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| Cipreste | Junho 2009 | 1

“A mensagem é
fundamental, sem
mensagem não há arte”
Eva Alves | Entrevista pág.21

1.00 €
II série nº 1 Mensal
10 de Junho de 2009
Director: Rui Miranda
Fundado em 1997 Cipreste
Curriça de luxo
Há uma casa de habitação, uma edifício de apoio à agricultura, concre-
vivenda, localizada na Corda – estrada tamente agropecuária, tem espaços
que liga o Bairro da Alegria a Castelãos, destinados a animais e espaços para
situada em pleno perímetro de rega. guardar forragens.
A licença emitida pela autarquia de O resultado é uma vivenda com co-
Macedo de Cavaleiros é para a cons- zinha, quartos, salas, casa de banho,
trução de um edifício de apoio à a- aquecimento central…
gricultura. O projecto apresentado e A autarquia, entidade licenciadora, não
que serviu de base à licença, é de um fiscalizou a obra.
| Pág. 13

Macedo ao Raio X Eólicas


Bornes está mais amiga
do ambiente, são 25 torres
de 85 metros que povoam
a serra e irão gerar ener-
gia para o país e recursos
para o concelho.|P 28

Saharauis o povo
da Polisário|P20 e 21

1997
O Museu de Arte
Sacra merece
uma visita!|P 25

Assessor do
vereador
2009 Vereador, a meio ano de
terminar o mandato, cria
lugar de secretário para

H
á 12 anos, em Junho de Raio X” uma análise opinativa so- cidade de agora, também numa
1997, o Cipreste editou bre a vila de então, percorrendo o abordagem pelo abecedário. Man- sobrinho de presidente
o seu primeiro número. abecedário. tivemos o texto de há 12 anos para
Nessa primeira edição Hoje, reeditamos o Cipreste, e poder recordar e comparar…
de junta.|P 8
o tema de capa era “Macedo ao dedicamos especial destaque à Destaque | Pág. 2 a 7
2 | Junho 2009 | Cipreste | Macedo de A a Z

Macedo de A a Z

Tal como aconteceu nos vai faltar água, inclusive a beneficiar da água da barra- o título em 6 anos consecutivos precioso bem.
na primeira edição do nos jardins, a barragem a isso gem? e a primeira nacional a receber Regra geral, prevalece a
Cipreste, em Junho de permite. Há alguns anos atrás Esperemos que o Cipreste a bandeira de Acessibilidade. ideia de que o que está con-
1997, doze anos depois planeou-se e construiu-se uma não meta água. Embora em diferente local, mas struído na barragem é já um
voltamos a dedicar obra, cujo decorrer e finalização banhada pela mesma água, a início prometedor. Temos hoje,
uma atenção especial deram água pela barba - é claro àguas - (....) Esperemos Praia da Ribeira deverá rece- condições para que na época
à sede de concelho. que falamos da ETAR. Esta que o Cipreste não meta água. ber em breve o galardão azul. balnear, as nossas famílias,
Propusemo-nos en- obra deu azo a acções judiciais Construída inicialmente para emigrantes e turistas ocasion-
tão a uma visita geral que levaram alguns dos nossos Azul - A zona balnear do Az- regadio e abastecimento de ais possam desfrutar de um lo-
pelo alfabeto, focando ilustres autarcas à barra dos tri- ibo já vai em 6 anos de Bandei- água, a Albufeira do Azibo, em cal aprazível.
alguns dos temas que bunais, processo este que ainda ra Azul. Este é um importante 30 anos, tornou-se um dos lo- Temos já um parque de me-
tocam os Macedenses. hoje se encontra sem resolução galardão ambiental europeu, cais de maior interesse turístico rendas onde está manifesta a
Esta não é uma opi- final, apesar de conhecidos os que classifica as praias em do Norte de Portugal. Ali, vera- preocupação da criação de um
nião técnica, é tão só a autores morais. vários aspectos, como a quali- neantes e a natureza convivem espaço bem integrado com o
nossa opinião pessoal Para quando o uso e usu- dade da água, a limpeza do numa simbiose perfeita. meio ambiente, produzindo um
dos temas focados. fruto de uma obra que absorveu areal, os acessos, os meios de todo harmonioso que propor-
Para que o leitor milhares de contos?!.. salvamento e assistência, entre ciona momentos reconfortantes
de lazer nas tardes tórridas de
pudesse analisar me-
lhor a evolução desta
cidade, que então era
Quando é que Santa
Combinha terá, também direito
outros. A Fraga da Pegada é a
única praia europeia a receber B verão.
O Parque Natural Azibo,
vila, mantivemos os Barragem - “Finalmente situado ao largo da barragem do
textos originais. Para aproveitada. Temos uma belís- Azibo, nas freguesias de Salse-
que os distinga com sima praia fluvial, um belís- las e Sta. Combinha, propor-
facilidade, os textos simo parque de merendas e um ciona por si só um agradável
de 1997 estão a itálico belíssimo caís para desportos passeio ao longo da barragem
e em tamanho ligei- náuticos, devidamente equi- e contribui para a conservação
ramente menor. Em pado com embarcações, que e promoção da natureza.
cada tema focado, vão ser postas à disposição da Sem pretendermos ser
se há textos de 1997, juventude já neste verão”. (Luís “desmancha prazeres”, há que
estes aparecem sem- Vaz in: Mensageiro de Bragan- reconhecer que a divulgação e
pre primeiro que os de ça, 28/03/97). aproveitamento deste espaço
2009. É talvez a obra do século no natural fica aquém do que o
Os actuais estão em concelho de Macedo de Cava- mesmo tem para oferecer. Não
escrita normal. leiros, “a menina dos olhos” do podemos ficar satisfeitos ap-
actual edil, contudo não se pode enas pelo facto de possuirmos
afirmar que está bem aproveita- este espaço paradisíaco mas,
quere-lo só para nós será de-
A da, nem na rega, motivo princi-
pal da sua construção, nem no
turismo e lazer.
masiado orgulho e puro egoís-
mo.
Águas - Embora esteja- Quanto à rega, uma parte É positivo termos uma per-
mos num ano de seca, não significativa não usufrui deste spectiva ambientalista de ver
Macedo de A a Z | Cipreste | Junho 2009 | 3
rotar de rótulos, promoções, moralmente, politicamente é o para Macedo de Cavaleiros que
cores e engodos. Liberta-nos que se sabe. é o Centro Cultural.
os apetites mas esmaga-nos as Volta-se novamente à carga
carteiras. Repito, nada a fazer. fala-se em trezentos mil contos Campismo - Ao fim de anos
É melhor habituarmo-nos à con- para concluir e por a funcionar e anos de conversa em volta
vivência com elas, vieram para o cineteatro, que nas palavras da construção de um Parque
ficar e multiplicar-se. Enfim, do actual presidente da câ- de Campismo no Azibo, ainda
chegamos ao cerne da questão. mara: “Tornando-se a melhor nada se sabe. Num concelho
Como sobreviver a esta massi- sala de espectáculos a norte que vê no turismo uma das suas
ficação do comércio total? Re- do Douro, permitindo nas mel- fontes de desenvolvimento e
stará aos pequenos retalhistas hores condições todo o tipo de numa zona balnear de 6 anos
fechar as suas portas? Resig- espectáculos, como a ópera, de Bandeira Azul, um Parque
nar-se e sobreviver? Ou muito o bailado e o teatro”. Ah essa de Campismo devia receber
portuguêsmente, resmungar, geografia!.. mais atenção.
vernacular ou algo pior. Peque- Meus senhores, Macedo
no retalhista ou pomposamente
como é chamado, comércio
não precisa da melhor sala de
espectáculos “virtual”, mas sim
D
tradicional, esqueça tudo isso, de uma boa sala, adequada à Deuses -
o seu pequeno espaço é na nossa realidade quer popula- “Que eu canto o peito ilustre
verdade um atelier de arte. O cional quer económica, e não Lusitano
atendimento personalizado, a apenas para delírio de propa- A quem Neptuno e Marte
conversa de café, os problemas ganda política e placas comem- obedeceram
do vizinho, os comentários jo- orativas. Cesse tudo o que a musa
cosos ao sexo fraco e afins, só Imagino já cartazes multi- antiga canta
vocês podem fornecer. Por isso colores a anunciar pela primeira Que outro valor mais alto
esforcem-se na arte da simpa- vez a norte do Douro um baila- s’alevanta”.
tia, adopte a qualidade em vez do de renome mundial: O lago
da quantidade e o indispensáv- dos Patos. Luís de Camões
el “leve agora, pague depois”,
ou quem sabe nunca, são ainda
património vosso, convençam-
se que o calor humano não tem
as coisas, só nos fica bem começam a desaparecer. A
preço.
propagandear a pureza e cariz multiplicidade de oferta exis-
virginal da zona. No entanto, tente, a todos os níveis, implica
Comércio - O comércio em
podemos manter esta linha am- só por si uma melhoria neste
Macedo já não é o que era. O
biental e estendê-la a um maior ramo de actividade. É verdade
preço do “calor humano” não
número de pessoas sem que que nascem como cogumelos,
parece ser apreciado por to-
se faça qualquer agressão ao cafés, prontos-a-vestir, bijute-
dos. Durante décadas Macedo
meio. Pensemos nos simples rias e investimentos de pouco
era uma referência comercial
momentos de lazer que podem vulto e variedade. Falta, talvez,
nos concelhos vizinhos. Hoje,
ser proporcionados pelo parque explorar a vertente qualidade/
as características dos consu-
de merendas (já mencionado), luxo, Não falo com certeza em
midores estão muito alteradas
circuitos de manutenção, camin- “Versace” ou similares. É-nos
bem como o acesso aos bens.
hos pelas terras circundantes difícil encontrar, por exemplo,
Os mercados são muito com-
ou até parques de campismo - uma moto de água, uma gastro-
petitivos e preço-inovação-
agradariam por certo a uma boa nomia mais variada, uma casa
design-qualidade-atendimento
parte das pessoas de Macedo especializada em desportos
fazem parte de uma mesma
bem como da região. radicais,Etc.
caracteristica comercial. De
Num nível de aproveita- Comércio tradicional,
uma forma geral (com felizes e
mento imediatamente acima, grandes superfícies, são as no-
boas excepções) Macedo não
podemos considerar o poten- vas terminologias da década,
soube acompanhar as alter-
cial em desportos náuticos tais Macedo parece não fugir à re-
ações do mercado de modo a
como, canoagem wind-surf, gra da globalização do comér-
fidelizar clientes.
natação, etc, e todas os de- cio, Paulatinamente vão apare-
mais serviços que se desen- cendo os ditos “demónios”
Cipreste - Arvore gimnos-
volveriam posteriormente ao que tudo devoram, levando à
pérmica, da família das Piná-
nível da formação ao ensino, falência os pequenos comerci-
ceas, cultivada com fins or-
criando verdadeiras escolas antes. Passemos às verdades.
namentais, também chamada
recreativas. Mais uma vez, se- Do ponto de vista legal, nada a
acipreste. É também o nome
ria a população que continuaria dizer, é legítimo às grandes su-
do novo jornal informativo de
a ser a grande ganhadora e, em perfícies instalarem-se onde e
Macedo de Cavaleiros.
especial, a prometedora facha quando quiserem. Assim ditam
pré-universitária. as regras da livre concorrência
Cipreste - Arvore gimnos-
do mercado. Quanto ao em-
pérmica, da família das Piná-
barragem - (azibo...) ver prego, desculpa muitas vezes
ceas, cultivada com fins or-
Azul; Campismo; Golfe; Nú- utilizada para camuflar outros
namentais, também chamada Centro Cultural - (leia-se
cleo de Paisagem Protegida interesses e ambições, porque é
acipreste. É também o nome cinema, em 1997) - já está e Deuses -
do Azibo sabido que as ditas G.S. pouco
deste jornal. está bem. “Que eu canto o peito ilustre
ou nenhum emprego fixo criam,
Macedo é (não é um dado Lusitano
limitam-se a sugar os subsídios
Cinema - A megalomania estatistico mas por força da A quem Neptuno e Marte
atribuídos pelas políticas de in-
C centivo ao desemprego do qual
as ditas se alimentam. Trata-se,
de uns e indiferença de outros,
sem esquecer a irresponsabili-
alma arrisco-o) o concelho do
interior com maior e melhor
obedeceram
Cesse tudo o que a musa
dade de quem pensou, projec- produção cultural per capita. antiga canta
Comércio e grandes su- isso sim, na maioria dos casos
tou e executou ( no que está Para além da imprescind- Que outro valor mais alto
perfícies - Quanto ao comér- de transferência de emprego à
concluído) uma obra à escala ível dedicação humana das s’alevanta”.
cio, Macedo encontra-se já custa do pequeno comércio que
herculeana, levou-nos a que pessoas que produzem esse
numa posição satisfatória, é se vêem obrigados a restringir o
hoje tenhamos uma estrutura trabalho, o facto de Macedo ter Luís de Camões
hoje possível encontrar em seu número de efectivos pelos
fantasmagórica só comparada um bom centro cultural também
qualquer esquina, espaços su- danos causados no número de
ao imaginário mundo do absur- contribui para esse resultado.
ficientemente apetrechados vendas e consequentemente
do Kafquiano.
para satisfazer quase todas as
necessidades elementares e
lucros. Socialmente, é politica-
mente correcto, embora hipo-
Esvaiaram-se perto de qua-
trocentos mil contos, do qual
Nem o facto de pouco tempo
após a inauguração e minutos
depois de ter sido pisado por
E
supérfluas. O não termos que critamente chique, engrossar a
nada resultou, que haja lem- dezenas de jovens, a cober- Ensino - O fenómeno so-
ouvir expressões como “talvez mole humana do consumismo,
brança, ninguém se respons- tura da orquestra, no palco, ter cial mais relevante que Macedo
só em Bragança, Porto ou Lis- levar o pai, mãe e afins a des-
abilizou pelo facto, pelo menos caido, ensombram a mais-valia viveu nos últimos anos, prende-
boa encontrará o que pretende” frutar com prateleiras a abar-
4 | Junho 2009 | Cipreste | Macedo de A a Z
se com o chamado Ensino bas suficientes, claro que com Ecoteca - É de louvar o
Politécnico: o Instituto Superior algumas influências, tendo sido trabalho desempenhado pela
Jean Piaget. interrompido por questões pré- Ecoteca e pelas pessoas que
Não podem passar desper- históricas, a compõem. São várias as ini-
cebidas as centenas de pes- Por outro lado, um elemento ciativas de educação ambiental
soas que todas as semanas do actual executivo da câmara, que desenvolvem na escola,
aqui afluem, nem pelos jovens informou o Cipreste, que a vários os seminários sobre os
em idade casadoira, nem o causa do contínuo abandono, mais variados temas e vários
comércio em geral, (principal- deveu-se à ineficácia da Junta os encontros, cursos, e pas-
mente o hoteleiro), que recebe Autónoma de Estradas de Bra- seios pedestres que tão bem
uma grande dinamização. gança, que terá elaborado um aproveitam a Paisagem Pro-
O desenvolvimento das so- projecto posteriormente chum- tegida da Albufeira do Azibo. A
ciedades tem que assentar na bado tecnicamente em círculos funcionar num espaço limitado,
formação técnica e especializa- maiores. De qualquer maneira, num cantinho da Biblioteca
da do cidadão. É bom apostar pena é que o cartão de visitas a Municipal, ninguém diria a ver
na descentralização dos pólos oeste de Macedo ainda tenha o pelo trabalho desenvolvido.
de ensino. Mas, ensino não é só cunho da Velha Senhora. Parabéns Eugénia e Sandra!
o Instituto Superior Jean Piaget. O Cipreste, Macedo e todas
Macedo tem vários infantários as pessoas que aqui afluem, Estação - ver transportes
públicos e privados que cada desejariam que, revoltos os di-
vez têm mais importância, já nossauros e cálculos para as
que os pais trabalham e os fil- calendas gregas, pudéssemos
hos de tenra idade frequen-
tam estas escolas que são
F
grandes responsáveis pela Feira de S. Pedro - De feri-
sua educação e formação. ado a festa, e finalmente feira.
Temos também, três Desde já o nosso maior elogio
escolas primárias, a es- a todo o trabalho desenvolvido
cola preparatória, com desde o início até aos dias de
ensino até ao 9°Ano de hoje. Não anda longe da ver-
escolaridade e a escola dade Rui Vaz quando cataloga
secundária, que não tendo a feira como um ex-líbris de
todas as áreas do 10° ano, Macedo. Êxito total, por isso o
nem ensino técnico-profis- seu a seu dono, nada melhor do… tipo bombos, cantarinhas. atenção o atendimento nalgu-
sional, é uma importante que uma pequena conversa mas casas é ainda uma faceta
porta de acesso a outros com Rui Vaz presidente da Florestal - Outrora Macedo por descobrir.
modos de saber. ACIMC. de Cavaleiros e a sua tão famig-
C - O inicio... erada florestal chegou mesmo Golfe - Pode até nunca ter
ver Piaget enfim, sentir o suave deslizar R.V. - Quando começou , a acolher a sede da Administra- sido um dos seus sonhos, mas
do progresso. começou com um amadorismo ção Florestal, bem como a sede que interessa? Agora já não
Estradas - Longe vai o a 100%, não existia uma máqui- da Divisão de Caça e Pesca terá desculpa, agarre no taco e
tempo em que as gentes nor- Estradas - Em 2009 Mace- na organizada agora ela tem da Circunscrição Florestal do descarregue toda a sua energia
destinas clamavam de vez com do vive um cenário, em aces- uma projecção nacional e inter- Norte, a agora Direcção Re- numa pequena bola, mas cui-
o fim do chamado custo da in- sibilidades, melhor do que há nacional, passo a imodestia, no gional dos Recursos Florestais. dado, não a atire para a água.
terioridade. Desde o primeiro 12 anos. Os acessos a que se sentido em que há expositores A grande machadada foi rece- Se as tarifas eram desculpa
Plano de Fomento Nacional reporta o texto anterior estão espanhóis pelo menos, porque bida no ano 2000. A viragem de para não experimentar, não se
que remonta ao tempo da Vel- realizados, inclusivamente com há um acordo com a câmara de milénio levou consigo a maior preocupe, o Governo vai con-
ha Senhora, que estendeu por uma ponte, que espelha engen- comércio e industria de Zamo- parte dos funcionários que ali struir na Barragem do Azibo o
todo o país a chamada rede de haria e cálculos precisos. Mas ra. trabalhavam. Em 2004, o mu- segundo campo de golfe público
Estradas Nacionais, que estas nem com boas acessibilidades C - objectivos.... nicípio põe mão à situação, ou do país, com preços mais aces-
terras deitadas ao abandono encontramos o caminho para o R.V. - A nossa grande aposta pelo menos tenta: houve obras síveis que os privados. São 18
pelo poder central, choravam desenvolvimento, para a sus- é transmitir da feira de S.Pedro na infra-estrutura e limpeza buracos, damos um prémio a
amargamente o custo do seu tentabilidade. Um caminho que uma faceta que é a qualidade, da mata. Desde 2005 que o quem encontrar o maior.
desenvolvimento. Impingindo- trouxesse e não levasse, um o profissionalismo de quem or- serviço, com mais nomes que
se a si próprias como desculpa caminho que invertesse a de- ganiza e de todas as pessoas funcionalidade, se chama Uni- GNR - Os guardas republi-
a ausência de meios rodoviári- sertificação, que não fosse um que estão envolvidas durante dade de Gestão Florestal do canos são jovens, mas o mesmo
os que as catapultassem para preâmbulo de saudade. a sua realização e a melhoria Nordeste. Ao ler o que se segue já não se pode dizer do quartel.
o Portugal desenvolvido. Há Falta o IP2, o que Macedo da qualidade do expositor, tudo o estimado leitor compreenderá Há décadas que é o mesmo e o
quatro anos deu-se um mi- mais poderá lucrar com a con- isto para ajudar a demonstrar as nossas palavras anteriores aspecto é ainda pior por dentro
lagre, depois de muitos atrope- strução dos troços que se en- as potencialidades da região. quando dizemos que a funcio- que por fora. O governo prom-
los, avanços e recuos, eis que contram apregoados, não é C - rivalidades... nalidade actual é praticamente ete melhoras e até apoiar um
surge o ex-líbris, o arco-íris que uma ligação mais próxima a R.V. - a feira de Mirandela nula: em 2009, a machadada novo edifício, mas até ao mo-
nos levaria por esse país e essa qualquer sítio, já que as outras é actualmente um plágio da F. final veio com a colocação dos mento nada. A autarquia fez a
europa fora. (IP4) também nos ligaram e não S.Pedro. 10 funcionários em regime de sua parte e já cedeu o terreno.
Vestimo-nos a preceito nos sustentabilizaram, a mais- ...está tudo dito, felicidades. mobilidade. Ainda na vinda do secretário
engalanamo-nos de trages e valia de uma IP2 seria o facto de Estado da Administração
lantejoulas, para dar as boas dos estaleiros estarem instala- Feira S. Pedro - já comple- Interna à inauguração da Car-
vindas ao salvador: a IP 4.
Mas eis que uma vila ir-
redutível conseguiu manter in-
dos perto da nossa cidade.

Estalagem - Já serviu de
tou 25 anos e recomenda-se.
É o que Macedo de Cavaleiros
tem de mais parecido com uma
G reira de Tiro, Beraldino Pinto
fez questão de não deixar pas-
sar o assunto em branco. Uns
tacto o acesso ao dito arco-íris. prisão e de Câmara Municipal, Festa da cidade e é uma boa Gastronomia - É um tema meses depois, sinal vermelho,
Autarcas, instituições governa- nas últimas décadas ali era a oportunidade de negócios e/ou que não pode deixar de ser fo- continua-se à espera...
mentais, engenheiros ilumina- Estalagem do Caçador. Uma troca de experiencias e opor- cado. Estamos numa região em
dos, ou pura e simplesmente, e das mais peculiares e singulares tunidades para os empresários que os enchidos, o presunto, a
para pegar o boi pelos cornos, azeitona, o vinho e pão matam
a câmara municipal de Mace-
do de Cavaleiros, a Junta Au-
unidades hoteleiras nacionais,
uma estalagem 5 estrelas. 5 es-
trelas pela qualidade, história e
de Macedo e da região.
Em termos de certames
económicos, a Feira de S. Pe-
a fome a uma princesa.
Somos tradicionalmente
H
tónoma de Estradas e quem de saudade. Ao vermo-la fechada, dro deixa Mirandela e Bragança conhecidos pelo bem receber, Habitação - Longe vai o
poder, conseguiram, por um ou a certeza de que estamos mais “a milhas”, é das poucas coisas a que a nossa gastronomia não tempo em que a habitação em
por todos manter esta via apea pobres. em que Macedo ainda marca passa alheia. A caça: javali, Macedo era barata e que havia
como um achado arqueológico. Temos informações que in- pontos. coelho, perdiz, lebre, fazem as uma discrepância de preços
Segundo palavras do antigo dicam que o imóvel foi adquiri- Festas – S. Pedro, emigran- delícias dos mais exigentes. relativamente aos meios mais
presidente da câmara munici- do por um grupo hoteleiro. Vem te, 15 de Agosto e festival de Há algumas casas abertas ao urbanos - as cidades. Quem
pal, o projecto estava aprovado, aí uma lufada de ar fresco? musica… tanta festa e não há público em que se podem apre- comprar, ou pretendeu com-
iniciado, havendo para tal ver- uma que seja marca de Mace- ciar os referidos manjares, mas prar, uma casa depara-se com
Macedo de A a Z | Cipreste | Junho 2009 | 5

