Anda di halaman 1dari 114

Promovendo o Trabalho Decente e

o Desenvolvimento Sustentável:
O Brasil na 96ª Conferência
Internacional do Trabalho na OIT

Cadernos de Relações Internacionais

Volume V
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Luiz Inácio Lula da Silva
MINISTRO DO TRABALHO E EMPREGO
Carlos Lupi

SECRETÁRIO-EXECUTIVO
Ronaldo Lessa

ASSESSORIA ESPECIAL PARA ASSUNTOS INTERNACIONAIS


Mario dos Santos Barbosa
Promovendo o Trabalho Decente e
o Desenvolvimento Sustentável:
O Brasil na 96ª Conferência
Internacional do Trabalho na OIT

Cadernos de Relações Internacionais

Volume V

Brasília
2007
© 2004 – Ministério do Trabalho e Emprego
É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

Tiragem: 1.000 exemplares

Edição e Distribuição:
Ministério do Trabalho e Emprego/Assessoria Internacional
Esplanada dos Ministérios, Bloco F, 5º Andar, Sala 555
Brasília/DF
CEP: 70059-900
Fone: (61) 3321-1690/3317-6126 – Fax: (61) 3224-0814
E-mail: internacional@mte.gov.br

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


Biblioteca. Seção de Processos Técnicos – MTE

P965 Promovendo o trabalho decente e o desenvolvimento sustentável:


o Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho na OIT
– Brasília: MTE, AI, 2007.
113 p. – (Cadernos de Relações Internacionais: v. 5)
Inclui anexo em espanhol.
1. Desenvolvimento sustentável: o Brasil na 96ª Conferência
Internacional do Trabalho na OIT, Brasil. 2. Mercado de trabalho,
Brasil. 3. Relação de trabalho, Brasil. 4. Emprego, contexto
sociopolítico. I. Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
II. Brasil. Assessoria Internacional (AI).

CDD 338.92
SUMÁRIO

Apresentação .............................................................................................................. 7
Introdução – Conferência Internacional do Trabalho da OIT ............................................................. 9
Discurso do Ministro do Trabalho e Emprego na 96ª CIT/2007 ................................ 11
Discurso dos Trabalhadores ................................................................................... 13
Discurso dos Empregadores .................................................................................. 15
O Fortalecimento da Capacidade da OIT para Prestar Assistência aos Membros na
Consecução de seus Objetivos no Contexto da Globalização ................................... 17
Comissão sobre o Trabalho no Setor Pesqueiro: Resultados da 96ª CIT/OIT .............. 21
A Promoção de Empresas Sustentáveis em Debate na OIT ........................................ 25
A Comissão de Aplicação de Normas da 96ª Conferência Internacional do Trabalho .29
Siglas .................................................................................................................. 31

Anexo
Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo:
el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible .................................................... 33
Resolución Relativa al Fortalecimiento de la Capacidad de la OIT ............................. 57
Texto del Convenio sobre el Trabajo en el Sector Pesquero ....................................... 61
Texto de la Recomendación sobre el Trabajo en el Sector Pesquero ........................... 89
Resolución sobre la Promoción de Empresas Sostenibles .......................................... 99
APRESENTAÇÃO

CARLOS LUPI da capacidade da OIT para prestar assistência


Ministro do Trabalho e Emprego aos seus membros no contexto da globaliza-
ção. Nesse plano, discutiu-se – sem, no en-
tanto, exaurir-se tão rico tema – a importância
da dimensão social no âmbito da integração
Em 2003, logo após a posse, o Presidente global e, também, a necessidade do desempe-
nho de um papel renovado por parte da OIT.
Luiz Inácio Lula da Silva dedicou à Organização
Internacional do Trabalho (OIT) sua primeira Logrou-se, nesta edição da Conferência, adotar
visita a organismo das Nações Unidas como a Convenção sobre o Trabalho Pesqueiro, fato
chefe de Estado. Em discurso na 92ª Conferência que acolhemos com satisfação, não obstante
da instituição, marcado por referências ao seu as diretivas acordadas já estarem amparadas
passado de operário e líder sindical, o Presidente pela legislação brasileira – trata-se, afinal, de
destacou o papel fundamental da Organização setor que envolve milhões de trabalhadores em
no aperfeiçoamento das relações de trabalho no todo o mundo.
contexto da globalização. Na oportunidade, afir- O presente caderno trata igualmente do
mou que seu governo empenharia os melhores tema da promoção de empresas sustentáveis.
esforços para promover o emprego e democra- Como veremos, as conclusões daquela comis-
tizar as relações de trabalho em nosso País com são refletem o caráter essencial de tais empresas
base no diálogo social tripartite. Destacou ainda como fonte de crescimento, geração de riqueza,
o Presidente a salutar convergência de princípios emprego e trabalho decente, considerando as
entre a agenda da OIT e a agenda política do condições nas quais devem desenvolver-se.
governo brasileiro – muito especialmente, em sua
gestão – e firmou Memorando de Entendimento Em relação ao tema da Aplicação de Nor-
para o estabelecimento de um programa de co- mas, verifiquei, com muito agrado, o respeito
operação técnica visando à promoção de uma que nosso País alcançou e ostenta, presidindo
Agenda de Trabalho Decente que norteie a ação tal comissão, a mais antiga da Conferência, que
do Ministério do Trabalho e Emprego. neste ano, além dos estudos geral e especial de-
dicados às formas de trabalho forçado, analisou
Nestes poucos meses no comando do Minis- inúmeros casos individuais pelo cumprimento
tério do Trabalho e Emprego, tenho a satisfação das convenções ratificadas pelos Estados-Mem-
de constatar que o compromisso assumido pelo bros da Organização.
Presidente Lula junto à OIT vem sendo honrado
com brilhantismo pelo Brasil, por meio da par- Durante encontros de trabalho, nos reuni-
ticipação ativa do nosso Ministério, junto com mos em Genebra (Suíça), na sede da OIT e em
os representantes dos trabalhadores e empre- nossa missão diplomática, com a delegação
gadores, nos debates e formulação de diretrizes brasileira – representantes dos trabalhadores,
para o mundo do trabalho. dos empregadores e servidores do MTE – para
balanço e avaliação do andamento dos traba-
Este ano, um dos temas em destaque na lhos. Além disso, mantive diversos encontros
Conferência foi precisamente o fortalecimento bilaterais com delegações estrangeiras, sindica-
Apresentação

listas, empresários e com o Senhor Diretor-Geral possibilitando que os acordos e convenções se-
da OIT – Embaixador Juan Somavia. Destaco, lados pelas negociações das entidades sindi-
desses encontros, a percepção de uma cres- cais sejam acessados tanto por empregadores
cente sensibilidade no que se refere à imple- como por trabalhadores, o que garantirá maior
mentação dos princípios do trabalho decente transparência ao trabalho realizado pelas repre-
e à promoção do desenvolvimento sustentável, sentações. No tocante à Economia Solidária,
a necessidade de novos enfoques na relação o trabalho desenvolvido pelo Ministério junto
comércio/emprego, o funcionamento dos mer- com nossos parceiros possibilitou recuperar e
cados de trabalho e a redução do déficit de montar cerca de 15 mil empreendimentos, com
trabalho decente – temas abordados, não por os quais geramos aproximadamente 1,2 milhão
acaso, no pronunciamento do Excelentíssimo de postos de trabalho entre empregados diretos,
Senhor Juan Somavia. indiretos e membros-sócios.
Trata-se, pois, do desafio de conciliar as me- A nossa Comissão Tripartite de Relações In-
tas do crescimento econômico, da geração de ternacionais tem trabalhado no sentido de cor-
emprego e renda, da preservação do meio am- rigir o atraso em matéria de encaminhamento
biente e da promoção de relações de trabalho de instrumentos internacionais para apreciação
marcadas pelo equilíbrio e pela justiça. Desafio do Congresso Nacional, como as Convenções
cujo enfrentamento é imprescindível e inadiável, nº 150, sobre Administração do Trabalho, e nº
e nos envolve a todos – governos, empregado- 151, sobre Relações de Trabalho na Adminis-
res, trabalhadores, sociedade civil. tração Pública, de 1978, além das normas mais
recentemente aprovadas pela OIT. Em próximas
Portanto, é com satisfação que, ao apresentar
reuniões dessa Comissão, discutiremos outros
está quinta edição de “Cadernos de Relações
instrumentos pendentes, bem como aqueles
Internacionais” dedicada à 96ª Conferência do
que tenham sido denunciados pelo Governo
Trabalho da OIT, reitero o compromisso do MTE
brasileiro, a exemplo da Convenção nº 158 da
com a promoção do trabalho decente, princípio
OIT. Além disso, temos atuado em estreita co-
que tem norteado nossa atuação em território
operação com diversos países, compartilhando
nacional, e ainda o empenho conjunto com nos-
experiências e contribuindo para a melhoria das
sos vizinhos, visando à promoção da Declaração
políticas públicas, como condição para a ele-
Sociolaboral do Mercosul. Destaco, ademais,
vação da qualidade de vida e de geração de
o processo de elaboração e de implementação
melhores perspectivas para a população traba-
da Agenda Nacional do Trabalho Decente, que
lhadora no Brasil e em nossa região.
estamos realizando em estreita colaboração
com a OIT. Por fim, gostaria ainda de ressaltar a impor-
tância da relação existente entre os compro-
Com igual satisfação, saliento que esta edi-
missos internacionais assumidos pelo Brasil no
ção de “Cadernos” vem à luz num contexto em
âmbito da OIT e os nossos compromissos inter-
que o nosso País registra avanços históricos em
nos, agendas que se fortalecem mutuamente.
relação à agenda do trabalho, como a geração
E reiterar que, como sentenciava o Presidente
de milhões de empregos com Carteira assinada
Lula em Genebra, há quatro anos, não acre-
e a ampliação do combate ao trabalho escravo
ditamos em desenvolvimento econômico sem
e ao trabalho infantil. Logramos estabelecer o
justiça social. 
sistema mediador, um programa inédito no País,

8 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
DO TRABALHO DA OIT

INTRODUÇÃO cação cria uma obrigação jurídica de aplicar


as disposições da convenção de que se trata.

O
Por sua parte, as recomendações pretendem
s Estados-Membros da OIT se reúnem na Con- orientar a ação no plano nacional, mas não
ferência Internacional do Trabalho, realizada a cada estão abertas à ratificação nem são juridica-
ano, em Genebra, Suíça, durante o mês de junho. mente vinculantes.
Cada Estado-Membro é representado por uma • A Conferência também supervisiona a apli-
delegação integrada por dois delegados governa- cação nacional das Convenções e Recomen-
mentais, um delegado empregador e um delegado dações. Examina as memórias que todos os
trabalhador, além de seus respectivos conselheiros Estados-Membros apresentam, fornecendo
técnicos; os delegados empregador e trabalhador informação detalhada acerca do cumprimen-
são designados de acordo com as organizações na- to das obrigações contraídas em virtude das
cionais mais representativas dos empregadores e dos Convenções que foram ratificadas e acerca de
trabalhadores. sua legislação e prática relativa às Convenções
(ratificadas ou não) e Recomendações sobre
Todos os delegados desfrutam dos mesmos di- as quais o Conselho de Administração tenha
reitos e podem expressar-se com inteira liberdade e solicitado a apresentação de memórias.
votar como considerar oportuno. Assim, ocorre que
• Desde a adoção, em 1998, da Declaração
os delegados dos trabalhadores e dos empregadores
da OIT relativa aos princípios e direitos fun-
votem em sentido contrário, ou em sentido contrário
damentais no trabalho, outra iniciativa impor-
ao de seus delegados governamentais. Essa diversi-
tante da Conferência é o exame do Informe
dade de pontos de vista não impede que as decisões
Global, preparado pela Organização em vir-
se adotem, com freqüência, por ampla maioria de
tude dos procedimentos de seguimento esta-
votos ou por unanimidade.
belecidos pela Declaração. Ao longo de um
Muitos representantes governamentais são minis- ciclo de quatro anos, a Conferência examina,
tros encarregados dos assuntos sociolaborais de seus por turnos, os informes globais que abarcam
países. Durante a reunião da Conferência, também os quatro direitos fundamentais, a saber:
fazem uso da palavra chefes de Estado ou de go- a) liberdade sindical e associação e reconhe-
verno. As organizações internacionais, tanto gover- cimento efetivo do direito à negociação
namentais como não-governamentais, assistem na coletiva;
qualidade de observador. São várias as funções da
b) a eliminação de todas as formas de trabalho
Conferência, também conhecida como Parlamento
forçado ou obrigatório;
Mundial do Trabalho:
c) a abolição efetiva do trabalho infantil;
• Em primeiro lugar, está a de elaborar e adotar
normas internacionais do trabalho, que reves- d) a eliminação da discriminação no emprego
tem a forma de Convenções e Recomenda- e ocupação.
ções. As Convenções são tratados internacio- • A Conferência é, ademais, um foro em que
nais que, uma vez adotados, são submetidos se debatem com inteira liberdade questões
à ratificação dos Estados-Membros. A ratifi- sociais e trabalhistas, de fundamental impor-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 9


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

tância para o mundo inteiro. Os delegados • A Conferência também adota resoluções que
estudam a evolução do progresso social no proporcionem orientações para a política geral
mundo, mas o tema central é a Memória que e as atividades futuras da OIT.
é apresentada a cada ano pelo Diretor-Geral • A cada dois anos, a Conferência aprova o
da OIT. Durante os últimos anos, essas me- programa de trabalho e o orçamento bienal
mórias trataram dos temas seguintes: Trabalho da Organização, que são financiados pelos
Decente (1999); Reduzir o Déficit do Trabalho Estados-Membros. 
Decente – um desafio global (2001); e Por
uma Globalização Justa: Criar oportunidades
para todos (2004).

10 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


DISCURSO DO MINISTRO
DO TRABALHO E EMPREGO
NA 96ª CIT/2007

CARLOS LUPI Pelo contrário, a experiência brasileira recente tem


demonstrado que o aumento dos progressos sociais
é condição prévia para o fortalecimento da demo-
cracia e para o crescimento econômico. Sabemos,
no entanto, que o crescimento econômico por si só
não basta para gerar trabalho decente para toda
nossa população. Por isso, o Ministério do Trabalho

A
e Emprego coordena na atualidade vários programas
Memória do Diretor-Geral da Conferência do de geração de emprego e renda, o Programa Nacio-
Trabalho, Juan Somavia, retoma as conclusões da nal para estimular o Primeiro Emprego, o Programa
Cúpula de Johannesburgo e põe em evidência a Nacional de Microcrédito Produtivo e Orientado e o
necessidade de que as políticas nacionais e os orga- Programa Nacional de Qualificação Profissional. A
nismos internacionais multilaterais sejam mais coe- estes programas se somam outros projetos produtivos
rentes. Fortalece o conceito de trabalho decente para coletivos, como cooperativas populares, redes de
todos e o associa à sustentabilidade dos modelos produção, consumo e comercialização, instituições
de desenvolvimento de nossos países. As mudanças financeiras de apoio a iniciativas populares e solidá-
sociais e econômicas que ocorreram no mundo glo- rias, empresas recuperadas por trabalhadores orga-
balizado foram depreciadas nas últimas décadas na nizados em autogestão, cooperativas de agricultura
relação de empregador com o trabalhador. Muitos familiar e cooperativas de prestação de serviços. Os
trabalhadores se vêem obrigados a renunciar a seus Consórcios da Juventude, formados por entidades e
direitos fundamentais para garantir sua sobrevivên- movimentos da sociedade civil organizada, propor-
cia. Devido a essas mudanças, no Brasil, há todo cionam qualificações profissionais aos jovens que se
um processo de qualificação dos trabalhadores, em encontram em situação de vulnerabilidade pessoal
que participam as universidades, os estados fede- e de risco social, com vistas a facilitar seu ingresso
rais etc. A capacitação de nossos jovens para essa no mercado de trabalho.
nova realidade do mundo contemporâneo é uma O Governo concede, ademais, os recursos finan-
prioridade. Estamos convencidos de que a geração ceiros necessários para custear essa qualificação,
de trabalho decente é um meio para alcançar a su- assim como subsídios às empresas que contratam tais
peração da pobreza, a redução das desigualdades jovens. Para apoiar esses programas, o Presidente
sociais e a governança democrática. É inaceitável Luiz Inácio Lula da Silva está realizando esforços
que a eliminação dos direitos e as garantias do tra- com vistas a reforçar o diálogo do Governo com a
balho sejam uma condição prévia para o crescimento sociedade brasileira, a fim de formular conjuntamen-
econômico. te uma política nacional de trabalho decente para
O Governo brasileiro tem se dedicado à aplicação a juventude. Essa mobilização nacional tem contri-
de políticas públicas destinadas a superar a pobreza buído de maneira decisiva para a criação de mais
e assegurar a inclusão social, promover os direitos seis milhões de postos de trabalho no setor formal
fundamentais no trabalho e lutar contra a informali- no Brasil nos últimos quatro anos, sem que por isso
dade. Não acreditamos que exista contradição entre se tenha perdido qualquer dos direitos conquistados
o progresso social e os bons resultados econômicos. por nossos trabalhadores. Estamos registrando índi-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 11


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável

ces sem precedentes de crescimento do emprego no plano nacional e mundial. No Brasil, o Bolsa-Família,
setor formal: 701 novas empresas em quatro meses, um dos programas mais importantes de transferência
um recorde em toda a história do Brasil. Isso refle- direta de renda no mundo, contribui de maneira de-
te os esforços realizados pelo Governo para que o cisiva a romper o ciclo de vulnerabilidade e pobreza
Brasil siga o caminho do crescimento econômico entre as gerações. Ademais das medidas encami-
e da a distribuição de renda. O Brasil acolhe com nhadas a reduzir a pobreza, somos conscientes de
satisfação o Informe Global sobre a Discriminação que priorizar a educação é um requisito primordial
no Trabalho. Queremos destacar a esse respeito o para alcançar uma política eficaz que permita fazer
Decreto Ministerial nº 41, que proíbe qualquer tipo frente a esse flagelo que atinge tantas crianças e
de referência negativa contra o trabalhador em sua jovens no mundo.
Carteira de Trabalho. Proíbe, assim, que o emprega-
As ações brasileiras nesse âmbito, a saber, os
dor exija do trabalhador renunciar a seus direitos, o
programas para a Erradicação do Trabalho Infantil e
que lhe proporcionaria uma prova de esterilização
Toda Criança na Escola, refletem esta preocupação
ou desconforto.
e vêm sendo reconhecidas pela Organização como
O Governo brasileiro quer reiterar seu firme com- exemplos de boas práticas. Nesse sentido, queremos
promisso com a eliminação do trabalho forçado em agradecer à OIT os grandes progressos realizados
seu território nacional. Tendo em vista os resultados pelo Programa Internacional para a Erradicação do
positivos obtidos neste âmbito, queremos expressar Trabalho Infantil em nosso País. Esses resultados têm
nosso interesse em que se siga cooperando com a estimulado o Governo brasileiro a patrocinar projetos
OIT no projeto de luta contra o trabalho forçado do IPEC no Haiti e nos países de língua portuguesa
no Brasil, cujo término está previsto para este ano. na África, onde esperamos poder reproduzir, sempre
Ainda este ano, foram realizados esforços nos Es- em estreita coordenação com os governos locais,
tados do Pará, Maranhão e Piauí, para recordar os as boas práticas existentes no Brasil neste âmbito.
trabalhadores de seus direitos e de lutar, por meio Dessa forma, o Brasil seguirá apoiando os esforços
de nossas equipes de fiscalização, contra qualquer realizados pela Organização para fortalecer nossa
tipo de trabalho forçado. A luta contra o trabalho cooperação. 
infantil também é objeto de crescente atenção no

12 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


DISCURSO DOS TRABALHADORES

WAGNER JOSÉ DE SOUZA Informe Global, de acordo com o seguimento da De-


claração da OIT relativo aos princípios e direitos fun-
Diretor de Relações Internacionais da damentais no trabalho, destaca, ao citar o Brasil, a
Social Democracia Sindical (SDS) redução das desigualdades raciais e de gênero como
parte de inclusão social e a repartição dos ingressos
graças ao crescimento do produto e do emprego,
assim como os planos nacionais de política para as
mulheres, promoção da igualdade racial e o plano

S omente poderemos superar a pobreza quando


Brasil sem homofobia. O setor pesqueiro brasileiro
progrediu muito. Num país com 8 mil quilômetros
a maioria das pessoas tiver acesso a um trabalho de costa, é importante instaurar uma vigilância efi-
decente, uma vez que dois milhões de pessoas no caz. Atualmente, damos importância às condições
mundo seguem vivendo com menos de dois dólares de trabalho, e de vida a bordo das embarcações e
por dia, em condições indignas de trabalho e vida. contamos com equipes especializadas de inspeção
O papel da OIT é fundamental para lutar contra a de trabalho que também verificam os barcos estran-
pobreza e a miséria, ao promover a justiça social geiros. É importante observar que existem 11 normas
e favorecer a criação de trabalho decente. Com o elaboradas de forma tripartite, e que os representan-
advento de uma nova realidade na economia, na po- tes dos trabalhadores participam colaborando na
lítica e no trabalho no mundo inteiro, surgiu uma voz planificação dessas supervisões. Apelamos para que
mais forte e mais unida em nível mundial, destinada se assumam nossas preocupações com vistas a que,
a abordar o desafio da globalização com energia e mediante um intenso trabalho tripartite, possamos
esperanças renovadas, que deu lugar à Confedera- alcançar o consenso em torno de uma convenção.
ção Sindical Mundial. No Brasil, a Social Democracia
O Brasil está empenhado em abandonar um mo-
Sindical, a Confederação Geral dos Trabalhadores
delo de empresa já obsoleto para adotar um modelo
e a Central Autônoma dos Trabalhadores se uniram
mais moderno e globalizado, já que essa é a prin-
com a finalidade de seguir esse passo dado em nível
cipal fonte de crescimento e emprego no marco da
internacional. Nesse contexto, nasce a União Geral
promoção de empresas sustentáveis. Recordamos
dos Trabalhadores, que tem como meta traçar nova
aos Países-Membros da OIT que o que impulsiona
trajetória do movimento sindical para o século XXI
o crescimento econômico é, sobretudo, a redução
que vá além do corporativismo e incorpore as idéias
de impostos, a criatividade e a árdua tarefa dos tra-
de um sindicalismo cidadão, ético e inovador, de
balhadores e empresários estimulados pela criação
maneira que o processo de globalização assuma
de emprego e o aumento da renda e do bem-estar
uma dimensão social e quebre os paradigmas tra-
derivado do trabalho. Somente se pratica civismo
dicionais.
empresarial com um comportamento ético, pagando
O Brasil tem sido modelo em escala mundial nos os impostos, cuidando do meio ambiente, melhoran-
âmbitos tecnológico, energético e sociolaboral, e do as condições reinantes na comunidade, dando um
recentemente marcou o caminho para descontaminar trabalho digno a todos seres humanos e respeitando
a atmosfera graças ao biocombustível. Ademais, o todos os direitos dos trabalhadores.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 13


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

Como princípio único da promoção de empresas reconhecimento das organizações de funcionários


sustentáveis, devemos qualificar nossos trabalhado- públicos, a negociação de condições de trabalho e
res de acordo com o conteúdo da Recomendação a regulamentação da greve no serviço público. Não
nº 195/2004, sobre o desenvolvimento dos recursos podemos deixar de citar a ausência do tripartismo,
humanos. Por último, o Brasil é um dos 10 Países- sobretudo do grupo de trabalhadores, no Progra-
Membros da OIT com um assento permanente no ma de Trabalho Decente, que está sendo elaborado
Conselho de Administração. O Governo tem que pelo Governo brasileiro, não esquecendo que os
corresponder e assumir essa responsabilidade, visto trabalhadores exercem grande influência na inclusão
que ainda não ratificou a Convenção nº 151, 1978, social, nas oportunidades e nas políticas públicas.
sobre as relações de trabalho na administração pú- Queremos concluir indicando que não há governo
blica, e a Recomendação nº 159, 1978, sobre as nem empresa sem trabalho, nem tampouco estes
relações de trabalho na administração pública, que podem existir sem o trabalhador. 
contemplam um conjunto de procedimentos para o

14 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


DISCURSO DOS EMPREGADORES

T H I E R S F AT T O R I C O S TA para nos mantermos competitivos. Por isso, devemos


Presidente de Honra da Confederação achar alternativas que contemplem tanto os interes-
Nacional do Transporte (CNC) ses dos trabalhadores como os dos empregadores,
beneficiando, assim, a sociedade em seu conjunto.
Somente por meio das negociações tripartites será

O
possível superar os obstáculos com que esbarram o
Diretor-Geral da Conferência do Trabalho, desenvolvimento, tais como o desemprego e o em-
Juan Somavia, propôs diversos temas, a globaliza- prego informal. A formulação de políticas tende a
ção econômica, os mercados livres, as empresas melhorar as qualificações dos trabalhadores e é uma
sustentáveis, a relação entre as pequenas, médias e estratégia muito conveniente. Quanto à formação
grandes empresas e a capacidade de cada uma de profissional, as organizações de empregadores do
gerar trabalho, os contratos e os salários, a medição Brasil têm empreendido essa tarefa há muito tempo,
dos déficits de trabalho decente, a proteção social, mantendo e administrando por meio das Confedera-
a modernização da gestão dos assuntos públicos no ções Nacionais da Indústria, Comércio, Transporte
mundo do trabalho e a reforma das Nações Unidas. e Agricultura, seus próprios serviços de formação
No Brasil, compartilhamos da mesma inquietude que profissional. Portanto, a solução para fomentar o em-
se experimenta em todo o mundo pelo aglutinamento prego, que tem a ver com a flexibilidade do mercado
das reservas de combustíveis fósseis e a degrada- de trabalho, é decidir se deve ser adotado um novo
ção do meio ambiente, em particular nas grandes modelo de relações trabalhistas definindo uma lista
cidades. Esforçamo-nos para produzir combustíveis mínima de direitos fundamentais e permitindo que
alternativos, tais como o etanol, que já está sendo as negociações entre as partes interessadas ampliem
utilizado em grande parte em nosso mercado auto- essa lista segundo suas possibilidades e necessida-
motivo e o biodiesel, que começamos a mesclar com des. Quanto ao custo da mão-de-obra, seria mais
o diesel destinado a nossos ônibus e caminhões. proveitoso começar a integrar medidas para suprimir
algumas regulamentações excessivas em torno do
No processo de produção, utilizam-se terras dis-
trabalho.
poníveis não destinadas à produção de alimentos.
No que concerne ao meio ambiente, com o apoio A globalização do comércio tem exacerbado a
das empresas e as organizações de trabalhadores, o competitividade e tem imposto novas normas de pro-
Governo brasileiro está melhorando sua legislação e dução, exigindo que os agentes econômicos incorpo-
seus sistemas de inspeção e supervisão. Exemplo dis- rem novas tecnologias e redobrem seus esforços para
so é o organismo ambientalista, o Instituto Brasileiro aumentar a rentabilidade da produção. Lamentavel-
de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA) e mente, essas práticas eliminam postos de trabalho
o Programa de Descontaminação da Confederação e incrementam os níveis de desemprego, inclusive
Nacional de Transporte (CNT). Tendo em vista as havendo crescimento econômico. A questão mais
mudanças suscitadas pela globalização, é preciso importante que os governantes de todo o mundo
modificar profundamente as normas que regem o deverão abordar nos próximos anos e, em particular,
trabalho. Em nosso País há enormes diferenças entre a OIT, é como conciliar a irreversível demanda de
o progresso tecnológico, o trabalho e a legislação qualidade e produtividade com a necessidade de
social e a capacidade das Pequenas e Médias Empre- seguir criando suficientes postos de trabalho para
sas (PYMES) para cumprir com a variedade de nor- atender às necessidades de milhões de jovens que, a
mativas. O mundo está mudando e devemos mudar cada ano, ingressam no mercado de trabalho. Acre-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 15


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

ditamos que a geração e a promoção de trabalho tivas nacionais que cada país empreende de forma
decente é a melhor maneira de conseguir a inclusão responsável, é necessário contar com um ambiente
social e o meio mais apropriado para alcançar o de- de maior cooperação e menos protecionismo, em
senvolvimento sustentável da perspectiva econômica, que a integração dos mercados seja um instrumento
social e ambiental. justo para criar condições propícias para alcançar
mais trabalho decente e inclusão social. Os dirigen-
É imprescindível unir as políticas macroeconô-
tes e os empresários devem fomentar a união da
micas e de emprego e trabalhar com a finalidade
sociedade civil sobre a base das causas comuns. Os
de alcançar um crescimento econômico com desen-
governos não têm respostas nem soluções para todos
volvimento social e proteção do meio ambiente. É
os problemas. Compete à sociedade trabalhar de
possível que a OIT por si só não consiga solucionar
maneira conjunta para analisar os problemas e pro-
todos esses graves problemas do mundo do trabalho,
por soluções. No Brasil, nosso Presidente, Luiz Inácio
mas conviria que fossem incluídos em seu programa
Lula da Silva, tem surpreendido os observadores com
de ações estudos a respeito dos diversos problemas
o equilíbrio alcançado, traduzido em importantes
ocasionados pela globalização, assim como a di-
progressos econômicos e sociais, que têm atraído
mensão social dos mesmos.
investimento e capital estrangeiro. Esperamos que
A globalização do trabalho decente somente pode a redução das taxas de juros permita ao Brasil um
triunfar por meio de um projeto de âmbito mundial crescimento maior, e que as decisões em termos de
em que se harmonizem os aspectos econômico e política fiscal e as reformas necessárias nesta área,
social. É a única maneira de alcançar o desenvolvi- assim como a relação entre o capital e o trabalho,
mento sustentável e a paz mundial. Se desejarmos evoluam com a mesma presteza e determinação.
o trabalho decente, devemos promover um mundo Para concluir, no espírito de fraternidade universal
decente para todos. Contudo, vale a pena mencionar e a confiança que os empregadores brasileiros de-
que o progresso necessário para o processo de glo- positam na OIT, acreditamos que será possível criar
balização exige que se levem em conta as relações um mundo de trabalho decente graças à cooperação
comerciais internacionais. Sem prejuízo das inicia- tripartite que aqui se pratica. 

16 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


O FORTALECIMENTO DA
CAPACIDADE DA OIT PARA PRESTAR
ASSISTÊNCIA AOS MEMBROS NA
CONSECUÇÃO DE SEUS OBJETIVOS
MARCÍLIO RIBEIRO DE SANT’ANA
NO CONTEXTO DA GLOBALIZAÇÃO
Sociólogo do Ministério do Trabalho e Emprego

1. INTRODUÇÃO AO TEMA como um processo mais sustentável, integrador e


socialmente justo. Sua resposta está no trabalho de-
O Conselho de Administração da OIT inscreveu cente, talvez a ferramenta que reúna, hoje, maior re-
o tema O Fortalecimento da Capacidade da OIT conhecimento universal como esforço de redução da
para Prestar Assistência aos Membros na Consecu- pobreza e apoio ao desenvolvimento internacional.
ção de seus Objetivos no Contexto da Globalização
na ordem do dia da 96ª Reunião da Conferência A finalidade precípua da OIT consiste em promo-
Internacional do Trabalho, celebrada em Genebra ver oportunidades de trabalho decente e produtivo
– Suíça, de 30 de maio a 15 de junho de 2007. a homens e mulheres, em condições de liberdade,
eqüidade, segurança e dignidade. O trabalho decen-
A Oficina elaborou um relatório1 para servir de te é o ponto de convergência dos quatro objetivos
base à discussão geral do tema, tomando como re- estratégicos da Organização – a promoção dos direi-
ferência um amplo processo de consultas, iniciado tos fundamentais no trabalho, o emprego, a proteção
na Conferência de 2004, em torno da memória do social e o diálogo social – e de orientação de suas
Diretor-Geral, Juan Somavia, a propósito dos acha- decisões e de seu papel no plano mundial.
dos da Comissão Mundial sobre a Dimensão Social
da Globalização. Trata-se de um relatório sobre go- Além de proporcionar à OIT um marco sólido
vernança, a sugerir várias inovações institucionais para a formulação e a gestão de políticas e reforçar
possíveis, que aproveitam o potencial da Constitui- sua eficácia no cumprimento dos objetivos estraté-
ção da OIT, mas acenam também com a reforma de gicos, o trabalho decente tem suscitado o interesse
práticas vigentes, com vistas a melhorar a efetividade de governantes, de organismos internacionais e de
da Organização e responder às exigências de um outros atores emergentes como objetivo político para
novo mundo laboral em evolução. a redução da pobreza mundial e uma globalização
benéfica a todos. A declaração do Conselho Econô-
O debate acerca das repercussões sociais da glo- mico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas (2006),
balização tende a mover-se entre duas percepções centrada na criação de um ambiente em escala na-
antagônicas, que destacam, em um extremo, o papel cional e internacional que propicie a geração do
do mercado global como indutor de oportunidades emprego pleno e produtivo e do trabalho decente
de emprego e de riqueza e, em outro, a instabilidade para todos – e suas conseqüências sobre o desen-
e a precarização do trabalho e o aprofundamento volvimento sustentável – desencadeou um esforço do
dos desequilíbrios entre grupos humanos e países. sistema ONU para integrá-lo às políticas, programas
Na tentativa de romper com essa polarização, a OIT e atividades de desenvolvimento internacional. Inú-
argumenta que a globalização pode configurar-se meras outras reuniões e organizações externaram seu
compromisso com a promoção do trabalho decente,
1
Oficina Internacional del Trabajo. El Fortalecimiento de la Ca- entre elas a Quarta Cúpula das Américas (Mar del
pacidad de la OIT para Prestar Asistencia a los Miembros en Plata, 2005), a Comissão Européia, o Foro Econômi-
la Consecución de sus Objetivos en el Contexto de la Globa-
lización. Informe V. OIT: Ginebra, 2007. co Mundial, o Foro Social Mundial, a Confederação

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 17


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

Sindical Internacional (Viena, 2006), entidades da e as necessidades e prioridades nacionais


sociedade civil. dos mandantes, intento que poderia ser im-
pulsionado pela realização de exames cícli-
O Programa de Trabalho Decente por País (PTDP)
cos dos objetivos estratégicos do trabalho
constitui o principal instrumento de cooperação da
decente;
OIT com os Estados-Membros e sua contribuição
específica aos marcos do desenvolvimento interna- (b) a promoção de um enfoque integrado dos
cional, entre os quais o Marco de Assistência das objetivos estratégicos da Organização, con-
Nações Unidas para o Desenvolvimento (MANUD), siderando-se sua interdependência, indivisi-
as Estratégias de Luta contra a Pobreza (ELP) e os bilidade e complementaridade, na relação
objetivos do milênio (ODM). É também seu veículo entre os mandantes e o trabalho da Oficina.
de participação no processo de reformas das Nações Esse enfoque integrado, harmônico com o
Unidas (Unidos na Ação). conceito de trabalho decente, asseguraria a
coerência dos PTDP com as características
O fortalecimento da capacidade da OIT erige-se,
nacionais, a sinergia entre objetivos econô-
pois, como prioridade e requisito fundamental para
micos e sociais e o enlace entre os PTDP e
que a Organização responda aos desafios gerados
os programas conexos das Nações Unidas
pelas expectativas, necessidades e oportunidades
e de organismos multilaterais;
de trabalho no contexto da globalização. O proble-
ma exige uma abordagem integral de suas várias (c) a necessidade de atentar para o novo con-
dimensões, em que sobressaem a solidificação do texto da globalização e para a existência de
tripartismo, o aumento da capacidade normativa e novos atores com crescente influência sobre
de controle, o desenvolvimento da base de conheci- a promoção do trabalho decente, com os
mentos, a consolidação das alianças internacionais quais se deveriam estabelecer e aprofundar
e a gestão de recursos. associações e alianças direcionadas ao al-
cance dos objetivos estratégicos, cabendo
ao Conselho de Administração considerar
2. DISCUSSÃO GERAL DO TEMA os meios para forjar tais relações e ampliar
A discussão geral do tema revelou acentuada sua eficácia.
convergência entre os mandantes em relação a as- A Comissão também realizou um exame preli-
pectos centrais do fortalecimento da OIT. A Comis- minar a respeito da adoção de um “documento de
são reafirmou unanimemente a pertinência, na nova referência”, em que figure o compromisso dos Mem-
ordem global, dos princípios e objetivos estratégicos bros com o fortalecimento da OIT, o cumprimento
da Organização, enunciados na Constituição, na dos objetivos estratégicos e o exercício do tripartismo.
Declaração de Filadélfia (1944), na Declaração so- Tal documento poderia assumir a forma de uma de-
bre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho claração [instrumento solene que enuncia princípios
(1998) e no Programa de Trabalho Decente. Também de grande importância e valor permanente] ou outro
concordou que o diálogo tripartite é ferramenta es- instrumento adequado, complementado pelo corres-
sencial para o alcance dos objetivos estratégicos no pondente mecanismo de seguimento.
âmbito nacional, regional e internacional.
A Comissão igualmente coincidiu sobre a necessi-
dade de se atribuir especial atenção a três principais
3. RESULTADOS DA DISCUSSÃO GERAL
aspectos da governança: A Comissão aprovou os projetos de conclusões e
(a) o fortalecimento da base de conhecimentos, de resolução que consubstanciam os resultados da
da capacidade analítica e da eficácia da primeira rodada da discussão geral sobre o tema
Oficina e dos vínculos entre suas atividades em pauta.

18 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


O Fortalecimento da Capacidade da OIT para Prestar Assistência aos Membros na Consecução de seus Objetivos no Contexto da Globalização

As conclusões refletem, em primeiro plano, o con- progressiva. Entretanto, a discussão não se encer-
senso obtido pelos Membros quanto à permanência e rará ao término dessa etapa. Subjaz ao debate a
à validade dos princípios e objetivos da OIT, expres- indagação sobre o futuro lugar da OIT no sistema
sos em atos fundamentais e no Programa de Trabalho ONU, cujo processo de reestruturação poderia re-
Decente, e ao significado do tripartismo como meio sultar em perda de poder e capacidade de atuação
essencial para alcançar ditos objetivos. Abordam, das agências especializadas em favor da “unifica-
em seguida, os três aspectos fundamentais para a ção da imagem/ação das Nações Unidas”.2 Diante
melhoria da governança, resumidos na seção ante- desse cenário, ganha maior nitidez o acento dado
rior, que poderiam contribuir para o fortalecimento pela Comissão ao compromisso de fortalecer a OIT
da capacidade da OIT. no processo de reforma das NU [Unidos na Ação],
de manter todas as suas esferas de atividade e de
O projeto de resolução trata, em essência, da
valorizar sua identidade tripartite.
proposta dirigida ao Conselho de Administração
para que ele considere a possibilidade de incluir
o tema na ordem do dia da 97ª Conferência, para 5. SUGESTÕES PARA UMA AGENDA
prosseguimento e conclusão do debate e a adoção
de um documento de referência. Também solicita à DE TRABALHO EM TORNO DO TEMA
Oficina os meios necessários à celebração de amplas A reinserção do tema na 97ª Conferência (2008)
consultas e a redação de um projeto de “documento e o programa de consultas que a antecederão abrem
de referência” que leve em conta as opiniões ex- uma oportunidade particularmente favorável à ado-
pressas na presente reunião e aquelas a surgir do ção de um conjunto de iniciativas relacionadas com o
intercâmbio de idéias entre os Membros. assunto em foco. O elemento-chave do processo de
A Conferência Internacional do Trabalho adotou, fortalecimento da OIT é, em última análise, prover os
na sessão plenária do dia 15 de junho, os projetos Estados-Membros de maior capacidade para pôr em
de resolução e de conclusões. marcha políticas públicas de trabalho decente e, por
essa via, impulsionar o desenvolvimento sustentável
e a justiça social. O PTDP é o elemento-chave que
4. AVALIAÇÃO DOS FEITOS possibilita estreitar a colaboração entre a Oficina e
DA COMISSÃO
o país, integrar os objetivos econômicos e sociais,
vincular os programas internos de desenvolvimento
A temática proposta à Comissão comporta ques- aos conexos dos organismos internacionais respon-
tões não apenas numerosas, mas também de uma der aos desafios sociais da globalização. É também
complexidade apreciável, que implicam, ademais, o veículo natural de engajamento de empregadores
dificuldades à necessária obtenção de consensos en- e de trabalhadores na busca de padrões laborais
tre os constituintes. Tanto é verdade que o Relatório civilizados, recordando-se que o diálogo tripartite
V antecipava comentários a respeito da conveniência é elemento constitutivo do trabalho decente e meio
de se prever para o debate mais tempo do que o eficaz para alcançá-lo.
disponível em uma única reunião da Conferência.
A arquitetura de uma agenda que associe a con-
A despeito disso, a Comissão registrou progressos
creção do PTDP nacional e o debate sobre o for-
importantes no tratamento dos aspectos centrais do
talecimento da OIT poderia também reservar um
tema e na convergência de posições, como demons-
espaço à preparação da delegação brasileira, em
tram os projetos de resolução e de conclusões.
particular da governamental, à futura Conferência.
O prosseguimento do exame do tema, a ser rea-
lizado durante o programa de consultas e a próxima
Conferência, refinará as idéias e propostas para o 2
Considerações apoiadas, sobretudo, na Nota MRE nº 00047,
fortalecimento da OIT num ambiente de globalização da Missão do Brasil em Genebra, de 25 de junho de 2007.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 19


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

Caberia imaginar, com tal propósito, cadeias de in- outros arranjos supranacionais. O diálogo ampliado
terlocução que, impelidas desde o MTE, estenderiam proporcionaria uma visão mais penetrante dos te-
progressivamente seus limites a outros ministérios mas, formação de consensos, participação individual
e órgãos públicos interessados, aos sujeitos do tri- e coletiva qualificada, percepção dos impactos de
partismo e, se oportuno, a entidades da sociedade normas e outras medidas a respeito do emprego e
civil. O esquema poderia ser adaptado às nego- as condições sociais, compartilhamento de soluções
ciações envolvendo os Estados-Partes do Mercado na esfera nacional, sub-regional ou regional e outros
Comum do Sul (MERCOSUL), da CIMT/OEA e de ganhos concretos. 

