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TEMPO COMUM. VIGÉSIMA QUINTA SEMANA.

TERÇA-FEIRA

14. O SILÊNCIO DE MARIA


– A Virgem meditava no seu coração os acontecimentos da sua vida.

– Silêncio de Maria durante os três anos da vida pública de Jesus.

– O recolhimento interior do cristão.

I. GOSTARÍAMOS DE QUE os Evangelistas tivessem narrado


mais acontecimentos e palavras de Santa Maria. O amor faz-nos
desejar mais notícias da nossa Mãe do Céu. No entanto, Deus
cuidou de no-las dar a conhecer, na medida em que nos era
necessário, tanto durante a vida de Nossa Senhora aqui na terra
como agora, depois de vinte séculos, através do Magistério da
Igreja, que, com a assistência do Espírito Santo, desenvolve e
explicita os dados revelados.

Pouco tempo depois da Anunciação, ainda que a Virgem não


tivesse comunicado nada a Santa Isabel, esta penetrou no
mistério da sua prima por revelação divina. O mesmo se passou
com José, que não foi informado por Maria, mas por um anjo em
sonhos, sobre a grandeza da missão daquela que já era sua
esposa. No nascimento do Messias, Maria continuou a guardar
silêncio, e os pastores foram informados pelos anjos do maior
acontecimento da humanidade. Maria e José também nada
disseram a Simeão e Ana quando, como um jovem casal entre
muitos, foram a Jerusalém para apresentar o Menino no Templo.
E, primeiro no Egipto e depois em Nazaré, Maria não falou a
ninguém do mistério divino que envolvia a sua vida. Nada
comentou com os seus parentes e vizinhos. Limitou-se a
conservar todas estas coisas, ponderando- as no seu coração1.
“A Virgem não procurava, como tu e como eu, a glória que os
homens dão uns aos outros. Bastava-lhe saber que Deus sabe
tudo. E que não necessita de pregadores para anunciar aos
homens os seus prodígios. Que, quando quer, os céus publicam
a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos
(Sl 18, 1-2). Dos ventos fazes os teus mensageiros, e do fogo
ardente os teus ministros (Sl 104, 4)”2.

“É tão formosa a Mãe no perene recolhimento com que o


Evangelho no-la mostra!... Conservava todas estas coisas,
ponderando- as no seu coração! Esse silêncio pleno tem o seu
encanto para a pessoa que ama”3. Na intimidade da sua alma,
Nossa Senhora foi penetrando cada vez mais no mistério que lhe
tinha sido revelado. Mestra de oração, ensinou-nos a descobrir
Deus – tão perto das nossas vidas! – no silêncio e na paz dos
nossos corações, pois “só quem pondera com espírito cristão as
coisas no seu coração pode descobrir a imensa riqueza do
mundo interior, do mundo da graça, desse tesouro escondido
que está dentro de nós [...]. Foi este ponderar as coisas no
coração que fez com que a Virgem Maria fosse crescendo, com
o decorrer do tempo, na compreensão do mistério, na santidade
e na união com Deus”4.

O Senhor também nos pede esse recolhimento interior em que


guardamos tantos encontros com Ele, preservando-os dos
olhares indiscretos ou vazios para tratar deles a sós “com quem
sabemos que nos ama”5.

II. “A ANUNCIAÇÃO REPRESENTA o momento culminante da fé


de Maria à espera de Cristo, mas é além disso o ponto de
partida do qual arranca todo o seu caminho para Deus, todo o
seu caminho de fé”6. Esta fé foi crescendo de plenitude em
plenitude, pois Nossa Senhora não compreendeu tudo ao mesmo
tempo nas suas múltiplas manifestações. Com o correr dos dias,
talvez sorrisse ao recordar a perplexidade que a levara a
perguntar ao Anjo como poderia conceber se não conhecia
varão, ou ao interrogar Jesus sobre o motivo por que se
separara de seus pais para passar três dias no Templo sem os
avisar... Podia agora admirar-se de não ter entendido o que já
então se lhe manifestava7.

O recolhimento de Maria – em que Ela penetra nos mistérios


divinos acerca do seu Filho – é paralelo ao da sua discrição.
“Para que as coisas possam guardar-se no interior e ser
ponderadas no coração, é condição indispensável guardar
silêncio. O silêncio é o clima que torna possível o pensamento
profundo. Quem fala demasiado dissipa o coração e leva-o a
perder tudo o que há de valioso no seu interior; assemelha-se
então a um frasco de essência que, por estar destapado, perde
o perfume, ficando apenas com água e um ligeiro aroma a
recordar vagamente o precioso conteúdo de outrora”8.

A Virgem também guardou um discreto silêncio durante os


três anos da vida pública de Jesus. A partida do seu Filho, o
entusiasmo da multidão, os milagres, não mudaram a sua
atitude. Apenas o seu coração experimentou a ausência de
Jesus. Mesmo quando os Evangelistas falam das mulheres que
acompanhavam o Mestre e o serviam com os seus bens9, nada
dizem de Maria, que certamente permaneceu em Nazaré.

Não é de estranhar que a Virgem procurasse vez por outra o


seu Filho, para vê-lo, ouvi-lo, falar com Ele... O Evangelho da
Missa10 narra uma dessas ocasiões. A sua Mãe foi vê- lo,
acompanhada por alguns parentes, mas, ao chegar à porta da
casa, não pôde entrar por causa da multidão que se juntara ao
redor do seu Filho. Avisaram Jesus de que sua Mãe estava fora e
desejava vê-lo. Então, segundo diz São Marcos11, Jesus, olhando
para os que estavam sentados à sua volta, disse: Quem faz a
vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.

