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www.embalagemmarca.com.

br
Sobre o bom uso da tecnologia
O
ano, que a certa nossos anunciantes e leito- virtual na internet, fazendo
altura parecia estar res mantiveram o apoio que de EMBALAGEMMARCA efe-
abrindo finalmente nos permitiu ir em frente tivamente a primeira revista
as cortinas de um bom futu- e crescer 50% em relação do setor a utilizar esse recur-
ro para o país, acabou sendo ao ano anterior. Ainda que so no país. Nem por isso
muito chocho. Mas, fazendo a conjuntura reduzisse par- nos vangloriamos. Afinal,
coro com os otimistas e com cialmente nossos planos de trata-se de um pioneirismo
Wilson Palhares os conformados, penso que investimentos destinados a relativo, já que essa tecno-
devemos esquecer tudo o manter EMBALAGEMMARCA logia existe há bom tempo
que ocorreu na economia como a revista mais comple- no exterior e há mais de um
e na política, lembrar que ta do setor de embalagem no ano em outros segmentos no
Apesar dos problemas já houve tempos piores e Brasil, não ficamos parados. Brasil. Para nós, importante
acreditar que as coisas vão Investimos na equipe, em é o uso que se faz da tecno-
vividos nos últimos
melhorar. viagens internacionais e em logia. Por isso, vamos nos
meses pelo país, que
De nossa parte, temos razões pesquisa, e não deixamos empenhar permanentemen-
acabaram pertubando para não perder a crença. arrefecer o ânimo de inovar te, como é de nosso feitio,
os negócios, os Não obstante os conhecidos permanentemente. para que o site www.emba-
anunciantes e os problemas vividos nos últi- Neste campo, para constran- lagemmarca.com.br ofereça
leitores mantiveram mos meses pelo país, que gimento de concorrentes, no aos leitores conteúdo atra-
o apoio que nos de alguma forma acabaram início de novembro coloca- ente e útil para seu trabalho.
permitiu ir em frente perturbando os negócios, mos a revista em formato Até janeiro.
nº 76 • dezembro 2005
Diretor de Redação
Wilson Palhares

14 Fechamentos
Tampa de abertura facílima para
garrafas long neck é mais uma 32 Tendências e Perspectivas
Em sua sétima edição,
reportagem especial
palhares@embalagemmarca.com.br

Reportagem
novidade em embalagem da Skol Flávio Palhares
sobre possíveis cenários
econômicos para 2006 flavio@embalagemmarca.com.br

15 Plásticas traz sete pontos aos Guilherme Kamio


Embalagem de roupas de banho, quais os profissionais de guma@embalagemmarca.com.br
inflável, transforma-se em embalagem deverão estar Leandro Haberli Silva
travesseiro para o relax ao sol atentos nos próximos meses leandro@embalagemmarca.com.br
Livia Deorsola

16 Marcas
Ao completar 45 anos, cereal
infantil Mucilon lança edição
Departamento de Arte
Carlos Gustavo Curado (Diretor de Arte)
arte@embalagemmarca.com.br
especial que resgata em latas
José Hiroshi Taniguti (Assistente)
litografadas a história da marca
Administração

18 Making Of
Reckitt Benckiser aposta em
blister versátil no lançamento de 42 Entrevista:
Salomão Quadros
Economista da FGV traça cená-
Marcos Palhares (Diretor de Marketing)
Eunice Fruet (Diretora Financeira)

Departamento Comercial
depilatório inovador no país
rios para a macroeconomia e comercial@embalagemmarca.com.br
para o negócio de embalagens Karin Trojan
no exercício que se inicia Wagner Ferreira

48 Artigo Circulação e Assinaturas


A estagnação brasileira, segun- Marcella de Freitas Monteiro
do Alfried Karl Plöger, presiden- assinaturas@embalagemmarca.com.br
te da Abigraf – Regional SP Assinatura anual: R$ 99,00

Público-Alvo

24 Feira
Terceira edição da Fispal
Nordeste evidencia oportunida-
50 Metálicas
Depois dos cães, gatos
ganham uma opção de ração
EMBALAGEMMARCA é dirigida a profissionais
que ocupam cargos de direção, gerência
e supervisão em empresas integrantes da
seca em embalagem de aço cadeia de embalagem. São profissionais
des de negócios e relevância envolvidos com o desenvolvimento de
econômica da região

52
embalagens e com poder de decisão colo-
Conversão e Impressão cados principalmente nas indústrias de bens
Manual com dicas práticas de consumo, tais como alimentos, bebidas,
sobre aplicações de radiofre- cosméticos e medicamentos.
qüência em etiquetas e rótulos
Filiada ao

56 Índice de Anunciantes
Relação das empresas
que veiculam peças
publicitárias nesta edição

3 Editorial Impressão: Congraf Tel.: (11) 5563-3466


A essência da edição do mês, nas palavras do editor
EMBALAGEMMARCA é uma publicação
6 Espaço Aberto mensal da Bloco de Comunicação Ltda.
Opiniões, críticas e sugestões de nossos leitores Rua Arcílio Martins, 53 • Chácara Santo
Antonio - CEP 04718-040 • São Paulo, SP
8 Display Tel. (11) 5181-6533 • Fax (11) 5182-9463
Lançamentos e novidades – e seus sistemas de embalagens
Filiada à
22 Internacional
Destaques e idéias de mercados estrangeiros

28 Panorama www.embalagemmarca.com.br
Movimentação no mundo das embalagens e das marcas O conteúdo editorial de EMBALAGEMMARCA é
resguardado por direitos autorais. Não é per-
54 Conversão e Impressão mitida a reprodução de matérias editoriais
Produtos e processos da área gráfica para a produção de rótulos e embalagens publicadas nesta revista sem autorização
da Bloco de Comunicação Ltda. Opiniões
58 Almanaque expressas em matérias assinadas não refle-
Fatos e curiosidades do mundo das marcas e das embalagens tem necessariamente a opinião da revista.
lagem. As informações da edição com a segurança de quem conhece
de novembro foram abrangentes, o mercado. Confesso que fiquei
instigando à reflexão e identifi- muito feliz de ver a evolução da
cação de novas oportunidades de revista. Está madura e segura. Em
negócio. No segmento em que atuo uma palavra, confiável. Parabéns.
– conversão e aplicação de rótulos Antonio Carlos Yazbek
termo encolhíveis (heat shrink sle- Diretor
eves) – diversos cases, novidades Editora Supergiro
e tendências foram citadas. Foram São Paulo, SP
cinco citações, nas páginas 18, 19,
42, 43 e 58, reforçando com dados
objetivos a opinião dos que conhe- CORREÇÕES
cem este mercado: o segmento de
sleeves continua crescendo muito. WHEATON, 1 000 VEZES MAIS
Sinto-me à vontade para afirmar Na reportagem de capa da edição
que o mercado está se movimen- nº 75 (novembro de 2005), a infor-
tando, com expressivos converte- mação de que a Wheaton Brasil
dores investindo em máquinas e tem um forno de reserva, capaz de
LACUNA PREENCHIDA equipamentos, procurando marcar aumentar em 25% sua produção,
citada na página 18, no quadro
P arabéns pela revista EMBALA-
GEMMARCA, que melhora a cada
posições. Grandes empresas con-
sumidoras de rótulos têm projetos
em andamento, aguardando apenas
intitulado “Não haverá demanda
reprimida, garantem vidrarias”,
edição. Estou acabando de ler o nº a entrada desses novos fornecedo- está errada. Onde se diz que essa
75, de novembro 2005, que está res. O nó górdio deste mercado, o produção é 800 000 frascos deve-
excelente. Estou há muitos anos fornecimento seguro e confiável se ler 800 milhões.
envolvido no setor de embalagens de filmes mono orientados trans-
flexíveis, tendo sido diretor geren- versalmente de boa qualidade, está O CERTO É SEALED SAFE
te da Toga (antes da fusão com prestes a se desfazer. Sem dúvi- Na página 6 da edição de outubro
a Dixie, que deu origem à Dixie da o ano de 2006 trará grandes último, o nome do sistema de
Toga) e presidente da Polo Films. novidades nesse setor. Com certe- fechamento da lata do Café Iguaçu,
Atualmente tenho minha própria za verei tudo isso nas páginas de fornecido pela Sonoco For-Plas, foi
empresa, dedicada à representação EMBALAGEMMARCA. citado erroneamente como Sealed
de matérias-primas e equipamen- Carlos Rosa Life, na nota sobre a inovação da
tos para a indústria de embalagens Diretor embalagem do produto. O nome
flexíveis. Sempre me queixei muito Gesmat Assessoria em Negócios correto é Sealed Safe.
de que no Brasil não havia uma boa Alphaville, SP
revista de embalagens, que valesse
a pena ler. Esta lacuna está sendo JORNALISMO COERENTE Mensagens para
EMBALAGEMMARCA
muito bem preenchida por EMBA-
LAGEM M ARCA . Continuem neste
caminho porque vocês estão na
S e a Playboy mostra o melhor
conteúdo, EMBALAGEMMARCA mos- Redação: Rua Arcílio Martins, 53
CEP 04718-040 • São Paulo, SP
direção certa. tra a melhor embalagem. O mínimo
Tel (11) 5181-6533
Marcello P. Brasil que posso dizer da edição de outu-
Fax (11) 5182-9463
Diretor bro é: BRILHANTE. Aproveitei
Charles/Brasil o fim de semana prolongado para redacao@embalagemmarca.com.br
Importação e Exportação colocar a leitura em dia. Só conse-
As mensagens recebidas por
São Paulo, SP gui ler a revista, do começo ao fim.
Até uma simples nota sobre um carta, e-mail ou fax poderão
NÓ GÓRDIO singelo pacote de biscoitos conse- ter trechos não essenciais

A gue ser completa, informando do eliminados, em função do espa-


s edições de EMBALAGEMMARCA design ao fabricante da embalagem. ço disponível, de modo a dar
se sucedem, mas a qualidade, a As matérias, então, vão muito além o maior número possível de
profundidade e a abrangência dos da informação direta, são analíticas oportunidades aos leitores. As
temas se mantêm. A revista tor- e sempre chegam a uma conclu- mensagens poderão também ser
nou-se um importante instrumento são. É o mais coerente jornalismo inseridas no site da revista
na tomada de decisão para quem interpretativo e ético, em um texto (www.embalagemmarca.com.br).
trabalha no segmento da emba- fluente e gostoso de se ler, aplicado

6 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


Estímulo à tomada
de novas atitudes
Em paralelo ao lançamento de
campanha publicitária para
comunicar mudanças de sabor,
a Coca-Cola Light lançou no final
de outubro uma lata comemora-
tiva que permanecerá no merca-
do por quatro meses. Fornecidas

Mudanças de cor sem afetar equities pela Crown Cork e pela Rexam,
as embalagens foram conce-
As embalagens dos bombons pelo novo design da linha, o sabor bidas pela agência Oz Design.
Surreal, da Garoto, ganharam amendoim passou a ser identifi- Ferramenta de apoio à campa-
cores que diferenciam os sabores cado pela cor vermelha, e o sabor nha de estímulo à tomada de
de amendoim, chocolate e avelã. avelã, pela cor branca. A cor mar- atitudes lançada pela marca,
Antes, os filmes de BOPP (poli- rom ficou reservada para os bom- o novo visual traz um homem
propileno biorientado) laminado bons de chocolate puro. Na refor- recebendo aplausos. Na parte
com polietileno, fornecidos pela mulação visual, a empresa afirma de grafismo, a onda de Coca-
Zaraplast, apresentavam variados ter preservado os principais equi- Cola ganhou novas cores, e foi
tons de marrom. Após consulto- ties da marca, como o logotipo e deslocada para frente, enquanto
ria da FutureBrand, responsável o formato da embalagem twist. a palavra “light” aparece menor
e centralizada. As mudanças
também foram impulsionadas
pela expansão do segmento de
refrigerantes de baixa caloria
no Brasil, estimada em 29% em
2004. Líder na categoria, a marca
Coca-Cola Light quer aumentar
sua participação no nicho forma-
do por jovens adultos, principal
público desse tipo de produto,
segundo pesquisas de mercado.

Lata introduz o leite condensado de soja


A Olvebra, empresa
gaúcha sediada em
Eldorado do Sul, está
lançando um produto
que afirma ser pioneiro
no mercado nacional:
leite condensado à base
de soja, com a marca
Soymilke. O produto
mira as pessoas alérgi-
cas ao leite animal e a
seus derivados. As latas
de aço são fabricadas
pela também gaúcha
Bertol, e trazem projeto
gráfico desenvolvido
pela agência A 17.

8 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


Alto relevo e um novo dourado
Reformulados em conjunto pela nhos do ingrediente principal de
agência R1234 Art Design e pelo cada fragrância da linha, ampliada
departamento de marketing da com dois novos aromas – Bouquet
fabricante Unisoap, os cartuchos de Flores e Extratos Vegetais. É a
das versões clássicas do sabonete terceira vez que as embalagens de
Francis agora trazem o logotipo Francis, há 33 anos no mercado, são
do produto em alto relevo e uma redesenhadas. Quem produz os car-
nova tonalidade dourada, mais viva. tuchos é a Romiti, com papel cartão
Ademais, passam a estampar dese- da Suzano.

Maionese Saúde adota stand-up pouch


A Siol Alimentos está
incrementando sua
linha de maionese
Saúde com o lança-
mento de stand-up
pouches de plástico
flexível, nos quais a
imagem de legumes e
verduras ocupa quase
toda a parte frontal e
dá mais destaque à
marca e ao nome do
produto. O visual segue
o mesmo padrão dos
rótulos dos produtos da
linha Saúde. O design
da embalagem foi
desenvolvido pela SPO
Pantani, com suporte
técnico da Embalarte.
O filme de plástico fle-
xível é fornecido pela
Inapel.
Dias quentes mais protegidos
A aproximação das férias o recente lançamento da
de verão aumenta os linha Calamed Kids, de
negócios no segmento produtos para tratamento
farmacêutico, como indica de queimaduras solares
e antialérgicos indicados
para picadas de insetos.
Fabricada pelo Grupo
Cimed, de São Paulo,
a linha é composta por
loção, vendida em frasco
de PEAD, e creme acon-
dicionado em bisnaga de
alumínio. No primeiro caso,
a embalagem leva rótulos
de BOPP da Interpack,
e é fornecida pela BMP
Plásticos, que desenvol-
veu moldes com bordas
onduladas, facilitando
o manuseio na hora do
consumo. Já as bisnagas,
vendidas em cartuchos
cartonados, são fabricadas
pela Impacta. O projeto
Garrafinhas com missão de
gráfico foi desenvolvido ampliar consumo fora do lar
por Moisés Carlos, res- Líder do mercado formado ainda por gar-
ponsável, na ocasião, pelo nacional de chás pron- rafas plásticas de 500ml
departamento de criação tos para beber, com e de 1,5 litro. As novas
do Grupo Cimed. share de 44,6%, a Leão versões foram conce-
Junior ampliou as linhas bidas para facilitar o
Matte Leão e Iced Tea consumo fora do lar no
com o lançamento verão. As garrafas são
de garrafas de PET de sopradas pela RioPet, e
330ml. As novas emba- decoradas com rótulos
lagens completaram o wrap-around de papel
portfólio das marcas, da Gráfica Serena.

