Anda di halaman 1dari 8

Aquele capitão respondera ao homem de Deus: ainda que o senhor fizesse janelas no céu, poderia

suceder isso, segundo essa palavra? Dissera o profeta: Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso
não comerás (2 Rs 7:19)

Um homem sábio pode livrar uma cidade inteira; uma pessoa sábia pode
trazer segurança para milhares de outras. Os santos são “o sal da terra”, o meio de
preservação dos ímpios. Sem os crentes como conservante, a raça humana seria
totalmente destruída.

Na cidade de Samaria havia um homem justo: Eliseu, servo do Senhor. Na corte do


rei já não havia mais apreço pelas coisas de Deus. O rei era um pecador da pior espécie, sua
iniqüidade era evidente e infame. Jeorão andava nos passos do seu pai Acabe e fez deuses
falsos para si. O povo de Samaria caíra como seu monarca: tinham se desviado de Jeová,
esquecido o Deus de Israel. Não lembravam mais da senha de Jacó: “o Senhor, nosso Deus,
é o único Senhor”; em idolatria flagrante eles se inclinavam diante dos ídolos dos pagãos.
Por isso o Senhor dos Exércitos permitiu que seus inimigos os oprimissem até que a
maldição do monte Ebal se cumpriu nas ruas de Samaria: “A mais mimosa das mulheres e a
mais delicada do teu meio, que de mimo e delicadeza não tentaria por a planta do pé sobre a
terra”, olharia com má intenção para seus filhos e devoraria seus descendentes por causa da
fome atroz. Nesta situação extremamente terrível o único homem santo foi o meio de
salvação. Um único grão de sal preservou uma cidade inteira, o único guerreiro de Deus
libertou toda uma multidão sitiada. Por amor de Eliseu o Senhor prometeu que no dia
seguinte haveria comida, que já não havia mais por preço nenhum, para ser comprada pelo
preço mais baixo possível, às próprias portas de Samaria. Podemos imaginar o júbilo da
multidão quando o vidente pronunciou sua predição. Eles sabiam que ele era um profeta do
Senhor. Ele tinha credenciais divinas, todas as suas profecias tinham se cumprido. Eles
sabiam que ele era um homem enviado por Deus, que trazia a mensagem de Jeová.
Certamente os olhos do monarca brilharam de prazer e a multidão faminta saltou de alegria
com a perspectiva da libertação breve da fome. “Amanhã”, eles devem ter gritado, “amanhã
nossa fome terá acabado, e teremos festa a mais não poder!”.

Entretanto, o ajudante sobre o qual o rei se apoiava expressou sua descrença. Não
nos é dito se alguém do povo, dos plebeus, disse algo assim, mas alguém da elite sim. É
estranho que Deus raramente escolhe pessoas importantes deste mundo. Lugares altos e fé
em Cristo raras vezes combinam. Este homem disse: “Impossível!” E, com um insulto para
o profeta, acrescentou: “ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia suceder isso?”
seu pecado consistiu em depois de ver evidências repetidas do ministério de Eliseu, ainda
não crer nas afirmações que o profeta fazia em nome de Deus. Com certeza ele tinha visto a
derrota esplendida de Moabe; tinha ficado perplexo com a notícia da ressurreição do filho
da sunamita; sabia que Eliseu tinha revelado os segredos de Bem-Hadade e tornado cegas
suas hordas de assaltantes; ele vira o exército da Síria ser preso no centro de Samaria, e
provavelmente sabia a historia da viúva que encheu todas as vasilhas com azeite e libertou
seus filhos. Em todos os casos, a cura de Naamã era assunto de conversa comum na corte;
mesmo em face de toda essa evidencia, nas barbas de todas essas credenciais da missão do
profeta, ele duvidou e o insultou, dizendo que o céu precisava abrir-se inteiro antes que a
promessa se cumprisse. Em resposta DEUS pronunciou sua condenação pela boca do
homem que recém pronunciara a promessa: “Tu o verás com os teus olhos, porém disso não
comeras.” A Providencia – que sempre cumpre as profecias, assim como o papel registra a
impressão das letras destruiu o homem. Pisoteado nas ruas de Samaria, ele morreu à porta,
ainda vendo a abundancia mas sem chegar a prová-la. Talvez seu procedimento fosse
arrogante e insultuoso para o povo, ou ele tentasse controlar a correria desenfreada deles;
ou, poderíamos dizer, foi por mero acidente que ele foi pisoteado; assim ele viu a profecia
se cumprir, mas não viveu para alegrar-se nela. Neste caso, ver foi crer, mas não foi prazer.

