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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS DEPARTAMENTO DE ECOLOGIA E RECURSOS NATURAIS CURSO DE GRADUAÇÃO EM OCEANOGRAFIA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS DEPARTAMENTO DE ECOLOGIA E RECURSOS
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS DEPARTAMENTO DE ECOLOGIA E RECURSOS

FLÁVIA POZZI PIMENTEL

ANÁLISE DE ESTRATÉGIAS DE RESPOSTAS A DERRAMAMENTOS DE ÓLEO NO CAMPO DE GOLFINHO (ES – BRASIL) UTILIZANDO O MODELO OSCAR

VITÓRIA

2007

1
1

FLÁVIA POZZI PIMENTEL

ANÁLISE DE ESTRATÉGIAS DE RESPOSTAS A DERRAMAMENTOS DE ÓLEO NO CAMPO DE GOLFINHO (ES – BRASIL) UTILIZANDO O MODELO OSCAR

Monografia

apresentada

ao

Curso

de

Graduação em Oceanografia, do

Departamento

de

Ecologia

e

Recursos

Naturais

da

Universidade

 

Federal

do

Espírito Santo, como requisito parcial para

obtenção do

título

de

Bacharel

em

Oceanografia. Orientador: Prof. Dr. Renato David Ghisolfi

VITÓRIA

2007

2
2

FLÁVIA POZZI PIMENTEL

ANÁLISE DE ESTRATÉGIAS DE RESPOSTAS A DERRAMAMENTOS DE ÓLEO NO CAMPO DE GOLFINHO (ES – BRASIL) UTILIZANDO O MODELO OSCAR

Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Oceanografia, do Departamento de Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Oceanografia.

Entregue em 26 de Novembro de 2007

COMISSÃO EXAMINADORA

___________________________________ Prof. Dr. Renato David Ghisolfi Universidade Federal do Espírito Santo Orientador

___________________________________ Prof a . Dr a . Valéria da Silva Quaresma Universidade Federal do Espírito Santo

___________________________________ Msc. José Paulo Ferreira Petrobras

3
3

A Jocélia e Carlos Magno, pessoas incríveis e essenciais na minha vida.

4
4

“-Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?

-Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.

-Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.

-Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.”

(Lewis Carroll -Alice no País das Maravilhas)

5
5

AGRADECIMENTOS

A Deus, por guiar meus passos e pelas bênçãos concedidas.

Aos meus pais, Jocélia e Carlos Magno, pelo amor incondicional e exemplo de vida, sempre me orientando com muito carinho e apoiando minhas decisões.

Aos meus irmãos, Paula

e

Daniel,

pela

convivência,

pelo

carinho

e

por

compartilharem comigo diferentes experiências de vida.

Ao Igor, companheiro e amigo, por estar sempre ao meu lado me compreendendo, me auxiliando e me dando muita força.

Ao meu orientador, Renato Ghisolfi, por acreditar em mim, por todo o apoio e conselhos durante o curso e pelas oportunidades oferecidas.

Aos meus amigos de graduação, em especial às meninas, por todos os momentos que passamos juntos, estudando, nos divertindo, conversando e rindo muito.

Ao

Mark Reed da

SINTEF, por

todo auxílio concedido em relação ao modelo

utilizado.

 

Ao

Pablo

e

Augusto

da

Hidroclean

Proteção

Ambiental,

pelas

informações

concedidas.

 

Ao José Paulo e à Valéria, por aceitarem participar da minha comissão examinadora e pelas contribuições para o trabalho apresentado.

A todos os professores que contribuíram para minha formação.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e ao MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) pela bolsa de iniciação científica concedida e pelo financiamento do Programa de Recursos Humanos, PRH-29.

E a todos que de alguma forma contribuíram para a minha formação.

6
6

RESUMO

A análise de estratégias de resposta a derramamentos de óleo no Campo de Golfinho foi realizada utilizando o modelo computacional Oil Spill Contingency and Response (OSCAR). Diferentes cenários de resposta contemplando a estratégia de contenção e recolhimento foram simulados para dois volumes de derramamento, 15.000 m 3 e 350.000 m 3 de óleo. O último corresponde ao volume de pior caso da unidade FPSO Capixaba, atuante no Campo de Golfinho. Os cenários de resposta contemplaram desde o cumprimento da legislação em relação à capacidade de recolhimento diária a derramamentos, até antecipação e postergação do início da resposta, como também o aumento da quantidade de equipamentos envolvidos na operação. O estudo permitiu constatar que para grandes derramamentos como o de pior caso simulado, a utilização apenas de barreiras de contenção e recolhedores se mostra ineficiente para a redução da área da superfície exposta ao poluente, como para redução da extensão da linha de costa atingida pelo derramamento. No entanto para derramamentos de menor volume, a utilização desses equipamentos pode auxiliar na diminuição dos possíveis impactos desses acidentes. Observou-se que o início das operações de resposta mais próximo do ponto de derramamento resulta em um melhor aproveitamento da capacidade de recolhimento dos equipamentos. A utilização da modelagem computacional, portanto se mostrou uma ferramenta bastante útil para auxílio na tomada de decisão em relação a diferentes alternativas de contingência possíveis a um derramamento de óleo.

Palavras-chave: Derramamento de óleo. Modelagem computacional. Análise de estratégias de respostas. Contenção e recolhimento.

7
7

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Parâmetros dos derramamentos para os cenários realizados

..........

46

Tabela 2 – Parâmetros do modelo para os cenários realizados

.........................

47

Tabela 3 – Parâmetros ambientais para os cenários

47

Tabela 4 – Parâmetros da grade para os cenários realizados

............................

47

 

49

Tabela

6

Especificação

dos

CEDROS

para

descarga

de

pior

caso

 

50

Tabela 7 – Número de formações necessárias para cada nível de ação............

51

53

Tabela 9 – Balanço de massa do óleo após 30 dias de simulação do cenário

de não resposta para o volume de pior caso

.......................................................

57

Tabela 10 – Comparação do balanço de massa do óleo entre as estratégias de recolhimento utilizadas após 30 dias de simulação........................................

59

Tabela 11 – Balanço de massa do óleo após 30 dias de simulação dos

cenários de resposta para o volume de pior

 

61

Tabela 12 – Balanço de massa do óleo após 30 dias de simulação do cenário de não resposta para o volume de 15.000 m 3 .....................................................

65

Tabela 13 – Balanço de massa do óleo após 30 dias de simulação dos

cenários de resposta para o volume de 15.000 m 3

 

67

Tabela 14 – Evolução da eficiência do recolhimento no cenário de referência do volume de pior caso........................................................................................

73

8
8
8

Tabela 15 – Evolução da eficiência do recolhimento no cenário de referência do volume de de 15.000 m 3 .................................................................................

73

9
9

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Números de grandes derramamentos (acima de 700 toneladas),

1970-2006............................................................................................................

19

Figura 2 – Quantidades de óleo derramado no mar, 1970-2006

.........................

19

Figura 3 – Causas de derramamentos intermediários (7 a 700 toneladas),

1974-2006

............................................................................................................

20

Figura 4 – Causas de grandes derramamentos (> 700 toneladas), 1974-2006..

20

Figura 5 – Processos intempéricos atuantes em um derramamento de óleo.....

22

Figura 6 – Exemplo de barreira de contenção sendo utilizada em mar aberto (esquerda). Exemplo da utilização de um recolhedor do tipo vertedouro (direita) ................................................................................................................

28

Figura 7 – Exemplo do resultado da aplicação aérea de dispersantes sobre

uma mancha de óleo

...........................................................................................

30

Figura 8 – Exemplo do processo de queima no local do óleo derramado

...........

31

Figura 9 – Exemplo de limpeza de óleo na costa com aplicação de jatos de

água e utilização de barreiras

flutuantes.............................................................

32

Figura 10 – Diagrama do processo de modelagem em recursos hídricos..........

34

Figura 11 – Localização da unidade FPSO Capixaba

.........................................

41

Figura 12 – Seqüência lógica dos cenários simulados........................................

45

Figura 13 – Grade utilizada nas simulações

........................................................

48

Figura 14 – Localização dos equipamentos utilizados nos cenários Cen Ref (figuras representando os equipamentos), Cen Ref – 6h (linha azul) e Cen Ref

+ 6h (linha verde) para derramamentos com o volume de pior

caso..................

52

10
10

Figura 15 – Mapa de probabilidade de ocorrência de óleo na superfície (esquerda). Mapa de probabilidade de ocorrência de óleo junto à costa

(direita) ao final de 30 dias de simulação durante os meses de verão (Janeiro

a Março) para o derramamento de pior

caso......................................................

54

Figura 16 – Tempo mínimo de chegada do óleo em superfície (esquerda). Tempo máximo de chegada do óleo nas células que representam a costa

(direita) para o derramamento de pior caso

........................................................

55

Figura 17 – Mapa de deslocamento da pluma livre de óleo para o cenário de

não resposta com volume de pior caso após 30 dias de

simulação...................

56

Figura 18 – Balanço de massa do óleo ao longo dos 30 dias de simulação

para o cenário de não resposta com volume de pior caso

..................................

57

Figura 19 – Quadro comparativo da quantidade óleo recolhido com quatro

diferentes estratégias de recolhimento ao longo de 4 dias de

simulação...........

58

Figura 20 – Volume de óleo recolhido nos cenários de resposta simulados (Cen Ref, Cen Ref – 6h, Cen Ref + 6h, Cen Ref + 20% e Cen Ref + 50%)

para o derramamento de pior caso

......................................................................

60

Figura 21 – Área total ocupada pela mancha de óleo em superfície ao longo

dos

7

primeiros dias de

simulação para o cenário de não resposta

e

os

cenários de resposta com volume de pior caso

..................................................

62

Figura 22 – Superfície exposta acumulada ao longo dos 30 dias de simulação para os cenários determinísticos simulados com volume de pior caso...............

63

Figura 23 – Mapa de deslocamento da pluma livre de óleo para o cenário de não resposta com volume de 15.000 m 3 após 30 dias de simulação..................

64

Figura 24 – Volume de óleo junto à costa ao longo de 30 dias de simulação

para o cenário de não resposta do derramamento de 15.000 m 3

.......................

64

11
11

Figura 25 – Balanço de massa do óleo ao longo dos 30 dias de simulação

para o cenário de não resposta com volume de 15000 m 3

66

Figura 26 – Volume de óleo recolhido nos cenários de resposta simulados (Cen Ref, Cen Ref – 6h, Cen Ref + 6h, Cen Ref + 20% e Cen Ref + 50%) com

volume de 15.000 m 3 de óleo

..............................................................................

67

Figura 27 – Área total ocupada pela mancha de óleo na superfície ao longo dos 7 primeiros dias de simulação para o cenário de não resposta e os cenários de resposta com volume de 15.000 m 3 .................................................

68

Figura 28 – Superfície exposta acumulada ao longo dos 30 dias de simulação para os cenários determinísticos simulados com volume derramado de

15000 m 3

69

12
12

SUMÁRIO

  • 1 INTRODUÇÃO.................................................................................................

15

  • 2 OBJETIVOS.....................................................................................................

17

  • 2.1 OBJETIVO GERAL

........................................................................................

17

  • 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

.........................................................................

17

  • 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.......................................................................

18

  • 3.1 PANORAMA MUNDIAL

.................................................................................

18

  • 3.2 O PETRÓLEO...............................................................................................

  • 3.3 COMPORTAMENTO DO ÓLEO NO MAR....................................................

21

22

  • 3.3.1 Advecção...................................................................................................

22

  • 3.3.2 Espalhamento...........................................................................................

23

  • 3.3.3 Evaporação...............................................................................................

23

  • 3.3.4 Dissolução.................................................................................................

23

  • 3.3.5 Emulsificação............................................................................................

24

  • 3.3.6 Biodegradação..........................................................................................

24

  • 3.3.7 Oxidação....................................................................................................

24

  • 3.3.8 Interação óleo-sedimento........................................................................

25

  • 3.3.9 Dispersão..................................................................................................

    • 3.4 O COMBATE A DERRAMAMENTOS DE ÓLEO NO MAR...........................

25

25

  • 3.4.1 Contenção e recolhimento.......................................................................

26

  • 3.4.2 Observação aérea / Monitoramento da mancha....................................

28

  • 3.4.3 Dispersão mecânica.................................................................................

29

  • 3.4.4 Dispersão química....................................................................................

29

13
13
  • 3.4.6 Proteção e limpeza de linha de

costa.....................................................

31

  • 3.4.7 Biorremediação.........................................................................................

    • 3.5 CONSIDERAÇÕES SOBRE MODELAGEM.................................................

32

33

  • 3.5.1 Alguns modelos computacionais para a simulação da dispersão de

óleo no mar........................................................................................................

35

  • 3.5.1.1 ADIOS......................................................................................................

36

  • 3.5.1.2 GNOME...................................................................................................

37

  • 3.5.1.3 OILMAP...................................................................................................

37

  • 3.5.1.4 SIMAP......................................................................................................

37

  • 3.5.1.5 OSCAR....................................................................................................

38

  • 3.6 LEGISLAÇÃO................................................................................................

38

  • 4 ÁREA DE ESTUDO..........................................................................................

41

  • 4.1 PADRÃO DE VENTOS..................................................................................

41

  • 4.2 PADRÃO DE CIRCULAÇÃO.........................................................................

43

  • 5 METODOLOGIA...............................................................................................

45

  • 5.1 MATERIAIS...................................................................................................

45

  • 5.2 CENÁRIOS SIMULADOS..............................................................................

45

  • 5.2.1 Parâmetros das simulações....................................................................

46

  • 5.2.2 Cenário Probabilístico..............................................................................

48

  • 5.3.3 Cenários Determinísticos........................................................................

48

  • 5.3.3.1 Cenário de não resposta.........................................................................

49

  • 5.3.3.2 Cenários de resposta...............................................................................

49

  • 5.3.3.2.1 Cenário de referência...........................................................................

51

  • 5.3.3.2.2 Cenários alternativos de reposta..........................................................

    • 5.4 ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS DE RESPOSTAS SIMULADAS..................

51

53

14
14

6

54

6.1

CENÁRIOS COM VOLUME DE PIOR CASO...............................................

54

  • 6.1.1 Cenário probabilístico..............................................................................

54

  • 6.1.2 Cenários determinísticos.........................................................................

55

  • 6.1.2.1 Cenário de não resposta.........................................................................

56

  • 6.1.2.2 Cenários de resposta...............................................................................

58

6.2

CENÁRIOS COM VOLUME DERRAMADO DE 15.000 m 3 ...........................

63

  • 6.2.1 Cenário de não resposta..........................................................................

63

  • 6.2.2 Cenários de resposta...............................................................................

66

  • 7 DISCUSSÃO....................................................................................................

70

  • 8 CONCLUSÃO...................................................................................................

77

  • 9 RECOMENDAÇÕES........................................................................................

78

10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................

79

84

ANEXO I – O modelo OSCAR – Descrição técnica............................................

85

ANEXO II – Base hidrodinâmica utilizada...........................................................

103

15

1 INTRODUÇÃO

O intenso desenvolvimento das atividades de exploração de petróleo e gás na costa

brasileira implica no aumento da probabilidade de derramamentos acidentais de óleo no mar que podem resultar em verdadeiros prejuízos ambientais, econômicos e sociais.

Na tentativa de minimizar os efeitos destes acidentes, ferramentas computacionais capazes de prever o comportamento da pluma de óleo auxiliam nas análises de riscos ambientais e na elaboração de planos de contingência e de Planos de Emergência Individual (PEI), que as instalações portuárias ou terminais, dutos e plataformas devem ter para obter o licenciamento ambiental no Brasil.

Revisões do estado da arte de modelagem de derramamento de óleo foram apresentadas por Spaulding (1988, apud BARROS, 2002), Reed et al. (1999; 2004), James (2002) e MCCAY et al. (2004) mostrando que os avanços no conhecimento científico e no poder computacional possibilitam alcançar resultados cada vez mais realísticos. Uma série de modelos pode ser aplicada para a previsão de concentrações de poluentes no ambiente, sendo que os mais complexos são aqueles que trabalham em três dimensões, consideram um fracionamento do óleo e um comportamento diferenciado para cada pseudocomponente, e podem determinar impactos biológicos assim como incluir ações de respostas.