preços não muito diferentes dos no está já em forte expansão a A detenção de informação
praticados em Bragança ou Vila
Real. Contudo, a construção de
nível nacional , o que só por si
atesta a qualidade do produto.
pode determinar poder. Em
muitas formas.
L Macedo - A quem se dedica
este elucidário.
habitação em Macedo cresce Quanto aos porcos, e falo dos Elevados níveis de informa- Lancis - Arrancados em
a olhos vistos. Mas, diga-se animais, são a matéria prima ção fazem uma comunidade virtude do excessivo desnivela- Museu de Arte Sacra - A
, em abono da verdade, que de um dos mais assinaláveis e mais forte, mais culta, mais exi- mento em relação ao passeio. cidade de Macedo já possui um
este crescimento não é acom- conhecidos produtos regionais, gente e, possivelmente o facto Um comerciante alertou para o museu. É o Museu de Arte Sa-
panhado por uma melhoria da os enchidos. Não falo na “afa- mais importante, fazem uma facto, o topógrafo comprovou cra inaugurada na Casa Falcão
qualidade de construção. Iso- mada” alheira de Mirandela, comunidade mais apta para li- que era verdade. O empreiteiro há menos de um mês. O espó-
lamentos térmicos e acústicos, falo sim dos salpicões e chou- dar com adversidades e para assume a responsabilidade do lio resulta do Inventário Históri-
são pormenores a que a maior- riços expostos e galardoados encontrar soluções dinamiza- erro, rectifica e acarreta com co/Artístico da diocese de Bra-
ia dos construtores em Macedo por essas feiras nacionais. Não doras de desenvolvimento. Ler as despesas extras que tal erro gança/Miranda, recolhido nas
é alheio. vale a pena mencionar nomes, o Cipreste é um dos meios efi- provocou. igrejas e capelas do concelho.
É habitual ver habitações embora Amendoeira seja um cazes para a obtenção de infor- Estão expostas em regime de
com 2 ou 3 anos, cujas paredes dos locais de origem. Quanto mação. Língua - Português. Usa-se rotatividade cerca de 80 peças
apresentam sinais de humidade à pedra, temos o dito paralelo, o português corrente na maio- dos séculos XIV a XX. É uma
e todas rachadas. Diríamos a pseudo calçada portuguesa ria dos lugares de Macedo. Há, exposição da responsabilidade
que a febre da construção é
uma febre louca, que não con-
segue ver mais do que um fim
e sem esquecer talvez a única
indústria extractiva de Macedo
de Cavaleiros.
J contudo, situações em que nin-
guém se entende...
da Associação de Defesa do
Património Arqueológico do
concelho de Macedo de Cava-
económico a curto prazo - con- Vinte anos não foram su- Jardins - Finalmente Literatura – Macedo de leiros. O Museu é um prémio
struir para vender. A curto prazo ficientes para que os nossos começamos a ter espaços Cavaleiros está a dar cartas para a cidade e para esta as-
poderá ser o cliente o perdedor autarcas tivessem consciência verdes, bonitos, bem tratados, neste campo da cultura, como sociação que muito bem tem
mas, a longo prazo pode ser o do atraso industrial de Macedo onde crescem harmoniosa- outrora já deu com alguns dos executado o seu trabalho. Auto-
construtor. de Cavaleiros e a prova disso é mente flores, bancos, fontes, seus filhos: A. M. Pires Cabral carros de visitantes já começam
a ausência de uma zona indus- anfiteatros e coretos de doze e também o professor Adriano a surgir ao fim-de-semana. Es-
Habitação - Depois de trial, para uns desnecessária, mil contos. Um jardim é um es- Moreira levaram o nome de peramos que a divulgação seja
quase duas dezenas de anos alegando falta de potenciali- paço de lazer, ainda bem que lá Macedo às prateleiras de várias mais e maior e, que uma parte
de crescimento desmesurado dades e força suficiente para existem anfiteatros para os po- livrarias e bibliotecas nacio- do comércio macedense faça o
da construção em Macedo, o atrair investimentos de grande dermos ver cheios de gente nas nais. Hoje, as mesmas honras resto.
mercado estagnou. Para além envergadura. Existe actual-
de uma crise instalada no sec- mente um projecto para uma Mercado Municipal - Con-
tor a nível nacional e agora in- zona industrial, embora usada tam-se pelos dedos as bancas
ternacional, na causa desta es- com fins políticos, está ainda ocupadas no mercado munici-
tagnação estão factores como em fase negocial, reconhecido pal e no Inverno o cheiro a bra-
a inexistência de um planea- pelo próprio Presidente da Câ- seiras impera por todo o edifí-
mento habitacional, que levou mara Municipal, que confessou cio redondo. Porquê? A maior
empresários a investirem sem ao Cipreste só ainda estarem parte delas não tem ligações
conhecerem as reais carências negociados 60% dos terrenos. eléctricas suficientes para que
de Macedo, crentes numa “fon- Já agora senhores autar- se possa ligar um aquecedor.
te inesgotável” chamada Institu- cas, para quando a indústria Vão resistindo alguns vend-
to Piaget, que, infelizmente, vê hoteleira e turística? edores que têm mais queixas
de ano para ano o número de que clientes e a Câmara pro-
alunos a ser reduzido. Agora, Indústria - Se há doze mete interessar-se pelo caso,
são inúmeros os apartamentos anos se falava no processo de um dia! Fala-se que a estrutura
vazios. Muitos com placas para aquisição dos terrenos para deve vir abaixo. É melhor que
arrendamento ou venda, que a Zona Industrial, agora ela já seja rápido, antes que o vento
começam a estar disponíveis a existe. Já está implantada e al- noites de Verão permitindo um são feitas por Manuel Cardoso se encarregue disso...
preços mais acessíveis. Além gumas empresas e empregos contacto mais directo e natural e Fernando Mascarenhas. O
destas placas de arrendamen- já ali foram criados. Agora a com a cultura. primeiro já com vários livros
to/venda, o pequeno número
de gruas de construção civil em
Macedo, é também um exem-
questão que vem atrasando a
afirmação do nosso parque in-
dustrial é a ligação directa aos
É bonito ver a nossa vila
com avenidas, praças floridas
lugares verdes sem ser só e
técnicos editados, mas ultima-
mente a premiar o público com
dois belos romances: “Um Tiro
N
plo dessa estagnação. Pelas eixos rodoviários (IP2/4) que exclusivamente em frente à câ- na Bruma” e “O Segredo da Natureza - A natureza é
nossas contas e, até ao dia 31 nos ligam ao resto do país. mara. Fonte Queimada”, editado pela talvez o nosso maior bem. Es-
de Maio, existiam na cidade ap- Tem sido tema recorrente em Sopa de Letras, já este ano. O tamos rodeados por montes,
enas 4 gruas montadas; Três todas as Autárquicas e visitas Jardins - Doze anos de- segundo deu vida a “O Sabor vales e de muito perto, pela
para a construção de vivendas de governantes de respons- pois o número de jardins de da Marmelada Fresca” e “Cafeí- serra, onde o verde e o ar puro
e uma para um bloco de aparta- abilidade, entretanto ocorridas. Macedo mantém-se: muito na”, ambos da Papiro editores. alimentam a alma e dão saúde
mentos, substituto de uma das Há presentemente a esperança reduzido. O aparecimento de Os dois autores macedenses ao corpo. Pena é que a malva-
casas mais lindas de Macedo, de uma execução rápida com o espaços verdes quedou-se há percorrem agora o país a espal- dez, faça desaparecer, com o
na Av. D. Nuno Álvares Pereira. arranque da construção da A4. doze anos. Macedo não tem um har o que de melhor se escreve fogo o que a natureza demorou
A título de curiosidade, a aldeia Assim esperamos! parque que confira qualidade de por terras transmontanas. anos a criar.
do Lombo tem também 4 gruas Repetimos: já agora sen- vida aos Macedenses, não são Esta natureza, explorada
montadas; duas na construção hores autarcas, para quando a as compras que os maceden- harmoniosamente poderia ser a
do Lar da Santa Casa da Miser- indústria hoteleira e turística? ses procuram ao fim-de-sema- nossa tábua de salvação. Se for
icórdia, uma na recuperação de na em Mirandela e Bragança, alvo da estúpida ganância, não
uma vivenda e a outra na con-
strução de uma outra vivenda.
Informação - A informação
é um conjunto de dados com
é também a oportunidade de
poderem passear num espaço
M restará para os nossos filhos
nem para os filhos dos nossos
um significado, ou seja, que re- verde e urbano. Não nos ven- Macedo - A quem se dedica filhos. É preciso protegê-la con-
duz a incerteza ou que aumenta ham dizer que é caro fazê-lo este elucidário. scientemente, não como mais

I o conhecimento a respeito de
algo.
Informação é aquilo que os
em Macedo. Não será caro em
Mirandela? Ou em Bragança?
E não têm estas cidades espa-
Indústria - Temos madeira, munícipes reclamam da Câ- ços verdes urbanos no coração
porcos e pedra. De madeira es- mara Municipal. Informação é das suas cidades?
tamos falados, o sector do mo- aquilo que a Câmara Municipal
biliário é, talvez, o de maior im- não tem dado aos munícipes. Juventude - MACEDO É
plantação. Pequenas indústrias JUVENTUDE !
transformadoras de carácter Informação - A informação
familiar em número suficiente, é um conjunto de dados com Juventude – Onde é que
geradoras de algum emprego, um significado, ou seja, que re- ela está?
é bom não esquecer que o duz a incerteza ou que aumenta
mobiliário produzido na nossa o conhecimento a respeito de
região, além do consumo inter- algo.
6 | Junho 2009 | Cipreste | Macedo de A a Z
uma despesa, mas como um de chapa, fumo e barulhos, este Maria Neves Alves, professora feito, também os sanitários têm uma alternativa para aqueles
bem sem o qual não somos os recado serve também para o no Instituto Piaget de Macedo, que se lhe diga. Imagine o leitor que precisem de consultar no
mesmos. pessoal camarário, ou que out- que está a avaliar a qualidade de que está na Via Sul e de repente, próprio dia. A “consulta de re-
ra justificação têm os estacio- vida na cidade de Macedo, e que graças à boa cozinha transmon- curso” virá, porventura, descon-
Núcleo de Paisagem Pro- namentos agora criados frente o Cipreste sabe que vai ser apre- tana, tem que recorrer a um gestionar o serviço de urgência
tegida do Azibo - Encontra-se á câmara municipal quando a sentado a 2 de Julho durante a destes dignos lugares. durante o horário de funciona-
entre as freguesias de Salselas política parece ser quanto mais Feira de São Pedro. Podem então surgir 4 situa- mento.
e Vale da Porca e está actual- passeios melhor. Quanto ao fu- ções salvadoras: Dizem que é hospital distri-
mente ocupado com a Associa-
ção Terras Quentes, que está
a fazer o levantamento arque-
turo, esqueça o assunto já que
as próximas eleições são daqui
a 5 anos.
R A primeira, e a mais cómoda,
é optar pelo W.C. de algum es-
tabelecimento próximo, tenha
tal. Ainda não conseguimos ti-
rar a dúvida. Permitam-nos um
pequeno reparo: onde estão as
ológico do concelho de Macedo rampas para as cadeiras de ro-
de Cavaleiros. É também o lo- Passeios - São as novas das? Uma obra tão recente não
cal que se pretende que acolha, avenidas de Macedo, largos, às devia ter ignorado esse facto.
de futuro, a Ecoteca de Macedo curvas, redondos, em bico etc.,
de Cavaleiros. Para além de um etc., etc... Um par de sugestões Saúde - Em 12 anos houve
pequeno bar e de uma parte ao edil camarário: muita evolução em termos técni-
habitacional, possui ainda um 1 - Multa-se quem puser um cos na saúde. Mas a criação do
auditório, que já teve uma taxa pé que seja na estrada, os in- Centro Hospitalar do Nordeste,
ocupacional bem maior. Até as vestimentos são para ser usa- CHN, veio ensombrar um pouco
Assembleias Municipais cheg- dos e rentabilizados. o cenário da saúde no nosso
aram a ser feitas no Núcleo, 2 - Não hesite, ande ás cur- concelho. A unidade de Macedo,
e tinha razão de ser porque a vas, de lado, para trás, em fr- com óptimas condições é a mais
paisagem sobre a Albufeira do ente, faça cambalhotas, patine, preterida das três que compõem
Azibo é simplesmente fantás- deite-se e faça terapêutica à o CHN, foi Macedo que mais per-
tica. Neste local está ainda a coluna, leve o bichinho a pas- deu com a saída de serviços que
Sala Museu de Arqueologia, sear, mas nunca, mesmo nunca viu transferidos para Bragança e/
onde estão expostas as peças deite lixo para o chão ou deixe Ruas - Macedo tem um défice contudo cuidado: se for um café ou Mirandela com consequente
encontradas nas escavações o bicho “cagar” neles porque os de ruas, refiro-me obviamente à não se esqueça que terá que deslocação de corpos clínicos, e
arqueológicas da associação novos passeios são o futuro ex- proporção dos buracos que as contribuir para a água e o papel, pessoal em geral.
acima mencionada. líbris de Macedo. mesmas contêm. A perpendicu- com um café, um sumo ou equiv- Contudo o cenário poderia ter
lar à av. da estação, perpendicu- alente mas, se for uma casa de sido pior se ao hospital fosse reti-
Piaget – A presidente do lar à av. da GNR e os melhora- electrodomésticos ou móveis, rado o serviço de urgência, como
mentos em mais algumas têm
O Campus Académico do Piaget de
Macedo debate-se para mostrar
que está tudo bem e que, aquela
contribuído em muito para que
os arruamentos comecem a ter
pode ter que sair com um televi-
sor ou um sofá.
A Segunda, e mais natural,
foi suposto e anunciado.
Nessa altura, quando foi pre-
ciso arregaçar mangas e liderar o
Obras – O ganha-pão dos que é uma das maiores fontes de uma forma condigna. é optar pelo encontro com a na- povo, onde estavam os políticos?
políticos. Ver páginas 11 e 13. riqueza de Macedo (ou foi), não tureza, possível se se dirigir pela Quando se marcou uma reunião
corre o risco de encerrar. Mas, Ruas - Macedo tem um dé- estrada que liga a Via Sul à rua extraordinária da Assembleia
Obras - Continua a ser o os caloiros este ano contaram-se fice de ruas, defice mesmo, ruas da estação. Em poucos metros Municipal para a noite, poucos
ganha-pão dos políticos. E, por pelos dedos. Praticamente todos a menos. E de gente nas ruas. se encontrará próximo de surdas dias antes da assinatura do pro-
acréscimo, é também o ganha a ingressar nos Cursos da Escola Gente mesmo, que dinamize, an- e mudas árvores. tocolo que, finalmente, afirmava
pão do povo já que as obras Superior de Saúde, e mesmo as- ime e viva as ruas e a cidade. A terceira, é ir a um dos sani- a continuação do SUB em Mace-
criam riqueza. Directamente sim poucos mais que 50. Já a Es- tários públicos, reze contudo, do, e que se notava que nenhum
com o emprego e o consumo de cola Superior de Educação dedi- Reciclagem - Só não recicla para que nada lhe aconteça até político tinha a certeza da con-
bens e serviços, indirectamente ca-se agora aos CET (Cursos de quem não quer. São inúmeros lá, pode ter que andar 10 a 15 tinuidade do serviço, porque é
com a criação de estruturas Especialização Tecnológica) e ao os ecopontos espalhados pela minutos. que nenhum foi capaz de liderar
que possam conferir melhorias CNO (Centro de Novas Oportu- cidade e ainda dispomos de um A Quarta e última. Olhe para o o povo e lutar ao seu lado, onde
na qualidade de vida da popu- nidades), duas modalidades que Ecocentro, onde podemos de- relógio, se passar das 7 da tarde fosse preciso, pelo nosso hospi-
lação. Infelizmente em Macedo permitem a sua sobrevivência. positar os nossos velhos elec- esqueça os sanitários públicos tal? Porque é que apenas ficou
não há obras, nem públicas Mesmo assim, é de salientar trodomésticos. Vá lá, se não porque estão fechados, só lhe decidido nessa reunião questio-
nem privadas. que a instituição organiza com olha por si, olhe pelo menos por restam as 2 primeiras hipóteses. nar o ministro sobre o futuro? O
frequência eventos que mobili- aqueles que aí vêm. O ambiente Até parece que é proibido urinar que teria feito José Silvano se
zam estudantes, professores e agradece e os seus netos tam- e defecar a partir das 7 horas da fosse com Mirandela? Ou Jorge

P comunidade em geral, trazendo


a Macedo gente de renome na-
bém. tarde. Que não se veja isto como
um problema exclusivo de Mace-
Nunes em Bragança?

Parques de Estaciona-
mento - Em Lisboa são os
cional e internacional.

Prémio - Os macedenses, S
do de Cavaleiros porque em todo
o país é assim. T
passeios, no Alentejo qualquer aqueles que ainda cá vivem, Saúde - Neste aspecto Trânsito - Se bem que não
árvore serve para estacionar o merecem um prémio. Os Sanitários Públicos – São Macedo vai menos mal, à parte existam passadeiras em todos
veículo mais comum de qua- macedenses e todos os trans- coisa que não fazem falta a quem da polémica gerada em torno do os cruzamentos e alguns sinais
tro rodas, perdão, patas. Nós montanos. só por isso: por cá anda no campo. Desde cedo bloco cirúrgico e da inspecção deixem a desejar, Macedo não
estamos bem obrigado. Honra (sobre)viverem. nos habituamos a estabelecer feita no hospital. No centro de é um local de grandes engarra-
seja feita aos autarcas actuais uma relação com a natureza e saúde foi recentemente criado famentos. Ainda bem... Mas há
e seus antecessores, Macedo as necessidades fisiológicas em um novo serviço que dá pelo situações em que talvez isso pos-
está dotado de boas infra-es-
truturas a nível de estaciona-
mento. Senão repare. Toda a
Q perfeita harmonia, tudo é biode-
gradável e a natureza recicla a
coisa mais odorenta em lindo e
nome de “consulta de recurso”.
Este serviço serve o utente
das 8.OOh às 20.00h, criando
sa mudar. Quando se reconstrói
na rua, a tendência geral é para
alargar as faixas de rodagem,
zona circundante do hospital, Qualidade de vida - É cor- cheiroso rosmaninho. Na vila já
celeiros, Feira de S. Pedro, rente dizer-se que as pequenas não é assim, o que passaria des-
mercado incluindo as avenidas cidades oferecem melhor quali- percebido entre urzes e giestas
circundantes ao centro urbano dade de vida que os grandes marca bem a sua presença de
são minimamente largas para aglomerados de betão, e Por- uma forma desagradável, se es-
o permitirem. Claro está, só o tugal já vai tendo alguns. A vida tiver no passeio. Para evitar que
comodismo crónico de querer que se leva em Macedo ainda se fertilizem passeios em que es-
levar o carro para dentro de consegue ser pacata, mas tem teva e rosmaninho não deve na-
qualquer café, pronto-a-vestir dias que a pequena urbe assume scer. Existem, então os sanitári-
ou mesmo o jardim, nos leva ao proporções de grande cidade. Se os públicos e Macedo tem dois,
queixume habitual, como se o não acredita saia à rua, de carro, um entre o edifício da Câmara e
carro fosse um animal de esti- em dia de feira e experimente o dos correios, outro na estação.
mação. Deixem-se de lamúrias, atravessar todo o centro da ci- E para se fazer justiça, deva-se
aparquem as vossas “voitures”, dade e veja quanto tempo demo- dizer que estão bem mais limpos
nos bons espaços circundantes ra. Sem complicações e a andar que a média por esse Portugal
e deixem o centro urbano limpo a passos largos está o estudo de fora. Só que como nada é per-
Macedo de A a Z | Cipreste | Junho 2009 | 7

pois o número de automóveis que o substituem, companhias alma quando se olham coisas ados, vulgo Convalescença vai
é crescente, pelo que vão con- privadas, que sem escrúpulos assim. trazer ao Hospital de Macedo WWW.CIPRESTE.PT
quistando espaço aos peões. O só visam o lucro e privam os É pena, porque quem paga mais 30 camas. Está mesmo a cipreste@mail.telepac.pt
que se passa no jardim da câ- utentes do direito ao desconto, são os nossos olhos. ler bem, vai trazer. Afinal, sem- O Cipreste está na net!
mara é exactamente o contrário. por velhice ou invalidez, a que
Todos nós sabemos que os por lei deviam ter direito.
funcionários da câmara (do ex- www.jornalcipreste.com
ecutivo talvez) têm e devem ter Transportes - Encontramo- O Cipreste tem mesmo um
um lugar para estacionar, mas nos, de facto, bem servidos em sítio na Internet.
pelo que já se antevê do que vai termos de transportes. Não te- Lá pode deixar-nos suges-
ficar a rua (..), é um caso único. mos um aeroporto, é verdade, tões de reportagem.
Só há espaço para um carro e, mas aqui ao lado, em Bragan-
como de um lado existem ca- ça, há um aeródromo com duas
sas comerciais, depreendo que
nunca poderão ser fornecidas
ou quando o forem, o trânsito
ligações diárias a Vila Real e
Lisboa. Também não temos
comboio vai para 20 anos, mas
X
terá que passar, ou talvez ainda a velha estação de Macedo con- Xisto - se recuássemos no
seja feito o abastecimento por tinua tal e qual como a fotogra- tempo seria facilmente identi-
outra alternativa qualquer em famos pela última vez em 1997. ficável que praticamente todas
que não prejudique ninguém. Bem, tal e qual não será o ter- as aldeias de Macedo de Cava-
Não imagino qual, mas espero mo correcto. A vegetação está leiros eram tradicionalmente ed-
que assim seja. maior e mais densa e o edifício ificadas em xisto. Hoje, bastante
encontra-se mais degradado, a descaracterizadas, esta rocha
Transportes - Toda a gente ver mais próxima a sua morte. metamórfica, pelo menos na
que mora fora da vila, desejaria A ligação ao litoral do país por construção, é um bicho raro em
ter um autocarro que saísse de autocarro efectua-se em difer- extinção. As aldeias transmon-
Macedo á hora que se despa- entes horários por dia e com tanas, e também do interior da
chasse. Mas isso é impossível. bastante conforto. As ligações Beira Litoral, eram geologica-
De um modo geral, estamos a diferentes localidades do con- mente xistosas. A técnica de
aplicação era a sobreposição,
sendo depois cobertas as ca-
sas com madeira de castanho.
Portas e janelas também em
madeira. Com a moda das pe-
tições, qualquer dia assistimos
aos transmontanos a fazer uma
pelo regresso do xisto!

Z
Zebras - Como quem diz
passadeiras, servem para aju-
pre se traz algo, depois de terem dar e proteger os peões dos
Urbanismo - urbanismo é saído as cirurgias, grande parte automobilistas. Ajuda-nos a
um conceito distante de Mace- do laboratório de análises clíni- deslocar perpendicularmente
do, só não mais notado porque cas, e até alguns médicos. Há aos passeios ou a seguir em fr-
não há expansão da cidade, pouco tempo uma força política ente, são como uma ponte para
que se encontra confinada aos falava que a intenção do gov- a outra margem .
mesmos limites de há vários erno era transformar o hospital A lei considera-as vitais, por
anos. em um Centro de Saúde de 3ª isso criou legislação específica
Por exemplo, qual o con- geração; em Portugal, alguns sobre elas.
ceito de urbanismo entre a também já têm unidades de cui- Macedo de Cavaleiros igno-
rua do Padrão e a Av. D. Nuno dados continuados. ra-as na maior parte das ruas.
Álváres Pereira, onde antes foi Urge, senhores responsáveis por
o cemitério, há quatro anos que tal falta, mandá-las colocar nos
está assim, despido, desolado.
Qual o objectivo? V respectivos sítios, seja uma ou
cem, podem ser inestéticas, mas
também podem salvar vidas.
Umbigo do Mundo - Muitos Vinho - è um elemento mais
anos de pesquisa e investigação ou menos natural, que faz parte Zzzzzzzz - Contra moscas,
levara à conclusão de que no integrante do dia-a-dia de muita melgas, mosquitos, descrentes,
Maciço de Morais se encontra o gente no nosso concelho. É Indonésios, Espanhóis, vacas
umbigo do mundo. Há 450 mil- também a droga mais consu- loucas, insónias, aborrecimen-
hões de anos atrás ali se deu a mida por homens, mulheres e tos, dores de cabeça, dores
bem servidos de transportes. celho também são diárias. Mas colisão entre os dois continentes crianças. É sem dúvida, para de cotovelo, mouros, vânda-
Temos autocarros que cruzam a Central de Camionagem con- existentes, Laurússia e Gond- muita gente, um companheiro los, cabeças rapadas, loiras
o concelho, estamos ligados por tinua a ser uma miragem. Con- wana, fechando o único oceano, indispensável para a sede e oxigenadas, propinas, grilos,
serviços Expresso às principais tinuamo-nos a servir da “velha” o Rheic. Originaram uma nova não só, pois há muita gente que batata da CE, injustiça social,
vilas e cidades que nos rodeiam, zona do Cabanelas, onde o vel- reorganização dos continentes, não se lembra do sabor cristali- tomate holandês, tabaco, polu-
até há uma companhia de trans- hinho Cipreste, o original, per- mas ainda não a que hoje con- no da água. ição, recomenda-se a leitura do
portes que nos leva ao Porto em manece jazendo. hecemos. A geologia e a biolo- Existem várias qualidades CIPRESTE.
2h 30m, 3 vezes por dia. gia encontraram ali vestígios de vinho, a nossa, mais maduro
Não precisamos de ter aero-
porto para irmos a qualquer
lugar do mundo. Mas, é uma
U que fazem deste um dos cinco
únicos lugares do mundo, os
umbigos do mundo. Afinal temos
tinto do que branco, bem tem-
perado de grau, consegue em
alguns lugares um suave trago
Zzzzzzzz - Contra moscas,
melgas, mosquitos, descrentes,
gripe A, banqueiros, Espan-
pena que tenhamos ficado sem Urbanismo - Temos casas história, e de muitos anos. Criem- e um sabor bem encorpado. hóis, insónias, políticos cor-
o caminho-de-ferro, ficamos in- novas e velhas, temos ruas no- se as condições necessárias, os ruptos, aborrecimentos, dores
calculavelmente mais pobres. O vas e velhas, temos e tivemos percursos, as explicações, os Vila - em 1997 era vila hoje de cabeça, dores de cotovelo,
comboio não era só um meio de PDM’s, mas não temos urban- transportes e venham daí esses é cidade, em 1997 era uma boa vândalos, loiras oxigenadas,
transporte, era o único contacto ismo, penso até que nunca turistas. vila (para a região), hoje Mace- Partido Nacional Renovador,
de algumas povoações com o tivemos. O que temos é uma do de Cavaleiros é uma cidade grilos, exploração infantil, mão-
exterior. Era acima de tudo, um mistura da vontade de cada Unidade de Cuidados com graves problemas de sus- de-obra barata, demagogia,
valor cultural adquirido. Nen- um, entenda-se dos que têm Continuados - Não é como as tentabilidade económica e de injustiça social, tabaco, polu-
hum outro meio de transporte dinheiro para construir, dos en- obras do Convento de Mafra, fixação de população, a ser ab- ição… recomenda-se a leitura
proporciona a liberdade que as genheiros no seu tempo e de- mas sempre sofreram alguns sorvida por Bragança e Miran- do CIPRESTE.
pessoas tinham no comboio. pois arquitectos. atrasos e complicações. Foi dela. Será que hoje Macedo de
A C.P. é uma empresa es- Começa a haver zonas jar- preciso aguardar que o Centro Cavaleiros mereceria a subida Edição de Junho 1997: Daniel
tatal, pública que deve existir dinadas, ruas mais largas, mas de Saúde abandonasse as in- de escalão? Silva, Rui Miranda, Rosário
para servir o cidadão e não para não existe coerência entre o stalações, o chão abateu, mas Bragada, Hélder Morais,
o abandonar, deixando-o sem traçado das casas da mesma agora espera-se que a fita seja Edição de Junho 2009: Rui
alternativa que não seja utilizar
o transporte das companhias
rua. Não é preciso ser arquitec-
to para perceber o que dói na
cortada ainda este ano. A nova
Unidade de Cuidados Continu- W Miranda; Miguel Midões, Nélio
Pimentel
8 | Junho 2009 | Cipreste |
Para se produzir arte, acima de qualquer destreza
manual é preciso ser-se criativo e inovador,
persistente. É necessário trabalho, muito, e
continuar a acreditar. Ainda mais no nosso país em
que ser artista não é fácil.

