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Revista VITAS Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade www.uff.br/revistavitas ISSN 2238-1627, Nº 3, junho de 2012

ESTUDO ICONOGRÁFICO DO BARRETO (Niteroi, RJ)

Jefferson Campos, Luísa Jardim, Diego Martinez, Edilson Vieira 1 e Selene Herculano 2

Resumo:

Este trabalho focaliza o bairro do Barreto, na cidade de Niterói (RJ), em seus aspectos históricos e

espaciais, com base no conceito de subúrbio, apontado pela literatura urbanística e sociológica, e discute suas novas tendências em relação à cidade.

Palavras-chave: subúrbio, Barreto, Niterói, desindustrialização.

Abstract:

This paper focuses on some historical and spacial aspects of Barreto, a locality in the city of Niterói (RJ) here defined as suburbia. Keywords: suburbia, Barreto, Niterói, de-industrialization

1. Introdução: Este trabalho focaliza o bairro do Barreto, no município de Niterói (RJ). A partir de visita ao local, buscávamos compreender a construção de um espaço suburbano em uma perspectiva histórica focada em pontos significativos para seus moradores. Delineamos nossa trajetória por entrevistas e indicações dos próprios habitantes, o que resultou em uma viagem pelos contornos do antigo bairro operário. No final do século XIX diversas fábricas começaram a se instalar no Barreto, alterando a paisagem do bairro, que passou de área rural, com diversas chácaras, à zona industrial. O ponto era estratégico, pois, além de se localizar à beira da Baía de Guanabara e estar servido por ramal ferroviário, o que facilitava a circulação de bens, o Barreto pertencia à antiga capital do Estado do Rio de Janeiro, a cidade de Niterói, onde se concentrava grande parte dos investimentos da região. Estávamos em busca de evidências da formação do bairro como subúrbio, na concepção tradicional do termo ancorada no “tripé trens, subúrbios e proletários” (EL- KAREH, 2010), pelo qual subúrbios são definidos como zonas industriais, de ocupação proletária, ligadas ao centro por linhas férreas. Segundo José de Souza Martins (1992),

  • 1 Alunos de graduação da Universidade Federal Fluminense - UFF

  • 2 Trabalho de conclusão da disciplina de graduação Ambiente e Sociedade, ministrada pela Professora Selene Herculano (UFF-ICHF, 2011)

subúrbio é também o limiar entre cidade e campo, um espaço no qual urbano e rural são complementares. Mais recentemente, com a desindustrialização, o conceito de subúrbio se confunde no senso comum com o conceito de periferia, como lugar dos excluídos e do abandono (SOTO, 2008). Enquanto o morador do subúrbio seria um ser híbrido, justamente por carregar características de ambas às partes o urbano e o rural, periurbano - o morador da periferia é completamente subordinado e dependente de formas de vida do meio urbano. 2. Metodologia: Dentre as propostas colocadas para a realização de um trabalho final para a disciplina Ambiente e Sociedade, optamos pelo tema “Subúrbios Cariocas”.

Formado o grupo de trabalho, percebemos que todos os estudantes integrantes residiam na cidade de Niterói e, considerando os aspectos relativos ao tempo, deslocamento, familiaridade com o local e interesse, decidimos localizar, no município, uma região que tivesse características semelhantes àquelas apresentadas pelos tradicionais bairros classificados como subúrbios da cidade do Rio de Janeiro.

