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Universidade do Vale do Itajaí – Campus Itajaí Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Núcleo de

Universidade do Vale do Itajaí – Campus Itajaí

Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Núcleo de Prática Jurídica Módulo II: Direito Civil Professora Orientadora: Ana Lúcia Pedroni Acadêmica: Mirela Emilia Camara Bulegon

Aula 04 – 10.10.2011

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA DA COMARCA DE ITAJAÍ - SC.

VARA DA FAMÍLIA

___

Processo n.º 033.33.333333-3

JOÃO BATISTA, já qualificado nos autos da Ação de Alimentos, movida por JANDIRA DE SOUZA e JERUSA BATISTA, também já qualificada, vem à presença de Vossa Excelência, por

intermédio

de

seu

procurador

infrafirmado,

oferecer

CONTESTAÇÃO, o que faz através dos fatos e fundamentos que passa a expor.

1. Resumo dos fatos contidos na exordial.

Alegam, as

autoras, na

peça

vestibular, que o

requerido percebe aproximadamente R$ 6.000,00 (seis mil reais) como representante comercial e que estas necessitam de ajuda financeira para se manter, porquanto possuem gastos elevados,

pleiteando, assim, pensão no equivalente a 05 (cinco) salários mínimos à cada uma.

Colacionaram documentos a fim de demonstrar as despesas que suportam (fls.), o que soma aproximadamente R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais).

2. Dos fundamentos jurídicos.

  • 2.1. Da realidade dos fatos e Do Direito.

Em que pese os vastos fundamentos exarados pelas requerentes, o pleito exordial não merece prosperar.

Excelência, de fato, o requerido labora como Representante Comercial, revendendo aviamentos (lãs, linhas, zíper, agulhas, etc), produtos estes que possuem baixo valor comercial e pouca circulação, o que rechaça a alegação inaugural de que o requerido perfaz a quantia de R$ 6.000,00 (seis mil reais) mensais.

Ademais,

sabe-se

que

a

profissão

de

representante comercial não garante renda

fixa,

atingindo,

o

requerido, em alta temporada, no máximo

R$ 3.000,00 (três

mil

reais), conforme faz prova o documento em anexo (doc. 01).

Há que se ressaltar, também, o fato de o mesmo já ter constituído família, possuindo, inclusive, outro filho, o qual conta com 03 (três) anos de idade e impõe gastos ao orçamento familiar.

O

requerido

é,

também, responsável pelo

sustento e mantença de sua mãe, a qual sofreu um derrame (doc.

02), ficando, assim, sua atual esposa impedida de trabalhar, uma vez que cuida do filho e da sogra – mãe do requerido -.

Assim, Excelência, em suma, as requerentes pleiteiam a título de pensão alimentícia o salário mais alto do requerido na íntegra, o que não pode prosperar, sob pena de prejuízo ao sustento de sua nova família, bem como de dificuldades no auxílio de sua mãe.

Se não bastasse àquelas pretenderem todos os frutos do labor do requerido, há ainda o fato de a genitora da filha do requerido (primeira requerente), pretender pensão alimentícia para si.

Ora Excelência, a mesma desenvolve a função de professora universitária (doc. 02), havendo a possibilidade de esta possuir remuneração ainda maior que aquela do requerido, não

restando justificada, pelos documentos que instruíram os autos, a necessidade do requerido em pagar pensão alimentícia em prol desta.

Nesta seara, prevê o art. 1.695 do Código Civil:

Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento.

No

mesmo

Egrégio Tribunal Catarinense:

sentido,

colhe-se

de

julgado

do

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA ACORDADA EM AÇÃO DE DIVÓRCIO. ALIMENTANDA QUE NÃO COMPROVA POSSUIR PROBLEMAS DE SAÚDE. DOCUMENTOS DEMONSTRANDO APTIDÃO PARA EXERCER ATIVIDADE REMUNERADA. EXONERAÇÃO DO ENCARGO ALIMENTAR DEFERIDA. SENTENÇA

MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. Embora possa a mulher receber alimentos de seu ex- cônjuge, há de se ter prova nos autos da impossibilidade de prover seu próprio sustento para fazer jus a PENSÃO ALIMENTÍCIA, uma vez que tal instituto é uma excepcionalidade. (Apelação Cível n.º 2010.066001-0, de São José. Rel. Des. Saul Steil. Julgado em 01.04.2011).

E, ainda:

“[

]

É lícito ao ex-cônjuge requerer alimentos do

outro com

fundamento na assistência mútua.

Contudo, para não desvirtuar a verdadeira natureza

jurídica da obrigação, faz-se necessária a

comprovação de que o alimentando de fato esteja

impossibilitado de

prover,

por

seu

esforço,

sua

subsistência,

bem

como

das

reais

condições

financeiras de quem, por direito, estaria obrigado a

prestar auxílio." (Apelação Cível n.º 2003.004550-3, da Capital. Rel. Des. Marcus Tulio Sartorato. Julgado em em 11.03.2005).

E, da doutrina, extrai-se:

“[

]

Não podemos pretender que o fornecedor de

... alimentos entregue à necessidade, nem que o necessitante se locuplete a sua custa. Cabe ao juiz ponderar os dois valores de ordem axiológica em destaque. Destarte, só pode reclamar alimentos quem comprovar que não pode sustentar-se com o

próprio esforço. Não podem os alimentos converter- se em em prêmio para os néscios e descomprometidos com a vida. Se, no entanto, o alimentando encontra-se em situação de penúria, ainda que por ele causada, poderá pedir alimentos. Do lado do alimentante, como vimos, importa que ele tenha meios de fornecê-los: não pode o Estado

ao vestir um santo, desnudar o outro.” (Direito Civil:

direito de família. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2002, p. 360 in Apelação Cível n.º 2011.063767-8, de Lages. Rel. Des. Subst. Stanley da Silva Braga.

