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Disciplina: Direito do Trabalho II Professora: Marice Taques Aula nº 9

SUJEITOS DO CONTRATO DE TRABALHO : EMPREGADOR l. A DEFINIÇÃO DE EMPREGADOR NA CLT

A CLT dispõe que "considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços" (art. 2a). Cabe aqui enfatizar que para a uma pessoa ser caracterizada como empregador, a CLT expressamente estabelece a exigência de que ela assuma os riscos do negócio econômico. A empresa é comumente conceituada como uma atividade organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços destinados ao mercado, com objetivo de lucro. Uma empresa não necessariamente assume a forma de uma pessoa jurídica, conforme definidas pelo Direito Civil ou Comercial. No âmbito do Direito do Trabalho, assume relevância nesse conceito a assunção do risco da atividade econômica. A empresa deve assumir tanto os resultados positivos quanto os negativos do empreendimento, não podendo estes últimos ser transferidos ao empregado. Não é elemento essencial da definição de empregador a pessoalidade. Embora esse requisito seja imprescindível para a conceituação de empregado, não o é para a de empregador. Prova disso é o fato de o empregador poder ser substituído normalmente no comando dos negócios, sem que sejam afetadas em qualquer aspecto as relações de emprego existentes com os trabalhadores da empresa. O empregado, ao contrário, não pode se fazer substituir livremente, conforme já estudamos. É empregador a empresa de trabalho temporário, cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, remunerados e assistidos pela empresa de trabalho temporário. Empregador rural é a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que explore atividade agroeconômica, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por meio de prepostos e com auxílio de empregados. Empregador doméstico é a pessoa ou família que, sem finalidade lucrativa, admite empregado doméstico para lhe prestar serviços de natureza contínua para seu âmbito residencial. Finalmente, há que se destacar que a jurisprudência tem entendido que, na locação permanente de mão-de-obra, ressalvados os casos expressamente admitidos, há formação de vínculo empregatício diretamente com o tomador de serviços, passando este à condição de empregador (TST, Súmula nº 331). 2. EQUIPARADOS A EMPREGADOR Enquanto o caput do art. 2a da CLT define empregador, como acima visto, o seu parágrafo primeiro trata das pessoas equiparadas a empregador. Consoante este dispositivo, "equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas e outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados" (§ 1a). O legislador optou por estabelecer essa dicotomia - empregador e equiparado a empregador - em razão de as pessoas enumeradas no § 1a do art. 2a da CLT, acima transcrito, não poderem ser enquadradas no conceito econômico de empresa. Entretanto, no intuito de assegurar aos trabalhadores contratados como empregados por essas pessoas a proteção jurídica conferida aos empregados em geral, o legislador, embora reconhecendo não serem

e podem ser exigidos. Se o empregado trabalha em uma empresa do grupo. os sindicatos. § 2a). mesmo nunca tendo existido relação de emprego entre ele e as outras empresas. Assim. cada uma delas. o condomínio de apartamentos. as associações de profissionais liberais. 2a evidencia que o ponto essencial da definição está no fato de haver contratação de trabalhadores enquadráveis como empregados. a associação de servidores etc. São equiparados a empregador.1 Como decorrência dessa regra. ficando com a maioria das cotas-partes desta última. com o caráter de instituição assistencial de seus empregados. As associações civis. desde que contratem empregados. para os efeitos da relação de emprego.). os valores poderão ser exigidos de qualquer delas. basta a existência de uma relação de coordenação entre as empresas para que reste configurada a responsabilidade solidária relativa às suas obrigações trabalhistas. serviços bancários. comercial ou de qualquer outra atividade econômica. A CLT não indica formas ou tipos de grupos. excepcionalmente. Em verdade. Se o grupo for de natureza civil. GRUPO DE EMPRESAS: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A lei brasileira instituiu a responsabilidade solidária entre as empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. ou seja. a natureza econômica do grupo. a atividade econômica comercial. Exige-se. ou sem fins lucrativos. ou daquele a ele equiparado. constituindo grupo industrial. na configuração da relação de emprego. o profissional autônomo. A leitura de seu art. Indica. para Amaro Barreto e Alice Monteiro. concluímos que em um grupo econômico os empregados das diversas empresas que o compõem estarão. mais bem garantidos do que os empregados de uma empresa isolada. a de turismo. comercial ou de qualquer outra atividade econômica. chega-se à identificação do empregador. as associações sindicais não são consideradas grupo de empresas. é possível a existência de grupo econômico. 