Para a indústria do petróleo e as agências reguladoras a análise de ações de respostas é de extrema relevância para o aumento da eficiência dos planos de contenção a derramamentos de óleo tanto para instalações costeiras quanto para offshore, uma vez que orientam as tomadas de decisões e podem diminuir custos e tempo na implantação dos mesmos.

Através da utilização da modelagem computacional é possível avaliar diferentes variáveis e estimar os resultados da utilização de uma ou outra estratégia de resposta, identificando assim a mais adequada para cada caso, sendo que quando conduzida com critério e com a utilização de dados de entrada confiáveis, uma simulação pode apresentar resultados bastante próximos daqueles de um caso real. No entanto, esse tipo de análise específica ainda não é contemplado pela legislação brasileira, que visa o dimensionamento da estrutura de resposta a ser utilizada em diferentes situações com base na modelagem dos possíveis cenários de derramamentos, considerando apenas condição de pluma livre.

16

No Brasil alguns trabalhos com utilização de modelos computacionais para dimensionamento da estrutura de resposta a derramamentos de óleo são os estudos de Ferreira (2006) e Pinheiro et al. (2005; 2006).

É neste contexto que o presente trabalho se insere. Com a utilização do modelo Oil Spill Contingency and Response (OSCAR), desenvolvido pela Fundação de Pesquisa Científica e Industrial do Instituto de Tecnologia da Noruega (SINTEF), pretende-se auxiliar nas demandas dos órgãos envolvidos com a atividade de exploração e produção de petróleo produzindo-se estudos/análises/informações que possibilitem suporte para ações de respostas a derramamentos de óleo, avaliação de logística e estratégias de respostas a esses derramamentos, análise de risco ambiental e avaliação de impactos (REED et al., 1995a).

O OSCAR é um modelo composto por

um sistema integrado por um modelo

numérico tridimensional de destino e comportamento físico e químico de derramamentos de óleo e por outro de ações de respostas a esses derramamentos.

Neste estudo foram analisadas situações de derramamentos de óleo acidentais no Campo de Golfinho (ES) e simuladas estratégias de contenção e recolhimento, dimensionada conforme a legislação brasileira (CONAMA, 2001) e estratégias de respostas alternativas na tentativa de minimizar a área abrangida pelo óleo derramado no mar. Os resultados destes cenários foram comparados entre si.

O trabalho está organizado de forma que primeiramente será apresentada uma fundamentação teórica sobre o assunto, com a apresentação de um panorama mundial e considerações sobre o comportamento e combate do óleo no mar e também sobre modelagem. Em seguida será apresentada uma contextualização da legislação vigente relacionada a esse assunto. Posteriormente será descrita a área de estudo e a metodologia utilizada. Por fim, serão apresentados os resultados obtidos, a discussão, a conclusão do estudo e as recomendações para trabalhos futuros.

17

2 OBJETIVOS

  • 2.1 OBJETIVO GERAL

Analisar estratégias de respostas a derramamentos de óleo no campo de Golfinho (ES – Brasil) utilizando o modelo OSCAR.

  • 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

    • - Estabelecer cenário de resposta de referência em simulação determinística, com

base na Capacidade Efetiva Diária de Recolhimento de Óleo (CEDRO), prevista na legislação (CONAMA, 2001);

  • - Elaborar cenários alternativos de resposta baseados na contenção e recolhimento do óleo;

  • - Determinar a melhor estratégia de resposta para os derramamentos com os parâmetros simulados.

18

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A fim de se obter uma visão geral sobre a modelagem de dispersão de óleo será feita uma descrição breve do panorama mundial em relação ao objeto do presente estudo, as características do petróleo e seu comportamento do mar, as estratégias usuais de combate a esses derramamentos, e considerações sobre modelagem, com descrição de alguns modelos utilizados mundialmente. Por fim, será contemplada a legislação vigente.

3.1 PANORAMA MUNDIAL

Estudos dos grandes derramamentos de óleo no mar mostram a ocorrência dos mesmos em algumas décadas e suas diversas causas. O número médio de grandes derramamentos de óleo no mundo (> 700 toneladas) durante os anos 90 foi menor que um terço do que ocorreu durante os anos 70, e essa redução foi devida a esforços combinados entre indústrias e governo (incentivados amplamente pela IMO - International Maritime Organization) para melhorar a segurança e a prevenção de poluição marinha por óleo. Cada ano a quantidade total de derramamentos de óleo varia consideravelmente, sendo que alguns derramamentos de grande escala são os responsáveis pela maior porcentagem da quantidade anual total (ITOPF, 2007b).

Na Figura 1 tem-se o número de grandes derramamentos de óleo ocorridos no mar entre os anos 1970 e 2006. Já na Figura 2 observam-se as quantidades de óleo derramado no mar durante o mesmo período.

19

1970-79: 25,2 derramamentos por ano na média Derramamentos por ano Média de 10 anos 1980-89: 9,3
1970-79:
25,2 derramamentos por ano
na média
Derramamentos por ano
Média de 10 anos
1980-89:
9,3 derramamentos por ano
na média
1990-99:
7,8 derramamentos por ano
na média
2000-06:
3,7 derramamentos por ano
na média

Figura 1 – Números de grandes derramamentos (acima de 700 toneladas), 1970-2006. Fonte: ITOPF,

2007b.

19 1970-79: 25,2 derramamentos por ano na média Derramamentos por ano Média de 10 anos 1980-89:

Figura 2 – Quantidades de óleo derrama do no mar , 1970-2006. Fonte: ITOPF, 2007b.

Em relação às causas desses derramamentos sabe-se que a maioria dos incidentes é resultado de uma combinação de ações e circunstâncias, todas contribuindo com diferentes graus de importância para o incidente final. Cerca de 34% dos derramamentos na categoria de 7 a 700 toneladas ocorre durante operações rotineiras, especialmente carga e descarga (27%) (Figura 3). Acidentes, por sua vez, são a principal causa de grandes derramamentos (> 700 toneladas), sendo colisões

20

e encalhamento responsáveis por cerca de 63% do total durante o período de 1974 - 2006. Outra causa significante são fraturas em cascos de navios e explosões (Figura 4) (ITOPF 2007b).

Colisões Outras operações 25% 5% Armazenamento de combustível 2% Encalhamento 19% Carga/Descarga 27% Fraturas no casco
Colisões
Outras operações
25%
5%
Armazenamento de
combustível
2%
Encalhamento
19%
Carga/Descarga
27%
Fraturas no casco
8%
Outros/ desconhecido
Fogo e Explosões
13%
1%
Figura 3 – Causas de derramamentos intermediários (7 a 700 toneladas), 1974-2006. Fonte: ITOPF,

2007b.

Colisões 28,3% Encalhamento Outras operações 34,4% 0,3% Outros/ desconhecido 7,0% Fogo e Explosões Fraturas no casco
Colisões
28,3%
Encalhamento
Outras operações
34,4%
0,3%
Outros/ desconhecido
7,0%
Fogo e Explosões
Fraturas no casco
8,7%
12,5%

Figura 4 – Causas de grandes derramamentos (> 700 toneladas), 1974-2006. Fonte: ITOPF, 2007b.

21

Dentre os esforços de prevenção e combate a derramamentos de óleo no mar são exemplos: o desenvolvimento de modelos computacionais, a realização de estudos de intemperização dos óleos, a implantação de centros internacionais de resposta à emergência, a disponibilidade de uma gama de equipamentos e produtos com diferentes características e a realização de exercícios simulados cada vez mais elaborados, responsáveis pelo nível de informação e ferramentas úteis disponíveis existentes, atualmente, para essa finalidade. A determinação da resposta a ser dada a cada situação dependerá, portanto, do equilíbrio entre custo e benefício de cada ação (REED et al., 1995a).

O uso de modelos computacionais vem ganhando grande importância em escala mundial, existindo mais de 50 modelos diferentes que lidam com transporte e destino de óleo (ASCE, 1997 apud SOUZA, 2003). Os resultados gerados por eles servem como uma diretriz bastante útil para o entendimento do provável comportamento do óleo e podem auxiliar na avaliação da escala dos efeitos que um derramamento pode causar e na elaboração de planos de emergência para esses derramamentos.

A utilização desses modelos para análise quali-quantitativa de estratégias de resposta aos derramamentos não tem sido amplamente empregada, apesar de se conhecer empresas de proteção ambiental no exterior que vem fazendo o uso dessa ferramenta (WHITE; BLACKBURN, 2006). E é de grande relevância a realização de estudos dessa natureza, uma vez que permitem uma análise objetiva de respostas alternativas para um derramamento específico, bem como uma análise de logística, melhor posicionamento, custo-benefício e otimização dos equipamentos a serem utilizados em situação de emergência.

3.2 O PETRÓLEO

O petróleo é um material não uniforme, sua composição física e química pode variar não somente com o local e a idade do campo de petróleo, mas também com a profundidade do campo. Na base molecular, o petróleo é composto por uma mistura de hidrocarbonetos com pequenas quantidades de compostos orgânicos contendo enxofre, oxigênio e nitrogênio, e compostos com constituintes metálicos, particularmente vanádio, níquel, ferro e cobre (SPEIGHT, 2001).

22

Dentre as propriedades específicas dos óleos podemos citar grau API, característica de destilação, viscosidade e ponto de fluidez. As diferenças nessas propriedades servem de base para a classificação do óleo como, por exemplo, em leves e pesados.

3.3 COMPORTAMENTO DO ÓLEO NO MAR

Quando o petróleo entra em contato com o ambiente marinho, ele sofre uma variedade de transformações físicas, químicas e biológicas ao longo do tempo. O conjunto dessas transformações é conhecido como intemperismo (Figura 5). Apesar dos processos individuais causadores dessas mudanças poderem atuar simultaneamente, eles apresentam importância relativa, variando com o decorrer do tempo. Juntos eles afetam o comportamento do óleo e determinam seu destino. Considerações sobre os principais processos são descritas a seguir.

Espalhamento Evaporação Oxidação Espalhamento Emulsificação Dissolução Dispersão Sedimentação Biodegradação Figura 5 – Processos intempéricos atuantes em
Espalhamento
Evaporação
Oxidação
Espalhamento
Emulsificação
Dissolução
Dispersão
Sedimentação
Biodegradação
Figura 5 – Processos intempéricos atuantes em um derramamento de óleo. Fonte: ITOPF, 2002.

3.3.1 Advecção

Advecção é o processo físico que envolve o carreamento da mancha de óleo em superfície e subsuperfície. É o principal mecanismo que determina a localização do óleo a partir do ponto de derramamento (ASCE, 1996 apud SOUZA, 2003), sendo o processo de transporte governante após o espalhamento inicial, devido à ação

23

combinada do vento, ondas, marés e fluxos induzidos por gradiente de densidade (ASA, 2000 apud FERREIRA, 2006).

  • 3.3.2 Espalhamento

O processo de espalhamento é provavelmente dominante no primeiro estágio do derramamento de óleo (logo após o derramamento) e influencia fortemente outros processos, como a evaporação e a dissolução. O espalhamento é resultado de um equilíbrio dinâmico entre forças de gravidade, inércia, fricção, viscosidade e tensão superficial (STEELE et al., 1985; SEBASTIÃO; SOARES, 1995).

  • 3.3.3 Evaporação

A evaporação é o principal processo inicial para remoção do óleo da superfície da água e pode ser responsável pela perda de um a dois terços da massa de óleo derramada (STEELE et al., 1985). A taxa de evaporação será, de uma forma geral, determinada pelas propriedades físico-químicas do óleo, sendo maior quanto maior for o espalhamento, a temperatura, a intensidade dos ventos superficiais e a agitação do mar (SEBASTIÃO; SOARES, 1995).

  • 3.3.4 Dissolução

A dissolução é a solubilização de componentes do óleo na água. Este processo começa logo após o derramamento, porém é pouco relevante, pois seu efeito no balanço de massa é pequeno, uma vez que apenas cerca de 1% do óleo derramado na superfície será dissolvido (ASCE, 1996 apud BARROS, 2002). A taxa de dissolução dependerá da composição do óleo, espalhamento, temperatura da água, turbulência e grau de dispersão, e a maioria dos hidrocarbonetos solúveis, que também são os mais voláteis, são preferencialmente removidos por evaporação, que é tipicamente um processo mais rápido (por um fator de ordem de até 10 3 ) (STEELE et al., 1985; ITOPF, 2002).

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  • 3.3.5 Emulsificação

Emulsificação é o processo de formação de emulsões de água e de óleo, comumente chamadas de “mousses”. A quantidade de água e sua distribuição afetam a viscosidade e a estabilidade da emulsão em função do tempo (LEHR et al., 2002; STEELE et al., 1985). Emulsões estáveis contêm entre 70 a 80% de água, representando uma expansão de volume de material derramado cerca de 3 a 4 vezes. Além disso, apresentam um significante aumento de densidade e viscosidade, sendo geralmente semi-sólidos (ITOPF, 2002; ASCE,1996 apud SOUZA, 2003; SEBASTIÃO; SOARES, 1995).

As emulsões são formadas pela ação de ondas e dificultam fortemente os processos de limpeza (EPA, 1999) e de intemperismo (STEELE et al., 1985; ITOPF, 2002), sendo este a principal razão da permanência de óleos crus leves e médios na superfície do mar.

  • 3.3.6 Biodegradação

A biodegradação é vista, por muitos autores, como um dos principais mecanismos de remoção de petróleo do ambiente marinho (STEELE et al., 1985). A água do mar contém uma variedade de microorganismos marinhos capazes de metabolizar componentes do óleo, como bactérias, fungos, algas unicelulares e protozoários que podem utilizar o óleo como fonte de carbono e energia.

Os principais fatores que afetam a taxa e a extensão da biodegradação são as características dos óleos, a disponibilidade de oxigênio e nutrientes (principalmente nitrogênio e fósforo) e a temperatura da água. No mar, a criação de gotículas (droplets) de óleo, tanto por dispersão natural ou artificial, aumenta a área de interface óleo/água disponível para a atividade biológica, podendo aumentar a degradação (ITOPF, 2002).

  • 3.3.7 Oxidação

Oxidação ocorre quando hidrocarbonetos reagem com oxigênio, podendo formar produtos solúveis na água. Esse processo é promovido pela luz solar e, apesar de

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ocorrer por meio da existência de uma mancha, seu efeito na dissipação é pequeno quando comparado a outros processos de intemperismo. Mesmo sob intensa radiação, as camadas de óleo se quebram lentamente, e, normalmente, menos que 0,1% por dia. (EPA, 1999; ITOPF, 2002).

  • 3.3.8 Interação óleo-sedimento

Poucos resíduos mais pesados dos óleos possuem densidade maior que a da água do mar (1,025), e afundam assim que são derramados. A maioria dos óleos crus apresenta baixa densidade, o que os mantêm em suspensão. No entanto, partículas de óleo dispersas podem interagir com partículas de sedimento na coluna de água, tornando-as mais pesadas e afundáveis (ITOPF, 2002).

  • 3.3.9 Dispersão

A dispersão do óleo é definida como a quebra da coesão da mancha de óleo em pequenas partículas e o espalhamento e difusão destas na coluna d’água. Essa quebra é resultado de ação de ondas e de turbulência na superfície do mar, além de ser dependente da natureza do óleo (REED et al., 1999; ITOPF, 2002), ocorrendo mais facilmente com óleos de baixa viscosidade.

Depois da evaporação, a dispersão natural é o processo que mais remove o óleo da superfície. Assim como a evaporação, a taxa de dispersão natural determina a vida de uma mancha de óleo na superfície do mar. Esse processo não leva a mudanças nas propriedades físico-químicas do material derramado (SEBASTIÃO; SOARES, 1995), mas aumenta a área de superfície de óleo disponível para a ocorrência de outros processos como biodegradação, dissolução e sedimentação (ITOPF, 2002).

3.4 O COMBATE A DERRAMAMENTOS DE ÓLEO NO MAR

Muitos derramamentos de óleo são reportados a cada ano, mobilizando pessoal especializado para respostas de emergência e desafiando os planos de contingência de diversas nações. Muitos são os países que apresentam, em sua legislação, a obrigatoriedade de um Plano de Contingência Nacional e de Planos de Emergência

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Individuais para os empreendimentos associados às atividades que envolvem petróleo, que precisam dispor de recursos próprios de combate a eventuais derramamentos ou de terceiros, provenientes de acordos previamente firmados.