Hoje quero manhã quero convidar a atenção de vocês para duas coisas: o pecado e o
castigo deste homem. Talvez eu diga pouco do homem, pois já descrevi as circunstancia,
mas discurse sobre o pecado da descrença e seu castigo.

Primeiro, o pecado, Seu pecado foi incredulidade. Ele duvidou da promessa de


Deus. Neste caso particular a descrença tomou a forma da dúvida da veracidade divina, ou
de desconfiança do poder de Deus. Ou ele duvidou que Deus realmente queria dizer o que
disse, ou que estava dentro do alcance que Deus cumprisse sua promessa. A incredulidade
tem mais fases que a lua e mais cores que um camaleão. As pessoas comuns dizem que o
Diabo pode ser visto as vezes com uma forma e outras vezes com outra. Eu tenho certeza
que isso também vale para o primogênito de satanás, a descrença, porque ela tem uma
legião de formas. A um tempo eu vejo a descrença vestida como um anjo de luz. Ela chama
a si mesma de humildade, e diz: “não quero ser presunçosa; não me atrevo a dizer que Deus
me perdoará. Sou um pecador ruim demais”. Chamamos isso de humildade, e agradecemos
à Deus que nosso amigo apresenta uma atitude tão boa. Eu não agradeço à Deus por um
engano tão próprio como esse. É o Diabo vestido como anjo de luz; no fim das contas, é
incredulidade.

Outras vezes detectamos a incredulidade sob a forma de dúvida sobre a


imutabilidade de Deus: “O Senhor me amou, mas talvez amanhã Ele me rejeite. Ele me
ajudou ontem, e sob a sombra de suas asas eu estou seguro; mas talvez eu não receba ajuda
na próxima aflição. Talvez Ele me expulse; “Ele pode ter esquecido da sua aliança e deixar
de ser gracioso”. As vezes esta infidelidade esta incluída numa dúvida quanto ao poder de
Deus. Sofremos pressões novas a cada dia, somos envolvidos em nossas dificuldades, e
pensamos: “Com certeza o Senhor não pode nos livrar dessa”. Nos esforçamos para
aliviarmos nosso fardo e, ao vermos que não o conseguimos, achamos que o braço de Deus
e tão curto como o nosso e que o seu poder é tão pequeno como a força humana. Uma
forma temível de descrença é a duvida que evita que as pessoas venham a Cristo, que leva o
pecador a não confiar na capacidade de Cristo de salvá-lo, a duvidar da disposição de Jesus
de aceitar um transgressor tão grande. Infidelidade, deismo e ateísmo são os frutos
maduros desta arvore perniciosa; são as erupções mais terríveis do vulcão da descrença.

Estou perplexo, e tenho certeza que você também ficara, se eu lhe disser que há
algumas pessoas estranhas neste mundo, que não crêem que a incredulidade é pecado. Devo
chamá-las de pessoas estranhas porque sua fé é saudável em todos os outros aspectos; só
para serem coerentes em seus artigos de fé, no seu modo de ver, eles negam que a
descrença seja pecado. Lembro-me de um jovem que se aproximou de um grupo de amigos
e pastores que discutiam se era pecado quando alguém não cria no evangelho. Depois de
ouvir por algum tempo, ele disse:

--- Senhores, estou na presença de cristãos? Vocês crêem na bíblia, por acaso?

--- E claro que somos cristãos --- responderam eles.

--- Mas então, não diz a escritura: “Do pecado, porque não crêem em mim?” Não é
este o pecado que condena os pecadores, de que não crêem em Cristo?