22. personalidade jurídica própria. por equiparação. um empregado que somente haja trabalhado para a empresa "X". controle ou administração de outra. embora. Podemos concluir que a CLT não foi taxativa ao indicar os tipos possíveis de empregador ou de pessoas equiparadas a ele. porém. se um grupo econômico for constituído pelas empresas "X". Como exemplo. seguros de saúde. 3. uma vez que os créditos trabalhistas daqueles são de responsabilidade. equiparou-as ao empregador. que o grupo poderá ser industrial. "Y" e "Z". isto é. terá o pagamento das dívidas trabalhistas de que seja credor assegurado pelas três empresas. quando uma empresa comercial organiza uma sociedade civil beneficente. por meio da verificação da presença de empregado. serão. somente. Qualquer instituição assistencial. delimitação que se mostra sobremaneira abrangente. que tiver trabalhadores enquadrados na condição de empregados será considerada empregador. não estabelecendo exigência de que eles possuam alguma específica natureza jurídica. nos quais várias empresas coordenadas entre si exercem diferentes atividades (turismo. seguros de automóveis. sem fins lucrativos. podemos citar o grupo econômico Itaú ou Bradesco.2 elas empresas. de todas as empresas do grupo. "Y" e "Z" respondem solidariamente com "X" pelos créditos trabalhistas por ela devidos a seu empregado. tendo. sem jamais haver tido relação de qualquer natureza com "Y" ou "Z". solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas" (art. não será alcançado pela responsabilidade solidária. Dispõe a CLT que "sempre que uma ou mais empresas. pelas dívidas trabalhistas de cada uma delas perante os respectivos empregados. Por essa razão. estiverem sob a direção. terá garantido o 1 No que tange às instituições beneficentes. predomina neste caso. para o fim de aplicação das leis trabalhistas. . em tese. por exemplo. pois não têm finalidade econômica. corretagem de valores mobiliários etc.

sendo que aquele que trabalha para qualquer uma das empresas do grupo. em verdade.889/73. embora possuam personalidades jurídicas distintas. para a empresa "Y". Ocorrendo a extinção do empreendimento e existindo passivo trabalhista remanescente. dispondo a lei que sempre que uma ou mais empresas. por exemplo. 3. A joint venture (empreendimento conjunto) constitui uma associação de empresas. é empregado do grupo todo. existindo somente uma relação de emprego. A CLT. objetivando explorar determinado negócio e se dissolvendo automaticamente tão logo ele seja concluído.1. . e não entre o empregado e a empresa "X" ou a empresa "Y". com finalidade lucrativa. não define o grupo de empresa como empregador único. a controladora e as subsidiárias etc. ou ainda quando. salvo ajuste em contrário. Na atividade rural também há expressa menção à responsabilidade solidária do grupo econômico rural. A hipótese descrita nessa Súmula é a de um empregado que. sem que nenhuma delas perca sua personalidade jurídica própria. O Grupo de Empresas como Empregador Há divergências na doutrina sobre a natureza do grupo de empresas: seria ele empregador único ou cada empresa participante seria um empregador distinto? A teoria da solidariedade passiva defende que o grupo de empresas não constitui empregador único de todos os trabalhadores das empresas que integram o grupo. que se estabeleceria entre o trabalhador e o grupo. Como se depreende. não caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho. salvo ajuste em contrário" (Súmula 129). o TST tem considerado que. integrem grupo econômico ou financeiro rural. serão responsáveis solidariamente nas obrigações decorrentes da relação de emprego (Lei nº 5. mesmo guardando cada uma sua autonomia. o consórcio de empresas. durante a mesma jornada de trabalho. no turno da tarde. também deverão responder solidariamente as empresas que o integram. A teoria da solidariedade ativa defende a tese de que o grupo de empresas é um só empregador. No entanto. a coligação. possuindo