As estratégias de resposta a derramamentos de óleo são diversas, tais como:

contenção e recolhimento, observação aérea / monitoramento da mancha, dispersão mecânica, dispersão química, queima no local, proteção e limpeza da linha de costa e biorremediação.

A seguir serão descritas resumidamente as estratégias citadas, com maior detalhamento naquela que constitui o objeto deste estudo, a saber, contenção e recolhimento do óleo derramado no mar.

3.4.1 Contenção e recolhimento

O uso de barreiras de contenção (booms) e de recolhedores (skimmers) é geralmente visto como uma solução ideal para o combate ao derramamento de óleo, uma vez que, se efetivo, irá remover o óleo do ambiente marinho. No entanto, essa técnica encontra alguns problemas como o fato de ser diretamente oposta à tendência natural do óleo em se dispersar, fragmentar e se espalhar sob a influência do vento, ondas e correntes. Em mares agitados, grandes derramamentos de óleo com baixa viscosidade podem se espalhar muitos quilômetros em apenas poucas horas. Essas são as principais razões da contenção e recolhimento no mar resultarem na remoção de uma porção relativamente pequena de um grande derramamento, cerca de 10 a 15% (ITOPF, 2007a).

A eficiência desse tipo de operação de limpeza no ambiente marinho pode variar amplamente, dependendo das condições ambientais (velocidade do vento, correntes, visibilidade, estado do mar, temperatura da água e do ar), do sistema de contingência estabelecido, do tempo de chegada no local do derramamento, do espalhamento do óleo, do tipo do óleo, do nível de treinamento e da organização das operações de resposta (NORDVICK; 1995).

Uma dificuldade nessa técnica de resposta é o controle dos movimentos e das atividades das embarcações para direcioná-las às áreas de maior espessura de óleo, podendo, no entanto, ser superada com o apoio de aeronaves e equipamentos de comunicação ar-mar (ITOPF, 2007a). A ação de ventos, corrente e de ondas

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reduz significantemente a habilidade de barreiras de contenção e recolhedores de óleo. Na prática, o recolhimento mais eficiente do óleo é alcançado apenas em condições de calmaria. Portanto é importante selecionar equipamentos que sejam apropriados para o tipo de óleo e para as condições de mar encontradas, tendo em vista que os esforços devem ser direcionados para as maiores concentrações de óleo e para áreas onde a coleta reduza a probabilidade do óleo atingir recursos sensíveis e a linha de costa.

A utilização dessa técnica deve estar também aliada a uma análise de benefício ambiental, levando em consideração o destino do material recolhido. Outra observação é que, à medida que o óleo é intemperizado e aumenta a viscosidade, pode ser necessária a mudança do tipo de bombas e recolhedores, daí a importância de um suporte logístico direto (ITOPF, 2007a).

Os equipamentos utilizados nesta técnica de limpeza são as barreiras de contenção (Figura 6 - esquerda), capazes de controlar o movimento e espalhamento do óleo flutuante, e os recolhedores (Figura 6 - direita), mecanismos especializados no recolhimento do óleo (incluindo misturas de óleo e água) da superfície do mar, sem mudar as propriedades físicas e químicas do óleo (NORDVICK; 1995).

As barreiras de contenção variam muito em suas configurações, mas normalmente todas têm as seguintes características:

  • - Borda-livre para prevenir ou reduzir o escape de óleo por cima;

  • - Saia subsuperficial para prevenir ou reduzir o escape de óleo por baixo;

  • - Elemento de flutuação por ar ou por algum material flutuante;

  • - Membro de tensão longitudinal (corrente ou cabo de aço) para prover resistência

para suportar os efeitos do vento, das ondas e das correntes. Ele também é usado para prover estabilidade para manter a barreira na posição vertical na coluna de

água (ITOPF, 2007a).

As barreiras de contenção podem ser divididas em quatro categorias: as geralmente usadas em situações offshore, as usadas em regiões com correntes fortes, as usadas em zonas entre marés e as resistentes a fogo, usadas em conjunto com técnicas de queima no local (VENTIKOS et al., 2004).

28

Já os recolhedores têm um elemento de recolhimento e alguma forma de flutuação ou suporte. Além disso, uma bomba ou dispositivo de vácuo é necessário para transferir o óleo recolhido e a água para o tanque de armazenamento. Os recolhedores mais simples são dispositivos de sucção, que removem o óleo diretamente da superfície da água ou via um vertedouro, embora estes tendam a carregar ao mesmo tempo uma grande quantidade de água. Modelos mais complexos se baseiam no princípio de aderência do óleo a discos de metal ou plástico, ou cintas ou cordas oleofílicas. Já outros empregam sistemas de escova ou são projetados para gerar vórtices para concentrar o óleo (ITOPF, 2007a).

28 Já os recolhedores têm um elemento de recolhimento e alguma forma de flutuação ou suporte.
28 Já os recolhedores têm um elemento de recolhimento e alguma forma de flutuação ou suporte.

Figura 6 – Exemplo de barreira de contenção sendo utilizada em mar aberto (esquerda). Exemplo da utilização de um recolhedor do tipo vertedouro (direita). Fonte: ITOPF, 2007a.

3.4.2 Observação aérea / Monitoramento da mancha

A observação aérea é uma das opções existentes para atuação no caso de acidentes com derramamento de óleo no mar. Está relacionada à opção de não interferir na evolução da mancha de óleo. Ela prevê o monitoramento da localização e extensão do contaminante na superfície da água do mar, para possíveis previsões de seu deslocamento e destino, como também o monitoramento das alterações de suas características físicas (ITOPF, 2007a).

Este procedimento pode ser feito visualmente ou pelo uso de sistemas de sensoriamento remoto, com utilização de imagens de satélite, equipamentos instalados em helicópteros, fotografias aéreas, sinais de radar, etc. Essa prática providencia informações que facilitam o desenvolvimento e controle das operações no mar, a adequada proteção de linhas de costa em perigo e a preparação de recursos para a limpeza de regiões afetadas (ITOPF, 2007a).

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  • 3.4.3 Dispersão mecânica

A dispersão do óleo na coluna de água é um processo natural e desejável para a retirada do óleo da superfície do mar. Esse processo pode ser potencializado artificialmente com a utilização de embarcações se deslocando sobre a mancha, processo este denominado de dispersão mecânica.

As embarcações movimentam-se com os propulsores ligados, equipadas ou não com dispositivos de agitação a reboque, ou ainda com utilização de canhões de água direcionados para a mancha, bombeando água do mar do próprio local. Estas são formas relativamente simples de estimular, mecanicamente, a dispersão do óleo derramado. No entanto, a eficiência desta técnica depende em grande parte das características do óleo derramado e das condições ambientais do momento, além da relação volume derramado e capacidade de agitação mecânica disponível no local. A dispersão do óleo na coluna de água é favorecida pela baixa viscosidade do óleo (ITOPF, 2007a), como também pela ação do vento, da chuva e das correntes marítimas de superfície.

A escolha desse tipo de resposta deve levar em consideração a proximidade de áreas ambientalmente sensíveis e a preservação da segurança de pessoas e de instalações.

  • 3.4.4 Dispersão química

A dispersão natural ocorre quando ondas e outras turbulências na superfície do mar causam a quebra de parte da mancha de óleo em partículas menores que podem ir para a coluna de água. O uso de dispersantes químicos tem por objetivo acelerar esse processo (Figura 7).

Dispersantes são formulações químicas com um ingrediente ativo chamado de surfactante. Estes são moléculas que possuem afinidade a dois líquidos distintos que não se misturam, agindo como uma interface entre eles. Os surfactantes usados para dispersão de macha de óleo possuem uma parte com atração por óleo (oleofílica) e outra com atração por água (hidrofílica). Quando o dispersante é pulverizado na mancha de óleo, a tensão interfacial entre o óleo e a água é reduzida, promovendo a formação de partículas de óleo dispersas de diversos

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tamanhos, sendo que as maiores podem voltar para a superfície e permanecer em suspensão. Como todas as outras ações de reposta, a aplicação de dispersante também apresenta suas limitações e deve ser controlada com cuidado. Se a dispersão apresenta um bom grau de sucesso, a pluma característica se dispersará devagar da superfície depois de alguns minutos após o tratamento. No entanto, a distribuição do surfactante é crucial para o sucesso da operação (ITOPF, 2007a).

O uso de dispersantes, apesar de ter o intuito de minimizar os prejuízos causados pelo óleo em superfície, por exemplo, é uma alternativa controversa considerando- se aves marinhas e linhas de costas sensíveis. O uso de dispersante tem sido tópico de muitos debates entre combatentes de derramamentos, cientistas, população, mídia e grupos de interesse ambiental e seu uso depende das regulamentações de cada país.

30 tamanhos, sendo que as maiores podem voltar para a superfície e permanecer em suspensão. Como

Figura 7 – Exemplo do resultado da aplicação aérea de dispersantes sobre uma mancha de óleo . Fonte: ITOPF, 2007a .

3.4.5 Queima no local

É o processo de queima da mancha de óleo no mar, próximo ou no local do derramamento (Figura 8). A queima é um processo simples que tem o potencial de remover grandes quantidades de óleo da superfície do mar. No entanto, existe uma série de problemas que limitam a viabilidade desta técnica de resposta. Eles incluem: a ignição do óleo, a manutenção da combustão da mancha, a geração de grande quantidade de fumaça, a formação e a possibilidade de afundamento de resíduos extremamente densos e viscosos, além das questões de segurança (ITOPF, 2007a).

Para a queima de óleo na água é necessária a análise de diversos parâmetros como espessura da mancha de óleo, parcela de emulsão gerada, temperatura do dispositivo, velocidade do vento, entre outros, a fim de que estejam todos em

31

condições adequadas para aplicação da técnica. Deve-se considerar também a distância do derramamento a áreas povoadas, o potencial tóxico da fumaça a ser gerada, dentre outros (ITOPF, 2007a). No Brasil esta técnica não é utilizada.

31 condições adequadas para aplicação da técnica. Deve-se considerar também a distância do derramamento a áreas

Figura 8 – Exemplo do processo de queima no local do óleo derramado. Fonte: ITOPF, 2007a.

3.4.6 Proteção e limpeza de linha de costa

Pela dificuldade de recolhimento e limpeza do óleo no mar, muitos derramamentos resultam em contaminação da linha de costa, resultando geralmente em grandes impactos ambientais e econômicos. É importante a remoção imediata do óleo porque à medida que o tempo passa e o óleo é intemperizado, ele permanece mais firme nas rochas ou é misturado aos sedimentos. A limpeza de linha de costa normalmente não requer equipamentos especializados e sim recurso humano, sendo a boa organização e gerenciamento a chave para um processo de limpeza eficiente (ITOPF, 2007a).

Os primeiros esforços de limpeza são geralmente dirigidos para áreas com maior concentração de óleo fluido, uma vez que este pode se mover sob influência de ventos e correntes, estendendo a área de contaminação por óleo (ITOPF, 2007a).

Barreiras flutuantes e materiais absorventes são os recursos mais utilizados para essas situações, com o intuito de se evitar o toque da mancha na linha de costa, ou mesmo, de impedir o retorno do óleo para o mar após a saturação da linha de costa ou durante operações de lavagem de costas rochosas, com aplicações de jatos de água (Figura 9).

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32 Figura 9 – Exemplo de limpeza de óleo na costa com aplicação de jatos de

Figura 9 – Exemplo de limpeza de óleo na costa com aplicação de jatos de água e utilização de barreiras flutuantes. Fonte: ITOPF, 2007a .

Para a limpeza de diferentes padrões costeiros (praias arenosas, manguezais, costões rochosos) deve-se tomar cuidados especiais considerando suas peculiaridades, para evitar o aumento do impacto já causado pelo óleo.

3.4.7 Biorremediação

O óleo, como muitas substâncias naturais, se biodegrada após um período de tempo em componentes mais simples como o dióxido de carbono, água e biomassa. A biorremediação engloba uma gama de processos que podem ser usados para acelerar a biodegradação natural, como por exemplo a bioestimulação e bioaumentação (ITOPF, 2007a).

A partir da aplicação de nutrientes, a bioestimulação pode ser utilizada para ajustar o balanço na proporção de carbono, nitrogênio e fósforo requeridos pelos microorganismos para acelerar a taxa de degradação pela comunidade microbiológica de ocorrência natural (ITOPF, 2007a).

A bioaumentação é a adição de microorganismos especialmente selecionados para degradar o óleo, que em sua maioria não irão competir efetivamente com as espécies de ocorrência natural (ITOPF, 2007a).

No entanto o uso desta técnica é restrito por apresentar certas limitações. Por ser um processo muito lento, não tem a capacidade de prevenir que a grande maioria do óleo atinja a linha de costa, fazendo com que o balanço de massa final não se altere significativamente.

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3.5 CONSIDERAÇÕES SOBRE MODELAGEM

A grande aplicação de modelos para estudos, projetos e auxílio à gestão de recursos hídricos mostra a importância dessa ferramenta integradora, uma vez que consegue permitir uma visão dinâmica dos processos nos complexos sistemas ambientais que são os corpos de água.

Modelos validados auxiliam no gerenciamento desses sistemas, pois permitem (ROSMAN, 2006):

Em análises de prognóstico:

  • - Prever situações com simulações de cenários futuros,

 

Mapear áreas

  • - de

risco e determinar

destinos

prováveis de

contaminantes,

necessário para o licenciamento ambiental,

  • - estratégias de ação em

Definir

caso

de acidentes com

derramamentos de

contaminantes, por exemplo, e

  • - Prever evolução de eventos em tempo real.

Em análises de diagnóstico:

  • - Otimizar custos de monitoramento e medição, integrando informações dispersas,

  • - Aumentar o conhecimento para regiões nas quais não há medições por meio de interpolação e extrapolação, e

  • - Entender processos dinâmicos, ajudando na interpretação de medições feitas em estações pontuais.

Tendo em vista a importância da utilização de modelos na busca de informações que integrem e auxiliem o processo de tomada de decisões, deve-se ter em mente que estes modelos são ferramentas e a sua utilização inadequada pode levar a resultados enganosos, com graves conseqüências. Por essa razão é essencial o entendimento que os usuários devem ter em relação ao uso dessas ferramentas, levando em consideração suas limitações e potencialidades, e os processos que estão por trás deles.

O processo no qual a modelagem se insere pode ser sintetizado com o diagrama apresentado na Figura 10, sendo a rota destacada a mais usual.

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34 Figura 10 – Diagrama do processo de modelagem em recursos hídricos. A parte realçada é

Figura 10 – Diagrama do processo de modelagem em recursos hídricos. A parte realçada é a rota usual. Adaptado de ROSMAN, 2006.

A partir de um fenômeno de interesse que se pretende estudar ou gerir, observações qualitativas e quantitativas deste fenômeno são realizadas com o objetivo de entender e mensurar as causas, efeitos e agentes intervenientes que servirão para o desenvolvimento do modelo conceptual. A partir desse modelo podem-se seguir dois caminhos, como indica o diagrama, sendo o mais usual o do modelo matemático, que consiste na tradução para a linguagem matemática do modelo conceptual. Os diferentes modelos matemáticos são diferentes arranjos, incluindo um número maior ou menor de causas e efeitos, e de agentes intervenientes em diferentes formas.

Quanto melhor e mais completo o modelo conceptual, mais complexo é o modelo matemático e dependendo da possibilidade de resolvê-lo, quatro opções são

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possíveis,

levando

respectivamente

aos

modelos

físico,

numérico,

analítico

e

analógico.

Os modelos numéricos são traduções dos modelos matemáticos adaptados para diferentes métodos de cálculo. Eles permitem a solução de uma gama de problemas muito mais abrangentes que qualquer outra modalidade de modelos, se tornando o caminho mais comum para resolver os modelos matemáticos.

