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SERMÕES SOBRE A SALVAÇÃO

C. H. Spurgeon
Digitalizado e doado por:
Alcimar Da Silva Rodrigues

Revisado por : Levita Digital

Lançamento:
www.ebooksgospel.com.br
SERMÕES SOBRE A SALVAÇÃO

Este livro contém dez sermões pregados pelo


renomado pastor do Tabernáculo Metropolitano
(Londres) sobre diversos aspectos da mensagem do
evangelho. Estas pregações salientam a incapacidade do
pecador para salvar-se e livrar-se da escravidão e
penalidade do pecado. Elas demonstram, por outro lado,
a graça soberana de Deus, a qual pode alcançar o mais
vil e abjeto dos pecadores, e reconciliá-lo com Deus —
levando-o finalmente à Sua eterna presença e glória.

PUBLICAÇÕES EVANGÉLICAS SELECIONADAS


Rua 24 de maio, 116 — 32 and. — sala 17 — 01041-000
São Paulo, SP
SERMÕES SOBRE A SALVAÇÃO
CH. SPURGEON

Título original:
Spurgeon Speaks Again

Editora:
Grace Baptist Mission (Abingdon-England)

Primeira edição em inglês:


1991

Tradução do inglês:
Valéria Fontana (capítulos 1-5)
Paulo Adamovicz (capítulos 6-10)

Capa:
Ailton Oliveira Lopes

Revisão:
Antonio Poccinelli

Primeira edição em português:


1992

Composição e impressão:
Imprensa da Fé
ÍNDICE
Introdução

1. Os cristãos são guardados agora e glorificados


na eternidade

2. O chamado eficaz

3. A morte de Cristo por Seu povo

4. Seguidores voluntários de um lider que não


muda

5. O filho rejeitado de Ezequiel

6. Todos os crentes autênticos chegarão ao céu

7. Salvação somente pela graça

8. Todos por quem Cristo morreu serão salvos

9. Jacó e Esaú

10. "Primícias das suas criaturas"


INTRODUÇÃO

Charles Haddon Spurgeon nasceu em 1834 e


faleceu em 1892. Seu primeiro pastorado, aos 17 anos
de idade, foi numa igreja em Cambridgeshire. Mudou-se
para New Park Street Chapei, Londres, em 1854, e em 5
anos tornou-se o ministro mais famoso da cidade. A
pedra fundamental de um novo edifício chamado
"Metropolitan Tabernacle" ("Tabernáculo Metropolitano")
foi lançada em 1859, e aí Spurgeon pregou
constantemente para uma congregação de cerca de
6.000 pessoas. Também alcançou uma audiência maior
de aproximadamente um milhão de pessoas a quem se
dirigia semanalmente através de seus sermões
impressos.
Spurgeon foi o editor de uma revista mensal, e o
fundador e diretor do "Pastors College" ("Faculdade para
Pastores").
Selecionamos dez de seus sermões, que agora são
publicados em forma de livro, tendo sido especialmente
preparados para uma tradução mais simples.
1
OS CRISTÃOS SÃO GUARDADOS
AGORA E GLORIFICADOS NA ETERNIDADE
"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de
tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis com alegria,
perante a sua glória, ao único Deus, Salvador nosso, por
Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade,
domínio e poder, antes de todos os séculos, agora, e por
todo o sempre. Amém. " (Judas 24-25).

No início de sua epístola, no versículo 5, Judas


escreveu sobre faltas e falhas cometidas por pessoas
muitos séculos antes. Primeiro foram os israelitas no
Velho Testamento. Eles foram mantidos em escravidão
no Egito. Lá, não tinham liberdade alguma e eram
obrigados a fazer coisas quase impossíveis. Então Deus
os libertou. Ele abriu um caminho para eles através do
Mar Vermelho em terra seca. Eles atravessaram a salvo
para o outro lado e então as águas retomaram o seu
curso. Os egípcios, que os tinham tratado tão mal,
afogaram-se todos. Que maravilhoso livramento para
Moisés e o povo de Israel, os quais louvaram a Deus pelo
milagre que Ele havia realizado.
Não é surpreendente o fato de que logo os
israelitas tenham esquecido o maravilhoso milagre que
Deus havia operado a favor deles no Mar Vermelho? Eles
até mesmo quiseram voltar para o Egito, ontem tinham
sofrido tanto! Criaram outros deuses e os adoraram.
Muitos milhares de pessoas atravessaram o Mar Verme-
lho. Deus cuidou delas quando vagaram pelo deserto
durante 40 anos. Entretanto, por terem sido
desobedientes, todos eles morreram antes de alcançar a
terra prometida por Deus. Somente Calebe e Josué, dois
homens de fé, chegaram a essa terra. Até Moisés e Aarão
pecaram e não tiveram permissão para entrar na terra
prometida.
Judas pensou sobre tudo isso, e então meditou a
respeito de si próprio e dos outros crentes que conhecia.
Tais reflexões devem tê-To deixado triste, porque todos
os crentes são pecadores. Por que, então, ele estava feliz
ao escrever estes versículos 24 e 25? Sentia--se feliz
porque sabia que Deus levará aos céus com segurança
todos os que Ele liberta da escravidão espiritual. Assim,
Judas tinha que louvar a Deus e cantar: "Ora, aquele
que é poderoso para vos guardar de tropeçar...".
No versículo 6, Judas escreve sobre anjos. Não
sabemos muito sobre anjos, mas acreditamos que são
muito melhores e mais sublimes do que nós. Os anjos a
respeito dos quais Judas fala, inclusive um chamado
Lúcifer, são aqueles que caíram no pecado e foram
expulsos do céu por Deus. Como podem os anjos cair e
tornar-se perversos e impuros? A Palavra de Deus nos
diz que isso realmente aconteceu. Será que o fato de
pensarmos sobre os anjos que pecaram não nos faz
temer que nós, também, podemos pecar da mesma
forma? Sim, mas aqui está a verdade sobre à qual Judas
está feliz — o Senhor Jesus nos guardará! Às vezes,
podemos cair em pecado, porém Ele vem e nos levanta
de novo. Ele nunca desamparará os que crêem nEle.
Judas não escreve a respeito de Adão nesta
epístola, todavia eu gostaria de mencioná-lo. Deus fez
Adão um homem perfeito. Ele era puro, bom e sem
pecado. Tinha uma vida feliz e tranqüila no jardim do
Éden, onde Deus o havia colocado. Deus lhe disse para
não comer o fruto de uma árvore especial do jardim.
Adão foi desobediente. Ele comeu o fruto e pecou contra
Deus. Então, Deus o expulsou do jardim. E assim, Adão
precisou trabalhar arduamente para produzir alimento,
ou não teria nada para comer.
Devido Adão ter pecado, nós que descendemos dele
também somos pecadores. Herdamos sua natureza;
assim, como podemos esperar obedecer a Deus, posto
que Adão fracassou? A única resposta é que o Senhor
Jesus Cristo prometeu que, quando começar a operar
em nossas vidas, Ele continuará até que tenha
terminado a obra. Portanto, devemos louvar novamente
com Judas: "Ora, aqueles que é poderoso para vos
guardar de tropeçar...".
Mas havia algo mais na mente de Judas. Ele
estava pensando a respeito do lugar onde pecadores e
anjos foram lançados quando não foram guardados por
Deus. Os israelitas incrédulos e desobedientes foram
destruídos e também desceram às terríveis trevas do
inferno. Devemos certificar-nos de que não somos
incrédulos e desobedientes. Devemos estar sempre
confiando em Deus, que nos salvou e prometeu guardar-
nos.
Em seguida, no versículo 6, Judas escreve sobre
anjos decaídos, que ele nos diz estarem em algemas e
sob trevas. Eles serão mantidos lá até que Cristo venha
para julgá-los e puni-los. Então, eles serão enviados ao
inferno para sempre. Se o amor eterno de Deus não nos
tivesse resgatado, nós também teríamos sido conde-
nados ao sofrimento em algemas, trevas e fogo por causa
de nosso pecado. Só temos segurança por meio dAquele
que é capaz de nos guardar de tropeços.
No versículo 7, Judas nos fala sobre as cidades de
Sodoma e Gomorra. O sol estava se pondo ao anoitecer.
As pessoas estavam felizes. Elas estavam rindo e se
divertindo. A terra era férti 1 e o povo tinha tudo o que
queria. Mas as pessoas nas cidades eram muito
perversas, e Deus resolveu destruí-las. Depois que Deus
levou para fora Seu servo Ló com sua família, Ele
destruiu as cidades com fogo e enxofre. Abraão podia ver
a fumaça das cidades em chamas, ainda que habitasse
muito longe. O Mar Morto agora cobre o lugar onde
estava essas cidades. Nada pode viver naquele mar. Isto
demonstra o juízo de Deus. E então, contra essas
sombrias circunstâncias, Judas lembra novamente que
assim como Deus guardou Ló da destruição, assim
também guardará Seu próprio povo.
No versículo 13 da epístola, Judas escreve sobre os
terríveis pecados daqueles que pareciam crer em Cristo,
mas na realidade não criam. Eles são chamados
apóstatas. Estremecemos ao pensar sobre o que
acontece com tais pessoas. Elas não são capazes de se
manter no caminho de Deus, porque não confiam
realmente em Cristo, o único que pode salvá-las e
guardá-las. Assim, quando pecam elas se tornam
tremendas pecadoras, o que é algo pavoroso de se
imaginar. Vocês devem ter certeza de que
verdadeiramente crêem. Então, com Judas, continuarão
confiando em Cristo, que é "poderoso para vos guardar
de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis com alegria
perante a sua glória."
Observemos as bênçãos de que Judas fala. Ele diz
que o Senhor Jesus Cristo tem poder para fazer três
coisas:

1. Antes de tudo, Ele tem poder para guardá-los de


tropeços, enquanto vocês andam pelo perigoso caminho
que vai da terra aos céus. Quando escalamos
montanhas, há estreitos atalhos, às vezes com um
íngreme precipício em um dos lados. Se déssemos um
passo errado, poderíamos cair em um imenso abismo. O
mesmo acontece com nossas vidas espirituais. O
caminho muitas vezes é difícil e escorregadio. Seria
muito fácil tropeçar se o Senhor Jesus não mantivesse
nossos pés firmes no chão. Quando andamos com
segurança, portanto, devemos dar toda a glória a Deus
que está nos guardando.
Mesmo os verdadeiros crentes são muito fracos.
Vocês não são capazes de viajar por si próprios. Vocês
não são capazes de ver os perigos ocultos. Precisam que
o Senhor Jesus cuide de vocês e evite que caiam. Além
disso, vocês têm inimigos que se escondem ao lado da
estrada, prontos para aparecer e derrubá-los. Somente o
Senhor Jesus pode protegê-los dos inimigos que estão
sempre esperando para destruí-los. Não deveríamos
louvar "aquele que é poderoso para vos guardar de
tropeçar"?
Ainda que sejamos tão fracos, Ele nos levará ao
céu. Este mundo em que vivemos não é nosso lar.
Muitas vezes gostaríamos de deixá-lo, pois a vida aqui se
torna muito difícil. Gostaríamos de ir para nosso lar
celesl i al. O Senhor Jesus tem poder para nos levar lá!
Ele lutará contra nossos inimigos para nós. Jesus nos
guardará de cair no pecado, e levará todos aqueles pelos
quais Ele morreu para a terra celestial. Ninguém será
deixado para trás. Estaremos seguros e felizes com Ele
para sempre. O Senhor Jesus nos apresentará a Deus e
estaremos com aqueles que alcançaram o céu antes de
nós.

2. Em seguida, devemos notar que quando formos


apresentados a Deus, estaremos imaculados. Como
poderemos nós, que somos pecadores, estar sem faltas?
à única resposta é que nosso Salvador é muito poderoso
e Sua obra é sempre perfeita. Por mais pecadores que
vocês sejam, se Cristo, em Sua misericórdia e graça,
opera em seus corações de forma que vocês acreditem
nEle, Ele os lavará em Seu sangue; isto significa que
Cristo oferece Sua morte como pagamento pelos seus
pecados. Vocês podem ter sido bêbados, ladrões ou
adúlteros; mas agora, tendo nascido de novo por causa
do que Cristo fez, aos olhos de Deus vocês serão puros,
limpos e cândidos.
Mas há algo mais. Não basta que um homem
esteja sem faltas, sem pecados. Ele precisa ter boas
qualidades também. Ele não chegará ao céu somente
porque seu pecado foi perdoado. Ele deve também ser
obediente aos mandamentos de Deus. Entretanto como
não temos poder para guardar a lei de Deus
perfeitamente, como podemos esperar que chegaremos
ao céu? Apenas porque o Senhor Jesus Cristo viveu uma
vida perfeita a nosso favor. Ele guardou a lei de Deus, e
Deus em Sua grande misericórdia considera a
obediência de Cristo com relação à Sua lei como se fosse
nossa própria obediência. Ele a atribui a nós.
Assim, duas coisas aconteceram. Cristo morreu
pelos nossos pecados para que pudéssemos ser
perdoados; Cristo viveu uma vida perfeita, e agora Deus
nos olha como se tivéssemos levado uma vida assim, e
Ele nos aceita.

3. 0 melhor de tudo, porém, é o fato de que Deus


nos tomará em novas pessoas. Por causa de Cristo,
Deus nos aceita como inculpáveis e bons. Então, Ele
também coloca em nossos corações o desejo de sermos
santos e bons. Enquanto vocês viverem na terra, embora
não queiram pecar, ainda assim a maldade estará em
seus corações, tentando fazer com que cometam coisas
pecaminosas que na verdade não querem. Em Romanos,
capítulo 7, o apóstolo Paulo nos diz que quando quis
fazer o bem, o mal estava presente nele, e ele fez o que
detestava.
Um dia, todo o mal em vocês terá desaparecido
para sempre. Isto só acontecerá quando estes corpos
pecaminosos morrerem e estivermos com nosso Salvador
no céu. Quando O virmos, seremos como Ele. Que
alegria será para nós! Portanto, devemos dizer
novamente com Judas: "Ora, àquele que é poderoso para
vos guardar de tropeçar... glória, majestade, império e
soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos
os séculos."
Quando chegarmos ao céu, entenderemos muito
mais do que agora. Olharemos para trás e veremos todas
as vezes nos quais fomos guardados de cair no pecado.
Louvaremos o Senhor Jesus que nos guardou. Mas
mesmo agora, nesta vida, devemos lembrar que Ele nos
segura firmes, e não nos abandonará.
Em seguida, vejamos como o Senhor Jesus nos
apresentará diante de Deus. Judas diz que será com
muita exultação. Quem vocês acham que sentirá essa
exultação? Todo cristão sincero e sentirá. Todos os que
já leram a Bíblia cuidadosamente conhecem a Parábola
do Filho Pródigo. Quem estava mais feliz na festa que o
pai preparou para seu Filho que agora voltara para
casa? O filho pródigo. Ele mal podia acreditar que seu
pai ainda conseguia amado depois de ter sido tão ingrato
e pecador.
O mesmo acontecerá conosco quando Deus, nosso
Pai, nos trouxer para o lar que preparou para nós no
céu. Olharemos para nossas vidas na terra. Pensaremos
como fomos ingratos e como nos afastamos do Senhor
Jesus Cristo. Então pensaremos como ainda assim Ele
nos amou e por fim nos trouxe ao céu. O pecado, a
tentação e o diabo, que sempre foram nossos inimigos,
terão desaparecido, e seremos mais felizes do que jamais
pensamos que poderíamos ser. Vocês deveriam estar
muito felizes agora também, ao lembrarem que quando
os problemas da vida acabarem, vocês serão felizes no
céu eternamente.
O obreiro cristão também será feliz. Quando ele
chegar ao céu será humilde, bem como exultante. Verá
ali aqueles para quem ele havia falado a respeito do
Senhor Jesus Cristo. Eles creram em Jesus e foram
levados ao céu também. Os obreiros cristãos estarão
cheios de júbilo e dirão: "Aqui estou eu e os filhos que
me deste; a ti louvor".
Os anjos também terão grande alegria. A Bíblia diz
que há júbilo no céu por todo pecador que se arrepende.
Assim, como será imensa a alegria deles quando um
número incalculável de pecadores arrependidos, todos
perfeitos e sem culpas, for trazido com segurança para o
céu!
Pecadores, obreiros cristãos, anjos, todos terão
muita alegria. Mas quem estará ainda mais exultante? O
próprio Senhor Jesus Cristo estará mais feliz que todos.
Todo o Seu povo chegou em casa a salvo. Com
segurança, Cristo libertou de cada perigo todos os que
Lhe foram dados por Seu Pai. O propósito de Deus foi
cumprido e todo Seu povo eleito foi completamente
salvo. Cada promessa feita por Deus Pai e por Deus
Filho foi cumprida. Assim, naquele dia ninguém estará
mais feliz do que o Senhor Jesus Cristo. Ele veio à terra
para viver e morrer por nós, a fim de que nos céus
pudéssemos ser Sua noiva. A Bíblia diz: "... como o noivo
se alegra da noiva, assim se alegrará de ti o teu Deus"
(Is. 62:5). Que dia de júbilo será aquele! Diz Isaías: "Ele
verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará
satisfeito".
Toda a Igreja estará no céu, reunida de toda as
nações, sem mancha alguma e completa. Nenhum
crente estará faltando. Os cristãos não estarão lá por
causa de algo de bom dentro deles, mas devido à aliança
feita entre Deus o Pai e o Senhor Jesus Cristo. Inúmeros
pecadores serão salvos, guardados de tropeços e por fim
trazidos à presença de Deus , porque essa aliança não
pode ser rompida.
E então, finalmente, o próprio Deus terá infinito
regozijo. Está escrito no livro de Sofonias, no Velho
Testamento: "O Senhor teu Deus... se deleitará em ti
com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em
ti com júbilo". Acho que esta é uma das mais
maravilhosas passagens da Bíblia. Quando o mundo foi
feito, as estrelas da manhã exultaram de alegria, mas
Deus disse apenas que "era bom". Ele não Se regozijará
até que todas as pessoas escolhidas encontrem-se ao
redor de Seu trono. Então, até Deus, o Pai Eterno,
entoará uma esplêndida canção.
Há mais uma reflexão que eu gostaria de
acrescentar. Tudo o que dissemos é verdade para todos
dentre vocês que são crentes. Para todos vocês, é
verdade que Ele os guardará de tropeços e os
apresentará "com exultação, imaculados diante da sua
glória". Então, vocês devem entoar juntos esta canção:
"... ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo,
nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder,
antes de todos os séculos, agora, e para todo o sempre.
Amém."
Ao mesmo tempo, quando pensarem em sua
segurança em Cristo, não esqueçam suas atuais
fraquezas. Quero que saibam que por si próprios vocês
não têm poder para obedecer a Deus por um só minuto.
O poder gracioso de Deus por si só irá guardá-los. Cristo
prometeu trazê-los com segurança para o céu, e Ele
certamente fará isso. Vocês estão seguros nas mãos de
Cristo. Nenhum inimigo de Deus pode arrancá-los de
Cristo.
E quanto àqueles dentre vocês que ainda não
sabem que foram salvos pela graça de Deus? Meu desejo
é que vocês não confiem em si próprios ou em algum
bem que acham que podem fazer, mas quero que
confiem em Cristo. Vocês podem se arruinar e acabar
indo ao inferno, porém não se podem salvar e ir ao céu.
Somente Cristo pode salvá-los. Confiem suas vidas
Àquele(que é poderoso para guardá-los de tropeços. Se
vocês morrerem como estão, certamente perecerão. Só
Cristo pode salvá-los. Somente Ele pode torná-los
imaculados e levá-los ao céu. Ele é capaz de fazer isso
por vocês. Cristo derramou Seu sangue na cruz a fim de
abrir um caminho para vocês virem ao céu. Confiem no
poder de Seu sangue e estarão salvos de seus pecados e
impurezas. Levantem os olhos para Cristo com uma fé
simples, para que possam chegar ao céu e cantar com
todos os remidos do Senhor: "Ora, àquele que é poderoso
para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos
irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao
único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso
Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes
de todos os séculos, agora, e para todo o sempre.
Amém."
2
O CHAMADO EFICAZ
"Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para
cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém
ficar hoje em tua casa. " (Lucas 19:5).

Alguns de nós recebemos muitas vezes


ensinamentos sobre as doutrinas da graça. Mas essas
doutrinas têm que ser freqüentemente repeti das, a fim
de que os novos cristãos realmente possam entendê-las
com suas mentes e amá-las em seus corações.
Os mais velhos talvez achem que este sermão é
simples. Estou pregando-o especialmente para cristãos
mais jovens. Quero que cristãos jovens e velhos tenham
uma melhor compreensão do ensinamento da doutrina
denominada "chamado eficaz". Este ensinamento
significa que o Espírito Santo de Deus age no coração de
um homem de tal maneira que quando ele recebe o
chamado de Deus, não pode fazer nada senão obedecer
a ordem e vir até Deus.
Usarei a história de Zaqueu para explicar mais
claramente o ensinamento do chamado eficaz. Zaqueu
ouvira que Jesus Cristo estava realizando coisas
maravilhosas entre os homens. Assim, Zaqueu queria
ver Jesus com seus próprios olhos. Mas ele tinha um
problema: ele era um homem de baixa estatura, e havia
muitas pessoas acompanhando Jesus. O que fazer? Ele
teve uma idéia. Ele subiria numa árvore e iria ocultar-se
entre os galhos; então poderia ver Jesus passando sob a
árvore. Ele precisava observar atentamente, pois Cristo
não estaria usando nenhuma roupa especial. Ele estaria
usando o mesmo tipo de vestuário que as pessoas
comuns usavam.
Enquanto estava lá escondido na árvore, Zaqueu
teve uma enorme surpresa. Cristo o viu! Cristo parou
sob a árvore e chamou--o: "Zaqueu, desce depressa, pois
me convém ficar hoje em tua casa". O que Zaqueu
poderia fazer? Havia apenas uma coisa a fazer. Zaqueu
desceu da árvore e foi para sua casa. Cristo entrou em
sua casa e Zaqueu "o recebeu com alegria" (Luc. 19:6). O
chamado eficaz de Deus chegara a Zaqueu. Ele
obedeceu o chamado. Tornou-se um crente em Cristo e
entrou no reino dos céus.
1. O ensinamento do chamado eficaz é um
exemplo da graça de Deus. O chamado eficaz não
depende de ser um homem bom ou mau. Zaqueu não
era um homem bom. Ele vivia em Jericó. Jericó era um
cidade má, que tinha sido amaldiçoado por Deus.
Zaqueu era um homem que cobrava impostos das
pessoas, muitas vezes injustamente. Assim, sua
profissão também era má. Cobradores de impostos
geralmente tiravam mais dinheiro das pessoas do que o
lícito. Eles guardavam o dinheiro extra para si e ficavam
ricos. As pessoas não gostavam de cobradores de
impostos. Elas não gostavam de Zaqueu.
Quando Cristo entrou na casa de Zaqueu, as
pessoas disseram que Ele "se hospedara com homem
pecador" (Luc. 19:7). Elas achavam que Cristo iria a
qualquer casa, exceto à de Zaqueu. Mas Deus não pensa
como os homens. Sua graça e misericórdia olharam para
Zaqueu na árvore e chamaram-no para baixo. Deus
chama as pessoas que escolheu. Elas podem estar muito
afastadas dEle. Elas podem não ter nenhum
pensamento a respeito de Deus. Ou podem estar apenas
curiosas, como Zaqueu estava quando subiu na árvore.
O Espírito Santo opera poderosamente no coração do
homem que Deus está chamando. Quando isso
acontece, até mesmo um homem como Zaqueu obedece
ao chamado de Deus. A história de Zaqueu é um bom
exemplo do ensinamento do chamado eficaz.

