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Coletivo Feminista Baré

Coletivo Feminista Baré

O aborto Aborto A carne que apodrece em teu antigo leito O cálice que derrama o

O aborto

Aborto A carne que apodrece em teu antigo leito O cálice que derrama o que um dia foi teu desejo A lágrima que ainda tenta surgir E a podre sensação de um ambiente violado por um corpo amaldiçoado de si pode tu desistir que nasça de ti?

Pode ao não poder Na ilegalidade de tuas causas Sofres, temes e tremes! Tremes de frio e de tamanha dor E sem amparo segues para dar fim a algo que jaz extinto ao abrigar-se em teu útero vazio Não podem obrigar-te a isso! Não podem tornar-te mãe Não podem violar dessa forma teu corpo Não podem e nem devem o fazer, mas aniquilam teu poder teu corpo já não é teu é do estado e o que é teu já nem existe as leis não dar-te-ão amparo

E as dores que sofres num casebre hostil Para ter poder sobre ti Para teu corpo te pertencer E os teus motivos te serem suficientes São as piores E quando assim não o fizer já que as tuas razões não São motivos para terdes poder sobre ti, segues com teu rancor e motivos inibidos Unidos em tua gestação

Então tua vida prossegue como o impulso, o abalo e o transtorno de quem corta os pulsos e teu amparo nunca chega e a eles isso não importa As equipes médicas não sabem de ti, algumas vezes chegam a lê teu nome no jornal Com enunciado da tua morte após teu aborto ilegal, só assim o chegam a conhecer-te E as tuas, as minhas e as nossas dores, o nosso óbito físico e muitas das vezes mental seguem E então eu clamo por nós Salvem-nos Salvem-nos de manchetes com abortos ilegais Salvem nossas vidas Descriminalizem nossas escolhas E nos deixem decidir sobre nós Deixem-nos viver senhores Deixem-nos viver, por amor de nós! Deixe eu decidir de mim Permita, pois que ela escolha sobre ela Não nos fale de liberdade, maldita democracia que sem pudor nos guia rumo a miséria de nossas almas deixe meu corpo sobre meus comandos e sem auxilio me abandonem em cubículos já que só através de sangue derramado a razão chega -lhes aos olhos, as leis são criadas e a igualdade finge existir mas por enquanto vou cuidar muito mal de mim, mas não permito-me a vossa servidão !

Raescla Oliveira

D edo medinho

Estou nua Levaram a minha paz

Atearam fogo em todos os meus direitos

Em toda a minha alma Me lançam à fogueira todos os dias Se eu não cruzo as pernas ou se eu as cruzo Se eu falo muito ou pouco Se as minhas curvas são imperfeitas ou se chegam a perfeição que tens lançado em suas revistas e outdoors se eu tenho muitos filhos ou nenhum se eu caso, descaso ou se eu nunca caso se eu durmo com tod@s ou se ninguém dei- ta ao meu lado simplesmente eu faça ou não eu ser lhes basta pra desapontar-lhes, mas à mim não por isso eu ergo a bandeira eu sou a minha causa o nosso grito o gemido comigo estão as dores é de mim que vem cada palavra vamos me escolham ,

Raescla Oliveira

D edo medinho Estou nua Levaram a minha paz Atearam fogo em todos os meus direitos

tentem lançar-me à fogueira apontem em minha direção, pois eu sou mulher julgue-me eu luto e a minha luta lhes causa tontura e a vossa loucura vossa forma de oprimir vosso hábito perito em não discernir me fazem ir por mim e por tod@s ir diante de vós jamais distante, pois quero lhes mostrar a minha razão quero erguer os olhos da intensidade da minha alma vou desapontar-lhes com exatidão comprometer todos os seus costumes desabafar nos seus muros vou desapontar-lhes com todos os métodos vou trilhar outro caminho vou lutar por outro caminho e em uma nova direção vou desapontar-lhes com a minha razão !

Olhos vermelhos, arregalados De onde a inocência e paz foram retirados Refletem a face do agressor sorridente Livre enquanto ela foi presa para sempre. Amarrada, torturada, julgada e acusada Por ser vítima do próprio nascimento. É tamanha a desonra que não há palavra para des- crever tamanho sofrimento

O mundo cai como as lágrimas Gargantas fecham sufocadas A vergonha eternamente cristalizada Assombra as moças desoladas

Corpos feridos, maculados Contra suas vontades foram violados E agora têm a ordem de aguentar caladas À dor da violência têm que estar acostumadas.

Suas lágrimas são injustas porque aqui não há justi-

ça. Mas cabisbaixas, com punhos cerrados, se juntam a lutam para pregar uma nova vida.