o mesmo conjunto de atribuições nas duas. havendo mera responsabilidade entre elas. para a empresa "X" e. todas elas respondem solidariamente pelos seus direitos trabalhistas. como se deflui da seguinte Súmula: "A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico. São alcançados pela responsabilidade solidária a holding. a jurisprudência do TST tem acenado com a aceitação da tese de que o grupo de empresas é empregador único. controle ou administração de outra.3 pagamento de suas verbas trabalhistas por todas as empresas integrantes do grupo. ainda que jamais tenha trabalhado em qualquer outra. figuram como um único empregador. trabalhe. art. na parte da manhã. 3a § 2°). ou seja. embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria. "X" e "Y". A facilidade na transferência do patrimônio e a possibilidade de concentração das dívidas em uma mesma pessoa jurídica fazem com que o Direito atribua solidariedade pelas dívidas e obrigações trabalhistas a todas as empresas integrantes do grupo econômico. sendo ambas pertencentes ao mesmo grupo econômico. ao afirmar que no grupo econômico as empresas devem possuir personalidade jurídica própria. a exigência do pagamento poderá ser feita contra qualquer delas ou contra todas conjuntamente. estiverem sob direção.

Nesse sentido. 448. quando ela pertencia ao antigo e primeiro dono. a transformação (quando uma sociedade passa de uma forma societária para outra. A recíproca. de cisão (quando o patrimônio de uma empresa é total ou parcialmente transferido para outra. 10. operada por meio de incorporação (quando uma ou mais empresas são absorvidas por outra. p. ou seja. sem qualquer prejuízo para o trabalhador. o mesmo ocorrendo com os débitos previdenciários. de alienação da empresa para outro empresário. p. . são exigíveis do novo dono. como vimos no início deste capítulo. ainda que não o tenham sido na época do anterior titular e desde que não prescritas. inclusive quando relativas à reintegração de estáveis. preexistente ou criada a partir dessa transferência). 10 e 448 da CLT.. não é verdadeira. Ainda. a sucessão de empresas deve ser vista de modo amplo. ex. que lhes sucede em todos os direitos e obrigações). mas ainda não cumpridas. ou mesmo de venda de apenas um estabelecimento ou filial da empresa. impedindo que ele se faça substituir na relação de emprego sem o consentimento do empregador. (b) as obrigações trabalhistas vencidas à época do titular alienante. o empregador pode perfeitamente ser substituído sem que isso implique modificação nas relações de emprego vigentes no momento da substituição. tendo continuidade normal o contrato de trabalho. ex.). A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados". (c) as sentenças judiciais podem ser executadas contra o sucessor (novo proprietário. ou outras. A CLT dispõe sobre este assunto o seguinte posicionamento: "Art. Conceitua Maurício Godinho Delgado: Sucessão de empregadores é figura regulada pelos arts. bem assim do princípio da continuidade da relação de emprego. Consiste no instituto justrabalhista em virtude do qual se opera no contexto da transferência de titularidade de empresa ou estabelecimento. devendo a antigüidade no emprego ser contada a partir da efetiva admissão do trabalhador na empresa. Essa regra é decorrência lógica na inexistência do requisito pessoalidade na conceituação legal do empregador. os direitos do empregado são integralmente assegurados. que em verdade representa uma simples alteração na estrutura jurídica da empresa. temos que: (a) a contagem do tempo de serviço não é interrompida. Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados". a mudança de propriedade da empresa. bem assim o de alteração na estrutura jurídica da empresa alcança qualquer situação em que haja modificação no quadro societário de uma empresa ou em sua forma societária. entretanto. de fusão (quando se unem duas ou mais sociedades para formar uma sociedade nova).4 4. o novo empresário sub-roga-se em todas as obrigações do primeiro. de S/A para Ltda. isto é.). uma completa transmissão de crédito e assunção de dívidas trabalhistas entre alienante e adquirente envolvidos. pode ser considerada sucessão em sentido amplo. SUCESSÃO DE EMPRESAS E ALTERAÇÃO NA ESTRUTURA JURÍDICA DA EMPRESA No âmbito do Direito do Trabalho. Considera-se sucessão. por exemplo. A pessoalidade é elemento essencial da definição de empregado. Em decorrência. O conceito de sucessão. quando configurada uma situação de sucessão de empresas. "Art.