20 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


COMISSÃO SOBRE O TRABALHO NO
SETOR PESQUEIRO: RESULTADOS
DA 96ª CIT/OIT

VERA ALBUQUERQUE estoques de atuns e afins) e vantagens competitivas


(previsão de investimentos públicos no setor, estrutura
Coordenadora Nacional de Inspeção do Trabalho
portuária razoável, produto de alto valor comercial,
Marítimo, Portuário e Aquaviário do MTE rentabilidade superior à maioria das outras ativida-
des extrativas, etc.), em relação às frotas de países
asiáticos e europeus, que necessitam se deslocarem
CONTEXTO DA PESCA NO BRASIL mais de 20 mil quilômetros para pescar no Atlântico
Sul, nas nossas águas.

O Brasil tem 8.200 quilômetros de costa e uma Atualmente a pesca oceânica no Brasil é realiza-
da, em sua maior parte, por meio de barcos de pesca
plataforma continental de 822 mil quilômetros qua-
drados na faixa de até 200 metros de profundidade, estrangeiros, arrendados por empresas nacionais,
e poderia ser uma referência internacional na produ- com a finalidade de aumentar as quotas de captura,
ção pesqueira, porém, com a produção média anual transferir tecnologia e formar mão-de-obra. Em al-
de 843 mil toneladas, ocupa o 25º lugar no ranking guns estados do Nordeste, essa finalidade tem sido
mundial da pesca, com uma participação de menos alcançada em grande parte, pois já temos barcos
de 1% da produção mundial. O consumo nacional de pesca oceânica nacionalizados, com dois terços
de pescados é baixo, de 6,9 quilos ao ano por ha- da tripulação de barcos estrangeiros formados por
bitante, bem inferior às médias dos outros países, pescadores brasileiros.
que chegam a alcançar 50 quilos na Espanha e 80 A atividade pesqueira no Brasil se apresenta como
quilos no Japão, ficando o Brasil no 128º lugar do uma alternativa real de criação de divisas, empregos
ranking de consumidores. e alimentos. Assim, torna-se necessário o engaja-
O modelo da pesca em nosso País ainda é ex- mento do governo, empregadores e trabalhadores
trativista, dependendo da sorte e da experiência do nessa alternativa, de forma integrada, resguardando
pescador, e a frota nacional de pesca é relativamente o interesse legítimo de cada segmento, para que o
pequena e obsoleta, formada por embarcações de resultado seja producente. Nesse contexto, o tripar-
pequeno porte, sendo que 97% dessa frota – 70 mil tismo surge como uma estratégia ideal para decisões
barcos até 12 metros de comprimento – tem idade sobre o setor, visando à criação e ao cumprimento
média de 20 anos. de regras para a pesca que contemplem os parceiros
sociais envolvidos de forma otimizada.
Estamos situados em posição estratégica entre
três importantes blocos econômicos e mercados
consumidores do mundo (NAFTA, União Européia e DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS
MERCOSUL), além do mercado interno, e estamos
próximos às áreas de ocorrência, na macrorregião NA COMISSÃO DA PESCA/96ª CIT
econômica do Atlântico, das espécies de peixes mi- A nova Convenção visava revisar cinco instrumen-
gratórios de alto valor comercial, como os atuns, tos da OIT (quatro convenções e uma recomenda-
espadartes, tubarões, etc. Isso representa concretas ção), preservando os direitos dos pescadores, ela-
vantagens comparativas (localização, Zona Eco- borando um texto em linguagem acessível e de fácil
nômica Exclusiva extensa, real potencialidade dos entendimento, que fosse atrativa para aumentar as

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 21


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

ratificações, visando assegurar a mais ampla aceita- uma Mesa-Redonda na OIT, em dezembro de 2006,
ção e ao mesmo tempo a fiscalização efetiva. com a presença do Brasil, para discutir possíveis so-
luções de consenso que levassem à adoção do texto
O texto que foi utilizado na ordem do dia da 96ª
em 2007.
reunião da Conferência Internacional do Trabalho
(CIT)/2007 era o mesmo que constava no relatório As respostas dos países citados, assim como as
do Comitê do Setor Pesqueiro da 93ª Reunião da consultas diárias aos representantes dos países do
CIT /2005, quando a proposta teve a seguinte vota- GRULAC na Comissão da Pesca, foram levadas em
ção: 288 votos a favor, 8 contra e 139 abstenções. consideração pela representante do Governo nos
Como o quorum era 297, e requerida maioria de entendimentos com os outros grupos de países, na
2/3, equivalente a 290 votos (do total de 435 votos), 96ª CIT, em relação à apresentação de possíveis
a Convenção não foi adotada. emendas ao texto e esclarecimentos aos represen-
tantes que não estiveram presentes às outras reuniões
A recomendação teve votação suficiente e foi
da OIT sobre Pesca, para evitar abrir discussões des-
adotada na CIT de 2005, mas nessa nova discussão
necessárias sobre disposições maduras no projeto e,
de 2007 seria necessário que a mesma fosse revista
ao mesmo tempo, defender os interesses dos países
e provavelmente fosse adotada uma nova recomen-
do GRULAC.
dação, o que efetivamente ocorreu.
Os Grupos de Pescadores e Armadores
O Conselho de Administração da OIT, em sua
continuaram com discussões bilaterais até junho de
294ª Reunião (novembro de 2005), havia decidido
2007, procurando encontrar o maior número possível
que seriam feitas novas consultas tripartites sobre o
de soluções em comum, o que facilitou o trabalho
texto, e seus resultados agregados aos documentos
nesta 96ª CIT. Esses grupos também continuaram com
a serem disponibilizados para a 96ª CIT. Foi remeti-
os entendimentos com o Japão, conseguindo concor-
do um questionário a todos os Estados-Membros, a
dância em relação à equivalência da tonelagem, para
ser respondido de forma tripartite, com os principais
facilitar a ratificação dos países asiáticos.
pontos identificados que apresentaram dificuldades
(para ratificação), ou seja: Os debates foram muito produtivos, tendo a
• possibilidade de que a autoridade competente Comissão da Pesca conseguido trabalhar de forma
exclua certas embarcações ou pescadores de al- harmônica, entendendo que a Convenção, para ser
gumas ou todas as disposições da Convenção; amplamente ratificada e proteger maior número de
trabalhadores, deveria apresentar normas mínimas,
• exame médico dos pescadores;
sem abrir mão dos direitos já conseguidos pelos pes-
• tripulação mínima e horas de descanso; cadores, mas respeitando o fato de que os países em
• alojamento a bordo de embarcações pesquei- desenvolvimento e os países asiáticos teriam que ser
ras, incluindo as cifras de equivalência de ar- levados em consideração, e que os países mais desen-
queação bruta que figuram no § 7º do art. 28, volvidos pudessem conservar suas normas de padrão
Anexo III; mais elevado. Por isso, os trabalhos foram finalizados
• quaisquer outras questões que deveriam ser em 10 sessões, em prazo inferior ao esperado.
abordadas com relação a este ponto da Or- Nio dia 8 de junho foi concluído o trabalho, tendo
dem do Dia da 96ª CIT. sido completado com as cláusulas finais o texto da
O questionário recebeu respostas de 48 Estados- proposta de Convenção sobre o Trabalho na Pesca,
Membros até 20 de outubro de 2006, e dentre esses, bem como da nova recomendação e quatro reso-
de 11 países do GRULAC: Argentina, Brasil, Costa luções, estas sobre promoção da nova convenção;
Rica, Cuba, Honduras, México, Panamá, Suriname, sobre eventuais mudanças nas equivalências de to-
Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela. Foi feita nelagem e comprimento, conforme alterações das

22 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Comissão Sobre o Trabalho no Setor Pesqueiro: resultados da 96ª CIT/OIT

convenções da IMO; a respeito da promoção do homens e mulheres que laboram no setor da pesca
bem-estar dos pescadores e sobre as fiscalizações mundial. Nossos representantes atuaram defendendo
trabalhistas do Estado do Porto nas embarcações os interesses nacionais e os dos países do GRULAC
estrangeiras. (países da América Latina, Central e Caribe), sendo
a representante do Governo a coordenadora desse
Durante todo o período, a Assessoria Internacio-
grupo de países na Comissão da Pesca.
nal repassou informações atualizadas à Assessoria
de Comunicação do MTE, possibilitando a todos, Foram analisadas 70 emendas, muitas seme-
principalmente no Brasil, acompanhar em tempo real lhantes entre si e outras com apoio simultâneo dos
as ocorrências na 96ª CIT na página do Ministério. pescadores e dos armadores. A convenção possui
Também foram feitas reuniões da bancada de go- 43 artigos e três anexos, sem contar as disposições
verno, para orientações sobre procedimentos, com finais. A recomendação possui 55 parágrafos e qua-
a chefia da delegação e os representantes do MRE, tro resoluções foram adotadas, como mencionado
facilitando, dessa forma, a correta condução dos anteriormente.
diversos temas. Houve forte entrosamento da equi-
Além de disposições para todos os pescadores
pe, que foi muito solicitada por outros países para
terem a proteção de um contrato de trabalho formal,
opiniões e esclarecimentos a respeito de todos os
a convenção prevê tempo de descanso necessário
assuntos da agenda, inclusive com pedidos de coo-
e outros itens visando a melhorar a saúde e a se-
peração técnica, principalmente do Chile e Uruguai,
gurança no trabalho da pesca, determina a mesma
no caso da pesca.
proteção da seguridade social que os outros traba-
lhadores do país possuem e cria mecanismos para
CONCLUSÃO uma implementação progressiva de determinados
artigos, quando o mesmo não possuir condições de
O resultado final da Comissão da Pesca na 96ª aplicar todas as disposições imediatamente.
CIT/OIT foi a adoção da Convenção sobre o Traba-
lho na Pesca nº 188/2007, por 437 votos a favor, Para o Brasil, que atende praticamente todos os
dois votos contra e 22 abstenções. A conclusão dos itens previstos na Convenção, a maior proteção será
trabalhos iniciados em 1999, sempre com a colabo- em relação aos pescadores de barcos estrangeiros de
ração do Brasil, teve essa votação significativa pelo pesca oceânica arrendados por empresas nacionais, e
êxito do trabalho tripartite, respeitando os países que, em alguns casos, trouxeram condições desuma-
em desenvolvimento e suas dificuldades, mostrando nas de trabalho, em que foi necessária forte atuação
que é importante termos uma norma que pretende da Inspeção do Trabalho, do Ministério Público do
melhorar as condições de trabalho de 30 milhões de Trabalho e da Marinha para evitar a continuidade
dessa competição desleal com nossos barcos. 

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 23


A PROMOÇÃO DE EMPRESAS
SUSTENTÁVEIS EM DEBATE NA OIT

ADRIANA PHILLIPS LIGIÉRO cumento ressalta a importância da empresa como


principal fonte de crescimento e emprego, à medida
Coordenadora-geral de Emprego e Renda do MTE e
que “movidas pela busca de lucros, as empresas
especialista em Política Públicas e Gestão Governamental inovam, investem e geram emprego e renda derivada
do trabalho”i. Faz clara distinção entre desenvolvi-
mento empresarial e desenvolvimento de empresas
sustentáveis: em contraste à visão de que a relação
empresarial envolve estruturas lineares de insumo-

A 96ª Conferência Internacional do Trabalho,


produto voltadas tão-somente à maximização do
lucro no curto prazo, as empresas sustentáveis são
ocorrida de 30 de maio a 15 de junho deste ano aquelas capazes de equilibrar o desenvolvimento
na sede da Organização Internacional do Trabalho econômico, social e ambiental.
(OIT) em Genebra, trouxe como tema de discussão
a promoção de empresas sustentáveis. A inclusão do
assunto na pauta veio atender a antigo anseio do CONCLUSÕES DO DEBATE
Grupo Empregador, de reconhecimento do papel do
Das discussões gerais na Comissão sobre a
setor privado no desenvolvimento e na promoção do
Promoção de Empresas Sustentáveis foi produzido
trabalho decente. Ademais, partiu da perspectiva de
Relatório Conclusivo, cuja elaboração coube a um
que, apesar do compromisso assumido na Cúpula
grupo redator tripartite e paritário de 15 membros,
Mundial de Johannesburgo de 2002, o sistema inter-
dentre eles, representante do Ministério do Trabalho
nacional – inclusive a OIT – pouco fez para construir
e Emprego do Brasil. O Relatório aprovado na Ses-
sinergias entre a sustentabilidade social, ambiental
são Plenária, na forma de Resolução, aponta que
e econômica, que pudessem se traduzir em políticas
as empresas sustentáveis são uma importante fonte
convergentes e resultados práticos.
de crescimento, geração de riquezas, emprego e
Assim, entre os dias 31 de maio e 8 de junho, a trabalho decente. Para que se desenvolvam, entre-
Comissão sobre a Promoção de Empresas Sustentá- tanto, é preciso um ambiente propício à combinação
veis realizou um balanço do debate internacional em equilibrada de recursos humanos, financeiros e na-
torno do papel das empresas para o desenvolvimento turais, de tal sorte a garantir inovação e ganhos de
econômico e social, buscando traçar recomendações produtividade, cujos benefícios sejam compartilhados
visando à atuação da OIT no contexto de elaboração eqüitativamente na empresa e para além dela.
de políticas e estratégias coerentes que promovam
No sentido de apontar diretrizes para futura atua-
o trabalho decente mediante o desenvolvimento de
ção na promoção de empresas sustentáveis centrada
empresas sustentáveis.
no trabalho decente, o Relatório aborda separada-
O debate geral na Comissão contou com cerca mente: ambiente propício para empresas sustentá-
de duzentos participantes, representando governos, veis; práticas responsáveis e sustentáveis em nível
trabalhadores e empregadores, e tendo como base de empresa; papel dos governos; papel dos atores
o Relatório VI – Promoção de Empresas Sustentá- sociais; e papel da OIT.
veis, elaborado pelo Secretariado da OIT. O do-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 25


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

AMBIENTE PROPÍCIO PARA PRÁTICAS RESPONSÁVEIS E


EMPRESAS SUSTENTÁVEIS SUSTENTÁVEIS EM NÍVEL DE EMPRESA
A opção de listar os elementos relacionados a Do ponto de vista de práticas empresariais respon-
um ambiente propício para o desenvolvimento de sáveis e sustentáveis, mais uma vez considerou-se que
empresas sustentáveis parte do pressuposto de que a sobrevivência das empresas a longo prazo implica
empresas tendem a prosperar quando a sociedade o equilíbrio entre os três pilares do desenvolvimento
prospera. Assim, “um ambiente condutor à criação sustentável: econômico, social e ambiental. Apare-
e ao crescimento sustentáveis de empreendimentos ce com destaque, ainda, que empresas sustentáveis
combina a legítima busca por lucros – um importante devem ter firme compromisso com a observância da
elemento propulsor do crescimento econômico – com lei, bem como contribuir para eliminar a corrupção
a necessidade de desenvolvimento que respeite a e promover a transparência.
dignidade humana, a sustentabilidade ambiental e
O Relatório Conclusivo destaca uma lista de
o trabalho decente”ii.
princípios aplicáveis a todas as empresas: diálogo
O Relatório Conclusivo ressalta como fatores es- social e boas práticas industriais; desenvolvimento de
senciais de um ambiente propício ao desenvolvimento recursos humanos baseado no diálogo social e na
de empresas sustentáveis: paz e estabilidade política; participação dos trabalhadores; condições de traba-
boa governança, respeito ao Estado de Direito e lho motivadoras e organização do trabalho geradora
segurança do direito à propriedade; diálogo social; de benefícios mútuos; compartilhamento de benefí-
respeito aos direitos humanos e às normas interna- cios associados à produtividade; responsabilidade
cionais do trabalho; existência de uma cultura de social da empresa; e práticas empresariais idôneas
empreendedorismo; política macroeconômica sólida e governança corporativa.
e estável; ambiente jurídico-regulatório adequado;
Na sessão sobre Produtividade, salários e com-
competição justa e acesso a serviços financeiros;
partilhamento de benefícios, chegou a ser sugerido
infra-estrutura física e tecnológica adequadas; edu-
que se tratasse da garantia de salário mínimo, po-
cação e qualificação da força de trabalho; justiça
rém, a variada gama de posições em relação ao
social, inclusão e proteção social; além de gestão
assunto levou a que fosse retirada do texto final.
responsável do meio ambiente.
Possivelmente o mais polêmico dos assuntos tra-
tados no contexto do ambiente propício para em- O PAPEL DO GOVERNO
presas sustentáveis foi o relacionado a comércio e O papel que deve desempenhar o governo na
integração econômica. O texto originalmente apre- promoção de empresas sustentáveis é tríplice, se-
sentado pelo Secretariado propunha a eliminação gundo o Relatório Conclusivo: garantir as condições
de subsídios, barreiras à importação e práticas anti- básicas para um ambiente propício às empresas sus-
competitivas. Em contraposição, o texto que prepon- tentáveis, tratadas acima; criar políticas e progra-
derou, como consenso possível entre as dezenas de mas que incentivem o comportamento responsável e
países ali representados, aponta como importante sustentável das empresas; e agir como organização
que sejam levados em conta os diferentes níveis de sustentável, enquanto empregador e comprador de
desenvolvimento dos países e consultados os atores bens e serviços.
sociais, ao tratar de acesso a mercados e integração
comercial, contrabalançando os potenciais benefí- Entre políticas e práticas para o desempenho do
cios e danos à qualidade do emprego. papel regulador, facilitador e promotor de empresas
sustentáveis, são listadas: facilitação e participação

26 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


A promoção de empresas sustentáveis em debate na OIT

no diálogo social; aplicação da legislação laboral memente baseado em sua singular função normativa
mediante administração eficaz do trabalho, inclu- e na Agenda do Trabalho Decente”iii. Nesse sentido,
sive sistemas de inspeção do trabalho; incentivo à deve empreender pesquisas e elaborar políticas para
responsabilidade social da empresa; promoção de promoção do emprego e do trabalho decente, ao
contratação, empréstimos e investimentos públicos mesmo tempo em que deve buscar cooperação com
responsáveis, sob a ótica social e ambiental; incor- outros organismos internacionais para tratar da re-
poração de objetivos sociais e ambientais na pro- lação entre trabalho e questões macroeconômicas
moção de setores e cadeias produtivas; existência de e comerciais.
marco institucional e legal que propicie flexibilidade
Enfatizou-se que a OIT deve proporcionar su-
e proteção para gestão da mudança; programas de
porte e ferramentas práticos aos governos e atores
empreendedorismo sustentável voltados para públi-
sociais, adaptados à realidade de cada país, tratan-
cos específicos; facilitação do acesso a investimento
do como espaços privilegiados para esse labor as
em pesquisa e inovação; criação de mecanismos
Agendas Nacionais do Trabalho Decente. Assim, o
de acesso a informação e a serviços empresariais
Relatório Conclusivo propõe que o apoio aos países
e financeiros; articulação e coerência intragoverna-
na promoção de empresas sustentáveis ocorra no
mental; formulação de políticas internacionais efeti-
sentido de fortalecer a capacidade dos governos e
vas em áreas relacionadas à promoção de empresas
dos atores sociais de criar um ambiente propício ao
sustentáveis; promoção de formas sustentáveis de
desenvolvimento de empresas sustentáveis; realizar
produção e consumo; e apoio à formação e à ca-
estudos e análises voltados à identificação de setores
pacitação.
com potencial de criação de trabalho decente, no
contexto da promoção de cadeias de valor e conglo-
O PAPEL DOS ATORES SOCIAIS merados; auxiliar no desenvolvimento de estratégias
de desenvolvimento local e; promover boas práticas
Reservou-se uma seção para o essencial papel no ambiente de trabalho.
que trabalhadores, empregadores e suas organiza-
ções têm no apoio aos governos para formulação
e implementação de políticas de promoção de em- BREVE COMENTÁRIO SOBRE OS
presas sustentáveis. O Relatório Conclusivo sugere
que tal suporte pode se consubstanciar a partir de
TRABALHOS DA COMISSÃO
apoio à elaboração de políticas de incentivo ao de- Não resta dúvida sobre a relevância do tema de
senvolvimento de empresas sustentáveis; ampliação promoção de empresas sustentáveis para o atingi-
da representação de trabalhadores e empregadores, mento da missão da OIT de “gerar trabalho decente
reforçando os benefícios da associação; prestação e meios de sustento, segurança laboral e melhores
de serviços a seus membros, particularmente em condições de vida para pessoas vivendo tanto nos
gestão do conhecimento, formação e orientação; e países mais pobres como nos mais ricos”, mediante
promoção do trabalho decente na implementação a promoção dos direitos do trabalho, de melhores
de políticas e normas. oportunidades de obtenção de trabalho decente,
melhoria da proteção social e fortalecimento do
diálogo social sobre assuntos laboraisiv. Partindo da
O PAPEL DA OIT consideração de que são as empresas as principais
A seção do Relatório Conclusivo dedicada ao geradoras de emprego e renda, nada mais impor-
papel da OIT reforça que o trabalho na promoção tante que colocá-las no centro da agenda da OIT,
de empresas sustentáveis “deve se guiar por seu man- para que sejam geradoras de emprego e renda e
dato, orçamento e vantagem comparativa e estar fir- desenvolvimento sustentável.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 27


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

Ao longo do trabalho da Comissão, entretanto, NOTAS


ficou evidente, em alguns momentos, que o assunto
i Report VI: The promotion of sustainable enter-
em questão ia além da expertise e do campo de atu-
prises – Sixth item on the agenda, p. vi.
ação da OIT, ao passo que a promoção de empresas
sustentáveis envolve muito mais que as dimensões de ii Provisional Record 15 – Sixth item on the agen-
trabalho, proteção social e diálogo social. Exemplos da: The promotion of sustainable enterprises
mais marcantes disso foram as políticas macroeco- (general discussion), p. 97.
nômicas e comerciais, amplamente discutidas (tanto iii Provisional Record 15 – Sixth item on the agen-
na sessão relacionada ao ambiente propício para da: The promotion of sustainable enterprises
empresas sustentáveis quanto nas sessões dedica- (general discussion), p. 103.
das aos papéis do governo e da OIT) e finalmente iv Site da OIT, atalho http://www.ilo.org/global/
relegadas a comentários gerais ou indicações como About_the_ILO/Mission_and_objectives/lang-
questões relevantes. -es/index.htm
A despeito do escopo talvez excessivamente
abrangente da discussão, sem dúvida a Comissão
obteve o mérito de traçar nortes bastante objetivos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
para atuação da OIT, como se propunha, além de INTERNATIONAL LABOUR OFFICE GENEVA. Re-
apontar caminhos e áreas de concentração para port VI: the promotion of sustainable enterprises
governos e atores sociais na promoção do trabalho – Sixth item on the agenda. Conferência Interna-
decente mediante o desenvolvimento de empresas cional do Trabalho, 96ª Sessão. Genebra: OIT,
sustentáveis.  2007.
INTERNATIONAL LABOUR OFFICE GENEVA. Pro-
visional Record 15 – Sixth item on the agenda: The
promotion of sustainable enterprises (general dis-
cussion). Conferência Internacional do Trabalho,
96ª Sessão. Genebra: OIT, 2007.
Site da Organização Internacional do Trabalho:
www.ilo.org.

28 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


A COMISSÃO DE APLICAÇÃO DE
NORMAS DA 96ª CONFERÊNCIA
INTERNACIONAL DO TRABALHO

SERGIO PAIXÃO PARDO erradicação do trabalho forçado (Convenções nos 29


e 105); a segunda parte tratou dos casos individuais
Coordenador de Assuntos Internacionais do debatidos pela Comissão e suas conclusões; e a ter-
Ministério do Trabalho e Emprego ceira parte tratou da sessão especial sobre a aplicação
da Convenção 29 pelo Myanmar.
Este ano, a Comissão aceitou uma série de mu-
danças em seus métodos de trabalho, conforme as

O Brasil teve a honra de presidir pela terceira vez


recomendações do “Grupo de Trabalho Tripartite”.
O exame desses métodos é um processo dinâmico
consecutiva a Comissão de Aplicação de Normas que demandará adaptações com o passar do tem-
da Conferência internacional do Trabalho, graças à po. Uma sessão de informação, organizada para
indicação do Grupo de Países Latino-Americanos e os governos com o objetivo de explicar os critérios
do Caribe (GRULAC), que contou com o apoio dos empregados para a seleção de casos aumentou a
demais Grupos Regionais. transparência nos. Percebeu-se a melhoria da gestão
A Comissão realizou 16 reuniões, durante as da jornada de trabalho da Comissão. Os Estados se
quais recebeu informação de 63 governos a respeito inscreveram, e foram examinados todos os casos em
situação de cada país. A Comissão é um órgão da apenas uma semana.
Conferência constituído para examinar as medidas Os trabalhos da Comissão de Aplicação de Nor-
adotadas pelos Estados para aplicar as convenções mas e da Comissão de Peritos dependem de que as
ratificadas. Examina ainda memórias apresentadas Memórias, em virtude da Constituição da OIT, devem
pelos Estados, como parte de suas obrigações cons- ser periodicamente encaminhadas a tempo pelos
titucionais. A estrutura tripartite da Comissão a torna Países-Membros. Esta mensagem, como nas demais
um fórum singular em nível internacional para con- reuniões da Comissão de Aplicação de Normas em
cretizar o diálogo social. O mecanismo operacional outros anos, foi transmitida aos governos.
dos trabalhos da Comissão é a supervisão mediante
a discussão e o debate produtivos. O debate sobre as convenções relativas ao traba-
lho forçado sublinhou as novas formas de trabalho
A Comissão pauta seus trabalhos pelo Relatório forçado no contexto da globalização. Entre os casos
da Comissão de Peritos em Aplicação de Convenções individuais apresentados à Comissão, tivemos um
e Recomendações. A estreita colaboração entre am- exemplo de grande avanço, o da Espanha, na Se-
bas Comissões é destaque com a visita do Presidente gurança e Saúde no Trabalho, que nos permitiu co-
da Comissão de Peritos, que se dirige à nossa Comis- nhecer quais são as práticas recomendadas e como
são e escuta as observações de seus membros. adaptá-las a distintas circunstâncias.
O trabalho da Comissão se divide em três partes, Foram recomendadas dez missões de assistência
refletidas no nosso Relatório, correspondendo aos técnica, das quais três haviam sido aceitas antes do
principais assuntos em que atua: a primeira parte se fim da Conferência.
refere ao debate a respeito das questões gerais relati-
vas às normas internacionais do trabalho e ao Estudo Além da Sessão especial sobre o caso do Myan-
Geral da Comissão de Peritos, que este ano tratou da mar pelo cumprimento da Convenção sobre o tra-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 29


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

balho forçado, 1930, a Comissão incluiu as conclu- Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
sões dos casos de Bielo-Rússia (Belarus), Zimbábue Econômico (OCDE), oito países de Ásia, cinco da
e República Democrática do Congo num parágrafo África e três da América Latina. Não existem fórmulas
especial. Essas duas últimas delegações não partici- mágicas nem equilíbrio perfeito. As normas são aper-
param da deliberação de seus casos respectivos. feiçoáveis para o fortalecimento do sistema.
Na sessão de adoção do Relatório, durante a Neste ano, constatamos que as conclusões da
plenária, destacamos os aspectos que devemos ca- Comissão resultaram mais claras, mais objetivas e
pitalizar, tais como são as consultas realizadas com mais concisas. Resta-nos apenas encontrar um maior
a finalidade de melhorar os métodos de trabalho da equilíbrio entre os temas para evitar que a Comissão
Comissão, permitindo que tivéssemos uma lista pré- seja uma extensão de outros mecanismos de controle
via desde o dia 15 de maio, facilitando aos governos da Organização.
sua preparação com antecedência e a organização
Finalizamos nossa intervenção, destacando o fato
de um calendário de atividades.
de que os debates realizados no âmbito da Comissão
Os membros que trabalharam na Comissão, nos são o reflexo da situação nacional, em ocasiões,
últimos anos, sabem da importância dos avanços. carregados de emoção. Devemos nos esforçar para
Agradeci em nome dos governos a sessão de informa- adotar critérios objetivos e claros para a seleção dos
ção organizada pelos vice-presidentes, após a adoção caso; considerando as limitações dos temas, sem
da lista dos casos individuais, na qual nos foram ex- ceder à pressão ideológica ou política. Sobretudo,
plicados o procedimento e os critérios para a inclu- devem ser mantidos a cortesia e o respeito mútuo
são na lista. Na lista deste ano, houve sete países da para fortalecer o tripartismo. 

30 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


S
AIGLAS
PRESENTAÇÃO

ASCOM – Assessoria do Comunicação (Ministério do Trabalho e Emprego)


CDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
CIMT/OEA – Conferência Interamericana de Ministros do Trabalho da Organização dos Estados Americanos
CIT – Conferência Internacional do Trabalho
CNT – Confederação Nacional de Transporte
ECOSOC – Conselho Econômico e Social
ELP – Estratégias de Luta contra a Pobreza
EMN – Empresas Multi-Nacionais
FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
GRULAC – Grupo de Países Latino-Americanos e do Caribe
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis
IPEC – Instituto Paulista de Educação Continuada
MANUD – Marco de Assistência das Nações Unidas para o Desenvolvimento
MERCOSUL – Mercado Comum do Sul
MRE – Ministério das Relações Exteriores
MTE – Ministério do Trabalho e Emprego
NAFTA – Acordo de Livre Comércio da América do Norte
NU – Unidos na Ação
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
ODM – Objetivos do Milênio
OEA – Organização dos Estados Americanos
OIT – Organização Internacional do Trabalho
OMI – Organização Marítima Internacional
OMS – Organização Mundial da Saúde
ONU – Organização das Nações Unidas
PTDP – Programa de Trabalho Decente por País
PYMES – Pequenas e Médias Empresas

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 31


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável

RSE – Responsabilidade Social da Empresa


TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação
VIH/SIDA – Vírus da Imunodeficiência Humana / Síndrome da Imunodeficiência Adquirida

32 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


ANEXO
INFORME DEL DIRECTOR GENERAL
A LA CONFERENCIA INTERNACIONAL
DEL TRABAJO: EL TRABAJO DECENTE
PARA UN DESARROLLO SOSTENIBLE

JUAN SOMAVIA manera más detallada, en la serie de sesiones de


alto nivel del Consejo Económico y Social de julio
de 2006) el objetivo de trabajo decente para todos
de la OIT como una parte vital de la agenda interna-
cional para el desarrollo y un elemento esencial para
INTRODUCCIÓN definir una globalización justa. Nuestra decisión de
La reunión de la Conferencia Internacional del convertir el trabajo decente en un objetivo mundial
Trabajo es la ocasión ideal para que los mandantes ha sido adoptada rápidamente por el sistema mul-
de la OIT procedentes de todo el mundo se reúnan y tilateral. La práctica del tripartismo, tan importante
reflexionen sobre los retos que se plantean a los tra- para nosotros, pero tan poco valorada por muchos
bajadores, los empleadores y los gobiernos y sobre el otros, ha dado muestras una vez más de su solidez
papel que puede desempeñar la OIT para ayudarlos y de su capacidad para proyectar una visión que
a hacer frente a esos retos. Es una ocasión para mirar pueda obtener un amplio apoyo. Como dijo el Mi-
hacia el futuro y hacer una planificación basada en nistro de Trabajo y Solidaridad Social de Portugal,
las lecciones extraídas de la experiencia. Sr. José António Fonseca Vieira da Silva, al dirigirse
a la Reunión Regional Africana de la OIT en Addis
Hemos sintetizado nuestro objetivo común con Abeba a principios del presente año, «el trabajo de-
el concepto de trabajo decente para todos. En él se cente es probablemente el concepto más valioso, y
resume la manera en que entendemos la misión ac- la herramienta más eficaz, que ha producido la co-
tual de la OIT, que se basa en los valores y objetivos munidad internacional, ya que proporciona opciones
establecidos en la Constitución. Este concepto ha de política que pueden dar respuestas eficaces a los
captado la atención de todo el mundo como un ob- efectos de la globalización».
jetivo viable que puede aportar un cambio importante
a la vida de la gente en todas partes y ayudar a unir No debemos desperdiciar esta oportunidad por-
nuestro mundo diverso y en ocasiones divergente. que es posible que no vuelva a presentarse en mucho
tiempo. Tenemos la responsabilidad moral de cumplir
Al pasar revista a la labor que hemos realizado con la promesa de una idea que ha vuelto a infundir
en común en los últimos años, puedo observar que esperanzas en muchos corazones. Para ello es nece-
hemos creado varias oportunidades importantes para sario que sigamos preparando a la OIT para hacer
nosotros mismos y para nuestra institución con ob- frente a los cambios acelerados que se producen
jeto de garantizar que las políticas, desde el plano en el mundo del trabajo en el contexto actual de la
mundial hasta el plano local, combinen la justicia y globalización. También debemos posicionar nuestra
la eficiencia del mismo modo en que se promueven Organización de manera que pueda desempeñar ca-
las inversiones y el comercio y en que se organizan balmente su papel en la renovación de las Naciones
el trabajo y los mercados de trabajo. Unidas y del sistema multilateral.
Las Naciones Unidas y el sistema internacional Conseguir que la labor de nuestra Organización
adoptaron (en la Cumbre Mundial de 2005 y, de se siga centrando en esos retos constituye un tema

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 33


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

importante de las propuestas de programa y pre- de guía en los próximos años para formular nuestras
supuesto que presento a la reunión de este año de políticas y aumentar la capacidad institucional:
la Conferencia Internacional del Trabajo, así como • la globalización y la transformación de las es-
de las discusiones sustantivas sobre la mejora de tructuras de las inversiones y el empleo;
las capacidades de la OIT y sobre la promoción de
• trabajo y sociedad – lucha contra la pobreza,
las empresas sostenibles.1 Además, las rondas más
la discriminación y la exclusión social;
recientes de reuniones regionales de la OIT en las
Américas, Asia y el Pacífico, y, más recientemente • modernización de la gobernanza del mundo
en Africa, han desarrollado programas de acción a del trabajo, y
través de programas de trabajo decente por país para • el trabajo decente y la agenda internacional
el período que se extiende hasta 2015 con miras a para el desarrollo.
aportar una contribución importante a la agenda Todos esos temas son fundamentales para el mun-
internacional para el desarrollo, con inclusión de los do, para el futuro de la OIT como institución y para
Objetivos de Desarrollo del Milenio (ODM). el tripartismo como método para formular y aplicar
En este punto debo expresarme con franqueza. En políticas.
la prensa, la televisión y la radio distintos comenta- En mi Memoria de este año se tratan algunas de
ristas y analistas políticos sostienen que el modelo de las cuestiones clave inherentes a la promoción del
diálogo social no sobrevivirá a las presiones compe- trabajo decente para un desarrollo sostenible. En ella
titivas de la globalización, y que el tripartismo simple- se destacan puntos del orden del día de la reunión de
mente no puede responder con la rapidez necesaria la Conferencia, en los que, a mi juicio, el tripartismo
para seguir el ritmo tan rápido de los cambios. Mi y el diálogo social se enfrentan con retos importantes
corazón me dice que están equivocados, pero mi y respecto de los cuales debemos mostrarnos dispues-
cabeza me dice que mejor será asegurarnos de que tos a pensar de mane-ra innovadora y a actuar con
el tripartismo pueda demostrar su capacidad de inno- urgencia, tanto en la formulación de políticas como
vación si ha de sobrevivir y conservar su pertinencia. en la mejora de la capacidad institucional. Invito a
Debemos redoblar nuestros esfuerzos para garantizar los delegados ante la Conferencia a que acepten
que el tripartismo sea una realidad nacional e inter- estos retos, oportunidades y responsabilidades para
nacional palpable. promover de manera eficaz el Programa de Trabajo
El objetivo de la presente Memoria es examinar Decente y ayudar de esta manera a orientar al Con-
varias cuestiones que deben abordarse mediante el sejo de Administración y a la Oficina para seguir
tripartismo de la OIT. La mayoría de ellas son el re- desarrollando nuestras estrategias. Estas cuestiones
sultado de las políticas internacionales aplicadas en están agrupadas bajo los temas siguientes:
los últimos veinticinco años. • un enfoque equilibrado del desarrollo sostenible;
En las discusiones celebradas en la última reunión • políticas más coherentes para el comercio, las
de la Conferencia Internacional del Trabajo sobre mi finanzas, las inversiones y el empleo;
Memoria Cambios en el mundo del trabajo se desta- • promoción de una transición socialmente justa
caron cuatro temas importantes que deberían servir a empleos verdes;
• la compresión de los salarios y el aumento de
las desigualdades constituyen una amenaza
1
Véanse los siguientes informes presentados a la presente reunión
de la CIT: Proyecto de Programa y Presupuesto 2008-2009 y para el desarrollo sostenible;
otras cuestiones financieras, Informe II, Segundo punto del
• una mejor formulación de las políticas exige
orden del día; El fortalecimiento de la capacidad de la OIT
para prestar asistencia a los Miembros en la consecución de una base más completa de información sobre
sus objetivos en el contexto de la globalización, Informe V, el mercado de trabajo para medir los déficits
Quinto punto del orden del día; y La promoción de empresas
sostenibles, Informe VI, Sexto punto del orden del día.
de trabajo decente;

34 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

• un enfoque global de la protección social: toda discurso en Johannesburgo, se trata de un desafío


sociedad necesita un cimiento social; impresionante, pero también de «una gran opor-
• modernizar la gobernanza del mundo del tra- tunidad en materia de innovaciones tecnológicas,
bajo: los derechos y el diálogo social; inversión, desarrollo de las calificaciones, igualdad
de género y trabajo decente». También recalqué que
• mejorar la eficacia de las Naciones Unidas y
una estrategia plenamente integrada de desarrollo
del sistema multilateral.
sostenible debía estar basada en el lugar de trabajo
y que la gestión de los cambios requería una estrecha
1. UN ENFOQUE EQUILIBRADO colaboración entre los gobiernos y las organizacio-
nes de trabajadores y de empleadores para hacer la
DEL DESARROLLO SOSTENIBLE transición tecnológica hacia la sostenibilidad. Para
En mi opinión, una cuestión de alcance gene- la OIT fue una satisfacción que se reconociera la
ral que se plantea ante nosotros, tanto en el plano importancia del diálogo y de la Declaración relativa a
nacional como en el internacional, es alcanzar un los principios y derechos fundamentales en el trabajo
acuerdo sobre maneras mucho más eficaces de apli- del Plan de Aplicación adoptado en la Cumbre de
car un enfoque equilibrado al desarrollo sostenible Johannesburgo.2
en el cual estén integrados plenamente sus pilares Cinco años después de la Cumbre de Johannes-
social, económico y medioambiental. En la OIT ne- burgo y quince años después de la Cumbre de Río,
cesitamos afianzar la visión del desarrollo sostenible estamos atrasados en el cumplimiento de los pro-
como el paradigma de política absoluto dentro del gramas establecidos. El sistema internacional, con
cual el Programa de Trabajo Decente pueda hacer inclusión de la OIT, aún no ha desarrollado sinergias
su contribución fundamental al desarrollo. fuertes entre la sostenibilidad social, medioambiental
Debemos recordar que en la Cumbre Mundial y económica. De resultas de ello, se han hecho pocos
de Johannesburgo sobre el Desarrollo Sostenible progresos en la obtención de una convergencia de
celebrada en septiembre de 2002 se contrajo el las políticas y de resultados prácticos. Es cierto que
compromiso de promover «la integración de los tres muchas empresas, sindicatos, organizaciones comu-
componentes del desarrollo sostenible – desarrollo nitarias y otros grupos importantes han participado en
económico, desarrollo social y protección del medio señaladas iniciativas medioambientales y, por esta ra-
ambiente – como pilares interdependientes que se zón, por lo menos comparten algunas ambiciones. Sin
refuerzan mutuamente. La erradicación de la po- embargo, no contamos con una estrategia que integre
breza, la modificación de las modalidades insoste- las dimensiones social, económica y medioambiental,
nibles de producción y consumo y la protección y lo cual es esencial para hacer avances reales.
la ordenación de la base de recursos naturales del Creo que esa dificultad se debe en parte a que
desarrollo económico y social son objetivos generales existe otra estrategia integrada – otra visión del de-
y requisitos indispensables del desarrollo sostenible».
Este compromiso se basó en el Principio 4 de la
2
El Plan de Aplicación de Johannesburgo, en su sección II sobre
Declaración de Río sobre el Medio Ambiente y el la erradicación de la pobreza, incluye un párrafo 0, b), en el que
Desarrollo, en la que se indica lo siguiente: «A fin de se piden medidas para «proporcionar asistencia para aumentar
alcanzar el desarrollo sostenible, la protección del las oportunidades de empleo remunerado, teniendo en cuenta
la Declaración de la Organización Internacional del Trabajo
medio ambiente deberá constituir parte integrante relativa a los principios y derechos fundamentales en el trabajo».
del proceso de desarrollo y no podrá considerarse En esta sección también se incluyen referencias explícitas al
en forma aislada.» trabajo infantil y al Convenio sobre las peores formas de trabajo
infantil, 999 (núm. 82), así como al «empleo decente» para los
La OIT ha reconocido que el seguimiento de todos pobres de las zonas urbanas, la promoción de la microempresa,
las pequeñas y medianas empresas, y oportunidades de tener
los puntos acordados en la Cumbre de Johannesbur- medios de subsistencia seguros y sostenibles en pequeñas em-
go constituye un enorme desafío. Como dije en mi presas mineras.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 35


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

sarrollo mundial – que han promovido principalmen- La discusión sobre la promoción de empresas sos-
te las instituciones de Bretton Woods en los últimos tenibles en la reunión de la Conferencia de este año
veinticinco años. Con frecuencia se la conoce con el es particularmente oportuna. Promover las empresas
nombre de Consenso de Washington. La aplicación sostenibles significa reforzar las instituciones y los
de esta estrategia se ha suspendido muchas veces, sistemas de gobernanza que fomentan las empresas;
pero sigue teniendo una importante influencia sobre un mercado fuerte y eficiente requiere instituciones
las políticas. fuertes y eficaces. También significa garantizar una
combinación equitativa y eficiente de los recursos
Muchos de los preceptos de esas políticas se han
humanos, financieros y naturales que permita lograr
convertido en referentes comunes, por ejemplo, la
innovaciones y un aumento de la productividad. Para
estabilidad macroeconómica, la búsqueda de bajos
ello hacen falta nuevas formas de cooperación entre
niveles de inflación, la predominancia de las inver-
el gobierno, la empresa y la sociedad que aseguren
siones del sector privado y una mayor apertura del
la mejor calidad de vida (y de empleo) ahora y en el
comercio y las finanzas. Sin embargo, esa estrategia
futuro, y que a la vez salvaguarden la sostenibilidad
adolece de un defecto fundamental: se basa en la
del planeta.
creencia de que los mercados pueden reemplazar
las políticas públicas para equilibrar las necesidades La OIT puede dinamizar aún más la búsqueda
económicas, sociales y medioambientales. de un enfoque plenamente integrado del desarrollo
sostenible porque el lugar de trabajo reúne las di-
Los economistas llaman fallos del mercado a
mensiones social, económica y medioambiental de
lo que en realidad son fallos de las políticas. Es-
manera indisociable. También estoy convencido de
tos fallos han creado graves desequilibrios con las
que, para garantizar el avance de nuestro Programa
consiguientes reacciones sociales y políticas, que
de Trabajo Decente, tendremos que situarlo de ma-
pueden medirse en las encuestas, observarse en las
nera más clara en un marco de desarrollo sostenible.
elecciones y presenciarse cada vez más en las calles.
Necesitamos más y mejores empleos, sobre todo en
Paralelamente a los numerosos beneficios que han
sociedades que sufren de una pobreza generalizada,
recibido ciertas categorías en todos los países, la
pero esos empleos también deben ser sostenibles.
Comisión Mundial sobre la Dimensión Social de la
¿Qué significa esto?
Globalización ha advertido de que «el actual proceso
de globalización está produciendo resultados desi- En el plano social, esos empleos deben estar
guales entre los países y dentro de ellos. […] Esas abiertos a todos por igual, y los beneficios derivados
desigualdades globales son inaceptables desde el deben ser equitativos. La desigualdad y la discrimina-
punto de vista moral e insostenibles desde el punto ción provocan frustración y rabia y por ello son causa
de vista político».3 de dislocación social e inestabilidad política. 4 En el
plano económico, los empleos deben ser productivos
El tripartismo de la OIT está muy integrado en la
y poder competir en un mercado competitivo. Y, en el
buena gobernanza del mercado de trabajo para lo-
plano medioambiental, los empleos deben utilizar los
grar que haya economías de mercado justas, produc-
recursos humanos de modo que conserven el planeta
tivas y competitivas. Por esta razón, creo que puede
para las generaciones futuras, pero a la vez deben
desempeñar un papel fundamental para definir el
ser seguros para las trabajadoras y los trabajadores
punto de convergencia de las políticas públicas y de
y para la comunidad.
los mecanismos de mercado necesario para encon-
trar los equilibrios indispensables para el desarrollo
sostenible. 4
“OIT: La igualdad en el trabajo: afrontar los retos que se plan-
tean”, Informe global con arreglo al seguimiento de la Decla-
ración de la OIT relativa a los principios y derechos fundamen-
3
“OIT: Por una globalización justa: crear oportunidades para tales en el trabajo, Informe del Director General, Informe I (B).
todos”, informe de la Comisión Mundial sobre la Dimensión Conferencia Internacional del Trabajo, 96ª reunión, Ginebra,
Social de la Globalización, Ginebra, 2004. 2007.