O mundo cai como as lágrimas Gargantas fecham sufocadas A vergonha eternamente cristalizada Assombra as moças desoladas

Emerson Leandro

Olhos vermelhos, arregalados De onde a inocência e paz foram retirados Refletem a face do agressor
Eu que te fiz mundo Com as minhas mãos tens nascido Ouçam bem “ Pais da

Eu que te fiz mundo Com as minhas mãos tens nascido Ouçam bem Pais da Medicina Senhores cirurgiões obstetras Senhores que me acusaram Que amaldiçoaram mais uma vez as minhas mãos feminas Eu parteira fui analfabeta, estudada, alfabetizada Fui mãe, estéril, viúva, solteira, casada Fui negra, branca, miscigenada Eu parteira, te pari mundo Conhecia e conheço muito bem o meu corpo

E o das tuas mães Parteira, condenada pela medicina

Pelos pais da ciência Alguns buscavam o meu auxilio Hoje digo e insisto Te fiz mundo! Eu pari o mundo, a ciência e a medicina Fiz, pois estava lá Ao amparar até no consolar

Fui eu o auxilio, pois conhecia bem a diferença de cada parto e como é lindo parir sem papéis, sem leitura ou lendo muito Foram essas mãos femininas que te fizeram mundo Minha medicina foi a primeira Minha medicina é de mãe solteira É de parteira!

Aos poucos volta à vida

Agora alternativa no passado solução era senhora e agora menina renasce, floresce Tem gênero, é de parteira Se por ventura ainda não sou de confiança Saibam que eu te fiz mundo E a medicina moderna de pais tem unido-se a minha com os Olhos bem abertos direcionados aos meus costumes, minhas mãos femininas Dessa ciência que têm mãe, de arte que têm mãe Levem essa medicina moderninha pra longe, pois eu sou mãe solteira E a minha medicina é de parteira Aborto e cria vem dessas mãos femininas.

Raescla Oliveira

Agora eu vou contar uma história ... “ Hoje sou um animal imprestável. Esfolada, jogada por

Agora eu vou contar uma história ... Hoje sou um animal imprestável. Esfolada, jogada por aí, por aí, porque ninguém teve dó de mim Não sabiam se eu era mesmo um animal ou gente mesmo assim não quiseram me enterrar também não se sabia se estava viva ou realmente morta também não fizeram caso se precisava de socorro ou não estava ali só de passagem esfolada nos dedos do pés até as pálpebras

fiquei por aí querendo os encantos da vida, sentei e chorei

Sou um trapo mantendo distância para a segu- rança dos sadios, dos sorrisos abertos, e também dos dispostos a amar e se entregar no pranto no ombro amigo e os que abraçam sem medo."

É o que pensam! Esqueceram que tenho todos esses sentimen- tos também:

amor, alegria e dor.

Aprisionada, obrigada a dizer ; Sim, Senhor!de um sujeito ensanguentado do seu egoísmo.

E eu querendo viver sem temor faço o que tenho vontade, desejo e querer, mi- nha gente. Só estava na praça na sexta à noite, sentido a brisa.

Dois monstros violentaram o meu corpo

...

MEU

CORPO

Com o meu tacacá e o lápis na mão escrevo poemas

poemas da vida que levo, de um corpo que pertence somente a MIM.

Lora Bernardino

A auto ditadura

cabelos lisos e esticados pentelhos todos raspados pelos do corpo quimicamente dourados

um não peito de silicone agora despeito é

anabolizantes remediam características de mulher quem sou no espelho que não reconheço a beleza de ser o que se é?

A pior imposição não é mais a dita vertical é aquela que se auto flagela como dádiva moral magrela, peituda, bunda batida e dentuça o defeito que for

resignifica-se a beleza pelo olhar do espectador o belo é o que dizem ou é o que se perde pela falta de tato do

olhar? Encarar a cicatriz exposta como gloriosa memória de sua histó- ria a contar.

Maysa Fernandes

A auto ditadura cabelos lisos e esticados pentelhos todos raspados pelos do corpo quimicamente dourados um
Ela É o teu corpo teus lábios o jeito de falar de coisas tão banais e

Ela

É o teu corpo

teus lábios

o jeito de falar

de coisas tão banais e torná-las

que por ti, sinto a tão

aqueles dias

.. tão interessantes mais clara calmaria

..

.. o olhar que tenho medo de negar

..

..

e me irradia e acalanta, como o pôr-do-sol

.. branco não se esvaem da minha cabeça

.. e isso é mau, quando se acorda e

.. de cabelos negros quase tão pretos

não tem ninguém do lado direto da cama

quando a noite vazia

odiar

..

.. me faz mutável

..

.. mais cheia dos mais incríveis pensamentos de amar e

me faz a alma viva

..

tão mulher quanto as mulheres e

tão diferente delas, deixo que minha impaciência te irrite e brava assim, me

faça sentir que se importa

vem como o vento a tua voz

..

e um inconfundível

as cur-

.. sorriso que muda todos os meus solitários dias

deitada ali tão alva

.. vas não deixam mentir, que é contigo que preciso

..

.. necessito viver esses dias

chuvosos

..

com uma boa xícara de amor e ódio ..