Com apoio na bibliografia da disciplina, em especial o livro “150 Anos de Subúrbios Cariocas”, organizado por Marcio Piñon de Oliveira e Nelson da Nóbrega Fernandes (2010), partimos da conceituação de subúrbio como o local inicialmente rural,

tomado como “arrabalde” 3

Como complementar a esta definição, utilizamos a ideia do

.. subúrbio como um ambiente híbrido, no qual a urbanização nunca se dará por completo. Após uma investigação preliminar tomamos por objeto o bairro do Barreto, em Niterói. Dentre as possíveis abordagens metodológicas, optamos por realizar um estudo iconográfico do local escolhido. Para tanto, utilizamos bicicletas como meio de transporte, de modo a facilitar um deslocamento mais ágil do grupo pelas ruas e vielas do bairro. Apesar da elaboração prévia de um roteiro, flexibilizamos nossos caminhos a partir das situações que se apresentavam (entrevistas com transeuntes, visitas a antigas estações, fábricas, vilas operárias) .. No intuito de analisar e compreender as experiências vividas no trabalho de campo, elaboramos este paper, com o qual buscamos construir um panorama geral do que chamamos “subúrbio fluminense”.

3 “[

...

]

do árabe ar- rabad, que significa cercanias da cidade.” (EL- KAREH, p. 19, 2010)

3. Histórico do bairro: Situado na divisa entre os municípios de Niterói e São Gonçalo, as margens da Baía de Guanabara e cortado pela Rodovia Governador Mario Covas (BR 101) e pela antiga linha férrea da Leopoldina, o Barreto faz divisa com os bairros de Neves, Santana e Engenhoca. A representação geográfica do local segue na figura 1.

3. Histórico do bairro: Situado na divisa entre os municípios de Niterói e São Gonçalo, as

Figura 1. Representação Geográfica do Barreto

A região onde hoje se localiza o Barreto era uma antiga fazenda chamada de Caboró pertencente ao Frei José Barreto Coutinho de Azevedo Rangel, a quem o nome do bairro referencia. Sua propriedade abrangia Niterói e São Gonçalo (atual bairro de Neves). Até meados do século XIX a área era ocupada essencialmente por chácaras, quando, a partir de 1890, diversas indústrias se instalaram no local iniciando assim seu processo de urbanização, que até hoje permanece incompleto. Com a chegada de duas importantes fábricas, a Fiat Lux, de palitos de fósforos, e a Companhia Fluminense de Tecidos, foram instaladas vilas operárias, desenvolvendo-se assim uma infraestrutura básica no local. Outras fábricas de tijolos, vidro, saponáceos e inclusive estaleiros também se estabeleceram ali. Na mesma época, em 1871 foi inaugurada a Estação Santana do Maruí, a qual funcionava como parte do

3. Histórico do bairro: Situado na divisa entre os municípios de Niterói e São Gonçalo, as

Figura

2.

Placa

de

Identificação

Nacionais

Cia.

Usinas

2

trecho da Linha do Litoral, ligando o Rio de Janeiro à Vitória no Espírito Santo.

A ocupação do

bairro se expandia

lentamente pelas áreas planas até a construção, na década de 1960, da Avenida do Contorno como é popularmente conhecido o trecho da BR101 que passa no

trecho da Linha do Litoral, ligando o Rio de Janeiro à Vitória no Espírito Santo. A

Figura 3. Cia. Usinas Nacionais

local que facilitou a ocupação irregular em lugares antes inacessíveis. Contudo, no contexto de crise econômica brasileira dos anos de 1970, foi iniciado o processo de decadência tanto das fábricas, que não conseguindo se sustentar, foram obrigadas a fecharem as portas ou a migrarem para outros municípios, quanto do próprio bairro, que

sofreu um esvaziamento populacional e comercial.

trecho da Linha do Litoral, ligando o Rio de Janeiro à Vitória no Espírito Santo. A

Figura 4. Fachada Cia. Fluminense de Tecidos

Apesar de ainda haver resquícios desta fase de declínio, atualmente é possível notar uma reconfiguração socioespacial no local. Mesmo com pouco comércio, o Barreto conta com escolas públicas e particulares, ensino técnico, hospitais, áreas de lazer e grandes empreendimentos, como lojas das redes multinacionais Carrefour e Sam’s Club, que não estão especificamente voltados para os moradores. Além disso, significativos investimentos imobiliários ganham forma na região. Localizado em um ponto estratégico,

o bairro perde aos poucos sua configuração unicamente operária, adquirindo novas identidades ainda não consolidadas.

