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Curso de Extensão: Breve História da Tríplice Fronteira Aula 9 - A sociedade iguaçuense do século XXI Micael A. Silva A Tríplice Fronteira e seus habitantes

“Crise no comércio paraguaio aumenta inadimplência em Foz. Diminuição no movimento em Ciudad del Este em razão das operações policiais pode ter refletido deste lado da fronteira.” Manchete do Jornal A Gazeta do Iguaçu, edição de 9/5/2013

A manchete do jornal transcrita acima exemplifica aquilo que é o tema de nossa terceira parte do curso: a Tríplice Fronteira no século XXI. O espaço que estamos chamando de Tríplice Fronteira, nem sempre foi chamado desta maneira, e vimos que foi construído social e economicamente ao longo do século XX.

Imagem da Ponte da Amizade: confluência de pessoas e mercadorias [Link].

2006) e A Tríplice Fronteira: espaços nacionais e dinâmicas locais. Como o tema ocupou destaque na mídia de 1992 (primeira acusação) à 2012 (quando os Estados Unidos declararam não haver “perigo”). 2004. o termo não somente se cristalizou na mídia local. de Lorenzo Macagno. esta localizada no sul da América do Sul é chamada de “a” Tríplice Fronteira. o termo o uso do termo Tríplice Fronteira para designar “esta” e não as outras oito. [Link] .” Fernando Rabossi. como substantivo próprio? Comecemos pela definição: trata-se de um espaço de práticas sociais. Como e por que. Embora existisse antes. Entretanto. 2011). ver La Triplice Frontera: globalización y construcción social del espacio. por que continuar a usá-lo? Como resposta a esta pergunta. região ou área das três fronteiras. esta parece uma excessão. Em seu doutorado intitulado Nas ruas de Ciudad del Este: vidas e vendas num mercado de fronteira (UFRJ. Entretanto. de Silvia Montenegro e Verónica Béliveau (Buenos Aires. p. ou seja. Paraguai e Argentina. culturais e econômicas compartilhado entre Brasil. está associado à hipótese norte-americana de conexão entre a população árabe residente em Foz do Iguaçu e Ciudad del Este e o terrorismo islâmico radical. existem nove tríplices fronteiras. se falava em zona. . Sobre a construção social. quando aparecia uma referência para denominar a região em seu conjunto.2 No Brasil. Em baixa. “A região onde confluem os limites internacionais do Brasil. Silvia Montenegro e Verónica Béliveau (EDUFPR. gerou uma série de impactos e debates que serão discutidos na próxima aula. quanto nacional e internacional. se o termo está associado a algo tão pejorativo. 24. o nome “Três Fronteiras” ainda pode ser encontrado em alguns estabelecimentos. pois. 2004) Fernando Rabossi indicou que nem sempre o local era chamado assim. da Argentina e do Paraguai nem sempre foi conhecida como a Tríplice Fronteira. o blogueiro Jackson Lima resolveu abolir o termo de seus blogs (Link). Antes dos anos 90.

culturais e econômicas na Tríplice Fronteira é uma sociedade dinâmica formada por brasileiros e estrangeiros de diversos lugares e descendências. o que faz da Tríplice Fronteira um espaço marcado por pluralidade cultural e relativamente tolerante para com o forasteiro. [Link] No que se refere aos habitantes. Um dos retratos da diversidade na Tríplice Fronteira. já assinalamos uma diversidade que é histórica na região. Ou seja: historicamente a região é marcada pelo contato entre diferentes culturas. Na aula que falamos da fundação da Colônia Militar. destacamos estrangeiros já residentes. A sociedade em torno das práticas sociais. por Áurea Cunha [Link] .3 Uma das representações negativas da “Triple Border” na imprensa norte-americana. Nas últimas aulas mencionados o grande número de migrantes e imigrantes que chegaram a partir de 1990 em função de Itaipu e da Zona Franca de Ciudad del Este. aos quais se juntaram novos estrangeiros que vieram como colonos. A divisão que fizemos no capítulo anterior entre estabelecidos e outsiders parece não ter mais espaço no século XXI.

