a fama que rinda hoje se conserva
entre n6s dao urna ideia aproximada dos relevantissimos servi-
$os que prestou e da maneira como soube elevar a um tao
alto grau o nível moral e intelectual dessa casa, que conseguiu
rivalizar com outras suas similares.
E' urna verdada incontestavcl que o bispo D. Manuel
Baneto teve no padre Ernesto Schmitz o maior e melhor auxi-
lio que poderir encontrar para a execucao da reforma que pre-
tendir levar a eleito. Foi o homem providencial que Deus cm
boa hora Ihe deparara e que de alma e coracao se identificou
com ele no realiucao dessa notabilissima obra.
Essa benemdrito sacerdote p6s entao cm accao todos os
recursos da sur acrisolada piedade, da sua privilegiada inteli-
gencia, da sua vasta cultura e da sua incansavel áctividade, que
logo brilhantcmente se manifestrram como um sabio director
espiritual, como um abalisado professor, como um diociplinr-
dor inflexivel e ainda como um notavel reformador. A todos
os servicos chcgou a sua zelosa a bem orientada dircccao, de-
vendo aspecializar-se o intenso movimeuto religioso que se
operou enfre os educandos, cujos abenqordos frutos se pude-
ram em breve verifica nos dignos e virtuosos sacerdotes saidos
do nosso seminário diocesano. Merece uma particularizada re-
ferencia a criacao dos gabinetes de ciencias naturais e de modo
especial o de zoologia, a que dedicou o miior interesse a um
aturado estudo, tornando-o conhecido ainda f6rr da Madeira,
e sendo muito apreciadas e elogiadas as suas colecc6es por
intimeros visitantes cultores daquelas ciencias, e deste modo
concorreu bastante para umr propaganda a favor deste arqui-
pélago feita através da sua riquissima fauna terrestre e mariti-
ma. Nao haverl exagero ern afirmar que o padre Ernesto
Schmitz, A parte a acHo desenvolvida pelo eminente prelado
D. Agostinho Barreto, foi o homem a quem o seminirio ficou
devendo os mais relevantes e assinalidos servicos. Em outro
lugar dcste despretencioso cstudo, apresentaremos alguns dos
tracos mais salientes da sur biografia.
O Padre Ernesto Schmitz, em obediencia As ordens dos
seus superiores, abandonou o servico do seminario diocesano
no ano de 1899, ofim dr assumir na Belgica a direqao dum
grande colégio de instrucgo secundaria, sendo substituido pelo
padre Xavier Prerot, tambem dr Congregacao da Missao, que
foi um digno continuador da obra daquele benemérito sacer-
date. Em 1902 voltou o padre Schmitz a desempcnhar no se-
miniirio as func6es que j l ali exercera, deixando definitivamente
este lugar no an3 de 1908 para ocupar um importanta cargo,
na cidade de Jerusalem, onda veiu a frlecer a 3 de Dezembro
da. 1922, tendo 77 anos de idade.
Seminario Diocesano

Criados os estudos secundários e raalizada a granda refor-


ma moral e religiosa do seminário diocesano, multo im-
portava atender ás suas condicoes materiais, principalmen-
te no que dizia respeito ás particularidadas higiénicas do
edificio e á indispensavel comodidade dos seus diversos
servisos. Para esse fim, fez D. Manuel Birrato aquisicao du-
ma casa fronteira e de outra contígua ao edífício do semi-
nario, conseguindo-se assim urna melhoria apreciavel, que no
entretanto cstava longe do que serio inteiramente para desejar,
porque a má situacao dos velhos prédios da rua do Mosteiro
Novo e outras circunstancias locais nao parmitiam uma insta-
Ia~aonas condisoes requeridas para o convaniente alojamanto
dos alunos a o regular funcionamento de todos os cursos que
al¡ se professavam.
Os desejos do ilustra prelado, tantas vezes manifestados,
de completar a obra do seminário com a construcio duma
casi apropriada áquele fim, iamssa tornando de todo irredi-
zaveis, em virtude das circunstancias apertadis do nosso meio,
qurndo inesperadamente se viu possuidor duma pequena for-
tuna, legada por urna generosa bemfeitora, que o colocou nas
possibilidades de dar axecucao, ao menos parcialmanta, ao
grandioso plano que esses ardantes desejos tinham concebi-
d ~ A. benemérita legatária foi D. Maria Leopoldina de Oli=
veira, falecidr no ano de 1902, que era filha do ilustra madat
rense conselheiro Joao Francisco de Oliveirr, distinto diplomr-
tr e um dos médicos mris rbrlisados do seu tempo.
O velho convento de Nossa Senhori da Incrrnrcao ofere-
cir condic6es vrntajosrs prrr r construcao do grande edifício
com que D. Manuel Birreto pretendia dotar a sur diocese e
destinado a umr conveniente e ipropriadr instrlacao do respec-
tivo seminário. Srbir-se que r crsr conventual se encontrrva
no mris adiantrdo estado de ruina, mis a sur invejavel situa-
clo,r rmplr cerca que a rodeavi e r belr 'crpelr que lhe ficavr
anexa errm motivos muito ponderosos a aconeelhar r sur
aquisicao, nao existindo outro local que melhor se rdrptasse
ro fim que o zeloso prelado tinha em vista.
O mosteiro ficarr extinto no ano de 1890 com r morte
da ultima religiosa, como atrás deixámos dito, continuando r
ter nele residencia rlgumas das antigas recolhidas, mis foi cc-
dido provisorirmente no ano de 1895 para r fundtcao duma
Oficina de Slo José, que tcve umr breve e arrastrdr exis-
tencia. Depois de empregrdas rlgumss diligencias, fez o go-
verno central, por decreto de 11 de juiho de 1905, cedencia
ro Bispo do Funchal de todas 8s dependencias do antigo
convento, exclusivamente, destinadas á edificacao do Semi-
nario Diocesrno.
E' certo que os limitados recursos de que o prelado
poderir dispor nao chegirirm prrr a completa realizacao do
empreendimento que concebera, mas r fé inrbalrvel nos
ruxilios da Providencia e ri firmeza tenaz do sua vontadc
de ferro, supririam 8s dificuldrdes, que certrmente se er-
guerirm com aspecto rmeacrdor.
Entre r p~blicrciiodo decreto de 11 de Julho de 1905 e
o comeco dos trrbrlhos da construcao, mediou apenas o tem-
po indispensAve1 para o estudo da melhor adaptacito do recin-
to 80 fim 8 que se destinrvr e ao levantamento da planta e
elrboracao do projecto do edifício que se pretendia construir.
No mes de agosto de 1906 iniciou-se a demolicao do ve-
Iho a desmantelado convento, com excepcao do coro e da
crpelr, que por meio dum passadico ficarir interiormente
ligada a umi das faces literais do novo edificio. A 25 de Ou-
tubro do mesmo ano, deu-se comeco rcs trabrlhos de cons-
truMo, e nos primeiros dirs do mes de Novembro seguinte
teve D. Manuel Brrreto i grande srtisfaqao de lancar a ben-
ciio do ritual iprimeira pedrr do novo seminario diocesano.
Foram prosseguindo lentamente os diversos trabalhos da
construcao do edificio, que teria a forma dum H e que me-
diria 50 metros na direccao norte-su1 e 69 de este a oeste, es-
tando em principios do mes de Outubro de 1909 construida
apenas metade de toda a edificacao projectada. Nesse mesmo
mes se procedeu á transferencia do Seminario Diocesano das
antigas casas da rua do Mosteiro Novo, onde permanecer8
dois longos sécolos, para o elegante e vasto edificio de Nossa
Senhora da Incarnaclo, que a-pesir.de nao estar rinda conclui-
do foi julgado de grande vantagem instrlarem-se nele sem demo-
ra todos os scrvicos dsquele estrbelcclmento de instrucao e
educacao religiosa.
Estava plenamente satisfeita a grande ambicao de D. Ma-
nuel Agostinho Barreto, que constituiu sempre a mais assedian-
te preocupa~Bodo scu longo episcopado : dotar a sur diocese
com um edificio apropriado 4 instalacao do Seminário. Essa
legitima satisfacao dum dever tao ardorosamentc cumprido
nao seria de larga duraqacr, pois que nao tinha decorrido ain-
da o periodo de dois anos, quando sofreu o mais rude choque
de toda a sur já longa existencia : a extincao do seminário do
Funchal, decretada pela chamada lei da separaclo, de 20 de
Abril de 1911.
Embora possuisse um animo forte e resoluto, sempre abro-
quelado para os grandes combates com uma ardente fé religio-
sa e com a paz mais tranquila duma consciencia imaculada, é
certo, porém, que as lutas paasadas, os trabalhos aturrdos de
seu zeloso apostolado e os setenta e seis anos duma provecti
idade, abalaram profundamente o seu espirito e alquebraram
rinda mais as forcas do seu já depauperado organismo. Passa-
dos dois amargurados meses, deu a alma ao Criador n i sur
tXo querida e modesta residencia de Wossa Senhora da Penha
de Franca: Foi uma tremenda provrcao, que tle soubera su-
portar com a mais conformada resignacao crista, oferecendo-a
& Divina Providencia como holocausto propiciatorio cm resga-
te das proprias faltas e tambem pelas prosperidades dos que-
ridos diocesanos, que ele deixara em triste e desamparada or-
frndade.
O seminario diocesano nao deveria ser extinto, em atencao
4s circunstancias especiais de distancia e de isolamento em que
se encontravr este bispado com relacio 4s outras dioceses con.
tinentais, e por isso entendeu muito acertadamente a autorida-
de eclesiástica que era indispensavel manter o seu funciona-
mento, embora á custa dos miiores srcrifícios e embora tam-
bem sem o caracter oficial e ostensivo dum estabelecimento
dessa natureza.
Comecando por ter a feicao dum colégio de ensino par-
ticular e passando depois a ser considerado como um semina-
rio preparatorio e de transicao para a frequencir dos outros
seminarios, cuja existencia a lei autorizava, Iá foi arrastando
uma vida precárir e entrecortada de grandes dificuldades, em
que r comodidade dos alunos, a disciplina, a orgrnizicao dos
estudos e a administra~goeconómica deixavrm bastante a dese-
jar, em virtude das apertadas condicoes do nosso meio, que de
modo algum permitiam imprimir a este estrbelecimento de
instrucao e educicao umr orientaclo mais perfeita e de harmo-
nia com as'honrosas tradi~i3esdo extinto seminario do Bom
cespacho. Sio muito para louvar as diligencias da autoridade
eclesiastica e a dedicacao dos directores e professores desse
pequeno organismo de formaclo eclesiastica, conseguindo man.
ter ininterruptamente o rxercicio dos trabilhos escolares, a-pe-
sir-das deficiencias havidas e que as circunstancias emergentes
inteiramente justificrvam, como rcimr fica dito.
Embora tivesse sido extinto o Seminario em Abril de 1911
e o edificio houvesse logo transitado para a posse do estado,
sómente no mes de Agosto de 1912 é que deixou de funcio-
nar na IncarntcPo e verdadeiramente se deu a extincao desse
estabelecimento de ensino. Passou entao por uma vida bastrn-
te acidentada, percorrendo varias crsas e sofrendo as conse-
quencias da rplicacZio duma lei iniqua.
Dc novo se instilou nos velhos edificios da rua do Mos.
teiro Novo e ali permaneceu até o mes de Julho de 1916. No ano
lectivo de 1916 a 1917 funcionou numas dependencias do Paco
Episcopal e no de 1917 a 1918 nas casas da Quinta do Tropi-
che, na freguesir de Santo Antonio, voltando a acomcdrr-se
em 1919 no antigo edificio de Nossa Senhora do Bom Des-
pacho.
Nestr altura da despretenciosa narrativa que vimos fa-
zendo, nao devemos esquecer os bons servicos que nr direc-
$lo do Seminario diocesano pres'ou o padre Braulio de Sou-
sr Guimaraes, membro da Congregacao da Missiio, no rcgita-
do periodo de 1916 a 1919, nao sómente como professor e
vice-reitor mas ainda ccmo um seguro orientador do movi-
mento religioso e disciplinar dessa casa de educocao eclesias-
ticr, sendo rinda muito lembrada a sua benkfica accao ali exer.
cida no curto periodo de tres anos. Por motivos que desco-
nhecemos e com surpresa de alunos, professores e pessoas
mais cotadas do nosso meio católico, deixou inesperadamente
o exercicio dos scus cargos com profundo sentimento da to-
dos quantos se interessavtm pelas prosperidades daquela casa.
Tinha decorrido o pericdo de tempo relativamente longo
de 21 anos, desde que os vários servicos do Seminario Dioce-
sano deixaram de funcionar no edifício da Incarna~aoe arras-
tavam urna vida nómada por diversas casas e lugares 4 merce
dos baldoes da sorte, quando finalmcnte voltaram a ser insta-
lados nas casas da rua de Santa Luzia, depois de se haver sus-
tentado urna pcrfiosa e encarnicada luto, que durou alguns
anos, como abaixo mais largamente se verá.
A Junta Geral deste distrito, em sur sessao de 12 de Fe-
vereiro de 1913, resolveu criar uma escolr destinada a rapari-
gas, erra que seriam ministrados conhecimentos elernentares de
desenho, pictura, Iavores, cosinha, jardinagem, higiene, linguas,
geogra fio, arimética, etc., fazendo instalar no edificio do su-
primido seminário esse novo estabelecimento de instrucao,
que nao tcve uma larga existencia e que veiu a ser extinto pela
mesrna corparscao administrativa a 13 de Setembro de 1919.
O edificio tinha sido cedido, para esse fim, á Junta Geral, pelo
decreto de 24 de Maio de 1913, mediante o pagamento da ren-
da anual de quinhentos escudos, havendo a mesma Junta comu-
nicado á comissao central da execucao da Iei da separacao que
tinha extinto a referida escola e devolvido o edificio 4 posse
dessa comissao.
Com o norne de Escola de Utilidades e Belas Artes, ali
funcioncu durante cinco anos, cam um internato e varios pro-
fessores estrongeiros, reconhecendo-se em breve a sur inutili-
de no nosso meio e nao tendo correspondido aos fins que se ti-
vera em vista na sua criaciio.
Pretendendo entao a Junta Gerrl instalar as suas reparti-
cdes e ootros servicos públicos dela dependentes, em condicoes
de maior largueza e comodidade, obtevc do governo central,
pelo decreto de 12 de sgosto de 1919, a ctdencia da Incarna-
qao mediante o pigtmento de 7.500$00, realizandosse essaino-
talacao por meados do mes de Setembro desse mcsmo ano.
A autoridade eclesiastica desta diocese e as pessoas mais
qualificadas d 1 nosso meio católico, sentindo profundamente
a parda daquele edificio e a injustica que sa cometera com a
extinflo do semindrio, nao deixaram de empregar sempre as
maiores diligencias para a reaquisicao dcssa casa, e de modo
particular quando uma lci veiu permitir a restauracao dos su-
primidos seminarios, satisfazando-se desta forma uma das mais
urgentes necessidades da igreja católica no nosso país.
Desses aturrdos esforcos e dessas acertadas, diligencias e
muito especialmente depois dum consciencioso estudo do as-
sunto feito pelo Ministro da Justica e abilisado jurisconsulto
dr. Manuel Rodrigues, foi considerada ilegal r cedencia do se-
minario diocesano a Junta Geral com o fundamento de que
esse edificio, sendo pertenca do Ministerio das Financas nao
podia o Ministério d i Justica iliena-lo e cede-lo aquel8 corpo-
racIo administrativa, como se fizera, por meio do decreto de
12 de agosto de 1919.
O decreto de 25 dc Abril de 1927, que 6 um documento
da alto valor juridico, veiu solucionar a justa pretensao da ru-
toridade eclasiastica e dar deferimento a:, pedido, lrrgrmente
fundamentado e coberto com milhares de assinatu~as,dr co-
missao diocesana do culto, cedendo o edificio da I.r~arnaqao
para a instalacao dos diversos servicos do seminario do Fun-
chal, e observando-se desta maneira um dos mais elementares
preceitos de justicacom o mriúr aplauso de todas as clrsses so-
ciais da Madeira, 4 parte uma pequena minoria, que por de-
terminados interesses ou por um conhecido espirita sectario
movera uma guerra acintosa a essa pretensao.
Ncsse diploma, que sobremaneira honra os homens de
estado que o referandaram, faz-sc urna larga explaniqao da
doutrlna nele versada, justificíndo-a plenamsnta cDm a mais
cerrada argumsntacao juridica, que nao deixa a mznw duvida
Acerca d~ direito inliscutivel q u a aseistir aos paticionarios. Que-
remos destacar desse documento e deixar aqui consignada
uma referencia feita ao fundador do edificio da Incarnacao:
S . ..considerando que a todas astas razoes de ordem legal
acresce a de ordem moral de ter sido cedida por 7.500#00 um
edificio em que se haviam dispendido algumas dezenas de
contos e que havia sido construido exclusivamente a expensas
de um prelado que nele consumira quasi toda a su8 fortuna
particular. .. u
A Junta Geral nao se conformando com as disposic6as
do decreto de 25 de Abril de 1927, nao fez entrega, como Ihe
cumpria, do edificio da Incarnacao, 4 comissao diocesana do
culto, dirigindo no entretanto uma representacao ao governo
central, em que tentava demonstrar a legalidade do decreto de
12 de Agosto de 1919 e o direito que Ihe rssistia de continuar
na posse do referido edificio. O ministro da justica julgou im-
procedentes as alegac6es da Junta Geral, mas esta resolveu in-
sistir com uma nova representaciio &S estac6es superiores, sus-
tentando a doutrina que já anteriormente defendera, com o fim
especial de protelar e demorar a definitiva solucao do as-
sunto.
Decorridos seis anos e após uma porfiada luta, vai final-
mente a Comissao Diocesani do Culto entrar na posse do
edificio da Incarnacao, á qual de direito pertencia desde a pro-
mulg~caode dccreto de 25 de Abril de 1927, fozendo-se desde
logo a transferencia dos diversos servicos do seminario da
velha e acrrihadi casa da rur do M~steiroNovo para 8s apro-
priadis instalacoes da ruar de Santa Luzia. Foi na segunda me-
tade do mes de Outubro de 1933 que essa posse se realisou e,
comecando entao pira aquele estabelecimento de educrcao
eclesiasticr, nao somente um novo periodo de relativo bem
estar para indispensavel comodidadc:de professores e alunos,
como tambem pira o regular funcionamento de todos os ser-
vicos que ali deverirm ser instalados.
xxxix
Os Padroeiros da Diocese

E' profundamente cristao o antigo e louvavel costume de


colocar os individuos e colectividades sob a égide ou protec-
cae especial dos que na terra tanto souberam glorificar a Di-
vindade com as surs eminentes virtudes, e que gosando a posse
da bemaventuran~aeterna podrm e descjam ser os mais. des-
velados e os mais poderosos protectores e advogados das
pessors e frmilias, dos lugares, paroquias e dioceses, das cida-
des, provincias a nac¿3rs, das capelas, igrejas e comunidades
religiosas.
Assim teria acontecido nesta ilha. Nos oitenta e tantos anos
decorridos desde o Início da colonizaqao até á criacao do bis-
pado do Funchal e aiqda nos primeiros anos ap6s essa criacao,
nada se sabe com inteira certeza acerca da consagracao religio.
sa do nosso arquipélrgo, tendo-se encontrado a vaga noticia
de que logo no comeco do povaatnento f6ra a Madeira deáí-
cida a *Santa Maria Nossr Senhora. e a vizinha ilha do Porto
Santo á virgem e mártir ~SnthaCatarinaw.
Essa notícia nao se teria talvez conservado largo tempo
na tradicao local, porque a escslhn solenc e revestida de api-
rato de outros padroeiros frria esquecer os que foram primiti-
vamente preferidas.
Foi urna grande calamidade publica, que proximamente
determinou a elcicao solene e com carrcter definitivo do pa-
droeiro maior desta ilha, que inalteravelmete se tem mantido
através do tempo. A epidemia da peste, que por muitas vexes
assolou o nosso país, trmbem'grassou com intensidade na Ma-
deirr, especialmente na primeira metade do stculo XVI, sendo
um dos flrgelos que nessa dpocr mais estragos crusaram no
seio das populacoes .
Diz-nos Gaspar Frutuoso (Saud. 194) que ano ano de
1521, qurndo El-Rey D. Manuel faleceu, hrvir no Funchrl
grande mortandide de peste, de que Deus nos Iivre; e porque
havir anos, qua ela andrva na cidrde o Crpitao Sirnao Goncd.
ves e a Camara elegeram por sortes por Padroeiro "da mesma
cidade ao Apostolo Santiago Menor, no cabo da qual lhe fize-
ram umr boa casa, onde foram em procissao.~
Este rcontecimento t mris pormenorisadamente narrado
no auto do voto de 1523, onde se 18: u . . .ros onze dirs do
mees de Junho de mil1 6 quinhentos 6 bymte e huu sendo esta
Cidrde posta em muytr tempestade 8r trlbulrcom de peste 6
fome 8r outros muytos ttrbrlhos se acordou em Camarr pelos
oficiraes della que emtam errm Pero jorm correr bererdor
8r Bicemte glz. 81 Pero alvarez juizss 8r brcharell joham de
sousa prouedor 6 misteeres de tomrrem huu rol1 dos samtos
a srbeer o nome de Jhu nosso sennor 81 da virgem nosr San-
nora Sam Joham bautista e os doze apostollos cada huu per
seu nome os Iancirom em huu birrete & tirada sorte por huu
minino per noma Joham de edade de sete annos & pomdose
todos primeyra mente em jiolhos 6 oracom prometendo de
fazeer hur casa ar hoairrr drquelle srmto que sahise 6 per
sorte srhio o bem auenturado apostollo srmtyrgo menor ra
homrra do qurll loguo no dito dir se festejou polla cidrde 8i
ros bymte ei huu dias de Julho Ihe comecrrom a sur crsa
himdo a idad de e o dito crbido em procisom solene descalca-
dos 6 o Meestre schola goncallo mrrtim com o ratabulo da
imrgem do bem auenturado apostolo 6 deo a primqra enchr-
dada no cunhall da crpella d8 brmda do abamgelho a quaU
casa se edificou em hui terra que antonio spindola deo para
a ditr crsa...J

No ano de 1523, a 24 de Janeiro, fez-se r renovrcao do


voto, com toda a solenidrds, na S6 Catedral, comparecendo
ali o crpitlo donatario Simao Goncrlves da Camara, o Senado
com seus vererdores, diversas entidades oficiais, todo o crbido
e muito povo, e tomaram todos o compromisso solene, em
home dos habitantes desta concelho, de .para sampre em cada
nuu anno dos do mundo uenerarem e fcstejrram a fasta do
dito glorioso samto apostollo que he o primeyro dia de mayo
ao qual faram procison mlene a quall sahiraa da see da dita
ddade solenemente e kam aa dita casa do bem auemturado
samto omde Ihe faram besperas solenes e asy outro tamto se
farra o oytauo dia com misa solene e procisom as quaees pro-
cisoes se faram como a propria do sennor Corpus chrlstl e
ros ditos cidadties mays aproube de mamdar pintar o dito
samto n i camrra na brmdeyra e sello da cidade asy como se
traz sam Bicemte na bandeyra da cidade de lixboa e os sobre-
ditos uotarom esto nas maos do dito deam pera todo com-
prirem par si e per seus sucesores e em testamunho e feo da
..
uerdade dello asynarom aqui . S
Da obra Alma Instruida, do padre Manuel Fernandes,
transcreve o anotador das Saudades os seguintes periodos:
rE logo reconhecerfo a proteccao do Santo nesta ocasiio;
porem, mais longamente a conhecerao no ano de 1538, quan-
do enMo graswva uma peste terrivcl: na ocasiao da procissao,
o Guarda Mor da Saude, que entao era homem de grande re-
presentacilo, no meio da Ermida do Santo diz em alta voz:
~Senhor,ate aqui guardai esta Cidade como pude; nao posso
mais, aqui tendes a vara, sede v6s o Guarda da Saude.~E Iar-
gou imediatamente a vara, e se deu por desobrigado de guar-
dar a Cidade: e desde este momento, todos os feridos mclho-
riram, e nfo se deu mais caso algum de peste. Do que vem o
coslumc da Camara, logo que entra no igreja do Socorro, lar-
gar as varas nos degraus d~ altar-mor.,
A 22 de Junho de 1632, se lavrou solenemente perante o
senado funchalense um novo auto, destinado a patentear e a
confirmar o rgradecimento dos madeirenses ao seu padroeiro
SIo Tiago Menor e onda se leem as seguintes palavras, depois
de oma referencia peste de 1538:
.Nunca mais nesta ilha houve o dito mal (peste), antes he
vcrdade que vindo a esta ilha muitas vezes alguns naviss com
homens feridos deste mal a quem se dava degredo nas prayas
fóra desta cidade, em as quais algumas vezes morreram alguns
do dito mal, nunca entrou nem se pegou o dito na gente da
terra. E miraculosamente nos ha Deus N. S. defendido por
muitas ocasiaes de ser acometidos de inimigos, como foi em
tempo das alteracoes deste reino, vindo a esta ilha muitas or-
madas de que tivemos particulares avisos de S. M. Catolica
algumas delxs chegaram 4 vista do Porto Santo, e todas fo-
ram miraculosamente desviadas com temporaes e outros su-
cessos nao esperados #
Como referem os dccumentos supra transcritos, o pri-
tivo voto realizou-se na S6 Catedral no dia 11 dc Junho de
1521 e nele tcmaram parte o donatario, o senado, o clero, as
pessoas mais qualificadas dr cidrde e bastante povo, fa7edo-se
a consagrrcao solene desta ilha i o apostolo Sao Tiago Menor
e a promessa de edificar-se urna capela em sua honra. Quaren.
ta dias dtcorridos, isto C, a 21 de Julho do ano referido de
1521, 0rganizc.u-se uma solene prccis$ao em direccao ao local
em que essa capela deveria levantar-se e ali se procedeu ao
Iancamento da primeira pcdra, como hoje se diria, tendo o
mestrcescú.lr do cabido da S6 Catedral cdrdo a primeira en-
chadada no cunhal da capela do lado do evangelho~.
O flagelo da peste atenuou-se bastante, mas nao sc extin-
guiu inteiramente, renovando-se entao com maior solenidade e
aparato o voto a S. Tiago no dia 24 de Janeiro de 1523, em
que se resolveu ultimar a edificacao da capela e fazer uma pro-
cissao no primeiro dia do mes de Mais cem cada um ano dos
do mundo) em direccao a ela e ali se rezariotm avesperas,, re-
petindo-se a procissao no dia do oitavario com a celebracao
de missa cantada na dita capela, o que tudo revestirir a pom-
pa e o luzimento das festas de Corpus Chrlstl. Foi tambem
nessa ocasiao resolvido que ase mandasse pintar o dito santo
na Camara na bandeira e selo da cidade como se traz em S.
Vicente na bandeira da cidade de Lisboa*.
Dizem Gaspar Frutuoso, nos Soudodcs da Tcrra, e o pa-
dre Manuel Fernandee, na Alma Instruida, acima citados, que
nao tendo cessado absolutamente o acontagio~ no ano de
1538 foram os guardas maiores e mencres, encarrcgados de
velar pela saude publica, depor as suas vsiras no altar do santo
padroeiro, exonernndo-se do seu cargo e entregando-lhe a
guarda c a vigilancia da populacao e que a prrtlr desse mo-
mento desaparecern completamente o mal de toda a Ilhr.
A capela dedicada a0 padroeiro S. Tiago Menor ficou
concluida por merdos do ano de 1523, sendo edificada cm
terreno oferecido pelo genoves Antonio Espinela, que nesta
ilhr tivera terras de sesmariei e a quem o re1 D. Manuel cone-
deri braza0 de armas por ser descendente dos antigos doges
da republica de Genova. Nas anotacoes A Historia Insulano, de
Antonio Cordeiro, informa-nos o dero Antonio Gon~alvesdc
Andrade que a doacao feita por Antonio Espinola destinada a
construcao da capels, sacristir, adro e casa do capelao se rea-
l i z o ~por escritura publica a 30 de Abril de 1524, ccm a con-
difilo do doador ter ali sepultura c o capelao pedir nas missrs
um Padre Nosso e uma Ave-Maria em sufragio da sua alma.
A primitiva capela era de modesta fábrica e de %canhadas
proporcoes, tendo sido ampliada e restaurada pela Camara em
1632 e sclenemente benzida pelo bispo D. Jerónimo Fernando
a 25 de Julho do mesmo ano.
Decorrido mais dum sCculo, encontrmdo-se a referida ca-
pela em adiantado estado de ruin?, resolveu o senxdo funcha-
lense proceder 4 sua demolicao a crguer no mesmo local um
templo de maiores dimensoes, tendo-se iniciado as obras de
construcao cm 1754 e havcndo-se dado par concluidas no ano
de 1768, No entretanto, ha noticia dc que em maio 1789 se fez
a trasladrscao solene da im~gemde S. Tiago, da Sé Catedral
para a sur nova igreja.
E' esta a actual igrejr paroquial da freguesis de Santa
Maria Maior, mais comumt;ate conhecida pela designacao pa-
pulrr de igr~jado Socorro. Todos sabcm que no dir 9 de Ou-
tubro de 1803 urna grande rluviao arrasou r igreja matriz des-
sa poroquia, que ficava siteada na mrrgem esquerdo da ribei-
ra de Joifo Gomes entre iis embocsdurtis dis rurs de Santa
Marir e de Latino Coelho, tendo a CBmara cedido a igrejr de
Silo Tisgo para servir de ~Cdeda paroquia com a condicao de
ali ser semprc conservada r imrgem do respectivo orrgo e
padroeiro S. Tirgo Ment r Coma cotucmorncao deste facto,
encontra-se na frontaria da igrejn urna Iápide, que ccntem a
seguinte inscricac.: Hlc lapls lndicat llberalttatem senatus et
populc. Hanc eccleslarn Fid~llsslmoPrlnclpl. Rtgentl ofjercntium
In locum patochlae per lnurrdatlonem aquarum destruclae. Anno
Domlnl MDCCC III.
A Camara do Funchsl conservou scmpre a mslior vene-
racao pelo padroeiro S. Tiago Menor, nao s6mente na rigo.
rosa observancia dos votas fcitor, pelas vere#c6es precedentes,
mas ainda promovendo cultos especirais em sur hcnra, como
se v e em muitas determinaqoes camrrwrits tomadas através do
tempo, Entre estas avulta a da criafao dumr capelania na igre-
jr que fizera edificar, mantendo ali permanentemente um sa-
cerdote com obrigicao da celebracao do santo saírificio da
missa em tcdos os dias santificados c tambem ccjm moradia
fixa na residencia que para esse fim fdra construida nao ime-
diacoes da mesma igreja.
Foi o senado sempre muito cioso do direito que julgava
ter na escolha e nomercao do seu capelao privativo, levantan-
do-se algumas vezes, por esse motivo, graves conflitos com a
autoridade eclesiasticr, como os que se deram com os bispos
diocesrnos D. Luiz Figueiredo de Lemos e D. Jerónimo Fer-
nando, a que j4 atr4s nos referimos. O senado levou recurso
para o monarca ilcerca dos pleitos suscitados com estes pre-
lados por causa dessas nomeacoes, obtendo o mais favora-
ve1 deferimento nas altas regioes do poder.
Desde o segundo quartel do seculo XVI, passou o dia pri-
meiro de Maio a ser festejado com particular solenidade, nao so-
ómente na cidade do Funchal mas rinda em toda a diome, sendo
tambem considerado como um dia festivo no seio da maior par-
te das familias com demonstraci3es de': franco e sincero regorijo.
As grandes solenidades religiosas, as espontlners festas
populares, a original ornamentacao das ruas e especialmente a
aparatosa procissao, cm que todos os que nela tomavam parte
empunhavam uma pequenr cor6a de flores, davrm um extra-
ordinario brilho a essas ardentes manifestacoes de ft, que per-
duraram durante séculos e chegaram ainda 4 idade contempo-
riinea, embota um tanto amortecidas no seu antigo fervor e
entusiasmo.
Nao conhecemos documento alguiri oficial emanado da
rutoridade eclesidstica que houvesse sancionado aquele voto
solene dos nossos maiores e aprovado as diversas manifesta-
caes de culto que a ele estrvim intimamente ligadas. E' para
estrrnhrr que nas econstituicoes Diocesanas 8 deste bispado,
promulgrdas por D. Jeronimo Birreto em 1579 e nas aExtra-
vagantese decretadas pelo bispo D. Luiz Figueircdo de Lemos
no ano de 1597, nilo se faca menqao desse voto, sendo prova-
ve1 que no arquivo da Sé Catedral, hoje n i Torre do Tombo,
e ainda nos antigos regimentos do cabido da mesma S t se en-
contrassem quaisquer referencias áquele voto. Apenas sabemos
que, por breve rpostolico de 17 de Dezembro de 1607, os
actos liturgicos r realisar no primeiro de mrio, dia consa-
grado pela igrejr ao apostolo S. Tiago Menor, fossem conside-
rados de primeira classe e revestissem particular solenidade.
O auto de 24 de Jtneiro de 1523, que acima fica parcial-
mente trrnscrito, termina por estas prlivrrs: ... e outro sim
Ihe rprouve de tomirem por seus protectores os bemrventu-
ridos Sao Scbrstiio e SXo Roque e Ihe frzer r ditr solenidrde..
O primeiro, tido como defensor da nrcao portuguesa, e o
segundo, considerado o mais poderoso rdvogrdo contra a
peste, forrm constituidos segundos prdroeiros destr diocesc,
nr 0~8siaomesmr em que se renovara r solene consrgracao
feitr ao apostolo S Tiago Menor.
Nos rntigos calendarios eclesiisticos deste bispado veem
camignrdos os bemrventurrdos S. Sebastiao e S. Roque como
patronos menores e rinda actualmente se faz referencia a essr
circunstrncir com respeito r o segundo, no dir 16 de agosto
como .patrono menor principrli. Por essc motivo, os dias 20
de jineiro e 16 de agosto errm considerados dirs santos dc
preceito em toda r diocese.
Lemos rlgures que cm certrs localidrdes se edificaram
rlgumrs crpelis dedicadas 80 mrrtir S. Sebrstiao, celebrando-se
em diversas igrejrs festividades em sur honra, sendo certo que
nr ilha do Porto Santo e nas freguesirs de Santa Cruz, Pontr
do Sol e S. Jorge se construirrm ermidas com essa invocrc8o.
E no mesmo lugar se diz que nao tendo o bemrventurrdo S.
Roque crpeli que lhe fosse consagrada, se colocou r sur imr-
gem nr Sé Catedral, no rltrr de S. Jorge, e se instituiu umr
confrrrir prrr r sustentrcao do scu culto.
Trmbem encontrámos r noticir de que no ano de 1537
f6rr S. Mrrtinho igualmente escolhido pira patrono menor
destr diocese, desconhecendo-se r tal respeito qualquer outra
circunstancia digna de ser mencionada.
Foi r rluvlao de 9 de Outubro de 1803 umr das mriores
calrmidrdes que teem assolrdo r Mideirr, causando i morte r
rlguns centenares de pessoas e r mrior soma de estragos cm
qursi todas as freguesirs da ilha e especirlmente nr cidrde do
Funchrl e surs imedircoes. Este trigico sucesso, que sobremr-
neirr rlirmau e emocionou profundamente toda 8 pop~lrclo,
determinou r reunir0 dum grande numero de fieis, nr SC
Catedral, no di8 13 de Novembro de 1803, presidida pelo prc.
Irdo diocesrno D. Luis Rodrigues Vllrres, e em que tomaram
parte o Cabido e mris clerczii e muitas pessois qurlificrdas
da cidrde, adoptando-se nesta ocrsiao, entie outrrs resoluc~es,
a de colocar r cidade do Funchal sob a especial protec@o da
Srntissimr Virgem Nossa Senhori, como consta do auto que
entao se Irivrou e do qurl trrnscrevemos os seguintes perio-
dos:
..
s. Resolveu-se, de unanime rcordo celebrar uma festivi-
dade muito solene em o dir 9 de Outubro de cada ano, em
honrr do patrocinio da Virgem Snntissima, MiIe de Deus e
dos pecadores, tomando-a por protectora e especial advogada
perante Nosso S z n h x Jesus Cristo, seu unigCnito filho, para
alcrncar dele cm primeíro lugar um perdao geral da todas as
nossas culprs, e em segundo, r suspengao do castigo corn que
justamente nos queria punir, para que esta cidade se nao tor-
ne a ver em outra crise tao lastimosa, rezando-se nesse mesmo
dia corn rito de primeira classe do patrocinio da mesmr San-
tissima V~rgeme frzeiido~seurna procissao muito solene, corn
assistencia do mesmo ex.mJsnr. Bispo, Cabido e mais clerezir
secular e regular, assim como se costuma praticar na festa e
solenidade do nosso amabilissimo c devotissimo psidrocira, o
ipostolo S. Tiago Mwor, para o que se deverao impetrar do
Pcincipr: Regente Nosso S m h ~ er B:eves da Santa SC Aposto-
lica, saiinda a procissao desta igrcja catedral para a capela=mór
da predita igreja de Nlissa Srnhora do Calhnu, arrejada por
terra, caso que se conserve rindi para memória desta fatal
calrmidnde, e nao existindo á igrejo nova que se construir,
aonde se ir& cantar vcsperas colenes corn assistencir do cabi-
do e clero, e se celebrará missa no dito dia 9 corn sermao, no
qual se fará memoria dcsta esparitosa noite, para qui fique
sempre na lembranca dos povos e geracos futuras da sorte
corn que fomos punidos, e o poderoso valimento da Virgem
Sintissims, a quiil nos acolhamos para n a sofrermos
~ segundo
castigo e sermos preservados de iguais catlamidodes..
Dois dias antes da reuniao desra assemblcia de fieis na S6
Catedral, cinvocrra- e o senado funchalense corn o p ~ v oe va-
rias entid~desoficiais, afim de tomar conhacimento do oficio
que o prelado diocesano Ihe dirigirr, pcdindo que a camrara,
como legitima representante da populrcao, se associasse ros
votos solenes que iam ser feitos na Sé Catedral corn a assis-
tencis dos fieis e do clero. Deliberou a crmara, por unanimi-
dade de v?tor, que a nabreza e o povo se conformassem corn
os desejos d 3 prelado, ficando, porém, suspensa esta resolucl[o
atC que o Principe R?g:iite se pronu iciasse ácercr dsste as
sunto.
Ficou deste modo a cidadc do Funchal e seus arredores
colocados sob a especial proteccao da Santissima Virgem, ins-
tituindo-se entao a festa do Patrocinio de Nossa Senhora do
Monte a celebrar no dia 9 de Outubro de cada ano, com vigi-
lia própria de jejum e abstinencia e com rito de primeira
classe na celebracao dos oficias divinos. O dia 9 de Outubro
foi dia santificado de preceito na cidadc e imediacoes e dia
santo dispensado no resto da diocese. O actual calendário
dlocesano designa esse dia como sendo o do apatrono menor
principal da diocese e principal da cidade do Funchals. Os
prelados diocesanos curtumam celebrar solenemente de ponti-
fical nesse dia na igreja paroquial de Nosso Scnhora do Monte.
Além das qurrentr e nove igrejas paroquiris, quasi todas
de acrnhadrs proporcoes, apenas nestr diocese podem ajusta-
damente merecer a designrcaa comum de igrejas o majestoso
templo da Sé Catedral, a magnifica Igreja de Sao Joao Evrn-
gelista, vulgarmente chamada do Colegio, e a belr e antiga
igreja do extinto convento de Sao Francisco. Se nao existirm
em número rvultado rs igrejiss propriimente ditas, o que nao
devc causar estranheza na diocese portuguesa de mais limitada
área e de mais reduzida populacao, superabundrvam, porém,
as capelrs e ermidas e os orrtórios prrticulires.
Todas ou qursi todas as igrejas paroquiris tiverrm a sur
primitiva origem em pequenas e modestas capelrs, que rtravés
do tempo iam sendo rmplirdrs e acomodrdas As exigentes
circunstancias do meio, quando a populacao se foi adensando
e estendendo a sur rcqao coloniz~dorapelas lombrdrs e ver-
tentes das montanhas, tcndo sido muitrs dalas inteiramente
substituidas por templos de maiores dimensoes e mris em
harmonir com o progresso e o desenvolvimento dos respecti-
vos povoados, E', no entanto, certo que as nossas igrejis piro-
quiris, no que respeitr á sua regular crpacidade, nao srtisfa-
zem inteiramente o seu fim, oferecendo umr dificil acomoda-
cao ros fitis nas grandes solenidrdes religiosas, deficiencia esta
que esta sendo vantajosamente suprida com i celebrrcao de
duas ou tres missrs nos domingos e dias santificados.
Essrs igrcjas sao em gerrl da mris simples e modesta
arquitectura e nao primrm pelas surs decoracoes interiores,
nao se encontrando nelrs obras de arte que detenhrm as rten-
caes dos visitantes cultos. E', porem, certo que em algumrs
delrs, segundo o rutorisado testemunho de pcssoas versadas
nrs artes plásticas, se descobrem umas dezenrs de télas de alto
valor rrtistico, que estao r pedir um demorado estudo e r mais
cuidadosa conservrcao com o elevado rpreco que merecem.
SGbre esta rssunto importa Ier umi série de interesssntes rr-
tigos publicados no Arquivo Historico da Madeira e devidos
á pena de Manuel de Almeidr Zagalo, conservador do *Museu
de Pintura das Jrnelrs Verdes,, que tambem publicou um opús-
culo versando proficientemente r mesma mrtéria.
As verbrs despendidas com a edificacao das igrejas errm
gerrlmenta custeadas pelo Estado, sendo 8 antigr .Provedaria
da Real Fazcndrw, extinta em 1775, e dcpois a #Junta da Real
Frzendaw, suprimida em 1834, as reprrticoes que superinten-
dirm nesse servico, como se ve no ((Indica de Registo~da pri-
meirr dossr reprrticao, que contém o resumo de centenares de
diplomas emanados do poder central respeitantes 4 construcao
ou reedificrcao dum grande numero de igrejas destr diocese.
E' certo que as confrrrias e assocircoes rcligiosrs estabeleci-
das nrs diversas prroquirs trmbem concorrerrm com impor-
tantes donativos para r reparacao e conservacao das igrejas e
especirlmente prrr r rquisicao de objectos destinados ro cui-
to, entre os quiis se contim rinda alguns de alto valor e do
mais rprimorrdo bom gosto.
As lutrs civis, que desde os princípios do segundo quar-
te1 do século XIX se desencrderrrm no nosso poís e umr te-
naz propaganda das ideirs mris subversivas, concorrerrm
p a n o enfraquccimento do sentimento religioso com a perse-
guicao ro clero, o exodo das ordcns monástiscis, r saida forcr-
da dos prelados das suas dioceses a dos parocos das suas
igrejas, etc., ficrndo consequentcmente r mrior parte dos tem-
plos expostos r um lamentavel abandono e muitos deles a
ruinas irraprrrveis. O mesmo sucedeu nesta diocese.
Por merdos do século pasado, em virtude das diligencias
empregadas pelo prelado diocosano D. Manuel Martins Manso
e de modo particular pelos altos esforcos do ilustre governa-
dor civil José Silvestre Ribeiro, procederam-se r grandes repi-
racoas em quási todas as igrejas da Madeira, salvando-se al-
gumas de sui inteirr ruina, entre os qurio se contr o balo tam.
ple de SHo Joao Evangelista, cuja conservrcao especialmente
se deve a rccao daquele benemerito governador.
Nos últimos decénios, teem-se realizado na maior parte
das igrejas importantes reparos nas decorac6es interiores e
outros rpreciaveis melhoramcntos, e inteiramente se construi-
rrm as igrejrs poroquiais das freguesias de Sao Martinho, Jar-
dim do Mar e Slo Roque do Faial, o que tudo muito abona o
zelo e dedicacao dos respectivos piírocos, se atendermos es-
cassez dos recursos que o meio lhes proporcionava.
Como aclmr deixiímos dito, nao era grande o numero de
templos dignos deste nome existentes nesta diocese, mas supe-
rabundavrm as pequenas capelrs e ermidas, sobretudo as edi-
ficadas nos séculos XVII e XVIII, o que nao estava em har-
monia com 8s necessidades locais e atC ia além das posses a
conveniencias dos seus fundadores. Se primavam pelo seu
numero, nao sobrcsaiam pela sua elegante arquitectura, pelas
ornamentac6es interiores ou objectos artisticos que nelas se
dtstinguissem. Tornavam-se motivo da respeitosa venerac%o
pelo fim a que de destinavam e particularmente qurndo ser-
viam de necrópole ás familias dos seus fundadores, encon-
trando-se em muitas delas pedras tumulares com seus epitafios
brazonados. Emprestavam muitas vezes ao pitoresco do local
umr rtracc%o encantadora, debrucando-se suavemente pelas
encostas verdejantes e divisrndo-se ao longe por entre as
francas dos copados arvoredos.
Sabe-se que o privilegio da vinculacao da propriedade se
excrceu largamente neste arquipClago como talvez em nenhumr
outra regiao do nosso país, afirmando-se em varios documcn-
tos oficiais que mais de dois tercos das terras madeirenses
estavrm rdstritas ros vínculos e morgadios, que eram em nú-
mero consideraval, sendo muitos deles de minima importancia
e levando os seus administradores urna vida rrrrstada de pri-
vrc6es e misérias. O morgado que ngo possuisse uma ermida
e ub pequeno solar nao honrava condignrmente as suas pro-
sapias rvoengas e até era objccto de motejo e da falta da
devida cotasiderac%o,por parte da sociedade cm que vivisi.
Levantaram-se muitrs capelas para satisfaca0 duma estultr
vaidade, que nao raro errm abandonadas e entravam em pro-
xima ruina, por falta dos cuidaddos indispensaveis 4 sur con-
servacro, a-pesar-de serem dotadas coca os rendimentos de
IOREJAS E CAPELAS 293