Eu não teria imaginado que alguém pudesse ser tão tolo a ponto de se aventurar a
afirmar que “não é pecado quando um pecador não crê em Cristo”. Eu pensava que, por
mais vazão que quisesse dar a seus sentimentos, eles não iria contar uma mentira para reter
a verdade; na minha opinião é exatamente isso que pessoas assim estão fazendo. A verdade
é uma torre forte e não precisa ser reforçada com erros. A palavra de Deus vai prevalecer
sobre todas as artimanhas dos homens. Eu jamais inventaria um sofisma para provar que
não é pecado quando o descrente não crê, porque tenho certeza de que é, depois que a bíblia
me ensina que “o julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais
as trevas do que a luz”, e quando leio que “o que não crê já esta julgado, porquanto não crê
no nome do unigênito Filho de Deus”. Eu o afirmo, e a palavra o declara, incredulidade é
pecado. É obvio que pessoas racionais e sem preconceitos não precisam de argumentos que
provem isso. Não é claro que é pecado quando a criatura duvida da palavra do seu criador?
Não é crime é um insulto contra a Divindade quando eu, um átomo, um grão de pó, me
atrevo a negar suas palavras? Não é o cúmulo da arrogância e o extremo do orgulho quando
um filho de Adão diz, nem que seja em seu coração: “Deus, eu duvido da tua graça; Deus,
eu duvido do teu amor; Deus, eu duvido do teu poder?” Oh, senhores creiam em mim, se
vocês pudessem juntar todos os pecados numa só massa, se pudessem tomar assassinato,
blasfêmia, lascívia, adultério, fornicação e tudo que é maligno e unir tudo num conjunto
imenso de corrupção horrenda, nem isso se compararia com o pecado da descrença. Esse é
o pecado principal, a quintessência da culpa, a mistura do veneno de todos os crimes, a
escória do vinho de Gomorra; é o pecado A-1, a obra prima de Satanás, o principal feito do
diabo.

Tentarei esta neste pequeno espaço mostrar a natureza extremamente má do pecado


da incredulidade.

Em primeiro lugar, ficará evidente como o pecado da incredulidade é terrível


quando lembramos que ele é o pai de toda outra iniqüidade. Não há crime que a descrença
não possa conceber. A meu ver a queda do homem foi em boa parte devida a ele: foi neste
ponto que o diabo tentou Eva. Ele lhe disse: “E assim que Deus disse: não comereis de toda
árvore do jardim?” Ele sussurrou e insinuou uma dúvida: “foi isto que Deus disse?” É como
se ele dissesse: “Você tem certeza?” Foi por meio da incredulidade --- Este fio estreito
da lâmina ___ que o outro pecado entrou. A curiosidade e o resto seguiram. Ela tocou na
fruta, e a destruição entrou no mundo. Desde aquele dia a incredulidade tem sido o pai
prolífico de todo tipo de culpa. Um descrente é capaz do crime mais vil que jamais foi
cometido. A descrença, senhores! Ela endureceu o coração do faraó, tornou atrevida a
língua blasfema de Rabsaqué, sim, tornou-se deicida e assassinou Jesus.
Incredulidade! Ela tem afiada a faca do suicídio, misturado mais de um copo com veneno,
levado milhares à forca e outros tantos a um tumulo infame, pessoas que mataram a si
mesmas e se apresentaram com mãos sangrentas no tribunal do seu criador por causa da
descrença. Tragam-me um descrente; digam-me que ele duvida da palavra de Deus, que não
conta com suas promessas nem com suas ameaças; com essa premissa eu concluirei que, se
ele não for restringido por um poder muito forte, ele se tornará culpado dos crimes mais
horrendos e infames.

Deixem-me acrescentar aqui que a incredulidade no cristão é da mesma natureza


que a descrença no pecador. O fim não será o mesmo, porque no cristão ela será perdoada;
já esta perdoada. Foi colocada sobre o antigo bode expiatório; foi apagada e expiada; mas
tem a mesma natureza de pecado. Na verdade, se existe um pecado mais hediondo do que a
incredulidade de um pecador, é a incredulidade de um santo. Porque um santo que duvida
da palavra de Deus, que não confia em Deus mesmo com incontáveis demonstrações do seu
amor, com milhares de provas de sua misericórdia, supera tudo. Além disso, em um santo a
descrença é raiz de outros pecados. Quem é perfeito na fé, é perfeito em tudo mais.