A etapa seguinte é a de pré-processamento, onde há a preparação do modelo e organização dos dados de entrada, para em seguida as informações quantitativas serem obtidas por um modelo computacional. A etapa de pós-processamento é a tradução das informações quantitativas saídas dos modelos, em formas que possam ser assimiladas mais facilmente, podendo ser apresentadas em mapas, gráficos e tabelas. A fase de calibração e validação dos modelos é realizada através da comparação dos resultados obtidos pelo modelo com os que se observa e se mede a respeito do fenômeno de interesse. Esta etapa é extremamente importante para a confiabilidade dos modelos.

Por fim, vale lembrar que um modelo não substitui a arte do modelador, sendo necessários os ajustes e avaliação dos resultados de um processo de modelagem. Os modelos são ferramentas de auxílio para gerenciamento dos fenômenos de interesse.

3.5.1 Alguns modelos computacionais para a simulação da dispersão de óleo no mar

Existem hoje em uso diversos modelos com objetivos e resoluções distintas que podem ser usados para quantificar destinações físicas e efeitos biológicos resultantes do lançamento de poluentes em ambientes aquáticos. Alguns foram desenvolvidos para auxiliar na elaboração de planos de contingência, enquanto outros para avaliar o impacto causado ao meio aquático.

Os modelos podem ser probabilísticos e/ou determinísticos.

Os primeiros fornecem cenários de probabilidade de uma determinada característica especificada pelo usuário como, por exemplo, a probabilidade de chegada de óleo na costa. A probabilidade é calculada com base na compilação dos resultados de

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uma série de simulações determinísticas, inicializadas em datas determinadas dentro do período de tempo de interesse da simulação. Os modelos probabilísticos têm a capacidade de considerar a variabilidade das forçantes ambientais por meio da variação aleatória do momento de início do derramamento dentro do período dos dados de entrada, como ventos e correntes por exemplo.

Os modelos determinísticos são realizados para a análise de um determinado cenário em específico, como por exemplo, o que resultou em maior volume de óleo na costa a partir de resultados de modelos probabilísticos. Em modelos determinísticos podem ser incorporados estratégias de resposta a derramamentos, pois simulam um cenário único.

A aplicação de uma variedade de cenários para a análise de riscos e para planejamento de contingências pode ser realizada por um modelo computacional, assim como podem ser investigados os impactos relativos de vários derramamentos. Estes resultados são utilizados para direcionar os esforços de resposta.

Trabalhos que envolvem a elaboração de planos de contingência, como o realizado por Pinheiro et al. (2005), e que envolvem a análise quantitativa de estratégias de resposta a derramamentos de óleo, como elaborado por Reed et al.(1995a) e Ferreira (2006), são exemplos da grande utilidade desses modelos.

Em seguida estão descritos alguns modelos computacionais, com finalidades similares e, dentre eles, o modelo OSCAR, modelo utilizado no presente estudo.

3.5.1.1 ADIOS

O modelo Automated Data Inquiry for Oil Spills (ADIOS), desenvolvido pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, é uma ferramenta que pode auxiliar na resposta a derramamento de óleo. Ele prevê processos de intemperismo e características da mancha de óleo. Os processos de intemperismo incluídos na nova versão, ADIOS2, são espalhamento, evaporação, dispersão, sedimentação e emulsificação. As opções de resposta são dispersantes, queima no local, e recolhimento (LEHR et al., 2002).

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  • 3.5.1.2 GNOME

O General NOAA Operational Modeling Environment (GNOME) é um modelo de trajetória de derramamento de óleo desenvolvido pela Divisão de Resposta a Emergência (ERD) do Escritório de Resposta e Restauração da Administração Nacional Atmosférica e Oceânica (NOAA OR&R). Utilizado para prever como um derramamento de óleo muda química e fisicamente (intemperismo) ao longo do tempo (NOAA, 2007).

  • 3.5.1.3 OILMAP

O modelo Oil Spill Model Assessment Package (OILMAP) foi desenvolvido pela Applied Science Associates, Inc. (ASA) e tem grande aplicação como suporte nas decisões de resposta e treinamentos a derramamentos de óleo, assim como no auxílio na elaboração de planos de contingência.

O OILMAP inclui um modelo de transporte e intemperização para óleo de superfície e de subsuperfície, um modelo de resposta a derramamento de óleo e modelos probabilísticos. O primeiro inclui algoritmos para espalhamento, evaporação, emulsificação, entranhamento, interação de óleo com a linha de costa e interação de óleo com gelo. Já o segundo permite simular a instalação de barreiras de contenção, de recolhedores e o uso de dispersantes artificiais (ASA, 2007a).

  • 3.5.1.4 SIMAP

O modelo Integrated Oil Spill Impact Model System (SIMAP), também desenvolvido pela Applied Science Associates, Inc. (ASA), é um modelo para estudo de previsões detalhadas da trajetória tridimensional, de destino, de efeitos biológicos e de impactos de um derramamento de óleo, sendo uma de suas aplicações o auxílio na resposta e planejamento de contingências, avaliação de riscos e treinamento de combate a esses derramamentos.

No

modelo de

trajetória

do

óleo

do

SIMAP o espalhamento, o transporte, a

evaporação, o entranhamento, a dispersão, a dissolução, a adsorção, a sedimentação e a ressuspensão são processos simulados e também é possível a

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avaliação da eficiência de barreiras de contenção e dispersantes. Esse modelo considera o fracionamento do óleo (ASA, 2007b).

3.5.1.5 OSCAR

O modelo OSCAR, desenvolvido pela SINTEF, é uma ferramenta utilizada para quantificar as conseqüências ambientais ocasionadas por derramamentos de óleo e a eficiência de vários métodos de resposta a esses derramamentos.

Os componentes principais do sistema são: um modelo de intemperismo do óleo (AAMO et al, 1993; DALING et al, 1990, 1991 apud SINTEF, 2007), um modelo tridimensional do destino químico e trajetória do óleo (REED et al., 1995b) um modelo de combate ao derramamento de óleo (AAMO et al, 1995, 1996, apud SINTEF, 2007), e modelos de exposição a peixes, ictioplâncton, pássaros e mamíferos marinhos (DOWNING; REED, 1996).

O OSCAR considera o fracionamento do óleo e calcula a distribuição do poluente em três dimensões físicas em relação ao tempo: na superfície da água, ao longo da linha de costa, na coluna de água e nos sedimentos, empregando algoritmos de espalhamento, advecção, entranhamento, emulsificação, volatilização, dispersão, dissolução e adsorção. O modelo de combate ao derramamento permite a utilização de barreiras de contenção, recolhedores de óleo e dispersantes químicos. Esta ferramenta também permite a simulação de cenários determinísticos e probabilísticos. Informações mais detalhadas do modelo podem ser encontradas no ANEXO I.

3.6 LEGISLAÇÃO

No que se refere à legislação vigente em relação ao derramamento de óleo e suas medidas de contenção serão apresentadas, a seguir, algumas das principais convenções internacionais, assim como a legislação nacional.

A IMO – International Maritime Organization - é uma agência especializada das Nações Unidas que tem como objetivos a melhoria das condições de segurança da vida humana no mar, a proteção ao meio marinho e o transporte de cargas,

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formalizados por meio de convenções internacionais, protocolos e emendas. Entre suas principais convenções destaca-se a MARPOL 73/78.

A convenção MARPOL é considerada a principal convenção internacional sobre prevenção da poluição do meio ambiente marinho por navios, proveniente de operações ou acidentes e contempla a prevenção da poluição por óleo em seu anexo I.

No Brasil, a publicação da Lei nº 6.938 (BRASIL, 1981), de 31 de agosto de 1981 (revisão de 12 de abril de 1990), com fundamento nos incisos VI e VII do art. 23 e no art. 235 da Constituição Federal, estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de Defesa Ambiental.

O Decreto nº 2.870 (BRASIL, 1998), de 10 de dezembro de 1998, promulga a convenção internacional sobre preparo, resposta e cooperação em caso de poluição por óleo, assinada em Londres, em 30 de novembro de 1990. Este decreto define os procedimentos a serem adotados no que diz respeito a planos de emergência para poluição por óleo, aos relatórios sobre poluição por óleo, à cooperação internacional na resposta à poluição, a incentivos à pesquisa e desenvolvimento e à cooperação técnica, bem como a sistemas nacionais e regionais de preparo e resposta, trazendo ao país a obrigatoriedade de um plano nacional de contingência, que deve contemplar toda a infra-estrutura necessária para responder adequadamente a essas ocorrências.

A Lei nº 9.966 (BRASIL, 2000), de 28 de abril de 2000, dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional. Esta lei estabelece que portos organizados, instalações portuárias e plataformas, bem como suas instalações de apoio, deverão dispor de Planos de Emergência Individuais (PEI) para o combate à poluição por óleo e substâncias nocivas ou perigosas, os quais deverão ser submetidos à aprovação do órgão ambiental competente.

A Resolução CONAMA nº 269 (CONAMA, 2000), de 14 de setembro de 2000, determina que a produção, importação, comercialização e uso de dispersantes químicos para as ações de combate aos derrames de petróleo e seus derivados no mar somente poderão ser efetivados após a obtenção do registro do produto junto

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ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Ela condiciona, também, a utilização de dispersantes químicos em vazamentos, derrames e descargas de petróleo e seus derivados no mar aos critérios dispostos no regulamento anexo à mesma Resolução.

A Resolução CONAMA nº 293 (CONAMA, 2001), de 12 de dezembro de 2001, efetivou o Plano de Emergência Individual (PEI) para incidentes relacionados à poluição por óleo, determinando seu conteúdo mínimo, tornando-o um requisito relevante para o licenciamento ambiental da atividade petrolífera. O PEI consiste basicamente na composição de cenários acidentais possíveis e de informações de procedimentos de resposta para descargas de pequeno, médio e grande porte (incluindo a de pior caso).

O Decreto nº 4871 (BRASIL, 2003), de 06 de novembro de 2003, colocou em vigor o Plano de Área, para a consolidação dos Planos de Emergência Individuais nas áreas de concentração sujeitas a riscos de poluição.

Percebe-se então que a atual legislação brasileira não considera, para efeito de um possível tratamento diferenciado com a utilização de contenção e recolhimento, ou mesmo de outras técnicas disponíveis, a realização de análises de estratégias de respostas aos possíveis derramamentos de óleo, como apresentado neste trabalho.

41

4 ÁREA DE ESTUDO

A área do trabalho proposto é o Campo de Golfinho que está situado na porção centro-sul da Bacia do Espírito Santo a aproximadamente 60 km da costa do município de Aracruz, no Estado do Espírito Santo, sob lâmina d’água de 1250 a 1640 metros. A localização geográfica do ponto do derramamento simulado é equivalente às coordenadas da unidade FPSO Capixaba (20º00’7,8’’S e 39º33’32’’W), que corresponde a uma unidade Flutuante de Produção, Estocagem e Transferência de Petróleo (FPSO) atuante no Campo de Golfinho (Figura 11).

FPSO FPSO FPSO Capixaba Capixaba Capixaba
FPSO
FPSO
FPSO
Capixaba
Capixaba
Capixaba

Figura 11 – Localização da unidade FPSO Capixaba.

A região da Bacia Sedimentar do Espírito Santo é uma região de transição entre os climas quentes das latitudes baixas e os climas mesotérmicos de tipo temperado das latitudes médias, ocorrendo variação térmica e pluviométrica durante o ano.

Uma caracterização do padrão de ventos e correntes desta região é apresentada a seguir.

4.1 PADRÃO DE VENTOS

A circulação atmosférica na área de estudo é baseada na ação de centros anticiclônicos e ciclônicos.

42

Na Bacia do Espírito Santo predominam ventos de leste e nordeste durante todo ano. No entanto, observam-se também ventos do quadrante sul (NIMER, 1989, apud Estudo de Impacto AmbientaI, 2005).

Os ventos de nordeste estão associados ao sistema Anticiclônico Subtropical do Atlântico Sul enquanto que os ventos do quadrante sul estão associados ao deslocamento de sistemas Frontais Polares que atingem a costa do Espírito Santo com uma freqüência média de três sistemas por mês (Climanálise Especial, 1986, apud CAMPOS; YASSUDA, 2003; NIMER, 1989, apud Estudo de Impacto AmbientaI, 2005). Nos meses de verão estes sistemas deslocam-se mais próximos ao continente e conseguem organizar a convecção tornando o período mais chuvoso, enquanto que nos meses de inverno deslocam-se mais afastados do continente, gerando maiores gradientes de pressão e, desta forma, ventos mais intensos são observados neste período (CAMPOS; YASSUDA, 2003).

Os dados de vento de re-análise do NCEP/NCAR (Centros Nacionais para Predições Ambientais - EUA / Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica - EUA) do período 1979 a 1992 mostram que nos meses de janeiro, fevereiro e março predominam ventos de nordeste em toda a área. As intensidades médias de janeiro são as maiores no ano sobre a região costeira, estando em torno de 4,5 m/s sobre litoral de Vitória e 3,5 m/s no litoral sul da Bahia e norte do Rio de Janeiro. Estes valores aumentam no sentido leste-sudeste, atingindo o máximo (6 m/s) no centro da área. Em fevereiro, as intensidades estão mais fracas, sendo aproximadamente 4 m/s em Vitória, entre 3 m/s e 3,5 m/s no sul da Bahia e norte fluminense e 5 m/s no centro da área de estudo. Em março, as intensidades do vento variam em torno de 2,5 m/s a 4,5 m/s (Estudo de Impacto AmbientaI, 2005).

Em resumo, a partir dessas re-análises verifica-se a predominância de ventos do quadrante leste ao longo do ano, sendo as intensidades médias do vento maiores no verão e menores no inverno. No entanto, vale lembrar que estes são dados médios e que no inverno apesar das médias serem menores, ocorre a maior incidência de eventos extremos de origem extra-tropical (Estudo de Impacto AmbientaI, 2005).

43

4.2 PADRÃO DE CIRCULAÇÃO

A circulação superficial no Atlântico Sul é forçada em grande parte pelos ventos Alísios que, ao soprarem sobre a camada superficial do oceano, determinam um grande giro subtropical das correntes marinhas superficiais no sentido anticiclônico.

A água que flui para sudoeste durante o verão é reforçada pelos ventos predominantes, que provêm principalmente do nordeste nessa estação, devido à influência da Alta Subtropical do Atlântico Sul. No inverno, entretanto, a alta incidência de sistemas frontais induz à ocorrência de correntes com direção nordeste nas porções interna e média da plataforma (CASTRO;MIRANDA, 1998).

As águas observadas nesta região são o resultado da mistura entre três massas de água: Água Tropical (AT), quente e salina, transportada em direção sul pela camada superficial da Corrente do Brasil, a Água Central do Atlântico Sul (ACAS), fria e pouco salgada que está localizada abaixo da Água Tropical no talude continental e a Água Costeira (AC), que é caracterizada por baixas salinidades e altas temperaturas. Na plataforma externa a mistura entre AT e ACAS é dominante, enquanto que a plataforma interna é predominantemente preenchida pela AC perto da superfície (CASTRO; MIRANDA, 1998).

Como a região de estudo é caracterizada por uma topografia complexa, ela apresenta algumas características de circulação particulares. Em relação à Corrente do Brasil (CB), que é parte integrante do giro subtropical, sabe-se que seu fluxo é para sul e que se apresenta dividido em dois ramos quando uma parte significativa da corrente passa através dos canais dos Bancos de Abrolhos. Um deles flui afastado da costa, além da isóbata de 3.000 m (STRAMMA; IKEDA; PETERSEN, 1990), enquanto o outro flui seguindo a linha da quebra da plataforma (SIGNORINI,

1978).

Medições diretas realizadas por Evans e Signorini (1985) indicam um fluxo confinado dessa corrente nos primeiros 400 m de profundidade, com uma contracorrente no sentido norte abaixo destes 400 m iniciais. Indicam, também, que variações da linha de costa e da batimetria causam mudanças significativas da direção desta corrente como, por exemplo, na região de Cabo Frio, induzindo a formação de vórtices e meandros.

44

A magnitude média da CB é de 30 a 50 cm/s (CASTRO; MIRANDA, 1998) volume transportado estimado por essa corrente na região da quebra da plataforma

e

o

e do talude

na latitude de 22ºS é de 5,5 2,6 Sv (LIMA, 1997 apud Estudo de

Impacto AmbientaI, 2005).