4. Vilas operárias: A partir de 1870, o Barreto começava a ganhar características mais urbanas, devido à chegada das fábricas e também da linha férrea. As indústrias que ali se instalaram tinham como característica a implementação de infraestrutura auxiliar para seus funcionários. Principalmente a partir de 1940, além de moradias, foram também proporcionados eventos de lazer, como bailes e campeonatos de futebol, e criadas escolas para os filhos dos operários, cooperativas e centros musicais. O bairro operário prosperou até a década de 1970, quando a mudança da conjuntura econômica nacional junto aos novos modelos de gestão que se

o bairro perde aos poucos sua configuração unicamente operária, adquirindo novas identidades ainda não consolidadas. 4.

Figura 5. Entrada de uma das antigas Vilas Operárias

implementavam no país ocasionaram uma desestruturação local. O país sofria com a crise pós “Milagre Econômico” e as facilidades de importação com a abertura ao capital estrangeiro evidenciaram a fragilidade da indústria nacional, que não tinha condições de competir no mercado. Além disso, o tradicional modelo de organização fabril de relacionamento paternalista entre patrão e empregados era substituído por um tecnicismo exacerbado, no qual era mais valorizado o conhecimento específico adquirido em cursos

profissionalizantes, do que aquele proporcionado pela própria experiência nas fábricas. Esses foram os principais fatores responsáveis pelo esvaziamento industrial do Barreto. As vilas operárias representavam não só um local de moradia, mas também explicitavam a indissociabilidade entre a vida profissional e pessoal do trabalhador. Os funcionários orientavam seu cotidiano de acordo com o ritmo fabril. Como exemplo temos o depoimento de “Dona Zezé”, ex-funcionária da Cia Fluminense de Tecidos:

A gente marcava a hora pra sair, quando a fábrica apitar três vezes, você sai de casa, a gente combinava assim, entendeu? As amigas, mulheres dos funcionários, quando a gente queria ir a cinema, queria ir em algum lugar. Ó quando a fábrica der o terceiro apito a gente vai saindo, tá. (WOLLMANN, 2011, p.178).

A forma como as fábricas que chegaram ao Barreto se estruturaram no local, criando em seu entorno aparatos que integravam a vida social dos operários à empresa fez com que surgisse uma identidade de classe, até hoje visível em ex-funcionários que ainda residem no bairro. Nesse sentido, procuramos traçar uma pequena reconstituição deste tempo através de diálogos com essas pessoas.

4.1. Vila Fiat Lux (Marca Olho): Localizada onde atualmente se encontra o estacionamento da rede de hipermercados Carrefour, havia uma fábrica de palitos de fósforos da marca Fiat Lux. Contiguamente a ela foi construída sua vila operária com 72 casas, a qual, apesar de muitas modificações, ainda existe no local. Segundo alguns moradores que ali vivem desde a época da indústria e que lá trabalhavam, ela foi instalada no ano de 1904, permanecendo ali por aproximadamente 80 anos, quando se

profissionalizantes, do que aquele proporcionado pela própria experiência nas fábricas. Esses foram os principais fatores responsáveis

Figura 6. Vila Fiat Lux

mudou para Curitiba, devido ao

aumento do custo de transporte da madeira, vinda do Paraná. Alguns anos antes de se transferir de município, a Fiat Lux vendeu as casas da vila, dando preferencia a seus funcionários, que pagaram por meio de descontos da folha salarial. As propriedades, as quais seus moradores não tiveram interesse em comprá-las, foram vendidas a terceiros. Devido a isso, as fachadas foram se modificando, embora ainda seja possível identificar semelhanças entre as casas. Como mostra a Figura 2.