propriedades rústicas ou urbanas, como as leis civis e canónicas


estabeleciam. Por herancas e sucessivas contraccoes matrimo-
niais, era frequente reunirem-se diversas capelas sob a adminis-
tracao dum s6 morgadio, chegando a opulenta casa dos condes
de Carvalhal a possuir ou a administrar mais dumr dezena de
capelas.
A quasi totalidade das capelas e ermidas era de instituicao
vincular e a eIas estavam sempre anexos diversos encargos
pios, que geralmente consistiam na celebraclo de missas a
outros sufragios pelas almas dos instituidores e por vezes tam-
bem na satisfaca0 de certas obras de piedade e beneficencia.
A esses encargos pios dava-se o nome de scapelas~,tomada
esta pxlavra num sentido muito restrito, existindo nos arqui-
vos das igrejms paroquiais o chamado Livro das Capelas, em
que era registada a instituicao desses ericargos e funcionando
tambem o tribunal civil chamado ~Juizodos Residuos e Cape-
las., que fiscalisava a maneira como se cumpriim esses encargos
e castigava os respectivos trinsgressores .
AICm das inúmeras capelas espalhadas por toda a ilha,
havia muitos oratórios privados nas casas principais, cm que
se celebrava o santo sacrificio da tnissa, sabendo-se que s6-
mente na freguesia de Sao Pedro era superior a vinte o núme-
ro desses oratorios, alguns dos quiis ainda hoje se encontram
em bom estado de conservaciio.
Sobre este rssunto le-se com provcito o artigo intitulado
Capelas e Morgados da Madeira e inserto a pag. 65 e SS. do
vol. IV do Arquivo Hisforico da Madeira.
Daremas em seguida uma rela~aodas igrejas e capelas
desta diocese que, a-pesar-de extensa, nao temos por completa,
acompanúando-a de algumas notas históricas, a que procurá-
mos nao imprimir urna demasiad2 latitude, ern harmonia com
a feicao abreviada que caracterisa este despretencioso estudo.
Adoptando a ordem alfabetica c seguindo tambem, quan-
to possivel for, a ordem cronológica, temos em vista facilitar
o encontro das notas históricas, que aqui deixamos sumaria-
mente exaradas, acerca das lrezentas e tantas capelas e igrejas
dests diocese, de que conseguimos obter rápida noticia.
Airnas-(Capcla das) --Informnm-nt s o ilustre anotador
das Saudades d a Terprz, que pos drvt~caodri ?.moriso Antoolio
Rodrigues Jardim se edifrcou urna cdpelci destr invocacao na
freguesia da Ribeira Brava, dizendo-se cm outro lugar que ela
04 DIOCESEDO FUNCHAL

foi construida no ano de 1652. Já nao existe há muitos anos e


ignora-se hoje o nome do sitio em que ficava.
Almas-(Capela das)-No sitio da Vargem da paroquia
do Estrcito de Camtra de Lobos encontra-se uma capela de-
dicada 4s Almas, cujo fundador e ano de construcao se des-
conhecem .
Almas-(Cspela das) - Temos encontrado varias referencias
á existencia duma capela desta invoc&cao, situada na freguesia
da Calhcta, ignorando-se quaisqucr outras circunstancias que
Ihe digam respeito.
Almas-(Capeli das)-No adro da igreja paroquial da
freguesia do Estreito de Cnmara de Lobos fez o povo cons-
truir uma pequena ermida, a exemplo do que se praticou nos
adros de outras igrejas, especialmente consagrada ao culto
destinado a sufragar as almas dos mortos, sendo dada licenca
para ser benzida a 14 de Novembro de 1710.
Almas-(Capela das)-Em outro lugar, deixamos já dito
que no ángulo reintrante formado a meio da rua qne comu-
nicava o antigo convento de Santa Clara com o das Merces,
hojc Auxilio Maternal, abre-se na rocha viva uma modesta e
original ermida, de exiguas dimensoes, conhecida pelo noma
de Capela ou Capelinha das Almas. E' possivel que aquela
massa de basalto oferecesse uma cavidnde ou mesmo existisse
uma pequena gruta ou furna, que viesse a despertar a ideia
daquela construcao. Corre, porétn, na tradiqao local uma len-
da, que nos parece ter sido também aproveitada para explicar
a raza0 de identicas edificac6es em outras sitios e lugares. E
conta-se que, num basto canavial ali existente, procurara um
individuo esconderijo seguro para perpetrar um crime de
morte na pessoa dum seu figadal inimigo, que no local cos.
tumava passar a desoras. Numa noite e noutra noite e em dias
sucessivos, nao logrou realisar o seu perverso intento, porque
a vitima preparada para o atentado ali passava sempre acom
pnnhada por outras pessoas, tomando entao o criminoso a re-
solucao de abandonar a idea que por tantos dias Ihe obsediara
o espirito. O individuo assim poupado á sanha feroz do seu
inimigo, tendo mais tarde conhecimento do projcctado assassi-
nato, viu no facto um evidente prodigio miraculoso, porque
sempre passara niquele local 96 e de toda desacompanhado,
atribuindo 4 intervencao das almas do purgató:io, pelas quais
tinha a mais viva devoclo, o nao haver sido vitima inocente
daquele atentado. E daí nasceu a idea da construciío da capela
no proprio local cm que ele julgava que se havia operado o
prodigio. O sr. major A. A. Sarmento aproveitou o assunto
desta landa para um dos capitulas do seu livro Mlgalhas in.
troduzindo-lhes variantes e episodios, que mais se acomoda-
vam 4 romantizacao do quadro.
O que de positivo sabemos C que Roque José de Araujo
natural de Viana de Caminha e que ha muitos anos residia no
Funchal, foi quem mandou edificar em 1781 a pequena crmida,
qua consagrou ás almas do purgatório e a que deu o noma
de Almas Pobres. Foi vistoriada, como era de estilo, pela com-
petente autoridade eclesiastica, e no respectivo auto se Ieem
.
as seguintes pr1avras:-N.. tem de comprimento da porta até
o altar seis palmos de fundo e vao, e de largura nove palmos
de vao e ha o comprimento do altar todo sem credencia, a
.
altura he proporcionada, coberta de abobada. . e situada de
baixo da rocha e ao parecer firme.m
Para ocorrer á manutencao do culto e conservacao da
capcla, concedeu-lhe Roque JosC de Araujo, por escritura pu-
blica de 25 de agosto de 1781, a pensao anual perpetua de
cinco mil reis, imposta num predio que possuia no Btco do
Gongorra, 4 Ponte Nova.
A capela foi benzida pelo vigario da freguesia de Sao Pe-
dro Francisco Xavier da Cunha a 14 de Drzembro de 1783.
Almas-(Cipelrs das)-Contigua á igreji paroquial da
freguesia da Ponta do Sol e comunicando directamente com o
adro da masma igreja, existir urna pequenr capela dedicada 4s
Almas, cuja epoca de construcao ignoramos, mas que há cerca
de doze anos foi mandada dcmolir pela Camara Municiprl da-
qucle concclho, afim de proceder-se ao alargamento da roa
Joao Augusto Teixcira .
Almas Pobres (Capela das)--Com este orrgo edificou
Ooncalo Dias da Silva uma capela pelos anos de 1470, na
freguesia de Santa Maria Maior em lugar que hsje se ignora.
Bom jesus (Capela do)-Sabemos que o Recolhimento do
Bom Jesus, situado na rua deste nome, foi fundado, por mea-
dos do século XVII,. pelo arcediago da Sé do Funchrl dr. Si-
mao Gonsalves Cidrao e destinado a receber 25 a 30 recolhi-
das, sendo de 1674 ou pouco an,es a data da aprovacao cano-
nica conferid 4 pela au toridadc dioccsana a este novo instituto
de caracter religioso. As rccolhidas deram ali entrada no ano
de 1666, quando a construciio da casa e da crpela nao estava
ainda de todo concluida. Deve, pois, assinalar-se aquele ano ou
alguns dos anos imedirtos mris proximos, como sendo o da
fundacao da referida capela, que primitivamente teve propor.
c6er muito acanhadas, sendo mais tardo ampliada e mclho-
rada nas suas decoracoes interiores. Teve sempre crpelao
privativo, que aindr conserva, a-pesar-do recolhimento haver
perdido a feicao de casa monastica, que manteve nos primei-
ros tempos da sua instituicilo.
.Bom Jesus (Capela do)-Ficava na freguesia de Santa
Cruz e era uma capcla muito antiga, que por vezes se encontra
citada com o noma de capela de Nosso Senhor Jesus Cristo
e que se levnntava no sitio que ainda hoje se chama do Bom
Jesus. Teve Gil Anes como fundador e data do primeiro quar-
te1 do sCculo XVI. Serviu de nucleo a um morgadio institui-
do por um dos descendentes do fundador e foi raedificada
pelo morgrdo Belchior de Vasconcelos e Vasconcelos no
ano de 1660.
Coragúo Imaculado de Mark (Capela do)-Devido á ini-
ciativa e incansavel dedicacao de D. Maria Margarida dos An-
jos Ribeiro, proprictaria e moradora no sitio da Faja do Pe-
nedo da freguesia da Boaventura, levantou-se no mesmo sitio
urna pequena capela consagrada ao Coracao Imaculrdo de
Maria, que foi solenemente benzida palo prelado diocesano no
dia 23 de agosto de 1919. Ali se celebra o santo sacrificio da
missa em todos os domingos e dirs santificados com grande
proveito dos habitantes daquelas imediacaes .
Coragdo de Jesus (Copela do Sagrado)-No sitio dos Car-
dais da freguesia do Agua de Pena, fundou o Conego Henri-
que Modesto Betencourt, no ano de 1907 e em terras que ali
possuia, uma capola dedicada ao Sagrado Coracro de Jesus.
Coracdo de Jcsus (Capelr do Sagrado)-O padre Carlos
Jorge de Faria e Castro, junto á casa da sur residencia, no si-
tio do Livramento da freguesia do Monte, fez edificar urna cr-
pela desta itivocaclo, que foi benzida pelo prelado diocesano
r 18 de Junho de 1914.
Cora~dode /esus (Capela do Sugrado)-No sitio da Fonte
do Gil da freguesir do Arco dr Calheto existe urna crpela que
ttm este arago e é de recente construcao.
Coragdo de jesus-(Capelr do Sagrado)-Ni Quinta do
Monte, freguesir de Nossr Senhorr do Monte, mindou o seu
propriekrio Luis da Rocha Machado construir, numr das de-
pendencias da casi de residencia, umr crpela da invocacao do
Sagrado Corrcao de Jesus, particularmente destinada a perpe-
tuar r siudosi memoria do imperador Carlos de Austria, que
durante rlgum templ] hvbitou na mesmr casa e ali frleceu no
dia 1 de Abril de 1922.
Cora~ciode lesus (Copela do Sagrado) -Com este orago
se construiu hr poucos anos urna crpela no sitio do Outeiro,
da freguesia dos Canhis, que foi fundada por José Francisco
Crbral de Noronha e sua mulher 'D. Marid Trindrde de
Noronha.
Corpo Santo (Capeli do). E' umr das mris rntigas crpelis
destr dioccse e umr das poucas construcoes do século XV que
rinda restam entre nós, embora com o decorrer dos tempos
tenhr sofrido profundas modificac6cs. Foi construida por de-
vocao dos maritimos e dedicada ao seu padroeíro Silo Pedro
Ooncnlves Telmo, mais vulgarmente conhecido pelo nome de
Corpo Santo. O culto destr capelr é mrntido pela clrsse pisca-
tórir do Funchrl, havcndo sido ali i séde duma especie de so-
cisdrde de socorros múruos destinada r amparar os maritimos
n i sur doencr ou invrliaez, ignorando se aindr actualmente se
mantem a confraria com csse caracter de beneficencia entre os
scus membros. Vamos transcrever o que a tal propósito encon-
tramos no Dlclond d o Universal Portupu2s Ilustrado, que é deve-
.
ras interessante : econfrarirs.. existem durs notaveis por da-
tarem dos tempos da primitiva povorcií;, do arquipelrgo e por
formarem vcrdadeirro associac66s de socorros mutuos; silo r
confraria do Corpo Santo, com r sur crpela mawelinr no ex-
tremo oriental do Funchal, e a S. Pedro Telmo, no logar da
Camara de Lobos; rmbrs sgo de maritimoa e manifesbrmente
derivam do celebre compromissa dos maritimos algarvios, e
como este vao ligar-se, sob r forma religiosa, com as institui-
@es naúticas do tempo de D. Diniz. Os compromissos das
durs aludidas confrrrias madeirenses, dos quUa possuimos
cópia, sPo como o algarvio, preciosos documentos para r hisr
tória, obscura mas gloriosa, nao de principes nem de navege-
dores seus crisdos, mas dcs pilotos e dos marinheiros, dos
homens do mar proprirmentc ditos, que tiwerm quid140 nao
pequenos nos desccpbrimentcs..
Assinralr-se o terceiro quartel do século XV como o do,
tempo da sua construcáo, e já a el* se refere o autor das Sauda-
des da Terra, escritas no penulfimo decéaio do mesmo século.
Conserva oi feicao arquitectónica que predominava em muitwi
edificocoes da época, e nela se encontrrm várias telas de algum
valor ~rtistico,segundo se tem afirmado, Asr d c c o ~ 6 a intc-
s
riores com o seu grande numero de quadros a oleo, relativo a
capocídade da pcqueno templo e para a época em cperti forrm
colocados, drtrm do primeiro c segundo quartel do séculs
XVII. Leen?-se cnm interessc t aproveitamento as páginls que
n marque9 de Jacomt Carreii consragrou a esta capelb no mu
iivrci Ilha do Madetra, publicado no ano de 1927.
Cristo (Capelo de). Vid. Stnhor dos r%Wagres(Cúpdr do)
Cruz do Carvalho (Capeln da)-No Elucfddrb Madeltense
(1-299), 18-se a scguinte: ~Encnntramos,algures, referencia a uma
capela sltr na paragem da Cruz do Carvalho asslm chamada,
numa propriedrda que tinha o tiome de Quintinhr e mandada
construir em 1767 pelo capital) Joaq Francisco de Frebs Es-
meraldn, cavmleiro profcsso da Ordem da Cristo,. Náo sabemos
qual fosse a invocactso desta capela e 6 distinta da capelr de
Santana, que se ach i a peqwenm distancia e aindr existe. A Cruz
do Carvalho fica na freguesia de Stso Pedro, no ponto da in-
tersccctso das estridas que se dirigem a S. Martinho e 80 si&
do Pilar.
Divino Salvador (I~rcjndo) -Fóra da cidade do Funrhil,
12 r igreja paroquial da fregutsia de Santa Cruz, sCde dr rJh,
do concelho e da comarca do mesmo nomc, o temulo mais
vasto e de mais aparatosa arquitectura existente nesta dicpcese,
tendo como orago o Divino Salvador, que em muitos lugares
se encontra tambem com a denominacao de Sao Salvador.
No local onde se levanta esta igreja cu nas suas m i s
proximas imediaq6es1 existiu urna pequena capcla, que teve
prwavelmente a invocacao do Divino Salvador e que serviu
de &de da freguesis, quando esta se crinu pelos anos de 1430.
ou pouco deprais, hrvendo sido ampliada e melhrtrada em rp -
cr que nao podemos determinar. DA-se o ano de 1533 corno
o do comeco da constrocáo da igreja actual, cujo definitivo
acabrmcnto levou algutrs onos .
E' um templo relativamente vasto, de tres naves, dizendo-
se ilgures; que nao sao tres naves betn definidas e que as Irte-
mis nao pmtencem á edificacao prniitiva. Sabendo-se que no
ano de 1686 se procedeu nelr a riotavris trabalhos de restaura-
cHo e de acrescentamento, nao repugna acreditar que drttern
desw ano a construcao das naves Iaterais, o que sómente pc-
derá verificar-se com inteira certeza, procedendo-se ali a um
estudo rigoroso fcito por um arquitecto especialisado nessos
pssuntos. Por amandados do Conselho da Fazcndr de 26 de
Abril da 1686 foram concedidos 500.000 reis para as obras da
igreja, a outro amandado. de 7 de agosto de 1747 ordenou
que se construisse a muralha da ribeira para servir de defcsa á
m e s m igrejr.
Diz-se que foi o fidalgo Joaa de Freitas o fundador desta
igreja, lendo-se num vntigo nobiliario que por ardem de el-rei
a fizera construir, e 'teve por issn e por outros servicac pres-
hdos a mrci2 da ctpelr-mór, por provisáo de 29 de setembro
de 1533, para seu jrzigo e de seus descendentas, e rfirmando-se
tambem que cedera o terreno para essa eciificacao e superinten-
dera aa execucao ars respectivas obras, o que talvez nao cor-
responda com precisao ro pomposo título de fundador, que
m Cpcca .era extremamente apreciado.
Esta igrejr serviu de séde a uma das nove colegiadas des-
t i diocese, que era formada por vigrrio, cura, seis beneficia-
dos, sacristao e organista, tendo pido estabelecida n o tercciro
quartei do século XVI. O curato foi criado por alvará régio
de 27 de agosto de 1589.
No aArquivo Histórico da Madeiram (11-23) vem publicado
um bstrmerrto mtado do 1512, em que .so faz referencia ii
igreja nova de Sao Salvador, devcndo por isso considerar-se
como anterior ao ano de 1533 o do comeco da edificacao da
mesmr igreja
Espirlto Santo (Capelr do)-Descrevendo Gaspar Frutuoso
a explorrcao feitr pelos cdescobridoress através da ilha, para o
.
.
efeito da divisa0 das capitanias, diz: C . .Joio Gonsalves Zar-
co.. chegando a hum alto sobre Camara de Lobos, tracou
.
ali onda se fizesse huma igreja do Esplrtto Santo.. e todos
estcs altos tomou pa-a seus herdelrosa. Esta capela, que foi
mais duma vez reconstruida, ainda existe e em bom estado de
conservacio. Foi fundada pelo proprio udescobridors da Madei-
ra c serviu durante muitos anos de igreja paroquial, quandn
em 1430 se criou ri freguesia de Camarr da Lobos. Por 1720
procedeu-se á sur reedificacao, pelo estado rdiantado de ruina
em que se encontrava, e em 1908 fiztram-se tambem ali im
portantes repairos e na pcquena casa que Ihe fica anexa. A-pesar-
de talvez nao restar cousa algumai da primitiva edificacao, é no
entretanto esta capela um pequeno monumento histórico para
o concelho e freguesia de Camara de Lobos, que record8 o
nome do Cdescobridors da Madeira, que a mrndau construir, e
ainda por ter sido a séde da instalacio dr poraquia, por oca-
siso da criacao, como j& dito fica.
Esptrtto Santo (Igrejt do)-A freguesia da Calheta, criada
nos principios do segundo quartel do século XV, teve n sua
primitiva sédc nr capela de Nossa Senhora da Estrela, mas
afirma-se qua ali nao permaneceu por largos anos, proceden-
do-se entao 4 construcio duma nova igarja com maiar capa-
cidrda e em lugar mais rcomodado ás necessidrdes dos habi-
tantes dessa 6poca. Levantou-se a nao pequcna distancia
daquclr capelr e em ano que nao podemos precisar, conjectu-
randn-se que houvesse sido edificad, no Último quartel do
século XV. Passou por várias repriracots e foi quasi Inteira-
mente reconstruida pelo ano de 1639.
Foi séde duma Colegiada, instituida no segundo quartel
do século XVI,que no anfj de 1680 se compunhr de vigario
cura, quatrc, beneficiados, sacristáo e organista. O curato foi
criado pelo alvará de 27 de agosto de 1589.
Conserva esta igreji um sacrario talhado cm ébano com
primorosas incrustac6es de prata, que é considerado um valio-
so trabalho artístico e que se afirma ter sido uma oferta do
rei D. Manuel. E' tambem digno de especial apreco o tectc,
da capela-mór fabricado no mesmo estilo do da nossa Sé
Catedral, isto, é em estilo emudejar. ou mourisco, cm que
predominam figuras geometricas de linhas rectas entrelacadas.
Esp'rlto Santo (Capela do) \id. Santo Esplrlto (Capela do)
Esplrlto Santo (Capela do)-No sitio do Campo de Baixo
da ilhi do Porto Santo, eercontra-se uma capela deste orago,
que é de construc%obastante antigr e que fai inteiramente
restaurada no primciro quartcl do século XIX pelo capitao
Scbrstiao Antonio Drumond. Acha-se em bom estado de con-
servacáo e nrlr se exercitam os actos do culto.
Esplrlto Sonto (Capela dc)-No ano de 1780 Antonio Joao
de Ornelas fundou urna capela deste invocecao na freguesia
de Machico, de que nao conseguimos alcancar mais larga
noticir.
Esplrlto Santo e Santo Antdo (Igreja do)- A ribeira do
Canico, que atravesso a freguesia deste nome, servia de limite
ás capitanias do Funchal e de Machico, em que a Madeira en-
tao se dividit, formando-se logo nos principios do povoamento
dois nucleos de oopulacao nas margens dessa linhr de água,
que tomrram o nome de aCanico para a Cidadea e (~Canico
pira Machico~,que esses sitios ainda hoje conservam. Por
motivo de rivalidades existentes entre os habitantes dos dois
povordos ou ainda por outras razdes que se desconhecem,
Icvantar8m se ali durs capelas, sendo urna dedicada ao Espirito
Santo, na margem direita da ribeiri, e outra dedicada a Santo
Antao, na margem esquerda, embora se houvesse criado, por
1440, urna s6 freguesia, exercendr-se as: funcoes do culto al-
ternaidamente -cm ambas as capelas. Ignora-se qual delas tenha
sido primeiramente constriaida e se já existiam ambas por
ocasi30 da criacao da freguesia.
A' medida que aquelas rivalidades se acentuavam, ir cres-
cendo o estado de ruina das duas capelrs, impondo-se a neces-
sidide da edificacao duma igrrja mais ampla E situada em lugar
mais central, que igualmente sprovcitasse aos habitantes das
duas margens da ribairr. Foi dificil conciliar os desefos dos
dais povosdos rivais, conseguindo o paroco José Lamelino
Barreto á forca dos maiores esf,)rcos e da mais h n l z pwsis-
tencia, que por fins d(.\ terceiro qurrtel do século XVIII se
resolvesse a ccsnstrucao dum novo templo destinado ao servico
paroquiftl de tr dos os habitantes.
A bencao da pedra angular rerlizou-se no dia 2 de agosto
da 1779 e fai solcn*mentc benziaa a 28 de outubro de 1783,
tendo como mago$ o Divino Espirito Santo e o anacoreta
Santo Pntao, ern memória das invocac6es das antigas crpelas,
estando já nesta epoca a crpela do Espirito S ~ n t oreduzida a
um montao de ruinas. No frnntespício da novi igrejr, le-se a
seguinte inscricao Iapidaa: Sancto Splrftu Paraclfto atquc dlvo
Antonio abbntl sactum Marfn 1.' iusltan. reglna fidellss. equrs-
tris. D. N . J . C . ordtnls gubernat aediflcavlt: insulano tribu-
nal¿ regla curantc. Anno 313 ID';' LXXX rrgnl autem 111.
Há psucos anos prssou esta igreja por grandes mclhora-
mentos, havendo sido inteitamente reconstruida a frontarla e
acrescentado o campanario, cm que foi colocado um excelente
relogio, além das belas decoracoes interiores com que foi rfor-
moseadi.
O a17*ardregio de 20 de O o t u b r ~de 1605 criou nm cura-
to na freguesir do Canico.
jesus Marla José (Capela de)-No ano de 1626 fundou o
conego Manuel Afonso uma caipeli dedicada a Jesus Maria Jo
sé, na área da freguesia da Sé, mas em local que nao podemos
determinar com precisa0 .
jesus Marla Josd (Capeh de). Ficava situada ni freguesia
de Santa Luzia, mas tinha pertencido á prroquial do Monte
antes da crizcao daqucla freguesia, sendo seu fundador Mateus
da Gama Fcrñeira no ano de 1669.
Jesus Marla Josk (Csptlr de)-No sitio deste nome da fre-
guesia de Camara de Lobos, fundaram Sebastiao Goncalves
Cordeiro e sus mulher Luzia de Ornclas urna crpcla daquela
invocacao no ano de 1694.
Jesus Morla J g s C (Capela de)
- Jde Andrade Bercnguer
~ s )