Entrevista
“A arte não Saliento que tudo isto traduz-se em mais
portas abertas para jovens artistas. No meu
caso, sou financiada pela galeria António
Prates. Como eu há outros jovens artistas

é por acaso”
que têm o apoio de outras galerias. Isso há
alguns anos era impensável.

Dá título a todas as obras porquê?


É o modo mais imediato de passar a men-
sagem que me levou à concepção de uma
obra. É importante que o espectador capte a
mensagem
Cipreste - Como caracteriza o está em contacto assíduo com novas
seu trabalho? expressões de arte, então dificilmente
Eva Alves - O meu trabalho tem irá gostar de arte.
influências do dadaísmo e surrealismo
e, obviamente, da arte conceptual. Tra- Tudo é arte?
balho com objectos, descontextualizo- A pergunta é genérica, tem
os e associo-os a um outro conceito. que ser colocada num contexto
Na sua maioria são objectos do mais específico, já que é um
universo feminino, ao manipulá-los termo mais abrangente.
pretendo chamar a atenção para os
Eva Alves nasceu em Mirandela e vive problemas sociais da mulher. Princi- Há alguns anos, na entra-
actualmente em Macedo de Cavaleiros. É palmente na nossa região onde a mul- da da famosa, e reconhecida,
licenciada em artes plásticas-pintura pela her é, ainda, muito reprimida. exposição ARCO de Madrid, o
Faculdade de Belas Artes da Universi- público deparava-se com um
dade de Lisboa, tem-se notabilizado pelos Mas usa também objectos tradi- cartaz que dizia “nem tudo o
trabalhos no domínio da escultura. cionalmente conotados com o uni- vai ver é arte”…
Embora jovem, o seu trabalho tem conhe- verso masculino, por exemplo a Provavelmente isso foi feito
cido vasto público e tem recolhido positi- betoneira… por um artista. Não conheço essa
vas referências na imprensa da especiali- Ao revestir a betoneira de veludo, situação, mas provavelmente foi
dade, tanto nacional como estrangeira. atribuo-lhe sensualidade que é car- criado inserido num contexto artís-
Eva Alves vai expôr no Centro Cultural acterística do universo feminino. São tico. Há vários artistas que brincam
de Macedo de Cavaleiros em Setembro universos que se tocam… com o tema. É também um modo
próximo. É uma forma de chamar a atenção de chamar a atenção.
Do seu vasto currículo destacamos: para um contexto social mais contem- Participei numa exposição colec-
porâneo. tiva em que uma artista tinha uma in- do artista. Daí a arte conceptual.
EXPOSIÇÕES stalação, composta por um conjunto O que eu produzo como arte não pode ser
O seu trabalho tem muita sensu- de caixas, que, juntas, compunham a dissociado de um contexto. A arte não é por
2009 - Arte Madrid, stand Galeria António Prates, alidade, é um objectivo em sí? expressão: “artista fingidor”. É um con- acaso.
Madrid. São objectos que apelam ao tac- texto semelhante.
Exposição "DISPOSABLE YOU", Galeria to, de facto. Contudo não gosto que Para se produzir arte, acima de Toda a arte tem mensagem?
António Prates, Lisboa. lhes toquem, e o público não percebe qualquer destreza manual é preciso A mensagem é fundamental, sem men-
2008 - Arte Lisboa, Feira de Arte Contem-
porquê. É uma forma de invasão de ser-se criativo e inovador, persistente. sagem não há arte.
porânea, stand Galeria António Prates, Lisboa.
Arte Madrid, stand Gal. António Prates, Madrid.
privacidade. Agrada-me que os ad- É necessário trabalho, muito, e con-
2007 - Arte Lisboa, Feira de Arte Contem- mirem visualmente. tinuar a acreditar. Ainda mais no nosso Mas há várias obras suas com o mes-
porânea, stand Galeria António Prates, Lisboa. país em que ser artista não é fácil. mo título…
Exposição "Artistas na Colecção da Fundação É femininista? Se formos à baixa de Lisboa ou do Porque pertencem à mesma série. Fun-
António Prates", Fundação António Prates, Não gosto dessa palavra. É, pos- Porto encontramos pessoas a desen- cionam como uma instalação. Com a diferen-
Ponte de Sor. sivelmente, uma palavra inventada har ou pintar com muita destreza de ça que uma instalação resume-se ao espaço
Arte Madrid, stand Gal. António Prates, Madrid. pelos homens. Não sou femininista no mãos, mas isso não é arte. De outro onde é criada, as minhas obras funcionam,
2006 - Arte Lisboa, Feira de Arte Contem-
conceito lato, mas tenho sensibilidade modo também estariam nas galerias. têm autonomia em qualquer espaço.
porânea, stand Galeria António Prates, Lisboa.
Exposição "Narrativas femininas", Galeria Sete,
aos problemas da mulher, que acho
Coimbra. ainda serem muito reprimidas. A arte é produzida para o mer- O facto de viver em Macedo de Cava-
2005 "ANTECIP"ARTE 2005, Uma selecção da cado ou o público adapta-se às so- leiros tem implicações no seu trabalho?
mais jovem expressão artística nacional", na A arte é elitista? licitações dos artistas? O facto de ter vivido até aos 18 anos em
Estufa Fria, em Lisboa O objectivo da arte não é ser elitis- Há galerias muito diversas. Há de Trás-os-Montes tem muita influência no meu
Exposição "Jovem Aposta em Ti", Prémio de ta. O próprio público faz com que seja tudo no mercado da arte. Há galerias trabalho, o que contribui também o facto das
Pintura e Escultura Artur Bual 2005. elitista. ´ que têm uma aposta mais qualitativa mulheres, aqui, serem tradicionalmente, rep-
2004 Exposição de Finalistas da Faculdade de É necessário apreender a arte, se o e outras mais direccionadas para o rimidas.
Belas Artes 2004/2005, Galeria Mitra, Lisboa.
público não frequenta exposições, não mercado. Os materiais que uso no meu trabalho


fazem parte deste universo, são daqui. O
facto de cá viver permite-me a recolha dess-
es objectos, se vivesse em Lisboa seria mais
O objectivo da arte não é ser elitista. O difícil, por um lado ter acesso a esses objec-
tos e por outro conhecê-los.
próprio público faz com que seja elitista. A interioridade não limita a criativi-
É necessário apreender a arte. Se o público dade?
Não limita porque saio muito, mesmo as
pessoas que vivem em Lisboa não vão todos
não frequenta exposições, não está em con- os dias a exposições ou cinemas ou ao te-
atro. É possível encontrar um equilíbrio e um
tacto assíduo com novas expressões de arte, padrão de vida compatível com o processo


de criação. Não só nas artes plásticas, mas
então dificilmente irá gostar de arte em qualquer forma de arte.
Entrevista: Rui Miranda
| Cipreste | Junho 2009 | 9
Queres verdade? Aí vai, doa a quem doer, aí vai ela, bonita, Macedo de Cavaleiros tinha também a sua arvore
audaz, por vezes agressiva e louca se atacada, mas sempre jo- emblemática, tutelar, que, se nunca chegou a
vem, sempre pronta a acompanhar o tempo, como acontece ser classificada, era na verdade uma presença
neste período que apelidam de “aceleração histórica”. Sempre ig-
benquista, a recordar velhas e picaras páginas da
ual a si própria – é a verdade – chama-se assim, só tem um nome,
uma face, uma cor, uma raça, um credo. modesta história local. Era o Cipreste.
Manuel Vitorino A. M. Pires Cabral

EDITORIAL
Ideias & debate Ideias sobre tudo e nada

1
. O Cipreste voltou. 12 anos depois.

Fénix
Cipreste é a revitalização de um projecto
editorial de 1997, intitulado Cipreste.
Da ideia de 1997, esta equipa (composta
por alguns dos mesmos elementos de há 12
anos), pretende ir buscar a independência e
n Daniel Silva
irreverência que a caracterizaram.
Macedo precisa de um jornal, tal como precisava há 12 neste universo?

A
fénix (em grego
anos. Um espaço público de debate, de informação e de for- ϕοῖνιξ) é um pássaro Será que por cada criança
mação. Esta é também uma medida da liberdade de um povo, da mitologia grega que padece no parto ou an-
da sua autonomia e da sua aptidão.
e egípcia que, quando morria, tes, tivessem essas mães pelo Profetas da
Seria muito mais cómodo continuar, deixar andar, ir
entrava em auto-combustão e mundo fora desistido, ainda exi-
levando a água ao moinho, mesmo que lentamente. Ouvir
passado algum tempo renascia stiria humanidade?
injustiças e calá-las, conhecer feitos bravos e não os pro-
mover, mas o compromisso ético com a Carteira Profissional
das próprias cinzas.
Já os oiço nas esquinas, nos
Será que se os nossos
capitães de Abril tivessem ficado
desgraça,
e com o público de Macedo não me permite.
bancos de jardim, nos cafés, às portas de Lisboa, estaríamos
Sei bem que é ano de eleições, se isso nos passou
despercebido (a mim pelo menos) há 12 anos, agora tenho-o
nos seus lares recostados nas este ano a comemorar trinta e habituem-se!
suas confortáveis poltronas, cinco anos de liberdade?
bem presente. Conheço muito melhor a classe política. Sei
uns rindo-se, outros cochichan- Profetas da desgraça, habi-
que, especialmente nesta altura, qualquer verbo de escolha
infeliz pode ser arma de arremesso de conotação política. do, outros roendo-se de inveja, tuem-se! Haverá sempre uma Haverá sempre
Mas conotações, aqui, só as há com o sentir macedense. sim esses mesmos, os profetas Fénix, seja na política, nas ciên-
Reafirmo o que, no fundo da página, é publicado no Es- da desgraça, os acomodados e cias, na luta pelas liberdades,
tatuto Editorial: outros que tais, que se refugiam nas artes e tantas outras e in- uma Fénix, seja na
O CIPRESTE é responsável apenas perante os leitores, nas suas parcas existências, in- contáveis actividades.
numa relação rigorosa e transparente, autónoma do poder capazes de um rasgo individu- Quando no outro dia recebi
político e independente de poderes particulares. al, impotentes de gerarem uma a notícia do ressuscitar do Cip- política, nas ciên-
Ao reeditar o Cipreste estamos também a homenagear ideia, resmungando: Lá vem reste via telemóvel (modernic-
os que trabalharam para que o Cipreste desse às bancas em este tipo outra vez, então isto es, já ninguém usa o velho tele-
1997. Por isso mesmo, para o Daniel, a Gena, a Rosário, o não tinha já padecido? fone ou carta…que saudades cias, na luta pelas
Hélder, a Jacinta e o Pedro, obrigado. Pois é, a vida é assim. Há da velha BIC, sim essa da es-
pessoas que nunca desistem e crita fina, escrita normal…), do
é isto que nos torna felizes. A ressuscitar desta Fénix, senti liberdades, nas
mim, a mais outro, a dezenas, saudades de outrora, porque
2 .Em plena área de reserva agrícola, de regadio, com
protecção especifica e onde não se pode construir
para habitação, está a ser edificada uma luxuosa vivenda.
centenas, milhares e milhões.
Voar, quem nunca o dese-
há doze anos atrás também eu
sonhei. artes e tantas out-
Pessoalmente não tenho nada contra o dono da obra, jou e sonhou! Quantos antepas-
António José Espírito Santo. Tinha o sonho de construir sados nossos não morreram a Escrevi nessa altura: “Du-
naquele lugar, lutou por isso e conseguiu. tentar cumprir esse sonho. Será rante todos estes anos, várias ras e incontáveis
Sobre quem o permitiu já tenho uma opinião bem difer- que se Dédalo e Ícaro, Giovanni tentativas de implantação de um
ente. Battista Danti, o Padre Barto- órgão informativo existiram, al-
Só é possível ter uma licença para construção de uma lomeu Lourenço de Gusmão, gumas mesmo tentadas por per- actividades
curriça e fazer uma vivenda porque há pessoas corruptíveis, Wilbur e Orville Wright, entre sonalidades locais como o ac-
contornáveis, fáceis, sem valores morais sólidos, pes- muitos outros, tivessem só ten- tual Presidente da Câmara, (da
soas que não vêm o que não querem, deixam passar quem tado uma vez, teríamos nós altura) outras por menos ilustres
querem, pessoas que fazem um voto de desempenho com atravessado Atlânticos, pisado mas igualmente válidas”, por
ética e rectidão e esquecem-se logo, nas curvas do dia-a-dia. a Lua, bisbilhotado Marte e não isso Rui, a ti e aos teus colabora- ”Mais vale uma má ideia do que
É assim a pessoa que permitiu que a obra se realizasse sem desistido nunca de tentar per- dores venho só recordar o lema ideia nenhuma”. Que a força es-
a questionar, sem a fiscalizar. ceber se estamos ou não sós que nos moveu nessa aventura: teja convosco. l
Não é preciso receber dinheiro para se ser corrupto, basta
que se tenham dois critérios, um para o Zé, anónimo, outro

Estatuto Editorial
para o Zé, o amigo, ou o amigo do amigo.
Será que é por isso que se houve que Tozé Espírito Santo
vai ser o candidato do PSD à Junta de Freguesia de Macedo
de Cavaleiros?
É caso para dizer: há coisas do diabo!
Rui Miranda CIPRESTE é um projecto de informação em sintonia com o processo de mudanças

Cipreste
tecnológicas e de civilização no espaço público contemporâneo, local e universal.
CIPRESTE é um jornal de informação, orientado por critérios de rigor e criatividade
editorial, sem qualquer dependência de ordem ideológica, política e económica.
CIPRESTE revê-se numa tradição europeia de jornalismo exigente e de qualidade, re-
Director: Rui Miranda Redacção: Miguel Midões; Nélio Pimentel; cusando o sensacionalismo e a exploração mercantil e ideológica da matéria informativa.
Paulo Nunes dos Santos; Rui Miranda. CIPRESTE é uma publicação regional, aposta numa informação diversificada,
Colaboraram nesta edição: A. M. Pires Cabral; António Duarte
abrangendo os mais variados campos de actividade e correspondendo às motivações e
Bento; Daniel Silva; Fernando Mascarenhas; Helena Cavadinhas;
Manuel Cardoso; Manuel Vitorino; Rogério Paulo Correia; interesses de um público plural.
Registado no ICS com o n.º 127096 CIPRESTE considera sua missão a defesa de causas regionais, com interesse para
Paginação: Edições Imaginarium, Lda. Impressão: Casa de a maioria dos cidadãos, comprometendo-se a informar os seus leitores, de forma clara,
Trabalho - Bragança das suas posições em sede editorial, e a exercer o princípio do contraditório nessas ma-
Sede: Edificio Translande Loja, 49 térias.
Apartado 82 CIPRESTE considera que a existência de uma opinião pública informada, activa e
5340 219 Macedo de cavaleiros interveniente é condição fundamental da democracia e da dinâmica de uma sociedade
Telf. /Fax 278 422 511; aberta, que não fixa fronteiras regionais, nacionais e culturais aos movimentos de comu-
e-mail: geral@cipreste.com
nicação e opinião.
Sitio Internet: www.cipreste.com
Propriedade e editor: Rui Jorge Miranda da Silva; Macedo de CIPRESTE é responsável apenas perante os leitores, numa relação rigorosa e trans-
Cavaleiros parente, autónoma do poder político e independente de poderes particulares.
10 | Junho 2009 | Cipreste | Ideias & Debate

Cipreste por Cipreste


n A. M. Pires Cabral
cula para significar o apreço

H
á árvores que, os Macedenses, para festejar a uma hora bem passada, a olhar remete-nos para a veneranda ár-
pelo seu tamanho, que tinha por aquele colosso ao promoção, tanto como para vin- para aquelas talhas, imagens e vore caída - o que significa que
pela sua localiza- cimo do jardim público, que já gar a incredulidade provocatória altares. a novel Associação Cultural e
ção, pelos que estava há muito ano naquele lu- dos de Chacim, teriam então Informativa de Macedo de Cava-
lhe fruem a sombra, o fruto ou gar quando frequentei a escola pendurado uns quarteirões de leiros tem respeito pela história.
a beleza, ou por qualquer outro que ali a dois passos funcionou, laranjas no Cipreste, que já en- Pois enganaram-se, É bom sinal que os jovens res-
particular, ganham uma digni- nos baixos do Moreno, com um tão seria velhinho e devia meter os meus patrícios peitem a história, porque nen-
dade especial. Quase como de tal de senhor professor Amândio um vistão assim enfeitado a bo- ceboleiros. Em 31 hum passo que a humanidade
pessoa. que parece que ensandeceu de las de ouro... de Dezembro de deu até hoje poderia ter sido
Assim é o caso da célebre tanto aturar meninos... Já nessa Vendo-a pelo mesmo preço
1853, Macedo ar- dado sem que milhentos passos
“acácia do Jorge” (que por sinal época o Cipreste deitava aquele por que ma venderam a mim. tenham sido dados antes. Não
não é acácia nenhuma), na casa respeitável corpanzil e à sua O velho Cipreste já não está
rebatou mesmo a significa contemplação mórbida
de São Miguel de Ceide, que volta, nos intervalos da cartilha, no seu lugar. Foi necessário categoria de sede de do passado, mas comprensão
Camilo ouviu bater vezes sem brincávamos ao rou-rou e outros abatê-lo, pois tornara-se tão concelho a Chacim, e dos mecanismos que empurram
conta com a ramagem nos vid- entreténs infantis. decrépito que ameaçava cair, os Macedenses, para a sociedade para a frente. Fu-
ros da janela, em intermináveis e certamente com bem mais pre- festejar a promoção, turo numa palavra.
tempestuosas noites de insónia Pois o Cipreste já não está juízo, no primeiro pé-de-vento. tanto como para vin- Procurarei sempre que pos-
ou trabalho à banca de escritor, lá. Diremos que foi mais uma Há que lamentar-lhe a morte, gar a incredulidade sível deixar nas páginas do Cip-
e que celebra uma parelha de baixa nos pouquíssimos memo- mas compreender as razões reste os meus testemunhos, as
alexandrinos que ficou famosa: riais que Macedo tem. Ele está dela. Não nos podemos agarrar
provocatória dos de minhas alegrias e as minhas in-
ligado - como deixei escrito num eternamente às coisas, sobretu- Chacim, teriam então quietações. Oxalá a ideia prev-
Quando a acácia do Jorge dos meus romances, por o ter do àquelas que são perecíveis pendurado uns quar- aleça e Macedo passe a ter, por
inda uma vez enflore, Chamai- ouvido da tradição - à criação do e hão-de por força ter fim, quer teirões de laranjas no muitos anos e bons, um órgão
me que de Abril nas auras vol- concelho de Macedo de Cava- queiramos quer não. Cipreste, que já então de exaltação e defesa. É um
tarei. leiros, à custa dos de Chacim e De qualquer maneira, repito, seria velhinho e devia projecto bonito, pelo qual vale a
Cortiços. Deu-se o caso que a foi mais uma referência histórica meter um vistão as- pena fazer alguns esforços, pas-
É o caso também do não gente de Chacim - terra que ain- que desapareceu, e Macedo sar por algumas incomodidades.
menos célebre plátano de Alijó, da hoje é conhecida nas aldeias é tão escasso delas... O pior é
sim enfeitado a bolas Parabéns aos jovens que dão
árvore centenária de dimensões circunvizinhas por “a vila” - não que estão desaparecendo to- de ouro... corpo e rosto a esta iniciativa.
invulgares, que mereceu ser acreditou que jamais a sua terra das as outras. Contam-se pelos Saibam as instâncias compe-
classificada como monumento perdesse importância a favor de dedos as padieiras das portas tentes, a começar pela Câmara
de interesse concelhio, supon- Macedo e, para desacreditar as que ainda exibem datas que re- O Cipreste foi pois abaixo. Municipal, dar o apoio indispen-
ho, como qualquer capela ou esperanças dos Macedenses, montam ao séc. XIX. O Prado Testemunhei a sua falta domin- sável nestes primeiros passos.
vestígio arqueológico. dizia que tal só sucederia quan- de Cavaleiros perdeu há muito go de Pascoela, e veio-me uma Macedo só tem a lucrar. E, lá no
Macedo de Cavaleiros tin- do o Cipreste desse laranjas, o a capacidade de evocar os pontinha de água aos olhos. Era céu das árvores, o velho Cipre-
ha também a sua arvore em- que equivale a dizer em dia de primórdios da vila. O palacete mais um fragmento da minha in- ste deve sentir-se confortado,
blemática, tutelar, que, se nunca São Nunca à tarde ou quando nas traseiras da Câmara Munici- fância que desaparecia. porque, de alguma maneira, não
chegou a ser classificada, era as galinhas tiverem dentes. pal ameaça ruína. Que restará Mas alegremo-nos, que a morreu: prolonga-se num jornal.
na verdade uma presença ben- Pois enganaram-se, os meus dentro de uma década? A Igreja hora não é de tristezas. Porque Que melhor destino para uma
quista, a recordar velhas e pica- patrícios ceboleiros. Em 31 de Matriz - e é um pau. Que, diga- das suas cinzas nasce um outro árvore? l
ras páginas da modesta história Dezembro de 1853, Macedo ar- se de passagem não é tão mod- Cipreste: este que o leitor tem Texto publicado em Junho de
local. Era o Cipreste. Escrevo- rebatou mesmo a categoria de esta como às vezes nos querem nas mãos. É Cipreste por Cipre- 1997, agora re-editado com
lhe assim o nome, com maiús- sede de concelho a Chacim, e fazer querer: passa-se lá dentro ste. O título que este jornal leva autorização do autor.