Em segundo lugar, a incredulidade não só gera, mas também promove o pecado.


Como é que as pessoas conseguem continuar no pecado mesmo sob o trovão do Sinai?
Como é possível que, quando Boanerges está no púlpito e exclama pela graça de Deus:
“Maldito todo aquele que não guarda todos os mandamentos da lei”, e o pecador ouve as
advertências tremendas da justiça de Deus, ele endurece ainda mais e avança em seus
caminhos maus? Eu lhes direi: A incredulidade nas ameaças impede que elas tenham
qualquer efeito sobre eles. O diabo dá descrença ao ímpio; assim ele estabelece uma
barreira e se refugia atrás dela. Ó pecadores! No dia em que o Espírito Santo derrubar sua
descrença, quando comprovar a verdade com poder, como a lei atuará sobre sua alma! Se o
homem não acredita que a lei é santa, que os mandamentos são santos justos e bons, como
ficará abalado diante da boca aberta do inferno! Não haveria mais ninguém a vontade ou
dormindo na casa de Deus, nem ouvintes descuidados, ninguém que fosse embora para logo
esquecer que tipo de pessoas somos. Digo mais uma vez: como pode ser que as pessoas
ouvem o chamado da cruz do calvário e não vem a Cristo? Como pode ser que pregamos
sobre os sofrimentos de Cristo Jesus e terminamos dizendo: “Ainda há lugar”, que falamos
sobre sua cruz e paixão, e as pessoas não ficam contritas em seus corações? O relato da
cruz do calvário é suficiente para partir uma rocha. As rochas se despedaçaram quando
viram Jesus morrer. O relato da tragédia do Gólgota é suficiente para fazer uma pedreira
jorrar lágrimas e o patife mais endurecido chorar seus olhos em amor penitente. Mas a
vocês eu conto, e repito, mas quem chora por ela? Quem se importa? Senhores, vocês estão
sentados tão despreocupados como se não fosse com vocês. Oh! Olhem e vejam, todos que
estão passando. A morte de Jesus não diz nada para vocês? Vocês parecem dizer: “não é
nada”. Qual é o motivo? Há incredulidade entre vocês e a cruz.

Há ainda um terceiro ponto. A incredulidade torna a pessoa incapaz de fazer


qualquer coisa boa. “Tudo o que não provém da fé é pecado” é uma verdade muito
importante, em mais de um sentido. “Sem fé é impossível agradar à Deus”. Você nunca me
ouvirá dizer uma palavra contra a moralidade; você nunca me ouvirá dizendo que a
honestidade não é uma coisa boa, ou a sobriedade; pelo contrário, digo que são coisas
recomendáveis, mas vou dizer-lhes o que falo depois: elas são como o dinheiro da Índia; ele
pode ser moeda corrente entre os indianos, mas não aqui. Essas virtudes podem ser comuns
aqui em baixo, mas não lá em cima. Se você não tem nada melhor que sua própria bondade,
você nunca irá para o céu. Algumas tribos da Índia usam pequenas tiras de pano em vez de
dinheiro. Eu não teria problemas com isso para morar entre eles, mas aqui tiras de pano não
me servem para muita coisa. Desta forma, honestidade, sobriedade e coisas assim podem
ser muito boas entre as pessoas, e quanto mais tiver delas, melhor. Eu os exorto a que
tenham o que é amável, puro e de boa fama; mas elas não lhe servirão lá em cima. Nem
todas essas coisas juntas, sem fé, agradam à Deus. Virtudes sem fé são pecados lavados.
Obediência sem fé, se é que ela é possível, é desobediência disfarçada. Não crer anula tudo.
É como a mosca no perfume, o veneno na panela.