2. Foi um chamado pessoal. Cristo chamou


Zaqueu pelo nome. Talvez houvesse outras pessoas na
árvore, mas Cristo apenas Zaqueu. "Zaqueu, desce
depressa...", Ele disse.
Há diferentes tipos de chamado na Bíblia. Lemos:
"... porque muitos são chamados, mas poucos
escolhidos" (Mat. 20:16). Este é um exemplo do chamado
geral de Deus para todos os que estiverem ouvindo o
evangelho. Os homens não têm em si mesmos o poder
para responder a esse chamado. O chamado pessoal é o
eficaz. Deus está operando no coração da pessoa que Ele
chamou pelo nome. Ela responderá. Ela seguirá o
chamado de Deus.
Vamos observar as Escrituras buscando exemplos
do chamado eficaz de Deus. "Disse-lhe Jesus: Maria!
Ela, voltando-se, lhe disse ...Mestre" (João 20:26). Jesus
viu Pedro e André pescando no mar. Ele lhes disse:
"Vinde após mim" (Mat. 4:19). Ele viu Mateus cobrando
impostos e disse-lhe: "Segue-me!" (Mat. 9:9). O Espírito
Santo operou nos corações de Maria, Pedro, André e
Mateus. Eles não puderam resistir ao chamado de Deus,
porque era um chamado eficaz. Como Zaqueu, eles
obedeceram ao chamado e seguiram a Cristo. Vocês
conseguem lembrar-se do momento em que o Senhor os
chamou e vocês responderam de todo o coração,
dizendo: "Senhor meu e Deus meu!" (João 20:28)?
3. O chamado para Zaqueu foi urgente. "Zaqueu,
desce depressa". Õ pecador pode ouvir um sermão
poderoso. Pode haver um chamado para arrepender-se e
crer no evangelho. O pecador pode dizer que virá a
Cristo amanhã. Ele irá se divertir hoje, antes de vir. A
palavra "amanhã" pertence a Satanás. A palavra de
Deus é "hoje". O chamado de Deus para um homem é
para que ele se arrependa. "Hoje" será sua palavra
também, se Deus nos está chamando. Vocês dirão que
ele não podem esperar até amanhã. Vocês devem vir
hoje. Cristo disse: "Zaqueu, desce depressa". Ele diz isso
a vocês, também. "Apresse-se e venha a mim agora."

4. Foi um chamado humilde. "Zaqueu, desce


depressa." Descer é uma experiência dolorosa. Primeiro,
devemos descer do pensamento de que nossas próprias
obras podem nos salvar. Temos que descer ainda mais,
até reconhecermos que somos pecadores desobedientes.
Então, temos que ir ainda mais para baixo, até clamar-
mos por Deus em desespero, dizendo-Lhe que não
podemos fazer nada para nos salvar. Quando Deus nos
trouxer para baixo, então Ele nos levantará. "(Ele)
derrubou dos seus tronos os poderoso e exaltou os
humildes" (Luc. 1:52).

5. Foi um chamado amoroso. Cristo disse a


Zaqueu: "... me convém ficar hoje em tua casa". Muitas
pessoas tinham estado na casa de Zaqueu. Ele as havia
roubado. Talvez ele tenha sido muito impiedoso com
elas. Então, as pessoas perguntavam, por que Cristo
queria ir à casa de um homem tão mau? E se Ele
devesse ir, por que durante o dia, quando todos podiam
vê-lO? Por que Ele não foi 'a noite, quando estava
escuro?
Cristo morreu seu amor a Zaqueu não ficando do
lado de fora de sua casa, mas sim entrando numa hora
do dia quando todos podiam vê-lO. Cristo é muito
amoroso. Ele virá às suas casas, ainda que também
tenham sido casas más, como a de Zaqueu. Ele lhes
dirá, como disse a Zaqueu: "...desce depressa, pois me
convém ficar hoje em tua casa".

6. Foi um chamado permanente. O chamado iria


permanecer e não mudaria de maneira alguma. Há um
chamado do evangelho que é feito a todos os homens. E
um chamado geral, ainda que genuíno. A menos que o
Espírito de Deus esteja operando no coração da pessoa
que ouve o chamado, sua intenção de seguir a Cristo irá
desvanecer. O chamado redentor de Cristo é um
chamado permanente. Não terá fim.
Cristo vem às suas casas para fazer uma refeição
com vocês. Ele não é como um visitante que fica
somente por um curto espaço de tempo e então vai
embora. Vocês podem estar certos de que se Jesus está
operando em seus corações pelo Seu Santo Espírito, Ele
permanecerá lá. Ele nunca irá embora. Cristo lhes fala
com poder e diz: "... desce depressa, pois me convém
ficar hoje em tua casa".
7. Foi um chamado necessário; um chamado que
tinham que ser obedecido. Leia as palavras de novo:
"Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em
tua casa". O chamado de Cristo para Zaqueu foi
realmente uma ordem. Ele deve descer daquela árvore,
porque Cristo havia decidido ficar em sua casa. Da
mesma forma, todos os pecadores que foram remidos
por Cristo, quando Ele morreu na cruz, haveriam de ser
salvos. Sua salvação é o propósito de Deus. Esta
salvação foi trazida por Cristo e prometido por Deus. O
escolhido de Deus há de ser salvo. Ele ouvirá o chamado
eficaz de Deus e obedecerá.
Alguns homens dizem que nunca serão cristãos.
Se Cristo lhes diz: "...me convém ficar hoje em tua casa",
eles dizem que não O receberão com alegria como
Zaqueu o fez . Mas Deus pode operar neles uma
mudança tal que quando Ele os chamar novamente, não
terão força para resistir. Eles não vão nem querer
resistir. Eles receberão Cristo com alegria em suas
casas. Eles serão salvos. Nenhum homem é tão perverso
que não possa ser atingido pela misericórdia de Deus. Se
Deus diz:"... me convém ficar hoje em tua casa", então
com certeza Ele fará isso. Alguns de vocês resistiram ao
evangelho por muito tempo. Hoje, vocês não podem mais
resistir. Hoje vocês ouvem uma voz dizendo: "Pecador,
você riu de mim, você tentou me manter afastado, mas
me convém ficar hoje em tua casa."

8. Foi um chamado que mudou a vida de um


homem. Sabemos que o chamado de Cristo para Zaqueu
foi eficaz, devido à maneira como a vida dele foi
transformada. Zaqueu tornou-se um homem diferente.
Ele recebeu Jesus em sua casa e serviu-Lhe uma
refeição. O Espírito de Deus tinha operado em seu
coração. Ele sabia que era um pecador. Ele confiou em
Cristo para a salvação. Seus pecados foram perdoados.
Ele era um homem feliz. Zaqueu era também um novo
homem em Cristo. Ele começou a colocar em ordem as
coisas em sua vida que haviam sido erradas. Ele disse:
"Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus
bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém,
restituo quatro vezes mais". Ele restituiu às pessoas
mais do que tinha roubado delas como um cobrador de
impostos! Ficou mais pobre, porém terá riquezas
celestiais que não possuía antes de subir naquela
árvore. Quando a vida de um pecador é transformada,
sabemos que Deus o chamou eficazmente. O homem que
era bêbado não beberá mais. Em vez disso, ele irá orar.
O homem que era um ladrão restituirá as coisas que
roubou.
Não podemos saber se um chamado de Deus foi
eficaz até que a vida de um homem tenha mudado. As
pessoas viram essa mudança na vida de Zaqueu. Elas
disseram que Cristo fora hospedar-se na casa de um
homem que era um pecador. Elas viram que Zaqueu
começou a endireitar as coisas que haviam sido erradas
em sua vida. Então elas souberam que seu coração
havia sido purificado, porque sua vida havia mudado.
Elas sabiam que a mudança era real. Elas não tinham
dúvidas de que o chamado de Deus fora eficaz. Jesus
disse a Zaqueu: "Hoje houve salvação nesta casa...
Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido"
(Luc. 19:9-10). Zaqueu tinha estado perdido. O chamado
eficaz de Deus chegara até ele e Deus encontrara
Zaqueu.
Há uma ou duas lições que deveríamos aprender a
partir da história de Zaqueu. As pessoas orgulhosas
devem tornar-se humildes. A misericórdia de Deus vem
ao homem que foi trazido para baixo. As pessoas que
sentem que nunca poderão vir a Cristo recebem
esperança. Enquanto estou pregando, o evangelho
alcançará os corações daqueles que Deus preparou para
recebê-lo. O amor e a misericórdia do Senhor Jesus irão
atraí-los. Eles serão eficazmente chamados. Eles O
seguirão de todo o coração.
Não importa se vocês vieram ouvir apenas por
curiosidade. A curiosidade fez com que Zaqueu subisse
na árvore. Deus ainda pode encontrá-los. Ele pode
chamá-los e salvá-los, como fez com Zaqueu. Cristo lhes
diz que vocês devem humilhar-se. Vocês devem
confessar-Lhe seus pecados. Vocês deveriam dizer-Lhe
que sabem que estão perdidos, a menos que Ele Se
abaixe para salvá-los. Vocês estão olhando para Ele
porque Ele primeiro olhou para vocês. Ele fez com que
desejassem ser salvos. Vocês nunca poderiam tornar-se
desejosos por si sós. Vocês podem estar certos de que
Ele os está chamando com aquele chamado eficaz, que
os trará a Ele em arrependimento e fé.
Será que o Senhor Jesus está lhes dizendo, como
disse a Zaqueu: "... desce depressa, pois me convém
ficar hoje em tua casa"?
3
A MORTE DE CRISTO
POR SEU POVO
"Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas;
cada um se desviava pelo seu caminho: mas o Senhor fez
cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. " (Isaías 53.6).

Há uma confissão geral de pecados neste versículo.


Todo o povo de Deus fala assim. Estas pessoas
escolhidas dirão: "Todos nós andávamos desgarrados
como ovelhas".
Há também uma confissão pessoal aqui. Cada um
pode dizer para si próprio: "Eu me desviava pelo
caminho". Todos pecam, mas de maneiras diferentes.
Todos nós sabemos em nosso próprio coração os modos
pelos quais pecamos. Uma outra pessoa peca de forma
totalmente diversa. Estes homens que confessam seus
pecados aqui não dão nenhuma desculpa para seu
pecado. Pecadores juntos ou separadamente, eles sabem
que são culpados perante Deus. Não há nenhuma
desculpa que possam dar pelo seu pecado.
A terceira parte de nosso texto está repleto de
consolo. "... o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de
nós todos." Estas palavras nos dizem que há
misericórdia para o homem que está infeliz porque ele
sabe que é um pecador. A morte de Cristo traz cura para
os corações despedaçados; eles podem saber que seus
pecados foram posto sobre Cristo.
Vamos refletir a respeito da passagem acima de
três maneiras. Primeiro, explicaremos a verdade que ela
contém. Segundo, aplicaremos essa verdade aos nossos
corações. E terceiro, meditaremos sobre a verdade que
estamos considerando.

1. O ensinamento do texto é:
(I). O pecado está por toda parte do mundo.
Encontra-se nos corações de todos os homens. Há o
pecado do passado; o pecado do presente; e o pecado do
futuro. A idéia do texto é que todos os pecados do povo
de Deus foram reunidos e colocados em Cristo. Há o
pecado do povo escolhido de Deus entre os incrédulos
que ouvirão a respeito de Deus; e há o pecado do povo
judeu que crerá. Como é pesada a carga de pecado
quando tudo isto é colocado junto! Esta carga pesada
caiu sobre Cristo.
(II). Devemos lembrar-nos que Cristo em Si não
tinha pecado. Quando nosso pecado caiu sobre Ele, Ele
sofreu, sendo inocente em Si mesmo. Éramos pecadores
— ele estava sem pecado. Ele sofreu por nós como um
substituto inocente. "... ele foi traspassado pelas nossas
transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o
castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas
pisaduras fomos sarados" (Is. 53:5). "... mas o Senhor fez
cair sobre ele a iniqüidade de nós todos."
Se o Senhor Jesus tivesse sido um pecador, Ele
não poderia ter suportado o pecado de Seu povo. Ele era
santo em Sua natureza divina. Ele era santo em Sua
natureza humana, também. Por ter nascido de uma
virgem, de forma miraculosa, Ele estava livre do pecado
original com que todos os homens nascem. Sendo o
imaculado, o santo cordeiro de Deus, Ele podia ficar no
lugar dos homens pecadores. Era verdadeiramente Deus
e verdadeiramente homem. Ninguém a não ser Ele podia
suportar o pecado de Seu povo. Nunca poderemos
realmente entender como o pecado de todo o povo de
Deus caiu sobre a cabeça de Cristo. A Bíblia diz: "... ele o
fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça
de Deus" (2 Cor 5:21).
Esta verdade é tão maravilhosa que é muito difícil
expressá-la em palavras. A Bíblia diz: "... as iniquidades
deles levará sobre si" (Is. 53:11). Assim Ele fez, e
portanto Seu povo agora está liberto das terríveis
conseqüências de seu pecado.
(III). Algumas pessoas perguntam se era certo
que nosso pecado caísse sobre Cristo. Minha resposta é
que há quatro razões pelas quais isso era certo:
a. Deus só pode fazer o que é certo. Foi Ele quem
fez cair sobre Cristo "a iniqüidade de nós todos". Se
questionarmos a eqüidade disso, questionaremos a
justiça de Deus. E Deus, o criador de todas as coisas,
não pode ser injusto.
b. Lembrem-se de que Jesus Cristo não foi forçado
a receber nosso pecado sobre Si. Ele escolheu carregar
nossos pecados "em seu corpo, sobre o madeiro" (1 Ped.
2:24). Ele disse: "Ninguém a tira (minha vida) de mim;
pelo contrário, eu espontaneamente a dou" (João 10:18).
A morte de Cristo na cruz levou a efeito o acordo que Ele
tinha feito espontaneamente com seu Pai, na eternidade.
Este acordo, ou aliança, era que Cristo deveria vir à
terra, nascer como um homem e morrer para salvar Seu
povo de seu pecado.
c. Às vezes esquecemos que a relação entre Cristo
e Seu povo tornou natural o fato de que Ele deveria
carregar o pecado de Seu povo. Nosso texto nos diz que
andávamos desgarrados como ovelhas, e não é Cristo
nosso Pastor? Às vezes, fala-se de Cristo como o marido
de Seu povo, da Igreja. Se uma mulher contrai uma
dívida, é legal que seu marido pague essa dívida a fim de
que ela fique livre. Assim, não seria justo que Cristo,
nosso Pastor, nosso Marido, pagasse nossa dívida por
nós, de maneira que nós, Seu povo, ficássemos livres?
Nos tempos bíblicos, o parente mais próximo tinha que
redimir a herança da família. É muito justo que o
Senhor Jesus Cristo, nosso parente mais próximo,
devesse redimir Sua Igreja morrendo por ela na cruz.
Entretanto nossa união com Cristo é ainda mais íntima
do que a união matrimonial. Somos membros de Seu
corpo! É natural que Cristo, a Cabeça, devesse sofrer
pela Igreja, Seu corpo.
d. Devemos lembrar também que a salvação nos
vem de uma maneira semelhante ao modo pelo qual o
pecado veio a nós. A razão por que pecamos encontra-se
no fato de que o primeiro homem, Adão, pecou muito
antes que tivéssemos nascido. Agora, todos os que
descendem dele herdaram sua natureza pecaminosa.
Nossa salvação encontra-se no segundo Adão que
morreu por nós, também muito antes que tivéssemos
nascido. Agora, todos os que estão unidos a Cristo pela
fé recebem Sua vida santa. Não é injusto que Deus
tivesse um plano de salvação baseado numa relação
estabelecida primeiro com Adão, e depois com Cristo.
Este é o maravilhoso modo de salvação provinda de
Deus. Vamos recebê-la com exultação!
(IV). Quando Cristo morreu por Seu povo na cruz,
Ele assumiu todas as conseqüências do pecado dele em
Si próprio. Jesus Cristo era o Filho amado de Deus. Mas
quando nossos pecados caíram sobre Ele, Ele sentiu que
Deus O tinha desamparado, que Ele tinha sido deixado
sozinho. Ele clamou: "Deus meu, Deus meu, por que me
desamparaste?" (Mat. 27:46). Não era possível que Jesus
Cristo pudesse fruir da presença de Deus quando Ele foi
feito pecado por nós. Ele Se encontrava em profundas
trevas quando a presença de Seu Pai foi afastada. Não
podemos descrever a dimensão incomensurável do
sofrimento de Cristo quando Deus fez cair sobre Ele "a
iniqüidade de nós todos". A morte é o castigo pelo
pecado. Cristo morreu por nós. A Bíblia diz que Cristo,
"inclinando a cabeça, rendeu o espírito" (João 19:30); e
"... a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à
morte, e morte de cruz" (Fil. 2:8).
(V). Reflitam agora sobre o que a morte de Cristo
significou para nós, Seu povo eleito. Ele pagou nossa
dívida. Todas as pessoas pelas quais Ele morreu estão
livres. A justiça de Deus está satisfeita. Deus não nos
pedirá mais pagamento pelos nossos pecados.
(VI). Vamos considerar agora a palavra "nós". "... o
Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos."
Cremos que há um valor infinito na expiação de Cristo.
Cremos que, por causa da morte de Cristo, há um
convite genuíno a todos os homens: "Crê no Senhor
Jesus, e serás salvo, tu e tua casa" (Atos 16:31).
Contudo, devemos crer também que Cristo morreu
apenas por aqueles que Deus escolheu, Seu povo eleito.
Como seria possível que Cristo fizesse a expiação dos
pecados daqueles que nunca creram nEle e que vão para
o inferno? Não adianta dizer: "Mas eles não aceitariam a
expiação." Pergunto: "A expiação foi satisfatoriamente
feita para eles, ou não?" Certamente acontecerá que
todos aqueles pelos quais Cristo fez a expiação de fato
serão salvos. Ou então a obra de Cristo foi insatisfatória,
até que um homem, crendo, lhe dê valor. Isso é
inconcebível.
Todo homem que crê em Cristo será salvo. Cristo,
pela Sua morte, fez a expiação total por aqueles que
crêem. Deus seria injusto se castigasse os crentes
quando Eleja castigou Seu próprio Filho pelos pecados
de Seu povo. Esta segurança contra o castigo é como
uma rocha sobre a qual os cristãos podem se sustentar.
É um lugar de repouso seguro para todos aqueles que
crêem em Cristo.
Se vocês não crêem em Cristo, devem suportar o
castigo por seus próprios pecados. O sangue de Cristo
não fez a expiação deles. Vocês rejeitaram o convite de
Cristo e perecerão, porque transgrediram a lei de Deus e
recusaram-se a ser salvos pela cruz de Cristo.
2. Vamos agora aplicar aos nossos corações a
verdade que estivemos expondo.
Quero fazer-lhes uma pergunta. O Senhor Jesus
carregou seus pecados? Vocês podem verdadeiramente
afirmar, usando estas palavras: "Todos nós andávamos
desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo
caminho..."? Vocês sentem em seus corações que
pecaram e desviaram-se do caminho? Se vocês têm uma
percepção pessoal do pecado dessa forma, então minha
pergunta está respondida. O Senhor fez cair sua
iniqüidade sobre Cristo. Deus fez cair sobre Cristo o
pecado de todos aqueles que confessam seu pecado e
confiam apenas em Cristo para a salvação.
Mas se vocês não confiarem em Cristo, não posso
dizer-lhes que o Senhor arrancou seu pecado e o fez cair
sobre Cristo. Se vocês morrerem nessa atitude de
incredulidade, serão condenados no dia do juízo.
Deixem-me perguntar: vocês pretendem carregar sozi-
nhos o seu pecado? Jesus sofreu muito quando carregou
os pecados de Seu povo. O que vocês terão que sofrer se
sozinhos suportarem a ira de Deus contra seu pecado?
Vocês saberão então que "Horrenda coisa é cair nas
mãos do Deus vivo" (Heb. 10:31). Os homens se
enraivecem quando lhes falamos sobre este ensinamento
do castigo eterno. Devemos dizer-lhes que esse é o
ensinamento da Palavra de Deus. Sua pergunta deveria
ser: "Como posso evitar o castigo?" Pensem em como
Cristo era perfeito. Como podem achar que algo de bom
em vocês é capaz de fazer a expiação do pecado?
Pensem no que Cristo teve que suportar a fim de
fazer a expiação do pecado. Como vocês podem achar
que algo que venham a fazer é capaz de efetuar a
expiação de seu pecado? Se vocês não escolherem ser
salvos pelo modo de Deus, não poderão absolutamente
ser salvos. Não há nenhum outro caminho de salvação.
Deixem-me recomendar este caminho a vocês. Confiar
em Cristo, sabendo que Ele tomou meus pecados e
suportou a punição por eles em meu lugar, faz com que
eu me sinta muito exultante. Estou lhes falando a partir
de minha própria experiência. Sei que estou salvo
porque Cristo derramou Seu sangue por mim. Estou
pronto para morrer e me erguer corajosamente no dia da
ressurreição, porque Cristo é minha justiça e Deus não
me condenará. Rogo-lhes que venham a Cristo a fim de
que possam sentir a mesma confiança.
Sairemos agora refletir sobre a verdade que
estivemos considerando.
Vou propor quatro coisas para vocês pensarem a
respeito:
(I) . A enorme montanha de pecado que caiu sobre
Cristo. Vocês já sentiram o peso de seu próprio pecado?
Cristo carregou todos os pecados de todo Seu povo ao
longo de todas as épocas. O peso de nosso próprio
pecado ter-nos-ia atirado ao inferno para sempre. O
Filho de Deus suportou todo o peso do pecado de Seu
povo. Reflitam sobre esta idéia. Deixem-na entrar em
seus corações.
(II). Em seguida, vou pedir-lhes para pensar sobre
o maravilhoso amor de Cristo que O levou a fazer
tudojisso. "Mas Deus prova o seu próprio amor para
conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo
nós ainda pecadores" (Rom. 5:8). Não tínhamos
nenhuma bondade ou graça própria que faria com que
Cristo quisesse nos amar. A natureza santa de Cristo
tenderia a se afastar de pecadores tão perversos como
nós. Seu amor é quase maravil hoso demais para que se
possa falar dele.
Peço-lhes que pensem a respeito da profundidade
do amor que Cristo tem pelo Seu povo. Acaso não está
além de nossa compreensão o fato de que Deus fizesse
cair sobre Cristo a iniqüidade de todos nós, e Cristo nos
tivesse amado tanto que desejou vir à terra para
carregar nosso pecado?
(III). Pensem a respeito da segurança estabelecida
pelo plano de salvação. Sei que Deus é justo e que Ele
deve castigar o pecado. Jesus morreu por mim e, desde
que Deus é justo, agora Ele não pode castigar-me
também. Misericórdia, amor, verdade, justiça; agora
estes são todos meus amigos! Visto que Jesus morreu
por mim, eu não posso morrer. Ouçam as palavras do
apóstolo Paulo: "Quem intentará acusação contra os
eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os
condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes,
quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e
também intercede por nós" (Rom. 8:33-34). Descanso
minha alma sobre essa sólida rocha. Não preciso temer.
Jesus morreu por mim! (iv). A última pergunta que
quero fazer-lhes é: "Quais são as reivindicações de Jesus
Cristo sobre vocês e sobre mim?" Porventura nosso
Senhor Jesus tomou seus pecados e sofreu aquela morte
por vocês? Se vocês sabem que isto é verdade, peço-lhes
que O tratem como Ele deve ser tratado. Amem-nO como
Ele deve ser amado. Sirvam-nO como Ele deve ser
servido. Vocês realmente guardam Seus mandamentos?
Mesmo a obediência não é suficiente. Vocês realmente O
amam? Vocês levam suas vidas como se O amassem
ternamente? Ele merece tudo o que vocês podem dar.
Cristo existe por nós. Devemos existir por Ele. Devemos
amá-lO, sofrer por Ele e trabalhar por Ele, pedindo-Lhe
que nos ajude a fazer isso. Antes de crermos em Jesus,
nós, cada um de nós seguia seu próprio caminho.
Vamos agora, cada um de nós, servi-lO. Devemos falar
aos outros sobre Ele. Devemos pedir-Lhe que nos dê
obras para fazer por Ele. Devemos dar-Lhe nosso
dinheiro, tanto quanto pudermos, para a obra da igreja.
Devemos a Ele tudo o que temos. Ninguém mais do que
Ele merece nossa devoção.
Assim, todos dentre vocês que conhecem a graça
de Deus devem se dispor a viver, morrer, consumir-se e
ser consumidos pelo Senhor Jesus Cristo. Nada vale
mais a pena do que viver e morrer por Cristo. Vocês Lhe
devem sua libertação do inferno e sua esperança do céu.
Sigam-nO, amem-nO até o fim de suas vidas. Assim,
vocês estarão com Ele no céu e verão face a face este
Senhor Jesus Cristo a quem têm amado e servido.
4
SEGUIDORES VOLUNTÁRIOS DE UM
LÍDER QUE NÃO MUDA
O teu povo se apresentará voluntariamente no dia
do teu poder, com santos ornamentos: como vindo do
próprio seio da alva, será o orvalho da tua mocidade. "
(Salmos 110:3; ARC).

