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Cartografia da Agricultura nos Atlas Escolares Brasileiros

Valéria Trevizani Burla de Aguiar1 e Maria Aparecida de Almeida Gonçalves2

Os conhecimentos cartográficos surgiram em diferentes épocas e em


diferentes lugares sempre norteados pelo objetivo de representação de eventos espaciais.
Esses conhecimentos aparecem atualmente compilados e organizados em compêndios,
em livros técnicos e didáticos e nos Atlas.
Este estudo tem um foco específico nas representações cartográficas dos
eventos geográficos contidas nos Atlas escolares publicados no Brasil, com o objetivo
de avaliar como a organização do espaço agrário brasileiro foi inserida na Geografia
Escolar, ao longo do tempo.
Para a elaboração do estudo foram selecionados dez Atlas destinados ao uso
das escolas no Brasil e avaliados os mapas que tratam do tema agricultura. Foram
excluídos os Atlas escolares que não retratam a temática em questão, mas foram citados
na bibliografia. Os Atlas foram selecionados privilegiando uma abordagem histórica,
buscando avaliar os referenciais que nortearam a elaboração dos mapas de agricultura,
desde o primeiro Atlas escolar publicado no Brasil em 1868, até os mais recentes,
publicados neste século. No Atlas mais antigo não foram encontradas referências à
agricultura brasileira.
A avaliação dos mapas foi norteada pela seleção das informações
cartografadas, ou seja, quais os referenciais da agricultura brasileira foram inseridos nos
Atlas escolares em diferentes momentos históricos?
O Atlas escolar mais antigo que inclui informações sobre a agricultura
brasileira é o de FREIRE (1906). O autor utilizou mapas políticos dos estados
brasileiros (exceto o Acre) onde estão grafadas as atividades agrícolas desenvolvidas na
época, não demonstrando a preocupação com a localização precisa das informações;
talvez o propósito fosse o de informar os principais produtos agrícolas de cada estado,
passando a idéias de grandes espaços destinados a cada produto indicado; a Figura 1
retrata o mapa do Estado do Rio de Janeiro onde aparecem seis indicações de cultura de
café ao longo do vale do Paraíba; de cana-de-açúcar, nas proximidades da cidade de
Campos e da cidade de Parati; cereais, nas proximidades de “Itaguahy”; cereais e
algodão na região de “Macahé”. Na região de Petrópolis, não há menção à pecuária,
mas consta a produção de queijos e de manteiga.

1
Professora Doutora do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Juiz de Fora
2
Professora Mestre do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Juiz de Fora
Figura 1 – Mapa do Estado do Rio de Janeiro

Publicado na década de trinta, do século XX, o Atlas elaborado por


SOARES (1934), apresenta dois mapas do Brasil, em pequena escala (1: 50.000.000),
com o título de “Productos Vegetaes”. No primeiro mapa estão representadas as áreas
de extração de borracha, ao longo da bacia Amazônica, de cacau, no baixo curso do rio
Amazonas e litoral baiano, algodão no nordeste e interior de São Paulo; áreas de cultura
de café, no sudeste brasileiro.
No segundo mapa, com o mesmo título do anterior, a legenda é organizada
por quatro componentes, sendo o primeiro “lenha para construção”, referindo-se a uma
imensa mancha que corresponde a uma grande área da Floresta Amazônica; “arroz”,
ocupando uma área litorânea que vai do estado do Rio de Janeiro até o Pará, adentrando
pelas margens do rio Amazonas, até as proximidades de Manaus; “tabaco”, na bacia do
Rio São Francisco, ao longo das divisas dos estados da Bahia e Pernambuco e nas
proximidades de Cuiabá-MT. A “cana-de-açúcar” ocupa a faixa litorânea que se estende
desde a Bahia até o Rio Grande do Norte e em torno das regiões de São Luís (MA),
Belém (PA) e Ilha de Marajó. A figura 2 retrata um dos mapas mencionados onde se
constata que não havia política de preservação das matas brasileiras, até pelo contrário,
sendo um Atlas escolar, podemos deduzir que as escolas até incentivavam o corte de
árvores para o aproveitamento da madeira.

