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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO


PROCESSO TC-04962/07
Administração Indireta Municipal. Fundação Cultural de João Pessoa.
FUNJOPE. Prestação de Contas relativa ao exercício de 2004 -
Publicado no D. O. E Irregularidade. Aplicação de multa. Recomendação.

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o Tribunal P\enl RELATÓRIO:
O Processo TC-04962/07 corresponde à Prestação de Contas, relativa ao exercício de 2004, da
Fundação Cultural de João Pessoa - FUNJOPE, tendo por gestor o Sr. José Antônio de Alcântara.
A Diretoria de Auditoria e Fiscalização - Departamento de Acompanhamento da Gestão Municipal I -
Divisão Especial de Auditoria da Gestão Municipal - (DIAFIIDEAGM IIDIAGM E) deste Tribunal emitiu,
com data de 21/0912007, o Relatório de fls. 243/249, cujas conclusões são resumidas a seguir:
• Prestação de Contas entregue fora do prazo legal, com atraso de 122 dias.
• Balanço Orçamentário apresentando Receita e Despesa Orçada em R$ 3.109.000,00.
• Receitas arrecadas no exercício atingindo o montante de R$ 274.829,18, representando cerca
de 8,84% da previsão inicial, sendo R$ 184.460,00 decorrentes de transferências de
Convênios com o Estado e R$ 90.369,18 originárias de Receitas diversas.
• Despesa realizada no exercício somando o montante de R$ 885.187,81, sendo que as
despesas mais relevantes foram alocadas nas rubricas Outros Serviços de Terceiros - Pessoa
Jurídica (32,01%); Vencimentos e Vantagens Fixas - Pessoal (38,75%) e Outros Serviços de
Terceiros - Pessoa Física (16,22%).
• Não houve realização de Despesas de Capital.
• Presença de déficit na execução orçamentária no valor de R$ 610.358,63.
• Balanço Financeiro apresentando saldo para o exercício seguinte no montante de R$ 246,46.
• Balanço Patrimonial apresentando Ativo Real Líquido no valor de R$ 32.263,77.
• Presença de déficit nas variações patrimoniais no valor de R$ 46.300,00.
• Não houve registro de denúncia referente ao exercício sob análise.

Em razão das irregularidades apontadas pelo Órgão Auditor e em atenção aos pnncrpios
constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, previstos na CF, art. 5°,
L1V e LV, foi notificado o então Diretor Executivo da FUNJOPE, Sr. José Antônio de Alcântara, que
apresentou defesa, às fls. 253/275, devidamente examinada pela Auditoria (fls. 2771280), concluindo
pela permanência das seguintes irregularidades:
1. Atraso no envio da Prestação de Contas ao TCE-PB, acarretando multa no valor de R$
1.200,00, consoante com RN-TC n° 07/97, sugerindo-se a notificação ao gestor do exercício
de 2005, SrO Laureci Siqueira dos Santos, para que o mesmo esclareça o atraso no envio da
referida PCA;
2. Falta de planejamento orçamentário, tendo em vista que a receita arrecadada representou
apenas 8,84% da receita estimada;
3. Abertura de créditos adicionais especiais sem Lei autorizativa;
4. Registro de despesas extra-orçamentárias inexistentes a título de ajuste de receitas extra-
orçamentárias, inflando o Balanço Financeiro, dístorcendo a realidade e prejudicando a
transparência do demonstrativo contábil;
5. Inobservância ao § 1°, do art. 2°, da Resolução TC n° 07/97;

O MPjTCE veio aos autos, mediante Parecer às fls. 281/284, da lavra da ilustre Procuradora Isabella
Barbosa Marinho Falcão, pugnando pela:
1. regularidade com ressalvas das contas do Diretor-Executivo da Fundação Cultural de João
Pessoa, exercício de 2004, de responsabilidade do Sr. José Antônio de Alcântara;
2. aplicação de multas pessoais ao mencionado gestor, com arrimo tanto nos incisos 11e 111do
artigo 56 da LOTC/PB;
3. recomendação ao atual gestor quanto à estrita observância às normas que dizem respeito à
gestão fiscal, em especial a Lei de ~esponsabilidade Fiscal, bem como às normas que regem
a Administração Pública em geral. tD .
PROCESSO TC-04962/07
f1s.2

o Relator fez incluir o processo na pauta desta sessão, com as notificações de praxe.