36 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

La desigualdad social dentro de las naciones y en- El desarrollo sostenible requiere un marco sólido
tre ellas, exacerbada por la desigualdad en la distri- de normas y reglamentos que goce de una aceptaci-
bución de los beneficios y los costos de la globaliza- ón general. Sin embargo, hay que evitar el fardo de
ción, constituye una seria amenaza para el desarrollo un Estado excesivamente centralizado y burocrático,
sostenible. La apertura de los mercados está intensifi- y los riesgos consiguientes de asfixia de la innovación
cando la competencia en los mercados nacionales y y la competencia. El tripartismo es una de las vías
de exportación, lo cual obliga a las empresas de todo más prometedoras para el desarrollo de una sólida
el mundo a mejorar constantemente sus resultados infraestructura social en la cual las organizaciones
para no correr el riesgo de irse a pique. Un cambio de empleadores y los sindicatos puedan promover
de nuestra manera de consumir recursos que consista el diálogo y la confianza necesarios para garantizar
en adoptar modelos mucho menos destructivos desde el cumplimiento de reglas de aceptación general, lo
el punto de vista medioambiental creará numerosas cual reduce la necesidad de utilizar costosos meca-
oportunidades para reducir la pobreza a través del nismos estatales para el control de la aplicación.
trabajo decente, y también dará lugar a importantes
ajustes en las empresas y en el empleo.
2. POLÍTICAS MÁS COHERENTES
La sostenibilidad de la vida de la gente, la sos-
tenibilidad de las empresas y la sostenibilidad del PARA EL COMERCIO, LAS FINANZAS,
medio ambiente del planeta están estrechamente re- LAS INVERSIONES Y EL EMPLEO
lacionadas; estas tres dimensiones deben construirse
a través de una acción colectiva en los planos local Uno de los motores del cambio es el comercio.
y mundial. Debemos empezar a pensar en un futuro Por esta razón, me complace que este año se haya
más lejano, es decir, más allá de las preocupaciones publicado por primera vez un estudio conjunto de la
de cómo sobrevivir día a día en el mercado. Estas OMC y la OIT sobre comercio y empleo.5 Se trata de
tres dimensiones de la sostenibilidad obligan a los una rica fuente de información sobre los conocimien-
mandantes tripartitos de la OIT a planificar cómo han tos actuales acerca de las complejas relaciones que
de aprovecharse las oportunidades y administrarse existen entre las políticas comerciales y las políticas
los ajustes de una manera equitativa. de empleo. En él se muestra que la liberalización del
comercio da lugar a una reestructuración en forma de
Las economías de mercado, si no cuentan con cierre de empresas y pérdida de empleo en algunos
políticas públicas eficaces y con interlocutores so- sectores de la economía y de creación de nuevas
ciales fuertes, no promueven automáticamente la empresas, inversión para aumentar la producción y
inclusión social, ni tampoco crean suficientes vías nuevos empleos en otros sectores.
para un trabajo productivo y decente para las perso-
nas desfavorecidas. Del mismo modo, los mercados La liberalización del comercio se asocia tanto con
no reglamentados tampoco internalizan los costos la destrucción como con la creación de empleo. A
medioambientales ni los reflejan en las estructuras corto plazo, los efectos sobre el empleo pueden ser
de precios. Si queremos anticipar las repercusiones positivos o negativos en función de facto-res nacio-
que tendrá la aceleración del ritmo de transforma- nales específicos tales como el funcionamiento de
ción social, económica y medioambiental que se ha los mercados de trabajo y de productos y el carácter
iniciado con la apertura de las economías nacionales justo de las normas comerciales.
a una mayor competencia internacional y nacional, y
si queremos establecer políticas apropiadas, enton-
ces es necesario reforzar la capacidad de actuación 5
“OIT y Secretaría de la OMC: Comercio y empleo: los retos de
de los Estados y la capacidad de cooperación del la investigación sobre las políticas”, estudio conjunto de la OIT
tripartismo. y la Secretaría de la OMC, Ginebra, 2007.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 37


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

Sin embargo, se considera que a largo plazo, y extremadamente desfavorecidos de la población de


con el establecimiento de normas iguales para todos, países pobres. Se han aplicado condiciones financie-
los aumentos de eficiencia originados por la liberali- ras de tal manera que han acentuado la inestabilidad
zación probablemente tendrán efectos positivos sobre social y política en demasiados países y retrasado los
el empleo, en lo que respecta a número de empleos, esfuerzos para seguir una vía de desarrollo equitativo
salarios percibidos o ambas cosas. No obstante, el y sostenible.
incremento medio de los salarios puede ocultar desi-
Varios países han aprovechado el auge actual de
gualdades de los ingresos que afecten negativamente
la economía mundial para reembolsar rápidamente
a algunas trabajadoras y trabajadores. Dado que la
al FMI y constituir reservas muy altas de divisas ex-
liberalización del comercio puede afectar negativa-
tranjeras a fin de no verse obligados a aplicar nueva-
mente a una parte de la fuerza de trabajo, habrá que
mente políticas tan restrictivas. Esta estrategia puede
adoptar políticas laborales y sociales para redistribuir
comprenderse, pero también tiene sus costos. Mante-
algunos de los beneficios. También es importante en-
ner las reservas nacionales en un nivel más elevado
contrar maneras de anticipar las repercusiones que
de lo necesario cuando es fácil recurrir a una reserva
tienen los cambios de políticas sobre los empleos,
común internacional en condiciones razonables cons-
de modo que el ritmo, el alcance y la secuencia de
tituye una desviación de recursos que podrían invertir-
las medidas comerciales puedan examinarse a la luz
se en el desarrollo de la economía, con inclusión de
de los problemas de ajuste a los que se enfrentan los
la infraestructura social. Esta situación también está
empleadores y los trabajadores. Y sobre todo, la adop-
debilitando al FMI en un momento de riesgo muy
ción de reglas comerciales justas constituye la mejor
concreto de cambios volátiles de los flujos financieros
garantía para poder contener los efectos negativos.
a corto plazo, razón por la cual se requiere un estricto
Durante algún tiempo, la agenda del comercio y régimen reglamentario internacional. La aparición de
el empleo ha estado en un punto muerto. Pascal Lamy nuevos fenómenos, tales como los fondos en títulos
y yo tomamos la decisión de abordar los temas de privados (equity funds) y los fondos de alto riesgo
una manera directa y basada en los conocimientos, (hedge funds), exige un estudio urgente por parte
a través de un análisis objetivo por parte de la OIT de las instituciones financieras internacionales com-
y de la Secretaría de la OMC. Me complace saber petentes a fin de asegurar que haya transparencia y
que esta decisión ha tenido una buena acogida en que se apliquen reglas fundamentales de control. Los
todas partes y pienso que ha abierto una vía para sistemas nacional e internacional deberían alentar las
realizar más investigaciones constructivas orientadas inversiones productivas estables y crear instrumentos
hacia las políticas. para disuadir los comportamientos especulativos per-
judiciales para un crecimiento equitativo que genere
Podemos aplicar esta lección a otras áreas vitales
un alto coeficiente de empleo.
con potencial de sinergia entre las políticas y que
han estado bloqueadas en el pasado, por ejemplo, Sin embargo, hay indicios de que la situación está
en relación con la estabilidad financiera. Hay más cambiando. Por ejemplo, el FMI ha dado un paso
probabilidades de que la estabilidad financiera sea adelante para reflexionar sobre las consecuencias
sostenida en los casos en que también se ha logrado sociales de las políticas financieras al adoptar una
dar respuesta a las expectativas de aumento de las postura distinta que consiste en fomentar de manera
oportunidades de trabajo decente y de elevación mucho más reservada la liberalización del mercado
de los niveles de vida. Sin embargo, las políticas de capitales. Actualmente se considera que la supre-
ortodoxas en materia de asesoramiento han dado sión prematura de los controles sobre los capitales
tanta importancia al mantenimiento de bajos niveles contribuyó a provocar crisis financieras que hicieron
de inflación y a la aplicación de un estricto control retroceder mucho la reducción de la pobreza en va-
de las finanzas públicas que justifican la imposición rios países en desarrollo y en transición. Los debates
de toda una serie de sacrificios, incluso a sectores en curso sobre la reforma del FMI han cobrado mayor

38 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

importancia debido al reducido número de países no basta para mantener a su familia por encima de
que recurren a su apoyo, y deberían integrarse en la línea de pobreza y ofrecerles buenas expectativas
un programa de reforma multilateral más amplio de progreso en su vida laboral.
paralelo a la reforma de las Naciones Unidas. La
Como se afirma en el informe presentado a esta
reforma del FMI debe abordar varias cuestiones que
reunión de la Conferencia sobre la promoción de em-
inciden sobre su capacidad para contribuir a «al-
presas sostenibles, la iniciativa empresarial requiere
canzar y mantener altos niveles de ocupación y de
un entorno financiero estable, previsible y favorable
ingresos reales»6 y en particular sobre sus estructuras
para las inversiones productivas y el trabajo decente.
de gobernanza, y sobre el papel que desempeña
Un marco reglamentario equilibrado, acorde con las
en relación con las crisis económicas y financieras
innovaciones financieras, es un elemento vital para
importantes, el bajo nivel de los ingresos en los pa-
garantizar que los beneficios obtenidos y el poder
íses en desarrollo, la inestabilidad financiera y su
creativo de los empresarios sirvan al conjunto de la
nivel global de recursos.7 Todas estas cuestiones a
sociedad.
la postre tienen repercusiones sobre el Programa de
Trabajo Decente. Nuestro objetivo debe consistir en desarrollar po-
líticas coherentes de inversión, crecimiento y empleo
Sin embargo, creo que el diálogo y la convergen-
que garanticen que la economía mundial, al igual
cia son posibles. La OIT ha abierto un foro de discu-
que las economías nacionales, se encamine en una
sión con otros organismos internacionales, con inclu-
vía de aumentos sostenibles y equilibrados de la pro-
sión del FMI, el Banco Mundial y la OMC, acerca de
ductividad y el empleo. Necesitamos hacer progresos
cómo lograr una mayor coherencia entre las políticas
todos los años para reducir el desempleo y el número
para promover el trabajo decente para todos, la es-
de trabajadores pobres mediante la creación de más
tabilidad financiera y la apertura del mercado.8 Para
y mejores empleos. Para que el Programa de Trabajo
muchos países menos adelantados que siguen ata-
Decente de la OIT y los esfuerzos multilaterales per-
dos por programas de austeridad fiscal y monetaria
mitan alcanzar los objetivos convenidos en materia de
adoptados a cambio de la cancelación de su deuda
desarrollo internacional, es vital realizar un examen
y del alivio de la deuda, es vital contar con un mayor
conjunto de las investigaciones y mantener un diálogo
espacio para las políticas a fin de permitir, por ejem-
acerca de las interrelaciones entre diferentes ámbitos
plo, una modesta recuperación del poder adquisitivo
de política a fin de identificar la naturaleza de las
de los salarios mínimos extremadamente bajos. Esto
concesiones que pueden hacerse y el tipo de ventajas
es particularmente importante para la remuneración
que cabe esperar. Este esfuerzo representa un reto
de la administración pública, que en algunos países
fundamental para el conjunto del sistema multilateral y
es tan baja que impide la contratación y retención de
en él debe tenerse en cuenta la necesidad de conservar
mano de obra calificada. Los progresos en la reduc-
los recursos naturales y el medio ambiente.
ción de la corrupción y la construcción de un Estado
moderno – con instituciones de mercado de trabajo
y de diálogo social que sirvan a sus ciudadanos y 3. PROMOCIÓN DE UNA TRANSICIÓN
al desarrollo nacional – quedarán paralizados si la
remuneración ordinaria de los funcionarios públicos SOCIALMENTE JUSTA A EMPLEOS VERDES
El enfoque que consiste en buscar áreas de si-
6
Extracto del artículo I (Fines), ii) del Convenio Constitutivo del FMI. nergia de las políticas tiene repercusiones de gran
7
E. M. Truman (director de la publicación): Reforming the IMF alcance para la labor de la OIT y para sus relaciones
for the 21st Century, Institute for International Economics (Wa- con otros organismos. Este enfoque, además de que
shington, D.C., 2006).
8
Véase “OIT: Crecimiento, inversión y empleo: actualización re-
ofrece un margen para seguir realizando una labor
lativa a la investigación y las reuniones sobre coherencia de las útil con la OMC, las instituciones de Bretton Woods
políticas“, Consejo de Administración, 298ª reunión, Ginebra, y otros organismos en relación con las políticas co-
marzo de 2007, documento GB.298/WP/SDG/2.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 39


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

merciales, de inversión y de empleo, también debería desde ya medidas para ajustar la producción y los
aplicarse para reflexionar sobre la relación que existe modelos de consumo porque sus efectos sobre el
entre las políticas para mitigar el cambio climático y ajuste del empleo no tardarían en hacerse sentir. El
para promover el empleo. Hay pruebas cada vez más período que se extiende hasta 2015 será, pues, de-
abundantes de que es urgente detener y, llegado el terminante para definir un proceso de transición que
momento, reducir las emisiones de gases de efecto permita aumentar al máximo las oportunidades de
invernadero, que constituyen un factor importante en empleo y abordar la pérdida potencial de empleos.
el calentamiento global.9 En la OIT necesitamos em- Habida cuenta de la experiencia adquirida con los
prender un esfuerzo importante en materia de inves- retos que han planteado otros ajustes del empleo,
tigaciones y de políticas para determinar el alcance cabe citar algunas cuestiones prioritarias que podría
y la naturaleza de la transformación del empleo que abarcar esa iniciativa de transición a empleos verdes
acompañará el cambio a modelos más sostenibles y que incluirían la identificación y aplicación de:
de producción y consumo, y en particular a una eco- • programas destinados a desarrollar y ampliar
nomía menos dependiente del carbono. Esto debería un diálogo eficaz entre todos los actores per-
realizarse en cooperación con el PNUMA y con otras tinentes, y en particular un diálogo social na-
organizaciones internacionales y nacionales pertinen- cional e internacional sobre el medio ambiente
tes. Esta es una de las áreas de acción prioritarias y el mundo del trabajo entre los gobiernos, las
que identificó el Secretario General de las Naciones organizaciones de empleadores y las organi-
Unidas, Ban Ki-Moon. zaciones de trabajadores;
Cabe prever importantes cambios en los modelos • un vasto programa de investigaciones acer-
de empleo y en los perfiles de las calificaciones. Es ca de las consecuencias que podrían tener
probable que el alcance de estos cambios y el corto las diferentes hipótesis de cambio climático y
plazo en que se produzcan no den tiempo suficiente medidas de mitigación sobre la producción y
para que los mercados de trabajo puedan ajustarse los modelos de consumo, la lucha contra la
con facilidad. La experiencia adquirida en otras situa- pobreza y las oportunidades futuras de empleo
ciones anteriores de transición indica que convendría e ingresos;
adelantarse a los acontecimientos. ¿Qué medidas • un programa de apoyo a la creación de nuevos
útiles pueden adoptarse para preparar y acompañar empleos «verdes» en varios sectores prioritarios
la transición y garantizar que las emisiones de gases tales como las fuentes de energías renovables,
de efecto invernadero dejen de aumentar para 2015, la conservación de energía, la captación de car-
tal como lo ha demostrado el IPCC para detener el bono, las nuevas tecnologías con un bajo conte-
cambio climático?10 Habría que empezar a aplicar nido de carbono, la construcción, el trans-porte
público y la eliminación de los desechos;
9
El Grupo Intergubernamental de Expertos sobre el Cambio Cli-
mático (IPCC) ha publicado tres informes como parte del pro-
• en un contexto más amplio de políticas de
ceso preparatorio de su Cuarto Informe de Evaluación. En estos protección social y de políticas activas de
informes un grupo de expertos internacionales llegó a un amplio mercado de trabajo diseñadas para apoyar el
consenso sobre el alcance y la urgencia de este problema y
también sobre la viabilidad y las ventajas de actuar pronto para ajuste del empleo a los cambios tecnológicos
mitigar el calentamiento global. Véase en particular el Cuarto y comerciales, medidas destinadas a facilitar
Informe de Evaluación del IPCC, Grupo de Trabajo III, en el cual una transición justa de las trabajadoras y los
se concluye que los estudios de enfoque ascendente y de enfoque
descendente sobre las políticas indican que hay un importante po- trabajadores, las comunidades y las empresas
tencial económico para mitigar las emisiones de gases de efecto perjudicadas por los cambios de los modelos
invernadero en los próximos decenios, que podría compensar el de producción y de consumo, con inclusión de
crecimiento previsto de las emisiones mundiales o reducir esas
emisiones por debajo de los niveles actuales. políticas para mitigar el cambio climático;
10
IPCC, ibíd.

40 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

• un programa destinado a apoyar iniciativas en mano de obra, combinados con un aumento de las
materia de educación y formación que faciliten desigualdades de los ingresos, son perturbadores,
el desarrollo de las calificaciones necesarias entre otras cosas, porque esta situación amenaza
para la creación de nuevos empleos verdes y el desarrollo sostenible en una economía mundial
para facilitar la transición de los trabajadores abierta. Esto nos recuerda que para la OIT, «el tra-
que perderán sus «viejos» empleos; bajo no es una mercancía» y que la paz se basa en
• nuevas técnicas de evaluación para mejorar las la justicia social.
estimaciones y, cuando sea posible, aumentar Numerosos análisis sobre la desigualdad mues-
las repercusiones que tienen sobre el empleo y tran que las tendencias recientes obedecen probable-
los ingresos las inversiones en infraestructura mente a la manera en que los mercados de trabajo
públicas y privadas de gran escala (infraes- se han visto afectados por la globalización, y por
tructura de transporte e inversiones en activi- desigualdades históricas. Es significativo el hecho de
dades de rehabilitación, mitigación y adap- que la parte correspondiente a los ingresos laborales
tación, tales como la captación de carbono, en el ingreso nacional está disminuyendo, mientras
los biocombustibles y la protección contra las que los beneficios están aumentando en muchos
inundaciones), y países. Un capítulo del documento Perspectivas de
• medidas encaminadas a reforzar la capacidad la economía mundial, FMI, abril de 2007, contiene
institucional para tratar de manera más eficaz cuadros que muestran que, en 16 países industriali-
los efectos que tengan sobre el empleo y los zados, entre 1980 y 2004, la compensación de los
ingresos las iniciativas de desarrollo sosteni- empleados (los salarios más las contribuciones del
ble, con inclusión de la prestación de apoyo empleador a la seguridad social) bajó del 58 por
a los ministerios del medio ambiente, trabajo, ciento a aproximadamente el 55 por ciento del PIB.
finanzas, educación y otros ministerios perti- Si se incluyen los ingresos por concepto de «trabajo»
nentes, las organizaciones de trabajadores y de los trabajadores independientes y de otros tra-
de empleadores y las autoridades de zonas bajadores por cuenta propia, esta disminución del
urbanas. porcentaje correspondiente a la mano de obra en los
ingresos nacionales es todavía más importante, pues
pasó, aproximadamente, del 68 al 62 por ciento.
4. LA COMPRESIÓN DE LOS SALARIOS Varios análisis anteriores que realizó la OIT sobre
Y EL AUMENTO DE LAS DESIGUALDADES un grupo más grande de países industrializados, en
transición y en desarrollo muestran una disminución
CONSTITUYEN UNA AMENAZA PARA global similar, aunque en promedio no ha sido muy
EL DESARROLLO SOSTENIBLE alta y varía de un país a otro.12 La disminución del
porcentaje correspondiente a los ingresos laborales
El mandato constitucional de la OIT consiste en en el ingreso nacional es coherente con el cambio
luchar por la justicia social y abordar las condicio- que se ha observado en el poder de mercado relativo
nes de trabajo que entrañan «tal grado de injusticia, de la mano de obra y del capital a raíz de la integra-
miseria y privaciones para un gran número de seres
humanos, que el descontento causado constituye
una amenaza para la paz y armonía universales». 11
Los indicios cada vez más numerosos de un cambio 12
Los análisis de las partes correspondientes a la mano de obra
y a los beneficios dependen mucho de las clasificaciones de
de actitud que consiste en atribuir una gran impor- los ingresos de los trabajadores independientes y por cuenta
tancia al rendimiento del capital en detrimento de la propia y del porcentaje de este grupo de trabajadores en el
conjunto de la fuerza de trabajo. Los países en desarrollo ge-
neralmente tienen un número mucho más alto de estos tipos
de trabajadores y, por lo tanto, tienden a tener un porcentaje
11
Preámbulo de la Constitución de la OIT.
más bajo de ingresos laborales en el ingreso nacional.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 41


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

ción de varios países muy populosos en el sistema ingresos de los pobres y eleva los ingresos medios,15
económico mundial y de los efectos de los cambios los progresos alcanzados en países exitosos – en
tecnológicos originados en los países adelantados particular China – han elevado por encima de los
que permiten ahorrar mano de obra.13 umbrales de pobreza de 1 y 2 dólares diarios a cien-
tos de millones de familias.16 Ahora bien, el número
Cuando los dueños del capital, y no los trabaja-
de personas que viven en la extrema pobreza ha dis-
dores, detentan una parte cada vez más importante
minuido como porcentaje de la población mundial,
del ingreso nacional, es probable que aumente la
pero sigue siendo alto en términos absolutos y no ha
desigualdad de los ingresos, dado que el rendimiento
disminuido en Africa.17
del capital beneficia principalmente a una minoría
adinerada.14 Además, los salarios de los profesionales Si bien el crecimiento ha sido un factor importante
y de las personas relativamente calificadas a menu- en la reducción de la pobreza, las pruebas de que
do han aumentado con más rapidez que los de los ha aumentado la desigualdad dentro de los países
trabajadores sin calificaciones, que en algunos casos indican, sin embargo, que los modelos actuales de
se han estancado o incluso han disminuido a pesar crecimiento favorecen a las personas acomodadas
del crecimiento económico. Como resultado de estas más que a los pobres. Un estudio, basado en da-
dos tendencias, en muchos países – desarrollados y tos sobre el consumo, muestra que sólo un 9,5 por
en desarrollo – los ingresos del estrato más alto de la ciento del crecimiento registrado entre 1993 y 2001
escala han aumentado con mucha más rapidez que los benefició al 50 por ciento más pobre de la población
de las personas de los estratos intermedio y bajo. mundial. Y el 19 por ciento de la población mundial
que sobrevive con menos de 1 dólar diario se bene-
Otra manera de examinar la desigualdad mun-
fició sólo del 2 por ciento del aumento del consumo
dial consiste en comparar los ingresos medios por
mundial. La «clase media mundial» constituida por
habitante entre países. Un aspecto positivo de ello
las personas que se encuentran en la mitad superior
es que los ingresos por habitante de varios países en
de la escala mundial de distribución de los ingresos
desarrollo, con inclusión de los dos gigantes que son
recibió más del 90 por ciento de este aumento. Esto
China e India, han aumentado con más rapidez que
incluye la mayor parte de la población de los paí-
los de los países ricos. Por lo tanto, se ha estrechado
ses más ricos del mundo, más muchas personas en
mucho la brecha entre varios países en desarrollo exi-
China y otros países de Asia Oriental y del sudeste
tosos y el mundo industrializado. En cambio, en otras
de Asia.18
partes, y particular-mente en los países africanos, los
ingresos han aumentado de manera mucho más lenta Un estudio pionero que elaboró recientemente el
que los de las economías avanzadas. De resultas de Instituto Mundial de Investigaciones de Economía del
ello, la brecha global entre los países más pobres Desarrollo de la Universidad de las Naciones Unidas
y los más ricos ha aumentado sustancialmente: los (UNU-WIDER) contiene informaciones sobre la distri-
ingresos medios por habitante en los 20 países más bución mundial de la riqueza, la cual se define como
ricos son ahora 12 veces más altos que los de los
20 países más pobres, cuando a principios de 1960
15
Banco Mundial: Informe sobre el seguimiento mundial 2007:
eran 49 veces más altos. Teniendo en cuenta que Objetivos de Desarrollo del Milenio: Resolución de los desa-
el crecimiento generalmente contribuye a elevar los fíos que plantean la igualdad de género y los Estados frágiles
(Washington, D.C., 2007).
16
P. Collier y D. Dollar: Globalización, crecimiento y pobreza:
Construyendo una economía mundial e incluyente, Banco Mun-
13
FMI: “Globalización de la mano de obra”, capítulo 5 de Pers- dial (Washington, D.C., 2002).
pectivas de la economía mundial: Desbordamientos y ciclos
17
M. Ravaillon y S. Chen: Absolute poverty measures for the deve-
de la economía mundial (Washington, D.C., abril de 2007). loping world, 1981-2004, World Bank Policy Research Working
14
E. Daudey y C. García-Peñalosa: The personal and the factor Paper 4211 (Washington, D.C., 2007).
distributions of income in a cross-section of countries, GREQAM
18
P. Edgard: “Examining inequality: Who really benefits from global
(Marsella, 2005). growth?”, en World Development, vol. 14 (10), 2006.

42 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

el valor de los activos físicos y financieros menos el políticas. En la mayoría de los países en desarrollo,
pasivo. Esto demuestra que sólo el 1 por ciento de el factor que más afecta a los mercados de trabajo
los adultos más ricos poseían el 40 por ciento de los es el flujo constante de hombres y, cada vez más, de
activos mundiales en 2000, y que el 10 por ciento mujeres de zonas rurales que abandonan sus tierras
de los adultos más ricos poseían el 85 por ciento del por las ciudades, donde la mayoría de ellos terminan
total mundial. En contraste con ello, la mitad más dedicándose al comercio ambulante o a empleos
pobre de la población mundial adulta poseía apenas jornaleros ocasionales, que tal vez les ofrecen una
el 1 por ciento de la riqueza mundial. Para formar situación ligeramente mejor que en el campo, pero
parte del 100 por ciento de los adultos más ricos no mucho mejor. Están subempleados, trabajan de
del mundo harían falta activos valorados en 61.000 manera intermitente utilizando pocas herramientas,
dólares y para formar parte del 1 por ciento más rico pero no tienen otra opción para sobrevivir debido
harían falta activos superiores a 500.000 dólares. a la falta de sistemas de apoyo social. Las distin-
Hay una alta concentración de riqueza en América tas subdivisiones del sector de los servicios incluyen
del Norte, Europa y en los países de Asia y el Pacífico actividades laborales altamente calificadas y bien
de altos ingresos. La población de esos países posee remuneradas, así como el enorme sector informal
colectivamente casi el 90 por ciento de la riqueza del comercio ambulante que es en gran parte una
total mundial. Si bien en América del Norte vive sólo actividad de supervivencia, en la cual predominan las
un 6 por ciento de la población mundial adulta, en mujeres. En las economías globalizadas de hoy en día
esa región se concentra el 14 por ciento de la riqueza el crecimiento no llega hasta estas últimas personas.
de los hogares. La concentración de riqueza dentro Sencillamente no está produciendo suficiente trabajo
de los países varía de manera importante, pero las decente y, por lo tanto, no está promoviendo un ritmo
estimaciones del porcentaje de riqueza correspon- más rápido de reducción de la pobreza.
diente al 10 por ciento más rico de la población
Hoy en día es una necesidad política aminorar o
oscilan entre alrededor del 40 por ciento en China y
invertir esta tendencia hacia un aumento de las bre-
el 70 por ciento en los Estados Unidos.19
chas sociales dentro de los países y al mismo tiempo
Es necesario profundizar y ampliar el análisis de seguir haciendo progresos para reducir las brechas
estas distintas tendencias, en particular para tener entre países y lograr una reducción sustancial de la
una visión más amplia de la manera en que el pro- pobreza absoluta. Esta debe ser una prioridad para
ducto de los ingresos y la riqueza y los porcentajes los responsables de las políticas económicas y socia-
correspondientes a la mano de obra y al capital in- les. Es fundamental que las políticas de inversión y de
teractúan con el funcionamiento de los mercados empleo permitan eficazmente que los trabajadores
de trabajo, sobre todo en los países en desarrollo. pobres accedan al trabajo decente. En este sentido,
También hace falta una perspectiva de género para las políticas encaminadas a integrar el trabajo infor-
cuantificar de manera más sistemática datos según mal en la economía formal desempeñan un papel
los cuales la población femenina se concentra más en vital para acelerar la reducción de la pobreza, dete-
el estrato inferior de la escala de ingresos y riqueza ner el aumento de la desigualdad de los ingresos y
que en el estrato más alto. superar la discriminación, sobre todo contra las mu-
jeres. Las estrategias de educación y formación que
La difícil tarea que se nos plantea consiste en
permiten reducir la falta de calificaciones y superar
tratar de tener una mejor comprensión de las relacio-
la discriminación y la exclusión también son capitales
nes actuales entre el crecimiento, las inversiones y el
para lograr un crecimiento más rápido y generador
empleo, y la manera en que se ven afectados por las
de empleo, así como un mayor poder adquisitivo
para las personas con ingresos más bajos. También
19
J. B. Davies, S. Sandstrom, A. Shorrocks y E. N. Wolff: The es probable que las mejoras de la legislación laboral,
world distribution of household wealth, UNU-WIDER (Helsinki,
2006).
los sistemas de seguridad social, las políticas activas

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 43


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

del mercado de trabajo y de negociación colectiva ón real del empleo y del mercado de trabajo, pues
permitan contribuir a crear un nuevo equilibrio entre en particular no permiten captar las características
flexibilidad y seguridad, que pueda servir de apoyo esenciales que son propias de los países en desar-
al dinamismo de la competencia, garantizando al rollo. Resulta por ejemplo difícil dar una definición
mismo tiempo un aumento de las oportunidades, uniforme de las personas que tienen un empleo re-
sobre todo para los más desfavorecidos en el mer- munerado y de aquellas que trabajan por cuenta
cado de trabajo. propia. Se considera que una persona está empleada
cuando informa de que ha realizado algún trabajo
durante al menos una hora en un período de refe-
5. PARA MEJORAR LA ELABORACIÓN rencia determinado. Este mismo criterio se aplica al
DE POLÍTICAS SE NECESITA UNA desempleo. Se considera desempleada toda persona
que no tiene trabajo, ha venido buscando empleo en
BASE DE INFORMACIÓN MÁS fechas recientes y se halla disponible para trabajar.
SÓLIDA ACERCA DEL MERCADO Estar sin empleo significa no haber trabajado más de
una hora durante el período de referencia señalado
DE TRABAJO QUE PERMITA MEDIR para la encuesta, el cual suele ser de una semana.
LOS DÉFICITS QUE EXISTEN EN Personalmente, no considero que esta definición sea
aceptable desde un punto de vista social, pues su-
TÉRMINOS DE TRABAJO DECENTE bestima a buen seguro las cotas reales de exclusión
Para mejorar la elaboración de políticas y alcan- del mercado de trabajo.
zar los objetivos de trabajo decente se requiere una Además, para que los parámetros de medición
base de información y conocimientos sólida que per- tradicionales constituyesen indicadores verdadera-
mita rastrear y vigilar la evolución del mercado de mente suficientes, deberían cumplirse al menos las
trabajo. Unos pocos países en desarrollo han aumen- dos condiciones siguientes:
tado sus inversiones en instrumentos indispensables
• debería haber un predominio claro del empleo
a estos efectos, como encuestas sobre la fuerza de
asalariado a tiempo completo y sistemático;
trabajo, apoyadas por métodos informatizados de
almacenamiento y tratamiento de datos, pero otros • todos los miembros de la fuerza de trabajo
muchos van rezagados en este empeño o incluso deberían poder percibir prestaciones por de-
recortan estos servicios indispensables para atender sempleo.
otras prioridades con unos recursos ya de por sí es- En realidad, son éstas unas condiciones que rara
casos, y ello a veces en cumplimiento de políticas vez se cumplen en los países en desarrollo, y que
de austeridad vinculadas a su vez a programas de en los países industrializados no son hoy, ni mucho
ajuste que gozan de apoyo internacional. También menos, tan de actualidad.
debemos reconsiderar las normas y los conceptos
básicos internacionales para cerciorarnos de que En muchos países en desarrollo no existen prác-
aquello que se mide corresponde de hecho a lo que ticamente regímenes de prestación por desempleo,
necesitamos saber acerca de los mercados de trabajo y el empleo asalariado a tiempo completo y en la
en la actualidad y en los próximos años. economía formal es un privilegio del que sólo goza
una fracción de la fuerza de trabajo que oscila en-
Así, por ejemplo, los parámetros tradicionales tre el 5 y el 50 por ciento. Así pues, por una parte,
que se utilizan para medir el empleo (número de como la mayoría de la gente no tiene más remedio
trabajadores empleados en actividades económicas) que trabajar para sobrevivir y no puede permitirse
y el desempleo (número de personas sin trabajo, quedar inactiva, la tasa de desempleo medida con
en busca de empleo y disponibles para trabajar) no parámetros tradicionales suele ser baja. Por otra par-
han sido nunca suficientes para indicar la situaci- te, la mayoría, a menudo inmensa, de trabajadores

44 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

tradicionalmente considerados como empleados la semana y escasas ganancias, entre ellos muchos
suelen ser en realidad trabajadores autónomos o vendedores ambulantes que permanecen la mayor
asalariados ocasionales que trabajan en la economía parte del día esperando clientes. Para muchos traba-
informal del sector rural o urbano. Muchos de estos jadores, el empleo a tiempo completo es sinónimo
hombres y mujeres se hallan confrontados a diversas de baja productividad y escaso rendimiento laboral.
formas de desempleo y registran una productividad Los datos relativos a la pobreza recabados mediante
sumamente escasa, de modo que cuando se mide la encuestas por hogares permiten estimar con cierta
tasa de desempleo se subestima con mucho la pro- precisión el número de adultos o de «pobres que tra-
porción que realmente alcanza la ausencia de trabajo bajan» entre la masa total de personas que viven con
productivo, mientras que cuando se mide la tasa de un máximo de _ o 2 dólares de los Estados Unidos al
empleo se sobrestima con creces la disponibilidad día. No obstante, para corroborar esas estimaciones
de trabajo productivo. es importante mejorar las encuestas relativas a los
ingresos derivados del empleo.
En muchos países en desarrollo el número de
trabajadores autónomos y trabajadores asalariados El carácter fragmentario de la información relativa
y ocasionales supera a veces el 60 por ciento de la a la situación de las personas más vulnerables a la
fuerza de trabajo. Suponiendo que éstos encuentren exclusión en el mercado de trabajo no es privativo de
empleo en tan sólo un 75 por ciento de los casos los países en desarrollo. También en los países indus-
en que están disponibles y buscan trabajo, cabría trializados se necesita una información más completa
estimar que la «subutilización de la mano de obra» acerca de la magnitud que alcanza el empleo infor-
asciende a un 15 por ciento. Esta tasa, sumada a mal, el trabajo realizado involuntariamente a tiempo
la tasa de desempleo que, medida con parámetros parcial o con carácter temporal, así como los motivos
tradicionales, ronda el 5 por ciento, ascendería pues de las bajas tasas de participación en el mercado
a un 20 por ciento, y en realidad se acercaría mucho de trabajo y de la pobreza de ciertos colectivos de
más a aquella obtenida con una observación aleato- hombres y mujeres que trabajan.
ria del mercado de trabajo de un país en desarrollo
La Conferencia Internacional de Estadísticos del
que a aquella calculada con los criterios estadísticos
Trabajo celebrará su próxima reunión ordinaria en
que se aplican hoy día. Si bien la experiencia no ha
2008. Esta ocasión brindará una oportunidad excelen-
confirmado todavía que los trabajadores asalariados
te de tratar esas importantes cuestiones conceptuales y
ocasionales y aquellos empleados por cuenta propia
aportar indicadores adicionales que generen el tipo de
en la economía informal hallen trabajo en un 75 por
información necesaria a quienes elaboran las políticas
ciento de los casos en que están disponibles para
y que puedan aplicar las autoridades nacionales en
trabajar, este dato permite sin embargo dar un or-
materia de estadísticas. Es preciso que el tripartismo
den de magnitud de la escasez de oportunidades de
de la OIT contribuya en gran medida a que las es-
trabajo que aqueja a los países en desarrollo. Para
tadísticas del trabajo reflejen con mayor fidelidad la
elaborar políticas que permitan acelerar la reducción
situación real y diaria de los trabajadores.
de la pobreza mejorando la calidad del trabajo e in-
crementando las cotas de empleo, es esencial poder Además de esta labor determinante, es también
medir con mayor exactitud los déficits registrados en preciso atender con carácter urgente el suministro de
términos de trabajo decente, con un desglose más apoyo internacional a las autoridades de estadísticas
detallado por sexos y edades. de los países en desarrollo que hoy día no tienen el
potencial necesario para recabar y analizar los datos
Otro aspecto, vinculado al anterior, reside en la
que necesitan sus propios políticos y que son cada
necesidad de conocer mejor la magnitud real de
vez más importantes para completar el panorama de
las cotas de «pobreza de los trabajadores». Muchos
las tendencias globales. El acopio y el tratamiento
hombres y mujeres empleados a tiempo completo
de los datos esenciales sobre el empleo son funcio-
tienen largas jornadas de trabajo todos los días de