Da mesma forma. No mesmo sentido Maurício Godinho Delgado: [. A moderna doutrina defende a existência da sucessão. tal interpretação está em consonância com o princípio protetor e propicia maior garantia de solvabilidade do crédito trabalhista.. a continuidade na prestação de serviços. Nesse sentido. necessariamente.] a sucessão pode ser verificar sem que haja. Uma leitura atenta dos arts. Ou seja. como no caso de transformação de firma individual para sociedade. no princípio da continuidade do contrato de trabalho. Funda-se. 10 e 448..5 (d) aqueles empregados que estavam com seus contratos de trabalho suspensos ou interrompidos por ocasião da sucessão têm o direito de reassumir os cargos. Além disso. etc. persistindo o direito do empregado de cumpri-los até o fim. ou seja. essa proteção. a transferência de propriedade da produção de um determinado produto de uma empresa para outra. Com efeito. para vincular os contratos de trabalho a esta. apesar de se ter firmado na doutrina trabalhista o entendimento de que a sucessão trabalhista somente em lugar quando se dá o fenômeno da continuidade da prestação de serviço por parte do trabalhador para a nova pessoa jurídica. empregador é empresa. ao examinar inúmeras situações novas criadas pelo mercado empresarial. e não àquele. Godinho Delgado: [. afetando significativamente (ainda que de modo indireto) os contratos de trabalho. como também no princípio da despersonalização do empregador. 10 e 448 da CLT. de sociedade por cotas de responsabilidade limitada (Ltda. a mudança na empresa que afete a garantia original dos contratos empregatícios provoca a incidência do tipo legal dos arts. desautoriza tal entendimento. Tal singularidade é que foi percebida nos últimos anos pela jurisprudência.. da CLT. sem que tivesse se mantido a prestação laborativa e a própria existência de tais contratos. como se nada tivesse ocorrido. cujo o corolário é o direito ao emprego.. (e) os contratos a prazo determinado devem ser respeitados pelo sucessor. Serão preservados os direitos dos trabalhadores. (f) a contagem dos períodos aquisitivos de férias dos trabalhadores prossegue normalmente. e não os seus titulares. Por exemplo. mesmo na transferência parcial de uma unidade econômica de produção empresarial. Nesse mesmo diapasão adverte Jorge Luiz Souto Maior: A circunstância de não ter o empregado prestado serviços para a nova pessoa jurídica constituída é totalmente irrelevante. Para verificar se ocorreu sucessão deve-se observar o seguinte: apenas o requisito da transferência da unidade econômica de produção de um titular para outro para que se configure a sucessão.]também configura a situação própria à sucessão de empregadores a alienação ou transferência de parte significativa do(s) estabelecimento(s) ou da empresa de modo a afetar significativamente os contrato de trabalho. de modificação do nome da sociedade ou do número de sócios etc. diz a lei (art. entretanto.) para sociedade anônima (S/A). 2º da CLT). nessas situações ocorriam mudanças significativas no âmbito da empresa. desde que afete de forma significativa os contratos de trabalho. pois os artigos 10 e 448. . na perfeita distinção que se faz entre empresário e empresa. da CLT não exigem que o empregado tenha trabalhado para a empresa sucedida. em nada será afetado o contrato de trabalho quanto houver mera alteração na estrutura jurídica da empresa.