Neto e sua mulher Tomrzia de Franca Andrade mandmnm


edificar no sitio do Lombo do Doutor, na freguesia da Cilhttr,
urna capda dedicada a Jesus Maria JosC no ano de 1708.
Lourenclnha (Capela na)-O dr. A. Rodrigues de Azevedo,
nas suas motacoes á obror de Gasprr Frutuciro, friz mencao da
existencia duma capela no sitio da Lourencinha, d a freguesia
de Camtra de Lobos, sem quaisqucr indicacoes Acerca do seu
orago, ano de construcao e fundadores.
Medalho Milagrosa (Capela di)-Especialmente para uso
do Orfanato adjunto aa H~spicioda Princesa D. Maria Ame-
lia e tambcm do publico, construiu se ali ha pouccts anos uma
vasta capela, servida pelos capelaes daquele estabelecimento
hospitalar. e que C muito frequentada.
Menino lesus (Capela do) Com esta invoctctio encontra-se
uma pequena capelr no sitio da Quinta dos Reiq da freguesia
do Monte, desconhecendo-se outros pcrmenores que Ihe digrm
respeito.
Nossa Senhora da Ajuda (Capela de) -E' urna capela bas-
tante antiga, que se levanta no sitio deste nome, na freguesia
de S& Martinho, e que foi fundada por Fernao Faviln, fidalgo
dr casa rial, nos móados da século XVI, afirmando, porém,
alguns linhagistas que teve por fundador a Antonio Favila,
falecido cm 1545 e filho daquele Fernara Favila. Já existir em
1569, ano cm que os jesuitas vierani estabelccer-re na Madeira
e que se instalaram provisorirmente nas casas adjuntas á mes-
rna capela e nela excrciam os actos do culto, por generosa
oferta do referido Fernao Favila.
Em 1916 publicou o proprietario destn capela Manuel J ~ s é
Perestrclo Favila Vieira um opúrculo intitulado *A interdrcao
da Capela de N. S. da Ajuda na freguesir de Sao Mnrtinho.
que sa ocupa do interdito Irrncado nr referida capela pela auto-
ridade eclesiastica, pelo frcto de ter sido indevidrimente recu-
sada uma visita a essa capela. por ocasiao da visitacao cano-
nica que a mesma au,oridade fizera í3 freguesia de S. Martinho
no ano de 1916. Alguns meses depois fna levantado o intcrdito
e a capela restiiruida ao exercicio do-culto.
Nosslz Senhora da Ajuda (Igrej i (fe)-A frcguesin da Serra
de Agua foi desmembrada da da Ribeira Brava cm 1676, quan-
do já se ia formando um nucleo de populacao de relativa im-
portancia, existindo ali uma pequena e modesta capela, cujos
orago, ano de construciXo e local nos sao desconhecidos e nela
se instalou a séde da nova paroquia. Um amandados do Con-
selho da F~zendade 4 de Maio de 1689 ordenou que se orcas-
sem e pusessem em hasta publica as obras da igrejt a construir
e outro de 2 de Maio de 1698 determinou que se ulttmasscm
as mesmas obras, sendo por essa época que se realisou a edifi-
cacao da igreja actual, que tem Nossr Senhora da Ajudri como
orago. Varios melhoramentos e trabalhos de restruracáo nela se
tetm realisado no decornr do tempo.
N. S. da Alegrla (Capela de)-No freguesia de Sáo Roque
do Funchal, no sitio conhecido por este nome, fica a capela
daquela invocacao, que era pertenca da casa dos condes de
Torre Brla e que foi fundada por Francisco de Abreu no ano
de 1609. Foi restaurada pela viscondessa de Torre Bela e ben.
zida a 8 de Setembro de 1887.
N . S . do Amparo (Capela de)-Francisco Dias Franco e
sua mulher D. Izrbel Maria de Menezes fundaram urna capcla
dedicada a N. S. do Amparo, no ano de 1692, que se levanta
no sitio da Ribeira Seca da treguesia de Machico e que era
pertenca do morgidio Figueiroa de Ultra.
N. S . do Amparo (Capela de) -No livro aParoquia de
Santo António*, da nossa rutoria, encontra-se urna desanvolvi-
da noticia ácerca desta capela, que foi fundada no ano de 1698
por D. Bartolomeu de Sá Machado, na séde do morgadio de
que era administrador, no sitio dos Alarnos da freguesia de
Santo Antonio, e na qual sa celebram rinda os actos do culto.
N . S . do Amparo (Cipela de)-No sitio desta iiome da
freguesia de Sao Martinho existe urna capelr com essa invoca-
cae, que foi mandada edificar por D. Luísa de Mendonca no
ano de 1712 e que pertencia á antiga casa Sauvayre.
N . S. do Amparo (Capela de)-Encontra-se uma capelr
desta invocac3lo na freguesia da Pontr do Pargo no sitio que
conserva aquele nome, ignorando-se o nomc do seu funda-
dor e o ano em que foi construida. A' sur festa patronal con-
corre umx grande afluencia de pessJas das freguesias circunvi-
zinhrs.
N. 5 . das Angustias (Cspela de)-No antigo sitio das
Angustias, ocupado hoje precisamente pela rua la Imperatriz
D. Amelia, e nr quinta que tem aquele nome, mais comumente
conhecida por Quinta Lambert, edificou Diogo da Costa Quen-
tal, cm terras de seu morgadio, uma crpela dedicada a Nossa
Senhora das Angustias, no ano de 1662, sendo icapela actual
uma reconstrucao da antiga, realizada cm ano que nao pode-
mos precisar. Na casa anexa faleceu no dia 4 de Fevcreiro de
1853 a Princesa Dona Maria Amelia, filha de D. Pedro IV c da
imperatriz D. Amelia, tendo a, impranentissimo funeral saido
dessa capela, a caminho do cais do Pontinha, no dia 6 da Maio
do ano referido de 1853.
N. S. dos Anjos (Capela de)-E' de construcio bastante
antiga, tendtv primitivametite pertencido á freguesia da Ponta
do Sol e hoje está encorporads na dos Canhas. O dr. Alvaro
Rodrigues de Azevedo (Saud-522)dá esta crpela como funda-
da em 1508 por Martim Afonso e sur mulher Isabel Afonso,
que ali instituiram um morgadio a favor de stu filho Diogo
Martins da Cunhr chamado o Cavaleiro. Diz, porém, o anota-
dor da Historia lnsulana que ela foi mandada construir em
-
1474 pela infanta D. Beatriz, como tutora de seu filho, o grfr
umcstre da Ordem de Cristo, a que este arquipélago pertencia
no espiritual. A imsgem que ali sa venera era de grande dc-
vocao dos fieis, consrógrando-lhe Fr. Agostinho de Santa Maria
um capítulo no vol. x do beu .Sntuario Matiano.i
N. S . da Anuncla~do(Capela de)-Sob esta invocacao ou
tambem de N. S. da Incarriacao, existiu nma capela na fregue-
sir dos Canhas no sitia Lombo dos Canhas, onda chamam o
Jogo da Bola, fundada i.ru reedificada por Joao Rodrigues da
Camara no ano de 1696.
N. S. da Aprcsenta~do(Capela de)-O sitio do Lombo da
Apresentacao, da freguesia da Ribeira Brava, tsmou esse noma
da capela de Nossa Senhora da Apresantocio, que ali existiu e
que foi fundada no ano de 1524 por Joio Mendes de Brito e
sua mulher D. Isabel Fernandcs Tavares, cm tcrras de seu
morgadio. Erguia-se junto duma grande casa de habitacao, que
era uma das mals vastas e aparatosas residencias de campo da
Madeira. Essa instituicao vincular encorporou-se na casa d ~ s
Hcredias, de que o viscondc da Ribeira Brava foi o ultimo
representante.
N. S. da Assungdo-E' o orago da Sé Catedral do Fun-
chal. Rematemos o leitor para os artigos qua atrás deixámos
publicados ácerca desse majestoso templo.
N. S. de Belem (Capela de)-Gaspar de Vascencelos Hcn-
riqucs e su8 mulher D. Bernardina de Carvalho fizeram cons-
truir uma capela desta invocacao, no ano de 1649, no sitio
desse nome, na freguesia de Carnara de Lobos. Já se achava
em ruinas em 1758 e foi nesse ano reedificada por Francisco
Inacio Telo de Menezes, descendente dos instituidores. Foi de-
molida ha poucos anos.
Com este mesmo orago fundou-se umi capela na fregue-
sir da Porto da Cruz, que posteriormente tomou a invocacao
de Nosssi Senhora do Socorro (V. este nome).
N. S. da Boa Hora (Capela de)-E' pertenca da casa Torre
Belr e fica no sitio da Torre da freguesia de Camrrr de Lo-
bos, tendo sido edificada pelo morgido Antonio Correia Be-
tencourt Berenguer, em ano que ignoramos.
N. S. da Boa Hora (Capela de)-Na freguesia do Arco
da Calheta, no sitio da Faja. existiu uma capela desta invoca-
cIlio, desconhecendo-se os nomes dos seus fundadores e a época
da su8 constru~ao.
N. S. da Boa H o r ~(Capela de)-*por cima desta cidadsr,
diz-se algures, e onda chrmam a Terra Chi, na freguesia de
Silo Pedro, levantava-se uma capela da mesma invocacao mrn-
dada construir em 1726 pelo capitao Antonio de Carvalho
Drumond e sua mulher D. Inacia Miciela Henriques, sendo de
2 de Juriho daquele ano a data da licer~caconcedida para ser
benzida. Nao conseguimos saber o local em que f6ra edifi-
cada.
N. S. da Boa Morte (Capelr de)-Existe em adiantado es-
Io~n~
EsCAPELAS 307

tado de ruina urna capela destr invocact;~,no sitio do Ribeiro


Real da freguesia de Camara de Lobos, ignorando-se o nome
do seu instituidor e o ano da sua construcao.
N . S. da Boa Morte (Cnpcla de)-Francirco Fernandes e
Brazia Fernandes fizeram edificar uma crpela dedicada a Nossl;
Senhora da Boa Morte, no sitio do Monte Gordo e Boa Morte
da freguesia da Ribcira Brava, nao se srbendo c tempo em
que foi construida.
N. S. da Boa Morte (Capela de)-No lugar que rinda con-
serva o noma de Boa Morte, no sitio do Lombo do Atouguiíi
da freguesia da Calhcta, fundou Francisco Homem do Couto
no ano dc 1661 urna capelr com a invocacao de Nossa Senho-
rr da Baa Morte, que trmbem foi conhecida pelo nome de
Nossa Senhora da Piedade e que ha muito nao existe.
N. S. da Boa Morte (Capela de)-No ano de 1666, Custo-
dio Nunes do Costa fez edificar uma capela com o orryo de
Nossa Senhora da Boa Morte no afastrdo sitio do Cabo, na
freguesia da Ponta do Pargo.
N. S. da Boa Nova (Capela de)-No sitio do Farrobo do
freguesia de Sao Gonqalo, que tomou o nome de Boa Nova,
fnndou Eusebio da Silva Barros, no ano de 1701, uma capela
daquelr invocrcao, que 6 hoje propriedade do dr. Rui Betcn-
court da Camara.
N. S. da Boa Vlagern (Capela de)-Com este orago exis-
tiu na fregaesia de Santa Maria Maior urna capela de edificr-
cae bastante antigr, fundada por Bento da Veigr, em ano que
nao podemos precisar. Algures se 16 que era um edificio de
interesante a carrcteristica construq80, bem como urna casa de
habitaqao, que Ihe ficrvi anexa.
N , S . da Boa Vlagem (Capelr de)-Manuel Pcstana Tei-
xeirr e sua mulher Francisca Xavier da Concciq%o fundrram
uma capela de N ~ s s aSenhora d i Boa Viagem, no ano de 1711,
no sitio da Carne Azeda da freguesia de S anta Lusia e que já
nao existe ha muito.
N. S, do Bom Despacho (Capela de)-No sitio da Vigia,
da freguesia do Campanario, em lugar que passou a chamar-se
do Bom Despacho, instituiram Jerrrnimo de Atouguia Beten-
court e sua mulher D. Catarina Eepranger, no ano de 1672 e
em terras de seu tnorgadio, uma capeli consagrada a Nossa
Senhora do Bom Despacho, que no ano de 1762 foi recons-
truida pelo padre Francisco Nicolau de Brito, irmao do entao
proprietario da mesma capela.
N. S. do Bom Sucesso (Capela de).....Nos limites das fre-
guesias de Camara de Lobos e do Estreito de Camara de Lo-
bos, para os lados da oeste, no sitio chamadn Garachico,
encontra-se a capela de Nossa Senhora do Bam Sucesso, que
C considerada como pertencendo áI ultima destas paróquias .
Dava-se a singularidade de ter esta cmpela o seu altar levantado
dentro dos limites duma drquelss freguesias e a porta abrir-se
sobre terrenos da outra paroquia limítrofe. Parece que em
tempos mais afastados de n6s se suscitaram ddvidas ácerca da
freguesia a que deveria pertencer a capela, tendo-se até dado
conflitos de jurisdicao entra OS respectivos párocos. Foi cons-
truida nos principios do século XVII por Manuel Joao Ferreira
e especialmente destinada a nela celebrar missa seu filho o pa-
dre Francisco Luís Ferreira. Foi ha anos acrcscentada pelos
moradores do logar.
No mes de Mrio de 1927, deu-se uma sangrenta tragédia
proximo desta capela, em que (I padre André dos Passos, ao
ter acabado de celebrar e ao sair da mesmr crpela, foi assassi-
nado por um demente que morrva naquelas imtdiacoes, tendo
esta triste e Iamentavel ocorr anciai emocionado profundamente
os habitantes das duas frcguesias.
N. S. do Bom Sucesso (Capela de)-No sitio do Lombo do
Estreito, da freguesia da Calhetr, encontra-se urna capela desta
invocncao, que foi fundada por Luír da Costa ~Jardim,no ano
de 1683.
N. S. do Bom Sucesso (Capcla de)-Na freguesia de Santa
Maria Maior, á margem da estrada conhecidr pelo nnme de
Caminho do Meío, se encontra urna pequena copela dedicada
a Nossa Senhora do Bom Sucesso, cujo instituidor e ano de
construcao se ignoram. E' pertenca da Camara Municipal, bem
como a casa contigua, em que se acha instalada uma cscola
oficial.
N . S. das Brotas (Capela de)-Por esta cstranha designa-
clo, era conhecida uma capeia existente no sitio da Quinta das
Freiras, da freguesia de Santo Antonio, onde chamam as Bro-
tas, de que apenas resta um montan de ruinas e que f6ra fun-
dada no ano de 1678 por Manuel Mrrtins Brandtío em terras
vinculadas que ali possuir. A capcla, a-pesar-de ser mais co-
nhecida pelo nome de Brotas, tinha sido dedicada a Nossa
da Luz, coja imagem fai em outro tempo objecto de grande
veneracao, achando-se hoje nn pequen8 ermidri do cemiterio
paroquirl drquela freguesia. No livro aFreguesia de Santo An-
tonio da Ilhr da Madeiram, encontra-se uma desenvolvida no-
ticia ácerca da copela das Brotas.
h. S. da Csdelra (Capelr de)-Em terreno, que antiga-
mente pertenceu á frcguesiai de Camara de Lobos e hoje se
acha encorporado no da Quinta Grande, existiu uma modesta
capela que teve a invocacao de Nossa Senhora da Cadeira,
dando o nome a um pequeno sitio, que ainda conserva o no-
me de Cadeira ou Cadeirinha. Desconhcccm se quaisquer ou-
tras circunstancias que Ihe digam respeito .
N. S. do Calhau (Igreja de)-Di-se o infante D. Henrique
como fundador, no ano de 1438, da crpela da Nrtividadc de
Nossa Senhora, que se transformciu e ftri tomando os nomes
de igreja da Conceicao de Baixo, de Santa Maria M a i ~ r e fi-
nalmente de Nossa Senharr do Calhau, sendo este o que per-
durou e conservou até ser destruida pela terrivel aluviao de 9
de Outubro de 1803. Destn forma se distinguir da capela da
Conceicao da Cima ou de Santa Maria, fundada por Zargo,
no Iocrl em que hoje se levanta a igreja do convento de Santa
Clara.
Ficava situada na margem esquerda da ribeira de Joao
Oomes e nao muito distanciada da sua foz, entre as embaca-
duras das ruas de Santa Mvlria e Nova de Santa Marie (Latino
Coelho) provindo-lhe o nome de Calhau da circunstancia de
se encontrar nlis proximidades duma praiie, formada por gros-
sos calhaus e banhada pelo mar.
A sur construcao comccou, quando já entao se havia cons-
tituido nas suas imeditc6es um importante nucleo de habitan-
tes, te:ido sido em boa parte dcs,ruida pela inundacao de 1611,
e reedificirda em iugrar mleis abrigado, no periodo:decorrido de
1664 a 1688. Fai de novn narcialmcnte destruida com as gran-
des tempestades do ano 1707 e tambem novrmente recons-
truida, mas tqtes de ter deccrridc um século veiu a terrivel
sluvial~¿,de 1803, que a reduziu a um grrnde monta0 de es-
combros.
A provisao de 10 de Marco de 1805 determinou que estas
ruinas fassem cuidadosamente conservadas, como lembranca
da maaor calsimidade que asscirloara esta ilhc e que tirara a vida
a cerca de trezentos dos seus hrbitantes, mas assim nao suce-
d e ~ porque,
, rio ano de 1835. mandou a Carnliru do Funchal
demoiir a pgrte que restava da velha c historica igreja e fez
ali edificar um nirrcndu de frutas e h :rtalicas, que tevc o no-
mc de Mercado Unido.
Ccm s desmoronamento da igreja de Nossa Senhora do
Calhau, passou a paroquia a ter a sua séde na igreja de S.
Tiego, que era pe rtenca da Camarri do Funchal e que este
corpo sdministrati vo cedero para rquele fim, como mais larga-
mente se verá no artigo que dedicaremos a essa igreja, geral-
mente conhecida pelo nome de Igreja do Socorro.
A primeira pwroquia, com vida religiosa propria que se
criuu na Madeirr, foi a de Santo. Maria Maior, pelos anos de
1430, corn sede n;a capela de Conceicao de Boixo ou de Nossi
Senhora da Calheu, que no ano de 1508 se transferiu para a
eigreja grande,, erecta pczuco depcib em Sé Catedral. O alva-
rá régio de 18 de Novernbrcs de 1557 dividiu a Catedral do
Funchrl em duas freguesias indeuendcntes, com suas sCdes na
igreja dc Sé Catedral e na igreja de Nossa Senhora do Calhau,
ficandr: assim restaursda a plsaaquia de Santa María Maior.
A :ximeira colegigda ctiada nestr diccese estabcleceu-se
ncst;s igreja ncqs prrncipios do seculo XVI, sendo o seu cabido
formado por dez serventuarios, que alem do vigario e cura,
tinha seis beneficiados, urn organista e um sacristao.
N. S. da Candeldrla (Capela de)-Com esta invocacio e
ncl sitio que tem esue nnmei encrwtrr-se urna capela na fregua.
sia da Tabur~,que é de construcao bastante antiga, atribuindo-
se o sus frindacao RUS primitivos colonizadores Medeiros, que
tircram terras de scsmaria nnquelaa imediac6es. Foi reconrtrui-
da em ano que ignoramos. Ere centro duma antiga romagem.
N. S. do Carrno (Copela de)-Na fregucsia delsanta Maria
Maior e em local que hoje se ignora, existiuturna ermida desta
invocacao, cujos fundadores e epoca da sur construcao nos sao
tambem desconhecidos.
N. S. do Carmo (Capela de)-No sitio deste nome, na
freguesia do Campan&rio,fez Domingas Rodrigues edificar, no
ano de 1658, uma capela consagrada a Noesa Senhora do Car-
mo, que era de instituicao vincular.
N. S. do Carmo (Capels de)-Fica situada nra freguesia da
Sé e na rua a que dcu o nome, e é uma das capelas mais am-
plas que existem entre nós. A sur construcao e das cosas
anexas teve especialmente em vista a admissao dos religiosos
carmelitas, que nao tiveram vida praspera nem larga perma-
nencia ncstr dioccse.
O terreno para essas construcoeu; foi doado pelo capitao
Roque Acirioli de Vasconcelos, tendo a Ordem Terceira do
Carmo custeado as despezas com rr edificacao do corpo do
templo e havendo Pedro Goncalves Brandllu mandado fsnzer á
sur custa r capela-mór, de que foi padroeircg. Aa respectivas
obras decnrreram no periodo de 1656 a 1660, sendo
a crpela benzida solenemente no ultimo desses anos. O p bdre
Luís do Rosario de Vila Novi foi matidwdo á Madeir~ pelo
respectivo provincial fundar a ordem Terceira do Llmrmo, que
primeiramente se cstabeleceu na igreja do cotivcnto de N. S.
da Incarnacao e depois vissou,a ter a sun séde na nova ca-
pela do Carmo.
Sabemos que nrs casas adjuntas formaram os religiosos
carmelitas uma pequena comunidnde, de que nao ternos qaial-
quer outra noticia. Algures se diz que .a igreja do Carmo
teve anexo um pequeno hospicio ou albergarir fundado por
.
Henrique de Noranhrw Ignoramos a correlaqtio existente en-
tre este hospicio e aquela comunidade.
Nas paredes Iiterais da capelsi-mór deste templo, encon-
tram-se dois belos mausoleus, os unicos de algum valor artis-
tico que existem nas igrejas desta diocesc.
N. S . da Concelgdo (Igreja de)-E', um dos templos mais
antigos desta diocese a igreja paroquial da freguesir, vila e
capitania de Machico, cmbora nos seus cinco séculos de cxis-
tencia tenha sofrido profundas modificacoes, pouco restando
da edificacao primitiva. Comecou por uma pcquena capela,
que provavelmente se deve ao primeiro donatário Tristao Vaz,
sendo muito acrescentada e malhorada pelo infante D Fernan-
do, grao-mestre da Ordcm de Cristo, no periodo decorrido de
1460 a 1470.
Conjectura-se que a construcao da igreja actual tivesse
principiada nos fins do primeiro quartel do seculo XVI, afir-
mando-se que as otnbreiras ou colunas de marmore brinco da
bela porta lateral foram oferecidas pela rei D. Manuel, que
faleceu no ano de 1521. Atravds do tempo tem pissrdo por
notPveis reparacoes, especialmente nos anos de 1683, 1698 e
1713, sendo muito importrlntes as do ano de 1698 com a re-
construcao da capela-mór. Por ameaqar irnincnte ruina, foi
demolido o campanário no ano de 1844 e reedificado no ano
de 1853. No ano de 1932 recebeu este templo uma importante
e larga restruracao.
Os arcos e as obóbodas da capela do Santissimo Sacra-
mento e de S. JosC, diz-se algures, teem a forma ogival, sendo
de notavel belezn e perfeicao o tecto da primeira destas cape-
las. 0 s arcos da capela-mór e duma capela do lado do evan-
gelho sao manuellnas. Sobranceiro ao altar da capcla do San-
tissimo Sacramento encontra~se, pintado sobre tabues, um
quadro representatido a adoracao dos Reis Mlgos, que 6 uma
maravilhosa obra de arte, digna de figurar num dos mais nota-
veis museus e que tem sido objecto da maisr admiracao e
apreco, por parte de alguns dos mais distintos cultores das
belas artes.
Esta capela do Santiasirno Sacramento foi fundada por D.
Branca Teixeira, filha do primeiro capitao-donatario de Machi-
col que no seu testamento faz referencia á sua capelo dos Rels
Magos, á qual legou avultados bens pira a celebraqan duma
missa quotidiana. A capela de Sao Joao tcve Tristao Vaz por
fundador e era destinada a servir de jazigo aos capitaes dona-
.
tários
A tradiqao tambem atribue ao rei D. Manuel i oferta do
orgao, que rinda hoje se encontra na igreja, mandado restaurar
cm 1857 pelo governador civil brigadeiro Antonio CSromicho
Couceiro, e ali se leem estas palavras: aMagnificencia do Snr.
IOREJAS
E CAPELAS 313

Rei Dom Manuel. A pedido da Camara Municipal mandado


reparar pelo Ex.m0General Antonio Rogerio Gromicho Cou-
ceiro, governador civil a militar da Madeira. 1857.. (Vid.
El. Mad. 11-87).
N. S. da Concel~do(Capela de)-Na margem esquerda e
proximo do foz da ribeira da Scrra ae Agua, que s e p m a
paroquia da Callletr da do Arco da Calhcta, fica na ultima
destas freguesias o sitio da Serra de Agua, onde existiu uma
capela dedicada a Nossa Senhora da Conceicao, fundada por
Goncalo Fernandes, que multss linhagistas afirmam ser filho
de D. Afonso v e da Excelente Senhora, tando-se bordado
urna interessante lenda em torno do seu nome, como mais Iar-
gamente se pode ver no Eluc. Mad 1-392 e 521 e 11.213 e ain-
da am varios antigos niobiiiarios. Nao se conhece o tempo
preciso da sua cd~fica~au, mas deve datar de época anterior ao
ano de 1539, em que nelr fol sepsilftdo o seu instituidor. Elc
fez sli a séde dum morgudio, que mais tarde se cncorporou
na casa c, inculadi dos Freitas da Midnlena do Mar o de que
foi ultimo repeesent~nteNuno de Froitas Lomelino. Nos cs-
combros desto capela encontrou-se ha poucos anos a Iápide
tumulrr de 011 Eaes, um dos arquitectos da Sé do Funchrl,
que hoje se ocha depositada no Museu Municipal desta cidrde.
(Vide o apú~culo.A Sé Catedral do Funchalw, a pag. 31 e SS.)
N. S. da Concel~io(Igreja &)-O lugar do Porto Moniz,
elevado á categorili de paróquia independerite pelos anos de
1572, tinhi muito anteriormente o esta época uma capela dedi-
c a d ~a Nosssv Sznhor -, da Cunceicao, com seu capelao privati-
vo, atribuindo-se a sud fundacao ao rrntigo sesmeiro Francisco
Moniz, que deu o nome n i sitio e que aPi faleceu pouco de-
pois do ano de 1530.
Possou essr capela por alguns meihoramcntos, tcndo sido
demolida, depois que foi edificada o nova igreja em sitio dife-
rente daqucla. Diz-se algurcs e consta da tradicao local que
esta mudoinca obedeceu aio pensamento de por o templo mais
ao abrigo dos rssaltos dos coruarios, que por vezes infestavam
aquelas paragetis. Comecou a novr construcaa em 1660, mas
sómente no a110 de 1668 é quc foi dada por inteiramente con-
cluida. E' de simples arqu~tectura e despida de quaisquer
obras de arte, notando-se, porém, que r capela do Santissimo
Sacramento, de construcao posterior, é de bom gosto artistico
e contrasta com 8s outras ornamentacaes do templo. Deve-se
esta capelr ao capitao Manuel Rodrigues Ferrcira Ferro, que
fsleceu em 1717 c ncla foi sepultado, na quaiiüade de seu
fundador.
Haverá pouco mais duma dezena de anos que a igreja
paroquial foi acrescentada e bastante melhorada, tendo rinda
recentemente sofrido algumas reparacoes.

