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Cap 07 - A Única Porta

Pr C H Spurgeon

Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem (João 10:9)

A palavra de Deus nos diz que, em meio a grande multidão de seres


humanos, existe um povo especial – um povo escolhido por Deus da raça comum antes que
as estrelas começassem a brilhar; um povo caro ao coração de Deus antes da fundação do
mundo; um povo que foi redimido pelo precioso pelo sangue de Jesus além e acima da
humanidade; um povo que é a propriedade de Cristo, o rebanho do seu pasto, as ovelhas
que comem da sua mão; um povo de quem a Providência cuida, abrindo um caminho para
eles em meio ao emaranhado confuso da vida; um povo que no fim será trazido, um por
um, sem mácula diante do trono eterno e preparado para o destino excelso que Deus vai
revelar no futuro. Em toda a escritura você lê sobre este povo peculiar e especial. Às vezes
ele é chamado de “semente”, outras vezes de “jardim”, “tesouro” e “rebanho”, como no
capítulo que lemos. O nome comum no novo testamento para ele é “igreja”, “A igreja de
Deus, a qual Ele comprou com seu próprio sangue”. “Cristo amou a igreja e a si mesmo se
entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem da água
pela palavra”.

A grande questão é: como conseguir ser admitido nessa igreja? Onde


encontrar essa comunidade? Quem são seus membros? Qual é o caminho para tornar-se
participante dos privilégios que ela tem? Jesus Cristo nos diz duas coisas aqui: como entrar
na igreja – o caminho é através Dele, que é a porta. Segundo, que benefícios recebemos por
sermos membros da igreja de Cristo – seremos salvos, entraremos e sairemos e
encontraremos pastagem.

I. Como alguém pode tornar membro desta igreja que é eleita? Redimida e será
salva? A afirmação de Jesus dá uma resposta simples e curta a esta pergunta.

Cristo nos diz que a única maneira de entrar na igreja é através dele mesmo.
Ele é a porta, a única porta. Não há nenhum outro modo de admissão em sua igreja a não
ser por ele. Que fique entendido, então, de uma vez por todas, que não podemos entrar na
igreja de Cristo pelo batismo. Há dezenas de milhares, na verdade milhões que foram
batizados depois de uma programação especial, isto é, que foram aspergidos ou imergidos,
sem nunca terem sido admitidos na igreja de Cristo. Por causa da ordenança que lhes foram
ministradas, com seu consentimento ou muitas vezes sem ele, algumas pessoas os
reconhecem como cristãos. Mas deixe-me dizer-lhes que, se não vieram a Cristo por uma fé
genuína, eles não são melhores que pagãos batizados; ainda são pagãos aspergidos. Você
pode manter alguém debaixo de um chuveiro para sempre sem com isso fazê-lo “membro
de Cristo”; você pode arrastá-lo para o fundo do oceano Atlântico e, se sobreviver a
imersão, ele ainda não será um “til” melhor. A porta não é o batismo, mas Cristo. Se você
Crê em Cristo, você é membro da sua igreja. Se você colocou sua confiança sobre Cristo
que é o grande meio de salvação de Deus, então você tem evidências de que foi escolhido
por Ele antes da fundação do mundo, e esta sua fé o habilita para todos os privilégios que
Deus prometeu aos crentes em sua palavra.
Se Cristo é a porta, conclui-se que ninguém entra na igreja por meio de
nascença. A associação dos amigos tem sido uma das comunidades, mais frutíferas no
mundo, e conservou um bom testemunho nas questões mais importantes por muitos anos,
mas me parece que o grande mal que há nela, que lhe causou muitos danos, é a admissão de
membros por direito de nascimento. Não recebem eles em sua comunhão os filhos dos seus
membros, como se fossem elas pessoas certas para serem recebidas na igreja visível? Meus
irmãos, é um grande privilégio ter os pais cristãos. Isso pode ser uma grande vantagem, se
você fizer uso correto dela. Há nisso uma grande responsabilidade e, se você fizer mau uso
dela, em vez de ser uma bênção para você pode ser uma maldição temível. Você pode ser
um elo de uma grande linhagem de santos; “se você não nascer de novo, não pode ver o
reino de Deus”. O exemplo mais consagrado, a formação mais espiritual não pode garantir
a conversão e, sem conversão, você pode apostar nisso, você não pode ser de Cristo. “Se
não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino
dos céus”. Por não praticarmos o batismo de crianças, não caímos tão facilmente neste erro
como outras denominações, mas é necessário dizer também aqui que você não tem direito
aos privilégios do evangelho devido aos seus pais e mães. Vocês mesmos precisam ter
nascido de novo. Vocês não tem direito à aliança da graça, nem as bênçãos das promessas,
se não vier à Cristo por sua fé pessoal e individual. Nem seu pai ou sua mãe podem ser a
porta para a igreja de Cristo, só o próprio Cristo. Ele disse: “Eu sou a porta”. Se você tem
Cristo, você está em sua igreja. Se você se prender à Cristo, você será membro dessa
comunidade, dos seus eleitos e redimidos. Nunca por batismo ou por direito de nascença.