Certo homem tinha um filho possesso e afligido por um espírito mau. Jesus estava
no monte Tabor, transfigurado; assim, o pai trouxe seu filho aos discípulos. O que esses
discípulos fizeram? Eles disseram: “Bem, nós o expulsaremos”. Puseram as mãos sobre ele
e tentaram, mas cochicharam entre si: “Temos medo de não conseguir”. Logo o moço
começou a espumar pela boca, arranhar a terra e bater-se em seu ataque. O demônio dentro
dele se manifestou, e não saiu. Em vão eles repetiam o exorcismo, o espírito imundo ficou
como um leão em sua toca, e os esforços deles não o desalojaram. Eles diziam: “Sai”, mas
ele não saia. “Vá para o abismo!” eles gritavam, mas ele estava irredutível. Lábios
incrédulos não assustam o maligno, que pode bem ter dito: “A fé eu conheço, Jesus eu
conheço, mas quem são vocês? Vocês não têm fé”. Se tivessem fé do tamanho de um grão
de mostarda, eles teriam expulsado o demônio; mas sua fé tinha ido embora, e por isso não
podiam fazer nada.

Veja também o caso do pobre Pedro. Enquanto teve fé, ele andou sobre as ondas
agitadas do lago. Foi um passeio explêndido; eu quase o vejo, andando sobre o lago. Se
Pedro continuasse tendo fé, teria andando por sobre o Atlântico até a América. Mas ai veio
uma onda por traz dele, e ele disse: “Essa vai me levar”. Depois veio outra da frente, e ele
gritou: “essa vai me afundar” Então ele pensou: “Como pude ser tão presunçoso e achar
que poderia andar por cima dessas ondas”? e lá se foi ele para o fundo. A fé era sua bóia
salva-vidas; a fé era seu amuleto, que o mantinha a tona, mas a incredulidade o mandou
para o fundo. Você sabia que você e eu, por toda nossa vida, teremos de andar por sobre a
água? A vida do cristão é sempre andar sobre a água – a minha é – e cada onda quer engoli-
lo e devorá-lo, mas a fé o mantém à tona. No momento em que você para de crer, o
desânimo se faz presente, e lá vai você para baixo. Porque você duvida, então?

Nossa próxima constatação é que a incredulidade é punida com severidade. Abra as


escrituras! Vejo uns mundos justos e belos, as montanhas sorrindo no sol e os campos
alegrando-se na luz dourada. Vejo moças dançando e rapazes cantando. Que visão bela!
Mas oh! Um Senhor respeitável e sério levanta sua voz e exclama: “Vem aí um dilúvio
inundar a terra. As fontes das profundezas serão escancaradas, e todas as coisas serão
cobertas. Vejam esta arca! Trabalhei cento e vinte anos para construí-la; fujam para ela, e
vocês serão salvos”. “Ora, homem velho, vá embora com suas predições vazias! Estejamos
alegres enquanto podemos. Quando vier o dilúvio, construiremos uma arca; só que não vem
nenhum dilúvio. Diga o que quiser aos tolos; nós não cremos nessas coisas”. Veja os
incrédulos andar atrás de suas danças alegres. Ouça, incrédulo! Você não ouviu a voz do
trovão? Os intestinos da terra começaram a se mover, as costelas de pedra se sentem
pressionadas por convulsões de dentro. Veja! Elas irrompem com força incrível de dentro
da terra, torrentes desconhecidas desde que Deus as ocultou no interior do nosso mundo. O
céu se parte ao meio! Chove. Não são gotas, mas nuvens inteiras que vem abaixo. Uma
catarata como o velho Niágara desce do céu com um estrondo terrível. Os dois
firmamentos, as duas profundezas – a de cima e a de baixo – se dão as mãos. E agora
incrédulo, onde estás? Lá estão os últimos sobreviventes. Um homem – a esposa o abraça
pela cintura – está de pé no último cume de montanha que ainda não está coberta pela água.
Olhe agora! A água já atingiu sua cintura. Ouça seu último grito! Ele agora flutua –
submergiu. Noé olha da arca e não vê mais Nada! Só um grande vazio. “Monstros marinhos
se instalam e procriam nos palácios dos reis”. Tudo estão derrubados, cobertos, afogados. O
que fez isto? O que trouxe o dilúvio sobre a terra? A incredulidade. Pela fé Noé escapou ao
dilúvio. Pela descrença o resto foi afogado.

Você não sabe que a incredulidade impediu Moisés e Arão de entrar em Canaã? Eles
não honraram à Deus: bateram na rocha quando deveriam ter falado com ela. Eles não
creram, e por isso o castigo veio sobre eles, de modo que não herdaram a boa terra pela
qual trabalharam e se esforçaram.