N. S. da Concefgdo(Capela de) -Da capela desta invoca-


~ a existen
o e ns vila de Camara de Lobos nao se conhcca o
tcmpa da sus fundacao, mas é bastante aiitiga e tem passado
por diversos melhor~rmentos e reparacoes, pouco restando
actualmente da fábrica primitiva. Desde séculos que nela re
deseraperaha G exercicio do culto mrntido pela clrsse piscitória
daquelo povaacact, sendo em outro tempo sCde dum monte-pio
cu sociedrde de socorros mutuos dos whomens do marr, que
sncorria os associados na docnca ou invalidez.
N. S. da Conccl~do(Capela)-No sitio da Faja dos Padres,
antiga pertencu do patrimonio dos jesuitas, no litoral da fre-
guesia do Cam,mnorio, fizeram rqueles religiosos edificar uma
pcquena errnidrz e casa de residencia anexa, cuja construci[o é
posterior uo ano de 1570, em que a Companhia de Jcsus se
estabeleceu na Madeira, e anterior ao ano de 1626, em que os
mouros desvastaram o referido sitio e inutilizaram a respectiva
capela, que pouco di:pois foi restaurada e restituida ao exerci-
cio do culto. Ficou abandnnada com a expulsao dos jesuitas no
ano de 1760 e entrsu logo em ruina, tendo desaparecido ha
muitas dezenar de anos.
N. S. da Concelgúo ICapela de)-Em ano e sitio que igno-
ramas, instituiu Tristaa de Franca Betencourt, na freguesia do
Monte, urna capela co:isagrada a Nossa Senhoro da Conceicao,
N . S. do Concelgao (Lajela de)-No Bcco dos Aranhas,,
da frcguesia de Sao Pedro, Rui Dias de Ornelas e sua mulhar
D, Leonor de Orneilis de Andrade mmdaram construir em.
1662 urna capela d e ~ t ainvocacao, tendo r data de 11 de Dsc
zembro desse ano a escritura da respectiva dota@o.
N. S. da Conce~pio(Capela de)-No ano de 1673, fundou
AndrC de Franca Andrnde, em terras de scu morgadio. na fre-
guesir do Estrcito da Calheta, urna crpela do orrgo de Nossa
Senhora da Concaiflo, quo rinda existe no sitio deste nome,
tendo sido o prirneiro conde da Calcada (1812-1906) n Último
representante drquela casa vinculada.
N. S. do Concel~do(Capela)-No pequeno Ilheu, ligzda 4
terra depctis da construcao do mcblhe da Pontinha, edificou-se
urna fortaleza e neta se levantou urna modesta ermida no ano
de 1682, que teve capelao privativo, nomeado pela alvard re-
gio de 31 de Julhs de 1692.
N . S. @a Conccl~do(Capelr de)-No ano de 1700, no li.
toral da fregucsia da Tabria, fez Diogo Afonsn de Aguidr edi
ficrr utm capela da invocr@o de Nossr Senhora da Concei-
cae, que JosC da Silva Novitr mandou reconstruir cm 1910
sendo btnzidr pelo prehdo D. Manuel Agostinho Bsrreto a
31 de Julho desse ano.
N. S. do Conccl~do(Capela de)-O conego Antonio Lo-
pcs da Andrrdc, na propriedade que possuia na freguesh de
SBo Roque do Funchal, mrndou edificar no ano de 1700 urna
capcla consagrada a Nossa Senhora da Conceicao, cujr cscri-
turi de dotacao 6 de 8 de Julho do referido ano.
N. S. da Conceicdo (Capela de)-Com esta invocacac. e rio
sitio deste nomc, existe urna capela na freguesia da Ribeira
Bnva, consagrada ao cx~rciciodo culto, ignorando-se quaisquer
outrrs circunstrncias que Ihe digam respeito .
N . S . da Concei~do(Capela de)-Algures se diz que no
sitio da Torre, da freguesir de Gauln, cxistiu urna ermida dedi-
cada a Nossa Senhora da Conceigan, de que nao conseguimos
rlcansrr outra noticia.
N . S. da Concclp30-No sitio da Cslcada de Sao Gik c
junto do resideticir solirenga dos antigos morgados Barr~tns,
na frcguesia de Santa Cruz, encontra-se umra capela da invcxx-
cae de Nossa Senhora da Conceiciio, que foi instituida no ano
de 1700 por Bartolomeu Telo Moniz de Menezes, da que 6
proprietario o dr. Remigio de Espinola Barreto, actual repre-
sentante daquela casa vinculada.
N. S. da Conce&ao (Capela de)-Nr freguesia de Ponta
Delgada, fundou-se urna cspela cum o orago de Nossrr Senho-
ra da Conceicao, cujo instituidar e ano de construcilo se igno-
ram, sabendo-se, no entretanto, que fai reedificada em 1754
por Nuno de Freitas da Silva. H4 muito que nao existe.
N. S. da Comigüo (Capela de)-Na rua da Carreirr, da
freguesia de S. Pedro. encontra-se uma crpela destr invocacao
fundada no ano de 1770 pelo capitao Luís Betencourt de Al-
buquerque e Freitrs junto da casa de sur residencia, tendo sido
benzida a 7 de Dezembro do referido ano.
N. S. da Conceigüo (Capela de)-NIJ largo das Babosas,
hoje da Conceicilo, da freguesia do Monte, Icvantou-se uma
capela drquela invocacao, no ano de 1906, que ficou tendo o
nome de Capela-Monumento .
Em outro lugar, deixCmrss exarodas as seguintes palavrrs
acerca da sur fundrcao: cFoi fundada com o fim cfe comemo-
rar as festas jubilrres que se celebrarrm na Mtdeira prra sole-
nizar o quinqurgessimri aniversario da definicao do dogma da
Imaculada Conceicao. A parte principal destes festejos consis-
tiu num imponente e brilhante cortejo religioso, que, saindo
da Sé Catedra1 se dirigiu ao Iargo da Fonte, da freguesia do
Monte, onde se celebrou urna missa campal, tendo por essa
ocasiao o prelado D. Manuel Agostinho Barrcto proferido um
dos seus mais vibrantes e entusiasticos discursos. Nrsceu entao
a ideia da edificacao da Capelo-Monumento, que se realizou
dois anos depois, havendo o bispo diocesano nomeado pre-
viamente a comissao encarregada de angariar os indispensaveis
donativos e de dirigir a respectiva construcao. O comendador
Joia Bernardino Gomes, vice-presidente da cgtrissao, ofereceu
o terreno para a edificacao do gracioso templo e a imagem da
Virgem que figura no seu altar, tendo havido autras generosas
ofertas para o ornato e decorrcao da capela. Cumpre prestar
homenagem 4 justicr, consignando aqui que fui o comendador
Luís de Bettencourt Miranda, secretario da Camarr Municipal
do Funchrl, quem mais notavclmente concorreu prra a constru-
@o da Capela-Monumento. Aos seus diligentes e perseverantes
esforcos se deve nao sómente a conclusao de todos os traba-
Ihos, mas rinda o aformoscamento do local, que se tornou um
sitio em extremo pitoresco e ponto obrigodo de visita para
todos os que se dirigem á encantadora e paradisirca estancia
do Monte. O opusculo Nossa Senhora do Monte, do padre
Joaquirn Placido Pereira, insere uma desenvolvida nciticia acer-
ca das fcstas jubilares e fundacao desta capelr.
N. S. da Conceigúo (Capelr de)-No sitio das Amoreiras
da frcguesia do Arco da Cilheta, fundou o vigário José Mar-
celino de Freitis, no ano de 1911, urna capela dedicada a Nos-
sa Senhora da Conceicao, auxiliado com os donativos dos ficis
da mesma paroquia. Como abaixo se ver& exístiu nesse sitio
urna ermida da invocacao de Nossa Serihora da Consolacao.
N, S. da Conceigáo (Capelr de)-Na quinta do Pomar e
sitio da Choupsna, freguesia de Santa Maria Maior, instituiu o
2.O viscsnde de Cacongo, no ano de 1930, urna capela
consagrada a Nossi Scnhora da Conceicilo, que foi benzida r
12 de Outubro do mesmo ano,
N. S. da Conceigúo (Capela)-Na quinta deste nomc e sitio
da Igreja da fregucsio do Monta, fez o capitao José Sctero e
Silva edificar há poucos anos umi cipela dessa invocacao, que
ficou por concluir, tendo ultimado ra sua construcao nr. ano de
1937 o actual proprietário Jnao JosC de Freitrs Belmonte, que
a aformoseou convenientemente parr o exercicio do culto,
N. S. da Consolagüo-No sitio da Quinta ou da Consola-
cao, da freguesia do Canico, encontrr-se uma ctpela dcste ora-
go, que C das mais antigas dcsta diocese e que se d i como
fundada pelo ano de 1591, por Aires de Ornelas de Vaseonce-
los, em terras do seu morgadio, de que foi ultimo representante
.
a conselheiro Aires de Ornelas de Vasconcelos Foi rcconsbrui-
da e tem recebido várirs rrparacoes através do tempo (Vid.
El. Mad. 11-213).
N. S. da Consolagáo (Cauela de)-I), Isabel de Abrcu,
conhecida protugonista dum cclebrc episódio de que nos falrm
as antigas crónicas madeirenses, (Saud. 197) fundou uma cape-
la dedicada a Nossu Senhora da Consolac%o na freguesia do
Arco da Crlheta, na primeira metade do século XVI, no sitio
que hoje chamam as Amoreirrs e onde ha poucos anos se
construiu R capeia de Nossa Senhora da Conceicao.
N. S. da Consolapío Na esirada dc Levada de Santa Lu-
zia, no pof~toem que é atravessado pelo Caminha da Torri-
nha, acha-se a capela de Nossa Senhorr d i Consolacao, que já
pertenccu á frcguesi~do Monte e que desde o ano de 1676 está
encorpotada na paruquia de Santa Luzi.. Foi fundrda em 1646
por Diogo Guerreirs e sua mulher D. Catatina Gomes, tendo
sido notavelment~icrescentrda no ano de 1861, Adquirida
pelo benemérito industria! Henrique Hinton, em 1936, proce-
deu nela a urn largo e artístico trabalho de restauraci5o, que a tor-
nou a capelo muis benn ornadar de toda a Diocese,dotando-a tam-
bem cona rtm ric -3 e primoroso vitral, que representa a Virgcm
Nossa Sonhnr~,cidra rp seguinte legenda : l u o semper auxilio
Adadeina pt-otegatur. Fez cnlocar urn rclogio no campanario da
capela e adquiriu belos paramentos para a celebrrcao dos actos
religiosos.
O frontal do altar principal desta capela 6 um excelente
mosaico pcrtencente ? antiga
i igrcja do convento de S. Fran-
cisco, e as paredes Iaterais esta0 ornadas com algumas télas do
pintor Nicolau Ferreire, que nos fins do século XVIII deixou
bastantes qurdros em várias igrejas da Madeira.
N. S. da Consolapío (Capela)-Nn sitio do Foro, da fre-
guesiai do Estreito de Camara de Lnbos, encontra-se urna capela
diquelr invocacao, mais conhecidai pelo nome de Capela do
do Foro, cujr festr patronal, crlebradr em dia de Todos os
Santos. costuma atrair uma grande aflueticia de pessoas das
freguesias circunvizinhas.
N. S. do Descanso (Capela de)-Cc~m esta invocacio, cn-
contra-se ns freguesia de Sintr Lusir. A margem do chamado
Camínho do Monte e na quint* que tcm o nome de Descanso,
uma crpela de inrtituicao vincular, que pertenceu r o morgado
Tristau Betencourt da Camara, ignorando-se o nome do seu
fundad~re ano da sur construcao.
Desertas (Capela nas 1lhas)-Ncste despretencioso estudo,
que vimos claborando hc€rca d i nossa diocese, j i nos ocupi-
mos com algumn largueza, a pag. 14 e so., da chamada Igreja
da Ilha Deserta, a que o Intante D. Henrique foz referencia no
seu testamento, devendo acrescentur aqui que Henrique Henri-
.
ques de Noronha, nas suas <Memorias Eclesiasiticas. . m , nos
informa que essa mindscula ermida era dedicada a Nossa Se-
nhora da Piedrde. No mes de Setembra de 1930 be inaugu-
rou nr Deserta Grande um pequenino padrao consagrado a
Nossn Senhora das Oracas, em cujo pedestal e numa lápida de
marmorc bronco se le esta inscricao : ~Virgem Senhora das
Grrcrs. A' veneracao e carinho dos fieis pescadores que a es-
.
tas parigens apurtem Erigido por Ruy Silva. XXXI-VIII-
MCMXXX, .
N. S. do Destérro (Capela de)-Na freguesia do Monte,
instituiu o cóncgo Jorge Furtado de Sousr, fnlecido nn ano do
1625,uma capela da invocacao de Nossa Senhora do Desterro,
legando a piopriedade em que ela f6ra edificada a Confraria
de N. S. do Rosario da paroquia de Santa Maria Maior, com
o fim dessa irmandade manter a sustentacao do culto da refe-
rida capela. Esteve esta na posse de diverscs proprietarios e
pertenceu A casa do visconde de Ougucla, sendo recentemenle
adquirida pelo dr. Juvenal Henriques de Araujo. Estas infor-
m r ~ 6 e sforam colhidas no 1lArquivo da Historia da Madeira.,
a pag. 61 do vol. IV.
N. S , do Besterro (Capela de)-No sitio da Ribeira G r ~ n -
de, da freguesia de Mrchico, existiu urna capela ccrm o orago
de Nossa Senhorr do Desterro, que foi fundada pelo capitao
Mmucl Telo de Menczes no ano de 1661 e que há muito desa-
parecau.
N . S. do Destérro (Capela de)-No terceiro qurrtel do sé
culo XVII, na freguesia do Arco da Calheta, onda chamom o
Ledo, fez Rafael Esteves edificar uma capelr, dedicada a Nossa
Senhora do Desterro, de que apenas restim algumas ruinas.
N . S . das Dares (Capela de)-No mesmu local em que
se achi o cemitbrio das Angustias, existiu um pequeno cemité-
rio destinado ao enterramento dos pobres falecidos no Hospi-
tal da Misericordia do Funchail, que ft-4 amplamentc tcrescentra-
do e adaptado para cemitério municipal no periodo decorrido
1836 a 1838. A capelr que ali se encontra, construida no ano
de 1844 e dedicada r N o s s ~Senhora das Dores, foi benzida
solenementc pelo blspo diocesrno D. José Xavier de Cerveira
e Sousa a 15 de Dezembro do mesmo ano.
t
N. S. das Dores-O grandioso edificio do Hospicio da
Princesa D. Maria Amelia, embora concluido em 1859. s6 co.
mecou a ser aplicado ao fim para que fora destinado no ano
de 1862. A bela capela, para uso privativo deste cstabelcci-
mento hospitalar, tem a invocacao de Nossa Senhorq drs Do-
res, sendo a respectiva e primorosa imagem oferta do infeliz
Principc Maximiliano, depois imperedor do Méxito e que ali foi
barbaramente fuzilado no ano de 1867.
N. S . das Dores-O cemiterio da freguesid de Santa Cruz.
situado no lugar de Santa Catarina, tem tima pequen8 capcla
consagrada a Nassa Senhoradas Dores e que foi mandada cons-
truir pela respectiva Camira Municipal no ultimo quartel do
séculc XIX.
N. S. das Dores-No sitio do Espirito Santo, da fregue-
sir de Camrra de Lobos, encontra-se o cemiterio paroquial,
com a sur capela privativa, que tcm a invocacao de N. S. das
Dores.
N.S.da Esperanga-(Capela de)-Era uma das mais antigas
cupelas dcsta diocese e ficrva situada na freguesia de Sao Ro-
que, no lugar que rinda hoja conservo este nome. Era multo
venerada o sua imagem, tendo sido o centro duma cancorrida
romrgrm. Ignora-se o nome do seu fundador e o ano da sui
construcao, mas sabe-se que no principio do século XVII o seu
proprietario Gancalo de Magalhacs fez dela doacao l Fabrica
da Igrejr Paroquial de Sao Roque.
N. S. da Esperanp-No sitio do Vale Formoso, da fre-
gucsia de Santa Luzia, fundou o padre Manuel de Nobrega, no
ano de 1744, urna capelr consagrada a Nossa Senhora da Es-
peranca, que h l muito nao existe.
N. S. da Estrela (Capela de)-Joao Goncalves Zarco, na
primeira exploracilo que fez através da costa meridional de
ilha, segundo nos informa G4spar Frutuosa (Suud, 69), projec-
tou e planeou a construcao da capela de Nosia Senhora da
Esrrcla, na freguesia da Chlheto, qiie fsi edificada por seu gcn-
ro Diogo C~bral,pelos anos de 1479, tendo sido acrescentada
e mclhorrda par Rui do Sousa n b ano de 1560. Diogo Cabral
era casado com D. Brites ou Beatriz G~ncalvesda Camara, fi-
Ihr do primeiro capitao-donatario do Funchal, e morreu no
ano de 1486, senda sepultado na copela da Estrela, de que f6ra
o fundador. Como jii ficou dito, foi ncsta capela que se csta-
beleceu a séde da freguesia ao ser criada, e ncla permaneceu
até á construcao da nuva igreja paroquial (Vid El. Mad 11-213)
N. S. da Estrela (Capela de)-Por um antigo livro de
Provlmentos, pertencenle ro arquivo da igrcjr psroquial de
Santa Maria Maior, sabemos que no ano de 1632 existia nesta
freguqsia urna capelo dedicada a Nossa Scnhora da Estrelr,
ignorando-se ourros pormenores referentes a ela.
N. S. do Falal (Capelir de) Vid. N. S. da Natlvldade.
N. S. de Fdllma (Capela de)-No sitio da Cruz da Caidei-
ra, da freguesia de Camara de Lobos, ondc chnmjim o Pico do
Galo, encontra-se a capela de Nossa Senhora de Fatima, fiin-
dade com dcnativlis dc,s fieis pelo padre Antonio de Abreu
Vieira, que foi solenementc benzida pelo Prelado Diocesrno em
11 de Outubro de 1931.
N. S. da Fd. (Cgpela de) -.Ni sur quinta do Ribeiro Se-
co., da freguesia de S. Martinho, edifisou Mmuel Goncalves
Lisboa, no ano de 1668, ump capela com a invocrclc~de Nos-
sa Senhora da Fé.

N. S.da Fd (Capela de)-Diogo Dias de Ornelns de Vas-


concelos fez construir em &errasvinculadas, de que era admi-
nistrador, no ano de 1826 e no sitio do Mirante da terro Bn-
tista, da frcguesia do P x t o da Cruz, urna capeli consagrada
a Nossa Stnhora da Fé.
N. S. da Olorla (Capela de)-Com esta invocacao e no
sitio denti! nome, da frcgueiia! do Campanario, existe uma
copela instituida no ano de 1599 por Henrique de Bettencourt,
que era pertenca da casa Torre Bela, sendo ha poucos anos
restaurada pela ultima condessa deste titulo a restituida ro
exercicio de culto.
N. S. da O r a ~ a(Igreja de)-O polaco André Goncalves
de Franca teve terras de sesmaria nr futura freguesia do Es-
treito da Calheta e seu filho Joao de Franca, falecido por 1511,
fundou ali uma crpela dedicada r Nossa Senhora & Graca e
criou um morgadio, que foi das mais antigas e importantes
instituicoes vinculares desta ilhr.
Nessa capela estabeleceu-se a séde da f reguesia, quando
se deu a sua criacao por meados do século XVI. Foi acrescen-
tada e passou por varias reparacaes até á sur substituicao pelo
templo actual, cujr edificrcao se rerlizou no periodo decorrido
de 1791 a 1793, lendo-se na sur frontaria esta inscricao: Ma-
rfae Potrfs Flllae Matrl Spfrlfus Sanctf Sponsae hoc demplum
conaecravlt Aug. Reg. Marfa Prlma suae ploe llberalftatfs regio
erario adrnfnlstro. Anno MDCCLXXXXI.
A imagem de Nossa Senhora da Grrca, conservada no
altar-mór desta igreja, é uma antiga e primorosa escultura em
madeira, objecto de especial veneracao e a que Fr. Agostinho
de Santa Mrria dedica um capitulo no vol. X do sau Santuarlo
Marfano.
Foi criado um curato ncsta frcguesia, por alvará regio de
-20 de Outubro de 1605.
N. S. da Oraca (Igreja de)-A freguesii do Estreito de
Camara de Lobos foi criada nos príncipios do século XVI e
a que o anotador das .Srudades. fixa o ano de 1509, sendo
cstabelecida a sur séde n i pequena crpela de Nossa Senhorr
da Grrcr, que ali já existir ha bastantes anos. Por ocrsiao da
criacilo da paroquir e no Último qurrtel do século XVII sofrau
grandes reparos, dando-selhe uma mrior amplidao.
A igreja actual teve uma construcao muito morosa. Ape.
srr-de ordenada e realizada a su8 arrematacao no ano de 1692,
sómente por meados do século XVIII é que rs respectivas
obras prosseguiram eom uma certa actividade. Demoliu-8s
entao o antigo templo, ficando de pé a,capela-mór, que rinda
por alguns rnos continuou a servit de igreja paroquial. A 3
Fevereiro de 1753 se Irncou e benzeu a primeira pedra, sendo
a 18 de Jrneiro de 1756benzida a capela-mór e para elr conduzido
IQREJASE CAPELAS 323

o Santissimo Sacramento, continuando depois a construcciío


do resto do edificio. Foi esta igrejr sagrada solcnemente pelo
prelado D. Joaquim de Menezes e Ataide no ano de 1814. E'
das mris rmplas e belas igrejrs d e ~ t adiocese, estando a sua
apela-mór decorad8 com uma excelente obra de trlha dou-
rada.
A 6 de Novembro de 1829, deu-se nesse templo um hor-
rivel desacato, que causou a maior emocao cm toda r ilha,
sendo cinco dos seus autores condenados a pena últiaia e tres
a degrcdo perpetuo, camo mais largamente dcixámos narrado
a pag. 311 e 374 do vol. 1 . O do Elrrcldarlo Madelrense.
N. S. da O r a ~ a(Capela de)-Em varios lugares se encon-
tra a informacao de que Pedro Alvrres de Almado, pelos anos
de 1520, fez construir mas imedEac6es da vila de Santa Cruz
urna pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Graca.
N. S. da Oraga (Capela de)-Existe na vila de Machico
uma crpcla desta invocracao, que é bastante antiga, ignorando-sc
r dpoca em que foi construida. Achando-se muito arruinada,
procedcu a respectiva confraria á sur reedificacao no ano de
1750.
N . S. da O r a p (Capela de) Houvc uma antiga capela 11%
ilha do Porto Santo, no sitio deste nomc, que trmbem era de
antiga construcao e que Manuel Inrcio de Avelzr Brotero, go-
vernador da mesmr ilha, tentou reedificar nos principios do
primeiro qurrtel do seculo XIX, mas nunci chegou a con-
cluir-se e em breve se transformou num montao de ruinas. Nao
seria de acanhadas proporcoes e oferccia a originalidade de
ter interiormente r forma octogonai, dizendo-se que pretendia
ser a rcproducao minúscula dum cClebre santuario de Italia.
N. S. da O r a ~ a(Crpela de)-Ni frcguesia da Sé, sita
junto a« Ribeirinho destr cidader, edificou a chantre Domin-
gos de Andrade e Alvarenga urna capela dedica43 a Nossr
Senhora da Gracr, sendo de 23 de Dezembro de 1699 a Iicent
ca para ser benzida.
El. S. de Ouadalupe (1grejrde)-Antonio Teixeira, neto do
primeiro capitáo donatario de Machicd Tristao Vaz e que fí-
cou conhecido nos antigos nobiliarios mideirenses pela auto-
nomásia de Rei Pequeno. institulu umn capela dedictda a
Nossa Senhara da Piedade, que serviu de séde da freguesia do
Potlo da Cruz, quando esta foi criada no ano de 1577. Temmse
encontrado algumrs referencias a esta capela com as invocacoes
da Vera-Cruz e de Nossa Senhora da Gloria, sendo talvez
igualmente conhecidas por esses ncimes ou porventura have-
ria mudado de orago, como aconteceu com outras igrejas.
Parece que a séde da paróquia nao pcrmaneceu al¡ muito
tempo, pois se procedeu em fins da século XVI ou princípios
do século seguinte á construcaia de outra capeia com .a invocr-
cae de Nossa Senhorr de Guadeluue, que plassou per impor-
tintes reparacoes nos anos de 1637 e 1688. Proccdeu-se á edi-
ficacao dum novo templo ou aquela capela sofreu uma pro-
funda transformacia por meados do século XVIII, sendo a
crpela do Santissimo Sacramento construida no ano da 1763.
No primeiro qurrtel do século XIX ernpregtrrsm.se diligencias
para o levantameuto duma igreja paroquial ccam mais amplas
proporc6es, diligencias que nao passoram dsm sirnplcs e lou.
vavel projecto. Foi ali criado uor curlat~no ano de 1797

N. S. da Incarnagdo (Igreja de) S-Algures se afirma que


Antonio Fernandes t Manuel Rodrigues, moradores no sitio e
mris tarde freguesia da Ribeira dr Janela, fundaram ali, pelos
anos de 1630, uma pequeno ermida da invocacaa de N. S. da
Incarnacao, que uma grande ehciaa dcmoliü nao muitos anos
depois da sur construca[o. No ano de 1622, os habitantes dr-
quelrs imediacoes fizeram reedificar cssa ermida ou levanta-
ram urna nova capcla em lugar diferente, o que nao podemos
averiguar, tendo sido esta asrescentada e benzida no ano de
1754. Senda pároco lManuel da Silva Pombo e com os valia-
sos donativos do dr. Jvarl Barbnsa de Matos e Camara e José
Teixeira Rebelo, que ernm al¡ pñoprietarios, foi a antiga ermi-
da transformada em capcla-mór e acrescentndo o corpo da
actual igrtjr, dando-se p r ~ rterminadas as respectivas obras na
ano de 1874.
Essa capela tcve capelao privativo e nela foi criado um
curato, deoendcntt! da naróquia do Portr Moniz, pelo rlvrrá
régio de 4 de Fevereíro de 1733, sendn clevado á citegoria de
freguosia autónoma por carta regia de 24 de Julho da 1848.
N. S. da Incarna~do-(Copela de).- O conegr: da Sé do
Funchal Hcnrique Calaca de Viveirss (1589-1662) fl?i o fundr-
dor do curivento de Nossa Senhora da Inicarnrc%o, como fica
mais Iargnmenfe referido a prg. 182 c SS. deste ligciro cstudo,
aproveitando-se uma capela j4 sli existente, que f3i entao me-
lhorada e zcrescentada, para uso privativo do novo mosteiso.
Como 15 sabido, essa fundrcao obedeceu cumprimento do
voto que i. conego Celaca fizera de fundar urna casa religiosa
cons&gradhá Virgem da Incarnacao, a qukm era multo devo-
tado, se P4lrtugal recuperasse a sua independencia e se liber-
tasse do ji7go astrangeiro. Trabaihando-se agora em todo o
país nos pi.eprrativcs para r celebracao do duplo centenário
da fundacap e independencia da nossi na~i~malidade, seria bern
asada a oc isiaci de proceder-se 4 restuuracao desto capela e da
sur restituicao ao exercicio do culto, solenizando-se deste
madn na Madeirn iqueles orcontecimenlos gloriosas da ncssa
historia ct m urna obra memorave1 e de proveitosa licilo para
os contemporaneos e vindourozs.
N. S. da Incarna~cio(Cupcla de)-Na freguesir de Sao
Goncalo, ana sua quinta de Louros junto á cidadem, fundou
Goncrlo Fcrnandes Brandao, urna capels dedicada r Nossa Se-
nhora da Incarna~ao,no ano de 1656.
N. S. da Incarnag¿io (Capela dej-No sitia dta Varrgem, da
freguesir (:o Estreito de Ca!r+krade Lobo(, existe urna capralo
desta invo :acais edificada no ano de 1671, que era de instilui-
cia vineul ar, mas coja fundador desconhecemoa .
N S. da lncarnagao (Capela de)-Vid h.S. da Anuncia-
gio (Cape14 de),
N . S. de Jesus (Capela de)-Com o rir me de Nossa Se-
nhora de Jecus. P unica destr invacocao que ternos encontrado
resta diocese, fundrbu Joaci Betencourt de Atouguia uma cape-
Ia nc. ztr!o 3:: 1656, nsi freguesia de Sao Martinho, em sitici que
ignoramos, segundo nos informa o ilustrti anotador das SOU-
dades d a Terra.
N. S. do L a n ~ o(Capela de)-Encontramos noticias de que
na freguesia do Arco da Calheta existiu urna cwpela com este
orago da qual nao conseguimos nbter outrr informa~ao.
N. S. do Livramento (Capelr de)-No sitio que rinda con-
servs este nome, na freguesir do Cinico, construiu-se urna
capela por mcaidos do seculo XVII, que foi centro duma con-
corrida romrgem e cujlr instituic30 se atribui r Sebastiao de
Oliveira, que possuir terras de semrria naqueles sitios. Ha
muito que nio existe.
N . S. do Llvrarnento (Capela de)-Diogo Pereira de Me.
nezes e sur mulher D. Isabel de Menczes fizerrm edificar, nr
freguasie drsi Pontr do Snl e em terras de seu morgadio, rrma
capelo dedicada a Ncsso Senhorr do Livrrmento no ano de
1656. O actual paroco da Pontn do Sí:¡ padre Vieira Cretano,
em interessantes srtigk,s publicados no aJurnrln, sustenta o
parecer de que esta capela teria sido fundada pelo padre Mr-
tias de Aguiar, citandc~ano mesmo tcmpo a informacao, encon-
trada num antigo livro do arquivo d i freguesir, de que a insti-
tuicai, da mesmr crpela poderia porventurr pertencer a esse
sacerdote e ro referidic? Diogo Pereirn de Menezes, conjetu-
rrndo-se que este seria proximo parente do padre Matlrs de
Aguiar .
Deram-se graves conflitos entre a rutoridrde eclesisática e
os proprietarias desta cspela, que chegou a ficsr interdita para
os actos do culto, tendo sido ha poucos anos adquirida pela
fabrica da igreja paroquiai e cvitando-se deste modo as antigrs
.
desin teligencias
N. S. do Llvramentq (Capela de)-A crpelr destr invoca-
cae, que existe no sitio do mesmo nnme, na freguesia de Nos-
soi Senhora do Monte, foi edificadr por Inrcio Ferreirr Pinto
no ano de 1684, tcndo sido reconstruida um século mais tarde
par Jnáo José Betencourt de Freitas, em Oerrrs vinculadrs de
que era administrador.
N. S. do Llvrarnento (Crpela de)-O padre Manuel Go-
mes Girces fundou com este orago urna crpela no .ano de
1685, que se encontra no sitio do Livramento dr freguesia de
S. Vicente.
N. S. do Llvramento-A antigr crdeia do Fun~hai, que
ficava na rua ainda hoje conhecida pelo nome de Cadeia Ve-
Iha, tinha uma pequena capela consagrsda a Nossa Senhora do
Livrrmento, para uso privativo da mesma prisao, desconhecen-
do-se o ano em que foi construida.
N. S. do Lrvramcnto (Igreja de)-A freguesia do Curra1
das Freiras foi desmembrada da de Santo Antonio no ano de
1790 e instalada a sur séde na pequena ermida de Santo Anto-
nio ali existente e que era pertenca do convento de Santa CIa-
ra. As religiosas deste mnsteiro f i z e r c ~ a doscao de seis
alqueires de terra para a construcao duma igreja c residencia
do respectivo pároco, mas essas edificscoes s6 vieram a reali-
zar-se nos principios do seculo XIX, sendo dada ao novo tem-
plo o oraga de Nossa Senhora do Livramento. Nele e no
presbiterio adjunto procedeu-se a uma graiide rcstauracáo nos
anos de 1917 e 1918.
N. S. do Llvramcnto (1greja)-E' a pequena igrejr paro-
quial dr fraguesia das Achadrs da Cruz, cuja construcao se fez
no segundo quartel do seculo XIX, tendo sido acrescentada e
restaurada há cerca de sessenta anos com os donativos lega-
dos por Manuel dePontes Camara, filho dessa freguesia. Existiu
rli urna pequena ermida com a invocacao da Vera-Cruz, que
fol séde dum curato dependente da freguesia do Parto Moniz
e que teve capelao privativo com residencia permanente no
lugar.
N. S. do Llvramcnto (Capela de)-Temos encontrado refe-
rencia r urna capela de NOSEP Senhora do Livramento, existente
na freguesia do Estreito de Camsira de Lobos, ignorando-se
quaisquer outras circunstancias que Ihe digam respeito.
N . S. Livramento (Capela de)-D. Inacia de Betencourt
Perestrelo fez construir no ano de 1860 umr capela dedicada a
Nossa Senhora do Livramento na freguesir do Estreito da
Calheta .
N . S . do Lorcto (Capela de)-Esta capeia, situada n i Lom-
bada do Loreto da freguesia do Arco da Calheta, é das mais
antigas desta diocese, datando a sui construcao do primeiro
quartel do século XVI, e leve como fundador Pedro Goncrlves
do Camara, ou a viuva deste D.Joana de Eca, que foi cama-
reira-mór da rainha D. Catarina, mulher de D. Joao 3 . O . Foi a
séde dum importante morgrdío e anexo a ela existiu uma aoa-
rrtosa casa solarenga. D. Joana de Eca reedificou o convento
da Esperan~a,em Lisboa, e dele foi padroeirr, tendo legado a
esta mostsiro rr capela do Loreto e muitas terrrs q1.a possuia
nr freguesia do Arco da Ca1hct.a. As freiras doquele convento
alienaram euses bens, que foram adquiridos.por Francisco Luis
Vascoaicelos de Betciicourt, illstituindo nela uma casa vinculrda,
que tambem teve ctrmo séde a mesma capela. Esta conserva
urna feicao típica e um certs aparato arquitectonico, sendo
para lamentar que iim mal adaptado slpendre Ihe prejudicasse
a harmonía do conjunto. E' centro duma grande e concorrida
rcmagem, aonde acorre m i t o povo, vindo de lugares distantes
e especialmente das freguesias circumvizinhas .
N . S. da Luz (1grcjide)-Rodrigo Enes foi um dos antigos
colonizadores dr Madeira e fez assentamento no lugar da Pon-
ta do SII por meados do seculo XV, possuindo ali terras de
scsmrria. Do scu testamcnbo se deduz que nao foi o fundr-
dor da rntiga caprla de Nossr Senhora da Luz, mas que ape-
nus instituiu nelv urna capela ou altar dedicado ao Divino Es-
uirito Santo e destinado a servír-lhe de jazigo. Foi nessa cape-
la da Luz, cuja data da construc%o primitiva se desconhece,
que se estrbeleceu a séde da paroquia, ao ser criada no fim do
segundo ou principio do terceiro qurrtel do seculo XV.Pissou
por importantes reparac¿3es, havendo sido acrescentada e quisi
inteiramente reconstruid8 nos primeiros anos do século XVII.
Atrrvés do Lempo tem sofrido várias restriura~6ts e ainda no
primeiro qurrtel deste século XX se procedeu nela a um nota-
ve1 trabalho de pintura artística no tecto e nos altares.
A imrgem de Nossa Senh :ra da Luz conservada no altar
mór é uma primorosa et;culturr em mndeira e desde séculos
que tem sida objecto da maíor veneracao das habitantes da
paroquia e ds outrrs freguesirs da Madeira, dedicando-lhe Fr.
Agostinho de Santa Maria um capitulo especial no volume X
da sua canhecidla obra Santuario Morlano.
Tem esta igrejr alguns objectos destinados 80 exercicio
do culto dignos do maior apreco, destrcando-se entre eles 8
pia brptismal, que o marques de Jicoma Correia diz ser urna
peca unica no genero fabricado .em pó de pedrr e nao em
N . S . da Luz (Igteja de)-Tem esta invocacao a igrrja pa-
roquial de Gaula, que foi mandada construir no ano de 1753.
Deu se a ctia~aodesta freguesia pelos anos de 1558, nao se
sabendo se a sua séde hrveria sido instalada numa capela de
Nossii Scnhorr da Luz jB ali existente ou se esta teria sido
construida no tempo em que a paróquia foi criada. Ttm so-
frido vaiias reparacoes no decorrer do tempo e no ano 1915
fez-se a construcao do campanario.
Possui esta igrejr uma artística cruz de prrta, que figurou
na expasic%tide arte ornamental realisada em Lisboa no ano
de 1882 c que vcm assim descrita no respectivo catalogo:
*Cruz processional de prata dourtda com a imagem de prata
bronca, c tendo as extremidades com a forma de flor da liz.
Apoia-se numa base hexigonal, representando um castelo, da-
fendido por seis gigantes com corucheus da cstylo gothicon
k . S. da Luz (Capela de)-Urna das capclas que Iadeiam
o altar-mór do majestoso templo de S. Joio Evangelista (Co-
legio), 6 dedicada a Nossa Senhora da Luz, que etn tcmpos
pissados era considerada a padroeira dos estudantes do Fun-
cha) e Ihe consagravam particular devocao, realisando apara-
tosas solenidades em sur honra.
N. S. d a Madre de Deus (Capela de)-Com esta invoca-
cio e no sitio deste nome da freguesia do Canico, existe um
pequeno templo, diz o El. M a d . , de típica edificauo mrnueli-
na, que ofcrece particular interesse ros que o visitam, em vir-
tude de alguns pormenores de construcao que nelc se encon-
tram. Ignora-se o ano da sus edificocao, mas parece datar da
srgunda metade do século XVI, atribuindo-se a sua instituicgo
a uma familia de apclido Salvago, que tevc terras de sesmarir
naquelas imediac6es .
N. S . da Madre de Deus (Capela de)-Inacio Uzadamor
do Rego e sur mulher fizcram construir, em 1705, na sur quan-
ta da freguesia do Estreito de Camara de Lobos, uma capela
dedicada ti Nossa Senhora da Madre de Deuñ e ao taumaturgo
S. Antoiiio, sendo de 5 de Dezembro daquele ano ilicenca para
ser benzida.
N. S , da Mdl de Deus - (Capela de)-No sitio da M
de Deus ou da Corujeira, na freguesia da Tabua, encontra-se
uma capela que tem o orago da Mai de Deus, ignorando-se o
ano da sur edificacao e o noma do seu instituidor. Arrasada a
capela primitiva pelas águas caudalosas da ribeira, foi recons-
truida, no ano de 1767, na margem oposta A da sur primeira
construcao.
N. S. Mdl dos Hom~ns(Capela de)-Na quinta deste no-
me, pr~priedadcdo visconde de Cacongo, freguesia da Santa
Maria Maior, existe uma capela dedicada a Nossa Senhora
Mai dos Homens,cujo fundadore ano de construcao ignoramos.
N. S. das Maravllhas (Capela de)-No sitio do Passo, da
freguesia da Madalena do Mar, cxistiu uma capela desta invo-
cacao, que desapareceu há muitos anos.
N. S. das Maravllhas (Capela de)-Diogo Betencourt Cor-
reía e sua mulher D. Catarinr da Silva, construiram na quinta
das Maravilhas, no sitio destc nomc, freguesia de S. Pedro, uma
capela daquela invocacao, no ano da 1657, tendo sido reedifica-
da por D. Mariana da Silva, descendente dos fundadores, no
ano de 1736.
N. S. das Mevc8s (Capela de)-Como já atr4s se deixou
dito, iii construcao do recolhimcnto e da capela anexa de Nossa
Senhora das Merces f i c ~ uconcluida no ano de 1643, cm que
ali deram entrada as primeiras recolhidas, sendo onzc anos
mais tarde transformado num mosteiro de religiosas da ordem
seráfica, onde sempre se manteve a mais rigorosa observim-
cia monástica. Na sua arquitectura, nas suas proporc6cs e nas
suas decorac6cs interiores nao passou nunca duma pequana e
modesta igreja, mas foi sempre um cenáculo vivo de afervo-
rada piedade, em que as religiosas ucapuchinhas~deram o alto
exemplo das mais heroicas virtudes cristas. A casa conventual e
a capela sofreram urna importante restauracao por meados do
sCculo XVIII. Uma e outra foram demolidas no ano de 1911.
(Vid. a pag. 179 deste optisculo).
N . S. das Mercés (Capela de)-No sitio das Florancas
da freguesia do Arco da Calhcta, onde chamam o Lombo das
Merces, fundaram o capitao Gaspar Homem de El-Re¡ e sur
mulher D. Isrbel Florcnca, no ano de 1650, uma capclr dedi-
cada r Nossr Senhorr das Merces, que era de instituicio vin-
cular e que há muito nao existe.
N . S . das Morcés (Crpela de)-No seu aposento da rua
dos Moinhos, freguesir de S. Pedro, fundou Gaspar Beren-
guer de Andrrde uma crpela da invocac%ode Nossa Senhora
das Mercds, que foi benzida no ano de 1658.
N S. dos Milagres (Capelr de)-O capitao Braz de Frci-
trs instituiu urna capela da invocacao de Nossr Senhora dos
Milrgres anr sur quinta sita no Caminho de N. S. do Monte.
no ano de 1661, que ha muito tia0 existe.
N. S. dos Milagres (Crpela de)-Com o mesmo orago,
fez Pedro Ferreirr de Mesquita edificar om 1662 uma cipela a
oeste d i vila da Pontr do Sol, sendo de 3 de Dezembro dcsse
ano r liccncr para ser bcnzida. H6 bastantes anos que foi de-
molida.
N. S. de Monserrate (Capelr de)-Na vila da Calheta, le-
vrntou-se umr capelr destr invocacao, que foi instituida por
Antonio Piscorl de Lira no ano de 1669.
N. J . do Montc (Igreja de)-Adao Goncalves Ferreira, o
primeiro homem que nasceu nesta ilha, fez erigir por 1470
uma crpelr nrs terras que possuia dentro dos limites da actual
freguesir do Monte e que primitivamente teve o orago de
Nossa Senhorr da Incarnrcao, prssrndo depois a chamar-se
Nossa Senhora do Monte. Ali se estabelcceu a stde da frcgue-
sir, quando esta foi criada no ano de 1565, sendo demolida ao
proceder-se 4 edificrcao do novo templo. A 10 do mes de
Junha de 1741 rerlizou-se o Irncamento da primeira pedra ds
mrgestosr igreji, dando-se por terminada 8 sur construcao no
ano de 1747. O terremoto de 1 de Abril de 1748, que tas
grandes prcjuizos causou em toda r ilha, deixou a igrcja bas-
trnte drnificadri, ficando r exigir imediatas reprraq6es. A falta
de recursos, que tornara a edificrcao demorada, tambcm con-
correu para que essrs indispensaveis reparacoes se fizessem
com grande lentidio, levando alguns anos o seu definitivo
rcrbrmcnto. Para esse fim, fizerrm-se vilrios peditórios em
todas as freguesias e o prelado D. Joao do Nascimento insti-
tuiu a Confraria dos Escravos de Nossa Senhora do Monte, que
despertou grande d e v o ~ i oentra os fieis e cujas receitas tive-
ram igual aplicacao. Esta igreja foi sagrada pelo bispo D.
Joaquim de Menezes a Ataide a 20 de Dezembro de 1818 e 6
um dos nossos mais belos templos, tanto pela sur elegante
arquitectura como pela sua decortcao interior. Recebeu re-
centemente uma notavel restauracao cm alguns dos seus exce-
lentes qurdros a oleo, que Ihe revestem as paredes Iaterais.
Dapois da grande aluviao de 9 de Outub-o de 1803, o-
prelado diocesano, o cabido, clero e fieis colocaram o Funchal
sob a especial proteccao de Nossa Senhora do Monte, o que
fai confirmado pelo Rescrito Apqstolicrl de Pio VII, de 21 de
Julho de 1804, sendo entao instituida a festa do Patrocinio de
Nossa Senhora do Monte, celebrada a 9 de Outubro de cada
ano, com procissao solene, que da SC Catedral se dirigir á
igreja paroquial de Santa Marir Maior, tendo esse dia sido em
outto tempo dia santo de preceito, precedido de vigilia pro-
pria com jejum. Ainda actualmente o ~reiadodiocesano, rcom.
panhado do cabido da SC Catedral, celebra nesse dia missa dc
pontifical na igreja de Nossa Senhora do Monta.
Nesta igreja encontra-se a sepultura do imperador Carlos
de Austria, que faleceu na freguesia do Monte no dia 1 de
Abril de 1922.
Quem quiser ter uma noticia mais desenvolvida Acerca da
freguesia do Monte e da sua bcla e mrjestosa igreja, leia o inte-
ressante opásculo Nossa Senhora do Monte Padroelra da llha
& Madelta, devidv á pena do padre Jotquim Placido Perei-
ra e publicado no ano de 1914.
N, S. do Monte (Cavela de)-No sitio do Lombo das Ter-
cas da freguesia da Ponta do Sol, fez o povo edificar em 1751
urna capela com a invoca@u de Nossrr Senhora do Monte, que
foi melhorada e acrescentada no ano de 1775. No dia 1 de
Julho de 1810, praticou-se ali um grande desacato com o ar-
rombamento da capela, tendo os profanrdores colacado a
imagem da Santissima Virgem r ccrta distancia da mesma crpela
e despojando-a das joias que a adornavam. O caso causou
urna grande emncao na freguesia, rcrlizando-se diversos actos
de desagrrvo e sendo a imsgem conduzida solenemente da
igreja prroquial para a sur capela no dio 6 dE Agosto de 1810.
J~REJAS E CAPELAS 333