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 45


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

nes indispensables para medir y evaluar las políticas con la equidad social es posible, siempre y cuando
con precisión. De hecho, la mayoría de los países se adopten políticas maduradas con el apoyo y la
necesitan una base de datos sociales mucho más intervención de los sindicatos y de las asociaciones
sólida que les permita establecer puntos de referencia empresariales.
fiables y evaluar los progresos realizados en cumpli-
La clave reside en una planificación que permita
miento de los Objetivos de Desarrollo del Milenio y el
lograr a un tiempo resultados económicos equitati-
programa de desarrollo internacional en general. En
vos y un incremento de la productividad. Ello viene
las Naciones Unidas ya se están realizando algunas
a confirmar uno de los principales mensajes de la
la-bores en este sentido, mientras la OIT elabora
Constitución de la OIT, según el cual la organización
propuestas para la creación de un buen programa
del trabajo no puede disociarse de la organización
de cooperación técnica sobre estadísticas del trabajo
de las responsabilidades sociales.
que permita ayudar a las autoridades nacionales y
mejorar la calidad y el ámbito de los conjuntos de La historia también nos enseña que muchas socie-
datos internacionales. dades empezaron a crear regímenes de protección
social con la experiencia de alguna crisis. Así, por
ejemplo, la OIT fue creada en las postrimerías de la
6. ENFOQUE GLOBAL DE LA Primera Guerra Mundial, las instituciones de bienes-
PROTECCIÓN SOCIAL: TODA SOCIEDAD tar de los Estados Unidos y de los países nórdicos
surgieron para contrarrestar los efectos de la Gran
NECESITA UN CIMIENTO SOCIAL Depresión, y el modelo social europeo, con todas
Toda sociedad debe concebir regímenes de segu- sus variantes, se desarrolló después de la Segunda
ridad social adaptados a sus necesidades y circuns- Guerra Mundial. La forma que hoy reviste la globa-
tancias específicas. También debemos poder reflexio- lización no preserva de nuevas crisis. Un elemento
nar con una perspectiva global sobre la manera de estabilizador indispensable es la comprensión global
organizar la solidaridad entre países. Además, para de que todas las sociedades necesitan cimientos so-
mantener unos sistemas económicos abiertos en el ciales consensuados, atendiendo a las posibilidades
plano internacional, debemos empezar a considerar económicas existentes y con el apoyo de la coope-
que la seguridad social es una cuestión decisiva para ración internacional.
la gobernanza y a articular dispositivos que permitan Como bien saben ustedes, la acelerada trans-
a quienes más dificultades tienen en aprovechar las formación económica y social provocada por el en-
oportunidades que encierra la globalización de lograr carnizamiento de la competencia en los mercados
un trabajo decente, participar en los beneficios de globales está modificando profundamente las pautas
esta última. de trabajo y, por tanto, la experiencia de las mujeres
La historia nos muestra que los regímenes de se- y de los hombres que trabajan, así como la de sus
guridad social han evolucionado más o menos con el familias. Aquellas personas con menor poder adqui-
crecimiento de los países industrializados. Hace cien sitivo son las que más expuestas se hallan a caer y
años, los Estados nórdicos, que son hoy paradigmas quedar atrapadas en la pobreza. Según se desprende
de estados del bienestar fuertes, eran países pobres del Informe global presentado este año con arreglo
donde un porcentaje elevado de la fuerza de trabajo al seguimiento de la Declaración de la OIT relativa a
todavía labraba la tierra. Empezaron a invertir en la los principios y derechos fundamentales en el trabajo,
protección social en los años treinta y su empeño fue y titulado La igualdad en el trabajo: afrontar los retos
recompensado, ya que hoy registran las tasas más que se plantean, la discriminación, la exclusión social
bajas de pobreza y criminalidad, buenos índices de y la pobreza representan una concatenación de des-
bienestar y algunas de las tasas de ingresos más altas ventajas, y la mejor manera de afrontarlas consiste
por habitante. Compaginar el crecimiento económico en promover la igualdad de acceso al empleo y la

46 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

igualdad en el lugar de trabajo, especialmente con nio sobre la seguridad social (norma mínima), 1952
miras a reducir las desigualdades de género. Si bien (núm. 102), que es un instrumento marco, aumenta
la mayoría de la gente pasa gran parte de la vida desde su adopción sin prisa aunque sin pausa, lo cual
trabajando, los ingresos que deriva de este trabajo denota la necesidad de fortalecer este proceso. La
no siempre bastan para garantizarle una fuente de protección y la justicia social deben ser intrínsecas al
ingresos que le permita hacer planes para toda una desarrollo nacional en aquellas sociedades que son
vida. Algunas personas tienen más facilidad que otras todavía relativamente pobres. El planteamiento con-
para ahorrar lo suficiente a fin de quedar cubiertas sistente en anteponer el crecimiento a la distribución
durante los períodos en que no tengan la posibilidad genera disparidades que luego son difíciles de rea-
de trabajar. bsorber. Bueno es recordar que, en los años treinta,
cuando ya habían empezado a desarrollar el Estado
En la mayoría de las sociedades las familias pres-
de bienestar, Noruega y Suecia eran más pobres en
tan algún apoyo, pues redistribuyen entre sus miem-
términos de ingresos reales por habitante que países
bros los ingresos de suerte que, por ejemplo, los
como el Brasil o Sudáfrica lo son hoy en día.
niños pueden disfrutar de un período de desarrollo
físico y mental antes de entrar en el mercado de ¿Acaso era el desarrollo del Estado del bienestar
trabajo, y las personas de edad avanzada pueden posible solamente en economías relativamente cerra-
jubilarse. En las sociedades de corte más tradicio- das de las que el capital no podía eludir los aumentos
nal también la familia menos directa se ve a veces fiscales? ¿Es acaso inevitable que los regímenes de
obligada a cuidar en la medida de lo posible de protección social engendren rigideces y disuadan
sus miembros en períodos en que éstos no perci- de la innovación, de forma que reduzcan la com-
ben ingresos, como en caso de enfermedad, lesión, petitividad y debiliten el potencial de las economías
maternidad, búsqueda de empleo o, en el caso de abiertas? Aunque la envergadura de los regímenes
la agricultura, en los períodos fuera de temporada. de seguridad social varía considerablemente de un
Sin embargo, este aspecto de la seguridad social de país industrializado a otro, no existe una correlación
la familia o del clan principalmente rural y de las fuerte entre el crecimiento efectivo y la cuota presu-
sociedades agrícolas formó, y todavía suele formar puestaria que representa la seguridad social en el
hoy, parte integrante de unas estructuras de autori- PIB de los países.20
dad sumamente jerarquizadas en que prevalece la
Si bien personalmente opino que podemos vislum-
discriminación por varios conceptos, entre ellos por
brar ya algunas respuestas a esas preguntas, lo que
razón de sexo. La enseñanza y la difusión de ideas
está claro es que el futuro de la seguridad social está
sobre los derechos humanos y la democracia, suma-
estrechamente vinculado a la ordenación del trabajo,
das a la disgregación de las tradicionales unidades
la cual depende a su vez y en gran medida del tipo
económicas de los hogares debida al aumento de
de globalización que configuramos para el mundo.
la movilidad y de la urbanización, han entrañado
Necesitamos crear un cimiento social a escala glo-
el desarrollo de regímenes de seguridad social más
bal y elevarlo paulatinamente, y no debemos pensar
formales y más basados en los derechos.
sistemáticamente que la protección social entraña
Volviendo la mirada hacia el siglo XXI, los países solamente costos. La experiencia de los países nór-
del mundo en desarrollo, en que se experimenta una dicos y también de otros países nos demuestra que
rápida urbanización, donde se debilitan los vínculos esta operación constituye en realidad una inversión
con los familiares menos directos y donde la fuerza social y económica muy rentable.
de trabajo tiene mayor movilidad profesional y ge-
ográfica, necesitan el espacio político y el respaldo
internacional necesarios para ampliar paulatinamen- 20
Desde hace varios años los países nórdicos con altas cotas de
te la seguridad social en sintonía con su desarrollo gasto social han registrado los Indices de Competitividad Global
más altos del Foro Económico Mundial. Véase Global Compe-
económico. El número de ratificaciones del Conve- titiveness Report 2006-2007 (Palgrave MacMillan, 2006).

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 47


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

Velar por que las mujeres y los hombres que viven lecimiento y la ampliación de la protección social
en la pobreza puedan tomar el camino del empleo como una de las principales tareas en relación con
decente, productivo y razonablemente seguro debe los procesos de globalización.22
ser una prioridad de las estrategias de reducción de
Las principales causas de la pobreza no son in-
la pobreza. La pobreza castiga sobre todo a los que
dividuales sino estructurales, y deben tratarse como
más riesgos tienen de perder el empleo, más dificul-
una responsabilidad social. Una vez creado el ci-
tades tienen en encontrar otro nuevo y más proba-
miento social, la sociedad está en condiciones de
bilidades tienen de cobrar una retribución modesta.
pedir a las mujeres y a los hombres que acepten la
La pobreza se transmite con demasiada facilidad
responsabilidad de aprovechar las oportunidades de
entre generaciones y en una lógica de privación. La
trabajar para superar la pobreza mediante el trabajo.
mala salud, los escasos logros educativos, el género
Es evidente que en los países más ricos se tiende a
y otros factores de discriminación, además de otras
prestar un apoyo más concreto a las personas que
vertientes de la pobreza, dificultan todavía más el
tropiezan con dificultades para conseguir un trabajo
logro de un empleo y la posibilidad de mantenerlo.
regular, pero en la mayor parte del mundo en de-
Las sociedades deben proponerse evitar que la gente
sarrollo la creación de un cimiento social básico es
quede atrapada en la pobreza, y brindar apoyo a
la prioridad absoluta.
quienes tienen grandes dificultades en encontrar un
empleo. Invertir en la protección social equivale a prevenir
una disgregación de la sociedad fruto de la privación
En la mayoría de los países industrializados al
y a crear el capital humano y social de las economí-
menos una de cada seis personas, en promedio,
as. Sin embargo, pese a las claras ventajas que ello
cambia de trabajo cada año, principalmente por
supone para los países y la gente, tan sólo un 20 por
decisión personal pero también a veces por haber
ciento de la población mundial, principalmente de los
sido despedida.21 Muchos países en desarrollo se
países más ricos, goza de cierto grado de cobertura
acercan a estas tasas de movilidad, de forma que
social. Cabe pues preguntarse por qué resulta tan
resulta esencial dotar a las mujeres y a los hombres
difícil a los países más pobres iniciar la creación de
de calificaciones para permitirles superar la transición
estos regímenes.
de un empleo a otro y prestarles apoyo para que
afronten esas transiciones como un episodio natural En parte porque las corrientes de pensamiento tra-
de la vida laboral y no como una catástrofe que en- dicionalistas de los últimos decenios han sostenido que
trañe el peligro casi inevitable de caer en la pobreza el crecimiento termina siempre alcanzando incluso a
y quedar sumido en ella. Al elevar la productividad los más pobres, pues el bienestar trasciende hasta las
general de la economía, esas estrategias generan capas más bajas de la población sin que el Estado
más recursos que, a su vez, pueden invertirse en deba intervenir para estimular su redistribución. Esta
regímenes de protección social sólidos y garantes de afirmación es parcialmente correcta, pero el ritmo de
un cimiento social que impida a la gente caer en la reducción de la pobreza es de una lentitud alarman-
pobreza extremada. Según declararon los ministros te en muchos países, y mientras muchos cientos de
de trabajo y empleo del G8 en las conclusiones que millones de personas recién emergen del umbral de
adoptaron en la conferencia celebrada en Dresde en la pobreza, que supone cobrar entre 1 y 2 dólares de
2007 sobre la configuración de la dimensión social los Estados Unidos diarios, los ingresos registrados en
de la globalización, debemos considerar el forta- el otro extremo del espectro han crecido mucho más
deprisa, de forma que las desigualdades se han acen-
tuado. La aceleración de la reducción de la pobreza
22
Conferencia de Ministros de Trabajo y Empleo del G8 sobre
21
The natural survival of work: Job creation and job destruction la configuración de la dimensión social de la globalización,
in a growing economy, Pierre Cahuc y André Zylberberg (MIT Dresde 2007, conclusiones del Presidente (dirección de correo
Press, 2006). electrónico: http:///www.bmas.bund.de).

48 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

extremada y la reducción de la desigualdad, o bien el para el estudio era sumamente modesta, su inciden-
hecho de impedir que la pobreza aumente, presupone cia en la pobreza extremada fue considerable, al
que existan regímenes que aporten un ingreso básico lograr una reducción estimada en alrededor de un 40
a las personas más vulnerables. por ciento de las cifras inferiores a los umbrales de
pobreza nacionales. Este conjunto de medidas resulta
Así pues, la OIT ha centrado sus investigaciones
por tanto sostenible desde un punto de vista fiscal
en evaluar la incidencia de un arsenal básico de
para los países en desarrollo con ingresos bajos, y
medidas de protección social para determinar su
su introducción se vería acelerada con un apoyo de
impacto probable en la pobreza y las estrategias
la cooperación internacional, especialmente en la
encaminadas a difundir su introducción en los países
fase inicial. Además, la experiencia registrada en
en desarrollo. Ese conjunto de medidas se articula
Bangladesh, Brasil y México con los programas de
de la siguiente manera:
transferencias en efectivo condicionadas demuestra
• El acceso a una atención sanitaria básica me- un progreso claro de indicadores como las ganancias
diante sistemas nacionales pluralistas integra- a lo largo de la vida, y una reducción del número de
dos por elementos públicos financiados por bajas por enfermedad, lo cual denota que existe un
los impuestos, elementos de seguro social y efecto positivo en la productividad gracias a la mejo-
privado, y elementos comunitarios vinculados ra de la educación y de la salud. En Namibia y Sudá-
a un sistema central fuerte. frica se instauraron planes de pensiones básicos que
• Un sistema de prestaciones familiares que per- arrojan resultados positivos en términos de reducción
mita la escolarización de los niños. de la pobreza y, curiosamente, los ingresos para los
• La elaboración de un sistema universal y fun- abuelos en forma de pensiones también mejoran la
damental de pensiones de vejez, invalidez y asistencia a la escuela y la nutrición de los niños. Se
supervivencia que de hecho apoye a la totali- espera que estas tendencias se acentúen al confiarse
dad de las familias. cada vez más el cuidado de los niños a los abuelos
• Un sistema de asistencia social básica de ajuste en los países con altas cotas de VIH/SIDA y fuertes
automático (programas de trabajo remunera- corrientes migratorias con fines laborales.
do) que ayude a superar la pobreza más ab- La coyuntura demográfica es hoy ideal para am-
soluta a las personas que estén en condiciones pliar los regímenes de seguridad social básicos. En
físicas de trabajar. algunos de los países más ricos ese espacio de opor-
• Los derechos fundamentales en el trabajo. tunidad empieza a cerrarse, pues la gente de edad
avanzada empieza a ser más numerosa. Se deberá
En estudios recientes la OIT concluyó que el gasto
pues procurar ampliar los períodos de actividad eco-
dedicado en ese conjunto de medidas a los concep-
nómica de una población cada vez más en forma,
tos de vejez e invalidez, prestaciones para niños y
especialmente en la franja de edad comprendida
atención médica esencial representa entre un 5 y un 7
entre los 55 y los 65 años. En varios países en desar-
por ciento del PIB en siete países de Africa y un 1 por
rollo ese espacio de oportunidad seguirá abierto para
ciento del PIB en cinco países de Asia.23 Ello debería
otra generación más, lo cual permitirá la financiación
absorber alrededor de un 20 por ciento del gasto pú-
de las transferencias sociales básicas, que a su vez
blico de la mayoría de los países interesados. Aunque
tendrá una incidencia máxima en la vida de la gente
la cuantía de las transferencias en efectivo efectuadas
más pobre. Según las economías en desarrollo vayan
prosperando, les resultará cada vez más fácil apoyar
23
K. Pal, C. Behrendt, F. Léger, M. Cichon y K. Hafemeyer: Can low a la población que envejece.
income countries afford basic social protection? First results of a
modelling exercise (OIT, Ginebra, 2005); S. Mizunaya, C. Behren- La seguridad económica es un factor esencial
dt, K. Pal y F. Léger: Costing of basic social protection benefits for de civismo responsable y presupuesto previo de un
selected Asian countries: First results of a modelling exercise: Issues
in social protection paper nº 17 (OIT, Ginebra, 2006). entorno comercial estable y propicio para una inicia-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 49


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

tiva empresarial productiva y el desarrollo sostenible. En la legislación del trabajo de la mayoría de


Fomenta la confianza en uno mismo y el sentido de los Estados Miembros de la OIT se advierte la hon-
la solidaridad social que fortalece las comunidades y da influencia de los convenios y recomendaciones
favorece el trabajo creativo. Todos hemos visto cómo de la OIT. Incluso donde los convenios no han sido
la ausencia de seguridad económica y social des- ratificados, la legislación se ha inspirado a menudo
gasta la esperanza y acentúa las tensiones sociales, en los principios de dichos instrumentos, lo cual no
pues amén de ser fuente de inestabilidad, erosiona resulta sorprendente, ya que la OIT ha ayudado a
la credibilidad de las autoridades públicas y privadas muchos países a redactar su legislación y la elabo-
que intentan paliar las incertidumbres que se ciernen ración de las normas internacionales del trabajo se
sobre muchas comunidades, familias y personas. nutre en gran medida de las experiencias nacionales
registradas en todo el mundo.

7. MODERNIZAR LA GOBERNANZA Las normas internacionales del trabajo son por


tanto fruto de compromisos compartidos que hoy
DEL MUNDO DEL TRABAJO representan, en una economía de mercado global
En el mundo entero, los mandantes de la OIT incipiente, un punto de referencia mundial para las
tienen por prioridad adaptar la legislación laboral y legislaciones laborales, indispensable para generar
las instituciones de diálogo social a las nuevas pautas cooperación en los lugares de trabajo, la cual es
que permean el mundo del trabajo y los mercados a su vez esencial para lograr resultados más com-
en general, sin dejar de cumplir cabalmente los de- petitivos. Quizá la justicia dependa, al igual que la
rechos fundamentales en el trabajo. La OIT ayuda belleza, del cristal con que se mire, pero cuando se
sin reservas a establecer ese equilibrio necesario en pretende determinar si a los trabajadores se les trata
coyunturas nacionales específicas. con justicia, resulta sumamente útil disponer de un
criterio acordado para entablar un diálogo construc-
Las normas internacionales del trabajo ofrecen un tivo. También es sumamente útil contar con una base
conjunto de principios, acordado a escala interna- consensuada para contrastar los resultados con las
cional, que tienen por objeto guiar las legislaciones promesas. El sistema normativo de la OIT y su me-
laborales. Constituyen pues un marco que permite canismo de control ofrecen todas esas posibilidades.
establecer constantemente un equilibrio entre la flexibi- Si éstos no existiesen o si se debilitasen, o incluso si
lidad y la seguridad en el trabajo, y representan hoy el se desgastasen, se frustraría el empeño de todos los
entramado normativo internacional vigente más vasto, mandantes de la OIT en convertir la globalización
pues se contabilizan más de 7.500 instrumentos de en un proceso provechoso para todos.
ratificación de convenios. Cada uno de éstos refleja
la decisión del legislativo nacional de optar por un Las normas internacionales del trabajo forman
sistema internacional de responsabilización y autori- la cúspide de una pirámide de normas aplicables a
zar que la legislación y la práctica del país respectivo las relaciones laborales, que nacen en el lugar de
sean analizadas cuidadosamente por los órganos de trabajo y de la necesidad de organizar una actividad
control de la OIT competentes. Estos conforman un productiva y cooperativa. La experiencia cotidiana
sistema extraordinariamente adelantado de derecho de los trabajadores y los empleadores muestra que,
internacional cuyo potencial, según afirman algunos, para reglamentar sus relaciones, estos colectivos no
no se ha aprovechado todavía completamente.24 siempre se remiten a la legislación laboral, pese a
que ésta es precisamente la que sienta las bases
y fija los valores de la negociación colectiva y los
24
OIT: El fortalecimiento de la capacidad de la OIT para prestar contratos de trabajo individuales, inclusive para los
asistencia a los Miembros en la consecución de sus objetivos
en el contexto de la globalización, Informe V, Conferencia In- muchos hombres y mujeres que trabajan sin contrato
ternacional del Trabajo, 96ª reunión, Ginebra, 2007. debidamente formalizado.

50 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

La generación de un entorno de confianza en el dos marco, muchos de los cuales se inspiran en los
lugar de trabajo es responsabilidad primera y prin- principios y derechos fundamentales en el trabajo
cipal de los empleadores y de la fuerza de trabajo, establecidos por la OIT.
con arreglo a un marco jurídico sólido. No obstante,
El sistema normativo de la OIT es el órgano vital
todos ellos suelen necesitar ayuda y sendas asocia-
del Programa de Trabajo Decente de la Organizaci-
ciones representativas, a saber, las organizaciones
ón, sin el cual el desarrollo de empresas sostenibles
de empleadores y los sindicatos, que son las que en
y la generación de empleo no tendrían arraigo en el
mejores condiciones se hallan para coadyuvar a la
principio de la equidad.
existencia de unas relaciones sanas en el lugar de
trabajo. La solución de los problemas mediante la También las normas internacionales del trabajo
negociación a escala local constituye la base de la necesitan ser actualizadas, al igual que las legisla-
pirámide de la buena gobernanza en las sociedades ciones nacionales y los convenios colectivos. Ello
democráticas y las economías dinámicas. significa que es preciso ya elaborar normas nuevas,
ya revisar y fortalecer aquellas existentes, y también
Las normas de la OIT sobre la libertad de aso-
que debe determinarse cómo pueden respaldarse las
ciación y de sindicación, y sobre la igualdad, el
legislaciones nacionales y el sistema normativo de la
trabajo forzoso y el trabajo infantil, en las que se
OIT mediante mecanismos voluntarios.
recogen los principios y derechos fundamentales en
el trabajo, son indispensables para lograr un buen El pasado año se pudo apreciar la elasticidad
equilibrio entre la flexibilidad y la seguridad en los de ese sistema con la adopción del nuevo Convenio
lugares de trabajo, al cimentar unas relaciones no sobre el trabajo marítimo, por el cual se refundieron
coactivas, basadas en el respeto mutuo y el diálogo y desarrollaron varias normas antiguas y aplicables al
constructivo. sector global por antonomasia: la industria marítima.
Algunos han afirmado que sin la revolución de la
En ellas también se recogen derechos que pro-
contenerización, que ha transformado el transporte
pician el desarrollo tanto de los trabajadores como
marítimo en el espacio de una vida laboral, nunca
de los empleadores, que en sus relaciones con el
hubiera podido acelerarse la tasa de crecimiento del
Estado necesitan crear una plataforma de estabilidad
comercio mundial. Creo que llevan razón, por lo que
en un mundo que evoluciona a pasos agigantados,
resulta muy oportuno mostrar el potencial que los
una plataforma que pueda adaptarse y modelarse
sistemas normativos de la OIT encierran para contri-
en sintonía con las pautas de evolución del trabajo.
buir a la modernización de la gobernanza del trabajo
También es una base sobre la que debe seguir de-
mediante la adopción de un convenio destinado a la
sarrollándose la legislación laboral, tomando como
gente de mar y a los armadores de todo el mundo.
fuente de inspiración y orientación el corpus de las
Otro ejemplo de esta flexibilidad lo brinda la rapidísi-
normas internacionales del trabajo.
ma tasa de ratificación del Convenio sobre las peores
Tanto las empresas como los órganos del sector formas de trabajo infantil, 1999 (núm. 182).
privado, las organizaciones no gubernamentales y
Según apunté en la introducción, creo que de-
organismos internacionales como la Organización
bemos aprovechar estos logros y fortalecer aún más
Internacional de Normalización se dirigen cada vez
a la OIT. Tenemos una oportunidad inmejorable de
más a la OIT para elaborar sus respectivos códigos
demostrar la importancia de enfocar la buena go-
de conducta y orientar sus servicios de auditoría so-
bernanza en atención a los derechos y de basarla en
cial creados para propiciar un cumplimiento efectivo.
el diálogo social, que es el cauce más provechoso
Asimismo, más de 50 empresas multinacionales han
para adaptar los clásicos puntos fuertes de la OIT a
suscrito con federaciones sindicales globales acuer-
las exigencias de un mundo en evolución.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 51


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

8. CONVERTIR EL SISTEMA DE de las Naciones Unidas.25 Creo que todos podemos


señalar ámbitos en que cabría mejorar el sistema
LAS NACIONES UNIDAS EN UN en términos de receptividad y entrega, calidad de
SISTEMA MULTILATERAL MÁS EFICAZ los servicios para los mandantes, cooperación entre
organismos y coherencia programática para sacar
El sistema internacional cambia y ha llegado para mayor partido de sus conocimientos y ventajas. Tam-
nosotros la hora de reflexionar juntos sobre las con- bién rechazamos todo intento eventual de debilitar
secuencias de esta evolución a la luz de las últimas el sistema de las Naciones Unidas.
novedades.
De las conclusiones de la Comisión de Coopera-
Nos hemos centrado en cumplir nuestro cometido ción Técnica de la reunión de la Conferencia Inter-
para hacer efectivo el respaldo político del Progra- nacional del Trabajo del pasado año se desprende
ma de Trabajo Decente por los Jefes de Estado y de una serie de pautas de orientación:
Gobierno en la Cumbre Mundial de 2005, seguido
[…] habida cuenta de la singular estructura
el año pasado por el llamamiento expresado en la
tripartita de la OIT, […] la reforma de las Na-
Declaración Ministerial del ECOSOC a fin de que
ciones Unidas brinda a la Organización la
se incorporase el trabajo decente como objetivo en
oportunidad de incidir de forma positiva en los
todo el sistema de las Naciones Unidas.
resultados a nivel nacional e internacional […]
Para aplicar esas decisiones hoy actuamos de Ello también redundará en un mayor relieve,
varias maneras: ampliamos nuestra colaboración notoriedad y trascendencia de la OIT en los
con los organismos especializados del sistema de organismos internacionales.26
las Naciones Unidas con los que compartimos mé-
Creo que tenemos una contribución importante
todos de gobernanza similares; fortalecemos nuestra
que brindar. De entrada, permítanme afirmar que las
cooperación con el PNUD, según se formalizó en un
propuestas del Grupo de Alto Nivel, que coinciden
acuerdo conjunto que suscribí en la OIT con el Admi-
con numerosas iniciativas de reforma de las Nacio-
nistrador del PNUD, Sr. Kemal Dervis, para fomentar
nes Unidas formuladas en el pasado, podrían surtir
el Programa de Trabajo Decente en los programas
un efecto adicional. Aunque sus propuestas sean
de las Naciones Unidas por país, y nos unimos a
relativamente modestas y se centren principalmente
otras organizaciones interesadas mediante la Junta
en el fomento de la entrega a los países, conducen
de Jefes Ejecutivos de las Naciones Unidas para la
lentamente hacia una discusión más amplia acerca
Coordinación, a fin de elaborar y utilizar una serie
de la reforma del sistema multilateral en su conjunto,
de instrumentos destinada a integrar las cuestiones
con inclusión de las instituciones de Bretton Woods
de empleo y trabajo decente en todo el sistema mul-
y de la OMC.
tilateral, a fin de ayudar a los organismos a evaluar
el impacto potencial de sus políticas, programas y Quizá nos hallemos en las primeras fases de una
actividades en términos de resultados respecto al reorganización fundamental del cometido de cada
empleo y al trabajo decente. Según declaró el Sr. organización internacional. La distribución del peso
Kemal Dervi en la Reunión Regional Africana de la económico en el mundo está cambiando y las exigen-
OIT celebrada en Addis Abeba en abril de 2007, «el cias democráticas aumentan, de forma que se cues-
trabajo decente es central para el desarrollo y debe tionan con mayor rigor los métodos de gobernanza
ser también fundamental para el trabajo que realiza
Naciones Unidas en el campo del desarrollo». 25
El informe del Grupo de Alto Nivel del Secretario General sobre
la coherencia en todo el sistema de las Naciones Unidas en
Por otra vía, también se planteó la cuestión de las esferas del desarrollo, la asistencia humanitaria y el medio
la reforma del sistema de las Naciones Unidas con ambiente, Unidos en la acción (www.un.org/events/panel/).
26
OIT: “Conclusiones relativas a la cooperación técnica”, Actas
la publicación el pasado año del informe del Grupo Provisionales núm. 19, Conferencia Internacional del Trabajo,
de Alto Nivel sobre la coherencia en todo el sistema 95ª reunión, Ginebra, 2006.

52 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

de las instituciones de Bretton Woods. Los países en NUESTRA CONTRIBUCIÓN


desarrollo impugnan las condiciones que se les im-
ponen y aguardan con interés la adopción de nuevos Sin embargo, por ahora debemos tratar la cues-
planteamientos y un espacio programático mayor. tión de la reforma de las Naciones Unidas. Al aden-
Juntos tienen un peso suficiente para inducir reformas trarnos en este proceso aportaremos un gran acervo
no sólo en el sistema de las Naciones Unidas, sino de riquezas a la comunidad:
también en el FMI y el Banco Mundial. • Nuestra visión según la cual no se puede es-
tablecer una paz universal y duradera si ésta
Se está cerrando la era en que las potencias
no descansa en la justicia social.
económicas establecidas podían insistir en políticas
muy concretas a cambio de un reequilibrado de las • Nuestros valores según los cuales el trabajo
balanzas de pagos o de la financiación para el de- no es una mercancía.
sarrollo. Esas potencias han desempeñado de hecho • Nuestra identidad tripartita singular, al supo-
su función normativa utilizando la palanca de los ner la sinergia entre gobiernos, trabajadores
recursos y de las condiciones que imponían en diver- y empleadores un valor añadido, amén de un
sas áreas que ni siquiera entraban en el ámbito de método para garantizar paz y estabilidad.
competencia técnica ni el mandato legítimos de las • Nuestro mandato normativo, sustentado en
instituciones prestamistas. La duplicación y, a veces, 7.500 instrumentos de ratificación de conve-
un asesoramiento general incoherente suponen sin nios.
lugar a dudas un gasto indebido de los recursos de • Nuestro enfoque programático, resumido en
los contribuyentes consignados para financiar el con- el Programa de Trabajo Decente y sus cuatro
junto del sistema multilateral. Empieza a despuntar objetivos estratégicos.
la necesidad de adoptar un planteamiento nuevo y
• Nuestro sistema de entrega, los programas de
más equilibrado que obedezca a las prioridades de-
trabajo decente por país.
terminadas por los propios países en lo que respecta
a la función y al peso que debería corresponder a • Nuestro método de trabajo, mediante el cual
cada organización internacional en los albores del ayudamos a los mandantes a cumplir sus prio-
siglo XXI. ridades.
• Y, evidentemente, nuestro entronque directo con
En este empeño, al que quizás no se dé cima de
las exigencias políticas imperantes de todos los
la noche a la mañana, es probable que se refuerce
pueblos del mundo en pos de una oportunidad
la responsabilidad de la OIT. Nuestra identidad y
justa de tener un trabajo decente, elemento in-
nuestro sistema de gobernanza tripartitos nos con-
dispensable para una globalización justa.
vierten en la institución multilateral más democrática
de todas. Nuestro mandato constitucional inerva un
sistema normativo internacional. Nuestro Programa COMPROMISO DE LA OIT
de Trabajo Decente goza de un respaldo político sóli-
En términos más prácticos, la reforma se intro-
do en cuanto elemento indispensable de desarrollo y
ducirá en diversos planos: en los países, en todo el
de reducción de la pobreza. También goza de un gran
sistema multilateral, entre los países donantes y entre
respaldo nuestro protagonismo en cuanto entidad
los organismos de las Naciones Unidas.
que insiste en la dimensión social de la globalización
vinculada a la necesidad de una globalización justa. Para coadyuvar a este esfuerzo nos centramos
Todos estos elementos reunidos sitúan a la OIT en en tres ámbitos prioritarios. En cada uno de ellos, el
una posición inmejorable, siempre y cuando ahonde- cometido de los gobiernos, de los empleadores y de
mos en nuestro potencial tripartito de investigación, los trabajadores será absolutamente determinante
formulación de políticas y entrega. para que la OIT cumpla de lleno su cometido.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 53


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

En primer lugar, en los países de las Naciones Unidas para la Coordinación y es


un instrumento único para crear asociaciones que
El Grupo de Alto Nivel recomendó la selección converjan en un objetivo compartido.
de países para experimentar con la iniciativa «Uni-
dos en la acción». Participamos en un total de ocho Si bien nuestro objetivo común es la entrega a
experimentos.27 escala nacional, o sea, de la población, resulta esen-
cial recabar en cada país la intervención de todos los
Quisiera recalcar que los países piloto designa- agentes de desarrollo clave, es decir, las instituciones
dos para poner a prueba la iniciativa «Unidos en la de Bretton Woods y los interlocutores de desarrollo
acción» se han seleccionado tan sólo a título expe- bilateral a fin de lograr una sistematización y una
rimental. En cada uno de ellos se realizarán prue- armonización. Sin dichas entidades la reforma sería
bas diferenciadas, pues resulta claro que no podrá torpe, difícil y también incompleta, pues se desper-
aplicarse un mismo modelo a todos ellos. La nueva diciarían las ventajas de un planteamiento realmente
función prevista para el PNUD, como gestor de un integrado de la cooperación en aras del desarrollo.
sistema de Coordinadores Residentes autónomo, será Sin embargo, un presupuesto esencial de integración
particularmente delicada, en particular para los or- es la responsabilización de los países, por lo que,
ganismos especializados. mientras el sistema debe prestar un asesoramiento
Permítanme añadir que el buen éxito que se logre coherente, potenciar una reflexión convergente, tam-
en los países piloto dependerá en gran medida del bién los países deben decidir cuáles son sus necesi-
grado de compromiso que muestren los interlocuto- dades en términos de combinación, concatenación y
res sociales en el plano nacional. Es éste un ámbito ritmo atendiendo a sus prioridades y posibilidades.
que brinda inmensas oportunidades y crea grandes
posibilidades a escala nacional para dar a valer el
En tercer lugar, ahondar en el sistema de apoyo en la
tripartismo en el trabajo. Tenemos la intención de OIT a fin de que ésta pueda desarrollar todo su potencial
maximizar el respaldo técnico destinado a los man- a lo largo del esfuerzo de reforma
dantes en este campo fundamental.
En la Organización hemos creado un Grupo de
Trabajo interno sobre la reforma de las Naciones
EN SEGUNDO LUGAR, A ESCALA Unidas a fin de garantizar: la participación plena
de la OIT en la iniciativa «Unidos en la acción»; la
INTERORGANISMOS
dinámica intervención de los mandantes tripartitos,
Colaboramos con los mandantes para adoptar y el ajuste de los programas de las Naciones Unidas
una serie de medidas a fin de fortalecer la colabo- por país a la programática y al enfoque del trabajo
ración y la coherencia en todo el sistema de las Na- decente.
ciones Unidas, y aprovechar mejor nuestras ventajas
colectivas para atender las prioridades de las pobla- DIFICULTADES
ciones. Hemos elaborado una guía de instrumentos
Es probable que a lo largo de la reforma se plan-
destinada a incorporar las cuestiones de empleo y
tee una serie de dificultades.
trabajo decente en todo el sistema multilateral. Esta
ha sido refrendada por la Junta de los Jefes Ejecutivos • Resulta pues importante velar por que el pro-
ceso no obedezca a los intereses de donantes
o colectivos de donantes específicos, pues el
27
Los ocho países en que se procederá a este experimento son potencial de reforma podría percibirse como
Albania, Cabo Verde, Mozambique, Pakistán, Rwanda, Repú-
blica Unida de Tanzanía, Uruguay y Viet Nam.
un mecanismo para encubrir condiciones.

54 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Informe del Director General a la Conferencia Internacional del Trabajo el Trabajo Decente para un Desarrollo Sostenible

• El proceso debería centrarse en lo enriquece- OPORTUNIDADES


dor que es combinar todos y cada uno de los
elementos del sistema de las Naciones Unidas Los esfuerzos que han de realizarse para refor-
para trabajar mejor y mejorar individualmente, mar el sistema brindarán en realidad una inmensa
evitando que se diluyan y desdibujen nuestros oportunidad si los administramos correctamente; de
particularismos, que precisamente son el punto lo contrario habremos desaprovechado una ocasión.
fuerte de las Naciones Unidas. Nos centramos De lo que se trata es de actuar de manera proactiva y
con carácter específico en velar por que nues- aprovechar la excelente orientación facilitada en las
tra entidad tripartita y nuestras estructuras de conclusiones de la Comisión de Cooperación Técnica
gobernanza sean reconocidas y respetadas de el pasado año, así como las del Consejo de Adminis-
suerte que desarrollen todo el potencial que tración formuladas el pasado mes de marzo.
encierran. Lo primero que se pondrá a prueba será nuestro
• En términos ya sumamente prácticos, la mayo- compromiso con los ocho países piloto de la inicia-
ría de los organismos no están representados tiva de las Naciones Unidas «Unidos en la acción».
en todos y cada uno de los países. Es por Es natural que busquemos garantías para preservar
ello necesario garantizar una representación nuestra identidad en este empeño. Ahora bien, para
completa mediante el reconocimiento de la asegurar nuestra propia presencia también debe-
función que puede desempeñar una estructura mos procurar modernizar, fortalecer y desarrollar el
subregional y regional fortalecida. tripartismo mediante nuestro compromiso, nuestra
• Este proceso no debería entrañar una pérdi- participación y nuestras actividades, y esto es algo
da de sustancia. La integración exige mucho que sólo podremos hacer todos juntos. Avanzaremos
más que un mero esfuerzo gerencial; es un si contamos con el respaldo sistemático de toda la
ejercicio general sumamente complicado y los Organización para que la reforma de las Naciones
países requieren apoyo para velar por que los Unidas desarrolle su potencial extraordinario para
principales temas programáticos se traten por fomentar el valor que representa el Programa de
conducto de sendos ministerios competentes. Trabajo Decente.
Un ejemplo excelente de buen éxito ha sido la
labor realizada por los Ministros de Finanzas
africanos en apoyo del Programa de Trabajo
9. CONCLUSIONES
Decente. Se ha disipado la fe en la magia del mercado
• También es decisivo el ritmo del esfuerzo de una vez que se ha comprendido que para que éste
reforma y debemos velar por que la precipitaci- funcione sin distorsiones y restablezca un equilibrio
ón no dé lugar a un sistema más fragmentado entre unos resultados sociales desiguales se necesitan
y menos receptivo. Buen ejemplo de ello es la Estados eficaces. El desarrollo sostenible, asenta-
redefinición completa de la función del Coor- do en sus tres valores fundamentales, cuales son el
dinador Residente. La introducción eficaz de un desarrollo económico y social, y la protección del
concepto general y sin probar requiere tiempo medio ambiente, requiere la presencia de un Estado
y planificación. Este presupuesto forma parte de bienestar eficaz y de un tripartismo dinámico. Sin
integrante del marco de gestión basado en los embargo, la globalización plantea nuevas dificulta-
resultados. Todos los Coordinadores Residen- des que requieren respuestas adaptadas y un forta-
tes deben haber recibido la formación idónea lecimiento de los sistemas de gobernanza de la OIT
para desempeñar sus nuevas funciones. y de la base de recursos de esta última.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 55


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

Creo que el tripartismo está hoy preparado, tan- Nuestra movilización en aras del Programa de
to a escala nacional como a escala internacional, Trabajo Decente ha dado muy buen resultado; la OIT
para un nuevo renacimiento. Debemos asegurar sus y el tripartismo han logrado mayor reconocimiento y
cimientos incrementando el respeto de la libertad de apoyo. Nuestro porvenir común depende ahora de la
asociación de los trabajadores y de los empleadores, orientación que ustedes nos presten para alcanzar los
robusteciendo el cometido de la administración del objetivos, aprovechar las oportunidades y asumir las
trabajo en el seno del Estado y fomentando políticas responsabilidades que hemos hecho nuestros. 
activas de mercado de trabajo basadas en el diálogo
social. También necesitamos crear asociaciones en
los ámbitos nacional e internacional.