Além disso, como Cristo é a porta, é evidente que ninguém se torna membro da
igreja de Cristo simplesmente dizendo que é. Ele pode acabar se revelando um hipócrita
detestável, mas não pode se revelar um cristão genuíno por mera confissão de fé. Ninguém
fica rico neste mundo esbanjando dinheiro ou dizendo que é abastado. É preciso guardar
bem as escrituras das propriedades e guardar o dinheiro num cofre, senão todo o faz de
conta não esconde a pobreza. Você não pode tornar-se cristão vindo à frente e pedindo para
ser admitido na igreja, declarando que crê e jurando que se arrepende. Não, você precisa se
arrepender de verdade, ou não terá parte nem porção nesta questão. Simplesmente dizer:
“Sim, sim estou disposto a afirmar isto, concordo em dizer aquilo” faz de você um cristão
quanto dizer que um algodão é seda transforma o algodão nisso, ou fazer ouro de lama
mudando o nome desta. Tome cuidado com afirmações falsas porque elas trazem duas
conseqüências perigosas. A pessoa que não está debaixo da graça está em perigo, mas
aquela que afirma tê-la quando não a tem está duplamente em perigo, porque é menos
provável que seja despertado, e está fazendo de sua conversão um travesseiro para sua
cabeça perversa e adormecida, no qual ele descerá dormindo para o inferno.

Depois, e talvez isto chegue mais ainda ao ponto, ninguém se torna parte do povo
do Senhor ou uma das ovelhas de Cristo por ser admitido em uma igreja visível. Não deve
tentar entrar em uma igreja visível quem não faz parte da igreja verdadeira. Ele não tem o
direito de juntar-se à organização externa se não se agregou primeiro à organização secreta,
através de uma fé viva em cristo. Quem dá a volta pela porta e pula o muro, entrando na
igreja exterior sem ser crente em Cristo, longe de ser salvo, Cristo vai dizer-lhe: “Você é
ladrão e salteador, porque você subiu por outro lugar, sem passar pela porta”. Eu creio que
agimos corretamente ao submetermos a admissão de membros à voz de toda a igreja; creio
que agimos certo ao examinarmos os candidatos, para ver se é possível crer em sua
profissão de fé e se sabem o que estão fazendo. Porém nossa avaliação – ela não é mais
profunda que a pele. Não podemos sondar o coração, e o melhor juízo de muitos homens
cristãos, por mais honestos e merecedores de grande respeito que sejam, é uma base muito
pobre para alguém se apoiar. Se você não tem Cristo, seus certificados da igreja são papéis
para o lixo e sua associação com quaisquer pessoas, por mais puras e apostólicas que
possam ser, é só um nome pelo qual viver enquanto você está morto, porque a única
maneira de entrar na igreja real, vital, viva de Cristo é voltando-se para Cristo que, ele
mesmo, é a porta.

O português claro desta metáfora, então, diz exatamente isto: para ser do povo de
Deus, o essencial é a dependência simples de Jesus Cristo. Se você não tem isto – não
importa quem o batiza, ou lhe dá o pão e o vinho consagrado, ou quem emociona você com
uma esperança de salvação pela qual não há garantia – você morrerá em seus pecados,
apesar de todos os seus sacramentos, se não vier a Cristo. Nenhum outro meio de admissão
no céu pode ser posto além da simples dependência daquele que derramou seu sangue e
morreu na cruz do Calvário. A pregação de qualquer outro sistema é mero engano contra o
qual fomos advertidos, ou é uma armadilha para apanhar os desatentos.