com os mesmos equipamentos. Tratando-se de empresas que atuam no mesmo ramo empresarial. Demonstrado que os reclamantes jamais foram empregados da reclamada recorrente. ativos. sem a qual o empreendimento fica inviabilizado. nos autos. DJESP 20/06/2013) 40042401 . preservando-se o restante de bens. quais sejam. AQUISIÇÃO DA CARTEIRA DE CLIENTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO. afeta. Sexta Turma. Dou provimento. (TRT 15ª R. (TRT 2ª R.5. obrigações e relações jurídicas). Trata-se. SUCESSÃO DE EMPRESAS. da CLT) A sucessão não exige prova formal. obrigações e relações jurídicas de um complexo empresarial. 10 e 448. RO 0001331-84. Des. Ricardo Apostólico Silva. a mudança de titularidade do elemento central do estabelecimento.SUCESSÃO DE EMPREGADORES. b) que a prestação de serviço pelos empregados não sofra solução de continuidade. Uma vez presentes todos os requisitos necessários à configuração da sucessão trabalhista. 951) 21262967 . transferência do principal bem imaterial da atividade. impõe-se a manutenção da decisão de origem que. afastou a sucessão trabalhista. de modo significativo. Assim vem decidindo os Tribunais: 29037059 . notadamente a aquisição dos equipamentos. embora por outros fundamentos. os contratos de trabalho. Ocorre a sucessão de empregadores quando a sucessora instala-se sem solução de continuidade no mesmo imóvel comercial da anterior. Des. Nega-se provimento no particular. elementos suficientes para caracterizar a sucessão de empregadores.AGRAVO DE PETIÇÃO. Rel. Ac. a simples transferência de maquinários ou compra do imóvel empresarial não configuram a sucessão. São dois os requisitos para sua caracterização: a) que um estabelecimento. de contrato de locação. a continuidade do ramo de negócio e a continuidade da prestação de serviços. Quarta Turma. desenvolvendo a mesma atividade. tais como: a transferência do fundo de comércio..02. Para que exista a sucessão de empregadores. Rel. pode ser demonstrada por indícios e presunções. pois. Renato Buratto. passe de um para outro titular. dentre outros elementos. ocorreu tão-somente a locação de prédio e equipamentos para a primeira reclamada. De outro lado. a carteira de clientes constitui elemento central de comércio.2012. 2013/0619846. (TRT 23ª . em outros termos. direitos e deveres contratuais da executada. uma vez que admitidos em datas anteriores ao propalado contrato firmado entre empresas rés. mostra-se imperiosa a responsabilização da sucessora pelos créditos trabalhistas devidos à empregada.. sim.0058. CONFIGURAÇÃO.15. tampouco sucessão de empregadores. Não há. não há se falar em contrato de arrendamento.0132. RS 000027485. DEJTSP 05/04/2013.SUCESSÃO. como unidade econômicojurídica. produzindo a sucessão trabalhista com respeito ao novo titular (arts. b) que a prestação de serviço pelos empregados não sofra solução de continuidade. Assim.2011. nos termos dos artigos 10 e 448 da CLT. Pág. obrigações e relações jurídicas no antigo complexo – agora significativamente empobrecido -. passe de um para outro titular. como unidade econômico-jurídica. com o fito de se transferir parte relevante dos ativos saudáveis para outro titular (direitos. dois são os requisitos indispensáveis: a) que um estabelecimento. Recurso a que se dá provimento. ou. CONFIGURAÇÃO.6 Isso significa que a separação de bens. notadamente prestação de serviços de assistência à saúde.5. Fed.