Figura 2 – Mapa de Productos Vegetaes


A elaboração desses dois Atlas se pauta na simples localização, não
permitindo uma comparação mais ampla entre as informações cartografadas e a
posterior elaboração de síntese é prejudicada pela carência ou pela imprecisão dos dados
incluídos nos mapas.
Um Atlas de amplo uso durante décadas nas escolas é o de PAUWELS, haja
vista as inúmeras edições publicadas. Utilizamos neste trabalho a 21ª edição, de 1963.
Esse Atlas se caracteriza pela enorme nomenclatura relativa aos acidentes naturais,
conforme era norteada, equivocadamente, a Geografia de memorização, ao longo de
décadas, no Brasil. Entretanto, nesse Atlas, não encontramos nenhum mapa de
agricultura. Ao final há uma tabela com produtos agrícolas brasileiros.
O Atlas Nacional do Brasil, publicado pelo IBGE e Conselho Nacional de
Geografia em 1966, inova pelo formato e pelo conteúdo, embora não possa ser
considerado propriamente um Atlas escolar.
O tamanho da folha (54 x 40 cm) foi utilizado para 50 mapas do Brasil na
escala de 1:12.500.000, com encartes na escala de 1:32.000.000, acrescidos de gráficos,
tabelas e /ou perfis, segundo o tema, acompanhados de textos no verso.
Reflete um esforço de compilação das pesquisas realizadas através da
linguagem cartográfica e de textos concisos. Busca também atender fins de
planejamento e administração.
Em sua Introdução, há o registro de propósito da geografia, naquele contexto
político.
“... fazer com que a ciência geográfica colabore, através de
seus ensinamentos, para o desenvolvimento harmônico do território
nacional – único capaz de promover o bem-estar da Nação, o
fortalecimento do poder nacional, a concretização do Brasil em grande
potência e sua projeção no campo internacional”.
Considerando a dinâmica dos dados geográficos, o Atlas Nacional foi
publicado em capa dura, com folhas perfuradas, sem encadernação permanente; a fim de
que folhas com dados atualizados pudessem ser acrescidas ou substituíssem as
anteriores.
Esse volume, relativo ao Brasil – Parte Geral- tem cinco conjuntos de cartas:
I – Brasil Político-Administrativo; II – Brasil Físico; III – Brasil Demográfico; IV –
Brasil Econômico e V – Brasil Sociocultural.
No conjunto III - Brasil Econômico, de 22 pranchas, 11 são dedicadas ao
setor primário, detalhados a seguir:
1. Extrativismo Vegetal e Mineral
Mapa do Brasil acompanhado de encarte de ampliação do Quadrilátero
Ferrífero e sete gráficos de produção e exportação de destaques no setor;
2. Áreas Agro-Pastoris
Brasil; encarte temático com áreas das lavouras e 3 gráficos da produção
agrícola 1950-1960 dos 12 principais produtos;
Lavoura
Brasil – Área de Lavoura; encarte temático: Área de lavouras – variação
absoluta e relativa – 1940 a 1960; 2 gráficos relacionando as áreas dos
estabelecimentos e os tipos de lavouras por estado e no país;
Pastagens
Mesmo tratamento dado às lavouras;
3. Estrutura fundiária
Brasil: Distribuição dos estabelecimentos rurais segundo grupos de área;
encarte temático com a área média dos estabelecimentos rurais; diagrama
triangular que compara o tamanho das propriedades e superfície ocupada; no
mapa principal são apontadas 10 áreas que contemplam todas as regiões, que
têm gráficos relacionando o número de estabelecimentos por classe e a
superfície ocupada;
4. Produção Agrícola
Coleção de 9 mapas com 26 produtos representados; 10 gráficos na porção
inferior apontam o desenvolvimento da produção e área cultivada;
5. População Pecuária
Brasil: número de cabeças, encarte de ampliação da Bacia Leiteira do
Sudeste; 3 gráficos relativos à produção de manteiga; leite em pó e queijo e
requeijão;
6. Agricultura
Coleção de mapas: Pessoal ocupado; Regime de Explotação; Rendimento da
produção; Implementos agrícolas e pessoal ocupado; Número de arados
(1950 e 1960); Número de tratores (1950 e 1960);
7. Agricultura: Produção Absoluta e Relativa
Dois mapas do Brasil, colocados lado a lado, com o valor absoluto em
cruzeiros e a quantidade em toneladas. O país é representado a partir do
meridiano 52 o W, excluindo parte das regiões Norte e Centro-Oeste; 2
tabelas referentes aos mapas e 3 gráficos sobre a capacidade de
armazenagem e ensilhagem no país e na rede portuária;
8. Uso da Terra (Figura 3)
Brasil com 5 áreas apontadas, transformadas em encartes de ampliação;