Preste atenção: a fé simples, quando genuína, deixa claro que você entra por Cristo
que é a porta, porque uma fé assim leva á obediência. Como você pode imaginar que você é
membro de sua igreja se você não é obediente à Cristo? É necessário que quem confie em
Cristo se torne servo de Cristo. A fé real nunca tropeça nisso. Cristo disse: “Se me amais,
guardareis os meus mandamentos”. Se não guardamos os mandamentos de Cristo a partir
do princípio do nosso amor por Ele, nossa religião é inútil. “Sem santificação ninguém verá
o Senhor”. Podemos falar o quanto quisermos sobre experiências e convicções exteriores,
porém “Pelos seus frutos os conhecereis”. O Espírito de Deus é o espírito da santidade,
quando Cristo entra na alma, toda iniqüidade precisa ser expurgada dela. Você sabe como
Malaquias descreve a sua vinda. Ele nos anuncia a promessa de que o Senhor a quem
buscamos virá ao seu templo de repente: quem procura, acha. O que ele acrescenta? “Mas
quem poderá suportar o dia da sua vinda? Porque ele é como o fogo do ourives e como a
potassa dos lavandeiros”. O fogo do ourives queima as escórias e o sabão do lavandeiro tira
as manchas; da mesma forma, se Cristo está em você, você passará por um refinamento que
queimará, seu pecado interior, e você será submetido a uma lavagem com o sabão mais
forte, para limpá-lo de todas as suas iniqüidades. “Não vos enganeis, de Deus não se
zomba; pois aquilo que o homem semear isso também ceifará”. Se vivermos de acordo com
a carne iremos morrer; se, pela graça de Cristo, vivemos Nele, confiando Nele e servido à
Ele – sendo que o serviço é a evidência da confiança, e a confiança a evidência da eleição
– então você entrou na igreja pela porta, e você está bem.

Bem, se Cristo é a porta, e se nós entramos nesta igreja por esta porta, não importa
muito para nós o que aquele senhor idoso em Roma pensa de nós. Ele pode querer nos
excomungar. Isto ele gosta de fazer. Ele é bom em maldizer; o que importa? Se sou nova
criatura em Cristo Jesus, não dou a mínima para as afrontas do Papa. Além disso, há muitos
difamadores hoje em dia que estão dizendo: “Os não conformistas não passam de um bando
de heréticos. Nós temos a sucessão apostólica, os sacramentos e os sacerdotes”. Ora, eles se
gabam de serem “católicos”, apesar de sua alegação ser desautorizada tanto pela babilônia
aqui de baixo como pela Jerusalém lá de cima. Que se vangloriem. Enquanto temos a
Cristo, eles que fiquem com sua sucessão apostólica e todos os outros lixos. Ele é a porta, e,
se entramos por Ele, está tudo muito bem.

Eu gosto da história dos moradores das ilhas Sandwich que tinham sido convertidos
por intermédio de um dos nossos missionários e já estavam ouvindo o evangelho há anos.
Um dia, dois ou três senhores com longos talares pretos desembarcaram ali, e o povo
perguntou porque tinham vindo. Eles responderam:

-- Viemos instruí-los na fé verdadeira e ensiná-los.

-- Bem – disseram aqueles, -- se o seu é verdadeiro e de acordo com as escrituras


iremos ouvi-los.

Assim de passagem foi mostrado um pequeno diagrama aos nativos semelhante a


uma árvore com muitos galhos.

Os ramos mais distantes eram os vários santos, os crentes os que fazem boas obras. Depois
os galhos um pouco mais fortes eram os sacerdotes; os mais grossos eram os bispos, os bem
fortes eram os cardeais, e todos se juntavam ao tronco que era o Papa. Na base estava
Pedro, derivando sua autoridade diretamente de Cristo. Os nativos fizeram perguntas sobre
todos estes galhos, especialmente alguns apodrecidos que estavam caindo num fogo:

-- Quem são estes? – Estes eram Lutero, Calvino e outros hereges que tinham sido
cortados da árvore verdadeira que é a igreja.

-- Digam-me – disse um dos moradores das ilhas, -- Quem é a raiz das árvores? – É
claro que concordaram que a raiz era Jesus Cristo. Então todos bateram Palmas de alegria e
disseram:

-- Não nos importamos com os ramos e galhos; nunca ouvimos falar deles, mas
temos a raiz, ela é suficiente para crescermos nela. – Da mesma maneira, irmãos, podemos
dizer esta noite que, se temos a Cristo, temos a “raiz duma terra seca”. Obtemos a raiz da
questão, a base, o resumo, a substância de tudo.