Achei difícil entender este texto. Estudei muitos


livros esperando que poderiam ajudar-me a
compreendê-lo. Nenhum deles realmente me ajudou.
Então, voltei-me para o Santo Espírito de Deus. Creio
que Ele me ajudou a entender o significado deste nosso
texto díficil.
O Salmo 110 é como um salmo de coração. Cristo
é solicitado para assentar-Se à direita de Deus:
"Assenta-te à minha mão direita..." (v. 1). O cetro, que
mostra que Cristo éum rei, é colocado em Suas mãos. "O
Senhor enviará o cetro da tua fortaleza desde Sião" (v.2).
Perguntamos: "Se Cristo é um rei, onde está Seu povo?"
Um rei deve governar sobre um povo, ou não é rei
algum. Sabemos que Cristo é rei. Ele é o Senhor da
criação e de tudo que acontece na terra que Ele fez.
Muitas vezes pregamos para pessoas que têm
corações duros. Elas não querem Cristo como seu rei. Às
vezes, não temos fé para crer que Cristo achará um povo
para Si. Perguntamos: "Onde encontraremos súditos
para Seu reino?" Nossos receios dissipam--se quando
lemos as duas promessas em nosso texto. A primeira é:
"O teu povo se apresentará voluntariamente no dia do
teu poder, com santos ornamentos: como vindo do
próprio seio da alva". A segunda é:"... (Cristo) será o
orvalho da tua mocidade". O texto nos diz que Cristo
será rei. Diz também que sempre haverá muitas pessoas
no reino de Cristo.
A primeira promessa refere-se ao povo de Cristo. A
segunda re.fere-se ao próprio Cristo. Ela nos diz que
Cristo sempre será um rei forte e poderoso.

1. A promessa é feita a Cristo. "O teu povo se


apresentará voluntariamente no dia do teu poder, com
santos ornamentos: como vindo do próprio seio da
alva...".
(I). A promessa refere-se a um tempo especial.
Cristo não atrairá Seu povo dia após dia. Ele trará Seu
povo num dia especial. As pessoas serão levadas ao
reino de Cristo "no dia do teu poder". Um homem pode
pregar muito bem. As pessoas não serão atraídas pelo
poder do pregador. As pessoas que ouvem o sermão
podem parecer muito interessadas. O interesse das
pessoas não as levará para dentro do reino de Cristo. O
povo virá no dia do poder de Deus. Quando é esse dia? É
o dia quando Deus dá Seu poder ao pregador. Os filhos
de Deus serão levados ao reino de Cristo quando o
pregador tiver o poder de Deus. O poder para fazer o
povo entrar no reino pertence a Deus. Não pertence ao
pregador.
Às vezes o pregador do evangelho sente que está
proferindo as palavras que Deus lhe deu. A Palavra de
Deus é poderosa. As pessoas que estão ouvindo sabem
que estão ouvindo a Palavra de Deus, não somente as
palavras do pregador. Esta Palavra de Deus vem aos
corações das pessoas com grande poder. Algumas
sentem que a Palavra é como um martelo batendo em
seus corações. Outras sentem que a verdade é como
uma flecha que penetra diretamente em seus corações.
Essas pessoas não são capazes de resistir à Palavra de
Deus. É o dia do poder de Deus em seus corações. O
pecador arrependido torna-se um súdito voluntário do
reino de Deus. Outras pessoas ouvem as mesmas
palavras do pregador, entretanto elas não entram em
seus corações. Essas pessoas não lamentam seus
pecados. Elas não vêm a Cristo como seu Salvador e Rei.
Não é o dia do poder de Deus para elas.
(II). O dia do poder de Deus é muito pessoal. O
poder vem para cada pessoa individualmente. E como o
dia em que o Senhor disse pessoalmente a Zaqueu: "...
desce depressa" (Luc. 19:5). O dia em que Deus opera no
coração de cada homem é o dia do poder onipotente de
Deus. Nesse dia, não desejaremos discutir com Deus.
Nesse dia, o povo de Deus virá a Ele com alegria e
voluntariamente. No mundo todo não há poder algum
que possa ser comparado ao poder que Deus exerce no
coração humano. Deus mostra mais poder quando
converte um pecador do que quando criou o mundo.
(III). Nós também ansiamos pelo dia em que
Jesus Cristo virá para reinar sobre a terra. Naquela
ocasião, toda pregação será com poder. Todo filho de
Deus será saciado com o conhecimento de Deus. Esse
dia de poder será muito feliz. Orem para que esse dia de
poder possa vir. Peçam a Deus para dar poder a Seu
povo. Peçam para que Cristo possa vir rapidamente e
encontrar Seu povo voluntário. Há outra tradução das
palavras "no dia do teu poder". Essa tradução indica que
"o dia do poder de Cristo" será um dia de batalha. Os
crente às vezes têmmedo de perseguições. Eles acham
que quando os dias forem difíceis, os ministros terão
receio de pregar o evangelho. Isso não será verdade. Já
houve tempos difíceis na história da Igreja. Nesses
momentos críticos Deus sempre teve homens para lutar
em Suas batalhas. Deus sempre dará Sua força a Seus
homens, e eles lutarão. "O teu povo se apresentará
voluntariamente no dia da batalha de Deus". Se
usarmos a outra tradução, as palavras são verdadeiras.
De fato, são tão verdadeiras quanto as palavras usadas
antes.
2. A promessa diz respeito a um povo. "O teu povo
se apresentará voluntariamente no dia do teu poder...".
Cristo sempre terá um povo. Em tempos de densas
trevas, Cristo sempre teve uma Igreja, um povo. Tempos
mais sombrios poderão vir no futuro, mas Deus ainda
terá uma Igreja. Numa passagem do Velho Testamento,
Elias disse: "... eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida"
(1 Reis 19:10). Elias estava errado. Deus lhe disse que
havia sete mil crentes verdadeiros escondidos na nação
(1 Reis 19:18). Às vezes podemos sentir-nos como Elias.
Nós também estaremos errados, porque Deus tem Seu
povo em todos os lugares. Haverá alguns num lugar e
alguns noutro. Devemos sempre tentar encontrar o povo
de Deus. Essas pessoas serão voluntárias no dia do
poder de Deus.
(I). A atitude do povo de Deus. Ele é um povo
voluntário. A Bíblia nos diz que por natureza os homens
não são voluntários: "... não quereis vir a mim para
terdes vida" (João 5:40). O Senhor Jesus também disse:
"Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o
trouxer" (João 6:40). Estas passagens do Novo
Testamento concordam com nossa passagem do Velho
Testamento. Todas elas dizem que o povo de Deus será
voluntário no dia do poder de Deus. Pelo fato de
nenhum homem ser voluntário por natureza, tem que
haver uma obra da graça de Deus no coração de um
homem. Somente quando houver esta obra da graça os
homens serão voluntários no dia do poder de Deus. O
povo de Deus deve ser um povo voluntário. Podemos
dizer quem são os filhos de Deus pelo fato de serem
voluntários. Prego a muitas pessoas diversas vezes. Falo
a elas sobre o inferno. Aviso-as para fugirem dele. Falo a
elas sobre Cristo, imploro-lhes que olhem para Cristo
para serem salvas. Mas às pessoas não estão dispostas a
olhar para Cristo. Ou o dia do poder de Deus ainda não
veio ou elas não são o povo de Deus. Seu povo será
voluntário no dia do Seu poder. Naquele dia, as pessoas
confiarão suas vidas à graça de Deus; confiarão em
Cristo que morreu na cruz para salvá-las.
O que tornou essas pessoas voluntárias? A única
resposta é que a graça de Deus transformou sua
relutância em voluntariedade. Se a vontade do homem é
livre para agir certo ou errado, por que as pessoas não
se voltam para Deus? A razão é que a vontade do
homem não é livre. A graça de Deus deve vir e agir no
coração, Somente então um homem será voluntário no
dia do poder de Deus.
O povo de Deus deseja ser salvo. Assim, as
pessoas desejam trabalhar para Deus. Elas vão
voluntariamente à casa de Deus para adorá-lO. Elas dão
generosamente quando há necessidade de dinheiro na
igreja. Elas servem a Deus de várias formas, com alegria
e espontaneidade, no dia do poder de Deus.
(II). Devemos notar o caráter desse povo. Ele "se
apresentará voluntariamente no dia do teu poder". Ele
"se apresentará voluntariamente... com santos
ornamentos". Este povo voluntário estará vestido com
santidade. Estará vestido com a justiça, a santidade de
Cristo. A graça de Cristo lhe é concedida. O povo de
Cristo não tem santidade em si próprio. A santidade que
tem lhe é dada por Deus. Deus transforma pecadores em
santos. Somente o povo cristão tem verdadeira
santidade. O povo de Cristo é um povo voluntário e
santo.
(III). As próximas palavras são difíceis de se
entender: "...como vindo do próprio seio da alva...". O
que elas significam? Algumas pessoas dizem que estas
palavras significam que o povo de Deus será voluntário
desde o início da vida. A passagem não significa isso. De
onde virá o povo de Deus? Como deve ser trazido? Você
já viu gotas de orvalho de manhã bem cedo? Há muitas.
São belíssimas. De onde vieram? A resposta da natureza
é que vieram "do próprio seio da alva". O povo de Deus
virá dessa mesma forma. Virá de maneira muito rápida e
misteriosa, como se viesse "do próprio seio da alva",
como as gostas de orvalho. As gotas de orvalho são algo
misterioso. Ninguém realmente sabe como vêm. O povo
de Deus também vem misteriosamente. Um pregador
pode não ser eloqüente ou poderoso. Então, como foram
as pessoas convertidas quando este homem pregou?
Elas vieram " do próprio seio da alva", misteriosamente.
Quem fez as gotas de orvalho? Deus fez a gotas de
orvalho. Ele não precisa do homem para ajudá-lO. O
povo de Deus é salvo da mesma forma. As pessoas são
chamadas por Deus e são trazidas por Deus. Elas são
abençoadas por Deus. O povo de Deus vem "do próprio
seio da alva".
Vocês já notaram quantas gotas de orvalho há na
manhã? Há uma grande quantidade ao mesmo tempo.
Todavia tudo é feito silenciosamente. Assim também os
filhos de Deus virão "do próprio seio da alva". Nenhuma
palavra pode realmente explicar o que isto significa.
Vocês podem ficar ao ar livre de manhã cedo, quando o
sol está começando a raiar. Os campos estarão
brilhando com gotas de orvalho. Vocês perguntarão: "De
onde vieram todas essas gotas de orvalho?" A resposta é
que vieram "do próprio seio da alva"! Quando muitas
pessoas são salvas, quando vocês as vêem vindo de
maneira misteriosa e silenciosa, podem compará-las ao
orvalho da alva. Vocês perguntam: "De onde vieram
essas pessoas remidas?" A resposta é que vieram "do
próprio seio da alva."
3. Passemos agora à segunda parte de nosso texto.
Na primeira parte, uma promessa foi feita a Cristo sobre
Seu povo. Nesta segunda parte, outra promessa é feita a
Cristo. "... será o orvalho da tua mocidade". O evangelho
é vitorioso porque Cristo tem o orvalho de Sua
mocidade. Sempre houve líderes entre os homens.
Quando esses líderes eram jovens e fortes, inspiravam
os homens com coragem. Então esses líderes
envelhecem. Quando estão velhos, não podem mais
liderar os homens nas batalhas. O mesmo não acontece
com Jesus Cristo. Ele ainda tem o orvalho de Sua
mocidade. "Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e o
será para sempre" (Heb. 13:8). Ele nunca envelhecerá.
Nosso líder sempre é um Cristo jovem. Cristo era "sobre
todos, Deus bendito para todo o sempre" (Rom. 9:5) em
Sua mocidade. Cristo foi então revestido do poder
onipotente de Deus. Ele é o mesmo agora. Ele sempre
terá o orvalho de Sua mocidade.
(I). Cristo também tem o orvalho de Sua mocidade
na questão de doutrina. Outras religiões podem começar
muito bem. À medida que passam os anos, essas outras
religiões muitas vezes findam. A religião cristã é muito
diferente. É tão nova agora quanto o era quando
começou. É tão poderosa agora quanto o era quando
Paulo a pregou em Atenas ou quando Pedro a pregou em
Jerusalém. Centenas de anos se passaram, mas o
cristianismo não é uma religião velha. Muitas religiões
vieram e se foram desde que o cristianismo começou.
Pessoas idosas que há muito tempo conhecem e amam a
Cristo, consideram-nO tão precioso quanto quando eram
jovens. Elas sabem que Cristo ainda tem o orvalho de
Sua mocidade.
(II). Encoraja-nos saber que não pregamos uma
religião ultrapassada. Pregamos uma religião que ainda
conserva o orvalho de sua mocidade. A mesma religião
que pôde salvar três mil pessoas no dia de Pentecoste
pode salvar a mesma quantidade de pessoas hoje. Prego
doutrina antiga, mas ela é tão nova quanto o era quando
foi revelada dos céus. Minha espada é velha, mas não
está enferrujada. Não há fraqueza alguma em minha
espada. O evangelho tem hoje o mesmo poder que tinha
quando ele era jovem. Pedro pregou quando o evangelho
era jovem. Muitos pregadores o pregam agora, e Deus
lhes dá o mesmo poder que deu a Pedro no princípio.
Paulo pregou quando o evangelho era jovem. Muitos
como Paulo pregam agora. Timóteo defendia a Palavra de
Deus. Muitos como Timóteo defendem a Palavra de Deus
agora. O Espírito Santo operou por meio de Pedro, Paulo
e Timóteo. O Espírito Santo continua agindo por meio
daqueles que pregam e ensinam a Palavra de Deus hoje.
(III). O povo de Cristo acha difícil crer que Cristo
ainda tem o orvalho de Sua mocidade. Ele acha que os
dias de grandes avivamentos, quando muitas pessoas
foram convertidas, já passaram. Nossa incredulidade
nos faz pensar que nunca mais veremos coisas
extraordinárias. Como somos tolos! Cristo ainda tem o
orvalho de Sua mocidade. Ele ainda tem o Espírito Santo
de forma ilimitada. Ele deu Seu Espírito Santo a
milhares de pessoas. Ele sempre dará Seu Espírito
Santo àqueles que vêm a Ele em arrependimento e fé.
Por que, então, as pessoas estão cansadas do
evangelho se ele ainda tem o orvalho de sua mocidade?
Às vezes é porque o evangelho não vem como o orvalho.
O evangelho freqüentemente é pregado de uma forma
muito apática. Quando é pregado assim, não tem
nenhuma utilidade para os filhos de Deus. Quando o
evangelho é pregado com frescor e poder, o povo de Deus
nunca se cansa dele. Há um permanente orvalho e
frescor envolvendo a pregação poderosa.
(IV). Se Cristo tem o orvalho de Sua mocidade,
Seus ministros devem pregar Sua palavra com
seriedade. A fé inabalável fará com que um homem
pregue poderosamente. Graças a Deus ainda há homens
que permanecem firmes na obra de Cristo. Eles pregam
como os apóstolos. Cristo não está sem Suas
testemunhas hoje. Ele tem o orvalho de Sua mocidade.
Vira o dia em que aqueles que hoje são desconhecidos
aparecerão para falar corajosamente em nome de Cristo.
Supliquem a Cristo para que Seu povo possa ser
voluntário no dia de Seu poder. Orem para que Cristo
sempre mantenha o orvalho de Sua mocidade. Os
cristãos devem lutar por Cristo, seu Rei. Ele ainda é
novo e jovem. Se vocês são jovens, deixem que o
entusiasmo de sua mocidade permaneça em vocês. Se
vocês são mais velhos, deixem que o entusiasmo de sua
mocidade volte a vocês. Se Cristo tem o orvalho de Sua
mocidade, vocês também devem servi-lO com energia
vigorosa. Tentem sertão sérios no serviço de Cristo
quanto eram quando O conheceram no princípio.
Que Deus possa transformar muitos pecadores em
voluntários. Que Ele possa trazer muitos pecadores a
Seus pés. Ele prometeu que Seu povo "se apresentará
voluntariamente no dia do teu poder."
5
O FILHO REJEITADO DE EZEQUIEL
"Não se apiedou de ti olho algum, para te fazer
alguma destas coisas, compadecido de ti; antes fostes
lançada em pleno campo, no diarern que nasceste, porque
tiveram nojo de ti.
Passando eu por junto de ti, vi-te a revolver-te no teu
sangue, e te disse: Ainda que estás no teu sangue, vive;
sim, ainda que estás no teu sangue, vive. "(Ezequiel 16:5-
6).

Nestes versículos de Ezequiel, o Senhor está


descrevendo o povo judeu quando era escravo na terra
do Egito e consistia de poucas pessoas. Elas ainda não
constituíam uma nação. O Senhor aumentou
consideravelmente seu número no Egito e elas
tornaram--se uma nação. Devido à grande quantidade
de israelitas, o rei do Egito foi muito cruel com eles. Ele
ordenou que os judeus matassem todos os seus filhos
homens. Deviam lançar fora as crianças e deixá-las
morrer. Essa descrição do filho rejeitado, deixado num
campo para morrer de fome ou de frio, ou então ser
morto por feras selvagens, é um retrato da jovem nação
de Israel. Deus viu a nação oprimida por Faraó, como
uma criança expulsa. Ele olhou para Israel com amor e
livrou-o do Egito, levando-o a uma nova terra que Eíe
lhe deu.
As palavras desta nossa passagem são também
uma descrição da raça humana como é por natureza.
Deus passa pelo pecador e o vê banido, perdido e
desamparado. Então, em Sua divina misericórdia, Ele
diz ao pecador: "Vive!"
Vamos considerar os textos de três formas.
Mostraremos: (I) A miséria da condição do homem como
exposta na passagem, (II) O motivo pelo qual Deus tem
pena de pecadores miseráveis. (III) O modo pelo qual Ele
salva os pecadores de sua condição de perdidos.
1. Chamo suas atenções para a condição miserável
do homem. O texto descreve uma criança deixada do
lado de fora para morrer; o bebê, largado no campo
aberto por pais cruéis. Tudo o que era necessário para a
vida da criança havia sido retirado. Era um costume
entre as nações pagãs deixar seus filhos mais fracos
morrerem assim. Mas os judeus não tinham esse hábito.
Eles lembrariam, contudo, que no Egito Faraó havia
ordenado que todos os filhos homens dos judeus deviam
ser mortos. Os judeus também lembrariam como Moisés
foi deixado numa cesta no rio Nilo. Assim, essa
passagem seria compreendida.
(I). Vemos no texto a destruição de uma
criança. A criança não conheceu felicidade
alguma na vida. Só conheceu dor e
sofrimento. E todos os que nascem neste
mundo passam pela mesma experiência. No
Salmo 51:5 lemos que todos os homens são
pecadores desde o nascimento, e pecadores a
partir da concepção. Somente Adão nasceu
sem pecado. Todavia Adão, pela desobediência
a Deus, tornou-se um pecador. Ele caiu da
graça de Deus. E desde então todos os
homens têm sido pecadores. Devido à queda
de Adão, nós também somos decaídos. Nossa
natureza é má. Estamos sob a condenação de
Deus desde nosso nascimento. Deus diz isso
em Sua Palavra. O homem é como uma
criança expulsa para morrer. A menos que
Deus tenha misericórdia de um homem, esse
homem está perdido.