Figura 3: BRASIL – USO DA TERRA

9. Rotas dos Rebanhos


Brasil com encarte temático dos principais mercados de consumo de carne
bovina; 7 gráficos relativos à produção pecuária e beneficiamento dos produtos;
A agricultura também aparece nos mapas referentes à Organização Regional
da Economia (IV – 20); O Brasil na ALALC (IV – 21). No conjunto Brasil
Demográfico: População Urbana e Rural (III – 2); População Rural (III – 4.2);
população Ativa (III – 5) e Regime de Exploração Agrícola (III – 5.1.): coleção de
mapas: Pessoal não remunerado; Empregados Permanentes e Temporários; Parceiros;
Terras Arrendadas.
Esse material merece citação pelo volume e qualidade das informações
disponibilizadas pelo IBGE. Não há dados sobre a tiragem do mesmo, contudo é
observada a sua utilização nos Atlas escolares atuais, embora de modo reduzido. Em
muitas publicações somente o mapa sobre o Uso da Terra serviu de referencial aos
diversos autores.
Publicado em 1968, o Atlas Contemporâneo, do autor francês Pierre Gourou,
foi traduzido para o português pelo Prof. Nilo Bernardes, com o apoio de outros
renomados geógrafos, e difundido nas escolas brasileiras. No prefácio ao Atlas, registra-
se o seu objetivo:
“Atendendo a ênfase dada ao nosso país pelos programas de ensino médio e,
também, ao crescente interesse do público pelos aspectos geográficos dos
problemas nacionais, foi dada importância especial à parte referente ao Brasil.”
(p.3).

Conforme mencionado, nele foram incluídos diversos mapas com


representações dos quadros físico e político nacionais e regionais; os mapas temáticos,
ainda conforme o autor, “procuram traduzir as tendências contemporâneas”, apontando
para uma proposta de renovação do estudo de Geografia no Brasil. Na escala de 1:
18.000.000, o mapa intitulado “Brasil: Agricultura” retrata as atividades agrícolas e
extrativas. Na legenda estão detalhadas as áreas de lavouras perenes e temporárias,
classificadas conforme os sistemas produtivos (primitivos e melhorados) e as áreas
destinadas à criação de gado, classificadas de acordo com o tipo de pasto (natural ou
plantado) e delimitadas as bacias leiteiras do país.
O Atlas ainda contém outros cinco mapas temáticos, em escala menor, 1:
36.000.000; três deles, com representações dos diferentes produtos agrícolas brasileiros,
incluindo o total da produção em toneladas (dados de 1966); outro com a espacialização
da pecuária incluindo a totalidade de cabeças de bovinos, suínos e ovinos (dados de
1963) e no quinto (Fig. 4) estão representadas diferentes utilizações das terras (lavouras,
pastagens, matas e terras improdutivas), percentual por estado, em gráficos de setores,
inserindo as áreas dos estabelecimentos.
Figura 4 – Brasil – Agricultura – Utilização das Terras

Pelo exposto, pode-se deduzir que esse Atlas introduz inovações no que diz
respeito à utilização dos mapas de agricultura para escolares uma vez que permite ao
usuário estabelecer comparações e analisar o quadro agrário brasileiro, conduzindo à
elaboração de sínteses sobre diferentes lugares acerca do assunto. A sua proposta
ultrapassa a cartografia tradicional que se atém à localização dos lugares. Para a
organização das legendas foram utilizados símbolos e cores que às vezes dificultam a
legibilidade dos mesmos.
O Atlas Escolar da Fundação Nacional de Material Escolar (FENAME) foi
elaborado com o apoio do IBGE e substituiu o Atlas Geográfico Escolar, com utilização
bastante difundida e publicado durante vários anos (de 1956 a 1980), com uma tiragem
de 2.958.000 exemplares ao longo do tempo3. Publicado em 1983, o Atlas Escolar
resgata informações de seu antecessor e as amplia, incluindo amplo mapeamento sobre
a agricultura brasileira, contando, nessa parte, com a consultoria do Prof. Nilo
Bernardes.
No mapa dedicado à ocupação territorial, remete à evolução histórica,
representando as áreas de extração de pau-brasil e cultivo de cana-de-açúcar, no século
XVI; as áreas de pecuária e de extração das drogas do sertão nos séculos XVII e XVIII
e, no século XIX, as áreas de cultura de café.