Os outros crêem em muitas formas;

Não queremos discutir a esperança deles.

Que eles corram atrás dos seus negócios e se alegrem com suas ilusões; a porta é
Cristo. Nós temos a Cristo, nós entramos pela porta, nós cremos Nele, nós entramos na fé,
na alegria e na paz por meio Dele. Nós estamos satisfeitos com isso; que outros queiram
escalar por outro lugar, se quiserem.

Antes que eu termine este ponto, quero fazer uma pergunta que se propõe por si
mesma: será que todos já entramos pela porta? Concordamos que Cristo é a porta. Já
passamos por ela? Vocês que estão ficando velhos – sempre ficam contentes quando vejo
cabeças brancas no auditório, com os cabelos grisalhos da maturidade – todos já creram em
Jesus? Vocês conhecem a verdade, não querem ouvir a pregação de nada a não ser do
evangelho simples; mas será que já se apropriaram dele? Pode-se morrer de fome com pão
sobre a mesa e morrer de sede com água pelo pescoço, se a pessoa não comer e beber. Você
já confiou em Cristo. Se não, como pode permanecer em estado de descrença, se “o que não
crê já está julgado, porquanto não crê no filho de Deus?” Homens e mulheres na meia-
idade, debatendo-se com as preocupações dos negócios, vocês já entraram em Cristo? Eu
sei que os pensamentos de vocês estão necessariamente muito ocupados com o mundo; mas
você não tem tempo para refletir sobre esta pergunta, ou se arrisca a negligenciá-la: “Você
crê no filho de Deus?” Se a resposta é não, meu amigo, sua vida está por um fio, que, se
cortado, tornará certa a sua ruína. E vocês, jovens, que prova de bênção vê-los dispostos a
vir ouvir a palavra! Mas, será que já a ouviram com seus ouvidos interiores? Já olharam
para o seu mestre? É muito bom vir a Cristo cedo na manhã da vida, para ter um dia longo
de felicidade diante de si! Que este seja o privilégio de cada um de nós. É inútil olhar para a
porta se você não entra por ela. Que Deus lhe dê a graça de entrar se você ainda não o fez.

Nosso Senhor e mestre nos diz qual são as vantagens de entrar por Ele que é a porta:
aquele que entra por Cristo será salvo, entrará e sairá e achará pastagem.

Ele será salvo: imagine que alguém acidentalmente mate seu companheiro. O
parente mais próximo da vítima tomará providências para matar o homicida por vingança,
se conseguir pegá-lo. Por isso o pobre homem foge o mais rápido que puder para a cidade
de refúgio. Seu coração está acelerado, seus pés voam, ele corre com todas s suas forças.
Ele passa por uma seta onde se lê: “Refúgio”, e continua correndo. Em dado momento ele
olha para traz e vê que o vingador está nos seus calcanhares. Ele o vê aproximar-se e que
provavelmente logo o alcançara. Quanto cuidado ele toma para não tropeçar em alguma
pedra, como ele voa pelo caminho, rápido como uma gazela! Ele corre até avistar os
portões da cidade. “Essa é a cidade do refúgio”, ele se anima. Mas ele não se detém, porque
só a visão da cidade não o ajuda em nada; ele apressa seu passo para ultrapassar o vento, a
disparar pelo pórtico e ver-se na avenida central da cidade. Agora ele pára para respirar.
Agora ele pode enxugar o suor da testa. “Agora estou seguro”, ele diz: “porque nenhum
vingador de sangue se atreverá passar por aquele limiar; quem consegue fugir para cá está
livre”. A mesma coisa acontece com o pecador quando o pecado o persegue, quando
descobre que ofendeu à Deus. Ele ouve os terríveis caçadores da vingança divina correndo
céleres atrás dele, e sua consciência voa, sua alma se apressa para a cruz. Ele recebe um
pouco de esperança; ele ouve o salvador; mas isto não é suficiente. Ele só irá descansar, só
poderá dizer que está em paz quando tiver passado pelo portão da fé e puder dizer: “Agora
creio que Jesus morreu por mim”.

Quem entrar pela porta será salvo. A arca de Noé foi construída nos tempos idos
para preservar Noé e sua família no grande dilúvio. Não se pode dizer que Noé seria salvo
enquanto não entrasse pela porta.