Não há nenhuma doutrina mais humilhante do


que a doutrina do pecado original. Esta doutrina tem
sido atacada por pessoas que odeiam o evangelho. No
entanto, a doutrina do pecado original deve ser
sustentada por aqueles que querem exaltar a Cristo.
Quando percebemos a terrível destruição da qual Cristo
nos salvou, Sua graça torna-se ainda mais gloriosa.
Todas as pessoas nasceram sob a lei de Deus e estão
sob a maldição de Deus. Somente a graça de Deus pode
tirá-las das profundezas da destruição, elevando-as às
alturas da glória.
(II). Em segundo lugar, a passagem ensina muito
claramente que a criança banida é totalmente incapaz
de fazer algo para se salvar. O bebê não pode andar a
fim de encontrar abrigo. Não pode falar para pedir ajuda
a alguém que está passando. À criança está
completamente desamparada. Apenas uma outra pessoa
pode fazer algo para ajudá-la. Até que alguém venha
para ajudar a criança, ela deve jazer abandonada na dor
no campo aberto.
A natureza humana é tão fraca e desamparada
quanto o bebê que descrevemos. As pessoas não podem
fazer nada para se salvar. Por natureza, todos os
homens estão mortos em transgressões e pecados. Como
podem aqueles que estão mortos trazer a si próprios à
vida? Somente Deus pode levantar os que estão mortos
em pecado. Se o homem há de ser recuperado, isso terá
que acontecer por um milagre. Somente Deus pode
operar esse milagre.
Este ensino vem da Palavra de Deus. Se vocês não
são cristãos, estão tão perdidos que, por mais
desesperadamente que tentem, não se podem salvar. A
situação é ainda pior que isso. Por natureza vocês não
querem ser salvos. Vocês odeiam a Deus. É terrível dizer
que vocês odeiam a Deus, mas é verdade. Somente o
Santo Espírito de Deus pode fazê-los conhecer a verdade
de que vocês odeiam a Deus. Mas até agora vocês não
amam a verdade de Deus. Amam o pecado e não
desejam ser libertos dele.
Esta incapacidade de se salvar nunca pode ser
usada como uma desculpa para se pecar. Contudo, a
incapacidade de fazer o bem torna nossa culpa pior.
Tomamo-nos tão perversos que, não importa o que
façamos, não podemos tornar-nos bons. Nossas vidas
estão repletas de pecado porque nossa natureza é má. É
tão natural para nós pecarmos quanto o é para a água
descer em correnteza, ou para centelhas de uma
fogueira subirem. Como o bebê expulso no campo, os
incrédulos estão completamente desamparados.
(III). O texto também ensina que os pecadores não
têm amigos. "Não se apiedou de ti olho algum, para te
fazer alguma destas coisas, compadecido de ti". Eles não
têm nenhum amigo para ajudá-los. Só Deus pode
ajudar. Um bom pai ou uma boa mãe pode compadecer-
se da criança, porém nenhum pai ou mãe pode mudar a
natureza da criança ou tirar seu pecado.
Da mesma forma, há pregadores que derramariam
lágrimas se seu pranto trouxesse pecadores até Cristo.
No entanto o evangelista mais fervoroso não pode,
através de sua própria pregação, trazer vida às pessoas
que estão mortas no pecado. Nem mesmo um anjo pode
tirá-las de sua condição pecadora. Suas famílias podem
chorar por elas, mas esse pranto não pode fazer a
expiação do pecado. As lágrimas humanas nunca podem
purificar um pecador. O forte desejo de outros para que
uma pessoa seja santa não pode revesti-la de retidão.
Estamos todos sem amigos, desamparados e arruinados.
A lei nos condena. A justiça nos ameaça. Onde podemos
ir se Deus recusa-Se a nos acolher?
(IV). Nosso texto mostra com muita clareza que,
por natureza, os pecadores estão expostos, abandonados
em campo aberto, um lugar deserto, frio à noite e quente
durante o dia, Talvez ninguém passe por ali. Feras
selvagens estão procurando carne para comer. E por
natureza os pecadores estão nessa condição. Somente
Deus sabe os perigos aos quais uma pessoa está exposta
se ela não nascer de novo. Deus sabe a terrível culpa de
apenas um pecado. Somente Deus conhece as tentações
que se encontram no caminho de uma pessoa não
convertida. A morte quer tragar o homem desamparado.
O inferno está esperando para arrastar o homem para
baixo. O pecado quer engolir o homem.
Pecadores — vocês não têm nenhum amigo, e sim
muitos inimigos. Os inimigos que querem destruí-los são
muito fortes. Vocês não têm o poder nem a detenninação
para resistir a esses inimigos. Estão tão desamparados
quanto uma criança na boca de um animal selvagem.
Vocês ficam desamparados pelo pecado e são presas
fáceis para os que querem destruí-los.
(V). O texto também ensina que o homem está
numa situação repugnante. O bebê expulso era
repulsivo ao olhar. "... foste lançada... no dia em que
nasceste, porque tiveram nojo de ti." Nada nos seres
humanos é atraente. Tudo neles é repugnante. No
entanto, eles não crêem que são tão repulsivos. As
pessoas acham que há coisas boas nelas. Quão fácil é
sermos enganados! Podemos pensar que somos como
anjos quando nos assemelhamos mais a diabos. Quando
Deus, o Espírito Santo, mostra a um homem o que ele
realmente é, esse se vê repugnante. Nem mesmo cobras
venenosas ou sapos asquerosos são tão repulsivos para
o homem quanto o homem deve ser para Deus. A
semelhança de Deus, que outrora esteve nos seres
humanos, quase não pode mais ser vista.
(VI). Certamente a criança seria destruída. A ruína
da criança expulsa é uma ilustração da infalível
destruição de todo homem, à parte da graça de Deus. A
humanidade há de perecer, a menos que Deus a salve. A
humanidade perder-se--á por toda a eternidade, a
menos que o forte braço de Deus seja estendido para
ajudá-la. Somente Deus pode cuidar do bebê
desamparado. A criança expulsa não se pode salvar. E
nossa salvação só pode vir de Deus. Não estou
descrevendo somente os pecadores muito perversos.
Estou falando de cada um dejiós por natureza. Estamos
todos num perigo terrível, a menos que nasçamos de
novo. Esta é a verdade fundamental. Vocês podem ter
muitas boas qualidades. Vocês podem ser dignos,
sensatos e honestos. Podem dar generosamente aos
pobres. Seus amigos e parentes podem gostar de vocês
por causa dessas boas coisas que vêem em vocês. Não
obstante, preciso dizer-lhes que, apesar dessas coisas
boas, se não tiveram nascido de novo, por natureza
vocês não são melhores do que o pior dos pecadores.
Algumas pessoas são tão más que são colocadas
na cadeia. Vocês estariam entre elas, se Deus não
impedisse, graciosamente, que fizessem algumas das
coisas que querem fazer. Uma outra razão que os
impede de fazer coisas más é que vocês não querem que
outras pessoas vejam o que realmente são. Devo dizer-
lhes que na verdade vocês estão tão perdidos e
arruinados quanto aqueles que estão na cadeia.
Sei que estou falando para muitas pessoas que não
correram para Cristo buscando refúgio. Muitos
consideram-se a salvo porque acham que são melhores
do que aqueles que pecam mais abertamente. Contudo,
Deus enxerga diretamente no íntimo de nossos corações.
Ele vê o pecado que está em nossos corações, que
podemos esconder de outras pessoas. Sondem os seus
próprios corações e verão como vocês são pecadores. Se
viverem e morrerem como são agora, vocês irão para o
inferno. Queira Deus arrebatá-los de uma condenação
tão terrível! O Espírito Santo deve primeiro mostra-lhes
que de fato merecem ir para o inferno. Vocês devem
tremer por causa da maldade de seu pecado. Devem
sentir a ira do Senhor contra seu pecado. Então, Ele irá
graciosamente salvá-los.
Quando Noé disse às pessoas que iriam afogar-se
caso não corressem para a arca, elas acharam que ele
era muito rude. Mas era por amor que Noé advertia as
pessoas a seu redor para entrarem na arca. E da mesma
forma, vocês perecerão se não encontrarem abrigo em
Jesus Cristo. Deus tem um plano de salvação para
pecadores perdidos e destruídos, os quais merecem com
justiça a condenação. Corram para o plano de salvação
de Deus, ou vocês estarão perdidos para sempre!
Pecadores — rogo-lhes que pensem sobre essas
coisas. Vocês estão destruídos pelo seu próprio pecado.
Vocês estão prestes a perecer. Vocês estão sem ajuda e
sem poder. Estão expulsos como a criança, e expostos à
maldades que não vêem nem conhecem. No final,
encontrar-se-ão no inferno, a menos que Deus os liberte.
Vocês devem fazer como o apóstolo Pedro disse:
"Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus,
para que ele, em tempo oportuno, vos exalte" (1 Ped.
5:6). Confessem seus pecados a Deus com corações
submissos. Chorem diante dEle em verdadeiro
arrependimento. Deus pode e Deus irá libertá-los. Deus
irá levantar Seu povo da destruição, da boca do inferno.
Estive descrevendo a terrível situação da criança
que foi lançada fora. Disse-lhes que a humanidade
também está num estado de completa ruína. Louvado
seja Deus que não terminamos aqui.
2. Tentaremos agora descobrir as razões para a
graça de Deus. Por que Deus teve misericórdia de
pecadores tão miseráveis? Teremos uma busca muito
difícil. Olhamos para esse bebê repulsivo, que foi
expulso. Não podemos esperar que Deus terá compaixão
dele. Vamos pensar, antes de tudo, a respeito de
algumas das razões pelas quais os homens ajudam
aqueles que não merecem ajuda.
(I). Alguns são generosos porque querem que os
outros tenham um bom conceito deles. Há algo na
natureza das pessoas que faz com que tenham um bom
conceito de si próprias. Elas também precisam que os
outros as considerem bem. Deus, contudo, não tem tal
necessidade. Deus é independente de tudo e de todos.
Ele age de acordo com Sua própria vontade. Quando Ele
diz: "Eu farei", o que quer que diga será feito. Deus é
soberano, e Sua vontade, não a vontade do homem, será
feita. Deus não precisa fazer-Se feliz ou aumentar Sua
glória. O júbilo de Deu sé completo em Si mesmo. Nem
mesmo o louvor dos anjos é necessário para Deus. Se
tivesse sido o desejo de Deus deixar toda a raça humana
perecer, ninguém poderia tê-lO questionado. Ninguém
pode perguntar a Deus por que Ele faz isto ou aquilo.
Quando Deus realmente salva as pessoas, não é porque
algo O compele a fazê-lo. Deus salva os pecadores
porque Ele quer salvar os pecadores. Eles estão perdidos
e não há nada que obrigue a Deus a salvá--los. Se Deus
de fato os salva, deve ser "segundo o beneplácito de sua
vontade, para louvor da glória de sua graça" (Ef. 1:5-6).
(II) . Às vezes, os homens ajudam os outros por
causa de seus pais ou de sua raça. Mas não há nada na
origem desta criança expulsa que poderia influenciar
alguém a salvá-la. Ambos os pais da criança eram de
raças que tinham sido amaldiçoadas por Deus. O pai era
um amorreu, a mãe era uma hetéia. E não há nada em
seu parentesco ou no meu que poderia induzir Deus a
ter misericórdia de nós. Reis e príncipes têm orgulho por
pertencerem a famílias importantes. Contudo, seja
nossa família importante ou insignificante, rica ou
pobre, isso não significa nada para Deus. Todos os seres
humanos pertencem à raça que descende de Adão. Adão
caiu porque desobedeceu a Deus. Em Adão, todos nós
caímos da graça de Deus. Não há nada na decaída
natureza humana que possa mover o coração de Deus.
Os pais podem ser filhos de Deus, porém isso não quer
dizer que seus filhos serão salvos. Somos todos pecado-
res por natureza e por atos, porque fazemos coisas
pecaminosas. Não há absolutamente nada em nós que
mereça a misericórdia de Deus.
(III). Aspessoas ajudam as outras por causa de sua
belo, Mas esta criança expulsa não tinha beleza alguma.
Era asquerosa e repulsiva ao olhar. As pessoas muitas
vezes se deixam influenciar pela beleza. A filha de Faraó
salvou Moisés porque ele era uma bela criança. O rei
Assuero escolheu Ester para ser sua rainha porque ela
era formosa. Mas não há nada de belo na humanidade
aos olhos de Deus. "Toda a cabeça esta doente e todo o
coração enfermo. Desde a planta do pé até à cabeça não
há nele coisa sã, senão feridas, contusões e chagas
inflama das" (Is. 1:6). É assim que parecemos para um
Deus puro e santo. Então, Ele não foi persuadido a nos
ajudar por causa de nossa aparência atraente. Pode
haver coisas em nós que as outras pessoas acham boas.
Todavia não há nada em nós que possa fazer com que
Deus nos tenha em bom conceito. Somos pecadores
decaídos, ímpios e condenados. Não há absolutamente
nenhuma beleza em nós que faria com que Deus
quisesse ter-nos como Seu povo. Nem mesmo os céus
são puros para Deus. Como então pode haver beleza no
homem, que é como um verme perante Deus?
Deus nunca nos amará por causa de nossa beleza.
Mas Deus pode amar-nos ainda que não sejamos belos.
Ele pode amar-nos apenas por causa de Sua própria
graça voltada para nós.
(IV). As pessoas muitas vezes auxiliam aqueles
que suplicam para serem ajudados. Entretanto a criança
que foi expulsa não podia rogar para ser salva. Ela não
podia nem mesmo falar. Quando um pecador começa a
rogar a Deus em oração, Deus já começou a salvá-lo. As
orações de um pecador nunca podem ser a causa de sua
salvação. Deus sempre é a causa de nossa salvação.
Deus busca a um homem antes que ele possa buscar a
Deus. O Espírito Santo precisa começar uma boa obra
na alma de um homem antes que esse homem volte-se
para Deus.
As vezes as pessoas são salvas de maneiras
maravilhosas. Conta-se que um homem amarrou uma
corda numa árvore querendo enforcar-se. Ele estava a
ponto de fazer isso quando passou alguém. O
caminhante viu o que estava acontecendo e falou com o
homem. Suas palavras foram o meio de salvação do
homem que ia se enforcar. Sabe-se que uma vez, por
estarem contrariadas com um certo pregador do
evangelho, algumas pessoas trouxeram pedras em suas
mãos para atirar nele. Mas o que aconteceu? Elas
ouviram a Palavra de Deus e foram convertidas. A única
razão para a conversão de tais homens é a graça
soberana de Deus. Deus foi encontrado por quem não O
procurou.
Há pessoas que acham que o pecador dá o
primeiro passo rumo à salvação. Isso não é verdade.
Deus sempre dá o primeiro passo. As pessoas nunca
clamarão a Deus para salvá-las até que a obra da
salvação já tenha sido começado em seus corações. Elas
não querem a misericórdia de Deus. Elas fogem da graça
que lhes é oferecida. Elas rejeitam o evangelho quando é
pregado. Não virão a Cristo para que possam ter vida.
Voltam suas costas para Deus de maneira obstinada e
perversa. As pessoas só são salvas quando Deus, com
Sua mão forte, leva-as até Cristo. A graça começa,
continua e termina a obra da salvação no coração de
uma pessoa, (v). O caminhante não demonstrou pena
pela criança porque ela poderia ser útil no futuro, como
fazem as pessoas no mundo. Depois que a criança foi
resgatada, alimentaram-na, trataram dela e vestiram-na
com belas roupas. Se vocês lerem todo o capítulo 16 de
Ezequiel, encontrarão a resposta da criança. Ela
desviou-se daquele que a amou e salvou. Deus sabia que
isso iria acontecer, mas ainda assim amou a ingrata
criança. Somos como essa criança. Deus sabia que
embora Ele nos tivesse amado quando não havia nada
de bom em nós, iríamos revoltar-nos depois que Ele nos
salvasse. Deus sabe tudo. Ele sabe que nossos corações
às vezes são apartado dEle. Deus nos ama mesmo
sabendo que muitas vezes não cremos nEle.
Deus não os amou porque sabia que seriam
pregadores, distribuidores de folhetos ou professores de
escola dominical. Deus os amou mesmo sabendo que
muitas vezes vocês seriam ingratos e frios em seus
corações para com Ele.
Não havia absolutamente nenhuma razão pela
qual Deus deveria salvar essa criança. Não havia
nenhuma razão pela qual Deus deveria salvar os
pecadores. Deus sabe que todas as pessoas são
culpadas, como criminosos no tribunal de justiça. Ele
sabe que Sua misericórdia pareceria ter sido jogada fora
em homens assim.
Agora quero mostrar-lhes a graça soberana de
Deus. Deus diz: "Vou poupar esse traidor; ele merece
morrer, mas vou poupá-lo. Vou provar que sou rei e o
Deus da misericórdia." Por que então Deus poupa esta
criança banida? Há apenas uma resposta para essa
pergunta: "Terei misericórdia de quem me aprouver ter
misericórdia, e compadecer-me-ei de quem me aprouxer
ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer,
ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia"
(Rom 9:15-16). Não façam perguntas. Deus não explica
às pessoas o que Ele faz ou porque Ele faz isso. Se vocês
questionarem Sua realeza. Sua resposta será: "Quem és
tu, ó homem, para discutires com Deus?" (Rom. 9:20).
Peçam a Deus Sua misericórdia. No entanto, lembrem-se
de que vocês não têm direito à Sua misericórdia. Peçam
a Deus misericórdia, sabendo que Ele tem o direito de
dá-la ou de recusá-la como Lhe aprouver. Se Deus
quiser, Ele pode salvá-los; ou se desejar, Ele pode
destruí-los. Vocês têm a obrigação de curvar suas
cabeças e dizer: "Deus tenha misericórdia de nós,
pecadores, salve-nos para Sua glória, para que Sua
misericórdia e soberania possam ser claramente vistas."
Não podemos ir além em nosso exame. Cremos que
o motivo da misericórdia está no próprio Deus.
Encerraremos o assunto aqui.
3. Iremos agora observar a maneira pela qual Deus
salva os pecadores da sua condição de perdidos.
(I) . "te disse:... vive". Quero mostrar-lhes que esta
ordem de Deus é majestosa. Deus fala, e acontece. Deus
criou o mundo quando as trevas estavam sobre a face da
terra. Deus disse: "Haja luz", e houve luz. Quão simples,
porém, quão majestosas são as ordens de Deus. Em
nosso texto, vemos um pecador merecendo a ira de Deus
e sabendo que ela vem sobre ele. O majestoso Deus
passa por ali. Ele olha para baixo e vê uma repulsiva
criança banida. Deus para e profere a palavra real "vive".
Poderia alguém, senão Deus, dar vida com uma simples
palavra? O incidente é majestoso e divino.
Nada é mais divino do que o evangelho. O pregador
do evangelho pode não ser um bom pregador. Mas o
Senhor fala aos pecadores mesmo por meio de
pregadores incultos. Quando Deus, mediante o
evangelho, diz a um pecador: "vive", nem mesmo os
anjos já ouviram um som mais divino.
(II). Quando Deus diz "vive", muitas coisas estão
incluídas. O pecador condenado está pronto para ser
executado. O machado está a ponto de atingir seu
pescoço. E então o Deus onipotente diz: "vive". O
pecador culpado levanta-se. Ele é perdoado e libertado.
A execução não acontecerá. O crime é perdoado. O
pecador que estava para morrer é salvo e viverá para
sempre.
(III). A Palavra de Deus traz vida espiritual. A
pessoa não convertida não sabe nada a respeito de
Deus. Ela não pode ver a Cristo ou ouvir Sua voz. Deus
diz: "vive". A vida espiritual é concedida e a pessoa que
está morta em transgressões e pecados passa a viver.
Essa vida espiritual continuará ao longo dos anos da
vida natural. Quando a morte vier, a voz do Senhor
ainda será ouvida: "... te disse: ...vive". Na manhã da
ressurreição, a mesma voz será ecoada pelo arcanjo:
"vive".
(IV) . O pecador não é capaz de resistir à voz de
Deus. Quando Deus diz a um pecador: "vive", nem
mesmo o diabo pode manter o pecador no túmulo.
Quando o Senhor diz a um blasfemador: "vive", essa
pessoa que antes havia amaldiçoado Deus certamente
tornar-se-á um santo, um crente. Saulo de Tarso estava
a caminho de Damasco para prender os cristãos. Uma
voz vinda dos céus falou a Saulo. Ele viu uma luz, mais
brilhante do que o sol. Ele clamou: "Senhor, que queres
que faça?" (Atos 9:4-6). Dentro de três dias, Saulo foi
batizado em nome de Cristo. Seu nome mudou para
Paulo, e ele tornou-se um poderoso pregador e mestre
no serviço de Deus.
A voz que diz "vive" é muito poderosa. Foi essa
poderosa voz de Deus que levantou Lázaro dentre os
mortos. Cristo ficou ao lado do túmulo de Lázaro e disse:
"Lázaro, sai para fora". Lázaro estava vivo novamente e
levantou-se do túmulo.
Pregamos a pecadores e dizemo-lhes para crerem
em Cristo. Mas sabemos que em si próprios eles não têm
poder para crer em Cristo. Quando, em nome de Deus,
dizemos: "Creiam", o poder está na ordem. A ordem vem
da boca de Deus, através da voz do pregador. Se um
ministro não está repleto do Espírito de Deus, seu
ministério não tem valor. Contudo se um ministro é um
homem que fala em nome de Deus, suas palavras são as
palavras de Deus para as almas dos pecadores. Há
poder no evangelho quando é pregado por um homem
assim. O Espírito Santo está lá para fazer pelo pecador o
que ele não pode fazer por si mesmo.
Digo-lhes em nome de meu Mestre: "Creiam no
Senhor Jesus Cristo e vocês viverão. Confiem em meu
Salvador que morreu no madeiro e serão libertados de
seu pecado. Descansem no mérito do sangue e justiça de
Cristo." Se vocês fizerem isso, serão salvos para todo o
sempre.
(V) . A salvação acontece mediante a graça gratuita
de Deus. Quero dizer repetidamente que esta criança
expulsa era muito asquerosa e repulsiva. Não havia
nada de atraente nela. Havia apenas desamparo. A
criança não podia fazer nada para se ajudar. A criança
não podia nem mesmo suplicar por si própria. Mas a
graça disse: "vive". Quando os pecadores são salvos, é
porque Deus deseja salvá-los. Sua graça vem volun-
tariamente aos pecadores que não a estão buscando.
Este ensino agradará algumas pessoas. Mas outros
irão odiá-lo. Creio que é o ensino encontrado na Palavra
de Deus. Alguns dizem: "Deve haver algum mérito no
que fazemos". Essas pessoas estão sob a lei, não sob a
graça. Elas não aprenderam a primeira coisa sobre o
evangelho, se pensam que podem ser salvas recebendo
algum mérito por suas próprias boas obras. Elas estarão
perdidas, a menos que olhem para as coisas de maneira
diferente. As doutrinas em que creio serão aceitáveis
para os que reconhecem seu pecado. Essas pessoas
sabem que devem perecer porque sabem que não têm
nada para trazer ao Senhor. Sabem que não estão
buscando o Senhor. Sabem que são vazias, porém
sabem também que estão cheias de perversidade e
pecado. Essas pessoas não acusariam Deus se Ele não
as salvasse. Todavia elas sabem que Deus disse: "Quem
crê, tem a vida eterna" (João 6:47). Sabem que se se
arriscarem a crer, Deus será fiel à Sua promessa e as
salvará. Se vocês têm confiado em Cristo, em nome de
Deus digo-lhes que estão perdoados. Vocês estão vivos
em Cristo. Vocês não estão mais condenados. Cristo
morreu por vocês e vocês estão revestidos da justiça de
Cristo. Vocês estão repletos do Espírito do Deus vivo.
O que direi aos que são cristãos? Mostrem sua
gratidão a Deus vivendo mais como Cristo viveu e
vivendo para Cristo. Usem todo o seu tempo e tudo o
que têm para Cristo. Nada pode fazer um homem
trabalhar para Cristo como a graça gratuita. Aqueles que
dizem que crêem nas doutrinas da graça e são
negligentes, estão detendo "a verdade em injustiça"
(Rom. 1:18). Os que foram salvos pela graça gratuita de
Deus querem apenas trabalhar para Deus.
Nunca pensem que algum homem está além da
salvação. Afirmo-lhes novamente que Deus não procura
nada numa pessoa. Ele salva de acordo com Sua própria
vontade. Orem por todos que encontrarem. Roguem a
todos. Preguem Cristo a todos. Digam a todos que Cristo
pode salvar. Digam aos pecadores que por mais que
tenham sido perversos, o poder de Cristo é suficiente
para salvá-los. Espalhem as boas novas de que não é
pelo desejo do homem que somos salvos. Não é "do
sangue, nem da vontade da carne nem da vontade do
homem, mas de Deus" (João 1:13). Somos salvos pelo
poder do Espírito de acordo com a vontade de Deus.
6
TODOS OS CRENTES AUTÊNTICOS
CHEGARÃO AO CÉU

O justo seguirá o seu caminho firmemente. (Jó 17:9)

O verdadeiro cristão é uma pessoa que foi tornada


justa. O homem justo vive de maneira bem diferente
daquela do homem mundano. Ele anda no caminho de
Deus, um caminho santo. Deus dá continuamente Sua
graça e ajuda ao verdadeiro cristão, para que possa
continuar a andar nesse caminho. As vezes a vida será
muito severa e difícil e ele caminhará vagarosamente.
Outras vezes quase não fará nenhum progresso, mas
terá a determinação de continuar avançando. Ele
continuará mirando o céu e dando as costas ao mundo.
Ele "seguirá seu caminho firmemente".
Um homem tornasse um verdadeiro cristão por
causa da obra de Deus em sua vida. É também pela
obra de Deus que o homem continua a ser cristão. A
graça e a força que Deus lhe dá ajudam-mo a resistir
todas as coisas que estão contra ele. O mundo, a carne e
Satanás tentam lhe deter. Entretanto, com a
determinação que Deus dá ao crente, ele "segue seu
caminho firmemente".
Nosso texto, "O justo seguirá seu caminho
firmemente", nos ensina muito claramente que crentes,
santos, irão perseverar; continuarão até o fim. Os
cristãos devem entender o que é "seguir firmemente" e
também o que não é. A Bíblia não nos ensina que o
crente alcançará o céu sem andar pelo caminho reto que
o leva até lá. Uma mera profissão de fé em Cristo como
Salvador não é suficiente. Nossa fé nEle precisa
continuar. Devemos estar diariamente nos
arrependendo, crendo e orando. O caminho é muitas
vezes difícil e o cristão pode cair em pecado. Quando isto
acontece, ele não pode descansar ou estar feliz até que
volte a Cristo, confesse seu pecado e seja purificado
novamente.
O crente não quer pecar. Ele quer ser perfeito e
santo, como seu Pai que está no céu o é. Nós não
ensinamos que a partir do momento que alguém crê, ele
pode então viver em pecado e ainda ser salvo. Tal
ensinamento é muito errado. Um filho de Deus não pode
levar uma vida de pecado. E em razão da graça e da
ajuda que Deus lhe dá, ele não viverá dessa maneira.