Caixa reúne os nobres da Nestlé


Quase dois anos após o polêmico veto à sua intenção de adquirir
a Garoto, a Nestlé lançou uma sofisticada caixa de bombons
no mercado brasileiro. Batizado de Nestlé Noblesse, o produ-
to é vendido em cartuchos de papel cartão produzidos pela
Brasilgráfica. As agências FutureBrand e JWT foram responsá-
veis pelo projeto gráfico, que conta com detalhes em alto relevo
nas ilustrações e logotipos. Segundo a empresa, os produtos ofe-
recem qualidade e preço acessível, trazendo novidades como bombons
de avelã, amêndoa e damasco, além de marcas já conhecidas, como Alpino,
Suflair, Prestígio, Diplomata, Classic ao Leite e Charge. Pesando 300g, a Caixa
Nestlé Noblesse será comercializada nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

10 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


Minas Bom agora tem vaquinha
A RPC Laticínios, do Grupo Casa verde com um pequeno cercado.
Branca, apresentou ao mercado o Nesta embalagem, predominam as
Queijo Minas Bom com nova iden- cores azul e prata, diferenciando-a
tidade visual. As da versão conven-
cores vermelha cional do produto.
e azul ganharam As embalagens,
destaque no selo tradicionais sacos
frontal do rótu- plásticos, são pro-
lo e foi criado duzidas e impres-
um ícone para sas pela Indústrias
a embalagem, Reunidas
uma vaquinha. Maravilha. O
Na versão light, nome, a logomarca
esta é substituí- e a embalagem
da pela imagem foram criados pela
de um campo Fullpack Design.

Lancheiras nas pizzinhas infantis


As minipizzas da linha infantil caixas trazem um brinde de choco-
Clubinho Sadia ganharam novas late. O frango Lequetreque, mascote
embalagens: caixinhas de papel da Sadia, está presente nas caixas,
cartão com alça, produzidas pela que trazem ilustrações dos ícones
Brasilgráfica, que simulam o formato de cada sabor, facilitando a identifi-
de lancheiras. Em seu interior as cação das variantes nas gôndolas.
Catorze fórmulas de Garnier Sabonetes em
A L’Oréal anunciou o lançamento polietileno de alta densidade são kits no baleiro
de novos xampus da linha Garnier fornecidos pela Igaratiba, assim Como opção de presente no fim
Colorama Ultra Natural, com como as tampas. Os rótulos auto- do ano, a OX Cosméticos ofe-
novas embalagens. São catorze adesivos, de papel couché, são rece kits de mini-sabonetes em
fórmulas diferentes, para vários da Prodesmaq. O projeto é da embalagens com quatro opções
tipos de cabelos. Os frascos de Ana Couto Branding & Design. de cores. O baleiro com minia-
turas do OX Sabonete Máxima
Hidratação propõe levar o colo-
rido das balas e confeitos para
as prateleiras dos supermerca-
dos, farmácias e perfumarias.
Os baleiros de vidro, fornecidos
pela Wheaton, vêm armazena-
dos em uma embalagem espe-
cial, no formato de mini-sacola
de polipropileno, produzida
pela Forma Pack, em quatro
diferentes opções de cores: lilás
metalizado, jade, turquesa e azul
safira. O kit é composto por oito
mini sabonetes de 10 gramas,
sendo dois de cada versão:
Lavanda e Vanilla, Oliva e
Aloe, Amêndoas e Castanha
do Pará e Leite e Mel.
Leite condensado para singles
A Parmalat Brasil traz ao mercado das ou caixinha de 395g, só que em uma
regiões Sul e Sudeste a versão inédita porção menor, destinada aos consumi-
para leite condensado da embalagem dores que moram sós (singles).
Tetra Pak de 270g. O produto, nas O leite condensado em novo tama-
marcas Glória e Parmalat é o mesmo nho já vinha sendo comercializado na
encontrado nas embalagens em lata região Nordeste.

Correção: Fragrâncias trocadas


Na nota “Grupo Suissa moderniza rótu-
los”, veiculada na página 7 da edição de
novembro último de EMBALAGEMMARCA, a
informação sobre as fragrâncias das
linhas de desodorantes squeeze saiu
com nomes errados, conforme chega-
ram à redação. Na realidade, os produ-
tos, que adotaram rótulos heat transfer
impressos pela Technopack, estão à
venda nas versões New Musk, Citrus
Green, Audace, Alfazema, Savage,
Topper Sense, Explosion, Special Sports
e Athletics.

12 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


Doses precisas
contra o chulé
Pesquisas indicaram à
Baruel um inconveniente das
embalagens de seu talco
Tenys Pé: o consumidor
desperdiçava considerável
quantidade do produto, que
se espalhava na hora da uti-
lização. Após dois anos de
estudos, foi desenvolvido um
bico dosador para as diver-
sas variantes do produto, de
modo a permitir o controle
de quantidade dispensada.
Como as embalagens do
produto, o novo bico dosador
é produzido pela Vibraço.

Misoginia
quebrada
Um casal protagonizando
cenas tórridas é o destaque
das caixas da nova linha de
cuecas da Mash, a Sensual. De
acordo com Otávio Nazareth,
da Len Design Comunicação,
a inclusão do par visa que-
brar o padrão que permeia os
projetos visuais da categoria
de cuecas, que preconizam
figuras masculinas solitárias nas
embalagens. Afora a inclusão
das imagens do casal, tons
de prata foram empregados
como pano de fundo, com
o propósito de conferir apelo
de nobreza aos produtos. As
caixas também trazem estam-
pados desenhos dos diferen-
tes modelos de cuecas que
compõem a nova linha. Quem
produz as embalagens é a
Gráfica Josar, com papel car-
tão Art Premium de 330g/m²,
da Ripasa. Segundo Marcela
Hara Furmanovich, diretora de
marketing da Mash, as novas
embalagens agregam valor
pesando apenas 0,2% no custo
industrial unitário dos produtos.
fechamentos >>> cervejas

Agora ela abre redondo


Mais um pioneirismo da Skol: tampa de facílima abertura para long neck

E
mbora tenham representado um
inegável avanço em conveniência
para as long necks de cervejas, as
tampas do tipo twist-off, também
conhecidas como rolhas metálicas, protagoni-
zavam cerca de 30% das reclamações registra-
das mensalmente pelo Serviço de Atendimento
ao Consumidor da Skol. Se as queixas não
apontavam o cúmulo da utilização do abridor
numa garrafa planejada para ser aberta só com
as mãos, relatavam inconvenientes como o
uso da barra da camiseta e o pedido de auxílio
de outras pessoas para o acesso à bebida. Esse
feedback motivou a AmBev a promover mais
um pioneirismo de mercado com a Skol, pri-
meira cerveja do mercado nacional a utilizar ESTRATÉGIA –
a lata de aço e a lata de alumínio. As long Com o diferencial
da tampa abre fácil,
necks dessa marca chegam ao mercado com AmBev deseja aumentar
uma nova tampa, batizada de abre fácil, em a liderança de Skol no
substituição à twist-off – que, a propósito, ela segmento de long
necks, hoje em 42%
mesmo introduzira no país, em 1993. desse mercado
Sem encontrar uma opção de migração
satisfatória entre as fornecedoras locais de

DIVULGAÇÃO
tampas, a AmBev resolveu apelar ao santo
de casa. A partir de tecnologia européia, uma
equipe de desenvolvimento da cervejaria ela- favorece esse tipo de solução pelo alto con-
borou um modelo exclusivo de tampa, com sumo de cervejas em apresentações indivi-
29 corrugações, oito a mais que nas twist-off duais. “Sabemos que qualidade e novidade
convencionais. em embalagem são atributos muito valoriza-
dos pelo consumidor, principalmente numa
Maior comodidade categoria de bebidas na qual o consumo se
MENOR IMPACTO –
“Essa construção diminui a área de impac- realiza num momento de relaxamento, que
Elaborada a partir de
to, facilitando a abertura da garrafa”, expli- tecnologia européia, a pede conveniência e comodidade”, entende a
ca Vivian Serebrinic, gerente nacional de abre fácil (abaixo, à esq.) executiva.
apresenta 29 corruga- A troca do fechamento das garrafas single
Inovações da AmBev. Segundo ela, modelos
ções, oito a mais do
similares estão começando a ser utilizados que a tampa antiga serve da líder de mercado Skol é uma ação
em outros países, mas o mercado brasileiro (abaixo, à dir.) estratégica da AmBev. Segundo dados da
própria fabricante, a participação da emba-
lagem long neck nas vendas consolidadas
da marca cresceu 8% de janeiro a julho de
2005, comparando-se com o mesmo período
do ano anterior. Com 32% de share no mer-
cado doméstico de cervejas, a Skol tem uma
liderança mais folgada quando se fala exclu-
sivamente no segmento de long necks. Nesse
nicho, sua participação é de 42%.

14 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


plásticas >>> confecção

Mídia de verão
Após exibir roupas de banho nas lojas,
embalagem de PVC vira minitravesseiro

FOTOS: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

MAIS TEMPO – Reutilização da


embalagem prolonga a exposição
da marca na praia e na piscina

O
calor, os 7 000 quilôme- cionalidade ainda traz como bene-
tros de costa e a presen- fício a maior exposição da marca.
ça de talentosos estilistas A almofada reverte numa valorosa
compõem um mosaico que mídia na beira-mar e nos deques das
explica por que o Brasil é formador de piscinas. “É um investimento que ofe-
opinião quando o asssunto é vestuário rece resultados duradouros”, comenta
de banho. Extrapolando questões de a estilista Paola Robba, proprietária
modelitos e tecidos, uma forte marca da Poko Pano. Aventada pelo depar-
dessa praia, a Poko Pano, mostra que tamento de marketing da confecção, a
também há espaço para ditar inova- idéia do invólucro-travesseiro ganhou
ções no mercado de biquínis, maiôs corpo graças à Taiyo Embalagens e
e sungas através da embalagem. Sua Serigrafia, de Taboão da Serra (SP),
coleção 2005/2006 está chegando às especializada em embalagens inflá-
lojas acondicionada numa embala- veis de PVC. Pausa para uma coinci-
gem flexível de PVC que permite dência: “taiyo”, em japonês, significa
uma inventiva reutilização: quando sol. Tem-se aí um caso de produto
inflada, transforma-se num minitra- cujo perfil se afina ao da fornecedora
vesseiro para os momentos de relax da embalagem.
junto ao mar ou à piscina.
Além de proporcionar um extra
Taiyo Embalagens e Serigrafia
ao consumidor e de ajudar a impedir (11) 4137-1484
o descarte da embalagem, essa fun- www.taiyoserigrafia.com.br
marcas >>> memória

Pioneiro das papinhas


Celebrando 45 anos, cereal infantil ganha latas comemorativas litografadas

E
m 1960 a Nestlé lançou
com a marca Mucilon
um cereal à base de arroz
que acabou desempe-
nhando papel estratégico na trajetó-
ria da empresa no Brasil. Elaborado
para crianças com a partir de seis
meses de idade, o produto é aponta-

FOTOS: DIVULGAÇÃO
do como um dos responsáveis pela
consolidação da categoria baby food
no país. Antes de papinhas e outros
alimentos infantis serem industrializa-
dos em alta escala, os cereais Mucilon
já ajudavam pais e mães em tarefas
como estimular a mastigação de seus
bebês, ensiná-los a comer com colher,
ou mesmo introduzir novos sabores e
texturas em seus cardápios. REEDIÇÃO – Imagem da
Para celebrar seus 45 anos, a linha ganhou primeira lata de Mucilon da Prada. Outro destaque das latas come-
recentemente três latas de aço comemora- e ilustrações antigas que morativas é a impressão litográfica, que, em
decoram as embalagens
tivas que evocam parte de sua trajetória. contraste com as embalagens atuais, decora-
Com plantas próprias que lhe conferem das com rótulos de papel, ajuda a destacar o
o status de um dos maiores fabricantes apelo de edição especial.
de latas de aço para alimentos do país, a
Nestlé optou por encomendar as emba- A origem da marca
lagens comemorativas à Companhia As latas comemorativas estão sendo produzi-
Metalúrgica Prada. Graficamente as latas das em três tons (ouro, prata e bronze). A dis-
exploram ilustrações antigas já usadas tribuição será pontual, mas a duração do pro-
em campanhas promocionais, e ainda jeto e a quantidade de embalagens não foram
trazem o layout da primeira embala- confirmadas pela Nestlé. A ação, no entanto,
gem de Mucilon, marca que hoje permite supor a origem do nome Mucilon.
representa sete cereais infantis. Ocorre que, reeditadas agora, as pri-
Em termos de processo produti- meiras ilustrações do cereal traziam
vo, porém, as latas comemorativas a definição: “Produto especial para
são bastante diferentes daquelas uti- o preparo rápido de mucilagem de
lizadas na década de 60. A começar arroz”. Compartilhando suas cinco
pelo sistema de fechamento, forma- primeiras letras com as da marca de
do por sobretampa plástica e película cereais, a palavra mucilagem é defi-
de alumínio. Empregada nas edições nida nos dicionários como “substân-
atuais de Mucilon e em diversos cia gelatinosa que contém proteína e
outros produtos secos enlatados da própria polissacárides, obtida especialmente
Nestlé, como o achocolatado Nescau, a solu- de invólucros de sementes”.
ção é fornecida pela Sonoco For-Plas. “Mas
a principal diferença em relação às latas
MODERNIZAÇÃo – Aço mais Companhia Metalúrgica Prada Sonoco For-Plas
originais é a espessura do aço, hoje menor”, fino e tampa conveniente www.prada.com.br www.sonofor-plas.com.br
acredita Djalma Carlos, gerente comercial reforçam comemoração (11) 5682-1000 (11) 5097-2750

16 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


making of >>> higiene e beleza

AMBIVALÊNCIA –

FOTOS: DIVULGAÇÃO
Blisters do Kit Rasera
podem ser expostos tanto
em gancheiras quanto
nas prateleiras, em pé

Regionalização sem dor


Blister adapta inovação mundial para depilação aos padrões do mercado local

A
s rotinas atribuladas, ponteadas pela te de marketing da Reckitt Benckiser brasileira.
opressora escassez de tempo, já não Apostando no sucesso dessa novidade junto
são alavancas exclusivas dos negó- à consumidora daqui, a multinacional anglo-
cios em delivery e em fast food. holandesa decidiu lançá-la numa embalagem
Fora das raias da alimentação, o consumo prá- exclusiva, adaptada aos gostos e convenções
tico e rápido tem inspirado até a criação de pro- do mercado interno. Quem amealhou o briefing
dutos para a vaidade. Exemplo é dado pelo Veet dessa tarefa foi a DIL Brands.
Kit Rasera, um inovador lançamento mundial da Marina Sanchez, diretora de atendimento da
Reckitt Benckiser para depilação. Desenvolvido agência, rememora que três premissas básicas
para contornar situações emergenciais, quando a foram estabelecidas como guias para o projeto.
mulher não encontra tempo para programar sua Primeiro, a utilização da transparência, obje-
depilação em salões de estética, o kit consiste tivando a assimilação do caráter inovador do
numa loção de ação rápida acompanhada por lançamento pelo público. Para garantir empatia
uma espátula plástica, que remove os pêlos sem com o alvo do produto, determinou-se o uso de
utilizar lâminas. “Iremos preencher uma lacuna linhas arredondadas, de modo a obter uma peça
do mercado nacional, com a oferta de um depi- com formato feminino e compacto. A versatili-
latório rápido, prático, seguro e de ação tônica dade para exposição foi uma última exigência.
para a pele”, comenta Alexandre Moreno, geren- Somadas às questões de custos industriais, faci-

18 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


lidade de fornecimento, praticidade e segurança,
tais coordenadas levaram a DIL a conceber a
idéia de um blister do tipo cartela e skin com
furações para gancheiras, mas capaz também de
ficar em pé nas prateleiras graças a um apoio em
sua base. “Concluímos que assim o kit poderia
ser colocado tanto em gancheiras próximas às
das lâminas femininas quanto nas gôndolas de
depilatórios, junto a outros cremes, loções e
ceras”, explica Marina. “E essa ambivalência
garantiria conformidade a qualquer canal de
vendas, pois o produto não só seria distribuído
ao grande varejo, mas também às farmácias e a
outros pontos-de-venda menores.”