56 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


ANEXO
RESOLUCIÓN RELATIVA AL
FORTALECIMIENTO DE LA
CAPACIDAD DE LA OIT

L a 96ª reunión de la Conferencia General de la


a) lleve a cabo los preparativos necesarios
para facilitar la celebración de consultas
Organización Internacional del Trabajo, de 2007, lo más amplias posible entre los man-
Habiendo celebrado una discusión general sobre dantes, incluso entre reuniones, cuyos
la base del Informe V, titulado El fortalecimiento de resultados debería examinar el Consejo
la capacidad de la OIT para prestar asistencia a los de Administración al establecer el pun-
Miembros en la consecución de sus objetivos en el to pertinente de manera que haya más
contexto de la globalización, posibilidades de obtener un consenso
al respecto en la reunión de la Confe-
1. Adopta las conclusiones adjuntas; rencia, y
2. Invita al Consejo de Administración a que, b) prepare y distribuya, al menos con dos
tomando en consideración el informe de la meses de antelación a la apertura de la
Comisión del Fortalecimiento de la Capaci- 97ª reunión de la Conferencia (2008), un
dad de la OIT: informe que contenga los elementos de un
a) decida inscribir un punto en el orden del proyecto de texto para un documento de
día de la 97ª reunión de la Conferen- referencia, con miras a su consideración, y
cia (2008) con objeto de proseguir la en el que se tengan debidamente en cuen-
discusión sobre el fortalecimiento de la ta las opiniones expresadas en la presente
capacidad de la OIT y estudiar las pro- reunión de la Conferencia y en cualquier
puestas relativas al posible examen de consulta posterior.
un documento de referencia, como una
declaración u otro instrumento adecua-
do, con el correspondiente seguimiento,
CONCLUSIONES SOBRE EL
y determinar la forma que podrían adop- FORTALECIMIENTO DE LA
tar;
CAPACIDAD DE LA OIT
b) adopte medidas apropiadas para llevar
a cabo un programa de trabajo encami- 1. La Comisión celebró una discusión gene-
nado a responder a las preocupaciones ral sobre la base del Informe V, titulado El
de los mandantes expresadas en la Co- fortalecimiento de la capacidad de la OIT
misión acerca de la mejora de la capa- para prestar asistencia a los Miembros en la
cidad de la Organización, con miras a consecución de sus objetivos en el contexto
atender sus necesidades en el contexto de la globalización.
de la globalización, y 2. Sin perjuicio de las opiniones individuales
c) realice un seguimiento de otras cuestio- expresadas por los Miembros, que se reflejan
nes pertinentes con arreglo a las con- de manera detallada en el informe, la Co-
clusiones adjuntas; misión alcanzó las conclusiones que figuran
a continuación.
3. Pide al Director General que:

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 57


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

3. La Comisión convino en que se debería re- relativas a dichos objetivos. Esos exámenes
conocer y reafirmar la renovada pertinencia, podrían servir para fortalecer la base de
en el contexto de una globalización progre- conocimientos y la capacidad analítica de
siva, de los objetivos de la OIT enunciados la Oficina. Ante todo, la discusión tripartita
en su Constitución y en la Declaración de celebrada anualmente en la reunión de la
Filadelfia, complementados por la Decla- Conferencia Internacional del Trabajo de
ración de la OIT relativa a los principios y nuevos informes operacionales de este tipo
derechos fundamentales en el trabajo, de podría contribuir a establecer un vínculo más
1998, y contenidos en el Programa de Tra- directo entre las necesidades de los mandan-
bajo Decente. También acordó que en un tes, así como a facilitar la selección de las
entorno en constante evolución, el diálogo prioridades para la adopción de futuras me-
tripartito entre los gobiernos y las organiza- didas, en especial la elaboración de normas.
ciones representativas de los empleadores y El examen de esos informes podría permitir
de los trabajadores debería aceptarse como llevar a cabo una evaluación sistemática de
un medio esencial para el logro efectivo de la pertinencia de esas prioridades y de la
los objetivos estratégicos en el ámbito na- repercusión de las medidas adoptadas para
cional, regional e internacional. aplicarlas, sobre la base de la información
proporcionada por los mandantes.
4. Aunque las propuestas que figuraban en el
Informe V no trataban de forma exhaustiva 6. El Consejo de Administración debería anali-
todos los aspectos del punto del orden del zar con más detenimiento la posibilidad de
día, la Comisión reconoció que procedía llevar a cabo esos informes, sus modalidades
prestar especial atención a los tres principa- y el examen correspondiente, así como su
les aspectos de la gobernanza a fin de lograr relación con los estudios generales previstos
el objetivo de fortalecer la capacidad de la en el artículo 19 de la Constitución, a fin de
OIT para prestar asistencia a sus Miembros. garantizar que ese proceso, de adoptarse,
Quedaba entendido que era preciso tener no sometiera a una demanda excesiva las
en cuenta las repercusiones institucionales capacidades de la Oficina o supusiera una
de ese proceso para la OIT y la capacidad responsabilidad adicional de presentación
de la Oficina, incluido el Consejo de Admi- de informes para los Estados Miembros. La
nistración. Los procesos administrativos de la Comisión señaló que ello podría simplificar
OIT, como el examen de la estructura exte- considerablemente la tarea del Consejo de
rior, la gestión basada en los resultados y la Administración de seleccionar puntos para
revisión del ciclo de programación, también el orden del día de las reuniones de la Con-
eran claramente pertinentes en ese contexto. ferencia.
Las reformas propuestas no deberían menos-
7. En segundo lugar, respecto de la promoción
cabar en caso alguno los procedimientos
de un enfoque más integrado de esos obje-
existentes en la Organización, entre ellos los
tivos estratégicos en el marco de la Organi-
mecanismos de elaboración de normas y de
zación, entre sus mandantes y en la labor de
control.
la Oficina, hubo una amplia convergencia
5. En primer lugar, en cuanto a la posibilidad de opiniones en torno a la necesidad de
de realizar exámenes cíclicos o periódicos, adoptar dicho enfoque integrado, dada la
solía reconocerse que esos exámenes podían interdependencia y la complementariedad
ser un medio para ofrecer a los mandantes de esos objetivos. Ello también sería plena-
y al público en general una actualización mente compatible con el concepto mismo de
periódica de las tendencias y las políticas trabajo decente y estaría en armonía con el

58 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Resolución Relativa al Fortalecimiento de la Capacidad de la OIT

apoyo generalizado que había recibido el ción y procesamiento de datos, así como las
Programa de Trabajo Decente dentro y fuera capacidades analíticas en todos los ámbitos,
de la Organización. tanto en la sede como en las regiones. Las
actividades de investigación y de formulaci-
8. Ese enfoque integrado también desempeña-
ón de políticas de la OIT deberían ser de la
ría una función esencial para promover la
mayor calidad posible y contrastarse con las
coherencia en la formulación de programas
repercusiones logradas de conformidad con
de trabajo decente por país (PTDP) adapta-
sus objetivos y la aplicación del Programa
dos a las necesidades y características espe-
de Trabajo Decente. De este modo, la OIT
cíficas de los países interesados. Por tanto, el
intensificará sus esfuerzos para convertir-
Consejo de Administración podría establecer
se en un centro mundial de excelencia. La
disposiciones en el ámbito institucional para
estructura tripartita confiere a la OIT una
examinar los PTDP con objeto de conseguir
ventaja comparativa y una credibilidad ex-
un equilibrio adecuado, también a escala
cepcionales para extraer enseñanzas de sus
nacional, y una mayor coherencia entre esos
actividades de investigación y de los resul-
programas a fin de aumentar su eficacia así
tados de los estudios por país.
como estrechar los vínculos y aumentar las
repercusiones respecto de otros programas 11. El fortalecimiento de los mandantes es un
pertinentes de las Naciones Unidas y orga- aspecto fundamental de la labor efectiva de
nismos multilaterales. La experiencia adqui- la OIT. La Organización debería aumentar
rida mediante los PTDP también podría enri- el apoyo que presta al fomento de la capa-
quecer los exámenes cíclicos o periódicos. cidad de sus mandantes para garantizar que
sigan estando en condiciones de participar
9. El establecimiento de ejemplos concretos so-
en los objetivos y en el Programa de Trabajo
bre la manera en que un enfoque integrado
Decente de la OIT, alcanzar esas metas en
puede resultar útil en términos de progreso
el contexto de la globalización y atender las
social, desarrollo sostenible y erradicación
necesidades de los mandantes.
de la pobreza contribuirá a convencer a to-
dos los Estados Miembros de las ventajas 12. Se señaló que el Programa Global de Empleo
de adoptar dicho enfoque. Por consiguiente, adoptado con pleno apoyo por el Consejo de
el Consejo de Administración podría exa- Administración proporciona directrices impor-
minar el modo en que se podrían utilizar tantes a los mandantes y a la Oficina para
las experiencias del pasado y del presente aplicar el Programa de Trabajo Decente.
en relación con los estudios por país a fin
13. En tercer lugar, con respecto a las asocia-
de establecer un marco coherente para ese
ciones establecidas en aras del trabajo de-
tipo de estudios, destinados a lograr que se
cente con los actores, como se indica en
comprenda la interrelación existente entre
el capítulo 4 del Informe V, se convino en
esos objetivos y la «fertilización mutua» de
que, si bien los objetivos y métodos de la
experiencias y prácticas adecuadas. De ser
OIT eran más adecuados que nunca, era
pertinente, el Consejo de Administración
preciso tener en cuenta tanto el nuevo con-
debería examinar la posibilidad de estable-
texto de la globalización como la existencia
cer un sistema voluntario de exámenes inter
de esos actores con creciente influencia en
pares y de autoevaluación, y las correspon-
este tema. Se recordó que en la Declaración
dientes modalidades.
Ministerial del Consejo Económico y Social
10. La OIT debe mejorar sus conocimientos, su de las Naciones Unidas (ECOSOC) de julio
base de competencias, la labor de compila- de 2006, se convenía en que el trabajo de-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 59


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

cente debería ser un objetivo intersectorial cumento de referencia» en el que figurase


del sistema de las Naciones Unidas y otras el compromiso renovado de los Miembros
instituciones multilaterales. Se consideró con los objetivos y el tripartismo de la OIT,
esencial utilizar la legitimidad tripartita de lo que les podría alentar a tratar de poner
la OIT para promover una mayor conciencia en práctica esos objetivos de una forma
y comprensión, así como para establecer integrada, compatible con el Programa de
asociaciones apropiadas con esos actores Trabajo Decente, al que habían brindado su
a fin de respaldar los esfuerzos desplegados apoyo.
por la OIT con miras a fortalecer la capa-
16. Se acordó que el Consejo de Administra-
cidad institucional de los Estados Miembros
ción debería considerar la posibilidad de
para alcanzar los objetivos estratégicos del
inscribir en el orden del día de la próxima
trabajo decente. El Consejo de Administra-
reunión de la Conferencia Internacional del
ción debería seguir examinando los medios
Trabajo (2008) un punto que permitiera la
para continuar forjando esas asociaciones
continuación y la conclusión de las discusio-
y aumentar su eficacia.
nes mantenidas en la presente reunión de la
14. En el contexto de la reforma de las Naciones CIT, y el posible examen de un documento
Unidas y del proyecto «Unidos en la acción», de referencia, como una declaración u otro
se acordó que los Miembros y la OIT deberían instrumento adecuado, con el correspon-
tratar de garantizar que el proceso de reforma diente seguimiento, y determinar la forma
fortalezca a la OIT, su identidad tripartita y que podrían adoptar.
sus prácticas en todas las esferas y que su
17. A estos efectos, la Oficina debería llevar a
carácter tripartito determine el proceso de
cabo los preparativos necesarios para faci-
selección y la manera de llevar a cabo las
litar la celebración de consultas lo más am-
intervenciones y actividades de la OIT. Ello
plias posible entre los mandantes, incluida
también debería ser aplicable a las alianzas
la celebración de consultas entre reuniones.
forjadas en el marco del sistema de las Nacio-
Ello debería permitir que el Consejo de Ad-
nes Unidas y a la promoción de un enfoque
ministración determine el punto pertinente
integrado de la ejecución del programa.
de manera que haya más posibilidades de
15. Se llevó a cabo un examen preliminar para obtener un consenso al respecto en la reu-
determinar si la Organización debería con- nión de la Conferencia. 
siderar la posibilidad de adoptar un «do-

60 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


ANEXO
TEXTO DEL CONVENIO SOBRE EL
TRABAJO EN EL SECTOR PESQUERO

N Ú M . 12A – M I É R C O L E S 13 DE JUNIO DE 2007 Tomando nota asimismo del Convenio sobre la


seguridad social (norma mínima), 1952 (núm. 102),
y considerando que las disposiciones del artículo 77
de dicho Convenio no deberían constituir un obstá-
culo para la protección que los Miembros otorgan
L a Conferencia General de la Organización Inter- a los pescadores en el marco de los regímenes de
seguridad social;
nacional del Trabajo:
Convocada en Ginebra por el Consejo de Admi- Reconociendo que la Organización Internacional
nistración de la Oficina Internacional del Trabajo, y del Trabajo considera que la pesca es una ocupación
congregada en dicha ciudad el 30 de mayo de 2007, peligrosa en comparación con otras ocupaciones;
en su nonagésima sexta reunión; Tomando nota también del párrafo 3 del artículo
Reconociendo que la globalización tiene profun- 1 del Convenio sobre los documentos de identidad
das repercusiones en el sector pesquero; de la gente de mar (revisado), 2003 (núm. 185);

Tomando nota de la Declaración de la OIT rela- Teniendo presente que el mandato fundamental
tiva a los principios y derechos fundamentales en el de la Organización es la promoción de condiciones
trabajo, de 1998; de trabajo decentes;

Tomando en consideración los derechos funda- Teniendo presente la necesidad de proteger y


mentales plasmados en los siguientes convenios in- promover los derechos de los pescadores a este res-
ternacionales del trabajo: Convenio sobre el trabajo pecto;
forzoso, 1930 (núm. 29); Convenio sobre la libertad Recordando la Convención de las Naciones Uni-
sindical y la protección del derecho de sindicación, das sobre el Derecho del Mar, 1982;
1948 (núm. 87); Convenio sobre el derecho de sin-
Teniendo en cuenta la necesidad de revisar los si-
dicación y de negociación colectiva, 1949 (núm.
guientes convenios internacionales adoptados por la
98); Convenio sobre igualdad de remuneración,
Conferencia Internacional del Trabajo que se refieren
1951 (núm. 100); Convenio sobre la abolición del
de forma específica al sector pesquero, a saber, el
trabajo forzoso, 1957 (núm. 105); Convenio sobre
Convenio sobre la edad mínima (pescadores), 1959
la discriminación (empleo y ocupación), 1958 (núm.
(núm. 112), el Convenio sobre el examen médico de
111); Convenio sobre la edad mínima, 1973 (núm.
los pescadores, 1959 (núm. 113), el Convenio sobre
138), y Convenio sobre las peores formas de trabajo
el contrato de enrolamiento de los pescadores, 1959
infantil, 1999 (núm. 182);
(núm. 114), y el Convenio sobre el alojamiento de
Tomando nota de los instrumentos pertinentes de la la tripulación (pescadores), 1966 (núm. 126), a fin
Organización Internacional del Trabajo, y en particular de actualizarlos y de abarcar a un mayor número de
del Convenio (núm. 155) y la Recomendación (núm. pescadores del mundo entero, y en especial a los que
164) sobre seguridad y salud de los trabajadores, trabajan en las embarcaciones de menor tamaño;
1981, y el Convenio (núm. 161) y la Recomendación
Tomando nota de que el presente Convenio tie-
(núm. 171) sobre los servicios de salud en el trabajo,
ne por objeto garantizar que los pescadores gocen
1985;

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 61


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

de condiciones de trabajo decentes a bordo de los d) la expresión «propietario de buque pesque-


buques pesqueros en lo que atañe a requisitos mí- ro» designa al propietario de un buque de
nimos para el trabajo a bordo, condiciones de ser- pesca o a cualquier otra organización o per-
vicio, alojamiento y comida, protección en materia sona, como puede ser el administrador, el
de seguridad y salud en el trabajo, atención médica agente o el fletador a casco desnudo, que
y seguridad social; a efectos de la explotación del buque ha
asumido la responsabilidad que incumbe
Después de haber decidido adoptar diversas pro-
al propietario o a otra entidad o persona y
posiciones relativas al trabajo en el sector pesquero,
que, al hacerlo, haya aceptado cumplir con
cuestión que constituye el cuarto punto del orden del
todos los deberes y las responsabilidades
día de la reunión, y Después de haber decidido que
que incumben a los propietarios de buques
dichas proposiciones revistan la forma de un con-
pesqueros en virtud del presente Convenio,
venio internacional, adopta, con fecha ... de junio
Iindependientemente de que otra organiza-
de dos mil siete, el siguiente Convenio, que podrá
ción o persona desempeñe algunos de los
ser citado como el Convenio sobre el trabajo en la
deberes o responsabilidades en nombre del
pesca, 2007.
propietario del buque pesquero;
e) el término «pescador» designa a toda perso-
PARTE I na empleada o contratada, cualquiera que
sea su cargo, o que ejerza una actividad
DEFINICIONES Y ÁMBITO DE APLICACIÓN profesional a bordo de un buque pesquero,
incluidas las personas que trabajen a bordo
Definiciones y cuya remuneración se base en el reparto
de las capturas («a la parte»); se excluyen los
ARTÍCULO 1 prácticos, el personal naval, otras personas
al servicio permanente de un gobierno, el
A efectos del presente Convenio:
personal de tierra que realice trabajos a bor-
a) la expresión «pesca comercial» designa todas do de un buque pesquero y los observadores
las operaciones de pesca, inclusive la pesca pesqueros;
en ríos, lagos o canales, con excepción de
f) la expresión «acuerdo de trabajo del pes-
la pesca de subsistencia y de la pesca de-
cador» abarca el contrato de trabajo, el
portiva;
contrato de enrolamiento y cualquier otra
b) la expresión «autoridad competente» designa forma similar de acuerdo o de contrato que
al ministro, departamento gubernamental o rija las condiciones de vida y de trabajo de
cualquier otra autoridad competente para los pescadores a bordo de un buque;
dictar y hacer ejecutar reglamentos, orde-
g) los términos «buque pesquero» o «buque»
nanzas u otras instrucciones de obligado
designan toda nave o embarcación, cuales-
cumplimiento con respecto al contenido de
quiera sean su clase o su régimen de pro-
la disposición de que se trate;
piedad, que se utilice o esté destinada a ser
c) el término «consulta» designa toda consulta utilizada en la pesca comercial;
que la autoridad competente celebre con las
h) la expresión «arqueo bruto» designa el ar-
organizaciones representativas de empleado-
queo bruto calculado de conformidad con
res y de trabajadores interesadas, y en particu-
los reglamentos sobre arqueo contenidos en
lar con las organizaciones representativas de
el anexo I del Convenio Internacional sobre
propietarios de buques pesqueros y de pesca-
Arqueo de Buques, 1969, o en cualquier
dores, cuando estas organizaciones existan;

62 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

instrumento por el que se modifique dicho a los pescadores que trabajen a bordo de
anexo o se lo sustituya; embarcaciones más pequeñas la protección
prevista en el presente Convenio para los
i) el término «eslora» designa el 96 por ciento
pescadores que trabajen a bordo de buques
de la longitud total en una flotación corres-
de eslora igual o superior a 24 metros.
pondiente al 85 por ciento del puntal mínimo
de trazado, medido desde el canto superior
ARTÍCULO 3
de la quilla, o la distancia existente entre la
cara proel de la roda y el eje de la mecha 1. Cuando la aplicación del Convenio plantee
del timón en esa flotación, si esta última problemas especiales y de fondo, atendien-
magnitud es mayor. En los buques proyec- do a las condiciones de servicio específicas
tados con quilla inclinada, la flotación de de los pescadores o a las operaciones de
referencia para medir la eslora deberá ser los buques pesqueros de que se trate, todo
paralela a la flotación de proyecto; Miembro podrá, previa celebración de con-
j) la expresión «eslora total o máxima» designa sultas, excluir de los requisitos del presente
la distancia medida en línea recta, y parale- Convenio, o de ciertas disposiciones del
lamente a la flotación de proyecto, desde el mismo, a:
extremo anterior de la proa hasta el extremo a) las embarcaciones pesqueras dedicadas
posterior de la popa; a operaciones de pesca en ríos, lagos o
canales, y
k) la expresión «servicio de contratación y co-
locación» designa a toda persona, empresa, b) algunas categorías limitadas de pesca-
institución, agencia u otra entidad, pública o dores o buques pesqueros.
privada, cuya actividad consiste en contratar 2. En el caso de que haya exclusiones con arre-
a pescadores por cuenta de los propietarios glo a lo dispuesto en el párrafo 1 del presente
de buques pesqueros o en colocarlos direc- artículo, y cuando sea factible, la autoridad
tamente a su servicio; competente deberá tomar medidas, según
l) el término «capitán» o «patrón» designa al proceda, para extender progresivamente los
pescador al mando de un buque pesquero. requisitos previstos en el presente Convenio
a las categorías de pescadores y de buques
pesqueros antes citadas.
Ámbito de aplicación
3. Todo Miembro que ratifique el presente Con-
ARTÍCULO 2 venio deberá:
1. Salvo que en el presente Convenio se disponga a) en la primera memoria sobre la aplica-
otra cosa, éste se aplica a todos los pescadores ción del Convenio que someta en virtud
y todos los buques pesqueros que se dediquen del artículo 22 de la Constitución de la
a operaciones de pesca comercial. Organización Internacional del Trabajo:
i) presentar una lista de las categorías
2. En caso de duda respecto de si un buque o
de pescadores o de buques pesque-
embarcación está o no dedicado a la pesca
ros excluidos de conformidad con el
comercial, la decisión al respecto incumbirá
párrafo 1;
a la autoridad competente, previa celebra-
ción de consultas. ii) exponer las razones de tal exclusión,
indicando las posturas adoptadas
3. Todo Miembro, previa celebración de con- al respecto por las organizaciones
sultas, podrá extender, total o parcialmente, interesadas representativas, respec-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 63


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

tivamente, de los empleadores y los c) que naveguen habitualmente a distan-


trabajadores, y en particular por cias superiores a 200 millas náuticas
las organizaciones representativas desde la línea de costa del Estado del
de los propietarios de buques pes- pabellón o más allá del borde exterior
queros y de los pescadores, cuando de su plataforma continental, si esta
estas organizaciones existan, y; distancia es mayor, o
iii) describir cualesquiera medidas que d) que estén sujetos al control por el Estado
haya adoptado para proporcionar del puerto conforme a lo dispuesto en
una protección equivalente a las el artículo 43 del presente Convenio,
categorías excluidas. salvo cuando una situación de fuerza
b) en las memorias que presente poste- mayor dé lugar al control por el Estado
riormente sobre la aplicación del Con- del puerto, ni tampoco a los pescado-
venio, describir cualesquiera medidas res que trabajen a bordo de dichos bu-
que haya adoptado de conformidad ques.
con el párrafo 2. 3. Todo Miembro que se acoja a la posibilidad
prevista en el párrafo 1 deberá:
ARTÍCULO 4
a) en la primera memoria sobre la aplica-
1. Cuando no sea inmediatamente posible ción del presente Convenio que someta
que un Miembro aplique todas las medidas en virtud del artículo 22 de la Constitu-
previstas en el presente Convenio debido a ción de la Organización Internacional
problemas especiales y de fondo a raíz del del Trabajo:
desarrollo insuficiente de la infraestructura i) indicar las disposiciones del Conve-
o las instituciones, el Miembro, actuando nio que han de aplicarse progresi-
de conformidad con un plan elaborado pre- vamente;
via celebración de consultas, podrá aplicar ii) exponer las razones de la aplicaci-
progresivamente todas las disposiciones si- ón progresiva e indicar las posturas
guientes o algunas de ellas: adoptadas sobre el particular por
a) párrafo 1 del artículo 10; las organizaciones interesadas re-
b) párrafo 3 del artículo 10, en la medida presentativas, respectivamente, de
en que se aplique a los buques que per- los empleadores y los trabajadores,
manezcan más de tres días en el mar; y en particular por las organizacio-
c) artículo 15; nes representativas de los propieta-
rios de buques pesqueros y de los
d) artículo 20;
pescadores, cuando estas organiza-
e) artículo 33; y ciones existan, y
f) artículo 38. iii) describir el plan de aplicación pro-
2. El párrafo 1 no se aplica a los buques pes- gresiva.
queros: b) en las memorias que someta posterior-
a) de eslora igual o superior a 24 metros; o mente sobre la aplicación del presente
b) que permanezcan más de siete días en Convenio, describir cualesquiera medidas
el mar; o que haya adoptado con miras a dar efec-
to a todas las disposiciones del mismo.

64 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

ARTÍCULO 5 tarios de buques pesqueros y los pescadores


que garantice condiciones más favorables
1. A efectos del presente Convenio, la auto- que las que figuran en este Convenio.
ridad competente, previa celebración de
consultas, podrá decidir utilizar como base
de medida la eslora total o máxima en vez AUTORIDAD COMPETENTE Y COORDINACIÓN
de la eslora, de conformidad con la equi-
valencia establecida en el anexo I. Además, ARTÍCULO 7
a efectos de los párrafos indicados en el Todo Miembro deberá:
anexo III del presente Convenio, la autoridad
a) designar a la autoridad competente o las au-
competente, previa celebración de consultas,
toridades competentes, y
podrá decidir utilizar como base de medida
el arqueo bruto en vez de la eslora o de la b) establecer mecanismos de coordinación entre
eslora total o máxima, de conformidad con las autoridades pertinentes por lo que respecta
la equivalencia establecida en el anexo III. al sector pesquero en los ámbitos nacional y
local, según proceda, y definir sus funciones y
2. En las memorias que presente en virtud del responsabilidades, teniendo en cuenta su com-
artículo 22 de la Constitución, el Miembro plementariedad y las condiciones y la práctica
deberá comunicar las razones de la decisi- nacionales.
ón adoptada en virtud del presente artículo,
así como los comentarios formulados en el
marco de las consultas. RESPONSABILIDADES DE LOS PROPIETARIOS
DE BUQUES PESQUEROS, LOS CAPITANES

PARTE II O PATRONES Y LOS PESCADORES

ARTÍCULO 8
PRINCIPIOS GENERALES
1. El propietario del buque pesquero tiene la
Aplicación responsabilidad global de asegurar que el
capitán o patrón disponga de los recursos y
ARTÍCULO 6 los medios necesarios para dar cumplimien-
to a las obligaciones derivadas del presente
1. Todo Miembro deberá aplicar y hacer respe- Convenio.
tar la legislación u otras medidas que haya
2. El capitán o patrón es responsable de la se-
adoptado para cumplir sus obligaciones de
guridad de los pescadores embarcados y de
conformidad con el presente Convenio por
la seguridad operacional del buque, lo que
lo que respecta a los pescadores y buques
incluye, pero no se limita a:
pesqueros bajo su jurisdicción. Entre otras
medidas, pueden figurar los convenios co- a) ejercer una supervisión que permita ga-
lectivos, las decisiones judiciales, los laudos rantizar, en la medida de lo posible, que
arbitrales u otros medios conformes con la los pescadores desarrollen sus labores
legislación y la práctica nacionales. en condiciones óptimas de seguridad y
salud;
2. Ninguna de las disposiciones del presente
b) dirigir a los pescadores en un clima de
Convenio menoscabará cualquier ley, sen-
respeto de la seguridad y la salud, lo que
tencia, costumbre o acuerdo entre los propie-
comprende la prevención de la fatiga;

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 65


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

c) posibilitar una formación de sensibiliza- los tipos de trabajo autorizados y deberá


ción a bordo sobre la seguridad y la establecer las condiciones en que se lleva-
salud en el trabajo, y rán a cabo tales trabajos y los períodos de
d) asegurar el cumplimiento de las normas descanso obligatorios.
en materia de seguridad de la navega- 3. La edad mínima para desempeñar a bordo
ción y guardia y de las buenas prácticas de buques pesqueros actividades que, por
marineras conexas. su naturaleza o las circunstancias en que se
3. El propietario del buque pesquero no de- realicen, puedan resultar peligrosas para la
berá impedir que el capitán o patrón tome salud, la seguridad o la moralidad de los
las decisiones que, con arreglo al criterio jóvenes no deberá ser inferior a 18 años.
profesional de este último, sean necesarias 4. Los tipos de actividades a las que se aplica
para la seguridad del buque, así como para el párrafo 3 del presente artículo deberán
su navegación y explotación en condiciones ser determinados por la legislación nacio-
de seguridad, o para la seguridad de los nal o por la autoridad competente, previa
pescadores a bordo. celebración de consultas, habida cuenta de
4. Los pescadores deberán dar cumplimiento a los riesgos que tales actividades entrañan y
las órdenes lícitas del capitán o patrón, así de las normas internacionales aplicables.
como a las medidas aplicables en materia 5. La realización de las actividades a que se
de seguridad y salud. refiere el párrafo 3 del presente artículo a
partir de la edad de 16 años podrá ser au-
torizada por la legislación nacional o por
PARTE III decisión de la autoridad competente, pre-
via celebración de consultas, a condición
REQUISITOS MÍNIMOS PARA TRABAJAR de que se protejan plenamente la salud, la
seguridad y la moralidad de los jóvenes, y
A BORDO DE BUQUES PESQUEROS
de que éstos hayan recibido una instrucción
Edad mínima específica adecuada o una formación profe-
sional y hayan completado con anterioridad
ARTÍCULO 9 al embarque una formación básica en ma-
teria de seguridad.
1. La edad mínima para trabajar a bordo de
6. Deberá prohibirse la contratación de pes-
un buque pesquero deberá ser de 16 años.
cadores menores de 18 años para trabajar
No obstante, la autoridad competente podrá
de noche. A efectos del presente artículo, el
autorizar una edad mínima de 15 años para
término «noche» se definirá en conformidad
las personas que ya no estén sujetas a la en-
con la legislación y la práctica nacionales.
señanza obligatoria prevista por la legislación
Comprenderá un período de al menos nueve
nacional y que participen en una formación
horas contado a más tardar desde la me-
profesional en materia de pesca.
dianoche, el cual no podrá terminar antes
2. La autoridad competente, con arreglo a la de las cinco de la madrugada. La autoridad
legislación y la práctica nacionales, podrá competente podrá hacer una excepción al
autorizar a las personas de 15 años a efec- cumplimiento estricto de la restricción del
tuar trabajos livianos durante las vacaciones trabajo nocturno cuando:
escolares. Cuando así suceda, deberá de- a) pudiera verse comprometida la forma-
terminar, previa celebración de consultas, ción eficaz de los pescadores interesa-

66 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

dos, impartida con arreglo a programas médico, a condición de que dicho pescador
y planes de estudio establecidos, o tenga en su poder un certificado médico ca-
b) la naturaleza específica de la tarea o ducado en fecha reciente.
un programa de formación reconocido
requieran que los pescadores a los que ARTÍCULO 11
se aplique la excepción realicen trabajos Todo Miembro deberá adoptar una legislación u
de noche y la autoridad determine, pre- otras medidas que prevean:
via celebración de consultas, que dicho
a) la naturaleza de los exámenes médicos;
trabajo no perjudicará su salud ni su
bienestar. b) la forma y el contenido de los certificados mé-
dicos;
7. Ninguna de las disposiciones del presente
c) la expedición de los certificados médicos por
artículo afectará las obligaciones asumidas
personal médico debidamente calificado o,
por el Miembro al ratificar cualquier otro
en el caso de que se trate solamente de cer-
convenio internacional del trabajo.
tificados relativos a la vista, por una persona
habilitada por la autoridad competente para
Examen médico expedir este tipo de certificados; estas personas
deberán gozar de plena independencia para
ARTÍCULO 10 emitir dictámenes profesionales;
d) la frecuencia de los exámenes médicos y el pe-
1. No deberá permitirse que trabaje a bordo
ríodo de validez de los certificados médicos;
de un buque pesquero ningún pescador que
no disponga de un certificado médico válido e) el derecho de una persona a ser examinada de
que acredite su aptitud para desempeñar sus nuevo por otro personal médico independiente,
tareas. en el caso de que a esta persona se le niegue
un certificado o se le impongan limitaciones
2. La autoridad competente, previa celebración respecto del trabajo que puede realizar, y
de consultas, podrá autorizar exenciones con
f) otros requisitos pertinentes.
respecto a la aplicación de lo dispuesto en
el párrafo 1 del presente artículo, tomando
ARTÍCULO 12
en consideración la seguridad y la salud de
los pescadores, el tamaño del buque, los Además de las disposiciones establecidas en los
medios de asistencia médica y de evacu- artículos 10 y 11, en lo que atañe a los buques pes-
ación disponibles, la duración del viaje, la queros de eslora igual o superior a 24 metros o los
zona de actividades y el tipo de operación buques pesqueros que permanezcan habitualmente
de pesca. más de tres días en el mar:
3. Las exenciones previstas en el párrafo 2 del 1. En el certificado médico del pescador deberá
presente artículo no se aplicarán a los pes- constar, como mínimo, que:
cadores que trabajen en buques pesqueros a) la audición y la vista del pescador exa-
de eslora igual o superior a 24 metros o que minado son satisfactorias a efectos de
permanezcan habitualmente más de tres días las tareas que ha de cumplir a bordo
en el mar. En casos de urgencia, la autoridad del buque, y
competente podrá permitir que un pescador
b) el pescador no tiene ningún problema
trabaje a bordo de tales buques durante un
de salud que pueda agravarse con el
período de duración limitada y específica
servicio en el mar o incapacitarlo para
en espera de la obtención de un certificado
realizar dicho servicio o que pueda po-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 67


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

ner en peligro la seguridad o la salud previa celebración de consultas y con el


de las demás personas a bordo. objeto de reducir la fatiga, el número
mínimo de horas de descanso de que
2. El certificado médico tendrá una validez má-
dispondrán los pescadores. La duración
xima de dos años, salvo que el pescador sea
de dicho descanso no deberá ser infe-
menor de 18 años, en cuyo caso el período
rior a:
máximo de validez será de un año.
i) diez horas por cada período de 24
3. Si el período de validez del certificado vence horas, y
durante un viaje, dicho certificado seguirá
ii) 77 horas por cada período de siete
vigente hasta la finalización del viaje.
días.
2. La autoridad competente podrá permitir ex-
PARTE IV cepciones temporales a los límites estable-
cidos en el apartado b) del párrafo 1 del
presente artículo, en casos concretos y limi-
CONDICIONES DE SERVICIO
tados. Sin embargo, en tales circunstancias,
Dotación y horas de descanso se deberá otorgar a los pescadores perío-
dos de descanso compensatorios tan pronto
ARTÍCULO 13 como sea factible.
3. La autoridad competente, previa celebración
Todo Miembro deberá adoptar una legislación u
de consultas, podrá establecer requisitos al-
otras medidas conforme a las cuales los propietarios
ternativos a los que figuran en los párrafos 1
de buques pesqueros que enarbolen su pabellón de-
y 2 del presente artículo. En todo caso, tales
berán asegurarse de que:
requisitos alternativos deberán ser sustan-
a) sus buques cuenten con una dotación suficien- cialmente equivalentes y no poner en peligro
te, segura y eficiente, para garantizar que la la seguridad y la salud de los pescadores.
navegación y las operaciones se efectúen en
condiciones de seguridad bajo el control de un 4. Ninguna de las disposiciones del presente
capitán o patrón competente, y artículo podrá interpretarse de forma que
coarte el derecho del capitán o patrón de un
b) los pescadores gocen de períodos de descanso
buque a exigir a un pescador que realice las
regulares y de duración suficiente para preser-
horas de trabajo necesarias para la seguri-
var su seguridad y salud.
dad inmediata del buque, de las personas
ARTÍCULO 14 a bordo o de las capturas, así como para
la prestación de socorro a otras embarca-
1. Además de los requisitos establecidos en el ciones o personas en peligro en el mar. De
artículo 13, la autoridad competente deberá: conformidad con lo anterior, el capitán o
a) en el caso de los buques de eslora igual patrón podrá suspender el horario habitual
o superior a 24 metros, establecer el de descanso y exigir al pescador que cum-
nivel mínimo de dotación para la nave- pla todas las horas necesarias hasta que la
gación segura del buque, especificando situación se haya normalizado. Tan pronto
el número de pescadores exigido y las como sea factible tras la normalización de la
cualificaciones que deben poseer; situación, el capitán o patrón se asegurará
b) en el caso de los buques pesqueros que de que todos los pescadores que hayan tra-
permanezcan más de tres días en el mar, bajado durante las horas de descanso disfru-
sean cual fueren sus dimensiones, fijar, ten de un período de descanso adecuado.

68 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

LISTA DE TRIPULANTES ARTÍCULO 18


ARTÍCULO 15 Se deberá facilitar a cada pescador una copia de
su acuerdo de trabajo, que deberá llevarse a bordo
Todo buque pesquero deberá llevar a bordo una y ponerse a disposición del pescador, así como, con
lista de tripulantes; una copia de dicha lista deberá arreglo a la legislación y la práctica nacionales, de
entregarse a las personas autorizadas en tierra an- otras partes interesadas que lo soliciten.
tes del zarpe del buque, o deberá comunicarse en
tierra inmediatamente después de dicho zarpe. La ARTÍCULO 19
autoridad competente deberá determinar quién será
Los artículos 16 a 18 y el anexo II no se aplican
el destinatario de dicha información, cuándo habrá
a los propietarios de embarcaciones pesqueras que
que facilitársela y cuál será su finalidad.
las explotan por sí solos.

ACUERDO DE TRABAJO DEL PESCADOR ARTÍCULO 20

ARTÍCULO 16 Incumbirá al propietario del buque pesquero la


responsabilidad de asegurarse de que cada pesca-
Todo Miembro deberá adoptar una legislación u dor tenga un acuerdo de trabajo escrito, firmado
otras medidas para: conjuntamente por el pescador y el propietario del
a) exigir que los pescadores que trabajen a bor- buque pesquero o un representante autorizado de
do de todo buque pesquero que enarbole su éste (en caso de que el pescador no haya sido em-
pabellón estén amparados por un acuerdo de pleado o contratado por el propietario del buque,
trabajo del pescador que resulte comprensible éste deberá disponer de pruebas de la existencia de
para los pescadores y haya sido establecido en un acuerdo contractual o equivalente), que prevea
conformidad con las disposiciones del presente condiciones de trabajo y de vida decentes a bordo
Convenio, y del buque, de conformidad con lo dispuesto en el
presente Convenio.
b) especificar los datos mínimos que han de figu-
rar en los acuerdos de trabajo del pescador, de
conformidad con las disposiciones contenidas REPATRIACIÓN
en el anexo II.
ARTÍCULO 21
ARTÍCULO 17
1. Los Miembros deberán velar por que los
Todo Miembro deberá adoptar una legislación u pescadores a bordo de un buque pesque-
otras medidas en relación con: ro que enarbole su pabellón y entre en un
a) los procedimientos para garantizar que el pes- puerto extranjero tengan derecho a la repa-
cador tenga la oportunidad de examinar las triación en los casos en que el acuerdo de
cláusulas del acuerdo de trabajo y pedir ase- trabajo del pescador haya vencido o haya
soramiento al respecto antes de la celebración sido denunciado por causas justificadas por
del mismo; el pescador o por el propietario del buque
b) la conservación, cuando proceda, de un regis- pesquero, o cuando los pescadores se vean
tro con la relación de los servicios del pescador incapacitados para prestar sus servicios en
en el marco del acuerdo de trabajo, y virtud del acuerdo de trabajo o no quepa
esperar que presten dichos servicios habida
c) los medios para solucionar los conflictos rela-
cuenta de las circunstancias. Esto también se
tivos al acuerdo de trabajo del pescador.
aplica a los pescadores del buque pesquero

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 69


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

que sean transferidos por los mismos motivos servicio forme parte de un servicio público
del buque al puerto extranjero. de empleo para todos los trabajadores y em-
pleadores, o sea coordinado por éste.
2. El costo de la repatriación a que se hace re-
ferencia en el párrafo 1 del presente artículo 2. Todo servicio privado de contratación y co-
será sufragado por el propietario del buque locación de pescadores que desarrolle acti-
pesquero, salvo cuando se haya constata- vidades en el territorio del Miembro deberá
do que, de conformidad con la legislación operar en conformidad con un sistema nor-
nacional u otras medidas, el pescador ha malizado de licencias o certificación u otra
cometido un incumplimiento grave de las forma de reglamentación, que sólo podrán
obligaciones derivadas de su acuerdo de establecerse, mantenerse o modificarse pre-
trabajo. via celebración de consultas.
3. Los Miembros deberán establecer, por me- 3. Todo Miembro deberá, por medio de la le-
dio de la legislación u otras medidas, las gislación u otras medidas:
circunstancias exactas que dan a los pesca- a) prohibir que los servicios de contrataci-
dores amparados por el párrafo 1 del pre- ón y colocación usen medios, mecanis-
sente artículo el derecho a la repatriación, la mos o listas destinados a impedir que
duración máxima de los períodos de servicio los pescadores obtengan un empleo o
a bordo que dan a estos pescadores el dere- a disuadirlos de ello;
cho a la repatriación y los destinos a los que
b) prohibir que se imputen a los pesca-
los pescadores pueden ser repatriados.
dores, directa o indirectamente y en su
4. Si un propietario de buque pesquero omite totalidad o en parte, los honorarios u
autorizar la repatriación a que se hace re- otros gastos correspondientes a su con-
ferencia en el presente artículo, el Miembro tratación o colocación, y
cuyo pabellón enarbole el buque deberá c) fijar las condiciones en que cualesquiera
adoptar todas las medidas necesarias para licencias, certificados o autorizaciones
la repatriación del pescador de que se trate y similares para explotar un servicio pri-
tendrá derecho a reclamar al propietario del vado de contratación o de colocación
buque pesquero el reembolso de los gastos podrán suspenderse o retirarse en caso
correspondientes. de infracción a la legislación pertinen-
5. La legislación nacional no menoscabará nin- te, y especificar las condiciones en que
gún derecho del propietario de un buque dichos servicios privados podrán ejercer
pesquero a recuperar el costo de la repatria- sus actividades.
ción con arreglo a lo dispuesto en acuerdos
contractuales suscritos por terceras partes.
Agencias de empleo privadas
4. Todo Miembro que haya ratificado el Conve-
nio sobre las agencias de empleo privadas,
CONTRATACIÓN Y COLOCACIÓN
1997 (núm. 181), podrá atribuir, en virtud
ARTÍCULO 22 del mismo, ciertas responsabilidades a las
agencias de empleo privadas que presten
Contratación y colocación de pescadores los servicios especificados en el apartado b)
del párrafo 1 del artículo 1 de dicho Con-
1. Todo Miembro que mantenga un servicio venio. Las responsabilidades respectivas de
público de contratación y colocación de dichas agencias y de los propietarios de bu-
pescadores deberá asegurarse de que este ques pesqueros, que serán las «empresas