Depois que ele o fez, as mãos divinas, invisíveis, fechou a porta. Quando Noé viu
como Deus a calafetava e compreendeu que estava preso ali dentro, ele se sentiu bem
seguro. Se Deus nos tranca dentro, o dilúvio lá fora não pode nos fazer nenhum mal. Quem
deus fecha deve estar seguro. No momento em que um pobre pecador confia em Cristo,
Deus tranca a porta. Ali ele está e ali Ele ficará até que o tempo não exista mais. Ele está
protegido. Os poderes do inferno não podem destruí-lo, e a vingança de Deus não pode
tocá-lo. Ele passou pela porta, e será salvo.

Li outro dia a história de uns russos que passavam por uma ampla planície, onde
aqui e ali se via grandes florestas. As aldeias ficavam quinze ou vinte quilômetros uma da
outra, os lobos estavam soltos, os cavalos corriam em disparada louca, os viajantes podiam
ouvir os latidos dos lobos atrás deles. Os cavalos davam tudo de si, mas os lobos chegavam
cada vez mais perto, e eles só escaparam, como dizemos, “por um triz”, conseguindo entrar
em uma cabana que encontraram à beira da estrada e fechar a porta. Depois eles ouviram os
lobos saltando sobre os telhados, roendo a porta, uivando e assustando-os com muitos
ruídos, mas os viajantes estavam seguros porque tinham entrado pela porta, e a porta estava
fechada. Agora, se alguém está em Cristo, ele pode ouvir com que os demônios uivando
como lobos, ferozes e famintos por ele; seus pecados, como lobos, estão tentando arrastá-lo
para baixo, para a destruição. Porém ele entrou em Cristo, e este é um abrigo tal que, se
todos os demônios desse mundo viessem ao mesmo tempo, não conseguiriam arrancar um
único sarrafo desse refúgio eterno; só ele pode ficar firme, mesmo que o céu e a terra se
desfizessem. Cristo diz a todo homem e mulher que eles serão salvos se entraram pela
porta. Você não precisa ter nenhuma dúvida quanto a isso. Não deixe ninguém questionar se
você será salvo ou não; você será. Agarre nesse bendito “será”. Senhor se você foi um
bêbado, mas agora confia em cristo, você será salvo. Você não voltará para a bebedeira,
mas será salvo dela se crer nele. Senhora, se você manchou seu caráter da pior maneira
possível, mas crê em Cristo, nenhum dos seus pecados passados irá arruiná-la, mas você
será salva. Sim, apesar de vocês serem tentados todos os dias das suas vidas, tentados como
jamais antes, Deus é fiel e não pode mentir – se você passar por Cristo que é a porta, você
será salvo. Você está entendendo o que é passar pela porta? Significa depender de Jesus,
entregar-se a Ele, descansar Nele. Quando você dependura seus apetrechos de cozinha nos
ganchos do armário, o que os impede de cair? Nada além do gancho; se ele segura bem,
nada do que está pendurado nele poderá cair. Você precisa confiar em Cristo como os
utensílios estão pendurados no gancho ele está firme como um gancho bem parafusado, se
você se pendura nele, não poderá nem ira perecer. Este é o principal privilégio – ele será
salvo.

Quem passou pela porta poderá entrar. Aquele que crê em Cristo entrará no
descanso e na paz, porque não há condenação para os que estão em Cristo Jesus. Ele entrará
no conhecimento secreto. Ele será um erudito e será instruído por Cristo como seu rabino.
Ele irá até Deus em oração com ousadia santa. Ele irá para aquilo que está atrás do véu e
falará com Deus de diante do trono da graça. Ele entrará na condição de filho e se tornará
herdeiro adotivo do céu. Ele entrará na comunhão intima com Deus, falará com seu criador.
O senhor fará resplandecer o seu rosto sobre ele. Ele alcançará as coisas mais elevadas,
entrará na sala do tesouro da aliança e dirá: “Tudo é meu”. Ele entrará no depósito das
promessas e tomará tudo que sua alma precisa. Ele entrará, avançando de círculo em
círculo, até chegar ao lugar mais interior, onde o amor de Deus é espalhado com mais
graça.

Quem passa pela porta será salvo e entrará. Se você sabe o que isso significa –
entre; entre mais fundo; entre mais, constantemente. Não pare onde você está, mas entre até
você receber um pouco mais. Se você ama a Cristo, aproxime-se mais Dele, mais, ainda
mais. Que sua oração seja:

Mais perto quero estar, meu Deus, de ti,

Inda que seja a dor que me uma a ti.