0025. o qual entendeu que os licitantes que arremataram os ativos da antiga varig não respondem. GRUPO ECONÔMICO. somente a ferroban pode ser responsabilizada pelo débito existente. e 141. I/SBDII/TST. De outro lado. Recurso de revista parcialmente conhecido e provido. acabou por violar os referidos comandos da Lei nº 11. ou qualquer outra forma contratual. OJ 225. Ricardo lewandoswski. CONTRATO DE CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. diante da peculiaridade do caso. manifestou-se o Supremo Tribunal Federal (decisão proferida no recurso extraordinário interposto contra decisão do STJ no julgamento de conflito de competência).RECURSO DE REVISTA DA VRG LINHAS AÉREAS S.2008. Pág.7 R. tampouco para que pleiteie quaisquer indenizações.23. SUCESSÃO TRABALHISTA E RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NÃO CARACTERIZADAS. a posição adotada pelo legislador ordinário. 3. na condição de sucessora.955/RJ.5. Min. que decidiu por sua improcedência. tribunal pleno. 65) Por outro lado. no todo ou em parte. no sentido de não permitir que débitos trabalhistas do antigo devedor fossem estendidos ao novo adquirente em hasta pública. inclusive de natureza tributária. Sétima Turma. (TST. Nesse sentido.5. Relª Desª Maria Berenice. Pág.bens adquiridos de uma empresa falida (Lei n. 12994311 . a alienação aprovada em plano de recuperação judicial estará livre de quaisquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. Conforme dispõem os arts. responde pelos direitos decorrentes do contrato de trabalho.2004. da Lei nº 11. Nesse sentido. DEJTMT 05/07/2013. 1. a concessão da antiga RFFSA à ferroban já estava concretizada quando o reclamante deixou de auferir a verba gratificação mensal de férias.Venda em Hasta Pública com edital não constando ônus.RECURSO DE REVISTA. deferida na presente reclamatória (fato incontroverso nos autos). A. por meio da ação declaratória de inconstitucionalidade 3. subsidiariamente. DJ de 28/08/09).101/05. parágrafo único. e a união (sucessora da extinta RFFSA).01. a título transitório. pelos débitos contraídos até a data da concessão. Esta corte sedimentou entendimento no sentido de que. assim. RR 207300-73. ao entender caracterizada a solidariedade da reclamada com as obrigações trabalhistas da varig. I/SBDI. bens de sua propriedade.0080.15. inclusive nas de natureza trabalhista. Rel. Segunda Turma. prestigiando a função social da empresa e assegurando a preservação dos postos de trabalho. . 12990303 . Nesse caso. mediante arrendamento. No caso dos presentes autos. deve a ferroban responder pelos direitos decorrentes do contrato de trabalho. a sucessão não configura justa causa para que o empregado dê por rescindido o contrato de trabalho. 11. Sexta Turma.5. AP 0050400-73. na condição de sucessora. sem prejuízo da responsabilidade subsidiária da primeira concessionária pelos débitos trabalhistas contraídos até a concessão (oj 225. foi submetida ao STF. o acórdão regional. Rel.2.0001. e por não haver débito anterior à data da concessão. na condição de sucessores. o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor.2008. pelas obrigações trabalhistas da antiga empregadora (STF-re583.. Min. Pág. DEJT 12/08/2011. ALIENAÇÃO DE ATIVOS EFETUADA EM SEDE DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Há exceções na qual a aquisição de uma empresa não terá o efeito sucessório: .934. 2. Mauricio Godinho Delgado. 225 SDI-1 do TST).I/TST). 60. 1716) . Recurso de revista conhecido e provido.101/05). Rel.101/05. II. Ives Gandra da Silva Martins Filho. Min. 1467) . RESPONSABILIDADE TRABALHISTA. (TST. DEJT 05/08/2011. a segunda concessionária. celebrado contrato de concessão de serviço público em que uma empresa (primeira concessionária) outorga a outra (segunda concessionária). em caso de rescisão do contrato de trabalho após a entrada em vigor da concessão.Concessionárias de Serviços Públicos ( OJ. Assim sendo. RR 8300019.