4.2. Vila Companhia Fluminense de Tecidos: Ainda existe na Rua Dr. March o

prédio da antiga Companhia Fluminense de Tecidos, uma grande indústria têxtil, muito importante para o desenvolvimento do Barreto. Com três turnos de oito horas de trabalho cada, a fábrica não fechava e o movimento de suas vilas era constante. Mesmo com sua desativação em 1997, a sede, as antigas casas dos funcionários e outros terrenos no Barreto ainda pertencem aos herdeiros da firma.

aumento do custo de transporte da madeira, vinda do Paraná. Alguns anos antes de se transferir

Figura 7. Vila em frente à sede da Cia. Fluminense de Tecidos

Os moradores das cerca de 70 casas construídas para os operários ainda pagam aluguel a C.F.T., mesmo que muitos deles não tenham tido nenhum vínculo com a empresa durante seu funcionamento. Neste caso, as casas ainda mantém a padronização das fachadas.

Figura 8. Vila ao lado direito da sede da Cia. Fluminense de Tecidos Figura 9. Vila

Figura 8. Vila ao lado direito da sede da Cia. Fluminense de Tecidos

Figura 8. Vila ao lado direito da sede da Cia. Fluminense de Tecidos Figura 9. Vila

Figura 9. Vila ao lado esquerdo da sede da Cia. Fluminense de Tecidos

Figura 10. Fachada da Estação Santana do 5. Linha Férrea: Em 1871 foi inaugurado o primeiro

Figura 10. Fachada da Estação Santana do

5. Linha Férrea: Em

1871

foi

inaugurado o primeiro trecho (Niterói Rio Bonito) da antiga “Linha Litoral”, que ligaria

o Rio de Janeiro à Vitória, no Espírito Santo, e seria administrada pela Leopoldina. A estação Santana do Maruí, localizada na Rua Carlos Gomes, era o ponto de partida da linha e até 1926 teve um fluxo intenso de cargas e passageiros. Neste ano, começou a funcionar a estação Barão de Mauá - conhecida atualmente como Leopoldina, da qual partiam trens direto da capital carioca para Campos e

Maruí

Vitória, fazendo com que caísse o movimento da estação niteroiense. Outro fator contribuinte para seu declínio foi à construção de outra estação a apenas 1,5 km, a General Dutra no bairro de São Lourenço. Entretanto,

com as obras da Ponte Presidente Costa e Silva, a segunda estação foi desativada e o movimento voltou a subir em Santana do Maruí.

Até

2007,

partiam

trens do Barreto para Itaboraí, contudo, as estações e o próprio maquinário eram extremamente precários, sendo opção de transporte para pouquíssimas pessoas. O prédio da antiga estação ainda existe em ruínas, assim como uma oficina de trens

Figura 10. Fachada da Estação Santana do 5. Linha Férrea: Em 1871 foi inaugurado o primeiro

Figura 11. Interior da Estação Santana do Maruí

que funcionava a poucos metros. Apesar da recente desativação do ramal, os relatos da região são de que a Estação já estaria abandonada há mais de vinte anos. Outro fator observado foi à extrema

proximidade de moradias populares aos trilhos do trem, comprovando as condições inseguras nas quais funcionava a linha em seus últimos anos.

proximidade de moradias populares aos trilhos do trem, comprovando as condições inseguras nas quais funcionava a

Figura 12. Antiga área de embarque e desembarque da Estação Santana do Maruí

 

Por

muitos

anos,

a

ferrovia

que

cruzava

o

Barreto,

assim

como

as

fábricas,

 

interferia

diretamente

 

no

cotidiano

 

dos

moradores

 

do

bairro,

como

é

o

caso

de

Delziane, que em seu

relato

disse

ser

conhecida

como

“menina da cancela”, pois sempre que ouvia o barulho do trem, cuidava de abrir e fechá-

la. Também Seu Waldemar, um dos entrevistados, cujo pai aproveitou o movimento na Estação Santana do Maruí para instalar seu comércio.

proximidade de moradias populares aos trilhos do trem, comprovando as condições inseguras nas quais funcionava a