3
Na apresentação do Atlas Geográfico da FENAME há considerações sobre o Atlas que o antecedeu e
das mudanças propostas para o novo Atlas.
No Atlas foi incluída uma página dedicada à agricultura, com três mapas. O
principal, na escala de 1: 22.000.000, apresenta o zoneamento agrícola do espaço
brasileiro, de forma generalizada, destacando áreas de policultura, de cultura de grãos,
monocultura, culturas diversificadas e pecuária, sem definir o tipo de produto de cada
área demarcada. Apresenta como encartes temáticos, visando à ampliação das
informações do mapa principal, dois mapas coropléticos, na escala 1: 50.000.000; o
primeiro apresenta a distribuição por porte do rebanho (pequeno, médio e grande) e o
segundo a especificação das culturas por estado.
O Atlas contém o mapeamento das regiões brasileiras, reservando três mapas
para cada região: físico/político, vegetação, agricultura e indústria, sempre na mesma
escala. Nos mapas de agricultura e indústria estão demarcadas as áreas de criação e de
produção agrícola, de forma zonal. Dentro das manchas que correspondem à policultura,
há destaque dos produtos predominantes, anotadas dentro dos próprios mapas, portanto,
não incluídas nas legendas. Na forma de encarte temático, um mapa coroplético indica a
pecuária, especificando se é de grande ou pequeno porte e a agricultura, se é industrial
ou de consumo (alimentar).
Constata-se a riqueza de informações sobre a agricultura brasileira que
possibilitam a utilização do Atlas de diferentes maneiras, seja através de uma leitura
ampla do quadro agrário brasileiro, seja através da superposição de informações, o que
permite a comparação, a análise e a síntese voltada para informações acerca de
produção. Ao lado dos mapas de cada região brasileira estão incluídos gráficos sobre a
composição da população, o que possibilita analisar a produção agrícola com a
população rural, mas não há dados suficientes que permitem uma compreensão da
ocupação social diferenciada do espaço.
Publicado em 1998, os autores do Atlas Geográfico do Estudante incluíram
seis mapas contendo informações sobre a agricultura brasileira. Entre os mapas, dois
estão em uma escala maior (1: 30.000.000), “Agropecuária” e “Estrutura Fundiária”. No
primeiro estão representadas, em grandes áreas, a agricultura e a pecuária de forma
similar ao mapa contido no Atlas Escolar da FENAME; os mapas são seguidos de
outros dois, na mesma página, um com dados relativos à produção agrícola para
exportação e o outro com a principal produção pecuária. A escala dos mapas, 1:
60.000.000, não permite boa legibilidade, sobretudo quando há a superposição das
informações. O mapa da estrutura fundiária, também na escala de 1: 30.000.000, contém
a representação de informações das propriedades pequenas, médias e grandes, número
de propriedades e área ocupada. As informações foram organizadas em gráficos de
setores dispostos sobre o mapa. Na parte inferior da folha, foram incluídos outros dois
mapas na escala 1: 60.000.000 (Fig. 5); no primeiro estão representados, pontualmente,
os municípios com assentamentos rurais e no segundo, conflitos de terra e principais
lugares de violência no campo. A análise comparativa entre os mapas possibilita o
cruzamento de informações sobre a organização social do espaço agrário, entretanto, a
escala dos mapas dificulta uma análise mais detalhada, posto que não há possibilidade
de identificação dos municípios e dos lugares indicados. Vale ressaltar que a inclusão
desses mapas apresenta um viés diferenciado de análise do espaço agrário brasileiro,
não encontrado nos Atlas escolares anteriormente mencionados.
Figura 5 – Estrutura Fundiária, Assentamentos Rurais e Conflitos de Terra.