Quase todas as pessoas com mais de 40 anos. a quem chamamos de estabelecidos na aula anterior. Um exemplo. em sua maioria novos migrantes ou imigrantes. E isso é bom ou ruim? Aquela pequena e antiga elite “pioneira”. uma espécie de Boca Maldita do interior. Capivaras: comum na área de preservação de Itaipu. mas que foi incorporado pelos recém chegados [link]. A confusão dos alunos com a Polícia Militar em 2012. Aquele conflito anunciado no capítulo anterior sobre os estabelecidos e os outsiders ainda permanece ainda no século XXI. mesmo na mais plural das cidades também eles existem. falemos de conflito. é apenas histórico. pode ser buscada nos indígenas que desde muito antes de 1500 circulavam livremente na região do Iguassu. além de render calorosas discussões com direito a diversas ofensas nas redes sociais [vide link1 e link2]. Inicialmente. afirma que a cidade não preserva adequadamente história e memória.4 Em síntese: a Tríplice Fronteira é um espaço relativamente novo do ponto de vista da ocupação humana. de cultura. [link] . Sobre a mobilidade de indígenas na região. evidenciou o conflito já anunciado entre este novo tipo de morador e a sociedade local. junto com a Revista Painel. para aqueles que chegaram (e continuam) após os anos 1970. Por outro lado. e consequentemente. como pode ser constatado nas informações do site. serviram de apelido para os alunos da UNILA em 2010 por compartilharem o mesmo hábito de tomar sol. uma vez que a circulação de mercadorias e pessoas. o Parque Tecnológico Itaipu. Longe de se incomodar. afinal. que residem na Tríplice Fronteira nasceram em outros lugares. do contato com os colegas estudantes da UNIOESTE no espaço comum. Conclusão: isso não é bom nem ruim. surgiu o apelido capivara inicialmente pejorativo. Retomando a ideia lançada há pouco. os alunos gostaram do apelido e chegaram a criar um time de rugbi com o nome. 2007). ver Folhas ao vento: a micromobilidade de grupos Mbya e Nhandevá (Guarani) na Tríplice Fronteira (UFRJ. Para concluir. Outro exemplo de conflito é a maneira pela qual alguns alunos da UNILA. tem sido tratado por uma parte da sociedade local. Esta característica é histórica. podemos dizer que começou uma nova história para suas famílias. é a confraria denominada BOCAFOZ. a sociedade iguaçuense do século XXI é plural em sua essência.

ou a convivência está condicionada às relações estabelecidas no campo do social e do cultural. Ou seja: só acontece na Tríplice Fronteira. A Tríplice Fronteira é um espaço onde todos convivem em paz. vira até um chavão muitas vezes dizer que Foz do Iguaçu tem suas especificidades é uma cidade atípica” [Link] Pergunta de repórter da Rádio CBN ao seu entrevistado. problematizemos a condição de “laboratório da cidadania planetária” proposta por alguns pensadores locais. . tal qual ocorre em outras partes do mundo? Imagem do gibi Foz do Iguaçu de todo o mundo [Link1 / Link2].5 Diante dos conflitos evendenciados. o reporter da Rádio CBN evidenciou uma questão comum na Tríplice Fronteira: afirmar que tudo aqui tem uma especificidade. em Foz do Iguaçu. Esta afirmação tornou-se um discurso comum tanto de autoridades quanto da mídia e até mesmo de alguns estudiosos da história local. ou no caso brasileiro. Ao formular um questionamento ao seu entrevistado. portador da mensagem de “cidade planetária” A especificidade de uma “Cidade planetária” “Nós falamos frequentemente.

e seus orientadores. geralmente iniciam seus trabalhos dizendo que a especificidade da história local é a existência de poucas fontes e produções bibliográficas. por ocasião do seu 30º aniversário. é um exemplo de que existe sim algumas situações específicas. . [Link] A entrega da Moção de Aplauso à Sociedade Islâmica Beneficente. é possível identificar este discurso. no qual os alunos são iniciados nas pesquisas acadêmicas por meio de projetos de iniciação científica ou por sua pesquisa para elaboração do trabalho de conclusão de curso. atos ilicitos tendem a ser um desafio às autoridades. por ocasião da comemoração de seu 30º aniversário em 2011. Entrega de Moção de Aplauso à Sociedade Islâmica Beneficente. do outro é ilegal. por exemplo. Isso só seria verdade para um historiador positivista que usa como fonte apenas documentos escritos e oficiais. existem diversas referências que foram buscadas para nossas aulas. Qual outra cidade do Brasil possui uma instituição comparável em objetivos e tempo de funcionamento? O atendimento a estrangeiros e brasiguaios pelo Sistema Único de Saúde em Foz do Iguaçu certamente é mais frequente que em Cascavel ou outra cidade próxima.6 No curso de História. mas é ilegal ele trazer qualquer compra acima de 300 dólares sem recolher imposto. como é o caso da Tríplice Fronteira. Neste curso. No caso de haver grande circulação de mercadoria. onde o que muitas vezes é legal de um lado. por exemplo. As fronteiras são lugares fluidos. Não é ilegal um brasileiro comprar 10 mil dólares em Ciudad del Este. Os alunos.