Figura 13. Casas construídas ao lado da linha do trem

Figura 14. Ruínas da oficina de trens 6. Comunidade “Buraco do Boi”: A comunidade era dominada

Figura 14. Ruínas da oficina de trens

6. Comunidade “Buraco do Boi”: A comunidade era dominada por facções criminosas, contudo, desde janeiro de 2010 o local está pacificado. Hoje em dia é possível caminhar tranquilamente por suas ruas, existindo inclusive uma barbearia ao ar

Figura 14. Ruínas da oficina de trens 6. Comunidade “Buraco do Boi”: A comunidade era dominada

Figura 15. “Seu” Renato e a barbearia ao ar livre

livre, onde conhecemos o senhor Renato que ali sempre morou e nos contou um pouco mais sobre a história do local. No fim da rua principal funcionava um abatedouro de bovinos, no mesmo local funciona hoje um CIEP. Contudo, a comunidade ainda abriga uma fábrica de processamento de carne.

Observamos que o “Buraco do Boi” funciona como uma periferia do Barreto, na

medida em que estabelece uma relação de dependência com o centro do bairro e obedece

a uma ocupação irregular do solo, proporcionada pelo aterramento da costa para construção da Avenida do Contorno. Além disso, o aspecto das moradias e a ausência de

serviços básicos, como saneamento, nos remete a imagem das “favelas” cariocas.

7. Infraestrutura: Atualmente, com a chegada de novos moradores e novos investimentos, o Barreto vem perdendo sua condição de bairro exclusivamente operário, reunindo opções de lazer, transporte, saúde, educação e comércio.

livre, onde conhecemos o senhor Renato que ali sempre morou e nos contou um pouco mais

Figura 16. Praça Enéas de Castro, localizada na área central do bairro

Figura 17. Praça na entrada do bairro 7.1. Lazer: Os moradores têm a sua disposição praças

Figura 17. Praça na entrada do bairro

7.1.

Lazer:

 

Os

moradores têm

a

sua

disposição

praças públicas

com estrutura

para

esporte e

playground, o

 

clube

Combinado

5

de

julho,

academias

e a

quadra

da

Figura 17. Praça na entrada do bairro 7.1. Lazer: Os moradores têm a sua disposição praças

Figura 18. Parque Municipal localizado no bairro

escola de samba Unidos do Viradouro. O Parque

Monteiro Lobato, conhecido como “Horto do

Barreto”, possui atividades para a terceira idade e uma feira de artesanato que ocorre todo domingo e atrai moradores de outras regiões. Antigamente, o bairro ainda contava com uma praia banhada pela Baía de Guanabara, mas é hoje imprópria para o banho, além de ter perdido espaço com a chegada da Avenida do Contorno e a instalação de estaleiros.

Figura 17. Praça na entrada do bairro 7.1. Lazer: Os moradores têm a sua disposição praças

Figura 19. Quadra do G.R.E.S. Viradouro

7.2. Educação: Além de pequenas escolas particulares, possui um CIEP dentro da comunidade “Buraco do Boi” e uma unidade descentralizada do Colégio Pedro II. Também há a Escola Técnica Estadual Henrique Lage, e um centro de ensino profissionalizante do SENAI.

7.2. Educação: Além de pequenas escolas particulares, possui um CIEP dentro da comunidade “Buraco do Boi”

Figura 20. Escola Técnica Estadual Henrique Lage

7.2. Educação: Além de pequenas escolas particulares, possui um CIEP dentro da comunidade “Buraco do Boi”

Figura 21. SENAI

Figura 22. Fachada do Cemitério de Maruí 7.3. Saúde: O bairro conta com um posto de

Figura 22. Fachada do Cemitério de Maruí

7.3. Saúde:

O

bairro

conta

com

um

posto

de

saúde, ainda em

construção, na comunidade

“Buraco

do

Boi”,

uma

unidade

do

programa

“Médico da Família”, um

hospital público, que leva o

nome do operário

da

C.F.T. Orêncio de Freitas e

hospitais

particulares.