Ajudas do CAD e da mulher


Com essa idéia, a DIL iniciou a criação estrutural
LEQUE – DIL Brands
da embalagem, num trabalho conjunto de seus Definida a forma, a agência encetou os pro-
criou série de opções de
escritórios de São Paulo e de Santiago, no Chile. estruturas para o blister jetos gráficos da cartela e da bisnaga da loção.
As idéias evoluíram para croquis virtuais com O desafio, nessa etapa, foi estabelecer visuais
o auxílio de duas afamadas suítes de softwares personalizados a partir dos padrões de identida-
para modelagem tridimensional, o Alias Studio C-Pack de que controlam uma marca global como Veet.
e o PTC Pro/ENGINEER. Variadas propostas de (11) 5564-1299 “Fizemos uma transposição utilizando cores
www.c-pack.com.br
formatos foram criadas, das quais o marketing mais chamativas que as das embalagens inter-
da Reckitt Benckiser pinçou as quatro que mais DIL Brands nacionais do produto, mais afeitas aos códigos
lhe agradaram. “Partimos então para a constru- (11) 4191-9711 visuais presentes no Brasil”, conta Marina. A
www.dilbrands.com
ção de mock-ups”, conta Marina. Valorizando o regionalização influenciou na predominância de
adágio do manda quem pode, obedece quem tem Ibratec tons avermelhados, próximos ao magenta, para a
juízo, a Reckitt Benckiser escalou um grupo de (11) 4789-4200 versão Floral, e na de tons de verde para a varian-
www.ibratecgrafica.com.br
consumidoras para opinar sobre os protótipos. te Aloe Vera. Na impressão das cartelas de papel
Os resultados da pesquisa acenaram a uma cartão dos blisters, a Ibratec, de Barueri (SP),
estrutura que dispõe bisnaga e espátula lado a emprega off-set quatro cores no frontal e uma
IMPACTO – Farto
lado, sem alinhá-las. A DIL refinou o conceito no verso. Já as bisnagas plásticas, coextrusadas
material de apoio no
até chegar ao formato definitivo do blister. PDV completou o projeto com polietileno de baixa densidade (PEBD) e
EVOH (copolímero de etileno e álcool vinílico),
são decoradas em dry off-set, com cinco cores
mais verniz brilhante, nas linhas da fornecedora,
a C-Pack, de São José (SC). Detalhe inovador:
esses tubos são fechados com tampas flip-top
de orientação definida, ou seja, o orifício de
abertura fica sempre alinhado ao painel frontal
da embalagem. “Isso transmite uma sensação de
uniformidade do produto nas gôndolas”, divulga
Fabio Yassuda, diretor comercial da C-Pack.
A chave de ouro do projeto foi a criação de
material gráfico de apoio para ponto-de-venda.
A DIL Brands projetou broadsides, lâminas de
vendas, folhetos informativos, displays, faixas
de gôndola e stoppers com take one e gancheiras
para escoltar o Kit Rasera nas lojas. Todas essas
peças destacam imagens da garota Veet, modelo
vencedora de um concurso de fotogenia recente-
mente promovido pela Reckitt Benckiser.

20 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


Mistura na hora exata
Lata inteligente viabiliza bebida antigripal ao formulá-la no momento do consumo

E
m desabalada evolução, o mercado
americano de bebidas funcionais
acaba de abrir espaço a uma novi-
dade cuja embalagem, uma lata de
alumínio, desempenha papel crucial em sua
função, a de prevenir o consumidor de gripes
e resfriados. Acontece que a Defense, da Brain
Twist, é a primeira bebida a ser lançada na
latinha inteligente FreshCan, criada pela Ball
Europe (antiga Schmalbach-Lubeca). Detalhada
numa edição anterior de EMBALAGEMMARCA
(nº 70, junho de 2005), essa embalagem permi-
te que indústrias de bebidas driblem a compro-
vada perda gradual de eficácia que vitaminas
e minerais sofrem em soluções aquosas. Uma
cápsula plástica impermeável no interior da lati-

AÇÃO
nha, chamada FreshCan Wedge, faz com que

LG
o coquetel antigripal efervescente da Defense

: DIVU
– composto por vitaminas C, A, B2 e E, zinco,

FOTOS
pectina e cálcio – se misture ao líquido somente
no momento do consumo.
O segredo do funcionamento da FreshCan
é a diferença de pressão. Quando o consumidor
abre a latinha, a queda da pressão em seu inte-
rior aciona a tampa do compartimento plástico,
liberando os ingredientes funcionais, sensíveis
ATIVAÇÃO – Tecnologia
à água. Segundo a Brain Twist, é necessário
FreshCan garante que
esperar trinta segundos até o suplemento vita- as vitaminas da Defense
mínico dissolver-se adequadamente dentro da sejam misturadas ao
latinha. “O som da cápsula batendo nas paredes líquido somente na
abertura da latinha;
da lata e o barulho da efervescência, na aber- uma cápsula plástica, no
tura, criam verdadeiras referências para nossa interior da embalagem,
marca”, comenta Larry Trachtenbroit, presi- libera os ingredientes
efervescentes (ao lado)
dente e CEO da Brain Twist. Para comunicar a
inovação ao consumidor, as laterais das latinhas
das duas versões da Defense – Laranja e Limão
– estampam ilustrações da cápsula em ação.
Ball Europe
Para os Estados Unidos, a Ball licenciou www.ball-europe.com
a tecnologia FreshCan para a gigante química
alemã Degussa, que criou uma divisão especial Degussa FreshTech Beverages
www.freshcan.com
para prospectá-la ao mercado, a FreshTech
Beverages (a propósito, no site dessa empresa Latapack-Ball
(11) 3040-2800
– www.freshcan.com – há um vídeo mostrando
comercial@latapack.com.br
a latinha inteligente em ação). No Brasil, infor-
mações sobre a tecnologia podem ser obtidas
através da Latapack-Ball.

22 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


feira >>> fispal nordeste

Nordeste, um país a ser de


Com crescimento supe-
rior ao do conjunto do
país, a região tem PIB
próximo ao da Argentina
e situação geográfica
favorável às exporta-
ções. E está recebendo
fortes investimentos em
infra-estrutura
Por Wilson Palhares, de Recife

U
m país ainda não descoberto total- de 25 mil visitantes. A opinião de componentes
mente pelo próprio país. Esse é o desse público, em parte reproduzida a seguir, cor-
nordeste do Brasil, na definição robora a sensação de que a economia do nordeste
do secretário de Desenvolvimento passa por um momento virtuoso.
Econômico, Turismo e Esporte de Pernambuco, Dada sua especialização, EMBALAGEMMAR-
Alexandre Valença, ao referir-se ao potencial de CA dá aqui ênfase a empresas representativas
negócios representado por uma região que tem, da área relacionada a embalagem presentes ao
segundo suas palavras, “um produto interno evento. Embora a Fispal Nordeste tenha como
bruto e uma população quase do tamanho dos da componentes tão ou mais expressivos os setores
Argentina, com localização que a coloca como de alimentos e bebidas (o principal), o de cozi-
privilegiada plataforma de exportação e importa- nhas profissionais e o de processos (que envolve
ção para a Europa e para os Estados Unidos”. tecnologia de automação, logística e matérias-
É uma descrição cujos reflexos puderam primas para alimentos), o campo da embalagem
ser conferidos de forma concreta na terceira demonstra ter muito dinamismo, a ponto de uma
edição da Fispal Nordeste, realizada de 8 a 11 de feira específica, a Embala Nordeste, estar pro-
novembro último no Centro de Convenções de gramada para agosto do próximo ano no mesmo
Olinda (PE). Segundo Marco Mastrandonakis, local (ver quadro na página 27).
diretor comercial da Fispal, o evento, maior nesta Quanto ao alto potencial exportador da
do que em suas duas edições anteriores, reuniu região, fala por ele o fato de estar servindo de
250 expositores fabricantes de equipamentos, mola propulsora ao projeto dos organizadores da
embalagens e insumos para a cadeia alimentícia, Fispal de transformar a empresa, realizadora de
em 10 000m² de área ocupada, gerou estimados feiras, numa agência internacional privada para o
770 milhões de reais em negócios e recebeu mais desenvolvimento do mercado de alimentos, com

24 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


scoberto

FOTOS: DIVULGAÇÃO

o nome de IMA – Instituto Mercadológico das


Américas (ver quadro na página 26).
De resto, as boas perspectivas de crescimen-
to da região são ilustradas pelos expressivos
investimentos que vêm sendo feitos em infra-
estrutura nos Estados nordestinos, especialmente
em Pernambuco, e que trazem em si alto poder
gerador de novos negócios. Nos últimos vinte
meses foram anunciados projetos superiores a 20
bilhões de dólares na região, lembra o engenhei-
ro civil Luiz Moura de Santanna, consultor na
área de projetos de infra-estrutura com escri-
tório em Recife. Dentre eles, Moura destaca a
construção do estaleiro da Camargo Correia
no Porto de Suape e, na vizinhança, do pólo
petroquímico da Mossi & Ghisolfi, que a mul-
tinacional de origem italiana anuncia como a
maior fábrica de resina PET do mundo.
A propósito, esses dois empreendi-
mentos foram invariavelmente citados nos
depoimentos de expositores ouvidos por
EMBALAGEMMARCA. Veja a seguir alguns des-
ses testemunhos.

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 25


Tecnologia e inovação
“O principal motivo de nossa presença na feira
é a parceria que há muito tempo mantemos com
os organizadores da feira, cuja sacola oficial é
fornecida por nós. Viemos como apoiadores.
Viemos também fazer prospecção de possíveis
clientes e ver como trabalham. Percebemos
que os fornecedores são conservadores no
atendimento regional, nota-se que há espaço
para diferencial tecnológico e inovação. Essa
situação pode representar uma oportunidade,
mas não foi possível identificar se o cliente
potencial percebe e paga por isso. A maioria
dos produtos de consumo é apresentada em
embalagens flexíveis, devido certamente ao NORVINCO - lizando os custos de logística e distribuição.
Modernidade e
baixo poder aquisitivo e de consumo da popu- investimento
Gerenciamos o estoque do cliente, garantindo
lação da região. No entanto, percebe-se que, em diferenciais uma reposição ágil, graças a reservas estra-
criando-se diferenciais, produtos locais têm tégicas de matéria-prima. Com isso, embora
oportunidade de ganhar outros mercados. É o convivamos com a super oferta que se nota em
que busca a Antilhas, que não tem por alvo o todas as áreas, a empresa cresce ao ritmo do
mercado de commodities.” nordeste, que mostra níveis superiores aos dos
Maurício Groke, diretor índices nacionais. Os investimentos que vêm
comercial da Antilhas sendo feitos na região vão gerar mais empre-
gos e, conseqüentemente, mais consumo. Dá
Aposta na região para notar esse clima nesta feira.”
Uma empresa que investe em diferenciais e Jurg Hassenstein, diretor comercial da
aposta na região é a Norvinco, moderníssi- Norvinco – Indústria de Embalagem
ma indústria de caixas de papelão com sede Nordeste Ltda.
em Maceió, Alagoas. Seu diretor comercial
sintetiza a filosofia de trabalho da empre- Porta de entrada
sa: “Trabalhamos com o foco do cliente, “O mercado do nordeste cresce cada vez mais.
compreendendo as particularidades de seus É a terceira vez que a Caeté (de Campo Bom,
produtos e desenvolvendo embalagens com RS) vem para a Fispal Nordeste, além de par-
soluções inovadoras e econômicas, raciona- ticipar da Fispal de São Paulo. Atendemos o

Nova força para as exportações com alto valor agregado


Além de mostrar o vigor eco- criador da iniciativa e também nos últimos cinco anos este-
nômico da região, a Fispal fundador da Fispal, Ricardo ve na Companhia Siderúrgica
Nordeste serviu como plata- Santos Neto, um dos alvos Nacional (CSN), foi escolhido
forma de lançamento do pro- iniciais do IMA será o mercado como diretor de integração e
jeto de criação do Instituto étnico representado por lati- desenvolvimento comercial do
Mercadológico das Américas nos e negros que moram nos IMA. Entre suas atribuições há
(IMA). Sintonizada com a meta Estados Unidos. o desafio de contribuir para o
da Fispal de ir além do negócio Durante a Fispal Nordeste, desenvolvimento de novos par-
de organização de feiras, repo- a idéia foi apresentada ao ques industriais no Brasil, inte-
sicionando-se como uma agência Secretário de Produção Rural de grando-os ao mercado externo,
privada de desenvolvimento do Pernambuco, Ricardo Rodrigues, principalmente com os Estados
mercado de alimentos, a enti- que a avaliou positivamente, Unidos. “Queremos que o Brasil
dade visa contribuir para que destacando a possibilidade de deixe de ser um fornecedor de
o Brasil consolide-se como um abertura de novos mercados commodities e as transforme
exportador de manufaturados para os produtores locais. industrialmente, com valor agre-
com valor agregado. Segundo o O economista Sérgio Iunis, que gado e qualidade”, ele resume.

26 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


mercado regional com papel cartão há cinco tos, vem crescendo. Tanto é que a empresa
anos, sobretudo em camarão, que foi nossa está estudando a possibilidade de montar
porta de entrada no mercado. A empresa é bem uma planta na região, possivelmente no sul
sucedida devido à qualidade e à logística que da Bahia.”
oferece. Com a parceria que mantemos com a José Djair dos Santos Lima, gerente
Ripasa, estamos abrindo novos mercados na de vendas da Zaraplast S/A.
área, em cujo crescimento apostamos firme-
mente.” Sul-sudeste saturado
Jorge Luiz de Oliveira, diretor “Hoje, cerca de 25% de nossa capacida-
comercial da Caeté Embalagens de de produção é voltada para o nordeste.
Percebemos que o potencial da região está
Valor agregado crescendo, ao contrário do que ocorre no
“O Nordeste já é realidade em si e para a mercado do Sul-sudeste, que está de certa
Narita, que já tem máquinas roll label colo- forma saturado. A cada ano mais indústrias se
cadas na região. A indústria da região está estabelecem na região. Está ocorrendo uma
agregando valor, por isso estamos lançando descentralização das indústrias usuárias de
aqui nossa linha MZ. Participamos sempre da embalagens e de fabricantes de embalagens,
Fispal Nordeste.” entre elas as de flexíveis, razão por que a
Alessandro Carlo Angeli, diretor presidente Abief criou coordenadorias regionais, uma
da Narita Indústria e Comércio Ltda. delas no Nordeste.”
Rogério Mani, diretor comercial do Grupo
Mais uma fábrica Sol e presidente da Abief – Associação
“Já estamos muito presentes no Nordeste, cujo Brasileira da Indústria de Embalagens
mercado, principalmente no setor de alimen- Plásticas Flexíveis

Mira no embalo
Um coquetel realizado no dia 27 de
setembro num espaço de eventos
na praia de Boa Viagem, no Recife,
serviu de tiro de largada para uma
feira que também irá mirar a dinami-
zação dos negócios em embalagens
no Nordeste brasileiro, a Embala
Nordeste. O evento acontecerá de 14
a 17 de agosto de 2006 no Centro
de Convenções de Pernambuco, e
conta com apoio do governo daquele
Estado. Segundo André Mozetic, dire-
tor da Greenfield Business Promotion,
empresa organizadora da feira, a
Embala Nordeste será uma chance de
modernização de linhas de embalagem
para as indústrias da região. “Cerca
de 68% dos principais grupos indus-
triais já aportaram na região, que é a
segunda maior consumidora de emba-
lagens do país”, afirma o profissional.
A expectativa é que o evento gere
negócios da ordem de 350 milhões
de reais. Maiores informações podem
ser obtidas em www.embalaweb.com.
br ou pelo telefone (11) 5184-1515.