Julgado em 06.10.2011).

Assim, conclui-se que a pensão alimentícia em favor da ex-companheira é uma excepcionalidade, à qual não se enquadra o caso em apreço, posto que a mesma possui emprego fixo e é notório o fato de que a mesma tem renda suficiente para sua mantença e, ainda, auxílio no sustento da filha.

no

que tange

ao pleito

de

concessão de

pensão alimentícia em favor da filha do casal, é certo que o quantum

pretendido na peça pórtica não possui qualquer cabimento ou fundamento robusto, porquanto o requerido ganha metade daquele valor alegado pelas requerentes e, ainda, é responsável pelo seu sustento e de outras três pessoas – filho, esposa e genitora -.

Deste modo, as requerentes colacionaram comprovantes de despesas que somam a importância de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), esperando, assim, a fixação de verbas alimentares em favor da ex-esposa e da filha.

Contudo, ante o fato de a mãe trabalhar como professora universitária, eventuais despesas atribuídas à filha do casal, devem ser divididas, de modo que o valor arbitrado considere a capacidade econômica do alimentante – requerido – e a necessidade do alimentado – filha -, conforme art. 1.694, §1º do Código Civil:

Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1 o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada.

Nesta seara tem entendido a jurisprudência:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE CUMULADA COM PEDIDO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. INSURGÊNCIA COM RELAÇÃO AO INDEFERIMENTO DO BENEFÍCIO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA.

HIPOSSUFICIÊNCIA DEMONSTRADA NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE ARCAR COM AS CUSTAS PROCESSUAIS SEM PREJUÍZO DO PRÓPRIO SUSTENTO E DE SUA FILHA. PLEITO CONCEDIDO. MINORAÇÃO DO VALOR ARBITRADO A TÍTULO DE ALIMENTOS. REQUERIMENTO INDEFERIDO. ATENDIDO O BINÔMIO

DA NECESSIDADE/POSSIBILIDADE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. [ ... ] Na fixação do quantum a ser pago a título de alimentos será levado em consideração o binômio da necessidade/possibilidade, analisando-se, em cada caso, a necessidade daquele que os percebe e a possibilidade financeira de quem os fornece.

(Apelação Cível n.º 2011.059230-1, de Sombrio. Julgado em 08.09.2011 in Apelação Cível n.º 2011.063767-8, de Lages. Rel. Des. Subst. Stanley da Silva Braga. Julgado em

06.10.2011).

Também:

DIREITO DE FAMÍLIA. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE CUMULADA COM ALIMENTOS. PATERNIDADE RECONHECIDA ATRAVÉS DE EXAME DE DNA. VERBA ALIMENTAR FIXADA EM UM SALÁRIO MÍNIMO. PRETENDIDA A MAJORAÇÃO DA VERBA ESTABELECIDA EM SENTENÇA SOB ALEGAÇÃO DE QUE O RÉU É DETENTOR DE GRANDE FORTUNA. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL QUE, NESTE MOMENTO, ATENDE AO BINÔMIO NECESSIDADE/POSSIBILIDADE INSCULPIDO NO ART.

1.694, § 1º, DO CÓDIGO CIVIL. SENTENÇA MANTIDA.

RECURSO

DESPROVIDO.

É por demais sabido que cabe a ambos pais o dever

de prestar alimentos para os filhos e vice-versa. Assim, para a fixação da PENSÃO ALIMENTÍCIA , deve

o magistrado estar atento às provas produzidas no feito, não só quanto às possibilidades de quem deve prestá-los (recursos financeiros e sinais exteriores de riqueza), mas também acerca das necessidades palpáveis ou até mesmo presumíveis, próprias da

HIPOSSUFICIÊNCIA DEMONSTRADA NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE ARCAR COM AS CUSTAS PROCESSUAIS SEM PREJUÍZO DO PRÓPRIO SUSTENTO

idade, de quem os pleiteia. (Apelação

Cível n.º

2011.060148-0,

de

Lauro

Müller.

Rel.

Des.

Marcus

Tulio

Sartorato.

Julgado

em

04.10.2011). (grifei).

Em assim sendo, obervando-se as provas amealhadas aos autos (comprovante de rendimentos do requerido; comprovantes das despesas das requerentes; posição ocupada pela requerente; responsabilidade do requerido no sustento de sua nova

família), sugere-se seja arbitrada a pensão alimentícia no patamar de 1 ½ (um salário mínimo e meio), ou seja, hoje, R$ 817,50 (oitocentos e dezessete reais e cinquenta centavos).

Frise-se

que

tal

quantia

equivale

a

aproximadamente metade daqueles

comprovantes

de

despesa

colacionados pela requerente e, ainda, que é valor suficiente para a

manutenção de uma criança de 05 (cinco) anos de idade.

3 . Quanto aos pedidos.

Diante do exposto, requer:

  • a) A improcedência da presente demanda no que

concerne à determinação de pensão alimentícia em favor da requerente Jandira de Souza;

  • b) A procedência parcial da demanda em face da

requerente Jerusa Batista, concedendo-lhe pensão alimentícia no

importe de 1 ½ (um salário mínimo e meio);

  • c) A produção de todas as provas em direito

admitidas, especialmente a oitiva de testemunhas, cujo rol segue ao

final, além de outras necessárias à comprovação do alegado;

  • d) A condenação das requerentes no pagamento das

custas processuais e honorários advocatícios, no percentual de 20% (vinte

por cento) sobre o valor da causa.

Itajaí, 03 de outubro de 2011.

Advogado

OAB

Testemunhas:

1 . Nome – qualificação.