N. S . do Monte e Santana (Capela de)-Manuel Rodrigues


de Canha fundou, no ano de 1773, urna capela dedicada a
Nossa Senhora do Monte e a Santana no sitio do Cuteiro da
freguesia dos Canhas, que há muito nao existe.
N . S. da Natlvldade (Igreja de)-A antiga igreja paroquial
da freguesia de Santa Maria, mais conhecida pelo nome de
Nossa Senhora do Cslhau e arrasada pela aluviao de 1803,
teva como primitivo orago a Natividrde de Nossa Senhora,
embora em alguns lugares venha citada coao a denominacao de
Conceicao de Baixo, cm contraposiqao 4 capela d i Conceicao
de Cima, que actualmente corresponde á igreja de Santa Clara.
Já dela dénios rápida noticia no pequeno artigo sobordinado
ao titulo ~NossaSenhora do Calhaun. Quando se transferiu a
séde da poroquia para a igreja actual, que era dedicada ao
apostolo S. Tiago Menor, principal padroeiro desta dioccse,
passou este templo a ter a invocaqao de Nossa Senhora da
Natividade, conservando-sa destc modo a tradicao do antigo
orage. A esta igreja nos havemos de referir mris de asptco
sob a epígrafe de nSao Tiago Menorn.
N. S. da Natlvidade (Igrcja de)-Na freguesia do Faial c
na margem esquerda da caudrlosr ribeira que a atravcsssi, le-
vantou-se urna capela dedicada á Natividade de Nossa Senhorr,
e nela se cstrbeleceu cm 1550 n séde duma paróquia, a que foi
dado um curato n:, ano de 1746. A capela era de acanhadrs
dimensoes e foi mais duma vez invadida pela violencia da tor-
rente, estando exposta a ser inteiramento destruida por ela. A
7 de Agosto de 1745 sc lancou r primeira r~edrado novo tem-
plo, que ficou sendo suma igrejr ampla e elegante com exce-
lente obra de trlha, destacando-se o altar-mór pela ~primorado
gcsto da sua facturas. E' centro duma crrricorridr romrgem
com grande afluencia de individuas dc todzs as freguesias da
Madeira. E' de particular devocao a imsgem da Slsntissinia
Virgem, cc nhecida pelo nome de Senhora do Pairlt que ali se
venen?, deiiicandr-lhe Fr. Agostinho de Santa Mnria um capí-
tulo no seu Santuario Mariana.
N . S. da Natlvldade (Crpela de)-Na freguesia de, Santa
Maria e 4 margem do Caminha dn Palheiro, encontra-se uma
capela dedicada 4 Natividade de Nossa Senhora, mais conhe-
cid8 pelo nome de Capela do F~irl,que C bastante antigr e
que foi fundada nos fins da século XVI por Zenobio Acciaioli.
N . S . da NazarB (Capela)-Na freguesia de S. Martinho
e no sitio que conserva esse nome, encontra-se urna crpela
dedicada a Ncssa Senhora da Nazaré, fundada por Martim
Vaz no ano de 1627, que além de estar ornada com algumas
télas de esmerada frctura tem uma das paredes coberta com
um precioso paitiel de azulejos (Vid. Arqulvo Hlstbrlco da
Madelra IV-112).
N . S. da Nazarc! (Capela de)-Francisco Fernandes de
Barras Maciel, em terras de seu morgadio, fez construir, por
1689, uma capela da invocacao de Nossa Senhora da NazarC,
no sitio das Paredes da freguesia do Arco da Cilhcta, que o
seu descente Antonio Joao Barbosa de Matos e Camarr man-
dou reedificar no ano de 1830.
N. S. da NazarB (Capela)-No sitio do Caminho Gran-
de e Preces, freguesia de Camara de Lobos, existe a capela de
Nossa Senhora da Nazaré, fundada em 1694 por Joao de Bc-
tencourt Henriques e reconstruida pela sur descendente D.
Maria do Rosario Henríques no ano de 1751.
N . S. das Necessidades (Capela de)-Infarma-nos Henri-
que Henriques de Noronha nas suas intcressantes Memorias.,.
que na freguesia de Sao Pedro existiu uma capela dedicada a
Nossn Senhora das Necessidades, sem qualquer outra indica-
cae icérca do scu fundador, ano cm que foro construida e
local cm que se encontrava.
N . S . das Neves (Crpela de)-Fica situada nr freguesia
de Sao Goncalo, dando o nome ao lugar em que se rcha, e é
das mais antigas capelas desta diocese, attibuindo-se a sur
funda@ ao antigo pavoador Joio Afonso Mialheiro e su8
mulhrr Catrrina de Si, por meados do século XVI. Foi séde
dum curato, dependente da vigararia de Santa Maria Maior, e
par 1566 se estabeleceu nela a sede da freguesia de Sao Gon-
crlrr, servindo de igreja paroquial até os principios do século
XVIII, em que se construiu o templo ictutl. No ultimo quar-
te1 do século XIX, encontrando-se em adiantado estado de
ruina, foi inteiramente restaurada pelo seu entao proprietario
JoXo Blandy.
N . S . da Ollvelra (Capela de) Vid. N. S.da Redcncdo e
Mcrcés.
N . S . da Paz (Capcla de).- N a freguesia de Santa Maria
Maior, em sitio que ignoramos, levantou o padre Jeronimo da
Silva no ano de 1621 uma capela dedicada a Nossa Senhora
da Paz, que há muito nao existe.
N. S. da Paz (Capela de)-Na pitoresea freguesia do
Monte, a 850 metros de rltitude, ondc chrmam o Terreiro da
Luta, fez o padre José Marques Jardim erigir, no ano de 1925,
um Monumento a Nossa Senhora da Paz, em que figura urna
pr.imorosi estatua cm marmore da Santissima Virgem, tendo
nas faces do pedestal uns artísticos baixo-relevos fundidos cm
bronze. Ao lado deste monumento, foi edificada uma pequena
e interessante capela também dedicada a Nossr Senhora da
Paz, em que se celebram os actos do culto.
N . S. da Pena (Capela de)--No sitio da Pena, pertencente
hoja á freguesia de Santa Luzia e feizendo entao parte da fre-
gucsia do Monte, csnstruiu-se urna capela no ano de 1657, que
tova por fundadores Duarte Mendes de Miranda e sur mulher
D. Beatriz de Vasconcelos, sendo rcedificadr por seu neto Anto-
nio José Espinola, pouco depois do ano de 1748, cm virtude do
terremoto ocorrido nesse ano a ter deixado muito arruinada.
N. S. da Penha de Franca (Capela de)-Luis Goncalves
Marcador mandou edificar em 1620 uma capela desta invoca-
$40, na freguesia do Monte, no sitio que rinda hojc conserva
este nome.
N.S.da Penha de Franca (Capela de) -Na fregueia de S. Pc-
dro, existea capela de Nossa Senhora da Penha de Franca, que
foi fundada cm 1622por Antonio Dantas e reconstruida no ano de
1712. Foi centro duma rntiga romligem, tendo anexa urna pe-
quena casa de romeiros. Por 1818 foi encorporada nos bens
nacionais e concedida ii mitra, sendo cntao a pequcna resi-
dencia adaptada para casa de campo dos prelados diocesanos.
Ali faleceu em 1841 o conego Augusto Frederico de Castilho,
estando acompanhado pelo irmao o grande poeta visconde de
Castilho. Nesta residencia habitou durante trinta anos o sau-
doso bispo D. Manuel Agostinho Barreto, e nela morrtu a 26
de Junho de 1911, estando sepultado no adro da mesma ca-
pela.
Na revista .A Esporanca*, publicámos uma série de atti-
gos, dando uma noticia desenvolvida acerca da crpela e resi-
dencia da Penha de Franca.
N. S. da Penha de Franca (Capela de)-Na freguesia de
Santa Cruz, cm sitio que ignoramos, fundou D. Maria do Ro-
sario Arvelos, no ano de 1670, urna capela dedicada a Nossa
Senhora da Penhr de Franca, que já há muitos anos nao
existe.
N.S. da Penha de F r a n p (Capela de). Na antiga quinta
chamada dos Ferreiros, na frcguesia da Calheta, mandou o
rnedico Manuel Fernandes Gomes edificar no ano de 1682 uma
capela dedicada a Nossa Senhora da Penha de Franca. Tambem
encontramos noticias desta capela com o orago dos Santos
Cosme e Damiao, parecendo-nos que se trata duma s6 crpcla
com essas tres invocacoes. Já nao existe e ficava dentro da área
do sitio do Lombo do Salao.
N. S. da Penha de Franca.-No sitio da Fozenda, fregue.
sia do Faial, existe uma capela desta invocacao, que tem'a sin-
gularidade, diz-nos o Dic. Corogr. do Arquip. da bfadelra, de
ser cavada num solitario blóco de *cantaría mole., ficando as
paredes, o altar e o pórtico talhadrs na pedra e formando uma
urna s6 peca. Foi fundada e a 1685 por Antonio Tcixeira Do-
ria, quinto neto do prirneiro donatario de Machico, tendo
sido restaurada no ano de 1904 por JüBo Teodoro Figueira,
entao seu proprietario .
N,S. do Perpetuo Socorro (Capela de) -Francisco de Frei-
tas Correia fez edificar, no ano de 1924, urna capela dedicada a
Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, no sitio da Queirnada da
freguesia de Agua de Pena.
N . S. da Piedade (Igreja de)-Deve datar do segundo
quartel do século XV a construcao duma pcqucna capelr na
ilha do Porto S8nto dedicrda a Nossa Senhora da Piedadc, ao
serem tli inicZadosos tpbalhos d i cr~onizsc~o. Foi primtira.
mente servida por um capelio e nela se instrlou a séde da
paróquia, criada por meados do citado segundo quartel do
século XV. Recebeu varias rcparacoes, até que se procedeu
em principios do século XVIII á sua quasi inteira reconstru-
@o. A primitiva igreja foi varias vezcs saqueada e incendiada
por piratas mouros e corsarios franceses, nomeadamente nos
anos de 1566, 1600, 1617, 1690 e 1708, cometcndo os asaltan-
tes toda a sorte de excessos e violencias. A capela lateral cha-
mada da Morgadr, que pcrtencia a urna familia Baiao, 6 da
edificacao bastante antiga, sendo o resto do edificio de con&
truca0 muito posterior áquela.

N. S. da Pledade (Igreja de)- Foi na capela de Sio Tia-


gol existente na futura freguesir dos Canhas, que se instalou
a séde da paróquia, quando esta se criou no ano de 1577. Nos
principios do século xVII, procedeu-se á construcOo duma ca-
pela ou pequena igreja com a invocacao de Nossr Senhorr da
Piedadc e para ela mudou r séde da freguesia. Lancou-se a
primcira pedra do templo actual a 22 de julho de 1753 e foi
solsnemente benzida no tues de Marco de 1756. Nos uitimos
tempos, tem esta igreja passado por uma notrvel restauracio
nas suas decoracties interiores, alargamento do adro etc. e
ainda no ano corrente foi colocrdo um excelente relogio no
seu campanario.

N . S . da Pledade Igreja de)-Urbano Lomelino fundou


o convento de Nossa Senhora da Piedade, nr freguesia de
Santa Cruz, no primeiro quartcl do século XVI, proximamente
pelo tempo am que esta localidade foi elevada 4 crtegoria de
vila. Eram padroeiros desta igreja e convento os administra-
dores da importante casa vinculada dos Lomelinos, que tinham
o seu solar no Funchal na quinta das Cruzas, havendo sempra
dispensado a essa casa monastica e ros seus religiosos urna des-
velada proteccao. (Vid. a pag. 169 e SS. deste opusculo).
N. S . da Pledade (Copela de)-Vid . Desertas (Capela
nas ilhas).
N . S . da Pledade (Capela de)-Na freguesia do Porto
da Cruz, fundou um dos descendentes de Antonio Teixeira o
Rei Pequeno uma capela dedicada a Nossa Senhora da Pieda-
de, .que era das mais antigas da capitania de Machico e de ins-
tituicfo vincular. Fci reconstruida cm 1734 por Manuel de
Carvalho Valdavesso, administrador 30 morgadio nessa epoca.
No ano de 1814 encontrova-se já em estado muito adiantado
de ruina.
N. S. da Pldade (Capela de). No ponto de convergencia
da rua des Pretss e da rur da Carreira, chamado hoje Largo
da Igrejinha, existiu uma capela da invocacao de Nossa Senho-
rr da Piedade, instituida em 1613 por Domingos Rodrigues
Garces, que era conhecida pelo nome de Igrejinha e que a
Camare Municip~lmandou demolir no ano de 1836 para alar-
gamento daquele local.
N. S. da Pledade (Capela de)-Francisco Alvaro Homem
fundou no ano de 1641 uma capela dedicada a Nossa Senhora
da Piedade na freguesia do Estreito da Calheta, que ha muito
nao existe.
N. S . da Plcdade (Capela de)-No sitio da Atouguia,
onde chomam a Vargem de Baixo, da freguesia da Calheta,
existiu uma capela deste invocacio, que foi fondada no ano
de 1657 pelo Capitao António Moniz de Menezes e sur mu-
lher D. Catarina de Menezes.
IV. S* da Pledade (Capela de)-Na freguesia da Ponta do
Sol, no sitio conhecido pelo nome de Jangao, encontra-se uma
capela com o mago de Nossa Senhora da Piedadc, fundada
em 1670 por Antoriio do Csirvalhal Esmeraldo, reconstruida
em 1777 por Francisco de Ornelas de Vasconcelos e restaura-
da em 1879 por Agostinho de Ornelas de Vasconcelos, sendo
benzida neste ultimo ano pelo arcebispo de Goa D. Aires de
Ornelas de Vasconcelos, irmao do proprietario. (Vid. o opús-
culo A Lomóada dos Esmeraldas na Ilha da Madeira).
N. S . da Piedade (Capela de)-Algures se le que na fre-
guesia da Camacha, onde chamavam o Pereiro, fez o conego
da Sé do Funchal Joao de Saldanha edificar uma pequena ca-
pela desta invocacao no ano de 1686 e da qual nao temos
outra noticir.
N. S. da Piedade (Capela de)-No conhecido Largo das
Cruzes, freguesia de Sao Pedro, encontra-se urna capelra dedi-
cada a Nossa Scnhora da Piedade, que foi fundada por Fran-
cisco Esmeralda Henriques no ano de 1695.
N. S. da Pfedade (Capela del - Na freguesia do Canica1 e
no píncrro duma elcvacao montanhosr sobr~nceira ro mar,
encontra-se uma capela do orago de Nossa Senhora da Pieda-
de, que se afirma ser de antiga construciio, mas cujos funda-
dores e ano da sur fundacao se desconhecem. Ha muito que
era pertenca da casa vinculada dos morgados Barretos, que
tinham seu solar na Calcada de Sao Gil, na freguesia de Santa
Cruz.
h. S. da Piedade (Capela de)--No sitio do Farrobo da
freguesia de SXo Goncrlo, edificou JoPo Rodrigues da Silva
urna capela desta invocrcao no ano de 1726.
N . S. da Pledade (Capela de)-D. Escolástica Lomelino
de Vasconcelos, viuva de JoPo de Freitas da Silva, instituiu,
na freguesia do Monte, urna cripela dedicada ti Nossa Senhora
da Piedade, no ano de 1728.
N . S. da Piedode (Capela de)-Na freguesia do Jrirdim
do Mar, mrndou em 1736 Joao do Couto Cardoso construir,
em tcrris de seu morgrdio, uma capela com o orago de Nos-
sa Senhora da Picdadc, que o seu sucessor Francisco JoPo de
Vasconcelos do Couto Cardoso fez reedificar 110 ano da 1825.
N. S. da Redade (Capela de)-No ultimo quartel do sé-
culo XVIII, instituiu o padre M~tiasJorge JeirdBm urna capela
dedicada a Nossa Senhora d i Piedade, no sitio da Ilha da fre-
guesia de S. Jorge, que ha muito deixou de existir.
N. S . da Pfedade (Capela de)-No sitio do Passo, da frc-
guesia de S. Vicente, fez o pildre Manuel de Andrade edificar
urna capela desta invocaqao no ano de 1784.
N . S. da Piedade (Capela de)-No ano de 1800, fundou o
padre Manuel Gon~alves Henriques a capcla consagrada a
Nossr Senhora da Piedade, que exista no siti& da Caldeira da
freguesia de Camara de Lobos.
N. S . da Pisdade (Cspela de)-No recinto do cemiterio
do Lombo das Tercas da freguesia da Ponta do Sol, encontra-
se a capela do Nossa Senhora da Piedade, mandada edificar
pela Camara &íunicipal na segunda metade do sCculo XIX e
destinada ao servico religioso privativo do mesmo cemiterio e
que 6 de elegante e aprimorada construcao.
N , S. d o Piedade (Capela de)-E' destai invocacao a ca-
pela existente no cemiterio da freguesia da Cdhetr, construida
pela respectiva Camara Municipal, para o servico religioso da
mesmo cemiterio, no principio do seculo passado,
N. S. do Pilar (Capela de)-Na quinta e sitio do Pilar,
freguesia de S. Martinho, encontra-se urna capela com este
orago, que foi mandada construir por Goncilo de Freitas
Drumond em 1676, tendo sido reedificada por Antonio Caeta-
no de Aragao e benzida e 19 de Julho de 1876. E' hoje pro-
priedade do dr. Romano de Santa Clara Gomes.
N. S. do Pllar (Capela de)-Ficava situada na freguesia
de Sao Roque uma capela desta invocacilo, que o terremoto
de 1747 deixara muito arruinada. Ignora-se o nome do seu
fundador, tendo sido reconstruida no ano de 1750 por D. Joa-
na Francisca de Vasconcelos Frazao, viuva de Diogo de Orne-
las Vasconcelos Frazao.
N. S. do Populo (Cape18 de)-Ni freguesia de Santo An-
tonio e antiga residencia dos jesuitas do sitio do Pico do Car-
do, conhecida pelo nome de Quinta das Padres, existe umr
pequena copela dedicada a Nossa Senhora do Populo, que deve
ter sido construida na segunda metade do seculo XVII. Esteve
neste local o beato Inacio de Azevedo, no ano de 1570, na sur
passagem para o Brasil, sendo poucos dias depais martirisado
com seus trinta e nove ccmpanheiros nas alturas das ilhas
Canarias. Havir nesta capelí uma inscricilo lapidar que come-
morava esse facto, mtrs que dali foi retirada ha muitos anos.
(Vid. o livro Paroquia de Santo Antonio da Ilha da Madclra).
N. S da Porciuncula (Cagela de)-No terceiro ou último
quartel do seculo XVII, cstabeleceram os religiosos francisca-
nos nr freguesia da Ribeira Brava nutna modesta casa monas-
tica com sur capela dedicada a Nsssa Senhora da Porciuncula.
No ano de 1730 fundaram ali uma pequena igrejr em substi-
tuicao da antiga ermidri, que conservou a mesma invococgo.
Passado urn século, com a expulsao das ordeus religiosas, a
igreja e c m conventual ficaram em inteiro abandono e em
breve se converteram em montoes de ruinas.
N . S, dos Prazcres (Jgreja de)-Quando em 1676 se criou
8 freguesia dos Prazeres, já ali existia hr bastantes anos, no
sitio da Estacada, uma crpela dedicada r Nossa Senhora dos
Prazeres, onde se instalou a séde da paróquia. A igreja actual,
que possou a ter o orago de Nossr Senhora das Neves,
foi edificada no ano de 1751, sendo entao demolida a antiga
capela. No ano de 1922, sofreu urna notavel modificacao com
o seu alargamento, construciio das saacristias e do campanario,
além de outros apreciaveis melhoramtntos .
N. S. dos Prazeres (Capela de)-<Na sur quinta da Boa
Vista por cima desta cidodes, situada na freguesia de Santa
Maria Maior, mandou Tristilo Gomes de Castro edificar uma
capela dedicada a Nossr Senhora dos Prazeres, poucn antes
do ano da 1611, Este Tristao Gomes de Castro era um dis-
tinto poeta latino e deixou algumac obras inéditas, ocupando-sa
dele Diogo Barbosa Machado na sua B bllotheca Lusitana.
N . S. dos Prazeres (Capela de)-No sitio que charnam os
Prszeres e que aproximadamente corresponde ao local em que
se encontra o Monte Pelace Hotel, na freguesia do Monte,
existiu uoua pequena crpela corn a invocacao de Nossa Senho-
ra dos Prazeres, que deu a nome an lugor, ignorando-se quseis-
quer o u t r ~ scircunstrncias que Ihe digam respeito.
N. S. das Preces (Captla de)-Com esta invocacao e no
sitio desta nome, na frcguesia de Camara de Lobos, fundau o
padre Francisco da Cunha e Mendonca urna capela no ano de
1683, que rinda existe.
N. S. das Preces (Capela de)-No sitio do Marco, que to-
mou o nome de Preces, fez o conego Agostinho de Gois e
Menezes construir no ano de 1750 urna crpela consagrada a
Nossa Senhofa das Preces, que fai reedificada em 1884 por
Antonio Tiago da Silvo, seu entao proprietario.
N . S. das Preces (Capela de)-No ano da 1768, construiu-
aa urna cwpela desta invocacao na freguesia da Santo Antonio,
no sitio que hoje tem aquele nome e que era de instituicao
vincular, sendo s capitá~Rodriga da Costa O seu admhistra-
dor no ano de 1770 e Manuel Joaquim de Franca em 1796. A
capela e casa contigua foram inteiramenta reedificadas no
ano de 1856.
N. S. da Quietogao (Cspela de). Lourenco da Matos Couti-
nho e sur mulher D. Mariana de Ornelas de Vasconcelos fun-
daram, no ano de 1670, uma capela com a invocacao de Nossa
Senhora da Quietacao no sitio dos Alecrins da freguesia de
Santo Antonio.
N. S. dos Remedios (Igreja de)-Dependente da freguesia
do Campanario, criou-se um curato na Quinta Grande em
1820, que foi elevado á crtegoria de freguesia autonoma no
ano de 1848, sendo as respectivas &des instaladas na capela
de Nossa Senhara dos Remedios construida nos principios do
seculo XVII. No ultimo quartel do s6culo XIX foi reedificada
e ampliada pelo paroco Antonio Rodrigues Denis Henriques.
N. S. dos Remedios (Capela de)-Encontra-se uma capela
desta invocacao, no sitio do Moreno da freguesia de Santa
Cruz, instituida pelo conego Manuel Fcrreira no ano de 1690,
que foi encorporada no morgrdio dos Barretos daquela vila.
N. S. 320s Remedios e Amparo (Capela de)-Anexa á casa
solarengr! dos antigcs viscondes de SZo J o ~ o ,na rua das Ma-
ravilhas &era cidade, fundou o seu actual proprietario dr. Rui
Betencourt d í Camarli uma elegante e formosa capela dedicada
a Nossa Senhora das Remedios e Amparo, que foi benzida no
dia 1 de Jrneiro da ano corrente de 1940.
N.S. da Redcn~doe Mcrcés (CapeIa de)-Informa-nos o
distinto genealogista conego Fernando de Menrzes Vaz que a
capcla existente na roa da Boa Virgew, da freguesia de Sinta
Maria Mai?r, geralmente conhecida pelo nome de Nossr Se-
nhora da Oliveirm, 6 dedicada a *Noo;o;aScnhora de Redencari
c Merces do C a r m o ~ e teva como fundddor Manuel Gomes
de Bulhoes no ano de 1655. O erro, em que alguns teem in-
corrido, p r o d m do facto de ter havid\; nsquela rur. urna anti-
ga ermida com a invocacao de Nossw Senhora da Oliveirra, que
ha muito desapareceu.
N. S. do Rosario (Capela de)-No siti3 do Rosario ou dn
Vargem da freguesia de Slo Vicente, encontra-se uma caipcla
dedicada r Nossa Senhorr dn Rrsrrlo, que é de antigo cons-
trucao, mas tcm sofrido no decorrer do trmpo várias repprmi-
@es e acrescentamentos, pouco restando da edificucao primi-
tiva. Foi notavelmente ampliada por meados do século passt-
do e atribui-se a sua primeira ccnstrucao a urn individuo por
nome José Caldeira, dizcndo-se algutes que era de instituicao
vincular.
N . S. do Rosario (Capela de)-Em ano que nao podemos
precisar e no sitio da fregucsia de Santa Cruz, que ainds hoje
conserva o nome de Rosiric., fundou André Grncslves urna
capeln dedicada a Nossa Senhora do Rnsasio, por meadns do
século XVI, que no ano de 1670 era propriedade de Manuel
Gomes Mendonca .
N. 5. do Rasarlo (Capela de)-O capitao Matias de Men-
donca e Vasconcelos fez construir no ano de! 1654 urna crpela
desta invocacao na vllr de Machico, ande chnmam o Ribeiri-
nho, que foi arrasada pela grande aluviao de 1803.
N. S. do Rosario (Capela de)-NI, sitio da Fundom, fre-
guesir de S. Roque, existe a pequena canela de Nossa Scnhcirr
do Rosario, que foi fundada no ano de 1668 por Jaao da Paz
de Castro.
N, S. do Rosarlo (Igreja de)-Por 1734, criou-se um cu-
rato na frcguesia do Jardim do Msr corn séde na capcla de
Nossa Senhora do Rosario já a9i existente, que foi intcirsmen-
te reconstruida no ano de1786, O paroco Cesar Martinho Fer-
nandes empreendeu o temerario arrojo de construir um novo
templo numr povorcao que contova apenas meio milhar de
habitantes e conscguiu rcslisar esse melhoramento I forca dos
mais inauditos e6forcos a crnseiras, tendo sido o ?rquítecto, o
mestre de cbras, o nrtifice e o operario dessa obra, como pi-
torescamente mas como inteira verdade infcrrmou um jornal do
tempcr. A nova igreja, dedicada a Nossa Sénhr~ra do Rosario
como a velha ermida, foi solen~mentebenzida a 19 de Outu-
bro de 1907 pelo bispo D. Manuel Agostinho Barreto. Como
já atrás ficou dito contribuiu com os mais valiosos auxilios
para C S S ~constru~aoO prt~prietario Francisco Joae de Vas-
concelos, representante do antigo morgadio, que tinha al¡ ca-
pela e casa solarenga.
N. S. do Rosario (Capela de)-Jacinto d i Camara Lome-
lino comecou a construcao duma caoela dedicada a Nossa Se-
nhora do Rosario na freguesia do Campanario, que foi conclul-
da por seu filho Antonio Leandro da Camrra Lomelino no
ano de 1748, tendo ha muito desaparecido.
N. S. do Rosario (Cnpelr de)-No ultimo quartel do sé-
CUI? XVIII fundnu o padre Matias Jorge Jardim, no sitio da
Ilha da freguesia de Sao Jorge, urna capela cam a ii~vocrrcao
de Nossa do Rosario, que já atrás ficau descrita, por equívo-
co, com o orago de Nossa Senhora da Piedrde.
N. S. do Rosario (Capela de)-Na Quinta da Paz, sitio
da Quinta de S%oStlvsdor, existe uma pequena capela de-
dicada a Nossr Senhora do Rosario.
N. S. da Salva~do (Capela de)-Com esta invocacao,
edificou-se uma capela, na freguesia do Canico e no ano de
1614, que teve por fundador Francisco Morais de Aguiar e
de que aindo restam algumais ruinas no sitio dos Moinhos.
N. S. da Salva~úo(Capela de)-joao Betencourt Henri-
riques e sua mulher D Antonira de Castelo Branccs fundaram
uma pequena capela com o orago de Nossa Senhoro da Sal-
vacao, no ano de 1663, que ficava na rur das Fontes, á frcguc-
sia da Sé.
. N. S. da Saúde (Capela de) Na rua da Saude, freguesia
de Sao Pedro, existe urna cipelr dedicada r Nossa Senhora
d i Síudc, que foi edificada vwlo dr. Pedro Cirdoso Carvaiho
de Valdavesso no ano de 1659.
N . S . da Saudt do Monte Olfvette-Informa-nos o ino-
tadw dts Saudade~da Terra que na frrguesir de Santa Mrrii
Maior existi~urna capelr desti invocacac, a aual era vertrnca
*do morgadid instituido por Pedro ~ o p e dé
s ~rsconcclos em
1675i.
N . S . do Socorrs (C~pelade)-Com esta inrocrcao e no
sitiu debte nome, existiu urna cipelái n i freguesir .dos Canhis,
que foi instituida por J d o Fernandes Linhrres no ano de
1665.
N . S . do Socorro (Cipela de) D . Mrria de Aguiar, viu-
va de Goncrlo de Farii Leal, fundou urna capela dedicada r
Nossa Senhorr do Sccorro na freguesir do Estreito de Crmr-
rr de L a b ~ s ,em ano que ignoramos.
N . S . do Socorro (Capela de)-No sitio da Referta dr
freguesii do PI rto da Cruz existe uma capelr dests invocacfo,
que primitivamente tcve como orrgo Nossa Senhora de Be-
Iém, descrlnhccendo-se o nome di> seu fundador e ano da sur
construcil~~.
Pertenceu cio morgrdiu chrmrdo Torresao e foi
sCde do vinculo instituido por Manuel Telo Moniz TerresPo
no ano de 1713.
h. S . do Socorro (Capelr de)-NI freguesir do Canico,
junto duma casa de campo de antigo morgrdo e no sitio da
Azenhr, enco itrsm-se rinda 8s paredes duma capela de Nossr
Senhorr do S'~cnrro,da quai nao ternos outra noticia.
N . S . do Terco (Capela de)-Por 17i0, fez o povo cons-
truir uma pequenr capela ccintigur á igrtjr prroqoirl de Mi-
chico dedicada 8 Nossr Senhorr do Terco.
N . S . do Vale (Ctpeli d..)-Antonio Vogrdo de S to-
mrior fundou, no sitio d ? V ~ l uFarmnso da freguesii de San-
t i Luzir, umr capel* cam r invocq8o de Nossa Senhorr do
Vala no ano de 1726.
N. S. dos Varadonros (Capela de)-No largo que ainda
hsje coiiserva este nome, levantou-se uma pequena capela no
seculo XV, que era das mais antigas da diocese e que tinha
como orago a Assuncao da Stntissima Vargem. Quando se
procedeu A construcao duma parte da chamada cortina da ci-
dade, ergueu-se ali um aparatoso arco, qne ficou constituindo a
entrada nobre da capital desta ilha, e junto a ele, sobra umas
pesadas pilastras, se fez reedificar a velha ermida, que j6 entao
tinha a invocacaq de N m a Senhora do Monte. O vandalismo
iconoclasta da Camara do Funchal mandou demolir, no mes de
Abril de 1911, o interessante porta0 e a pequena capela anexa,
cc m o pretexto do alargamento daquele local, e m b ~ r ao facto
causasse a maior indignacao na grande maiorir dos habitantes
da populacao da cidrde. (Vid. El. M a d 11-225)
N. S. da Vida (Capcla de)-No sitio da Faja do Mar da
freguesia do Arco da Cilheta e debrucrda scbre o mar, encon-
tra-se uma pequena capela ccm a invocrcao de Nossa Senhora
da Vida, que foi fundada por D. Ines Teixeira no ano de 1663,
tendo sido reedificada na segunda metade do século XIX.
N. S. da Vida (Capela de). Na freguesia de Sao Pedro e
mna sur quinta por cima destr cidrde., fez o cauitao Manuel
Valente construir, no ano de 1679, uma capela dessr invocr-
cae, que ha muito desnpareceu.
N. S. das Virtudes-(Copela de). N8 quinta e sitio deste
nome, freguesia de Sao Martinho, acha-se a cipela de Nossa
Senhora das Virtudes, que fui fundada em 1661 por Prancisco
de Vasconccies Betencourt, havendo sido reconstruida por mea
dos do século passado.
N. S. da Vlslta~do (Crpela de)-No antigo edificio do
Hospital da Mi:;ericordia do Funchal, encontrava-se urna belr
capela da Visitacao de Nossa Senhora, que tinha urna altar de
madeira em primorosa talha dourada, considerado como rimo-
ve1 nacionaln, e que cuidadosamente arrecadsdo aguarda a
oportunidade de ser reposto numa crpela a construir no actual
edificio da Misericordia ros Marmeleiros. Foi edíficada no ano
de 1687.
N. S-. da Vlsita~áo(Capela de)-Na vila do Porto Santo
.xiste urna capela destr invocrcao, que era pertenca da antigr
Misericordia daquela ilha .
N. S. da Vlsltagüo (Cspela de) A Misericordia da vil8 da Cr-
Ilieta possui oindr urna crpela dedicada á Visitacao de Ncssr
Senhora, que fci ccnstruida no ano de 1844.
N . S . da Vlfórla (Crpela de)-N8 margem esquerda da
ribeirr dos Sr.corridos e sitio chatnado da Vitoris, n i freguesia
de S. Martinho, enconlra-se umi capelr com aqueja invocecao,
que segundo nos informa o ilustre cr:menthdor de Gasprr Fru-
tuoso foi instituida em 1599 por Francisco de Betenceurt ern
terrrs de seu morgrdio. Sendo pertenca da casa dos condes
de Carvalhsl, fni arrematada em hasta públicl pela firma co-
mercial Freitrs ¿3Mscedo, que quwi intriramtnte rs fez refdifi-
crr, havendo sido benzida no dia 15 de Dezembro de 1873,
N . S. da Vltdrla (Capela do)-Em 1661, o morgado Hen-
rique de Figueirdr e Utrr e sua mulher D. Maria Frtnciscr
Lomelino instituiram umi capelr dedicada a Nussa Senhora da
Vitórir junto da sua casa do campo no sitio dos Marocos da
fregtiesia de Machico. que ftsi restaurada por um seu descen-
dente no ano de 1749.
XLI