70 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

usuarias» a efectos de dicho Convenio, se PARTE V


determinarán y atribuirán de conformidad
con el artículo 12 del mismo. Los Miembros
mencionados en el párrafo anterior deberán ALOJAMIENTO Y ALIMENTACIÓN
adoptar leyes, normativas u otras medidas
a efectos de que ninguna de las responsa- ARTÍCULO 25
bilidades u obligaciones atribuidas a las
Todo Miembro deberá adoptar una legislación
agencias de empleo privadas que presten
u otras medidas con respecto al alojamiento, los
el servicio, y a la «empresa usuaria», según
alimentos y el agua potable a bordo de los buques
lo dispuesto en el presente Convenio, impida
pesqueros que enarbolen su pabellón.
al pescador hacer valer un derecho de pri-
vilegio marítimo sobre el buque pesquero. ARTÍCULO 26
5. No obstante lo dispuesto en el párrafo 4,
Todo Miembro deberá adoptar una legislación u
el propietario del buque pesquero seguirá
otras medidas para exigir que el alojamiento a bordo
siendo responsable en el caso de que la
de los buques pesqueros que enarbolen su pabellón
agencia de empleo privada incumpla sus
sea de tamaño y calidad suficientes, y esté equipado
obligaciones con un pescador respecto del
de manera apropiada para el servicio del buque y la
cual, en virtud del Convenio sobre las agen-
duración del período en que los pescadores han de
cias de empleo privadas, 1997 (núm. 181),
vivir a bordo. En particular, esas medidas deberán
dicho propietario del buque pesquero sea la
abarcar, según proceda, las cuestiones siguientes:
«empresa usuaria».
a) aprobación de los planos de construcción o
6. Ninguna de las disposiciones del presente de modificación de buques pesqueros por lo
Convenio deberá ser interpretada en el sen- que respecta al alojamiento;
tido de que impone a un Miembro la obli-
b) mantenimiento de los espacios destinados al
gación de permitir en su sector pesquero la
alojamiento y la cocina en las debidas condi-
actividad de agencias de empleo privadas
ciones de higiene y seguridad, salud y como-
como las mencionadas en el párrafo 4 del
didad en general;
presente artículo.
c) ventilación, calefacción, refrigeración del am-
biente e iluminación;
REMUNERACIÓN DE LOS PESCADORES d) mitigación de ruidos y vibraciones excesivos;
ARTÍCULO 23 e) ubicación, tamaño, materiales de construcción,
mobiliario y equipamiento de los dormitorios,
Todo Miembro, previa celebración de consultas, comedores y otros espacios de alojamiento;
deberá adoptar una legislación u otras medidas a f) instalaciones sanitarias, incluidos retretes e ins-
fin de garantizar que los pescadores perciban una talaciones para lavarse, y suministro de agua
remuneración mensual o de otra periodicidad. caliente y fría en cantidad suficiente, y

ARTÍCULO 24 g) procedimientos para responder a las quejas re-


lativas a condiciones de alojamiento no confor-
Todo Miembro deberá exigir que todos los pes- mes con los requisitos del presente Convenio.
cadores que trabajen a bordo de buques pesqueros
dispongan de medios para transferir a sus respectivas ARTÍCULO 27
familias, sin costo alguno, la totalidad o parte de las
Todo Miembro deberá adoptar una legislación u
remuneraciones percibidas, inclusive los anticipos.
otras medidas en las que se estipule que:

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 71


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

a) a bordo de los buques pesqueros se lleven y el servicio del buque, teniendo en cuenta el
se sirvan alimentos de valor nutritivo, calidad número de pescadores a bordo, la zona de
y cantidad suficientes; operaciones y la duración del viaje;
b) se lleve a bordo una cantidad suficiente de b) los buques pesqueros deberán tener a bordo
agua potable de calidad adecuada, y por lo menos a un pescador calificado o for-
c) los alimentos y el agua potable sean provistos mado en materia de primeros auxilios y otras
por el propietario del buque pesquero, sin cos- formas de atención médica, que además posea
to para el pescador. Sin embargo, de confor- los conocimientos necesarios para el uso del
midad con la legislación nacional, los costos equipo y el material médico disponibles en el
podrán recuperarse como costos de explota- buque de que se trate, teniendo en cuenta el
ción, a condición de que ello esté estipulado número de pescadores a bordo, la zona de
en un convenio colectivo que rija el sistema de operaciones y la duración del viaje;
remuneración a la parte o en un acuerdo de c) el equipo y los suministros médicos que se lleven
trabajo del pescador. a bordo deberán ir acompañados de instruccio-
nes u otra información en un idioma y formato
ARTÍCULO 28 que resulten comprensibles para el pescador o
pescadores a que se refiere el apartado b);
1. La legislación u otras medidas que adopte
el Miembro con arreglo a los artículos 25 d) los buques pesqueros estén equipados para
a 27 darán pleno efecto al anexo III sobre efectuar comunicaciones por radio o por sa-
alojamiento a bordo de buques pesqueros. télite con personas o servicios en tierra que
El anexo III podrá modificarse en la forma puedan proporcionar asesoramiento médico,
prevista en el artículo 45. teniendo en cuenta la zona de operaciones y
la duración del viaje, y
2. Todo Miembro que no esté en condiciones de
e) los pescadores tendrán derecho a recibir trata-
aplicar las disposiciones de anexo III podrá
miento médico en tierra y a ser desembarcados
adoptar, previa celebración de consultas, dispo-
oportunamente en caso de sufrir lesiones o
siciones en su legislación u otras medidas que
enfermedades graves.
sean en sustancia equivalentes a las disposicio-
nes establecidas en el anexo III, con excepción ARTÍCULO 30
de las que se refieren al artículo 27.
En lo que atañe a los buques pesqueros de eslora
igual o superior a 24 metros, teniendo en cuenta el
PARTE VI número de pescadores a bordo, la zona de opera-
ciones y la duración del viaje, todo Miembro deberá
ATENCIÓN MÉDICA, PROTECCIÓN DE adoptar una legislación u otras medidas en las que
se estipule que:
LA SALUD Y SEGURIDAD SOCIAL
a) la autoridad competente determinará cuáles
Atención médica serán el equipo y los suministros médicos que
se deberán llevar a bordo;
ARTÍCULO 29 b) el equipo y los suministros médicos que se lle-
ven a bordo sean debidamente conservados
Todo Miembro deberá adoptar una legislación u
e inspeccionados por personas responsables
otras medidas en las que se estipule que:
designadas o aprobadas por la autoridad com-
a) los buques pesqueros deberán llevar a bordo petente, a intervalos regulares establecidos por
equipo y suministros médicos apropiados para dicha autoridad;

72 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

c) los buques lleven a bordo una guía médica e) la constitución de comités paritarios o, previa
adoptada o aprobada por la autoridad com- celebración de consultas, de otros organismos
petente, o la última edición de la Guía médica competentes en materia de seguridad y salud
internacional de a bordo; en el trabajo.
d) los buques tengan acceso a un dispositivo pre-
establecido de consultas médicas por radio ARTÍCULO 32
o por satélite, que incluya el asesoramiento 1. Los requisitos contenidos en el presente artícu-
de especialistas, a toda hora del día o de la lo deberán aplicarse a los buques pesqueros
noche; de eslora igual o superior a 24 metros que
e) los buques lleven a bordo una lista de radios permanezcan habitualmente más de tres días
o de estaciones satelitales por cuyo intermedio en el mar y, previa celebración de consultas,
se pueda obtener asesoramiento médico, y a otros buques pesqueros, teniendo en cuenta
f) en la medida en que sea conforme con la legis- el número de pescadores a bordo, la zona de
lación y la práctica del Miembro, se proporcio- operaciones y la duración del viaje.
ne atención médica gratuita a los pescadores 2. La autoridad competente deberá:
cuando éstos se encuentren a bordo o se hayan
a) previa celebración de consultas, exigir
desembarcado en un puerto extranjero.
que los propietarios de buques pesque-
ros, con arreglo a la legislación, los con-
Seguridad y salud en el trabajo y prevención de venios colectivos y la práctica nacionales,
accidentes laborales establezcan procedimientos que regirán
a bordo en lo que respecta a la preven-
ARTÍCULO 31 ción de los accidentes del trabajo y las
lesiones y enfermedades profesionales,
Todo Miembro deberá adoptar una legislación u teniendo en cuenta los peligros y riesgos
otras medidas en lo relativo a: específicos del buque pesquero de que
a) la prevención de los accidentes del trabajo, se trate, y
las enfermedades profesionales y los riesgos b) exigir que a los propietarios de buques
relacionados con el trabajo a bordo de bu- pesqueros, capitanes o patrones, pes-
ques pesqueros, incluidas la evaluación y la cadores y demás personas interesadas
gestión de los riesgos, así como la formación se les proporcionen orientaciones, ma-
y la instrucción de los pescadores impartidas teriales de formación y otros recursos
a bordo; de información suficientes y adecuados
b) la formación de los pescadores para la ma- sobre la forma de evaluar y gestionar
nipulación de los tipos de artes de pesca que los riesgos para la seguridad y la salud
utilizarán y el conocimiento de las operaciones a bordo de buques pesqueros.
de pesca en las que participarán;
3. Los propietarios de buques pesqueros debe-
c) las obligaciones de los propietarios de buques rán:
pesqueros, así como de los pescadores y otras
a) asegurarse de que a todos los pesca-
personas interesadas, teniendo debidamente
dores que se encuentren a bordo se les
en cuenta la seguridad y la salud de los pes-
proporcionen las ropas y equipos indi-
cadores menores de 18 años;
viduales de protección adecuados;
d) la notificación e investigación de los accidentes
b) asegurarse de que todos los pescadores
ocurridos a bordo de buques pesqueros que
que se encuentren a bordo hayan reci-
enarbolen su pabellón, y

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 73


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

bido la formación básica en cuestiones ARTÍCULO 36


de seguridad aprobada por la autori-
dad competente; dicha autoridad podrá Los Miembros deberán cooperar mediante acuer-
eximir por escrito de este requisito a los dos bilaterales o multilaterales u otras disposiciones,
pescadores que hayan demostrado po- de conformidad con la legislación o la práctica na-
seer conocimientos y experiencia equi- cionales, para:
valentes, y a) lograr progresivamente una protección de se-
c) asegurarse de que los pescadores es- guridad social completa para los pescadores,
tén familiarizados de forma suficiente teniendo en cuenta el principio de la igualdad
y adecuada con los equipos y con su de trato, sea cual fuere su nacionalidad, y
utilización, incluidas las medidas de b) asegurar el mantenimiento de los derechos de
seguridad pertinentes, antes de utilizar seguridad social que hayan adquirido o estén
dichos equipos o de participar en las adquiriendo todos los pescadores, indepen-
operaciones de que se trate. dientemente de su lugar de residencia.

ARTÍCULO 33 ARTÍCULO 37
La evaluación de los riesgos en relación con la No obstante la atribución de responsabilidades
pesca deberá llevarse a cabo, según proceda, con con arreglo a los artículos 34, 35 y 36, los Miem-
la participación de los pescadores o de sus repre- bros, mediante acuerdos bilaterales y multilaterales y
sentantes. mediante disposiciones adoptadas en el marco de las
organizaciones de integración económica regional,
Seguridad social podrán determinar otras reglas sobre la legislación
en materia de seguridad social a que están sujetos
los pescadores.
ARTÍCULO 34
Todo Miembro deberá garantizar que los pes- Protección en caso de enfermedad, lesión o muerte
cadores que residen habitualmente en su territorio,
relacionadas con el trabajo
así como las personas a su cargo, en la medida
prevista por la legislación nacional, tengan derecho
a beneficiarse de la protección de la seguridad social
ARTÍCULO 38
en condiciones no menos favorables que las que 1. Todo Miembro, de conformidad con la le-
se apliquen a los demás trabajadores, incluidos los gislación y la práctica nacionales, deberá
asalariados y los trabajadores por cuenta propia, que adoptar medidas para proporcionar protec-
residen habitualmente en su territorio. ción a los pescadores en caso de enferme-
dad, lesión o muerte relacionadas con el
ARTÍCULO 35 trabajo.
Todo Miembro deberá comprometerse a adoptar 2. En caso de lesión por accidente de trabajo
medidas, en función de las circunstancias naciona- o de enfermedad profesional, el pescador
les, para lograr progresivamente una protección de deberá tener acceso a:
seguridad social completa para todos los pescadores a) una atención médica apropiada, y
que residen habitualmente en su territorio.
b) la indemnización correspondiente, con
arreglo a la legislación nacional.

74 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

3. Habida cuenta de las características del sec- PARTE VII


tor pesquero, la protección a que se hace
referencia en el párrafo 1 del presente artí-
culo podrá garantizarse mediante: CUMPLIMIENTO Y CONTROL
a) un sistema basado en la responsabilidad DE LA APLICACIÓN
de los propietarios de buques pesque-
ros, o ARTÍCULO 40
b) un régimen de seguro obligatorio o de Todo Miembro deberá ejercer efectivamente su
indemnización de los trabajadores, u jurisdicción y control sobre los buques que enarbolen
otros regímenes. su pabellón, estableciendo un sistema para garantizar
el cumplimiento de los requisitos del presente Conve-
ARTÍCULO 39 nio, lo cual incluye, según proceda, las inspecciones,
1. Cuando no existan disposiciones nacionales la presentación de informes, los procedimientos de
aplicables a los pescadores, todo Miembro tramitación de quejas, la supervisión y aplicación de
deberá adoptar una legislación u otras me- sanciones y las medidas correctivas apropiadas, de
didas encaminadas a asegurar que los pro- conformidad con la legislación nacional.
pietarios de buques pesqueros asuman la
responsabilidad de proveer a los pescadores ARTÍCULO 41
a bordo de los buques que enarbolen su 1. Los Miembros deberán exigir que los bu-
pabellón una protección de la salud y una ques pesqueros que permanezcan más de
atención médica mientras estén empleados, tres días en el mar y que:
contratados o prestando servicios en un bu-
a) tengan una eslora igual o superior a 24
que que se encuentre en el mar o en un
metros; o
puerto extranjero. Dicha legislación o dichas
medidas deberán garantizar que los propie- b) naveguen habitualmente a distancias
tarios de los buques pesqueros asuman la superiores a 200 millas náuticas de la
responsabilidad de sufragar los gastos por costa del Estado del pabellón o fuera
concepto de atención médica, con inclusión del borde exterior de su plataforma
de la ayuda y el apoyo material correspon- continental, si esta distancia es mayor,
dientes, durante el tratamiento médico en lleven a bordo un documento válido ex-
un país extranjero y hasta la repatriación del pedido por la autoridad competente, en
pescador. el que se indique que el buque ha sido
inspeccionado por dicha autoridad, o
2. La legislación nacional podrá permitir que en su nombre, a fin de dar cumplimiento
se exima de responsabilidad al propietario a las disposiciones del presente Conve-
del buque pesquero cuando la lesión no se nio relativas a las condiciones de vida y
haya producido en el servicio del buque, de trabajo.
cuando la enfermedad o deficiencia física
hayan sido disimuladas en el momento de la 2. El período de validez de dicho documento
contratación o cuando la lesión o enferme- podrá coincidir con el período de validez de
dad sean imputables a una falta intencional un certificado nacional o internacional de
del pescador. seguridad para buques pesqueros; no obs-
tante, dicho período de validez no deberá
en modo alguno exceder de cinco años.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 75


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

ARTÍCULO 42 3. Si adopta las medidas a que se refiere el


párrafo 2 del presente artículo, el Miembro
1. La autoridad competente deberá nombrar a deberá enviar de inmediato una notificación
un número suficiente de inspectores califica- al representante más cercano del Estado del
dos para cumplir sus responsabilidades en pabellón y, en la medida en que sea posible,
virtud del artículo 41. recabará la presencia de dicho represen-
2. A efectos de establecer un sistema eficaz tante. El Miembro no deberá inmovilizar ni
de inspección de las condiciones de vida y demorar indebidamente el buque.
de trabajo a bordo de los buques pesque- 4. A efectos del presente artículo, la queja
ros, todo Miembro podrá facultar, cuando podrá ser presentada por un pescador, un
proceda, a instituciones públicas o a otros organismo profesional, una asociación, un
organismos a los que reconozca como com- sindicato o, en general, cualquier persona
petentes e independientes para que efec- a quien concierna la seguridad del buque,
túen inspecciones y expidan documentos. En así como los peligros para la seguridad o la
todos los casos, el Miembro conservará la salud de los pescadores que se encuentran
entera responsabilidad de la inspección y de a bordo.
la expedición de los documentos conexos re-
5. Este artículo no se aplica a las quejas que
lativos a las condiciones de vida y de trabajo
el Miembro de que se trate considere mani-
de los pescadores a bordo de los buques
fiestamente infundadas.
pesqueros que enarbolen su pabellón.

ARTÍCULO 43 ARTÍCULO 44
Todo Miembro deberá aplicar el presente Con-
1. Si un Miembro recibe una queja u obtie-
venio de manera que pueda asegurarse de que los
ne pruebas de que un buque pesquero que
buques pesqueros que enarbolan el pabellón de
enarbola su pabellón no está en conformi-
cualquier Estado que no haya ratificado el presente
dad con los requisitos del presente Conve-
Convenio no reciban un trato más favorable que
nio deberá adoptar las medidas necesarias
los buques pesqueros que enarbolan el pabellón de
para investigar el asunto y velar por que se
cualquier Miembro que lo haya ratificado.
adopten disposiciones para subsanar todas
las deficiencias detectadas.
2. Si un Miembro, en cuyo puerto hace escala PARTE VIII
un buque pesquero en el curso normal de
su actividad o por razones operativas, reci-
be una queja u obtiene pruebas de que en
ENMIENDAS A LOS ANEXOS I, II Y III
dicho buque no se cumplen los requisitos
ARTÍCULO 45
establecidos en el presente Convenio, podrá
preparar un informe, con copia al Direc- 1. A reserva de las disposiciones pertinentes
tor General de la Oficina Internacional del del presente Convenio, la Conferencia In-
Trabajo, destinado al gobierno del Estado ternacional del Trabajo podrá modificar los
del pabellón del buque pesquero y adoptar anexos I, II y III. El Consejo de Administra-
las medidas necesarias para rectificar toda ción de la Oficina Internacional del Trabajo
situación a bordo que constituya manifies- podrá inscribir en el orden del día de las reu-
tamente un peligro para la seguridad o la niones de la Conferencia un punto relativo
salud. a las propuestas de enmienda establecidas

76 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

por una reunión tripartita de expertos. Para 2. Entrará en vigor doce meses después de
adoptar una propuesta de enmienda se re- la fecha en que las ratificaciones de diez
querirá una mayoría de dos tercios de los Miembros, ocho de los cuales deberán ser
votos emitidos por los delegados presentes Estados ribereños, hayan sido registradas
en la reunión de la Conferencia, incluida al por el Director General.
menos la mitad de los Miembros que hayan
3. A partir de entonces, el presente Convenio
ratificado el presente Convenio.
entrará en vigor, para cada Miembro, doce
2. Toda enmienda adoptada en conformidad meses después de la fecha de registro de su
con el párrafo 1 del presente artículo entrará ratificación.
en vigor seis meses después de la fecha de
su adopción para todo Miembro que haya ARTÍCULO 49
ratificado el presente Convenio, a menos
1. Todo Miembro que haya ratificado el presente
que el Miembro notifique por escrito al Di-
Convenio puede denunciarlo a la expiración
rector General de la Oficina Internacional
de un período de diez años, contado a partir
del Trabajo que la enmienda no entrará en
de la fecha en que se haya puesto inicialmen-
vigor para dicho Miembro o entrará en vigor
te en vigor, mediante un acta comunicada,
sólo en una fecha posterior que será notifi-
para su registro, al Director General de la
cada ulteriormente por escrito.
Oficina Internacional del Trabajo. La denun-
cia no surtirá efecto hasta un año después de
PARTE IX la fecha en que se haya registrado.
2. Todo Miembro que haya ratificado el presen-
DISPOSICIONES FINALES te Convenio y que, en el plazo de un año
después de la expiración del período de diez
ARTÍCULO 46 años mencionado en el párrafo precedente,
El presente Convenio revisa el Convenio sobre no invoque el derecho de denuncia previsto
la edad mínima (pescadores), 1959 (núm. 112); el en este artículo, quedará obligado durante
Convenio sobre el examen médico de los pescadores, un nuevo período de diez años y, en lo suce-
1959 (núm. 113); el Convenio sobre el contrato de sivo, podrá denunciar este Convenio durante
enrolamiento de los pescadores, 1959 (núm. 114), el primer año de cada nuevo período de diez
y el Convenio sobre el alojamiento de la tripulación años, en las condiciones previstas en este
(pescadores), 1966 (núm. 126). artículo.

ARTÍCULO 47 ARTÍCULO 50
Las ratificaciones formales del presente Convenio 1. El Director General de la Oficina Internacio-
serán comunicadas, para su registro, al Director Ge- nal del Trabajo notificará a todos los Miem-
neral de la Oficina Internacional del Trabajo. bros de la Organización Internacional del
Trabajo el registro de cuantas ratificaciones,
ARTÍCULO 48 declaraciones y denuncias le comuniquen los
Miembros de la Organización.
1. El presente Convenio obligará únicamente
a aquellos Miembros de la Organización 2. Al notificar a los Miembros de la Organiza-
Internacional del Trabajo cuyas ratificaciones ción el registro de la última de las ratifica-
haya registrado el Director General de la ciones necesarias para la entrada en vigor
Oficina Internacional del Trabajo. del Convenio, el Director General llamará

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 77


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

la atención de los Miembros de la Organiza- ARTÍCULO 54


ción sobre la fecha en que entrará en vigor
el presente Convenio. Las versiones inglesa y francesa del texto del pre-
sente Convenio son igualmente auténticas.
ARTÍCULO 51
El Director General de la Oficina Internacional ANEXO I
del Trabajo comunicará al Secretario General de las
Naciones Unidas, para su registro de conformidad
con el artículo 102 de la Carta de las Naciones EQUIVALENCIA DE MEDIDAS
Unidas, una información completa sobre todas las A efectos del presente Convenio, cuando la auto-
ratificaciones, declaraciones y denuncias registradas ridad competente, previa celebración de consultas,
por el Director General. decida utilizar como base de medida la eslora total o
máxima en vez de la eslora, se considerará que:
ARTÍCULO 52
a) una eslora total o máxima de 16,5 metros es
Cada vez que lo estime necesario, el Consejo equivalente a una eslora de 15 metros;
de Administración de la Oficina Internacional del b) una eslora total o máxima de 26,5 metros es
Trabajo presentará a la Conferencia una memoria equivalente a una eslora de 24 metros, y
sobre la aplicación del Convenio, y considerará la c) una eslora total o máxima de 50 metros es
conveniencia de inscribir en el orden del día de la equivalente a una eslora de 45 metros.
Conferencia la cuestión de su revisión total o par-
cial, habida cuenta también de las disposiciones del
artículo 45. ANEXO II
ARTÍCULO 53
ACUERDO DE TRABAJO DEL PESCADOR
1. En caso de que la Conferencia adopte un
El acuerdo de trabajo del pescador deberá conte-
nuevo convenio que implique una revisión
ner los siguientes datos, salvo que la inclusión de uno
del presente, y a menos que el nuevo con-
o varios de ellos sea innecesaria por estar la cuestión
venio contenga disposiciones en contrario:
regulada de otro modo en la legislación nacional o,
a) la ratificación, por un Miembro, del cuando así proceda, en un convenio colectivo:
nuevo convenio revisor implicará, ipso
a) los nombres y apellidos del pescador, la fecha
jure, la denuncia inmediata del presente
de nacimiento o la edad, y el lugar de naci-
Convenio, no obstante las disposiciones
miento;
contenidas en el artículo 49, siempre
que el nuevo convenio revisor haya en- b) el lugar y la fecha de celebración del acuer-
trado en vigor; do;
b) a partir de la fecha en que entre en vigor c) el nombre del buque o los buques pesqueros y
el nuevo convenio revisor, el presente el número de registro del buque o los buques a
Convenio cesará de estar abierto a la bordo del cual o de los cuales se comprometa
ratificación por los Miembros. a trabajar el interesado;
d) el nombre del empleador o del propietario del
2. Este Convenio continuará en vigor en todo
buque pesquero o de otra parte en el acuerdo
caso, en su forma y contenido actuales, para
con el pescador;
los Miembros que lo hayan ratificado y no
ratifiquen el convenio revisor.

78 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

e) el viaje o los viajes que se vayan a emprender, tario del buque pesquero u otra parte o partes
si cabe determinar este dato al celebrarse el en el acuerdo de trabajo del pescador deberán
acuerdo; proporcionar al pescador, según proceda;
f) la función para cuyo desempeño se va a em- n) el derecho del pescador a la repatriación;
plear o contratar al pescador; o) una referencia al convenio colectivo, cuando
g) si es posible, el lugar y la fecha en que el proceda;
pescador tiene que presentarse a bordo para p) los períodos mínimos de descanso, de con-
comenzar su servicio; formidad con la legislación nacional u otras
h) los víveres que se suministrarán al pescador, medidas, y
salvo cuando la legislación o los reglamentos q) todos los demás datos que la legislación na-
nacionales prevean un sistema diferente; cional pueda exigir.
i) el importe del salario del pescador o, si fuera
remunerado a la parte, el porcentaje de su
participación en especie y el método adoptado ANEXO III
para el cálculo del mismo, o el importe de su
salario y el porcentaje de su participación y el
ALOJAMIENTO A BORDO DE
método adoptado para el cálculo de ésta si
fuera remunerado mediante una combinaci- BUQUES PESQUEROS
ón de estos dos métodos, así como el salario
mínimo que pudiera haberse convenido;
DISPOSICIONES GENERALES

j) la terminación del acuerdo y las condiciones 1. A los efectos del presente anexo:
correspondientes, a saber: a) la expresión «buque pesquero nuevo»
i) si el acuerdo se ha celebrado por un pe- designa todo buque respecto del cual:
ríodo determinado, la fecha fijada para su i) el contrato de construcción o un
expiración; contrato de transformación impor-
ii) si el acuerdo se ha celebrado por un viaje, tante se ha adjudicado en la fecha
el puerto de destino y el tiempo que ha de de entrada en vigor del Convenio
transcurrir después de la llegada para que para el Miembro interesado o des-
el interesado sea dado de baja, y pués de ésta, o
iii) si el acuerdo se ha celebrado por un perío- ii) el contrato de construcción o de trans-
do indeterminado, las condiciones que per- formación importante se ha adjudi-
mitirán a cada una de las partes rescindirlo, cado antes de la fecha de entrada en
así como el plazo de aviso requerido, que vigor del Convenio para el Miembro
no podrá ser más corto para el empleador, interesado y la entrega del buque se
el propietario del buque pesquero u otra produce tres o más años después de
parte en el acuerdo que para el pescador; esta fecha de entrada en vigor, o
k) la protección que cubrirá al pescador en caso iii) cuando no existe un contrato de
de enfermedad, lesión o muerte relacionadas construcción, en la fecha de entrada
con su trabajo a bordo del buque; en vigor del Convenio para el Miem-
l) las vacaciones anuales pagadas o la fórmula bro interesado o después de ésta:
empleada para calcularlas, cuando proceda; – se ha colocado la quilla, o
m) la cobertura y las prestaciones de salud y de – se ha iniciado una fase de la
seguridad social que el empleador, el propie- construcción que puede identifi-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 79


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

carse como propia de un buque aplicarse a los buques de 15 a 24 metros


concreto, o de eslora cuando la autoridad competente,
– ha comenzado una fase del mon- previa celebración de consultas, determine
taje que supone la utilización de que ello es razonable y factible.
no menos de 50 toneladas del 6. Los pescadores que trabajen a bordo de
total estimado del material es- buques auxiliares no equipados con insta-
tructural o un 1 por ciento de di- laciones sanitarias y alojamientos adecuados
cho total, si este segundo valor deberán disponer de dichas instalaciones y
es inferior. alojamientos a bordo del buque nodriza.
b) la expresión «buque existente» designa
7. Los Miembros podrán extender la aplicación
todo buque pesquero que no es nuevo.
de los requisitos relativos al ruido y las vibra-
2. El texto que sigue deberá aplicarse a todos ciones, la ventilación, la calefacción y el aire
los buques pesqueros nuevos con cubierta, a acondicionado, y la iluminación contenidos
reserva de cualesquiera exclusiones específi- en el presente anexo a los espacios cerrados
cas previstas en conformidad con el artículo de trabajo y de almacenamiento si, previa
3 del Convenio. La autoridad competente, celebración de consultas, tal extensión se
previa celebración de consultas, deberá considera apropiada y sin efectos negativos
aplicar también los requisitos del presente sobre las condiciones de trabajo o el proce-
anexo a los buques existentes, cuando y en la samiento o la calidad de las capturas.
medida en que dicha autoridad lo considere
8. La utilización del arqueo bruto a que se hace
factible y razonable.
referencia en el artículo 5 del Convenio se
3. La autoridad competente, previa celebración limita a los párrafos 14, 37, 38, 41, 43, 46,
de consultas, podrá permitir excepciones a 49, 53, 55, 61, 64, 65 y 67 del presente
las disposiciones del presente anexo por lo anexo. A estos efectos, cuando la autoridad
que respecta a las embarcaciones pesque- competente, previa celebración de consultas,
ras que permanezcan habitualmente en el decida utilizar el arqueo bruto como base de
mar menos de 24 horas si los pescadores medida, se considerará que:
no viven a bordo de dichas embarcaciones a) un arqueo bruto de 75 es equivalente a
amarradas en puerto. Cuando se trate de es- una eslora de 15 metros o una eslora
tas embarcaciones, la autoridad competente total o máxima de 16,5 metros;
deberá asegurarse de que los pescadores
b) un arqueo bruto de 300 es equivalente
interesados dispongan de las instalaciones
a una eslora de 24 metros o una eslora
adecuadas para descansar, alimentarse y
total o máxima de 26,5 metros, y
asearse.
c) un arqueo bruto de 950 es equivalente
4. Toda excepción que un Miembro introduzca a una eslora de 45 metros o una eslora
en virtud del párrafo 3 del presente anexo total o máxima de 50 metros.
deberá ser notificada a la Oficina Interna-
cional del Trabajo con arreglo a lo dispuesto PLANIFICACIÓN Y CONTROL
en el artículo 22 de la Constitución de la
Organización Internacional del Trabajo. 9. Cuando se construya un buque se recons-
truya el alojamiento de la tripulación a bordo
5. Los requisitos que rigen para los buques de
del buque, la autoridad competente deberá
eslora igual o superior a 24 metros podrán

80 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

comprobar que en dicho buque se cumplen PROYECTO Y CONSTRUCCIÓN


los requisitos previstos en el presente anexo.
La autoridad competente deberá exigir, en la Altura libre
medida en que sea factible, el cumplimiento
de lo dispuesto en el presente anexo a todo 13. Todos los espacios de alojamiento deberán
buque en el que se altere sustancialmente tener una altura libre adecuada. En cuanto
el alojamiento de la tripulación; cuando un a los espacios en los que los pescadores
buque reemplace su pabellón por el pabel- deban permanecer de pie por períodos pro-
lón del Miembro pertinente, se le exigirá que longados, la altura libre mínima será esta-
cumpla los requisitos previstos en el presente blecida por la autoridad competente.
anexo aplicables de conformidad con el pár- 14. En lo que atañe a los buques de eslora igual
rafo 2 del mismo. o superior a 24 metros, la altura libre míni-
10. Cuando las situaciones señaladas en el pár- ma permitida en todos los alojamientos en
rafo 9 del presente anexo se refieran a bu- los que se deba circular de forma completa
ques de eslora igual o superior a 24 metros, y libre no deberá ser inferior a 200 centíme-
se exigirá que los planos detallados del alo- tros.
jamiento y la información correspondiente 15. No obstante lo establecido en el párrafo 14,
se sometan a la aprobación de la autoridad la autoridad competente, previa celebración
competente o de una entidad habilitada a de consultas, podrá establecer en 190 cen-
tal efecto por ésta. tímetros la altura libre mínima permitida en
11. En lo que atañe a los buques de eslora igual cualquier espacio o parte de un espacio de
o superior a 24 metros, cada vez que se alojamiento si comprueba que esto es razo-
reconstruya o altere sustancialmente el aloja- nable y no redundará en incomodidad para
miento de la tripulación del buque pesquero, los pescadores.
la autoridad competente deberá inspeccio-
nar el alojamiento para verificar que cumple ABERTURAS HACIA Y ENTRE LOS
las disposiciones del Convenio; cuando un ESPACIOS DE ALOJAMIENTO
buque reemplace su pabellón por el pabel-
16. No se admitirán aberturas que comuniquen
lón del Miembro, la autoridad competente
directamente los dormitorios con las bode-
lo inspeccionará para verificar que cumple
gas de pescado y las salas de máquinas,
las disposiciones del presente anexo apli-
salvo cuando estén destinadas a servir como
cables de conformidad con el párrafo 2 del
salidas de emergencia. Cuando sea razo-
mismo. Cuando lo considere oportuno, la
nable y factible, se deberá evitar que haya
autoridad competente podrá llevar a cabo
aberturas que comuniquen directamente los
inspecciones adicionales del alojamiento de
dormitorios con las cocinas, despensas, ten-
la tripulación.
dederos o instalaciones sanitarias comunes,
12. Cuando un buque cambie de pabellón, deja- salvo que se disponga expresamente otra
rá de aplicarse al mismo cualquier requisito cosa.
que la autoridad competente del Miembro
17. En los buques de eslora igual o superior a
cuyo pabellón enarbolaba anteriormente el
24 metros, no se admitirán aberturas que co-
buque haya podido establecer de conformi-
muniquen directamente los dormitorios con
dad con los párrafos 15, 39, 47 o 62 del
las bodegas de pescado, salas de máquinas,
presente anexo.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 81


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

cocinas, despensas, tendederos o instala- petente deberá adoptar normas relativas al


ciones sanitarias comunes, salvo cuando ruido y las vibraciones en los espacios de
estén destinadas a servir como salidas de alojamiento, que aseguren una protección
emergencia; las partes de los mamparos que adecuada de los pescadores contra los efec-
separen estos lugares de los dormitorios y tos del ruido y las vibraciones, incluidos los
los mamparos exteriores de estos últimos efectos de la fatiga provocada por el ruido
deberán estar adecuadamente construidos y las vibraciones.
con acero u otro material aprobado, y ser
estancos al agua y al gas. La presente dis- VENTILACIÓN
posición no excluye la posibilidad de que
23. Los espacios de alojamiento deberán estar
las instalaciones sanitarias sean compartidas
ventilados, teniendo en cuenta las condi-
entre dos cabinas.
ciones climáticas. El sistema de ventilación
AISLAMIENTO deberá proporcionar aire de manera satis-
factoria cuando los pescadores se encuen-
18. Los espacios de alojamiento deberán estar tren a bordo.
adecuadamente aislados; los materiales
24. Los mecanismos de ventilación u otras me-
que se utilicen para construir los mamparos
didas deberán servir para proteger a los no
interiores, paneles, vagras, revestimientos
fumadores del humo del tabaco.
de suelo y uniones deberán ser adecuados
para tales fines y aptos para garantizar un 25. Los buques de eslora igual o superior a 24
entorno saludable. Todos los espacios de metros deberán estar equipados con un sis-
alojamiento deberán estar provistos de un tema de ventilación del alojamiento, que
desagüe suficiente. deberá regularse de manera que permita
mantener el aire en condiciones satisfacto-
OTRAS DISPOSICIONES rias y asegure una circulación suficiente del
aire en cualquier condición atmosférica y
19. Se deberán adoptar todas las medidas fac- climatológica. Los sistemas de ventilación
tibles a fin de proteger a la tripulación de deberán funcionar en forma ininterrumpi-
los buques pesqueros de las moscas y otros da mientras los pescadores se encuentren a
insectos, en particular cuando estos buques bordo del buque.
operen en zonas infestadas de mosquitos.
20. Todos los espacios de alojamiento de la CALEFACCIÓN Y AIRE ACONDICIONADO
tripulación deberán estar provistos de las
26. Los espacios de alojamiento deberán estar
salidas de emergencia necesarias.
adecuadamente calefaccionados, habida
cuenta de las condiciones climáticas.
RUIDO Y VIBRACIONES
27. En los buques de eslora igual o superior a
21. La autoridad competente deberá adoptar 24 metros, con excepción de los buques pes-
medidas para limitar el ruido y las vibra- queros que operen exclusivamente en zonas
ciones excesivas en los espacios de aloja- tropicales, se deberá proporcionar un nivel
miento, en la medida en que sea factible de de calefacción adecuado, mediante un siste-
conformidad con las normas internacionales ma de calefacción apropiado. El sistema de
pertinentes. calefacción suministrará el calor necesario
22. En lo que atañe a los buques de eslora igual en cualquier circunstancia y deberá funcio-
o superior a 24 metros, la autoridad com- nar cuando los pescadores estén viviendo

82 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

o trabajando a bordo y las condiciones lo DORMITORIOS


exijan.
28. En los buques de eslora igual o superior a Disposiciones generales
24 metros, con excepción de los que operen 35. Cuando el diseño, las dimensiones o el ser-
con regularidad en zonas cuyas condicio- vicio a que esté destinado el buque lo permi-
nes climáticas templadas hagan innecesaria tan, los dormitorios deberán estar ubicados
esta disposición, se deberá proporcionar aire en partes del buque donde se minimicen
acondicionado en los espacios de alojamien- los efectos de su movimiento y aceleración,
to, el puente de mando, la sala de radio y pero en ningún caso delante del mamparo
toda sala de control central de máquinas. de abordaje.
ILUMINACIÓN SUPERFICIE
29. En todos los espacios de alojamiento se pro- 36. El número de personas por dormitorio y la
porcionará una iluminación adecuada. superficie por persona, con exclusión del
30. Cuando sea factible, los espacios de alo- espacio ocupado por las literas y armarios,
jamiento deberán ser iluminados con luz deberán ser tales que los pescadores dispon-
natural, además de la luz artificial. En los gan a bordo de un espacio y una comodidad
dormitorios que sean iluminados con luz na- adecuados, habida cuenta del servicio a que
tural deberán preverse medios para bloquear esté destinado el buque.
dicha luz. 37. En los buques de eslora igual o superior a
31. Cada litera deberá estar equipada con un 24 metros, pero cuya eslora sea inferior a
alumbrado individual adecuado para la 45 metros, la superficie por persona en los
lectura, además del alumbrado normal del dormitorios, con exclusión del espacio ocu-
dormitorio. pado por las literas y armarios, no deberá
ser inferior a 1,5 metros cuadrados.
32. Los dormitorios deberán equiparse con
alumbrado de emergencia. 38. En los buques de eslora igual o superior a
45 metros, la superficie por persona en los
33. Cuando los comedores, pasillos y cualquier
dormitorios, con exclusión del espacio ocu-
otro espacio que se utilice o pueda ser uti-
pado por las literas y armarios, no deberá
lizado como salida de emergencia no estén
ser inferior a 2 metros cuadrados.
equipados con alumbrado de emergencia,
en dichos espacios se deberá instalar un 39. No obstante lo dispuesto en los párrafos 37
alumbrado nocturno permanente. y 38, la autoridad competente, previa cele-
bración de consultas, podrá establecer en
34. En los buques de eslora igual o superior a
1,0 y 1,5 metros cuadrados respectivamente
24 metros, los espacios de alojamiento de-
la superficie mínima autorizada por persona
berán iluminarse con arreglo a las normas
en los dormitorios, con exclusión del espacio
establecidas por la autoridad competente.
ocupado por las literas y armarios, si com-
En todas las partes de los espacios de aloja-
prueba que esto es razonable y no redun-
miento donde se pueda circular libremente,
dará en incomodidad para los pescadores.
la norma mínima en materia de iluminación
deberá permitir que toda persona que ten- PERSONAS POR DORMITORIO
ga una visión normal pueda leer, en un día
claro, un periódico corriente. 40. En la medida en que no se disponga expresa-
mente otra cosa, el número de personas que

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 83


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

ocupen un dormitorio no deberá ser superior dimensiones interiores de las literas no sean
a seis. inferiores a 190 centímetros por 70 centí-
metros, si comprueba que esto es razonable
41. En los buques de eslora igual o superior a 24
y no redundará en incomodidad para los
metros, el número de personas que podrán
pescadores.
ocupar un dormitorio no deberá ser superior
a cuatro. La autoridad competente podrá 48. Los dormitorios deberán proyectarse y equi-
permitir excepciones a este requisito en ca- parse de manera que se facilite su limpieza y
sos particulares en que su aplicación no sea se proporcione una comodidad razonable a
razonable o factible habida cuenta del tipo los ocupantes. En su equipamiento deberán
de buque, sus dimensiones o el servicio a incluirse literas, armarios individuales de di-
que esté destinado. mensiones suficientes para contener la ropa
y demás efectos personales, y una superficie
42. En la medida en que no se estipule expre-
adecuada para escribir.
samente otra cosa y cuando sea factible,
se proporcionará a los oficiales uno o más 49. En los buques de eslora igual o superior a 24
dormitorios separados. metros, se deberá proporcionar un escritorio
adecuado para escribir y una silla.
43. En los buques de eslora igual o superior a
24 metros, los dormitorios de oficiales se 50. En la medida en que sea factible, los dormi-
destinarán, cada vez que sea posible, a una torios deberán estar ubicados o equipados
sola persona; en ningún caso habrá más de manera que los hombres y las mujeres
de dos literas por dormitorio. La autoridad puedan tener una privacidad conveniente.
competente podrá permitir excepciones a
los requisitos contenidos en este párrafo, en COMEDORES
los casos particulares en que la aplicación
51. Los comedores deberán estar tan cerca como
de los mismos no sea razonable o factible
sea posible de la cocina, pero en ningún
habida cuenta del tipo de buque, sus dimen-
caso delante del mamparo de abordaje.
siones o el servicio a que esté destinado.
52. Los buques deberán disponer de comedo-
OTRAS DISPOSICIONES res apropiados para su funcionamiento. En
la medida en que no se estipule expresa-
44. El número máximo de personas que pueden
mente otra cosa y cuando sea factible, los
alojarse en un dormitorio deberá indicarse,
comedores deberán estar separados de los
en forma legible e indeleble, en un lugar
dormitorios.
fácilmente visible de la habitación.
53. En los buques de eslora igual o superior a
45. Deberán proporcionarse literas individuales
24 metros, los comedores deberán estar se-
de dimensiones apropiadas. Los colchones
parados de los dormitorios.
deberán ser de un material apropiado.
54. Las dimensiones y el equipamiento de cada
46. En los buques de eslora igual o superior a
comedor deberán ser suficientes para aco-
24 metros, las dimensiones interiores de las
ger al número de personas que se estima
literas no deberán ser inferiores a 198 por
puedan utilizarlo en cualquier momento.
80 centímetros.
55. En los buques de eslora igual o superior a
47. No obstante lo dispuesto en el párrafo 46,
24 metros, los pescadores deberán tener
la autoridad competente, previa celebraci-
acceso en todo momento a un refrigerador
ón de consultas, podrá determinar que las

84 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

de volumen adecuado y la posibilidad de disponer de al menos una bañera o ducha,


preparar bebidas calientes o frías. o ambas a la vez, y de un lavabo para cada
seis personas o menos y al menos de un
BAÑERAS O DUCHAS, RETRETES Y LAVABOS retrete para cada ocho personas o menos,
si comprueba que esto es razonable y no
56. Se deberán prever instalaciones sanitarias,
redundará en incomodidad para los pesca-
con inclusión de retretes, lavabos y bañeras
dores.
o duchas, para todas las personas a bordo,
según convenga a la utilización del buque. LAVANDERÍAS
Dichas instalaciones deberán cumplir, al me-
nos, las normas mínimas de salud e higiene 63. En la medida en que no se estipule expresa-
y ofrecer un nivel de calidad razonable. mente otra cosa, se deberá disponer de ins-
talaciones para lavar y secar la ropa, según
57. Las instalaciones sanitarias deberán con-
sea necesario y tomando en consideración
cebirse de manera que, en la medida en
las condiciones de utilización del buque.
que sea factible, se elimine todo riesgo de
contaminación de los demás espacios. Las 64. En los buques de eslora igual o superior a 24
instalaciones sanitarias deberán permitir una metros, deberá disponerse de instalaciones
privacidad razonable. adecuadas para lavar, secar y planchar la
ropa.
58. Todos los pescadores y demás personas a
bordo deberán disponer de agua dulce, 65. En los buques de eslora igual o superior
caliente y fría, en cantidad suficiente para a 45 metros, se emplazarán instalaciones
asegurar una higiene adecuada. La autori- adecuadas para lavar, secar y planchar la
dad competente, previa celebración de con- ropa en un local separado de los dormito-
sultas, podrá determinar la cantidad mínima rios, comedores y retretes, que deberá estar
de agua que deberá suministrarse. suficientemente ventilado, calentado y pro-
visto de cuerdas u otros medios para secar
59. Cuando se faciliten instalaciones sanitarias,
la ropa.
éstas deberán ventilarse por medio de una
abertura al aire libre, independiente de cual-
INSTALACIONES PARA LA ATENCIÓN DE
quier otra parte del alojamiento.
PESCADORES ENFERMOS O LESIONADOS
60. Todas las superficies de las instalaciones
sanitarias deberán ser aptas para una lim- 66. Cada vez que sea necesario, se deberá fa-
pieza fácil y eficaz. Los suelos deberán estar cilitar una cabina aislada al pescador que
cubiertos con un revestimiento antideslizan- padezca una enfermedad o que esté lesio-
te. nado.