Brevíssima Reflexão
sobre a (nossa) Crise n Rogério Paulo Correia

E
stamos em plena chefe, numa funcionalização mo se aproxima a passos largos. recusando-se a jogar com as não têm um verdadeiro direito
crise (que dizem serviente e deletéria, em que a Mas como nem tudo são regras exigentes do mercado, de foro para reparação do injus-
financeira… mas coação tão habilmente forjada desvantagens, a crise está a viciando-as, e viciando-o, e ti- to e a Escola não é um lugar de
que é sobretudo nos força a aceitar tudo como actuar como um revelador de ram vantagem na aposta em transmissão de conhecimento,
de valores.) E que não é uni- nas comunidades mafiosas. fotografia: sem espanto algum, ex-titulares do regime, pagan- de educação, de respeito (pelo
camente nossa, porque ela A crise veio pôr ainda mais a descobrimos que os homens do-lhes principescamente para que estamos necessitados de
varre o mundo por igual. Mas nu as nossas fragilidades. Para da alta finança agiam como estes continuarem a fazer o que reabilitar a Casa da Justiça e a
como Portugal continua a ser quem consiga olhar por entre o aranhas cúpidas, entretidas no sempre fizeram: donos de uma Sala de Aula, sem as quais a ci-
(perdoe-se-me a franqueza nevoeiro denso, verá que o abis- centro da sua teia a devorar boa agenda de contactos, culti- dadania fica insuportavelmente
quase indesculpavelmente an- as nossas poupanças; desco- vam pacientemente as relações empobrecida).
tipatriota) o país mais atrasado brimos que quem nos governa privilegiadas como um japonês A actual crise gerou uma
da Europa, a nós vai custar-nos A actual crise gerou não faz ideia para onde nos cuida do seu bonsai (pelo que oportunidade ímpar: a de nos
bem mais a sair dela.
Portugal está aonde está
uma oportunidade leva e como afastar os perigos,
e que tergiversa quando neces-
temos de saber criar condições
para um empresariado indepen-
desfazermos dos Rothschild de
fancaria, da “tralha” política, dos
porque teima em desbaratar ímpar: a de nos des- sitamos de dirigentes arrojados, dente do Estado, dinâmico, ino- falsos “Belmiros”, e de repensar
oportunidades. E persiste em não gente desafiadora e desabrida, vador, capaz de competir num o país à luz dos novos desafios
fazer as reformas que são urgen- fazermos dos Roth- gente como aquele piloto que mercado livre e sem fronteiras sabendo de antemão que se
tes. O que é estranho, porque schild de fancaria, aterrou no Hudson e que, na e que saiba que a empresa é mantivermos o actual estado
até somos um povo ordeiro, que emergência, entre a vida e a um espaço de responsabilidade das coisas espera-nos um fu-
não se sobressalta muito contra da “tralha” política, morte, sem muita conversa, não social e não de mera usura); turo sombrio. A mantermo-nos
a intrusão do Estado, e que é dos falsos “Belm- demorou um segundo a tomar descobrimos que temos uma assim, nesta constante feudal-
capaz de obedecer, ainda que a única opção que garantia a administração pública anafada, ização dos interesses e da vida
a contragosto, por razões quase iros”, e de repensar salvação, impondo-se ao des- pesada, pachorrenta, gulosa de pública, em contra-corrente com
genéticas, como se, séculos de tino (pelo que urge eleger os mais de metade dos recursos a globalização e com a ideia
nacionalidade, nos tivessem do-
o país à luz dos melhores, os mais capazes, os produzidos no país, com abces- fundadora da União Europeia,
mesticado a rebeldia e açaimado novos desafios sa- que dão garantias de que nos sos de gritante improdutividade o mais certo é sermos atirados
o ânimo libertário. conduzem à Terra Prometida e (pelo que se exigem reformas ainda mais para a margem,
Talvez o mal maior seja bendo de antemão rejeitar aqueles que vêm dos profundas que a abram à mod- aonde chegaremos exangues
mesmo o termos Estado a mais que se mantivermos fundos do aparelho partidário, ernidade dentro de duas balizas: e desta feita sem trazermos
no acessório e Estado a menos gente anódina, ávidos de pod- o respeito pelo cidadão, uma, na mão – como Camões após
no essencial! De tal modo que o actual estado das er, capazes de tudo, sem uma prosseguir o interesse público, o naufrágio – como único sal-
todos se sentem dependentes
duma qualquer sinecura, de
coisas espera-nos única ideia que concite entu-
siasmo); descobrimos que há
a outra); descobrimos, sem as-
sombro, que temos sectores tão
vado, um qualquer poema uni-
versal, de epopeia, por onde os
uma qualquer vantagem, de um futuro sombrio empresários do regime, que vitais como a Justiça e o Ensino vindouros cantem uma qualquer
um benefício, de um qualquer torpedeiam quaisquer outros, em que, naquela, as pessoas nossa (vã) glória.l
Ideias & Debate | Cipreste | Junho 2009 | 11

Durvalino
n Manuel Cardoso

pelos seus fracassos. minhas diferenças de ano para para o chão como se estivesse

E
ncha agora o peito
de ar… isso… já Há pessoas por quem nos ano, ombro mais descaído, a ver a areia do campo de fu-
está! sentimos acompanhados toda bainha a precisar de acerto. tebol, a ouvir o Capela mandar Há pessoas por
Com a unha cravada con-
tra o risco dos centímetros,
a vida. Só nos vemos de longe
em longe ou de muito perto,
Naqueles minutos de medidas,
de provas, de conferências do
os de Mirandela para ao pé
do Tua, a discordar do Fraga
quem nos senti-
soltando-a na ponta depois de às vezes, quando nos cruza- pespontado, a conversa era naquela entrada, quase a dis- mos acompanha-
a ter apertado contra o peito, mos no acaso de um dia-a-dia sempre tida com o pressuposto cutir com o Jeremias antes do
sob os meus braços esticados em que parece termos estado de que ambos sabíamos exac- começo de uma segunda parte. dos toda a vida.
e levantados, o Senhor Dur- ainda há minutos. Cada encon- tamente da vida de cada um. No seu atelier de alfaiate havia Só nos vemos de
valino afastava-se com a fita, tro é como se tivesse acabado Sem nos metermos mas sem uma fotografia de uma equipa
voltando-a para a luz e olhan- de acontecer, anos atrás, ali, nos desconhecermos. E havia perfilada do Clube Atlético. longe em longe ou
do-a com atenção, repetindo o naquele instante.
Por isso, quando agora pen-
uma coisa sobre que ambos
nos interessávamos – e inter-
Ele mostrava-a com saudade,
claro. Mas ao descrevê-la logo
de muito perto,
número mentalmente e toman-
do dele nota na sequência certa so em tal, é como se o Senhor essamos - de sobremaneira. desaparecia a saudade, anu- às vezes, quando
das medidas. Durvalino tivesse apenas ido lá Macedo. Macedo sempre foi lada, afogada que ficava em
Há pessoas que nos acom- dentro tomar uma nota em ra- para nós um inesgotável mo- entusiasmo, alegria, orgulho no
nos cruzamos no
panham toda a vida. Não porque bisco na agenda posta sobre a tivo de conversa e de interesse. Clube, coisa luminosa de que acaso de um dia-a-
estejam connosco todos os dias mesa de trabalho, dos centímet- Raríssimo encontrar alguém não perdia a esperança.
e a todas as horas. Cada um ros da fita amarela que acabava com tamanho amor pela terra Por isso as nossas despe- dia em que parece
tem a sua vida e segue-a, feita de esticar do meu cotovelo ao como o tinha o Durvalino. didas eram sempre feitas com termos estado
de trabalhos e desencontros. meu punho. Tanto faz que ten- A sua cereja no bolo era o o sentimento de um até logo,
Mas, apesar disso, há pessoas ha sido há uns anos, muitos, já, Clube Atlético. Nunca preci- nada mais. Mesmo que o até ainda há minutos.
cuja vida é feita de atenções que
dedicam à vida dos outros. Sem
para um fato cinzento para levar
para o colégio ou para um so-
sei de consultar livro nem jor-
nal nenhum sobre a história
logo se demorasse por meses
ou fosse apenas interrompido
Cada encontro é
nela se meterem, sem coscuvil- bretudo azul escuro de forro de do nosso Clube: o Durvalino por um esporádico cumprimento como se tivesse
hice nem enfados. Com a pura setim. Enquanto esticava a fita sabia-a de cor porque a vivia ao passar em frente à sua por-
amizade de quem vê essa vida e, com um sorriso interior que como no presente. E ao con- ta. Como agora. Espero um dia acabado de acon-
dos outros decorrer ao lado da eu adivinhava, misturado com tar-me episódios passados poder dizer-lho de novo, trocar tecer, anos atrás,
nossa, sem atropelos nem inve- um respeito absoluto do qual revivíamo-los ali, passava a fita com ele novidades sobre Mace-
jas, com interesse pelos seus nunca lhe conheci um deslize, para trás da cabeça deixando-a do e sobre o Clube. Porque há ali, naquele ins-
trabalhos, com alegria pelos
seus sucessos, com tristeza
ia cavaqueando frases ao mes-
mo tempo que coleccionava as
descair pelos ombros, dava
dois passos com a cara voltada
pessoas que nos acompanham
toda a vida. l
tante.

Pensamentos
n Manuel Vitorino

J
á muitos procuravam to. É claro que não. É humano. de um imperativo ético-jurídico seram? Isso mesmo. Escondem
as ossadas, sonha- Humedeceram-te os olhos ao se trata, um autêntico – talvez o um carro descaracterizado, fora
vam com uma sepul- veres fome, escravidão e tor- mais autêntico – poder dever. O O mais importante da estrada, claro, colocam um
tura ao abandono, no cemitério tura. Infelizmente, são estes os mais importante dever dos nos- radar na berma, convém atrás
do mundo, coberta de musgo, pratos principais, no banquete sos deveres é pugnar pela ver-
dever dos nossos de uma moita, numa recta, se
imaginando estratégias para di- que os homens, invariavel- dade. Escrevê-la e dizê-la sem deveres é pugnar for inclinada, tanto melhor e,
vidir o espólio. mente, servem e regam com atavios, sem trejeitos de salão vai daí, vão-te ao bolso. Não,
Porém, desiludam-se, ele já sangue. Que pena serem estas e sorrisos de hipocrisia, ardil- pela verdade. Cipreste, não previnem, nem
chegou. Mais maduro, homem as marcas que colocam nos osamente ensaiados por essa Escrevê-la e dizê-la avisam, antes se emboscam. O
feito, alto, forte, entroncado, seus actos. espécie de gente que mais não bom será delinquir para, obriga-
olhar altivo e frontal. Este ilustre Confessaste-me que não en- faz do que pavonear mediocri- sem atavios, sem toriamente, pagar. Depois do
Macedense, tirou bilhete de re- trarias em festins literários, nem dade, de cerviz partida, com a
trejeitos de salão pagamento, é regra geral não
gresso e, confidenciou-me, veio a tua pena serviria para cinzelar face próxima dos sapatos de aplicar sanções acessórias, ou
para ficar. palavras e burilar conceitos que tantas vénias distribuir. e sorrisos de hi- prescrevem ou, se necessário,
Ah grande Cipreste! Bem- fugissem da verdade. Bem, ag- Talvez ainda te lembres do são administrativamente am-
vindo ao teu rincão nordestino, ora foi a minha vez. Humedece- tempo em que confiávamos no
pocrisia, ardilosa- nistiadas. É que só assim se
que tanto precisa da tua audá- ram-me os olhos de felicidade. poder jurisdicional. Lembras-te? mente ensaiados poderá voltar a prevaricar, para
cia, da tua firmeza, da tua rec- Queres verdade? Aí vai, doa a Não vás embora. Ajuda a tua poder voltar a pagar, para poder
tidão. Muito obrigado. Demais, quem doer, aí vai ela, bonita, gente. O humanismo abstracto por essa espécie voltar a prescrever ou para pod-
também digo, bem-hajas - meu audaz, por vezes agressiva e é egoísta. É aqui e agora que de gente que mais er amnistiar.
amigo – por teres falado dos in- louca se atacada, mas sempre urge lutar. Olha que este alic- Estamos perante um padrão
úmeros episódios que, por esse jovem, sempre pronta a acom- erce do estado de direito carece não faz do que cultural oposto ao exigido por
mundo de Deus, presenciaste. panhar o tempo, como acon- de urgente reparação. Mas há
pavonear medi- um verdadeiro estado de direito.
Não disseste que cresceste, tece neste período que apeli- mais, muito mais, vamos ter Já vês que os nossos valores,
porque és humilde, mas sei dam de “aceleração histórica”. tempo. É só dar-me o prazer ocridade, de cerviz vão sofrendo fortes abalos. As
bem, todos o sabem. Contou- Sempre igual a si própria – é a de passar umas tardes ali, no regras cedem, a moral inexiste,
se, na praça, que correste Seca verdade – chama-se assim, só Azibo.
partida, com a não percamos, também nós, o
e Meca, enrijeceste a têmpera tem um nome, uma face, uma Repara só nesta. Quando face próxima dos direito de contestar. A maldita
e mesmo assim choraste, que cor, uma raça, um credo. Des- te foste embora, as forças da anomia (socialmente entendi-
todos os dias lutaste. Acredito. cansa, aqui e agora vou fazer- ordem ainda não se escondiam sapatos de tantas da) está próxima. Há que cerrar
Não lágrimas de saudades, te a vontade. Terás um espaço para caçar incautos. Sabes vénias distribuir. já as portas. l
nem lutas com moinhos de ven- de luta pela exigência, porque agora o que fazem? Já te dis-
12 | Junho 2009 | Cipreste |
Última Fronteira 

Terra da Os Tres Museus


Fernando Mascarenhas

Magia
n
ou outra pequena excepção, senso para evitar aquele ex-

M
USEU,s.m. es-
tabelecimento a sensação que nos fica é de cesso, que resulta ridículo.
público onde absoluta pobreza. Muito… Na parte nova tem agora
estão reunidas colecções de ”lixo”. A maior parte do que ali uma exposição temporária
n António Duarte Bento objectos de arte, de ciência, está, a não ser pelo eventual do Millenium bcp. Essa sim,
etc.; … valor de mercado, ninguém o muito interessante e a valer

A
terra estende-se sob o
nosso olhar como um quereria em sua casa. Nem a visita. Uma boa representa-
labirinto. Os palácios Terra mágica de Para grande número à porta. Não haverá também ção da pintura portuguesa do
estão escondidos sob a névoa de pessoas, um museu é “produtos tóxicos” na arte? séc. XX e ainda de finais do
das casas pobres, fendidas pelo gente mágica que es- uma coisa que não cabe na Faz lembrar claramente a séc. XIX. De Silva Porto, Mal-
vento frio que traz a pneumonia.
A infecção alastra pela paisagem
pera a nova magia do definição de um dicionário. É “história do Rei vai nu!”. Não hoa e Columbano, a José de
pela fome de tanto tempo quieta novo ouro - querendo uma seca, um sítio chato onde recomendo. Guimarães, Noronha da Cos-
e inumana. Quem tem fome não se juntam coisas velhas. E é ta, Escada, Costa Pinheiro,
diz porque é vergonha ter fome. E que este seja mais também comum haver quem O segundo, foi o Museu passando por Pomar, Car-
os magníficos matizes das folhas
bailarinas ainda provocam sorrisos
puro. faça grandes viagens para de Arte Moderna de Bragan- galeiro, um belíssimo quadro
ver um Museu, e se esqueça de Menez, Nadir Afonso, Re-
de encanto nos esfomeados. O Terra que espera sende, Vieira da Silva, Alma-
ouro-cor pinta toda a paisagem de de visitar os da sua cidade ou
alegria sempre fendida pelo vento estradas, comboios região. da, Dórdio Gomes, Amadeo,
frio. Os homens e mulheres falam
e outros transportes Nestes últimos dias, visitei Nestes últimos dias, e outros. Vale a pena trazer o
de viagem a pé pelas fendas e
gretas da paisagem, onde elevam públicos; que espera
três museus. E, por razões
visitei três museus. catálogo.
diversas, os três me surpreen-
os seus pés a automóveis topo de
gama. Crescem pelos campos, uma matriz de urban- deram. O primeiro foi o Museu E, por razões di- O terceiro, foi o Museu
de Arte Sacra de Macedo de
pelos montes, pelos vales, sem-
pre inebriados desta paisagem de
ismo em arte que se de Serralves, que comemora
versas, os três me
dez anos de vida com uma Cavaleiros. Uma agradável
ouro agreste. Os palácios estão embeba na sua magia exposição que revela parte surpreenderam. O surpresa. Pela ideia em si,
escondidos nos montes agrestes,
luxuosamente escondidos e luxu- antiga criando uma do seu espólio. Serralves é,
primeiro foi o Mu-
por todo o trabalho a mon-
indiscutivelmente, um caso tante, valiosíssimo, e pelo
osamente vividos como mundos
casulos, donde sai o homem-deus
nova magia, criando de sucesso. O Porto, o Norte, seu de Serralves, que resultado que ali está pat-
do lugar sempre em viagem para um novo fôlego o Noroeste Peninsular e não ente. A escolha das peças, a
o mundo da prata. Nas suas be- comemora dez anos
las adegas crescem vinhos mag- de gente, uma só, aderem às realizações de sábia adaptação aos espa-

níficos, vestidos de presunto, para


Serralves com entusiasmo. E de vida com uma ços disponíveis, o excelente
beber e oferecer aos deuses do
nova harmonia. nestes três dias de comemo- resultado conseguido em
lugar. As estradas são as plantas rações, aquilo parecia uma exposição que revela termos de qualidade exposi-
dos pés, e os transportes públicos
as pernas das gentes. Caminham perto. Os que poderiam acarinhar
romaria permanente. Não é parte do seu espólio. tiva. Não é menor o valor
caso para menos. Para além didáctico da exposição, quer
quilómetros e quilómetros para ir tinham ido para longe da terra
mágica, tinham ido buscar longos da beleza do Parque e dos pela observação do resul-
tratar a pneumonia do vento frio
que nesta missão os acompanha. anos de ausência, de tristeza sem edifícios da Casa e do Mu- O segundo, foi o tado de uma intervenção
Ora falam docemente no caminho, fim. Porque já não corria o leite e seu, que só por si são motivo criteriosa, quer pela inversa,
ora falam em alta voz para as er- o mel na terra ausente. As gen- bastante para uma visita, já ali Museu de Arte Mo- em que é exemplo eloquente
vas e arbustos que lhes sulcam de tes estavam exaustas, exauridas
linhas vermelhas os transportes pelas suas estradas e pelos seus
vi grandes exposições. Mas
derna de Bragança. a imagem de S. Marcos, de
transportes públicos. E por muito houve duas que me marcaram Castelãos.
públicos.
Alguns morrem inebriados da caro que bilhete pagassem, fica- muito especialmente: a grande Ganhar os párocos e as
paisagem vestida do vento frio. vam sempre longe do ouro que exposição de Paula Rego, e a paróquias para este modelo,
Outros o fazem porque de repente lhes tapasse as fendas do frio das O terceiro, foi o
grande exposição de Bacon. é um trabalho que merece
o ar se lhes rarefez, apesar de suas casas antigas, e longe da
riqueza das castanhas para um
Ninguém contestará que foram Museu de Arte Sacra encómios. Estão de parabéns
correr friamente mais do que eles
os pontos altos de Serralves, os responsáveis e a região.
os caminhantes. Gentes de ouro novo inverno de acalentamento; de Macedo de Cava-
numa paisagem de ouro. O frio e longe da riqueza suficiente para com recordes de visitantes. Mas não pode ser descurada
constrói-lhes as estátuas e todas um simples guarda-sol. Mas muita coisa boa passou leiros. Uma agradá- a formação dos artífices ou
as esculturas e todos os epitáfios E a terra mágica foi-se ex- por lá para além deles. o reforço qualitativo da equi-
poéticos. E as casas mágicas das aurindo das gentes, ficando ela
Esta exposição, que nos
vel surpresa. pa. Sabendo-se que, sobre
fadas e dos magos estão escondi- mesma e em si um poema mágico
das na paisagem que ora se lhes por declamar. Terra de ouro, terra mostra o que tem ficado para peças destas, quanto menos
revela. Eles partem assim inebria- dourada. Abandonada pelo ouro e o acervo do Museu, é uma se intervier melhor, há situa-
dos e a paisagem fica com as fa- niquelada de moeda simples e de completa desilusão. Não ça. Conheci aquele espaço ções que não podem passar
das e os magos. Qualquer turista pouco valor. quero discutir aqui critérios, ainda como Banco de Portu- sem retoque. E o resultado,
nenhuns vê. Terra que espera pelo ouro
para mais sabendo que o or- gal. Era lindíssimo e cheio de no caso do Menino que car-
Esta terra de magia de repente perdido.
fica abraçada pelo sol. Parece Terra mágica de gente mágica çamento do Museu para com- dignidade. Já não tenho bem rega o S. Cristóvão, de Mal-
até que o sol desce à terra e nela que espera a nova magia do novo pras é escassíssimo. Mas… presente o que se perdeu, ta, não me parece o melhor.
fica sentado, à sombra de um ouro - querendo que este seja entra-se, e à esquerda há um mas é óbvio que tinha que A recuperação na pintura
carvalho, de um sobreiro, de um mais puro. televisor que nos metralha ser adaptado. Com o acres- é sempre difícil, para mais
castanheiro, de uma amendoeira. Terra que espera estradas,
com uma frase, também es- cento de um enorme edifício não tendo já, do original,
É pois quando toda a terra mági- comboios e outros transportes
ca é euforicamente abraçada por públicos; que espera uma ma- crita no ecrã: “O verdadeiro nas traseiras. O resultado, referências. Acresce ainda a
Deméter. E tudo brilha e canta na triz de urbanismo em arte que se artista é uma maravilhosa fon- no conjunto, é um espaço dificuldade em acertar com
profusão de flores que agora são embeba na sua magia antiga cri- te luminosa.” , obra de Bruce soberbo. A parte recuperada a expressão do olhar. Neste
o rosto da paisagem. As gentes ando uma nova magia, criando um Nauman. Virando à direita, do Banco de Portugal é dedi- caso, o Menino parece não
continuam a utilizar as suas plan- novo fôlego de gente, uma
encontramos na primeira sala cada, em exclusivo, a Graça confiar nada no Santo, e olha
tas dos pés estradas e as suas nova harmonia. Uma recon-
pernas transportes públicos. Tudo strução de casas mágicas, um os sete painéis de “Posses- Morais. A outra, quando não aterrado para as águas.
sorridente no ambiente floral. As novo conforto. Uma revitaliza- sion” de Paula Rego. Obra tem exposições temporárias, Parece ter sido encon-
fadas e magos não se mostram. ção da paisagem feita por novas belíssima, com toda a força depreendo que estará va- trada uma boa solução para
O calor abala o coração daqueles mãos carinhosas, mãos que se do seu estilo e na técnica zia. As obras que lá estão de a utilização do solar. Certa-
que antes morriam de frio. Tam- cruzem num forte aperto de confi-
que mais vem usando: pas- Graça Morais, não justificam mente que terá sido acaute-
bém muitos não tinham beijos ança nova, porque a Terra Mágica
nem abraços. Nem uma palavra merece. tel sobre papel montado em aquele espaço. Nem a classi- lada a questão, crucial, da
de carinho de quem estivesse per- A Terra Dourada merece o alumínio. E depois de Paula ficação como Museu de Arte segurança. Também aqui, o
to, porque ninguém era ou estava ouro. l Rego, é o deserto. Com uma Moderna. Bastaria ter bom catálogo é muito bom.l
Noticias | Cipreste | Junho 2009 | 13
Em perimetro de rega

Curriça de luxo
J
osé António Espírito
Santo quis construir
uma vivenda situada
no local designado
por Corda. Nas imediações
da estrada que liga Macedo
de Cavaleiros, pelo Bairro da
Alegria, a Castelãos. Decorria
2003 quando requereu a viabili-
dade da construção.
A referida viabilidade re-
queria parecer da Direcção
Regional de Agricultura de
Trás-os-Montes e Alto Douro e
do Instituto da Água, já que o le-
vantamento tipográfico do local
inseria a construção dentro do
Perímetro de Rega. A resposta
do Instituto da Água, à altura
denominado HIERA, foi nega- Vivenda o projecto da obra descreve uma construção de natureza agro-pecuária
tiva. ifício com vários compartimen- estar a ser construída uma vi- emitir uma licença de utilização no, com a intenção de saber se
O Perímetro de Rega é uma tos. Uns destinados a animais, venda com uma licença para da construção, para as utiliza- tinha sido pedida a licença de
área beneficiada pelo aproveita- como ovelhas e porcos e outros edificar uma construção de ções em que foi requerida a li- utilização e qual o técnico que
mento hidroagrícola de Macedo destinados a guardar as forra- apoio à agricultura, Duarte cença de construção. assina o termo de responsabili-
de Cavaleiros. Esta denomi- gens. Moreno afirmou que a autar- dade, O vereador do urbanismo
nação impõe condicionantes à A construção revela-se bem quia não tinha essa informação Responsabilidade informou-nos que ainda não
utilização dos terrenos, nomea- distinta. e que o cumprimento do pro- deu entrada na autarquia nen-
damente no que respeita às A casa que deveria ser uma jecto é da responsabilidade do Para ser emitida a licença hum pedido de licença de uti-
edificações neles permitida. curriça é uma vivenda com to- dono da obra. Questionado se de utilização é necessária a lização.
Em 2005, o promotor, tenta dos os requisitos à habitação a após o conhecimento dessa apresentação de um termo de
nova atribuição de licença para humana. informação a autarquia iria fis- responsabilidade de um téc- Carrapatas e Intermar-
construção no mesmo local, ag- calizar, Duarte Moreno, afirmou nico com carteira profissional. ché
ora para um edifício de apoio à Autarquia não fiscaliza que, à autarquia não compete a Nesse termo o técnico terá que
agricultura, mais propriamente fiscalização. Sobre a emissão afirmar que a construção se en- O Cipreste sabe que outros
um edifício de agro-turismo. A nossa reportagem con- de uma futura licença de utiliza- contra em conformidade com tiveram um tratamento difer-
Os pareceres às duas en- sultou, em Dezembro último, o ção, o responsável pela área do o projecto licenciado, com as ente já que obras como o Inter-
tidades foram requeridos e responsável pelo urbanismo da urbanismo da entidade licencia- condicionantes da licença, com marché ou o lar de Carrapatas
aceites por estas. Cumpridos autarquia macedense, vereador dora e a única que tem poderes a utilização prevista no alvará e tiveram que ser alterados e
os requisitos legais, a autarquia Duarte Moreno. Que confirmou de fiscalização, afirmou que que as alterações efectuadas deslocalizados pois a localiza-
macedense emite a licença de que estavam cumpridos to- se fosse apresentada o livro ao projecto estão em conformi- ção inicial coincidia, no caso do
construção. dos os requisitos legais para a de obra e o termo de respons- dade com as normas legais. Intermarché em parte, com o
O projecto, a que o Cipreste atribuição da licença. abilidade do técnico que seguiu O Cipreste consultou, na perímetro de rega. n
teve acesso, descreve um ed- Questionado pelo facto de a obra, então a autarquia irá passada semana, Duarte More- Rui Miranda

Estalagem Caçador Autárquicas já dão frutos

Grupo hoteleiro Sobrinho do presidente


da junta de Morais já
adquire Estalagem
está na câmara
do Caçador
A
s eleições autárquicas estão à acontecesse, teria que ter como con-
porta. Sente-se o arregimen- trapartida a resolução da situação do
tar de forças para o combate sobrinho, Manuel Filipe Neves Teles,
pelos pelouros. Contam-se votantes, licenciado em análises clínicas e saúde
delineiam-se estratégias, assinam-se pública.
pactos, acordam-se compromissos, Quando o PS de Macedo soube do
avivam-se quezílias, conquistam-se ali- caso, propôs ao actual presidente da
ados, escolhem-se inimigos… sempre junta um acordo: Mário Teles concor-
com um único fim: o poder. reria pelo partido e, se ganhassem as
A época é propícia a desenterrar eleições, o sobrinho teria trabalho no
promessas já passadas ou a contrair centro hospitalar do nordeste.
novas promessas. Este cenário alarmou o PSD de
É assim que se ganham eleições: Macedo que actuou prontamente, Carlos
com combinações. Por um lado uns dão Barroso não esperou pelo resultado das
a cara e votos, outros dão benefícios. eleições e deu imediatamente emprego
Dão benefícios com o erário público. ao sobrinho do presidente da junta.
Dão benefícios sobre o que é do povo. No dia 11 de Maio, Beraldino Pinto,
Há inúmeros casos que podem ilus- presidente da Câmara Municipal de Mace-
Estalagem O “rosto” de Manuel Pinto Azevedo na “vila” trar o que aqui se escreve. E, se os do de Cavaleiros, assinou um despacho
parágrafos anteriores podem parecer com efeitos a partir do dia 1 de Junho, em
revestidos de opinião, o que se segue que Manuel Filipe Neves Teles, assume o
confere-lhe todo o enquadramento de cargo de secretário do gabinete pessoal
S egundo uma fonte a que o Cip-
reste teve acesso, o imóvel da
Estalagem do Caçador foi adquirido
que já foi retirado desse local.
Tentamos a confirmação da notícia
junto de Antónia Pinto de Azevedo, que
notícia.
Mário Filipe Borges Teles é o presi-
do vereador Carlos Barroso.
Segundo escreveu Beraldino Pinto,
recentemente por um grupo do ramo negou qualquer negócio, contudo tam- dente da Junta da freguesia de Morais. é “do interesse do município”.
da hotelaria de expressão nacional. De bém não nos respondeu, quando ques- Foi eleito nas eleições autárquicas de O município tem muitos nomes.
facto, o espaço encontrava-se à venda tionada se o imóvel ainda se encontraria 2005 pelo partido PSD. É que, como disse David Lodge, “um
no sítio da Internet BPI Imobiliária, pela em venda. n Mário Teles não queria recandidatar- almoço nunca é de graça”. n
quantia de 2.500.000 Euros. Anúncio R. M. se às eleições de 2009. Para que isso Rui Miranda
14 | Junho 2009 | Cipreste |
Gente e negócios
A Feira de S. Pedro 2009 promete continuar a ser um evento de relevo na região.
Para permitir um maior fluxo de público, a organização estipulou o simbólico
preço de bilheteira a um euro cujo objectivo é valorizar a aposta que os em-
presários fazem no Maior certame económico de Trás-os-Montes.