1. Nós lhes mostraremos, primeiramente, o


verdadeiro ensino da Bíblia. Em seguida, explicaremos
as lições espirituais qué podemos aprender desse
ensino. Será proveitoso ter suas Bíblias à mão, para que
possam examinar os diferentes versículos citados.
Cremos que Deus tem um povo escolhido. Essas
pessoas são redimidas e a elas será dada vida eterna.
Cremos que a graça de Deus produz convicção dos
pecados nos corações dessas pessoas. Primeiramente
Deus lhes mostra seus pecados. Em seguida, Deus as
leva a crerem em Cristo. Pelo fato de que Cristo é justo,
Deus vê os Seus filhos que confiam em Cristo como
justos também. Cremos ainda que estas pessoas
escolhidas e eleitas certamente serão levadas à glória no
céu. Essas doutrinas da graça são como uma corrente,
cada uma está ligada às outras. Cada elo na corrente,
isto é, cada doutrina, necessita das outras.
Existem muitas pessoas que não crêem neste
ensinamento. Elas nos dizem que na Bíblia há
advertência contra as pessoas que abandonam sua fé.
Perguntam: "Por que são dados esses avisos se é
realmente verdade que "os justos seguirão firmemente
seu caminho?" Se não é possível para os verdadeiros
cristãos abandonarem sua fé, qual é a necessidade das
advertências sobre perder--se? Será que essas
advertências não são utilizadas por Deus para que Seu
povo não se afaste dEle?"
Na Epístola aos Hebreus encontramos sérias
advertências contra o abandono da fé (apostasia). Mas o
autor de Hebreus está certo de que os verdadeiros
cristãos a quem ele está escrevendo não estarão entre os
que abandonarão sua fé. Ele diz: "Mas de vós, ó amados,
esperamos coisas melhores" (Heb. 6:9).
No entanto, aqueles que não gostam do
ensinamento de que o verdadeiro cristão não pode em
última análise perder sua fé, nos dizem que na Palavra
de Deus há aqueles que conheceram de fato a Cristo e
mesmo assim abandonaram o caminho cristão. Devemos
dizer a eles que isto não é verdadeiro. Devemos lembrá-
los de versículos como I João 2:19: "Saíram de nós, mas
não eram de nós; porque se fossem de nós, ficariam
conosco; mas isto é para que se manifestasse que não
são todos de nós".
No Evangelho de João, o Senhor Jesus Cristo fala
dos ramos da videira que, por não produzirem nenhum
fruto, foram cortados e queimados. Ilustrando-se isso de
uma outra maneira, existem muitas pessoas que
parecem sercristãs exteriormente, mas que nos seus
corações realmente não são cristãs. Essas pessoas
deixarão a companhia dos autênticos cristãos e jamais
retornarão. Elas serão como ramos sem frutos que só
servem para serem queimados. Isso já não acontece com
o cristão autêntico. Ele poderá se desviar, porém voltará.
Ele não será como um ramo de árvore que foi cortado.
Ele será como um ramo que foi podado, para que mais
tarde produza novamente fruto. Em Mateus 7:23,
aqueles a quem o Senhor diz: "Nunca vos conheci"
jamais foram Seus seguidores.
A primeira razão que damos para mostrarporque
os verdadeiros crentes seguirão firmes até o fim, é o tipo
de vida que receberam ao nascerem de novo. O apóstolo
Pedro diz que os filhos de Deus foram "de novo gerados,
não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela
palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" (I
Ped. 1:23). Toda pessoa que nasce neste mundo tem um
corpo físico, o qual irá morrer. Mas todo aquele que tem
esta nova vida espiritual, possui uma nova natureza, a
qual não morre. Essa nova vida vem de Deus e é eterna,
então como pode morrer?
A pessoa que nasce de novo odiará o pecado e
lutará contra ele. Essa pessoa não será capaz de levar
uma vida de pecado, embora nunca esteja
completamente livre de pecar. O Senhor Jesus Cristo,
falando à mulher samaritana ao poço, disse: "Qualquer
que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que
beber da água que eu lhe der se fará nele uma fonte
d'água que salte para a vida eterna" (João 4:13-14). A
nova vida que recebemos como crentes jamais será
retirada de nós. Ela nos dá vida eterna. Ela vence a
nossa natureza pecaminosa.
Nossa nova vida está intimamente ligada com fé, e
fé sempre triunfa. A Bíblia nos assegura que a fé não
pode ser derrotada. Deus colocou Sua vida em nós. Ele
nos tem conduzido das trevas para a luz. Temos uma
esperança viva porque Cristo ressuscitou dos mortos.
Seu Espírito veio habitar em nós. Devemos crer que esta
vida divina dentro de nós não pode morrer. "O justo
seguirá o seu caminho firmemente'*.
A segunda razão que damos a favor da
perseverança dos santos provém das coisas que o
próprio Senhor Jesus declarou. Uma delas é: "Para que
todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna" (João 3:15). Pode o homem crer e ;m seguida
morrer? Pode ele receber uma vida espiritual que não é
eterna? Isso não é possível. "Deus deu o seu Filho
unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça"
(João 3:16).
Alguns dizem que é possível ter vida eterna e então
perdê-la. No entanto, isso não pode ser verdade. Vida
eterna é eterna e não pode ser perdida. A pessoa a quem
ela é dada jamais morrerá. "Porquanto a vontade
daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o
Filho, e crê nele, tenha a vida eterna" (João 6:40). Os
santos no céu têm vida eterna e eles não morrerão. Da
mesma forma os santos na terra, os quais têm a mesma
vida eterna, não podem morrer.
Esta verdade é ensinada em muitos textos da
Bíblia. Em João 6:47 nosso Senhor disse aos judeus que
"Aquele que crê em mim tem a vida eterna". Não
precisamos de nenhuma outra passagem além de João
10:28-29: "Dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de
perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu
Pai que mas deu, é maior que todos; e ninguém pode
arrebatá-las da mão de meu Pai".
O Senhor Jesus Cristo irá segurar Seu povo em
Suas poderosas mãos. O Pai também irá segurá-lo. Isso
deve significar que os santos estão salvos de tudo que
tente destruí-los. Portanto os santos estão salvos da
apostasia.
Mateus 24:24 é um importante versículo. Fala de
falsos cristos e falsos profetas fazendo grandes sinais e
prodígios para se possível enganar até os escolhidos. Isto
mostra que não é possível para os eleitos de Deus serem
enganados. Os servos de Cristo conhecem Sua voz, a voz
do Bom Pastor e eles O seguem: "O justo seguirá o seu
caminho firmemente".
Aterceira razão porque os crentes estarão seguros
para sempre reside no fato de que Jesus ora por Seu
povo. Ele não está morto; ressuscitou e está no céu; Ele
intercede ali, continuamente, junto ao Pai por Seu
próprio povo. O nome de cada um está escrito em Seu
coração. O escritor da carta aos Hebreus diz: "Portanto,
pode também salvar perfeitamente os que por ele se
chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por
eles" (Heb. 7:25).
Os filhos de Deus podem ter uma vida muito
difícil. Eles podem ser cirandados pra lá e pra cá como
farinha numa peneira. Eles podem pecar. Eles podem
estar entristecidos. Entretanto as orações do seu
Salvador irão impedir que eles percam sua fé. Pedro
disse três vezes que não conhecia Cristo. Isso
certamente foi pecado; porém seu Senhor e Salvador
havia orado ao Pai a favor de Pedro. Ele foi restaurado e
testemunhou a outros sobre Cristo, ao invés de negá-lO.
Leia no Evangelho de João, capítulo 17,-onde
consta a oração do Senhor por Seu povo. Antes de Sua
crucificação Ele orou: "Pai santo, guarda em teu nome
aqueles que me deste..." (João 17:11). Somos muito
fracos e se fôssemos deixados sem ajuda perderíamos
nossa fé. Todavia, devido Cristo orar por nós,
"seguiremos firmemente".
Chegamos agora à quarta razão. Baseamo-nos no
que Cristo foi e fez aqui, na terra. Na sua segunda carta
à Timóteo, o apóstolo Paulo diz: "... eu sei em quem
tenho crido, e estou certo de que é poderoso para
guardar o meu depósito até aquele dia" (II Tm. 1:12).
Paulo diz que o Senhor Jesus o amou; que Ele morreu
na cruz para salvá-lo; e que nos céus está orando por
ele. Por isso Paulo é capaz de colocar sua alma aos
cuidados de seu poderoso e amável Senhor. Jesus
intercederá pelo Seu povo escolhido até que ele chegue
aos céus.
Nossa quinta razão é que os santos irão perseverar
por causa do concerto da graça. Leiam para vocês
mesmos no Velho Testamento, em Jeremias capítulo 32.
No versículo 40 Deus diz: "E farei com eles um concerto
eterno, que não se desviará deles, para lhes fazer bem; e
porei o meu temor no seu coração, para que nunca se
apartem de mim". Deus não deixará Seu povo nem Seu
povo O deixará.
Hebreus, capítulo 8, nos diz que viveremos sob
este novo pacto. O pacto antigo era o de obras e requeria
perfeita obediência da nossa parte. Como pecadores por
natureza, incapazes de obedecermos perfeitamente os
mandamentos de Deus, seríamos todos condenados à
morte. O novo pacto é bem diferente. É um pacto da
graça. Não temos como sair do reino da graça, pois o
Deus que fez o pacto prometeu nos guardar. Deus disse
através do profeta Isaías: "Porque as montanhas se
desviarão, e os outeiros tremerão; mas a minha
benignidade não se desviará de ti, e o concerto da minha
paz não mudará, diz o Senhor, que se compadece de ti"
(Is. 54:10).
Não devemos retornar ao pacto antigo que nos
prenderia com correntes como se fôssemos escravos.
Estamos sob a nova aliança. Deus nos deu vida eterna.
Jamais morreremos. Cristo nos segura em Suas mãos, e
ninguém pode nos arrebatar dEle. É uma aliança
maravilhosa!
A sexta razão é bem forte. É baseada na fidelidade
de rjeus. Deus não é como os homens. Se Ele fez uma
promessa, Ele a cumprirá. Se Deus começa a fazer algo,
Ele não irá parar até que a obra esteja terminada. Está
escrito: "Porque eu, o Senhor, não mudo..." (Mal. 3:6).
Portanto devemos confiar na fidelidade de Deus. O
apóstolo Paulo diz: "Fiel é Deus, pelo qual fostes chama-
dos para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso
Senhor" (I Cor. 1:9). Deus nos chamou e nos salvou. Ele
será fiel às Suas promessas para nos manter andando
no Seu caminho até que nos leve para nossa morada na
glória junto a Si mesmo. "O justo seguirá o seu caminho
firmemente".
A sétima e última razão porque os santos hão de
perseverar até o fim é baseada no que Deus já tem feito
em nós. Deixemos as passagens seguintes penetrarem
em nossas mentes. Jerernias disse: "Pois com amor
eterno te amei, com amorável benignidadejte atraí" (Jer.
31:3). Que palavras maravilhosas — "amor eterno,
amorável benignidade"! Como podemos pensar que Ele
nos deixará, visto que nos ama de tal maneira? Leiam
Romanos 5:10- "Porque se nós, sendo inimigos, fomos
reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito
mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua
vida". Estas palavras significam que, se Deus nos trouxe
de volta à Ele quando éramos inimigos, através da morte
de Seu Filho, Ele não nos abandonará agora que somos
Seus amigos.
Leiam também Romanos 8:29-30 que são
versículos belíssimos. "Porque os que dantes conheceu
também os predestinou para serem conformes à imagem
de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre
muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também
chamou; e aos que chamou a estes justificou; e aos que
justificou a estes também glorificou". Como dissemos
anteriormente, as doutrinas da graça são como uma
corrente que não pode ser quebrada. A Palavra diz isto
de maneira bem sublime. "Quem intentará acusação
contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou
antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à
direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos
separará do amor de Cristo?" (Rom. 8:33-35).
Novamente, nós lemos: "Tendo por certo isto
mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a
aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fil. 1:6). Esta
passagem resume tudo que estamos tentando dizer.
Deus continuará com a obra que Ele começou em nós
até que ela esteja terminada.
Nossa união espiritual com Cristo é comparada à
união matrimonial. Cristo é o noivo. O corpo todo de
crentes, a Igreja, é a noiva. Cristo não irá, nem pode,
divorciar-Se da noiva. Oséias diz: "E desposar-te-ei
comigo para sempre..." (Os. 2:19). Esta união é
explicada de uma outra forma. Nós somos o coipo.
Cristo é a cabeça do corpo. Como podem os dois ser
separados?
Ainda mais, foi dado o Espírito Santo a todos os
escolhidos de Deus. Esta é a maior evidência que eles
formam um povo redimido, comprado. O Espírito Santo
é um sinal vivo de que Deus os reivindicou para Si. A
palavra usada pelo apóstolo descreve o Espírito como
um selo. Isto mostra a segurança completa da pessoa
que está selada até que toda a obra de redenção nela
seja concluída e ela chegue ao céu. O Espírito Santo,
que vive em nós, nos guardará até aquele dia. O melhor
é usar as palavras do apóstolo Paulo à Timóteo: "E o
Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á
para o Seu reino celestial..." (II Tim. 4:18). Com corações
confiantes devemos dizer com Paulo "Amém".

2. Concluindo, o que temos de aprender de


forma prática desse ensino? Nova coragem é dada ao
homem que está na estrada para o céu. Ele pode estar
achando o caminho longo e duro, sentindo que nunca
chegará ao fim, semelhante ao viajante que enfrenta
vento e chuva, e íngremes morros a subir. Talvez chegue
a querer se deitar e morrer, porque não tem esperança
que possa continuar até o fim. Então ele ouve uma voz
lhe dizendo: "O justo seguirá o seu caminho
firmemente". Ele sabe, então, que irá chegar ao fim da
estrada. Isto lhe dá novas forças para lutar contra tudo
que se opõe a ele.
No céu uma coroa está aguardando todo o crente
verdadeiro. Este pensamento lhe dá forças para
continuar. Haveremos de alcançar o céu. Nossa coroa
está lá. Haveremos de chegar lá para usá-la. Nossa
coragem é então renovada e continuamos até que
ganhemos a vitória sobre nosso último inimigo — a
morte.
A certeza de que pecadores que vêm à Cristo serão
guardados por Ele e finalmente levados ao céu, deve
conduzir pecadores à Cristo. Quando eu era um menino,
não queria fazer coisas erradas e estava receioso que as
fizesse. Vi muitos outros vivendo em pecado. Sabia que
eu era fraco. Então ouvi dizer que se eu fosse a Cristo,
Ele me guardaria. Eram notícias maravilhosas.
Acheguei--me a Cristo. Cri nEle. Fui feito justo. Desde
então Ele tem me guardado pelo poder do Seu Espírito
Santo. Agora que já tenho certa idade, estas verdades
me atraem mais do que nunca.
Possuir vida eterna é como ser dono de um
diamante ou de um montão de ouro. Você, meu amigo,
gostaria de possuir essa vida eterna? Te-la-á, se crer em
Jesus Cristo. Você será salvo agora, salvo no viver, no
morrer e no ressuscitar. Será guardado pelo poder
infinito e pelo amor eterno de Deus. Confie sua alma a
Ele e será então capaz de dizer com o apóstolo Paulo: "...
eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é
poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (II
Tim. 1:12).

7
SALVAÇÃO SOMENTE PELA GRAÇA

"Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação;


não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio
propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes
dos tempos dos séculos" (II Tim. 1:9).

Se quisermos influenciar pessoas intelectuais,


devemos usar bons argumentos. Pessoas não muito
racionais podem ser influenciadas por emoção, sem
argumentação alguma. O apóstolo Paulo queria
influenciar Timóteo, seu filho na fé. Timóteo era um
estudante diligente. Ele tinha habilidade intelectual.
Tinha também a graça de Deus. Paulo sentiu que a
melhor maneira de influenciar Timóteo era lembrá-lo de
verdades da Bíblia nas quais Timóteo já havia crido.
Aqui se encontra uma lição para pregadores. Deve
haver equilíbrio na pregação. É bom e correto os
pregadores apelarem aos sentimentos de seus ouvintes.
Contudo, o bom ensinamento deve ter uma base firme
em verdades bíblicas. É responsabilidade do pregador
instruir no entendimento, bem como apelar ao coração.
Se as doutrinas da Bíblia não são ensinadas ao homem,
ele poderá facilmente se desviar para as falsas
doutrinas. O apóstolo disse: "...levados em roda por todo
o vento de doutrina" (Ef. 4:14). São as pessoas bem
instruídas na verdade bíblica que não serão levadas por
falsos ensinamentos.
Paulo quer manter Timóteo fiel à fé. Assim o
apóstolo lembra--o que é a excelente doutrina da graça
de Deus que rege a salvação do homem. No nosso texto
o apóstolo Paulo apresenta um resumo do evangelho.
Ele mostra o destaque dado à graça de Deus, a fim de
ajudar Timóteo a ser corajoso em seu testemunho por
Cristo.
Alguns achavam que verdades doutrinárias eram
mera teoria.
Isso não é verdade. O entendimento claro da
doutrina é que leva a uma vida santa e prática. A
maneira mais garantida de se levar pessoas à obediência
e santidade é ensiná-las a verdade de Deus revelada.
Consideraremos primeiramente a doutrina
ensinada pelo apóstolo. Em seguida tentaremos mostrar
como esse ensinamento deve afetar nossas vidas.

