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FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET

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Escrevinhação n. 780
MISTÉRIOS QUE REVELAM A VERDADE – parte I

Redigido em 15 de setembro de 2009, dia de Nossa Senhora


das Dores e do Bem-Aventurado Antonio Maria Schwartz.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Não pretendas que as coisas sejam como


as deseja. Deseje-as como elas são”.
(Epíteto)

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Certa feita havia escrito um mísero libelo

sobre um dos Mistérios do Santo Rosário. O texto em questão

era a escrevinhação Refletindo sobre um dos muitos

mistérios. Mesmo não sendo digno de abordar publicamente um

tema tão sublime como esse, pretendo externar na forma de

palavras impressas em turvas páginas algumas reflexões

advindas do âmago deste ignóbil ser que sou quando,

solitariamente, medito sobre esses Mistérios que alumiam

nossas vidas com o cintilante brilho da Verdade.

O primeiro mistério, de alegria, conhecido de

todos nós, é a anunciação do anjo Gabriel a Nossa Senhora

(Lc I, 26-38). O primeiro ponto que nos chama a atenção é a

presença do Ser angelical. Nas sociedades tradicionais, a

presença de tais seres sempre é visto como um acontecimento

de grande importância, uma grande honra. No caso da

Santíssima Virgem, temos um detalhe a mais. Quando o Anjo

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Gabriel se apresenta para a Virgem, esse diz: AVE MARIA

GRATIA PLENA.

Muito bem, mas qual a importância destas

palavras? Em várias ocasiões os anjos se manifestaram aos

homens, porém, em todas essas ocasiões eram os homens que

rendiam reverência aos anjos e não estes aos homens, porque

os anjos são seres celestes e estão acima de nós, como nos

ensina São Tomás de Aquino em seus sermões sobre a AVE

MARIA. Entretanto, quando Gabriel surge diante da Virgem

Santíssima, este é quem faz as reverências para a única

criatura humana que foi maior que os anjos em plenitude de

graça e por sua dignidade. Por isso, repetimos

incansavelmente AVE MARIA, GRATIA PLENA DOMINUS TECUM.

Na figura da Virgem vemos claramente o exemplo

da humildade diante de Deus, da aceitação da vontade de

Deus, da verdade que se faz realizar na vida para que ela,

a Vida, possa ser plenamente Verdadeira. Sobre esse ponto,

São Luiz Maria Grignion de Montfort, em seu TRATADO DA

VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM, nos lembra que

muitos, antes de Maria, haviam clamado pela vinda do

Salvador. Inúmeros Patriarcas, Profetas e Santos da Lei

Antiga suspiraram pela vinda Dele e, ao final, foi a prece

humilde da serva virtuosa que foi agraciada, em seu ventre,

com a Luz do Mundo.

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Doravante, como nos ensina Santo Agostinho, o

mundo não era digno de receber o Filho de Deus diretamente

das mãos do Pai. O mundo, nós, recebemos a presença de

Nosso Senhor através de Maria Santíssima, que é

infinitamente mais digna do que todos nós. O mundo, aos

olhos de Deus, era impuro de receber o seu Filho Unigênito,

porém, aos Seus olhos, Maria é pura para poder apresentar-

nos o Verbo Encarnado.

E assim o é por sua exemplar humildade. Porém,

não entendamos por humildade aquele servilismo jocoso aos

ditames do mundo e de suas vilezas, não mesmo. Tornou-se

chavão em nossa sociedade crer que humildade é sinônimo de

respeito à opinião dos outros e de baixar a cabeça diante

de todas as sandices que nos são ditas como se fossem

verdades dignas de respeito. Isso não é humildade, é

covardia moral.

Humildade, tal qual vemos exemplarmente

revelada na vida exemplar da Santíssima Virgem, é a total

conformação de nosso Ser a Vontade de Deus, a total

inclinação de nossa alma a aceitar a realização da Verdade

em nós, pois Deus é a Verdade e a Vida. O espírito do mundo

(as opiniões e tutti quanti) é o engano que leva a nos

afastar da Verdade e, consequentemente, da Vida, nos

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entregando a qualquer engodo que se apresente como

substituto a Ela.

E mais! Deus é a Verdade e negar a Verdade é

negar a Deus. Valorizar mais o espírito miúdo (nossas

opiniões) e o espírito do mundo em detrimento a Verdade que

se faz revelar em todos os cantos da vida, é negar a Deus,

silenciosamente, no íntimo de nossa alma. Por essa razão

que o finado Papa João Paulo II em suas Encíclicas

VERITATIS SPLENDOR e FIDES ET RATIO condenava o

relativismo, o ceticismo e o materialismo. Por essa mesma

razão que o atual Sumo Pontífice em suas Encíclicas DEUS

CARITAS EST e SPE SALVI nos adverte quanto aos mesmos

males.

Lembramos também que neste mistério do Santo

Rosário, o primeiro, temos a apresentação do ungüento para

as chagas de nossa alma, que é o exemplo virtuoso de nossa

Medianeira, exemplo a ser imitado por todos nós. Aliás,

como nos lembra a Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM, a

Virgem “de modo inteiramente singular, pela obediência,

fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do

Salvador para a restauração da vida sobrenatural das

almas”.

Ora, para podermos crescer em dignidade e

sapiência é fundamental que tenhamos plena confiança (Fé)

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na capacidade que Deus nos deu para procurarmos conhecer a

Verdade nas suas várias formas de se manifestar a nós.

Conhecendo-a em uma persistente procura, devemos obedecê-

la, pois, como nos ensina o filósofo grego Platão:

“Verdade conhecida, Verdade obedecida”. E nesta entrega

obediente a Verdade que se apresenta a nós, trabalharmos

dia a dia na esperança de que ela nos transforme, nos

aprimore e que, neste diuturno trabalho, possamos

transbordar caritativamente os frutos que advém da

realização desta procura.

Por fim, a humilde serva disse ao anjo (Lc I,

38) “Eis aqui a serva do Senhor. Seja-me feito segundo a

tua palavra”. Bem, veja só o quanto estamos distantes do

exemplo de Maria, deste ungüento para alma. Meu caro, seja

franco consigo mesmo: quantas e quantas vezes você, estando

diante de uma verdade, ao invés de aceita-la, de curvar seu

intelecto e seu ser diante dela, preferiu agarrar-se

orgulhosamente a uma de suas “preciosas” opiniões e gostos?

Bem, e são nessas ocasiões, nesses momentos que vaidade,

que nos fechamos para Vontade de Deus.

Exagero de minha parte? Então me diga: se somos

incapazes de aceitar pequenas verdades, se somos incapazes

de nos inclinar diante de pequenos extratos da realidade,

como podemos imaginar que nos curvaremos para Aquele que É?

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Pois é meu caro, da mesma forma que de conta em conta se

reza um Rosário, de engano em auto-engano se torna obtusa

uma alma. No caso do Rosário sua alma é iluminada, no

segundo, você sabe ou, ao menos, imagina saber o que

acontece, não é mesmo?

[continua]

Pax et Bonum
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