Feira S. Pedro
Entradas para todos

Tony Carreira Um Euro é o que o público vai pagar para ver o artista português mais requisitado

N
o dia 27 o público para o sector automóvel e de sempre é um espectáculo de
macedense e da mobiliário. Tony Carreira, vai subir ao pal-
região vai poder co do recinto a pequena grande
ver Tony Carreira Modelo para continuar voz macedense Ana Rita Prada,
por 1 euro. O preço da bilhetei- acompanhada por uma orques-
ra é a grande novidade da XXVI Manuel Cardoso, Vereador tra da TVI, que promete muita
edição da Feira de S. Pedro. do Turismo em representação expectativa no público local. n
Permitir a participação de da autarquia, na cerimónia de

Cartaz
muito público, com o preço lançamento considerou a Feira
dos ingressos a 1 euro é uma de S. Pedro, não como uma
medida direccionada às em-
presas expositoras, já que é
feira para Macedo, mas para a
região, reafirmando o apoio que F. S. Pedro 09
o compromisso da Associa- a autarquia tem dado ao cer-
ção Comercial e Industrial de tame, no actual modelo finan- Sábado, 27 Junho – Tony
Macedo de Cavaleiros ACIMC, ceiro, já que considera que as Carreira
enquanto entidade organiza- mais-valias que o certame traz
Domingo, 28 Junho (Feira
dora do certame Feira de S. para o concelho, na ocupação de Ano)– Roberto leal
Pedro, assegurar uma pro- das unidades hoteleiras, na res-
moção eficaz aos expositores tauração e na dinamização do Segunda, 29 Junho (Feri-
Negócios A Feira de S. Pedro é a melhor montra da região ado Municipal)– Just Girls
e, simultaneamente, cativar o comércio em geral, compensam
público. Recinto e suplantam o investimento re- Terça, 30 Junho – Quim
Durante a apresentação Expositores alizado pela autarquia. Barreiros
pública da edição de 2009 Também o recinto terá al-
A Feira de S. Pedro tem tido, Quarta, 01 Julho – Ana
da Feira de S. Pedro, António gumas alterações em relação Espectáculos
ao longo dos anos, alterações Rita Prada com orquestra
Cunha, Presidente da ACI- à edição anterior. Embora se
no tipo de expositores. Alter- da TVI e Rui Fontelas
MC, referiu que a preocupa- mantenha a área destinada ao Para além do aspecto
ção da organização é que artesanato na parte sul do re- ações que espelham as solici- económico, que é o grande Quinta, 02Julho – Cidinho
o certame seja participado, cinto, a área livre multiusos será tações e evolução do mercado. móbil da Feira de S. Pedro, um & Doca e Daniel Carlini
com gente, com animação, ampliada em relação a edições Também esta edição contará cartaz de espectáculos forte, Sexta, 03 Julho – Irmãos
com alegria e que justifique anteriores, o próprio Parque com expositores de referência capaz de atrair público tem sido Verdades e Cristiana
a presença e o investimento Municipal de exposições terá das actividades económicas uma constante ao longo dos
relevantes para o mercado da anos que esta edição mantém. Sábado, 04 Julho – Tribu-
dos expositores. algumas melhorias que o tor-
região, com especial destaque to aos ABBA
narão mais funcional. Para além da atracção que
| Cipreste | Junho 2009 | 15
16 | Junho 2009 | Cipreste | Noticias
Eleições Parlamento Europeu

PSD ganha destacado


O PSD foi o partido mais votado nas eleições de 7 de Junho. Quase metade dos votantes preferiram o voto laranja, o PS recolheu
menos de metade dos votos do PSD. O CDS foi o terceiro partido mais votado com cerca de 12% dos votos.
À semelhança do país em que a abstenção foi o cenário predominante, em Macedo houve 14.327 eleitores que não votaram, 71,36%.

Brancos Nulos BE PCP/PEV PPD/PSD PS CDS-PP Outros Inscritos Votantes afluência % Abstenção %
Ala 4 8 7 4 91 55 20 10 624 199 31,89 68,11
Amendoeira 6 3 10 9 54 26 35 8 490 151 30,82 69,18
Arcas 6 4 2 2 110 18 19 2 455 163 35,82 64,18
Bagueixe 3 3 2 11 36 15 5 3 280 78 27,86 72,14
Bornes 2 7 7 4 95 18 20 6 628 159 25,32 74,68
Burga 1 0 4 1 23 11 4 0 119 44 36,97 63,03
Carrapatas 5 0 14 12 49 16 12 8 269 116 43,12 56,88
Castelãos 0 3 8 7 121 15 29 2 463 185 39,96 60,04
Chacim 2 1 5 3 51 38 9 1 481 110 22,87 77,13
Cortiços 0 4 5 27 66 40 9 8 494 159 32,19 67,81
Corujas 3 2 4 0 24 7 33 6 254 79 31,10 68,90
Edroso 3 2 0 0 33 5 4 0 174 47 27,01 72,99
Espadanedo 1 2 2 2 39 14 9 4 279 73 26,16 73,84
Ferreira 1 3 3 0 87 12 25 3 386 134 34,72 65,28
Grijó 6 1 6 2 62 25 11 6 589 119 20,20 79,80
Lagoa 12 3 4 5 78 23 19 5 490 149 30,41 69,59
Lamalonga 4 4 8 0 71 37 9 6 579 139 24,01 75,99
Lamas 1 1 2 1 43 2 19 2 365 71 19,45 80,55
Lombo 2 3 11 6 57 34 18 1 393 132 33,59 66,41
Macedo de Cavaleiros 64 40 155 72 719 370 220 59 5746 1699 29,57 70,43
Morias 3 4 8 4 48 33 14 9 880 123 13,98 86,02
Murçós 6 1 0 4 46 28 8 5 313 98 31,31 68,69
Olmos 3 3 2 7 48 22 6 3 315 94 29,84 70,16
Peredo 2 4 5 5 54 36 12 5 340 123 36,18 63,82
Podence 2 3 7 2 54 23 24 1 455 116 25,49 74,51
Saselas 3 2 9 3 89 44 18 8 584 176 30,14 69,86
Santa Combinha 1 0 2 1 13 12 1 0 112 30 26,79 73,21
Sezulfe 4 2 4 0 55 15 11 1 373 92 24,66 75,34
Soutelo Mourisco 2 4 0 0 13 10 0 0 152 29 19,08 80,92
Talhas 0 5 7 7 70 56 22 5 621 172 27,70 72,30
Talhinhas 0 1 2 3 53 35 6 1 336 101 30,06 69,94
Vale Benfeito 2 10 1 1 56 8 7 3 277 88 31,77 68,23
Vale da Porca 3 3 10 6 54 28 15 9 415 128 30,84 69,16
Vale de Prados 6 1 4 2 48 28 7 3 477 99 20,75 79,25
Vilar do Monte 1 0 2 6 20 19 6 1 170 55 32,35 67,65
Vilarinho de Agrochãos 2 1 3 0 38 10 9 3 295 66 22,37 77,63
Vilarinho do Monte 1 1 0 1 23 10 3 3 108 42 38,89 61,11
Vinhas 1 2 5 8 50 27 11 7 295 111 37,63 62,37
168 141 330 228 2741 1225 709 207 20076 5749 28,64 71,36
% relativa dos votos 2,92 2,45 5,74 3,97 47,68 21,31 12,33 3,60

Estudo de aluna do Piaget

Infantários do concelho com nota média


cumprem as normas estipula- casos, com uma média de 18 no infantário. As longas listas cador de infância, arquitecto e

U
ma investigação de
final de licenciatura das para o espaço próprio para crianças ou mais para uma de espera nem sempre são aos pedagogo, para que estes as-
de uma aluna da Es- cada criança”, salienta a pro- sanita”. Houve ainda análise pais a possibilidade de fazer pectos sejam lembrados.
cola Superior de Educação, do fessora. Pela lei, cada criança aos lavatórios, que devem ser escolhas e poderem optar por A nível nacional, e porque
Instituto Piaget de Macedo de deve ter 2m2 só para si. Contu- no mesmo número que as sani- este ou por aquele estabeleci- para este estudo foram estuda-
Cavaleiros, coordenada pela do, nenhuma das salas excedia tas e que tal não acontece. Há mento. “No interior, há falta de dos alguns estabelecimentos, o
docente Maria Neves Alves, de- o número máximo de crianças, ainda falta de botões de alarme infantários, não chegam para exemplo vem de Alcabideche,
tectou algumas falhas básicas que se encontra nos 25. “70,3% em alguns estabelecimentos, as poucas que temos”, avisa. onde “estas pedagogias são
em alguns jardins-de-infância das salas não têm solo antider- bem como os exteriores. “Há Os critérios analisados estão colocadas em acção”, o que
públicos e privados dos concel- rapante, há falta também de estabelecimentos onde não ex- de acordo com o que a lei exige, mostra que é possível. Con-
hos de Macedo de Cavaleiros isolamento acústico”, explica. iste uma passadeira para peões mas há muitas particularidades tudo, a docente diz não querer
e Mirandela. O nome das in- Mas, nem tudo é neg- à entrada”, acrescenta. Uma que poderiam ser acrescenta- “dramatizar a interioridade da
stituições, por questões éticas, ativo. Houve bons aspectos en- lacuna que, apesar de poder das, e que não estão na lei, sau- região”, mas estes espaços exi-
fica reservado e na investiga- contrados nesta investigação. ser solicitada pelos jardins-de- dáveis para o desenvolvimento gem outro tipo de sensibilidade,
ção são-lhes apenas atribuí- “Luz natural e ventilação, todos infância, deve reunir a sensibili- da criança, como por exemplo associada a um investimento
dos números. O bastonário têm”. O estudo analisou ainda dades de ambas as autarquias. a poça de água. “Chapinhar na muito maior, “que possivelmente
da ordem dos arquitectos, em as cores das paredes das salas Nem mesmo o mobiliário água todas as crianças adoram não terá muita rentabilidade,
2005, referiu que “os estabe- em causa, “uma grande per- escapou a esta avaliação, e no e isso não é exigido por lei e é até porque os pais não podem
lecimentos também ensinam” e, centagem usa essencialmente geral foi apenas considerado importante para as crianças em pagar mensalidades elevadas,
foi partindo desta premissa que o branco, mas alguns já têm o de médio. “Nas 27 salas de termos lúdicos”, lembra Maria que tragam mais valias para
Mafalda Morais Bento partiu à azul claro, o bege e o amarelo, actividades verificámos que só Neves Alves. quem os constrói”. As propinas,
descoberta. Na base esteve um mas um número muito tímido”. 4 tinham o mobiliário em boas Há exemplos internacionais, em alguns casos, chegam a ser
questionário de DECO (Defesa O que não poderia ter ficado condições”. como por exemplo a Índia, onde tão elevadas como nas univer-
do Consumidor), que alertava de parte nesta investigação é a cada sala de actividades tem sidades, “o que representa um
para alguns pormenores a nível questão da higiene e seguran- Falta de vagas levam um espaço exterior, onde as cri- investimento familiar bastante
nacional, que foram agora aver- ça. Um campo onde há certas pais a fechar os olhos anças podem prolongar as suas acentuado”.
iguados a nível mais local. lacunas a colmatar, como por actividades, estarem em con- A docente quer que o estudo
Nove infantários, em Junho exemplo o número de sanitas. “Os pais que têm crianças tacto com a natureza e estar em seja visto não como uma crítica,
de 2008, com 599 crianças A professora refere que “a lei para colocar nos infantários as- contacto com a fauna e a flora. mas como uma forma de mel-
foram analisados. “Para o pré- define que o número de sani- sim o dizem”, afirma a docente, Maria Alves Neves lembra horar os aspectos que não es-
escolar tínhamos 27 salas de tas deve ser de uma para no que por experiência própria ainda a necessidade do infan- tão bem nos jardins-de-infância
actividades e verificámos que máximo de dez crianças, algo esteve em lista de espera em tário ser construído com uma locais.n
48,15%, ou seja, 14 salas não que não se verifica em alguns Bragança para colocar a filha equipa multidisciplinar: edu- Miguel Midões
Noticias | Cipreste | Junho 2009 | 17
a altura de falar nos profissionais AVC decidiu avançar com este
“O tratamento em Macedo foi maravilhoso” da unidade de AVC de Macedo. apoio, que se trata de “dar
“Um amor, simpáticos, atencio- continuidade aos cuidados a

Vencer o AVC
sos, tratam-nos como família, nível de enfermeiro e médico”,
com carinho”, diz António com a refere o enfermeiro José Luís.
esposa a acrescentar: “não tem O trabalho em campo é sem-
nada a ver com aquilo que vemos pre acompanhado pelo médico
noutros sítios, até da região”. É da unidade, Jorge Poço, que
inevitável o sorriso do enfermeiro por telefone pode sempre dar
perante tais palavras. mais um conselho, encamin-
O Acidente Vascular do Nordeste entram no carro do fazer nada, é aquilo que mais har ou mesmo alterar a data
CHNE para se apearem bem me incomoda”, lamenta-se. Visitas pretendem dar de uma consulta. A parte social
Cerebral (AVC) bate perto: lar da Santa Casa da Os cuidados são relemb- continuidade ao inter- também não é descurada, daí
bruscamente à porta Misericórdia de Macedo de Cava- rados no domicílio: cuidado namento que esteja sempre presente a
leiros. O enfermeiro traça o perfil assistente social. Sílvia Aleixo
de quem não espera da primeira doente: acamada, já verifica toda a informação, e
pela visita. Muitas vez na casa dos oitenta, pouco fala. no caso de António, esclare-
É preciso controlar os factores de ceu dúvidas sobre papéis da
é fatal, outras deixa risco do AVC e o resto está nas Segurança Social, necessários
marcas para toda a mãos das irmãs do lar. “A situa- para requerer uma reforma,
ção aqui está controlada, não que chega antecipada e força-
vida, mas há casos de há muito mais a fazer”, relembra da pela doença. “Nem sempre
sucesso, que deixam com um ar conformado. no internamento conseguimos
Em Vinhais espera-os dar toda a informação”, lembra
apenas o sentimento a assistente social. Altura em
António Beato, de 64 anos, a
de arrepio de um mau quem o AVC pregou o maior que nem as famílias estão tão
susto da vida. Pelos 50km receptivas devido a todos os
bocado e uma vontade problemas que as rodeiam.” A
que separam a vila da cidade
de viver nunca tão de Macedo, conversa-se um ida ao local permite ainda fazer
pouco de tudo, da paisagem a avaliação habitacional.
grande como agora.
ao estado do doente. É com
Foi uma história as- enorme sorriso que o paciente Controlar os factores
sim que o Cipreste os recebe. Primeira queixa: “a
de risco é fundamental
perna direita tem-me dado tra-
quis ir conhecer acom- balhos, não tenho força, e as
mãos adormecem-me”. Para o Glicémia, tensões, colester-
panhando uma visita Vortis nonse doluptating exer si tionsequat.Rosto ol, entre outros são pormeno-
estado em que deu entrada no
domiciliária da unidade hospital, do qual não se lembra res importantes para quem
porque a memória encarregou- com a alimentação, controlar teve, e não só, para a comuni-
de AVC de Macedo de Tendo conhecimento que dade em geral para prevenir a
se de lhe apagar todas as lem- a tensão arterial e também o
Cavaleiros. branças dos dois dias seguintes colesterol. “E tudo o que me o acompanhamento do doente ocorrência do acidente vascu-
ao acidente vascular cerebral, disseram para fazer, eu sigo no pós-alta, por família e até lar cerebral. O rastreio a todos
António Beato não está nada à risca. Na comida, na bebida, pelo acesso nem sempre fa- estes factores é possível na
cilitado aos serviços de saúde, visita através de vários aparel-

S
ão oito e meia da mal. Apenas não tem a força eu faço tudo a pensar em mais
manhã e no serviço que tinha, mas a mobilidade re- uns aninhos de vida.” em alguns pontos de Trás- hos que o enfermeiro trans-
já os enfermeiros ulti- cuperou-a quase na totalidade. A esposa olha-o com ter- os-Montes, devido à sua in- porta consigo na mala preta de
mam os preparativos para mais “Ando aborrecido por não poder nura e reforça-o quando chega terioridade e à condição das enfermagem. No dia da visita
um dia de visitas domiciliárias, vias rodoviárias, a unidade de avalia-se ainda a dependên-
que começam, mais coisa me- cia e mobilidade do doente.
nos coisa, por volta das nove da
manhã. Entre eles, falam dos 4 anos de Unidade de AVC no “Em alguns casos, avaliamos
também no que diz respeito à
alimentação, se necessita de

Hospital de Macedo de Cavaleiros


doentes, relembram vivências
no serviço e trocam informa- sonda ou não”, acrescenta.
ções acerca dos diagnósticos, a No mesmo dia, havia mais
fim de puderem, no local, pre- uma terceira pessoa a visitar.
Depois de Macedo de Cavaleiros, Bragança e Mirandela, este ano o aniversário foi come- Depois de uma pausa para al-
star um melhor apoio a quem os
morado no dia 31 de Março (Dia Nacional do AVC) em Mogadouro. Com apenas oito camas, é moço, os cuidados eram segui-
espera. Foi assim no dia 22 de
esperada a sua ampliação para breve, pelo menos assim o prometeu o presidente do conselho damente prestados em Vinhais.
Abril, o primeiro dia de visitas,
de administração do CHNE, Henrique Capelas. A unidade deve ser ampliada para 12 camas, ocu- Depois de um dia completo,
e também no dia 21 de Maio, a
pando a parte dos quartos particulares do mesmo andar do hospital. A candidatura efectuada para inclusive de emoções, os dois
terceira ronda domiciliária que o
as obras foi indeferida, mas o CHNE pretende avançar com a obra na mesma. O Cipreste sabe que profissionais regressam à Uni-
Cipreste acompanhou.
há recusas de internamentos por falta de espaços sendo os doentes encaminhados para outras dade Hospitalar de Macedo de
José Luís, enfermeiro na
unidades de saúde do mesmo Centro Hospitalar. O assunto da ampliação já foi, inclusive, tema de Cavaleiros, do CHNE. n
unidade de AVC e Sílvia Aleixo,
Assembleias Municipais e da ordem do dia dos assuntos debatidos pela Comissão de Saúde de
assistente social na unidade
Macedo de Cavaleiros.” n
hospitalar do Centro Hospitalar Miguel Midões

Ana Jorge

Ministra garante permanência do Hospital


A concelhia socialista de
Macedo de Cavaleiros
trouxe à região a ministra da
que os três hospitais do Cen-
tro Hospitalar do Nordeste são
necessários e que “a articulação
condições de fazer a adjudicação
para os meios aéreos”. A ministra
preferiu, contudo, não dar uma
saúde 24 – 808242424.

“A questão de estar
e que a expectativa era que
tivesse comparecido um maior
número de pessoas. Contudo,
Saúde, Ana Jorge, e ainda o entre eles tem funcionado bem”. data exacta. moribundo cai por terra” pelo menos a parte da tarde teve
secretário de Estado, Manuel No mesmo dia, Ana Jorge Em Macedo de Cavaleiros, uma adesão considerável, o que
Pizarro para falarem de cuidados aproveitou para inaugurar a Uni- Ana Jorge falou ainda da Gripe A organização do Fórum No- leva o político a programar futur-
de saúde primários e ainda de dade de Cuidados Continuados A, e dos cuidados médicos a vas Fronteiras surgiu no seio da os fóruns, dentro de outras áreas
cuidados de saúde hospitalares. de Vila Flor, onde lembrou tam- ter perante uma desconfiança Comissão Política Concelhia do temáticas de interesse para o
Ao encontro foi dado o nome de bém que o Hospital de Macedo de contaminação com o H1N1. Partido Socialista e pretendeu cri- concelho. Ainda não está nen-
Fórum Novas Fronteiras. Para ainda tem alguma cirurgia e tem O sintoma deste tipo de gripe é ar uma oportunidade de discutir a huma iniciativa agendada, pois
além destes dois assuntos, a min- uma urgência, o que a leva a diz- igual a qualquer outra, por isso temática da saúde, tão na ordem “é necessário trazer alguém de
istra foi confrontada com o pos- er que a infra-estrutura “faz falta os dados relativos aos pacientes do dia em Macedo de Cavaleiros, fora especialista na matéria”.
sível encerramento do hospital de como está”. e às suas últimas viagens são acima de tudo depois da criação Confrontado com a situação
Macedo de Cavaleiros e também muito importantes. Para os médi- do CHNE. Em destaque esteve, da possibilidade de pretender
com o de Mirandela, “ataque” da Helicóptero para breve cos menos esclarecidos, Ana no entanto, o ACES (Agrupa- mostrar que o PS de Macedo
CDU que veio a público afirmar Jorge deixou o número de uma mento de Centros de Saúde do não “está moribundo e de vez
que a intenção do governo é a Ana Jorge sublinhou que o linha de apoio – exclusiva para Nordeste) e o trabalho desem- em quando estrebucha”, o líder
de transformar as duas unidades concurso para a colocação dos uso médico - “todos os médicos penhado nos doze concelhos do da concelhia advoga que “não
hospitalares em centros de saúde helicópteros está a decorrer e vão receber em casa a informa- distrito, bem como em Vila Nova há uma tentativa de provar nada,
de terceira geração. Ana Jorge re- garante que os meios aéreos ção do número de telefone”. Do de Foz Côa, a nível dos cuidados simplesmente há alguns tra-
iterou que “a unidade de Macedo serão colocados no local assim outro lado da linha estará um de saúde primários. balhos mais visíveis que outros”.
de Cavaleiros é um grande hospi- que o concurso fechar. Como colega que os ajuda na obtenção Rui Vaz, da organização do Contudo, reconhece que “esta
tal, com um bom serviço de Orto- data provável aponta o início do do diagnóstico. evento, reconhece que a adesão iniciativa é a prova cabal de que
pedia e claro que não vai fechar”. verão. “Assim que o concurso Para o comum cidadão, para não foi tão boa como esperava, a concelhia está a trabalhar”.n
A ministra deixou mesmo frisado estiver pronto, estamos em qualquer dúvida, existe a linha de “sendo um tema tão importante” Miguel Midões
18 | Junho 2009 | Cipreste | Noticias
Macedo Mostra stands, o Instituto Superior Jean

Instituições mostram
Piaget, de Macedo de Cavaleiros Que há êxodo da população
destacava-se dentro do grupo de do interior para o litoral já não é
instituições de ensino presentes grande novidade, mas talvez não

vitalidade do concelho
na Mostra. Como entidade local, haja mais simplesmente porque
deu destaque, nos três dias, aos há vários anos que existe o Insti-
cursos da área da saúde, como: tuto Politécnico de Bragança, que
Análises Clínicas, Fisioterapia e nos últimos tempos tem ainda
Saúde Ambiental. E, como forma melhorado a sua oferta, sendo