(ContinueqBo)

Nosso' Senhor jesus Cristo (Capela del Vid. Bom Jcsus (Ca-
pela do), em Santa Cruz.
Rels Magos (Cipela dos Santos)-NI rua do Hospitrl
Velh~,freguesia de Santa Marir Mainr, existiu umr rrpela
deste orrgo. que era de edificaqio tnuito antigr. Ignoramos
se a sur construcao C interior so ano de 1484, em que nrquele
local se instalou o hospital da Misericordia do Funchal, mas
sabe-se que foi encorporrdr no edificio do mesmo hospitrl e
serviu para uso privrtivo dele.
Reis Magos(Capel~dos Santos)-No sitia do Lnmbq dos
Reis, freguesia do Estreito da Cslhetr, fundrram Francisco
Homem de Gouveia e su8 mulhcr D. Irrbel Afonso de Azeve-
do urna cspela dedicada aos R ~ i sMagos pele s rnc S de 1529,
que foi rcedificrda nr primrira metade do sCculo XVIII e rin-
da se encontra em regular estado de conservrcac?. Nela se
encontra um brixo-relevo primorosamente esculturado em tnr-
deira, representando as figuras dos Reis Magos.
Reis Magos (Capela dos Sintos)- N8 quinta dos Rcis e
sitio do mesmo nome. freguesia do Monte, tncontra-se a cipe-
Ir dos Reis Magos fundada por Durrte Mendes de Va~conce-
los no ano de 1554. Existe rli, informa-nos o mArquivo His-
tórico da Mideira. (1114) urna interessanta e curiosa imagem,
cujr idtntificrcio nao está rinda rigorosamente feita comc: me-
rece,
Rels Magos (Capela dos Santos) - De construcio bastante
antiga cncclrtra-se umr capela destc oragn no sitio dos Reis
Magos da freguesia da Ponta Drlgida, que fci recr nstruids no
ano de 1778 por Joao de Carvrlhrl Esmerrldo e Camara e
scndo ha poocas anos ncivrmente restaurada .
Sontana (Igrrja de)-Jgnorr-se o rno cm que foi canstrui-
da utnr c +pela dctlicedi á bcmaventurada Santilnr, na qual se
instslru em 1552 a séde dum curato, t levsdo Q crtegoria de
prróquis autónoma pclrs anos de 1588. A actual igrrjr cdifi-
cou-se nos ultímcs ancs no réculcl XVII ou nos principios do
s6culo scguinte, tendo passado por importantes rcparoc6es em
1734 e sendcl construidos o campanario e a sacristir no ano de
1746. Por meados do século passado fni novamente restaurr-
da e nos ultirnos rnoo reccbcu este templo notrveii melhfirr-
mentos nrrs decc r a ~ a e sinteriores o 110s seus rrredr3res.
Santana (Capela de)-Francisco Dias cdificou no ano de
1607, na freguesir de Sao Rt~quee no sitio que hoje conserva
abtc nomc, umr cnpela desca invecaciio, que acturlmente per-
tence a Joao dos Reis Pestanr .
Santana (Capela de)-Na freguesia de Machico, o capitao
Antonio Vogado Soto Maior e sur mulher D. Cttarina Luisa
de Menezes e Vasconcelils fizerarn construir no ano de 1721
uma crpela dedicada 4 bemaventuradr Saiitana .
Sentaaa (Capela de) -NI referida freguesia de M~chicoa
cl m a mecma invocrcao. o morgadn Henriqur Figueiroa de
Utra e sur mulher D. Francisca de Vasconcelos instituiram
uma cspcla no ano da 1756.
No sitio de Stntanr, da freguesia de Machico, existe urna
capcla com esse oraga que 6 uma das duls capclas que ficrm
descritas.
Santana (Csprla d ~ ) - N o ano de 1738, instituiu Pantrleao
Fcrnsndes urna capela dedicada a Santrria cna sua quinta do
Livtamento., 4 freguasia do Monte.
Santona (C*ppIm de) -No sitio da Faja do Penedo, da fre-
guesia da B rventurr, edificou Francisca de Caires umrr capela
desta invcc~ca no ano de 1768.
l,

Santana (Capela de)-No siti d R beiro Seco, fr. gucsia


de SPa Martinho, existe a capcla de Santana fundada no ano
de 1780 por Agostinho Pedro de Vasconcelos Teixeira.

Senlana (Capela de)-No ano de 1785, instituiu o capitao


Pedro Drumrjnd de Va:concelos umr c~peledesta invccrcao,
na freguesia do Canico.

Santana (Capela de) Odr. Antonio Dionisio da Silva Conde,


juiz dos orfPos, fez construir n8 susl quinta da Cruz do Carva-
Iho, freguesia de Sio Pedro, uma capcla consagrada a Santana,
no ano de 1780.

Santana (Copela de)-Existiu urna capela destr invocacao


na freguesia de Crmara de Lobos, no sitio da Ribeira da Fer-
nanda.
Sa~tana(Capela de) Vid. N. S . do Monte e Santana (Cal
pela de)
Santa Apolinaria (Capela de)-Nas imediacocs do con-
vento franciscano da vila da Calhefa, existiu uma pequena
capela dedicada a Santa Apolonia, que era pertenca do mesmo
convento.
Santa Beatriz (Igrejr de)-A paróquia de Agua de Pcns,
criada no ario dc 1560, teve su# séde na ermida de Santa Bea-
triz e ili permineceu até ri ano de 1749, em que se concluiu a
construcio da igrejri actual, cm lugar diferente mas a pequen8
distancia da antiga capela. AtravCs do tcmpo, tem passado por
diversas reparacoes .
Santa Bri&¿da (Capela de)-Na freguesia de Sao Pedro e
pouco dlstanctada do velho convento das Mercés, ficava uma
capeli da inv»c-lcio de Santa Brigida, que tinhr sido fundada
no ano da 1668 por Antonio Macicl de Afonseca Cerveira.
Santa Catarina (Crpelr de)-Compartilhamos da opiniao
dos que rfirmam, e entre estes o ilustre anotsdsr d i Histdria
Insulana, que foi r caprlr de Santa Catarinr o primeiro tcm-
plo, embora de bcm modestas proporc¿3as, que se levmtou n i
Madeira, no proprio local cm que Joao Gonsrlves Z ~ r g ofez
o scu primitivo rssentamento aa iniciar os trabrlhos da colo-
nizacao madeirense. Ainda felizmente se encontra de pé, situr-
da no pequena largo que tem o seu nome, nr freguesir de
S. Pedro, sendo bastante para lamentar que estejr votada ao
mris completo abandono.
Já em outro lugrr deixámas dito que, como todos os edi-
ficios que nesta ilha se construiram nos tempos primitivos do
povormento, terla sido esta crpela uma edificacao deamadeira,
da mris singela arquitectura e despida de toda a decorrqao e
ornato, o que sómente deste modo podarir entao ajustrr-se
as circunstrncirs ocorrentcs. A pequen8 e primitiva ermidr so-
freu varias reconstruc6es e repairos no decorrer dos tempos,
sendo r capela actual uma construcao dos fins do seculo XVII.
E' no entretanto o único edificio que no Funchal recorda o
ficto da descobcrta. Como tal deverá ser religiosamente con-
servado. N i sur pequenez, na sua modestia e n i sur pobreza,
comemorr o inicio das nossrs brilhantes descobertas maritimrs,
e prrr os mrdeirenses representa, além do descobrimcnto, o
comeco da colonizaqao desie arquipélrgo. O actual edificir~
tem gravada nr cantaria superior do pórtico a data de 1425,
que decerto representa o ano da construcao primitiva.
Santa Catarina (Crpela de) -N8 visinho ilhr do Porto
Santo, no sitio que rinda hoje conserva este nome, existiu umr
crpelr deste orago, que era de adificrcao bastante rntiga. Igno;
rr-se em que ano foi demolida, mis foi reconstruida dentro
do cemitcrio paroquirl na segunda metida do século prssrdo.
A rntiga imagem era objecto dr maior venerrcao dos hrbitrn-
tes diquela ilha, e qurndo foi roubida pelos piratas mrrro-
quinos numi das incursoes que ali fizerrm, procedeu-se ao seu
valioso resgrte e foi reposta nr sua primitiva crpeli, segundo
consta da tradicao local.
Santa Catarina (Cipdr dr)-Diz-nos o erudito comentr-
dor dis Saudades da Terra que Henrique Alamao fundou urna
crpcli da invocactlo de Santa Catrrinr, na futura fraguesia da
Mtdalena do Mar, pouco tcmpo passado depois do ano de
1457.
Santa Catarina (Capela de)-NY fregue~iade Santr Cruz
s no sitio c mhecldq pelo nomc de Santr C~tnrinq, fiindou o
rntigo povrrador Goncalo de Preitas, no secul,~XV, uma crpela
dedicada r Santa Catarina, segundo se le en1 rlguns rntigos
ncbiliarír s. Foi reedificada no anc de 1675 p.>r Simao Bor-
rrlho Trvrres, restandrr dela apenas algumas ruinas.
Santa Catarina (Crpela dr) - N ano da 1505 instituiu
Rodrigo Enes na freguesir dn Ctlheta uma crpela destr invo-
ciciio que deu o nome ao 4rio onde foi construida, teqdo sido
rcedificrda no ano de 1667 por Antonio Fernandes Pereira
Serrao .
Santa Catarina ('apela de)-Algures se afirma que nh
freguesié da Ribeirr B.-avr existiu urna crpelr desta invocacao.
Santa C!ara (Igrej a de)- -O primeirn ca pitao-donatario
do Funchal J U ~ UGoncalves Zarco fez canstruir a capela dc
Nossa Scnhora da Canceicao, conhrcidr ao lempo por Con-
ccicao de Cima, tando seu filho e segundo donatario J d o
Goncalves da Camarr fundado juntci dela o convento de Santa
Clara nos ultimos anos do século XV. A antigr capela ficou
incorpciruda nu nova edifica~ioe passou esta a ser chamada
de Santa Clara. A igrejr rciual é construcao dos merdos do
sécul 1 XVII, nilo sc clinscrvrndo vestigios da capela primitiva.
Joao Ooncaives Zarco, falecido no ano de 1467, foi se-
pultado j ~ n t odo altar-mór da antiga ermida da Conceicoo por
ele fundada, como era privilegio dos prdroeiros, e di conti-
nuariam a permanecer os seus restos mortais, qurndo por
mardos do sécultj XVII se procedeu acr asrescentamento a re.
construcao dar velha capela, que já entiio tinhr o nomc de igre.
j a de Santa Clara. Sendo um frcto indubitavel que tevó sepul.
tura ncstr igrej j, C nii ciitretrnto duvidoso que se houvesse
hito a trasladacao para O túmulo da seu genro Mmim Man.
des de Vasconcelos, que ficr situado ao funda da igrejr e jun-
to P O c13.o chrmrdo de b~ixo,e que gerrlment.; se rprcoentr
ros visítdntes como o sepulcro que encerra as cinzos do pri-
meiro crpitiio-donatario do Funchrl .
Santa Isabel (Cspelt de)-Anexa ao edificio do hospital
da Misericordia da vila de Santa Cruz existe uma pequen8 ca-
pela qui se afirma ter a invocacao de Santa Isabel, mas que
nos parece ser dedicada ao mlaterio.da visita da Santissima
Virgrm a sur píima Santa Isabel, como em geral acontecia
com as capelas das antigas Misericordias. O primitivo
edificio do hospital foi construido no primeiro quirtel do
século XVI e restaurado no século prssado, mas ignoramos a
data precisa da ccnsstrucao da capela.
Santa Luzla (Igreja de)-Aproximadamente no ponto &
convergencia da estr,da da Levada de Santa Luzia com o ca-
minho dos Saltos, construiu-se urna capela dedicada a esta
virgem martir nos fins do século XV, que no ano de 1676
serviu de séde á freguosir entao criada corn o nome de Santa
Luzia. Abateu-se no primeiro quartel do século XVIII, prs.
srndo o servico paroquirl a redisir-se provisoriamente na
ígreja do convento da Incrrnacao. A construcao da igreja
actual foi dada p i r concluida no ano de 1741, scndo levantada
em local bastante afastado da antiga crpels. Foi criado um cu-
rato com sede nesta igrejrr no ano de 1745.
Santa Marla Madalena (Igreja de) Dizem velhos nobilia-
r i o ~madeirenses que Henrique Alemao, a quem tinhrm sido
dadas terras de sesmaria na futura freguesia da Madalena do
Mar, fundou ali urna cap~ladedicada a Santa Maria Madalsna,
por meados do século XV, sendo ampliada e r t ~ ~ n S t r ~por
id8
Joilo Rodrigues de Freitas no primeiro quartel do século se-
guinte. Nesta rgrejr encontra-se um be10 qurdro a oleo, repre-
sentando os desposorios de Sao José corn a Santissima Virgorn,
conforme pode ler-se a pag. 177 do vol. 1.O do aArquivo His-
torico da Madeira~.
Santa Marla Madaiena (Capela de) A' margem da estrada
que conduz a freguesiri de Santo Antonio e no sitia que tem o
nome simplificado de Madalena, encontram-sa ainda as ruinas
duma antiga capelr dedicada a Santa Maria Madalenr, cuja
construcao deve datar dos mcarfors do século XVI, sendo reedi-
ficada no ano de 1684 p 3r José Machado Miranda, que entao
passou r ser o seu padroeiro. O livro Paroqula de Santo Anb6-
nlo insore urna dcsenvolvida noticia Acerca desta capela.
Santa Marla Madalena (Capela de) Ni freguesia do Porto
do Moniz, no conhecido sitio dr Santi, existe urna capela da
invocaclo de Santa Maria Madalena, que 6 de edificrcao bas-
tante rntiga, tendo sido imvliidm no ano de 1789 e passado
rinda posteriormente por outras notaveis rcparacc3es. E' consi-
derada hoje a séde do curato, que teve sur primeira instalacSo
nrs-Achadrs da Cruz, por 1676, e que se transferiu para esta
capelr do sitio da Santa, quando na povoacao das Achadas foi
criada urna pmróquia autónoma no ano de 1837. Tem residen-
cia privativa para o respectivo cura e acht-se nas suas imcdia-
c6es um cemíteria paroquial. E' centro duma concorrida ro-
magcm, que se realisa no mes de Julho de cada ano.
Santa Marla Madalena (Capela de) No sitio das Florencas
da freguesia do Arco d i Crlhctt, fundaram Jolo Portes Homcm
de El-Rei e sua mulher D. Maria de Sousr uma ciprla dedica-
da a Santa Maria Madrlena, no ano de 1684, que ha muito nao
existe

Santo Marla Malor (Igreja de) Vid. N. S. do Calhau (Igreja


de) a Sdo Tlago (Igreja de).

Saata QuftArla (Igreja de) Por 1731 e no sitio j i entao cha-


mada da Boaventurr, fizeram os habitantes diquelas imediacaes
construir uma capela dedicada a Santa QuitCria, onde foi insta-
lado um curato dependente da parnqula da Ponta Delgada no
ano da 1732 e elevado 6 categorii de freguesia autónoma no
aria de 1836. No ano anterior foi es!a crpela nntavelmente
acrescentadi, tendo recebido através do tempo muitos melho-
ramentas e reparacoes .
Santa Qultbrla (Capela de) Com esta invocacao e no sitio
deste nome, da fregucsir de Santo Antonio do Funchal, existiu
uma capela fundada por Simao de Nobrega e S ~ u s ano ano de
1727.
Santa Quftérla (Capelr de) No sitio da Banda de Além, da
freguesia da Madalcna do Mar, fez ) padre Diogo de Freitas
construir urna capela dedicada a Santa QuitCria em ano que se
ignora.
IOREJAS E CAPELAS 355

Santa Rfta de Cassh (Crpelr de) No sito do Arieirg, da


freguesia de Sao Mirtinho, fez Joao Marcelo Gomes edificar
uma capelo dedicada r Santa Ritr de Cassir, n primeiri desta
invocacto que se construiu no Madcirr, tendo ido benzidr pelo
Prelado Diocesrno a 15 de Marco de 1934.
Santa Teresinha do Menino Jesus ((lapela de) A familia do
falecido Conde de Canavial (1829-1902) mrndou coristruir no
sitio do Lqmbo, freguesia do Monte, uma bela e inttressrnte
capelr com o orago de Santa Teresinha do Menino Jesus, que
foi solenemcnte benzida pdo Bisps da Diocese r 1 de Agosto
de 1939.
Santissima Trlndade (Igreja da) A fregucsia da ti bu^,
criada no ano de 1568, teve como séde urna pequenr copela de-
dicada & Sintissima Trindade, que urna grande aluviao des-
truiu no terceiro quartel do século XVII. A coiistrucilo da
igreji actual fei dada por concluida no uno de 1696 c tem pas-
sido por varios melhorrmentlrs e reparrcocs.
Santo Amaro (Capela de) É das mris antigas destr diocese
e umr das poUcis que rinda restrm do réculo XV 8 capela de
Sinto Amaro, que no sitio deste nome existe na freguesia de
Santo Antonio do Punchal. Segundo a informacao que nos d i
o erudito comentador das Saudodes da Terra foi fundada no
ano de 1460 por Oarcia Homem*dcSousr, genrs de Jolo Gon-
calves Zarco, primeiro crpitao donatario do Funchal. Conjectu-
ramos que tivesse sido reedificada e aFtescenttda nos fins do
s6culo XVIl ou principios do sáculo dezoito e recebcu poste-
riormente varios melhorrmentos importantes. Tem tres altares,
nao 6 de icanhrdrs proporcoes e achr-se em bom estado de
consarvrcio. Fui am outro tempo centro duma concorridr ro-
mrgem. Perttnce á mitra destr diocese. Encontri-se um de-
senvolvido capitulo Acerca dcstr capelr no livro U A Paroquia
de Sinto Antonio da Ilhr da Mrdeirr..
Santo Amaro. (Capeli de) -E' tambem de construcao brs-
tinte antigr r crpelr desta invocacao, de que existem umas
vetustas ruinri nr freguesir da Ponta do Sol, havendo sido
fundada palo flrmengo Joao Esmerrldo nos fins do século
XV. (Vid. o opusculo # A Lombadr,dos Esmeraldas..
Santo Amaro. (Capela de)-NP vila de Santa Cruz, encon-
tra-se uma capcla com a invocacao de Ssnto Amire, mandada
construir pelo povo cm ano que se ignora, tendo sido reedi-
ficada no ano de 1922. A festi patronal, celebrada s 15 de
janeiro, atrai sempre d i uma grande afluencia de pessoas das
freguesias circumvizinhas .
Santo Amara. (Igreja de)-Jolo Enes do Couto Cardoso
possuiu terras de sesmaria n i futura fregucsia do Paul do Mar
e ali fundou r crpela de Santo Amaro, nr primeira metrde do
sCcula XVI e nelr se instrlou a séde da prroquia ou dum cu-
rato, no ano de 1676. Nao conhecemos a data da construcao
da igreja actutl.
Santo André Avillno (Capela de)-No ritio do Corvalhal,
da freguesia dos Canhas, fizeram o capitao Nuno deFreitas da
Silva c sur mulher D. Ana Guiomar de Moura Acciaioli Lo -
melino edificu no ano de 1776 urna capela dedicada a Santo
André Avelino. Numa das paredes interiores, 18-se esta inscricao,
ali posta ha poucos anos: ~Oferecidapor Jacinto Fernandes e
concluida por José dos Reis e Povos.
Santo Antao. (Igreja de)-No sitio que tinha o name de
Scixal e que pertencia á fregucsia do Porto Moniz construiu-se
uma pequen8 capela dedicada r Santo Antao nos principios
do sCculo XVI, onde se instalou a séde da paróquii, quando
esta foi criada no ano de 1553. Nao consc?uimos colher quai-
quer noticia acerca da 'Ldificwqao do templo, que hoje serve de
igreja paroquial.
Santo Antdo. (Igreja de)-A igreja paroquial do Cani~o
tem como orrgo o Espirllo Santo c Santo Anláo (Vid. este
nome .)
Santo Antonio (Capela de) -Vagas e imprecisrls referencias
temos encontrado ao humilde e prubissimo cenbbio, que nos
tempos primitivos da colonizaciXo macieirense os fradas francis-
canos estrbeleceram na margem esquerdr da ribeira de Ma-
chico, em sitio que posteriormente se chamou dn Banda da
AlCm e que uma grande enchente arrasou e destruíu, perdendo
ivida os tres ou quatro religiosos que ali se encontravun.
Conjectura-se que teria sido fundada p e l ~ sanos de 1460 e nele
existir uma pequena ermida da invocacao de Santo Antonio,
que foi o primeiro oratorio publico, querzestr ilha se levantou
em honra do grande taumaturgo portugues (Vid. r p q 173).
Santo Antonio (Igreja de)-A freguesir de Santo Antonio
do Funchil foi criada por merdos do sécuto XVI e intalrda
a sur sédc na peqoena capela que rli existir dedicada 80 santo
do mesmo nome. No primeiro qurrtel do aCculo XVII cons-
truiu-se uma igreja com mais amplas proporc¿3cs, sendo entao
dem~lidra antiga crpela. Tendo o terremoto de 1748 deixado
muito dtnificado esse templo c tornando-se j4 insuficiente para
o semprc crescente desenvolvimento da populacio, procedeu-se
á edificrcao duma nova e vasta igreja, que 15 r actual, no pe-
riodo decoraido de 1783 a 1789. Os campanarios somente to-
ram levantados em 1880, havenda abatido um deles no ano de
.
1899 devido á sur m4 conatrucao Recentemente (1922-1929)
passou por grandes reparrci3es, sendo reconstruidas as torres
e realizados outros importantes melhoramentos, em que se
dispenderam verbaa superiores a trezentos contos de reis, como
mais largamente se pode ver no Iivro A fregussta de Santo An-
tonio da Ilha da Madtlra.
Santo Antonio (Capela de)-Das muitas capelas que nesta
ilha se ergueram cm honra de Snnto Antonio é umr das mris
antigrs a que se construiu no tercnkrl qurrtel do sCculo XVI
e que ainda se encontra na freguesir de Santana, no sitio que
tomou o nome de Achada de Santo Antonio. Foi reconstruida
pelo pova no ano de 1730, nao restando cousa alguma da
edificacao primitiva.
Santo Antonio (Capela de)-Nos fins do século XVI le-
vrntou-se urna pequena capela na vila da Ponta do Sol dedica-
da a San. Antonio, que ainda existe e que dove ser a reconse
trucio po,r:ial ou total dr rntiga ermida, realisada em era que
nao podemos determinar.
Santo Antonio (Crpela de)-Na mesma freguesi*, no sitio
do Lugar ;ie Baixo, cncontra-sa outra capelr com a invncacao
de Santo Antonio, da qurl deixámos dito em outro lugar que
teria sida edificada por Joao Esmeralda de Atouguia nos pri-
malros at ss do século XVII e que era pertenca do antigo mor-
gadio do Santo Espirito. Foi demolida e a casa anexa pelos
seuti ultimos proprietrrios A. Ciiorgi 6r C.,' fazendo-as subs-
tituir por urna execelentc moradia e uma pequena capelr, qrís
foi solenemente benzida pelo prelado diocesano D. Manuel
Agostinho Barreto no dir 25 de Fevereiro de 1900. (V. o
opúsculo A Lombada doi Esmeroldos na Ilha da Madelra.
Santo Antonlo (Capcla de)-Na grande propriodrdc do
Curra1 das Freiras, hoje freguesia do masmo nome, que desde
o ano de 1480 pertenceu ao convento 'de Santa Clara, fizerrm
as religiosas construir nr segunda metade do seculo XVII umr
capela consagrada ao culto de Santo Antonio. Nela se estabe-
leceu r sede drquela paróquia, quando foi criada no ano drl
1790, e nela parrnancccu até os principios da século XIX. cm
que foi edificada a actual igreja prroquial, dedicada & Nossr
Senhora do Livramento. JA cntao se encontrava E rntiga cape-
la em adiantado estado de ruina, tendo dc~aparecidodentro
de poucos anos.
Santo Anlonlo (Igreja de)-E' ir actual igreja prroquial d i
freguesir de Santo Antonio da Serra, que foi reconstruida e
muito ampliada nos merdos do século passado, sendo solene-
mente benzida pelo prelado diocesano D. Manuel Martins
Manso a 23 de Agosto de 1857. Existir rli uma capela, edifi-
cada pelos anos da 1738 no local onde já anteriormente se
encontrava uma pequcna ermida, que drtavr do último quartel
c i seculo
~ XVI ou principios do século seguinte, atribuindo-se
a sur primitiva instituiclo a Oil de Cuvalho, que faleceu no
ano de 1540. Para a reconstruclo da actual igreja e alarga-
mento do seu espacoso adro muito concorreu o subdito norte-
-8mericano John Howard Match, que por este e por outros
servicos foi agraciado com urna medalha de ouro pelo govcr-
no portugues. (Vid. a pag. 245 deste livro).
Sanlo Antonio (Capela de)-A rua que liga o Largo dos
Livradores com a travessa do Acipreste tem o nome de Hos-
pital Velho e é tambem chamada de Santo Antonio, por ter
ali existido urna crpela destti invocrcao, d t que rinda restam
algumas ruinas e que foi fundada por Antonio Teles de Mene-
zes no ano de 1682.
Santo Antonio (Capelr de)-Na freguesir da Ribeira Brrvr
fundou Hcnrique Brrndao Henriques de Noronhr, uma crpelr
com este orrgo na ano de 1696, gna sur quinta do sitio da
Alrg6a., que era conhecidr pelo nomc de Srnto Antonio da
Malvasia.
Santo Antonio (Crpelr de)-No sitio do Lombo do Srlao,
freguesir da Crlhetr, onde chamam o Vale dos Amores, cn-
contra-se uma pequcna crpelr drquela invocrcao, desconhe-
cendo-se o nome do seu fundador e o ano da sur construfle.
Era conhecidr pela denominacao de Santo Antonio dos Mi-
Iigras.
Santo Antonio (Crpela de)-Ni freguesir da Ponta Delga-
da, no sitio do Pico. deprrrm-se com rlgumrs ruínas duma
antigr capelr dedicada r Santo Antonio.
Santo Antonio (Crpela de)-N8 rntigr rur da Lrrrnjeira,
encorporrda hoja nr rur do Carmo, existiu umr crpela dedi-
cada a Santo Antonio. que foi demolida no ano de 1836 par4
rlargamento drquele local.
Santo Antonio (Clpelr de)-Yid. N . S . da Mde de Deus
(Capelr de)
Santo Antonio (Crpelr de)-No recinto da Alfrndegr e
aplicada r servi~os rduanciros, encontrr se o edificio duma
pequenr crpela, que foi mrndrdr construir no ano de 1714
pelo Provedor d i Frzendr dr. Joao de Aguirr, tendo no limirr
superior do pórtico r inrcricao latina ad solern sol, que tem
dado ansejo 8 diversas interprctac6es. A'cercr destr capelr
C interessinte ler-se o que se cncontrr r pag. 180 do vol. 1.e
do *Arquivo Histórico da Modeirr., onde se Ihe dá o nome
de Srnto Antonio da Mouraria.
Santo Antonio (Crpelr de)-No sitio da Portrdr da Santo
Antonio, freguesir do Monte, existiu urna pequena ermidr, que
era conhecidr pelo nome de Cipelr de Santo Antonio dos Ca-
puchos, ignorando-se outrrs circunstrncirs que Ihe digrm
respeito.
Santo Alrtonio (Capela de)-Informa-nos a anotador das
Saudadis que Tristifo de Franca Betcncourt fundou no ano de
1727 i crpela de Santo Antonio, da Mourrria, nr freguesia do
Monte, que julgamos ser a que ali existe no sitio da Penhr de
Pranqa, havendo sido restaurada por Manuel de Oliveira e
benzida r 26 de Maio de 1878.
Santo Antonio (Capda de)-N8 vila de Machico, nao mui-
to distancirda dr capela do Senhor dos Milagres, edificou-se
n i primeira metrde do s6culo XVIIl uma ermida dedicada a
Santo Antonlo, que rinda estrva de p6 por mesdos do stculo
passado .
Santo AaConio (Capela de)-Existiu uma crpela deste ara-
go na frcguesia do Arco da Calhetr, fundada pr>r Antonio
Espranger da Caman no ano da 1724.
Santo Antonio (Capela de)-No sitio da Tcrrr do Baptista,
fregucsia do Porto da Cruz, adificou-se pelos rnus de 1760
uma crpeli dedicada 8 Santo Antonio, que pertenceu 4 antigr
familia Nanes Caldeirr dessr paroquia .
Saato Antonio (Capelo de)-D. Jos6 de Brito, nr sur
quinta da fruguesir do Estreito de Comira de Lr~bos,mandou
construir uma capala da invocicao de Santo Antonio, que foi
banzida a 25 de Junho de 1780.
Santo Atatonlo (Capela de)-E', por ordum cronologici da
ftmdi~ao,a terceirr capela deste orago existente na frógua.
sir da Ponta do Sol, ficindo situada no Lombo das Adegrs.
Era primitivamente um oratorio interior de habikcao, que em
1853 sa tnnsformou em capela publica, tendo sido benzida r
13 de junho bo mesmo ano.
Santo Antonio (Capela de)-No sitio &o Pomar, freguesia da
Quinta Grande, fundou o padre Antonio Silvino G o n ~ ~ l v ede
s
Andrade, no ano de 1884 e junto da casa de sur residencia,
urna capala consigrada a Santo Antonio, que C hoje propriedr-
de do dr. Joao Francisco & Almada.
Santo Espirlto (Capela do)-Pica situada nr Lombada Qs
Esmerrldos dr freguasii da Pontr do Sol a é x-capela miis
importante destr diocese, nao somante pela relativa crpr-
cidrde e preciosos objectos artisticos que encerrr como trm-
bem palas racordacots historicas que andrm a ela inteirrmente
ligadas. A'cercii deli encontra-se umr desenvolvidr noticia no
opusculo da no-sa rutoria ií~tituladrA Lombada dos Esmeral-
dos no llha da Madelra, em que procurámos frzer r historia
dos morgadios que ali tiverrm r sua sCdc a r descric00 suma.
rir das cat,rs e crpelas que pertcncerrm 8 essas instituicoes
vinculares. O flrmengo Jo%aEsmerildo fez rli assentimento a
entregou-se r umr larga exploracao agricolr e i o activo frbri
co do rqcar, tendo fundadc, urna crpela nos principios do
século XVI dedicada 80 Divino Espirito Santo sob 8 designaclo
de Sint.3 Espirito. que fni sagrada pelo bispo D. Jo%oLobo a
27 de Agosto de 1508, conforme a inscricao lapidar que sa 16
numa das surs paredes interiores. Passados dais séculos, o
oitavo administrador do morgrdis Crislovao Esmerrldo de
Atouguia c Crmsra fez demolir r velha capel : e procedeu A
construclo da novo igreja, que ficou concluida no ano de 1720,
imprimindo-lhe umr desusada magnificencia e rprrrto, que
nao se hrrmonisavrm bem com as dcsfav~raveis condicoes do
.
mcio Os sucesscires nd administracao vincular nlo descurr-
ram o saicessiwo rformosermento do templo, tornando-o em
breva um pequeno museu de arte, como já alguam chamou r
essa rica e interessante cipelr.
Tcve sempre capelao privativo mrntido pelos intigos
afiministradores da casa vinculada r que ela pertencir a ainda
pelos seas uitimus proprictrrios. Pertencc hoje 4 mitra destr
diocese, palo disposto no decreto ii,O 19268 da 24 de Janeiro
de 1931.
Santos Cosme e Dami60 (Cipela de)-E' r mesma que
está descrita sob o nome de N. S. da Peaha de F r a n ~ a(Cr-
Ihetr).
Sao Bartolomeu (Capelo de)-A psg. 189 daste astudo,
flcou exrrrdo uma pc:quanu noticio &cerca dcstr crpelr (Vid.
El. Mrd 11 436).
Sdo Bento (Igrejr de)- No segundo quartel do século XV
constsuiu-se nr futura freguesii da Ribeira Brava uma pequcoa
cipela com a invocacao de S. Banto, que logo ttve seu capelio
privativo e onde se cstabeleceu a séde da paróquir, ao ser
criada pelos anos de 1440. Desta cipela e dr igreja, que no
mesmo local se erigiu posteriormente, démos já noticia r prg.
29 deste opusculo, para onde remetennos o leitor.
Sdo Bernardino (Capelr de)-Acerca desh. crpela e db
convento que lhe ficavi anexo, Ieir-se o que se' encontta a pag.
167 e SS.
Sdo Brds (Igreja de)-E' a igreja prroquial da freguesia
do C3mpan~rio.Vid. a pig 137 e SS.
Sáo Brás (Igrrjr de)-E' a igreja paroquial da freguaia
do Arco da Crlheta. Vid. a pag. 151 e ss.
S& Caetano (Capela de) - No sitio dr> Lombn das Tergas,
da freguesia da Pontr do Sal, nohlugar conhecido pelo nome
de San Caetano, existiu urna cap&la dltssn i n v o c ~ ~ aque
o , foi
fundada no ano de 1780 por Antonio de Carvalhal Esrner'rldo
de Alcncastre e sur mulher D. Josefa Jacint ~BetencourtCor-
reia Henriques .
Sdo Candido (Capela de) - O cóncgo Francisco Cendido
Correia Henriques fez construir no ano de 1732 urna cepela
dedicada a Sfo Candido na fregucsir de Camard de Labos, que
ficavr no sitio d i Ponte da Rdcha e da qurl s6 resta' util mon-
tfo de ruinas.
Sdo Cristovúo (Capela de)-Com esta invocacPo e n6' sitio
do mesmo ncme. d i freguesir da Boaventura, existiu uma cape-
la de construcio bastante antiga, que fol de&d%da no ana de
1748 e que'eentao ficavP dentr@d i área da freguesia da Po&#
Delgada.
Sdo Cr¿stov&v(Capelr de)-No ano de 1692 e por diwosi-
#o Xestrmentaria de Cristavao Moniz de Meiicres, edificou-se
r capela que existe nr freguesia de Machico no sitM que con-
serva rquele nome.
S80 Felipe (Ctpela de)-No sitio da Quinta do Leme, fre-
guesir de Santo Antoqio, levanta-se r capalr de SIo Felipe,
que foi mandagi construir por Antonio de Lcmc epi 1536 e
reedificada no ano 1654 par Inrcio da Camara Leme. Deixan-
do-a muito arruinada o terremoto de 1748, fez recoiistrui-Ir
Frpncisco Aurelio da Camara Lcme no ,#no .de 1752. Esta ca .
pela 6 dedicada a Slo Felipe, um dos vinte e seis martires do
Japao, que r Igreja comcmorr no dir 5 de Fqvereiro, a alto r o
Apostalo Sao Filipe como algures se 12. (Vid. bParóquia de
Santo Antonio da Ilhi da Mrdeirr..
Sdo Felipe (Capcla de) Felipe Gentil de Limoges foi o fun-
dador da capela dqsa invocrcao, qpe ;se erlcantra na freguesia
de Santa Mqia Maior, ao sitio que rinda cpnserva o noqc de
SIo Felipe. Copstruidr ern 1562, ach8va-se cm estado adirntr-
do da ruina, qqando foi restaurada pela sur prpprietmrir,a
condessa de Torre Qpla e bcnzidr pelo prelado.,diocesano r 13
de Abril de 1925. Nelr se encontrr uma Iipide tumular com
esta esfranhr inscricao; rSepuJturr dos brcentes que tirini-
mente rnataram na Achab e s t a cidrde 16120, que se refere ao
crime praticado pela amrfdos expostas dessr época, 8 qual ra-
cebendo as cy,bpcas as matavr e entcrravr no sitio da Acha*,
sendo rs.respecti~asasvadas sepultrJirs rlgnps anos mris tarde
no pavimento desta capala e cobertrs com iquela @cr sepul-
crrl.
Sdo Fernando (Crpela de) No sitio deste nomc, nr vila de
Santa Cruz, edificou-se urna capela com esta invocaqao, que hr
mujto qlto existe, descpnhecendo-se outras circun~trnc@sque
Ihe digrm respeito.
Sdo Francisco d s Assls (Igrejr de)-Era r bela e vasta
igreji do conyenb de Sao Francisco, situado no local ande
hoje se encontra o Jardim Municipal e da quil jA e m o s de-
senvolvidr noticia 8 prg. 163 e SS deste livro.