61. En los buques de eslora igual o superior a 67. En los buques de eslora igual o superior a 45
24 metros, todos los pescadores que no ocu- metros, se deberá disponer de una enferme-
pen habitaciones con instalaciones sanitarias ría separada, que deberá estar adecuada-
privadas deberán disponer de, al menos, mente equipada y mantenida en condiciones
una bañera o ducha o ambas a la vez, un higiénicas.
retrete y un lavabo por cada cuatro personas
o menos. OTRAS INSTALACIONES

62. No obstante lo dispuesto en el párrafo 61, la 68. Se deberá disponer de un lugar adecuado
autoridad competente, previa celebración de para colgar la ropa impermeable y demás
consultas, podrá determinar que se deberá equipos de protección personal, fuera de los

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 85


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

dormitorios pero en sitios fácilmente accesi- 74. Los buques de eslora igual o superior a 24
bles a partir de estos últimos. metros deberán estar equipados con cocinas
separadas.
ROPA DE CAMA, VAJILLA Y
75. Cuando se utilice gas butano o propano
ARTÍCULOS DIVERSOS
para cocinar, los recipientes de gas deberán
69. A todos los pescadores que se encuentren mantenerse en la cubierta expuesta, dentro
a bordo del buque se deberá proporcionar de un refugio que los resguarde de las fuen-
vajilla y ropa de cama apropiadas. Sin em- tes de calor y los choques del exterior.
bargo, los costos de la ropa de cama podrán 76. Deberá disponerse de un lugar apropiado
recuperarse como costos de explotación, a y de volumen suficiente para almacenar las
condición de que ello esté estipulado en un provisiones, que pueda ser ventilado y man-
convenio colectivo o en el acuerdo de tra- tenido seco y fresco para evitar el deterioro
bajo del pescador. de los alimentos. En la medida en que no
se estipule expresamente otra cosa y cuan-
INSTALACIONES DE RECREO do sea factible, se instalarán refrigeradores
70. En los buques de eslora igual o superior a 24 u otros medios de almacenamiento a baja
metros, se deberá proporcionar a todos los temperatura.
pescadores a bordo instalaciones, equipos y 77. En los buques de eslora igual o superior a
servicios de recreo apropiados. Cuando así 24 metros, se deberá disponer de una des-
proceda, los comedores podrán ser utiliza- pensa y un refrigerador o de otros lugares
dos como instalaciones de recreo. de almacenamiento a baja temperatura.

INSTALACIONES DE COMUNICACIÓN ALIMENTOS Y AGUA POTABLE

71. En la medida en que sea factible, todos los 78. El abastecimiento de víveres y agua potable
pescadores a bordo tendrán un acceso razo- deberá ser suficiente en relación con el nú-
nable a los equipos de comunicación, a un mero de pescadores y la duración y natura-
costo razonable que no excederá del costo leza del viaje. Además, deberá ser adecuado
efectivo de las comunicaciones para el pro- en cuanto a su valor nutritivo, calidad, can-
pietario del buque pesquero. tidad y variedad, habida cuenta asimismo
de las exigencias religiosas y las prácticas
COCINA Y DESPENSA culturales de los pescadores en materia ali-
mentaria.
72. En todo barco pesquero deberán preverse
equipos para cocer los alimentos. En la me- 79. La autoridad competente podrá establecer
dida en que no se estipule expresamente otra requisitos en cuanto a las normas mínimas
cosa y cuando sea factible, estos equipos de- de calidad y cantidad de los alimentos y del
berán instalarse en una cocina separada. agua que deban suministrarse a bordo.
73. La cocina o las instalaciones destinadas a
CONDICIONES DE LIMPIEZA Y HABITABILIDAD
cocer los alimentos cuando no se disponga
de una cocina separada deberán ser de di- 80. Los espacios de alojamiento de los pescado-
mensiones adecuadas, y estar bien ilumina- res deberán mantenerse en condiciones ade-
das y ventiladas y debidamente equipadas cuadas de limpieza y habitabilidad, y no se
y mantenidas. deberá almacenar en ellos ningún material

86 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto del Convenio Sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

o mercancía que no sea propiedad personal b) el suministro de alimentos y agua pota-


de sus ocupantes o que no esté destinado a ble sea suficiente, y
su seguridad o salvamento. c) la higiene y el mantenimiento de la co-
81. La cocina y la despensa deberán mantenerse cina y los locales y equipo de despensa
en buenas condiciones higiénicas. sean apropiados.

82. Los desechos deberán depositarse en conte- Los resultados de estas inspecciones y las medi-
nedores bien cerrados y sellados, y deberán das adoptadas para solucionar las anomalías que
retirarse de los lugares donde se manipulen se detecten deberán consignarse y estar disponibles
alimentos, cada vez que sea necesario. para consulta.

INSPECCIONES POR EL CAPITÁN O EXCEPCIONES


PATRÓN O POR ORDEN DE ÉSTE 84. La autoridad competente, previa celebración
de consultas, podrá permitir excepciones con
83. En lo que atañe a los buques pesqueros de
respecto a las disposiciones del presente ane-
eslora igual o superior a 24 metros, la au-
xo a efectos de tener en cuenta, sin incurrir
toridad competente deberá ordenar que el
en discriminación alguna, los intereses de los
capitán o patrón, u otra persona que actúe
pescadores que observen prácticas religiosas
bajo sus órdenes, realice inspecciones fre-
y sociales diferentes y distintivas, a condici-
cuentes para asegurar que:
ón de que tales excepciones no redunden en
a) el alojamiento de los pescadores esté condiciones que, en conjunto, sean menos
limpio, sea convenientemente habita- favorables que las que se obtendrían de la
ble y seguro y se mantenga en buenas aplicación del presente anexo. 
condiciones;

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 87


ANEXO
TEXTO DE LA RECOMENDACIÓN SOBRE
EL TRABAJO EN EL SECTOR PESQUERO

L a Conferencia General de la Organización Inter-


años de edad que vayan a trabajar a bordo
de buques pesqueros, teniendo en cuenta
nacional del Trabajo: los instrumentos internacionales relativos a
convocada en Ginebra por el Consejo de Admi- la formación para el trabajo a bordo de bu-
nistración de la Oficina Internacional del Trabajo, y ques pesqueros, incluidas las cuestiones de
congregada en dicha ciudad el 30 de mayo de 2007 seguridad y salud en el trabajo, tales como
en su nonagésima sexta reunión; el trabajo nocturno, las tareas peligrosas, la
utilización de maquinaria peligrosa, la mani-
tomando nota de la Recomendación sobre la for- pulación y el transporte de cargas pesadas,
mación profesional (pescadores), 1966 (núm. 126); el trabajo en altas latitudes, el trabajo por
teniendo presente la necesidad de reemplazar la períodos excesivos y las demás cuestiones
Recomendación sobre el trabajo en el sector pesque- pertinentes que se hayan determinado tras
ro, 2005 (núm. 196), que revisaba la Recomendación una evaluación de los riesgos inherentes.
sobre las horas de trabajo (pesca), 1920 (núm. 7); 2. La formación de las personas de 16 a 18
después de haber decidido adoptar diversas pro- años de edad podría impartirse mediante el
posiciones relativas al trabajo en el sector pesquero, aprendizaje o la participación en programas
cuestión que constituye el cuarto punto del orden del de formación homologados, los cuales de-
día de la reunión, y berían estar sujetos a normas establecidas
y someterse a la supervisión de la autoridad
después de haber decidido que dichas propo- competente y no deberían afectar a la edu-
siciones revistan la forma de una recomendación cación general de la persona.
que complemente el Convenio sobre el trabajo en
la pesca, 2007 (en adelante «el Convenio»), y que 3. Los Miembros deberían adoptar medidas
reemplaza la Recomendación sobre el trabajo en el para garantizar que el equipo de seguridad,
sector pesquero, 2005 (núm. 196), salvamento y supervivencia a bordo de los
buques pesqueros en que se embarquen per-
adopta, con fecha ... de junio de dos mil siete, la sonas menores de 18 años sea de tamaño
siguiente Recomendación, que podrá ser citada como la apropiado para dichas personas.
Recomendación sobre el trabajo en la pesca, 2007.
4. Los pescadores menores de 18 años no de-
berían trabajar más de ocho horas diarias ni
PARTE I más de 40 horas semanales, y no deberían
efectuar horas extraordinarias salvo cuando
ello sea inevitable por razones de seguri-
CONDICIONES DE TRABAJO A BORDO dad.
DE LOS BUQUES PESQUEROS
5. Se debería garantizar a los pescadores me-
PROTECCIÓN DE LOS JÓVENES nores de 18 años una pausa suficiente para
cada una de las comidas y una pausa de al
1. Los Miembros deberían establecer los requi- menos una hora para la comida principal
sitos exigidos en materia de formación previa del día.
al embarque para las personas de 16 a 18

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 89


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

EXAMEN MÉDICO pescadores a la hora de determinar las


competencias exigidas para ejercer las
6. Al determinar la naturaleza del examen, los funciones de capitán o patrón, oficial de
Miembros deberían tomar debidamente en cubierta, maquinista y otras funciones a
consideración la edad de la persona que bordo de buques pesqueros;
ha de ser examinada y la naturaleza de las
b) abordar las siguientes cuestiones, rela-
tareas que deberá desempeñar.
tivas a la formación profesional de los
7. El certificado médico debería llevar la firma pescadores: la planificación y la admi-
de un médico autorizado por la autoridad nistración en el plano nacional, incluida
competente. la coordinación; la financiación y las
normas de formación; los programas
8. Debería preverse un mecanismo para permitir
de formación, incluida la formación
que, cuando se haya declarado que una per-
preprofesional y los cursos de corta
sona, tras haber sido examinada, no es apta
duración destinados a los pescadores
para el trabajo a bordo de buques pesqueros
en actividad; los métodos de formación
o de ciertos tipos de buques pesqueros o para
y la cooperación internacional, y
ciertos tipos de trabajo a bordo, dicha persona
pueda solicitar otro examen a uno o varios ár- c) asegurar que no haya discriminación en
bitros médicos independientes que no tengan el acceso a la formación profesional.
relación con el propietario del buque pesquero
ni con ninguna organización de propietarios
de buques pesqueros o de pescadores.
PARTE II
9. La autoridad competente debería tener en
cuenta las orientaciones internacionales re- CONDICIONES DE SERVICIO
lativas a los exámenes médicos o los certifi-
cados de aptitud física de las personas que
HOJA DE SERVICIOS

trabajan en el mar, como las Directrices para 12. Al término de cada contrato, debería poner-
la realización de reconocimientos médicos se a disposición del pescador interesado una
periódicos y previos al embarque de la gente hoja de servicios relativa a dicho contrato,
de mar (OIT/OMS). o anotarse los datos correspondientes en su
10. En el caso de los pescadores que estén exen- libreta profesional.
tos de la aplicación de las disposiciones del
Convenio relativas al examen médico, la
MEDIDAS ESPECIALES
autoridad competente debería adoptar las 13. En el caso de los pescadores excluidos del
medidas adecuadas para efectuar el segui- ámbito de aplicación del Convenio, la auto-
miento médico correspondiente en materia ridad competente debería adoptar medidas
de seguridad y salud en el trabajo. encaminadas a proporcionarles una protec-
ción adecuada en lo relativo a sus condicio-
COMPETENCIAS PROFESIONALES
nes de trabajo, así como mecanismos para
Y FORMACIÓN la solución de conflictos.
11. Los Miembros deberían:
REMUNERACIÓN DE LOS PESCADORES
a) tener en cuenta las normas internacio-
nales generalmente aceptadas relativas 14. Los pescadores deberían tener derecho a
a la formación y las competencias de los percibir adelantos con cargo a su remune-

90 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto de la Recomendación sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

ración, en virtud de las condiciones estable- exteriores de los dormitorios y comedores,


cidas. las cubiertas de protección de las máquinas
y los mamparos de contorno de las cocinas
15. En lo que atañe a los buques de eslora igual
y de otros locales que despidan calor y, en
o superior a 24 metros, todos los pescadores
la medida en que sea necesario, para evi-
deberían tener derecho a una remuneración
tar la condensación o el calor excesivo en
mínima, con arreglo a la legislación nacio-
los dormitorios, los comedores, las salas de
nal o los convenios colectivos.
recreo y los pasillos.
20. Asimismo, debería preverse una protección
PARTE III contra los efectos del calor despedido por
las tuberías de vapor y de agua caliente. Las
tuberías principales de vapor y de escape
ALOJAMIENTO
no deberían pasar por el alojamiento de la
16. Al determinar requisitos u orientaciones en tripulación ni por los pasillos que conducen
este ámbito, las autoridades competentes de- al mismo. Cuando ello no pueda evitarse,
berían tomar en consideración las directivas las tuberías deberían estar debidamente ais-
internacionales en materia de alojamiento, ladas y recubiertas.
alimentación, salud e higiene relativas a las
21. Los materiales y enseres utilizados en los es-
personas que trabajan o viven a bordo de
pacios de alojamiento deberían ser imper-
buques, incluidas las ediciones más recientes
meables, de fácil limpieza y no susceptibles
del Código de seguridad para pescadores y
de albergar parásitos.
buques pesqueros (FAO/OIT/OMI) y de las
Directrices de aplicación voluntaria para el
proyecto, la construcción y el equipo de bu- RUIDO Y VIBRACIONES
ques pesqueros pequeños (FAO/OIT/OMI).
22. Los niveles de ruido fijados por la autoridad
17. La autoridad competente debería colaborar competente para los puestos de trabajo y los
con las organizaciones y organismos perti- espacios de alojamiento deberían ajustarse
nentes a fin de elaborar y difundir a bordo a las orientaciones de la Organización In-
material didáctico, información y orientacio- ternacional del Trabajo relativas a los niveles
nes sobre seguridad y salud en relación con de exposición a factores ambientales en el
la alimentación y el alojamiento a bordo de lugar de trabajo, así como, en su caso, a
los buques pesqueros. la protección específica recomendada por
18. Las inspecciones del alojamiento de la tri- la Organización Marítima Internacional y
pulación requeridas por la autoridad com- a cualesquiera enmienda e instrumentos
petente deberían llevarse a cabo al mismo adicionales relativos a los niveles de ruido
tiempo que las investigaciones o inspeccio- aceptables a bordo de buques.
nes iniciales o periódicas realizadas con 23. La autoridad competente, conjuntamente
otros fines. con los organismos internacionales compe-
tentes y los representantes de las organiza-
ciones de propietarios de buques pesqueros
PROYECTO Y CONSTRUCCIÓN
y de pescadores, teniendo en cuenta, según
19. Deberían aislarse adecuadamente los puen- proceda, las normas internacionales perti-
tes situados encima de los espacios de alo- nentes, debería examinar con regularidad el
jamiento de la tripulación, los mamparos problema de las vibraciones a bordo de los

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 91


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

buques pesqueros con el objeto de mejorar nivel adecuado, conforme a lo establecido


la protección de los pescadores contra los por la autoridad competente, habida cuenta
efectos adversos de las vibraciones, en la de las condiciones meteorológicas y climá-
medida en que sea factible. ticas normales que el buque probablemen-
1. Este examen debería abarcar los efectos te encuentre durante la navegación. Dicho
que la exposición a un nivel excesivo sistema debería concebirse de modo que no
de vibraciones tiene para la salud y la constituya un peligro para la seguridad y la
comodidad de los pescadores, así como salud de la tripulación ni para la seguridad
las medidas que habrían de preverse o del buque.
recomendarse a fin de reducir las vi-
braciones en los buques pesqueros y ILUMINACIÓN
proteger a los pescadores.
25. Los sistemas de iluminación no deberían
2. Las medidas que han de considerar-
constituir un peligro para la seguridad y la
se para reducir las vibraciones o sus
salud de la tripulación ni para la seguridad
efectos deberían consistir, entre otras
del buque.
cosas, en:
a) instruir a los pescadores con relaci-
ón a los riesgos que una exposición DORMITORIOS
prolongada a la vibración entraña
26. Toda litera debería contar con un colchón
para su salud;
cómodo de base mullida o un colchón com-
b) proporcionar a los pescadores equi- binado, como uno con somier, o un colchón
pos de protección personal homo- con muelles. El relleno utilizado debería ser
logados, cuando sea necesario, y de un material homologado. Las literas no
c) evaluar los riesgos y reducir la ex- deberían colocarse una al lado de la otra de
posición a las vibraciones en los forma que, para llegar a una de ellas, haya
dormitorios, comedores, salas de re- que pasar obligatoriamente por encima de
creo y de restauración, así como en la otra. Cuando se trate de literas dobles,
otros espacios de habitación de los la litera inferior no debería estar colocada
pescadores, mediante la adopción a menos de 0,3 metros del suelo, y la litera
de medidas acordes con las orien- superior debería estar equipada de un fondo
taciones contenidas en el Repertorio que impida el paso del polvo y estar colo-
de recomendaciones prácticas sobre cada aproximadamente a media distancia
los factores ambientales en el lugar entre el fondo de la litera inferior y la parte
de trabajo (OIT) y en sus revisiones inferior de las vigas del techo. Debería prohi-
posteriores, teniendo en cuenta las birse la superposición de más de dos literas.
diferencias en el nivel de exposición En el caso de que las literas estén colocadas
entre los puestos de trabajo y los a lo largo de la banda del buque, sólo de-
espacios de alojamiento. bería disponerse una litera debajo del lugar
donde exista un ventanillo.

CALEFACCIÓN 27. Los dormitorios deberían disponer de ven-


tanillos provistos de cortinas, así como de
24. El sistema de calefacción debería permitir un espejo, pequeñas cabinas de aseo, una
que la temperatura en los espacios de aloja- estantería para libros y un número suficiente
miento de la tripulación se mantenga en un de colgaderos.

92 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto de la Recomendación sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

28. En la medida en que sea factible, las literas berían estar ubicados en un lugar fácilmente
de los miembros de la tripulación deberían accesible desde los dormitorios y desde las
estar distribuidas de forma que las guardias instalaciones de aseo personal, pero sepa-
estén separadas y que las personas que tra- rados de ellos. Cuando haya varios retretes
bajan de día no tengan que compartir el en un mismo compartimento, éstos deberían
dormitorio con personas que hagan guardias estar lo suficientemente aislados como para
nocturnas. preservar la intimidad.
29. En los buques de eslora igual o superior a 32. Deberían facilitarse instalaciones sanitarias
24 metros se deberían prever dormitorios separadas para hombres y mujeres.
separados para hombres y mujeres.

INSTALACIONES DE RECREO
INSTALACIONES SANITARIAS
33. Cuando se requiera la existencia de instala-
30. Los espacios destinados a las instalaciones ciones de recreo, los equipamientos deberí-
sanitarias deberían cumplir los requisitos si- an incluir, como mínimo, una biblioteca y los
guientes: medios necesarios para la lectura, la escri-
a) los suelos deberían ser de un material tura y, en la medida en que sea factible, los
duradero homologado, de fácil limpieza juegos de salón. Las instalaciones y servicios
e impermeable a la humedad, y estar de recreo deberían ser objeto de revisiones
provistos de un sistema adecuado de frecuentes para asegurarse de que respon-
desagüe; den a las necesidades de los pescadores, ha-
bida cuenta de la evolución tecnológica, de
b) los mamparos deberían ser de acero o
las condiciones de explotación y de cualquier
de cualquier otro material aprobado, y
otra novedad. También se debería considerar
estancos hasta una altura de por lo me-
la posibilidad de ofrecer, sin costo alguno
nos 0,23 metros con respecto al suelo
para los pescadores y cuando sea factible,
del puente;
las instalaciones y servicios siguientes:
c) los locales deberían contar con ilumina-
a) una sala para fumar;
ción, calefacción y ventilación suficien-
tes; b) la recepción de programas de televisión
y de radio;
d) las tuberías de aguas servidas y de eva-
cuación deberían ser de dimensiones c) la proyección de películas o vídeos, cuya
adecuadas y estar construidas de ma- oferta debería adecuarse a la duración
nera que se reduzca al mínimo el riesgo del viaje y, en caso necesario, renovarse
de obstrucción y se facilite su limpieza; a intervalos razonables;
no deberían atravesar los depósitos de d) equipos de deporte, incluidos aparatos
agua dulce o potable ni, en la medida de ejercicios físicos, juegos de mesa y
en que sea factible, pasar por los techos juegos de cubierta;
de los comedores o los dormitorios. e) una biblioteca con obras de contenido
31. Los retretes deberían ser de un modelo profesional y de otra índole, en cantidad
aprobado y asegurar en todo momento una suficiente para la duración del viaje y
descarga de agua abundante que pueda renovada a intervalos razonables;
controlarse de forma independiente. En la f) medios para realizar trabajos manuales
medida en que sea factible, los retretes de- recreativos, y

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 93


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

g) aparatos electrónicos como radios, te- 39. Para los buques de eslora igual o superior a
levisores, magnetoscopios, lectores de 24 metros, deberían tomarse en considera-
CD/DVD, ordenadores y programas in- ción, además de las disposiciones del artícu-
formáticos, y magnetófonos. lo 32 del Convenio, los criterios adicionales
siguientes:

ALIMENTOS a) al determinar los equipos y suministros


médicos que han de llevarse a bordo,
34. Los pescadores que cumplan las funciones la autoridad competente debería tomar
de cocinero deberían contar con una for- en consideración las recomendaciones
mación adecuada y estar calificados para internacionales en esta materia, tales
ocupar este puesto a bordo. como las que se recogen en las edicio-
nes más recientes de la Guía médica in-
ternacional de a bordo (OIT/OMI/OMS)
PARTE IV y en la Lista modelo de medicamentos
esenciales (OMS), y los avances en el
PROTECCIÓN DE LA SALUD, ATENCIÓN campo de los conocimientos médicos
y los métodos de tratamiento aproba-
MÉDICA Y SEGURIDAD SOCIAL
dos;
ATENCIÓN MÉDICA A BORDO b) los equipos y suministros médicos debe-
rían ser objeto de inspecciones periódi-
35. La autoridad competente debería establecer cas al menos una vez cada 12 meses. El
una lista de los equipos y suministros mé- inspector debería asegurarse de que se
dicos que deberían llevar a bordo los bu- comprueben las fechas de caducidad y
ques pesqueros, en función de los riesgos las condiciones de conservación de los
inherentes al sector; en dicha lista deberían medicamentos, que se recoja en una
figurar productos de protección higiénica lista el contenido de la farmacia de a
para las mujeres y recipientes discretos y que bordo, que este contenido se ajuste a lo
no dañen el entorno. dispuesto en la guía médica de uso en
36. Los buques pesqueros en los que se embar- el plano nacional, y que en las etiquetas
quen 100 o más pescadores deberían llevar de los suministros médicos figuren el
a bordo un médico cualificado. nombre genérico, además del nombre
de la marca, la fecha de caducidad y
37. Los pescadores deberían recibir una forma- las condiciones de conservación;
ción básica en materia de primeros auxilios,
c) en la guía médica debería explicarse
de conformidad con la legislación nacional
el modo de utilización de los equipos y
y habida cuenta de los instrumentos interna-
suministros médicos; dicha guía debería
cionales pertinentes.
concebirse de manera que las personas
38. Debería disponerse de un formulario de in- que no sean médicos puedan cuidar de
forme médico normalizado y especialmente los enfermos o accidentados a bordo,
diseñado para facilitar el intercambio confi- recibiendo o no asesoramiento médi-
dencial, entre el buque pesquero y las insta- co por radio o por satélite, y debería
laciones en tierra, de informaciones médicas prepararse teniendo en cuenta las re-
y conexas relativas a los pescadores en caso comendaciones internacionales en esta
de enfermedad o accidente. materia, incluidas las que figuren en
las ediciones más recientes de la Guía

94 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto de la Recomendación sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

médica internacional de a bordo (OIT/ tener en cuenta las normas internacionales,


OMI/OMS) y de la Guía de primeros los códigos, las orientaciones y cualquier
auxilios para uso en caso de accidentes otra información pertinente. Para ello, la
relacionados con mercancías peligrosas autoridad competente debería mantenerse
(OMI), y al tanto y hacer uso de las investigaciones y
d) debería proporcionarse asesoramiento orientaciones internacionales en materia de
médico gratuito, por radio o por satélite, seguridad y salud en el sector de la pesca,
a todos los buques, cualquiera que sea incluida la investigación en el ámbito gene-
su pabellón. ral de la seguridad y la salud en el trabajo
que pudiera aplicarse al trabajo a bordo de
SEGURIDAD Y SALUD EN EL TRABAJO los buques pesqueros.
43. Deberían señalarse a la atención de todo
Investigación, difusión de información y celebración de pescador y de toda persona que se encuen-
consultas tre a bordo de un buque las informaciones
40. A fin de contribuir a la mejora continua de relativas a peligros específicos, mediante
la seguridad y la salud de los pescadores, anuncios oficiales en los que se den ins-
los Miembros deberían contar con políticas trucciones u orientaciones, o utilizando otros
y programas de prevención de los acciden- medios adecuados.
tes a bordo de los buques pesqueros, que 44. Deberían establecerse comités paritarios
deberían requerir la recopilación y difusión sobre seguridad y salud en el trabajo, ya
de materiales, investigaciones y análisis en sea:
materia de seguridad y salud en el trabajo, a) en tierra, o
teniendo en cuenta tanto los avances técni-
b) a bordo de los buques pesqueros, cuan-
cos y de los conocimientos en el ámbito de
do la autoridad competente, previa ce-
la seguridad y la salud en el trabajo como los
lebración de consultas, decida que ello
instrumentos internacionales pertinentes.
es factible habida cuenta del número de
41. La autoridad competente debería adoptar pescadores a bordo.
medidas que permitieran garantizar la ce-
lebración de consultas periódicas sobre las Sistemas de gestión de la seguridad y la salud en el
cuestiones de seguridad y salud en el traba- trabajo
jo, con miras a asegurarse de que todas las
45. Al establecer métodos y programas relativos
personas interesadas se mantengan debida-
a la seguridad y la salud en el sector pesque-
mente informadas de la evolución de la situ-
ro, la autoridad competente debería tener
ación en los planos nacional e internacional,
en cuenta todas las orientaciones interna-
así como de los demás avances logrados en
cionales pertinentes relativas a los sistemas
este ámbito, y de su posible aplicación a los
de gestión de la seguridad y la salud en el
buques pesqueros que enarbolen el pabellón
trabajo, incluidas las Directrices relativas a
del Miembro.
los sistemas de gestión de la seguridad y la
42. Al cerciorarse de que los propietarios de bu- salud en el trabajo, ILO-OSH, 2001.
ques pesqueros, los capitanes o patrones,
los pescadores y las demás personas inte- Evaluación de los riesgos
resadas reciban orientaciones, materiales
46. 1) La evaluación de los riesgos en el ámbito
de formación idóneos y demás información
de la pesca debería llevarse a cabo, según
apropiada, la autoridad competente debería

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 95


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

proceda, con la participación de los pes- y potenciales y a la puesta en práctica


cadores o de sus representantes, y debería de las medidas destinadas a reducir o
incluir: eliminar dichos peligros.
a) la evaluación y la gestión de los ries- 3) Cuando elaboren las disposiciones men-
gos; cionadas en el apartado a) del subpárrafo
b) la formación, tomando en consideración 1 anterior, los Miembros deberían tener en
las disposiciones pertinentes contenidas cuenta los instrumentos internacionales per-
en el capítulo III del Convenio interna- tinentes en materia de evaluación y gestión
cional sobre normas de formación, titu- de los riesgos.
lación y guardia para el personal de los
buques pesqueros, 1995 (Convenio de ESPECIFICACIONES TÉCNICAS
Formación), adoptado por la OMI, y
47. Los Miembros, en la medida en que sea
c) la instrucción de los pescadores a bor- factible y conforme con las condiciones del
do. sector pesquero, deberían abordar los temas
2) Para dar efecto a las disposiciones del apar- siguientes:
tado a) del subpárrafo 1 anterior, los Miem- a) navegabilidad y estabilidad de los bu-
bros, previa celebración de consultas, debe- ques pesqueros;
rían adoptar una legislación u otras medidas b) radiocomunicaciones;
en las que se exija que:
c) temperatura, ventilación e iluminación
a) todos los pescadores participen regular de las zonas de trabajo;
y activamente en la mejora de la segu-
d) atenuación del riesgo ligado a las su-
ridad y la salud, mediante actividades
perficies resbaladizas de la cubierta;
continuas encaminadas a determinar los
peligros, evaluar los riesgos y adoptar e) utilización segura de la maquinaria, in-
medidas para hacerles frente por medio cluidos los dispositivos de protección;
de la gestión de la seguridad; f) familiarización de los pescadores y ob-
b) se establezca un sistema de gestión de la servadores pesqueros recientemente
seguridad y la salud en el trabajo, el cual embarcados con el buque;
podría incluir una política relativa a esta g) equipo de protección personal;
materia, así como disposiciones sobre la h) salvamento y lucha contra incendios;
participación de los pescadores y sobre i) carga y descarga del buque;
la organización, planificación, aplicación
j) dispositivos de izado;
y evaluación del sistema, y la adopción
de medidas para mejorarlo, y k) equipo de anclaje y amarre;
c) se establezca un sistema para facili- l) seguridad y salud en los espacios de
tar la aplicación de una política y un alojamiento;
programa relativos a la seguridad y la m) ruido y vibraciones en las zonas de tra-
salud en el trabajo, y para ofrecer a bajo;
los pescadores un foro que les permita n) ergonomía, inclusive con respecto a la
influir en las cuestiones de seguridad y disposición de los puestos de trabajo y
salud; los procedimientos de prevención al levantamiento manual y la manipu-
a bordo deberían concebirse de mane- lación de cargas;
ra que los pescadores contribuyan a la
o) equipos y procedimientos para la cap-
identificación de los peligros existentes
tura, manipulación, almacenamiento y

96 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Texto de la Recomendación sobre el Trabajo en el Sector Pesquero

procesamiento del pescado y de otros a) el porcentaje de pescadores cubiertos;


recursos marinos; b) la gama de contingencias cubiertas, y
p) diseño, construcción y modificaciones c) el nivel de las prestaciones.
del buque que guarden relación con la
seguridad y la salud en el trabajo; 51. Toda persona protegida por el artículo 34 del
Convenio debería tener derecho a recurrir
q) navegación y maniobra del buque;
en caso de que se le niegue la prestación de
r) materiales peligrosos utilizados a bordo que se trate, o de que la calidad o la cuantía
del buque; de la misma se determinen de manera des-
s) seguridad de los medios de acceso y favorable.
salida de los buques pesqueros en los
52. Las protecciones a que se hace referencia en
puertos;
los artículos 38 y 39 del Convenio deberían
t) requisitos especiales en materia de se- dispensarse mientras exista la contingencia
guridad y salud aplicables a los jóve- cubierta.
nes;
u) prevención de la fatiga;
v) otras cuestiones relativas a la seguridad
PARTE V
y la salud.
48. Cuando formule disposiciones legales, OTRAS DISPOSICIONES
normativas u otras medidas relativas a las 53. La autoridad competente debería elaborar
normas técnicas en materia de seguridad una política de inspección destinada a los
y salud a bordo de los buques pesqueros, funcionarios habilitados para adoptar las
la autoridad competente debería tener en medidas especificadas en el párrafo 2 del
cuenta la edición más reciente del Código artículo 43 del Convenio.
de seguridad para pescadores y buques pes-
54. Los Miembros deberían colaborar entre sí en
queros, parte A (FAO/OIT/OMI).
la mayor medida posible a fin de adoptar las
ESTABLECIMIENTO DE UNA LISTA DE pautas concertadas internacionalmente res-
pecto de la política a que se hace referencia
ENFERMEDADES PROFESIONALES
en el párrafo 53 de la presente Recomenda-
49. Los Miembros deberían elaborar una lista de ción.
las enfermedades que, según se sabe, son 55. Todo Miembro que sea un Estado ribereño
provocadas por la exposición a sustancias podrá exigir, al conceder la autorización
o a condiciones peligrosas en el sector pes- para pescar en su zona económica exclusiva,
quero. que los buques pesqueros cumplan con los
requisitos del Convenio. Si tal autorización
SEGURIDAD SOCIAL
es expedida por un Estado ribereño, éste
50. A fin de extender progresivamente la pro- debería tomar en consideración los certifi-
tección de seguridad social a todos los pes- cados u otros documentos válidos en que se
cadores, los Miembros deberían mantener declare que el buque de que se trate ha sido
actualizada la información relativa a las inspeccionado por la autoridad competente,
cuestiones siguientes: o en su nombre, y declarado conforme con
las disposiciones del Convenio.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 97


ANEXO
RESOLUCIÓN SOBRE LA PROMOCIÓN
DE EMPRESAS SOSTENIBLES

L a Conferencia General de la Organización Inter-


2. En la Cumbre Mundial de Johannesburgo de
2002 se asumió el compromiso de promover
nacional del Trabajo, congregada en su 96ª reunión, la integración de los tres componentes del
2007, desarrollo sostenible – el desarrollo social,
habiendo celebrado una discusión general sobre el desarrollo económico y la protección del
la base del Informe VI, La promoción de empresas medio ambiente – como pilares interdepen-
sostenibles, dientes que se refuerzan mutuamente. La er-
radicación de la pobreza, la modificación de
Adopta las conclusiones siguientes, y las modalidades insostenibles de producción
Invita al Consejo de Administración de la Ofi- y consumo y la protección y ordenación de
cina Internacional del Trabajo a que preste a estas la base de recursos naturales del desarrollo
conclusiones la consideración debida a la hora de económico y social son objetivos generales
planificar las futuras actividades sobre la promoción y requisitos esenciales del desarrollo soste-
de empresas sostenibles en el marco del Programa nible. El sistema internacional, con inclusión
de Trabajo Decente y que solicite al Director General de la OIT, todavía no ha establecido siner-
que las tenga en cuenta en la elaboración del Pro- gias sólidas entre la sostenibilidad social,
grama y Presupuesto para el bienio 2010-2011 y en medioambiental y económica. En conse-
la asignación de los recursos que estén disponibles cuencia, se han realizado pocos progresos
durante el bienio 2008-2009. en materia de convergencia de las políticas
y de resultados prácticos.
3. La creación de riqueza depende de las in-
CONCLUSIONES RELATIVAS A LA
teracciones productivas de todas las partes
PROMOCIÓN DE EMPRESAS SOSTENIBLES de la sociedad. Las empresas sostenibles son
una fuente principal de crecimiento, creaci-
INTRODUCCIÓN ón de riqueza, empleo y trabajo decente. La
1. Hay un debate internacional de carácter am- promoción de empresas sostenibles es, por
plio y de gran alcance sobre el importante lo tanto, una herramienta importante para
papel del sector privado y las empresas sos- el logro del trabajo decente, el desarrollo
tenibles en el desarrollo social y económico, sostenible y la innovación que a la larga
con inclusión de la creación de empleo y el mejora los niveles de vida y las condiciones
trabajo decente y la protección del medio- sociales. Los gobiernos y los interlocutores
ambiente. Por ello, el Consejo de Adminis- sociales tienen que cooperar para promover
tración de la Oficina Internacional del Tra- la integración de los tres componentes del
bajo decidió incluir el tema de la promoción desarrollo sostenible – económico, social
de empresas sostenibles en el orden del día y medioambiental – como pilares interde-
de la 96ª reunión de la Conferencia Inter- pendientes y que se refuerzan mutuamente.
nacional del Trabajo como medio para la La OIT disfruta de una posición única para
consecución del trabajo decente en el marco contribuir al desarrollo sostenible mediante
más amplio del desarrollo sostenible. la promoción del trabajo decente porque es

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 99


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

en los lugares de trabajo donde las dimen- ductividad y atender otras necesidades de
siones social, económica y medioambiental desarrollo de la empresa, cuyos beneficios
coexisten de manera indisociable. habrán de compartirse equitativamente en
la empresa y en la sociedad en su conjunto.
4. Al abordar los desafíos de la promoción de
Ello exige nuevas formas de cooperación
empresas sostenibles, es importante recordar
entre los gobiernos, las empresas, los traba-
los instrumentos que orientan el Programa de
jadores y la sociedad con el fin de garanti-
Trabajo Decente de la OIT de más amplio
zar una máxima calidad de la vida presente
alcance. La Constitución de la OIT, inclui-
y futura y del empleo y, al mismo tiempo,
da la Declaración de Filadelfia, así como la
preservar la sostenibilidad del planeta. El
Declaración de la OIT relativa a los princi-
tripartismo, con inclusión del diálogo social
pios y derechos fundamentales en el trabajo
y la negociación colectiva, es un elemento
y su seguimiento, 1998, subrayan que las
vital a este respecto.
políticas económicas y sociales son com-
ponentes fundamentales y que se refuerzan 7. Las empresas sostenibles precisan sociedades
mutuamente con miras a la creación de un sostenibles: las empresas suelen prosperar
desarrollo sostenible de base amplia y a la cuando las sociedades prosperan y vicever-
promoción de la justicia social. Por su parte, sa. Ello exige una inclusión social y econó-
el Programa Global de Empleo de la OIT mica, así como equidad en la distribución
adoptado por el Consejo de Administración de los recursos y el acceso a los mismos. La
de la OIT proporciona una serie de políticas, habilitación económica de las mujeres es
incluidas políticas de desarrollo empresarial, de crucial importancia para las sociedades
destinadas a lograr un empleo pleno y pro- sostenibles. Requiere la igualdad de acceso
ductivo y un trabajo decente para todos. a las oportunidades en materia de iniciativa
empresarial, los servicios financieros y los
5. Promover las empresas sostenibles implica
mercados de trabajo. El fomento de opor-
fortalecer el Estado de derecho, las institu-
tunidades sociales y económicas para los
ciones y los sistemas de gobernanza que ha-
grupos desfavorecidos es particularmente
cen prosperar a las empresas, y alentarlas a
importante a este respecto, incluida la ne-
llevar a cabo sus actividades de manera sos-
cesidad de apoyar a los jóvenes. La sosteni-
tenible. Para ello, es de importancia crucial
bilidad también implica tener confianza en
contar con un entorno propicio que aliente
que las políticas públicas y los marcos regla-
la inversión, la iniciativa empresarial, los de-
mentarios han de hacer realidad la promesa
rechos de los trabajadores y la creación, el
de unas sociedades prósperas, estables y
crecimiento y el mantenimiento de empresas
equitativas.
sostenibles, conciliando las necesidades y los
intereses de la empresa con la aspiración de 8. Las empresas tienen que ser viables para ser
la sociedad de seguir un modelo de creci- sostenibles, pero ello no niega el hecho de
miento que respete los valores y principios que, incluso en las economías pujantes y di-
del trabajo decente, la dignidad humana y námicas, es inevitable que algunas empresas
la sostenibilidad del medio ambiente. reduzcan su actividad o fracasen y haya un
proceso continuo de entrada y salida. Los
6. Promover las empresas sostenibles implica
principios y valores del trabajo decente pro-
también garantizar que los recursos huma-
porcionan orientaciones que pueden aplicar-
nos, financieros y naturales se combinen de
se tanto en el caso de las empresas que se
manera equitativa para lograr una inno-
contraen o fracasan como en el caso de las
vación sostenible y un aumento de la pro-