Sempre hei de suplicar: “Mais perto quero estar,

Meu Deus de ti!”

No entanto, se coce quer entrar em qualquer coisa espiritual, você precisa ir através
de Cristo. Vocês que abrem suas bíblias e querem compreender um texto, a maneira de
entrar no sentido de um texto é pela porta, Cristo. Vocês que querem mais santidade
venham pela porta; o caminho para a santidade não é por Moisés, mas, por Cristo. Vocês
que querem uma comunhão mais íntima com o pai celestial, o meio de entrar não pelos seus
esforços próprios – mas Cristo. Você veio para Cristo primeiro para receber salvação; você
precisa continuar vindo a Cristo para ser santificado. Jamais procure outra porta porque só
existe uma, e esta o levará para a vida, amor, paz, conhecimento e santificação. Ela o levará
para o céu. Cristo é a chave mestra pêra todas as dependências para todas as dependências
do palácio da misericórdia, e se você tem Cristo você pode entrar. Nada pode manter você
fora de alguma câmara secreta. Você entrará, em nome de Deus através de Cristo, que é a
porta.

O próximo privilégio é que você sairá. Os dois juntos - entrar e sair – significam
liberdade. O cristão não entra numa igreja como numa prisão; ele entra como um homem
livre que entra e sai de sua própria casa. Entretanto, o que significa sair? Creio que é o
seguinte, irmãos: aqueles que confiam em Cristo saem para suas atividades diárias através
de Cristo, que é a porta. Quantos de vocês já pensaram nisso? Você percebe que às vezes
você levanta, se veste e sai precipitado para o trabalho, e se sente fraco o dia todo. Bem, eu
não me admiro, porque não saiu através da porta, Cristo. Imagine que você tenha se
entregue a Cristo para o dia e, mesmo que teve só pouco tempo para orar, e disse nesses
termos: “Senhor, sou teu. Toma conta de mim hoje. Estou saindo para onde haverá muitas
coisas para me tentar e provar. Não sei o que haverá hoje, Senhor, mas estou saindo em teu
nome e descansando em tua força. Se há algo que eu possa fazer por ti, desejo fazê-lo. Se
há algo a sofrer, desejo sofrê-lo por amor a ti, mas cuida de mim, Senhor. Não quero sair e
encarar as outras pessoas antes de ter visto a tua face, e não quero falar com elas antes de
ter falado contigo, nem ouvir o que elas tem a dizer antes de ter ouvido o que o Senhor
Deus tem a dizer”. Você pode crer que é uma bênção quando você passa pela porta. Você
terá a certeza de voltar feliz para casa quando sai dessa maneira.

Será que este sair não significa sair para o sofrimento? Às vezes você e eu somos
chamados para suportar dores físicas e perdas de bens ou de entes queridos. Como é bom
sair para sofrer essas coisas pela porta, e poder dizer: “Mestre, isto é uma cruz, mas eu
quero carregá-la, não na minha força, mas na tua. Faça comigo o que quiseres; beberei o
cálice que tu o indicaste”. Em qualquer coisa e que você puder ver a mão de Cristo, o
amargo fica doce e as coisas pesadas logo ficam leves. Vá para o seu leito de enfermidade
como espera ir para o leito de morte: pela porta, isto é, através de Cristo.

E quando, como às vezes acontece, temos de sair, por assim dizer, da comunhão
com Cristo para lutar com nossos pecados interiores, a maneira certa de lhes resistir é pela
porta. Se você alguma vez tentar lutar contra o pecado pela sua própria força, ou em base
legal, ou se você sente que será condenado se não vencer esses pecados, você será tão fraco
como água. O caminho da vitória é pelo sangue do cordeiro. Não há como matar o pecado
exceto jogando o sangue de Cristo sobre ele. Assim que o sangue de Cristo entra em
contato com o pecado persistente, o pecado retrocede de pronto. Saia para os seus conflitos
espirituais pela porta.

Assim, amados, em tudo que fazemos pelo Senhor devemos sair pela porta. Para
mim é sempre agradável pregar quando que saí em nome do meu mestre, quando não venho
para lhes dizer as idéias que desenvolvi em próprio cérebro, nem para colocar para vocês
ilustrações interessantes, como eu às vezes gostaria. Quando venho para lhes dizer simples
e somente o que meu Senhor quer que vocês saibam, trago-o como mensagem a vocês do
deus de vocês, e ele acende em meu coração seu grande amor pelos pecadores que estão
perecendo. Assim, o ministério é um prazer.