vento -*
S o Prawisco de &sis (Capela de) -Desta clapela do con-
S&oFrancisco da C~lheta&eenc~ntrr trmbem noti-
cia a prg. 171 e SS. do IWro referwo.
Sáo Francisco de Assis (Copela de)-No ano de 1697
O eonego Pcdro C~rrcia Barbosa m d o u edificar urna cr-
pela desta invocacao na freguesia de Sao Pedro, no comeco
do Caminho de Santo António, que ficou canhecidapelo nome
de Sao Francisco das Furnas.
Sáo Francisco de Assis (Capel* de)- Na #quinta do Tib,
freguesia & Snt~taLuzir, mandou Antonia Vieira de Andrade
edificar em !675 urna capela dedicada a SPo Francisco de
Assis, que Francisco da Andrade, neto do instituidor, fez re-
construir no ano de 1741 dentro da mesma quinta, mas em
local diferente da primitiva capcla.
Sdo Francisco de Borja (Capela de)-Era da invocacao de
S. Francisco de Borja e nas de Sao Francisca Xavier, como
se 16 nas aSaudades da Terras, a capels que existiu no sitio da
Cruz da Guarda, fraguesia do Porto da Cruz, fundada por
Francisco de Vasconcelos no ano de 1760.
Süo Francisco Xavler (Capela de) --No sitio do Estreito,
da freguesia de Santa Cruz, fez D. Maria Manuel de Menezes
cnnstruir no ano de 1684 uma cipela dedicada a Sáo Francisco
Xavier, que um grande vendaval do ano de 1850 abatcu e re-
duziu r um m o n t a ~de escombros, achando-se já entilo bastan-
te arruinada.
Sdo Francisco Xavler (Capela de)-No ano de 1693, man-
dou Mrnnel da Silva Pinheiro edificar no sitio do Lombo do
Salgo da freguesia da Calheta, onde chamaa o Cadeado, urna
capela da invocacao de SPo Francisco Xavier, que ainda existe.
Sdo 011 (Capela de)-No sitio destc nome e com este ora-
gol fundou Antonio Alvaro de Carvalho, nn frcguesia de Santa
Cruz, uma capela por meados do século XVII, que ha muito
desapareceu .
Sdo Oongalo (Igreja de)-Na antigr? capela de Nossl Se-
nhora das Neves estabeleceu-se em 1566 um curato, depanden-
te da freguesia de Santa Maria Maior, que no ano de 1574 foi
elevado á categoria de paróquia autónoma com séde na mesma
copela. Ignoramos a 6poca precisa em que esta freguesiw pas-
sou a ter o noma de Sito Goncalo. A igrcjr actual comecou a
ser construida no principio do s6culo XVIII e no último quar-
te1 do século passado fizeram-se ncla notaveis reparacaes.
Süo Oregorfo (Capcla de)-Na .Quinta d i Conceicao~,
freguesia de Santa Luzia, fundou Rodrigo da Costa e Almeida,
no ano de 1741, umm crpelr com i invocrctío de SHo Clregorio.
Süo Joüo Baptlsta (Capela de)-A crpela de Sao Jcao da
Ribeira, assim chamada por ficar situada na mrrgem e a mon-
tante duma linhr de agua, era das mais antigis desti diocese e
Ecria sido fundada, bem como o modesto cenobio franciscano
que lhe estava anexo, ao iniciarem-se os primeiros trabalhos
da colonizacHn madcirensr, emborn nao conserve cousa algu-
mi da primitiva edificqtín. Tinha rcanhadas proporc6cs e no
principio do s6culo XVIII foi dcstruida pelas aguas impetuosas
da corrente. Procederam sem demora á sua reconstrucao em
lugar mais seguro, a no de 1780 foi acrescentada e cnnstrui-
ram-se os nltares Iaterais, passando entIo por umn notrvel res-
trurocfo. Por merdos do século prssado cncontravr-se muito
arruinada, tcndo os devotos Antonio Ferreira Nogueira e Ma-
nuel Ferreira Jardim mandado realizar importatites obras de
reparacan e restituido a apela ao exercicio do culto. Foi em
outro tempo o centro duma grande romagem, a que acorriam
pessoas de todas as freguesirs da ilha.
Sáo Joáo Baptlsta (Capela de)-O Cistelo do Pico ou de
SHo Jliao Baptista foi construido no periodo decorriao de 1622
a 1640, conjecturando-se que r pcqucnn crpela ali existente e
dedicada ao Santo Percursor tivesse sido edificada por essr
época.
Sáo loán Bapttsta (CapeI~de)-No sitio do Lombo de SHo
Joao, freguesir da Ponta do $01, encontra-se umi crpcla dedi-
cada a Sao Joao Bapt~str,cuja construcao deve datar da segun-
da metade do século XVII. Diogo Berenguer de Franca, que
tinha sidri agraciado com a mcrce de visconde de Sao Joao
no ano de 1871, era o proprietrrio deste sitio e capela, que
Ihe serviram pira justificar a cnnccssio daquele titulo nobi-
Iiárquico .
SGo Joáo Baptlsta (Cipcla de)-Com este orago e sitio do
mcsmo nome, na fraguesia da Ribeira Brava, exista uma capela,
cujo fundador e ano de cot~strucao#se qdesconhecem, mas sa-
be-se que foi reedificada pelo alferes Tomé Joao Pimenta, des-
cendente dos instituidores, no ano de 1750.
SÜo JoÜo Baptlsta (Capela dm)-Nq ano de !651 fundou
Manuel Figueiror uma crpclii desta irivocrc%o tio sitio do
Lombo du D :utnr da frrguesia d. Calhet ., que foi recons-
truida cm 1770 por D. Guiumgr Quiteria Betancourt de Atou-
guia, descendente do instituidor.
SÚo JoÚo Baptlsta (Crpelr de)-Houve uma pequcna ca-
pela deste orago, na freguesia lle Srntanr, fundada no ano da
1668 pelo chantre Domingos Goncalves de Alvnrengr.
S o Jodo Baptista (Cipela de) -No sitio do Serrado d i
Adegr, freguesia de Camara de Lobos, fundrrrm Antonio Cor-
reir Henriques e sua mulher D. Mrria da Camara, no ano de
1700, uma capela dedicada a Sao Joao Baptista.
SÚo Joáo Baptlsta (Crpela de) -O padre Joáo Bette~icourt
da Camrta fez edificar nr freguesio d. Catnpanrrio, no ano
do 1728, urna capela deste orago, no sitio que tomou o nome
de Slo Joao.
Sáo Joáo Baptlsta (Cipela de) O 8ntig.b Paco Episcoprl,
onde actualmente funciona o liceu, foi construido no periodo
decorrido de 1748 a 1751 e a capelr iriterior que ncle se en-
contrava tinha Sao Joao Baptista como orrgo, transferindo-se
ha poucos anos o sau belo altar prra a crpela do Manicomio
Camara Pestana .
Sáo /o50 Baptlsta (Igreja de)-A frcqutsie da Faja da
Ovelha ioi criada por meados do sCculo XVI e instalada a sur
sede na capelr de S. Lourenco, que ~ i n d aexiste. Passados
dois séculos edificou-se uma nova igrejr parnquial, que prs-
sou a ter como orago o S.pr1t3 Percursor e que se deu como
conclulda pelos anos de 1750.
Sáo joáo Baptlsta-Na conhecida Quititi do Palheiro exis-
te urna capela destt itivocac%i>,que n a ~está ~ p l i c a dao
~ ser-
vico do culto, cujr coastrucao data do prineiroo qurrtel do
século XIX e teve por instituidor Joao de Crrvalhrl Esmerrl-
do de At~uguiaBetencourt S& Machado, que foi o primciro
conde de Carvalhal.
Sdo lodo Bapdlsta e Jantana-NQ sitio do Trrpicbe,. frc-
guesia de Santi) Antonio, fez o morgrdo Joao Antonio dc Gou-
veir Rego edificar nr sua quinta uma crpelr dedicada 8 Sao
Joao e Srntana, tcndo sido benzidn no dir 14 de Agosto de
1814. Foi demolida no ano de 1932,
Súo Jodo de Deus (Crpelr de)-Os irmlos dr Ordam de
Sao Joao de Dcus instalaram-se n t s casas do Trapiche cm 1922
e no ano imedirto receberam os primeiros doentes atacados
do alicnacao mental. Psrr os seus serricos religiosos rprovci-
trrrm a pcquena c~pelarli existente dcdicrdr r S. Joao e Sm-
tana e fundada no ano de 1814. Com r construcao dum novo
piviihh, fizerrim em 1932 n transferencia desta crpela para
outro loctll e a que derairn s invocrcas de Sao Joao do Deus.
Senda ests! de rcrnhrdas proporcoes, empreenderrm r d f i c r -
cae dum templo de mais vasta capacidrde, o que conseguirrm
realisar dentro de poucos anos, rbrindo-se r novr igrejr, que
é dedicada ro fundrd~rd i ardem Silío JoPo de Dcus, ao ser-
vico do publico no ano de 1936.
Sdo Jado Evangelista (Igrejr de)-E' o igrejr vulgrrmentc
conhecidri pela tiome de Igreja do Colegio, da qual já démos
breve noticia r pag. 191 e SS. dcste estudo.
Sdo ja&o de LatrBo (Capela de)-No primtiro quwtel do
seculo XVI, instituiu Nuna Fernrnder; Cardoso na freguasii
de Gauln, cm terrrs do seu mhrgadio, uma crpelr com a in-
vocacgo da SPo JoPo de LatrPio. Em 1806 ichrva-se em estrdn
rdirntado de ruina, tendo nesse ano Jsao José Crrdoso da
Vaseoncelos, administrador da casa vinculada r que elr per-
tencia, requerido licencr crnonicr para a reconstruir, o que
nao chegou r realisar-se, hrvendo sido damolidr ha cerca de
qurrenta anos.
Sdo Jodo Nepomuceno (Crpelr de)- Joao Nepomuceno da
Freitas' Lid, membrrl dr antiga familin Lial que possuir vistas
terror nr freguesia do Porto da Cruz, fundou ali urna crpelr
com aquela invocaciio, no sitio dos Liais, no ano de 1770.
Süo Jorge (¡groja do) -Vid. a pag. 132 e s. deste livro.
Sao /osd (Capela de) -Ni vila de Santa Cruz existiu urna
capela da invocrcao de Sao José, ig,iortnd~-se ano da sur
\)

fundacao e o nomo do scu instituidor.


Süo josb (Capelr de)-Existiu nr freguesir da Calhcta, no
sitio do Lornbo d-i Doutor, urna capcla consagrada a Sao José,
cujo ano de construcio e nome do fundador se descunhecem,
mas foi reodificrda no ano cie 1776 por Franci~co Agosti-
nho de Figuciroa e Vasconcelos, sucassor na adainistracao
vincular do instituidor da mesma capela.
Süo /o& (Capela de)-Esteva0 da Betencourt Perestrelo e
sur mulher D. Mariana de Vasconcelos fizaram edificar uma
pequena capela dcsta invocacao, na ilha do Porto Sinto,no ano
de 1684.
Süo losd (Capcla de)-No sitio do Lugar, fregucsia da
Ribeira Brrva, construiu o capitao Luis Goacalves dr Silva
urna capala dedicada a S. José no ano de 1710.
5do JosL (Capela de)-No ano de 1730 o P ~ d r e Antonio
Franco instituiu a capelo dc Sao José na fceguesia de Machico.
Süo Josb (1grejade)-A freguesia do Arco do Sao Jorge, 80
ser crirdr no ano de 1676, instalou-se a sua séde na pequena
capela de Nossa Senhora da Picdade, tendo-se construido urna
novr igrejt dediciila ao patrirrca 5ao José, que foi benzida a
19 de Marco de 1744.
Sdo /os& (Capda de)-Houve urna capela dcsta invcicacilo
na freguesia do Porto Moniz, que teve urna prccária existencia,
pois que, sendo fundada no ano de 1899 por Clemente de
Freitas da Silva, já estrva desprovida de todos os ornatos pro-
prios dum templo catolico nos fins do primeiro quartel deste
século.
S. josd (Capola do)-No sitio do Vale da Bica, freguesia
e l Prssos Frcitas, no ano
da Calheta, mandou o dr. ~ ~ n u dos
de 1915 s junta das casas da sur residencia, construir urna cr-
pela dedicada ao patriarca Sal. J~bsé.
Sárl /ost (Capela de) Nn pitoresco sitio da Achadi da fre-
gutsie da Camacha, cnc.lntrr-se uma eevpela desta invocacao,
fundada no an. de 1922 p jr iniciativa de José Ferreira de No-
1

brega, a quem uma morte prematura nio permitiu r inteira


ccinc1usá;~jdela, havcndcl sido benzida no dia 19 de Marco de
1924.
Sao Lazaro (Capela de) -No primeiro quartel do século
XVI instituiu Jr ao A f u n s ~Ercudeiro, n i freguesia dc Santa
Cruz, uma capela com a invocrcao de Sao L,lzaro.
Sao Lazaro (Capela de) No actual edificio da cadcia co-
marca do Funchal, que era a antigr grfaria ou casa dos lazaros,
existe ainda w capela destinada ao servico privativo desse esta-
belccimento huspitalrr, cuji cnnstruccao data dos fins do sCculo
XVIi e que era dedicadre so btmavcnturado Saa Lazaro.
S ~ Lourengo
O (Capelss de)-Cam esta invocacao e no sitio
que ainda hoje cnnscrva esta nomc, cdifrcou-se na freg1:esia da
Faja da Ovzlha u m ~crpelr
; nos fins do século XV ou princi-
pios do século seguinke, e nela se estwbeleceu r sCde da paró-
quia quando esta foi creada ~ 2 1 s- anos de 1570, e rli permanc-
ceu até meridcrs d c ~S ~ C U I XVIII,
I~ acr construir-se a novn igrejk
paroquial de Sa i ao B ptista A copela actual de Sao L w -
JI

renc . é umr reconstruc%o da rantigi ermida .


Sao Louresp' (Igrej L de) -Antes da crcacao da freguesia
da Camrcha, Fdancisco G:~nsaives Srlgado fundou ali urna pe-
quena capela no anri de 1674 dedicada a S. Lourenco e nela
se estabeleceu a séde dr freguesia no ano de 1676. A actual
igrej, pgroquial, levanteda ern sitio diferente daquela capelo,
foi co.ictruidat ern 1783 .?1784 ~~parcialmcnte
reedificada no ano
de 1886 hrvcndo sido notrvelmente restaurada nos ultimos
dais decenios.
Sáo Lourengo (Carpelw de)-Na antiga fortaleza e actual re-
cinto do P ~ l i c i ode Sa-r L urenco, existiu uma capela dedicada
r esta santo martir, que foi construida por 1635 e que poste-
rirrmente r essa épocr se destinava ao uso especial dos gover-
nrdores e capitaes generais do arquipélago, sendo para d a
criado um capelao privativo pelo slrará régio de 15 de Nc-
vttnbro de 1641. (Vid. cSrudrdcs~r prg. 619).
Sao Liris (Capelr d.)-Do velho palacio das bispos, cons-
truido nos ultimos anos do século XVI, reskam apenas uma
especie de antigo claustro e a crpcla da Sao Luís de Tolasr,
há muitc profanbda e que recentemente prssou por urna gran-
de r e s t r ~ r . ~ cafim
a ~ , do ser aplicada a uma das dependencias
dn Drr jectado muscu de arte. Teve como fundador no ano '

ds 1600, o preladn diccesano D. Luís Figueiredo de Lemos,


que ali foi sepultado nn tt.29 de novembro de 1608, fazendo-se
r traslrdaclo dos seus desp! jos mortais para r Sé Catedral no
ano de 1903. O que prssou r chamar se Paco Novo, ondc
presentemente funcionr o liceu do Funchrl, f r i adificido no
p c r i ~ d odecorrido de 1748 a 1751 e serviu de pacn episcopal
: $6 o ano de 1911. (Vid fiDirrio d8 Madeirr. de 26 de Pcvr-
teiro de 1925.
Sao Luís (Capela de)-No sitio da Diferencr, da frcguesia
do Frinl, existiu umx capela crim esta invocac80, que fni fun-
dad8 por Manuel de Carvalho Vrldiivesso e sur rnulher D. Mr-
;ir de Vasconcelos dc Franca e Noronha no ano de 1725.
Slc! Luis (('apela dc)-Nrs imedirci3es da igreja piroquiil
de Santa Luzia, existiu umri pequen8 ermida dedicada a S.
Lliís, que deu o norne ao sitio cm que f6ra construidr.
Süo Poulo (Capela d )-E' das mais rntigas crpelas destr
diocese e atfibui se a sua fundacao ao primeiro capitao donata-
rio de Funchrl JoBc Goncilver Zarco, que junto dela teve a
~ U segunda
P morrdia e nrs suas imrdi-@es fez edificar o pri-
mriro hospital no ano de 1454. Serviu de séde 4 freguesir
de SBcb Pedro, quando esta foi criada em 1568 e ainda qurndo
de novo foi restaurada cm 1587, deixrndo de servir de igrtja
paroquirl pelo ano de 1590. Nos principios do ~éculodarsete
6.u principios do século seguinte proccd~u-seA sur quási comple-
ta reconstrucio e ainda recentemente passou por grandes me-
lhorame itoir. Fcii primitivamente dedicada ros rpostcilos Sao
Pedro e Slo Paii1o, cait do cm esquecimento a primeiri invo-
cacao e prcvilccendo a segunda. No iljornal. de 2 de Feverei-
ro de 1936, encontra-se uma desen~c.~lv~dr
noticia ácérca desta
crpela.
Sao MartlnAu (Igrejri de) -vid a prg. 155 1 SS. desta obra.
Silo Paulo (Capela de) -O padre Paulo Vieira Jardim fun-
dou no ano de 1761 uma capcla dedicada a Sao Pmulo ou a
Sao P ulo e Almas, nr fregilesir de Porto do Moniz, e nelr f. i
sepultado no ano de 1776.

Sio Pedro (Capela de)-No extremo oeste da ilha do Por-


to Santo, encontri-se uma pequena capela dedicada r o rpó-to-
lo Sao Pedro, que era o padroeiro daquela ilha e em outros
tempos objccio de particular vrneraca~dos seus haib :antes. E'
de antiga construca(~,mas ignoram-se os nomes dos seus fun-
dadores e a Cpoca aproximada em que foi edificada.

SPo Pedro (Capela de)-NE vila de Sarit'r Cruz instituiu


J i o Escorcio Drumond umr capela deata invocaqao, que foi
arrasada pela grande aluviao de 1803 o que o povo fez recons-
truir alguns anos depois em lugar mais abrigado.

Silo Pedro (Igreja de) -Este templo foi edificado nos ulti-
mas anos do sdculo XVI e quasi inteirrmente reconstruido e
ampliada em 1748 com excelentes decotac6es interiores, tends
também na srcristir algumrs primorosas telas dignas do msior
apréco. E' urna das belas igrej S desta diocese. (Vid. A Ilhu
da Madslra pelo marque$ de Jvcome Correir a pag. 62 e s. s.)
Sao Pedro (Igrejñ de)-Niima paquena capela se instslou a
stde da freguesia da Ponta do Pdrgo por meada do sCcbilo
XVI, sendo edificada uma igreja de mais smplas proporco s
nos fins do século seguinte, que passou por novas modifica-
c6es no ano de 1851. Algures se Ié que essa igraj:: e cvpela
ocuparam tres lugares diferentes, embora dentro do mesmcs si-
tio.