Outra feição importante relacionada com a Corrente do Brasil é o Vórtice de Vitória, localizado perto da cidade de Vitória (ES), também relacionado com a topografia local e com uma extensão do regime de ressurgência ao norte de Cabo Frio causada pela predominância dos ventos de nordeste (SCHMID et al.,1994).

45

5 METODOLOGIA

  • 5.1 MATERIAIS

O modelo utilizado no trabalho foi o OSCAR (ANEXO I). Os dados de correntes e vento utilizados como dados de entrada são referente aos meses de verão de 1998 (Janeiro a Março), gerados com o modelo SINMOD e fornecidos pela SINTEF (ANEXO II). O tipo de óleo utilizado foi um contido no banco de dados do modelo.

  • 5.2 CENÁRIOS SIMULADOS

A Figura 12 mostra a seqüência lógica dos cenários simulados.

45 5 METODOLOGIA 5.1 MATERIAIS O modelo utilizado no trabalho foi o OSCAR (ANEXO I). Os

Figura 12 – Seqüência lógica dos cenários simulados.

A partir destes cenários, a eficiência das estratégias de resposta adotadas e o esforço de mobilização necessário em cada cenário foram avaliados. A eficiência da estratégia foi avaliada pelo volume de óleo recolhido, pelo volume de óleo junto da costa e pela área na superfície ocupada pelo poluente. O esforço de mobilização por sua vez, foi avaliado pelos tempos de início de operação da estrutura de resposta, além do tamanho da estrutura utilizada (número de formações necessárias).

46

5.2.1 Parâmetros das simulações

Para a elaboração dos cenários desejados, o conjunto de dados de entrada incluiu o tipo de óleo, a taxa, a localização e a duração do vazamento, a data de início do derramamento, os dados de corrente e de vento, a batimetria, a temperatura do ar e da água do mar, além das definições dos parâmetros de simulação.

As simulações foram realizadas com o derramamento ocorrendo nas coordenadas da unidade FPSO Capixaba (Estudo de Impacto Ambiental, 2005).

Simulações com o volume de óleo derramado de 350.000 m 3 (307.932 toneladas) seguiram a seqüência lógica apresentada na Figura 12. Esse volume corresponde ao volume de derramamento de pior caso da unidade FPSO Capixaba, segundo o Estudo de Impacto AmbientaI do Campo de Golfinho (2005). As simulações determinísticas apresentadas na Figura 12 também foram realizadas com um volume de 15.000 m 3 (13.197 toneladas).

O óleo utilizado foi um óleo contido na base do modelo OSCAR com características semelhantes ao óleo tipo Maastrichitiano existente no Campo de Golfinho, que possui grau API 27,5 (Estudo de Impacto AmbientaI, 2005). Por seu grau API, esse óleo é classificado como óleo médio, segundo a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP).

Os parâmetros dos derramamentos estão definidos na Tabela 1.

TABELA 1 PARÂMETROS DOS DERRAMAMENTOS PARA OS CENÁRIOS REALIZADOS

Parâmetros dos derramamentos

Valor

Latitude do derramamento

20º 00' 7.8'' S

Longitude do derramamento

39º 33' 32'' W

Tempo total de derramamento

24 h

Densidade do óleo

0,887 g/cm 3

Viscosidade do óleo

17,1 cP a 25ºC

Conteúdo máximo de água

1%

Período simulado

30 dias

Os parâmetros do modelo, os parâmetros ambientais e os parâmetros utilizados na grade das simulações estão mostrados nas Tabelas 2, 3 e 4, respectivamente.

47

TABELA 2 PARÂMETROS DO MODELO PARA OS CENÁRIOS REALIZADOS

Parâmetros do modelo

Valor

Passo de tempo

10 min

Fator de vento

3,5%

Número máximo de partículas dissolvidas

1500

Número máximo de partículas na superfície

1500

Mínima concentração calculada

100 ppb

Espessura inicial para o óleo derramado

4 mm

Espessura final para o óleo derramado

0,001 mm

Profundidade mínima para cálculo das concentrações

0 m

Profundidade máxima para cálculo das concentrações

1000 m

TABELA 3 PARÂM ETROS AMBIENTAIS PARA OS CENÁRIOS REALIZADOS

Parâmetros ambientais

Valor

Temperatura da água

25°C

Temperatura do ar

25ºC

TABELA 4 PARÂMETROS DA GRADE PARA OS CENÁRIOS REALIZADOS

Parâmetros da grade

Valor

Comprimento da grade (leste-oeste)

1323,056 km

Comprimento da grade (norte-sul)

1245,871 km

Número de células da grade (leste-oeste)

400

Número de células da grade (norte-sul)

400

Tamanho das células da grade (leste-oeste)

3,308 km

Tamanho das células da grade (leste-oeste)

3,115 km

Camadas da grade na vertical

10

A grade utilizada nas simulações está mostrada na Figura 13. A batimetria local utilizada é oriunda dos dados do SeaTopo 6.2 (Figura 13 - direita).

48

48 Figura 13 – Grade utilizada nas simulações. A figura à esquerda mostra o tipo de
48 Figura 13 – Grade utilizada nas simulações. A figura à esquerda mostra o tipo de

Figura 13 – Grade utilizada nas simulações. A figura à esquerda mostra o tipo de sedimento na área pelas diferentes cores: verde – silte e lama, amarelo – areia de praia, e azul – células de terra. A figura a direita mostra a batimetria local.

  • 5.2.2 Cenário Probabilístico

O cenário de probabilidade de pior caso foi realizado com o volume de 350.000 m 3 e teve duração de 30 dias, conforme determinado na Resolução CONAMA nº 293/01 (CONAMA, 2001). Uma série de 90 simulações foi realizada. Com os resultados deste cenário obteve-se o cenário determinístico crítico de verão, aquele que resultou no maior volume de óleo atingindo a costa. A data de início deste cenário foi utilizada nas simulações determinísticas para os dois volumes de óleo derramado.

  • 5.3.3 Cenários Determinísticos

As simulações determinísticas, tanto com o volume de pior caso como com o volume de 15.000 m 3 , englobaram o cenário de não resposta e cenários de resposta. Para cada cenário foi feita a média de cinco simulações, considerando as variabilidades do modelo. A metodologia utilizada para as simulações com os dois volumes foi a mesma.

49

  • 5.3.3.1 Cenário de não resposta

O cenário de não resposta (Cen NR), ou seja, cenário que não considera a simulação de interferência humana para combate ao derramamento, caracterizou o comportamento da mancha livre de óleo derramado, servindo como cenário ambiental base para as comparações das contribuições das estratégias de resposta simuladas.

  • 5.3.3.2 Cenários de resposta

Cinco

diferentes

cenários

de

resposta

foram

modelados para cada volume

derramado,

considerando-se

as

estratégias

de

combate

por

contenção e

recolhimento.

A estratégia de resposta inclui a utilização de recolhedores, barreiras de contenção e embarcações. As especificações destes equipamentos estão contidas na Tabela 5 e foram baseadas em informações fornecidas pela empresa Hidroclean Proteção Ambiental.

TABELA 5 CARACTERÍSTICAS DOS EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NOS CENÁRIOS DE RESPOSTA

Embarcação

Capacidade de armazenamento

600 m 3

Velocidade

5,14 m/s

Barreira de contenção

Largura de varredura

100 m

Velocidade operacional

0,77 m/s

Limite de onda

4 m

Recolhedor

Taxa de recolhimento

125 m 3 /h

Viscosidade limite

40.000 cP

Sistema

Eficiência

20%

Redução da eficiência à noite

90%

50

Segundo a Resolução CONAMA 293/01 (CONAMA, 2001) a Capacidade Efetiva Diária de Recolhimento de Óleo (CEDRO) para situações de descarga de pior caso para plataformas offshore (Tabela 6), tem como base de cálculos a seguinte fórmula:

CEDRO =

24.

C

N

.µ

,

onde

C =

N

capacidade nominal

µ = fator de eficácia, onde

µ

máximo

=

0,20

TABELA 6 ESPECIFICAÇÃO DOS CEDROS PARA DESCARGA DE PIOR CASO OFFSHORE

Tempo de resposta e CEDRO para o derramamento de pior caso offshore

NÍVEL 1

T1= 12 horas

CEDRO = 1600 m 3 dia -1

NÍVEL 2

T2= 36 horas

CEDRO = 3200 m 3 dia -1

NÍVEL 3

T3= 60 horas

CEDRO = 6400 m 3 dia -1

Onde T é o tempo máximo para a disponibilidade de recursos próprios da instalação ou de terceiros. Fonte: CONAMA, 2001.

Uma vez que a capacidade nominal dos recolhedores utilizados é de 125 m 3 h -1 , temos que o CEDRO por recolhedor é igual a 600 m 3 dia -1 . Essas especificações também foram adotadas para o derramamento de 15.000 m 3 de óleo.

Os cenários simulados foram o cenário de referência (Cen Ref), aquele visando o efetivo atendimento à legislação, passando por cenários de variação dos tempos de início de resposta (Cen Ref - 06h e Cen Ref + 06h) até cenários de aumento na estrutura utilizada (Cen Ref + 20% e Cen Ref + 50%).

Em todos os cenários foram simuladas três frentes de contenção e recolhimento, cada uma iniciada em tempos distintos. Os equipamentos utilizados na primeira frente foram considerados independentes dos utilizados na segunda frente e assim por diante, não havendo o deslocamento de equipamentos de uma frente para outra. Cada frente de contenção foi operante durante 24 horas.

Utilizando-se do deslocamento da pluma livre de óleo no cenário de não resposta, a determinação do posicionamento de cada equipamento utilizado foi baseada na localização da mancha de óleo no início da operação de resposta.

51

  • 5.3.3.2.1 Cenário de referência

O cenário de referência foi formulado com base na Resolução CONAMA nº 293/01 (CONAMA, 2001), considerando os CEDROs específicos para cada nível de ação de resposta (Tabela 6). O número de formações necessárias na frente de contenção para cada nível de ação está especificado na Tabela 7, com 3 formações a 12 horas, 6 a 36 horas e 11 a 60 horas do início do incidente simulado.

TABELA 7 NÚMERO DE FORMAÇÕES NECESSÁRIAS PARA CADA NÍVEL DE AÇÃO

Nível de ação

Formações

Capacidade Resultante

NÍVEL 1

  • 3 formações x 600 m 3 /dia

  • 1800 m 3 /dia > 1600 m 3 /dia

NÍVEL 2

  • 6 formações x 600 m 3 /dia

  • 3600 m 3 /dia > 3200 m 3 /dia

NÍVEL 3

11 formações x 600 m 3 /dia

  • 6600 m 3 /dia > 6400 m 3 /dia

  • 5.3.3.2.2 Cenários alternativos de reposta

Cenário de referência antecipado em 6h (Cen Ref – 6h)

O cenário de referência antecipado em 6 horas foi estabelecido com 3 formações a 6 horas, 6 formações a 30 horas e 11 formações a 54 horas do início do derramamento simulado. Em termos práticos, esta antecipação em 6 horas corresponde à chegada dos equipamentos mais próxima ao ponto do derramamento de óleo no início da operação de resposta.

Cenário de referência postergado em 6h (Cen Ref + 6h)

O cenário de referência postergado em 6 horas foi montado com 3 formações a 18 horas, 6 formações a 42 horas e 11 formações a 66 horas do início do derramamento. Em termos práticos, esse atraso em 6 horas significa que os equipamentos estão mais afastados do ponto do derramamento de óleo no início da operação de resposta.

A Figura 14 representa a localização dos equipamentos no cenário de referência, no cenário de referência antecipado em 6 horas e no cenário de referência postergado em 6 horas para os derramamentos com volume de pior caso.

52

52 Figura 14 – Localização dos equipamentos utilizados nos cenários Cen Ref (figuras representando os equipamentos),

Figura 14 – Localização dos equipamentos utilizados nos cenários Cen Ref (figuras representando os equipamentos), Cen Ref – 6h (linha azul) e Cen Ref + 6h (linha verde) para derramamentos com o volume de pior caso. Note as posições das frentes de contenção mais próxim as ao ponto de derramamento no Cen Ref – 6h , e mais afastadas no Cen Ref + 6h.

Cenário de referência aumentado em 20% (Cen Ref + 20%)

O aumento do cenário de referência foi baseado na capacidade absoluta de recolhimento dos equipamentos, considerando a otimização de seus usos, com a chegada de mais equipamentos na primeira frente de contenção. O cenário de referência aumentado em 20% considerou 7 formações a 12 horas, 6 formações a 36 horas e 11 formações a 60 horas do início do derramamento.

Cenário de referência aumentado em 50% (Cen Ref + 50%)

O cenário de referência aumentado em 50% considerou 9 formações a 12 horas, 9 formações a 36 horas e12 formações a 60 horas do início do derramamento.

Os cenários implementados, a estrutura utilizada e os tempos de resposta de cada nível de operação encontram-se resumidos na Tabela 8.

53

TABELA 8 CENÁRIOS IMPLEMENTADOS, ESTRUTURAS UTILIZADAS E TEMPOS DE RESPOSTA

   

Tempo do início de resposta

 

Cenários

 

Dia 1

 

Dia 2

 

Dia 3

6h

12h

18h

30h

36h

42h

54h

60h

66h

Cen NR

-

-

-

 
  • - -

-

 
  • - -

-

 

Cen Ref

-

3

-

 

6

  • - -

 
  • - -

11

 

Cen Ref - 6h

3

 
  • - -

-

6

   

11

  • - -

-

 

Cen Ref + 6h

-

 

3

  • - -

-

 

6

-

-

11

Cen Ref + 20%

-

  • 7 -

 

-

   
  • 6 11

-

  • - -

   

Cen Ref + 50%

-

  • 9 -

 

-

   
  • 9 12

-

  • - -

   

5.4 ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS DE RESPOSTAS SIMULADAS

A análise dos cenários de respostas obtidos foi baseada no volume de óleo recolhido em cada cenário, na área de abrangência do óleo na superfície e no conseqüente volume de óleo remanescente junto à costa.

54

6 RESULTADOS

6.1 CENÁRIOS COM VOLUME DE PIOR CASO

6.1.1 Cenário probabilístico

A área da superfície do mar que possui probabilidade de ser ocupada num derrame de 350.000 m 3 durante o verão é mostrada na Figura 15 (esquerda). Nesta figura pode-se observar que a mancha de óleo segue o contorno da costa brasileira em direção sul, predominantemente pela quebra de plataforma, podendo chegar à latitude de 30º S (norte do Rio Grande do Sul) após 30 dias de simulação.

A probabilidade de chegada de óleo na costa (Figura 15 – direita) indica grandes chances de ocorrência de óleo principalmente no litoral norte do Rio de Janeiro. No entanto, probabilidades maiores que 10% também ocorrem no litoral sul do Espírito Santo e no litoral sul do Rio de Janeiro.

54 6 RESULTADOS 6.1 CENÁRIOS COM VOLUME DE PIOR CASO 6.1.1 Cenário probabilístico A área da
54 6 RESULTADOS 6.1 CENÁRIOS COM VOLUME DE PIOR CASO 6.1.1 Cenário probabilístico A área da

Figura 15 – Mapa de probabilidade de ocorrência de óleo na superfície (esquerda). Mapa de probabilidade de ocorrência de óleo junto à costa (direita) ao final de 30 dias de simulação durante os meses de verão (Janeiro a Março) para o derramamento de pior caso. Note que a mancha de óleo tem a probabilidade de chegar até a latitude de 30ºS e a região com possibilidade de ocorrência de óleo junto à costa é no litoral sul do Espírito Santo e litoral do Rio de Janeiro.

Com relação ao tempo mínimo de chegada de óleo numa determinada área da superfície ocupada (Figura 16 – esquerda), observa-se que a mancha de óleo chega próximo a costa sul do Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro entre 2 e 4 dias

55

depois do derramamento, enquanto que a probabilidade maior na costa sul do Rio de Janeiro é de chegada de óleo a partir do vigésimo dia depois do início do derramamento. Praticamente em toda a região da costa com possibilidade de ocorrência deste poluente (Figura 16 – direita) nota-se que ainda há chegada de óleo depois de 25 dias de simulação.