A pesar da coincidência
com a Reginorde de
Mirandela, foram muitas as pes-
de melhor expressarem as com-
petências dos seus alunos, foram
hoje até o Politécnico com o maior
número de professores doutora-
feitas análises à postura corporal dos. “Qualificar para inovar no lo-
soas que visitaram a 4ª edição dos mais novos, pela parte da Fi- cal”, foi o tema do primeiro semi-
da Macedo Mostra, em Macedo sioterapia, testes de RH e de grupo nário da Macedo Mostra.
de Cavaleiros, no penúltimo fim- sanguíneo, pelos futuros analistas Artur Gonçalves, professor no
de-semana do passado mês, e ainda conselhos de como se IPB, e também orador na palestra,
essencialmente no domingo. O deve separação da forma mais referiu que a intenção da direcção
certame pretendeu chamar a correcta os resíduos, pelos mais da instituição é voltar o politécnico
Macedo público que pudesse ambientalistas da Escola Superior para a comunidade, por isso “a
levar da cidade e do concelho de Saúde (Saúde Ambiental). formação é de qualidade, com in-
referência sobre o que de mel- Denise França, uma das do- vestigação científica para apoiar a
hor se faz por estas terras do centes da instituição presente no população da área de intervenção
nordeste transmontano. Entre as certame, deu voz a esta reporta- do politécnico”, ou seja, Trás-os-
várias entidades presentes, as- gem do Cipreste, falava que a Montes e Alto Douro.
sociações, estabelecimentos de finalidade da presença no evento Apesar de alimentar a esper-
ensino, entre outros, os dois dias estava relacionada com a von- ança de que os alunos recém-for-
foram preenchidos com várias pal de Macedo, Beraldino Pinto, lientar a comunidade escolar que tade de “trazer às pessoas aquilo mados criem amor à terra que os
demonstrações, momentos cul- a fazer um balanço positivo da esteve também muito forte”. que é o Piaget”. viu nascer e crescer, o docente
turais (literários e musicais) e bienal, que regressa apenas No pavilhão ao lado davam sabe que existe uma acentuada
ainda desportivos, como por ex- em 2011. “Foram muitas as enti- Piaget não deixou es- cartas os alunos da Escola de fuga para o litoral do país, fruto
emplo a demonstração de artes dades que aqui estiveram e que capar a oportunidade Hotelaria e Turismo de Mirande- do “crescimento desequilibrado”
marciais. Três dias que levaram contribuíram com animação cul- la, que concentravam várias pes- da nação. Mesmo assim, Artur
o presidente da Câmara Munici- tural, desportiva, e ainda de sa- A ocupar o espaço de três soas junto ao expositor. O cheiro Gonçalves é peremptório em
não enganava, tratava-se de um afirmar que “o politécnico de Bra-
Vox Pop fondue de chocolate, cuidadosa- gança é uma instituição que cria
Francelina Bruna mente preparado pelos alunos alguma resistência a esse pro-
José Jorge Morgado Rodrigues do 2º ano de cozinha, que podia cesso”. Aos que saem da região,
Pires Vale Prados Macedo ser bem acompanhado por um o professor dá até uma palavra
Castelãos cocktail, preparado pelos alunos de apreço, pois considera que se
Estou a achar que está muito Estou a achar muito fixe. Já de Mesa e Bar. trata de enriquecimento pessoal,
Isto está engraçado. Está bem. Não fazia ideias de aqui vir, tive a oportunidade de desen- Muito para mostrar e muito mas espera sempre que voltem,
muito bem. Andei cheguei agora mas como vim ver uns doentes har e agora estou a pintar. Já fiz para ver em dois dias de divul- embora para isso seja clara-
mas encontro isto bonito. Vim ao Hospital pensei em vir aqui amigos por aqui e já encontrei gação do concelho e da região, mente preciso que haja postos
para ver os tractores e não con- dar uma voltinha. Mas, não é a outros. Tenho andado a brincar nas naves do Parque Municipal de trabalho. A empregabilidade
tava aqui com estas barraquin- primeira vez que venho à Mace- e quando acabar isto na Nuclisol de Exposições. no interior é limitada e as oportu-
has. Mas isto está muito bom. do Mostra, já tinha vindo no ano vou pintar uma tela. nidades sãos escassas. n
passado. IPB é âncora da região Miguel Midões

Dia do Agricultor Vox Pop

Em dia de chuva agricultores João Manuel

queixam-se da seca
Gomes
Vilari. Monte
Tudo está mal na agricultura.
A gente tem tudo para vender e
não vende porque não há quem
A chuva que caiu no Dia
do Agricultor contrasta
com as queixas que se faziam
vá buscar a mercadoria. Devia
ser tudo mudado e alguém que
nos desse uma mãozinha, es-
ouvir no domingo, 24 de Maio. pecialmente aos pequenos agri-
“A seca deste ano está a destru- cultores. Há casos de pessoas a
ir as culturas”, lamenta António passar fome.
Alberto Carvalho, de Pinhovelo, Devia estar tudo tabelado,
freguesia de Amendoeira. Os porque o agricultor é que está a
dias quentes de Março e Abril matar a fome a muita gente.
não permitiram o crescimento
das pastagens e para quem
tem animais para alimentar
avizinham-se tempos bem difí-
Maria Elvira
ceis. “Tenho 69 anos e não me
Vale Benfeito
lembro destes dois meses tão Sou agricultora desde os
secos como este ano”, remata meus 15 anos e acho que agora
o agricultor, que tem no seu está quase tudo mal, do princí-
rebanho de ovelhas o principal pio ao fim. Agora já não dá para
sustento da casa. Tratores agricultores trouxera as suas máquinas à sede de concelho viver da agricultura. É preciso
A juntar à questão da seca, mais ajudas do Estado.
a maior parte dos agricultores principais pilares da economia No mesmo dia, os agricul- No mesmo dia da concentra-
entrevistados pelo Cipreste deste concelho transmontano. tores foram apelidados de mo- ção de tractores, os agricultores
apontaram a falta de escoa- Para Beraldino Pinto, autarca tores de desenvolvimento do puderam assistir a um semi- Amândio
mento dos produtos e ainda a local, a agricultura não tem turismo local. Beraldino Pinto nário onde foram debatidas as Abraão
apenas um peso económico entende que o turismo está as- questões ligadas com a “Agricul- Sta Combinha
falta de apoios do Estado como
os principais entraves do sec- no seio das famílias que dela sente em três factores primor- tura Sustentável”, onde foi dado
Para que houvesse mais ag-
tor. A maioria também garantiu vivem, mas também no próprio diais: qualidade} ambiental; ex- o exemplo da Vila da Ponte,
ricultores jovens era preciso que
que os tempos em que era pos- concelho de Macedo, sobretudo celência dos produtos e cultura uma aldeia renovável, no con-
houvesse mais apoios, outras
sível subsistir da agricultura já “na preservação da qualidade das gentes e das paisagens lo- celho de Montalegre, bem como formações e melhor escoamen-
lá vão. ambiental”. É graças também cais. Ora, “os agricultores são as boas condições agrícolas e to do produto. O escoamento do
Foram cerca de 300 os ag- aos agricultores que “temos uma peça fundamental neste ambientais e o bem-estar ani- produto é o principal entrave.
ricultores que se concentraram vários produtos de excelência”, projecto”. Segundo o autarca é a mal. Também pela tarde foram Os nossos produtos deviam
no Parque Municipal de Ex- dos quais advém depois uma identidade, que liga o concelho ainda entregues vários prémios ter uma denominação de origem
posições e que, depois, deam- gastronomia conhecida. de Macedo, à terra, à agricultura aos agricultores, a maioria em e uma cooperativa que nos aju-
bularam em cortejo pelas ruas que faz toda a diferença. “Todos compras em diversas casas dasse. O apoio das instituições
da cidade de Macedo de Cav- Turismo e agricultura nós somos um pouco agricul- comerciais de Macedo, que pa- que há não é suficiente, porque
aleiros. Um tributo à agricul- de mãos dadas tores, uns a tempo inteiro, outros trocinaram o sorteio. n os agricultores trabalham de for-
ma individual e não em grupo.
tura que continua a ser um dos só porque têm raízes”. Miguel Midões
Noticias | Cipreste | Junho 2009 | 19
Sexto ano consecutivo Piaget
GNR interrompe
Azibo Azul de Ouro Semana Académica
Pelo sexto ano consecu- D evido a dívidas contraídas na edição
de 2004, a GNR de Macedo de Cav-
aleiros, sob ordem judicial viu-se obrigada a
tivo a bandeira Azul vai ser
interromper a edição deste ano da semana
hasteada na praia fluvial académica do Piaget de Macedo. Uma or-
dem judicial levou à penhora da bilheteira,
da Fraga da Pégada. Este
por dívidas que rondam quase os nove mil
facto faz desta praia fluvial euros.
Sérgio Fonseca, o actual presidente da As-
a única na Europa que exibe sociação de Estudantes, teve conhecimento
o galardão por seis vezes do que estava a acontecer ainda antes da
meia noite, pelo pai que o informou que, no
consecutivas. local, estava uma licitadora para penhorar a
bilheteira. Já no recinto, depois de ter dado os
Azibo Praias são muito procuradas seus dados pessoas à GNR e falado com a
licitadora em causa ficou a conhecer o caso.
número de praias fluviais

O
e sensibilização ambiental balnear de 2008, tiveram sempre aná-
“Não sei como vai ficar a acção em tribunal,
galardoadas com Bandeira A jovem praia da Ribeira, no Azibo, lises boas. Apenas duas praias fluviais
apenas sei que a licitadora nos disse que se-
Azul registou um aumento encontra-se em fase de acreditação ficaram incluídas: Fraga da Pegada na
manas académicas e do caloiro não se realiz-
de quatro praias, segundo a Associa- do galardão, já que é um processo que Albufeira do Azibo em Macedo de Cava-
ariam mais sem pagar aquela dívida”, diz o
ção Bandeira Azul da Europa, ABAE, se estende no tempo. Neste momento leiros e Aldeia do Mato em Abrantes.
presidente.
é o resultado de um trabalho conjunto a praia já se encontra classificada, de- Segundo a informação divulgada
das entidades locais com investimen- Apesar de tudo, Sérgio Fonseca não es-
vendo num futuro próximo ser alvo da pela Quercus no seu sítio da internet,
tos e construção de infra-estruturas, decisão da Associação Bandeira Azul a avaliação efectuada pela Quercus é conde que sabia que existiam dívidas anteri-
que propiciaram a melhoria da quali- da Europa. De qualquer modo os ban- muito mais limitada em comparação com ores desde 2003, e que inclusive se informou
dade destas zonas balneares. No ano histas podem usufruir da praia com a a atribuição da Bandeira Azul porque das mesmas em tribunal. O que não sabia é
passado havia apenas 5 praias fluviais certeza que a água é a mesma que, apenas se baseia na qualidade da água que a sua organização poderia ser penhora-
com bandeira azul. No nordeste trans- algumas centenas de metros adiante, das praias, apesar de ser mais exigente da devido a dívidas contraídas por outras di-
montano há a registar a entrada para é reconhecida com bandeira azul. neste aspecto. O objectivo da Quercus recções. O presidente refere também que “a
o ranking da praia da Congida, em é realçar as garantias de praias que ao licitadora não mostrou qualquer documento e
Freixo de Espada à Cinta. longo de vários anos, sistematicamente, que estava ali simplesmente para ficar com a
Para que Macedo de Cavaleiros Qualidade de Ouro apresentam boa qualidade, e que por- bilheteira”, o que o levou a tentar um acordo,
visse a possibilidade de hastear a tanto, apresentam uma maior fiabilidade mas sem efeitos.
bandeira azul pelo sexto ano consecu- A qualidade tem um prémio de regu- no que respeita à boa qualidade da sua Quim Barreiros, cantor daquele dia e tam-
tivo, no Azibo, teve que se submeter laridade. É a Qualidade de Ouro, uma água, confirmando ainda a sua excelên- bém cabeça de cartaz, acabou por não actuar.
a uma rigorosa avaliação em 23 cri- menção que a Quercus atribui para cia na última época balnear. Sérgio Fonseca explica que não poderia ter
térios imperativos e mais quatro ditos recompensar todas as praias que em De um total de 522 zonas balneares, deixado acontecer a actuação porque com a
guia, ou indicadores. Os critérios são Portugal têm tido nos últimos cinco anos 227 mereceram essa distinção, mais 27 penhora não tinha dinheiro para pagar a bil-
de natureza ambiental, de segurança (2004 a 2008) sempre qualidade de água que as atribuídas em 2008. n heteira. “Acabaria por se gerar uma bola de
e conforto dos utentes e de informação classificada como boa e que, na época Rui Miranda neve, que já se vem acumulando e que as-
sim continuaria”, diz. Com o cantor não houve
intercâmbio Sócrates-Comenius qualquer problema, “ele próprio disse que de-

Alemães e Noruegueses
pois se veria”.
O dirigente académico faz ainda um apelo
à população e é claro em frisar que “sem os
estudantes o Piaget fecha, e sem a instituição

conquistam Macedo Macedo não tem pernas para andar”. Acres-


centa ainda que “é precisa a união de todos
nesta causa”.

A EB 2/3+S de Macedo de Cava-
leiros recebeu 14 estrangeiros,
sete estudantes e sete professores,
Piaget com crise de caloiros

vindos da Noruega e da Alemanha, É o próprio presidente da Associação de


no âmbito do programa europeu de in- Estudantes a garantir que o Instituto Piaget
tercâmbio Sócrates-Comenius. Depois não está bem, pelo menos ao nível dos cur-
da ida dos portugueses a estes dois sos de ensino superior. “Macedo está a cair,
países foi a vez de mostrar a região o Piaget está do piorio. Entraram pr'aí 60
transmontana aos nórdicos. Animados caloiros, 18 a Fisioterapia e 20 a enferma-
com os dias de calor que a semana lhes gem”, atalha o presidente da AE. Para além
reservou, o grupo para além de assistir do reduzido número de alunos, o responsável
às aulas com os portugueses, foi ainda garante que reúne muito pouco apoio dos co-
primado com algumas visitas como: merciantes locais. A semana académica com
Museu de Arte Sacra, Museu Rural 770 alunos adivinhava-se difícil, bem como
de Salselas e o Azibo, em Macedo de o sucesso da edição deste ano, que acabou
Cavaleiros, bem como o Museu da Más- mais cedo, manchada pela penhora e pelo
cara Ibérica, a cidadela de Bragança e o encerramento praticamente forçado. “A nível
Parque Natural de Montesinho. de festa estávamos a morrer, a nível da as-
Entusiasmados, e sem falar uma sociação os presidentes anteriores deixaram
única palavra de português, os estu- uma má imagem”, agora esclarece que ap-
dantes confessaram que a grande von- enas tentam trabalhar e que não mereciam o
tade era mesmo a de “conhecer melhor sucedido. Até mesmo os contratos foram as-
a língua e a história de Portugal”, e claro sinados em seu nome, devido ao facto da AE
“ a cidade e os arredores”. estar “queimada” em praça pública. Mesmo
Os noruegueses vieram de uma es- os fornecedores de bebidas aceitavam enco-
cola significativamente mais pequena Vortis nonse doluptating exer si tionsequat.Rosto mendas mediante o pagamento imediato dos
que a de Macedo de Cavaleiros, o que produtos.
logo à partida deu para notar as difer- e afirmar que, sem dúvidas, voltariam a seus alunos que se “portaram muito Os próximos passos consistem em pedir
enças. “Vimos de uma escola pequena, repetir a experiência. Manuel Fragoso, bem” e que chegaram mesmo a ser apoio à Câmara Municipal e ao Piaget e em
esta escola é maior e um bocadinho aluno, garante que não houve momen- elogiados “pelo inglês, pela educação último recurso Sérgio Fonseca reitera que co-
diferente”. Contudo, a recepção foi tos melhores nem piores, tudo foi bom e e pela forma como são sociáveis”. locará dinheiro do próprio bolso. “São quase
calorosa e, por isso, todos estavam pre- diferente, até mesmo a comida, que era A docente fez questão de, ao longo de oito mil euros que ainda tenho para pagar, só
parados para o que os aguardava. “Já um dos seus principais receios. toda a semana, acompanhar as colegas desta minha semana académica”.
sabíamos, está tudo bem”, adianta uma “Excedeu as expectativas”, é só o estrangeiras, para que nenhum pormenor Apesar de tudo, e dívidas à parte, o
professora norueguesa. que a professora Elsa Escobar con- falhasse e para que as recordações de presidente da AE, promete que as festas
Por terras nacionais, os macedens- seguia dizer, depois da primeira vez Macedo de Cavaleiros e da região trans- académicas vão continuar em Macedo de
es que já viveram a mesma experiência que participou numa experiência do montana fossem as melhores. n Cavaleiros. n
só conseguem dizer que foi “diferente” género. Não se esquece de elogiar os Miguel Midões Miguel Midões
20 | Junho 2009 | Cipreste |
Saara Ocidental
O controlo do território é disputado pelo Reino de Marrocos e
pelo movimento independentista Frente Polisário. Em 27 de
Fevereiro de 1976, este movimento proclamou a República
Árabe Saaraui Democrática, um governo no exílio.

Texto e imagens por Paulo Nunes dos Santos


Mundo

Saharauis: o
deserto, durante uma semana a pé, pêssego são-me servidos numa mesa
desde Laayoune (cidade militarmente tipo tabuleiro onde o tradicional chá de
ocupada e controlada por Marrocos) até menta está também a ser preparado.
aos campos de refugiados na Algéria. Com a ajuda de Malainin tento obter um
Durante esta viagem teve de atravessar pouco de informação sobre a família an-

povo que o
o famoso muro construído por Marrocos, fitriã. É então que me contam a historia
que divide o Sahara Ocidental de norte de Elkeihel, o dono da casa, activista e
a sul. “Não foi fácil, porque tivemos de poeta Saharaui que, há semelhança de
atravessar as zonas fortemente mina- muitos outros, passou a sua infância

mundo esqueceu
das sem as tropas marroquinas se aper- nos territórios ilegalmente ocupados por
ceberem”. Nos anos que se seguem, Marrocos e viveu de perto a opressão e
Malainin é julgado à revelia, e condena- tortura do regime de Rabat.
do a nove anos de prisão. Desde o dia Filho de uma revolucionária, Elkeihel
que deixou Laayoune nunca mais teve a passa a maior parte da sua vida na clan-

S
oportunidade de voltar a ver a sua famí- destinidade e ao fim de 12 anos conseg-
ão quatro da manhã quan- abandonar a sua terra natal, deixando lia e amigos que deixou para trás. ue finalmente reunir-se com a sua mãe,
do finalmente chego ao para trás os seus pais, irmãos, mulher avó e irmãos nos campos de refugiados.
destino final - o deserto e filhos. “Passaram já 17 anos desde a Fascinado pela história de Malainin, Hoje em dia Elkeihel trabalha como jor-
Hamada a sudoeste da última vez que vi os meus filhos”, conta a viagem até ao campo de refugiados nalista para a Radio Nacional criada
Algéria. No aeroporto de Malainin. “Era estudante universitário passa num ápice. “Este é o 27 de Fe- pela Frente Polisário nos campos de
Tindouf, uma cidade construída em re- em Agadir (Marrocos) quando me en- vereiro”, informa-me Malainin. Á semel- refugiados, e tornou-se um símbolo vivo
dor de uma base militar, aguarda-me volvi em manifestações pela liberação hança de todas as outras habitações da resistência Saharaui.
Malainin Lakhal, um jornalista Saharaui do Sahara Ocidental. Como Saharaui é neste campo, a construção é rudimen-
representante da Frente Polisario que o meu dever lutar pela independência e tar. As casas são pequenas, feitas de De 27 de Fevereiro parto para outro
será o meu guia, tradutor, guarda-costas liberdade do meu povo”. tijolos de lama e palha, não existe água campo, Rabouni, onde os edifícios dos
e excelente fonte de informação durante Malainin, juntamente com outros canalizada nem rede de esgotos. Quan- ministérios do governo da República
a minha visita à região. activistas, foi um dos elementos en- do as ocasionais chuvas torrenciais as- Democrática Árabe Saharaui estão es-
Após ultrapassadas todas as for- volvidos na Intifada de 1992 no sul de solam esta inóspita parte do Sahara as tabelecidos. Apesar de ser o campo
malidades e burocracias comuns a uma Marrocos e zonas ocupadas do Sahara inundações destroem-nas por completo, onde está a sede do governo em exílio,
zona de conflito, é tempo de mudar de Ocidental. Nessa mesma altura foi cap- rotina que obriga a uma (re)construção Rabouni tem o mesmo aspecto que os
transporte e iniciar as duas horas de via- turado, espancado e torturado pela polí- sistemática desde há 34 anos. outros campos. Algo que me chama a
gem de jipe pelo deserto guiados apenas cia secreta marroquina. “Este sou eu atenção é o facto de que, independent-
pela forte luz do luar. É durante esta via- nos dias a seguir a minha captura”, diz Após duas horas de descanso, des- emente do cargo, posição ou importân-
gem que tenho a oportunidade de iniciar Malainin ao mostrar-me uma fotografia pertado pelo calor abrasador típico do cia das pessoas nestes campos, toda
o meu trabalho ao pedir a Malainin que de um rosto maltratado e praticamente deserto e pelas moscas que insistem a gente vive nas mesmas condições.
me fale um pouco de si. desfigurado. Contínua, explicando que em sobrevoar a minha cara, segue-se o Pude confirmar este facto, quando uns
enquanto aguardava julgamento, teve pequeno-almoço e o primeiro contacto dias mais tarde sou convidado a casa de
Á semelhança de mais de 200,000 a oportunidade de fugir. Juntamente com a fantástica hospitalidade do povo Bouhabini Yahia, o presidente do Cres-
Saharauis, Malainin viu-se forçado a com dois companheiros atravessou o Saharaui. Café, pão fresco e doce de cente Vermelho Saharaui (Saharawi
Mundo | Cipreste | Junho 2009 | 21

Red Crescent - SRC) para lhe fazer uma


entrevista. A sua casa é e contem exac-
tamente o mesmo que as outras casas
das famílias onde pernoitei e visitei.

No total existem 5 campos de refugia-


dos: 27 de Fevereiro, Rabouni, Smara,
Dajla e Laayone. Entre eles, estima-se
uma população de 200 mil pessoas.
Construções rudimentares, as im-
provisadas vedações para as cabras,
as ocasionais antenas parabólicas, os
pequenos painéis solares e escassos
depósitos de água, completam a paisa-
gem árida destes campos. Negócios são
quase inexistentes, e as poucas lojas
que existem servem apenas para abas-
tecer a população com os mais básicos
dos produtos. Em cada campo existe
também um jardim colectivo que, devido onde passei, um aglomerado de casas ções futuras”. É altura de descansar por como palco para o FISAHARA - um fes-
a escassez de água, permite apenas feitas de tijolos de barro e com telhados umas horas antes da longa viagem até tival internacional de cinema organizado
uma produção mínima que é distribuída de zinco, estradas de areia, depósitos de ao próximo campo. para os refugiados Saharaui. Este festi-
por hospitais e população em geral. agua e muitas vedações para cabras. val, que está agora na sua sexta edição,
Terminada a visita, Zorgan faz Após várias horas de viagem, de- foi criado com o intuito de proporcionar
Os refugiados que estão classifica- questão que o acompanhe a sua casa e baixo de um calor intenso e coberto de pó aos refugiados a participação em activi-
dos em duas categorias - Vulneráveis me junte à família durante a hora de al- e areia, chego a Dajla, o mais isolado de dades culturais e acções de formação a
(75 mil) e Muito Vulneráveis (125 mil), moço. Aceito o convite sem hesitações. todos os campos. Dajla, construído prati- nível cinematográfico e escrita criativa, e
dependem unicamente da ajuda hu- À chegada sou recebido com o maior camente nas dunas do Sahara, é disper- implementar uma plataforma de divulga-
manitária internacional que, segundo dos entusiasmos pela mulher e filhos de so, com casas ainda mais frágeis do que ção da cultura tradicional Saharaui. Este
Bouhabini Yahia presidente da SRC, Zorgan que me guiam até ao comparti- nos outros campos. Malainin explica-me projecto, que conta com a participação e
não é suficiente para garantir as ne- mento onde o tradicional chá de menta é que o único poço de água existente no apoio de nomes importantes no mundo
cessidades básicas de todos. “Todos os imediatamente servido, seguido de uma campo está agora praticamente seco, e o das artes a nível internacional, tenciona
refugiados nestes campos dependem de caldeirada de camelo, batatas fritas e minúsculo jardim que durante vários anos também alertar a comunidade interna-
ajuda humanitária. Todos sem qualquer feijão. A seguir ao almoço, Zorgan con- existiu junto a esta fonte de água tornou- cional para as condições de vida a que
excepção. Mas infelizmente, estão ta-me um pouco da sua história de vida se impossível de manter. A única água a os Saharaui estão sujeitos.
muito longe de receber ajuda suficiente”, e paixão pela causa Saharaui. “O facto que os habitantes de Dajla têm acesso,
afirma. No entender de Bouhabini as de ter perdido um braço quando era cri- é distribuída por camiões cisterna uma Com todo o ambiente de festa
Nações Unidas são em muito respon- ança, não impediu de (aos 17 anos) me vez por semana. O difícil acesso e longa proporcionado pelo FISAHARA é fá-
sáveis por esta situação, afirmando que juntar à guerrilha e lutar pelo meu povo”, distância a percorrer torna impossível um cil esquecer as dificuldades a que este
“não levam a sério a situação em que diz Zorgan com um orgulho evidente. abastecimento mais regular. povo está sujeito desde há 34 anos. Mas
esta gente vive”. Acrescenta ainda que Quando lhe pergunto se voltaria a fazer são acções como esta que mantêm viva
“não é aceitável que as Nações Unidas o mesmo, afirma com convicção que “se Num esforço para minimizar o isola- a esperança e o sonho de um dia po-
classifiquem estes refugiados com um a guerra recomeçar estarei pronto para mento dos refugiados estabelecidos em derem voltar à sua terra natal, de verem
estatuto de Emergência desde que os dar a minha vida pela independência e Dajla, as autoridades decidiram, desde unido o território que por direito lhes per-
campos foram criados”. O facto de não pela liberdade dos meus filhos e gera- há dois anos atrás, usar este campo tence. n
serem classificados como refugiados
não permanentes significa que a quanti-
dade de ajuda humanitária recebida não
vai ao encontro das necessidades reais
da população
Existe no entanto, uma forte partici-
pação da comunidade civil espanhola
que em geral, e ao contrário do gov-
erno (o principal responsável pelo con-
flito, pelo facto de ter abandonado a ex-
colónia a mercê da politica imperialista
dos países vizinhos), reconhece o dire-
ito a um estado independente e sente a
obrigação moral de apoiar os Saharauis.
São várias as Organizações Não Gov-
ernamentais (ONG) espanholas com um
papel activo na ajuda aos Saharaui, com
acções que vão desde a distribuição de
água potável à implementação de es-
colas e acções de formação técnica de
varias vertentes.