oportunidade de trabalho mais vantajosa no comércio em Ciudad del Este.. a face da pobreza. a face do preconceito.7 A rede pública de ensino fundamental em Toledo. com representatividade nos três lados da fronteira. vide exemplo demonstrado nos episódios com alunos da Unila. com as mais de 72 etnias. baratas. papelada pra todo lado com mofo. Em geral podem até ser ilegal deste ou daquele lado. Ali no meio daquela papelada eu encontrei a história de Foz do Iguaçu. incluindo alguns que não são imorais. econômicas e culturais específicas que exitem neste espaço.. mas quase sempre não são imoral. Mexendo com papel. . abrindo caixas e mais caixas. Alguns moradores de Foz do Iguaçu. para citar outro exemplo próximo. fadados a receber o salário do comércio (hoje em média R$ 800. Documentário As Muitas Faces de Uma Cidade. sem o recolhimento de impostos permitiu ganhos reais mais elevados e em alguns casos permitiu aplicação em diferentes ramos na cidade. geralmente em forma de propaganda e vendida nos meios de comunicação. falar de especificidade não é apenas um chavão. pois. a cidade de Foz do Iguaçu é multifacetada. a face metropolitana. Portanto. por meio de diversas práticas em contradição com diversas leis. gerentes. Um olhar cuidadoso revela que existem práticas sociais.. representada por shoppings centers nos três lados. em especial o objeto do documentário. Tornaramse trabalhadores desde ajudante de depósitos até vendedores. e em alguns casos empresários. a face da riqueza. O dinheiro recebido no país vizinho. [Link] O nome do documentário citado sugere que a Tríplice Fronteira.. tiveram. a face da criminalidade. a face do multiculturalismo. a cidade é uma cidade com características de cidades interioranas. Mas. a face do comércio. fungo. que confere ares e ambientes de grandes cidades. a face do interior. Algumas de suas múltiplas faces: a face turística. não tem a mesma preocupação que Foz do Iguaçu tem com a evasão em razão do baixo rendimento de alunos filhos de estrangeiros. mesmo sendo ilegal sua sitação migratória. existem também as práticas comuns e contrastante com a ideia de uma “cidade planetária”. ratos. da ausência de infraestrutura básica para determinados setores da população.00). e alguns ainda tem.

Universidade Federal da Integração Latino-Americana [Link] UNIOESTE . Folhas ao vento: a micromobilidade de grupos Mbya e Nhandevá (Guarani) na Tríplice Fronteira.Universidade Estadual do Oeste do Paraná [Link] PTI .8 Face da pobreza em Ciudad del Este. Desenvolve-se no século XXI em função disso. Fernando Rabossi. Tese de Doutorado. UFRJ. [Link] Evaldo Mendes da Silva. Curitiba: EDUFPR. A região como um todo é um importante corredor para circulação de bens e pessoas. Tese de Doutorado. La Triplice Frontera: globalización y construcción social del espacio. A Tríplice Fronteira: espaços nacionais e dinâmicas locais. Siglas UNILA . registrada por visitante e blogueiro [Link] Todas estas e outras múltiplas faces não são especificidades da Tríplice Fronteira. UFRJ-Museu Nacional. 2006 Lorenzo Macagno. o modo pelo qual se produz e distribui a riqueza na sociedade. *** Em tempo Os links e textos indicados tem a função única de auxiliar na compreensão do tema tratado. [Link] Sugestão de Multimídia . São consequências da maneira pela qual o mundo contemporâneo ocidental está organizado. 2011. Nas ruas de Ciudad del Este: vidas e vendas num mercado de fronteira. 2004. Silvia Montenegro e Verónica Béliveau.Parque Tecnológico Itaipu [Link] Sugestão de leitura Silvia Montenegro e Verónica Béliveau. ou seja. 2007. Em nenhuma hipótese representam minha opinião. Buenos Aires: Miño y Dávila.

Lançamento do documentário As Muitas Faces de Uma Cidade [Link] 2.Capivaras [link] 6.Documentário As Muitas Faces de Uma Cidade [Parte 1] [Parte 2] [Parte 3] [Parte 4] Crédito das imagens 1. [Link] 4.O nome “Três Fronteiras” ainda pode ser encontrado em alguns estabelecimentos.Uma das representações negativas da “Triple Border” na imprensa norte-americana.Imagem do gibi Foz do Iguaçu de todo o mundo [Link1 / Link2] 7-Entrega de Moção de Aplauso à Sociedade Islâmica Beneficente [Link] 8. 2. [Link] 3. por Áurea Cunha [Link] 5.Um dos retratos da diversidade na Tríplice Fronteira.Imagem da Ponte da Amizade: confluência de pessoas e mercadorias [Link].9 1.Face da pobreza [Link] .