1. Pensaremos cuidadosamente sobre a doutrina


ensinada gelo apóstolo, no nosso texto. Não queremos
ensinar doutrina só porque é popular. Queremos apenas
ensinar o que entendemos ser o significado verdadeiro
do texto.
Muitos de vocês podem não gostar da doutrina que
pregamos. Talvez possam até se zangar. Não podemos
pregar para agradar nossos ouvintes. A aprovação de
Deus será suficiente para nós embora pessoas possam
nos contradizer. Que toda mente honesta esteja desejosa
de receber a verdade da inspirada Palavra de Deus.
(I). O apóstolo expõe sua doutrina nas palavras do
nosso texto. Paulo declara que Deus é o autor da
salvação: "Quem nós salvou, e chamou". Ele claramente
confirma o ensinamento de Jonas de que "... do Senhor
vem a salvação" (Jon. 2:9). Salvação pelo homem não se
encontra no nosso texto.
O fato de que a salvação é inteiramente do Senhor
é muito claro neste texto.
(II). O apóstolo refere-se a todas as pessoas da
Trindade. O Pai nos salvou. Deus Pai planejou o
caminho da salvação. O pensamento que Cristo deveria
sofrer como cabeça federal de Seu povo veio do coração
do Pai. Esta mesma verdade é ensinada em outras
passagens das Escrituras — I João 5:11, Ef. 1:3-6 e
João 16:27.
Além disso, a dádiva de Cristo, o único Filho de
Deus, veio do coração compassivo de Deus. Veja João
3:16. Deus, o Pai, escolheu pessoas que seriam
redimidas. Elas são "chamadas por Seu decreto" (Rom.
8:28). Portanto, o plano de salvação veio da sabedoria e
graça de Deus, o Pai.
(III). Oapóstolo não esquece da obra de Cristo, o
Filho. Somos salvos através do Filho de Deus.
Porventura não é Seu nome Jesus, que significa
Salvador? O Filho de Deus nasceu no mundo como
homem. Ele viveu uma vida perfeita. Demonstrou na
Sua vida a retidão, com a qual o Seu povo se reveste. Por
causa da morte cruel de Cristo na cruz o pecador pode
ser limpo de seu pecado. O povo de Deus é aceito por
meio da vida perfeita e da morte expiatória de Cristo
Jesus. Diante do trono eterno o povo de Deus irá cantar:
"...Àquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos
nossos pecados... a Ele glória e poder para todo o
sempre. Amém" (Apoc. 1:5-6).
(IV). O apóstolo nos lembra da obra do Espírito
Santo, a terceira pessoa na Trindade. O Espírito Santo
nos capacita a entender o evangelho. A mente humana
por natureza não entende as coisas de Deus. O Espírito
Santo influi na nossa vontade. Ele nos tira da nossa
condição de rebeldia e ajuda-nos a obedecer à verdade.
Acaso não é o Espírito Santo que nos renova? "... criados
em Cristo Jesus para as boas obras..." (Ef. 2:10). Não é o
Espírito Santo que nos ensina e nos conforta? O Pai
planeja, o Filho redime, o Espírito Santo aplica esta
redenção aos nossos corações e nós nascemos de novo.
Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito devem ser referidos
como o Deus "que nos salvou".
(V. Dizer que nós nos salvamos a nós mesmos é
ridículo. Na Bíblia, somos chamados de "templo santo
no Senhor" (Ef. 2.21). O templo não construiu-se a si
mesmo. Cremos que Deus, o Pai, foi o arquiteto do
templo. Ele planejou, Ele forneceu os materiais de
construção e Ele terminará a obra. Não haveria
necessidade alguma de um redentor se pudéssemos
salvar a nós mesmos. Mas éramos escravos de Satanás e
não tínhamos como por nós mesmos quebrar o poder do
pecado que nos aprisionava. Poderia o rebanho de Deus,
o qual Cristo tomou das garras do leão, ter se libertado a
si mesmo? Não, não podemos acreditar que Cristo veio
para fazer o que os pecadores podiam fazer por si
mesmos. Podem os mortos por si mesmos se fazerem
vivos? Quem pode dizer que Lázaro, morto no túmulo,
veio à vida por ele mesmo? Ainda que Lázaro pudesse se
ressuscitar dentre os mortos nem assim creríamos que
os mortos em pecado pudessem se fazer vivos!
Pecadores salvos pela graça de Deus, tornam-se
novas criaturas em Cristo. Como poderia a criação ter
feito a si mesma? Se temos uma nova criação, deve ter
existido um criador.
E, do ponto de vista espiritual, regeneração é obra
inteiramente de Deus, o Espírito Santo. Ninguém ajuda
o Espírito Santo na Sua obra de regeneração. A
renovação da alma é operação dEle. Nós adoramos o Pai,
o Filho e o Espírito Santo. Reconhecemos que se somos
salvos, é porque fomos salvos exclusivamente por Deus.
A Deus seja toda a glória!
2. Quero dizer três coisas sobre a maneira pela
qual Deus nos salvou.
(I) . Nossa salvação é completa. O apóstolo diz:
"Que nos salvou". Crentes em Jesus Cristo são salvos no
momento que colocam sua confiança em Cristo. Eles
não esperam que sejam salvos. Deus salvou
completamente Seu povo. Ele o escolheu para esta
salvação. O preço total da salvação desses pecadores
escolhidos por Deus foi pago quando Cristo morreu por
eles na cruz. Cristo disse quando pendurado na cruz:
"Está consumado" (João 19:30). Estávamos
completamente perdidos por causa da desobediência de
Adão. Fomos completamente salvos quando Cristo, o
segundo Adão, terminou Sua obra redentora por nós.
(II). Meu segundo pensamento é que o texto diz:
"Que nos salvou, e chamou". Será que Deus nos salvou
antes de nos chamar? O texto diz que Ele assim o fez.
Não sabemos que somos salvos até que o Espírito Santo
opere em nossos corações, trazendo-nos a Cristo.
Entretanto, no propósito de Deus e na redenção de
Cristo, somos salvos antes de sermos chamados. O
Senhor Jesus Cristo pagou as dívidas do Seu povo
quando foi crucificado. Por conseguinte, vocês podem
ver que fomos salvos antes de sermos chamados.
(III). Deus nos chamou para uma vida santa.
Aqueles pecadores pelos quais Cristo morreu são
chamados pelo poder do Espírito Santo à santidade. Eles
deixam seus pecados; tentam ser como Cristo. Antes de
serem salvos amavam o pecado. A velha natureza deles
amava tudo que era maligno. A sua nova natureza não
pode pecar porque é nascida de Deus. Deus chama Seu
povo à santidade. O povo de Deus não é santo porque
quer que Deus o salve. Deus, através do Espírito Santo,
opera a santidade nele. Portanto, o belo fruto espiritual
que vemos num crente tanto é a obra de Deus quanto é
o resultado da expiação pela qual Cristo o comprou. A
salvação de um crente é unicamente pela graça. Deus é
o autor dessa graça. Salvação tem que ser pela graça,
pois não pode ser adquirida. A seqüência verdadeira é:
Deus nos salvou antes de nos chamar. Esta ordem
mostra que nossa santificação não é a causa, e sim o
efeito, da nossa salvação.
3. Em nosso texto, o apóstolo diz: "não segundo as
nossas obras". A atitude do mundo é: "Faça o melhor
que puder e Deus o abençoará". A pregação do
evangelho afirma que somos pecadores perdidos. Só
merecemos ser condenados por Deus. Se haveremos de
ser salvos, isso só será possível pela graça soberana de
Deus. Ele tem que nos amar voluntariamente ou iremos
para o inferno. Nossas próprias boas obras jamais
podem nos salvar. Se boas obras pudessem nos salvar, a
salvação não seria pela graça e sim pelas obras. Deus
afirmou muitas vezes em Sua Palavra: "Não vem das
obras, para que ninguém se glorie" (Ef. 2:9).
Na Epístola aos Gálatas, o apóstolo é bem resoluto
a este respeito. "O homem não é justificado pelas obras
da lei" (Gal. 2:16). Jesus Cristo é o "autor e consumador
da nossa fé" (Heb. 12:2). Pecadores devem receber a livre
salvação das mãos da graça divina ou devem obtê-la por
seus próprios esforços. E impossível merecer salvação;
há somente o caminho da graça. Nós só podemos ser
"justificados gratuitamente pela sua graça, pela
redenção que há em Cristo Jesus" (Rom. 3:24).
Por que Deus fez a salvação possível somente
através da fé? A Bíblia nos diz: "Portanto é pela fé, para
que seja segundo a graça" (Rom.. 4:16). Não há mérito
algum na fé. Fé é dom de Deus. Nossa salvação depende
inteiramente da graça.
4. A próxima coisa a ser mencionada no nosso
texto, é o propósito eterno de Deus. Quando somos
salvos, não é de acordo com nosso propósito ou mérito,
porém "segundo seu próprio propósito". "Assim, pois,
isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de
Deus, que se compadece" (Rom. 9:16). O que Cristo
disse a Seus discípulos, Ele diz a nós: "Não me
escolheste vós a mim, mas eu vos escolhi" (João 15:16).
O ensino de Cristo é que "não quereis vir a mim para
terdes vida eterna"(João5:40). Vocês não virão; vocês
não podem vir, até que a Sua graça os traga.
"Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou o
não trouxer" (João 6:44). "Todo o que o Paime dá virá a
mim" (João 6:37). Estas passagens concordam com
nosso texto.
Por que existem pessoas tão iradas contra o
propósito de Deus? A nós, seres humanos, é permitido
termos propósitos. Por que então Deus não pode ter um
propósito? De fato, Ele tem um propósito! Ele governa no
céu e na terra. Ele salva Seu povo "segundo seu próprio
propósito".
5. Nosso texto diz: "seu próprio propósito e graça".
O propósito de Deus está todo fundamentado na graça;
graça, tudo baseado na Sua graça, do começo ao fim. Os
homens são pecadores condenados. Mas eles geralmente
querem fazer algo para merecerem seu próprio perdão.
Deus afirma que um pecador não tem como ser salvo
dessa maneira. Deus está disposto a recebê-lo, fraco e
indigno, como você o é. Ele lhe dará salvação, todavia
não pode vendê-la a você. A salvação de Deus é pela
graça. Ele o convida sinceramente a vir a Cristo e a
viver. No entanto, você jamais poderá vir, a não ser que
o Espírito Santo o faça disposto a aceitar a misericórdia
de Deus.
(I) . Salvação é referida na Bíblia como uma
dádiva. "Graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes
dos tempos dos séculos" (2 Tim. 1:9). Isto deveria nos
manter humildes. Não podemos ser orgulhosos de algo
que nos foi doado. O texto não nos diz: "a qual Ele nos
vendeu", ou "nos propôs", mas "a qual nos foi dada".
Portanto, nossa salvação é exclusivamente o dom da
graça de Deus.
(II) . "Nos foi dada em Cristo Jesus". A graça de
Deus vem a nós através de Cristo Jesus. Paulo afirma:
"Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz
de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gal. 6:14). Salvação é
um dom da graça.
(III) . Deus nos deu esta graça "antes dos tempos
dos séculos". Deus vivia sozinho antes do mundo
começar. Nós ainda não existíamos, portanto não
podíamos fazer nada pela nossa salvação. Deus já
reinava então, assim como Ele reina agora. Ele não
tomou conselho de homem ou anjo porque nada até
então havia sido criado. Ele nos deu salvação antes da
fundação do mundo para que a nossa salvação pudesse
ser totalmente pela graça, através de Jesus Cristo.
Você, meu amigo, pode não gostar do ensino do
texto, mas creio que dei o verdadeiro significado dele.
Peço que aceite o que Deus diz.
6. Vou tentar agora mostrar como o ensinamento
deste texto pode ser usado por nós. Ele pode afetar a
nossa maneira de viver. Creio que a doutrina da graça é
tão cheia de poder hoje quanto no passado. Ela dá
coragem ao homem que a recebe. Paulo exorta a Timóteo
que não deve envergonhar-se. Deus lhe deu graça em
Cristo Jesus antes da fundação do mundo.
(I). Um homem pode ser muito pobre em bens
materiais. Este mesmo homem pode ser rico
espiritualmente se ele conhece a graça de Deus. O nome
de uma pessoa pode não estar nos livros de história do
mundo, entretanto o nome do crente foi registrado no
livro de Deus antes do início dos tempos. O homem que
nisso crer será forte quando tiver que travar a batalha
do Senhor. Os que crêem na livre graça de Deus têm
confiança. Não têm medo. Eles sabem no que crêem. Até
nossas crianças, às quais são ensinadas as doutrinas da
graça, sabem mais do que muitos adultos. Muitos não
sabem no que crêem, pois eles ouvem pregações que não
os ensinam realmente a verdade de Deus. Se uma
pessoa recebeu as doutrinas da graça ela se apegará
firmemente a elas. As doutrinas serão muito queridas a
essa pessoa, e ela estará preparada a morrer pelas
verdades que crê.
(II). Estas doutrinas da graça dão ao homem algo
em que se segurar. Por outro lado, as doutrinas da graça
seguram o homem! A pessoa que crê que a salvação vem
de Deus e não do homem jamais abandonará este
ensinamento. Todas as outras doutrinas são como chão
escorregadio onde alguém pode facilmente cair. Se a
salvação é por esforço humano, como pode você saber se
seu esforço é suficiente? Se você tiver seus pés firmes
nas doutrinas da graça não precisa ter medo de cair.
Este fundamento é bem firme e o suportará. Apeguemo-
nos firmemente à verdade do propósito eterno de Deus
em Cristo Jesus antes do início dos tempos.
(III). Este ensinamento da doutrina da graça
desmascara os falsos ensinamentos. Se dissermos às
pessoas que elas são salvas por Deus, verão que não
precisam de padres, missas e absolvições. A doutrina da
graça é a verdade que Deus usa para sacudir os portões
do inferno. Nos tempos quando a Igreja de Deus foi
perseguida, os cristãos arriscaram suas vidas para ouvir
esta verdade. Quando não era permitido que os cristãos
se encontrassem em igrejas, eles se encontravam à noite
em lugares secretos. Não tinham medo desde que pudes-
sem ouvir a doutrina da graça de Deus. Eles correriam o
risco de serem mortos se tão-somente pudessem ser
alimentados pela pregação desta doutrina, a qual
amavam. Quando o erro é pregado em tantos lugares,
isto deve ser contra-atacado pela pregação das doutrinas
da graça. Os inimigos de Deus não serão capazes de
resistir a estas verdades.
(IV). Quando essas verdades são escritas no
coração do homem, elas farão com que ele busque a
Deus. Ele saberá que Deus o salvou e passará a vida
seguindo a Deus. Ele verá a mão de Deus em tudo. Ele
adorará o Deus que já fez e continua a fazer tanto por
ele. Ao mesmo tempo, esta doutrina faz com que o
homem despreze a si mesmo. Ele sabe que não tem em
si mesmo justiça nenhuma. Ele sabe que somente Deus
o pode salvar. Ele se sente pequenino, mas contente. Ele
se mantém humilde diante do propiciatório de Deus.
Mas ele é ousado quando outros se opõem a ele. Que
todos nós possamos conhecer o imenso poder que há na
verdade da graça de Deus.
(V) . Esta preciosa verdade traz conforto ao
pecador. O maior conforto do pecador é saber que a
salvação é pela graça. Se os homens fossem salvos por
mérito, por boas obras, aonde estaria você? E aonde
estariam os bêbados, os blasfemadores e os impuros?
Aqueles entre vocês que amaldiçoam a Deus em seus
corações e não O amam, aonde estariam? Quando a
salvação é inteiramente pela graça, sua vida passada,
por mais impura que tenha sido, não é motivo para detê-
lo de vir a Jesus. Cristo recebe pecadores. Deus
escolheu alguns dos piores pecadores. Por que não então
você? Ele recebe a todos que vêm a Ele. Ele não o
lançará fora. Alguns chegaram a odiar a Cristo. Eles O
insultaram frontalmente. Mas tão logo que eles
clamaram: "Deus, tem piedade de mim, um pecador!"
Ele teve misericórdia deles. Ele terá misericórdia de
você, se o Espírito Santo o guiar a buscar misericórdia.
Não haveria esperança alguma para você se me fosse
necessário lhe dizer que você precisa conquistar sua
própria salvação à parte da graça.
Contudo, a salvação é pela graça. Se você está
morto em pecados, existe vida para você. Se você está
nu, existe vestimenta para você. Se você se sente
arruinado, existe salvação completa para você. Que você
tenha a graça para se apoderar da salvação de Deus.
Então, você e eu cantaremos juntos os louvores da
glória da graça divina.

8
TODOS POR QUEM CRISTO MORREU SERÃO SALVOS

"Nem uma unha ficará". (Ex. 10:26)

Houve uma disputa entre Jeová, o Deus de toda a


terra, e Faraó, o rei do Egito. A história dessa disputa
está inteiramente registrada na Bíblia. Deus quer que a
história seja lembrada para sempre.
O Faraó era um rei muito poderoso. Ele era um
homem obstinado e de coração muito duro. Foi Deus
quem lhe deu o seu imenso poder. Deus queria mostrar
a todas as gerações por vir que embora o Faraó fosse
poderoso, Ele era muito mais poderoso.
Deus enviou Seu povo, os israelitas, ao Egito
muitos anos antes, na época de José. Os israelitas
viveram nas terras de Gosen. Lá eles se multiplicaram
imensamente. Os reis do Egito que conheciam José
trataram deles bondosamente. Surgiu então um rei que
não conhecera José. Esse rei era muito cruel para com o
povo de Israel. Ele lhes deu tarefas bem duras a fazer. E
mais, punia-os se não fossem capazes de fazer aquilo
que lhes era exigido.
O povo de Israel clamou ao seu Deus pedindo
ajuda. Quando Deus ouviu seu clamor, Ele decidiu que
derrotaria o Faraó. Deus iria libertar Seu povo da cruel
servidão em que ele se encontrava preso no Egito. O
povo não tinha como escapar a não ser que Deus abrisse
um caminho para ele. Deus usou Moisés para levar Sua
mensagem ao Faraó. Esta mensagem era: "Deixe meu
povo ir, para que ele possa me servir!" O Faraó riu e
recusou deixar os israelitas irem. A resposta de Deus foi
enviar uma praga à nação egípcia. Deus transformou
toda a água da nação em sangue. Os peixes dos rios
morreram todos. De início parecia que o Faraó deixaria o
povo partir. Mas ele não concordava plenamente com o
que Moisés pedia. Por isso Deus enviou uma praga após
outra. Cada praga era pior do que a anterior. O coração
de Faraó estava ainda endurecido, embora tudo isso
estivesse acontecendo no Egito. No final o Faraó disse
que os israelitas podiam ir com suas esposas e crianças,
mas deveriam deixar o gado e possessões no Egito.
Moisés respondeu ainda ao Faraó que eles precisariam
levar tudo: "Nem uma unha ficará".
Depois de Deus ter enviado todas as pragas, o
Faraó finalmente concordou em fazer tudo o que Moisés
pediu. Isso significa que Deus derrotou o Faraó. Vocês
se lembram que Deus abriu um caminho para o Seu
povo atravessar o Mar Vermelho? Atravessou--o por
terra seca. O Faraó e muitos de seus soldados o
seguiram. Deus afogou Faraó e todos que estavam com
ele no mar. O povo de Israel estava todo a salvo no outro
lado do mar.
Ora, parece-me que a luta entre Faraó e Deus é
um símbolo da luta contínua entre Deus e Satanás.
Todos os homens são pecadores e estão nas garras de
Satanás. Mas Deus diz a Satanás: "Deixe meu povo ir".
Satanás responde que não deixará o povo de Deus ir. Ele
luta duramente para mantê-lo como seu escravo. Deus
não cederá a Satanás, nem ao poder do mal. A luta pode
ser dura e prolongada, porém no final Deus libertará
todo o Seu povo do poder de Satanás. Cristo terá a todos
por quem Ele morreu. "Nem uma unha ficará". Estou
usando este texto como se fosse um provérbio — um
dito, cheio de sabedoria.
Cristo terá a pessoa por inteiro. Cristo terá toda a
Igreja. Ele restaurará ao Seu povo tudo o que ele perdera
pelo pecado. Cristo terá todo mundo para servi-lO. "Nem
uma unha ficará".

1. Cristo terá o homem por inteiro. Ele não terá


parte de uma pessoa. O Senhor terá integralmente cada
pessoa que Ele redimiu. Satanás não terá permissão de
ficar com nada dos filhos de Deus. Se alguém é filho de
Deus, ele pertence totalmente a Cristo. Nunca seremos
perfeitos nesta vida. Ainda pecamos e caimos. À medida
que prosseguimos na nossa vida cristã, Deus nos
ajudará a derrotar o pecado que habita em nós. Deus
tem prometido fazer-nos santos. Ele nos ajudará a obter
a vitória sobre Satanás. Deus nos ajudará também a
derrotar o pecado em nossos próprios corações e vidas.
O povo de Deus peca e continuará pecando.
Quando pecamos deveríamos ficar entristecidos. Não
devemos amar nenhum pecado em nossas vidas.
Embora não possamos ser perfeitos devemos estar
sempre lutando contra o pecado. Devemos ser bem
rigorosos com nós mesmos. Não devemos permitir coisa
alguma permanecer em nossas vidas que sabemos ser
pecado. Nosso desejo deve ser o de guardar todos os
mandamentos de Deus.
Cristo comprou inteiramente todas as pessoas por
quem Ele morreu. Devemos nos entregar por inteiro a
Cristo. Devemos dar--Lhe nossas mentes, nossas mãos,
nossos pés e nossos corações. Todo o ser de cada filho
de Deus deve ser entregue a Cristo. "Nem uma unha
ficará".
Nossos corações não devem estar divididos entre
Deus e o eu, ou entre Deus e o prazer. Cristo terá tudo
ou nada. Cometemos um erro se pensamos que
podemos, às vezes, servir a Deus e, às vezes, sermos
nosso próprios mestres, servindo a nós mesmos. É
inaceitável a Deus que tentemos servir a dois senhores.
Se damos parte de nós a Satanás, somos ainda seus
escravos. Não é vitória ganhar meia batalha. Vitória é
ganhar a batalha por completo. Estamos dispostos a
deixar todo o nosso pecado para trás? Podemos dizer:
"Nem uma unha ficará"?
Aquilo que anelamos ser no presente um dia será
realidade. Enquanto estivermos na terra, teremos que
combater nossa velha natureza pecaminosa. Esta
natureza é chamada na Bíblia de "a carne". Mas haverá
um dia quando o pecado e o ego serão extirpados pela
morte. Nesse dia Jesus Cristo terá a vitória em nós. Que
alegria é a do cristão saber que um dia ele será perfeito!
Não lutaremos contra o pecado quando alcançarmos o
céu. Nossos pecados serão deixados para trás. Nossa
redenção será completa.
As vezes o povo de Deus pensa que uma parte do
homem será deixada para trás. Nossas almas irão ao
céu, mas nossos corpos serão enterrados. Porventura,
não serão deixados para trás? Em breve só restarão as
cinzas. Mas quando Cristo redimiu Seu povo, Ele
comprou tanto seus corpos quanto suas almas, e: "nem
uma unha ficará". Cristo ressuscitará os corpos de Seu
povo dentre os mortos. Corpo, alma e espírito serão
reunidos novamente. A pessoa por inteiro ficará diante
do trono de Deus. Todo o povo de Deus cantará à Deus
para todo o sempre.
2. Nosso texto é verdadeiro tanto para a Igreja
como um todo quanto para o homem como um todo. Não
creio no ensino que todos serão salvos. Creio que há
valor infinito no sangue de Cristo. Todavia creio também
que o propósito da morte de Cristo deve ser cumprido.
Não posso crer que Cristo ficará desapontado. Creio que
todos aqueles a quem Ele veio salvar serão certamente
salvos. Todos aqueles que Seu Pai Lhe deu virão a Ele.
Todas as pessoas que foram escolhidas em Cristo antes
da fundação do mundo serão ressurretas no último dia.
Todos os membros do "corpo de Cristo" serão um com
Ele na ressurreição. Algumas pessoas crêem que pode
haver um Cristo desapontado. Elas crêem que a morte
de Cristo foi parcialmente em vão porque nem todos
serão salvos. Não posso crer nisso. "Nem uma unha" de
todos que Ele adquiriu será deixada para trás.
Posso ver um número incontável de pessoas que
Jesus comprou com Seu próprio sangue. O dia virá
quando, na qualidade de grande Pastor, Ele andará na
frente do Seu povo. Nem um sequer do Seu povo estará
ausente. Acaso alguém poderia não estar lá? Poderia ser
um filho sofredor de Deus, que estivesse em agonia por
muito tempo? Poderia ser um velho discípulo que sofreu
muito na medida em que se aproximava do céu? O amor
de Cristo não deixará para trás nenhum do Seu povo
sofrido. Quem poderia ser deixado para trás? Ele deixará
os fortes para trás? Eles não eram fortes em si mesmos.
Tomaram-se fortes em Cristo; então como podem pere-
cer? Pode Deus fortalecer Seu povo um dia e deixá-lo
perecer no dia seguinte, sem esperança? Deus é
imutável. Ele não pode deixar Seu povo morrer. Manterá
os fortes e estes entrarão para a vida. Podem os fracos
perecerem? O poder de Deus não pode permitir que isso
aconteça. Se fosse assim, Satanás diria que Deus
guardou os fortes, porém não pôde guardar os fracos.
Isso jamais pode ocorrer. Todos os santos fracos serão
levados ao céu. "Nem uma unha ficará".
Alguém pode dizer que os errados, aqueles que se
desviaram de Deus, serão deixados para trás. Isso não
pode ser verdadeiro, pois de vez em quando todo o povo
de Deus se desvia dEle. Salvação provém da graça de
Deus, não das nossas obras. Até os que cometem mais
erros do que os outros têm que ser trazidos de volta e
perdoados por causa da graça de Deus. Todo o povo de
Deus será salvo pela Sua graça gratuita. Nenhum será
deixado para trás.