55 depois do derramamento, enquanto que a probabilidade maior na costa sul do Rio de Janeiro
55 depois do derramamento, enquanto que a probabilidade maior na costa sul do Rio de Janeiro

Figura 16 – Tempo mínimo de chegada do óleo em superfície (esquerda). Tempo máximo de chegada do óleo nas células que representam a costa (direita) para o derramamento de pior caso . Note que em praticamente ao longo de toda a costa há chegada de óleo até os últimos dias de simulação.

Com base neste cenário probabilístico, o derramamento simulado para o dia 21 de Fevereiro com início às 21 horas caracterizou o cenário determinístico crítico de verão, isto é, aquele com o maior volume de óleo chegando à costa.

6.1.2 Cenários determinísticos

Uma vez determinado o cenário crítico de verão, os cenários determinísticos foram reproduzidos para a mesma data e hora de início do derramamento do cenário crítico.

56

6.1.2.1 Cenário de não resposta

A pluma livre de óleo no cenário de não resposta (Figura 17 – esquerda) percorre uma distância de aproximadamente 1415 km desde o ponto de derramamento num período de 30 dias. O óleo atinge o primeiro ponto de costa após cerca de 130 horas e continua a aumentar em concentração até o trigésimo dia de simulação. As duas regiões da costa afetadas pelo poluente fazem parte do litoral do Rio de Janeiro (Figura 17 – direita).

56 6.1.2.1 Cenário de não resposta A pluma livre de óleo no cenário de não resposta
56 6.1.2.1 Cenário de não resposta A pluma livre de óleo no cenário de não resposta

Figura 17 – Mapa de deslocamento da pluma livre de óleo para o cenário de não resposta com volume de pior caso após 30 dias de simulação. O mapa mostra o óleo na superfície, na coluna de água, no sedimento e na costa (esquerda). Representação do óleo na costa para o cenário de não resposta após 30 dias de simulação (direita).

A partir do balanço de massa final (Tabela 9), nota-se que mais de 50% do óleo derramado é evaporado ou permanece na coluna de água, e que uma considerável parcela permanece no sedimento (19,14%) e outra na superfície (16,79%). Apesar de ser grande a quantidade de óleo junto à costa (9098 toneladas), a porcentagem (2,95%) é relativamente pequena quando comparada com o volume total derramado.

57

TABELA 9 BALANÇO DE MASSA DO ÓLEO APÓS 30 DIAS DE SIMULAÇÃO DO CENÁRIO DE NÃO RESPOSTA PARA O VOLUME DE PIOR CASO

Destinação

Volume

Final

Toneladas

(%)

Super fície

  • 51705 16,79

 

Coluna de

   

água

  • 91487 29,71

Sedimento

  • 58938 19,14

 

Atmosfera

  • 82341 26,74

 

Decaimento

  • 14363 4,66

 

Recolhimento

0

0,00

Costa

9098

2,95

Total

307932

100

O balanço de massa do óleo ao longo dos 30 dias de simulação (Figura 18) mostra uma grande diminuição do óleo em superfície com um aumento gradativo principalmente do óleo evaporado, dispersado na coluna de água e depositado no sedimento.

100% 80% Evaporado Superfície Dispersado 60% Sedimento Costa Decaimento 40% 20% 0% 0 1 3 4
100%
80%
Evaporado
Superfície
Dispersado
60%
Sedimento
Costa
Decaimento
40%
20%
0%
0
1
3
4
5
6
8
9
10 11 13 14 15 16 18 19 20 21 23 24 25 26 28 29 30
Balanço de massa

T emp o (d ias)

Figura 18 – Balanço de massa do óleo ao longo dos 30 dias de simulação para o cenário de não resposta com volume de pior caso.

58

6.1.2.2 Cenários de resposta

Estratégia de recolhimento

Em uma situação de combate a derramamentos de óleo, o planejamento de todas as atividades previstas é de extrema relevância para o sucesso da estratégia adotada. Quando envolvidas atividades de recolhimento de óleo, é necessária a definição da estratégia de recolhimento a ser adotada, uma vez que esta orientará o deslocamento das embarcações.

Para a determinação da estratégia de recolhimento a ser utilizada nos cenários de respostas, foram simuladas quatro estratégias previstas no modelo: recolhimento do óleo mais próximo ao equipamento, do óleo mais espesso, do óleo mais velho e do óleo mais novo. Simulações durante 30 dias com a localização dos equipamentos equivalente ao cenário de referência foram realizadas. A Figura 19 mostra a diferença de quantidade de óleo recolhido em cada estratégia adotada.

5000 Ó leo mais próximo 4500 Ó leo mais espesso Ó leo mais velho 4000 Ó
5000
Ó leo
mais próximo
4500
Ó leo
mais espesso
Ó leo
mais velho
4000
Ó leo
mais novo
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
0
0,5
1
1,5
2
2,5
3
3,5
4
Óleo recolhido (toneladas)

T em p o (d ias)

Figura 19 – Quadro comparativo da quantidade óleo recolhido com quatro diferentes estratégias de recolhimento ao longo de 4 dias de simulação.

Com base nesse resultado e no balanço de massa final das quatro simulações (Tabela 10) observa-se que a estratégia de recolhimento do óleo mais próximo aos equipamentos foi a que resultou em um maior volume de óleo recolhido, apesar do

59

volume de óleo que chegou até a costa foi similar em todas as simulações. Esta foi,

portanto a estratégia adotada posteriormente.

nos

cinco

cenários

de

resposta

simulados

TABELA 10 COMPARAÇÃO DO BALANÇO DE MASSA DO ÓLEO ENTRE AS ESTRATÉGIAS DE RECOLHIM ENTO UTILIZADAS APÓS 30 DIAS DE SIMULAÇÃO

Estratégia

 

Balanço de massa (%)

 

de

 

Coluna

         

recolhimento

Superfície

de

Sedimento

Atmosfera

Decaimento

Recolhimento

Costa

água

Óleo mais

             

próximo

18,09

28,63

17,73

26,59

4,56

1,45

2,96

Óleo mais

             

espesso

20,79

25,81

19,07

26,5

4,29

0,4

3,14

Óleo mais

             

velho

15,43

30,88

17,72

26,57

4,72

1,37

3,32

Óleo mais

             

novo

13,28

29,24

21,75

26,46

4,77

1,39

3,11

Cenários simulados

Os cenários de resposta simulados incluem o cenário de referência, o cenário de referência antecipado em 6h (Cen Ref - 6h), o cenário de referência postergado em 6h (Cen Ref + 6h), o cenário de referência aumentado em 20% (Cen Ref + 20%), e o cenário de referência aumentado em 50% (Cen Ref + 50%).

Os resultados da contribuição das diferentes estratégias de resposta, no que diz respeito ao volume de óleo recolhido (Figura 20) mostram que, tendo como base de comparação o cenário de referência, observa-se um aumento da quantidade de óleo recolhido com a antecipação do início da resposta e com o aumento da quantidade de estruturas de recolhimento. Uma diminuição do volume recolhido ocorre com a postergação do início da resposta.

60

8000 Cen Ref Cen Ref - 6h Cen Ref + 6h 7000 Cen Ref + 20%
8000
Cen Ref
Cen Ref - 6h
Cen Ref + 6h
7000
Cen Ref + 20%
Cen Ref + 50%
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
0
0,5
1
1,5
2
2,5
3
3,5
4
Óleo recolhido (toneladas)

T em p o (d ias)

Figura 20 – Volume de óleo recolhido nos cenários de resposta simulados (Cen Ref, Cen Ref – 6h, Cen Ref + 6h, Cen Ref + 20% e Cen Ref + 50%) para o derramamento de pior caso. Note o aumento do volume recolhido com a antecipação do início da resposta e com aumento do número de formações utilizadas.

Os balanços de massa dos cinco cenários simulados (Tabela 11) mostram que a quantidade de óleo recolhida em todos os cenários é muito pequena em relação ao volume inicialmente derramado e que a contribuição das estratégias de resposta, no que diz respeito à diminuição da quantidade de óleo que chega até a costa, foi praticamente nula. O balanço de massa final também ficou praticamente inalterado, apresentando algumas pequenas variações.

61

TABELA 11 BALANÇO DE MASSA DO ÓLEO APÓS 30 DIAS DE SIMULAÇÃO DOS CENÁRIOS DE RESPOSTA PARA O VOLUME DE PIOR CASO

Cenários

 

Balanço de massa (%)

 
 

Coluna

         

Superfície

de água

Sedimento

Atmosfera

Decaimento

Recolhimento

Costa

Cen NR

16,79

29,71

19,14

26,74

4,66

0

2,95

Cen Ref

18,09

28,63

17,73

26,59

4,56

1,45

2,96

Cen Ref -

             

6h

15,98

28,60

19,59

26,65

4,56

1,59

3,02

Cen Ref +

             

6h

17,46

28,01

18,98

26,61

4,51

1,37

3,05

Cen Ref +

             

20%

16,61

28,84

18,63

26,52

4,54

1,90

2,97

Cen Ref +

             

50%

16,04

28,60

18,93

26,57

4,58

2,41

2,87

Observa-se também que a diferença da porcentagem de óleo recolhido não varia de uma forma linear. No Cen Ref – 6h, houve um aumento cerca de 10% na quantidade de óleo recolhida comparado com o Cen Ref, enquanto que no Cen Ref + 6h, houve uma diminuição aproximada de 6%. No Cen Ref + 20% o aumento foi de 31%, e no Cen Ref + 50% foi de 66%.

Em relação à área ocupada pelo óleo ao longo do tempo (Figura 21) percebe-se que nos primeiros 7 dias de simulação o padrão apresenta-se similar nos seis cenários mostrados, com pequenas variações. Tem-se então que o volume de óleo recolhido nos diferentes cenários não influenciou de maneira substancial na diminuição da área ocupada pelo contaminante.

62

6000 Cen NR Cen Ref 5000 Cen Ref - 6h Cen Ref + 6h Cen Ref
6000
Cen NR
Cen Ref
5000
Cen Ref - 6h
Cen Ref + 6h
Cen Ref + 20%
4000
Cen Ref + 50%
3000
2000
1000
0
0
1
2
3
4
5
6
7
Área Total (km2)

T em p o (d ias)

Figura 21 – Área total ocupada pela mancha de óleo em superfície ao longo dos 7 primeiros dias de simulação para o cenário de não resposta e os cenários de resposta com volume de pior caso. Note o padrão similar nos seis cenários apresentados.

Outro resultado que ratifica o apresentado é a observação da superfície exposta acumulada ao longo dos 30 dias de simulação (Figura 22). O cenário que teve a maior superfície exposta foi o Cen Ref – 6h, seguido pelo Cen Ref + 6h. O cenário de menor superfície exposta foi o Cen Ref + 20%. Nota-se que esse padrão nos primeiros 10 dias apresenta-se diferente.

63

12000 10000 Cen NR Cen Ref Cen Ref - 6h Cen Ref + 6h Cen Ref
12000
10000
Cen NR
Cen Ref
Cen Ref - 6h
Cen Ref + 6h
Cen Ref + 20%
Cen Ref + 50%
8000
6000
4000
2000
0
0
5
10
15
20
25
30
Superfície Exposta (km2-dias)

T em p o (d ias)

Figura 22 – Superfície exposta acumulada ao longo dos 30 dias de simulação para os cenários determinísticos simulados com volume de pior caso.

6.2 CENÁRIOS COM VOLUME DERRAMADO DE 15.000 m 3

Os cenários determinísticos com volume de 15.000 m 3 foram produzidos na mesma data de início do cenário com maior volume de óleo na costa, da simulação probabilística do volume de pior caso.

6.2.1 Cenário de não resposta

O deslocamento da mancha de óleo sem nenhum tipo de contenção após 30 dias de simulação (Figura 23 – esquerda) foi de 1440 km. Neste cenário, um total de 936 toneladas atinge a costa do Rio de Janeiro (Figura 23 – direita).

64

64 Figura 23 – Mapa de deslocamento da pluma livre de óleo para o cenário de
64 Figura 23 – Mapa de deslocamento da pluma livre de óleo para o cenário de

Figura 23 Mapa de deslocamento da pluma livre de óleo para o cenário de não resposta com volume de 15.000 m 3 após 30 dias de simulação. O mapa mostra o óleo na superfície, na coluna de água, e na costa (esquerda). Representação do óleo na costa para o cenário de não resposta após 30 dias de simulação (direita).

O óleo chega à costa depois do sexto dia de simulação (Figura 24), apresentando sua concentração máxima no décimo dia, com uma leve diminuição no volume remanescente na costa a partir do décimo quinto dia.

1000 800 600 400 200 0 0 5 10 15 20 25 30 Volume (toneladas)
1000
800
600
400
200
0
0
5
10
15
20
25
30
Volume (toneladas)

Te mpo (di a s )

Figura 24 – Volume de óleo junto à costa ao longo de 30 dias de simulação para o cenário de não resposta do derramamento de 15.000 m 3 .

65

Pelo balanço de massa do óleo após 30 dias de simulação (Tabela 12), nota-se que a maior parcela do óleo permanece na coluna de água (38,01%), ou é evaporada (29,90%), ou ainda permanece no sedimento (17,49%).

TABELA 12 BALANÇO DE MASSA DO ÓLEO APÓS 30 DIAS DE SIMULAÇÃO DO CENÁRIO DE NÃO RESPOSTA PARA O VOLUME DE 15.000 m 3

Destinação

Volume

Final

Toneladas

(%)

Superfície

105

0,79

Coluna de

   

água

  • 5016 38,01

Sedimento

  • 2308 17,49

 

Atmosfera

  • 3946 29,90

 

Decaimento

  • 886 6,71

 

Recolhimento

0

0,00

Costa

  • 936 7,09

 

Total

13197

100

O balanço de massa do óleo ao longo dos 30 dias de simulação (Figura 25) mostra a quase completa retirada do óleo da superfície após o oitavo dia, com um aumento substancial do óleo principalmente na coluna de água.

66

100% 80% Evaporado Superfície Dispersado 60% Sedimento Costa Decaimento 40% 20% 0% 0 1 3 4
100%
80%
Evaporado
Superfície
Dispersado
60%
Sedimento
Costa
Decaimento
40%
20%
0%
0
1
3
4
5
6
8
9
10 11 13 14 15 16 18 19 20 21 23 24 25 26 28 29 30
Balanço de massa

T em p o (d ias)

Figura 25 – Balanço de massa do óleo ao longo dos 30 dias de simulação para o cenário de não resposta com volume de 15000 m 3 .

6.2.2 Cenários de resposta

Os cenários de resposta simulados para o volume derramado de 15.000 m 3 incluem o cenário de referência, o cenário de referência antecipado em 6h (Cen Ref - 6h), o cenário de referência postergado em 6h (Cen Ref + 6h), o cenário de referência aumentado em 20% (Cen Ref + 20%), e o cenário de referência aumentado em 50% (Cen Ref + 50%). A estratégia de recolhimento do óleo mais próximo foi a utilizada.

O volume de óleo recolhido pelas diferentes estratégias de resposta (Figura 26) apresenta um padrão bem similar aos resultados com volume de pior caso. Comparando com cenário de referência, o volume recolhido aumenta com a antecipação do início da resposta e com o aumento do número de formações utilizadas, diminuindo apenas com a postergação do início da resposta.

67

1600 Cen Ref Cen Ref - 6h Cen Ref + 6h 1400 Cen Ref + 20%
1600
Cen Ref
Cen Ref - 6h
Cen Ref + 6h
1400
Cen Ref + 20%
Cen Ref + 50%
1200
1000
800
600
400
200
0
0
0,5
1
1,5
2
2,5
3
3,5
4
Óleo recolhido (toneladas)

T em p o (d ias)

Figura 26 – Volume de óleo recolhido nos cenários de resposta simulados (Cen Ref, Cen Ref – 6h, Cen Ref + 6h, Cen Ref + 20% e Cen Ref + 50%) com volume de 15.000m 3 de óleo. Perceba o aumento do volume recolhido com a antecipação do início da resposta e com aumento do número de formações utilizadas.

Quando comparados os balanços de massa dos cenários simulados (Tabela 13), nota-se uma clara redução na quantidade de óleo que chega até a costa.