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 27


Presença ao lado Cargas perigosas em questão
A Braskem irá abrir uma filial na Motivo de apreensão de setores embalagem, fazer a certificação agora
Argentina em 2006. Sob o nome
como o de tintas e vernizes (ver significa sair de uma fila e chegar aos
Braskem SRL, a empresa irá comer-
EMBALAGEMMARCA nº 72, agosto de seus clientes antes da concorrência”,
cializar resinas termoplásticas no país
2005), a Resolução 420 da Agência argumentou Sérgio Couto, sócio-diretor
vizinho, que hoje é atendido por um
distribuidor, a Altaplastica. “Queremos Nacional de Transportes Terrestres da Concepta. Marcos Barradas, respon-
melhorar a margem na venda interna- (ANTT), órgão vinculado ao Ministério sável pela área de produtos perigosos
cional”, afirmou José Carlos Grubisich, do Transporte, foi tema de um evento do Inmetro, informou que outros labo-
presidente da Braskem. realizado no fim de outubro em São ratórios, além da Concepta, irão realizar
Paulo. Organizado pela Concepta, até a certificação de embalagens. Segundo
Grande marca agora o único laboratório acreditado ele, a publicação oficial da Resolução
A consultoria de estratégia e gestão de pelo Inmetro para a certificação de 420 deveria ocorrer até o fim de novem-
marca FutureBrand BC&H anunciou que embalagens de produtos químicos bro, com o estabelecimento de um
irá fechar 2005 com crescimento 24% e derivados – que será obrigatória, prazo para as empresas certificarem
maior que o do ano passado. A agên-
conforme a nova regulamentação –, o suas embalagens para cargas perigo-
cia, que em 2002 era formada por 42
encontro reuniu pessoal do Inmetro e da sas. Esse prazo ainda não havia sido
pessoas, hoje conta com 84 colabora-
Cetesb (Companhia de Tecnologia de definido. A tendência é que ele varie de
dores, e é a subsidiária da FutureBrand,
companhia controlada pelo grupo IPG Saneamento Ambiental) para esclare- 12 a 18 meses.
presente em mais de vinte países, que cer as indústrias. “Para o fabricante da (11) 6604-7106 • www.concepta.com.br
mais cresce – já responde por 7% das
receitas líquidas da multinacional.

Bemis muda
A americana Bemis, controladora da
Dixie Toga no Brasil, anunciou a trans-
ferência de sua sede corporativa de 37,4%
FONTE: CETESB

Minneapolis, no Estado de Minnesota,


das emergências ambientais
para Neenah, no Wisconsin. Jeff Curler, envolvem acidentes no
CEO da Bemis, explica que a mudança, a transporte rodoviário de
ser consolidada até maio de 2006, visa carga perigosa
“manter o time executivo mais próximo
das maiores operações da companhia”.

Ambiente bom
A fabricante de resinas termoplás-
ticas Politeno conquistou, pelo quin-
to ano consecutivo, o Prêmio Sesi de Fusão cria Sidel mais abrangente
Qualidade no Trabalho (PSQT-catego-
Após concluir a aquisição da fabri- Ela terá 5 000 funcionários, escri-
ria regional), em 2005. A premiação é
cante de máquinas de enchimento tórios em trinta países e sedes em
baseada em pesquisa sobre o grau de
satisfação dos funcionários, segurança Simonazzi junto ao grupo suíço SIG, Le Havre (França) para o sopro de
e relacionamento. Nos últimos cinco a Tetra Laval iniciou em outubro embalagens e em Parma (Itália) para
anos a petroquímica aplicou 1,3 milhão a fusão desse negócio com outra enchimento. Cinco marcas serão tra-
de reais em programas de treinamen- importante marca de equipamentos balhadas pela nova empresa: Sidel
to e qualificação profissional de seus de embalagem de seu portfólio, a (sopro), Simonazzi (enchimento),
empregados. Sidel. “A união permitirá aos clien- Gebo (transportadores), Alfa (etique-
tes dirigir-se a um único fornecedor tadoras) e Cermex (empacotadoras e
Aniversário para satisfazer as necessidades de encaixotadoras). “Através delas nós
A subsidiária brasileira da fabricante envase de todos os tipos de líquidos cobrimos, com tecnologia de ponta
japonesa de rolamentos NSK está com- alimentares, em garrafas de plástico, e renome, todos os equipamentos-
pletando 35 anos. Entre outros setores,
de vidro ou em latas”, afirma Gérard chave das linhas de envasamento”,
a empresa fornece soluções para indús-
Stricher, presidente da nova com- diz Stricher.
trias petroquímicas, de papel e celulose
e de vidro e cerâmica. panhia, que manterá o nome Sidel. (11) 3783-8814 • www.sidel.com

28 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


Caixinha, nova vítima de e-mail apócrifo Wal-Mart abraça
Meses atrás fora a latinha de alumínio
culpada por casos fatais de leptospi-
número estampado na base das caixi-
nhas indicaria a quantidade de “recau-
bandejas verdes
rose. Agora, quem estrela uma sinistra chutagens” do produto, numa escala Em mais um reflexo da alta dos pre-
história que circula por correio ele- que vai até 5 – quão maior o número, ços do petróleo, o Wal-Mart anun-
trônico é a embalagem longa vida de maior seria o risco de o leite coalhar ciou que bandejas termoformadas
leite. Segundo o e-mail, caixinhas de e menor o seu teor nutricional (veja a com a resina NatureWorks PLA,
leite encalhadas nas lojas retornam às imagem). Ofertas atraentes nos super- produzida a partir de amido de
fábricas para uma “repasteurização”, mercados, diz a mensagem, seriam de milho, serão utilizadas nas lojas de
sendo então distribuídas novamente leites de número 4 e 5. Em resposta, sua cadeia Sam’s Club. Inicialmente
ao varejo. O autor, anônimo, avisa: um a Tetra Pak esclarece que o alerta essas embalagens irão acondicionar
não passa de um hoax, ou seja, uma frutas e hortaliças. “Com a mudança
lenda urbana popularizada pela inter- iremos economizar o equivalente a
net. “Tal operação seria impossível, 800 000 galões de gasolina por ano
até porque o preço da embalagem é e diminuir as emissões de gases
bem maior que o do produto”, afirma danosos ao ambiente”, diz Matt
o presidente da Associação Brasileira Kistler, vice-presidente de marcas
de Produtores de Leite, Jorge Rubez. próprias do Sam’s Club. “Além de
A Tetra Pak informa: o número de 1 a ser uma fonte natural renovável a
5 acima do seqüencial é impresso na cada ano, o milho tem um preço
ocasião da produção da embalagem estável há décadas”, afirma Dennis
e refere-se ao seu posicionamento na McGrew, vice-presidente de marke-
bobina a partir da qual ela é formada. ting da NatureWorks LLC, empresa
(11) 5501-3200 originária da parceria que a Cargill
www.tetrapak.com.br e a Dow costuraram no início de
2000 para a comercialização da
“O tempo médio do design dos produtos, que resina verde.
www.natureworksllc.com
antes era de dez anos, diminuiu para quatro
ou cinco anos. A concorrência cresceu e a
toda hora há novidades, o que exige renovação
periódica das embalagens para a manutenção
da competitividade”
De Ricardo David, gerente de engenharia da Sinimplast, sobre a
atualização das embalagens dos xampus Seda, da Unilever, uma das
principais marcas atendidas pela transformadora, com 20 milhões de
frascos de polietileno de alta densidade fornecidos por mês

Estímulo a projetos do bem


A Abief – Associação Brasileira da criação de projetos sócio-ambientais
Indústria de Embalagens Plásticas específicos para a indústria de emba-
Flexíveis anunciou a criação de uma lagens plásticas flexíveis. A Abief tam-
parceria com o Plastivida – Instituto bém apresentou, no mesmo evento,
Sócio-ambiental do Plástico durante um vídeo institucional do setor, que
um evento de fim de ano, realizado traça um panorama da indústria de
no dia 16 de novembro em São flexíveis no Brasil dos pontos de vista
Paulo. Segundo Rogério Mani, presi- mercadológico e tecnológico.
dente da Abief, a idéia é estimular a (11) 3032-4092 • www.abief.com.br

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 29


tendências e perspectivas 2006

A roda produtiva tende


Além de uma análise conjuntural favorável ao desempenho do varejo, EMBALAGEMMARCA
Por Leandro Haberli (*)

A
cada ano, particularmente neste da reportagem especial sobre Tendências e
período em que as empresas se Perspectivas na área, elaborada regularmente
dedicam a organizar os passos a nesta época do ano, listou alguns pontos aos
dar no exercício seguinte, reforça- quais será interessante estar atento em 2006.
se a convicção de que os homens de negócios Relacionados antes ao universo dos profissio-
no Brasil são mesmo grandes especialistas em nais de marketing do que ao dos economistas,
administração. Afinal, mais para bem do que esses fatores muitas vezes refletem uma das
para mal, eles conseguem levar adiante seus principais preocupações de quem atua no ramo
empreendimentos, num país em que as crises de embalagem: as mudanças de comportamen-
políticas desabrocham espontaneamente ou to do consumidor.
por semeadura de protagonistas interessados Porém, os possíveis cenários do ano vin-
acima de tudo na própria carreira e na própria douro não são traçados apenas com base em
bolsa; em que as garantias jurídicas a inves- eventuais ou já confirmados desempenhos
timentos ficam à mercê dos humores, não do de produtos nas gôndolas. Esta edição de
reto julgamento, de altos magistrados; e em Tendências e Perspectivas também preten-
que os comandantes do barco têm – quando deu buscar nos indicadores econômicos algum
têm – precários planos de navegação. Ante tal embasamento para suas análises. Longe de
quadro, não podendo definir direções com base querer prever com precisão decimal o desem-
em diretrizes, números e estatísticas confiáveis, penho do país em 2006, a escolha dessa meto-
resta aos empresários e executivos tentar detec- dologia justifica-se pela possibilidade de ajudar
tar movimentos e estabelecer possíveis ações na sinalização de caminhos e na identificação
para quando eles ocorrerem. de oportunidades de negócios.
A fim de ajudá-los nessa tarefa, identifican- A partir das diferentes projeções e expecta-
do inclinações e oportunidades para a cadeia tivas macroeconômicas levadas em considera-
de embalagem, esta sétima edição sucessiva ção, pode-se concluir que, da mesma forma que

32 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


a girar com mais força
traz a seguir sete pontos aos quais será interessante estar atento em 2006

no final do exercício anterior era esperado um considerar que em 2006 teremos eleições, tam-
2005 sem grandes surpresas e com crescimen- bém essa afirmação parece demasiada. Mas os
to, o panorama para o próximo ano é positivo. dados que a nutrem são variados, e, à medida
Isso também fica claro na entrevista da página que indicam projeções relativas ao desempe-
42, com o economista Salomão Quadros, da nho do varejo, podem ser significativos tam-
Fundação Getúlio Vargas. A reforçar o otimis- bém para o mercado de embalagem.
mo há um conjunto de indicadores econômicos No campo conjuntural as boas notícias
que, a despeito da crise política com a qual o começam pela inflação, que fecha 2005 giran-
Brasil convive há mais de seis meses, está entre do em torno de 5%, com previsões de que não
os melhores desde que o serviço Tendências e ultrapassará 4,5% em 2006. No universo das
Perspectivas foi publicado pela primeira vez, gôndolas, esse panorama não favorece apenas
em dezembro de 1999. idas mais freqüentes aos supermercados, dado
o fim da necessidade de fazer compras em
Enfim uma base grandes volumes como forma de blindar-se
Apesar do balanço favorável, soa extravagante contra a rápida desvalorização da moeda. O
a idéia de que “nunca tivemos uma conjuga- controle inflacionário também tende a apadri-
ção de fatores tão positivos neste país desde a nhar a disseminação de embalagens menores e
época de JK”, como declarou recentemente o produtos fracionados.
presidente Lula. Mas, descontados com gene- Num outro flanco da conjuntura macroe-
rosidade os abalos de credibilidade, as incerte- conômica, é digno de comemoração o início
zas de sempre e as que ganharam força com as da queda dos juros, ainda que a velocidades
denúncias de corrupção, pode-se até dizer que bem menores do que as desejáveis. De todo
o país começou a construir uma base para dei- modo, as taxas estavam a 25% dois anos atrás,
xar de ser “eternamente emergente”, tomando e agora orbitam ao redor de 18%. Ainda são
emprestada outra declaração presidencial. A se altas, mas a perspectiva é de queda progressi-

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 33


tendências e perspectivas 2006
va. No mercado de embalagem esse processo venda de bens semiduráveis e não duráveis,
pode refletir-se de forma mais visível no nicho para os quais as embalagens representam de
de equipamentos. Os fabricantes nacionais forma efetiva o tão comentado papel de ven-
poderão concorrer de forma mais competitiva dedor silencioso. Se tudo der certo, a massa
com as máquinas de embalagem asiáticas, que salarial crescerá 5% em 2006. Tal desempenho,
chegam a ser compradas por aqui pelo preço somado ao crescimento do emprego formal
do aço fundido no Brasil. O panorama de juros em níveis superiores ao do emprego informal,
em queda poderá refletir ainda nos índices de resultaria no terceiro ano de crescimento con-
consumo, puxando para cima o desempenho secutivo da massa salarial, algo que não ocorria
do varejo em geral. desde os primeiros anos do Plano Real.
Infelizmente as boas notícias são acom- No balanço de perdas e ganhos, é corrobo-
panhadas por conhecidos aspectos negativos. rada a tese de que teremos um ano melhor. É
É o caso do nada animador desempenho do claro que celebrações antecipadas sempre exi-
PIB. Poderá fechar o ano próximo a módicos gem grandes doses de cautela. O alto custo do
2,5%, 3%, depois de ter sido redimensionado crédito, por exemplo, poderá continuar repre-
para baixo em decorrência de um desenro- sando investimentos. Porém, nesse campo des-
lar econômico negativo no terceiro trimestre. pontou outra aparente boa notícia: no ranking
Para muitos analistas não há motivos dos países preferidos pelas empresas
para vislumbrar desempenho muito Embora o PIB de 2005 estrangeiras para investimentos dire-
superior em 2006. É algo indiscutivel-
tenha sido redimensionado tos, o Brasil ocupa o quinto lugar.
mente decepcionante quando se pensa Fica a esperança de que isso favoreça
que países também classificados como para baixo em decorrência investimentos na área de embalagem.
emergentes, como a Índia e a pró- de um desenrolar Venha de onde vier o dinheiro, é
pria vizinha Argentina, conseguiram desejável que diminua a distância
econômico negativo no
converter a abundância de liqüidez que separa o Brasil da China, país
internacional em fortes taxas de cres- terceiro trimestre, em 2006 que no mesmo levantamento ocupa a
cimento de seus produtos internos, a massa salarial poderá primeira posição, seguido de Estados
superando a barreira dos 8%. crescer pelo terceiro ano Unidos, Índia e Rússia.
Outro aspecto que preocupa é a A despeito de todas as adversida-
valorização do real, com o comporta- consecutivo, algo que não des, se não há no ar motivos para altas
mento do câmbio começando a minar ocorria desde os primeiros doses de otimismo, na análise fria dos
uma das principais forças motrizes da anos do Plano Real números os indícios de que a roda
economia brasileira. Recorde-se que produtiva irá girar com mais força
nos últimos meses o ritmo de crescimento das em 2006 são inequívocos. Compartilhando
exportações diminuiu. Como resultado, depois essa esperança, a seguir são destacados dife-
de acumular alta de 90% nos últimos três anos, rentes fatores que no entendimento da equipe
as exportações poderão estacionar em 2006. de EMBALAGEMMARCA merecem atenção dos
Tal estagnação tem potencial para influir profissionais de embalagem no decorrer dos
negativamente na indústria de embalagem, que próximos meses. Obviamente, eles não che-
vinha aproveitando a onda de exportação para gam perto de encerrar todas as oportunidades
aumentar as vendas de sistemas com maior que o próximo ano trará.
valor agregado e até de embalagens vazias já Outra ressalva é que muitos desses pontos
acabadas para o exterior. De modo particular, já são bem conhecidos pelos leitores, e até
o setor de papelão ondulado, responsável pela foram temas de reportagens recentes publica-
produção de boa parte das caixas de despacho das pela revista. No entanto, dada a possibi-
usadas em ações de exportação, também pode lidade de se tornarem potenciais geradores de
ser afetado na eventualidade de um arrefeci- negócios em 2006, o reforço à memória pode
mento das vendas lá fora. ser útil. Para facilitar, o trabalho foi organizado
A contornar esses e outros malogros há a agrupando-se situações, ou “pontos”, aos quais
expectativa de maior recuperação do empre- convém dedicar especial atenção – sem, é
go e da renda, que beneficiaria diretamente a claro, descuidar do trivial.