VOTO DO RELATOR:
Após a instrução técnica, permaneceram irregularidades com relação à(o)s:
1. Atraso no envio da Prestação de Contas ao TCE-PB, acarretando multa no valor de R$
1.200,00, consoante com RN-TC n° 07/97;
2. Falta de planejamento orçamentário, tendo em vista que a receita arrecadada representou
apenas 8,84% da receita estimada;
3. Abertura de créditos adicionais especiais sem Lei autorizativa;
4. Registro de despesas extra-orçamentárias inexistentes a título de ajuste de receitas extra-
orçamentárias, inflando o Balanço Financeiro, distorcendo a realidade e prejudicando a
transparência do demonstrativo contábil;
5. Inobservância ao § 1°, do art. 2°, da Resolução TC nO07/97.
Ante as falhas apontadas pelo Corpo Técnico, e após pronunciamento proferido pela PROGE, passo
a comentar:
O prazo de entrega da Prestação de Contas Anual encontra-se disciplinado na Resolução RN TC n°
07/97 e o atraso no envio da prestação de contas do exercício prejudica a sua análise, acarretando
multa com fulcro no art. 4° da citada resolução. Contudo, devido a presente prestação de contas ter
sido encaminhada pelo sucessor do gestor em análise, entendo ser imerecida a multa imputada ao
ex-gestor, Sro José Antônio de Alcântara, cabendo a discussão da aplicação da sansão no bojo da
apreciação das contas relativas ao exercício financeiro de 2005, posição, também, compartilhada pelo
Parquet.
No tocante à falta de planejamento apontada pela Auditoria, cabe descrever o comentário do MPjTCE,
nos seguintes termos:
"Em princípio, o orçamento das fundações públicas deve ser
por elas proposto e compatibilizado pelos órgãos de
planejamento e orçamento do Poder Executivo aos objetivos
governamentais e aos recursos disponíveis, porém, na
prática, devemos atentar para o fato de que, mesmo sendo as
fundações públicas, entidades com autonomia administrativa,
financeira, técnica, funcional, dotadas de patrimônio e
orçamento próprio, na verdade elas dependem umbilicalmente
do Poder Executivo, mais especificamente da Secretaria a
qual estão vinculadas, daí serem denominadas fundações
instituídas e mantidas pelo Poder Público."
A defesa apresentada pelo postulante (fls. 253/257) corrobora com o entendimento do Órgão
Ministerial quando informa que o planejamento orçamentário da FUNJOPE é, de fato, proposto pela
Secretaria de Planejamento da PM de João Pessoa. Destarte, comungo da opinião emitida pelo
MPjTCE, a qual não considera ser responsável o gestor por fato que extrapola a sua competência.
Quanto à inobservância da Resolução do TC n° 07/97, especificamente o § 1° do art. 2°, entendo
cabível recomendação ao atual gestor para adoção de medidas administrativas no sentido de prevenir
a repetição das falhas acusadas.
Em relação ao registro de despesas extra-orçamentárias inexistentes, cumpre informar que a prática
ora debatida, além de contrariar os princípios contábeis da oportunidade e da competência, distorce a
realidade econômico-financeira da Fundação, comprometendo a confiabilidade e transparência dos
demonstrativos contábeis apresentados.
A Fundação, também, abriu créditos adicionais especiais no montante de R$ 34.635,00, sem
autorização legislativa, afrontando a Lei n° 4.320/64, art. 42, ensejando, segundo a RN TC 52/2004, a
emissão de Parecer contrário à aprovação das contas. Conduto, há de ressaltar que a
responsabilidade do gestor da Fundação, quanto à abertura de créditos adicionais especiais, resume-
se à solicitação ao Poder Executivo, para que este, por iniciativa própria, envie projeto de lei ao
Legislativo para posterior aprovação. Sendo assim, com arrimo no princípio da razoabilidade, bem
como, em outras decisões proferidas por este Tribunal, entendo que a irregularidade apontada, por
sobejar à refponsabilidade do gestor em análise, não tem condão de macular as contas do exercício
em análise"b
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Considerando que as irregularidades apontadas não têm o condão de macular a presente Prestação
de Contas, voto, em harmonia com o Parecer Ministerial, nos seguintes termos:
1. regularidade com ressalvas da Prestação de Contas da Fundação Cultural de João Pessoa -
FUNJOPE, exercício de 2004, sob a responsabilidade do Sr. José Antônio de Alcântara;
2. aplicação de multa ao citado gestor no valor de R$ 1.000,00, com lastro no art. 56, 11e 111da
LOTCE, por transgressão a normas constitucionais e legais, assinando-lhe o prazo de 60
(sessenta) dias para recolhimento voluntário.
3. recomendação à atual gestão no tocante a estrita observância às normas que dizem respeito
à gestão fiscal, em especial a Lei de Responsabilidade Fiscal, bem como às normas que
regem a Administração Pública em geral.

DECISÃO DO TRIBUNAL PLENO:


Vistos, relatados e discutidos os autos do Processo TC-4962/07, os membros do TRIBUNAL DE
CONTAS DO ESTADO DA PARAIBA (TCE-Pb), à unanimidade, na sessão realizada nesta data,
ACORDAM em:
I. JULGAR REGULAR COM RESSALVAS a Prestação de Contas, relativa ao exercício de
2004, da Fundação Cultural de João Pessoa - FUNJOPE, sob a responsabilidade do
então gestor, Sr. José Antônio de Alcântara;
11. APLICAR MULTA individual ao ex-gestor, Sr. José Antônio de Alcântara, no valor de
R$ 1.000,00 (um mil reais), de acordo com o art. 56, incisos 11e 111da LOTCE/PB, por
infração grave à norma legal, assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias para
recolhimento voluntário ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal -
mediante a quitação de Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais (DAE) com
código "4007" - Multas do Tribunal de Contas do Estado, sob pena de cobrança
executiva, desde logo recomendada, inclusive com assistência do Ministério Público, de
acordo com os Parágrafos 3° e 4° do artigo 71 da Constituição do Estado;
11I. Recomendar à atual gestão no tocante a estrita observância às normas que dizem
respeito à gestão fiscal, em especial a Lei de Responsabilidade Fiscal, bem como às
normas que regem a Administração Pública em geral.

Publique-se, registre-se e cumpra-se.


TCE-Plenário Ministro João Agripino

'1de 2009

Conselheir
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Conselheiro Fábio Túlio Filgueiras Nogueira


Relator

Fui presente,

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Ana Teresa Nóbrega
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Procurador Geral do Ministério Público junto ao TCE-P
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