Deixem-me levá-los para onde Moises e Arão moraram – o grande deserto. Vamos
andar um pouco por ele; com os pés cansados, nos tornaremos como os beduínos
andarilhos, que vagueiam pelo deserto. Ali há um esqueleto esbranquiçado no sol; lá mais
um, e acolá um outro. O que significam esses ossos secos? Quem são esses corpos – ali um
homem, lá uma mulher? Quem são todos esses? Como esses cadáveres foram parar aqui?
Certamente deve ter havido aqui um grande acampamento, destruído numa noite por uma
explosão, ou por um ataque. Ah, não. Esses ossos são os ossos de Israel; os esqueletos são
as antigas tribos de Jacó. Não puderam entrar na terra por causa da incredulidade. Não
confiaram em Deus. Os espias disseram que eles não conseguiriam conquistar a terra. A
incredulidade foi a causa da morte deles. Não foram os Anaquins que destruíram Israel, não
foi o deserto uivante que os engoliu. O Jordão não os impediu de entrar em Canaã, não
foram os Heveus, e os jebuseus que os mataram; foi somente a incredulidade que os
manteve fora de Canaã. Que maldição foi pronunciada sobre Israel depois de quarenta anos
de peregrinação: não puderam entrar porque não creram!

Por último, quero dizer que você reconhecerá a natureza hedionda do pecado nisso –
este é o pecado que condena. Existe um pecado pelo qual Cristo não morreu: o pecado
contra o Espírito Santo. Você pode mencionar qualquer crime na lista do mal, e eu lhes
mostrarei pessoas que receberam perdão por eles. Mas pergunte-me se a pessoa que morreu
descrente pode ser salva, e eu respondo que não há expiação para essa pessoa. Ha expiação
pela descrença de um cristão, porque é temporária; mas a incredulidade final – a descrença
pela qual as pessoas morrem – não foi expiada.

Isto nos leva a concluir com o castigo. “Tu o verás com os teus olhos, porém disso
não comerás”. Ouçam, incrédulos! Vocês ouviram aqui os seus pecados; agora ouçam suas
conseqüências: “Tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás”. Isso acontece
com muita freqüência com os próprios santos de Deus. Quando eles não crêem, eles vêem a
misericórdia, mas não podem comê-la. Há trigo na terra do Egito; mas há santos de Deus
que vem no dia do descanso e dizem: “Bem, o evangelho esta sendo pregado, mas não sei
se será bem sucedido”. Estão sempre duvidando e temendo. Ouça o que dizem quando
saem do culto: “você recebeu uma boa refeição hoje?” “Não havia nada para mim”.é claro
que não você pode vê-lo mas não comeu porque não teve fé. Se tivesse vindo com fé, você
teria recebido sua porção. Tenho visto cristãos que cresceram tão críticos que, se a porção
de carne que tem para receber não lhes é trazida bem cortada sobre um prato especial de
porcelana, eles não a comem. Estes têm de sair sem nada, e ficar sem nada ate ficarem com
apetite. Terão aflições que agirão sobre eles como quinino; serão forçados a comer com um
gosto amargo na boca; serão colocados na prisão por um ou dois dias até que seu apetite
volte, e então ficarão contentes por comer a comida mais simples, do prato mais comum, ou
sem prato nenhum. Mas a verdadeira razão porque o povo de Deus não se alimenta é
porque não tem fé.

Deixe-me aplicar isso principalmente aos não convertidos. Muitas vezes eles vêem
grandes obras de Deus acontecerem diante dos seus olhos, mas não comem delas. Uma
multidão veio aqui hoje para ver, mas tenho minhas dúvidas se todos vão comer. As pessoas
não podem comer com os olhos; se pudessem, muitas estariam bem alimentadas.
Espiritualmente, as pessoas não podem alimentar-se simplesmente com os ouvidos, nem
olhando para o pregador; assim, constatamos que as pessoas vêm somente para ver:” Bem,
ouçamos o que este tagarela tem a dizer, este caniço balançado pelo vento”. Entretanto, eles
não têm fé; eles vêm, e vêem, e vêem, mas nunca comem. Aqui na frente há um que se
converte; ali há outro que é chamado pela graça soberana; algum pobre pecador está
chorando sob o peso de um senso de culpa de sangue; outro está clamando pela
misericórdia de Deus, e ainda outro está dizendo: “Tem misericórdia de mim, pecador”. Há
uma grande obra em andamento neste lugar de cultos, mas alguns de vocês não têm
nenhuma noção do que está acontecendo; não há obra em andamento no coração de vocês,
e porque? Porque vocês acham que isto é impossível; vocês acham que Deus não age. Ele
não prometeu trabalhar por vocês que não o honram. A incredulidade faz com que vocês
fiquem sentados em tempo de reavivamento e derramamento da graça de Deus, sem serem
tocados, sem serem chamados, sem serem salvos.