34 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


20 bilhões de dólares por ano em solo ian-
 Contract packaging que, conforme situa a consultoria Packaging
Se ainda não obteve êxito em sua consagra- Strategies.
ção como importante voz política mundial, Diante da expectativa de que essa prática
um objetivo governamental dos últimos cinco cresça a taxas médias de 15% pelo menos
anos, o Brasil se alinhou definitivamente, nesse nos próximos cinco anos, a edição de 2005 da
mesmo período, ao cenário global do negócio feira americana de embalagens Pack Expo Las
de embalagens. Prova disso é que hoje dezoito ALVO DAS ATENÇÕES – Vegas até inaugurou um espaço exclusivo para
dos vinte maiores grupos mundiais de emba- Visitantes da Pack Expo ela, o Contract Packaging Pavillion.
Las Vegas no pavilhão
lagem estão presentes no país. Em 1999, eles dedicado ao outsourcing Para os especialistas do PMMI – Packaging
eram dez. Dada essa inserção, as tendências de
embalagem dos grandes centros têm pousado
por aqui com maior velocidade.
Nessa medida, o próximo ano poderá ser
decisivo para um movimento ruidoso nos paí-
ses mais industrializados, mas que no Brasil
dá seus primeiros passos: a terceirização dos
serviços de embalagem. Não se fala em outra
coisa nos Estados Unidos. Motor de um negó-
cio denominado contract packaging pelos
americanos, o outsourcing em embalagem (não
só prestações de serviços, mas até a alienação
temporária de linhas inteiras de acondicio-
namento de produtos) já movimenta mais de

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 35


tendências e perspectivas 2006
Machinery Manufacturers Institute, a entidade
PROMOCIONAIS – Embalagens alusivas à Copa da
organizadora da Pack Expo, a onda da tercei- Alemanha: grandes oportunidades em 2006
rização de serviços de embalagem faz todo
sentido. “As indústrias entregam todas as pre-
ocupações com acondicionamento e produção
de recipientes e envoltórios às contratadas,
podendo dedicar maior tempo àqueles que
devem ser seus verdadeiros focos, a pesqui-
sa, o desenvolvimento e o fortalecimento de
marcas”, entende Bob Risley, presidente do
conselho consultivo do PMMI. Certos sinais

FOTOS: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY


de que 2006 pode ser o ano do tapete esten-
dido ao contract packaging vêm sendo dados
nos últimos meses. A paulistana Arco Convert,
conhecida prestadora de serviços da área de
embalagens flexíveis, acaba de inaugurar seu
sistema “a fasson” (do francês “sob encomen-
da”) de impressão em rotogravura, capaz de
atender altas tiragens em até oito cores. Meses já começaram a intensificar as promoções
atrás outra empresa, a Extol, de Salto (SP), comerciais associadas às partidas, tendo nesse
estreou na área de terceirização de acondicio- tipo de ação a embalagem como mídia funda-
namento de cosméticos e de itens de higiene mental, que fala diretamente com o consu-
pessoal, como cremes dentais. midor. As empresas que querem colocar a
Como não poderia deixar de ser, essa ten- estratégia em prática podem ser ajudadas
dência já tem seus reflexos na área de hardwa- por algumas recomendações.
re. O contract packaging faz crescer a deman- Segundo especialistas, os prazos envol-
da por equipamentos mais enxutos e flexíveis vidos na viabilização de uma ação dessa
– principalmente impressoras e rotuladoras natureza constituem fator determinante para
versáteis, capazes de trabalhar com múltiplos alcançar bons resultados. Nesse sentido, as
substratos, formatos e sistemas, adaptadas a empresas que pretendem explorar visual-
pequenas tiragens, que garantam ligeiras confi- mente a Copa do Mundo nas embalagens
gurações e trocas de serviço e cujo desembolso de seus produtos devem se apressar. Muitas,
seja amortizável em curto prazo. Para as pres- por sinal, já fizeram isso. A Gerência Nacional
tadoras de serviço, essas máquinas significam de Promoções Comerciais (GEPCO), órgão da
a aptidão para atender as variadas necessidades Caixa Econômica Federal (CEF) responsável
da clientela. pela expedição da autorização de promoções
Outro fator que sorri ao outsourcing em comerciais, já estaria analisando um número de
embalagem diz respeito aos serviços tempo- processos consideravelmente elevado para esta
rários e sob demanda. Assim, embalagens época do ano. Conseqüentemente, muitos inte-
promocionais também poderão impulsionar de grantes da cadeia do packaging, especialmente
modo efetivo o contract packaging no Brasil. nas áreas de rótulos, latas de alumínio, tampas
e frascos plásticos, já iniciaram a produção de
edições comemorativas à Copa do Mundo.
 A força da Copa Materiais, efeitos e acabamentos especiais,
como hot-stamping e tintas iridescentes, podem
Ações promocionais representam um dos ser uma boa maneira de diferenciar produtos e
movimentos mais previsíveis no varejo em sistemas de acondicionamento destinados a
2006, ano em que será realizada a Copa promover a distribuição de prêmios, por exem-
do Mundo da Alemanha, em junho próximo. plo. Em termos de decoração de embalagem, o
Visando ao aumento da visibilidade de suas uso de heat shrink labels também deve conti-
marcas, principalmente fabricantes de bebidas nuar crescendo em 2006, apoiado não apenas

36 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


pelas promoções ligadas à Copa do Mundo,
mas também pelo aumento da produção e da
importação de filmes termoencolhíveis, num
movimento que foi visível também em 2005.
Outra dica para as empresas usuárias de
embalagem é que, além do prazo, é preciso
considerar o que pode e o que não pode ser
feito, em matéria legal, na concepção de uma
promoção comercial. “Se as questões legais
não forem observadas na ponta do lápis a
empresa poderá não obter a autorização da
CEF”, declarou a advogada Vanessa P. B.
Fonseca, especialista no tema.

 Perfis específicos
A importância de públicos diferenciados no
faturamento das empresas explodiu nos últi-
mos anos, e tende a crescer ainda mais em
2006. Tudo indica que a disseminação de con-
sumidores com perfis específicos, a exemplo
dos acima de 50 anos, ou mesmo daqueles que
moram sós, os chamados singles, irá demandar
quantidades crescentes de embalagens com
características especiais. Nesse cenário, um
movimento de mercado que tende a recrudes-
cer no ano que vem é o de bebidas e alimentos
orgânicos.
O consumo desses produtos, que hoje vão
de vinhos e cervejas a óleos, carnes, ovos e
sucos, aumenta 30% a cada ano, apesar de o
preço ser a partir de 30% mais caro que o dos

ORGÂNICOS – Vidro e rótulos termoencolhíveis pegam


carona no crescimento do setor

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 37


tendências e perspectivas 2006
produtos convencionais. O fenômeno poderá
abrir mais espaço para embalagens elaboradas
a partir de materiais ambientalmente corretos,
a exemplo dos plásticos de rápida degradação
e dos cartões reciclados. Na parte de flexíveis,
a onda natural também pode favorecer ainda
mais os filmes de BOPP fosco, que estão em
evidência no mercado de snacks. No caso de
bebidas orgânicas, nota-se ainda uma clara
preferência por embalagens de vidro, que pode
significar mais fôlego para o material na dispu-
ta com garrafas plásticas e latas. CONVENIÊNCIA –
Outro importante nicho que deve demandar Públicos cada vez mais
produtos e embalagens com características segmentados abrem tipo de solução, da mesma forma que as
caminho para fecha-
especiais é o de consumidores maduros. No mentos mais práticos mudanças na maneira como as pessoas con-
Brasil já há mais de 27 milhões de pesso- somem possivelmente farão os fabricantes
as acima de 50 anos, com de bens de consumo buscar
perspectivas de aumento nos tampas e selos mais e mais
próximos anos. Estima-se que convenientes. Essa tendência
esses consumidores injetam deve ser impulsionada ainda
na economia até 30 bilhões de pelo crescimento das vendas
reais por mês. Mercados como de produtos fracionados, que
o de cosméticos já perceberam podem ser mais difíceis de
a importância do filão, e vêm abrir porque em seus sistemas
apostando, por exemplo, em de fechamento há menos área
cremes anti-sinais específicos de superfície para agarrar.
para quem já atravessou a bar- A multiplicação de peque-
reira dos 50. nas e rápidas refeições e a
Um dos aspectos que deve consolidação do chamado
pesar cada vez mais no desenvolvimento de MIRINS – Além de consumo nômade também merecem atenção.
movimentar licenciamen-
embalagens voltadas a públicos maduros é a tos, produtos infantis Tudo indica que tais mudanças aumentarão a
maior conveniência de consumo. Boa parte favorecerão ainda mais busca por embalagens que sejam fáceis de abrir
as porções menores
da responsabilidade cabe aí a sistemas de enquanto se dirige um carro ou se caminha pela
fechamento de fácil abertura. Aliás, além de rua, por exemplo. Outra tendência auspiciosa
ampliarem espaço para licenciamentos de mar- está ligada à chamada “geração canguru”.
cas e personagens, os lançamentos que miram Trata-se de jovens adultos que, a despeito
as crianças também poderão dinamizar esse de terem alcançado independência financeira,
ainda moram com os pais. Sem a responsabi-
INSTANTÂNEOS
Mercado de lidade de arcar com as despesas de uma casa,
refeições rápidas têm a possibilidade de gastar boa parte do que
sinaliza oportunidades
para cadeia de embalagens recebem em supérfluos, de alimentos e bebidas
a eletrônicos e roupas. Portanto, estratégias
voltadas a esse crescente nicho poderão render
bons negócios.

 Varejo baixa renda


A despeito das expectativas de que o cenário
formado por juros mais baixos, inflação sob
controle e expansão do PIB acima de 3% favo-

38 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


recerá o aumento da massa salarial em 2006,
o interesse das empresas pelos consumidores
com menor poder aquisitivo deve continuar
crescendo. Representando 77% da população
brasileira, as classes C, D e E têm confirmado
para muitas empresas a tese de que as camadas
de baixa renda concentram hoje as melhores
oportunidades de crescimento.
Convém olhar com crescente atenção o
mercado nordestino, que definitivamente pare-
ce estar entrando numa fase promissora, como
foi possível observar durante a terceira edição
da Fispal Nordeste, realizada em Olinda (PE),
em novembro último (ver reportagem na pági-
na 24). A população da região, sempre classi-
ficada como “grande potencial de consumo”,
vem sendo beneficiada por novas realidades
econômicas e acostumando-se a hábitos de
consumo bem diferentes dos vividos dez anos
atrás, embora o poder aquisitivo da maioria
ainda esteja distante do desejável.
Nesse quadro, o setor que tem possivel-
mente mais motivos para celebrar a crescente CONTENÇÃO – Renda a percepção de que os filmes plásticos podem
espremida favorece setor
importância do varejo de baixa renda é a de flexíveis (foto no alto ser favorecidos pela relevância das camadas de
cadeia de flexíveis. Compensando a ressal- da página), e também menor poder aquisitivo é visto nas gôndolas
amplia espaço para
va do aumento de preço dos filmes num embalagens com menos
de achocolatados. A versão pouch de alguns
cenário de agravamento da crise do petróleo, produto acondicionado desses produtos destaca a economia em relação
as embalagens flexíveis mantêm o apelo de aos potes plásticos. No caso de marcas líde-
alternativa mais econômica a outros materiais res, estratégias semelhantes também poderão
de acondicionamento. Pegue-se o exemplo ganhar força como forma de frear as investidas
dos cereais matinais que nos últimos anos dos chamados produtos de combate.
foram lançados sem os tradicionais cartuchos A atividade do setor de flexíveis ainda pode
cartonados. Apresentando-se aos consumido- ser puxada pelo aumento da produção de emba-
res apenas com invólucros plásticos flexíveis, lagens do tipo refil, outra forma de oferecer ao
esses produtos multiplicaram-se nas gôndolas, MAIS EM CONTA – Apelo consumidor produtos mais em conta. Um dos
de venda dos invólucros
e tendem a crescer ainda mais no campo das do tipo refil também sistemas beneficiados por esse movimento é
marcas intermediárias. Outro caso a reforçar pode ganhar força o de stand-up pouches. As estruturas flexíveis
com base sanfonada vêm sorrindo ao aumen-
to do uso de embalagens do tipo refil, como
provam algumas marcas de ceras líquidas.
Do mercado de home care, aliás, vem outra
demonstração da necessidade de oferecer pro-
dutos mais econômicos, mesmo em se tratando
de marcas líderes. Na área de limpeza domés-
tica embalagens plásticas rígidas também são
FOTOS: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

vendidas como invólucros do tipo refil, cuja


diferença em relação às apresentações tradicio-
nais pode restringir-se à ausência de acessórios
como gatilho de aplicação.
Somado à renda espremida, um leque de
oferta de bens de consumo e serviços cada

