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SERVIÇOS ESSENCIAIS À POPULAÇÃO BRASILEIRA CUSTAM 40% MAIS CARO, POR CONTA DA

TRIBUTAÇÃO

Júlio César Zanluca

O episódio da MP 232, que, apesar de afastada, ainda paira no ar, demonstra que a
insanidade e preconceitos continuam a circular em Brasília.
Existe uma absurda idéia, defendida pelas autoridades fiscais e alguns desavisados
parlamentares, que se deve aumentar a tributação do profissional liberal,
constituído em empresa, para justificar uma pretensa “equalização fiscal” com os
demais trabalhadores.

A conseqüência desta política insana, que pouco tem sido discutido na imprensa, é
a penalização das classes menos desfavorecidas em nosso país.
Precisamos informar nossos legisladores que, quando a área de serviços é afetada
pelos aumentos da carga tributária, estes custos são repassados na forma de
preços, reduzindo o poder aquisitivo e dificultando um acesso mais universal da
população aos mesmos serviços.

Um contador, um advogado, um fisioterapeuta, um médico, um dentista, um professor,


um psicólogo, e tantos outros profissionais liberais são pessoas que prestam
serviços indispensáveis à sociedade.

Aumentando a carga tributária desses, a população menos favorecida fica mais longe
ainda de serviços essenciais a sua própria manutenção, pois é óbvio que qualquer
aumento de tributos será repassado ao consumidor.

Tais serviços são onerosos para a população em geral, pois os investimentos em


cursos universitários, o tempo requerido de aperfeiçoamento e atualização, os
custos de deslocamento, o espaço e a estrutura para atender as pessoas, tudo isso
é indispensável para o profissional liberal desempenhar a contento suas
atividades.

É muito diferente do comércio puro e simples cuja atividade está calcada no


investimento apenas financeiro. Se alguém quer abrir comércio de roupas, basta ter
dinheiro para investir, comprar estoques, escolher o ponto e fazer publicidade.

Mas se alguém quer abrir uma clinica médica, um escritório de contabilidade ou


advocacia, tem que fazer um curso superior, treinar-se continuamente, habilitar-se
junto aos órgãos de fiscalização, investir na estrutura de atendimento, etc. Há
anos de investimento, antes da obtenção de resultados. Somando-se os tributos –
que podem chegar a mais de 30% do preço final (1) - tais serviços tornam-se
impagáveis pela maioria da população no Brasil.

Desta forma, um serviço com preço de R$ 100,00 – terá embutido neste preço uma
tributação em torno de R$ 30,00 – ou seja, partindo de um preço sem tributos de R$
70,00 há um incremento de 42,86% de encargos tributários, para se chegar ao preço
final de R$ 100,00! Quanto maior a tributação sobre os serviços, mais longe estará
o cidadão comum de usufruir dos mesmos!

Pode a população prescindir de um serviço jurídico de abertura de inventário, de


correção postural, dentário, de assessoria tributária ou de assessoria para a
implantação de um novo negócio? E justamente esses serviços estão, infelizmente,
ficando mais caros, por conta de uma tributação injusta e que afeta diretamente a
população, inclusive a menos favorecida, que necessita deles.

(1) Tributação que pode alcançar um faturamento mensal de R$ 5.000,00 por um


profissional liberal, optante pelo Lucro Presumido:
PIS e COFINS – 3,65%
CPMF – 0,38%
Imposto de Renda – 4,8%
CSLL – 2,88%
ISS – até 5%
INSS (encargo empresarial) – até 20% do pró-labore
INSS (retenção na fonte) – até 11% sobre o pró-labore
Se considerarmos um pró-labore mensal de R$ 2.500,00, então teremos tributação
total dos componentes acima de R$ 1.610,50, ou 32,21% sobre o faturamento! Veja
maiores detalhes no artigo Profissional Liberal paga Muito Imposto, Sim Senhor! -
em http://www.portaltributario.com.br/artigos/muitoimposto.htm.

Júlio César Zanluca é contabilista e coordenador do www.PORTALTRIBUTARIO.com.br