Sao Pedro (Capela de)-N. sitio deste noma, da freguesin


de Siio Jzjrge, acha so uma capelri dedicada a Sao Pedro, q i ~ e
nao d de recente construcao e que foi inteiramente restaurada
no ano de 1901 pelo prelado D. M nucl Agostinho B rreto
Sao Pedro (Capela de)- Existiu urna pfquena capela desta
invocrcao, na frtguesia do Porto do Moniz, no lugar conheci.
do pelo nome de Terra de Silo. Pedro.
Sao Pedro (Capela de)-Na mesma freyucsia, no sitio dos
Larnaceiros, enccntra-se urna capela ccm este nrago, que já em
1726 se rchava em affiantreto estado de rulis*, serdo reconstrui-
da alguns anos depois.
S&a Pedrc (Crpcla de)-Por disposicao testamentaria do
capitao Pedro de Castro edificc.u-$eurna crpelr destr invcca-
cae, n i freguesía de Sao Vicente, nc s primeiros anos do :écu-
lo XVIII.
Sáo Pedro de Alcantara. (Capela de)-Cum esta invc~cacao
existe umr capela no sitio do Lombo da Atouguii, freguesia
da Cllheta, que foi fundada no ano de 1783 por Joac? Baptista
Teixeira ,
Sdo Pedro Oon~alvesTelmo. (Capda de). V. Corpo San-
to (Capela do).
SÚo Pedro Oon~alvesTelmo. (Capela dth)-Na vila d i Ca-
Iheta e próximo do litoral ficava uma pcquena crmida dedicoda
a Sao Pedro Goncalves Telmo, que há muito nao existe.
S8o Raque. (Igreja de)-No sitio conhecido pelo nome de
Igrtjr Velha uu nas suas mais prc ximns imedis;coes, fez o povo
construir urna pequena crpela dedicada a S. Roque cm épíca
que rao podemos determinar e que serviu para nela se iristalar
a séde da paróquir, quando esta foi criada no ano de 1579.
Nos principios do século XVIII edificr u-se urna ncva igrrja,
ou ampliou-se a capela já existente, que abateu no ano de
1790 e ficou em adirntado estado de ruin*. Decorridos alguns
anos procedeu-se á constrocao da actual igrtja poroquial, que
sómcnta foi dada por conciiuldi nos meadr s do século XIX,
estando no entretanto dedictda ao servico do culto desde o
ano de 1820.
Sdo Roque. (Capela de)-De antiga ccnstrucao e da invn-
cacao dc S i o Roque, rxistia uma copela nr vila de Machicci,
que em virtud8 de se achar muito arruinada foi reconstruida
pela respectiva confr8ria no ano de 1739 e levantada m pequen8
distancia da velha ermida. Eqtr ctpela tem um primoroso Irm-
bris de a7ulejos cobrindo todo, o fundo drs paredes interiores,
que pela sua esmerada e artística factura tem merecido as me-
lhores referrncias da parte de pessoas competentes na aprecir-
cae de trabalhos dessa natur~za. E' prcsveitosq I6r--se o cxce-
lente artigo inserto a pag. 5 do IV vol. do ~Arquivo Histó-
rico da Mideira..
S60 Roque. (Igrtjr de)-Na margem direita da ribeiri do
Foial fez Cristovao Pires construir por 1551 uma modesta ca-
pela dessa invccac30, que foi reedificada ein 1664 c ampliada
em 1776, hrvendc3 nela sido instalada a :éde da paroquia, ,o
ser criada no ano de 1848 cam o nome de Sao Rcque do
Fairl. A capelo, além da sua pcquenez e aspecto descllrdor,
estava C X D O ~ ~aP LCer invadida na quadra invernasa pelas Sguas
impetuoso.^ da ribeirr, tendo o pároco Drniel Nicclau de Scu-
sa tomado a arrc jada iniciativa, num meio de ti30 minguados
recursos, de levantar uma nova igreja, o que conseguiu realizar
á custa dos mais inauditos esfarcos e carceiras e havenclc-se
real zrdo a sur bencao solenc Iancada pelo Prelado Diocesano
no mes de Dezembro de 1927.
Süo Saivador ( I g r ~ j ode) Vid. Dlvlno Sokvadcr (Ign ja de).
Sdo Sebastlüo (Capela dí)-No largo de SIlo Sebnstiao,
msis vulgfra+cntechamído do Chrferiz, existiu urna capela
déste orngo, que era dts mais antigas drsta diocese e r sua
construcao contemporaner da primitiva colonizacilo madeiren-
sc. Tem urna intererstntc historia esta capela, que por impe-
rinsv brevidade ternos de omitir, remetendo c1 Ieitor para ( 3
désenvnlvidc: artigo que Ihe é dedicada a pag. 132 e ss. do
vol. 11 do -Elucidario Mideirense)).
Süo Sebflstlüo (Igrejr de)-Quando por 1430 sé criou a
par~quinde ,.,amaro de Lobos, teve a sua primeira iédc nr
pequena clipela do Espiritr Santo, que ainda existe, passando
no segundo quertel do séculr, XVI a instalar-se na igrtja de
S30 Sebastiau, que entáo se h.a\iic construido. Prlr firs do
séculc XVII ge procedeu rr. acrescentamcntn deste templo c
por m c ~ d o sdo sCculo seguinte se reglizaram riele importantes
obras da reparacao.
Süo Sebustfdo (Igrej de)-N s suas terras de sesmaria da
frtguesia do Canical, mandou Gsrcia Moniz rio vrimeiro quartel
do século XVI construir urna capelw dedicada a S%.>S1 baatiio,
que por 1562 passclu a servir de séde á nova paroquia, por
ocasiao da crincao desta. F ,i sempre urna modesta ermida, que
o terrcmott: de 1748 deixou muito arrufnadr, tratando-se ental,
da construcao dum novo templo, que é n actual, e proceden-
do-se á sua benc8o solenc no dia 13 .le Dezembro de 1750.
S& Sebaslftio (Cnpela de)-Exide na vila da Punta do
S 1 e 6 propriedade da rrspcctiva Ca .]ara Municipal uma ca-
pela da invocacao de Sil9 Scbastiao, cuj construcao data dos
fins do século XVI,tendo sido reedificsda pelos an~tsde 1734.
Ha muitos anos que estava profanada. mas foi benzida e rcs-
tituida ao usa do culta no ano de 1930.
Sárr Sebastldo (Capela de)-Com este orrgo havir uma
crpela na ilha do Porto Srato, ignorando-:e qoaisquer outrrs
circunstir~ciasque Ihe digrm respeito.
Sdo Sebastldo (Cspela de) -Dc conatrucao bastante antiga
e reedificada no ano de 1765 pelo padre Francisco Marques de
Mendoncr, exictiu uma crpela dedicada ao martir Sil3 Sebas-
tiao, encontrando-se na igrejd paroquill a pequena imagem do
Santo, que é um grande primor de escultura.
Sáo Sebastláo (Capala de)-Há muito que desnpareceu
umr capela destr invocacao existente na freguesia de Santa
Cruz, ignorando-se o name dos seus fundadores e a época em
que foi edificada.
Sdo Ttago (Capela de)-A pag. 281 c SS. deste livro, ficou
sumariamente narrada a escolha do bemaventurado Saci Tiagn
Menor para .principal padroeirom destr dioccse e dos ponde.
rosos motivos que e determinaram, cumprindo-se a prornessa
entao feita da edificacao duma capelr em honra daquele santo
ap6 .tolr.. A primeira pedra Iancou-se a 21 de Julho de 1521
em terreno cedido pelo kenoves Antonio Espitlolr e cons-
truca0 conciuiu-se por meadoo do snli de 1523. Sendo de aca-
nhidas dimensoe; e achsindo-se bastante arruinada, fc i amplia-
da c restaurada pela Camara Muriicipal do Eurichal em 1632,
procedendo o prelado diocesano 4 sua bcnclo solene no dia
25 de Julho desse ano. Decorrido mais dum ~éculo,resolveu o
senado funchalense construir um nnvo templo de mais largas
prnparc6.s c edicadn pwdroeiro SBa Tisgo Menor, que 6 a
actual igt-ja parcquidl da freguesia de Saiita Marir Maior,
sendo a su8 edificacao dada por concluida na ano de 1768.
Foi cm 1803 cedida pela Camnrs Municipal para n servico re-
ligioso daquela freguesia comc ja a peg. 285 ficnu mais largr-
mente referido. Nesse tempo causou umr justificada estranhe-
za que se mudasse para tN~tividxdede Nossa Scnhors. o ora-
go dessa igrrja e nao se mantivesse o de asa0 Tiago., que lhe
f6ra d ~ d opor rcasiao da sun fundacao e que conservara du-
rante tres ~éculos,sendo rlém disso dedicada ro principal pa-
droeiro da diocese, que nao tem neste arquipéligo outra cape-
la que Ihe sejra conssgrad~.Passa porser um notavel primor de
arte o triptico existentr na sacristia desta igreja e 80 qual o
marques de Jacome Cnrreia dedica algumas paginas no seu
livro A llha da Madelra. !Vid El Mad. 11 211 e 453).
Sáo Tlapo (Cap~lade)- Na freguesia dos Canhrs há o
sitio de Sio Tiago, que tomnu o nomc duma caprla dessa ¡ni-
vocacao, que al¡ rxistiu e que Frufuoso afirma ter sido de\-
nenda por JoIo Ooncalves Zargn. A sua constrrrcao, porém,
6 veiu a realizar-se mais dum século depois, tendc Rui Pires
do Canha como seu prcvavel fundador.
Sdo Vicente (Igrrja de)--Por maados do século XV cons-
truiu-se uma capela dedicada i S. Vicente na futura frtguesir
deste nomc, tendo nela sido instelada a sCde da prróquia,
quando foi criada no ultimo quartcl do mesmo século. Foi np-
trvelmcnte acrescentida no terceiro quartel do século XVII e
tcm sofrido posteriores rrpar&cGes. Esta sendo ptescntemante
ampliada o passando por grandes melhoramentos.
SÜo Vicente (Capela de)-Como já deixámos dito em ou-
tro lugar, edificou-se uma pequena capela desta invoca~ao
num sc-lit~riobloco dc basalto existente na foz da ribeira de
Sao Vicente, devendo-se a sua fur!dacao a Inacio de Sousa,
auxiliado com as esmolas colhidas entre r s habitantes da pa-
rnquia. Foi construida no ano de 1694 e restaurada em 1885,
sendo benzida t 4 de Setembro deste ano. E' uma típica a
original capeliiiha, tuja frontarir se ve reproduzida pela gra-
vura em muitos livros e revistas.
Sáo Vicente Ferre* (Capeln de)-Na frcguesir, da Pontr
do S d existiu uma cipela dedicada a SPo Vicente, cujis cir-
cunstinciis respeitrntes aos S ~ U Sfundndores e tempo da sur
construcao se desconhecem.
Sk -"atedral.-A pag. 44 3 SS. encnntra-:e urna desenvolvi.
da noticia Acercr da Sé Cetedral do Funchal, que está classífi-
cada como monumento nacional.
Senhor dos Milagres (Capelr do)-No sitio da Banda de
AICm, na freguesia de M *chico, levanta-se a capeli do S ~ n h o r
dos Milagres, que primitivamente teve o nnme de Capela de
N.issr~Senhor Jesus Cristo ou apenas Crpela de Cristo e tam-
bem foi conhecídri pelo nome de Capelr da Misericordia. Tem
se afirmado que 80 iniciar-se o povoarnento desti ilhtp e aa
fmszcr-se o primeiro desembarque na praia de Machico, os re-
ligi ?sos franciscanos, quc vinhim na pcquena frota, improvi-
saratn um altar e ali celebrrram o santci sacrificio dr missi, e
que nestn ocasiao f6rt feito o voto de erguer-se no locar1 urna
capelr dedicada a N jsso Senhor Jtsus Cristo, como ficou re-
ferido a pag. 3 e SS. Nio pode duvidar-se que fci uma das
primeirrs crpelas que entan se construiram, devendo ser con-
siderada cuma um modestr\ monumento historica a atestar o
comecn da colonizqao madeirense. Conjecturamos que teria
sido reedificada por meados do secula XYII, deixando-r mui-
to arruinada a grande aluviao de 9 de Outubro de 1803. A
confriria da Misericordia, r que ela pertencia, fe-ir reconstruir
rlguns anos depois com mais r m p l ~ s proporctirs mas con-
servando-lhe o rntigo pórtico como a sur fiad8 de cruzes.
Ali se conserva a imagem do Senhor dos Milagres, que 6
objecto da maior devi cPri dos fieis, rcorrendo todos os anos
n este local, no dir 9 de Oulubro, muitos milhares de romei-
ros vindos de todas as freguesias da ilha. E' gcralmente srbi-
do que a rluviao de 1803 arristou pira o alto mar tssr ve-
neranda imrgem, sendo encontrrda por uma galera americana,
que a rec 4heu a seu b\>rdoe dela fez entrega na Sé Catedral.
N di8 15 de Abril de 1813 foi solenemente restituida A sur
capela na vila de Machicn, que é o centro da mais concorridi
ramrgem da Mwdeira. E' intqessrntc Ier-se o opú;culo, Um
Monumento Htstorico, do rntigo vigario de Machico padre Fer-
nrnao Augusto P ates, em que se di4 umr desenvolvida noti-
cia acerca desti crpelr.
Vera-Cruz-(Capela da) - Com esta invocaqao e no sítio
do mesmo nome, encontra-se na freguesia da Quinta Grande
uma pequena capela, que Gespar Frutuoso afirma ter sido tra-
cada pelo próprio Joao Ooncalves Zargo, nao restando cousa
algurna da primitiva construcao. Foi inteirarnente reedificada no
ano de 1854 para servir de igreja paroquial, mas nao chegou a
ter esta aplicaqáo. Em seu torno fica o cernitério da freguesia.
Vera-Cruz- Na freguesia das Achadas da Cruz existiu
uma pequena capela corn este orago, que era de edificacao muitn
antiga. Nela se instalou um curato, que logo foi extinto, e serviu
depois de séde A paroquia, quando esta foi criada. (Vid. Pag. 327)
Vera-Cruz - Encontrátvos noticia de uma pequena ermida
dedicada it Vera-Cruz, existente na fréguesia da Ponta do Pargo.
Como aditamento ao que atrás fica sumariamente exposto,
apresentamos mais algumas info:mar$ies acerca de outras ca-
pelas.
Alma$-(Capela das)-Dedicada As Almas do Purgatório
existiu üaia pequena capela na freguesia de Machico, segundo
nos informa Henrique Henriques de Noronha.nas suas acredi-
tadas ~MemóriasEclesiásticas..
Almas-(Capela das)-A ermida edtficada por António Ro-
drigues jardim, a que se faz referencia a páginas 293 deste li-
vro, ficava anexa 2 igreja paroquial da freguesia da Ribeira Brava,
sendo ocasiiío de recordar que se construiram várias capelas em
outras paróquias, tambem contíguas as respectivas igreias princi-
pais das freguesias, o que prova a grande devocao e o especial
culto que entiio se tributavam as Aknas do Purgatório nesta
diocese.
N. S. dos Anjos-(Capela de) - Foi restaurada (Vid. pág.
305) pela proprietária D. Julia de Franca Neto e benzida a 1 de
Novembro de 1892.
Apresentacdo de Marie -(Capela de)-Kos anos de 1925 e
1930, nas casas das comunidades religiosas da ApreseataqZo de
Maria, isto na (6016gi0~e no ~ L a c f a r i ~sitas
* , nas ruac das
Merces e da Mouraria, construiram-se duas capelas com aquela
invocat$io para uso privativo das mesmas comunidades.
Born jesus-(Capela do)-Dedicada ao Senhor Bom Jesus,
houve urna pequena capela na fregaesia da Ribeira Brava.
(H. H. N.)
Jesus Maria José-[Capela de)-O capitiío Luís Esmeraldo
de Atouguia e sua mulher D. Isabel Esmeraldo mandaram edifi-
car na freguesia de Si30 Roque do Funchal, no ano de 1690;
uma capela com a invocacáo de Jesus Maria José, que há muito
deixou de existir.
Ladrilhd-(Ponta Delgada)-Algures se afirma que ao
sitio do Ladrilho da freguesia de Ponta Delgada existiu urna
pequena ermida, ignorando-se quaisquer outras circunsfancias
que Ihe digam respeito.
Nossa Seahora da Ajada -(Capela de)-A deste nomc (Vid.
pág. 303) foi restaurada pelo seu proprietário conselheiro Ma-
nuel José Vieira e benzida a 18 de Agosto de 1876,
N. S. dos Aws-(Capela de)-Existiu urna na freguesia do
Monte. (H. H. N.)
N. S. da Assungüo-(Capela de)- Conforme a informacao
dada pelas Mem. Ecl. de H. H. N., existiu na freguesia de Ciaula
urna capela destinada a solenizar o mist4rio da Assunci3o da
Santissima Virgem.
N. S. do Bom Despacho-(Capela de) -A mudaoca do Se-
minlrio Diocesaao da rua do Bispo para as casas da rua, que
tem hoje o nome de Seminário, fez-se nos primeiros anos do
século XVIII, e desta época data a c o n s t r u ~ ~dao capela ou ora-
t6rio interior de Nsssa Senhora do Born Despacho, que ainda
ali existe, continuando a conservar esta invocaflo a actual ca-
pela do Seminário Diocesano da lncarnacao.
N. S. d4 Cadeira-Informa-nos o 8Elucidário Madeirense~
que na freguesia da Quinta Grande hoirve urna pequena capela
sorn bste esfranko arqo.
N. Senhra do Cqtninh~-(lapela del-Iaforma-nos Henri-
que Heariques de Noronha que existiu na freguesia do Caaico
uma capela com aquela invocacáo.
N. S. da Conceigdo-(Capela de)-E' dedicada a N. S. da
Conceicao a capela existente no Asilo de Mendicidade e Or-
faos, na rua da Imperatriz D. Amélia.
N. S. das Gtagas-(Padr3io)-(Vid. .Desertas* a pg. 318.
N. S. da Inccrrna~tYo-Foi reedificada pelo povo no ano de
1696 e nao 1622. (Na Ribeira da Janela)

N. S. das Necasidades-(Capela de)-Com este orago


houve urna pequeaa capela na freguesia da Madalena do M:
(H. H. N.)
N. S. da Pie&&---(Capda de)-(Vid. «Desertas» a pg. 318
W S da Pieda& (Capela de) Na freguesia do Arco de S,
Jorge existia ama capela com este orago, que em 1676 serviu de
séde 3 nova paróquia estabelecida nesse ano.
N, S. da Salvagao-(Capela de)-Ao que fica dito a pag.
344, deve acrescentar-se que foi reedificada e benzida a 3 de
Agosto de 1941. (Na freguesia do Canico)
Nosso Senhor Bom jesus-Capela de) - Luís da Costa Jardim
mandou construiu no ano de 1683 urna capela desta invocacáa,
no sitio do Hombo de Rui Dias da freguesia da Calheta.
Sagrado Cora~üo& jesus-(Capela do)-Corn esta invo-
cago e na residencia episcopal da freguesia de Ponta Delgada
fez o prelado Diocesano Dom António Manuel Pereira Ribeiro
construir uma capela para uso privativo da mesma residencia.
Sagrado Coragde de Jesus-(Capela do Sagrado)-No $¡ti0
da Fonte do Til e nao do Gil, como se 18 a páginas 297, da fre-
guesia do Arco da Calheta, encontra-se urna capela desta inveca-
@o mandada edificar pela condessa de Torre Bela, sendo ben-
zida no ano de 1927.
Sagrados Cotag6es de jesus e Maria-No Orfanato do Lom-
bo da Pereira, freguesia de Santo Antonio da Serra, existe urna
capela dedicada aos Sagrados Cora~6esde Jesus e Maria, que foi
concluida no ano de 1899 e posteriormenfe ampliada.
Salvador-(lgreja do) -Vid. Divino Salvador, (Igreja do)
Pag. 298.
Santana-(Capela de)-A capeja deste orago instituida pelo
dr. António da Silva Conde, foi construida no ano de 1790 (Vid.
pag. 350).
Santa Quiteria-(Capela de)-No sitio do Lombo da Es-
trela, freguesia da Calheta, fundou Joao Hornem de Abreu, no
ano de 1724, uma capela dedicada 2 virgem e martir Santa Qui-
teria.
Santa Terezinha do Menino jesus-Tem esta invocacao a
calaela da residencia das irmas franciscanas de N. S. das Vitórias
na Quinta das Rosas, A rua do Carmo.
Santa Terezinlza do Menino Jesus-A ilustre familia Cana-
vial fez edificar na sua residencia de ver30 da freguesia de N. S.
do Monte, urna bela e artística capela desta invocacao, que foi
solenernente benzida pelo prelado diocesano a 1 de Agosto de
1939.
Santo Antonio-(Capela de) - No sitio da Varzea da fregue-
sia do Caniqo existiu urna ermida consagrada ao glorioso Santo
Antonio, acerca da qual nao consegnimos colher outra infor-
ma~iio.
Santo Expedito-(Capela de)- A 1 de Dezembro de 1940
foi beazida na freguesia do Canico uma pequena capela com a
invocac20 de Santo Expedito, mandada construir por D. Beni-
cia Eurico Teixeira Rego.
Süo FiLipe -(Capela de) -A sepultura que se' encontra nesta
capela tem a data de 1666 e nao 1612 como se diz a pag. 363
S i o Marcos-(Capela de)-Na freguesia de Gaula houve
urna capela corn este orago, segundo a informacao dada par H.
H. de Noronha nas suas #Mernórias EclesiBsticas. , r .
Sdo Roque-(Capela de)-Era a invoca~ao de umq ermida
que existiu na freguesia de Santa Cruz. (H. H. N,)
Sdo Sebastido-(Capela de)-Dedicada a este santo martir
existiu uma capela na vila da Galheta, no local em que foi edifi-
cado o convento dos religiosos franciscanos.
Sdo Sebdstido-(Capela de)-Fica na freguesia de Szío Jorge
a capela reedificada pelo padre Francisco Marques de Mendon~a
e de que se dá noticia na pag. 374.
Sdo Sebastido-(Capela de)-Com esta invocacao existiu
uma ermida na freguesia da Ribeira Brava (H. H. N,)
Sdo Tiago-(Capela de) -O ilustre comentador das ~ S a u -
dades da Terras dá-nos noticia que no sitio do Foro da fregue-
sia do Estreito de Camara de Lobos, existiu uma capela dedi-
cada a S o Tiago.
Senhor Rom lesus-(Igreja de) -Vid. a pag. 134.
Senhor lesus-Capela do)-Com esta invocacao existiu urna
ermida na freguesia da Ribeira Brava, onde chamam o Calvário,
que foi fundada por Jorge Afonso no ano de 1581.
E' de advertir que nos capítulos destes Subsidios referentes
icriagio das freguesias se encontram muitas informacoes, que
aproveitam A hist6ria de algumas das igrejas e capelac já men-
cionadas, sendo conveniente a sua consulta ao leitor a quem
este assunts possa interessar.
XLII

Adenda e
Pag. 14-Nos anos de 1810 e 1818 dois sacerdotes gedi-
ram um acrescentamento 2 esmola das missas dos sabados cha-
madas cdo Infante., que havia séculos se ceIebravarn nesta
diocese, iiao se conhecend:, outva noticia posterior, co:n refe-
rencia a esfe o~siintc.
Pag. 15- 1111. 7 : em vez de cCotist'tei;~6es Diocesaaas~,
leía-se aConstituic6es Extravagantes Diocesanas do Bispado do
Funchal., que foram publicadas em Lisboa no ano de 1601.
Pag. 15-A' ultima linha acrescente-se: einhressa muito a
este assunto, o valíoso estudo de Vieira GuLnar%es "Marrocos
e Tres Mestres da Ordem de Cristo., em que vem trasladado
na íotegra o testamento do Infante D. Henrique e outras pro-
veitosas informac6es~.
Pafi 21-Deve encerrar-se o capítulo com estas palavras :
SE'sobremaneira interessante e valiosa a documentac30 que o
dr. Alvaro de Azevedo (~Saudadesda Terra, ed. de 1873, nas
notas 11 e XV) e o dr. Damiso Peres («Saud.. ed. de 1925, a pag.
26 e SS.) inserem acerca da Ordem de Cristo e de modo espe-
cial da acc;ao exercida por esse poderoso organismo aeste ar-
quipelago em diversos sectores da administrat$io pública e
nomeadamente em assuntos de caracter religioso. Passando a
Madeira ao absoluto dominio da cor6a no tempo de D. Manuel,
traositou tambem para os representantes da autoridade ccle-
'

sigstica toda a direccao dos negócios respeitantes a 2sses as-


suntos.
Pag. 24-lin. 17: Joao Gonqalves Zargo transferiu a sua
primeira msradia de Santa Catarina para a margem esquerda da
ribeira no sopé do morro que posteriormente se chamou Pico
dos Frias e ali fez edificar a capela de Sao Paulo, tendo mais
tarde estabelecido residencia definitiva no local que hoje tem o
nome de Quinta das Cruzes, como mais largamente deixamos
referido no aElucidário Madeirense, (11-395 e SS.)
Pag. 32-lin. 7 : Leia se 1853 em vez de 1533.
Pag. 70-Em dojs lugares desta pagina se diz que a Sé
Catedral foi solenemente sagrada a 19 de Outubro de 1516, de-
vendo ler-se 18 de Outubro de 1516, como aliás se ve em
outros trechos deste livro.
Pag. 80-Deve terminar este capítulo com urna ligeira re-
ferencia ao .Museu Diocesano de Arte Sacras, que no ano de.
1940 se inaugurou nas salas da Casa Capitular da Sé Catedral
e do qual nos havemos de ocupar com mais largueza no de-
curso desta obra.
Pag. 122-lin. 15--Substituir D. Jo5o Loutinho por D. Joao
do Nascimento.
Pag. 184-0 ~ A r q u i v oHistórico da Madeira* fez publicar
em um opusculo de 50 paginas e corn o titulo de «A Restau-
racao de Portugal e o Convznto da 1nca:iaqZav urna serie de
valiosos documentos acerca decta casa rnonastica, quc oferece
particular interesse ao assunto versado no capitulo XXIl destes
.Subsidioss.
Pag. 188-lin. 7-Leia-se 1570 em vez de 1579.
Par) 196- Ao capitula XXili devcria seguir-se urna breve
noticia acerca das ordens religiosas dos capuchinhos e carmeli-
tas, que no século XVII se estabeleceram nesta diocesc, nao
tendo entre n6s urna larga permanencia, o que adiante se fará
em mais circunstanciada noticia.
Pag. 198-E' nos dias 28 de Outubro e 26 de Dezembro
de cada ano;que se exp6e a veneranda imagem ao culto e de-
vocHo dos fieis, sem haver uma groxirna correlacilo entre esses
dias e o da aprovaqao do sucesso miraculoso feita pela autori-
dade eclesiastica, que foi a 24 de Outubro de 1615, como se ve
pelos documentos publicados nas ~Saudadesda Terra*, ficando
assim retificada essa informaqao.
Pag. 207-As datas 1570 e 1572 devem ser respecliva-
mente retificadas peias dos anos de 1670 e 1672.
Pag. 208-lin. 25-0 prelado D. Gabriel dz Almeida fale-
ceu a 13 de Julho de 1764.
Pag. 224-Iin. 3 -Leia-se 1689 em vez de 1699.
Pag. 270-lin. 36-Em vez de 4 de Julho de 1851, Icia-se
4 de Julho de 1881.
Pag. 280-Ao encerrar-se o terceiro capitulo referente ao
nosso Semináario, seria flagrante injustica nao p6; em mais sa-
liente relevo a notavel accao desenvolvida pelo actual Prelado
Diocesano em favor da restituicao do edificio da Incarnacao ao
seu legitimo destino, o que ao diante se fará com o indispensa-
ve1 desenvolvimento. Importa tambem mencionar com o devido
encarecimento os servicos prestados a esta casa de formacao
eclesiastica pelo cónego Jaime de Gouveia Barreto, como vice-
-reitor, professor e director do Museu de Ciencias Naturais, o
que constituiria uma falta impercioavel, se o nao o fizessemos
nas páginas deste livro.
Pag. 289-A's páginas dedicadas aos Padroeiros desta dio-
cese, importa acrescentar que a Camara Municipal do Funchal
tomou no ano de 1942 a deliberacilo de fazer reviver as tradi-
cianais hornenagena prestadas a s Padraeiro Principal Silo Tiago
e ia elas se irssoehr festivamente, rnsradar~datarnbsrn publicar ern
um opúsculo os votos feitos pelo senado funchalense em épocas
passadas e tratisferindo para o dia 21 de agosto o seu feriado
municipal, afim de que o priineiro dia do mes de Maio f&sse
especialmente consagrado a essas homenagens.
Silo Padroeiros da Ilha do Porto Santo o apostolo S.Pedro
e a virgem martir Santa Catarina, como já ficau referido.
Pag. 296-lin. 24-Ltr Mendonca e Vasconcelos em vez
de Vasconcelos e Vasconcelos.
Pag. 324-Foi reedificada (capela da Incarnacfoj em 1699
e 1-180em 1622.
Pag. 328-No fim desta pagina acrescentar: abarro reves-
tido de um lindo vidrado verde de faian~a decorada a b M e s
..
florados. e outras figuras de minucioso lavor*.
Pug. 339 - lin. 3-A capzla de Nossa Senhora da Piedade,
situada no Largo das Cruzes da freguesia de S. Pedro, de que
já se deu noticia a pag. 339, foi restaurada e benzida pelo Pre-
lado Diocesano a 30 de Marco de 1896, ficando encravada na
histórica vivenda de JoZo Cloncalves Zargo, o primeiro capitao-
-donatario do Fugchal, hoje conhecida pelo nome de Quinta
das Cruzes.
Pag. 363-A data insculpida na estranha sepultura da ca-
pela de Sao Filipe é de 1666 e nao de 1612 como se le a
pag. 363.
Constitui@es Diocesanas do aispado da Funcha l -- Lisboa,
MDLXXXV.
Histdrica Seráfica dos Frades Menores riP Sdo Franrisco-
Por Fr. Manuel da Esperanqa, Lisboa, 1666.
Hisfória Genealógica da Casa Real Portugu~sa---porD.
Antdnio Caetano de Sousa, Lisboa, 1735-1748.
Colecpio dos Documentos e Merníírias da Academia &al
de História-Tom. 1, Lisboa, 1721.
Corpo Di/~lomático Portuguez - Dirigido por L.. A. Rebelo
da Silva, Tom. 1-IV, Lisboa, 1862.
História /nsulana-Por António Cordeiro e ariotada par
A. J. Ooncalves de Andradc, Lisboa, 1866.
Saudades da Terra - Por Gaspar Frutuoso e anotadas por
Alvaro Rodrigues de Azevedo, Funchal, 1873.
Cafaiogo da Exposigto Ornamental, realizada em Lisboa no
ano de 1882,
Hisfória da EgMa Cathofica em ?Jortu&-Por José de
Sousa Amado, Lisboa, Tom. 1-IX, Lisboa, 1870-1878.
Dicbndrio Universal /->orfuruez/¿rrsfrado Letra M, pag.
180-742, Lisboa, 1897.
A Ordem de Cristo--Por J. Vieira Ciuimaraes, Lisboa, 1901.
Arquitetura da Renascenca de Portugal-Por Albert Haupt,
1906.

História da Igreja en? Portúgaf - Fortunato de Almeida,


Lisboa, 1909-1924.
Murrocos e Tres Mestles da Ordem de Cristo-Por Vieira
Guimaraes, Lisboa, 1916.
Archivo da Marlnha e U1tramar-(Inventario-Madeira e
Porto Santo) coordenado por Eduardo Castro e elmeida, Lis-
boa, 1907.
Elucidário Madeirdnse-Funchal, 1921
A rquivo histórico da Madeira-Funchal, 1901.
No artigo Elementos para a História Madeirense, inserto no
Irlucidário Madeirense (2.a ed. 1-386), fazemos inencao de diver-
sos inéditos, que fornecem valiosos dados e informacbes para
a hist6ria do nosso arquipelago, tendo n6s promovido a publi-
cacao de uma parte consideravel desses elerneritos no antigo
«Heraldo da Madeíra~,que agora tambem nos serviram de pro-
veitosa consulta para a elalaoraqii:~ destes ' desperlenciasoc
Subsidios /)ara a Histdria da DiÓces~do Funrlrrrl.
INDICE

Cap. 1-0 encontro e o primeiro reonhecimento do


arquipégo Pag. 1
Cap. 11-Inicio do povcamento e primeiras manifes-
taqóes de culto
Cap. 111-A Madeira e o Infante D. Henrique
Cap. IV-A Madeira e a Ordem de Cristo
Cap. V---A criacao das primei~asfreguesias
Cap. VI--A cria~áoda Diocese
Cap. VI1 - - A Sé Catedral
Cap. VIII -A Sé Catedral (continuaq2o)
Cap. XI-Primeiro Bispo D. Diogo I'inheiro
Cap. X - Criacao do Arcebispado
Cap, XI-D. Martinho de Portiigal. Primeiro e unico
arcebispo
Cap. XII -3.' Bispo D. Fr. Ciaspar do Casal
Cap. XIlI"4." Rispo D. Jorge de Lemns
Cap. XIV-5.0 Bispo D. Fernando de Tavora
Cap. XV-6.0 Bispo D. Jeronimo Barrito
Cap. XVI-7.0 Bispo D. Luís Figueiredo de Lcmos
Cap. XVII-As freguesias criadas ao século XVI
Cap, XVIII-As freguesias criadas no sdculo XVI
(continuacHo)
Cap. XIX- As treguesias criad& no s&ulo XVI
(continúac%o)
Cap. XX-As Colegiadas
Cap. XXI - As Comunidades Religiosas-A Ordem ser~fica
Cap. XXII-As Comunidades Religiosas-A Brdern
Serafica (continua~aoj
Cap. XXIII-A Companhia de Jesus
Cap. XXIV-8.' Bispo D. Fr. Louren~ode Tavora
Cap. XXV-9." Bispo D. Jeriinimo Fernando
Cap. X X V I ~10." Bispo D. Fr. (jabtiel de Alrneida
Cap. YXVII - 11 .o Bispo D. Fr. Antonio Teles da Silva
Cap. XXVl 1 12.0 í3ispo.D. Estevao Brioso de Figueireao
Cap. XXIX-- 13.0 Bispo D. José de Santa Maria
Cap. XXX - 14." Bispo D,josé de Sousa de Castelo
Brancc,
Cap. XXXI - 15.0 Bispo D. Mailuel Corrtitiho
Cap. XSXII - 16.0 Bispo Fr. Jogp d o Nascirnento
Cap. XXSIII - 17.0 Bispo D,Ciaspar Afonso da Costa
Brand30
Cap..XSSIV 18 0 Bispo C). José da Costa Torres
Cap. SSSV- As freguesias criadas nos séculos SVII,
~9111 e XIX
Cap. XSXVI -O Seminrlrio Diaoesano
Cap. XXXVII-O Seminário Diocesano (continuaqHo)
Cap. XXXVIII-O Seminário Diocesano (continuacao)
Cap. xXXIX-OS Padroeiros da Diocese
Cap. XL - lgrejas 'e Capelas
Cap. xLI-lgrejas e Capelas (continua~tio)
Cap. XLII-Adenda e Corrigenda

FIM DO PRlMElRO VOLUME


urn opúsculo os votos feitos pelo senadofunchalense em épocas
passadas e transferindo para o dia 21 de agosto o seu feriada
municipal, afim de que o primeiro dia do mes de Maio f6sse
especialmente consagrado a essas tiomenagens.
Sao Padroeiros da Ilha do Porto Santo o ayostolo S. Pedro
e a virgem martir Sarlta Catarina, como já ficau referido.
Pag. 296-lin. 24-Lcr Mendenca e Vasconcelos em vez
de Vasconcelos e Vasconcelos.
PUE.324-Foi reedificada (capela da Incarna~iio)em 1699
e riHo ern 1622.
pag. 328-No fim desta pagina acrescentar: .barro reves-
tido de um lindo vidrado verde de faianca decorada a b ~ t 6 e s
..
florados. e outras figuras de minucioso lavor*.
13ag. 339-lin. 3-A cap-la de Nossa Senhora da Piedade,
situada no Largo das Cruzcs da freguesia de S. Pedro, de que
já se deu noticia a pag. 339, foi restaurada e benzida pelo Pre-
lado Diocesano a 30 de Marqo de 1896, ficando encravada na
histórica.vivenda de JoZo Goncalves Zargo, o primeiro capitao-
-donatário do Funchal, hoje conhecida pelo nome de Quinta
das Cruzes.
Paay. 363-A data insculpida na estranha sepultura da ca-
pela de Sfo Filipe é de 16ó6 e nao de 1612 como se le a
pag. 363.
Constitui@es Diocesanas do aispado da Funcha l -- Lisboa,
MDLXXXV.
Histdrica Seráfica dos Frades Menores riP Sdo Franrisco-
Por Fr. Manuel da Esperanqa, Lisboa, 1666.
Hisfória Genealógica da Casa Real Portugu~sa---porD.
Antdnio Caetano de Sousa, Lisboa, 1735-1748.
Colecpio dos Documentos e Merníírias da Academia &al
de História-Tom. 1, Lisboa, 1721.
Corpo Di/~lomático Portuguez - Dirigido por L.. A. Rebelo
da Silva, Tom. 1-IV, Lisboa, 1862.
História /nsulana-Por António Cordeiro e ariotada par
A. J. Ooncalves de Andradc, Lisboa, 1866.
Saudades da Terra - Por Gaspar Frutuoso e anotadas por
Alvaro Rodrigues de Azevedo, Funchal, 1873.
Cafaiogo da Exposigto Ornamental, realizada em Lisboa no
ano de 1882,
Hisfória da EgMa Cathofica em ?Jortu&-Por José de
Sousa Amado, Lisboa, Tom. 1-IX, Lisboa, 1870-1878.
Dicbndrio Universal /->orfuruez/¿rrsfrado Letra M, pag.
180-742, Lisboa, 1897.
A Ordem de Cristo--Por J. Vieira Ciuimaraes, Lisboa, 1901.
Arquitetura da Renascenca de Portugal-Por Albert Haupt,
1906.

História da Igreja en? Portúgaf - Fortunato de Almeida,


Lisboa, 1909-1924.
Murrocos e Tres Mestles da Ordem de Cristo-Por Vieira
Guimaraes, Lisboa, 1916.
Archivo da Marlnha e U1tramar-(Inventario-Madeira e
Porto Santo) coordenado por Eduardo Castro e elmeida, Lis-
boa, 1907.
Elucidário Madeirdnse-Funchal, 1921
A rquivo histórico da Madeira-Funchal, 1901.
No artigo Elementos para a História Madeirense, inserto no
Irlucidário Madeirense (2.a ed. 1-386), fazemos inencao de diver-
sos inéditos, que fornecem valiosos dados e informacbes para
a hist6ria do nosso arquipelago, tendo n6s promovido a publi-
cacao de uma parte consideravel desses elerneritos no antigo
«Heraldo da Madeíra~,que agora tambem nos serviram de pro-
veitosa consulta para a elalaoraqii:~ destes ' desperlenciasoc
Subsidios /)ara a Histdria da DiÓces~do Funrlrrrl.
DICE

Cap. 1-0 encontro e o primeiro reonhecirnento do


arquipégo
Cap. Il-lnício do povoamento e prirneiras rnanifes-
tacoes de culto
Cap. Ill--A Madeira e o Infante D. Henrique
Cap. IV--A Madeira e a Ordem de Cristo
Cap. V- A cria~aodas primeiras freguesias
Cap. VI-A criacao da Dioce.;e
Cap. VI1 - A Sé Catedral
Cap. Vlll - A Sé Catedral (continuac;iIo)
Cap. XI-l'rirneiro Rispo D. Diogo Isiiiheiro
Cap. X - Criaqilo do Arcebispado
Cap. XI-D. Martinho de Porlugal. Primeiro e unico
arcebispo
Cap, XII -3,' Bispo D. Fr. Gaspar do Casal
Cap. XIII -4." Bispo D. Jorge de Lernos
Cap. XIV-5.0 Bispo D. Feriiaiido de ravora
Cap. XV -6.0 Bispo D. Jeronimo Barreto
Cap. XVI -7.0 Bispo D. Luís Figueiredo de Lirnos
cap. XVII-As freguesias criadas no século XVE
Cap. XVIII-As freguesiaa criadas no século XVI
(continua~Ho)
Cap. XIX- As freguesias criadas no s&ulo XVll
(continua~lo)
Cap. XX --As Colegiadas
Cap. XXI - As Comunidades Religiosas ---A Ordem Seráfica
Cap. XXII-As Comunzdades Reli@osas--A Ordcrri
Serafica (qootinuagiiot
Cap. XXIII-A Companhia de Jesus
Cap. XXIV---8.0 Bispo D. Fr. Lourenqo de Tavora
Cap, XXV-O.' Bispo D. Jer6nima Fernando
Cap. XXVl -10." Bispcr D. Fr. CIabriel de Almeida
Cap. XXVII - 11.0 Bispo D. Fr. Antonio Teles da Silva
Ckp. 'i''XVI1I 12.0 Bispo D. Estevio Brioso de Pigueireaa
Cap. XXlX - 13.0 Rispo D. José de Santa Maria
Cap. XXX-- 14." Bispo D. José de Sousa de Castelo
Branco
Cap. XXXl - 13.0 Bispo D. Manuel Coutitiha
Cap. XSXII - 16.0 Bispo Fr. Joio d o Nascirnento
Cap. XSNIII -- 17.0 B i s p ~D. Gaspar Afonso da Costa
Brand30
Cap. XSSlV 18 o Rispo II. Jos6 da Costa Torres
Cap. XSNV - As freguesias criadas nos séculos SVII,
SVlll e XIX
Cap. SXXVI - O Seminário Diooesano
Cap. XXXVII-O Seminário Diocesaiio (continuaí$ío)
Cap. XXXVIII-O Seminário Diocesano (continua~Ho)
Cap. XXXIX-Os Padroeiros da Diocesc
Cap. XL-lgrejas e Capelas
Cap. XLI-lgrejas e Capelas (coniinuac$o)
Cap. XLil-Adenda e Corrigenda

FIM DO PRlMElRO VOLUME