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 39


tendências e perspectivas 2006
vez maior também pode acelerar novidades de mais e mais sofisticação. Por sinal, esses produ-
embalagem. Um dos desafios dos fabricantes tos alcançaram no Brasil um estágio que espe-
de produtos não duráveis é manter cativos cialistas vêm definindo como “segunda gera-
consumidores que abrem mão de determina- ção das marcas próprias”. Além de itens com
dos alimentos e bebidas para custear gastos vários posicionamentos de preço, fabricados
crescentes com telefonia, tevê por assinatura também pelas grandes indústrias, e não apenas
e internet. Para lidar com esse público, as por pequenos fornecedores, essa condi-
empresas têm buscado reduzir custos, apos- ção inclui o incremento de novas cate-
tando no barateamento do preço unitário de gorias de produtos. Entre elas, Roberto
seus produtos. Tem ficado claro, no entanto, Nascimento, diretor nacional de marcas
que ações dessa natureza nem sempre ocor- próprias da rede americana Wal Mart,
rem em detrimento da qualidade. Nessa que recentemente lançou um livro sobre
medida, tal tendência torna ainda mais o assunto, aponta o segmento de beleza e
promissoras as embalagens individuais e as higiene pessoal como um dos que apre-
porções menores. sentam maior campo de crescimento para
os rótulos das redes de varejo. Para ele,
com a multiplicação e a profissionalização
 Rótulos
los do varejo das redes de drogarias, as cestas de produ-
tos de higiene pessoal com marcas próprias
Ao lado do crescente foco na qualidade tendem a ter aceitação crescente entre os
e nos investimentos em marketing como consumidores brasileiros.
forma de fidelizar clientes, a progressiva par-
ticipação das marcas próprias no faturamento
das redes varejistas só tende a aumentar ainda  Fracionáveis
mais a importância desse filão. Nos próximos
dois anos é previsto que as marcas próprias
representarão 10% da receita dos supermerca-
dos no país. É um salto e tanto, considerando
que em 2003 a participação desse tipo de pro-
dutos no varejo brasileiro girava em torno de
5%. A continuidade da evolução dos rótulos de
redes de varejo, que lá fora têm sido importan-
tes estimuladores dos serviços de terceirização
de embalagem, também poderá sorrir ao cres-
cimento do contract packaging no Brasil.
Terceirizadas ou não, as embalagens das
marcas próprias do varejo buscarão transmitir
SINAL VERDE –
Laboratórios estão
autorizados a produzir
medicamentos
fracionados

No campo de embalagens farmacêuticas, um


movimento ao qual convém ficar atento em
2006 diz respeito à venda de remédios fracio-
STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

nados no Brasil. No final do segundo trimestre


TENDÊNCIA – Para deste ano a Agência Nacional de Vigilância
especialista, marcas Sanitária (Anvisa) autorizou o comércio
próprias devem
multiplicar-se nas de medicamento em embalagens unitárias.
redes de drogaria Apenas recentemente, no entanto, os remédios
fracionados começaram a ser produzidos no
Brasil, a princípio por uma única empresa far-

40 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


macêutica. Em novembro último o laboratório
IMINENTES – Nova geração
Medley lançou o antibiótico cefalexina, tradi- de rotuladoras pode
cionalmente vendido em embalagens mínimas dinamizar adoção de
sistemas RFID na
de oito comprimidos, em blisters fracionáveis. cadeia logística
Pioneira no Brasil, a estratégia abarcou ini-
cialmente a produção de 2 000 unidades. O
teste não vai servir só para analisar o perfil do
consumidor, mas também a capacidade de as
farmácias se adaptarem à venda do fracionado.
A comercialização de medicamentos em emba-
lagens com menos unidades tem sido feita em
pouquíssimos lugares. Enquanto os laborató-
rios têm de pedir autorização para a Anvisa, o
aval às farmácias é concedido pelas vigilâncias tificação por radiofreqüência (RFID, na sigla
sanitárias locais. Apesar das dificuldades para em inglês) comecem a ser adotadas de modo
se obter o sinal verde das autoridades, a expec- gradual nas caixas de despacho, tornando-se
tativa é que esse modelo de negócios cresça um instrumento de apoio aos profissionais de
no Brasil, dinamizando a demanda de embala- logística. O movimento já foi iniciado lá fora,
gens, especialmente de blisters, pela indústria especialmente na Europa e nos Estados Unidos.
farmacêutica. No Brasil espera-se que o RFID finalmente
ganhe algum fôlego em 2006. Fabricantes de
rotuladoras, por sinal, já começaram a oferecer
 Smart packs equipamentos capazes de aplicar os circuitos
nas etiquetas, o que pode acelerar a adoção da
Se há no mercado de embalagens previsões que tecnologia na cadeia de embalagens.
não envolvem risco de erro, a de que o futuro Quanto a novos materiais de acondicio-
sorri aos acondicionamentos inteligentes é pro- namento, pairam expectati-
vavelmente uma delas. Numa visão abrangen- vas promissoras em torno da
te, o conceito pode abarcar desde microchips nanotecnologia. O desenvol-
aplicados em rótulos a materiais de acondi- vimento de produtos baseados
cionamento capazes de prolongar o prazo de em técnicas capazes de mani-
validade de um alimento, ou ainda indicar pulações no nível molecular
quando o produto acondicionado encontra-se promete revoluções impen-
com alguma característica não desejável. sáveis até pouco tempo atrás.
No caso da rotulagem, a expectativa é de Nessa perspectiva, é aguar-
que as etiquetas dotadas de sistemas de iden- dada a adoção no Brasil das
chamadas embalagens ativas,
FOTOS: DIVULGAÇÃO

isto é, que podem mudar de


cor, absorver oxigênio, elimi-
nar odores ou mesmo moni-
torar modificações de umidade e temperatura PRECISÃO MOLECULAR –
Oferta de materias de
no ambiente. A reforçar essa expectativa há embalagem elaborados
diferentes lançamentos nacionais de tintas e com nanotecnologia deve
crescer em 2006
plásticos elaborados com nanotecnologia, na
maioria das vezes como resultado de parcerias
tecnológicas entre empresas e universidades.
As aplicações industriais desse tipo de mate-
rial podem começar a acontecer em 2006,
mesmo que em pequenas escalas.

LÁ FORA JÁ É REALIDADE – Etiquetas inteligentes


(*) Colaborou Guilherme Kamio
tendem a tornar-se comuns nas caixas de despacho

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 41


tendências e perspectivas 2006 >>> entrevista

“Tudo aponta para a expansão,


mas sem motivo para euforia”

O
ito anos atrás, a Abre – Associação Brasi- De fato, a pesquisa prevê um 2006 menos favorável. O oti-
leira de Embalagem costurou um convênio mismo empresarial realmente diminuiu. No entanto, acho
com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) que é preciso levar em conta que essas impressões foram
para que esta passasse a realizar acom- colhidas num momento péssimo, logo após uma produção
panhamentos regulares do desempenho muito fraca no terceiro trimestre e ainda sem indicativos
econômico do setor de embalagens. A parceria deu início de grande progresso e compensações no quarto trimestre.
a uma tradição: a divulgação dos balanços do instituto de A situação empresarial foi fotografada num momento
economia em cafés da manhã promovidos pela entidade de ruim, e entendo que um pouco do sentimento momentâneo
classe. Esses eventos adquiriram caráter obrigatório para os pode estar sendo projetado para o futuro. Se as condições
grandes tomadores de decisão da indústria de embalagem atuais prevalecerem, realmente poderemos não ter um ano
e, em conseqüência, começaram a atrair também altos exe- melhor. Mas tudo indica que elas não irão se prolongar
cutivos das indústrias usuárias de embalagens. Para se ter em 2006. Primeiro, porque o Banco Central sinaliza que
idéia, a mais recente edição desse encontro, realizada em os cortes na taxa de juros irão prosseguir. Embora eu não
agosto num hotel em São Paulo, contava com lotação total acredite que o BC será mais audacioso, cortando mais
de suas cadeiras. que meio ponto por vez, como muita gente pede, também
Quem costumeiramente comanda essas apresentações é o acho que o ritmo dos cortes não irá desacelerar. Mesmo
economista Salomão Quadros. Há 25 anos na FGV, na qual com o conservadorismo dessa gestão econômica, acho que
hoje ocupa o posto de coordenador de Análises Econômicas, poderemos chegar ao meio de 2006 com uma taxa até três
Quadros desenhou para EMBALAGEMMARCA um quadro dos pontos abaixo da atual. Isso fará diferença, irá melhorar o
prováveis rumos macroeconômicos para 2006, ilustrando clima entre o empresariado e irá ajudar um pouco mais nos
como eles poderão incidir sobre o negócio de embalagens investimentos.
no Brasil. Vacinado pelo desempenho ciclotímico de 2005,
o profissional repele qualquer euforia para o próximo ano, A política de juros transformou-se num emblema das dis-
mas crê num cenário melhor. “O clima é de ceticismo, mas cussões sobre política econômica, mas outras variáveis
um 2006 mais favorável é exeqüível”, ele entende. parecem caminhar num sentido positivo para a conjuntura
em 2006, não é?
Uma recente sondagem conjuntural realizada pela FGV Sim. Além da questão dos juros, teremos inflação em queda
junto a 1 015 indústrias revelou pouco otimismo em e, quiçá, uma política fiscal que, sem afetar a credibilidade
relação ao próximo ano. A maior parte do empresariado que tem dado ao país, consiga gerar alguma expansão com
mostra-se menos confiante que no fim de 2004, e não uma gestão melhor dos gastos, com definição de projetos.
espera mais que um crescimento moderado dos negócios O nível de emprego, sobretudo o emprego formal, não
em 2006. O senhor compartilha dessa sensação quanto ao sofreu nenhuma interrupção, a massa salarial continua
provável desempenho do exercício que se aproxima? crescendo... O petróleo, depois de subir boa parte do ano,

Salomão Quadros, coordenador de Análises


Econômicas da Fundação Getúlio Vargas,
antevê as possibilidades macroeconômicas e
da cadeia de embalagem para o próximo ano
DIVULGAÇÃO

42 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


tendências e perspectivas 2006 >>> entrevista

no último mês e meio já vem numa fase de ligeiro recuo, de. Mesmo que se compensem as quedas de volume com
mostrando que não vive uma escalada sem fim, ininterrup- preço, a tendência é que a coisa não cresça muito, ou que
ta. No cenário internacional as coisas estão bastante razo- até termine empatada. Para o mercado interno, porém, o
áveis. Muitos países emergentes estão em situação melhor câmbio valorizado afetou os custos de matérias-primas de
que a do Brasil. Com a alta do petróleo e um superávit modo geral, e nisso o setor de embalagens teve um alívio
no balanço de pagamentos fantástico, a Rússia está muito importante neste ano. Então, o câmbio depreciado não
bem. A China não pára de crescer. No outro córner, os impacta decisivamente o negócio de embalagens pelo lado
Estados Unidos estão conseguindo das exportações diretas e barateia
tourear a situação do petróleo subin- “A taxa de juros tende os insumos, mas em contrapartida
do gradativamente sua taxa de juros. estreita o canal indireto de vendas
Em suma, os planos interno e exter- de embalagens que são as exporta-
no mostram condições favoráveis,
a recuar ainda mais, a ções em geral. Há vantagens e des-
embora sempre tenhamos de levar vantagens, mas, num balanço final,
em conta imprevisibilidades, fatores inflação está em queda, o uma certa desvalorização cambial
que podem surpreender. acaba sendo melhor para o setor de
câmbio tende a desvalori- embalagens, como para o grosso das
Se de fato o viés de queda da taxa grandes atividades industriais.
de juros se mantiver, é possível pre- zar, o nível de emprego se
ver uma desvalorização cambial, o Muita gente entende que o dólar
que muitos setores produtivos estão
rezando para que aconteça...
manteve e a massa salarial baixo foi o fiel da balança para o
desempenho do segmento de emba-
Diversos setores vêm se queixando, lagens plásticas neste ano, compen-
e com razão, da forte apreciação do continua crescendo. sando os preços em alta do petróleo,
câmbio. O câmbio está bom para já que as resinas são cotadas na
determinadas atividades, mas está O cenário externo vai moeda americana. O senhor inter-
influindo em baixa competitividade preta a situação dessa maneira?
dos manufaturados. Há uma liga- razoavelmente bem e a Nos últimos três meses os preços
ção imediata entre taxa de juros e das resinas voltaram a subir, mas,
taxa cambial. Os juros internos estão alta do petróleo arrefeceu. se olharmos desde o início do ano,
recuando e as taxas internacionais os preços desses materiais caíram.
estão subindo, ainda que moderada- Mesmo com a alta do petróleo, a per-
mente. Com o diferencial em queda,
Os sinais são bons” formance das embalagens de plás-
a atratividade do capital, sobretudo o de curto prazo, tico em 2005 é uma surpresa positiva. É difícil explicar,
arrefece. Se as coisas caminharem nos parâmetros atuais, até porque ainda não fizemos uma análise rigorosa do ano
a tendência é que os investidores estrangeiros mais con- inteiro, mas acho que os desempenhos em baixa de outros
servadores passem a considerar que o esgarçamento do setores podem ajudar a entender o bom ano para os plás-
diferencial da taxa brasileira e da americana não faça valer ticos. O setor de embalagens metálicas, por exemplo, vem
a pena correr riscos. Acredito que vamos sentir nos primei- caindo o ano todo. Já estava fraco o ano passado e este
ros três meses do ano que vem uma pequena mudança da ano sua situação se agravou. Segundo nossas previsões, a
taxa de câmbio. No entanto, quando as eleições se aproxi- produção de metálicas será 6% menor que a de 2004. Daí
marem, com todas as incertezas que ela traz, podemos ter ser possível que o plástico venha se favorecendo de espa-
alguma surpresa na área cambial. ços não cobertos pelas latas, de migrações de apresentação
em linhas de produtos. O setor de plásticos fechará o ano
Falando especificamente do setor de embalagens, essa com o melhor desempenho na indústria de embalagens.
esperada depreciação cambial será mais benéfica ou Embalagens de madeira também terão bom resultado, mas
prejudicial? madeira é residual, pesa 2% na receita do setor. O setor
Convém observar que embora as exportações sejam mais importante, o que mais vende, representativo de 35%
importantes e estratégicas, elas ainda pesam muito pouco da indústria de embalagens, é o de plástico. Esperamos um
no desempenho do setor de embalagens. O setor exportou crescimento consolidado de 5% para esse setor neste ano.
no ano passado perto de 300 milhões de dólares, e neste
ano talvez exporte até um pouquinho menos, porque todas Continuemos a falar da indústria de embalagens. No
as manufaturas estão sofrendo com falta de competitivida- evento de apresentação do balanço do desempenho dessa

44 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


área no primeiro semestre, feita em agosto, em São até por isso as estimativas para o PIB foram revisadas.
Paulo, sob encomenda da Abre – Associação Brasileira O setor de embalagens voltou a cair depois de quatro
de Embalagem, o senhor disse que o setor provavelmente trimestres consecutivos de crescimento. Os bens não durá-
fecharia o ano de 2005 com um crescimento tímido, abai- veis, que se utilizam muito de embalagens, tiveram forte
xo dos 2%. Aquela estimativa será concretizada? desaceleração em setembro e outubro. Mas a desacelera-
O segundo semestre de 2004 havia sido muito bom, com o ção de embalagens foi muito mais forte que a da maioria
setor de embalagens crescendo a taxas de dois dígitos em dos outros setores. Então, aquela previsão de que o setor
alguns meses, e por isso esperávamos uma desaceleração poderia fechar o ano ainda com evolução na faixa de 1,5%,
da atividade neste ano. Eu já alertava, no início do ano, por exemplo, já não vai se verificar. Não vai haver tempo,
que aquelas taxas eram insustentáveis. Só que imaginá- mesmo que possamos ter no último trimestre do ano uma
vamos que o ano iria começar com 4,5%, desacelerando nova recuperação. Vivemos nesse ziguezague.
gradativamente. Aí veio um primeiro semestre com cres-
cimento muito baixo, de pouco mais de 1% em relação Se a maior consumidora de embalagens, a indústria de
ao período anterior. Soubemos que as projeções mais alimentos, vive uma retração, como mostram as pesquisas
positivas não iriam se verificar, e aí surgiu uma dúvida: o da FGV, é certo esperar a continuidade de bons ventos
primeiro semestre era uma decorrência normal posterior a para os setores de farmacêuticos e cosméticos e perfuma-
um período de muito aquecimento, antecedendo um ajuste ria, que seguraram em boa parte a receita da indústria de
e a retomada da trajetória, ou a coisa já entrava numa área embalagens em 2005?
de turbulência? Em agosto eu achava que a coisa estava Tudo indica que esses desempenhos irão continuar. Mas
mais para o primeiro cenário, até porque eu já dispunha uma coisa vem me chamando a atenção. Como todas as
dos dados do segundo trimestre apontando uma melhora, atividades da economia, o desempenho dos principais
um crescimento de 2,6% – a impressão era de que depois usuários de embalagem sofreu com o terceiro trimestre,
dessa freada meio brusca nós já estaríamos voltando à vida mas criou-se um descolamento muito grande entre esses
um pouco melhor. Mas o terceiro trimestre foi terrível, e setores e o setor de embalagens. Veja só: enquanto a área