Além de possuir clínicas e

consultórios médicos e odontológicos. O Barreto também abriga um grande cemitério.

O Centro Regional Integrado de Atendimento ao Adolescente

(CRIAA) da UFF, em parceria com a prefeitura de Niterói, está instalado no

bairro, com o objetivo de “auxiliar na

recuperação de menores dependentes químicos e prevenir adolescentes em situação de risco.” (NUCS-UFF, 2010). A Fundação para a Infância e Adolescência FIA), localizada em

Figura 22. Fachada do Cemitério de Maruí 7.3. Saúde: O bairro conta com um posto de

Figura 23. CRIAA-UFF

Figura 22. Fachada do Cemitério de Maruí 7.3. Saúde: O bairro conta com um posto de

Figura 24. Internato para deficientes físicos e mentais da FIA

frente,

abriga

um

internato

para

deficientes físicos e

mentais

e

também oferece

cursos

a

jovens

carentes da região. O saneamento urbano é

bastante abrangente, contudo, alguns

pontos

do

bairro

sofrem

com

14

alagamentos em períodos de chuva.

alagamentos em períodos de chuva. Figura 25. Área dedicada à cursos para a comunidade - FIA

Figura 25. Área dedicada à cursos para a comunidade - FIA

7.4. Comércio: Possui o Mercadão do Barreto (antigo Ceasa), grandes lojas de construção, como a Leroy Merlin e a Casa e Construção (C&C). Também mercados, como o Carrefour, Sam’s Club e Assaí, empresas que se aproveitam da Avenida do Contorno como ponto de fácil acesso, não sendo especificamente voltadas para consumidores do bairro. Não há grande variedade de comércio de rua ou shoppings, o que faz com que a população tenha que buscar opções de consumo em outros lugares.

Figura 26 . Sam’s Club 7.5. Transporte : Por se localizar na interseção entre Niterói, São

Figura 26. Sam’s Club

7.5. Transporte: Por se localizar na interseção entre Niterói, São Gonçalo e a Ponte Rio-Niterói, o acesso ao Barreto é bastante facilitado. Há variedade de ônibus e também uma ciclofaixa. A passagem da BR 101 diminuiu o fluxo de veículos por dentro do bairro. Apesar de não mais possuir trem, existe um projeto de implantação da Linha Três do Metrô, que ligará novamente por trilhos Niterói a Itaboraí.

Figura 26 . Sam’s Club 7.5. Transporte : Por se localizar na interseção entre Niterói, São

Figura 27. Ônibus municipal

16

8. Considerações finais:

No bairro do Barreto, passado e presente convivem em suas construções e na memória de seus moradores/ trabalhadores. Os novos prédios, as antigas casas, a velha linha do trem, as novas rodovias, a grande rede de supermercados. Ocupando ainda posição central, a velha fábrica de tecidos se mantém lá, imponente, contrariando todos os seus evidentes sinais de falência. Rachaduras, infiltrações, janelas quebradas e um letreiro imperecível que denuncia sua identidade: Cia. Fluminense de Tecidos. A persistência da gigante gris, que parece repousar impassível diante da paisagem que se transfigura ainda que lentamente, certamente intriga transeuntes e renova as esperanças daqueles que esperam voltar a trabalhar em suas dependências e/ ou conseguir empregar filhos e netos. (WOLLMANN, 2010, p. 179)