TABELA 13 BALANÇO DE MASSA DO ÓLEO APÓS 30 DIAS DE SIMULAÇÃO DOS CENÁRIOS DE RESPOSTA PARA O VOLUME DE 15.000 m 3

Cenários

 

Balanço de massa (%)

 
 

Coluna

         

Superfície

de água

Sedimento

Atmosfera

Decaimento

Recolhimento

Costa

Cen NR

0,79

38,01

17,49

29,90

6,71

0

7,09

Cen Ref

0,78

36,88

18,73

28,47

6,28

8,62

0,24

Cen Ref -

             

6h

0,62

37,18

17,03

28,30

6,27

10,48

0,12

Cen Ref +

             

6h

0,38

38,12

18,77

28,58

6,43

7,29

0,43

Cen Ref +

             

20%

0,36

37,10

17,21

27,66

6,16

11,38

0,14

Cen Ref +

             

50%

0,21

36,40

17,48

27,86

6,12

11,83

0,10

68

Em relação à área ocupada pelo óleo ao longo do tempo (Figura 27) o padrão observado nos primeiros 7 dias de simulação apresenta-se similar nos seis cenários mostrados.

5000 Cen NR 4500 4000 Cen Ref Cen Ref - 6h Cen Ref + 6h 3500
5000
Cen NR
4500
4000
Cen Ref
Cen Ref - 6h
Cen Ref + 6h
3500
Cen Ref + 20%
Cen Ref + 50%
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
0
1
2
3
4
5
6
7
Área Total (km2)

T em p o (d ias)

Figura 27 – Área total ocupada pela mancha de óleo na superfície ao longo dos 7 primeiros dias de simulação para o cenário de não resposta e os cenários de resposta com volume de 15.000 m 3 . Note o padrão similar nos seis cenários apresentados.

O resultado da superfície exposta acumulada ao longo das simulações (Figura 28) é muito menor em área do que a encontrada para os cenários de pior caso e estão bem relacionados positivamente com as taxas de recolhimento do óleo relativas aos cenários simulados. Com o aumento da quantidade de óleo recolhido menor é a área da superfície exposta ao poluente. Após o sétimo dia os valores permanecem constantes até o final da simulação em função da pequena quantidade de óleo existente na superfície do mar, que faz com que a área exposta não aumente mais.

69

140 120 100 80 60 40 20 Cen NR Cen Ref Cen Ref - 6h Cen
140
120
100
80
60
40
20
Cen NR
Cen Ref
Cen Ref - 6h
Cen Ref + 6h
Cen Ref + 20%
Cen Ref + 50%
0
0
5
10
15
20
25
30
Superfície Exposta (km2-dias)

T em p o (d ias)

Figura 28 – Superfície exposta acumulada ao longo dos 30 dias de simulação para os cenários determinísticos simulados com volume derramado de 15000 m 3 .

70

7 DISCUSSÃO

A determinação de cenários de probabilidades de ocorrência de óleo em áreas específicas a partir de um eventual derramamento é de grande relevância para o planejamento, logística, e organização de pessoal e equipamentos necessários para contingência desses acidentes.

Com base no cenário probabilístico de um derramamento de 350.000 m 3 no Campo de Golfinho, percebe-se que o grande volume de óleo derramado tem a possibilidade de se deslocar até aproximadamente a latitude de 30º S, com uma distância percorrida de cerca de 1500 km em 30 dias, ocupando uma vasta área da superfície do mar. Comparando o padrão de corrente e vento predominante no período da simulação, observa-se um deslocamento preferencial da mancha seguindo o fluxo da Corrente do Brasil para sul e uma variação na direção leste- oeste em função, principalmente, das oscilações do padrão de vento.

No cenário crítico de verão, repara-se que a quantidade de óleo que chega à costa é relativamente pequena quando comparada ao volume inicial derramado, mas suficientemente grande (9098 toneladas) para se estender por cerca de 200 km ao longo do litoral, principalmente do estado do Rio de Janeiro, e ocasionar diversos prejuízos sociais, econômicos e ambientais. No entanto, cabe ressaltar que se trata de um derramamento de pior caso de uma unidade de produção, estocagem e transferência de petróleo cuja probabilidade de ocorrência pode ser considerada muito pequena.

Quando as estratégias de resposta para o derramamento de pior caso são comparadas, percebe-se uma ineficiência das estratégias adotadas. Apesar de recolherem volumes consideráveis de óleo, levando em consideração as características dos equipamentos utilizados e o fato de cada frente de contenção ser operante durante 24 horas, o recolhimento não foi efetivo principalmente em diminuir o volume de óleo remanescente junto à costa. Depois de 30 dias de simulação, cerca de 27% do poluente é evaporado, com a eliminação preferencial dos componentes mais tóxicos, por serem normalmente os mais voláteis (STEELE et al., 1985; ITOPF, 2002). Cerca de 30% do óleo permanece na coluna de água, ficando disponível aos organismos planctônicos e nectônicos. Nos sedimentos aproximadamente 18% do óleo é retido, ocupando vasta área, sendo muito

71

prejudicial para os organismos bentônicos ali existentes, como também estando sujeito a ressuspensão, dispersão e dissolução na coluna de água (KAMLET et al, 1989). Já na superfície, a porcentagem do volume derramado remanescente é de 17% em uma área aproximada de 33.600 km 2 , uma região muita freqüentada por aves e mamíferos marinhos. Na linha de costa permanece cerca de 3% do volume inicial em praticamente todos os cenários, seja sem resposta ou com estratégias de combate, podendo afetar os ambientes costeiros de alta relevância tanto ambiental como socioeconômica, como por exemplo, praias, manguezais, recifes de corais e costões rochosos.

Nota-se que o recolhimento de uma determinada quantidade de óleo não necessariamente implica que a parcela de óleo recolhida seja oriunda do volume que chegaria à costa. As partículas de óleo recolhidas podem alterar o padrão físico, como espessura da mancha, ou mesmo o padrão químico do óleo, com a maior retirada de um determinado componente, mudando assim o comportamento de intemperismo do óleo observado no cenário de não resposta. A evaporação e dissolução, por exemplo, são dependentes das frações molares de cada componente na mancha, e o espalhamento, dependente da espessura da mancha e de forças viscosas (Ver ANEXO I para mais detalhes sobre os processos de intemperismo).

Constata-se, portanto que uma verdadeira catástrofe ambiental e socioeconômica aconteceria caso ocorresse o pior caso de derramamento da unidade FPSO Capixaba, e que esforços de contingência utilizando-se estratégias de contenção e recolhimento seriam insuficientes para prevenir algum impacto resultante desse acidente.

Já no caso do derramamento de volume menor, 15.000 m 3 , observa-se contribuições significativas das estratégias de respostas adotadas no que diz respeito à diminuição da quantidade de óleo junto à costa após 30 dias do início do derramamento, permitindo análises quali-quantitativas da eficiência de cada estratégia.

Uma ação de contingência envolve, em primeira instância, a adoção de uma estratégia de recolhimento, que em derramamentos em mar aberto normalmente é a de recolhimento do óleo mais espesso (ITOPF, 2007a), quando considerada a utilização de barreiras de contenção e recolhedores. O recolhimento do óleo mais próximo é geralmente adotado em casos de proteção de uma área específica, como

72

uma praia, um costão rochoso ou um recife. No entanto, comparando-se a quantidade de óleo recolhido com as diferentes estratégias de recolhimento inseridas nas simulações, observa-se que a exceção foi a estratégia de recolhimento do óleo mais espesso, a qual recolheu um volume muito pequeno. Segundo informações de Reed (2007, informação pessoal), gestor do modelo OSCAR na Noruega, esta estratégia não está totalmente operacional no modelo. Assim, a estratégia adotada nas simulações realizadas foi a do recolhimento do óleo mais próximo.

A princípio, comparando-se os cenários de não resposta e o cenário de referência houve uma retirada de 8,62% da quantidade total de óleo no ambiente marinho com o recolhimento estruturado segundo a legislação. Isso resultou em uma diminuição de 96% do óleo remanescente junto à costa depois de 30 dias de simulação. A porcentagem de óleo nos demais compartimentos apresentou apenas pequenas variações. Padrão similar é observado em todos os cenários de resposta alternativos com esse menor volume derramado, chegando-se a uma diminuição de quase 100% do volume de óleo na costa nos cenários de resposta antecipada e nos cenários com aumento da estrutura de combate utilizada. A porção recolhida do derramamento, apesar de ser relativamente pequena (em torno de 10%), agiu favoravelmente em todos os cenários no que se refere à quantidade de óleo que atinge a costa. Segundo a bibliografia (ITOPF, 2007a) essa é a porcentagem esperada para grandes derramamentos em mar aberto, uma vez que a mancha de óleo se espalha por muitos quilômetros em pouco tempo, dificultando o processo de limpeza do ambiente marinho.

Com base nestes resultados percebe-se que tanto o aumento da estrutura como o fato de se antecipar o recolhimento para um ponto mais próximo do derramamento resulta em um percentual de óleo recolhido e óleo junto à costa mais favorável ambientalmente do que o encontrado no cenário de referência. As variações do recolhimento não se apresentaram de forma linear ou diretamente proporcional com as alterações nas estruturas de resposta. Esse padrão também foi encontrado por Ferreira (2006) em estudos de estratégias de resposta com modelagem computacional para derramamentos no Campo de Jubarte (ES – Brasil).

Um bom planejamento e disponibilidade de equipamentos em estações próximas a locais com probabilidade de derramamentos de óleo equivalem então a um melhor

73

aproveitamento da capacidade e eficiência dos equipamentos, como também equivalem a uma significativa redução de custos pela utilização de um número reduzido de estruturas que podem gerar um mesmo resultado que a utilização de mais estruturas com início de operação mais atrasado.

Outro fator que ratifica esta constatação é a análise das diferenças nas eficiências das três frentes de contenção formadas em cada cenário com inícios de resposta diferentes, tanto para os equipamentos utilizados nos cenários de referência do volume de pior caso (Tabela 14 ) como para o volume de 15.000 m 3 (Tabela 15).

TABELA 14 EVOLUÇÃO DA EFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO NO CENÁRIO DE REFERÊNCIA DO VOLUME DE PIOR CASO

 

Evolução da Eficiência do Recolhimento – Volume de pior caso

 

Início da

resposta (h)

Capacidade

de

Tempo de

operação (h)

Volume recolhido

Volume recolhido

Eficiência do

Recolhimento

Recolhimento

esperado (m 3 )

efetivo (m 3 )

(%)

 
  • 12 24

3

x 25 = 75

 

1800

1186

66

 
  • 36 x 25 = 150

6

24

3600

1563

43

 
  • 60 x 25 = 275

11

24

6600

2359

36

 
 

Evolução da Eficiência do Recolhimento – Volume de 15.000m 3

 

Início da

resposta (h)

Capacidade

de

Tempo de

operação (h)

Volume recolhido

Volume recolhido

Eficiência do

Recolhimento

Recolhimento

esperado (m 3 )

efetivo (m 3 )

(%)

 
  • 12 24

3

x 25 = 75

 

1800

903

50

 
  • 36 x 25 = 150

6

24

3600

348

10

 
  • 60 x 25 = 275

11

24

6600

44

1

TABELA 15 EVOLUÇÃO DA EFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO NO CENÁRIO DE REFERÊNCIA DO VOLUME DE 15.000m 3

O volume recolhido esperado foi calculado baseado na capacidade de recolhimento dos recolhedores utilizados em cada frente, e o volume recolhido efetivo é a soma da quantidade de óleo recolhido por cada equipamento durante as 24 horas que permaneceram em operação.

O início da operação e a posição dos equipamentos de resposta cada vez mais próximo do início do derramamento implicam no aumento da eficiência da estrutura utilizada, uma vez que o óleo segue sofrendo intemperismo, se espalhando cada vez mais, evaporando, incorporando-se na coluna de água, sedimentos etc, ficando mais

74

difícil o seu recolhimento efetivo. Percebe-se também que, em nenhum dos dois volumes simulados, a eficiência do recolhimento chega a 100% da capacidade instalada, diminuindo consideravelmente no derramamento de 15.000 m 3 seja pela menor quantidade de óleo derramado e óleo na superfície ou pela sua menor concentração. A eficiência dos equipamentos também varia inversamente com o aumento da turbulência do mar, da velocidade das correntes e da altura de onda, tendendo a zero a uma altura limite definida para os equipamentos.

A quantidade de

óleo recolhido

não

foi diminuída por

falta

de espaço

para

estocagem, uma vez que outras simulações testes, com a utilização de

embarcações de descarte, foram realizadas e o resultado não foi alterado.

Em relação à área da superfície exposta (derramamento de menor volume), observa-se que a área ocupada ao longo dos primeiros dias (Figura 27) não apresenta grandes variações, mas a superfície total exposta (Figura 28) é diminuída de maneira significativa em todos os cenários de resposta, quando comparados com o cenário de não resposta. Este padrão é o esperado, como reportado na literatura (REED, 1995a; AAMO). A partir do sétimo dia a área exposta em todos os cenários não tende a aumentar, uma vez que deste momento em diante a quantidade de óleo na superfície é muito pequena, como pode ser observado no balanço de massa do óleo ao longo da simulação (Figura 25).

Diante do estudo apresentado, percebe-se que para o derramamento de pior caso existe uma limitação das estratégias de resposta adotadas. No entanto outras possibilidades de combate disponíveis para derramamentos offshore podem ser analisadas, como é o caso do uso de dispersantes. Diferentes análises ajudariam a chegar a uma conclusão mais realista da possibilidade de minimização da área ocupada pelo poluente e consequentemente dos impactos desse derramamento.

Estudos com estratégias diferentes ou combinação de estratégias de combate também podem ser realizadas e analisadas para o derramamento de 15.000 m 3 .

No estudo realizado por Reed (1995a) com a utilização do modelo OSCAR, para um derramamento de 100 m3 de óleo e vento de 10 m s-1, a utilização de recolhedores com capacidade de recolhimento de 60 m3 h-1 e barreiras de contenção com 56 m de largura de varredura resultou em um maior recolhimento de óleo quanto menor foi o espaço de tempo entre o início do derramamento e o início da resposta. Com início

75

de resposta depois de 1 hora do derramamento o recolhimento foi de cerca de 50% do óleo derramado, depois de 3 horas foi de cerca de 40% e depois de 10 horas diminuiu para 20%, reduzindo a quantidade de óleo dispersada na coluna de água. Em relação à superfície exposta acumulada foi observada uma redução desta com o aumento da quantidade de óleo recolhido.

No estudo de análises de estratégias de resposta a um derramamento de 15.000 m 3 de óleo pesado no Campo de Jubarte (ES- Brasil) realizado por Ferreira (2006) com o uso do modelo OILMAP, os resultados dos cenários de contenção e recolhimento mostraram que a antecipação em 6 horas do início da resposta e o aumento da estrutura de resposta, comparado com o cenário de resposta realizado com base na legislação brasileira, apresentaram maiores taxas de recolhimento de óleo e menores quantidades de óleo remanescente junto à costa. O cenário de referência contou com o recolhimento de 26,8% do óleo derramado e cerca de 66% de óleo junto à costa, enquanto que o antecipado em 6 horas considerou o recolhimento e a quantidade de óleo na costa de aproximadamente 35% e 58% do óleo derramado respectivamente.

O padrão encontrado nesses dois estudos corrobora com o obtido no estudo de caso apresentado no presente trabalho com o derramamento de 15.000 m 3 no Campo de Golfinho. Além desses resultados os trabalhos citados compararam também o uso de dispersantes químicos para o combate e obtiveram resultados representativos no combate ao derramamento, por vezes melhores do que quando considerado apenas o uso de barreiras de contenção e recolhedores.

Como uma regra geral, esforços e dinheiro consideráveis são despendidos para lidar com derramamentos de óleo no mar, numa tentativa para prevenir diversos prejuízos e freqüentes protestos públicos associados à extensa poluição de águas internas e linhas de costa. No entanto deve-se considerar que derramamentos de óleo, em algumas ocasiões, dispersarão naturalmente e não causarão prejuízo para recursos costeiros sensíveis. Já em outras ocasiões, como no estudo apresentado, pode existir esse perigo devido a uma situação de tempo ruim ou outras circunstâncias particulares.