Priscilla Thury

Enquanto o couro do chicote cortava a carne, A dor metabolizada fortificava o caráter; A colôniaYzalú Compositor: Eduardo - Facção Central " id="pdf-obj-8-2" src="pdf-obj-8-2.jpg">

Enquanto o couro do chicote cortava a carne, A dor metabolizada fortificava o caráter; A colônia produziu muito mais que cativos, Fez heroínas que pra não gerar escravos matavam os filhos; Não fomos vencidas pela anulação social, Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial; O sistema pode até me transformar em empregada, Mas não pode me fazer raciocinar como criada; Enquanto mulheres convencionais lutam contra o ma- chismo, As negras duelam pra vencer o machismo, O preconceito, o racismo; Lutam pra reverter o processo de aniquilação Que encarcera afros descendentes em cubículos na pri- são; Não existe lei maria da penha que nos proteja, Da violência de nos submeter aos cargos de limpeza; De ler nos banheiros das faculdades hitleristas, Fora macacos cotistas; Pelo processo branqueador não sou a beleza padrão, Mas na lei dos justos sou a personificação da determina- ção; Navios negreiros e apelidos dados pelo escravizador Falharam na missão de me dar complexo de inferior; Não sou a subalterna que o senhorio crê que construiu, Meu lugar não é nos calvários do brasil; Se um dia eu tiver que me alistar no tráfico do morro, É porque a lei áurea não passa de um texto morto;

Não precisa se esconder segurança, Sei que cê tá me seguindo, pela minha feição, minha trança; Sei que no seu curso de protetor de dono praia, Ensinaram que as negras saem do mercado Com produtos em baixo da saia; Não quero um pote de manteiga ou um xampu,

Quero frear o maquinário que me dá rodo e uru; Fazer o meu povo entender que é inadmissível, Se contentar com as bolsas estudantis do péssimo ensi- no; Cansei de ver a minha gente nas estatísticas, Das mães solteiras, detentas, diaristas. O aço das novas correntes não aprisiona minha mente, Não me compra e não me faz mostrar os dentes; Mulher negra não se acostume com termo depreciativo, Não é melhor ter cabelo liso, nariz fino; Nossos traços faciais são como letras de um documento, Que mantém vivo o maior crime de todos os tempos; Fique de pé pelos que no mar foram jogados, Pelos corpos que nos pelourinhos foram descarnados. Não deixe que te façam pensar que o nosso papel na pá- tria É atrair gringo turista interpretando mulata; Podem pagar menos pelos os mesmos serviços, Atacar nossas religiões, acusar de feitiços; Menosprezar a nossa contribuição na cultura brasileira, Mas não podem arrancar o orgulho de nossa pele negra;

Mulheres negras são como mantas kevlar, Preparadas pela vida para suportar; O racismo, os tiros, o eurocentrismo, Abalam mais não deixam nossos neurônios cativos

Mulheres Negras Yzalú Compositor: Eduardo - Facção Central

Disseram que a mulher se libertou

Não foi o que a Maria achou

Ela trabalha duro todo o dia

A mulher é duplamente explorada

Trabalha em casa e não recebe nada

Trabalha fora e é humilhada

E tem raros momentos de alegria

Ela gera dinheiro para o patrão

Mas no fim do mês, fica sem um tostão

Disseram que a mulher é a rainha do lar

Não é o que acha a Cleomar

Limpa a casa até anoitecer

Enquanto o marido assiste TV

Esse marido também é explorado

Mas trata a mulher pior do que é tratado

Disseram que a mulher é assim naturalmente

Tem que cuidar dos filhos, da casa, e de toda a

gente

Ah, mas que gente incompetente!

Não suspeita que a mulher é diferente

Que ela pensa, ama, chora

Que perde suas preciosas horas

Em trabalhos que ninguém reconhece

Em esforços que todos esquecem?

E se a mulher trai o marido

É motivo pra pancada

Mas se o marido trai a mulher

Oprimida também pela mulher patroa

Pois há mulheres que ganham dinheiro e es-

quecem das outras

Disseram que a mulher é objeto

E ainda acham isso correto

Em cada propaganda odiosa e machista

Que expõe só o seu corpo na revista

Que esquece que a mulher também é pessoa

Essa é a verdade doa a quem doa

A mulher é escritora inteligente, artista

Trabalhadora da fábrica, cientista

Ela é lutadora e defende seus direitos

E aos poucos desfaz os preconceitos

Ela luta com força contra o patrão opressor

E tenta convencer o companheiro trabalhador

De que homens e mulheres do povo são iguais

E aqueles que os oprimem não o farão jamais

E ao invés de se sentirem sozinhas e unitárias

Se unem e gritam forte: Viva as LIBERTÁRIAS!

Raescla Oliveira

Ah

... Ninguém lembra de nada
...
Ninguém
lembra de nada

organizado por

Coletivo feminista

Baré

cfeministabare@gmail.com

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