A Virgem não se desconcertou com a resposta. A sua vida de


fé e de oração fizeram-na entender que o seu Filho se referia
muito particularmente a Ela, pois ninguém esteve jamais tão
unido a Jesus como Ela, ninguém como Ela cumpriu com tanto
amor a vontade do Pai. O Concílio Vaticano II recorda-nos que a
Santíssima Virgem “acolheu as palavras com que o Filho,
exaltando o Reino acima de raças e vínculos da carne e do
sangue, proclamou bem-aventurados os que ouvem e guardam a
palavra de Deus, tal como Ela mesma fielmente o fazia”12. Maria
é mais amada por Jesus em virtude dos laços criados em ambos
pela graça do que por força da geração natural, que fez dEla sua
mãe no plano humano. Mas Maria também guardou silêncio
nessa ocasião; não explicou a ninguém que as palavras do
Mestre se dirigiam especialmente a Ela. Depois, passados talvez
uns poucos minutos, a Mãe encontrou-se com o Filho e
certamente agradeceu-lhe tão extraordinário louvor.

Jesus dirige-se a nós de muitas maneiras, mas só


entenderemos a sua linguagem num clima habitual de
recolhimento, de guarda dos sentidos, de oração, de paciente
espera. Porque o cristão, como o poeta, o escritor e o artista,
deve saber aquietar “a impaciência e o temor [...], aprender –
talvez com dor – que só quando a semente escondida na terra
germinou, e vingou, e lançou numerosas raízes, é que brota uma
pequena planta. E ao ouvir que lhe perguntam sorridentes: Mas
isto é tudo?, deve dizer que sim, e estar convencido de que só
se a planta estiver bem enraizada, é que irá crescendo, até que,
já transformada em árvore, venha a mostrar com os seus ramos
– conforme se julgava em épocas passadas – a extensão da sua
profundidade”13.
III. O SILÊNCIO INTERIOR, o recolhimento que o cristão deve
ter é plenamente compatível com o trabalho, a actividade social
e a azáfama em que a vida nos mergulha, pois “nós, os filhos de
Deus, temos de ser contemplativos: pessoas que, no meio do
fragor da multidão, sabem encontrar o silêncio da alma em
colóquio permanente com o Senhor; e olhá-lo como se olha para
um Pai, como se olha para um Amigo, a quem se ama com
loucura”14.

A própria vida humana, se não estiver dominada pela


frivolidade, pela vaidade ou pela sensualidade, tem sempre uma
dimensão profunda, íntima, um certo recolhimento que adquire o
seu pleno sentido em Deus. É aí que conhecemos a verdade
acerca dos acontecimentos e o valor das coisas. Recolher- se –
“juntar o que está separado”, restabelecer a ordem perdida –
consiste, em boa parte, em evitar a dispersão dos sentidos e
potências, em buscar a Deus no silêncio do coração, que dá
sentido a todo o acontecer diário. O recolhimento é património
de todos os fiéis que buscam o Senhor com empenho. Sem esta
luta decidida – e contando sempre com a ajuda da graça –, não
seria possível esse silêncio interior, não só no meio do ruído da
rua como também na maior das solidões.

Para termos Deus connosco em qualquer circunstância, e


para estarmos mergulhados n’Ele enquanto trabalhamos ou
descansamos, ser-nos-ão de grande ajuda – e mesmo
imprescindíveis – esses tempos que dedicamos especialmente
ao Senhor, como este em que procuramos estar na sua
presença, falar-lhe e pedir-lhe... “Procura encontrar diariamente
uns minutos dessa bendita solidão que tanta falta te faz para
teres em andamento a vida interior”15.

Num mundo de tantos apelos externos, faz-nos muita falta


“esta estima pelo silêncio, esta admirável e indispensável
condição do nosso espírito, assaltado por tantos clamores [...].
Ó silêncio de Nazaré, ensina-nos esse recolhimento, a
interioridade, a disponibilidade para escutarmos as boas
inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a
necessidade e o valor da preparação, do estudo, da meditação,
da vida pessoal e interior, da oração secreta que só Jesus vê”16.

Da Virgem Nossa Senhora, aprendemos a estimar cada dia


mais esse silêncio do coração que não é vazio, mas riqueza
interior, e que, longe de nos separar dos outros, nos aproxima
mais deles, porque nos faz entendê-los na sua verdadeira
importância, nos seus anseios, inquietações e necessidades.

(1) Lc 2, 51; (2) Salvador Muñoz Iglesias, O Evangelho de Maria, Quadrante,


São Paulo, 1991, pág. 21; (3) Chiara Lubich, Meditações, Cidade Nova, Madrid,
1989, pág. 14; (4) Federico Suárez, A Virgem Nossa Senhora, 4ª ed., Prumo,
Lisboa, 1983, pág. 183-184; (5) Santa Teresa, Vida, 8, 2; (6) João Paulo II,
Carta Encíclica Redemptoris Mater, 25.03.87, 14; (7) cfr. Jean Guitton, La
Vírgen Maria, 2ª ed., Rialp, Madrid, 1964, pág. 109; (8) Federico Suárez, A
Virgem Nossa Senhora, pág. 185; (9) cfr. Lc 8, 19-21; (10) Lc 8, 19-21; (11) Mc
3, 34; (12) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 58; (13) Federico
Delclaux, El silencio creador, Rialp, Madrid, 1969, pág. 15; (14) Bem-
aventurado Josemaría Escrivá, Forja, n. 738; (15) Bem-aventurado Josemaría
Escrivá, Caminho, n. 304; (16) Paulo VI, Alocução em Nazaré, 5.01.64.

(Fonte: Website de Francisco Fernández Carvajal AQUI)