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A variável gênero / sexo

Todos sabemos que as línguas modificam com o tempo. De fato, as mudanças lingüísticas normalmente se
processam de maneira gradual em várias dimensões. Nos eixos sociais, por exemplo, os falantes mais velhos
costumam preservar mais as formas antigas, o que pode acontecer também com as pessoas mais
escolarizadas, ou das camadas da população que tenham mais prestígio social, ou ainda de grupos sociais que
sofrem pressão social normalizadora, a exemplo do sexo feminino de maneira geral, ou das pessoas que
exercem atividades sócio-econômicas que exigem uma boa apresentação.

Ao estudar a língua em uso numa comunidade, defrontamo-nos com a realidade da variação. Coletando dados
em situações reais de comunicação, a teoria da variação lingüística capta exemplares da língua em uso num
contexto social e pode dirigir, assim, seu foco de interesse imediato para esses condicionamentos externos

A primeira referência à correlação entre variação lingüística e o fator gênero / sexo se encontra em Fischer
(1958), em um estudo intitulado Influências sociais na escolha de variantes lingüísticas.

As diferenças mais evidentes entre a fala de homens e mulheres se situam no plano lexical. A análise da
dimensão social da variação e da mudança lingüística não pode ignorar, no entanto, que a maior ou menor
ocorrência de certas variantes, principalmente daquelas que envolvem o binômio forma padrão x forma não-
padrão e o processo de implementação de mudanças estejam associados ao gênero / sexo do falante e à forma
de construção social dos papéis masculino e feminino.

Diversos outros estudos puderam confirmar a constatação de Fischer que gênero / sexo pode ser um grupo de
fatores significativo para processos variáveis de diferentes níveis e mostra um padrão muito regular em que as
mulheres demonstram maior preferência pelas variantes lingüísticas mais prestigiadas socialmente.

Ainda outros estudos sobre estes processos variáveis do Português apontam para o que poderíamos chamar de
uma maior consciência feminina do status social das formas lingüísticas.

As análises de conversação espontâneas têm permitido mostrar diferenças significativas na forma como
mulheres e homens conduzem a interação verbal. Enquanto as mulheres orientam sua conversação de uma
forma mais solidária, que busca o envolvimento do interlocutor, os homens tendem a manifestar um estilo mais
independente e uma postura que garanta seu prestígio.

O fato de as mulheres se revelarem lingüisticamente mais conservadoras ou mais orientadas para variantes de
prestígio em algumas comunidades de fala pode ser, em grande parte, resultado de um processo diferenciado
de socialização de homens e mulheres e da dinâmica de mobilidade social que caracteriza cada comunidade. O
que se pode generalizar, pelo momento, é a maior sensibilidade feminina ao prestígio social atribuído pela
comunidade às variantes lingüísticas.

Para explicar a regularidade da correlação entre processos variáveis e o gênero / sexo, Trudgill (1974) acredita
na hipótese de que os homens, diferentemente das mulheres, atribuem um prestígio encoberto às formas
lingüísticas. Se um indivíduo deseja integrar um grupo, deve compartilhar, além das suas atitudes e valores, a
linguagem característica desse grupo. Mas não raro, as mulheres tendem a liderar processos de mudança
lingüística, estando muitas vezes, uma geração à frente dos homens. Tal tendência delineia-se no estudo de
Labov (1966).

Quando se trata de implementar na língua uma forma socialmente prestigiada, as mulheres preferem assumir a
liderança da mudança. Ao contrário, quando se trata de forma socialmente desprestigiada, as mulheres são
mais conservadoras e os homens tomam a liderança do processo.

Na sociedade, com a diminuição das fronteiras entre papéis masculinos e femininos.

O domínio maior ou menor do registro culto da língua depende destas muitas variáveis. Entre essas se
destacam aqui o compartilhamento da experiências, a consciência do grau de prestígio atribuído a cada
participante do processo interativo e o esforço de cada interlocutor em dar conta das tarefas comunicativas de
modo a garantir êxito nos contextos em que quer ser protagonista.

Variação gênero / sexo

Conforme foi explicado no item 1.4 do Capítulo I, nesta amostra houve comprovação de que os falantes
do sexo feminino possuem uma linguagem organizada de maneira cuidada e um vocabulário mais consistente,
determinando assim uma maior facilidade na comunicação.

F 11: “está certo de que as pessoas não descobrem isso na gente, mas têm dias que eu não estou pra
ninguém”

Já os falantes do sexo masculino procuram utilizar de uma linguagem menos politizada, já que em seu
vocabulário há um número maior de gírias, as frases nem sempre são pronunciadas até o final, ficando
subentendido o que ia ser dito e apresentam também tópicos discursivos próprios da realidade enquanto
homens.

F 1: “se não tiver solução agora, vai ter depois, porque pô, quanto mais você pensa naquilo, cada hora
tem uma pessoa pra falar”

F 10: “eu, eu não, porque têm muitas mulheres que têm o corpo bonito, mas não dão valor para o seu
corpo:: mas o homem não tem nada a ver, pode ficar sem camisa”

F 24: “tem que saber se reparar ôxe”