O GeoAtlas é, sem dúvida, um dos mais utilizados nas escolas brasileiras,


atualmente. Nessa análise utilizamos a edição de 2001, atualizada em relação às
anteriores, com a inclusão de novos mapas sobre a agricultura brasileira.
O Atlas aponta para a possibilidade de uma leitura do quadro político e
social da agricultura brasileira. Além de apresentar mapas que aparecem em outros
Atlas, como “Brasil – Uso da Terra”, similar ao inserido no Atlas da FENAME de 1983,
na escala de 1: 25.000.000 (as escalas são gráficas), com atualizações na legenda, a
saber: agricultura predominantemente comercial, pequena lavoura comercial e de
subsistência, pecuária primitiva e pecuária melhorada, demarcando as áreas de pecuária
leiteira. O mapa também inclui as áreas de extrativismo vegetal. Na página ao lado, na
escala de 1: 50.000.000, estão quatro mapas que registram informações acerca dos
assentamentos rurais de 1985 a 1997, mortes em conflitos no campo de 1985 a 1996,
ocorrências de quilombos e concentração de terras (Fig. 6). Os mapas não estão na
mesma escala, mas há possibilidade de fazer uma superposição das informações
construindo uma imagem mais detalhada da organização do espaço agrário brasileiro.
Desta forma, os alunos podem romper com uma visão idílica do campo que permeou
durante muito tempo os livros didáticos de Geografia4 e retratada da mesma forma nos
mapas se levarmos em consideração que o espaço rural foi considerado unicamente
como um espaço de produção e sem conflitos, de acordo com Atlas analisados e
publicados até os anos oitenta do século XX.

4
Avaliação didáticos – ver referência
Figura 6 – BRASIL Uso da terra e Tensão no campo

Em 2002, o IBGE publicou o Atlas Geográfico Escolar contendo diversos


mapas sobre a temática em estudo. Apresenta um capítulo intitulado: Espaço
Econômico em que há o privilégio da representação de dados referentes ao espaço
agrário brasileiro. Nesse capítulo há um total de treze títulos de mapas abordando
informações variadas que permitem a superposição, configurando uma leitura mais
pormenorizada do espaço agrário brasileiro. Tais mapas contêm informações sobre:
Concentração da Terra, Ocupação da Terra pela agropecuária, Distribuição da soja em
diferentes domínios fitoecológicos, Usos da terra (1995-1996), Produtos Agrícolas
(1995-1996) – laranja, cana-de-açúcar, algodão, arroz, milho, feijão, Café (1995-1996)
– encartes: 1980 e 1985, Rebanho bovino (1995-1996), Mecanização (1995-1996),
Modernização da Agricultura (1995-1996) – encartes: eletrificação rural e controle de
pragas e doenças, Agrotóxicos (2000) – Figura 7, Fertilizantes (2001), Assentamentos
rurais (1995-1999) e, por fim, seis mapas sobre Agroindústria, com dados de 1999.
Vale ressaltar que os dados censitários sobre a agricultura brasileira foram
amplamente aproveitados ao longo da concepção e elaboração desse Atlas, incluindo
diferentes formas de organização do espaço agrário salientando a formação econômica,
política e socialmente diferenciada. Inova também na abordagem, pois, além de
ressaltar a importância econômica da agricultura e destacar os conflitos no campo,
insere indicadores de qualidade de vida, como a eletrificação rural e a questão
ambiental, com o acesso ao uso de adubos, agrotóxicos e o controle de pragas e
doenças.
Figura 7. ESPAÇO ECONÔMICO: Agrotóxicos e Assentamentos rurais.
O Atlas Geográfico: Espaço Mundial inclui o mapeamento da produção
agrícola brasileira, num total de doze mapas com valor da produção do estado em
relação ao valor total do país em % (rendimento kg/ha. = gráfico ao lado dos mapas),
com um mapa de cada produto dando uma visão da produção agrícola do país.
Brasil – Uso da Terra, com mapeamento idêntico ao do IBGE e da Simielli,
com alteração na legenda. A legenda é utilizada como encarte de localização. Traz ainda
um encarte temático sobre assentamentos rurais e uma coleção de mapas sobre a
dimensão dos estabelecimentos rurais. Aborda o tema mais sobre o enfoque econômico
do que social ou político. Figura 8.
Figura 8: BRASIL - Produção Agrícola e Uso da Terra