Todavia senhores, o pior cumprimento dessa maldição ainda está por vir! O bom
Whitfield às vezes levantava as duas mãos e gritava da forma como eu gostaria de gritar,
mas a voz me falha: “A ira vem! A ira vem!” Não é a ira de hoje que vocês devem temer,
mas a ira que vem; vem a maldição, quando vocês “o verão com os olhos, porém disso não
comerão”. É como se eu visse o último e grande dia. A última hora do tempo já soou. Ouvi
o sino tocar suas badaladas fúnebres – o tempo se foi, a eternidade começou; o mar está
revolto, as ondas estão iluminadas por um resplendor sobrenatural. Vejo um arco-íres – uma
nuvem que vem voando, e sobre ela um trono, e sentado nele um parecido com O Filho do
Homem. Eu o conheço. Diante dele estão os livros, o livro da vida, o livro da morte, o livro
dos registros. Vejo seu esplendor, e me encho de júbilo; contemplo sua aparência pomposa,
e sorrio de felicidade que “Ele veio para ser admirado por todos os seus santos”. No
entanto, também vejo uma fila de vilões miseráveis, rastejando horrorizados tentando se
esconder, mas mesmo assim olhando, porque seus olhos têm de contemplar aquele a quem
traspassaram; porém, quando olham, eles gritam: “oculta-me da face”. Que face? “rochas,
ocultem-nos da face”. Que face? “A face de Jesus, o homem que morreu, mas que agora
veio julgar”.
Para concluir: parece que vejo você em algum lugar do inferno, acorrentado a uma
rocha, o urubu do remorso estraçalhando o seu coração; e lá encima está Lázaro, ao lado de
Abraão. Você levanta os olhos e vê isto: “Este é o pobre que estava jogado ao lado do meu
monte de lixo, de quem os cães lambiam as feridas; ele está lá no céu, enquanto eu estou cá
embaixo. Lázaro – sim, é Lazaro; e eu, que era rico no mundo do tempo, estou aqui no
inferno. Pai Abraão, diga a Lázaro que molhe a ponta do dedo na água para refrescar minha
língua”. Não! Não pode ser, não é possível. Enquanto você está deitado ali, se houver no
inferno uma coisa pior que as outras, será ver os santos no céu. Oh, pensar em ver minha
mãe no céu enquanto eu fui expulso! Ó pecador, pense, ver seu irmão no céu – aquele que
foi ninado no mesmo berço e brincou debaixo da mesma árvore – enquanto você está fora.
Marido, lá está sua esposa no céu, e você está entre os condenados. E veja você pai! Seu
filho está diante do trono, e você! Maldito por Deus e pelas pessoas, está no inferno. Sim, o
inferno dos infernos será ver nossos amigos no céu e nós perdidos. Eu lhes imploro, meus
ouvintes, pela morte de Cristo – por sua agonia e suor de sangue, por sua cruz e paixão, por
tudo o que é santo, por tudo o que é sagrado no céu e na terra, por tudo o que é solene no
tempo e na eternidade, por tudo o que há de horrível no inferno e de glorioso no céu, por
esta palavra terrível “para sempre” --- eu lhes imploro que levem essas coisas a sério e se
lembrem de que, se forem condenados, será por causa da incredulidade. Se se perderem,
será porque não creram em Cristo; se perecerem, esta será a gota mais amarga do fel --- não
ter confiado no Salvador.

Autor: Pr Charles Haddon Spurgeon


Extraído de: Spurgeon´s Sermons Fonte: www.PalavraPrudente.com.br