É proibida a revista íntima nas empregadas ou funcionárias (art. 2 TRT-SP condena empresa que expôs punição em quadro de aviso Expor advertência escrita em quadro de avisos é publicidade que fere a honra e a imagem profissional e confere ares de execração pública. mas concedeu indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil. 373-A. acrescentado à CLT pela L 9. Para ele. na Justiça do Trabalho. Poder Disciplinar No exercício do poder disciplinar. A advertência não está prevista expressamente na legislação. mas se configura dano moral. considerou que a publicação da advertência à empregada em quadro de avisos não é motivo para concessão da dispensa indireta. os juizes da 8ª Turma acompanharam o juiz Rovirso Bolso e mantiveram a decisão da Titular da 21ª Vara. Tanto a advertência como a suspensão podem ser impostas verbalmente ou por escrito. Inconformados. via ação judicial. O relator do recurso no tribunal. Uma ex-funcionária da Leroy Merlin . o monitoramento moderado dos ambientes e e-mails corporativos e até realizar revista pessoal no empregado. nem existe hierarquia ou ordem de precedência entre as penalidades.1. O poder de direção do empregador manifesta-se em três modalidades: poder disciplinar. que anulará aquelas que forem injustas ou abusivas. negando a rescisão indireta de contrato da empregada e condenando a empresa ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil. de 26. como horário e término do trabalho. "a exposição de ato faltoso aos demais empregados e clientes confere ares de execração pública. As penalidades aplicadas pelo empregador são passíveis de revisão. Na vara. e a demissão por justa causa. a suspensão não pode exceder 30 dias consecutivos. o que vale dizer que todo trabalho subordinado é dirigido. ao ter sua advertência publicada em quadro de avisos de grande visibilidade por funcionários e clientes. pode o empregador aplicar penalidades ao empregado indisciplinado ou desidioso. fiscalizar e controlar o desenvolvimento de sua empresa. com prejuízo dos salários e do repouso semanal remunerado. PODER DE DIREÇÃO O poder de direção do tomador encontra correspondente direto na subordinação jurídica do prestador. Em todo caso.799. sob pena de caracterizar rescisão injusta do contrato de trabalho (art. os juízes da 11ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP) negaram provimento a um recurso contra decisão da Titular da 21ª Vara do Trabalho de São Paulo.quem pode o mais pode o menos. Seguindo o entendimento do juiz Rovirso Aparecido Boldo. a suspensão dos dias de trabalho. . a juíza Isabel Porto negou o pedido de rescisão indireta da funcionária. atinômica ao princípio da dignidade da pessoa humana pontuada pela preservação da honra e imagem profissional do empregado. conduta nefasta.5. Processo: 00942200402102000 -Fonte: TRT2. empresa e empregada recorreram ao TRT-SP. juíza Isabel Cristina Gomes Porto. VI. 5. que será tratada em tópico próprio. embora também não exista texto legal graduando a medida. poder organizador e poder controlador. 474 da CLT). Por unanimidade de votos. desde que não cause vexame ou ofensa à integridade moral. a utilização de uniformes ou de EPI’s. que alegou ter sofrido. O prazo comum de suspensão é de 1 a 5 dias. 2 5. São três as penalidades admissíveis: a advertência. por ser um mínimo em relação à suspensão .8 5.1999).2 Poder Controlador Poder de controle é o poder de fiscalização. conduta nefasta. mas é pacificamente admitida. Não há necessidade de aplicar penalidade antes de demitir o empregado por justa causa. é o poder de fiscalizar o serviço prestado. juiz Rovirso Boldo. O empregador detém o poder de organizar.Companhia Brasileira de Bricolagem entrou com reclamação trabalhista exigindo a rescisão indireta de seu contrato de trabalho e indenização por danos morais pela exposição pública negativa. atinômica ao princípio da dignidade da pessoa humana pontuada pela preservação da honra e imagem profissional do empregado".