A decisão então de estabelecer ou não uma estratégia de contenção a esses derramamentos, é uma tarefa árdua, sendo a opção de não interferir no processo de derramamento difícil de ser adotada, especialmente porque é vista por políticos, pela

76

população e pela mídia como inaceitável. Então uma estratégia muitas vezes é estabelecida, mesmo quando a opinião técnica concorda que é impossível de se conseguir um benefício significante. Isso ocorre geralmente devido ao fato do óleo derramado na superfície se espalhar rapidamente, fazendo com que a extensão da área ocupada seja tão grande para que as técnicas disponíveis sejam eficientes, além de existir limitações no sistema de retenção e coleta do óleo impostas pelo vento, ondas e correntes.

Combater o derramamento nessas circunstâncias pode levar a um elevado custo de limpeza para pouco ou nenhum benefício em termos de mitigação do impacto do óleo na linha de costa ou em ambientes sensíveis, exemplo que pode ser visto pelas simulações apresentadas com volume de pior caso.

No entanto existem exceções: o derramamento de 2.450 toneladas de óleo pesado do carregamento do navio do Baltic Carrier off Denmark demonstrou que considerável sucesso pode ser alcançado em áreas offshore quando condições são favoráveis e a operação de recolhimento é bem coordenada. Neste caso, aproximadamente 900 toneladas, um terço do volume derramado, foi coletado por uma frota de 12 embarcações com recolhedores de três paises. Isso reduziu de maneira significante a extensão da contaminação da costa (WHITE; MOLLOY, 2003). Nota-se, portanto a grande diferença de magnitude deste derramamento para o caso de pior caso apresentado.

Operações de limpeza offshore requerem quantidades consideráveis de equipamentos de custo elevado, embarcações, helicópteros e operadores treinados, que podem estar em localizações distantes do derramamento. É importante então avaliar as sensibilidades ambientais e os fatores socioeconômicos envolvidos nesses tipos de acidentes, a fim de determinar as técnicas mais apropriadas e o nível de limpeza a que se pretende chegar.

É neste contexto que se insere o uso de ferramentas computacionais no auxílio da tomada de decisões nessas situações. Estas ferramentas incorporam modelos tridimensionais do comportamento e destino físico do óleo e modelos de ações de respostas, que permitem a avaliação quali-quantitativa de estratégias determinadas pelo usuário. Cabe ressaltar também a importância da qualidade dos dados de entrada do modelo, como a base hidrodinâmica a ser utilizada e as características do tipo de óleo da região de estudo, para permitir resultados mais realísticos.

77

No presente trabalho foi apresentada uma avaliação de diferentes estratégias de resposta, com contenção e recolhimento de óleo, para um derramamento de pior caso e um de menor volume em área offshore, resultando em pouca eficiência das estratégias adotadas na mitigação dos impactos ambientais e socioeconômicos possíveis no derramamento de pior caso.

Já no derramamento de 15.000 m 3 cada estratégia apresentou resultados distintos para o óleo remanescente junto à costa e para a superfície exposta ao óleo.

O trabalho mostrou um resultado interessante, no qual se percebe a ineficiência de equipamentos de recolhimento em situação de grandes volumes derramados para a região e época do ano apresentada, como também a melhor eficiência do recolhimento quando a ação de resposta é iniciada o quanto antes e mais próxima do ponto de derramamento. A utilização da modelagem se mostrou, portanto uma ferramenta útil no auxílio da gestão de derramamentos de óleo no ambiente marinho.

78

8 CONCLUSÃO

O sistema acoplado de um modelo numérico tridimensional de comportamento e destino físico de um derramamento de óleo com um modelo de ações de resposta torna o OSCAR uma ferramenta útil para uma avaliação objetiva e quantitativa de estratégias de resposta a derramamento de óleo. O módulo de combate nas simulações representa uma série de equipamentos individuais com capacidade e estratégias de organização especificadas pelo usuário, possibilitando a análise de diferentes cenários possíveis de combate.

A análise das diferentes estratégias de resposta fornece uma ferramenta auxiliar para a escolha funcional e efetiva em relação a custos de soluções de contingência de derramamento de óleo para plataformas offshore, usando considerações ambientais como base para a tomada de decisão.

Nos estudos de caso apresentados, para um derramamento de 350.000 m 3 , que representa a situação de pior caso da unidade FPSO Capixaba, tem-se que a estratégia de retenção e recolhimento apresenta-se ineficiente, mesmo com aumento de 50% da estrutura de resposta prevista na legislação. Este resultado permite uma visão geral da magnitude dos prejuízos ambientais e socioeconômicos que um derramamento de grande volume poderia causar.

Para um derramamento de 15.000 m 3 a utilização de barreiras de contenção e recolhedores mostrou ser eficiente na minimização do volume do óleo que chega à costa, sendo a antecipação da resposta e chegada dos equipamentos mais próximo do local de derramamento a estratégia que melhor representa um resultado positivo considerando possíveis custos e benefícios.

Estudos com outras técnicas de resposta como a utilização de dispersantes, podem ser avaliados por meio de modelagem computacional para os derramamentos em questão. Quanto mais cenários simulados e mais dados de entrada confiáveis para o modelo, melhor será a avaliação dos diferentes planos de contingência e melhor será a contribuição dessa ferramenta computacional para o processo de tomada de decisão em caso de combate a derramamentos de óleo no mar.

79

9 RECOMENDAÇÕES

Esse estudo corresponde à primeira etapa de uma avaliação mais completa no que se refere a planos de contingência. Assim sendo, é importante que estudos posteriores dêem prosseguimento ao estudo iniciado com este trabalho. Dessa forma, recomenda-se que sejam realizados:

  • - Estudos de estratégias alternativas de resposta para o pior caso de derramamento

da unidade FPSO no Campo de Golfinho, incorporando uso de dispersantes, a modificação da posição dos equipamentos de contenção e recolhimento, o aumento do fator de eficácia da capacidade nominal dos recolhedores, e o deslocamento dos

equipamentos de uma frente de contenção para a outra;

  • - Estudos de diferentes estratégias de resposta para o derramamento de menor

volume apresentado neste trabalho, tanto para o Campo de Golfinho como também para outras localidades, considerando-se a utilização de barreiras de contenção e

recolhedores, de dispersantes, como também a ação combinada dessas duas estratégias a fim de analisar a contribuição de cada uma;

  • - Estudos com comparação de estratégias de resposta para diferentes tipos de óleo (ex. leves e pesados) e diferentes regimes de derramamento (ex. instantâneo e

contínuo);

  • - Estudos de avaliação de impactos gerados por um derramamento de óleo em

áreas específicas, tanto para ambientes costeiros como manguezais, praias e recifes, como para áreas mais offshore com rotas migratórias de organismos e que possuam um importante recurso pesqueiro;

  • - Ensaios de laboratório e testes de campo, que se fazem necessários para melhor

definir o comportamento esperado dos diferentes tipos de óleo existentes, com o intuito de melhorar a calibração do modelo e obter resultados mais realísticos para o

tipo de óleo presente na região de estudo. Recomenda-se também que informações mais detalhadas a respeito das características do óleo sejam fornecidas pelas empresas/órgãos competentes, uma vez que melhores dados de entrada no modelo fornecem melhores dados de saída.

Por fim, recomendam-se discussões sobre a viabilidade de incorporação desse tipo de análise no licenciamento ambiental para atividades relacionadas ao petróleo.

80

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85

ANEXO

86

ANEXO I

O modelo OSCAR – Descrição técnica

O modelo OSCAR foi desenvolvido especificamente para auxiliar nas tomadas de decisão relacionadas à resposta e contingência de derramamentos de óleo. Como conseqüências ambientais são componentes importantes para esse tipo de decisão, o modelo permite avaliar os potenciais efeitos de derramamentos na coluna de água, na superfície, nos sedimentos e na linha de costa. Esse documento é baseado em Reed (2001) e descreve as capacidades do modelo para quantificar a evolução do óleo na superfície da água, ao longo da linha de costa, e concentrações do óleo dispersado na coluna de água. Componentes chaves do sistema são o modelo de intemperismo de óleo, o modelo tridimensional de destino físico e químico do óleo, e o modelo de combate a derramamentos de óleo.

1 DEFINIÇÃO DO AMBIENTE FÍSICO

  • 1.1 BATIMETRIA

A batimetria é definida com um ou mais conjunto de dados. O conjunto de dados fornecido com o modelo, SeaTopo 6.2, cobre desde a latitude de 72ºS até 72ºN, com uma resolução de 3 a 10 km, e é baseado em uma combinação de altimetria de satélite e sondagem de navios (SMITH; SANDWELL, 1994, 1997 apud REED,

2001).

  • 1.2 VENTOS

O modelo utiliza séries temporais de ventos definidas em pontos simples, no qual assume um campo de vento espacialmente uniforme e séries temporais a partir de estações espaçadas arbitrariamente ou uniformemente. O modelo assume que os dados de entrada de vento são medidos a 10 m acima da superfície do mar. Caso

contrário, a correção

U

10 m

=

U (10 / z )

z

1 / 7

, onde z é a altura em metros das medidas,

deve ser aplicada às séries temporais.

87

  • 1.3 CORRENTES

O modelo utiliza tanto campos de correntes bi ou tridimensionais. Campos bidimensionais podem variar ou não temporalmente, fornecidos por modelos hidrodinâmicos ou estimados pelo usuário a partir de um local conhecido ou a partir de atlas de correntes. Campos de correntes tridimensionais com variação temporal de modelos hidrodinâmicos podem ser importados para o modelo. Interpolação linear no espaço é aplicada para fornecer o vetor de corrente em uma dada posição espacial. Nenhuma interpolação no tempo é aplicada.

  • 1.4 ONDAS

As equações 1 e 2 são usadas para computar a altura da onda (H) e o período (T) como função da velocidade do vento (U), da profundidade da água (d), da pista de vento (F), e da aceleração da gravidade (g). Essas equações foram retiradas do U.S. Army Corps of Engineers Shore Protection Manual (1984).

gH

U

2

A

gT

U

A

-

= 0, 283 tanh + 0,530

+

,

3

1

1

2

gd 0

U

2

A

.

.

/

3 / 4

-

= 7,54 tanh + 0,833

+

,

3

1

1

2

gd 0

U

2

A

.

.

/

3 / 8

*

(

(

)

'

!

!

!

$ 1 / 2 3 gF 0 ! . 1 2 . ! U 2 /
$
1 / 2
3
gF 0
!
.
1
2
.
!
U
2
/
!
A
#
3 / 4
*
3
gd 0
!
.
(
1
.
!
2
U
2
/
(
A
!
) "
$
1 / 3
3
gF 0
!
.
1
2
.
!
U
2
/
!
A
#
3 / 8
*
3
gd 0
!
.
(
1
2
.
!
U
2
/
(
A
!
) "

0,00565 1

*

(

(

)

tanh

&

!

!

!

%

'

!

!

!

&

!

!

!

%

-

tanh + 0,530 1

+

,

0,0379 1

tanh

-

tanh + 0,833 1

+

,

1

2

A profundidade local e a pista de vento são computadas internamente no modelo a partir dos dados da grade. Em uma grade com contornos abertos, uma pista de vento de 100 km (virtualmente não limitada) é assumida.

A altura e o período da onda são computados e armazenados em uma grade retangular compatível com a usada para definir terra e água, e uma série de grades de pista de vento é computada e armazenada. A cada mudança na velocidade ou direção do vento, um novo par de grades com altura e período da onda é calculado.

88

Esse procedimento permite variações na altura da onda devido a mudanças na pista de vento. No entanto, a aproximação não inclui difração, reflexão e movimentos da onda ou interação de onda e corrente.

2 PROCESSOS FÍSICO-QUÍMICOS

Os processos utilizados na modelagem do comportamento dos poluentes no OSCAR são apresentados na Figura 1. O OSCAR aplica algorítimos de espalhamento superficial, advecção, entranhamento, emulsificação e volatilização para determinar o transporte e destino na superfície. Na coluna de água, advecção horizontal e vertical, e dispersão dos hidrocarbonetos entranhados e dissolvidos são simulados por métodos de random walk (movimento browniano).

A turbulência vertical é função da velocidade do vento (altura da onda) e profundidade, enquanto que a turbulência horizontal é função do tempo que a “nuvem” de poluentes permanece no mar. Poluentes próximos à superfície podem evaporar para a atmosfera.

A separação dos estados dissolvido e particulado-adsorvido é calculada baseada na teoria do equilíbrio linear. A fração do contaminante que é adsorvida ao material particulado suspenso sedimenta com as partículas. Contaminantes do fundo são misturados com os sedimentos, e podem se dissolver de volta na coluna de água. A degradação na água e nos sedimentos é representada como um processo de decaimento de primeira ordem (linear). Os algoritmos usados para simular esses processos que controlam o destino físico das substâncias são descritos em Aamo et al. (1993) e REED et al (1994,1995a, b). Resultados das simulações são armazenados em passos de tempo discretos nos arquivos do computador, que são então disponibilizados como dados de entrada para um ou mais modelos de exposição biológica.

Para óleos derramados, processos como advecção, espalhamento, entranhamento e mistura vertical na coluna d’água não são diretamente dependentes da composição do óleo, no entanto tendem a ser associados a macro-características como viscosidade e massa específica. Outros processos como evaporação, dissolução, e degradação são diretamente dependentes da composição do óleo.

89

89 Figura 1 – Esquema geral do OSCAR. Fonte: Pinheiro, 2005. 2.1 ADVECÇÃO Advecção é simulada

Figura 1 – Esquema geral do OSCAR. Fonte: Pinheiro, 2005.

2.1 ADVECÇÃO

Advecção é simulada como a superposição da média da velocidade local mais a componente randômica de turbulência. A velocidade média local é, em geral, a soma dos componentes climatológicos, de maré, governados pelo vento e os governados pelas ondas (Stokes). No melhor dos casos, dados hidrodinâmicos tridimensionais modelados são disponíveis, movidos por condições de contorno atmosféricas e oceânicas.

Advecção

na

coluna

de água

é

feita como uma simples soma vetorial das

componentes locais interpoladas espacialmente, mais um componente randômico que representa a turbulência ambiental. O componente da turbulência w’ é computado como

89 Figura 1 – Esquema geral do OSCAR. Fonte: Pinheiro, 2005. 2.1 ADVECÇÃO Advecção é simulada

w' = 6 K / !t

3

para um coeficiente de dispersão de turbulência K, estimado apropriadamente para as direções vertical e horizontal.

90

O coeficiente de dispersão horizontal pode ser aproximado pelos dados nos estudos

de difusão de corantes reportados por OKUBO (1971, 1974), e revisados por

BOWDEN (1983):

K

x

=

0,0027t

1, 34

4

para K em cm 2 /s e o tempo t em segundos. A medida que a variância da nuvem

aumenta, a nuvem é dispersada pela turbulência associada ao aumento das escalas

espaciais, de forma que coeficiente de dispersão aparente aumente com o tempo.

Se o modelo é rodado com dados de entrada a partir de um modelo hidrodinâmico

tridimensional em que os coeficientes de dispersão vertical e horizontal são

computados, esses valores podem ser usados no lugar da aproximação mais

generalizada descrita.

O coeficiente de difusão vertical da turbulência acima da picnoclina é relacionado

com as condições de onda segundo Ichiye (1967):

K =

z

0,028

H

2

T

exp 2

! kz )

(

5

onde H é a altura de onda, T é o período da onda e k é o número da onda. Abaixo

da profundidade da picnoclina, K z é assumido como constante igual a 10 -4 m 2 /s

(KULLENBERG,1984).

O movimento vertical das partículas de óleo é computado como a superposição da

velocidade da turbulência randômica e da velocidade de elevação (ou

sedimentação). A velocidade vertical diferencial é computada usando a média

harmônica de dois extremos, como o coeficiente de arrasto é função do número de

Reynolds (JOHANSE, 2000):

( ! 1 ! 1 ) w = 1 / w + w , solução combinada,
(
! 1
! 1
)
w
=
1
/
w + w
, solução combinada, composta de
rise
1
2
2
w
=
d
g ' / 18v
, (para número de Reynolds < 1000), e
1
w =
3
d
g
'
, (para número de Reynolds > 1000), onde
2
g = g
'
(
"
#
" / "
)
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g = aceleração da gravidade

6

7

8