De caminho ao sul, é altura de visitar


o campo de Smara, o maior e mais popu-
lacional da região. Zorgan, um outro rep-
resentante da Frente Polisário, leva-me
numa visita guiada ao campo, passando
pelo hospital, escola, jardim e pelo único
cemitério da região. Na realidade, Smara
não é mais do que os outros campos por
22 | Junho 2009 | Cipreste |
Natação. A Escola EB 2,3 / S de Macedo de Cavaleiros alcançou o pódio nas provas Estafetas
4X50m Livres e Estilos nas finais do Campeonato Nacional de Natação do Desporto Escolar,
que decorreu em Setúbal. O 3º lugar nas duas provas foi assegurado pelas alunas Ana Rita
Marcos, Andrea Coelho, Andreia Gi, Joana Ribeiro, Mariana Martins, Matilde Vasconcelos,
Petra Moreno e Tânia Ribeiro. Embora não tenham marcado presença na final, Ana Filipa
Correia, Andreia Lino e Maria Carolina Correia, foram presença assídua nas eliminatórias.

Atlético de Macedo
Desporto
Vilarinho incerto
O
Atlético de Mace- não mostra para já vontade sional no clube. A sua respon-
do assegurou já a em permanecer. Recordamos, sabilidade tem a orientação de
renovação com 2 que já perto do final da época, todos os escalões de formação
jogadores com vista à próxima o técnico, ao não conseguir até aos iniciados. Encontra-
época. Sem adiantar os seus atingir de novo os 6 primeiros se já a trabalhar com os miú-
nomes, Fernando Melo, Presi- lugares da classificação final, dos, procurando em Setembro
dente do Atlético, espera nesta revelou que não iria perman- ter uma equipa perfeitamente
semana definir a constituição ecer no clube na época que definida. Os escalões de Ju-
do plantel sénior para o quarto agora se aproxima. A mesma venis e Juniores continuarão a
ano consecutivo na 3ª Divisão. opinião vai mantendo, porque, ser da responsabilidade da eq-
Fernando Melo revela que diz “estou cansado. A min- uipa técnica dos seniores. n
grande parte do plantel será ha vontade é não continuar Nélio Pimentel
abordado para a renovação, porque tenho-me apercebido

Salários em
excepção feita, para já, a Joel, de pouca tolerância de alguns
Paulo Pereira e Sanã, que já é sócios, que se calhar advém

atraso
certa a sua não continuidade. de um desgaste que poderá
Os processos de renovação es- estar a acontecer por me en-
tão pendentes pela indefinição contrar no clube há 7 anos.
em torno da continuidade ou Entendo a frustração deles Rui Vilarinho Há 7 anos responsável técnico do Macedo Finalizada a época há
não de Rui Vilarinho no coman- por não termos atingido os um mês, Fernando Melo
do técnico da equipa, que con- 6 primeiros lugares, mas a a contar comigo, mas neste Para além da questão em confirmou ao Cipreste a
tinuando, deverá de novo ser minha frustração e a dos joga- momento nada me faz mudar torno de Rui Vilarinho, Fernando existência de um salário
coadjuvado por Quintino Angéli- dores foi maior. Entendo-os, de ideias. Não estou minima- Melo tem ainda que saber com em atraso. “Há, de facto,
co e Artur Batista. O Presidente mas não posso tolerar faltas mente chateado com o Presi- o que conta da Câmara Mu- um pequeno atraso no
Melo continua a afirmar que “o de respeito.” Confrontado com dente, nem é uma questão de nicipal. Diz já se terem iniciado pagamento aos jogadores
Rui é o meu treinador. Aliás, eu o impasse que se poderá tor- salário, é a falta de respeito contactos, faltando a decisão por ainda não ter sido
disse que se não contasse com nar esta sua indefinição, Rui das pessoas. Não quero mi- final. “Já dissemos a verba que entregue a totalidade das
ele não me recandidataria”. O Vilarinho refuta dizendo “não mos, quero é respeito. As consideramos necessária para verbas da Câmara.” Este
líder do Atlético acrescenta que há indefinição nenhuma, não pessoas pensam que o fute- nos garantir uma equipa capaz mês de atraso é refer-
“os jogadores estão à espera há nada neste momento que bol é um palco para poderem de dignificar o nome de Mace- ente a Abril, devendo a
de saber se o Rui Vilarinho fica me faça mudar de ideias. Foi exprimir as frustrações que do. A verba terá que rondar a situação ficar resolvida
ou não. Sabemos que mais de uma honra trabalhar com o têm no dia-a-dia, mas não. O atribuída no ano anterior que foi dia 20 próximo. Segundo o
metade da equipa não aceita presidente, com a direcção futebol é um espectáculo de de 160 mil euros.” próprio Presidente, o clube
ficar caso o Rui não permaneça e com os jogadores… Com- emoções, onde, como na vida, Hugo Ribeiro, atleta sénior encontra-se em falta com
no clube”. preendo o Sr. Presidente e fico deveremos estar com respeito e licenciado em educação física todos os 19 jogadores que
Rui Vilarinho, ao Cipreste, satisfeito por querer continuar e esperar reciprocidade.” iniciou agora um estágio profis- fizeram parte do plantel. n

Breves
Atlético de Macedo sias. Numa final disputadíssima quistas dos dois campeonatos dor da equipa da sua terra, Corunha (Atlético de Macedo),
Apenas uma lista se apre- a Belavista teve que recorrer ao e uma taça distrital, fazem o Miranda do Douro, há 2 anos, Ximena (Bragança), Pendura
sentou a sufrágio no Clube Atlé- prolongamento para derrotar o palmarés. Na próxima época depois de ali ter abandonado a (Mãe D’ Água), Zé Borges (Mon-
tico de Macedo de Cavaleiros. Mogrão. 6-3 em jogo que termi- estará de novo na 3ª Divisão. carreira de jogador já na ternura corvo) e Rocha (Mirandela).
Com ligeiras alterações, entre nou num 3-3 no 40’ regulamen- A intenção passa por fazer mel- dos 40 anos. O Morais foi quem A equipa feminina do CTM
as quais a saída do director tares, em que o Mogrão nunca hor que o último lugar do ano mais troféus das Ondas D’ Ouro de Mirandela e Eric São Pedro,
desportivo Carlos Neto, a equi- chegou a estar em desvanta- passado. São esperadas novi- arrecadaram. Foram 3, o de atleta de Kyokushin-kan, foram
pa de Fernando Melo continua gem.No jogo em se disputava o dades sobre a planificação da Campeão Distrital, Taça e Fair galardoados com o troféu de
a gerir os destinos do clube, outro lugar no pódio, A Junta de nova época no decorrer desta Play, juntando-se o de melhor mérito. Guigui da Bahia, Pedro
pelo menos até 2011. São el- Freguesia de Macedo I/Pé Des- semana, sendo desde hà algum treinador, entregue a Fernand- Correia Duo e Raul Fernando
ementos eleitos para os corpos calço venceu confortavelmente tempo do conhecido a vontade inho. Escapou-lhe o de Melhor foram as presenças musicais.
sociais do clube os seguintes: a Associação do Brinço. de o clube renovar com Fer- Jogador, onde tinha nomeados A Fanfarra de Vale da Porca na
Assembleia Geral – António nandinho. O técnico tem-se Silva e Renato, mas que a abertura e os sketchs da “equi-
Afonso (Presidente), Joaquim também mostrado disponível, votação dos treinadores das pa de futebol” da AJAM fizeram
Santos (Vice Presidente) e João Morais estando o acordo ainda por faz- equipas dos distritais atribuiu a o resto da noite.
Vinhas (Secretário); Conselho Ao vencer o Vimioso por er, eventualmente por questões Amândio, jogador do Argozelo.
Fiscal – José Gonçalves (Presi- 2-0 na final, o Morais arrecadou ligadas à planificação do plan- Ainda no Distrital de Bragança,
dente), Raul Moreno e Marco a Taça da AF Bragança. Junta-a tel. É de esperar que grande Ambrósio Vara levou para casa Caça e Pesca
Melo (Vogais); Direcção – Fer- à vitória no Campeonato ganho parte dos jogadores renove os a distinção de árbitro. No Futsal, O clube de Caça e Pesca de
nando Melo (Presidente), João semanas antes e consegue a seus vínculos. o árbitro José Couto foi hom- Macedo de Cavaleiros tem já o
Vasconcelos (Vice Presidente), sua primeira dobradinha. Há enageado pela carreira de 20 calendário das Festas de S. Pe-
Henrique Vinhas (Tesoureiro), dois anos já havia deixado es- anos como árbitro que este ano dro definido. No dia Domingo
António Vicente (Secretário) e capar o feito, ao perder com o Ondas D’ Ouro deixa. Jorge Pinheiro e Sérgio 28 de Junho organiza na Barra-
Aníbal Regente (Vogal). Mirandês na final também dis- Tino Sá recebeu o prémio Lameiras foram a melhor dupla gem do Pocinho o Concurso de
putada no Municipal de Bra- Carreira na Gala da Rádio Onda do Distrital e os Pioneiros de Pesca, e na pista das instala-
gança. Livre. Foi premiada uma carrei- Bragança campeões. ções do clube leva a cabo uma
Torneio de Fregue- Num clube ainda bastante ra com mais de 30 anos de liga- Nos nacionais de futebol prova de Radiomodelismo. No
sias jovem, os anos têm sido bem ção ao futebol quer seja como foram galardoados os melhores Domingo seguinte, também em
A Belavista venceu a 8ª assinaláveis. Uma participação guarda-redes, como agora nas jogadores equipas represen- Nogueirinha, realiza-se o Tor-
edição do Torneio de Fregue- na 3ª divisão, no meio das con- funções de treinador. É treina- tantes do distrito de Bragança. neio de Tiro aos Pratos. n
Desporto | Cipreste | Junho 2009 | 23

Macedense Mundo da Bola


Aposta na prata da casa Golão na baliza errada
Há golos que ficam guardados na nossa
memória. Uma arrancada do meio campo, um remate
à entrada da área, aquele último drible ou a jogada
que o antecede, são momentos que imortalizam o


As pessoas da bancada
irão sentir orgulho no Grupo golo. Pena é, quando a bola não entra na baliza certa
Desportivo Macedense”, é e resulta num golo para o adversário. Há autogolos e
assim que Rui Costa, Presidente autogolos, e este merece figurar no nosso “Mundo da
e treinador do clube, prognostica a Bola”. No campeonato japonês, o médio Kim Nan II
próxima época. E acrescenta, “os do Vissel Kobe, recebe a bola a meio campo, pres-
nossos sócios e adeptos vão sentir sionado por um adversário, tenta fazer um atraso para
o clube mais deles, porque se cal- o seu guarda-redes. Este, adiantado, não consegue
har vão se identificar mais com os evitar o grande golo do seu colega. Veja em http://
cem por cento de atletas que aqui www.youtube.com/watch?v=CjahAB3YVyo
estarão, porque algum deles é filho
de alguém, irmão ou amigo”.
Esta convicção de Costinha, Jogadores proibidos de
como é conhecido o antigo guarda-
redes, tem como base a intenção de beber álcool. Se a moda
constituir um plantel de jogadores
locais, sem recorrer ao mercado, pega…
“porque o Macedense não tem pos- Há coisas que não combinam, e ser jogador
sibilidades de ir ao mercado”, diz. de futebol não combina com um consumo regular de
Deste modo, o processo de renova- bebidas alcoólicas. Assim pensa Harry Redknapp,
ções com grande parte dos joga- treinador do Tottenham da Primeira Liga Inglesa. Ao
dores do plantel da anterior época ver-se confrontado com a detenção do seu jogador,
já foi avançado, esperando-se Ledley King, que embriagado causou desacatos num
definições “o mais cedo possível”. bar de Londres, o técnico veio lançar um aviso: “Na
O timing poderá ser perfeitamente próxima temporada implantarei uma norma rígida
antes do final deste mês, adiantou- neste clube: proibir a bebida. Os futebolistas deviam
nos o técnico. As contratações de- apenas dedicar-se a jogar”, declarou ao The Sun. O
verão ocorrer através dos treinos técnico inglês chegou inclusive a recorrer à indústria
de captação que o clube tem vindo Rui Costa “os nossos sócios e adeptos vão sentir o clube mais deles” automóvel para sustentar a sua ideia, “os jogadores
a realizar e até do próprio Torneio não deviam beber, é a mesma coisa que pôr diesel
de Freguesias e Associações do ano atingiremos um máximo de rolar da época, de forma a garantir num Ferrari”.
concelho de Macedo que teve o seu 3.000 euros”, garante. a estabilidade necessária ao clube. No “Mundo da Bola” perguntamos: quantos não
término em Maio. “Temos alguns Esta será a segunda época con- “Reduzimos 2500 euros por mês ao serão os treinadores com a mesma ideia? Devemos
jogadores juniores e seniores nos secutiva do clube na 3ª Divisão, de- nosso orçamento a partir de Dezem- acrescentar que, se a moda pega, se calhar ainda
treinos de captação que nos ofere- pois de uma passagem de 4 anos na bro, o que representa uma parte veremos alguns jogadores a abandonar o futebol…
cem garantias. Tivemos um grande 2ª Divisão Nacional. O ano passado, bastante significativa. Isto, quer com sim, porque ninguém resiste a um copinho.
torneio de freguesias, qualquer o do regresso à 3ª, os objectivos a saída da equipa técnica e de dois

Stanislas Oliveira. Con-


uma das 4 equipas que alcançaram passavam por regressar ao segun- jogadores, de ajuste em despesas
as meias-finais, disputaria no dis- do escalão, mas a equipa não con- correntes, e da renegociação do
seguiu mais que um 4º lugar final.
hece?
trital de Bragança a subida à 3ª contrato com alguns jogadores. Isto,
divisão. Temos também grandes Mesmo assim, Rui Costa mostra-se acima de tudo veio contribuir para
valores neste distrito nas camadas satisfeito com o realizado. “Foi uma que nesta altura estejamos com Provavelmente nunca ouvi
jovens, ou outros jogadores com época em que claramente aposta- uma perspectiva financeira para o falar… Nós, até há bem pouco
experiência que andam em equipas mos para subir, não aconteceu, mas futuro mais risonha que aquela que tempo, também não. Pois é, o
neste distrito que poderão jogar no acima de tudo fomos obrigados a se apresentava na altura. São coisas nosso “Mundo da Bola” é peque-
macedense”. ser bastantes coerentes. A meio da que custam a qualquer direcção, é no. Stanislas Oliveira é um jovem
Para a nova época na 3ª Di- época decidimos colocar a parte um facto, afinal estamos a lidar com jogador de 19 anos (27/03/1988),
visão Nacional, o objectivo do clube financeira acima da desportiva, pessoas, mas se assim não fizésse- do modesto Sedan, da 2ª Divisão
“é garantir a manutenção. Fazer um deixando sempre a possibilidade mos estaríamos a prestar um mau francesa. Stanislas estreou-se
campeonato tranquilo com uma eq- de fazermos tudo para conseguir- serviço ao clube e à terra. Podere- nas convocatórias das selecções
uipa muito competitiva e acima de mos atingir os objectivos propostos. mos deste modo olhar para o futuro nacionais por Rui Caçador, téc-
tudo, sermos coerentes com a nos- Não conseguimos, ficamos num com mais optimismo, apesar de ter- nico dos Sub-21, para o Torneio
sa realidade financeira”. Depois da honroso 4º lugar, não é um balanço mos algum trabalho pela frente na de Toulon que decorreu no último fim-de-semana
redução orçamental levada a cabo totalmente positivo, mas estamos estabilização financeira. Sabíamos naquela cidade francesa. Até agora ainda nada,
em Dezembro passado, Costinha satisfeitos com o trabalho realizado. que colocávamos em causa uma pois não? Acontece que este menino é filho de uma
garante que os custos com a eq- Obviamente que acho que o 4º lugar possível subida, mas decidimos cri- emigrante portuguesa radicada em França, natural
uipa sénior vão descer ainda mais soube a pouco, mas conseguimos ar bases para que o Macedense não da aldeia dos Cortiços. Tendo tido já oportunidade
na época que se aproxima. “O ano que alguns jovens se assumissem e desapareça do mapa como algumas de representar uma das selecções gaulesas, Stanis-
passado até Dezembro tinha uma esta terá sido a época da sua afir- equipas irão desaparecer”, refere o las optou por esperar uma oportunidade lusa. Essa
despesa mensal de quase 8.000 mação. A parte financeira passou a Presidente Rui Costa. n aconteceu agora, ficando portas abertas para outras
euros, tivemos que reduzir. Este assumir papel importante no desen- Nélio Pimentel oportunidades.
Agora, se pelo menos não recordar o nome,
Parapente não mais se esquecerá daquele rapaz com o nome
esquisito que é dos Cortiços e que, um dia, preferiu a

Nordeste 2009 em Bornes


selecção portuguesa à da França.

Nélio Pimentel
Tenista romena reduz
E spera-se uma melhoria do
estado do tempo para esta
quarta-feira de modo a proporcionar
houve 4 dias em que se realizaram
mangas muito boas, atingindo-se
numa delas os 70 km de distância. seios
as condições ideais para os quase Os pilotos, que, para além de portu- Simona Help é uma jovem
80 parapentistas inscritos na Nor- gueses, tiveram também presentes tenista romena, com apenas
deste 2009. Esta é a primeira prova espanhóis, franceses e da Rep. Do- 17 anos, que recentemente
do Campeonato Nacional de Parap- minicana, saíram daqui muito satis- chegou às “bocas do mundo”
ente 2009, que conta este ano com feitos.” do ténis. Para além de recon-
outras 4 provas (Montalegre – 25 Para este ano são aguardadas hecido um talento promissor, a
a 28 Julho; Castelo de Vide – 30 também boas mangas, “onde se tenista é conhecida pelos seus
Junho a 4 Julho; Mirandela – 16 a possam atingir distâncias na ordem atributos físicos, com seios
19 Julho; Serra da Estrela – 23 a 26 dos 50, 60 ou 70 km por manga”. tão grandes, que lhe valeram
Julho). A organização está a cabo Sendo esta uma prova de Catego- a alcunha de Monster Tennis Boobs, a “tenista dos
do Clube Azibo Aventura e da Rota ria II da Federação de Aeronáutica seios monstruosos”. “ É um peso que dificulta a
45.com, contando com o apoio da Internacional a presença de pilotos
minha mobilidade, para que possa reagir com rapi-
Câmara Municipal de Macedo. Pau- estrangeiros é habitual. Para além
lo Júlio é o director de prova. de os pontos aqui conquistados dez. No próximo Outono vou reduzir o tamanho dos
A prova de 2008 em Bornes foi contarem para os rankings dos re- meus seios. Este busto faz com que sinta incómodo
das mais concorridas de sempre spectivos países, têm também a a jogar”, confessa a jovem. Deverá ser a altura
e que, segundo Paulo Júlio “sal- oportunidade de pontuar no ranking ideal para a tenista se estrear no circuito profis-
vou o campeonato de 2008, já que internacional da FAI. n sional no próximo ano. n
24 | Junho 2009 | Cipreste |
King’s Cross. De Londres a Macedo numa dança
Kings Cross é uma das principais portas de Londres, cidade onde reside Pedro Pires,
de Talhas. É também o nome de um espectáculo de dança contemporânea que o
bailarino vai levar ao palco do centro Cultural no próximo dia 19.

Livros
Cultura
Continuação de O Sabor da Marmelada Fresca nas bancas

O mistério Cafeína
da fonte queimada “A Salomé a fazer de conta que tudo está bem, que a vida volta ao normal,
decidida, amanhã já vai à empresa. E que eu tenho que ir para Lisboa. E
eu a concordar e a fazer de conta que sim senhor, que tudo está bem, tudo
voltou ao normal, a vida vai em frente e amanhã, pois claro, tanto que fazer,
“Ajustou os óculos grossos que usava em casa. Abriu a pasta em cima tanta coisa à minha espera, decisões importantes, amanhã para Lisboa.
da mesa de trabalho e passou as folhas uma a uma, comparando-as com E do fundo da minha consciência um vai, vai, escarninho. Vai fazer o que
as dos cadernos do original que tirara da gaveta da papeleira. Ali estava: sabes fazer bem. Para trás fica o que não sabes resolver e começa a ser
faltava uma das folhas de fontes frias... e faltava, no lugar geográfico cor- incómodo. Mas se não sei, o que hei-de fazer? Aprende enquanto é tempo.
respondente, uma das folhas de poços. Sintra. El-rei tinha queimado Sintra, Aprendo o quê? Como? Como aprendo agora a lidar com isto? Pois bem,
desde o mar até ao lado de cá da serra. Tinham escapado Penafirme e Pe- vai. Mas não é por lhe virares as costas que o problema se resolve. Pelo
nhalonga, já fora do termo. Todo o espaço a poente tinha ficado em cinzas contrário. Vai-se agravar, agravar, agravar. És sinistro nesse teu pessimis-
na braseira da sala de despacho. Que segredo haveria em Sintra?” mo. Chato. O tempo é um grande auxiliar, ajuda a resolver muita coisa. E
quando não se sabe, não é melhor estar quieto do que fazer asneiras? Não
é o tempo um grande escultor? Também de almas? É. Ilude-te!”