3. A terceira observação que quero fazer é que tudo


aquitoçme Adão perdeu, Cristo conquistará de volta.
Tudo o que o povo de Cristo perdeu por causa do pecado
de Adão, Cristo lhe restituirá.
Quais são algumas das coisas preciosas que o povo
de Deus perdeu em Adão?
(I). O homem foi criado à imagem de Deus. Deus
disse: "Façamos o homem à nossa imagem" (Gen. 1:26).
Visto que Adão foi desobediente a Deus, ele tornou-se
um pecador. Somos também pecadores e perdemos
aquela semelhança com Deus. Seremos semelhantes a
Deus novamente. Seremos como Adão antes que tivesse
pecado.
(II). Perdemos o favor de Deus. Ele amava Adão.
Entretanto, Adão pecou, e por isso Deus não podia
continuar amando um homem que se rebelou contra
Ele. Cristo restaurou-nos ao favor de Deus. Novamente
Deus pode agradar-Se de Seu povo. A nós nos foi dado
de volta os dois privilégios divinos — a semelhança e o
favor de Deus. Adão também desfrutava comunhão com
Deus. "E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava
no jardim pela viração do dia" (Gen. 3:8). O pecado e
Satanás nos roubaram a comunhão com Deus. Cristo
restaurou esta comunhão para nós.
Cristo irá recuperar para Seu povo a semelhança
de Deus, o favor de Deus e a comunhão com Deus. Tudo
isto foi roubado do povo de Deus por Satanás. No final,
os redimidos terão mais do que Adão tinha. Deus amou
Adão por consideração a ele. Deus nos amou por
consideração a Cristo. Isto é melhor do que amar um
homem por consideração a ele. Deus ama Seu povo todo
com o mesmo amor infinito com que ama a Cristo. Esta
é a nossa herança perdida que Cristo nos restaurou.
(III). Adão perdeu a felicidade. Nós também
perdemos a felicidade. Tornamo-nos tristonhos. Assim
como Cristo, sabemos o que significa padecer (Is. 53:3).
Cristonos daránossa felicidade de volta. Nós já temos
parte dessa felicidade. Podemos novamente beber da
água da vida eterna para que não tenhamos mais sede.
Cristo conquistou de volta para nós a felicidade que
Adão perdeu.
Em Adão perdemos o direito à vida. "No dia em que
dele comeres, certamente morrerás" (Gen 2:17). A partir
do momento que Adão desobedeceu, o homem se tornou
alma moribunda. Ele não era mais uma alma viva. Mas
Cristo trouxe vida e imortalidade à luz através do
evangelho! (II Tim. 1:10). Posto que Ele vive, nós
podemos viver também.
(IV). Adão era um rei antes de pecar. Toda a
criação de Deus estava sob seu controle. Ele andava pelo
jardim do Éden como um rei pelo seu palácio. Desde que
Adão pecou, nós não somos reis, e sim servos.
Trabalhamos bem duro e enxugamos o suor dos nossos
rostos. Deus disse a Adão: "No suor do teu rosto
comerás o teu pão..." (Gen 3:19). Nossos nervos estão
tensos. No entanto a dignidade de Adão é restaurada ao
povo de Deus. "Deus nos ressuscitou juntamente com
Ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo
Jesus" (Ef. 2:6). No futuro, o leopardo com o cabrito se
deitará e o leão comerá palha como o boi (Is. 11:6 e
65:25). Naqueles dias o homem será o senhor da criação
assim como Adão era no jardim do Éden. Receberemos
de volta tudo o que Adão possuía. "Nem uma unha
ficará".
(V). Cremos que perdemos a filiação em Adão. Em
Cristo recebemos a adoção de filhos. Quando Adão
pecou, perdeu a capacidade de estar seguro diante de
Deus. Como filhos de Adão não temos base para
permanecer na presença de Deus. Mas Cristo retirou-
nos da lama do pecado, na qual nos encontrávamos e
pôs nossos pés sobre uma rocha. Por causa de Adão
perdemos nossa retidão. Agora aquele que crê é
justificado de todas as coisas. Cristo nos tem dado
muito mais do que perdemos quando Adão pecou. Cristo
e Seu povo nada perderam, apesar de tudo aquilo que foi
permitido a Satanás fazer. A vitória de Cristo sobre o
pecado não foi tão-somente a retomada do que foi
perdido. Foi o ganho de algo mais. Nós temos muito
mais em Cristo do que antes de pecarmos em Adão.
"Nem uma unha ficará".
4. Cristo terá toda a terra. Deus fez o mundo para
Si. Quando Ele viu tudo o que tinha feito, disse que era
muito bom (Gen. 1:31). O mundo foi planejado para ser
uma orquestra para o louvor de Deus. Satanás veio e
tomou toda a música e o cântico. Ele estragou tudo. O
mundo tornou-se um lugar assaz maligno. Ficou cheio
de homicídio, pecado e de coisas más. Todavia Deus não
será decepcionado. Este mundo que agora se encontra
arruinado ainda cantará os Seus louvores. Tudo estará
em harmonia novamente. Por enquanto Satanás é
senhor de grande parte deste mundo. Não devemos nos
contentar com isso. Devemos levar o evangelho a todas
as pessoas. Devemos tentar resgatá-las de Satanás que
as mantêm como escravas. Pelo evangelho devemos
libertar os cativos de Satanás. Precisamos trabalhar até
que Cristo volte novamente. "... e o que há de vir virá, e
não tardará" (Heb. 10:37).
O mundo verá a vinda de Cristo. O inferno também
verá a volta de Cristo e tremerá ao vê-la. Todos verão
que Cristo venceu. Ele retomou todas as Suas
possessões! "Nem uma unha ficará".
Tenho só um pouco de ensinamento prático para
dar-lhes. De que lado vocês estão? Pertencem a Cristo
ou a Satanás? Se ainda estiverem vivendo uma vida em
pecado, irão ao inferno quando morrerem. As ondas da
ira de Deus submergirão cada um que não está em
Cristo. Nenhum espinho nem joio serão deixados para
trás. Eles serão ajuntados em feixes e colocados no fogo.
Isto é o que irá acontecer aos que não pertencem a
Cristo. Vocês pertencem a Cristo ou a Satanás?
Tenho uma outra pergunta. Vocês pertencem
inteiramente a Cristo? Ele reinará soberanamente sobre
vocês ou não reinará de maneira alguma. Vocês dizem
que esperam que Ele reine completamente sobre vocês?
Orem para que Deus lhes santifique completamente.
Peçam-Lhe que os santifique no espírito e no corpo.
Peçam-Lhe que tome controle de todos os seus poderes.
Dêem-Lhe todo o seu tempo, tudo o que são e tudo que
têm. Peçam-Lhe para tomar-lhes e fazer de vocês o que
Ele quer que sejam. Deus ouvirá suas orações e lhes
fará completamente Seus.
Só há mais uma questão. Existe alguém que diz:
"Receio não ser de Cristo. Contudo, quero pertencer a
Cristo". Esse desejo é sincero? Fico muito feliz por você
se sentir assim. Você não poderia desejar pertencer a
Cristo a não ser que a graça de Deus tenha posto esse
desejo em seu coração. Se você deseja vir a Cristo é certo
que Cristo quer recebê-lo. Venha a Ele como você está.
Confie nEle e você será salvo. Confie somente em Jesus
e seus pecados serão perdoados. Você pertencerá a
Cristo e será uma de Suas jóias. "E eles serão meus, diz
o Senhor dos Exércitos, naquele dia que farei serão para
mim particular tesouro" (Mal. 3:17).

9
JACÓ E ESAÚ

"Amei Jacó, e aborreci Esaú" (Rom. 8:13).

Não sou capaz de explicar os mistérios da


predestinação de Deus. Não sei porque Deus escolheu
certas pessoas para serem Seu povo antes dEle ter
formado o mundo. O homem que pensa que compreende
o propósito da predestinação de Deus demonstra que ele
conhece bem pouco a esse respeito. A predestinação de
Deus tem sido discutida desde os primeiros dias do
cristianismo. Mas não é através de argumentação que
entenderemos o profundo ensino de que Deus de fato
escolheu um povo para Si.
Tentarei me ater ao ensino da Palavra de Deus.
Erramos quando nos desviamos do que Deus ensina em
Sua Palavra. Devemos crer no que Deus nos ensina. Não
devemos acrescentar ao que Ele nos revelou em Sua
Palavra. Quero explicar a grande doutrina da soberania
de Deus, segundo as Escrituras. Posso fazer isso
somente pela ajuda do Espírito Santo. Vou dizer-lhes o
que a Bíblia ensina a respeito do fato de que Deus
escolheu alguns para serem salvos e que Ele deixou
outros para enfrentarem a punição de seus pecados.
Encontramos este fato em nosso texto: "Amei Jacó, e
aborreci Esaú".
Este é um texto assustador. Muitos não gostam da
palavra "aborrecer" ou "odiar". Tais pessoas dizem que o
significado desta palavra é "amar com menos
intensidade". A Bíblia usa a palavra "odiei". Eu também
usarei essa palavra. Deus amava Jacó. Deus não amava
Esaú. Deus abençoou Jacó. Ele não abençoou Esaú da
mesma maneira. Deus escolheu Jacó e não escolheu
Esaú. A misericórdia de Deus estava em Jacó. Deus
permitiu que Esaú prosseguisse em seu caminho
pecaminoso, e isso mostra que o texto "odiei Esaú" é
verdadeiro.
Outras pessoas que não gostam deste texto dizem
que ele não se refere a Jacó e Esaú. Essas pessoas,
numa tentativa tola de se livrarem da dificuldade do
texto, tentam dizer que o texto se refere aos filhos de
Jacó e o povo de Esaú, aos filhos de Israel e aos filhos de
Edom. A própria Bíblia mostra que isso não é correto.
Romanos, capítulo 9, versículos 11-12 dizem: "Porque,
não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou
mal para que o propósito de Deus, segundo a eleição,
ficasse firme... o maior servirá o menor." Este versículo
refere-se a Jacó e Esaú. Ele não refere às nações de
Israel e Edom. O texto significa justamente o que diz:
"Amei Jacó, e odiei Esaú". Não devemos tentar alterar a
Palavra de Deus. Devemos aceitá-la como ela é e pedir a
Deus que nos dê graça para entendê-la. Não podemos
reduzir a verdade de Deus até o nosso fraco
entendimento. Devemos pedir a Deus que nos ajude a
nos elevar mais e mais em nosso entendimento da
verdade divina.
Primeiro, vou tentar provar a vocês que nosso texto
quer dizer exatamente o que está escrito. Em seguida,
tentarei responder à pergunta: "O que levou Deus a
amar Jacó e a odiar Esaú"?

1" O ensinamento é que Deus elegeu a alguns e


não elegeu a outros. As pessoas não gostam desta
doutrina da eleição. Acaso não é um fato que Deus tem
elegido a alguns? Perguntem a alguém que não goste
desta doutrina porque um homem é convertido e outro
não é convertido. Ele responderá que o Espírito Santo
estava operando no coração do homem que se
converteu. Portanto, até o homem que diz não gostar da
doutrina da eleição admite que Deus trata certos
homens de maneira diferente do que Ele trata com os
outros. É um fato que as pessoas são diferentes porque
Deus as fez diferentes. Deus trata as pessoas de formas
diferentes na vida diária. Ele faz um homem rico e o
outro pobre. Ele faz um homem inteligente e o outro
incapaz de ler um livro. Eleição também é um fato. Em
matéria de religião, Deus dá a um homem mais do que a
outro. Ele dá a um a oportunidade de ouvir a Sua
Palavra. A outro homem, Ele não dá essa oportunidade.
Deus deu-me pais que me ensinaram sobre a Sua
Pessoa. Muitas pessoas não têm pais que as ensinem a
respeito de Deus. Quando fiquei adulto, Deus me
colocou em situação onde fui guardado do pecado.
Outras pessoas são colocadas em locais onde existe
muita tentação e elas pecam. Alguns ouvem a Palavra de
Deus pregada poderosamente. Outros nem sequer
ouvem a Palavra de Deus.
(I). Podemos ir mais longe ainda. D oi s homens
podem ouvir o evangelho. Deus opera no coração de um
deles porém não opera no coração do outro. As pessoas
que não crêem no evangelho quando o ouvem não têm
desculpa. No entanto, Deus opera tão poderosamente
nos corações de alguns que eles não podem resistir.
Essas pessoas prostram-se aos pés de Deus e O
chamam seu Salvador e Senhor. Elas crêem e são salvas
pela graça de Deus. Entretanto, Deus é justo quando
condena os homens incrédulos. É pecado rejeitar o
evangelho de Deus. Estas coisas são fatos. Temos que
crer nos fatos. Uma verdade que não pode ser
contestada deve ser acreditada. E o fato incontestável é
que Deus trata diferenciadamente a uns do que a
outros. Não preciso pedir desculpas por Deus. Deus
explicará Sua própria verdade e Seus caminhos. Mesmo
se não gostarem do fato, é verdade inalterável que Deus
amou Jacó e que não amou Esaú da mesma maneira,
(II). Sugiro que leiam na Bíblia sobre a vida de Jacó.
Vocês verão que Deus manifestou Seu amor por Jacó
desde que deixou a casa do seu pai até o fim da sua
vida. Jacó não tinha viajado muito longe após ter
deixado sua casa quando começou a se sentir cansado.
Ele deitou-se ao relento, repousando sua cabeça sobre
uma pedra. Dormiu. Deus apareceu a ele em sonho
enquanto dormia. Jacó viu uma escada. A parte inferior
da escada estava apoiada na terra e o topo alcançava o
céu. Anjos desciam e subiam pela escada. Jacó acordou
e seguiu viagem até seu tio Labão. Labão tentou
trapacear Jacó. Mas Deus estava com Jacó e não
permitiu que Labão lhe fizesse mal. Deus fez com que
Jacó ficasse rico enquanto que Labão tentou mantê-lo
pobre. Deus disse a Labão em sonho que ele não
tratasse Jacó injustamente. Ainda mais tarde, dois dos
filhos de Jacó cometeram assassinato em Siquem. Jacó
ficou com medo que o povo de Siquem tentasse matá-lo.
"Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não
façais mal" (I Crôn. 16:22). Portanto o povo de Siquem
não tivera permissão de matar Jacó. Quando houve uma
fome na nação e não havia mais comida, Deus enviou
José, filho de Jacó, ao Egito. José foi capacitado a prover
trigo ao seu pai e seus irmãos. Eles não morreram de
fome. O fim da vida de Jacó foi feliz. "Ainda vive meu
filho José; eu irei e o verei antes que morra" (Gen.
45:28). Jacó já tinha perdido as esperanças de rever
José. Lágrimas rolaram pelo seu velho rosto, quando ele
abraçou José. E a Jacó foi concedido ver o Faraó, o
poderoso rei do Egito. A Bíblia diz: "E Jacó abençoou a
Faraó" (Gen. 47:10). No final, Jacó morreu com toda sua
família ao seu redor. Poderíamos duvidar que Deus
amou Jacó?
Há ainda o fato de que Deus também não amou
Esaú. Deus permitiu que Esaú se tornasse o pai de
príncipes, contudo Ele não abençoou seus descendentes.
Edom pereceu e nenhum descendente de Esaú pode ser
encontrado. O povo de Esaú, os edomitas, tornaram-se
escravos no Egito. Os reis de Edom foram obrigados a
dar lã a Salomão e aos reis de Israel que o sucederam.
Finalmente, o nome de Esaú desapareceu dos livros de
história. Isto prova mais uma vez que Deus de fato amou
Jacó e que Ele não amou Esaú.
2. Tentarei responder a questão: "Porque Deus
amou Jacó e odiou Esaú?" É melhor para nós
analisarmos uma coisa de cada vez. Primeiro lhes direi
porque Deus amou Jacó. Depois direi porque odiou
Esaú. Muitos não entendem esta questão. Isto é porque
essas pessoas tentam usar a mesma razão tanto para os
eleitos como para os não eleitos. Não é possível usarmos
o mesmo motivo para as duas coisas. Tomarei uma por
vez. Iremos à Palavra de Deus para nos ensinar; assim
não estaremos caindo em erro. (i). Poraue Deus amou
Jacó? Vou à Palavra de Deus para responder a
pergunta. Não foi porque havia algo de bom em Jacó que
Deus o amou. A Bíblia nos diz em Romanos 9:11 que a
razão de Deus ter amado Jacó foi a Sua graça soberana.
Jacó não tinha nada em si que fizesse com que Deus o
amasse. Havia de tudo em Jacó que poderia fazer com
que Deus o odiasse tanto quanto Ele odiou Esaú. Foi a
graça infinita de Deus que O fez escolher e amar Jacó.
Examinemos que tipo de homem que era Jacó. Seu
caráter não era bom. Estava sempre tentando ganhar
vantagem numa barganha. Até em Betel, onde Deus o
abençoou, Jacó barganhou. Vocês certamente se
lembram o que aconteceu em Betel. Jacó deitou-se para
dormir e teve uma visão de anjos subindo e descendo
uma escada entre o céu e a terra. Quando acordou, ele
disse: "Na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não o
sabia" (Gen. 28:16). Jacó teve medo e exclamou: "Quão
terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa
de Deus; e este é a porta dos céus" (Gen. 28:17). Deus
lhe falou: "Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão teu pai, e
o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, ta
darei a ti e à tua semente" (Gen. 28:13). Nada falou
sobre o que Jacó havia de fazer. Deus disse: "E eis que
estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e
te farei tornar a esta terra..." (Gen. 28:15). Deus falou
face a face com Jacó. Contudo, mesmo após esta
maravilhosa experiência, Jacó tentou fazer barganha
com Deus. Jacó disse: "Se Deus for comigo e me guardar
nesta viagem que faço e me der pão para comer... o
Senhor será o meu Deus" (Gen. 28:20-21). Como pode
um homem que teve tal visão e recebeu tais promessas
querer barganhar com Deus? Será que Jacó estava com
medo de que Deus não mantivesse Sua promessa?
(II). A vida de Jacó com Labão foi muito infeliz.
Tanto Jacó como Labão eram gananciosos. Ao invés de
confiar em Deus, Jacó usou de meios astuciosos para
enriquecer-se. Nós nos sentimos incomodados quando
lemos sobre a maneira que Jacó viveu e as coisas que
ele fez. Então surge a mudança na vida de Jacó. Está
escrito que ele lutou com Deus. Na realidade as
Escrituras dizem que Deus lutou com Jacó. Jacó tinha
deixado Labão e estava a caminho de casa. Ele temia
encontrar seu irmão Esaú. Jacó devia ir na frente de sua
família e encontrar seu irmão corajosamente, confiando
que Deus o guardaria a salvo. Em vez disso, ele foi um
covarde, e enviou outro na frente, para levar presentes a
Esaú que estava vindo ao seu encontro. Ele em seguida
enviou sua família na frente e ficou na retaguarda. Esaú
era o irmão mais velho de Jacó. Deus havia dito: "O
mais velho servirá o mais novo". Entretanto Jacó não
deu crédito a essa promessa. À noite, Jacó foi ao ribeiro
de Jaboque. Foi lá que Deus lutou com Jacó. "E Jacó
porém ficou só; lutou com ele um varão, até que a alva
subia" (Gen. 32:24). Deus lutou corporalmente com Jacó
para mostrar-lhe o quão pecador e enganador ele era.
Jacó era tão forte que ele não pôde ser derrotado até que
o anjo lhe tocou e ele ficou manco. Jacó sentiu então
sua fraqueza; ele estava manco. Ele disse: "Não te
deixarei ir, se me não abençoares" (Gen. 32:26). Deus
mostrara a Jacó que ele não tinha força própria. Jacó
era agora um homem humilde. Deus o abençoou. Por
isso Deus agora chamou-lhe de "Israel", que quer dizer
"um príncipe com Deus". Mesmo após esta experiência
havia muita incredulidade na vida de Jacó. Devemos
olhar em nossas próprias vidas e perguntar a nós
mesmos se somos melhores do que Jacó. Se somos
duros com Jacó, devemos ser duros com nós mesmos.
Jacó estava sempre querendo viver por vista, não
confiando nas promessas de Deus. Somos nós como
Jacó?
Se estou certo a respeito do tipo de pessoa que
Jacó foi, não havia nada nele que fizesse com que Deus
o amasse. A graça de Deus é a única razão porque Deus
amou Jacó. "Deus compadece-se de quem quer" (Rom.
9:18). A única razão pela qual podemos ser salvos é
somente através da graça soberana de Deus. Deus é
misericordioso e Sua vontade é toda-poderosa; portanto
podemos ter esperança de salvação. Este ensinamento
se encontra no relato sobre Jacó e em muitas outras
passagens da Palavra de Deus. Segure firme este
ensinamento e nunca o deixe escapar.