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 45


tendências e perspectivas 2006 >>> entrevista

de embalagens teve uma queda de 3,4%, alguns setores de ter expansão das operações de crédito consignado, ou seja,
não duráveis experimentaram um crescimento de 2,5%, de venda de não duráveis, pois a renda da população con-
3%. Grosso modo, enquanto usuários crescem três pon- tinua crescendo – meio que vegetativamente, é verdade,
tos, os fornecedores caem três pontos. É difícil entender. porque o país cresce devagar. Nessa medida, o negócio de
Embora ambos andem no mesmo sentido, o da desacele- embalagens não viverá nada de extraordinário no ano que
ração, as magnitudes são muito diferentes. Uma possível vem. Podemos dizer assim: em 2005 poderemos ficar mais
interpretação para isso é que, com o desaquecimento do que num zero a zero, com crescimento positivo, porém
primeiro trimestre, que o pegou no muito pequeno. No ano que vem
contrapé, é possível que o setor de “O negócio de embalagens poderemos ter um cenário expansi-
embalagens tenha ficado excessiva- vo, mas sem espetáculo.
mente estocado. Então, no decorrer
do ano, em vez de atender à deman-
não viverá nada de O senhor já abordou, rapidamen-
da com nova produção, tentou-se te, uma outra componente que irá
atendê-la utilizando um pouco dos extraordinário no próximo influenciar o desempenho econô-
estoques que foram se acumulan- mico em 2006, ainda que não seja
do no primeiro trimestre. Observei ano. Em 2005 poderemos estritamente da área econômica: as
que várias empresas de embalagem eleições. Observa-se que uma par-
utilizaram essa estratégia de ir bai- ficar mais que num cela considerável do empresariado
xando os estoques antes de retomar já se mostra apreensivo, lembrando
a produção. Por isso, creio que a
demanda um pouco maior no quarto
zero a zero, com das turbulências ocorridas em 2002.
O senhor acredita que o processo
trimestre já irá pegar os fornecedores eleitoral de 2006 poderá refletir na
de embalagem numa posição mais crescimento positivo, conjuntura econômica de modo tão
ajustada de estoques. Como dois pesado e negativo como sucedeu
terços da indústria usam estoques, a porém muito pequeno. quase quatro anos atrás?
variável estoque é muito importante Todo ano eleitoral traz incertezas que
para explicar esse tipo de descasa- No ano que vem é provável podem refletir em um pouco de risco
mento que às vezes acontece entre o para a economia. Mas este ano pro-
setor que demanda com o setor que um cenário expansivo, porcionou um bom teste para 2006.
fornece. Não temos uma instabilidade política
própria de uma véspera de eleição,
De qualquer forma, parece que os
mas sem espetáculo” mas pôde-se fazer um ensaio, até
setores de medicamentos e de produtos de beleza estão porque o que está acontecendo já tem a eleição como
mais blindados à crise. Nesse sentido, o setor de emba- motivação. E a economia está aí. Não podemos dizer que
lagens pode seguir tentando equilibrar a equação pro- ela passou totalmente incólume, pois não há capacidade
dução e receita explorando ainda mais esses mercados? para saber se a desaceleração que aconteceu no terceiro
O investimento em embalagens de maior valor agregado trimestre deu-se totalmente independente da política ou se
pode ser uma saída para os negócios dos grandes grupos as incertezas políticas contaminaram de algum modo as
de embalagem? decisões econômicas. É possível, embora não tenhamos
Acredito que sim. Estamos vindo de dois anos de expansão uma medida muito precisa e saibamos que houve razões
da renda, de expansão do emprego. Com isso, as possibi- econômicas para essa desaceleração. Mas, em suma, não
lidades de consumo também vão melhorando, as pessoas há motivo para enfrentarmos nada parecido a 2002, porque
vão colocando em dia seus atrasos de consumo, adquirem lá o país enfrentou uma incerteza política sem um emba-
produtos de maior valor adicionado. Veja, estou fazendo samento econômico. Ainda tínhamos déficit no balanço de
uma análise estritamente qualitativa, desprovida de núme- pagamentos e o ajuste que tinha começado tempos atrás,
ros como alicerces e sem base para cálculos, mas entendo com a flexibilização do câmbio, foi parcial. Já tivemos um
que esse raciocínio é correto. Na verdade, é impossível mega-déficit em transações correntes. Agora não. O Brasil
esperar uma explosão no consumo de bens não duráveis, vai entrar no ano eleitoral com um resultado em conta cor-
porque eles não são alavancados por crédito. As vendas de rente sem precedente, de pelo menos 10 bilhões de reais.
bens duráveis, os investimentos e todos os mercados de Mesmo que enfrentemos uma turbulência, uma fuga de
produtos de consumo planejado sofrem oscilações, mas o capital, a repercussão será menor. Óbvio que não podere-
consumo de não duráveis é distribuído. Continuaremos a mos baixar a guarda. Fiquemos atentos.

46 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


tendências e perspectivas 2006 >>> artigo

O alerta das embalagens


Alfried Karl Plöger*

O
mercado mundial de embala-
gens movimentou 459 bilhões
de dólares em 2004, devendo
crescer cerca de 4% ao ano até
2009, quando, estima-se, atingirá 556 bilhões
de dólares. Os dados constam de estudo
mercadológico que acaba de ser divulgado
pela Pira International e a World Packaging
Organization (WPO). Chamam atenção, no
relatório, as previsões relativas ao cresci-
mento na Índia (14,2% ao ano, chegando a
13 bilhões de dólares em 2009) e à China
(8,2% e 51 bilhões de dólares, respectiva-
mente). Na Europa Central e Oriental, o
mercado de embalagens da Polônia é o que
deverá ter crescimento mais rápido (11% ao

ILUSTRAÇÃO: HIROSHI TANIGUTI


ano), galgando ao patamar de 6 bilhões de
dólares em 2009. A Rússia, porém, continua-
rá liderando o segmento na região, com 18,5
bilhões de dólares naquele ano.
No Brasil, que não aparece no documen-
to da Pira divulgado em seu site mundial,
o crescimento do setor de embalagens em alimentos, produtos de higiene, eletroeletrô-
2004 foi de aproximadamente 19%. No caso nicos e todos os itens que precisam de invó-
específico das embalagens de papel e cartão, lucro para chegar ao consumidor final.
produzidas pela indústria gráfica, o fatura- Então, é inevitável perguntar: será que,
mento subiu de 920 milhões de dólares, em diante das mazelas político-econômicas da
2003, para 1,15 bilhão de dólares em 2004. Nação, continuaremos crescendo menos do
Em todo o mundo, segundo o estudo inter- que nossos concorrentes na economia glo-
nacional, o papel e o cartão são os materiais bal? Vejamos o que nos dizem os números
mais utilizados para a produção de embala- mais recentes da produção industrial como
gens e seu consumo com esta finalidade, em um todo: o Indicador do Nível de Atividade
2004, movimentou 176 bilhões de dólares. (INA) da Fiesp e do Ciesp registrou, em
O crescimento médio previsto é de 4,2% ao julho último, na comparação com junho,
ano, com resultado estimado em 216 bilhões recuo de 1,4%, sem ajuste, e 2,5%, com
de dólares em 2009. ajuste. O mesmo índice, em agosto, foi pífio,
Considerando que a indústria gráfica apontando crescimento, em comparação ao
brasileira como um todo e a de embalagens, mês anterior, de 4,4%, sem ajuste, e de ape-
em particular, não deverão repetir neste e nas 0,9%, com ajuste.
nos próximos exercícios os resultados de Contudo, há outras razões mais especí-
2004, torna-se preocupante a previsão de ficas para nos preocuparmos ao comparar
crescimento, neste segmento, dos mercados alguns dados do estudo da Pira e da WPO
da China e da Índia. Primeiramente, porque com estatísticas da Associação Brasileira
as embalagens são termômetros de toda a da Indústria Gráfica (Abigraf). Tal análise
economia. Ou seja, sua produção cresce na sugere que se acendam as luzes de aler-
proporção em que se expande o consumo de ta. O primeiro documento aponta aumento

48 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


expressivo da produção de embalagens na à defesa dos interesses dos cidadãos, dos
China; na análise de desempenho do setor setores produtivos e da sociedade. Não se
no primeiro quadrimestre de 2005, a Abigraf pode tolerar um hiato de governabilidade
registra significativa redução das vendas de 15 meses, até a posse do novo governo
externas de embalagens, um dos principais e instalação da próxima legislatura federal,
produtos da pauta de exportação da indústria em janeiro de 2007. É muito tempo de
gráfica brasileira, em especial paralisia para um país que
caixas e cartonagens dobráveis ainda não venceu a batalha
de papel ou cartão. No primei-
“No caso das embala- do desenvolvimento. A rotina
ro quadrimestre de 2005, as gens produzidas pelo nacional não pode limitar-se à
exportações desses itens totali- displicência, à chanchada bra-
zaram 4,8 milhões de dólares, setor gráfico, não há siliense e ao constrangimento
ante 19,7 milhões de dólares dúvida de que a indústria com os quais corrompidos e
em igual período de 2004, com corruptores expõem este país
recuo de 75,4%. Uma das prin- chinesa do segmento ao mundo. Que se apurem
cipais causas dessa queda foi já está no vácuo das rigorosamente os fatos e se
o aumento da participação da punam os culpados, mas que
China no promissor mercado. concorrentes brasileiras, se mantenha a agenda mínima
Evidencia-se, no caso, um
efeito direto da política de
beneficiando-se de de governança e trabalho par-
lamentar.
câmbio sobrevalorizado, que seus ‘diferenciais É preciso auscultar o con-
não atinge as commodities e teúdo dos estudos econômicos
os produtos com preços inter-
competitivos’ e de e os diagnósticos dos setores
nacionalizados, mas prejudica nossas fraquezas” de atividade. A embalagem é,
muito alguns segmentos espe- hoje, item de imensa impor-
cíficos. Também fica claro o quanto é difí- tância nas distintas cadeias produtivas. Além
cil competir com economias artificialmente de facilitar o fluxo do consumo, contribuir
reguladas, manejadas pelo orçamento estatal, para toda a operação logística e garantir a
poluídas por subsídios e estimuladas por qualidade dos produtos, ainda agrega valor e
salários simbólicos. Afinal, a análise correta é importante como ferramenta de marketing
de estudos e estatísticas permite delinear com e fator de decisão de compra na ponta do
clareza o movimento dos mercados, diagnos- varejo. Além de tudo isso, as embalagens
ticar causas e identificar onde o Brasil está veiculam agora, a quem interessar possa,
perdendo espaço e competitividade. importante mensagem de alerta, alusiva aos
No caso das embalagens, particularmente números e estatísticas nacionais e interna-
as produzidas pelo setor gráfico, o cruza- cionais. A propósito: quem é mesmo que
mento de todos os dados não deixa dúvida de queria reconhecer a China como economia
que a indústria chinesa do segmento já está de mercado?
no vácuo das concorrentes brasileiras, bene-
ficiando-se de seus “diferenciais competiti-
vos” e de nossas fraquezas, como o câmbio,
os juros altos, os impostos exagerados, o
mensalão, o mensalinho e a eterna dificul-
dade de realizar as reformas necessárias ao
estabelecimento de um duradouro ciclo de
crescimento.
A Nação, em especial nos momentos *Alfried Plöger é presidente da Abigraf
em que o Estado encontra-se mais frágil Regional São Paulo (Associação
no plano moral e ético, tem de impor as Brasileira da Indústria Gráfica) e da
virtudes da democracia, reivindicando com Associação Brasileira das Companhias
legitimidade que as instituições voltem-se de Capital Aberto (Abrasca).

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 49


metálicas >>> pet food

A hora dos gatos


Depois dos cães, felinos ganham ração seca em
lata de aço com fechamento especial

S
e a primazia foi canina, a vez é feli-
na. Que se explique. Nos últimos
quatro anos algumas rações secas
para cães ganharam o mercado em
latas de aço. Agora, pela primeira
vez, uma opção dessa natu-

O
reza chega para atender os

Ã
LGAÇ
gatos adulados pelos brasi-

: DIVU
leiros. A novidade em ques-

FOTOS
tão é a linha de rações secas
super premium Ciclos Gatos,
da Socil, empresa pertencente
ao grupo francês Evialis. Ela
chega aos supermercados e ao
chamado varejo pet acondiciona- EXIGÊNCIA – Segundo
da na lata de aço com sistema de a Socil, lata de aço
fechamento Bat-plus, da Brasilata. ajuda a preservar o
sabor e a textura
Conforme explica a fabrican- da ração seca, fator
te, a comercialização de alimentos importante para
para felinos de estimação em lati- gatos, animais de
paladar aguçado
nhas faz todo sentido. “Gatos são
animais muito seletivos e enjoam dos
alimentos com facilidade”, afirma a
coordenadora de veterinária da Socil,
Daniela de Brito. “Como a lata propicia dos sete anos. Todas trazem informações nutri-
alta proteção contra a umidade, a ração cionais em quatro idiomas (português, espa-
se mantém sempre seca e crocante, o que nhol, inglês e francês), uma vez que a linha é
é importante para esses animais no quesito exportada para o Chile, a Venezuela e alguns
palatabilidade.” João Vicente Tuma, diretor países europeus. Segundo a gerente de expor-
da Divisão Alimentícia da Brasilata, lembra tação da Brasilata, Camila Trujillo, algumas
ainda que a lata oferece conveniência na amostras, com a marca Socil, já foram enviadas
hora de servir o produto. Um anel em formato aos Estados Unidos e as negociações com atu-
de funil direciona a saída da ração, ajudando a antes do mercado de pet food desse país “são
evitar desperdícios. Além disso, a tampa plásti- promissoras”.
ca com alça incorporada permite abrir e fechar Lançada em meados de 2004, a Bat-plus já
a lata repetidamente, preservando o alimento acumula uma série de prêmios de embalagem,
após sua abertura. Brasilata tendo sido utilizada no acondicionamento de
Decorada em litografia, as embalagens são (11) 3871-8500 detergente em pó, lava louças e alimentos.
apresentadas em três versões que distinguem as www.brasilata.com.br A própria Socil já a adotara numa ração para
fases da vida do animal: Croissance, de cor lilás e cães, a Croc Baby Vegetais, em maio deste ano
impressão em cinco cores, para filhotes com até (lançamento detalhado em EMBALAGEMMARCA
um ano de idade; Adulto, de cor pink e impressão nº 71, julho de 2005), com capacidade de 900g.
também em cinco cores; e Senior, de cor amare- Atualmente ela é a única usuária dessa lata no
la e impressão em seis cores, para gatos a partir segmento de pet food.