100 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Resolución Sobre la Promoción de Empresas Sostenibles

que tienen éxito y crecen. A este respecto, las variar en diferentes etapas del desarrollo y
políticas activas de mercado de trabajo y la en contextos culturales y socioeconómicos
protección social revisten gran importancia distintos. Ahora bien, hay algunas condicio-
para gestionar transiciones eficientes y justas nes básicas que generalmente se consideran
en el plano social que tengan en cuenta las esenciales. Estas condiciones interrelaciona-
circunstancias nacionales. das y que se refuerzan mutuamente son las
siguientes:
9. Los objetivos del Programa de Trabajo De-
cente tienen una aplicación universal. Sin 1. Paz y estabilidad política. La paz y la
embargo, no existe una solución única en estabilidad política son condiciones
lo que respecta a la formulación y la aplica- previas básicas para impulsar la cons-
ción de políticas que promuevan empresas titución y el crecimiento de empresas
sostenibles. Las políticas deben reconocer la sostenibles, mientras que la guerra y los
diversidad de las situaciones nacionales de conflictos civiles son importantes facto-
acuerdo con el nivel de desarrollo, recursos res que desincentivan la inversión y el
y capacidad institucional de los países, sin desarrollo del sector privado.
menoscabar la importancia de las normas 2. Buena gobernanza. Unas instituciones
laborales y medioambientales. Del mismo políticas democráticas, unas entidades
modo, la diversidad en cuanto al tamaño y públicas y privadas transparentes y que
los tipos de empresas y su ubicación en la rindan cuentas, unas medidas eficaces
cadena de valor exige una serie de interven- de lucha contra la corrupción, y una
ciones diferenciadas, aunque hay que reco- gobernanza empresarial responsable
nocer que las pequeñas y medianas empresas son condiciones clave para que las
(PYME) son uno de los principales instrumen- economías de mercado y las empresas
tos de creación de empleo. La promoción obtengan mejores resultados y se ade-
de empresas sostenibles también debe poner cuen mejor a los valores y los objetivos
particular énfasis en apoyar la transición de a largo plazo de la sociedad.
los operadores de la economía informal a la 3. Diálogo social. El diálogo social basado
economía formal y garantizar que las leyes y en la libertad sindical y de asociación
reglamentaciones abarquen a todas las em- y el derecho de negociación colectiva,
presas y todos los trabajadores. en particular a través de marcos institu-
cionales y normativos, es esencial para
UN ENTORNO PROPICIO PARA
lograr resultados eficaces, equitativos y
LAS EMPRESAS SOSTENIBLES mutuamente beneficiosos para los go-
biernos, los empleadores, los trabaja-
10. Un entorno propicio para la creación y el
dores, y la sociedad en su conjunto.
crecimiento o transformación de empresas
sobre una base sostenible combina la bús- 4. Respeto de los derechos humanos uni-
queda legítima de ganancias, uno de los versales y de las normas internacionales
principales motores del crecimiento econó- del trabajo. La competitividad debería
mico, con la necesidad de un desarrollo que fundarse en valores. El respeto de los
respete la dignidad humana, la sostenibili- derechos humanos y de las normas in-
dad medioambiental y el trabajo decente. ternacionales del trabajo, especialmente
la libertad sindical y de asociación y la
11. El entorno propicio para el desarrollo de em- negociación colectiva, la abolición del
presas sostenibles abarca un gran abanico trabajo infantil, del trabajo forzoso y de
de factores, cuya importancia relativa puede todas las formas de discriminación, es

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 101


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

un rasgo distintivo de las sociedades rollo de los países. Los aumentos de la


que han logrado integrar con éxito la eficiencia generados por la integración
sostenibilidad y el trabajo decente. económica pueden dar lugar a efectos
5. Cultura empresarial. El reconocimiento positivos en el empleo ya sea en tér-
por parte de los gobiernos y la sociedad minos de cantidad o de calidad o una
de la función clave de las empresas en combinación de ambos. No obstante,
el desarrollo y el firme apoyo, tanto pú- dado que la liberalización del comer-
blico como privado, a la iniciativa em- cio también puede dar lugar al despla-
presarial, la innovación, la creatividad zamiento de puestos de trabajo, una
y el concepto de tutoría, sobre todo en mayor informalidad y el aumento de las
el caso de las nuevas empresas, las pe- desigualdades en materia de ingresos,
queñas empresas, y grupos específicos los gobiernos deben adoptar medidas,
tales como las mujeres y los jóvenes, son en consulta con los interlocutores socia-
determinantes importantes de un entor- les, para evaluar mejor la incidencia de
no propicio para la empresa. El respe- las políticas comerciales en el empleo y
to de los derechos de los trabajadores el trabajo decente. También es necesa-
debería incorporarse en los programas rio adoptar medidas a nivel regional y
relativos a la cultura empresarial. multilateral para eliminar las distorsio-
nes comerciales y ayudar a los países
6. Política macroeconómica acertada y
en desarrollo a fortalecer su capacidad
estable y buena gestión de la econo-
para exportar productos de valor aña-
mía. Las políticas monetarias, fiscales
dido, gestionar el cambio y desarrollar
y cambiarias deberían garantizar unas
una base industrial competitiva.
condiciones económicas estables y pre-
decibles. Una gestión económica racio- 8. Entorno jurídico y reglamentario propi-
nal debería equilibrar los dos objetivos cio. Una reglamentación mal concebida
de crear más y mejores empleos y de y la imposición de cargas burocráticas
combatir la inflación, y prever políti- innecesarias a las empresas limitan
cas y reglamentaciones que estimulen la creación de nuevas empresas y las
la inversión productiva a largo plazo. actividades empresariales en curso de
También se debería prestar atención a las empresas existentes y conducen a
aumentar la demanda agregada como la informalidad, la corrupción y costos
fuente de crecimiento económico en derivados de la pérdida de eficiencia.
función de las condiciones nacionales. Las reglamentaciones bien concebidas,
En el caso de los países en desarrollo y transparentes, responsables y debida-
menos desarrollados, lograr unas con- mente difundidas, comprendidas las
diciones macroeconómicas adecuadas que respaldan las normas laborales y
requiere generalmente el apoyo decisivo medioambientales, son buenas para los
de la comunidad internacional a través mercados y la sociedad, facilitan la for-
del alivio de la carga de la deuda y de malización e impulsan la competitividad
la ayuda oficial para el desarrollo. sistémica. La reforma reglamentaria y la
supresión de los obstáculos a los que
7. Comercio e integración económica
hacen frente las empresas no deberían
sostenible. Al suprimir los obstáculos
menoscabar dichas normas.
que impiden el acceso a los mercados
nacionales y extranjeros se deben tener 9. Estado de derecho y garantía de los
en cuenta los distintos niveles de desar- derechos de propiedad. Un sistema ju-

102 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Resolución Sobre la Promoción de Empresas Sostenibles

rídico formal y eficaz que garantice a terial para las empresas, los sistemas de
todos los ciudadanos y empresas que transporte, las escuelas y los hospitales.
los contratos se respetan y se cumplen, El acceso seguro y asequible al agua y
que se respeta el imperio de la ley y que la energía también constituye un gran
se garantizan los derechos de propiedad desafío, especialmente en los países en
es una condición fundamental no sólo desarrollo. Ayuda también particular-
para atraer la inversión, sino también mente a las empresas el acceso local
para generar certidumbre y cultivar la a sectores de actividad auxiliares como
confianza y la justicia en la sociedad. La los proveedores de servicios y los pro-
propiedad es más que la mera titulari- veedores y fabricantes de maquinaria.
dad; la ampliación de los derechos de 13. Tecnologías de la información y la co-
propiedad puede ser una herramienta municación. Ampliar el acceso a las
de habilitación y puede facilitar el ac- tecnologías de la información y la co-
ceso al crédito y el capital. Esos dere- municación (TIC) es otro desafío fun-
chos también conllevan la obligación damental en la era de la economía
de cumplir las normas y los reglamentos del conocimiento. El uso de las TIC es,
establecidos por la sociedad. pues, fundamental para el desarrollo de
10. Competencia leal. Es necesario esta- empresas sostenibles, por lo que debe
blecer normas sobre la competencia ser plenamente utilizado a dicho fin. La
para el sector privado que incluyan el tecnología de banda ancha asequible
respeto universal de las normas labo- es también de suma importancia para
rales y sociales, y eliminar las prácticas los países y empresas, y debería facili-
anticompetitivas a nivel nacional. tarse.
11. Acceso a los servicios financieros. Un 14. Educación, formación y aprendizaje per-
sistema financiero que funciona bien manente. El talento humano es el factor
es el catalizador del crecimiento de un productivo más importante de la eco-
sector privado dinámico. Si se facilita el nomía contemporánea. Es importante
acceso de las PYME, con inclusión de centrarse en el desarrollo de una fuerza
las cooperativas y las empresas incipien- de trabajo calificada y el aumento de las
tes, a la financiación, por ejemplo, al capacidades humanas a través de siste-
crédito, el arrendamiento financiero, los mas de educación, formación y apren-
fondos de capital de riesgo u otros tipos dizaje permanente de alta calidad para
de instrumentos similares o nuevos, se ayudar a los trabajadores a encontrar
crean las condiciones apropiadas para buenos empleos y a las empresas a en-
un proceso más incluyente de desarrollo contrar los trabajadores calificados que
de las empresas. Habría que alentar a necesitan. Asimismo, se debería propor-
las instituciones financieras, particular- cionar apoyo financiero para mejorar el
mente las multilaterales e internaciona- acceso de los trabajadores pobres a la
les, a incluir el trabajo decente en sus formación y el perfeccionamiento de las
prácticas crediticias. calificaciones. De ese modo, la socie-
12. Infraestructura material. La sostenibili- dad podrá alcanzar el doble objetivo del
dad de las empresas y el desarrollo hu- éxito económico y el progreso social.
mano dependen fundamentalmente de 15. Justicia social e inclusión social. La
la calidad y cantidad de la infraestructu- desigualdad y la discriminación son
ra existente, como la infraestructura ma- incompatibles con el desarrollo de em-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 103


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

presas sostenibles. Se requieren políti- PRÁCTICAS RESPONSABLES Y


cas claramente definidas con miras a SOSTENIBLES A NIVEL DE LA EMPRESA
la justicia social, la inclusión social y la
igualdad de oportunidades en el em- 12. A nivel de la empresa, la sostenibilidad
pleo. El ejercicio efectivo del derecho a significa realizar actividades empresariales
organizarse y a la negociación colecti- para crecer y obtener ganancias, y el reco-
va también constituye un medio eficaz nocimiento de las aspiraciones económicas
para garantizar la distribución equitativa y sociales de las personas pertenecientes y
de los aumentos de productividad y la ajenas a la organización de las que depen-
remuneración adecuada de los trabaja- de la empresa, así como el impacto sobre
dores. el medio ambiente natural. La viabilidad a
16. Protección social adecuada. Un modelo largo plazo implica que la gestión de las
de seguridad social universal sostenible empresas debería basarse en los tres pilares
basado en los impuestos o cualquier de la sostenibilidad: económico, social y me-
otro modelo nacional que proporcione a dioambiental. Esto permite a las empresas
los ciudadanos acceso a servicios esen- crear riqueza y trabajo decente.
ciales tales como una atención de salud 13. Las empresas sostenibles deberían innovar,
de calidad, prestaciones de desempleo, adoptar tecnologías apropiadas respetuosas
la protección de la maternidad y una del medio ambiente, desarrollar las califica-
pensión básica, es fundamental para ciones y los recursos humanos, y mejorar la
mejorar la productividad y propiciar las productividad para seguir siendo competiti-
transiciones a la economía formal. La vas en los mercados nacionales e interna-
protección de la salud y la seguridad de cionales. También deberían aplicar prácticas
los trabajadores en el lugar de trabajo en el lugar de trabajo basadas en el pleno
también es vital para el desarrollo de respeto de los principios y derechos funda-
empresas sostenibles. mentales en el trabajo y las normas inter-
17. Gestión responsable del medio ambien- nacionales del trabajo, y promover buenas
te. En ausencia de reglamentaciones e relaciones entre la dirección y los trabajado-
incentivos adecuados, los mercados pue- res como medio importante para aumentar
den dar lugar a resultados no deseados la productividad y crear trabajo decente. Los
para el medio ambiente. Se deberían principios siguientes se aplican a todas las
utilizar los incentivos y reglamentacio- empresas:
nes fiscales, incluidos los procedimientos 1. Diálogo social y buenas relaciones la-
de contratación pública, para promover borales. Las empresas sostenibles par-
pautas de consumo y producción que ticipan en el diálogo social y buenas
sean compatibles con las exigencias del relaciones laborales como la negociaci-
desarrollo sostenible. Las soluciones ba- ón colectiva y la información, consulta y
sadas en los mercados privados, como participación de los trabajadores. Estos
el empleo de criterios medioambienta- son instrumentos eficaces para crear si-
les al evaluar el riesgo de crédito o el tuaciones en las que todas las partes
rendimiento de la inversión, constituyen salgan ganando, ya que promueven va-
igualmente medios eficaces para hacer lores comunes, la confianza y coopera-
frente a ese problema. ción, y un comportamiento socialmente

104 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Resolución Sobre la Promoción de Empresas Sostenibles

responsable. El diálogo social incluye tarse a los cambios en las tecnologías y


ejemplos en el plano internacional, tales la organización del trabajo. Las empre-
como la conclusión de acuerdos marco sas sostenibles integran el desarrollo de
internacionales entre empresas multina- los recursos humanos en su estrategia
cionales y federaciones sindicales mun- empresarial que respeta las relaciones
diales en diferentes sectores industriales. de trabajo genuinas y trata por igual a
El diálogo social apoya la adopción de los trabajadores y las trabajadoras al
estrategias de inversión a largo plazo y desarrollar sus calificaciones, compe-
socialmente responsables. Puede contri- tencias y productividad.
buir a un mayor nivel de productividad 3. Condiciones de trabajo. Las empre-
e innovación, la seguridad y salud en el sas sostenibles ofrecen condiciones de
lugar de trabajo, así como la equidad, trabajo que proporcionan un entorno
la justicia y el desarrollo de calificacio- de trabajo seguro y motivador y una
nes que respondan a las necesidades de organización del trabajo flexible y mu-
las empresas y satisfagan la necesidad tuamente beneficiosa. Adoptan prácti-
de los trabajadores de contar con com- cas en el lugar de trabajo exentas de
petencias reconocidas y transferibles. discriminación, acoso e intimidación.
2. Desarrollo de los recursos humanos. El Promueven la igualdad de género y la
desarrollo de los recursos humanos en igualdad de oportunidades y de trato de
las empresas sostenibles debería basar- los grupos vulnerables. Aplican prácticas
se en el diálogo social y la participación en el lugar de trabajo que mantienen un
de los trabajadores. Las empresas sos- equilibrio sostenible entre el trabajo, la
tenibles consideran a los trabajadores vida personal y la vida familiar, y reco-
calificados como una fuente importante nocen el papel de la mujer en el de-
de ventaja competitiva y a sus emplea- sarrollo sostenible. Los buenos lugares
dos como activos y agentes del cambio. de trabajo son seguros y saludables, y
El desarrollo de calificaciones y com- permiten que los trabajadores contri-
petencias pertinentes y su utilización buyan a los cambios y las mejoras. Las
eficaz garantizan unos niveles elevados empresas sostenibles también respetan
de productividad y competitividad de las normas laborales pertinentes inclui-
las empresas. Las empresas tienen que da la relativa a la edad mínima para
identificar y determinar las calificaciones el trabajo, rechazan las peores formas
que precisan, invertir en la formación de trabajo infantil, rechazan el trabajo
de los trabajadores y los directivos, forzoso y, cuando procede, abordan la
promover una cultura de aprendizaje problemática de la tuberculosis, el pa-
permanente e innovación, fomentar el ludismo y el VIH/SIDA y otras enferme-
aprendizaje en el lugar de trabajo y fa- dades crónicas y que representan una
cilitar el intercambio de conocimientos. amenaza para la vida. En este contexto,
Los trabajadores deberían aprovechar el Repertorio de recomendaciones prác-
las oportunidades de educación, for- ticas de la OIT sobre el VIH/SIDA y el
mación y aprendizaje permanente. El mundo del trabajo es una referencia útil.
desarrollo de calificaciones y competen- Las empresas sostenibles reconocen que
cias garantiza la empleabilidad de los tales prácticas mejoran la productividad
trabajadores y su capacidad para adap- y refuerzan la capacidad de innovación
y la competitividad de la empresa.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 105


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

4. Productividad, salarios y beneficios tales como la rendición de cuentas, la


compartidos. Los trabajadores tienen equidad y la transparencia y el respeto
que poder participar en el éxito de las del Estado de derecho y de los principios
empresas y obtener una parte justa de y derechos fundamentales en el trabajo.
los beneficios derivados de las activi- Los principios de las empresas sosteni-
dades económicas y del aumento de la bles deberían promoverse a lo largo de
productividad. Esto ayuda a contribuir las cadenas de suministro. Las empresas
a una distribución más equitativa de los sostenibles adoptan prácticas y normas
ingresos y la riqueza. La negociación empresariales responsables que tienen
colectiva y el diálogo social son medios en cuenta los objetivos económicos, so-
importantes para lograrlo. ciales y medioambientales, y aseguran
5. La responsabilidad social de la empresa incentivos, sistemas y responsabilidades
(RSE). Las empresas sostenibles pueden de gestión apropiados, así como la con-
recurrir a la RSE para complementar su sulta en el lugar de trabajo.
búsqueda de estrategias y resultados 14. Las empresas sostenibles deberían compro-
sostenibles. La RSE es una iniciativa meterse firmemente a atenerse a las leyes
voluntaria impulsada por las empresas que afectan a sus operaciones y las que ri-
y se refiere a actividades que superan gen su relación con el resto de la sociedad.
el cumplimiento de la ley. La RSE no Contribuyen a los esfuerzos de la sociedad
puede sustituir a la normativa jurídica para eliminar la corrupción y mejorar la
ni a la aplicación de la ley ni a la nego- transparencia.
ciación colectiva. No obstante, cuando
la RSE es transparente y creíble y está EL PAPEL DEL GOBIERNO
basada en una genuina asociación,
puede proporcionar a los trabajadores 15. El papel de los gobiernos en la promoción
y otras partes interesadas más oportu- de empresas sostenibles es triple:
nidades para lograr que las empresas 1. crear un entorno propicio garantizan-
se comprometan con respecto a las re- do las condiciones básicas para el
percusiones sociales y medioambienta- desarrollo de las empresas sostenibles
les de sus actividades. En este sentido, enumeradas anteriormente, incluido
las iniciativas de comercio ético y justo mediante la aplicación y control del
contribuyen a promover la RSE en las cumplimiento de las normas laborales
cadenas de valor. La Declaración tri- y medioambientales;
partita de principios sobre las empresas 2. rebasar esas condiciones básicas esta-
multinacionales y la política social de la bleciendo de forma activa programas y
OIT (Declaración sobre las EMN) y las políticas encaminados a crear incentivos
Directrices sobre las Empresas Trans- para que las empresas se desarrollen y
nacionales de la OCDE proporcionan actúen de manera responsable y soste-
orientaciones sobre el buen comporta- nible, por ejemplo, mediante la difusión
miento y el civismo empresarial. de ejemplos de prácticas óptimas, y
6. Gobernanza empresarial y prácticas 3. comportarse como empresas sosteni-
empresariales. La buena gobernanza bles, sea como empleadores sea como
empresarial y las prácticas empresaria- compradores de bienes y servicios, se-
les idóneas están basadas en valores gún el caso.

106 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Resolución Sobre la Promoción de Empresas Sostenibles

16. El gobierno puede actuar como regulador, sables desde el punto de vista social y
facilitador y promotor de las empresas soste- medioambiental. Los gobiernos deberí-
nibles mediante una serie de políticas y prác- an promover normas sociales y medio-
ticas, entre las que figuran las siguientes: ambientales en los programas de con-
1. Facilitación del diálogo social y par- tratación e inversión públicas y en las
ticipación en él. El diálogo social, la políticas crediticias, incluido a nivel bi-
libertad sindical y de asociación y el lateral y multilateral. Deberían impulsar
derecho a la negociación colectiva son y consolidar una cultura de respeto de
herramientas pertinentes para la promo- los derechos de los trabajadores dando
ción de empresas sostenibles y deberían buen ejemplo y promoviendo prácticas
ampliarse para abarcar a todos los sec- ambientalmente racionales.
tores de la economía. 5. Promoción de los sectores y las ca-
2. Aplicación de la legislación laboral denas de valor. Los gobiernos suelen
mediante una administración del tra- promover la inversión en sectores es-
bajo eficaz, incluidos los sistemas de pecíficos y participar en iniciativas de
inspección del trabajo. La legislación política industrial que son importantes
laboral y las políticas bien concebidas para aumentar el coeficiente de empleo
son importantes para el desarrollo de del crecimiento. Esas políticas deberí-
empresas sostenibles. Los gobiernos an incorporar plenamente los objetivos
deberían aplicar y hacer cumplir la le- sociales y medioambientales y tener en
gislación laboral mediante sistemas de cuenta la totalidad de la cadena de va-
administración del trabajo y de inspec- lor, y no deberían obstaculizar ni coartar
ción del trabajo dotados de recursos las iniciativas de inversión nacionales ni
suficientes. La experiencia adquirida en tampoco menoscabar los derechos de
materia de aplicación y cumplimiento los trabajadores.
de la legislación debería servir de guía 6. Flexibilidad y protección para gestionar
para el examen de la misma. Se debería el cambio. Las empresas y economías
prestar especial atención a la ampliaci- sostenibles deben desarrollar la capaci-
ón del alcance de la legislación laboral dad de adaptarse a los rápidos cambios
a todos los trabajadores, en particular de las condiciones del mercado. A fin
los hombres y mujeres que trabajan en de ayudar a las empresas y a sus tra-
la economíainformal o los trabajadores bajadores a afrontar esos desafíos, los
implicados en relaciones de trabajo en- gobiernos deberían elaborar un marco
cubiertas. jurídico e institucional, incluida la regla-
3. Promoción del concepto de responsa- mentación laboral, la protección social,
bilidad social de la empresa (RSE): Los las políticas activas de mercado de tra-
gobiernos deberían promover, facilitar bajo y servicios de empleo eficaces que
y dar a conocer la RSE, teniendo en también apoyen la capacidad de adap-
cuenta las necesidades específicas de tación de las empresas. Esas políticas
las pequeñas y medianas empresas, y deberían formularse en plena consulta
apoyar los esfuerzos de los interlocuto- con los interlocutores sociales.
res sociales para abordar conjuntamen- 7. Programas específicos. Los gobiernos
te las cuestiones relativas a la RSE. deberían promover programas de de-
4. Promoción de la contratación, los prés- sarrollo de empresas sostenibles y fo-
tamos y la inversión públicos respon- mentar una cultura de iniciativa em-

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 107


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

presarial sostenible entre determinados importante dimensión internacional. Ello


grupos, como las mujeres, los jóvenes requiere la formulación de políticas efi-
y los grupos desfavorecidos, así como caces en el ámbito internacional en las
en sectores y ámbitos específicos. esferas del comercio, las finanzas, el
8. Investigación e innovación. Los gobier- alivio de la carga de la deuda, la inver-
nos deberían potenciar la inversión en sión, la migración laboral y las dimen-
investigación y desarrollo para promover siones sociales y medioambientales de
las asociaciones académicas, la transfe- la globalización, así como la coherencia
rencia de tecnología y la innovación con entre esas políticas.
miras al desarrollo de empresas soste- 12. Pautas de producción y consumo. Los
nibles. También es muy útil para todas gobiernos desempeñan una función en
las empresas tener un buen acceso a la aplicación de políticas para impulsar
las instituciones de investigación a fin formas de producción y consumo más
de que les ayuden a crecer mediante la sostenibles.
innovación. 13. Apoyo al desarrollo de las calificacio-
9. Acceso a la información, y servicios em- nes. En un mundo que experimenta una
presariales y financieros. Los gobiernos rápida globalización, la mayor inversión
deberían proporcionar mecanismos y de los gobiernos en capital humano, a
marcos apropiados para recopilar y su- través de sistemas educativos y de for-
ministrar información y servicios perti- mación de gran calidad y no discrimi-
nentes para los empleadores y los traba- natorios y del aprendizaje permanente,
jadores, reduciendo así los obstáculos es esencial para facilitar la entrada y la
a la información. Ello debería abarcar reincorporación al mercado de trabajo
información y servicios destinados a a todos los grupos y aumentar los ni-
ayudar a la comprensión de la regla- veles de productividad y la calidad del
mentación y los procedimientos relativos empleo. Las calificaciones adquiridas
a las empresas y de los derechos de deberían reconocerse y responder a las
los trabajadores, y a facilitar el acceso necesidades en continua evolución y
al crédito y otros servicios financieros, las exigencias del mercado de trabajo
especialmente para las microempresas y contribuir al desarrollo personal, el
y las pequeñas y medianas empresas. La acceso a la cultura y la ciudadanía ac-
información debería incluir ejemplos de tiva. La implicación de los interlocutores
prácticas óptimas en la consecución de sociales es importante en ese sentido. La
los objetivos del trabajo decente. formación profesional también facilita
10. Coordinación y coherencia de las polí- la movilidad de los trabajadores, que
ticas. Se requiere la coherencia de las es importante en vista de las nuevas y
políticas y la colaboración en el seno del cambiantes estructuras de producción y
gobierno, dado que las empresas soste- trabajo. La reforma de los sistemas de
nibles tienen necesidades que rebasan enseñanza y formación profesional y,
el ámbito de competencia del ministe- en este contexto, el desarrollo de pro-
rio de ejecución. La buena gobernanza gramas de transición de la escuela al
exige una coordinación y colaboración trabajo, podría ser un motor para el fo-
intragubernamental eficaz. mento de una cultura de iniciativa em-
presarial. Los gobiernos deberían hacer
11. Políticas internacionales. La promoción
las inversiones y crear las condiciones
de empresas sostenibles conlleva una

108 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Resolución Sobre la Promoción de Empresas Sostenibles

necesarias para reducir el analfabetismo de los conocimientos, la formación, la


y mejorar la educación y la formación concienciación, el asesoramiento y la
en todos los niveles y mejorar continu- orientación sobre cómo acceder a los
amente el sistema de educación. servicios públicos y privados, los vín-
culos con los recursos de investigación
FUNCIÓN DE LOS INTERLOCUTORES SOCIALES y consultoría y el asesoramiento sobre
las prácticas innovadoras en el lugar
17. Los empleadores y los trabajadores y sus
de trabajo. Además, desempeñan una
organizaciones tienen una función vital que
función en el suministro de información
desempeñar apoyando a los gobiernos en
sobre prácticas idóneas en la negocia-
la elaboración y aplicación de políticas para
ción colectiva y en el intercambio de
promover las empresas sostenibles como se
información sobre RSE.
ha señalado anteriormente. El tripartismo, el
bipartismo y el diálogo social eficaz son fun- 4. Aplicación de políticas y normas. Los
damentales para el desarrollo de empresas interlocutores sociales tienen un papel
sostenibles. Los interlocutores sociales pue- fundamental que desempeñar en la
den desempeñar un papel eficaz mediante puesta en práctica del trabajo decente,
lo siguiente: incluida la aplicación de normas labo-
rales y de políticas sobre el desarrollo
1. Promoción. Recordando la relación de
de los recursos humanos. Por ejemplo,
refuerzo mutuo entre el trabajo decente,
los interlocutores sociales tienen un
el desarrollo sostenible y la promoción
importante papel que desempeñar en
de empresas sostenibles, los interlocu-
la promoción de la seguridad y salud
tores sociales deberían participar en los
en el trabajo en el ámbito nacional así
procesos nacionales para promover y
como a nivel de la empresa, incluida
formular políticas y reglamentaciones
la elaboración y aplicación de políticas
apropiadas con el fin de fomentar el
relativas al VIH/SIDA en el mundo del
desarrollo de empresas sostenibles.
trabajo.
2. Representación. Los interlocutores socia-
les tienen una función vital que desem- PAPEL DE LA OIT
peñar para llegar con su acción a los
trabajadores y los propietarios de em- 18. La labor de la OIT en materia de promoción
presas y en particular a los de las PYME de empresas sostenibles debe guiarse por su
y a la economía informal y, en general, mandato, presupuesto y ventaja comparativa
para aumentar la representación de sus y debe estar firmemente basada en su funci-
miembros con miras a obtener benefi- ón singular de elaboración de normas y en
cios más amplios y de mayor alcance el Programa de Trabajo Decente. A este res-
de la asociación y sindicación, la repre- pecto, la OIT debería hacer uso plenamen-
sentación y el liderazgo, incluido en el te de su estructura tripartita, sus auténticas
ámbito de la promoción de la política conexiones con el mundo real del trabajo a
pública, su formulación y aplicación. través de organizaciones representativas de
empleadores y de trabajadores, una cultu-
3. Servicios. Los interlocutores sociales
ra arraigada de diálogo social y un marco
proporcionan una serie de servicios im-
normativo como organización que elabora
portantes a sus miembros que pueden
normas.
tener repercusiones considerables en la
formación y el crecimiento de empresas 19. La OIT debería promover la ratificación y
sostenibles, con inclusión de la gestión aplicación de los convenios internacionales

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 109


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

del trabajo que se refieren a la promoción de 22. El objetivo del trabajo decente es universal,
empresas sostenibles y la aplicación de las pero teniendo presente que la política y la
recomendaciones pertinentes (véase anexo). práctica en materia de promoción de empresas
sostenibles han de variar entre los países con
20. La Oficina debería trabajar en estrecha co-
diferentes niveles de desarrollo, la OIT tiene
laboración con sus mandantes y de manera
que proporcionar apoyo práctico y herramien-
continua para evaluar su práctica actual en
tas específicos a los gobiernos y los interlocu-
relación con estas conclusiones, incluyendo:
tores sociales. Es necesario elaborar e impartir
1. el lugar central que ocupa el Programa programas de formación en colaboración con
de Trabajo Decente en esta práctica; el Centro Internacional de Formación de la
2. la necesidad de mejorar la calidad de OIT. Dicho Centro debería centrar su labor
la ejecución de los programas y sus re- relativa a los programas de promoción de las
sultados; empresas en los elementos clave de la soste-
3. la armonización de los programas rela- nibilidad y el trabajo decente.
tivos a las empresas sostenibles con los
23. La OIT debería emprender investigaciones
programas de trabajo decente por país
y elaborar políticas con miras a promover
(PTDP) para asegurarse de que abordan
el empleo y el trabajo decente y cooperar
las prioridades y condiciones locales;
con las organizaciones internacionales per-
4. el examen de la estructura exterior que
tinentes a fin de hacer valer sus conocimien-
debería proporcionar la oportunidad
tos especializados sobre la relación entre el
de mejorar la ejecución y la calidad de
empleo y las cuestiones macroeconómicas
los programas relativos a las empresas
y comerciales. La OIT debería también ayu-
sostenibles, y
dar a los países en desarrollo a elaborar y
5. la importancia de la plena participación aplicar políticas sobre desarrollo industrial
de los mandantes en todas las activida- para la creación de empresas sostenibles.
des de la OIT.
24. Los PTDP constituyen el principal mecanis-
En sus intervenciones, la OIT ha de centrarse mo para la cooperación de la OIT con sus
en respuestas prácticas y orientadas en fun- mandantes en todo el mundo. Cada PTDP
ción de la demanda, como las herramientas, organiza la cooperación de la OIT en un
las metodologías y el intercambio de cono- marco coherente que permite efectivamente
cimientos que tengan valor práctico para los a los Estados Miembros avanzar con miras al
interlocutores sociales en sus actividades. logro del trabajo decente. La labor de la Ofi-
21. La creación de empresas sostenibles es un cina relativa al desarrollo de empresas soste-
elemento fundamental para lograr resultados nibles debería proporcionar apoyo directo y
en materia de trabajo decente. La labor de la pertinente a las estrategias contenidas en los
OIT con respecto al desarrollo de empresas PTDP. Ese apoyo tiene que contribuir a:
sostenibles está basada en el Programa Glo- 1. Reforzar la capacidad de los gobiernos
bal de Empleo, el cual, como pilar relativo y de los interlocutores sociales para es-
al empleo del Programa de Trabajo Decente, tablecer un entorno propicio para las
proporciona orientación con miras al logro empresas sostenibles. La OIT tiene que
del empleo pleno y productivo y el trabajo apoyar al gobierno para establecer po-
decente para todos. A este respecto, debe líticas y reglamentaciones que contri-
coordinarse con los otros tres objetivos estra- buyan a un entorno propicio para la
tégicos: derechos en el trabajo, protección creación de empresas sostenibles, que
social y diálogo social. contribuya al crecimiento en la econo-

110 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Resolución Sobre la Promoción de Empresas Sostenibles

mía formal, y que garantice el respeto analizar la dinámica de su entorno


de los derechos de los trabajadores y empresarial y laboral a fin de que
la igualdad de género. A este respecto, puedan propugnar el desarrollo de
la OIT debería apoyar a los gobiernos empresas sostenibles;
y los interlocutores sociales en la forma f) proporcionando asistencia técnica
siguiente: para apoyar a las nuevas empre-
a) desarrollando recursos de informa- sas, y a las microempresas y las
ción, herramientas y metodologías pequeñas y medianas empresas a
para apoyar a las empresas a fin fin de que logren ser sostenibles
de que tomen decisiones sostenibles mediante, por ejemplo, el estable-
basadas en una mejor comprensión cimiento de redes, el desarrollo de
del mercado de trabajo y de las las capacidades y las competencias
condiciones económicas y sociales, de los trabajadores, y la mejora de
particularmente en el mundo en de- las cadenas de valor y los conglo-
sarrollo; merados regionales y mundiales.
b) proporcionando orientación sobre 2. Mejora de la cadena de valor y desar-
la forma en que las políticas y la rollo de conglomerados. La OIT tiene
reglamentación pueden contribuir que apoyar a los gobiernos y los in-
a la mejora de las condiciones de terlocutores sociales para desarrollar
trabajo, un entorno empresarial pro- y mejorar los conglomerados/sectores
picio para las empresas sostenibles, que tienen potencial para crear em-
la transición de los operadores de presas sostenibles y trabajo decente.
la economía informal a la economía Concretamente, la OIT debería realizar
formal y el desarrollo económico y investigaciones y análisis que sirvan de
social; base para la identificación de sectores
c) proporcionando orientación y asis- con potencial de creación de empleo
tencia técnica a los Estados Miem- decente y la elaboración de estrategias
bros para que puedan producir es- para aprovechar esas oportunidades.
tadísticas más precisas y fiables a 3. Estrategias de desarrollo local. La OIT
fin de ayudarles a evaluar el logro debería proporcionar apoyo mediante
del trabajo decente a través de la la investigación, la formación, el inter-
empresa sostenible; cambio de conocimientos, y proyectos
d) recopilando y divulgando informaci- de cooperación técnica, a los gobier-
ón sobre la relación entre las políti- nos y los interlocutores sociales en la
cas relativas a cuestiones sociales de elaboración y aplicación de estrate-
carácter transversal, tales como las gias en los ámbitos subnacionales que
cuestiones de género y la necesidad contribuyan a la creación de empresas
de potenciar a la mujer, y el desar- sostenibles y trabajo decente. Esas es-
rollo de empresas sostenibles; trategias son particularmente pertinentes
en las regiones donde grandes sectores
e) proporcionando apoyo a las or-
económicos e industrias tradicionales
ganizaciones de empleadores y de
están bajo presiones competitivas y me-
trabajadores para promover los de-
dioambientales, y se necesitan nuevas
rechos de los trabajadores, colmar
oportunidades para el crecimiento y la
la brecha en materia de represen-
creación de empleo, así como en las
tación y mejorar su capacidad para

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 111


Promovendo o Trabalho Decente e o Desenvolvimento Sustentável: O Brasil na 96ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

situaciones posteriores a una crisis. de microempresas, pequeñas empresas


4. Aplicación de prácticas responsables y y medianas empresas sostenibles, a la
sostenibles en el lugar de trabajo. La promoción de las cooperativas, a la
OIT debería apoyar la documentación, empleabilidad, el empleo y el espíritu
difusión y reproducción de prácticas empresarial de los jóvenes (incluido en
idóneas en el lugar de trabajo a nivel los programas de enseñanza), a la po-
nacional, sectorial y de la empresa y uti- tenciación y el espíritu empresarial de
lizar sus conocimientos especializados la mujer, así como a los programas de
para ayudar a las empresas cuyas prác- desarrollo de la iniciativa empresarial
ticas no son sostenibles a que logren para grupos desfavorecidos. Se ha de
la sostenibilidad. Se debería brindar prestar especial atención a la economía
orientación específica a las empresas informal. La OIT podría brindar orienta-
con vistas a promover prácticas respon- ciones sobre la relación existente entre
sables en el lugar de trabajo a lo largo la reglamentación y la informalidad, las
de su cadena de suministro, incluido condiciones de trabajo y el crecimiento
mediante la utilización de la Declara- económico, así como sobre la elabora-
ción sobre las EMN. Ello abarcaría la ción de programas que apoyen la transi-
integración del concepto de trabajo ción de los operadores de la economía
decente, el papel de las organizacio- informal a la economía formal.
nes de empleadores y de trabajadores, 25. Al emprender las actividades antes men-
la importancia de los derechos de los cionadas, es importante que la OIT poten-
trabajadores, y la justificación econó- cie su ventaja comparativa para lograr un
mica de las prácticas sostenibles en mayor éxito mediante el establecimiento de
programas de desarrollo empresarial asociaciones para promover el Programa
más amplios. La OIT debería aportar de Trabajo Decente con otros organismos
sus conocimientos especializados sobre y organizaciones de las Naciones Unidas
el fomento de las relaciones laborales y (en particular en el contexto de la reforma
las asociaciones con miras a la mejora de las Naciones Unidas), con inclusión de
de la productividad y de las condiciones la Organización Mundial de la Salud y el
de trabajo. Esos programas tienen que Programa de las Naciones Unidas para el
incluir formadores y material concebido Medio Ambiente, a fin de garantizar la co-
para que los directores y representantes herencia y evitar la duplicación de esfuerzos.
de empresas y los trabajadores puedan También debería colaborar con las institu-
mejorar su participación en el diálo- ciones de Bretón Woods y otras instituciones
go social y la negociación colectiva y financieras internacionales y regionales, la
asegurarse de que los empresarios se Organización de Cooperación y Desarrollo
familiaricen con el concepto de trabajo Económicos, la Organización Mundial del
decente, el papel de los sindicatos y la Comercio, las instituciones académicas y
importancia del respeto de los derechos otros interlocutores pertinentes implicados
de los trabajadores en los programas de en la promoción de empresas sostenibles y
la OIT relativos a la puesta en marcha del trabajo decente. Debería colaborar con
de empresas y la formación. instituciones internacionales, multilaterales y
5. Programas específicos para grupos es- bilaterales con el fin de garantizar prácticas
pecíficos y marginados. Es necesario de contratación y adquisición y crediticias
prestar particular atención al desarrollo sostenibles para demostrar la comprensión

112 Cadernos de Relações Internacionais – Volume V


Resolución Sobre la Promoción de Empresas Sostenibles

y aplicación de los principios contenidos en INSTRUMENTOS


las normas internacionales del trabajo y la
Declaración sobre las EMN. La OIT debería Entre los instrumentos de la Organización Inter-
asimismo considerar la posibilidad de traba- nacional del Trabajo relacionados con la promoción
jar en colaboración con otros organismos y de empresas sostenibles figuran los siguientes:
organizaciones del sistema de las Naciones
Unidas y organizaciones externas para ela-
I – Convenios
borar módulos sobre el trabajo decente y las Convenio sobre la inspección del trabajo,
cuestiones sociales y medioambientales, a fin 1947 (núm. 81)
de incluirlos en las herramientas destinadas Convenio sobre las cláusulas de trabajo (con-
a las empresas incipientes. tratos celebrados por las autoridades públi-
26. En vista de la creciente proliferación de di- cas), 1949 (núm. 94)
ferentes normas privadas de RSE, la OIT de- Convenio sobre los representantes de los tra-
bería promover una discusión más detenida bajadores, 1971 (núm. 135)
con los mandantes acerca de cómo lograr Convenio sobre la protección de la materni-
un enfoque coherente. dad, 2000 (núm. 183)
27. Asimismo, de acuerdo con los parámetros
II – Recomendaciones
del Programa y Presupuesto, la Oficina de-
bería desarrollar sus bases de conocimientos Recomendación sobre la creación de empleos
sobre cuestiones emergentes (por ejemplo, en las pequeñas y medianas empresas, 1998
mediante la investigación en áreas tales (núm. 189)
como la vinculación entre la sostenibilidad, Recomendación sobre la promoción de las
el impacto del cambio climático en las em- cooperativas, 2002 (núm. 193)
presas y el empleo), facilitar el intercambio
Recomendación sobre el desarrollo de los re-
de conocimientos y prácticas entre los países
cursos humanos, 2004 (núm. 195)
(por ejemplo, mediante sitios web y bases de
datos sobre cuestiones como los convenios Recomendación sobre la relación de trabajo,
colectivos y las relaciones laborales y el en- 2006 (núm. 198)
torno propicio para las empresas sostenibles)
y reforzar sus programas de cooperación
técnica.

Cadernos de Relações Internacionais – Volume V 113