3. A próxima inquirição é: "Por que Deus odiou


Esaú?" Esta é uma questão bem diferente da primeira. E
necessário uma resposta bem diferente. Por que Deus
odeia alguém? Todo homem merece ser odiado por Deus.
Há pessoas que dizem que foi por causa da Sua
soberania que Deus odiou Esaú. Não penso ser essa a
resposta correta. Não penso que Deus criou o homem
com a intenção de condená-lo. Não posso crer que isso
seja verdade sobre o Deus cujas misericórdias duram
para sempre. Se Deus trata severamente qualquer
homem é porque este homem merece tal tratamento.
Não haverá nenhuma alma no inferno que poderá dizer a
Deus que Ele a tratou mais severamente do que merecia.
Toda alma perdida irá culpar-se a si mesma. Ela saberá
que foram suas próprias obras malignas que a levaram
ao inferno. E caso de justiça, se Deus tiver de condenar
um homem.
(I). Observemos que tipo de homem era Esaú.
Algumas pessoas perguntam se Esaú mereceu ser
rejeitado. Sim, mereceu. O caráter de Esaú prova que ele
mereceu a rejeição. Esaú perdeu seu direito de
primogenitura. Ele o vendeu por um guisado de
lentilhas. Esaú não iria culpar Deus pela perda de sua
primogenitura. Ele fez uma barganha com Jacó. Esaú
vendeu sua primogenitura por espontânea vontade.
Escolheu assim fazer. Ninguém o influenciou. Era
também o desejo de Deus que Jacó tivesse a
primogenitura. Mas se dissermos que Deus o
influenciou, estamos dizendo que Ele fez com que Esaú
pecasse. Nunca podemos dizer que Deus faz com que
um homem peque. Todo homem que perde o céu, como
Esaú perdeu sua primogenitura, abandona-o de livre
vontade. Deus não recusa dar vida eterna ao homem.
Pelo contrário, o homem não vai a Deus para que receba
a vida eterna. O homem permanece pecador porque ele
gosta mais do pecado do que das coisas de Deus. A
culpa está com o homem e não com Deus. Você, amigo,
é escravo do pecado, porém isso é porque não quer ficar
livre do pecado que está gozando. Você nunca vai querer
ficar livre do pecado até que Deus opere em seu coração.
Quando Deus opera de fato em seu coração, então vai
querer ser livre do pecado.
(II). Alguém pode dizer: "Esaú se arrependeu". Sim,
de fato. Mas com que tipo de arrependimento? Todo
homem que verdadeiramente se arrepende e crê será
salvo. Quando Esaú descobriu que tinha perdido a
primogenitura, ele quis tê-la de volta. Ele pediu com
lágrimas por sua primogenitura, todavia não a obteve de
volta. Pensou que pudesse conseguí-la de volta do seu
pai, ao preparar-lhe uma refeição. Pecadores dizem que,
tendo perdido o céu devido à iniqüidade própria, eles
podem ganhá-lo novamente ficando pesarosos dos seus
pecados e vivendo uma vida melhor. Mas Esaú não tinha
como conseguir sua primogenitura de volta do seu pai,
não importa o que fizesse. Pecadores não podem
comprar seu passe para o céu simplesmente desistindo
de seus pecados. Eles só podem alcançar o céu mediante
a livre graça de Deus.
Esaú não se arrependeu verdadeiramente. Ao
saber que seu pai não daria de volta sua primogenitura,
prometeu que quando seu pai morresse ele iria matar
seu irmão Jacó. Assim ele teria sua primogenitura de
volta. Esse não é o tipo de arrependimento que vem do
Espírito Santo de Deus. Não obstante, muitos homens
são assim. Eles dizem que sentem muito pelos seus
pecados só porque seus pecados os fazem muito
infelizes. Não se arrependeram verdadeiramente. Farão
as mesmas coisas de novo! Este tipo de arrependimento
deixa-os em seus pecados e agrava ainda mais a culpa
que sentiam antes.
Reitero: Esaú não se arrependeu verdadeiramente.
Não seria verdade, então, dizer que ele mereceu perder
sua primogenitura? Não seria verdade que Esaú
mereceu a ira de Deus? Nosso texto é extraído de
Romanos, capítulo 9. No versículo 22 lemos: "E que
direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a
conhecer o seu poder, suportou com muitas paciência os
vasos da ira, preparados para perdição; para que
também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos
vasos de misericórdia, que para glória já dantes
preparou"(Rom. 9:22-23). Esta passagem não diz coisa
alguma sobre Deus destinar homens à destruição. Os
homens se preparam a si mesmos para a destruição.
Deus nada tem a ver com isso. Quando os homens são
salvos, é Deus que os destina à salvação. Toda a glória
pela salvação de qualquer homem pertence a Deus. Toda
a culpa pela condenação de qualquer homem pertence
àquele homem.
No último grande dia todo mundo virá até Jesus
para ser julgado. Os justos irão para o lado direito.
Jesus dirá a eles: "Vinde, benditos de meu Pai, possuí
por herança o reino que vos está preparado desde a
fundação do mundo" (Mat. 25:34). Para as pessoas à
Sua esquerda, Jesus dirá:"... apartai-vos de mim,
malditos" — Ele não dirá: "Vocês que são amaldiçoados
pelo meu Pai" — "para o fogo eterno, preparado (não
para vocês, e sim) para o diabo e seus anjos" (Mat.
25:41). A salvação é inteiramente de Deus. "Vinde,
benditos de meu Pai". A eleição está embutida nessas
expressões; livre graça está aí em toda sua extensão.
Porventura respondi a essas duas questões
honestamente? Tentei dar uma razão bíblica para o
procedimento de Deus com os homens. Deus salva os
homens através de Sua graça; se os homens perecerem é
por sua própria falta. Estas são duas coisas diferentes.
(III). Alguém me pergunta: como é que eu
reconcilio estas duas doutrinas? Não tento reconciliar
amigos. Estas duas doutrinas são amigas. Ambas são
encontradas na Palavra de Deus. Estas verdades não
são inimigas. Elas não precisam ser reconciliadas.
Concordo que há muitas coisas na Palavra de Deus que
são difíceis de se entender. Até mesmo se eu não posso
compreendê-las, ainda tenho que crer nas coisas escri-
tas na Palavra de Deus. Não é questão de ter fé mais do
que entendimento. Deus não Se contradiz, embora Ele
ame a alguns e outros não.
Pecadores, se vocês perecerem, a culpa estará
sobre as suas cabeças. Suas consciências dizem isso. A
Palavra de Deus confirma esta verdade. Vocês se
destroem a si mesmos porque rejeitam Cristo. Se são
salvos não é por causa de suas boas obras. Vocês só
podem ser salvos pela livre e soberana graça de Deus. O
evangelho que é pregado a vocês é este:"... Crê no
Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa" (Atos
16:31).
Que graça seja dada a você, meu amigo, para
obedecer este mandamento. Que você creia em Cristo,
que veio ao mundo para salvar pecadores. Quem pode
contar as glórias e as vitórias da livre graça de Deus? A
graça disponível traz o esperto Jacó à glória. Esta graça
leva muitos pecadores miseráveis e desobedientes aos
céus. Que Deus faça com que esta doutrina se torne
realidade na sua vida. Peça ao Espírito Santo de Deus
que o ensine.
10
PRIMÍCIAS DAS SUAS CRIATURAS"
"Segundo a sua vontade ele nos gerou pela palavra da
verdade, para que fôssemos como primícias das suas
criaturas " (Tiago 1:18).

O apóstolo Paulo ensinou que a salvação é


exclusivamente pela graça. Algumas pessoas dizem que
Tiago não concordava com o apóstolo Paulo. Eles dizem
que Tiago não ensina que o homem é salvo somente pela
fé. Mas certamente, Tiago de fato concordava com Paulo.
Ele sabia que tudo que há de bom no homem vem da
graça de Deus. Tiago cria que o homem é salvo pela fé, e
que a fé é dádiva de Deus. Ele escreveu: "Toda boa
dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do
Pai das luzes..." (Tiago 1:17). Tiago não ensinou que as
boas obras do homem de modo algum ajudam no que
diz respeito a salvação, como algumas pessoas afirmam
que ele ensinou. Ele dá toda a honra e a glória a Deus.
Eu também quero trazer honra e glória a Deus ao
considerar este texto com vocês. O texto fala somente às
pessoas que são salvas. Portanto devemos fazer antes de
tudo uma divisão. Nem todos os homens são salvos.
Nem todos são filhos de Deus. Precisamos sondar
nossos corações e perguntar a nós mesmos se somos
verdadeiros crentes em Jesus Cristo. Um dia Deus irá
fazer uma separação entre os homens. Ele colocará
aqueles que são crentes à sua mão direita. Essas
pessoas irão aos céus. Ele colocará aqueles que não são
crentes em Jesus à Sua mão esquerda. Essas pessoas
irão para o inferno.
Vamos falar primeiro a respeito das pessoas
mencionadas no texto — os filhos de Deus. Em seguida
falaremos das responsabilidades que temos por sermos
filhos de Deus.

1. 0 privilégio que pertence aos filhos de Deus é


que eles foram regenerados, nascidos de novo pelo
Espírito Santo, através da Palavra de Deus. "Segundo a
sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (1
Ped. 1:23). Recebemos muitas bênçãos depois de
nascermos de novo. Todas essas bênçãos vêm através da
absoluta e graciosa vontade de Deus. Deus não está
obrigado a nos abençoar. Ele pode fazer como quiser. Ele
pode decidir não nos abençoar de modo algum. Tudo
que podemos reivindicar de Deus é justiça, o que
significa que Deus deve nos punir pelos nossos pecados.
Estamos nas mãos de Deus, esperando saber o
que Ele vai fazer. Se Deus assim desejar, Ele pode salvar
toda a humanidade. Ou se Ele quiser, Ele pode decidir
não salvar ninguém. Se Deus desejar, Ele pode, na Sua
misericórdia, salvar um homem e deixar outro para
sofrer a punição pelo seu pecado. Não há injustiça
alguma da parte de Deus se Ele assim fizer. É direito
soberano de Deus fazer o que Lhe aprouver. Deus diz na
Bíblia: "... compadecer-me-ei de quem me compadecer, e
terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" (Rom.
9:15-16).
Alguns ficam muito zangados com este
ensinamento. A ira deles não muda o fato de que a
verdade da soberania de Deus mantém-se firme como
uma rocha. Deus não tem que explicar ao homem o que
Ele faz. Ele faz o que quer, nos céus e na terra.
A doutrina da soberania de Deus traz grande
alegria aos que crêem nEle. Nós nos regozijamos no
amor de Deus que nos escolheu para sermos Seus
filhos. Deus deixa as pessoas que Ele não escolheu
seguirem seus próprios caminhos e perecerem no final.
Ele teve misericórdia de nós porque assim o quis,
mesmo antes de nós começarmos a orar e procurá-lO.
Este propósito eletivo de Deus é precioso. No mundo
precisamos pleitear, até com pessoas ricas, antes que
elas nos dêem alguma coisa. Não tivemos que implorar a
Deus. Todas as coisas preciosas que Ele nos deu, foi
"segundo a sua vontade". Deus Se apraz na
misericórdia, em dar livremente. O nome de Deus é
amor e a natureza de Deus é amor. É natural ao sol
enviar luz. É coisa natural Deus enviar a luz de Sua
eterna graça.
Louvemos ao Senhor que nos amou quando
estávamos mortos em nossas transgressões e pecados.
Glorifiquemo-lO pela Sua misericórdia livremente
demonstrada a nós. Não merecíamos a misericórdia de
Deus. Freqüentemente desprezamos essa misericórdia.
Alguns de nós resistimos a misericórdia de Deus por
longo tempo. Curvemo-nos então humildemente diante
do trono de Deus. Vamos agradecer-Lhe pelas Suas
misericórdias que duram para sempre. Quão
maravilhoso é que, devido Deus assim o desejar, Ele teve
compaixão de nós. O grande privilégio que Deus nos
concedeu é que, através do poder divino do Espírito
Santo, já nascemos de novo.
Nosso primeiro nascimento foi natural. Deus nos
fez e nossos corpos são Sua maravilhosa criação. Nosso
segundo nascimento foi espiritual. Nascemos de novo,
regenerados pelo poder divino do Espírito Santo. Nosso
segundo nascimento é uma obra de Deus, tão grande
quanto o nosso primeiro nascimento, nossa criação
natural. "Segundo a sua vontade" Deus nos deu uma
nova vida, e nos fez novas criaturas. Acaso temos a
certeza de que nascemos de novo? Sabemos que somos
novas criaturas em Cristo?
Talvez às vezes tenhamos dúvidas se somos
nascidos de novo. Mas o homem que nasceu de novo
sabe que há uma mudança nele. Há vezes quando até
aquelas pessoas que duvidam da sua salvação têm
certeza que passaram da morte para a vida. Sonde seu
próprio coração. Deixe que esta oração venha de seus
lábios e coração: "Sonda-me, ó Deus, e prova-me". Devo
advertir-lhes que se nada mais têm do que a natureza
pode lhes dar, vocês perecerão. Viver uma vida boa e
bem comportada não lhes dará uma entrada para o
reino de Deus. "Necessário vos é nascer de novo" (João
3:7). Estas palavras estão no portão do céu. Até mesmo
as pessoas mais destacadas na Igreja e na nação devem
nascer de novo, para serem admitidas no céu. Não
importa se vocês viveram uma boa vida ou se
desobedeceram abertamente a lei de Deus — precisam
nascer de novo. O Espírito Santo deve operar esta
transformação sobrenatural em vocês. Esta mudança é o
resultado do eterno propósito, poder e amor de Deus.
Aqueles que têm parte deste precioso privilégio são
felizes. Embora estivessem mortos em transgressões e
em pecado, agora eles estão vivos. Embora fossem
carnais e terrenos, agora são espirituais. Eles estavam
distanciados, mas agora foram trazidos para perto de
Deus. Todos estes privilégios são exclusivamente devidos
à soberana vontade de Deus. Se vocês nasceram de
novo, agradeçam a Deus de todo o coração e humilhem-
se diante dEle.
A maneira que esta mudança foi operada em
nossos corações é claramente expressa: "Segundo a sua
vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (Tiago
1:18). Homens são geralmente salvos ao ouvirem o
evangelho pregado. Alguns afirmam que a pregação da
verdade é eficaz para salvar o homem. Isto não é
totalmente verdadeiro. A verdade de Deus pode ser
fielmente pregada e ninguém ser convertido. Outros
dizem que o Espírito de Deus regenera as pessoas sem
se utilizar da Palavra de Deus. Isto também não pode ser
verdadeiro. A Bíblia nunca diz que o homem pode ser
salvo sem a Palavra de Deus. A Palavra e o Espírito
sempre operam juntos. A Bíblia diz: "Porque a palavra de
Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada
alguma de dois gumes..." (Heb. 4:12). As Escrituras
ensinam claramente que o Espírito de Deus opera
através da Palavra de Deus. A Palavra não opera sem o
Espírito. "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o
homem" (Mar. 10:9). Amigo, você foi salvo pela leitura da
Palavra de Deus? A Palavra de Deus é o poder de Deus
para a salvação de todo aquele que crê.
O que é esta Palavra de Deus que traz vida nova à
pessoa? A palavra é a pregação da doutrina da cruz.
Ninguém jamais nasceu de novo através da pregação da
lei. A lei pode tornar um homem mais humilde. A lei
pode quebrantar e ferir o homem. Ela poderá mostrar-
lhe a punição que receberá como pecador. Contudo, a lei
jamais lhe trará vida nova. A Bíblia diz: "... Deus estava
em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes
imputando os seus pecados" (II Cor. 5:19). Algumas
pessoas removem o sacrifício de Cristo do evangelho.
Elas condenam o texto: "... o sangue de Jesus Cristo,
seu Filho, nos purifica de todo pecado" (I João 1:7). Não
deixam nada de evangelho. A palavra "sangue" é uma
das mais solenes e importantes palavras em todas as
Escrituras. As pessoas não serão salvas se esta doutrina
não for pregada.
Se a pregação do evangelho trouxe salvação a você,
então pregue-o aos outros. Fale a cada um do fato que
Cristo morreu pelos pecadores. Afirme em todo lugar
que qualquer um que crer no Senhor Jesus Cristo terá
vida eterna. Diga às pessoas que Jesus Cristo foi o
substituto dos culpados. Diga-lhes que Ele sofreu pelos
pecadores; que a espada da justiça abateu o Pastor para
que as ovelhas pudessem ser livres. Declare aos seus
ouvintes como o Redentor sofreu a ira de Seu Pai para
que os filhos dEle jamais tenham que enfrentar a Sua
ira.
Nós crentes em Jesus devemos olhar para trás com
gratidão e esperança pelo que Deus fez. "Segundo a sua
vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade".

2. Devemos pensar na obrigação que pesa sobre


aqueles que têm o privilégio de serem salvos.
(I). Uma regra do governo de Deus tanto para
aqueles que estão sob o evangelho como os que estão
sob a lei, é que muito é esperado da pessoa a quem
muito é dado. Nosso texto diz: "Segundo a sua vontade,
ele nos gerou pela palavra da verdade, para que
fôssemos como primícias das suas criaturas".
Deus coloca aqueles que Ele salvou em primeiro
lugar. Ele lhes dá mais dignidade do que ao resto das
criaturas. O Seu povo escolhido é o Seu tesouro
especial. Creio que as pessoas mais pobres dentre o
povo de Deus são mais importantes do que os homens
mais eminentes da terra que não são convertidos. Deus
vê Seus santos como jóias na Sua coroa. Ele vê o resto
da humanidade como pedras comuns. Deus tem grande
prazer em Seu povo. O Seu povo é muito especial para
Ele. Portanto o povo de Deus é um povo privilegiado.
Contudo, privilégios especiais acarretam obrigações
especiais. Quero falar-lhes a respeito dessas obrigações.
Deuteronômio 26:1-4 nos diz que em Israel os
primeiros frutos eram recolhidos das colheitas. Em
seguida eles eram entregues a Deus. No Novo
Testamento, Tiago nos diz que Deus nos salvou para que
possamos nos oferecer como uma oferta, como
primícias, a Deus. Os israelitas traziam uma cesta das
primeiras espigas de trigo, para oferecê-las em sacrifício
ao Senhor. Esta oferta das primícias foi ordenada por
Deus e é uma obrigação dos crentes de hoje. Temos que
entregar ao Senhor uma parte de todo o dinheiro que
ganhamos. Espero que vocês já estejam fazendo isso.
Não quero falar agora a respeito de dar dinheiro ao
Senhor. Tudo que vocês tiverem, e todo o seu tempo
pertencem a Deus. Quero, entretanto, falar-lhes a
respeito de si mesmos. Toda pessoa redimida deve
concordar que foi comprada por um preço. Dizer que é
redimido significa que pertence a Cristo. Estão vocês, de
fato, vivendo dia após dia como aqueles que vivem para
Cristo? Podem dizer honestamente: "Para mim o viver é
Cristo"? (Fil. 1:21). Se você não pode dizer isso, meu
amigo, você está se portando desonestamente como
cristão. Deve examinar seu coração para descobrir o que
está errado.
O principal propósito da vida do autêntico cristão
deve ser o de tentar expandir o reino de Cristo. O cristão
deve também procurar demonstrar a glória de Cristo em
sua vida. Se vocês empenham seu tempo servindo a si
mesmos, então não são servos de Deus. Se Cristo
realmente vive em vocês, desejarão viver para Ele.
Muitas pessoas dizem que são cristãs, mas não vivem
como cristãs. Elas servem a Deus limitando-se a
freqüentar a igreja. A Bíblia nos diz que as nossas obras
para Cristo que não são verdadeiras serão queimadas
por completo como se fossem madeira, palha ou resto-
lho. Até mesmo pregadores podem pregar a mensagem
de Cristo com falta de sinceridade. Eles podem estar
pregando somente para demonstrarem suas próprias
habilidades. Tais pregadores trazem desonra ao nome de
Cristo.
Venhamos a Cristo e confessemos nossas faltas.
Peçamos graça para que em dias futuros possamos viver
somente para Ele, que é o nosso "culto racional" (Rom.
12:1). Nossos espíritos, almas e corpos pertencem a Ele.
(II). A oferta das primícias no Velho Testamento
era volun: tária. Não era obrigatório trazer as primícias.
Entretanto, se a pessoa não trouxesse as primícias, ela
perdia a bênção de Deus. Se trouxesse as primícias,
Deus a amava porque era uma pessoa que dava
prazerosamente. Peço que vocês se entreguem a Deus
com a mesma disposição. Aos cristãos que não se
entregaram verdadeiramente, eu digo: "Rogo-vos pois,
irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os
vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a
Deus, que é o vosso culto racional" (Rom. 12:1). Rogar é
uma palavra bem forte. Mas de fato eu "rogo" que vocês
se entreguem a Deus. Em breve deixaremos este mundo.
Lamentaremos então que perdemos oportunidades de
servir ao Senhor. Vocês estão fazendo tudo que podem
por Cristo? Jovens, vocês têm certeza que estão usando
todas as habilidades que Deus lhes deu? Há algo mais
que podem fazer por Cristo? Podemos continuar vivendo
vidas vulgares. No entanto, tudo pode ser feito para a
glória de Deus, até o comer e o beber. Qualquer que seja
o nosso trabalho, devemos fazê--lo diligentemente e no
temor de Deus. Então nosso serviço será aceito por Deus
como se fôssemos pregadores do evangelho, os quais
estão a serviço de Cristo em tempo integral. Venham
como são e entreguem-se com tudo que possuem com
alegria a Deus. Façam de vocês mesmos um "sacrifício
vivo".
Observem em Deuteronômio 26:4 que o homem
trazia as espigas de trigo numa cesta. Ele trazia de livre
vontade, porém não era ele quem as oferecia a Deus. "E
o sacerdote tomará o cesto da tua mão, e o porá diante
do altar do Senhor teu Deus". Nossa oferta deve também
ser entregue a Deus por meio de um mediador. Não
podemos nos oferecer diretamente a Deus. Devemos vir
a Deus através do nosso Mediador, o Senhor Jesus
Cristo. Nada que podemos fazer é em si mesmo aceitável
a Deus. Cristo deve cobrir tudo que fazemos com Seu
próprio mérito. Devemos trazer nossos corações e nossas
obras ao Senhor Jesus Cristo, que é o nosso Sumo
Sacerdote. Devemos pedir a Cristo que nos tome da
maneira que somos e nos ofereça diante do trono eterno
de Deus. Quando Cristo faz isso, somos feitos
"agradáveis no amado" (Ef. 1:6). Somos aceitos por
causa do sangue e da justiça de Cristo.
Depois que as primícias foram oferecidas, parece
que o adorador em Deuteronômio, capítulo 26, fazia
uma confissão do que ele devia a Deus. O judeu lá
permanecia com suas espigas de trigo. Ele confessava
que seu pai era "Siro". Por "Siro" ele queria dizer
"Abraão". Os descendentes de Abraão emigraram ao
Egito. Lá, Deus multiplicou-os e eles se tornaram a
nação de Israel. Deus libertou e trouxe os filhos de Israel
do Egito, através do deserto, para a terra que Ele lhes
havia prometido. O adorador lembrava-se então que à
parte da bondade de Deus ele nada tinha. Ele dizia a
Deus: "... tudo vem de ti, e da tua mão to damos" (I
Crôn. 29:14). Nós também devemos lembrar de tudo que
Deus nos tem feito. Por isso, devemos nos entregar de
novo — e tudo que temos — a Deus.
Que privilégio é conhecer o Senhor Jesus Cristo
como Salvador por muitos anos. Tivemos muitas
experiências em nossas vidas. Fomos muito ingratos e
omissos. Mas Deus tem demonstrado fidelidade e
benevolência a nós que nada merecemos. Louvemos a
Deus pelo Seu amor, pela Sua imutabilidade e pela Sua
graça perdoadora. Lembrem-se de todos os pecados que
lhes foram perdoados e de toda a graça que receberam.
Lembrem-se de todas as orações que foram respondidas.
Pensem em todas as provações das quais foram libertos.
Pensem em todos os conflitos em que Deus lhes ajudou
a ser vitoriosos e ofereçam-se como sacrifícios vivos a
Deus. Se você, amigo, nunca negou nada de si para
Cristo, faça-o agora. Quanto mais negar a si mesmo e
fizer mais por Cristo, tanto mais feliz você será. A
religião será um peso ao cristão indiferente, um costume
a ser suportado, não um banquete a ser desfrutado.
O adorador seguia seu caminho após ter
apresentado seu feixe de trigo. Deuteronômio diz que
seu coração ficará alegre, e que ele será abençoado. O
fato de que as primícias foram dadas a Deus significava
que toda a colheita seria abençoada. Da mesma forma,
os crentes hoje em dia são abençoados por Deus e são
eles próprios uma bênção para os seus semelhantes.
A Bíblia diz: "Deus tenha misericórdia de nós e nos
abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós. Para
que se conheça na terra o teu caminho, e em todas as
nações a tua salvação" (Sal. 67:1-2). Bênçãos são dadas
às nações através do povo de Deus. Lembrem-se da
promessa: "Eu serei para Israel como orvalho; ele
florescerá como o lírio, e espalhará as suas raízes como
o Líbano" (Os. 14:5). Quando vocês se entregarem
completamente a Deus, as pessoas ao seu redor serão
abençoadas pela graça que Deus lhes dará. O verdadeiro
avivamento começa em casa. Tirem primeiro as ervas
daninhas de seus próprios jardins. Capinem seus
jardins para que deles possam crescer flores. Se vocês
querem que a graça de Deus passe às suas famílias,
cuidem para que a graça de Deus esteja em suas
próprias vidas. Entreguem-se ao Senhor agora, assim
como as cestas de espigas de trigo eram entregues a Ele
nos dias do Velho Testamento.
Até aqui estive falando aos filhos de Deus. Não
posso falar, porém, da mesma maneira aos que não são
filhos de Deus. Se o seu coração, meu ouvinte, não está
correto diante de Deus, você não pode fazer oferta
alguma a Ele. Deus não aceitaria nenhuma oferta a Ele
oferecida que venha de um incrédulo.
No entanto, digo o que você pode fazer, por meio
da graça de Deus. Você não pode trazer nada a Ele, mas
pode pedir-Lhe algo. Você não pode ser um doador
porém pode ser um receptor. Pode receber o amor de
Cristo. Cristo apela a você que traga seu coração vazio e
necessitado a Ele. Seu mandamento é: "Creia, e viverá".
Crer é confiar em Cristo para lhe salvar. Ninguém que já
creu em Cristo constatou que Ele não cumpriu a Sua
promessa. Que você seja guiado pelo Espírito Santo a vir
em confiança ao Salvador, Àquele que uma vez foi
morto, mas que agora vive. Daí você dará a Deus todo o
seu coração. Você irá então viver para Aquele que
morreu por você.