50 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


celulósicas >>> pet food

Ceia dos
cachorros
Edição natalina de ração inova
com cartucho “para presente”

O
s cães – por que não? – também
merecem seu repasto de Natal. É
o que propõe a fabricante paulista
de rações premium Premier Pet.
Acontece que a empresa está lançando uma
edição especial natalina de sua família de rações
Premier Ambientes Internos, dirigida a cães que
vivem dentro dos domicílios, em contato íntimo
com seus donos (os componentes nutricionais
dessa linha prometem uma pelagem mais
saudável e fezes em menor volume e com odor
reduzido). E, sob o espírito de regalo de fim
de ano, ainda que para animais de estimação, a
novidade chega às lojas num cartucho de papel
cartão de formato inovador, que faz as vezes de
um verdadeiro embrulho de presente.
Confeccionado pela Gonçalves Indústria
Gráfica, de Barueri (SP), o recipiente cartonado,
para 1,5 quilo de alimento, é fechado no topo
por uma série de arqueamentos de suas paredes.
Essa construção alude ao desenho de uma
pétala. Em tempo: para não deixar os cães só na
vontade diante da ceia dos humanos, a Edição
de Natal da ração contém em sua fórmula peru
e frutas cristalizadas.

PÉTALA –
Topo do
cartucho
lembra o
desenho
de uma flor

Gonçalves
(11) 4689-4700
www.goncalves.com.br

dezembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 51


Cartilha de RFID
Dicas sobre conversão e impressão úteis para leigos e especialistas

I
nteressada em divulgar suas tópicos trazem informações e con- Embora a necessidade de etiquetas
soluções destinadas a impres- selhos que podem ser úteis a todos, dotadas de chips e antenas ainda cons-
são e codificação de rótulos de leigos a conhecedores avançados. titua uma barreira de custo, mesmo
com sistemas de identificação Junto à cartilha, a empresa aponta a em países como o Brasil a adoção da
por radiofreqüência (RFID), a Zebra ratificação de novos protocolos para tecnologia é vista pela empresa como
Technologies elaborou uma lista de a identificação por radiofreqüência, uma questão de tempo. Abaixo segue
recomendações e dicas para converte- afirmando que tal processo já come- um resumo das recomendações feitas
dores e usuários de embalagens inte- çou a acelerar a adoção da tecnologia pela Zebra para auxiliar a impressão e
ressados na tecnologia. Os diferentes em diferentes cadeias de suprimentos. codificação de etiquetas RFID.

1) Escolha adequada. Para obter bons resul- etiquetas também podem se transformar em
tados, é importante que a etiqueta RFID seja uma fonte inesperada de líquido. Certos tipos de
compatível com a impressora/codificadora. A adesivos ou materiais das etiquetas absorvem
velocidade de transmissão de dados, a memó- a umidade do meio ambiente, podendo gerar
ria, o formato da antena e as características de problemas de desempenho.
impressão também necessitam de uma análise 8) Isolamento. Poderá ocorrer interferência
prévia, para garantir o desempenho do projeto. se o equipamento de radiofreqüência estiver
2) Testes prévios. É importante que o conver- muito próximo. Deixe espaço suficiente entre
tedor obtenha as especificações de colocação a impressora/codificadora e outros produtos de
do transponder do fabricante da impressora/ radiofreqüência que compartilhem a mesma
codificadora antes da produção das etiquetas. largura de banda, como antenas, leitoras, redes
Os testes ajudam a garantir que as etiquetas sem fio ou outras impressoras/codificadoras.
atendam às especificações solicitadas. 9) Software de gestão. Teoricamente, a ope-
3) Armazenagem apropriada. As etiquetas ração de codificação e impressão é realizada
RFID devem ser mantidas em ambientes com em uma única ação da impressora/codificado-
temperatura preferencialmente estável, entre ra. No entanto, não é incomum que uma entra-
15,5 e 95 graus Celsius. Evitar exposições a da de dados não seja codificada numa primeira
descargas eletro estáticas (ESD), que podem necedor para operar nesse modelo e a impres- tentativa. Se as falhas acontecem de forma
afetar o desempenho do produto. Em local sora/codificadora esteja configurada com essas freqüente, pode ser um indício de um problema
com baixo nível de umidade, tapetes ou roupas especificações – as etiquetas devem ser ajus- maior. Incorporar um aplicativo robusto de
antiestáticas são recomendadas para contraba- tadas para garantir um alinhamento adequado. gestão de impressora-servidor à sua arquite-
lançar os níveis de ESD. Nas impressoras/codificadoras com funcionali- tura RFID pode evitar que problemas menores
4) A importância dos treinamentos. Treinar dade de ajuste automático, esta operação será gerem conseqüências mais sérias.
as pessoas para que conheçam as configu- realizada de forma mais rápida. 10) Caixas e paletes. Em processos automa-
rações opcionais da impressora/codificadora, 6) Componentes indesejados. Refletores tizados, a colocação de etiquetas inteligentes é
assim como as características e requisitos dos sinais de radiofreqüência e fontes de inter- um fator-chave para garantir a leitura precisa
especiais da tecnologia RFID em seu ambiente ferência RFID, materiais metálicos devem ser e consistente das embalagens de transporte.
de trabalho, ajuda a eliminar possíveis erros no evitados. As etiquetas que contêm tinta metáli- Assim, a colocação das etiquetas é determi-
momento de imprimir etiquetas RFID. ca podem impedir que a codificação seja bem- nada por diversos fatores, incluindo-se a loca-
5) Ajuste de precisão. É importante que a sucedida, além de limitar a faixa de leitura. lização dos leitores. Faça testes de colocação
impressora/codificadora armazene as medidas 7) Cuidados com os líquidos. Água e outros de etiquetas com os leitores existentes para
corretas da distância entre etiquetas antes do líquidos constituem obstáculo para o desem- ajudar a identificar em qual posição as etique-
processo de codificação. Sempre que se carre- penho satisfatório do sistema RFID. Os líquidos tas devem ser afixadas nas caixas, de forma a
ga a impressora/codificadora com um novo lote podem absorver os sinais de radiofreqüência, garantir altas velocidades de leitura.
ou rolo de etiquetas inteligentes – a menos que limitando a faixa ou impedindo totalmente as Mais informações:
as mesmas venham com especificações do for- operações de leitura/escrita. Os adesivos das www.rfid.zebra.com

52 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


Novo canal
A Esko-Graphics, empresa belga
fornecedora de soluções de pré-
impressão, e a IPP, grupo que a
representava no Brasil, termina-
ram a parceria comercial. O fim do
acordo abre caminho para o sur-
gimento da EGService Comércio
e Serviços de Equipamentos
Gráficos, empresa que será a
nova parceira da Esko-Graphics no
Brasil e na América Latina.

Acúmulo de função
Presidente e diretor-executivo
da International Paper do Brasil,
Maximo Pacheco passou a acu-
mular o cargo de vice-presidente
sênior da empresa. A mudança faz
parte da estratégia de foco nos
mercados de papéis para impri-
mir e escrever e de embalagens.
“Maximo teve êxito em conduzir
a International Paper do Brasil
durante a transição de gestão”,
diz o presidente mundial e CEO da
companhia, John Faraci.

Debruçados na flexo
A Gutenberg e a XSYS realizaram
em São Paulo, no final de outubro,
um seminário técnico sobre flexo-
grafia. Voltado a profissionais de
clicheria e convertedores, o evento
discutiu a tendência de gravação
O ano da embalagem no Max Feffer
direta de chapas polímeras, além A edição 2005 do Prêmio Max reais. O ganhador do prêmio Peça
das perspectivas do mercado de Feffer de Design Gráfico, cujos Destaque conquistou também uma
gravação digital. Também parti- resultados foram divulgados no viagem internacional para participar
ciparam do seminário a Artwork
dia 23 de novembro último, teve de evento do mercado de design
Systems, do mercado de pré-
impressão, e a Praxair Surface
como grande vencedor um projeto gráfico no exterior, à sua escolha.
Technologies, fabricante de cilin- de embalagem. Trata-se do car- Em sua 4ª edição, o evento regis-
dros. Chapas convencionais, tin- tucho do sabonete vegetal EST, trou recorde de inscrições, com 780
tas para impressão flexográfica, de autoria de Ciro Girard, da EST. participantes. No ano passado, o
sistemas de pré-impressão e tec- Produzido em papel Supremo Duo concurso, lançado em 2002 pela
nologia de cilindros anilox também
Design e impresso pela Congraf, Suzano Papel e Celulose, teve 650
foram objeto de discussão.
o trabalho ganhou o primeiro lugar inscrições, contra 450 na segunda
Distribuindo mesas na categoria Embalagem e ainda edição. Neste ano, a Suzano abriu
Fabricante de mesas gráficas, a foi escolhido como Peça Destaque. as inscrições para trabalhos reali-
Wacom fechou no Brasil um acor- Em segundo lugar ficou o Disco zados com toda a linha de papel
do de distribuição com a Cadritech
Banda Pau D’Água, produzido pela cartão Supremo e também com o
Computação Gráfica. Especializada
nas áreas de animação 2D e 3D,
Diorama Casa de Produção para a off-set Reciclato.
multimídia, edição de vídeo, pós- Banda Pau D’Água e, em terceiro, As peças inscritas no 4º Prêmio Max
produção e efeitos especiais, a o LP Biscoito em Bolacha, de Ruth Feffer variaram desde cartões de
empresa passou a comercializar as Freihof para a Biscoito Fino. Os pri- visitas e convites de eventos até car-
linhas de mesas gráficas Graphire meiros colocados de cada categoria dápios, catálogos de lojas, anuários,
e Intuos no mercado nacional.
receberam 13 000 reais, os segun- livros e embalagens.
dos, 5 500 reais e os terceiros, 2 000 www.suzano.com.br/premiomaxfeffer

54 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


Anunciante Página Telefone Site
ABIEF 55 (11) 3032-4092 www.abief.com.br
Abre 53 (11) 3082-9722 www.abre.org.br
Altec 51 (11) 4053-2900 www.altec.com.br
Antilhas 47 (11) 4152-1100 www.antilhas.com.br
Asterisco 13 (11) 295-2200 www.etiquetasasterisco.com.br
Brasil Multimídia 11 (11) 5678-7798 www.brasilmultimidia.com.br
Colacril 3ª capa (44) 3518-3500 www.colacril.com.br
Comprint 23 (11) 3168-7077 www.comprint.com.br
Congraf 30 e 31 (11) 5563-3466 www.congraf.com.br
Ecopolímeros 15 (11) 4135-2660 www.ecopolimeros.com.br
Elo Design 13 (11) 3871-9942 www.elopress.com.br
Gumtac/Pimaco 37 (21) 2450-9707 www.gumtac.com.br
Incor Artes Impressas 9 (11) 6143-3336 www.graficaincor.com.br
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Integral 9 (11) 5535-1110 www.integralpack.com.br
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Markem 17 (11) 5641-8949 www.markem.com
Master Print 9 (41) 2109-7000 www.mprint.com.br
Metalgráfica Iguaçu 25 (11) 3078-8499 www.metaliguacu.com.br
Metalgráfica Renner 11 (51) 489-9700 www.metalgraficarenner.com.br
Moltec 9 (11) 5523-4011 www.moltec.com.br
Pantone 11 (11) 4072-1808 www.pantonegrafica.com.br
Plastgold 13 (11) 6947-4872 www.plastgold.com.br
Polo Films 45 (11) 3707-8270 www.polofilms.com.br
Poly Vac 19 (11) 5541-9988 www.poly-vac.com.br
Priscell 9 (11) 3873-2666 www.priscell.com.br
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56 >>> EmbalagemMarca >>> dezembro 2005


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Almanaque
Manifesto ambiental de 150 anos O lado bom de
uma dor no rim
Este ano completou 150 anos a carta do mundo ocidental. A certa altura,
que o chefe indígena Seattle, da tribo referindo-se ao homem branco, diz o
Squamish, do Estado de Washington, chefe índio em sua longa carta: “Trata
Também no mundo dos
enviou ao então presiden- a sua mãe, a terra, e a seu irmão, o céu,
negócios há males que
te dos Estados Unidos, como coisas a serem compradas ou
Franklin Pierce, em roubadas, como se fossem peles de car- vêm para bem. Consta
resposta à proposta neiro ou brilhantes contas sem valor. que a água mineral
do governo ameri- Seu apetite vai exaurir a terra, dei- Evian, engarrafada
cano de comprar xando atrás de si só desertos. Isso eu na França, deve sua
o território ocu- não compreendo. Nosso modo de ser origem aos problemas de
pado pelos índios é completamente diferente do vosso. saúde enfrentados por um nobre
daquela tribo. Há A visão de vossas cidades faz doer os do século 18. No ano da Revolução
quem considere olhos do homem vermelho”.
Francesa, 1789, o então marquês
o texto o primeiro (Veja a íntegra da carta no site
www.embalagemmarca.com.br ) de Lessert preteriu os ideais de
manifesto ambiental
liberdade, fraternidade e igualdade

O confeito que grudou na orelha por um período de convalescença


nas montanhas. Foi para Evian-les-
Ao completar este ano seu sexagé- comunicação, o jingle era um suces- Bain, estância de águas situada
simo aniversário de fundação, as so entre a criançada que assistia a numa região dos alpes franceses
Balas Juquinha têm em seu patri- um programa infantil de TV coman- conhecida como Haute Savoie.
mônio, ainda que em valores não dado por Sílvio Santos nos anos O consumo regular da água local
quantificados, dois dos maio- 80. Quanto às balas em aliviou as dores de rins que o afli-
res êxitos de marketing si, ainda hoje respondem giam. A melhora do marquês teria
do Brasil: a guloseima por cerca de 50% das bastado para que diferentes médi-
em si e o jingle de rádio 13 toneladas de cara- cos da época receitassem a água a
e TV de sua divulgação. melos produzidas dia- seus pacientes. A primeira licença
Embora não se funda- riamente pela fábri- oficial para engarrafamento da água
mentasse em ela- ca da empresa, em Evian, hoje uma das mais vendidas
boradas teorias de Santo André (SP). na Europa, foi concedida em 1826.
Anos depois foi criado seu logotipo,
inspirado nas montanhas de Haute
Crocodilos turbinados Savoie. Em tempos mais recen-
tes a marca virou símbolo de
A marca do isotônico Gatorade vem da jun-
ção de sílabas de parte do nome do time criatividade no campo da
de futebol americano Florida Gators com embalagem, já tendo sido
parte do sobrenome do médico da equipe lançada em garrafas de
nos anos 1960, Robert Cade. Tratava-se de um vidro com forma de gota
“time de segundo tempo”, pois geralmente ganhava d’água e de gelo dos
na primeira etapa e entregava o jogo na final,
Alpes.
quando os jogadores estavam desgastados. Ao
estudar como reidratá-los, o dr. Cade formulou
uma bebida que repunha rapidamente vitami-
nas e sais minerais. Os Gators, forma sintética de
referência ao crocodilo americano (alligator,
( em inglês),
passaram a engolir os adversários. Por isso, o nome do
isotônico também é associado à palavra aid, que significa
ajuda em inglês. Com o interesse de outros times pelo
produto, o dr. Cade patenteou a marca Gatorade, que
foi comprada na década de 80 pela Quaker.

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