Min. constitui grave violação à sua intimidade. O Tribunal Regional concluiu que a conduta da reclamada. a revista nas bolsas e pertences dos empregados. Agravo de instrumento a que se nega provimento. Algumas legislações possibilitam a participação dos empregados na gestão da empresa.5. entendo que as revistas realizadas nos pertences dos empregados (bolsas) trata-se de revistas íntimas. (TRT 12ª R. Rel. 1) 5. é inegável que a discussão se encontra atrelada ao reexame dos elementos de prova nos quais se amparou a Corte de origem para decidir. confirmado pela preposta. RECURSO ORDINÁRIO DA RECLAMANTE. Tem-se. houve revista íntima. DAS HORAS EXTRAS. REVISTA EM EMPREGADOS. de antemão. 432) 27017121 . pois na bolsa são encontrados objetos pessoais. nesta Instância recursal. RECURSO ORDINÁRIO PROVIDO.. . longe de proteger o patrimônio da empresa configura uma presunção de desonestidade dos seus colaboradores.. Nesse contexto. nos limites da razoabilidade. Julg. por si só. não se revelava abusiva ou vexatória e que desse procedimento todos os empregados tomavam ciência no momento da admissão.REVISTA EM BOLSA DO EMPREGADO.6. Pág. o que atrai.5. Relª Desª Ana Maria Ferreira Madruga. que a revista efetuada nos pertences dos empregados da reclamada é fato incontroverso. DANO MORAL. Pág. Ainda. Contudo. DANO MORAL. está a exercer seu poder fiscalizatório. Relª Juíza Viviane Colucci.DANOS MORAIS. logo.2010. íntimos. DEJTPB 29/06/2011. Relª Desª Carolina Bertrand. que. Ainda que não haja contato físico dos seguranças com a trabalhadora. 12) 36055284 . CONFIGURADO. Primeira Turma. REVISTA EM BOLSA. razão pela qual resta configurado o dano moral. o que afasta qualquer característica pessoal do ato e ausência de constrangimento ou ofensa à dignidade dos trabalhadores.AGRAVO DE INSTRUMENTO.3 Poder de Organizar E o poder de nortear os rumos da empresa.RECURSO ORDINÁRIO DA RECLAMADA. RO 72800-62. NÃO CARACTERIZAÇÃO.1. Constatado o cumprimento de horas excedentes da jornada legal e na ausência de produção de provas acerca do efetivo pagamento. porquanto o procedimento da ré revela desconfiança e atribui a todos os empregados a suspeita de furto de mercadorias.13. limitou-se a impugnar os fundamentos da decisão recorrida. DEJT 05/12/2008. (TRT 19ª R. 2 . o agravante. EXERCÍCIO DO PODER DE FISCALIZAÇÃO DO EMPREGADOR. já sabem que irão ser tratados com desconfiança pelos prepostos da empresa. 15/04/2009. sem excessos. RAZOABILIDADE. buscando infirmar a valoração dada pela Corte de origem ao conjunto fático-probatório dos autos. 16/12/2010. RECURSO ORDINÁRIO NÃO PROVIDO.19. RO 02419-2007-004-12-00-0. DEJTAL 18/01/2011. RECURSO DE REVISTA.0010. INEXISTÊNCIA. efetua revista em bolsa de empregados. Walmir Oliveira da Costa.0001. REVISTA EM BOLSAS. O empregador que. RO 628-84.9 31104785 . (TRT 13ª R.2010. Julg. o fato de vistoriar-se o conteúdo de sua bolsa. não é possível afastar da condenação o montante devido ao referido título. DOESC 07/05/2009). na realização de revista em seus empregados. nas razões recursais. 12546812 . Assim. (TST. o óbice da Súmula nº 126 do TST. AIRR 111185/2003-900-04-00. DANO MORAL.. A ofensa à honra e à dignidade da autora restou evidenciada. que não configura dano à moral do trabalhador. Pág. Primeira Turma.

criando um quadro de carreira. que podem ser pessoais (ao empregado) ou gerais (para todos os empregados). ainda.10 Pode o empregador organizar seu pessoal. . onde as promoções são reguladas pelos critérios de antigüidade e merecimento. ou classificá-lo. o poder de organização representa a vantagem de escolher o ramo de atividade econômica. materializa-se na emissão de ordens. editando um regulamento de empresa. o mercado consumidor. a forma como o trabalho deve ser realizado. Na prática.