Publicado em 2003, o Atlas Geográfico. Natureza e Espaço da Sociedade


inclui um único mapa relativo à agricultura, na escala de 1: 24.000.000, com uma
legenda intitulada Atividades Agropecuárias, subdividida em menos modernizadas e
mais modernizadas, representação do rebanho bovino, diferenciando aquele destinado
para o corte e o destinado para a produção de leite. No mesmo mapa ainda constam
informações sobre a produção agrícola total por estado e dois vetores, um indicando a
expansão das novas fronteiras agrícolas e o outro os principais produtos agrícolas de
exportação. Considerando a escala do mapa e a quantidade de informações que foram
incluídas num só mapa, a leitura e compreensão do mesmo ficam comprometidas. O
autor ainda inclui a produção agropecuária mais importante em outros três mapas que
retratam as regiões geoeconômicas brasileiras (Amazônia, Nordeste e Centro-Sul).
Nesses mapas estão registrados os principais produtos de cada região.
Qual? Ou quais foram os sistemas gráficos de signos utilizados para
comunicar as informações? Constatamos que nos Atlas publicados mais recentemente
há uma preocupação dos autores em “limpar” as legendas, diminuindo a quantidade de
informações fazendo com que seja facilitada a leitura dos mapas. Paralelamente,
analisamos a legibilidade da informação a partir da opção cartográfica feita pelos
diversos autores, contextualizando-a de acordo com a técnica gráfica disponível em
cada época. Não resta dúvida que não há possibilidade de se fazer uma leitura das
diversas dimensões da realidade agrária brasileira (local e regional) visto que as escalas
utilizadas generalizam muito as informações postas.
Vale ressaltar que foram igualmente contextualizadas as informações
cartografadas conforme a orientação política de cada momento histórico e conforme a
disponibilidade das informações a partir dos levantamentos dos dados no Brasil. A
respeito, ao longo da elaboração da pesquisa, constatamos que a evolução da forma de
cartografar as informações sobre a agricultura no Brasil evoluíram significativamente,
mas o interesse em constar nos Atlas representações do espaço agrário brasileiro não foi
proporcional ao peso que ele teve como principal elemento formador da sociedade
brasileira.
Registramos também que a obtenção e difusão da informação podem ser
constatadas através da análise dos Atlas Escolares, ou seja, em todos os censos
elaborados no Brasil há informações sobre a população rural e urbana e dados sobre a
produção agrícola brasileira, entretanto não houve a apropriação desses dados para
serem mapeados e divulgados para os escolares.
Cabe ressaltar que, as discussões sociais acerca do espaço agrário brasileiro
têm sido postas desde a década de 1930, como se pode constatar nas obras de Josué de
Castro, Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior entre outras que tanto influenciaram os
geógrafos brasileiros, mas seus ensinamentos não foram incorporados no processo de
mapeamento do espaço.
Nos Atlas mais antigos havia o privilégio da localização em detrimento de
outras possíveis abordagens feitas a partir dos mapas; nos atuais, as informações
permitem aos usuários estabelecer correlações e análises entre as diferentes pranchas
possibilitando uma visão mais holística do quadro agrário brasileiro. O enfoque sobre o
tema, sem dúvida, mudou e tornou-se mais rico quanto às informações contidas nos
Atlas o que permite ao professor um trabalho diferenciado sobre a questão agrária no
Brasil, voltado para a compreensão da espacialização das desigualdades socialmente
construídas. Entretanto, cabe ressaltar que as novas atividades desenvolvidas no meio
rural brasileiro não foram incorporadas aos Atlas como aquelas relacionadas ao turismo
e recreação no meio rural, nem as novas atividades agrícolas que ganham gradativo
mercado urbano: piscicultura, criação de aves nobres, floricultura, fruticultura de mesa,
entre outras.
Conhecer um pouco dessa história da Geografia brasileira e saber como a
produção dos mapas de agricultura foi se transformando é de grande valia para que os
jovens percebam que, apesar da aparente neutralidade, os mapas correspondem a
intenções de controle do território, ao mesmo tempo em que refletem concepções
culturais e técnicas de diferentes épocas.

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