Feira do Livro Apresentação aconteceu enquadrada numa feira do livro

A
quilegio Medicinal, escrito por trado, e adoptado o nome, de um per-
Francisco da Fonseca Rodri- sonagem, Patricio Nolan, mercador de
gues, são os protagonistas de escravos que terá colocado um anúncio Apresentação Pires Cabral Apresentou livro de Fernando Mascarenhas
“O mistério da fonte queimada”, escrito na Gazeta de Lisboa quando o séc. XVIII
por Manuel Cardoso. É o segundo ro- ia pelo quarto de século. Após fazer uma
mance do escritor macedense, que deu consulta com o objectivo de averiguar se

J
oão, o jovem transmontano que cipação da mulher, a descolonização e
à estampa pela mão da Sopa de Letras o nome do personagem teria sido utiliza- em “O sabor da marmelada fr- conturbação social, o respirar de uma
da editora Principia. do por outro escritor, verificou que Jorge esca”, Fernando Mascarenhas liberdade incógnita, tantas vezes com
O romance, à semelhança de “Um Luís Borges havia atribuído o nome de criou, bafejado pela sorte, encontra em o intuito de fruir dela de um só fôlego.
tiro na bruma”, é o resultado de uma Patricio Nolan a um personagem. Este Cafeína uma(s) nova(s) fase(s) da sua Estas incursões não acontecem com o
pesquisa de cariz histórico e da fluida por seu turno, terá, na obra de Borges, vida. Cafeína assume-se como um livro objectivo específico de análise social ou
pena do autor. feito uma aposta com dois prisioneiros, de continuação da história de João, mas, política, são antes a moldura ao enredo
Situado no séc. XVIII, o romance um dos quais com o nome de Manuel segundo o autor, de leitura autónoma em que envolve o João. O realismo como
conta a história de um livro, Aquilegio Cardoso. Postas as coincidências, relação ao primeiro livro. estão descritas é que fazem delas tes-
Medicinal, e do seu autor, Francisco da Manuel Cardoso, o escritor macedense, Em Cafeína, João encontra um mun- temunho de uma época importante na
Fonseca Rodrigues, cristão-novo das adoptou a nome do personagem do es- do menos homogéneo, menos estável, história recente do nosso país.
terras de Mirandela que, na Lisboa da critor argentino. em que João, já rapaz maduro, se de- À nossa reportagem Fernando Mas-
primeira metade de 1700, fez carreira O autor destaca a descrição do para, por um lado com um país de jo- carenhas afirmou estar a trabalhar num
e fortuna com o exercício da medicina, hospital de Todos-os-Santos, pelo rigor vem liberdade em conturbação social e novo volume, sem data programada
tendo sido médico de El Rei D. João V e histórico. económica, por outro lado com um novo para dar à estampa, que será o encerrar
figura de destaque no hospital de Todos Manuel Cardoso declarou à nossa universo sentimental com o qual não es- de uma trilogia sobre o João. Segundo o
os Santos. O livro, como o terá escrito reportagem estar a trabalhar numa ter- tava familiarizado. escritor, esse livro terá uma leitura ainda
Francisco da Fonseca Rodrigues, e os ceira obra, também um livro com um fun- Escrito em linguagem fluida de bom mais autónoma do que Cafeína.
segredos que encerram as águas e fon- do histórico, verdadeiro, embora a acção português, localizado temporalmente Aguardamos com expectativa.
tes de Portugal, são alvo da atenção do seja ficcionada, tal como nos seus dois nos anos setenta, e porque o espaço Sobre o primeiro romance, Fernando
autor do romance. romances. narrativo do livro é envolvido de muitos Mascarenhas afirmou que a edição se en-
Ao Cipreste o autor relatou, por curi- “O mistério da fonte queimada” é um cenários sociais, o livro é também um contra esgotada no editor mas não está
osidade, o facto de, nas pesquisas que mistério. Atreva-se a desvendá-lo. n registo do Portugal do 25 de Abril, o an- prevista, para já, uma reedição da obra. n
fez para a redacção da obra, ter encon- Rui Miranda tes e o depois, as lutas sociais, a eman- Rui Miranda
Cultura | Cipreste | Junho 2009 | 25
Com exposições rotativas
Poesia
Macedo tem Museu de Arte Sacra Braços de
salvação
Maldita hora sem governo
Que o mundo tanto me prende
Dos sentidos de que me desterro
E se por orgulho me enterro
A luz da vida ela se acende

E que por uma vez se faça


A grande guerra á desgraça
Destruindo-a sem dó nem pena
Já que tanto ela me empena
Desapareça onde a minha vida passa

Torce-me a mente senhor


Modifica o meu arrumo
Faz do meu sangue sumo
Do fruto da minha dor
E não me engane nunca mais
Nem que perdido eu me veja
A minha vida ela seja
requalifiquem. O próprio o diz: “esse é o Um paraíso até jamais

N
o mesmo dia, o ministro da Joaquim Padrão é o nome que sobressai
Cultura, José António Pinto grande desafio”. Mais importante do que na secção de pintura, ele que foi pintor De quem só o bem me deseja
Ribeiro, esteve na região construir o local e torná-lo em monumen- e também gravador lisboeta do período
transmontana para inaugurar dois mu- to turístico, José António Pinto Ribeiro barroco. Canso-me de tanto lutar
seus de Arte Sacra, um dos quais na quer que “a população o sinta como seu, E correm lágrimas a fio
Casa Falcão, em Macedo de Cavaleiros, o invada, venha cultivar-se, aprender, Ministro quer rede intermu- E não digo nem um pio
o outro em Vinhais. O espaço já existia trabalhar, passear e gozar.” nicipal Porque já não sei hoje chorar
e, por isso, a obra ficou-se pelo milhão Como chorava antigamente
de euros, um valor ainda considerável in- “Do Espírito à Imagem” O ministro da Cultura quer que seja Os meus olhos em tua mente
vestido na totalidade pela autarquia, sem criada no distrito de Bragança uma rede Se espelhavam sem nenhum dó
quaisquer apoios vindos da União Euro- É este o título da primeira exposição que ligue os municípios, mas que vá para Nas amarras da minha vida
peia, ou mesmo do Estado português. acolhida pelo espaço museológico, com- além disso. Que os mantenha ainda em Sinto-a hoje já ela perdida
O Museu é apenas a porta de en- posta por 80 peças, datas do período contacto com o Ministério da Cultura e Que só meu peito sente o nó
trada, o cartão de visita para o conjunto entre o século XIV e o século XX, pro- com os diversos equipamentos culturais.
extenso de arte sacra que existe no con- venientes de capelas e igrejas de todo “Uma relação permanente, através de Caminho e reparo na calçada
celho de Macedo de Cavaleiros. Daí que o concelho de Macedo, que foram alvo representantes”, assegura José António Nesse piso que já me tombou
a exposição seja rotativa. “Estas peças do inventário ao património histórico e Monteiro, que pretende ainda que sejam Em horas de tantas vezes nada
irão depois para os seus locais de ori- artístico da diocese de Bragança-Miran- realizados inventários às instalações cul- Caído, e ninguém me levantou
gem, para as suas capelas ou para os da, realizado pela Associação Terras turais da região, de modo a saber qual “a
proprietários privados”, assegura Be- Quentes. utilização dos mesmos, para que se pos- Diz-me tu quem serei eu.
raldino Pinto, presidente da Câmara A exposição está dividida em quatro sam gerir mais eficazmente do ponto de Serei eu um filho de deus,
Municipal de Macedo de Cavaleiros. O núcleos: imaginário, ourivesaria, artes vista cultural”. Ou um mártir dos sentidos meus?
importante é que o turista sinta depois gráficas e pintura. Na secção imag- Todas estas intenções do ministro Ganhando grandes batalhas
necessidade e vontade de visitar as ig- inária, o público é presenteado com te- têm uma finalidade, no seu ponto de Sem na vida entrar em falhas
rejas e as capelas nos locais. O museu mas evangelistas, marianos e de santos vista, levar mais gente aos espectáculos Sorri-o e avanço prós braços teus
fica como chamariz turístico. pregadores; nas artes gráficas figuram culturais. Ideias que saíram de uma re- Então sou aquela criança
Já o ministro deixou mesmo expres- missais romanos concebidos em Antuér- união entre o membro do governo e rep- Que te vê de braços abertos
so que a sua vontade é a de que a popu- pia e Veneza (no estrangeiro) e Coim- resentantes dos 12 municípios do distrito E por esses tesouros certos
lação “tome o local de assalto”, e que se bra, Lisboa e Porto (em Portugal). Na de Bragança, no Governo Civil, aquando Corro e entrego minha esperança
deixem contagiar pela arte envolvente ourivesaria estão expostas as procis- da vinda do ministro à região. n Aos braços da salvação...!
e, se possível, que se aprofundem e se sões e a eucaristia. O nome de António Miguel Midões J. Batista (Ferrinho)

GEAAF Peripécia

Escultura no Centro Cultural Mamã?!


A ntónio Figueiredo, a organizar
exposições de escultura há 3
A companhia de teatro Peripé-
cia subiu de novo ao palco do
Centro Cultural de Macedo de Cava-
anos no Centro Cultural de Macedo de leiros. Desta vez em cena esteve a peça
Cavaleiros, é homenageado até dia 30 Mamã?! Noelia Domínguez e Luis Filipe
de Julho por quatro escultores que se
Santos deram corpo a um conjunto de
juntaram para voltar a expor no espa-
ço. Susana Piteira, Volker Schnüttgen, personagens que exploram tanto a co-
Paulo Neves e Luís Cruz são os nomes média como a sensibilidade. Um espec-
da escultura nacional que estão de re- táculo com a marca do profissionalismo
gresso a Macedo de Cavaleiros. A única que caracteriza os Peripécia, em que to-
mulher pretende incidir na temática do dos os movimentos não acontecem por
machismo, por ser uma situação social
acaso e um mesmo objecto ganha vida
que a preocupa, uma “questão cultural,
de falta de educação e de respeito”. São em diversas cenas.
estes valores que a preocupam, não só Uma apaixonada bailarina de cabaret
enquanto mulher, mas porque têm “um é despedida após engravidar. Desam-
impacto negativo na vida e felicidade de parada tenta sobreviver na rua. Encontra
todos”. um músico através do qual, com alguma
No caso de Schnuttgen, os tra-
astúcia, alcança o pão para matar a sua
balhos foram criados nos anos 90 e rep-
resentam a beleza de uma “Lisboa deca- e a fome do ente que gere na barriga.
dente”. Os outros dois artistas oferecem Com algum dinheiro consegue consul-
trabalhos em mármore, alusivos à roda tas na clínica, onde os funcionários têm
da vida, e em fundição como um tríptico tanto de apáticos como de stressados.
de mãos, que “traduzem ambiguidades, Ali acontece o parto.n
Pedra e metal Exposição reúne trabalhos em vários materiais
quer de gestos, quer de atitudes”. n
26 | Junho 2009 | Cipreste | Cultura
IV desfile da Máscara Ibérica VI Jornadas da Primavera

Caretos de Podence Macedo


desfilam em Lisboa tem história
executados na Terronha de Pin-
À semelhança dos anos
anteriores, a revista
Cadernos Terras Quentes foi
hovelo. O vereador lembrou a
luta que travou para que o tra-
lançada nas Jornadas da Pri- çado do IP2 fosse alterado, não
mavera. As únicas diferenças danificando este património.
foram o número da publicação, “Cada vez me orgulho mais de
que já é a sexta e a edição das que o IP2 não tenha destruído
jornadas, que já vai na sétima. a Terronha”, diz. O traçado foi
Mais um ano de trabalhos pub- desviado e não chegou a pas-
licado, que é agora o exemplar sar em Pinhovelo, como estava
e uma prova de que Macedo de previsto e hoje está ali, bem
Cavaleiros tem história. A revis- perto da cidade de Macedo
ta deambula entre a história de de Cavaleiros “parte da nossa
arte, a arqueologia e as técni- história associada ao Império
cas de conservação e restauro. Romano”.
Carlos Mendes, arqueólogo,
também responsável pela As- Dia de novidades
sociação Terras Quentes, ga- históricas
rante que a população em geral
vai ter motivos de interesse Mas, as sétimas Jornadas
para ler o exemplar e verão que da Primavera não foram apenas
“Macedo não é uma terra sem lançamento de mais um Cad-
história”. O arqueólogo afirma erno Terras Quentes. Ao longo
mesmo que a “história é muita da tarde de sábado 30 de Maio
e que vale a pena trabalhá-la”. respirou-se história no auditório
Da autarquia esteve pre- do Centro Cultural. A sessão foi
que, debaixo de um sol lumi- sente nas jornadas Manuel Car- aberta por Carlos Mendes que
A quarta edição Máscara
Ibérica juntou na capital
Portuguesa máscaras e mas-
Lamego e da região que integra
as Aldeias de Xisto. De Espanha
houve representações de Ou-
noso com mais de trinta graus
de expressão, percorreram o
doso. O vereador denota que a
publicação vem aprofundar o
abordou duas figuras notáveis
do concelho de Macedo de
carados do norte do país e da rense, Zamora, León, Cantábria, percurso entre a Praça do Co- trabalho que tem sido feito ao Cavaleiros: Martim Gonçalves
vizinha Espanha. Astúrias e Cáceres. De Espanha mércio e a Praça do Rossio, um longo dos anos, a nível históri- de Macedo e Nicolau Vergueiro.
O evento integrado nas festas participaram a maioria dos mas- trajecto que demorou cerca de co (como por exemplo com a Seguiu-se Catarina Gonçalves
da cidade de Lisboa, organizado carados, com uma grande diver- duas horas e foi acompanhado figura de Martim Gonçalves de que falou dos brasões de Mace-
pela empresa Progestur, reuniu sidade crómatica, temática, de por milhares de pessoas. Macedo), a nível patrimonial, do de Cavaleiros e João Carlos
várias delegações de Portugal traje e de materiais. Para além dos Caretos de “dando a conhecer o que tem Senna-Martinez, que fez alusão
e da vizinha Espanha, com liga- Os Caretos de Podence Podence, Macedo de Cava- sido feito na Oficina de Con- à Fraga dos Corvos, um território
ções ao universo da máscara. desfilaram inseridos num leque leiros fez-se representar com servação e Restauro”, e ainda da 1ª idade do bronze. Entre out-
Nesta edição estiveram pre- de 26 grupos de mascarados um pavilhão de divulgação a pré-história, oferecendo como ros, Lília Silva e Lécio Leal mostr-
sentes, do nordeste transmon- totalizando 700 intervenientes, turística, onde estava uma em- exemplo a Fraga dos Corvos, aram um pouco do inventário que
tano, uma delegação de Macedo representativos da etnografia presa de Macedo a comercial- na Serra de Bornes. tem sido feito pela associação ao
de Cavaleiros e de Mogadouro. popular portuguesa e espan- izar produtos da gastronomia e Nesta mesma edição do património de arte sacra da dio-
Havia ainda representações na- hola. Nem o calor retirou intrepi- artesanato do concelho. n Caderno está ainda com acesso cese de Bragança-Miranda. n
cionais de Seia, da região de dez aos homens de Podence Rui Miranda a toda a população os trabalhos Miguel Midões

Trabalho infantil

Programa PETI reuniu em Macedo


jectivo é trazê-los de volta à es-
M acedo de Cavaleiros foi
o concelho da região
transmontana escolhido para
cola”, destaca o professor.
A animação foi feita com
receber o encontro anual do Pro- a prata da casa e já a mostrar
grama para Prevenção e Elimina- o que de melhor se faz neste
ção da Exploração do Trabalho tipo de formação. Os alunos da
Infantil, PETI, onde estiveram turma PIEF de Macedo fizeram
presentes alunos e professores a abertura da sessão, juntando
dos distritos de Bragança e Vila um grupo de bombos, que des-
Real. Só no distrito do nordeste filou desde a EB2/3+S até ao
transmontano existem 6 turmas Centro Cultural em perfeita ani-
do Programa Integrado de Edu- mação, com alguns deles tra-
cação e Formação, PIEF: duas jando de caretos e ainda com
em Vinhais, uma em Bragança, a presença de um cabeção.
Macedo de Cavaleiros, Mirande- Houve ainda teatro e animação
la e Torre de Moncorvo. O encon- musical com a Banda do PIEF
tro visou mostrar um pouco do de Vinhais. A juntar, e para que
trabalho realizado pelas turmas a confraternização fosse com-
ao longo do ano, o convívio entre pleta, o almoço-convívio reali-
os alunos e ainda “mostrar a es- zou-se na Albufeira do Azibo.
cola ao exterior”, como salientou Depois de concluída esta for-
o professor Olavo, coordenador mação, os estudantes ficam com
da turma de Macedo e também Música grupo de bombos, um teatro e banda músical animaram o dia a graduação da escolaridade
representante da organização do ano. Neste dia de convívio, os tende, acima de tudo, combater Muito embora o abandono esco- obrigatória e podem sempre seguir
evento. alunos puderam “confraternizar, o trabalho infantil e o insucesso lar, quase sempre causado por os estudos, caso haja interesse, o
O primeiro encontro teve lugar trocar ideias, necessidades, que e abandono escolar, embora uma situação social degradada, que representa autênticos casos
em Vinhais, no ano passado, e a vejam que a escola não é um a primeira situação não seja seja ainda bastante significativo de sucesso. Para isso, basta que
edição deste ano coube ao agru- mundo fechado, mas sim aberto a mais marcante no concelho na região. “Nalgumas situações realizem um exame de Português
pamento de escolas de Macedo, e voltado para o exterior”. macedense, onde a exploração existe trabalho infantil, mas não e outro de Matemática. n
seguindo um terceiro no próximo Em geral, o projecto pre- laboral infantil não é de relevo. é muito. O nosso principal ob- Miguel Midões
Suaves | Cipreste | Junho 2009 | 27

Sabia que... Macedo no seu melhor


…A Serra de Bornes apesar dos seus majestosos 1200m é
apenas a 24ª serra mais alta de Portugal (incluindo ilhas).
Contudo, na região é a 5ª elevação mais proeminente,
sendo a terceira maior em altitude no distrito de Bragança,
com condições fantásticas para a prática de Asa Delta e
Parapente. A ficar mais próximas dos céus estão a Serra da
Nogueira (concelhos de Macedo de Cavaleiros, Bragança
e Vinhais) com 1318m, a 15ª mais alta no país e a Serra do
Montesinho, que aparece em 8º na contagem nacional é a
mais alta de toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro,
com 1486m de altitude.

…O sobrinho do presidente da junta de Morais já está a


trabalhar como assessor do vereador Barroso. A formação
dele é em análises clínicas….

…A época de campanha política é óptima para conseguir


favores dos políticos... alguém os pagará.

…A cidade de Macedo já tem um museu. De arte sacra. Esta não é para ter graça, é mesmo perigoso o ferro que na rua Dr. Luís Olaio está
Visite-o e divulgue-o à altura da cabeça de uma pessoa de 1,70 m

... com um euro pode comer um hambúrguer no McDon-


ald's, mas é também só o que precisa para ir à Feira de S.
Pedro.

...às vezes os deputados estão todos de acordo. Foi o que


aconteceu quando decidiram aumentar o valor das verbas
que podem receber sem ter que declarar de onde vêm. Pas-
saram de 22.500 euros para 1.200.000 euros!!!

… há 13029 xenófobos. Foram os votos do Partido Nacional


Revolucionário para a Europa. Em Macedo há 9!

… pode (deve) dizer "sítio da Internet" em vez do termo


anglo-saxónico de "site Internet"

… devemos caminhar todos os dias meia hora. (voz da ex-


periência: ao fim de 15 minutos volte para trás)

… Mais vale uma má ideia do que ideia nenhuma.


(ao Daniel) Há algum tempo que abriram a estrada, na rua Damião de Góis e puseram paralelo a
tapar. É definitivo, é que se é, os amortecedores não resistem.

Sudoku

Longe vai o tempo em que o Cipreste deu laranjas, agora é outra tecnologia, os
cerdeiros dão CD’s.

Porquê assinar o Cipreste? Assine o Cipreste


Porque este jornal é seu. Jornal Informativo de Macedo de Cavaleiros
É de quem o lê, de quem colabora e escreve, de todos os
Assinatura Anual €10.00
que acreditam que a liberdade de expressão é fundamental
para uma comunidade mais justa, equilibrada e apta. Nome:
É ao público e leitores que compete decidir se vale a pena
Macedo ter um jornal ou não. Pela nossa parte compete-nos Morada:
fazê-lo, Da sua parte, lê-lo, apreciá-lo, comentá-lo, discuti- Código Postal: Telefone:
lo. Mas para que isso seja uma relação duradoura precisa-
mos que todos colaborem, ao assiná-lo, com 10 euros por Junto Envio: Cheque nº s/Banco
ano, está também a fazer a sua parte. Se isso acontecer nós
cumpriremos a nossa. Vale de Correio nº
Para:
Também o pode fazer através do nosso sitio da Internet: Cipreste
www.jornalcipreste.com Edifício Translande Lj 49 - 5340 Macedo de Cavaleiros
28 | Junho 2009 | Cipreste | Última
Parque Eólico de Borninhos

Ao sabor do vento…
Bornes com energia sustentável

Q
uase dez anos de- parque vai criar, apesar de pou-
pois de instalado cos, alguns postos de trabalho
o primeiro aerog- directos e indirectos, como por
erador (Parque exemplo vigilantes, que devem
Eólico de Borninhos), o cume pernoitar e fazer refeições no
da Serra de Bornes vê-se agora conselho macedense, criando
povoado de mais 24. O Parque assim alguma dinâmica na eco-
Eólico de Borninhos, composto nomia local.
pelo isolado aerogerador voou As eólicas da Serra de
oito anos ao sabor do vento, mas Bornes são das mais altas, uma
sem qualquer ligação à rede vez que estas são construídas
eléctrica nacional. Só agora, de- consoante a intensidade do ven-
pois de construída a subestação to, sendo que as maiores estão,
dos Olmos, em Macedo de Cav- por norma, localizadas em zonas
aleiros, será possível ligar este costeiras, ou mesmo em pleno
elemento à rede, bem como os mar. Estas que aqui estão a ser
restantes agora instalados. Uma instaladas rondam os 80 metros
energia que, no total, será três de altura e cada pá pode chegar
vezes superior à consumida aos 40 metros. Ao longe e na
pelos concelhos de Alfândega paisagem, as pás giram a uma
da Fé (freguesias de Gebelim, velocidade enganadora, o que
Sambade e Soeima) e Macedo à visão parece lento, trata-se de
de Cavaleiros (onde ocupa ter- uma real velocidade, linear, que
renos das freguesias de Bornes, pode atingir os 300km/h.
Chacim, Grijó, Vale Benfeito e A constituição dos
Vilar do Monte), anualmente. parques eólicos de Bornes são
Estes dois concelhos abrangi- um passo em frente não só para
dos pelos Parques Eólicos de que Portugal atinja os seus ob-
Bornes (uma vez que são dois: jectivos, ao nível da União Euro-
o de Bornes I, composto pelos peia, sendo já o quinto país com
aerogeradores do 1 aos 13 e o melhores marcas em termos de
de Bornes II, formado pelos res- energias renováveis, mas tam-
tantes), vão beneficiar de largos bém para gáudio regional. O
milhares de euros anuais. distrito de Bragança é dos mel- Borninho Serra de Bornes ficará com um total de 25 éolicas e acessos alcatroados
Todas juntas, as eólicas hores do país em termos de ren-
vão conseguir uma produção ováveis, muito devido à grande participadas do grupo ENER- biental), levado a cabo pela APA futura (na altura, uma vez que
de energia que ronda os 60 quantidade de energia que é SIS, e a entidade licenciadora (Agência Portuguesa do Ambi- já abriu) subestação de Macedo
MW (megawatts), 2,5 MW cada produzida no Douro, através do do Projecto é a Direcção-Geral ente), com início em Setembro de Cavaleiros, o que implicaria
“moinho gigante”. “Isto significa seu número de barragens sig- de Geologia e Energia (DGGE). de 2005 e que esteve em consul- uma extensão muito menor de
uma produção anual equiva- nificativo. Quando se fragmen- As vantagens para o ambi- ta pública de Janeiro a Fevereiro linha eléctrica (15-19 km), evi-
lente a três vezes o consumo tam os números por secções, ente são claras: “para produzir a de 2006, a fonte receptora de tando o atravessamento da ZPE
total de energia do concelho de no sector da energia eólica, Bra- mesma energia que os Parques energia era indicada como a sub- (Zona Protegida) dos Rios Sabor
Macedo e de Alfândega da Fé”, gança surge mal classificado, Eólicos de Bornes produzirão estação de Tó, no concelho de e Maçãs”, indica Cecília Simões,
refere o vice-presidente da Câ- com a maioria dos seus parques ao longo do seu horizonte de Mogadouro, num total de 36 km. engenheira do ambiente da APA,
mara Municipal de Macedo, Du- eólicos encravados, devido aos vida útil, uma central térmica a Contudo, esta ligação atraves- a quem a Comissão de Avalia-
arte Moreno. estudos de impacto ambiental gás natural produziria 1 402 667 saria duas áreas protegidas: a ção do Estudo do Impacto Ambi-
Mas, as vantagens não se negativos, como é o caso do PE- toneladas de CO2 (dióxido de do rio Maçãs e a do rio Sabor. Ao ental, do Gabinete do secretário
longo destas quase quatro deze- de Estado do Ambiente, pediu o
nas de quilómetros são várias parecer.
B.I das torres eólicas de Bornes as espécies de fauna e flora que Tendo em conta que só no
seriam afectadas com a passa- início do ano a subestação dos
Constituição: três componentes – a torre, a cabine gem da linha aérea, que serviria Olmos esteve apta a receber en-
(onde está o gerador) e as pás; para transportar a energia. O EIA ergia, só nos últimos tempos se
Altura da torre: 85m (Estudo de Impacto Ambiental) viram nascer no cimo da serra de
aponta para a zona atravessada Bornes os dois parques eólicos.
Número de pás: três pela linha, “quarenta e quatro es- Quanto às espécies exis-
Comprimento das pás: 44m pécies de mamíferos, destacan- tentes na Serra de Bornes, ape-
Curiosidade: haverá apenas um edifício de comando, do-se várias espécies de morce- sar de terem sido identificadas
gos, a toupeira-de-água, o lobo e várias espécies de aves e de
que será comum aos dois parques eólicos, uma vez
a lontra. No que respeita às aves, anfíbios, nenhuma delas está
que têm a mesma entidade gestora. Esta estrutura são descritas cento e vinte e seis indicada com o estatuto de con-
será revestida a xisto, por ser a pedra característica espécies. Destaca-se, pelo seu servação em Portugal, ou seja,
da região estatuto de ameaça, a cegonha em vias de extinção. Mas, os
preta e a águia-real. Refere-se, impactos a nível da fauna são
também, a águia de Bonelli. Para sempre significativos e, por isso,
traduzem apenas em euros. NOG (Parque Eólico da Serra da carbono)”, salienta o estudo de a área de passagem da linha em Bornes, as espécies mais
Com os aerogeradores, a serra Nogueira) e do Parque Eólico de impacto ambiental. Na globali- foram identificadas catorze es- afectadas serão sobretudo aves,
ganhou ainda com o arranjo dos Montesinho. Nestes dois casos dade, o projecto dos parques pécies de anfíbios e dezassete como: o taranhão-caçador, a
caminhos, outrora apenas per- a “falta de vontade política” é a ronda os 50 milhões de euros. espécies de répteis. Apenas a rola, o rabirruivo-de-testa-bran-
corridos pelos bombeiros em primeira razão apontada pelas víbora-cornuda apresenta es- ca e o milhafre real.
momentos de aflição, ou pelos várias Juntas de Freguesia que E porquê tantos anos tatuto de ameaça”. Um número Ao longo de toda a insta-
mais curiosos que ousavam vão beneficiar dos mesmos para de atraso na sua insta- de espécies suficiente, que levou lação, a empresa responsável
passear na serra. Os arranjos o não avanço das infra-estrutur- lação? a pensar em outra solução, mais pela obra é também obrigada
dos acessos do parque também as. próxima e com menor impacto. a minimizar todos e quaisquer
se traduzem na facilidade de No caso dos parques de O problema residia na recep- “Paralelamente ao estudo deste impactos ambientais, nomeada-
acesso às propriedades particu- Bornes, o proponente de ambos ção da energia que poderia vir troço, o proponente promoveu os mente com a edificação dos es-
lares”, acrescenta o membro do é a empresa Parque Eólico da a ser produzida pelos aerogera- contactos necessários no sen- taleiros, que servem de apoio ao
executivo camarário. Ainda há Serra de Bornes, Lda., que con- dores. Segundo o processo da tido de verificar a possibilidade levantamento das torres. n
mais, pois obrigatoriamente o stitui o conjunto de empresas AIA (Avaliação de Impacto Am- e viabilidade de uma ligação à Miguel Midões