A citação acima, assim como a visita ao bairro, confirmam nossa hipótese de que o Barreto é um subúrbio que apresenta formação mista, muito semelhante aos subúrbios cariocas, com qualidades tanto do mundo urbano, com estruturas metropolitanas, quanto do rural, presente principalmente na relação entre os moradores que têm a rua como espaço de socialização. Assim como o lugar que habita, o suburbano tem em si esta mistura campo-cidade. Há no bairro uma nova perspectiva, representada pela chegada de novos empreendimentos imobiliários e moradores sem vínculos com as antigas indústrias que dominavam a região. Eles são atraídos, principalmente, pela localização e a infraestrutura local, trazendo uma nova imagem do Barreto. O Barreto convive com remanescentes de sua fase industrial, na forma de espaços abandonados, e com uma reconfiguração socioespacial em curso, caracterizada por um novo tipo de ocupação de atividades urbanas demandantes de amplos espaços:

hipermercados (das redes multinacionais Carrefour e Sam’s Club), hiperlojas de construção civil (Leroy Merlin e a Casa e Construção - C&C); hiperquadra de escola de samba (Unidos da Viradouro) e seus respectivos espaços de estacionamento, amplíssimos e funcionais tanto quanto inóspitos. Esses hiperespaços lembram aquilo que Marc Augé (1994) chamou de “não-lugares”, lugares de passagem, iguais a tantos outros, por onde se transita mas não “se está”. Tais hiperespaços, ilhados em seus hiperestacionamentos, esgarçam o tecido urbano. Há no Barreto também instalações das chamadas organizações totais, correcionais, fechadas em muros altos que fazem das ruas onde se situam

corredores esvaziados tão criticados por Jane Jacobs (1973). Novos empreendimentos imobiliários mega prédios de conjuntos residenciais que não estão voltados para os moradores da localidade - ganham forma na região, acenando com vantagens locacionais em relação ao transporte para outras cidades às margens da Avenida do Contorno - e infraestrutura disponível para uma população de estrato médio que decerto trabalhará fora do bairro e da cidade. Nas cidades, Jane Jacobs enfatizou, a animação e a variedade atraem mais animação e variedade, enquanto que o seu contrário, a monotonia, repele a vida. É a mescla de usos, não a separação e o isolamento, que caracteriza as cidades. Esta animação é dada principalmente pelo pequeno e variado comércio em quarteirões também pequenos, cheios de ruas e esquinas, povoado por pessoas ocupadas em tarefas diferentes, que, na sua variedade de usos, conferem elementos de segurança: os olhos de seus habitantes. Aos urbanistas que dizem que o uso plural e a miríade de pequeno comércio congestionam as cidades, Jacobs apõe que não são as pessoas, são os veículos. Em um momento (2011) em que a Prefeitura de Niterói (gestão Jorge Roberto da

Silveira) cogita em urbanizar suas áreas verdes periféricas, projetando “bairros modelos”

para milhares no cinturão verde de Pendotiba, em lugar de preservar este resquício de Mata Atlântica, salta aos olhos a inadequação ambiental, social, econômica e urbana desta decisão quando nos deparamos com a disponibilidade das vastas áreas desindustrializadas do Barreto, já dotadas de infraestrutura e que bem poderiam ser objeto de iniciativas de revitalização urbana que, ao mesmo tempo em que respeitassem e estimulassem o cotidiano comunitário de seus atuais habitantes, favorecessem também a chegada de novos moradores diversificados e de um comércio local, plural e de pequeno

porte, o que efetivamente dá vida e integração às cidades.

Referências bibliográficas

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e identidade de classe em um bairro operário em declínio (Barreto – Niterói)”. Mediações, Londrina, vol. 16, nº 1, p.177 200, jan/jun, 2011. Dossiê: Classes sociais e transformações no mundo do trabalho.

Soou o apito: experiência operária e identidade de classe dos

_________. trabalhadores da Companhia Fluminense de Tecidos do Barreto Niterói RJ. 2010. 221f. Dissertação (Mestrado em História Social) - Centro de Humanidades, Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2010.

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OLIVEIRA, Márcio Piñon de; FERNANDES, Nelson da Nóbrega (Orgs.). 150 anos de subúrbio carioca. Rio de Janeiro: EdUFF, 2010.

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UFF,

Niterói,

26

jan.

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Disponível

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