Agora, o último privilégio mencionado no texto é “e achará pastagem”. Eu imagino


que foi para isso que vocês vieram aqui, vocês que amam o Senhor: para encontrar
pastagem. É uma grande benção se, quando vimos ouvir o evangelho, ele se torna um
verdadeiro pasto para nós. Conhecemos alguns que dizem que os problemas da semana se
tornam insolúveis porque o domingo foi vazio. Se vocês são membros de uma igreja
dilacerada por discórdias, onde o pastor tem abundância de tudo menos de Cristo, vocês
logo vão começar a reclamar, e a valorizar o privilégio de ouvir Jesus Cristo, elevado entre
vocês. Quem, porém, são as pessoas que ganham pastagem quando Jesus Cristo é pregado?
Não são todas que o ouvem, nem mesmo todos os crentes. Há ocasiões em que você ouve
um sermão que não serve para você, mas seu irmão ou irmã ao seu lado pode ser
grandemente instruído e confortado por ele. Nesse caso, eu não me surpreenderia se a razão
é que seu amigo entrou no culto pela porta e você não.

Você conhece a história do senhor Erskine e da boa senhora que veio ouvi-lo pregar
em um dia de ceia? A pregação foi tão agradável que ela achou que nunca tinha ouvido
outra igual. Assim, depois do culto ela perguntou:

- Quem foi aquele senhor que pregou hoje? – quando lhe falaram que foi o Sr.
Ebenezer Erskine, ela disse:

- Voltarei no próximo domingo para ouvi-lo de novo. – ela veio, ouviu, e pensou:
“Que pregação pesada e seca!” não recebeu nenhum conforto com ela; então, como uma
mulher tola que eu acho que ela deve ter sido, ela foi ao vestíbulo e disse:
- Sr. Erskine, domingo passado eu o ouvi com muito prazer; nunca fui tão edificada.
Vim novamente esta manhã, mas fui terrivelmente desapontada. – O bom homem
respondeu com muita calma:

- Desculpe, minha senhora, quando veio a igreja domingo passado, veio com que
motivação?

- vim para a ceia, senhor.

- para ter comunhão com Cristo, eu imagino? – ele perguntou.

- |Sim, senhor.

- Bem, a senhora veio para isso, e o recebeu. Agora, diga-me, para que a senhora
veio aqui esta manhã?

- vim para ouvi-lo, senhor – ela disse.

- e foi o que a senhora recebeu, e nada, além disso, porque a senhora não veio para
nada mais.

Ora, quando as pessoas vêm para ouvir certo pastor, ou por hábito, ou pela forma,
será que sempre recebe aquilo pelo que vieram? Quando a pessoa vem a procura de falhas,
nós sempre lhes servimos muitas das nossas imperfeições para entretê-las, de modo que
não saiam desapontadas. Outros que vêm somente por hábito, dizem: “Bem, esta é a minha
tarefa; fiz minha obrigação”. É óbvio que sim. Mas se você entrou pela porta – isto é,
olhando para Cristo, procurando por Cristo, desejando não ver o pregador, mas o Senhor,
não receber as palavras do homem, mas de Deus para sua alma – eu creio que você achou
pastagem.

Eu penso que o texto pode significar que quem descansa em Cristo terá todas as
suas necessidades supridas. Se este texto não diz isto, outro diz: “O Senhor é o meu pastor;
nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas
de descanso”.

Alguns de vocês são muito pobres, mas se confiaram em Cristo, podem reivindicar
esta promessa: “o Senhor disse que eu acharia pastagem”. Venha a Cristo e lhe diga que foi
Ele mesmo que afirmou isso: “Nenhum bem sonega aos que andam retamente”.

Eu anseio em Deus que alguns que ainda não entraram no aprisco sejam agora
atraídos à Jesus. Oh entrem pela porta para estes quatro privilégios especiais. Você talvez
nunca tenha uma oportunidade assim. Talvez você nunca mais seja tocado assim pelo
Espírito de Deus. Sim! Sem demora lancem suas almas impotentes nos braços cheios de
graça do Salvador, que pode e quer salvar, para que sejam salvos agora.
Autor: Pr Charles Haddon Spurgeon
Extraído de: Spurgeon´s Sermons Fonte: www.PalavraPrudente.com.br